FaBci – 1º Semestre Matutino – 2012

Camila S. Coppola, Eulália Moreno Chaves, Mariana de Paula,
Nayabe Rodrigues, Regina Bracco



                         MANOEL BASTOS TIGRE
                             12/03/1882-02/08/1957

O intelectual

Manoel Bastos Tigre teve uma trajetória profissional e intelectual bastante
diversificada, que se iniciou em Recife, Pernambuco, onde nasceu, e se
consolidou no Rio de Janeiro, onde viveu a partir de 1899. É de sua autoria um
sem-número de trabalhos realizados para várias mídias, da publicidade à música,
passando pelo teatro, o rádio, a imprensa, a prosa e a poesia. Embora graduado
em engenharia, optou por ser bibliotecário.

Seu talento foi notado e registrado desde muito cedo. Aos 15 anos criou, no
Seminário de Olinda, onde estudava, o jornal O Vigia, no qual já se destacavam
suas qualidades humorísticas e críticas. Aos 17, no Rio de Janeiro, publicou seu
primeiro livro, Saguão da Posteridade, e começou a frequentar rodas de
intelectuais, das quais participavam, entre outros, Olavo Bilac, Pedro Rabelo e
Martins Fontes. Aos 18 anos começou a escrever para a revista humorística
Tagarela e aos 20 ingressou no jornal Correio da Manhã. Como jornalista,
colaborou com quase todos os grandes órgãos de imprensa cariocas.

Desde essa época era grande o prestígio e a popularidade de Bastos Tigre na
imprensa e entre artistas e intelectuais. Em 1906 estreou a revista musical
Maxixe, a primeira de mais de uma dezena de peças que escreveu. No rádio, foi
um dos precursores do rádio-teatro. Mas foi como publicitário que o humor e a
espirituosidade de Bastos Tigre, bem como sua facilidade para criar versos,
slogans e trocadilhos, fizeram dele um dos nomes mais importantes dos
primórdios, e da história, da nossa publicidade. Criou o consagrado slogan da
empresa Bayer, “Se é Bayer é bom”, utilizado internacionalmente, e o que se
considera o primeiro jingle do Brasil, para a cervejaria Brahma, “Chopp em
Garrafa”, em parceria com Ary Barroso.

O bibliotecário

Em 1915 candidatou-se ao primeiro concurso para Bibliotecário Arquivista do
Museu Nacional, classificou-se em primeiro lugar, com sua tese sobre a
“Classificação Decimal”, baseada no sistema de Melvil Dewey, e se tornou o
primeiro bibliotecário concursado do país. Bastos Tigre conheceu Dewey nos
Estados Unidos quando fazia um curso de especialização na área de Engenharia,
entre 1906 e 1909. A disseminação desse trabalho foi um marco importante na
área da Biblioteconomia, o que, junto com suas muitas contribuições ao livro e às
bibliotecas, rendeu a Bastos Tigre o título de “Patrono dos Bibliotecários
Brasileiros”.

Foi o primeiro diretor da Biblioteca Central da Universidade do Brasil (atualmente
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ). A partir de 1952, mesmo
aposentado e com 70 anos de idade, continuou ativo. Seu trabalho em prol dos
livros e da cultura ultrapassava a obrigação profissional, o que o levou a dirigir
voluntariamente outras bibliotecas, como a da Sociedade Brasileira de Autores
Teatrais e a da Associação Brasileira de Imprensa, que hoje leva seu nome.

Por seus esforços na divulgação do livro, Bastos Tigre recebeu, em 20 de janeiro
de 1957, o prêmio Paula Brito, criado pela Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro.
E em 1958, o prefeito do então Distrito Federal, Francisco Negrão de Lima,
instituiu o “Dia do Bibliotecário”, a ser comemorado em 12 de março, data do
nascimento de Bastos Tigre. Posteriormente, essa comemoração passou a ter
abrangência nacional.

Não se pode contar a história da Biblioteconomia no Brasil sem incluir a atuação
de Manoel Bastos Tigre. Multifacetado, multimidiático, intelectual fértil, criativo e
arguto, soube como ninguém usar e moldar a palavra e suas nuances, com todos
os recursos e em todos os meios que teve à disposição. Vanguardista, foi um
grande comunicador, sempre antenado com o que havia de mais atual no espaço
e tempo em que construiu a sua história.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Decreto n° 84.631 de 12 de abril de 1980. Dispõe sobre o dia nacional
do bibliotecário e a semana nacional do livro e da biblioteca. Diário Oficial da
União, Brasília, 09 de abril de 1980.

CERVEJA, Brahma. Brahma Chopp: o primeiro jingle do Brasil. Disponível em
<http://www.brahma.com.br/sabor/2011/02/brahma-chopp-o-primeiro-jingle-do-
brasil/> Acesso em 04 de março de 2012.

CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA 3ª REGIÃO. Fortaleza.
Homepage. Disponível em < http://www.crb3.org.br/carreira.php?codigo=13>
Acesso em 03 de março de 2012.

FERRAZ, Arnaldo. Bastos Tigre: eclética trajetória. Rio de Janeiro. Lado a Lado
Editores Associados, 1987.

FÓRUM DE CIÊNCIA E CULTURA UFRJ. Rio de Janeiro. Homepage. Disponível
em: <http://www.forumufrj.com.br/biblioteca/?page_id=22 > Acesso em 03 de
março de 2012.

TIGRE, Manoel Bastos. Reminiscências: a alegre roda da Colombo e algumas
figuras do tempo de antigamente. Brasília. Thesaurus, 1992.

TIGRE, Sylvia Bastos (Coord.). Bastos Tigre: notas biográficas. Brasília, 03 de
março de 1982.

Manoel Bastos Tigre

  • 1.
    FaBci – 1ºSemestre Matutino – 2012 Camila S. Coppola, Eulália Moreno Chaves, Mariana de Paula, Nayabe Rodrigues, Regina Bracco MANOEL BASTOS TIGRE 12/03/1882-02/08/1957 O intelectual Manoel Bastos Tigre teve uma trajetória profissional e intelectual bastante diversificada, que se iniciou em Recife, Pernambuco, onde nasceu, e se consolidou no Rio de Janeiro, onde viveu a partir de 1899. É de sua autoria um sem-número de trabalhos realizados para várias mídias, da publicidade à música, passando pelo teatro, o rádio, a imprensa, a prosa e a poesia. Embora graduado em engenharia, optou por ser bibliotecário. Seu talento foi notado e registrado desde muito cedo. Aos 15 anos criou, no Seminário de Olinda, onde estudava, o jornal O Vigia, no qual já se destacavam suas qualidades humorísticas e críticas. Aos 17, no Rio de Janeiro, publicou seu primeiro livro, Saguão da Posteridade, e começou a frequentar rodas de intelectuais, das quais participavam, entre outros, Olavo Bilac, Pedro Rabelo e Martins Fontes. Aos 18 anos começou a escrever para a revista humorística Tagarela e aos 20 ingressou no jornal Correio da Manhã. Como jornalista, colaborou com quase todos os grandes órgãos de imprensa cariocas. Desde essa época era grande o prestígio e a popularidade de Bastos Tigre na imprensa e entre artistas e intelectuais. Em 1906 estreou a revista musical Maxixe, a primeira de mais de uma dezena de peças que escreveu. No rádio, foi um dos precursores do rádio-teatro. Mas foi como publicitário que o humor e a espirituosidade de Bastos Tigre, bem como sua facilidade para criar versos, slogans e trocadilhos, fizeram dele um dos nomes mais importantes dos primórdios, e da história, da nossa publicidade. Criou o consagrado slogan da empresa Bayer, “Se é Bayer é bom”, utilizado internacionalmente, e o que se
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    considera o primeirojingle do Brasil, para a cervejaria Brahma, “Chopp em Garrafa”, em parceria com Ary Barroso. O bibliotecário Em 1915 candidatou-se ao primeiro concurso para Bibliotecário Arquivista do Museu Nacional, classificou-se em primeiro lugar, com sua tese sobre a “Classificação Decimal”, baseada no sistema de Melvil Dewey, e se tornou o primeiro bibliotecário concursado do país. Bastos Tigre conheceu Dewey nos Estados Unidos quando fazia um curso de especialização na área de Engenharia, entre 1906 e 1909. A disseminação desse trabalho foi um marco importante na área da Biblioteconomia, o que, junto com suas muitas contribuições ao livro e às bibliotecas, rendeu a Bastos Tigre o título de “Patrono dos Bibliotecários Brasileiros”. Foi o primeiro diretor da Biblioteca Central da Universidade do Brasil (atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ). A partir de 1952, mesmo aposentado e com 70 anos de idade, continuou ativo. Seu trabalho em prol dos livros e da cultura ultrapassava a obrigação profissional, o que o levou a dirigir voluntariamente outras bibliotecas, como a da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e a da Associação Brasileira de Imprensa, que hoje leva seu nome. Por seus esforços na divulgação do livro, Bastos Tigre recebeu, em 20 de janeiro de 1957, o prêmio Paula Brito, criado pela Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro. E em 1958, o prefeito do então Distrito Federal, Francisco Negrão de Lima, instituiu o “Dia do Bibliotecário”, a ser comemorado em 12 de março, data do nascimento de Bastos Tigre. Posteriormente, essa comemoração passou a ter abrangência nacional. Não se pode contar a história da Biblioteconomia no Brasil sem incluir a atuação de Manoel Bastos Tigre. Multifacetado, multimidiático, intelectual fértil, criativo e arguto, soube como ninguém usar e moldar a palavra e suas nuances, com todos os recursos e em todos os meios que teve à disposição. Vanguardista, foi um grande comunicador, sempre antenado com o que havia de mais atual no espaço e tempo em que construiu a sua história.
  • 3.
    Referências Bibliográficas BRASIL. Decreton° 84.631 de 12 de abril de 1980. Dispõe sobre o dia nacional do bibliotecário e a semana nacional do livro e da biblioteca. Diário Oficial da União, Brasília, 09 de abril de 1980. CERVEJA, Brahma. Brahma Chopp: o primeiro jingle do Brasil. Disponível em <http://www.brahma.com.br/sabor/2011/02/brahma-chopp-o-primeiro-jingle-do- brasil/> Acesso em 04 de março de 2012. CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA 3ª REGIÃO. Fortaleza. Homepage. Disponível em < http://www.crb3.org.br/carreira.php?codigo=13> Acesso em 03 de março de 2012. FERRAZ, Arnaldo. Bastos Tigre: eclética trajetória. Rio de Janeiro. Lado a Lado Editores Associados, 1987. FÓRUM DE CIÊNCIA E CULTURA UFRJ. Rio de Janeiro. Homepage. Disponível em: <http://www.forumufrj.com.br/biblioteca/?page_id=22 > Acesso em 03 de março de 2012. TIGRE, Manoel Bastos. Reminiscências: a alegre roda da Colombo e algumas figuras do tempo de antigamente. Brasília. Thesaurus, 1992. TIGRE, Sylvia Bastos (Coord.). Bastos Tigre: notas biográficas. Brasília, 03 de março de 1982.