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ORTOGRAFANDO COM O JOVEM DE FUTURO
No ano de 2012, noventa e nove escolas da Rede Estadual de ensino de Mato Grosso
do Sul foram contempladas com o Projeto Jovem de Futuro, uma tecnologia voltada para
Gestão Escolar para Resultados. No início de 2013, novas escolas (noventa e sete), aderiram
ao redesenho curricular. Finalizando em 197 escolas.
As escolas participantes têm autonomia na definição de suas ações estratégicas e se
comprometem a aumentar em 25 pontos a Proficiência Média da escola em Língua
Portuguesa e Matemática, diminuir em 50% o percentual de alunos no Padrão de
Desempenho BAIXO, na escala SAEB de Ensino Médio em três anos e reduzir em 40% os
índices de evasão e abandono escolar dessa etapa de ensino.
Este projeto reúne estratégias e metodologias que proporcionam às escolas de Ensino
Médio um modelo de gestão abrangente e participativo, focado em resultados. As
metodologias podem ser oferecidas de maneira independente, visando à intervenção em
aspectos específicos da vida do jovem ou da realidade escolar. Acompanhadas de estratégias
complementares de melhorias de resultados, fazendo assim uma reestruturação do Projeto
Político Pedagógico das unidades escolares.
A Secretaria de Estado de Educação, envolvida neste processo de construção
pedagógica, oportunizará às escolas do referido projeto, a participação no concurso
ORTOGRAFANDO.
O Ortografando será desenvolvido com estudantes do Ensino Médio, com o objetivo
de dinamizar e apropriar-se do processo de leitura e escrita, de acordo com as novas regras
ortográficas da Língua Portuguesa.
REGULAMENTO DO ORTOGRAFANDO
1- Definição do Concurso
“Ortografando” será um concurso desenvolvido com alunos do EM, nas escolas
participantes do Programa Ensino Médio Inovador/ Jovem de Futuro.
2- Justificativa
A efetivação desse concurso contribuirá de forma positiva para a aprendizagem dos
alunos em Língua Portuguesa, uma vez que a educação é um processo que permeia
atividades que despertam a criatividade e a participação ativa dos alunos.
3- Objetivos
-Objetivo Geral
Dinamizar e apropriar-se ludicamente do processo ensino-aprendizagem, levando os
estudantes ao conhecimento das novas regras ortográficas da Língua Portuguesa.
4- Objetivos específicos
• Estimular nos estudantes o hábito de leitura e escrita;
• Ampliar os conhecimentos de grafia e escrita das palavras.
4- Regras
O objetivo deste conjunto de regras é unificar o concurso, dando hipóteses iguais aos
educandos de todo o Ensino Médio das escolas participantes do referido projeto.
4.1 SOLETRAÇÃO
a- Todos os concorrentes deverão acompanhar a competição juntos. Ninguém poderá
falar com os concorrentes durante o evento;
b- A fonte de consulta será única, um dicionário de Língua Portuguesa atualizado de
acordo com as novas regras ortográficas. (Sugerimos um dicionário de Língua
Portuguesa que contenha o significado e a classificação das palavras);
c- Obrigatoriamente o estudante concorrente deverá:
1. Repetir a palavra dita;
2. Soletrar;
3. Repetir novamente a palavra – indicando que terminou a soletração;
4. Se o aluno errar alguma letra, acento, ou qualquer outro sinal gráfico como cedilha,
hífen, etc., a soletração será considerada errada;
5. Antes de iniciar a soletração, o aluno poderá pedir aos professores os seguintes
benefícios:
a. Classificação gramatical;
b. Definição;
c. Aplicação da palavra numa frase;
6. Depois de iniciada a soletração será proibida a correção de qualquer letra. O
estudante não poderá recomeçar a soletração;
7. Se numa mesma rodada os estudantes concorrentes acertarem ou errarem a
soletração das suas palavras, uma nova rodada será iniciada;
5- Etapas do concurso
O concurso será realizado em 03 etapas:
1ª etapa- ESCOLA (AGOSTO) – Eliminatória realizada pela escola;
- Momento inicial: Eliminatória distinta entre 1ºs, 2ºs e 3ºs anos do Ensino Médio;
- Momento final: Eliminatória destacando dentre os três níveis do Ensino Médio, o
estudante que representará a escola; Prazo máximo para indicação do representante da
escola à SED: (2 DE. SETEMBRO).
2ª etapa - MUNICÍPIO (SETEMBRO/OUTUBRO) - Eliminatória realizada em
conjunto pelas escolas com o apoio da SED, no qual concorrerá o representante de cada
escola, sendo o estudante vencedor, representante do município;
3ª etapa – CAMPO GRANDE - SEMIFINAL E FINAL (29 de novembro) –
Eliminatória realizada em local determinado pela SED, sendo:
SEMI – FINAL : Período matutino ( Eliminatória que será dividida em 3 grupos, dos
quais sairá um vencedor de cada grupo que concorrerá na grande Final)
FINAL: Período Vespertino ( Eliminatória entre os três vencedores da SEMI-FINAL)
ENCAMINHAMENTOS DO CONCURSO NA ESCOLA
OS PARTICIPANTES
Os participantes do concurso (um representante de cada série do Ensino Médio)
serão escolhidos de acordo com o Concurso realizado na escola,
(1ª Eliminatória), segundo critérios estabelecidos: Competição dentro de cada turma e
posteriormente entre turmas .
A BANCA
A organização da 1ª etapa da seletiva do concurso ORTOGRAFANDO COM O
Jovem de Fututro, ficará a cargo do Coordenador de Língua Portuguesa da escola.
Este, juntamente com o grupo gestor, promoverá a inscrição dos alunos, marcará as
datas e organizará a competição.
O concurso deve ser referendado por dois representantes do corpo docente da escola
(professores e/ou diretores) que, no dia da competição, supervisionarão a disputa na
condição de “juízes”.
LOCAL DA DISPUTA
A disputa deve acontecer nas dependências da própria escola, numa sala escolhida com
capacidade de alojar os concorrentes, seus responsáveis ( optativo) e os juízes.
A data da competição deve ser comunicada com antecedência aos participantes para que
tenham tempo hábil de se prepararem.
MATERIAL DE ESTUDO
- As novas regras ortográficas da Língua Portuguesa poderão ser estudadas com o
auxílio de um dicionário;
- Para o estudo do ORTOGRAFANDO haverá a contextualização com as obras de
Clarice Lispector;
- As palavras para o ORTOGRAFANDO serão retiradas das obras indicadas de Clarice
Lispector e do dicionário. Lembrando que as palavras parônimas farão parte do
concurso.
Indicação/Sugestão das obras literárias/ Clarice Lispector
De amor e amizade – Crônicas para jovens
Hora da Estrela
A Paixão segundo GH
Demais textos
Os estudos poderão ter a orientação de professores e coordenadores de Língua
Portuguesa.
As eliminatórias realizadas na escola deverão obedecer a seguinte ordem:
primeiro, o melhor de cada classe, depois o melhor de cada série e finalmente o
classificado para a final no seu município.
Dependendo do número de participantes, o ideal é que sejam sorteados 4 alunos
de cada vez para disputar a soletração, principalmente na primeira fase (sala de aula).
Caberá à escola definir o local e a aula em que serão realizadas as eliminatórias.
O importante é que os alunos respeitem as regras e o tempo de apenas 2 minutos para
soletrar a palavra sorteada.
Para marcar o tempo de 2 minutos para a soletração, a escola deverá
providenciar um cronômetro ou um relógio, para que todos os participantes possam
visualizar.
Deverá ser realizado um sorteio para definir a ordem da soletração, para não haver
nenhum tipo de privilégio entre os candidatos.
Idealização do Projeto
Erika Karla B. Costa
Gyslaine Menezes da Silveira
Elaboração do Projeto 2013
Lislaine Teixeira
Ozana Larock de Carvalho
Mirian Marth
Shirley Alzeman
Hevelin Leão
Mauro Cabral
Angela M. Pontes
Eliane Rodrigues
Adelaide Nunes
Deborah Baros
Ana Carolina Cruz
Maria Fátima Dias
Aline de Oliveira
Jair Alves
Kelli Cristina
Dilan Hugo
Glenda Souza
Cristiane Passos
Daniela B. Vital
Vanessa Oliva
Agnaldo Paulino
Johnny Mattos
Ricardo Agra
Airton S. Dias
Renata Paniagua
Márcia Andrea Pereira
Edineia Campos
Natalício Souza
Álvaro Gomes
Karilene Correa
Silvana Blanco
Lilian Herrera
Flávia Martins
Izanir Barolos
Andreia Abreu
Ana Maria Soares
Janis Costa
Uliana Santos
Letícia Oliveira
Terezinha Lange
Gabriella Menezes
Jéssica Fingler
Neide Calado
Maria Aparecida de Souza
Janaina Rodrigues
Erika Costa
Rosanne Kasai
Gyslaine Menezes
COLETÂNEA
DE
TEXTOS
Clarice Lispector
Das Vantagens de Ser Bobo
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O
bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por
que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair
por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão
sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os
vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O
bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um
desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o
aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco.
Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado
um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto
seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser
bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não
dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O
bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de
quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo
a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse
sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo
é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não
conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os
bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém
desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro,
com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem
por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase
impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de
excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector
"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Clarice Lispector
O sonho
Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.
Clarice Lispector
Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Sou os brinquedos que brinquei, as gírias que usei, os nervosos e felicidades que já
passei. Sou minha praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, sou os amores que
vivi, as conversas sérias que tive com meu pai: Eu sou o que me faz lembrar!!!
Sou a saudade que sinto, sou um sonho desfeito ao acaso, sou a infância que vivi, sou a
dor de não ter dado certo, sou o sorriso por tudo que conquistei, sou a emoção de um
trecho de livro, da cena de filme que me arrancou lágrimas: Eu sou o que me faz
chorar!!!
Sou a raiva de não ter alcançado, sou a impotência diante das injustiças que não posso
mudar, sou o desprezo pelo que os outros mentem, sou o desapontamento com o
governo, o ódio que isso tudo dá. Sou o que eu remo, sou o que eu não desisto, sou o
que eu luto, sou a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta ao ver
um animal abandonado: Eu sou o que me corrói!!!
Eu sou o que eu luto, o que consigo gerar através de minhas verdades, sou os direitos
que tenho e os deveres a que me obrigo, sou a estrada por onde corro, sou o que ensino
e, sobretudo, o que aprendo: Eu sou o que eu pleiteio!!!
Eu não sou da forma como me visto, não sou da forma como me comporto, não sou o
que eu como, muito menos o que eu bebo. Não sou o que aparento ser:
EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ!!!
Clarice lispector
Me definir é muito difícil.Às vezes pareço comum,às vezes singular.Sou bem
assim:metamorfose ambulante.Adolescente em crise.Crises.De tudo o que você
imaginar.O que mais valorizo no mundo?amigos.Os melhor sentimento?Felicidade.O
melhor verbo?amar.Conheço uma parte de uma frase,não sei o autor,mas ela define bem
quem sou:viver é tentar ser feliz.É o que faço:vivo.E sim,me considero uma pessoa
feliz,apesar de tudo.Depois de uma queda?Levanto e sigo em frente.Já desisti de contar
os mil e um foras que dou.Vivo em busca de muitas coisa,mas já possuo a principal
delas:a alegria.Uma companhia?Livros.Algo que te alegra?De novo os preciosíssimos
amigos.
Bom,termino as ridicularidades desta minha descrição breguíssima com uma pergunta
minha,e uma resposta fantástica,que se encaixa perfeitamente no meu caso.
Quem sou eu?
"Eu sou uma pergunta"
Clarice Lispector
FELICIDADE CLANDESTINA
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados.
Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não
bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o
que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um
livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que
vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e
"saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança,
chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos
imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com
calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a
que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa.
Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro
Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele,
comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu
passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me
transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar
suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente
correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou
entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra
menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas
em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando,
que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-
me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a
minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como
sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da
filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta
de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro
ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais
tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu
coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo
indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a
adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando
mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando
danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um
dia sequer. Ás vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só
veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a
olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia,
quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa,
apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina
à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa,
entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o
fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e
com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser
a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de
perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao
vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma
para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o
livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo
tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia
de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na
mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre.
Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos,
comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco
importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não
comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois
abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei
ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro,
achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela
coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para
mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e
pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. s vezes sentava-me na rede, balançando-me
com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina
com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Clarice Lispector
Restos do Carnaval
Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha
infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de
serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja,
atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o
outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me
tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.
Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas.
Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em
mim. Carnaval era meu, meu.
No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil,
nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da
noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se
divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para
durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando
difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo
me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me
tornava uma menina feliz.
E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de
encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma
espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu
de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito
só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu
susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.
Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em
casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para
enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a
vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três
dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia
esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem
forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu
escapava da meninice.
Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia
acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de
uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa.
Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho,
pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia
tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe
lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.
Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito.
E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero
de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim
também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois,
pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu
mesma.
Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada:
minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo; embaixo da fantasia usaríamos
combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse, pelo menos estaríamos de
algum modo vestidas. A ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos
pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de
vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia
só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que
sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.
Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão
melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até
de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade.
Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu
me vesti de rosa.
Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa
não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É
impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os
cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de
saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um
remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a
máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo,
perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros
me espantava.
Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-
me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido,
sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era
mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era
uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir
êxtase, às vezes começava a ficar alegre, mas com remorso lembrava-me do estado
grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela, é porque tanto
precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz,
esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura,
brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante
ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos,
considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma
rosa.
in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998
Clarice Lispector
A Solução
Chamava-se Almira e engordara demais. Alice era a sua maior amiga. Pelo menos era o
que dizia a todos com aflição, querendo compensar com a própria veemência a falta de
amizade que a outra lhe dedicava.
Alice era pensativa e sorria sem ouvi-la, continuando a batera máquina.
À medida que a amizade de Alice não existia, a amizade de Almira mais crescia.
Alice era de rosto oval e aveludado. O nariz de Almira brilhava sempre. Havia no rosto
de Almira uma avidez que nunca lhe ocorrera disfarçar: a mesma que tinha por comida,
seu contato mais direto com o mundo.
Por que Alice tolerava Almira, ninguém entendia. Ambas eram datilógrafas e colegas, o
que não explicava. Ambas lanchavam juntas, o que não explicava. Saíam do escritório à
mesma hora e esperavam condução na mesma fila. Almira sempre pajeando Alice. Esta,
distante e sonhadora, deixando-se adorar. Alice era pequena e delicada. Almira tinha o
rosto muito largo, amarelado e brilhante: com ela o batom não durava nos lábios, ela era
das que comem o batom sem querer.
Gostei tanto do programa da Rádio Ministério da Educação, dizia Almira procurando de
algum modo agradar. Mas Alice recebia tudo como se lhe fosse devido, inclusive a
ópera do Ministério da Educação.
Só a natureza de Almira era delicada. Com todo aquele corpanzil, podia perder uma
noite de sono por ter dito uma palavra menos bem dita. E um pedaço de chocolate podia
de repente ficar-lhe amargo na boca ao pensamento de que fora injusta. O que nunca lhe
faltava era chocolate na bolsa, e sustos pelo que pudesse ter feito. Não por bondade.
Eram talvez nervos frouxos num corpo frouxo.Na manhã do dia em que aconteceu,
Almira saiu para o trabalho correndo, ainda mastigando um pedaço de pão. Quando
chegou ao escritório, olhou para a mesa de Alice e não a viu. Uma hora depois esta
aparecia de olhos vermelhos. Não quis explicar nem respondeu às perguntas nervosas de
Almira. Almira quase chorava sobre a máquina.
Afinal, na hora do almoço, implorou a Alice que aceitasse almoçarem juntas, ela
pagaria.
Foi exatamente durante o almoço que se deu o fato.
Almira continuava a querer saber por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos.
Abatida, Alice mal respondia. Almira comia com avidez e insistia com os olhos cheios
de lágrimas.
— Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. Você não pode me deixarem
paz?!Almira engasgou-se com a comida, quis falar, começou a gaguejar. Dos lábios
macios de Alice haviam saído palavras que não conseguiam descer com a comida pela
garganta de Almira G. de Almeida.
— Você é uma chata e uma intrometida, rebentou de novo Alice. Quer saber o que
houve, não é? Pois vou lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para Porto
Alegre e não vai mais voltar! Agora está contente, sua gorda?
Na verdade Almira parecia ter engordado mais nos últimos momentos, e com comida
ainda parada na boca.
Foi então que Almira começou a despertar. E, como se fosse uma magra, pegou o garfo
e enfiou-o no pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no jornal, levantou-se
como uma só pessoa. Mas a gorda, mesmo depois de feito o gesto, continuou sentada
olhando para o chão, sem ao menos olhar o sangue da outra.
Alice foi ao Pronto-Socorro, de onde saiu com curativos e os olhos ainda arregalados de
espanto. Almira foi presa em flagrante.
Algumas pessoas observadoras disseram que naquela amizade bem que havia
dente de coelho. Outras, amigas da família, contaram que a avó de Almira, dona
Altamiranda, fora mulher muito esquisita. Ninguém se lembrou de que os elefantes, de
acordo com os estudiosos do assunto, são criaturas extremamente sensíveis, mesmo nas
grossas patas.
Na prisão Almira comportou-se com docilidade e alegria, talvez melancólica, mas
alegria mesmo. Fazia graças para as companheiras. Finalmente tinha companheiras.
Ficou encarregada da roupa suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por
outra lhe arranjavam uma barra de chocolate. Exatamente como para um elefante no
circo.
Clarice Lispector
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido.
Eu não: quero é uma verdade inventada".
"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei.
Pergunte, sem querer a resposta, como estou perguntando. Não se preocupe em
"entender". Viver ultrapassa todo o entendimento."
"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou
pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às
vezes chorando"...
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em
nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está
querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que
sustenta nosso edifício inteiro".
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca
dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma
saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não
se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
"Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou
caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui
caleidoscopicamente registro.Sou um coração batendo no mundo."
"Aceitar-me plenamente? É violentar minha vida. Cada mudança, cada projeto novo
causa espanto:meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um
coração onde circula sangue" (Um sopro de vida)
"...Respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim
em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de
viver."
..."Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si
mesma."
"A harmonia secreta da desarmonia. Quero não o que está feito mas o que
tortuosamente ainda se faz."
..."Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."
"...há impossibilidade de ser além do que se é -
no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,
sou mais do que eu, quase normalmente -
tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação
de meu começo......
a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais..."
"E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar".
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas as vezes a
saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorve a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais
urgentes que se tem na vida."
"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é
capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." (Das Vantagens de Ser Bobo)
"Chegando em casa não comecei a ler.
Fingia que não o tinha,
só para depois ter o susto de o ter.
Não era mais uma menina com um livro:
era uma mulher com seu amante."
"...
Se uma pessoa perguntar durante meia hora "eu", essa pessoa se esquece quem é. Outras
podem enlouquecer. É mais seguro não fazer jamais perguntas - porque nunca se atinge
o âmago de uma resposta. E porque a resposta traz em si outra pergunta."
"Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
"Não se pode falar de silêncio como se fala de neve. Não se pode dizer a ninguém como
se diria da neve: Sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz."
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar
em contato...
Ou toca, ou não toca".
"O que é um espelho?
é o único material inventado que é natural.
Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver,
quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio
......esse alguém percebeu o seu mistério de coisa."
"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
" Não sei separar os fatos de mim,
e daí a dificuldade de qualquer precisão,
quando penso no passado."
"Estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me
decidia por qual de mim, toda é que não podia ser; ter nascido era cheio de erros a
corrigir. Só tinha tempo de crescer. O que eu fazia para todos os lados, com uma falta de
graça que mais parecia o resultado de um erro de cálculo. Na minha pressa eu crescia
sem saber pra onde."
"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos,
coubera arrancar de seu coração a flecha farpada.
De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura,
e para que eu nascera sem nojo da dor.
Para que te servem essas unhas longas?
Para te arranhar de morte
e para arrancar os teus espinhos mortais,
responde o lobo do homem.
Para que te serve essa cruel boca de fome?
Para te morder e para soprar a fim
de que eu não te doa demais, meu amor,
já que tenho que te doer,
eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada.
Para que te servem essas mãos que ardem e prendem?
Para ficarmos de mãos dadas
pois preciso tanto, tanto, tanto -
uivaram os lobos e olharam intimidados
as próprias garras antes de se aconchegarem
um no outro para amar e dormir. "
" Mas nem sempre é necessário tornar-se forte.
Temos que respeitar nossas fraquezas.
Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza
legítima à qual temos direito.
Elas correm devagar e quando passam pelos
lábios sente-se aquele gosto pouco salgado,
produto de nossa DOR mais profunda.
"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão
mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige.
E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá
remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."
"Inútil querer me classificar,eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me
pega mais."
"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível,
é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador."
"Tão secreta é a verdadeira vida, que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada
a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missão
chegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida
- toda vida é uma missão secreta."
" Só se sente nos ouvidos
o próprio coração....
...Pois nós não fomos feitos
senão para o pequeno silêncio."
"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos"
"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."
" Não posso perder um minuto do tempo
que faz minha vida.
Amar os outros é a única salvação
individual que conheço :
ninguém estará perdido se der amor e
às vezes receber amor em troca."
" Escuta:eu te deixo ser. Deixa-me ser,então."
"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase
tudo".
" Tudo tem que ser bem de leve para
eu não me assustar e não assustar os
que amo.
Pedem-me pouco, pedem-me quase nada.
O terrível é que eu tenho muito para dar
e tenho que engolir esse muito e ainda
por cima dizer com delicadeza : obrigada
por receberem de mim um pouquinho de mim."
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"Fico com medo. Mas o coração bate.
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bater mais depressa.
A garantia única é que eu nasci.
Tu és uma forma de ser eu,
e eu uma forma de te ser:
Eis os limites de minha possibilidade."
"Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como você me vê passar" !
Clarice Lispector
Me entristeceu um pouco você não gostar do título "O Lustre".
Exatamente pelo que você não gostou,
pela pobreza dele, é que eu gosto.
Nunca consegui mesmo convencer você de que eu sou pobre...
Infelizmente, quanto mais pobre, com mais enfeites me enfeito.
No dia em que eu conseguir uma forma tão pobre como eu o sou por dentro,
em vez de carta,
você receberá uma caixinha cheia de pó de Clarice.
Eu escrevo simples.
Eu não enfeito.
Clarice Lispector

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Ortografando

  • 1. ORTOGRAFANDO COM O JOVEM DE FUTURO No ano de 2012, noventa e nove escolas da Rede Estadual de ensino de Mato Grosso do Sul foram contempladas com o Projeto Jovem de Futuro, uma tecnologia voltada para Gestão Escolar para Resultados. No início de 2013, novas escolas (noventa e sete), aderiram ao redesenho curricular. Finalizando em 197 escolas. As escolas participantes têm autonomia na definição de suas ações estratégicas e se comprometem a aumentar em 25 pontos a Proficiência Média da escola em Língua Portuguesa e Matemática, diminuir em 50% o percentual de alunos no Padrão de Desempenho BAIXO, na escala SAEB de Ensino Médio em três anos e reduzir em 40% os índices de evasão e abandono escolar dessa etapa de ensino. Este projeto reúne estratégias e metodologias que proporcionam às escolas de Ensino Médio um modelo de gestão abrangente e participativo, focado em resultados. As metodologias podem ser oferecidas de maneira independente, visando à intervenção em aspectos específicos da vida do jovem ou da realidade escolar. Acompanhadas de estratégias complementares de melhorias de resultados, fazendo assim uma reestruturação do Projeto Político Pedagógico das unidades escolares. A Secretaria de Estado de Educação, envolvida neste processo de construção pedagógica, oportunizará às escolas do referido projeto, a participação no concurso ORTOGRAFANDO. O Ortografando será desenvolvido com estudantes do Ensino Médio, com o objetivo de dinamizar e apropriar-se do processo de leitura e escrita, de acordo com as novas regras ortográficas da Língua Portuguesa.
  • 2. REGULAMENTO DO ORTOGRAFANDO 1- Definição do Concurso “Ortografando” será um concurso desenvolvido com alunos do EM, nas escolas participantes do Programa Ensino Médio Inovador/ Jovem de Futuro. 2- Justificativa A efetivação desse concurso contribuirá de forma positiva para a aprendizagem dos alunos em Língua Portuguesa, uma vez que a educação é um processo que permeia atividades que despertam a criatividade e a participação ativa dos alunos. 3- Objetivos -Objetivo Geral Dinamizar e apropriar-se ludicamente do processo ensino-aprendizagem, levando os estudantes ao conhecimento das novas regras ortográficas da Língua Portuguesa. 4- Objetivos específicos • Estimular nos estudantes o hábito de leitura e escrita; • Ampliar os conhecimentos de grafia e escrita das palavras.
  • 3. 4- Regras O objetivo deste conjunto de regras é unificar o concurso, dando hipóteses iguais aos educandos de todo o Ensino Médio das escolas participantes do referido projeto. 4.1 SOLETRAÇÃO a- Todos os concorrentes deverão acompanhar a competição juntos. Ninguém poderá falar com os concorrentes durante o evento; b- A fonte de consulta será única, um dicionário de Língua Portuguesa atualizado de acordo com as novas regras ortográficas. (Sugerimos um dicionário de Língua Portuguesa que contenha o significado e a classificação das palavras); c- Obrigatoriamente o estudante concorrente deverá: 1. Repetir a palavra dita; 2. Soletrar; 3. Repetir novamente a palavra – indicando que terminou a soletração; 4. Se o aluno errar alguma letra, acento, ou qualquer outro sinal gráfico como cedilha, hífen, etc., a soletração será considerada errada; 5. Antes de iniciar a soletração, o aluno poderá pedir aos professores os seguintes benefícios: a. Classificação gramatical; b. Definição; c. Aplicação da palavra numa frase; 6. Depois de iniciada a soletração será proibida a correção de qualquer letra. O estudante não poderá recomeçar a soletração;
  • 4. 7. Se numa mesma rodada os estudantes concorrentes acertarem ou errarem a soletração das suas palavras, uma nova rodada será iniciada; 5- Etapas do concurso O concurso será realizado em 03 etapas: 1ª etapa- ESCOLA (AGOSTO) – Eliminatória realizada pela escola; - Momento inicial: Eliminatória distinta entre 1ºs, 2ºs e 3ºs anos do Ensino Médio; - Momento final: Eliminatória destacando dentre os três níveis do Ensino Médio, o estudante que representará a escola; Prazo máximo para indicação do representante da escola à SED: (2 DE. SETEMBRO). 2ª etapa - MUNICÍPIO (SETEMBRO/OUTUBRO) - Eliminatória realizada em conjunto pelas escolas com o apoio da SED, no qual concorrerá o representante de cada escola, sendo o estudante vencedor, representante do município; 3ª etapa – CAMPO GRANDE - SEMIFINAL E FINAL (29 de novembro) – Eliminatória realizada em local determinado pela SED, sendo: SEMI – FINAL : Período matutino ( Eliminatória que será dividida em 3 grupos, dos quais sairá um vencedor de cada grupo que concorrerá na grande Final) FINAL: Período Vespertino ( Eliminatória entre os três vencedores da SEMI-FINAL)
  • 5. ENCAMINHAMENTOS DO CONCURSO NA ESCOLA OS PARTICIPANTES Os participantes do concurso (um representante de cada série do Ensino Médio) serão escolhidos de acordo com o Concurso realizado na escola, (1ª Eliminatória), segundo critérios estabelecidos: Competição dentro de cada turma e posteriormente entre turmas . A BANCA A organização da 1ª etapa da seletiva do concurso ORTOGRAFANDO COM O Jovem de Fututro, ficará a cargo do Coordenador de Língua Portuguesa da escola. Este, juntamente com o grupo gestor, promoverá a inscrição dos alunos, marcará as datas e organizará a competição. O concurso deve ser referendado por dois representantes do corpo docente da escola (professores e/ou diretores) que, no dia da competição, supervisionarão a disputa na condição de “juízes”. LOCAL DA DISPUTA A disputa deve acontecer nas dependências da própria escola, numa sala escolhida com capacidade de alojar os concorrentes, seus responsáveis ( optativo) e os juízes. A data da competição deve ser comunicada com antecedência aos participantes para que tenham tempo hábil de se prepararem. MATERIAL DE ESTUDO - As novas regras ortográficas da Língua Portuguesa poderão ser estudadas com o auxílio de um dicionário;
  • 6. - Para o estudo do ORTOGRAFANDO haverá a contextualização com as obras de Clarice Lispector; - As palavras para o ORTOGRAFANDO serão retiradas das obras indicadas de Clarice Lispector e do dicionário. Lembrando que as palavras parônimas farão parte do concurso. Indicação/Sugestão das obras literárias/ Clarice Lispector De amor e amizade – Crônicas para jovens Hora da Estrela A Paixão segundo GH Demais textos Os estudos poderão ter a orientação de professores e coordenadores de Língua Portuguesa. As eliminatórias realizadas na escola deverão obedecer a seguinte ordem: primeiro, o melhor de cada classe, depois o melhor de cada série e finalmente o classificado para a final no seu município. Dependendo do número de participantes, o ideal é que sejam sorteados 4 alunos de cada vez para disputar a soletração, principalmente na primeira fase (sala de aula). Caberá à escola definir o local e a aula em que serão realizadas as eliminatórias. O importante é que os alunos respeitem as regras e o tempo de apenas 2 minutos para soletrar a palavra sorteada. Para marcar o tempo de 2 minutos para a soletração, a escola deverá providenciar um cronômetro ou um relógio, para que todos os participantes possam visualizar. Deverá ser realizado um sorteio para definir a ordem da soletração, para não haver nenhum tipo de privilégio entre os candidatos.
  • 7. Idealização do Projeto Erika Karla B. Costa Gyslaine Menezes da Silveira Elaboração do Projeto 2013 Lislaine Teixeira Ozana Larock de Carvalho Mirian Marth Shirley Alzeman Hevelin Leão Mauro Cabral Angela M. Pontes Eliane Rodrigues Adelaide Nunes Deborah Baros Ana Carolina Cruz Maria Fátima Dias Aline de Oliveira Jair Alves Kelli Cristina Dilan Hugo Glenda Souza Cristiane Passos Daniela B. Vital Vanessa Oliva Agnaldo Paulino Johnny Mattos Ricardo Agra Airton S. Dias Renata Paniagua Márcia Andrea Pereira Edineia Campos Natalício Souza Álvaro Gomes Karilene Correa Silvana Blanco Lilian Herrera Flávia Martins Izanir Barolos Andreia Abreu Ana Maria Soares Janis Costa Uliana Santos Letícia Oliveira Terezinha Lange Gabriella Menezes Jéssica Fingler Neide Calado Maria Aparecida de Souza Janaina Rodrigues Erika Costa Rosanne Kasai Gyslaine Menezes
  • 9. Das Vantagens de Ser Bobo O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo. Clarice Lispector
  • 10. "Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima" Não te amo mais. Estarei mentindo dizendo que Ainda te quero como sempre quis. Tenho certeza que Nada foi em vão. Sinto dentro de mim que Você não significa nada. Não poderia dizer jamais que Alimento um grande amor. Sinto cada vez mais que Já te esqueci! E jamais usarei a frase EU TE AMO! Sinto, mas tenho que dizer a verdade É tarde demais... Clarice Lispector O sonho Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas. Clarice Lispector
  • 11. Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. Clarice Lispector
  • 12. Sou os brinquedos que brinquei, as gírias que usei, os nervosos e felicidades que já passei. Sou minha praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, sou os amores que vivi, as conversas sérias que tive com meu pai: Eu sou o que me faz lembrar!!! Sou a saudade que sinto, sou um sonho desfeito ao acaso, sou a infância que vivi, sou a dor de não ter dado certo, sou o sorriso por tudo que conquistei, sou a emoção de um trecho de livro, da cena de filme que me arrancou lágrimas: Eu sou o que me faz chorar!!! Sou a raiva de não ter alcançado, sou a impotência diante das injustiças que não posso mudar, sou o desprezo pelo que os outros mentem, sou o desapontamento com o governo, o ódio que isso tudo dá. Sou o que eu remo, sou o que eu não desisto, sou o que eu luto, sou a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta ao ver um animal abandonado: Eu sou o que me corrói!!! Eu sou o que eu luto, o que consigo gerar através de minhas verdades, sou os direitos que tenho e os deveres a que me obrigo, sou a estrada por onde corro, sou o que ensino e, sobretudo, o que aprendo: Eu sou o que eu pleiteio!!! Eu não sou da forma como me visto, não sou da forma como me comporto, não sou o que eu como, muito menos o que eu bebo. Não sou o que aparento ser: EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ!!! Clarice lispector Me definir é muito difícil.Às vezes pareço comum,às vezes singular.Sou bem assim:metamorfose ambulante.Adolescente em crise.Crises.De tudo o que você imaginar.O que mais valorizo no mundo?amigos.Os melhor sentimento?Felicidade.O melhor verbo?amar.Conheço uma parte de uma frase,não sei o autor,mas ela define bem quem sou:viver é tentar ser feliz.É o que faço:vivo.E sim,me considero uma pessoa feliz,apesar de tudo.Depois de uma queda?Levanto e sigo em frente.Já desisti de contar os mil e um foras que dou.Vivo em busca de muitas coisa,mas já possuo a principal delas:a alegria.Uma companhia?Livros.Algo que te alegra?De novo os preciosíssimos amigos. Bom,termino as ridicularidades desta minha descrição breguíssima com uma pergunta minha,e uma resposta fantástica,que se encaixa perfeitamente no meu caso. Quem sou eu? "Eu sou uma pergunta" Clarice Lispector FELICIDADE CLANDESTINA
  • 13. Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava- me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Ás vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e
  • 14. com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. s vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. Clarice Lispector
  • 15. Restos do Carnaval Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu. No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz. E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim. Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice. Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira. Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois,
  • 16. pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma. Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo; embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse, pelo menos estaríamos de algum modo vestidas. A ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa. Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava. Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou- me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre, mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria. Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela, é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa. in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998 Clarice Lispector
  • 17. A Solução Chamava-se Almira e engordara demais. Alice era a sua maior amiga. Pelo menos era o que dizia a todos com aflição, querendo compensar com a própria veemência a falta de amizade que a outra lhe dedicava. Alice era pensativa e sorria sem ouvi-la, continuando a batera máquina. À medida que a amizade de Alice não existia, a amizade de Almira mais crescia. Alice era de rosto oval e aveludado. O nariz de Almira brilhava sempre. Havia no rosto de Almira uma avidez que nunca lhe ocorrera disfarçar: a mesma que tinha por comida, seu contato mais direto com o mundo. Por que Alice tolerava Almira, ninguém entendia. Ambas eram datilógrafas e colegas, o que não explicava. Ambas lanchavam juntas, o que não explicava. Saíam do escritório à mesma hora e esperavam condução na mesma fila. Almira sempre pajeando Alice. Esta, distante e sonhadora, deixando-se adorar. Alice era pequena e delicada. Almira tinha o rosto muito largo, amarelado e brilhante: com ela o batom não durava nos lábios, ela era das que comem o batom sem querer. Gostei tanto do programa da Rádio Ministério da Educação, dizia Almira procurando de algum modo agradar. Mas Alice recebia tudo como se lhe fosse devido, inclusive a ópera do Ministério da Educação. Só a natureza de Almira era delicada. Com todo aquele corpanzil, podia perder uma noite de sono por ter dito uma palavra menos bem dita. E um pedaço de chocolate podia de repente ficar-lhe amargo na boca ao pensamento de que fora injusta. O que nunca lhe faltava era chocolate na bolsa, e sustos pelo que pudesse ter feito. Não por bondade. Eram talvez nervos frouxos num corpo frouxo.Na manhã do dia em que aconteceu, Almira saiu para o trabalho correndo, ainda mastigando um pedaço de pão. Quando chegou ao escritório, olhou para a mesa de Alice e não a viu. Uma hora depois esta aparecia de olhos vermelhos. Não quis explicar nem respondeu às perguntas nervosas de Almira. Almira quase chorava sobre a máquina. Afinal, na hora do almoço, implorou a Alice que aceitasse almoçarem juntas, ela pagaria. Foi exatamente durante o almoço que se deu o fato. Almira continuava a querer saber por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos. Abatida, Alice mal respondia. Almira comia com avidez e insistia com os olhos cheios de lágrimas. — Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. Você não pode me deixarem paz?!Almira engasgou-se com a comida, quis falar, começou a gaguejar. Dos lábios macios de Alice haviam saído palavras que não conseguiam descer com a comida pela garganta de Almira G. de Almeida. — Você é uma chata e uma intrometida, rebentou de novo Alice. Quer saber o que houve, não é? Pois vou lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para Porto Alegre e não vai mais voltar! Agora está contente, sua gorda? Na verdade Almira parecia ter engordado mais nos últimos momentos, e com comida ainda parada na boca. Foi então que Almira começou a despertar. E, como se fosse uma magra, pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no jornal, levantou-se como uma só pessoa. Mas a gorda, mesmo depois de feito o gesto, continuou sentada olhando para o chão, sem ao menos olhar o sangue da outra. Alice foi ao Pronto-Socorro, de onde saiu com curativos e os olhos ainda arregalados de espanto. Almira foi presa em flagrante.
  • 18. Algumas pessoas observadoras disseram que naquela amizade bem que havia dente de coelho. Outras, amigas da família, contaram que a avó de Almira, dona Altamiranda, fora mulher muito esquisita. Ninguém se lembrou de que os elefantes, de acordo com os estudiosos do assunto, são criaturas extremamente sensíveis, mesmo nas grossas patas. Na prisão Almira comportou-se com docilidade e alegria, talvez melancólica, mas alegria mesmo. Fazia graças para as companheiras. Finalmente tinha companheiras. Ficou encarregada da roupa suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por outra lhe arranjavam uma barra de chocolate. Exatamente como para um elefante no circo. Clarice Lispector
  • 19. "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada". "Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Pergunte, sem querer a resposta, como estou perguntando. Não se preocupe em "entender". Viver ultrapassa todo o entendimento." "Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"... "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro". "Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." "Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.Sou um coração batendo no mundo." "Aceitar-me plenamente? É violentar minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto:meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue" (Um sopro de vida) "...Respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver." ..."Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma." "A harmonia secreta da desarmonia. Quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz." ..."Que minha solidão me sirva de companhia. que eu tenha a coragem de me enfrentar. que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo."
  • 20. "...há impossibilidade de ser além do que se é - no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu, quase normalmente - tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação de meu começo...... a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais..." "E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar". "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas as vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorve a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." "É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." (Das Vantagens de Ser Bobo) "Chegando em casa não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante." "... Se uma pessoa perguntar durante meia hora "eu", essa pessoa se esquece quem é. Outras podem enlouquecer. É mais seguro não fazer jamais perguntas - porque nunca se atinge o âmago de uma resposta. E porque a resposta traz em si outra pergunta." "Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho." "Não se pode falar de silêncio como se fala de neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: Sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz." "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca". "O que é um espelho? é o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio ......esse alguém percebeu o seu mistério de coisa."
  • 21. "Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só... Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo." " Não sei separar os fatos de mim, e daí a dificuldade de qualquer precisão, quando penso no passado." "Estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda é que não podia ser; ter nascido era cheio de erros a corrigir. Só tinha tempo de crescer. O que eu fazia para todos os lados, com uma falta de graça que mais parecia o resultado de um erro de cálculo. Na minha pressa eu crescia sem saber pra onde." "Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. " " Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar nossas fraquezas. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto pouco salgado, produto de nossa DOR mais profunda.
  • 22. "Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..." "Inútil querer me classificar,eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais." "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador." "Tão secreta é a verdadeira vida, que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missão chegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida - toda vida é uma missão secreta." " Só se sente nos ouvidos o próprio coração.... ...Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio." "Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte, Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos" "Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras." " Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço : ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca." " Escuta:eu te deixo ser. Deixa-me ser,então." "Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo". " Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada.
  • 23. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim." " Os espertos ganham dos outros , em compensação os bobos ganham a vida. " "Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: Eis os limites de minha possibilidade." "Sou como você me vê Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando, e como você me vê passar" ! Clarice Lispector Me entristeceu um pouco você não gostar do título "O Lustre". Exatamente pelo que você não gostou, pela pobreza dele, é que eu gosto. Nunca consegui mesmo convencer você de que eu sou pobre... Infelizmente, quanto mais pobre, com mais enfeites me enfeito. No dia em que eu conseguir uma forma tão pobre como eu o sou por dentro, em vez de carta, você receberá uma caixinha cheia de pó de Clarice. Eu escrevo simples. Eu não enfeito. Clarice Lispector