Pressentimentos e
Premonições
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SUMÁRIO
1 O Tempo.............................................................................................................................1
1.1 O que é o Tempo? – Definições/Atributos/Características ....................................1
1.1.1 É Infinito/Imortalidade .........................................................................................5
1.1.2 É Progressivo/Evolução........................................................................................7
1.1.3 É Renovatório/Reencarnação ...............................................................................9
1.1.4 É igualitário/Amoroso ........................................................................................11
1.1.5 É Meritocrático/Lei de Causa e Efeito ...............................................................12
1.1.6 É Inteligente / Deus ............................................................................................15
2 O Futuro...........................................................................................................................17
2.1 Podemos AnteVer o Futuro? ..................................................................................17
2.1.1 Normas/Diretrizes Gerais ...................................................................................17
2.1.1.1 O Esquecimento do Passado...........................................................................17
2.1.1.2 A ocultação do Futuro.....................................................................................21
2.2 Perigos.......................................................................................................................23
2.2.1 Negligência do Presente .....................................................................................23
2.2.2 Angustias em relação ao Futuro .........................................................................24
2.2.3 Estabelecimento de fantasias e ilusões...............................................................25
2.3 Mitos..........................................................................................................................26
2.3.1 As provas e expiações são uma fatalidade absoluta. ..........................................26
2.3.2 Uma premonição quanto mais pormenorizada melhor é!!!................................28
2.3.3 Uma premonição só é dada por espíritos superiores!!! ......................................29
2.4 O que é o Futuro? ....................................................................................................33
2.4.1 Uma Colheita......................................................................................................33
2.4.2 Uma Plantação....................................................................................................34
2.4.3 Uma Libertação ..................................................................................................36
2.4.4 Uma Escolha.......................................................................................................38
3 Pressentimentos e Premonições .....................................................................................43
3.1 Pressentimentos e Premonições – Definições.........................................................43
3.2 Pressentimentos e Premonições – Conceitos Doutrinários...................................44
3.2.1 Allan Kardec.......................................................................................................44
3.2.1.1 Livro dos Espíritos – 1857..............................................................................44
3.2.1.2 Revista Espírita – 1861...................................................................................48
3.2.1.3 O Evangelho Segundo o Espiritismo – 1864..................................................50
ii
3.2.1.4 Revista Espírita – 1864 / A Gênese – 1868 ....................................................52
3.2.1.5 Obras Póstumas – 1869...................................................................................54
3.2.2 Emmanuel...........................................................................................................55
3.2.2.1 Fenômenos Premonitórios ..............................................................................55
3.2.2.2 Ante o Futuro..................................................................................................56
3.2.2.3 Futuro e Nós....................................................................................................57
3.2.2.4 Adivinhações ..................................................................................................58
3.2.2.5 Em torno do Futuro.........................................................................................60
3.2.3 Yvonne Pereira/Bezerra de Meneses..................................................................61
3.2.3.1 Acontecimentos Futuros .................................................................................61
3.2.4 Revista Reformador/FEB ...................................................................................64
3.2.4.1 Reflexões sobre as Previsões do Futuro .........................................................64
3.2.4.2 Pressentimentos...............................................................................................66
3.2.4.3 Conhecimento do Futuro – Profecias..............................................................72
3.2.5 Joanna de Angelis...............................................................................................73
3.2.5.1 Pressentimento................................................................................................73
3.2.5.2 Futuro e Nós....................................................................................................77
3.2.5.3 Marco Divisório..............................................................................................79
3.2.5.4 Desconhecimento do futuro............................................................................81
3.2.5.5 Acontecimentos imprevistos...........................................................................83
3.2.5.6 Incerteza do futuro..........................................................................................86
3.2.5.7 Pressentimentos...............................................................................................89
3.2.6 Eros.....................................................................................................................91
3.2.6.1 Programa de Vida ...........................................................................................91
3.2.7 Hermínio de Miranda .........................................................................................92
3.2.7.1 Lembranças do Futuro ....................................................................................92
3.2.8 André Luiz........................................................................................................100
3.2.8.1 Programas Reencarnatórios ..........................................................................100
3.2.9 Vianna de Carvalho ..........................................................................................101
3.2.9.1 Revelações Inconsequentes...........................................................................101
3.2.9.2 Informações Descabidas ...............................................................................105
3.2.9.3 Terrorismo de natureza Mediúnica...............................................................108
3.2.10 Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita....................................112
3.2.10.1 Nossos Pressentimentos................................................................................112
3.2.10.2 Inspirações Espirituais ..................................................................................114
3.2.10.3 Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a construir ...........116
iii
3.2.11 Cornélio Pires ...................................................................................................121
3.2.11.1 Previsões .......................................................................................................121
3.3 Pressentimentos e Premonições – Objetivos........................................................122
3.3.1 Coragem e Resignação .....................................................................................122
3.3.2 Força de Transformação...................................................................................123
3.3.3 Advertência e Incentivo ao Objetivo................................................................124
3.3.4 Exemplos ..........................................................................................................125
3.4 Pressentimentos e Premonições – Condições para ocorrer...............................133
3.4.1 Mérito ...............................................................................................................133
3.4.2 Desenvolvimento Psíquico ...............................................................................134
3.4.3 Misericórdia Divina..........................................................................................135
3.5 Pressentimentos e Premonições – Meios para ocorrer......................................136
3.5.1 Um Sonho.........................................................................................................136
3.5.2 Uma Intuição ....................................................................................................137
3.5.3 Via Recordações do próprio Espírito................................................................138
3.5.4 Através da captação Mental do fato .................................................................139
3.5.5 Por meio de Projeção Mediúnica......................................................................140
3.5.6 Através da Análise e Estudo da lei de causa e Efeito.......................................141
3.5.7 Exemplos ..........................................................................................................142
3.5.7.1 1865 – O Sonho Profético de Lincoln ..........................................................142
3.5.7.2 1914 – 1º Guerra Mundial.............................................................................144
3.5.7.3 1938 – Choque de Trens – Minas Gerais......................................................145
3.6 Pressentimentos e Premonições – Síntese ............................................................146
3.6.1 Uma Benção .....................................................................................................146
4 As Profecias – Os Tempos são chegados .....................................................................148
4.1 O Sermão Profético – Jesus...................................................................................148
4.2 Definições e Conceitos – Kardec...........................................................................150
4.3 Sinais dos Tempos – Emmanuel ...........................................................................153
4.4 Sinais dos Tempos – Bezerra de Meneses............................................................160
4.5 Sinais dos Tempos – Joanna de Angelis...............................................................163
4.6 Sinais dos Tempos – Amélia Rodrigues ...............................................................165
4.7 Sinais dos Tempos – Manoel Philomeno de Miranda.........................................170
4.8 Sinais dos Tempos – Camilo .................................................................................174
4.9 Sinais dos Tempos – Divaldo Franco ...................................................................176
4.10 Sinais dos Tempos – Weimar Muniz de Oliveira................................................177
4.11 Sinais dos Tempos – Mário Frigéri ......................................................................178
iv
4.12 Sinais dos Tempos – Vianna de Carvalho ...........................................................179
5 Referências.....................................................................................................................180
1
Os Pressentimentos e as Premonições Espíritas
1 O Tempo
1.1 O que é o Tempo? – Definições/Atributos/Características
O tempo é relativo; não pode ser apreciado senão em termos de comparação
e os pontos de referência estabelecidos na revolução dos astros; e esses termos
variam conforme os mundos, porque fora dos mundos o tempo não existe; não há
unidade para medir o infinito.
Allan Kardec – Revista Espírita – Julho de 1868 – A ciência da concordância
dos números e a fatalidade.
O tempo, como a palavra espaço, é também um termo já por si mesmo
definido; dele se faz ideia mais exata, relacionando-o com o todo infinito.
O tempo é a sucessão n das coisas; está ligado à eternidade, do mesmo modo
que as coisas estão ligadas ao infinito
(...)
O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a
eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para
ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.
Allan Kardec – A Gênese – Cap. 6 – Uranografia geral – O Espaço e o Tempo
O espaço e o tempo serão apenas formas viciosas do intelecto, ou terão uma
expressão objetiva no esquema da realidade pura? E, neste último caso, quais serão
as relações fundamentais entre espaço e tempo?
Resposta. — No esquema das realidades eternas e absolutas, tempo e espaço
não têm expressões objetivas; se são propriamente formas viciosas do vosso
intelecto, elas são precisas ao homem como expressões de controle dos fenômenos
da sua existência.
As figuras, em cada Plano de aperfeiçoamento da vida, são correspondentes
à organização através da qual o Espírito se manifesta.
Emmanuel – Emmanuel – Cap. 33 – Quatro questões de filosofia – O Tempo e o
Espaço
2
“Se ninguém me perguntar [O que é o Tempo], eu sei; porém, se o quiser
explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.”
“É impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro.
Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três:
presente das coisas passadas,
presente das presentes,
presente das futuras.
Existem, pois, estes três tempos na minha mente que não vejo em outra
parte: lembrança presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes
e esperança presente das coisas futuras.”
Santo Agostinho – Confissões – Livro XI
Relação de seus escritos nas Obras de A. Kardec:
A. Livro dos Espíritos:
− “Prolegômenos”;
− Perg. 495 (em parceria com São Luís);
− Perg. 919;
− Perg. 1009;
− Parte final do item VIII da “Conclusão”.
B. Livro dos Médiuns:
− Cap. 31 — “Dissertações Espíritas” — “Sobre o Espiritismo” — I
− Cap. 16: “Sobre as Sociedades Espíritas”
C. O Evangelho Segundo o Espiritismo:
− Cap.: I, 11 ; III, 13 a 15; V, 19; XII, 12; XIV, 9; XXVII, 23.
D. O Céu e o Inferno:
− Cap. 8 — “Expiações Terrestres” — Sobre o menino Marcel
E. Revista Espírita:
− Vol. XI, 15.
3
Aurélio Agostinho, (em latim: Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona,
ou Santo Agostinho, (Tagaste, 13 de novembro de 354 – Hipona, 28 de agosto de
430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo, padre e Doutor da Igreja Católica.
Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do
cristianismo no Ocidente.
Em seus primeiros anos, Agostinho foi fortemente influenciado pelo
maniqueísmo e pelo neoplatonismo de Plotino, mas depois de sua conversão e
batismo (387), ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia
e uma variedade de métodos e perspectivas diferentes.
Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e,
quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o
conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome),
distinta da cidade material do homem.
Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A
igreja se identificou com o conceito de “Cidade de Deus” de Agostinho, e também
a comunidade que era devota de Deus.
Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, província de Souk Ahras, Argélia,
e sua mãe, católica, se chamava Mônica.
Foi educado no Norte da África e resistiu aos pedidos da mãe para se tornar
cristão.
Vivendo como um intelectual pagão, ele tomou uma concubina e se tornou
um maniqueísta.
Posteriormente se converteu para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se
opôs às heresias, como a crença que as pessoas possuem a habilidade de escolher
fazer um bem tão forte que poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina
(pelagianismo).
Na Igreja Católica, e na Igreja Anglicana, é um santo, e um importante
doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostinha; seu memorial é
celebrado no dia 28 de agosto.
4
Muitos protestantes, especialmente calvinistas, o consideram como um dos
pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a salvação e a graça divina.
Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia festivo é celebrado em
15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é um herege,
principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou conhecido como
a cláusula filioque.
Entre os ortodoxos é chamado de “Agostinho Abençoado”, ou “Santo
Agostinho o Abençoado”.
Wikipédia – Santo Agostinho
5
1.1.1 É Infinito/Imortalidade
O Tempo é o tesouro infinito que o Criador concede as Criaturas.
Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo
Um ano chega e se vai,
Mas outro ano aparece,
Para que o drama da vida,
Na Terra se represente…
Em cada dia que nasce
Há sempre dor e prazer;
Resguardemos o otimismo
Na alegria de viver…
Jair Presente – Palco Iluminado – Cap. 2 – Nota do tempo
Ao que me parece, em todas as situações e sentimentos, a palavra eternidade
é sinônimo de mudança.
Ivon Costa – Praça da Amizade – Cap. 7 – Notas em Pauta
Cada um de nós estrutura o destino, dentro do tempo, patrimônio de Deus,
que usamos segundo a nossa vontade. Somos artífices de nós mesmos, de nossa
ascensão ou de nossa queda. Somos aquilo que gravamos na tela das horas.
(...)
Proclamais a fadiga como credencial para consolo celeste; entretanto, é
imprescindível conhecer a causa do vosso cansaço.
Quantas lágrimas enxugastes?
Quantas noites despendestes à cabeceira dos desamparados do mundo?
Quantas horas já destes ao triste, ao miserável, ao aflito, ao canceroso?
Quantas vezes fizestes sorrir a esperança nos corações derreados pela
desilusão?
Quantos pensamentos de verdadeiro amor aos semelhantes emitistes nos
caminhos do tempo?
Quantas crianças conduzistes?
6
Quantos irmãos sem refúgio encontraram em vosso espírito o sustento e o
incentivo de viver?
Quantas dores mitigastes?
Quantas luzes acendestes?
(...)
O tempo!… O tempo!…
Era necessário valorizá-lo, enchê-lo, de claridades e de bênçãos eternas,
como quem espalha um tesouro divino para, em seguida, retornar com os galardões
da vitória aos santuários da imortalidade!…
De improviso, encontrei-me no quarto, em que me aguardavam o transe
final. Abri dificilmente os olhos e contemplei os rostos piedosos que me vigiavam
o leito…
Quis falar e gesticular, descrevendo tudo quanto vira e ouvira no castelo
revelador do Plano espiritual, mas os meus braços se mantinham imóveis e minha
boca estava hirta.
Tinha eu agora esclarecimentos que não podia transmitir, notícias que era
incapaz de desvelar, e sonhos que não me era dado contar…
“Ó Senhor!… — Pensei — poupa-me ainda…”
Mas o mesmo ancião do caminho iluminado fez-se-me visível e repetiu as
palavras:
— É inútil. Sigamos!
J. A. Nogueira – Falando à Terra – Cap. 30 – O Tempo
José Antônio NOGUEIRA (1947) — Brilhante jurista e eminente
magistrado brasileiro. Espiritista. Escritor suave e de forte personalidade. Crítico
penetrante, suas obras, e principalmente “Amor Imortal”, mereceram o elogio de
renomados autores brasileiros.
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Caetano Veloso – Oração ao Tempo
7
1.1.2 É Progressivo/Evolução
A vida é permanente, a oportunidade se repete, a lição se rearticula, mas o
tempo de hoje não mais voltará.
Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do
tempo
Jornadeando nas trilhas da evolução, não é o tempo que passa por ti, mas,
inversamente, és a criatura que passa pelo tempo.
Emmanuel – Calma – Cap. 2 – Passando pela Terra
Não é o tempo que passa por nós; ao contrário, nós é que passamos por ele.
Eduardo Leite de Araújo – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo
Tempo e Esforço são as chaves do crescimento da Alma.
Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 26 – Carta Estimulante
O tempo não volta atrás,
Dia passado correu;
Tempo é aquilo que se faz
Do tempo que Deus nos deu.
Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo
Todas as criaturas gozam o tempo — raras aproveitam-no.
(...)
Distraído cultivador — pergunta: “que farei?”
E o tempo silencioso responde — com ensejos benditos:
De servir — ganhando autoridade.
De obedecer — conquistando o mundo.
De lutar — escalando os céus.
O homem, todavia — voluntariamente cego,
Roga sempre mais tempo — para zombar da vida,
(...)
Mas chega um dia — porque há sempre um dia mais claro que os outros,
Em que a morte surge — reclamando trapos velhos…
8
O tempo recolhe, então — apressado — as oportunidades que pareciam
sem-fim…
E o homem reconhece — tardiamente preocupado
Que a Eternidade Infinita — pede contas do minuto.
André Luiz–Coletânea do Além – Cap. 34–O Tempo
9
1.1.3 É Renovatório/Reencarnação
É a suprema renovação da Vida.
Estudando a existência humana, temos que o tempo é a redenção da
Humanidade, ou melhor – o único patrimônio do Homem.
Amalia Domingos Soler – Memórias do Padre Germano – Cap. 5 – A
Fonte da Saúde
O tempo é o nosso abençoado renovador.
Irmão Jacob – Voltei Cap. 5 – Despedidas
O tempo é o agente silencioso que preside o crescimento, a evolução e a
maturação das sementes de renovação do mundo interior de cada um de nós, para
que nossos recursos se descerrem plenamente ao sol do trabalho para o
engrandecimento da vida em nós e fora de nós.
Bezerra de Meneses – União em Jesus – Cap. 3 – Itens da fraternidade em Jesus
Ano Novo! Novos dias!
Luz, trabalho, vida e festa!…
Mas, um dia, a morte exige,
Tudo o que Deus nos empresta.
Eurícledes Formiga
Eurícledes Formiga – Caderno de mensagens – Cap. 72 – Ante o Ano Novo
(Reflexões sobre o tempo)
Ninguém evolui, nem prospera, nem melhora e nem se educa, enquanto não
aprende a empregar o tempo com o devido proveito.
André Luiz – Sinal verde – Cap. 21 – Assuntos de tempo
Senhor Jesus!
Diante do calendário que se renova, deixa que nos ajoelhemos para
implorar-te compaixão.
Tu que eras antes que fôssemos, que nos tutelaste, em nome do Criador, na
noite insondável das origens, não desvies de nós teu olhar, para que não venhamos
a perder o adubo do sangue e das lágrimas, oriundo das civilizações que morreram
sob o guante da violência!…
10
Determinaste que o Tempo, à feição de ministro silencioso de tua justiça,
nos seguisse todos os passos…
E, com os séculos, carregamos o pedregulho da ilusão, dele extraindo o ouro
da experiência.
Do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, temos sido senhores e
escravos, ricos e pobres, fidalgos e plebeus.
Entretanto, em todas as posições, temos vivido em fuga constante da
verdade, à caça de triunfo e denominação para o nosso velho egoísmo.
(...)
Entretanto, ainda hoje, decorridos quase vinte séculos sobre o teu sacrifício,
não temos senão lágrimas de remorso e arrependimento para fecundar o Saara de
nossos corações…
Em teu nome, discípulos infiéis que temos sido, espalhamos nuvens de
discórdia e crueldade nos horizontes de toda a Terra! É por isso que o Tempo nos
encontra hoje tão pobres e desventurados como ontem, por desleais ao teu
Evangelho de Redenção.
Não nos deixes, contudo, órfãos de tua bênção…
No oceano encapelado das provações que merecemos, a tempestade ruge em
pavorosos açoites…
Nosso mundo, Senhor, é uma embarcação que estala aos golpes rijos do
vento. Entre as convulsões da procela que nos arrasta e o abismo que nos espreita,
clamamos por teu socorro!
E confiamos em que te levantarás luminoso e imaculado sobre a onda móvel
e traiçoeira, aplacando a fúria dos elementos e exclamando para nós, como outrora
disseste aos discípulos aterrados: — “Homens de pouca fé, porque duvidastes?”
Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 40 – Oração diante do Tempo
11
1.1.4 É igualitário/Amoroso
O tempo é imperturbavelmente dosado. Concessão igual a todos.
(...)
Reflitamos na justiça das horas. Tempo é valor divino na experiência
humana. Cada consciência plasma com ele o próprio destino.
O tempo que o Cristo despendeu na elevação era perfeitamente igual ao
tempo que Barrabás gastou na criminalidade.
A única diferença entre eles é que Jesus empregou o tempo engrandecendo
o bem, e Barrabás usou o tempo gerando o mal.
Entre a luz de um e a sombra do outro, o proveito do tempo se gradua por
escala infinita. Melhorar-nos ou agravar-nos dentro dela é escolha nossa.
André Luiz – Opinião Espírita – Cap. 57 – Escala do Tempo
O Tempo é benfeitor carinhoso e credor imparcial simultaneamente.
Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo
O tempo assemelha-se ao professor equilibrado e correto que premia o
merecimento, considera o esforço, reconhece a boa vontade e respeita a disciplina,
mas não cria privilégio e nem dá cola a ninguém.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 58 – Precisamente
O tempo que o malfeitor gastou para agir em oposição à Lei, é igual ao
tempo que o santo despendeu para trabalhar sublimando a vida.
André Luiz – Sinal Verde – Cap. 24 – Desejos
Acima de todos os dons, permanece o tesouro do tempo. Com as horas os
santos construíram a santidade e os sábios amealharam a sabedoria.
Emmanuel – Caridade – Cap. 14 – O talento esquecido
Faze o que deves fazer
Em teus projetos no Bem.
O Tempo é igual para todos,
Mas não espera a ninguém.
Deraldo Neville – Sorrir e Pensar – Cap. 9 – Trabalho e Descanso
12
1.1.5 É Meritocrático/Lei de Causa e Efeito
O tempo confere a cada um os resultados das próprias obras.
Emmanuel – Caderno de Mensagens – Cap. 23 – Juventude e Maturidade
O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu
esforço.
Neio Lúcio – Jesus no lar – Cap. 42 – A mensagem da Compaixão
O Tempo é o rio da vida cujas águas nos devolvem o que lhe atiramos.
Isabel de Castro – Falando à Terra – Cap. 20 – Um dia
O tempo é o advogado de todos. Fala sem palavras e exalta sem louros
humanos. Confere a cada um, segundo as próprias obras, a alegria ou a dor, a
libertação ou o cativeiro
Maria Augusta Bittencourt – Cartas do Coração – 1ª Parte – Cap. 61 –
Ajudemo-nos
O tempo é como a onda. Flui e reflui. Da nossa sementeira havemos de
colher.
Clarêncio/André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 38 – Casamento
feliz
Tempo é comparável a solo. Serviço é plantação.
Emmanuel – Estude e viva – Cap. 11 – Troca incessante
O tempo carrega em tudo
A justiça por escolta.
De tudo quanto se dá
O tempo entrega de volta.
Antônio Bezerra – Rosas com Amor – Cap. 12 – Anúncios da vida
13
O tempo, para nós, é sempre aquilo que dele fizermos.
(…) As horas são invariáveis no relógio, mas não são sempre as mesmas em
nossa mente.
Quando felizes, não tomamos conhecimento dos minutos. Satisfazendo aos
nossos ideais ou interesses mais íntimos, os dias voam céleres, ao passo que, em
companhia do sofrimento e da apreensão, temos a ideia de que o tempo está
inexoravelmente parado.
(…)
Analisemos ainda o nosso símbolo do combate. O relógio inflexível assinala
o mesmo horário para todos, entretanto, o tempo é leve para os que triunfaram e
pesado para os que perderam. Com os vencedores, os dias são felicidade e louvor e
com os vencidos são amargura e lágrimas.
Áulus/André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 25 – Em torno da
fixação mental
O tempo recolhe a vida,
Não sabe se é boa ou má,
Depois age qual a Terra:
Devolve o que se lhe dá
Ormando Candelária – Chão de Flores – Cap. 15 – O Tempo
De tudo o que dermos ao tempo receberemos colheita certa.
Emmanuel – Inspiração – Cap. 32 – Mais Tempo
O tempo é o rio das horas,
Tão exato assim não há;
Recebe o que se lhe atira,
Devolve o que se lhe dá.
Noel de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo
O tempo é também qual o solo fecundo a retribuir-nos em regime de
percentagem crescente as bênçãos que semeamos…
Emmanuel – Fonte de Paz – Cap. 1 – Trabalhadores
14
O tempo é um rio tranquilo
Que tudo sofre ou consente,
Mas devolve tudo aquilo
Que se lhe atira à corrente.
Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo
15
1.1.6 É Inteligente / Deus
O Tempo, ao Comando Divino, marcha com regularidade, renovando e
aperfeiçoando todas as criaturas e todas as coisas.
Emmanuel – Instrumentos do Tempo – Cap. 5 – O minuto
O tempo que converte a alegria em experiência, é o mesmo que extrai a
felicidade do sofrimento.
Agar – Relicário de Luz – Cap. 115 – Com os dias
O tempo é o tesouro de bênçãos do Senhor, tão divino e substancial para a
nossa alma quanto é o solo para a semente.
Sem a terra amorável, o embrião da vida não passaria de força frustrada e
sem a riqueza das horas, imperceptível para todos os habitantes da crosta do mundo,
o espírito não avançaria, quedando-se à margem da existência à maneira de seixo
ressequido ou morto.
Neio Lúcio – Colheita do bem – Mensagens familiares do Professor Arthur
Joviano – Cap. 33
Quem dá o seu próprio tempo, a benefício dos outros, não conta tempo na
própria idade, no sentido de envelhecer.
Humberto de Campos – Contos desta e doutra Vida – Cap. 26 – O segredo da
Juventude
O tempo, na vida de cada um de nós, é uma doação preciosa de Deus.
Meimei – Palavras do Coração – Meimei – Cap. 3 – Calma e Auxílio
Tempo é doação da Providência Divina.
Emmanuel – Paciência – Cap. 2 – Serve e Caminha
O tempo é uma dádiva do Senhor, com a qual necessitamos aprender a
semear e a construir com o bem.
Humberto de Campos – Histórias e Anotações – Cap. 11 – Sinceramente
16
O tempo, no fundo, é o talento celeste que o Supremo Senhor derramou, a
mancheias, em todas as direções e em favor de todas as criaturas.
Emmanuel – Moradias de Luz – Cap. 6 – O Talento Celeste
17
2 O Futuro
2.1 Podemos AnteVer o Futuro?
2.1.1 Normas/Diretrizes Gerais
2.1.1.1 O Esquecimento do Passado
Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?
Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em Sua
sabedoria.
Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem
transição, saísse do escuro para o claro.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 392 – Esquecimento do
Passado
A lei divina, que rege a condição do ser encarnado na Terra, estabeleceu o
esquecimento das migrações pretéritas, por se tratar do que mais convém ao
comum das criaturas, sendo mesmo essa a situação normal de cada ser, e, assim
sendo, o fato de recordar produzirá choques morais por vezes intensos, na
personalidade que assim se destaca, acarretando anormalidades que variam de grau,
conforme a situação moral ou consciencial de cada um, pois só quem realmente
recorda o próprio passado reencarnatório, no qual faliu, estará capacitado a
compreender o desequilíbrio e a amargura que tal situação provoca.
Ao que parece, o fato de recordar existências passadas constitui provação
para as criaturas comuns, ainda pouco evolvidas, ou concessão ao mérito, nas de
ordem mais elevada na escala moral.
(...)
Cumpre, porém, advertir que, nestas páginas, tratamos de recordações
diretas que o indivíduo possa ter de suas migrações terrestres do pretérito e
não de revelações transmitidas por possíveis médiuns.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 3 –
Reminiscências de Vidas Passadas
18
A faculdade de recordar é o agente que nos premia ou nos pune, ante
os acertos e os desacertos da rota.
Dessa forma, se os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e
profunda alegria nos recessos da alma, as ações infelizes se erguem, além do
túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência.
Crimes perpetrados, faltas cometidas, erros deliberados, palavras delituosas
e omissões lamentáveis esperam-nos a lembrança, impondo-nos, em reflexos
dolorosos, o efeito de nossas quedas e o resultado de nossos desregramentos,
quando os sentidos da esfera física não mais nos acalentam as ilusões.
Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 4 – Memória de Além-Túmulo
É preciso grande equilíbrio para podermos recordar, edificando. Em
geral, todos temos erros clamorosos, nos ciclos da vida eterna.
Quem lembra o crime cometido costuma considerar-se o mais desventurado
do Universo; e quem recorda o crime de que foi vítima, considera-se em conta de
infeliz, do mesmo modo. Portanto, somente a alma muito segura de si recebe
tais atributos como realização espontânea. As demais são devidamente
controladas no domínio das reminiscências e, se tentam burlar esse dispositivo da
lei, não raro tendem ao desequilíbrio e à loucura.
(...)
A leitura apenas informa. Depois de longo período de meditação para
esclarecimento próprio, e como surpresas indescritíveis, fomos submetidos a
determinadas operações psíquicas, a fim de penetrar os domínios emocionais das
recordações. Os espíritos técnicos no assunto nos aplicaram passes no cérebro,
despertando certas energias adormecidas...
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 21 – Continuando a Palestra
19
Diante das ocorrências do déjà-vu, os remanescentes reencarnacionistas
estabelecem parâmetros sutis de lembranças que retornam à consciência atual como
lampejos e clichês de evocações, ressumando dos conteúdos da inconsciência —
ou da memória extracerebral, do períspirito — oferecendo possibilidades de
identificação de pessoas, acontecimentos, lugares e narrativas já vividas, já
conhecidas, antes experimentadas...
Desfilam, então, os fenômenos psicológicos das simpatias e das antipatias,
dos amores alucinantes e dos ódios devoradores, que ressurgem dos arquivos da
memória anterior ante o estímulo externo de qualquer natureza, que os
desencadeiam, tais: um encontro ou reencontro; uma associação de ideias — a atual
revelando a passada — uma dissensão ou um diálogo; qualquer elemento que
constitua ponte de ligação entre o hoje e o ontem.
Joanna de Angelis – O Homem Integral – Cap. 39 – A Reencarnação
Na existência corporal, todavia, a alma sente a memória obscurecida,
num olvido quase total do passado, a fim de que os seus esforços se valorizem; a
consciência então é fragmentária, parcial, porquanto as suas faculdades estão
eclipsadas pelos pesados véus da matéria, os quais atenuam ao mínimo as
suas vibrações, constituindo, porém, esses poderes prodigiosos, mas ocultos, as
extraordinárias possibilidades da vasta subconsciência, que os cientistas do século
estudam acuradamente.
Tais forças e progressos adquiridos, o Espírito jamais os perde; são parte
integrante do seu patrimônio e, na vida material, podem emergir no exercício
da mediunidade, nas hipnoses profundas, ou em outras circunstâncias que
facilitam o desprendimento temporário dos elementos psíquicos.
Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Esquecimento do Passado
20
Incontáveis pessoas se hão surpreendido em face das lembranças das
vidas passadas, em que mergulham inconscientemente, experimentando nas
evocações os estados emocionais característicos das personagens que antes
animaram.
Da sistemática recordação, com os sucessivos mergulhos nas lembranças do
passado, muitos têm sido vítima de distonias de vária ordem, perturbando-se, sem
conseguirem estabelecer os limites entre os fatos de uma e de outra existência: a do
passado, que retorna vigorosa, e a do presente, que se vai submetendo ao impositivo
da outra.
Na vida infantil, porque o espírito ainda se encontra em processo de fixação
total nas células, apropriando-se do campo somático, a pouco e pouco, surgem
frequentemente nos diversos campos da Arte, da Filosofia, da Ciência e da Religião
os que externam precocidade surpreendente, revelando conhecimentos superiores
aos do tempo em que vivem ou recordando os ensinamentos aprendidos
anteriormente.
A memória da aprendizagem e dos fatos não se perde nunca, pois que
esta não é património das células cerebrais, que as traduzem, estando incorporada
ao períspirito, que a fixa, acumulando as experiências das múltiplas existências,
mediante as quais o Espírito evolute, nas diversas faixas que se lhe fazem
necessárias.
Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 8 – Renascer
21
2.1.1.2 A ocultação do Futuro
Em princípio, o futuro lhe é oculto, e só em casos raros e excepcionais
Deus lhe permite a sua revelação.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868 – Conhecimento do
Futuro
(...) Essas palavras claramente indicam que, já naquela época, os charlatães
e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam.
Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo,
predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis.
Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação Judia, e fácil
é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade
tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos
pseudoprofetas, que não passavam de impostores ou fanáticos.
Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 –
Jeremias e os falsos Profetas
Entre as inescrutáveis Leis de Deus chama a atenção, merecendo reflexões,
a que se refere ao desconhecimento do futuro concedido à criatura humana.
(...)
É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências
psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma,
menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã.
Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos
porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se
embriagam.
Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o
sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio.
Aguardar a chegada de tragédias e dramas, de infortúnios e dissabores
constituiria desgraça injustificada, maior do que o fato em si.
Tivesse-se conhecimento por antecedência de sucessos felizes, de vitórias
afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período
que separa o momento da descoberta ao da sua concretização.
22
Ademais, nasceria tormentosa desconsideração pelo presente, cuja
condução modificaria o futuro.
(...)
Se aspiras conhecer o teu futuro, examina o teu presente, programando
os teus pensamentos, palavras e atos que formarão o tecido do que está por vir.
Se aspiras saber do teu passado, aprofunda reflexões nos teus dias atuais e
concluirás como ele ocorreu, em razão daquilo que és agora.
O desconhecimento do futuro, qual sucede com o do passado, é bênção
da Vida, contribuindo para uma existência harmônica, embasada na confiança dos
resultados do amor e do trabalho, que são alavancas promotoras do progresso para
todos.
Quando Deus permite ao ser humano conhecer o futuro em caráter especial,
assim o faz, objetivando o seu e o progresso da sociedade.
A forma porém, como o indivíduo se utiliza desse conhecimento, é de sua
inteira responsabilidade, assim como as consequências disso advindas.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho –
Desconhecimento do Futuro
23
2.2 Perigos
2.2.1 Negligência do Presente
Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria
com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a idéia de que, se uma coisa
tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que
acontecesse.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 869
É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências
psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma,
menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã.
(...)
Tivesse-se conhecimento por antecedência de sucessos felizes, de vitórias
afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período
que separa o momento da descoberta ao da sua concretização.
Ademais, nasceria tormentosa desconsideração pelo presente, cuja
condução modificaria o futuro.
No rio do tempo somente o hoje é vital.
Vivê-lo com elevação e nobreza é a forma feliz de anular o ontem e
programar o amanhã.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho –
Desconhecimento do Futuro
24
2.2.2 Angustias em relação ao Futuro
Prepara o futuro através de atitudes corretas, mas não te angusties pela
chegada dele.
Joanna de Angelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos
porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se
embriagam.
Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o
sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Julho –
Desconhecimento do Futuro
Em face dos substratos do passado, arquivados no subconsciente, quase
sempre negativos, neurotizantes, a pessoa pressupõe que o seu será um futuro
carregado de problemas, de desafios, exigindo-lhe continuar abraçado à cruz dos
sofrimentos. Porque não desalojou dali os hóspedes indesejáveis da perturbação, as
mensagens que capta em relação ao futuro são assinaladas por incertezas e
preocupações.
Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 –
Incerteza do Futuro
25
2.2.3 Estabelecimento de fantasias e ilusões
Muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos porvindouros,
derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se embriagam.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Julho –
Desconhecimento do Futuro
Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi-
los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita
de que não existe a predestinação para o mal.
Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências
inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não
significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com
a força das trevas.
Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
26
2.3 Mitos
2.3.1 As provas e expiações são uma fatalidade absoluta.
Não creia que “só acontece o que deve acontecer”.
A sua conduta altera para melhor ou para pior o seu esquema evolutivo,
conforme a direção que você se conceda.
Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 18 – Culpa e Resgate
O determinismo é flexível, com raras exceções, que sempre são examinadas,
coordenadas e alteradas pelos responsáveis nos processos reencarnatórios dos que
demandam à Terra em aprendizagem edificante, liberadora.
Nos mapas das experiências humanas, graças às mudanças de
comportamento dos reencarnados, em decorrência do seu livre-arbítrio, são
alterados com assídua frequência, sucessos e socorros, dores e problemas
programados, abreviando-se ou concedendo-se moratória à vilegiatura daqueles que
se situam num como noutro campo desta ou daquela necessidade...
O que parece determinismo infeliz e que resulta nas chamadas desgraças
terrenas: desastres, desencarnações inesperadas, enfermidades, abandonos,
sofrimentos, pobreza, de forma alguma são infortúnios reais, antes processos
metodológicos de disciplina moral para os calcetas, os devedores inveterados
mediante os quais são advertidos pelas forças superiores, a fim de que se voltem
para os deveres nobres e se recomponham perante a consciência e o próximo que
espezinham e subalternizam... Os infortúnios (reais) são os atos que levam a tais
correções e não os medicamentos providenciais para a catarse dos descalabros
cometidos, das sandices perpetradas...
Como auxiliares valiosos do livre-arbítrio, possui o homem o
discernimento, a razão, a tendência para o bem, a irresistível atração para a
felicidade. Contra ele estão o passado espiritual, o atavismo animal, a
preferência ao erro, como decorrência do hábito, do comodismo a que se prende.
Joanna de Angelis – No Limiar do Infinito – Cap. 5 – Determinismo e livre-
arbítrio
27
Os fatalistas,
(...) acreditam que todos os acontecimentos estão previamente fixados por
uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijar-se, se favorecido
com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso.
Os deterministas,
(...) ao seu turno sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de
serem em livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele
não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a índole da raça a que pertença;
o clima, o solo e o meio social em que viva; a educação, os princípios religiosos e
os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes
quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc.
Rodolfo Calligaris – As Leis Morais – Cap. 36 – Fatalidade e Destino
O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores
da natureza, chega à condição de humanidade, depois de haver pago os tributos
que a evolução lhe reclama.
À vista disso, é natural compreendas que o livre-arbítrio estabelece
determinada posição para cada alma, porquanto cada pessoa deve a si mesma
a situação em que se coloca.
 És hoje o que fizeste contigo ontem.
 Serás amanhã o que fazes contigo hoje.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 30 – Diante da Lei
Livre arbítrio! … Livre arbítrio! …
O homem faz o que quer,
Mas sempre responderá
Por aquilo que fizer
Cornélio Pires – Caminhos da Vida Cap. 13 – Livre Arbítrio
Deus criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade.
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher
28
2.3.2 Uma premonição quanto mais pormenorizada melhor é!!!
Os Espíritos levianos, que não escrupulizam de vos enganar, esses
determinam os dias e as horas, sem se preocuparem com que o fato predito ocorra
ou não. Por isso é que toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
29
2.3.3 Uma premonição só é dada por espíritos superiores!!!
Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso
revelarem.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do
esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso
respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo quadros
menos dignos, projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles
que se fizeram nossos inimigos em outras eras; e das palavras que articulam podem
surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a
enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança.
Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros,
vulgares, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas
informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de
instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se
fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.
Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados
à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos,
nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as
histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações
sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e
conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...
Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 – Terrorismo de
natureza Mediúnica
Caso, no entanto, seja reprochável a conduta do indivíduo ou se faça
caracterizada pela rebeldia sistemática, pelos conflitos nos quais se compraz, os
pressentimentos se apresentam com manifestação maléfica, propostos pelos
acompanhamentos espirituais que se lhe tornam constantes, em razão do tipo de
opção mental e comportamental a que se entrega.
30
Os Espíritos que o assessoram atormentam-no com ideias falsas umas e
mirabolantes outras, a fim de mais o iludirem e fixarem-no nas suas redes mentais
perversas, de difícil libertação.
Comensais dos seus propósitos íntimos enfermiços, são hábeis na técnica de
transmitir ideias deprimentes e portadoras de conteúdos perturbadores que o
atormentam e mais pioram o seu humor e estado emocional.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por
Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-
se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou
incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado,
com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de
Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos,
assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam
condutores dos grupos humanos.
Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações Inconsequentes
31
Era um hábito sem pausa…
Fosse ilusão ou capricho,
O médium Joaquim de Souza
Curtia o jogo do bicho.
Não era pessoa falsa,
Nem era mau companheiro,
Demonstrava apenas fome
De dinheiro e mais dinheiro.
Na manhã de cada dia,
Em pensamento profundo,
Perguntava a Irmão Rosalvo
Que lhe fora irmão no mundo…
“Que bicho teremos hoje?”
Após ligeiro intervalo,
A voz do irmão respondia:
— “Pegue o camelo e o cavalo.”
Joaquim seguia o conselho,
Promovia grande aposta:
Depois, vinha o resultado
Grande soma por resposta.
Chegava a manhã seguinte,
Concentrava-se com fé…
— “E hoje?” O irmão sugeria:
— “Pegue a cabra e o jacaré”
Na manhã imediata,
Joaquim regressava à treta:
— “E hoje?” O irmão informava:
— “Pegue o tigre e a borboleta.”
Meses e meses passaram…
Joaquim tinha o ouro à vista,
Embora médium, subira
A grande capitalista.
Certa manhã, disse a voz:
— “Joaquim, melhore o seu taco,
Entregue tudo o que tenha
No peru e no macaco.”
Joaquim atendeu, de pronto…
Pôs as somas que ajuntara
Nos dois bichos referidos
Que a voz do Além lhe apontara.
32
Nesse dia, entrou em prova;
Com grande consternação,
Viu que os bichos não vieram,
Vieram gato e pavão.
Joaquim errava, magoado,
Da sala para a cozinha…
Estava pobre… Perdera
A fortuna que detinha
Ansioso, foi ao quarto,
Entrou em prece e pediu:
— “Irmão Rosalvo, esclareça!…
O que é que você viu?
Atenda! Peço socorro,
Fale, irmão!… Pois estou fraco!…
Por que o gato e o pavão
Sem peru e sem macaco?”
A voz, porém, lhe explicou:
— “Não sou o seu companheiro,
Não sou seu irmão Rosalvo,
Eu sou a mãe do banqueiro…”
Meus irmãos, temos na Terra
Um trio de fel e fogo…
Tem três nomes conhecidos:
— Ambição, cachaça e jogo.
Jair Presente – Agência de notícias – Capítulo 7 – Irmãos da mesma Faixa
33
2.4 O que é o Futuro?
2.4.1 Uma Colheita
Sendo uma existência planetária consequência natural da que lhe é anterior,
e muitas vezes de outras mais recuadas, os eventos da vida se encontram mais ou
menos delineados conforme as estruturas sobre as quais se apoiam, facilitando­lhes
a captação antecipada por se encontrarem na pauta do processo da evolução.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
O destino, portanto, estamos a tracejá-lo cada momento, mediante as
atitudes assumidas em cada etapa vencida, em cada jornada a vencer.
Fiamos e desfiamos a rede do porvir, estabelecendo as medidas necessárias
à felicidade ou à desdita de que somos responsáveis, autores do nosso sofrer ou
alegria.
Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – A Fé
A Bondade Divina nos assiste, de múltiplas maneiras, amparando-nos o
reajustamento, mas em todos os lugares viveremos jungidos às consequências dos
próprios atos, de vez que somos herdeiros de nossas próprias obras.
André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 9 – No Lar da Benção
Toda aflição se fixa em raízes que devem ser extirpadas. Algumas possuem
causas atuais, enquanto outras se prendem ao passado espiritual, constituindo
tais fatores a justiça impertérrita que alcança os infratores dos códigos divinos
do amor e do equilíbrio.
Joanna de Angelis – Celeiros de Bênçãos – Cap. 35 – Serão Consolados
34
2.4.2 Uma Plantação
Diariamente edificamos. E edificamos, em nós e por fora de nós, a
cooperação que nos cabe no engrandecimento da vida.
Em vista disso, se nos propomos a encontrar o amanhã melhor,
cogitemos disso hoje.
(...)
O nosso futuro está sendo articulado neste instante por nós mesmos.
Façamos agora o melhor ao nosso alcance, porque o amanhã para nós será
sempre o nosso hoje passado a limpo.
Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós
A cada instante estás alterando o teu futuro mediante as tuas ações.
Desse modo, constrói-o em luz e em paz, mesmo que estejas caminhando
entre sombras e sobre espículos que te ferem os pés.
Não desfaleças, e segue adiante no rumo do teu amanhã, que começa agora.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho –
Desconhecimento do Futuro
Vivendo bem cada momento, em profundidade, o futuro torna-se natural,
acolhedor, gratificante, porquanto será conforme os atos de ontem – em
reencarnações passadas — e de hoje – na existência atual -, que alterará o
mapeamento do amanhã.
Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 –
Incerteza do Futuro
Tuas ações, tua vida.
Conforme agires hoje, escreverás a história do teu futuro.
Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
Cada um de nós é capaz de lobrigar seu futuro e, ainda mais, de prepará-lo.
O enigma da vida se esfuma, quando sabemos que a existência que corre é
o fruto do que semeámos, e que a de amanhã será o que houvermos hoje
plantado.
Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Março – Pag. 54 – Futuro e
Fatalidade
35
Cada hora na vida é recurso potencial para a criação de novos destinos.
Entendendo que apenas o dever cumprido resgata-nos os débitos, não nos
esqueçamos de que pelo serviço espontâneo, além do quadro das nossas justas
obrigações, todos conseguimos sublimar o próprio livre-arbítrio.
Emmanuel – Linha Duzentos – Cap. 10 – Diante do Destino
Podes mudar o teu destino, conforme agires no teu dia-a-dia.
Não existe uma predestinação para o mal, mas sim para a perfeição relativa.
O bem que fazes é luz que acendes na noite dos teus compromissos,
apontando rumos libertadores e diminuindo o débito que te pesa na economia
espiritual.
O teu destino, portanto, encontra-se ao teu alcance para alterá-lo conforme
a direção que dês ao teu comportamento.
E se hoje não podes decidir o que fazer ou como realizá-lo, face aos
impedimentos que te retêm nos limites estreitos da expiação, desperta em espírito e
alegra-te, porque logo mais raiará dia novo para os teus projetos de plenitude.
Joanna de Angelis – Nascente de Bençãos – Cap. 19 – Alterações do
Destino
36
2.4.3 Uma Libertação
O candidato à reencarnação acercou-se, jubiloso, do Instrutor Espiritual
encarregado da programática de sua vida futura e inquiriu:
Quais são as últimas orientações que deverei guardar como recurso de
segurança para o êxito?
O Mestre sábio abrangeu o ambiente com um olhar penetrante e respondeu:
São necessários alguns dos seguintes valores para uma jornada feliz, que
nunca poderão ser desconsiderados:
− a humildade como fortaleza inexpugnável;
− a paz como couraça de defesa;
− o conhecimento como instrumento de progresso;
− o livro como amigo silencioso;
− o trabalho como degrau de ascensão;
− a prece como apoio contra as tentações;
− a beneficência como investimento de felicidade;
− a honra como alicerce de resistência;
− a esperança como material de edificação contínua;
− o amor como vínculo de união com Deus e a Vida.
O aprendiz meditou largamente e, cabisbaixo, considerando a gravidade da
empresa reencarnacionista, mergulhou na névoa densa da Terra para recuperar-se e
aprender.
Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida
Prepara o futuro através de atitudes corretas mas não te angusties pela
chegada dele.
Vence a hora de cada hora, realizando o que possas, através de como possas,
lidando infatigável na república do espírito em atribulação.
Os acontecimentos vividos são experiências para as realizações a viver.
Jesus é o teu divisor de águas.
Kardec é o condutor do teu amanhã. Eleva-te ao Mestre através do Seu
apóstolo moderno e fecha às paixões o templo da tua alma, em caráter definitivo,
aspirando à glória do Mundo Maior que a todos nos espera.
Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
37
Do que deres presentemente, recolherás os resultados depois.
O futuro começa agora. Cede hoje à vida o que possuas de melhor e,
amanhã, aquilo que a vida tenha de melhor te responderá.
Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro
38
2.4.4 Uma Escolha
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as
coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”
Paulo de Tarso – I Coríntios 10:23
Afirma a Divina Escritura que “a cada um será dado segundo suas obras”, o
que, no fundo, equivale a dizer-se que as reações dos homens perante a vida é
que decidirão sobre o destino de cada um.
Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 38 – Reações
Desejando, porém, prosseguir nos esclarecimentos, quanto ao serviço
reencarnacionista, Manassés tomou pequeno gráfico e, apresentando-me as linhas
gerais, acentuou:
- Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa
certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmoide?
Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que
chegue à maioridade física. Trata-se, porém, de escolha dele.
André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 12 – Preparação de Experiências
O desenho do planejamento futuro é realizado com o material que se está
usando neste momento.
Gerando decisões salutares, tomando-se atitudes corretas e corrigindo-
se as equivocadas, programa-se o porvir agradável, compensador.
Para tanto, o cultivo dos pensamentos enobrecedores faz-se inadiável. É
necessário pensar alto, a fim de colher resultado satisfatório. Quem pensa a mesma
coisa, recebe sempre aquilo que já tem. Variar para melhor, é candidatar-se ao
superior, ao não fruído.
Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 –
Incerteza do Futuro
39
O mapa de regeneração volta conosco ao mundo, consoante as
responsabilidades por nós mesmos assumidas no pretérito remoto e próximo;
contudo, o modo pelo qual nos desvencilhamos dos efeitos de nossas próprias obras
facilita ou dificulta a nossa marcha redentora na estrada que o mundo nos oferece.
Aceitemos os problemas e as inquietações que a Terra nos impõe agora,
atendendo aos nossos próprios desejos, na planificação que ontem organizamos,
fora do corpo denso, e tenhamos cautela com o modo de nossa movimentação no
campo das próprias tarefas, porque, conforme as nossas diretrizes de hoje, na
preparação do futuro, a vida nos oferecerá amanhã paz ou luta, felicidade ou
provação, luz ou treva, bem ou mal.
Emmanuel – Nascer e Renascer – Cap. 4 – Fatalidade e Livre arbítrio
Emmanuel – Revista Reformador – 1954 – Abril – Pag. 74 – Fatalidade e
Livre arbítrio
Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase
infinita, obedecendo a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos
prejuízos ocasionais de cada candidato.
(...) Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o
candidato, é feita a pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro
dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na
esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente,
quando se trata de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os
membros do futuro clã convivem, primeiro, na Erraticidade, donde partem já com
a família adrede3 estabelecida...
(...) Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a
alternâncias decorrentes do uso do livre-arbítrio, de modo a permitir uma ampla
faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do destino,
embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis
do equilíbrio geral. (...) Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o
empreendimento da reencarnação adquire hoje mais amplo entendimento pelos
homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua
vez, preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra,
inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1 –
Reencarnação – Dádiva de Deus
40
Querer ou não querer, esforçar-se ou não pelo triunfo pessoal, depende
de cada aprendiz da vida.
Açulado, perseguido por fatores inditosos, arrojado a situações perniciosas,
mesmo assim o homem é responsável pela sua acomodação tácita ou pelo empenho
de superação das injunções, que devem funcionar como valiosas experiências para
a fixação do dever nobre, do bem atuante nos painéis da sua mente encarnada.
De forma alguma desistas de lutar, de tentar em esforço de reabilitação, de
repetir a tarefa até lograr a vitória.
Só há fatalidade para o bem, sendo as determinações de provação e
expiação, capítulos e ensaios redentores para os equivocados que se demoram nas
experiências primárias da evolução.
Joanna de Angelis – Leis Morais da Vida – Cap. 38 – Diante do destino
Nunca prejudicarás a alguém sem prejudicar-te.
Nunca beneficiarás a essa ou aquela pessoa sem beneficiar a ti mesmo.
Através de nossas ações, sobre os outros, traçamos o próprio caminho.
Os companheiros de nossa estrada são fragmentos de que se nos constituirá
o próprio futuro.
Esses apontamentos pertencem à Lei
Emmanuel – Pronto Socorro – Cap. 12 – Assunto de Lei
Qualquer alma tem o seu destino traçado sob o ponto de vista do trabalho e
do sofrimento, e, sem paradoxos, tem de combater com o seu próprio destino,
porque o homem não nasceu para ser vencido; todo Espírito labora para dominar a
matéria e triunfar dos seus impulsos inferiores.
Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Homem e seu Destino
Em qualquer lugar ou crença,
Segundo o Plano Divino,
O homem conforme pensa
Constrói o próprio destino
Lourenço de Almeida Prado – Paz e Alegria – Cap. 3 – Cartazes de Rumo
41
Não dês trégua à desdita, à ociosidade, aos queixumes.
És senhor do teu destino, e ele tem para ti, como ponto de encontro, o
infinito.
Quem se desvaloriza e se desmerece e se invalida, fica na retaguarda.
É necessário que te envolvas com o programa divino. Todo aquele que se
não envolve positivamente, nunca se desenvolve.
Se preferires sofrer, terás liberdade para a experiência até o momento em
que te transfiras para a opção do bem-estar.
Desse modo, não transformes incidentes de pequena monta, coisas e
ocorrências corriqueiras, em tragédias.
Ninguém tem o destino do sofrimento. Ele é resultado da ação negativa,
jamais a causa.
Joanna de Angelis – Momentos de Saúde e de Consciência – Cap. 2 –
Liberdade de escolha
Trazes contigo o leme do destino escondido na mente, ocultando no peito
o impulso que o dirige, porque tudo prospera aos golpes do desejo, e o ímã do desejo
chama-se coração.
Emmanuel – Seara dos Médiuns – Cap. 76 – Imã
Deus criou o livre-arbítrio, NÓS CRIAMOS A FATALIDADE.
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher
O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos
criando.
O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo
muda tanto o realizador quando o destino.
Antoine Saint-Exupéry
42
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença, muda a nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vinicius de Moraes – Aquarela
As previsões nunca faltam
Com suportes de alarido,
Todos, porém, navegamos
no mar do desconhecido.
Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões
43
3 Pressentimentos e Premonições
3.1 Pressentimentos e Premonições – Definições
Presciência é a previsão do futuro. Filos.
Chamam os teólogos presciência ao atributo pelo qual Deus conhece todas
as coisas, ou ao conhecimento que Deus tem de todo o presente, o passado e o
futuro, não só no que respeita ao Homem e a tudo que ao Homem concerne, mas
também no relativo à Natureza, seu curso, fenômenos duração etc.
Pressentimento é definido como: “sentimento intuitivo e alheio a uma
causa conhecida, que permite a previsão de acontecimentos futuros; intuição,
palpite, presságio”.
Premonição é definido como: “conhecimento antecipado do que pode ou
irá acontecer”.
Aurélio Buarque de Holanda – Novo Dicionário Eletrônico Aurélio
522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor?
É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também
está na intuição da escolha que se haja feito.
É a voz do instinto.
Antes de encarnar, tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua
existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter
assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais
provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega
o momento de sofrê-las, se torna pressentimento.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522
Pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros.
Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184
Premonição é o conhecimento antecipado de um fato que ainda não
ocorreu, equivale à presciência ou premonição dos autores antigos.
Jaime Cervino – Além do Inconsciente – Cap. 1- Um pouco de História
44
3.2 Pressentimentos e Premonições – Conceitos Doutrinários
3.2.1 Allan Kardec
3.2.1.1 Livro dos Espíritos – 1857
Perg. 411 – O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da
matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte?
Muitas vezes a pressente, e às vezes tem dela uma consciência bastante
clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas
pessoas prevêem a própria morte com grande exatidão.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 411
Perg. 454 – Pode-se-ia atribuir a uma espécie de dupla vista a perspicácia
de certas pessoas que, sem nada terem de extraordinário, julgam as coisas com
mais precisão do que as outras?
É sempre a alma que irradia mais livremente e julga melhor do que sob o
véu da matéria.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 454
Perg. 454a – Esta faculdade pode, em certos casos, dar presciência das
coisas?
Sim; ela dá também os pressentimentos, porque há muitos graus desta
faculdade, e o mesmo indivíduo pode ter todos os graus ou não ter mais do que
alguns.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 454a
Perg. 577 – Quando um homem faz uma coisa útil, é sempre em virtude de
uma missão anterior e predestinada ou pode ter recebido uma missão não prevista?
Nem tudo o que um homem faz é consequência de uma missão
predestinada; ele é frequentemente o instrumento de que um Espírito se serve para
fazer executar alguma coisa que considera útil.
Por exemplo, um Espírito julga que seria bom escrever um livro, que ele
escreveria se estivesse encarnado, procura o escritor mais apto a compreender o seu
pensamento e a executá-lo: dá-lhe então a idéia e o dirige na execução.
45
Assim, este homem não veio à Terra com a missão de fazer essa obra.
Acontece o mesmo com alguns trabalhos de arte e com as descobertas.
Acrescentemos ainda que, durante o sono do corpo, o Espírito encarnado
comunica-se diretamente com o Espírito errante, e que se entendem sobre a
execução.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 577
Perg. 868 – O futuro pode ser revelado ao homem?
Em princípio, o futuro lhe é oculto, e só em casos raros e excepcionais Deus
lhe permite a sua revelação.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868
O Pressentimento é sempre uma advertência do Espírito protetor?
O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um espírito que vos deseja
o bem.
É também a intuição da escolha anterior: é a voz do instinto.
O espírito, antes de encarnar, tem conhecimento das fases principais da sua
existência, ou seja, do gênero de prova a que irá ligar-se. quando estas têm um
caráter marcante, ele conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo, e essa
impressão, que é a voz do instinto, desperta quando chega o momento, tornando-se
pressentimento.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522
Os Pressentimentos e a voz do instinto têm sempre qualquer coisa de
vago; na incerteza, o que devemos fazer?
Quando estás em dúvida, invoca o teu bom Espírito, ou ora a Deus, nosso
soberano Senhor, para que te envie um de seus mensageiros, um de nós.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 523
46
O Que é o Pressentimento?
O pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros.
Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida.
Pode-se tratar de uma espécie de dupla vista que lhes permite ver as
consequências do presente e o encadeamento natural dos acontecimentos.
Mas muitas vezes também é o resultado das comunicações ocultas, e é
sobretudo nesse caso que se podem chamar de médiuns de pressentimentos as
pessoas assim dotadas, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184
O que é um Médium de Pressentimentos?
Pessoas há que, em dadas circunstâncias, têm uma imprecisa intuição das
coisas futuras. Essa intuição pode provir de uma espécie de dupla vista, que faculta
se entrevejam as consequências das coisas presentes; mas, doutras vezes, resulta
das comunicações ocultas, que fazem de tais pessoas uma variedade dos médiuns
inspirados.
Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 48
Por que, quando fazem pressentir um acontecimento, os Espíritos sérios
de ordinário não determinam a data? Será porque o não possam, ou porque
não queiram?
Por uma e outra coisa. Eles podem, em certos casos, fazer que um
acontecimento seja pressentido: nessa hipótese, é um aviso que vos dão. Quanto a
precisar-lhe a época, é frequente não o deverem fazer.
Também sucede com frequência não o poderem, por não o saberem eles
próprios. Pode o Espírito prever que um fato se dará, mas o momento exato pode
depender de acontecimentos que ainda se não verificaram e que só Deus conhece.
Os Espíritos levianos, que não escrupulizam de vos enganar, esses
determinam os dias e as horas, sem se preocuparem com que o fato predito ocorra
ou não. Por isso é que toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita.
A Providência pôs limite às revelações que podem ser feitas ao homem. Os
Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso revelarem.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
47
Atribui-se comumente aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte
que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas.
No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação.
Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de
lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um
homem ser profeta, sem fazer predições.
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 –
Missão dos Profetas
48
3.2.1.2 Revista Espírita – 1861
Ditados recebidos na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Perguntas dirigidas ao Espírito Cazotte:
1. Conhecemos os efeitos da segunda vista e compreendemos que, dada essa
faculdade, tivésseis podido ver coisas distantes, mas que se passavam no
momento. Como pudestes ver coisas futuras, que ainda não existiam e vê-las
com precisão? Poderíeis, ao mesmo tempo, dizer-nos como vos foi dada tal
precisão? Falastes simplesmente como inspirado, sem nada ver, ou o quadro dos
acontecimentos que anunciastes se vos apresentou como uma imagem?
Tende a bondade de descrever isto o melhor que puderdes para a nossa
instrução.
— Há na razão do homem um instinto moral que o impele a predizer certos
acontecimentos. É certo que eu era dotado de muitíssima clarividência, mas sempre
humana, para os acontecimentos que então se passaram.
Acreditais, porém, que o bom senso, ou o correto julgamento das coisas
terrenas vos possam detalhar, com anos de antecedência, esta ou aquela
circunstância? Não. Aliava-se à minha natural sagacidade uma qualidade
sobrenatural: a segunda vista. Quando eu revelava às pessoas que me cercavam os
terríveis abalos que deveriam ocorrer, evidentemente eu falava como um homem
de bom senso e de lógica; quando, porém, eu via pequenos detalhes dessas
circunstâncias vagas e gerais, quando eu via, visivelmente, esta ou aquela vítima,
então não falava mais como um simples homem dotado, mas como um inspirado.
2. Independentemente desse fato, tivestes, durante a vida, outros exemplos de
previsão?
— Sim. Estas eram todas mais ou menos sobre o mesmo assunto. Mas, por
passatempo, eu estudava as ciências ocultas e me ocupava muito de magnetismo.
3. Essa faculdade de previsão vos acompanhou no mundo dos Espíritos? Isto é,
após a morte ainda prevedes certos acontecimentos?
— Sim; esse dom me ficou muito mais puro.
49
Observação – Poder-se-ia ver aqui uma contradição com o princípio que se
opõe à revelação do futuro. Com efeito, o futuro nos é oculto por uma lei muito
sábia da Providência, considerando-se que tal conhecimento prejudicaria o nosso
livre-arbítrio, levando-nos a negligenciar o presente pelo futuro.
Além disso, por nossa oposição, poderíamos entravar certos acontecimentos
necessários à ordem geral. Mas quando essa comunicação nos pode impelir a
facilitar a realização de uma coisa, Deus pode permitir a sua revelação, nos limites
designados por sua sabedoria.
Allan Kardec – Revista Espírita – 1861 – Janeiro – Perguntas dirigidas
ao Espírito Cazotte
50
3.2.1.3 O Evangelho Segundo o Espiritismo – 1864
Atribui-se comumente aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte
que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas.
No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação.
Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de
lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um
homem ser profeta, sem fazer predições.
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 –
Missão dos Profetas
O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos cristos e
de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os
desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e
pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes
venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais
singulares e absurdas ideias.
Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira
menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou
falante.
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 7 –
Não creias em todos os Espíritos
Desconfiai dos falsos profetas.
É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos
momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da
Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram
em reformadores e messias.
É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo
homem honesto o dever de os desmascarar.
Erasto – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 9 –
Caracteres do Verdadeiro profeta
51
(...) Essas palavras claramente indicam que, já naquela época, os charlatães
e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam.
Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo,
predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis.
Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação Judia, e fácil
é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade
tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos
pseudoprofetas, que não passavam de impostores ou fanáticos.
Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 –
Jeremias e os falsos Profetas
52
3.2.1.4 Revista Espírita – 1864 / A Gênese – 1868
Teoria da Presciência (inserido no Livro A Gênese – Cap. 16)
Como é possível o conhecimento do futuro?
Compreendem-se as previsões dos acontecimentos que são consequência do
estado presente, mas não dos que nenhuma relação tem com eles e, ainda menos, os
que são atribuídos ao acaso. Diz-se que as coisas futuras não existem; que ainda
estão no nada. Então como saber se acontecerão?
Contudo são muito numerosos os exemplos de predições realizadas, de onde
concluir-se que aí se passa um fenômeno cuja chave não se tem, pois não há efeito
nem causa. Essa causa, que tentaremos achar, ainda é o Espiritismo, também chave
de tantos mistérios, que no-la fornecerá e, além disso, mostrar-nos-á que o próprio
fato das predições não sai das leis naturais.
Todos os fenômenos cuja causa era desconhecida foram revelados
maravilhosos. A lei segundo a qual estes se realizam, uma vez conhecida, eles
entraram na ordem das coisas naturais.
O dom da predição não é sobrenatural, como não o são muitos outros
fenômenos: repousa nas propriedades da alma e na lei das relações entre os mundos
visível e invisível, que o Espiritismo vem dar a conhecer.
A teoria da presciência talvez não resolva de modo absoluto Iodos os casos
que a previsão do futuro possa apresentar, mas não se pode desconvir que ela
estabelece o seu princípio fundamental.
Se se não pode tudo explicar é pela dificuldade, para o homem, de colocar-
se nesse ponto de vista extraterrestre; por sua mesma inferioridade, seu pensamento,
incessantemente arrastado para o caminho da vida material, muitas vezes é
impotente para se destacar do solo.
Essa faculdade é inerente ao estado de espiritualização ou, se se quiser, de
desmaterialização. Por outras palavras, a espiritualização produz um efeito que se
pode comparar, embora muito imperfeitamente, ao da visão de conjunto do homem
sobre a montanha.
Esta comparação apenas objetivava mostrar que acontecimentos que estão
no futuro para uns, estão no presente para outros e, assim, podem ser preditos, o
que não implica que o efeito se produza da mesma maneira.
53
Para gozar dessa percepção o Espírito não precisa, então, transportar-se para
um ponto qualquer no espaço; o que está na terra, ao nosso lado, pode possuí-la em
sua plenitude, como se estivesse a milhares de léguas, ao passo que nada vemos
fora do horizonte visual.
Não se produzindo a visão nos Espíritos da mesma maneira e com os
mesmos elementos que no homem, seu horizonte visual é bem outro. Ora, aí está
precisamente o sentido que nos falta para o conceber; ao lado do incarnado, o
Espírito é como um vidente ao lado de um cego.
Allan Kardec – Revista Espírita – 1864 – Maio – Teoria da Presciência
54
3.2.1.5 Obras Póstumas – 1869
(...)
Esse dom da segunda vista é que, em estado rudimentar, dá a certas pessoas
o tato, a perspicácia, uma espécie de segurança aos atos, o que se pode com justeza
denominar: golpe de vista moral. Mais desenvolvido, ele acorda os pressentimentos,
ainda mais desenvolvido, faz ver acontecimentos que já se realizaram, ou que estão
prestes a realizar-se.
Muito se tem falado de pessoas que, deitando as cartas, disseram coisas de
surpreendente verdade. De modo nenhum pretendemos fazer-nos apologista dos
ledores da “buena-dicha” que exploram a credulidade dos espíritos fracos e cuja
linguagem ambígua se presta a todas as combinações de uma imaginação abalada;
mas, não é de todo impossível que certas pessoas, fazendo disso um ofício, tenham
o dom da segunda vista, mesmo mau grado seu.
Sendo assim, as cartas, entre as suas mãos, não passam de um meio, de um
pretexto, de uma base de conversação. Elas falam de acordo com o que vêem e não
com o que indicam as cartas para as quais apenas olham.
O mesmo se dá com outros meios de adivinhação, tais como as linhas da
mão, a clara de ovo e outros símbolos místicos. Os sinais das mãos talvez tenham
mais valor do que todos os outros meios, não por si mesmos, mas porque, tomando
e palpando a mão do consultante, o pretenso adivinho, se é dotado de dupla vista,
estabelece relação mais direta com aquele, como se verifica nas consultas
sonambúlicas.
Podem, pois, os médiuns videntes ser identificados às pessoas que gozam
da vista espiritual; mas, seria porventura demasiado considerar essas pessoas como
médiuns, porquanto a mediunidade se caracteriza unicamente pela intervenção dos
Espíritos, não se podendo ter como ato mediúnico o que alguém faz por si mesmo.
Aquele que possui a vista espiritual vê pelo seu próprio Espírito, não sendo
de necessidade, para o surto da sua faculdade, o concurso de um Espírito estranho
O vidente, pois, não é um adivinho; é um ser que percebe o que não vemos; é, para
nós, o cão do cego. Nada nisto há, portanto, que se contraponha aos desígnios da
Providência quanto ao segredo de nosso destino; é ela própria quem nos dá um guia.
Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Conhecimento do futuro.
Previsões
55
3.2.2 Emmanuel
3.2.2.1 Fenômenos Premonitórios
Os fenômenos premonitórios atestam a possibilidade da presciência com
relação ao futuro?
Os Espíritos de nossa esfera não podem devassar o futuro, considerando
essa atividade uma característica dos atributos do Criador Supremo, que é Deus.
Temos de considerar, todavia, que as existências humanas estão
subordinadas a um mapa de provas gerais, onde a personalidade deve movimentar-
se com o seu esforço para a iluminação do porvir, e, dentro desse roteiro, os
mentores espirituais mais elevados podem organizar os fatos premonitórios, quando
convenham à demonstração de que o homem não se resume a um conglomerado de
elementos químicos, de conformidade com a definição do materialismo dissolvente.
Emmanuel – O Consolador – Perg. 144
56
3.2.2.2 Ante o Futuro
Não adianta indagar do futuro, ocasionalmente, para satisfazer a curiosidade
irrequieta ou inútil.
Vale construí-lo em bases que a lógica nos traça generosamente à visão.
Não desconhecemos que o nosso amanhã será a invariável resposta do
mundo ao nosso hoje, e aos nossos pés a natureza sábia e simples nos convida
a pensar.
O arado preguiçoso deve aguardar a ferrugem.
A leira abandonada receberá o assalto da planta daninha.
A casa relegada ao abandono será pasto dos vermes que lhe corroerão a
estrutura.
O pão desaproveitado repousará na sombra do mofo.
A fonte que se consagra ao movimento atingirá a paz do oceano.
A flor leal ao destino que lhe é próprio converter-se-á em fruto benfazejo.
A plantação amparada com segurança distribuirá bênçãos à mesa.
E o minério obediente aos golpes do malho transformar-se-á em peça de alto
preço.
Sabemos que é possível edificar o futuro e recolher-lhe os dons
de amor e vida.
Escolhe a bondade por lema de cada dia, não desistas de aprender,
infatigavelmente e, com os braços no serviço incessante caminharás desde hoje, sob
a luz da vitória, ao encontro de glorioso porvir.
Emmanuel – Taça de Luz – Cap. 31 – Ante o Futuro
57
3.2.2.3 Futuro e Nós
Cada noite, habitualmente, agradeces a Deus por mais um dia, e quase
sempre, refletes no amanhã.
De quais ingredientes se nos formará o futuro?
Embora, em muitas ocasiões, os homens a procurem, no lado externo
da existência, a resposta está sempre em nós mesmos.
À medida que se nos amplia a maturidade interior, reconhecemos que
a evolução é um caminho em formação para o Alto, em nos reportando
ao progresso do espírito.
Diariamente edificamos. E edificamos, em nós e por fora de nós, a
cooperação que nos cabe no engrandecimento da vida.
Em vista disso, se nos propomos a encontrar o amanhã melhor,
cogitemos disso hoje.
Comecemos avaliando a importância de compreender e servir.
Esqueçamos ressentimentos e sombras, lembrando-nos de que a prática
do amor é trabalho para todos os dias.
Não reclamemos dos outros aquilo que possamos fazer por nós mesmos.
Entendamos que os nossos problemas não são maiores do que muitas das
dificuldades que afligem os semelhantes.
Melhoremos a nós próprios, a fim de que as nossas experiências se elevem.
Vejamos em cada criatura um mundo aparte e, por isso, aceitemos os nossos
companheiros de caminho, tais quais são, sem exigir-lhes demonstrações de
santidade ou grandeza.
Busquemos o trabalho constante, no bem de todos, por ação capaz de
impulsionar-nos para diante, livrando-nos de fixações pessoais e grades de sombra.
E atentos ao valor do tempo, avancemos, sem nos marginalizarmos nas
perturbações das horas vazias.
O nosso futuro está sendo articulado neste instante por nós mesmos.
Façamos agora o melhor ao nosso alcance, porque o amanhã para nós será
sempre o nosso hoje passado a limpo.
Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós
58
3.2.2.4 Adivinhações
Diante dos que usam cultura ou mediunidade para traçar prognósticos,
acerca do futuro, não é necessário dizer que nos cabe acompanhar-lhes as
experiências com a melhor atenção.
A ciência é neta da curiosidade e filha do estudo. A alquimia da Idade Média
iniciou as realizações da química moderna. De certa maneira, os astrólogos do
pretérito começaram a obra avançada dos astrônomos de hoje.
O conhecimento nasce do esforço de quantos se dedicam a desentranhá-lo
da obscuridade ou da ignorância. No entanto, do respeito aos irmãos de
Humanidade que se consagram ao mister da adivinhação, não se infere que devemos
aceitar-lhes cegamente as afirmativas.
Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi-
los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita
de que não existe a predestinação para o mal.
Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências
inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não
significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com
a força das trevas.
O aluno regressa à escola na condição de repetente ou se encaminha para os
exames de segunda época, a fim de se firmar na dignidade do ensino em que se
comprometeu.
Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do
esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso
respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo quadros
menos dignos, projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles
que se fizeram nossos inimigos em outras eras; e das palavras que articulam podem
surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a
enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança.
Oponhamos, porém, a isso a certeza de que estamos reformando causas e
efeitos diariamente, em nosso caminho, na convicção de que a Divina Providência
nos oferece, incessantemente, através da reencarnação, oportunidades e
possibilidades ao próprio reajuste perante as leis da vida, armando-nos de recursos
e bênçãos, dentro e fora de nós.
59
Conquanto estudando sempre os fenômenos que nos rodeiam, abstenhamo-
nos de admitir o determinismo do erro, do desequilíbrio, da queda ou da
criminalidade.
Hoje é e será constantemente a ocasião ideal para transformarmos maldição
em bênção e sombra em luz.
Ergamo-nos, cada manhã, com a decisão de fazer o melhor ao nosso alcance
e reconheçamos que o próprio Sol se deixa contemplar, nos céus, de alvorecer em
alvorecer, como a declarar-nos que o Criador Supremo é o Deus da Justiça, mas
também da Misericórdia, da Ordem e da Renovação.
Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
60
3.2.2.5 Em torno do Futuro
Não precisas procurar adivinhos para saber o que te espera, nem necessitas
daqueles outros que te descubram o passado que já conheces pelas próprias
tendências.
A vida é o presente vivo e imperecível.
Na tela das horas, somos o ontem que se foi e seremos o amanhã que virá.
A semente plantada resume todas as nossas cogitações em torno do porvir.
Terás o que cultivas.
Não colherás figos na macieira e vice-versa.
Ciente de que todos os pensamentos e atos são sementeiras de destino,
seleciona o material que consideres adequado à tua felicidade e centraliza-o no
serviço do bem aos semelhantes.
Do que deres presentemente, recolherás os resultados depois.
O futuro começa agora. Cede hoje à vida o que possuas de melhor e,
amanhã, aquilo que a vida tenha de melhor te responderá.
Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro
61
3.2.3 Yvonne Pereira/Bezerra de Meneses
3.2.3.1 Acontecimentos Futuros
3.2.3.1.1 Esclarecimentos de Bezerra de Meneses
— Podeis esclarecer-nos sobre o processo pelo qual somos avisados de
certos acontecimentos, geralmente importantes e graves, a se realizarem conosco,
e que muitas vezes se cumprem como os vimos em sonhos ou em visões?
E ele respondeu, psicograficamente:
— Existem vários processos pelos quais o homem poderá ser informado de
um ou outro acontecimento futuro importante da sua vida.
Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica
certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um
amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior
que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente
é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como
de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos
premonitórios».
De outras vezes, é o próprio indivíduo que, recordando os acontecimentos
que lhe serviriam de testemunhos reparadores, perante a lei da criação, delineados
no mundo Espiritual às vésperas da reencarnação, os vê tais como acontecerão,
assim os casos de morte, sua própria ou de pessoas da família, desastres, dores
morais, etc., etc.
E os seus protetores espirituais, que igualmente conhecem o programa de
peripécias do pupilo, delineado no evento da reencarnação, com mais razão o
advertirão no momento necessário, seja através do sonho ou intuitivamente.
Pode acontecer que, num caso de traição de amor, por exemplo, provação
que tanto fere os corações sensíveis e dedicados, e nos casos de deslealdade de um
amigo, etc., o paciente, durante o sono, penetre a aura do outro, por quem se
interessa, e aí descubra as suas intenções, lendo-lhe os pensamentos e os atos já
realizados mentalmente, como num livro aberto ilustrado, tal a linguagem
espiritual, e então verá o que o outro pretende concretizar em seu desfavor, como
se fora a realização de um sonho, pois tudo foi habilmente gravado em sua
62
consciência e as imagens fotografadas em seu cérebro, permitindo a lembrança ao
despertar, não obstante empalidecidas. Futuramente o fato será realizado
objetivamente e aí está o aviso...
De outro modo, seguindo a corrente espiritual das ações de uma pessoa
encarnada, por deduções um amigo da espiritualidade se cientificará de um
acontecimento que mais tarde se efetivará com precisão. Ele poderá comunicar o
acontecimento ao seu amigo terreno e o fará de modo sutil, em sonho ou
pressentimento.
O estudo da lei de causa e efeito é matemática, infalível; concreta, para a
observação das entidades espirituais de ordem elevada, e, assim sendo, ele se
comunicará com o seu pupilo terreno através da intuição, do pressentimento, da
premonição, do sonho, etc.
O estudo da matemática de causa e efeito é mesmo indispensável, como que
obrigatório, às entidades prepostas à carreira transcendente de guardiães, ou guias
espirituais.
Estudo profundo, científico, que se ampliará até prever o futuro remoto da
própria Humanidade e dos acontecimentos a se realizarem no globo terráqueo,
como hecatombes físicas ou morais, guerras, fatos célebres, etc., daí então advindo
a possibilidade das profecias quando o sensitivo, altamente dotado de poderes
supra-normais, comportar o peso da transmissão fiel aos seus contemporâneos.
É um dos estudos, portanto, que requerem um curso completo de
especialização.
Outrossim, acresce a importante circunstância de que todos esses
acontecimentos de um modo geral se prendem ao lastro da evolução do planeta
como do indivíduo, e o sábio instrutor deste, como os auxiliares do governo do
planeta, estão aptos a perceber o que sucederá daqui a um ano, um século ou um
milênio, pelo estudo e deduções científicas sobre o programa da evolução da
Criação, pois o tempo é inexistente nas esferas da espiritualidade e a entidade sábia
facilmente deduzirá, e com certeza matemática, os sucessos em geral, subordinados
ao trabalho da evolução, como se se tratasse do momento presente.
63
O indivíduo que sofrerá esta ou aquela provação ou o que terá de apresentar
testemunhos de valor moral pela expiação, jamais o ignora no seu estado espiritual
de semiliberdade através do sono ou do transe mediúnico (pode-se cair em transe
mediúnico sem ser espírita, mormente quando se dorme), visto que consentiu em
experimentar todas essas lições reparadoras.
Mas, se não conserva intuições a tal respeito no estado normal humano,
almas amigas e piedosas poderão relembrá-las em sonhos ilustrados, assim
preparando-o e auxiliando-o a adquirir forças e serenidade para o embate supremo.
Casos há em que o aviso virá por outrem ligado ao paciente, mais acessível
às infiltrações espirituais premonitórias.
Agradecei a Deus as advertências que vos são concedidas às vésperas das
provações. Elas indicam que não sofrereis sozinhos, que amigos desvelados
permanecem ao vosso lado dispostos a enxugar as vossas lágrimas com os bálsamos
do santo amor espiritual inspirado pelo amor de Deus.
A seguir o leitor encontrará pequena série de advertências dessa natureza,
concedida a nós e a pessoas do nosso conhecimento, e que não será destituída de
interesse para os estudos transcendentais.
Certamente que nos seria possível organizar um volume com o noticiário
completo que a respeito nos tem vindo às mãos, além daqueles fatos ocorridos
conosco. Julgamos, porém, que para o testemunho que a Doutrina Espírita de nós
exige, para mais essa face da verdade que tivemos a felicidade de poder comprovar,
serão suficientes os que aqui registramos.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
64
3.2.4 Revista Reformador/FEB
3.2.4.1 Reflexões sobre as Previsões do Futuro
Inúmeros são os fatos que comprovam que os Espíritos podem prever o
futuro.
Kardec apresenta a Teoria da Presciência com o objetivo de explicar como
isso é possível.
A teoria reconhece que a previsão do futuro resulta geralmente da
observação do presente, entretanto, algumas previsões relatam eventos que parecem
não guardar relação com o hoje.
Com o objetivo de ilustrar a forma como as previsões se dão, Kardec propõe
que se imagine um homem colocado no cume de um monte, a observar uma
planície.
Nela um viajor encontra-se no início de uma estrada. O viajor sabe que,
caminhando, chegará ao fim dela, o que depende simplesmente de seus atos.
Entretanto, desconhece os detalhes do caminho. Se for possível ao observador
comunicar-se com o viajor, poderá transmitir informações que pertencem ao futuro
do último.
A teoria propõe a figura supracitada ocorrendo em escala maior. Os
Espíritos são como o homem sobre o monte e os encarnados o viajor. Os Espíritos
possuem acesso aos eventos futuros, porque, uma vez livres do corpo, podem
utilizar todas as suas faculdades, ler os pensamentos do ambiente e lembrar de
eventos ocorridos em outras vidas que refletirão no presente. A extensão e
penetração de suas vistas dependerá da evolução moral e intelectual alcançada.
Quando são os encarnados que pressentem acontecimentos futuros, a teoria
propõe que o fenômeno se dê durante a emancipação da alma, quando podem atuar
livremente como Espíritos, ou graças à inspiração proveniente de um Espírito.
Kardec reconhece que a Teoria da Presciência não resolve todos os casos
que se possam apresentar. Contudo, deve-se reconhecer que estabelece as bases
para o estudo da previsão do futuro.
André Luiz, ao apresentar as atividades desenvolvidas pelos Espíritos
encarregados de elaborar os Planejamentos Reencarnatórios, informa que são feitos
planos com o objetivo de propiciar aos Espíritos que retornam à carne as condições
ideais para sua próxima existência.
65
Os Espíritos, encarregados de elaborar os planos, analisam o passado e
identificam as necessidades e os recursos que permitirão melhor aproveitamento
das oportunidades da futura existência. Pode-se concluir que suas atividades são
baseadas em previsões, uma vez que Emmanuel informa que os seres de sua esfera
não conhecem o futuro, e que o porvir não está rigorosamente determinado, e só
pode ser previsto em linhas gerais.
Como observadores sobre o monte, munidos de poderosas lunetas, esses
Espíritos valem-se de Modelos que permitem prever de que forma cada
reencarnante age perante as situações futuras. É possível que os Modelos utilizados
sejam uma versão mais elaborada e eficiente do que os usados pela ciência atual.
Gustavo Henrique Novaes Rodrigues – Revista Reformador – 2002 –
Junho – Reflexões sobre as Previsões do Futuro
66
3.2.4.2 Pressentimentos
Conta-se que Francisco de Assis, notável missionário cristão da Idade
Média, estava tratando de seu jardim, quando um amigo se aproximou,
perguntando-lhe:
– Francisco, o que você faria se soubesse que iria morrer hoje?
Ao que ele teria respondido, com a maior naturalidade:
– Continuaria a fazer o que estou fazendo: cuidando do meu jardim!
Será que nós, diante de um pressentimento sombrio ou ditoso, cultivaríamos
a mesma serenidade de um Francisco de Assis?
É possível conhecer o futuro?
O pressentimento, a premonição, a precognição, a presciência, o presságio,
são diferentes palavras utilizadas para designar um só fenômeno: o conhecimento
do futuro, que repousa sobre “um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais
ou menos desprendida da matéria”.1
O conhecimento do futuro depende da elevação dos Espíritos que, muitas
vezes, apenas o entreveem, “porém nem sempre lhes é permitido revelá-lo”2 ao
homem (Espírito encarnado), porquanto “a certeza de um acontecimento venturoso
o lançaria na inação. A de um acontecimento infeliz o encheria de desânimo.
Em ambos os casos, suas forças ficariam paralisadas”.3
Logo, “em princípio, o futuro lhe é oculto e só em casos raros e excepcionais
permite Deus que seja revelado”,4 com o objetivo de facilitar “a execução de uma
coisa, em vez de estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por
que agiria, se lhe não fosse feita a revelação”.5
Muitos creem que a existência física é regida por um determinismo ou
fatalidade irrevogável, e que, independentemente de como agirmos, ninguém
escapará do destino que lhe está reservado.
Um pouco de reflexão sobre o assunto, entretanto, é suficiente para afastar
tal ideia.
67
Ensina o Espiritismo que a fatalidade 6, existe unicamente pela escolha que
o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova física. Elegendo-a, institui para
si uma espécie de destino, que é o resultado da posição em que vem a achar-se
colocado, como homem, na Terra, “nas funções que aí desempenha, em
consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação
ou missão”.7
Por conseguinte, não se pode dizer que tudo já está predeterminado em
nossas vidas. Assim fosse, seríamos meros autômatos e de nada adiantaria nosso
esforço para nos melhorar, de forma que tanto o que fizesse o bem, quanto o que
fizesse o mal, teriam a mesma compensação ou o mesmo futuro, o que estaria em
desacordo com a Justiça Divina incorruptível.
A fatalidade a que todos estamos submetidos, sem exceção, é a morte física:
chegado esse momento, de uma forma ou de outra, dela não podemos nos esquivar,
8 contudo, “nunca há fatalidade nos atos da vida moral”,9 porque somos senhores,
por nossa vontade, de ceder ou não às tendências inatas que trazemos de
encarnações pretéritas e às influências de outros Espíritos.
O resultado da má utilização do livre-arbítrio é que retardará o nosso
progresso, protelando o encontro com a Verdade, mas todos chegaremos lá, muitas
vezes pela dor, que é um aguilhão a nos impulsionar à correção de nossas
imperfeições e a nos mostrar o roteiro de nossa emancipação espiritual.
Considerando a margem de liberdade que o Criador nos confere, dentro de
suas leis imutáveis, para exercitarmos o livre-arbítrio e as faculdades, não há
incoerência alguma em dizer que somos responsáveis pelo nosso passado e os
artífices de nosso futuro.
Quanto mais evoluído o Espírito – encarnado ou desencarnado –, melhores
condições tem de prever o futuro, baseado na experiência acumulada dos fatos do
passado e na análise dos acontecimentos do presente, considerando que, à luz do
princípio de causa e efeito, tudo o que fazemos acarreta resultados que se projetam
no tempo. Por isso, “o futuro não é surpresa atordoante. É consequência dos atos
presentes”.10
Ao ensino dado em O Livro dos Médiuns, os benfeitores acrescentam que
os pressentimentos são uma espécie de mediunidade:
O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas
têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida.
68
Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as
consequências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. [...]11
Ou ainda:
São recordações vagas e intuitivas do que o Espírito aprendeu em seus
momentos de liberdade e algumas vezes avisos ocultos dados por Espíritos
benévolos.12
O fato de um pressentimento não se confirmar nem sempre significa que se
estava enganado a respeito das premonições, visto que as ações dos Espíritos
(encarnados ou desencarnados), antes de ocorrerem, são concebidas na mente, cujos
pensamentos são captados por determinadas pessoas, durante o sono, por meio dos
sonhos, ou durante a vigília.
No entanto, pode haver desistência da ação planejada, por parte do agente,
ou é possível haver alguma circunstância que o impeça de concretizar seu desejo.
Isto é, [...] como a sua realização [da ação planejada] pode ser apressada ou
retardada por um concurso de circunstâncias, este último [o médium ou vidente] vê
o fato, sem poder, todavia, determinar o momento em que se dará. Não raro
acontece que aquele pensamento não passa de um projeto, de um desejo, que se não
concretizem em realidade, donde os frequentes erros de fato e de data nas previsões.
13
Por isso, devemos desconfiar de mensagens proféticas que anunciam
precisamente, com data e hora marcadas, o acontecimento de coisas fantásticas.
Sendo assim, o pressentimento nada tem de sobrenatural, posto que “se
funda nas propriedades da alma e na lei das relações do mundo visível com o mundo
invisível, que o Espiritismo veio dar a conhecer”.14
Kardec traz um interessantíssimo exemplo de pressentimento.
Trata-se de uma carta, dirigida ao Codificador, pela Senhora Angelina de
Ogé, que foi avisada, com seis meses de antecedência, sobre a morte de seu genitor.
Eis algumas considerações dadas a respeito deste caso pela Sociedade
Espírita de Paris:
“O Espírito do pai dessa senhora, em estado de desprendimento, tinha um
conhecimento antecipado de sua morte e da maneira por que ela se daria. Sua vista
espiritual abarcando um certo espaço de tempo, para ele é como se a coisa estivesse
presente, embora no estado de vigília não lhe conservasse qualquer lembrança.
69
Foi ele próprio que se manifestou à sua filha, seis meses antes, nas condições
que deviam se produzir, a fim de que, mais tarde, ela soubesse que era ele e que,
estando preparada para uma separação próxima, não ficasse surpreendida com a sua
partida.
Ela mesma, como Espírito, tinha conhecimento disto, porque os dois
Espíritos se comunicavam em seus momentos de liberdade.
É o que lhe dava a intuição de que alguém devia morrer naquele quarto. Essa
manifestação ocorreu igualmente com o objetivo de fornecer um assunto de
instrução a respeito do conhecimento do mundo invisível”.15
O progresso intelecto-moral confere ao ser humano maior amplitude de
percepção sobre as coisas, à semelhança de uma pessoa que, situando-se no topo de
uma montanha, de posse de um potente binóculo, pode prever algum acontecimento
em certo trecho da estrada, que não é dado a outro descortinar, se estiver em plano
mais baixo, por falta de uma visão panorâmica do que se passa à sua volta.
Não sem razão, o Codificador destaca:
O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias;
a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para
ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.16
Kardec, lembrando a forma misteriosa e cabalística de certas predições
antigas, de que Nostradamus é o exemplo mais completo, ressalva:
[...] Pela sua ambiguidade, elas se prestam a interpretações muito diferentes,
de tal sorte que, conforme o sentido que se atribua a certas palavras alegóricas ou
convencionais, conforme a maneira por que se efetue o cálculo, singularmente
complicado, das datas e, com um pouco de boa vontade, nelas se encontra quase
tudo o que se queira.17
Na atualidade, porém, as previsões dos Espíritos “são antes advertências, do
que predições propriamente ditas e quase sempre motivam a opinião que
manifestam, por não quererem que o homem anule a sua razão sob uma fé cega e
desejarem que este último lhe aprecie a exatidão”.17
A perplexidade de muitas pessoas ante os fenômenos relacionados com o
futuro, entre eles o pressentimento, demonstra o quanto o homem ainda desconhece
a sua própria natureza espiritual.
70
O Espiritismo veio projetar luz sobre esta questão, trazendo a chave para o
seu entendimento: “o estudo das propriedades do perispírito”.18
Se há um determinismo, na acepção absoluta da palavra, este é o
determinismo do progresso, para a felicidade de todos nós.
Mesmo que façamos mau uso do livre-arbítrio, fatalmente, mais cedo ou
mais tarde, nos arrependeremos, expiaremos e repararemos nossos erros,19 motivo
por que sempre estaremos jungidos ao resultado final estabelecido pelo Criador,
que instituiu a Lei Maior de que “o bem é o fim supremo da Natureza”,20 o que
implica na acepção de que “determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida,
entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens”.21
1KARDEC, Allan. Teoria dos sonhos. Revista espírita: jornal de estudos
psicológicos, ano 8, p. 282, jul. 1865. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
2Idem. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
Q. 243.
3Idem, ibidem. Q. 871 (Comentário de Kardec), p. 447.
4Idem, ibidem. Q. 868.
5Idem, ibidem. Q. 870.
6Idem, ibidem. Q. 851-867.
7Idem, ibidem. Q. 872, p. 449.
8KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro:
FEB, 2008. Q. 853.
9Idem, ibidem. Q. 872, p. 449.
10XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade.
Espíritos diversos. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 82, p. 274.
11KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. 80. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro:
FEB, 2009. P. 1, cap. 15, item 184.
12Idem. O que é o espiritismo. 55. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
Cap. 3, q. 138.
13KARDEC, Allan. A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
Cap. 16, item 7.
14Idem, ibidem. Item 6.
15KARDEC, Allan. Uma manifestação antes da morte. Revista espírita:
jornal de estudos psicológicos, ano 11, p. 47-48, jan. 1868. 2. ed. Rio de Janeiro:
FEB, 2006.
71
16Idem. A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 6, item
2, p. 125
17Idem, ibidem. Cap. 16, item 17, p. 418.
17Idem, ibidem.
18Idem, ibidem. Cap. 1, item 40.
19Idem. O céu e o inferno. 60. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P.
1, cap. 7, item Código penal da vida futura, n. 16.
20DENIS, Léon. Depois da morte. Ed. espec. 1. imp. Rio de Janeiro: FEB,
2008. P. 1, A Índia, p. 41-42.
21XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed.
1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 132.
Christiano Torchi – Revista Reformador – 2009 – Agosto – Pressentimentos
72
3.2.4.3 Conhecimento do Futuro – Profecias
Pode o futuro ser revelado ao homem?
Devemos aceitar todas as profecias?
Como podem os profetas predizer o futuro?
As respostas a estas e outras indagações encontramo-las nas questões de
No
868 à 871 de "O Livro dos Espíritos" 1.
Em princípio, o futuro é oculto ao homem. Só em casos raros e excepcionais,
permite Deus que seja revelado. Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o
presente e não obraria com a liberdade com que o faz. Assim, o próprio homem
prepara, ele mesmo, muitas vezes, os acontecimentos que hão de sobrevir no curso
de sua existência.
O conhecimento do futuro é conquista somente de Espíritos elevados. A eles
interessa e muito o nosso futuro, razão pela qual cuidam de influenciar o nosso
presente, aconselhando-nos, orientando-nos através dos ensinamentos que
ministram.
A Misericórdia Divina permite certas revelações quando podem gerar o
bem. Todavia deve-se ter muito cuidado com os impostores e charlatães.
Benedito da Gama Monteiro – Revista Reformador – 1996 – Junho –
Conhecimento do Futuro – Profecias
73
3.2.5 Joanna de Angelis
3.2.5.1 Pressentimento
522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor?
É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também
está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar,
tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero
das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu
foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz
do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna
pressentimento.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522
Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da
Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em Guias da
Humanidade.
São eles que executam a programação estabelecida, emulando aqueles que
se encontram incursos no processo de crescimento a alcançarem a meta para a qual
se reencarnaram.
Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que
lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados,
sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana
e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência.
Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências
dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam-
nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos
iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os
objetivos salutares.
Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o
denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e
reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não
soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso.
74
Caso, no entanto, seja reprochável a conduta do indivíduo ou se faça
caracterizada pela rebeldia sistemática, pelos conflitos nos quais se compraz, os
pressentimentos se apresentam com manifestação maléfica, propostos pelos
acompanhamentos espirituais que se lhe tornam constantes, em razão do tipo de
opção mental e comportamental a que se entrega.
Os Espíritos que o assessoram atormentam-no com ideias falsas umas e
mirabolantes outras, a fim de mais o iludirem e fixarem-no nas suas redes mentais
perversas, de difícil libertação.
Comensais dos seus propósitos íntimos enfermiços, são hábeis na técnica de
transmitir ideias deprimentes e portadoras de conteúdos perturbadores que o
atormentam e mais pioram o seu humor e estado emocional.
Algumas vezes, quando assistido pelas Entidades veneráveis, pela falta de
hábito de assimilar-lhes as ideias, recusa-as, retornando às mesmas paisagens
mentais deletérias em que se homizia.
Os pressentimentos, desse modo, merecem análise clara e tranquila, a fim
de que se possa avaliar o de que se constituem e qual a mensagem de advertência e
socorro de que se fazem portadores.
*
Ressumam espontaneamente do inconsciente pessoal muitas recordações,
que defluem da programação a que o Espírito está vinculado e que assumiu antes
da reencarnação, como eficiente maneira de conduzir-se com equilíbrio, e vejam
que tombaram anteriormente.
Alguns desses pressentimentos, que são efeitos de ações já realizadas,
informam sobre necessidades que deverão ser experimentadas e compromissos que
foram firmados antes do renascimento, que se encontram adormecidos e agora
ressurgem com o propósito de alertamente, porque, de alguma forma, encontram-
se estabelecidos para novamente acontecerem, auxiliando o equivocado na própria
reeducação. São, portanto, do próprio Espírito reencarnado, algumas ideias que
volvem à tela mental como intuição de advertência, proporcionando recordação
espontânea do passado, que se torna bênção enriquecedora.
Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu
psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão
aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade.
75
(
Esses registros são permitidos porque têm por finalidade contribuir em favor
da melhor compreensão humana em torno do que se convencionou denominar
fatalidade ou desdita, felicidade ou sucesso adrede estabelecidos ...
Sendo uma existência planetária consequência natural da que lhe é anterior,
e muitas vezes de outras mais recuadas, os eventos da vida se encontram mais ou
menos delineados conforme as estruturas sobre as quais se apoiam, facilitando­lhes
a captação antecipada por se encontrarem na pauta do processo da evolução.
Os pressentimentos constituem fenômenos psíquicos, parapsíquicos e
mediúnicos que contribuem de forma útil para a existência feliz.
Quando negativos ou ameaçadores, devem predispor à oração e ao
envolvimento nos pensamentos superiores, a fim, de que as conquistas atuais
constituam crédito moral mediante o qual podem ser modificados os planos
existenciais.
As Soberanas Leis não executam corretivos punitivos em relação às
criaturas, mas se expressam com finalidade educativa ou reeducativa, convidando
à reflexão e ao aprendizado em torno dos deveres para com a Vida, e que não podem
ser ignorados ou tomados com leviandade.
Desse modo, a toda ação positiva corresponde uma mudança na
contabilidade espiritual que diz respeito às atitudes e realizações prejudiciais,
perturbadoras, que necessitam ser reparadas.
O amor é possuidor do élan poderoso que anula o mal e, qual a luz, esbate
toda a sombra ameaçadora.
*
Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por
pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando-
se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las.
Quando se trata de desafios pelo sofrimento, mais fáceis esses se
apresentam, em razão da disposição de superá-los, prosseguindo no rumo da
felicidade.
Quando se expressam beneficiosos, favorecem melhor capacidade para a
sua instalação no mundo Íntimo, retirando-se os resultados superiores da futura
ocorrência.
76
Apurando-se a capacidade e a autopenetração interior e de sintonia com os
Espíritos Guias, mui facilmente os pressentimentos podem ser registrados e
direcionados de forma saudável e proveitosa.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
77
3.2.5.2 Futuro e Nós
Desconheces a programática futuro a respeito da tua vida.
Numa longa viagem, o caminho apresenta paisagem sempre diversa.
A visão da linha reta faculta uma previsão de sucessos; no entanto, uma
curva, à frente, oferece aspectos surpreendentes, inesperados.
A experiência resulta sempre da vivência de um fato.
O progresso decorre das experiências bem sucedidas.
Como não deve temer o futuro, não te cabes o direito de subestimá-lo.
Tuas forças, tuas conquistas.
Tentame vencido, é passo à frente.
O futuro é uma incógnita para todos nós.
Aplica a bênção da saúde, hoje, na realização do bem e na construção correta
do porvir.
Juventude, paz de espírito, saúde constituem tesouros de valor incalculável
para a elevação moral do homem, de cuja utilização prestarás conta.
Enquanto és depositário desses recursos, outros lhes lamentam a escassez
ou lhes padecem a ausência.
Agora sorris e o teu próximo chora.
Reparte o teu júbilo, diminuindo-lhe a carência. Talvez, se não agires com
acerto, amanhã sejas tu quem se encontre a chorar, e ele, liberado, esteja a sorrir.
As provações e testemunhos aferem a qualidade e a correção moral do
homem idealista.
O cristão não foge à regra. Pelo contrário: é convidado a ensinar pelo
exemplo, demonstrando a validade dos conceitos esposados, na sua áspera vivência.
Bendize a alegria, mas não descartes a possibilidade das lágrimas.
Como não seria justo sofrer por antecipação, não será lógico acreditar-
se imune à dor.
78
Não obstante Jesus soubesse do sofrimento que experimentaria no supremo
testemunho da soledade, pelo abandono dos amigos; na cruz, para autenticar a
excelência da Sua Doutrina; na resignação e confiança absolutas em Deus, para
confirmar a herança divina de que se fazia depositário, sorriu com as criancinhas,
amou a Natureza e os homens, espalhou o otimismo e a saúde, preparando-se,
porém, para o sublime holocausto de amor com o qual, até hoje, é o herói silencioso
e triunfante dos séculos.
Joanna de Angelis – Roteiro de Libertação – Pag. 109 – Futuro e Nós
79
3.2.5.3 Marco Divisório
Houve na Roma antiga um templo dedicado a Jano, que durante um milênio
somente fechou as suas portas nove vezes, correspondentes aos períodos em que a
República esteve em paz.
O deus singular era representado com duas faces, o que o tornou conhecido
como bifronte, atributo conseguido de Saturno, a quem favorecera, e que o dotara
com a capacidade de penetrar o passado e o futuro, conforme narra a mitologia, ao
se referir ao mais antigo rei do Lácio conhecido,
* * *
Utilizamo-nos da lenda para considerar a visão cristã como possuidora da
possibilidade de examinar o passado e o futuro, ensejando valiosas meditações.
Em Saulo, o jovem atormentado, que se fizera sicário, dormitava aquele
Paulo que, abrasado por Jesus, se tornou o arauto da Boa Nova por todas as terras
da antiguidade.
Em Jeziel, o israelita pulcro e sofrido, se encontrava em potencial o nobre
Estevão, que se faria o excelso mártir da Mensagem nascente, abrindo os braços de
encorajamento na direção do futuro.
Em Madalena, a mulher obsidiada e trôpega nas aspirações morais, vivia
enclausurada a impoluta faculdade de amar até o sacrifício, doando-se à Causa do
Cristo com abnegação dificilmente encontrada.
Em Simão, temeroso e reticente, vibrava o apóstolo Pedro, que se entregaria
à fé rutilante, após o sacrifício de Jesus, de modo a selar com sangue a audácia de
porfiar fiel até o fim, na expansão do Reino de Deus entre as criaturas de Roma.
Em Joana de Cusa, a matrona romana, se agitava a discípula fiel que doaria
a vida às labaredas pela honra de ser fiel ao Mestre.
* * *
Era como se o passado de dificuldades e viciações argamassasse o futuro
com o cimento divino do amor, transformando-se em base de sustentação aos
grandes investimentos da luz na direção do Infinito.
No passado, queixas, lamentos, enfermidades, dissensões.
No futuro, esperanças, gratidão, saúde e paz.
* * *
Ontem, óbice, desânimo, perturbação, agonia.
Amanhã, aptidão, alento, ordem, serenidade.
80
Antes, o espírito alquebrado e o coração ralado de dores e ansiedades
incontáveis.
Depois, o ser renovado pela mente voltada ao dever e os sentimentos
cantando júbilos.
A Doutrina Cristã é o templo da fé aberto perenemente, facultando a paz e
acolhendo o amor.
E o Espiritismo que no-la traz de volta, na atualidade, é o grande hoje,
marco divisório dos tempos que separam o antes e o depois do encontro com Jesus.
Por essa forma, se as tuas aspirações superiores ainda não se converteram
em flores de alegria e as ásperas batalhas teimam por manter-te nos embates
duradouros não desfaleças. O passado de sombras para ser vencido necessita de ser
retificado e os abusos agasalhados demoradamente requerem disciplina espartana
para serem superados.
Importa considerar que já não és o que eras, nem sentes o que sentias,
embora, não poucas vezes, o assédio do hábito te atormente as pausas de equilíbrio.
Examina o passado para verificação do que te compete refazer, mas não te
fixes nele.
Prepara o futuro através de atitudes corretas mas não te angusties pela
chegada dele.
Vence a hora de cada hora, realizando o que possas, através de como possas,
lidando infatigável na república do espírito em atribulação.
Os acontecimentos vividos são experiências para as realizações a viver.
Jesus é o teu divisor de águas.
Kardec é o condutor do teu amanhã. Eleva-te ao Mestre através do Seu
apóstolo moderno e fecha às paixões o templo da tua alma, em caráter definitivo,
aspirando à glória do Mundo Maior que a todos nos espera.
Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
81
3.2.5.4 Desconhecimento do futuro
Entre as inescrutáveis Leis de Deus chama a atenção, merecendo reflexões,
a que se refere ao desconhecimento do futuro concedido à criatura humana.
Oportunidades surgem, nas quais, pessoas portadoras
da faculdade precognitiva captam fragmentos de possíveis ocorrências
porvindouras, no entanto, são sempre as de grave ressonância que se permitem
registrar.
Em uma análise dos fenômenos proféticos têm primazia as ocorrências que
são de caráter trágico, portadoras de comoção e terror, convidando
a criatura humana, individual e coletivamente, à mudança e comportamento, de
modo que com essa atitude possa alterar o rumo dos acontecimentos, mas o que
raramente ocorre.
Destacam-se, no entanto, entre as notícias proféticas otimistas, que são
raras, o nascimento de Jesus e a Sua missão extraordinária, por ser Ele o divisor das
épocas, dando início à Era do amor que, lamentavelmente, ainda não se implantou
na Terra, e só a pouco e pouco se instala nos corações.
Não obstante os anúncios alvissareiros, quando de Sua chegada Ele não
encontrou receptividade; antes defrontou corações covardes e agressivos,
em razão das aspirações exacerbadas dos Seus contemporâneos, que aguardavam
um Messias vingador dos seus sofrimentos, que lhes concedessem glórias e honras
em detrimento da restante Humanidade, mas que o túmulo sempre toma e
desconsidera.
É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências
psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma,
menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã.
Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos
porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se
embriagam.
Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o
sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio.
Aguardar a chegada de tragédias e dramas, de infortúnios e dissabores
constituiria desgraça injustificada, maior do que o fato em si.
82
Tivesse-se conhecimento por antecedência de sucessos felizes, de vitórias
afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período
que separa o momento da descoberta ao da sua concretização.
Ademais, nasceria tormentosa desconsideração pelo presente, cuja
condução modificaria o futuro.
No rio do tempo somente o hoje é vital.
Vivê-lo com elevação e nobreza é a forma feliz de anular o ontem e
programar o amanhã.
O ser humano está elaborado com equipamentos próprios para o trabalho de
crescimento espiritual conforme as condições do planeta que habita.
Quem deseje conhecer o próprio como o futuro da Humanidade, examine o
seu comportamento e escreva com atos atuais as determinantes que comporão as
paisagens que irá defrontar mais tarde.
Não há favoritismo nas Leis de Deus, que facultem a uns conquistas e
favores que a outros sejam negados.
Todos passam pelo mesmo crivo de elevação ao custo de esforço pessoal
indeclinável.
Se aspiras conhecer o teu futuro, examina o teu presente, programando
os teus pensamentos, palavras e atos que formarão o tecido do que está por vir.
Se aspiras saber do teu passado, aprofunda reflexões nos teus dias atuais e
concluirás como ele ocorreu, em razão daquilo que és agora.
O desconhecimento do futuro, qual sucede com o do passado, é bênção
da Vida, contribuindo para uma existência harmônica, embasada na confiança dos
resultados do amor e do trabalho, que são alavancas promotoras do progresso para
todos. Quando Deus permite ao ser humano conhecer o futuro em caráter especial,
assim o faz, objetivando o seu e o progresso da sociedade. A forma porém, como
o indivíduo se utiliza desse conhecimento, é de sua inteira responsabilidade, assim
como as consequências disso advindas.
A cada instante estás alterando o teu futuro mediante as tuas ações.
Desse modo, constrói-o em luz e em paz, mesmo que estejas caminhando
entre sombras e sobre espículos que te ferem os pés.
Não desfaleças, e segue adiante no rumo do teu amanhã, que começa agora.
Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho –
Desconhecimento do Futuro
83
3.2.5.5 Acontecimentos imprevistos
Enquanto a barca da reencarnação navegava nas águas tranquilas do prazer,
todos os acontecimentos eram enriquecidos pelos sorrisos, pela imensa alegria de
viver.
Tinhas a impressão de que te encontravas no verdadeiro paraíso, sem
maiores preocupações com o processo da evolução.
Inesperadamente, porém, foste surpreendido por ocorrências imprevistas e
te encontras tomado de surpresa e desencanto, acreditando-te desamparado e sem o
socorro da Divina Providência.
Sucede que a Terra é escola abençoada que faculta o progresso intelecto-
moral dos Espíritos que nela se reencarnam. Invariavelmente são devedores das
Leis Soberanas da Vida que desfrutam da oportunidade feliz de reparação dos
desvios que se permitiram em existências anteriores.
Tais sucessos imprevistos objetivam convocá-los para a reflexão e
libertação dos encantos do prazer, ensinando-os a encarar a transitoriedade do corpo
ante a realidade de seres imortais que são.
Nesse sentido, o sofrimento se apresenta como benfeitor, por despertar a
consciência adormecida a propor-lhes a visão correta para o comportamento
durante a existência.
Não poucas vezes, tudo parece transcorrer normalmente, estão programadas
pelos cuidados pessoais as metas para o futuro, e desencarna um ser querido,
deixando soledade e amargura.
Noutras ocasiões, os negócios que funcionavam em ordem sofrem alteração
e a empresa muito bem estruturada decompõe-se e cerra as suas portas.
Certos dias apresentam-se assinalados por desencantos, e a afetividade que
parecia preencher os espaços emocionais, experimenta choques variados, com
resultados de desalento e de dor.
Em momentos outros, enfermidades degenerativas ou simplesmente
vigorosas apresentam-se com volúpia e produzem debilitação das forças numa
conspiração aparente contra o bem-estar e a harmonia do organismo.
Repentinamente surgem conflitos que se ignorava e transtornos emocionais
sacodem o indivíduo, ferem a alegria e perturbam a emoção.
• • •
84
Sempre surgem em todas as vidas esses fenômenos inesperados, porque
fazem parte do programa de iluminação da humanidade.
Ninguém que se encontre indene à sua ocorrência.
Eles se apresentam e esperam ser bem recebidos, mesmo marchetando a
alma e retirando a aparente tranquilidade.
O físico é mundo das ilusões e das fantasias.
O espiritual é aquele de onde se procede e para onde se retorna.
A vida na Terra expressa-se conforme o nível de consciência e de evolução
de cada criatura.
Resultado das ações anteriores, as ocorrências têm lugar conforme a origem,
sempre proporcionando recursos de transformação moral.
Dessa forma, exercita o desapego de tudo quanto te retém na retaguarda.
Começa a libertar-te das coisas e questões que não podes conduzir para
sempre.
Treina a simplicidade de coração e a fraternidade legítima, repartindo com
o teu próximo tudo quanto representa excesso e que o egoísmo retém, em
mecanismo de precaução para o futuro.
A sede de prazeres e a ânsia de poder constituem grandes adversários do
processo auto iluminativo, mantendo o indivíduo nas paixões imediatistas o que o
impede de viver as saudáveis experiências da renúncia e da abnegação.
Qualquer forma de apego é prejudicial ao Espírito, que se deve
descondicionar das falsas necessidades que a modernidade impõe.
O essencial é sempre menos volumoso e significativo do que o secundário,
que se apresenta como de grande importância. O seu valor, porém, é atribuído por
aquele que se lhe agarrar, destituído, no entanto, das qualidades que lhe são
concedidas.
Espera da existência todos os tipos de acontecimentos, especialmente
esses que mortificam pelo despreparo para o seu enfrentamento.
Quando se pensa na própria fragilidade, no fenômeno da morte, que exige
apenas uma condição, que é estar no corpo físico, robustece-se a coragem e a fé
amplia-se na direção do futuro, tornando-se uma couraça protetora que nada
consegue penetrar de forma prejudicial.
• • •
85
Comportamento de tal natureza pode ser considerado como a busca da
Verdade, a que se referiu Jesus, quando informou: Busca primeiro o Reino de Deus
e sua justiça e tudo mais vos será acrescentado.
Pilatos Lhe havia interrogado o que era a Verdade. Teria, porém, condições
para a atender, atropelado pelos interesses doentios do poder temporal, das paixões
de raça e dos caprichos da governança? Jamais lhe ocorreu que estava sobre areia
movediça que o tragou depois da morte do imperador Tibério, quando então foi
mandado para o exílio, no qual se suicidou.
Assim sucede com os enganos que o ego engendra e o ser se aferra,
preservando ilusões por falta de coragem e estrutura moral para enfrentar a
realidade na qual se encontra e procura não se dar conta.
Assim sendo, não consideres como infortúnios os acontecimentos
imprevistos que te convoquem a mudanças radicais de conduta para melhor.
O Reino dos Céus está entre vós, enunciou Jesus.
É necessário ter-se olhos de ver e ouvidos de ouvir para deixar-se penetrar
pela sua realidade e incorporá-la ao cotidiano.
Supera as fantasias da mente, disciplinando o pensamento, de modo que o
conduzas de forma edificante e prazenteira para toda a existência, assim como para
depois da desencarnação, quando despertarás conforme és e não com o que reuniste
e fixaste como de tua posse.
Joanna de Angelis – Seja Feliz Hoje – Cap. 1 – Acontecimentos
Imprevistos
Data: 5 de junho de 2014 – Local: Residência de Dominique e Armandine
Chéron, em Vitry-sur-Seine, França.
86
3.2.5.6 Incerteza do futuro
Em face dos substratos do passado, arquivados no subconsciente, quase
sempre negativos, neurotizantes, a pessoa pressupõe que o seu será um futuro
carregado de problemas, de desafios, exigindo-lhe continuar abraçado à cruz dos
sofrimentos. Porque não desalojou dali os hóspedes indesejáveis da perturbação, as
mensagens que capta em relação ao futuro são assinaladas por incertezas e
preocupações.
Ninguém se pode evadir do processo de crescimento interior, e esse
imperativo da evolução apresenta-se com dúvidas a respeito de como enfrentá-lo e
que fazer enquanto o aguarda. A atitude correta está em viver cada momento
intensamente, porquanto, cada minuto que se acerca e passa, é o futuro chegando
e transformando-se em passado.
É um erro considerar como futuro o que se relaciona ao remoto, ao qual
se atiram realizações que deveriam ser executadas agora, definindo circunstâncias
e tempo. A soma dos segundos transforma-se em milênios. É mais exequível
realizar-se em cada pequeno lapso de minuto do que aguardar a sucessão dos anos.
Quando se deseja realmente fazer algo, estabelece-se horário e define-se
ocasião.
Essa ordem, registrada no subconsciente, faculta que se consume o
programa estabelecido.
Quando não se deseja inconscientemente fazê-lo, estatui-se: Um dia… Na
primeira oportunidade… Esse dia e essa oportunidade não existirão, porque não
foram definidos. Assim também é esse futuro, não delimitado, vazio, ameaçador.
À medida que se conclui uma tarefa, outra se delineia e torna-se factível a
sua realização.
Diante de vários compromissos indefinidos, os rumos se confundem e a
capacidade psíquica de discernimento perde a escala de valores, que seleciona, pela
importância, quais os que têm primazia para execução.
Nessa inevitável balbúrdia, atropelam-se os significados de qualidade,
passando a ter preferência os mais simples e insignificantes, enquanto os outros são
atirados para um oportunamente que não se deseja que chegue.
Não atendidos e registrados, dão curso à instabilidade emocional, a
incertezas e preocupações.
87
Desse modo, será feito amanhã o que não seja possível realizar-se hoje,
porém, sem angústia, sem remorso.
Um mestre, informado que lavrara um grande e arrasador incêndio numa
floresta próxima, convidou os discípulos para que, juntos, fossem plantar cedros no
terreno calcinado, após lavrá-lo.
Inquieto, um discípulo retrucou-lhe: – Por que plantar o cedro hoje, se ele
demora dois mil anos para desenvolver-se e alcançar a plenitude?
Sem perturbar-se, o sábio respondeu-lhe: – Aqueles que foram queimados
nunca nos informaram quem os houvera plantado, embora oferecessem sombra e
vida sempre. Ademais, já que demoram tanto para atingir a exuberância, não
percamos tempo, a fim de não lhes atrasarmos o desenvolvimento.
Jesus, o Psicoterapeuta ímpar, em excelente receita de paz, propôs: – “Não
andeis, pois, ansiosos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã a si mesmo
trará o seu cuidado; ao dia bastam os próprios males. “ (Mateus, 6: 34)
Oxalá que se tenha em mente que a experiência resulta da vivência do fato,
e que o mal é a tentativa incorreta de agir na busca do melhor. Assim, cada instante
merece o investimento da atenção, dos cuidados que se pretende direcionar para as
ocorrências do futuro. Agindo com precisão hoje, são eliminadas desde já,
evitando-as mais tarde.
O desenho do planejamento futuro é realizado com o material que se está
usando neste momento.
Gerando decisões salutares, tomando-se atitudes corretas e corrigindo-
se as equivocadas, programa-se o porvir agradável, compensador.
Para tanto, o cultivo dos pensamentos enobrecedores faz-se inadiável. É
necessário pensar alto, a fim de colher resultado satisfatório. Quem pensa a mesma
coisa, recebe sempre aquilo que já tem. Variar para melhor, é candidatar-se ao
superior, ao não fruído.
Como decorrência da acomodação aos hábitos e ideias já digitados no
subconsciente, a pessoa esconde suas aspirações e valores nobres nos conflitos a
que se acostuma e nos quais se compraz, nos transtornos neuróticos, na insatisfação,
que lhe constituem escusa para não lutar, permanecendo sem o auto-auxílio, e
transferindo para os demais a culpa do seu insucesso, da sua irresponsabilidade, da
sua aceitação sem resistência.
88
A luta fortalece o caráter e capacita o ser para os contínuos desafios, que lhe
facultam o crescimento interior. Essa realização é intransferível, como a sabedoria
que se aprende, mas não se doa. Constituído de recursos valiosos, esses necessitam
dos fatores que lhe propiciem desabrochar e crescer.
Vivendo bem cada momento, em profundidade, o futuro torna-se
natural, acolhedor, gratificante, porquanto será conforme os atos de ontem –
em reencarnações passadas — e de hoje – na existência atual -, que alterará o
mapeamento do amanhã.
Se, ao invés disso, como mecanismo de fuga contra a renovação, a pessoa
programa dores e desconforto, sem confiança nos acontecimentos porvindouros,
com certeza está desejando exatamente conforme receberá. Há uma fatalidade
inevitável: a colheita se dará de acordo com a sementeira. Não há violência, nem
transmutação de espécimes, de valores.
Todo fator que possa desencadear consciência de culpa, no comportamento,
necessita ser eliminado, substituído por outros, criadores de confiança e serenidade,
sem sombras psicológicas que ocultem a realidade, o desenvolvimento dos valores
internos.
Uma psicoterapia especial, entre outras, ressalta na fixação pela repetição
de frases idealistas, de autossugestão otimista, de interiorização mediante a prece,
de meditação no serviço de amor ao próximo, através do amor a si mesmo.
Enquanto assim agir, o futuro se estará fazendo presente, e logo passado,
sem qualquer insegurança ou incerteza maceradora, enriquecido pelas propostas
agradáveis das perspectivas de êxito, tornadas realidade.
Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 –
Incerteza do Futuro
89
3.2.5.7 Pressentimentos
Antes de suceder o fato, ondas vibratórias atingem aqueles que serão seus
protagonistas.
Irradiações dos sucessos em desdobramentos sempre alcançam os que são
móveis ou partícipes dos mesmos.
As ondas mentais disparadas na direção das pessoas, atingem-nas, não
poucas vezes.
As faixas vibratórias, nas quais o psiquismo se demora, emitem as
informações de que se carregam, sendo captadas por outras mentes.
Todos esses tipos de registro podem ser tomados na conta de
pressentimentos. Todavia, o pressentimento diferencia-se de premonição como da
telepatia. Mais se liga à profecia, caracterizando-se por uma certa ascensão afetiva
ou sentimental.
Nebulosos ou nítidos, os pressentimentos anunciam ocorrências que
sucederão, estabelecendo um intercâmbio entre a fonte geradora e a mente
receptiva.
Misericórdia divina, essa percepção, a fim de premunir o homem com
os recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode
mudar; favorecendo com forças, a fim de modificar as ocorrências que podem e
devem ser alteradas; auxiliando com expectativas felizes, a fim de oferecer júbilos
nos momentos dos sucessos futuros.
Certamente, nem sempre as informações são recebidas com a necessária
clareza, de modo a bem definir o que está por suceder. No entanto, o homem probo,
o cristão, sabe que vivendo num mundo de intercâmbios eleva-se, mediante a prece
ao Criador, e procura sintonizar com os seus Benfeitores Espirituais, que
providenciarão os valores de que se enriquecerá, de modo a capacitar-se para o
tentame.
Quando não seja possível melhor clarificar a questão, eles ampararão o
tutelado, inspirando-lhe soluções que, noutras circunstâncias, não ocorreriam.
Na dúvida, ora.
Na certeza, ora.
Em qualquer situação, ora.
90
Entre fazer ou não praticar o bem, realizá-lo.
Na perspectiva de um dissabor, examina melhor a realidade do fato e age,
tendo em vista o bem geral.
Tuas ações, tua vida.
Conforme agires hoje, escreverás a história do teu futuro.
Paulo pressentia o que o aguardava em Jerusalém e, advertido das dores que
o esperavam, desceu à Capital de Israel para testemunhar o amor a Jesus,
oferecendo-se como carta- viva da Boa Nova.
Os discípulos, advertidos quanto aos martírios que os aguardavam,
pressentiam a hora, mas não recuavam, já que dessa atitude resultavam bênçãos
para os que viriam depois.
Estêvão, no primeiro encontro com Saulo, pressentiu as dores que iria
experimentar, não obstante, orando, entregou-se ao sacrifício.
Jesus conhecia todas as fraquezas dos companheiros; apesar disso, amou-os
com dedicação total, confiando-lhes as tarefas de preparação do futuro.
Quando pressintas algo afligente, não te entregues a um sofrimento
antecipado.
Unge-te da paz, que deflui da prece, e aguarda, confiante.
Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
91
3.2.6 Eros
3.2.6.1 Programa de Vida
O candidato à reencarnação acercou-se, jubiloso, do Instrutor Espiritual
encarregado da programática de sua vida futura e inquiriu:
Quais são as últimas orientações que deverei guardar como recurso de
segurança para o êxito?
O Mestre sábio abrangeu o ambiente com um olhar penetrante e respondeu:
São necessários alguns dos seguintes valores para uma jornada feliz, que
nunca poderão ser desconsiderados:
− a humildade como fortaleza inexpugnável;
− a paz como couraça de defesa;
− o conhecimento como instrumento de progresso;
− o livro como amigo silencioso;
− o trabalho como degrau de ascensão;
− a prece como apoio contra as tentações;
− a beneficência como investimento de felicidade;
− a honra como alicerce de resistência;
− a esperança como material de edificação contínua;
− o amor como vínculo de união com Deus e a Vida.
O aprendiz meditou largamente e, cabisbaixo, considerando a gravidade da
empresa reencarnacionista, mergulhou na névoa densa da Terra para recuperar-se e
aprender.
Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida
92
3.2.7 Hermínio de Miranda
3.2.7.1 Lembranças do Futuro
Progressão de memória
Ao encerrar-se a década de 70, três psicólogos americanos, todos
devidamente adornados com honrosos títulos PhD, introduziram na psicologia
clínica o conceito da reencarnação, como se pode conferir com a leitura de seus
depoimentos: Helen Wambach, com os livros Reliving past lives {.Revivendo vidas
passadas), em 1978, e Life before life {Vida antes da vida), em 1979; Edith Fiore,
com You have been here before {Você já esteve aqui antes), em 1979, e Morris
Netherton, com Past lives therapy {Terapia de vidas passadas), também em 1979.
Não é nosso propósito, neste texto, desenvolver comentários sobre essas
obras, que definiram clara posição doutrinária, tanto quanto marcaram época na
evolução das ciências da mente; elas são conhecidas no Brasil, onde se acham
difundidas no original e em traduções brasileiras e portuguesas.
O objetivo deste papel é o de comentar trabalho mais recente da dra.
Wambach, morta em consequência de problemas circulatórios, em 18 de agosto de
1985, dia em que completava 60 anos de idade. Estaremos, para isso, examinando
o livro Massdreams of future (Sonhos coletivos do futuro), de Chet B. Snow, outro
PhD.
O dr. Snow recorreu à dra. Wambach, em 1983, em busca de ajuda
profissional para problemas de natureza pessoal. Tornaram-se amigos e passaram a
debater questões científicas. Em breve, ele se engajou no projeto de pesquisa com
o qual a doutora vinha trabalhando há algum tempo e acabou escrevendo o livro
que ora temos para estudo.
Pesquisa da memória
Leitores da dra. Wambach sabem que seu segundo livro (Vida antes da vida)
trata basicamente de regressões de adultos ao momento do parto.
A eminente pesquisadora desejava saber das emoções do nascituro, seus
projetos de vida, seu possível relacionamento anterior com os pais, irmãos e outros
familiares, bem como das razões pelas quais teria escolhido nascer homem ou
mulher, e por que nesta época e não em outra.
93
Vida antes da vida é leitura imperdível.
O livro anterior da mesma autora, não menos importante, apresentara-se
com diferente enfoque ao concentrar-se em aspectos históricos e antropológicos
embutidos no processo evolutivo do ser humano.
A doutora utilizou-se da instrumentação regressiva para buscar na memória
das pessoas informações que lhe permitissem montar uma visão mais precisa do
contexto em que tem vivido a comunidade humana, no passado.
Valeu- se para isso de um conjunto de perguntas simples e bem elaboradas,
sobre alimentação, vestuário, habitação, estruturas sociais, culturais, religiosas e
econômicas.
Tabulados, com paciência e competência, os dados colhidos desenham um
quadro realista e coerente de hábitos e costumes através dos tempos. Pela primeira
vez, produzia-se um estudo baseado na memória das pessoas que estavam lá,
vivendo remotas experiências na carne, em lugar de proceder a penosas escavações,
nas quais o contexto deve ser recomposto a partir de fragmentos e vestígios, muitas
vezes enigmáticos e insuficientes.
A alma das coisas
E quanto ao futuro? pensou a dra. Wambach. De que maneira os americanos
de hoje considerariam suas potenciais vidas futuras?
Em que cenário?
Sob que condições?
Seria possível dar uma espiada no futuro que nos aguarda a um ou dois
séculos na frente?
Ela achava que sim, de vez que percebera, no decorrer de suas pesquisas,
pacientes em ligeiro transe hipnótico que demonstravam com frequência
capacidade de antecipar perguntas e comentários que ela ainda não havia
formulado.
Aliás, ela se convenceu de que um sistema de comunicação direta, sem
palavras, funciona livremente por toda parte, entre os seres vivos.
Chet Snow, autor do livro e parceiro nas pesquisas, acha mesmo que a
própria terra é um organismo vivo sobre o qual não apenas nossos atos, mas também
pensamentos, atuam de maneira dramática, o que não seria surpresa para
Emmanuel.
94
No livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, em 1937,
vamos encontrar esta observação do autor espiritual:
— O orbe terrestre é um grande magneto, governado pelas forças positivas
do Sol. Toda matéria tangível representa uma condensação de energia dessas
forças sobre o planeta e essa condensação se verifica debaixo da influência
organizadora do princípio espiritual, preexistindo a todas as combinações
químicas e moleculares. É a alma das coisas e dos seres, o elemento que influi no
problema das formas, segundo a posição evolutiva de cada unidade eventual.
Todas as correntes eletrônicas, portanto, ou ondas da matéria rarefeita, são
elementos subordinados as correntes de fluidos ou vibrações espirituais; aquelas
são instrumentos passivos, estas as forças ativas e renovadoras do universo, (pp.
112-113, 2a edição, FEB, 1938, sendo de observar-se que os destaques são meus).
Arqueologia do futuro
A dra. Wambach declarou ao dr. Snow que uma das mais valiosas lições de
toda uma existência dedicada à tarefa da psicologia clínica foi a de que as palavras
são cortinas de fumaça, o que confere com o conceito de antigo autor — lamento
confessar a ingratidão de haver esquecido seu nome —, segundo o qual as palavras
foram inventadas não para expressar o pensamento, mas para ocultá-lo.
Com essas idéias em mente, já em 1980, pouco tempo depois de publicado
Vida antes da vida, a dra. Wambach decidiu embarcar em outra pesquisa de grande
porte, desta vez para explorar a possibilidade de promover uma espécie de
arqueologia do futuro, na memória de pacientes sob hipnose, segundo o já
consagrado “método Wambach”.
Obteve, para o projeto, o apoio de sua amiga Beverly Lundell e o do dr. R.
Leo Sprinkle, psicólogo e professor da Univer-sidade de Wyoming.
O objetivo era o de explorar, no psiquismo de pessoas suscetíveis e dispostas
a colaborar, os períodos de 2100-2200 e 2300-2500, ou seja, os séculos XXII, XXIV
e XXV.
Em 1983, quando Chet Snow a conheceu, Wambach já estava coligindo
material resultante de progressões realizadas por ela e pelos seus dois amigos e
colaboradores.
95
Em breve, o dr. Snow passaria a promover workshops de regressão e
progressão, nos Estados Unidos e na França, onde iria viver por algum tempo, a fim
de documentar uma de suas próprias existências anteriores. Encontrava-se Snow na
França, em 1985, quando foi notificado da morte da dra. Wambach.
Estado alterado
Convém observar, antes de prosseguir, que o conceito de progressão de
memória, em contraste com o de regressão, não constitui novidade absoluta.
O coronel Albert de Rochas dá conta, em sua obra Les vies successives (As
vidas sucessivas), de experiências nesse sentido, realizadas durante a última década
do século XIX e a primeira do século XX.
E certo que tais experiências foram esquemáticas e sem o desejável
aprofundamento, mas há, no texto do coronel, evidência de que é possível “levar”
uma pessoa hipnotizada ou magnetizada ao futuro, da mesma forma que, na
regressão, é “levada” ao passado.
Tomo a liberdade de remeter o leitor porventura interessado neste e em
outros aspectos do problema ao meu livro A memória e o tempo, no qual o trabalho
de De Rochas é discutido com maior amplitude.
Chet B. Snow não apenas aderiu ao projeto da dra. Wambach, como acabou
concordando, ele próprio, em submeter- se a uma experiência de progressão, no
que, aliás, revelou-se excelente sujet.
Foi assim, numa tarde de julho de 1983, no consultório da dra. Wambach,
na Califórnia, que, após mergulhado no estado alterado de consciência sugerido
pela psicóloga, Chet Snow viveu uma dramática “lembrança do futuro”, na qual se
via, em 1998, em desolada região do estado do Arizona, como integrante de
pequena comunidade de pessoas que haviam sobrevivido a violentos cataclismos.
As condições climáticas locais mostravam-se profundamente alteradas em
relação ao que são hoje, de vez que, no mês de julho, em pleno verão no hemisfério
norte, e em local onde a norma seriam as temperaturas elevadas, fazia frio e soprava
um vento glacial.
Além do mais, a região parecia despovoada e com escassas possibilidades
de comunicação com o resto do país.
96
As condições de vida eram primitivas, a alimentação constituía prioridade
absoluta, a habitação (coletiva) não passava de um abrigo precário para algumas
dezenas de pessoas lideradas por uma mulher.
Não é de admirar-se, pois, que Chet Snow tenha regressado com enorme
sensação de alívio, ao “aqui e agora”, no consultório da dra. Wambach, no luminoso
verão californiano.
Seja como for, a ser válida a experiência, o terrível cenário em que se metera
ele durante a progressão estava à sua espera dentro de quinze anos. Era uma idéia
mais do que inquietante, aterradora.
Um planeta devastado
Outras “viagens” ao futuro faria o dr. Snow sob a competente pilotagem da
dra. Wambach, não apenas ao desolado território do Arizona, no fim deste século,
como a outros tempos e locais, em futuro mais remoto.
Desdobrava-se o projeto desenhado com a finalidade de investigar o que
poderão revelar sobre o futuro “os sonhos coletivos” em que mergulhamos tantos
de nós, seres vivos, nesta época dominada por tensões e sombrios presságios.
As primeiras imagens do contexto explorado nas progressões revelaram-se
tão deprimentes que a doutora pensou, de início, em suspender a pesquisa.
A visão que se antecipava nela era a de um planeta devastado,
desestruturado e poluído, cidades em ruínas e campos abandonados, sistemas de
comunicação e transportes de-sarticulados e dramática escassez de alimentos.
Era um verdadeiro pesadelo, dentro do qual a prioridade maior era a de
sobreviver, se possível, mais um dia ou dois.
Entre 1980 e 1985, a dra. Wambach e sua equipe haviam realizado
regressões e progressões em cerca de 2.500 americanos (Snow trabalhara também
com alguns franceses).
Inesperadamente, apenas cerca de 5% das pessoas progredidas viam-se
reencarnadas por volta do ano 2100, a umas poucas gerações adiante, portanto.
A conclusão era óbvia, ainda que inquietante, dado que indicava um declínio
de cerca de 95% na população mundial, dizimada, por essa época, por gigantescos
cataclismos, em inúmeras regiões da Terra.
97
Tais resultados foram encontrados, isoladamente, pelos pesquisadores, em
diferentes grupos de pessoas. Consistentemente, cerca de apenas 5% viam-se
encarnadas por volta do ano 2100, ao passo que, mais à frente, em torno do ano
2300, a percentagem subia para 13 ou 15%, o que parece indicar uma retomada do
crescimento populacional, após o drástico decréscimo.
Sonhos coletivos
Apesar de deprimida pelos resultados, a curiosidade científica da dra.
Wambach prevaleceu e a pesquisa prosseguiu. Era preciso, não obstante, ampliar a
base para que o estudo não ficasse prejudicado e exposto a críticas por ter sido
demasiado restrito o universo pesquisado.
Para chegar-se a números confiáveis, porém, seria necessário progredir pelo
menos dez mil pessoas, o que inviabilizaria o projeto a médio prazo.
Com o propósito de contornar a dificuldade, a dra. Wambach decidiu
selecionar para as progressões pessoas comuns, dotadas de bom senso e equilíbrio
emocional.
Suas experiências com sensitivos e médiuns revelaram-se decepcionantes,
ao que ela supõe, por causa de interferências do interesse pessoal de cada um deles,
mais propensos às usuais “profecias” sobre gente famosa e eventos de menor
interesse coletivo a fim de manter o status de bons videntes do que em
concentrarem-se no que estariam, eles próprios, fazendo, onde e quando, em futuro
próximo ou mais remoto.
Muitos foram os voluntários interessados na nova fase das pesquisas, mas
ela selecionou apenas três, que lhe pareceram emocionalmente estáveis, e passou a
trabalhar com eles.
Essa abordagem certamente não eliminaria o inconveniente de estudar um
universo reduzido para os padrões estatísticos, mas poderia produzir uma indicação
a mais em relação a outros dados anteriormente colhidos.
Ademais, o autor do livro adverte, já no prólogo, que as previsões não
devem ser consideradas “incontroversas ou irreversíveis”; é certo, porém, que
foram garimpadas nos “sonhos coletivos” que estão sendo projetados por muitas
mentes e, nesse sentido, constituem indicações dignas de consideração sobre o que
poderemos estar experimentando no futuro. Pelo menos é o que está sendo lido,
hoje, no inconsciente das pessoas.
98
Realidade espiritual
Não há como compactar num papel como este, que pretende apenas dar uma
notícia sobre o livro do dr. Snow, toda a riqueza do material nele posto à disposição
do leitor, como, por exemplo, o conteúdo do capítulo 3, no qual a profecia é
examinada do ponto de vista histórico; ou o capítulo 9, que suscita estimulante
debate em torno das recentes propostas da física quântica e suas implicações
metafísicas, bem como sobre o conceito de linearidade do tempo.
Temos de sacrificar esses e outros aspectos (para os quais o leitor terá
mesmo de recorrer ao livro do dr. Snow) a fim de abrir espaço para informações
menos eruditas e de maior interesse imediato para nós.
Após examinar detidamente e tabular os dados recolhidos de 133 pessoas
sobre as expectativas para o ano 2100, o dr. Snow encontrou 35 vivendo no espaço,
em viagens constantes ou em colônias orbitando em volta da Terra.
O depoimento dessas pessoas, bem como o das que continuavam vivendo
na superfície da Terra, parecem indicar que o intercâmbio espacial ter-se-á tornado
atividade praticamente de rotina, aí pelo ano 2100.
O segundo grupo, composto de 24 pessoas — sempre dentro do universo de
133 progredidas no tempo —, seria constituído de gente vivendo em pequenas
comunidades terrenas, basicamente rurais ou, pelo menos, afastadas dos grandes
centros, e que, embora sem confortos e sem sofisticada tecnologia, seriam auto-
suficientes e até felizes.
Essa gente revela-se bem informada a respeito da realidade espiritual e
familiarizada com os conceitos de reencarnação, sobrevivência do ser,
comunicabilidade entre vivos e mortos e outros tantos dessa natureza.
O terceiro grupo, do qual deram notícia 41 pessoas, encontrava-se vivendo
em comunidades fechadas, altamente sofisticadas em termos tecnológicos,
implantadas em espaços protegidos por cúpulas imensas que as mantinham isoladas
do ambiente externo, usualmente árido e hostil.
Ao contrário das comunidades do segundo grupo, que se revelam felizes e
descontraídas, os habitantes dos grupos fechados mostram- se descontentes e
indiferentes, como se a vida fosse uma desagradável imposição rotineira e não um
privilégio e uma oportunidade valiosa.
99
Levam, tais criaturas, uma existência algo artificial, subsistindo à base de
alimentos industrializados, muitos deles sintetizados em laboratórios.
Ao que parece, mantêm ativo intercâmbio com seres espaciais e só se
aventuram fora de suas redomas coletivas por pouco tempo e protegidos por
vestimentas e capacetes especiais que, em alguns casos, desarranjam-se e acarretam
a morte da pessoa, segundo depoimento de alguns.
O quarto e último grupo, na classificação proposta pelo dr. Snow, é
constituído por pessoas que ele considera como “sobreviventes”, seres
marginalizados pelas catástrofes.
Vivem, a duras penas, em regiões desoladas, usualmente em ruínas das
grandes cidades do passado, como que regredidos a condições de vida mais
precárias do que as do século XIX, ainda dependentes de transporte animal,
praticamente sem recursos que permitam um mínimo de conforto e segurança.
Hermínio de Miranda – As Duas Faces da Vida – Lembranças do Futuro
100
3.2.8 André Luiz
3.2.8.1 Programas Reencarnatórios
(...)
Desejando, porém, prosseguir nos esclarecimentos, quanto ao serviço
reencarnacionista, Manassés tomou pequeno gráfico e, apresentando-me as linhas
gerais, acentuou:
- Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa
certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmoide?
Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que
chegue à maioridade física. Trata-se, porém, de escolha dele.
André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 12 – Preparação de Experiências
101
3.2.9 Vianna de Carvalho
3.2.9.1 Revelações Inconsequentes
O estudo do Espiritismo é de vital importância para que se possa penetrar-
lhe a essência dos conteúdos científicos, filosóficos e ético-morais-religiosos.
Toda a sua doutrina se fundamenta na experiência que se deriva da
observação contínua dos fatos, graças à metodologia quantitativo-qualitativa.
Não tendo sido elaboração de um homem ou de um grupo de indivíduos,
não sofre os problemas de sistemas ou de idéias preconcebidas, mantendo incomum
imparcialidade no exame e análise dos elementos que o constituem.
Resultado de demoradas reflexões e pesquisas, apóia-se nas leis naturais,
que são fundamentais à vida de onde se derivam todos os seus postulados.
Os fenômenos que lhe facultaram o surgimento, em todas as épocas e
Nações da Terra, passaram pelo crivo de contínuas experimentações, havendo
resistido aos esquemas convencionais da dúvida, da fraude, das exteriorizações do
inconsciente, antes de adquirirem cidadania e dignidade.
Esses fenômenos foram considerados, no passado, como expressões da
santificação, do misticismo, do ridículo – de acordo com a época em que se
manifestaram – para se tornarem parte integrante da cultura humana, que os
proporcionava, portanto, sem qualquer colorido fantasista ou miraculoso.
Passo a passo, as informações que se originaram nas comunicações foram
objeto de exame e de comparação com o conhecimento intelectual, passando pelo
crivo dos enfrentamentos com os sistemas vigentes e as doutrinas em voga,
apresentando-se como um corpo harmônico de teses com características próprias,
dantes não sonhadas sequer, compondo paradigmas que resistem aos mais
intrincados processos de negação elaborados pelo materialismo, do qual é o mais
vigoroso adversário.
Não se compadecendo com pieguismos culturais e atavismos ancestrais, o
Espiritismo assenta-se na razão, que demonstra por meio dos conceitos avançados
em torno do ser humano, da vida e da sua finalidade, tornando-se, por isso mesmo,
um fértil campo de princípios filosóficos que dignificam e libertam as mentes e os
sentimentos humanos.
102
Firmado nos princípios das Leis naturais, aquelas que regem o Universo,
não pode ser ultrapassado, porque, à medida que surjam novas idéias centradas na
lógica e resistentes aos combates extemporâneos da insensatez, o Espiritismo as
aceitará, e quando essas conquistas do conhecimento demonstrarem que seja
improcedente algum dos seus postulados, este será eliminado ou se amoldará ao
impositivo da circunstância.
Não possuindo qualquer tipo de culto, de cerimonial, de ritualismo, de
sacerdócio organizado ou equivalente, é a religião do ser integral, porque possui
todos os fundamentos das religiões – Deus, imortalidade da alma, justiça divina,
elevação de pensamento através da oração, exercício e vivência do amor –
adentrando-se na demonstração da excelência desses conceitos, em face da sua
feição de ciência experimental.
Assim, para culminar esse objetivo demonstra a imortalidade do ser;
mediante a sua comunicabilidade depois do decesso tumular; a justiça divina,
recorrendo à reencarnação, que ora se converte na chave indispensável à
compreensão dos acontecimentos históricos, sociológicos, humanos, econômicos,
morais e espirituais que envolvem os indivíduos; a comunhão mental com a Fonte
Geradora de vida, por meio do intercâmbio entre aquele que ora e o Fulcro ao qual
é direcionada a emissão mental.
Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas
para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca
aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como
a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade,
vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios
existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado
que tem à frente.
Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis,
informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas
acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam,
contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos
relevantes da Humanidade.
103
Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por
Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-
se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou
incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado,
com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de
Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos,
assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam
condutores dos grupos humanos.
Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de
personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam
sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande
meta.
Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado
espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou
burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante,
que em algum momento esteve presente na História.
A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que
aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do
pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade
dourada ou à lamentação.
Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos
tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano,
variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo
evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos
mundos.
O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de
reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não
para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias
extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução.
Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo,
com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com
segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada
um é o que de si próprio faz.
104
O fato de haver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito
feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube
honrar e que agora defronta para corrigir.
A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização,
utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos
encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de
um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre
responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde
procedemos.
Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações Inconsequentes
(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião da noite de 14 de
abril de 1996, em Quarteira, Portugal.)
105
3.2.9.2 Informações Descabidas
Quase todas as propostas idealistas, na medida em que se fazem conhecidas,
perdem em profundidade o que lucram em superfície.
De igual maneira vem sucedendo ao movimento espírita, cuja divulgação
merece aprofundar os conceitos doutrinários, a fim de oferecer subsídios valiosos
aos iniciantes e interessados em conhecer na sua realidade legítima
a doutrina libertadora da ignorância espiritual sobre a vida.
Em face da popularização dos nobres conteúdos filosóficos, pessoas
inescrupulosas transformam-se de um para outro momento em pretensos
esclarecedores do pensamento espírita, introduzindo as próprias ideias,
em razão do quase total desconhecimento espiritista.
Não poucas vezes, presunçosos e arrogantes, criam diretrizes burlescas
e teorias esdrúxulas que dizem provir do mundo espiritual, completando o que
Allan Kardec não teve tempo de realizar.
Nesse capítulo, surgem movimentos denominados um passo adiante do que
se encontra estabelecido na Codificação, como resultado de informações
perfeitamente compatíveis com as conquistas da ciência contemporânea.
Outros indivíduos, portadores de conflitos psicológicos, projetam os seus
transtornos na farta clientela desprevenida e se apresentam como portadores
de mediunidade especial, caracterizada por expressiva clarividência, que lhes
permite antever o futuro, detectar o presente, formular diagnósticos
de enfermidades graves e resolvê-las, identificar obsessões perversas, infortúnios
porvindouros...
E utilizando-se da iluminação que se atribuem, apresentam fórmulas
salvacionistas, propondo comportamentos incompatíveis com o bom senso e
a lógica doutrinários.
É lamentável que tal fenômeno tenha lugar num movimento que pretende
traduzir a grandeza do pensamento dos Imortais, com simplicidade e lógica,
embora a sua grandiosa e complexa estrutura intrínseca.
106
Sucede que os tormentos da vaidade e do orgulho, que ainda predominam
em a natureza humana, como herança do seu processo de evolução antropológica,
impedem ou dificultam que o indivíduo amolde o caráter moral às novas propostas
de iluminação, tornando-se-lhe mais fácil adaptá-las ao seu vicioso modo de ser.
No começo, um grande entusiasmo invade esses desprevenidos, que se
deixam tocar interiormente pela significativa contribuição imortalista, logo após
acostumando-se com a informação valiosa e, necessitados como se encontram, de
novidades, criam, fascinados pelo próprio raciocínio, correntes de pensamento que
lhes projetem o ego, a desserviço da divulgação saudável e correta do Espiritismo.
É sempre valioso recordarmo-nos da frase enunciada por João, o Batista, a
respeito de Jesus, quando elucida: – É necessário que Ele cresça e que eu diminua.
Assim, agiu corretamente, porque o seu era o ministério de preparar-Lhe os
caminhos, diminuindo as asperezas, que se tornaram ainda muito complicadas para
vencê-las, fazendo, porém, a sua melhor parte.
Aos espiritistas, portanto, novatos ou militantes, que tudo façam para que
a doutrina cresça e eles diminuam, de modo que realizem o mister que lhes cabe
sem a ufania de serem inovadores, médiuns especiais e reveladores, completistas
do trabalho do Codificador ou elucidadores das diretrizes fornecidas pelos
Espíritos, o que lhes desvela a insensatez e a presunção, demonstrando que, não
fossem eles e não se compreenderia a Revelação que, no entanto, é simples e
profunda.
Também repontam os defensores do Espiritismo, sempre preocupados com
a forma exterior e não com a vivência interna, quais antigos fariseus, estando
sempre vigilantes para denunciar, agredir aos demais e aparecer com a bandeira da
salvação, como se fossem necessários.
Olvidam que a sua jornada terrestre é sempre breve, e que se o Espiritismo
os necessitasse para esse fim, bem pobres seriam a sua filosofia e ética-moral,
porque dependentes da sua defesa. Quando desencarnassem, como é inevitável, e
tem sucedido com todos esses que assim se comportam,
o pensamento espírita ficaria órfão, e logo desapareceria.
Ledo engano, a morte que a todos arrebata, não consegue diminuir o
impacto e a força da Terceira Revelação que vem dos Céus à Terra, ao inverso do
que alguns pensam...
107
A maneira mais vigorosa e própria para a divulgação do Espiritismo é a
exposição dos seus ensinamentos conforme se encontram na
Codificação, naturalmente apresentando contribuições convergentes,
contemporâneas, sem alardes nem sensacionalismos, porquanto, os mentores da
Humanidade prosseguem vigilantes, a fim de que nada venha a faltar, para que, em
breve, seja conhecido e vivenciado.
Portanto, é de igual e magna importância, viver-se o dia a dia existencial
fixado no programa elaborado pelo Consolador prometido,
demonstrando alegria de participar deste momento, com fidelidade ao amor e
à caridade, vivenciando uma conduta moral saudável, tornando-se carta viva do
Evangelho, a fim de que todos possam ver no seu comportamento o profundo e
desafiador contributo que proporciona felicidade e paz.
Desse modo, não há lugar no movimento espírita para pessoas-fenômeno,
para gurus de ocasião, para reveladores extravagantes, para
mensagens bombásticas, para informações apavorantes, a fim de atrair adeptos
temerosos do fim do mundo, do juízo final, dos umbrais, da necessidade de fazer
a caridade de modo a evitar sofrimentos e quejandos...
O Espiritismo ilumina a consciência, libertando os sentimentos das prisões
emocionais, das dependências de pensamento febril, facultando aos seus adeptos a
responsabilidade pelos próprios atos, sempre geradores de consequências
compatíveis com a sua constituição.
Doutrina da alegria, não é festeira, nem pode ser transformada em um oásis
de fantasias para diversão ou frivolidade.
É uma ciência grave e simples, que se destina a pessoas sérias, laboriosas,
que anelam por uma sociedade mais solidária e fraternal.
Todo o investimento de zelo e carinho, responsabilidade e amor na vivência
dos seus postulados, de que se encarrega o movimento organizado pelas criaturas
humanas, deve ser levado em conta, a fim de que o Espiritismo alcance a finalidade
para a qual foi enviado pelo Senhor, qual seja a verdadeira construção do reino de
Deus no coração.
Vianna de Carvalho – Momentos de Sublimação – Cap. 12 – Informações
Descabidas
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 5 de março de 2012,
em Miami Beach, Flórida, EUA.
108
3.2.9.3 Terrorismo de natureza Mediúnica
Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação
mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento
especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico.
Existe um atavismo no comportamento humano em torno do Deus
temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o
Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-
morais, que deve ser examinado com imparcialidade.
Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite
em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições que lhe
tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a
imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos.
Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo
vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus
postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da
ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas...
O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode
ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto,
sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os
ensinamentos.
Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando através
da Lei de Causa e Efeito quem somos, de onde viemos, para onde vamos, por que
sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas...
De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos
ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a
religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e
fácil formulação.
Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas,
sempre tecendo tragédias para os seres humanos ou outras quaisquer remanescentes
das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na
apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores.
109
De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas
pseudorrevelações atemorizantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás,
do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações demoníacas,
regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus
que vigem em toda parte.
Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que
se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de
purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto,
transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis
da mente e do comportamento.
O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do
conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito
da vida e de como comportar-se dignamente ante das situações dolorosas.
As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da
ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em
torno dos objetivos essenciais da existência carnal.
Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita,
a respeito das regiões celestes que o aguardam, desbordando em fantasias infantis,
não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções
miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de
diversos povos e às suas superstições.
No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos
mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a
libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam.
O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando
incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de
oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis
para o êxito em todos os cometimentos.
A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem
das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os
adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e
de fácil aplicação.
110
A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a
conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos
saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que
se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver.
Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo
faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira
harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios
injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina.
A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus é veículo de luz, de
seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de
felicidade todos aqueles que se lhe acercam.
Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros,
vulgares, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas
informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de
instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se
fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.
Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados
à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos,
nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as
histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações
sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e
conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...
O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de
revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando
mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a
legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu
aos Seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina.
Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz
existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade
do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.
111
Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como
instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os
adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno
terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo
máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes.
Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 – Terrorismo de
natureza Mediúnica
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de
dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita
Nacional, em Calpe, Espanha.
Pode haver conflito e guerra
A que o progresso se induz
Mas o futuro da Terra
Dependerá de Jesus.
Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap.15 – Citações do
Progresso
112
3.2.10 Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita
3.2.10.1 Nossos Pressentimentos
No jardim, na camaradagem do silêncio, Tammy pensava. Como eram
diferentes os dias de agora.
Diferentes porque seu amado não estava com ela. Rustom, com sua risada
franca, sua confiança ilimitada.
Rustom que era capaz de entrar em qualquer lugar e, em poucos minutos, se
pôr imediatamente à vontade, deixando as pessoas ao seu redor também à vontade.
Rustom, seu amado marido, que era capaz de fazer rir à sua nora, ao seu
filho.
As folhas das árvores farfalharam, trazendo mais lembranças para Tammy.
Ano anterior. Seu marido e o filho na piscina do hotel. Ambos com água
pelos joelhos, brincavam.
E Rustom gritou para a esposa e a nora:
Vocês sabem o que estamos fazendo? Estamos criando lembranças para o
futuro.
Uma coisa alegre para vocês recordarem, quando os velhos já não
estivermos por perto.
O filho puxara a cabeça do pai para perto de si, apertando-a contra o peito e
argumentara que, rijo como era seu pai, com certeza ele sobreviveria a todos eles.
Rustom respondera com um sorriso e versos do poeta Omar Khayyam:
Quando a hora chega, chega.
Move-se a mão que escreve e, tendo escrito, segue adiante.
Tammy agora pensava se o marido tivera uma intuição de que ia morrer.
E lembrava dos dias seguintes, de ternuras redobradas, atenções
multiplicadas, sorrisos explodindo a toda hora.
Seu marido estava lhe ofertando momentos de alegria para recordar depois,
quando a saudade vibrasse forte?
Fora um choque ter a notícia de que aquele coração generoso parara de bater.
Sístoles, diástoles, tudo cessara. A bomba cardíaca deixara de operar e logo
a morte enrijecia aquele corpo, cuja ausência ela sentia tanto.
Será, continuava a pensar Tammy, será que podemos saber o momento de
nossa morte?
113
* * *
Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da
Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformam em guias da
Humanidade.
São eles que assessoram os homens, zelando por eles, na qualidade de anjos
guardiães.
São essas almas excelsas que, conhecendo as ocorrências que, de forma
geral, estão delineadas para os seus pupilos vivenciarem, os inspiram ou guiam pela
senda mais apropriada.
Através dessa inspiração é que acontece o chamado pressentimento.
Também acontece que o próprio Espírito reencarnado recorda, de forma
espontânea, da programação que para si traçou, antes de reencarnar.
Dessa forma, pode ter, como intuição, a advertência de que seus dias na
Terra estão finalizando.
Por isso, idealiza passeios, diligencia providências que evitarão transtornos
para sua família, torna-se mais alegre ou mais introspectivo.
Em uma palavra, ele se vai despedindo da vida, deixando um rastro de
bondade, de alegria para que os seus amores tenham recordações positivas para
alimentar a imensa saudade dos dias da sua ausência.
* * *
Fiquemos atentos aos pressentimentos, analisando-os de forma clara e
tranqüila, quando ocorram.
Avaliemos qual a mensagem de advertência ou socorro de que se fazem
portadores.
Apuremos nossa sintonia com os Espíritos guias, a fim de que com maior
facilidade possamos registrar e direcionar de forma saudável e proveitosa os
pressentimentos.
Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Nossos
Pressentimentos – 09/09/2008
Redação do Momento Espírita com base no Cap. 1 do livro A doçura do
mundo, de Thrity Umrigar, ed. Nova Fronteira e do cap. 13 do livro Lições para a
felicidade, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira
Franco, ed. Leal. Em 09.09 .2008.
114
3.2.10.2 Inspirações Espirituais
Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio de Deus.
Muitas vezes esse auxílio nos é oferecido por intermédio dos nobres
Espíritos que se transformaram em guias da Humanidade.
Esses operosos servidores do bem estão sempre próximos de todos aqueles
que lhes rogam ajuda ou que, por meio da oração e dos pensamentos elevados,
sintonizam com suas presenças.
São conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas
existências de seus pupilos e dos desafios que os mesmos devem vivenciar.
Por isso, inspiram-nos e guiam-nos pelo caminho mais apropriado para o
sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam.
Através dessa inspiração é que ocorre o pressentimento.
Ele é uma maneira eficaz da criatura parar e reflexionar em torno do que
deve realizar e de como conduzir-se, contornando as dificuldades e avançando sem
receio pela trilha do progresso.
No entanto, caso o ser se deixe levar por atitudes equivocadas e rebeldes,
não será capaz de se manter em sintonia com os Espíritos superiores.
Em virtude das suas opções mentais e comportamentais, ele estará sob a
influência de Espíritos infelizes.
Esses, hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e de conteúdos
perturbadores, atormentam e iludem os imprevidentes.
E, quando as entidades venerandas buscam de alguma forma orientá-los,
esses, pela falta de hábito de assimilar-lhes as nobres ideias, recusam-nas, voltando
às mesmas paisagens mentais que os infelicitam.
Os pressentimentos, desse modo, devem ser analisados com cautela,
avaliando-se qual a sua origem e de que tipo de mensagem são portadores.
Afinal, podem ser valiosas orientações a afastar-nos do mal, ou maléficas
sugestões a impelir-nos ao equívoco.
Cabe-nos o uso do discernimento para avaliar com imparcialidade nossa
conduta usual e a natureza da influência que recebemos.
115
Há, ainda, a possibilidade de que os pressentimentos sejam ideias do próprio
ser, que voltam à tela mental na forma de intuição, mas que nada mais são do que
recordações de compromissos anteriormente assumidos.
Ressurgem do inconsciente pessoal como eficiente maneira de conduzir o
ser ao reequilíbrio e, assim, evitar novos tropeços.
Os pressentimentos são fenômenos que muito podem contribuir para a
felicidade das criaturas.
No entanto, quando negativos ou ameaçadores, devem nos servir de motivo
para que nos entreguemos à prece e a elevados pensamentos.
Alterando, assim, nossa faixa vibratória, seremos capazes de nos afastar de
influências funestas e infelizes e, por consequência, receber a orientação benfazeja
da Espiritualidade superior.
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, indagou, certa ocasião,
aos Espíritos superiores a respeito da influência dos Espíritos nos pensamentos e
nos atos dos seres encarnados.
Foi-lhe respondido que essa influência é muito maior do que se poderia
imaginar.
Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem – consta na
resposta à questão número 459 de O livro dos Espíritos.
Ora, cientes de que tal influência é usual e intensa, cabe-nos aprender a
distinguir nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos.
Além disso, devemos ter em mente que os bons Espíritos sempre nos
aconselham para o bem.
Os Espíritos infelizes, porém, são incapazes disso.
Resta-nos, portanto, usar o bom senso para fazermos tal diferenciação e nos
valermos apenas das orientações que nos possam levar ao caminho do bem e da
verdade.
Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Inspirações
Espirituais – 18/11/2013
Redação do Momento Espírita, com base no cap.13, do livro Lições para a
felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira
Franco, ed. LEAL e no cap. IX, pt. 2, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed.
FEB. Em 18.11.2013
116
3.2.10.3 Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a construir
O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo
fácil.[1] Allan Kardec
Sem as abençoadas luzes da Doutrina Espírita, jamais chegaríamos a
compreender os mecanismos e leis que regem a vida em ambos os planos: carnal e
espiritual.
É de estarrecer o número de criaturas indiferentes e totalmente entregues ao
jogo dos sentidos grosseiros, sem se darem conta do verdadeiro sentido da vida,
alheias, alienadas, sem a menor preocupação em conhecer de onde vieram, porque
estão aqui e para onde vão…
Tal estado de obnubilamento mental parece tomar conta tanto dos
encarnados quanto dos desencarnados, muitos desses últimos até mesmo
desconhecendo a própria situação de desencarnados em que se encontram.
Somente quando a Doutrina Espírita vicejar soberana, nas mentes e corações
humanos como proposta de Vida Abundante, é que haverá esperança de reverter
esse generalizado quadro de alienação e indiferença, e somente nesse novo tempo
é que, finalmente, os habitantes dos dois planos da vida vão compreender que cada
existência faz parte de um bem traçado esquema nas Altas Esferas e que não se vive
ao influxo e sabor de acontecimentos circunstanciais.
O índice cada vez mais crescente de suicídios no mundo, mormente nas
faixas etárias mais tenras, é o resultado da desorientação geral a que se votam as
criaturas. Isso sem falar nos derivativos que levam aos vales fatais da toxicomania,
do alcoolismo, do tabagismo, onde viciados de todos os matizes sofrem sob o
guante de tormentosa dependência orgânica.
Entretanto, os dias sucedem-se ensejando todas as oportunidades possíveis
de ascensão, embora a maioria das criaturas as percam quase todas.
À semelhança do cão da fábula, mergulham no rio da ilusão em busca da
sombra quando foram todas criadas para as glórias das luzes estelares.
117
A Terra, porém, não é um barco à matroca: Jesus está no leme e atento!
Os Espíritos do Senhor desdobram-se em providências mil no sentido de
reverter o caos reinante, fazendo nascer o bem do próprio mal, vez que é preciso
que o mal chegue ao excesso para tornar compreensível a necessidade do bem e das
reformas radicais.
É de vital importância, portanto, localizar nossa exata posição no contexto
evolutivo. Para isso, devemos fazer um estudo aprofundado e isento de nossas
tendências, a fim de identificar as raízes do mal que ainda existem em nós e dar-
lhes ferrenho combate.
Não é outra coisa que aconselhava Sócrates há dois milênios e meio ao dar
ampla divulgação à célebre frase que ele viu grafada no Templo de Delfos na
Grécia: Conhece-te a ti mesmo.
Em aditamento à questão 917 de O livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda
o assunto com muita propriedade indicando tanto o mal como a sua profilaxia e
meios de cura: tudo se resume no egoísmo, que ele chama de verme roedor, chaga
social: é um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é
mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo como se combate uma
enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos:
ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família
aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, (…)
desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se
apresentará por si mesmo.
(…) A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do
progresso moral. Não estamos nos referindo à educação que instrui, mas sim à que
faz homens de bem.
É razoável e compreensível que a Humanidade queira ser feliz; mas a
felicidade é incompatível com o egoísmo.
O egoísmo é a fonte de todos os males enquanto que a Caridade o é de todas
as virtudes. Para assegurar, pois, a felicidade no porvir, há que se desenvolver a
caridade e combater o egoísmo por todos os meios.
118
Eis uma interessante, esclarecedora e singular confissão de Voltaire[2]: (…)
quando encarnado, havia em minhas opiniões um sentimento mesclado de
amargura e sátira. Meu Espírito estava dilacerado por uma luta interior. Olhava a
humanidade como se me fosse inferior em inteligência e em penetração; nela via
apenas bonecos que podiam ser conduzidos por qualquer homem dotado de
vontade forte. (…) No homem eu via apenas o animal e não Deus. (…)
Se em mim a parte espiritual se houvesse desenvolvido tão bem quanto a
material, teria podido raciocinar com maior discernimento. Confundindo-as, perdi
de vista essa Imortalidade da alma, que procurava e apenas queria encontrar. (…)
(…) O que eu lamento é ter vivido tanto sobre a Terra sem saber o que teria
podido ser e o que teria podido fazer. O que não teria feito se tivesse sido
abençoado por essas luzes do Espiritismo, que se derramam hoje sobre os Espíritos
dos homens!
Descrente e vacilante, entrei no mundo espiritual. Minha só presença era
bastante para espantar qualquer clarão que tivesse podido iluminar aminha alma
obscurecida; era a parte material do meu ser que tinha desenvolvido na Terra;
quanto à parte espiritual, está se tinha perdido em meio aos meus transviamentos,
em busca da luz: encontrava-se como que presa numa gaiola de ferro.
Altivo e zombeteiro, aí comecei, nem conhecendo, nem procurando
conhecer esse futuro que tanto havia combatido quando no corpo.
Façamos, entretanto, uma confissão: sempre encontrei em minha alma uma
pequena voz que me fazia ouvir através dos grilhões materiais e que pedia luz.
Era uma luta incessante entre o desejo de saber e uma obstinação em não
saber. Assim, pois, minha entrada estava longe de ser agradável.
Não acabava eu de descobrir a falsidade e o nada das opiniões que havia
sustentado com todas as forças de minhas faculdades?
Depois de tudo, o homem se achava imortal, e eu não podia deixar de ver
que, igualmente, deveria existir um Deus, um Espírito Imortal, que estava à frente
e que governava esse espaço ilimitado que me circundava. (…)
119
(…) A princípio fui conduzido longe das habitações dos Espíritos, e percorri
o espaço imenso. A seguir, foi-me permitido lançar o olhar sobre as construções
maravilhosas, habitadas pelos Espíritos, e, com efeito, pareceram-me
surpreendentes.
Fui arrastado aqui e ali por uma força irresistível. Era obrigado a ver, e
ver até que a minha alma ficasse deslumbrada pelos esplendores e esmagada ante
o poder que controlava tais maravilhas. (…)
(…) Não me restava mais nenhuma ilusão sobre a minha importância
pessoal, porque sentia imensamente a minha pequenez neste grande mundo dos
Espíritos. Eu tinha, enfim, caído de tal modo no cansaço e na humilhação, que me
foi permitido reunir-me a alguns habitantes.
Foi então que pude contemplar a posição em que havia criado na Terra, e
a que disso resultava no mundo espírita. (Causa e Efeito)
Uma revolução completa, uma transformação de ponta a ponta ocorreu no
meu organismo espírita e, de mestre que eu era, tornei-me o mais ardente dos
discípulos.
Com a expansão intelectual que em mim encontrava, que progresso não fiz!
Minha alma se sentia iluminada pelo Amor Divino; suas aspirações à Imortalidade,
de comprimidas que eram, tomaram uma expansão gigantesca.
Eu via quão grandes tinham sido meus erros e quão enorme devia ser a
reparação a fim de expiar tudo quanto tinha feito ou dito e que tivesse podido
seduzir ou enganar a humanidade. (…)
Em resumo, vivi bastante para reconhecer na minha existência terrena uma
guerra encarniçada entre o mundo e a minha natureza espiritual.
Sem maiores comentários a acrescentar a essa notável comunicação de
Voltaire, na qual ressalta toda a superioridade do gênio, cuja profundeza e alcance
todos apreciarão, concluímos que é possível que jamais tenha sido dado um quadro
tão grandioso, eloquente e impressionante do mundo espiritual e da influência das
ideias terrenas sobre as ideias do Mundo Maior.
Sem dúvida somos os artífices do próprio destino, e não podia ser de outra
forma, tal a beleza e a grandeza da Justiça Divina que zela pela harmonia do
Universo e que faz com que seja dado a cada um de acordo com as suas obras, como
muito bem o disse nosso Mestre Jesus.
120
Referências:
1- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 125. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 2006. cap. I, item 5.
2- __________. Revue Spirite setembro de 1859, São Paulo: EDICEL,
1964. p. 218-220.
Rogério Coelho – Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo
Espírita – 2018 – Setembro – Um passado a resgatar, um presente a viver e um
futuro a construir
121
3.2.11 Cornélio Pires
3.2.11.1 Previsões
As previsões nunca faltam
Com suportes de alarido,
Todos, porém, navegamos
No mar do desconhecido.
Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões
122
3.3 Pressentimentos e Premonições – Objetivos
3.3.1 Coragem e Resignação
Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que
lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados,
sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana
e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência.
Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências
dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam-
nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos
iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os
objetivos salutares.
Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o
denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e
reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não
soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso.
(..)
Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por
pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando-
se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las.
Quando se trata de desafios pelo sofrimento, mais fáceis esses se
apresentam, em razão da disposição de superá-los, prosseguindo no rumo da
felicidade.
Quando se expressam beneficiosos, favorecem melhor capacidade para a
sua instalação no mundo Íntimo, retirando-se os resultados superiores da futura
ocorrência.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
123
3.3.2 Força de Transformação
Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por
pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando-
se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
124
3.3.3 Advertência e Incentivo ao Objetivo
É uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que
deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no avançando sem receio
pela trilha do progresso.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
125
3.3.4 Exemplos
A seguir o leitor encontrará pequena série de advertências dessa natureza,
concedida a nós e a pessoas do nosso conhecimento, e que não será destituída de
interesse para os estudos transcendentais.
Certamente que nos seria possível organizar um volume com o noticiário
completo que a respeito nos tem vindo às mãos, além daqueles fatos ocorridos
conosco. Julgamos, porém, que para o testemunho que a Doutrina Espírita de nós
exige, para mais essa face da verdade que tivemos a felicidade de poder comprovar,
serão suficientes os que aqui registramos.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
3.3.4.1.1 A Morte de Mussolini
— “Eu era, como ainda sou, médium de premonições. Qualquer
acontecimento grave, feliz ou desditoso, que me diga respeito ou à família e, menos
frequentemente, em que se refira a amigos e à coletividade, é-me descrito em
sonhos através de quadros encenados ou parábolas, muito antes que aconteça,
exatamente como o processo pelo qual obtenho os livros românticos, mediúnicos.
No ano de 1940, por exemplo, quando Benito Mussolini, poderoso primeiro
ministro do Rei da Itália, se encontrava no auge do poder, durante um sonho (transe
onírico, ou mediunidade pelo sonho, a que a Bíblia tanto se refere) foi-me revelado
o seu trágico desaparecimento, tal como se verificou, até mesmo o seu cadáver
profanado, suspenso de um poste, e os seus pobres olhos esbugalhados de horror,
fora das órbitas, como mais tarde os clichês da imprensa e os filmes
cinematográficos reproduziram, ao relatarem os acontecimentos de Milão, em
1945.
No dia seguinte a esse sonho, referi o fato às pessoas da família como se
tratando de uma previsão, mas não fui acreditada, pois não havia, efetivamente,
nenhuma razão para eu ser informada, espiritualmente, do futuro que esperava o
poderoso «Duce», como era chamada aquela personagem. Ao demais, como
poderia ele decair tanto do seu prestígio de verdadeiro César?
Os anos se passaram, porém, e, ao findar a segunda guerra mundial, os fatos
se realizaram como eu a eles assistira em sonho, mesmo nos seus detalhes.
126
Mas porque tal aviso a mim? Teria eu, porventura, assistido a alguma aula
do curso de «Causa e Efeito», no Espaço, e retido aqueles acontecimentos na
lembrança? Ou que estranha corrente me levara à percepção de acontecimentos
implicando essa personagem? Seria uma profecia? Mas com que finalidade se eu,
absolutamente, não a levaria à publicidade? Seria porventura a existência de
correntes favoráveis ao fato, que me animavam os pensamentos, visto que,
meditando frequentemente naquela figura de estadista, nela eu supunha entrever a
reencarnação de certo Imperador Romano, cujas características muito se
coadunavam com as do altivo «Duce»?
São indagações para as quais não encontro solução...
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
127
3.3.4.1.2 A Morte de Minha Mãe
Pelo mês de Janeiro de 1939, e residindo eu então em Minas Gerais, entrei
a sonhar frequentemente com um cortejo fúnebre muito concorrido e com todas as
características da realidade. A frente do mesmo seguia um homem carregando linda
coroa de flores naturais. Eu acompanhava o féretro logo após o esquife mortuário,
banhada em lágrimas e sentindo o coração se me despedaçar de angústia, mas
ignorando a identidade do morto.
Durante cerca de seis meses a mesma visão prosseguiu, em sonhos,
sistematicamente, incomodativa, irritante.
Também durante os desdobramentos em corpo astral eu via o mesmo
féretro, acompanhava-o e chorava angustiosamente. Charles aparecia então e me
falava, de certas palavras consoladoras, mas das quais jamais recordava ao
despertar. Uma noite, no entanto, ao acompanhar o cortejo, que persistia nos
sonhos, vi que os acompanhantes pararam. Trouxeram uma banqueta e o caixão
mortuário foi descansado sobre ela. Reconheci o local da cena: certa rua da cidade
de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, à margem da linha férrea da Central
do Brasil, a qual se encaminha para o cemitério local, e onde residia minha mãe.
Aproximei-me do esquife, como que movida por irresistível automatismo.
Suspenderam a tampa do caixão sem que eu percebesse quem o fizera, e vi
um cadáver coberto de flores. Retirei o lenço que velava o rosto do morto e então
reconheci minha mãe.
Com efeito, pelo mês de setembro daquele mesmo ano minha mãe adoeceu
gravemente. A 1 de Outubro, pela manhã, eu procurava repousar algumas horas,
depois de uma noite insone velando a querida doente.
Adormeci levemente e logo um sonho muito lúcido mostrou-me meu pai,
falecido quatro anos antes, aproximando-se de meu leito para dizer com satisfação
e vivacidade:
— Esperamos sua mãe aqui no dia 17... Faremos uma recepção a ela, que
bem a merece... Está tudo bem...
A 18 de Outubro ela expirava sob nossas preces resignadas, porque durante
todo o dia 17 apenas vivera da vida orgânica, sob a ação de óleo canforado.
128
E os detalhes entrevistos durante a série de sonhos, com que eu fora
informada dos acontecimentos a se realizarem, lá estavam: O cadáver de minha mãe
foi rodeado de lindas flores, oferecidas por suas amigas, e o cortejo idêntico ao dos
sonhos, mesmo com o homem à frente carregando linda coroa de flores naturais,
como de uso na localidade pela época, e o trânsito, a pé, pela mesma rua, a caminho
do cemitério.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
129
3.3.4.1.3 A Morte de meu Pai
Assim foi que, um mês antes da morte de meu pai, ocorrida em Janeiro de
1935, eu me vi, durante um sonho, ao lado do mesmo excelente mentor espiritual e
diante de uma tela que se diria cinematográfica.
Meu pai adoecera havia já um ano, mas, por aquela ocasião, melhorara
consideravelmente e ninguém esperava o seu desenlace tão cedo.
Eu me sentava diante da referida tela, junto de meu pai, enquanto Bezerra
de Menezes, em plano mais elevado, se mantinha de pé, apontando para a tela,
criando-a, certamente, com um pequeno bastão de alabastro.
E disse:
— Verás agora o que sucederá a teu pai dentro de bem poucos dias...
Esses fatos são naturais na vida de um Espírito e não devemos lamentá-los...
Apresentou-se então, na tela, um prédio, tipo de pequena mansão antiga, que
possuía a sua beleza clássica, mas em ruínas. A cada momento o prédio oscilava
ameaçando desmoronar. As paredes se mostravam fendidas, os vidros das janelas
quebrados, a pintura enegrecida, enquanto ratos iam e vinham por dentro e fora da
casa, vorazes, roendo as paredes e o madeiramento e tudo perfurando.
Subitamente o prédio desmoronou com estrondo.
Ouvi o ruído das paredes desabando até aos alicerces, vi a poeira levantar-
se e o montão de escombros jazendo por terra.
Mas em seu lugar outro prédio ficara, o mesmo tipo de mansão, grandioso e
belo, de linhas clássicas, porém, novo, leve, gracioso, como construído em doces
neblinas cintilantes.
Compreendi o significado da cena e pus-me a chorar. Mas o meu próprio
pai, que se achava presente, em espírito, abraçou-me carinhosamente, ao mesmo
tempo que exclamava, sorridente:
— Então, que é isso, minha filha? Pois não és espírita? Porque choras?..
Um mês depois meu pai morria repentinamente, vitimado por um edema
pulmonar agudo, que se rompera, sufocando-o no sangue. E eu, com efeito, muito
sofri e chorei depois da sua morte, pois, dentre todos os filhos, eu, justamente, fui
a que mais padeceu com a sua ausência.
130
Por sua vez, ele próprio, meu pai, ao adoecer, um ano antes, fora avisado de
que dentro de um ano seria chamado à pátria espiritual e que, por isso mesmo, se
preparasse para o inevitável evento.
Atendendo, organizou papéis de família, pondo tudo em ordem e assim
evitando preocupações da mesma após o seu decesso. O aviso, porém, viera através
da vidência em vigília, durante a hemorragia nasal que tivera a duração de dezessete
horas e que marcara o início da sua enfermidade. Tratava-se, portanto, de
manifestação espírita, com o aviso premonitório. E os amigos espirituais que então
o visitaram foram sua mãe e Charles, a quem ele chamava «Dr. Carlos».
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
131
3.3.4.1.4 A Morte de meu Irmão
— Meu irmão Paulo Aníbal, funcionário da Cia. Siderúrgica Nacional, na
cidade de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, adoecera gravemente em
Dezembro de 1964. Tratava-se de antigo caso de nefrite que se agravara, tomando-
o hipertenso com frequentes ameaças de edemas pulmonares e dispneias muito
dolorosas.
Em Maio de 1965, seu estado se agravara de tal forma que tememos o
desenlace imediato. Era ele o irmão caçula dentre uma prole de sete, o mais amado
pelos seis irmãos que o viram nascer, e nossa tristeza se acentuava a cada dia que
se passava, pois, conquanto a Doutrina Espírita seja consoladora, tornando o adepto
compreensivo aos ditames das leis naturais, resignado ante as provações de cada
dia, a morte na Terra ainda constitui provação para aqueles que vêem partir seus
entes amados para o outro plano da vida, e nenhum de nós ficará, certamente,
indiferente ante a perspectiva do inevitável fato.
Eu acompanhava o querido enfermo na sua permanência num leito de
hospital, onde se viu retido durante treze meses, e a 25 do mês de Maio, pela
madrugada, um tanto fatigada pelas inquietações da noite, insone, reclinei-me junto
ao leito do enfermo e ligeira sonolência sobreveio, verificando-se o estado de
semitranse, tão próprio ao bom intercâmbio com o Invisível. vi então que minha
mãe, falecida havia vinte e seis anos, se aproximava de nós, olhava atentamente o
doente e depois se voltava para mim, dizendo com naturalidade:
— Fica descansada e pode repousar. Ele só morrerá em Janeiro de 1966.
E meu irmão Paulo Aníbal, com efeito, veio a falecer a 18 de Janeiro de
1966.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
132
Muitos outros exemplos poderíamos citar. Esse cabedal copioso, que todas
as criaturas colhem do círculo das próprias relações de amizade ou da observação,
poderia resultar em um ou mais volumes interessantes, para deleite dos estudiosos
dos fatos supranormais.
Mas os que aqui foram colecionados, apesar de não oferecerem novidades,
pois esses fatos são comuns, bastam para lembrar a todos nós que, acima de tudo,
eles nos oferecem grandes demonstrações da verdade eterna, que não convém
desprezarmos, manifestações do mundo espiritual, o qual se entrechoca e se
relaciona conosco, tomando parte em todos os sucessos de nossa vida.
Provam, ao demais, a existência da alma além da morte, suas complexas
possibilidades, sua individualidade marcante após o desprendimento dos liames
carnais, os direitos que lhe são concedidos, pela lei da Criação, de se entender com
os homens, com estes mantendo relações afetivas ou protetoras; seu humanitário
interesse pelos mesmos, os novos poderes por ela adquiridos depois da morte; o
amparo que nos dispensam aqueles caridosos seres que, com seus avisos às vésperas
das nossas provações ou dos grandes acontecimentos que nos surpreendem, nos
preparam para os embates inevitáveis da existência, prontos a suavizarem quanto
possível as dores dos nossos testemunhos.
E de tudo também ressalta que uma Doutrina assim completa, como o é o
Espiritismo, assim perfeita, que se rodeia de beleza nos mínimos detalhes
examinados, realmente merece do nosso coração muita renúncia e devoção para que
seja bem estudada, compreendida e praticada, pois o certo é que não será licito a
nenhum de nós encarar com indiferença o alto padrão dessa Ciência Celeste que em
hora feliz adotamos para, sob suas diretrizes, atingirmos a finalidade gloriosa a que
a Criação Suprema nos destina.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
133
3.4 Pressentimentos e Premonições – Condições para ocorrer
3.4.1 Mérito
Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica
certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um
amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior
que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente
é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como
de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos
premonitórios».
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
134
3.4.2 Desenvolvimento Psíquico
Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu
psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão
aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
135
3.4.3 Misericórdia Divina
Misericórdia divina, essa percepção, a fim de premunir o homem com
os recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode
mudar; favorecendo com forças, a fim de modificar as ocorrências que podem e
devem ser alteradas; auxiliando com expectativas felizes, a fim de oferecer júbilos
nos momentos dos sucessos futuros.
Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
136
3.5 Pressentimentos e Premonições – Meios para ocorrer
3.5.1 Um Sonho
De outro modo, seguindo a corrente espiritual das ações de uma pessoa
encarnada, por deduções um amigo da espiritualidade se cientificará de um
acontecimento que mais tarde se efetivará com precisão.
Ele poderá comunicar o acontecimento ao seu amigo terreno e o fará de
modo sutil, em sonho ou pressentimento.
(...)
Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica
certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um
amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior
que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente
é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como
de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos
premonitórios».
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
137
3.5.2 Uma Intuição
Antes de suceder o fato, ondas vibratórias atingem aqueles que serão seus
protagonistas.
Irradiações dos sucessos em desdobramentos sempre alcançam os que são
móveis ou partícipes dos mesmos.
As ondas mentais disparadas na direção das pessoas, atingem-nas, não
poucas vezes.
As faixas vibratórias, nas quais o psiquismo se demora, emitem as
informações de que se carregam, sendo captadas por outras mentes.
Todos esses tipos de registro podem ser tomados na conta de
pressentimentos. Todavia, o pressentimento diferencia-se de premonição como da
telepatia. Mais se liga à profecia, caracterizando-se por uma certa ascensão afetiva
ou sentimental.
Nebulosos ou nítidos, os pressentimentos anunciam ocorrências que
sucederão, estabelecendo um intercâmbio entre a fonte geradora e a mente
receptiva.
Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
O indivíduo que sofrerá esta ou aquela provação ou o que terá de apresentar
testemunhos de valor moral pela expiação, jamais o ignora no seu estado espiritual
de semiliberdade através do sono ou do transe mediúnico (pode-se cair em transe
mediúnico sem ser espírita, mormente quando se dorme), visto que consentiu em
experimentar todas essas lições reparadoras.
Mas, se não conserva intuições a tal respeito no estado normal humano,
almas amigas e piedosas poderão relembrá-las em sonhos ilustrados, assim
preparando-o e auxiliando-o a adquirir forças e serenidade para o embate supremo.
Casos há em que o aviso virá por outrem ligado ao paciente, mais acessível
às infiltrações espirituais premonitórias.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
138
3.5.3 Via Recordações do próprio Espírito
Ressumam espontaneamente do inconsciente pessoal muitas recordações,
que defluem da programação a que o Espírito está vinculado e que assumiu antes
da reencarnação, como eficiente maneira de conduzir-se com equilíbrio, e vejam
que tombaram anteriormente.
Alguns desses pressentimentos, que são efeitos de ações já realizadas,
informam sobre necessidades que deverão ser experimentadas e compromissos que
foram firmados antes do renascimento, que se encontram adormecidos e agora
ressurgem com o propósito de alertamente, porque, de alguma forma, encontram-
se estabelecidos para novamente acontecerem, auxiliando o equivocado na própria
reeducação. São, portanto, do próprio Espírito reencarnado, algumas ideias que
volvem à tela mental como intuição de advertência, proporcionando recordação
espontânea do passado, que se torna bênção enriquecedora.
Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu
psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão
aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
De outras vezes, é o próprio indivíduo que, recordando os acontecimentos
que lhe serviriam de testemunhos reparadores, perante a lei da criação, delineados
no mundo Espiritual às vésperas da reencarnação, os vê tais como acontecerão,
assim os casos de morte, sua própria ou de pessoas da família, desastres, dores
morais, etc., etc.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
139
3.5.4 Através da captação Mental do fato
Pode acontecer que, num caso de traição de amor, por exemplo, provação
que tanto fere os corações sensíveis e dedicados, e nos casos de deslealdade de um
amigo, etc., o paciente, durante o sono, penetre a aura do outro, por quem se
interessa, e aí descubra as suas intenções, lendo-lhe os pensamentos e os atos já
realizados mentalmente, como num livro aberto ilustrado, tal a linguagem
espiritual, e então verá o que o outro pretende concretizar em seu desfavor, como
se fora a realização de um sonho, pois tudo foi habilmente gravado em sua
consciência e as imagens fotografadas em seu cérebro, permitindo a lembrança ao
despertar, não obstante empalidecidas. Futuramente o fato será realizado
objetivamente e aí está o aviso...
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
140
3.5.5 Por meio de Projeção Mediúnica
(...) a técnica usada pelos instrutores espirituais, a fim de me profetizarem
as lutas e os sofrimentos por que deveria passar, foi semelhante às das demais
premonições.
(...) esse sonho, lúcido por excelência, mostrava cenários tão reais e cenas
tão vivas que eu afirmaria que tudo era sólido.
(..) eu me vi diante de uma grande ponte em ruínas, que eu deveria
atravessar para galgar a margem oposta. Em baixo rolava em turbilhões um rio
tenebroso, de águas encachoeiradas e revoltas, rugindo e sacudindo a ponte a cada
novo embate das águas convulsionadas, que pareciam ocasionadas por uma grande
enchente.
(...) ao meu lado percebi uma entidade elevada, que dizia : será necessário
que atravesses... é o único recurso que tens... Serás auxiliada...
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
141
3.5.6 Através da Análise e Estudo da lei de causa e Efeito
O estudo da lei de causa e efeito é matemática, infalível; concreta, para a
observação das entidades espirituais de ordem elevada, e, assim sendo, ele se
comunicará com o seu pupilo terreno através da intuição, do pressentimento, da
premonição, do sonho, etc.
O estudo da matemática de causa e efeito é mesmo indispensável, como que
obrigatório, às entidades prepostas à carreira transcendente de guardiães, ou guias
espirituais.
Estudo profundo, científico, que se ampliará até prever o futuro remoto da
própria Humanidade e dos acontecimentos a se realizarem no globo terráqueo,
como hecatombes físicas ou morais, guerras, fatos célebres, etc., daí então advindo
a possibilidade das profecias quando o sensitivo, altamente dotado de poderes
supra-normais, comportar o peso da transmissão fiel aos seus contemporâneos. Ë
um dos estudos, portanto, que requerem um curso completo de especialização.
Outrossim, acresce a importante circunstância de que todos esses
acontecimentos de um modo geral se prendem ao lastro da evolução do planeta
como do indivíduo, e o sábio instrutor deste, como os auxiliares do governo do
planeta, estão aptos a perceber o que sucederá daqui a um ano, um século ou um
milênio, pelo estudo e deduções científicas sobre o programa da evolução da
Criação, pois o tempo é inexistente nas esferas da espiritualidade e a entidade sábia
facilmente deduzirá, e com certeza matemática, os sucessos em geral, subordinados
ao trabalho da evolução, como se se tratasse do momento presente.
Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
142
3.5.7 Exemplos
3.5.7.1 1865 – O Sonho Profético de Lincoln
Sobre o sonho há muitas teorias em circulação e muitas mais já recusadas,
em vista das fantasias que as caracterizavam.
Freud colocava o sonho como realização de um desejo, quase sempre
recalcado para os porões do inconsciente.
O simbolismo e a confusa linguagem do sonho não seriam mais que
artifícios do inconsciente para burlar a vigilância da censura.
Essa teoria não explica, no entanto, o sonho profético, isto é, aquele que
antecipa, às vezes nos seus mínimos pormenores, acontecimento futuros.
Há uma coletânea variada de sonhos premonitórios na literatura que estuda
os fenômenos psíquicos e mesmo na psicologia clássica.
Para nós, espíritas, o sonho se apresenta sob dois aspectos distintos, ainda
que, por vezes, dificilmente identificáveis isoladamente: um grupo de sonhos se
prende à atividade e aos problemas do corpo físico. A pessoa que adormece com
sede, por exemplo, sonha estar bebendo água. Nisso, é realmente a satisfação de um
desejo.
O outro grupo de sonhos diz respeito à atividade espiritual.
O sono fisiológico proporciona certa liberdade ao Espírito que, desprendido
do corpo material, vaga pelo mundo que lhe é próprio, seu hábitat natural.
Ali vive ele a parte oculta – porque inconsciente – da sua existência.
Ali, encontra-se com outros Espíritos, conversa, aprende, ensina, trabalha,
sofre e ama.
Algumas imagens dessa atividade são transmitidas ao cérebro físico sob
forma de sonho.
Situado, porém, numa dimensão que o coloca acima dos conceitos humanos
de espaço e tempo, o Espírito baralha a transmissão dessas imagens, no esforço de
traduzir em linguagem humana – sons e imagens – aquilo que não é som nem
imagem, apenas uma sequência de sensações.
143
Nessa posição especial, fora do tempo, não é difícil admitir que o Espírito
possa ter, às vezes, a visão de um acontecimento que na dimensão humana é ainda
futuro. (O leitor interessado nessas especulações deverá procurar o notável livro
[não espírita] An Experiment with Time, de J. W Dunne que apresenta uma
engenhosa teoria matemática para o problema tempo-espaço).
Um exemplo bem conhecido e bem documentado de sonho premonitório
ocorreu com o grande Presidente Lincoln.
Consta de todas as suas melhores biografias.
Tomemos, porém, a de Carl Sandburg (Abraham Lincoln – The Wár Years
– 3° v.).
Na segunda semana de abril de 1865 – escreve Sandburg – Lincoln contou
à sua esposa Mary Todd Lincoln e ao seu amigo Ward Lamon o seguinte: há cerca
de dez dias, fora dormir muito tarde e cansado, pois estivera esperando notícias
importantes do front. Não fazia muito tempo que se deitara, quando adormeceu
profundamente. Começou logo a sonhar.
Parecia haver, um silêncio mortal em torno dele.
De repente, ouviu soluços abafados, como se muita gente estivesse
chorando. No seu sonho, ele deixou a cama e vagou pelos aposentos do andar térreo
da Casa Branca. Os soluços continuavam, mas ele não via ninguém, à medida que
passava de sala em sala.
Os aposentos estavam bem iluminados, os objetos lhe eram familiares, mas
onde estava aquela gente que chorava? Que significava aquilo tudo?
Decidido a desvendar o mistério, Lincoln, sempre em sonho, continuou
caminhando até chegar ao “East Room''.
Lá encontrou uma perturbadora surpresa: diante dele havia um caixão, onde
repousava um cadáver. Havia uma guarda de honra e uma verdadeira multidão
chorava em torno. – Quem morreu? – perguntou Lincoln a um dos soldados.
- Foi o Presidente – respondeu. – Foi morto por um assassino.
Como sabe o leitor, Lincoln foi assassinado por John Wikes Booth, no Farel
Theatre, em Washington, na noite de 14 de abril de 1865.
Lincoln, morreu na manhã seguinte.
Hermínio de Miranda – Estudos e Crônicas – Cap. 4.6 – O Sonho Profético de
Lincoln / Revista Reformador – 1968 – Maio
144
3.5.7.2 1914 – 1º Guerra Mundial
Em 19 de junho de 1914, pela manhã na Hungria, o bispo geral dos
jesuítas, Monsenhor Lanyi, sonha que vê uma carta tarja preta em sua mesa.
Ele abre e começa a ver um cenário estranho à sua frente: viu o
Arquiduque Fernando numa rua dentro de um automóvel, cercado por uma
multidão.
No centro da confusão, o bispo vê dois rapazes, que tinham atirado no
casal imperial.
Em seguida, o monsenhor leu o texto da carta que dizia: "Vossa
Eminência, anuncio-vos que acabo de ser vítima de um crime político com a
minha esposa em Sarajevo.
Recomendamo-nos às vossas orações”.
Sarajevo, 19 de junho de 1914, às 4 horas da manhã.
O bispo acordou tremendo.
O relógio dele marcou 4:30 horas.
Ele anotou o sonho, procurando reproduzir a forma das letras que liga
no cartão.
E ele ficou pensando no dito sonho.
Às 6 horas, seu servo chegou, encontrando-o sentado à mesa, ainda
triturando seu terço.
Ele então disse ao servo: "Chame minha mãe e meu convidado para
anunciar-lhes um sonho sombrio que tive''.
Alguns dias depois, esta premonição de Monsenhor Lanyi foi totalmente
confirmada. O crime de Sarajevo foi o início da eclosão da Grande Guerra de
1914, com 12 milhões de mortos, 20 milhões de feridos, 1O milhões mutilados,
cidades destruídas e um caos econômico.
Carlos Imbassahy – Espiritismo a Luz dos Fatos – Cap. Dos Fenômenos
Subjetivos – As Previsões
145
3.5.7.3 1938 – Choque de Trens – Minas Gerais
Na noite de 19 de dezembro de 1938, viajava um trem noturno, vindo de
Belo Horizonte para o Rio, e entre as estações de Sítio (Antônio Carlos) e a de João
Ayres, um cargueiro, que vinha no sentido Rio-BH, chocou-se frontalmente com o
noturno.
O noturno (N-2) que descia da Capital mineira para o Rio chocara-se com
um cargueiro (C-65) que subia a Mantiqueira. O desastre verificara-se no
quilômetro 355, entre as Estações de João Aires e Sítio.
Naquela data, 19 de dezembro de 1938, o "Diário Mercantil" estampava em
suas páginas uma grande manchete: "O maior desastre ferroviário no Brasil, nos
últimos tempos", noticiando, logo depois, que 53 pessoas haviam morrido,
enquanto que 60 estavam gravemente feridas, a maior parte internada em hospitais
de Barbacena.
(...) E a Irmã de caridade? Já localizaram o corpo?
O cambista continua a explicar, agora com voz a tremer: Durante muitas
horas eu e outras pessoas tentamos localiza-la. Não a encontramos.
Comentei o fato com os passageiros que estavam no mesmo carro. Todos
eles afirmaram com absoluta certeza: Não havia nenhuma irmã de caridade no
vagão! . . .
Kleber Halfeld – Revista Reformador – 1987 – Abril – Retalhos do Cotidiano
146
3.6 Pressentimentos e Premonições – Síntese
3.6.1 Uma Benção
Misericórdia divina, essa percepção, a fim de abastecer o homem com os
recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode
mudar.
Joanna de Ângelis – Oferenda – Cap.55 – Pressentimentos
Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da
Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em Guias da
Humanidade.
São eles que executam a programação estabelecida, emulando aqueles que
se encontram incursos no processo de crescimento a alcançarem a meta para a qual
se reencarnaram.
Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que
lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados,
sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana
e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência.
Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências
dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam-
nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos
iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os
objetivos salutares.
Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o
denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e
reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não
soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso.
Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
147
Agradecei a Deus as advertências que vos são concedidas às vésperas das
provações.
Elas indicam que não sofrereis sozinhos, que amigos desvelados
permanecem ao vosso lado, dispostos a enxugar as vossas lágrimas com os
bálsamos do santo Amor espiritual inspirado pelo amor de Deus.
Bezerra de Meneses – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
148
4 As Profecias – Os Tempos são chegados
4.1 O Sermão Profético – Jesus
(...) O Sermão Profético
1. Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que
pedras, que construções!
2. Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra
sobre pedra, que não seja derribada.
3. No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado,
quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
4. Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas
elas estiverem para cumprir-se.
5. Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane.
6. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos.
7. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos
assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
8. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá
terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio
das dores.
9. Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às
sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de
governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho.
10. Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
11. Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que
haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai;
porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.
12. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá
que se levantarão contra os progenitores e os matarão.
13. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que
perseverar até ao fim, esse será salvo.
14. Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve
estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os
montes;
15. Quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua
casa alguma coisa;
149
16. E o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
17. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
18. Orai para que isso não suceda no inverno.
19. Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde
o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.
20. Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas,
por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
21. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não
acrediteis;
22. Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios,
para enganar, se possível, os próprios eleitos.
23. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.
24. Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não
dará a sua claridade,
25. As estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
26. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.
27. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da
extremidade da terra até à extremidade do céu.
28. Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se
renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.
29. Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está
próximo, às portas.
30. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto
aconteça.
31. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.
32. Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu,
nem o Filho, senão o Pai.
Jesus – Marcos – Cap. 13 – ver 1 à 32/Mateus – Cap. 24 – ver. 1 à 31/
Lucas – Cap. 21 – ver. 5 à 36
150
4.2 Definições e Conceitos – Kardec
São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por
Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da
Humanidade.
Allan Kardec – A Gênese – Cap. 18 – A Nova Geração – item 1
A Terra chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de
um mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão
nela a felicidade, porque a Lei de Deus a governará.
Allan Kardec – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há
muitas moradas na casa de meu Pai – item 19
Em se tratando de coisas de tanta gravidade, que são alguns anos a mais ou
a menos? Elas nunca ocorrem bruscamente, como o chispar de um raio; são
longamente preparadas por acontecimentos parciais que lhes servem como que de
precursores, semelhantes aos rumores surdos que precedem a erupção de um
vulcão.
Pode-se, pois, dizer que os tempos são chegados, sem que isso signifique
que as coisas sucederão amanhã. Significa unicamente que vos achais no período
em que elas se verificarão.
Sem dúvida, não tendes que temer nem um dilúvio, nem o abrasamento do
vosso planeta, nem outros fatos desse gênero, visto que não se podem denominar
cataclismos a perturbações locais que se têm produzido em todas as épocas. Apenas
haverá um cataclismo de natureza moral, cujos instrumentos serão os próprios
homens.
O Espirito de Verdade – Obras Póstumas – 2º Parte – 10 de junho de
1856
Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo
expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade,
porque a lei de Deus a governará.
Agostinho – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas
moradas na casa de meu Pai – item 19
151
O reino do bem poderá um dia realizar-se na Terra?
-- O bem reinará na Terra quando entre os Espíritos que a vêm habitar os
bons superarem os maus. Então eles farão reinar o amor e a justiça, que são a fonte
do bem e da felicidade.
É pelo progresso moral e pela prática das leis de Deus que o homem atrairá
para a Terra os bons Espíritos e afastará os maus. Mas os maus só a deixarão quando
o homem tenha banido daqui o orgulho e o egoísmo.
A transformação da Humanidade foi predita e chegais a esse momento em
que todos os homens progressistas estão se apressando. Ela se realizará pela
encarnação de Espíritos melhores que constituirão sobre a Terra uma nova
geração.
Então os Espíritos dos maus, que a morte ceifa diariamente, e todos os que
tentem deter a marcha das coisas serão excluídos, porque estariam deslocados entre
os homens de bem, cuja felicidade perturbariam.
Irão para mundos novos, menos adiantados, cumprir missões penosas, nas
quais poderão trabalhar pelo seu próprio adiantamento ao mesmo tempo que
trabalharão para o adiantamento de seus irmãos ainda mais atrasados.
São Luiz – Livro dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 2 – Perg. 1019 –
Paraiso, inferno e purgatório
A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não
sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições.
Aliás, por esta transformação, que neste momento se opera, a Terra se
elevará na hierarquia dos mundos.
Allan Kardec – Céu e Inferno – 1º Parte – Cap.5 – O Purgatório – item 9
152
O Cristo mesmo é quem preside os trabalhos de toda natureza que estão
em vias de realização, para vos abrir a era de renovação e aperfeiçoamento que
vos foi predita pelos vossos guias espirituais.
Se, com efeito, lançardes os olhos, além das manifestações espíritas, sobre
os acontecimentos contemporâneos, reconhecereis sem qualquer dificuldade os
sinais precursores que vos provam, de maneira indubitável, que os tempos são
chegados.
J.J. Rousseau – Livros dos Médiuns – Cap. 31 – Acerca do Espiritismo –
item 2
153
4.3 Sinais dos Tempos – Emmanuel
Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os
valores terrestres para o ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo.
Depois da treva surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras
envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento.
O homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha
gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a
alma divina das religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço
acolhedor do Cristianismo restaurado.
Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 25 – O Evangelho e o Futuro
Quando a escuridão se fizer mais profunda nos corações da Terra,
determinando a utilização de todos os progressos humanos para o extermínio,
para a miséria e para a morte, derramarei minha luz sobre toda a carne e todos os
que vibrarem com o meu reino e confiarem nas minhas promessas, ouvirão as
nossas vozes e apelos santificadores!...
Pela sabedoria e pela verdade, dentro das suaves revelações do
Consolador, meu verbo se manifestará novamente no mundo, para as criaturas
desnorteadas no caminho escabroso, através de vossas lições, que se perpetuarão
nas páginas imensas dos séculos do porvir!...
Sim! Amados meus, porque o dia chegará no qual todas as mentiras
humanas hão de ser confundidas pela claridade das revelações do céu.
Um sopro poderoso de verdade e vida varrerá toda a Terra, que pagará,
então, à evolução dos seus institutos, os mais pesados tributos de sofrimentos e de
sangue... Exausto de receber os fluidos venenosos da ignomínia e da iniquidade
de seus habitantes, o próprio planeta protestará contra a impenitência dos
homens, rasgando as entranhas em dolorosos cataclismos...
Quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no
bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das
convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um
novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do Consolador, os
progressos definitivos do homem espiritual.
Emmanuel/Jesus – Há Dois Mil Anos – 2º Parte – Cap. 6 – Alvoradas do
Reino do Senhor
154
Quando nos referirmos aos mundos superiores, recordemos que a Terra, um
dia, formará entre eles, por estância divina. Atualmente, no entanto, apesar das
magnificências que laureiam a civilização em todos os continentes, não podemos
alhear-nos do preço que pagará pela promoção.
Sem dúvida, os campos ideológicos da vida internacional entrarão em
conflitos encarniçados pelo domínio.
As nuvens de ódio que se avolumam, na psicosfera do Planeta, rebentarão
em tormentas arrasadoras sobre as comunidades terrestres.
Contudo, as vibrações do sofrimento coletivo funcionarão por radioterapia
na esfera da alma, sanando a alienação mental dos povos que sustentam as chagas
da miséria, em nome da idéia de Deus, e daqueles outros que pretendem extirpá-
las, banindo a idéia de Deus das próprias cogitações.
Engenhos de extermínio desintegrarão os quistos raciais e as cadeias que
amordaçam o pensamento, remediando as agonias econômicas da Humanidade e
dissipando as correntes envenenadas do materialismo, a estender-se por afrodisíaco
da irresponsabilidade moral.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap.52 – Ante os Mundos Superiores
Sabemos todos que a Humanidade terrena atinge, atualmente, as cumeadas
de um dos mais importantes ciclos evolutivos.
Nessas transformações, há sempre necessidade do pensamento religioso
para manter-se a espiritualidade das criaturas em momentos tão críticos.
A idéia cristã se encontrava afeto o trabalho de sustentar essa coesão dos
sentimentos de confiança e de fé das criaturas humanas nos seus elevados destinos;
todavia, encarcerada nas grades dos dogmas católico-romanos, a doutrina de Jesus
não poderia, de modo algum, amparar o espírito humano nessas dolorosas
transições.
Emmanuel – Emmanuel – Cap. 35 – Fim de um ciclo Evolutivo
155
Os vossos tempos refletem amargamente a angústia coletiva de todos os
povos, em face dessa aluvião de escombros que prenuncia terrível para os anos
próximos, como corolário de desvios e de antagonismo irreconciliáveis, tão
somente criados pela mentalidade humana, dentro de seu abuso de liberdade.
Dores amargas se anunciam nesse paiol de abundância e de
superprodução, que a inteligência da humanidade criou para a sua vida. E a
verdade é que as facilidades da civilização deveriam constituir um índice soberbo
de aproveitamento espiritual, por parte das criaturas, detentoras dos mais notáveis
progressos científicos nos tempos modernos.
Entretanto, os penosos acontecimentos que se verificam nestes dias de
confusão, de angustiosa expectativa, bem demonstram o contrário.
O homem da estratosfera e das profundidades submarinas; o homem da
mecânica e da eletricidade, da genética e da biologia, da física e da química, da
filosofia e das religiões, em voltando para dentro de si, vem encontrando a sua
mentalidade obscura de há dois milênios.
Todos os corações sentem que existe algo para acontecer; aguardam
angustiados uma novidade nos ares, como se sombrios vaticínios pesassem
sobre a sua vida de relação e a realidade é que nem os políticos e nem os filósofos,
nem os economistas e nem os sociólogos podem dirimir as profecias singulares e
dolorosas, impossibilitados de recurso, desconhecendo o remédio necessário à paz
coletiva e à prosperidade mundial
A dor há de vir realizar a obra que não foi possível ao amor edificar
por si mesmo.
Todavia, o futuro está cheio daquela luz misericordiosa que promana
do Alto para todos os corações da nova geração, dentro desse generoso labor do
Espiritismo Cristão, na pedagogia renovada à luz do Evangelho do Senhor e dentro
dessas edificações novas e sublimes, poder-se-á esperar o homem de amanhã, que,
consciente do seu dever e da sua obrigação divina, possuirá a Terra e o Céu com os
seus Infinitos Tesouros.
Emmanuel – Servidores do Além – Cap. 1 – Onde o Remédio
156
Amontoam-se pesadas nuvens nos céus do Oriente e do Ocidente...
Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas?!...
Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto
de sangue de dezesseis séculos de menosprezo à luz espiritual.
E, não obstante edificados na certeza de que tudo coopera em benefício dos
que amam a Deus, das claridade de além-túmulo, repetimos para os companheiros
do Evangelho:
- Irmãos, entrelaçai os braços e uni corações, em torno do Caminho, da
Verdade e da Vida! Tormentas de dor rondam os castelos da vaidade humana
e gênios escuros do morticínio acercam-se das moradias sem alicerces.
Os monstros que devoraram as civilizações dos persas e dos assírios, dos
egípcios e dos gregos, dos romanos e dos fenícios espreitam a grandeza fantasiosa
dos vossos palácios de ilusão!... Os oráculos que prognosticaram queda e ruína em
Persépolis e Babilônia, Tebas e Atenas, Roma e Cartago pronunciam angustiados
vaticínios em vossas cidades poderosas...
Polvos mortíferos do ódio e da ambição desregrada multiplicam-se no
oxigênio terrestre, predizendo misérias e desolação. Trazem a fome e a peste em
novos aspectos, desorganizando-vos a vida e desintegrando-vos os celeiros...
Todos vivemos tempos dramáticos de prece, expectação e vigília...
E, enquanto o aguilhão da impiedade ruge destruidor, reunamo-nos na
Jerusalém do íntimo santuário!...
É natural que nossos olhos espreite aos destinos, ouçamo-Lo a dirigir-se às
mulheres piedosas que se lhe ajoelhavam aos pés, na cidade santa: "Filhas de
Jerusalém, não chorais por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque
virão dias em se dirá:
- Bem aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não
amamentaram! Clamareis então para os montes: -Caí sobre nós! E rogareis aos
outeiros:
- Cobri-nos! Porque se ao madeiro verde fazem isto, que se não fará ao lenho
seco?".
Emmanuel – Sentinela da Luz – Cap. 1 – Nas Convulsões do Século XX
157
Referindo-se aos instantes dolorosos que assinalariam a renovação
planetária, aconselhou o Mestre aos que estivessem na Judéia procurar os
montes.
E a atualidade da Terra é dos mais fortes quadros nesse gênero. Em
todos os recantos, estabelecem-se lutas e ruínas. Venenos mortíferos são inoculados
pela política inconsciente nas massas populares. A baixada está repleta de nevoeiros
tremendos. Os lugares santos permanecem cheios de trevas abomináveis. Alguns
homens caminham ao sinistro clarão de incêndios. Aduba-se o chão com sangue e
lágrimas, para a semeadura do porvir.
É chegado o instante de se retirarem os que permanecem na Judéia para os
“montes” das idéias superiores.
Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 140 – Para os Montes
Ninguém precisa pedir transferência para Júpiter ou Saturno, a fim de
colaborar na criação de novos céus. A Terra, nossa casa e nossa oficina, em
plena paisagem cósmica, espera por nós, a fim de que a convertamos em glorioso
paraíso.
Emmanuel – Roteiro – Cap. 9 – O Grande Educandário
Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas
próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres.
Jesus é o seu único diretor no Plano das realidades imortais, e agora que
o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos
da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a
caminho de uma nova era.
Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da
comunidade das potências angélicas do sistema solar, da qual é Jesus um dos
membros divinos.
Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela terceira vez, na atmosfera
terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a
nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo.
Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe.
Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a
sua misericórdia.
Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 24 – O Espiritismo e as grandes
Transições
158
“Época de Transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para
definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de
ocorrências inusitadas:
• Conflitos.
• Desencarnações em massa.
• Acidentes enlutando almas e lares.
• Desvinculações violentas.
• Dramas no instituto doméstico.
• Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.
• Moléstias de etiologia obscura.
• Incompreensões.
Forçoso observar, no entanto, que o plano físico e o plano espiritual que
se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro.
Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados
e vice-versa. E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã
em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma
era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre
aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de auto-
burilamento em nível mais alto de evolução.
É por isso que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além,
vêm solicitando, desde algum tempo,
• Reencarnações difíceis;
• Testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo;
• Tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas
inacabadas em diversos setores da experiência humana;
• Presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à
consideração da Vida Superior;
• Ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de
empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do
tempo.
Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo
milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos
felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.
159
Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em
matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação
mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime
de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar
os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso.
Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades,
evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que
nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros.
Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir
e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e
instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida
Melhor de amanhã.
Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação
160
4.4 Sinais dos Tempos – Bezerra de Meneses
O certo é que a Humanidade chegou a um ponto de sua caminhada evolutiva
que não mais se lhe permite retrocesso de qualquer natureza. Para os próximos
cinquenta anos já se delineia um planejamento destinado a ser cumprido por uma
coletividade de Espíritos que irão conviver com grandes e penosos desafios.
Trata-se de uma população heterogênea constituída de almas esclarecidas
e de outras em processo de reajuste espiritual.
As primeiras revelam-se iluminadas pelo trabalho desenvolvido na fieira
dos séculos, quando adquiriram recursos superiores de inteligência e de moralidade.
Retornam à reencarnação para exercer influência positiva sobre as mentes que se
encontram em processo de reparação, necessitadas de iluminação espiritual.
A atual Humanidade será pouco a pouco mesclada por esses dois grupos
de Espíritos reencarnantes.
Inicialmente na sua terça parte, abrangendo todo o Planeta, depois, dois e
três terços.
O trânsito entre os dois planos estará significativamente acelerado. Um
trânsito de mão dupla, acrescentamos, pois, coletividades de encarnados também
retornarão à Pátria verdadeira.
Bezerra de Meneses – Os Próximos 50 anos – Psicografia de Divaldo P. Franco
– Brasília, 19/abril/2010 – durante reunião mediúnica do Conselho Espírita
Internacional – após o término do 3º Congresso Espírita Brasileiro – Abril/2010
Estamos agora em um novo período.
Estes dias assinalam uma data muito especial, a data da mudança do
mundo de provas e expiações para o mundo de regeneração.
A grande noite que se abatia sobre a Terra lentamente deu lugar ao
amanhecer de bênçãos.
Iniciada a grande transição, chegaremos ao clímax, e na razão direta em que
o planeta experimenta as suas mudanças físicas, geológicas, as mudanças morais
são inadiáveis. Que sejamos nós aqueles Espíritos-espíritas que demonstremos a
grandeza do amor de Jesus em nossas vidas.
Bezerra de Meneses – Revista Reformador – Junho/2010 – Momento de
gloriosa transição
161
Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no
encerramento das comemorações do Centenário de Nascimento de Chico Xavier,
realizadas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, no dia 18 de
abril de 2010
As mais vigorosas convulsões planetárias tornam-se necessárias para
que haja alteração para melhor no clima, na estabilidade relativa das grandes
placas tectônicas, nas organizações sociais e comunitárias, com os recursos
agrários e alimentícios naturais para manter no futuro as populações não mais
esfaimadas nem miseráveis, como ocorre na atualidade...
Compreendendo-se a transitoriedade da experiência física, a psicosfera do
planeta será muito diferente, porque as emissões do pensamento alterarão as
faixas vibratórias atuais que contribuirão para a harmonia de todos, para o
aproveitamento do tempo disponível, em preparação jubilosa para o enfrentamento
da mudança que terá lugar para muitos mediante a desencarnação que os levará para
outro campo da realidade.
O processo de transição — continuou o mentor — apresenta-se, há um
bom tempo, com fases específicas: as ocorrências sísmicas, que são de todos os
períodos, agora, porém, mais aceleradas, os sofrimentos morais decorrentes das
conjunturas enfermiças geradas pelas próprias criaturas humanas, em razão de
haverem optado pelos roteiros mais difíceis, as enfermidades dilaceradoras que
encontram campo de expansão naqueles que se encontram receptivos, as dores
coletivas resultantes dos interesses subalternos dos déspotas, dos ambiciosos, dos
que se fazem verdugos da Humanidade, assessorados por outros semelhantes que
os mantêm na condição infeliz...
(...) E outros processos igualmente afligentes, convidando todas as criaturas
a reflexões em torno das mudanças que se estão operando e que prosseguirão com
mais severidade.
Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante
a grande transição planetária
162
No sermão profético, narrado pelo evangelista Marcos, no capítulo XIII,
quando Jesus se refere aos grandes fenômenos referentes ao fim dos tempos morais
desditosos, declara que se não fosse pelos eleitos que (o Pai) escolheu, as dores
seriam muito mais terríveis.
Esses Seus eleitos são todos aqueles que se permitiram por Ele eleger
em razão da sua conduta e da sua dedicação e respeito às soberanas leis.
Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 3 –
Planejamento de atividades espirituais
Estabelecem-se datas compulsórias com certa leviandade, como se um
cataclismo cósmico devesse ocorrer, com um caráter punitivo à sociedade que se
tem distanciado de Deus, numa espécie de absurda vingança...
Ignorando a extensão do amor de Nosso Pai, esperam o desencadear da
Sua ira em processo de punição extrema, como se a vida ficasse encerrada no
fenômeno da morte física.
Felizmente, o fim do mundo de que falam as profecias refere-se àquele
de natureza moral, sem dúvida, com a ocorrência inevitável de sucessos trágicos,
que arrebatarão comunidades, facultando a renovação social, que a ausência do
amor não consegue lograr como seria de desejar...
Esses fenômenos não se encontram programados para tal ou qual
período, num fatalismo aterrador, mas para um largo período de transformações,
adaptações, acontecimentos favoráveis à vigência da ordem e da solidariedade entre
todos os seres.
E compreensível, portanto, que a ocorrência mais grave esteja, de certo
modo, a depender do livre-arbítrio das próprias criaturas humanas, cuja
conduta poderá apressar ou retardar, ou mesmo modificar, a sua constituição,
suavizando-a ou agravando-a...
Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante
a grande transição planetária
163
4.5 Sinais dos Tempos – Joanna de Angelis
Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas
escrituras e confirmada pelo Espiritismo.
O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura
física e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua
constituição moral. Isto porque os espíritos que o habitam, ainda caminhando em
faixas de inferioridade, estão sendo substituídos por outros mais elevados que a
impulsionarão pelas trilhas do progresso moral, dando lugar a uma era nova de
paz e de felicidade.
Os espíritos renitentes na perversidade e nos desmandos, na sensualidade e
vileza, estão sendo recambiados lentamente para mundos inferiores onde
enfrentarão as consequências dos seus atos ignóbeis, assim renovando-se e
predispondo-se ao retorno planetário quando recuperados e decididos ao
cumprimento das leis de amor.
Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta como
resultado da lei de destruição, geradora desses fenômenos, como ocorre com o
outono que derruba a folhagem das árvores a fim de que possam enfrentar a invernia
rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de
natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se
vivem.
Os combates apresentam-se individuais e coletivos, ameaçando de
destruição a vida com hecatombes inimagináveis. A loucura, decorrente do
materialismo dos indivíduos, atira-os nos abismos da violência e da insensatez,
ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções.
Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos,
desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas
de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas
perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor
e de caridade…
A turbulência vence a paz, o conflito domina o amor, a luta desigual
substitui a fraternidade. … Mas essas ocorrências são apenas o começo da grande
transição.
Joanna de Ângelis – 30/07/2006, RJ – Presença Espírita, 2006 -
setembro/outubro, Nº 256 – Jesus e Vida – Cap. 1 – A grande Transição.
164
Aprenda o homem a ajudar o progresso da Terra a fim de que se lhe
esbatam as sombras, galgando um degrau de evolução e saindo do estágio
primarista de dores, de provas e expiações, no rumo da regeneração, que é o passo
para atingir outras escalas na infinita "escada de Jacob" colocada na direção do Pai.
Mundos e mundos gravitando no infinito, desde os que se encontram em
estado de gases incandescentes aos mais sublimes, esperando por nós, como disse
Jesus.
Joanna de Ângelis – No Limiar do Infinito – Cap. 2 – Ante o Cosmo
Ao invés de um cataclismo que ceife as vidas e aniquile a sociedade e a
Terra, dá-se, neste momento, a renovação do Planeta, graças à qualidade dos
Espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de enobrecimento e
de interesse fraternal.
Joanna de Ângelis – Momentos de Harmonia –- Cap. 10 – Projetos
Iluminativos
Indiscutivelmente, vive-se na Terra o momento da grande transição
planetária, onde as ocorrências dolorosas, os desastres coletivos, as tragédias do
cotidiano, as contínuas ondas de violência e os descalabros de toda ordem chamam
a atenção de todos, apresentando momentos terríveis de aflição e de sofrimentos.
(...)
Observa-se, no Planeta terrestre, na atualidade, mais do que noutros
períodos os sinais próprios dos acontecimentos previstos e programados,
especialmente no que diz respeito aos valores éticos e morais, às convulsões
sísmicas, às mudanças que se produzem em muitos países com alterações profundas
em seu arcabouço econômico e financeiro, assim como às guerras desencadeadas
para manter o predomínio, dando lugar ao seu declínio.
Enquanto isso ocorre, outros, os denominados países emergentes, crescem
e se desenvolvem, a fim de terem oportunidade de produzir novas culturas, nova
civilização.
Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma
Nova Era
165
4.6 Sinais dos Tempos – Amélia Rodrigues
Os sinais do sofrimento Ao tempo de Jesus, o Templo de Salomão era uma
das mais belas construções existentes, em plena magnificência.
Erguido, inicialmente por Salomão, de quem herdou o nome mais tarde,
substituído por Jerusalém, pela sua localização, foi construído com requintes de
luxo, desde as madeiras preciosas até os mármores que deslumbravam.
Erigido no século X a. C., foi destruído pelos caldeus mais tarde, em 583
a.C., deixando desolados os hebreus.
Novamente levantado pelos judeus, que vieram do exílio da Babilônia, foi
terminado por Zorbatel, em 516 a. C., que o ornamentou com ouro e colunas
deslumbrantes, enquanto governador da Judéia.
Por fim, foi reedificado e embelezado por Herodes, que o dotou de máxima
glória como edificação arquitetônica incomum, entre as anos 20 e 10 a. C., com
madeiras de cedro do Líbano e painel de ouro à entrada, expressando a grandeza de
Nova Era.
Somente no ano 64 d. C., seria concluído, para ser novamente destruído,
logo depois, por Tito, que assim humilhou o povo judeu, reduzindo-o à posição de
galé e impondo a Diáspora...
Era, no entanto, a glória do povo eleito. Ali se decidiam as questões
relevantes da fé, da política e da economia do país.
O Sumo-sacerdote era autoridade de destaque na comunidade, respeitado e
orgulhoso, exercendo poderes religiosos, sociais e administrativos quase absolutos.
Vez por outra Jesus entrou nele durante Seu Ministério.
*
Aproximavam-se os momentos decisivos. A onda de intriga avolumava-se
e os espiões de vários matizes buscavam surpreendê-lo em falta real ou imaginária
para O denunciarem.
Os Seus passos eram seguidos à socapa e Suas palavras eram adulteradas,
de modo a atenderem aos fins escusos dos Seus futuros verdugos.
Ele permanecia, no entanto, impertérrito.
A Verdade nEle era tão natural, que não a podiam dissociar da Sua vida.
Todos os acontecimentos sucediam-se com inteireza, sem interrupção.
166
À semelhança do Dia nos seus vários ciclos de amanhecer, plenitude e
crepúsculo, Ele se encontrava no píncaro da realização, preparando-se para iniciar
o período de sombras-luz, nas grandes dores e tribulações.
Ninguém passa pelo mundo físico sem experimentar os ferretes da condição
de inferioridade do planeta, assim como daqueles que o habitam.
A aflição é fenômeno comum a todos e ninguém se lhe exime à presença.
Os amigos encontravam-se jubilosos por estarem em Jerusalém.
A cidade santa constituía orgulho para todas as raças e viver nela era honra
imerecida; passar pelas suas venerandas ruas significava estar perto da Divindade,
pois que ali estavam o Templo e a Arca da Aliança...
Jesus não se fascinava. Aos outros Ele deslumbrava. Superior à Sua época
e a todas as eras, vestira-se com a singeleza da humildade, a fim de erguer os
homens ao cintilar das estrelas.
Naquele dia, ao saírem do santuário, Ele e Seus discípulos, estes,
comovidos, exclamaram:
- Senhor...vede que pedras e que construções (*)
Referiam-se aos imensos blocos de diversas toneladas que constituíam a
edificação opulenta.
O Senhor olhou o grandioso edifício e respondeu:
- Vede essas grandiosas construções?
Em verdade, em verdade vos digo, que não ficará pedra sobre pedra, que
não seja derrubada.
O espanto se manifestou nos companheiros, que se sentiram desapontados,
agoniados.
Logo depois, ensimesmados, no monte das Oliveiras, fronteiro ao santuário,
traduzindo a inquietação de todos, Simão Pedro, Tiago e João indagaram-lhe:
- Diz-nos quando tudo isso acontecerá e qual o sinal a anunciar que essas
coisas estão próximas.
Adentrando-se no futuro e aquilatando a pusilanimidade humana, os
desalinhos morais, as ambições desregradas e as paixões sanguissedentas, com o
tom melancólico o Mestre enunciou o Sermão profético, apocalíptico.
Ante Sua visão transcendente, desfilavam os acontecimentos histórico que
assinalariam as épocas do futuro.
167
O Templo, depois de destruído, passaria a sofrer diversos assaltos até 150,
quando os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém, dali expulsos em
definitivo.
Tito os houvera crucificado aos milhares em 70, e mandou sitiar a fortaleza
de Massada, por dois anos, até a sua rendição total, face ao suicídio geral dos mais
ortodoxos e zelotas que para lá fugiram após a destruição de Jerusalém.
O Mestre via, naquele momento, o nascer, florescer e morrer de civilizações
e culturas diversas, que as guerras e os tempos consumiriam...
Apiedado dos homens e das suas vaidades de pequena duração, referiu-se:
- Acautelai-vos para que ninguém vos iluda. Surgirão muitos com o meu
nome, dizendo: – Sou eu. – E seduzirão a muitos. Quando ouvirdes falar de guerras
e de rumores de guerras, não vos alarmeis; é preciso que isso aconteça, mas não
será o fim. Erguer-se-ão povo contra povo e reino contra reino; haverá terremoto
em vários lugares, haverá fome. Isso é o princípio das dores.
" Estai vigilantes!"
Houve um grande silêncio, e logo prosseguiu:
- Sereis açoitados diante de reis e magistrados por amor de mim.
Irmão entregará irmão e os pais seus filhos, enquanto estes os denunciarão
sem clemência...
Mas antes deveis proclamar a Boa Nova a todas as nações.
" As dores alcançarão incomparável índice de aberração e as calamidades
serão de tal monta, que não haverá tempo para fugas."
" Quem estiver na Judéia não terá como correr para o campo. Quem estiver
nos telhados, não poderá descer."
Silenciou por um pouco, novamente, diminuindo a gravidade da narrativa.
Ele antevia as desgraças da irradiação atômica e da fissão nuclear, das
guerras de extermínio recentes.
As terríveis epidemias medievais e os truanescos conflitos de raças e de
religião eram detectados desde então.
Voltando ao esclarecimento, acentuou:
" – Ai das grávidas desses dias e dos peitos que amamentarem."
"Naquela ocasião que há de vir, o Sol perderá sua luz, as estrelas cairão
sobre a Terra e a Lua se cobrirá de sangue."
168
Percebia a alucinada carreira armamentista das atuais grandes Nações,
sonhando em tornar a lua uma base para disparar mísseis.
As grandes trevas que dominariam o Sol, quando se ergueram os cogumelos
das explosões atômicas, atemorizando o mundo e marcando vidas com sinais
irreversíveis da contaminação nuclear, eram previstos naquele momento.
Também descortinou a queda de estrelas sobre o planeta em treva – os
Espíritos de Luz que vieram preparar a Era Nova e instalar o reino de Deus...
Após larga reflexão, concluiu:
" – Então vereis o Filho do Homem em toda a Sua glória, pairando acima
dos escombros e coroando os justos com a paz. O que vos digo a vós, digo-o a todos.
Vigiai!
Anunciados os torpes acontecimentos que visitariam a humanidade dos
tempos futuros, Jesus envolveu os discípulos ingênuos em uma onda de ternura e
confiança, asserenando-os com palavras de estímulo e fé.
" – Aqueles que perseverarem fiéis – assegurou-lhes – serão poupados."
A fé rutilante, vivida integralmente, conduz com equilíbrio e poupa a
criatura da desnecessária aflição, mesmo porque luariza a alma, equipando-as de
energias e forças para operar as ocorrências dilaceradoras.
Perseguindo os ideais de enobrecimento, o homem supera-se a si mesmo e
arrosta quaisquer consequências infelizes com ardor, sem dar-se conta do preço a
pagar pela honra de imolar-se, dos testemunhos a enfrentar pela felicidade de ser
fiel.
Jerusalém cobria-se de sombras lentamente, e as estrelas coruscavam de
longe, enormes como gigantescos crisântemos de luz, enquanto o silêncio da
natureza era musicado pelas onomatopéias.
Contemplando a cidade, orgulhosa e infeliz, adormecendo, Jesus e os Seus
avançavam no futuro e anteviam a Jerusalém libertada nas almas, sem construções
suntuosas de pedra, que o tempo derruba, nem opulência, que perde o valor na
sucessão dos evos.
Na memória dos séculos estão as ruínas do grandioso Templo, quase
imperceptíveis em Jerusalém, que o Mestre previu desaparecer.
169
Das famosas oliveiras do monte fronteiriço, após a devastação determinada
por Tito, que as derrubou, para transformá-la em cruzes, restam apenas três,
atormentadas e retorcidas como os povos que ali têm passado até hoje...
________________
(*) Marcos 13: 1 a 37
Nota da autora espiritual.
Amélia Rodrigues – Até o Fim dos Tempos – Cap. 17 – Os Sinais do
Sofrimento
170
4.7 Sinais dos Tempos – Manoel Philomeno de Miranda
Conforme assinalado por Jesus, no sermão profético registrado pelo
evangelista Marcos, no capítulo 13 e seus versículos, vivemos a época dos sinais
representativos das grandes mudanças que se operarão no planeta terrestre ao
largo dos evos.
Posteriormente confirmadas as graves revelações por João Evangelista, no
seu memorável Apocalipse, vivemos já esses dias significativos, anunciadores das
grandes transformações que se vêm apresentando no orbe amado.
Muito antes deles, os profetas Isaías, Enoque e outros, também
assinalaram os acontecimentos que deveriam suceder, graças aos quais um novo
mundo rico de bênçãos surgiria para a Humanidade.
Por sua vez, o calendário maia igualmente registra os graves sofrimentos
para as criaturas terrestres deste período, com grande margem de acerto...
Nostradamus, o mais célebre dos profetas, teve ocasião de assinalar os
eventos dolorosos que se abateriam sobre os seres humanos, caso permanecessem
nos comportamentos arbitrários que se têm permitido.
Mais recentemente Edgar Cayce previu mudanças muito acentuadas na
geografia terrestre, em várias partes do seu país e noutros continentes, como
resultado de fenômenos sísmicos definidores do novo mundo...
...E multiplicam-se, ao largo da História, as revelações em torno das
ocorrências afligentes que se vêm apresentando em toda parte, chamando a atenção
das criaturas humanas, que permanecem descuidadas, absorvidas pelos vapores do
prazer e dos gozos desgastantes.
Os Espíritos do Senhor também referiram-se a esse respeito a Allan
Kardec, durante a codificação dos seus ensinos, elucidando que ocorrências
trágicas assolariam o planeta, trabalhando-lhe as estruturas físicas, morais e
espirituais.
Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição
Planetária – Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado
171
Fomentadores de guerras de extermínio, de terrorismo insano, de
perseguições às minorias, de deboche e de preconceito, misturaram-se às multidões,
inspirando governos e cidadãos às atitudes calamitosas, de modo que a esperança
seja deixada à margem sem consideração, e os exemplos nobres se transformem em
mensagens de aproveitadores e oportunistas desvairados...
Subitamente pôde-se observar o aumento surpreendente das
aberrações, dos crimes hediondos, da violência inclemente e da falta de autoridade
para impedi-los ou administrá-los, tornando-os banais e quase desconsiderados.
O vale-tudo que começou a ser estabelecido, tem o objetivo de criar o clima
de desinteresse pela honorabilidade, pelos valores éticos, pelo respeito à criatura e
à sociedade, demonstrando que todos esses significados haviam sido perdidos e
uma nova e descontrolada ética passava a ser assinalada como regra de
comportamento próprio para estes desditosos dias...
Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 16 –
Programações Reencarnacionistas
As grandes transformações, embora ocorram em fases de perturbação
do orbe terrestre, em face dos fenômenos climáticos, da poluição e do
desrespeito à Natureza, não se darão em forma de destruição da vida, mas de
mudança de comportamento moral e emocional dos indivíduos, convidados uns
ao sofrimento pelas ocorrências e outros pelo discernimento em torno da evolução.
À semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente,
sorvendo as rendas de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão
ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a
literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e tecnologia, imprimindo
novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que,
momentaneamente, encontram-se adormecidos.
Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a
abjeção, os escândalos, a corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados,
alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os
transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os
desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio...
172
Frutos das paixões das criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de
consumpção libertadora, lentamente surgirão os valores da saúde integral, da
alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico da vida.
Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3
– A Mensagem Revelação
Estamos no limiar do glorioso momento anunciado pelo Senhor desde
quando esteve conosco e confirmado pelos Seus mensageiros de todos os tempos,
que aguardam essa hora para a construção definitiva do reino de Deus em todos os
corações.
Manoel Philomeno de Miranda/Silvio Santana – Transição Planetária –
Cap. 18 – Reflexões e Diálogos profundos
O planeta renovado na sua constituição física, harmonizadas as placas
tectônicas, diminuída a alta temperatura do magma vulcânico, muitos cataclismos
que o assolavam e destruíam, desaparecerão, a pouco e pouco, apresentando-se com
equilíbrio de temperatura, sem os calores calcinantes, nem os frios enregelantes, e
com paisagens edênicas...
Adaptando-se às novas condições climáticas, o organismo físico
experimentará modificações especiais, em razão também dos seres que o habitarão,
imprimindo nele outros valores fisiopsicológicos, que irão contribuir para a sua
evolução espiritual.
Será nesses corpos que estarão reencarnadas multidões de visitantes
benéficos, contribuindo para o progresso da humanidade.
Concomitantemente, aqueles que puderem fruir desse momento, após a
grande transição, graças ao pensamento e à iluminação interior, libertar-se-ão de
órgãos desnecessários, mantendo formas gráceis e leves, compatíveis com a futura
atmosfera física e moral da Terra feliz.
Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição
Planetária – Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado
173
Não obstante a valiosíssima contribuição, em torno dos acontecimentos
lutuosos, tem havido um grande olvido a respeito daquilo que acontecerá
depois das ocorrências destruidoras.
Todas as profecias, no entanto, afirmam que surgirá um mundo melhor,
uma nova Jerusalém, terras onde manarão leite e mel, paraíso de luz e beleza, por
que não dizer, o reino dos céus na Terra mesma...
...E essa revelação é esquecida, porque ainda predomina em o espírito
humano o interesse de informar sobre o apavorante e ameaçador, com
esquecimento, proposital ou não, em torno das benesses do amor e da misericórdia
de Deus para com as Suas criaturas.
Quando o evangelista João ouviu as graves revelações seu coração ficou
pesado, e ele perguntou: — Não há esperança?
Havia muita aflição no discípulo amado, que logo escutou a resposta
formosa: Sempre há esperança, ó tu, para quem o céu e a terra foram criados...
Uma segunda possibilidade faz parte dos divinos planos, desde que as
criaturas correspondam à expectativa do amor, gerando novos recursos em torno do
bem, que produzirão efeitos edificantes.
Assim prossegue o grande vidente do Apocalipse: Mas eu não vi o que
aconteceu a eles, pois a minha visão mudou, e eu vi um novo céu e uma nova
terra; pois o primeiro céu e a primeira terra haviam acabado...
A emoção tomou o apóstolo que então exultava, quando ouviu uma grande
voz (dos seres angélicos) que dizia: Não mais haverá morte, nem tristeza, nem
choro, nem haverá mais dor.
Artêmio Guimarães/Manoel Philomeno de Miranda – Transição
Planetária – Cap.13 – Conquistando o tempo malbaratado
174
4.8 Sinais dos Tempos – Camilo
"Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." Jo, 6:37.
Novos tempos são anunciados para a Terra!
Desde as épocas prístinas, a alma humana aguarda os dias venturosos em
que se poderá desfrutar os dulçores de uma era nova, quando a fraternidade não será
quimera nem a paz um sonho distante.
Profetas de todos os tempos, no bojo dos mais distintos núcleos humanos,
afirmaram a realidade desses dias porvindouros de delícias e de amor.
Contudo, quanto mais se esgaça o tempo, sob o efeito delongado das
experiências, parecem distantes essas aneladas expectativas, parece ilusória agonia
que se aguarde esse deleite.
A descrença a respeito dessas promessas alastra-se em múltiplas almas, até
o limite do deboche, da zombaria atirada sobre os crentes dessa ordem, como se
fossem almas ingênuas crendo em disparatadas afirmações de estonteados
visionários.
Nada obstante, dentre os que se reportaram a esses tempos novos de
formosuras e de bendições, está o Nazareno, o Profeta Maior gerado em Israel,
Alma que, por Sua índole sublimada, não nos apresentaria qualquer impostura.
O que vem retardando o alcance dessas luminosas ocorrências, não tem sido
senão o próprio ser terrestre, imerso em sua rebeldia contumaz, a desprezar os
valores mais substantivos da existência humana, atrelado ao materialismo
imediatista e incômodo que temos conhecido.
O que sucede ainda é que um grande pugilo dos que se arvoram em
condutores da verdade ou paladinos da luz, não tem feito senão alimentar e difundir
incorreções e mentiras; não tem conseguido senão espalhar sombras.
Quando é que os homens despertarão dessa letargia? Em que momento
desejarão ver a celeste claridade? Quando se decidirão por caminhar ao encontro
Daquele que nos abriu as portas planetárias, a fim de que, então, realizemos a
própria evolução?
Já sinalizou o Celeste Guia, conforme as notas atribuídas ao Apóstolo João,
que aqueles que O buscarem serão por Ele abraçados, pois que jamais fora os
atirará. Há, desse modo, em nome do respeito ao livre-arbítrio, a espera do Mestre
pelas disposições humanas.
175
Perde o sentido, assim, a proverbial descrença nos tempos novos, quando
também se desfazem as crenças em futuro gratuito, distanciado da boa vontade e
dos esforços do ser humano.
O tempo de agora, rico em oportunidades, abre-se para que todos unamos
os recursos disponíveis do saber e das virtudes, para demandarmos ao encontro de
Jesus Cristo.
Não há mais tempo para lamúrias ou reclamações quanto às condições da
época presente ou do mundo atual.
O que nos cabe fazer é, ainda que solitariamente, ou em pequenos grupos de
valorosos e intrépidos vanguardeiros, tomar do arado das boas obras e partir em
busca desse encontro psíquico com o Amigo Celestial, com a garantia de que
seremos por Ele agasalhados, e que passaremos a fazer parte dos servidores
do amor e da paz, partícipes do círculo de seareiros que vivem com os pés no mundo
tendo, porém, a mente fixada nos astros luzentes.
Camilo – Segue para o Grande Futuro
Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 19.04.2009, em Mértola-
Alentejo, Portugal
176
4.9 Sinais dos Tempos – Divaldo Franco
Os Espíritos Nobres têm falado sobre momentos de transição que a Terra
está passando. O que caracteriza esses momentos?
Divaldo Pereira Franco – São as convulsões sociais que se derivam dos
distúrbios morais. Nesses distúrbios morais-sociais nós geramos uma psicosfera
doentia.
Fala-se de que a ecologia está alterada, a nossa atmosfera está carregada de
gases destrutivos, de que estamos vivendo momentos em que a água vai entrar em
escassez, porque apenas 2% da água do mundo são potáveis.... Fala-se tudo isso, e
mais dos tsunamis, das erupções vulcânicas…
Tudo isso faz parte de um grande conjunto que constitui a transição.
Divaldo Pereira Franco – Entrevista ao Programa Televisivo O
Espiritismo Responde, da União Regional Espírita – 7ª Região, Maringá, em
21.03.2007
177
4.10 Sinais dos Tempos – Weimar Muniz de Oliveira
Não resta dúvida de que o momento é de Transição e nenhuma transição
se opera sem muita dor e sofrimento.
É o que tem ensinado a história de todas as civilizações que transitaram na
face da Terra.
Sobre o momentoso assunto a profecia é fértil e repetitiva, desde João, no
Apocalipse, a não se falar no Velho Testamento.
Os vaticínios do que está para acontecer e que desde há algum tempo já vem
acontecendo e que se intensificará dia a dia, até ao ápice, constam de inúmeros
relatos em diversas obras literárias.
Além do Apocalipse (Cap. 1 à 22), de Mateus (Cap. 24 e 25), de
Nostradamus (As Centúrias), de Allan Kardec (A Gênese – Cap. 17 e 18; O
Evangelho segundo o Espiritismo), de André Luiz (No Mundo Maior – Cap. 2 –
A preleção de Eusébio), tais advertências e predições constam dos seguintes livros
do respeitável Emmanuel, pelo que nos foi dado apurar (1993):
• Dois Mil Anos – Alvoradas do Reino do Senhor;
• A Caminho da Luz – Introdução e contexto;
• Emmanuel – Fim de um ciclo planetário;
• Justiça Divina - Ante os Mundos Superiores;
• Servidores no Além – Onde o Remédio;
• Sentinela da Luz – Nas Conv1llsões do Século XX.
Em todas essas obras os relatos proféticos são concordantes nos pontos
fundamentais.
Weimar Muniz de Oliveira – Ascendente Espiritual na Terra I/II-
Revista Reformador – 1993 – Junho/Julho
178
4.11 Sinais dos Tempos – Mário Frigéri
A hora que vivemos é, sem dúvida, um dos pontos culminantes da história
da Humanidade, em que as trevas da alta madrugada esbravejam e se revoltam ao
pressentir o encontro inevitável com as claridades do alvorecer divino que se
aproxima. É aquela zona cinzenta que medeia entre duas fases planetárias: a
de Provas e Expiações e a de Regeneração.
São repetitivas as profecias a esse respeito, desde o Velho Testamento da
Bíblia Sagrada (Salmos 37:9; Isaías 2:20; Jeremias 30:23; Zacarias 13:8) ao
Apocalipse de Jesus, segundo São João. Isto sem falar na contribuição de sábios e
estudiosos desses magnos assuntos, ou profetas e videntes extra-bíblicos, como São
João Bosco, São João Vianney, Edward Lyndoe, Nostradamus, Pietro Ubaldi, bem
como inúmeras vozes veneráveis do Espiritismo.
Mário Frigéri – As Sete Esferas da Terra – Cap. 11 – O fim do Mundo?
179
4.12 Sinais dos Tempos – Vianna de Carvalho
Fala-se muito numa Nova Era que deverá surgir após a virada do século.
Quais seriam as perspectivas de melhoria para a Humanidade, e quais são as
bases de mudança desta para uma outra Era?
A evolução é inevitável, porque faz parte dos mecanismos da Vida. Os
períodos sucedem-se com as suas conquistas e quedas, cimentando os valores
elevados que servem de base para novas aquisições e mais bem consolidadas
realizações, que têm por objeto a felicidade de todos.
A Nova Era já começou nas mentes e nos corações que se vêm
devotando ao Bem e à Verdade. No entanto, graças a esse processo de evolução,
o planeta Terra, qual ocorre com os demais, passa por diferente ciclo na escala dos
mundos e avança para um estágio superior, conforme revelaram os Espíritos
elevados a Allan Kardec.
A Terra deixará de ser mundo de sofrimentos, de exílio espiritual, de
recuperações dolorosas, para tornar-se um plano de regeneração, quando a dor
mais cruel baterá em retirada e o crime for abandonado, a benefício do cultivo dos
deveres e das virtudes.
Todo esse processo, no entanto, se dará no indivíduo, de dentro para fora,
espontaneamente ou através de ocorrências afligentes, que o convidem a reflexões
e mudanças de comportamento.
Não será, como se pretende em algumas áreas religiosas, de um para outro
momento; porém, lentamente, sem choques nem violências, sem imposições
arbitrárias nem calamidades destruidoras, mas dentro de uma programática
dignificante como tudo que é realizado pela Divindade.
Vianna de Carvalho – Atualidade do Pensamento Espírita – Cap.1 –
Ciências Sociais
180
5 Referências
Esta relação bibliográfica não está, intencionalmente, seguindo os padrões
usuais – está numa forma mais sintética, fazendo uma correlação direta entre o texto
do trabalho e os livros/mensagens.
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
1 Agar – Relicário de Luz – Cap. 115 – Com os dias
2 Agostinho – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas moradas
na casa de meu Pai – item 19
3 Allan Kardec – A Gênese – Cap. 18 – A Nova Geração – item 1
4 Allan Kardec – A Gênese – Cap. 6 – Uranografia geral – O Espaço e o Tempo
5 Allan Kardec – Céu e Inferno – 1º Parte – Cap.5 – O Purgatório – item 9
6 Allan Kardec – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas
moradas na casa de meu Pai – item 19
7 Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 869
8 Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 –
Missão dos Profetas
9 Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 7 – Não
creias em todos os Espíritos
10 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 392 – Esquecimento do Passado
11 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522
12 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 523
13 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868 – Conhecimento do Futuro
14 Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
15 Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184
16 Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 48
17 Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Conhecimento do futuro.
Previsões
18 Allan Kardec – Revista espírita – Julho de 1868 – A ciência da concordância
dos números e a fatalidade
19 Allan Kardec – Revista Espírita – 1861 – Janeiro – Perguntas dirigidas ao
Espírito Cazotte
20 Allan Kardec – Revista Espírita – 1864 – Maio – Teoria da Presciência
21 Amalia Domingos Soler – Memórias do Padre Germano – Cap. 5 – A Fonte da
Saúde
181
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
22 Amélia Rodrigues – Até o Fim dos Tempos – Cap. 17 – Os Sinais do Sofrimento
23 André Luiz – Coletânea do Além – Cap. 34 – O Tempo
24 André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 9 – No Lar da Benção
25 André Luiz – Cap. 12 – Preparação de Experiências
26 André Luiz – Nosso Lar – Cap. 21 – Continuando a Palestra
27 André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher
28 André Luiz – Opinião Espírita – Cap. 57 – Escala do Tempo
29 André Luiz – Sinal verde – Cap. 21 – Assuntos de tempo
30 André Luiz – Sinal Verde – Cap. 24 – Desejos
31 Antônio Bezerra – Rosas com Amor – Cap. 12 – Anúncios da vida
32 Áulus/André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 25 – Em torno da
fixação mental
33 Benedito da Gama Monteiro – Revista Reformador – 1996 – Junho
Conhecimento do Futuro – Profecias
34 Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante a
grande transição planetária
35 Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 3 – Planejamento
de atividades espirituais
36 Bezerra de Meneses – Os Próximos 50 anos – Psicografia de Divaldo P.
Franco – Brasília, 19/abril/2010
37 Bezerra de Meneses – Revista Reformador – Junho/2010 – Momento de
gloriosa transição
38 Bezerra de Meneses – União em Jesus – Cap. 3 – Itens da fraternidade em
Jesus
39 Camilo – Segue para o Grande Futuro
40 Carlos Imbassahy – Espiritismo a Luz dos Fatos – Cap. Dos Fenômenos
Subjetivos – As Previsões
41 Christiano Torchi – Revista Reformador – 2009 – Agosto – Pressentimentos
42 Clarêncio/André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 38 – Casamento feliz
43 Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões
44 Cornélio Pires – Caminhos da Vida Cap. 13 – Livre Arbítrio
45 Deraldo Neville – Sorrir e Pensar – Cap. 9 – Trabalho e Descanso
46 Divaldo Pereira Franco – Entrevista ao Programa Televisivo O Espiritismo
Responde, da União Regional Espírita – 7ª Região, Maringá, em 21.03.2007
47 Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 24 – O Espiritismo e as grandes
Transições
48 Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 25 – O Evangelho e o Futuro
182
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
49 Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós
50 Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 38 – Reações
51 Emmanuel – Caderno de Mensagens – Cap. 23 – Juventude e maturidade
52 Emmanuel – Calma – Cap. 2 – Passando pela Terra
53 Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 140 – Para os Montes
54 Emmanuel – Caridade – Cap. 14 – O talento esquecido
55 Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação
56 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Homem e seu Destino
57 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 33 – Quatro questões de filosofia – O Tempo e
o Espaço
58 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 35 – Fim de um ciclo Evolutivo
59 Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
60 Emmanuel – Fonte de Paz – Cap. 1 – Trabalhadores
61 Emmanuel – Inspiração – Cap. 32 – Mais tempo
62 Emmanuel – Instrumentos do Tempo – Cap. 5 – O minuto
63 Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro
64 Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 30 – Diante da Lei
65 Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 58 – Precisamente
66 Emmanuel – Justiça Divina – Cap.52 – Ante os Mundos Superiores
67 Emmanuel – Linha Duzentos – Cap. 10 – Diante do Destino
68 Emmanuel – Moradias de Luz – Cap. 6 – O Talento Celeste
69 Emmanuel – Nascer e Renascer – Cap. 4 – Fatalidade e Livre arbítrio
70 Emmanuel – O Consolador – Perg. 144
71 Emmanuel – Paciência – Cap. 2 – Serve e Caminha
72 Emmanuel – Pronto Socorro – Cap. 12 – Assunto de Lei
73 Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 4 – Memória de Além-Túmulo
74 Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Março – Pag. 54 – Futuro e
Fatalidade
75 Emmanuel – Revista Reformador – 1954 – Abril – Pag. 74 – Fatalidade e Livre
arbítrio
183
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
76 Emmanuel – Roteiro – Cap. 9 – O Grande Educandário
77 Emmanuel – Seara dos Médiuns – Cap. 76 – Imã
78 Emmanuel – Sentinela da Luz – Cap. 1 – Nas Convulsões do Século XX
79 Emmanuel – Servidores do Além – Cap. 1 – Onde o Remédio
80 Emmanuel – Taça de Luz – Cap. 31 – Ante o Futuro
81 Emmanuel/Jesus – Há Dois Mil Anos – 2º Parte – Cap. 6 – Alvoradas do Reino
do Senhor
82 Erasto – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 9 – Caracteres
do Verdadeiro profeta
83 Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida
84 Eurícledes Formiga – Caderno de mensagens – Cap. 72 – Ante o Ano Novo
(Reflexões sobre o tempo)
85 Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Nossos Pressentimentos
– 09/09/2008
86 Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Inspirações Espirituais –
18/11/2013
87 Gustavo Henrique Novaes Rodrigues – Revista Reformador – 2002 – Junho –
Reflexões sobre as Previsões do Futuro
88 Hermínio de Miranda – As Duas Faces da Vida – Lembranças do Futuro
89 Hermínio de Miranda – Estudos e Crônicas – Cap. 4.6 – O Sonho Profético de
Lincoln - Revista Reformador – 1968 – Maio
90 Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 26 – Carta Estimulante
91 Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 40 – Oração diante do
tempo
92 Humberto de Campos – Contos desta e doutra Vida – Cap. 26 – O segredo da
Juventude
93 Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo
94 Irmão Jacob – Voltei Cap. 5 – Despedidas
95 Isabel de Castro – Falando à Terra – Cap. 20- Um dia
96 Ivon Costa – Praça da Amizade – Cap. 7 – Notas em Pauta
97 J. A. Nogueira – Falando à Terra – Cap. 30 – O Tempo
98 J.J. Rousseau – Livros dos Médiuns – Cap. 31 – Acerca do Espiritismo – item 2
99 Jaime Cervino – Além do Inconsciente – Cap. 1- Um pouco de História
100 Jair Presente – Agência de notícias – Capítulo 7 – Irmãos da mesma Faixa
101 Jair Presente – Palco Iluminado – Cap. 2 – Nota do tempo
102 Joanna de Ângelis – 30/07/2006, RJ – Presença Espírita, setembro/outubro
2006, Nº 256 – Jesus e Vida – Cap. 1 – A grande Transição
184
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
103 Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 –
Incerteza do Futuro
104 Joanna de Angelis – Celeiros de Bênçãos – Cap. 35 – Serão Consolados
105 Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 8 – Renascer
106 Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
107 Joanna de Angelis – Leis Morais da Vida – Cap. 38 – Diante do destino
108 Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era
109 Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
110 Joanna de Ângelis – Momentos de Harmonia –- Cap. 10 – Projetos
Iluminativos
111 Joanna de Angelis – Momentos de Saúde e de Consciência – Cap. 2 –
Liberdade de escolha
112 Joanna de Angelis – Nascente de Bençãos – Cap. 19 – Alterações do Destino
113 Joanna de Ângelis – No Limiar do Infinito – Cap. 2 – Ante o Cosmo
114 Joanna de Angelis – No Limiar do Infinito – Cap. 5 – Determinismo e livre-
arbítrio
115 Joanna de Angelis – O Homem Integral – Cap. 39
116 Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
117 Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho –
Desconhecimento do Futuro
118 Joanna de Angelis – Roteiro de Libertação – Pag. 109 – Futuro e Nós
119 Joanna de Angelis – Seja Feliz Hoje – Cap. 1 – Acontecimentos Imprevistos
120 Kleber Halfeld – Retalhos do Cotidiano – Revista Reformador – 1987 – Abril
121 Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo
122 Lourenço de Almeida Prado – Paz e Alegria – Cap. 3 – Cartazes de Rumo
123 Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 – Jeremias e os
falsos Profetas
124 Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1 –
Reencarnação – Dádiva de Deus
125 Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 16 –
Programações Reencarnacionistas
126 Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição Planetária –
Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado
127 Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3 – A
Mensagem Revelação
128 Manoel Philomeno de Miranda/Silvio Santana – Transição Planetária – Cap.
18 – Reflexões e Diálogos profundos
129 Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 18 – Culpa e Resgate
185
# Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título
130 Maria Augusta Bittencourt – Cartas do Coração – 1ª Parte – Cap. 61 –
Ajudemo-nos
131 Mário Frigéri – As Sete Esferas da Terra – Cap. 11 – O fim do Mundo?
132 Meimei – Palavras do Coração – Meimei – Cap. 3 – Calma e auxílio
133 Neio Lúcio – Colheita do bem – Mensagens familiares do Professor Arthur
Joviano – Cap. 33
134 Neio Lúcio – Jesus no lar — Cap. 42 – A mensagem da compaixão
135 Noel de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo
136 O Espirito de Verdade – Obras Póstumas – 2º Parte – 10 de junho de 1856
137 Ormando Candelária – Chão de Flores – Cap. 15 – O Tempo
138 Rodolfo Calligaris – As Leis Morais – Cap. 36 – Fatalidade e Destino
139 Rogério Coelho – Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita –
2018 – Setembro – Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a
construir
140 São Luiz – Livro dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 2 – Perg. 1019 – Paraiso,
inferno e purgatório
141 Vianna de Carvalho – Atualidade do Pensamento Espírita – Cap.1 – Ciências
Sociais
142 Vianna de Carvalho – Citações do progresso – Praça da Amizade – Cap.15
143 Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações
Inconsequentes
144 Vianna de Carvalho – Momentos de Sublimação – Cap. 12 – Informações
Descabidas
145 Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do tempo
146 Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 Terrorismo de
natureza Mediúnica
147 Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – A Fé
148 Weimar Muniz de Oliveira – Ascendente Espiritual na Terra I/II- Revista
Reformador – Junho/Julho/1993
149 Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 3 – Reminiscências de
Vidas Passadas
150 Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições

Pressentimentos e Premonições

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    i SUMÁRIO 1 O Tempo.............................................................................................................................1 1.1O que é o Tempo? – Definições/Atributos/Características ....................................1 1.1.1 É Infinito/Imortalidade .........................................................................................5 1.1.2 É Progressivo/Evolução........................................................................................7 1.1.3 É Renovatório/Reencarnação ...............................................................................9 1.1.4 É igualitário/Amoroso ........................................................................................11 1.1.5 É Meritocrático/Lei de Causa e Efeito ...............................................................12 1.1.6 É Inteligente / Deus ............................................................................................15 2 O Futuro...........................................................................................................................17 2.1 Podemos AnteVer o Futuro? ..................................................................................17 2.1.1 Normas/Diretrizes Gerais ...................................................................................17 2.1.1.1 O Esquecimento do Passado...........................................................................17 2.1.1.2 A ocultação do Futuro.....................................................................................21 2.2 Perigos.......................................................................................................................23 2.2.1 Negligência do Presente .....................................................................................23 2.2.2 Angustias em relação ao Futuro .........................................................................24 2.2.3 Estabelecimento de fantasias e ilusões...............................................................25 2.3 Mitos..........................................................................................................................26 2.3.1 As provas e expiações são uma fatalidade absoluta. ..........................................26 2.3.2 Uma premonição quanto mais pormenorizada melhor é!!!................................28 2.3.3 Uma premonição só é dada por espíritos superiores!!! ......................................29 2.4 O que é o Futuro? ....................................................................................................33 2.4.1 Uma Colheita......................................................................................................33 2.4.2 Uma Plantação....................................................................................................34 2.4.3 Uma Libertação ..................................................................................................36 2.4.4 Uma Escolha.......................................................................................................38 3 Pressentimentos e Premonições .....................................................................................43 3.1 Pressentimentos e Premonições – Definições.........................................................43 3.2 Pressentimentos e Premonições – Conceitos Doutrinários...................................44 3.2.1 Allan Kardec.......................................................................................................44 3.2.1.1 Livro dos Espíritos – 1857..............................................................................44 3.2.1.2 Revista Espírita – 1861...................................................................................48 3.2.1.3 O Evangelho Segundo o Espiritismo – 1864..................................................50
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    ii 3.2.1.4 Revista Espírita– 1864 / A Gênese – 1868 ....................................................52 3.2.1.5 Obras Póstumas – 1869...................................................................................54 3.2.2 Emmanuel...........................................................................................................55 3.2.2.1 Fenômenos Premonitórios ..............................................................................55 3.2.2.2 Ante o Futuro..................................................................................................56 3.2.2.3 Futuro e Nós....................................................................................................57 3.2.2.4 Adivinhações ..................................................................................................58 3.2.2.5 Em torno do Futuro.........................................................................................60 3.2.3 Yvonne Pereira/Bezerra de Meneses..................................................................61 3.2.3.1 Acontecimentos Futuros .................................................................................61 3.2.4 Revista Reformador/FEB ...................................................................................64 3.2.4.1 Reflexões sobre as Previsões do Futuro .........................................................64 3.2.4.2 Pressentimentos...............................................................................................66 3.2.4.3 Conhecimento do Futuro – Profecias..............................................................72 3.2.5 Joanna de Angelis...............................................................................................73 3.2.5.1 Pressentimento................................................................................................73 3.2.5.2 Futuro e Nós....................................................................................................77 3.2.5.3 Marco Divisório..............................................................................................79 3.2.5.4 Desconhecimento do futuro............................................................................81 3.2.5.5 Acontecimentos imprevistos...........................................................................83 3.2.5.6 Incerteza do futuro..........................................................................................86 3.2.5.7 Pressentimentos...............................................................................................89 3.2.6 Eros.....................................................................................................................91 3.2.6.1 Programa de Vida ...........................................................................................91 3.2.7 Hermínio de Miranda .........................................................................................92 3.2.7.1 Lembranças do Futuro ....................................................................................92 3.2.8 André Luiz........................................................................................................100 3.2.8.1 Programas Reencarnatórios ..........................................................................100 3.2.9 Vianna de Carvalho ..........................................................................................101 3.2.9.1 Revelações Inconsequentes...........................................................................101 3.2.9.2 Informações Descabidas ...............................................................................105 3.2.9.3 Terrorismo de natureza Mediúnica...............................................................108 3.2.10 Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita....................................112 3.2.10.1 Nossos Pressentimentos................................................................................112 3.2.10.2 Inspirações Espirituais ..................................................................................114 3.2.10.3 Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a construir ...........116
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    iii 3.2.11 Cornélio Pires...................................................................................................121 3.2.11.1 Previsões .......................................................................................................121 3.3 Pressentimentos e Premonições – Objetivos........................................................122 3.3.1 Coragem e Resignação .....................................................................................122 3.3.2 Força de Transformação...................................................................................123 3.3.3 Advertência e Incentivo ao Objetivo................................................................124 3.3.4 Exemplos ..........................................................................................................125 3.4 Pressentimentos e Premonições – Condições para ocorrer...............................133 3.4.1 Mérito ...............................................................................................................133 3.4.2 Desenvolvimento Psíquico ...............................................................................134 3.4.3 Misericórdia Divina..........................................................................................135 3.5 Pressentimentos e Premonições – Meios para ocorrer......................................136 3.5.1 Um Sonho.........................................................................................................136 3.5.2 Uma Intuição ....................................................................................................137 3.5.3 Via Recordações do próprio Espírito................................................................138 3.5.4 Através da captação Mental do fato .................................................................139 3.5.5 Por meio de Projeção Mediúnica......................................................................140 3.5.6 Através da Análise e Estudo da lei de causa e Efeito.......................................141 3.5.7 Exemplos ..........................................................................................................142 3.5.7.1 1865 – O Sonho Profético de Lincoln ..........................................................142 3.5.7.2 1914 – 1º Guerra Mundial.............................................................................144 3.5.7.3 1938 – Choque de Trens – Minas Gerais......................................................145 3.6 Pressentimentos e Premonições – Síntese ............................................................146 3.6.1 Uma Benção .....................................................................................................146 4 As Profecias – Os Tempos são chegados .....................................................................148 4.1 O Sermão Profético – Jesus...................................................................................148 4.2 Definições e Conceitos – Kardec...........................................................................150 4.3 Sinais dos Tempos – Emmanuel ...........................................................................153 4.4 Sinais dos Tempos – Bezerra de Meneses............................................................160 4.5 Sinais dos Tempos – Joanna de Angelis...............................................................163 4.6 Sinais dos Tempos – Amélia Rodrigues ...............................................................165 4.7 Sinais dos Tempos – Manoel Philomeno de Miranda.........................................170 4.8 Sinais dos Tempos – Camilo .................................................................................174 4.9 Sinais dos Tempos – Divaldo Franco ...................................................................176 4.10 Sinais dos Tempos – Weimar Muniz de Oliveira................................................177 4.11 Sinais dos Tempos – Mário Frigéri ......................................................................178
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    iv 4.12 Sinais dosTempos – Vianna de Carvalho ...........................................................179 5 Referências.....................................................................................................................180
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    1 Os Pressentimentos eas Premonições Espíritas 1 O Tempo 1.1 O que é o Tempo? – Definições/Atributos/Características O tempo é relativo; não pode ser apreciado senão em termos de comparação e os pontos de referência estabelecidos na revolução dos astros; e esses termos variam conforme os mundos, porque fora dos mundos o tempo não existe; não há unidade para medir o infinito. Allan Kardec – Revista Espírita – Julho de 1868 – A ciência da concordância dos números e a fatalidade. O tempo, como a palavra espaço, é também um termo já por si mesmo definido; dele se faz ideia mais exata, relacionando-o com o todo infinito. O tempo é a sucessão n das coisas; está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito (...) O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. Allan Kardec – A Gênese – Cap. 6 – Uranografia geral – O Espaço e o Tempo O espaço e o tempo serão apenas formas viciosas do intelecto, ou terão uma expressão objetiva no esquema da realidade pura? E, neste último caso, quais serão as relações fundamentais entre espaço e tempo? Resposta. — No esquema das realidades eternas e absolutas, tempo e espaço não têm expressões objetivas; se são propriamente formas viciosas do vosso intelecto, elas são precisas ao homem como expressões de controle dos fenômenos da sua existência. As figuras, em cada Plano de aperfeiçoamento da vida, são correspondentes à organização através da qual o Espírito se manifesta. Emmanuel – Emmanuel – Cap. 33 – Quatro questões de filosofia – O Tempo e o Espaço
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    2 “Se ninguém meperguntar [O que é o Tempo], eu sei; porém, se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.” “É impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras. Existem, pois, estes três tempos na minha mente que não vejo em outra parte: lembrança presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras.” Santo Agostinho – Confissões – Livro XI Relação de seus escritos nas Obras de A. Kardec: A. Livro dos Espíritos: − “Prolegômenos”; − Perg. 495 (em parceria com São Luís); − Perg. 919; − Perg. 1009; − Parte final do item VIII da “Conclusão”. B. Livro dos Médiuns: − Cap. 31 — “Dissertações Espíritas” — “Sobre o Espiritismo” — I − Cap. 16: “Sobre as Sociedades Espíritas” C. O Evangelho Segundo o Espiritismo: − Cap.: I, 11 ; III, 13 a 15; V, 19; XII, 12; XIV, 9; XXVII, 23. D. O Céu e o Inferno: − Cap. 8 — “Expiações Terrestres” — Sobre o menino Marcel E. Revista Espírita: − Vol. XI, 15.
  • 8.
    3 Aurélio Agostinho, (emlatim: Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona, ou Santo Agostinho, (Tagaste, 13 de novembro de 354 – Hipona, 28 de agosto de 430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo, padre e Doutor da Igreja Católica. Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, Agostinho foi fortemente influenciado pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo de Plotino, mas depois de sua conversão e batismo (387), ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia e uma variedade de métodos e perspectivas diferentes. Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A igreja se identificou com o conceito de “Cidade de Deus” de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus. Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, província de Souk Ahras, Argélia, e sua mãe, católica, se chamava Mônica. Foi educado no Norte da África e resistiu aos pedidos da mãe para se tornar cristão. Vivendo como um intelectual pagão, ele tomou uma concubina e se tornou um maniqueísta. Posteriormente se converteu para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se opôs às heresias, como a crença que as pessoas possuem a habilidade de escolher fazer um bem tão forte que poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina (pelagianismo). Na Igreja Católica, e na Igreja Anglicana, é um santo, e um importante doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostinha; seu memorial é celebrado no dia 28 de agosto.
  • 9.
    4 Muitos protestantes, especialmentecalvinistas, o consideram como um dos pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a salvação e a graça divina. Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia festivo é celebrado em 15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é um herege, principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou conhecido como a cláusula filioque. Entre os ortodoxos é chamado de “Agostinho Abençoado”, ou “Santo Agostinho o Abençoado”. Wikipédia – Santo Agostinho
  • 10.
    5 1.1.1 É Infinito/Imortalidade OTempo é o tesouro infinito que o Criador concede as Criaturas. Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo Um ano chega e se vai, Mas outro ano aparece, Para que o drama da vida, Na Terra se represente… Em cada dia que nasce Há sempre dor e prazer; Resguardemos o otimismo Na alegria de viver… Jair Presente – Palco Iluminado – Cap. 2 – Nota do tempo Ao que me parece, em todas as situações e sentimentos, a palavra eternidade é sinônimo de mudança. Ivon Costa – Praça da Amizade – Cap. 7 – Notas em Pauta Cada um de nós estrutura o destino, dentro do tempo, patrimônio de Deus, que usamos segundo a nossa vontade. Somos artífices de nós mesmos, de nossa ascensão ou de nossa queda. Somos aquilo que gravamos na tela das horas. (...) Proclamais a fadiga como credencial para consolo celeste; entretanto, é imprescindível conhecer a causa do vosso cansaço. Quantas lágrimas enxugastes? Quantas noites despendestes à cabeceira dos desamparados do mundo? Quantas horas já destes ao triste, ao miserável, ao aflito, ao canceroso? Quantas vezes fizestes sorrir a esperança nos corações derreados pela desilusão? Quantos pensamentos de verdadeiro amor aos semelhantes emitistes nos caminhos do tempo? Quantas crianças conduzistes?
  • 11.
    6 Quantos irmãos semrefúgio encontraram em vosso espírito o sustento e o incentivo de viver? Quantas dores mitigastes? Quantas luzes acendestes? (...) O tempo!… O tempo!… Era necessário valorizá-lo, enchê-lo, de claridades e de bênçãos eternas, como quem espalha um tesouro divino para, em seguida, retornar com os galardões da vitória aos santuários da imortalidade!… De improviso, encontrei-me no quarto, em que me aguardavam o transe final. Abri dificilmente os olhos e contemplei os rostos piedosos que me vigiavam o leito… Quis falar e gesticular, descrevendo tudo quanto vira e ouvira no castelo revelador do Plano espiritual, mas os meus braços se mantinham imóveis e minha boca estava hirta. Tinha eu agora esclarecimentos que não podia transmitir, notícias que era incapaz de desvelar, e sonhos que não me era dado contar… “Ó Senhor!… — Pensei — poupa-me ainda…” Mas o mesmo ancião do caminho iluminado fez-se-me visível e repetiu as palavras: — É inútil. Sigamos! J. A. Nogueira – Falando à Terra – Cap. 30 – O Tempo José Antônio NOGUEIRA (1947) — Brilhante jurista e eminente magistrado brasileiro. Espiritista. Escritor suave e de forte personalidade. Crítico penetrante, suas obras, e principalmente “Amor Imortal”, mereceram o elogio de renomados autores brasileiros. Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo tempo tempo tempo És um dos deuses mais lindos Tempo tempo tempo tempo Caetano Veloso – Oração ao Tempo
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    7 1.1.2 É Progressivo/Evolução Avida é permanente, a oportunidade se repete, a lição se rearticula, mas o tempo de hoje não mais voltará. Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do tempo Jornadeando nas trilhas da evolução, não é o tempo que passa por ti, mas, inversamente, és a criatura que passa pelo tempo. Emmanuel – Calma – Cap. 2 – Passando pela Terra Não é o tempo que passa por nós; ao contrário, nós é que passamos por ele. Eduardo Leite de Araújo – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo Tempo e Esforço são as chaves do crescimento da Alma. Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 26 – Carta Estimulante O tempo não volta atrás, Dia passado correu; Tempo é aquilo que se faz Do tempo que Deus nos deu. Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo Todas as criaturas gozam o tempo — raras aproveitam-no. (...) Distraído cultivador — pergunta: “que farei?” E o tempo silencioso responde — com ensejos benditos: De servir — ganhando autoridade. De obedecer — conquistando o mundo. De lutar — escalando os céus. O homem, todavia — voluntariamente cego, Roga sempre mais tempo — para zombar da vida, (...) Mas chega um dia — porque há sempre um dia mais claro que os outros, Em que a morte surge — reclamando trapos velhos…
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    8 O tempo recolhe,então — apressado — as oportunidades que pareciam sem-fim… E o homem reconhece — tardiamente preocupado Que a Eternidade Infinita — pede contas do minuto. André Luiz–Coletânea do Além – Cap. 34–O Tempo
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    9 1.1.3 É Renovatório/Reencarnação Éa suprema renovação da Vida. Estudando a existência humana, temos que o tempo é a redenção da Humanidade, ou melhor – o único patrimônio do Homem. Amalia Domingos Soler – Memórias do Padre Germano – Cap. 5 – A Fonte da Saúde O tempo é o nosso abençoado renovador. Irmão Jacob – Voltei Cap. 5 – Despedidas O tempo é o agente silencioso que preside o crescimento, a evolução e a maturação das sementes de renovação do mundo interior de cada um de nós, para que nossos recursos se descerrem plenamente ao sol do trabalho para o engrandecimento da vida em nós e fora de nós. Bezerra de Meneses – União em Jesus – Cap. 3 – Itens da fraternidade em Jesus Ano Novo! Novos dias! Luz, trabalho, vida e festa!… Mas, um dia, a morte exige, Tudo o que Deus nos empresta. Eurícledes Formiga Eurícledes Formiga – Caderno de mensagens – Cap. 72 – Ante o Ano Novo (Reflexões sobre o tempo) Ninguém evolui, nem prospera, nem melhora e nem se educa, enquanto não aprende a empregar o tempo com o devido proveito. André Luiz – Sinal verde – Cap. 21 – Assuntos de tempo Senhor Jesus! Diante do calendário que se renova, deixa que nos ajoelhemos para implorar-te compaixão. Tu que eras antes que fôssemos, que nos tutelaste, em nome do Criador, na noite insondável das origens, não desvies de nós teu olhar, para que não venhamos a perder o adubo do sangue e das lágrimas, oriundo das civilizações que morreram sob o guante da violência!…
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    10 Determinaste que oTempo, à feição de ministro silencioso de tua justiça, nos seguisse todos os passos… E, com os séculos, carregamos o pedregulho da ilusão, dele extraindo o ouro da experiência. Do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, temos sido senhores e escravos, ricos e pobres, fidalgos e plebeus. Entretanto, em todas as posições, temos vivido em fuga constante da verdade, à caça de triunfo e denominação para o nosso velho egoísmo. (...) Entretanto, ainda hoje, decorridos quase vinte séculos sobre o teu sacrifício, não temos senão lágrimas de remorso e arrependimento para fecundar o Saara de nossos corações… Em teu nome, discípulos infiéis que temos sido, espalhamos nuvens de discórdia e crueldade nos horizontes de toda a Terra! É por isso que o Tempo nos encontra hoje tão pobres e desventurados como ontem, por desleais ao teu Evangelho de Redenção. Não nos deixes, contudo, órfãos de tua bênção… No oceano encapelado das provações que merecemos, a tempestade ruge em pavorosos açoites… Nosso mundo, Senhor, é uma embarcação que estala aos golpes rijos do vento. Entre as convulsões da procela que nos arrasta e o abismo que nos espreita, clamamos por teu socorro! E confiamos em que te levantarás luminoso e imaculado sobre a onda móvel e traiçoeira, aplacando a fúria dos elementos e exclamando para nós, como outrora disseste aos discípulos aterrados: — “Homens de pouca fé, porque duvidastes?” Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 40 – Oração diante do Tempo
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    11 1.1.4 É igualitário/Amoroso Otempo é imperturbavelmente dosado. Concessão igual a todos. (...) Reflitamos na justiça das horas. Tempo é valor divino na experiência humana. Cada consciência plasma com ele o próprio destino. O tempo que o Cristo despendeu na elevação era perfeitamente igual ao tempo que Barrabás gastou na criminalidade. A única diferença entre eles é que Jesus empregou o tempo engrandecendo o bem, e Barrabás usou o tempo gerando o mal. Entre a luz de um e a sombra do outro, o proveito do tempo se gradua por escala infinita. Melhorar-nos ou agravar-nos dentro dela é escolha nossa. André Luiz – Opinião Espírita – Cap. 57 – Escala do Tempo O Tempo é benfeitor carinhoso e credor imparcial simultaneamente. Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo O tempo assemelha-se ao professor equilibrado e correto que premia o merecimento, considera o esforço, reconhece a boa vontade e respeita a disciplina, mas não cria privilégio e nem dá cola a ninguém. Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 58 – Precisamente O tempo que o malfeitor gastou para agir em oposição à Lei, é igual ao tempo que o santo despendeu para trabalhar sublimando a vida. André Luiz – Sinal Verde – Cap. 24 – Desejos Acima de todos os dons, permanece o tesouro do tempo. Com as horas os santos construíram a santidade e os sábios amealharam a sabedoria. Emmanuel – Caridade – Cap. 14 – O talento esquecido Faze o que deves fazer Em teus projetos no Bem. O Tempo é igual para todos, Mas não espera a ninguém. Deraldo Neville – Sorrir e Pensar – Cap. 9 – Trabalho e Descanso
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    12 1.1.5 É Meritocrático/Leide Causa e Efeito O tempo confere a cada um os resultados das próprias obras. Emmanuel – Caderno de Mensagens – Cap. 23 – Juventude e Maturidade O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu esforço. Neio Lúcio – Jesus no lar – Cap. 42 – A mensagem da Compaixão O Tempo é o rio da vida cujas águas nos devolvem o que lhe atiramos. Isabel de Castro – Falando à Terra – Cap. 20 – Um dia O tempo é o advogado de todos. Fala sem palavras e exalta sem louros humanos. Confere a cada um, segundo as próprias obras, a alegria ou a dor, a libertação ou o cativeiro Maria Augusta Bittencourt – Cartas do Coração – 1ª Parte – Cap. 61 – Ajudemo-nos O tempo é como a onda. Flui e reflui. Da nossa sementeira havemos de colher. Clarêncio/André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 38 – Casamento feliz Tempo é comparável a solo. Serviço é plantação. Emmanuel – Estude e viva – Cap. 11 – Troca incessante O tempo carrega em tudo A justiça por escolta. De tudo quanto se dá O tempo entrega de volta. Antônio Bezerra – Rosas com Amor – Cap. 12 – Anúncios da vida
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    13 O tempo, paranós, é sempre aquilo que dele fizermos. (…) As horas são invariáveis no relógio, mas não são sempre as mesmas em nossa mente. Quando felizes, não tomamos conhecimento dos minutos. Satisfazendo aos nossos ideais ou interesses mais íntimos, os dias voam céleres, ao passo que, em companhia do sofrimento e da apreensão, temos a ideia de que o tempo está inexoravelmente parado. (…) Analisemos ainda o nosso símbolo do combate. O relógio inflexível assinala o mesmo horário para todos, entretanto, o tempo é leve para os que triunfaram e pesado para os que perderam. Com os vencedores, os dias são felicidade e louvor e com os vencidos são amargura e lágrimas. Áulus/André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 25 – Em torno da fixação mental O tempo recolhe a vida, Não sabe se é boa ou má, Depois age qual a Terra: Devolve o que se lhe dá Ormando Candelária – Chão de Flores – Cap. 15 – O Tempo De tudo o que dermos ao tempo receberemos colheita certa. Emmanuel – Inspiração – Cap. 32 – Mais Tempo O tempo é o rio das horas, Tão exato assim não há; Recebe o que se lhe atira, Devolve o que se lhe dá. Noel de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo O tempo é também qual o solo fecundo a retribuir-nos em regime de percentagem crescente as bênçãos que semeamos… Emmanuel – Fonte de Paz – Cap. 1 – Trabalhadores
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    14 O tempo éum rio tranquilo Que tudo sofre ou consente, Mas devolve tudo aquilo Que se lhe atira à corrente. Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo
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    15 1.1.6 É Inteligente/ Deus O Tempo, ao Comando Divino, marcha com regularidade, renovando e aperfeiçoando todas as criaturas e todas as coisas. Emmanuel – Instrumentos do Tempo – Cap. 5 – O minuto O tempo que converte a alegria em experiência, é o mesmo que extrai a felicidade do sofrimento. Agar – Relicário de Luz – Cap. 115 – Com os dias O tempo é o tesouro de bênçãos do Senhor, tão divino e substancial para a nossa alma quanto é o solo para a semente. Sem a terra amorável, o embrião da vida não passaria de força frustrada e sem a riqueza das horas, imperceptível para todos os habitantes da crosta do mundo, o espírito não avançaria, quedando-se à margem da existência à maneira de seixo ressequido ou morto. Neio Lúcio – Colheita do bem – Mensagens familiares do Professor Arthur Joviano – Cap. 33 Quem dá o seu próprio tempo, a benefício dos outros, não conta tempo na própria idade, no sentido de envelhecer. Humberto de Campos – Contos desta e doutra Vida – Cap. 26 – O segredo da Juventude O tempo, na vida de cada um de nós, é uma doação preciosa de Deus. Meimei – Palavras do Coração – Meimei – Cap. 3 – Calma e Auxílio Tempo é doação da Providência Divina. Emmanuel – Paciência – Cap. 2 – Serve e Caminha O tempo é uma dádiva do Senhor, com a qual necessitamos aprender a semear e a construir com o bem. Humberto de Campos – Histórias e Anotações – Cap. 11 – Sinceramente
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    16 O tempo, nofundo, é o talento celeste que o Supremo Senhor derramou, a mancheias, em todas as direções e em favor de todas as criaturas. Emmanuel – Moradias de Luz – Cap. 6 – O Talento Celeste
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    17 2 O Futuro 2.1Podemos AnteVer o Futuro? 2.1.1 Normas/Diretrizes Gerais 2.1.1.1 O Esquecimento do Passado Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado? Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em Sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 392 – Esquecimento do Passado A lei divina, que rege a condição do ser encarnado na Terra, estabeleceu o esquecimento das migrações pretéritas, por se tratar do que mais convém ao comum das criaturas, sendo mesmo essa a situação normal de cada ser, e, assim sendo, o fato de recordar produzirá choques morais por vezes intensos, na personalidade que assim se destaca, acarretando anormalidades que variam de grau, conforme a situação moral ou consciencial de cada um, pois só quem realmente recorda o próprio passado reencarnatório, no qual faliu, estará capacitado a compreender o desequilíbrio e a amargura que tal situação provoca. Ao que parece, o fato de recordar existências passadas constitui provação para as criaturas comuns, ainda pouco evolvidas, ou concessão ao mérito, nas de ordem mais elevada na escala moral. (...) Cumpre, porém, advertir que, nestas páginas, tratamos de recordações diretas que o indivíduo possa ter de suas migrações terrestres do pretérito e não de revelações transmitidas por possíveis médiuns. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 3 – Reminiscências de Vidas Passadas
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    18 A faculdade derecordar é o agente que nos premia ou nos pune, ante os acertos e os desacertos da rota. Dessa forma, se os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma, as ações infelizes se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência. Crimes perpetrados, faltas cometidas, erros deliberados, palavras delituosas e omissões lamentáveis esperam-nos a lembrança, impondo-nos, em reflexos dolorosos, o efeito de nossas quedas e o resultado de nossos desregramentos, quando os sentidos da esfera física não mais nos acalentam as ilusões. Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 4 – Memória de Além-Túmulo É preciso grande equilíbrio para podermos recordar, edificando. Em geral, todos temos erros clamorosos, nos ciclos da vida eterna. Quem lembra o crime cometido costuma considerar-se o mais desventurado do Universo; e quem recorda o crime de que foi vítima, considera-se em conta de infeliz, do mesmo modo. Portanto, somente a alma muito segura de si recebe tais atributos como realização espontânea. As demais são devidamente controladas no domínio das reminiscências e, se tentam burlar esse dispositivo da lei, não raro tendem ao desequilíbrio e à loucura. (...) A leitura apenas informa. Depois de longo período de meditação para esclarecimento próprio, e como surpresas indescritíveis, fomos submetidos a determinadas operações psíquicas, a fim de penetrar os domínios emocionais das recordações. Os espíritos técnicos no assunto nos aplicaram passes no cérebro, despertando certas energias adormecidas... André Luiz – Nosso Lar – Cap. 21 – Continuando a Palestra
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    19 Diante das ocorrênciasdo déjà-vu, os remanescentes reencarnacionistas estabelecem parâmetros sutis de lembranças que retornam à consciência atual como lampejos e clichês de evocações, ressumando dos conteúdos da inconsciência — ou da memória extracerebral, do períspirito — oferecendo possibilidades de identificação de pessoas, acontecimentos, lugares e narrativas já vividas, já conhecidas, antes experimentadas... Desfilam, então, os fenômenos psicológicos das simpatias e das antipatias, dos amores alucinantes e dos ódios devoradores, que ressurgem dos arquivos da memória anterior ante o estímulo externo de qualquer natureza, que os desencadeiam, tais: um encontro ou reencontro; uma associação de ideias — a atual revelando a passada — uma dissensão ou um diálogo; qualquer elemento que constitua ponte de ligação entre o hoje e o ontem. Joanna de Angelis – O Homem Integral – Cap. 39 – A Reencarnação Na existência corporal, todavia, a alma sente a memória obscurecida, num olvido quase total do passado, a fim de que os seus esforços se valorizem; a consciência então é fragmentária, parcial, porquanto as suas faculdades estão eclipsadas pelos pesados véus da matéria, os quais atenuam ao mínimo as suas vibrações, constituindo, porém, esses poderes prodigiosos, mas ocultos, as extraordinárias possibilidades da vasta subconsciência, que os cientistas do século estudam acuradamente. Tais forças e progressos adquiridos, o Espírito jamais os perde; são parte integrante do seu patrimônio e, na vida material, podem emergir no exercício da mediunidade, nas hipnoses profundas, ou em outras circunstâncias que facilitam o desprendimento temporário dos elementos psíquicos. Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Esquecimento do Passado
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    20 Incontáveis pessoas sehão surpreendido em face das lembranças das vidas passadas, em que mergulham inconscientemente, experimentando nas evocações os estados emocionais característicos das personagens que antes animaram. Da sistemática recordação, com os sucessivos mergulhos nas lembranças do passado, muitos têm sido vítima de distonias de vária ordem, perturbando-se, sem conseguirem estabelecer os limites entre os fatos de uma e de outra existência: a do passado, que retorna vigorosa, e a do presente, que se vai submetendo ao impositivo da outra. Na vida infantil, porque o espírito ainda se encontra em processo de fixação total nas células, apropriando-se do campo somático, a pouco e pouco, surgem frequentemente nos diversos campos da Arte, da Filosofia, da Ciência e da Religião os que externam precocidade surpreendente, revelando conhecimentos superiores aos do tempo em que vivem ou recordando os ensinamentos aprendidos anteriormente. A memória da aprendizagem e dos fatos não se perde nunca, pois que esta não é património das células cerebrais, que as traduzem, estando incorporada ao períspirito, que a fixa, acumulando as experiências das múltiplas existências, mediante as quais o Espírito evolute, nas diversas faixas que se lhe fazem necessárias. Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 8 – Renascer
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    21 2.1.1.2 A ocultaçãodo Futuro Em princípio, o futuro lhe é oculto, e só em casos raros e excepcionais Deus lhe permite a sua revelação. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868 – Conhecimento do Futuro (...) Essas palavras claramente indicam que, já naquela época, os charlatães e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam. Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo, predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis. Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação Judia, e fácil é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos pseudoprofetas, que não passavam de impostores ou fanáticos. Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 – Jeremias e os falsos Profetas Entre as inescrutáveis Leis de Deus chama a atenção, merecendo reflexões, a que se refere ao desconhecimento do futuro concedido à criatura humana. (...) É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma, menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã. Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se embriagam. Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio. Aguardar a chegada de tragédias e dramas, de infortúnios e dissabores constituiria desgraça injustificada, maior do que o fato em si. Tivesse-se conhecimento por antecedência de sucessos felizes, de vitórias afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período que separa o momento da descoberta ao da sua concretização.
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    22 Ademais, nasceria tormentosadesconsideração pelo presente, cuja condução modificaria o futuro. (...) Se aspiras conhecer o teu futuro, examina o teu presente, programando os teus pensamentos, palavras e atos que formarão o tecido do que está por vir. Se aspiras saber do teu passado, aprofunda reflexões nos teus dias atuais e concluirás como ele ocorreu, em razão daquilo que és agora. O desconhecimento do futuro, qual sucede com o do passado, é bênção da Vida, contribuindo para uma existência harmônica, embasada na confiança dos resultados do amor e do trabalho, que são alavancas promotoras do progresso para todos. Quando Deus permite ao ser humano conhecer o futuro em caráter especial, assim o faz, objetivando o seu e o progresso da sociedade. A forma porém, como o indivíduo se utiliza desse conhecimento, é de sua inteira responsabilidade, assim como as consequências disso advindas. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Desconhecimento do Futuro
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    23 2.2 Perigos 2.2.1 Negligênciado Presente Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 869 É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma, menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã. (...) Tivesse-se conhecimento por antecedência de sucessos felizes, de vitórias afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período que separa o momento da descoberta ao da sua concretização. Ademais, nasceria tormentosa desconsideração pelo presente, cuja condução modificaria o futuro. No rio do tempo somente o hoje é vital. Vivê-lo com elevação e nobreza é a forma feliz de anular o ontem e programar o amanhã. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Desconhecimento do Futuro
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    24 2.2.2 Angustias emrelação ao Futuro Prepara o futuro através de atitudes corretas, mas não te angusties pela chegada dele. Joanna de Angelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se embriagam. Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Julho – Desconhecimento do Futuro Em face dos substratos do passado, arquivados no subconsciente, quase sempre negativos, neurotizantes, a pessoa pressupõe que o seu será um futuro carregado de problemas, de desafios, exigindo-lhe continuar abraçado à cruz dos sofrimentos. Porque não desalojou dali os hóspedes indesejáveis da perturbação, as mensagens que capta em relação ao futuro são assinaladas por incertezas e preocupações. Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 – Incerteza do Futuro
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    25 2.2.3 Estabelecimento defantasias e ilusões Muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se embriagam. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Julho – Desconhecimento do Futuro Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi- los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita de que não existe a predestinação para o mal. Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com a força das trevas. Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
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    26 2.3 Mitos 2.3.1 Asprovas e expiações são uma fatalidade absoluta. Não creia que “só acontece o que deve acontecer”. A sua conduta altera para melhor ou para pior o seu esquema evolutivo, conforme a direção que você se conceda. Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 18 – Culpa e Resgate O determinismo é flexível, com raras exceções, que sempre são examinadas, coordenadas e alteradas pelos responsáveis nos processos reencarnatórios dos que demandam à Terra em aprendizagem edificante, liberadora. Nos mapas das experiências humanas, graças às mudanças de comportamento dos reencarnados, em decorrência do seu livre-arbítrio, são alterados com assídua frequência, sucessos e socorros, dores e problemas programados, abreviando-se ou concedendo-se moratória à vilegiatura daqueles que se situam num como noutro campo desta ou daquela necessidade... O que parece determinismo infeliz e que resulta nas chamadas desgraças terrenas: desastres, desencarnações inesperadas, enfermidades, abandonos, sofrimentos, pobreza, de forma alguma são infortúnios reais, antes processos metodológicos de disciplina moral para os calcetas, os devedores inveterados mediante os quais são advertidos pelas forças superiores, a fim de que se voltem para os deveres nobres e se recomponham perante a consciência e o próximo que espezinham e subalternizam... Os infortúnios (reais) são os atos que levam a tais correções e não os medicamentos providenciais para a catarse dos descalabros cometidos, das sandices perpetradas... Como auxiliares valiosos do livre-arbítrio, possui o homem o discernimento, a razão, a tendência para o bem, a irresistível atração para a felicidade. Contra ele estão o passado espiritual, o atavismo animal, a preferência ao erro, como decorrência do hábito, do comodismo a que se prende. Joanna de Angelis – No Limiar do Infinito – Cap. 5 – Determinismo e livre- arbítrio
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    27 Os fatalistas, (...) acreditamque todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijar-se, se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso. Os deterministas, (...) ao seu turno sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem em livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a índole da raça a que pertença; o clima, o solo e o meio social em que viva; a educação, os princípios religiosos e os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc. Rodolfo Calligaris – As Leis Morais – Cap. 36 – Fatalidade e Destino O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores da natureza, chega à condição de humanidade, depois de haver pago os tributos que a evolução lhe reclama. À vista disso, é natural compreendas que o livre-arbítrio estabelece determinada posição para cada alma, porquanto cada pessoa deve a si mesma a situação em que se coloca.  És hoje o que fizeste contigo ontem.  Serás amanhã o que fazes contigo hoje. Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 30 – Diante da Lei Livre arbítrio! … Livre arbítrio! … O homem faz o que quer, Mas sempre responderá Por aquilo que fizer Cornélio Pires – Caminhos da Vida Cap. 13 – Livre Arbítrio Deus criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher
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    28 2.3.2 Uma premoniçãoquanto mais pormenorizada melhor é!!! Os Espíritos levianos, que não escrupulizam de vos enganar, esses determinam os dias e as horas, sem se preocuparem com que o fato predito ocorra ou não. Por isso é que toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
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    29 2.3.3 Uma premoniçãosó é dada por espíritos superiores!!! Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso revelarem. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289 Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo quadros menos dignos, projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles que se fizeram nossos inimigos em outras eras; e das palavras que articulam podem surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança. Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, vulgares, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas. Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente... Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 – Terrorismo de natureza Mediúnica Caso, no entanto, seja reprochável a conduta do indivíduo ou se faça caracterizada pela rebeldia sistemática, pelos conflitos nos quais se compraz, os pressentimentos se apresentam com manifestação maléfica, propostos pelos acompanhamentos espirituais que se lhe tornam constantes, em razão do tipo de opção mental e comportamental a que se entrega.
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    30 Os Espíritos queo assessoram atormentam-no com ideias falsas umas e mirabolantes outras, a fim de mais o iludirem e fixarem-no nas suas redes mentais perversas, de difícil libertação. Comensais dos seus propósitos íntimos enfermiços, são hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e portadoras de conteúdos perturbadores que o atormentam e mais pioram o seu humor e estado emocional. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam- se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos. Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações Inconsequentes
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    31 Era um hábitosem pausa… Fosse ilusão ou capricho, O médium Joaquim de Souza Curtia o jogo do bicho. Não era pessoa falsa, Nem era mau companheiro, Demonstrava apenas fome De dinheiro e mais dinheiro. Na manhã de cada dia, Em pensamento profundo, Perguntava a Irmão Rosalvo Que lhe fora irmão no mundo… “Que bicho teremos hoje?” Após ligeiro intervalo, A voz do irmão respondia: — “Pegue o camelo e o cavalo.” Joaquim seguia o conselho, Promovia grande aposta: Depois, vinha o resultado Grande soma por resposta. Chegava a manhã seguinte, Concentrava-se com fé… — “E hoje?” O irmão sugeria: — “Pegue a cabra e o jacaré” Na manhã imediata, Joaquim regressava à treta: — “E hoje?” O irmão informava: — “Pegue o tigre e a borboleta.” Meses e meses passaram… Joaquim tinha o ouro à vista, Embora médium, subira A grande capitalista. Certa manhã, disse a voz: — “Joaquim, melhore o seu taco, Entregue tudo o que tenha No peru e no macaco.” Joaquim atendeu, de pronto… Pôs as somas que ajuntara Nos dois bichos referidos Que a voz do Além lhe apontara.
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    32 Nesse dia, entrouem prova; Com grande consternação, Viu que os bichos não vieram, Vieram gato e pavão. Joaquim errava, magoado, Da sala para a cozinha… Estava pobre… Perdera A fortuna que detinha Ansioso, foi ao quarto, Entrou em prece e pediu: — “Irmão Rosalvo, esclareça!… O que é que você viu? Atenda! Peço socorro, Fale, irmão!… Pois estou fraco!… Por que o gato e o pavão Sem peru e sem macaco?” A voz, porém, lhe explicou: — “Não sou o seu companheiro, Não sou seu irmão Rosalvo, Eu sou a mãe do banqueiro…” Meus irmãos, temos na Terra Um trio de fel e fogo… Tem três nomes conhecidos: — Ambição, cachaça e jogo. Jair Presente – Agência de notícias – Capítulo 7 – Irmãos da mesma Faixa
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    33 2.4 O queé o Futuro? 2.4.1 Uma Colheita Sendo uma existência planetária consequência natural da que lhe é anterior, e muitas vezes de outras mais recuadas, os eventos da vida se encontram mais ou menos delineados conforme as estruturas sobre as quais se apoiam, facilitando­lhes a captação antecipada por se encontrarem na pauta do processo da evolução. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos O destino, portanto, estamos a tracejá-lo cada momento, mediante as atitudes assumidas em cada etapa vencida, em cada jornada a vencer. Fiamos e desfiamos a rede do porvir, estabelecendo as medidas necessárias à felicidade ou à desdita de que somos responsáveis, autores do nosso sofrer ou alegria. Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – A Fé A Bondade Divina nos assiste, de múltiplas maneiras, amparando-nos o reajustamento, mas em todos os lugares viveremos jungidos às consequências dos próprios atos, de vez que somos herdeiros de nossas próprias obras. André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 9 – No Lar da Benção Toda aflição se fixa em raízes que devem ser extirpadas. Algumas possuem causas atuais, enquanto outras se prendem ao passado espiritual, constituindo tais fatores a justiça impertérrita que alcança os infratores dos códigos divinos do amor e do equilíbrio. Joanna de Angelis – Celeiros de Bênçãos – Cap. 35 – Serão Consolados
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    34 2.4.2 Uma Plantação Diariamenteedificamos. E edificamos, em nós e por fora de nós, a cooperação que nos cabe no engrandecimento da vida. Em vista disso, se nos propomos a encontrar o amanhã melhor, cogitemos disso hoje. (...) O nosso futuro está sendo articulado neste instante por nós mesmos. Façamos agora o melhor ao nosso alcance, porque o amanhã para nós será sempre o nosso hoje passado a limpo. Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós A cada instante estás alterando o teu futuro mediante as tuas ações. Desse modo, constrói-o em luz e em paz, mesmo que estejas caminhando entre sombras e sobre espículos que te ferem os pés. Não desfaleças, e segue adiante no rumo do teu amanhã, que começa agora. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Desconhecimento do Futuro Vivendo bem cada momento, em profundidade, o futuro torna-se natural, acolhedor, gratificante, porquanto será conforme os atos de ontem – em reencarnações passadas — e de hoje – na existência atual -, que alterará o mapeamento do amanhã. Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 – Incerteza do Futuro Tuas ações, tua vida. Conforme agires hoje, escreverás a história do teu futuro. Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento Cada um de nós é capaz de lobrigar seu futuro e, ainda mais, de prepará-lo. O enigma da vida se esfuma, quando sabemos que a existência que corre é o fruto do que semeámos, e que a de amanhã será o que houvermos hoje plantado. Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Março – Pag. 54 – Futuro e Fatalidade
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    35 Cada hora navida é recurso potencial para a criação de novos destinos. Entendendo que apenas o dever cumprido resgata-nos os débitos, não nos esqueçamos de que pelo serviço espontâneo, além do quadro das nossas justas obrigações, todos conseguimos sublimar o próprio livre-arbítrio. Emmanuel – Linha Duzentos – Cap. 10 – Diante do Destino Podes mudar o teu destino, conforme agires no teu dia-a-dia. Não existe uma predestinação para o mal, mas sim para a perfeição relativa. O bem que fazes é luz que acendes na noite dos teus compromissos, apontando rumos libertadores e diminuindo o débito que te pesa na economia espiritual. O teu destino, portanto, encontra-se ao teu alcance para alterá-lo conforme a direção que dês ao teu comportamento. E se hoje não podes decidir o que fazer ou como realizá-lo, face aos impedimentos que te retêm nos limites estreitos da expiação, desperta em espírito e alegra-te, porque logo mais raiará dia novo para os teus projetos de plenitude. Joanna de Angelis – Nascente de Bençãos – Cap. 19 – Alterações do Destino
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    36 2.4.3 Uma Libertação Ocandidato à reencarnação acercou-se, jubiloso, do Instrutor Espiritual encarregado da programática de sua vida futura e inquiriu: Quais são as últimas orientações que deverei guardar como recurso de segurança para o êxito? O Mestre sábio abrangeu o ambiente com um olhar penetrante e respondeu: São necessários alguns dos seguintes valores para uma jornada feliz, que nunca poderão ser desconsiderados: − a humildade como fortaleza inexpugnável; − a paz como couraça de defesa; − o conhecimento como instrumento de progresso; − o livro como amigo silencioso; − o trabalho como degrau de ascensão; − a prece como apoio contra as tentações; − a beneficência como investimento de felicidade; − a honra como alicerce de resistência; − a esperança como material de edificação contínua; − o amor como vínculo de união com Deus e a Vida. O aprendiz meditou largamente e, cabisbaixo, considerando a gravidade da empresa reencarnacionista, mergulhou na névoa densa da Terra para recuperar-se e aprender. Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida Prepara o futuro através de atitudes corretas mas não te angusties pela chegada dele. Vence a hora de cada hora, realizando o que possas, através de como possas, lidando infatigável na república do espírito em atribulação. Os acontecimentos vividos são experiências para as realizações a viver. Jesus é o teu divisor de águas. Kardec é o condutor do teu amanhã. Eleva-te ao Mestre através do Seu apóstolo moderno e fecha às paixões o templo da tua alma, em caráter definitivo, aspirando à glória do Mundo Maior que a todos nos espera. Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
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    37 Do que derespresentemente, recolherás os resultados depois. O futuro começa agora. Cede hoje à vida o que possuas de melhor e, amanhã, aquilo que a vida tenha de melhor te responderá. Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro
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    38 2.4.4 Uma Escolha “Todasas coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” Paulo de Tarso – I Coríntios 10:23 Afirma a Divina Escritura que “a cada um será dado segundo suas obras”, o que, no fundo, equivale a dizer-se que as reações dos homens perante a vida é que decidirão sobre o destino de cada um. Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 38 – Reações Desejando, porém, prosseguir nos esclarecimentos, quanto ao serviço reencarnacionista, Manassés tomou pequeno gráfico e, apresentando-me as linhas gerais, acentuou: - Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmoide? Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que chegue à maioridade física. Trata-se, porém, de escolha dele. André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 12 – Preparação de Experiências O desenho do planejamento futuro é realizado com o material que se está usando neste momento. Gerando decisões salutares, tomando-se atitudes corretas e corrigindo- se as equivocadas, programa-se o porvir agradável, compensador. Para tanto, o cultivo dos pensamentos enobrecedores faz-se inadiável. É necessário pensar alto, a fim de colher resultado satisfatório. Quem pensa a mesma coisa, recebe sempre aquilo que já tem. Variar para melhor, é candidatar-se ao superior, ao não fruído. Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 – Incerteza do Futuro
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    39 O mapa deregeneração volta conosco ao mundo, consoante as responsabilidades por nós mesmos assumidas no pretérito remoto e próximo; contudo, o modo pelo qual nos desvencilhamos dos efeitos de nossas próprias obras facilita ou dificulta a nossa marcha redentora na estrada que o mundo nos oferece. Aceitemos os problemas e as inquietações que a Terra nos impõe agora, atendendo aos nossos próprios desejos, na planificação que ontem organizamos, fora do corpo denso, e tenhamos cautela com o modo de nossa movimentação no campo das próprias tarefas, porque, conforme as nossas diretrizes de hoje, na preparação do futuro, a vida nos oferecerá amanhã paz ou luta, felicidade ou provação, luz ou treva, bem ou mal. Emmanuel – Nascer e Renascer – Cap. 4 – Fatalidade e Livre arbítrio Emmanuel – Revista Reformador – 1954 – Abril – Pag. 74 – Fatalidade e Livre arbítrio Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase infinita, obedecendo a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato. (...) Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o candidato, é feita a pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente, quando se trata de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na Erraticidade, donde partem já com a família adrede3 estabelecida... (...) Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a alternâncias decorrentes do uso do livre-arbítrio, de modo a permitir uma ampla faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do destino, embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis do equilíbrio geral. (...) Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o empreendimento da reencarnação adquire hoje mais amplo entendimento pelos homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua vez, preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra, inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1 – Reencarnação – Dádiva de Deus
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    40 Querer ou nãoquerer, esforçar-se ou não pelo triunfo pessoal, depende de cada aprendiz da vida. Açulado, perseguido por fatores inditosos, arrojado a situações perniciosas, mesmo assim o homem é responsável pela sua acomodação tácita ou pelo empenho de superação das injunções, que devem funcionar como valiosas experiências para a fixação do dever nobre, do bem atuante nos painéis da sua mente encarnada. De forma alguma desistas de lutar, de tentar em esforço de reabilitação, de repetir a tarefa até lograr a vitória. Só há fatalidade para o bem, sendo as determinações de provação e expiação, capítulos e ensaios redentores para os equivocados que se demoram nas experiências primárias da evolução. Joanna de Angelis – Leis Morais da Vida – Cap. 38 – Diante do destino Nunca prejudicarás a alguém sem prejudicar-te. Nunca beneficiarás a essa ou aquela pessoa sem beneficiar a ti mesmo. Através de nossas ações, sobre os outros, traçamos o próprio caminho. Os companheiros de nossa estrada são fragmentos de que se nos constituirá o próprio futuro. Esses apontamentos pertencem à Lei Emmanuel – Pronto Socorro – Cap. 12 – Assunto de Lei Qualquer alma tem o seu destino traçado sob o ponto de vista do trabalho e do sofrimento, e, sem paradoxos, tem de combater com o seu próprio destino, porque o homem não nasceu para ser vencido; todo Espírito labora para dominar a matéria e triunfar dos seus impulsos inferiores. Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Homem e seu Destino Em qualquer lugar ou crença, Segundo o Plano Divino, O homem conforme pensa Constrói o próprio destino Lourenço de Almeida Prado – Paz e Alegria – Cap. 3 – Cartazes de Rumo
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    41 Não dês tréguaà desdita, à ociosidade, aos queixumes. És senhor do teu destino, e ele tem para ti, como ponto de encontro, o infinito. Quem se desvaloriza e se desmerece e se invalida, fica na retaguarda. É necessário que te envolvas com o programa divino. Todo aquele que se não envolve positivamente, nunca se desenvolve. Se preferires sofrer, terás liberdade para a experiência até o momento em que te transfiras para a opção do bem-estar. Desse modo, não transformes incidentes de pequena monta, coisas e ocorrências corriqueiras, em tragédias. Ninguém tem o destino do sofrimento. Ele é resultado da ação negativa, jamais a causa. Joanna de Angelis – Momentos de Saúde e de Consciência – Cap. 2 – Liberdade de escolha Trazes contigo o leme do destino escondido na mente, ocultando no peito o impulso que o dirige, porque tudo prospera aos golpes do desejo, e o ímã do desejo chama-se coração. Emmanuel – Seara dos Médiuns – Cap. 76 – Imã Deus criou o livre-arbítrio, NÓS CRIAMOS A FATALIDADE. André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino. Antoine Saint-Exupéry
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    42 E o futuroé uma astronave Que tentamos pilotar Não tem tempo, nem piedade Nem tem hora de chegar Sem pedir licença, muda a nossa vida E depois convida a rir ou chorar Nessa estrada não nos cabe Conhecer ou ver o que virá O fim dela ninguém sabe Bem ao certo onde vai dar Vinicius de Moraes – Aquarela As previsões nunca faltam Com suportes de alarido, Todos, porém, navegamos no mar do desconhecido. Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões
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    43 3 Pressentimentos ePremonições 3.1 Pressentimentos e Premonições – Definições Presciência é a previsão do futuro. Filos. Chamam os teólogos presciência ao atributo pelo qual Deus conhece todas as coisas, ou ao conhecimento que Deus tem de todo o presente, o passado e o futuro, não só no que respeita ao Homem e a tudo que ao Homem concerne, mas também no relativo à Natureza, seu curso, fenômenos duração etc. Pressentimento é definido como: “sentimento intuitivo e alheio a uma causa conhecida, que permite a previsão de acontecimentos futuros; intuição, palpite, presságio”. Premonição é definido como: “conhecimento antecipado do que pode ou irá acontecer”. Aurélio Buarque de Holanda – Novo Dicionário Eletrônico Aurélio 522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor? É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar, tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna pressentimento. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522 Pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184 Premonição é o conhecimento antecipado de um fato que ainda não ocorreu, equivale à presciência ou premonição dos autores antigos. Jaime Cervino – Além do Inconsciente – Cap. 1- Um pouco de História
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    44 3.2 Pressentimentos ePremonições – Conceitos Doutrinários 3.2.1 Allan Kardec 3.2.1.1 Livro dos Espíritos – 1857 Perg. 411 – O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte? Muitas vezes a pressente, e às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas prevêem a própria morte com grande exatidão. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 411 Perg. 454 – Pode-se-ia atribuir a uma espécie de dupla vista a perspicácia de certas pessoas que, sem nada terem de extraordinário, julgam as coisas com mais precisão do que as outras? É sempre a alma que irradia mais livremente e julga melhor do que sob o véu da matéria. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 454 Perg. 454a – Esta faculdade pode, em certos casos, dar presciência das coisas? Sim; ela dá também os pressentimentos, porque há muitos graus desta faculdade, e o mesmo indivíduo pode ter todos os graus ou não ter mais do que alguns. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 454a Perg. 577 – Quando um homem faz uma coisa útil, é sempre em virtude de uma missão anterior e predestinada ou pode ter recebido uma missão não prevista? Nem tudo o que um homem faz é consequência de uma missão predestinada; ele é frequentemente o instrumento de que um Espírito se serve para fazer executar alguma coisa que considera útil. Por exemplo, um Espírito julga que seria bom escrever um livro, que ele escreveria se estivesse encarnado, procura o escritor mais apto a compreender o seu pensamento e a executá-lo: dá-lhe então a idéia e o dirige na execução.
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    45 Assim, este homemnão veio à Terra com a missão de fazer essa obra. Acontece o mesmo com alguns trabalhos de arte e com as descobertas. Acrescentemos ainda que, durante o sono do corpo, o Espírito encarnado comunica-se diretamente com o Espírito errante, e que se entendem sobre a execução. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 577 Perg. 868 – O futuro pode ser revelado ao homem? Em princípio, o futuro lhe é oculto, e só em casos raros e excepcionais Deus lhe permite a sua revelação. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868 O Pressentimento é sempre uma advertência do Espírito protetor? O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um espírito que vos deseja o bem. É também a intuição da escolha anterior: é a voz do instinto. O espírito, antes de encarnar, tem conhecimento das fases principais da sua existência, ou seja, do gênero de prova a que irá ligar-se. quando estas têm um caráter marcante, ele conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo, e essa impressão, que é a voz do instinto, desperta quando chega o momento, tornando-se pressentimento. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522 Os Pressentimentos e a voz do instinto têm sempre qualquer coisa de vago; na incerteza, o que devemos fazer? Quando estás em dúvida, invoca o teu bom Espírito, ou ora a Deus, nosso soberano Senhor, para que te envie um de seus mensageiros, um de nós. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 523
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    46 O Que éo Pressentimento? O pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode-se tratar de uma espécie de dupla vista que lhes permite ver as consequências do presente e o encadeamento natural dos acontecimentos. Mas muitas vezes também é o resultado das comunicações ocultas, e é sobretudo nesse caso que se podem chamar de médiuns de pressentimentos as pessoas assim dotadas, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184 O que é um Médium de Pressentimentos? Pessoas há que, em dadas circunstâncias, têm uma imprecisa intuição das coisas futuras. Essa intuição pode provir de uma espécie de dupla vista, que faculta se entrevejam as consequências das coisas presentes; mas, doutras vezes, resulta das comunicações ocultas, que fazem de tais pessoas uma variedade dos médiuns inspirados. Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 48 Por que, quando fazem pressentir um acontecimento, os Espíritos sérios de ordinário não determinam a data? Será porque o não possam, ou porque não queiram? Por uma e outra coisa. Eles podem, em certos casos, fazer que um acontecimento seja pressentido: nessa hipótese, é um aviso que vos dão. Quanto a precisar-lhe a época, é frequente não o deverem fazer. Também sucede com frequência não o poderem, por não o saberem eles próprios. Pode o Espírito prever que um fato se dará, mas o momento exato pode depender de acontecimentos que ainda se não verificaram e que só Deus conhece. Os Espíritos levianos, que não escrupulizam de vos enganar, esses determinam os dias e as horas, sem se preocuparem com que o fato predito ocorra ou não. Por isso é que toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita. A Providência pôs limite às revelações que podem ser feitas ao homem. Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso revelarem. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289
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    47 Atribui-se comumente aosprofetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 – Missão dos Profetas
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    48 3.2.1.2 Revista Espírita– 1861 Ditados recebidos na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Perguntas dirigidas ao Espírito Cazotte: 1. Conhecemos os efeitos da segunda vista e compreendemos que, dada essa faculdade, tivésseis podido ver coisas distantes, mas que se passavam no momento. Como pudestes ver coisas futuras, que ainda não existiam e vê-las com precisão? Poderíeis, ao mesmo tempo, dizer-nos como vos foi dada tal precisão? Falastes simplesmente como inspirado, sem nada ver, ou o quadro dos acontecimentos que anunciastes se vos apresentou como uma imagem? Tende a bondade de descrever isto o melhor que puderdes para a nossa instrução. — Há na razão do homem um instinto moral que o impele a predizer certos acontecimentos. É certo que eu era dotado de muitíssima clarividência, mas sempre humana, para os acontecimentos que então se passaram. Acreditais, porém, que o bom senso, ou o correto julgamento das coisas terrenas vos possam detalhar, com anos de antecedência, esta ou aquela circunstância? Não. Aliava-se à minha natural sagacidade uma qualidade sobrenatural: a segunda vista. Quando eu revelava às pessoas que me cercavam os terríveis abalos que deveriam ocorrer, evidentemente eu falava como um homem de bom senso e de lógica; quando, porém, eu via pequenos detalhes dessas circunstâncias vagas e gerais, quando eu via, visivelmente, esta ou aquela vítima, então não falava mais como um simples homem dotado, mas como um inspirado. 2. Independentemente desse fato, tivestes, durante a vida, outros exemplos de previsão? — Sim. Estas eram todas mais ou menos sobre o mesmo assunto. Mas, por passatempo, eu estudava as ciências ocultas e me ocupava muito de magnetismo. 3. Essa faculdade de previsão vos acompanhou no mundo dos Espíritos? Isto é, após a morte ainda prevedes certos acontecimentos? — Sim; esse dom me ficou muito mais puro.
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    49 Observação – Poder-se-iaver aqui uma contradição com o princípio que se opõe à revelação do futuro. Com efeito, o futuro nos é oculto por uma lei muito sábia da Providência, considerando-se que tal conhecimento prejudicaria o nosso livre-arbítrio, levando-nos a negligenciar o presente pelo futuro. Além disso, por nossa oposição, poderíamos entravar certos acontecimentos necessários à ordem geral. Mas quando essa comunicação nos pode impelir a facilitar a realização de uma coisa, Deus pode permitir a sua revelação, nos limites designados por sua sabedoria. Allan Kardec – Revista Espírita – 1861 – Janeiro – Perguntas dirigidas ao Espírito Cazotte
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    50 3.2.1.3 O EvangelhoSegundo o Espiritismo – 1864 Atribui-se comumente aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 – Missão dos Profetas O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias. Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 7 – Não creias em todos os Espíritos Desconfiai dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e messias. É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar. Erasto – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 9 – Caracteres do Verdadeiro profeta
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    51 (...) Essas palavrasclaramente indicam que, já naquela época, os charlatães e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam. Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo, predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis. Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação Judia, e fácil é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos pseudoprofetas, que não passavam de impostores ou fanáticos. Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 – Jeremias e os falsos Profetas
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    52 3.2.1.4 Revista Espírita– 1864 / A Gênese – 1868 Teoria da Presciência (inserido no Livro A Gênese – Cap. 16) Como é possível o conhecimento do futuro? Compreendem-se as previsões dos acontecimentos que são consequência do estado presente, mas não dos que nenhuma relação tem com eles e, ainda menos, os que são atribuídos ao acaso. Diz-se que as coisas futuras não existem; que ainda estão no nada. Então como saber se acontecerão? Contudo são muito numerosos os exemplos de predições realizadas, de onde concluir-se que aí se passa um fenômeno cuja chave não se tem, pois não há efeito nem causa. Essa causa, que tentaremos achar, ainda é o Espiritismo, também chave de tantos mistérios, que no-la fornecerá e, além disso, mostrar-nos-á que o próprio fato das predições não sai das leis naturais. Todos os fenômenos cuja causa era desconhecida foram revelados maravilhosos. A lei segundo a qual estes se realizam, uma vez conhecida, eles entraram na ordem das coisas naturais. O dom da predição não é sobrenatural, como não o são muitos outros fenômenos: repousa nas propriedades da alma e na lei das relações entre os mundos visível e invisível, que o Espiritismo vem dar a conhecer. A teoria da presciência talvez não resolva de modo absoluto Iodos os casos que a previsão do futuro possa apresentar, mas não se pode desconvir que ela estabelece o seu princípio fundamental. Se se não pode tudo explicar é pela dificuldade, para o homem, de colocar- se nesse ponto de vista extraterrestre; por sua mesma inferioridade, seu pensamento, incessantemente arrastado para o caminho da vida material, muitas vezes é impotente para se destacar do solo. Essa faculdade é inerente ao estado de espiritualização ou, se se quiser, de desmaterialização. Por outras palavras, a espiritualização produz um efeito que se pode comparar, embora muito imperfeitamente, ao da visão de conjunto do homem sobre a montanha. Esta comparação apenas objetivava mostrar que acontecimentos que estão no futuro para uns, estão no presente para outros e, assim, podem ser preditos, o que não implica que o efeito se produza da mesma maneira.
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    53 Para gozar dessapercepção o Espírito não precisa, então, transportar-se para um ponto qualquer no espaço; o que está na terra, ao nosso lado, pode possuí-la em sua plenitude, como se estivesse a milhares de léguas, ao passo que nada vemos fora do horizonte visual. Não se produzindo a visão nos Espíritos da mesma maneira e com os mesmos elementos que no homem, seu horizonte visual é bem outro. Ora, aí está precisamente o sentido que nos falta para o conceber; ao lado do incarnado, o Espírito é como um vidente ao lado de um cego. Allan Kardec – Revista Espírita – 1864 – Maio – Teoria da Presciência
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    54 3.2.1.5 Obras Póstumas– 1869 (...) Esse dom da segunda vista é que, em estado rudimentar, dá a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma espécie de segurança aos atos, o que se pode com justeza denominar: golpe de vista moral. Mais desenvolvido, ele acorda os pressentimentos, ainda mais desenvolvido, faz ver acontecimentos que já se realizaram, ou que estão prestes a realizar-se. Muito se tem falado de pessoas que, deitando as cartas, disseram coisas de surpreendente verdade. De modo nenhum pretendemos fazer-nos apologista dos ledores da “buena-dicha” que exploram a credulidade dos espíritos fracos e cuja linguagem ambígua se presta a todas as combinações de uma imaginação abalada; mas, não é de todo impossível que certas pessoas, fazendo disso um ofício, tenham o dom da segunda vista, mesmo mau grado seu. Sendo assim, as cartas, entre as suas mãos, não passam de um meio, de um pretexto, de uma base de conversação. Elas falam de acordo com o que vêem e não com o que indicam as cartas para as quais apenas olham. O mesmo se dá com outros meios de adivinhação, tais como as linhas da mão, a clara de ovo e outros símbolos místicos. Os sinais das mãos talvez tenham mais valor do que todos os outros meios, não por si mesmos, mas porque, tomando e palpando a mão do consultante, o pretenso adivinho, se é dotado de dupla vista, estabelece relação mais direta com aquele, como se verifica nas consultas sonambúlicas. Podem, pois, os médiuns videntes ser identificados às pessoas que gozam da vista espiritual; mas, seria porventura demasiado considerar essas pessoas como médiuns, porquanto a mediunidade se caracteriza unicamente pela intervenção dos Espíritos, não se podendo ter como ato mediúnico o que alguém faz por si mesmo. Aquele que possui a vista espiritual vê pelo seu próprio Espírito, não sendo de necessidade, para o surto da sua faculdade, o concurso de um Espírito estranho O vidente, pois, não é um adivinho; é um ser que percebe o que não vemos; é, para nós, o cão do cego. Nada nisto há, portanto, que se contraponha aos desígnios da Providência quanto ao segredo de nosso destino; é ela própria quem nos dá um guia. Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Conhecimento do futuro. Previsões
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    55 3.2.2 Emmanuel 3.2.2.1 FenômenosPremonitórios Os fenômenos premonitórios atestam a possibilidade da presciência com relação ao futuro? Os Espíritos de nossa esfera não podem devassar o futuro, considerando essa atividade uma característica dos atributos do Criador Supremo, que é Deus. Temos de considerar, todavia, que as existências humanas estão subordinadas a um mapa de provas gerais, onde a personalidade deve movimentar- se com o seu esforço para a iluminação do porvir, e, dentro desse roteiro, os mentores espirituais mais elevados podem organizar os fatos premonitórios, quando convenham à demonstração de que o homem não se resume a um conglomerado de elementos químicos, de conformidade com a definição do materialismo dissolvente. Emmanuel – O Consolador – Perg. 144
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    56 3.2.2.2 Ante oFuturo Não adianta indagar do futuro, ocasionalmente, para satisfazer a curiosidade irrequieta ou inútil. Vale construí-lo em bases que a lógica nos traça generosamente à visão. Não desconhecemos que o nosso amanhã será a invariável resposta do mundo ao nosso hoje, e aos nossos pés a natureza sábia e simples nos convida a pensar. O arado preguiçoso deve aguardar a ferrugem. A leira abandonada receberá o assalto da planta daninha. A casa relegada ao abandono será pasto dos vermes que lhe corroerão a estrutura. O pão desaproveitado repousará na sombra do mofo. A fonte que se consagra ao movimento atingirá a paz do oceano. A flor leal ao destino que lhe é próprio converter-se-á em fruto benfazejo. A plantação amparada com segurança distribuirá bênçãos à mesa. E o minério obediente aos golpes do malho transformar-se-á em peça de alto preço. Sabemos que é possível edificar o futuro e recolher-lhe os dons de amor e vida. Escolhe a bondade por lema de cada dia, não desistas de aprender, infatigavelmente e, com os braços no serviço incessante caminharás desde hoje, sob a luz da vitória, ao encontro de glorioso porvir. Emmanuel – Taça de Luz – Cap. 31 – Ante o Futuro
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    57 3.2.2.3 Futuro eNós Cada noite, habitualmente, agradeces a Deus por mais um dia, e quase sempre, refletes no amanhã. De quais ingredientes se nos formará o futuro? Embora, em muitas ocasiões, os homens a procurem, no lado externo da existência, a resposta está sempre em nós mesmos. À medida que se nos amplia a maturidade interior, reconhecemos que a evolução é um caminho em formação para o Alto, em nos reportando ao progresso do espírito. Diariamente edificamos. E edificamos, em nós e por fora de nós, a cooperação que nos cabe no engrandecimento da vida. Em vista disso, se nos propomos a encontrar o amanhã melhor, cogitemos disso hoje. Comecemos avaliando a importância de compreender e servir. Esqueçamos ressentimentos e sombras, lembrando-nos de que a prática do amor é trabalho para todos os dias. Não reclamemos dos outros aquilo que possamos fazer por nós mesmos. Entendamos que os nossos problemas não são maiores do que muitas das dificuldades que afligem os semelhantes. Melhoremos a nós próprios, a fim de que as nossas experiências se elevem. Vejamos em cada criatura um mundo aparte e, por isso, aceitemos os nossos companheiros de caminho, tais quais são, sem exigir-lhes demonstrações de santidade ou grandeza. Busquemos o trabalho constante, no bem de todos, por ação capaz de impulsionar-nos para diante, livrando-nos de fixações pessoais e grades de sombra. E atentos ao valor do tempo, avancemos, sem nos marginalizarmos nas perturbações das horas vazias. O nosso futuro está sendo articulado neste instante por nós mesmos. Façamos agora o melhor ao nosso alcance, porque o amanhã para nós será sempre o nosso hoje passado a limpo. Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós
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    58 3.2.2.4 Adivinhações Diante dosque usam cultura ou mediunidade para traçar prognósticos, acerca do futuro, não é necessário dizer que nos cabe acompanhar-lhes as experiências com a melhor atenção. A ciência é neta da curiosidade e filha do estudo. A alquimia da Idade Média iniciou as realizações da química moderna. De certa maneira, os astrólogos do pretérito começaram a obra avançada dos astrônomos de hoje. O conhecimento nasce do esforço de quantos se dedicam a desentranhá-lo da obscuridade ou da ignorância. No entanto, do respeito aos irmãos de Humanidade que se consagram ao mister da adivinhação, não se infere que devemos aceitar-lhes cegamente as afirmativas. Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi- los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita de que não existe a predestinação para o mal. Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com a força das trevas. O aluno regressa à escola na condição de repetente ou se encaminha para os exames de segunda época, a fim de se firmar na dignidade do ensino em que se comprometeu. Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo quadros menos dignos, projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles que se fizeram nossos inimigos em outras eras; e das palavras que articulam podem surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança. Oponhamos, porém, a isso a certeza de que estamos reformando causas e efeitos diariamente, em nosso caminho, na convicção de que a Divina Providência nos oferece, incessantemente, através da reencarnação, oportunidades e possibilidades ao próprio reajuste perante as leis da vida, armando-nos de recursos e bênçãos, dentro e fora de nós.
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    59 Conquanto estudando sempreos fenômenos que nos rodeiam, abstenhamo- nos de admitir o determinismo do erro, do desequilíbrio, da queda ou da criminalidade. Hoje é e será constantemente a ocasião ideal para transformarmos maldição em bênção e sombra em luz. Ergamo-nos, cada manhã, com a decisão de fazer o melhor ao nosso alcance e reconheçamos que o próprio Sol se deixa contemplar, nos céus, de alvorecer em alvorecer, como a declarar-nos que o Criador Supremo é o Deus da Justiça, mas também da Misericórdia, da Ordem e da Renovação. Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações
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    60 3.2.2.5 Em tornodo Futuro Não precisas procurar adivinhos para saber o que te espera, nem necessitas daqueles outros que te descubram o passado que já conheces pelas próprias tendências. A vida é o presente vivo e imperecível. Na tela das horas, somos o ontem que se foi e seremos o amanhã que virá. A semente plantada resume todas as nossas cogitações em torno do porvir. Terás o que cultivas. Não colherás figos na macieira e vice-versa. Ciente de que todos os pensamentos e atos são sementeiras de destino, seleciona o material que consideres adequado à tua felicidade e centraliza-o no serviço do bem aos semelhantes. Do que deres presentemente, recolherás os resultados depois. O futuro começa agora. Cede hoje à vida o que possuas de melhor e, amanhã, aquilo que a vida tenha de melhor te responderá. Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro
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    61 3.2.3 Yvonne Pereira/Bezerrade Meneses 3.2.3.1 Acontecimentos Futuros 3.2.3.1.1 Esclarecimentos de Bezerra de Meneses — Podeis esclarecer-nos sobre o processo pelo qual somos avisados de certos acontecimentos, geralmente importantes e graves, a se realizarem conosco, e que muitas vezes se cumprem como os vimos em sonhos ou em visões? E ele respondeu, psicograficamente: — Existem vários processos pelos quais o homem poderá ser informado de um ou outro acontecimento futuro importante da sua vida. Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos premonitórios». De outras vezes, é o próprio indivíduo que, recordando os acontecimentos que lhe serviriam de testemunhos reparadores, perante a lei da criação, delineados no mundo Espiritual às vésperas da reencarnação, os vê tais como acontecerão, assim os casos de morte, sua própria ou de pessoas da família, desastres, dores morais, etc., etc. E os seus protetores espirituais, que igualmente conhecem o programa de peripécias do pupilo, delineado no evento da reencarnação, com mais razão o advertirão no momento necessário, seja através do sonho ou intuitivamente. Pode acontecer que, num caso de traição de amor, por exemplo, provação que tanto fere os corações sensíveis e dedicados, e nos casos de deslealdade de um amigo, etc., o paciente, durante o sono, penetre a aura do outro, por quem se interessa, e aí descubra as suas intenções, lendo-lhe os pensamentos e os atos já realizados mentalmente, como num livro aberto ilustrado, tal a linguagem espiritual, e então verá o que o outro pretende concretizar em seu desfavor, como se fora a realização de um sonho, pois tudo foi habilmente gravado em sua
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    62 consciência e asimagens fotografadas em seu cérebro, permitindo a lembrança ao despertar, não obstante empalidecidas. Futuramente o fato será realizado objetivamente e aí está o aviso... De outro modo, seguindo a corrente espiritual das ações de uma pessoa encarnada, por deduções um amigo da espiritualidade se cientificará de um acontecimento que mais tarde se efetivará com precisão. Ele poderá comunicar o acontecimento ao seu amigo terreno e o fará de modo sutil, em sonho ou pressentimento. O estudo da lei de causa e efeito é matemática, infalível; concreta, para a observação das entidades espirituais de ordem elevada, e, assim sendo, ele se comunicará com o seu pupilo terreno através da intuição, do pressentimento, da premonição, do sonho, etc. O estudo da matemática de causa e efeito é mesmo indispensável, como que obrigatório, às entidades prepostas à carreira transcendente de guardiães, ou guias espirituais. Estudo profundo, científico, que se ampliará até prever o futuro remoto da própria Humanidade e dos acontecimentos a se realizarem no globo terráqueo, como hecatombes físicas ou morais, guerras, fatos célebres, etc., daí então advindo a possibilidade das profecias quando o sensitivo, altamente dotado de poderes supra-normais, comportar o peso da transmissão fiel aos seus contemporâneos. É um dos estudos, portanto, que requerem um curso completo de especialização. Outrossim, acresce a importante circunstância de que todos esses acontecimentos de um modo geral se prendem ao lastro da evolução do planeta como do indivíduo, e o sábio instrutor deste, como os auxiliares do governo do planeta, estão aptos a perceber o que sucederá daqui a um ano, um século ou um milênio, pelo estudo e deduções científicas sobre o programa da evolução da Criação, pois o tempo é inexistente nas esferas da espiritualidade e a entidade sábia facilmente deduzirá, e com certeza matemática, os sucessos em geral, subordinados ao trabalho da evolução, como se se tratasse do momento presente.
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    63 O indivíduo quesofrerá esta ou aquela provação ou o que terá de apresentar testemunhos de valor moral pela expiação, jamais o ignora no seu estado espiritual de semiliberdade através do sono ou do transe mediúnico (pode-se cair em transe mediúnico sem ser espírita, mormente quando se dorme), visto que consentiu em experimentar todas essas lições reparadoras. Mas, se não conserva intuições a tal respeito no estado normal humano, almas amigas e piedosas poderão relembrá-las em sonhos ilustrados, assim preparando-o e auxiliando-o a adquirir forças e serenidade para o embate supremo. Casos há em que o aviso virá por outrem ligado ao paciente, mais acessível às infiltrações espirituais premonitórias. Agradecei a Deus as advertências que vos são concedidas às vésperas das provações. Elas indicam que não sofrereis sozinhos, que amigos desvelados permanecem ao vosso lado dispostos a enxugar as vossas lágrimas com os bálsamos do santo amor espiritual inspirado pelo amor de Deus. A seguir o leitor encontrará pequena série de advertências dessa natureza, concedida a nós e a pessoas do nosso conhecimento, e que não será destituída de interesse para os estudos transcendentais. Certamente que nos seria possível organizar um volume com o noticiário completo que a respeito nos tem vindo às mãos, além daqueles fatos ocorridos conosco. Julgamos, porém, que para o testemunho que a Doutrina Espírita de nós exige, para mais essa face da verdade que tivemos a felicidade de poder comprovar, serão suficientes os que aqui registramos. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    64 3.2.4 Revista Reformador/FEB 3.2.4.1Reflexões sobre as Previsões do Futuro Inúmeros são os fatos que comprovam que os Espíritos podem prever o futuro. Kardec apresenta a Teoria da Presciência com o objetivo de explicar como isso é possível. A teoria reconhece que a previsão do futuro resulta geralmente da observação do presente, entretanto, algumas previsões relatam eventos que parecem não guardar relação com o hoje. Com o objetivo de ilustrar a forma como as previsões se dão, Kardec propõe que se imagine um homem colocado no cume de um monte, a observar uma planície. Nela um viajor encontra-se no início de uma estrada. O viajor sabe que, caminhando, chegará ao fim dela, o que depende simplesmente de seus atos. Entretanto, desconhece os detalhes do caminho. Se for possível ao observador comunicar-se com o viajor, poderá transmitir informações que pertencem ao futuro do último. A teoria propõe a figura supracitada ocorrendo em escala maior. Os Espíritos são como o homem sobre o monte e os encarnados o viajor. Os Espíritos possuem acesso aos eventos futuros, porque, uma vez livres do corpo, podem utilizar todas as suas faculdades, ler os pensamentos do ambiente e lembrar de eventos ocorridos em outras vidas que refletirão no presente. A extensão e penetração de suas vistas dependerá da evolução moral e intelectual alcançada. Quando são os encarnados que pressentem acontecimentos futuros, a teoria propõe que o fenômeno se dê durante a emancipação da alma, quando podem atuar livremente como Espíritos, ou graças à inspiração proveniente de um Espírito. Kardec reconhece que a Teoria da Presciência não resolve todos os casos que se possam apresentar. Contudo, deve-se reconhecer que estabelece as bases para o estudo da previsão do futuro. André Luiz, ao apresentar as atividades desenvolvidas pelos Espíritos encarregados de elaborar os Planejamentos Reencarnatórios, informa que são feitos planos com o objetivo de propiciar aos Espíritos que retornam à carne as condições ideais para sua próxima existência.
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    65 Os Espíritos, encarregadosde elaborar os planos, analisam o passado e identificam as necessidades e os recursos que permitirão melhor aproveitamento das oportunidades da futura existência. Pode-se concluir que suas atividades são baseadas em previsões, uma vez que Emmanuel informa que os seres de sua esfera não conhecem o futuro, e que o porvir não está rigorosamente determinado, e só pode ser previsto em linhas gerais. Como observadores sobre o monte, munidos de poderosas lunetas, esses Espíritos valem-se de Modelos que permitem prever de que forma cada reencarnante age perante as situações futuras. É possível que os Modelos utilizados sejam uma versão mais elaborada e eficiente do que os usados pela ciência atual. Gustavo Henrique Novaes Rodrigues – Revista Reformador – 2002 – Junho – Reflexões sobre as Previsões do Futuro
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    66 3.2.4.2 Pressentimentos Conta-se queFrancisco de Assis, notável missionário cristão da Idade Média, estava tratando de seu jardim, quando um amigo se aproximou, perguntando-lhe: – Francisco, o que você faria se soubesse que iria morrer hoje? Ao que ele teria respondido, com a maior naturalidade: – Continuaria a fazer o que estou fazendo: cuidando do meu jardim! Será que nós, diante de um pressentimento sombrio ou ditoso, cultivaríamos a mesma serenidade de um Francisco de Assis? É possível conhecer o futuro? O pressentimento, a premonição, a precognição, a presciência, o presságio, são diferentes palavras utilizadas para designar um só fenômeno: o conhecimento do futuro, que repousa sobre “um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais ou menos desprendida da matéria”.1 O conhecimento do futuro depende da elevação dos Espíritos que, muitas vezes, apenas o entreveem, “porém nem sempre lhes é permitido revelá-lo”2 ao homem (Espírito encarnado), porquanto “a certeza de um acontecimento venturoso o lançaria na inação. A de um acontecimento infeliz o encheria de desânimo. Em ambos os casos, suas forças ficariam paralisadas”.3 Logo, “em princípio, o futuro lhe é oculto e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado”,4 com o objetivo de facilitar “a execução de uma coisa, em vez de estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por que agiria, se lhe não fosse feita a revelação”.5 Muitos creem que a existência física é regida por um determinismo ou fatalidade irrevogável, e que, independentemente de como agirmos, ninguém escapará do destino que lhe está reservado. Um pouco de reflexão sobre o assunto, entretanto, é suficiente para afastar tal ideia.
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    67 Ensina o Espiritismoque a fatalidade 6, existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova física. Elegendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é o resultado da posição em que vem a achar-se colocado, como homem, na Terra, “nas funções que aí desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão”.7 Por conseguinte, não se pode dizer que tudo já está predeterminado em nossas vidas. Assim fosse, seríamos meros autômatos e de nada adiantaria nosso esforço para nos melhorar, de forma que tanto o que fizesse o bem, quanto o que fizesse o mal, teriam a mesma compensação ou o mesmo futuro, o que estaria em desacordo com a Justiça Divina incorruptível. A fatalidade a que todos estamos submetidos, sem exceção, é a morte física: chegado esse momento, de uma forma ou de outra, dela não podemos nos esquivar, 8 contudo, “nunca há fatalidade nos atos da vida moral”,9 porque somos senhores, por nossa vontade, de ceder ou não às tendências inatas que trazemos de encarnações pretéritas e às influências de outros Espíritos. O resultado da má utilização do livre-arbítrio é que retardará o nosso progresso, protelando o encontro com a Verdade, mas todos chegaremos lá, muitas vezes pela dor, que é um aguilhão a nos impulsionar à correção de nossas imperfeições e a nos mostrar o roteiro de nossa emancipação espiritual. Considerando a margem de liberdade que o Criador nos confere, dentro de suas leis imutáveis, para exercitarmos o livre-arbítrio e as faculdades, não há incoerência alguma em dizer que somos responsáveis pelo nosso passado e os artífices de nosso futuro. Quanto mais evoluído o Espírito – encarnado ou desencarnado –, melhores condições tem de prever o futuro, baseado na experiência acumulada dos fatos do passado e na análise dos acontecimentos do presente, considerando que, à luz do princípio de causa e efeito, tudo o que fazemos acarreta resultados que se projetam no tempo. Por isso, “o futuro não é surpresa atordoante. É consequência dos atos presentes”.10 Ao ensino dado em O Livro dos Médiuns, os benfeitores acrescentam que os pressentimentos são uma espécie de mediunidade: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida.
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    68 Pode ser devidaa uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as consequências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. [...]11 Ou ainda: São recordações vagas e intuitivas do que o Espírito aprendeu em seus momentos de liberdade e algumas vezes avisos ocultos dados por Espíritos benévolos.12 O fato de um pressentimento não se confirmar nem sempre significa que se estava enganado a respeito das premonições, visto que as ações dos Espíritos (encarnados ou desencarnados), antes de ocorrerem, são concebidas na mente, cujos pensamentos são captados por determinadas pessoas, durante o sono, por meio dos sonhos, ou durante a vigília. No entanto, pode haver desistência da ação planejada, por parte do agente, ou é possível haver alguma circunstância que o impeça de concretizar seu desejo. Isto é, [...] como a sua realização [da ação planejada] pode ser apressada ou retardada por um concurso de circunstâncias, este último [o médium ou vidente] vê o fato, sem poder, todavia, determinar o momento em que se dará. Não raro acontece que aquele pensamento não passa de um projeto, de um desejo, que se não concretizem em realidade, donde os frequentes erros de fato e de data nas previsões. 13 Por isso, devemos desconfiar de mensagens proféticas que anunciam precisamente, com data e hora marcadas, o acontecimento de coisas fantásticas. Sendo assim, o pressentimento nada tem de sobrenatural, posto que “se funda nas propriedades da alma e na lei das relações do mundo visível com o mundo invisível, que o Espiritismo veio dar a conhecer”.14 Kardec traz um interessantíssimo exemplo de pressentimento. Trata-se de uma carta, dirigida ao Codificador, pela Senhora Angelina de Ogé, que foi avisada, com seis meses de antecedência, sobre a morte de seu genitor. Eis algumas considerações dadas a respeito deste caso pela Sociedade Espírita de Paris: “O Espírito do pai dessa senhora, em estado de desprendimento, tinha um conhecimento antecipado de sua morte e da maneira por que ela se daria. Sua vista espiritual abarcando um certo espaço de tempo, para ele é como se a coisa estivesse presente, embora no estado de vigília não lhe conservasse qualquer lembrança.
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    69 Foi ele próprioque se manifestou à sua filha, seis meses antes, nas condições que deviam se produzir, a fim de que, mais tarde, ela soubesse que era ele e que, estando preparada para uma separação próxima, não ficasse surpreendida com a sua partida. Ela mesma, como Espírito, tinha conhecimento disto, porque os dois Espíritos se comunicavam em seus momentos de liberdade. É o que lhe dava a intuição de que alguém devia morrer naquele quarto. Essa manifestação ocorreu igualmente com o objetivo de fornecer um assunto de instrução a respeito do conhecimento do mundo invisível”.15 O progresso intelecto-moral confere ao ser humano maior amplitude de percepção sobre as coisas, à semelhança de uma pessoa que, situando-se no topo de uma montanha, de posse de um potente binóculo, pode prever algum acontecimento em certo trecho da estrada, que não é dado a outro descortinar, se estiver em plano mais baixo, por falta de uma visão panorâmica do que se passa à sua volta. Não sem razão, o Codificador destaca: O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.16 Kardec, lembrando a forma misteriosa e cabalística de certas predições antigas, de que Nostradamus é o exemplo mais completo, ressalva: [...] Pela sua ambiguidade, elas se prestam a interpretações muito diferentes, de tal sorte que, conforme o sentido que se atribua a certas palavras alegóricas ou convencionais, conforme a maneira por que se efetue o cálculo, singularmente complicado, das datas e, com um pouco de boa vontade, nelas se encontra quase tudo o que se queira.17 Na atualidade, porém, as previsões dos Espíritos “são antes advertências, do que predições propriamente ditas e quase sempre motivam a opinião que manifestam, por não quererem que o homem anule a sua razão sob uma fé cega e desejarem que este último lhe aprecie a exatidão”.17 A perplexidade de muitas pessoas ante os fenômenos relacionados com o futuro, entre eles o pressentimento, demonstra o quanto o homem ainda desconhece a sua própria natureza espiritual.
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    70 O Espiritismo veioprojetar luz sobre esta questão, trazendo a chave para o seu entendimento: “o estudo das propriedades do perispírito”.18 Se há um determinismo, na acepção absoluta da palavra, este é o determinismo do progresso, para a felicidade de todos nós. Mesmo que façamos mau uso do livre-arbítrio, fatalmente, mais cedo ou mais tarde, nos arrependeremos, expiaremos e repararemos nossos erros,19 motivo por que sempre estaremos jungidos ao resultado final estabelecido pelo Criador, que instituiu a Lei Maior de que “o bem é o fim supremo da Natureza”,20 o que implica na acepção de que “determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens”.21 1KARDEC, Allan. Teoria dos sonhos. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 8, p. 282, jul. 1865. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. 2Idem. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 243. 3Idem, ibidem. Q. 871 (Comentário de Kardec), p. 447. 4Idem, ibidem. Q. 868. 5Idem, ibidem. Q. 870. 6Idem, ibidem. Q. 851-867. 7Idem, ibidem. Q. 872, p. 449. 8KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 853. 9Idem, ibidem. Q. 872, p. 449. 10XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade. Espíritos diversos. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 82, p. 274. 11KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. 80. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. P. 1, cap. 15, item 184. 12Idem. O que é o espiritismo. 55. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3, q. 138. 13KARDEC, Allan. A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 16, item 7. 14Idem, ibidem. Item 6. 15KARDEC, Allan. Uma manifestação antes da morte. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 11, p. 47-48, jan. 1868. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
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    71 16Idem. A gênese.52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 6, item 2, p. 125 17Idem, ibidem. Cap. 16, item 17, p. 418. 17Idem, ibidem. 18Idem, ibidem. Cap. 1, item 40. 19Idem. O céu e o inferno. 60. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, cap. 7, item Código penal da vida futura, n. 16. 20DENIS, Léon. Depois da morte. Ed. espec. 1. imp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, A Índia, p. 41-42. 21XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 132. Christiano Torchi – Revista Reformador – 2009 – Agosto – Pressentimentos
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    72 3.2.4.3 Conhecimento doFuturo – Profecias Pode o futuro ser revelado ao homem? Devemos aceitar todas as profecias? Como podem os profetas predizer o futuro? As respostas a estas e outras indagações encontramo-las nas questões de No 868 à 871 de "O Livro dos Espíritos" 1. Em princípio, o futuro é oculto ao homem. Só em casos raros e excepcionais, permite Deus que seja revelado. Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não obraria com a liberdade com que o faz. Assim, o próprio homem prepara, ele mesmo, muitas vezes, os acontecimentos que hão de sobrevir no curso de sua existência. O conhecimento do futuro é conquista somente de Espíritos elevados. A eles interessa e muito o nosso futuro, razão pela qual cuidam de influenciar o nosso presente, aconselhando-nos, orientando-nos através dos ensinamentos que ministram. A Misericórdia Divina permite certas revelações quando podem gerar o bem. Todavia deve-se ter muito cuidado com os impostores e charlatães. Benedito da Gama Monteiro – Revista Reformador – 1996 – Junho – Conhecimento do Futuro – Profecias
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    73 3.2.5 Joanna deAngelis 3.2.5.1 Pressentimento 522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor? É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar, tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna pressentimento. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522 Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em Guias da Humanidade. São eles que executam a programação estabelecida, emulando aqueles que se encontram incursos no processo de crescimento a alcançarem a meta para a qual se reencarnaram. Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência. Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam- nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os objetivos salutares. Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso.
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    74 Caso, no entanto,seja reprochável a conduta do indivíduo ou se faça caracterizada pela rebeldia sistemática, pelos conflitos nos quais se compraz, os pressentimentos se apresentam com manifestação maléfica, propostos pelos acompanhamentos espirituais que se lhe tornam constantes, em razão do tipo de opção mental e comportamental a que se entrega. Os Espíritos que o assessoram atormentam-no com ideias falsas umas e mirabolantes outras, a fim de mais o iludirem e fixarem-no nas suas redes mentais perversas, de difícil libertação. Comensais dos seus propósitos íntimos enfermiços, são hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e portadoras de conteúdos perturbadores que o atormentam e mais pioram o seu humor e estado emocional. Algumas vezes, quando assistido pelas Entidades veneráveis, pela falta de hábito de assimilar-lhes as ideias, recusa-as, retornando às mesmas paisagens mentais deletérias em que se homizia. Os pressentimentos, desse modo, merecem análise clara e tranquila, a fim de que se possa avaliar o de que se constituem e qual a mensagem de advertência e socorro de que se fazem portadores. * Ressumam espontaneamente do inconsciente pessoal muitas recordações, que defluem da programação a que o Espírito está vinculado e que assumiu antes da reencarnação, como eficiente maneira de conduzir-se com equilíbrio, e vejam que tombaram anteriormente. Alguns desses pressentimentos, que são efeitos de ações já realizadas, informam sobre necessidades que deverão ser experimentadas e compromissos que foram firmados antes do renascimento, que se encontram adormecidos e agora ressurgem com o propósito de alertamente, porque, de alguma forma, encontram- se estabelecidos para novamente acontecerem, auxiliando o equivocado na própria reeducação. São, portanto, do próprio Espírito reencarnado, algumas ideias que volvem à tela mental como intuição de advertência, proporcionando recordação espontânea do passado, que se torna bênção enriquecedora. Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade.
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    75 ( Esses registros sãopermitidos porque têm por finalidade contribuir em favor da melhor compreensão humana em torno do que se convencionou denominar fatalidade ou desdita, felicidade ou sucesso adrede estabelecidos ... Sendo uma existência planetária consequência natural da que lhe é anterior, e muitas vezes de outras mais recuadas, os eventos da vida se encontram mais ou menos delineados conforme as estruturas sobre as quais se apoiam, facilitando­lhes a captação antecipada por se encontrarem na pauta do processo da evolução. Os pressentimentos constituem fenômenos psíquicos, parapsíquicos e mediúnicos que contribuem de forma útil para a existência feliz. Quando negativos ou ameaçadores, devem predispor à oração e ao envolvimento nos pensamentos superiores, a fim, de que as conquistas atuais constituam crédito moral mediante o qual podem ser modificados os planos existenciais. As Soberanas Leis não executam corretivos punitivos em relação às criaturas, mas se expressam com finalidade educativa ou reeducativa, convidando à reflexão e ao aprendizado em torno dos deveres para com a Vida, e que não podem ser ignorados ou tomados com leviandade. Desse modo, a toda ação positiva corresponde uma mudança na contabilidade espiritual que diz respeito às atitudes e realizações prejudiciais, perturbadoras, que necessitam ser reparadas. O amor é possuidor do élan poderoso que anula o mal e, qual a luz, esbate toda a sombra ameaçadora. * Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando- se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las. Quando se trata de desafios pelo sofrimento, mais fáceis esses se apresentam, em razão da disposição de superá-los, prosseguindo no rumo da felicidade. Quando se expressam beneficiosos, favorecem melhor capacidade para a sua instalação no mundo Íntimo, retirando-se os resultados superiores da futura ocorrência.
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    76 Apurando-se a capacidadee a autopenetração interior e de sintonia com os Espíritos Guias, mui facilmente os pressentimentos podem ser registrados e direcionados de forma saudável e proveitosa. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
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    77 3.2.5.2 Futuro eNós Desconheces a programática futuro a respeito da tua vida. Numa longa viagem, o caminho apresenta paisagem sempre diversa. A visão da linha reta faculta uma previsão de sucessos; no entanto, uma curva, à frente, oferece aspectos surpreendentes, inesperados. A experiência resulta sempre da vivência de um fato. O progresso decorre das experiências bem sucedidas. Como não deve temer o futuro, não te cabes o direito de subestimá-lo. Tuas forças, tuas conquistas. Tentame vencido, é passo à frente. O futuro é uma incógnita para todos nós. Aplica a bênção da saúde, hoje, na realização do bem e na construção correta do porvir. Juventude, paz de espírito, saúde constituem tesouros de valor incalculável para a elevação moral do homem, de cuja utilização prestarás conta. Enquanto és depositário desses recursos, outros lhes lamentam a escassez ou lhes padecem a ausência. Agora sorris e o teu próximo chora. Reparte o teu júbilo, diminuindo-lhe a carência. Talvez, se não agires com acerto, amanhã sejas tu quem se encontre a chorar, e ele, liberado, esteja a sorrir. As provações e testemunhos aferem a qualidade e a correção moral do homem idealista. O cristão não foge à regra. Pelo contrário: é convidado a ensinar pelo exemplo, demonstrando a validade dos conceitos esposados, na sua áspera vivência. Bendize a alegria, mas não descartes a possibilidade das lágrimas. Como não seria justo sofrer por antecipação, não será lógico acreditar- se imune à dor.
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    78 Não obstante Jesussoubesse do sofrimento que experimentaria no supremo testemunho da soledade, pelo abandono dos amigos; na cruz, para autenticar a excelência da Sua Doutrina; na resignação e confiança absolutas em Deus, para confirmar a herança divina de que se fazia depositário, sorriu com as criancinhas, amou a Natureza e os homens, espalhou o otimismo e a saúde, preparando-se, porém, para o sublime holocausto de amor com o qual, até hoje, é o herói silencioso e triunfante dos séculos. Joanna de Angelis – Roteiro de Libertação – Pag. 109 – Futuro e Nós
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    79 3.2.5.3 Marco Divisório Houvena Roma antiga um templo dedicado a Jano, que durante um milênio somente fechou as suas portas nove vezes, correspondentes aos períodos em que a República esteve em paz. O deus singular era representado com duas faces, o que o tornou conhecido como bifronte, atributo conseguido de Saturno, a quem favorecera, e que o dotara com a capacidade de penetrar o passado e o futuro, conforme narra a mitologia, ao se referir ao mais antigo rei do Lácio conhecido, * * * Utilizamo-nos da lenda para considerar a visão cristã como possuidora da possibilidade de examinar o passado e o futuro, ensejando valiosas meditações. Em Saulo, o jovem atormentado, que se fizera sicário, dormitava aquele Paulo que, abrasado por Jesus, se tornou o arauto da Boa Nova por todas as terras da antiguidade. Em Jeziel, o israelita pulcro e sofrido, se encontrava em potencial o nobre Estevão, que se faria o excelso mártir da Mensagem nascente, abrindo os braços de encorajamento na direção do futuro. Em Madalena, a mulher obsidiada e trôpega nas aspirações morais, vivia enclausurada a impoluta faculdade de amar até o sacrifício, doando-se à Causa do Cristo com abnegação dificilmente encontrada. Em Simão, temeroso e reticente, vibrava o apóstolo Pedro, que se entregaria à fé rutilante, após o sacrifício de Jesus, de modo a selar com sangue a audácia de porfiar fiel até o fim, na expansão do Reino de Deus entre as criaturas de Roma. Em Joana de Cusa, a matrona romana, se agitava a discípula fiel que doaria a vida às labaredas pela honra de ser fiel ao Mestre. * * * Era como se o passado de dificuldades e viciações argamassasse o futuro com o cimento divino do amor, transformando-se em base de sustentação aos grandes investimentos da luz na direção do Infinito. No passado, queixas, lamentos, enfermidades, dissensões. No futuro, esperanças, gratidão, saúde e paz. * * * Ontem, óbice, desânimo, perturbação, agonia. Amanhã, aptidão, alento, ordem, serenidade.
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    80 Antes, o espíritoalquebrado e o coração ralado de dores e ansiedades incontáveis. Depois, o ser renovado pela mente voltada ao dever e os sentimentos cantando júbilos. A Doutrina Cristã é o templo da fé aberto perenemente, facultando a paz e acolhendo o amor. E o Espiritismo que no-la traz de volta, na atualidade, é o grande hoje, marco divisório dos tempos que separam o antes e o depois do encontro com Jesus. Por essa forma, se as tuas aspirações superiores ainda não se converteram em flores de alegria e as ásperas batalhas teimam por manter-te nos embates duradouros não desfaleças. O passado de sombras para ser vencido necessita de ser retificado e os abusos agasalhados demoradamente requerem disciplina espartana para serem superados. Importa considerar que já não és o que eras, nem sentes o que sentias, embora, não poucas vezes, o assédio do hábito te atormente as pausas de equilíbrio. Examina o passado para verificação do que te compete refazer, mas não te fixes nele. Prepara o futuro através de atitudes corretas mas não te angusties pela chegada dele. Vence a hora de cada hora, realizando o que possas, através de como possas, lidando infatigável na república do espírito em atribulação. Os acontecimentos vividos são experiências para as realizações a viver. Jesus é o teu divisor de águas. Kardec é o condutor do teu amanhã. Eleva-te ao Mestre através do Seu apóstolo moderno e fecha às paixões o templo da tua alma, em caráter definitivo, aspirando à glória do Mundo Maior que a todos nos espera. Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório
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    81 3.2.5.4 Desconhecimento dofuturo Entre as inescrutáveis Leis de Deus chama a atenção, merecendo reflexões, a que se refere ao desconhecimento do futuro concedido à criatura humana. Oportunidades surgem, nas quais, pessoas portadoras da faculdade precognitiva captam fragmentos de possíveis ocorrências porvindouras, no entanto, são sempre as de grave ressonância que se permitem registrar. Em uma análise dos fenômenos proféticos têm primazia as ocorrências que são de caráter trágico, portadoras de comoção e terror, convidando a criatura humana, individual e coletivamente, à mudança e comportamento, de modo que com essa atitude possa alterar o rumo dos acontecimentos, mas o que raramente ocorre. Destacam-se, no entanto, entre as notícias proféticas otimistas, que são raras, o nascimento de Jesus e a Sua missão extraordinária, por ser Ele o divisor das épocas, dando início à Era do amor que, lamentavelmente, ainda não se implantou na Terra, e só a pouco e pouco se instala nos corações. Não obstante os anúncios alvissareiros, quando de Sua chegada Ele não encontrou receptividade; antes defrontou corações covardes e agressivos, em razão das aspirações exacerbadas dos Seus contemporâneos, que aguardavam um Messias vingador dos seus sofrimentos, que lhes concedessem glórias e honras em detrimento da restante Humanidade, mas que o túmulo sempre toma e desconsidera. É providencial a ignorância do futuro, porquanto as resistências psicofísicas dos seres, como têm dificuldades para enfrentar o presente com calma, menos recursos possuem para viver por antecipação o amanhã. Insistem, muitos indivíduos, em tentar descobrir os acontecimentos porvindouros, derrapando nas fantasias e ilusões com as quais se fascinam e se embriagam. Soubesse-se das graves ocorrências por suceder e, sem dúvida, o sofrimento seria antecipado, gerando depressão e loucura, desespero e suicídio. Aguardar a chegada de tragédias e dramas, de infortúnios e dissabores constituiria desgraça injustificada, maior do que o fato em si.
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    82 Tivesse-se conhecimento porantecedência de sucessos felizes, de vitórias afetivas, de glórias por conquistar e a ansiedade tornaria desditoso o período que separa o momento da descoberta ao da sua concretização. Ademais, nasceria tormentosa desconsideração pelo presente, cuja condução modificaria o futuro. No rio do tempo somente o hoje é vital. Vivê-lo com elevação e nobreza é a forma feliz de anular o ontem e programar o amanhã. O ser humano está elaborado com equipamentos próprios para o trabalho de crescimento espiritual conforme as condições do planeta que habita. Quem deseje conhecer o próprio como o futuro da Humanidade, examine o seu comportamento e escreva com atos atuais as determinantes que comporão as paisagens que irá defrontar mais tarde. Não há favoritismo nas Leis de Deus, que facultem a uns conquistas e favores que a outros sejam negados. Todos passam pelo mesmo crivo de elevação ao custo de esforço pessoal indeclinável. Se aspiras conhecer o teu futuro, examina o teu presente, programando os teus pensamentos, palavras e atos que formarão o tecido do que está por vir. Se aspiras saber do teu passado, aprofunda reflexões nos teus dias atuais e concluirás como ele ocorreu, em razão daquilo que és agora. O desconhecimento do futuro, qual sucede com o do passado, é bênção da Vida, contribuindo para uma existência harmônica, embasada na confiança dos resultados do amor e do trabalho, que são alavancas promotoras do progresso para todos. Quando Deus permite ao ser humano conhecer o futuro em caráter especial, assim o faz, objetivando o seu e o progresso da sociedade. A forma porém, como o indivíduo se utiliza desse conhecimento, é de sua inteira responsabilidade, assim como as consequências disso advindas. A cada instante estás alterando o teu futuro mediante as tuas ações. Desse modo, constrói-o em luz e em paz, mesmo que estejas caminhando entre sombras e sobre espículos que te ferem os pés. Não desfaleças, e segue adiante no rumo do teu amanhã, que começa agora. Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Desconhecimento do Futuro
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    83 3.2.5.5 Acontecimentos imprevistos Enquantoa barca da reencarnação navegava nas águas tranquilas do prazer, todos os acontecimentos eram enriquecidos pelos sorrisos, pela imensa alegria de viver. Tinhas a impressão de que te encontravas no verdadeiro paraíso, sem maiores preocupações com o processo da evolução. Inesperadamente, porém, foste surpreendido por ocorrências imprevistas e te encontras tomado de surpresa e desencanto, acreditando-te desamparado e sem o socorro da Divina Providência. Sucede que a Terra é escola abençoada que faculta o progresso intelecto- moral dos Espíritos que nela se reencarnam. Invariavelmente são devedores das Leis Soberanas da Vida que desfrutam da oportunidade feliz de reparação dos desvios que se permitiram em existências anteriores. Tais sucessos imprevistos objetivam convocá-los para a reflexão e libertação dos encantos do prazer, ensinando-os a encarar a transitoriedade do corpo ante a realidade de seres imortais que são. Nesse sentido, o sofrimento se apresenta como benfeitor, por despertar a consciência adormecida a propor-lhes a visão correta para o comportamento durante a existência. Não poucas vezes, tudo parece transcorrer normalmente, estão programadas pelos cuidados pessoais as metas para o futuro, e desencarna um ser querido, deixando soledade e amargura. Noutras ocasiões, os negócios que funcionavam em ordem sofrem alteração e a empresa muito bem estruturada decompõe-se e cerra as suas portas. Certos dias apresentam-se assinalados por desencantos, e a afetividade que parecia preencher os espaços emocionais, experimenta choques variados, com resultados de desalento e de dor. Em momentos outros, enfermidades degenerativas ou simplesmente vigorosas apresentam-se com volúpia e produzem debilitação das forças numa conspiração aparente contra o bem-estar e a harmonia do organismo. Repentinamente surgem conflitos que se ignorava e transtornos emocionais sacodem o indivíduo, ferem a alegria e perturbam a emoção. • • •
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    84 Sempre surgem emtodas as vidas esses fenômenos inesperados, porque fazem parte do programa de iluminação da humanidade. Ninguém que se encontre indene à sua ocorrência. Eles se apresentam e esperam ser bem recebidos, mesmo marchetando a alma e retirando a aparente tranquilidade. O físico é mundo das ilusões e das fantasias. O espiritual é aquele de onde se procede e para onde se retorna. A vida na Terra expressa-se conforme o nível de consciência e de evolução de cada criatura. Resultado das ações anteriores, as ocorrências têm lugar conforme a origem, sempre proporcionando recursos de transformação moral. Dessa forma, exercita o desapego de tudo quanto te retém na retaguarda. Começa a libertar-te das coisas e questões que não podes conduzir para sempre. Treina a simplicidade de coração e a fraternidade legítima, repartindo com o teu próximo tudo quanto representa excesso e que o egoísmo retém, em mecanismo de precaução para o futuro. A sede de prazeres e a ânsia de poder constituem grandes adversários do processo auto iluminativo, mantendo o indivíduo nas paixões imediatistas o que o impede de viver as saudáveis experiências da renúncia e da abnegação. Qualquer forma de apego é prejudicial ao Espírito, que se deve descondicionar das falsas necessidades que a modernidade impõe. O essencial é sempre menos volumoso e significativo do que o secundário, que se apresenta como de grande importância. O seu valor, porém, é atribuído por aquele que se lhe agarrar, destituído, no entanto, das qualidades que lhe são concedidas. Espera da existência todos os tipos de acontecimentos, especialmente esses que mortificam pelo despreparo para o seu enfrentamento. Quando se pensa na própria fragilidade, no fenômeno da morte, que exige apenas uma condição, que é estar no corpo físico, robustece-se a coragem e a fé amplia-se na direção do futuro, tornando-se uma couraça protetora que nada consegue penetrar de forma prejudicial. • • •
  • 90.
    85 Comportamento de talnatureza pode ser considerado como a busca da Verdade, a que se referiu Jesus, quando informou: Busca primeiro o Reino de Deus e sua justiça e tudo mais vos será acrescentado. Pilatos Lhe havia interrogado o que era a Verdade. Teria, porém, condições para a atender, atropelado pelos interesses doentios do poder temporal, das paixões de raça e dos caprichos da governança? Jamais lhe ocorreu que estava sobre areia movediça que o tragou depois da morte do imperador Tibério, quando então foi mandado para o exílio, no qual se suicidou. Assim sucede com os enganos que o ego engendra e o ser se aferra, preservando ilusões por falta de coragem e estrutura moral para enfrentar a realidade na qual se encontra e procura não se dar conta. Assim sendo, não consideres como infortúnios os acontecimentos imprevistos que te convoquem a mudanças radicais de conduta para melhor. O Reino dos Céus está entre vós, enunciou Jesus. É necessário ter-se olhos de ver e ouvidos de ouvir para deixar-se penetrar pela sua realidade e incorporá-la ao cotidiano. Supera as fantasias da mente, disciplinando o pensamento, de modo que o conduzas de forma edificante e prazenteira para toda a existência, assim como para depois da desencarnação, quando despertarás conforme és e não com o que reuniste e fixaste como de tua posse. Joanna de Angelis – Seja Feliz Hoje – Cap. 1 – Acontecimentos Imprevistos Data: 5 de junho de 2014 – Local: Residência de Dominique e Armandine Chéron, em Vitry-sur-Seine, França.
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    86 3.2.5.6 Incerteza dofuturo Em face dos substratos do passado, arquivados no subconsciente, quase sempre negativos, neurotizantes, a pessoa pressupõe que o seu será um futuro carregado de problemas, de desafios, exigindo-lhe continuar abraçado à cruz dos sofrimentos. Porque não desalojou dali os hóspedes indesejáveis da perturbação, as mensagens que capta em relação ao futuro são assinaladas por incertezas e preocupações. Ninguém se pode evadir do processo de crescimento interior, e esse imperativo da evolução apresenta-se com dúvidas a respeito de como enfrentá-lo e que fazer enquanto o aguarda. A atitude correta está em viver cada momento intensamente, porquanto, cada minuto que se acerca e passa, é o futuro chegando e transformando-se em passado. É um erro considerar como futuro o que se relaciona ao remoto, ao qual se atiram realizações que deveriam ser executadas agora, definindo circunstâncias e tempo. A soma dos segundos transforma-se em milênios. É mais exequível realizar-se em cada pequeno lapso de minuto do que aguardar a sucessão dos anos. Quando se deseja realmente fazer algo, estabelece-se horário e define-se ocasião. Essa ordem, registrada no subconsciente, faculta que se consume o programa estabelecido. Quando não se deseja inconscientemente fazê-lo, estatui-se: Um dia… Na primeira oportunidade… Esse dia e essa oportunidade não existirão, porque não foram definidos. Assim também é esse futuro, não delimitado, vazio, ameaçador. À medida que se conclui uma tarefa, outra se delineia e torna-se factível a sua realização. Diante de vários compromissos indefinidos, os rumos se confundem e a capacidade psíquica de discernimento perde a escala de valores, que seleciona, pela importância, quais os que têm primazia para execução. Nessa inevitável balbúrdia, atropelam-se os significados de qualidade, passando a ter preferência os mais simples e insignificantes, enquanto os outros são atirados para um oportunamente que não se deseja que chegue. Não atendidos e registrados, dão curso à instabilidade emocional, a incertezas e preocupações.
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    87 Desse modo, seráfeito amanhã o que não seja possível realizar-se hoje, porém, sem angústia, sem remorso. Um mestre, informado que lavrara um grande e arrasador incêndio numa floresta próxima, convidou os discípulos para que, juntos, fossem plantar cedros no terreno calcinado, após lavrá-lo. Inquieto, um discípulo retrucou-lhe: – Por que plantar o cedro hoje, se ele demora dois mil anos para desenvolver-se e alcançar a plenitude? Sem perturbar-se, o sábio respondeu-lhe: – Aqueles que foram queimados nunca nos informaram quem os houvera plantado, embora oferecessem sombra e vida sempre. Ademais, já que demoram tanto para atingir a exuberância, não percamos tempo, a fim de não lhes atrasarmos o desenvolvimento. Jesus, o Psicoterapeuta ímpar, em excelente receita de paz, propôs: – “Não andeis, pois, ansiosos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã a si mesmo trará o seu cuidado; ao dia bastam os próprios males. “ (Mateus, 6: 34) Oxalá que se tenha em mente que a experiência resulta da vivência do fato, e que o mal é a tentativa incorreta de agir na busca do melhor. Assim, cada instante merece o investimento da atenção, dos cuidados que se pretende direcionar para as ocorrências do futuro. Agindo com precisão hoje, são eliminadas desde já, evitando-as mais tarde. O desenho do planejamento futuro é realizado com o material que se está usando neste momento. Gerando decisões salutares, tomando-se atitudes corretas e corrigindo- se as equivocadas, programa-se o porvir agradável, compensador. Para tanto, o cultivo dos pensamentos enobrecedores faz-se inadiável. É necessário pensar alto, a fim de colher resultado satisfatório. Quem pensa a mesma coisa, recebe sempre aquilo que já tem. Variar para melhor, é candidatar-se ao superior, ao não fruído. Como decorrência da acomodação aos hábitos e ideias já digitados no subconsciente, a pessoa esconde suas aspirações e valores nobres nos conflitos a que se acostuma e nos quais se compraz, nos transtornos neuróticos, na insatisfação, que lhe constituem escusa para não lutar, permanecendo sem o auto-auxílio, e transferindo para os demais a culpa do seu insucesso, da sua irresponsabilidade, da sua aceitação sem resistência.
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    88 A luta fortaleceo caráter e capacita o ser para os contínuos desafios, que lhe facultam o crescimento interior. Essa realização é intransferível, como a sabedoria que se aprende, mas não se doa. Constituído de recursos valiosos, esses necessitam dos fatores que lhe propiciem desabrochar e crescer. Vivendo bem cada momento, em profundidade, o futuro torna-se natural, acolhedor, gratificante, porquanto será conforme os atos de ontem – em reencarnações passadas — e de hoje – na existência atual -, que alterará o mapeamento do amanhã. Se, ao invés disso, como mecanismo de fuga contra a renovação, a pessoa programa dores e desconforto, sem confiança nos acontecimentos porvindouros, com certeza está desejando exatamente conforme receberá. Há uma fatalidade inevitável: a colheita se dará de acordo com a sementeira. Não há violência, nem transmutação de espécimes, de valores. Todo fator que possa desencadear consciência de culpa, no comportamento, necessita ser eliminado, substituído por outros, criadores de confiança e serenidade, sem sombras psicológicas que ocultem a realidade, o desenvolvimento dos valores internos. Uma psicoterapia especial, entre outras, ressalta na fixação pela repetição de frases idealistas, de autossugestão otimista, de interiorização mediante a prece, de meditação no serviço de amor ao próximo, através do amor a si mesmo. Enquanto assim agir, o futuro se estará fazendo presente, e logo passado, sem qualquer insegurança ou incerteza maceradora, enriquecido pelas propostas agradáveis das perspectivas de êxito, tornadas realidade. Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 – Incerteza do Futuro
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    89 3.2.5.7 Pressentimentos Antes desuceder o fato, ondas vibratórias atingem aqueles que serão seus protagonistas. Irradiações dos sucessos em desdobramentos sempre alcançam os que são móveis ou partícipes dos mesmos. As ondas mentais disparadas na direção das pessoas, atingem-nas, não poucas vezes. As faixas vibratórias, nas quais o psiquismo se demora, emitem as informações de que se carregam, sendo captadas por outras mentes. Todos esses tipos de registro podem ser tomados na conta de pressentimentos. Todavia, o pressentimento diferencia-se de premonição como da telepatia. Mais se liga à profecia, caracterizando-se por uma certa ascensão afetiva ou sentimental. Nebulosos ou nítidos, os pressentimentos anunciam ocorrências que sucederão, estabelecendo um intercâmbio entre a fonte geradora e a mente receptiva. Misericórdia divina, essa percepção, a fim de premunir o homem com os recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode mudar; favorecendo com forças, a fim de modificar as ocorrências que podem e devem ser alteradas; auxiliando com expectativas felizes, a fim de oferecer júbilos nos momentos dos sucessos futuros. Certamente, nem sempre as informações são recebidas com a necessária clareza, de modo a bem definir o que está por suceder. No entanto, o homem probo, o cristão, sabe que vivendo num mundo de intercâmbios eleva-se, mediante a prece ao Criador, e procura sintonizar com os seus Benfeitores Espirituais, que providenciarão os valores de que se enriquecerá, de modo a capacitar-se para o tentame. Quando não seja possível melhor clarificar a questão, eles ampararão o tutelado, inspirando-lhe soluções que, noutras circunstâncias, não ocorreriam. Na dúvida, ora. Na certeza, ora. Em qualquer situação, ora.
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    90 Entre fazer ounão praticar o bem, realizá-lo. Na perspectiva de um dissabor, examina melhor a realidade do fato e age, tendo em vista o bem geral. Tuas ações, tua vida. Conforme agires hoje, escreverás a história do teu futuro. Paulo pressentia o que o aguardava em Jerusalém e, advertido das dores que o esperavam, desceu à Capital de Israel para testemunhar o amor a Jesus, oferecendo-se como carta- viva da Boa Nova. Os discípulos, advertidos quanto aos martírios que os aguardavam, pressentiam a hora, mas não recuavam, já que dessa atitude resultavam bênçãos para os que viriam depois. Estêvão, no primeiro encontro com Saulo, pressentiu as dores que iria experimentar, não obstante, orando, entregou-se ao sacrifício. Jesus conhecia todas as fraquezas dos companheiros; apesar disso, amou-os com dedicação total, confiando-lhes as tarefas de preparação do futuro. Quando pressintas algo afligente, não te entregues a um sofrimento antecipado. Unge-te da paz, que deflui da prece, e aguarda, confiante. Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
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    91 3.2.6 Eros 3.2.6.1 Programade Vida O candidato à reencarnação acercou-se, jubiloso, do Instrutor Espiritual encarregado da programática de sua vida futura e inquiriu: Quais são as últimas orientações que deverei guardar como recurso de segurança para o êxito? O Mestre sábio abrangeu o ambiente com um olhar penetrante e respondeu: São necessários alguns dos seguintes valores para uma jornada feliz, que nunca poderão ser desconsiderados: − a humildade como fortaleza inexpugnável; − a paz como couraça de defesa; − o conhecimento como instrumento de progresso; − o livro como amigo silencioso; − o trabalho como degrau de ascensão; − a prece como apoio contra as tentações; − a beneficência como investimento de felicidade; − a honra como alicerce de resistência; − a esperança como material de edificação contínua; − o amor como vínculo de união com Deus e a Vida. O aprendiz meditou largamente e, cabisbaixo, considerando a gravidade da empresa reencarnacionista, mergulhou na névoa densa da Terra para recuperar-se e aprender. Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida
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    92 3.2.7 Hermínio deMiranda 3.2.7.1 Lembranças do Futuro Progressão de memória Ao encerrar-se a década de 70, três psicólogos americanos, todos devidamente adornados com honrosos títulos PhD, introduziram na psicologia clínica o conceito da reencarnação, como se pode conferir com a leitura de seus depoimentos: Helen Wambach, com os livros Reliving past lives {.Revivendo vidas passadas), em 1978, e Life before life {Vida antes da vida), em 1979; Edith Fiore, com You have been here before {Você já esteve aqui antes), em 1979, e Morris Netherton, com Past lives therapy {Terapia de vidas passadas), também em 1979. Não é nosso propósito, neste texto, desenvolver comentários sobre essas obras, que definiram clara posição doutrinária, tanto quanto marcaram época na evolução das ciências da mente; elas são conhecidas no Brasil, onde se acham difundidas no original e em traduções brasileiras e portuguesas. O objetivo deste papel é o de comentar trabalho mais recente da dra. Wambach, morta em consequência de problemas circulatórios, em 18 de agosto de 1985, dia em que completava 60 anos de idade. Estaremos, para isso, examinando o livro Massdreams of future (Sonhos coletivos do futuro), de Chet B. Snow, outro PhD. O dr. Snow recorreu à dra. Wambach, em 1983, em busca de ajuda profissional para problemas de natureza pessoal. Tornaram-se amigos e passaram a debater questões científicas. Em breve, ele se engajou no projeto de pesquisa com o qual a doutora vinha trabalhando há algum tempo e acabou escrevendo o livro que ora temos para estudo. Pesquisa da memória Leitores da dra. Wambach sabem que seu segundo livro (Vida antes da vida) trata basicamente de regressões de adultos ao momento do parto. A eminente pesquisadora desejava saber das emoções do nascituro, seus projetos de vida, seu possível relacionamento anterior com os pais, irmãos e outros familiares, bem como das razões pelas quais teria escolhido nascer homem ou mulher, e por que nesta época e não em outra.
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    93 Vida antes davida é leitura imperdível. O livro anterior da mesma autora, não menos importante, apresentara-se com diferente enfoque ao concentrar-se em aspectos históricos e antropológicos embutidos no processo evolutivo do ser humano. A doutora utilizou-se da instrumentação regressiva para buscar na memória das pessoas informações que lhe permitissem montar uma visão mais precisa do contexto em que tem vivido a comunidade humana, no passado. Valeu- se para isso de um conjunto de perguntas simples e bem elaboradas, sobre alimentação, vestuário, habitação, estruturas sociais, culturais, religiosas e econômicas. Tabulados, com paciência e competência, os dados colhidos desenham um quadro realista e coerente de hábitos e costumes através dos tempos. Pela primeira vez, produzia-se um estudo baseado na memória das pessoas que estavam lá, vivendo remotas experiências na carne, em lugar de proceder a penosas escavações, nas quais o contexto deve ser recomposto a partir de fragmentos e vestígios, muitas vezes enigmáticos e insuficientes. A alma das coisas E quanto ao futuro? pensou a dra. Wambach. De que maneira os americanos de hoje considerariam suas potenciais vidas futuras? Em que cenário? Sob que condições? Seria possível dar uma espiada no futuro que nos aguarda a um ou dois séculos na frente? Ela achava que sim, de vez que percebera, no decorrer de suas pesquisas, pacientes em ligeiro transe hipnótico que demonstravam com frequência capacidade de antecipar perguntas e comentários que ela ainda não havia formulado. Aliás, ela se convenceu de que um sistema de comunicação direta, sem palavras, funciona livremente por toda parte, entre os seres vivos. Chet Snow, autor do livro e parceiro nas pesquisas, acha mesmo que a própria terra é um organismo vivo sobre o qual não apenas nossos atos, mas também pensamentos, atuam de maneira dramática, o que não seria surpresa para Emmanuel.
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    94 No livro Emmanuel,psicografado por Francisco Cândido Xavier, em 1937, vamos encontrar esta observação do autor espiritual: — O orbe terrestre é um grande magneto, governado pelas forças positivas do Sol. Toda matéria tangível representa uma condensação de energia dessas forças sobre o planeta e essa condensação se verifica debaixo da influência organizadora do princípio espiritual, preexistindo a todas as combinações químicas e moleculares. É a alma das coisas e dos seres, o elemento que influi no problema das formas, segundo a posição evolutiva de cada unidade eventual. Todas as correntes eletrônicas, portanto, ou ondas da matéria rarefeita, são elementos subordinados as correntes de fluidos ou vibrações espirituais; aquelas são instrumentos passivos, estas as forças ativas e renovadoras do universo, (pp. 112-113, 2a edição, FEB, 1938, sendo de observar-se que os destaques são meus). Arqueologia do futuro A dra. Wambach declarou ao dr. Snow que uma das mais valiosas lições de toda uma existência dedicada à tarefa da psicologia clínica foi a de que as palavras são cortinas de fumaça, o que confere com o conceito de antigo autor — lamento confessar a ingratidão de haver esquecido seu nome —, segundo o qual as palavras foram inventadas não para expressar o pensamento, mas para ocultá-lo. Com essas idéias em mente, já em 1980, pouco tempo depois de publicado Vida antes da vida, a dra. Wambach decidiu embarcar em outra pesquisa de grande porte, desta vez para explorar a possibilidade de promover uma espécie de arqueologia do futuro, na memória de pacientes sob hipnose, segundo o já consagrado “método Wambach”. Obteve, para o projeto, o apoio de sua amiga Beverly Lundell e o do dr. R. Leo Sprinkle, psicólogo e professor da Univer-sidade de Wyoming. O objetivo era o de explorar, no psiquismo de pessoas suscetíveis e dispostas a colaborar, os períodos de 2100-2200 e 2300-2500, ou seja, os séculos XXII, XXIV e XXV. Em 1983, quando Chet Snow a conheceu, Wambach já estava coligindo material resultante de progressões realizadas por ela e pelos seus dois amigos e colaboradores.
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    95 Em breve, odr. Snow passaria a promover workshops de regressão e progressão, nos Estados Unidos e na França, onde iria viver por algum tempo, a fim de documentar uma de suas próprias existências anteriores. Encontrava-se Snow na França, em 1985, quando foi notificado da morte da dra. Wambach. Estado alterado Convém observar, antes de prosseguir, que o conceito de progressão de memória, em contraste com o de regressão, não constitui novidade absoluta. O coronel Albert de Rochas dá conta, em sua obra Les vies successives (As vidas sucessivas), de experiências nesse sentido, realizadas durante a última década do século XIX e a primeira do século XX. E certo que tais experiências foram esquemáticas e sem o desejável aprofundamento, mas há, no texto do coronel, evidência de que é possível “levar” uma pessoa hipnotizada ou magnetizada ao futuro, da mesma forma que, na regressão, é “levada” ao passado. Tomo a liberdade de remeter o leitor porventura interessado neste e em outros aspectos do problema ao meu livro A memória e o tempo, no qual o trabalho de De Rochas é discutido com maior amplitude. Chet B. Snow não apenas aderiu ao projeto da dra. Wambach, como acabou concordando, ele próprio, em submeter- se a uma experiência de progressão, no que, aliás, revelou-se excelente sujet. Foi assim, numa tarde de julho de 1983, no consultório da dra. Wambach, na Califórnia, que, após mergulhado no estado alterado de consciência sugerido pela psicóloga, Chet Snow viveu uma dramática “lembrança do futuro”, na qual se via, em 1998, em desolada região do estado do Arizona, como integrante de pequena comunidade de pessoas que haviam sobrevivido a violentos cataclismos. As condições climáticas locais mostravam-se profundamente alteradas em relação ao que são hoje, de vez que, no mês de julho, em pleno verão no hemisfério norte, e em local onde a norma seriam as temperaturas elevadas, fazia frio e soprava um vento glacial. Além do mais, a região parecia despovoada e com escassas possibilidades de comunicação com o resto do país.
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    96 As condições devida eram primitivas, a alimentação constituía prioridade absoluta, a habitação (coletiva) não passava de um abrigo precário para algumas dezenas de pessoas lideradas por uma mulher. Não é de admirar-se, pois, que Chet Snow tenha regressado com enorme sensação de alívio, ao “aqui e agora”, no consultório da dra. Wambach, no luminoso verão californiano. Seja como for, a ser válida a experiência, o terrível cenário em que se metera ele durante a progressão estava à sua espera dentro de quinze anos. Era uma idéia mais do que inquietante, aterradora. Um planeta devastado Outras “viagens” ao futuro faria o dr. Snow sob a competente pilotagem da dra. Wambach, não apenas ao desolado território do Arizona, no fim deste século, como a outros tempos e locais, em futuro mais remoto. Desdobrava-se o projeto desenhado com a finalidade de investigar o que poderão revelar sobre o futuro “os sonhos coletivos” em que mergulhamos tantos de nós, seres vivos, nesta época dominada por tensões e sombrios presságios. As primeiras imagens do contexto explorado nas progressões revelaram-se tão deprimentes que a doutora pensou, de início, em suspender a pesquisa. A visão que se antecipava nela era a de um planeta devastado, desestruturado e poluído, cidades em ruínas e campos abandonados, sistemas de comunicação e transportes de-sarticulados e dramática escassez de alimentos. Era um verdadeiro pesadelo, dentro do qual a prioridade maior era a de sobreviver, se possível, mais um dia ou dois. Entre 1980 e 1985, a dra. Wambach e sua equipe haviam realizado regressões e progressões em cerca de 2.500 americanos (Snow trabalhara também com alguns franceses). Inesperadamente, apenas cerca de 5% das pessoas progredidas viam-se reencarnadas por volta do ano 2100, a umas poucas gerações adiante, portanto. A conclusão era óbvia, ainda que inquietante, dado que indicava um declínio de cerca de 95% na população mundial, dizimada, por essa época, por gigantescos cataclismos, em inúmeras regiões da Terra.
  • 102.
    97 Tais resultados foramencontrados, isoladamente, pelos pesquisadores, em diferentes grupos de pessoas. Consistentemente, cerca de apenas 5% viam-se encarnadas por volta do ano 2100, ao passo que, mais à frente, em torno do ano 2300, a percentagem subia para 13 ou 15%, o que parece indicar uma retomada do crescimento populacional, após o drástico decréscimo. Sonhos coletivos Apesar de deprimida pelos resultados, a curiosidade científica da dra. Wambach prevaleceu e a pesquisa prosseguiu. Era preciso, não obstante, ampliar a base para que o estudo não ficasse prejudicado e exposto a críticas por ter sido demasiado restrito o universo pesquisado. Para chegar-se a números confiáveis, porém, seria necessário progredir pelo menos dez mil pessoas, o que inviabilizaria o projeto a médio prazo. Com o propósito de contornar a dificuldade, a dra. Wambach decidiu selecionar para as progressões pessoas comuns, dotadas de bom senso e equilíbrio emocional. Suas experiências com sensitivos e médiuns revelaram-se decepcionantes, ao que ela supõe, por causa de interferências do interesse pessoal de cada um deles, mais propensos às usuais “profecias” sobre gente famosa e eventos de menor interesse coletivo a fim de manter o status de bons videntes do que em concentrarem-se no que estariam, eles próprios, fazendo, onde e quando, em futuro próximo ou mais remoto. Muitos foram os voluntários interessados na nova fase das pesquisas, mas ela selecionou apenas três, que lhe pareceram emocionalmente estáveis, e passou a trabalhar com eles. Essa abordagem certamente não eliminaria o inconveniente de estudar um universo reduzido para os padrões estatísticos, mas poderia produzir uma indicação a mais em relação a outros dados anteriormente colhidos. Ademais, o autor do livro adverte, já no prólogo, que as previsões não devem ser consideradas “incontroversas ou irreversíveis”; é certo, porém, que foram garimpadas nos “sonhos coletivos” que estão sendo projetados por muitas mentes e, nesse sentido, constituem indicações dignas de consideração sobre o que poderemos estar experimentando no futuro. Pelo menos é o que está sendo lido, hoje, no inconsciente das pessoas.
  • 103.
    98 Realidade espiritual Não hácomo compactar num papel como este, que pretende apenas dar uma notícia sobre o livro do dr. Snow, toda a riqueza do material nele posto à disposição do leitor, como, por exemplo, o conteúdo do capítulo 3, no qual a profecia é examinada do ponto de vista histórico; ou o capítulo 9, que suscita estimulante debate em torno das recentes propostas da física quântica e suas implicações metafísicas, bem como sobre o conceito de linearidade do tempo. Temos de sacrificar esses e outros aspectos (para os quais o leitor terá mesmo de recorrer ao livro do dr. Snow) a fim de abrir espaço para informações menos eruditas e de maior interesse imediato para nós. Após examinar detidamente e tabular os dados recolhidos de 133 pessoas sobre as expectativas para o ano 2100, o dr. Snow encontrou 35 vivendo no espaço, em viagens constantes ou em colônias orbitando em volta da Terra. O depoimento dessas pessoas, bem como o das que continuavam vivendo na superfície da Terra, parecem indicar que o intercâmbio espacial ter-se-á tornado atividade praticamente de rotina, aí pelo ano 2100. O segundo grupo, composto de 24 pessoas — sempre dentro do universo de 133 progredidas no tempo —, seria constituído de gente vivendo em pequenas comunidades terrenas, basicamente rurais ou, pelo menos, afastadas dos grandes centros, e que, embora sem confortos e sem sofisticada tecnologia, seriam auto- suficientes e até felizes. Essa gente revela-se bem informada a respeito da realidade espiritual e familiarizada com os conceitos de reencarnação, sobrevivência do ser, comunicabilidade entre vivos e mortos e outros tantos dessa natureza. O terceiro grupo, do qual deram notícia 41 pessoas, encontrava-se vivendo em comunidades fechadas, altamente sofisticadas em termos tecnológicos, implantadas em espaços protegidos por cúpulas imensas que as mantinham isoladas do ambiente externo, usualmente árido e hostil. Ao contrário das comunidades do segundo grupo, que se revelam felizes e descontraídas, os habitantes dos grupos fechados mostram- se descontentes e indiferentes, como se a vida fosse uma desagradável imposição rotineira e não um privilégio e uma oportunidade valiosa.
  • 104.
    99 Levam, tais criaturas,uma existência algo artificial, subsistindo à base de alimentos industrializados, muitos deles sintetizados em laboratórios. Ao que parece, mantêm ativo intercâmbio com seres espaciais e só se aventuram fora de suas redomas coletivas por pouco tempo e protegidos por vestimentas e capacetes especiais que, em alguns casos, desarranjam-se e acarretam a morte da pessoa, segundo depoimento de alguns. O quarto e último grupo, na classificação proposta pelo dr. Snow, é constituído por pessoas que ele considera como “sobreviventes”, seres marginalizados pelas catástrofes. Vivem, a duras penas, em regiões desoladas, usualmente em ruínas das grandes cidades do passado, como que regredidos a condições de vida mais precárias do que as do século XIX, ainda dependentes de transporte animal, praticamente sem recursos que permitam um mínimo de conforto e segurança. Hermínio de Miranda – As Duas Faces da Vida – Lembranças do Futuro
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    100 3.2.8 André Luiz 3.2.8.1Programas Reencarnatórios (...) Desejando, porém, prosseguir nos esclarecimentos, quanto ao serviço reencarnacionista, Manassés tomou pequeno gráfico e, apresentando-me as linhas gerais, acentuou: - Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmoide? Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que chegue à maioridade física. Trata-se, porém, de escolha dele. André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 12 – Preparação de Experiências
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    101 3.2.9 Vianna deCarvalho 3.2.9.1 Revelações Inconsequentes O estudo do Espiritismo é de vital importância para que se possa penetrar- lhe a essência dos conteúdos científicos, filosóficos e ético-morais-religiosos. Toda a sua doutrina se fundamenta na experiência que se deriva da observação contínua dos fatos, graças à metodologia quantitativo-qualitativa. Não tendo sido elaboração de um homem ou de um grupo de indivíduos, não sofre os problemas de sistemas ou de idéias preconcebidas, mantendo incomum imparcialidade no exame e análise dos elementos que o constituem. Resultado de demoradas reflexões e pesquisas, apóia-se nas leis naturais, que são fundamentais à vida de onde se derivam todos os seus postulados. Os fenômenos que lhe facultaram o surgimento, em todas as épocas e Nações da Terra, passaram pelo crivo de contínuas experimentações, havendo resistido aos esquemas convencionais da dúvida, da fraude, das exteriorizações do inconsciente, antes de adquirirem cidadania e dignidade. Esses fenômenos foram considerados, no passado, como expressões da santificação, do misticismo, do ridículo – de acordo com a época em que se manifestaram – para se tornarem parte integrante da cultura humana, que os proporcionava, portanto, sem qualquer colorido fantasista ou miraculoso. Passo a passo, as informações que se originaram nas comunicações foram objeto de exame e de comparação com o conhecimento intelectual, passando pelo crivo dos enfrentamentos com os sistemas vigentes e as doutrinas em voga, apresentando-se como um corpo harmônico de teses com características próprias, dantes não sonhadas sequer, compondo paradigmas que resistem aos mais intrincados processos de negação elaborados pelo materialismo, do qual é o mais vigoroso adversário. Não se compadecendo com pieguismos culturais e atavismos ancestrais, o Espiritismo assenta-se na razão, que demonstra por meio dos conceitos avançados em torno do ser humano, da vida e da sua finalidade, tornando-se, por isso mesmo, um fértil campo de princípios filosóficos que dignificam e libertam as mentes e os sentimentos humanos.
  • 107.
    102 Firmado nos princípiosdas Leis naturais, aquelas que regem o Universo, não pode ser ultrapassado, porque, à medida que surjam novas idéias centradas na lógica e resistentes aos combates extemporâneos da insensatez, o Espiritismo as aceitará, e quando essas conquistas do conhecimento demonstrarem que seja improcedente algum dos seus postulados, este será eliminado ou se amoldará ao impositivo da circunstância. Não possuindo qualquer tipo de culto, de cerimonial, de ritualismo, de sacerdócio organizado ou equivalente, é a religião do ser integral, porque possui todos os fundamentos das religiões – Deus, imortalidade da alma, justiça divina, elevação de pensamento através da oração, exercício e vivência do amor – adentrando-se na demonstração da excelência desses conceitos, em face da sua feição de ciência experimental. Assim, para culminar esse objetivo demonstra a imortalidade do ser; mediante a sua comunicabilidade depois do decesso tumular; a justiça divina, recorrendo à reencarnação, que ora se converte na chave indispensável à compreensão dos acontecimentos históricos, sociológicos, humanos, econômicos, morais e espirituais que envolvem os indivíduos; a comunhão mental com a Fonte Geradora de vida, por meio do intercâmbio entre aquele que ora e o Fulcro ao qual é direcionada a emissão mental. Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade, vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado que tem à frente. Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis, informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam, contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos relevantes da Humanidade.
  • 108.
    103 Pseudo médiuns oumedianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam- se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos. Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande meta. Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante, que em algum momento esteve presente na História. A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade dourada ou à lamentação. Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano, variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos mundos. O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução. Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo, com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada um é o que de si próprio faz.
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    104 O fato dehaver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube honrar e que agora defronta para corrigir. A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização, utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde procedemos. Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações Inconsequentes (Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião da noite de 14 de abril de 1996, em Quarteira, Portugal.)
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    105 3.2.9.2 Informações Descabidas Quasetodas as propostas idealistas, na medida em que se fazem conhecidas, perdem em profundidade o que lucram em superfície. De igual maneira vem sucedendo ao movimento espírita, cuja divulgação merece aprofundar os conceitos doutrinários, a fim de oferecer subsídios valiosos aos iniciantes e interessados em conhecer na sua realidade legítima a doutrina libertadora da ignorância espiritual sobre a vida. Em face da popularização dos nobres conteúdos filosóficos, pessoas inescrupulosas transformam-se de um para outro momento em pretensos esclarecedores do pensamento espírita, introduzindo as próprias ideias, em razão do quase total desconhecimento espiritista. Não poucas vezes, presunçosos e arrogantes, criam diretrizes burlescas e teorias esdrúxulas que dizem provir do mundo espiritual, completando o que Allan Kardec não teve tempo de realizar. Nesse capítulo, surgem movimentos denominados um passo adiante do que se encontra estabelecido na Codificação, como resultado de informações perfeitamente compatíveis com as conquistas da ciência contemporânea. Outros indivíduos, portadores de conflitos psicológicos, projetam os seus transtornos na farta clientela desprevenida e se apresentam como portadores de mediunidade especial, caracterizada por expressiva clarividência, que lhes permite antever o futuro, detectar o presente, formular diagnósticos de enfermidades graves e resolvê-las, identificar obsessões perversas, infortúnios porvindouros... E utilizando-se da iluminação que se atribuem, apresentam fórmulas salvacionistas, propondo comportamentos incompatíveis com o bom senso e a lógica doutrinários. É lamentável que tal fenômeno tenha lugar num movimento que pretende traduzir a grandeza do pensamento dos Imortais, com simplicidade e lógica, embora a sua grandiosa e complexa estrutura intrínseca.
  • 111.
    106 Sucede que ostormentos da vaidade e do orgulho, que ainda predominam em a natureza humana, como herança do seu processo de evolução antropológica, impedem ou dificultam que o indivíduo amolde o caráter moral às novas propostas de iluminação, tornando-se-lhe mais fácil adaptá-las ao seu vicioso modo de ser. No começo, um grande entusiasmo invade esses desprevenidos, que se deixam tocar interiormente pela significativa contribuição imortalista, logo após acostumando-se com a informação valiosa e, necessitados como se encontram, de novidades, criam, fascinados pelo próprio raciocínio, correntes de pensamento que lhes projetem o ego, a desserviço da divulgação saudável e correta do Espiritismo. É sempre valioso recordarmo-nos da frase enunciada por João, o Batista, a respeito de Jesus, quando elucida: – É necessário que Ele cresça e que eu diminua. Assim, agiu corretamente, porque o seu era o ministério de preparar-Lhe os caminhos, diminuindo as asperezas, que se tornaram ainda muito complicadas para vencê-las, fazendo, porém, a sua melhor parte. Aos espiritistas, portanto, novatos ou militantes, que tudo façam para que a doutrina cresça e eles diminuam, de modo que realizem o mister que lhes cabe sem a ufania de serem inovadores, médiuns especiais e reveladores, completistas do trabalho do Codificador ou elucidadores das diretrizes fornecidas pelos Espíritos, o que lhes desvela a insensatez e a presunção, demonstrando que, não fossem eles e não se compreenderia a Revelação que, no entanto, é simples e profunda. Também repontam os defensores do Espiritismo, sempre preocupados com a forma exterior e não com a vivência interna, quais antigos fariseus, estando sempre vigilantes para denunciar, agredir aos demais e aparecer com a bandeira da salvação, como se fossem necessários. Olvidam que a sua jornada terrestre é sempre breve, e que se o Espiritismo os necessitasse para esse fim, bem pobres seriam a sua filosofia e ética-moral, porque dependentes da sua defesa. Quando desencarnassem, como é inevitável, e tem sucedido com todos esses que assim se comportam, o pensamento espírita ficaria órfão, e logo desapareceria. Ledo engano, a morte que a todos arrebata, não consegue diminuir o impacto e a força da Terceira Revelação que vem dos Céus à Terra, ao inverso do que alguns pensam...
  • 112.
    107 A maneira maisvigorosa e própria para a divulgação do Espiritismo é a exposição dos seus ensinamentos conforme se encontram na Codificação, naturalmente apresentando contribuições convergentes, contemporâneas, sem alardes nem sensacionalismos, porquanto, os mentores da Humanidade prosseguem vigilantes, a fim de que nada venha a faltar, para que, em breve, seja conhecido e vivenciado. Portanto, é de igual e magna importância, viver-se o dia a dia existencial fixado no programa elaborado pelo Consolador prometido, demonstrando alegria de participar deste momento, com fidelidade ao amor e à caridade, vivenciando uma conduta moral saudável, tornando-se carta viva do Evangelho, a fim de que todos possam ver no seu comportamento o profundo e desafiador contributo que proporciona felicidade e paz. Desse modo, não há lugar no movimento espírita para pessoas-fenômeno, para gurus de ocasião, para reveladores extravagantes, para mensagens bombásticas, para informações apavorantes, a fim de atrair adeptos temerosos do fim do mundo, do juízo final, dos umbrais, da necessidade de fazer a caridade de modo a evitar sofrimentos e quejandos... O Espiritismo ilumina a consciência, libertando os sentimentos das prisões emocionais, das dependências de pensamento febril, facultando aos seus adeptos a responsabilidade pelos próprios atos, sempre geradores de consequências compatíveis com a sua constituição. Doutrina da alegria, não é festeira, nem pode ser transformada em um oásis de fantasias para diversão ou frivolidade. É uma ciência grave e simples, que se destina a pessoas sérias, laboriosas, que anelam por uma sociedade mais solidária e fraternal. Todo o investimento de zelo e carinho, responsabilidade e amor na vivência dos seus postulados, de que se encarrega o movimento organizado pelas criaturas humanas, deve ser levado em conta, a fim de que o Espiritismo alcance a finalidade para a qual foi enviado pelo Senhor, qual seja a verdadeira construção do reino de Deus no coração. Vianna de Carvalho – Momentos de Sublimação – Cap. 12 – Informações Descabidas Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 5 de março de 2012, em Miami Beach, Flórida, EUA.
  • 113.
    108 3.2.9.3 Terrorismo denatureza Mediúnica Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico. Existe um atavismo no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético- morais, que deve ser examinado com imparcialidade. Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos. Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas... O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos. Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando através da Lei de Causa e Efeito quem somos, de onde viemos, para onde vamos, por que sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas... De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação. Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos ou outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores.
  • 114.
    109 De maneira sistemáticae contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações atemorizantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte. Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento. O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante das situações dolorosas. As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal. Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que o aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam. O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos. A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação.
  • 115.
    110 A simples mudançamental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver. Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina. A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam. Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, vulgares, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas. Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente... O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos Seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina. Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.
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    111 Desse modo, utilizando-seda caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes. Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 – Terrorismo de natureza Mediúnica Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha. Pode haver conflito e guerra A que o progresso se induz Mas o futuro da Terra Dependerá de Jesus. Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap.15 – Citações do Progresso
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    112 3.2.10 Federação Espíritado Paraná – Jornal Mundo Espírita 3.2.10.1 Nossos Pressentimentos No jardim, na camaradagem do silêncio, Tammy pensava. Como eram diferentes os dias de agora. Diferentes porque seu amado não estava com ela. Rustom, com sua risada franca, sua confiança ilimitada. Rustom que era capaz de entrar em qualquer lugar e, em poucos minutos, se pôr imediatamente à vontade, deixando as pessoas ao seu redor também à vontade. Rustom, seu amado marido, que era capaz de fazer rir à sua nora, ao seu filho. As folhas das árvores farfalharam, trazendo mais lembranças para Tammy. Ano anterior. Seu marido e o filho na piscina do hotel. Ambos com água pelos joelhos, brincavam. E Rustom gritou para a esposa e a nora: Vocês sabem o que estamos fazendo? Estamos criando lembranças para o futuro. Uma coisa alegre para vocês recordarem, quando os velhos já não estivermos por perto. O filho puxara a cabeça do pai para perto de si, apertando-a contra o peito e argumentara que, rijo como era seu pai, com certeza ele sobreviveria a todos eles. Rustom respondera com um sorriso e versos do poeta Omar Khayyam: Quando a hora chega, chega. Move-se a mão que escreve e, tendo escrito, segue adiante. Tammy agora pensava se o marido tivera uma intuição de que ia morrer. E lembrava dos dias seguintes, de ternuras redobradas, atenções multiplicadas, sorrisos explodindo a toda hora. Seu marido estava lhe ofertando momentos de alegria para recordar depois, quando a saudade vibrasse forte? Fora um choque ter a notícia de que aquele coração generoso parara de bater. Sístoles, diástoles, tudo cessara. A bomba cardíaca deixara de operar e logo a morte enrijecia aquele corpo, cuja ausência ela sentia tanto. Será, continuava a pensar Tammy, será que podemos saber o momento de nossa morte?
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    113 * * * Ninguémavança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformam em guias da Humanidade. São eles que assessoram os homens, zelando por eles, na qualidade de anjos guardiães. São essas almas excelsas que, conhecendo as ocorrências que, de forma geral, estão delineadas para os seus pupilos vivenciarem, os inspiram ou guiam pela senda mais apropriada. Através dessa inspiração é que acontece o chamado pressentimento. Também acontece que o próprio Espírito reencarnado recorda, de forma espontânea, da programação que para si traçou, antes de reencarnar. Dessa forma, pode ter, como intuição, a advertência de que seus dias na Terra estão finalizando. Por isso, idealiza passeios, diligencia providências que evitarão transtornos para sua família, torna-se mais alegre ou mais introspectivo. Em uma palavra, ele se vai despedindo da vida, deixando um rastro de bondade, de alegria para que os seus amores tenham recordações positivas para alimentar a imensa saudade dos dias da sua ausência. * * * Fiquemos atentos aos pressentimentos, analisando-os de forma clara e tranqüila, quando ocorram. Avaliemos qual a mensagem de advertência ou socorro de que se fazem portadores. Apuremos nossa sintonia com os Espíritos guias, a fim de que com maior facilidade possamos registrar e direcionar de forma saudável e proveitosa os pressentimentos. Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Nossos Pressentimentos – 09/09/2008 Redação do Momento Espírita com base no Cap. 1 do livro A doçura do mundo, de Thrity Umrigar, ed. Nova Fronteira e do cap. 13 do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 09.09 .2008.
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    114 3.2.10.2 Inspirações Espirituais Ninguémavança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio de Deus. Muitas vezes esse auxílio nos é oferecido por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em guias da Humanidade. Esses operosos servidores do bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam ajuda ou que, por meio da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com suas presenças. São conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências de seus pupilos e dos desafios que os mesmos devem vivenciar. Por isso, inspiram-nos e guiam-nos pelo caminho mais apropriado para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam. Através dessa inspiração é que ocorre o pressentimento. Ele é uma maneira eficaz da criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, contornando as dificuldades e avançando sem receio pela trilha do progresso. No entanto, caso o ser se deixe levar por atitudes equivocadas e rebeldes, não será capaz de se manter em sintonia com os Espíritos superiores. Em virtude das suas opções mentais e comportamentais, ele estará sob a influência de Espíritos infelizes. Esses, hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e de conteúdos perturbadores, atormentam e iludem os imprevidentes. E, quando as entidades venerandas buscam de alguma forma orientá-los, esses, pela falta de hábito de assimilar-lhes as nobres ideias, recusam-nas, voltando às mesmas paisagens mentais que os infelicitam. Os pressentimentos, desse modo, devem ser analisados com cautela, avaliando-se qual a sua origem e de que tipo de mensagem são portadores. Afinal, podem ser valiosas orientações a afastar-nos do mal, ou maléficas sugestões a impelir-nos ao equívoco. Cabe-nos o uso do discernimento para avaliar com imparcialidade nossa conduta usual e a natureza da influência que recebemos.
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    115 Há, ainda, apossibilidade de que os pressentimentos sejam ideias do próprio ser, que voltam à tela mental na forma de intuição, mas que nada mais são do que recordações de compromissos anteriormente assumidos. Ressurgem do inconsciente pessoal como eficiente maneira de conduzir o ser ao reequilíbrio e, assim, evitar novos tropeços. Os pressentimentos são fenômenos que muito podem contribuir para a felicidade das criaturas. No entanto, quando negativos ou ameaçadores, devem nos servir de motivo para que nos entreguemos à prece e a elevados pensamentos. Alterando, assim, nossa faixa vibratória, seremos capazes de nos afastar de influências funestas e infelizes e, por consequência, receber a orientação benfazeja da Espiritualidade superior. Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, indagou, certa ocasião, aos Espíritos superiores a respeito da influência dos Espíritos nos pensamentos e nos atos dos seres encarnados. Foi-lhe respondido que essa influência é muito maior do que se poderia imaginar. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem – consta na resposta à questão número 459 de O livro dos Espíritos. Ora, cientes de que tal influência é usual e intensa, cabe-nos aprender a distinguir nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos. Além disso, devemos ter em mente que os bons Espíritos sempre nos aconselham para o bem. Os Espíritos infelizes, porém, são incapazes disso. Resta-nos, portanto, usar o bom senso para fazermos tal diferenciação e nos valermos apenas das orientações que nos possam levar ao caminho do bem e da verdade. Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Inspirações Espirituais – 18/11/2013 Redação do Momento Espírita, com base no cap.13, do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no cap. IX, pt. 2, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. Em 18.11.2013
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    116 3.2.10.3 Um passadoa resgatar, um presente a viver e um futuro a construir O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.[1] Allan Kardec Sem as abençoadas luzes da Doutrina Espírita, jamais chegaríamos a compreender os mecanismos e leis que regem a vida em ambos os planos: carnal e espiritual. É de estarrecer o número de criaturas indiferentes e totalmente entregues ao jogo dos sentidos grosseiros, sem se darem conta do verdadeiro sentido da vida, alheias, alienadas, sem a menor preocupação em conhecer de onde vieram, porque estão aqui e para onde vão… Tal estado de obnubilamento mental parece tomar conta tanto dos encarnados quanto dos desencarnados, muitos desses últimos até mesmo desconhecendo a própria situação de desencarnados em que se encontram. Somente quando a Doutrina Espírita vicejar soberana, nas mentes e corações humanos como proposta de Vida Abundante, é que haverá esperança de reverter esse generalizado quadro de alienação e indiferença, e somente nesse novo tempo é que, finalmente, os habitantes dos dois planos da vida vão compreender que cada existência faz parte de um bem traçado esquema nas Altas Esferas e que não se vive ao influxo e sabor de acontecimentos circunstanciais. O índice cada vez mais crescente de suicídios no mundo, mormente nas faixas etárias mais tenras, é o resultado da desorientação geral a que se votam as criaturas. Isso sem falar nos derivativos que levam aos vales fatais da toxicomania, do alcoolismo, do tabagismo, onde viciados de todos os matizes sofrem sob o guante de tormentosa dependência orgânica. Entretanto, os dias sucedem-se ensejando todas as oportunidades possíveis de ascensão, embora a maioria das criaturas as percam quase todas. À semelhança do cão da fábula, mergulham no rio da ilusão em busca da sombra quando foram todas criadas para as glórias das luzes estelares.
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    117 A Terra, porém,não é um barco à matroca: Jesus está no leme e atento! Os Espíritos do Senhor desdobram-se em providências mil no sentido de reverter o caos reinante, fazendo nascer o bem do próprio mal, vez que é preciso que o mal chegue ao excesso para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas radicais. É de vital importância, portanto, localizar nossa exata posição no contexto evolutivo. Para isso, devemos fazer um estudo aprofundado e isento de nossas tendências, a fim de identificar as raízes do mal que ainda existem em nós e dar- lhes ferrenho combate. Não é outra coisa que aconselhava Sócrates há dois milênios e meio ao dar ampla divulgação à célebre frase que ele viu grafada no Templo de Delfos na Grécia: Conhece-te a ti mesmo. Em aditamento à questão 917 de O livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda o assunto com muita propriedade indicando tanto o mal como a sua profilaxia e meios de cura: tudo se resume no egoísmo, que ele chama de verme roedor, chaga social: é um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, (…) desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. (…) A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Não estamos nos referindo à educação que instrui, mas sim à que faz homens de bem. É razoável e compreensível que a Humanidade queira ser feliz; mas a felicidade é incompatível com o egoísmo. O egoísmo é a fonte de todos os males enquanto que a Caridade o é de todas as virtudes. Para assegurar, pois, a felicidade no porvir, há que se desenvolver a caridade e combater o egoísmo por todos os meios.
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    118 Eis uma interessante,esclarecedora e singular confissão de Voltaire[2]: (…) quando encarnado, havia em minhas opiniões um sentimento mesclado de amargura e sátira. Meu Espírito estava dilacerado por uma luta interior. Olhava a humanidade como se me fosse inferior em inteligência e em penetração; nela via apenas bonecos que podiam ser conduzidos por qualquer homem dotado de vontade forte. (…) No homem eu via apenas o animal e não Deus. (…) Se em mim a parte espiritual se houvesse desenvolvido tão bem quanto a material, teria podido raciocinar com maior discernimento. Confundindo-as, perdi de vista essa Imortalidade da alma, que procurava e apenas queria encontrar. (…) (…) O que eu lamento é ter vivido tanto sobre a Terra sem saber o que teria podido ser e o que teria podido fazer. O que não teria feito se tivesse sido abençoado por essas luzes do Espiritismo, que se derramam hoje sobre os Espíritos dos homens! Descrente e vacilante, entrei no mundo espiritual. Minha só presença era bastante para espantar qualquer clarão que tivesse podido iluminar aminha alma obscurecida; era a parte material do meu ser que tinha desenvolvido na Terra; quanto à parte espiritual, está se tinha perdido em meio aos meus transviamentos, em busca da luz: encontrava-se como que presa numa gaiola de ferro. Altivo e zombeteiro, aí comecei, nem conhecendo, nem procurando conhecer esse futuro que tanto havia combatido quando no corpo. Façamos, entretanto, uma confissão: sempre encontrei em minha alma uma pequena voz que me fazia ouvir através dos grilhões materiais e que pedia luz. Era uma luta incessante entre o desejo de saber e uma obstinação em não saber. Assim, pois, minha entrada estava longe de ser agradável. Não acabava eu de descobrir a falsidade e o nada das opiniões que havia sustentado com todas as forças de minhas faculdades? Depois de tudo, o homem se achava imortal, e eu não podia deixar de ver que, igualmente, deveria existir um Deus, um Espírito Imortal, que estava à frente e que governava esse espaço ilimitado que me circundava. (…)
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    119 (…) A princípiofui conduzido longe das habitações dos Espíritos, e percorri o espaço imenso. A seguir, foi-me permitido lançar o olhar sobre as construções maravilhosas, habitadas pelos Espíritos, e, com efeito, pareceram-me surpreendentes. Fui arrastado aqui e ali por uma força irresistível. Era obrigado a ver, e ver até que a minha alma ficasse deslumbrada pelos esplendores e esmagada ante o poder que controlava tais maravilhas. (…) (…) Não me restava mais nenhuma ilusão sobre a minha importância pessoal, porque sentia imensamente a minha pequenez neste grande mundo dos Espíritos. Eu tinha, enfim, caído de tal modo no cansaço e na humilhação, que me foi permitido reunir-me a alguns habitantes. Foi então que pude contemplar a posição em que havia criado na Terra, e a que disso resultava no mundo espírita. (Causa e Efeito) Uma revolução completa, uma transformação de ponta a ponta ocorreu no meu organismo espírita e, de mestre que eu era, tornei-me o mais ardente dos discípulos. Com a expansão intelectual que em mim encontrava, que progresso não fiz! Minha alma se sentia iluminada pelo Amor Divino; suas aspirações à Imortalidade, de comprimidas que eram, tomaram uma expansão gigantesca. Eu via quão grandes tinham sido meus erros e quão enorme devia ser a reparação a fim de expiar tudo quanto tinha feito ou dito e que tivesse podido seduzir ou enganar a humanidade. (…) Em resumo, vivi bastante para reconhecer na minha existência terrena uma guerra encarniçada entre o mundo e a minha natureza espiritual. Sem maiores comentários a acrescentar a essa notável comunicação de Voltaire, na qual ressalta toda a superioridade do gênio, cuja profundeza e alcance todos apreciarão, concluímos que é possível que jamais tenha sido dado um quadro tão grandioso, eloquente e impressionante do mundo espiritual e da influência das ideias terrenas sobre as ideias do Mundo Maior. Sem dúvida somos os artífices do próprio destino, e não podia ser de outra forma, tal a beleza e a grandeza da Justiça Divina que zela pela harmonia do Universo e que faz com que seja dado a cada um de acordo com as suas obras, como muito bem o disse nosso Mestre Jesus.
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    120 Referências: 1- KARDEC, Allan.O Evangelho segundo o Espiritismo. 125. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. cap. I, item 5. 2- __________. Revue Spirite setembro de 1859, São Paulo: EDICEL, 1964. p. 218-220. Rogério Coelho – Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita – 2018 – Setembro – Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a construir
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    121 3.2.11 Cornélio Pires 3.2.11.1Previsões As previsões nunca faltam Com suportes de alarido, Todos, porém, navegamos No mar do desconhecido. Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões
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    122 3.3 Pressentimentos ePremonições – Objetivos 3.3.1 Coragem e Resignação Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência. Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam- nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os objetivos salutares. Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso. (..) Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando- se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las. Quando se trata de desafios pelo sofrimento, mais fáceis esses se apresentam, em razão da disposição de superá-los, prosseguindo no rumo da felicidade. Quando se expressam beneficiosos, favorecem melhor capacidade para a sua instalação no mundo Íntimo, retirando-se os resultados superiores da futura ocorrência. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
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    123 3.3.2 Força deTransformação Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando- se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
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    124 3.3.3 Advertência eIncentivo ao Objetivo É uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
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    125 3.3.4 Exemplos A seguiro leitor encontrará pequena série de advertências dessa natureza, concedida a nós e a pessoas do nosso conhecimento, e que não será destituída de interesse para os estudos transcendentais. Certamente que nos seria possível organizar um volume com o noticiário completo que a respeito nos tem vindo às mãos, além daqueles fatos ocorridos conosco. Julgamos, porém, que para o testemunho que a Doutrina Espírita de nós exige, para mais essa face da verdade que tivemos a felicidade de poder comprovar, serão suficientes os que aqui registramos. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições 3.3.4.1.1 A Morte de Mussolini — “Eu era, como ainda sou, médium de premonições. Qualquer acontecimento grave, feliz ou desditoso, que me diga respeito ou à família e, menos frequentemente, em que se refira a amigos e à coletividade, é-me descrito em sonhos através de quadros encenados ou parábolas, muito antes que aconteça, exatamente como o processo pelo qual obtenho os livros românticos, mediúnicos. No ano de 1940, por exemplo, quando Benito Mussolini, poderoso primeiro ministro do Rei da Itália, se encontrava no auge do poder, durante um sonho (transe onírico, ou mediunidade pelo sonho, a que a Bíblia tanto se refere) foi-me revelado o seu trágico desaparecimento, tal como se verificou, até mesmo o seu cadáver profanado, suspenso de um poste, e os seus pobres olhos esbugalhados de horror, fora das órbitas, como mais tarde os clichês da imprensa e os filmes cinematográficos reproduziram, ao relatarem os acontecimentos de Milão, em 1945. No dia seguinte a esse sonho, referi o fato às pessoas da família como se tratando de uma previsão, mas não fui acreditada, pois não havia, efetivamente, nenhuma razão para eu ser informada, espiritualmente, do futuro que esperava o poderoso «Duce», como era chamada aquela personagem. Ao demais, como poderia ele decair tanto do seu prestígio de verdadeiro César? Os anos se passaram, porém, e, ao findar a segunda guerra mundial, os fatos se realizaram como eu a eles assistira em sonho, mesmo nos seus detalhes.
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    126 Mas porque talaviso a mim? Teria eu, porventura, assistido a alguma aula do curso de «Causa e Efeito», no Espaço, e retido aqueles acontecimentos na lembrança? Ou que estranha corrente me levara à percepção de acontecimentos implicando essa personagem? Seria uma profecia? Mas com que finalidade se eu, absolutamente, não a levaria à publicidade? Seria porventura a existência de correntes favoráveis ao fato, que me animavam os pensamentos, visto que, meditando frequentemente naquela figura de estadista, nela eu supunha entrever a reencarnação de certo Imperador Romano, cujas características muito se coadunavam com as do altivo «Duce»? São indagações para as quais não encontro solução... Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    127 3.3.4.1.2 A Mortede Minha Mãe Pelo mês de Janeiro de 1939, e residindo eu então em Minas Gerais, entrei a sonhar frequentemente com um cortejo fúnebre muito concorrido e com todas as características da realidade. A frente do mesmo seguia um homem carregando linda coroa de flores naturais. Eu acompanhava o féretro logo após o esquife mortuário, banhada em lágrimas e sentindo o coração se me despedaçar de angústia, mas ignorando a identidade do morto. Durante cerca de seis meses a mesma visão prosseguiu, em sonhos, sistematicamente, incomodativa, irritante. Também durante os desdobramentos em corpo astral eu via o mesmo féretro, acompanhava-o e chorava angustiosamente. Charles aparecia então e me falava, de certas palavras consoladoras, mas das quais jamais recordava ao despertar. Uma noite, no entanto, ao acompanhar o cortejo, que persistia nos sonhos, vi que os acompanhantes pararam. Trouxeram uma banqueta e o caixão mortuário foi descansado sobre ela. Reconheci o local da cena: certa rua da cidade de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, à margem da linha férrea da Central do Brasil, a qual se encaminha para o cemitério local, e onde residia minha mãe. Aproximei-me do esquife, como que movida por irresistível automatismo. Suspenderam a tampa do caixão sem que eu percebesse quem o fizera, e vi um cadáver coberto de flores. Retirei o lenço que velava o rosto do morto e então reconheci minha mãe. Com efeito, pelo mês de setembro daquele mesmo ano minha mãe adoeceu gravemente. A 1 de Outubro, pela manhã, eu procurava repousar algumas horas, depois de uma noite insone velando a querida doente. Adormeci levemente e logo um sonho muito lúcido mostrou-me meu pai, falecido quatro anos antes, aproximando-se de meu leito para dizer com satisfação e vivacidade: — Esperamos sua mãe aqui no dia 17... Faremos uma recepção a ela, que bem a merece... Está tudo bem... A 18 de Outubro ela expirava sob nossas preces resignadas, porque durante todo o dia 17 apenas vivera da vida orgânica, sob a ação de óleo canforado.
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    128 E os detalhesentrevistos durante a série de sonhos, com que eu fora informada dos acontecimentos a se realizarem, lá estavam: O cadáver de minha mãe foi rodeado de lindas flores, oferecidas por suas amigas, e o cortejo idêntico ao dos sonhos, mesmo com o homem à frente carregando linda coroa de flores naturais, como de uso na localidade pela época, e o trânsito, a pé, pela mesma rua, a caminho do cemitério. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    129 3.3.4.1.3 A Mortede meu Pai Assim foi que, um mês antes da morte de meu pai, ocorrida em Janeiro de 1935, eu me vi, durante um sonho, ao lado do mesmo excelente mentor espiritual e diante de uma tela que se diria cinematográfica. Meu pai adoecera havia já um ano, mas, por aquela ocasião, melhorara consideravelmente e ninguém esperava o seu desenlace tão cedo. Eu me sentava diante da referida tela, junto de meu pai, enquanto Bezerra de Menezes, em plano mais elevado, se mantinha de pé, apontando para a tela, criando-a, certamente, com um pequeno bastão de alabastro. E disse: — Verás agora o que sucederá a teu pai dentro de bem poucos dias... Esses fatos são naturais na vida de um Espírito e não devemos lamentá-los... Apresentou-se então, na tela, um prédio, tipo de pequena mansão antiga, que possuía a sua beleza clássica, mas em ruínas. A cada momento o prédio oscilava ameaçando desmoronar. As paredes se mostravam fendidas, os vidros das janelas quebrados, a pintura enegrecida, enquanto ratos iam e vinham por dentro e fora da casa, vorazes, roendo as paredes e o madeiramento e tudo perfurando. Subitamente o prédio desmoronou com estrondo. Ouvi o ruído das paredes desabando até aos alicerces, vi a poeira levantar- se e o montão de escombros jazendo por terra. Mas em seu lugar outro prédio ficara, o mesmo tipo de mansão, grandioso e belo, de linhas clássicas, porém, novo, leve, gracioso, como construído em doces neblinas cintilantes. Compreendi o significado da cena e pus-me a chorar. Mas o meu próprio pai, que se achava presente, em espírito, abraçou-me carinhosamente, ao mesmo tempo que exclamava, sorridente: — Então, que é isso, minha filha? Pois não és espírita? Porque choras?.. Um mês depois meu pai morria repentinamente, vitimado por um edema pulmonar agudo, que se rompera, sufocando-o no sangue. E eu, com efeito, muito sofri e chorei depois da sua morte, pois, dentre todos os filhos, eu, justamente, fui a que mais padeceu com a sua ausência.
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    130 Por sua vez,ele próprio, meu pai, ao adoecer, um ano antes, fora avisado de que dentro de um ano seria chamado à pátria espiritual e que, por isso mesmo, se preparasse para o inevitável evento. Atendendo, organizou papéis de família, pondo tudo em ordem e assim evitando preocupações da mesma após o seu decesso. O aviso, porém, viera através da vidência em vigília, durante a hemorragia nasal que tivera a duração de dezessete horas e que marcara o início da sua enfermidade. Tratava-se, portanto, de manifestação espírita, com o aviso premonitório. E os amigos espirituais que então o visitaram foram sua mãe e Charles, a quem ele chamava «Dr. Carlos». Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    131 3.3.4.1.4 A Mortede meu Irmão — Meu irmão Paulo Aníbal, funcionário da Cia. Siderúrgica Nacional, na cidade de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, adoecera gravemente em Dezembro de 1964. Tratava-se de antigo caso de nefrite que se agravara, tomando- o hipertenso com frequentes ameaças de edemas pulmonares e dispneias muito dolorosas. Em Maio de 1965, seu estado se agravara de tal forma que tememos o desenlace imediato. Era ele o irmão caçula dentre uma prole de sete, o mais amado pelos seis irmãos que o viram nascer, e nossa tristeza se acentuava a cada dia que se passava, pois, conquanto a Doutrina Espírita seja consoladora, tornando o adepto compreensivo aos ditames das leis naturais, resignado ante as provações de cada dia, a morte na Terra ainda constitui provação para aqueles que vêem partir seus entes amados para o outro plano da vida, e nenhum de nós ficará, certamente, indiferente ante a perspectiva do inevitável fato. Eu acompanhava o querido enfermo na sua permanência num leito de hospital, onde se viu retido durante treze meses, e a 25 do mês de Maio, pela madrugada, um tanto fatigada pelas inquietações da noite, insone, reclinei-me junto ao leito do enfermo e ligeira sonolência sobreveio, verificando-se o estado de semitranse, tão próprio ao bom intercâmbio com o Invisível. vi então que minha mãe, falecida havia vinte e seis anos, se aproximava de nós, olhava atentamente o doente e depois se voltava para mim, dizendo com naturalidade: — Fica descansada e pode repousar. Ele só morrerá em Janeiro de 1966. E meu irmão Paulo Aníbal, com efeito, veio a falecer a 18 de Janeiro de 1966. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    132 Muitos outros exemplospoderíamos citar. Esse cabedal copioso, que todas as criaturas colhem do círculo das próprias relações de amizade ou da observação, poderia resultar em um ou mais volumes interessantes, para deleite dos estudiosos dos fatos supranormais. Mas os que aqui foram colecionados, apesar de não oferecerem novidades, pois esses fatos são comuns, bastam para lembrar a todos nós que, acima de tudo, eles nos oferecem grandes demonstrações da verdade eterna, que não convém desprezarmos, manifestações do mundo espiritual, o qual se entrechoca e se relaciona conosco, tomando parte em todos os sucessos de nossa vida. Provam, ao demais, a existência da alma além da morte, suas complexas possibilidades, sua individualidade marcante após o desprendimento dos liames carnais, os direitos que lhe são concedidos, pela lei da Criação, de se entender com os homens, com estes mantendo relações afetivas ou protetoras; seu humanitário interesse pelos mesmos, os novos poderes por ela adquiridos depois da morte; o amparo que nos dispensam aqueles caridosos seres que, com seus avisos às vésperas das nossas provações ou dos grandes acontecimentos que nos surpreendem, nos preparam para os embates inevitáveis da existência, prontos a suavizarem quanto possível as dores dos nossos testemunhos. E de tudo também ressalta que uma Doutrina assim completa, como o é o Espiritismo, assim perfeita, que se rodeia de beleza nos mínimos detalhes examinados, realmente merece do nosso coração muita renúncia e devoção para que seja bem estudada, compreendida e praticada, pois o certo é que não será licito a nenhum de nós encarar com indiferença o alto padrão dessa Ciência Celeste que em hora feliz adotamos para, sob suas diretrizes, atingirmos a finalidade gloriosa a que a Criação Suprema nos destina. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    133 3.4 Pressentimentos ePremonições – Condições para ocorrer 3.4.1 Mérito Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos premonitórios». Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    134 3.4.2 Desenvolvimento Psíquico Aindaocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimento
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    135 3.4.3 Misericórdia Divina Misericórdiadivina, essa percepção, a fim de premunir o homem com os recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode mudar; favorecendo com forças, a fim de modificar as ocorrências que podem e devem ser alteradas; auxiliando com expectativas felizes, a fim de oferecer júbilos nos momentos dos sucessos futuros. Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento
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    136 3.5 Pressentimentos ePremonições – Meios para ocorrer 3.5.1 Um Sonho De outro modo, seguindo a corrente espiritual das ações de uma pessoa encarnada, por deduções um amigo da espiritualidade se cientificará de um acontecimento que mais tarde se efetivará com precisão. Ele poderá comunicar o acontecimento ao seu amigo terreno e o fará de modo sutil, em sonho ou pressentimento. (...) Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como de uso no Invisível, e daí o que chamais «avisos pelo sonho», ou seja, sonhos premonitórios». Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    137 3.5.2 Uma Intuição Antesde suceder o fato, ondas vibratórias atingem aqueles que serão seus protagonistas. Irradiações dos sucessos em desdobramentos sempre alcançam os que são móveis ou partícipes dos mesmos. As ondas mentais disparadas na direção das pessoas, atingem-nas, não poucas vezes. As faixas vibratórias, nas quais o psiquismo se demora, emitem as informações de que se carregam, sendo captadas por outras mentes. Todos esses tipos de registro podem ser tomados na conta de pressentimentos. Todavia, o pressentimento diferencia-se de premonição como da telepatia. Mais se liga à profecia, caracterizando-se por uma certa ascensão afetiva ou sentimental. Nebulosos ou nítidos, os pressentimentos anunciam ocorrências que sucederão, estabelecendo um intercâmbio entre a fonte geradora e a mente receptiva. Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento O indivíduo que sofrerá esta ou aquela provação ou o que terá de apresentar testemunhos de valor moral pela expiação, jamais o ignora no seu estado espiritual de semiliberdade através do sono ou do transe mediúnico (pode-se cair em transe mediúnico sem ser espírita, mormente quando se dorme), visto que consentiu em experimentar todas essas lições reparadoras. Mas, se não conserva intuições a tal respeito no estado normal humano, almas amigas e piedosas poderão relembrá-las em sonhos ilustrados, assim preparando-o e auxiliando-o a adquirir forças e serenidade para o embate supremo. Casos há em que o aviso virá por outrem ligado ao paciente, mais acessível às infiltrações espirituais premonitórias. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    138 3.5.3 Via Recordaçõesdo próprio Espírito Ressumam espontaneamente do inconsciente pessoal muitas recordações, que defluem da programação a que o Espírito está vinculado e que assumiu antes da reencarnação, como eficiente maneira de conduzir-se com equilíbrio, e vejam que tombaram anteriormente. Alguns desses pressentimentos, que são efeitos de ações já realizadas, informam sobre necessidades que deverão ser experimentadas e compromissos que foram firmados antes do renascimento, que se encontram adormecidos e agora ressurgem com o propósito de alertamente, porque, de alguma forma, encontram- se estabelecidos para novamente acontecerem, auxiliando o equivocado na própria reeducação. São, portanto, do próprio Espírito reencarnado, algumas ideias que volvem à tela mental como intuição de advertência, proporcionando recordação espontânea do passado, que se torna bênção enriquecedora. Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão aproximando no tempo e logo se manifestarão corno realidade. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos De outras vezes, é o próprio indivíduo que, recordando os acontecimentos que lhe serviriam de testemunhos reparadores, perante a lei da criação, delineados no mundo Espiritual às vésperas da reencarnação, os vê tais como acontecerão, assim os casos de morte, sua própria ou de pessoas da família, desastres, dores morais, etc., etc. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    139 3.5.4 Através dacaptação Mental do fato Pode acontecer que, num caso de traição de amor, por exemplo, provação que tanto fere os corações sensíveis e dedicados, e nos casos de deslealdade de um amigo, etc., o paciente, durante o sono, penetre a aura do outro, por quem se interessa, e aí descubra as suas intenções, lendo-lhe os pensamentos e os atos já realizados mentalmente, como num livro aberto ilustrado, tal a linguagem espiritual, e então verá o que o outro pretende concretizar em seu desfavor, como se fora a realização de um sonho, pois tudo foi habilmente gravado em sua consciência e as imagens fotografadas em seu cérebro, permitindo a lembrança ao despertar, não obstante empalidecidas. Futuramente o fato será realizado objetivamente e aí está o aviso... Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    140 3.5.5 Por meiode Projeção Mediúnica (...) a técnica usada pelos instrutores espirituais, a fim de me profetizarem as lutas e os sofrimentos por que deveria passar, foi semelhante às das demais premonições. (...) esse sonho, lúcido por excelência, mostrava cenários tão reais e cenas tão vivas que eu afirmaria que tudo era sólido. (..) eu me vi diante de uma grande ponte em ruínas, que eu deveria atravessar para galgar a margem oposta. Em baixo rolava em turbilhões um rio tenebroso, de águas encachoeiradas e revoltas, rugindo e sacudindo a ponte a cada novo embate das águas convulsionadas, que pareciam ocasionadas por uma grande enchente. (...) ao meu lado percebi uma entidade elevada, que dizia : será necessário que atravesses... é o único recurso que tens... Serás auxiliada... Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    141 3.5.6 Através daAnálise e Estudo da lei de causa e Efeito O estudo da lei de causa e efeito é matemática, infalível; concreta, para a observação das entidades espirituais de ordem elevada, e, assim sendo, ele se comunicará com o seu pupilo terreno através da intuição, do pressentimento, da premonição, do sonho, etc. O estudo da matemática de causa e efeito é mesmo indispensável, como que obrigatório, às entidades prepostas à carreira transcendente de guardiães, ou guias espirituais. Estudo profundo, científico, que se ampliará até prever o futuro remoto da própria Humanidade e dos acontecimentos a se realizarem no globo terráqueo, como hecatombes físicas ou morais, guerras, fatos célebres, etc., daí então advindo a possibilidade das profecias quando o sensitivo, altamente dotado de poderes supra-normais, comportar o peso da transmissão fiel aos seus contemporâneos. Ë um dos estudos, portanto, que requerem um curso completo de especialização. Outrossim, acresce a importante circunstância de que todos esses acontecimentos de um modo geral se prendem ao lastro da evolução do planeta como do indivíduo, e o sábio instrutor deste, como os auxiliares do governo do planeta, estão aptos a perceber o que sucederá daqui a um ano, um século ou um milênio, pelo estudo e deduções científicas sobre o programa da evolução da Criação, pois o tempo é inexistente nas esferas da espiritualidade e a entidade sábia facilmente deduzirá, e com certeza matemática, os sucessos em geral, subordinados ao trabalho da evolução, como se se tratasse do momento presente. Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    142 3.5.7 Exemplos 3.5.7.1 1865– O Sonho Profético de Lincoln Sobre o sonho há muitas teorias em circulação e muitas mais já recusadas, em vista das fantasias que as caracterizavam. Freud colocava o sonho como realização de um desejo, quase sempre recalcado para os porões do inconsciente. O simbolismo e a confusa linguagem do sonho não seriam mais que artifícios do inconsciente para burlar a vigilância da censura. Essa teoria não explica, no entanto, o sonho profético, isto é, aquele que antecipa, às vezes nos seus mínimos pormenores, acontecimento futuros. Há uma coletânea variada de sonhos premonitórios na literatura que estuda os fenômenos psíquicos e mesmo na psicologia clássica. Para nós, espíritas, o sonho se apresenta sob dois aspectos distintos, ainda que, por vezes, dificilmente identificáveis isoladamente: um grupo de sonhos se prende à atividade e aos problemas do corpo físico. A pessoa que adormece com sede, por exemplo, sonha estar bebendo água. Nisso, é realmente a satisfação de um desejo. O outro grupo de sonhos diz respeito à atividade espiritual. O sono fisiológico proporciona certa liberdade ao Espírito que, desprendido do corpo material, vaga pelo mundo que lhe é próprio, seu hábitat natural. Ali vive ele a parte oculta – porque inconsciente – da sua existência. Ali, encontra-se com outros Espíritos, conversa, aprende, ensina, trabalha, sofre e ama. Algumas imagens dessa atividade são transmitidas ao cérebro físico sob forma de sonho. Situado, porém, numa dimensão que o coloca acima dos conceitos humanos de espaço e tempo, o Espírito baralha a transmissão dessas imagens, no esforço de traduzir em linguagem humana – sons e imagens – aquilo que não é som nem imagem, apenas uma sequência de sensações.
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    143 Nessa posição especial,fora do tempo, não é difícil admitir que o Espírito possa ter, às vezes, a visão de um acontecimento que na dimensão humana é ainda futuro. (O leitor interessado nessas especulações deverá procurar o notável livro [não espírita] An Experiment with Time, de J. W Dunne que apresenta uma engenhosa teoria matemática para o problema tempo-espaço). Um exemplo bem conhecido e bem documentado de sonho premonitório ocorreu com o grande Presidente Lincoln. Consta de todas as suas melhores biografias. Tomemos, porém, a de Carl Sandburg (Abraham Lincoln – The Wár Years – 3° v.). Na segunda semana de abril de 1865 – escreve Sandburg – Lincoln contou à sua esposa Mary Todd Lincoln e ao seu amigo Ward Lamon o seguinte: há cerca de dez dias, fora dormir muito tarde e cansado, pois estivera esperando notícias importantes do front. Não fazia muito tempo que se deitara, quando adormeceu profundamente. Começou logo a sonhar. Parecia haver, um silêncio mortal em torno dele. De repente, ouviu soluços abafados, como se muita gente estivesse chorando. No seu sonho, ele deixou a cama e vagou pelos aposentos do andar térreo da Casa Branca. Os soluços continuavam, mas ele não via ninguém, à medida que passava de sala em sala. Os aposentos estavam bem iluminados, os objetos lhe eram familiares, mas onde estava aquela gente que chorava? Que significava aquilo tudo? Decidido a desvendar o mistério, Lincoln, sempre em sonho, continuou caminhando até chegar ao “East Room''. Lá encontrou uma perturbadora surpresa: diante dele havia um caixão, onde repousava um cadáver. Havia uma guarda de honra e uma verdadeira multidão chorava em torno. – Quem morreu? – perguntou Lincoln a um dos soldados. - Foi o Presidente – respondeu. – Foi morto por um assassino. Como sabe o leitor, Lincoln foi assassinado por John Wikes Booth, no Farel Theatre, em Washington, na noite de 14 de abril de 1865. Lincoln, morreu na manhã seguinte. Hermínio de Miranda – Estudos e Crônicas – Cap. 4.6 – O Sonho Profético de Lincoln / Revista Reformador – 1968 – Maio
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    144 3.5.7.2 1914 –1º Guerra Mundial Em 19 de junho de 1914, pela manhã na Hungria, o bispo geral dos jesuítas, Monsenhor Lanyi, sonha que vê uma carta tarja preta em sua mesa. Ele abre e começa a ver um cenário estranho à sua frente: viu o Arquiduque Fernando numa rua dentro de um automóvel, cercado por uma multidão. No centro da confusão, o bispo vê dois rapazes, que tinham atirado no casal imperial. Em seguida, o monsenhor leu o texto da carta que dizia: "Vossa Eminência, anuncio-vos que acabo de ser vítima de um crime político com a minha esposa em Sarajevo. Recomendamo-nos às vossas orações”. Sarajevo, 19 de junho de 1914, às 4 horas da manhã. O bispo acordou tremendo. O relógio dele marcou 4:30 horas. Ele anotou o sonho, procurando reproduzir a forma das letras que liga no cartão. E ele ficou pensando no dito sonho. Às 6 horas, seu servo chegou, encontrando-o sentado à mesa, ainda triturando seu terço. Ele então disse ao servo: "Chame minha mãe e meu convidado para anunciar-lhes um sonho sombrio que tive''. Alguns dias depois, esta premonição de Monsenhor Lanyi foi totalmente confirmada. O crime de Sarajevo foi o início da eclosão da Grande Guerra de 1914, com 12 milhões de mortos, 20 milhões de feridos, 1O milhões mutilados, cidades destruídas e um caos econômico. Carlos Imbassahy – Espiritismo a Luz dos Fatos – Cap. Dos Fenômenos Subjetivos – As Previsões
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    145 3.5.7.3 1938 –Choque de Trens – Minas Gerais Na noite de 19 de dezembro de 1938, viajava um trem noturno, vindo de Belo Horizonte para o Rio, e entre as estações de Sítio (Antônio Carlos) e a de João Ayres, um cargueiro, que vinha no sentido Rio-BH, chocou-se frontalmente com o noturno. O noturno (N-2) que descia da Capital mineira para o Rio chocara-se com um cargueiro (C-65) que subia a Mantiqueira. O desastre verificara-se no quilômetro 355, entre as Estações de João Aires e Sítio. Naquela data, 19 de dezembro de 1938, o "Diário Mercantil" estampava em suas páginas uma grande manchete: "O maior desastre ferroviário no Brasil, nos últimos tempos", noticiando, logo depois, que 53 pessoas haviam morrido, enquanto que 60 estavam gravemente feridas, a maior parte internada em hospitais de Barbacena. (...) E a Irmã de caridade? Já localizaram o corpo? O cambista continua a explicar, agora com voz a tremer: Durante muitas horas eu e outras pessoas tentamos localiza-la. Não a encontramos. Comentei o fato com os passageiros que estavam no mesmo carro. Todos eles afirmaram com absoluta certeza: Não havia nenhuma irmã de caridade no vagão! . . . Kleber Halfeld – Revista Reformador – 1987 – Abril – Retalhos do Cotidiano
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    146 3.6 Pressentimentos ePremonições – Síntese 3.6.1 Uma Benção Misericórdia divina, essa percepção, a fim de abastecer o homem com os recursos da coragem e da resignação para os acontecimentos que não pode mudar. Joanna de Ângelis – Oferenda – Cap.55 – Pressentimentos Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em Guias da Humanidade. São eles que executam a programação estabelecida, emulando aqueles que se encontram incursos no processo de crescimento a alcançarem a meta para a qual se reencarnaram. Operosos servidores do Bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência. Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências dos seus pupilos e dos desafios que eles devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam- nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os objetivos salutares. Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no avançando sem receio pela trilha do progresso. Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos
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    147 Agradecei a Deusas advertências que vos são concedidas às vésperas das provações. Elas indicam que não sofrereis sozinhos, que amigos desvelados permanecem ao vosso lado, dispostos a enxugar as vossas lágrimas com os bálsamos do santo Amor espiritual inspirado pelo amor de Deus. Bezerra de Meneses – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições
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    148 4 As Profecias– Os Tempos são chegados 4.1 O Sermão Profético – Jesus (...) O Sermão Profético 1. Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções! 2. Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada. 3. No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: 4. Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se. 5. Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. 6. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. 7. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 8. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores. 9. Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. 10. Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. 11. Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. 12. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 13. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. 14. Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; 15. Quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa;
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    149 16. E oque estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 17. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 18. Orai para que isso não suceda no inverno. 19. Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. 20. Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias. 21. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 22. Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. 23. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito. 24. Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, 25. As estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 26. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. 27. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu. 28. Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 29. Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 30. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 32. Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Jesus – Marcos – Cap. 13 – ver 1 à 32/Mateus – Cap. 24 – ver. 1 à 31/ Lucas – Cap. 21 – ver. 5 à 36
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    150 4.2 Definições eConceitos – Kardec São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da Humanidade. Allan Kardec – A Gênese – Cap. 18 – A Nova Geração – item 1 A Terra chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de um mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a Lei de Deus a governará. Allan Kardec – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas moradas na casa de meu Pai – item 19 Em se tratando de coisas de tanta gravidade, que são alguns anos a mais ou a menos? Elas nunca ocorrem bruscamente, como o chispar de um raio; são longamente preparadas por acontecimentos parciais que lhes servem como que de precursores, semelhantes aos rumores surdos que precedem a erupção de um vulcão. Pode-se, pois, dizer que os tempos são chegados, sem que isso signifique que as coisas sucederão amanhã. Significa unicamente que vos achais no período em que elas se verificarão. Sem dúvida, não tendes que temer nem um dilúvio, nem o abrasamento do vosso planeta, nem outros fatos desse gênero, visto que não se podem denominar cataclismos a perturbações locais que se têm produzido em todas as épocas. Apenas haverá um cataclismo de natureza moral, cujos instrumentos serão os próprios homens. O Espirito de Verdade – Obras Póstumas – 2º Parte – 10 de junho de 1856 Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará. Agostinho – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas moradas na casa de meu Pai – item 19
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    151 O reino dobem poderá um dia realizar-se na Terra? -- O bem reinará na Terra quando entre os Espíritos que a vêm habitar os bons superarem os maus. Então eles farão reinar o amor e a justiça, que são a fonte do bem e da felicidade. É pelo progresso moral e pela prática das leis de Deus que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e afastará os maus. Mas os maus só a deixarão quando o homem tenha banido daqui o orgulho e o egoísmo. A transformação da Humanidade foi predita e chegais a esse momento em que todos os homens progressistas estão se apressando. Ela se realizará pela encarnação de Espíritos melhores que constituirão sobre a Terra uma nova geração. Então os Espíritos dos maus, que a morte ceifa diariamente, e todos os que tentem deter a marcha das coisas serão excluídos, porque estariam deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam. Irão para mundos novos, menos adiantados, cumprir missões penosas, nas quais poderão trabalhar pelo seu próprio adiantamento ao mesmo tempo que trabalharão para o adiantamento de seus irmãos ainda mais atrasados. São Luiz – Livro dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 2 – Perg. 1019 – Paraiso, inferno e purgatório A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições. Aliás, por esta transformação, que neste momento se opera, a Terra se elevará na hierarquia dos mundos. Allan Kardec – Céu e Inferno – 1º Parte – Cap.5 – O Purgatório – item 9
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    152 O Cristo mesmoé quem preside os trabalhos de toda natureza que estão em vias de realização, para vos abrir a era de renovação e aperfeiçoamento que vos foi predita pelos vossos guias espirituais. Se, com efeito, lançardes os olhos, além das manifestações espíritas, sobre os acontecimentos contemporâneos, reconhecereis sem qualquer dificuldade os sinais precursores que vos provam, de maneira indubitável, que os tempos são chegados. J.J. Rousseau – Livros dos Médiuns – Cap. 31 – Acerca do Espiritismo – item 2
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    153 4.3 Sinais dosTempos – Emmanuel Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo. Depois da treva surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento. O homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado. Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 25 – O Evangelho e o Futuro Quando a escuridão se fizer mais profunda nos corações da Terra, determinando a utilização de todos os progressos humanos para o extermínio, para a miséria e para a morte, derramarei minha luz sobre toda a carne e todos os que vibrarem com o meu reino e confiarem nas minhas promessas, ouvirão as nossas vozes e apelos santificadores!... Pela sabedoria e pela verdade, dentro das suaves revelações do Consolador, meu verbo se manifestará novamente no mundo, para as criaturas desnorteadas no caminho escabroso, através de vossas lições, que se perpetuarão nas páginas imensas dos séculos do porvir!... Sim! Amados meus, porque o dia chegará no qual todas as mentiras humanas hão de ser confundidas pela claridade das revelações do céu. Um sopro poderoso de verdade e vida varrerá toda a Terra, que pagará, então, à evolução dos seus institutos, os mais pesados tributos de sofrimentos e de sangue... Exausto de receber os fluidos venenosos da ignomínia e da iniquidade de seus habitantes, o próprio planeta protestará contra a impenitência dos homens, rasgando as entranhas em dolorosos cataclismos... Quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do Consolador, os progressos definitivos do homem espiritual. Emmanuel/Jesus – Há Dois Mil Anos – 2º Parte – Cap. 6 – Alvoradas do Reino do Senhor
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    154 Quando nos referirmosaos mundos superiores, recordemos que a Terra, um dia, formará entre eles, por estância divina. Atualmente, no entanto, apesar das magnificências que laureiam a civilização em todos os continentes, não podemos alhear-nos do preço que pagará pela promoção. Sem dúvida, os campos ideológicos da vida internacional entrarão em conflitos encarniçados pelo domínio. As nuvens de ódio que se avolumam, na psicosfera do Planeta, rebentarão em tormentas arrasadoras sobre as comunidades terrestres. Contudo, as vibrações do sofrimento coletivo funcionarão por radioterapia na esfera da alma, sanando a alienação mental dos povos que sustentam as chagas da miséria, em nome da idéia de Deus, e daqueles outros que pretendem extirpá- las, banindo a idéia de Deus das próprias cogitações. Engenhos de extermínio desintegrarão os quistos raciais e as cadeias que amordaçam o pensamento, remediando as agonias econômicas da Humanidade e dissipando as correntes envenenadas do materialismo, a estender-se por afrodisíaco da irresponsabilidade moral. Emmanuel – Justiça Divina – Cap.52 – Ante os Mundos Superiores Sabemos todos que a Humanidade terrena atinge, atualmente, as cumeadas de um dos mais importantes ciclos evolutivos. Nessas transformações, há sempre necessidade do pensamento religioso para manter-se a espiritualidade das criaturas em momentos tão críticos. A idéia cristã se encontrava afeto o trabalho de sustentar essa coesão dos sentimentos de confiança e de fé das criaturas humanas nos seus elevados destinos; todavia, encarcerada nas grades dos dogmas católico-romanos, a doutrina de Jesus não poderia, de modo algum, amparar o espírito humano nessas dolorosas transições. Emmanuel – Emmanuel – Cap. 35 – Fim de um ciclo Evolutivo
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    155 Os vossos temposrefletem amargamente a angústia coletiva de todos os povos, em face dessa aluvião de escombros que prenuncia terrível para os anos próximos, como corolário de desvios e de antagonismo irreconciliáveis, tão somente criados pela mentalidade humana, dentro de seu abuso de liberdade. Dores amargas se anunciam nesse paiol de abundância e de superprodução, que a inteligência da humanidade criou para a sua vida. E a verdade é que as facilidades da civilização deveriam constituir um índice soberbo de aproveitamento espiritual, por parte das criaturas, detentoras dos mais notáveis progressos científicos nos tempos modernos. Entretanto, os penosos acontecimentos que se verificam nestes dias de confusão, de angustiosa expectativa, bem demonstram o contrário. O homem da estratosfera e das profundidades submarinas; o homem da mecânica e da eletricidade, da genética e da biologia, da física e da química, da filosofia e das religiões, em voltando para dentro de si, vem encontrando a sua mentalidade obscura de há dois milênios. Todos os corações sentem que existe algo para acontecer; aguardam angustiados uma novidade nos ares, como se sombrios vaticínios pesassem sobre a sua vida de relação e a realidade é que nem os políticos e nem os filósofos, nem os economistas e nem os sociólogos podem dirimir as profecias singulares e dolorosas, impossibilitados de recurso, desconhecendo o remédio necessário à paz coletiva e à prosperidade mundial A dor há de vir realizar a obra que não foi possível ao amor edificar por si mesmo. Todavia, o futuro está cheio daquela luz misericordiosa que promana do Alto para todos os corações da nova geração, dentro desse generoso labor do Espiritismo Cristão, na pedagogia renovada à luz do Evangelho do Senhor e dentro dessas edificações novas e sublimes, poder-se-á esperar o homem de amanhã, que, consciente do seu dever e da sua obrigação divina, possuirá a Terra e o Céu com os seus Infinitos Tesouros. Emmanuel – Servidores do Além – Cap. 1 – Onde o Remédio
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    156 Amontoam-se pesadas nuvensnos céus do Oriente e do Ocidente... Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas?!... Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto de sangue de dezesseis séculos de menosprezo à luz espiritual. E, não obstante edificados na certeza de que tudo coopera em benefício dos que amam a Deus, das claridade de além-túmulo, repetimos para os companheiros do Evangelho: - Irmãos, entrelaçai os braços e uni corações, em torno do Caminho, da Verdade e da Vida! Tormentas de dor rondam os castelos da vaidade humana e gênios escuros do morticínio acercam-se das moradias sem alicerces. Os monstros que devoraram as civilizações dos persas e dos assírios, dos egípcios e dos gregos, dos romanos e dos fenícios espreitam a grandeza fantasiosa dos vossos palácios de ilusão!... Os oráculos que prognosticaram queda e ruína em Persépolis e Babilônia, Tebas e Atenas, Roma e Cartago pronunciam angustiados vaticínios em vossas cidades poderosas... Polvos mortíferos do ódio e da ambição desregrada multiplicam-se no oxigênio terrestre, predizendo misérias e desolação. Trazem a fome e a peste em novos aspectos, desorganizando-vos a vida e desintegrando-vos os celeiros... Todos vivemos tempos dramáticos de prece, expectação e vigília... E, enquanto o aguilhão da impiedade ruge destruidor, reunamo-nos na Jerusalém do íntimo santuário!... É natural que nossos olhos espreite aos destinos, ouçamo-Lo a dirigir-se às mulheres piedosas que se lhe ajoelhavam aos pés, na cidade santa: "Filhas de Jerusalém, não chorais por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque virão dias em se dirá: - Bem aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Clamareis então para os montes: -Caí sobre nós! E rogareis aos outeiros: - Cobri-nos! Porque se ao madeiro verde fazem isto, que se não fará ao lenho seco?". Emmanuel – Sentinela da Luz – Cap. 1 – Nas Convulsões do Século XX
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    157 Referindo-se aos instantesdolorosos que assinalariam a renovação planetária, aconselhou o Mestre aos que estivessem na Judéia procurar os montes. E a atualidade da Terra é dos mais fortes quadros nesse gênero. Em todos os recantos, estabelecem-se lutas e ruínas. Venenos mortíferos são inoculados pela política inconsciente nas massas populares. A baixada está repleta de nevoeiros tremendos. Os lugares santos permanecem cheios de trevas abomináveis. Alguns homens caminham ao sinistro clarão de incêndios. Aduba-se o chão com sangue e lágrimas, para a semeadura do porvir. É chegado o instante de se retirarem os que permanecem na Judéia para os “montes” das idéias superiores. Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 140 – Para os Montes Ninguém precisa pedir transferência para Júpiter ou Saturno, a fim de colaborar na criação de novos céus. A Terra, nossa casa e nossa oficina, em plena paisagem cósmica, espera por nós, a fim de que a convertamos em glorioso paraíso. Emmanuel – Roteiro – Cap. 9 – O Grande Educandário Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no Plano das realidades imortais, e agora que o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a caminho de uma nova era. Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar, da qual é Jesus um dos membros divinos. Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela terceira vez, na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo. Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe. Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a sua misericórdia. Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 24 – O Espiritismo e as grandes Transições
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    158 “Época de Transição”:esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas: • Conflitos. • Desencarnações em massa. • Acidentes enlutando almas e lares. • Desvinculações violentas. • Dramas no instituto doméstico. • Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas. • Moléstias de etiologia obscura. • Incompreensões. Forçoso observar, no entanto, que o plano físico e o plano espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa. E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de auto- burilamento em nível mais alto de evolução. É por isso que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando, desde algum tempo, • Reencarnações difíceis; • Testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo; • Tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana; • Presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida Superior; • Ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo. Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.
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    159 Perante a VidaMaior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso. Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros. Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã. Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação
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    160 4.4 Sinais dosTempos – Bezerra de Meneses O certo é que a Humanidade chegou a um ponto de sua caminhada evolutiva que não mais se lhe permite retrocesso de qualquer natureza. Para os próximos cinquenta anos já se delineia um planejamento destinado a ser cumprido por uma coletividade de Espíritos que irão conviver com grandes e penosos desafios. Trata-se de uma população heterogênea constituída de almas esclarecidas e de outras em processo de reajuste espiritual. As primeiras revelam-se iluminadas pelo trabalho desenvolvido na fieira dos séculos, quando adquiriram recursos superiores de inteligência e de moralidade. Retornam à reencarnação para exercer influência positiva sobre as mentes que se encontram em processo de reparação, necessitadas de iluminação espiritual. A atual Humanidade será pouco a pouco mesclada por esses dois grupos de Espíritos reencarnantes. Inicialmente na sua terça parte, abrangendo todo o Planeta, depois, dois e três terços. O trânsito entre os dois planos estará significativamente acelerado. Um trânsito de mão dupla, acrescentamos, pois, coletividades de encarnados também retornarão à Pátria verdadeira. Bezerra de Meneses – Os Próximos 50 anos – Psicografia de Divaldo P. Franco – Brasília, 19/abril/2010 – durante reunião mediúnica do Conselho Espírita Internacional – após o término do 3º Congresso Espírita Brasileiro – Abril/2010 Estamos agora em um novo período. Estes dias assinalam uma data muito especial, a data da mudança do mundo de provas e expiações para o mundo de regeneração. A grande noite que se abatia sobre a Terra lentamente deu lugar ao amanhecer de bênçãos. Iniciada a grande transição, chegaremos ao clímax, e na razão direta em que o planeta experimenta as suas mudanças físicas, geológicas, as mudanças morais são inadiáveis. Que sejamos nós aqueles Espíritos-espíritas que demonstremos a grandeza do amor de Jesus em nossas vidas. Bezerra de Meneses – Revista Reformador – Junho/2010 – Momento de gloriosa transição
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    161 Mensagem psicofônica recebidapelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento das comemorações do Centenário de Nascimento de Chico Xavier, realizadas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, no dia 18 de abril de 2010 As mais vigorosas convulsões planetárias tornam-se necessárias para que haja alteração para melhor no clima, na estabilidade relativa das grandes placas tectônicas, nas organizações sociais e comunitárias, com os recursos agrários e alimentícios naturais para manter no futuro as populações não mais esfaimadas nem miseráveis, como ocorre na atualidade... Compreendendo-se a transitoriedade da experiência física, a psicosfera do planeta será muito diferente, porque as emissões do pensamento alterarão as faixas vibratórias atuais que contribuirão para a harmonia de todos, para o aproveitamento do tempo disponível, em preparação jubilosa para o enfrentamento da mudança que terá lugar para muitos mediante a desencarnação que os levará para outro campo da realidade. O processo de transição — continuou o mentor — apresenta-se, há um bom tempo, com fases específicas: as ocorrências sísmicas, que são de todos os períodos, agora, porém, mais aceleradas, os sofrimentos morais decorrentes das conjunturas enfermiças geradas pelas próprias criaturas humanas, em razão de haverem optado pelos roteiros mais difíceis, as enfermidades dilaceradoras que encontram campo de expansão naqueles que se encontram receptivos, as dores coletivas resultantes dos interesses subalternos dos déspotas, dos ambiciosos, dos que se fazem verdugos da Humanidade, assessorados por outros semelhantes que os mantêm na condição infeliz... (...) E outros processos igualmente afligentes, convidando todas as criaturas a reflexões em torno das mudanças que se estão operando e que prosseguirão com mais severidade. Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante a grande transição planetária
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    162 No sermão profético,narrado pelo evangelista Marcos, no capítulo XIII, quando Jesus se refere aos grandes fenômenos referentes ao fim dos tempos morais desditosos, declara que se não fosse pelos eleitos que (o Pai) escolheu, as dores seriam muito mais terríveis. Esses Seus eleitos são todos aqueles que se permitiram por Ele eleger em razão da sua conduta e da sua dedicação e respeito às soberanas leis. Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 3 – Planejamento de atividades espirituais Estabelecem-se datas compulsórias com certa leviandade, como se um cataclismo cósmico devesse ocorrer, com um caráter punitivo à sociedade que se tem distanciado de Deus, numa espécie de absurda vingança... Ignorando a extensão do amor de Nosso Pai, esperam o desencadear da Sua ira em processo de punição extrema, como se a vida ficasse encerrada no fenômeno da morte física. Felizmente, o fim do mundo de que falam as profecias refere-se àquele de natureza moral, sem dúvida, com a ocorrência inevitável de sucessos trágicos, que arrebatarão comunidades, facultando a renovação social, que a ausência do amor não consegue lograr como seria de desejar... Esses fenômenos não se encontram programados para tal ou qual período, num fatalismo aterrador, mas para um largo período de transformações, adaptações, acontecimentos favoráveis à vigência da ordem e da solidariedade entre todos os seres. E compreensível, portanto, que a ocorrência mais grave esteja, de certo modo, a depender do livre-arbítrio das próprias criaturas humanas, cuja conduta poderá apressar ou retardar, ou mesmo modificar, a sua constituição, suavizando-a ou agravando-a... Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante a grande transição planetária
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    163 4.5 Sinais dosTempos – Joanna de Angelis Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas escrituras e confirmada pelo Espiritismo. O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura física e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua constituição moral. Isto porque os espíritos que o habitam, ainda caminhando em faixas de inferioridade, estão sendo substituídos por outros mais elevados que a impulsionarão pelas trilhas do progresso moral, dando lugar a uma era nova de paz e de felicidade. Os espíritos renitentes na perversidade e nos desmandos, na sensualidade e vileza, estão sendo recambiados lentamente para mundos inferiores onde enfrentarão as consequências dos seus atos ignóbeis, assim renovando-se e predispondo-se ao retorno planetário quando recuperados e decididos ao cumprimento das leis de amor. Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta como resultado da lei de destruição, geradora desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das árvores a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se vivem. Os combates apresentam-se individuais e coletivos, ameaçando de destruição a vida com hecatombes inimagináveis. A loucura, decorrente do materialismo dos indivíduos, atira-os nos abismos da violência e da insensatez, ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções. Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos, desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade… A turbulência vence a paz, o conflito domina o amor, a luta desigual substitui a fraternidade. … Mas essas ocorrências são apenas o começo da grande transição. Joanna de Ângelis – 30/07/2006, RJ – Presença Espírita, 2006 - setembro/outubro, Nº 256 – Jesus e Vida – Cap. 1 – A grande Transição.
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    164 Aprenda o homema ajudar o progresso da Terra a fim de que se lhe esbatam as sombras, galgando um degrau de evolução e saindo do estágio primarista de dores, de provas e expiações, no rumo da regeneração, que é o passo para atingir outras escalas na infinita "escada de Jacob" colocada na direção do Pai. Mundos e mundos gravitando no infinito, desde os que se encontram em estado de gases incandescentes aos mais sublimes, esperando por nós, como disse Jesus. Joanna de Ângelis – No Limiar do Infinito – Cap. 2 – Ante o Cosmo Ao invés de um cataclismo que ceife as vidas e aniquile a sociedade e a Terra, dá-se, neste momento, a renovação do Planeta, graças à qualidade dos Espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de enobrecimento e de interesse fraternal. Joanna de Ângelis – Momentos de Harmonia –- Cap. 10 – Projetos Iluminativos Indiscutivelmente, vive-se na Terra o momento da grande transição planetária, onde as ocorrências dolorosas, os desastres coletivos, as tragédias do cotidiano, as contínuas ondas de violência e os descalabros de toda ordem chamam a atenção de todos, apresentando momentos terríveis de aflição e de sofrimentos. (...) Observa-se, no Planeta terrestre, na atualidade, mais do que noutros períodos os sinais próprios dos acontecimentos previstos e programados, especialmente no que diz respeito aos valores éticos e morais, às convulsões sísmicas, às mudanças que se produzem em muitos países com alterações profundas em seu arcabouço econômico e financeiro, assim como às guerras desencadeadas para manter o predomínio, dando lugar ao seu declínio. Enquanto isso ocorre, outros, os denominados países emergentes, crescem e se desenvolvem, a fim de terem oportunidade de produzir novas culturas, nova civilização. Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era
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    165 4.6 Sinais dosTempos – Amélia Rodrigues Os sinais do sofrimento Ao tempo de Jesus, o Templo de Salomão era uma das mais belas construções existentes, em plena magnificência. Erguido, inicialmente por Salomão, de quem herdou o nome mais tarde, substituído por Jerusalém, pela sua localização, foi construído com requintes de luxo, desde as madeiras preciosas até os mármores que deslumbravam. Erigido no século X a. C., foi destruído pelos caldeus mais tarde, em 583 a.C., deixando desolados os hebreus. Novamente levantado pelos judeus, que vieram do exílio da Babilônia, foi terminado por Zorbatel, em 516 a. C., que o ornamentou com ouro e colunas deslumbrantes, enquanto governador da Judéia. Por fim, foi reedificado e embelezado por Herodes, que o dotou de máxima glória como edificação arquitetônica incomum, entre as anos 20 e 10 a. C., com madeiras de cedro do Líbano e painel de ouro à entrada, expressando a grandeza de Nova Era. Somente no ano 64 d. C., seria concluído, para ser novamente destruído, logo depois, por Tito, que assim humilhou o povo judeu, reduzindo-o à posição de galé e impondo a Diáspora... Era, no entanto, a glória do povo eleito. Ali se decidiam as questões relevantes da fé, da política e da economia do país. O Sumo-sacerdote era autoridade de destaque na comunidade, respeitado e orgulhoso, exercendo poderes religiosos, sociais e administrativos quase absolutos. Vez por outra Jesus entrou nele durante Seu Ministério. * Aproximavam-se os momentos decisivos. A onda de intriga avolumava-se e os espiões de vários matizes buscavam surpreendê-lo em falta real ou imaginária para O denunciarem. Os Seus passos eram seguidos à socapa e Suas palavras eram adulteradas, de modo a atenderem aos fins escusos dos Seus futuros verdugos. Ele permanecia, no entanto, impertérrito. A Verdade nEle era tão natural, que não a podiam dissociar da Sua vida. Todos os acontecimentos sucediam-se com inteireza, sem interrupção.
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    166 À semelhança doDia nos seus vários ciclos de amanhecer, plenitude e crepúsculo, Ele se encontrava no píncaro da realização, preparando-se para iniciar o período de sombras-luz, nas grandes dores e tribulações. Ninguém passa pelo mundo físico sem experimentar os ferretes da condição de inferioridade do planeta, assim como daqueles que o habitam. A aflição é fenômeno comum a todos e ninguém se lhe exime à presença. Os amigos encontravam-se jubilosos por estarem em Jerusalém. A cidade santa constituía orgulho para todas as raças e viver nela era honra imerecida; passar pelas suas venerandas ruas significava estar perto da Divindade, pois que ali estavam o Templo e a Arca da Aliança... Jesus não se fascinava. Aos outros Ele deslumbrava. Superior à Sua época e a todas as eras, vestira-se com a singeleza da humildade, a fim de erguer os homens ao cintilar das estrelas. Naquele dia, ao saírem do santuário, Ele e Seus discípulos, estes, comovidos, exclamaram: - Senhor...vede que pedras e que construções (*) Referiam-se aos imensos blocos de diversas toneladas que constituíam a edificação opulenta. O Senhor olhou o grandioso edifício e respondeu: - Vede essas grandiosas construções? Em verdade, em verdade vos digo, que não ficará pedra sobre pedra, que não seja derrubada. O espanto se manifestou nos companheiros, que se sentiram desapontados, agoniados. Logo depois, ensimesmados, no monte das Oliveiras, fronteiro ao santuário, traduzindo a inquietação de todos, Simão Pedro, Tiago e João indagaram-lhe: - Diz-nos quando tudo isso acontecerá e qual o sinal a anunciar que essas coisas estão próximas. Adentrando-se no futuro e aquilatando a pusilanimidade humana, os desalinhos morais, as ambições desregradas e as paixões sanguissedentas, com o tom melancólico o Mestre enunciou o Sermão profético, apocalíptico. Ante Sua visão transcendente, desfilavam os acontecimentos histórico que assinalariam as épocas do futuro.
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    167 O Templo, depoisde destruído, passaria a sofrer diversos assaltos até 150, quando os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém, dali expulsos em definitivo. Tito os houvera crucificado aos milhares em 70, e mandou sitiar a fortaleza de Massada, por dois anos, até a sua rendição total, face ao suicídio geral dos mais ortodoxos e zelotas que para lá fugiram após a destruição de Jerusalém. O Mestre via, naquele momento, o nascer, florescer e morrer de civilizações e culturas diversas, que as guerras e os tempos consumiriam... Apiedado dos homens e das suas vaidades de pequena duração, referiu-se: - Acautelai-vos para que ninguém vos iluda. Surgirão muitos com o meu nome, dizendo: – Sou eu. – E seduzirão a muitos. Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não vos alarmeis; é preciso que isso aconteça, mas não será o fim. Erguer-se-ão povo contra povo e reino contra reino; haverá terremoto em vários lugares, haverá fome. Isso é o princípio das dores. " Estai vigilantes!" Houve um grande silêncio, e logo prosseguiu: - Sereis açoitados diante de reis e magistrados por amor de mim. Irmão entregará irmão e os pais seus filhos, enquanto estes os denunciarão sem clemência... Mas antes deveis proclamar a Boa Nova a todas as nações. " As dores alcançarão incomparável índice de aberração e as calamidades serão de tal monta, que não haverá tempo para fugas." " Quem estiver na Judéia não terá como correr para o campo. Quem estiver nos telhados, não poderá descer." Silenciou por um pouco, novamente, diminuindo a gravidade da narrativa. Ele antevia as desgraças da irradiação atômica e da fissão nuclear, das guerras de extermínio recentes. As terríveis epidemias medievais e os truanescos conflitos de raças e de religião eram detectados desde então. Voltando ao esclarecimento, acentuou: " – Ai das grávidas desses dias e dos peitos que amamentarem." "Naquela ocasião que há de vir, o Sol perderá sua luz, as estrelas cairão sobre a Terra e a Lua se cobrirá de sangue."
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    168 Percebia a alucinadacarreira armamentista das atuais grandes Nações, sonhando em tornar a lua uma base para disparar mísseis. As grandes trevas que dominariam o Sol, quando se ergueram os cogumelos das explosões atômicas, atemorizando o mundo e marcando vidas com sinais irreversíveis da contaminação nuclear, eram previstos naquele momento. Também descortinou a queda de estrelas sobre o planeta em treva – os Espíritos de Luz que vieram preparar a Era Nova e instalar o reino de Deus... Após larga reflexão, concluiu: " – Então vereis o Filho do Homem em toda a Sua glória, pairando acima dos escombros e coroando os justos com a paz. O que vos digo a vós, digo-o a todos. Vigiai! Anunciados os torpes acontecimentos que visitariam a humanidade dos tempos futuros, Jesus envolveu os discípulos ingênuos em uma onda de ternura e confiança, asserenando-os com palavras de estímulo e fé. " – Aqueles que perseverarem fiéis – assegurou-lhes – serão poupados." A fé rutilante, vivida integralmente, conduz com equilíbrio e poupa a criatura da desnecessária aflição, mesmo porque luariza a alma, equipando-as de energias e forças para operar as ocorrências dilaceradoras. Perseguindo os ideais de enobrecimento, o homem supera-se a si mesmo e arrosta quaisquer consequências infelizes com ardor, sem dar-se conta do preço a pagar pela honra de imolar-se, dos testemunhos a enfrentar pela felicidade de ser fiel. Jerusalém cobria-se de sombras lentamente, e as estrelas coruscavam de longe, enormes como gigantescos crisântemos de luz, enquanto o silêncio da natureza era musicado pelas onomatopéias. Contemplando a cidade, orgulhosa e infeliz, adormecendo, Jesus e os Seus avançavam no futuro e anteviam a Jerusalém libertada nas almas, sem construções suntuosas de pedra, que o tempo derruba, nem opulência, que perde o valor na sucessão dos evos. Na memória dos séculos estão as ruínas do grandioso Templo, quase imperceptíveis em Jerusalém, que o Mestre previu desaparecer.
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    169 Das famosas oliveirasdo monte fronteiriço, após a devastação determinada por Tito, que as derrubou, para transformá-la em cruzes, restam apenas três, atormentadas e retorcidas como os povos que ali têm passado até hoje... ________________ (*) Marcos 13: 1 a 37 Nota da autora espiritual. Amélia Rodrigues – Até o Fim dos Tempos – Cap. 17 – Os Sinais do Sofrimento
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    170 4.7 Sinais dosTempos – Manoel Philomeno de Miranda Conforme assinalado por Jesus, no sermão profético registrado pelo evangelista Marcos, no capítulo 13 e seus versículos, vivemos a época dos sinais representativos das grandes mudanças que se operarão no planeta terrestre ao largo dos evos. Posteriormente confirmadas as graves revelações por João Evangelista, no seu memorável Apocalipse, vivemos já esses dias significativos, anunciadores das grandes transformações que se vêm apresentando no orbe amado. Muito antes deles, os profetas Isaías, Enoque e outros, também assinalaram os acontecimentos que deveriam suceder, graças aos quais um novo mundo rico de bênçãos surgiria para a Humanidade. Por sua vez, o calendário maia igualmente registra os graves sofrimentos para as criaturas terrestres deste período, com grande margem de acerto... Nostradamus, o mais célebre dos profetas, teve ocasião de assinalar os eventos dolorosos que se abateriam sobre os seres humanos, caso permanecessem nos comportamentos arbitrários que se têm permitido. Mais recentemente Edgar Cayce previu mudanças muito acentuadas na geografia terrestre, em várias partes do seu país e noutros continentes, como resultado de fenômenos sísmicos definidores do novo mundo... ...E multiplicam-se, ao largo da História, as revelações em torno das ocorrências afligentes que se vêm apresentando em toda parte, chamando a atenção das criaturas humanas, que permanecem descuidadas, absorvidas pelos vapores do prazer e dos gozos desgastantes. Os Espíritos do Senhor também referiram-se a esse respeito a Allan Kardec, durante a codificação dos seus ensinos, elucidando que ocorrências trágicas assolariam o planeta, trabalhando-lhe as estruturas físicas, morais e espirituais. Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição Planetária – Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado
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    171 Fomentadores de guerrasde extermínio, de terrorismo insano, de perseguições às minorias, de deboche e de preconceito, misturaram-se às multidões, inspirando governos e cidadãos às atitudes calamitosas, de modo que a esperança seja deixada à margem sem consideração, e os exemplos nobres se transformem em mensagens de aproveitadores e oportunistas desvairados... Subitamente pôde-se observar o aumento surpreendente das aberrações, dos crimes hediondos, da violência inclemente e da falta de autoridade para impedi-los ou administrá-los, tornando-os banais e quase desconsiderados. O vale-tudo que começou a ser estabelecido, tem o objetivo de criar o clima de desinteresse pela honorabilidade, pelos valores éticos, pelo respeito à criatura e à sociedade, demonstrando que todos esses significados haviam sido perdidos e uma nova e descontrolada ética passava a ser assinalada como regra de comportamento próprio para estes desditosos dias... Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 16 – Programações Reencarnacionistas As grandes transformações, embora ocorram em fases de perturbação do orbe terrestre, em face dos fenômenos climáticos, da poluição e do desrespeito à Natureza, não se darão em forma de destruição da vida, mas de mudança de comportamento moral e emocional dos indivíduos, convidados uns ao sofrimento pelas ocorrências e outros pelo discernimento em torno da evolução. À semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente, sorvendo as rendas de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e tecnologia, imprimindo novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que, momentaneamente, encontram-se adormecidos. Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a abjeção, os escândalos, a corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio...
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    172 Frutos das paixõesdas criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de consumpção libertadora, lentamente surgirão os valores da saúde integral, da alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico da vida. Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem Revelação Estamos no limiar do glorioso momento anunciado pelo Senhor desde quando esteve conosco e confirmado pelos Seus mensageiros de todos os tempos, que aguardam essa hora para a construção definitiva do reino de Deus em todos os corações. Manoel Philomeno de Miranda/Silvio Santana – Transição Planetária – Cap. 18 – Reflexões e Diálogos profundos O planeta renovado na sua constituição física, harmonizadas as placas tectônicas, diminuída a alta temperatura do magma vulcânico, muitos cataclismos que o assolavam e destruíam, desaparecerão, a pouco e pouco, apresentando-se com equilíbrio de temperatura, sem os calores calcinantes, nem os frios enregelantes, e com paisagens edênicas... Adaptando-se às novas condições climáticas, o organismo físico experimentará modificações especiais, em razão também dos seres que o habitarão, imprimindo nele outros valores fisiopsicológicos, que irão contribuir para a sua evolução espiritual. Será nesses corpos que estarão reencarnadas multidões de visitantes benéficos, contribuindo para o progresso da humanidade. Concomitantemente, aqueles que puderem fruir desse momento, após a grande transição, graças ao pensamento e à iluminação interior, libertar-se-ão de órgãos desnecessários, mantendo formas gráceis e leves, compatíveis com a futura atmosfera física e moral da Terra feliz. Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição Planetária – Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado
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    173 Não obstante avaliosíssima contribuição, em torno dos acontecimentos lutuosos, tem havido um grande olvido a respeito daquilo que acontecerá depois das ocorrências destruidoras. Todas as profecias, no entanto, afirmam que surgirá um mundo melhor, uma nova Jerusalém, terras onde manarão leite e mel, paraíso de luz e beleza, por que não dizer, o reino dos céus na Terra mesma... ...E essa revelação é esquecida, porque ainda predomina em o espírito humano o interesse de informar sobre o apavorante e ameaçador, com esquecimento, proposital ou não, em torno das benesses do amor e da misericórdia de Deus para com as Suas criaturas. Quando o evangelista João ouviu as graves revelações seu coração ficou pesado, e ele perguntou: — Não há esperança? Havia muita aflição no discípulo amado, que logo escutou a resposta formosa: Sempre há esperança, ó tu, para quem o céu e a terra foram criados... Uma segunda possibilidade faz parte dos divinos planos, desde que as criaturas correspondam à expectativa do amor, gerando novos recursos em torno do bem, que produzirão efeitos edificantes. Assim prossegue o grande vidente do Apocalipse: Mas eu não vi o que aconteceu a eles, pois a minha visão mudou, e eu vi um novo céu e uma nova terra; pois o primeiro céu e a primeira terra haviam acabado... A emoção tomou o apóstolo que então exultava, quando ouviu uma grande voz (dos seres angélicos) que dizia: Não mais haverá morte, nem tristeza, nem choro, nem haverá mais dor. Artêmio Guimarães/Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap.13 – Conquistando o tempo malbaratado
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    174 4.8 Sinais dosTempos – Camilo "Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." Jo, 6:37. Novos tempos são anunciados para a Terra! Desde as épocas prístinas, a alma humana aguarda os dias venturosos em que se poderá desfrutar os dulçores de uma era nova, quando a fraternidade não será quimera nem a paz um sonho distante. Profetas de todos os tempos, no bojo dos mais distintos núcleos humanos, afirmaram a realidade desses dias porvindouros de delícias e de amor. Contudo, quanto mais se esgaça o tempo, sob o efeito delongado das experiências, parecem distantes essas aneladas expectativas, parece ilusória agonia que se aguarde esse deleite. A descrença a respeito dessas promessas alastra-se em múltiplas almas, até o limite do deboche, da zombaria atirada sobre os crentes dessa ordem, como se fossem almas ingênuas crendo em disparatadas afirmações de estonteados visionários. Nada obstante, dentre os que se reportaram a esses tempos novos de formosuras e de bendições, está o Nazareno, o Profeta Maior gerado em Israel, Alma que, por Sua índole sublimada, não nos apresentaria qualquer impostura. O que vem retardando o alcance dessas luminosas ocorrências, não tem sido senão o próprio ser terrestre, imerso em sua rebeldia contumaz, a desprezar os valores mais substantivos da existência humana, atrelado ao materialismo imediatista e incômodo que temos conhecido. O que sucede ainda é que um grande pugilo dos que se arvoram em condutores da verdade ou paladinos da luz, não tem feito senão alimentar e difundir incorreções e mentiras; não tem conseguido senão espalhar sombras. Quando é que os homens despertarão dessa letargia? Em que momento desejarão ver a celeste claridade? Quando se decidirão por caminhar ao encontro Daquele que nos abriu as portas planetárias, a fim de que, então, realizemos a própria evolução? Já sinalizou o Celeste Guia, conforme as notas atribuídas ao Apóstolo João, que aqueles que O buscarem serão por Ele abraçados, pois que jamais fora os atirará. Há, desse modo, em nome do respeito ao livre-arbítrio, a espera do Mestre pelas disposições humanas.
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    175 Perde o sentido,assim, a proverbial descrença nos tempos novos, quando também se desfazem as crenças em futuro gratuito, distanciado da boa vontade e dos esforços do ser humano. O tempo de agora, rico em oportunidades, abre-se para que todos unamos os recursos disponíveis do saber e das virtudes, para demandarmos ao encontro de Jesus Cristo. Não há mais tempo para lamúrias ou reclamações quanto às condições da época presente ou do mundo atual. O que nos cabe fazer é, ainda que solitariamente, ou em pequenos grupos de valorosos e intrépidos vanguardeiros, tomar do arado das boas obras e partir em busca desse encontro psíquico com o Amigo Celestial, com a garantia de que seremos por Ele agasalhados, e que passaremos a fazer parte dos servidores do amor e da paz, partícipes do círculo de seareiros que vivem com os pés no mundo tendo, porém, a mente fixada nos astros luzentes. Camilo – Segue para o Grande Futuro Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 19.04.2009, em Mértola- Alentejo, Portugal
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    176 4.9 Sinais dosTempos – Divaldo Franco Os Espíritos Nobres têm falado sobre momentos de transição que a Terra está passando. O que caracteriza esses momentos? Divaldo Pereira Franco – São as convulsões sociais que se derivam dos distúrbios morais. Nesses distúrbios morais-sociais nós geramos uma psicosfera doentia. Fala-se de que a ecologia está alterada, a nossa atmosfera está carregada de gases destrutivos, de que estamos vivendo momentos em que a água vai entrar em escassez, porque apenas 2% da água do mundo são potáveis.... Fala-se tudo isso, e mais dos tsunamis, das erupções vulcânicas… Tudo isso faz parte de um grande conjunto que constitui a transição. Divaldo Pereira Franco – Entrevista ao Programa Televisivo O Espiritismo Responde, da União Regional Espírita – 7ª Região, Maringá, em 21.03.2007
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    177 4.10 Sinais dosTempos – Weimar Muniz de Oliveira Não resta dúvida de que o momento é de Transição e nenhuma transição se opera sem muita dor e sofrimento. É o que tem ensinado a história de todas as civilizações que transitaram na face da Terra. Sobre o momentoso assunto a profecia é fértil e repetitiva, desde João, no Apocalipse, a não se falar no Velho Testamento. Os vaticínios do que está para acontecer e que desde há algum tempo já vem acontecendo e que se intensificará dia a dia, até ao ápice, constam de inúmeros relatos em diversas obras literárias. Além do Apocalipse (Cap. 1 à 22), de Mateus (Cap. 24 e 25), de Nostradamus (As Centúrias), de Allan Kardec (A Gênese – Cap. 17 e 18; O Evangelho segundo o Espiritismo), de André Luiz (No Mundo Maior – Cap. 2 – A preleção de Eusébio), tais advertências e predições constam dos seguintes livros do respeitável Emmanuel, pelo que nos foi dado apurar (1993): • Dois Mil Anos – Alvoradas do Reino do Senhor; • A Caminho da Luz – Introdução e contexto; • Emmanuel – Fim de um ciclo planetário; • Justiça Divina - Ante os Mundos Superiores; • Servidores no Além – Onde o Remédio; • Sentinela da Luz – Nas Conv1llsões do Século XX. Em todas essas obras os relatos proféticos são concordantes nos pontos fundamentais. Weimar Muniz de Oliveira – Ascendente Espiritual na Terra I/II- Revista Reformador – 1993 – Junho/Julho
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    178 4.11 Sinais dosTempos – Mário Frigéri A hora que vivemos é, sem dúvida, um dos pontos culminantes da história da Humanidade, em que as trevas da alta madrugada esbravejam e se revoltam ao pressentir o encontro inevitável com as claridades do alvorecer divino que se aproxima. É aquela zona cinzenta que medeia entre duas fases planetárias: a de Provas e Expiações e a de Regeneração. São repetitivas as profecias a esse respeito, desde o Velho Testamento da Bíblia Sagrada (Salmos 37:9; Isaías 2:20; Jeremias 30:23; Zacarias 13:8) ao Apocalipse de Jesus, segundo São João. Isto sem falar na contribuição de sábios e estudiosos desses magnos assuntos, ou profetas e videntes extra-bíblicos, como São João Bosco, São João Vianney, Edward Lyndoe, Nostradamus, Pietro Ubaldi, bem como inúmeras vozes veneráveis do Espiritismo. Mário Frigéri – As Sete Esferas da Terra – Cap. 11 – O fim do Mundo?
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    179 4.12 Sinais dosTempos – Vianna de Carvalho Fala-se muito numa Nova Era que deverá surgir após a virada do século. Quais seriam as perspectivas de melhoria para a Humanidade, e quais são as bases de mudança desta para uma outra Era? A evolução é inevitável, porque faz parte dos mecanismos da Vida. Os períodos sucedem-se com as suas conquistas e quedas, cimentando os valores elevados que servem de base para novas aquisições e mais bem consolidadas realizações, que têm por objeto a felicidade de todos. A Nova Era já começou nas mentes e nos corações que se vêm devotando ao Bem e à Verdade. No entanto, graças a esse processo de evolução, o planeta Terra, qual ocorre com os demais, passa por diferente ciclo na escala dos mundos e avança para um estágio superior, conforme revelaram os Espíritos elevados a Allan Kardec. A Terra deixará de ser mundo de sofrimentos, de exílio espiritual, de recuperações dolorosas, para tornar-se um plano de regeneração, quando a dor mais cruel baterá em retirada e o crime for abandonado, a benefício do cultivo dos deveres e das virtudes. Todo esse processo, no entanto, se dará no indivíduo, de dentro para fora, espontaneamente ou através de ocorrências afligentes, que o convidem a reflexões e mudanças de comportamento. Não será, como se pretende em algumas áreas religiosas, de um para outro momento; porém, lentamente, sem choques nem violências, sem imposições arbitrárias nem calamidades destruidoras, mas dentro de uma programática dignificante como tudo que é realizado pela Divindade. Vianna de Carvalho – Atualidade do Pensamento Espírita – Cap.1 – Ciências Sociais
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    180 5 Referências Esta relaçãobibliográfica não está, intencionalmente, seguindo os padrões usuais – está numa forma mais sintética, fazendo uma correlação direta entre o texto do trabalho e os livros/mensagens. # Autor – Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 1 Agar – Relicário de Luz – Cap. 115 – Com os dias 2 Agostinho – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas moradas na casa de meu Pai – item 19 3 Allan Kardec – A Gênese – Cap. 18 – A Nova Geração – item 1 4 Allan Kardec – A Gênese – Cap. 6 – Uranografia geral – O Espaço e o Tempo 5 Allan Kardec – Céu e Inferno – 1º Parte – Cap.5 – O Purgatório – item 9 6 Allan Kardec – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Há muitas moradas na casa de meu Pai – item 19 7 Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 869 8 Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 4 – Missão dos Profetas 9 Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 7 – Não creias em todos os Espíritos 10 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 392 – Esquecimento do Passado 11 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 522 12 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 523 13 Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Perg. 868 – Conhecimento do Futuro 14 Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Cap. 26 – Item 289 15 Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 15 – Item 184 16 Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 48 17 Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Conhecimento do futuro. Previsões 18 Allan Kardec – Revista espírita – Julho de 1868 – A ciência da concordância dos números e a fatalidade 19 Allan Kardec – Revista Espírita – 1861 – Janeiro – Perguntas dirigidas ao Espírito Cazotte 20 Allan Kardec – Revista Espírita – 1864 – Maio – Teoria da Presciência 21 Amalia Domingos Soler – Memórias do Padre Germano – Cap. 5 – A Fonte da Saúde
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    181 # Autor –Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 22 Amélia Rodrigues – Até o Fim dos Tempos – Cap. 17 – Os Sinais do Sofrimento 23 André Luiz – Coletânea do Além – Cap. 34 – O Tempo 24 André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 9 – No Lar da Benção 25 André Luiz – Cap. 12 – Preparação de Experiências 26 André Luiz – Nosso Lar – Cap. 21 – Continuando a Palestra 27 André Luiz – Nosso Lar – Cap. 46 – Sacrifício de Mulher 28 André Luiz – Opinião Espírita – Cap. 57 – Escala do Tempo 29 André Luiz – Sinal verde – Cap. 21 – Assuntos de tempo 30 André Luiz – Sinal Verde – Cap. 24 – Desejos 31 Antônio Bezerra – Rosas com Amor – Cap. 12 – Anúncios da vida 32 Áulus/André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 25 – Em torno da fixação mental 33 Benedito da Gama Monteiro – Revista Reformador – 1996 – Junho Conhecimento do Futuro – Profecias 34 Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 16 – Durante a grande transição planetária 35 Bezerra de Meneses – Amanhecer de uma Nova Era – Cap. 3 – Planejamento de atividades espirituais 36 Bezerra de Meneses – Os Próximos 50 anos – Psicografia de Divaldo P. Franco – Brasília, 19/abril/2010 37 Bezerra de Meneses – Revista Reformador – Junho/2010 – Momento de gloriosa transição 38 Bezerra de Meneses – União em Jesus – Cap. 3 – Itens da fraternidade em Jesus 39 Camilo – Segue para o Grande Futuro 40 Carlos Imbassahy – Espiritismo a Luz dos Fatos – Cap. Dos Fenômenos Subjetivos – As Previsões 41 Christiano Torchi – Revista Reformador – 2009 – Agosto – Pressentimentos 42 Clarêncio/André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap. 38 – Casamento feliz 43 Cornélio Pires – Trovas do Coração – Cap. 13 – Previsões 44 Cornélio Pires – Caminhos da Vida Cap. 13 – Livre Arbítrio 45 Deraldo Neville – Sorrir e Pensar – Cap. 9 – Trabalho e Descanso 46 Divaldo Pereira Franco – Entrevista ao Programa Televisivo O Espiritismo Responde, da União Regional Espírita – 7ª Região, Maringá, em 21.03.2007 47 Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 24 – O Espiritismo e as grandes Transições 48 Emmanuel – A Caminho da Luz – Cap. 25 – O Evangelho e o Futuro
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    182 # Autor –Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 49 Emmanuel – Algo Mais – Cap. 1 – Futuro e Nós 50 Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 38 – Reações 51 Emmanuel – Caderno de Mensagens – Cap. 23 – Juventude e maturidade 52 Emmanuel – Calma – Cap. 2 – Passando pela Terra 53 Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 140 – Para os Montes 54 Emmanuel – Caridade – Cap. 14 – O talento esquecido 55 Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação 56 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 32 – O Homem e seu Destino 57 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 33 – Quatro questões de filosofia – O Tempo e o Espaço 58 Emmanuel – Emmanuel – Cap. 35 – Fim de um ciclo Evolutivo 59 Emmanuel – Encontro Marcado – Cap. 6 – Adivinhações 60 Emmanuel – Fonte de Paz – Cap. 1 – Trabalhadores 61 Emmanuel – Inspiração – Cap. 32 – Mais tempo 62 Emmanuel – Instrumentos do Tempo – Cap. 5 – O minuto 63 Emmanuel – Joia – Capítulo 13 – Em torno do futuro 64 Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 30 – Diante da Lei 65 Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 58 – Precisamente 66 Emmanuel – Justiça Divina – Cap.52 – Ante os Mundos Superiores 67 Emmanuel – Linha Duzentos – Cap. 10 – Diante do Destino 68 Emmanuel – Moradias de Luz – Cap. 6 – O Talento Celeste 69 Emmanuel – Nascer e Renascer – Cap. 4 – Fatalidade e Livre arbítrio 70 Emmanuel – O Consolador – Perg. 144 71 Emmanuel – Paciência – Cap. 2 – Serve e Caminha 72 Emmanuel – Pronto Socorro – Cap. 12 – Assunto de Lei 73 Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 4 – Memória de Além-Túmulo 74 Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Março – Pag. 54 – Futuro e Fatalidade 75 Emmanuel – Revista Reformador – 1954 – Abril – Pag. 74 – Fatalidade e Livre arbítrio
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    183 # Autor –Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 76 Emmanuel – Roteiro – Cap. 9 – O Grande Educandário 77 Emmanuel – Seara dos Médiuns – Cap. 76 – Imã 78 Emmanuel – Sentinela da Luz – Cap. 1 – Nas Convulsões do Século XX 79 Emmanuel – Servidores do Além – Cap. 1 – Onde o Remédio 80 Emmanuel – Taça de Luz – Cap. 31 – Ante o Futuro 81 Emmanuel/Jesus – Há Dois Mil Anos – 2º Parte – Cap. 6 – Alvoradas do Reino do Senhor 82 Erasto – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 9 – Caracteres do Verdadeiro profeta 83 Eros – Em Algum Lugar do Futuro – Cap. 18 – Programa de Vida 84 Eurícledes Formiga – Caderno de mensagens – Cap. 72 – Ante o Ano Novo (Reflexões sobre o tempo) 85 Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Nossos Pressentimentos – 09/09/2008 86 Federação Espírita do Paraná – Momento Espírita – Inspirações Espirituais – 18/11/2013 87 Gustavo Henrique Novaes Rodrigues – Revista Reformador – 2002 – Junho – Reflexões sobre as Previsões do Futuro 88 Hermínio de Miranda – As Duas Faces da Vida – Lembranças do Futuro 89 Hermínio de Miranda – Estudos e Crônicas – Cap. 4.6 – O Sonho Profético de Lincoln - Revista Reformador – 1968 – Maio 90 Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 26 – Carta Estimulante 91 Humberto de Campos – Cartas e Crônicas – Cap. 40 – Oração diante do tempo 92 Humberto de Campos – Contos desta e doutra Vida – Cap. 26 – O segredo da Juventude 93 Humberto de Campos – Pontos e Contos – Cap. 50 – Ano Novo 94 Irmão Jacob – Voltei Cap. 5 – Despedidas 95 Isabel de Castro – Falando à Terra – Cap. 20- Um dia 96 Ivon Costa – Praça da Amizade – Cap. 7 – Notas em Pauta 97 J. A. Nogueira – Falando à Terra – Cap. 30 – O Tempo 98 J.J. Rousseau – Livros dos Médiuns – Cap. 31 – Acerca do Espiritismo – item 2 99 Jaime Cervino – Além do Inconsciente – Cap. 1- Um pouco de História 100 Jair Presente – Agência de notícias – Capítulo 7 – Irmãos da mesma Faixa 101 Jair Presente – Palco Iluminado – Cap. 2 – Nota do tempo 102 Joanna de Ângelis – 30/07/2006, RJ – Presença Espírita, setembro/outubro 2006, Nº 256 – Jesus e Vida – Cap. 1 – A grande Transição
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    184 # Autor –Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 103 Joanna de Angelis – Auto descobrimento – uma busca interior – Cap. 8.2 – Incerteza do Futuro 104 Joanna de Angelis – Celeiros de Bênçãos – Cap. 35 – Serão Consolados 105 Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 8 – Renascer 106 Joanna de Ângelis – Florações Evangélicas – Cap. 47 – Marco Divisório 107 Joanna de Angelis – Leis Morais da Vida – Cap. 38 – Diante do destino 108 Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era 109 Joanna de Angelis – Lições para a Felicidade – Cap. 13 – Pressentimentos 110 Joanna de Ângelis – Momentos de Harmonia –- Cap. 10 – Projetos Iluminativos 111 Joanna de Angelis – Momentos de Saúde e de Consciência – Cap. 2 – Liberdade de escolha 112 Joanna de Angelis – Nascente de Bençãos – Cap. 19 – Alterações do Destino 113 Joanna de Ângelis – No Limiar do Infinito – Cap. 2 – Ante o Cosmo 114 Joanna de Angelis – No Limiar do Infinito – Cap. 5 – Determinismo e livre- arbítrio 115 Joanna de Angelis – O Homem Integral – Cap. 39 116 Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 55 – Pressentimento 117 Joanna de Ângelis – Revista Presença Espírita – 1996 – Julho – Desconhecimento do Futuro 118 Joanna de Angelis – Roteiro de Libertação – Pag. 109 – Futuro e Nós 119 Joanna de Angelis – Seja Feliz Hoje – Cap. 1 – Acontecimentos Imprevistos 120 Kleber Halfeld – Retalhos do Cotidiano – Revista Reformador – 1987 – Abril 121 Leonel Coelho – Trovas de outro Mundo – Cap. 32 – Cantigas do Tempo 122 Lourenço de Almeida Prado – Paz e Alegria – Cap. 3 – Cartazes de Rumo 123 Luoz – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 21 – Item 11 – Jeremias e os falsos Profetas 124 Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1 – Reencarnação – Dádiva de Deus 125 Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 16 – Programações Reencarnacionistas 126 Manoel Philomeno de Miranda/Artêmio Guimarães – Transição Planetária – Cap. 13 – Conquistando o tempo malbaratado 127 Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem Revelação 128 Manoel Philomeno de Miranda/Silvio Santana – Transição Planetária – Cap. 18 – Reflexões e Diálogos profundos 129 Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 18 – Culpa e Resgate
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    185 # Autor –Livro ou Revista – Cap. ou Item – Título 130 Maria Augusta Bittencourt – Cartas do Coração – 1ª Parte – Cap. 61 – Ajudemo-nos 131 Mário Frigéri – As Sete Esferas da Terra – Cap. 11 – O fim do Mundo? 132 Meimei – Palavras do Coração – Meimei – Cap. 3 – Calma e auxílio 133 Neio Lúcio – Colheita do bem – Mensagens familiares do Professor Arthur Joviano – Cap. 33 134 Neio Lúcio – Jesus no lar — Cap. 42 – A mensagem da compaixão 135 Noel de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do Tempo 136 O Espirito de Verdade – Obras Póstumas – 2º Parte – 10 de junho de 1856 137 Ormando Candelária – Chão de Flores – Cap. 15 – O Tempo 138 Rodolfo Calligaris – As Leis Morais – Cap. 36 – Fatalidade e Destino 139 Rogério Coelho – Federação Espírita do Paraná – Jornal Mundo Espírita – 2018 – Setembro – Um passado a resgatar, um presente a viver e um futuro a construir 140 São Luiz – Livro dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 2 – Perg. 1019 – Paraiso, inferno e purgatório 141 Vianna de Carvalho – Atualidade do Pensamento Espírita – Cap.1 – Ciências Sociais 142 Vianna de Carvalho – Citações do progresso – Praça da Amizade – Cap.15 143 Vianna de Carvalho – Luzes do Alvorecer – Cap. 3 – Revelações Inconsequentes 144 Vianna de Carvalho – Momentos de Sublimação – Cap. 12 – Informações Descabidas 145 Vianna de Carvalho – Praça da Amizade – Cap. 13 – Instruções do tempo 146 Vianna de Carvalho – Revista Reformador – Março – 2010 Terrorismo de natureza Mediúnica 147 Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – A Fé 148 Weimar Muniz de Oliveira – Ascendente Espiritual na Terra I/II- Revista Reformador – Junho/Julho/1993 149 Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 3 – Reminiscências de Vidas Passadas 150 Yvonne Pereira – Recordações da Mediunidade – Cap. 9 – Premonições