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132mudanças de fase da água e de outros líquidos (na fervura, na preparação de sorvetes comágua ou leite), do açúcar (de s...
133importante respeitar os conhecimentos dos alunos, evitando-se impor a explicaçãocientífica como a correta em detrimento...
134exemplo, devido à sua baixa escolaridade, muitas vezes o aluno desconhece que osfenômenos da natureza que ocorrem em su...
135conduzida pelo professor, promovendo a reflexão, a troca de idéias e opiniões entre osalunos e a valorização da informa...
136problemas, do acúmulo de dados e informações e do desenvolvimento tecnológico, quetorna possível a coleta de novos dado...
137A tecnologia, por sua vez, constitui-se como atividade de interesse prático e temsido uma marca da humanidade, desde os...
138sociedade, inclusive alterando padrões éticos. Portanto, a sociedade altera a tecnologia que,por sua vez, altera a soci...
139• Compreender a natureza como um todo dinâmico e o ser humano, em sociedade,como agente de transformações do mundo em q...
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148O professor de EJA deve sempre lembrar que, embora esteja lidando com adultos,muitas vezes eles não sabem desempenhar e...
149para a ocorrência das mesmas, sem o entendimento das mudanças físicas da água e do seuciclo na natureza, não é possível...
150De modo geral, são muito importantes de serem incentivadas no ensino de ciênciasnaturais as atitudes de curiosidade, de...
151país direciona investimentos (trabalho e consumo, integrado à área de geografia); osimpactos ambientais e sociais causa...
152Sugere-se, portanto, que os conteúdos escolhidos sejam relevantes do ponto de vistasocial, cultural e científico para o...
153conhecimento científico organizado e os temas transversais como referências deconteúdos a seres escolhidos, sem a prete...
154obtenção de alimentos dosseres vivosEntrevistas Hábitos alimentares emdiferentes culturasSer humano esaúdePluralidadecu...
155fontes variadas(experimentos, livros,revistas)atividades humanasEfeito estufaReservatórios de água doceInterpretação de...
156ampliar as possibilidades do professor, para o estabelecimento de diferentes seqüências deconteúdos e conexões entre os...
157observações experimentais e valores humanos envolvidos. Tais sugestões foramorganizadas no quadro da sessão anterior.O ...
158forma pedagogicamente adequada para jovens e adultos com vida sexual presumivelmenteativa.Já o eixo tecnologia e socied...
159apenas sugestões. Cada professor de EJA deve analisar, a partir do seu grupo de alunos edos seus objetivos, a pertinênc...
160• Reconhecimento de formas eficientes de dispersão e estratégias reprodutivasdos seres vivos, em diferentes ambientes, ...
161e sua distribuição pela circulação sangüínea para todos os tecidos doorganismo.• Distinção de alimentos que são fontes ...
162• Investigação de processos de extração e produção de energia e substânciasobtidas por diferentes tecnologias tradicion...
163assim desenvolver conteúdos como as conseqüências da ausência de saneamento básico e odestino de lixo das favelas. No e...
164Os alunos de uma classe heterogênea não são apenas diferentes nos conteúdosconceituais, mas também nos procedimentais e...
165As ilustrações e atividades são claramente voltadas para o público infantil, os temasnem sempre são relevantes para os ...
166Aspectos culturais envolvidos nesse debate devem ser trazidos pelo professor, cominformações coletadas em revistas e jo...
167Ciente dessas diferentes possibilidades, o professor escolhe quais os objetivos queirá trabalhar no semestre e quais te...
168ProjetosTemas polêmicos e da atualidade na comunidade escolar são boas escolhas paraprojetos, que podem ser unidiscipli...
169para a resolução do problema. As atividades, ou métodos de ensino poderão serdesenvolvidos enquanto o tema não for sufi...
170Outro modo de se trabalhar o tema alimentação seria por meio de um projeto, demodo independente ou simultâneo à unidade...
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  1. 1. 131CIÊNCIAS NATURAIS, NA EDUCAÇÃO JOVENS E ADULTOSO ensino de ciências naturais vem passando por profundas transformações nasúltimas décadas. Tradicionalmente prioriza-se a descrição dos fenômenos naturais e atransmissão de definições, regras, nomenclaturas e fórmulas, muitas vezes, sem estabelecervínculos com a realidade do estudante, o que dificulta a aprendizagem. As discussõesacumuladas sobre o ensino de ciências apontam para um ensino mais atualizado edinâmico, mais contextualizado, no qual são priorizados temas relevantes para o aluno,ligados ao meio ambiente, à saúde e à transformação científico-tecnológica do mundo e àcompreensão do que é ciência e tecnologia.A mesma tendência vem sendo conferida no campo da EJA, com novas propostas,de modo que a área de ciências possa colaborar com a melhoria da qualidade de vida doestudante e a ampliação da compreensão do mundo de que participa, profundamentemarcado pela ciência e pela tecnologia.Busca-se a promoção da aprendizagem significativa, tal que se integre efetivamenteà estrutura de conhecimentos dos alunos e não aquela realizada exclusivamente pormemorização, cuja função é ser útil na hora da prova. Conforme está explicitado na Parte IIdo documento, a aprendizagem significativa tem por base conhecimentos anteriores, quesão modificados, ampliados ou descartados mediante a aquisição de novas informações enovas reflexões sobre um determinado conteúdo, seja ele um conceito, um procedimento ouuma atitude.No caso de ciências naturais, propõe-se selecionar e organizar conteúdos de modocontextualizado, de modo que a aprendizagem se torne parte da vida do estudante,privilegiando-se sua vivência e as possibilidades de melhor compreensão do mundo e daqualidade de vida. Nesta proposta, busca-se coordenar o ensino e a aprendizagem deconteúdos relevantes em temas ou problemas que interessam ao aluno e que lhes dãocontexto. Por exemplo, as características dos estados físicos da matéria (sólido, líquido ougasoso) e suas transformações são abordadas – geralmente como um conjunto de nomesque identificam cada fase e suas transformações –, explicadas como conseqüência de ganhoou perda de calor de determinado sistema. Esse mesmo conjunto de conteúdos poderá sercontextualizado em um tema do cotidiano, como a culinária, estudando-se, por exemplo, as
  2. 2. 132mudanças de fase da água e de outros líquidos (na fervura, na preparação de sorvetes comágua ou leite), do açúcar (de sólido para líquido ao fazer caramelo, o açúcar queimado) ouainda em técnicas corriqueiras como a soldagem (mudança de fase de estanho do sólidopara líquido) e o uso de uma vela (mudança de fase da parafina). A discussão de problemase a observação de fatos do cotidiano (“Por que o leite derrama quando ferve e a água não?”ou “Por que a gema do ovo demora mais para fritar que a clara?”) proporcionam aos alunosuma maior aproximação aos conceitos de substância, misturas e soluções. Esse tipo dediscussão acaba sendo muito mais significativa do que simplesmente a produção de umalista maior e mais diversificada de exemplos.A seleção de temas e problemas é o espaço de criação do professor, que devetambém estar atento ao que os alunos já sabem sobre os conteúdos do tema. Assim, épreciso selecionar temas e problemas relevantes para o grupo de alunos, de modo que elessejam motivados a refletir sobre as suas próprias concepções. Essas concepções podem terdiferentes origens: na cultura popular, na religião ou misticismo, nos meios de comunicaçãoe ainda na história de vida do indivíduo, sua profissão, sua família etc. São explicaçõesmuitas vezes arraigadas e preconceituosas, chegando a constituir obstáculo à aprendizagemcientífica.Os estudos, as discussões e a atuação do professor devem ajudar os alunos aperceber e modificar suas explicações. Portanto, é essencial oferecer oportunidades paraque os alunos desenvolvam o hábito de refletir sobre o que expressam oralmente ou porescrito. Sob a condução do professor, os alunos questionam-se e contrapõem asobservações de fenômenos, estabelecendo relações entre informações. Assim, podemtornar-se indivíduos mais conscientes de suas opiniões, mais flexíveis para alterá-las e maistolerantes com opiniões diferentes das suas. Essas atitudes colaboram para que o alunocuide melhor de si e de seus familiares, estando atento à prevenção de doenças, às questõesambientais e utilizando-se das tecnologias existentes na sociedade de forma também maisconsciente.Alguns cuidados importantes devem ser tomados nesta abordagem. É papel doprofessor estar atento para reconhecer que alunos adultos sempre trazem opiniões próprias einformações sobre os temas em estudo, que devem ser tomadas como ponto de partida paraa aprendizagem significativa. Por mais diferentes que sejam do conhecimento científico, é
  3. 3. 133importante respeitar os conhecimentos dos alunos, evitando-se impor a explicaçãocientífica como a correta em detrimento da explicação popular. Isso pode gerar umaindisposição em relação ao conhecimento científico, em vez de promover a reflexão,aceitando o “saber científico” como algo a ser utilizado dentro da escola, sem, no entantoalterar as suas convicções.Uma forma interessante de se demonstrar a lógica do conhecimento científico étrabalhar a ciência em diferentes momentos históricos, mostrando que conforme astecnologias vão se desenvolvendo e novas interpretações vão se consolidando, oconhecimento científico vai sendo modificado. Por exemplo, pode-se mostrar que teoriasque antes eram consideradas verdadeiras podem ser abandonadas depois da descoberta deum determinado instrumento tecnológico, fato algumas vezes acompanhado de enormecontrovérsia. Este é o caso da disputa entre Galileu e seus contemporâneos, quesustentavam ser a Terra o centro do Universo. A observação das luas de Júpiter por Galileu,fazendo uso da recém-criada luneta, serviu de argumento para a nova teoria, postulada porCopérnico, segundo a qual a Terra seria um planeta orbitando em torno do Sol.Uma outra forma de trabalhar a lógica e a linguagem das ciências é trazer paradebate em sala de aula notícias de descobertas recentes veiculadas na mídia. Estudos dessanatureza devem ajudar o aluno a perceber o caráter dinâmico do conhecimento científico,bem como a importância de se comprovar as idéias por meio de experimentação eobservação direta.A abordagem ideal deve valorizar a capacidade de o aluno produzir explicaçõesque não se reduzam ao senso comum e às observações cotidianas. É preciso avançar nacompreensão do conhecimento científico. Para tanto, de modo reiterado em suaescolaridade, os alunos precisam conhecer as bases lógicas e culturais que apóiam asexplicações científicas, exercitando essa lógica e essa linguagem. O professor não deveperder as oportunidades de explicar por que as observações cotidianas e o senso comum sãodiferentes do conhecimento científico. E também discutir com eles pontos falhos e osargumentos coerentes, valorizando a reflexão e assim conduzindo a evolução do modo depensar e dos conteúdos.A superação de concepções simplistas ou preconceituosas está diretamenterelacionada à ampliação da visão de mundo do estudante e de sua cultura geral. Por
  4. 4. 134exemplo, devido à sua baixa escolaridade, muitas vezes o aluno desconhece que osfenômenos da natureza que ocorrem em sua vida não necessariamente ocorrem na vida deoutras pessoas. Isso torna o aluno intolerante com culturas diferentes da sua, pois nãoentende por que certos termos são utilizados ou comportamentos são tomados(comportamentos estes muitas vezes ligados às condições do ambiente em que estes outrospovos vivem). Portanto, torna-se essencial que o ensino de ciências dê instrumentos para oaluno adulto compreender que diferentes concepções e atitudes são condicionadas pelolugar de observação: a duração do dia e da noite é dependente do local onde o indivíduo seencontra; alguns seres vivos brasileiros não existem em outros países e vice-versa; quandoé verão no Brasil não o é no mundo todo; o termo “inverno” é empregado para designar otempo das águas, no Norte e Nordeste, ou o tempo do frio, ao Sul do país etc.Quando esse nível de entendimento é alcançado, torna-se mais fácil o aumentosignificativo da consciência e do respeito do aluno em relação ao planeta, uma vez que estepassa a se enxergar como parte do todo. Sobressai-se, portanto, este outro importante papeldo ensino de ciências: o do respeito ao meio ambiente no qual o indivíduo está inserido emâmbito local e global.A maioria dos alunos de EJA faz uma relação direta entre causa e efeito: jogamtudo no lixo, pois o lixeiro irá recolher; utilizam quanta água quiserem, pois chove muito eo país tem numerosos rios etc. No entanto, se promovermos a reflexão por meio deatividades e discussões sobre o destino do lixo após ser retirado pelo caminhão da coleta,sobre o estado em que estão os rios do país, principalmente os das grandes cidades, sobre asconseqüências que um depósito de lixo traz para as pessoas que moram próximas a ele,quantas são as atividades em que utilizamos a água em nossa sociedade, e se a água serásuficiente, estaremos fazendo o aluno adulto repensar as suas opiniões.Ampliando as informações a que tem acesso, analisando junto com os alunos alógica sobre a qual o seu raciocínio está sendo construído, refletindo sobre possíveisargumentos inconsistentes e colocando claramente a possibilidade de outros pontos de vistapara o problema, estaremos facilitando uma compreensão mais abrangente do problema. Deposse desta visão mais abrangente, aumentam-se assim as chances de gerar mudanças decomportamento nos alunos e aumenta seu respeito pelo meio ambiente. Do mesmo modo,outros assuntos polêmicos e de relevância científica são trabalhados em problematização
  5. 5. 135conduzida pelo professor, promovendo a reflexão, a troca de idéias e opiniões entre osalunos e a valorização da informação por eles.Esses conteúdos e métodos expressam tanto os objetivos gerais da área de ciênciasnaturais como os objetivos dos temas transversais, inserido nesses parâmetros por seremassuntos urgentes para a formação da cidadania: ética, meio ambiente, pluralidade cultural,saúde, orientação sexual e trabalho e consumo. Os próprios exemplos sinalizados acimaapresentam a inserção desses temas na área.Conforme pode ser apreciado com mais informações nos Parâmetros CurricularesNacionais, a inclusão dos temas transversais em ciências naturais é uma ampliaçãoconsiderável ao que já se pratica habitualmente em estudos de meio ambiente, saúde esexualidade, temas recorrentes da área. As ampliações seguem as mesmas direções queoutros temas da área, tendo em vista a contextualização dos conteúdos e a formação críticados estudantes. Também aqui estão presentes as influências do pensamento de Paulo Freire,ao se valorizar os conteúdos e métodos que melhor cooperem para a formação crítica doestudante e sua inserção consciente na vida coletiva.Ciências naturais e tecnologia: algumas característicasNa ausência de outras referências, poderíamos pensar que as ciências são o conjuntode definições e nomes que aprendemos na escola, ou mesmo no ensino superior, e seguemsendo produzidas pela genialidade dos cientistas – uma produção que não chegaria à escola,pois se trata de ciência de ponta, apenas grandes novidades. A escola tem tomado para siapenas o ensino do conhecimento organizado, deixando de fora a dinâmica doconhecimento científico, justamente o lado mais instigante e motivador das ciênciasnaturais.Esta primeira caracterização das ciências naturais não deixa de ter uma dose derealidade, pois é próprio das ciências organizar o conhecimento por meio de definições eatribuir nomes aos fenômenos naturais. Também, o avanço da ciência depende daocorrência de idéias extraordinárias que resolvem problemas científicos.O que está oculto nesta caracterização mais simplificada é que as mudançasocorrem até mesmo em conceitos e nomes fundamentais, que participam da escolaridadebásica. É importante ressaltar que essas transformações dependem da identificação de
  6. 6. 136problemas, do acúmulo de dados e informações e do desenvolvimento tecnológico, quetorna possível a coleta de novos dados e informações e a divulgação dos mesmos. Apósessa divulgação, a comunidade de cientistas pode vir a mudar as suas concepções, ou seja,as novas descobertas poderão gerar uma mudança de posição na comunidade de cientistas.Por exemplo, a descoberta do microscópio óptico, no século XVI, fez com que os animais eos vegetais, que antes eram colocados em grupos separados, fossem agrupados porque eramambos constituídos por células. Portanto, em ciência, a maior parte das mudanças érealizada pelos próprios pesquisadores de uma área específica. Ultimamente, a veiculaçãodas novas descobertas tem-se dado de modo cada vez mais eficiente, devido às novasfacilidades da comunicação em rede de computadores.Além disso, ao mencionar definições e nomes como características centrais dasciências naturais, é muito comum perder-se a consciência de que estes elementos fazemparte de uma construção mais complexa, a teoria científica, que se expressa em linguagemprópria e propõe uma metodologia específica, favorável ao estudo dos fenômenos queexplica. E é o desenvolvimento de diferentes teorias que conduz a história das diferentesdisciplinas científicas – biologia, química, física, geologia, astronomia etc. Essedesenvolvimento ocorre na medida em que é possível explicar e descobrir novosfenômenos, levando a ciência a se constituir em um empreendimento humano em constanteevolução, com o surgimento e superação de teorias. Por exemplo, até a descoberta dooxigênio e explicação da combustão por Lavoisier, no século XVIII, acreditava-se que ocalor fosse um fluido (flogisto) que migrava entre os corpos. A descoberta do químicofrancês permitiu a superação da teoria do flogisto e a compreensão do calor como energiaem trânsito pela queima dos materiais, conceito que participa das teorias físicas e químicasda atualidade, os paradigmas vigentes.Sendo um fazer humano, as motivações das ciências não se limitam apenas aosinteresses próprios, de descoberta e de consolidação das explicações, mas também aosobjetivos gerais das sociedades, voltados para o progresso material e a ocupação dosterritórios terrestres. Respondendo a esses interesses é que a ciência e a tecnologia criaramas bombas nucleares, novas formas de diagnóstico e tratamento de doenças, os sprays comsubstâncias que causam o buraco de ozônio, entre tantas e tantas novidades científicas etecnológicas do século XX.
  7. 7. 137A tecnologia, por sua vez, constitui-se como atividade de interesse prático e temsido uma marca da humanidade, desde os mais remotos tempos, ao lado das linguagens, daarte e da religiosidade. O domínio do fogo – possibilitando melhor alimentação, iluminaçãonoturna e defesa contra animais, bem como o conhecimento da pedra lascada e dos metais –está entre as primeiras tecnologias do gênero humano, que já cumpriam seu papel namelhoria da vida. Já é possível detectar, por estes exemplos, que a princípio, na história dahumanidade, a tecnologia não se relacionava com as ciências, os conhecimentos voltadospara a explicação da natureza. Durante muito tempo as explicações sobre os fenômenosnaturais foram objeto das religiões. Porém, mesmo que não fosse seu primeiro objetivo, aatividade tecnológica sempre colaborou para o acúmulo de conhecimentos sobre osfenômenos naturais. Por exemplo, entre os egípcios, um bom conhecimento sobre salga dealimentos, produção de vidros, metalurgia e agricultura já garantia diversos conhecimentossobre os fenômenos naturais – ainda que suas causas fossem atribuídas aos deuses.A partir do estabelecimento das ciências modernas, dos novos paradigmas doséculo XVI, é que começa um maior entrosamento entre ciência e tecnologia. Trata-se deuma nova concepção das ciências naturais, instituída pelos então denominados filósofosnaturais (Galileu, Kepler e Newton) que passaram a enfatizar a verificação das explicaçõesdos fenômenos por meio das observações e das experimentações. Outra novidade foitrabalhar a quantificação dos fenômenos e sua representação conjunta com fórmulasmatemáticas, possibilitando o estabelecimento de previsões mais precisas para a ocorrênciae a intensidade dos fenômenos. Com estas características, o novo conhecimento científicotambém proporcionou o avanço na elaboração das máquinas, como a máquina a vapor,constituindo-se na base da primeira Revolução Industrial. Similarmente, o conhecimento daeletricidade – que a princípio era apenas uma brincadeira entre nobres europeus – é ofundamento para a segunda Revolução Industrial, das máquinas elétricas, e depois, já noséculo XX, a revolução eletrônica terá como base os paradigmas físicos da mecânicaquântica e da relatividade.Atualmente o conhecimento relacionado ao DNA (a sua estrutura, suadecodificação e sua manipulação) tem gerado a possibilidade de utilização de uma série denovas tecnologias – como a terapia gênica, a introdução de genes em itens alimentares, aseleção de características genéticas em embriões – causando mudanças profundas em nossa
  8. 8. 138sociedade, inclusive alterando padrões éticos. Portanto, a sociedade altera a tecnologia que,por sua vez, altera a sociedade. Desta forma, ao verificarmos a história da humanidadedesde o seu início até os dias atuais, torna-se claro o grande poder transformador que asciências naturais possuem em nossa sociedade, sendo esta, portanto, muito mais do queapenas um conjunto de definições e nomes.OOBBJJEETTIIVVOOSS DDOO EENNSSIINNOO DDEE CCIIÊÊNNCCIIAASS NNAATTUURRAAIISSO ensino de ciências naturais para jovens e adultos fundamenta-se nos mesmosobjetivos gerais do ensino voltado para crianças e adolescentes, uma vez que visam àformação para a cidadania, a qual deve ser uma meta para todos os segmentos daescolaridade.Cada um dos objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais – Ciências Naturaisfoi transcrito do documento dirigido para 5ª a 8ª série (alunos entre 7 e 14 anos) ecomentado, buscando-se situar questões fundamentais para EJA, tais como:• Compreender a ciência como um processo de produção de conhecimento e umaatividade humana, histórica, associada a aspectos de ordem social, econômica,política e cultural.Por tradição, a escola mostra a ciência como conhecimento atemporal e neutro, semvínculos políticos ou culturais. Assim pensa a maioria dos adultos, e, portanto, a maioriados alunos de EJA. É necessário que se demonstre a presença da ciência na realidade doaluno, utilizando para isso exemplos e temas de estudo do ligados ao cotidiano(eletricidade, culinária, novidades científicas e tecnológicas na mídia, eventosastronômicos, como o eclipse solar etc). Se o aluno percebe que a ciência é uma realizaçãoda humanidade, que é influenciada pelas condições em que o cientista se encontra, e que elatem uma influência direta na vida de todo cidadão, ele certamente se tornará mais receptivoa refletir sobre essa natureza da ciência. E, ainda, deve-se levar em conta que o adulto écapaz de observar aspectos políticos com uma maior facilidade que crianças e adolescentes,pois já está envolvido com o mundo do trabalho e a sociedade em sentido amplo.
  9. 9. 139• Compreender a natureza como um todo dinâmico e o ser humano, em sociedade,como agente de transformações do mundo em que vive, em relação essencial comos demais seres vivos e outros componentes do ambiente.Geralmente o aluno de EJA, como a maioria das pessoas adultas, vê a naturezacomo em uma fotografia, algo imutável e distante de si próprios. É necessário que os alunospercebam que as suas ações alteram a natureza, mesmo que em pequena escala. Essa visãoé contrária à conservação dos ecossistemas, devendo ser trabalhada de forma que facilitepara o aluno perceber a existência de relações entre todos os seres vivos (inclusive elepróprio) e os componentes não vivos da natureza. Os alunos devem ser auxiliados a superara visão antropocêntrica da natureza, predominante em nossa sociedade, pois essa é umavisão que coloca o ser humano como centro do universo estando a natureza apenas a seuserviço.Habitualmente, as pessoas relacionam os seres vivos e os ambientes com suautilidade direta para o ser humano ou por seu valor afetivo. Mas é preciso ir além,ressaltando-se a importância da diversidade de seres vivos na manutenção do equilíbrio dossistemas naturais, tendo em vista a continuidade da vida na Terra. A manutenção da visãoantropocêntrica dificulta que o aluno se perceba como parte do ambiente e, portanto, quealtere as suas atitudes, visando à conservação dos ecossistemas. Deve-se enfatizar que ohomem é parte da natureza, muito embora as tecnologias tenham incrementado em muitoseu poder de transformação (ou de interferência) nos ambientes. Por exemplo, o professorpode propor aos alunos que estudem como era um importante rio da cidade há cem anos e ocomparem com suas características atuais: quantidade de peixes, poluição, presença ouausência de indústrias ao longo dele etc. Esse tipo de estudo poderá fazer com que osalunos percebam que a natureza é dinâmica, e que o homem é um importante modificadorda mesma.• Identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia econdições de vida, no mundo de hoje, sua evolução histórica, e compreender atecnologia como meio para suprir necessidades humanas, sabendo elaborar juízosobre riscos e benefícios das práticas científico-tecnológicas.A história da humanidade é marcada pelas mudanças nas relações entre ahumanidade e o ambiente promovidos pelas aquisições científico-tecnológicas. Apenas nos
  10. 10. 140últimos trezentos anos, o estilo de vida predominante já mudou algumas vezes, em funçãoda industrialização, da criação de produtos derivados de petróleo, pelo uso extensivo deenergia elétrica e, mais recentemente, pela eletrônica e pela computação. Cada uma dessastransformações é devida a descobertas das ciências e das tecnologias, com conseqüênciasambientais importantes: aumento e diversificação dos resíduos sólidos (lixo) e outrasformas de poluição, diminuição da cobertura vegetal, redução de recursos naturais nãorenováveis (petróleo, minérios), perda de biodiversidade, entre outros. Em contrapartida,essa mesma civilização vem promovendo o acesso mais democrático à informação e aoconhecimento, mais lugar no mercado de trabalho para as mulheres, mais escolas para ascrianças e a difusão do atendimento médico com base científica.Um trabalho interessante para atingir esse objetivo seria estudar as alterações dasformas de cozinhar ao longo dos anos (do fogão à lenha, ao fogão a gás e ao microondas),relacionando as diferentes tecnologias às mudanças na sociedade e ao papel das mulheresno mundo do trabalho.É muito importante que sejam levantados e discutidos em EJA os riscos e osbenefícios das práticas científico-tecnológicas, para que os alunos desenvolvam umaopinião cada vez mais fundamentada a respeito da utilização de determinadas tecnologias,inclusive podendo optar conscientemente por elas. Os focos de discussão devem estar tantonas questões de condição de vida local, como naquelas distantes no tempo e no espaço. Noentanto, deve-se evitar julgamentos dessas práticas exclusivamente pela análise dos pontospositivos e negativos, deslocadas de seu contexto. Por exemplo, a escolha da fonte deenergia elétrica por um país depende da disponibilidade de recursos naturais. Na França, ¾da energia elétrica têm origem em usinas atômicas, pois ainda que estas representem riscose conseqüências negativas ao meio ambiente, foram consideradas mais viáveis diante doquadro de recursos disponíveis. Já no Brasil, a opção por energia nuclear é muito maisdiscutível, uma vez que o país dispõe de uma série de outros recursos para geração deenergia. Alternativas tecnológicas viáveis para uma cidade, região ou um país não sãoigualmente interessantes para outro lugar, dependendo de suas condições ambientais esociais.• Compreender a saúde pessoal, social e ambiental como bem individual e coletivoque deve ser promovido pela ação de diferentes agentes.
  11. 11. 141Este objetivo ressalta a importância de se trabalhar o conceito de saúde tanto noplano individual (vinculado aos hábitos e à herança genética) como no plano coletivo(determinado pelo acesso a serviços e pelas características ambientais com as quais oindivíduo interage). Esses enfoques são fundamentais para que se possa compreender adinâmica complexa da saúde.Visando à compreensão da dimensão coletiva da saúde, é fundamental que os alunospossam avaliar os aspectos ambientais específicos de sua localidade (saneamento básico,equipamentos de lazer e cultura, condições de salubridade do ar etc.), compartilhandoinformações sobre os recursos públicos para a saúde. Também é preciso promover aidentificação e valorização das práticas coletivas para promoção da saúde, como, porexemplo, a participação em grupos de cultura e lazer de associações locais e a participaçãoem campanhas para a reivindicação de direitos junto a órgãos públicos e privados, entreoutras.Além disso, é preciso que tenham instrumentos para avaliar seus hábitos de higiene,alimentação, lazer e de relacionamento (vinculados à saúde mental). Esses instrumentossão, em parte, as informações sobre os vários aspectos que definem o equilíbrio dinâmicoentre saúde e doença do indivíduo. São também as oportunidades de debate, de reflexão ecomentário sobre situações que promovem equilíbrio ou desequilíbrio da saúde. Busca-se,assim, que o aluno valorize o cuidado com o próprio corpo, reflita sobre seus hábitos eperceba incoerências entre as práticas que preservam sua saúde e as suas ações. Isto é aindamais relevante, ao se considerar que o aluno de EJA geralmente tem sob a suaresponsabilidade outras pessoas e que um melhor entendimento das questões ligadas àsexualidade, alimentação, convívio e lazer poderão estar gerando melhorias também paramembros da sua família.• Formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partirde elementos das ciências naturais, colocando em prática conceitos, procedimentose atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar.Deve-se considerar que diagnosticar problemas, elaborar perguntas e pensar emhipóteses, buscando-se solução dos problemas identificados, são tarefas cotidianas para osalunos adultos, ainda que muitas vezes não saibam nomear as etapas dessa metodologia. Oprofessor de EJA pode orientar a sua atuação, tornando evidente cada um desses
  12. 12. 142procedimentos durante ou após várias situações de aprendizagem, esclarecendogradativamente a natureza de cada um deles. Discutindo com seus alunos o que é umaquestão, uma explicação, um diagnóstico, comparando diferentes soluções, o professorestará contribuindo para a construção da autonomia intelectual dos alunos, estimulando-os autilizar essa metodologia em sua prática escolar e na vida diária.• Saber utilizar conceitos científicos básicos, associados a energia, matéria,transformação, espaço, tempo, sistema, equilíbrio e vida.É muito comum que os alunos saibam definições de conceitos científicos básicos,mas que não consigam utilizá-los adequadamente tanto na prática escolar quanto na suavida cotidiana. Isto acontece porque decoram definições, postulados e certos exemplos semnecessariamente terem entendido seus significados. É essencial, portanto, que o professordesenvolva os conceitos científicos básicos de forma que se evite a aprendizagem porsimples memorização de definições e que se estimule um entendimento amplo dosconceitos, capacitando o aluno a aplicá-los em situações-problema ficcionais ou de seucotidiano.• Saber combinar leituras, observações, experimentações e registros para coleta,comparação entre explicações, organização, comunicação e discussão de fatos einformações.• Valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para aconstrução coletiva do conhecimento.É importante que se proporcione ao aluno adulto o acesso às várias formas de seobter uma informação – leituras, observações, experimentações, entrevistas etc – para queseja possível vivenciar em cada uma delas suas vantagens e limitações. Para que umdeterminado fenômeno seja investigado, é muito importante que o aluno não se baseie, porexemplo, apenas em observações, mas que utilize outros métodos para obter informaçõessobre ele, como leituras e experimentações.A partir dos dados obtidos em diferentes fontes, podem ser realizadas discussões ecomparações muito mais detalhadas e também muito mais relevantes, saindo-se do sensocomum, já consolidado em adultos e, por isso mesmo, muito freqüente em EJA. Deve-secriar oportunidade para que o aluno desenvolva a capacidade de saber produzir textosinformativos e outras formas de registros, como desenho e esquemas, além de comunicá-los
  13. 13. 143oralmente e discuti-los coletivamente. Contudo, uma maior ênfase deve ser dada para odesenvolvimento da escrita como forma de registro, uma vez que é a principal deficiênciado aluno que interrompeu os estudos. O relato oral, embora seja um recurso muito maisutilizado por jovens e adultos em seu cotidiano, deve ser redimensionado, proporcionandooportunidades para que seja preparado, enriquecido com novas informações, elaborado comopiniões e argumentos embasados.Deve-se levar em conta, ainda, se as diferentes fontes de informação são adequadasou não aos diversos temas e problemas das ciências naturais. As entrevistas, por exemplo,oferecem informações muito relevantes para os estudos na área da saúde, que não seriamobtidas por experimentação. Já os temas ligados à tecnologia, englobando conteúdos defísica e química, permitem experimentações como fonte de informação, assim como temasrelativos ao meio ambiente são mais bem trabalhados por meio de observações. Portanto, éfundamental que o professor de jovens e adultos diversifique essas fontes e proporcione odesenvolvimento de vários procedimentos.Os trabalhos individuais são importantes porque por meio deles os alunosdesenvolvem e repensam as suas próprias explicações para os fenômenos. Porém, ostrabalhos em grupo devem ser valorizados, pois com eles existe a possibilidade deconfrontar explicações e argumentos, possibilitando a desestabilização de opiniõesarraigadas, o que não se dá em trabalho individual. Além disso, com o trabalho em grupo oaluno adulto aprende a respeitar a pluralidade de opiniões a respeito de determinado tema epassa a ser responsável também pela formação dos outros alunos. Essa conscientização daconstrução coletiva de conhecimento deve ser desenvolvida pelo professor de EJA.Um exemplo de trabalho interessante que pode atingir esses objetivos é olevantamento, em pequenos grupos, das principais causas de morte ocorridas entre osfamiliares dos alunos. Para tanto, seriam realizadas entrevistas com determinadosfamiliares. Em seguida, as causas levantadas nos grupos seriam socializadas, e os alunospoderiam ler textos que falassem sobre as estatísticas nacionais. A partir das leituras e dosdados anteriormente coletados, os alunos discutiriam as diferenças e as semelhançasencontradas entre o padrão da classe e o nacional, podendo entender melhor o que sãomédias, padrões e índices.
  14. 14. 144CCOONNTTEEÚÚDDOOSS DDOO EENNSSIINNOO DDEE CCIIÊÊNNCCIIAASS NNAATTUURRAAIISSDiante dos objetivos apresentados, divisamos um grande conjunto de possíveisconteúdos a serem trabalhados de forma significativa em classes de jovens e adultos:pessoas que voltam à escola em busca de inserção e melhor qualificação no mercadode trabalho. Freqüentemente, pessoas diferentes entre si, com opiniões e habilidadesheterogêneas. Quais conteúdos escolher para aprendizagem significativa e socialmenterelevante?Sabemos que não é possível ensinar todos os conceitos científicos (ou “dartudo”) aos alunos. Isto é verdade não apenas porque a EJA conta um menor número deaulas que o ensino regular, pois também no ensino regular é difícil cobrir programasextensos. A impossibilidade advém também da ampliação do conhecimento científicoe tecnológico, que surge na sala de aula como novas perguntas dos alunos, porexemplo, sobre clonagem, alimentos transgênicos, crise energética, tecnologias para asaúde etc Os alunos jovens e adultos são instigados a fazer perguntas sobre novosassuntos científicos, em razão do que conhecem por meio de TV, rádio, leituras eoutras fontes de difusão cultural e pessoas com quem convivem no trabalho. Esse fatoaumenta ainda mais os “conteúdos” que surgem em sala de aula. É possível assimilarnovos conteúdos a currículos já repletos de conteúdos? Os conteúdos tradicionais sãoadequados a essas preocupações?Crítica aos conteúdos tradicionaisDo mesmo modo que na escola para alunos que cursam o Ensino Fundamentalentre 7 a 14 anos, observa-se em EJA a persistência da distribuição de conteúdos deuma forma tradicional há mais de trinta anos em nosso país. Trata-se da abordagem dear, água, solo na 5ª série; seres vivos, na 6ª série; corpo humano, na 7ª série; física equímica, na 8ª série. Ecologia é vista na 5ª ou 6ª série; astronomia tem lugar variável,mas geralmente fica na 5ª série; e evolução na 6ª série, junto com estudos dos seresvivos. Essa abordagem foi consolidada pelos livros didáticos de grande vendagem oudistribuídos pelo governo e apresenta-se muito arraigada entre os professores deciências, que vêm repetindo a mesma fórmula, com pequenas variações. Entre essas,
  15. 15. 145destacam-se as inserções de temas mais modernos desde os conteúdos de 5ª série,ligados às questões ambientais ou da saúde.Há muitos aspectos criticáveis nessa forma de organização, entre os quaisdestacam-se:• envelhecimento da proposta: por exemplo, os assuntos de biologia sãopautados na ciência que se praticava no século XIX, com ênfase naclassificação dos seres vivos (zoologia e botânica, sistematizadas por Lineuno século XVIII) e não em suas interações com o meio ambiente (ecologia,uma ciência do século XX);• abordagem estanque dos fenômenos naturais: por exemplo, estudos deenergia e matéria realizados apenas no segmento final do curso, deixando-se, de modo reiterado, de observar fenômenos relativos a matéria e energiaassociados aos seres vivos, ao ambiente e às tecnologias, presentes nocotidiano;• ausência de correlações entre as ciências naturais e o desenvolvimentohistórico da humanidade e a cultura em geral, dando impressão deconhecimento neutro (sem vínculos políticos) e não histórico.De fato, na pesquisa realizada para a elaboração deste documento, a maioria dosalunos disse não utilizar os conhecimentos escolares de ciências naturais em seu cotidianoou trabalho. Será que esses conhecimentos são realmente desvinculados de seu cotidiano?Ou será que a abordagem tradicionalmente dada não vincula os conhecimentos trabalhadosao cotidiano do aluno adulto?As novas propostasTodas as questões colocadas reforçam a necessidade de selecionar conteúdos.Porém, para selecioná-los, é preciso compreendê-los em diferentes aspectos e ângulosde análise, refletindo sobre quais são mais adequados ao grupo de alunos de cadaclasse. Por isso, nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, osestudos sobre os conteúdos ocupam a maior parte do documento e são organizados emcinco modos distintos e complementares:
  16. 16. 146a) a natureza dos conteúdos, enquanto fenômenos, conceitos, procedimentos,valores e atitudes, uma classificação compartilhada com as demais áreas e temastransversais;b) os temas transversais, essenciais para a formação da consciência cidadã;c) os critérios para seleção de conteúdos, que sintetizam as considerações gerais eos objetivos da área;d) a proposta de organização dos conteúdos em temas e problemas de trabalho, queo professor escolhe para a composição do semestre letivo, de modo a proporcionar odesenvolvimento das capacidades expressas nos objetivos gerais, geradas pelaaprendizagem de certos conteúdos selecionados.e) a diversidade de temas e problemas e o destaque aos conteúdos (conceitos,procedimentos e valores) organizados em eixos temáticos: Terra e Universo,vida e ambiente; ser humano e saúde e tecnologia e sociedade.É claro que essas propostas se diferenciam bastante do que uma parcela significativados professores de ciências vem praticando, tanto no ensino para crianças e adolescentescomo no EJA, conforme se tornou patente na pesquisa realizada para a confecção destedocumento.No entanto, a mesma pesquisa demonstra que a diversificação de conteúdos emétodos é uma preocupação de todos. Isto é coerente com as intenções de muitoseducadores, na busca por alcançar resultados mais satisfatórios no que se refere tanto àaprendizagem dos alunos, quanto a seu interesse pelas aulas e suas possibilidades departicipação social e no trabalho. Note-se que a melhor qualidade das aulas também resultaem ganho do professor, que qualifica a dimensão profissional de sua vida.Assim, tem-se recomendado a todos aqueles professores que já estão começando ouquerem começar a transformar suas aulas, em particular, e sua atuação profissional, emsentido amplo, que não se inibam na experimentação de novos conteúdos, de novas técnicase de recursos. Para não sofrer com insegurança é importante que conversem com parceirosmais experientes e que promovam mudanças gradativas, paulatinas. É preciso ter em menteque o professor de ciências naturais é de fato um polivalente, pois sua formação inicial nãodá conta de toda a gama de assuntos que compõe a área. Estará sempre estudando novos
  17. 17. 147assuntos, motivado por sua própria curiosidade, pelas questões trazidas pelos alunos e pelasaquisições e mudanças das ciências.Ainda que os professores necessitem do apoio do livro didático, e elerepresente um currículo diferente das propostas apresentadas, é possível trabalhar como livro didático aproveitando as inovações deste documento, por exemplo, ao escolhera ordem dos conteúdos, os enfoques de discussão, as pesquisas e outros trabalhoscomplementares. Os livros didáticos, disponível em todas as escolas, continuará a seruma importante fonte de consulta de informações, ainda que não seja a única. Com oacúmulo de conhecimento e experiência, o professor poderá propor mudanças maisprofundas em relação às do livro, sempre que assim julgar.Natureza dos conteúdos: fatos, conceitos, procedimentos, atitudes e valoresOs Parâmetros Curriculares Nacionais trouxeram uma concepção revista deconteúdo escolar, indicando para ensino e aprendizagem não apenas os fenômenos econceitos selecionados a partir dos saberes científicos, mas também os procedimentos,atitudes e valores. Desse modo, o termo “conteúdo” é aplicado a tudo o que o professorensina em sua aula, e não apenas aos conceitos científicos que deverão ser legitimamentetrabalhados, para que todos conheçam o legado cultural da humanidade, e quetradicionalmente recebem a designação de “conteúdos”.Vale lembrar que quando essa concepção foi formulada, veio traduzir o que muitoseducadores já praticavam, ainda que de modo mais intuitivo e sem se preocupar com adefinição formal, com a teorização de suas propostas ou, ainda, usando outra terminologia,tal como o termo “habilidade” para designar o que nos PCN 5ª a 8ª são denominados“procedimentos”. Aliás, em outros documentos oficiais, notadamente a Matriz deCompetências e Habilidades do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o PCN doEnsino Médio optou-se pelo termo “habilidade”, e não por “procedimento".Os procedimentos constituem-se nos modos de indagar, selecionar e elaborar oconhecimento, representados por habilidades de observar, comparar, registrar, analisar,sintetizar, interpretar e comunicar conhecimento. O ensino desses procedimentos só épossível pelo trabalho com diferentes temas, sendo investigados de formas distintas, ematividades planejadas pelo professor.
  18. 18. 148O professor de EJA deve sempre lembrar que, embora esteja lidando com adultos,muitas vezes eles não sabem desempenhar essas habilidades. Provavelmente em sua vidaele tenha sido pouco solicitado a comunicar observações, comparações, registros, análises einterpretações. Torna-se essencial que o professor de EJA primeiramente forneça modelospara os diferentes procedimentos, possibilitando que os alunos se tornem autônomos aospoucos. Por exemplo, ao trabalhar uma comparação entre duas situações, o professor iniciafazendo ele próprio esse tipo de comparação e registrando-a na lousa, discutindo com osalunos os seus critérios e resultados. Após tê-las feito algumas vezes, poderá pedir aosalunos que as façam antes dele e novamente discutirá as comparações feitas. Com isso, oaluno irá aprendendo ativamente, ou seja, na prática de um determinado procedimento.Posteriormente ele será capaz de comparar duas situações sem o auxílio do professor,estando em processo de aquisição de autonomia intelectual.A conquista da autonomia intelectual deve ser um dos principais objetivos doprofessor que, por temas e atividades escolhidos, atua de modo que o aluno adulto seja cadavez mais capaz de analisar, relacionar, pesquisar e opinar por si mesmo. Fazê-lo é umgrande desafio para o professor de EJA, mas que só pode ser alcançado com um trabalholento e constante. Nenhuma aprendizagem de procedimentos se dá de forma isolada dabusca de conhecimentos dos conceitos científicos que explicam os fenômenos naturais efatos tecnológicos.Os conteúdos conceituais em ciências naturais são os conhecimentos desenvolvidospelas diferentes ciências particulares (geologia, biologia, química, física etc) para acompreensão do mundo natural. Alguns desses conhecimentos são aplicados dando origemà tecnologia. São parte dessa categoria os fatos ou fenômenos naturais, os conceitos e osprincípios científicos. Temas e problemas das aulas de Ciência propõe estudos de fatos efenômenos naturais. E, é claro, na vida de todo ser humano existe uma série de fenômenosnaturais e fatos tecnológicos) acontecendo a todo momento. Esses fatos apenas têm sentidoquando explicados, ou seja, quando o indivíduo relaciona idéias e elabora um modelo deinterpretação para os mesmos. Os alunos adultos já possuem, na maioria das vezes, os seuspróprios modelos de interpretação, e é papel do professor de EJA garantir que estes seaproximem dos modelos oferecidos pela ciência, por meio da aprendizagem. Por exemplo,embora tenham conhecimento da existência das chuvas e até tenham explicações próprias
  19. 19. 149para a ocorrência das mesmas, sem o entendimento das mudanças físicas da água e do seuciclo na natureza, não é possível uma melhor compreensão desse fenômeno. No geral, eletrará modelos de interpretação baseados na observação e no senso comum, que podem atépermitir fazer previsões acertadas (“acho que hoje irá chover”, ou “não irá”), mas que nãogeram um entendimento mais geral do fato, integrando vários fenômenos ligados ao clima.Além dos conteúdos conceituais e dos procedimentos, as atitudes são também umimportante objeto de ensino e aprendizagem. Em ciências naturais, é relevante odesenvolvimento de posturas e valores pertinentes às relações entre os seres humanos, oconhecimento e o ambiente. Os alunos de EJA já possuem seus valores e posturas definidose muitas vezes arraigados. A promoção de uma mudança no comportamento dos alunostalvez seja um dos maiores desafios para o professor de jovens e adultos.O aluno adulto poderá mudar uma atitude, se ele entender a real necessidade defazê-lo pela compreensão das conseqüências de seus atos. A aprendizagem deve conferir aoaluno subsídios (fatos e conceitos) que lhe permitam avaliar e decidir se seucomportamento é ou não adequado. Seria proveitoso que um professor de alunos que jogamlixo nas ruas de sua cidade abordasse temas como: enchentes, proliferação de animaistransmissores de doenças, quantidade de lixo produzido na cidade, destino do lixoproduzido, custo para o tratamento do lixo etc. Nessas discussões, o respeito à diversidadede opiniões ou às provas obtidas por investigação e a colaboração na execução das tarefassão elementos que contribuem para o aprendizado de atitudes, como a responsabilidade emrelação à saúde e ao ambiente. Durante a realização desse trabalho, os alunos estarãorepensando seus valores, podendo ocasionar uma mudança de comportamento.A questão mais importante relacionada à aprendizagem de valores e atitudes é ocomportamento do professor em sala de aula, uma vez que ele se apresenta como umaimportante referência para os seus alunos. No caso do exemplo dado acima, se os alunosverificam que o professor também joga lixo na rua, provavelmente não se sentirãoincentivados a guardar o seu lixo até encontrarem um local apropriado para jogá-lo, mesmoque entendam a importância desse ato. É essencial que a dimensão dos conteúdos sejaobjeto de reflexão e de ensino do professor, para que valores e posturas sejamdesenvolvidos nos alunos.
  20. 20. 150De modo geral, são muito importantes de serem incentivadas no ensino de ciênciasnaturais as atitudes de curiosidade, de respeito, a diversidade de opiniões, a persistência nabusca e compreensão das informações, as provas obtidas por investigações, de valorizaçãoda vida em sua diversidade, de preservação do ambiente, de apreço e respeito àindividualidade e à coletividade, entre outras.No planejamento e no desenvolvimento dos temas de trabalho em sala de aula, cadauma das dimensões dos conteúdos (conceitos, procedimentos e valores) deve serexplicitamente tratada. Também nas avaliações devem estar presentes, de forma compatívelcom que foram trabalhados em sala de aula. É preciso que o professor esteja atento paraavaliar não somente a aprendizagem dos conteúdos conceituais, mas também a dosprocedimentos e dos valores.Temas transversaisOs temas transversais são os que envolvem múltiplos aspectos e diferentesdimensões da vida social e que visam a uma educação voltada para a construção dacidadania e da democracia. Baseados em sua urgência social, em sua abrangência nacional,na possibilidade de ensino e aprendizagem no Ensino Fundamental e no favorecimento dacompreensão da realidade e da participação social, foram elencados os seguintes temas:ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho econsumo.Segundo a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais de 5aa 8asérie,voltado para alunos de 7 a 14 anos, esses temas devem ser trabalhados pela instituiçãoescolar de forma transversal, ou seja, pretende-se que eles estejam presentes em todas asáreas convencionais.No caso específico de ciências naturais, há uma série de trabalhos que podem serrealizados que contemplam os temas transversais, alguns, inclusive, com caráterinterdisciplinar. Por exemplo, ao se abordar o tema alimentação, pode-se trabalhar nãoapenas os aspectos biológicos da mesma, mas também o quanto determinados alimentosprojetaram a economia do país nas diferentes épocas (trabalho e consumo), (podendo estaresse tema integrado à área de história); as diferenças presentes na alimentação dosdiferentes povos (pluralidade cultural); o quanto a cultura alimentar de um determinado
  21. 21. 151país direciona investimentos (trabalho e consumo, integrado à área de geografia); osimpactos ambientais e sociais causados por determinadas plantações (meio ambiente,trabalho integrado à área de geografia) etc.A inclusão dos temas transversais em ciências naturais é uma ampliaçãoconsiderável ao que já se pratica habitualmente em estudos de meio ambiente, saúde esexualidade, temas recorrentes da área. É interessante que o professor de ciências naturaisde EJA leia o texto referente aos temas transversais dos PCNs de 5aa 8asérie voltados paraalunos de 7 a 14 anos, pois esses temas são, na verdade, muito mais amplos do que osgeralmente tratados nas aulas de ciências. No caso do tema transversal orientação sexual,por exemplo, tão importante quanto a explicação biológica dos sistemas reprodutoresenvolvidos é o exame da diversidade de valores, crenças e comportamentos relativos àsexualidade. Tais estudos devem proporcionar também o reconhecimento pelo aluno dascaracterísticas socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino em manifestaçõesculturais, possibilitando tomadas de posição contra discriminações de gênero. Portanto,torna-se essencial que os professores de ciências leiam os documentos de temas transversaise realmente os trabalhem na íntegra, possibilitando aos seus alunos uma real prática dacidadania.Critérios para seleção de conteúdosOs alunos de EJA já possuem, no geral, uma vida profissional, familiar, social epolítica estabelecida. Além disso, sua experiência de vida deve promover maioramadurecimento no modo de pensar mais responsável. Por esses motivos é que nem tudo oque é adequado ao aluno que cursa o Ensino Fundamental, entre 7 a 14 anos, é adequado ouinteressante ao aluno jovem e adulto. No entanto, os critérios de seleção de conteúdo, emlinhas gerais, são muito semelhantes aos encontrados no documento ParâmetrosCurriculares Nacionais de Ciências Naturais, uma vez que a educação, não importando aquem se destine, deve favorecer o seu processo pessoal de constituição do conhecimentocientífico e de outras capacidades necessárias à cidadania, tais como a capacidade deestabelecer relações entre várias idéias, comparar diferentes propostas de forma, ser capazde autocrítica, ter compreensão sobre os temas transversais etc.
  22. 22. 152Sugere-se, portanto, que os conteúdos escolhidos sejam relevantes do ponto de vistasocial, cultural e científico para os alunos, auxiliando-os a compreender e superarinterpretações ingênuas sobre as relações entre a natureza, o ser humano e a tecnologiaexistentes em seu cotidiano. Para estabelecer o que é um conteúdo relevante desses pontosde vista, é essencial que o professor de EJA conheça o seu grupo de alunos, o seu trabalho,as suas relações familiares, quais os seus contatos à ciência e à tecnologia, quais são as suasopiniões sobre os fenômenos etc. Esse conhecimento pode ser estabelecido tanto por meiode questionários, debates e apresentações de seminários realizados no início do trabalho doprofessor (de forma que um maior contato seja estabelecido com o grupo) quanto durantetodo o trabalho por meio de problematizações. A partir dessas informações e com aconstante observação da realidade de seus alunos, o professor de EJA terá maior facilidadepara definir quais são os conteúdos relevantes para esse grupo.Outro critério importante que deve ser considerado pelo professor de jovens eadultos, na hora de selecionar conteúdos, é de que esses devem permitir que o alunoperceba o mundo como algo formado por diversos elementos (o ser humano, os outros seresvivos, os fatores abióticos, os fatores culturais etc.) que estão interagindo o tempo todo. Oaluno adulto deve ser capaz de perceber que o mundo está em constante transformação(caráter dinâmico) e que o ser humano é um dos agentes dessa transformação,principalmente pelo uso da tecnologia.Um último critério sugerido pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de CiênciasNaturais é de que os conteúdos devem ser não apenas fatos e conceitos, mas tambémprocedimentos, atitudes e valores a serem promovidos nos alunos, compatíveis com as suaspossibilidades e necessidades de aprendizagem e principalmente compatíveis com amelhoria da sua qualidade de vida. É importante lembrar que o trabalho com os temastransversais se constitui em uma excelente oportunidade para o professor ajudar o alunoadulto a repensar atitudes e valores, promovendo mudanças nos mesmos.Temas e problemas de trabalhoA proposta ora apresentada destaca a importância de se selecionar temas eproblemas relevantes aos alunos em cada realidade de sala de aula, tendo-se o
  23. 23. 153conhecimento científico organizado e os temas transversais como referências deconteúdos a seres escolhidos, sem a pretensão de se trabalhar “tudo” com os alunos.As tendências pedagógicas mais atuais de ensino de ciências apontam para avalorização da vivência dos estudantes, como critério para escolha de temas de trabalho edesenvolvimento de atividades. Portanto, buscar situações significativas na vivência dosestudantes, tematizá-las, integrando vários eixos temáticos e temas transversais, é o sentidodos Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais. É necessário conhecer o grupode alunos, identificar essas situações significativas e formular atividades de ensino para aelaboração de planejamentos de curto ou de longo prazos. Este é o espaço de atuação detodos os professores e educadores da área científica, ao produzir currículos significativos einteressantes aos estudantes.Evidentemente, a escolha dos conteúdos para a realização concreta de umplanejamento do tema depende tanto da realidade local e regional como das característicasdos estudantes. Por isso, os temas e problemas aqui exemplificados poderão ser maisrelevantes para certos estudantes, e menos para outros, cabendo ao professor em sua equipeselecionar, avaliar e transformar as sugestões.Essa proposta de trabalho com temas é coerente com as características de EJA,considerando-se especialmente o tempo reduzido em sala de aula. A organização dosconteúdos, sob a forma de temas de trabalho, permite ao professor discutir e aprofundarquestões pertinentes aos alunos adultos, deixando de lado questões menos relevantes que,muitas vezes, desestimulam os alunos, não contribuindo para uma aprendizagemsignificativa.Assim, deve ficar claro ao professor que os temas de trabalho podem contemplar umeixo temático apenas, ou, com maior proveito, mais de um eixo e temas transversais,conforme exemplificado abaixo. Fazê-lo na prática constitui um desafio para todos.TEMA DE TRABALHO: DIETAS E CONSUMO DE ALIMENTOConteúdosprocedimentaisConteúdosconceituaisEixos temáticosde ciênciasTemastransversaisConsulta a fontes deinformaçãoParticipação humana emcadeias alimentares devários ambientes; osdiferentes processos deVida e ambiente Meio ambiente
  24. 24. 154obtenção de alimentos dosseres vivosEntrevistas Hábitos alimentares emdiferentes culturasSer humano esaúdePluralidadeculturalInterpretação derótulos de alimentosComposição dos diferentesalimentos; papel dosnutrientes no organismohumanoSer humano esaúdeTrabalho econsumoExperimentoscontrolados e visitasa indústriaProcessos de conservaçãodos alimentosindustrializados comparadosaos domésticosTecnologia esociedadeSaúdeComparação devárias dietas reais ehipotéticasNecessidades epossibilidades dealimentação em diferentescondições da vida adulta einfantilPerspectiva do equilíbriosaúde/doençaSer humano esaúdeSaúde, trabalho econsumoAtitudes e valores: valorização da alimentação saudável e adequada ao indivíduo, respeitoàs influências culturais na alimentação.Em um outro exemplo, em vez do tradicional conteúdo as camadas da Terra, umtema de trabalho abordaria os mesmos conteúdos conceituais, mas de forma coerente comos objetivos gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais: a Terra como espaço para avida. Com esse tema, os alunos poderiam investigar os motivos pelos quais a Terra é oúnico planeta no sistema solar com as condições necessárias para o desenvolvimento davida; por que existe a diversidade de vida no planeta, abordando questões do eixo vida eambiente e do Terra e Universo.TEMA DE TRABALHO: A TERRA COMO ESPAÇO PARA A VIDAConteúdosprocedimentaisConteúdosconceituaisEixos temáticosde ciênciasTemastransversaisComparação doscomponentes físicosda Terra aos demaisplanetasPresença de água, atmosferacom oxigênio e limites detemperatura como condiçõesde vidaTerra e Universo;vida e ambienteMeio ambienteBusca deinformações emModificação da biosfera,atmosfera e hidrosfera pelasTerra e Universo;vida e ambienteMeio ambiente
  25. 25. 155fontes variadas(experimentos, livros,revistas)atividades humanasEfeito estufaReservatórios de água doceInterpretação degráficos, tabelas eíndicesAlternativas para reduzir o iImpacto ambientalTecnologia esociedadeTrabalho econsumoAtitudes e valores: promoção de uma atitude conservacionista em relação ao planeta.No entanto, alguns temas serão mais bem abordados, considerando-se um únicoeixo temático de ciências naturais, como por exemplo:TEMA DE TRABALHO: VISÕES DE MUNDOConteúdosprocedimentaisConteúdosconceituaisEixos temáticosde ciênciasTemastransversaisLeituras de mitos elendas sobre aformação doUniversoEntrevistas compessoas diferentesOrigem do universo, daTerra e da vidaTerra e Universo PluralidadeculturalObservaçãoExperimentaçãoRepresentação pelodesenhoAs relações entre calendáriocom os movimentosterrestres (dia e noite,semana, estações do ano);Explicações sobrefenômenos luminosos(reflexão da luz e seupercurso em meiohomogêneo)Terra e Universo PluralidadeculturalLeitura de textoinformativoComparação deidéiasCaracterísticas do modelogeocêntrico;Características do modeloheliocêntricoTerra e UniversoValores e atitudes: respeito às culturas de diferentes lugares e tempos.Os eixos temáticosOs eixos temáticos agrupam vários conteúdos que, em diferentes arranjos, podemformar diferentes temas. Eles foram propostos no documento dos Parâmetros CurricularesNacionais de 5aa 8asérie, para o ensino de alunos entre 7 a 14 anos. Seu propósito é
  26. 26. 156ampliar as possibilidades do professor, para o estabelecimento de diferentes seqüências deconteúdos e conexões entre os diferentes eixos temáticos, de acordo com a realidade deseus alunos.Ao organizar os temas de trabalho, o professor julgará a pertinência deaprofundamento de estudo em alguns eixos temáticos e a exploração mais ampla de outros,tomando como base os critérios de seleção de conteúdos aplicados à sua realidade. Éimportante que o aluno de EJA, ao longo dos dois anos que permanece na escola, possa, nomínimo, entrar em contato com conteúdos pertencentes aos quatro eixos temáticos, e nãoapenas um ou dois desses eixos.Conforme já apontado, os eixos presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais deCiências Naturais são quatro: Terra e Universo, vida e ambiente, ser humano e saúde,tecnologia e sociedade.O eixo Terra e Universo propõe estudos que permitam ao aluno reconhecer aTerra como um componente do sistema solar e compreender as interações do nossoplaneta com esse sistema. Para tanto, o professor pode desenvolver estudos sobrematéria, energia e vida na Terra. Por exemplo, podem ser confrontadas concepçõesintuitivas e científicas acerca do Universo e da forma da Terra, ou mesmo propor queos alunos estudem a história do planeta e da vida no mesmo. Para alunos de EJA, sãoaté mais apropriados os temas relacionados à origem do Universo, da vida e aevolução dos seres vivos e do ser humano em particular, pois já possuem a idéia deTerra como planeta e transitam por grandes intervalos de tempo com maior facilidadeque os adolescentes muito jovens. Além disso, já possuem mais informações eopiniões sobre as origens da vida e do Universo, o que enriquece e acelera o trabalhocom este eixo temático.É bastante recomendável a pesquisa de diferentes visões de mundo e explicaçõessobre as suas origens, (religiosas, míticas ou espontâneas) comparadas com modeloscientíficos hegemônicos em diferentes etapas da história das ciências (modelosgeocêntricos antes de Copérnico e modelo heliocêntrico a partir de Copérnico). Isto podeser trabalhado junto com a origem e evolução do Universo, assim como a origem eevolução da vida. Os alunos podem ser convidados a verificar e comparar estas visões entreseus amigos, familiares e colegas de trabalho, analisando razões e contradições,
  27. 27. 157observações experimentais e valores humanos envolvidos. Tais sugestões foramorganizadas no quadro da sessão anterior.O eixo vida e ambiente propõe que se promova a compreensão do ambientecomo o conjunto das interações entre os seus diversos componentes, junto com avalorização da sua diversidade e das adaptações dos seres vivos ao ambiente. Dentrodisso, propõe que o aluno seja capaz de diagnosticar as relações do ser humano com oseu meio que resultam na transformação dos ambientes. Por exemplo, pode-se proporque os alunos estudem características de diversos ambientes e o equilíbrio dinâmicoexistente neles.É importante que esses estudos não sejam meramente teóricos, mas incluamestudos de elementos concretos do ambiente imediato, representativos do lugar ondevivem os alunos e se situa a escola. Por exemplo, em ambiente urbano, pode-se estudarum riacho ou córrego do bairro, cujo histórico de há cinco, dez ou vinte anos pode serlevantado, antes de ter se tornado despejo de efluentes industriais, ou esgoto a céu aberto,discutindo-se que tipo de intervenção terá degradado o córrego e que outras intervenções, eem que prazo seriam capazes de recuperá-lo ou revitalizá-lo. Tanto mais eficaz será tal tipode discussão, quanto mais o cidadão estiver presente, no estudante, com sua capacidade deintervir, protestar, planejar, responsabilizar ou responsabilizar-se.No eixo ser humano e saúde, pode-se desenvolver no aluno o aumento doentendimento sobre o funcionamento do corpo humano, abordando principalmente apromoção e manutenção da saúde. Por exemplo, estudos envolvendo astransformações do organismo e do corpo na infância, na adolescência e na fase adulta,inclusive relacionando-as com as trocas de ambientes. Ou estudos onde o alunocompreenda o seu corpo como o registro da sua história de vida.O eixo ser humano e saúde para jovens e adultos deve estar contemplado em temasque explorem problemáticas de quem já responde por sua alimentação, por seus cuidadosmédicos, por sua vida amorosa e sexual, e muitas vezes de quem já cuida de filhos ou depais idosos. Deve, por exemplo, considerar realidades econômico-financeiras dos alunos,envolvendo serviços públicos e planos de saúde, ao se discutir cuidados médicos e examesperiódicos. Uso de preservativos e sexo seguro, questões afetivas e familiares e tantasoutras temáticas podem resultar em discussões com grande participação, se conduzidas de
  28. 28. 158forma pedagogicamente adequada para jovens e adultos com vida sexual presumivelmenteativa.Já o eixo tecnologia e sociedade deve permitir que o aluno conheça as formascom que o ser humano realiza as transformações dos recursos naturais (como, porexemplo, a utilização de ferramentas e insumos, entre outros) e como as sociedadesestão relacionadas com essas formas. Cabem nesse eixo temas que desenvolvam noaluno a valorização da preservação dos recursos naturais por meio e tecnologiasadequadas ou a adoção de uma postura analítica e crítica diante dos benefícios eprejuízos das tecnologias. Ou mesmo temas que desenvolvam a valorização dasaquisições culturais da humanidade. Por exemplo, em trabalhos nesse eixo, oprofessor de EJA pode mostrar os efeitos da globalização e do avanço da tecnologiana oferta de alimentos, pela comparação entre o tipo de comida que se vende nasfeiras livres e nos grandes supermercados.Outro ponto muito relevante de ser trabalhado nesse eixo é a problematizaçãoda vida profissional, uma vez que os alunos de EJA estão particularmente atentos aessa temática. É importante que o professor desvincule profissão de emprego (esseúltimo muitas vezes escasso), valorizando também iniciativas autônomas, porexemplo, na área de serviços de reparos técnicos, de cosmética, de comércio varejista e dereaproveitamento de materiais. Também é muito recomendável, dentro desse eixo, umadiscussão mais ampla das questões energéticas e tecnológicas, incluindo nelas as relaçõescom o mercado de trabalho e as oportunidades profissionais.Esses estudos e outros que o professor julgue convenientes deverão proporcionar aoestudante, de modo contextualizado, a compreensão básica sobre conceitos da química e dafísica, tais como: as propriedades dos materiais e das substâncias (solubilidade,condutibilidade de calor ou de eletricidade etc.), categorias (metais e não metais; ácidos enão-ácidos etc.) e transformações (reações químicas, separação de misturas, mudanças deestado físico etc.).Sugestões de conteúdos por eixo temáticoEstarão sendo aqui sugeridos alguns conteúdos que atendem aos critérios de seleçãode conteúdos já explicitados anteriormente. É importante ressaltar que esses conteúdos são
  29. 29. 159apenas sugestões. Cada professor de EJA deve analisar, a partir do seu grupo de alunos edos seus objetivos, a pertinência em utilizá-las na composição de diferentes temas. Alémdisso, poderá trabalhar conteúdos ausentes nesse documento que lhe parecerem maisadequados a sua realidade.Terra e Universo• Observação direta, busca e organização de informações sobre a duração do diaem diferentes épocas do ano e sobre os horários de nascimento e ocaso do Sol,da Lua e das estrelas ao longo do tempo, reconhecendo a natureza cíclica desseseventos e associando-os a ciclos dos seres vivos e ao calendário.• Busca e organização de informações sobre cometas, planetas e satélites dosistema solar e outros corpos celestes para elaborar uma concepção deUniverso.• Estabelecimento de relação entre os diferentes períodos iluminados de um dia eas estações do ano, mediante observação direta local e interpretação deinformações deste fato nas diferentes regiões terrestres, para compreensão domodelo heliocêntrico.• Valorização dos conhecimentos de povos antigos para explicar os fenômenoscelestes.• Valorização do conhecimento historicamente acumulado, considerando o papelde novas tecnologias e o embate de idéias nos principais eventos da história daastronomia até os dias de hoje.• Caracterização da constituição da Terra e das condições existentes para apresença de vida.Vida e Ambiente• Investigação de diferentes explicações sobre a vida na Terra, sobre a formaçãodos fósseis e comparação entre espécies extintas e atuais.• Investigação da diversidade dos seres vivos compreendendo cadeias alimentarese características adaptativas dos seres vivos, valorizando-os e respeitando-os.
  30. 30. 160• Reconhecimento de formas eficientes de dispersão e estratégias reprodutivasdos seres vivos, em diferentes ambientes, e comparação entre reprodução sexuale assexual no que diz respeito à variabilidade dos descendentes.• Comparação de diferentes ambientes em ecossistemas brasileiros quanto àvegetação e fauna, suas inter-relações e interações com o solo, o clima, adisponibilidade de luz e de água e com as sociedades humanas.• Coleta, organização, interpretação e divulgação de informações sobretransformações nos ambientes provocadas pela ação humana e medidas deproteção e recuperação, particularmente da região em que vivem e em outrasregiões brasileiras, valorizando medidas de proteção ao meio ambiente.• Investigação dos fenômenos de transformação de estados físicos da água,compreendendo o ciclo da água em diferentes ambientes, identificando o modopelo qual os mananciais são reabastecidos, valorizando sua preservação.• Estabelecimento de relações entre os fenômenos da fotossíntese, da respiraçãocelular e da combustão para explicar os ciclos do carbono e do oxigênio deforma integrada ao fluxo unidirecional de energia no planeta.• Investigação de alterações de determinados ambientes como resultado daemissão de substâncias, partículas e outros materiais produzidos por agentespoluidores, compreendendo os processos de dispersão de poluentes no planeta easpectos ligados à cultura e à economia para valorizar medidas de saneamento ede controle de poluição.Ser humano e saúde• Compreensão do organismo humano como um todo, reconhecendo fatoresinternos e externos ao corpo que concorrem na manutenção do equilíbrio,compreendendo as manifestações e os modos de prevenção de doenças comunsem sua comunidade e o papel da sociedade humana na preservação da saúdecoletiva e individual.• Compreensão de processos envolvidos na nutrição do organismo, estabelecendorelações entre os fenômenos da digestão dos alimentos, a absorção de nutrientes
  31. 31. 161e sua distribuição pela circulação sangüínea para todos os tecidos doorganismo.• Distinção de alimentos que são fontes ricas de nutrientes plásticos, energéticose reguladores, caracterizando o papel de cada grupo no organismo humano,avaliando sua própria dieta, reconhecendo as conseqüências de carênciasnutricionais (muitas vezes decorrentes de fatores culturais e ambientais) evalorizando os direitos do consumidor.• Compreensão dos sistemas nervoso e hormonal como sistemas de relação entreos elementos internos do corpo e do corpo com o ambiente, em situações docotidiano ou de risco à integridade pessoal e social, valorizando condiçõessaudáveis de vida.• Caracterização do ciclo menstrual e da ejaculação, associando-os à gravidez.• Compreensão dos processos de fecundação, gravidez e parto, conhecendovários métodos anticoncepcionais e estabelecendo relações entre o uso depreservativos, a contracepção e a prevenção das doenças sexualmentetransmissíveis, valorizando o sexo seguro e a gravidez planejada.Tecnologia e sociedade• Investigação de tecnologias usuais e tradicionais de mesma finalidade,comparando-as quanto à qualidade das soluções obtidas e outras vantagens ouaos problemas gerados, valorizando os direitos do consumidor, a qualidade devida e a conservação do meio ambiente.• Investigação dos modos de conservação de alimentos – cozimento, adição desubstâncias, refrigeração e desidratação – quanto ao modo de atuaçãoespecífico, à importância social histórica e local, descrevendo processosindustriais e artesanais para este fim.• Comparação e classificação de diferentes equipamentos de uso cotidianosegundo sua finalidade, energias envolvidas e princípios de funcionamento,valorizando o consumo criterioso de energia, os direitos do consumidor e aqualidade de vida.
  32. 32. 162• Investigação de processos de extração e produção de energia e substânciasobtidas por diferentes tecnologias tradicionais ou alternativas, suatransformação na indústria de produção de bens, valorizando a preservação dosrecursos naturais.• Comparação e classificação de diferentes materiais segundo sua finalidade, aorigem de sua matéria-prima, os processos de produção e o seu tempo dedecomposição na natureza, valorizando o consumo criterioso de materiais.• Compreensão de processos de recuperação e degradação de ambientes porocupação urbana desordenada, industrialização, desmatamentos, inundação paraconstrução de barragem ou mineração, pesando custos ambientais e benefíciossociais e valorizando a qualidade de vida.• Compreensão das relações de mão dupla entre as necessidades sociais e aevolução das tecnologias, valorizando condições de saúde, a qualidade de vidae a conservação dos ecossistemas naturais.OORRIIEENNTTAAÇÇÕÕEESS DDIIDDÁÁTTIICCAASSAs presentes orientações didáticas são propostas como subsídio para o professortrabalhar seus planejamentos, individuais ou coletivos e para auxiliar a sua atuação em salade aula, na condução de diferentes tipos de atividades, tendo em vista a formação que sepretende.A importância do planejamento reside não apenas na eleição de conteúdos, masprincipalmente de objetivos que nortearão todo um período letivo. Além disso, em equipe,os professores podem combinar seus planejamentos de longo termo (para um semestre, outrimestre), fazendo um trabalho interdisciplinar, de modo a melhor distribuir os conteúdosatitudinais e procedimentais otimizando o tempo disponível.Ao se fazer o planejamento para o semestre letivo, o professor deve procurarconhecer bem os seus alunos, por meio de conversas e atividades que permitam caracterizaro grupo que estará presente na sala de aula. Isso evita problemas gerados pelo estereótipoque podemos construir sobre os alunos. Um professor poderia achar que todos os seusalunos de EJA moram em zonas periféricas da cidade, geralmente muito pobres, planejando
  33. 33. 163assim desenvolver conteúdos como as conseqüências da ausência de saneamento básico e odestino de lixo das favelas. No entanto, após atividades e conversas com os seus alunos, oprofessor poderia descobrir que a grande maioria deles trabalha e mora em casas de família,em bairros extremamente luxuosos. Os conteúdos que havia planejado trabalhar seriampouco significativos para os mesmos, uma vez que estão longe de sua realidade cotidiana.O trabalho com temas que possuam exemplos que possam ser tirados da vida doaluno de EJA é muito enriquecedor para a aprendizagem significativa dos mesmos. Emuma classe com alguns trabalhadores do setor de limpeza, podem ser trabalhados temas quediscutam quais materiais de limpeza são utilizados, de que materiais são feitos e que tipo deimpacto causam no ambiente (eixo tecnologia e sociedade), quais são as prevenções quedevem ser tomadas para a utilização dos mesmos (eixo ser humano e saúde) etc. Assim,eles passam a se sentir capazes de exemplificar e, portanto, de participar comoprotagonistas da matéria que está sendo desenvolvida em sala de aula.Trabalho com classe heterogêneaUma característica muito comum no ensino de jovens e adultos é a existência deturmas extremamente heterogêneas. A heterogeneidade, embora traga algumas dificuldadesno desenvolvimento dos conteúdos e no processo de avaliação, pode e deve ser vista peloprofessor de ciências naturais como algo positivo, uma vez que os diferentes alunos serãocapazes de dar informações diversas em diferentes níveis de aprofundamento, enriquecendomuito as discussões.De modo geral, muitos alunos têm alguma informação a respeito do tema abordadoem sala de aula, embora essas sejam algumas vezes errôneas ou incompletas. Ao abordar otema energia, por exemplo, um professor pode ter em sala de aula tanto um aluno que achaque energia é a eletricidade de sua casa quanto um aluno que, por trabalhar em algo maisdiretamente ligado ao assunto, tenha a noção de como ela é obtida, de formas alternativasde obtenção de energia elétrica. Já um outro aluno, por qualquer razão, lembra que obtemosenergia dos alimentos. A partir dessas diferentes informações fornecidas pelos alunos, oprofessor será capaz de compor uma aula muito mais elaborada do que se levasse em contaapenas um certo planejamento prévio.
  34. 34. 164Os alunos de uma classe heterogênea não são apenas diferentes nos conteúdosconceituais, mas também nos procedimentais e atitudinais. Nesses casos, deve-se estimularatividades em grupo que contemplem os alunos com diferentes níveis, de modo que aquelesque já possuem um determinado procedimento (por exemplo, saibam registrar dados emuma tabela ou saibam fazer uma interpretação de uma figura), ou uma determinada atitude,possam compartilhar seus conhecimentos com os que ainda não os possuem. Cria-se dessaforma um valor muito importante no grupo: todos são responsáveis, junto com o professor,pela formação de todos.Nas avaliações as classes heterogêneas também devem ser tratadas da mesma forma.Se todas as avaliações são feitas por escrito, os alunos com dificuldade de se expressardessa forma (um procedimento que deve ser aprendido ao longo da escolarização) acabamsendo prejudicados. A avaliação deve, conforme explicitado no item desse documento,também ser diversificada, de forma a avaliar de forma justa a heterogeneidade presente naturma.Utilização do livro didáticoConforme já mencionado neste documento, os conteúdos e diferentes atividades doslivros didáticos devem ser selecionados pelo professor na composição de temas de trabalho,pois representam fonte de consulta de informações, mas não a única, já que diferentesenfoques propostos estão ausentes na maioria dos casos.Segundo a pesquisa realizada para a confecção desse documento, dos professoresde ciências de EJA pouco mais da metade utiliza-se de apostila e o restante, na sua grandemaioria, recorre a livros escritos para o ensino de alunos entre 7 e 14 anos. No entanto, aabsoluta maioria desses livros volta-se para crianças e adolescentes, que não possuem aindauma inserção no mercado de trabalho, não formaram ainda a sua família e ainda nãoformaram completamente a sua personalidade.Por esses motivos, a utilização do livro didático para alunos entre 7 e 14 anos para aEJA sempre necessitará de grandes adequações. Os temas nem sempre são relevantes paraos adultos e aqueles que o são (como sexualidade e alimentação) devem ter uma abordagemtotalmente diferente daquela dada aos adolescentes. Certamente sempre há textos eatividades que podem ser aproveitados.
  35. 35. 165As ilustrações e atividades são claramente voltadas para o público infantil, os temasnem sempre são relevantes para os adultos e aqueles que o são (como sexualidade ealimentação) devem ter uma abordagem totalmente diferente daquela dada aosadolescentes. Isso não quer dizer que não existam alguns textos e atividades que possam seraproveitados, apenas que eles são feitos pensando-se em outro público.Talvez mais importante do que comprar um determinado livro didático seja aaquisição de livros paradidáticos (com enfoque temático e menos extenso que o didáticotradicional) ou a assinatura de um jornal. E também promover a consulta a vários títulosdidáticos sobre o mesmo assunto, complementando informações e diversificando enfoques.Também, deve-se tomar como possibilidade a confecção de livro pelos alunos, reunindotextos e figuras por eles pesquisados, juntamente com textos produzidos a partir de suasobservações e outras atividades realizadas. Assim, ao final do ano, cada aluno teriaconfeccionado o seu livro de informações, que poderia, inclusive, ser exposto para osoutros alunos e para as outras classes.Planejamentos de longo termo: unidades e projetosTanto os projetos quanto as unidades têm um tema a ser investigado, escolhidoconforme critérios já discutidos no item seleção e justificativa de conteúdos. Ambos sedesenvolvem com a participação de professores e alunos em atividades organizadas emetapas de exploração e de sistematização.Embora guardem semelhanças e possam ser criadas modalidades intermediáriasorganizadoras de trabalho, os projetos e as unidades (ou seqüência de atividades) são doismodos distintos de organizar conteúdos em um tempo estabelecido. A principal diferençaestá no modo como são escolhidos os temas, nos modos de investigação e nas formas decomunicação dos conteúdos.Nas unidades, é o professor quem seleciona e dá a seqüência das atividades, tendoem vista certos objetivos, chamando para si a autoria do planejamento. Além disso, nasunidades, não é obrigatório que seja produzido um objeto com valor social real, emboraisso possa acontecer. Por exemplo, dentro do tema sexualidade do adulto e do jovem, oprofessor pode promover inicialmente um debate sobre a questão da paternidade ematernidade responsável.
  36. 36. 166Aspectos culturais envolvidos nesse debate devem ser trazidos pelo professor, cominformações coletadas em revistas e jornais. Logo se abre espaço para pesquisas sobremétodos anticoncepcionais e as conseqüências do aborto usado para a interrupção dagravidez. As pesquisas podem ser feitas com textos trazidos pelo professor ou pelos alunose concluídas com a produção de cartazes ou com textos coletivos. Outros assuntos podemcompor a unidade, como as doenças sexualmente transmissíveis e a questão do prazer nasexualidade, contemplando-se a diversidade de opções sexuais.Já nos projetos, os alunos possuem uma maior participação em todas as decisões: ostemas, os modos de investigação, as atividades desenvolvidas e as formas de comunicaçãodos conteúdos. Desta forma, os alunos dirigem o planejamento do professor e, ao final doprojeto, devem produzir um objeto com valor social real (um jornal, uma dramatização,uma campanha são formas de comunicar investigações sobre temas socialmenterelevantes). Por exemplo, os alunos podem decidir fazer em ciências naturais, um projetodentro do tema biodiversidade (pertencente ao eixo temático meio ambiente), tendo emvista um levantamento dos seres vivos brasileiros. Eles farão, juntamente com o professor,o roteiro de todas as atividades que acham interessantes: leituras de textos infantis paraverificar quais seres vivos dessas histórias são endêmicos (brasileiros) ou exóticos(africanos, norte-americanos, australianos etc.), comparações entre fauna e flora dasdiferentes regiões, investigação das causas de extinção de seres vivos em sua região (porexemplo, aprisionamento de aves canoras no Norte e Nordeste do Brasil), visitas a ONGsque trabalhem com levantamento de biodiversidade, entrevistas com biólogos e geógrafosetc. Durante o projeto, outras atividades podem ser inseridas e os alunos devem decidir qualserá o produto socialmente relevante para veiculação dos resultados da pesquisa. Esseproduto pode ser, por exemplo, uma campanha de valorização da fauna e flora de suaregião e o repúdio ao aprisionamento ou caça de animais em extinção.Logicamente não é todo tema de interesse científico que é adequado para aconfecção de um projeto, nem há tempo hábil para tratar todos os conteúdos commetodologia de projetos. Portanto, as unidades irão conviver com os projetos dentro de umplanejamento anual, com a abertura para a vivência de distintas habilidades proporcionadaspelas duas formas de planejamento.
  37. 37. 167Ciente dessas diferentes possibilidades, o professor escolhe quais os objetivos queirá trabalhar no semestre e quais temas estão adequados para seu grupo desenvolver ascapacidades relativas a esses objetivos.UnidadesRetomando-se o que já foi debatido para o ensino regular de 5ª a 8ª série, umaunidade compõe-se basicamente de três momentos: introdução, desenvolvimento esistematização do tema. Qualquer tema pode compor uma unidade (cadeia alimentar, água,alimentação dos seres vivos etc.), mas o planejamento das atividades desenvolvidas sempreé feito pelo professor.• Introdução do tema – neste momento, o professor poderá reconhecer e sistematizar osconhecimento prévios dos alunos, socializando e iniciando a problematização e oquestionamento sobre os mesmos. Esta introdução pode ser feita por meio de conversaacompanhada de filme, texto, comentário de fato recente ou marcante envolvendo o temaou outra estratégia que provoque a participação dos alunos. Um outro modo bastanteinteressante de se começar o tratamento de um tema é colocar uma situação-problema comoprimeira atividade.• Desenvolvimento do tema – momento proposto pelo professor, tendo em vista odesenvolvimento de conceitos, procedimentos e atitudes estabelecidos. São formas deinvestigar o tema e resolver a situação-problema inicialmente colocada. Pode serconcretizado por vários métodos de ensino com objetivos diferentes, conforme o temasolicite, por exemplo, observações diretas, experimentações, debates registrados em texto,cartazes, desenhos e diversas outras atividades.•• Sistematização dos conhecimentos – momento que visa completar o estudo de um tema,quando o conhecimento obtido durante a unidade será organizado. Pode ser desenvolvidotambém por uma série de métodos de ensino, como a apresentação de seminários,discussões de resultados de experimentos, produção de texto coletivo, realização de umaentrevista previamente planejada ou mesmo a reunião de dados e informações em pequenoslivros e dramatizações.
  38. 38. 168ProjetosTemas polêmicos e da atualidade na comunidade escolar são boas escolhas paraprojetos, que podem ser unidisciplinares ou interdisciplinares, desde que a escolaproporcione ao grupo de professores condições objetivas para o planejamento.Todo projeto se constitui em uma seqüência de etapas voltadas para a realização deum produto final com função social relevante, ou seja, que desperte interesse nas pessoas dacomunidade e que veicule informações para elas importantes. Por isso, é comum autilização de expressões como Projeto Jornal, Projeto Olimpíada e outras. Essas expressõessão boas sinalizadoras do modo de trabalhar em projetos. Diferentemente das unidades, umprojeto pode compor-se dos seguintes momentos:• Definição do tema – a definição do tema pode ser feita pelo professor (ou por vários,no caso de um projeto interdisciplinar) ou pelos próprios alunos, baseados emnecessidades identificadas pelo grupo.• Estabelecimento dos objetivos – o professor (ou grupo de professores no caso de umprojeto interdisciplinar) deve estabelecer os objetivos básicos do projeto, contemplandoconteúdos conceituais, procedimentos, atitudes e valores que possam ser desenvolvidos.É preciso debatê-los com os alunos e modificá-los em função do debate, de modo queos objetivos sejam de fato compartilhados por todos os envolvidos no projeto. Durantea execução do projeto, conforme seu andamento e desdobramentos, poderá sernecessário modificar ou incluir objetivos, em função de novas descobertas e interessesdos participantes.• Escolha do problema principal – deve sempre ser compartilhada com os alunos e seusrepresentantes, de forma que este seja um problema significativo dentro do tema e quepermita a produção final de um material socialmente relevante.• Estabelecimento do conjunto de conteúdos necessários – devem ser priorizadosapenas os conteúdos conceituais realmente significativos para a compreensão doproblema. De modo geral, os projetos abrem oportunidades para o desenvolvimento deatitudes, valores e diferentes procedimentos de busca e organização de informação.• Seleção de atividades de exploração e conclusão – a seleção das atividades, realizadapelo professor, deve contemplar os objetivos definidos em conjunto e oferecer subsídios
  39. 39. 169para a resolução do problema. As atividades, ou métodos de ensino poderão serdesenvolvidos enquanto o tema não for suficientemente explorado e compreendidopelos alunos. Deve-se tomar cuidado, no entanto, para que o projeto não fique longodemais, perdendo-se dos objetivos propostos e inviabilizando uma sistematização e aconfecção do produto final que deve ser socialmente relevante.• Desenvolvimento do produto final – parte essencial do projeto são as atividades queresultam no produto que viabilizará a divulgação do que foi pesquisado pelos alunospara a escola como um todo, ou para a comunidade, conforme o caso: um livroconfeccionado pelos alunos, uma peça de teatro, uma campanha, cartazes que sãocolocados em pontos estratégicos no bairro, uma exposição ou outras modalidadescriadas pelo grupo. Cada uma delas é um modo de divulgar idéias, diagnósticos epropostas sobre temas importantes para a comunidade onde está inserida a escola.• Previsão dos modos de avaliação – a avaliação de um projeto deve se dar nosdiferentes momentos do mesmo: em cada uma das atividades desenvolvidas (avaliaçãoexterna ou auto-avaliação), no final do projeto, do produto socialmente relevanteproduzido etc. O mais importante é que a avaliação auxilie a diagnosticar pontospositivos e negativos do projeto, de forma a modificá-lo ou a modificar um outroprojeto a ser realizado.Alguns exemplosUm tema importante a ser tratado em EJA é alimentação, visando à ampliação dehábitos saudáveis e à manutenção da saúde. Este tema pode ser trabalhado em uma unidadecom diversos conteúdos conceituais e procedimentos, tais como: estudo sobre a produçãode alimentos, oficina de produção artesanal de alimentos, estudo de tipos de alimento, dadigestão, da circulação dos nutrientes pelo corpo e da excreção, experimentos, estudo deatlas anatômico, produção de esquemas e muitos outros. Esses conteúdos são abordados emuma unidade nas etapas de introdução, desenvolvimento e sistematização do tema,determinadas pelo professor, de modo que o trabalho com o objetivo “valorização daalimentação equilibrada”, por exemplo, possa ser trabalhado com os enfoques da biologia,da química, da tecnologia e da saúde.
  40. 40. 170Outro modo de se trabalhar o tema alimentação seria por meio de um projeto, demodo independente ou simultâneo à unidade citada, com a participação ativa dos alunosadultos. Nesse caso, eles poderão decidir investigar, por exemplo, as formas de produção econservação de alimentos em estudo de campo em indústria local, ou a procedência dosalimentos consumidos pelos alunos, o desperdício de alimentos na forma de cozinhar,algumas receitas com sobras, as características da alimentação de diferentes povos doplaneta, especialmente os representados na classe. Os alunos também escolherão que tipode produto socialmente relevante será elaborado ao longo do projeto, podendo ser um jornalinformativo sobre a disponibilidade de alimentos na região, um livro de receitas com partesde alimentos usualmente não aproveitadas, uma campanha de melhoria da qualidade dealimentação na escola ou outro que julgarem interessante. Uma festa escolar ou dacomunidade seria uma oportunidade para os alunos divulgarem sua investigação.Atividades permanentesAs atividades permanentes são aquelas que se repetem sistematicamente (nocomeço ou no fim de toda aula, ou a cada duas aulas) e estão principalmente voltadas parao desenvolvimento de procedimentos, atitudes e valores.A leitura de jornais e revistas é um recurso de grande interesse para a formação dejovens e adultos, por diferentes motivos. Entre eles, destaca-se a aquisição do gosto pelacultura, ao lado do hábito da informação atualizada em diferentes campos de interesse(política, economia, meio ambiente, saúde etc.), um pressuposto básico da formação deopiniões bem fundamentadas. A promoção dessas capacidades é motivo paraconsiderarmos diferentes possibilidades de trabalho com jornais e revistas em sala de aula.Muitos professores têm o hábito de selecionar artigos que considera maisinteressantes e oportunos para o enriquecimento do assunto que está desenvolvendo,chegando até a levá-los para discussão em sala de aula, cientes de que a sua leitura é umrecurso motivador para relacionar o conhecimento escolar, a cultura em geral e o cotidiano.De fato, o trabalho eventual com artigos de jornais e revista tem-se mostrado bastanteinteressante, mas representa, no máximo, um incentivo ao hábito de ler jornais e revistas.Essa ferramenta poderá ser mais bem utilizada em atividades de caráter permanente, não sequerendo dizer com isso que todo dia haja tempo para ler jornal e revista, mas que é
  41. 41. 171possível e desejável destacar uma parte do tempo semanal para alguns trabalhos comnovidades e destaques da mídia. É possível organizar diferentes rotinas com esse propósito,inclusive com a participação de professores de diferentes áreas, caso esta orientaçãorepresente uma prioridade no planejamento da equipe de EJA.Um dos empecilhos para o trabalho permanente com material impresso é seu custo,já que escolas e alunos têm dificuldade de arcar com sua compra regular. Mas isto poderáser contornado com a solicitação de números atrasados para as empresas jornalísticas eeditoras de revistas, que têm a rotina de recolher exemplares que não foramcomercializados. Muitas empresas jornalísticas já têm programas regulares com o objetivode levar jornais ou revistas às escolas, principalmente por reconhecerem que na escolapodem ser encontrados futuros assinantes e compradores eventuais.Se os alunos tiverem condições, poderão ser solicitados a coletar artigos de revistaou jornal sobre um determinado assunto, para ser levado à escola e exposto em um muralde classe ou participar da hemeroteca. Para esse trabalho, cabem temas que saem commaior freqüência na mídia, como, por exemplo, saúde humana, problemas ambientais,novidades da astronomia e outros. Para classes de terceiro ciclo, ou nos casos de assuntosmais difíceis, o professor poderá ser o leitor dos textos, filtrando informações para quesejam mais bem compreendidas pelos alunos, ajudando a compor um repertório de idéias.As imagens e legendas podem ser trabalhadas em destaque.Hemeroteca e painel de notíciasNotícias selecionadas organizadas por assunto passam a compor um álbum, ou maisde um. Para fazer a página do álbum, recorta-se a notícia junto com o topo da página e cola-se em uma folha. Comentários anexos à notícia podem ser colocados, e os alunos devem serorientados a fazer pesquisas a partir de dados da notícia que geraram dúvidas oucuriosidades, anexando-as também. As notícias colecionadas podem ser utilizadas comofonte de informações ou objeto de debates, constituindo-se, então, situação-problemadentro de uma seqüência de atividades.Outro modo de organizar notícias coletadas é organizar um Painel de Notícias,ocupando uma parede da sala de aula. Neste caso, é necessário cuidar da apresentaçãovisual do painel, reunindo notícias de um mesmo tema, por exemplo: “desastres
  42. 42. 172ecológicos”, “novas descobertas das ciências”, “saúde do adulto” e “questões dasexualidade”. Os alunos devem ser incentivados a ler e debater as notícias, além deproduzir pequenos resumos, sob a orientação do professor, entre outras atividades.Atividades ocasionais (ou situações independentes)As atividades ocasionais são aquelas em que o conteúdo abordado não estánecessariamente ligado ao tema abordado no projeto ou unidade. Um aluno que tenha umparente afetado por alguma doença, um desastre ambiental ou qualquer outro tema presentena mídia que tenha pouca relação com o conteúdo que está sendo desenvolvido em sala deaula pode ser trabalhado por meio desse tipo de atividade. Pode-se fazer um debate, umapequena pesquisa, leitura de um artigo de jornal ou um capítulo de um livro. Enfim, oconteúdo significativo naquele momento é abordado e em seguida retorna-se ao temaanteriormente planejado.ProblematizaçõesA problematização é uma atitude do professor que tem como intenção desenvolver oraciocínio dos alunos. É a postura do professor que instiga, questiona, contrapõe respostas,avalia hipóteses e ajuda os alunos a chegarem às conclusões. Diante de uma pergunta doaluno, em vez de dar uma resposta pronta, procura levantar hipóteses, ajuda a recordarsituações em que a idéia em pauta tem importância, conduz o debate antes de chegar aconclusões, à resposta em si. Assim, uma das características da problematização éincentivar a atitude investigativa do aluno, o que promove o desenvolvimento da suaautonomia intelectual.Sendo uma postura do professor, é algo a ser exercitado no cotidiano da vidaescolar. Não se pretende afirmar que sempre as respostas a perguntas sejamproblematizadas, pois, como no caso de cada uma das outras orientações didáticas, aproblematização deve ter seu espaço garantido em algumas etapas do desenvolvimento deum tema. Em muitos casos, a critério do professor, é necessário que perguntas sejamdiretamente respondidas.As atividades iniciais são lugar especialmente para as problematizações, quando osquestionamentos do professor ajudam os alunos a lembrarem seus conhecimentos prévios e

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