A1
Tiragem: 2500
País: Portugal
Period.: Quinzenal
Âmbito: Outros Assuntos
Pág: 22
Cores: Cor
Área: 20,77 x 14,22 cm²
Corte: 1 de 1ID: 64130626 22-04-2016
É, de facto, uma realidade cada vez mais presente nas
nossas vidas: a digitalização está em todo o lado. E
também chegou também à comunicação, criando três
desafios determinantes para encarar a transformação
digital… da comunicação!
#1: Perante a infoxicação dos canais, o desafio é
despertar a atenção recorrendo a conteúdos relevantes.
Se antigamente as nossas rotinas de consumo de
mass media estavam pré-definidas, hoje o panorama
informativo é absolutamente distinto. Devido à prolife-
ração de canais, a nossa atenção está dispersa por uma
multiplicidade de plataformas, todas elas saturadas de
milhares de mensagens de fontes distintas. Vemos
televisão enquanto conversamos com os amigos pelo
telemóvel, ao mesmo tempo que vamos respondendo
numa conversa em casa, comentamos uma fotografia
no Facebook e fazemos download de algum ficheiro
no tablet… No final de contas, a que é que prestamos
atenção? Do que nos recordamos e a que é que
reagimos?
Neste contexto, a “guerra” pela atenção das audiências
está mais difícil do que nunca. A infoxicação tornou
urgente a transformação digital das plataformas e
dos formatos dos conteúdos que utilizamos para fazer
chegar as mensagens das marcas.
As soluções de brand journalism e branded enter-
tainment – e todos os novos formatos narrativos e
interactivos transmedia – são fundamentais para
cumprir a nossa função de comunicação no mundo
actual. Todos estes formatos ajudam a captar a atenção
dos stakeholders no ecossistema digital atual, que é
liderado pelos social media.
#2: Num contexto de personalização, o desafio é obter
recomendações para a nossa identidade digital.
A economia digital é mais humana do que nunca. E que
paradoxo isto parece, certo? É verdade: as pessoas
sempre confiaram nas recomendações das outras
pessoas para tomar decisões. No entanto, temos
hoje ao nosso alcance opiniões de pessoas distantes,
que partilham as suas experiências e conhecimentos
através das redes sociais. A internet conferiu-nos poder,
dotando-nos de meios de expressão próprios e inde-
pendentes dos mass media.
Neste cenário, é mais urgente que nunca humanizar a
comunicação das marcas e das empresas; personalizar
os conteúdos e os canais que utilizamos para criar uma
relação com os stakeholders; desenvolver a identidade
digital dos profissionais das empresas; e transformar os
colaboradores em verdadeiros embaixadores da marca.
E tudo isto é possível porque as redes sociais fazem de
nós influenciadores, além de nos permitirem estarmos
mais próximos, temporal e espacialmente.
#3: Face à hipertransparência que reina na nossa
sociedade, o desafio é proteger a reputação mediante
uma monitorização inteligente.
Houve um tempo em que a reputação se geria através
da ocultação dos “vícios” e da exibição das “virtudes”
das organizações e das pessoas. Agora que todos
nos podemos tornar “jornalistas cidadãos”, recorrendo
apenas aos nossos telemóveis, esta forma de gerir a
reputação corporativa já não é apenas questionável,
mas também se torna inútil para qualquer empresa.
Qualquer situação pode ser imediatamente publicada
por qualquer pessoa e ter um alcance global através
dos meios de comunicação e das redes sociais.
A hipertransparência obriga a que as organizações
actuem e comuniquem de forma responsável. E ser
responsável significa termos um diálogo permanente
com os stakeholders mas também corresponder às
expectativas desses stakeholders, escutando com inte-
ligência para transformar as palavras em ações.
Temos hoje acesso a conteúdos informativos de forma
aberta, voluntária e espontânea. É necessário saber
ouvir, filtrando o ruído e as distorções, para identificar as
oportunidades e prevenir as ameaças. Por outro lado,
precisamos de fazer valer essa informação dentro das
nossas organizações. Pedem-se reacções efetivas e
em tempo real; põe-se à prova de forma constante a
diferença substancial entre comunicação e reputação,
a mesma que parte de meras declarações e vai até
compromissos reais, e das palavras aos actos.iliveiraarqes
Transformação digital…
da comunicação
TIAGO VIDAL
director-geral da Llorent & Cuenca
OPINIÃO
Página 1

Os principais desafios da transformação digital

  • 1.
    A1 Tiragem: 2500 País: Portugal Period.:Quinzenal Âmbito: Outros Assuntos Pág: 22 Cores: Cor Área: 20,77 x 14,22 cm² Corte: 1 de 1ID: 64130626 22-04-2016 É, de facto, uma realidade cada vez mais presente nas nossas vidas: a digitalização está em todo o lado. E também chegou também à comunicação, criando três desafios determinantes para encarar a transformação digital… da comunicação! #1: Perante a infoxicação dos canais, o desafio é despertar a atenção recorrendo a conteúdos relevantes. Se antigamente as nossas rotinas de consumo de mass media estavam pré-definidas, hoje o panorama informativo é absolutamente distinto. Devido à prolife- ração de canais, a nossa atenção está dispersa por uma multiplicidade de plataformas, todas elas saturadas de milhares de mensagens de fontes distintas. Vemos televisão enquanto conversamos com os amigos pelo telemóvel, ao mesmo tempo que vamos respondendo numa conversa em casa, comentamos uma fotografia no Facebook e fazemos download de algum ficheiro no tablet… No final de contas, a que é que prestamos atenção? Do que nos recordamos e a que é que reagimos? Neste contexto, a “guerra” pela atenção das audiências está mais difícil do que nunca. A infoxicação tornou urgente a transformação digital das plataformas e dos formatos dos conteúdos que utilizamos para fazer chegar as mensagens das marcas. As soluções de brand journalism e branded enter- tainment – e todos os novos formatos narrativos e interactivos transmedia – são fundamentais para cumprir a nossa função de comunicação no mundo actual. Todos estes formatos ajudam a captar a atenção dos stakeholders no ecossistema digital atual, que é liderado pelos social media. #2: Num contexto de personalização, o desafio é obter recomendações para a nossa identidade digital. A economia digital é mais humana do que nunca. E que paradoxo isto parece, certo? É verdade: as pessoas sempre confiaram nas recomendações das outras pessoas para tomar decisões. No entanto, temos hoje ao nosso alcance opiniões de pessoas distantes, que partilham as suas experiências e conhecimentos através das redes sociais. A internet conferiu-nos poder, dotando-nos de meios de expressão próprios e inde- pendentes dos mass media. Neste cenário, é mais urgente que nunca humanizar a comunicação das marcas e das empresas; personalizar os conteúdos e os canais que utilizamos para criar uma relação com os stakeholders; desenvolver a identidade digital dos profissionais das empresas; e transformar os colaboradores em verdadeiros embaixadores da marca. E tudo isto é possível porque as redes sociais fazem de nós influenciadores, além de nos permitirem estarmos mais próximos, temporal e espacialmente. #3: Face à hipertransparência que reina na nossa sociedade, o desafio é proteger a reputação mediante uma monitorização inteligente. Houve um tempo em que a reputação se geria através da ocultação dos “vícios” e da exibição das “virtudes” das organizações e das pessoas. Agora que todos nos podemos tornar “jornalistas cidadãos”, recorrendo apenas aos nossos telemóveis, esta forma de gerir a reputação corporativa já não é apenas questionável, mas também se torna inútil para qualquer empresa. Qualquer situação pode ser imediatamente publicada por qualquer pessoa e ter um alcance global através dos meios de comunicação e das redes sociais. A hipertransparência obriga a que as organizações actuem e comuniquem de forma responsável. E ser responsável significa termos um diálogo permanente com os stakeholders mas também corresponder às expectativas desses stakeholders, escutando com inte- ligência para transformar as palavras em ações. Temos hoje acesso a conteúdos informativos de forma aberta, voluntária e espontânea. É necessário saber ouvir, filtrando o ruído e as distorções, para identificar as oportunidades e prevenir as ameaças. Por outro lado, precisamos de fazer valer essa informação dentro das nossas organizações. Pedem-se reacções efetivas e em tempo real; põe-se à prova de forma constante a diferença substancial entre comunicação e reputação, a mesma que parte de meras declarações e vai até compromissos reais, e das palavras aos actos.iliveiraarqes Transformação digital… da comunicação TIAGO VIDAL director-geral da Llorent & Cuenca OPINIÃO Página 1