ESCOLA MUNICIPAL ALTINA OLÍVIA GONÇALVES
          EQUIPE DIRETIVA 2010/2012




 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO




                 IPATINGA
             FEVEREIRO DE 2012
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     EQUIPE DIRETIVA 2010/2012




PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO




            IPATINGA
        DEZEMBRO DE 2011
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                                 AGRADECIMENTOS




A Deus, que nos tem dado sabedoria, coragem e força para consolidação de nossos objetivos
na escola.


A todos os professores que ajudaram na construção deste Projeto Político Pedagógico,
fornecendo material, fundamentações e idéias, em especial aos professores Isaura Azevedo
Carvalho, Juciano Almeida de Jesus, Marco Abreu dos Santos e Natália Paiva Fernandes,
responsáveis por sua reestruturação e revisão.
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Fui alfabetizado no chão do quintal de minha
casa, à sombra das mangueiras, com palavras do
meu mundo e não do mundo maior dos meus pais.
O chão foi o meu quadro- negro; gravetos, o meu
giz.


                                   Paulo Freire
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                                                  LISTA DE FIGURAS




Figura 1- Colar Metropolitano do Vale do Aço. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga ....................12

Figura 2- Divisão política do município de Ipatinga. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga ............13

Figura 3- Logomarca da escola ..............................................................................................................16
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                                           LISTA DE QUADROS




Quadro 1- Materiais e equipamentos adaptados para a Educação Especial ............................. 52

Quadro 2- Lista de materiais adaptados para os deficientes auditivos ..................................... 66

Quadro 3- Equipe multidisciplinar do PRAEJA ...................................................................... 87

Quadro 4- Plano de metas: Disciplina .................................................................................... 104

Quadro 5- Plano de metas: Estratégias Metodológicas .......................................................... 105

Quadro 6- Plano de metas: Infrequência ................................................................................ 105

Quadro 7- Plano de metas: Acompanhamento familiar da vida do educando........................ 106

Quadro 8- Plano de metas: Redução do trabalho infantil ....................................................... 106

Quadro 9- Plano de metas: Problemas de saúde ..................................................................... 107

Quadro 10- Plano de metas: Evasão escolar ........................................................................... 107
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                           LISTA DE ABREVIATURAS


ADEVIPA- Associação dos Deficientes Visuais de Ipatinga
AEE- Atendimento Educacional Especializado
APAE- Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
AVD- Atividades da Vida Diária
CEB- Coordenadoria da Educação Básica
CENFOP- Centro de Formação Pedagógica
CESEC- Centro Estadual de Educação Continuada
CNE- Conselho Nacional de Educação
ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente
EJA- Educação de Jovens e Adultos
EMAOG – Escola Municipal Olívia Altina Gonçalves
ENC- Exame Nacional de Cursos
FNDE- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
IDH - Índice de Desenvolvimento Humano
IEE- Índice de Efeito Escola
INES- Instituto Nacional de Educação dos Surdos
LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação
LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais
MEC- Ministério da Educação e Cultura
NEE- Necessidades Educativas Especiais
NEPES- Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos
PA- Professor Auxiliar
PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais
PDDE- Programa Dinheiro Direto na Escola
PDI- Plano de Desenvolvimento Individual
PPP- Projeto Político Pedagógico
PRAEJA- Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos
SAEB- Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica
SEB- Secretaria de Educação Básica
SECAD- Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
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SEESP- Secretaria de Educação Especial (Mec)
SME- Secretaria Municipal de Educação
TIC's - Tecnologias de Informação e Comunicação
UNESCO- Organização das Nações Unidas para a Educação (United Nations Educational,
Scientific and Cultural Organization)
UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância (United Nations Children's Fund)
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                                                               SUMÁRIO


1 – IDENTIFICAÇÃO .........................................................................................................................12

2 – HISTÓRICO DA ESCOLA...........................................................................................................14

2.1 – A Patronesse da Escola .................................................................................................................14

2.2 – A Logomarca da Escola ................................................................................................................15

3 – PERFIL DA ESCOLA ...................................................................................................................17

3.1 – Estrutura Física..............................................................................................................................17

3.2 – Perfil dos Educandos .....................................................................................................................17

3.3 – Perfil dos Educadores ....................................................................................................................19

4 – OBJETIVOS DA ESCOLA ...........................................................................................................22

5– FUNÇÕES DOS MEMBROS DA EQUIPE PEDAGÓGICA DA ESCOLA .............................23

5.1 – Funções, Atribuições e Competências da Equipe Diretiva ...........................................................23

5.2 – Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Ensino Regular ..................................28

5.3– Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Atendimento Educacional

Especializado- AEE ...............................................................................................................................31

6– CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS ................................................................................................37

6.1– Função Social da Escola.................................................................................................................38

6.2– Missão da Escola ............................................................................................................................38

6.3 – Trabalho Pedagógico .....................................................................................................................38

7 – SISTEMA DE ENSINO: MODALIDADES DE ENSINO, ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA

E FUNCIONAMENTO........................................................................................................................44

7.1 – Educação Básica............................................................................................................................44

7.2 – Ensino Fundamental ......................................................................................................................45

7.3 – Modalidades de Educação .............................................................................................................45

7.3.1 – Educação Especial ......................................................................................................................45

7.3.1.1- Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Deficiência Visual. .....................48

7.3.1.2- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Deficiência Auditiva .............61

7.3.1.3- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Déficit Intelectual: .................76

7.3.1.4 – Educação de Jovens e Adultos – EJA .....................................................................................80
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7.3.1.5- Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos (PRAEJA) ...........................84

8 – GESTÃO DEMOCRÁTICA .........................................................................................................88

8.1 – Princípios: características da gestão democrático-participativa ....................................................89

8.2 – Autonomia da escola e da comunidade educativa .........................................................................89

8.3 – Relação orgânica entre a Direção e a participação dos membros da equipe escolar .....................90

8.4 – Envolvimento da comunidade no processo escolar .......................................................................91

9 –CONSTRUÇÃO DE UMA COMUNIDADE DEMOCRÁTICA DE APRENDIZAGEM .......93

9.1 – Promoção de ações de desenvolvimento profissional ...................................................................94

9.2 – Envolvimento dos educandos em processo de solução de problemas e tomada de decisões ........95

9.3 – Envolvimento dos Pais na Vida Escolar........................................................................................96

9.4 – Fortalecimento de Formas de Comunicação e de Difusão de Informações ..................................97

9.5 – Avaliação do Sistema Escolar e da Aprendizagem .......................................................................97

9.6 – Formação Continuada, Desenvolvimento Pessoal e Profissional................................................100

9.7.1 – Plano de Metas .........................................................................................................................103

10 – CONSELHO ESCOLAR ...........................................................................................................108

11- FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR .................................................................109

12 – PROJETO PEDAGÓGICO CURRICULAR ..........................................................................115

13 – ORGANIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO ....................................119

13.1 – Planejamento .............................................................................................................................122

13.2 – Avaliação...................................................................................................................................123

13.3 – Recuperação em Tempo Real ....................................................................................................124

13.4- Conselho de Classe .....................................................................................................................125

14- PROJETOS INSTITUCIONAIS, CURSOS ..............................................................................126

15- CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................132

REFERÊNCIAS .................................................................................................................................133

ANEXOS .............................................................................................................................................136
EQUIPE DIRETIVA 2012.................................................................................................137
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1 – IDENTIFICAÇÃO



        Ipatinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, pertencente
à mesorregião do Vale do Rio Doce e à microrregião do Vale do Aço. Localiza-se a nordeste
da capital do estado, distando desta cerca de 209 quilômetros. Sua população é estimada em
cerca de 239.177 habitantes (CENSO, 2010). Está a 947 quilômetros de Brasília, a capital
federal. Ipatinga tem como limites geográficos os seguintes municípios: ao Norte/Leste,
Santana do Paraíso; a Oeste, Coronel Fabriciano; ao Sul, Timóteo e ao Sudeste, Caratinga.




Figura 1- Colar Metropolitano do Vale do Aço. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga
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        Além dos quatro principais municípios do Vale do Aço (Coronel Fabriciano, Ipatinga,
Santana do Paraíso e Timóteo), há outros 22 municípios que formam o chamado colar
metropolitano (Figura 1). A região possui um elevado nível de desenvolvimento industrial,
graças às grandes empresas locais, como a Aperam, antiga “Acesita”, em Timóteo, e
principalmente a Usiminas, localizada em Ipatinga.
        O município divide-se em 35 bairros (Figura 2), ocupando uma área total de 166,5
Km², dos quais 44,4% formam a área urbana e 55,5%, a rural.




Figura 2- Divisão política do município de Ipatinga. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga


        A cidade de Ipatinga, em 2008, contava com aproximadamente 23.818 matrículas e 26
instituições dos ensinos Fundamental e Médio em escolas estaduais; 21.930 matrículas e 37
instituições municipais em Ensino Especial, Educação Infantil e Ensino Fundamental; e
16.604 matrículas e 76 instituições particulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental e
Médio. O município ainda conta com diversas instituições de ensino superior. São algumas
delas: a Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC, a Faculdade Pitágoras, Centro
Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste - MG), Faculdade de Direito de Ipatinga,
Faculdade de Tecnologia, União Educacional do Vale do Aço; Faculdade Evangélica de
Teologia, Faculdade Pereira de Freitas, Universidade Aberta (UFOP), dentre outras.
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2 – HISTÓRICO DA ESCOLA



       A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, (EMAOG) foi criada pela Lei nº 703/80,
de 17 de dezembro de 1980, tendo começado a funcionar em 09 de fevereiro de 1981, e
inaugurada oficialmente em 27/04/1981, na gestão do então Prefeito João Lamego Neto.
       Nessa trajetória, há que se destacar a figura dos Diretores e Diretoras, cujo
compromisso lhes permitiu extrapolar o caráter das funções em sala de aula e assumir a linha
de frente da instituição:
           -   Sônia Maria de Paiva (1981)
           -   Rui Simões de Almeida (01/02/1982 a 24/09/1982)
           -   Robson Gomes Lopes da Silva (20/10/1983 a 07/03/1983)
           -   Vilma de Faria e Silva (10/03/1986 a 02/10/1989)
           -   Sônia Alves Pereira (03/10/1989 a 14/09/1993)
           -   Nivaldo Paulo da Silva (15/09/1993 a 28/02/1996)
           -   Maria de Lourdes de Souza (29/02/1996 a 18/02/1998)
           -   Vilazia Júlia Lopes Inácio (19/02/1998 a 31/12/2000)
           -   Rita Sônia Camargo Campos (01/01/2001 a 2004)
           -   Maria Aparecida Salgado de Oliveira (2006 a 2010)
           -   Eliane Regina Viana (julho de 2010 a 2012)



2.1 – A Patronesse da Escola


       A denominação da escola foi dada em homenagem à senhora Altina Olívia Gonçalves,
esposa do senhor Jair Gonçalves, pioneiros da região. Nascida no dia 1º de outubro de 1916 e
falecida no dia 27 de junho de 1976, teve atuação marcante em prestação de serviço à
comunidade. Possuidora de grande espírito comunitário e Cristão, acolhia a todos que a
procuravam com bondade, amor e infinita paciência.
       Filha de Izídio Ponciano da Silva e Maria Sabina da Silva, teve uma infância comum
de cidade interiorana. Recebeu instrução irregular devido às condições de ensino da época,
tendo, porém, formação religiosa intocável. Da cidade de Matos, veio inicialmente para
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Figueira do Rio Doce, atual Governador Valadares, juntamente com os pais, e mais tarde
transferiram residência para nossa região, por volta do ano de 1929, tendo ela treze anos
incompletos.
       De origem muito humilde, teve que lutar muito cedo para o sustento próprio e ajudar a
família. Conseguiu emprego na casa do senhor Alberto Giovanini. Seus pais retornaram a
Figueira, fixando morada em Baguari. Casou-se com Jair Gonçalves e desta união nasceu o
único filho do casal, Sílvio Gonçalves.
       Grande lutadora ao lado do esposo, com economia ganha no trabalho do carvão da
empresa Belgo Mineira, foram comprando porções de terra, edificando casas, formando
grande fazenda de agricultura e pecuária, tendo sido proprietários das terras onde situam hoje
os bairros Iguaçu e Cidade Nobre.



2.2 – A Logomarca da Escola


       A elaboração da logomarca da escola iniciou-se em 2001. Foram solicitadas
contribuições aos alunos e professores. Buscou-se um símbolo que englobasse o nome da
escola e um lema pertinentes ao trabalho desenvolvido pela escola na comunidade.
       Após análise das sugestões de alunos, professores e equipe diretiva, chegou-se à
logomarca da escola. Em seu formato original, o círculo lembra a forma orgânica do planeta
Terra, que vem circundado acima e abaixo, com o elo de identificação da escola com a rede
municipal de ensino de Ipatinga, acrescida da sigla de Minas Gerais. Uma das preocupações
ao se criar a marca era a manutenção do primeiro nome da escola em destaque, por ser uma
marca já popularizada ao longo da existência da escola. Portanto, ele aparece na parte superior
interna do círculo em letras maiúsculas e em negrito. Ao centro, as letras iniciais do nome da
escola se sobrepõem na mesma ordem do nome. Assim, o “A” de Altina aparece em primeiro
plano em formato de triângulo, no qual é vazada a letra “O” de Olívia. Ambos se sobrepõem à
letra “G” de Gonçalves, que se destaca pelo formato e tamanho, sobre a qual se apoiam as
outras duas iniciais, preservando assim a significativa presença da pioneira família
“Gonçalves” em nossa região. Na parte debaixo do círculo, a frase lema: “Respeitando as
diferenças” constitui-se em nosso propósito e em um desafio contínuo no cotidiano do
trabalho educacional. Nosso lema se apresenta também simbolizado, além das palavras, pelas
duas faces opostas, intermediadas pelas iniciais do nome da escola, que se apresenta como
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possibilidade de interlocução de diálogo entre as duas figuras. A face da direita mostra-se
estampada em branco, traz uma silhueta em negrito, projetando a figura oposta. Além disso, a
linha interna do círculo liga ambas as figuras, como elo que, respeitando as diferenças,
interliga todos os seres humanos, numa extensa rede de conexão humana, numa busca
constante de superação das distinções de raça, crença, gênero, idade, poder aquisitivo e
cultura.
          A comissão responsável pela reestruturação do Projeto Político Pedagógico da Escola
Municipal Altina Olívia Gonçalves, no ano de 2011, propôs algumas alterações na logomarca
original, cariando uma logomarca mais moderna e condizente com a proposta pedagógica da
escola.
Houve alteração no lema da escola, substituindo a palavra “respeitando” por “interagindo
com” as diferenças. A troca se justifica devido ao momento histórico atual da escola, que já
não requer apenas o respeito, mas o constante exercício de tolerância e convivência mútua,
proporcionando maior proximidade e efetiva interação entre os diferentes. Além disso, a
comissão sugeriu a inserção das cores vermelha e azul na logomarca da escola com a
finalidade de melhorar a visibilidade e em consonância com as cores das bandeiras do
município de Ipatinga e do estado de Minas Gerais. (Figura 3).




                                   Figura 3- Logomarca da escola
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3 – PERFIL DA ESCOLA



3.1 – Estrutura Física
          A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves atualmente possui em sua estrutura
física:
    -     10 Salas de aula – Ensino Fundamental Regular
    -     08 Mini-salas – AEE (04 salas – AEE COM TATO, 02 AEE Surdos, 02 AEE
          Mutifuncional)
    -     02 Laboratórios de Inclusão Digital
    -     01 Auditório para palestras
    -     01 Sala de Coordenação Pedagógica
    -     02 Pátios de recreação
    -     01 Biblioteca
    -     01 Quadra Poliesportiva coberta
    -     02 Salas de Direção
    -     01 Sala de Professores
    -     01 Secretaria
    -     01 Cantina
    -     01 Despensa
    -     01 Almoxarifado
    -     03 Banheiros para Funcionários
    -     03 Banheiros para Alunos, sendo 01 adaptado para deficientes físicos.
    -     02 Banheiros (auditório para palestras)
    -     02 Mini-salas (despensa materiais diversos)


3.2 – Perfil dos Educandos
          A clientela da escola é composta basicamente por alunos que residem na região
circunvizinha. Geralmente são de baixa renda, filhos de pais desempregados ou de famílias
desestruturadas. Compreendem a faixa etária de 6 a 14 anos, no Ensino Regular, nos turnos
matutino e vespertino, e acima de 15 anos, na EJA (Educação de Jovens e Adultos), cujas
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turmas são compostas inclusive por alunos cegos, surdos, deficientes físicos, intelectual e
portadores de múltiplas deficiências.

Em relação às tarefas:
       -   80% dos alunos fazem tarefas diariamente.
       -   70% dos alunos tem acompanhamento em casa para fazer as tarefas.
       -   60% dos alunos tem horário e local adequados para fazer as tarefas.
       -   10% dos alunos tem tarefa 2 vezes por semana.
       -   15% dos alunos tem tarefa 3 vezes por semana.
       -   75% dos alunos tem tarefa 4 vezes por semana.
Comprometimento com os estudos:
       -   20% são poucos comprometidos.
       -   65% são comprometidos.
       -   15% são desinteressados
Os alunos estão em relação aos professores.
       -   30% satisfeitos.
       -   70% muito satisfeitos.
Em relação a equipe Diretiva, os alunos estão:
       -   69% satisfeitos
       -   15% muito satisfeitos.
       -   26% insatisfeitos.
Quanto ao espaço físico da escola, os alunos estão:
       -   50% consideram ótimo.
       -   50% consideram bom.
Quanto à merenda escolar.
       -   30% consideram ótima.
       -   20% consideram boa.
       -   50% consideram sem tempero.
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Quanto aos projetos da escola e ao apoio pedagógico:
       -   60% consideram ótimos.
       -   40% consideram bom.


3.3 – Perfil dos Educadores

Quadro de funcionários e formação acadêmica:
   - Atualmente fazem parte do quadro de professores da escola 109 educadores (2011),
       sendo 93 professoras e 16 professores;
   -   Deste total, 16 professores são especialistas e trabalham com a educação especial –
       sendo 9 professores atendendo os alunos de baixa visão e 3 professores da
       Multifuncional e 4 professores do AEE.(Atendimento Educacional Especializado);
   -   Todos os professores possuem curso superior, sendo que         95% atuam na área
       específica de sua graduação, e 5% em área de atuação diferente de sua graduação.

Tempo de serviço e jornada de trabalho:
   - 10% - lecionam de 2 a 5 anos
   -   45% - de 5 a 10 anos
   -   35% de 15 a 20 anos.
   -   10% mais de20 anos.
   -   80 % dos professores fazem jornada de 40 horas semanais.
   -   10% dos professores lecionam em escola em uma escola municipal e uma escola
       Particular.
   -   20% dos professores lecionam somente na escola Altina.

Recursos didáticos e tecnológicos:
   - 90% dos educadores tem conhecimento dos recursos tecnológicos da escola porém
       encontram dificuldade para utilizá-los (a maior dificuldade encontrada é na resolução
       de problemas de impressão).
   -   85% dos professores afirmaram que os materiais pedagógicos necessários estão
       disponíveis para o seu trabalho.
   -   95% dos educadores buscam diversificar sua prática e acreditam que o sucesso na
       aprendizagem está relacionado com a diversificação das metodologias aplicadas.
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Planejamento:
   - 15% dos educadores acreditam que seu Planejamento atende às necessidades dos
       educandos, promovendo o desenvolvimento de habilidades e competências.
   -   85% dos educadores acreditam que seu Planejamento atende às necessidades dos seus
       educandos, mas precisa ser constantemente reelaborado.

Avaliação:
   - Em geral, os educadores acreditam na diversificação de metodologias, e que a
       avaliação pode ser diversificada; utilizam questões objetivas, discursivas, pesquisas,
       observações com registros e seminários.
   -   Em geral os professores acreditam que a recuperação deve ser paralela e contínua, mas
       que deve haver monitoramento e acompanhamento efetivo dos coordenadores
       pedagógicos e professores. Devem-se utilizar várias estratégias com a finalidade de
       diminuir a defasagem de aprendizagem do educando.

Currículo no processo ensino-aprendizagem:
   - 5% dos educadores acreditam que a função do currículo é elencar um conjunto de
       conteúdos que devem ser ensinados em um determinado ano ou ciclo.
   -   5% dos educadores acreditam que o currículo deve expressar atividades educativas
       concernentes às condições reais dos educandos.
   -   90% dos educadores acreditam que o currículo deve proporcionar informações
       concretas sobre o que ensinar, quando ensinar, como ensinar e o que, como e quando
       avaliar.
   -   Em geral, todos os educadores acreditam que as habilidades e competências que o
       aluno deve desenvolver, devem estar em consonância com a Proposta Curricular
       referente ao ano escolar cursado pelo educando.
   -   Em geral os educadores acreditam que todos os educandos devem desenvolver na
       escola as habilidades psicossociais como saber ouvir, falar, respeitar os outros,
       desenvolver o espírito de cooperação e solidariedade humana.
   -   95% dos educadores acreditam que a proposta curricular da rede municipal de ensino
       de Ipatinga deve ser reformulada, pois se encontra desatualizada.
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Taxas de evasão e retenção:
   - Em relação às ações para diminuir o número de retenção e evasão na escola, os
       educadores sugeriram várias alternativas:
         -   Diminuir o número de alunos nas salas;
         -   Turmas mais homogêneas;
         -   Continuar a execução dos projetos realizados na escola;
         -   Os projetos de reforço e projetos esportivos devem ser priorizados;
         -   Incentivar o momento de estudo em casa;
         -   Estimular a parceria família e escola.

Participação dos professores na escola:
    - 95% dos educadores acreditam ser parte importante desta escola.
   -   90% dos educadores participam das decisões educacionais da escola.
   -   40% dos educadores recebem apoio dos pais dos alunos
   -   60% dos educadores acreditam que os pais deveriam aumentar o seu apoio à escola e
       deveriam acompanhar melhor o desenvolvimento seus filhos.
   -   90% dos educadores afirmaram que as rotinas burocráticas da escola não interferem no
       seu trabalho de ensinar.
   -   90% dos educadores afirmam existir um clima de cooperação entre professores desta
       escola.
   -   90% dos educadores acreditam que a equipe diretiva estimula as atividades
       inovadoras.
   -   100% dos educadores acreditam na importância da boa interação entre alunos e
       professores para viabilizar a aprendizagem.
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4 – OBJETIVOS DA ESCOLA




       A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves objetiva sua ação educativa
fundamentada nos princípios da universalização de igualdade de acesso, permanência e
sucesso, obrigatoriedade da Educação Básica e gratuidade escolar.
       A proposta é uma escola de qualidade, democrática, participativa e comunitária, como
espaço cultural de socialização e desenvolvimento do educando, preparando-o para o
exercício de direitos e o cumprimento de deveres – sinônimo de cidadania.
A escola tem por objetivos específicos:
   -   Proporcionar uma educação de qualidade em consonância com a Lei de Diretrizes e
       Bases da Educação, os Parâmetros Curriculares de referencia e as orientações da
       Secretaria Municipal de Educação, envolvendo órgãos públicos competentes, a
       sociedade em geral e a comunidade escolar, na formação social, intelectual e humana
       do educando para torná-lo um cidadão responsável, comprometido, crítico e
       participativo, capaz de contribuir para a formação de uma sociedade mais justa e
       humanitária;
   -   Fundamentar o trabalho no diálogo, na liberdade de expressão, na união, no respeito,
       na cooperação, no tratamento igualitário para todos, estando abertos às críticas
       acompanhadas de sugestões;
   -   Desenvolver uma ação conjunta para promover a participação efetiva da comunidade
       escolar, trabalhando numa convivência harmoniosa com os pais e conselhos, para
       juntos buscarmos alternativas ou soluções para dificuldades;
   -   Traçar metas para administração do pessoal, dos recursos materiais e financeiros; velar
       e assegurar o cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
   -   Prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento, articular com as
       famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola,
       informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem
       como a execução de sua proposta pedagógica;
   -   Procurar maior integração entre a escola e a comunidade, incentivando e valorizando a
       cultura regional através de eventos culturais, recreativos e desportivos;
23




5– FUNÇÕES DOS MEMBROS DA EQUIPE PEDAGÓGICA DA
ESCOLA


5.1 – Funções, Atribuições e Competências da Equipe Diretiva

 Diretor
   -   Coordenar a elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta pedagógica
       da escola;
   -   Assegurar que todos os docentes trabalhem com padrões, avaliações e metas de
       desempenho;
   -   Assegurar que cada docente elabore e aplique o seu plano anual de curso e o seu
       planejamento de aula;
   -   Organizar e manter atualizado o portifólio de registro do perfil de desempenho do
       professor, e realizar o monitoramento contínuo do desempenhos do docentes;
   -   Assegurar o cumprimento dos contratos e dos acordos;
   -   Organizar e supervisionar os trabalhos de matrícula e do censo escolar;
   -   Coordenar a organização do quadro de turmas, dos horários e a distribuição de aulas;
   -   Articular e harmonizar as áreas de docência na escola;
   -   Estimular a participação e o envolvimento dos pais na vida escolar dos seus filhos;
   -   Promover reuniões de professores e pais de alunos;
   -   Orientar os funcionários a fim de assegurar que os serviços administrativos da escola
       se mantenham atualizados;
   -   Manter registros de ocorrências diárias da Unidade Escolar;
   -   Observar e cumprir a legislação que se dispõe sobre os direitos da criança e do
       adolescente;
   -   Reunir-se periodicamente com os docentes para avaliação conjunta de problemas,
       visando ao aperfeiçoamento do ensino e à melhoria das relações interpessoais na
       escola;
   -   Elaborar relatórios periódicos de avaliação de ensino, na escola, submetendo-os à
       apreciação do órgão hierarquicamente superior;
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-   Encaminhar medidas que visem sanar deficiências apontadas pelas avaliações internas
    e externas;
-   Orientar a elaboração de mapas, quadros demonstrativos e estatísticos que permitam
    ajuizar-se da evolução do ensino, na escola;
-   Articular-se com órgãos competentes da Secretaria Municipal de Saúde para
    elaboração e execução do plano de assistência médica e sanitária dos alunos;
-   Encaminhar ou submeter aos órgãos de coordenação, com oportunidade, as
    solicitações relativas a pessoal, material e serviços de cantina e zeladoria;
-   Participar de cursos de formação ou aperfeiçoamento profissional e cultural;
-   Elaborar a proposta orçamentária da escola, de acordo com instruções da Secretaria
    Municipal de Educação;
-   Participar da programação de atividades do desenvolvimento de recursos humanos;
-   Supervisionar o preparo e a distribuição da merenda escolar;
-   Impedir que se façam, nos limites da escola, atividades comerciais, práticas ilícitas e
    contrárias a sua missão institucional;
-   Prestar assistência a todos os turnos de funcionamento da Unidade Escolar, em rodízio
    diário, cumprindo a jornada de trabalho determinada em lei;
-   Promover reuniões com o pessoal administrativo, orientado-o na execução de suas
    atribuições;
-   Participar das reuniões para as quais tiver sido convocado pelos órgãos de
    coordenação da Secretaria Municipal de Educação;
-   Cumprir e zelar para que obedeçam às normas regimentais, ao calendário escolar e às
    demais orientações da Secretaria Municipal de Educação;
-   Zelar pela disciplina no âmbito da escola, bem como pela conservação do prédio e do
    mobiliário;
-   Planejar, orientar e coordenar as atividades de caráter cívico, cultural e social;
-   Participar do planejamento de utilização da Biblioteca Pública Municipal para fins de
    pesquisa;
-   Divulgar entre os professores, alunos e comunidade, as finalidades educacionais da
    escola e organizações afins, permitindo alcançar uma disciplina consciente, uma
    participação ativa e uma educação integral;
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   -   Desempenhar as atribuições de chefia geral, nos termos da lei;
   -   Participar das reuniões do Colegiado de Diretores;
   -   Executar tarefas correlatas;
   -   Prestar contas à Prefeitura Municipal de Ipatinga dos recursos financeiros repassados
       ao Caixa Escolar;
   -   Substituir professor ocasionalmente.


 Vice-Diretor
   -   Auxiliar na administração da escola sob orientação geral do diretor;
   -   Orientar e coordenar a elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta
       pedagógica;
   -   Zelar pelo cumprimento dos padrões e das metas de desempenho elaboradas junto aos
       docentes;
   -   Assegurar o cumprimento de normas e contratos;
   -   Colaborar no planejamento do trabalho do ano letivo;
   -   Colaborar na coordenação e orientação segundo instruções do superior hierárquico e
       acompanhar o trabalho dos serviços administrativos, a execução dos serviços de
       cantina e zeladoria, na escola;
   -   Participar das reuniões com os docentes e pais de alunos;
   -   Coligir dados para a elaboração de mapas, quadros demonstrativos e relatórios;
   -   Coligir elementos para a elaboração de propostas orçamentárias da escola;
   -   Substituir o diretor nos seus impedimentos;
   -   Desempenhar outras tarefas que lhes sejam propostas pela Direção da Escola;
   -   Coordenar a articulação entre a escola e as famílias dos alunos e o Ministério Público,
       os Conselhos Tutelares, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
       Adolescente, a APAE e outras instituições de apoio às pessoas com necessidades
       educativas especiais;
   -   Executar tarefas correlatas;
   -   Substituir professores ocasionalmente.
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 Coordenador Pedagógico


   -   Acompanhar e orientar o trabalho dos educadores no processo ensino-aprendizagem;
   -   Coordenar os momentos de planejamento dos educadores, colaborando na organização
       de projetos, na seleção de material de apoio, objetivando a eficiência na prática
       pedagógica;
   -   Executar a formação permanente dos educadores;
   -   Acompanhar a prática nas salas de aula, buscando contato direto com as turmas para
       posterior avaliação com os educadores, assegurando a integração horizontal e vertical
       do currículo;
   -   Oportunizar a socialização da prática pedagógica, reavaliando sempre a prática do
       trabalho, estabelecendo junto ao professor critérios de análise e seleção de
       instrumentos de avaliação;
   -   Analisar o desempenho dos alunos para garantir juntamente aos educadores propostas
       pedagógicas que objetivem o sucesso dos mesmos, bem como apresentá-las e discuti-
       las com o departamento pedagógico;
   -   Promover a participação da comunidade em temas a serem trabalhados na escola e na
       avaliação dos trabalhos administrativo-pedagógicos desenvolvidos em toda Unidade
       de Ensino;
   -   Promover encerramento de projetos e participar da organização de eventos culturais na
       Unidade de Ensino, envolvendo a comunidade escolar;
   -   Promover momentos de avaliação dos trabalhos pedagógicos realizados por alunos e
       professores;
   -   Desenvolver com alunos e professores discussões sobre a necessidade de se buscar a
       autoavaliação como instrumento de crescimento pessoal e/ou profissional, e torná-la
       uma prática comum na unidade escolar;
   -   Aprimorar conhecimentos e habilidades práticas, incentivando no grupo um trabalho
       de qualidade;
   -   Assegurar que a escola trabalhe com padrões de desempenho e de avaliação e com
       metas de desempenho;
   -   Assegurar os trabalhos dos Conselhos de Classe;
   -   Substituir professores ocasionalmente.
27




 Secretário


   -   Conhecer e participar da elaboração da proposta pedagógica da escola;
   -   Organizar e manter em dia fichário e livros referentes à vida escolar dos alunos,
       arquivar o registro do desempenho do aluno, bem como os diários de classe e fichas de
       acompanhamento de turma;
   -   Responsabilizar-se pela matrícula dos alunos, conferindo documentos;
   -   Redigir atas, ofícios, avisos e outros documentos;
   -   Preencher históricos escolares;
   -   Redigir e fazer expedir a correspondência oficial da escola, submetendo-a à apreciação
       e assinatura do diretor;
   -   Manter atualizados os serviços da secretaria e arquivos;
   -   Trazer em dia a coleção de leis, regulamentos, instruções, circulares e despachos que
       dizem respeito às atividades da escola;
   -   Observar e fazer cumprir as leis vigentes, os despachos e determinações do superior
       hierárquico;
   -   Apurar a frequência dos servidores da escola;
   -   Coligir dados para o preparo do pagamento do pessoal;
   -   Colaborar com os diretores, eventualmente, na manutenção da disciplina da escola;
   -   Promover levantamento estatístico, preencher formulários em tempo hábil, de acordo
       com as solicitações dos órgãos de autoridades da administração pública, submetendo-
       os antes à apreciação do diretor;
   -   Manter o arquivo rigorosamente em dia, para pronto manuseio, consulta e
       comprovação, de maneira a facilitar toda e qualquer pesquisa;
   -   Atualizar periodicamente os auxiliares de secretaria sobre expediente e escrituração
       escolar em geral, observando a legislação pertinente;
   -   Zelar pela conservação do material sob sua guarda e pela ordem em seu setor de
       trabalho;
   -   Assinar, juntamente com o diretor, os documentos relativos à vida escolar do aluno,
       fazendo constar o número de registro ou autorização;
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   -   Superintender, fiscalizar e distribuir os serviços de secretaria, mantendo-a aberta ao
       público durante o horário de funcionamento da escola;
   -   Zelar para um clima de trabalho tranquilo e produtivo;
   -   Atender e auxiliar os assessores do Sistema Municipal de Ensino em suas visitas à
       escola, apresentando-lhes a documentação solicitada;
   -   Participar das discussões pedagógicas da escola e de cursos de formação;
   -   Comunicar ao diretor, com antecedência, os atrasos, compensação de horas, eventuais
       faltas e seu afastamento por motivo de licença;
   -   Executar tarefas correlatas.


5.2 – Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Ensino Regular


 Professores do Ensino Fundamental/ Educação de Jovens e Adultos
   -   Participar da elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta pedagógica;
   -   Trabalhar com padrões, avaliações e com metas de desempenho, por ano de ciclo e por
       classe;
   -   Elaborar e executar o seu plano anual de curso e o seu planejamento de aulas;
   -   Zelar pela frequência dos alunos;
   -   Organizar e manter atualizado o registro do perfil de progresso acadêmico dos alunos;
   -   Fazer registro da chamada diariamente no diário de classe e disponibilizá-lo na
       secretaria ou no local apropriado, permitindo assim acesso do secretário e da equipe de
       gestores;
   -   Participar periodicamente, nos termos do contrato de trabalho, das atividades escolares
       programadas de estudo e planejamento em equipe;
   -   Planejar, executar, avaliar e registrar as intenções educativas numa perspectiva
       coletiva e integradora a partir do perfil dos alunos e do plano pedagógico da escola;
   -   Identificar educandos que apresentem dificuldades no processo educativo, em
       conjunto com as pessoas envolvidas direta ou indiretamente na ação pedagógica,
       objetivando planejar e executar estudos contínuos de tal forma que lhes sejam
       garantidas novas oportunidades de aprendizagem em tempo hábil;
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   -   Discutir com educandos, funcionários, pais ou responsáveis os procedimentos para o
       desenvolvimento do processo educativo;
   -   Participar de todo o processo avaliativo da escola, respeitando o Regimento Escolar e
       prazos estabelecidos em cronograma;
   -   Colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade;
   -   Participar dos processos de eleição desencadeados na escola;
   -   Participar da elaboração e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica
       da Secretaria Municipal de Ensino;
   -   Ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidas, além de participar integralmente
       dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento
       profissional;
   -   Zelar pela conservação de todos os espaços físicos, bem como de materiais existentes
       na escola e que são patrimônios de uso coletivo;
   -   Zelar pelo bom nome da Unidade de Ensino;
   -   Comunicar ao diretor, com antecedência, os atrasos, as faltas eventuais e seu
       fastamento por motivo de licença;
   -   Acatar decisões tomadas na escola, zelando pela unidade da mesma;
   -   Manter e fazer com que seja mantida a disciplina em sala de aula e fora dela.


 Professores Auxiliares (PA)


   -   Participar da elaboração do Plano Escolar;
   -   Substituir professor nos seus impedimentos;
   -   Elaborar e executar a programação das atividades propostas pela escola;
   -   Colaborar com os professores na confecção de materiais;
   -   Organizar o acervo e zelar pela disciplina da escola;
   -   Auxiliar o coordenador nas atividades pedagógicas;
   -   Auxiliar os professores na execução dos projetos;
   -   Receber, encaminhar e dar informações necessárias a quem solicitar;
   -   Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação,
       quando solicitado pelo Diretor;
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    -   Zelar, controlar e conservar o patrimônio da escola;
    -   Auxiliar os gestores na monitoria do recreio, quando não estiver em sala de aula
        durante o tempo integral.


 Auxiliares de Biblioteca


    -   Participar da elaboração da proposta pedagógica da escola;
    -   Elaborar e executar a programação das atividades da biblioteca, mantendo-a articulada
        com as demais programações pedagógicas;
    -   Colaborar com os educadores na composição das resenhas bibliográficas;
    -   Organizar o acervo e zelar pela conservação;
    -   Elaborar, organizar e manter atualizados os fichários e catálogos correspondentes;
    -   Manter adequadas as condições do ambiente de leitura;
    -   Orientar o usuário na utilização da biblioteca, especialmente os alunos, na pesquisa e
        consulta de obras;
    -   Elaborar propostas de aquisição de livros, folhetos e periódicos a partir das
        necessidades indicadas pelo pessoal docente e discente;
    -   Elaborar inventário anual do acervo da biblioteca;
    -   Emprestar livros e controlar a retirada, a devolução, o atraso na devolução e o
        extravio;
    -   Zelar, controlar e conservar o acervo, equipamentos e instrumentais;
    -   Encarregar da utilização do material audiovisual pertencente à Unidade de Ensino;
    -   Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação;
    -   Auxiliar os gestores na monitoria do recreio, quando não estiver em sala de aula;
    -   Substituir professor ocasionalmente.


 Professores/Monitores de Inclusão Digital e Laboratório de Ciências


    -   Participar da elaboração da Proposta Pedagógica da escola;
    -   Adequar a utilização dos recursos de ensino ao desenvolvimento das propostas
        curriculares;
    -   Controlar a utilização do ambiente e dos equipamentos e instrumentais;
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   -   Zelar pela conservação e manutenção dos equipamentos e instrumentais;
   -   Propor a aquisição ou reposição de materiais de consumo;
   -   Manter adequadas as condições do ambiente de trabalho;
   -   Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação;
   -   Substituir professor nos seus impedimentos.


5.3– Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Atendimento Educacional
Especializado- AEE

 Professores do AEE para Deficientes Visuais
   -   Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular
       específica;
   -   Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de
       estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando com deficiência visual
       ao currículo e a sua interação no grupo;
   -   Promover condições de inclusão desses educandos em todas as atividades da
       instituição educacional;
   -   Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo
       educacional;
   -   Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais
       vigentes que asseguram a inclusão educacional;
   -   Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades
       especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao deficiente
       visual;
   -   Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do
       atendimento para deficiente visual;
   -   Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizado pelos
       educandos nas classes comuns do ensino regular;
   -   Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de
       outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com
       professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada
       coletivamente em prol de uma educação inclusiva;
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   -   Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações
       curriculares necessárias ao processo educacional do educando com necessidade
       educacional especial;
   -   Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção,
       percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros;
   -   Fortalecer a autonomia dos estudantes, a fim de levá-los a ter condições de decidir,
       opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações;
   -   Propiciar a interação dos educandos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e
       a não discriminação;
   -   Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem
       dos deficientes visuais;
   -   Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o
       envolvimento do educando em todas as atividades propostas ao grupo;
   -   Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no
       espaço da sala de aula;
   -   Realizar adequações de material didático pedagógico para atender às necessidades dos
       educandos;
   -   Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do educando;
   -   Ofertar suporte pedagógico aos estudantes, facilitando-lhes o acesso aos conteúdos
       desenvolvidos em classe comum e turmas de integração inversa.


 Professores do AEE para Deficientes Auditivos


   -   Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular
       específica;
   -   Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de
       estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando surdo ao currículo e a
       sua interação no grupo;
   -   Promover condições de inclusão dos surdos em todas as atividades da instituição
       educacional;
   -   Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo
       educacional;
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-   Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais
    vigentes que asseguram a inclusão educacional;
-   Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades
    especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao
    educando;
-   Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do
    atendimento para os surdos.
-   Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizados pelos
    surdos nas classes comuns do ensino regular;
-   Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de
    outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com
    professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada
    coletivamente em prol de uma educação inclusiva;
-   Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações
    curriculares necessárias ao processo educacional do educando surdo;
-   Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção,
    percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros;
-   Fortalecer a autonomia do surdo a fim de levá-lo a ter condições de decidir, opinar,
    escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações;
-   Propiciar a interação dos surdos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a
    não discriminação;
-   Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem
    dos surdos;
-   Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o
    envolvimento do surdo em todas as atividades propostas ao grupo;
-   Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no
    espaço da sala de aula para melhor atendimento ao surdo;
-   Realizar adequações de material didático pedagógico para atender as necessidades dos
    surdos;
-   Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do surdo;
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  -   Ofertar suporte pedagógico aos surdos, facilitando assim o acesso aos conteúdos
      desenvolvidos em classe comum e turmas de integração inversa.


 Intérpretes para Deficientes Auditivos


  -   Sugerir metodologias que atendam melhor o educando surdo;
  -   Pesquisar os sinais já construídos pelos alunos nos conteúdos que estão sendo
      ministrados; (pasta da escola, no computador, na pasta de arquivos dos surdos e no CD
      de dicionário de Libras gravado)
  -   Pesquisar os sites de dicionário de Libras do INES, NEPES e os DVDs do Telecurso,
      antes de criar um sinal;
  -   Coordenar com o professor regente;
  -   Criar o dicionário de sua área, colocando numa pasta específica, para consulta dos
      alunos surdos. Os sinais deverão ser criados pelos alunos surdos.
  -   Explicar aos professores e alunos sobre o exercício da função de intérprete
      educacional;
  -   Contribuir para valorização e respeito ao aluno surdo;
  -   Construir parceria e cooperação com os Professores;
  -   Em caso de dúvida de algum conteúdo, recorrer ao professor regente;
  -   Definir bem os papéis: os alunos surdos devem remeter seus questionamentos ao
      professor regente;
  -   Colocar-se ao lado do professor, interpretando sua fala
  -   Estimular a interação dos alunos surdos com os professores e alunos ouvintes.
  -   Manter uma atitude imparcial durante o transcurso da interpretação, evitando
      interferências e opiniões próprias, a não ser quando solicitadas;
  -   Interpretar fielmente e com melhor da sua habilidade, sempre transmitindo o
      pensamento, a intenção e o espírito do professor ou palestrante;
  -   Reconhecer seu próprio nível de competência e ser prudente em aceitar tarefas,
      procurando assistência de outros interpretes e/ou profissionais, quando necessário,
      especialmente em palestras técnicas;
  -   Adotar uma conduta adequada de se vestir, evitando também adereços, para não
      chamar a atenção indevida sobre si mesmo, durante o exercício da função.
35




 Professores do AEE para Déficit Intelectual


    -   Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular
        específica;
    -   Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de
        estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando com déficit intelectual
        ao currículo e a sua interação no grupo;
    -   Promover condições de inclusão desses educandos em todas as atividades da
        instituição educacional;
    -   Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo
        educacional;
    -   Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais
        vigentes que asseguram a inclusão educacional;
    -   Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades
        especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao
        educando;
    -   Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do
        atendimento para educandos com déficit intelectual.
    -   Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizados pelos
        educandos nas classes comuns do ensino regular;
    -   Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de
        outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com
        professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada
        coletivamente em prol de uma educação inclusiva;
    -   Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações
        curriculares necessárias ao processo educacional do educando com necessidade
        educacional especial;
    -   Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção,
        percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros;
    -   Fortalecer a autonomia dos estudantes a fim de levá-los a ter condições de decidir,
        opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações;
36




-   Propiciar a interação dos educandos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e
    a não discriminação;
-   Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem
    dos educandos;
-   Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o
    envolvimento do educando em todas as atividades propostas ao grupo;
-   Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no
    espaço da sala de aula;
-   Realizar adequações de material didático pedagógico para atender ss necessidades dos
    educandos;
-   Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do educando;
-   Ofertar suporte pedagógico aos estudantes, facilitando-lhes o acesso aos conteúdos
    desenvolvidos em classe comum e em turmas de integração inversa.
37




6– CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS



       Entende-se por projeto educativo a expressão da identidade de cada escola de um
processo dinâmico de discussão e reflexão. Esse processo deve contar com a participação de
toda equipe pedagógica, buscando um comprometimento de todos como realizado, com os
propósitos discutidos e com a adequação de tal projeto às características culturais da realidade
em que a escola está inserida. (PCN, p.37, 1997)
       Este instrumento é a concretização de uma filosofia educacional e de sua coletividade
de educadores que foi refletida, analisada, discutida e redirecionada de acordo com a realidade
escolar, isto é, um fazer e refazer, sempre inacabado, que pressupõe uma ação intencional
com o compromisso de todos.
       A construção coletiva de um projeto pedagógico para uma escola, além de representar
um desafio para seus realizadores, é um valioso instrumento de ação educacional, que objetiva
explicitar a organização do trabalho pedagógico da Escola.
       A elaboração desse projeto resulta da reflexão coletiva dos princípios básicos que
fundamentam e norteiam o ideal de uma escola de excelência, das finalidades da escola, dos
conteúdos curriculares, da estrutura educacional, das relações de trabalho, das relações
educando-educador-escola-comunidade, dos processos de decisão, do tempo escolar, do
convívio social, entre outros.
       Pretende-se, portanto, que esse trabalho assim concebido contribua para o
fortalecimento da escola e para a construção de sua identidade e de sua autonomia. Desse
modo, os princípios teóricos e práticos nele abordados pressupõem uma ação intencional
como compromisso definido coletivamente, aberto à construção de aprendizagem
significativa para todos os que dele participam.
       Há consciência, por parte dos que o produziram, de que o mesmo (obs: “o mesmo”
refere-se a quê? “o compromisso”? “o trabalho”? Suponho que seja “o projeto”. Se for o caso,
sugiro que se empregue a forma “esse projeto”, no lugar de “o mesmo”. representa um
norteador das ações a serem empreendidas e se encontra aberto a qualquer tipo de sugestões e
encaminhamentos. Sabemos que nenhum Projeto Político Pedagógico pode ser dado como
pronto e acabado sob pena de se cristalizar e deixar de acompanhar os movimentos da
história. A reflexão continua baseada na prática pedagógica cotidiana e na discussão dos
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referenciais teóricos que nos encaminha para uma “práxis” responsável e compromissada
com uma escola pública de qualidade.


6.1– Função Social da Escola


       Garantir a aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à
socialização do indivíduo. Estas aprendizagens devem constituir-se em instrumentos para que
o educando compreenda melhor a realidade que o cerca, favorecendo sua participação em
relações sociais cada vez mais amplas, possibilitando a leitura e interpretação das mensagens
e informações que hoje são amplamente veiculadas, preparando – o para a inserção no mundo
do trabalho e para a intervenção crítica e consciente na vida pública.


6.2– Missão da Escola


   -   Proporcionar a todos os educandos o direito de acesso, permanência e efetiva
       aprendizagem;
   -   Contribuir para a formação de cidadãos críticos, éticos, criativos, capazes de observar
       e transformar a realidade em que estão inseridos em tempo presente;
   -   Proporcionar ambientes favoráveis à interação, afim de aflorar sempre o prazer de
       estar na escola e o prazer de aprender.
   -   Estabelecer parcerias com outras instituições educacionais e sociais, objetivando
       elaboração e execução de projetos que efetivem aprendizagens de todos os educandos.


6.3 – Trabalho Pedagógico


       Na Idade Média, o ensino acontecia nos mosteiros, para a formação religiosa dos
leigos e dos clérigos. Após o reinício do desenvolvimento do comércio e a consequente
reurbanização, surgiu a necessidade de aprender a ler, escrever e contar. A nova classe, a
burguesia, propagou outro tipo de escola, com educadores leigos nomeados pelo Estado e com
o ensino voltado para as coisas práticas da vida, isto é, para os interesses da nova classe
emergida, que entende que a escola atende historicamente aos interesses de quem a controla.
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       No Brasil, as primeiras escolas foram criadas pelos jesuítas, que aqui chegaram em
1549. Os colégios jesuíticos eram missionários, isto é, pretendiam formar sacerdotes para
atuar na nova terra e também buscavam catequizar e instruir o índio. Eram igualmente usados
para formar jovens que realizaram estudos superiores na Europa(trecho confuso). Em outras
palavras, dedicavam-se à educação da elite nacional.
       Apenas no século XVIII, primeiramente na Alemanha e na França, iniciou-se a
educação pública estatal, sem que houvesse, porém, interesse em atender aos filhos dos
trabalhadores. Nos estados Unidos, ela foi inaugurada no século XIX, no Brasil, no final do
século XIX e nas primeiras décadas do século XX, quando principiou o processo de
industrialização no país.
       As diretrizes do processo de escolarização centravam-se no atendimento às indústrias,
que requeriam trabalhadores instrumentalizados na leitura, na escrita e nos cálculos. Hoje, a
necessidade mercadológica da formação escolar faz-se sentir, em pleno vigor, com o processo
de informatização do mundo do trabalho. Já não basta ler, escrever e contar. O capital quer
trabalhadores conhecedores das funções do computador.
       Numa perspectiva crítica, a escola é vista como uma organização política, ideológica e
cultural em que indivíduos e grupos de diferentes interesses, preferências, crenças, valores e
percepções da realidade mobilizam poderes e elaboram processos de negociação, pactos e
enfrentamentos. Vale destacar, todavia, que ela não é o único espaço em que ocorre a
educação. Esta já existia antes mesmo da existência da escola. A vida social implica a
vivência da educação pelo convívio, pela interação entre as pessoas, pela socialização das
práticas, hábitos e valores que produzem a vida humana em sociedade.
       Como prática social, a educação é fenômeno essencialmente humano e, portanto, tem
historicidade. A prática educativa envolve a presença de sujeitos que ensinam e aprendem ao
mesmo tempo, de conteúdos (objetos de conhecimento a serem apreendidos, de objetivos, de
métodos e de técnicas coerentes com os objetivos desejados).
       Desse modo, ela pode caracterizar-se articulando aspectos contraditórios, como
opressão e democracia, intolerância e paciência, autoritarismo e respeito, conservadorismo e
transformação, sem nunca ser, porém, neutra. Permite-se a opção, não admite a neutralidade,
pois aquela tem caráter político.
       Na sociedade capitalista, diferentemente da sociedade religiosa do período feudal, a
educação é entendida sob uma perspectiva científica. A escola, com suas normas, regras,
agentes específicos, áreas de saber e outros, incorpora os valores da nova sociedade. Como
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construção histórica, porém, ela é analisada sob diferentes concepções, que se orientam
segundo a produção de autores clássicos, tais como Émile Durkheim, matriz de uma
pedagogia burguesa de inspiração liberal, e Karl Marx, base teórica da pedagogia socialista.
       As noções que as pessoas têm a respeito do mundo, da sociedade, dos homens
orientam sua visão de escola, advindo daí a existência de diferentes maneiras de entender a
relação entre educação e sociedade.
       Dermeval Saviani (1984) classifica em três as concepções da educação:
           a) a teoria não-crítica;
           b) teorias crítico-reprodutivistas;
           c) teoria histórico-crítica.
       A primeira concepção, não-crítica, entende que a educação caminha de maneira
autônoma em relação ao que ocorre na sociedade, e assim a educação escolar apresenta-se
como instrumento de superação da marginalidade e como proponente da equalização social.
As teorias crítico-reprodutivistas veem na educação um fator reforçador da discriminação
social, uma vez que é condicionada pela estrutura socioeconômica da sociedade capitalista. Se
esta é excludente, a escola também o será, negando-se assim a potencialidade transformadora
da ação escolar. Ademais, para essa concepção, a educação reforça a dominação da classe
detentora dos meios de produção, reproduzindo a sociedade de classes.
       As teorias não-críticas conferem um poder ilusório à escola, e os críticos-
reprodutivistas evidenciam sua importância. Savani pergunta se é possível encarar a escola
como realidade histórica, isto é, suscetível de ser transformada intencionalmente pela ação
humana.
       É possível ter uma escola que contemple os interesses dos denominados? Responde ele
que para existir uma escola assim é necessário aceitar o movimento da história, agir sobre as
contradições da sociedade capitalista e acreditar numa sociedade inclusiva, desejando-a
(Saviani, 1984).
       Nessa perspectiva, aparece a terceira concepção, a teoria histórico-crítica, para o autor
um contraponto às pedagogias tradicional e nova do primeiro grupo. Na concepção histórico-
crítica, a educação vincula-se aos fatores socioeconômicos da sociedade capitalista,
significando que é determinada de forma relativa pela sociedade, uma vez que também
interfere nesta, podendo até contribuir para sua transformação.
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       A concepção histórico-crítica empenha-se na defesa da especificidade da escola. “A
escola tem uma função específica educativa, propriamente pedagógica, ligada à questão do
conhecimento” Saviani (1991, p.101).
       Há diferentes formas de compreensão do papel da escola na sociedade. Da escola
como local de lazer para os que não precisavam trabalhar, no sentido grego, evolui-se para
uma compreensão burguesa de escola para todos, tornando-se a forma dominante de educação
tal como é conhecida atualmente.
       O movimento da Escola Nova, no Brasil, nos anos 20 do século passado, veio
questionar a educação escolar tradicional e inovou, propondo uma escola em que o educando
passasse a ser ouvido e que fosse local de formação de um homem novo.


Educação de qualidade


       O Projeto Político Pedagógico, ao dar uma nova identidade à escola, contempla em
suas reflexões a questão da educação de qualidade, entendida aqui nas suas dimensões
indissociáveis: a formal ou técnica, a social e a política. Uma não está subordinada à outra,
cada uma delas tem perspectivas próprias.
       A primeira coloca em evidência os instrumentos, métodos e técnicas. A qualidade
formal não está afeita, necessariamente, a determinados conteúdos.
       Demo (1994, p.14) afirma, com muita propriedade, que a qualidade formal “significa a
habilidade de manejar meios, instrumentos, formas, técnicas, procedimentos, diante dos
desafios do desenvolvimento”. A qualidade social e política imprescindível de participação
democrática está voltada para os fins, os valores e os conteúdos; quer dizer “a competência
humana do sujeito em termos de se fazer história, diante dos fins históricos da sociedade
humana” (Ibid, p.14).
       Mas, o que é qualidade? Etimologicamente o termo qualidade vem do Latim qualitate.
Significa propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas, capaz de distingui-las
das outras ou lhe determinar a sua natureza. Numa escala de valores, qualidade que permite
avaliar e, consequentemente, aprovar, acertar ou recusar qualquer crise.
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Concepções de sociedade, escola e homem


       Vivemos na era da globalização da economia e das comunicações, mas também numa
época de acirramento das contradições inter e intra povos e nações, época do ressurgimento
do racismo e de certo triunfo do individualismo.
       É dentro deste cenário da pós-modernidade que a escola precisa atuar, um cenário que
coloca novos desafios para nós educadores: que tipo de educação necessitam os homens e as
mulheres dos próximos vinte anos para viver neste mundo tão diverso? Certamente eles e elas
necessitam de uma educação para a diversidade, necessitam de uma ética da diversidade e de
uma cultura da diversidade. Uma sociedade multicultural deve educar o ser humano
multicultural, capaz de ouvir, de prestar atenção no diferente, de respeitá-lo.
       Neste novo cenário da educação, será preciso reconstruir o saber da escola e a
formação do educador. Não haverá um papel cristalizado tanto para a escola quanto para o
educador. Em vez da arrogância de quem se julga dono do saber, o educador deverá ser mais
criativo e aprender com o educando e com o mundo. Numa época de violência, de
agressividade, o educador deverá promover o entendimento com os diferentes e a escola
deverá ser um espaço de convivência, onde os conflitos serão trabalhados e não camuflados.
Nesse contexto global há duas dimensões que podem ser logo destacadas:
       Dimensão Interdisciplinar: O objetivo fundamental da interdisciplinaridade é
experimentar a vivência de uma realidade global que se inscreve nas experiências cotidianas
dos educandos, do educador e do povo que, na escola conservadora, é compartimentada e
fragmentada. Articular saber, conhecimento, vivência, escola, comunidade, meio ambiente,
etc., é o objetivo da interdisciplinaridade. Na prática, ela se traduz por um trabalho escolar
coletivo e solidário. Este exercício leva à interdisciplinaridade, isto é , ao rompimento com a
estrutura disciplinar do conhecimento;
       Dimensão Internacional: Para viver esse tempo presente, o educador precisa preparar
educandos para o mundo da diferença, da solidariedade entre os diferentes. A escola precisa
formar o cidadão para participar de uma sociedade planetária. A escola deve ser local, como
ponto de partida, mas tem de ser internacional e intercultural como ponto de chegada, isto é,
deve valorizar a cultura local – a cultura primeira do educando – redimensionando-a na
relação com outras culturas.
       Os conteúdos curriculares deverão apresentar métodos mais apropriados ou maior
frequência à     escola   e principalmente      adequação do tratamento           dos   conteúdos,
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problematizando-os e equacionando a relação entre a transmissão da cultura e o itinerário
educativo dos educandos. O currículo monocultural oficial representa, nesse aspecto, um
grande obstáculo a ser superado. Ao contrário, os resultados obtidos com currículos
multiculturais que levam em conta a cultura dos educandos – são mais eficazes para despertar
o interesse .
        Paulo Freire (1996) chama essa cultura do educando de “Cultura Popular”. Equacionar
adequadamente ou não a relação entre identidade cultural e itinerário educativo, sobretudo
para as camadas populares, pode representar a grande diferença na extensão ou não da
educação para todos e de qualidade nos próximos anos. Só uma educação multicultural pode
dar conta dessa tarefa.
        A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista,
a escola precisa mostrar aos educandos que existem outras culturas além da sua. A autonomia
da escola não significa isolamento, fechamento numa cultura particular. Escola autônoma
significa escola curiosa, ousada, que busca dialogar com todas as culturas e concepções de
mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais.
Pluralismo significa, sobretudo, diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se
abre às demais
        A escola não deve apenas transmitir conhecimentos, mas também preocupar-se com a
formação global dos educandos, numa visão em que o conhecer e o intervir no real se
encontrem. Mas, para isso, é preciso saber trabalhar com as diferenças: é preciso reconhecê-
las, não camuflá-las, aceitando que, para conhecer a mim mesmo, preciso conhecer o outro.
        Partindo desse princípio antropológico, muitas ações práticas podem ser desenvolvidas
desde já para a construção de uma escola pluralista e competente, que articule a diversidade
cultural dos educandos com seus próprios itinerários educativos:
    -   Fortalecer grupos que trabalham com currículos multiculturais, impulsionando o
        movimento emergente de valorização das diferentes culturas;
    -   Mudanças nos currículos, incluindo temas como: direitos humanos, educação para a
        paz, educação ambiental, discriminação social e cultura popular;
    -   Recuperar os códigos linguísticos das próprias comunidades, desde o processo de
        alfabetização, como meio de fortalecer a auto-estima;
    -   Promover a autonomia da escola na elaboração de seus currículos, pois só com
        autonomia a escola pode fazer as mudanças desejadas.
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7   –     SISTEMA         DE      ENSINO:         MODALIDADES               DE    ENSINO,
ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO


        A educação brasileira, tal como estabelece a Constituição Federal de 1988, nos artigos
205 e 206, visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, a seu preparo para o exercício da
cidadania e a sua qualificação para o trabalho. Para atendimento desses objetivos, o ensino
deve ser ministrado com base nos seguintes princípios (art.206):
        I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
        II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o
           saber;
        III - Pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições
           públicas e privadas de ensino;
        IV - Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
        V - Valorização dos profissionais do ensino, garantindo na forma da lei, planos de
           carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso
           exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurando regime único
           para todas as instituições mantidas pela União;
        V I- Gestão democrática do ensino público na forma da lei;
        VII - Garantia de padrão de qualidade.
        A educação básica tem início na educação infantil e prolonga-se até o ensino médio. A
seguir, vamos apresentar a estrutura do sistema educacional do país, com os dois níveis e suas
características, com as séries e com as idades próprias de cada um.


7.1 – Educação Básica


        A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a
formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para
progredir no trabalho e em estudos posteriores.
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7.2 – Ensino Fundamental


       O ensino fundamental é a etapa obrigatória da educação básica. Como dever do
Estado, o acesso a esse ensino é direito público subjetivo, quer dizer, não exige
regulamentação para ser cumprido.
       A oferta do ensino fundamental gratuito estende-se a todos os que a ele não tiveram
acesso na idade própria, e não se restringe apenas aos que se situam na faixa etária entre os 7
e 14 anos. O objetivo desse ensino (art.32 da LDB) é a formação básica do cidadão, mediante:
       I - O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno
          desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo;
       II - A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia,
          das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
       III - O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de
          conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
       IV - O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de
          tolerância recíproca em que se assenta a vida social (Brasil, 1996).


7.3 – Modalidades de Educação


       A LDB/96 apresenta três modalidades de educação: educação de jovens e adultos,
educação profissional e educação especial.
       A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves atende, além do Ensino Regular, a
Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos-EJA.


7.3.1 – Educação Especial


       No processo de redemocratização do Brasil, sobretudo a partir da metade dos anos 80,
as discussões sobre os direitos sociais que precederam a Constituinte enfatizaram as
reivindicações populares e as demandas de grupos ou categorias até então excluídos dos
espaços sociais, e neste movimento tomou vulto a luta pela ampliação do acesso e da
qualidade na educação das pessoas com deficiência (Fernandes, 1998; Ferreira e Glat, 2003;
Glat, 1995; Glat e Nogueira, 2002, entre outros).
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       Na Constituição de 1988 foram aprovados vários dispositivos referentes aos direitos
das pessoas com deficiência, tanto na educação como em outras áreas, sendo que na educação
destaca-se o Inciso III, do Artigo 208, que define como dever do Estado “o atendimento
educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente”, Ferreira e Glat
(2003) apontam que essas duas palavras- “especializado” e “preferencialmente” - até hoje
suscitam debates: a primeira por lembrar a noção do “tratamento especial” e por identificar a
deficiência com um processo educacional diferente; a segunda, por permitir múltiplas
interpretações sobre como se configura e se decide esta preferência na rede regular de
ensino”.
       Segundo o Ministério da Educação, cerca de 40% dos municípios brasileiros (de 20%
na região sul a 66% na região nordeste) não têm registro de matrícula de alunos com
necessidades especiais (MEC/SEESP, 2001). Incorporaram o dispositivo constitucional e, em
alguns casos, o complementaram, outros importantes documentos legais pós-constituição,
como a Lei nº 7.853/89, chamada “Lei da Integração”, e o Estatuto da Criança e Adolescente
(ECA), de 1990, reafirmaram o direito à Educação e a noção de integração social. O Decreto
nº 3298 de 1999 (que regulamentou a Lei nº 7853/89), prevê a opção pelas escolas
especializadas “exclusivamente quando a educação das escolas comuns não puder satisfazer
as necessidades educativas ou sociais do aluno ou quando necessário ao bem-estar do
educando” (Ferreira & Glat, 2003).
       Mas foi a partir da Declaração de Salamanca, (UNESCO, 1994) onde foram
preconizadas as diretrizes da “Educação Para Todos”, que tomaram força as discussões acerca
da Escola Inclusiva. Esta proposta foi respaldada na Lei nº 9.394/96 – de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que define como dever do Estado o “atendimento educacional
especializado aos educandos com necessidades especiais”. É interessante mencionar que a
expressão “necessidades especiais” substituiu “deficiências” do texto constitucional, em
revisões sucessivas em que foram agregados aos educandos com deficiência e com altas
habilidades (superdotados), num primeiro momento, e os alunos com problemas de conduta,
depois, preferencialmente na rede regular de ensino” (Artigo n° 4, III), norteando as políticas
educacionais desde então, e oferecendo a base legal para a propagação da Educação Inclusiva,
e as ações que se seguiram.
       Ressaltamos que o conceito de Escola Inclusiva, conforme as Diretrizes Curriculares
Nacionais para Educação Especial (MEC/SEESP, 1998), implica uma nova postura da escola
comum, que propõe no projeto político pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino,
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na avaliação e na atitude dos educandos, ações que favoreçam a integração social e sua opção
por práticas heterogêneas.     Cabe aos órgãos competentes capacitar profissionais para que a
escola se organize e se adapte para oferecer educação de qualidade para todos, inclusive, para
os educandos com necessidades especiais. Inclusão, portanto, não significa, simplesmente
matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas
necessidades específicas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua
ação pedagógica. Em outras palavras, a Educação Especial já não é mais concebida como um
sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de medidas que a escola
regular põe ao serviço de uma resposta adaptada à diversidade dos alunos.
       Neste contexto, a instituição escolar passa a ser alvo de questionamentos e de
conflitos, provavelmente por expor a diversidade e o compartilhamento de interesses,
contradições, expectativas e identidades. Muitas são as ansiedades que movimentam as
transformações em busca do que se julga ser o ideal, correspondendo às necessidades
específicas de todos.
       Assim, no Brasil, a necessidade de se pensar um currículo para a escola inclusiva foi
oficializada a partir das medidas desenvolvidas junto à Secretaria de Educação Especial do
Ministério da Educação com a criação dos Parâmetros Curriculares. A palavra currículo,
segundo Sá (s/d) tem origem em curriculum, que significa pista de corrida. Dessa forma,
quando falamos em currículo escolar, estamos nos referindo à caminhada que o professor
constrói para que seus alunos a percorram. As adaptações curriculares são consideradas pelo
Ministério da Educação como:


                        Estratégias e critérios de atuação docente, admitindo decisões que oportunizam
                        adequar a ação educativa escolar às maneiras peculiares de aprendizagem dos
                        alunos, considerando que o processo de ensino-aprendizagem pressupõe atender à
                        diversificação de necessidades dos alunos na escola. (MEC/SEESP/SEB, 1998, p.
                        15).


       Assim, cabe às instituições de ensino auxiliar e orientar alunos, famílias, profissionais
de outras instituições que trabalham com pessoas com deficiência visual, estabelecendo uma
relação que vise o desenvolvimento do educando, promovendo a integração social. A
educação inclusiva, a oferta de Atendimento Educacional Especializado é hoje uma questão
de direitos.
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       A Escola Municipal “Altina Olivia Gonçalves“ respeita, valoriza e convive com as
diferenças, formando assim, alunos com dignidade e identidade, incentivados a buscarem
projetos de futuro capazes de transformar sua realidade.
       O perfil sócio econômico e a faixa etária dos alunos sempre foram diversificados, mas
a maior parte dos alunos depende de Programas como o Bolsa Escola e ajuda dos governos
municipal e federal.


Fundamentação Legal
       Toda as Leis que sustentam a legalidade da implantação do atendimento da educação
especial na escola, podem ser consultadas no Anexo 1.


7.3.1.1- Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Deficiência Visual


Histórico e nova demanda
       Em 1997, foi constatado no município um alto índice de evasão e reprovação escolar
de alunos que estavam além da sua faixa etária. Buscando mais qualidade para a educação, o
governo municipal mudou o sistema de seriação para ciclo. Constatou-se que 20% dos alunos
matriculados nas escolas não conseguiam aprender, necessitando de acesso a metodologias
diferenciadas como condição para atender suas necessidades educacionais especiais. Para
tanto, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação, deu início à oferta
de atendimento com adequações e adaptações que consideravam serem as necessidades
educacionais específicas desses alunos.
       Nesta época, a demanda de alunos com deficiência visual não era atendida pela
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE, havia a necessidade de um
programa que vislumbrasse este atendimento. Assim foi criado o Projeto COM TATO pela
Secretaria Municipal de Educação, inaugurado no dia 15 de maio de 2001.
       Inicialmente o atendimento era oferecido para as pessoas do município com
deficiência visual, que necessitavam aprender o Braille e desenvolver autonomia para
locomoção. O atendimento foi organizado inicialmente em três oficinas: “Alfabetização em
Braille”, “Orientação e Mobilidade” e “Artes”.
       Com a divulgação do atendimento oferecido, os deficientes visuais dos municípios
vizinhos também procuraram e receberam atendimento. Para adequação do atendimento, foi
ampliado o número de oficinas, além de serem oferecidas novas oficinas como informática e
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atendimento da Educação Infantil. Entre 2001 a 2008, muitos destes alunos conseguiram
ingressar na EJA (Educação de jovens e Adultos), no CESEC (Centro Estadual de Educação
Continuada), no Ensino Médio e até mesmo no Ensino Superior, criando-se demanda e dando
início a oficinas para Acompanhamento Pedagógico.
        Atualmente a demanda de alunos a serem alfabetizados é pequena, pois a maioria dos
alunos está matriculada em classes do Ensino Regular e necessitam receber apoio e
acompanhamento para realizarem as atividades propostas pelas escolas, tais como provas,
trabalhos, etc. Os educandos são atendidos nos turnos matutino e vespertino, por meio de
tecnologias assistivas em oficinas de: “Letramento em Braille”, “Letramento à Tinta”,
“Acompanhamento Pedagógico”, “Matemática/ Soroban”, “Orientação e Mobilidade” e
“Informática”.
        O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência visual atende
atualmente (2011), 44 educandos, sendo que 16 deles frequentam classes de Ensino Regular
da própria escola, e dois em outro município, com faixa etária compreendidas entre 09 e 70
anos. Dentre eles, 30 são baixa visão e 14 são cegos, sendo que alguns apresentam
deficiências múltiplas.
        É prevista para o ano de 2012, uma parceria entre a escola e a Associação dos
Deficientes Visuais de Ipatinga (ADEVIPA) através de projetos com atividades
profissionalizantes, culturais e esportivas.


Objetivos
        O atendimento educacional especializado para deficientes visuais tem como finalidade
buscar uma prática pedagógica coerente com o perfil desses educandos, procurando atendê-
los em suas necessidades educativas especiais, considerando a singularidade de cada um e
promovendo o desenvolvimento dos alunos nos aspectos físico, psicológico, intelectual,
afetivo, social, habilitação e reabilitação.


Objetivos específicos:
    -   Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no Ensino Regular aos
        educandos com deficiência visual (cegos e baixa visão) e educandos com deficiência
        múltipla, sendo a deficiência visual a predominante;
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   -   Garantir a transversalidade das ações do centro de atendimento Educacional
       Especializado no Ensino Regular;
   -   Desenvolver recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo
       de ensino e aprendizagem;
   -   Assegurar a continuidade de estudos dos educandos nos demais níveis de ensino (Art.
       2º, IV, Decreto nº 6.571 de 17/09/2008).


Estrutura Pedagógica


       O Atendimento Educacional Especializado para deficientes visuais está inserido na
Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, de acordo com as leis da Educação Especial. Há
um Coordenador Pedagógico para orientar e acompanhar as atividades do atendimento
educacional especializado. O corpo docente é formado por especialistas em Educação
Especial, Psicopedagogos, Pedagogos e profissionais com Licenciaturas específicas,
atualmente com um total de 12 especialistas.
       O trabalho de intercâmbio pedagógico no Ensino Regular é efetivado pelo
coordenador pedagógico, professor mediador, em parceria com o psicopedagogo do
Atendimento Educacional Especializado da escola. As visitas são sistematizadas e previstas
antecipadamente na agenda do atendimento Educacional Especializado e nas escolas de
origem. As necessidades, dúvidas e orientações para as escolas são registradas em portifólio
próprio, constando dificuldades, intervenções realizadas e avaliação das escolas e das
famílias.
       Os alunos que estudam na escola recebem, se necessário, o apoio de um monitor em
sala de aula no Ensino Regular.
       A nova estrutura se justifica devido à necessidade de uma nova ação pedagógica em
função da demanda. Trabalhos importantes para a autonomia do educando com necessidades
especiais (deficiência visual), como: ARTES, AVD (Atividades da Vida Diária) serão
trabalhadas em parceria com a ADEVIPA, para que possamos contribuir de forma efetiva no
desenvolvimento intelectual e social do educando, buscando o exercício pleno de sua
cidadania.
       Cabe à Secretaria Municipal de Educação, para um atendimento que vai de encontro às
necessidades do educando, prover:
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   -   Trabalho conjunto entre Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de
       Saúde, visando um trabalho multidisciplinar;
   -   Materiais adaptados às condições de cada educando;
   -   Recursos didáticos (recursos ópticos) que atendam às necessidades do educando com
       deficiência visual;
   -   Cursos de capacitação para os profissionais;
       A construção de uma Proposta Pedagógica dessa amplitude tem a ver com a concepção
de criança, homem, e sociedade que se quer, nesse sentido, essa proposta foi fundamentada
nos princípios da ética, da justiça, dos direitos das pessoas, do respeito às singularidades e,
sobretudo, no amor.
       O propósito é ensinar a todos, num momento histórico em que se luta para vencer a
exclusão, a competição, o individualismo, em busca de um trabalho de humanização e de
socialização que supere as barreiras físicas. Esta proposta pedagógica foi elaborada com a
participação de todos os seguimentos dessa instituição a partir de reflexões teóricas e debates
que subsidiaram esse trabalho e visam aprofundamento dos pressupostos psicológicos,
espaciais, temporais e culturais. Nesse sentido, não excluem ninguém dos programas
curriculares, das atividades em sala de aula e do convívio escolar mais amplo.
       Essa proposta é referendada pela Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino,
adaptada às necessidades educacionais específicas do desenvolvimento dos alunos, ao ritmo,
às diferenças, sem empobrecimento dos conteúdos, pois acreditamos nas potencialidades de
cada um, pois a valorização das potencialidades e o respeito à diversidade é que fazem a
diferença.
       Para atender às diferenças e às necessidades educacionais especiais individuais dos
educandos, são diversificados e flexibilizados:
   -   O processo ensino aprendizagem;
   -   A organização de períodos para o desenvolvimento das atividades previstas;
   -   A formação dos grupos de alunos que visa favorecer as relações sociais e a
       aprendizagem;
   -   A organização didática da aula - conteúdos, objetivos, materiais e espaços;
   -   As adequações que focalizam as capacidades, o potencial de cada aluno;
   -   O favorecimento e o estímulo da diversificação de técnicas, procedimentos e
       estratégias de ensino;
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    -    O agrupamento dos alunos de modo que favoreça as relações sociais e a
         aprendizagem;
    -    A seleção de materiais adaptados para possibilitar a realização das atividades;
    -    A seleção, como prioridade, dos objetivos que enfatizam capacidades e habilidades
         básicas de atenção, participação e adaptabilidade;
         Os conteúdos trabalhados seguem uma sequência, através de processos gradativos, do
mais simples para o mais complexo. A escola possui os seguintes materiais e equipamentos
adaptados:


    Desportivos           Filmes           Máquina de escrever Braille            Lupas
 Texturas diversas        Reglete       Softwares educativos específicos    Lentes de aumento
        Punção           Mapa tátil              Tamanho de letras          Objetos em relevo
        Soroban          Bengalas                   Papel Braille
Quadro 1- Materiais e equipamentos adaptados para a Educação Especial


         Assim, é pelo currículo geral que serão satisfeitas as realidades educativas distintas
com adaptações curriculares ou ajuste daquele às necessidades e possibilidades de cada aluno.
         As adaptações curriculares são instrumentos de individualização e flexibilização da
aprendizagem, como produto de decisões pedagógicas sujeitas aos objetivos definidos. Estas
adaptações consistem na modificação de estratégias, no fornecimento de elementos e recursos
materiais necessários e na adaptação de espaços físicos, possibilitando a superação das
limitações físicas ou sensoriais.
         Técnicas específicas são fundamentais e possibilitam a aquisição de elevado grau de
autonomia ao deficiente visual, permitindo um maior nível de integração social e acadêmica
pela estimulação visual através de programas de desenvolvimento da eficácia e
funcionamento visual, da percepção visual, de reeducação e de organização perceptivo-visual
e por atividades de desenvolvimento da memória e atenção visual. Segue abaixo uma
descrição sucinta das oficinas desenvolvidas na escola para atendimento dos educandos com
deficiência visual:
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 Oficina de Orientação e Mobilidade


Justificativa
       Com a Política Educacional de Inclusão faz-se necessário o acréscimo de programas
específicos que venham atender às necessidades educacionais dos alunos com deficiência
visual. Dentre esses programas destaca-se o de Orientação e Mobilidade, conhecimento
indispensável para a conquista da autonomia e, consequentemente, a independência e inclusão
do deficiente visual na escola e na sociedade.
       Segundo Weishaln (1990), orientação é o processo de utilizar os sentidos
remanescentes para estabelecer a própria posição e o relacionamento com outros objetos
significativos no meio ambiente. E o mesmo autor também define mobilidade como a
habilidade de locomover-se com segurança, eficiência e conforto no meio ambiente, através
da utilização dos sentidos remanescentes.
       A locomoção é para o deficiente visual - principalmente para o cego - uma das tarefas
mais difíceis. Para tanto, há necessidade de que o aluno seja orientado em determinados
procedimentos que facilitarão sua mobilidade e consequente integração social.
       As pessoas percebem boa parte da realidade à sua volta por meio da visão, o que não
significa que os deficientes visuais estejam impossibilitados de conhecer essa realidade e se
relacionar com o mundo. Ele deve se utilizar de outras percepções sensoriais, como a audição,
o sistema háptico ou tato ativo, o olfato e o aproveitamento máximo de qualquer grau de visão
que possa ter.


Objetivos
       Proporcionar ao deficiente visual autonomia na locomoção, autoconfiança, aumento da
auto-estima e independência, elementos estes facilitadores na sua integração social.


Objetivos Específicos
   -   Explorar ativamente o ambiente interno/externo utilizando o corpo todo;
   -   Movimentar-se e locomover-se em ambiente interno/externo;
   -   Localizar e identificar mudança de ambiente pelo som, cheiro e temperatura;
   -   Relacionar os planos do corpo e diferentes posições no espaço;
   -   Orientar-se espacialmente em relação aos objetos, pessoas e sons;
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   -    Utilizar pontos de referência: posição, direção, som, comprimento, tamanho e textura;
   -    Orientar-se utilizando diferentes posições: frente, trás, direta, esquerda, em cima, em
        baixo;
   -    Seguir em linha reta, horizontal, diagonal e vertical;
   -    Imitar movimentos;
   -    Utilizar técnicas do guia vidente/passagem estreita;
   -    Fazer rastreamento em linha guia;
   -    Realizar alinhamento e tomada de posição;
   -    Manipular, explorar objetos e utilizar técnicas de orientação e mobilidade com a
        bengala;


 Oficina de Letramento à Tinta


Justificativa
        Uma criança não é mais ou menos capaz por ser cega. A baixa visão não confere a
ninguém qualidades menores nem potencialidades compensatórias. Seu crescimento
dependerá exclusivamente das oportunidades que lhe forem dadas, da forma pela qual a
sociedade a vê, da maneira como ela própria se aceita. Portanto, justifica-se a existência da
Oficina de Letramento à Tinta para alunos com baixa visão, vislumbrando a inclusão efetiva
da pessoa com deficiência visual na escola e consequentemente na sociedade, de maneira
autônoma e independente e levando em consideração que letramento (ver, ler e usar a leitura e
escrita funcionalmente) é uma forma de inclusão social.
        O educando com deficiência visual não precisa de um currículo ou método de
alfabetização diferente dos demais, mas de adaptações e complementos curriculares, tais
como adequação de recursos específicos, tempo, espaço, modificação do meio, procedimentos
metodológicos e didáticos e processos de avaliação adequados a suas necessidades. (BRUNO,
2006, p. 59).
        A aprendizagem desses alunos ocorrerá quando esta for de fato a finalidade dos
planejamentos de ensino elaborados pelos professores, sendo que cabe a eles identificar quais
são as necessidades educacionais especiais existentes em seus alunos. (MITTLER, 2003, p.
190).
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       Para Sá et al (2007), os conteúdos escolares privilegiam os alunos videntes, pois são
visuais em sua maioria, com um universo permeado de símbolos gráficos, imagens, letras e
números e por esse motivo não devemos deixar de levar em conta as limitações de um aluno
com deficiência visual, recriando, reinventando e descobrindo estratégias pedagógicas para
incluir este aluno a este universo repleto de novidades.
       Emilia Ferreiro (1998) defende que o aluno, ao ser alfabetizado, deve também ser
letrado, e para que um aluno com deficiência visual consiga ser letrado devem ser utilizados
materiais pedagógicos adaptados. É necessário sempre pensar na possibilidade da atividade
ser realizada a partir do tato. Pois, para Ferreiro (1998), letrar é mais que alfabetizar, é ensinar
a ler e escrever dentro de um contexto, onde a leitura e a escrita tenham um sentido e que
façam parte da vida do aluno.


Objetivos
   -   Favorecer o processo ensino-aprendizagem dos alunos com deficiência visual nas
       diversas etapas de sua escolarização;
   -   Proporcionar ao aluno acesso às informações curriculares e ao conhecimento
       sistematizado;
   -   Medir a aprendizagem de recursos e técnicas específicos da educação do aluno com
       deficiência visual, para que a possa alcançar os níveis mais elevados do ensino;
   -   Promover a independência e a aceitação da criança, ajudando-a a minimizar sua
       limitação.
   -   Ao final do processo de alfabetização (letramento) a criança deverá:
   -   Expressar seus pensamentos com espontaneidade, criatividade e clareza, nas situações
       em que esteja envolvida;
   -   Ler com fluência, entonação e ritmo as orações que compõem seu contexto linguístico;
   -   Compreender e interpretar textos que impliquem diferentes tipos de mensagem;
   -   Escrever com desempenho satisfatório orações e textos construídos a partir de palavras
       que pertençam a seu vocabulário cotidiano.


Função da oficina
       Tornar a aprendizagem significativa e despertar o interesse em aprender são funções
básicas da oficina de letramento à tinta.
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       A programação pedagógica deve objetivar o enriquecimento de experiências visuais
significativas, valendo-se de elementos lúdicos adaptados às necessidades de cada aluno. Por
isso, torna-se impossível a padronização de brinquedos, jogos, materiais ou textos para alunos
com baixa visão.
       Na oficina de letramento à tinta também se realiza acompanhamento das atividades
oriundas do ensino regular (da escola onde está matriculado no ensino regular), sendo que as
atividades serão de acordo como o ano/ciclo em que este aluno está inserido.


 Oficina de Braille
Justificativa
       O Braille, sistema de escrita e leitura, é uma ferramenta insubstituível de comunicação
e de acessibilidade, de uso mais restrito aos cegos. É estruturado como sistema de escrita e
leitura de breve consumo e de acesso à informação de natureza imediata e objetiva, mormente
para estudantes do Ensino Fundamental.
       O Sistema Braille é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e
escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do
alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação dos pontos é obtida pela
disposição de seis pontos básicos, organizados espacialmente em duas colunas verticais com
três pontos à direita e três pontos à esquerda de uma cela básica denominada cela Braille.
(CARVALHO, 2010, p. 12).
       Nascimento (2009) afirma que o Sistema Braille no Brasil pode ser abordado em três
períodos distintos sob ponto de vista histórico. No período de 1854 a 1941, quando foi
adotado no Imperial Instituto dos Meninos Cegos, fundado em 1854, hoje conhecido como
Instituto Benjamin Constant. Foi a primeira Instituição na América Latina a utilizar o sistema,
devido ao esforço de José Álvares de Azevedo, um jovem brasileiro que aprendeu a sua
utilização na França.
       A metodologia utilizada nas oficinas de Braille visa a alfabetização, o conhecimento
da técnica de leitura e escrita, manejo da reglete, máquina Perkins e a utilização do
conhecimento através dos exercícios de leitura e escrita.
       A dinâmica acontece através do desenvolvimento de atividades práticas que levem ao
reconhecimento e à exploração de cada um dos caracteres Braille, pela distinção de letras,
conduzindo à identificação, pela leitura, e consequente ato de escrita, em grupo ou
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individualmente, de palavras curtas. Isso se processará com atividades de escrita e leitura,
acompanhada pelo Professor de forma gradual, letra, palavra e frase.
       A percepção do Braille alcançada pela exploração tátil deve ser estimulada desde os
primeiros anos. O contato com os caracteres em Braille projeta para a pessoa cega, em
particular a criança, a aquisição e exploração de uma habilidade capaz de colocar o mundo
real ao alcance dos seus dedos.
       Com a finalidade de promover a inclusão de pessoas cegas e baixa visão no processo
educacional, tanto no Ensino Fundamental ou Médio, a oficina em Braille representa a
possibilidade de atendimento às necessidades individuais, propiciando uma melhor interação
no meio social e acadêmico.


Objetivo Geral
       Proporcionar ao educando a aquisição de habilidades e domínio da técnica para ter
acesso às informações através da leitura e/ou para aplicar aos conteúdos constantes do ensino
regular.


Objetivos Específicos
   -   Reconhecer os pontos em Braille;
   -   Ler em Braille com fluência e compreensão;
   -   Compreender textos lidos por outras pessoas;
   -   Produzir textos oralmente com coerência e coesão;
   -   Produzir textos escritos utilizando idéias coerentes;
   -   Escrever frases em Braille;
   -   Produzir textos escritos e com sentido, em Braille;
   -   Empregar regras de pontuação e gramática na literatura e escrita.


 Oficina de Acompanhamento Pedagógico


Justificativa
       Visando garantir propostas pedagógicas que atendam às necessidades e dificuldades
dos alunos cegos e de baixa visão, o acesso, a permanência e o sucesso escolar, a Oficina de
Acompanhamento Pedagógico tem como finalidade proporcionar aos alunos recursos e
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atendimento especializado que favoreçam seu desempenho cognitivo, afetivo, social e sua
inclusão no processo ensino-aprendizagem.
       O processo de alfabetização e letramento das crianças com deficiência visual requer
um contexto. O ato de apenas aprender a ler e a escrever não é suficiente, não se pode deixar
de lado a leitura de mundo, pois, assim como fundamenta Ferreiro (1998) e Freire (1996), é
por meio dessa leitura de mundo que a criança poderá se formar um cidadão crítico.


Objetivos
   -   Propiciar aos alunos melhores condições de aprendizagem;
   -   Facilitar a participação do deficiente visual nas escolas de ensino regular, em casa e na
       sociedade;
   -   Garantir condições de aprendizagem ao aluno com déficit visual (total ou parcial),
       através    de    intervenção    pedagógica     e   medidas     extras    que    atendam
       às necessidades individuais;
   -   Resgatar a auto-estima do aluno, estimulando sua participação ativa no processo de
       aprendizagem, conduzindo assim à aquisição de segurança para atuar em seu grupo
       familiar e social;
   -   Propiciar o domínio da técnica para ter acesso às informações através da leitura e/ou
       para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular


 Oficina de Matemática/Soroban


Justificativa
       “Um projeto de inclusão escolar exige adaptações relacionadas às necessidades
explícitas pelo portador de necessidades especiais” (Pacheco 2007). A igualdade de
oportunidades, direito garantido pelo artigo 5 da Constituição (Brasil 1998), não pode ser
confundida com a igualdade de tratamento. “Temos direito à igualdade quando a diferença
nos inferioriza e direito à diferença quando a igualdade nos descaracteriza”. Ter um espaço
adequado para o desenvolvimento das potencialidades do aluno com necessidades especiais é
simplesmente garantir a ele um direito constitucional, portanto é obrigação do Estado
propiciar essa oportunidade. As adaptações de materiais, para torná-los adequados aos
estudantes, são de suma importância para se alcançar o sucesso escolar. Quando se trata de
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alunos com necessidades educacionais especiais, a adequação de recursos especiais é
condição primeira para mantê-los frequentando, com dignidade, a escola à qual têm direito.
Para cada deficiência há características específicas das necessidades especiais. Para alunos
cegos e de baixa visão, é necessária uma abordagem pedagógica diferenciada que atenda às
suas necessidades. Por isso a oficina de matemática - Soroban, procura respeitar e viabilizar
formas para que o aluno com deficiência visual tenha as mesmas oportunidades e chances que
um aluno vidente. Para tanto, nesta oficina é oferecido um atendimento que se desenvolve de
acordo com a necessidade de cada aluno, em função do nível escolar e da aprendizagem.


Objetivos
   -   Acompanhar as tarefas escolares dos alunos do Ensino Regular;
   -   Usar recursos adaptáveis, direcionados ao conteúdo estudado;
   -   Trabalhar a escrita dos códigos matemáticos em Braille;
   -   Realizar operações matemáticas fundamentais no soroban;
   -   Estudar conceitos fundamentais da matemática;
   -   Utilizar o computador como ferramenta para a aprendizagem das disciplinas e
       conteúdos.


 Oficina de Informática


Justificativa


       Os indivíduos com deficiência, ainda hoje vistos por muitos como “doentes” e
incapazes, sempre estiveram em situação de maior desvantagem ao ocupar no imaginário
coletivo a posição de alvos da caridade popular e da assistência social. Muito distantes de
serem sujeitos de direitos sociais, entre os quais se inclui o direito à educação, em sua
maioria, permanecem alheios a seu pertencimento às questões sócio-culturais.
       Sabemos que, em busca do sucesso intelectual e escolar, cada aluno vai requerer
diferentes estratégias pedagógicas que lhes possibilitem o acesso à herança cultural, ao
conhecimento socialmente construído e à vida produtiva, condições essenciais para a inclusão
social e o pleno exercício da cidadania. Entretanto, devemos conceber essas estratégias não
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como medidas compensatórias e pontuais, e sim como parte de um projeto social e educativo
de caráter global e emancipatório.
       De acordo com as perspectivas abordadas, as novas Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC's) vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de
nossa cultura e sua utilização um meio concreto de inclusão e interação no mundo. Tal
constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando nos referimos a pessoas com
necessidades educacionais especiais. Nestes casos, as TIC's podem ser utilizadas como
Tecnologia Assistiva, que é toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade
de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa com deficiência. A
Tecnologia Assistiva deve ser compreendida como resolução de problemas funcionais, em
uma perspectiva de desenvolvimento das potencialidades humanas, valorização de desejos,
habilidades, expectativas positivas e da qualidade de vida. As diversas modalidades de
Tecnologias Assistivas incluem recursos de comunicação alternativa, de acessibilidade ao
computador, de atividades de vida diária, de orientação e mobilidade, de adequação postural,
de adaptação de veículos, órteses e próteses, entre outros.
       Segundo a especialista em Psicologia Educacional da Secretaria Municipal de
Educação de Belo Horizonte/ MG, Elizabet Dias de Sá, pode-se chamar de Tecnologia
Assistiva ao conjunto de recursos utilizados no desenvolvimento das potencialidades
cognitivas e na qualidade de vida das pessoas portadoras de necessidades especiais.
       Com vistas a promoção de acesso às diversas situações de cunho informático e sócio-
interativo, a informática se justifica principalmente por possibilitar ampla autonomia aos
deficientes visuais em qualquer nível de dificuldade.
       Na Educação Especial se destaca a utilização dos recursos de um ambiente
computacional e telemático, promovendo o desenvolvimento das potencialidades cognitivas
de educandos com NEE (Necessidades Educativas Especiais), entendidos como sujeitos do
seu processo de aprendizagem e construção de seus conhecimentos. Tendo como objetivo
primeiro possibilitar aos educandos com NEE, condições de se integrar no mercado de
trabalho, usufruir das atividades de lazer, esporte e cultura, conquistando seus direitos de
cidadão.


Objetivos
   -   Reconhecer as funções e aplicações dos dispositivos da máquina e utilizar
       corretamente e com habilidade o teclado do computador;
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   -   Ler/ouvir textos usando softwares de voz específicos para deficientes visuais, bem
       como executar com acessibilidade os comandos e telas contidas nos distintos
       aplicativos informáticos;
   -   Realizar com autonomia a leitura das avaliações oferecidas no ensino regular por meio
       de arquivos em CD's ou pen drives;
   -   Usar com privacidade e mais segurança os terminais bancários para operações de
       saques e consultas diversas a suas contas de aplicação e movimentação financeira;
   -   Possibilitar a comunicação globalizada através da interação com sites e blogs diversos
       e usuários do mundo virtual, objetivando a troca e aquisição de experiências sócio-
       culturais vigentes em nosso meio;
   -   Aprender a fazer buscas e a pesquisar os distintos assuntos na internet, a fim de
       satisfazer suas necessidades de cunho educativo ou de curiosidade;


7.3.1.2- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Deficiência
Auditiva


Histórico e Nova Demanda
       Com o passar do tempo, percebe-se que compartilhar o saber com o aluno surdo
enriquece as aulas e é surpreendente ver o quanto é bom ter este aluno rico numa cultura surda
e de uma língua fascinante que é a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, uma língua
espaço-visual.
       Em 2008 iniciou-se a inclusão com as matrículas dos educandos surdos
nas classes de Ensino Regular e em 2009 na Educação de Jovens e Adultos, a EJA; 1ª e 2ª
fase e 1º e 2º período, com atendimento de oficinas de psicomotricidade e psicopedagia. No
turno vespertino, foram incluídos os educandos no Ensino Regular do 6º ao 9º ano, com
atendimento do AEE na Escola Municipal Maria Rodrigues Barnabé. Em 2011 iniciou-se o
AEE desses educandos na própria escola Libras / Língua Portuguesa e Letramento. Hoje, a
demanda dos educandos surdos a serem atendidos é grande, os mesmos estão matriculados
nas classes comuns do Ensino Regular e EJA.
       De acordo com a Lei de nº 5626/2005, o AEE da escola poderá promover cursos de
formação de professores para o ensino e uso da Libras, a tradução e interpretação de Libras -
Língua Portuguesa, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas
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e, também, professor de Libras ou instrutor de Libras, professor para o ensino de Língua
Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas, professor regente de classe com
conhecimento acerca da singularidade linguística manifestada pelos alunos surdos.
       O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência auditiva
atende atualmente 35 educandos, sendo que entre eles há educandos que frequentam classes
de Ensino Regular da própria escola e educação de jovens e adultos (EJA), com faixa etária
compreendidas entre 12 a 70 anos. Dentre eles, alguns apresentam deficiências múltiplas.


Objetivos:
   -   Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no Ensino Regular aos
       educandos surdos e/ou deficiência múltipla;
   -   Construir uma educação bilíngue;
   -   Conscientizar do principal recurso da aprendizagem na educação dos surdos, que é de
       caráter visual e da singularidade linguística manifestada pelos surdos;
   -   Apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão da LIBRAS entre professores,
       alunos, funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de
       cursos;
   -   Divulgar a LIBRAS para todos, e assim, melhorar a comunicação entre surdos e
       ouvintes, assegurando o acesso dos surdos à educação.


Intérpretes por Área de Conhecimento:
       A profissão de intérprete ainda não está regulamentada e poucos são os municípios
que a reconhecem. Por outro lado, não existindo formação específica, é reduzido o número de
pessoas habilitadas para exercer essa função que passou a ser desempenhada por familiares,
amigos ou profissionais com longo tempo de convívio com surdos.
       Os intérpretes devem ter fluência na LIBRAS, assim como ela é usada pelas pessoas
surdas e ter também boa fluência em Língua Portuguesa. Geralmente, intérpretes com nível de
escolaridade alto têm melhores condições de produtividade. A atuação dos intérpretes deve
estar centrada no atendimento a todas as pessoas surdas que necessitam romper os bloqueios
de comunicação com o objetivo de integrar surdos e ouvintes, facilitando a comunicação entre
ambos. Frequentemente, os intérpretes são solicitados para intermediar a comunicação de
surdos e ouvintes em encontros, reuniões, cursos, palestras, debates, entrevistas, consultas,
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audiências, visitas, etc., além de participarem do processo de integração escolar do aluno
surdo.
         A partir do ano de 2011, a escola passou a adotar o sistema de intérpretes de surdos
por áreas de conhecimento. Desta forma, o intérprete passa a acompanhar o professor nas suas
aulas, em vez de fixar-se em uma determinada turma. Com esse novo sistema esperam-se
algumas vantagens, como:
         - O professor regente da turma tem momentos de coordenação junto com o seu
         intérprete, possibilitando o planejamento em conjunto;
         - Cria-se afinidade entre professor e intérprete, tornando as aulas mais dinâmicas;
         - Como a escolha dos intérpretes segue preferencialmente a formação destes na mesma
         área de conhecimento do professor regente, espera-se que o domínio do conteúdo por
         parte do intérprete facilite o seu trabalho e possibilite até mesmo sua intervenção ou
         substituição do professor regente, quando necessário.
         A presença do intérprete de LIBRAS x Português e vice-versa, em sala de aula, tem
aspectos favoráveis e desfavoráveis que precisam ser observados:


Aspectos favoráveis:


   -     O aluno surdo aprende mais facilmente o conteúdo de cada disciplina;
   -     O aluno surdo sente-se mais seguro e tem mais chances de compreender e ser
         compreendido;
   -     O processo de ensino-aprendizagem fica menos exaustivo e mais produtivo para
         professor e alunos;
   -     O professor dispõe de mais tempo para atender os demais alunos;
   -     A LIBRAS passa a ser mais divulgada e utilizada de maneira mais adequada;
   -     O aluno surdo tem melhores condições de desenvolver-se, favorecendo inclusive seu
         aprendizado da Língua Portuguesa (falada e/ou escrita).


Aspectos desfavoráveis:
   -     O intérprete pode não conseguir passar o conteúdo da mesma forma que o professor;
   -     O aluno não presta atenção ao que o professor regente diz, porque está atento ao
         intérprete;
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   -   Há necessidade de pelo menos dois intérpretes por turma porque a atividade é
       exaustiva;
   -   Os demais alunos ouvintes podem ficar desatentos, porque se distraem olhando para o
       intérprete;
   -   O professor regente pode sentir-se constrangido em estar sendo interpretado;
   -   O professor não interage diretamente com o aluno;

       A integração do aluno surdo é um desafio que deve ser enfrentado com coragem,
determinação e segurança. A decisão de encaminhar um aluno para a classe de ensino regular
deve ser fruto de um criterioso processo de avaliação. Finalmente, deve-se ter clareza de que
essa integração não passa exclusivamente pela sua colocação na turma com crianças ouvintes.
A verdadeira integração implica em reciprocidade. A criança surda poderá iniciar seu
processo de integração na família, na vizinhança, na comunidade, participando de atividades
sócio-recreativas, culturais ou religiosas com crianças e adultos "ouvintes" e dar continuidade
a esse processo na escola especial ou regular, de acordo com suas necessidades especiais.
Garantir ao aluno surdo um processo de escolarização de qualidade é fator fundamental para
sua integração plena.
       De acordo com o artigo publicado na Revista Espaço-INES, nº 24 (julho-dezembro
2005), “Os diferentes papéis do intérprete”, da Professora Celeste Azulay Kelman, o
professor-intérprete, apesar de sua atribuição ser de tradutor/intérprete, hoje o mesmo, de
acordo com a autora, tem assumido onze diferentes papéis em sua função. Acreditamos que o
intérprete é ponte entre o aluno surdo e o professor regente. Por isso consideramos que para
uma melhor atuação, que seja um professor-intérprete por área de atuação. Sua atuação neste
estabelecimento, será de mediador. É importante que o intérprete atente para suas atribuições
(item 5.3.4 deste PPP)


Professor Surdo:
       O Professor surdo atenderá toda a comunidade escolar no que se refere à Língua de
Sinais. Ele é a referência do educando surdo dentro do ambiente escolar, proporcionando o
acesso desse surdo à linguagem, e estará assegurando a identidade e a cultura surda, que são
transmitidas naturalmente pelo contato.
       Atenderá a oficina Libras/Português nos horários de contra-turno.
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Estrutura Pedagógica:
       O trabalho é oferecido no turno vespertino com as oficinas: Libras-Português,
Matemática, Geografia/História e Ciências e Letramento.
       O trabalho de intercâmbio pedagógico no ensino regular será efetivado pela
coordenação da educação especial, professor surdo em parceria com a psicopedagoga do AEE
da Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves.
       Os alunos que estudarem na escola receberão, se necessário, um professor intérprete
em sala de aula no Ensino Regular e EJA, exceto as turmas de alfabetização da EJA.
       A nova estrutura se justifica devido à necessidade de uma nova ação pedagógica em
função da demanda. Uma ação necessária para melhor atendimento aos educandos perpassa
por uma maior interação com sua escola de origem (ensino regular), suas famílias e o
Atendimento Educacional Especializado para Surdos. Para que essa interação aconteça faz-se
necessário um profissional que possa diagnosticar novos alunos com deficiência auditiva, bem
como acompanhar, orientar, intervir aos alunos já atendidos pelo atendimento educacional
especializado nas ações educativas favorecedoras ao desenvolvimento do educando.


Cabe à Secretaria Municipal de Educação prover:
- Trabalho conjunto entre Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Saúde,
visando um trabalho multidisciplinar (sendo de extrema importância profissionais como:
fonodiaudiólogos, psicólogos, terapeutas , psicomotricista);
- Materiais adaptados às condições de cada educando;
- Recursos didáticos (recursos visuais) que atendam às necessidades do educando com
deficiência auditiva;
- Cursos de capacitação para os profissionais, buscando um melhor atendimento das
especificidades dos educandos;
       A construção de uma Proposta Pedagógica dessa amplitude tem a ver com a concepção
de criança, homem, e sociedade que se quer. Nesse sentido, essa proposta foi fundamentada
nos princípios da ética, da justiça, dos direitos das pessoas, do respeito às singularidades e,
sobretudo no amor.
       O propósito é ensinar a todos, num momento histórico em que se luta para vencer a
exclusão, a competição, o individualismo em busca de um trabalho de humanização e de
socialização que supere as barreiras físicas. Esta proposta pedagógica foi elaborada com a
participação de todos os seguimentos dessa instituição a partir de reflexões teóricas e debates
66




que subsidiaram esse trabalho e visam aprofundamento dos pressupostos psicológicos,
espaciais, temporais e culturais. Nesse sentido, não excluem ninguém dos programas
curriculares das atividades em sala de aula e do convívio escolar mais amplo. Essa proposta é
referendada pela Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, adaptada às necessidades
educacionais específicas do desenvolvimento dos alunos, ao ritmo, às diferenças, sem
empobrecimento dos conteúdos, pois acreditamos nas potencialidades de cada um, pois a
valorização das potencialidades e o respeito à diversidade é que fazem a diferença.


Materiais e equipamentos adaptados:
 DVD‟s do Telecurso do Ensino Fundamental dos conteúdos com a legenda em Libras:
 Ciências, Geografia, História, Português e Matemática;
 DVD‟s do Telecurso do Ensino Médio dos conteúdos com a legenda em Libras: Biologia,
 Física, História, Geografia;
 CD‟s de conteúdos de Ciências, Matemática e Geografia, legendado em Libras, do 4º e 5º
 ano que podem suprir alguma defasagem dos alunos dos pré-requisitos dos conteúdos
 ministrados.
 Na internet, o site do Nepes de Santa Catarina, com dicionário de Libras com explicações
 de alguns conteúdos de História, Ciências e Geografia. Site:
 www.sj.cefetsc.edu.br/nepes/midiateca.htm
Pastas com alguns sinais criados pelos alunos dos conteúdos de História, Geografia e
Ciências;
Quadro 2- Lista de matérias adaptados para os deficientes auditivos


        Assim, é pelo currículo geral que serão satisfeitas as realidades educativas distintas
com adaptações curriculares ou ajuste daquele às necessidades e possibilidades de cada aluno.
As adaptações curriculares são instrumentos de individualização e flexibilização da
aprendizagem, como produto de decisões pedagógicas sujeitas aos objetivos definidos.
Consistem na modificação de estratégias, no fornecimento de elementos e recursos materiais
necessários e na adaptação de espaços físicos, possibilitando a superação das limitações
físicas ou sensoriais.
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Orientações Gerais para a Aprendizagem do Aluno Surdo no Ensino Regular
      O professor e o intérprete devem:
      -   Entender que o aluno surdo é estrangeiro na língua portuguesa;
      -   Observar os tipos de linguagem que o aluno surdo utiliza (oral, escrita, língua de
          sinais, gestos padronizados, leitura labial, entre outras); para facilitar a
          comunicação entre docente e aluno;
      -   Elaborar e disponibilizar esquemas e resumos de todos os conteúdos que serão
          trabalhados;
      -   Utilizar atividades e recursos visuais. A visão é considerada a principal via de
          aprendizado e informação do aluno;
      -   Verificar se está adequado o lugar que o surdo se assentou, de forma que não haja
          obstáculo visual entre ele e o intérprete;
      -   Entregar o conteúdo e materiais referentes à disciplina ao intérprete e ao professor
          de atendimento especializado, no início de cada bimestre/semestre, ou com
          antecedência, na coordenação para que possa se organizar antecipadamente o
          material que o aluno surdo precisa para receber apoio;
      -   Realizar a coordenação junto com o intérprete de sua área;
      -   Entender que o surdo não é capaz de acompanhar a leitura de um texto no quadro
          ao mesmo tempo em que acompanha a sinalização. Registrar as correções no
          quadro e esperar que o aluno copie para posteriormente explicar as questões;
      -   Realizar antecipadamente eventos importantes na lousa, incluindo comunicação
          externa e interna, datas das provas, entrega dos trabalhos, cursos e outros
          cronogramas;
      -   Os alunos surdos não são todos iguais, cada um tem sua particularidade. Conheça
          seu aluno e busque estratégias para ensiná-lo;
      -   Entenda o papel do intérprete em sala de aula e trabalhe em parceria com o
          mesmo, favorecendo e contribuindo com atitudes para que toda comunidade
          escolar tenha entendimento da função do mesmo;
      -   Entenda e respeite a Libras enquanto língua com estrutura gramatical própria;
      -   Os trabalhos propostos devem contemplar toda a turma;
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       -   Coloque o surdo para fazer as apresentações de trabalho e delegue a ele
           responsabilidades enquanto aluno;
       -   Na realização de trabalho em grupos, distribuir os surdos entre os alunos ouvintes;
       -   Procure demonstrar interesse pela sua dificuldade, porém, jamais facilitar,
           dispensar das atividades ou não cobrar suas obrigações;
       -   Os enunciados das atividades devem ser devidamente trabalhados com os alunos
           surdos;


Avaliações
   -   Nas avaliações vale o cuidado do professor em manter os mesmos enunciados.
   -   Sendo o aluno surdo estrangeiro, portanto, na língua portuguesa, o mesmo detém
       pouco conhecimento da mesma, o professor deverá aplicar a avaliação por blocos de
       conteúdos, ou um capítulo inteiro (resumo das partes fundamentais);
   -   Observar o dicionário de Libras criado pelo intérprete de sua área e propor avaliações
       utilizando-o como recurso;

Quanto ao Plano de Desenvolvimento Individual (PDI):
       -   É tarefa do professor regente e não do intérprete, este pode pode auxiliar aquele,
           mas nunca realizar sozinho o PDI;
       -   O PDI é um documento que apresenta a trajetória escolar do aluno, portanto deve
           ser atualizado em tempo real, de forma processual e descritiva para nortear as
           ações pedagógicas;
       -   É importante deixar claro que o currículo a ser desenvolvido com os alunos que
           apresentarem deficiências ou condutas típicas deve ser o mesmo contido na
           proposta curricular da escola, para todos os alunos, em seus níveis e etapas
           correspondentes, trata-se de um princípio da educação inclusiva;
       -   É imprescindível que o professor considere a necessidade de selecionar e adaptar
           os conteúdos priorizando-os e quantificando-os de acordo com a relevância para
           cada ano do ciclo;
       -   Torna-se indispensável, também, saber que a adaptação quanto ao novo
           conhecimento consiste em um processo de construção que somente o aluno é quem
           pode regular; portanto , é impossível estabelecer a priori a extensão e profundidade
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             dos conteúdos a serem construídos pelos alunos sem o conhecimento prévio dos
             mesmos;
         -   Em anexo encontram-se os formulários para o preenchimento do PDI.


    As adaptações curriculares representam uma das estratégias utilizadas para dar respostas
educativas (respeitando a diversidade), que surgem como consequência do desejo de
individualizar os processos de ensino-aprendizagem, adaptando-os às necessidades educativas
especiais dos educandos.


Gestão
         O Atendimento Educacional Especializado para Surdos está inserido na Escola
   Municipal Altina Olívia Gonçalves, de acordo com LEI Nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e
   Bases da Educação Nacional – 1996 - Educação Especial, Art. 58.
         O corpo docente é formado por especialistas em Educação Especial, psicopedagogos,
   intérpretes, pedagogos e licenciaturas específicas em: LBRAS/Português, Matemática,
   Português, História, com o número total de 15 especialistas.


   Critérios para composição do corpo docente:
         1º - Ser concursado na Educação Especial;
         2ª -Ser concursado em Pedagogia, nas diversas Licenciaturas, com tempo no
         Atendimento Educacional Especializado Para Surdo;
         3º - Ser concursado em Pedagogia, nas diversas Licenciaturas, com pós-graduação em
         Atendimento Educacional Especializado, Educação Especial, Psicopedagogia ou pós–
         graduações afins;
         4º - Ser concursado em Pedagogia, nas diversas licenciatura,s com cursos de
         aperfeiçoamento na área de Educação Especial, surdos;
         5º - Outros, interessados em trabalhar com educandos surdos;


         Visando garantir a melhoria do aprendizado para os alunos deficientes auditivos, são
desenvolvidas algumas oficinas na escola:
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 Oficina: Enriquecimento de Conteúdos Cognitivos e Metacognitivos


Justificativa:
       Percebe-se que os educandos surdos, quando ingressam nas últimas séries do ensino
fundamental (6º ao 9º ano), chegam à escola com uma defasagem de conteúdos resultante do
baixo conhecimento da LIBRAS e de pré-requisitos dos conteúdos ministrados. A mudança
de rituais de séries e professores também perturba este aluno, pois para ele tudo é novo. Nos
últimos anos do ensino fundamental, ele não terá apenas três professores. Não terá professores
bilíngues e sim intérpretes, vários professores e conteúdos. Sabemos que o novo
conhecimento é adquirido através do prévio conhecimento de determinado conteúdo. Faz-se
necessário partir do conhecimento que este aluno já possui para que ele possa adquirir o novo
conhecimento. Espera-se com esta oficina trabalhar com os pré-requisitos que venham
facilitar o novo conhecimento dos conteúdos ministrados, através de trabalhos cognitivos,
metacognitivos e raciocínio lógico.


Objetivos:
    - Trabalhar as habilidades e competências metacognitivas e cognitivas, de forma que o
       aluno resolva situações-problema através de sua maneira de pensar e opinar;
    - Construir um conjunto de conhecimentos referentes aos pré-requesitos necessários
       para que o novo conhecimento aconteça de forma efetiva;
    - Desenvolver o raciocínio lógico;
    - Oportunizar o educando surdo a expor suas idéias e pensamentos através de novas
       estratégias de conhecimento;
    - Preparar o educando para os conhecimentos básicos necessários para que atenda aos
       objetivos do ensino fundamental: saber pensar, saber fazer, conhecer e ser.


 Oficina de LIBRAS LI / LII
Metodologia de ensino de LIBRAS – LI


             Acreditamos que os enfoques das metodologias de língua de sinais devam se voltar
para toda essa “produção empírica” como elementos essenciais para serem retomados
sistematicamente dentro de um processo de escolarização.
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          A oficina procura não apenas mostrar caminhos amadurecidos na educação de
surdos e que se mostraram eficientes, mas tem o papel de ser propositiva em termos de reunir
princípios que refletem um jeito surdo de construir. Mais do apresentar técnicas e fórmulas
prontas de como ensinar e o que interfere na aprendizagem, é importante que a produção de
surdos tenha cada vez mais espaço para criar novos textos. Se uma idéia puxa outra idéia, um
texto de um surdo puxa textos de muitos outros surdos.
       Entendemos que são formas de compor visualmente que se aproximam, se tocam, e
abrem perspectivas que precisam ir crescendo e se encontrando no caminho. As vias são
muitas, como uma cidade cheia de estradas, assim é o encontro dos textos surdos. Não
podemos falar de uma metodologia única, e sim metodologias; é sempre no plural porque não
podemos esquecer que são várias as identidades surdas, e o que atende a uma, não
necessariamente atende a outra. Decidir qual metodologia utilizar depende de uma complexa
interação de fatores individuais e sociais, e todo educador deve estar atento às diferenças.
Metodologias não apresentam garantias e certezas de como o ensino deva ser, mas funcionam
como um conjunto orquestrado de elaborações desenvolvidas ou reconhecidas pelos surdos ou
construídas a partir da cultura surda que produz efeitos de sentidos mais significativos para
essa comunidade. Dentro de um currículo que está sempre aberto e em movimento para
atender a realidade que se apresenta, o campo metodológico é um contínuo repensar das
relações pedagógicas.
          Cada um de vocês poderia ter inúmeras respostas para essa pergunta, dependendo
da experiência e do conhecimento que tem a respeito do assunto. Alguns de vocês já
ensinaram amigos, colegas vizinhos, pais e isso se configurou em saberes, práticas discursivas
realizadas em libras que acumulou bastante conhecimento. Muitos desses saberes que se
organizaram muito tempo à margem das instituições, e que ocorreram nos espaços das
associações, nas relações informais entre amigos, ainda permanecem com pouca transferência
para os espaços acadêmicos, uma vez que a luta dos movimentos surdos aos poucos vem
transformando as relações de poder que envolve também a abertura dos espaços institucionais.
          Para ensinar é preciso perceber a maneira de cada indivíduo e grupo se relacionar
com o conhecimento e com o ato criativo. O conhecimento é uma junção de arte, de técnicas e
de vivências. Portanto, sempre há uma relação estreita entre quem ensina e o que ensina. O
educador surdo organiza os conhecimentos a partir da sua visualidade. A intencionalidade
(objetivo claro), reciprocidade (como o aluno se envolve no processo pedagógico) e a
mediação dos significados (como os significados são construídos com o aluno) exigem uma
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criatividade na composição dos elementos de uma pedagogia visual que serão determinantes
para o êxito do processo de aprendizagem de educandos surdos.
            Portanto, métodos não são apenas um conjunto de técnicas a serem aplicadas, mas
envolvem muitos outros aspectos, dentre eles a criatividade que tem por base uma forma
própria de apreender a realidade e que deve estar vinculada com as necessidades de cada
sujeito e cultura.
Há um conjunto de práticas e eventos dentro da cultura surda que ativam as língua de sinais e
suas formas de interação produzindo um letramento tanto individual como social que revelam
dinâmicas próprias de atuar e interagir socialmente. Essas construções simbólicas são
interdependentes de determinados contextos e espaços sociais que propiciam a ocorrência de
distintas formas enunciativas. A metodologia de Libras deve estar em alinhamento com as
diferenças produzidas dentro desses diferentes espaços que possibilitam a emergência do
discurso surdo.
             É importante analisarmos como a produção textual em língua de sinais é uma
relação que envolve uma dinâmica de inter-relação entre corpo, espaço e movimento.
Portanto, diferente de uma dinâmica presente nas línguas orais, as línguas de sinais convivem
com o cênico como um elemento de atribuição de sentidos. Por isso, o ambiente ou espaço
físico não é um mero componente ou detalhe, é um elemento decisivo para a produção de
sentidos.


Metodologia de ensino em LIBRAS – LII
      Segundo Valderez Prass Lemes, 1994, a utilização de um vocabulário mínimo é
necessário, nos primeiros anos com textos de livros escolares. Esse vocabulário, geralmente,
será usado nas frases, como sujeito das mesmas.
      Preparando a fase de interpretação, colocamos, em cada página, ao lado de cada título, a
pergunta correspondente aos elementos daquela página. Exemplo: QUEM É?, QUAL É?, DE
QUÊ?, O QUE É ISTO?
Objetivando o reconhecimento da categoria verbal núcleo do predicado e sua importância na
construção frasal, foram estipulados verbos básicos, que costumam aparecer com maior
freqüência nos primeiros anos em textos de livros escolares.
       Preparando a fase de interpretação, colocamos em cada página a pergunta inerente aos
verbos, ou seja: FAZ O QUÊ?
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Após o adolescente já ter recordado o vocabulário (sujeito) e os verbos (núcleos do
predicado), aqui entrará na fase de estruturação propriamente dita. Ela elaborará as frases,
com todos os seus elementos, dando ênfase ao complemento das mesmas e seus elementos de
ligação (contrações, preposições etc.).
         Preparando a fase de interpretação, deparará com várias perguntas, exigidas pelo
complemento da frase elaborada. Exemplo: ONDE?, DE ONDE?, COM QUEM?, QUAL?,
PORQUÊ?.
        Após estruturar uma frase correspondente ao quadro de desenho que observará, ela
dividirá essa frase em seus elementos (sujeito, verbo ou núcleo do predicado e complemento)
e aplicará as perguntas adequadas a cada elemento. Terá uma visão do todo para as partes e
das partes para o todo, ou seja, da importância de cada elemento na estruturação de uma frase.

Objetivos:
- estimular os alunos à aprendizagem;
- motivar e despertar o interesse;
- desenvolver a observação;
- aproximar os alunos da realidade;
- auxiliar a aquisição de conceitos;
- visualizar e ilustrar os conteúdos;
- oferecer informações;
- favorecer a experiência concreta;
- fixar a aprendizagem.
- Estruturar frases a partir da interpretação de uma figura.
- Estruturar frases a partir da interpretação (de uma cena).
- Estruturar frases a partir de uma seqüência de fatos.
- Em complementação ao exercício anterior, o adolescente continuará a interpretação
proposta, agora dando respostas subjetivas.
- Leitura e interpretação de pequenos textos à vista de uma gravura.
- Estruturar e interpretar uma texto à vista de uma gravura.
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 Oficina de letramento (informação e cultura)
       A linguagem entendida de forma mais ampla, é o instrumento de comunicação entre os
homens. Assim ela contempla toda a produção cultural de comunicação humana: a linguagem
oral, escrita e no caso do surdo a gestual que é a língua de sinais.
       Segundo ZORZI, a aquisição da linguagem verbal não é um fato que se dá
isoladamente no desenvolvimento infantil. Seu aparecimento faz parte de uma série de
transformações no comportamento da criança pequena, marcadas pelo aparecimento de
condutas simbólicas e de transformações correlatas na forma de compreender e interagir com
o mundo.
       A partir dessas premissas a oficina de letramento será o espaço de estimulação dessas
habilidades que são necessárias para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. O surdo
necessita utilizar tanto a língua de sinais como a escrita para obter as informações, uma vez
que o campo auditivo está bloqueado, pois as informações orais não são possíveis de
absorver, por isso a importância da escrita e da língua de sinais.
       “Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é,
e de tudo que pode ser.” A oficina de Letramento , será um espaço que oportunizará a
reflexão, interpretação, a leitura e compreensão de textos, a leitura de mundo, exercendo sua
função social, sempre respeitando as diferenças culturais oportunizando o desenvolvimento
individual bem como a construção de sua autonomia, sendo importante trabalhar temas
relacionados com o dia-a-dia do aluno , bem como acontecimentos atuais, para que possa ter
as informações e reflexões.

Objetivos
-   Identificar os símbolos impressos
-   Relacionar palavra com sinal
-   Decodificar os símbolos impressos
-   Significar as palavras
-   Analisar com criticidade
-   Interpretar pequenos textos
-   Produção de frases, parágrafos e pequenos textos
-   Palestrar sobre temas atuais
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Oficina de acompanhamento pedagógico

Justificativa
       Visando garantir propostas pedagógicas que atendam às necessidades e dificuldades
dos alunos surdos, o acesso, a permanência e o sucesso escolar, a oficina de
Acompanhamento Pedagógico tem como finalidade proporcionar aos alunos recursos e
atendimento especializado que favoreçam seu desempenho cognitivo, afetivo, social e sua
inclusão no processo ensino-aprendizagem.
       Para que ocorra o processo de aprendizagem e absorção dos conteúdos do ensino
regular, é necessário que promova um contexto, o ato de aprender a ler e escrever apenas não
é suficiente, deixando de lado a leitura de mundo, pois, assim como fundamenta Ferreiro
(1998) e Freire (1996), é por meio desta leitura de mundo que a criança poderá se formar um
cidadão crítico.

Objetivos
   -   Propor atividades de complementação ou de suplementação curricular específica;
   -   Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do
       atendimento educacional especializado.
   -   Fortalecer a autonomia do educando a fim de levá-los a ter condições de fazer(
       pesquisa, trabalho), opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e
       motivações;
   -   Propiciar a interação    em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a não
       discriminação;
   -   Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem ;
   -   Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação para
       melhor atendimento;
   -   Propiciar aos alunos melhores condições de aprendizagem.
   -   Facilitar a participação do surdo nas escolas de ensino regular, em casa e na sociedade.
   -   Garantir condições de aprendizagem ao aluno surdo, através de intervenção
       pedagógica e medidas extras que atendam as necessidades individuais.
   -   Resgatar sua autoestima estimulando sua participação ativa no processo de
       aprendizagem, conduzindo assim à aquisição de segurança para atuar em seu grupo
       familiar e social.
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   -   Propiciar o domínio da técnica para ter acesso às informações através da leitura e/ou
       para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular


7.3.1.3- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Déficit
Intelectual:

Histórico e Nova Demanda
       A iniciativa de implantação de salas de recursos multifuncionais nas escolas pelo MEC
responde aos objetivos de uma prática educacional inclusiva que organiza serviços para o
atendimento educacional especializado, disponibiliza recursos e promove atividades para
desenvolver o potencial de todos os educandos, a sua participação e a aprendizagem. Essa
ação possibilita o apoio aos educadores da sala de aula.
       Em 2007 iniciou-se a organização dos materiais disponibilizados pelo MEC em salas
de recursos multifuncionais, sendo que sua efetivação ocorreu de fato em fevereiro de 2011
por meio de tecnologias assistivas como         oficinas de Letramento I (linguagem oral),
Letramento II (linguagem escrita) e Psicomotricidade.
       O atendimento é oferecido de segunda a quinta-feira, no contra turno da escola,
organizado em pequenos grupos de seis educandos.           Os alunos matriculados no turno
matutino serão atendidos nos horários de 07:00 h às 09:00h ou 09:00 h às 11:00 h e os
matriculados no turno vespertino serão atendidos nos horários de 13:00 h às 15:00 h ou
15:00h às 17:00h.
       O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com déficit intelectual atende
atualmente a um total de 40 educandos da própria escola em horários inversos à sua
escolarização, sendo que entre eles, alguns apresentam deficiências múltiplas.


Objetivo:
       Apoiar os sistemas de ensino na oferta de atendimento educacional especializado a fim
de complementar ou suplementar o processo de escolarização, conforme previsto no inciso V
do artigo 8º da Resolução CNE/CEB nº 2/2001.
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 Oficina de letramento I (linguagem oral)
Justificativa
       A linguagem entendida de forma mais ampla, é o instrumento de comunicação entre
os homens. Assim ela contempla toda a produção cultural de comunicação humana: a
linguagem oral, escrita dentre outras. Segundo ZORZI, a aquisição da linguagem verbal não é
um fato que se dá isoladamente no desenvolvimento infantil. Seu aparecimento faz parte de
uma série de transformações no comportamento da criança pequena, marcadas pelo
aparecimento de condutas simbólicas e de transformações correlatas na forma de compreender
e interagir com o mundo.
       A partir dessas premissas a oficina de linguagem oral será o espaço de estimulação
dessas habilidades que são necessárias para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo.

Objetivos
    - Estimular a articulação correta dos fonemas, ampliando seu léxico e suas competências
    lingüísticas;
    - Intensificar e sistematizar a estruturação do pensamento/idéias;
    - Estimular o educando a ouvir e fazer-se ouvir com coerência e coesão sem fugir do
    assunto tratado, formulando e respondendo a perguntas e manifestando suas opiniões,
    respeitando as demais;
    - Favorecer subsídios a fim de que o educando narre fatos, faça descrições de cenários e
    objetos, respeitando a temporalidade, registrando as relações causa e efeito;
    - oportunizar relatos de experiência, sentimentos, idéias e opiniões de forma clara e
    ordenada.

 Oficina de letramento II ( linguagem escrita)
Justificativa
       “Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é,
e de tudo que pode ser.” A oficina de Letramento II, será um espaço que oportunizará a
reflexão, interpretação, a leitura e compreensão de textos, a leitura de mundo, exercendo sua
função social, sempre respeitando as diferenças culturais oportunizando o desenvolvimento
individual bem como a construção de sua autonomia.
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Objetivos
Leitura
-   Identificar os símbolos impressos
-   Relacionar grafema-fonema
-   Decodificar os símbolos impressos
-   Significar as palavras
-   Analisar com criticidade
Escrita
-   Discriminar visualmente os símbolos
-   Discriminar os sons dos grafemas
-   Fomentar as ideias iniciais pra produção de texto
-   Registras ideias na forma padrão culta.
-   Identificar e trabalhar as categorias de erro ortográfico.


 Oficina de psicomotricidade
Justificativa
          O papel da psicomotricidade na educação infantil, tem crescido dia-a-dia e é grande a
contribuição que ela pode prestar aos educadores desta fase da escolaridade. As oportunidades
que as crianças têm de realizar movimentos básicos, descobrir e explorar o seu corpo,
dominando-o em relação ao tempo e ao espaço, aos objetos e às outras pessoas, têm sido
valorizados pelos trabalhos desenvolvidos em Educação Física.
          Segundo Guiselini (1982) citado por Ferreira (1995:218):


                                  “o programa de Educação Física na Educação Infantil se caracteriza pela
                         continuidade de experiências de movimentos que são destinados a ajudar a criança a
                         adquirir habilidades motoras e conceitos que irão aumentar a sua capacidade de agir
                         de forma alegre e efetiva em todas as suas experiências de vida, quer seja social,
                         mental ou física”.

          Um bom programa de atividades de Educação Física deve, pois permitir à criança
descobrir, explorar e resolver seus problemas motores, além de inventar suas próprias
experiências de movimento.
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       É através dessas experiências que a criança adquire capacidade de dominar o corpo
como um todo. Para tanto é importante que ela se conscientize de que seu corpo é capaz de
fazer e de como ela pode manejá-lo em várias situações.
       Segundo Ferreira e Caldas (1995) é através da capacidade perceptivomotora que se
pode exercer um controle sobre o corpo. Para isso, é preciso dar atenção ao equilíbrio, a
coordenação visomotora, a lateralidade, ao conhecimento do esquema corporal, a consciência
de tempo e espaço.
       Os autores enfatizam que é através do corpo que a criança recebe as primeiras
informações temporais internas: ritmo cardíaco, ritmo respiratório, ritmo da fala e movimento
de marcha. Do ambiente, ela recebe informações que fornecem consciência de tempo externo:
horários de rotina (hora de dormir, hora de comer, de acordar, de almoçar, de brincar, de ir à
escola, da seqüência dos dias e das noites, etc. A estrutura espaço-temporal são importantes
para o aprendizado da leitura e da escrita, pois favorecem a percepção da seqüência das letras
nas palavras e a direção correta para traçá-las.
       A educação da mão, em função da escrita, está intimamente ligada à educação
dinâmica geral, bem como a educação viso-motora. A coordenação viso-motora resulta do
acordo entre os domínios sensorial e motor. A boa realização de quase todas as ações depende
dessa área bem desenvolvida.
       Coordenação motora fina envolve partes menores do corpo: ombro, antebraço, pulso e
dedos. Segundo Le Boulch (1993) apud Ferreira (1995) podese então trabalhar procurando um
bom relaxamento dos braços, mãos, dedos independência do ombro, braço, mão, exercícios
rítmicos.
       Segundo Mosston (1972) apud Magill (1984), o papel do professor no ambiente de
instrução é intensamente orientado para a responsabilidade como um planejador de instrução.
É de sua responsabilidade determinar o que será ensinado como será ensinado e quais serão as
condições de prática.
       Por acreditar que a psicomotricidade contribui e capacita melhor a criança para uma
melhor assimilação das aprendizagens escolares, um bom desenvolvimento da educação
psicomotora vai proporcionar a criança um aumento do seu repertório motor para atingir
outras aquisições mais elaboradas, como as intelectuais.
80




7.3.1.4 – Educação de Jovens e Adultos – EJA
       A educação de jovens e adultos destina-se aos que não tiveram, na idade própria,
acesso ao ensino fundamental e médio ou continuidade de estudos nesses níveis de ensino.
       Paulo Freire afirma que “Só existe saber na invenção, na reivindicação, na busca
inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os
outros... Fora da busca da práxis os homens não podem ser...”
       Hoje a Educação de Jovens e Adultos representa uma promessa de efetivar um
caminho de desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Nela, adolescentes,
jovens, adultos e idosos podem utilizar conhecimentos, mostrar suas habilidades, trocar
experiências e ter acesso a novas regiões do trabalho e da cultura. A EJA é uma promessa de
qualificação de vida para todos, inclusive para idosos, que muito tem para ensinar às novas
gerações.
       A EJA é uma modalidade da Educação Básica, nas suas etapas fundamental e média.
O termo modalidade é diminutivo latino de modus (modo, maneira) e expressa uma medida
dentro de uma forma própria de ser. Ela tem, assim, um perfil próprio, uma feição especial
diante de um processo considerado como medida de referência. Trata-se, pois, de um modo de
existir com características próprias.


Objetivos
       Os objetivos da EJA em nossa escola, assim como em toda a Rede Municipal de
Educação, são:
   -   Proporcionar o acesso, a permanência e o sucesso dos educandos jovens e adultos na
       escola;
   -   Garantir o direito à educação de Ensino Fundamental, através de uma proposta
       educacional apropriada a estas temporalidades, num processo permanente de
       humanização e transformação social.
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Aspectos Legais
       O art. 208 da Constituição Federal de 1998 assegura o direito universal ao Ensino
Fundamental, na medida em que amplia a garantia aos que a ele não tiveram acesso na idade
própria.
       Esse princípio é posteriormente reafirmado no art. 2º da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação – LDB. Lei nº 9394/96 – e abrange o educando sem qualquer limitação de idade. O
capítulo II da LDB – Da Educação Básica – traz na Seção V, intitulada: “Da Educação de
Jovens e Adultos”, incorporando a mesma como modalidade da Educação Básica, detentora
de características próprias. O parecer 11/2000 e a resolução 01/2000 do Conselho Nacional de
Educação estabelecem as Diretrizes curriculares para a EJA.
       Segundo o Capítulo IV da Educação de Jovens e Adultos, esta destina-se àqueles que
desejam iniciar/retornar os estudos. Terá identidade própria e considerarão as situações, os
perfis dos estudantes, as faixas etárias e se pautará pelos princípios da equidade, diferença e
proporcionalidade na apropriação e contextualização das Diretrizes Curriculares Nacionais,
nas Diretrizes Curriculares Municipais e na proposição de um modelo pedagógico próprio
expresso no Projeto Político Pedagógico.
       Conforme portaria SME 28/2007 de 23 de maio de 2007, foi autorizado o
funcionamento da modalidade de atendimento, Educação de Jovens e Adultos na Escola
Municipal Altina Olívia Gonçalves, retroagindo seus efeitos a 2 de fevereiro de 2007.
       Os estabelecimentos de ensino são regidos:
       I- pela legislação de ensino vigente e aplicável;
       II- pelo regimento escolar;
       III- por atos normativos emanados do Conselho Municipal de Educação e/ou
           Secretaria Municipal de Educação, que compõe o Sistema Municipal de Ensino;
       IV- por normas internas.


Funcionamento da EJA
       A EJA na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves funciona no turno noturno, das
18:00 h às 22:15 h. Como o público desta modalidade de ensino é composto em sua maioria
por adultos ou jovens em idade apta para o mercado de trabalho, esse horário possibilita
atender àqueles alunos que possuem alguma ocupação durante o dia. Os alunos que trabalham
no regime de revezamento de turno ou precisam chegar mais tarde na escola em função de
horário de trabalho, possuem uma permissão de entrada específica.
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Plantão Pedagógico
       No horário de 18:00h às 19:00h funciona o plantão pedagógico, momento em que os
professores atendem os alunos de forma mais individualizada. Os alunos podem vir até à
escola neste horário para estudos suplementares, para tirar suas dúvidas, para fazer atividades
ou trabalhos que tenham perdido durante as aulas regulares, entre outras atividades.
Atualmente, os plantões pedagógicos oferecidos atendem às disciplinas de Português e
Matemática do Segundo Segmento, além de todo o Primeiro Segmento.


Seminários da EJA
       Além de todos os seminários, fóruns e encontros que acontecem durante o ano na rede
de ensino do município de Ipatinga, a escola promove seminários internos direcionados ao
público específico da EJA. Temas como a inclusão social, drogas, sexualidade e outros, são
tratados por profissionais da escola ou convidados de outros segmentos da sociedade.
       No ano de 2011 aconteceu o I Seminário de Inclusão na EJA da escola, evento que
contou com a participação de profissionais de diversas áreas. Neste seminário foram
apresentados também o perfil dos educandos da EJA, reivindicações de melhorias na escola
propostas pelos alunos, sendo produzido um documento com as principais propostas e metas
de trabalho para a EJA.


Inclusão Digital na EJA
       Também na EJA são oferecidas aulas de inclusão digital. A Escola conta com dois
laboratórios de informática, sendo um deles adaptado com as chamadas “mesas pedagógicas”.
Este laboratório é usado preferencialmente pelas turmas de alfabetização do Primeiro
Segmento, por contar com recursos áudio-visuais diversos e jogos pedagógicos. O outro
laboratório conta com computadores mais modernos, todos com acesso à Internet e é usado
preferencialmente para o atendimento do segundo segmento. O professor/monitor do
laboratório trabalha em conjunto com o professor regente da turma, oferecendo ferramentas
como pesquisa, jogos educativos e/ou pedagógicos, digitação de trabalhos escolares, entre
outras possibilidades.
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Intérpretes de surdos e cegos.
       Na EJA, assim como no Ensino Regular, existem intérpretes e monitores em todas as
turmas que possuem alunos surdos ou cegos.
       Os monitores são profissionais especializados que acompanham os alunos cegos ou de
baixa visão, auxiliando-os durante as aulas ou mesmo em outros ambientes de aprendizagem e
convivência da escola.


Currículo da EJA
       O currículo da EJA é elaborado pela Acessoria Pedagógica da rede municipal de
ensino em conjunto com os professores da mesma, sendo norteado pela LDB e pelos PCN´s, e
adaptado para a faixa etária e especificidades desta modalidade de ensino.
       A escola Altina realiza ainda um trabalho diferenciado de adaptação dos currículos
para atender públicos-alvo diferenciados, uma vez que é uma escola inclusiva e referência na
rede municipal por atender um considerável volume de alunos com baixa-visão, cegos, surdos
entre outras necessidades especiais. Sendo assim, é discutido entre os coordenadores
pedagógicos e professores a elaboração de estratégias diferenciadas e a adaptação de materiais
didáticos para atender a esta demanda de alunos.
       A partir do ano de 2011 o Governo Federal passou a enviar para as escolas públicas
um livro didático específico para a EJA.
       A EJA será presencial e organizada em dois segmentos:
   -   O primeiro segmento em três fases, com duração de três anos;
   -   O segundo segmento com quatro períodos, sendo o primeiro período com duração de
       um ano e os demais com duração de seis meses cada um.


Primeiro Segmento
       O primeiro segmento é organizado em quatro períodos com duração de um ano cada,
correspondentes aos quatro anos iniciais do ensino fundamental regular. Cada período é
dividido em quatro bimestres, sendo distribuídos 25 pontos por bimestre, totalizando 100
pontos. O aluno deve atingir o mínimo de 50 pontos para aprovação, além de frequência
superior a 75 por cento nas aulas. Nesta fase acontece a alfabetização
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Segundo Segmento
       O segundo segmento é organizado em quatro períodos, correspondentes aos quatro
anos finais do ensino fundamental regular, a saber:
   -   1P2S – equivalente ao 6º ano do ensino regular;
   -   2P2S – equivalente ao 7º ano do ensino regular;
   -   3P2S – equivalente ao 8º ano do ensino regular;
   -   4P2S – equivalente ao 9º ano do ensino regular;
Observação: as siglas 1P2S, 2P2S, 3P2S e 4P2S, significam “1º Período do 2º segmento”, “2º
Período do 2º Segmento” e assim por diante.
       O segundo, o terceiro e o quarto período têm duração de seis meses cada, organizados
em dois bimestres. São distribuídos 50 pontos por bimestre, totalizando 100 pontos. O aluno
deve atingir o mínimo de 50 pontos para aprovação, além de frequência superior a 75 por
cento nas aulas.
       O aluno da EJA tem direito a fazer o chamado “provão”, caso tenha atingido o total de
pontos para ser aprovado em todas as disciplinas, mas tenha frequência inferior a 75 por cento
nas aulas. Trata-se de uma prova composta por todos os conteúdos, por meio da qual o aluno
deve apresentar o mínimo de 50 por cento de rendimento em cada disciplina para aprovação.


7.3.1.5- Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos (PRAEJA)


Introdução
       O Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos, com o apoio de
uma equipe multidisciplinar, visa contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e,
consequentemente, no avanço de desempenho de alunos com necessidades educacionais
especiais.


Objetivo Geral
       Estimular a aprendizagem através de intervenções psicológicas, do serviço social, da
psicopedagogia, e de situações concretas envolvendo objetos e o próprio corpo do educando
em atividades motoras capazes de ajudá-lo no processo de alfabetização.

Objetivos Específicos
   -   Intervir diretamente no processo de aprendizagem;
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   -   Proporcionar ao educando condições para desenvolver a aprendizagem;
   -   Oferecer ao educando, através de atividades de expressão corporal prazerosa, a
       percepção de seu corpo, favorecendo a convivência em grupo e possibilitando uma
       aprendizagem significativa interagindo o cognitivo, afetivo e social;
   -   Propiciar atendimento psicológico e social aos educandos que apresentam
       vulnerabilidade social;
   -   Desenvolver o ritmo, a lateralidade, a noção espaço-temporal, o equilíbrio, o esquema
       corporal e a coordenação motora fina;
   -   Motivar o educando a expressar sentimentos, criatividade e habilidades no sentido de
       exercitar o uso do intelecto, o contato consigo mesmo e com o mundo;
   -   Oferecer ao educando condições para desenvolver tanto a aprendizagem quanto a
       imaginação, a autoestima, a construção da autonomia e a consciência do seu potencial;
   -   Investigar continuamente o processo de aprendizagem do educando ao que se refere às
       hipóteses de construção da leitura e da escrita;
   -   Intervir diretamente no processo de construção da leitura e da escrita para que a
       aprendizagem aconteça significativamente.


Diretrizes para o Atendimento do PRAEJA
Diagnósticos
   1. Inicial – Deverá ser realizado pelo professor regente que, através do mesmo, indicará
       os educandos que deverão ser avaliados pela equipe do PRAEJA.
   2. De acompanhamento:
           a. Semestral – Deverá ser realizado nos meses de fevereiro, julho e dezembro,
               Professor de Educação Física e o psicopedagogo.
           b. Final – Deverá ser realizado pelo professor regente, psicopedagogo e pelo
               professor de Educação Física.


Anamnese
    Deverá ser realizada de modo individualizado pelo psicopedagogo e posteriormente
compartilhado com a equipe de educadores do educando (professor regente e professor de
Educação Física).
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Teste psicomotor
      1. Inicial – Caberá ao professor de Ed. Física aplicar um teste psicomotor nos
             educandos indicados pelo 1º diagnóstico do educador regente e compartilhar com a
             equipe de educadores do educando.
      2. Final – O professor de Educação Física aplicará um teste psicomotor final nos
             educandos atendidos no decorrer do ano.


Instrumentos de registro
        -     Cada educando deverá ter um caderno de registro com o atendimento
              psicopedagógico.
        -     Os educadores regentes e os psicopedagogos deverão manter os cadernos dos
              educandos sempre atualizados e a disposição de todos que acompanham o
              processo de desenvolvimento educacional dos mesmos (educadores, equipe
              diretiva e assessoria da EJA).


Materiais Pedagógicos
    Todo material impresso a ser trabalhado com os educandos da Alfabetização I e II do 1º
segmento deverá ser com letra compatível a necessidade do educando: maiúscula, e tamanho
acima de 20 do computador.
Obs.: (Deverá ser apresentadas aos educandos outras formas de letra: minúscula, cursiva e
impressa).


Conteúdos
Os conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais deverão atender às necessidades
educacionais previstas no perfil da turma e integrados entre todos os educadores, visando o
desenvolvimento dos educandos.


Estrutura de Funcionamento
       O PRAEJA se organizará de forma a estimular o educando com necessidades
educacionais especiais a pensar de forma integrada, desenvolvendo em torno da
aprendizagem, a imaginação, a autoestima, a construção da autonomia e a consciência do seu
potencial.
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      A equipe multidisciplinar será constituída por um psicopedagogo, um assistente social,
um psicólogo e um professor de Educação Física.


                  Profissional                              Carga Horária
  Psicopedagogo                               20 horas semanais
  Professor de Educação Física                10 horas semanais
  Psicólogo                                   20 horas semanais, 10 horas para cada
                                              escola
  Assistente Social                           20 horas semanais, 10 horas para cada
                                              escola
Quadro 3- Equipe multidisciplinar do PRAEJA
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8 – GESTÃO DEMOCRÁTICA



       A Direção da escola, além de ser uma das funções do processo organizacional, é um
imperativo social e pedagógico. O significado do termo Direção, no contexto escolar, difere
de outros processos direcionais, especialmente os empresariais. Ele vai além da mobilização
das pessoas para a realização eficaz das atividades, pois implica intencionalidade, definição
de um rumo educativo, tomada de posição diante dos objetivos escolares sociais e políticos,
em uma sociedade concreta. A escola, ao cumprir sua função social de mediação, influi
significativamente na formação da personalidade da pessoa humana. Por essa razão, são
imprescindíveis os objetivos políticos e pedagógicos.
       Essa peculiaridade das instituições escolares decorre do caráter de intencionalidade
presente nas ações educativas. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo, de dirigir
o comportamento para aquilo que tem significado para nós. Ela projeta-se nos objetivos que,
por sua vez, orientam a atividade humana, dando o rumo, a direção da ação. Na escola, leva-
se a equipe escolar à busca deliberada, consciente, planejada, de integração e unidade de
objetivos e ações, além de consenso sobre normas e atitudes comuns. O caráter pedagógico da
ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sociopolíticos e educativos e
na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a
seleção e a organização dos conteúdos e métodos, a organização do ensino, a organização do
trabalho escolar), tendo em vista dar uma Direção consciente e planejada ao processo
educacional. O processo educativo, portanto, por sua natureza, inclui o conceito de Direção.
Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para
atingir eficazmente os objetivos de formação. Ou seja, o trabalho escolar implica uma direção.
       Com base nesse princípio mais geral, há que se destacar o papel significativo do
diretor da escola na gestão da organização do trabalho escolar. A participação, o diálogo, a
discussão coletiva, a autonomia, são práticas indispensáveis da gestão democrática, mas o
exercício da democracia não significa ausência de responsabilidades. Uma vez tomadas as
decisões coletivamente, participativamente, é preciso pô-las em prática. Para isso a escola
deve estar bem coordenada e administrada.
       Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola reside unicamente na pessoa do
diretor ou em uma estrutura administrativa autocrática, na qual ele centraliza todas as
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decisões. Ao contrário, trata-se de entender o papel do diretor, como o de um líder
cooperativo, o de alguém que consegue aglutinar as aspirações, os desejos, às expectativas da
comunidade escolar e articula a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na
gestão em um projeto comum. O diretor não pode ater-se apenas às questões administrativas.
Como dirigente, cabe-lhe ter uma visão de conjunto e uma atuação que apreenda a escola em
seus aspectos pedagógicos, administrativos, financeiros e culturais.


8.1 – Princípios: características da gestão democrático-participativa


       A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos
(Sociopolíticos e Pedagógicos) e a interdependência entre a necessária racionalidade no uso
dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. Qualquer
modificação em sua estrutura ou nas funções do processo organizacional se projeta como
influência benéfica ou prejudicial nos demais. Por ser um trabalho complexo, a organização e
a gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos, cuja
aplicação deve se subordinar às condições concretas de cada escola.
       São propostos os seguintes princípios de concepção de gestão democrático-
participativa: autonomia da escola e da comunidade educativa; relação orgânica entre Direção
e a participação dos membros da equipe escolar; envolvimento da comunidade no processo
escolar; planejamento de atividades; formação continuada para o desenvolvimento pessoal e
profissional dos integrantes da comunidade escolar; utilização de informações concretas e
análise de cada problema em seus múltiplos aspectos, com ampla democratização das
informações; avaliação compartilhada; relações humanas produtivas e criativas, assentadas
em uma busca de objetivos comuns.


8.2 – Autonomia da escola e da comunidade educativa


       A autonomia é o fundamento da concepção democrática participativa de gestão
escolar, razão de ser do projeto pedagógico. É definida como a faculdade das pessoas de se
autogovernarem, de decidirem sobre o próprio destino. Instituição autônoma é a que tem
poder de decisão sobre seus objetivos e sobre suas formas de organização, que se mantém
relativamente independente do poder central e administra livremente recursos financeiros.
Assim, as escolas podem traçar seu próprio caminho, envolvendo educadores, educandos,
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funcionários, pais e comunidade próxima, que se tornam co-responsáveis pelo êxito da
instituição. Dessa forma, a organização escolar transforma-se em instância educadora, espaço
de trabalho coletivo e de aprendizagem.
       Certamente, trata-se de autonomia relativa. As escolas públicas não são organismos
isolados, mas integram um sistema escolar e dependem das políticas e da gestão públicas. Os
recursos que asseguram os salários, as condições de trabalho e a formação continuada não são
originados na própria instituição. Portanto, o controle local e comunitário não podem
prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema
escolar. Isso significa que a Direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta, de um
lado, o planejamento, a organização, a orientação do controle de suas atividades internas,
conforme suas características particulares e sua realidade, e, de outro, a adequação e a
aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do
ensino. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. O sistema de ensino pode estar
desprovido de uma política global, estar mal organizado e mal administrado. As autoridades
podem atribuir autonomia às escolas para, com isso, desobrigar o poder público de suas
responsabilidades. Se, por sua vez, as instituições escolares se organizam segundo critérios e
diretrizes restritas aos limites estreitos de cada uma, perdem de vista diretrizes gerais do
sistema e sua articulação com a sociedade. Ou ainda, subordinando-se às diretrizes dos órgãos
superiores, pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente, sem levar em conta as
condições reais de seu funcionamento. Por isso mesmo, a autonomia deve ser gerida,
implicando co-responsabilidade consciente, partilhada e solidária de todos os membros da
equipe escolar, de modo que alcancem, eficazmente, os resultados de sua atividade, isto é, a
formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento neles de potencialidades
cognitivas e operativas.


8.3 – Relação orgânica entre a Direção e a participação dos membros da equipe escolar


       Este princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da Direção, a forma
participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. Sob
supervisão e responsabilidade do Diretor, a equipe escolar formula o plano ou projeto
pedagógico, toma decisões por meio da discussão com a comunidade escolar mais ampla,
aprova um documento orientador.
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       Em seguida entram em ação as funções, os procedimentos do processo organizacional,
em que o Diretor coordena, mobiliza, motiva, lidera, delega aos membros da equipe escolar,
conforme suas atribuições específicas, as responsabilidades decorrentes das decisões,
acompanha o desenvolvimento das ações, presta contas e submete à avaliação da equipe o
desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente.
       Nesse princípio está presente a exigência da participação de educadores, pais,
educandos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como a forma de
viabilização dessa participação: a interação comunicativa, a busca do consenso em pautas
básicas, o diálogo intersubjetivo.
       Por outro lado, a participação implica os processos de gestão, os modos de fazer, a
coordenação e a cobrança dos trabalhos e, decididamente, o cumprimento de
responsabilidades compartilhadas, conforme uma mínima divisão de tarefas e um alto grau de
profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a
participação na gestão, mas a gestão da participação.
       A gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e suas formas
externas – as eleições, as assembléias e reuniões. Ela está a serviço dos objetivos do ensino,
especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, a
adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação das pessoas, as quais
podem ser induzidas a pensar que estão participando. De fato, frequentemente, são
manipuladas por movimentos, partidos e lideranças políticas, em defesa dos próprios
interesses. A participação não pode servir para respaldar decisões previamente definidas, mas
deve ser forma de levar a equipe escolar a soluções inovadoras e criativas.


8.4 – Envolvimento da comunidade no processo escolar


       O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa,
constituída basicamente pelos pais, entidades e pelas organizações paralelas à escola. A
presença da comunidade na escola, especialmente dos pais, tem várias implicações.
Prioritariamente, eles e os outros representantes participam do conselho da escola, da
Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas), para preparar o projeto
pedagógico, acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. Adicionalmente,
usufruem da vivência das práticas democráticas de gestão, desenvolvendo atitudes e
habilidades para participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil
92




(organizações de bairros, movimentos de mulheres, de minorias étnicas e culturais,
movimentos de educação ambiental e outros) e contribuindo para o aumento da capacidade de
fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional. Além disso, a
participação das comunidades escolares em processos decisórios dá respaldo a governos
estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam
melhor às necessidades educacionais da população. O princípio da autonomia requer vínculos
mais estreitos com a comunidade educativa, constituída basicamente pelos pais, entidades e
pelas organizações paralelas à escola.
93




9 –CONSTRUÇÃO DE UMA COMUNIDADE DEMOCRÁTICA DE
APRENDIZAGEM



       As mudanças na escola e nas motivações e disposições do grupo de profissionais, a
fim de instituir uma cultura organizacional, dependem de a instituição constituir um lugar de
aprendizagem ou uma comunidade de aprendizagem.
       A expressão “comunidade de aprendizagem” está associada à ideia de participação
ativa de educadores, pedagogos e educandos – por meio de reuniões, de debates, de aulas, de
atividades extraclasse – nas decisões relacionadas com a vida da escola, com os conteúdos,
com os processos de ensino, com as atividades escolares de variadas naturezas, com a
avaliação. A comunidade deve ser o espaço público em que se discute o conhecimento, a
organização curricular, as relações sociais, os modos e os critérios de avaliação, as normas.
       Esse caráter de diálogo e de compartilhamento de significado entre as pessoas da
comunidade escolar possibilita à escola, como um todo, adquirir experiência, acumular
recursos cognitivos e operacionais, construir competências coletivas. Ou seja, a instituição
torna-se uma organização aprendiz, um espaço de aprendizagem contínua, em que a
organização aprende com seus membros e vice versa.
       Esse modo de organizar a escola possibilita maior envolvimento dos professores com
sua formação, uma vez que podem discutir questões de seu trabalho com base em
necessidades reais. Com isso, a cultura do individualismo cede à da colaboração, as relações
hierárquicas são substituídas pelo trabalho em equipe, a Coordenação Pedagógica torna-se
uma atividade negociada com base em situações concretas da sala de aula. Talvez o efeito
mais promissor da construção da comunidade de aprendizagem seja o de ajudar os professores
a atribuir sentido a seu trabalho, isto é, a incorporá-lo à sua subjetividade, a suas motivações
psicológicas, sociais e políticas.
       A formação de uma comunidade de aprendizagem requer adoção de uma estrutura
organizacional e de processos de gestão que valorizem a participação, mas também o
desenvolvimento de competências de todos os membros da escola, tais como: capacidade de
comunicação e de expressão oral; facilidade de trabalhar em grupo; capacidade de
argumentação; formas de enfrentar problemas e situações difíceis. Particularmente, requer dos
dirigentes (Diretores e Coordenadores Pedagógicos) capacidade de liderar e de gerir práticas
94




de cooperação em grandes grupos, de modo que se crie outra cultura organizacional, ou seja,
outra mentalidade de organização escolar.
       Convém ressalvar que essas formas de trabalho coletivo sintetizadas na idéia de
comunidade de aprendizagem precisam estar conectadas com o trabalho da sala de aula. Para
pôr em prática uma comunidade de aprendizagem na sala de aula, professores devem
desenvolver as mesmas competências mencionadas acima, que se refletem na maneira de
organizar a sala, de se relacionar com o grupo de educandos, de ensinar, de avaliar, etc.
       A comunidade de aprendizagem pode ser um ponto de partida para que as escolas e
seus profissionais se mobilizem para a superação de comportamentos muito comuns no
ambiente escolar: o isolamento, o individualismo, a resistência a mudanças, o conformismo, a
indiferença, o imobilismo.


9.1 – Promoção de ações de desenvolvimento profissional


       Ações de desenvolvimento profissional são as que se destinam à formação continuada
do pessoal da escola, envolvendo os educadores e os funcionários administrativos. A
formação continuada refere-se a:
   -   Ações de formação durante a jornada de trabalho – ajuda a educadores iniciantes,
       participação no projeto pedagógico da escola, reuniões de trabalho para discutir a
       prática com colegas, pesquisas, minicursos de atualização, estudos de caso, conselhos
       de classe, programas de educação à distância, etc.
   -   Ações de formação fora da jornada de trabalho – cursos, encontros e palestras
       promovidas pelas secretarias de educação ou por uma rede de escolas.
   A formação continuada é a garantia do desenvolvimento profissional permanente. Ela se
faz por meio do estudo, reflexão, da discussão e da confrontação das experiências dos
educadores. É responsabilidade da instituição, mas também do próprio educador. O
desenvolvimento pessoal requer que o professor tome para si a responsabilidade com a
própria formação, no contexto da instituição escolar.
95




9.2 – Envolvimento dos educandos em processo de solução de problemas e tomada de
decisões


       Os educandos também têm uma presença significativa na comunidade de
aprendizagem. Segundo Pérez Gomes (2000), toda aprendizagem relevante é um processo de
diálogo com a realidade expressa na cultura, aceitando e questionando, recusando e
assumindo. Esse diálogo criador requer uma comunidade de aprendizagem, em que os
estudantes estão ativamente envolvidos na elaboração e no desenvolvimento das decisões que
dizem respeito à sua vida na escola, vivenciando práticas de reflexão e de atuação, de debate e
de confronto de opiniões, com o respeito às diferenças individuais.
       “Os alunos aprendem democracia vivendo e construindo sua comunidade democrática
de aprendizagem e de vida”, aprendendo a pensar e a atuar por meio dos conteúdos escolares
que lhes permitam transformar seu próprio pensamento e seus comportamentos (Pérez
Gomez, 2000, p.97).
       As práticas de gestão incluem, pois, formas de participação dos alunos na vida da
escola. Há boas razões pedagógicas para essa participação, mas há também razões sociais e
culturais. Em decorrência das novas configurações da realidade social, econômica, política e
cultural, têm incidido nas escolas problemas como desemprego, a prostituição infantil, a
violência entre gangues, o tráfico de drogas, o uso de armas, a liberação sexual, a
desintegração familiar, etc. Tais fatos, além de outras implicações, repercutem no aumento de
problemas disciplinares, como comportamentos sociais inadequados, agressão verbal,
desrespeito e ameaças a educadores. Por outro lado, muitas escolas têm dificuldades para
enfrentar essas questões, em razão do despreparo dos professores para exercer autoridade ou
para lidar com dilemas morais, da existência de professores inexperientes ou com formação
pedagógica precária, da falta de integração dos educandos na vida escolar e nos processos de
decisão.
       Essas novas realidades sugerem que alguns problemas incidentes nas escolas não se
resolvam apenas com boas interações, com mudanças curriculares ou com novas
metodologias. É preciso repensar práticas de gestão, novas formas de organização do trabalho
escolar, incluindo o envolvimento dos alunos na organização da escola, para que possam
exercer a democracia mediante a participação, a capacitação para tomar iniciativas, o
confronto e a discussão pública de pontos de vista, o posicionamento sobre questões
96




relacionadas à vida escolar, de modo que vivenciem processos democráticos de tomadas de
decisões. Mais concretamente, podem ser pensadas algumas medidas, tais como:
   -   Promoção de encontros de orientação educacional grupal para conversação dirigida
       sobre problemas típicos da juventude;
   -   Envolvimento dos educandos na discussão de normas disciplinares, incluindo formas
       de prevenção de violência física e de agressões verbais, a fim de garantir um ambiente
       democrático e solidário na escola e possibilitar a convivência grupal;
   -   Promoção de ações que fortaleçam os laços com as famílias e com a comunidade;
   -   Investimento em ações de capacitação dos professores para lidar com dilemas morais e
       com o manejo de classe, diante das novas atitudes que os educandos exibem na escola;
   -   Execução do projeto “Equipe Diretiva Mirim”, prevista para o ano de 2012, e desta
       forma incluir os educandos, de maneira mais significativa, no processo de gestão
       democrática da escola (ver item “Projetos Institucionais” a descrição do projeto).


9.3 – Envolvimento dos Pais na Vida Escolar


       O envolvimento dos pais na escola pode ocorrer de modo informal, no contato com os
educadores para acompanhamento do desempenho escolar dos filhos, e de modo mais formal,
na Associação de Pais e Mestres e no Conselho da escola.
       No primeiro caso, espera-se que os educadores compartilhem sua responsabilidade
pedagógica com os pais. A comunicação entre esses dois grupos ocorre geralmente na reunião
de pais, cuja participação nas instâncias decisórias da escola constitui algo de suma
importância. Todavia, deve-se definir claramente tanto as formas dessas participação como as
de outras instituições e organizações da comunidade, uma vez que as responsabilidades e as
tarefas dos profissionais da escola (Direção, professores, funcionários) são distintas daquelas
das instituições da comunidade e dos pais. Não cabe a estes, por exemplo, interferir
diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem
estar subordinadas aos objetivos e às tarefas da escola, à observância de certas normas e
diretrizes próprias da instituição escolar.
       Os pais de alunos participam diretamente do cotidiano da escola, seja no Conselho
Escolar, em projetos como “Informática para Comunidade” ou o Curso de Libras, e em
eventos da escola, como a já tradicional “Feijoada Premiada Atina”.
97




9.4 – Fortalecimento de Formas de Comunicação e de Difusão de Informações


       As escolas continuam dando pouca importância à transparência nas decisões e ao
aprimoramento das formas de comunicação com educadores, alunos e pais. Referimo-nos a
dois aspectos:
           a) comunicação como qualidade e competência dos indivíduos, isto é, saber
                 comunicar-se com os outros e ouvi-los;
           b) a comunicação como características dos processos de gestão, uma vez que as
                 pessoas precisam estar informadas das diretrizes do sistema de ensino, do que
                 acontece na escola, das normas e rotinas administrativas, etc.
       No primeiro caso, trata-se de um investimento intencional para melhorar a rede de
relações da escola. Algumas mudanças nas relações são aceitas com maior facilidade, como a
eliminação do autoritarismo, das decisões arbitrárias, da falta de respeito com os outros, etc.
As propostas aqui apresentadas sobre participação democrática, sobre debate coletivo e
público, sobre comunidade de aprendizagem, sobre cultura organizacional são formas
concretas de produzir mudanças na mentalidade dos educadores e na comunicação.
       A par da necessidade de comunicação de todos os membros da equipe , trata-se de
instaurarem práticas de gestão que sejam tornadas públicas e disponibilizar informações sobre
decisões administrativas, orçamentos, atas de reuniões, etc.


9.5 – Avaliação do Sistema Escolar e da Aprendizagem


       As ações da escola no campo da avaliação educacional, voltadas para a formação
continuada no contexto de trabalho, são de três tipos: avaliação do sistema escolar, avaliação
da escola, avaliação da aprendizagem dos educandos.
       O conceito de avaliação educacional atualmente abrange não apenas a aprendizagem
dos educandos na sala de aula, mas também o sistema educacional e as escolas. Na avaliação
dos sistemas de ensino, embora sejam igualmente aferidos os resultados obtidos pelos alunos
(geralmente mediante testes padronizados), o objetivo é realizar um diagnóstico mais amplo
do sistema escolar em âmbito nacional ou regional, a fim de reorientar a política educacional,
a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa.
       No Brasil, foram adotadas, desde o início dos anos 90 do século passado, várias
modalidades desse tipo de avaliação: o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica
98




(SAEB), o Exame Nacional de Cursos- Provão (ENC). Alguns estados brasileiros também
adotam modalidades de avaliação do sistema escolar.
       A avaliação do sistema escolar, por meio da avaliação externa e/ou interna das
instituições, desdobra-se em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou
organizacional) e a avaliação acadêmica ou científica, como as mencionadas. A avaliação
institucional é uma função primordial do sistema de organização e de gestão dos sistemas
escolares, podendo abranger também as escolas individualmente. Essa avaliação visa à
obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os educandos, sobre os educadores, sobre
a estrutura organizacional, sobre os recursos físicos e materiais, sobre as práticas de gestão,
sobre a produtividade dos cursos e dos educadores, etc. Com o objetivo de emitir juízo de
valor e tomar decisões acerca do desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou
científica visa à produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em
função do acompanhamento e da revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das
escolas, com a intenção de formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino.
       Entre a avaliação do sistema e a avaliação da escola, que abrange o projeto pedagógico
curricular, a organização escolar, os planos de ensino e o trabalho dos educadores.(o trecho
grifado apresenta uma lacuna, o sentido da sentença não está completo) O objetivo dessa
avaliação é aferir a qualidade de ensino e de aprendizagem dos educandos; para isso, busca-
se perceber a relação entre a qualidade da oferta dos serviços de ensino e os resultados do
rendimento escolar dos educandos. Nesse sentido, a avaliação escolar precisa considerar os
elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos
educandos, tais como: características dos educandos, rendimento escolar por classe,
composição do corpo docente (tempo de trabalho, idade, currículo profissional); condições de
trabalho e motivação dos educadores; recursos físicos e materiais, materiais didáticos e
informacionais. Tais dados já estão disponíveis na escola, é preciso organizá-los e analisá-los
como prática de avaliação diagnóstica. Mas isso não é suficiente. É preciso chegar até à sala
de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre as relações entre educadores e
educandos, sobre a qualidade cognitiva das aprendizagens e sobre as práticas de avaliação.
       Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar:
   -   Dados estatísticos sobre população escolar, reprovações, abandono da escola, situação
       socioeconômica dos pais, etc.;
   -   Elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular;
99




   -   Aspectos da organização geral da escola, incluindo disponibilidade, organização,
       utilização dos recursos materiais e didáticos, instalações e equipamentos, atividades
       técnico-administrativas de apoio à sala de aula;
   -   Clima organizacional da escola (estilo de Direção, qualidade das formas de
       organização, das relações humanas e das práticas participativas, envolvimento da
       equipe pedagógica e dos educadores com os objetivos e com as ações da escola, ações
       de formação continuada de educadores, de funcionários e de pedagogos, reuniões e
       outros tipos de contatos entre os educadores);
   -   Acompanhamento do rendimento escolar dos educandos;
   -   Avaliação da execução do Projeto Pedagógico-Curricular;
   -   Avaliação de desempenho dos educadores (qualidade das relações sociais e afetivas
       com os educandos, condições profissionais atinentes ao conhecimento da disciplina e
       dos métodos e procedimentos de ensino e de avaliação, gestão da classe em vários
       aspectos, como organização e desenvolvimento das aulas, qualidade da comunicação
       com os educandos;
   -   Estratégia de relacionamentos com os pais e com a comunidade e as formas de
       comunicação e de atendimento.
       Entre os procedimentos desse tipo de avaliação, mencionam-se reuniões pedagógicas
mensais, encontros específicos de avaliação, questionários, entrevistas e estudos de caso.
       A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos educadores constitui indicador efetivo
do alcance dos objetivos e das atividades estabelecidas no projeto pedagógico-curricular e nos
planos de ensino. Os critérios de relevância da avaliação dos educandos devem centrar-se,
portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade da
aprendizagem para todos os educandos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da
eficácia das escolas está no grau em que todos os educandos incorporam capacidades e
competências cognitivas, operativas, afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e
crítica na sociedade contemporânea.
       Compreendida nesses termos, a avaliação dos educandos pelos educadores, em cada
sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao
contrário, esta é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos
educadores, ou seja, estar a serviço da melhoria da qualidade cognitiva da aprendizagem.
100




       Em síntese, serão inúteis as práticas democráticas de gestão, a descentralização, a
avaliação institucional externa, a participação dos pais, etc, se os educandos não aprimorarem
sua aprendizagem, se não aprenderem mais e melhor. Sem indicadores reais do rendimento
escolar dos educandos- isto é, se o educando domina bem conceitos e habilidades, se
demonstra competências na aplicação desses conceitos básicos, se desenvolveu habilidades de
pensamento – pouco se saberá sobre as competências profissionais dos educadores. Não se
trata, obviamente, de estabelecer diagnósticos meramente com base em resultados de
desempenho do educando, mas de pesquisar formas avaliatórias que contemplem
conjuntamente aspectos do processo e dos resultados.
       Admitindo que a justiça social, em termos de democratização do ensino, seja a
qualidade cognitiva dos processos de ensino-aprendizagem e de seus resultados, é óbvio que
as práticas de avaliação da aprendizagem precisam ser encaradas com maior seriedade. Para
isso, é preciso que os educadores, além de considerarem a avaliação importante meio de
diagnóstico de seu trabalho, saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de
aferição da qualidade da aprendizagem do educando que querem formar.


9.6 – Formação Continuada, Desenvolvimento Pessoal e Profissional


       A concepção democrático-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal,
a qualificação profissional e a competência técnica. A escola é um espaço educativo, lugar de
aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios, mas constitui
também o local em que os profissionais desenvolvem seu profissionalismo.
       A organização e a gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento
profissional – político, científico, pedagógico – de toda a equipe. Dirigir uma escola implica
conhecer bem seu estado real, observar, avaliar constantemente o desenvolvimento do
processo de ensino, analisar com objetividade os resultados, fazer com que sejam
compartilhadas as experiências docentes bem sucedidas.
       A formação continuada refere-se ao aprimoramento profissional do pessoal docente,
técnico e administrativo no próprio contexto de trabalho. Atualmente, o desenvolvimento
profissional não se restringe mais ao mero treinamento. A idéia é que a própria escola é lugar
de formação profissional, por ser, sobretudo nela, no contexto de trabalho, que os educadores
e demais funcionários podem reconstruir suas práticas, o que resulta em mudanças pessoais e
profissionais.
101




       O desenvolvimento profissional como eixo da formação docente precisa articular-se
ao mesmo tempo com o desenvolvimento pessoal e com o desenvolvimento organizacional. O
desenvolvimento pessoal diz respeito aos investimentos pessoais dos professores em seu
próprio processo de formação, por meio do trabalho crítico reflexivo sobre sua práxis e da
reconstrução de sua identidade pessoal, resultando nos saberes da experiência. O
desenvolvimento organizacional refere-se às formas de organização e de gestão da escola
como um todo, especialmente aquelas referentes ao trabalho coletivo. A articulação desses
três níveis de formação docente ressalta a importância das decisões que ocorrem no âmbito da
escola, dos projetos de trabalho compartilhados.
       As ações de desenvolvimento profissional estão muito ligadas à cultura
organizacional, a dimensão informal da organização que afeta o desenvolvimento desta,
conforme já discutimos. Com efeito, a atividade profissional de educadores está inserida em
uma organização, em seus modos de agir e de ser, cujas regras são aprendidas e ao mesmo
tempo produzidas por seus membros (Direção, Coordenação Pedagógica, educadores,
funcionários, educandos, pais). Como se trata de uma organização educativa, em que tudo
educa – o edifício escolar, as condições materiais, a conduta de professores e funcionários da
secretaria, o nível de limpeza e outros elementos – as ações de desenvolvimento profissional
não podem estar separadas das práticas de gestão e da cultura organizacional. Nesse sentido,
pode-se afirmar:
   -   A escola, como organização e contexto da ação dos educadores, pode ajudar na vida
       pessoal e profissional do professor;
   -   Uma vez que a organização escolar como um todo constitui espaço de aprendizagem,
       os professores aprendem sua profissão com a escola e a escola aprende com seus
       educadores;
   -   Os educadores podem influenciar na organização da escola, na definição de diferentes
       objetivos, na criação de uma cultura organizacional, na introdução de inovações e
       mudanças.
       Fátima Abdalla (1999), em um estudo sobre o desenvolvimento profissional do
educador, analisa as relações entre trabalho docente e organização escolar e aponta quatro
elementos nelas interferentes: a gestão, o projeto político-pedagógico, a organização e
articulação do currículo e o investimento no desenvolvimento profissional dos educadores.
Esses quatro elementos interferem no desenvolvimento profissional do educador. A mesma
102




autora afirma que a cultura é um processo de produção e de acumulação de experiências e
realização, no decurso do qual o ser humano se produz a si próprio, à medida que vai
construindo um modo social de convivência. Isso significa que também a organização escolar
constitui cultura, ou seja, é uma construção social dos que atuam na escola, com seus
objetivos, formas de organização, percepções, crenças, rituais, etc. É claro que há uma
estrutura escolar visível formada pelos aspectos administrativos e pedagógicos, há os
regulamentos, as formalidades. Existe, porém, também interações sociais não oficiais, não
formalizadas, que influenciam nas maneiras de ser e de agir dos profissionais que ali
trabalham (educadores, pessoal técnico-administrativo, Direção).
       O aspecto relevante dessa análise é que, tanto a cultura influi no desenvolvimento
profissional do educador (positiva ou negativamente) como os educadores podem produzir o
espaço cultural da escola – ou seja, os próprios agentes escolares podem construir a cultura
organizacional da instituição. Cabe, nesse sentido, destacar o papel da Direção e da
Coordenação Pedagógica da escola relativa ao apoio e à sustentação desses espaços de
reflexão, de investigação e de tomada de decisões, a fim de instaurar uma cultura de
colaboração, como ingrediente da gestão participativa.
       Os dilemas que se apresentam atualmente à formação continuada dizem respeito a
como promover mudanças nas idéias e nas práticas profissionais e pessoais docentes. Não se
pode esquecer que certas dificuldades dos educadores para se tornarem melhores profissionais
decorrem de fatores já conhecidos, de modo que as formas de desenvolvimento profissional
precisam recair, inicialmente, nos fatores indicados a seguir.
       Os educadores são portadores de percepção, de significados, de esquemas de ação
consolidados, em decorrência de sua formação, da cultura profissional, dos colegas. Nesse
âmbito, podem estar também diante de estereótipos consolidados em relação a diferenças
psicológicas e sociais entre os educandos. Faz-se necessário considerar esses modos de pensar
e de agir para a introdução de mudanças e o aprofundamento da cultura geral dos educadores.
       Algumas características sociais e culturais dos educandos que frequentam a escola
atualmente decorrem, em boa parte, de fatores externos e podem levar a deslegitimação da
autoridade do educador, à sua baixa auto-estima, à insegurança para exercer sua liderança na
classe, ao despreparo profissional em face desses novos problemas. Surgem, assim, novas
necessidades a serem atendidas na formação continuada no próprio contexto de trabalho.
103




        O despreparo profissional pode estar associado, também, a uma frágil formação
inicial, de modo que se faz necessário investir nas situações de trabalho, em maior
conhecimento teórico, envolvendo tanto os saberes pedagógicos como os específicos.
        Programas de desenvolvimento profissional precisam começar por lidar do modo
possível com esses fatores, como requisito para pôr em prática ações de desenvolvimento
pessoal pela auto-refletividade crítica.


O Projeto “Práxis”


        Numa ação inovadora, a Escola Municipal criou o Projeto Práxis, visando possibilitar
o crescimento profissional e pessoal de seus funcionários. Uma descrição sucinta do projeto
pode ser consultada no item “Projetos Institucionais”.


9.7.1 – Plano de Metas


        Os educadores e a Equipe Diretiva, em reuniões pedagógicas e conselhos de turma,
levantaram sete fatores principais que contribuem para a não aprendizagem dos educandos da
escola: indisciplina, ausência de aulas diversificadas, a infrequência, o não acompanhamento
da família, problemas de saúde e evasão. Após a definição dos problemas, foram sugeridas
ações a curto, médio e longo prazo a fim de atenuar os problemas que dificultam o processo
de ensino-aprendizagem.
        A definição das metas implicará na descrição clara e precisa das ações a serem
desenvolvidas pela escola, com especificação de prazo e grupos envolvidos, que delimitam a
ação.


Metas para a Disciplina

        -   Diminuição dos casos de indisciplina;
        -   Criação de ambiente propício à aprendizagem;
        -   Conscientização dos alunos quanto à importância do bom comportamento e dos
            prejuízos da indisciplina.
104




                                                           Prazo
                       Ações                                                   Envolvidos
                                                   Curto   Médio   Longo
    Registrar, datar e assinar todos os casos de                           Professores e Equipe
                                                    X
                    indisciplina;                                                Diretiva
      Criar instrumento único de registro de
       desenvolvimento de atividades dos            X                        Coordenadores
                     educandos;
                                                                             Equipe Diretiva,
         Realizar reuniões de pais e alunos                 X               Professores, pais e
                                                                                  alunos
    Realizar conversas particulares com alunos                               Coordenadores,
     que apresentam constantes problemas de                 X               Professores, pais e
                     indisciplina                                                 alunos
     Instruir os Professores a manter a mesma
       postura em relação à indisciplina dos
                                                    X                        Coordenadores
   educandos, pautadas no diálogo e no registro
                      dos casos
      Criar premiações para os educandos que
    apresentam bom desempenho nas questões                                   Equipe Diretiva,
                                                            X
   disciplinares (álbum de figurinhas, medalhas,                           Professores e alunos
                    painel e etc.)
        Oferecer palestras aos pais sobre o                                 Equipe Diretiva e
                                                            X
    acompanhamento da vida escolar dos filhos                                     pais

        Analisar bimestralmente os casos de                                 Equipe Diretiva e
                                                            X
               indisciplina por turma                                         Professores
Quadro 4- Plano de metas: Disciplina




Metas para as Estratégias Metodológicas
     - Diversificação das estratégias metodológicas de ensino em todas as aulas;
     - Aprimoramento das metodologias de ensino.
105




                                                              Prazo
                      Metas                                                     Envolvidos
                                                      Curto   Médio   Longo
                                                                                Professores,
      Elaborar atividades que desafiem os
                                                       X                      Coordenadores e
                   educandos                                                      alunos
    Utilizar todos os recursos disponíveis da
                                                       X                        Professores
                      escola
        Desenvolver atividades de forma                                       Coordenadores e
                                                               X
                 interdisciplinar                                               Professores
        Criar cursos de capacitação para
                                                                              Equipe Diretiva e
      educadores sobre o uso dos recursos                      X
                                                                                Professores
    tecnológicos em horário de coordenação
    Promover encontros de educadores para                                     Equipe Diretiva e
                                                                       X
        troca de experiências e relatos                                         Professores
      Realizar o “Pátio Cultural” com
                                                                              Coordenadores e
   momentos de leitura, oficina de música e                    X
                                                                                Professores
                    artes
Quadro 5- Plano de metas: Estratégias Metodológicas



Metas para a Infrequência
     - Redução da infrequência dos educandos para que os mesmos apresentem melhor
        desempenho em aprendizagem;
     - Garantia de frequência mínima de 75% para todos os educandos da escola.



                                                              Prazo
                      Metas                                                     Envolvidos
                                                      Curto   Médio   Longo
   Comunicar à Equipe Diretiva os casos de                                    Equipe Diretiva e
                                                       X
                 infrequência                                                   Professores
   Pesquisar os motivos da infrequência dos                                   Coordenadores e
                                                               X
                  educandos                                                      secretaria
      Comunicar às famílias os casos de                                       Equipe Diretiva e
                                                               X
                 infrequência                                                    secretaria
     Criar momentos de discussão sobre a
                                                                              Equipe Diretiva e
   importância da escola e as consequências                    X
                                                                                Professores
                da infrequência
   Comunicar ao Conselho Tutelar os casos                                     Equipe Diretiva e
                                                                        X
          graves de infrequência                                                 secretaria
Quadro 6- Plano de metas: Infrequência
106




Metas para o Acompanhamento Familiar da Vida do Educando
    -     Conscientização dos pais e/ou responsáveis quanto à importância do acompanhamento
          da vida escolar dos educandos;
    -     Aumento do número de pais e/ou responsáveis nas reuniões da escola.

                                                                  Prazo
                       Metas                                                           Envolvidos
                                                         Curto    Médio    Longo

    Convocar os pais e/ou responsáveis para
                                                          X                         Equipe Diretiva
     reuniões bimestrais e extraordinárias
        Conhecer a realidade das famílias que                                      Equipe Diretiva e
                                                          X
          constituem a comunidade escolar                                            Professores

   Realizar visitas domiciliares em casos de
                                                                    X               Coordenadores
       pais e/ou responsáveis ausentes
     Comunicar aos órgãos competentes
      quanto ao abandono intelectual da                                      X      Equipe Diretiva
                     família
Quadro 7- Plano de metas: Acompanhamento familiar da vida do educando




Metas para a Redução do Trabalho Infantil
    -     Priorização da escola na vida dos educandos;
    -     Redução do número de educandos infrequentes devido ao trabalho infantil.


                                                                 Prazo
                      Metas                                                         Envolvidos
                                                     Curto       Médio    Longo

    Buscar meios de auxílio às famílias de
                                                         X                         Equipe Diretiva
                  baixa renda
    Encaminhar as famílias de baixa renda
     aos serviços de assistência social do               X                         Equipe Diretiva
                   município
       Conhecer as famílias através da
          aplicação de questionários                              X                Equipe Diretiva
               socioeconômicos
      Encaminhar os casos de trabalho
         infantil aos órgãos jurídicos                                     X       Equipe Diretiva
                 competentes.
Quadro 8- Plano de metas: Redução do trabalho infantil
107




Metas para os Problemas de Saúde
     - Garantia de aprendizagem para os educandos que apresentam problemas de saúde;
     - Atendimento aos educandos que apresentam qualquer problema de saúde.



                                                        Prazo
                      Metas                                                Envolvidos
                                                Curto   Médio   Longo
   Encaminhar, através das famílias, as
                                                                         Coordenadores,
   atividades para os educandos com
                                                 X                      Professores, pais e
   problemas de saúde que precisam se                                         alunos
   ausentar
   Permanecer em constante contato com as
                                                                        Coordenadores e
   famílias de educandos com problemas de        X
                                                                             pais
   saúde
   Buscar parcerias com a Secretaria
   Municipal de Saúde e outras instituições
                                                         X               Equipe Diretiva
   a fim de realizar o acompanhamento dos
   educandos com problemas de saúde
Quadro 9- Plano de metas: Problemas de saúde




Metas para a Evasão Escolar
     - Redução do índice de evasão na escola;
     - Retorno dos alunos evadidos.

                                                        Prazo
                       Metas                                                Envolvidos
                                                Curto   Médio   Longo
     Realizar chamada diária e comunicar à
     Coordenação Pedagógica a situação de         X                         Professores
                alunos evadidos
        Fazer contato com as famílias de
     educandos evadidos e conscientizá-los
                                                          X               Equipe Diretiva
     sobre os problemas legais de se manter
            uma criança sem estudo

    Encaminhar os problemas de evasão aos
                                                                  X       Equipe Diretiva
            órgãos competentes

Quadro 10- Plano de metas: Evasão escolar
108




10 – CONSELHO ESCOLAR



       Com o processo de luta em defesa da gestão democrática da educação, ocorrido na
década de 1980, o Conselho Escolar passou a ser visto como um lugar privilegiado de
discussão, reflexão e deliberação das questões da escola. Ao lado da eleição para Diretor, essa
instância se constitui como um canal importante de participação dos diferentes segmentos nos
rumos da escola
       A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei nº 9.394, de 1996 –
reforçou a necessidade de constituição dos conselhos nas escolas e no seu art.14 estabeleceu
que a gestão democrática da escola deve considerar o princípio da “participação da
comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes” (Brasil, 1996).
       Nas escolas em que de fato os Conselhos Escolares funcionam, eles têm servido como
um mecanismo de partilha de poder, rompendo com a lógica autocrática que tem
caracterizado historicamente a administração escolar.
       Desta forma, o Conselho Escolar pode ser concebido como instrumento para o
exercício da cidadania, em que por meio do debate, do poder de convencimento e da forma de
posição, os segmentos tornam-se sujeitos ativos que interferem na vida social da escola.
       Os Conselhos Escolares devem ser compostos por representantes dos segmentos da
escola democraticamente eleitos, tendo ele uma natureza essencialmente político-educativa,
destacando-se as seguintes funções: deliberativas, consultivas, fiscais e mobilizadoras.
       Portanto, o Conselho Escolar constitui-se como meio importante de exercício de
cidadania no controle social das atividades da escola, o que pode possibilitar maior
distribuição do poder, bem como garantir o fortalecimento dos princípios democráticos por
meio do convívio com a pluralidade que compõe o ambiente escolar. Ou seja, é preciso criar
as condições de interferência autônoma dos representantes dos estudantes nos Conselhos,
condenando assim, quaisquer atitudes e práticas de ameaça ou perseguição aos membros dos
Conselhos por expressarem opiniões divergentes ao conjunto dos professores e membros da
Direção da escola.
109




11- FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR



       É comum ouvir dizer que os recursos financeiros destinados à educação são mal
utilizados, são desviados para outras áreas, etc. Ouve-se também que falta fiscalização sobre o
uso desses meios, que é preciso aplicar bem esses valores apenas na área da educação e
controlar gastos para evitar os desvios. Impõe-se então a questão: quem fiscaliza a utilização
desses bens?

       Sabe-se que o próprio Poder Executivo, o disponente dos recursos, tem em seu interior
os departamentos contábeis que fazem esse controle. Os Tribunais de Contas e o Poder
Legislativo participam do sistema de controle externos dos recursos públicos. Ora, se esses
organismos não são suficientes para evitar os desvios, não seria momento de a própria
sociedade realizar o controle social dos recursos financeiros públicos a ser usados na
educação? Aliás, a sociedade é a grande interessada na transparência e no uso correto e
proveitoso dos fundos públicos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino. Se esse
poder fiscalizador fosse todo repassado à sociedade, ela teria condições de controlar o uso dos
recursos? Saberia fiscalizar?

       Há instrumentos legais que podem contribuir para o controle social dos recursos
financeiros públicos, mas nem sempre a sociedade sabe como fazer isso, uma vez que as
questões financeiras são consideradas difíceis e complexas e, além disso, não se nota qualquer
disposição, interesse e abertura do Poder Executivo para por suas contas à mostra para a
sociedade.

       O crescimento político de uma sociedade, porém, é medido também por sua
capacidade de controlar e fiscalizar o poder público, o qual, aliás, se torna tal pela outorga
eleitoral que a mesma sociedade lhe concede por meio do voto.

       Possuir conhecimentos mínimos sobre o financiamento da educação é indispensável
para poder acompanhar e fiscalizar o uso dos recursos na área. Quanto mais educadores, pais,
alunos e administradores tiverem esse conhecimento, maiores possibilidades a sociedade terá
de intervir e cobrar transparência no uso do fundo público.

       A fim de oferecer as informações fundamentais sobre o financiamento da educação no
País, este capítulo foi divido em seis seções. As duas primeiras abordam a questão da receita
110




financeira e de como se faz um orçamento público, além de indicar os impostos pagos pela
sociedade em cada uma das esferas de governo; as duas seguintes tratam das despesas em
educação e de como se executa o orçamento; por sua vez, as duas últimas apresentam o modo
de distribuição dos recursos públicos e discutem as possibilidades de seu controle por parte da
sociedade.

Receita Financeira e orçamento

       A Constituição Federal estabelece que a União deve usar 18% e os estados e
municípios 25% no mínimo da receita resultante dos impostos na manutenção e no
desenvolvimento do ensino. Essa receita inclui os impostos transferidos da União para estados
e municípios e dos estados para os municípios – o que não significa, porém, a receita bruta
dos orçamentos federais, estaduais e municipais. O orçamento global inclui impostos e outros
tributos, tais como taxas e contribuições, empréstimos compulsórios, além de doações,
legados e outras eventuais receitas.

       Assim, o dispêndio mínimo obrigatório para manutenção e desenvolvimento do ensino
refere-se exclusivamente aos impostos, embora a educação receba outras contribuições, como
o Salário-Educação, que não entram no montante relativo aos 18% e 25%.

       Todo brasileiro, rico ou pobre, empregado ou desempregado, paga tributos. Como
consumidor, paga taxas, impostos e contribuições desde o nascimento até a morte (taxa de
sepultamento). Paga impostos e taxas quando pega o ônibus para o trabalho, quando acende a
luz, usa água, etc. Quer dizer, paga impostos e taxas sem perceber.

       Os tributos são as receitas derivadas que o Estado recolhe do patrimônio dos
indivíduos – baseando-se em seu poder fiscal, o qual é disciplinado por normas do direito
público. Compreendem os impostos, as taxas, as contribuições.

       Os impostos são compulsórios, de cobrança geral e independentes de qualquer
atividade estatal específica. Isso significa que, teoricamente, o Estado não precisa oferecer
qualquer serviço ou atividade em troca do que vai receber do contribuinte. Por meio do
imposto, o Estado capta a riqueza que compõe o tesouro público.

       Paga-se imposto por possuir algum bem, como casa, terreno, automóvel, e pelo
rendimento pessoal (salarial ou outros) que se tem. Esses impostos são denominados de
direitos, isto é, são cobrados conforme a capacidade contributiva do cidadão.
111




        O imposto indireto não dispõe de um parâmetro para medir a capacidade econômica
do contribuinte. Nesse caso, ricos e pobres pagam igual valor se adquirirem a mesma
mercadoria. Sobre uma sandália de borracha, por exemplo incide impostos indiretos como o
IPI e o ICMS, já incluídos no preço final do produto, e o valor deles independe da capacidade
econômica de quem compra a sandália. A classe de maior poder aquisitivo a compra para ir à
praia ou à piscina, ao passo que a classe baixa a usa como calçado. No entanto, o imposto, que
uma e outra pagam é o mesmo. A bem da verdade, o imposto que os pobres pagam acaba
sendo percentualmente maior do que o pago pelos ricos, em decorrência de sua menor
condição financeira.



Que impostos são pagos?

        Há impostos federais, estaduais e municipais. Parte dos impostos federais, porém,
retorna aos estados – o Fundo de Participação dos Estados (FPE) – e aos municípios – o
Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os impostos diretos e indiretos em cada uma
das esferas administrativas, segundo estabelece a Constituição Brasileira de 1988, são
federais, estaduais e municipais.

São impostos federais:

   a)     Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR);

   b)     Imposto sobre produtos industrializados (IPI);

   c)     Imposto territorial rural (ITR);

   d)     Impostos sobre operações financeiras (IOF);

   e)     Imposto de importação (II);

   f)     Imposto de exportação (IE);

   g)     Imposto sobre grandes fortunas (IGF), ainda não cobrado em razão da falta de lei
        complementar.

        Depois de repassar o FPE aos estados e o FPM aos municípios, a União deve usar 18%
desses impostos na manutenção e no desenvolvimento do ensino (MDE). Trinta por cento
desses 18% o governo federal deve aplicar na manutenção e no desenvolvimento do ensino
112




fundamental e na erradicação do analfabetismo, o que representa cerca de 6% dos impostos
federais.



São impostos da esfera estadual:

     a)        Imposto sobre circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de
            transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS);

     b)       Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA);

     c)       Imposto de transmissão causa mortis e de doação de quais bens e direitos (ITCM).



     Os estados recebem ainda de transferência da União o FPE, que representa 21,5% sobre
o IR e o IPI recolhidos no estado, e uma alíquota do IOF sobre o ouro recolhido no estado.

     Só o ICMS representa 80% das rendas estaduais para a educação (Monlevade, 1997).
Com o FPE, a alíquota atinge 97% da arrecadação estadual, sendo os outros impostos de
pequeno porte e de significância irrelevante para o total a ser gasto na educação em geral.

     De todos esses impostos, os estados devem aplicar 25%, no mínimo, na manutenção e no
desenvolvimento do ensino.



São os seguintes os impostos arrecadados nos municípios, devendo ser neles aplicados:

      a) Imposto predial e territorial urbano (IPTU);

      b) Imposto sobre transmissão de bens imóveis (ITBI);

      c) Imposto sobre venda a varejo de combustíveis líquidos e gasosos (IVVC);

      d) Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN).



Os municípios recebem como transferência da União:

      a) O FPM, que representa 22,5% do IR e do IPI;

      b) 50% do imposto territorial rural (ITR) arrecadado no município.

      Os municípios recebem como transferência dos estados:
113




     a) 50% da arrecadação do IPVA;

     b) 25% da arrecadação do ICMS.

       Dos impostos municipais e das transferências federais e estaduais, os municípios
devem aplicar 25%, no mínimo, na manutenção e no desenvolvimento do ensino.

       Além dos impostos, a educação conta ainda com as contribuições sociais, que
constituem um tipo de tributo parafiscal, isto é, “têm como fato gerador a intervenção do
Estado no domínio econômico.” (Valério, 1996, p. 200) e são exigidas de grupos sociais,
profissionais ou econômicos para o custeio de serviços de interesse coletivo, dos quais esses
próprios grupos se aproveitam. Por exemplo, as empresas que contribuem para o custeio da
educação escolar terão uma mão de obra mais bem formada.

       A principal contribuição social é o Salário Educação, cobrado mediante a alíquota de
2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. Outras contribuições sociais de uso na
educação são a Contribuição de Financiamento da Seguridade social (Cofins) e o Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT). Essas contribuições têm definidos os órgãos a que se
destinam e as ações em que devem ser usadas. Por exemplo, os recursos do Salário-Educação
são destinados ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação e podem ser usados para
a merenda escolar e para pequenos reparos de manutenção das escolas.

       Embora sejam significativas por seu uso na educação, as contribuições sociais não
fazem parte da vinculação dos percentuais mínimos para a manutenção e o desenvolvimento
do ensino, sendo excluídas do orçamento geral.




Recursos recebidos pela escola

FNDE ou PDDE

Programa Dinheiro Direto na Escola, consiste na transferência, pelo Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), de recursos financeiros, consignados em seu
orçamento, em favor das escolas públicas do ensino fundamental (Estaduais, Distrito Federal
e Municipal) destinados à cobertura de despesas de custeio, manutenção e de pequenos
investimentos, de forma a contribuir, supletivamente, para melhoria física e pedagógica dos
estabelecimentos.
114




PDE

O que é?

É o conjunto de metas e ações selecionadas pela escola, a partir de seu Plano de
Desenvolvimento da Escola, que são financiados pelo Ministério da Educação.

Programa Mais Educação

É uma iniciativa do Governo Federal que tem como prioridade contribuir para a formação
integral de crianças, adolescentes e jovens, articulando diferentes ações, projetos e programas
nos Estados, Distrito Federal e Municípios, em consonância com o projeto político
pedagógico da escola, ampliando tempo, espaço e oportunidades, através da articulação das
políticas setoriais envolvidas e possibilitando a todos o direito de aprender.

PMI

Programa Dinheiro Direto na Escola, consiste na transferência, pela Prefeitura Municipal de
Ipatinga, de recursos financeiros consignados em seu orçamento em favor das escolas
municipais de Ipatinga, à cobertura de despesas de custeio (manutenção, material didático,
material de limpeza) e também com capital (equipamentos permanentes).

Observação: É também utilizado para repasse especial para reformas e construções.

Atualmente, a Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, recebe aproximadamente R$
40.000,00 anualmente, entre recursos da P.M.I e FNDE, sendo destinados 80% para custeio
(manutenção, material didático, material de limpeza) e 20% para capital (equipamentos
permanentes).
115




12 – PROJETO PEDAGÓGICO CURRICULAR



          O projeto pedagógico curricular é um documento que reflete as intenções, os
objetivos, as aspirações e os ideais da equipe escolar, tendo em vista um processo de
escolarização que atenda a todos os educandos.
          Na escola, a Direção, os especialistas, os educadores, os funcionários e os educandos
estão envolvidos em uma atividade conjunta, para a formação humana destes últimos. Se essa
formação implica valores e práticas educativas muito concretas, orientadas para certa direção,
é desejável que a escola tenha certos padrões comuns de conduta, certa unidade de
pensamento e de ação. Surge então, a necessidade de explicitação de objetivos e práticas
comuns. Por isso, o projeto pedagógico-curricular é a expressão das aspirações e dos
interesses do grupo de especialistas e educadores.
          O projeto resulta de práticas participativas. O trabalho coletivo, a gestão participativa,
é exigência ligada à própria natureza da ação pedagógica; propicia a realização dos objetivos
e o bom funcionamento da escola, para o que se requer unidade de ação e processos e
procedimentos de tomadas de decisões. Nasce, então, a necessidade da elaboração do
desenvolvimento e da avaliação da proposta educacional ou projeto pedagógico-curricular da
escola.
          A formulação do projeto pedagógico-curricular é também prática educativa,
manifestação do caráter formativo do ambiente de trabalho. Ou seja, a organização escolar, o
sistema de gestão e de tomada de decisões carrega uma dimensão educativa, constitui espaço
de formação. O projeto pedagógico, assim entendido, é ingrediente do potencial formativo das
situações de trabalho. Os profissionais (Direção, Coordenação Pedagógica, educadores,
funcionários) aprendem por meio da organização do ambiente em que exercem sua ocupação.
Por sua vez, as organizações também aprendem, mudando junto com seus profissionais.
Todos podem aprender a fazer do exercício do trabalho, um objeto de reflexão e de pesquisa.
Os indivíduos e os grupos mudam, mudando o próprio contexto em que atuam.
          O projeto expressa o grau de autonomia da equipe escolar. Essa autonomia passa pelo
trabalho coletivo e pelo projeto-pedagógico. Realizar um trabalho coletivo significa conseguir
que o grupo de educadores chegue a pontos de partida (princípios) e de chegada (objetivos)
116




comuns, envolvem sistema e práticas de gestão negociadas, unidade teórico-metodológica no
trabalho docente, sistema explícito e transparente de acompanhamento e avaliação.
       A pergunta mais importante a ser respondida pela equipe escolar no momento da
elaboração do projeto pedagógico-curricular é: o que se pode fazer para que medidas possam
ser tomadas, para que a escola melhore, para que se favoreça uma aprendizagem mais eficaz e
duradoura dos educandos?
       O projeto pedagógico-curricular concretiza o processo de planejamento, de modo que
as fases deste acabam se confundindo com as faes daquele. É bastante conveniente que as
fases de elaboração do projeto sejam desenvolvidas com base em esboço prévio formulado
por uma comissão escolhida pela equipe escolar. Esse esboço permite destacar os tópicos do
projeto e distribuir responsabilidades para a coleta de dados, para o estabelecimento de metas
e de atividades. Os documentos prévios precisam ser discutidos e aprovados,
preferencialmente mediante consenso em torno de pontos comuns. É indispensável que a
discussão sobre o documento final seja concluída com a determinação de tarefas, de prazos,
de formas de acompanhamento e de avaliação (o que se fará, quem fará, quais os critérios de
avaliação).
       Sugere-se que as decisões a serem tomadas em razão do projeto pedagógico
considerem, ao menos, os seguintes pontos:
   a) Princípios: é desejável que educadores e especialistas formem um consenso mínimo
       em torno de opções sociais, políticas e pedagógicas, do papel social e cultural da
       escola na sociedade.
   b) Objetivos: expressam intenções bem concretas, com base em diagnóstico prévio. Este
       propicia um retrato realista da situação, dos problemas, das necessidades pessoais e
       sociais dos alunos relativos à escolarização.
   c) Sistema e práticas de gestão negociadas: a participação da gestão democrática implica
       decisões sobre as formas de organização e de gestão. É preciso que a Direção e os
       educadores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. Por exemplo, define-se que
       as decisões sejam tomadas coletivamente, que todos entrem em acordo sobre elas com
       base em um consenso mínimo. Entretanto, uma vez tomadas às decisões, atribuem-se
       responsabilidades e faz-se o acompanhamento e a avaliação do trabalho.
   d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógico: começa pela definição de
       objetivos comuns e é assegurada pela Coordenação Pedagógica. É desejável que a
117




       escola tenha unidade na concepção de currículo e linha pedagógico-didática da qual
       todos possam compartilhar, como requisitos para trabalhar a interdisciplinaridade.
   e) Sistema explícito e transparente de acompanhamento e de avaliação do projeto e das
       atividades da escola: o acompanhamento e a avaliação põem em evidência as
       dificuldades surgidas na implementação e na execução do projeto e dos planos de
       ensino, confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. A avaliação depende
       de informações concretas e objetivas, o que supõe o acompanhamento.
       O projeto pedagógico-curricular considera o já instituído (legislação, currículos,
conteúdos, métodos, formas organizadas da escola e outros), mas tem também algo de
instituinte. O grupo de profissionais da escola pode criar, reinventar a instituição, os objetivos
e as metas mais compatíveis com os interesses dela e da comunidade.
       A característica instituinte do projeto significa que ele institui, estabelece, cria
objetivos, procedimentos, modos de agir, formas de ação, estruturas, hábitos, valores.
Significa, também, que a cada período do ano letivo é avaliado para que se tomem novas
decisões, se retome o rumo, se corrijam desvios. Todo projeto é, portanto, inconcluso, porque
as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas, por sua intencionalidade,
pela interligação com o que acontece em seu exterior (na comunidade, no país, no mundo), o
que leva a concluir que elas não são iguais. As organizações são, pois, construídas e
reconstruídas socialmente.


12.1- Os Descritores Curriculares


       A Prova Brasil, principal avaliação do rendimento das escolas públicas do país, parte
integrante do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), checa as habilidades
essenciais em Língua Portuguesa e Matemática - é considerada pelos especialistas um
instrumento essencial para o avanço da qualidade do ensino.
       A Prova Brasil é baseada nos currículos propostos por redes estaduais e municipais, já
que no país não há um currículo nacional. Uma comissão do MEC examinou o material,
identificando pontos convergentes - o que deu origem a uma matriz de referência que não
elenca conteúdos, mas competências e habilidades.
       Essas capacidades são apresentadas na prova por meio de descritores, que, como o
nome indica, descrevem o que o aluno precisa dominar. "Essas habilidades são o mínimo que
os alunos precisam saber. Sem isso, não podem ser considerados aptos nas duas disciplinas",
118




ressalta Maria Inês Pestana, Diretora de estatística da Educação Básica do Inep e responsável
pela Prova Brasil.
       Além dos descritores curriculares já existentes, a Escola Municipal Altina Olívia
Gonçalves tem como meta criar/definir os descritores de cada área de ensino, a partir do ano
de 2012. Este trabalho deverá ser realizado em conjunto com todos os professores da escola,
de forma democrática e dinâmica.
119




13 – ORGANIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO



       O currículo é a concretização, a viabilização das intenções e orientações expressas no
projeto pedagógico. Há muitas definições de currículo: conjunto de disciplinas, resultados de
aprendizagem pretendidos, experiências que devem ser proporcionadas aos educandos,
princípios orientadores da prática, seleção e organização da cultura. No geral, compreende-se
o currículo como um modo de seleção da cultura produzida pela sociedade, para a formação
dos educandos, é tudo o que se espera que seja aprendido e ensinado na escola. A definição
seguinte sintetiza bem a noção que nos parece adequada:


                                  Currículo é o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos (saberes,
                                  competências, representações, tendências, valores) transmitidos (de
                                  modo explícito ou implícito) nas práticas pedagógicas e nas situações de
                                  escolarização, isto é, tudo aquilo a que poderíamos chamar de dimensão
                                  cognitiva e cultural da educação escolar (Forquim,1993).


       Há, pelo menos, três tipos de manifestações: currículo formal, currículo real e
currículo oculto.
       O currículo formal ou oficial é aquele estabelecido pelos sistemas de ensino,
expresso em diretrizes curriculares, nos objetivos e nos conteúdos das áreas ou disciplinas de
estudo. Podemos citar como exemplo os Parâmetros Curriculares Nacionais e as propostas
curriculares dos estados e municípios.
       O currículo real é aquele que, de fato, acontece na sala de aula, em decorrência de um
projeto pedagógico e dos planos de ensino. É tanto o que sai das idéias e das práticas dos
educadores, da percepção e do uso que eles fazem do currículo formal, como o que fica na
percepção dos educandos. Alguns autores chamam de experienciado o currículo tal qual é
internalizado pelos educandos. É importante ter clareza de que, muitas vezes, o que é
realmente aprendido, compreendido e retido pelos educandos não corresponde ao que os
professores ensinam ou creem estar ensinando.
       O currículo oculto refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos
alunos e o trabalho dos educadores e são provenientes da experiência cultural, dos valores e
dos significados trazidos de seu meio social de origem e vivenciados no ambiente escolar – ou
120




seja, das práticas e das experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. É chamado de
oculto porque não se manifesta claramente, não é prescrito, não aparece no planejamento,
embora constitua importante fator de aprendizagem.
       A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que aquilo que os
alunos aprendem na escola ou deixam de aprender depende de muitos fatores, e não apenas
das disciplinas previstas na grade curricular.
       Embora as escolas trabalhem quase sempre com o currículo oficial, na realidade são os
educadores, o corpo técnico e os pais que acabam por definir o currículo real. Se entendermos
que currículo é o que fica, o internalizado, independentemente do previsto oficialmente,
então, com efeito, o que influi na vida escolar dos alunos é o currículo real. A consideração
deste currículo, ao lado oficial, no planejamento pedagógico-curricular, leva a escola e os
educadores a confrontar a cultura elaborada do currículo formal e as situações de fato vividas
no ambiente escolar e nas salas de aula. Por esta razão, é importante insistir no entendimento
da cultura da escola – a cultura organizacional- como importante elemento curricular.     No
âmbito dessa cultura, aparecem a linguagem dos professores, as atitudes que tomam em
relação às diferenças individuais dos educandos, o modo pelo qual estes se relacionam entre
si, as atitudes nas brincadeiras e nos jogos, a higiene e a limpeza nas dependências da escola e
outros fatores que criam o currículo real.
       Isso significa que tão importante quanto as aprendizagens formais são as
aprendizagens não formais, informais e espontâneas, isto é, o currículo, resultante das
relações vividas na família, na comunidade, nas mídias. Esse currículo representa tudo que os
alunos aprendem pela convivência espontânea com as várias práticas, atitudes,
comportamentos, gestos e percepções em vigor no meio social e escolar. Portanto, a
construção e a elaboração da proposta curricular implicam a compreensão de que o currículo,
mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas, é o conjunto de vários tipos de
aprendizagens: aquelas exigidas pelo processo de escolarização, mas também os valores, os
comportamentos, as atitudes adquiridas nos comportamentos, nas vivências cotidianas na
comunidade, na interação entre educadores, educandos e funcionários, nos jogos e no recreio
e em outras atividades concretas que acontecem na escola, as quais denominaram ora de
currículo real, ora de currículo oculto.
       Ao planejar o currículo da escola, valendo-se do currículo oficial, é necessário
considerar alguns princípios práticos:
121




    a) Um currículo precisa ser democrático, isto é, garantir a todos uma base cultural e
        científica comum e uma base comum de formação moral e de práticas de cidadania
        (relativa a critérios de solidariedade e justiça, a alteridade, à descoberta e respeito ao
        outro, ao aprender a viver junto, etc.).
    b) O currículo escolar representa o cruzamento de culturas, constituindo espaço de
        síntese, uma vez que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e as
        experiências concretas dos educandos em seu meio social e com a cultura dos meios
        de comunicação, da cidade e de suas práticas sociais. Isso significa propiciar aos
        educandos conhecimentos e experiências diversificadas, integrando no currículo a
        variedade de culturas que perpassam a escola: a científica, a acadêmica, expressa no
        currículo, a social, a dos educandos, a das mídias, a escolar (organizacional). Trata-se
        de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal sistematizada e a
        cultura experienciada na família, na rua, na cidade, nas mídias e em outros contextos
        culturais, o que implica formular coletivamente formas pedagógico-didáticas de
        assegurar essa articulação.
        O provimento da cultura escolar dos alunos e a constituição de um espaço democrático
na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e a valorização da
diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos educandos, o combate ao racismo e a
outros tipos de discriminação e preconceito. O currículo intercultural é o que, com uma base
comum de cultura geral para todos, acolhe a diversidade e a experiência particular dos
diferentes grupos de alunos e propicia, na escola e nas salas de aula, um espaço de diálogo e
de comunicação entre grupos sociais diversos. Um dos mais relevantes objetivos
democráticos do ensino consiste em fazer da instituição escolar um lugar em que todos
possam experimentar sua própria forma de realização e de sucesso.
        Por outro lado, trata-se não apenas de atender às necessidades e às expectativas da
comunidade, de modo que se respeite a cultura local, mas também pensar sobre valores,
modos de vida e hábitos que precisam ser modificados, para a construção de um projeto
civilizatório.
        Currículo tem que ver com a organização espacial da cidade e com o modo pelo qual
as pessoas de todos os segmentos sociais se movem nela. Trata, portanto, da qualidade de vida
possível, mediante a análise dos elementos que demarcam a dinâmica da cidade: produção,
circulação, moradia.
122




       Um bom currículo ajuda a fortalecer a identidade pessoal, a subjetividade dos alunos.
Trata não só de atender e de favorecer a diversidade entre os estudantes, mas também de
promover em cada educando competências distintas que os tornem mais plenos e autônomos
em seu desenvolvimento pessoal, o que, sem dúvida, pode facilitar igualmente seu êxito
profissional. A organização curricular precisa prever tentativas de enriquecimento do
currículo, pela interdisciplinaridade, e de coordenação de disciplinas, por meio de projetos
comuns.


13.1 – Planejamento


       Os educadores da Escola Municipal Altina Gonçalves iniciam seu planejamento com o
início do ano escolar, quando elaboram o Plano Anual de Curso para a disciplina/ano que
trabalhará no ano em questão. Esta atividade é desenvolvida pelo corpo docente da escola,
agrupado por área/ano, com a orientação da Coordenação Pedagógica, observando os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a Matriz de Referência dos descritores e
habilidades para cada ano do Ensino Fundamental, a Proposta Curricular da Rede Municipal
de Ipatinga, partindo sempre dos resultados das avaliações e registros de planejamento do ano
anterior.
       Após a sondagem inicial dos educandos e das turmas com as quais irão trabalhar, os
educadores distribuem os conteúdos de ensino e aprendizagem por ano do ciclo e por etapas
do ano letivo, tendo em vista que os conteúdos sempre estão a serviço de uma aprendizagem
significativa, e não o contrário. É essencial que neste momento haja a troca de experiências
entre os educadores, articulando o que já foi trabalhado e o que ainda precisa ser tratado,
evitando assim repetições e omissões.
       Durante o ano letivo são realizados os planejamentos semanais. Os educadores
cumprem atualmente um quinto de sua jornada de trabalho (4 horas) nesta atividade, seguindo
um cronograma elaborado anualmente pela Secretaria Municipal de Educação, em que todos
educadores da mesma área/ano do ciclo, destinam um dia específico da semana para a
coordenação/planejamento. Esta orientação permite e incentiva a participação dos mesmos em
cursos de formação/capacitação oferecidos pela assessoria pedagógica da secretaria de
educação.
       Durante os momentos de coordenação, os educadores desenvolvem diversas
atividades: preparam materiais para as aulas da semana, elaboram atividades avaliativas,
123




corrigem trabalhos e avaliações, tratam de assuntos específicos de determinados educandos ou
turmas, participam de cursos de capacitação/formação, etc. O Coordenador Pedagógico é o
mediador destas atividades, compartilhando experiências, orientando a prática do educador,
bem como o preenchimento correto dos diários/formulários. Também neste período são
realizadas as alterações, revisões no planejamento bimestral e/ou anual, de forma a primar
pela aprendizagem de todos, respeitando os limites de cada aluno ou turma.
       Os educadores têm à sua disposição, durante a coordenação, várias ferramentas que
permitem o enriquecimento e diversidade de suas aulas: acesso à internet, vasta literatura em
todas as áreas, materiais pedagógicos diferenciados (mapas, jogos, modelos), assessoria
pedagógica da escola e do Centro de Formação Pedagógica (CENFOP) da rede municipal.


13.2 – Avaliação


       A avaliação é um componente do processo de ensino aprendizagem, cujo propósito é
recolher informações que possibilitem estabelecer uma correspondência entre os dados
obtidos e os objetivos propostos, a fim de se verificar o desenvolvimento do educando em
relação ao trabalho executado, orientando assim uma tomada de decisões em relação às
atividades seguintes.
       Cabe ao educador uma reflexão permanente sobre a sua realidade, um
acompanhamento contínuo do educando, na trajetória de construção do conhecimento.
       A EMAOG entende que a avaliação apresenta três funções básicas no processo de
ensino aprendizagem, a saber:
       i) diagnóstica: uma sondagem dos conhecimentos e experiências já consolidados e a
           existência de pré-requisitos necessários à aquisição de novos saberes;
       ii) formativa: permite uma resposta ao educador e ao educando durante o processo,
           propiciando a correção de possíveis falhas, esclarecimento de dúvidas, estímulo à
           continuação do trabalho para que os objetivos sejam alcançados, além de
           proporcionar ao educador uma revisão das estratégias e metodologias utilizadas;
       iii) somativa: oferece subsídios para o registro das informações relativas ao
           desempenho do aluno, expresso em uma nota no final de cada bimestre, somadas
           ao final do ano letivo, totalizando a nota final do educando em relação aos aspectos
           cognitivos, e conceitos em relação aos aspectos comportamentais.
124




       Sabendo que os educandos podem apresentar maiores dificuldades com um ou outro
instrumento de avaliação, a escola utiliza, durante o processo de avaliação, instrumentos
diversos, tais como: trabalhos em grupo, debates, relatórios, seminários, avaliações objetivas e
discursivas, auto-avaliação, e o conselho de classe.
       A avaliação dos aspectos comportamentais dos educandos é realizada na ocasião do
Conselho de Classe, ao final de cada bimestre letivo, quando o grupo de educadores se reúne
para consolidar esta avaliação, baseando-se nos registros diários de cada professor, no que diz
respeito à participação nas aulas, hábitos de estudo, organização do material e respeito às
normas da escola.
       São distribuídos 100 pontos ao longo do ano letivo, divididos em quatro bimestres de
25 pontos, dos quais 22 são atribuídos aos aspectos cognitivos e 3 aos aspectos
comportamentais. Para aprovação, exige-se rendimento de 50% em todos os conteúdos e 75%
de frequência às aulas.
       Todos os educandos da Escola Altina são avaliados através da „Avaliação EMAOG‟
(em anexo) em dois momentos por ano, para verificação do desenvolvimento em relação aos
descritores e habilidades, além de realizarem as avaliações externas: Prova Brasil e Provinha
Brasil, SIMAVE, SAEB, e participarem de concursos e olimpíadas: OBMEP, OBA,
Olimpíada de Língua Portuguesa.
       Independente do instrumento utilizado ou do momento e forma de avaliação é válido
ressaltar que a mesma só faz sentido quando provoca o desenvolvimento do educando, já que
é inútil ensinar o que o educando já sabe, ou o que ele é incapaz de aprender.


13.3 – Recuperação em Tempo Real


       De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN‟s, a recuperação paralela é
um elemento capaz de corrigir as necessidades do processo educacional, quando se reconhece
que o processo normal de ensino-aprendizagem não alcançou os objetivos propostos. Não se
pode, entretanto, esquecer que “o educando precisa tomar para si a necessidade e a vontade de
aprender”.
       Durante todo o período letivo, os educadores proporcionam aos educandos
oportunidades de recuperação contínua, durante as aulas, para recuperarem tópicos e
conteúdos que não conseguiram acompanhar com turma e melhorarem suas notas. A partir da
125




análise dos resultados de cada instrumento de avaliação utilizado, são repensadas as
metodologias e estratégias de ensino, primando sempre pela aprendizagem de todos.
       Se ao final de cada bimestre letivo, o educando permanecer abaixo da média
determinada, tem a oportunidade de participar da recuperação paralela, que engloba estudo
dos conteúdos determinados e realizar uma avaliação. Entendendo que os aspectos
comportamentais não são recuperáveis, mas devem ser desenvolvidos ao longo do bimestre, a
avaliação de recuperação bimestral tem o valor de 22 pontos, referentes aos aspectos
cognitivos.
       O rendimento do aluno nesta avaliação é somado ao rendimento bimestral do aluno,
sem os aspectos comportamentais, sendo o total divido por 2. A esse resultado, somam-se
novamente os pontos dos aspectos comportamentais, prevalecendo como nota final do aluno a
maior entre esta e o resultado final anterior.


13.4- Conselho de Classe



       Os Conselhos de classe são momentos em que se reúnem todos os professores de cada
turma com o Coordenador Pedagógico, para discutirem questões relacionadas .... se foram
atingidas as metas propostas, o rendimento dos alunos, problemas disciplinares, dificuldades
de aprendizagem, de relacionamento e diversos outros aspectos relacionados à vida escolar e
até mesmo à vida social do aluno.

       Os Conselhos de Classe são realizados quatro vezes por ano, sempre ao final de cada
bimestre escolar, em datas pré-determinadas pela SME. Geralmente acontecem em dias
escolares, ou seja, sem a presença de alunos na escola. Durante os conselhos são apontados os
problemas das turmas e medidas para solucioná-los.
126




14- PROJETOS INSTITUCIONAIS, CURSOS




          A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves se destaca pela busca constante da
inclusão social, da interação entre as diferenças e a capacitação de seus profissionais. Neste
sentido, são desenvolvidos diversos projetos e atividades na escola. Notadamente, a partir de
2011 estes projetos se multiplicaram, demonstrando uma nova filosofia de trabalho na
instituição, uma busca do auto-desenvolvimento e envolvimento de todos os profissionais da
escola no processo de ensino/aprendizagem.
          Apresentamos abaixo uma descrição sucinta dos principais projetos desenvolvidos na
escola.
Observação: Estes projetos podem ser lidos na íntegra nos anexos.


 Mais Esporte
          O projeto MAIS ESPORTE passou a ser executado na escola a partir do ano de 2011,
proporcionando aos educandos adolescentes estudo das regras e normas sobre handball, vôlei
e basquete, garantindo assim momentos para questionamentos e construções de novas regras.
O projeto também garante treinamentos de equipes para participação em competições inter-
classes, interescolares e outros.
          O esporte é uma ferramenta de auxílio no processo de desenvolvimento educacional,
social e de saúde do ser humano, principalmente de jovens, que nos dias de hoje são carentes
de valores éticos e morais. Eles encontram no esporte incentivo para essas conquistas aliadas
a sentimento de cooperação e amizade.
          O programa curricular do projeto MAIS ESPORTE abarca desde os jogos que
possuem regras implícitas até aqueles institucionalizados por regras específicas, sendo
necessário que seu ensino não se esgote nos gestos técnicos.


 Rádio Escola
          Considerando a necessidade de incentivar práticas pedagógicas mais criativas e
dinâmicas nas escolas, foi proposta a utilização de um novo canal de comunicação na escola
Municipal Altina Olívia Gonçalves, a rádio escola.
127




       Desta forma, a proposta da Rádio Escolar ao mesmo tempo que contribui para
enriquecimento curricular, favorece o uso de novas tecnologias, além de ser um instrumento
importante para promover a auto-estima do educando e melhorar as relações interpessoais
entre alunos, professores e funcionários da escola.
       A ideia principal aqui não é a de formar pequenos radialistas, mas sim fazer com que
esses estudantes possam se apropriar dos instrumentais dessa mídia, para fazer uso da rádio
não só para criar momentos de entretenimento e lazer durante o recreio, como também para a
melhoria das relações entre as pessoas, que discutam questões ligadas à construção do projeto
de vida, sexualidade, saúde, meio ambiente, ao combate à todas as formas de discriminação e
preconceito, entre outras.


 Informática para a Comunidade
       Os projetos de inclusão digital têm como tema a promoção da inclusão digital para
alunos de escolas menos favorecidas, utilizando as tecnologias da informação como
instrumento de construção e exercício da cidadania. Através da criação dos telecentros pode-
se ampliar o conceito de inclusão digital como forma de integração entre educação, tecnologia
e cidadania visando a transformação social.
       O projeto Informática na Comunidade visa oferecer cursos de informática para
qualificação profissional de alunos da EJA – Educação de Jovens e Adultos, adolescentes das
séries finais do ensino regular, a comunidade escolar em geral, incluindo professores, demais
funcionários da escola, pais e responsáveis e pessoas que desejam investir na carreira
profissional e preparar-se para o mercado de trabalho. São oferecidas gratuitamente as
seguintes oficinas: domínio do teclado e mouse, digitação, sistema operacional, editor de
texto, apresentação de slides, planilha eletrônica e Internet, além do atendimento dos alunos
da EJA nos horários das aulas regulares.


 Mais Educação
       O Programa Mais Educação, criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007, aumenta
a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas que foram agrupadas
em macro campos como acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer,
direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde,
educomunicação, educação científica e educação econômica.
128




       A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade (SECAD/MEC), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e
com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Sua operacionalização é feita por
meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE).
       O programa visa fomentar atividades para melhorar o ambiente escolar, tendo como
base estudos desenvolvidos pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF),
utilizando os resultados da Prova Brasil de 2005. Nesses estudos destacou-se o uso do “Índice
de Efeito Escola – IEE”, indicador do impacto que a escola pode ter na vida e no aprendizado
do estudante, cruzando-se informações socioeconômicas do município no qual a escola está
localizada.
       O programa mais educação foi iniciado na Escola Altina Olívia Gonçalves em 10 de
agosto de 2010.
São objetivos do Mais Educação:
   -   Ampliar a jornada escolar;
   -   Proporcionar ao aluno um contato maior com a cultura, esporte e lazer;
   -   Aprender as formas de convivência respeitando as diferenças;
   -   Transformar as dificuldades do aluno em aprendizagens;
   -   Trabalhar valores, como: amor, amizade, respeito, solidariedade e outros ;
   -   Despertar no educando o desejo de se tornar um cidadão de fato.
   -   Fazer parcerias com a escola regular visando elevar o índice do IDEB;
   -   Transcender a escola como único espaço de ensino aprendizagem.
   -   Na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves são oferecidas as seguintes oficinas:
       Judô, teatro, esporte, recreação, dança, letramento, matemática


 Equipe Diretiva Mirim
       O projeto Equipe Diretiva Mirim foi criado pela Equipe Diretiva da Escola Municipal
Altina Olívia Gonçalves gestão 2010/2012, com objetivo de vivenciar com os educandos de 9
a 14 anos o exercício da cidadania, contribuindo principalmente para formação de lideranças e
participação ativa na gestão democrática da instituição.
       Com execução prevista para o ano de 2012, o projeto pretende ampliar o tempo dos
educandos na escola, acontecendo no contra-turno. Os estudantes terão tempo para a execução
129




dos deveres de casa, contando com acompanhamento pedagógico da equipe gestora e
acompanhamento/assistências às atividades rotineiras.
       Pretende-se ainda, com este projeto, que os alunos envolvidos vivenciem situações
cotidianas e situações problemas que envolvam toda a dinâmica escolar, e dessa forma
aprendam a lidar de forma democrática com a administração de conflitos, de pessoas e
processos.


 Projeto Práxis
       Ser professor requer saberes e conhecimentos científicos, pedagógicos, educacionais,
sensibilidade, indagação teórico-criativa para encarar as situações ambíguas, incertas,
conflituosas e, por vezes, violentas, presentes nos contextos escolares e não escolares.
       Este projeto investirá na valorização da capacidade de decisão dos professores no que
tangem às propostas curriculares, estratégias de ensino, avaliações e principalmente na gestão
participativa da Escola Altina Olívia Gonçalves.
       A proposta é a realização de encontros pedagógicos em que serão problematizadas e
analisadas as situações da prática social de ensinar.


 Projeto de Matemática e inclusão Digital
       Pesquisas têm apontado que o ambiente informatizado favorece a construção do
conhecimento, e que compete aos professores assumirem uma postura como mediadores desse
conhecimento ao realizarem atividades investigativas.
       Entre os objetivos deste projeto, espera-se que as atividades de Matemática sejam
desenvolvidas através de jogos e softwares que favoreçam aos alunos realizarem
investigações. Durante o desenvolvimento das atividades neste ambiente de aprendizagem,
poderão surgir conteúdos que ainda não foram trabalhados em sala de aula, um desafio para
que conceitos sejam construídos por meio de uma investigação Matemática.
       Acredita-se que as atividades de Matemática desenvolvidas em um ambiente
informatizado favoreçam a investigação, o levantamento de questões de interesse do aluno ou
que ele procure soluções utilizando estratégias próprias.
130




 Todos pela aprendizagem

       A aprendizagem dos alunos e alunas é responsabilidade de todos e o objetivo maior do
Projeto de Acompanhamento Educacional. Esse projeto é uma ação que deve consolidar e
ampliar conhecimentos, enriquecer as experiências sociais e culturais dos alunos e ajudá-los a
vencer obstáculos em sua aprendizagem, favorecendo o sucesso na escola e na vida. Como
toda ação pedagógica, esse acompanhamento requer um cuidadoso planejamento, definição de
metas, escolha de alternativas e envolvimento dos interessados. Por isso, o nome “Todos pela
aprendizagem”.

       Pretende-se com este projeto apontar caminhos, propor ações e discutir assuntos que
consideramos importantes para que o acompanhamento complemente com êxito o trabalho
realizado em sala de aula e, sobretudo, seja uma ação articulada ao Projeto Político
Pedagógico da Unidade de Ensino. Portanto, ele constitui um mecanismo colocado à
disposição das escolas da Rede Municipal de Ensino de Ipatinga, que visa garantir a
superação de dificuldades específicas encontradas nos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino
Fundamental, nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática, diagnosticadas anteriormente
pela escola.

       A Língua Portuguesa tem como função social possibilitar a compreensão e o domínio
dos usos da linguagem nas variadas situações sociais e nas diferentes intenções
comunicativas. Sabe-se hoje, que o aprendizado da linguagem se dá nas interações, orais e
escritas, estabelecidas entre as pessoas, sejam elas reais ou virtuais.

       A Matemática é uma ciência que visa representar a realidade por meio de
conhecimentos e instrumentos matemáticos que permitam interpretar e criar significados ao
que se estuda para a prática, desenvolver o raciocínio matemático para resolver problemas
reais, participar na sociedade e interferir nela de maneira crítica, dinâmica e consciente,
através da formação de cidadãos competentes. Portanto, é necessário que o aluno aprenda
Matemática porque ela é um instrumento útil para a vida e para o trabalho; faz parte de nossas
raízes culturais; ajuda a raciocinar; gera auto confiança, espírito crítico e criativo e está
presente na realidade sócio-cultural.
131




       As competências de ler, escrever, comunicar, calcular, raciocinar e resolver problemas
reais são muito exigidas na sociedade atual. No entanto, nem todos os alunos conseguem
desenvolver tais competências no período adequado para a sua faixa etária e ano do ciclo.

       Enfim, a base para o sucesso é o aluno, e o maior desafio é reverter as expectativas
para que ele comece a ter sucesso na escola. E para que haja essa inversão, é necessário
transformar a escola e a sala de aula, desenvolvendo uma proposta pedagógica de
acompanhamento educacional para que ele aprenda e sinta-se sujeito do processo ensino-
aprendizagem.



 Cursos e atividades extracurriculares:
       A escola oferece diversas atividades e cursos extracurriculares, sugestões de alunos,
professores ou da Equipe Diretiva, visando proporcionar um ambiente de constante
aprendizagem, aperfeiçoamento e capacitação, além de promover a integração entre alunos,
professores, demais funcionários da escola e comunidade. Todos os cursos são abertos para
participação de alunos, professores, funcionários da escola e comunidade em geral. Entre os
cursos e atividades oferecidas destacam-se:
- Curso de Forró;
- Curso de Libras;
- Curso de Informática;
132




15- CONSIDERAÇÕES FINAIS


              A reorganização da escola deverá acontecer de dentro para fora. O ponto de
 partida para realização dessa tarefa é o empenho coletivo na construção de um projeto
 político-pedagógico e isso implica operar rupturas com o existente e avançar.
              A construção, a execução e a avaliação do projeto político-pedagógico
 requerem continuidade das ações, democratização do processo de tomada de decisões e
 instalação de uma sistemática avaliação de cunho emancipatório.
              Pensar hoje a escola no bojo da gestão democrática significa, sobretudo, um
 esforço tanto de compreender e ousar fazer, bem como de propor alternativas viáveis,
 capazes de concretizar o projeto político-pedagógico, coletivamente concebido dentro de
 uma perspectiva mais ampla. Nessas reflexões, não se pode esquecer das especificidades
 do contexto local em que está inserida a escola ante às determinações do global. A gestão
 democrática deve ser compreendida não apenas como um princípio, mas também como um
 objetivo a ser atingido, para configurar-se como uma prática educativa inserida no contexto
 da escola.
              Para que a escola assuma sua função social e, ao mesmo tempo, enfrente
 desafios atuais, a educação de qualidade deve ser a meta fundamental a ser atingida.
133




REFERÊNCIAS




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134




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135




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VEIGA, I. P. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 13.
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136




ANEXOS
137




                              EQUIPE DIRETIVA 2012


                                      Eliane Regina Viana

                               Fernanda de Araújo Satler Vilela


                              Maria Auxiliadora da Silva Cunha


                                Aparecida Cristina Dias Souza


                                   Isaura Azevedo Carvalho


                                   Juciano Almeida de Jesus


                                   Marco Abreu dos Santos


                                     Otília Pereira Borges




Nosso agradecimentos às professoras Dêivia Mesquita Ribeiro Pinto, Fabricia Georgia A. F.

de Alcantara, Maria Tereza Seixas Gomes Oliveira e Rita Beatriz Alves da Silva, pelo seu

trabalho, participação e apoio incondicionais a esta equipe diretiva.

Projeto político pedagógico 2012

  • 1.
    ESCOLA MUNICIPAL ALTINAOLÍVIA GONÇALVES EQUIPE DIRETIVA 2010/2012 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO IPATINGA FEVEREIRO DE 2012
  • 2.
    3 EQUIPE DIRETIVA 2010/2012 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO IPATINGA DEZEMBRO DE 2011
  • 3.
    4 AGRADECIMENTOS A Deus, que nos tem dado sabedoria, coragem e força para consolidação de nossos objetivos na escola. A todos os professores que ajudaram na construção deste Projeto Político Pedagógico, fornecendo material, fundamentações e idéias, em especial aos professores Isaura Azevedo Carvalho, Juciano Almeida de Jesus, Marco Abreu dos Santos e Natália Paiva Fernandes, responsáveis por sua reestruturação e revisão.
  • 4.
    5 Fui alfabetizado nochão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro- negro; gravetos, o meu giz. Paulo Freire
  • 5.
    6 LISTA DE FIGURAS Figura 1- Colar Metropolitano do Vale do Aço. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga ....................12 Figura 2- Divisão política do município de Ipatinga. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga ............13 Figura 3- Logomarca da escola ..............................................................................................................16
  • 6.
    7 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Materiais e equipamentos adaptados para a Educação Especial ............................. 52 Quadro 2- Lista de materiais adaptados para os deficientes auditivos ..................................... 66 Quadro 3- Equipe multidisciplinar do PRAEJA ...................................................................... 87 Quadro 4- Plano de metas: Disciplina .................................................................................... 104 Quadro 5- Plano de metas: Estratégias Metodológicas .......................................................... 105 Quadro 6- Plano de metas: Infrequência ................................................................................ 105 Quadro 7- Plano de metas: Acompanhamento familiar da vida do educando........................ 106 Quadro 8- Plano de metas: Redução do trabalho infantil ....................................................... 106 Quadro 9- Plano de metas: Problemas de saúde ..................................................................... 107 Quadro 10- Plano de metas: Evasão escolar ........................................................................... 107
  • 7.
    8 LISTA DE ABREVIATURAS ADEVIPA- Associação dos Deficientes Visuais de Ipatinga AEE- Atendimento Educacional Especializado APAE- Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais AVD- Atividades da Vida Diária CEB- Coordenadoria da Educação Básica CENFOP- Centro de Formação Pedagógica CESEC- Centro Estadual de Educação Continuada CNE- Conselho Nacional de Educação ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente EJA- Educação de Jovens e Adultos EMAOG – Escola Municipal Olívia Altina Gonçalves ENC- Exame Nacional de Cursos FNDE- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação IDH - Índice de Desenvolvimento Humano IEE- Índice de Efeito Escola INES- Instituto Nacional de Educação dos Surdos LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais MEC- Ministério da Educação e Cultura NEE- Necessidades Educativas Especiais NEPES- Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos PA- Professor Auxiliar PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais PDDE- Programa Dinheiro Direto na Escola PDI- Plano de Desenvolvimento Individual PPP- Projeto Político Pedagógico PRAEJA- Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos SAEB- Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica SEB- Secretaria de Educação Básica SECAD- Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
  • 8.
    9 SEESP- Secretaria deEducação Especial (Mec) SME- Secretaria Municipal de Educação TIC's - Tecnologias de Informação e Comunicação UNESCO- Organização das Nações Unidas para a Educação (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância (United Nations Children's Fund)
  • 9.
    10 SUMÁRIO 1 – IDENTIFICAÇÃO .........................................................................................................................12 2 – HISTÓRICO DA ESCOLA...........................................................................................................14 2.1 – A Patronesse da Escola .................................................................................................................14 2.2 – A Logomarca da Escola ................................................................................................................15 3 – PERFIL DA ESCOLA ...................................................................................................................17 3.1 – Estrutura Física..............................................................................................................................17 3.2 – Perfil dos Educandos .....................................................................................................................17 3.3 – Perfil dos Educadores ....................................................................................................................19 4 – OBJETIVOS DA ESCOLA ...........................................................................................................22 5– FUNÇÕES DOS MEMBROS DA EQUIPE PEDAGÓGICA DA ESCOLA .............................23 5.1 – Funções, Atribuições e Competências da Equipe Diretiva ...........................................................23 5.2 – Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Ensino Regular ..................................28 5.3– Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Atendimento Educacional Especializado- AEE ...............................................................................................................................31 6– CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS ................................................................................................37 6.1– Função Social da Escola.................................................................................................................38 6.2– Missão da Escola ............................................................................................................................38 6.3 – Trabalho Pedagógico .....................................................................................................................38 7 – SISTEMA DE ENSINO: MODALIDADES DE ENSINO, ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO........................................................................................................................44 7.1 – Educação Básica............................................................................................................................44 7.2 – Ensino Fundamental ......................................................................................................................45 7.3 – Modalidades de Educação .............................................................................................................45 7.3.1 – Educação Especial ......................................................................................................................45 7.3.1.1- Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Deficiência Visual. .....................48 7.3.1.2- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Deficiência Auditiva .............61 7.3.1.3- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Déficit Intelectual: .................76 7.3.1.4 – Educação de Jovens e Adultos – EJA .....................................................................................80
  • 10.
    11 7.3.1.5- Programa deAtendimento Especializado para Jovens e Adultos (PRAEJA) ...........................84 8 – GESTÃO DEMOCRÁTICA .........................................................................................................88 8.1 – Princípios: características da gestão democrático-participativa ....................................................89 8.2 – Autonomia da escola e da comunidade educativa .........................................................................89 8.3 – Relação orgânica entre a Direção e a participação dos membros da equipe escolar .....................90 8.4 – Envolvimento da comunidade no processo escolar .......................................................................91 9 –CONSTRUÇÃO DE UMA COMUNIDADE DEMOCRÁTICA DE APRENDIZAGEM .......93 9.1 – Promoção de ações de desenvolvimento profissional ...................................................................94 9.2 – Envolvimento dos educandos em processo de solução de problemas e tomada de decisões ........95 9.3 – Envolvimento dos Pais na Vida Escolar........................................................................................96 9.4 – Fortalecimento de Formas de Comunicação e de Difusão de Informações ..................................97 9.5 – Avaliação do Sistema Escolar e da Aprendizagem .......................................................................97 9.6 – Formação Continuada, Desenvolvimento Pessoal e Profissional................................................100 9.7.1 – Plano de Metas .........................................................................................................................103 10 – CONSELHO ESCOLAR ...........................................................................................................108 11- FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR .................................................................109 12 – PROJETO PEDAGÓGICO CURRICULAR ..........................................................................115 13 – ORGANIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO ....................................119 13.1 – Planejamento .............................................................................................................................122 13.2 – Avaliação...................................................................................................................................123 13.3 – Recuperação em Tempo Real ....................................................................................................124 13.4- Conselho de Classe .....................................................................................................................125 14- PROJETOS INSTITUCIONAIS, CURSOS ..............................................................................126 15- CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................132 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................133 ANEXOS .............................................................................................................................................136 EQUIPE DIRETIVA 2012.................................................................................................137
  • 11.
    12 1 – IDENTIFICAÇÃO Ipatinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, pertencente à mesorregião do Vale do Rio Doce e à microrregião do Vale do Aço. Localiza-se a nordeste da capital do estado, distando desta cerca de 209 quilômetros. Sua população é estimada em cerca de 239.177 habitantes (CENSO, 2010). Está a 947 quilômetros de Brasília, a capital federal. Ipatinga tem como limites geográficos os seguintes municípios: ao Norte/Leste, Santana do Paraíso; a Oeste, Coronel Fabriciano; ao Sul, Timóteo e ao Sudeste, Caratinga. Figura 1- Colar Metropolitano do Vale do Aço. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga
  • 12.
    13 Além dos quatro principais municípios do Vale do Aço (Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo), há outros 22 municípios que formam o chamado colar metropolitano (Figura 1). A região possui um elevado nível de desenvolvimento industrial, graças às grandes empresas locais, como a Aperam, antiga “Acesita”, em Timóteo, e principalmente a Usiminas, localizada em Ipatinga. O município divide-se em 35 bairros (Figura 2), ocupando uma área total de 166,5 Km², dos quais 44,4% formam a área urbana e 55,5%, a rural. Figura 2- Divisão política do município de Ipatinga. Fonte: Prefeitura Municipal de Ipatinga A cidade de Ipatinga, em 2008, contava com aproximadamente 23.818 matrículas e 26 instituições dos ensinos Fundamental e Médio em escolas estaduais; 21.930 matrículas e 37 instituições municipais em Ensino Especial, Educação Infantil e Ensino Fundamental; e 16.604 matrículas e 76 instituições particulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. O município ainda conta com diversas instituições de ensino superior. São algumas delas: a Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC, a Faculdade Pitágoras, Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste - MG), Faculdade de Direito de Ipatinga, Faculdade de Tecnologia, União Educacional do Vale do Aço; Faculdade Evangélica de Teologia, Faculdade Pereira de Freitas, Universidade Aberta (UFOP), dentre outras.
  • 13.
    14 2 – HISTÓRICODA ESCOLA A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, (EMAOG) foi criada pela Lei nº 703/80, de 17 de dezembro de 1980, tendo começado a funcionar em 09 de fevereiro de 1981, e inaugurada oficialmente em 27/04/1981, na gestão do então Prefeito João Lamego Neto. Nessa trajetória, há que se destacar a figura dos Diretores e Diretoras, cujo compromisso lhes permitiu extrapolar o caráter das funções em sala de aula e assumir a linha de frente da instituição: - Sônia Maria de Paiva (1981) - Rui Simões de Almeida (01/02/1982 a 24/09/1982) - Robson Gomes Lopes da Silva (20/10/1983 a 07/03/1983) - Vilma de Faria e Silva (10/03/1986 a 02/10/1989) - Sônia Alves Pereira (03/10/1989 a 14/09/1993) - Nivaldo Paulo da Silva (15/09/1993 a 28/02/1996) - Maria de Lourdes de Souza (29/02/1996 a 18/02/1998) - Vilazia Júlia Lopes Inácio (19/02/1998 a 31/12/2000) - Rita Sônia Camargo Campos (01/01/2001 a 2004) - Maria Aparecida Salgado de Oliveira (2006 a 2010) - Eliane Regina Viana (julho de 2010 a 2012) 2.1 – A Patronesse da Escola A denominação da escola foi dada em homenagem à senhora Altina Olívia Gonçalves, esposa do senhor Jair Gonçalves, pioneiros da região. Nascida no dia 1º de outubro de 1916 e falecida no dia 27 de junho de 1976, teve atuação marcante em prestação de serviço à comunidade. Possuidora de grande espírito comunitário e Cristão, acolhia a todos que a procuravam com bondade, amor e infinita paciência. Filha de Izídio Ponciano da Silva e Maria Sabina da Silva, teve uma infância comum de cidade interiorana. Recebeu instrução irregular devido às condições de ensino da época, tendo, porém, formação religiosa intocável. Da cidade de Matos, veio inicialmente para
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    15 Figueira do RioDoce, atual Governador Valadares, juntamente com os pais, e mais tarde transferiram residência para nossa região, por volta do ano de 1929, tendo ela treze anos incompletos. De origem muito humilde, teve que lutar muito cedo para o sustento próprio e ajudar a família. Conseguiu emprego na casa do senhor Alberto Giovanini. Seus pais retornaram a Figueira, fixando morada em Baguari. Casou-se com Jair Gonçalves e desta união nasceu o único filho do casal, Sílvio Gonçalves. Grande lutadora ao lado do esposo, com economia ganha no trabalho do carvão da empresa Belgo Mineira, foram comprando porções de terra, edificando casas, formando grande fazenda de agricultura e pecuária, tendo sido proprietários das terras onde situam hoje os bairros Iguaçu e Cidade Nobre. 2.2 – A Logomarca da Escola A elaboração da logomarca da escola iniciou-se em 2001. Foram solicitadas contribuições aos alunos e professores. Buscou-se um símbolo que englobasse o nome da escola e um lema pertinentes ao trabalho desenvolvido pela escola na comunidade. Após análise das sugestões de alunos, professores e equipe diretiva, chegou-se à logomarca da escola. Em seu formato original, o círculo lembra a forma orgânica do planeta Terra, que vem circundado acima e abaixo, com o elo de identificação da escola com a rede municipal de ensino de Ipatinga, acrescida da sigla de Minas Gerais. Uma das preocupações ao se criar a marca era a manutenção do primeiro nome da escola em destaque, por ser uma marca já popularizada ao longo da existência da escola. Portanto, ele aparece na parte superior interna do círculo em letras maiúsculas e em negrito. Ao centro, as letras iniciais do nome da escola se sobrepõem na mesma ordem do nome. Assim, o “A” de Altina aparece em primeiro plano em formato de triângulo, no qual é vazada a letra “O” de Olívia. Ambos se sobrepõem à letra “G” de Gonçalves, que se destaca pelo formato e tamanho, sobre a qual se apoiam as outras duas iniciais, preservando assim a significativa presença da pioneira família “Gonçalves” em nossa região. Na parte debaixo do círculo, a frase lema: “Respeitando as diferenças” constitui-se em nosso propósito e em um desafio contínuo no cotidiano do trabalho educacional. Nosso lema se apresenta também simbolizado, além das palavras, pelas duas faces opostas, intermediadas pelas iniciais do nome da escola, que se apresenta como
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    16 possibilidade de interlocuçãode diálogo entre as duas figuras. A face da direita mostra-se estampada em branco, traz uma silhueta em negrito, projetando a figura oposta. Além disso, a linha interna do círculo liga ambas as figuras, como elo que, respeitando as diferenças, interliga todos os seres humanos, numa extensa rede de conexão humana, numa busca constante de superação das distinções de raça, crença, gênero, idade, poder aquisitivo e cultura. A comissão responsável pela reestruturação do Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, no ano de 2011, propôs algumas alterações na logomarca original, cariando uma logomarca mais moderna e condizente com a proposta pedagógica da escola. Houve alteração no lema da escola, substituindo a palavra “respeitando” por “interagindo com” as diferenças. A troca se justifica devido ao momento histórico atual da escola, que já não requer apenas o respeito, mas o constante exercício de tolerância e convivência mútua, proporcionando maior proximidade e efetiva interação entre os diferentes. Além disso, a comissão sugeriu a inserção das cores vermelha e azul na logomarca da escola com a finalidade de melhorar a visibilidade e em consonância com as cores das bandeiras do município de Ipatinga e do estado de Minas Gerais. (Figura 3). Figura 3- Logomarca da escola
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    17 3 – PERFILDA ESCOLA 3.1 – Estrutura Física A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves atualmente possui em sua estrutura física: - 10 Salas de aula – Ensino Fundamental Regular - 08 Mini-salas – AEE (04 salas – AEE COM TATO, 02 AEE Surdos, 02 AEE Mutifuncional) - 02 Laboratórios de Inclusão Digital - 01 Auditório para palestras - 01 Sala de Coordenação Pedagógica - 02 Pátios de recreação - 01 Biblioteca - 01 Quadra Poliesportiva coberta - 02 Salas de Direção - 01 Sala de Professores - 01 Secretaria - 01 Cantina - 01 Despensa - 01 Almoxarifado - 03 Banheiros para Funcionários - 03 Banheiros para Alunos, sendo 01 adaptado para deficientes físicos. - 02 Banheiros (auditório para palestras) - 02 Mini-salas (despensa materiais diversos) 3.2 – Perfil dos Educandos A clientela da escola é composta basicamente por alunos que residem na região circunvizinha. Geralmente são de baixa renda, filhos de pais desempregados ou de famílias desestruturadas. Compreendem a faixa etária de 6 a 14 anos, no Ensino Regular, nos turnos matutino e vespertino, e acima de 15 anos, na EJA (Educação de Jovens e Adultos), cujas
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    18 turmas são compostasinclusive por alunos cegos, surdos, deficientes físicos, intelectual e portadores de múltiplas deficiências. Em relação às tarefas: - 80% dos alunos fazem tarefas diariamente. - 70% dos alunos tem acompanhamento em casa para fazer as tarefas. - 60% dos alunos tem horário e local adequados para fazer as tarefas. - 10% dos alunos tem tarefa 2 vezes por semana. - 15% dos alunos tem tarefa 3 vezes por semana. - 75% dos alunos tem tarefa 4 vezes por semana. Comprometimento com os estudos: - 20% são poucos comprometidos. - 65% são comprometidos. - 15% são desinteressados Os alunos estão em relação aos professores. - 30% satisfeitos. - 70% muito satisfeitos. Em relação a equipe Diretiva, os alunos estão: - 69% satisfeitos - 15% muito satisfeitos. - 26% insatisfeitos. Quanto ao espaço físico da escola, os alunos estão: - 50% consideram ótimo. - 50% consideram bom. Quanto à merenda escolar. - 30% consideram ótima. - 20% consideram boa. - 50% consideram sem tempero.
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    19 Quanto aos projetosda escola e ao apoio pedagógico: - 60% consideram ótimos. - 40% consideram bom. 3.3 – Perfil dos Educadores Quadro de funcionários e formação acadêmica: - Atualmente fazem parte do quadro de professores da escola 109 educadores (2011), sendo 93 professoras e 16 professores; - Deste total, 16 professores são especialistas e trabalham com a educação especial – sendo 9 professores atendendo os alunos de baixa visão e 3 professores da Multifuncional e 4 professores do AEE.(Atendimento Educacional Especializado); - Todos os professores possuem curso superior, sendo que 95% atuam na área específica de sua graduação, e 5% em área de atuação diferente de sua graduação. Tempo de serviço e jornada de trabalho: - 10% - lecionam de 2 a 5 anos - 45% - de 5 a 10 anos - 35% de 15 a 20 anos. - 10% mais de20 anos. - 80 % dos professores fazem jornada de 40 horas semanais. - 10% dos professores lecionam em escola em uma escola municipal e uma escola Particular. - 20% dos professores lecionam somente na escola Altina. Recursos didáticos e tecnológicos: - 90% dos educadores tem conhecimento dos recursos tecnológicos da escola porém encontram dificuldade para utilizá-los (a maior dificuldade encontrada é na resolução de problemas de impressão). - 85% dos professores afirmaram que os materiais pedagógicos necessários estão disponíveis para o seu trabalho. - 95% dos educadores buscam diversificar sua prática e acreditam que o sucesso na aprendizagem está relacionado com a diversificação das metodologias aplicadas.
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    20 Planejamento: - 15% dos educadores acreditam que seu Planejamento atende às necessidades dos educandos, promovendo o desenvolvimento de habilidades e competências. - 85% dos educadores acreditam que seu Planejamento atende às necessidades dos seus educandos, mas precisa ser constantemente reelaborado. Avaliação: - Em geral, os educadores acreditam na diversificação de metodologias, e que a avaliação pode ser diversificada; utilizam questões objetivas, discursivas, pesquisas, observações com registros e seminários. - Em geral os professores acreditam que a recuperação deve ser paralela e contínua, mas que deve haver monitoramento e acompanhamento efetivo dos coordenadores pedagógicos e professores. Devem-se utilizar várias estratégias com a finalidade de diminuir a defasagem de aprendizagem do educando. Currículo no processo ensino-aprendizagem: - 5% dos educadores acreditam que a função do currículo é elencar um conjunto de conteúdos que devem ser ensinados em um determinado ano ou ciclo. - 5% dos educadores acreditam que o currículo deve expressar atividades educativas concernentes às condições reais dos educandos. - 90% dos educadores acreditam que o currículo deve proporcionar informações concretas sobre o que ensinar, quando ensinar, como ensinar e o que, como e quando avaliar. - Em geral, todos os educadores acreditam que as habilidades e competências que o aluno deve desenvolver, devem estar em consonância com a Proposta Curricular referente ao ano escolar cursado pelo educando. - Em geral os educadores acreditam que todos os educandos devem desenvolver na escola as habilidades psicossociais como saber ouvir, falar, respeitar os outros, desenvolver o espírito de cooperação e solidariedade humana. - 95% dos educadores acreditam que a proposta curricular da rede municipal de ensino de Ipatinga deve ser reformulada, pois se encontra desatualizada.
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    21 Taxas de evasãoe retenção: - Em relação às ações para diminuir o número de retenção e evasão na escola, os educadores sugeriram várias alternativas: - Diminuir o número de alunos nas salas; - Turmas mais homogêneas; - Continuar a execução dos projetos realizados na escola; - Os projetos de reforço e projetos esportivos devem ser priorizados; - Incentivar o momento de estudo em casa; - Estimular a parceria família e escola. Participação dos professores na escola: - 95% dos educadores acreditam ser parte importante desta escola. - 90% dos educadores participam das decisões educacionais da escola. - 40% dos educadores recebem apoio dos pais dos alunos - 60% dos educadores acreditam que os pais deveriam aumentar o seu apoio à escola e deveriam acompanhar melhor o desenvolvimento seus filhos. - 90% dos educadores afirmaram que as rotinas burocráticas da escola não interferem no seu trabalho de ensinar. - 90% dos educadores afirmam existir um clima de cooperação entre professores desta escola. - 90% dos educadores acreditam que a equipe diretiva estimula as atividades inovadoras. - 100% dos educadores acreditam na importância da boa interação entre alunos e professores para viabilizar a aprendizagem.
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    22 4 – OBJETIVOSDA ESCOLA A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves objetiva sua ação educativa fundamentada nos princípios da universalização de igualdade de acesso, permanência e sucesso, obrigatoriedade da Educação Básica e gratuidade escolar. A proposta é uma escola de qualidade, democrática, participativa e comunitária, como espaço cultural de socialização e desenvolvimento do educando, preparando-o para o exercício de direitos e o cumprimento de deveres – sinônimo de cidadania. A escola tem por objetivos específicos: - Proporcionar uma educação de qualidade em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, os Parâmetros Curriculares de referencia e as orientações da Secretaria Municipal de Educação, envolvendo órgãos públicos competentes, a sociedade em geral e a comunidade escolar, na formação social, intelectual e humana do educando para torná-lo um cidadão responsável, comprometido, crítico e participativo, capaz de contribuir para a formação de uma sociedade mais justa e humanitária; - Fundamentar o trabalho no diálogo, na liberdade de expressão, na união, no respeito, na cooperação, no tratamento igualitário para todos, estando abertos às críticas acompanhadas de sugestões; - Desenvolver uma ação conjunta para promover a participação efetiva da comunidade escolar, trabalhando numa convivência harmoniosa com os pais e conselhos, para juntos buscarmos alternativas ou soluções para dificuldades; - Traçar metas para administração do pessoal, dos recursos materiais e financeiros; velar e assegurar o cumprimento do plano de trabalho de cada docente; - Prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento, articular com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola, informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como a execução de sua proposta pedagógica; - Procurar maior integração entre a escola e a comunidade, incentivando e valorizando a cultura regional através de eventos culturais, recreativos e desportivos;
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    23 5– FUNÇÕES DOSMEMBROS DA EQUIPE PEDAGÓGICA DA ESCOLA 5.1 – Funções, Atribuições e Competências da Equipe Diretiva  Diretor - Coordenar a elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta pedagógica da escola; - Assegurar que todos os docentes trabalhem com padrões, avaliações e metas de desempenho; - Assegurar que cada docente elabore e aplique o seu plano anual de curso e o seu planejamento de aula; - Organizar e manter atualizado o portifólio de registro do perfil de desempenho do professor, e realizar o monitoramento contínuo do desempenhos do docentes; - Assegurar o cumprimento dos contratos e dos acordos; - Organizar e supervisionar os trabalhos de matrícula e do censo escolar; - Coordenar a organização do quadro de turmas, dos horários e a distribuição de aulas; - Articular e harmonizar as áreas de docência na escola; - Estimular a participação e o envolvimento dos pais na vida escolar dos seus filhos; - Promover reuniões de professores e pais de alunos; - Orientar os funcionários a fim de assegurar que os serviços administrativos da escola se mantenham atualizados; - Manter registros de ocorrências diárias da Unidade Escolar; - Observar e cumprir a legislação que se dispõe sobre os direitos da criança e do adolescente; - Reunir-se periodicamente com os docentes para avaliação conjunta de problemas, visando ao aperfeiçoamento do ensino e à melhoria das relações interpessoais na escola; - Elaborar relatórios periódicos de avaliação de ensino, na escola, submetendo-os à apreciação do órgão hierarquicamente superior;
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    24 - Encaminhar medidas que visem sanar deficiências apontadas pelas avaliações internas e externas; - Orientar a elaboração de mapas, quadros demonstrativos e estatísticos que permitam ajuizar-se da evolução do ensino, na escola; - Articular-se com órgãos competentes da Secretaria Municipal de Saúde para elaboração e execução do plano de assistência médica e sanitária dos alunos; - Encaminhar ou submeter aos órgãos de coordenação, com oportunidade, as solicitações relativas a pessoal, material e serviços de cantina e zeladoria; - Participar de cursos de formação ou aperfeiçoamento profissional e cultural; - Elaborar a proposta orçamentária da escola, de acordo com instruções da Secretaria Municipal de Educação; - Participar da programação de atividades do desenvolvimento de recursos humanos; - Supervisionar o preparo e a distribuição da merenda escolar; - Impedir que se façam, nos limites da escola, atividades comerciais, práticas ilícitas e contrárias a sua missão institucional; - Prestar assistência a todos os turnos de funcionamento da Unidade Escolar, em rodízio diário, cumprindo a jornada de trabalho determinada em lei; - Promover reuniões com o pessoal administrativo, orientado-o na execução de suas atribuições; - Participar das reuniões para as quais tiver sido convocado pelos órgãos de coordenação da Secretaria Municipal de Educação; - Cumprir e zelar para que obedeçam às normas regimentais, ao calendário escolar e às demais orientações da Secretaria Municipal de Educação; - Zelar pela disciplina no âmbito da escola, bem como pela conservação do prédio e do mobiliário; - Planejar, orientar e coordenar as atividades de caráter cívico, cultural e social; - Participar do planejamento de utilização da Biblioteca Pública Municipal para fins de pesquisa; - Divulgar entre os professores, alunos e comunidade, as finalidades educacionais da escola e organizações afins, permitindo alcançar uma disciplina consciente, uma participação ativa e uma educação integral;
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    25 - Desempenhar as atribuições de chefia geral, nos termos da lei; - Participar das reuniões do Colegiado de Diretores; - Executar tarefas correlatas; - Prestar contas à Prefeitura Municipal de Ipatinga dos recursos financeiros repassados ao Caixa Escolar; - Substituir professor ocasionalmente.  Vice-Diretor - Auxiliar na administração da escola sob orientação geral do diretor; - Orientar e coordenar a elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta pedagógica; - Zelar pelo cumprimento dos padrões e das metas de desempenho elaboradas junto aos docentes; - Assegurar o cumprimento de normas e contratos; - Colaborar no planejamento do trabalho do ano letivo; - Colaborar na coordenação e orientação segundo instruções do superior hierárquico e acompanhar o trabalho dos serviços administrativos, a execução dos serviços de cantina e zeladoria, na escola; - Participar das reuniões com os docentes e pais de alunos; - Coligir dados para a elaboração de mapas, quadros demonstrativos e relatórios; - Coligir elementos para a elaboração de propostas orçamentárias da escola; - Substituir o diretor nos seus impedimentos; - Desempenhar outras tarefas que lhes sejam propostas pela Direção da Escola; - Coordenar a articulação entre a escola e as famílias dos alunos e o Ministério Público, os Conselhos Tutelares, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a APAE e outras instituições de apoio às pessoas com necessidades educativas especiais; - Executar tarefas correlatas; - Substituir professores ocasionalmente.
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    26  Coordenador Pedagógico - Acompanhar e orientar o trabalho dos educadores no processo ensino-aprendizagem; - Coordenar os momentos de planejamento dos educadores, colaborando na organização de projetos, na seleção de material de apoio, objetivando a eficiência na prática pedagógica; - Executar a formação permanente dos educadores; - Acompanhar a prática nas salas de aula, buscando contato direto com as turmas para posterior avaliação com os educadores, assegurando a integração horizontal e vertical do currículo; - Oportunizar a socialização da prática pedagógica, reavaliando sempre a prática do trabalho, estabelecendo junto ao professor critérios de análise e seleção de instrumentos de avaliação; - Analisar o desempenho dos alunos para garantir juntamente aos educadores propostas pedagógicas que objetivem o sucesso dos mesmos, bem como apresentá-las e discuti- las com o departamento pedagógico; - Promover a participação da comunidade em temas a serem trabalhados na escola e na avaliação dos trabalhos administrativo-pedagógicos desenvolvidos em toda Unidade de Ensino; - Promover encerramento de projetos e participar da organização de eventos culturais na Unidade de Ensino, envolvendo a comunidade escolar; - Promover momentos de avaliação dos trabalhos pedagógicos realizados por alunos e professores; - Desenvolver com alunos e professores discussões sobre a necessidade de se buscar a autoavaliação como instrumento de crescimento pessoal e/ou profissional, e torná-la uma prática comum na unidade escolar; - Aprimorar conhecimentos e habilidades práticas, incentivando no grupo um trabalho de qualidade; - Assegurar que a escola trabalhe com padrões de desempenho e de avaliação e com metas de desempenho; - Assegurar os trabalhos dos Conselhos de Classe; - Substituir professores ocasionalmente.
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    27  Secretário - Conhecer e participar da elaboração da proposta pedagógica da escola; - Organizar e manter em dia fichário e livros referentes à vida escolar dos alunos, arquivar o registro do desempenho do aluno, bem como os diários de classe e fichas de acompanhamento de turma; - Responsabilizar-se pela matrícula dos alunos, conferindo documentos; - Redigir atas, ofícios, avisos e outros documentos; - Preencher históricos escolares; - Redigir e fazer expedir a correspondência oficial da escola, submetendo-a à apreciação e assinatura do diretor; - Manter atualizados os serviços da secretaria e arquivos; - Trazer em dia a coleção de leis, regulamentos, instruções, circulares e despachos que dizem respeito às atividades da escola; - Observar e fazer cumprir as leis vigentes, os despachos e determinações do superior hierárquico; - Apurar a frequência dos servidores da escola; - Coligir dados para o preparo do pagamento do pessoal; - Colaborar com os diretores, eventualmente, na manutenção da disciplina da escola; - Promover levantamento estatístico, preencher formulários em tempo hábil, de acordo com as solicitações dos órgãos de autoridades da administração pública, submetendo- os antes à apreciação do diretor; - Manter o arquivo rigorosamente em dia, para pronto manuseio, consulta e comprovação, de maneira a facilitar toda e qualquer pesquisa; - Atualizar periodicamente os auxiliares de secretaria sobre expediente e escrituração escolar em geral, observando a legislação pertinente; - Zelar pela conservação do material sob sua guarda e pela ordem em seu setor de trabalho; - Assinar, juntamente com o diretor, os documentos relativos à vida escolar do aluno, fazendo constar o número de registro ou autorização;
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    28 - Superintender, fiscalizar e distribuir os serviços de secretaria, mantendo-a aberta ao público durante o horário de funcionamento da escola; - Zelar para um clima de trabalho tranquilo e produtivo; - Atender e auxiliar os assessores do Sistema Municipal de Ensino em suas visitas à escola, apresentando-lhes a documentação solicitada; - Participar das discussões pedagógicas da escola e de cursos de formação; - Comunicar ao diretor, com antecedência, os atrasos, compensação de horas, eventuais faltas e seu afastamento por motivo de licença; - Executar tarefas correlatas. 5.2 – Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Ensino Regular  Professores do Ensino Fundamental/ Educação de Jovens e Adultos - Participar da elaboração, implementação, avaliação e revisão da proposta pedagógica; - Trabalhar com padrões, avaliações e com metas de desempenho, por ano de ciclo e por classe; - Elaborar e executar o seu plano anual de curso e o seu planejamento de aulas; - Zelar pela frequência dos alunos; - Organizar e manter atualizado o registro do perfil de progresso acadêmico dos alunos; - Fazer registro da chamada diariamente no diário de classe e disponibilizá-lo na secretaria ou no local apropriado, permitindo assim acesso do secretário e da equipe de gestores; - Participar periodicamente, nos termos do contrato de trabalho, das atividades escolares programadas de estudo e planejamento em equipe; - Planejar, executar, avaliar e registrar as intenções educativas numa perspectiva coletiva e integradora a partir do perfil dos alunos e do plano pedagógico da escola; - Identificar educandos que apresentem dificuldades no processo educativo, em conjunto com as pessoas envolvidas direta ou indiretamente na ação pedagógica, objetivando planejar e executar estudos contínuos de tal forma que lhes sejam garantidas novas oportunidades de aprendizagem em tempo hábil;
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    29 - Discutir com educandos, funcionários, pais ou responsáveis os procedimentos para o desenvolvimento do processo educativo; - Participar de todo o processo avaliativo da escola, respeitando o Regimento Escolar e prazos estabelecidos em cronograma; - Colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade; - Participar dos processos de eleição desencadeados na escola; - Participar da elaboração e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica da Secretaria Municipal de Ensino; - Ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidas, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; - Zelar pela conservação de todos os espaços físicos, bem como de materiais existentes na escola e que são patrimônios de uso coletivo; - Zelar pelo bom nome da Unidade de Ensino; - Comunicar ao diretor, com antecedência, os atrasos, as faltas eventuais e seu fastamento por motivo de licença; - Acatar decisões tomadas na escola, zelando pela unidade da mesma; - Manter e fazer com que seja mantida a disciplina em sala de aula e fora dela.  Professores Auxiliares (PA) - Participar da elaboração do Plano Escolar; - Substituir professor nos seus impedimentos; - Elaborar e executar a programação das atividades propostas pela escola; - Colaborar com os professores na confecção de materiais; - Organizar o acervo e zelar pela disciplina da escola; - Auxiliar o coordenador nas atividades pedagógicas; - Auxiliar os professores na execução dos projetos; - Receber, encaminhar e dar informações necessárias a quem solicitar; - Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação, quando solicitado pelo Diretor;
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    30 - Zelar, controlar e conservar o patrimônio da escola; - Auxiliar os gestores na monitoria do recreio, quando não estiver em sala de aula durante o tempo integral.  Auxiliares de Biblioteca - Participar da elaboração da proposta pedagógica da escola; - Elaborar e executar a programação das atividades da biblioteca, mantendo-a articulada com as demais programações pedagógicas; - Colaborar com os educadores na composição das resenhas bibliográficas; - Organizar o acervo e zelar pela conservação; - Elaborar, organizar e manter atualizados os fichários e catálogos correspondentes; - Manter adequadas as condições do ambiente de leitura; - Orientar o usuário na utilização da biblioteca, especialmente os alunos, na pesquisa e consulta de obras; - Elaborar propostas de aquisição de livros, folhetos e periódicos a partir das necessidades indicadas pelo pessoal docente e discente; - Elaborar inventário anual do acervo da biblioteca; - Emprestar livros e controlar a retirada, a devolução, o atraso na devolução e o extravio; - Zelar, controlar e conservar o acervo, equipamentos e instrumentais; - Encarregar da utilização do material audiovisual pertencente à Unidade de Ensino; - Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação; - Auxiliar os gestores na monitoria do recreio, quando não estiver em sala de aula; - Substituir professor ocasionalmente.  Professores/Monitores de Inclusão Digital e Laboratório de Ciências - Participar da elaboração da Proposta Pedagógica da escola; - Adequar a utilização dos recursos de ensino ao desenvolvimento das propostas curriculares; - Controlar a utilização do ambiente e dos equipamentos e instrumentais;
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    31 - Zelar pela conservação e manutenção dos equipamentos e instrumentais; - Propor a aquisição ou reposição de materiais de consumo; - Manter adequadas as condições do ambiente de trabalho; - Participar de cursos oferecidos pela escola ou pela Secretaria Municipal de Educação; - Substituir professor nos seus impedimentos. 5.3– Funções, Atribuições e Competências dos Educadores do Atendimento Educacional Especializado- AEE  Professores do AEE para Deficientes Visuais - Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular específica; - Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando com deficiência visual ao currículo e a sua interação no grupo; - Promover condições de inclusão desses educandos em todas as atividades da instituição educacional; - Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional; - Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional; - Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao deficiente visual; - Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do atendimento para deficiente visual; - Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizado pelos educandos nas classes comuns do ensino regular; - Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada coletivamente em prol de uma educação inclusiva;
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    32 - Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações curriculares necessárias ao processo educacional do educando com necessidade educacional especial; - Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros; - Fortalecer a autonomia dos estudantes, a fim de levá-los a ter condições de decidir, opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações; - Propiciar a interação dos educandos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a não discriminação; - Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem dos deficientes visuais; - Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o envolvimento do educando em todas as atividades propostas ao grupo; - Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no espaço da sala de aula; - Realizar adequações de material didático pedagógico para atender às necessidades dos educandos; - Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do educando; - Ofertar suporte pedagógico aos estudantes, facilitando-lhes o acesso aos conteúdos desenvolvidos em classe comum e turmas de integração inversa.  Professores do AEE para Deficientes Auditivos - Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular específica; - Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando surdo ao currículo e a sua interação no grupo; - Promover condições de inclusão dos surdos em todas as atividades da instituição educacional; - Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional;
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    33 - Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional; - Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao educando; - Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do atendimento para os surdos. - Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizados pelos surdos nas classes comuns do ensino regular; - Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada coletivamente em prol de uma educação inclusiva; - Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações curriculares necessárias ao processo educacional do educando surdo; - Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros; - Fortalecer a autonomia do surdo a fim de levá-lo a ter condições de decidir, opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações; - Propiciar a interação dos surdos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a não discriminação; - Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem dos surdos; - Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o envolvimento do surdo em todas as atividades propostas ao grupo; - Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no espaço da sala de aula para melhor atendimento ao surdo; - Realizar adequações de material didático pedagógico para atender as necessidades dos surdos; - Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do surdo;
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    34 - Ofertar suporte pedagógico aos surdos, facilitando assim o acesso aos conteúdos desenvolvidos em classe comum e turmas de integração inversa.  Intérpretes para Deficientes Auditivos - Sugerir metodologias que atendam melhor o educando surdo; - Pesquisar os sinais já construídos pelos alunos nos conteúdos que estão sendo ministrados; (pasta da escola, no computador, na pasta de arquivos dos surdos e no CD de dicionário de Libras gravado) - Pesquisar os sites de dicionário de Libras do INES, NEPES e os DVDs do Telecurso, antes de criar um sinal; - Coordenar com o professor regente; - Criar o dicionário de sua área, colocando numa pasta específica, para consulta dos alunos surdos. Os sinais deverão ser criados pelos alunos surdos. - Explicar aos professores e alunos sobre o exercício da função de intérprete educacional; - Contribuir para valorização e respeito ao aluno surdo; - Construir parceria e cooperação com os Professores; - Em caso de dúvida de algum conteúdo, recorrer ao professor regente; - Definir bem os papéis: os alunos surdos devem remeter seus questionamentos ao professor regente; - Colocar-se ao lado do professor, interpretando sua fala - Estimular a interação dos alunos surdos com os professores e alunos ouvintes. - Manter uma atitude imparcial durante o transcurso da interpretação, evitando interferências e opiniões próprias, a não ser quando solicitadas; - Interpretar fielmente e com melhor da sua habilidade, sempre transmitindo o pensamento, a intenção e o espírito do professor ou palestrante; - Reconhecer seu próprio nível de competência e ser prudente em aceitar tarefas, procurando assistência de outros interpretes e/ou profissionais, quando necessário, especialmente em palestras técnicas; - Adotar uma conduta adequada de se vestir, evitando também adereços, para não chamar a atenção indevida sobre si mesmo, durante o exercício da função.
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    35  Professores doAEE para Déficit Intelectual - Atuar com docente nas atividades de complementação ou de suplementação curricular específica; - Atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do educando com déficit intelectual ao currículo e a sua interação no grupo; - Promover condições de inclusão desses educandos em todas as atividades da instituição educacional; - Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional; - Informar à comunidade escolar acerca da legislação e das normas educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional; - Participar do processo de identificação e de avaliação pedagógica das necessidades especiais e tomadas de decisões quanto ao apoio especializado necessário ao educando; - Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do atendimento para educandos com déficit intelectual. - Orientar a elaboração de material didático-pedagógico que possa ser utilizados pelos educandos nas classes comuns do ensino regular; - Indicar e orientar o uso de equipamentos e de materiais específicos, bem como de outros recursos existentes na família e na comunidade e articular, com gestores e com professores, para que a proposta pedagógica da instituição educacional seja organizada coletivamente em prol de uma educação inclusiva; - Responsabilizar-se junto aos docentes pela garantia da realização das adequações curriculares necessárias ao processo educacional do educando com necessidade educacional especial; - Realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos mentais: atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem, dentre outros; - Fortalecer a autonomia dos estudantes a fim de levá-los a ter condições de decidir, opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações;
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    36 - Propiciar a interação dos educandos em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a não discriminação; - Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem dos educandos; - Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam a autonomia e o envolvimento do educando em todas as atividades propostas ao grupo; - Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação no espaço da sala de aula; - Realizar adequações de material didático pedagógico para atender ss necessidades dos educandos; - Reconhecer os pontos fortes e de maior interesse e as dificuldades do educando; - Ofertar suporte pedagógico aos estudantes, facilitando-lhes o acesso aos conteúdos desenvolvidos em classe comum e em turmas de integração inversa.
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    37 6– CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS Entende-se por projeto educativo a expressão da identidade de cada escola de um processo dinâmico de discussão e reflexão. Esse processo deve contar com a participação de toda equipe pedagógica, buscando um comprometimento de todos como realizado, com os propósitos discutidos e com a adequação de tal projeto às características culturais da realidade em que a escola está inserida. (PCN, p.37, 1997) Este instrumento é a concretização de uma filosofia educacional e de sua coletividade de educadores que foi refletida, analisada, discutida e redirecionada de acordo com a realidade escolar, isto é, um fazer e refazer, sempre inacabado, que pressupõe uma ação intencional com o compromisso de todos. A construção coletiva de um projeto pedagógico para uma escola, além de representar um desafio para seus realizadores, é um valioso instrumento de ação educacional, que objetiva explicitar a organização do trabalho pedagógico da Escola. A elaboração desse projeto resulta da reflexão coletiva dos princípios básicos que fundamentam e norteiam o ideal de uma escola de excelência, das finalidades da escola, dos conteúdos curriculares, da estrutura educacional, das relações de trabalho, das relações educando-educador-escola-comunidade, dos processos de decisão, do tempo escolar, do convívio social, entre outros. Pretende-se, portanto, que esse trabalho assim concebido contribua para o fortalecimento da escola e para a construção de sua identidade e de sua autonomia. Desse modo, os princípios teóricos e práticos nele abordados pressupõem uma ação intencional como compromisso definido coletivamente, aberto à construção de aprendizagem significativa para todos os que dele participam. Há consciência, por parte dos que o produziram, de que o mesmo (obs: “o mesmo” refere-se a quê? “o compromisso”? “o trabalho”? Suponho que seja “o projeto”. Se for o caso, sugiro que se empregue a forma “esse projeto”, no lugar de “o mesmo”. representa um norteador das ações a serem empreendidas e se encontra aberto a qualquer tipo de sugestões e encaminhamentos. Sabemos que nenhum Projeto Político Pedagógico pode ser dado como pronto e acabado sob pena de se cristalizar e deixar de acompanhar os movimentos da história. A reflexão continua baseada na prática pedagógica cotidiana e na discussão dos
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    38 referenciais teóricos quenos encaminha para uma “práxis” responsável e compromissada com uma escola pública de qualidade. 6.1– Função Social da Escola Garantir a aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do indivíduo. Estas aprendizagens devem constituir-se em instrumentos para que o educando compreenda melhor a realidade que o cerca, favorecendo sua participação em relações sociais cada vez mais amplas, possibilitando a leitura e interpretação das mensagens e informações que hoje são amplamente veiculadas, preparando – o para a inserção no mundo do trabalho e para a intervenção crítica e consciente na vida pública. 6.2– Missão da Escola - Proporcionar a todos os educandos o direito de acesso, permanência e efetiva aprendizagem; - Contribuir para a formação de cidadãos críticos, éticos, criativos, capazes de observar e transformar a realidade em que estão inseridos em tempo presente; - Proporcionar ambientes favoráveis à interação, afim de aflorar sempre o prazer de estar na escola e o prazer de aprender. - Estabelecer parcerias com outras instituições educacionais e sociais, objetivando elaboração e execução de projetos que efetivem aprendizagens de todos os educandos. 6.3 – Trabalho Pedagógico Na Idade Média, o ensino acontecia nos mosteiros, para a formação religiosa dos leigos e dos clérigos. Após o reinício do desenvolvimento do comércio e a consequente reurbanização, surgiu a necessidade de aprender a ler, escrever e contar. A nova classe, a burguesia, propagou outro tipo de escola, com educadores leigos nomeados pelo Estado e com o ensino voltado para as coisas práticas da vida, isto é, para os interesses da nova classe emergida, que entende que a escola atende historicamente aos interesses de quem a controla.
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    39 No Brasil, as primeiras escolas foram criadas pelos jesuítas, que aqui chegaram em 1549. Os colégios jesuíticos eram missionários, isto é, pretendiam formar sacerdotes para atuar na nova terra e também buscavam catequizar e instruir o índio. Eram igualmente usados para formar jovens que realizaram estudos superiores na Europa(trecho confuso). Em outras palavras, dedicavam-se à educação da elite nacional. Apenas no século XVIII, primeiramente na Alemanha e na França, iniciou-se a educação pública estatal, sem que houvesse, porém, interesse em atender aos filhos dos trabalhadores. Nos estados Unidos, ela foi inaugurada no século XIX, no Brasil, no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, quando principiou o processo de industrialização no país. As diretrizes do processo de escolarização centravam-se no atendimento às indústrias, que requeriam trabalhadores instrumentalizados na leitura, na escrita e nos cálculos. Hoje, a necessidade mercadológica da formação escolar faz-se sentir, em pleno vigor, com o processo de informatização do mundo do trabalho. Já não basta ler, escrever e contar. O capital quer trabalhadores conhecedores das funções do computador. Numa perspectiva crítica, a escola é vista como uma organização política, ideológica e cultural em que indivíduos e grupos de diferentes interesses, preferências, crenças, valores e percepções da realidade mobilizam poderes e elaboram processos de negociação, pactos e enfrentamentos. Vale destacar, todavia, que ela não é o único espaço em que ocorre a educação. Esta já existia antes mesmo da existência da escola. A vida social implica a vivência da educação pelo convívio, pela interação entre as pessoas, pela socialização das práticas, hábitos e valores que produzem a vida humana em sociedade. Como prática social, a educação é fenômeno essencialmente humano e, portanto, tem historicidade. A prática educativa envolve a presença de sujeitos que ensinam e aprendem ao mesmo tempo, de conteúdos (objetos de conhecimento a serem apreendidos, de objetivos, de métodos e de técnicas coerentes com os objetivos desejados). Desse modo, ela pode caracterizar-se articulando aspectos contraditórios, como opressão e democracia, intolerância e paciência, autoritarismo e respeito, conservadorismo e transformação, sem nunca ser, porém, neutra. Permite-se a opção, não admite a neutralidade, pois aquela tem caráter político. Na sociedade capitalista, diferentemente da sociedade religiosa do período feudal, a educação é entendida sob uma perspectiva científica. A escola, com suas normas, regras, agentes específicos, áreas de saber e outros, incorpora os valores da nova sociedade. Como
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    40 construção histórica, porém,ela é analisada sob diferentes concepções, que se orientam segundo a produção de autores clássicos, tais como Émile Durkheim, matriz de uma pedagogia burguesa de inspiração liberal, e Karl Marx, base teórica da pedagogia socialista. As noções que as pessoas têm a respeito do mundo, da sociedade, dos homens orientam sua visão de escola, advindo daí a existência de diferentes maneiras de entender a relação entre educação e sociedade. Dermeval Saviani (1984) classifica em três as concepções da educação: a) a teoria não-crítica; b) teorias crítico-reprodutivistas; c) teoria histórico-crítica. A primeira concepção, não-crítica, entende que a educação caminha de maneira autônoma em relação ao que ocorre na sociedade, e assim a educação escolar apresenta-se como instrumento de superação da marginalidade e como proponente da equalização social. As teorias crítico-reprodutivistas veem na educação um fator reforçador da discriminação social, uma vez que é condicionada pela estrutura socioeconômica da sociedade capitalista. Se esta é excludente, a escola também o será, negando-se assim a potencialidade transformadora da ação escolar. Ademais, para essa concepção, a educação reforça a dominação da classe detentora dos meios de produção, reproduzindo a sociedade de classes. As teorias não-críticas conferem um poder ilusório à escola, e os críticos- reprodutivistas evidenciam sua importância. Savani pergunta se é possível encarar a escola como realidade histórica, isto é, suscetível de ser transformada intencionalmente pela ação humana. É possível ter uma escola que contemple os interesses dos denominados? Responde ele que para existir uma escola assim é necessário aceitar o movimento da história, agir sobre as contradições da sociedade capitalista e acreditar numa sociedade inclusiva, desejando-a (Saviani, 1984). Nessa perspectiva, aparece a terceira concepção, a teoria histórico-crítica, para o autor um contraponto às pedagogias tradicional e nova do primeiro grupo. Na concepção histórico- crítica, a educação vincula-se aos fatores socioeconômicos da sociedade capitalista, significando que é determinada de forma relativa pela sociedade, uma vez que também interfere nesta, podendo até contribuir para sua transformação.
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    41 A concepção histórico-crítica empenha-se na defesa da especificidade da escola. “A escola tem uma função específica educativa, propriamente pedagógica, ligada à questão do conhecimento” Saviani (1991, p.101). Há diferentes formas de compreensão do papel da escola na sociedade. Da escola como local de lazer para os que não precisavam trabalhar, no sentido grego, evolui-se para uma compreensão burguesa de escola para todos, tornando-se a forma dominante de educação tal como é conhecida atualmente. O movimento da Escola Nova, no Brasil, nos anos 20 do século passado, veio questionar a educação escolar tradicional e inovou, propondo uma escola em que o educando passasse a ser ouvido e que fosse local de formação de um homem novo. Educação de qualidade O Projeto Político Pedagógico, ao dar uma nova identidade à escola, contempla em suas reflexões a questão da educação de qualidade, entendida aqui nas suas dimensões indissociáveis: a formal ou técnica, a social e a política. Uma não está subordinada à outra, cada uma delas tem perspectivas próprias. A primeira coloca em evidência os instrumentos, métodos e técnicas. A qualidade formal não está afeita, necessariamente, a determinados conteúdos. Demo (1994, p.14) afirma, com muita propriedade, que a qualidade formal “significa a habilidade de manejar meios, instrumentos, formas, técnicas, procedimentos, diante dos desafios do desenvolvimento”. A qualidade social e política imprescindível de participação democrática está voltada para os fins, os valores e os conteúdos; quer dizer “a competência humana do sujeito em termos de se fazer história, diante dos fins históricos da sociedade humana” (Ibid, p.14). Mas, o que é qualidade? Etimologicamente o termo qualidade vem do Latim qualitate. Significa propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas, capaz de distingui-las das outras ou lhe determinar a sua natureza. Numa escala de valores, qualidade que permite avaliar e, consequentemente, aprovar, acertar ou recusar qualquer crise.
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    42 Concepções de sociedade,escola e homem Vivemos na era da globalização da economia e das comunicações, mas também numa época de acirramento das contradições inter e intra povos e nações, época do ressurgimento do racismo e de certo triunfo do individualismo. É dentro deste cenário da pós-modernidade que a escola precisa atuar, um cenário que coloca novos desafios para nós educadores: que tipo de educação necessitam os homens e as mulheres dos próximos vinte anos para viver neste mundo tão diverso? Certamente eles e elas necessitam de uma educação para a diversidade, necessitam de uma ética da diversidade e de uma cultura da diversidade. Uma sociedade multicultural deve educar o ser humano multicultural, capaz de ouvir, de prestar atenção no diferente, de respeitá-lo. Neste novo cenário da educação, será preciso reconstruir o saber da escola e a formação do educador. Não haverá um papel cristalizado tanto para a escola quanto para o educador. Em vez da arrogância de quem se julga dono do saber, o educador deverá ser mais criativo e aprender com o educando e com o mundo. Numa época de violência, de agressividade, o educador deverá promover o entendimento com os diferentes e a escola deverá ser um espaço de convivência, onde os conflitos serão trabalhados e não camuflados. Nesse contexto global há duas dimensões que podem ser logo destacadas: Dimensão Interdisciplinar: O objetivo fundamental da interdisciplinaridade é experimentar a vivência de uma realidade global que se inscreve nas experiências cotidianas dos educandos, do educador e do povo que, na escola conservadora, é compartimentada e fragmentada. Articular saber, conhecimento, vivência, escola, comunidade, meio ambiente, etc., é o objetivo da interdisciplinaridade. Na prática, ela se traduz por um trabalho escolar coletivo e solidário. Este exercício leva à interdisciplinaridade, isto é , ao rompimento com a estrutura disciplinar do conhecimento; Dimensão Internacional: Para viver esse tempo presente, o educador precisa preparar educandos para o mundo da diferença, da solidariedade entre os diferentes. A escola precisa formar o cidadão para participar de uma sociedade planetária. A escola deve ser local, como ponto de partida, mas tem de ser internacional e intercultural como ponto de chegada, isto é, deve valorizar a cultura local – a cultura primeira do educando – redimensionando-a na relação com outras culturas. Os conteúdos curriculares deverão apresentar métodos mais apropriados ou maior frequência à escola e principalmente adequação do tratamento dos conteúdos,
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    43 problematizando-os e equacionandoa relação entre a transmissão da cultura e o itinerário educativo dos educandos. O currículo monocultural oficial representa, nesse aspecto, um grande obstáculo a ser superado. Ao contrário, os resultados obtidos com currículos multiculturais que levam em conta a cultura dos educandos – são mais eficazes para despertar o interesse . Paulo Freire (1996) chama essa cultura do educando de “Cultura Popular”. Equacionar adequadamente ou não a relação entre identidade cultural e itinerário educativo, sobretudo para as camadas populares, pode representar a grande diferença na extensão ou não da educação para todos e de qualidade nos próximos anos. Só uma educação multicultural pode dar conta dessa tarefa. A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos educandos que existem outras culturas além da sua. A autonomia da escola não significa isolamento, fechamento numa cultura particular. Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, que busca dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Pluralismo significa, sobretudo, diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais A escola não deve apenas transmitir conhecimentos, mas também preocupar-se com a formação global dos educandos, numa visão em que o conhecer e o intervir no real se encontrem. Mas, para isso, é preciso saber trabalhar com as diferenças: é preciso reconhecê- las, não camuflá-las, aceitando que, para conhecer a mim mesmo, preciso conhecer o outro. Partindo desse princípio antropológico, muitas ações práticas podem ser desenvolvidas desde já para a construção de uma escola pluralista e competente, que articule a diversidade cultural dos educandos com seus próprios itinerários educativos: - Fortalecer grupos que trabalham com currículos multiculturais, impulsionando o movimento emergente de valorização das diferentes culturas; - Mudanças nos currículos, incluindo temas como: direitos humanos, educação para a paz, educação ambiental, discriminação social e cultura popular; - Recuperar os códigos linguísticos das próprias comunidades, desde o processo de alfabetização, como meio de fortalecer a auto-estima; - Promover a autonomia da escola na elaboração de seus currículos, pois só com autonomia a escola pode fazer as mudanças desejadas.
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    44 7 – SISTEMA DE ENSINO: MODALIDADES DE ENSINO, ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO A educação brasileira, tal como estabelece a Constituição Federal de 1988, nos artigos 205 e 206, visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, a seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho. Para atendimento desses objetivos, o ensino deve ser ministrado com base nos seguintes princípios (art.206): I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - Pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - Valorização dos profissionais do ensino, garantindo na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurando regime único para todas as instituições mantidas pela União; V I- Gestão democrática do ensino público na forma da lei; VII - Garantia de padrão de qualidade. A educação básica tem início na educação infantil e prolonga-se até o ensino médio. A seguir, vamos apresentar a estrutura do sistema educacional do país, com os dois níveis e suas características, com as séries e com as idades próprias de cada um. 7.1 – Educação Básica A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
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    45 7.2 – EnsinoFundamental O ensino fundamental é a etapa obrigatória da educação básica. Como dever do Estado, o acesso a esse ensino é direito público subjetivo, quer dizer, não exige regulamentação para ser cumprido. A oferta do ensino fundamental gratuito estende-se a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria, e não se restringe apenas aos que se situam na faixa etária entre os 7 e 14 anos. O objetivo desse ensino (art.32 da LDB) é a formação básica do cidadão, mediante: I - O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo; II - A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (Brasil, 1996). 7.3 – Modalidades de Educação A LDB/96 apresenta três modalidades de educação: educação de jovens e adultos, educação profissional e educação especial. A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves atende, além do Ensino Regular, a Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos-EJA. 7.3.1 – Educação Especial No processo de redemocratização do Brasil, sobretudo a partir da metade dos anos 80, as discussões sobre os direitos sociais que precederam a Constituinte enfatizaram as reivindicações populares e as demandas de grupos ou categorias até então excluídos dos espaços sociais, e neste movimento tomou vulto a luta pela ampliação do acesso e da qualidade na educação das pessoas com deficiência (Fernandes, 1998; Ferreira e Glat, 2003; Glat, 1995; Glat e Nogueira, 2002, entre outros).
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    46 Na Constituição de 1988 foram aprovados vários dispositivos referentes aos direitos das pessoas com deficiência, tanto na educação como em outras áreas, sendo que na educação destaca-se o Inciso III, do Artigo 208, que define como dever do Estado “o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente”, Ferreira e Glat (2003) apontam que essas duas palavras- “especializado” e “preferencialmente” - até hoje suscitam debates: a primeira por lembrar a noção do “tratamento especial” e por identificar a deficiência com um processo educacional diferente; a segunda, por permitir múltiplas interpretações sobre como se configura e se decide esta preferência na rede regular de ensino”. Segundo o Ministério da Educação, cerca de 40% dos municípios brasileiros (de 20% na região sul a 66% na região nordeste) não têm registro de matrícula de alunos com necessidades especiais (MEC/SEESP, 2001). Incorporaram o dispositivo constitucional e, em alguns casos, o complementaram, outros importantes documentos legais pós-constituição, como a Lei nº 7.853/89, chamada “Lei da Integração”, e o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), de 1990, reafirmaram o direito à Educação e a noção de integração social. O Decreto nº 3298 de 1999 (que regulamentou a Lei nº 7853/89), prevê a opção pelas escolas especializadas “exclusivamente quando a educação das escolas comuns não puder satisfazer as necessidades educativas ou sociais do aluno ou quando necessário ao bem-estar do educando” (Ferreira & Glat, 2003). Mas foi a partir da Declaração de Salamanca, (UNESCO, 1994) onde foram preconizadas as diretrizes da “Educação Para Todos”, que tomaram força as discussões acerca da Escola Inclusiva. Esta proposta foi respaldada na Lei nº 9.394/96 – de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que define como dever do Estado o “atendimento educacional especializado aos educandos com necessidades especiais”. É interessante mencionar que a expressão “necessidades especiais” substituiu “deficiências” do texto constitucional, em revisões sucessivas em que foram agregados aos educandos com deficiência e com altas habilidades (superdotados), num primeiro momento, e os alunos com problemas de conduta, depois, preferencialmente na rede regular de ensino” (Artigo n° 4, III), norteando as políticas educacionais desde então, e oferecendo a base legal para a propagação da Educação Inclusiva, e as ações que se seguiram. Ressaltamos que o conceito de Escola Inclusiva, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial (MEC/SEESP, 1998), implica uma nova postura da escola comum, que propõe no projeto político pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino,
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    47 na avaliação ena atitude dos educandos, ações que favoreçam a integração social e sua opção por práticas heterogêneas. Cabe aos órgãos competentes capacitar profissionais para que a escola se organize e se adapte para oferecer educação de qualidade para todos, inclusive, para os educandos com necessidades especiais. Inclusão, portanto, não significa, simplesmente matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades específicas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica. Em outras palavras, a Educação Especial já não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de medidas que a escola regular põe ao serviço de uma resposta adaptada à diversidade dos alunos. Neste contexto, a instituição escolar passa a ser alvo de questionamentos e de conflitos, provavelmente por expor a diversidade e o compartilhamento de interesses, contradições, expectativas e identidades. Muitas são as ansiedades que movimentam as transformações em busca do que se julga ser o ideal, correspondendo às necessidades específicas de todos. Assim, no Brasil, a necessidade de se pensar um currículo para a escola inclusiva foi oficializada a partir das medidas desenvolvidas junto à Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação com a criação dos Parâmetros Curriculares. A palavra currículo, segundo Sá (s/d) tem origem em curriculum, que significa pista de corrida. Dessa forma, quando falamos em currículo escolar, estamos nos referindo à caminhada que o professor constrói para que seus alunos a percorram. As adaptações curriculares são consideradas pelo Ministério da Educação como: Estratégias e critérios de atuação docente, admitindo decisões que oportunizam adequar a ação educativa escolar às maneiras peculiares de aprendizagem dos alunos, considerando que o processo de ensino-aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola. (MEC/SEESP/SEB, 1998, p. 15). Assim, cabe às instituições de ensino auxiliar e orientar alunos, famílias, profissionais de outras instituições que trabalham com pessoas com deficiência visual, estabelecendo uma relação que vise o desenvolvimento do educando, promovendo a integração social. A educação inclusiva, a oferta de Atendimento Educacional Especializado é hoje uma questão de direitos.
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    48 A Escola Municipal “Altina Olivia Gonçalves“ respeita, valoriza e convive com as diferenças, formando assim, alunos com dignidade e identidade, incentivados a buscarem projetos de futuro capazes de transformar sua realidade. O perfil sócio econômico e a faixa etária dos alunos sempre foram diversificados, mas a maior parte dos alunos depende de Programas como o Bolsa Escola e ajuda dos governos municipal e federal. Fundamentação Legal Toda as Leis que sustentam a legalidade da implantação do atendimento da educação especial na escola, podem ser consultadas no Anexo 1. 7.3.1.1- Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Deficiência Visual Histórico e nova demanda Em 1997, foi constatado no município um alto índice de evasão e reprovação escolar de alunos que estavam além da sua faixa etária. Buscando mais qualidade para a educação, o governo municipal mudou o sistema de seriação para ciclo. Constatou-se que 20% dos alunos matriculados nas escolas não conseguiam aprender, necessitando de acesso a metodologias diferenciadas como condição para atender suas necessidades educacionais especiais. Para tanto, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação, deu início à oferta de atendimento com adequações e adaptações que consideravam serem as necessidades educacionais específicas desses alunos. Nesta época, a demanda de alunos com deficiência visual não era atendida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE, havia a necessidade de um programa que vislumbrasse este atendimento. Assim foi criado o Projeto COM TATO pela Secretaria Municipal de Educação, inaugurado no dia 15 de maio de 2001. Inicialmente o atendimento era oferecido para as pessoas do município com deficiência visual, que necessitavam aprender o Braille e desenvolver autonomia para locomoção. O atendimento foi organizado inicialmente em três oficinas: “Alfabetização em Braille”, “Orientação e Mobilidade” e “Artes”. Com a divulgação do atendimento oferecido, os deficientes visuais dos municípios vizinhos também procuraram e receberam atendimento. Para adequação do atendimento, foi ampliado o número de oficinas, além de serem oferecidas novas oficinas como informática e
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    49 atendimento da EducaçãoInfantil. Entre 2001 a 2008, muitos destes alunos conseguiram ingressar na EJA (Educação de jovens e Adultos), no CESEC (Centro Estadual de Educação Continuada), no Ensino Médio e até mesmo no Ensino Superior, criando-se demanda e dando início a oficinas para Acompanhamento Pedagógico. Atualmente a demanda de alunos a serem alfabetizados é pequena, pois a maioria dos alunos está matriculada em classes do Ensino Regular e necessitam receber apoio e acompanhamento para realizarem as atividades propostas pelas escolas, tais como provas, trabalhos, etc. Os educandos são atendidos nos turnos matutino e vespertino, por meio de tecnologias assistivas em oficinas de: “Letramento em Braille”, “Letramento à Tinta”, “Acompanhamento Pedagógico”, “Matemática/ Soroban”, “Orientação e Mobilidade” e “Informática”. O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência visual atende atualmente (2011), 44 educandos, sendo que 16 deles frequentam classes de Ensino Regular da própria escola, e dois em outro município, com faixa etária compreendidas entre 09 e 70 anos. Dentre eles, 30 são baixa visão e 14 são cegos, sendo que alguns apresentam deficiências múltiplas. É prevista para o ano de 2012, uma parceria entre a escola e a Associação dos Deficientes Visuais de Ipatinga (ADEVIPA) através de projetos com atividades profissionalizantes, culturais e esportivas. Objetivos O atendimento educacional especializado para deficientes visuais tem como finalidade buscar uma prática pedagógica coerente com o perfil desses educandos, procurando atendê- los em suas necessidades educativas especiais, considerando a singularidade de cada um e promovendo o desenvolvimento dos alunos nos aspectos físico, psicológico, intelectual, afetivo, social, habilitação e reabilitação. Objetivos específicos: - Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no Ensino Regular aos educandos com deficiência visual (cegos e baixa visão) e educandos com deficiência múltipla, sendo a deficiência visual a predominante;
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    50 - Garantir a transversalidade das ações do centro de atendimento Educacional Especializado no Ensino Regular; - Desenvolver recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; - Assegurar a continuidade de estudos dos educandos nos demais níveis de ensino (Art. 2º, IV, Decreto nº 6.571 de 17/09/2008). Estrutura Pedagógica O Atendimento Educacional Especializado para deficientes visuais está inserido na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, de acordo com as leis da Educação Especial. Há um Coordenador Pedagógico para orientar e acompanhar as atividades do atendimento educacional especializado. O corpo docente é formado por especialistas em Educação Especial, Psicopedagogos, Pedagogos e profissionais com Licenciaturas específicas, atualmente com um total de 12 especialistas. O trabalho de intercâmbio pedagógico no Ensino Regular é efetivado pelo coordenador pedagógico, professor mediador, em parceria com o psicopedagogo do Atendimento Educacional Especializado da escola. As visitas são sistematizadas e previstas antecipadamente na agenda do atendimento Educacional Especializado e nas escolas de origem. As necessidades, dúvidas e orientações para as escolas são registradas em portifólio próprio, constando dificuldades, intervenções realizadas e avaliação das escolas e das famílias. Os alunos que estudam na escola recebem, se necessário, o apoio de um monitor em sala de aula no Ensino Regular. A nova estrutura se justifica devido à necessidade de uma nova ação pedagógica em função da demanda. Trabalhos importantes para a autonomia do educando com necessidades especiais (deficiência visual), como: ARTES, AVD (Atividades da Vida Diária) serão trabalhadas em parceria com a ADEVIPA, para que possamos contribuir de forma efetiva no desenvolvimento intelectual e social do educando, buscando o exercício pleno de sua cidadania. Cabe à Secretaria Municipal de Educação, para um atendimento que vai de encontro às necessidades do educando, prover:
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    51 - Trabalho conjunto entre Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Saúde, visando um trabalho multidisciplinar; - Materiais adaptados às condições de cada educando; - Recursos didáticos (recursos ópticos) que atendam às necessidades do educando com deficiência visual; - Cursos de capacitação para os profissionais; A construção de uma Proposta Pedagógica dessa amplitude tem a ver com a concepção de criança, homem, e sociedade que se quer, nesse sentido, essa proposta foi fundamentada nos princípios da ética, da justiça, dos direitos das pessoas, do respeito às singularidades e, sobretudo, no amor. O propósito é ensinar a todos, num momento histórico em que se luta para vencer a exclusão, a competição, o individualismo, em busca de um trabalho de humanização e de socialização que supere as barreiras físicas. Esta proposta pedagógica foi elaborada com a participação de todos os seguimentos dessa instituição a partir de reflexões teóricas e debates que subsidiaram esse trabalho e visam aprofundamento dos pressupostos psicológicos, espaciais, temporais e culturais. Nesse sentido, não excluem ninguém dos programas curriculares, das atividades em sala de aula e do convívio escolar mais amplo. Essa proposta é referendada pela Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, adaptada às necessidades educacionais específicas do desenvolvimento dos alunos, ao ritmo, às diferenças, sem empobrecimento dos conteúdos, pois acreditamos nas potencialidades de cada um, pois a valorização das potencialidades e o respeito à diversidade é que fazem a diferença. Para atender às diferenças e às necessidades educacionais especiais individuais dos educandos, são diversificados e flexibilizados: - O processo ensino aprendizagem; - A organização de períodos para o desenvolvimento das atividades previstas; - A formação dos grupos de alunos que visa favorecer as relações sociais e a aprendizagem; - A organização didática da aula - conteúdos, objetivos, materiais e espaços; - As adequações que focalizam as capacidades, o potencial de cada aluno; - O favorecimento e o estímulo da diversificação de técnicas, procedimentos e estratégias de ensino;
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    52 - O agrupamento dos alunos de modo que favoreça as relações sociais e a aprendizagem; - A seleção de materiais adaptados para possibilitar a realização das atividades; - A seleção, como prioridade, dos objetivos que enfatizam capacidades e habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade; Os conteúdos trabalhados seguem uma sequência, através de processos gradativos, do mais simples para o mais complexo. A escola possui os seguintes materiais e equipamentos adaptados: Desportivos Filmes Máquina de escrever Braille Lupas Texturas diversas Reglete Softwares educativos específicos Lentes de aumento Punção Mapa tátil Tamanho de letras Objetos em relevo Soroban Bengalas Papel Braille Quadro 1- Materiais e equipamentos adaptados para a Educação Especial Assim, é pelo currículo geral que serão satisfeitas as realidades educativas distintas com adaptações curriculares ou ajuste daquele às necessidades e possibilidades de cada aluno. As adaptações curriculares são instrumentos de individualização e flexibilização da aprendizagem, como produto de decisões pedagógicas sujeitas aos objetivos definidos. Estas adaptações consistem na modificação de estratégias, no fornecimento de elementos e recursos materiais necessários e na adaptação de espaços físicos, possibilitando a superação das limitações físicas ou sensoriais. Técnicas específicas são fundamentais e possibilitam a aquisição de elevado grau de autonomia ao deficiente visual, permitindo um maior nível de integração social e acadêmica pela estimulação visual através de programas de desenvolvimento da eficácia e funcionamento visual, da percepção visual, de reeducação e de organização perceptivo-visual e por atividades de desenvolvimento da memória e atenção visual. Segue abaixo uma descrição sucinta das oficinas desenvolvidas na escola para atendimento dos educandos com deficiência visual:
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    53  Oficina deOrientação e Mobilidade Justificativa Com a Política Educacional de Inclusão faz-se necessário o acréscimo de programas específicos que venham atender às necessidades educacionais dos alunos com deficiência visual. Dentre esses programas destaca-se o de Orientação e Mobilidade, conhecimento indispensável para a conquista da autonomia e, consequentemente, a independência e inclusão do deficiente visual na escola e na sociedade. Segundo Weishaln (1990), orientação é o processo de utilizar os sentidos remanescentes para estabelecer a própria posição e o relacionamento com outros objetos significativos no meio ambiente. E o mesmo autor também define mobilidade como a habilidade de locomover-se com segurança, eficiência e conforto no meio ambiente, através da utilização dos sentidos remanescentes. A locomoção é para o deficiente visual - principalmente para o cego - uma das tarefas mais difíceis. Para tanto, há necessidade de que o aluno seja orientado em determinados procedimentos que facilitarão sua mobilidade e consequente integração social. As pessoas percebem boa parte da realidade à sua volta por meio da visão, o que não significa que os deficientes visuais estejam impossibilitados de conhecer essa realidade e se relacionar com o mundo. Ele deve se utilizar de outras percepções sensoriais, como a audição, o sistema háptico ou tato ativo, o olfato e o aproveitamento máximo de qualquer grau de visão que possa ter. Objetivos Proporcionar ao deficiente visual autonomia na locomoção, autoconfiança, aumento da auto-estima e independência, elementos estes facilitadores na sua integração social. Objetivos Específicos - Explorar ativamente o ambiente interno/externo utilizando o corpo todo; - Movimentar-se e locomover-se em ambiente interno/externo; - Localizar e identificar mudança de ambiente pelo som, cheiro e temperatura; - Relacionar os planos do corpo e diferentes posições no espaço; - Orientar-se espacialmente em relação aos objetos, pessoas e sons;
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    54 - Utilizar pontos de referência: posição, direção, som, comprimento, tamanho e textura; - Orientar-se utilizando diferentes posições: frente, trás, direta, esquerda, em cima, em baixo; - Seguir em linha reta, horizontal, diagonal e vertical; - Imitar movimentos; - Utilizar técnicas do guia vidente/passagem estreita; - Fazer rastreamento em linha guia; - Realizar alinhamento e tomada de posição; - Manipular, explorar objetos e utilizar técnicas de orientação e mobilidade com a bengala;  Oficina de Letramento à Tinta Justificativa Uma criança não é mais ou menos capaz por ser cega. A baixa visão não confere a ninguém qualidades menores nem potencialidades compensatórias. Seu crescimento dependerá exclusivamente das oportunidades que lhe forem dadas, da forma pela qual a sociedade a vê, da maneira como ela própria se aceita. Portanto, justifica-se a existência da Oficina de Letramento à Tinta para alunos com baixa visão, vislumbrando a inclusão efetiva da pessoa com deficiência visual na escola e consequentemente na sociedade, de maneira autônoma e independente e levando em consideração que letramento (ver, ler e usar a leitura e escrita funcionalmente) é uma forma de inclusão social. O educando com deficiência visual não precisa de um currículo ou método de alfabetização diferente dos demais, mas de adaptações e complementos curriculares, tais como adequação de recursos específicos, tempo, espaço, modificação do meio, procedimentos metodológicos e didáticos e processos de avaliação adequados a suas necessidades. (BRUNO, 2006, p. 59). A aprendizagem desses alunos ocorrerá quando esta for de fato a finalidade dos planejamentos de ensino elaborados pelos professores, sendo que cabe a eles identificar quais são as necessidades educacionais especiais existentes em seus alunos. (MITTLER, 2003, p. 190).
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    55 Para Sá et al (2007), os conteúdos escolares privilegiam os alunos videntes, pois são visuais em sua maioria, com um universo permeado de símbolos gráficos, imagens, letras e números e por esse motivo não devemos deixar de levar em conta as limitações de um aluno com deficiência visual, recriando, reinventando e descobrindo estratégias pedagógicas para incluir este aluno a este universo repleto de novidades. Emilia Ferreiro (1998) defende que o aluno, ao ser alfabetizado, deve também ser letrado, e para que um aluno com deficiência visual consiga ser letrado devem ser utilizados materiais pedagógicos adaptados. É necessário sempre pensar na possibilidade da atividade ser realizada a partir do tato. Pois, para Ferreiro (1998), letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto, onde a leitura e a escrita tenham um sentido e que façam parte da vida do aluno. Objetivos - Favorecer o processo ensino-aprendizagem dos alunos com deficiência visual nas diversas etapas de sua escolarização; - Proporcionar ao aluno acesso às informações curriculares e ao conhecimento sistematizado; - Medir a aprendizagem de recursos e técnicas específicos da educação do aluno com deficiência visual, para que a possa alcançar os níveis mais elevados do ensino; - Promover a independência e a aceitação da criança, ajudando-a a minimizar sua limitação. - Ao final do processo de alfabetização (letramento) a criança deverá: - Expressar seus pensamentos com espontaneidade, criatividade e clareza, nas situações em que esteja envolvida; - Ler com fluência, entonação e ritmo as orações que compõem seu contexto linguístico; - Compreender e interpretar textos que impliquem diferentes tipos de mensagem; - Escrever com desempenho satisfatório orações e textos construídos a partir de palavras que pertençam a seu vocabulário cotidiano. Função da oficina Tornar a aprendizagem significativa e despertar o interesse em aprender são funções básicas da oficina de letramento à tinta.
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    56 A programação pedagógica deve objetivar o enriquecimento de experiências visuais significativas, valendo-se de elementos lúdicos adaptados às necessidades de cada aluno. Por isso, torna-se impossível a padronização de brinquedos, jogos, materiais ou textos para alunos com baixa visão. Na oficina de letramento à tinta também se realiza acompanhamento das atividades oriundas do ensino regular (da escola onde está matriculado no ensino regular), sendo que as atividades serão de acordo como o ano/ciclo em que este aluno está inserido.  Oficina de Braille Justificativa O Braille, sistema de escrita e leitura, é uma ferramenta insubstituível de comunicação e de acessibilidade, de uso mais restrito aos cegos. É estruturado como sistema de escrita e leitura de breve consumo e de acesso à informação de natureza imediata e objetiva, mormente para estudantes do Ensino Fundamental. O Sistema Braille é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação dos pontos é obtida pela disposição de seis pontos básicos, organizados espacialmente em duas colunas verticais com três pontos à direita e três pontos à esquerda de uma cela básica denominada cela Braille. (CARVALHO, 2010, p. 12). Nascimento (2009) afirma que o Sistema Braille no Brasil pode ser abordado em três períodos distintos sob ponto de vista histórico. No período de 1854 a 1941, quando foi adotado no Imperial Instituto dos Meninos Cegos, fundado em 1854, hoje conhecido como Instituto Benjamin Constant. Foi a primeira Instituição na América Latina a utilizar o sistema, devido ao esforço de José Álvares de Azevedo, um jovem brasileiro que aprendeu a sua utilização na França. A metodologia utilizada nas oficinas de Braille visa a alfabetização, o conhecimento da técnica de leitura e escrita, manejo da reglete, máquina Perkins e a utilização do conhecimento através dos exercícios de leitura e escrita. A dinâmica acontece através do desenvolvimento de atividades práticas que levem ao reconhecimento e à exploração de cada um dos caracteres Braille, pela distinção de letras, conduzindo à identificação, pela leitura, e consequente ato de escrita, em grupo ou
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    57 individualmente, de palavrascurtas. Isso se processará com atividades de escrita e leitura, acompanhada pelo Professor de forma gradual, letra, palavra e frase. A percepção do Braille alcançada pela exploração tátil deve ser estimulada desde os primeiros anos. O contato com os caracteres em Braille projeta para a pessoa cega, em particular a criança, a aquisição e exploração de uma habilidade capaz de colocar o mundo real ao alcance dos seus dedos. Com a finalidade de promover a inclusão de pessoas cegas e baixa visão no processo educacional, tanto no Ensino Fundamental ou Médio, a oficina em Braille representa a possibilidade de atendimento às necessidades individuais, propiciando uma melhor interação no meio social e acadêmico. Objetivo Geral Proporcionar ao educando a aquisição de habilidades e domínio da técnica para ter acesso às informações através da leitura e/ou para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular. Objetivos Específicos - Reconhecer os pontos em Braille; - Ler em Braille com fluência e compreensão; - Compreender textos lidos por outras pessoas; - Produzir textos oralmente com coerência e coesão; - Produzir textos escritos utilizando idéias coerentes; - Escrever frases em Braille; - Produzir textos escritos e com sentido, em Braille; - Empregar regras de pontuação e gramática na literatura e escrita.  Oficina de Acompanhamento Pedagógico Justificativa Visando garantir propostas pedagógicas que atendam às necessidades e dificuldades dos alunos cegos e de baixa visão, o acesso, a permanência e o sucesso escolar, a Oficina de Acompanhamento Pedagógico tem como finalidade proporcionar aos alunos recursos e
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    58 atendimento especializado quefavoreçam seu desempenho cognitivo, afetivo, social e sua inclusão no processo ensino-aprendizagem. O processo de alfabetização e letramento das crianças com deficiência visual requer um contexto. O ato de apenas aprender a ler e a escrever não é suficiente, não se pode deixar de lado a leitura de mundo, pois, assim como fundamenta Ferreiro (1998) e Freire (1996), é por meio dessa leitura de mundo que a criança poderá se formar um cidadão crítico. Objetivos - Propiciar aos alunos melhores condições de aprendizagem; - Facilitar a participação do deficiente visual nas escolas de ensino regular, em casa e na sociedade; - Garantir condições de aprendizagem ao aluno com déficit visual (total ou parcial), através de intervenção pedagógica e medidas extras que atendam às necessidades individuais; - Resgatar a auto-estima do aluno, estimulando sua participação ativa no processo de aprendizagem, conduzindo assim à aquisição de segurança para atuar em seu grupo familiar e social; - Propiciar o domínio da técnica para ter acesso às informações através da leitura e/ou para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular  Oficina de Matemática/Soroban Justificativa “Um projeto de inclusão escolar exige adaptações relacionadas às necessidades explícitas pelo portador de necessidades especiais” (Pacheco 2007). A igualdade de oportunidades, direito garantido pelo artigo 5 da Constituição (Brasil 1998), não pode ser confundida com a igualdade de tratamento. “Temos direito à igualdade quando a diferença nos inferioriza e direito à diferença quando a igualdade nos descaracteriza”. Ter um espaço adequado para o desenvolvimento das potencialidades do aluno com necessidades especiais é simplesmente garantir a ele um direito constitucional, portanto é obrigação do Estado propiciar essa oportunidade. As adaptações de materiais, para torná-los adequados aos estudantes, são de suma importância para se alcançar o sucesso escolar. Quando se trata de
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    59 alunos com necessidadeseducacionais especiais, a adequação de recursos especiais é condição primeira para mantê-los frequentando, com dignidade, a escola à qual têm direito. Para cada deficiência há características específicas das necessidades especiais. Para alunos cegos e de baixa visão, é necessária uma abordagem pedagógica diferenciada que atenda às suas necessidades. Por isso a oficina de matemática - Soroban, procura respeitar e viabilizar formas para que o aluno com deficiência visual tenha as mesmas oportunidades e chances que um aluno vidente. Para tanto, nesta oficina é oferecido um atendimento que se desenvolve de acordo com a necessidade de cada aluno, em função do nível escolar e da aprendizagem. Objetivos - Acompanhar as tarefas escolares dos alunos do Ensino Regular; - Usar recursos adaptáveis, direcionados ao conteúdo estudado; - Trabalhar a escrita dos códigos matemáticos em Braille; - Realizar operações matemáticas fundamentais no soroban; - Estudar conceitos fundamentais da matemática; - Utilizar o computador como ferramenta para a aprendizagem das disciplinas e conteúdos.  Oficina de Informática Justificativa Os indivíduos com deficiência, ainda hoje vistos por muitos como “doentes” e incapazes, sempre estiveram em situação de maior desvantagem ao ocupar no imaginário coletivo a posição de alvos da caridade popular e da assistência social. Muito distantes de serem sujeitos de direitos sociais, entre os quais se inclui o direito à educação, em sua maioria, permanecem alheios a seu pertencimento às questões sócio-culturais. Sabemos que, em busca do sucesso intelectual e escolar, cada aluno vai requerer diferentes estratégias pedagógicas que lhes possibilitem o acesso à herança cultural, ao conhecimento socialmente construído e à vida produtiva, condições essenciais para a inclusão social e o pleno exercício da cidadania. Entretanto, devemos conceber essas estratégias não
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    60 como medidas compensatóriase pontuais, e sim como parte de um projeto social e educativo de caráter global e emancipatório. De acordo com as perspectivas abordadas, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's) vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura e sua utilização um meio concreto de inclusão e interação no mundo. Tal constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando nos referimos a pessoas com necessidades educacionais especiais. Nestes casos, as TIC's podem ser utilizadas como Tecnologia Assistiva, que é toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa com deficiência. A Tecnologia Assistiva deve ser compreendida como resolução de problemas funcionais, em uma perspectiva de desenvolvimento das potencialidades humanas, valorização de desejos, habilidades, expectativas positivas e da qualidade de vida. As diversas modalidades de Tecnologias Assistivas incluem recursos de comunicação alternativa, de acessibilidade ao computador, de atividades de vida diária, de orientação e mobilidade, de adequação postural, de adaptação de veículos, órteses e próteses, entre outros. Segundo a especialista em Psicologia Educacional da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte/ MG, Elizabet Dias de Sá, pode-se chamar de Tecnologia Assistiva ao conjunto de recursos utilizados no desenvolvimento das potencialidades cognitivas e na qualidade de vida das pessoas portadoras de necessidades especiais. Com vistas a promoção de acesso às diversas situações de cunho informático e sócio- interativo, a informática se justifica principalmente por possibilitar ampla autonomia aos deficientes visuais em qualquer nível de dificuldade. Na Educação Especial se destaca a utilização dos recursos de um ambiente computacional e telemático, promovendo o desenvolvimento das potencialidades cognitivas de educandos com NEE (Necessidades Educativas Especiais), entendidos como sujeitos do seu processo de aprendizagem e construção de seus conhecimentos. Tendo como objetivo primeiro possibilitar aos educandos com NEE, condições de se integrar no mercado de trabalho, usufruir das atividades de lazer, esporte e cultura, conquistando seus direitos de cidadão. Objetivos - Reconhecer as funções e aplicações dos dispositivos da máquina e utilizar corretamente e com habilidade o teclado do computador;
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    61 - Ler/ouvir textos usando softwares de voz específicos para deficientes visuais, bem como executar com acessibilidade os comandos e telas contidas nos distintos aplicativos informáticos; - Realizar com autonomia a leitura das avaliações oferecidas no ensino regular por meio de arquivos em CD's ou pen drives; - Usar com privacidade e mais segurança os terminais bancários para operações de saques e consultas diversas a suas contas de aplicação e movimentação financeira; - Possibilitar a comunicação globalizada através da interação com sites e blogs diversos e usuários do mundo virtual, objetivando a troca e aquisição de experiências sócio- culturais vigentes em nosso meio; - Aprender a fazer buscas e a pesquisar os distintos assuntos na internet, a fim de satisfazer suas necessidades de cunho educativo ou de curiosidade; 7.3.1.2- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Deficiência Auditiva Histórico e Nova Demanda Com o passar do tempo, percebe-se que compartilhar o saber com o aluno surdo enriquece as aulas e é surpreendente ver o quanto é bom ter este aluno rico numa cultura surda e de uma língua fascinante que é a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, uma língua espaço-visual. Em 2008 iniciou-se a inclusão com as matrículas dos educandos surdos nas classes de Ensino Regular e em 2009 na Educação de Jovens e Adultos, a EJA; 1ª e 2ª fase e 1º e 2º período, com atendimento de oficinas de psicomotricidade e psicopedagia. No turno vespertino, foram incluídos os educandos no Ensino Regular do 6º ao 9º ano, com atendimento do AEE na Escola Municipal Maria Rodrigues Barnabé. Em 2011 iniciou-se o AEE desses educandos na própria escola Libras / Língua Portuguesa e Letramento. Hoje, a demanda dos educandos surdos a serem atendidos é grande, os mesmos estão matriculados nas classes comuns do Ensino Regular e EJA. De acordo com a Lei de nº 5626/2005, o AEE da escola poderá promover cursos de formação de professores para o ensino e uso da Libras, a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas
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    62 e, também, professorde Libras ou instrutor de Libras, professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas, professor regente de classe com conhecimento acerca da singularidade linguística manifestada pelos alunos surdos. O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência auditiva atende atualmente 35 educandos, sendo que entre eles há educandos que frequentam classes de Ensino Regular da própria escola e educação de jovens e adultos (EJA), com faixa etária compreendidas entre 12 a 70 anos. Dentre eles, alguns apresentam deficiências múltiplas. Objetivos: - Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no Ensino Regular aos educandos surdos e/ou deficiência múltipla; - Construir uma educação bilíngue; - Conscientizar do principal recurso da aprendizagem na educação dos surdos, que é de caráter visual e da singularidade linguística manifestada pelos surdos; - Apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão da LIBRAS entre professores, alunos, funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos; - Divulgar a LIBRAS para todos, e assim, melhorar a comunicação entre surdos e ouvintes, assegurando o acesso dos surdos à educação. Intérpretes por Área de Conhecimento: A profissão de intérprete ainda não está regulamentada e poucos são os municípios que a reconhecem. Por outro lado, não existindo formação específica, é reduzido o número de pessoas habilitadas para exercer essa função que passou a ser desempenhada por familiares, amigos ou profissionais com longo tempo de convívio com surdos. Os intérpretes devem ter fluência na LIBRAS, assim como ela é usada pelas pessoas surdas e ter também boa fluência em Língua Portuguesa. Geralmente, intérpretes com nível de escolaridade alto têm melhores condições de produtividade. A atuação dos intérpretes deve estar centrada no atendimento a todas as pessoas surdas que necessitam romper os bloqueios de comunicação com o objetivo de integrar surdos e ouvintes, facilitando a comunicação entre ambos. Frequentemente, os intérpretes são solicitados para intermediar a comunicação de surdos e ouvintes em encontros, reuniões, cursos, palestras, debates, entrevistas, consultas,
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    63 audiências, visitas, etc.,além de participarem do processo de integração escolar do aluno surdo. A partir do ano de 2011, a escola passou a adotar o sistema de intérpretes de surdos por áreas de conhecimento. Desta forma, o intérprete passa a acompanhar o professor nas suas aulas, em vez de fixar-se em uma determinada turma. Com esse novo sistema esperam-se algumas vantagens, como: - O professor regente da turma tem momentos de coordenação junto com o seu intérprete, possibilitando o planejamento em conjunto; - Cria-se afinidade entre professor e intérprete, tornando as aulas mais dinâmicas; - Como a escolha dos intérpretes segue preferencialmente a formação destes na mesma área de conhecimento do professor regente, espera-se que o domínio do conteúdo por parte do intérprete facilite o seu trabalho e possibilite até mesmo sua intervenção ou substituição do professor regente, quando necessário. A presença do intérprete de LIBRAS x Português e vice-versa, em sala de aula, tem aspectos favoráveis e desfavoráveis que precisam ser observados: Aspectos favoráveis: - O aluno surdo aprende mais facilmente o conteúdo de cada disciplina; - O aluno surdo sente-se mais seguro e tem mais chances de compreender e ser compreendido; - O processo de ensino-aprendizagem fica menos exaustivo e mais produtivo para professor e alunos; - O professor dispõe de mais tempo para atender os demais alunos; - A LIBRAS passa a ser mais divulgada e utilizada de maneira mais adequada; - O aluno surdo tem melhores condições de desenvolver-se, favorecendo inclusive seu aprendizado da Língua Portuguesa (falada e/ou escrita). Aspectos desfavoráveis: - O intérprete pode não conseguir passar o conteúdo da mesma forma que o professor; - O aluno não presta atenção ao que o professor regente diz, porque está atento ao intérprete;
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    64 - Há necessidade de pelo menos dois intérpretes por turma porque a atividade é exaustiva; - Os demais alunos ouvintes podem ficar desatentos, porque se distraem olhando para o intérprete; - O professor regente pode sentir-se constrangido em estar sendo interpretado; - O professor não interage diretamente com o aluno; A integração do aluno surdo é um desafio que deve ser enfrentado com coragem, determinação e segurança. A decisão de encaminhar um aluno para a classe de ensino regular deve ser fruto de um criterioso processo de avaliação. Finalmente, deve-se ter clareza de que essa integração não passa exclusivamente pela sua colocação na turma com crianças ouvintes. A verdadeira integração implica em reciprocidade. A criança surda poderá iniciar seu processo de integração na família, na vizinhança, na comunidade, participando de atividades sócio-recreativas, culturais ou religiosas com crianças e adultos "ouvintes" e dar continuidade a esse processo na escola especial ou regular, de acordo com suas necessidades especiais. Garantir ao aluno surdo um processo de escolarização de qualidade é fator fundamental para sua integração plena. De acordo com o artigo publicado na Revista Espaço-INES, nº 24 (julho-dezembro 2005), “Os diferentes papéis do intérprete”, da Professora Celeste Azulay Kelman, o professor-intérprete, apesar de sua atribuição ser de tradutor/intérprete, hoje o mesmo, de acordo com a autora, tem assumido onze diferentes papéis em sua função. Acreditamos que o intérprete é ponte entre o aluno surdo e o professor regente. Por isso consideramos que para uma melhor atuação, que seja um professor-intérprete por área de atuação. Sua atuação neste estabelecimento, será de mediador. É importante que o intérprete atente para suas atribuições (item 5.3.4 deste PPP) Professor Surdo: O Professor surdo atenderá toda a comunidade escolar no que se refere à Língua de Sinais. Ele é a referência do educando surdo dentro do ambiente escolar, proporcionando o acesso desse surdo à linguagem, e estará assegurando a identidade e a cultura surda, que são transmitidas naturalmente pelo contato. Atenderá a oficina Libras/Português nos horários de contra-turno.
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    65 Estrutura Pedagógica: O trabalho é oferecido no turno vespertino com as oficinas: Libras-Português, Matemática, Geografia/História e Ciências e Letramento. O trabalho de intercâmbio pedagógico no ensino regular será efetivado pela coordenação da educação especial, professor surdo em parceria com a psicopedagoga do AEE da Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves. Os alunos que estudarem na escola receberão, se necessário, um professor intérprete em sala de aula no Ensino Regular e EJA, exceto as turmas de alfabetização da EJA. A nova estrutura se justifica devido à necessidade de uma nova ação pedagógica em função da demanda. Uma ação necessária para melhor atendimento aos educandos perpassa por uma maior interação com sua escola de origem (ensino regular), suas famílias e o Atendimento Educacional Especializado para Surdos. Para que essa interação aconteça faz-se necessário um profissional que possa diagnosticar novos alunos com deficiência auditiva, bem como acompanhar, orientar, intervir aos alunos já atendidos pelo atendimento educacional especializado nas ações educativas favorecedoras ao desenvolvimento do educando. Cabe à Secretaria Municipal de Educação prover: - Trabalho conjunto entre Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Saúde, visando um trabalho multidisciplinar (sendo de extrema importância profissionais como: fonodiaudiólogos, psicólogos, terapeutas , psicomotricista); - Materiais adaptados às condições de cada educando; - Recursos didáticos (recursos visuais) que atendam às necessidades do educando com deficiência auditiva; - Cursos de capacitação para os profissionais, buscando um melhor atendimento das especificidades dos educandos; A construção de uma Proposta Pedagógica dessa amplitude tem a ver com a concepção de criança, homem, e sociedade que se quer. Nesse sentido, essa proposta foi fundamentada nos princípios da ética, da justiça, dos direitos das pessoas, do respeito às singularidades e, sobretudo no amor. O propósito é ensinar a todos, num momento histórico em que se luta para vencer a exclusão, a competição, o individualismo em busca de um trabalho de humanização e de socialização que supere as barreiras físicas. Esta proposta pedagógica foi elaborada com a participação de todos os seguimentos dessa instituição a partir de reflexões teóricas e debates
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    66 que subsidiaram essetrabalho e visam aprofundamento dos pressupostos psicológicos, espaciais, temporais e culturais. Nesse sentido, não excluem ninguém dos programas curriculares das atividades em sala de aula e do convívio escolar mais amplo. Essa proposta é referendada pela Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, adaptada às necessidades educacionais específicas do desenvolvimento dos alunos, ao ritmo, às diferenças, sem empobrecimento dos conteúdos, pois acreditamos nas potencialidades de cada um, pois a valorização das potencialidades e o respeito à diversidade é que fazem a diferença. Materiais e equipamentos adaptados: DVD‟s do Telecurso do Ensino Fundamental dos conteúdos com a legenda em Libras: Ciências, Geografia, História, Português e Matemática; DVD‟s do Telecurso do Ensino Médio dos conteúdos com a legenda em Libras: Biologia, Física, História, Geografia; CD‟s de conteúdos de Ciências, Matemática e Geografia, legendado em Libras, do 4º e 5º ano que podem suprir alguma defasagem dos alunos dos pré-requisitos dos conteúdos ministrados. Na internet, o site do Nepes de Santa Catarina, com dicionário de Libras com explicações de alguns conteúdos de História, Ciências e Geografia. Site: www.sj.cefetsc.edu.br/nepes/midiateca.htm Pastas com alguns sinais criados pelos alunos dos conteúdos de História, Geografia e Ciências; Quadro 2- Lista de matérias adaptados para os deficientes auditivos Assim, é pelo currículo geral que serão satisfeitas as realidades educativas distintas com adaptações curriculares ou ajuste daquele às necessidades e possibilidades de cada aluno. As adaptações curriculares são instrumentos de individualização e flexibilização da aprendizagem, como produto de decisões pedagógicas sujeitas aos objetivos definidos. Consistem na modificação de estratégias, no fornecimento de elementos e recursos materiais necessários e na adaptação de espaços físicos, possibilitando a superação das limitações físicas ou sensoriais.
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    67 Orientações Gerais paraa Aprendizagem do Aluno Surdo no Ensino Regular O professor e o intérprete devem: - Entender que o aluno surdo é estrangeiro na língua portuguesa; - Observar os tipos de linguagem que o aluno surdo utiliza (oral, escrita, língua de sinais, gestos padronizados, leitura labial, entre outras); para facilitar a comunicação entre docente e aluno; - Elaborar e disponibilizar esquemas e resumos de todos os conteúdos que serão trabalhados; - Utilizar atividades e recursos visuais. A visão é considerada a principal via de aprendizado e informação do aluno; - Verificar se está adequado o lugar que o surdo se assentou, de forma que não haja obstáculo visual entre ele e o intérprete; - Entregar o conteúdo e materiais referentes à disciplina ao intérprete e ao professor de atendimento especializado, no início de cada bimestre/semestre, ou com antecedência, na coordenação para que possa se organizar antecipadamente o material que o aluno surdo precisa para receber apoio; - Realizar a coordenação junto com o intérprete de sua área; - Entender que o surdo não é capaz de acompanhar a leitura de um texto no quadro ao mesmo tempo em que acompanha a sinalização. Registrar as correções no quadro e esperar que o aluno copie para posteriormente explicar as questões; - Realizar antecipadamente eventos importantes na lousa, incluindo comunicação externa e interna, datas das provas, entrega dos trabalhos, cursos e outros cronogramas; - Os alunos surdos não são todos iguais, cada um tem sua particularidade. Conheça seu aluno e busque estratégias para ensiná-lo; - Entenda o papel do intérprete em sala de aula e trabalhe em parceria com o mesmo, favorecendo e contribuindo com atitudes para que toda comunidade escolar tenha entendimento da função do mesmo; - Entenda e respeite a Libras enquanto língua com estrutura gramatical própria; - Os trabalhos propostos devem contemplar toda a turma;
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    68 - Coloque o surdo para fazer as apresentações de trabalho e delegue a ele responsabilidades enquanto aluno; - Na realização de trabalho em grupos, distribuir os surdos entre os alunos ouvintes; - Procure demonstrar interesse pela sua dificuldade, porém, jamais facilitar, dispensar das atividades ou não cobrar suas obrigações; - Os enunciados das atividades devem ser devidamente trabalhados com os alunos surdos; Avaliações - Nas avaliações vale o cuidado do professor em manter os mesmos enunciados. - Sendo o aluno surdo estrangeiro, portanto, na língua portuguesa, o mesmo detém pouco conhecimento da mesma, o professor deverá aplicar a avaliação por blocos de conteúdos, ou um capítulo inteiro (resumo das partes fundamentais); - Observar o dicionário de Libras criado pelo intérprete de sua área e propor avaliações utilizando-o como recurso; Quanto ao Plano de Desenvolvimento Individual (PDI): - É tarefa do professor regente e não do intérprete, este pode pode auxiliar aquele, mas nunca realizar sozinho o PDI; - O PDI é um documento que apresenta a trajetória escolar do aluno, portanto deve ser atualizado em tempo real, de forma processual e descritiva para nortear as ações pedagógicas; - É importante deixar claro que o currículo a ser desenvolvido com os alunos que apresentarem deficiências ou condutas típicas deve ser o mesmo contido na proposta curricular da escola, para todos os alunos, em seus níveis e etapas correspondentes, trata-se de um princípio da educação inclusiva; - É imprescindível que o professor considere a necessidade de selecionar e adaptar os conteúdos priorizando-os e quantificando-os de acordo com a relevância para cada ano do ciclo; - Torna-se indispensável, também, saber que a adaptação quanto ao novo conhecimento consiste em um processo de construção que somente o aluno é quem pode regular; portanto , é impossível estabelecer a priori a extensão e profundidade
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    69 dos conteúdos a serem construídos pelos alunos sem o conhecimento prévio dos mesmos; - Em anexo encontram-se os formulários para o preenchimento do PDI. As adaptações curriculares representam uma das estratégias utilizadas para dar respostas educativas (respeitando a diversidade), que surgem como consequência do desejo de individualizar os processos de ensino-aprendizagem, adaptando-os às necessidades educativas especiais dos educandos. Gestão O Atendimento Educacional Especializado para Surdos está inserido na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, de acordo com LEI Nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 1996 - Educação Especial, Art. 58. O corpo docente é formado por especialistas em Educação Especial, psicopedagogos, intérpretes, pedagogos e licenciaturas específicas em: LBRAS/Português, Matemática, Português, História, com o número total de 15 especialistas. Critérios para composição do corpo docente: 1º - Ser concursado na Educação Especial; 2ª -Ser concursado em Pedagogia, nas diversas Licenciaturas, com tempo no Atendimento Educacional Especializado Para Surdo; 3º - Ser concursado em Pedagogia, nas diversas Licenciaturas, com pós-graduação em Atendimento Educacional Especializado, Educação Especial, Psicopedagogia ou pós– graduações afins; 4º - Ser concursado em Pedagogia, nas diversas licenciatura,s com cursos de aperfeiçoamento na área de Educação Especial, surdos; 5º - Outros, interessados em trabalhar com educandos surdos; Visando garantir a melhoria do aprendizado para os alunos deficientes auditivos, são desenvolvidas algumas oficinas na escola:
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    70  Oficina: Enriquecimentode Conteúdos Cognitivos e Metacognitivos Justificativa: Percebe-se que os educandos surdos, quando ingressam nas últimas séries do ensino fundamental (6º ao 9º ano), chegam à escola com uma defasagem de conteúdos resultante do baixo conhecimento da LIBRAS e de pré-requisitos dos conteúdos ministrados. A mudança de rituais de séries e professores também perturba este aluno, pois para ele tudo é novo. Nos últimos anos do ensino fundamental, ele não terá apenas três professores. Não terá professores bilíngues e sim intérpretes, vários professores e conteúdos. Sabemos que o novo conhecimento é adquirido através do prévio conhecimento de determinado conteúdo. Faz-se necessário partir do conhecimento que este aluno já possui para que ele possa adquirir o novo conhecimento. Espera-se com esta oficina trabalhar com os pré-requisitos que venham facilitar o novo conhecimento dos conteúdos ministrados, através de trabalhos cognitivos, metacognitivos e raciocínio lógico. Objetivos: - Trabalhar as habilidades e competências metacognitivas e cognitivas, de forma que o aluno resolva situações-problema através de sua maneira de pensar e opinar; - Construir um conjunto de conhecimentos referentes aos pré-requesitos necessários para que o novo conhecimento aconteça de forma efetiva; - Desenvolver o raciocínio lógico; - Oportunizar o educando surdo a expor suas idéias e pensamentos através de novas estratégias de conhecimento; - Preparar o educando para os conhecimentos básicos necessários para que atenda aos objetivos do ensino fundamental: saber pensar, saber fazer, conhecer e ser.  Oficina de LIBRAS LI / LII Metodologia de ensino de LIBRAS – LI Acreditamos que os enfoques das metodologias de língua de sinais devam se voltar para toda essa “produção empírica” como elementos essenciais para serem retomados sistematicamente dentro de um processo de escolarização.
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    71 A oficina procura não apenas mostrar caminhos amadurecidos na educação de surdos e que se mostraram eficientes, mas tem o papel de ser propositiva em termos de reunir princípios que refletem um jeito surdo de construir. Mais do apresentar técnicas e fórmulas prontas de como ensinar e o que interfere na aprendizagem, é importante que a produção de surdos tenha cada vez mais espaço para criar novos textos. Se uma idéia puxa outra idéia, um texto de um surdo puxa textos de muitos outros surdos. Entendemos que são formas de compor visualmente que se aproximam, se tocam, e abrem perspectivas que precisam ir crescendo e se encontrando no caminho. As vias são muitas, como uma cidade cheia de estradas, assim é o encontro dos textos surdos. Não podemos falar de uma metodologia única, e sim metodologias; é sempre no plural porque não podemos esquecer que são várias as identidades surdas, e o que atende a uma, não necessariamente atende a outra. Decidir qual metodologia utilizar depende de uma complexa interação de fatores individuais e sociais, e todo educador deve estar atento às diferenças. Metodologias não apresentam garantias e certezas de como o ensino deva ser, mas funcionam como um conjunto orquestrado de elaborações desenvolvidas ou reconhecidas pelos surdos ou construídas a partir da cultura surda que produz efeitos de sentidos mais significativos para essa comunidade. Dentro de um currículo que está sempre aberto e em movimento para atender a realidade que se apresenta, o campo metodológico é um contínuo repensar das relações pedagógicas. Cada um de vocês poderia ter inúmeras respostas para essa pergunta, dependendo da experiência e do conhecimento que tem a respeito do assunto. Alguns de vocês já ensinaram amigos, colegas vizinhos, pais e isso se configurou em saberes, práticas discursivas realizadas em libras que acumulou bastante conhecimento. Muitos desses saberes que se organizaram muito tempo à margem das instituições, e que ocorreram nos espaços das associações, nas relações informais entre amigos, ainda permanecem com pouca transferência para os espaços acadêmicos, uma vez que a luta dos movimentos surdos aos poucos vem transformando as relações de poder que envolve também a abertura dos espaços institucionais. Para ensinar é preciso perceber a maneira de cada indivíduo e grupo se relacionar com o conhecimento e com o ato criativo. O conhecimento é uma junção de arte, de técnicas e de vivências. Portanto, sempre há uma relação estreita entre quem ensina e o que ensina. O educador surdo organiza os conhecimentos a partir da sua visualidade. A intencionalidade (objetivo claro), reciprocidade (como o aluno se envolve no processo pedagógico) e a mediação dos significados (como os significados são construídos com o aluno) exigem uma
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    72 criatividade na composiçãodos elementos de uma pedagogia visual que serão determinantes para o êxito do processo de aprendizagem de educandos surdos. Portanto, métodos não são apenas um conjunto de técnicas a serem aplicadas, mas envolvem muitos outros aspectos, dentre eles a criatividade que tem por base uma forma própria de apreender a realidade e que deve estar vinculada com as necessidades de cada sujeito e cultura. Há um conjunto de práticas e eventos dentro da cultura surda que ativam as língua de sinais e suas formas de interação produzindo um letramento tanto individual como social que revelam dinâmicas próprias de atuar e interagir socialmente. Essas construções simbólicas são interdependentes de determinados contextos e espaços sociais que propiciam a ocorrência de distintas formas enunciativas. A metodologia de Libras deve estar em alinhamento com as diferenças produzidas dentro desses diferentes espaços que possibilitam a emergência do discurso surdo. É importante analisarmos como a produção textual em língua de sinais é uma relação que envolve uma dinâmica de inter-relação entre corpo, espaço e movimento. Portanto, diferente de uma dinâmica presente nas línguas orais, as línguas de sinais convivem com o cênico como um elemento de atribuição de sentidos. Por isso, o ambiente ou espaço físico não é um mero componente ou detalhe, é um elemento decisivo para a produção de sentidos. Metodologia de ensino em LIBRAS – LII Segundo Valderez Prass Lemes, 1994, a utilização de um vocabulário mínimo é necessário, nos primeiros anos com textos de livros escolares. Esse vocabulário, geralmente, será usado nas frases, como sujeito das mesmas. Preparando a fase de interpretação, colocamos, em cada página, ao lado de cada título, a pergunta correspondente aos elementos daquela página. Exemplo: QUEM É?, QUAL É?, DE QUÊ?, O QUE É ISTO? Objetivando o reconhecimento da categoria verbal núcleo do predicado e sua importância na construção frasal, foram estipulados verbos básicos, que costumam aparecer com maior freqüência nos primeiros anos em textos de livros escolares. Preparando a fase de interpretação, colocamos em cada página a pergunta inerente aos verbos, ou seja: FAZ O QUÊ?
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    73 Após o adolescentejá ter recordado o vocabulário (sujeito) e os verbos (núcleos do predicado), aqui entrará na fase de estruturação propriamente dita. Ela elaborará as frases, com todos os seus elementos, dando ênfase ao complemento das mesmas e seus elementos de ligação (contrações, preposições etc.). Preparando a fase de interpretação, deparará com várias perguntas, exigidas pelo complemento da frase elaborada. Exemplo: ONDE?, DE ONDE?, COM QUEM?, QUAL?, PORQUÊ?. Após estruturar uma frase correspondente ao quadro de desenho que observará, ela dividirá essa frase em seus elementos (sujeito, verbo ou núcleo do predicado e complemento) e aplicará as perguntas adequadas a cada elemento. Terá uma visão do todo para as partes e das partes para o todo, ou seja, da importância de cada elemento na estruturação de uma frase. Objetivos: - estimular os alunos à aprendizagem; - motivar e despertar o interesse; - desenvolver a observação; - aproximar os alunos da realidade; - auxiliar a aquisição de conceitos; - visualizar e ilustrar os conteúdos; - oferecer informações; - favorecer a experiência concreta; - fixar a aprendizagem. - Estruturar frases a partir da interpretação de uma figura. - Estruturar frases a partir da interpretação (de uma cena). - Estruturar frases a partir de uma seqüência de fatos. - Em complementação ao exercício anterior, o adolescente continuará a interpretação proposta, agora dando respostas subjetivas. - Leitura e interpretação de pequenos textos à vista de uma gravura. - Estruturar e interpretar uma texto à vista de uma gravura.
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    74  Oficina deletramento (informação e cultura) A linguagem entendida de forma mais ampla, é o instrumento de comunicação entre os homens. Assim ela contempla toda a produção cultural de comunicação humana: a linguagem oral, escrita e no caso do surdo a gestual que é a língua de sinais. Segundo ZORZI, a aquisição da linguagem verbal não é um fato que se dá isoladamente no desenvolvimento infantil. Seu aparecimento faz parte de uma série de transformações no comportamento da criança pequena, marcadas pelo aparecimento de condutas simbólicas e de transformações correlatas na forma de compreender e interagir com o mundo. A partir dessas premissas a oficina de letramento será o espaço de estimulação dessas habilidades que são necessárias para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. O surdo necessita utilizar tanto a língua de sinais como a escrita para obter as informações, uma vez que o campo auditivo está bloqueado, pois as informações orais não são possíveis de absorver, por isso a importância da escrita e da língua de sinais. “Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é, e de tudo que pode ser.” A oficina de Letramento , será um espaço que oportunizará a reflexão, interpretação, a leitura e compreensão de textos, a leitura de mundo, exercendo sua função social, sempre respeitando as diferenças culturais oportunizando o desenvolvimento individual bem como a construção de sua autonomia, sendo importante trabalhar temas relacionados com o dia-a-dia do aluno , bem como acontecimentos atuais, para que possa ter as informações e reflexões. Objetivos - Identificar os símbolos impressos - Relacionar palavra com sinal - Decodificar os símbolos impressos - Significar as palavras - Analisar com criticidade - Interpretar pequenos textos - Produção de frases, parágrafos e pequenos textos - Palestrar sobre temas atuais
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    75 Oficina de acompanhamentopedagógico Justificativa Visando garantir propostas pedagógicas que atendam às necessidades e dificuldades dos alunos surdos, o acesso, a permanência e o sucesso escolar, a oficina de Acompanhamento Pedagógico tem como finalidade proporcionar aos alunos recursos e atendimento especializado que favoreçam seu desempenho cognitivo, afetivo, social e sua inclusão no processo ensino-aprendizagem. Para que ocorra o processo de aprendizagem e absorção dos conteúdos do ensino regular, é necessário que promova um contexto, o ato de aprender a ler e escrever apenas não é suficiente, deixando de lado a leitura de mundo, pois, assim como fundamenta Ferreiro (1998) e Freire (1996), é por meio desta leitura de mundo que a criança poderá se formar um cidadão crítico. Objetivos - Propor atividades de complementação ou de suplementação curricular específica; - Preparar material específico para o uso dos educandos na sala comum e na sala do atendimento educacional especializado. - Fortalecer a autonomia do educando a fim de levá-los a ter condições de fazer( pesquisa, trabalho), opinar, escolher e tomar iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações; - Propiciar a interação em ambientes sociais, valorizando as diferenças e a não discriminação; - Preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da aprendizagem ; - Promover a inserção dos recursos tecnológicos de informação e de comunicação para melhor atendimento; - Propiciar aos alunos melhores condições de aprendizagem. - Facilitar a participação do surdo nas escolas de ensino regular, em casa e na sociedade. - Garantir condições de aprendizagem ao aluno surdo, através de intervenção pedagógica e medidas extras que atendam as necessidades individuais. - Resgatar sua autoestima estimulando sua participação ativa no processo de aprendizagem, conduzindo assim à aquisição de segurança para atuar em seu grupo familiar e social.
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    76 - Propiciar o domínio da técnica para ter acesso às informações através da leitura e/ou para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular 7.3.1.3- Atendimento Educacional Especializado para Educandos com Déficit Intelectual: Histórico e Nova Demanda A iniciativa de implantação de salas de recursos multifuncionais nas escolas pelo MEC responde aos objetivos de uma prática educacional inclusiva que organiza serviços para o atendimento educacional especializado, disponibiliza recursos e promove atividades para desenvolver o potencial de todos os educandos, a sua participação e a aprendizagem. Essa ação possibilita o apoio aos educadores da sala de aula. Em 2007 iniciou-se a organização dos materiais disponibilizados pelo MEC em salas de recursos multifuncionais, sendo que sua efetivação ocorreu de fato em fevereiro de 2011 por meio de tecnologias assistivas como oficinas de Letramento I (linguagem oral), Letramento II (linguagem escrita) e Psicomotricidade. O atendimento é oferecido de segunda a quinta-feira, no contra turno da escola, organizado em pequenos grupos de seis educandos. Os alunos matriculados no turno matutino serão atendidos nos horários de 07:00 h às 09:00h ou 09:00 h às 11:00 h e os matriculados no turno vespertino serão atendidos nos horários de 13:00 h às 15:00 h ou 15:00h às 17:00h. O Atendimento Educacional Especializado para pessoas com déficit intelectual atende atualmente a um total de 40 educandos da própria escola em horários inversos à sua escolarização, sendo que entre eles, alguns apresentam deficiências múltiplas. Objetivo: Apoiar os sistemas de ensino na oferta de atendimento educacional especializado a fim de complementar ou suplementar o processo de escolarização, conforme previsto no inciso V do artigo 8º da Resolução CNE/CEB nº 2/2001.
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    77  Oficina deletramento I (linguagem oral) Justificativa A linguagem entendida de forma mais ampla, é o instrumento de comunicação entre os homens. Assim ela contempla toda a produção cultural de comunicação humana: a linguagem oral, escrita dentre outras. Segundo ZORZI, a aquisição da linguagem verbal não é um fato que se dá isoladamente no desenvolvimento infantil. Seu aparecimento faz parte de uma série de transformações no comportamento da criança pequena, marcadas pelo aparecimento de condutas simbólicas e de transformações correlatas na forma de compreender e interagir com o mundo. A partir dessas premissas a oficina de linguagem oral será o espaço de estimulação dessas habilidades que são necessárias para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Objetivos - Estimular a articulação correta dos fonemas, ampliando seu léxico e suas competências lingüísticas; - Intensificar e sistematizar a estruturação do pensamento/idéias; - Estimular o educando a ouvir e fazer-se ouvir com coerência e coesão sem fugir do assunto tratado, formulando e respondendo a perguntas e manifestando suas opiniões, respeitando as demais; - Favorecer subsídios a fim de que o educando narre fatos, faça descrições de cenários e objetos, respeitando a temporalidade, registrando as relações causa e efeito; - oportunizar relatos de experiência, sentimentos, idéias e opiniões de forma clara e ordenada.  Oficina de letramento II ( linguagem escrita) Justificativa “Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é, e de tudo que pode ser.” A oficina de Letramento II, será um espaço que oportunizará a reflexão, interpretação, a leitura e compreensão de textos, a leitura de mundo, exercendo sua função social, sempre respeitando as diferenças culturais oportunizando o desenvolvimento individual bem como a construção de sua autonomia.
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    78 Objetivos Leitura - Identificar os símbolos impressos - Relacionar grafema-fonema - Decodificar os símbolos impressos - Significar as palavras - Analisar com criticidade Escrita - Discriminar visualmente os símbolos - Discriminar os sons dos grafemas - Fomentar as ideias iniciais pra produção de texto - Registras ideias na forma padrão culta. - Identificar e trabalhar as categorias de erro ortográfico.  Oficina de psicomotricidade Justificativa O papel da psicomotricidade na educação infantil, tem crescido dia-a-dia e é grande a contribuição que ela pode prestar aos educadores desta fase da escolaridade. As oportunidades que as crianças têm de realizar movimentos básicos, descobrir e explorar o seu corpo, dominando-o em relação ao tempo e ao espaço, aos objetos e às outras pessoas, têm sido valorizados pelos trabalhos desenvolvidos em Educação Física. Segundo Guiselini (1982) citado por Ferreira (1995:218): “o programa de Educação Física na Educação Infantil se caracteriza pela continuidade de experiências de movimentos que são destinados a ajudar a criança a adquirir habilidades motoras e conceitos que irão aumentar a sua capacidade de agir de forma alegre e efetiva em todas as suas experiências de vida, quer seja social, mental ou física”. Um bom programa de atividades de Educação Física deve, pois permitir à criança descobrir, explorar e resolver seus problemas motores, além de inventar suas próprias experiências de movimento.
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    79 É através dessas experiências que a criança adquire capacidade de dominar o corpo como um todo. Para tanto é importante que ela se conscientize de que seu corpo é capaz de fazer e de como ela pode manejá-lo em várias situações. Segundo Ferreira e Caldas (1995) é através da capacidade perceptivomotora que se pode exercer um controle sobre o corpo. Para isso, é preciso dar atenção ao equilíbrio, a coordenação visomotora, a lateralidade, ao conhecimento do esquema corporal, a consciência de tempo e espaço. Os autores enfatizam que é através do corpo que a criança recebe as primeiras informações temporais internas: ritmo cardíaco, ritmo respiratório, ritmo da fala e movimento de marcha. Do ambiente, ela recebe informações que fornecem consciência de tempo externo: horários de rotina (hora de dormir, hora de comer, de acordar, de almoçar, de brincar, de ir à escola, da seqüência dos dias e das noites, etc. A estrutura espaço-temporal são importantes para o aprendizado da leitura e da escrita, pois favorecem a percepção da seqüência das letras nas palavras e a direção correta para traçá-las. A educação da mão, em função da escrita, está intimamente ligada à educação dinâmica geral, bem como a educação viso-motora. A coordenação viso-motora resulta do acordo entre os domínios sensorial e motor. A boa realização de quase todas as ações depende dessa área bem desenvolvida. Coordenação motora fina envolve partes menores do corpo: ombro, antebraço, pulso e dedos. Segundo Le Boulch (1993) apud Ferreira (1995) podese então trabalhar procurando um bom relaxamento dos braços, mãos, dedos independência do ombro, braço, mão, exercícios rítmicos. Segundo Mosston (1972) apud Magill (1984), o papel do professor no ambiente de instrução é intensamente orientado para a responsabilidade como um planejador de instrução. É de sua responsabilidade determinar o que será ensinado como será ensinado e quais serão as condições de prática. Por acreditar que a psicomotricidade contribui e capacita melhor a criança para uma melhor assimilação das aprendizagens escolares, um bom desenvolvimento da educação psicomotora vai proporcionar a criança um aumento do seu repertório motor para atingir outras aquisições mais elaboradas, como as intelectuais.
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    80 7.3.1.4 – Educaçãode Jovens e Adultos – EJA A educação de jovens e adultos destina-se aos que não tiveram, na idade própria, acesso ao ensino fundamental e médio ou continuidade de estudos nesses níveis de ensino. Paulo Freire afirma que “Só existe saber na invenção, na reivindicação, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros... Fora da busca da práxis os homens não podem ser...” Hoje a Educação de Jovens e Adultos representa uma promessa de efetivar um caminho de desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Nela, adolescentes, jovens, adultos e idosos podem utilizar conhecimentos, mostrar suas habilidades, trocar experiências e ter acesso a novas regiões do trabalho e da cultura. A EJA é uma promessa de qualificação de vida para todos, inclusive para idosos, que muito tem para ensinar às novas gerações. A EJA é uma modalidade da Educação Básica, nas suas etapas fundamental e média. O termo modalidade é diminutivo latino de modus (modo, maneira) e expressa uma medida dentro de uma forma própria de ser. Ela tem, assim, um perfil próprio, uma feição especial diante de um processo considerado como medida de referência. Trata-se, pois, de um modo de existir com características próprias. Objetivos Os objetivos da EJA em nossa escola, assim como em toda a Rede Municipal de Educação, são: - Proporcionar o acesso, a permanência e o sucesso dos educandos jovens e adultos na escola; - Garantir o direito à educação de Ensino Fundamental, através de uma proposta educacional apropriada a estas temporalidades, num processo permanente de humanização e transformação social.
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    81 Aspectos Legais O art. 208 da Constituição Federal de 1998 assegura o direito universal ao Ensino Fundamental, na medida em que amplia a garantia aos que a ele não tiveram acesso na idade própria. Esse princípio é posteriormente reafirmado no art. 2º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. Lei nº 9394/96 – e abrange o educando sem qualquer limitação de idade. O capítulo II da LDB – Da Educação Básica – traz na Seção V, intitulada: “Da Educação de Jovens e Adultos”, incorporando a mesma como modalidade da Educação Básica, detentora de características próprias. O parecer 11/2000 e a resolução 01/2000 do Conselho Nacional de Educação estabelecem as Diretrizes curriculares para a EJA. Segundo o Capítulo IV da Educação de Jovens e Adultos, esta destina-se àqueles que desejam iniciar/retornar os estudos. Terá identidade própria e considerarão as situações, os perfis dos estudantes, as faixas etárias e se pautará pelos princípios da equidade, diferença e proporcionalidade na apropriação e contextualização das Diretrizes Curriculares Nacionais, nas Diretrizes Curriculares Municipais e na proposição de um modelo pedagógico próprio expresso no Projeto Político Pedagógico. Conforme portaria SME 28/2007 de 23 de maio de 2007, foi autorizado o funcionamento da modalidade de atendimento, Educação de Jovens e Adultos na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, retroagindo seus efeitos a 2 de fevereiro de 2007. Os estabelecimentos de ensino são regidos: I- pela legislação de ensino vigente e aplicável; II- pelo regimento escolar; III- por atos normativos emanados do Conselho Municipal de Educação e/ou Secretaria Municipal de Educação, que compõe o Sistema Municipal de Ensino; IV- por normas internas. Funcionamento da EJA A EJA na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves funciona no turno noturno, das 18:00 h às 22:15 h. Como o público desta modalidade de ensino é composto em sua maioria por adultos ou jovens em idade apta para o mercado de trabalho, esse horário possibilita atender àqueles alunos que possuem alguma ocupação durante o dia. Os alunos que trabalham no regime de revezamento de turno ou precisam chegar mais tarde na escola em função de horário de trabalho, possuem uma permissão de entrada específica.
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    82 Plantão Pedagógico No horário de 18:00h às 19:00h funciona o plantão pedagógico, momento em que os professores atendem os alunos de forma mais individualizada. Os alunos podem vir até à escola neste horário para estudos suplementares, para tirar suas dúvidas, para fazer atividades ou trabalhos que tenham perdido durante as aulas regulares, entre outras atividades. Atualmente, os plantões pedagógicos oferecidos atendem às disciplinas de Português e Matemática do Segundo Segmento, além de todo o Primeiro Segmento. Seminários da EJA Além de todos os seminários, fóruns e encontros que acontecem durante o ano na rede de ensino do município de Ipatinga, a escola promove seminários internos direcionados ao público específico da EJA. Temas como a inclusão social, drogas, sexualidade e outros, são tratados por profissionais da escola ou convidados de outros segmentos da sociedade. No ano de 2011 aconteceu o I Seminário de Inclusão na EJA da escola, evento que contou com a participação de profissionais de diversas áreas. Neste seminário foram apresentados também o perfil dos educandos da EJA, reivindicações de melhorias na escola propostas pelos alunos, sendo produzido um documento com as principais propostas e metas de trabalho para a EJA. Inclusão Digital na EJA Também na EJA são oferecidas aulas de inclusão digital. A Escola conta com dois laboratórios de informática, sendo um deles adaptado com as chamadas “mesas pedagógicas”. Este laboratório é usado preferencialmente pelas turmas de alfabetização do Primeiro Segmento, por contar com recursos áudio-visuais diversos e jogos pedagógicos. O outro laboratório conta com computadores mais modernos, todos com acesso à Internet e é usado preferencialmente para o atendimento do segundo segmento. O professor/monitor do laboratório trabalha em conjunto com o professor regente da turma, oferecendo ferramentas como pesquisa, jogos educativos e/ou pedagógicos, digitação de trabalhos escolares, entre outras possibilidades.
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    83 Intérpretes de surdose cegos. Na EJA, assim como no Ensino Regular, existem intérpretes e monitores em todas as turmas que possuem alunos surdos ou cegos. Os monitores são profissionais especializados que acompanham os alunos cegos ou de baixa visão, auxiliando-os durante as aulas ou mesmo em outros ambientes de aprendizagem e convivência da escola. Currículo da EJA O currículo da EJA é elaborado pela Acessoria Pedagógica da rede municipal de ensino em conjunto com os professores da mesma, sendo norteado pela LDB e pelos PCN´s, e adaptado para a faixa etária e especificidades desta modalidade de ensino. A escola Altina realiza ainda um trabalho diferenciado de adaptação dos currículos para atender públicos-alvo diferenciados, uma vez que é uma escola inclusiva e referência na rede municipal por atender um considerável volume de alunos com baixa-visão, cegos, surdos entre outras necessidades especiais. Sendo assim, é discutido entre os coordenadores pedagógicos e professores a elaboração de estratégias diferenciadas e a adaptação de materiais didáticos para atender a esta demanda de alunos. A partir do ano de 2011 o Governo Federal passou a enviar para as escolas públicas um livro didático específico para a EJA. A EJA será presencial e organizada em dois segmentos: - O primeiro segmento em três fases, com duração de três anos; - O segundo segmento com quatro períodos, sendo o primeiro período com duração de um ano e os demais com duração de seis meses cada um. Primeiro Segmento O primeiro segmento é organizado em quatro períodos com duração de um ano cada, correspondentes aos quatro anos iniciais do ensino fundamental regular. Cada período é dividido em quatro bimestres, sendo distribuídos 25 pontos por bimestre, totalizando 100 pontos. O aluno deve atingir o mínimo de 50 pontos para aprovação, além de frequência superior a 75 por cento nas aulas. Nesta fase acontece a alfabetização
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    84 Segundo Segmento O segundo segmento é organizado em quatro períodos, correspondentes aos quatro anos finais do ensino fundamental regular, a saber: - 1P2S – equivalente ao 6º ano do ensino regular; - 2P2S – equivalente ao 7º ano do ensino regular; - 3P2S – equivalente ao 8º ano do ensino regular; - 4P2S – equivalente ao 9º ano do ensino regular; Observação: as siglas 1P2S, 2P2S, 3P2S e 4P2S, significam “1º Período do 2º segmento”, “2º Período do 2º Segmento” e assim por diante. O segundo, o terceiro e o quarto período têm duração de seis meses cada, organizados em dois bimestres. São distribuídos 50 pontos por bimestre, totalizando 100 pontos. O aluno deve atingir o mínimo de 50 pontos para aprovação, além de frequência superior a 75 por cento nas aulas. O aluno da EJA tem direito a fazer o chamado “provão”, caso tenha atingido o total de pontos para ser aprovado em todas as disciplinas, mas tenha frequência inferior a 75 por cento nas aulas. Trata-se de uma prova composta por todos os conteúdos, por meio da qual o aluno deve apresentar o mínimo de 50 por cento de rendimento em cada disciplina para aprovação. 7.3.1.5- Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos (PRAEJA) Introdução O Programa de Atendimento Especializado para Jovens e Adultos, com o apoio de uma equipe multidisciplinar, visa contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e, consequentemente, no avanço de desempenho de alunos com necessidades educacionais especiais. Objetivo Geral Estimular a aprendizagem através de intervenções psicológicas, do serviço social, da psicopedagogia, e de situações concretas envolvendo objetos e o próprio corpo do educando em atividades motoras capazes de ajudá-lo no processo de alfabetização. Objetivos Específicos - Intervir diretamente no processo de aprendizagem;
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    85 - Proporcionar ao educando condições para desenvolver a aprendizagem; - Oferecer ao educando, através de atividades de expressão corporal prazerosa, a percepção de seu corpo, favorecendo a convivência em grupo e possibilitando uma aprendizagem significativa interagindo o cognitivo, afetivo e social; - Propiciar atendimento psicológico e social aos educandos que apresentam vulnerabilidade social; - Desenvolver o ritmo, a lateralidade, a noção espaço-temporal, o equilíbrio, o esquema corporal e a coordenação motora fina; - Motivar o educando a expressar sentimentos, criatividade e habilidades no sentido de exercitar o uso do intelecto, o contato consigo mesmo e com o mundo; - Oferecer ao educando condições para desenvolver tanto a aprendizagem quanto a imaginação, a autoestima, a construção da autonomia e a consciência do seu potencial; - Investigar continuamente o processo de aprendizagem do educando ao que se refere às hipóteses de construção da leitura e da escrita; - Intervir diretamente no processo de construção da leitura e da escrita para que a aprendizagem aconteça significativamente. Diretrizes para o Atendimento do PRAEJA Diagnósticos 1. Inicial – Deverá ser realizado pelo professor regente que, através do mesmo, indicará os educandos que deverão ser avaliados pela equipe do PRAEJA. 2. De acompanhamento: a. Semestral – Deverá ser realizado nos meses de fevereiro, julho e dezembro, Professor de Educação Física e o psicopedagogo. b. Final – Deverá ser realizado pelo professor regente, psicopedagogo e pelo professor de Educação Física. Anamnese Deverá ser realizada de modo individualizado pelo psicopedagogo e posteriormente compartilhado com a equipe de educadores do educando (professor regente e professor de Educação Física).
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    86 Teste psicomotor 1. Inicial – Caberá ao professor de Ed. Física aplicar um teste psicomotor nos educandos indicados pelo 1º diagnóstico do educador regente e compartilhar com a equipe de educadores do educando. 2. Final – O professor de Educação Física aplicará um teste psicomotor final nos educandos atendidos no decorrer do ano. Instrumentos de registro - Cada educando deverá ter um caderno de registro com o atendimento psicopedagógico. - Os educadores regentes e os psicopedagogos deverão manter os cadernos dos educandos sempre atualizados e a disposição de todos que acompanham o processo de desenvolvimento educacional dos mesmos (educadores, equipe diretiva e assessoria da EJA). Materiais Pedagógicos Todo material impresso a ser trabalhado com os educandos da Alfabetização I e II do 1º segmento deverá ser com letra compatível a necessidade do educando: maiúscula, e tamanho acima de 20 do computador. Obs.: (Deverá ser apresentadas aos educandos outras formas de letra: minúscula, cursiva e impressa). Conteúdos Os conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais deverão atender às necessidades educacionais previstas no perfil da turma e integrados entre todos os educadores, visando o desenvolvimento dos educandos. Estrutura de Funcionamento O PRAEJA se organizará de forma a estimular o educando com necessidades educacionais especiais a pensar de forma integrada, desenvolvendo em torno da aprendizagem, a imaginação, a autoestima, a construção da autonomia e a consciência do seu potencial.
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    87 A equipe multidisciplinar será constituída por um psicopedagogo, um assistente social, um psicólogo e um professor de Educação Física. Profissional Carga Horária Psicopedagogo 20 horas semanais Professor de Educação Física 10 horas semanais Psicólogo 20 horas semanais, 10 horas para cada escola Assistente Social 20 horas semanais, 10 horas para cada escola Quadro 3- Equipe multidisciplinar do PRAEJA
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    88 8 – GESTÃODEMOCRÁTICA A Direção da escola, além de ser uma das funções do processo organizacional, é um imperativo social e pedagógico. O significado do termo Direção, no contexto escolar, difere de outros processos direcionais, especialmente os empresariais. Ele vai além da mobilização das pessoas para a realização eficaz das atividades, pois implica intencionalidade, definição de um rumo educativo, tomada de posição diante dos objetivos escolares sociais e políticos, em uma sociedade concreta. A escola, ao cumprir sua função social de mediação, influi significativamente na formação da personalidade da pessoa humana. Por essa razão, são imprescindíveis os objetivos políticos e pedagógicos. Essa peculiaridade das instituições escolares decorre do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo, de dirigir o comportamento para aquilo que tem significado para nós. Ela projeta-se nos objetivos que, por sua vez, orientam a atividade humana, dando o rumo, a direção da ação. Na escola, leva- se a equipe escolar à busca deliberada, consciente, planejada, de integração e unidade de objetivos e ações, além de consenso sobre normas e atitudes comuns. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sociopolíticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e a organização dos conteúdos e métodos, a organização do ensino, a organização do trabalho escolar), tendo em vista dar uma Direção consciente e planejada ao processo educacional. O processo educativo, portanto, por sua natureza, inclui o conceito de Direção. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para atingir eficazmente os objetivos de formação. Ou seja, o trabalho escolar implica uma direção. Com base nesse princípio mais geral, há que se destacar o papel significativo do diretor da escola na gestão da organização do trabalho escolar. A participação, o diálogo, a discussão coletiva, a autonomia, são práticas indispensáveis da gestão democrática, mas o exercício da democracia não significa ausência de responsabilidades. Uma vez tomadas as decisões coletivamente, participativamente, é preciso pô-las em prática. Para isso a escola deve estar bem coordenada e administrada. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola reside unicamente na pessoa do diretor ou em uma estrutura administrativa autocrática, na qual ele centraliza todas as
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    89 decisões. Ao contrário,trata-se de entender o papel do diretor, como o de um líder cooperativo, o de alguém que consegue aglutinar as aspirações, os desejos, às expectativas da comunidade escolar e articula a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão em um projeto comum. O diretor não pode ater-se apenas às questões administrativas. Como dirigente, cabe-lhe ter uma visão de conjunto e uma atuação que apreenda a escola em seus aspectos pedagógicos, administrativos, financeiros e culturais. 8.1 – Princípios: características da gestão democrático-participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (Sociopolíticos e Pedagógicos) e a interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. Qualquer modificação em sua estrutura ou nas funções do processo organizacional se projeta como influência benéfica ou prejudicial nos demais. Por ser um trabalho complexo, a organização e a gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos, cuja aplicação deve se subordinar às condições concretas de cada escola. São propostos os seguintes princípios de concepção de gestão democrático- participativa: autonomia da escola e da comunidade educativa; relação orgânica entre Direção e a participação dos membros da equipe escolar; envolvimento da comunidade no processo escolar; planejamento de atividades; formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar; utilização de informações concretas e análise de cada problema em seus múltiplos aspectos, com ampla democratização das informações; avaliação compartilhada; relações humanas produtivas e criativas, assentadas em uma busca de objetivos comuns. 8.2 – Autonomia da escola e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democrática participativa de gestão escolar, razão de ser do projeto pedagógico. É definida como a faculdade das pessoas de se autogovernarem, de decidirem sobre o próprio destino. Instituição autônoma é a que tem poder de decisão sobre seus objetivos e sobre suas formas de organização, que se mantém relativamente independente do poder central e administra livremente recursos financeiros. Assim, as escolas podem traçar seu próprio caminho, envolvendo educadores, educandos,
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    90 funcionários, pais ecomunidade próxima, que se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. Dessa forma, a organização escolar transforma-se em instância educadora, espaço de trabalho coletivo e de aprendizagem. Certamente, trata-se de autonomia relativa. As escolas públicas não são organismos isolados, mas integram um sistema escolar e dependem das políticas e da gestão públicas. Os recursos que asseguram os salários, as condições de trabalho e a formação continuada não são originados na própria instituição. Portanto, o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. Isso significa que a Direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta, de um lado, o planejamento, a organização, a orientação do controle de suas atividades internas, conforme suas características particulares e sua realidade, e, de outro, a adequação e a aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global, estar mal organizado e mal administrado. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para, com isso, desobrigar o poder público de suas responsabilidades. Se, por sua vez, as instituições escolares se organizam segundo critérios e diretrizes restritas aos limites estreitos de cada uma, perdem de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. Ou ainda, subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores, pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente, sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. Por isso mesmo, a autonomia deve ser gerida, implicando co-responsabilidade consciente, partilhada e solidária de todos os membros da equipe escolar, de modo que alcancem, eficazmente, os resultados de sua atividade, isto é, a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento neles de potencialidades cognitivas e operativas. 8.3 – Relação orgânica entre a Direção e a participação dos membros da equipe escolar Este princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da Direção, a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. Sob supervisão e responsabilidade do Diretor, a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógico, toma decisões por meio da discussão com a comunidade escolar mais ampla, aprova um documento orientador.
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    91 Em seguida entram em ação as funções, os procedimentos do processo organizacional, em que o Diretor coordena, mobiliza, motiva, lidera, delega aos membros da equipe escolar, conforme suas atribuições específicas, as responsabilidades decorrentes das decisões, acompanha o desenvolvimento das ações, presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Nesse princípio está presente a exigência da participação de educadores, pais, educandos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Por outro lado, a participação implica os processos de gestão, os modos de fazer, a coordenação e a cobrança dos trabalhos e, decididamente, o cumprimento de responsabilidades compartilhadas, conforme uma mínima divisão de tarefas e um alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão, mas a gestão da participação. A gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e suas formas externas – as eleições, as assembléias e reuniões. Ela está a serviço dos objetivos do ensino, especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação das pessoas, as quais podem ser induzidas a pensar que estão participando. De fato, frequentemente, são manipuladas por movimentos, partidos e lideranças políticas, em defesa dos próprios interesses. A participação não pode servir para respaldar decisões previamente definidas, mas deve ser forma de levar a equipe escolar a soluções inovadoras e criativas. 8.4 – Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa, constituída basicamente pelos pais, entidades e pelas organizações paralelas à escola. A presença da comunidade na escola, especialmente dos pais, tem várias implicações. Prioritariamente, eles e os outros representantes participam do conselho da escola, da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas), para preparar o projeto pedagógico, acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. Adicionalmente, usufruem da vivência das práticas democráticas de gestão, desenvolvendo atitudes e habilidades para participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil
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    92 (organizações de bairros,movimentos de mulheres, de minorias étnicas e culturais, movimentos de educação ambiental e outros) e contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional. Além disso, a participação das comunidades escolares em processos decisórios dá respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população. O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa, constituída basicamente pelos pais, entidades e pelas organizações paralelas à escola.
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    93 9 –CONSTRUÇÃO DEUMA COMUNIDADE DEMOCRÁTICA DE APRENDIZAGEM As mudanças na escola e nas motivações e disposições do grupo de profissionais, a fim de instituir uma cultura organizacional, dependem de a instituição constituir um lugar de aprendizagem ou uma comunidade de aprendizagem. A expressão “comunidade de aprendizagem” está associada à ideia de participação ativa de educadores, pedagogos e educandos – por meio de reuniões, de debates, de aulas, de atividades extraclasse – nas decisões relacionadas com a vida da escola, com os conteúdos, com os processos de ensino, com as atividades escolares de variadas naturezas, com a avaliação. A comunidade deve ser o espaço público em que se discute o conhecimento, a organização curricular, as relações sociais, os modos e os critérios de avaliação, as normas. Esse caráter de diálogo e de compartilhamento de significado entre as pessoas da comunidade escolar possibilita à escola, como um todo, adquirir experiência, acumular recursos cognitivos e operacionais, construir competências coletivas. Ou seja, a instituição torna-se uma organização aprendiz, um espaço de aprendizagem contínua, em que a organização aprende com seus membros e vice versa. Esse modo de organizar a escola possibilita maior envolvimento dos professores com sua formação, uma vez que podem discutir questões de seu trabalho com base em necessidades reais. Com isso, a cultura do individualismo cede à da colaboração, as relações hierárquicas são substituídas pelo trabalho em equipe, a Coordenação Pedagógica torna-se uma atividade negociada com base em situações concretas da sala de aula. Talvez o efeito mais promissor da construção da comunidade de aprendizagem seja o de ajudar os professores a atribuir sentido a seu trabalho, isto é, a incorporá-lo à sua subjetividade, a suas motivações psicológicas, sociais e políticas. A formação de uma comunidade de aprendizagem requer adoção de uma estrutura organizacional e de processos de gestão que valorizem a participação, mas também o desenvolvimento de competências de todos os membros da escola, tais como: capacidade de comunicação e de expressão oral; facilidade de trabalhar em grupo; capacidade de argumentação; formas de enfrentar problemas e situações difíceis. Particularmente, requer dos dirigentes (Diretores e Coordenadores Pedagógicos) capacidade de liderar e de gerir práticas
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    94 de cooperação emgrandes grupos, de modo que se crie outra cultura organizacional, ou seja, outra mentalidade de organização escolar. Convém ressalvar que essas formas de trabalho coletivo sintetizadas na idéia de comunidade de aprendizagem precisam estar conectadas com o trabalho da sala de aula. Para pôr em prática uma comunidade de aprendizagem na sala de aula, professores devem desenvolver as mesmas competências mencionadas acima, que se refletem na maneira de organizar a sala, de se relacionar com o grupo de educandos, de ensinar, de avaliar, etc. A comunidade de aprendizagem pode ser um ponto de partida para que as escolas e seus profissionais se mobilizem para a superação de comportamentos muito comuns no ambiente escolar: o isolamento, o individualismo, a resistência a mudanças, o conformismo, a indiferença, o imobilismo. 9.1 – Promoção de ações de desenvolvimento profissional Ações de desenvolvimento profissional são as que se destinam à formação continuada do pessoal da escola, envolvendo os educadores e os funcionários administrativos. A formação continuada refere-se a: - Ações de formação durante a jornada de trabalho – ajuda a educadores iniciantes, participação no projeto pedagógico da escola, reuniões de trabalho para discutir a prática com colegas, pesquisas, minicursos de atualização, estudos de caso, conselhos de classe, programas de educação à distância, etc. - Ações de formação fora da jornada de trabalho – cursos, encontros e palestras promovidas pelas secretarias de educação ou por uma rede de escolas. A formação continuada é a garantia do desenvolvimento profissional permanente. Ela se faz por meio do estudo, reflexão, da discussão e da confrontação das experiências dos educadores. É responsabilidade da instituição, mas também do próprio educador. O desenvolvimento pessoal requer que o professor tome para si a responsabilidade com a própria formação, no contexto da instituição escolar.
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    95 9.2 – Envolvimentodos educandos em processo de solução de problemas e tomada de decisões Os educandos também têm uma presença significativa na comunidade de aprendizagem. Segundo Pérez Gomes (2000), toda aprendizagem relevante é um processo de diálogo com a realidade expressa na cultura, aceitando e questionando, recusando e assumindo. Esse diálogo criador requer uma comunidade de aprendizagem, em que os estudantes estão ativamente envolvidos na elaboração e no desenvolvimento das decisões que dizem respeito à sua vida na escola, vivenciando práticas de reflexão e de atuação, de debate e de confronto de opiniões, com o respeito às diferenças individuais. “Os alunos aprendem democracia vivendo e construindo sua comunidade democrática de aprendizagem e de vida”, aprendendo a pensar e a atuar por meio dos conteúdos escolares que lhes permitam transformar seu próprio pensamento e seus comportamentos (Pérez Gomez, 2000, p.97). As práticas de gestão incluem, pois, formas de participação dos alunos na vida da escola. Há boas razões pedagógicas para essa participação, mas há também razões sociais e culturais. Em decorrência das novas configurações da realidade social, econômica, política e cultural, têm incidido nas escolas problemas como desemprego, a prostituição infantil, a violência entre gangues, o tráfico de drogas, o uso de armas, a liberação sexual, a desintegração familiar, etc. Tais fatos, além de outras implicações, repercutem no aumento de problemas disciplinares, como comportamentos sociais inadequados, agressão verbal, desrespeito e ameaças a educadores. Por outro lado, muitas escolas têm dificuldades para enfrentar essas questões, em razão do despreparo dos professores para exercer autoridade ou para lidar com dilemas morais, da existência de professores inexperientes ou com formação pedagógica precária, da falta de integração dos educandos na vida escolar e nos processos de decisão. Essas novas realidades sugerem que alguns problemas incidentes nas escolas não se resolvam apenas com boas interações, com mudanças curriculares ou com novas metodologias. É preciso repensar práticas de gestão, novas formas de organização do trabalho escolar, incluindo o envolvimento dos alunos na organização da escola, para que possam exercer a democracia mediante a participação, a capacitação para tomar iniciativas, o confronto e a discussão pública de pontos de vista, o posicionamento sobre questões
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    96 relacionadas à vidaescolar, de modo que vivenciem processos democráticos de tomadas de decisões. Mais concretamente, podem ser pensadas algumas medidas, tais como: - Promoção de encontros de orientação educacional grupal para conversação dirigida sobre problemas típicos da juventude; - Envolvimento dos educandos na discussão de normas disciplinares, incluindo formas de prevenção de violência física e de agressões verbais, a fim de garantir um ambiente democrático e solidário na escola e possibilitar a convivência grupal; - Promoção de ações que fortaleçam os laços com as famílias e com a comunidade; - Investimento em ações de capacitação dos professores para lidar com dilemas morais e com o manejo de classe, diante das novas atitudes que os educandos exibem na escola; - Execução do projeto “Equipe Diretiva Mirim”, prevista para o ano de 2012, e desta forma incluir os educandos, de maneira mais significativa, no processo de gestão democrática da escola (ver item “Projetos Institucionais” a descrição do projeto). 9.3 – Envolvimento dos Pais na Vida Escolar O envolvimento dos pais na escola pode ocorrer de modo informal, no contato com os educadores para acompanhamento do desempenho escolar dos filhos, e de modo mais formal, na Associação de Pais e Mestres e no Conselho da escola. No primeiro caso, espera-se que os educadores compartilhem sua responsabilidade pedagógica com os pais. A comunicação entre esses dois grupos ocorre geralmente na reunião de pais, cuja participação nas instâncias decisórias da escola constitui algo de suma importância. Todavia, deve-se definir claramente tanto as formas dessas participação como as de outras instituições e organizações da comunidade, uma vez que as responsabilidades e as tarefas dos profissionais da escola (Direção, professores, funcionários) são distintas daquelas das instituições da comunidade e dos pais. Não cabe a estes, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e às tarefas da escola, à observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. Os pais de alunos participam diretamente do cotidiano da escola, seja no Conselho Escolar, em projetos como “Informática para Comunidade” ou o Curso de Libras, e em eventos da escola, como a já tradicional “Feijoada Premiada Atina”.
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    97 9.4 – Fortalecimentode Formas de Comunicação e de Difusão de Informações As escolas continuam dando pouca importância à transparência nas decisões e ao aprimoramento das formas de comunicação com educadores, alunos e pais. Referimo-nos a dois aspectos: a) comunicação como qualidade e competência dos indivíduos, isto é, saber comunicar-se com os outros e ouvi-los; b) a comunicação como características dos processos de gestão, uma vez que as pessoas precisam estar informadas das diretrizes do sistema de ensino, do que acontece na escola, das normas e rotinas administrativas, etc. No primeiro caso, trata-se de um investimento intencional para melhorar a rede de relações da escola. Algumas mudanças nas relações são aceitas com maior facilidade, como a eliminação do autoritarismo, das decisões arbitrárias, da falta de respeito com os outros, etc. As propostas aqui apresentadas sobre participação democrática, sobre debate coletivo e público, sobre comunidade de aprendizagem, sobre cultura organizacional são formas concretas de produzir mudanças na mentalidade dos educadores e na comunicação. A par da necessidade de comunicação de todos os membros da equipe , trata-se de instaurarem práticas de gestão que sejam tornadas públicas e disponibilizar informações sobre decisões administrativas, orçamentos, atas de reuniões, etc. 9.5 – Avaliação do Sistema Escolar e da Aprendizagem As ações da escola no campo da avaliação educacional, voltadas para a formação continuada no contexto de trabalho, são de três tipos: avaliação do sistema escolar, avaliação da escola, avaliação da aprendizagem dos educandos. O conceito de avaliação educacional atualmente abrange não apenas a aprendizagem dos educandos na sala de aula, mas também o sistema educacional e as escolas. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora sejam igualmente aferidos os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), o objetivo é realizar um diagnóstico mais amplo do sistema escolar em âmbito nacional ou regional, a fim de reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. No Brasil, foram adotadas, desde o início dos anos 90 do século passado, várias modalidades desse tipo de avaliação: o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica
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    98 (SAEB), o ExameNacional de Cursos- Provão (ENC). Alguns estados brasileiros também adotam modalidades de avaliação do sistema escolar. A avaliação do sistema escolar, por meio da avaliação externa e/ou interna das instituições, desdobra-se em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou organizacional) e a avaliação acadêmica ou científica, como as mencionadas. A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e de gestão dos sistemas escolares, podendo abranger também as escolas individualmente. Essa avaliação visa à obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os educandos, sobre os educadores, sobre a estrutura organizacional, sobre os recursos físicos e materiais, sobre as práticas de gestão, sobre a produtividade dos cursos e dos educadores, etc. Com o objetivo de emitir juízo de valor e tomar decisões acerca do desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa à produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e da revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, com a intenção de formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Entre a avaliação do sistema e a avaliação da escola, que abrange o projeto pedagógico curricular, a organização escolar, os planos de ensino e o trabalho dos educadores.(o trecho grifado apresenta uma lacuna, o sentido da sentença não está completo) O objetivo dessa avaliação é aferir a qualidade de ensino e de aprendizagem dos educandos; para isso, busca- se perceber a relação entre a qualidade da oferta dos serviços de ensino e os resultados do rendimento escolar dos educandos. Nesse sentido, a avaliação escolar precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos educandos, tais como: características dos educandos, rendimento escolar por classe, composição do corpo docente (tempo de trabalho, idade, currículo profissional); condições de trabalho e motivação dos educadores; recursos físicos e materiais, materiais didáticos e informacionais. Tais dados já estão disponíveis na escola, é preciso organizá-los e analisá-los como prática de avaliação diagnóstica. Mas isso não é suficiente. É preciso chegar até à sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre as relações entre educadores e educandos, sobre a qualidade cognitiva das aprendizagens e sobre as práticas de avaliação. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar: - Dados estatísticos sobre população escolar, reprovações, abandono da escola, situação socioeconômica dos pais, etc.; - Elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular;
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    99 - Aspectos da organização geral da escola, incluindo disponibilidade, organização, utilização dos recursos materiais e didáticos, instalações e equipamentos, atividades técnico-administrativas de apoio à sala de aula; - Clima organizacional da escola (estilo de Direção, qualidade das formas de organização, das relações humanas e das práticas participativas, envolvimento da equipe pedagógica e dos educadores com os objetivos e com as ações da escola, ações de formação continuada de educadores, de funcionários e de pedagogos, reuniões e outros tipos de contatos entre os educadores); - Acompanhamento do rendimento escolar dos educandos; - Avaliação da execução do Projeto Pedagógico-Curricular; - Avaliação de desempenho dos educadores (qualidade das relações sociais e afetivas com os educandos, condições profissionais atinentes ao conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e de avaliação, gestão da classe em vários aspectos, como organização e desenvolvimento das aulas, qualidade da comunicação com os educandos; - Estratégia de relacionamentos com os pais e com a comunidade e as formas de comunicação e de atendimento. Entre os procedimentos desse tipo de avaliação, mencionam-se reuniões pedagógicas mensais, encontros específicos de avaliação, questionários, entrevistas e estudos de caso. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos educadores constitui indicador efetivo do alcance dos objetivos e das atividades estabelecidas no projeto pedagógico-curricular e nos planos de ensino. Os critérios de relevância da avaliação dos educandos devem centrar-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade da aprendizagem para todos os educandos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os educandos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas, afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nesses termos, a avaliação dos educandos pelos educadores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, esta é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos educadores, ou seja, estar a serviço da melhoria da qualidade cognitiva da aprendizagem.
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    100 Em síntese, serão inúteis as práticas democráticas de gestão, a descentralização, a avaliação institucional externa, a participação dos pais, etc, se os educandos não aprimorarem sua aprendizagem, se não aprenderem mais e melhor. Sem indicadores reais do rendimento escolar dos educandos- isto é, se o educando domina bem conceitos e habilidades, se demonstra competências na aplicação desses conceitos básicos, se desenvolveu habilidades de pensamento – pouco se saberá sobre as competências profissionais dos educadores. Não se trata, obviamente, de estabelecer diagnósticos meramente com base em resultados de desempenho do educando, mas de pesquisar formas avaliatórias que contemplem conjuntamente aspectos do processo e dos resultados. Admitindo que a justiça social, em termos de democratização do ensino, seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino-aprendizagem e de seus resultados, é óbvio que as práticas de avaliação da aprendizagem precisam ser encaradas com maior seriedade. Para isso, é preciso que os educadores, além de considerarem a avaliação importante meio de diagnóstico de seu trabalho, saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da aprendizagem do educando que querem formar. 9.6 – Formação Continuada, Desenvolvimento Pessoal e Profissional A concepção democrático-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal, a qualificação profissional e a competência técnica. A escola é um espaço educativo, lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios, mas constitui também o local em que os profissionais desenvolvem seu profissionalismo. A organização e a gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional – político, científico, pedagógico – de toda a equipe. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real, observar, avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino, analisar com objetividade os resultados, fazer com que sejam compartilhadas as experiências docentes bem sucedidas. A formação continuada refere-se ao aprimoramento profissional do pessoal docente, técnico e administrativo no próprio contexto de trabalho. Atualmente, o desenvolvimento profissional não se restringe mais ao mero treinamento. A idéia é que a própria escola é lugar de formação profissional, por ser, sobretudo nela, no contexto de trabalho, que os educadores e demais funcionários podem reconstruir suas práticas, o que resulta em mudanças pessoais e profissionais.
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    101 O desenvolvimento profissional como eixo da formação docente precisa articular-se ao mesmo tempo com o desenvolvimento pessoal e com o desenvolvimento organizacional. O desenvolvimento pessoal diz respeito aos investimentos pessoais dos professores em seu próprio processo de formação, por meio do trabalho crítico reflexivo sobre sua práxis e da reconstrução de sua identidade pessoal, resultando nos saberes da experiência. O desenvolvimento organizacional refere-se às formas de organização e de gestão da escola como um todo, especialmente aquelas referentes ao trabalho coletivo. A articulação desses três níveis de formação docente ressalta a importância das decisões que ocorrem no âmbito da escola, dos projetos de trabalho compartilhados. As ações de desenvolvimento profissional estão muito ligadas à cultura organizacional, a dimensão informal da organização que afeta o desenvolvimento desta, conforme já discutimos. Com efeito, a atividade profissional de educadores está inserida em uma organização, em seus modos de agir e de ser, cujas regras são aprendidas e ao mesmo tempo produzidas por seus membros (Direção, Coordenação Pedagógica, educadores, funcionários, educandos, pais). Como se trata de uma organização educativa, em que tudo educa – o edifício escolar, as condições materiais, a conduta de professores e funcionários da secretaria, o nível de limpeza e outros elementos – as ações de desenvolvimento profissional não podem estar separadas das práticas de gestão e da cultura organizacional. Nesse sentido, pode-se afirmar: - A escola, como organização e contexto da ação dos educadores, pode ajudar na vida pessoal e profissional do professor; - Uma vez que a organização escolar como um todo constitui espaço de aprendizagem, os professores aprendem sua profissão com a escola e a escola aprende com seus educadores; - Os educadores podem influenciar na organização da escola, na definição de diferentes objetivos, na criação de uma cultura organizacional, na introdução de inovações e mudanças. Fátima Abdalla (1999), em um estudo sobre o desenvolvimento profissional do educador, analisa as relações entre trabalho docente e organização escolar e aponta quatro elementos nelas interferentes: a gestão, o projeto político-pedagógico, a organização e articulação do currículo e o investimento no desenvolvimento profissional dos educadores. Esses quatro elementos interferem no desenvolvimento profissional do educador. A mesma
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    102 autora afirma quea cultura é um processo de produção e de acumulação de experiências e realização, no decurso do qual o ser humano se produz a si próprio, à medida que vai construindo um modo social de convivência. Isso significa que também a organização escolar constitui cultura, ou seja, é uma construção social dos que atuam na escola, com seus objetivos, formas de organização, percepções, crenças, rituais, etc. É claro que há uma estrutura escolar visível formada pelos aspectos administrativos e pedagógicos, há os regulamentos, as formalidades. Existe, porém, também interações sociais não oficiais, não formalizadas, que influenciam nas maneiras de ser e de agir dos profissionais que ali trabalham (educadores, pessoal técnico-administrativo, Direção). O aspecto relevante dessa análise é que, tanto a cultura influi no desenvolvimento profissional do educador (positiva ou negativamente) como os educadores podem produzir o espaço cultural da escola – ou seja, os próprios agentes escolares podem construir a cultura organizacional da instituição. Cabe, nesse sentido, destacar o papel da Direção e da Coordenação Pedagógica da escola relativa ao apoio e à sustentação desses espaços de reflexão, de investigação e de tomada de decisões, a fim de instaurar uma cultura de colaboração, como ingrediente da gestão participativa. Os dilemas que se apresentam atualmente à formação continuada dizem respeito a como promover mudanças nas idéias e nas práticas profissionais e pessoais docentes. Não se pode esquecer que certas dificuldades dos educadores para se tornarem melhores profissionais decorrem de fatores já conhecidos, de modo que as formas de desenvolvimento profissional precisam recair, inicialmente, nos fatores indicados a seguir. Os educadores são portadores de percepção, de significados, de esquemas de ação consolidados, em decorrência de sua formação, da cultura profissional, dos colegas. Nesse âmbito, podem estar também diante de estereótipos consolidados em relação a diferenças psicológicas e sociais entre os educandos. Faz-se necessário considerar esses modos de pensar e de agir para a introdução de mudanças e o aprofundamento da cultura geral dos educadores. Algumas características sociais e culturais dos educandos que frequentam a escola atualmente decorrem, em boa parte, de fatores externos e podem levar a deslegitimação da autoridade do educador, à sua baixa auto-estima, à insegurança para exercer sua liderança na classe, ao despreparo profissional em face desses novos problemas. Surgem, assim, novas necessidades a serem atendidas na formação continuada no próprio contexto de trabalho.
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    103 O despreparo profissional pode estar associado, também, a uma frágil formação inicial, de modo que se faz necessário investir nas situações de trabalho, em maior conhecimento teórico, envolvendo tanto os saberes pedagógicos como os específicos. Programas de desenvolvimento profissional precisam começar por lidar do modo possível com esses fatores, como requisito para pôr em prática ações de desenvolvimento pessoal pela auto-refletividade crítica. O Projeto “Práxis” Numa ação inovadora, a Escola Municipal criou o Projeto Práxis, visando possibilitar o crescimento profissional e pessoal de seus funcionários. Uma descrição sucinta do projeto pode ser consultada no item “Projetos Institucionais”. 9.7.1 – Plano de Metas Os educadores e a Equipe Diretiva, em reuniões pedagógicas e conselhos de turma, levantaram sete fatores principais que contribuem para a não aprendizagem dos educandos da escola: indisciplina, ausência de aulas diversificadas, a infrequência, o não acompanhamento da família, problemas de saúde e evasão. Após a definição dos problemas, foram sugeridas ações a curto, médio e longo prazo a fim de atenuar os problemas que dificultam o processo de ensino-aprendizagem. A definição das metas implicará na descrição clara e precisa das ações a serem desenvolvidas pela escola, com especificação de prazo e grupos envolvidos, que delimitam a ação. Metas para a Disciplina - Diminuição dos casos de indisciplina; - Criação de ambiente propício à aprendizagem; - Conscientização dos alunos quanto à importância do bom comportamento e dos prejuízos da indisciplina.
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    104 Prazo Ações Envolvidos Curto Médio Longo Registrar, datar e assinar todos os casos de Professores e Equipe X indisciplina; Diretiva Criar instrumento único de registro de desenvolvimento de atividades dos X Coordenadores educandos; Equipe Diretiva, Realizar reuniões de pais e alunos X Professores, pais e alunos Realizar conversas particulares com alunos Coordenadores, que apresentam constantes problemas de X Professores, pais e indisciplina alunos Instruir os Professores a manter a mesma postura em relação à indisciplina dos X Coordenadores educandos, pautadas no diálogo e no registro dos casos Criar premiações para os educandos que apresentam bom desempenho nas questões Equipe Diretiva, X disciplinares (álbum de figurinhas, medalhas, Professores e alunos painel e etc.) Oferecer palestras aos pais sobre o Equipe Diretiva e X acompanhamento da vida escolar dos filhos pais Analisar bimestralmente os casos de Equipe Diretiva e X indisciplina por turma Professores Quadro 4- Plano de metas: Disciplina Metas para as Estratégias Metodológicas - Diversificação das estratégias metodológicas de ensino em todas as aulas; - Aprimoramento das metodologias de ensino.
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    105 Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Professores, Elaborar atividades que desafiem os X Coordenadores e educandos alunos Utilizar todos os recursos disponíveis da X Professores escola Desenvolver atividades de forma Coordenadores e X interdisciplinar Professores Criar cursos de capacitação para Equipe Diretiva e educadores sobre o uso dos recursos X Professores tecnológicos em horário de coordenação Promover encontros de educadores para Equipe Diretiva e X troca de experiências e relatos Professores Realizar o “Pátio Cultural” com Coordenadores e momentos de leitura, oficina de música e X Professores artes Quadro 5- Plano de metas: Estratégias Metodológicas Metas para a Infrequência - Redução da infrequência dos educandos para que os mesmos apresentem melhor desempenho em aprendizagem; - Garantia de frequência mínima de 75% para todos os educandos da escola. Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Comunicar à Equipe Diretiva os casos de Equipe Diretiva e X infrequência Professores Pesquisar os motivos da infrequência dos Coordenadores e X educandos secretaria Comunicar às famílias os casos de Equipe Diretiva e X infrequência secretaria Criar momentos de discussão sobre a Equipe Diretiva e importância da escola e as consequências X Professores da infrequência Comunicar ao Conselho Tutelar os casos Equipe Diretiva e X graves de infrequência secretaria Quadro 6- Plano de metas: Infrequência
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    106 Metas para oAcompanhamento Familiar da Vida do Educando - Conscientização dos pais e/ou responsáveis quanto à importância do acompanhamento da vida escolar dos educandos; - Aumento do número de pais e/ou responsáveis nas reuniões da escola. Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Convocar os pais e/ou responsáveis para X Equipe Diretiva reuniões bimestrais e extraordinárias Conhecer a realidade das famílias que Equipe Diretiva e X constituem a comunidade escolar Professores Realizar visitas domiciliares em casos de X Coordenadores pais e/ou responsáveis ausentes Comunicar aos órgãos competentes quanto ao abandono intelectual da X Equipe Diretiva família Quadro 7- Plano de metas: Acompanhamento familiar da vida do educando Metas para a Redução do Trabalho Infantil - Priorização da escola na vida dos educandos; - Redução do número de educandos infrequentes devido ao trabalho infantil. Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Buscar meios de auxílio às famílias de X Equipe Diretiva baixa renda Encaminhar as famílias de baixa renda aos serviços de assistência social do X Equipe Diretiva município Conhecer as famílias através da aplicação de questionários X Equipe Diretiva socioeconômicos Encaminhar os casos de trabalho infantil aos órgãos jurídicos X Equipe Diretiva competentes. Quadro 8- Plano de metas: Redução do trabalho infantil
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    107 Metas para osProblemas de Saúde - Garantia de aprendizagem para os educandos que apresentam problemas de saúde; - Atendimento aos educandos que apresentam qualquer problema de saúde. Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Encaminhar, através das famílias, as Coordenadores, atividades para os educandos com X Professores, pais e problemas de saúde que precisam se alunos ausentar Permanecer em constante contato com as Coordenadores e famílias de educandos com problemas de X pais saúde Buscar parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde e outras instituições X Equipe Diretiva a fim de realizar o acompanhamento dos educandos com problemas de saúde Quadro 9- Plano de metas: Problemas de saúde Metas para a Evasão Escolar - Redução do índice de evasão na escola; - Retorno dos alunos evadidos. Prazo Metas Envolvidos Curto Médio Longo Realizar chamada diária e comunicar à Coordenação Pedagógica a situação de X Professores alunos evadidos Fazer contato com as famílias de educandos evadidos e conscientizá-los X Equipe Diretiva sobre os problemas legais de se manter uma criança sem estudo Encaminhar os problemas de evasão aos X Equipe Diretiva órgãos competentes Quadro 10- Plano de metas: Evasão escolar
  • 107.
    108 10 – CONSELHOESCOLAR Com o processo de luta em defesa da gestão democrática da educação, ocorrido na década de 1980, o Conselho Escolar passou a ser visto como um lugar privilegiado de discussão, reflexão e deliberação das questões da escola. Ao lado da eleição para Diretor, essa instância se constitui como um canal importante de participação dos diferentes segmentos nos rumos da escola A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei nº 9.394, de 1996 – reforçou a necessidade de constituição dos conselhos nas escolas e no seu art.14 estabeleceu que a gestão democrática da escola deve considerar o princípio da “participação da comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes” (Brasil, 1996). Nas escolas em que de fato os Conselhos Escolares funcionam, eles têm servido como um mecanismo de partilha de poder, rompendo com a lógica autocrática que tem caracterizado historicamente a administração escolar. Desta forma, o Conselho Escolar pode ser concebido como instrumento para o exercício da cidadania, em que por meio do debate, do poder de convencimento e da forma de posição, os segmentos tornam-se sujeitos ativos que interferem na vida social da escola. Os Conselhos Escolares devem ser compostos por representantes dos segmentos da escola democraticamente eleitos, tendo ele uma natureza essencialmente político-educativa, destacando-se as seguintes funções: deliberativas, consultivas, fiscais e mobilizadoras. Portanto, o Conselho Escolar constitui-se como meio importante de exercício de cidadania no controle social das atividades da escola, o que pode possibilitar maior distribuição do poder, bem como garantir o fortalecimento dos princípios democráticos por meio do convívio com a pluralidade que compõe o ambiente escolar. Ou seja, é preciso criar as condições de interferência autônoma dos representantes dos estudantes nos Conselhos, condenando assim, quaisquer atitudes e práticas de ameaça ou perseguição aos membros dos Conselhos por expressarem opiniões divergentes ao conjunto dos professores e membros da Direção da escola.
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    109 11- FINANCIAMENTO DAEDUCAÇÃO ESCOLAR É comum ouvir dizer que os recursos financeiros destinados à educação são mal utilizados, são desviados para outras áreas, etc. Ouve-se também que falta fiscalização sobre o uso desses meios, que é preciso aplicar bem esses valores apenas na área da educação e controlar gastos para evitar os desvios. Impõe-se então a questão: quem fiscaliza a utilização desses bens? Sabe-se que o próprio Poder Executivo, o disponente dos recursos, tem em seu interior os departamentos contábeis que fazem esse controle. Os Tribunais de Contas e o Poder Legislativo participam do sistema de controle externos dos recursos públicos. Ora, se esses organismos não são suficientes para evitar os desvios, não seria momento de a própria sociedade realizar o controle social dos recursos financeiros públicos a ser usados na educação? Aliás, a sociedade é a grande interessada na transparência e no uso correto e proveitoso dos fundos públicos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino. Se esse poder fiscalizador fosse todo repassado à sociedade, ela teria condições de controlar o uso dos recursos? Saberia fiscalizar? Há instrumentos legais que podem contribuir para o controle social dos recursos financeiros públicos, mas nem sempre a sociedade sabe como fazer isso, uma vez que as questões financeiras são consideradas difíceis e complexas e, além disso, não se nota qualquer disposição, interesse e abertura do Poder Executivo para por suas contas à mostra para a sociedade. O crescimento político de uma sociedade, porém, é medido também por sua capacidade de controlar e fiscalizar o poder público, o qual, aliás, se torna tal pela outorga eleitoral que a mesma sociedade lhe concede por meio do voto. Possuir conhecimentos mínimos sobre o financiamento da educação é indispensável para poder acompanhar e fiscalizar o uso dos recursos na área. Quanto mais educadores, pais, alunos e administradores tiverem esse conhecimento, maiores possibilidades a sociedade terá de intervir e cobrar transparência no uso do fundo público. A fim de oferecer as informações fundamentais sobre o financiamento da educação no País, este capítulo foi divido em seis seções. As duas primeiras abordam a questão da receita
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    110 financeira e decomo se faz um orçamento público, além de indicar os impostos pagos pela sociedade em cada uma das esferas de governo; as duas seguintes tratam das despesas em educação e de como se executa o orçamento; por sua vez, as duas últimas apresentam o modo de distribuição dos recursos públicos e discutem as possibilidades de seu controle por parte da sociedade. Receita Financeira e orçamento A Constituição Federal estabelece que a União deve usar 18% e os estados e municípios 25% no mínimo da receita resultante dos impostos na manutenção e no desenvolvimento do ensino. Essa receita inclui os impostos transferidos da União para estados e municípios e dos estados para os municípios – o que não significa, porém, a receita bruta dos orçamentos federais, estaduais e municipais. O orçamento global inclui impostos e outros tributos, tais como taxas e contribuições, empréstimos compulsórios, além de doações, legados e outras eventuais receitas. Assim, o dispêndio mínimo obrigatório para manutenção e desenvolvimento do ensino refere-se exclusivamente aos impostos, embora a educação receba outras contribuições, como o Salário-Educação, que não entram no montante relativo aos 18% e 25%. Todo brasileiro, rico ou pobre, empregado ou desempregado, paga tributos. Como consumidor, paga taxas, impostos e contribuições desde o nascimento até a morte (taxa de sepultamento). Paga impostos e taxas quando pega o ônibus para o trabalho, quando acende a luz, usa água, etc. Quer dizer, paga impostos e taxas sem perceber. Os tributos são as receitas derivadas que o Estado recolhe do patrimônio dos indivíduos – baseando-se em seu poder fiscal, o qual é disciplinado por normas do direito público. Compreendem os impostos, as taxas, as contribuições. Os impostos são compulsórios, de cobrança geral e independentes de qualquer atividade estatal específica. Isso significa que, teoricamente, o Estado não precisa oferecer qualquer serviço ou atividade em troca do que vai receber do contribuinte. Por meio do imposto, o Estado capta a riqueza que compõe o tesouro público. Paga-se imposto por possuir algum bem, como casa, terreno, automóvel, e pelo rendimento pessoal (salarial ou outros) que se tem. Esses impostos são denominados de direitos, isto é, são cobrados conforme a capacidade contributiva do cidadão.
  • 110.
    111 O imposto indireto não dispõe de um parâmetro para medir a capacidade econômica do contribuinte. Nesse caso, ricos e pobres pagam igual valor se adquirirem a mesma mercadoria. Sobre uma sandália de borracha, por exemplo incide impostos indiretos como o IPI e o ICMS, já incluídos no preço final do produto, e o valor deles independe da capacidade econômica de quem compra a sandália. A classe de maior poder aquisitivo a compra para ir à praia ou à piscina, ao passo que a classe baixa a usa como calçado. No entanto, o imposto, que uma e outra pagam é o mesmo. A bem da verdade, o imposto que os pobres pagam acaba sendo percentualmente maior do que o pago pelos ricos, em decorrência de sua menor condição financeira. Que impostos são pagos? Há impostos federais, estaduais e municipais. Parte dos impostos federais, porém, retorna aos estados – o Fundo de Participação dos Estados (FPE) – e aos municípios – o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os impostos diretos e indiretos em cada uma das esferas administrativas, segundo estabelece a Constituição Brasileira de 1988, são federais, estaduais e municipais. São impostos federais: a) Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR); b) Imposto sobre produtos industrializados (IPI); c) Imposto territorial rural (ITR); d) Impostos sobre operações financeiras (IOF); e) Imposto de importação (II); f) Imposto de exportação (IE); g) Imposto sobre grandes fortunas (IGF), ainda não cobrado em razão da falta de lei complementar. Depois de repassar o FPE aos estados e o FPM aos municípios, a União deve usar 18% desses impostos na manutenção e no desenvolvimento do ensino (MDE). Trinta por cento desses 18% o governo federal deve aplicar na manutenção e no desenvolvimento do ensino
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    112 fundamental e naerradicação do analfabetismo, o que representa cerca de 6% dos impostos federais. São impostos da esfera estadual: a) Imposto sobre circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS); b) Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA); c) Imposto de transmissão causa mortis e de doação de quais bens e direitos (ITCM). Os estados recebem ainda de transferência da União o FPE, que representa 21,5% sobre o IR e o IPI recolhidos no estado, e uma alíquota do IOF sobre o ouro recolhido no estado. Só o ICMS representa 80% das rendas estaduais para a educação (Monlevade, 1997). Com o FPE, a alíquota atinge 97% da arrecadação estadual, sendo os outros impostos de pequeno porte e de significância irrelevante para o total a ser gasto na educação em geral. De todos esses impostos, os estados devem aplicar 25%, no mínimo, na manutenção e no desenvolvimento do ensino. São os seguintes os impostos arrecadados nos municípios, devendo ser neles aplicados: a) Imposto predial e territorial urbano (IPTU); b) Imposto sobre transmissão de bens imóveis (ITBI); c) Imposto sobre venda a varejo de combustíveis líquidos e gasosos (IVVC); d) Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN). Os municípios recebem como transferência da União: a) O FPM, que representa 22,5% do IR e do IPI; b) 50% do imposto territorial rural (ITR) arrecadado no município. Os municípios recebem como transferência dos estados:
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    113 a) 50% da arrecadação do IPVA; b) 25% da arrecadação do ICMS. Dos impostos municipais e das transferências federais e estaduais, os municípios devem aplicar 25%, no mínimo, na manutenção e no desenvolvimento do ensino. Além dos impostos, a educação conta ainda com as contribuições sociais, que constituem um tipo de tributo parafiscal, isto é, “têm como fato gerador a intervenção do Estado no domínio econômico.” (Valério, 1996, p. 200) e são exigidas de grupos sociais, profissionais ou econômicos para o custeio de serviços de interesse coletivo, dos quais esses próprios grupos se aproveitam. Por exemplo, as empresas que contribuem para o custeio da educação escolar terão uma mão de obra mais bem formada. A principal contribuição social é o Salário Educação, cobrado mediante a alíquota de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. Outras contribuições sociais de uso na educação são a Contribuição de Financiamento da Seguridade social (Cofins) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Essas contribuições têm definidos os órgãos a que se destinam e as ações em que devem ser usadas. Por exemplo, os recursos do Salário-Educação são destinados ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação e podem ser usados para a merenda escolar e para pequenos reparos de manutenção das escolas. Embora sejam significativas por seu uso na educação, as contribuições sociais não fazem parte da vinculação dos percentuais mínimos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino, sendo excluídas do orçamento geral. Recursos recebidos pela escola FNDE ou PDDE Programa Dinheiro Direto na Escola, consiste na transferência, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de recursos financeiros, consignados em seu orçamento, em favor das escolas públicas do ensino fundamental (Estaduais, Distrito Federal e Municipal) destinados à cobertura de despesas de custeio, manutenção e de pequenos investimentos, de forma a contribuir, supletivamente, para melhoria física e pedagógica dos estabelecimentos.
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    114 PDE O que é? Éo conjunto de metas e ações selecionadas pela escola, a partir de seu Plano de Desenvolvimento da Escola, que são financiados pelo Ministério da Educação. Programa Mais Educação É uma iniciativa do Governo Federal que tem como prioridade contribuir para a formação integral de crianças, adolescentes e jovens, articulando diferentes ações, projetos e programas nos Estados, Distrito Federal e Municípios, em consonância com o projeto político pedagógico da escola, ampliando tempo, espaço e oportunidades, através da articulação das políticas setoriais envolvidas e possibilitando a todos o direito de aprender. PMI Programa Dinheiro Direto na Escola, consiste na transferência, pela Prefeitura Municipal de Ipatinga, de recursos financeiros consignados em seu orçamento em favor das escolas municipais de Ipatinga, à cobertura de despesas de custeio (manutenção, material didático, material de limpeza) e também com capital (equipamentos permanentes). Observação: É também utilizado para repasse especial para reformas e construções. Atualmente, a Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, recebe aproximadamente R$ 40.000,00 anualmente, entre recursos da P.M.I e FNDE, sendo destinados 80% para custeio (manutenção, material didático, material de limpeza) e 20% para capital (equipamentos permanentes).
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    115 12 – PROJETOPEDAGÓGICO CURRICULAR O projeto pedagógico curricular é um documento que reflete as intenções, os objetivos, as aspirações e os ideais da equipe escolar, tendo em vista um processo de escolarização que atenda a todos os educandos. Na escola, a Direção, os especialistas, os educadores, os funcionários e os educandos estão envolvidos em uma atividade conjunta, para a formação humana destes últimos. Se essa formação implica valores e práticas educativas muito concretas, orientadas para certa direção, é desejável que a escola tenha certos padrões comuns de conduta, certa unidade de pensamento e de ação. Surge então, a necessidade de explicitação de objetivos e práticas comuns. Por isso, o projeto pedagógico-curricular é a expressão das aspirações e dos interesses do grupo de especialistas e educadores. O projeto resulta de práticas participativas. O trabalho coletivo, a gestão participativa, é exigência ligada à própria natureza da ação pedagógica; propicia a realização dos objetivos e o bom funcionamento da escola, para o que se requer unidade de ação e processos e procedimentos de tomadas de decisões. Nasce, então, a necessidade da elaboração do desenvolvimento e da avaliação da proposta educacional ou projeto pedagógico-curricular da escola. A formulação do projeto pedagógico-curricular é também prática educativa, manifestação do caráter formativo do ambiente de trabalho. Ou seja, a organização escolar, o sistema de gestão e de tomada de decisões carrega uma dimensão educativa, constitui espaço de formação. O projeto pedagógico, assim entendido, é ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. Os profissionais (Direção, Coordenação Pedagógica, educadores, funcionários) aprendem por meio da organização do ambiente em que exercem sua ocupação. Por sua vez, as organizações também aprendem, mudando junto com seus profissionais. Todos podem aprender a fazer do exercício do trabalho, um objeto de reflexão e de pesquisa. Os indivíduos e os grupos mudam, mudando o próprio contexto em que atuam. O projeto expressa o grau de autonomia da equipe escolar. Essa autonomia passa pelo trabalho coletivo e pelo projeto-pedagógico. Realizar um trabalho coletivo significa conseguir que o grupo de educadores chegue a pontos de partida (princípios) e de chegada (objetivos)
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    116 comuns, envolvem sistemae práticas de gestão negociadas, unidade teórico-metodológica no trabalho docente, sistema explícito e transparente de acompanhamento e avaliação. A pergunta mais importante a ser respondida pela equipe escolar no momento da elaboração do projeto pedagógico-curricular é: o que se pode fazer para que medidas possam ser tomadas, para que a escola melhore, para que se favoreça uma aprendizagem mais eficaz e duradoura dos educandos? O projeto pedagógico-curricular concretiza o processo de planejamento, de modo que as fases deste acabam se confundindo com as faes daquele. É bastante conveniente que as fases de elaboração do projeto sejam desenvolvidas com base em esboço prévio formulado por uma comissão escolhida pela equipe escolar. Esse esboço permite destacar os tópicos do projeto e distribuir responsabilidades para a coleta de dados, para o estabelecimento de metas e de atividades. Os documentos prévios precisam ser discutidos e aprovados, preferencialmente mediante consenso em torno de pontos comuns. É indispensável que a discussão sobre o documento final seja concluída com a determinação de tarefas, de prazos, de formas de acompanhamento e de avaliação (o que se fará, quem fará, quais os critérios de avaliação). Sugere-se que as decisões a serem tomadas em razão do projeto pedagógico considerem, ao menos, os seguintes pontos: a) Princípios: é desejável que educadores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais, políticas e pedagógicas, do papel social e cultural da escola na sociedade. b) Objetivos: expressam intenções bem concretas, com base em diagnóstico prévio. Este propicia um retrato realista da situação, dos problemas, das necessidades pessoais e sociais dos alunos relativos à escolarização. c) Sistema e práticas de gestão negociadas: a participação da gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e de gestão. É preciso que a Direção e os educadores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. Por exemplo, define-se que as decisões sejam tomadas coletivamente, que todos entrem em acordo sobre elas com base em um consenso mínimo. Entretanto, uma vez tomadas às decisões, atribuem-se responsabilidades e faz-se o acompanhamento e a avaliação do trabalho. d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógico: começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela Coordenação Pedagógica. É desejável que a
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    117 escola tenha unidade na concepção de currículo e linha pedagógico-didática da qual todos possam compartilhar, como requisitos para trabalhar a interdisciplinaridade. e) Sistema explícito e transparente de acompanhamento e de avaliação do projeto e das atividades da escola: o acompanhamento e a avaliação põem em evidência as dificuldades surgidas na implementação e na execução do projeto e dos planos de ensino, confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. A avaliação depende de informações concretas e objetivas, o que supõe o acompanhamento. O projeto pedagógico-curricular considera o já instituído (legislação, currículos, conteúdos, métodos, formas organizadas da escola e outros), mas tem também algo de instituinte. O grupo de profissionais da escola pode criar, reinventar a instituição, os objetivos e as metas mais compatíveis com os interesses dela e da comunidade. A característica instituinte do projeto significa que ele institui, estabelece, cria objetivos, procedimentos, modos de agir, formas de ação, estruturas, hábitos, valores. Significa, também, que a cada período do ano letivo é avaliado para que se tomem novas decisões, se retome o rumo, se corrijam desvios. Todo projeto é, portanto, inconcluso, porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas, por sua intencionalidade, pela interligação com o que acontece em seu exterior (na comunidade, no país, no mundo), o que leva a concluir que elas não são iguais. As organizações são, pois, construídas e reconstruídas socialmente. 12.1- Os Descritores Curriculares A Prova Brasil, principal avaliação do rendimento das escolas públicas do país, parte integrante do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), checa as habilidades essenciais em Língua Portuguesa e Matemática - é considerada pelos especialistas um instrumento essencial para o avanço da qualidade do ensino. A Prova Brasil é baseada nos currículos propostos por redes estaduais e municipais, já que no país não há um currículo nacional. Uma comissão do MEC examinou o material, identificando pontos convergentes - o que deu origem a uma matriz de referência que não elenca conteúdos, mas competências e habilidades. Essas capacidades são apresentadas na prova por meio de descritores, que, como o nome indica, descrevem o que o aluno precisa dominar. "Essas habilidades são o mínimo que os alunos precisam saber. Sem isso, não podem ser considerados aptos nas duas disciplinas",
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    118 ressalta Maria InêsPestana, Diretora de estatística da Educação Básica do Inep e responsável pela Prova Brasil. Além dos descritores curriculares já existentes, a Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves tem como meta criar/definir os descritores de cada área de ensino, a partir do ano de 2012. Este trabalho deverá ser realizado em conjunto com todos os professores da escola, de forma democrática e dinâmica.
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    119 13 – ORGANIZAÇÃOE O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO O currículo é a concretização, a viabilização das intenções e orientações expressas no projeto pedagógico. Há muitas definições de currículo: conjunto de disciplinas, resultados de aprendizagem pretendidos, experiências que devem ser proporcionadas aos educandos, princípios orientadores da prática, seleção e organização da cultura. No geral, compreende-se o currículo como um modo de seleção da cultura produzida pela sociedade, para a formação dos educandos, é tudo o que se espera que seja aprendido e ensinado na escola. A definição seguinte sintetiza bem a noção que nos parece adequada: Currículo é o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos (saberes, competências, representações, tendências, valores) transmitidos (de modo explícito ou implícito) nas práticas pedagógicas e nas situações de escolarização, isto é, tudo aquilo a que poderíamos chamar de dimensão cognitiva e cultural da educação escolar (Forquim,1993). Há, pelo menos, três tipos de manifestações: currículo formal, currículo real e currículo oculto. O currículo formal ou oficial é aquele estabelecido pelos sistemas de ensino, expresso em diretrizes curriculares, nos objetivos e nos conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. Podemos citar como exemplo os Parâmetros Curriculares Nacionais e as propostas curriculares dos estados e municípios. O currículo real é aquele que, de fato, acontece na sala de aula, em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. É tanto o que sai das idéias e das práticas dos educadores, da percepção e do uso que eles fazem do currículo formal, como o que fica na percepção dos educandos. Alguns autores chamam de experienciado o currículo tal qual é internalizado pelos educandos. É importante ter clareza de que, muitas vezes, o que é realmente aprendido, compreendido e retido pelos educandos não corresponde ao que os professores ensinam ou creem estar ensinando. O currículo oculto refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos educadores e são provenientes da experiência cultural, dos valores e dos significados trazidos de seu meio social de origem e vivenciados no ambiente escolar – ou
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    120 seja, das práticase das experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. É chamado de oculto porque não se manifesta claramente, não é prescrito, não aparece no planejamento, embora constitua importante fator de aprendizagem. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que aquilo que os alunos aprendem na escola ou deixam de aprender depende de muitos fatores, e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. Embora as escolas trabalhem quase sempre com o currículo oficial, na realidade são os educadores, o corpo técnico e os pais que acabam por definir o currículo real. Se entendermos que currículo é o que fica, o internalizado, independentemente do previsto oficialmente, então, com efeito, o que influi na vida escolar dos alunos é o currículo real. A consideração deste currículo, ao lado oficial, no planejamento pedagógico-curricular, leva a escola e os educadores a confrontar a cultura elaborada do currículo formal e as situações de fato vividas no ambiente escolar e nas salas de aula. Por esta razão, é importante insistir no entendimento da cultura da escola – a cultura organizacional- como importante elemento curricular. No âmbito dessa cultura, aparecem a linguagem dos professores, as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos educandos, o modo pelo qual estes se relacionam entre si, as atitudes nas brincadeiras e nos jogos, a higiene e a limpeza nas dependências da escola e outros fatores que criam o currículo real. Isso significa que tão importante quanto as aprendizagens formais são as aprendizagens não formais, informais e espontâneas, isto é, o currículo, resultante das relações vividas na família, na comunidade, nas mídias. Esse currículo representa tudo que os alunos aprendem pela convivência espontânea com as várias práticas, atitudes, comportamentos, gestos e percepções em vigor no meio social e escolar. Portanto, a construção e a elaboração da proposta curricular implicam a compreensão de que o currículo, mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas, é o conjunto de vários tipos de aprendizagens: aquelas exigidas pelo processo de escolarização, mas também os valores, os comportamentos, as atitudes adquiridas nos comportamentos, nas vivências cotidianas na comunidade, na interação entre educadores, educandos e funcionários, nos jogos e no recreio e em outras atividades concretas que acontecem na escola, as quais denominaram ora de currículo real, ora de currículo oculto. Ao planejar o currículo da escola, valendo-se do currículo oficial, é necessário considerar alguns princípios práticos:
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    121 a) Um currículo precisa ser democrático, isto é, garantir a todos uma base cultural e científica comum e uma base comum de formação moral e de práticas de cidadania (relativa a critérios de solidariedade e justiça, a alteridade, à descoberta e respeito ao outro, ao aprender a viver junto, etc.). b) O currículo escolar representa o cruzamento de culturas, constituindo espaço de síntese, uma vez que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e as experiências concretas dos educandos em seu meio social e com a cultura dos meios de comunicação, da cidade e de suas práticas sociais. Isso significa propiciar aos educandos conhecimentos e experiências diversificadas, integrando no currículo a variedade de culturas que perpassam a escola: a científica, a acadêmica, expressa no currículo, a social, a dos educandos, a das mídias, a escolar (organizacional). Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal sistematizada e a cultura experienciada na família, na rua, na cidade, nas mídias e em outros contextos culturais, o que implica formular coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. O provimento da cultura escolar dos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e a valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos educandos, o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. O currículo intercultural é o que, com uma base comum de cultura geral para todos, acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e propicia, na escola e nas salas de aula, um espaço de diálogo e de comunicação entre grupos sociais diversos. Um dos mais relevantes objetivos democráticos do ensino consiste em fazer da instituição escolar um lugar em que todos possam experimentar sua própria forma de realização e de sucesso. Por outro lado, trata-se não apenas de atender às necessidades e às expectativas da comunidade, de modo que se respeite a cultura local, mas também pensar sobre valores, modos de vida e hábitos que precisam ser modificados, para a construção de um projeto civilizatório. Currículo tem que ver com a organização espacial da cidade e com o modo pelo qual as pessoas de todos os segmentos sociais se movem nela. Trata, portanto, da qualidade de vida possível, mediante a análise dos elementos que demarcam a dinâmica da cidade: produção, circulação, moradia.
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    122 Um bom currículo ajuda a fortalecer a identidade pessoal, a subjetividade dos alunos. Trata não só de atender e de favorecer a diversidade entre os estudantes, mas também de promover em cada educando competências distintas que os tornem mais plenos e autônomos em seu desenvolvimento pessoal, o que, sem dúvida, pode facilitar igualmente seu êxito profissional. A organização curricular precisa prever tentativas de enriquecimento do currículo, pela interdisciplinaridade, e de coordenação de disciplinas, por meio de projetos comuns. 13.1 – Planejamento Os educadores da Escola Municipal Altina Gonçalves iniciam seu planejamento com o início do ano escolar, quando elaboram o Plano Anual de Curso para a disciplina/ano que trabalhará no ano em questão. Esta atividade é desenvolvida pelo corpo docente da escola, agrupado por área/ano, com a orientação da Coordenação Pedagógica, observando os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a Matriz de Referência dos descritores e habilidades para cada ano do Ensino Fundamental, a Proposta Curricular da Rede Municipal de Ipatinga, partindo sempre dos resultados das avaliações e registros de planejamento do ano anterior. Após a sondagem inicial dos educandos e das turmas com as quais irão trabalhar, os educadores distribuem os conteúdos de ensino e aprendizagem por ano do ciclo e por etapas do ano letivo, tendo em vista que os conteúdos sempre estão a serviço de uma aprendizagem significativa, e não o contrário. É essencial que neste momento haja a troca de experiências entre os educadores, articulando o que já foi trabalhado e o que ainda precisa ser tratado, evitando assim repetições e omissões. Durante o ano letivo são realizados os planejamentos semanais. Os educadores cumprem atualmente um quinto de sua jornada de trabalho (4 horas) nesta atividade, seguindo um cronograma elaborado anualmente pela Secretaria Municipal de Educação, em que todos educadores da mesma área/ano do ciclo, destinam um dia específico da semana para a coordenação/planejamento. Esta orientação permite e incentiva a participação dos mesmos em cursos de formação/capacitação oferecidos pela assessoria pedagógica da secretaria de educação. Durante os momentos de coordenação, os educadores desenvolvem diversas atividades: preparam materiais para as aulas da semana, elaboram atividades avaliativas,
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    123 corrigem trabalhos eavaliações, tratam de assuntos específicos de determinados educandos ou turmas, participam de cursos de capacitação/formação, etc. O Coordenador Pedagógico é o mediador destas atividades, compartilhando experiências, orientando a prática do educador, bem como o preenchimento correto dos diários/formulários. Também neste período são realizadas as alterações, revisões no planejamento bimestral e/ou anual, de forma a primar pela aprendizagem de todos, respeitando os limites de cada aluno ou turma. Os educadores têm à sua disposição, durante a coordenação, várias ferramentas que permitem o enriquecimento e diversidade de suas aulas: acesso à internet, vasta literatura em todas as áreas, materiais pedagógicos diferenciados (mapas, jogos, modelos), assessoria pedagógica da escola e do Centro de Formação Pedagógica (CENFOP) da rede municipal. 13.2 – Avaliação A avaliação é um componente do processo de ensino aprendizagem, cujo propósito é recolher informações que possibilitem estabelecer uma correspondência entre os dados obtidos e os objetivos propostos, a fim de se verificar o desenvolvimento do educando em relação ao trabalho executado, orientando assim uma tomada de decisões em relação às atividades seguintes. Cabe ao educador uma reflexão permanente sobre a sua realidade, um acompanhamento contínuo do educando, na trajetória de construção do conhecimento. A EMAOG entende que a avaliação apresenta três funções básicas no processo de ensino aprendizagem, a saber: i) diagnóstica: uma sondagem dos conhecimentos e experiências já consolidados e a existência de pré-requisitos necessários à aquisição de novos saberes; ii) formativa: permite uma resposta ao educador e ao educando durante o processo, propiciando a correção de possíveis falhas, esclarecimento de dúvidas, estímulo à continuação do trabalho para que os objetivos sejam alcançados, além de proporcionar ao educador uma revisão das estratégias e metodologias utilizadas; iii) somativa: oferece subsídios para o registro das informações relativas ao desempenho do aluno, expresso em uma nota no final de cada bimestre, somadas ao final do ano letivo, totalizando a nota final do educando em relação aos aspectos cognitivos, e conceitos em relação aos aspectos comportamentais.
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    124 Sabendo que os educandos podem apresentar maiores dificuldades com um ou outro instrumento de avaliação, a escola utiliza, durante o processo de avaliação, instrumentos diversos, tais como: trabalhos em grupo, debates, relatórios, seminários, avaliações objetivas e discursivas, auto-avaliação, e o conselho de classe. A avaliação dos aspectos comportamentais dos educandos é realizada na ocasião do Conselho de Classe, ao final de cada bimestre letivo, quando o grupo de educadores se reúne para consolidar esta avaliação, baseando-se nos registros diários de cada professor, no que diz respeito à participação nas aulas, hábitos de estudo, organização do material e respeito às normas da escola. São distribuídos 100 pontos ao longo do ano letivo, divididos em quatro bimestres de 25 pontos, dos quais 22 são atribuídos aos aspectos cognitivos e 3 aos aspectos comportamentais. Para aprovação, exige-se rendimento de 50% em todos os conteúdos e 75% de frequência às aulas. Todos os educandos da Escola Altina são avaliados através da „Avaliação EMAOG‟ (em anexo) em dois momentos por ano, para verificação do desenvolvimento em relação aos descritores e habilidades, além de realizarem as avaliações externas: Prova Brasil e Provinha Brasil, SIMAVE, SAEB, e participarem de concursos e olimpíadas: OBMEP, OBA, Olimpíada de Língua Portuguesa. Independente do instrumento utilizado ou do momento e forma de avaliação é válido ressaltar que a mesma só faz sentido quando provoca o desenvolvimento do educando, já que é inútil ensinar o que o educando já sabe, ou o que ele é incapaz de aprender. 13.3 – Recuperação em Tempo Real De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN‟s, a recuperação paralela é um elemento capaz de corrigir as necessidades do processo educacional, quando se reconhece que o processo normal de ensino-aprendizagem não alcançou os objetivos propostos. Não se pode, entretanto, esquecer que “o educando precisa tomar para si a necessidade e a vontade de aprender”. Durante todo o período letivo, os educadores proporcionam aos educandos oportunidades de recuperação contínua, durante as aulas, para recuperarem tópicos e conteúdos que não conseguiram acompanhar com turma e melhorarem suas notas. A partir da
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    125 análise dos resultadosde cada instrumento de avaliação utilizado, são repensadas as metodologias e estratégias de ensino, primando sempre pela aprendizagem de todos. Se ao final de cada bimestre letivo, o educando permanecer abaixo da média determinada, tem a oportunidade de participar da recuperação paralela, que engloba estudo dos conteúdos determinados e realizar uma avaliação. Entendendo que os aspectos comportamentais não são recuperáveis, mas devem ser desenvolvidos ao longo do bimestre, a avaliação de recuperação bimestral tem o valor de 22 pontos, referentes aos aspectos cognitivos. O rendimento do aluno nesta avaliação é somado ao rendimento bimestral do aluno, sem os aspectos comportamentais, sendo o total divido por 2. A esse resultado, somam-se novamente os pontos dos aspectos comportamentais, prevalecendo como nota final do aluno a maior entre esta e o resultado final anterior. 13.4- Conselho de Classe Os Conselhos de classe são momentos em que se reúnem todos os professores de cada turma com o Coordenador Pedagógico, para discutirem questões relacionadas .... se foram atingidas as metas propostas, o rendimento dos alunos, problemas disciplinares, dificuldades de aprendizagem, de relacionamento e diversos outros aspectos relacionados à vida escolar e até mesmo à vida social do aluno. Os Conselhos de Classe são realizados quatro vezes por ano, sempre ao final de cada bimestre escolar, em datas pré-determinadas pela SME. Geralmente acontecem em dias escolares, ou seja, sem a presença de alunos na escola. Durante os conselhos são apontados os problemas das turmas e medidas para solucioná-los.
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    126 14- PROJETOS INSTITUCIONAIS,CURSOS A Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves se destaca pela busca constante da inclusão social, da interação entre as diferenças e a capacitação de seus profissionais. Neste sentido, são desenvolvidos diversos projetos e atividades na escola. Notadamente, a partir de 2011 estes projetos se multiplicaram, demonstrando uma nova filosofia de trabalho na instituição, uma busca do auto-desenvolvimento e envolvimento de todos os profissionais da escola no processo de ensino/aprendizagem. Apresentamos abaixo uma descrição sucinta dos principais projetos desenvolvidos na escola. Observação: Estes projetos podem ser lidos na íntegra nos anexos.  Mais Esporte O projeto MAIS ESPORTE passou a ser executado na escola a partir do ano de 2011, proporcionando aos educandos adolescentes estudo das regras e normas sobre handball, vôlei e basquete, garantindo assim momentos para questionamentos e construções de novas regras. O projeto também garante treinamentos de equipes para participação em competições inter- classes, interescolares e outros. O esporte é uma ferramenta de auxílio no processo de desenvolvimento educacional, social e de saúde do ser humano, principalmente de jovens, que nos dias de hoje são carentes de valores éticos e morais. Eles encontram no esporte incentivo para essas conquistas aliadas a sentimento de cooperação e amizade. O programa curricular do projeto MAIS ESPORTE abarca desde os jogos que possuem regras implícitas até aqueles institucionalizados por regras específicas, sendo necessário que seu ensino não se esgote nos gestos técnicos.  Rádio Escola Considerando a necessidade de incentivar práticas pedagógicas mais criativas e dinâmicas nas escolas, foi proposta a utilização de um novo canal de comunicação na escola Municipal Altina Olívia Gonçalves, a rádio escola.
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    127 Desta forma, a proposta da Rádio Escolar ao mesmo tempo que contribui para enriquecimento curricular, favorece o uso de novas tecnologias, além de ser um instrumento importante para promover a auto-estima do educando e melhorar as relações interpessoais entre alunos, professores e funcionários da escola. A ideia principal aqui não é a de formar pequenos radialistas, mas sim fazer com que esses estudantes possam se apropriar dos instrumentais dessa mídia, para fazer uso da rádio não só para criar momentos de entretenimento e lazer durante o recreio, como também para a melhoria das relações entre as pessoas, que discutam questões ligadas à construção do projeto de vida, sexualidade, saúde, meio ambiente, ao combate à todas as formas de discriminação e preconceito, entre outras.  Informática para a Comunidade Os projetos de inclusão digital têm como tema a promoção da inclusão digital para alunos de escolas menos favorecidas, utilizando as tecnologias da informação como instrumento de construção e exercício da cidadania. Através da criação dos telecentros pode- se ampliar o conceito de inclusão digital como forma de integração entre educação, tecnologia e cidadania visando a transformação social. O projeto Informática na Comunidade visa oferecer cursos de informática para qualificação profissional de alunos da EJA – Educação de Jovens e Adultos, adolescentes das séries finais do ensino regular, a comunidade escolar em geral, incluindo professores, demais funcionários da escola, pais e responsáveis e pessoas que desejam investir na carreira profissional e preparar-se para o mercado de trabalho. São oferecidas gratuitamente as seguintes oficinas: domínio do teclado e mouse, digitação, sistema operacional, editor de texto, apresentação de slides, planilha eletrônica e Internet, além do atendimento dos alunos da EJA nos horários das aulas regulares.  Mais Educação O Programa Mais Educação, criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007, aumenta a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas que foram agrupadas em macro campos como acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde, educomunicação, educação científica e educação econômica.
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    128 A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Sua operacionalização é feita por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O programa visa fomentar atividades para melhorar o ambiente escolar, tendo como base estudos desenvolvidos pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), utilizando os resultados da Prova Brasil de 2005. Nesses estudos destacou-se o uso do “Índice de Efeito Escola – IEE”, indicador do impacto que a escola pode ter na vida e no aprendizado do estudante, cruzando-se informações socioeconômicas do município no qual a escola está localizada. O programa mais educação foi iniciado na Escola Altina Olívia Gonçalves em 10 de agosto de 2010. São objetivos do Mais Educação: - Ampliar a jornada escolar; - Proporcionar ao aluno um contato maior com a cultura, esporte e lazer; - Aprender as formas de convivência respeitando as diferenças; - Transformar as dificuldades do aluno em aprendizagens; - Trabalhar valores, como: amor, amizade, respeito, solidariedade e outros ; - Despertar no educando o desejo de se tornar um cidadão de fato. - Fazer parcerias com a escola regular visando elevar o índice do IDEB; - Transcender a escola como único espaço de ensino aprendizagem. - Na Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves são oferecidas as seguintes oficinas: Judô, teatro, esporte, recreação, dança, letramento, matemática  Equipe Diretiva Mirim O projeto Equipe Diretiva Mirim foi criado pela Equipe Diretiva da Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves gestão 2010/2012, com objetivo de vivenciar com os educandos de 9 a 14 anos o exercício da cidadania, contribuindo principalmente para formação de lideranças e participação ativa na gestão democrática da instituição. Com execução prevista para o ano de 2012, o projeto pretende ampliar o tempo dos educandos na escola, acontecendo no contra-turno. Os estudantes terão tempo para a execução
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    129 dos deveres decasa, contando com acompanhamento pedagógico da equipe gestora e acompanhamento/assistências às atividades rotineiras. Pretende-se ainda, com este projeto, que os alunos envolvidos vivenciem situações cotidianas e situações problemas que envolvam toda a dinâmica escolar, e dessa forma aprendam a lidar de forma democrática com a administração de conflitos, de pessoas e processos.  Projeto Práxis Ser professor requer saberes e conhecimentos científicos, pedagógicos, educacionais, sensibilidade, indagação teórico-criativa para encarar as situações ambíguas, incertas, conflituosas e, por vezes, violentas, presentes nos contextos escolares e não escolares. Este projeto investirá na valorização da capacidade de decisão dos professores no que tangem às propostas curriculares, estratégias de ensino, avaliações e principalmente na gestão participativa da Escola Altina Olívia Gonçalves. A proposta é a realização de encontros pedagógicos em que serão problematizadas e analisadas as situações da prática social de ensinar.  Projeto de Matemática e inclusão Digital Pesquisas têm apontado que o ambiente informatizado favorece a construção do conhecimento, e que compete aos professores assumirem uma postura como mediadores desse conhecimento ao realizarem atividades investigativas. Entre os objetivos deste projeto, espera-se que as atividades de Matemática sejam desenvolvidas através de jogos e softwares que favoreçam aos alunos realizarem investigações. Durante o desenvolvimento das atividades neste ambiente de aprendizagem, poderão surgir conteúdos que ainda não foram trabalhados em sala de aula, um desafio para que conceitos sejam construídos por meio de uma investigação Matemática. Acredita-se que as atividades de Matemática desenvolvidas em um ambiente informatizado favoreçam a investigação, o levantamento de questões de interesse do aluno ou que ele procure soluções utilizando estratégias próprias.
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    130  Todos pelaaprendizagem A aprendizagem dos alunos e alunas é responsabilidade de todos e o objetivo maior do Projeto de Acompanhamento Educacional. Esse projeto é uma ação que deve consolidar e ampliar conhecimentos, enriquecer as experiências sociais e culturais dos alunos e ajudá-los a vencer obstáculos em sua aprendizagem, favorecendo o sucesso na escola e na vida. Como toda ação pedagógica, esse acompanhamento requer um cuidadoso planejamento, definição de metas, escolha de alternativas e envolvimento dos interessados. Por isso, o nome “Todos pela aprendizagem”. Pretende-se com este projeto apontar caminhos, propor ações e discutir assuntos que consideramos importantes para que o acompanhamento complemente com êxito o trabalho realizado em sala de aula e, sobretudo, seja uma ação articulada ao Projeto Político Pedagógico da Unidade de Ensino. Portanto, ele constitui um mecanismo colocado à disposição das escolas da Rede Municipal de Ensino de Ipatinga, que visa garantir a superação de dificuldades específicas encontradas nos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática, diagnosticadas anteriormente pela escola. A Língua Portuguesa tem como função social possibilitar a compreensão e o domínio dos usos da linguagem nas variadas situações sociais e nas diferentes intenções comunicativas. Sabe-se hoje, que o aprendizado da linguagem se dá nas interações, orais e escritas, estabelecidas entre as pessoas, sejam elas reais ou virtuais. A Matemática é uma ciência que visa representar a realidade por meio de conhecimentos e instrumentos matemáticos que permitam interpretar e criar significados ao que se estuda para a prática, desenvolver o raciocínio matemático para resolver problemas reais, participar na sociedade e interferir nela de maneira crítica, dinâmica e consciente, através da formação de cidadãos competentes. Portanto, é necessário que o aluno aprenda Matemática porque ela é um instrumento útil para a vida e para o trabalho; faz parte de nossas raízes culturais; ajuda a raciocinar; gera auto confiança, espírito crítico e criativo e está presente na realidade sócio-cultural.
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    131 As competências de ler, escrever, comunicar, calcular, raciocinar e resolver problemas reais são muito exigidas na sociedade atual. No entanto, nem todos os alunos conseguem desenvolver tais competências no período adequado para a sua faixa etária e ano do ciclo. Enfim, a base para o sucesso é o aluno, e o maior desafio é reverter as expectativas para que ele comece a ter sucesso na escola. E para que haja essa inversão, é necessário transformar a escola e a sala de aula, desenvolvendo uma proposta pedagógica de acompanhamento educacional para que ele aprenda e sinta-se sujeito do processo ensino- aprendizagem.  Cursos e atividades extracurriculares: A escola oferece diversas atividades e cursos extracurriculares, sugestões de alunos, professores ou da Equipe Diretiva, visando proporcionar um ambiente de constante aprendizagem, aperfeiçoamento e capacitação, além de promover a integração entre alunos, professores, demais funcionários da escola e comunidade. Todos os cursos são abertos para participação de alunos, professores, funcionários da escola e comunidade em geral. Entre os cursos e atividades oferecidas destacam-se: - Curso de Forró; - Curso de Libras; - Curso de Informática;
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    132 15- CONSIDERAÇÕES FINAIS A reorganização da escola deverá acontecer de dentro para fora. O ponto de partida para realização dessa tarefa é o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica operar rupturas com o existente e avançar. A construção, a execução e a avaliação do projeto político-pedagógico requerem continuidade das ações, democratização do processo de tomada de decisões e instalação de uma sistemática avaliação de cunho emancipatório. Pensar hoje a escola no bojo da gestão democrática significa, sobretudo, um esforço tanto de compreender e ousar fazer, bem como de propor alternativas viáveis, capazes de concretizar o projeto político-pedagógico, coletivamente concebido dentro de uma perspectiva mais ampla. Nessas reflexões, não se pode esquecer das especificidades do contexto local em que está inserida a escola ante às determinações do global. A gestão democrática deve ser compreendida não apenas como um princípio, mas também como um objetivo a ser atingido, para configurar-se como uma prática educativa inserida no contexto da escola. Para que a escola assuma sua função social e, ao mesmo tempo, enfrente desafios atuais, a educação de qualidade deve ser a meta fundamental a ser atingida.
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    133 REFERÊNCIAS BENINCÁ, E. Asorigens do planejamento participativo no Brasil. Revista Educação - AEC, n. 26, jul./set. 1995. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 05/10/1988. Brasília: Senado Federal, 1988. ________. Lei no 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996. ________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial - Secretaria de Educação Básica. Parâmetros curriculares nacionais: adaptações curriculares, 1998. ________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes curriculares nacionais para a Educação Especial, 1998. ________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Direito à Educação – Necessidades educacionais especiais: subsídios para atuação do Ministério Público brasileiro. Brasília: MEC/SEESP, 2001. BRUNO, Marilda Moraes Garcia. Educação Infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação sinalização: deficiência visual. Brasília: MEC – Secretaria de Educação Especial, 2006. BUENO, J. G. Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional e a formação de Professores: generalistas ou especialistas. Revista Brasileira de Educação Especial, vol. 3. n. 5, 7-25, 1999. CARVALHO, Lorena Resende; CUSTODIO, Wilian Gomes; CARVALHO, Sebastião Donizete de. Atendimento Educacional Especializado AEE: perspectivas para a educação inclusiva em Goiás. Caderno 2/ organizado por . Goiás, secretaria da Educação/ Coordenação de Ensino Especial. 2010. FERNANDES, A.V. M. Educação Especial e cidadania tutelada na nova LDB. In: Silva, C. S. B.; Machado, L. M. (Orgs.) Nova LDB: trajetória para a cidadania? São Paulo: Arte e Ciência, 1998, p. 59-74. FERREIRA, J. R. e GLAT, R. Reformas educacionais pós-LDB: a inclusão do aluno com necessidades especiais no contexto da municipalização. In: Souza, D. B. e Faria, L. C. M. Descentralização, municipalização e financiamento da Educação no Brasil pós-LDB. Rio de Janeiro: DP& A, 2003 (no prelo)
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    137 EQUIPE DIRETIVA 2012 Eliane Regina Viana Fernanda de Araújo Satler Vilela Maria Auxiliadora da Silva Cunha Aparecida Cristina Dias Souza Isaura Azevedo Carvalho Juciano Almeida de Jesus Marco Abreu dos Santos Otília Pereira Borges Nosso agradecimentos às professoras Dêivia Mesquita Ribeiro Pinto, Fabricia Georgia A. F. de Alcantara, Maria Tereza Seixas Gomes Oliveira e Rita Beatriz Alves da Silva, pelo seu trabalho, participação e apoio incondicionais a esta equipe diretiva.