INSTITUTO AGRONÔMICO
Curso de Pós-Graduação
Mestrado em Agricultura Tropical e Subtropical
PROVA
ARA 003 – Manejo Sustentado da Fertilidade do Solo
PATRICIA GOES DE OLIVEIRA
Campinas, SP
12 de maio de 2011
1) A analise do solo de uma gleba homogênea revelou os seguintes resultados expressos
em mmolc/dm³ de solo:
CTC a pH 7,0 = 100
Ca = 50
Mg= 20
K = 05
Pergunta-se: Qual a necessidade de calagem, expressa em em t/há, necessária para elevar
o pH da camada de 0-20cm do solo ao valor 7,0. Considere que o calcário a ser aplicado
tem PRNT igual a 80%.
NC= CTC (v2 - v1)/ PRNTx10 v1= (SB/CTC) x 100
SB= Ca+Mg+K = 75 v1= (75/100) x 100 = 25
v2= SB- desejada a pH 7,0 – CTC=SB + (H+Al) = 100
NC= 100(100-75)/(80x10) = 3,125t/ha ou 3125 kg/ha.
2) O que é curva de calibração de analise de solo? Descreva resumidamente as etapas de
um projeto de pesquisa para se obter uma curva de calibração P, para uma cultura
qualquer.
3) Numa gleba homogênea, foram coletadas 60 amostras simples de solo, cuja média e
desvio padrão dos resultados de P foram respectivamente 16 e 4,0 mg/dm³. Calcule o
número de amostras necessário pra manter o intervalo aceitável de no máximo de 20%
em torno da média (valor de t=2,0).
Numero de amostras = N=(CVxT/F)²
CV= S(desvio)/×(média) x 100 CV= 4/16 x 100 = 25
N=(25x2/20)² = 6,25 amostras ~ 7
4) Em ensaios de adubação com citros, obteve-se a seguinte curva de resposta média ao
nitrogênio:
Y=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² (Y=em t/ha, N e P=em kg/ha).
4.1 – Calcule as doses de N e de P para a produtividade máxima?
Y=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² - derivada
N → 0= 0,045 - 0,000224N → N=0,045/0,000224 → N= 200,89 kg/ha
P → 0 = 0,1773 – 0,001464P → P = 0,1773/ 0,001464 → P = 121,11 kg/ha
4.2 – Como o valor histórico de 1 tonelada de laranja é igual a 75,0 US$, calcule as doses
mais econômicas de N e P para o citros.
C=Custo unitário adubo V= valor do produto
C/V=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² - derivada
N → 1,2/75 = 0,045 - 0,000224N → N=0,029/0,000224 → N= 129,46 kg/ha
P → 1,5/75 = 0,1773 – 0,001464P → P = 0,1573/ 0,001464 → P = 107,44 kg/ha
5) O aumento no teor de matéria orgânica nos solos em função do manejo conservacionista
tem ganhado importância devido à possibilidade de seqüestro de carbono pelo solo e à
preocupação com o aquecimento global. Que valores de acumulo de C (em kg/ha/ano)
tem sido relatados na literatura. Baseado nesses números, faça uma projeção para o
acúmulo de C em solo em um período de 60 anos. Comente alguns fatores que podem
afetar o aumento ou diminuição de C no solo em função do manejo.
O potencial de seqüestro de C pelo solo pela adoção do SPD, é estimado entre
0,05 a 2,2 t C/ha/ano (Pretty e Ball , 2001; Lal , 2001; Sá et al., 2001; Cerri et al., 2005 –
IN: HOLTZ, G.P & AROUDO, J.M. Protocolo de Quioto: O potencial de seqüestro de
carbono pela agricultura conservacionista no Brasil, 2008). Este mesmo texto aponta
dados baseando-se na média brasileira de seqüestro de C de 0,5-1 t C/ha/ano,
considerando-se os atuais 22 milhões de ha sob o SPD. Segundo BODDEY, R.M., et al.
Carbon accumulation at depth in Ferralsols under zero-till subtropical agriculture.(2010),
os dados de sequestro de carbono no Estados Unidos é de 0,570 t C/ha/ano, no sul do
Brasil na profundidade de 100 cm é de 0,48 à 1,1 t C/ha/ano. E de acordo com dado citado
em aula taxa potencial de sequestro de C dos solos no mundo é de 0,6 ± 0,14 t/ha C.
Fazendo uma projeção para 60 anos se por ano acumula-se uma média estimada
0,6 t C/ha/ano em 60 anos acumulariam 36 t C/ha ± 8,4 t. Porem dados na literatura
apontam que após 25 a 30 anos as taxas de seqüestro de carbono se tornam bem menores.
O manejo conservacionista afeta de varias maneiras o aumento de seqüestro de C
no solo, ou a diminuição da sua liberação para a atmosfera. Devido a rotações de culturas,
incrementando a biodiversidade do solo, conservação de restos culturais em cobertura,
fazendo uma incorporação desse C no solo através da decomposição do material orgânico,
e protegendo o solo de fatores climáticos(temperatura, impacto da chuvas), diminuindo
erosões, causando uma melhor conservação deste solo e assim diminuindo a emissão de
C. Também o manejo conservacionista não há queima da palhada e o menor revolvimento
do solo, e indiretamente o menor uso de maquinários agrícolas que em sua grande maioria
funcionam com combustíveis fosseis que liberam C, isso também reduz as emissões.
Também manejos de fertilidade afetam esta incorporação, visto que o C só é incorporado
ao solo quando existe N disponível quem quantidades suficientes para isso. Enfim
qualquer manejo que aumente matéria orgânica no solo, e a preserve, principalmente em
suas formas mais estáveis – humos – é de grande importância para a manutenção de C no
solo.
6) As emissões de óxido nitroso (N2O) associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados
podem contribuir para o aquecimento global. Que proporção do N aplicado como
fertilizante geralmente volatiliza como N2O? Que reações explicam essas perdas? Qual
é o impacto do N2O para o aquecimento global, em termos de equivalente C-CO2? Há
como evitar ou minimizar as perdas de N2O?
A volatilização fica na média de 1% podendo varias de 0,3 a 3%. A maior parte
dessas perdas se da na reação de denitrificação ocorre em condições anaeróbicas o
NO3 → NO2 →N2O →N2, sendo essa a principal rota de volatilização. Ocorrendo
principalmente em solos inundados sem presença de oxigênio, ou bolsões sem oxigênio.
Outra forma que isso ocorre porem em quantidade muito menor é na nitrificação, em
condição aeróbia – NH4 → NH2 OH → [NOH] →N2O, ou pela própria redutase do
nitrito NO2, mas na maioria das vezes o resultado final dessa reação é NO2 (geralmente
quando usado fertilizantes amoniacais). O impacto é muito grande comparado com o
CO2 de quase 300 vezes mais impactante, visto que 1 mol de N2O → 296 mol de CO2.
Existem varias maneiras pra mitigar essa situação. Escolhendo a fonte mais
adequada para o tipo de solo, clima e região, sendo bom evitar fontes de Ureia,
principalmente em regiões onde chove muito. Sempre que possível fracionar a dose e
colocar a quantidade adequada para cada cultura evitando perdas e excessos. As épocas
de aplicação visto que cada cultura tem demanda diferenciada para cada elemento. A
localização também é de veras importante, visto que quanto mais próximo da planta,
para evitar perdas e se possível incorporar ao solo, aumentando assim a área de contato
e fazendo com que ajam menos perdas desse nutriente. Qualquer manejo que aumente
a eficiência do uso, ira diminuir essas perdas. Também a preferência por fertilizantes
com inibidores de nitrificação, visto que pesquisas apontam que reduzem a perda por
N2O.
7) Que fatores afetam a volatilização de N na forma de NH3 na agricultura? Quais as
condições que favorecem as perdas e as que contribuem para reduzi-las?
O pH mais alto do solo, alta umidade, altas temperaturas e o vento. E o conjunto
desses fatores influi nas perdas, se o solo tiver alta umidade, em temperaturas mais altas
aumentando a evaporação desses solos aumentas a volatilização. Água também é um
fator , fontes N-amoniacais, também quando ocorre a hidrolise da uréia ocorrem essas
perdas, pois na reação de hidrolise consome prótons provocando elevação do pH ao
redor das partículas, ocorrendo mesmo em solos ácidos. Porem dependendo da CTC
deste solo, solos com maior capacidade de poder tampão as perdas por volatilização
diminuem, visto também que em solos arenosos essa perda é maior. Vento também é
um fator muito importante,aumentando ou diminuindo a rapidez e influi de 2 modos,
em locais mais úmidos e com altas temperaturas o vento aumenta essas perdas, porem
em locais mais secos o vento pode promover um secagem mais rápida do solo, fazendo
com que as perdas cessem.
A uréia aplicada na superfície do solo aumenta também as perdas por volatilização
e em sistemas de plantio direto onde há dificuldades na incorporação de fertilizantes no
solo, por existirem mais microrganismos nos restos culturais que fazem a uréase. A água
das chuvas ou de irrigações pode promover a incorporação do N nos solos, dependendo
da quantidade de chuva e o sistema em que foi aplicado, sendo que em SPD precisa de
uma lamina de água maior.
Para diminuir as perdas por volatilização de NH3 deve-se escolher a fonte, sendo
que dados na literatura falam sobre uréia com adição de sais como KCl, a mistura de
uréia com outros fertilizantes nitrogenados, como sulfato de amônio ou nitrato de
amônio. Soluções liquidas, talvez pela incorporação no solo e aplicação em áreas
menores - em faixa. A incorporação mecânica do fertilizante ao solo. Fertilizantes com
liberação lenta ou controlada, fertilizantes estabilizados e com inibidores de urease.
Todas essas técnicas estão sendo estudas por segundo alguns autores reduzir a
volatilização, porem a controvérsias, e algumas dessas praticas são mais caras as vezes
não sendo viáveis para o agricultor.
8) A analise de solo é pouco usada como ferramenta de diagnostico da disponibilidade de
N para as plantas. Comente criticamente.
O Nitrogênio é um elemento pouco estável no solo, partindo do principio dele não fazer
parte das propriedades originais deste solo, ele é introduzido, através de varias formas
como matéria orgânica, pó, raios, fixação por microrganismos, etc. Este elemento é
bastante móvel e está em constante dinâmica no solo, podendo ser de N-organico, para N-
mineral e também podendo ser imobilizado pelos microrganismos, em locais com muitas
chuvas pode ser lixiviado, volatilizado, ou não esta prontamente disponível para as plantas.
Então para a quantificação deste elemento costuma-se olhar o teor de matéria orgânica,
modo de exploração deste solo, cultura anterior, e clima, pois ele pode estar disponível ou
não de acordo com o pH, temperatura, umidade, etc, e por ser muito instáveis os dados para
se analisar, não são dados eficientes para quantificação de N no solo e disponível para as
plantas. Portanto para adubação faz-se um histórico da área e vê a necessidade por cultura,
tipo de solo, sendo que solos mais arenosos geralmente estão mais sujeitos a perdas,
produtividade e resposta esperada. Estão fazendo estudos para entender como se comporta
o nitrogênio no solo, e assim mais técnicas para se quantificar mais estavelmente esses
valores. Porem com os crescentes problemas na agricultura, reservas, poluição, cada vez
mais tem se estudado modos de uma produção mais limpa aumentando a matéria orgânica
e microrganismos por serem menos impactantes para o solo, sendo assim ainda mais difícil
quantificar o N, pois não se conhece muito sobre os microrganismos, como agem e também
como o N, os microrganismos são muito dependentes e variáveis com o meio e clima em
que estão.
9) Você assessora um agricultor que cultiva milho e soja em uma área de 1000 ha. Em
150 ha os solos apresentam os seguintes resultados:
Camada de 0-20 cm: P:5 mg/dm³, K: 0,65 mmolc/dm³.
Camada de 20-40 cm: P:3 mg/dm³, K: 0,40 mmolc/dm³.
O agricultor tem poucas máquinas e gostaria de aplicar pelo menos parte dos
fertilizantes a lanço para ganhar tempo. Que quantidades de nutrientes (K e P) e que
modos e épocas de aplicação você sugeriria para o cultivo de milho e de soja? (Para as
doses consulte o Boletim 100 ou outra tabela de recomendação de adubação.
Identifique sua fonte de dados.)
Boletim 100 –
Milho - Devido aos baixos teores de P no solo, é improvável a obtenção de altas
produtividades, sendo que os custos ficariam muito altos para o produtor, portanto a
recomendação (pelo boletim 100), são doses médias com a produtividade esperada de 6
– 8 t/ha, para a adubação no plantio. Para P a recomendação é de 90 kg/ha de P2O5 com
analise do P em resina 0-6 mg/dm³. Para o K a recomendação é 50 kg/ha de K2O, para
um K trocável de até 0,7 cmmol/dm³. E para K também é recomendado aplicação em
cobertura de 60 kg/ha, quando a planta estiver com 25- 30 dias após a germinação, pois
se aplicar mais tardiamente a planta não responderá eficientemente.
Soja – Do mesmo modo do que pra milho se olha na tabela, porem a soja consegue
alcançar produtividades altas mesmo com baixo teor dos nutrientes no solo, ainda sim,
não ficando no patamar de produtividade. A produtividade máxima indicada da soja para
os teores da analise do solo são de 3,0 a 3,4 t/ha. Sendo para P 90 kg/ha de P2O5 e para
K 80kg/ha de K2O. Porem não se recomenda aplicar mais do 50 kg/ha de K2O, sendo
recomendado aplicar meia dose no plantio, e o resto em cobertura quando a planta estiver
de 30 a 40 dias após a germinação.
Como sugestão de aplicação e visando maior economia de combustível e
facilidade para o produtor, a recomendação seria aplicar o P no sulco juntamente com a
semeadura, pois os teores de P são muito baixos para jogar a lanço, sendo que o solo
imobilizaria o P para a planta. E colocando-o no sulco próximo a semente é mais fácil
para esse fósforo ser absorvido, visto que o mecanismo predominante para esse elemento
é a difusão. Também aumentando a eficiência. Não é recomendado fracionar esta dose,
pois o P é um elemento pouco móvel, não havendo assim problemas de lixiviação. Já no
caso do K pode ser aplicado a lanço logo após o plantio ou um pouco antes e de
preferência incorporado ao solo. Como não foi especificado na questão qual seria o milho
foi utilizado as recomendações de milho para grão e silagem.

Prova fert2011

  • 1.
    INSTITUTO AGRONÔMICO Curso dePós-Graduação Mestrado em Agricultura Tropical e Subtropical PROVA ARA 003 – Manejo Sustentado da Fertilidade do Solo PATRICIA GOES DE OLIVEIRA Campinas, SP 12 de maio de 2011
  • 2.
    1) A analisedo solo de uma gleba homogênea revelou os seguintes resultados expressos em mmolc/dm³ de solo: CTC a pH 7,0 = 100 Ca = 50 Mg= 20 K = 05 Pergunta-se: Qual a necessidade de calagem, expressa em em t/há, necessária para elevar o pH da camada de 0-20cm do solo ao valor 7,0. Considere que o calcário a ser aplicado tem PRNT igual a 80%. NC= CTC (v2 - v1)/ PRNTx10 v1= (SB/CTC) x 100 SB= Ca+Mg+K = 75 v1= (75/100) x 100 = 25 v2= SB- desejada a pH 7,0 – CTC=SB + (H+Al) = 100 NC= 100(100-75)/(80x10) = 3,125t/ha ou 3125 kg/ha. 2) O que é curva de calibração de analise de solo? Descreva resumidamente as etapas de um projeto de pesquisa para se obter uma curva de calibração P, para uma cultura qualquer. 3) Numa gleba homogênea, foram coletadas 60 amostras simples de solo, cuja média e desvio padrão dos resultados de P foram respectivamente 16 e 4,0 mg/dm³. Calcule o número de amostras necessário pra manter o intervalo aceitável de no máximo de 20% em torno da média (valor de t=2,0). Numero de amostras = N=(CVxT/F)² CV= S(desvio)/×(média) x 100 CV= 4/16 x 100 = 25 N=(25x2/20)² = 6,25 amostras ~ 7 4) Em ensaios de adubação com citros, obteve-se a seguinte curva de resposta média ao nitrogênio: Y=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² (Y=em t/ha, N e P=em kg/ha). 4.1 – Calcule as doses de N e de P para a produtividade máxima? Y=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² - derivada N → 0= 0,045 - 0,000224N → N=0,045/0,000224 → N= 200,89 kg/ha P → 0 = 0,1773 – 0,001464P → P = 0,1773/ 0,001464 → P = 121,11 kg/ha
  • 3.
    4.2 – Comoo valor histórico de 1 tonelada de laranja é igual a 75,0 US$, calcule as doses mais econômicas de N e P para o citros. C=Custo unitário adubo V= valor do produto C/V=30,2 + 0,045N - 0,000112N² + 0,1773P – 0,000732P² - derivada N → 1,2/75 = 0,045 - 0,000224N → N=0,029/0,000224 → N= 129,46 kg/ha P → 1,5/75 = 0,1773 – 0,001464P → P = 0,1573/ 0,001464 → P = 107,44 kg/ha 5) O aumento no teor de matéria orgânica nos solos em função do manejo conservacionista tem ganhado importância devido à possibilidade de seqüestro de carbono pelo solo e à preocupação com o aquecimento global. Que valores de acumulo de C (em kg/ha/ano) tem sido relatados na literatura. Baseado nesses números, faça uma projeção para o acúmulo de C em solo em um período de 60 anos. Comente alguns fatores que podem afetar o aumento ou diminuição de C no solo em função do manejo. O potencial de seqüestro de C pelo solo pela adoção do SPD, é estimado entre 0,05 a 2,2 t C/ha/ano (Pretty e Ball , 2001; Lal , 2001; Sá et al., 2001; Cerri et al., 2005 – IN: HOLTZ, G.P & AROUDO, J.M. Protocolo de Quioto: O potencial de seqüestro de carbono pela agricultura conservacionista no Brasil, 2008). Este mesmo texto aponta dados baseando-se na média brasileira de seqüestro de C de 0,5-1 t C/ha/ano, considerando-se os atuais 22 milhões de ha sob o SPD. Segundo BODDEY, R.M., et al. Carbon accumulation at depth in Ferralsols under zero-till subtropical agriculture.(2010), os dados de sequestro de carbono no Estados Unidos é de 0,570 t C/ha/ano, no sul do Brasil na profundidade de 100 cm é de 0,48 à 1,1 t C/ha/ano. E de acordo com dado citado em aula taxa potencial de sequestro de C dos solos no mundo é de 0,6 ± 0,14 t/ha C. Fazendo uma projeção para 60 anos se por ano acumula-se uma média estimada 0,6 t C/ha/ano em 60 anos acumulariam 36 t C/ha ± 8,4 t. Porem dados na literatura apontam que após 25 a 30 anos as taxas de seqüestro de carbono se tornam bem menores. O manejo conservacionista afeta de varias maneiras o aumento de seqüestro de C no solo, ou a diminuição da sua liberação para a atmosfera. Devido a rotações de culturas, incrementando a biodiversidade do solo, conservação de restos culturais em cobertura, fazendo uma incorporação desse C no solo através da decomposição do material orgânico, e protegendo o solo de fatores climáticos(temperatura, impacto da chuvas), diminuindo erosões, causando uma melhor conservação deste solo e assim diminuindo a emissão de C. Também o manejo conservacionista não há queima da palhada e o menor revolvimento do solo, e indiretamente o menor uso de maquinários agrícolas que em sua grande maioria funcionam com combustíveis fosseis que liberam C, isso também reduz as emissões. Também manejos de fertilidade afetam esta incorporação, visto que o C só é incorporado ao solo quando existe N disponível quem quantidades suficientes para isso. Enfim qualquer manejo que aumente matéria orgânica no solo, e a preserve, principalmente em suas formas mais estáveis – humos – é de grande importância para a manutenção de C no solo.
  • 4.
    6) As emissõesde óxido nitroso (N2O) associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados podem contribuir para o aquecimento global. Que proporção do N aplicado como fertilizante geralmente volatiliza como N2O? Que reações explicam essas perdas? Qual é o impacto do N2O para o aquecimento global, em termos de equivalente C-CO2? Há como evitar ou minimizar as perdas de N2O? A volatilização fica na média de 1% podendo varias de 0,3 a 3%. A maior parte dessas perdas se da na reação de denitrificação ocorre em condições anaeróbicas o NO3 → NO2 →N2O →N2, sendo essa a principal rota de volatilização. Ocorrendo principalmente em solos inundados sem presença de oxigênio, ou bolsões sem oxigênio. Outra forma que isso ocorre porem em quantidade muito menor é na nitrificação, em condição aeróbia – NH4 → NH2 OH → [NOH] →N2O, ou pela própria redutase do nitrito NO2, mas na maioria das vezes o resultado final dessa reação é NO2 (geralmente quando usado fertilizantes amoniacais). O impacto é muito grande comparado com o CO2 de quase 300 vezes mais impactante, visto que 1 mol de N2O → 296 mol de CO2. Existem varias maneiras pra mitigar essa situação. Escolhendo a fonte mais adequada para o tipo de solo, clima e região, sendo bom evitar fontes de Ureia, principalmente em regiões onde chove muito. Sempre que possível fracionar a dose e colocar a quantidade adequada para cada cultura evitando perdas e excessos. As épocas de aplicação visto que cada cultura tem demanda diferenciada para cada elemento. A localização também é de veras importante, visto que quanto mais próximo da planta, para evitar perdas e se possível incorporar ao solo, aumentando assim a área de contato e fazendo com que ajam menos perdas desse nutriente. Qualquer manejo que aumente a eficiência do uso, ira diminuir essas perdas. Também a preferência por fertilizantes com inibidores de nitrificação, visto que pesquisas apontam que reduzem a perda por N2O. 7) Que fatores afetam a volatilização de N na forma de NH3 na agricultura? Quais as condições que favorecem as perdas e as que contribuem para reduzi-las? O pH mais alto do solo, alta umidade, altas temperaturas e o vento. E o conjunto desses fatores influi nas perdas, se o solo tiver alta umidade, em temperaturas mais altas aumentando a evaporação desses solos aumentas a volatilização. Água também é um fator , fontes N-amoniacais, também quando ocorre a hidrolise da uréia ocorrem essas perdas, pois na reação de hidrolise consome prótons provocando elevação do pH ao redor das partículas, ocorrendo mesmo em solos ácidos. Porem dependendo da CTC deste solo, solos com maior capacidade de poder tampão as perdas por volatilização diminuem, visto também que em solos arenosos essa perda é maior. Vento também é um fator muito importante,aumentando ou diminuindo a rapidez e influi de 2 modos, em locais mais úmidos e com altas temperaturas o vento aumenta essas perdas, porem em locais mais secos o vento pode promover um secagem mais rápida do solo, fazendo com que as perdas cessem.
  • 5.
    A uréia aplicadana superfície do solo aumenta também as perdas por volatilização e em sistemas de plantio direto onde há dificuldades na incorporação de fertilizantes no solo, por existirem mais microrganismos nos restos culturais que fazem a uréase. A água das chuvas ou de irrigações pode promover a incorporação do N nos solos, dependendo da quantidade de chuva e o sistema em que foi aplicado, sendo que em SPD precisa de uma lamina de água maior. Para diminuir as perdas por volatilização de NH3 deve-se escolher a fonte, sendo que dados na literatura falam sobre uréia com adição de sais como KCl, a mistura de uréia com outros fertilizantes nitrogenados, como sulfato de amônio ou nitrato de amônio. Soluções liquidas, talvez pela incorporação no solo e aplicação em áreas menores - em faixa. A incorporação mecânica do fertilizante ao solo. Fertilizantes com liberação lenta ou controlada, fertilizantes estabilizados e com inibidores de urease. Todas essas técnicas estão sendo estudas por segundo alguns autores reduzir a volatilização, porem a controvérsias, e algumas dessas praticas são mais caras as vezes não sendo viáveis para o agricultor. 8) A analise de solo é pouco usada como ferramenta de diagnostico da disponibilidade de N para as plantas. Comente criticamente. O Nitrogênio é um elemento pouco estável no solo, partindo do principio dele não fazer parte das propriedades originais deste solo, ele é introduzido, através de varias formas como matéria orgânica, pó, raios, fixação por microrganismos, etc. Este elemento é bastante móvel e está em constante dinâmica no solo, podendo ser de N-organico, para N- mineral e também podendo ser imobilizado pelos microrganismos, em locais com muitas chuvas pode ser lixiviado, volatilizado, ou não esta prontamente disponível para as plantas. Então para a quantificação deste elemento costuma-se olhar o teor de matéria orgânica, modo de exploração deste solo, cultura anterior, e clima, pois ele pode estar disponível ou não de acordo com o pH, temperatura, umidade, etc, e por ser muito instáveis os dados para se analisar, não são dados eficientes para quantificação de N no solo e disponível para as plantas. Portanto para adubação faz-se um histórico da área e vê a necessidade por cultura, tipo de solo, sendo que solos mais arenosos geralmente estão mais sujeitos a perdas, produtividade e resposta esperada. Estão fazendo estudos para entender como se comporta o nitrogênio no solo, e assim mais técnicas para se quantificar mais estavelmente esses valores. Porem com os crescentes problemas na agricultura, reservas, poluição, cada vez mais tem se estudado modos de uma produção mais limpa aumentando a matéria orgânica e microrganismos por serem menos impactantes para o solo, sendo assim ainda mais difícil quantificar o N, pois não se conhece muito sobre os microrganismos, como agem e também como o N, os microrganismos são muito dependentes e variáveis com o meio e clima em que estão. 9) Você assessora um agricultor que cultiva milho e soja em uma área de 1000 ha. Em 150 ha os solos apresentam os seguintes resultados: Camada de 0-20 cm: P:5 mg/dm³, K: 0,65 mmolc/dm³. Camada de 20-40 cm: P:3 mg/dm³, K: 0,40 mmolc/dm³.
  • 6.
    O agricultor tempoucas máquinas e gostaria de aplicar pelo menos parte dos fertilizantes a lanço para ganhar tempo. Que quantidades de nutrientes (K e P) e que modos e épocas de aplicação você sugeriria para o cultivo de milho e de soja? (Para as doses consulte o Boletim 100 ou outra tabela de recomendação de adubação. Identifique sua fonte de dados.) Boletim 100 – Milho - Devido aos baixos teores de P no solo, é improvável a obtenção de altas produtividades, sendo que os custos ficariam muito altos para o produtor, portanto a recomendação (pelo boletim 100), são doses médias com a produtividade esperada de 6 – 8 t/ha, para a adubação no plantio. Para P a recomendação é de 90 kg/ha de P2O5 com analise do P em resina 0-6 mg/dm³. Para o K a recomendação é 50 kg/ha de K2O, para um K trocável de até 0,7 cmmol/dm³. E para K também é recomendado aplicação em cobertura de 60 kg/ha, quando a planta estiver com 25- 30 dias após a germinação, pois se aplicar mais tardiamente a planta não responderá eficientemente. Soja – Do mesmo modo do que pra milho se olha na tabela, porem a soja consegue alcançar produtividades altas mesmo com baixo teor dos nutrientes no solo, ainda sim, não ficando no patamar de produtividade. A produtividade máxima indicada da soja para os teores da analise do solo são de 3,0 a 3,4 t/ha. Sendo para P 90 kg/ha de P2O5 e para K 80kg/ha de K2O. Porem não se recomenda aplicar mais do 50 kg/ha de K2O, sendo recomendado aplicar meia dose no plantio, e o resto em cobertura quando a planta estiver de 30 a 40 dias após a germinação. Como sugestão de aplicação e visando maior economia de combustível e facilidade para o produtor, a recomendação seria aplicar o P no sulco juntamente com a semeadura, pois os teores de P são muito baixos para jogar a lanço, sendo que o solo imobilizaria o P para a planta. E colocando-o no sulco próximo a semente é mais fácil para esse fósforo ser absorvido, visto que o mecanismo predominante para esse elemento é a difusão. Também aumentando a eficiência. Não é recomendado fracionar esta dose, pois o P é um elemento pouco móvel, não havendo assim problemas de lixiviação. Já no caso do K pode ser aplicado a lanço logo após o plantio ou um pouco antes e de preferência incorporado ao solo. Como não foi especificado na questão qual seria o milho foi utilizado as recomendações de milho para grão e silagem.