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O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é
          um criador de valores que não existem e que ele faz existir.
                                                                                     Albert Einstein

                               Tema: Valores Humanos
Texto I

          Boate que divulgou sorteio de mulher é fechada em Batatais (SP)

          A Prefeitura de Batatais (352 km de São Paulo) fechou provisoriamente uma
boate, recém-inaugurada na cidade, que havia distribuído panfletos promovendo o
"sorteio de uma acompanhante" aos clientes presentes em festa marcada para o
próximo dia 29.
          Em entrevista por telefone à Folha na quarta, a proprietária da boate 100 Li-
mites Drinks disse não ver irregularidade no sorteio. Mas a OAB de São Paulo, a Secre-
taria da Presidência da República de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de
Estado da Justiça e Defesa da Cidadania veem crime de exploração da prostituição na
ação e dizem que vão notificar o Ministério Público para que investigue o caso.
          Nesta quinta, fiscais da prefeitura foram à boate e verificaram que o alvará,
emitido em fevereiro de 2011, "foi para o exercício da atividade de bar e boate de
empresa diversa da anunciada [no panfleto]". Os panfletos foram recolhidos. Ainda
segundo a prefeitura, a proprietária da boate, que se identificou como Estrela, foi
intimada a prestar esclarecimentos na polícia.
          A prefeitura informou também que foi instaurado um procedimento admi-
nistrativo de sindicância para apurar eventuais irregularidades sobre o "efetivo exer-
cício de atividade". O local também será multado por "prática irregular de panfleta-
gem, sem a devida autorização do poder público municipal".
          O Ministério Público Estadual de Batatais informou que vai pedir à Polícia
Civil a instauração de inquérito policial. Para o promotor Alexandre Padilha, há fortes
indícios de três crimes: favorecimento à prostituição, manter estabelecimento onde
ocorra exploração sexual e rufianismo, que é tirar proveito da prostituição alheia para
obter lucro.
                        Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1062474-boate-
                                    que-divulgou-sorteio-de-mulher-e-fechada-em-batatais-sp.shtml>.
                                                                               Acesso em: 15/3/2012
PRATIQUE REDAÇÃO Nº 12 − 2012



Texto II




            Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-NyJHjhejaUM/TZubZNRIR2I/ AAAAAAAAA-
                              aY/2ZfB5Vsw2P8/s1600/1206715287_f.jpg>.
                                       Acesso em: 15/3/2012.


Texto III

          Com o surgimento do Capitalismo, homens e mulheres foram paulatinamen-
te afastados dos meios de produção, assim como do produto por eles criado. O
confinamento dos operários nas fábricas tira destes, não apenas, a posse dos produ-
tos, mas ele próprio deixa de ser o centro de si mesmo. O trabalhador tem um “con-
trato livre” de trabalho, mas não é ele quem escolhe o seu salário, ou a extensão da
jornada, nem mesmo o seu ritmo. Tudo isso passa a ser comandado de fora por
forças estranhas a ele. As mercadorias convertem-se em realidades soberanas e tirâ-
nicas, assumem formas abstratas e superiores aos humanos.
          É essa “humanização” da mercadoria que leva, no contraponto, a “desuma-
nização” do homem. Não por acaso a força de trabalho humana é transformada em
mercadoria, vez que passa a ter um preço no mercado. A alienação e o fetiche, por-
tanto, não são meramente teóricos, mas se manifestam na vida real das pessoas.
Mesmo que essas continuem a produzir valores e criar identidades e cultura, há uma
interseção das relações sociais tendo como base o mecanismo produtor da forma
mercadoria, na tentativa de “ganhar a sua alma” e embotar a sua consciência.
          No fundo, esse processo é extremamente eficaz e gera a incapacidade de boa
parte dos trabalhadores de perceber o mecanismo de alienação. Este começa na divi-

                                                                                    OSG 1908/12
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são do trabalho, perpassa o Estado e chega aos meios de comunicação, pelos quais é
veiculado via senso-comum. É assim que é completado o circuito, quando as pessoas
não conseguem ultrapassar as aparências e chegar à essência, à realidade que há por
detrás de cada fato ou de cada produto, por mais inocentes que pareçam.
              Fonte: <http://regisper.blogspot.com.br/2011/10/sociologia-4-bim-desumanizacao-eou.html>.
                                                                        Adaptado. Acesso em: 14/3/2012.


Texto IV

          Mesmo que ainda fosse necessário aos seres humanos desempenhar dife-
rentes tipos de profissão, já não era preciso que vivessem em diferentes níveis sociais
ou econômicos. Portanto, do ponto de vista dos novos grupos que estavam a pique
de tomar o poder, a igualdade humana não era mais um ideal a atingir, era um peri-
go a evitar. Em épocas mais primitivas, quando de fato não era possível uma socie-
dade justa e pacífica, fora bem fácil acreditar nela. A ideia de um paraíso terreno em
que os homens vivessem juntos num estado de fraternidade, sem leis nem trabalho
brutal, invadira durante milhares de anos a imaginação humana. E essa visão tinha
certo fascínio mesmo sobre os grupos que realmente se beneficiaram de cada mu-
dança histórica. Os herdeiros das revoluções inglesa, francesa e americana haviam
parcialmente acreditado nas próprias frases a respeito dos direitos do homem, liber-
dade de palavra, igualdade perante a lei e quejandas, e até haviam permitido que
sua conduta fosse por elas influenciadas, dentro de certos limites. Mas ao advir a
quarta década do século vinte, eram autoritárias todas as principais correntes do
pensamento político. O paraíso terreno desacreditara no momento exato em que
tornara realizável.
                                                      Trecho retirado de: ORWELL, George. 1984. 23º ed.
                                                                       São Paulo: Editora Nacional, 1996.


Proposta 1 (ENEM)

        Com base na leitura dos textos motivadores apresentados e nos conhecimen-
tos construídos ao longo de sua formação, redija um texto DISSERTATIVO-ARGU-
MENTATIVO em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema A coisificação
e suas implicações nos direitos civis e sociais, apresentando proposta de inter-
venção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de
forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.




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Proposta 2 (UECE)

        Tomando por base os textos anteriores, imagine uma situação em que uma
pessoa tenha os direitos humanos ou civis desrespeitados por outra pessoa ou por
um grupo social e redija um RELATO.

Proposta 3 (ITA)

         Observe a imagem abaixo. A partir dela redija uma DISSERTAÇÃO, em pro-
sa, na folha a destinada a tal, argumentando em favor de um ponto de vista sobre o
tema. A redação deve ser feita com caneta azul ou preta.




                    Fonte: <http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_Img
                     /Fortes_Roberto_doutrina_espirita_cidadania_17.jpg >.
                                    Acesso em 16/3/2012.


         Na avaliação de sua redação, serão considerados:
         (A) clareza, e consistência dos argumentos em defesa de um ponto de vista
sobre o tema;
         (B) coesão e coerência do texto; e
         (C) domínio do português padrão (Serão aceitos os dois Sistemas Ortográfi-
cos em vigor, conforme Decreto 6.583, de 29/09/2008).
         Aceitar-se-á qualquer posicionamento ideológico do candidato, desde que
se respeite a diversidade cultural e os valores humanos.




                                                                             Marcelo: 29-03-12 – Rev.: Iris


                                                                                             OSG 1908/12
                                             4

Proposta redação 05

  • 1.
    12 O homem eruditoé um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir. Albert Einstein Tema: Valores Humanos Texto I Boate que divulgou sorteio de mulher é fechada em Batatais (SP) A Prefeitura de Batatais (352 km de São Paulo) fechou provisoriamente uma boate, recém-inaugurada na cidade, que havia distribuído panfletos promovendo o "sorteio de uma acompanhante" aos clientes presentes em festa marcada para o próximo dia 29. Em entrevista por telefone à Folha na quarta, a proprietária da boate 100 Li- mites Drinks disse não ver irregularidade no sorteio. Mas a OAB de São Paulo, a Secre- taria da Presidência da República de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania veem crime de exploração da prostituição na ação e dizem que vão notificar o Ministério Público para que investigue o caso. Nesta quinta, fiscais da prefeitura foram à boate e verificaram que o alvará, emitido em fevereiro de 2011, "foi para o exercício da atividade de bar e boate de empresa diversa da anunciada [no panfleto]". Os panfletos foram recolhidos. Ainda segundo a prefeitura, a proprietária da boate, que se identificou como Estrela, foi intimada a prestar esclarecimentos na polícia. A prefeitura informou também que foi instaurado um procedimento admi- nistrativo de sindicância para apurar eventuais irregularidades sobre o "efetivo exer- cício de atividade". O local também será multado por "prática irregular de panfleta- gem, sem a devida autorização do poder público municipal". O Ministério Público Estadual de Batatais informou que vai pedir à Polícia Civil a instauração de inquérito policial. Para o promotor Alexandre Padilha, há fortes indícios de três crimes: favorecimento à prostituição, manter estabelecimento onde ocorra exploração sexual e rufianismo, que é tirar proveito da prostituição alheia para obter lucro. Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1062474-boate- que-divulgou-sorteio-de-mulher-e-fechada-em-batatais-sp.shtml>. Acesso em: 15/3/2012
  • 2.
    PRATIQUE REDAÇÃO Nº12 − 2012 Texto II Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-NyJHjhejaUM/TZubZNRIR2I/ AAAAAAAAA- aY/2ZfB5Vsw2P8/s1600/1206715287_f.jpg>. Acesso em: 15/3/2012. Texto III Com o surgimento do Capitalismo, homens e mulheres foram paulatinamen- te afastados dos meios de produção, assim como do produto por eles criado. O confinamento dos operários nas fábricas tira destes, não apenas, a posse dos produ- tos, mas ele próprio deixa de ser o centro de si mesmo. O trabalhador tem um “con- trato livre” de trabalho, mas não é ele quem escolhe o seu salário, ou a extensão da jornada, nem mesmo o seu ritmo. Tudo isso passa a ser comandado de fora por forças estranhas a ele. As mercadorias convertem-se em realidades soberanas e tirâ- nicas, assumem formas abstratas e superiores aos humanos. É essa “humanização” da mercadoria que leva, no contraponto, a “desuma- nização” do homem. Não por acaso a força de trabalho humana é transformada em mercadoria, vez que passa a ter um preço no mercado. A alienação e o fetiche, por- tanto, não são meramente teóricos, mas se manifestam na vida real das pessoas. Mesmo que essas continuem a produzir valores e criar identidades e cultura, há uma interseção das relações sociais tendo como base o mecanismo produtor da forma mercadoria, na tentativa de “ganhar a sua alma” e embotar a sua consciência. No fundo, esse processo é extremamente eficaz e gera a incapacidade de boa parte dos trabalhadores de perceber o mecanismo de alienação. Este começa na divi- OSG 1908/12 2
  • 3.
    PRATIQUE REDAÇÃO Nº12 − 2012 são do trabalho, perpassa o Estado e chega aos meios de comunicação, pelos quais é veiculado via senso-comum. É assim que é completado o circuito, quando as pessoas não conseguem ultrapassar as aparências e chegar à essência, à realidade que há por detrás de cada fato ou de cada produto, por mais inocentes que pareçam. Fonte: <http://regisper.blogspot.com.br/2011/10/sociologia-4-bim-desumanizacao-eou.html>. Adaptado. Acesso em: 14/3/2012. Texto IV Mesmo que ainda fosse necessário aos seres humanos desempenhar dife- rentes tipos de profissão, já não era preciso que vivessem em diferentes níveis sociais ou econômicos. Portanto, do ponto de vista dos novos grupos que estavam a pique de tomar o poder, a igualdade humana não era mais um ideal a atingir, era um peri- go a evitar. Em épocas mais primitivas, quando de fato não era possível uma socie- dade justa e pacífica, fora bem fácil acreditar nela. A ideia de um paraíso terreno em que os homens vivessem juntos num estado de fraternidade, sem leis nem trabalho brutal, invadira durante milhares de anos a imaginação humana. E essa visão tinha certo fascínio mesmo sobre os grupos que realmente se beneficiaram de cada mu- dança histórica. Os herdeiros das revoluções inglesa, francesa e americana haviam parcialmente acreditado nas próprias frases a respeito dos direitos do homem, liber- dade de palavra, igualdade perante a lei e quejandas, e até haviam permitido que sua conduta fosse por elas influenciadas, dentro de certos limites. Mas ao advir a quarta década do século vinte, eram autoritárias todas as principais correntes do pensamento político. O paraíso terreno desacreditara no momento exato em que tornara realizável. Trecho retirado de: ORWELL, George. 1984. 23º ed. São Paulo: Editora Nacional, 1996. Proposta 1 (ENEM) Com base na leitura dos textos motivadores apresentados e nos conhecimen- tos construídos ao longo de sua formação, redija um texto DISSERTATIVO-ARGU- MENTATIVO em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema A coisificação e suas implicações nos direitos civis e sociais, apresentando proposta de inter- venção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. OSG 1908/12 3
  • 4.
    PRATIQUE REDAÇÃO Nº12 − 2012 Proposta 2 (UECE) Tomando por base os textos anteriores, imagine uma situação em que uma pessoa tenha os direitos humanos ou civis desrespeitados por outra pessoa ou por um grupo social e redija um RELATO. Proposta 3 (ITA) Observe a imagem abaixo. A partir dela redija uma DISSERTAÇÃO, em pro- sa, na folha a destinada a tal, argumentando em favor de um ponto de vista sobre o tema. A redação deve ser feita com caneta azul ou preta. Fonte: <http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_Img /Fortes_Roberto_doutrina_espirita_cidadania_17.jpg >. Acesso em 16/3/2012. Na avaliação de sua redação, serão considerados: (A) clareza, e consistência dos argumentos em defesa de um ponto de vista sobre o tema; (B) coesão e coerência do texto; e (C) domínio do português padrão (Serão aceitos os dois Sistemas Ortográfi- cos em vigor, conforme Decreto 6.583, de 29/09/2008). Aceitar-se-á qualquer posicionamento ideológico do candidato, desde que se respeite a diversidade cultural e os valores humanos. Marcelo: 29-03-12 – Rev.: Iris OSG 1908/12 4