F I M   D E   S E M A N A , 5   E   6   D E   M A R Ç O   D E   2 0 1 6   ­   A N O   3 2   ­   E D I Ç Ã O   N º   1 6 0 9
Gaza
Onde mulher 
não pode 
andar de
bike
Em clima de Dia Inter-
nacional da Mulher,
celebrado na próxima
terça-feira (8), o Viver
Bem lança cinco hash-
tags de empodera-
mento feminino que
são verdadeiros mani-
festos de reivindica-
ções comuns a todas
Páginas 4 a 7
G Ideias
LÁ E AQUI
Curitibanaescrevesobre
a experiência de viver
em Buenos Aires.
Páginas 28 e 29
Agora é com
ELAS
4 viverbem GAZETA DO POVO FIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016
comportamento
Da esq. para
a dir., a pro-
fessora uni-
versitária
Adriana
Baggio, a ad-
ministrado-
ra Valquiria
Rosa, a pro-
fessora Ni-
vea Bona, a
advogada
Isabela Ri-
bas e a pro-
dutora de
moda Thai-
ná Sagrado.
Fotos:AndréRodrigues/GazetadoPovo
REFLEXÃO
Camila Tremea,
especial para a Gazeta do Povo
Falar sobre empoderamen-
to feminino é encorajar mi-
lhões de mulheres a levarem
adianteumamensagemcom
ideiaspráticasquevalorizam
umalutacomraízesaindano
fimdaSegundaGuerraeteve
oseu“divisordeáguas” nadé-
cada de 1960, com a famosa
“Queima dos Sutiãs”. E nada
melhordoqueaproximidade
do Dia Internacional da Mu-
lher,nestaterça-feira(8),para
discutirmosotema.
SegundoaPhDemEduca-
ção, Zita Ana Lago, a mulher
sempre foi relegada a uma
condição de dependência e
subserviência. No entanto,
atualmente ela assume uma
condição mais plural, bus-
cando seu espaço de direito
comoprotagonistadasuahis-
tória. “Essa é a mulher con-
temporânea, construtora de
uma sociedade mais justa e
maishumana.Porelaquete-
mos empreendido inúmeros
esforços”, avalia. Para a ana-
lista cultural, Paula Abbas,
equilíbrio é a palavra da mu-
lherdomilênio.“Elaquerser
respeitada em suas diferen-
çasenãoterqueescolheren-
tre uma coisa e outra”, afir-
ma.
O tema não é exatamente
novo. Desde 2010, a Assem-
bleia Geral da ONU criou a
ONU Mulheres – entidade
das Nações Unidas para a
Igualdade de Gênero e o Em-
poderamento das Mulheres
–paraacelerarprojetosdes-
saárea.Aorganizaçãotemga-
nho destaque com celebrida-
desquepassaramaergueres-
tabandeira,comoabrasileira
Camila Pitanga e a britânica
Emma Watson, ambas em-
baixadoras da ONU Mulhe-
res.
Hashtags 
Embora importantes
avanços já tenham aconteci-
do,énecessáriomanterestas
discussões acesas diariamen-
te.Porisso,emcomemoração
ao Dia Internacional da Mu-
lher,oViverBemcriou uma
campanha que usa hashtags
(#) para propagar a luta da
mulhermoderna. Sãovárias
frentesquedevemserdiscuti-
dasemcasa,notrabalhoena
sociedade.
A igualdade de gênero es-
tá na rua, quando não julga-
mospelaroupa(#ChegaDeFi-
uFiu) ou pela aparência
(#SouLindaAssimMesmo).
Está presente também no es-
critório,quandoacompetên-
ciaémaisimportantedoque
vestir gravata ou saia (#Po-
rUmSalárioIgual) e, inclusi-
ve, dentro de casa, quando o
companheiro ajuda a cuidar
dosfilhosedolar(#TodosAju-
damEmCasa), sem fazer uso
daforçaparaexercersualide-
rança(#ChegaDeViolência).
Nos relatos de cinco mu-
lheres, a seguir, você vai
acompanhar como acontece
essa batalha diária para mu-
dar o rumo da história femi-
nina. Escolha sua hashtag e
compartilheessaluta!
Avozdecincomu-
lheres sobre os de-
safios que enfren-
tam em casa, no
trabalho e na soci-
edade
A FORÇA FEMININA
6 viverbem GAZETA DO POVO FIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016
comportamento
ELAS AINDA GANHAM MENOS QUE UM COLEGA: #PORUMSALÁRIOIGUAL
Aprofessorauniversitária,AdrianaTulioBaggio,41anos,sabecomoéganharmenos
queumcolegahomem.“Numaagênciaemquetrabalhei,meusalárioeramenoren-
quantotínhamosomesmocargoecontinuouatédepoisqueassumiumcargosuperi-
oraodele”,conta.Lançandomãodasestatísticasficamaisclaroperceberadiscre-
pância.ORelatóriodeDesigualdadeGlobaldeGênero2015,doFórumEconômico
Mundial,mostraquearendafemininaémenorqueamasculina,paraomesmocargo
equalificação,noBrasileemmuitosoutrospaíses.Odadotrataapenasdesalário,
mashátantasoutrassituaçõesprofissionaisqueprecisamserdiscutidas.ParaAdria-
na,ascondiçõesdetrabalho,oportunidadesesaláriosdeveriamserequiparadasen-
trehomensemulheres.“Desqualificarofemininoéumaformadedizerqueelasópo-
deocuparomercadodetrabalhosefordeumjeitomasculino”,aponta.Normalmen-
te,essadiferençadificultaaatuaçãodeambosnosrelacionamentos,nafamíliae,cla-
ro,noambienteprofissional,avalia.“Alémdisso,empaísesondeaigualdadede
gêneroémaior,háummelhordesempenhoeconômico”,acrescenta.Navisãodapro-
fessorauniversitária,jáexisteumsaudávelcrescimentodosespaçosdediscussãoso-
breotemaeasredessociaistêmcontribuídobastanteparaisso.
“Ninguém gosta de receber menos pelo seu 
trabalho por motivos que nada têm a ver 
com competência ou qualificação – apenas 
com preconceito.”
Adriana Tulio Baggio professora universitária, 41 anos.
BELEZA NÃO TEM RAÇA OU BIOTIPO: #SOULINDAASSIMMESMO
Aautoestimaestádiretamenteligadaàvalorizaçãodaorigemétnicaecultural.E
paraaprodutorademodaThaináSagrado,25anos,amulhernegraépoucoretra-
tadaemrevistas,editoriaisdemodaenapublicidade.“Essasituaçãoreforçao
preconceitocomamulhernegra,queévistasemprecomoumobjetosexual,de
formaestereotipada,exóticaesubalterna”,lamenta.Paraela,essaausênciaaca-
bapordeterminarcomopadrãoestéticofemininoapenasabelezabrancadoliso,
magroeloiro,oquenãoincluigrandepartedasmulheresbrasileiras.“Sounegrae
passoporinúmerassituaçõesdiariamente.Mastodososdiaseuquerovestirami-
nhapeleeaminhaestética,quemesmoosoutrosdizendoqueéfeia,acholinda!”,
completa.Thaináreforçaqueaçõesafirmativassãofundamentais.“Asmarcas
precisamseposicionaremrelaçãoàdiversidade,poisnafaltadereferência,as
mulherestêmsetornadoreferênciaumadasoutras”,destaca.Poressemotivo,ela
desenvolveunoanopassadooprojeto“NoivasNegrasdoBrasil”(www.insta-
gram.com/thembaoficial).“Algumaspessoasmeachamutópica.Eusigolutando.
AgenteconseguiumudaraBarbie!Temnoção?(fazendoreferênciaàsdiferentes
versõesdabonecaqueforamlançadasrecentemente)”,afirma.
“Algumas pessoas me acham utópica. Eu sigo 
lutando, incomodando e trazendo a reflexão 
necessária para que isso mude. A gente 
conseguiu mudar a Barbie! Tem noção?”
Thainá Sagrado idealizadora do projeto “Noivas Negras do Brasil”, 25 anos.
FIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016 GAZETA DO POVO viverbem 7
JORNADA DELAS É O DOBRO: #TODOSAJUDAMEMCASA
Deumladoasociedadeàmodaantiga,comamulhercuidandodos
filhosedacasa.Deoutro,aentradadamulhernomercadodetraba-
lho.Doismomentosnavidademuitasbrasileirasquetêmculmina-
doemumaestatísticaalarmante:ajornadadelasemcasaéodobro
dadoshomens,segundoaPesquisaNacionalporAmostradeDomi-
cílios(Pnad)de2014.Masporquenãocompartilharcomocônjuge
ashorasdetrabalhoemcasa?Estasemprefoiumagrandedúvida
daadministradoraValquiriaPortodaRosa,40anos,quefoisurpre-
endidaporumafrasedafilhadeseisanosparaosdoisirmãosmais
novos:“Nãopedenadaparaamamãe.Vocêsnãoveemqueelaestá
semprecansada?”.OcomentáriofoitãomarcantequefezValquiria
refletirsobreoexemploqueestavasendoparaosfilhos.“Étristeeu
estarsemprecansada,porquenãoeraassimqueeugostariadees-
tar”,confessaValquiria,hojedivorciada.Assim,elaresolveujun-
tar-seaoutrasmãesquepassavampelamesmasituaçãoefundouo
Mamaworking(mamaworkingblog.wordpress.com),umespaçodi-
nâmicodetrabalhoe,também,dedesenvolvimentodosfilhos.“O
quefaltaéumaboareflexãomasculina”,avaliaela.Paraaadminis-
tradora,grandepartedosproblemasconjugaishojeestárelaciona-
daàdivisãodetarefas.“Impossíveltrabalhar16a18horaspordia
(entreescritórioecasa) e,ainda,terumrelacionamentoafetuoso”,
lembra.Asprópriasmulherestêmdificuldadeemseposicionar.“É
difícildelegarmos.Ohomemnãolevantaparalimpar,masamulher
tambémnãosabesentar”,afirma.Paramudar,eladefendeoexem-
ploparaasnovasgerações.“Sómudamosacabeçadosnossosfi-
lhosquandoconseguimosconcretizarodiscurso.”
“O que falta é uma boa reflexão 
masculina”. (...) Impossível traba­
lhar 16 a 18 horas por dia (entre es­
critório e casa)  e, ainda, ter um re­
lacionamento afetuoso.”
Valquiria Porto da Rosa, administradora e fundadora do 
Mamaworking, 40 anos.
Iniciativas
FightLikeaGirl
Adesenvolvedoradejogosgaúcha
CarolinaPorfírio,28anos,sempre
seincomodoucomaformacomoas
personagensfemininassãoretrata-
dasemvideogamesedesenhosani-
mados.Porisso,elacriouoprojeto
FightLikeaGirl(LuteComoUma
Garota),comimagensdemulheresfortes.Veja
emwww.facebook.com/kaolcaradeboi
ChegadeFiuFiu
Éumacampanhapromovidape-
laorganizaçãoOLGAcontrao
assédioemespaçospúblicos,
umaagressãoqueamaioriadas
mulheresvivediariamente.Uma
dasiniciativaséoMapaChega
deFiuFiu,umaferramentacola-
borativapararastrearoslocaismaisperigosos
paraasmulheresnoBrasil.Saibamaisnohttp:/
/chegadefiufiu.com.br/
EmpodereDuasMulheres
Criadopelaescritoraecineasta
MaynaraFanucci,23anos,o
projetoEmpodereDuasMulhe-
resvisadisseminaroconteúdo
dofeminismoentremulheres
quedesconhecemomovimento
outêmresistênciaaele.Maynaradivulgacarta-
zescomideiasfeministasnapáginadoprojeto
www.facebook.com/empodereduasmulheres
ProjetoMulheres
Asilustraçõescom
mensagenstocantesda
designergráficaminei-
raCarolRossetti,26
anos,ganharamoFace-
bookevêmsensibili-
zandomuitagente.
Comelas,Caroldávoza
mulheresfictíciasque
passampordiversostiposdeopres-
são.“Tentofocaremcomoalguém
sesentequandoécriticadoemrela-
çãoaumaescolhapessoalouaum
aspectomuitoprópriodesuaidenti-
dade”,dizela.Vejaosdesenhosno
www.carolrossetti.com.br/
VamosJuntas
Acomunidade
VamosJuntas,
criadapelagaú-
chaBabiSouza,
25anos,surgiu
comoumasolu-
çãocolaborativaparaumproblema
realvividopelamulherestodosos
dias:ainsegurançaemcaminhar
sozinhanasruas.Aideiaéorgani-
zá-lasemgruposparapercorrertra-
jetossemelhantes.Conheçaem
www.facebook.com/movimentova-
mosjuntas/
Conheça alguns projetos de apoio às mulheres:

Matéria: Empoderamento Feminino

  • 1.
    F I M  D E   S E M A N A , 5   E   6   D E   M A R Ç O   D E   2 0 1 6   ­   A N O   3 2   ­   E D I Ç Ã O   N º   1 6 0 9 Gaza Onde mulher  não pode  andar de bike Em clima de Dia Inter- nacional da Mulher, celebrado na próxima terça-feira (8), o Viver Bem lança cinco hash- tags de empodera- mento feminino que são verdadeiros mani- festos de reivindica- ções comuns a todas Páginas 4 a 7 G Ideias LÁ E AQUI Curitibanaescrevesobre a experiência de viver em Buenos Aires. Páginas 28 e 29 Agora é com ELAS
  • 2.
    4 viverbem GAZETA DO POVOFIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016 comportamento Da esq. para a dir., a pro- fessora uni- versitária Adriana Baggio, a ad- ministrado- ra Valquiria Rosa, a pro- fessora Ni- vea Bona, a advogada Isabela Ri- bas e a pro- dutora de moda Thai- ná Sagrado. Fotos:AndréRodrigues/GazetadoPovo REFLEXÃO Camila Tremea, especial para a Gazeta do Povo Falar sobre empoderamen- to feminino é encorajar mi- lhões de mulheres a levarem adianteumamensagemcom ideiaspráticasquevalorizam umalutacomraízesaindano fimdaSegundaGuerraeteve oseu“divisordeáguas” nadé- cada de 1960, com a famosa “Queima dos Sutiãs”. E nada melhordoqueaproximidade do Dia Internacional da Mu- lher,nestaterça-feira(8),para discutirmosotema. SegundoaPhDemEduca- ção, Zita Ana Lago, a mulher sempre foi relegada a uma condição de dependência e subserviência. No entanto, atualmente ela assume uma condição mais plural, bus- cando seu espaço de direito comoprotagonistadasuahis- tória. “Essa é a mulher con- temporânea, construtora de uma sociedade mais justa e maishumana.Porelaquete- mos empreendido inúmeros esforços”, avalia. Para a ana- lista cultural, Paula Abbas, equilíbrio é a palavra da mu- lherdomilênio.“Elaquerser respeitada em suas diferen- çasenãoterqueescolheren- tre uma coisa e outra”, afir- ma. O tema não é exatamente novo. Desde 2010, a Assem- bleia Geral da ONU criou a ONU Mulheres – entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Em- poderamento das Mulheres –paraacelerarprojetosdes- saárea.Aorganizaçãotemga- nho destaque com celebrida- desquepassaramaergueres- tabandeira,comoabrasileira Camila Pitanga e a britânica Emma Watson, ambas em- baixadoras da ONU Mulhe- res. Hashtags  Embora importantes avanços já tenham aconteci- do,énecessáriomanterestas discussões acesas diariamen- te.Porisso,emcomemoração ao Dia Internacional da Mu- lher,oViverBemcriou uma campanha que usa hashtags (#) para propagar a luta da mulhermoderna. Sãovárias frentesquedevemserdiscuti- dasemcasa,notrabalhoena sociedade. A igualdade de gênero es- tá na rua, quando não julga- mospelaroupa(#ChegaDeFi- uFiu) ou pela aparência (#SouLindaAssimMesmo). Está presente também no es- critório,quandoacompetên- ciaémaisimportantedoque vestir gravata ou saia (#Po- rUmSalárioIgual) e, inclusi- ve, dentro de casa, quando o companheiro ajuda a cuidar dosfilhosedolar(#TodosAju- damEmCasa), sem fazer uso daforçaparaexercersualide- rança(#ChegaDeViolência). Nos relatos de cinco mu- lheres, a seguir, você vai acompanhar como acontece essa batalha diária para mu- dar o rumo da história femi- nina. Escolha sua hashtag e compartilheessaluta! Avozdecincomu- lheres sobre os de- safios que enfren- tam em casa, no trabalho e na soci- edade A FORÇA FEMININA
  • 3.
    6 viverbem GAZETA DO POVOFIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016 comportamento ELAS AINDA GANHAM MENOS QUE UM COLEGA: #PORUMSALÁRIOIGUAL Aprofessorauniversitária,AdrianaTulioBaggio,41anos,sabecomoéganharmenos queumcolegahomem.“Numaagênciaemquetrabalhei,meusalárioeramenoren- quantotínhamosomesmocargoecontinuouatédepoisqueassumiumcargosuperi- oraodele”,conta.Lançandomãodasestatísticasficamaisclaroperceberadiscre- pância.ORelatóriodeDesigualdadeGlobaldeGênero2015,doFórumEconômico Mundial,mostraquearendafemininaémenorqueamasculina,paraomesmocargo equalificação,noBrasileemmuitosoutrospaíses.Odadotrataapenasdesalário, mashátantasoutrassituaçõesprofissionaisqueprecisamserdiscutidas.ParaAdria- na,ascondiçõesdetrabalho,oportunidadesesaláriosdeveriamserequiparadasen- trehomensemulheres.“Desqualificarofemininoéumaformadedizerqueelasópo- deocuparomercadodetrabalhosefordeumjeitomasculino”,aponta.Normalmen- te,essadiferençadificultaaatuaçãodeambosnosrelacionamentos,nafamíliae,cla- ro,noambienteprofissional,avalia.“Alémdisso,empaísesondeaigualdadede gêneroémaior,háummelhordesempenhoeconômico”,acrescenta.Navisãodapro- fessorauniversitária,jáexisteumsaudávelcrescimentodosespaçosdediscussãoso- breotemaeasredessociaistêmcontribuídobastanteparaisso. “Ninguém gosta de receber menos pelo seu  trabalho por motivos que nada têm a ver  com competência ou qualificação – apenas  com preconceito.” Adriana Tulio Baggio professora universitária, 41 anos. BELEZA NÃO TEM RAÇA OU BIOTIPO: #SOULINDAASSIMMESMO Aautoestimaestádiretamenteligadaàvalorizaçãodaorigemétnicaecultural.E paraaprodutorademodaThaináSagrado,25anos,amulhernegraépoucoretra- tadaemrevistas,editoriaisdemodaenapublicidade.“Essasituaçãoreforçao preconceitocomamulhernegra,queévistasemprecomoumobjetosexual,de formaestereotipada,exóticaesubalterna”,lamenta.Paraela,essaausênciaaca- bapordeterminarcomopadrãoestéticofemininoapenasabelezabrancadoliso, magroeloiro,oquenãoincluigrandepartedasmulheresbrasileiras.“Sounegrae passoporinúmerassituaçõesdiariamente.Mastodososdiaseuquerovestirami- nhapeleeaminhaestética,quemesmoosoutrosdizendoqueéfeia,acholinda!”, completa.Thaináreforçaqueaçõesafirmativassãofundamentais.“Asmarcas precisamseposicionaremrelaçãoàdiversidade,poisnafaltadereferência,as mulherestêmsetornadoreferênciaumadasoutras”,destaca.Poressemotivo,ela desenvolveunoanopassadooprojeto“NoivasNegrasdoBrasil”(www.insta- gram.com/thembaoficial).“Algumaspessoasmeachamutópica.Eusigolutando. AgenteconseguiumudaraBarbie!Temnoção?(fazendoreferênciaàsdiferentes versõesdabonecaqueforamlançadasrecentemente)”,afirma. “Algumas pessoas me acham utópica. Eu sigo  lutando, incomodando e trazendo a reflexão  necessária para que isso mude. A gente  conseguiu mudar a Barbie! Tem noção?” Thainá Sagrado idealizadora do projeto “Noivas Negras do Brasil”, 25 anos.
  • 4.
    FIM DE SEMANA, 5 E 6 DE MARÇO DE 2016 GAZETA DO POVO viverbem7 JORNADA DELAS É O DOBRO: #TODOSAJUDAMEMCASA Deumladoasociedadeàmodaantiga,comamulhercuidandodos filhosedacasa.Deoutro,aentradadamulhernomercadodetraba- lho.Doismomentosnavidademuitasbrasileirasquetêmculmina- doemumaestatísticaalarmante:ajornadadelasemcasaéodobro dadoshomens,segundoaPesquisaNacionalporAmostradeDomi- cílios(Pnad)de2014.Masporquenãocompartilharcomocônjuge ashorasdetrabalhoemcasa?Estasemprefoiumagrandedúvida daadministradoraValquiriaPortodaRosa,40anos,quefoisurpre- endidaporumafrasedafilhadeseisanosparaosdoisirmãosmais novos:“Nãopedenadaparaamamãe.Vocêsnãoveemqueelaestá semprecansada?”.OcomentáriofoitãomarcantequefezValquiria refletirsobreoexemploqueestavasendoparaosfilhos.“Étristeeu estarsemprecansada,porquenãoeraassimqueeugostariadees- tar”,confessaValquiria,hojedivorciada.Assim,elaresolveujun- tar-seaoutrasmãesquepassavampelamesmasituaçãoefundouo Mamaworking(mamaworkingblog.wordpress.com),umespaçodi- nâmicodetrabalhoe,também,dedesenvolvimentodosfilhos.“O quefaltaéumaboareflexãomasculina”,avaliaela.Paraaadminis- tradora,grandepartedosproblemasconjugaishojeestárelaciona- daàdivisãodetarefas.“Impossíveltrabalhar16a18horaspordia (entreescritórioecasa) e,ainda,terumrelacionamentoafetuoso”, lembra.Asprópriasmulherestêmdificuldadeemseposicionar.“É difícildelegarmos.Ohomemnãolevantaparalimpar,masamulher tambémnãosabesentar”,afirma.Paramudar,eladefendeoexem- ploparaasnovasgerações.“Sómudamosacabeçadosnossosfi- lhosquandoconseguimosconcretizarodiscurso.” “O que falta é uma boa reflexão  masculina”. (...) Impossível traba­ lhar 16 a 18 horas por dia (entre es­ critório e casa)  e, ainda, ter um re­ lacionamento afetuoso.” Valquiria Porto da Rosa, administradora e fundadora do  Mamaworking, 40 anos. Iniciativas FightLikeaGirl Adesenvolvedoradejogosgaúcha CarolinaPorfírio,28anos,sempre seincomodoucomaformacomoas personagensfemininassãoretrata- dasemvideogamesedesenhosani- mados.Porisso,elacriouoprojeto FightLikeaGirl(LuteComoUma Garota),comimagensdemulheresfortes.Veja emwww.facebook.com/kaolcaradeboi ChegadeFiuFiu Éumacampanhapromovidape- laorganizaçãoOLGAcontrao assédioemespaçospúblicos, umaagressãoqueamaioriadas mulheresvivediariamente.Uma dasiniciativaséoMapaChega deFiuFiu,umaferramentacola- borativapararastrearoslocaismaisperigosos paraasmulheresnoBrasil.Saibamaisnohttp:/ /chegadefiufiu.com.br/ EmpodereDuasMulheres Criadopelaescritoraecineasta MaynaraFanucci,23anos,o projetoEmpodereDuasMulhe- resvisadisseminaroconteúdo dofeminismoentremulheres quedesconhecemomovimento outêmresistênciaaele.Maynaradivulgacarta- zescomideiasfeministasnapáginadoprojeto www.facebook.com/empodereduasmulheres ProjetoMulheres Asilustraçõescom mensagenstocantesda designergráficaminei- raCarolRossetti,26 anos,ganharamoFace- bookevêmsensibili- zandomuitagente. Comelas,Caroldávoza mulheresfictíciasque passampordiversostiposdeopres- são.“Tentofocaremcomoalguém sesentequandoécriticadoemrela- çãoaumaescolhapessoalouaum aspectomuitoprópriodesuaidenti- dade”,dizela.Vejaosdesenhosno www.carolrossetti.com.br/ VamosJuntas Acomunidade VamosJuntas, criadapelagaú- chaBabiSouza, 25anos,surgiu comoumasolu- çãocolaborativaparaumproblema realvividopelamulherestodosos dias:ainsegurançaemcaminhar sozinhanasruas.Aideiaéorgani- zá-lasemgruposparapercorrertra- jetossemelhantes.Conheçaem www.facebook.com/movimentova- mosjuntas/ Conheça alguns projetos de apoio às mulheres: