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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
PRO-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
PIBID LETRAS
PROJETO:
Clic
CULTURA, LITERATURA E CRIATIVIDADE: DO ERUDITO AO
POPULAR
PROFESSORES:
FLÁVIA KELLYANE MEDEIROS DA SILVA
GABRIELA SANTANA DE OLIVEIRA
PRISCILA DA SILVA SANTANA RODRIGUES
MÓDULO 05: cordel
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ALUNO:___________________________________________________
wwwprojetoclicraul.blogspot.com
♪♪O Meu País♪♪
ZéRamalho
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou
mudo
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada
esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
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Mas não é, com certeza, o meu país
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
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E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
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Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país
Um país que perdeu a identidade
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Um país que não tem capacidade
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Que não pode esconder a cicatriz
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Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país
Um país que seus índios discrimina
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Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
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Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou
mudo
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
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Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
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Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou
mudo
Fonte: juanitobserver.blogspot.com
O Bicho
Fonte: literaturaemcontagotas.wordpress.com.br
Vi ontem um bicho
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O bicho não era um cão,
Não era um gato,
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Manuel Bandeira
Eu Quero
Patativa de Assaré/ Antônio Gonçalves da Silva
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“VOCÊ SABIA?”
CANGAÇO
Banditismo no sertão nordestino
Antonio Carlos Olivieri*
Corisco e Dadá, sua mulher
Entre os séculos 19 e meados do 20, um tipo específico de banditismo se desenvolveu no
sertão nordestino: o cangaço. Os cangaceiros - bandos de malfeitores, ladrões, assassinos,
bem armados, conhecedores da região - saqueavam fazendas, povoados e cidades,
impunemente, ou, pior, impondo sua própria lei à região em que atuavam.
Para isso, contavam com o isolamento do sertão, com o tradicional descaso e a
incompetência das autoridades constituídas, bem como com a conivência ou proteção de
vários chefes políticos locais, os grandes proprietários rurais, conhecidos como "coronéis".
História do cangaço
O cangaceiro - um deles, em especial, Lampião - tornou-se personagem do imaginário
nacional, ora caracterizado como uma espécie de Robin Hood, que roubava dos ricos
para dar aos pobres, ora caracterizado como uma figura pré-revolucionária, que
questionava e subvertia a ordem social de sua época e região.
Nesse sentido - heróico/mitológico - o cangaço é precursor do banditismo que ocorre
atualmente nos morros do Rio de Janeiro ou na periferia de São Paulo, onde chefes de
quadrilhas também são considerados muitas vezes benfeitores das comunidades carentes.
O cangaço existiu a partir do século 19, mas atingiu o auge entre o início do século 20,
marcado pela ação do bando de Antonio Silvino, e a década de 1940, quando foi morto
o cangaceiro Corisco, no interior da Bahia. Entre a atuação dos dois, destacou-se aquele
que tornou-se a personificação do cangaço, por ser o líder de uma quadrilha que atuou
por quase duas décadas em diversos estados do Nordeste: Virgulino Ferreira da Silva, o
célebre Lampião.
Contribuíram para sua fama a violência e a ousadia, que o levaram a empreender ataques
até a cidades relativamente grandes do sertão, como Mossoró (RN), em 13 de junho de
1927. Nesse caso, em especial, o ataque fracassou, pois a população local se
entrincheirou na cidade e repeliu o ataque. O mesmo não aconteceu em Limoeiro do
Norte (CE) ou Queimadas (BA), que o bando de Lampião tomou por alguns dias
saqueando, matando indiscriminadamente, e impondo a sua vontade pelo tempo que ali
permaneceu.
As volantes
O agravamento do problema do cangaço levou as polícias estaduais a criar forças
especiais para combatê-lo, as chamadas "volantes", comandadas por policiais de carreira,
mas formadas por "soldados" temporários e cujos métodos de atuação - em especial em
relação à população pobre - não era muito diferente daqueles dos próprios cangaceiros.
Quanto ao governo federal, seu descaso pelo cangaço foi sempre o mesmo manifestado
pelo semi-árido de um modo geral.
De qualquer modo, em 1938, o governo de Alagoas se empenhou na captura de
Lampião. Uma volante comandada por João Bezerra conseguiu cercá-lo na fazenda de
Angicos, um refúgio no Estado de Sergipe. Depois de vinte minutos de tiroteio, cerca de
40 cangaceiros conseguiram escapar, mas onze foram mortos, entre eles o líder do bando
e sua mulher, conhecida como Maria Bonita.
Para se ter uma ideia do caráter violento da sociedade em que isso aconteceu, vale
mencionar que os onze mortos foram decapitados e suas cabeças, levadas para Salvador
(BA), ficaram expostas no museu Nina Rodrigues até 1968 - quando foram finalmente
sepultadas.
As cabeças dos cangaceiros expostas no museu Nina Rodrigues
O fim do cangaço
Lugar-tenente de Lampião, o cangaceiro Corisco jurou vingança e continuou a atuar até
maio de 1940, quando também foi morto num cerco policial. Na década de 40, o Brasil
passava por grandes transformações econômicas e sociais, promovidas pela
industrialização.
A evolução dos meios de transporte e comunicação integravam pouco a pouco o sertão
ao resto do país. De resto, a necessidade de mão de obra nas fábricas do Rio de Janeiro e
de São Paulo passaram a atrair a população do semi-árido. Assim, as diversas
circunstâncias que originaram o cangaço desapareceram junto com ele.
*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.
Literatura de Cordel
Fonte: tonymacedo.blogspot.com
Literatura de Cordel é uma das formas de poesia advinda do Nordeste do Brasil,
que já foi muito desvalorizada, mas hoje em dia vem sendo aceita e respeitada tendo até
mesmo uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Devido ao linguajar mais
despojado, regionalizado e informal utilizado para a composição deste tipo de texto, essa
modalidade de literatura nem sempre foi respeitada e houve quem acreditasse no fim do
cordel, mas ainda não foi dessa vez.
Vemos a cada dia que o cordel vem sendo mais valorizado por todo o Brasil e
pelo mundo. Os textos são publicados em livretos fabricados praticamente de forma
manual pelo próprio autor, eles têm geralmente 8 páginas mas podem ter mais, variando
entre 8 e 32. As páginas medem 11x16cm e são comercializadas pelos próprios autores.
Leandro Gomes de Barros e João Martins de Atahyde são dois dentre os primeiros
poetas e estes já possuem livretos publicados por editoras, sendo vendidos e reeditados
constantemente.
Assim como muitos itens dos que compõem a nossa cultura, a literatura de cordel
tem origem em Portugal. Os autores das poesias se denominam trovadores e geralmente
quando as declamam são acompanhados por uma viola, que eles mesmos tocam. Este
tipo de literatura marcou também a cultura francesa, espanhola e portuguesa, através dos
trovadores. Estes eram artistas populares que compunham e apresentavam poesias
acompanhadas de viola e muitas vezes com melodia. Se apresentavam para o povo e
falavam da cultura popular da localidade, dos acontecimentos mais falados nas
redondezas, de amor, etc. Assim como no trovadorismo, movimento literário que abriga
essa prática, hoje é a literatura de cordel. Até mesmo as competições entre dois
trovadores, com suas violas, é presenciada hoje por nós e já foi muito praticada nos três
países citados, especialmente em Portugal.
No Brasil prevalece a produção poética, mas em outros locais nota-se a forte
presença da prosa. A forma mais freqüentemente utilizada é a redondilha maior, ou seja,
o verso de sete sílabas poéticas. A estrofe mais comum é a de seis versos, chamada
sextilha. E o esquema de rimas mais comum é ABCBDB.
Os temas são os mais variados, indo desde narrativas tradicionais transmitidas
pelo povo oralmente até aventuras, histórias de amor, humor, ficção, e o folheto de
caráter jornalístico, que conta um fato isolado, muitas vezes um boato, modificando-o
para torná-lo divertido. Ao mesmo tempo que falam de temas religiosos, também falam
de temas profanos. Escrevem de maneira jocosa, mas por vezes retratam realidades
desesperadoras. Uma outra característica é o uso de recursos textuais como o exagero, os
mitos, as lendas, e atualmente o uso de ironia ou sarcasmo para fazer críticas sociais ou
políticas. Usar uma imagem estereotipada como personagem também é muito comum, às
vezes criticando a exclusão social e o preconceito, às vezes fazendo uso dos mesmos
através do humor sarcástico. Além dos temas “engajados”, se assim podemos chamá-los,
há também cordéis que falam de amor, relacionamentos pessoais, profissionais,
cotidiano, personalidades públicas, empresas, cidades, regiões, etc.
Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do
autor a respeito de algo dentro da sua sociedade. Os cordéis não tem a característica de
serem impessoais ou imparciais, pelo contrário, na maioria das vezes usam várias técnicas
de persuasão e convencimento para que o leitor acate a idéia proposta.
Xilogravura popular brasileira
A xilogravura popular é uma permanência do traço medieval da cultura portuguesa
transplantada para o Brasil e que se desenvolveu na literatura de cordel. Quase todos os
xilogravadores populares brasileiros, principalmente no Nordeste do país, provêm do
cordel.
Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a
reprodução de imagens e textos sobre papel ou outro suporte adequado. É um processo
inversamente parecido com um carimbo já que o papel é prensado com as mãos sobre a
matriz.
A técnica exige que se entalhe na madeira, com ajuda de instrumento cortante, a figura ou
forma (matriz) que se pretende imprimir. Em seguida usa-se um rolo de borracha
embebecida em tinta, tocando só as partes elevadas do entalhe.
O final do processo é a impressão em alto relevo em papel ou pano especial, que fica
impregnado com a tinta, revelando a figura. Entre as suas variações do suporte pode-se
gravar em linóleo (linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações
dentro da técnica, como a xilogravura de topo.
ATIVIDADE
- Em grupo, observe as Charges e de acordo com a leitura e interpretação (uma delas),
construam um diálogo em que cada um dos participantes da equipe será um personagem
(ex: defensor, acusador, vítima e testemunha) que tratam sobre a temática proposta na
charge. O diálogo será apresentado para a turma.
1)
Fonte: professorandregeografia.blogspot.com
2)
Fonte: www.charge-o-matic.blogger.com.br
3)
4)
5)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RAMALHO, Zé. O meu país. Disponível em: http://letras.mus.br/ze-ramalho/400344/.
Acesso em: 15 de Julho de 2012.
BANDEIRA, Manoel. O bicho. Disponível em:
http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira03.html. Acesso em: 15 de Julho de
2012.
ASSARÉ, P; SILVA, A. G. Eu quero. Disponível em: www.fisica.ufpb.br. Acesso em:
30/07/2012.
OLIVIERI, A. C. O cangaço: O banditismo no Sertão. Disponível em:
educação.uol.com.br. Acesso em: 20/07/2012.
Literatura de cordel. Disponível em: www.suapesquisa.com/cordel/. Acesso em:
02/08/2012.
Xilogravura Popular Brasileira. Disponível em: www.flickr.com. Acesso em: 02/08/2012.
Dinâmica dos Passos. Disponível em:
http://espacodinamicolinguaeliteratura.blogspot.com.br/p/dinamicas-para-aulas-de-
lingua.html. Acesso em: 03/08/2012.

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Módulo V

  • 1.        UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA PRO-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA PIBID LETRAS PROJETO: Clic CULTURA, LITERATURA E CRIATIVIDADE: DO ERUDITO AO POPULAR PROFESSORES: FLÁVIA KELLYANE MEDEIROS DA SILVA GABRIELA SANTANA DE OLIVEIRA PRISCILA DA SILVA SANTANA RODRIGUES MÓDULO 05: cordel       ALUNO:___________________________________________________ wwwprojetoclicraul.blogspot.com
  • 2. ♪♪O Meu País♪♪ ZéRamalho Tô vendo tudo, tô vendo tudo Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo Um país que crianças elimina Que não ouve o clamor dos esquecidos Onde nunca os humildes são ouvidos E uma elite sem deus é quem domina Que permite um estupro em cada esquina E a certeza da dúvida infeliz Onde quem tem razão baixa a cerviz E massacram - se o negro e a mulher Pode ser o país de quem quiser Mas não é, com certeza, o meu país Um país onde as leis são descartáveis Por ausência de códigos corretos Com quarenta milhões de analfabetos E maior multidão de miseráveis Um país onde os homens confiáveis Não têm voz, não têm vez, nem diretriz Mas corruptos têm voz e vez e bis E o respaldo de estímulo incomum Pode ser o país de qualquer um Mas não é com certeza o meu país Um país que perdeu a identidade Sepultou o idioma português Aprendeu a falar pornofonês Aderindo à global vulgaridade Um país que não tem capacidade De saber o que pensa e o que diz Que não pode esconder a cicatriz De um povo de bem que vive mal Pode ser o país do carnaval Mas não é com certeza o meu país Um país que seus índios discrimina E as ciências e as artes não respeita Um país que ainda morre de maleita Por atraso geral da medicina Um país onde escola não ensina E hospital não dispõe de raio - x Onde a gente dos morros é feliz Se tem água de chuva e luz do sol Pode ser o país do futebol Mas não é com certeza o meu país Tô vendo tudo, tô vendo tudo Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo Um país que é doente e não se cura Quer ficar sempre no terceiro mundo Que do poço fatal chegou ao fundo Sem saber emergir da noite escura Um país que engoliu a compostura Atendendo a políticos sutis Que dividem o brasil em mil brasis Pra melhor assaltar de ponta a ponta Pode ser o país do faz-de-conta Mas não é com certeza o meu país Tô vendo tudo, tô vendo tudo Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo Fonte: juanitobserver.blogspot.com
  • 3. O Bicho Fonte: literaturaemcontagotas.wordpress.com.br Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. Manuel Bandeira Eu Quero Patativa de Assaré/ Antônio Gonçalves da Silva Quero um chefe brasileiro Fiel, firme e justiceiro Capaz de nos proteger Que do campo até à rua O povo todo possua O direito de viver Quero paz e liberdade Sossego e fraternidade Na nossa pátria natal Desde a cidade ao deserto Quero o operário liberto Da exploração patronal Quero ver do Sul ao Norte O nosso caboclo forte Trocar a casa de palha Por confortável guarida Quero a terra dividida Para quem nela trabalha Eu quero o agregado isento Do terrível sofrimento Do maldito cativeiro Quero ver o meu país Rico, ditoso e feliz Livre do jugo estrangeiro A bem do nosso progresso Quero o apoio do Congresso Sobre uma reforma agrária Que venha por sua vez Libertar o camponês Da situação precária Finalmemte, meus senhores, Quero ouvir entre os primores Debaixo do céu de anil As mais sonoras notas Dos cantos dos patriotas Cantando a paz do Brasil
  • 4. “VOCÊ SABIA?” CANGAÇO Banditismo no sertão nordestino Antonio Carlos Olivieri* Corisco e Dadá, sua mulher Entre os séculos 19 e meados do 20, um tipo específico de banditismo se desenvolveu no sertão nordestino: o cangaço. Os cangaceiros - bandos de malfeitores, ladrões, assassinos, bem armados, conhecedores da região - saqueavam fazendas, povoados e cidades, impunemente, ou, pior, impondo sua própria lei à região em que atuavam. Para isso, contavam com o isolamento do sertão, com o tradicional descaso e a incompetência das autoridades constituídas, bem como com a conivência ou proteção de vários chefes políticos locais, os grandes proprietários rurais, conhecidos como "coronéis". História do cangaço O cangaceiro - um deles, em especial, Lampião - tornou-se personagem do imaginário nacional, ora caracterizado como uma espécie de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, ora caracterizado como uma figura pré-revolucionária, que questionava e subvertia a ordem social de sua época e região. Nesse sentido - heróico/mitológico - o cangaço é precursor do banditismo que ocorre atualmente nos morros do Rio de Janeiro ou na periferia de São Paulo, onde chefes de quadrilhas também são considerados muitas vezes benfeitores das comunidades carentes. O cangaço existiu a partir do século 19, mas atingiu o auge entre o início do século 20, marcado pela ação do bando de Antonio Silvino, e a década de 1940, quando foi morto
  • 5. o cangaceiro Corisco, no interior da Bahia. Entre a atuação dos dois, destacou-se aquele que tornou-se a personificação do cangaço, por ser o líder de uma quadrilha que atuou por quase duas décadas em diversos estados do Nordeste: Virgulino Ferreira da Silva, o célebre Lampião. Contribuíram para sua fama a violência e a ousadia, que o levaram a empreender ataques até a cidades relativamente grandes do sertão, como Mossoró (RN), em 13 de junho de 1927. Nesse caso, em especial, o ataque fracassou, pois a população local se entrincheirou na cidade e repeliu o ataque. O mesmo não aconteceu em Limoeiro do Norte (CE) ou Queimadas (BA), que o bando de Lampião tomou por alguns dias saqueando, matando indiscriminadamente, e impondo a sua vontade pelo tempo que ali permaneceu. As volantes O agravamento do problema do cangaço levou as polícias estaduais a criar forças especiais para combatê-lo, as chamadas "volantes", comandadas por policiais de carreira, mas formadas por "soldados" temporários e cujos métodos de atuação - em especial em relação à população pobre - não era muito diferente daqueles dos próprios cangaceiros. Quanto ao governo federal, seu descaso pelo cangaço foi sempre o mesmo manifestado pelo semi-árido de um modo geral. De qualquer modo, em 1938, o governo de Alagoas se empenhou na captura de Lampião. Uma volante comandada por João Bezerra conseguiu cercá-lo na fazenda de Angicos, um refúgio no Estado de Sergipe. Depois de vinte minutos de tiroteio, cerca de 40 cangaceiros conseguiram escapar, mas onze foram mortos, entre eles o líder do bando e sua mulher, conhecida como Maria Bonita. Para se ter uma ideia do caráter violento da sociedade em que isso aconteceu, vale mencionar que os onze mortos foram decapitados e suas cabeças, levadas para Salvador (BA), ficaram expostas no museu Nina Rodrigues até 1968 - quando foram finalmente sepultadas. As cabeças dos cangaceiros expostas no museu Nina Rodrigues
  • 6. O fim do cangaço Lugar-tenente de Lampião, o cangaceiro Corisco jurou vingança e continuou a atuar até maio de 1940, quando também foi morto num cerco policial. Na década de 40, o Brasil passava por grandes transformações econômicas e sociais, promovidas pela industrialização. A evolução dos meios de transporte e comunicação integravam pouco a pouco o sertão ao resto do país. De resto, a necessidade de mão de obra nas fábricas do Rio de Janeiro e de São Paulo passaram a atrair a população do semi-árido. Assim, as diversas circunstâncias que originaram o cangaço desapareceram junto com ele. *Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação. Literatura de Cordel Fonte: tonymacedo.blogspot.com Literatura de Cordel é uma das formas de poesia advinda do Nordeste do Brasil, que já foi muito desvalorizada, mas hoje em dia vem sendo aceita e respeitada tendo até mesmo uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Devido ao linguajar mais despojado, regionalizado e informal utilizado para a composição deste tipo de texto, essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada e houve quem acreditasse no fim do cordel, mas ainda não foi dessa vez. Vemos a cada dia que o cordel vem sendo mais valorizado por todo o Brasil e pelo mundo. Os textos são publicados em livretos fabricados praticamente de forma manual pelo próprio autor, eles têm geralmente 8 páginas mas podem ter mais, variando entre 8 e 32. As páginas medem 11x16cm e são comercializadas pelos próprios autores. Leandro Gomes de Barros e João Martins de Atahyde são dois dentre os primeiros
  • 7. poetas e estes já possuem livretos publicados por editoras, sendo vendidos e reeditados constantemente. Assim como muitos itens dos que compõem a nossa cultura, a literatura de cordel tem origem em Portugal. Os autores das poesias se denominam trovadores e geralmente quando as declamam são acompanhados por uma viola, que eles mesmos tocam. Este tipo de literatura marcou também a cultura francesa, espanhola e portuguesa, através dos trovadores. Estes eram artistas populares que compunham e apresentavam poesias acompanhadas de viola e muitas vezes com melodia. Se apresentavam para o povo e falavam da cultura popular da localidade, dos acontecimentos mais falados nas redondezas, de amor, etc. Assim como no trovadorismo, movimento literário que abriga essa prática, hoje é a literatura de cordel. Até mesmo as competições entre dois trovadores, com suas violas, é presenciada hoje por nós e já foi muito praticada nos três países citados, especialmente em Portugal. No Brasil prevalece a produção poética, mas em outros locais nota-se a forte presença da prosa. A forma mais freqüentemente utilizada é a redondilha maior, ou seja, o verso de sete sílabas poéticas. A estrofe mais comum é a de seis versos, chamada sextilha. E o esquema de rimas mais comum é ABCBDB. Os temas são os mais variados, indo desde narrativas tradicionais transmitidas pelo povo oralmente até aventuras, histórias de amor, humor, ficção, e o folheto de caráter jornalístico, que conta um fato isolado, muitas vezes um boato, modificando-o para torná-lo divertido. Ao mesmo tempo que falam de temas religiosos, também falam de temas profanos. Escrevem de maneira jocosa, mas por vezes retratam realidades desesperadoras. Uma outra característica é o uso de recursos textuais como o exagero, os mitos, as lendas, e atualmente o uso de ironia ou sarcasmo para fazer críticas sociais ou políticas. Usar uma imagem estereotipada como personagem também é muito comum, às vezes criticando a exclusão social e o preconceito, às vezes fazendo uso dos mesmos através do humor sarcástico. Além dos temas “engajados”, se assim podemos chamá-los, há também cordéis que falam de amor, relacionamentos pessoais, profissionais, cotidiano, personalidades públicas, empresas, cidades, regiões, etc. Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do autor a respeito de algo dentro da sua sociedade. Os cordéis não tem a característica de serem impessoais ou imparciais, pelo contrário, na maioria das vezes usam várias técnicas de persuasão e convencimento para que o leitor acate a idéia proposta.
  • 8. Xilogravura popular brasileira A xilogravura popular é uma permanência do traço medieval da cultura portuguesa transplantada para o Brasil e que se desenvolveu na literatura de cordel. Quase todos os xilogravadores populares brasileiros, principalmente no Nordeste do país, provêm do cordel. Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução de imagens e textos sobre papel ou outro suporte adequado. É um processo inversamente parecido com um carimbo já que o papel é prensado com as mãos sobre a matriz. A técnica exige que se entalhe na madeira, com ajuda de instrumento cortante, a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Em seguida usa-se um rolo de borracha embebecida em tinta, tocando só as partes elevadas do entalhe. O final do processo é a impressão em alto relevo em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando a figura. Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a xilogravura de topo.
  • 9. ATIVIDADE - Em grupo, observe as Charges e de acordo com a leitura e interpretação (uma delas), construam um diálogo em que cada um dos participantes da equipe será um personagem (ex: defensor, acusador, vítima e testemunha) que tratam sobre a temática proposta na charge. O diálogo será apresentado para a turma. 1) Fonte: professorandregeografia.blogspot.com 2) Fonte: www.charge-o-matic.blogger.com.br 3) 4)
  • 10. 5)
  • 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS RAMALHO, Zé. O meu país. Disponível em: http://letras.mus.br/ze-ramalho/400344/. Acesso em: 15 de Julho de 2012. BANDEIRA, Manoel. O bicho. Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira03.html. Acesso em: 15 de Julho de 2012. ASSARÉ, P; SILVA, A. G. Eu quero. Disponível em: www.fisica.ufpb.br. Acesso em: 30/07/2012. OLIVIERI, A. C. O cangaço: O banditismo no Sertão. Disponível em: educação.uol.com.br. Acesso em: 20/07/2012. Literatura de cordel. Disponível em: www.suapesquisa.com/cordel/. Acesso em: 02/08/2012. Xilogravura Popular Brasileira. Disponível em: www.flickr.com. Acesso em: 02/08/2012. Dinâmica dos Passos. Disponível em: http://espacodinamicolinguaeliteratura.blogspot.com.br/p/dinamicas-para-aulas-de- lingua.html. Acesso em: 03/08/2012.