A HISTÓRIA DA
EDUCAÇÃO
A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
1. Primórdios da educação formal
O período tradicionalmente
compreendido como Pré-história se
estende do surgimento do homo até a
descoberta dos metais na maior parte
da Ásia, Europa e norte da África. Em
relação a essa afirmação, é perceptível
uma caminhada evolutiva que se
desdobra em eras (Paleolítico, Neolítico
e Idade dos Metais), cada qual
albergando uma escalada tecnológica
que culmina no desenvolvimento da
escrita.
O ensino difuso, que não está
centrado em qualquer instituição
ou autoridade específica, mas
no qual todos os adultos da
comunidade participam da
educação da criança, contribui
para sua formação integral, visto
que é pautado nas atividades de
sobrevivência e nas narrativas
que fundamentam a cultura do
grupo.
Educação Difusa
“Todo povo que
atinge um certo grau
de desenvolvimento
sente-se naturalmente
inclinado à prática da
educação”. (Werner
Wilhelm Jaeger)
As novas Civilizações
As primeiras grandes civilizações
surgiram em torno de rios, os quais
permitiam a exploração agrária
regular e o acúmulo de riquezas,
acúmulo este que possibilitou a
formação de grandes exércitos,
complexas hierarquias sacerdotais e
governamentais, bem como a
criação de arquitetura monumental e
de manifestações artísticas
sofisticadas.
O Antigo Egito é digno de nota
justamente pela persistência de
seu modo de vida e costumes, o
que aponta para uma visão de
mundo que prezava pela
continuidade e buscava a
manutenção da ordem social e
religiosa conhecida. A educação
institucionalizada pode ter
desempenhado um papel
importante nessa trajetória
civilizacional.
No caso da maior parte das
pessoas, a educação inicial era
completamente concentrada no
núcleo familiar, e aos mais velhos
cabia a função de inculcar nas
crianças os valores de obediência
e respeito à hierarquia, além das
instruções necessárias para a
realização dos tipos de trabalho
que já eram empreendidos por
seus pais. Parece plausível que
também partissem dos pais as
primeiras formas de
aprendizagem religiosa e cultural
das crianças.
A Importância da Escrita
O desenvolvimento da escrita
foi uma revolução do
conhecimento e permitiu a
organização a conservação e a
ampliação dos saberes
humanos, também se revelou
crucial para o estabelecimento
de um regime de educação
formal.
2. Educação Clássica
A civilização que se desenvolveu na
Grécia da Antiguidade impactou
profundamente as artes, a
arquitetura, a literatura, as práticas
esportivas e o pensamento de
diversas culturas posteriores. O
estudo da filosofia, e mesmo
palavras como pedagogo e didática
são legados gregos. Muitos desses
traços culturais foram assimilados e
transmitidos por outra sociedade do
Mediterrâneo, os romanos, cujo
poderio militar permitiu que
construíssem um dos maiores
impérios da história.
Educação clássica
Primeiramente, é importante
identificar o que fundamentava
a educação grega. Para tal,
precisamos nos remeter ao
conceito de paideia, a
educação dos rapazes, que, no
sentido mais amplo, tratava da
formação integral do homem
grego livre. Esse homem era
um cidadão, um agente da vida
coletiva da pólis, a cidade-
estado grega.
Educação grega
Paidea
Areté kaloskagathos,
3. Educação religiosa
Após a queda do Império Romano,
em 476, a Europa viveu o período
das invasões bárbaras, ao que se
seguiu o esvaziamento das cidades
e a decadência de inúmeras
instituições romanas, com notável
exceção da Igreja. E, ao longo desse
período, a Idade Média, a educação
se tornaria uma competência das
instituições eclesiásticas.
Educação Medieval
Patrística Escolástica
Idealista Realista
(Agostinho) (Tomás de Aquino)
4. Pedagogia renascentista
Com a difusão da literatura clássica e o
interesse renovado pelo aprendizado das
letras nos séculos XVI e XVII, o número de
colégios aumentou pelo continente, e estes
se tornaram cada vez mais organizados. O
modelo de ensino, como já foi salientado,
ainda seguia o método escolástico. “Os
programas continuavam a se basear nos
clássicos trivium e quadrivium, persistindo,
portanto, a educação formal de gramática e
retórica, como na Idade Média. Não foi
abandonada a ênfase no estudo do latim,
com frequente descaso pela língua
materna” (ARANHA, 2006, p. 126).
5. Humanismo e a formação de um
novo homem
O humanismo foi fundamental para o
pensamento renascentista. Embora não fosse
essencialmente irreligioso, o princípio
humanista dava preeminência à formação de
um ser humano culto e autônomo, voltado para
a fruição e a compreensão do mundo físico,
para além de valores espirituais abstratos.
Assim, a sede por conhecer, compreender e
explorar se espalharia por muitas áreas além
das artes e da filosofia, como a medicina e as
navegações, que permitiriam uma nova era de
conquistas para os europeus, o que mudou para
sempre seu modo de interpretar o mundo.
“Todo homem nasceu
com capacidade de
adquirir a ciência das
coisas, antes de mais
nada porque é imagem
de Deus” (COMÊNIO,
2010, p. 53)
6. A educação, o Iluminismo e a
razão
O Iluminismo foi uma corrente de pensamento que
prevaleceu na Europa no século XVIII, denominado
século das luzes. Os filósofos iluministas defendiam
o predomínio da razão sobre a fé e acreditavam que
o progresso e a felicidade seriam o caminho
traçado para a humanidade.
O movimento iluminista originou-se no
Renascimento cultural, científico e artístico. Para os
renascentistas, a razão e a ciência eram as bases
para a compreensão do mundo. Para o Iluminismo,
Deus está na natureza e no homem, podendo ser
descoberto pela razão. Assim sendo, a Igreja não
exerceria o papel fundamental para a salvação da
alma.
7. A institucionalização da educação
A educação formal era um dos pilares do
pensamento positivista, pois esperava-se que,
por meio do processo educacional, o ser
humano deveria ser removido do pensamento
teológico que caracteriza a infância,
avançando para o pensamento racional, que
os positivistas situavam como o segundo
estágio do desenvolvimento humano e social,
ou a fase metafísica. A fase final, ou positiva,
seria um arranjo ideal, atingido apenas quando
o conhecimento, as liberdades individuais e o
bem-estar coletivo se tornassem componentes
universalizados da experiência humana.
8. Tendências pedagógicas
conservadoras da educação
Se a educação e a cultura intelectual cederam
lugar a algo, foi à aprendizagem pelo
condicionamento. Com base nos
experimentos de Ivan Pavlov (1849-1936),
pensadores estadunidenses como John B.
Watson (1878-1958) e B. Frederich Skinner
(1904-1990) desenvolveram uma corrente de
estudos no campo da psicologia conhecida
como behaviorismo. O behaviorismo parte do
princípio de que é possível obter resultados
concretos em práticas educativas, valendo-se
de uma rotina de estímulo e resposta.
O modelo behaviorista é um
exemplo de tendência
pedagógica conservadora, posto
que não instiga uma prática
pedagógica amplamente
participativa e é caracterizado
por uma disposição vertical e de
mão única do conhecimento –
isto é, do professor para o aluno.
9. Tendências progressistas da educação
Muitos pensadores emergiram no
século XX e propuseram visões
renovadas de educação, em
oposição à pedagogia tradicional.
Eventualmente, essa caminhada
resultou no estabelecimento de
linhas pedagógicas progressistas.
Porém, o que isso significa
efetivamente? De acordo com os
pensadores que estudaremos
aqui, importa considerar quatro
pontos principais:
22. Reabertura política, a Constituição de 88 e
um novo cidadão
Muitas mudanças estruturais foram propostas
para a educação brasileira na década de 1980. O
ensino seria, ao menos na esfera do ideal,
pensado como uma peça central das reformas,
fundamental para a formação de um cidadão
ciente e da dinâmica do estado democrático e
preocupado em preservá-lo, valorizando o caráter
plural, complexo e livre desse cidadão.
O Artigo 208 da Carta Magna enumera as
obrigações do Estado com relação à oferta de
dispositivos educacionais a seus cidadãos. O
texto constitucional aborda a educação como
direito cidadão, não sendo apenas política pública
para promoção do Estado, mas instrumento para
a promoção e afirmação do indivíduo.
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO.pptx FACEDDU IBAA

  • 1.
  • 2.
    A HISTÓRIA DAEDUCAÇÃO
  • 3.
    1. Primórdios daeducação formal O período tradicionalmente compreendido como Pré-história se estende do surgimento do homo até a descoberta dos metais na maior parte da Ásia, Europa e norte da África. Em relação a essa afirmação, é perceptível uma caminhada evolutiva que se desdobra em eras (Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais), cada qual albergando uma escalada tecnológica que culmina no desenvolvimento da escrita.
  • 4.
    O ensino difuso,que não está centrado em qualquer instituição ou autoridade específica, mas no qual todos os adultos da comunidade participam da educação da criança, contribui para sua formação integral, visto que é pautado nas atividades de sobrevivência e nas narrativas que fundamentam a cultura do grupo. Educação Difusa
  • 5.
    “Todo povo que atingeum certo grau de desenvolvimento sente-se naturalmente inclinado à prática da educação”. (Werner Wilhelm Jaeger)
  • 6.
    As novas Civilizações Asprimeiras grandes civilizações surgiram em torno de rios, os quais permitiam a exploração agrária regular e o acúmulo de riquezas, acúmulo este que possibilitou a formação de grandes exércitos, complexas hierarquias sacerdotais e governamentais, bem como a criação de arquitetura monumental e de manifestações artísticas sofisticadas.
  • 7.
    O Antigo Egitoé digno de nota justamente pela persistência de seu modo de vida e costumes, o que aponta para uma visão de mundo que prezava pela continuidade e buscava a manutenção da ordem social e religiosa conhecida. A educação institucionalizada pode ter desempenhado um papel importante nessa trajetória civilizacional.
  • 8.
    No caso damaior parte das pessoas, a educação inicial era completamente concentrada no núcleo familiar, e aos mais velhos cabia a função de inculcar nas crianças os valores de obediência e respeito à hierarquia, além das instruções necessárias para a realização dos tipos de trabalho que já eram empreendidos por seus pais. Parece plausível que também partissem dos pais as primeiras formas de aprendizagem religiosa e cultural das crianças.
  • 9.
    A Importância daEscrita O desenvolvimento da escrita foi uma revolução do conhecimento e permitiu a organização a conservação e a ampliação dos saberes humanos, também se revelou crucial para o estabelecimento de um regime de educação formal.
  • 10.
    2. Educação Clássica Acivilização que se desenvolveu na Grécia da Antiguidade impactou profundamente as artes, a arquitetura, a literatura, as práticas esportivas e o pensamento de diversas culturas posteriores. O estudo da filosofia, e mesmo palavras como pedagogo e didática são legados gregos. Muitos desses traços culturais foram assimilados e transmitidos por outra sociedade do Mediterrâneo, os romanos, cujo poderio militar permitiu que construíssem um dos maiores impérios da história.
  • 11.
    Educação clássica Primeiramente, éimportante identificar o que fundamentava a educação grega. Para tal, precisamos nos remeter ao conceito de paideia, a educação dos rapazes, que, no sentido mais amplo, tratava da formação integral do homem grego livre. Esse homem era um cidadão, um agente da vida coletiva da pólis, a cidade- estado grega.
  • 12.
  • 13.
    3. Educação religiosa Apósa queda do Império Romano, em 476, a Europa viveu o período das invasões bárbaras, ao que se seguiu o esvaziamento das cidades e a decadência de inúmeras instituições romanas, com notável exceção da Igreja. E, ao longo desse período, a Idade Média, a educação se tornaria uma competência das instituições eclesiásticas.
  • 14.
    Educação Medieval Patrística Escolástica IdealistaRealista (Agostinho) (Tomás de Aquino)
  • 15.
    4. Pedagogia renascentista Coma difusão da literatura clássica e o interesse renovado pelo aprendizado das letras nos séculos XVI e XVII, o número de colégios aumentou pelo continente, e estes se tornaram cada vez mais organizados. O modelo de ensino, como já foi salientado, ainda seguia o método escolástico. “Os programas continuavam a se basear nos clássicos trivium e quadrivium, persistindo, portanto, a educação formal de gramática e retórica, como na Idade Média. Não foi abandonada a ênfase no estudo do latim, com frequente descaso pela língua materna” (ARANHA, 2006, p. 126).
  • 16.
    5. Humanismo ea formação de um novo homem O humanismo foi fundamental para o pensamento renascentista. Embora não fosse essencialmente irreligioso, o princípio humanista dava preeminência à formação de um ser humano culto e autônomo, voltado para a fruição e a compreensão do mundo físico, para além de valores espirituais abstratos. Assim, a sede por conhecer, compreender e explorar se espalharia por muitas áreas além das artes e da filosofia, como a medicina e as navegações, que permitiriam uma nova era de conquistas para os europeus, o que mudou para sempre seu modo de interpretar o mundo.
  • 17.
    “Todo homem nasceu comcapacidade de adquirir a ciência das coisas, antes de mais nada porque é imagem de Deus” (COMÊNIO, 2010, p. 53)
  • 18.
    6. A educação,o Iluminismo e a razão O Iluminismo foi uma corrente de pensamento que prevaleceu na Europa no século XVIII, denominado século das luzes. Os filósofos iluministas defendiam o predomínio da razão sobre a fé e acreditavam que o progresso e a felicidade seriam o caminho traçado para a humanidade. O movimento iluminista originou-se no Renascimento cultural, científico e artístico. Para os renascentistas, a razão e a ciência eram as bases para a compreensão do mundo. Para o Iluminismo, Deus está na natureza e no homem, podendo ser descoberto pela razão. Assim sendo, a Igreja não exerceria o papel fundamental para a salvação da alma.
  • 19.
    7. A institucionalizaçãoda educação A educação formal era um dos pilares do pensamento positivista, pois esperava-se que, por meio do processo educacional, o ser humano deveria ser removido do pensamento teológico que caracteriza a infância, avançando para o pensamento racional, que os positivistas situavam como o segundo estágio do desenvolvimento humano e social, ou a fase metafísica. A fase final, ou positiva, seria um arranjo ideal, atingido apenas quando o conhecimento, as liberdades individuais e o bem-estar coletivo se tornassem componentes universalizados da experiência humana.
  • 20.
    8. Tendências pedagógicas conservadorasda educação Se a educação e a cultura intelectual cederam lugar a algo, foi à aprendizagem pelo condicionamento. Com base nos experimentos de Ivan Pavlov (1849-1936), pensadores estadunidenses como John B. Watson (1878-1958) e B. Frederich Skinner (1904-1990) desenvolveram uma corrente de estudos no campo da psicologia conhecida como behaviorismo. O behaviorismo parte do princípio de que é possível obter resultados concretos em práticas educativas, valendo-se de uma rotina de estímulo e resposta.
  • 22.
    O modelo behavioristaé um exemplo de tendência pedagógica conservadora, posto que não instiga uma prática pedagógica amplamente participativa e é caracterizado por uma disposição vertical e de mão única do conhecimento – isto é, do professor para o aluno.
  • 23.
    9. Tendências progressistasda educação Muitos pensadores emergiram no século XX e propuseram visões renovadas de educação, em oposição à pedagogia tradicional. Eventualmente, essa caminhada resultou no estabelecimento de linhas pedagógicas progressistas. Porém, o que isso significa efetivamente? De acordo com os pensadores que estudaremos aqui, importa considerar quatro pontos principais:
  • 31.
    22. Reabertura política,a Constituição de 88 e um novo cidadão Muitas mudanças estruturais foram propostas para a educação brasileira na década de 1980. O ensino seria, ao menos na esfera do ideal, pensado como uma peça central das reformas, fundamental para a formação de um cidadão ciente e da dinâmica do estado democrático e preocupado em preservá-lo, valorizando o caráter plural, complexo e livre desse cidadão. O Artigo 208 da Carta Magna enumera as obrigações do Estado com relação à oferta de dispositivos educacionais a seus cidadãos. O texto constitucional aborda a educação como direito cidadão, não sendo apenas política pública para promoção do Estado, mas instrumento para a promoção e afirmação do indivíduo.
  • 32.