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MINHA NOIVA É UMA PUTA 1
MINHA NOIVA É UMA PUTA2
MINHA NOIVA É UMA PUTA 3
Cap. I
- Está ouvindo o que digo, amor?
Ela não estava ouvindo. Olhava para um coroa que descia
de um carro importado na frente do bar onde estava bebendo
com o futuro marido. O sujeito, alvo da sua atenção, tinha cerca
de cinquenta anos, usava cabelos compridos e roupas simples,
como uma camisa de malha branca de mangas curtas. Chamava
a atenção por conta do seu porte atlético e olhar inteligente. No
entanto, olhou-a como se ela fosse lixo. Ao invés de ficar chate-
ada, Mônica ficou mais interessada nele. Só depois que o cara
passou por ela é que deu atenção ao jovem que estava ao seu
lado:
- O que disse?
- Eu disse que deveríamos ir buscar os móveis que com-
pramos e deixamos espalhados por várias lojas. Acho que já é
tempo da gente morar juntos, não acha?
MINHA NOIVA É UMA PUTA4
- Por que isso agora? Todas as vezes que pedi para você
pegar tuas coisas e ir lá pra casa, você ficou relutante...
- É verdade. Mas já te disse uma porção de vezes que pre-
feria morar contigo só nós dois. Na tua casa, que é pequena e
não caberia também todos os nossos móveis, ainda tem teu pai,
tua mãe, tuas duas irmãs e teu irmão, que você sabe muito bem
que não gosto dele.
- Pra gostar de mim, tem que gostar da minha família
também.
- Não é bem assim. Mas eu quero morar com você, e não
com eles. Por isso estou saindo de casa: não quero morar tam-
pouco com minha mãe e minha irmã.
- Eu gosto de ambas.
- Eu também. Mas não é questão de gostar. É de ter a nos-
sa própria liberdade.
- Você não se sente livre comigo?
- Eu não quero ser livre. Eu quero ter você perto de mim.
Formar uma nova família. E ter a nossa privacidade, que é a pa-
lavra certa. Troquei pela palavra liberdade.
- Você sabe que não sei, e detesto cozinhar, lavar roupas,
essas coisas domésticas...
- Sei, sim. Mas contrataremos uma diarista. Se for alguém
de confiança, ela poderá ficar em nossa casa enquanto nós dois
trabalhamos.
- Vai querer que eu trabalhe, também? Eu nunca traba-
lhei, na minha vida. Nem profissão eu tenho.
- Pois já é tempo de mudar isso. Se não quer afazeres do-
mésticos, que trabalhe para me ajudar com as despesas. E num
casal, é bem melhor quando ambos trabalham, pois um não de-
pende do outro.
- Não foi bem o tipo de vida que pedi para mim.
- Depois, você se acostuma, amor. Vai ver que trabalhar
fora é até divertido. Melhor do que ficar em casa, assistindo
aquelas drogas de novelas.
- Eu gosto de novelas!
MINHA NOIVA É UMA PUTA 5
Mais uma vez, ela desviou sua atenção do namorado. É
que o coroa acabava de sair do bar, com um maço de cigarros.
Botou a mão nos bolsos, catando um isqueiro ou uma caixa de
fósforos. Viu uma sobre a mesa do casal e foi até eles. O rapaz,
no entanto, disse:
- Não tenho mais fósforos, senhor. Acabaram. Mas peça
ao garçom. Ele deve ter.
- Deixa que eu peço - ofereceu-se Mônica, levantando-se
a seguir e caminhando para o interior do bar.
Quando ela desapareceu lá dentro, o coroa perguntou:
- Tua namorada?
- Minha noiva. Iremos nos casar daqui a algumas sema-
nas. Estávamos conversando sobre isso.
- Se eu fosse você, não faria uma merda dessas. Ela não te
merece.
- Como pode ter tanta certeza? Você nem a conhece.
- Mas conheço o tipo. Vá por mim.
Nesse momento, Mônica voltou com um isqueiro em
mãos. Fez questão de acender o cigarro do cara. Ele agradeceu,
cumprimentou o casal e foi-se embora. Entrou no carro e saiu
cantando pneus. O rapaz falou:
- Sujeito metido e amostrado. Deve ser algum novo riqui-
nho.
Ela não o ouvia, olhando em direção ao carro, até que este
sumisse numa curva. Suspirou e voltou a dar atenção ao jovem.
Disse:
- Olha, Ângelo... eu não quero casar agora. Não me sinto
preparada para isso. E eu sei muito bem o porquê de você quer
morar comigo: só para poder comer a minha bocetinha!
- Sim, confesso que essa história de só te foder quando
casarmos me incomoda. Acho que poderíamos transar antes.
MINHA NOIVA É UMA PUTA6
Hoje, virgindade não determina mais um relacionamento.
- Mas eu quero casar virgem. É meu sonho. Não importa
que seja careta.
- Ok. Não vou insistir nesse assunto. Mas vamos decidir:
você quer ou não quer morar comigo?
Ela demorou um pouquinho a responder. Depois, disse:
- Eu prefiro pensar mais um pouco. Depois, te digo.
Já tinham tomado umas seis cervejas, aí Ângelo resolveu-
-se a ir embora. Chamou o garçom, fechou a conta e depois le-
vantou-se para saírem. Ela, no entanto, falou:
- Vou me demorar mais um pouco. Depois, vou sozi-
nha, mesmo. Pode ir. Vou aproveitar para pensar mais na gente.
Quem sabe não te dou uma resposta ainda hoje?
Ele não insistiu. Foi-se embora. Estava chateado. É que
antes não tinha dúvidas de que ela aceitaria morar com ele, ain-
da mais agora que o rapaz já estava com quase toda a mobília
comprada. Se ela não tinha interesse em ir com ele, por quê não
disse isso antes? Evitaria que ele gastasse uma grana preta com
móveis. Naquele momento, Ângelo fraquejou nos seus senti-
mentos pela noiva. Achou que a tendência era desmanchar o
noivado com ela. Mas daria um tempo para se decidir melhor.
Enquanto isso, Mônica perguntava ao garçom que havia
atendido ao casal:
- Quem é aquele coroa que saiu naquele carrão importa-
do?
- Um playboy. Pega tudo quanto é mulher. As negas vivem
brigando pelo cara, mas ele não dá a mínima. Parece que nem
gosta de mulher!
Ela sorriu. Decidiu que o coroa iria gostar, sim, dela. Pre-
tendia conquista-lo. Por isso, pediu mais dicas sobre ele ao gar-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 7
çom. O cara disse:
- Deixa teu telefone que, quando ele aparecer, dou o papel
para ele.
Ângelo pensou em ir diretamente para casa. Lá, tomaria
um banho e cairia na cama. Estava sonolento por conta da bebi-
da, pois Mônica bebia muito menos que ele. Enquanto havia to-
mado mais de quatro, ela tomou menos de duas. Aí, viu de novo
o coroa do carrão, junto com duas mulheres lindíssimas, num
bar chique perto de sua casa. Quando o cara o viu, chamou-o
para lá. Ângelo se aproximou dele só para dizer:
- Desculpa, cara. Esse bar não dá pra mim. Muito caro.
Uma das mulheres, no entanto, disse para o rapaz:
- Senta aí, pra me fazer companhia. Eu pago tua parte.
Zero bronca.
- Desculpe, mas não costumo beber às custas de mulheres
- disse ele.
- Machão. Não vejo nada demais eu pagar, se tenho gra-
na. E estou querendo companhia. Portanto, deixa de frescuras e
senta teu rabo aí.
Ângelo ficou indeciso. O playboy não se meteu na con-
versa. Beijava a outra mulher. Um beijo fervoroso e de língua.
Ângelo sentou-se. A morena que o convidara perguntou:
- Como é teu nome, garoto?
- Ângelo. E não sou mais um garoto. Estou para me casar
em breve.
Só então, o coroa se manifestou:
- Ele se apaixonou por uma vadia. Se bem que isso é pro-
blema dele. Fiquem vocês dois aí, mana, que vou dar o que essa
catraia aqui precisa.
O coroa puxou a loira que estava com ele pelo braço e am-
MINHA NOIVA É UMA PUTA8
bos saíram em direção ao carrão, sem nem se despedir do rapaz.
Ângelo olhou melhor para a morena. Ela devia ter a sua mesma
idade e era muito bonita. Mas parecia bêbada ou drogada. Ele
sentou-se ao seu lado. Ela lhe deu um beijo na boca. A princípio,
ele ficou surpreso. Depois, deixou-se ser beijado. Quando ela
matou sua vontade de beijo, disse para ele:
- Você não sabe beijar bem. Vou ter que te ensinar. Mas
achei-te bonito e estou sozinha. Fica aí. E peça o que quiser.
- Quero apenas cervejas. Não gosto de misturar. Estava
tomando umas em outro bar.
- Muito bem, garoto. Mas eu quero ficar bêbada, hoje.
Pago o que você tomar e comer, mas você me leva para casa.
Está bem assim?
- Tu moras aonde?
- Nem sei. Estou bicada e cheia de maconha, tá? Mas sou
gente boa.
- E como vou fazer para te levar pra casa?
- Sei lá. Me leva pra qualquer lugar, garoto. Não ligo.
- Por quê está bebendo e se drogando tanto?
- Acabo de ficar viúva. Meu macho enterrou-se ontem, dá
pra tu?
- Sinto muito. Eu não sabia. Não seria melhor ir pra casa?
- Você é surdo, porra? Não me ouviu dizer que não sei
mais onde moro? Tô bebendo e enchendo o cu de drogas desde
ontem, caralho.
- Aquele é teu irmão?
- Irmão do peito. Sou filha única.
- E por quê não foi com ele?
- Porque queria ficar contigo, cacete. Não deu pra perce-
ber?
- Eu sou noivo. Estou pra casar.
- E eu com isso? Mesmo se fosse casado, não me incomo-
daria. Sou adulta, garoto. Sei cuidar de mim.
- Não parece.
- Ah, puta que me pariu... se vai encher meu saco com
MINHA NOIVA É UMA PUTA 9
essas coisas antiquadas, pode me deixar sozinha. Quero me dis-
trair e não estar falando esses papos de adultos, entende? Como
é teu nome?
- Ângelo, já te disse.
- O meu é Brigite. Peça tua cerveja, Ângelo. Eu só bebo
uísque.
Ele pediu. Quando o garçom trouxe, brindaram à saúde
dela. Ela repetiu o brinde de forma automática. Sorveu do copo
de um só gole, depois ficou olhando para ele, como se o estivesse
avaliando. Finalmente, falou:
- O que meu irmão quis dizer com aquela história de va-
dia? Ele já fodeu tua noiva?
- A essa altura, já nem sei. Ele parece conhece-la, mas
nunca a vi com ele.
- Ele não precisa conhecer uma vadia para saber o que
ela é. O cara é muito experiente e um ótimo psicólogo. Mas eu
não aguento mais beber, Ângelo. Tome essa aí, eu pago a conta
e iremos embora. E você me leva para um motel qualquer. Tá
bom assim? Quando eu me lembrar onde moro, você me leva
para casa.
**************************
Pouco depois, pegavam um táxi. Ele pediu pro motoris-
ta leva-los pro motel mais perto. O taxista o ajudou a colocar a
mulher no carro. Ela estava quase desfalecida. Deitaram-na no
banco de trás e Ângelo sentou-se ao lado do taxista, um cara
jovem como ele. Disse ao sujeito:
- Ela não lembra mais onde mora. Me pediu para eu leva-
-la para um motel.
- Preferia leva-la para casa e não se aproveitar que está as-
sim? Eu a levaria, mesmo, para um motel e a encheria de pica.
- Não, não. Não sou de fazer isso. Prefiro fodê-la outro dia,
quando não estiver bêbada.
- Okay. Eu sei onde ela mora. Já a levei várias vezes em
MINHA NOIVA É UMA PUTA10
casa. Quando sai pra beber, não gosta de dirigir.
- Conhece ela há muito?
- Conhecia mais o falecido marido dela. Cara legal. Mas
tinha câncer.
- Porra, que azar. Morrer e deixar essa linda mulher viúva
e cheia de fogo.
- Agradeça a Deus. Se está contigo, é porque gostou de
você. Ela não é de muita conversa.
- Bem, toca pra casa dela.
Pouco depois, colocavam a mulher deitada na cama. Ela
havia desmaiado de tanta droga e cachaça. Haviam encontrado
uma chave com ela, escondida dentro do sutiã. Testaram a chave
na porta e esta abriu. Ângelo ainda tinha um pouco de dinheiro
no bolso, que deu para pagar o táxi. O taxista, no entanto, queria
mais do que a bandeirada:
- Te ajudei a não gastar dinheiro com motel. E estou na
minha primeira corrida da noite. Me dá mais um dinheiro aí.
- É só o que tenho. Venha aqui amanhã de manhã e ela te
dá mais. Assim que acordar, falo com ela.
- Deixa eu fodê-la? Aproveitemos que ela está pra lá de
Bagdá.
- Que é isso, rapaz? Não vou deixar que se aproveite dela.
Você mesmo disse que ela perdeu o marido há pouco...
- Mas sempre tive a maior tesão nessa potranca, cara. Ela
é muito gostosa.
- Vá-se embora, antes que eu me enfeze.
O cara foi. Ângelo ficou a sós com a morena. O taxista
tinha razão: ela era muito boazuda, apesar de estar com roupas
comportadas. Pensou em tirar-lhe as roupas e dar-lhe um ba-
nho, pra sair a cachaça e o efeito das drogas, mas desistiu. Voltou
a trancar a porta de entrada com a chave que havia encontrado
com ela, cobriu-a com um lençol fino que encontrou dentro do
enorme guarda-roupa e depois foi para a sala. Ligou a tevê e fi-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 11
cou assistindo um canal pago. Mas logo caiu no sono.
Acordou com um cano de pistola na cara. Tomou um sus-
to. Mas não fez alarde. Ela perguntou:
- Quem é você e o que está fazendo na minha casa, ainda
mais com ela toda trancada?
- Sou Ângelo, e foi você quem me pediu para trazê-la aqui
- mentiu ele.
- E como entrou, se deixei a porta fechada a chave? Diga
logo, sem pensar, antes que eu atire na tua cara.
- Calma. Eu te trouxe muito bêbada para cá. Não deve se
lembrar. Mas, agora que acordou, posso ir-me embora...
- Você não vai pra caralho nenhum, porra. Quando te vi
dormindo, chamei a Polícia. Devem estar chegando.
- Olha, dona, eu não quero confusão. Só tentei ajudar.
Agora, deixe-me ir embora.
- Só quando a Polícia chegar. Aí, você se explica para eles.
- Nunca nem estive numa delegacia, dona. Não será hoje
que irei a uma...
- Mesmo? E como pretende se livrar de...
Não terminou a frase. Ângelo deu um bote e lhe arrancou
a arma das mãos. Ela apavorou-se. Ele se levantou do sofá onde
estivera dormindo, abriu o pente de balas e retirou até a que es-
tava na agulha. Entregou a arma de volta a ela, enquanto dizia:
- Vou jogar as balas no jardim da frente da casa. Depois a
senhora procura. E vou-me embora. Trate de fechar bem a por-
ta.
- Não vai conseguir escapar. A Polícia está vindo.
- Por isso, tenho que ir-me depressa. Não quero que me
encontrem aqui. Adeus, senhora... Brigite, não é?
- Como sabe meu nome?
Ele não respondeu. Abriu a porta com a chave que ainda
MINHA NOIVA É UMA PUTA12
estava nela e saiu. Ela ficou sem saber o que fazer. Ainda estava
cheia de maconha na cabeça, e sob efeito do álcool. Ouviu a si-
rene da viatura de Polícia e correu para fora da casa. O rapaz ha-
via desaparecido. Atendeu aos policiais que pretendiam achar o
cara. Disseram que ainda voltariam ali mas que a moça se tran-
casseemcasa.Elaagradeceuefezissoimediatamente.Deitou-se
no sofá e pegou no sono. Nem bem havia adormecido, tocaram
a campainha da porta. Era o taxista. Estranhou ele estar ali àque-
la hora da madrugada. Perguntou o que ele queria. O cara disse:
- Desculpe a hora, dona Brigite. Trouxe a senhora para
casa hoje de noite, com a ajuda de um rapaz. Ele ficou me de-
vendo o dinheiro do táxi. Pediu-me para passar hoje de manhã
aqui, para pegar a grana com ele, pois disse que iria falar com a
senhora. Ele está ainda aí?
- Você está falando de um jovem bonitão, moreno e de
corpo atlético mas sem exageros?
- Sim, senhora.
- Foram vocês que me trouxeram em casa?
- A senhora pediu a ele para trazê-la. Ele disse que iria
esperar que acordasse, para te pedir o meu dinheiro.
- Ai, meu Deus. Cometi uma injustiça com o jovem. Será
que a Polícia conseguiu acha-lo?
Pouco depois, ela chegava no mesmo táxi na delegacia.
Procurou pelo jovem. Ele tinha sido encontrado e preso. Ela fa-
lou com o delegado, contou-lhe uma história crível e o rapaz
foi solto. Mas Ângelo estava bastante irritado. Reagira à prisão e
tinha levado umas porradas da Polícia. Ela viu o seu nariz san-
grando. Disse para ele:
- Voltemos lá para minha casa. Vou cuidar desse sangra-
mento.
- Vai te foder. Não quero mais saber de voltar lá. Pra mim,
chega de problemas por hoje.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 13
- Está bem. Desculpe. Sei que cometi uma injustiça. Mas
agora não dá pra chorar sobre o leite derramado. Deixe-me falar
com o taxista e ele te leva em casa.
- Não precisa. Vou a pé.
- A essa hora da madrugada? Nada disso. Faço questão
que o taxista te leve.
Ele concordou. Pouco depois, chegava em casa com o na-
riz ainda sangrando. O taxista disse:
- A coisa tá feia, nesse nariz. Devia ter deixado que ela
desse uma olhada nisso, rapaz.
- Não quero mais saber daquela porra. Foda-se. Eu quero
é tomar um banho e dormir.
- Então, até mais ver. Ainda nos encontraremos.
- Acha mesmo?
- Tenho certeza.
Pela manhã, quando Ângelo se acordou para trabalhar,
o nariz já não sangrava. Entrara pé ante pé em casa, para não
acordarospaisnemairmã.Limpara-sedosangueeforadormir.
Mas, àquela hora, estavam já todos acordados. Qual não foi a
surpresa do rapaz quando, ao chegar à cozinha, encontrou a bela
morena tomando o café da manhã com sua família?
FIM DA PRIMEIRA PARTE
MINHA NOIVA É UMA PUTA14
Cap. II
- Bom dia, filho. Essa moça chegou aqui a tua procura,
mas não nos deixou acordá-lo. Muito simpática, ela. Disse
que tem algo importante para conversar contigo. Leve-a para
o escritório do teu pai e podem conversar lá à vontade. Mas
antes, sente-se para tomar teu café...
- Bom dia a todos. Eu prefiro conversar com ela a cami-
nho do trabalho, mãe. Já estou atrasado. Nem vou tomar café.
- Ah, não. Não vai sair sem fazer o desjejum. Sei que
bebeu ontem. Ainda exala o cheiro do álcool. E você sempre
saiu mais tarde que isso.
- É que temos um compromisso mais cedo hoje, dona
Eulália. Por isso, madruguei aqui. Vocês são todos muito
simpáticos e gentis, mas precisamos ir - disse cinicamente a
morena lindíssima, levantando-se da mesa.
Brigite abraçou a todos que estavam sentados, um por
MINHA NOIVA É UMA PUTA 15
um, depois deu o braço ao rapaz. Disse:
- Vamos, Anjo? Já estamos atrasados...
Ele entrou no jogo dela. Estava de cara amarrada, doido
para dar-lhe um esporro. Mas não queria fazer isso na frente
dos familiares. Despediu-se de todos, deu um cheiro na mãe
e na irmã, mas esta sussurou-lhe:
- Vou dizer a Mônica que você está botando chifre nela.
Pensa que não sei?
- Fique na sua - respondeu ele no mesmo tom de voz
dela.
Pouco depois, o casal entrava no táxi que os tinha leva-
do até a casa dela, na noite anterior. O taxista o cumprimen-
tou:
- Bom dia, rapaz. Dormiu bem?
- O que faz acordado ainda? Achei que largava bem
cedo do dia - Observou o jovem.
- Só durmo quando completar a féria do dia, cara. E
ainda falta o dinheiro que ficou me devendo.
- Puta merda, tu és um pé no saco, né véio?
- Você prometeu cobrar a ela.
- Cobrar-me o quê? - Perguntou a moça.
- Ele quis me explorar ontem, cobrando mais dinheiro
pela corrida, depois que te levei pra tua casa.
- Mas você economizou, não pagando motel, cara... -
Reclamou o taxista.
- Que história de motel é essa? - Perguntou ela.
- Ele quis saber onde você morava e a senhorita não
soube responder, moça. Aí, ele queria te levar prum motel.
Eu é quem disse que sabia onde você residia. Então, mereço
um toco a mais, não?
- Fico te devendo. Ainda hoje, te pago, no final do dia.
Vou precisar de você à minha disposição o tempo todo - disse
a morena.
MINHA NOIVA É UMA PUTA16
- Muito bem. É assim que se fala. - E, voltando-se para
Ângelo, exclamou:
- E, em você, não confio mais. É um tratante.
O rapaz não retrucou ao taxista. Apenas exigiu da mo-
rena:
- Fale o que quer de mim, pra chegar na minha casa a
esta hora do dia.
- Quero me desculpar com você. Sei que fiz merda. O
nariz ainda doi?
- Não importa. Está desculpada, mas não quero mais
papo. Deixe-me na próxima esquina. Pego um ônibus e vou
pro trabalho.
- Não gosta da minha companhia?
- Você fede a problemas. Senti bem isso no rosto, on-
tem. - Ele disse, se referindo ao nariz machucado.
- Tadinho. Mas vai sobreviver. Deixa eu te pagar um
café?
- Não precisa. Estou acostumado a pular refeições.
- Pois eu, não - disse o taxista - e estou com uma fome
danada. Aceito que me pague um, dona.
- Pois eu pago para os dois. Pare na próxima padaria
que servir um bem gostoso.
Pouco depois, estando os três já sentados à mesa, ela
perguntou ao jovem:
- Não pode me perdoar? Estou, realmente, arrependi-
da.
- Já disse que está perdoada. Só não quero mais encren-
ca, moça.
- Onde você trabalha?
- Não está querendo me levar lá, não é? Chega de en-
carnar em mim.
Ela ficou triste. Tomou seu café de cabeça baixa. Duas
MINHA NOIVA É UMA PUTA 17
lágrimas rolaram do seu rosto. O taxista percebeu. Ralhou:
- Porra, meu, deixa de ser grosso. Fez a mulher chorar...
- Não foi minha intenção. Mas estou irritado. Melhor
que vocês dois me deixem em paz. Já tenho meus próprios
problemas, não quero me envolver com os de vocês.
Ela disse resoluta, se dirigindo ao taxista:
- Você, tome o seu café e nos deixe a sós. Passe depois
lá em casa, hoje à noite, e te dou uma grana.
- Ôxe, vou embora agora mesmo. Não iria conseguir
permanecer acordado por muito tempo, mesmo...
Ângelo também se levantou para ir embora. Ela, no en-
tanto, ordenou:
- E você, senta o rabo aí. Precisamos conversar. E terá
que me ouvir. Depois, se quiser, pode ir embora cuidar da tua
vida. Mas antes, terá que me escutar, porra.
- Ok, tem cinco minutos para me dizer o que quer -
sentou-se ele, já bastante irritado.
Ela fez um sinal para o taxista ir embora de vez. Só
quando ele se afastou, ela falou:
- Eu preciso de você comigo. Estou muito fragilizada,
depois da morte do meu marido. Eu gostei de você. Eu sei
que, se ele tivesse te conhecido, estaria contente de eu ter gos-
tado de ti. Ele queria que eu fosse feliz. Eu sinto que serei feliz
contigo.
- Está supervalorizando o que sente por mim. E eu já te
disse que estou noivo, se não se lembra.
- Sim, eu me lembro. Mas estive conversando com a tua
família hoje.
- Como é que é? Conversando com a minha família so-
bre o quê?
- Sobre essa tua noiva. Todos são unânimes em dizer
que preferiam que você não estivesse com ela. Que ela não
MINHA NOIVA É UMA PUTA18
gosta de ti. Que é uma traíra e só você é quem não vê.
- Eu não acredito!!! Você nem me conhece e está se me-
tendo na minha vida?
- Eles gostaram demais de mim. Prometi a eles que iria
fazer com que se separasse dela.
- Puta que pariu, estou bem arranjado. Agora, fodeu.
Repita que ainda não acreditei no que ouvi.
- Eu lhes disse que te amava e que iria me casar contigo.
- Você é doida, logo vi. As drogas comeram teu juízo.
- Pode ser. Mas não vou desistir de você nem do que
prometi a teus pais. Eu quero me casar contigo, nem que de-
pois tenhamos de nos separar.
- E qual seria teu interesse?
- Simples: ser e fazer você feliz.
- Caralho. É doida, mesmo. Nunca me viu e já se diz
apaixonada?
- Meu marido, moribundo, me disse que no dia seguin-
te a sua morte eu iria encontrar alguém e me apaixonar. Eu
acreditei nele. Você aparecer naquela hora é uma prova disso.
- Foi só coincidência, moça. Apenas isso: você estava
com um cara que tinha pedido para acender um cigarro, ha-
via pouco tempo. Por isso, ele me chamou para a mesa de
vocês.
- Não. Fui eu quem pediu que ele te chamasse. Meu
marido cochichou ao meu ouvido, naquele instante que você
apareceu, que você era o escolhido.
- Não acredito nessas coisas. Está me dizendo que con-
versa com teu marido falecido?
- Nunca havia feito isso. Mas ouvi claramente a sua voz
naquele momento.
- Efeito do álcool, misturado com a maconha, dona.
- Só me responda uma coisa: quer ou não quer ficar
comigo?
- Ficar agora? Não posso pois tenho que ir trabalhar.
- Não. Ficar para sempre. Ser meu marido.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 19
- Ih, agora fodeu. Olha, vá pra casa, durma bem du-
rante o resto do dia. Depois, quando passar a cachaça, me
procure. Se eu ver que não fez isso, ou seja, me procurar, irei
achar que caiu na real, por isso sumiu.
Ela voltou a ter duas lágrimas rolando pelo rosto. Mes-
mo assim, insistiu:
- Eu não vou embora. Se quer mesmo se livrar de mim,
dê-me um murro no nariz e estaremos quites. Senão, me dê
um beijo.
Ele esteve olhando sério para ela. Demorou um pouco
a se decidir. Deu-lhe um demorado beijo na boca. Ela caiu no
pranto, beijando-o com ternura. Repetia:
- Obrigada. Obrigada, meu marido. Obrigada, meu
Deus.
Quando terminaram de se beijar, ela pediu:
- Fique comigo. Não vá trabalhar hoje.
- Não posso. Andei faltando várias vezes no mês passa-
do, por causa de bebida. Fui advertido. Se continuasse faltan-
do, seria demitido.
- Com quê você trabalha?
- Sou mecânico de autos.
- Não parece. Tem as unhas limpas.
- É que eu trabalho mais usando computadores e ou-
tros instrumentos. Faço testes em motores. Quase não sujo
as mãos de graxas.
- Entendo. Eu não preciso trabalhar, Anjo. Nasci rica.
Sou órfã. E, agora, viúva de um senhor que me deixou nova
fortuna. Se casar comigo, não precisará trabalhar mais nunca
na vida.
- Não sou de explorar mulher. E gosto da minha pro-
fissão. Se bem que gostaria de ser mecânico projetista. Tra-
balhar na criação de novos modelos de carros ou novos mo-
MINHA NOIVA É UMA PUTA20
tores.
- Muito bom. Eu posso te ajudar. Meu pai era um gran-
dão da Ford. Eu ainda tenho boas relações com a diretoria,
mesmo depois dele falecer. Posso te conseguir alguma coisa.
- Jura? Eu ficaria enormemente agradecido.
- Então, fica comigo hoje?
- Por que a insistência?
- Já disse, amor. Estou fragilizada. Temo fazer merda
de novo.
- Que tipo de merda?
- Voltar às drogas. Tentar o suicídio.
- Ah, não. Detesto suicidas.
- É porque você nunca chegou ao fundo do poço, como
eu. Eu amava meu marido. Foi meu primeiro e único homem.
Mas já casou-se comigo doente.
- Você não sabia?
- Sabia, sim. Ele havia me dito assim que nos conhece-
mos. Mas eu tinha fé de que ele superaria o câncer, entende?
- Eu não tenho fé.
- Não acredita em Deus?
- Isso é uma longa e inútil discussão.
- Entendo. Também não ligo, se não acredita. Invejo
quem leva a vida sem precisar Dele. Como faz, quando quer
algo difícil de conseguir?
- Eu me esforço e tento de todas as maneiras possíveis.
Mas não peço ajuda aos santos, se é isso que quer dizer. Mais
fácil pedir ajuda aos humanos.
- Invejável. Eu peço a Deus. Mas ele nem sempre me
atende. Quando isso acontece, termino achando que não
merecia aquela dádiva. Mas fica um sentimento de decepção
enorme.
- Bem, a pedidos, não vou trabalhar hoje. O que quer
fazer o resto do dia?
- Estar com você me basta. Mas confesso que gostaria
de transar. Há tempos que não faço isso. Meu marido tinha
MINHA NOIVA É UMA PUTA 21
câncer de próstata. Não aguentava fazer amor.
- Engraçado. Você fala tantos palavrões, mas disse ago-
ra: fazer amor, e não foder.
- Eu não fodo. Eu faço amor. Se não for com uma pes-
soa que eu goste, não faço sexo.
- E gosta de mim?
- Claro, bobinho. O que devo fazer para te provar isso?
Eles haviam pego um táxi e ido para a casa dela. Havia
lá uma grande piscina no quintal, onde os muros eram altos.
Não havia prédios por perto. Podiam ficar nus e à vontade.
Quando ela tirou toda a roupa, ele viu o quanto o corpo dela
era belo. Ficou imediatamente de pau duro. Namorava com
Mônica havia uns cinco anos, e nunca houvera trepado com
ela. Não passavam de alguns sarros pesados, mas nada de in-
trodução. Ela apenas o masturbava, nunca o tinha chupado.
E chupar foi a primeira coisa que Brigite fez. Pegou carinho-
samente o cacete dele e o levou à boca. Parecia querer saber-
-lhe o gosto, a textura, a pulsação. Lambeu-o com carinho,
antes de engoli-lo com cuidado para não machucá-lo. Eles
estavam dentro da piscina e ela tinha que mergulhar a boca
na água para a felação. Ele tentou apalpá-la na boceta, mas
ela se afastou. Disse, com a boca ocupada, que queria primei-
ro sentir o gozo dele. Depois, deixaria que ele a fizesse gozar
também. Mas não tinha pressa. Teriam o dia todo para isso.
Mesmo na água, a boca dela era quente. Seu pau não
era de tamanho exagerado e ela podia engoli-lo até o talo sem
muita dificuldade. Massageou as bolas dele. Ele sentiu o gozo
se aproximar. Ela percebeu. Pediu para ele:
- Não goze ainda, amor. Sempre que der vontade, peça
para eu parar. Quero que demore ao máximo, só então der-
rame
muita porra na minha boca.
MINHA NOIVA É UMA PUTA22
Ele disse;
- Também quero chupá-la.
- Depois. Já disse que temos tempo. Está gostando as-
sim? Ou quer que eu mude o carinho?
- Chupe só a glande. Gosto mais assim.
Primeiro, ela encheu a boca com água da piscina. Só
então, abocanhou novamente o pau dele. Concentrou-se na
cabeçorra e ficou fazendo bochicho com a água. Logo, ela es-
tava morna dentro da sua boca. A sensação no pau do jovem
era muito gostosa. Ângelo avisou:
- Vou gozar. Estou quase gozando. Não aguento mais
prender.
Ela ergueu-se depressa, pegou no pau dele com suas
mãos molhadas e delicadas, e introduziu a cabecinha na en-
trada da vagina. Quando o rapaz achou que ia entrar tudo, eis
que sentiu a fenda muito apertada. Perguntou:
- Você é virgem, Brigite?
- Tenho o hímem complacente, amor. Mas o buraqui-
nho é muito apertado. Todas as vezes, sangra.
Ao ouvir aquelas palavras, ele gozou. Quando ela sentiu
a golfada, apertou-se mais contra ele. O jovem sentiu a rola
entrar a pulso, lhe doendo o cabresto. Ela gemia de dor. Ele,
finalmente, gozou. Mas continuou forçando a rola na boceta
dela. Ela mordeu seu ombro. Chorava. De repente, ergueu-
-se, abraçando-o com as pernas. Ele aproveitou para enfiar-se
mais. Estava de olhos fechados. Quando os abriu, a água da
piscina estava tinta de sangue. Ela começou a ter convulsões
orgásticas. Mordeu-lhe com mais força. Ele mordiscou-lhe o
lóbulo da orelha. Ela gozou com alarde.
FIM DA SEGUNDA PARTE
MINHA NOIVA É UMA PUTA 23
Cap.III
Depois de várias fodas durante o dia, a noitinha flagrou
Brigite cansada, deitada com a cabeça no peito do ra-
paz. Estavam sentados no sofá amplo da sala e ele assistia um
filme na tevê paga. Ela cochilava com um sorriso nos lábios.
O rapaz não se sentia bem tendo traído a noiva, mas agora
estava convencido de que não havia mais volta. Ambos não
haviam bebido o dia todo, nem ela sequer havia fumado um
cigarro, mesmo quando ele ofereceu um careta. Sóbria, a mu-
lher era outra: carinhosa, atenciosa e muito gentil com ele.
Será que ele estava se apaixonando por ela?
Sacudiu a cabeça para afastar aquele pensamento. A
moça era rica, decerto estava com ele para passar a crise de
ter perdido o esposo. Depois, se livraria dele na primeira
oportunidade. Achou que não deveria esperar muito daquele
relacionamento. Mas ainda pensava em Mônica, sua noiva.
MINHA NOIVA É UMA PUTA24
Afastou mansamente a morena do seu peito, levantou-se e
caminhou para fora da enorme residência. Pegou seu celular
e ligou para a noiva. O telefone chamou, chamou e ninguém
atendeu. Quando tentou religar, ela tinha desligado o celu-
lar. Ele estranhou aquela atitude. A jovem nunca havia feito
isso, nem mesmo quando brigavam. Resolveu ir à casa dela.
Escreveu um bilhete e deixou sobre uma mesinha de tampo
de vidro, na sala, perto de Brigite, dizendo que precisou ir
embora. Depois, se foi, deixando a porta da casa dela apenas
encostada.
Quando chegou na residência da noiva, a irmã mais
nova dela veio lhe atender. Perguntou pela moça. Esta estra-
nhou:
- Não estava contigo? Saiu desde ontem à noite e não
voltou. Achamos que tinha, finalmente, ido para um motel
com você.
- Deixei-a num bar, ontem, e fui-me embora. Não che-
gamos a brigar, mas saí chateado com ela.
- Por quê?
- Chamei-a para morarmos juntos e ela pediu um tem-
po para pensar.
- Ela é uma idiota. Eu não pensaria duas vezes para
morar contigo. Todos nós gostamos de você, mas Mônica é
doida.
- Como assim?
- Nunca percebeu que ela não gosta de você? Pois ela
nos diz isso o tempo todo. Te acha um pobretão e diz que foi
feita para casar com homem rico. Não quer namorar comigo?
- Deixe de brincadeiras. O assunto é sério, Paula. O que
está me dizendo sobre Mônica?
- Pergunte às minhas irmãs. Verá que não minto. Mai-
nha já deu muitos conselhos a ela para te tratar bem e ir viver
contigo, mas ela repete que quer casar com homem rico. Não
quer trabalhar. E prefere um mais coroa, pois há a possibili-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 25
dade dele morrer e ela ficar com toda a grana.
- Ela nunca me falou dessas coisas, Paula. Não está in-
ventando?
- E por quê ela iria te falar sobre isso? Sabe que te dei-
xaria chateado.
- Alguma coisa do que você me diz faz sentido. Ontem,
tentei convence-la a começar a trabalhar em algo e ela ficou
irritada com isso.
- Pois é. Façamos o seguinte: quando ela chegar aqui,
vou conversar com ela sobre o que achou do teu pedido de
morarem juntos. Depois, te digo a resposta dela, tá? Mas vou
querer algo em troca.
- Vai querer o quê?
Ela olhou para todos os lados, para se certificar que
ninguém estava por perto, para depois dizer:
- Eu tenho curiosidade de conhecer como é um motel.
Ouvi meu irmão dizendo a um amigo que levou a namorada
dele a um. Quero que você me leve, também. Topa?
- Que eu saiba, você é virgem, Paula. E nem é maior de
idade.
- Maioridade agora é aos dezesseis anos, bobinho. E eu
sempre quis saber como é foder.
- E por que não arranja um namorado e vai com ele?
- Não quer namorar comigo?
Ele sorriu. Achava a jovem muito nova e bobinha.
Nunca olhara para ela com segundas intenções. Confessou:
- Olha, Paula, você é bonita, tem pernas grossas e cha-
ma à atenção dos homens. Logo conseguirá um namoro. Mas
eu nunca pensei em ti como mulher, e sim como irmã da
minha noiva.
- Pois eu, desde que te vi pela primeira vez, fiquei tara-
da em ti. Disse isso à minha irmã e apanhei dela. Minha mãe
me pediu para que eu deixasse o namorado de Mônica em
MINHA NOIVA É UMA PUTA26
paz. Mas, agora que sei que vocês podem ir morar juntos, vou
fazer de tudo para não te perder.
- Sinto muito, mas eu gosto mesmo é da tua irmã.
- idiota! - Disse a mocinha, dando-lhe as costas e en-
trando em casa.
Ângelo estava estupefato. Não esperava uma cantada
daquelas, principalmente vinda da irmã mais nova da sua
noiva. Deu a volta e foi-se embora. Aí, viu se aproximar da
casa o carrão importado do cara que esteve no bar onde ele
estivera com Mônica, na noite anterior. Parou na rua e ficou
observando. O carro tinha vidros fumês. estacionou na fren-
te da casa da sua noiva. Ela desceu e se esticou para dar um
beijo em alguém. O cara desceu do carro, para beijá-la mais à
vontade. Então, Ângelo viu que se tratava do coroa de cabelos
compridos, que o aconselhara a deixar Mônica. Agora, en-
tendia o motivo das suas palavras: o cara já estava afim dela!
Mônica entrou na casa toda radiante, sem ver que era
espreitada pelo noivo. O coroa voltou a entrar no carro, deu
partida e saiu cantando os pneus. Passou por Ângelo sem vê-
-lo. o rapaz estava de cara amarrada, odiando o cara. Precisa-
va saber onde o coroa morava. Iria tomar satisfações com ele.
Mas, isso, num outro dia. Estava, naquele momento, doido
para encher a cara de cervejas. Caminhou para o mesmo bar
onde tinha conhecido a morena. Talvez encontrasse o coroa,
mais uma vez, lá. Aí, seu celular tocou. Olhou para o número.
Era Mônica quem ligava. Atendeu:
- Oi, esteve me procurando aqui em casa? - Perguntou
ela.
- Estive.
- Olha, estive pensando melhor: quero romper o nosso
noivado. Conheci uma pessoa.
- Eu sei. Acabei de te ver com aquele coroa que você fez
questão de ir buscar fogo, para acender o cigarro dele.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 27
Ela desligou. Ele pensou em ligar pra ela imediatamen-
te e continuar a briga, mas desistiu. Afinal, ela tinha sido ho-
nesta em lhe dizer que tinha conhecido alguém. Ele não fez
isso quando conheceu a morena Brigite. Admitiu que mere-
cera os cornos. Caminhou até o bar onde encontrara o cara
bebendo com uma loira e com a morena bicada e drogada.
Viu o carrão estacionado na frente. Foi até lá com ódio. Esta-
va afim de brigar com o coroa. Quando chegou no bar, o cara
estava falando ao celular. Partiu para cima dele. No entanto,
assim que o coroa o viu e o reconheceu, deitou o celular so-
bre a mesa e levantou-se. Esquivou-se do soco que Ângelo
lhe deu e soltou o punho. O murro atingiu o nariz do rapaz.
O sangue espirrou. Depressa, o coroa aplicou uma chave de
braço no jovem. Quando o viu dominado, disse:
- Sei que está zangado. Te vi lá perto da casa da tua
ex-noiva. Não parei porque sabia que viria para este bar, na
esperança de me encontrar de novo. Devia me agradecer.
Como te disse, aquela puta não presta. Acabei de constatar
isso. Posso te largar, pra gente conversar?
Ângelo fez um gesto afirmativo com a cabeça. No en-
tanto, quando o cara o soltou, investiu para cima dele de
novo. Mais uma vez o coroa esquivou-se. Dessa feita, soltou
um soco potente no estômago do jovem. Este dobrou-se so-
bre si mesmo e desabou no chão. O garçom acudiu:
- Ei, que porra é essa aí? Vão brigar lá fora.
- Acabou-se a briga, Valter. Ele já viu que não adianta
me atacar, não é rapaz? Sente-se à minha mesa e vamos con-
versar. Traga uma cerveja para ele e um uísque para mim.
Valter deu meia volta e foi buscar as bebidas. Os clien-
tes do bar se aquietaram com o que seria o fim da briga. O
coroa ajudou o rapaz a se levantar e sentou-o perto de si. Deu
uns tapinhas nas costas dele. Depois, falou:
MINHA NOIVA É UMA PUTA28
- Recupere o fôlego. Sem rancores. Tenho algo a te di-
zer.
- Você é um filho-da-puta. Quer roubar minha noiva.
- Ok, ok, sou mesmo um filho de uma cadela. Mas de-
pois, você vai me agradecer por eu ter te livrado dela. Quer
ouvir?
- Diga.
- O pouco que conversei com aquela piranha safada,
vi que ela não te merece, okay? Ela gosta de caras ricos, quer
boa vida, mas não tem um pingo de decência. Bota chifres
com a facilidade que peida na vara.
- Fodeu o cu dela?
- Claro. Gosto de comer um cuzinho logo no primeiro
encontro. Posso não ter a oportunidade de uma segunda vez,
entende? Mas vamos ao que interessa: eu não quero aquela
catraia. Mas vou fodê-la bem muito, destruí-la e depois jogá-
-la na sarjeta. Se, depois, você for idiota demais para querê-la
de novo, é problema teu. Mas quando eu terminar com ela,
não valerá um tostão furado.
- Por que faz isso?
- Tenho meus motivos. Um dia, te conto. Ou não. Mas
precisa cuidar desse nariz. Tá sangendo pra caralho - disse
ele, discando um número no seu celular de modelo moderno
e caríssimo. Contrastava com as roupas do sujeito: uma calça
jeans velha e uma camisa branca, tipo Hering, com alguns
buraquinhos, de tão velha.
- Oi? Estava dormindo? Vem cá, de carro, pra levar um
cara prum hospital. Ele está sangrando muito.
O coroa ouviu a voz do outro lado, depois desligou.
Disse para Ângelo:
- Agora, toma a tua cerveja, enquanto o socorro não
chega.
- Não vou pra nenhum hospital.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 29
- Devia. Acho que quebrei teu septo nasal.
- Eu já tinha levado uma pancada nele ontem.
- Ah, logo vi. Não te bati com tanta força. Só quando
te acertei o estômago, pois queria que você demorasse a se
levantar.
- Pra quem você ligou?
- Relaxa. Logo, vai saber.
Cerca de vinte minutos depois, a morena Brigite parava
seu carro na frente do bar. Correu até onde estava Ângelo.
Viu o sangue nas roupas do jovem, mas ele comprimia o ra-
riz com um lenço de papel dado pelo garçom, conseguindo
parar a hemorragia.
- O que foi que houve, amor?
- Um acidente. Andou brigando e acertaram-no de
cheio. - Disse o coroa, como se ela tivesse falado consigo.
- Brigando de novo? Com quem?
- Com um cara que é faixa-preta em judô e karatê.
- Porra, por quê bateu nele, Henrique?
- Para acalmá-lo. Acabou de ver um cara lhe botando
uns cornos.
- Você é um sádico. E ainda fica tirando onda da cara
do pobre? Foi você quem estava com a noiva dele, né?
- Como você sabe?
- Deixe de ser cínico. Eu te conheço. Deixe-me dar uma
olhada nesse machucão, Ângelo.
O rapaz deixou. Ela examinou-lhe o nariz e disse:
- Não está quebrado. Não precisa de hospital. Eu mes-
ma dou um jeito nisso.
- Ah, é mesmo. Esqueci que era médica. Senão, tinha-
-lhe batido com mais força e...
O coroa não terminou a frase. Levou um murro no na-
riz, dado pela morena. O sangue espirrou. Ângelo ficou te-
MINHA NOIVA É UMA PUTA30
meroso de que o cara devolvesse a porrada, mas ele apenas
riu e disse:
- Estou vendo que não esqueceu as minhas aulas de ka-
ratê. Agora, terá que consertar meu nariz e o dele.
- Vá pra um hospital. Não vou mexer na porra do teu
nariz.
Ele levantou-se, tirou alguma grana do bolso e deixou
sobre a mesa. Disse:
- Vou mesmo. Não quero levar outro soco. Depois, me
dê notícias do garoto.
Brigite fez que não ouviu. Havia trazido gaze e espara-
drapo e cuidava do nariz do jovem. O garçom perguntou se
ela queria que lhe trouxesse álcool. Ela respondeu que não
era preciso. Agradeceu e perguntou pro rapaz;
- E então, o que aconteceu?
- Teu amigo andou me botando uns chifres. Flagrei-o
levando minha noiva de carro em casa e se beijaram no por-
tão.
- Então, ela está em maus lençóis.
- Como assim?
- Meu amigo já foi casado com uma mulher lindíssima.
Mas ela o traía. Quando ele descobriu, quis matá-la. Eu o de-
movi da ideia. Mesmo assim, sua vingança foi maligna.
- Me conta.
- Ele induziu a esposa a ficar viciada em drogas. Em
menos de um ano, ela estava irreconhecível. Ele não lhe dava
dinheiro para comprar maconha e outras merdas e ela passou
a se prostituir, para manter o vício. Quando viu que ela esta-
va fodida, deixou-a. Ela passou uns tempos querendo voltar
para ele, mas ele não mais a queria. Então, ela se matou.
- Puta merda. Não deu nada para ele? A Polícia não o
pegou?
- Que nada. Ele alegou que ela fez aquilo por causa das
MINHA NOIVA É UMA PUTA 31
drogas.
- Ele também se droga?
- Quem, Henrique? O cara odeia drogas e mulheres
bandidas. Ficou irado quando eu sucumbi ao vício.
- Pensei que ele ia te devolver o murro.
- Que nada. Nós nos conhecemos desde pequeninos.
Ele tinha uma queda por mim. Tentou me comer a pulso e eu
o ataquei. Ele me venceu facilmente, claro, pois pratica artes
marciais. Ao invés de ficar com raiva de mim, ensinou-me a
me defender.
- Mesmo? Interessante. Está querendo me dizer que ele
é gente boa?
- Ele é ótimo. Mas triste da mulher que for catraia. Ele
a usa por uns tempos, depois a abandona na sarjeta. Nor-
malmente, viciada em drogas. Vai fazer isso com a tua noiva,
pode crer.
- Ex-noiva. Eu não quero mais aquela puta.
- Fico contente em saber disso. Vamos voltar lá pra
casa? Quero te dar meu cuzinho.
Ele ainda quis tomar alguma cerveja, mas ela disse que
era melhor comprá-las e levá-las para casa. Pagou o consu-
mo, mesmo o rapaz querendo fazer isso. Pouco depois, esta-
vam nus perante o outro. Mais uma vez, foram para dentro
da piscina. Ela apoiou-se na borda, estando na água, e se vi-
rou de costas para ele. Ele a abraçou por trás. Perguntou:
- Tem certeza que quer mesmo fazer isso?
- Você fodeu tanto minha bocetinha que a pobre está
esfolada. Não vou aguentar teu pau nela por algum tempo.
Então, quero que experimente minha bundinha. Mas meta
com carinho. Faz tempos que não faço anal.
- Costumava fazer com quem?
- Com meu marido, o único homem com quem transei
fora você. Ele adorava meter no meu furinho. Mas adoeceu
cedo demais. Aí, paramos de foder.
MINHA NOIVA É UMA PUTA32
- Eu nunca fodi um cuzinho.
- Não tem segredo. É só não ficar ansioso e tentar me
estuprar. Não gosto.
Ele começou a beijar-lhe a nuca. Ela se arrepiou toda.
Ficou ralando a bunda no cacete duro dele. De vez em quan-
do, a glande encaixava no buraquinho. Ela, imediatamente,
se esquivava. A rola escapava e ele se agoniava. Ela sorria.
Ele estava reagindo do jeito que ela queria. O rapaz apontou
com o próprio punho a glande pro furico dela. Quando se
preparava para empurrar mais o membro, ela se desvencilha-
va dele. Continuava mexendo o enorme bundão, deixando-o
aperreado. Finalmente, quando ele já respirava mal de tanta
ansiedade, ela pegou seu pênis com a própria mão e apontou
a cabeçorra. Enfiou-se quase de uma vez. Ambos deram um
gemido arrastado. Mas, antes que entrasse a metade, ela se
retirou novamente.
Aí Angelo, que já não aguentava tanto tesão, abriu-lhe
as nádegas e encaixou a pica. Esta entrou apertado, mesmo
estando ambos dentro d’água. Ele chegou a pensar que ela es-
tava contraindo as pregas para dificultar-lhe a sodomia. Mas
ela gemeu:
- Vai. Agora. Soca. Soca. Soca...
Ele iniciou os movimentos de cópula. Ela levou uma
das mãos à boceta e tocou uma siririca. De repente, seu cu
expandiu-se e a trolha do rapaz entrou toda. Ela ficou mor-
dendo a peia com as pregas, causando-lhe uma gostosa sen-
sação. Ele apressou os movimentos. Com pouco minutos,
ambos gozavam ao mesmo tempo.
FIM DA TERCEIRA PARTE.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 33
Cap. IV
Quando, no dia seguinte, Ângelo estava no trabalho e re-
cebeu um telefonema interno do chefe, pedindo que ele
comparecesse à sua sala, já sabia que seria demitido. Todo
mundo percebeu que ele estava bronzeado, dando a crer que
pegara uma praia no dia que faltou. No entanto, o bronzeado
foi causado pelas longas horas exposto ao sol, na piscina da
casa de Brigite. Pouco depois, estava saindo da sala do chefe e
se despedindo do pessoal. Não ficara chateado pela perda do
emprego. Contava com a nova namorada para que ela conse-
guisse coisa melhor, como prometeu. Da empresa, foi para a
casa dela. Mas ela não estava em sua residência. O jovem ain-
da a procurou nos bares das redondezas, mas ninguém a ti-
nha visto. Resolveu tomar umas cervejas sozinho. Encontrou
o playboy Henrique bebendo no mesmo bar onde o havia
encontrado no dia anterior. Ele, o coroa, também estava de
esparadrapo no nariz. Os dois riram da cara do outro, quan-
MINHA NOIVA É UMA PUTA34
do se viram. O jovem sentou-se na mesa do sujeito. Pediu
uma cerveja e logo foi atendido. Ângelo perguntou:
- E aí, como está a namorada?
- Não me encontro com ela todos os dias. Dou um tem-
po, que é para ela sentir minha falta e me ligar. Aí, me faço de
difícil. Isso a deixa mais apaixonada.
- Consegue passar muitos dias sem sexo?
- Que nada. Por isso, tenho várias namoradas. Fodo
uma, ou até mais de uma, por dia.
- Qual o segredo de ter tantas mulheres?
- Você não pode se apaixonar. Senão, elas te dominam.
E se te dominam, enjoam de ti logo.
- Eu não consigo viver sem me apaixonar.
- Já está apaixonado por Brigite? Ela vale a pena. Que-
ria eu que ela gostasse de mim. Mas sempre fomos só amigos.
- Ela me contou do dia que você tentou fodê-la a pulso.
- Aquilo foi merda minha. Me arrependo até hoje. Ain-
da bem que ela não ficou com raiva de mim.
- É, imagino se tivesse ficado - disse o jovem, olhando
para o esparadrapo no nariz do sujeito.
Os dois riram a valer da ironia de Ângelo. Aí, uma
negra gostosíssima se aproximou dos dois. Sentou-se ao lado
do coroa sem pedir licença. Ela perguntou:
- Quem é teu jovem amigo, amor?
- Este é Ângelo, namorado de Brigite. Ângelo, essa é
Luara, minha mais nova aquisição.
- Você me apresenta como se eu fosse teu troféu. E eu
não pertenço a nenhum homem, cara. - Disse a negra.
O jovem a achou muito confiante de si. Olhou para as
suas longas pernas. Eram torneadas, como se ela fizesse aca-
demia todos os dias. Exalava saúde. Ele estava impressionado
com a beleza dela, se bem que achava Brigite mais bonita. O
MINHA NOIVA É UMA PUTA 35
casal trocou um longo e apaixonado beijo. Ângelo aprovei-
tou para encher mais seu copo. Ofereceu cerveja a Luara. Ela
aceitou. Ele pediu mais um copo ao garçom e, quando ele o
trouxe, depositou o líquido para ela. Ângelo disse, quando
terminaram de se beijar:
- Bem, não vou ficar segurando vela pra vocês. Vou ver
se acho Brigite. Ela não estava em casa.
- Vai acha-la onde menos espera - disse o coroa - ou
onde menos queira.
- Como assim?
- Nada, rapaz. Estava pensando alto. Vá lá e boa sorte.
- Não vai nem me dar um beijinho? - Perguntou a ne-
gra, quando viu que o jovem iria embora sem se despedir
dela.
Quando o rapaz ia dar-lhe um beijinho na bochecha,
ela fez um movimento que o pegou desprevenido. Ângelo re-
cebeu um leve beijo na boca.
- Uau, vejo que ela gostou de você, garoto. Nunca bei-
jou nenhum amigo meu.
- É que nenhum é tão bonito quanto ele.
Meio empulhado, o rapaz foi embora. Queria passar de
novo na casa de Brigite. Talvez ela já tivesse chegado. Mas
não teve sorte. A moradia ainda estava fechada. Então, re-
solveu ir para casa. Encontrou sua irmã no portão. Ela disse:
- Aquela tua namorada que esteve aqui ontem, voltou.
Esperou por ti, mas depois foi embora. Disse que ia para al-
guma praia. Que você, se quisesse ir também, ligasse pra ela.
Está namorando as duas, irmãozinho?
- Não. Acabei meu noivado com Mônica. Levei um par
de chifres.
- Bem feito. Aquela mulher nunca prestou. Mas você
não escuta conselhos. E essa tal Brigite é muito mais simpáti-
ca. Esteve aqui para pedir tua mão em casamento.
MINHA NOIVA É UMA PUTA36
- Mesmo? E ela falou com quem?
- Com papai e com mamãe. Os dois deram suas bên-
çãos a ela. Ela saiu daqui muito contente. Mas fez uma coisa
que eu não gostei.
- O que ela fez?
- Telefonou para teu emprego e pediu tua cabeça. Qua-
se exigiu que o teu patrão te demitisse.
- Como é que é?
- Isso mesmo. E ela falava como se conhecesse o cara. E
como se mandasse nele.
- Puta merda. Eu fui, mesmo, demitido. Quando en-
contrar aquela puta, vou pedir satisfações a ela.
- Por quê não liga para ela?
- Quero falar com aquela piranha olhando bem nos
seus olhos. E quero pegá-la de surpresa. Já sei o que vou fazer!
Pouco depois, Ângelo voltava ao bar onde tinha encon-
trado o coroa Henrique. Ele ainda estava lá com a negra. Esta
perguntou:
- Bateu saudade de mim e voltou, meu lindo? Ou quer
outro beijo?
- Eu vim falar com teu namorado.
- Ah, que pena. Fiquei até contente de revê-lo, sabia?
O rapaz não seu atenção a ela. Perguntou para Henri-
que:
- Você sabe em que praia Brigite costuma ficar?
- Posso te levar lá.
- Não é preciso. Na verdade, tenho um assunto que
queria falar a sós com ela.
- Pode crer que não vamos ficar segurando vela pra tu,
garoto. Espera um pouco...
Henrique ligou para Brigite e confirmou onde ela es-
tava. Falou que Ângelo queria conversar com ela, mas não
MINHA NOIVA É UMA PUTA 37
por telefone. Escutou o que ela lhe disse e depois desligou o
celular. Disse:
- Vamos embora. Ela está nos esperando.
- Não precisaremos de roupas de banho? - Perguntou
a negra.
- Não. Vão ver que não. Vamos. Não quero chegar mui-
to tarde lá.
Chegaram quase meio-dia na praia de Pau Amarelo, na
cidade de Paulista. Havia poucos banhistas, mas Ângelo não
viu a morena. Henrique avisou:
- Está procurando no lugar errado. Ela está ali.
Ele apontava para uma lancha enorme que estava apor-
tada depois dos arrecifes. Perguntou se o jovem sabia nadar.
Ele sabia. A negra, não.
- Okay, tirem as roupas e deixem no carro. Luara vai
agarrada às minhas costas. Você, cara, se vira.
Deixaram as roupas e caíram na água só de sunga, cal-
cinha e sutiã. Andaram até ser preciso mergulhar. O coroa
nadava com desenvoltura, mesmo tendo a negra agarrada às
suas costas, mas o rapaz não fazia feio. Logo, Brigite os ajuda-
va a subir na enorme lancha branca. Os curativos de ambos
tinham ficado nas águas. A morena disse:
- Que bom que vieram. Estava me sentindo sozinha. O
que quer falar comigo, amor?
- Vamos para um lugar onde possamos estar a sós.
- Está zangado comigo porque fui de novo à tua casa?
Tua família é muito simpática e senti saudades deles.
- Eu sei que você exigiu que me demitissem. Quem te
deu esse direito?
- Ih, vai ter briga feia. Voltemos pra praia, negra. - Fa-
lou o coroa.
- Fiquem aí. Minha conversa com ele vai ser breve. -
MINHA NOIVA É UMA PUTA38
Quase que ordenou a morena.
O casal ficou. Ela não entrou em algum dos aposentos
da lancha, como o rapaz sugeriu. Alí mesmo, disse:
- Quando tua mãe me disse onde você trabalhava, fi-
quei contente, amor. Meu marido era sócio majoritário da-
quela empresa. Agora, com a morte dele, herdei as ações. Eu
sou dona dali. E não quero meu futuro marido trabalhando
para mim. Eu queria te fazer uma surpresa, mas ainda não
consegui falar com os ex-sócios de papai. Tenho certeza de
que eles vão te oferecer coisa melhor.
- Você é a dona da empresa onde eu trabalhava?
- É sim, cara. E de muitas outras empresas. Os pais dela
já eram ricos antes de um se casar com o outro. Brigite é filha
única. Ficou com todo o patrimônio. Inclusive um hospital
particular.
- Porra, e o que uma mulher com tanto dinheiro quer
de um pobretão como eu?
- Já te disse: você foi predestinado para mim. Meu fale-
cido marido tinha razão. Encontrei em você o homem que eu
necessitava encontrar.
- Ela mesma se declarando assim, eu não insistiria na
briga, rapaz. Vá por mim.
- Me dá um beijo. - Pediu Brigite.
Ele a beijou. Com muito carinho e ternura. Sua raiva
havia passado. Era um sinal de que estava começando a gos-
tar dela, pois não era de perdoar uma afronta tão depressa.
Depois do beijo, ela disse:
- Podem tirar essa roupa molhada. Se preferirem, va-
mos para alto-mar, onde ninguém poderá nos ver.
A negra foi a primeira a despir-se. Tinha um corpo es-
cultural. Ângelo ficou de pau duro. Brigite percebeu. Cochi-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 39
chou ao ouvido dele:
- Ela é tesuda, não é amor? Você ficou logo de cacete
duro. Posso te dar uma chupada?
- Aqui, na frente dos outros?
- O que é que tem? Eu conheço os dois. Se Henrique
não se incomodar, depois eu deixo você transar com ela. Mas
só por hoje, está bem?
- Não ficaria com ciúmes?
- Ficaria, sim. Mas sei me conter. No entanto, se eu sou-
ber que você a encontrou a sós, vamos brigar feio. E não quei-
ra me ver com raiva.
- Está me ameaçando?
- Não, amor. É que eu me conheço. Promete transar
com ela só esta única vez?
- Eu nem sei se ela iria querer trepar comigo, oras.
- Henrique, meu amor ficou de pau duro ao ver tua na-
morada nua. Permite que os dois transem? - Perguntou Bri-
gite.
- Enquanto isso, você transará comigo?
- Nem por sonho. Eu amo meu namorado. E tenho cer-
teza de que ele não aceitaria isso.
- Então, não permito que ele foda minha namorada.
- Ei, quem manda nos meus buracos sou eu. Quem
dá permissão pra ele ser invadido sou eu! Tira a roupa, meu
bebê. Deixa a gente ver esse pau duro.
- Vou mostrar, sim. Mas não vou foder ninguém. A me-
nos que Brigite queira fazer amor.
- Querer eu quero. Mas estou toda dolorida, amor. Só
a minha boquinha de cima é que ainda está funcionando a
contento.
- Faz ele gemer sem sentir dor, amiga. Quero ficar
olhando. O jovem não me quer, mas não pode impedir que
eu toque uma siririca na intenção dele.
- Esqueceu que estou aqui, para te satisfazer? - Res-
MINHA NOIVA É UMA PUTA40
mungou o coroa, tirando a roupa. Também estava de cacete
duríssimo. Mas não sentia nenhuma vergonha de ficar nu na
frente das mulheres, como Ângelo sentiu. O caralho dele ti-
nha quase o dobro da extensão do pênis do jovem. Aí foi que
Ângelo ficou mais empulhado de se despir. Manteve a sunga
mas era visível o volume do seu cacete. A negra, no entanto,
fez questão de despi-lo. Quando o pau do jovem pulou fora
do tecido, ela assoviou:
- Uau. Tem um pingolim do tamanho que gosto. Dá
licença, amiga...
E a negra caiu de boca no pau do rapaz. Enquanto isso,
Brigite beijava Ângelo na nuca, na orelha, lambia dentro do
seu ouvido para, finalmente, beijá-lo de língua. O cara estava
todo arrepiado. Para poder chupar melhor o rapaz, a negra
ficou de bundão empinado. Henrique lubrificou o pênis com
saliva e tocou a glande no buraquinho dela. Ela ajeitou-se
melhor para recebê-lo por trás. Enquanto isso, masturbava o
rapaz com o seu pau na boca. Brigite foi descendo com a lín-
gua pelas costas de Ângelo, até encontrar seu furinho. Abriu-
-lhe as nádegas com as duas mãos e lambeu as pregas dele.
Depois, ficou chupando o cu de Ângelo. O jovem se tremia
de prazer. Luara engoliu todo o seu cacete, tocando com a
glande na goela. Deu um gritinho, quando Henrique a in-
vadiu por trás. Depois, voltou aos seus afazeres. Quando o
coroa começou a copular o cu dela, a negra ficou revirando
os olhos de puro prazer. Estava gozando pelo cu. Mas não
parou de chupar o jovem. Brigite continuava chupando o cu
do rapaz, agora massageando-lhe as bolas, também. Pouco
depois, o jovem anunciava:
- Vou... gozar... agooooraaaaaaaaahhh...
FIM DA QUARTA PARTE
MINHA NOIVA É UMA PUTA 41
Cap. V
Haviam dado uma única foda. Depois, os casais se separa-
ram, ficando cada dupla em um lugar do barco. Henri-
que não quis mais saber de tomar sol e a negra o acompanhou
até uma das cabines. Ângelo e Brigite forraram uma grande
toalha na proa e ficaram se bronzeando, com a morena só de
calcinha e ele nu. Mas ela logo pegou no sono. Ele resolveu
dormir, também.
De noite, o tempo esfriou. Começou a chover, flagran-
do os dois ainda nus e deitados. Brigite quis correr para uma
das cabines, mas Henrique a encontrou na porta e alertou:
- Preciso voltar para o carro. Deixei-o lá na praia e a
esta hora o lugar deve estar deserto. Fica fácil de alguém abrir
e depenar meu veículo. Se vocês querem ficar, tudo bem. Mas
eu vou embora com a minha negra.
MINHA NOIVA É UMA PUTA42
- Também iremos. Há um bote pendurado ao lado da
lancha. Dá pra nós quatro. Vistam suas roupas e vamos. -
Avisou Brigite.
Encontraram o veículo intacto. O coroa levou Ângelo
à casa de Brigite, depois foi embora no seu carrão, levando
a negra Luara. Esta estava de cara amarrada. Quase não se
despediu do rapaz nem da morena. Quando foram embora,
Ângelo perguntou:
- A negrona parecia chateada, percebeu?
- E era pra estar. Enquanto você dormia, flagrei-a lam-
bendo o teu pau, aquela puta safada. Achou que eu estivesse
dormindo também. Chamei-a num canto e disse-lhe poucas
e boas. Exigi que não mais te procurasse.
- Ah, foi isso? Bem que senti alguém pegando no meu
pau, mas pensei que fosse você.
- Eu também te acariciei. Mas só depois que me resolvi
com ela. Você, porém, estava num soninho tão bom que de-
sisti.
- Bem, pode continuar agora que estamos ambos acor-
dados.
- Eu prefiro ir dormir, amor. Estou cansada e acho que
vou menstruar. Se quiser ficar por aqui, comigo, tem umas
cervejas que comprei logo cedo. Mas, se quiser ir, vou te en-
tender.
- Se não ficar chateada, prefiro ir. Tenho que dar a notí-
cia de que estou desempregado a meus pais.
- Eles já sabem. Viram quando liguei pro administrador
da empresa onde você trabalhava. Ouviram minha conversa.
Mas não me criticaram, pelo menos abertamente. Acha que
ficaram zangados por eu ter feito aquilo?
- Meu pai, talvez. Ele não gosta de mulher mandando
nele. Minha mãe deve ter se divertido com isso. Ela adora
contrariar meu pai. Mas ambos se dão muito bem.
- Nós também nos daremos. Então, o que vai fazer?
MINHA NOIVA É UMA PUTA 43
- Eu prefiro ir, linda. Também estou cansado de ter fi-
cado tanto tempo exposto ao sol, ontem e hoje. Não tenho o
costume.
- Está bem. Boa noite, amor. Amanhã, assim que puder,
venha pra cá.
- Está bem - disse ele lhe dando um beijo carinhoso de
despedida.
Mas o jovem não pretendia ir pra casa. Queria passar
no bar onde encontrava Henrique. Desconfiava que ele esti-
vesse lá com a negra e pretendia fazer ciúmes ao coroa. Seria
sua vingança por ele ter-lhe botado uns chifres com a sua
ex-noiva. Mas não encontrou o playboy com a negra. Quem
estava ao seu lado foi Mônica. Ela parecia aérea, como se es-
tivesse drogada. Quando viu o rapaz, sorriu para ele. Pergun-
tou:
- Eu não te conheço de algum lugar, cara? Você não me
é estranho...
- Não, você não me conhece. Deve estar me confun-
dindo com alguém - rebateu o jovem. O coroa parecia não
ter gostado muito da aproximação dele. Tanto que o chamou
a um canto:
- Não devia ter vindo, rapaz. Não vou querer brigar
contigo de novo.
- Não vim pra brigar. Já não ligo que esteja com ela.
E já vi que você já começou a cumprir com a tua palavra de
deixa-la viciada, não é?
- Vou ser honesto contigo: eu já conhecia essa catraia.
Alguém disse que eu vendia drogas e ela me procurou, antes
de tu deixa-la. Nesse dia, eu estava com outra que você co-
nhece, mas não vou dizer quem é.
- Com a negra?
- Não. Não foi com aquela puta. Sei que ela saiu de fini-
nho de perto de mim e foi te chupar. Brigite me contou que
MINHA NOIVA É UMA PUTA44
deu-lhe uns esporros. Deixei-a na casa dela e disse pra não
mais me procurar.
- Você gosta dela, não é mesmo?
- Eu sou louco por aquela negra. Ela e Brigite foram as
únicas que não entraram na minha. Eu acho que tenho mania
de só gostar de quem não gosta de mim.
- Quer dizer que Mônica já era uma viciada e eu não
sabia?
- Ela não era viciada ainda. Mas tinha curiosidade em
provar drogas. Drogas pesadas, não maconha. É uma puta
cara, entende?
- Não entendo de putas.
- É, dá pra ver. Não ligue pra tua ex. Agora, não tem
mais volta. Ela experimentou de tudo, hoje. Eu a tinha deixa-
do na casa de um traficante, a pedido dela. Dei-lhe dinheiro
para ela comprar o que quisesse. Você está vendo o estado
dela.
- Sinto mais pelos pais dela do que por ela. Agora que
sei quem ela realmente é, tomei abuso.
- Faz bem. Mas precisa ficar de olho nas pessoas à tua
volta, cara.
- Como assim?
- Vai descobrir do jeito mais duro.
- Está falando de Brigite?
- Brigite é uma santa. Vai querer beber umas?
- Não. Não consigo ver a degradação de Mônica. Vou-
-me embora.
- Luara, a esta hora, deve estar num barzinho novo lá
perto da Encruzilhada. Ela mora lá e pediu pra eu deixa-la
nesse bar. Vá lá e converse com ela. Mas não aceite ir pra um
motel com ela. Seria a tua pior merda.
- Por quê?
- Eu sou de avisar, e não de explicar, moleque. Só faça o
que eu disser, fui claro?
MINHA NOIVA É UMA PUTA 45
A conversa tinha deixado Ângelo duplamente curioso.
Quem seria a pessoa do convívio dele que estava metida com
drogas? A irmã de Mônica, a que queria saber como era um
motel? E o que ele teria a perder se fodesse com a negra? Pen-
sara em dar uma foda com a morena Brigite, mas ela parecia
mesmo cansada. E não gostava de foder mulheres menstrua-
das. Certa vez, saíra da casa de Mônica excitado, como esta-
va agora, e pegou uma puta de rua. Ela estava de regras. Ele
ficou traumatizado com a experiência. Para piorar as coisas,
daquela vez pegara uma gonorreia. Acreditou que havia sido
passada pela puta. Alguém disse para ele que a mulher expele
um monte de germes através da menstruação.
Pegou um táxi e foi para o bairro do Recife chamado
de Encruzilhada. Perguntou ao motorista onde tinha inau-
gurado um bar novo. Ele o levou para lá. Encontrou a negra
acompanhada de uma outra, mais bonita e gostosona do que
ela. Luara o viu assim que entrou, mas ele fez que não a viu.
Queria dar a entender que estava ali por acaso. Sentou-se a
uma mesa e uma garçonete muito bonita veio atende-lo. Ela
disse:
- Boa noite, senhor. Acredito que não leu o cartaz afi-
xado logo na entrada.
- O que diz ele?
- Que homens desacompanhados não são permitidos
no recinto. Mulheres, podem permanecer à vontade. Portan-
to, se precisar de acompanhante, podemos ajeitar uma pro
cavalheiro.
- Ele não precisa, Laura. Estávamos esperando por ele
- disse uma voz conhecida atrás da garçonete. Era a negra
Luara quem falava. Veio acompanhada da outra negra para a
mesa onde Ângelo estava.
- Oi, Luara. Que surpresa, encontrar você aqui...
- Deixa de ser cínico. Henrique me ligou, dizendo que
você vinha. Esta é minha irmã, Luana. Ela ficou interessada
MINHA NOIVA É UMA PUTA46
em você. Pediu que eu te apresentasse a ela, quando eu disse
que havia fodido contigo hoje.
- Oi, bonitão. Bem que minha irmã falou que você é
lindo. Não se assuste com o meu interesse: é puramente pro-
fissional.
- Como assim?
- Sou psicóloga. Estou fazendo uma pesquisa, para sa-
ber o que os jovens de hoje pensam sobre o sexo descompro-
missado.
- Hummmmmmmm, já fiquei excitado rsrsrs.
As duas riram. Sentaram-se á mesa sem pedir licença.
Pediram três cervejas. A garçonete foi buscar. Ângelo per-
guntou:
- Não é melhor pedir de uma em uma?
- Aqui não servem copos. Temos que beber na boca da
garrafa.
O rapaz olhou em volta. Ela tinha razão. A garçonete
trouxe as bebidas. O rapaz perguntou a Luana:
- Bem, qual é a primeira pergunta?
- Vamos lá: você acha que o jovem de hoje está perden-
do o interesse sexual?
Ele demorou um pouco a responder. Quando o fez, dis-
se:
- Enquanto o pornô não está tão em alta, a erótica digi-
tal e gratuita (muitas vezes retratando os próprios usuários)
tornou-se um passatempo padrão. Vendas de brinquedos se-
xuais continuam a subir e muitos desses compradores têm
menos de 40 anos. Então, eu acho que o jovem de hoje, que
tem mais oportunidades sexuais do que o de antigamente,
mudou o foco. Claro, encontros sexuais sem remorso ou cul-
pa ainda existem, mas as pessoas mais jovens parecem dividi-
das. Elas gostam da liberdade, mas querem as melhores par-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 47
tes de épocas passadas, também. Elas querem que a sedução,
a incerteza, a busca, não necessariamente a monogamia mis-
sionária; mas luvas brancas, pérolas e flerte com um uísque
em um bar interessante não parece muito mais envolvente do
que shots de Red Bull e vodka e uma rapidinha no estaciona-
mento? O fato é que muitíssimas menininhas de hoje ainda
cultivam mitos do passado como as atrizes glamourosas Au-
drey Hepburn, Marlene Dietrich e a stripper retro Dita von
Tease.
- Há ainda outra coisa a considerar: uma certa quan-
tidade de desilusão com o sexo não é tendência, é biologia -
continuou ele. Nossos cérebros são projetados para procurar
novidades. A quantidade de novidade que cada um de nós
procura depende da nossa própria química. Quando não ob-
temos novidade o suficiente, ficamos entediados.
A geração sexual de hoje torna possível para todos nós
obter qualquer forma de novidade sexual que desejar, a qual-
quer momento que quiser. Se você trabalhasse em uma sor-
veteria, e pudesse tomar todo o sorvete que quisesse, o que
aconteceria logo no segundo dia de trabalho? Sim, você ia
enjoar de sorvete.
- Uau. Sem mais perguntas. Até parece que você já sa-
bia o que eu iria perguntar depois, cara - exclamou Luana.
- Não admira que Brigite escolheu ele. O jovem tem um
enorme intelecto escondido nessa carinha de besta.
- Nada disso, gente. Apenas andei lendo sobre o assun-
to, recentemente.
- Ainda por cima, é modesto.
- Vamos virar nossas cervejas? Isso merece um brinde.
- Estão querendo me deixar bêbado?
- Estamos, sim. Na verdade, viemos aqui mais para en-
contrar algum parceiro para estar conosco o resto da madru-
gada. - Disse Luara.
- É, mas lembre-se de que você foi proibida por Brigite
MINHA NOIVA É UMA PUTA48
de foder com ele. Então, ele sobra todinho para mim - arre-
matou a irmã.
- Nem me lembre do esporro que levei. Mas eu respeito
Brigite. Então, ele é todo teu. Ela não te proibiu de fodê-lo,
como proibiu a mim.
- Vocês estão discutindo como se eu não tivesse minha
própria opinião sobre esse assunto - disse Ângelo.
- E você vai ser louco de me rejeitar? - Disse a negra
Luana, passando a mão nos quadris, como a ressaltar as suas
curvas.
Cerca de duas horas depois, os três estavam na casa de
Luana. A psicóloga vivia bem, num apartamento de cobertu-
ra enorme, num dos bairros mais ricos da cidade. Perguntou:
- Vão querer continuar bebendo? Acho que tem cerve-
jas no freezer. Eu vou tomar um banho.
- Eu também quero me molhar. Ainda estou sujo de
mar. Posso me banhar contigo?
- Venha. Eu te dou um banho. Você também vem,
mana?
- Não. Temo não me conter diante do caralho dele. Vão
vocês.
Foram. Nem bem o jovem tirou as roupas, ela atracou-
-se com ele. Beijou-o da cabeça aos pés, depois parou no sexo
do cara. A boca dela era muito quente. Por pouco o rapaz,
que já estava de cacete duríssimo, não goza logo na primeira
chupada. Mamou-a nos peitos, também. Ela gemeu alto com
as lambidas que ele lhe deu na xoxota.
Enquanto isso, a negra Luara ajeitava uns equipamen-
tos no quarto da irmã. Sabia que ela era acostumada a regis-
trar suas fodas. A negra psicóloga adorava postar seus vídeos
fazendo sexo na Internet. Mas Luara precisava ser rápida,
para o rapaz não perceber. Pretendia divulgar o filme na rede,
MINHA NOIVA É UMA PUTA 49
para vingar-se de Brigite. Saiu do quarto, depois de tudo pre-
parado, foi ao freezer, pegou uma cerveja, ligou a tevê e ficou
assistindo um site de filmes pornôs. Adiantou algumas par-
tes, até encontrar um bom momento da transa. Então, meteu
a mão na xoxota e começou a se masturbar. Quando o casal
saiu do banheiro, ela estava gozando. A psicóloga disse:
- Vamos pro quarto. Depois do banho, fiquei excitada.
Agora, vendo minha irmã gozando, fiquei mais ainda.
Sem saber que estava sendo filmado, o jovem deu uma
chupada bem gostosa na boceta da negra, assim que se joga-
ram na cama. Ela também o chupou, num gostoso meia-nove.
Quando acabou de gozar, Luara veio para a porta do quarto
e ficou olhando os dois transarem. Num dado momento, sua
irmã girou o corpo e cavalgou o rapaz. Nem bem se enfiou
na rola dele, começou a gozar. A bilola escapuliu-lhe da vulva
e ela a enfiou no cu. O jovem gemeu alto, de prazer. Ela con-
tinuou a frenética cavalgada. Ele a empurrou de cima de si e
posicionou-se atrás dela. Quando apontou a glande para o cu
dela, Luara voltou a friccionar o grelo. Depois, correu a catar
nas gavetas da irmã à procura de um consolo. Encontrou um
pênis de borracha de mais de trinta centímetros. Sentou-se
numa cadeira que havia no dormitório e meteu o objeto no
cu. Quando conseguiu escondê-lo ali quase em sua totalida-
de, voltou a se masturbar. A outra negra, a essa altura, já go-
zava pelo cu. A psicóloga gritou:
- Vai, puto. Arromba meu rabo. Mas não fique fodendo
calado. Adoro ouvir palavras chulas enquanto fodo!
FIM DA QUINTA PARTE.
MINHA NOIVA É UMA PUTA50
Cap. 06
As duas irmãs quiseram que Ângelo dormisse na casa de
Luana, mas ele saiu de lá quase três da madruga. Estava
esgotado sexualmente. Transou tanto que sentia o gosto de
sangue na boca. Chegou em casa quando o dia já amanhecia,
pois pegou o Bacurau do ônibus. Abriu a porta com cuidado
e entrou. Nem tomou banho, foi direto para a sua cama. Foi
a sua sorte.
Bem cedo da manhã, Brigite chegou procurando-o.
Disse que havia conseguido entrar em contato com a empre-
sa onde seu pai fora sócio e conseguiu uma vaga para ele. Mas
o rapaz iria começar quase do zero, para entender melhor
a filosofia da empresa. Um dos sócios queria conhece-lo e
pediu que ela o levasse o mais cedo possível, pois este tinha
que viajar naquele dia. Ângelo acordou-se ainda exalando o
cheiro de bebida pelos poros. Tomou um banho demorado,
MINHA NOIVA É UMA PUTA 51
enquanto a namorada tomava o café da manhã com a sua
família. O rapaz achava incrível a rapidez com que a morena
havia cativado a todos. Só quem não estava presente à mesa
era sua irmã. Dissera estar indisposta e iria dormir até tarde.
Ângelo tomou seu banho, saboreou o café e botou a
sua melhor roupa para ir para a empresa. Brigite o levou lá de
carro. Disse para ele:
- Precisamos comprar um carro para você. Sabe dirigir?
- Não. Mas acho que aprendo depressa.
- Então, hoje mesmo te compro um carro novo.
- Êi, não é preciso. Quero comprar um carro com meu
próprio dinheiro.
- Então, eu compro e depois você me paga.
- Olha, agradeço o que está fazendo por mim, mas não
sou de explorar mulher.
- Ótimo. Se eu perceber que está querendo me explo-
rar, te deixo na mesma hora. Não gosto de ser explorada.
Também não gosto de servir de motorista pra ninguém, en-
tendeu?
- E por que está fazendo isso? Poderia me indicar teu
contato e eu iria de ônibus, mesmo.
- Mas és tu nada, estrela! E eu não estou afim de dis-
cutir. Então, digamos que eu te trouxe porque quero rever os
sócios do meu pai.
- Assim está melhor. Volto a agradecer por ter me tra-
zido.
- Então, me dá um beijo.
Ele deu, assim que ela estacionou em um lugar qual-
quer, para não tirar a atenção do volante. Mas a moça recla-
mou:
- Porra, está com cheiro de boceta nos lábios. O que
andou fazendo às escondidas de mim?
- Eu? Nada, amor -, ele foi pego de surpresa mas não se
MINHA NOIVA É UMA PUTA52
entregou - acho que foi porque não lavei a boca direito.
- Vou fingir que acredito, viu? Mas, depois, vamos ter
uma longa conversa.
Ela voltou a dirigir, mas manteve-se o tempo todo ca-
lada. Ele também não disse nada, temendo irritá-la. Logo,
chegaram à empresa. Lá, ele foi muito bem recebido e um
dos sócios o levou para conhecer as dependências da empre-
sa, enquanto o outro conversava com Brigite. Ângelo ficou
impressionado com as dimensões do espaço físico da empre-
sa. Era enorme. Quando voltaram para a sala onde a morena
estava reunida com o outro sócio, já era quase meio-dia. Os
sócios os chamaram para almoçarem juntos, mas ela decli-
nou da ideia. Estava doida para estar a sós com o rapaz, para
poderem conversar.
A notícia era ótima. Os sócios simpatizaram com ele e
prometeram a ela tudo fazer para que ele crescesse na firma.
Ele agradeceu a ela com um longo e carinhoso beijo. Ela dis-
se:
- À noite, vou querer melhor a minha recompensa.
Acho que já vai dar para fazermos amor de novo.
- Não vejo a hora. Por mim, nós faríamos amor todos
os dias.
- Taradinho. Mas deixa eu voltar a me acostumar com
sexo, pra você ver. Garanto que não vai me aguentar todos os
dias.
- Tomara. Mas só de saber dessas tuas intenções, já fico
excitado.
Ela o beijou novamente. Depois, convidou-o para al-
moçar. Brigite escolheu um restaurante chique para o almo-
ço. O lugar estava lotado. Ele disse:
- Podemos ir para um local mais peba, e menos lotado.
- O que é um lugar peba?
MINHA NOIVA É UMA PUTA 53
- Mais popular.
- Não, senhor. Estamos comemorando uma conquista
tua. Não se preocupe, eu pago.
- Não é isso. É que não estou acostumado com esses
luxos.
- É necessário. A maioria dos meus amigos são ricos. E
eu vou querer você sempre do meu lado. Veja, desocupou um
lugar ali. Vamos para lá.
Foram. Sentaram-se à mesa e ela escolheu o cardápio,
já que para ele não fazia diferença, segundo suas próprias pa-
lavras. Ela gostava de saladas de verduras e legumes. Ele, de
carnes. Ela pediu os dois. Quando estavam almoçando, um
coroa veio até a mesa deles. Estava bem vestido, mas o jovem
percebeu que a namorada ficou incomodada com a sua pre-
sença. O cara disse:
- Você por aqui? Não esperava reencontra-la tão cedo.
Achei que ainda chorava a morte do marido, mas vejo que se
recuperou depressa. Já está com outro...
- Isso não é da tua conta, tá? Então, faça-nos o favor de
nos deixar terminar a nossa refeição.
- Tudo bem. Vejo que está gastando bem o dinheiro
deixado por meu irmão. Mas um dia é da caça, outro do caça-
dor. Logo, terá a Polícia em teu encalço. Tenha um bom dia.
- Quem é esse sujeito?
- Meu cunhado. Achou que eu não fosse casada com o
meu falecido marido e quis me retirar direitos. Eu namorei
com ele antes de conhecer seu irmão. Ele não gostou de ser
preterido por mim. Mas parece que ainda é afim, pois vive
telefonando direto. Como sei que é ele, não atendo, mesmo
quando usa um número desconhecido.
- Não gostei dele.
- É um crápula. Por isso preferi o irmão. Mas ele não
gostou disso. Primeiro, tentou me pegar a pulso. Principal-
mente quando soube que Henrique já havia tentado. Fiz
MINHA NOIVA É UMA PUTA54
queixas ao irmão dele, que ainda não era casado comigo, e
ele tomou providências. Até hoje eu não soube o que Mozi-
nho fez, mas surtiu efeito. Nunca mais que ele se insinuou
para mim.
Terminaram o almoço, descansaram um pouco con-
versando e depois foram embora. Ela o levou até a frente
da casa dele, mas não entrou. O rapaz estranhou sua irmã
não ter vindo cumprimenta-lo no portão. Perguntou à mãe,
quando entrou em casa:
- Cadê Lelinha? Não a vi de manhã.
- Ainda está trancada no quarto. Chamei-a, mas nem
respondeu. Ainda deve estar dormindo.
- A senhora não entrou no quarto dela?
- Está trancado à chave. E ela não é nunca de fazer isso.
- Vamos lá. Deve estar acontecendo algo que não sabe-
mos.
Depois de bater várias vezes na porta, o rapaz a arrom-
bou. Encontraram a irmã caída no chão. Havia um seringa
jogada ao lado dela. Ângelo correu até a irmã mas ela já esta-
va morta. Só então, ele entendeu as palavras do coroa, quan-
do disse que ele precisava prestar mais atenção às pessoas da
sua família. O rapaz ficou revoltado. A mãe, desesperada.
Ângelo ainda socorreu a irmã, mas já sabia que ela estava
morta. Overdose. A velha senhora teve que ser internada. Pe-
diram os documentos dela antes de socorrê-la. Ângelo teve
que ir busca-los em casa. Aproveitou para ligar para o pai
e para Brigite. Lembrou-se de que o coroa Henrique havia
dito que ela era dona de um hospital. Ela ficou aperreada,
mas num instante chegou de carro à casa dele. Ajudou-o a
procurar os documentos da senhora e foram para o hospital.
Os médicos, no entanto, não queriam liberar a mãe do rapaz
para tratamento em hospitais particulares. Foi preciso que
ambos assinassem um catatau de documentos, para conse-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 55
guirem a liberação da paciente. A moça, infelizmente, foi a
óbito, como ele já sabia.
Depois de passado o sufoco, Ângelo disse para a na-
morada:
- Isso não vai ficar assim. Vou achar o cara que vendeu
drogas a ela.
- Infelizmente, é o mesmo que me fornecia drogas,
amor. É um cara da Polícia. Vai ser difícil fazer algo contra
ele. Esse pessoal é mafioso. Se você denunciá-lo, vão pensar
que fui eu que os alcaguetei. Vai sobrar para mim.
- Sinto muito, amor. Não vou deixar esse crime impune.
- O que pretende fazer?
- Primeiro, eu tenho que achar o cara. Depois, vejo o
que fazer com ele.
- Deixe isso para a Polícia.
- Você acabou de me dizer que a Polícia é corrupta...
- Vou falar com Henrique. Ele conhece melhor esse
povo. Saberá melhor o que fazer.
Pouco depois, falavam com o coroa. Ângelo estava ir-
ritado com o cara, achando que ele também tinha culpa pela
morte da irmã. Perguntou-lhe:
- Você sabia que minha irmã consumia drogas. Por quê
não me disse?
- Sim, foi ela que veio com tua namorada me pedir pra
vender-lhe drogas. Eu não esperava que ela falecesse tão rápi-
do. Mas não me meto na vida dos outros, garoto. No entanto,
te alertei.
- Jamais pensei que fosse ela. Nunca demonstrou ser
viciada.
- Ela sabia esconder bem. Sinto muito, garoto. O que
posso mais fazer por ti?
- Quero pegar o cara que vendeu-lhe o bagulho.
- Sem chance. Não quero que Brigite perca o futuro
MINHA NOIVA É UMA PUTA56
marido. Os caras são da pesada. E um deles é o cunhado dela,
não sabia?
- Como é que é?
- Não, ele não sabia. Mas conhece o cara. Ele esteve na
nossa frente, hoje, quando almoçávamos. - Disse cabisbaixa a
morena, que até então só escutava.
- Puta merda, o puto já devia ter matado minha irmã e
eu nem sabia.
- O que pretende fazer, garoto? Melhor deixar quieto.
- Sem chances. Quero vingar a morte de Lelinha.
- Okay, quem sabe é você. Depois, não diga que não te
avisei.
- Onde posso encontrar aquele merda?
- Na delegacia, lógico. Ele é policial.
- Delegado?
- Não.
- De que delegacia?
- Da mais próxima lá de casa - respondeu a morena.
++++++++++++++++++++
Uma hora depois, Ângelo chegava sozinho à delegacia.
Nem o coroa nem a sua namorada quis se envolver. Demons-
travam medo do cara. O rapaz aproveitou que seu pai estava
com sua mãe no hospital e foi até a Polícia. Antes, porém,
esteve num dos jornais da cidade e contou seu drama. Quem
o atendeu foi uma jornalista muito simpática. Ele perguntou
se ela confiava em algum policial. Ela ligou para o seu conta-
to na Polícia. Falou com o cara ao telefone e depois levou o
jovem para se encontrar com ele. Queria um furo de repor-
tagem.
Mais uma vez o rapaz contou a sua história e o sujeito
chamou-o à sala do delegado. Este perguntou:
MINHA NOIVA É UMA PUTA 57
- Quem te disse que o meu policial é corrupto e vive
vendendo drogas?
- Um amigo meu, que não me permitiu usar seu nome.
- Assim, fica difícil, jovem. O cara que você quer de-
nunciar é o meu melhor policial.
Ângelo ficou cismado. Não tinha gostado do sujei-
to, quando o encontrou no restaurante. O delegado o estar
protegendo era um sinal de que estava comprometido com o
cara. O rapaz falou:
- Então, desculpa aí. Retiro a denúncia. Não vou mais
botar isso pra frente.
- Quem sabe é você. Mas se mudar de ideia, volte a me
procurar. Não procure nenhum outro policial, está bem?
Aí foi que o rapaz ficou cismado com o delegado. Des-
pediu-se e foi-se embora. A repórter o seguiu, meio chateada.
Perguntou:
- O que te fez dar pra trás? Eu estava doida por essa
matéria.
- Não gostei do delegado. Ele me parece suspeito.
- Então, diga pra mim o nome do sujeito que você acha
que foi responsável pela morte da tua irmã. Prometo investi-
gar por minha conta, sem ajuda de policiais.
O jovem esteve indeciso, depois deu os nomes de Bri-
gite e do coroa. Mas pediu sigilo, caso ela fosse publicar a
matéria.
- Deixa comigo. Não citarei minhas fontes. Precisa de
carona para ir pra casa?
- Não, obrigado. Já fez muito por mim. Eu me viro.
- Amanhã, ligue para mim. Eu já devo ter algo para te
dizer.
- Amanhã será o sepultamento da minha irmã. Acho
que não vou te ligar. Depois de amanhã, faço isso.
MINHA NOIVA É UMA PUTA58
Estavam na frente da delegacia. Ela manobrou o carro
e foi-se embora. Ângelo caminhou até o próximo ponto de
ônibus. Antes de chegar nele, no entanto, ouviu uma buzina
perto de si. Olhou naquela direção. Era o cara que incomo-
dara sua namorada, no almoço: o cunhado dela. Ele viu o
cara, mas fez que não o reconheceu. O cara gritou de dentro
do carro:
- Para e entra, porra. Quero falar contigo.
- Não vou entrar no teu carro nem a pau.
- Está com medo de mim, caralho? Tenta denegrir mi-
nha imagem e depois fica com medo? Quem te mandou vir,
aquela catraia que estava contigo?
- E se foi ela?
- Está sendo enganado, garoto. Se não quer entrar no
carro, senta no primeiro bar cheio que encontrar. Quero
mesmo falar contigo.
Ângelo continuou andando. Não pretendia parar em
bar nenhum. Mas viu um lotado, a poucos metros de distân-
cia. Apontou o bar para o cara. Ele fez sinal com o polegar
levantado. Passou à frente do rapaz e estacionou lá. Pegou
umas pastas do carro e desceu com elas debaixo do braço. O
jovem passou direto por ele e sentou-se em uma das mesas
vagas que encontrou. Não temia o cara, ali. Não era possível
que ele fosse atacá-lo com tantas testemunhas.
Antes de sentar defronte ao rapaz, o policial jogou as
pastas de documentos sobre a mesa. Disse:
- Dá uma olhada aí, rapaz. E verá que não é a mim que
deve temer.
Ângelo fez o que ele estava pedindo. Era um extenso
dossiê sobre um casal. Tinha várias fotos, e em algumas o
casal se beijava ardentemente. Não eram fotos recentes, mas
o rapaz estava estupefato.
- Já viu, né? É aquela catraia com o verdadeiro marido
MINHA NOIVA É UMA PUTA 59
dela.
- Henrique é marido dela?
- O nome dele não é Henrique. É Paulo. Não sei o nome
que ela te deu, mas chama-se, na verdade, Zenaide. São acos-
tumados a aplicar golpes em homens e senhoras ricas. Con-
seguiram uma pequena fortuna, aplicando tais golpes. De-
pois que conseguem a grana, matam o otário ou otária da
vez. Meu irmão não me ouviu, se fodeu. Já faz um tempão
que estou atrás desse casal, mas não consegui pegá-los de jei-
to ainda.
- Eu não acredito no que está me dizendo. O coroa é
suspeito, mas a morena não tem jeito de bandida.
- Pois é a que é a mais vigaristas dos dois. Eu tenho um
agente infiltrado, na cola deles. Mas vou demorar um pouco
a pegá-los. Na verdade, é uma agente. Mas ainda não ganhou
a total confiança deles.
O jovem pensou um pouco. Depois, arriscou:
- Tua agente é uma das negras que anda com eles?
- Como sabe?
- Estive com ela. Ela não tem uma irmã psicóloga?
- Ela mesma. Como a conheceu?
- Não importa. Minha namorada lhe deu um esporro e
ela, por vingança, trepou comigo - mentiu o rapaz.
- Um momento...
O policial puxou o celular do bolso da camisa e fez uma
ligação. Quando atenderam, ele perguntou:
- Luara? Me diz uma coisa: o alvo te ameaçou, por cau-
sa do rapaz bonitão que agora namora a tal que ora se chama
Brigite?
O sujeito encostou imediatamente o celular no ouvido
do rapaz, bem a tempo dele ouvir:
- Sim, senhor. Ela ameaçou me matar, se me visse com
MINHA NOIVA É UMA PUTA60
ele novamente. Por quê?
Ele retomou o aparelho. Disse para ela:
- Repita, por favor?
Ela repetiu. Ele agradeceu e desligou. Perguntou para
o rapaz:
- Satisfeito, agora?
- Ainda não. Vocês podem estar combinados.
- Tu és um pé no saco, né garoto? Devia te deixar se
foder sozinho. Mas tenho pena da tua tabaquice.
Refez a ligação e disse para a negra:
- O garoto está correndo risco de morte. Precisa de
proteção. Quero você 24 horas com ele!
Pouco depois, a negra chegava ao bar. Disse pra Ânge-
lo:
- Venha. Não percamos mais tempo. Preciso te tirar de
circulação. Vamos para um dos esconderijos de proteção da
Polícia. E lá, você será todo meu. O que aconteceu, para você
querer denunciar aquela dupla?
- Não foi bem assim. Quis denunciar teu parceiro po-
licial. Mas ele me mostrou provas irrefutáveis de que aqueles
dois não são o que aparentam.
- Henrique vende drogas, principalmente para jovens
mulheres. Ela é viciada, mas é responsável por planejar os
golpes. São casados entre si mas passaram vários anos sepa-
rados, para conseguir nos despistar. Já agiram em quase todas
as capitais do Brasil. Agora, parecem querer plantar raízes no
Recife. Mas vamos para o esconderijo. Lá, conversaremos.
Quase não houve conversa. Ambos já chegaram na mo-
desta casa de subúrbio se atracando. Ele havia dito que ficou
com tesão quando viu o coroa a enrabando. Ela disse adorar
dar seu cuzinho. Tiraram as roupas urgentes e nem iniciaram
as preliminares. Ela empinou a bunda, deitada num sofá, e ele
MINHA NOIVA É UMA PUTA 61
enfiou-lhe a vara. Ela demorou para gozar, rebolando na pica
dele. O cara quase já não aguentava ela fazer os movimentos
sensuais. Aflorou-lhe a vontade de gozar. Ele alertou:
- Porra, que cuzinho gostoso. Vou gozar, porra. Vou
gozar... vou...
FIM DA SEXTA PARTE.
MINHA NOIVA É UMA PUTA62
Cap. 07
- Por que o casal me escolheu como alvo? Eu sou um
pobretão. E, segundo vocês, eles só atacam quem é rico.
- Isso é um mistério - disse a negra, ainda resfolegando
depois da transa - Não sei o motivo de estarem mudando de
tática.
- Eu vou precisar ir ao enterro da minha irmã. E ver
como minha mãe está.
- Se a dupla sabe que você foi à Polícia, não convém
arriscar a estar em público, sem um forte aparato. Não dá
tempo pra eu preparar um esquema tão rápido.
- Quer que eu falte ao enterro de minha única irmã?
- Quero preservar tua vida.
- Então, me consiga uma arma.
- Tá doido? Você não tem treinamento. Nem eu tenho
autorização para te deixar andar armado.
- Eu podia fazer isso sem que você soubesse, oras.
MINHA NOIVA É UMA PUTA 63
- É verdade. Mas, se a Polícia te flagrar, não conte co-
migo. Fingirei que fiquei zangada por me enganar e te prendo
por porte ilegal de armas.
- Caralho. Você não me ajuda em nada. Assim, fico to-
talmente dependente de vocês. Se falharem em me proteger,
perco minha vida.
- Infelizmente, é assim. O que podemos fazer é adiar o
sepultamento da tua mana até que prendamos eles.
- Sem provas suficientes?
- O jeito será plantarmos provas. Não seria a primeira
vez.
Ele esteve pensativo. Depois, resolveu ligar para a jor-
nalista que prometeu investigar o caso. Ela tinha más notí-
cias:
- Encontrei várias provas contra o casal que você me
indicou. O tal Henrique é chefe de um bando de traficantes.
A morena é uma espécie de viúva negra: matou todos os seus
maridos que tinham grana. Você é rico, cara?
- Eu? Não tenho um centavo nos bolsos. E acabo de
ficar desempregado.
- Então, o que essa zinha quer com você?
- Não sei. Estive discutindo isso com uma amiga quase
ainda agora.
- Você tem namorada?
- Por que quer saber?
- Eu estou sem ninguém. Pensei que nós dois pudésse-
mos ter algo, depois que tudo isso se resolver.
Ângelo esteve mudo. Não esperava essa declaração da
jornalista. Ela até que era bonitinha de rosto, mas um pouco
sem graça de corpo. Parecia assexuada. Ou, talvez, gostasse
de mulher. Mesmo assim, ele disse:
- Depois, nós veremos isso. Investigou se os policiais
são de confiança? - Luara olhava para ele, muito interessada
MINHA NOIVA É UMA PUTA64
na conversa. Quando ele desligou, ela perguntou:
- O que tua amiga descobriu?
- O delegado faz parte do esquema do casal. Já foi alvo
de uma investigação da Corregedoria, mas conseguiu esca-
par.
- É verdade. Ele já esteve em maus lençóis mas parece
que se regenerou e hoje faz bem o seu trabalho.
- Ainda não confio nele. Mas não vou ficar aqui, espe-
rando que o casal seja pego. Vou passar lá pro hospital. De-
pois, sigo para o enterro da minha irmã. Não acredito que o
coroa vá fazer algo contra mim na frente de tanta gente.
- Ele pode não fazer, mas mandar alguém. É perigoso.
Não vá.
- Desculpe, mas tenho que ir.
- Então, vou ligar para o meu chefe. Não quero mais
ficar responsável por tua segurança.
- Faça como quiser - disse ele, saindo da residência
onde a Polícia escondia pessoas através do Programa de De-
fesa das Testemunhas.
Assim que ele saiu, a negra fez uma ligação. Mas não
para a Polícia. Quando atenderam, ela disse:
- O rapaz está indo para o hospital onde a mãe está
internada. Depois, pretende ir ao enterro da irmã. Melhor
pegá-lo antes que ele chegue aí. Você viu os vídeos que eu te
mandei, amor?
- Vi sim - ela ouviu a voz de Henrique - E já o mostrei a
Brigite. Ela ficou furiosa. Parece que está gostando mesmo do
rapaz. E acho que desconfia que nós dois temos mesmo um
caso e pensamos em dar o fora deixando-a sozinha.
- Não vejo a hora, amor. Ela nem fode nem sai de cima
de você...
- Dessa vez ela me parece diferente. Está agindo de for-
ma estranha.
- É verdade aquela história de que o último marido dela
MINHA NOIVA É UMA PUTA 65
a aconselhou a ficar com o primeiro que aparecesse?
- Sim. O cara era um babaca. Não percebeu que ela o
estava matando aos poucos, dando-lhe veneno misturado a
comida, e trocando os remédios dele por inócuos. Até faci-
litou, deixando toda a sua grana de papel passado para ela,
antes de morrer!
- Coitado. Por isso o irmão policial é tão puto da vida
com ela. Está doido para pegar vocês.
- Nós sabemos. Mas enquanto você estiver por perto,
para nos avisar dos movimentos dele, estamos seguros.
- O que ela disse ao ver o rapaz fodendo com minha
irmã?
- Ficou pê da vida. Disse que iria mata-lo. Como não
conhece Luana, acha que é uma amante qualquer do cara.
Como você conseguiu aquele vídeo?
- Eu o fiz, claro. Mas nem ele nem minha irmã sabem.
Você disse que Brigite quer matar o cara?
- Foi o que ela disse a mim.
- Então, é a nossa chance, amor... escuta aí:
E ela lhe disse o que ele teria que fazer.
O coroa Henrique esteve mudo. Depois concordou:
- Você tem razão. Eu o mato e faço como se tivesse sido
ela. Quando for presa e levar a culpa do crime, nós fuginmos
para bem longe daqui.
- Isso, amor. Não devemos perder essa chance. Como
pretende fazer?
- Primeiro, preciso sequestra-lo. Em seguida, eu o
transporto para o barco dela. Depois, levo-o para alto-mar e
dou cabo dele. Deixo o corpo na lancha e volto de barco.
- Não o mate a tiros. Dê-lhe uma punhalada, que é uma
arma mais feminina. E pelas costas, para dar a entender à Po-
lícia que o crime foi praticado por mãos femininas. Eu planto
umas provas na lancha, antes de levar a Polícia lá, amor.
- Você é ótima. É isso que farei. Mas deixe-me ir em-
MINHA NOIVA É UMA PUTA66
bora. Quero pegar o cara antes dele chegar ao hospital. No
cemitério, onde deve enterrar a irmã, vai ser mais difícil.
Muitas testemunhas.
Mas Ângelo não foi direto para o hospital, como disse
a Luara. Antes, passou em casa. Sabia que o pai guardava um
velho revólver, do tempo em que trabalhou como vigilante de
uma empresa. Lembrou-se de que vira guardada e bem acon-
dicionada, numa gaveta, uma caixa de balas. Deviam servir.
Pegou a arma, guardou-a às costas e saiu com a caixa de balas
dentro de um saco plástico, na mão. Agora, sim, se achava
preparado para enfrentar o coroa traficante. Quando ia pegar
um ônibus, um carro parou perto dele. Uma voz feminina o
chamou. Era a jornalista. Pediu que ele entrasse no veículo.
Ele o fez.
- Vai para onde eu penso?
- Vou para o hospital onde minha mãe está internada.
Lá, pego meu pai e vamos pro velório da minha mana. Meu
pai já deixou tudo preparado, enquanto eu resolvia outras
coisas.
- Que horas é o sepultamento?
- As onze da manhã.
- Então, temos tempo. É que eu queria um favor teu.
Tenho uma amiga que me chamou para um motel. Acha que
sou sapatão, mas eu não gosto de mulher. Gosto de rola. Mas
confesso que tenho curiosidade de ver um casal fodendo ao
vivo. Pode fazer isso por mim?
- Acha que é uma boa hora para me propor isso? Estou
indo enterrar minha irmã... como é mesmo teu nome?
- Patrícia. É que essa vai ser a minha primeira grande
reportagem. Só em pensar nisso, fico excitada. Doida pra fo-
der, entende? Aí, escolhi você. Mas tem que ser hoje. Na hora
em que todos estiverem no enterro da tua irmã.
- Por que isso?
- Porque é quando a minha amiga vai poder estar co-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 67
nosco. Ela é virgem. Vai aproveitar que todos vão deixa-la so-
zinha em casa, para ir ao velório, e ir comigo para um motel.
- Que coisa mórbida, Patrícia. Posso saber quem é essa
tua amiga?
- Eu estava indo à casa dela, agora. Vamos comigo?
- Okay. Só para conhece-la. Mas marcaremos outro dia
para essa foda num motel, entendido?
Ângelo percebeu a jornalista muito nervosa, mas
achou que era natural pra quem estava doida pra trepar. Que-
ria saber quem era a tal amiga dela. Se fosse bonitinha, ele
marcaria, sim, uma noitada num motel, depois que resolves-
se as coisas. Estranhou quando a jovem estacionou o carro
numa rua erma, cheia de lixo, perto de um terreno baldio.
Ela estava mais nervosa ainda. De repente, o rapaz levou uma
pancada na nuca. As vistas escureceram. Antes de desmaiar,
no entanto, viu Henrique sentado no banco de trás do car-
ro dela. Caíra numa armadilha. O cara estivera escondido o
tempo todo, agachado no assoalho do carro. Ângelo perdeu,
finalmente, os sentidos.
Quando acordou, estava amarrado por cordas de nai-
lon. Olhou em volta e reconheceu o barco onde estivera com
a negra e o coroa Henrique, no dia em que viera se encontrar
com Brigite na lancha. Só então, viu que tinha companhia.
A jornalista também estava toda atada num canto. A lancha
se movimentava sob o sol de quase meio-dia. Viu o coroa
dirigindo a embarcação, de costas para ele. A jornalista disse:
- Desculpe, Ângelo. Fui obrigada a fazer aquilo. Ele ti-
nha uma arma apontada para o banco traseiro, bem nas mi-
nhas costas. Disse que atiraria e eu acreditei.
- E a história da amiga? Era mentira?
- Claro -, ouviu-se uma voz masculina - mas foi basea-
da na tara da irmã da tua ex-noiva. Ela me pediu para leva-la
a um motel, sabia? Disse que tinha pedido a você e você se
MINHA NOIVA É UMA PUTA68
negou. A bichinha está doida para dar o cabaço. Vou droga-
-la, como fiz com a irmã.
- Você é nojento. - gritou Ângelo - O que pretende fazer
conosco?
- Matá-los, claro, e jogá-los aos tubarões. Nas praias
do Recife tem muitos, já ouviu falar? Depois, faço as coisas
de um jeito que a culpa do assassinato de vocês recaia sobre
Brigite.
- Por que isso? Ela é inocente nessa história toda?
- Ela te ama. Queria me abandonar por você. Nós te-
mos mais de dez anos casados. Agora, aquela puta quer me
deixar por um fedelho pobretão, como tu. Mas vai ficar sem
mim e sem você. Eu já tenho uma nova namorada.
- Está falando de Mônica?
- Aquela puta drogada? Não. A minha nova namorada
não se droga. Detesto mulheres que se drogam. E você caiu
na minha armadilha como um patinho, naquele dia.
- Que dia? Do que está falando?
- De quando foi atrás de Luara, minha namorada. Ela,
sim, é o meu amor. Eu liguei para ela alertando que você iria
pro bar. Pedi que ela te levasse para a casa da irmã dela e fi-
zesse um filminho com você e Luana. Não o viu na Internet?
- Não sei do que está falando. Pra que fazer um filme?
- Não apenas um filme: um belo filme pornô. Quando
Brigite o viu, disse-me que ia matar você, e eu acredito. Mas
eu vou te matar e botar a culpa nela. Depois, fujo com minha
amada Luara.
Um tiro foi ouvido na lancha. Henrique envergou-se,
depois caiu no chão, perto do leme, atingido pelas costas.
Já caiu morto. Ângelo e a jornalista olharam em direção de
onde tinha partido o tiro. Viram Brigite, de rosto crispado e
de arma na mão. Atrás dela, a negra Luara filmava tudo com
uma pequena câmera. Brigite ordenou:
- Desligue isso. Agora, já temos a confissão dele grava-
MINHA NOIVA É UMA PUTA 69
da, de como pretendia matar meu amor e incriminar a mim.
Solte os dois.
Luara fez o que ela pediu imediatamente. O jovem esta-
va sem entender nada. Brigite o beijou na boca, ardentemen-
te. Depois, disse:
- Agora, estamos quites, Luara. Obrigada por ter ligado
para mim, antes de fazer o vídeo. Pena que descobri que meu
amor é traiçoeiro. Mas, depois, ele me paga. No entanto, teu
trabalho ainda não acabou, negra. Vou querer que você gra-
ve minha confissão, onde pretendo declarar todos os meus
crimes e os de Henrique, além da cumplicidade do delegado.
Porém, não pretendo me entregar à Justiça. Vou fugir com o
meu amor - disse olhando apaixonada para Ângelo.
- Quer dizer que sabia que eu tinha te traído?
- Sim. Mas você estava carente de sexo, não foi? E eu
não quis fazer amor contigo naquela noite. Mereci a traição.
Mas nem pense em fazer isso de novo. Vamos embora? O
bote afixado á lancha dá para nós quatro. Você rema. Mas jo-
gue a arma que peguei de Henrique em algum lugar no mar.
Ela não pode ser encontrada.
- É a arma do meu pai. Eu a peguei, antes de sair de
casa.
- Agora é que tem que jogá-la fora, mesmo - disse Lua-
ra. - Pode comprometê-los, se for achada.
Ele jogou o revólver no mar, assim que se afastaram de
bote. Foram embora, deixando o cadáver de Hentique na lan-
cha. Luara contaria uma história crível para a Polícia, inocen-
tando Brigite do assassinato e entregando a fita com a con-
fissão do ex-namorado. Fingira estar apaixonada pelo coroa
traficante para pegá-lo, como prometera ao policial cunhado
de Brigite. Só depois que ela desaparecesse no mundo é que
entregaria o vídeo com a confissão de Brigite. Fez isso em
troca da grana que a morena prometeu a ela: todo o dinheiro
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Minha noiva e uma puta

  • 1. MINHA NOIVA É UMA PUTA 1
  • 2. MINHA NOIVA É UMA PUTA2
  • 3. MINHA NOIVA É UMA PUTA 3 Cap. I - Está ouvindo o que digo, amor? Ela não estava ouvindo. Olhava para um coroa que descia de um carro importado na frente do bar onde estava bebendo com o futuro marido. O sujeito, alvo da sua atenção, tinha cerca de cinquenta anos, usava cabelos compridos e roupas simples, como uma camisa de malha branca de mangas curtas. Chamava a atenção por conta do seu porte atlético e olhar inteligente. No entanto, olhou-a como se ela fosse lixo. Ao invés de ficar chate- ada, Mônica ficou mais interessada nele. Só depois que o cara passou por ela é que deu atenção ao jovem que estava ao seu lado: - O que disse? - Eu disse que deveríamos ir buscar os móveis que com- pramos e deixamos espalhados por várias lojas. Acho que já é tempo da gente morar juntos, não acha?
  • 4. MINHA NOIVA É UMA PUTA4 - Por que isso agora? Todas as vezes que pedi para você pegar tuas coisas e ir lá pra casa, você ficou relutante... - É verdade. Mas já te disse uma porção de vezes que pre- feria morar contigo só nós dois. Na tua casa, que é pequena e não caberia também todos os nossos móveis, ainda tem teu pai, tua mãe, tuas duas irmãs e teu irmão, que você sabe muito bem que não gosto dele. - Pra gostar de mim, tem que gostar da minha família também. - Não é bem assim. Mas eu quero morar com você, e não com eles. Por isso estou saindo de casa: não quero morar tam- pouco com minha mãe e minha irmã. - Eu gosto de ambas. - Eu também. Mas não é questão de gostar. É de ter a nos- sa própria liberdade. - Você não se sente livre comigo? - Eu não quero ser livre. Eu quero ter você perto de mim. Formar uma nova família. E ter a nossa privacidade, que é a pa- lavra certa. Troquei pela palavra liberdade. - Você sabe que não sei, e detesto cozinhar, lavar roupas, essas coisas domésticas... - Sei, sim. Mas contrataremos uma diarista. Se for alguém de confiança, ela poderá ficar em nossa casa enquanto nós dois trabalhamos. - Vai querer que eu trabalhe, também? Eu nunca traba- lhei, na minha vida. Nem profissão eu tenho. - Pois já é tempo de mudar isso. Se não quer afazeres do- mésticos, que trabalhe para me ajudar com as despesas. E num casal, é bem melhor quando ambos trabalham, pois um não de- pende do outro. - Não foi bem o tipo de vida que pedi para mim. - Depois, você se acostuma, amor. Vai ver que trabalhar fora é até divertido. Melhor do que ficar em casa, assistindo aquelas drogas de novelas. - Eu gosto de novelas!
  • 5. MINHA NOIVA É UMA PUTA 5 Mais uma vez, ela desviou sua atenção do namorado. É que o coroa acabava de sair do bar, com um maço de cigarros. Botou a mão nos bolsos, catando um isqueiro ou uma caixa de fósforos. Viu uma sobre a mesa do casal e foi até eles. O rapaz, no entanto, disse: - Não tenho mais fósforos, senhor. Acabaram. Mas peça ao garçom. Ele deve ter. - Deixa que eu peço - ofereceu-se Mônica, levantando-se a seguir e caminhando para o interior do bar. Quando ela desapareceu lá dentro, o coroa perguntou: - Tua namorada? - Minha noiva. Iremos nos casar daqui a algumas sema- nas. Estávamos conversando sobre isso. - Se eu fosse você, não faria uma merda dessas. Ela não te merece. - Como pode ter tanta certeza? Você nem a conhece. - Mas conheço o tipo. Vá por mim. Nesse momento, Mônica voltou com um isqueiro em mãos. Fez questão de acender o cigarro do cara. Ele agradeceu, cumprimentou o casal e foi-se embora. Entrou no carro e saiu cantando pneus. O rapaz falou: - Sujeito metido e amostrado. Deve ser algum novo riqui- nho. Ela não o ouvia, olhando em direção ao carro, até que este sumisse numa curva. Suspirou e voltou a dar atenção ao jovem. Disse: - Olha, Ângelo... eu não quero casar agora. Não me sinto preparada para isso. E eu sei muito bem o porquê de você quer morar comigo: só para poder comer a minha bocetinha! - Sim, confesso que essa história de só te foder quando casarmos me incomoda. Acho que poderíamos transar antes.
  • 6. MINHA NOIVA É UMA PUTA6 Hoje, virgindade não determina mais um relacionamento. - Mas eu quero casar virgem. É meu sonho. Não importa que seja careta. - Ok. Não vou insistir nesse assunto. Mas vamos decidir: você quer ou não quer morar comigo? Ela demorou um pouquinho a responder. Depois, disse: - Eu prefiro pensar mais um pouco. Depois, te digo. Já tinham tomado umas seis cervejas, aí Ângelo resolveu- -se a ir embora. Chamou o garçom, fechou a conta e depois le- vantou-se para saírem. Ela, no entanto, falou: - Vou me demorar mais um pouco. Depois, vou sozi- nha, mesmo. Pode ir. Vou aproveitar para pensar mais na gente. Quem sabe não te dou uma resposta ainda hoje? Ele não insistiu. Foi-se embora. Estava chateado. É que antes não tinha dúvidas de que ela aceitaria morar com ele, ain- da mais agora que o rapaz já estava com quase toda a mobília comprada. Se ela não tinha interesse em ir com ele, por quê não disse isso antes? Evitaria que ele gastasse uma grana preta com móveis. Naquele momento, Ângelo fraquejou nos seus senti- mentos pela noiva. Achou que a tendência era desmanchar o noivado com ela. Mas daria um tempo para se decidir melhor. Enquanto isso, Mônica perguntava ao garçom que havia atendido ao casal: - Quem é aquele coroa que saiu naquele carrão importa- do? - Um playboy. Pega tudo quanto é mulher. As negas vivem brigando pelo cara, mas ele não dá a mínima. Parece que nem gosta de mulher! Ela sorriu. Decidiu que o coroa iria gostar, sim, dela. Pre- tendia conquista-lo. Por isso, pediu mais dicas sobre ele ao gar-
  • 7. MINHA NOIVA É UMA PUTA 7 çom. O cara disse: - Deixa teu telefone que, quando ele aparecer, dou o papel para ele. Ângelo pensou em ir diretamente para casa. Lá, tomaria um banho e cairia na cama. Estava sonolento por conta da bebi- da, pois Mônica bebia muito menos que ele. Enquanto havia to- mado mais de quatro, ela tomou menos de duas. Aí, viu de novo o coroa do carrão, junto com duas mulheres lindíssimas, num bar chique perto de sua casa. Quando o cara o viu, chamou-o para lá. Ângelo se aproximou dele só para dizer: - Desculpa, cara. Esse bar não dá pra mim. Muito caro. Uma das mulheres, no entanto, disse para o rapaz: - Senta aí, pra me fazer companhia. Eu pago tua parte. Zero bronca. - Desculpe, mas não costumo beber às custas de mulheres - disse ele. - Machão. Não vejo nada demais eu pagar, se tenho gra- na. E estou querendo companhia. Portanto, deixa de frescuras e senta teu rabo aí. Ângelo ficou indeciso. O playboy não se meteu na con- versa. Beijava a outra mulher. Um beijo fervoroso e de língua. Ângelo sentou-se. A morena que o convidara perguntou: - Como é teu nome, garoto? - Ângelo. E não sou mais um garoto. Estou para me casar em breve. Só então, o coroa se manifestou: - Ele se apaixonou por uma vadia. Se bem que isso é pro- blema dele. Fiquem vocês dois aí, mana, que vou dar o que essa catraia aqui precisa. O coroa puxou a loira que estava com ele pelo braço e am-
  • 8. MINHA NOIVA É UMA PUTA8 bos saíram em direção ao carrão, sem nem se despedir do rapaz. Ângelo olhou melhor para a morena. Ela devia ter a sua mesma idade e era muito bonita. Mas parecia bêbada ou drogada. Ele sentou-se ao seu lado. Ela lhe deu um beijo na boca. A princípio, ele ficou surpreso. Depois, deixou-se ser beijado. Quando ela matou sua vontade de beijo, disse para ele: - Você não sabe beijar bem. Vou ter que te ensinar. Mas achei-te bonito e estou sozinha. Fica aí. E peça o que quiser. - Quero apenas cervejas. Não gosto de misturar. Estava tomando umas em outro bar. - Muito bem, garoto. Mas eu quero ficar bêbada, hoje. Pago o que você tomar e comer, mas você me leva para casa. Está bem assim? - Tu moras aonde? - Nem sei. Estou bicada e cheia de maconha, tá? Mas sou gente boa. - E como vou fazer para te levar pra casa? - Sei lá. Me leva pra qualquer lugar, garoto. Não ligo. - Por quê está bebendo e se drogando tanto? - Acabo de ficar viúva. Meu macho enterrou-se ontem, dá pra tu? - Sinto muito. Eu não sabia. Não seria melhor ir pra casa? - Você é surdo, porra? Não me ouviu dizer que não sei mais onde moro? Tô bebendo e enchendo o cu de drogas desde ontem, caralho. - Aquele é teu irmão? - Irmão do peito. Sou filha única. - E por quê não foi com ele? - Porque queria ficar contigo, cacete. Não deu pra perce- ber? - Eu sou noivo. Estou pra casar. - E eu com isso? Mesmo se fosse casado, não me incomo- daria. Sou adulta, garoto. Sei cuidar de mim. - Não parece. - Ah, puta que me pariu... se vai encher meu saco com
  • 9. MINHA NOIVA É UMA PUTA 9 essas coisas antiquadas, pode me deixar sozinha. Quero me dis- trair e não estar falando esses papos de adultos, entende? Como é teu nome? - Ângelo, já te disse. - O meu é Brigite. Peça tua cerveja, Ângelo. Eu só bebo uísque. Ele pediu. Quando o garçom trouxe, brindaram à saúde dela. Ela repetiu o brinde de forma automática. Sorveu do copo de um só gole, depois ficou olhando para ele, como se o estivesse avaliando. Finalmente, falou: - O que meu irmão quis dizer com aquela história de va- dia? Ele já fodeu tua noiva? - A essa altura, já nem sei. Ele parece conhece-la, mas nunca a vi com ele. - Ele não precisa conhecer uma vadia para saber o que ela é. O cara é muito experiente e um ótimo psicólogo. Mas eu não aguento mais beber, Ângelo. Tome essa aí, eu pago a conta e iremos embora. E você me leva para um motel qualquer. Tá bom assim? Quando eu me lembrar onde moro, você me leva para casa. ************************** Pouco depois, pegavam um táxi. Ele pediu pro motoris- ta leva-los pro motel mais perto. O taxista o ajudou a colocar a mulher no carro. Ela estava quase desfalecida. Deitaram-na no banco de trás e Ângelo sentou-se ao lado do taxista, um cara jovem como ele. Disse ao sujeito: - Ela não lembra mais onde mora. Me pediu para eu leva- -la para um motel. - Preferia leva-la para casa e não se aproveitar que está as- sim? Eu a levaria, mesmo, para um motel e a encheria de pica. - Não, não. Não sou de fazer isso. Prefiro fodê-la outro dia, quando não estiver bêbada. - Okay. Eu sei onde ela mora. Já a levei várias vezes em
  • 10. MINHA NOIVA É UMA PUTA10 casa. Quando sai pra beber, não gosta de dirigir. - Conhece ela há muito? - Conhecia mais o falecido marido dela. Cara legal. Mas tinha câncer. - Porra, que azar. Morrer e deixar essa linda mulher viúva e cheia de fogo. - Agradeça a Deus. Se está contigo, é porque gostou de você. Ela não é de muita conversa. - Bem, toca pra casa dela. Pouco depois, colocavam a mulher deitada na cama. Ela havia desmaiado de tanta droga e cachaça. Haviam encontrado uma chave com ela, escondida dentro do sutiã. Testaram a chave na porta e esta abriu. Ângelo ainda tinha um pouco de dinheiro no bolso, que deu para pagar o táxi. O taxista, no entanto, queria mais do que a bandeirada: - Te ajudei a não gastar dinheiro com motel. E estou na minha primeira corrida da noite. Me dá mais um dinheiro aí. - É só o que tenho. Venha aqui amanhã de manhã e ela te dá mais. Assim que acordar, falo com ela. - Deixa eu fodê-la? Aproveitemos que ela está pra lá de Bagdá. - Que é isso, rapaz? Não vou deixar que se aproveite dela. Você mesmo disse que ela perdeu o marido há pouco... - Mas sempre tive a maior tesão nessa potranca, cara. Ela é muito gostosa. - Vá-se embora, antes que eu me enfeze. O cara foi. Ângelo ficou a sós com a morena. O taxista tinha razão: ela era muito boazuda, apesar de estar com roupas comportadas. Pensou em tirar-lhe as roupas e dar-lhe um ba- nho, pra sair a cachaça e o efeito das drogas, mas desistiu. Voltou a trancar a porta de entrada com a chave que havia encontrado com ela, cobriu-a com um lençol fino que encontrou dentro do enorme guarda-roupa e depois foi para a sala. Ligou a tevê e fi-
  • 11. MINHA NOIVA É UMA PUTA 11 cou assistindo um canal pago. Mas logo caiu no sono. Acordou com um cano de pistola na cara. Tomou um sus- to. Mas não fez alarde. Ela perguntou: - Quem é você e o que está fazendo na minha casa, ainda mais com ela toda trancada? - Sou Ângelo, e foi você quem me pediu para trazê-la aqui - mentiu ele. - E como entrou, se deixei a porta fechada a chave? Diga logo, sem pensar, antes que eu atire na tua cara. - Calma. Eu te trouxe muito bêbada para cá. Não deve se lembrar. Mas, agora que acordou, posso ir-me embora... - Você não vai pra caralho nenhum, porra. Quando te vi dormindo, chamei a Polícia. Devem estar chegando. - Olha, dona, eu não quero confusão. Só tentei ajudar. Agora, deixe-me ir embora. - Só quando a Polícia chegar. Aí, você se explica para eles. - Nunca nem estive numa delegacia, dona. Não será hoje que irei a uma... - Mesmo? E como pretende se livrar de... Não terminou a frase. Ângelo deu um bote e lhe arrancou a arma das mãos. Ela apavorou-se. Ele se levantou do sofá onde estivera dormindo, abriu o pente de balas e retirou até a que es- tava na agulha. Entregou a arma de volta a ela, enquanto dizia: - Vou jogar as balas no jardim da frente da casa. Depois a senhora procura. E vou-me embora. Trate de fechar bem a por- ta. - Não vai conseguir escapar. A Polícia está vindo. - Por isso, tenho que ir-me depressa. Não quero que me encontrem aqui. Adeus, senhora... Brigite, não é? - Como sabe meu nome? Ele não respondeu. Abriu a porta com a chave que ainda
  • 12. MINHA NOIVA É UMA PUTA12 estava nela e saiu. Ela ficou sem saber o que fazer. Ainda estava cheia de maconha na cabeça, e sob efeito do álcool. Ouviu a si- rene da viatura de Polícia e correu para fora da casa. O rapaz ha- via desaparecido. Atendeu aos policiais que pretendiam achar o cara. Disseram que ainda voltariam ali mas que a moça se tran- casseemcasa.Elaagradeceuefezissoimediatamente.Deitou-se no sofá e pegou no sono. Nem bem havia adormecido, tocaram a campainha da porta. Era o taxista. Estranhou ele estar ali àque- la hora da madrugada. Perguntou o que ele queria. O cara disse: - Desculpe a hora, dona Brigite. Trouxe a senhora para casa hoje de noite, com a ajuda de um rapaz. Ele ficou me de- vendo o dinheiro do táxi. Pediu-me para passar hoje de manhã aqui, para pegar a grana com ele, pois disse que iria falar com a senhora. Ele está ainda aí? - Você está falando de um jovem bonitão, moreno e de corpo atlético mas sem exageros? - Sim, senhora. - Foram vocês que me trouxeram em casa? - A senhora pediu a ele para trazê-la. Ele disse que iria esperar que acordasse, para te pedir o meu dinheiro. - Ai, meu Deus. Cometi uma injustiça com o jovem. Será que a Polícia conseguiu acha-lo? Pouco depois, ela chegava no mesmo táxi na delegacia. Procurou pelo jovem. Ele tinha sido encontrado e preso. Ela fa- lou com o delegado, contou-lhe uma história crível e o rapaz foi solto. Mas Ângelo estava bastante irritado. Reagira à prisão e tinha levado umas porradas da Polícia. Ela viu o seu nariz san- grando. Disse para ele: - Voltemos lá para minha casa. Vou cuidar desse sangra- mento. - Vai te foder. Não quero mais saber de voltar lá. Pra mim, chega de problemas por hoje.
  • 13. MINHA NOIVA É UMA PUTA 13 - Está bem. Desculpe. Sei que cometi uma injustiça. Mas agora não dá pra chorar sobre o leite derramado. Deixe-me falar com o taxista e ele te leva em casa. - Não precisa. Vou a pé. - A essa hora da madrugada? Nada disso. Faço questão que o taxista te leve. Ele concordou. Pouco depois, chegava em casa com o na- riz ainda sangrando. O taxista disse: - A coisa tá feia, nesse nariz. Devia ter deixado que ela desse uma olhada nisso, rapaz. - Não quero mais saber daquela porra. Foda-se. Eu quero é tomar um banho e dormir. - Então, até mais ver. Ainda nos encontraremos. - Acha mesmo? - Tenho certeza. Pela manhã, quando Ângelo se acordou para trabalhar, o nariz já não sangrava. Entrara pé ante pé em casa, para não acordarospaisnemairmã.Limpara-sedosangueeforadormir. Mas, àquela hora, estavam já todos acordados. Qual não foi a surpresa do rapaz quando, ao chegar à cozinha, encontrou a bela morena tomando o café da manhã com sua família? FIM DA PRIMEIRA PARTE
  • 14. MINHA NOIVA É UMA PUTA14 Cap. II - Bom dia, filho. Essa moça chegou aqui a tua procura, mas não nos deixou acordá-lo. Muito simpática, ela. Disse que tem algo importante para conversar contigo. Leve-a para o escritório do teu pai e podem conversar lá à vontade. Mas antes, sente-se para tomar teu café... - Bom dia a todos. Eu prefiro conversar com ela a cami- nho do trabalho, mãe. Já estou atrasado. Nem vou tomar café. - Ah, não. Não vai sair sem fazer o desjejum. Sei que bebeu ontem. Ainda exala o cheiro do álcool. E você sempre saiu mais tarde que isso. - É que temos um compromisso mais cedo hoje, dona Eulália. Por isso, madruguei aqui. Vocês são todos muito simpáticos e gentis, mas precisamos ir - disse cinicamente a morena lindíssima, levantando-se da mesa. Brigite abraçou a todos que estavam sentados, um por
  • 15. MINHA NOIVA É UMA PUTA 15 um, depois deu o braço ao rapaz. Disse: - Vamos, Anjo? Já estamos atrasados... Ele entrou no jogo dela. Estava de cara amarrada, doido para dar-lhe um esporro. Mas não queria fazer isso na frente dos familiares. Despediu-se de todos, deu um cheiro na mãe e na irmã, mas esta sussurou-lhe: - Vou dizer a Mônica que você está botando chifre nela. Pensa que não sei? - Fique na sua - respondeu ele no mesmo tom de voz dela. Pouco depois, o casal entrava no táxi que os tinha leva- do até a casa dela, na noite anterior. O taxista o cumprimen- tou: - Bom dia, rapaz. Dormiu bem? - O que faz acordado ainda? Achei que largava bem cedo do dia - Observou o jovem. - Só durmo quando completar a féria do dia, cara. E ainda falta o dinheiro que ficou me devendo. - Puta merda, tu és um pé no saco, né véio? - Você prometeu cobrar a ela. - Cobrar-me o quê? - Perguntou a moça. - Ele quis me explorar ontem, cobrando mais dinheiro pela corrida, depois que te levei pra tua casa. - Mas você economizou, não pagando motel, cara... - Reclamou o taxista. - Que história de motel é essa? - Perguntou ela. - Ele quis saber onde você morava e a senhorita não soube responder, moça. Aí, ele queria te levar prum motel. Eu é quem disse que sabia onde você residia. Então, mereço um toco a mais, não? - Fico te devendo. Ainda hoje, te pago, no final do dia. Vou precisar de você à minha disposição o tempo todo - disse a morena.
  • 16. MINHA NOIVA É UMA PUTA16 - Muito bem. É assim que se fala. - E, voltando-se para Ângelo, exclamou: - E, em você, não confio mais. É um tratante. O rapaz não retrucou ao taxista. Apenas exigiu da mo- rena: - Fale o que quer de mim, pra chegar na minha casa a esta hora do dia. - Quero me desculpar com você. Sei que fiz merda. O nariz ainda doi? - Não importa. Está desculpada, mas não quero mais papo. Deixe-me na próxima esquina. Pego um ônibus e vou pro trabalho. - Não gosta da minha companhia? - Você fede a problemas. Senti bem isso no rosto, on- tem. - Ele disse, se referindo ao nariz machucado. - Tadinho. Mas vai sobreviver. Deixa eu te pagar um café? - Não precisa. Estou acostumado a pular refeições. - Pois eu, não - disse o taxista - e estou com uma fome danada. Aceito que me pague um, dona. - Pois eu pago para os dois. Pare na próxima padaria que servir um bem gostoso. Pouco depois, estando os três já sentados à mesa, ela perguntou ao jovem: - Não pode me perdoar? Estou, realmente, arrependi- da. - Já disse que está perdoada. Só não quero mais encren- ca, moça. - Onde você trabalha? - Não está querendo me levar lá, não é? Chega de en- carnar em mim. Ela ficou triste. Tomou seu café de cabeça baixa. Duas
  • 17. MINHA NOIVA É UMA PUTA 17 lágrimas rolaram do seu rosto. O taxista percebeu. Ralhou: - Porra, meu, deixa de ser grosso. Fez a mulher chorar... - Não foi minha intenção. Mas estou irritado. Melhor que vocês dois me deixem em paz. Já tenho meus próprios problemas, não quero me envolver com os de vocês. Ela disse resoluta, se dirigindo ao taxista: - Você, tome o seu café e nos deixe a sós. Passe depois lá em casa, hoje à noite, e te dou uma grana. - Ôxe, vou embora agora mesmo. Não iria conseguir permanecer acordado por muito tempo, mesmo... Ângelo também se levantou para ir embora. Ela, no en- tanto, ordenou: - E você, senta o rabo aí. Precisamos conversar. E terá que me ouvir. Depois, se quiser, pode ir embora cuidar da tua vida. Mas antes, terá que me escutar, porra. - Ok, tem cinco minutos para me dizer o que quer - sentou-se ele, já bastante irritado. Ela fez um sinal para o taxista ir embora de vez. Só quando ele se afastou, ela falou: - Eu preciso de você comigo. Estou muito fragilizada, depois da morte do meu marido. Eu gostei de você. Eu sei que, se ele tivesse te conhecido, estaria contente de eu ter gos- tado de ti. Ele queria que eu fosse feliz. Eu sinto que serei feliz contigo. - Está supervalorizando o que sente por mim. E eu já te disse que estou noivo, se não se lembra. - Sim, eu me lembro. Mas estive conversando com a tua família hoje. - Como é que é? Conversando com a minha família so- bre o quê? - Sobre essa tua noiva. Todos são unânimes em dizer que preferiam que você não estivesse com ela. Que ela não
  • 18. MINHA NOIVA É UMA PUTA18 gosta de ti. Que é uma traíra e só você é quem não vê. - Eu não acredito!!! Você nem me conhece e está se me- tendo na minha vida? - Eles gostaram demais de mim. Prometi a eles que iria fazer com que se separasse dela. - Puta que pariu, estou bem arranjado. Agora, fodeu. Repita que ainda não acreditei no que ouvi. - Eu lhes disse que te amava e que iria me casar contigo. - Você é doida, logo vi. As drogas comeram teu juízo. - Pode ser. Mas não vou desistir de você nem do que prometi a teus pais. Eu quero me casar contigo, nem que de- pois tenhamos de nos separar. - E qual seria teu interesse? - Simples: ser e fazer você feliz. - Caralho. É doida, mesmo. Nunca me viu e já se diz apaixonada? - Meu marido, moribundo, me disse que no dia seguin- te a sua morte eu iria encontrar alguém e me apaixonar. Eu acreditei nele. Você aparecer naquela hora é uma prova disso. - Foi só coincidência, moça. Apenas isso: você estava com um cara que tinha pedido para acender um cigarro, ha- via pouco tempo. Por isso, ele me chamou para a mesa de vocês. - Não. Fui eu quem pediu que ele te chamasse. Meu marido cochichou ao meu ouvido, naquele instante que você apareceu, que você era o escolhido. - Não acredito nessas coisas. Está me dizendo que con- versa com teu marido falecido? - Nunca havia feito isso. Mas ouvi claramente a sua voz naquele momento. - Efeito do álcool, misturado com a maconha, dona. - Só me responda uma coisa: quer ou não quer ficar comigo? - Ficar agora? Não posso pois tenho que ir trabalhar. - Não. Ficar para sempre. Ser meu marido.
  • 19. MINHA NOIVA É UMA PUTA 19 - Ih, agora fodeu. Olha, vá pra casa, durma bem du- rante o resto do dia. Depois, quando passar a cachaça, me procure. Se eu ver que não fez isso, ou seja, me procurar, irei achar que caiu na real, por isso sumiu. Ela voltou a ter duas lágrimas rolando pelo rosto. Mes- mo assim, insistiu: - Eu não vou embora. Se quer mesmo se livrar de mim, dê-me um murro no nariz e estaremos quites. Senão, me dê um beijo. Ele esteve olhando sério para ela. Demorou um pouco a se decidir. Deu-lhe um demorado beijo na boca. Ela caiu no pranto, beijando-o com ternura. Repetia: - Obrigada. Obrigada, meu marido. Obrigada, meu Deus. Quando terminaram de se beijar, ela pediu: - Fique comigo. Não vá trabalhar hoje. - Não posso. Andei faltando várias vezes no mês passa- do, por causa de bebida. Fui advertido. Se continuasse faltan- do, seria demitido. - Com quê você trabalha? - Sou mecânico de autos. - Não parece. Tem as unhas limpas. - É que eu trabalho mais usando computadores e ou- tros instrumentos. Faço testes em motores. Quase não sujo as mãos de graxas. - Entendo. Eu não preciso trabalhar, Anjo. Nasci rica. Sou órfã. E, agora, viúva de um senhor que me deixou nova fortuna. Se casar comigo, não precisará trabalhar mais nunca na vida. - Não sou de explorar mulher. E gosto da minha pro- fissão. Se bem que gostaria de ser mecânico projetista. Tra- balhar na criação de novos modelos de carros ou novos mo-
  • 20. MINHA NOIVA É UMA PUTA20 tores. - Muito bom. Eu posso te ajudar. Meu pai era um gran- dão da Ford. Eu ainda tenho boas relações com a diretoria, mesmo depois dele falecer. Posso te conseguir alguma coisa. - Jura? Eu ficaria enormemente agradecido. - Então, fica comigo hoje? - Por que a insistência? - Já disse, amor. Estou fragilizada. Temo fazer merda de novo. - Que tipo de merda? - Voltar às drogas. Tentar o suicídio. - Ah, não. Detesto suicidas. - É porque você nunca chegou ao fundo do poço, como eu. Eu amava meu marido. Foi meu primeiro e único homem. Mas já casou-se comigo doente. - Você não sabia? - Sabia, sim. Ele havia me dito assim que nos conhece- mos. Mas eu tinha fé de que ele superaria o câncer, entende? - Eu não tenho fé. - Não acredita em Deus? - Isso é uma longa e inútil discussão. - Entendo. Também não ligo, se não acredita. Invejo quem leva a vida sem precisar Dele. Como faz, quando quer algo difícil de conseguir? - Eu me esforço e tento de todas as maneiras possíveis. Mas não peço ajuda aos santos, se é isso que quer dizer. Mais fácil pedir ajuda aos humanos. - Invejável. Eu peço a Deus. Mas ele nem sempre me atende. Quando isso acontece, termino achando que não merecia aquela dádiva. Mas fica um sentimento de decepção enorme. - Bem, a pedidos, não vou trabalhar hoje. O que quer fazer o resto do dia? - Estar com você me basta. Mas confesso que gostaria de transar. Há tempos que não faço isso. Meu marido tinha
  • 21. MINHA NOIVA É UMA PUTA 21 câncer de próstata. Não aguentava fazer amor. - Engraçado. Você fala tantos palavrões, mas disse ago- ra: fazer amor, e não foder. - Eu não fodo. Eu faço amor. Se não for com uma pes- soa que eu goste, não faço sexo. - E gosta de mim? - Claro, bobinho. O que devo fazer para te provar isso? Eles haviam pego um táxi e ido para a casa dela. Havia lá uma grande piscina no quintal, onde os muros eram altos. Não havia prédios por perto. Podiam ficar nus e à vontade. Quando ela tirou toda a roupa, ele viu o quanto o corpo dela era belo. Ficou imediatamente de pau duro. Namorava com Mônica havia uns cinco anos, e nunca houvera trepado com ela. Não passavam de alguns sarros pesados, mas nada de in- trodução. Ela apenas o masturbava, nunca o tinha chupado. E chupar foi a primeira coisa que Brigite fez. Pegou carinho- samente o cacete dele e o levou à boca. Parecia querer saber- -lhe o gosto, a textura, a pulsação. Lambeu-o com carinho, antes de engoli-lo com cuidado para não machucá-lo. Eles estavam dentro da piscina e ela tinha que mergulhar a boca na água para a felação. Ele tentou apalpá-la na boceta, mas ela se afastou. Disse, com a boca ocupada, que queria primei- ro sentir o gozo dele. Depois, deixaria que ele a fizesse gozar também. Mas não tinha pressa. Teriam o dia todo para isso. Mesmo na água, a boca dela era quente. Seu pau não era de tamanho exagerado e ela podia engoli-lo até o talo sem muita dificuldade. Massageou as bolas dele. Ele sentiu o gozo se aproximar. Ela percebeu. Pediu para ele: - Não goze ainda, amor. Sempre que der vontade, peça para eu parar. Quero que demore ao máximo, só então der- rame muita porra na minha boca.
  • 22. MINHA NOIVA É UMA PUTA22 Ele disse; - Também quero chupá-la. - Depois. Já disse que temos tempo. Está gostando as- sim? Ou quer que eu mude o carinho? - Chupe só a glande. Gosto mais assim. Primeiro, ela encheu a boca com água da piscina. Só então, abocanhou novamente o pau dele. Concentrou-se na cabeçorra e ficou fazendo bochicho com a água. Logo, ela es- tava morna dentro da sua boca. A sensação no pau do jovem era muito gostosa. Ângelo avisou: - Vou gozar. Estou quase gozando. Não aguento mais prender. Ela ergueu-se depressa, pegou no pau dele com suas mãos molhadas e delicadas, e introduziu a cabecinha na en- trada da vagina. Quando o rapaz achou que ia entrar tudo, eis que sentiu a fenda muito apertada. Perguntou: - Você é virgem, Brigite? - Tenho o hímem complacente, amor. Mas o buraqui- nho é muito apertado. Todas as vezes, sangra. Ao ouvir aquelas palavras, ele gozou. Quando ela sentiu a golfada, apertou-se mais contra ele. O jovem sentiu a rola entrar a pulso, lhe doendo o cabresto. Ela gemia de dor. Ele, finalmente, gozou. Mas continuou forçando a rola na boceta dela. Ela mordeu seu ombro. Chorava. De repente, ergueu- -se, abraçando-o com as pernas. Ele aproveitou para enfiar-se mais. Estava de olhos fechados. Quando os abriu, a água da piscina estava tinta de sangue. Ela começou a ter convulsões orgásticas. Mordeu-lhe com mais força. Ele mordiscou-lhe o lóbulo da orelha. Ela gozou com alarde. FIM DA SEGUNDA PARTE
  • 23. MINHA NOIVA É UMA PUTA 23 Cap.III Depois de várias fodas durante o dia, a noitinha flagrou Brigite cansada, deitada com a cabeça no peito do ra- paz. Estavam sentados no sofá amplo da sala e ele assistia um filme na tevê paga. Ela cochilava com um sorriso nos lábios. O rapaz não se sentia bem tendo traído a noiva, mas agora estava convencido de que não havia mais volta. Ambos não haviam bebido o dia todo, nem ela sequer havia fumado um cigarro, mesmo quando ele ofereceu um careta. Sóbria, a mu- lher era outra: carinhosa, atenciosa e muito gentil com ele. Será que ele estava se apaixonando por ela? Sacudiu a cabeça para afastar aquele pensamento. A moça era rica, decerto estava com ele para passar a crise de ter perdido o esposo. Depois, se livraria dele na primeira oportunidade. Achou que não deveria esperar muito daquele relacionamento. Mas ainda pensava em Mônica, sua noiva.
  • 24. MINHA NOIVA É UMA PUTA24 Afastou mansamente a morena do seu peito, levantou-se e caminhou para fora da enorme residência. Pegou seu celular e ligou para a noiva. O telefone chamou, chamou e ninguém atendeu. Quando tentou religar, ela tinha desligado o celu- lar. Ele estranhou aquela atitude. A jovem nunca havia feito isso, nem mesmo quando brigavam. Resolveu ir à casa dela. Escreveu um bilhete e deixou sobre uma mesinha de tampo de vidro, na sala, perto de Brigite, dizendo que precisou ir embora. Depois, se foi, deixando a porta da casa dela apenas encostada. Quando chegou na residência da noiva, a irmã mais nova dela veio lhe atender. Perguntou pela moça. Esta estra- nhou: - Não estava contigo? Saiu desde ontem à noite e não voltou. Achamos que tinha, finalmente, ido para um motel com você. - Deixei-a num bar, ontem, e fui-me embora. Não che- gamos a brigar, mas saí chateado com ela. - Por quê? - Chamei-a para morarmos juntos e ela pediu um tem- po para pensar. - Ela é uma idiota. Eu não pensaria duas vezes para morar contigo. Todos nós gostamos de você, mas Mônica é doida. - Como assim? - Nunca percebeu que ela não gosta de você? Pois ela nos diz isso o tempo todo. Te acha um pobretão e diz que foi feita para casar com homem rico. Não quer namorar comigo? - Deixe de brincadeiras. O assunto é sério, Paula. O que está me dizendo sobre Mônica? - Pergunte às minhas irmãs. Verá que não minto. Mai- nha já deu muitos conselhos a ela para te tratar bem e ir viver contigo, mas ela repete que quer casar com homem rico. Não quer trabalhar. E prefere um mais coroa, pois há a possibili-
  • 25. MINHA NOIVA É UMA PUTA 25 dade dele morrer e ela ficar com toda a grana. - Ela nunca me falou dessas coisas, Paula. Não está in- ventando? - E por quê ela iria te falar sobre isso? Sabe que te dei- xaria chateado. - Alguma coisa do que você me diz faz sentido. Ontem, tentei convence-la a começar a trabalhar em algo e ela ficou irritada com isso. - Pois é. Façamos o seguinte: quando ela chegar aqui, vou conversar com ela sobre o que achou do teu pedido de morarem juntos. Depois, te digo a resposta dela, tá? Mas vou querer algo em troca. - Vai querer o quê? Ela olhou para todos os lados, para se certificar que ninguém estava por perto, para depois dizer: - Eu tenho curiosidade de conhecer como é um motel. Ouvi meu irmão dizendo a um amigo que levou a namorada dele a um. Quero que você me leve, também. Topa? - Que eu saiba, você é virgem, Paula. E nem é maior de idade. - Maioridade agora é aos dezesseis anos, bobinho. E eu sempre quis saber como é foder. - E por que não arranja um namorado e vai com ele? - Não quer namorar comigo? Ele sorriu. Achava a jovem muito nova e bobinha. Nunca olhara para ela com segundas intenções. Confessou: - Olha, Paula, você é bonita, tem pernas grossas e cha- ma à atenção dos homens. Logo conseguirá um namoro. Mas eu nunca pensei em ti como mulher, e sim como irmã da minha noiva. - Pois eu, desde que te vi pela primeira vez, fiquei tara- da em ti. Disse isso à minha irmã e apanhei dela. Minha mãe me pediu para que eu deixasse o namorado de Mônica em
  • 26. MINHA NOIVA É UMA PUTA26 paz. Mas, agora que sei que vocês podem ir morar juntos, vou fazer de tudo para não te perder. - Sinto muito, mas eu gosto mesmo é da tua irmã. - idiota! - Disse a mocinha, dando-lhe as costas e en- trando em casa. Ângelo estava estupefato. Não esperava uma cantada daquelas, principalmente vinda da irmã mais nova da sua noiva. Deu a volta e foi-se embora. Aí, viu se aproximar da casa o carrão importado do cara que esteve no bar onde ele estivera com Mônica, na noite anterior. Parou na rua e ficou observando. O carro tinha vidros fumês. estacionou na fren- te da casa da sua noiva. Ela desceu e se esticou para dar um beijo em alguém. O cara desceu do carro, para beijá-la mais à vontade. Então, Ângelo viu que se tratava do coroa de cabelos compridos, que o aconselhara a deixar Mônica. Agora, en- tendia o motivo das suas palavras: o cara já estava afim dela! Mônica entrou na casa toda radiante, sem ver que era espreitada pelo noivo. O coroa voltou a entrar no carro, deu partida e saiu cantando os pneus. Passou por Ângelo sem vê- -lo. o rapaz estava de cara amarrada, odiando o cara. Precisa- va saber onde o coroa morava. Iria tomar satisfações com ele. Mas, isso, num outro dia. Estava, naquele momento, doido para encher a cara de cervejas. Caminhou para o mesmo bar onde tinha conhecido a morena. Talvez encontrasse o coroa, mais uma vez, lá. Aí, seu celular tocou. Olhou para o número. Era Mônica quem ligava. Atendeu: - Oi, esteve me procurando aqui em casa? - Perguntou ela. - Estive. - Olha, estive pensando melhor: quero romper o nosso noivado. Conheci uma pessoa. - Eu sei. Acabei de te ver com aquele coroa que você fez questão de ir buscar fogo, para acender o cigarro dele.
  • 27. MINHA NOIVA É UMA PUTA 27 Ela desligou. Ele pensou em ligar pra ela imediatamen- te e continuar a briga, mas desistiu. Afinal, ela tinha sido ho- nesta em lhe dizer que tinha conhecido alguém. Ele não fez isso quando conheceu a morena Brigite. Admitiu que mere- cera os cornos. Caminhou até o bar onde encontrara o cara bebendo com uma loira e com a morena bicada e drogada. Viu o carrão estacionado na frente. Foi até lá com ódio. Esta- va afim de brigar com o coroa. Quando chegou no bar, o cara estava falando ao celular. Partiu para cima dele. No entanto, assim que o coroa o viu e o reconheceu, deitou o celular so- bre a mesa e levantou-se. Esquivou-se do soco que Ângelo lhe deu e soltou o punho. O murro atingiu o nariz do rapaz. O sangue espirrou. Depressa, o coroa aplicou uma chave de braço no jovem. Quando o viu dominado, disse: - Sei que está zangado. Te vi lá perto da casa da tua ex-noiva. Não parei porque sabia que viria para este bar, na esperança de me encontrar de novo. Devia me agradecer. Como te disse, aquela puta não presta. Acabei de constatar isso. Posso te largar, pra gente conversar? Ângelo fez um gesto afirmativo com a cabeça. No en- tanto, quando o cara o soltou, investiu para cima dele de novo. Mais uma vez o coroa esquivou-se. Dessa feita, soltou um soco potente no estômago do jovem. Este dobrou-se so- bre si mesmo e desabou no chão. O garçom acudiu: - Ei, que porra é essa aí? Vão brigar lá fora. - Acabou-se a briga, Valter. Ele já viu que não adianta me atacar, não é rapaz? Sente-se à minha mesa e vamos con- versar. Traga uma cerveja para ele e um uísque para mim. Valter deu meia volta e foi buscar as bebidas. Os clien- tes do bar se aquietaram com o que seria o fim da briga. O coroa ajudou o rapaz a se levantar e sentou-o perto de si. Deu uns tapinhas nas costas dele. Depois, falou:
  • 28. MINHA NOIVA É UMA PUTA28 - Recupere o fôlego. Sem rancores. Tenho algo a te di- zer. - Você é um filho-da-puta. Quer roubar minha noiva. - Ok, ok, sou mesmo um filho de uma cadela. Mas de- pois, você vai me agradecer por eu ter te livrado dela. Quer ouvir? - Diga. - O pouco que conversei com aquela piranha safada, vi que ela não te merece, okay? Ela gosta de caras ricos, quer boa vida, mas não tem um pingo de decência. Bota chifres com a facilidade que peida na vara. - Fodeu o cu dela? - Claro. Gosto de comer um cuzinho logo no primeiro encontro. Posso não ter a oportunidade de uma segunda vez, entende? Mas vamos ao que interessa: eu não quero aquela catraia. Mas vou fodê-la bem muito, destruí-la e depois jogá- -la na sarjeta. Se, depois, você for idiota demais para querê-la de novo, é problema teu. Mas quando eu terminar com ela, não valerá um tostão furado. - Por que faz isso? - Tenho meus motivos. Um dia, te conto. Ou não. Mas precisa cuidar desse nariz. Tá sangendo pra caralho - disse ele, discando um número no seu celular de modelo moderno e caríssimo. Contrastava com as roupas do sujeito: uma calça jeans velha e uma camisa branca, tipo Hering, com alguns buraquinhos, de tão velha. - Oi? Estava dormindo? Vem cá, de carro, pra levar um cara prum hospital. Ele está sangrando muito. O coroa ouviu a voz do outro lado, depois desligou. Disse para Ângelo: - Agora, toma a tua cerveja, enquanto o socorro não chega. - Não vou pra nenhum hospital.
  • 29. MINHA NOIVA É UMA PUTA 29 - Devia. Acho que quebrei teu septo nasal. - Eu já tinha levado uma pancada nele ontem. - Ah, logo vi. Não te bati com tanta força. Só quando te acertei o estômago, pois queria que você demorasse a se levantar. - Pra quem você ligou? - Relaxa. Logo, vai saber. Cerca de vinte minutos depois, a morena Brigite parava seu carro na frente do bar. Correu até onde estava Ângelo. Viu o sangue nas roupas do jovem, mas ele comprimia o ra- riz com um lenço de papel dado pelo garçom, conseguindo parar a hemorragia. - O que foi que houve, amor? - Um acidente. Andou brigando e acertaram-no de cheio. - Disse o coroa, como se ela tivesse falado consigo. - Brigando de novo? Com quem? - Com um cara que é faixa-preta em judô e karatê. - Porra, por quê bateu nele, Henrique? - Para acalmá-lo. Acabou de ver um cara lhe botando uns cornos. - Você é um sádico. E ainda fica tirando onda da cara do pobre? Foi você quem estava com a noiva dele, né? - Como você sabe? - Deixe de ser cínico. Eu te conheço. Deixe-me dar uma olhada nesse machucão, Ângelo. O rapaz deixou. Ela examinou-lhe o nariz e disse: - Não está quebrado. Não precisa de hospital. Eu mes- ma dou um jeito nisso. - Ah, é mesmo. Esqueci que era médica. Senão, tinha- -lhe batido com mais força e... O coroa não terminou a frase. Levou um murro no na- riz, dado pela morena. O sangue espirrou. Ângelo ficou te-
  • 30. MINHA NOIVA É UMA PUTA30 meroso de que o cara devolvesse a porrada, mas ele apenas riu e disse: - Estou vendo que não esqueceu as minhas aulas de ka- ratê. Agora, terá que consertar meu nariz e o dele. - Vá pra um hospital. Não vou mexer na porra do teu nariz. Ele levantou-se, tirou alguma grana do bolso e deixou sobre a mesa. Disse: - Vou mesmo. Não quero levar outro soco. Depois, me dê notícias do garoto. Brigite fez que não ouviu. Havia trazido gaze e espara- drapo e cuidava do nariz do jovem. O garçom perguntou se ela queria que lhe trouxesse álcool. Ela respondeu que não era preciso. Agradeceu e perguntou pro rapaz; - E então, o que aconteceu? - Teu amigo andou me botando uns chifres. Flagrei-o levando minha noiva de carro em casa e se beijaram no por- tão. - Então, ela está em maus lençóis. - Como assim? - Meu amigo já foi casado com uma mulher lindíssima. Mas ela o traía. Quando ele descobriu, quis matá-la. Eu o de- movi da ideia. Mesmo assim, sua vingança foi maligna. - Me conta. - Ele induziu a esposa a ficar viciada em drogas. Em menos de um ano, ela estava irreconhecível. Ele não lhe dava dinheiro para comprar maconha e outras merdas e ela passou a se prostituir, para manter o vício. Quando viu que ela esta- va fodida, deixou-a. Ela passou uns tempos querendo voltar para ele, mas ele não mais a queria. Então, ela se matou. - Puta merda. Não deu nada para ele? A Polícia não o pegou? - Que nada. Ele alegou que ela fez aquilo por causa das
  • 31. MINHA NOIVA É UMA PUTA 31 drogas. - Ele também se droga? - Quem, Henrique? O cara odeia drogas e mulheres bandidas. Ficou irado quando eu sucumbi ao vício. - Pensei que ele ia te devolver o murro. - Que nada. Nós nos conhecemos desde pequeninos. Ele tinha uma queda por mim. Tentou me comer a pulso e eu o ataquei. Ele me venceu facilmente, claro, pois pratica artes marciais. Ao invés de ficar com raiva de mim, ensinou-me a me defender. - Mesmo? Interessante. Está querendo me dizer que ele é gente boa? - Ele é ótimo. Mas triste da mulher que for catraia. Ele a usa por uns tempos, depois a abandona na sarjeta. Nor- malmente, viciada em drogas. Vai fazer isso com a tua noiva, pode crer. - Ex-noiva. Eu não quero mais aquela puta. - Fico contente em saber disso. Vamos voltar lá pra casa? Quero te dar meu cuzinho. Ele ainda quis tomar alguma cerveja, mas ela disse que era melhor comprá-las e levá-las para casa. Pagou o consu- mo, mesmo o rapaz querendo fazer isso. Pouco depois, esta- vam nus perante o outro. Mais uma vez, foram para dentro da piscina. Ela apoiou-se na borda, estando na água, e se vi- rou de costas para ele. Ele a abraçou por trás. Perguntou: - Tem certeza que quer mesmo fazer isso? - Você fodeu tanto minha bocetinha que a pobre está esfolada. Não vou aguentar teu pau nela por algum tempo. Então, quero que experimente minha bundinha. Mas meta com carinho. Faz tempos que não faço anal. - Costumava fazer com quem? - Com meu marido, o único homem com quem transei fora você. Ele adorava meter no meu furinho. Mas adoeceu cedo demais. Aí, paramos de foder.
  • 32. MINHA NOIVA É UMA PUTA32 - Eu nunca fodi um cuzinho. - Não tem segredo. É só não ficar ansioso e tentar me estuprar. Não gosto. Ele começou a beijar-lhe a nuca. Ela se arrepiou toda. Ficou ralando a bunda no cacete duro dele. De vez em quan- do, a glande encaixava no buraquinho. Ela, imediatamente, se esquivava. A rola escapava e ele se agoniava. Ela sorria. Ele estava reagindo do jeito que ela queria. O rapaz apontou com o próprio punho a glande pro furico dela. Quando se preparava para empurrar mais o membro, ela se desvencilha- va dele. Continuava mexendo o enorme bundão, deixando-o aperreado. Finalmente, quando ele já respirava mal de tanta ansiedade, ela pegou seu pênis com a própria mão e apontou a cabeçorra. Enfiou-se quase de uma vez. Ambos deram um gemido arrastado. Mas, antes que entrasse a metade, ela se retirou novamente. Aí Angelo, que já não aguentava tanto tesão, abriu-lhe as nádegas e encaixou a pica. Esta entrou apertado, mesmo estando ambos dentro d’água. Ele chegou a pensar que ela es- tava contraindo as pregas para dificultar-lhe a sodomia. Mas ela gemeu: - Vai. Agora. Soca. Soca. Soca... Ele iniciou os movimentos de cópula. Ela levou uma das mãos à boceta e tocou uma siririca. De repente, seu cu expandiu-se e a trolha do rapaz entrou toda. Ela ficou mor- dendo a peia com as pregas, causando-lhe uma gostosa sen- sação. Ele apressou os movimentos. Com pouco minutos, ambos gozavam ao mesmo tempo. FIM DA TERCEIRA PARTE.
  • 33. MINHA NOIVA É UMA PUTA 33 Cap. IV Quando, no dia seguinte, Ângelo estava no trabalho e re- cebeu um telefonema interno do chefe, pedindo que ele comparecesse à sua sala, já sabia que seria demitido. Todo mundo percebeu que ele estava bronzeado, dando a crer que pegara uma praia no dia que faltou. No entanto, o bronzeado foi causado pelas longas horas exposto ao sol, na piscina da casa de Brigite. Pouco depois, estava saindo da sala do chefe e se despedindo do pessoal. Não ficara chateado pela perda do emprego. Contava com a nova namorada para que ela conse- guisse coisa melhor, como prometeu. Da empresa, foi para a casa dela. Mas ela não estava em sua residência. O jovem ain- da a procurou nos bares das redondezas, mas ninguém a ti- nha visto. Resolveu tomar umas cervejas sozinho. Encontrou o playboy Henrique bebendo no mesmo bar onde o havia encontrado no dia anterior. Ele, o coroa, também estava de esparadrapo no nariz. Os dois riram da cara do outro, quan-
  • 34. MINHA NOIVA É UMA PUTA34 do se viram. O jovem sentou-se na mesa do sujeito. Pediu uma cerveja e logo foi atendido. Ângelo perguntou: - E aí, como está a namorada? - Não me encontro com ela todos os dias. Dou um tem- po, que é para ela sentir minha falta e me ligar. Aí, me faço de difícil. Isso a deixa mais apaixonada. - Consegue passar muitos dias sem sexo? - Que nada. Por isso, tenho várias namoradas. Fodo uma, ou até mais de uma, por dia. - Qual o segredo de ter tantas mulheres? - Você não pode se apaixonar. Senão, elas te dominam. E se te dominam, enjoam de ti logo. - Eu não consigo viver sem me apaixonar. - Já está apaixonado por Brigite? Ela vale a pena. Que- ria eu que ela gostasse de mim. Mas sempre fomos só amigos. - Ela me contou do dia que você tentou fodê-la a pulso. - Aquilo foi merda minha. Me arrependo até hoje. Ain- da bem que ela não ficou com raiva de mim. - É, imagino se tivesse ficado - disse o jovem, olhando para o esparadrapo no nariz do sujeito. Os dois riram a valer da ironia de Ângelo. Aí, uma negra gostosíssima se aproximou dos dois. Sentou-se ao lado do coroa sem pedir licença. Ela perguntou: - Quem é teu jovem amigo, amor? - Este é Ângelo, namorado de Brigite. Ângelo, essa é Luara, minha mais nova aquisição. - Você me apresenta como se eu fosse teu troféu. E eu não pertenço a nenhum homem, cara. - Disse a negra. O jovem a achou muito confiante de si. Olhou para as suas longas pernas. Eram torneadas, como se ela fizesse aca- demia todos os dias. Exalava saúde. Ele estava impressionado com a beleza dela, se bem que achava Brigite mais bonita. O
  • 35. MINHA NOIVA É UMA PUTA 35 casal trocou um longo e apaixonado beijo. Ângelo aprovei- tou para encher mais seu copo. Ofereceu cerveja a Luara. Ela aceitou. Ele pediu mais um copo ao garçom e, quando ele o trouxe, depositou o líquido para ela. Ângelo disse, quando terminaram de se beijar: - Bem, não vou ficar segurando vela pra vocês. Vou ver se acho Brigite. Ela não estava em casa. - Vai acha-la onde menos espera - disse o coroa - ou onde menos queira. - Como assim? - Nada, rapaz. Estava pensando alto. Vá lá e boa sorte. - Não vai nem me dar um beijinho? - Perguntou a ne- gra, quando viu que o jovem iria embora sem se despedir dela. Quando o rapaz ia dar-lhe um beijinho na bochecha, ela fez um movimento que o pegou desprevenido. Ângelo re- cebeu um leve beijo na boca. - Uau, vejo que ela gostou de você, garoto. Nunca bei- jou nenhum amigo meu. - É que nenhum é tão bonito quanto ele. Meio empulhado, o rapaz foi embora. Queria passar de novo na casa de Brigite. Talvez ela já tivesse chegado. Mas não teve sorte. A moradia ainda estava fechada. Então, re- solveu ir para casa. Encontrou sua irmã no portão. Ela disse: - Aquela tua namorada que esteve aqui ontem, voltou. Esperou por ti, mas depois foi embora. Disse que ia para al- guma praia. Que você, se quisesse ir também, ligasse pra ela. Está namorando as duas, irmãozinho? - Não. Acabei meu noivado com Mônica. Levei um par de chifres. - Bem feito. Aquela mulher nunca prestou. Mas você não escuta conselhos. E essa tal Brigite é muito mais simpáti- ca. Esteve aqui para pedir tua mão em casamento.
  • 36. MINHA NOIVA É UMA PUTA36 - Mesmo? E ela falou com quem? - Com papai e com mamãe. Os dois deram suas bên- çãos a ela. Ela saiu daqui muito contente. Mas fez uma coisa que eu não gostei. - O que ela fez? - Telefonou para teu emprego e pediu tua cabeça. Qua- se exigiu que o teu patrão te demitisse. - Como é que é? - Isso mesmo. E ela falava como se conhecesse o cara. E como se mandasse nele. - Puta merda. Eu fui, mesmo, demitido. Quando en- contrar aquela puta, vou pedir satisfações a ela. - Por quê não liga para ela? - Quero falar com aquela piranha olhando bem nos seus olhos. E quero pegá-la de surpresa. Já sei o que vou fazer! Pouco depois, Ângelo voltava ao bar onde tinha encon- trado o coroa Henrique. Ele ainda estava lá com a negra. Esta perguntou: - Bateu saudade de mim e voltou, meu lindo? Ou quer outro beijo? - Eu vim falar com teu namorado. - Ah, que pena. Fiquei até contente de revê-lo, sabia? O rapaz não seu atenção a ela. Perguntou para Henri- que: - Você sabe em que praia Brigite costuma ficar? - Posso te levar lá. - Não é preciso. Na verdade, tenho um assunto que queria falar a sós com ela. - Pode crer que não vamos ficar segurando vela pra tu, garoto. Espera um pouco... Henrique ligou para Brigite e confirmou onde ela es- tava. Falou que Ângelo queria conversar com ela, mas não
  • 37. MINHA NOIVA É UMA PUTA 37 por telefone. Escutou o que ela lhe disse e depois desligou o celular. Disse: - Vamos embora. Ela está nos esperando. - Não precisaremos de roupas de banho? - Perguntou a negra. - Não. Vão ver que não. Vamos. Não quero chegar mui- to tarde lá. Chegaram quase meio-dia na praia de Pau Amarelo, na cidade de Paulista. Havia poucos banhistas, mas Ângelo não viu a morena. Henrique avisou: - Está procurando no lugar errado. Ela está ali. Ele apontava para uma lancha enorme que estava apor- tada depois dos arrecifes. Perguntou se o jovem sabia nadar. Ele sabia. A negra, não. - Okay, tirem as roupas e deixem no carro. Luara vai agarrada às minhas costas. Você, cara, se vira. Deixaram as roupas e caíram na água só de sunga, cal- cinha e sutiã. Andaram até ser preciso mergulhar. O coroa nadava com desenvoltura, mesmo tendo a negra agarrada às suas costas, mas o rapaz não fazia feio. Logo, Brigite os ajuda- va a subir na enorme lancha branca. Os curativos de ambos tinham ficado nas águas. A morena disse: - Que bom que vieram. Estava me sentindo sozinha. O que quer falar comigo, amor? - Vamos para um lugar onde possamos estar a sós. - Está zangado comigo porque fui de novo à tua casa? Tua família é muito simpática e senti saudades deles. - Eu sei que você exigiu que me demitissem. Quem te deu esse direito? - Ih, vai ter briga feia. Voltemos pra praia, negra. - Fa- lou o coroa. - Fiquem aí. Minha conversa com ele vai ser breve. -
  • 38. MINHA NOIVA É UMA PUTA38 Quase que ordenou a morena. O casal ficou. Ela não entrou em algum dos aposentos da lancha, como o rapaz sugeriu. Alí mesmo, disse: - Quando tua mãe me disse onde você trabalhava, fi- quei contente, amor. Meu marido era sócio majoritário da- quela empresa. Agora, com a morte dele, herdei as ações. Eu sou dona dali. E não quero meu futuro marido trabalhando para mim. Eu queria te fazer uma surpresa, mas ainda não consegui falar com os ex-sócios de papai. Tenho certeza de que eles vão te oferecer coisa melhor. - Você é a dona da empresa onde eu trabalhava? - É sim, cara. E de muitas outras empresas. Os pais dela já eram ricos antes de um se casar com o outro. Brigite é filha única. Ficou com todo o patrimônio. Inclusive um hospital particular. - Porra, e o que uma mulher com tanto dinheiro quer de um pobretão como eu? - Já te disse: você foi predestinado para mim. Meu fale- cido marido tinha razão. Encontrei em você o homem que eu necessitava encontrar. - Ela mesma se declarando assim, eu não insistiria na briga, rapaz. Vá por mim. - Me dá um beijo. - Pediu Brigite. Ele a beijou. Com muito carinho e ternura. Sua raiva havia passado. Era um sinal de que estava começando a gos- tar dela, pois não era de perdoar uma afronta tão depressa. Depois do beijo, ela disse: - Podem tirar essa roupa molhada. Se preferirem, va- mos para alto-mar, onde ninguém poderá nos ver. A negra foi a primeira a despir-se. Tinha um corpo es- cultural. Ângelo ficou de pau duro. Brigite percebeu. Cochi-
  • 39. MINHA NOIVA É UMA PUTA 39 chou ao ouvido dele: - Ela é tesuda, não é amor? Você ficou logo de cacete duro. Posso te dar uma chupada? - Aqui, na frente dos outros? - O que é que tem? Eu conheço os dois. Se Henrique não se incomodar, depois eu deixo você transar com ela. Mas só por hoje, está bem? - Não ficaria com ciúmes? - Ficaria, sim. Mas sei me conter. No entanto, se eu sou- ber que você a encontrou a sós, vamos brigar feio. E não quei- ra me ver com raiva. - Está me ameaçando? - Não, amor. É que eu me conheço. Promete transar com ela só esta única vez? - Eu nem sei se ela iria querer trepar comigo, oras. - Henrique, meu amor ficou de pau duro ao ver tua na- morada nua. Permite que os dois transem? - Perguntou Bri- gite. - Enquanto isso, você transará comigo? - Nem por sonho. Eu amo meu namorado. E tenho cer- teza de que ele não aceitaria isso. - Então, não permito que ele foda minha namorada. - Ei, quem manda nos meus buracos sou eu. Quem dá permissão pra ele ser invadido sou eu! Tira a roupa, meu bebê. Deixa a gente ver esse pau duro. - Vou mostrar, sim. Mas não vou foder ninguém. A me- nos que Brigite queira fazer amor. - Querer eu quero. Mas estou toda dolorida, amor. Só a minha boquinha de cima é que ainda está funcionando a contento. - Faz ele gemer sem sentir dor, amiga. Quero ficar olhando. O jovem não me quer, mas não pode impedir que eu toque uma siririca na intenção dele. - Esqueceu que estou aqui, para te satisfazer? - Res-
  • 40. MINHA NOIVA É UMA PUTA40 mungou o coroa, tirando a roupa. Também estava de cacete duríssimo. Mas não sentia nenhuma vergonha de ficar nu na frente das mulheres, como Ângelo sentiu. O caralho dele ti- nha quase o dobro da extensão do pênis do jovem. Aí foi que Ângelo ficou mais empulhado de se despir. Manteve a sunga mas era visível o volume do seu cacete. A negra, no entanto, fez questão de despi-lo. Quando o pau do jovem pulou fora do tecido, ela assoviou: - Uau. Tem um pingolim do tamanho que gosto. Dá licença, amiga... E a negra caiu de boca no pau do rapaz. Enquanto isso, Brigite beijava Ângelo na nuca, na orelha, lambia dentro do seu ouvido para, finalmente, beijá-lo de língua. O cara estava todo arrepiado. Para poder chupar melhor o rapaz, a negra ficou de bundão empinado. Henrique lubrificou o pênis com saliva e tocou a glande no buraquinho dela. Ela ajeitou-se melhor para recebê-lo por trás. Enquanto isso, masturbava o rapaz com o seu pau na boca. Brigite foi descendo com a lín- gua pelas costas de Ângelo, até encontrar seu furinho. Abriu- -lhe as nádegas com as duas mãos e lambeu as pregas dele. Depois, ficou chupando o cu de Ângelo. O jovem se tremia de prazer. Luara engoliu todo o seu cacete, tocando com a glande na goela. Deu um gritinho, quando Henrique a in- vadiu por trás. Depois, voltou aos seus afazeres. Quando o coroa começou a copular o cu dela, a negra ficou revirando os olhos de puro prazer. Estava gozando pelo cu. Mas não parou de chupar o jovem. Brigite continuava chupando o cu do rapaz, agora massageando-lhe as bolas, também. Pouco depois, o jovem anunciava: - Vou... gozar... agooooraaaaaaaaahhh... FIM DA QUARTA PARTE
  • 41. MINHA NOIVA É UMA PUTA 41 Cap. V Haviam dado uma única foda. Depois, os casais se separa- ram, ficando cada dupla em um lugar do barco. Henri- que não quis mais saber de tomar sol e a negra o acompanhou até uma das cabines. Ângelo e Brigite forraram uma grande toalha na proa e ficaram se bronzeando, com a morena só de calcinha e ele nu. Mas ela logo pegou no sono. Ele resolveu dormir, também. De noite, o tempo esfriou. Começou a chover, flagran- do os dois ainda nus e deitados. Brigite quis correr para uma das cabines, mas Henrique a encontrou na porta e alertou: - Preciso voltar para o carro. Deixei-o lá na praia e a esta hora o lugar deve estar deserto. Fica fácil de alguém abrir e depenar meu veículo. Se vocês querem ficar, tudo bem. Mas eu vou embora com a minha negra.
  • 42. MINHA NOIVA É UMA PUTA42 - Também iremos. Há um bote pendurado ao lado da lancha. Dá pra nós quatro. Vistam suas roupas e vamos. - Avisou Brigite. Encontraram o veículo intacto. O coroa levou Ângelo à casa de Brigite, depois foi embora no seu carrão, levando a negra Luara. Esta estava de cara amarrada. Quase não se despediu do rapaz nem da morena. Quando foram embora, Ângelo perguntou: - A negrona parecia chateada, percebeu? - E era pra estar. Enquanto você dormia, flagrei-a lam- bendo o teu pau, aquela puta safada. Achou que eu estivesse dormindo também. Chamei-a num canto e disse-lhe poucas e boas. Exigi que não mais te procurasse. - Ah, foi isso? Bem que senti alguém pegando no meu pau, mas pensei que fosse você. - Eu também te acariciei. Mas só depois que me resolvi com ela. Você, porém, estava num soninho tão bom que de- sisti. - Bem, pode continuar agora que estamos ambos acor- dados. - Eu prefiro ir dormir, amor. Estou cansada e acho que vou menstruar. Se quiser ficar por aqui, comigo, tem umas cervejas que comprei logo cedo. Mas, se quiser ir, vou te en- tender. - Se não ficar chateada, prefiro ir. Tenho que dar a notí- cia de que estou desempregado a meus pais. - Eles já sabem. Viram quando liguei pro administrador da empresa onde você trabalhava. Ouviram minha conversa. Mas não me criticaram, pelo menos abertamente. Acha que ficaram zangados por eu ter feito aquilo? - Meu pai, talvez. Ele não gosta de mulher mandando nele. Minha mãe deve ter se divertido com isso. Ela adora contrariar meu pai. Mas ambos se dão muito bem. - Nós também nos daremos. Então, o que vai fazer?
  • 43. MINHA NOIVA É UMA PUTA 43 - Eu prefiro ir, linda. Também estou cansado de ter fi- cado tanto tempo exposto ao sol, ontem e hoje. Não tenho o costume. - Está bem. Boa noite, amor. Amanhã, assim que puder, venha pra cá. - Está bem - disse ele lhe dando um beijo carinhoso de despedida. Mas o jovem não pretendia ir pra casa. Queria passar no bar onde encontrava Henrique. Desconfiava que ele esti- vesse lá com a negra e pretendia fazer ciúmes ao coroa. Seria sua vingança por ele ter-lhe botado uns chifres com a sua ex-noiva. Mas não encontrou o playboy com a negra. Quem estava ao seu lado foi Mônica. Ela parecia aérea, como se es- tivesse drogada. Quando viu o rapaz, sorriu para ele. Pergun- tou: - Eu não te conheço de algum lugar, cara? Você não me é estranho... - Não, você não me conhece. Deve estar me confun- dindo com alguém - rebateu o jovem. O coroa parecia não ter gostado muito da aproximação dele. Tanto que o chamou a um canto: - Não devia ter vindo, rapaz. Não vou querer brigar contigo de novo. - Não vim pra brigar. Já não ligo que esteja com ela. E já vi que você já começou a cumprir com a tua palavra de deixa-la viciada, não é? - Vou ser honesto contigo: eu já conhecia essa catraia. Alguém disse que eu vendia drogas e ela me procurou, antes de tu deixa-la. Nesse dia, eu estava com outra que você co- nhece, mas não vou dizer quem é. - Com a negra? - Não. Não foi com aquela puta. Sei que ela saiu de fini- nho de perto de mim e foi te chupar. Brigite me contou que
  • 44. MINHA NOIVA É UMA PUTA44 deu-lhe uns esporros. Deixei-a na casa dela e disse pra não mais me procurar. - Você gosta dela, não é mesmo? - Eu sou louco por aquela negra. Ela e Brigite foram as únicas que não entraram na minha. Eu acho que tenho mania de só gostar de quem não gosta de mim. - Quer dizer que Mônica já era uma viciada e eu não sabia? - Ela não era viciada ainda. Mas tinha curiosidade em provar drogas. Drogas pesadas, não maconha. É uma puta cara, entende? - Não entendo de putas. - É, dá pra ver. Não ligue pra tua ex. Agora, não tem mais volta. Ela experimentou de tudo, hoje. Eu a tinha deixa- do na casa de um traficante, a pedido dela. Dei-lhe dinheiro para ela comprar o que quisesse. Você está vendo o estado dela. - Sinto mais pelos pais dela do que por ela. Agora que sei quem ela realmente é, tomei abuso. - Faz bem. Mas precisa ficar de olho nas pessoas à tua volta, cara. - Como assim? - Vai descobrir do jeito mais duro. - Está falando de Brigite? - Brigite é uma santa. Vai querer beber umas? - Não. Não consigo ver a degradação de Mônica. Vou- -me embora. - Luara, a esta hora, deve estar num barzinho novo lá perto da Encruzilhada. Ela mora lá e pediu pra eu deixa-la nesse bar. Vá lá e converse com ela. Mas não aceite ir pra um motel com ela. Seria a tua pior merda. - Por quê? - Eu sou de avisar, e não de explicar, moleque. Só faça o que eu disser, fui claro?
  • 45. MINHA NOIVA É UMA PUTA 45 A conversa tinha deixado Ângelo duplamente curioso. Quem seria a pessoa do convívio dele que estava metida com drogas? A irmã de Mônica, a que queria saber como era um motel? E o que ele teria a perder se fodesse com a negra? Pen- sara em dar uma foda com a morena Brigite, mas ela parecia mesmo cansada. E não gostava de foder mulheres menstrua- das. Certa vez, saíra da casa de Mônica excitado, como esta- va agora, e pegou uma puta de rua. Ela estava de regras. Ele ficou traumatizado com a experiência. Para piorar as coisas, daquela vez pegara uma gonorreia. Acreditou que havia sido passada pela puta. Alguém disse para ele que a mulher expele um monte de germes através da menstruação. Pegou um táxi e foi para o bairro do Recife chamado de Encruzilhada. Perguntou ao motorista onde tinha inau- gurado um bar novo. Ele o levou para lá. Encontrou a negra acompanhada de uma outra, mais bonita e gostosona do que ela. Luara o viu assim que entrou, mas ele fez que não a viu. Queria dar a entender que estava ali por acaso. Sentou-se a uma mesa e uma garçonete muito bonita veio atende-lo. Ela disse: - Boa noite, senhor. Acredito que não leu o cartaz afi- xado logo na entrada. - O que diz ele? - Que homens desacompanhados não são permitidos no recinto. Mulheres, podem permanecer à vontade. Portan- to, se precisar de acompanhante, podemos ajeitar uma pro cavalheiro. - Ele não precisa, Laura. Estávamos esperando por ele - disse uma voz conhecida atrás da garçonete. Era a negra Luara quem falava. Veio acompanhada da outra negra para a mesa onde Ângelo estava. - Oi, Luara. Que surpresa, encontrar você aqui... - Deixa de ser cínico. Henrique me ligou, dizendo que você vinha. Esta é minha irmã, Luana. Ela ficou interessada
  • 46. MINHA NOIVA É UMA PUTA46 em você. Pediu que eu te apresentasse a ela, quando eu disse que havia fodido contigo hoje. - Oi, bonitão. Bem que minha irmã falou que você é lindo. Não se assuste com o meu interesse: é puramente pro- fissional. - Como assim? - Sou psicóloga. Estou fazendo uma pesquisa, para sa- ber o que os jovens de hoje pensam sobre o sexo descompro- missado. - Hummmmmmmm, já fiquei excitado rsrsrs. As duas riram. Sentaram-se á mesa sem pedir licença. Pediram três cervejas. A garçonete foi buscar. Ângelo per- guntou: - Não é melhor pedir de uma em uma? - Aqui não servem copos. Temos que beber na boca da garrafa. O rapaz olhou em volta. Ela tinha razão. A garçonete trouxe as bebidas. O rapaz perguntou a Luana: - Bem, qual é a primeira pergunta? - Vamos lá: você acha que o jovem de hoje está perden- do o interesse sexual? Ele demorou um pouco a responder. Quando o fez, dis- se: - Enquanto o pornô não está tão em alta, a erótica digi- tal e gratuita (muitas vezes retratando os próprios usuários) tornou-se um passatempo padrão. Vendas de brinquedos se- xuais continuam a subir e muitos desses compradores têm menos de 40 anos. Então, eu acho que o jovem de hoje, que tem mais oportunidades sexuais do que o de antigamente, mudou o foco. Claro, encontros sexuais sem remorso ou cul- pa ainda existem, mas as pessoas mais jovens parecem dividi- das. Elas gostam da liberdade, mas querem as melhores par-
  • 47. MINHA NOIVA É UMA PUTA 47 tes de épocas passadas, também. Elas querem que a sedução, a incerteza, a busca, não necessariamente a monogamia mis- sionária; mas luvas brancas, pérolas e flerte com um uísque em um bar interessante não parece muito mais envolvente do que shots de Red Bull e vodka e uma rapidinha no estaciona- mento? O fato é que muitíssimas menininhas de hoje ainda cultivam mitos do passado como as atrizes glamourosas Au- drey Hepburn, Marlene Dietrich e a stripper retro Dita von Tease. - Há ainda outra coisa a considerar: uma certa quan- tidade de desilusão com o sexo não é tendência, é biologia - continuou ele. Nossos cérebros são projetados para procurar novidades. A quantidade de novidade que cada um de nós procura depende da nossa própria química. Quando não ob- temos novidade o suficiente, ficamos entediados. A geração sexual de hoje torna possível para todos nós obter qualquer forma de novidade sexual que desejar, a qual- quer momento que quiser. Se você trabalhasse em uma sor- veteria, e pudesse tomar todo o sorvete que quisesse, o que aconteceria logo no segundo dia de trabalho? Sim, você ia enjoar de sorvete. - Uau. Sem mais perguntas. Até parece que você já sa- bia o que eu iria perguntar depois, cara - exclamou Luana. - Não admira que Brigite escolheu ele. O jovem tem um enorme intelecto escondido nessa carinha de besta. - Nada disso, gente. Apenas andei lendo sobre o assun- to, recentemente. - Ainda por cima, é modesto. - Vamos virar nossas cervejas? Isso merece um brinde. - Estão querendo me deixar bêbado? - Estamos, sim. Na verdade, viemos aqui mais para en- contrar algum parceiro para estar conosco o resto da madru- gada. - Disse Luara. - É, mas lembre-se de que você foi proibida por Brigite
  • 48. MINHA NOIVA É UMA PUTA48 de foder com ele. Então, ele sobra todinho para mim - arre- matou a irmã. - Nem me lembre do esporro que levei. Mas eu respeito Brigite. Então, ele é todo teu. Ela não te proibiu de fodê-lo, como proibiu a mim. - Vocês estão discutindo como se eu não tivesse minha própria opinião sobre esse assunto - disse Ângelo. - E você vai ser louco de me rejeitar? - Disse a negra Luana, passando a mão nos quadris, como a ressaltar as suas curvas. Cerca de duas horas depois, os três estavam na casa de Luana. A psicóloga vivia bem, num apartamento de cobertu- ra enorme, num dos bairros mais ricos da cidade. Perguntou: - Vão querer continuar bebendo? Acho que tem cerve- jas no freezer. Eu vou tomar um banho. - Eu também quero me molhar. Ainda estou sujo de mar. Posso me banhar contigo? - Venha. Eu te dou um banho. Você também vem, mana? - Não. Temo não me conter diante do caralho dele. Vão vocês. Foram. Nem bem o jovem tirou as roupas, ela atracou- -se com ele. Beijou-o da cabeça aos pés, depois parou no sexo do cara. A boca dela era muito quente. Por pouco o rapaz, que já estava de cacete duríssimo, não goza logo na primeira chupada. Mamou-a nos peitos, também. Ela gemeu alto com as lambidas que ele lhe deu na xoxota. Enquanto isso, a negra Luara ajeitava uns equipamen- tos no quarto da irmã. Sabia que ela era acostumada a regis- trar suas fodas. A negra psicóloga adorava postar seus vídeos fazendo sexo na Internet. Mas Luara precisava ser rápida, para o rapaz não perceber. Pretendia divulgar o filme na rede,
  • 49. MINHA NOIVA É UMA PUTA 49 para vingar-se de Brigite. Saiu do quarto, depois de tudo pre- parado, foi ao freezer, pegou uma cerveja, ligou a tevê e ficou assistindo um site de filmes pornôs. Adiantou algumas par- tes, até encontrar um bom momento da transa. Então, meteu a mão na xoxota e começou a se masturbar. Quando o casal saiu do banheiro, ela estava gozando. A psicóloga disse: - Vamos pro quarto. Depois do banho, fiquei excitada. Agora, vendo minha irmã gozando, fiquei mais ainda. Sem saber que estava sendo filmado, o jovem deu uma chupada bem gostosa na boceta da negra, assim que se joga- ram na cama. Ela também o chupou, num gostoso meia-nove. Quando acabou de gozar, Luara veio para a porta do quarto e ficou olhando os dois transarem. Num dado momento, sua irmã girou o corpo e cavalgou o rapaz. Nem bem se enfiou na rola dele, começou a gozar. A bilola escapuliu-lhe da vulva e ela a enfiou no cu. O jovem gemeu alto, de prazer. Ela con- tinuou a frenética cavalgada. Ele a empurrou de cima de si e posicionou-se atrás dela. Quando apontou a glande para o cu dela, Luara voltou a friccionar o grelo. Depois, correu a catar nas gavetas da irmã à procura de um consolo. Encontrou um pênis de borracha de mais de trinta centímetros. Sentou-se numa cadeira que havia no dormitório e meteu o objeto no cu. Quando conseguiu escondê-lo ali quase em sua totalida- de, voltou a se masturbar. A outra negra, a essa altura, já go- zava pelo cu. A psicóloga gritou: - Vai, puto. Arromba meu rabo. Mas não fique fodendo calado. Adoro ouvir palavras chulas enquanto fodo! FIM DA QUINTA PARTE.
  • 50. MINHA NOIVA É UMA PUTA50 Cap. 06 As duas irmãs quiseram que Ângelo dormisse na casa de Luana, mas ele saiu de lá quase três da madruga. Estava esgotado sexualmente. Transou tanto que sentia o gosto de sangue na boca. Chegou em casa quando o dia já amanhecia, pois pegou o Bacurau do ônibus. Abriu a porta com cuidado e entrou. Nem tomou banho, foi direto para a sua cama. Foi a sua sorte. Bem cedo da manhã, Brigite chegou procurando-o. Disse que havia conseguido entrar em contato com a empre- sa onde seu pai fora sócio e conseguiu uma vaga para ele. Mas o rapaz iria começar quase do zero, para entender melhor a filosofia da empresa. Um dos sócios queria conhece-lo e pediu que ela o levasse o mais cedo possível, pois este tinha que viajar naquele dia. Ângelo acordou-se ainda exalando o cheiro de bebida pelos poros. Tomou um banho demorado,
  • 51. MINHA NOIVA É UMA PUTA 51 enquanto a namorada tomava o café da manhã com a sua família. O rapaz achava incrível a rapidez com que a morena havia cativado a todos. Só quem não estava presente à mesa era sua irmã. Dissera estar indisposta e iria dormir até tarde. Ângelo tomou seu banho, saboreou o café e botou a sua melhor roupa para ir para a empresa. Brigite o levou lá de carro. Disse para ele: - Precisamos comprar um carro para você. Sabe dirigir? - Não. Mas acho que aprendo depressa. - Então, hoje mesmo te compro um carro novo. - Êi, não é preciso. Quero comprar um carro com meu próprio dinheiro. - Então, eu compro e depois você me paga. - Olha, agradeço o que está fazendo por mim, mas não sou de explorar mulher. - Ótimo. Se eu perceber que está querendo me explo- rar, te deixo na mesma hora. Não gosto de ser explorada. Também não gosto de servir de motorista pra ninguém, en- tendeu? - E por que está fazendo isso? Poderia me indicar teu contato e eu iria de ônibus, mesmo. - Mas és tu nada, estrela! E eu não estou afim de dis- cutir. Então, digamos que eu te trouxe porque quero rever os sócios do meu pai. - Assim está melhor. Volto a agradecer por ter me tra- zido. - Então, me dá um beijo. Ele deu, assim que ela estacionou em um lugar qual- quer, para não tirar a atenção do volante. Mas a moça recla- mou: - Porra, está com cheiro de boceta nos lábios. O que andou fazendo às escondidas de mim? - Eu? Nada, amor -, ele foi pego de surpresa mas não se
  • 52. MINHA NOIVA É UMA PUTA52 entregou - acho que foi porque não lavei a boca direito. - Vou fingir que acredito, viu? Mas, depois, vamos ter uma longa conversa. Ela voltou a dirigir, mas manteve-se o tempo todo ca- lada. Ele também não disse nada, temendo irritá-la. Logo, chegaram à empresa. Lá, ele foi muito bem recebido e um dos sócios o levou para conhecer as dependências da empre- sa, enquanto o outro conversava com Brigite. Ângelo ficou impressionado com as dimensões do espaço físico da empre- sa. Era enorme. Quando voltaram para a sala onde a morena estava reunida com o outro sócio, já era quase meio-dia. Os sócios os chamaram para almoçarem juntos, mas ela decli- nou da ideia. Estava doida para estar a sós com o rapaz, para poderem conversar. A notícia era ótima. Os sócios simpatizaram com ele e prometeram a ela tudo fazer para que ele crescesse na firma. Ele agradeceu a ela com um longo e carinhoso beijo. Ela dis- se: - À noite, vou querer melhor a minha recompensa. Acho que já vai dar para fazermos amor de novo. - Não vejo a hora. Por mim, nós faríamos amor todos os dias. - Taradinho. Mas deixa eu voltar a me acostumar com sexo, pra você ver. Garanto que não vai me aguentar todos os dias. - Tomara. Mas só de saber dessas tuas intenções, já fico excitado. Ela o beijou novamente. Depois, convidou-o para al- moçar. Brigite escolheu um restaurante chique para o almo- ço. O lugar estava lotado. Ele disse: - Podemos ir para um local mais peba, e menos lotado. - O que é um lugar peba?
  • 53. MINHA NOIVA É UMA PUTA 53 - Mais popular. - Não, senhor. Estamos comemorando uma conquista tua. Não se preocupe, eu pago. - Não é isso. É que não estou acostumado com esses luxos. - É necessário. A maioria dos meus amigos são ricos. E eu vou querer você sempre do meu lado. Veja, desocupou um lugar ali. Vamos para lá. Foram. Sentaram-se à mesa e ela escolheu o cardápio, já que para ele não fazia diferença, segundo suas próprias pa- lavras. Ela gostava de saladas de verduras e legumes. Ele, de carnes. Ela pediu os dois. Quando estavam almoçando, um coroa veio até a mesa deles. Estava bem vestido, mas o jovem percebeu que a namorada ficou incomodada com a sua pre- sença. O cara disse: - Você por aqui? Não esperava reencontra-la tão cedo. Achei que ainda chorava a morte do marido, mas vejo que se recuperou depressa. Já está com outro... - Isso não é da tua conta, tá? Então, faça-nos o favor de nos deixar terminar a nossa refeição. - Tudo bem. Vejo que está gastando bem o dinheiro deixado por meu irmão. Mas um dia é da caça, outro do caça- dor. Logo, terá a Polícia em teu encalço. Tenha um bom dia. - Quem é esse sujeito? - Meu cunhado. Achou que eu não fosse casada com o meu falecido marido e quis me retirar direitos. Eu namorei com ele antes de conhecer seu irmão. Ele não gostou de ser preterido por mim. Mas parece que ainda é afim, pois vive telefonando direto. Como sei que é ele, não atendo, mesmo quando usa um número desconhecido. - Não gostei dele. - É um crápula. Por isso preferi o irmão. Mas ele não gostou disso. Primeiro, tentou me pegar a pulso. Principal- mente quando soube que Henrique já havia tentado. Fiz
  • 54. MINHA NOIVA É UMA PUTA54 queixas ao irmão dele, que ainda não era casado comigo, e ele tomou providências. Até hoje eu não soube o que Mozi- nho fez, mas surtiu efeito. Nunca mais que ele se insinuou para mim. Terminaram o almoço, descansaram um pouco con- versando e depois foram embora. Ela o levou até a frente da casa dele, mas não entrou. O rapaz estranhou sua irmã não ter vindo cumprimenta-lo no portão. Perguntou à mãe, quando entrou em casa: - Cadê Lelinha? Não a vi de manhã. - Ainda está trancada no quarto. Chamei-a, mas nem respondeu. Ainda deve estar dormindo. - A senhora não entrou no quarto dela? - Está trancado à chave. E ela não é nunca de fazer isso. - Vamos lá. Deve estar acontecendo algo que não sabe- mos. Depois de bater várias vezes na porta, o rapaz a arrom- bou. Encontraram a irmã caída no chão. Havia um seringa jogada ao lado dela. Ângelo correu até a irmã mas ela já esta- va morta. Só então, ele entendeu as palavras do coroa, quan- do disse que ele precisava prestar mais atenção às pessoas da sua família. O rapaz ficou revoltado. A mãe, desesperada. Ângelo ainda socorreu a irmã, mas já sabia que ela estava morta. Overdose. A velha senhora teve que ser internada. Pe- diram os documentos dela antes de socorrê-la. Ângelo teve que ir busca-los em casa. Aproveitou para ligar para o pai e para Brigite. Lembrou-se de que o coroa Henrique havia dito que ela era dona de um hospital. Ela ficou aperreada, mas num instante chegou de carro à casa dele. Ajudou-o a procurar os documentos da senhora e foram para o hospital. Os médicos, no entanto, não queriam liberar a mãe do rapaz para tratamento em hospitais particulares. Foi preciso que ambos assinassem um catatau de documentos, para conse-
  • 55. MINHA NOIVA É UMA PUTA 55 guirem a liberação da paciente. A moça, infelizmente, foi a óbito, como ele já sabia. Depois de passado o sufoco, Ângelo disse para a na- morada: - Isso não vai ficar assim. Vou achar o cara que vendeu drogas a ela. - Infelizmente, é o mesmo que me fornecia drogas, amor. É um cara da Polícia. Vai ser difícil fazer algo contra ele. Esse pessoal é mafioso. Se você denunciá-lo, vão pensar que fui eu que os alcaguetei. Vai sobrar para mim. - Sinto muito, amor. Não vou deixar esse crime impune. - O que pretende fazer? - Primeiro, eu tenho que achar o cara. Depois, vejo o que fazer com ele. - Deixe isso para a Polícia. - Você acabou de me dizer que a Polícia é corrupta... - Vou falar com Henrique. Ele conhece melhor esse povo. Saberá melhor o que fazer. Pouco depois, falavam com o coroa. Ângelo estava ir- ritado com o cara, achando que ele também tinha culpa pela morte da irmã. Perguntou-lhe: - Você sabia que minha irmã consumia drogas. Por quê não me disse? - Sim, foi ela que veio com tua namorada me pedir pra vender-lhe drogas. Eu não esperava que ela falecesse tão rápi- do. Mas não me meto na vida dos outros, garoto. No entanto, te alertei. - Jamais pensei que fosse ela. Nunca demonstrou ser viciada. - Ela sabia esconder bem. Sinto muito, garoto. O que posso mais fazer por ti? - Quero pegar o cara que vendeu-lhe o bagulho. - Sem chance. Não quero que Brigite perca o futuro
  • 56. MINHA NOIVA É UMA PUTA56 marido. Os caras são da pesada. E um deles é o cunhado dela, não sabia? - Como é que é? - Não, ele não sabia. Mas conhece o cara. Ele esteve na nossa frente, hoje, quando almoçávamos. - Disse cabisbaixa a morena, que até então só escutava. - Puta merda, o puto já devia ter matado minha irmã e eu nem sabia. - O que pretende fazer, garoto? Melhor deixar quieto. - Sem chances. Quero vingar a morte de Lelinha. - Okay, quem sabe é você. Depois, não diga que não te avisei. - Onde posso encontrar aquele merda? - Na delegacia, lógico. Ele é policial. - Delegado? - Não. - De que delegacia? - Da mais próxima lá de casa - respondeu a morena. ++++++++++++++++++++ Uma hora depois, Ângelo chegava sozinho à delegacia. Nem o coroa nem a sua namorada quis se envolver. Demons- travam medo do cara. O rapaz aproveitou que seu pai estava com sua mãe no hospital e foi até a Polícia. Antes, porém, esteve num dos jornais da cidade e contou seu drama. Quem o atendeu foi uma jornalista muito simpática. Ele perguntou se ela confiava em algum policial. Ela ligou para o seu conta- to na Polícia. Falou com o cara ao telefone e depois levou o jovem para se encontrar com ele. Queria um furo de repor- tagem. Mais uma vez o rapaz contou a sua história e o sujeito chamou-o à sala do delegado. Este perguntou:
  • 57. MINHA NOIVA É UMA PUTA 57 - Quem te disse que o meu policial é corrupto e vive vendendo drogas? - Um amigo meu, que não me permitiu usar seu nome. - Assim, fica difícil, jovem. O cara que você quer de- nunciar é o meu melhor policial. Ângelo ficou cismado. Não tinha gostado do sujei- to, quando o encontrou no restaurante. O delegado o estar protegendo era um sinal de que estava comprometido com o cara. O rapaz falou: - Então, desculpa aí. Retiro a denúncia. Não vou mais botar isso pra frente. - Quem sabe é você. Mas se mudar de ideia, volte a me procurar. Não procure nenhum outro policial, está bem? Aí foi que o rapaz ficou cismado com o delegado. Des- pediu-se e foi-se embora. A repórter o seguiu, meio chateada. Perguntou: - O que te fez dar pra trás? Eu estava doida por essa matéria. - Não gostei do delegado. Ele me parece suspeito. - Então, diga pra mim o nome do sujeito que você acha que foi responsável pela morte da tua irmã. Prometo investi- gar por minha conta, sem ajuda de policiais. O jovem esteve indeciso, depois deu os nomes de Bri- gite e do coroa. Mas pediu sigilo, caso ela fosse publicar a matéria. - Deixa comigo. Não citarei minhas fontes. Precisa de carona para ir pra casa? - Não, obrigado. Já fez muito por mim. Eu me viro. - Amanhã, ligue para mim. Eu já devo ter algo para te dizer. - Amanhã será o sepultamento da minha irmã. Acho que não vou te ligar. Depois de amanhã, faço isso.
  • 58. MINHA NOIVA É UMA PUTA58 Estavam na frente da delegacia. Ela manobrou o carro e foi-se embora. Ângelo caminhou até o próximo ponto de ônibus. Antes de chegar nele, no entanto, ouviu uma buzina perto de si. Olhou naquela direção. Era o cara que incomo- dara sua namorada, no almoço: o cunhado dela. Ele viu o cara, mas fez que não o reconheceu. O cara gritou de dentro do carro: - Para e entra, porra. Quero falar contigo. - Não vou entrar no teu carro nem a pau. - Está com medo de mim, caralho? Tenta denegrir mi- nha imagem e depois fica com medo? Quem te mandou vir, aquela catraia que estava contigo? - E se foi ela? - Está sendo enganado, garoto. Se não quer entrar no carro, senta no primeiro bar cheio que encontrar. Quero mesmo falar contigo. Ângelo continuou andando. Não pretendia parar em bar nenhum. Mas viu um lotado, a poucos metros de distân- cia. Apontou o bar para o cara. Ele fez sinal com o polegar levantado. Passou à frente do rapaz e estacionou lá. Pegou umas pastas do carro e desceu com elas debaixo do braço. O jovem passou direto por ele e sentou-se em uma das mesas vagas que encontrou. Não temia o cara, ali. Não era possível que ele fosse atacá-lo com tantas testemunhas. Antes de sentar defronte ao rapaz, o policial jogou as pastas de documentos sobre a mesa. Disse: - Dá uma olhada aí, rapaz. E verá que não é a mim que deve temer. Ângelo fez o que ele estava pedindo. Era um extenso dossiê sobre um casal. Tinha várias fotos, e em algumas o casal se beijava ardentemente. Não eram fotos recentes, mas o rapaz estava estupefato. - Já viu, né? É aquela catraia com o verdadeiro marido
  • 59. MINHA NOIVA É UMA PUTA 59 dela. - Henrique é marido dela? - O nome dele não é Henrique. É Paulo. Não sei o nome que ela te deu, mas chama-se, na verdade, Zenaide. São acos- tumados a aplicar golpes em homens e senhoras ricas. Con- seguiram uma pequena fortuna, aplicando tais golpes. De- pois que conseguem a grana, matam o otário ou otária da vez. Meu irmão não me ouviu, se fodeu. Já faz um tempão que estou atrás desse casal, mas não consegui pegá-los de jei- to ainda. - Eu não acredito no que está me dizendo. O coroa é suspeito, mas a morena não tem jeito de bandida. - Pois é a que é a mais vigaristas dos dois. Eu tenho um agente infiltrado, na cola deles. Mas vou demorar um pouco a pegá-los. Na verdade, é uma agente. Mas ainda não ganhou a total confiança deles. O jovem pensou um pouco. Depois, arriscou: - Tua agente é uma das negras que anda com eles? - Como sabe? - Estive com ela. Ela não tem uma irmã psicóloga? - Ela mesma. Como a conheceu? - Não importa. Minha namorada lhe deu um esporro e ela, por vingança, trepou comigo - mentiu o rapaz. - Um momento... O policial puxou o celular do bolso da camisa e fez uma ligação. Quando atenderam, ele perguntou: - Luara? Me diz uma coisa: o alvo te ameaçou, por cau- sa do rapaz bonitão que agora namora a tal que ora se chama Brigite? O sujeito encostou imediatamente o celular no ouvido do rapaz, bem a tempo dele ouvir: - Sim, senhor. Ela ameaçou me matar, se me visse com
  • 60. MINHA NOIVA É UMA PUTA60 ele novamente. Por quê? Ele retomou o aparelho. Disse para ela: - Repita, por favor? Ela repetiu. Ele agradeceu e desligou. Perguntou para o rapaz: - Satisfeito, agora? - Ainda não. Vocês podem estar combinados. - Tu és um pé no saco, né garoto? Devia te deixar se foder sozinho. Mas tenho pena da tua tabaquice. Refez a ligação e disse para a negra: - O garoto está correndo risco de morte. Precisa de proteção. Quero você 24 horas com ele! Pouco depois, a negra chegava ao bar. Disse pra Ânge- lo: - Venha. Não percamos mais tempo. Preciso te tirar de circulação. Vamos para um dos esconderijos de proteção da Polícia. E lá, você será todo meu. O que aconteceu, para você querer denunciar aquela dupla? - Não foi bem assim. Quis denunciar teu parceiro po- licial. Mas ele me mostrou provas irrefutáveis de que aqueles dois não são o que aparentam. - Henrique vende drogas, principalmente para jovens mulheres. Ela é viciada, mas é responsável por planejar os golpes. São casados entre si mas passaram vários anos sepa- rados, para conseguir nos despistar. Já agiram em quase todas as capitais do Brasil. Agora, parecem querer plantar raízes no Recife. Mas vamos para o esconderijo. Lá, conversaremos. Quase não houve conversa. Ambos já chegaram na mo- desta casa de subúrbio se atracando. Ele havia dito que ficou com tesão quando viu o coroa a enrabando. Ela disse adorar dar seu cuzinho. Tiraram as roupas urgentes e nem iniciaram as preliminares. Ela empinou a bunda, deitada num sofá, e ele
  • 61. MINHA NOIVA É UMA PUTA 61 enfiou-lhe a vara. Ela demorou para gozar, rebolando na pica dele. O cara quase já não aguentava ela fazer os movimentos sensuais. Aflorou-lhe a vontade de gozar. Ele alertou: - Porra, que cuzinho gostoso. Vou gozar, porra. Vou gozar... vou... FIM DA SEXTA PARTE.
  • 62. MINHA NOIVA É UMA PUTA62 Cap. 07 - Por que o casal me escolheu como alvo? Eu sou um pobretão. E, segundo vocês, eles só atacam quem é rico. - Isso é um mistério - disse a negra, ainda resfolegando depois da transa - Não sei o motivo de estarem mudando de tática. - Eu vou precisar ir ao enterro da minha irmã. E ver como minha mãe está. - Se a dupla sabe que você foi à Polícia, não convém arriscar a estar em público, sem um forte aparato. Não dá tempo pra eu preparar um esquema tão rápido. - Quer que eu falte ao enterro de minha única irmã? - Quero preservar tua vida. - Então, me consiga uma arma. - Tá doido? Você não tem treinamento. Nem eu tenho autorização para te deixar andar armado. - Eu podia fazer isso sem que você soubesse, oras.
  • 63. MINHA NOIVA É UMA PUTA 63 - É verdade. Mas, se a Polícia te flagrar, não conte co- migo. Fingirei que fiquei zangada por me enganar e te prendo por porte ilegal de armas. - Caralho. Você não me ajuda em nada. Assim, fico to- talmente dependente de vocês. Se falharem em me proteger, perco minha vida. - Infelizmente, é assim. O que podemos fazer é adiar o sepultamento da tua mana até que prendamos eles. - Sem provas suficientes? - O jeito será plantarmos provas. Não seria a primeira vez. Ele esteve pensativo. Depois, resolveu ligar para a jor- nalista que prometeu investigar o caso. Ela tinha más notí- cias: - Encontrei várias provas contra o casal que você me indicou. O tal Henrique é chefe de um bando de traficantes. A morena é uma espécie de viúva negra: matou todos os seus maridos que tinham grana. Você é rico, cara? - Eu? Não tenho um centavo nos bolsos. E acabo de ficar desempregado. - Então, o que essa zinha quer com você? - Não sei. Estive discutindo isso com uma amiga quase ainda agora. - Você tem namorada? - Por que quer saber? - Eu estou sem ninguém. Pensei que nós dois pudésse- mos ter algo, depois que tudo isso se resolver. Ângelo esteve mudo. Não esperava essa declaração da jornalista. Ela até que era bonitinha de rosto, mas um pouco sem graça de corpo. Parecia assexuada. Ou, talvez, gostasse de mulher. Mesmo assim, ele disse: - Depois, nós veremos isso. Investigou se os policiais são de confiança? - Luara olhava para ele, muito interessada
  • 64. MINHA NOIVA É UMA PUTA64 na conversa. Quando ele desligou, ela perguntou: - O que tua amiga descobriu? - O delegado faz parte do esquema do casal. Já foi alvo de uma investigação da Corregedoria, mas conseguiu esca- par. - É verdade. Ele já esteve em maus lençóis mas parece que se regenerou e hoje faz bem o seu trabalho. - Ainda não confio nele. Mas não vou ficar aqui, espe- rando que o casal seja pego. Vou passar lá pro hospital. De- pois, sigo para o enterro da minha irmã. Não acredito que o coroa vá fazer algo contra mim na frente de tanta gente. - Ele pode não fazer, mas mandar alguém. É perigoso. Não vá. - Desculpe, mas tenho que ir. - Então, vou ligar para o meu chefe. Não quero mais ficar responsável por tua segurança. - Faça como quiser - disse ele, saindo da residência onde a Polícia escondia pessoas através do Programa de De- fesa das Testemunhas. Assim que ele saiu, a negra fez uma ligação. Mas não para a Polícia. Quando atenderam, ela disse: - O rapaz está indo para o hospital onde a mãe está internada. Depois, pretende ir ao enterro da irmã. Melhor pegá-lo antes que ele chegue aí. Você viu os vídeos que eu te mandei, amor? - Vi sim - ela ouviu a voz de Henrique - E já o mostrei a Brigite. Ela ficou furiosa. Parece que está gostando mesmo do rapaz. E acho que desconfia que nós dois temos mesmo um caso e pensamos em dar o fora deixando-a sozinha. - Não vejo a hora, amor. Ela nem fode nem sai de cima de você... - Dessa vez ela me parece diferente. Está agindo de for- ma estranha. - É verdade aquela história de que o último marido dela
  • 65. MINHA NOIVA É UMA PUTA 65 a aconselhou a ficar com o primeiro que aparecesse? - Sim. O cara era um babaca. Não percebeu que ela o estava matando aos poucos, dando-lhe veneno misturado a comida, e trocando os remédios dele por inócuos. Até faci- litou, deixando toda a sua grana de papel passado para ela, antes de morrer! - Coitado. Por isso o irmão policial é tão puto da vida com ela. Está doido para pegar vocês. - Nós sabemos. Mas enquanto você estiver por perto, para nos avisar dos movimentos dele, estamos seguros. - O que ela disse ao ver o rapaz fodendo com minha irmã? - Ficou pê da vida. Disse que iria mata-lo. Como não conhece Luana, acha que é uma amante qualquer do cara. Como você conseguiu aquele vídeo? - Eu o fiz, claro. Mas nem ele nem minha irmã sabem. Você disse que Brigite quer matar o cara? - Foi o que ela disse a mim. - Então, é a nossa chance, amor... escuta aí: E ela lhe disse o que ele teria que fazer. O coroa Henrique esteve mudo. Depois concordou: - Você tem razão. Eu o mato e faço como se tivesse sido ela. Quando for presa e levar a culpa do crime, nós fuginmos para bem longe daqui. - Isso, amor. Não devemos perder essa chance. Como pretende fazer? - Primeiro, preciso sequestra-lo. Em seguida, eu o transporto para o barco dela. Depois, levo-o para alto-mar e dou cabo dele. Deixo o corpo na lancha e volto de barco. - Não o mate a tiros. Dê-lhe uma punhalada, que é uma arma mais feminina. E pelas costas, para dar a entender à Po- lícia que o crime foi praticado por mãos femininas. Eu planto umas provas na lancha, antes de levar a Polícia lá, amor. - Você é ótima. É isso que farei. Mas deixe-me ir em-
  • 66. MINHA NOIVA É UMA PUTA66 bora. Quero pegar o cara antes dele chegar ao hospital. No cemitério, onde deve enterrar a irmã, vai ser mais difícil. Muitas testemunhas. Mas Ângelo não foi direto para o hospital, como disse a Luara. Antes, passou em casa. Sabia que o pai guardava um velho revólver, do tempo em que trabalhou como vigilante de uma empresa. Lembrou-se de que vira guardada e bem acon- dicionada, numa gaveta, uma caixa de balas. Deviam servir. Pegou a arma, guardou-a às costas e saiu com a caixa de balas dentro de um saco plástico, na mão. Agora, sim, se achava preparado para enfrentar o coroa traficante. Quando ia pegar um ônibus, um carro parou perto dele. Uma voz feminina o chamou. Era a jornalista. Pediu que ele entrasse no veículo. Ele o fez. - Vai para onde eu penso? - Vou para o hospital onde minha mãe está internada. Lá, pego meu pai e vamos pro velório da minha mana. Meu pai já deixou tudo preparado, enquanto eu resolvia outras coisas. - Que horas é o sepultamento? - As onze da manhã. - Então, temos tempo. É que eu queria um favor teu. Tenho uma amiga que me chamou para um motel. Acha que sou sapatão, mas eu não gosto de mulher. Gosto de rola. Mas confesso que tenho curiosidade de ver um casal fodendo ao vivo. Pode fazer isso por mim? - Acha que é uma boa hora para me propor isso? Estou indo enterrar minha irmã... como é mesmo teu nome? - Patrícia. É que essa vai ser a minha primeira grande reportagem. Só em pensar nisso, fico excitada. Doida pra fo- der, entende? Aí, escolhi você. Mas tem que ser hoje. Na hora em que todos estiverem no enterro da tua irmã. - Por que isso? - Porque é quando a minha amiga vai poder estar co-
  • 67. MINHA NOIVA É UMA PUTA 67 nosco. Ela é virgem. Vai aproveitar que todos vão deixa-la so- zinha em casa, para ir ao velório, e ir comigo para um motel. - Que coisa mórbida, Patrícia. Posso saber quem é essa tua amiga? - Eu estava indo à casa dela, agora. Vamos comigo? - Okay. Só para conhece-la. Mas marcaremos outro dia para essa foda num motel, entendido? Ângelo percebeu a jornalista muito nervosa, mas achou que era natural pra quem estava doida pra trepar. Que- ria saber quem era a tal amiga dela. Se fosse bonitinha, ele marcaria, sim, uma noitada num motel, depois que resolves- se as coisas. Estranhou quando a jovem estacionou o carro numa rua erma, cheia de lixo, perto de um terreno baldio. Ela estava mais nervosa ainda. De repente, o rapaz levou uma pancada na nuca. As vistas escureceram. Antes de desmaiar, no entanto, viu Henrique sentado no banco de trás do car- ro dela. Caíra numa armadilha. O cara estivera escondido o tempo todo, agachado no assoalho do carro. Ângelo perdeu, finalmente, os sentidos. Quando acordou, estava amarrado por cordas de nai- lon. Olhou em volta e reconheceu o barco onde estivera com a negra e o coroa Henrique, no dia em que viera se encontrar com Brigite na lancha. Só então, viu que tinha companhia. A jornalista também estava toda atada num canto. A lancha se movimentava sob o sol de quase meio-dia. Viu o coroa dirigindo a embarcação, de costas para ele. A jornalista disse: - Desculpe, Ângelo. Fui obrigada a fazer aquilo. Ele ti- nha uma arma apontada para o banco traseiro, bem nas mi- nhas costas. Disse que atiraria e eu acreditei. - E a história da amiga? Era mentira? - Claro -, ouviu-se uma voz masculina - mas foi basea- da na tara da irmã da tua ex-noiva. Ela me pediu para leva-la a um motel, sabia? Disse que tinha pedido a você e você se
  • 68. MINHA NOIVA É UMA PUTA68 negou. A bichinha está doida para dar o cabaço. Vou droga- -la, como fiz com a irmã. - Você é nojento. - gritou Ângelo - O que pretende fazer conosco? - Matá-los, claro, e jogá-los aos tubarões. Nas praias do Recife tem muitos, já ouviu falar? Depois, faço as coisas de um jeito que a culpa do assassinato de vocês recaia sobre Brigite. - Por que isso? Ela é inocente nessa história toda? - Ela te ama. Queria me abandonar por você. Nós te- mos mais de dez anos casados. Agora, aquela puta quer me deixar por um fedelho pobretão, como tu. Mas vai ficar sem mim e sem você. Eu já tenho uma nova namorada. - Está falando de Mônica? - Aquela puta drogada? Não. A minha nova namorada não se droga. Detesto mulheres que se drogam. E você caiu na minha armadilha como um patinho, naquele dia. - Que dia? Do que está falando? - De quando foi atrás de Luara, minha namorada. Ela, sim, é o meu amor. Eu liguei para ela alertando que você iria pro bar. Pedi que ela te levasse para a casa da irmã dela e fi- zesse um filminho com você e Luana. Não o viu na Internet? - Não sei do que está falando. Pra que fazer um filme? - Não apenas um filme: um belo filme pornô. Quando Brigite o viu, disse-me que ia matar você, e eu acredito. Mas eu vou te matar e botar a culpa nela. Depois, fujo com minha amada Luara. Um tiro foi ouvido na lancha. Henrique envergou-se, depois caiu no chão, perto do leme, atingido pelas costas. Já caiu morto. Ângelo e a jornalista olharam em direção de onde tinha partido o tiro. Viram Brigite, de rosto crispado e de arma na mão. Atrás dela, a negra Luara filmava tudo com uma pequena câmera. Brigite ordenou: - Desligue isso. Agora, já temos a confissão dele grava-
  • 69. MINHA NOIVA É UMA PUTA 69 da, de como pretendia matar meu amor e incriminar a mim. Solte os dois. Luara fez o que ela pediu imediatamente. O jovem esta- va sem entender nada. Brigite o beijou na boca, ardentemen- te. Depois, disse: - Agora, estamos quites, Luara. Obrigada por ter ligado para mim, antes de fazer o vídeo. Pena que descobri que meu amor é traiçoeiro. Mas, depois, ele me paga. No entanto, teu trabalho ainda não acabou, negra. Vou querer que você gra- ve minha confissão, onde pretendo declarar todos os meus crimes e os de Henrique, além da cumplicidade do delegado. Porém, não pretendo me entregar à Justiça. Vou fugir com o meu amor - disse olhando apaixonada para Ângelo. - Quer dizer que sabia que eu tinha te traído? - Sim. Mas você estava carente de sexo, não foi? E eu não quis fazer amor contigo naquela noite. Mereci a traição. Mas nem pense em fazer isso de novo. Vamos embora? O bote afixado á lancha dá para nós quatro. Você rema. Mas jo- gue a arma que peguei de Henrique em algum lugar no mar. Ela não pode ser encontrada. - É a arma do meu pai. Eu a peguei, antes de sair de casa. - Agora é que tem que jogá-la fora, mesmo - disse Lua- ra. - Pode comprometê-los, se for achada. Ele jogou o revólver no mar, assim que se afastaram de bote. Foram embora, deixando o cadáver de Hentique na lan- cha. Luara contaria uma história crível para a Polícia, inocen- tando Brigite do assassinato e entregando a fita com a con- fissão do ex-namorado. Fingira estar apaixonada pelo coroa traficante para pegá-lo, como prometera ao policial cunhado de Brigite. Só depois que ela desaparecesse no mundo é que entregaria o vídeo com a confissão de Brigite. Fez isso em troca da grana que a morena prometeu a ela: todo o dinheiro