C. E. NAZARÉ RAMOS
SOCIOLOGIA – 2ª SÉRIE – 4º PERÍODO
PROF. BARTOLOMEU
A QUESTÃO DO TRABALHO EM MARX, WEBER E DURKHRIM
1. O TRABALHO EM DURKHEIM, WEBER E MARX
Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx,
apesar de terem aplicações e métodos
diferentes, elegeram o trabalho como objeto
científico de seus estudos. Esses 3 autores
clássicos da Sociologia foram influenciados pela
Revolução industrial e pela Revolução francesa,
marcos de um novo modo de vida no ocidente
em geral.
a) DURKHEIM concentra sua atenção na divisão do
trabalho. Essa divisão é responsável pelo desenvolvimento
de uma sociedade diferenciada internamente. Para
Durkheim, quanto mais especializado é o trabalho, mais
laços de dependência se formam. Assim, quanto mais
desenvolvida for a divisão do trabalho, maior será a teia de
relações de dependência entre os indivíduos (um padeiro
depende de um agricultor, que depende de um ferreiro, e
assim por diante). Isso levará, por consequência, a uma
maior coesão social.
O trabalho, na concepção de Durkheim, é um fato social
presente em todos os tipos de sociedade. Há sociedades
com menor ou maior divisão do trabalho, mas em todas
elas são encontradas funções diferenciadas entre os
indivíduos, o que os divide em grupos funcionais distintos
com condutas sociais também distintas.
Nas sociedades capitalistas, o trabalho é pensado como
uma atividade funcional que deve ser exercida por um
grupo específico: os trabalhadores.
Durkheim entende a divisão social entre trabalhadores e
empregadores como uma divisão funcional. Divisão entre
aqueles que devem cumprir uma atividade de organização
da produção e mando (os empregadores) e os que devem
desenvolver uma atividade produtiva (os trabalhadores).
Essa divisão, como extensão da divisão do trabalho,
promove a coesão social e, por isso, deve ser preservada
socialmente.
No entanto, nessa divisão há problemas que Durkheim vê
como doenças sociais que devem ser corrigidas para que o
todo social se desenvolva adequadamente. Se há excessos
por parte de capitalistas ou de trabalhadores, deve-se
regulamentar suas atividades a fim de alcançar o equilíbrio
e garantir a integração social das partes envolvidas. Dessa
forma, o lema de Durkheim prevalece: as partes (os
indivíduos) devem submeter-se de modo a garantir a
permanência do todo (a sociedade). De um lado, o
capitalista não se deve deixar levar pelo egoísmo do lucro
exacerbado, de outro, o trabalhador não deve questionar
b) WEBER parte de uma perspectiva diferente de
Durkheim. Segundo ele, não há algo geral e comum a
todas as sociedades. Cada sociedade obedece as
situações históricas exclusivas; e no capitalismo, por
condições específicas, o trabalho teria se tornado uma
atividade fundamental. Segundo Weber, não bastou o
desenvolvimento do mercado, da moeda, do dinheiro,
das relações de troca em geral para que o capitalismo
se constituísse como sociedade particular. Essas
condições estavam presentes em sociedades passadas,
como na antiga Roma e durante a Idade Média, quando
já existiam vários elementos que hoje governam as
relações monetárias, comerciais e de troca. A
especificidade do capitalismo esta no encontro entre o
“espírito” capitalista , de obter sempre mais lucros, e
uma ética religiosa cujo fundamento é uma vida
regrada, de autocontrole que tem na poupança uma
característica central.
Nesse encontro entre a mente capitalista e a ética
protestante, o trabalho ocupa lugar central. Para o
praticante do protestantismo, o sucesso nos negócios é uma
comprovação de ter sido escolhido por Deus. O trabalho
árduo e disciplinado e uma vida regrada e sem excessos
podem lhe trazer o êxito profissional, sinal de sua fé e
salvação espiritual.
No livro A ética protestante e o espírito do capitalismo
(1905), Weber observa que ocorreu um encontro que deu
ao capitalismo sua particularidade. Ele observou que a
formação do capitalismo teve como característica
fundamental essa ação social orientada por um objetivo
racional. Com o objetivo de, ao ter êxito em sua vida
material, ter a segurança de ter sido escolhido por Deus. O
encontro entre uma ética religiosa e um espírito
empreendedor possibilitou a formação histórica do
capitalismo. Entretanto, a procura da riqueza, não mais
estaria sendo guiada por padrões éticos, mas associados tão
c) MARX concentra sua análise nas formas
históricas de trabalho e, particularmente, no
trabalho assalariado. O trabalho assalariado é uma
manifestação histórica de como o capitalismo se
organizou como sociedade.
Com base na exploração do trabalho assalariado, a
sociedade capitalista produz e reproduz sua
existência. Ou seja, o trabalho assalariado é uma
atividade central para a perpetuação das relações
sociais entre capitalistas e trabalhadores e, por
consequência, da exploração e dominação do
trabalhador pelo capitalista.
Para Marx, a divisão em classes sociais constitui-se
com base na retirada, pela burguesia nascente do
século XVIII, do meios de produção (terras,
ferramentas, animais, etc.) dos pequenos
Charge de maio de 2012.
2. FORÇA DE TRABALHO E ALIENAÇÃO
a) Força de Trabalho: Segundo Marx, a desigualdade
social é fruto da divisão da sociedade em classes. Aqueles
que têm os meios de produção (dinheiro, prédios, capital,
ações na bolsa de valores, etc.) compram o trabalho
daqueles que não têm esses meios.
A questão se torna ainda mais complexa quando falamos
em força de trabalho. Quando o capitalista paga pelas
atividades desenvolvidas numa empresa ou indústria em
um mês, o que ele está pagando? Por exemplo, se um grupo
de trabalhadores está empregado em um ramo da
construção civil, e se no fim do mês todos esses
trabalhadores forem pagos pelo conjunto de seus
trabalhos, o capitalista não terá lucro. Isso quer dizer que o
capitalista paga a força de trabalho (a capacidade de
trabalho) e não todo o trabalho realizado naquele período
(o resultado do trabalho).
Com isso, formaram-se a burguesia e o proletariado,
classes fundamentais do capitalismo. A reprodução
dessa divisão social se dá com base na exploração do
trabalho assalariado que o trabalhador vende para o
capitalista em troca de um salário.
À primeira vista, o trabalho assalariado pode ser
considerado como atividade que é vendida pelo
trabalhador em troca de um salário pago pelo
capitalista. No entanto, Marx assinala que essa troca,
apesar de aparentar igualdade, na prática se dá de
forma desigual. O capitalista tem um capital e com esse
capital monta um negócio. Para isso, precisa contratar
certo número de trabalhadores. Aparentemente, o
capitalista oferece trabalho e o trabalhador pode
aceitar ou não esse trabalho. No entanto, devemos
considerar a desigualdade histórica dessa relação de
troca.
2. FORÇA DE TRABALHO, ALIENAÇÃO e MAIS-VALIA
3. Taylorismo: É uma concepção de produção, baseada
num método científico de organização do trabalho,
desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor
(1856-1915). Em 1911, Taylor publicou “Os princípios da
administração”, obra na qual expôs seu método. A partir dessa
concepção, o trabalho industrial foi fragmentado, pois cada
trabalhador passou a exercer uma atividade específica
no sistema industrial. A organização foi hierarquizada,
sistematizada e o tempo de produção passou a ser
cronometrado.
Algumas características do Taylorismo:
 Racionalização da produção;
 Economia de mão-de-obra;
 Aumento da produtividade no trabalho;
 Corte de “gastos desnecessários de energia” e de
“comportamentos supérfluos” do trabalhador para
acabar com qualquer desperdício de tempo.
Desde então, e cada vez mais, tempo é uma mercadoria, e o
Taylorism
o
Mulheres trabalham em fábrica de Doncaster, Inglaterra, em torno de 1916,
costurando tecidos para cortinas e assentos de vagões de passageiros da Great
Northern Railway, ferrovia britânica estabelecida em 1846.
Fordism
o
Fordismo é o nome dado ao modelo de produção automobilística
em massa. Foi Instituído pelo norte-americano Henry Ford.
Esse método consistia em aumentar a produção através do
aumento de eficiência e baixar o preço do produto, resultando no
aumento das vendas que, por sua vez, iria permitir manter baixo o
preço do produto.
O Fordismo é utilizado até hoje na fabricação de automóveis. Foi e
continua sendo o único modelo de produção capaz de atender a
demanda exigida pela sociedade atual.
Fordism
o
Anúncio publicado em revista feminina norte-
americana em torno de 1948 com os dizeres: MAIS
FRIGIDAIRES PRESTAM SERVIÇOS EM LARES
AMERICANOS DO QUE QUALQUER OUTRO
Fordism
o
Em outubro de 1913, a primeira esteira mecânica do mundo entrou em
operação em uma fábrica da Ford na cidade de Highland Park, estado de
Michigan, nos Estados Unidos.
TOYOTISMO: Sistema de organização voltado para a produção de
mercadorias, criado no Japão após a 2ª Guerra Mundial, pelo
engenheiro Taiichi Ohno. Foi aplicado na fábrica da Toyota de onde
se espalhou por várias regiões do mundo a partir da década de
1960. Até hoje é aplicado em muitas empresas.
As principais características do Toyotismo são:
• Mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores
são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os
processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema
produtivo da empresa.
• Sistema flexível de mecanização, voltado para a produção
somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A
produção deve ser ajustada a demanda do mercado.
• Uso de controle visual em todas as etapas de produção como
forma de acompanhar e controlar o processo produtivo.
• Aplicação do sistema “Just in Time”, ou seja, produzir somente o
necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária.
• Uso de pesquisas de mercado para adaptar os produtos às
exigências dos clientes.
Toyotismo
Linha de produção
operada por robôs em
montadora da cidade de
Kolin, na República
Tcheca, em foto de 2008.
A empresa, uma joint-
venture nipo-francesa,
produz 1050 carros por
dia; um novo carro sai da
fábrica a cada 56
segundos.
Neoliberalismo
Podemos definir o neoliberalismo como um
conjunto de ideias políticas e econômicas
capitalistas que defende a não participação do
estado na economia. De acordo com esta doutrina,
deve haver total liberdade de comércio (livre
mercado), pois este princípio garante o
crescimento econômico e o desenvolvimento social
de um país.
Surgiu na década de 1970, através da Escola
Monetarista do economista Milton Friedman, como
uma solução para a crise que atingiu a economia
mundial em 1973, provocada pelo aumento
excessivo no preço do petróleo. Ganhou força nos
anos 90 e está a pleno vapor atualmente.
Charge de Angeli publicada no jornal Folha de São Paulo em
27 de agosto de 2006.
Características do neoliberalismo:
• mínima participação estatal nos rumos da economia de um
país e diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais
eficiente;
• pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
• política de privatização de empresas estatais;
• livre circulação de capitais internacionais e ênfase
na globalização;
• abertura da economia para a entrada de multinacionais;
• adoção de medidas contra o protecionismo econômico;
• desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais
simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades
econômicas;
• posição contrária aos impostos e tributos excessivos;
• aumento da produção, como objetivo básico para atingir o
desenvolvimento econômico;
• contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte
do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para
regular os preços;
• a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
Novas modalidades de trabalho
Com o desenvolvimento da produção toyotista,
caracterizada pela automação produtiva, muitos
trabalhadores foram dispensados. Apesar disso, a
produtividade aumentou muito, restaurando os lucros.
Esse aumento da produção foi acompanhado por um
crescimento do setor de serviços. Grandes empresas de
comida (fast-food), de saúde (convênios médicos), de
comunicação (telefonia, internet e televisão), entre
outras, dimensionaram o mercado por conta do
enxugamento do Estado e das políticas neoliberais.
Para desenvolver novos softwares (programas de
computador), as empresas precisam de profissionais
qualificados nessa função; um operador de telemarketing
precisa ter certo grau de instrução técnica. Portanto,
novos tipos de qualificação passaram a ser demandados
pelas empresas criadas ou em expansão.
Entre esses novos tipos de trabalho, um deles, que tem como
fundamento as qualificações intelectuais, ficou conhecido como
imaterial. Por que imaterial? Porque o trabalho feito
tradicionalmente nas indústrias era considerado material, isto é,
todo tipo de trabalho que tem como matéria-prima objetos
físicos, que conseguimos tocar ou pegar. Já o trabalho imaterial é
todo aquele que tem como matéria-prima elementos intangíveis
(que não se pode tocar).
FIM
Bibliografia:
Sociologia Hoje
Henrique Amorim
Celso Rocha de Barros
Igor José de Renó Machado

O TRABALHO EM MARX, WEBER E DURKHRIM.pptx

  • 1.
    C. E. NAZARÉRAMOS SOCIOLOGIA – 2ª SÉRIE – 4º PERÍODO PROF. BARTOLOMEU A QUESTÃO DO TRABALHO EM MARX, WEBER E DURKHRIM
  • 2.
    1. O TRABALHOEM DURKHEIM, WEBER E MARX Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, apesar de terem aplicações e métodos diferentes, elegeram o trabalho como objeto científico de seus estudos. Esses 3 autores clássicos da Sociologia foram influenciados pela Revolução industrial e pela Revolução francesa, marcos de um novo modo de vida no ocidente em geral.
  • 3.
    a) DURKHEIM concentrasua atenção na divisão do trabalho. Essa divisão é responsável pelo desenvolvimento de uma sociedade diferenciada internamente. Para Durkheim, quanto mais especializado é o trabalho, mais laços de dependência se formam. Assim, quanto mais desenvolvida for a divisão do trabalho, maior será a teia de relações de dependência entre os indivíduos (um padeiro depende de um agricultor, que depende de um ferreiro, e assim por diante). Isso levará, por consequência, a uma maior coesão social. O trabalho, na concepção de Durkheim, é um fato social presente em todos os tipos de sociedade. Há sociedades com menor ou maior divisão do trabalho, mas em todas elas são encontradas funções diferenciadas entre os indivíduos, o que os divide em grupos funcionais distintos com condutas sociais também distintas. Nas sociedades capitalistas, o trabalho é pensado como uma atividade funcional que deve ser exercida por um grupo específico: os trabalhadores.
  • 4.
    Durkheim entende adivisão social entre trabalhadores e empregadores como uma divisão funcional. Divisão entre aqueles que devem cumprir uma atividade de organização da produção e mando (os empregadores) e os que devem desenvolver uma atividade produtiva (os trabalhadores). Essa divisão, como extensão da divisão do trabalho, promove a coesão social e, por isso, deve ser preservada socialmente. No entanto, nessa divisão há problemas que Durkheim vê como doenças sociais que devem ser corrigidas para que o todo social se desenvolva adequadamente. Se há excessos por parte de capitalistas ou de trabalhadores, deve-se regulamentar suas atividades a fim de alcançar o equilíbrio e garantir a integração social das partes envolvidas. Dessa forma, o lema de Durkheim prevalece: as partes (os indivíduos) devem submeter-se de modo a garantir a permanência do todo (a sociedade). De um lado, o capitalista não se deve deixar levar pelo egoísmo do lucro exacerbado, de outro, o trabalhador não deve questionar
  • 5.
    b) WEBER partede uma perspectiva diferente de Durkheim. Segundo ele, não há algo geral e comum a todas as sociedades. Cada sociedade obedece as situações históricas exclusivas; e no capitalismo, por condições específicas, o trabalho teria se tornado uma atividade fundamental. Segundo Weber, não bastou o desenvolvimento do mercado, da moeda, do dinheiro, das relações de troca em geral para que o capitalismo se constituísse como sociedade particular. Essas condições estavam presentes em sociedades passadas, como na antiga Roma e durante a Idade Média, quando já existiam vários elementos que hoje governam as relações monetárias, comerciais e de troca. A especificidade do capitalismo esta no encontro entre o “espírito” capitalista , de obter sempre mais lucros, e uma ética religiosa cujo fundamento é uma vida regrada, de autocontrole que tem na poupança uma característica central.
  • 6.
    Nesse encontro entrea mente capitalista e a ética protestante, o trabalho ocupa lugar central. Para o praticante do protestantismo, o sucesso nos negócios é uma comprovação de ter sido escolhido por Deus. O trabalho árduo e disciplinado e uma vida regrada e sem excessos podem lhe trazer o êxito profissional, sinal de sua fé e salvação espiritual. No livro A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905), Weber observa que ocorreu um encontro que deu ao capitalismo sua particularidade. Ele observou que a formação do capitalismo teve como característica fundamental essa ação social orientada por um objetivo racional. Com o objetivo de, ao ter êxito em sua vida material, ter a segurança de ter sido escolhido por Deus. O encontro entre uma ética religiosa e um espírito empreendedor possibilitou a formação histórica do capitalismo. Entretanto, a procura da riqueza, não mais estaria sendo guiada por padrões éticos, mas associados tão
  • 7.
    c) MARX concentrasua análise nas formas históricas de trabalho e, particularmente, no trabalho assalariado. O trabalho assalariado é uma manifestação histórica de como o capitalismo se organizou como sociedade. Com base na exploração do trabalho assalariado, a sociedade capitalista produz e reproduz sua existência. Ou seja, o trabalho assalariado é uma atividade central para a perpetuação das relações sociais entre capitalistas e trabalhadores e, por consequência, da exploração e dominação do trabalhador pelo capitalista. Para Marx, a divisão em classes sociais constitui-se com base na retirada, pela burguesia nascente do século XVIII, do meios de produção (terras, ferramentas, animais, etc.) dos pequenos
  • 8.
  • 9.
    2. FORÇA DETRABALHO E ALIENAÇÃO a) Força de Trabalho: Segundo Marx, a desigualdade social é fruto da divisão da sociedade em classes. Aqueles que têm os meios de produção (dinheiro, prédios, capital, ações na bolsa de valores, etc.) compram o trabalho daqueles que não têm esses meios. A questão se torna ainda mais complexa quando falamos em força de trabalho. Quando o capitalista paga pelas atividades desenvolvidas numa empresa ou indústria em um mês, o que ele está pagando? Por exemplo, se um grupo de trabalhadores está empregado em um ramo da construção civil, e se no fim do mês todos esses trabalhadores forem pagos pelo conjunto de seus trabalhos, o capitalista não terá lucro. Isso quer dizer que o capitalista paga a força de trabalho (a capacidade de trabalho) e não todo o trabalho realizado naquele período (o resultado do trabalho).
  • 10.
    Com isso, formaram-sea burguesia e o proletariado, classes fundamentais do capitalismo. A reprodução dessa divisão social se dá com base na exploração do trabalho assalariado que o trabalhador vende para o capitalista em troca de um salário. À primeira vista, o trabalho assalariado pode ser considerado como atividade que é vendida pelo trabalhador em troca de um salário pago pelo capitalista. No entanto, Marx assinala que essa troca, apesar de aparentar igualdade, na prática se dá de forma desigual. O capitalista tem um capital e com esse capital monta um negócio. Para isso, precisa contratar certo número de trabalhadores. Aparentemente, o capitalista oferece trabalho e o trabalhador pode aceitar ou não esse trabalho. No entanto, devemos considerar a desigualdade histórica dessa relação de troca.
  • 11.
    2. FORÇA DETRABALHO, ALIENAÇÃO e MAIS-VALIA
  • 12.
    3. Taylorismo: Éuma concepção de produção, baseada num método científico de organização do trabalho, desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor (1856-1915). Em 1911, Taylor publicou “Os princípios da administração”, obra na qual expôs seu método. A partir dessa concepção, o trabalho industrial foi fragmentado, pois cada trabalhador passou a exercer uma atividade específica no sistema industrial. A organização foi hierarquizada, sistematizada e o tempo de produção passou a ser cronometrado. Algumas características do Taylorismo:  Racionalização da produção;  Economia de mão-de-obra;  Aumento da produtividade no trabalho;  Corte de “gastos desnecessários de energia” e de “comportamentos supérfluos” do trabalhador para acabar com qualquer desperdício de tempo. Desde então, e cada vez mais, tempo é uma mercadoria, e o
  • 13.
    Taylorism o Mulheres trabalham emfábrica de Doncaster, Inglaterra, em torno de 1916, costurando tecidos para cortinas e assentos de vagões de passageiros da Great Northern Railway, ferrovia britânica estabelecida em 1846.
  • 14.
    Fordism o Fordismo é onome dado ao modelo de produção automobilística em massa. Foi Instituído pelo norte-americano Henry Ford. Esse método consistia em aumentar a produção através do aumento de eficiência e baixar o preço do produto, resultando no aumento das vendas que, por sua vez, iria permitir manter baixo o preço do produto. O Fordismo é utilizado até hoje na fabricação de automóveis. Foi e continua sendo o único modelo de produção capaz de atender a demanda exigida pela sociedade atual.
  • 15.
    Fordism o Anúncio publicado emrevista feminina norte- americana em torno de 1948 com os dizeres: MAIS FRIGIDAIRES PRESTAM SERVIÇOS EM LARES AMERICANOS DO QUE QUALQUER OUTRO
  • 16.
    Fordism o Em outubro de1913, a primeira esteira mecânica do mundo entrou em operação em uma fábrica da Ford na cidade de Highland Park, estado de Michigan, nos Estados Unidos.
  • 17.
    TOYOTISMO: Sistema deorganização voltado para a produção de mercadorias, criado no Japão após a 2ª Guerra Mundial, pelo engenheiro Taiichi Ohno. Foi aplicado na fábrica da Toyota de onde se espalhou por várias regiões do mundo a partir da década de 1960. Até hoje é aplicado em muitas empresas. As principais características do Toyotismo são: • Mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa. • Sistema flexível de mecanização, voltado para a produção somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada a demanda do mercado. • Uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo. • Aplicação do sistema “Just in Time”, ou seja, produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária. • Uso de pesquisas de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes.
  • 18.
    Toyotismo Linha de produção operadapor robôs em montadora da cidade de Kolin, na República Tcheca, em foto de 2008. A empresa, uma joint- venture nipo-francesa, produz 1050 carros por dia; um novo carro sai da fábrica a cada 56 segundos.
  • 19.
    Neoliberalismo Podemos definir oneoliberalismo como um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. Surgiu na década de 1970, através da Escola Monetarista do economista Milton Friedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973, provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo. Ganhou força nos anos 90 e está a pleno vapor atualmente.
  • 20.
    Charge de Angelipublicada no jornal Folha de São Paulo em 27 de agosto de 2006.
  • 21.
    Características do neoliberalismo: •mínima participação estatal nos rumos da economia de um país e diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais eficiente; • pouca intervenção do governo no mercado de trabalho; • política de privatização de empresas estatais; • livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização; • abertura da economia para a entrada de multinacionais; • adoção de medidas contra o protecionismo econômico; • desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas; • posição contrária aos impostos e tributos excessivos; • aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico; • contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços; • a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
  • 22.
    Novas modalidades detrabalho Com o desenvolvimento da produção toyotista, caracterizada pela automação produtiva, muitos trabalhadores foram dispensados. Apesar disso, a produtividade aumentou muito, restaurando os lucros. Esse aumento da produção foi acompanhado por um crescimento do setor de serviços. Grandes empresas de comida (fast-food), de saúde (convênios médicos), de comunicação (telefonia, internet e televisão), entre outras, dimensionaram o mercado por conta do enxugamento do Estado e das políticas neoliberais. Para desenvolver novos softwares (programas de computador), as empresas precisam de profissionais qualificados nessa função; um operador de telemarketing precisa ter certo grau de instrução técnica. Portanto, novos tipos de qualificação passaram a ser demandados pelas empresas criadas ou em expansão.
  • 23.
    Entre esses novostipos de trabalho, um deles, que tem como fundamento as qualificações intelectuais, ficou conhecido como imaterial. Por que imaterial? Porque o trabalho feito tradicionalmente nas indústrias era considerado material, isto é, todo tipo de trabalho que tem como matéria-prima objetos físicos, que conseguimos tocar ou pegar. Já o trabalho imaterial é todo aquele que tem como matéria-prima elementos intangíveis (que não se pode tocar).
  • 24.
    FIM Bibliografia: Sociologia Hoje Henrique Amorim CelsoRocha de Barros Igor José de Renó Machado