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56º ANIVERSÁRIO DO MOVIMENTO
CÍVICO-MILITAR DE 31 DE MARÇO DE 1964
... "a Revolução
não se fêz para man-
ter privilégios de
quem quer que seja,
mas para, em nome
do povo, e em seu fa-
vor, democratizar os
benefícios do desen-
volvimento e da civi-
lização".
(Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello
Branco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 de
abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964)
A REVOLUÇÃO
DEMOCRÁTICA BRASILEIRA
AOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORES
BELO HORIZONTE, 31 DE MARÇO DE 2020 - ANO XXV - Nº 276
Edição
Histórica
A Marcha da Família com Deus Pela Liberdade
encerrou-se diante do altar da Pátria, na Esplanada do
Castelo, com a presença de centenas de milhares de fiéis.
(Revista Manchete, Abril/64 - Edição Histórica)
AS FORÇAS ARMADAS TÊM O DEVER SAGRADO DE IMPEDIR,
A QUALQUER CUSTO, A IMPLANTAÇÃO DO COMUNISMO NO BRASIL.
São Paulo
Rio de Janeiro
Esta “Edição Histórica” é dedicada àqueles que —não tendo vivido a
época que precedeu o Movimento Cívico-Militar de 1964 e, conseqüen-
temente, não conhecendo a verdade dos fatos que marcaram aquele aconte-
cimento—- têm sido o alvo preferencial da mídia facciosa e dos revanchistas,
quando tratam dessa matéria.
O que aqui será apresentado, não são conceitos gerados na caserna.
São manifestações livres, não encomendadas e isentas: são Editoriais,
opiniões, depoimentos,
manifestos e notícias que
retratam o pensamento
dos principais órgãos
formadores de opinião e
de membros da sociedade
brasileira, conclamando
e convocando as Forças
Armadas para uma atua-
ção firme e decisiva na-
quelemomentoimportan-
te da nossa história.
Naquela época a nos-
samídiaeradotadadeum
alto grau de independên-
cia e de nacionalismo e o
seu patriotismo era ge-
nuíno e consciente. Hoje,
vendida e venal...
A
NOSSA
BANDEIRA
A
NOSSA
BANDEIRA
Belo Horizonte
Os presidentes do Grupo Inconfidência, do Círculo Militar de Belo
Horizonte, da AOR-EB - Associação dos Oficiais da Reserva, da
ANVFEB/BH - Associação Nacional dos Veteranos da FEB,
da ABEMIFA - Associação Beneficente dos Militares das Forças Armadas,
Clube de Subtenentes e Sargentos do Exército / BH, da AREB/BH -
Associação dos Reservistas do Brasil e do Círculo Monárquico/MG,
têm a honra de convidar seus associados e familiares
para a solenidade cívico-militar, em homenagem à
CONTRARREVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964.
Data: 02 de abril - Quinta-feira - Hora: 19:30
Local: Círculo Militar de Belo Horizonte
COMPAREÇA E CONVIDE
SEUS PARENTES E AMIGOS.
ConviteConviteConviteConviteConvite
2Nº 276 - 31 de Março/2020
ANTECEDENTES
Saques aos supermercados em Duque de Caxias - 1962 Comício da Central do Brasil - 13/03/1964
Tropa do Exército retira os amotinados
do Sindicato - 25/03/1964
Jango no Automóvel Clube
a 30 de março - 1964
Opresidente João Goulart convocou o movimento sindical e as esquerdas para
pressionarem o Congresso com demonstrações de força para a restauração do pre-
sidencialismo. A agitação em favor do plebiscito atingiu o auge no fim de julho de 1962,
com o desentendimento entre Jango e o Congresso que aprovara o senador Auro de Moura
Andrade para Primeiro - Ministro por 222 votos a 51, contra a vontade de Goulart.
Imediatamente, começaram as greves, depredações e saques em todo o país, prin-
cipalmente no Rio de Janeiro, onde o movimento sindical era muito forte. Só na baixada
fluminense, foram saqueados quase 300 estabelecimentos comerciais e a desordem ge-
neralizada deixou 25 mortos e
mais de mil feridos.
O PCB - Partido Comu-
nista Brasileiro era o núcleo do-
minante de todas as decisões,
mas o complexo subversivo
abrangia grande número de or-
ganizações englobando além
daCGTedaPUA,asLigasCam-
ponesas de Francisco Julião, a
Ação Popular e os Grupos dos
Onze de Leonel Brizola.
ApósaextinçãodaURSS,
o ex-embaixador soviético no
Brasil, Andrei Fomin, confir-
mou ter comunicado a seu go-
verno informações recebidas
de líderes esquerdistas brasi-
leiros, segundo as quais estava
em preparação um golpe de Es-
tado no qual o presidente fecha-
ria o Congresso e instauraria a
“República Sindicalista”.
Prestes declarou na Abertura do Congresso Continental de Solidariedade a Cu-
ba realizado em Niterói a 28 de março/63 “ser o Brasil a primeira nação sulamericana
a seguir o exemplo da pátria de Fidel Castro”.
Grupos armados invadiam propriedades. Jornais, revistas e livros, editados em
Pequim, Moscou e no leste europeu circulavam abertamente, principalmente nas fa-
culdades e escolas.
Em Brasília, a 12 de setembro/63, sargentos da Marinha e da Aeronáutica re-
belaram-se contra a decisão do STF que se pronunciara contra a sua elegibilidade.
Ocuparam o Ministério da Marinha e instalações federais. Os graduados do Exército
não aderiram. Os sublevados foram cercados pelas tropas do Exército e preferiram
entregar-se Tal fato iria se repetir na Semana Santa (março/64), quando marinheiros
e fuzileiros navais rebelados no Sindicato dos Metalúrgicos no Rio de Janeiro, foram
presos pelo Exército no Batalhão de Guardas e libertados no dia 27, sexta feira santa,
por ordem presidencial. A presença de líderes comunistas nos quartéis para verificar
o cumprimento da ordem do Presidente e a passeata vexatória que se seguiu, nas ruas
do centro da cidade, com marujos desuniformizados carregando dois almirantes nos
ombros, feriu a dignidade e a sensibilidade das Forças Armadas.
Já havia acontecido o comício da Central do Brasil, realizado a 13 de março, por
sugestão do PCB, com a presença, além dos líderes sindicalistas e comunistas, dos
O Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante Cândido de
Aragão, é a figura mais controvertida do episódio: punido, destituído e
depois reintegrado pelo nôvo ministro, aqui aparece dando autógrafos a
marinheiros (Manchete Extra nº 625)
Tropa do Exército defronte ao
Ministério da Marinha, em Brasília,
em setembro de 1963
CRONOLOGIA HISTÓRICA / 1964
17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro: Jango regulamenta a lei de remessas de lucros para o estrangeiro.
25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro: A SUPRA assina acordo com os ministérios militares para
estudo sobre a desapropriação de terras à margem das rodovias.
6 de março6 de março6 de março6 de março6 de março: O Ministério da Justiça estuda uma intervenção no Estado
da Guanabara.
11 de março11 de março11 de março11 de março11 de março: As classes produtoras se reúnem no Rio e praticamente
rompem com o governo.
13 de março13 de março13 de março13 de março13 de março: Acontece no Rio um grande comício pelas Reformas de Base.
15 de março15 de março15 de março15 de março15 de março: O Congresso Nacional reabre e João Goulart envia mensagem
a favor das Reformas de Base.
18 de março18 de março18 de março18 de março18 de março: O CGT exige uma política financeira nacionalista e pede o
afastamento do ministro da Fazenda.
19 de março19 de março19 de março19 de março19 de março: A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” reúne
em São Paulo mais de 500 mil pessoas.
26 de março26 de março26 de março26 de março26 de março: Rebelião de marinheiros no Rio. São presos pelas tropas do
Exército e em seguida, postos em liberdade.
28 de março28 de março28 de março28 de março28 de março: Em Juiz de Fora, numa reunião com Magalhães Pinto, com
a presença do General Mourão Filho e diversas autoridades civis e militares,
o Marechal Odylio Denys apresentou um estudo circustanciado sobre a
situação político-militar, quando foi articulado e marcado o dia do levante
contra João Goulart.
30 de março30 de março30 de março30 de março30 de março: O presidente discursa numa reunião de sargentos das
Forças Armadas e da Polícia Militar, no Automóvel Club do Rio de Janeiro.
333331 de março1 de março1 de março1 de março1 de março: Minas está nas mãos dos rebeldes. As tropas mineiras marcham
para o Rio de Janeiro e para Brasília, sem encontrar qualquer resistência.
1º de abril1º de abril1º de abril1º de abril1º de abril: O II Exército, comandado pelo General Amaury Kruel, adere
à rebelião. Miguel Arraes é preso no Recife.
2 de abril2 de abril2 de abril2 de abril2 de abril: Jango deixa Brasília rumo a Porto Alegre e o Deputado Ranieri
Mazzili toma posse como novo presidente.
4 de abril4 de abril4 de abril4 de abril4 de abril: João Goulart exila-se no Uruguai.
ministros militares e de 5 mil soldados do Exército, que assistiram a massa humana
agitando bandeiras vermelhas e cartazes alegóricos, ridiculizando os “gorilas” e
exigindo reformas de base. Jango exigia a revisão da Constituição, encampação
das refinarias, a reforma agrária...
O Automóvel Clube, em 30 de março, foi palco do violento discurso de João
Goulart, dirigido a dois mil subtenentes e sargentos das Forças Armadas e Auxiliares,
tornando irreversível sua posição de esquerda. A exaltação do ambiente, carregada
com a presença de agitadores comunistas, atingiu o máximo quando o Almirante
Aragão e o cabo Anselmo, se abraçaram sob aplausos gerais. Era a completa quebra
da Disciplina e da Hierarquia.
Fatos como estes e os acontecimen-
tos de março, acrescidos da carta do Chefe
do Estado-Maior do Exército, juntos com
mais de meio milhão de paulistas alarmados
na passeata de mulheres com terços à mão,
rezando por Deus e pela liberdade, leva-
ram ao desenlace de 31 de março.
2
3Nº 276 - 31 de Março/2020
Ressurge a Democracia!
O GLOBO Rio Janeiro, 02 de abril de 1964
Vive a Nação dias gloriosos.
Porque souberam unir-se
todos os patriotas, independen-
temente de vinculações políti-
cas, simpatias ou opinião sobre
problemas isolados, para salvar
o que é essencial: a democracia,
a lei e a ordem. Graças à decisão
e ao heroísmo das Forças Arma-
das, que obedientes a seus che-
fes demonstraram a falta de vi-
são dos que tentavam destruir a
hierarquia e a disciplina, o Brasil
livrou-se do Governo irrespon-
sável, que insistia em arrastá-lo
para rumos contrários à sua vo-
cação e tradições. Como dizía-
mos, no editorial de anteontem,
a legalidade não poderia ser a
garantia da subversão, a escora
dos agitadores, o anteparo da
desordem. Em nome da legalida-
de, não seria legítimo admitir o
assassínio das instituições, co-
mo se vinha fazendo, diante da
Nação horrorizada.
Agora, o Congresso dará
o remédio consti-
tucional à situação
existente, para que
o País continue sua
marcha em direção
a seu grande desti-
no, sem que os di-
reitos individuais
sejam afetados, sem
que as liberdades
públicas desapa-
reçam, sem que o
poder do Estado
volte a ser usado
em favor da desor-
dem, da indiscipli-
na e de tudo aquilo que nos es-
tava a levar à anarquia e ao co-
munismo. Poderemos, desde ho-
je, encarar o futuro confiantemen-
te, certos, enfim, de que todos os
nossos problemas terão solu-
ções, pois os negócios públi-
cos não mais serão geridos com
má-fé, demagogia e insensatez.
Salvos da comunização
que celeremente se prepara-
va, os brasileiros devem agra-
decer aos bravos militares,
que os protegeram de seus ini-
migos. Devemos felicitar-nos
porque as Forças Armadas, fi-
éis ao dispositivo constituci-
onal que as obriga a defender
a Pátria e a garantir os poderes
constitucionais, a lei e a ordem,
não confundiram a sua rele-
vante missão com a servil obe-
diência ao Chefe de apenas um
daqueles poderes, o Executi-
vo. As Forças Armadas, diz o
Art. 176 da Carta Magna, “são
instituições permanentes, or-
ganizadas com base na hierar-
quia e na disciplina, sob a auto-
ridade do Presidente da Repú-
blica E DENTRO DOS LIMI-
TES DA LEI.
No momento em que o Sr.
João Goulart ignorou a hierar-
quia e desprezou a disciplina de
um dos ramos das Forças Arma-
das, a Marinha de Guerra, saiu
dos limites da lei, perdendo, con-
seqüentemente, o direito a ser
considerado como um símbolo
da legalidade, assim como as con-
dições indispensáveis à Chefia
da Nação e ao Comando das cor-
porações militares. Sua presen-
ça e suas palavras na reunião
realizada no Automóvel Clube,
vincularam-no, definitivamente,
aos adversários da democracia
e da lei. Atendendo aos anseios
nacionais, de paz, tranqüilidade
e progresso, impossibilitados,
nos últimos tempos, pela ação
subversiva orientada pelo Palá-
cio do Planalto, as Forças Arma-
das chamaram a si a tarefa de
restaurar a Nação na integrida-
de de seus direitos, livrando-os
do amargo fim que lhe estava re-
servado pelos vermelhos que ha-
viam envolvido o Executivo Fe-
deral.
Este não foi um movimen-
to partidário. Dele participaram
todos os setores conscientes
da vida política brasileira, pois a
ninguém escapava o significa-
do das manobras presidenciais.
Aliaram-se os mais ilustres líde-
res políticos, os mais respeita-
dos Governadores, com o mes-
mo intuito redentor que animou
as Forças Armadas. Era a sorte
da democracia no Brasil que es-
tava em jogo. A esses líderes ci-
vis devemos, igualmente, ex-
ternar a gratidão de nosso povo.
Mas, por isto que nacional, na
mais ampla acepção da palavra,
o movimento vitorioso não per-
tence a ninguém. É da Pátria, do
Povo e do Regime. Não foi con-
tra qualquer reivindicação po-
pular, contra qualquer idéia que,
enquadrada dentro dos princípi-
os constitucionais, objetive o bem
do povo e o progresso do País.
Se os banidos, para intri-
garem os brasileiros com seus
líderes e com os chefes milita-
res, afirmarem o contrário, es-
tarão mentindo, estarão, como
sempre, procurando engodar
as massas trabalhadoras, que
não lhes devem dar ouvidos.
Confiamos em que o Congres-
so votará, rapidamente, as me-
didas reclamadas para que se
inicie no Brasil uma época de
justiça e harmonia social. Mais
uma vez, o povo brasileiro foi
socorrido pela Providência Di-
vina, que lhe permitiu superar a
grave crise, sem maiores sofri-
mentos e luto. Sejamos dignos de
tão grande favor.
ESTADO DE MINAS
Órgão dos Diários Associados
Diretores: JOÃO CALMON E GERALDO TEIXEIRA DA COSTA
Gerente Geral: THEÓDULO PEREIRA
Redator Chefe: PEDRO AGUINALDO FULGÊNCIO
Diretores Assistentes: OSWALDO NEVES MASSOTE E BRITALDO SILVEIRA SOARES
O DEVER DOS MILITARES
Foto: Acervo Jornal Estado de Minas
Geraldo Teixeira da Costa, Irani Bastos,
Magalhães Pinto, João Calmon e José Maria Alkmim
Se há um setor que não está corrompido no
Brasil, graças a Deus, é o das Forças Arma-
das. Em Minas, devemos juntar a esse bloco de
homens dignos e patriotas a Polícia Militar,
outra corporação que tem dado os mais admi-
ráveis exemplos de amor à nossa terra.
Feliz a nação que pode contar com cor-
porações militares de tão altos índices cívicos. A
todo momento, essas corporações, comandadas
por oficiais formados na melhor escola, a escola
do patriotismo, da decência da pureza de inten-
ções e propósitos, nos oferecem o testemunho
de sua identificação com os melhores ideais de
nossa gente. O que eles têm no coração é um
Brasil grande, progressista, respeitado, unido de
Norte a Sul, de Leste a Oeste, trabalhando livre-
mente num clima de ordem e paz. Os nossos
militares, quando mais fundo e mais grosso é o
mardelama,estãoreco-
lhidos às suas caser-
nas austeras, submeti-
dosaumregimedeven-
cimentos incompatí-
veis com as exigências
da vida moderna. Hoje
em dia, não há quem
queira ser mais oficial
doExército,daMarinha
e da Aeronáutica, por-
que não se recebem
nessas três armas sol-
dos que permitam uma
existênciatranqüila. No
entanto, os militares tudo suportam estoica-
mente, assistindo diante deles o espetáculo da
mais deslava corrupção, provocada pelo poder
civil, pela baixa politicalha, pelo eleitoralismo
grosseiro. Bastaria dizer que hoje um procurador
de um dos institutos de previdência, logo no
primeiro mês de sua nomeação, sem ter servi-
ço, indo à repartição meia hora por dia, quando
vai, recebe mais do que um general, que se
submeteu a uma longa carreira, sujeito a mudan-
ças amiudadas de residência, sendo obrigado a
matricular os seus filhos cada ano um regime de
trabalho de dez horas por dia. É impossível,
porém, enumerar aqui todas as injustiças de
que são vítimas os militares. E não se queixam,
não se desesperam, por amor ao Brasil. Pois bem:
esses patriotas, que não contribuem para o abas-
tardamento dos costumes públicos em nosso
país, de quando em vez são forçados a corrigir os
erros da politicalha, tomando o poder dos cor-
ruptos, dos caudilhos, dos extremistas de baixa
extração, restituindo-o limpo e puro, aos civis.
Nunca advogaram em causa própria, ou melhor,
nunca tomaram o poder em benefício próprio.
EDITORIALEDITORIALEDITORIALEDITORIALEDITORIAL de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964
Agem quando é preciso, a fim de restituir a tran-
qüilidade e a paz ao seio da família brasileira, mas
essa tolerância com os civis, que não estão sa-
bendo ser dignos do poder, tem um limite. As
imposições do patriotismo, que é tão aceso no
meio militar, poderão levá-los a dissolver as as-
sembléias que insistem em permanecer dando
cobertura a políticos corruptos e aventureiros,
a comunistas interessados em abrir aqui uma
porta ao fidelismo cubano. O povo também está
perdendo a fé nas soluções civis. Vê a volta das
raposas de baixa politicalha com espanto e nojo,
porque compreende que a agitação vai continuar,
a corrupção idem, o assalto aos cofres públicos,
a compra de fazendas e apartamentos com dinhei-
ro roubado à nação. O Comando Revolucionário
não aceitará agora isto. Quer o expurgo, a higi-
enizaçãodomeiopolítico,aimobilizaçãoda“gang”
que infelicitava o Brasil.
Os corruptos, onde esti-
verem, terão que pagar por
seus crimes. Se estiverem
no Parlamento alguns
deles, terão que ver cas-
sados os seus mandatos
que não souberam hon-
rar, traindo ali a demo-
cracia. Se estiverem os
totalitários vermelhos no
mais alto tribunal de justi-
ça do país, há que impor-
lhes as sanções da pró-
pria lei que eles impõem a
outros. Sem esse expurgo, feito sem violência
mas dentro da legislação de defesa do povo e
do regime, não estará completa a revolução.
Se tolerarem qualquer transigência com os
objetivos da revolução, os militares serão nova-
mente traídos pela parcela dos civis corruptos
e indignos.
Homens com a alta dignidade, a compostu-
ra cívica, a bravura pessoal, a vida limpa e exem-
plar de um General Carlos Luís Guedes - que é um
militar admirável - não podem permitir que se faça
a reconstrução do Brasil em bases falsas. Essa
reconstrução tem que ser, antes de tudo, moral.
Foi por isso que todos nós, que estivemos na luta
arrostando a empáfia dos baderneiros, sujeitos
diariamente a assaltos e golpes dos extremistas,
fizemos uma revolução.
Os militares não deverão ensarilhar suas
armas, antes que emudeçam as vozes da
corrupção e da traição à pátria. Cometerão um
erro, embora de boa-fé, se aceitarem o poder civil,
que está organizado para assumir as responsabi-
lidades da direção do país. Terão que impor um
saneamento, antes de voltar aos quartéis.
O DESTACAMENTO CAICÓ (GT/12)
Ocomandante militar da Revolução, gene-
ral de divisão Olympio Mourão Filho, após
deslocar o “Destacamento Tiradentes” para a
Guanabara, decidiu formar, em 2 de abril de
1964, um contingente de tropa para a consoli-
dação do Movimento Militar em Brasília e ma-
nutenção da ordem no Distrito Federal.
Para tanto, determinou a constituição de um
Grupamento Tático, o GT/12, composto por tro-
pas do Exército, com base no 12° Regimento de
Infantaria, de Belo Horizonte (menos o 2° bata-
lhão, integrante do “Destacamento Tiradentes”)
e dois batalhões da PMMG, ao comando do co-
mandante do Regimento, coronel Dióscoro Gon-
çalves do Vale.
Tal Grupamento foi denominado, histori-
camente, de “Destacamento Caicó”, em home-
nagem ao comandante do Regimento e Destaca-
mento, coronel Vale (posteriormente general),
potiguar nascido em Caicó (RN).
O “Destacamento Caicó” cumpriu de forma
airosa a Missão que lhe foi conferida (de 2 a 16 de
abril) e o Distrito Federal tornou-se imune à ação
deletéria de subversivos de todos os matizes. No
dia 16 de abril, a tropa regressou, galhardamente,
a Minas Gerais.
3
4Nº 276 - 31 de Março/2020
N.R.:N.R.:N.R.:N.R.:N.R.: O presente artigo, do renomado jornalista Alexandre Garcia,
contém interessantes considerações acerca da Revolução de 31 de
Março de 1964, além de acerbas críticas ao execrável decreto do PNDH-3.
Tal Programa contrariou profundamente as FFAA, o agronegócio, a
Igreja, a Imprensa e outros segmentos da sociedade brasileira, trazendo
sérios riscos à Soberania Nacional na Amazônia, indo ao encontro de
interesses revanchistas e dos ditos “movimentos sociais”, como o espúrio
e criminoso MST, o braço armado do PT.
OPaís viveu em
paz por 30
anos, até que a du-
pla Genro/Vanuc-
ci resolveu desen-
terrar o passado.
Os militares não queriam o poder.
Pressionados pelas ruas, pelos meios
de informação, derrubaram Goulart e
acabaram ficando 21 anos. Quando
derrubaram o presidente, já havia gru-
pos treinados em Cuba, na China e
União Soviética para começar por aqui
uma revolução socialista. Com a con-
tra-revolução liderada pelos militares,
esses grupos se reor-
ganizaram para a resis-
tência armada. E o go-
verno se organizou pa-
ra combatê-los. Houve
uma guerra interna de
que os brasileiros, em
geral, não tomaram co-
nhecimento porque en-
quanto durou, quase 20
anos, houve um total
de 500 mortos - número
que o trânsito, hoje, ul-
trapassa em menos de
uma semana. Numa estratégia elabo-
rada pela dupla Geisel-Golbery, plane-
jou- se então devolver o poder aos
civis de forma “lenta, gradual e segu-
ra”. E, como coroamento do processo,
o governo fez aprovar no Congresso,
em 1979, a Lei da Anistia, bem mais
abrangente que a defendida pela opo-
sição. Uma lei que pacificasse o país,
no novo tempo de democracia que se
iniciava. Uma anistia “ampla, geral e
irrestrita”. Que institucionalizasse o
esquecimento, a pá-de-cal, pelos cri-
mes cometidos por ambos os conten-
dores, na suja guerra interna. Incluíam-
se os que mataram, assaltaram, joga-
ram bombas, roubaram - de um lado - e
os que mataram e torturaram do outro.
A Nação inteira respirou aliviada quan-
do o Congresso aprovou o projeto do
governo e os banidos e asilados co-
meçaram a voltar, entre eles o mais
famoso de todos, Fernando Gabeira,
que havia sequestrado, junto com Fran-
klin Martins, o embaixador america-
VINGANÇA OU MALUQUICE?
* Alexandre Garcia
Como coroamento do
processo, o governo fez
aprovar no Congresso, em
1979, a Lei da Anistia,
bem mais abrangente que
a defendida pela oposição.
Uma lei que pacificasse o
país, no novo tempo de
democracia que se
iniciava. Uma anistia
“ampla, geral e irrestrita”.
No dia 20 de mar-
ço de 1964, há
quase 45 anos, o Gen
Ex Humberto de Alen-
car Castello Branco,
Chefe do Estado-Maior do Exército, em
função da intranqüilidade que se apos-
sara da maioria da oficialidade, não só
do Exército quanto das demais Forças
após o Comício da Central (realizado
em frente ao prédio que abrigava o
então Ministério do Exército, no Rio
de Janeiro, à época capital federal), em
13 daquele mês, expedia Circular que
viria a ser o estopim para a eclosão da
Contra-Revolução de 31 de Março da-
quele ano.
No texto, vazado de forma come-
dida e respeitosa, lembrava que os
meios militares nacionais e permanen-
tes não são propriamente para defen-
der programas de Governo, muito me-
nos a sua propaganda,
mas para garantir os po-
deres constitucionais, o
seu funcionamento, e a
aplicação da lei.
E, em outro trecho,
assinalava que: Não sen-
do milícia, as Forças Ar-
madas não são armas pa-
ra empreendimentos an-
tidemocráticos. Desti-
nam-se a garantir os po-
deres constitucionais e a
sua coexistência.
Em outro mais: En-
trarem as Forças Arma-
das numa revolução para
entregar o Brasil a um
grupo que quer domina-
lo para mandar e des-
mandar e mesmo para gozar o poder?
... Isto sim, é que seria antipátria, an-
tinação e antipovo.
E para não serem antipátria, an-
tinação e antipovo, do seio das Forças
Armadas, vieram os governos milita-
res. Dos sucessos econômicos, da mo-
ralização da vida pública, dos exem-
plos de honestidade e firmeza de pro-
pósitos dos governantes de então, hoje,
nada se fala. Da mesma forma que não
se fala no êxito do combate à comuni-
zação do Brasil.
Passaram-se os anos...
Um governo legalmente eleito
assume o poder. Sua principal carac-
terística? Ser de esquerda e abrigar
em seus quadros militantes das mais
diversas extrações, dos moderados aos
extremistas e estes últimos, à sorrel-
fa, sem alarde, vão assumindo os pos-
tos governamentais mais elevados.
Hoje, parcela considerável dos minis-
tros é constituída por terroristas anis-
tiados ou militantes de partidos es-
q u e r d i s t a s.
Os “movimentos sociais” têm,
hoje, uma força e uma influência que
não conheceram no passado; as ONGs,
inclusive aquelas que obedecem a dire-
trizes externas, tem vez e voto nas de-
cisões governamentais; a violência, em
boa parte fruto das limitações impos-
tas aos órgãos de segurança pelas idéi-
as “politicamente corretas”, impera nos
grandes centros e espraia-se para o in-
FORÇAS ARMADAS,
ONTEM E HOJE
terior; o consumo de drogas atinge ní-
veis elevados e “orientações sexuais”
heterodoxas são incentivadas e apon-
tadas aos jovens como normais. Como
se não bastasse, o Brasil torna-se refú-
gio seguro para esquerdistas de todos
os matizes e origens, em especial aque-
les cujos atos foram caracterizados
pela violência. Em contrapartida, cu-
banos que aqui buscam refúgio, traba-
lho e liberdade, são prontamente extra-
ditados para seu país de origem.
Como chegamos a tal ponto?
Hoje, carecemos, verdade seja
dita, de líderes políticos íntegros e
respeitáveis; de políticos prontos a
denunciar os erros e os abusos dos
governantes e, também, de uma im-
prensa que ecoe suas palavras. As-
sim, na ausência total do contraditó-
rio, o discurso da esquerda passou a
imperar.
Os governos militares, malgrado
terem elevado o Brasil à situação de
8ª economia do mundo, nem são con-
siderados e, aqueles que arriscaram
suas vidas e as de seus comandados
no combate à subversão comunista,
são estigmatizados como bandidos cru-
éis. Os derrotados de ontem, são os
vitoriosos de hoje.
E, estranhamente, os atuais che-
fes militares, nem mesmo no âmbito de
suas Forças, falam do passado, dos
exemplos de serenidade e de grandeza
cívica que nos legaram homens como
Castello Branco, Costa e Silva, Médici,
Geisel e Figueiredo, da mesma forma
que não movem uma palha em defesa
dos que arrostaram todos os riscos no
combate ao comunismo.
Há que reconhecer que as Forças
Armadas permitiram, desde a chamada
“redemocratização”, o progressivo, len-
to e insidioso desenvolvimento de po-
líticas governamentais que buscavam
e conseguiram afasta-las dos centros
de decisão. Urge que elas voltem a ter
vez e voz, não para se assenhorearem do
poder, como tantos receiam, mas para
fazer ver a todos que, se o Brasil almeja
tornar-se potência, há que tê-las fortes
e íntegras, imunes aos conchavos pa-
lacianos, orgulhosas do seu passado e
das suas melhores e mais sadias tradi-
ções, hauridas de um passado que nun-
ca poderá ser apagado.
*Coronel Reformado
* Osmar José de
Barros Ribeiro
Comício da Central do Brasil a 13 de março de 1964
no. E o Brasil viveu em paz por 30 anos,
elegendo presidentes, descobrindo es-
cândalos de corrupção, ganhando co-
pas do mundo. Até que a dupla Tarso
Genro, ministro da Justiça, e seu se-
cretário de Direitos Humanos, Paulo
Vanucchi, resolveram desenterrar o
passado para se vingar de supostos
algozes de seus companheiros de es-
querda revolucionária. Criaram um ór-
gão para isso. Puseram tudo num de-
creto, e passaram para o Gabinete Civil,
da Ministra Dilma. De lá, o calhamaço
foi para a assinatura do presidente Lula,
envolvido, na Dinamarca, com a em-
pulhação do “aque-
cimento global”.
Lula alega que assi-
nou sem ver. E eu fico
curioso por saber se a
assinatura tem valor,
porque aqui no Brasil
havia um presidente
em exercício, José
Alencar. O ministro
Nélson Jobim, sur-
preendido com a uni-
lateralidade do de-
creto, pediu demis-
são. E os três comandantes militares se
solidarizaram com o ministro. Até que
se revolva o impasse, está no ar a pri-
meira crise militar do governo Lula. O
decreto cria um órgão para estudar a
revogação da pacificadora Lei de Anis-
tia. Orienta a punição dos torturado-
res mas não dos sequestradores, as-
sassinos e terroristas. Preserva, as-
sim, soldados da guerra revolucionária
como os ministros Dilma, Franklin e
Minc. E vai atrás de coronéis da reser-
va. Baseia-se na Constituição, que con-
sidera tortura crime imprescritível; omi-
te que terrorismo também é impres-
critível, pela Constituição. E esquece
o princípio de Direito pelo qual a lei só
retroage para beneficiar o réu, não para
condená-lo. A Lei de Anistia é de 1979
e a Constituição de 1988. Por que agitar
um país pacificado?
VINGANÇA OU MALUQUICE
MESMO?
(Publicada no Jornal do Paraná - 05/01/2010)
*Jornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.br
Com o objetivo de elaborar uma reforma agrária em seu aspecto geral e
planificar regional e nacionalmente a sua política e execução, o Governo
Goulart criou, em outubro de 1962, a SUPRA – Superintendência da Reforma
Agrária. Mas a reforma agrária desejada pelo PCB – Partido Comunista Bra-
sileiro era radical e começara a se esboçar no I Congresso dos Lavradores
e Camponeses sem Terra, ocorrido em novembro, em Belo Horizonte, no qual
Francisco Julião despontou como líder, com a proposta de expropriação
imediata de grandes propriedades. A sua postura radical esbarrava na atitude
moderada da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil
(ULTAB). A partir desse I Congresso, o PCB assumiu a palavra de ordem
– “reforma agrária na lei ou na marra”.
NR = Qualquer semelhança com o MST não é mera coincidência.
A REFORMA AGRÁRIA
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
Hélio Silva, 1964. Golpe ou Contragolpe? Civilização Brasileira, 1975 – pág 459
4
5Nº 276 - 31 de Março/2020
ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO
“Alertamos o povo – nós, almi-
rantes, comandantes e oficiais da Ma-
rinha – para o golpe aplicado contra a
disciplina na Marinha, ao admitir-se
que minoria insignificante de subalter-
nos imponha a demissão de Ministros
e autoridades navais e se atreva a in-
dicar substitutos. Em lugar de promo-
ver-se a devida punição disciplinar, li-
cenciam-se marinheiros amotinados
que não representam absolutamente os
dignos suboficiais, sargentos, mari-
nheiros, fuzileiros, que em compacta
maioria continuaram e continuam fiéis
MANIFESTO
O ALMIRANTE Cândido Aragão volta ao Comando-
Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, carregado em
triunfo nos ombros dos marujos vitoriosos
À Nação, ao Congresso Nacional, às Assembléias,
aos governadores, aos chefes militares e a todos os cidadãos:
O Estado de São Paulo - 22 de março de 1964
5 DE ABRIL DE 1964 NUM. 27.286 DIRETOR REDATOR-CHEFE: MARCELINO RITTER
DOS ALMIRANTES
ao seu juramento de discipli-
na e de dedicação à Marinha.
O que êste golpe representa
de ameaça a tôdas as insti-
tuições do País está patente,
na forma e na essência, e só
nos resta alertar a Nação pa-
ra que se defenda, enquanto
estão de pé as instituições e
os cidadãos dignos da liber-
dade e da Pátria. Continua-
mos unidos e dispostos a re-
sistir por todos os meios ao
nosso alcance às tentativas
de comunicação do País.
Os amotinados que se
abrigaram na sede do Sindi-
cato dos Metalúrgicos in-
fringiram rudemente o Có-
digo Penal Militar, cometen-
do, portanto, crimes e não
apenas transgressões disciplinares.
Três crimes estão explicitamente capi-
tulados nos seguintes artigos do Códi-
go citado: 130, motim e revolta, títulos
1 e 2; 133 e 134, aliciação e incitamen-
to; e 141, insubordinação. Tendo co-
metido crimes, os amotinados não po-
deriam ser postos em liberdade, anisti-
ados ou o que seja pelo Presidente da
República. Teriam de ser submetidos a
Conselho de Justiça, que ou condena-
ria ou absolveria. Pelo quê, o ato do
Presidente da República foi inequivo-
camente abusivo e ilegal”.
“Dezenas de automóveis trafegaram pelo centro da cidade,
tocando suas businas, em sinal de alegria pela vitória da democracia
em todo o País. As estações de rádio e televisão, que estavam sob cen-
sura, iniciaram suas transmissões normais, pouco depois das 17 horas.
Os contingentes de fuzileiros navais que ocupavam as redações de al-
guns jornais, foram recolhidos aos quartéis.
Por volta das 17,15, o Forte de Copacabana anunciava, com uma
salva de canhão, a aproximação das tropas do general Amauri Kruel,
que atingiria o Estado da Guanabara às últimas horas da noite de on-
tem. A população de Copacabana saiu ás ruas, em verdadeiro Carnaval,
saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das ja-
nelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu con-
tentamento. (...)”
CARNAVAL EM COPACABANA
O Dia, 2 de abril de 1964.
5
6Nº 276 - 31 de Março/2020
...Com a presença de numerosas
figuras representativas da vida políti-
ca, social e administrativa do Estado, o
governador Magalhães Pinto dirigiu,
ontem, à noite, diretamente do Palácio
da Liberdade, através de uma cadeia
nacional de emissoras de rádio e tele-
visão, um vibrante manifesto ao país,
no qual analisa a atual conjuntura po-
lítica. Ao lado do governador se en-
contravam o vice-governador Clóvis
Salgado, o presidente do Tribunal de
Justiça, desembargador José Alcides
Pereira, os secretários de Estado Ro-
berto Rezende, Aureliano Chaves, Lú-
cio de Souza Cruz, Celso Mello Azeve-
do, o Comandante Geral da Polícia Mi-
litar que se fazia acompanhar de gran-
de número de oficiais, além de deputa-
MINAS ESTÁ UNIDA CONTRA O GOLPE
PRONUNCIAMENTO DO
GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO
dos estaduais integrantes da bancada
da UDN e do PSP. O Salão Nobre do
Palácio da Liberdade estava literalmen-
te lotado por grande número de auto-
ridades administrativas de Minas além
de pessoas gradas que acorreram à se-
de do governo, a fim de ouvir o pro-
nunciamento do chefe do Executivo,
que foi entrecortado de aplausos em
vários dos seus trechos principais. Es-
ses aplausos e os cumprimentos rece-
bidos pelo sr. Magalhães Pinto, du-
rante e após o seu pronunciamento,
revelam, sem dúvida nenhuma, a fide-
lidade com que o chefe do governo in-
terpretou o pensamento de Minas, dis-
posta à luta em defesa das instituições
livres e contra o golpe de Estado.
Desembargador José Alcides Pereira, os secretários de Estado Roberto Rezende, Aureliano
Chaves, Lúcio de Souza Cruz, o comandante Geral da Polícia Militar, Cel José Geraldo
Estado de Minas, 21 de março de 1964
Foto: Acervo Jornal Estado de Minas
Inteiramente solidária, desde a primeira hora, com a posição assumida pelo
Governador Magalhães Pinto, contra a tentativa do presidente João Goulart de
implantar no País, um regime comunista, a Assembléia Legislativa aprovou
ontem, por unanimidade, um manifesto dirigido ao Estado e à Nação, no qual
acentua que “Minas Gerais é pela paz, sem sacrifício das liberdades pú-
blicas, pela paz, sem desrespeito à ordem Constitucional, pela paz contra
o comunismo dissolvente”.
Coube aos deputados pessedistas Hugo Aguiar e Murilo Badaró a ins-
piração e redação do importante documento. No encaminhamento da vota-
ção falaram os deputados Expedito de Faria Tavares, pela UDN, Manoel Cos-
ta, pelo PSD, Mario Hugo Ladeira, pelo PR, Navarro Vieira pelo PRP, Pinto
Coelho pelo PL, e Valdomiro Lobo pelo PTB.
Públicado no Estado de Minas, 02 de abril de 1964
MINAS É DEMOCRÁTICA E REPUDIA OS
PROCESSOS DE COMUNIZAÇÃO
MANIFESTO DA
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
Faz mais de dois anos que os inimigos da Ordem e da Democracia, es-
cudados na impunidade que lhes assegura o Sr Chefe do Poder Execu-
tivo, vêm desrespeitando as instituições, enxovalhando as Fôrças Armadas,
diluindo nas autoridades públicas o respeito que lhes é devido em qualquer
nação civilizada, e, ainda, lançando o povo em áspero e terrível clima de
mêdo e desespêro.
Organizações espúrias de sindicalismo político, manobradas por inimi-
gos do Brasil, confessadamente comunistas, tanto mais audaciosos quanto
estimulados pelo Senhor Presidente da República, procuram infundir em
todos os espíritos a certeza de que falam em nome do operariado brasileiro,
quando é certo que falam em nome de um Estado estrangeiro, a cujos in-
terêsses imperialistas estão ser-
vindo em criminosa atividade sub-
versiva, para traírem a Pátria
Brasileira, tão generosa e cava-
lheiresca.
E o atual Govêrno, a cujos
projetos que negam a soberania
do Brasil vêm servindo essas or-
ganizações, dá-lhes apôio ofi-
cial ou oficiosamente, conceden-
do-lhes até mesmo a faculdade
de nomear e demitir ministros,
generais e altos funcionários,
objetivando, assim, por conhe-
cido processo, a desfazer as ins-
tituições democráticas e insti-
tuir, aberrantemente, o totalitarismo, que nega a Federação, a República, a
Ordem Jurídica e até mesmo o progresso social.
Tentaram revoltar o disciplinado e patriótico “Círculo de Sargentos”,
e recentemente, essas organizações e êsse Govêrno tudo fizeram para des-
moralizar e humilhar a Marinha de Guerra do Brasil, na mais debochada e
despudorada ofensa à sua disciplina e hierarquia, que nela devem predomi-
nar.
O Povo, Governo Estaduais e Fôrças Armadas, animados de fervoroso
sentimento patriótico, repelem êsse processo de aviltamento das fôrças vi-
vas da Nação, tão bem concebido e caprichosamente executado pelo Sr Pre-
sidente da República, o qual, divorciado dos preceitos constitucionais, ne-
gando solene juramento, pretende transformar o Brasil, de Nação soberana
que é, em um ajuntamento de sub-homens, que se submetam a seus planos
ditatoriais.
Na certeza de que o Chefe do Govêrno está a executar uma das etapas
do processo de aniquilamento das liberdades cívicas, as Fôrças Armadas, e,
em nome delas, o seu mais humilde soldado, o que subscreve este manifesto,
não podem silenciar diante de tal crime, sob pena de com êle se tornarem
coniventes.
Eis o motivo pelo qual conclamamos a todos os brasileiros e militares
esclarecidos para que, unidos conosco, venham ajudar-nos a restaurar, no
Brasil, o domínio da Constituição e o predomínio da boa-fé no seu cumpri-
mento.
O Sr Presidente da República, que ostensivamente se nega a cumprir
seus deveres constitucionais, tornando-se, êle mesmo, chefe de governo co-
munista, não merece ser havido como guardião da Lei Magna, e, portanto,
há de ser afastado do Poder de que abusa, para de acôrdo com a Lei, operar-
se a sua sucessão, mantida a Ordem Jurídica.
Gen Div OLYMPIO MOURÃO FILHO - Comandante da 4ªRM e 4ª DI
Juiz de Fora, 31 de março de 1964.
À NAÇÃO E ÀS FÔRÇAS ARMADAS!
PROCLAMAÇÃO
OII Exército, sob meu comando, co-
eso e disciplinado, unido em torno
de seu chefe, acaba de assumir atitude
de grave responsabilidade com o obje-
tivo de salvar a Pátria em perigo, livran-
do-se do jugo vermelho.
É que se tornou por demais eviden-
te a atuação acelerada do Partido Comu-
nista para a posse do Poder, partido ago-
ra, mais do que nunca, apoiado, por bra-
sileiros mal avisados que nem têm cons-
ciência do mal que se está gerando.
A recente crise surgida na Marinha
de Guerra, que se manifestou através de
MANIFESTO DO COMANDANTE DO II EXÉRCITO
um motim de marinheiros e
contou com a conivência de
almirantes nítidamente de es-
querda e a complacência de
elementos do govêrno fede-
ral, à qual se justapôs a intro-
missão indébita de elementos
estranhos para a solução de
problemas internos daquela Fôrça Arma-
da, permitiu ficasse bem definido o grau
de infiltração comunista no meio militar.
O intenso trabalho do Partido Co-
munista no seio do Exército, da Marinha
e da Aeronáutica, desenvolvido princi-
palmente no círculo das
praças e objetivando induzí-
lasàindisciplina,trazemseu
bojo um princípio de divisão
de fôrças que reflete no en-
fraquecimento do seu poder
reparador, na garantia das
instituições.
A atitude assumida
pelo II Exército está con-
substânciada na reafirmação dos prin-
cípios democráticos prescritos pela
Constituição vigente, inteiramente des-
pida de qualquer caráter político-parti-
dário, visa exclusivamente a neutrali-
zar a ação comunista que se infiltrou
em alguns órgãos governamentais e
principalmente nas direções sindicais,
com o único propósito de assalto ao
Poder.
O II Exército, ao dar o passo de
extrema responsabilidade, para a sal-
vação da Pátria, manter-se-á fiel à Cons-
tituição e tudo fará no sentido da manu-
tenção dos poderes constituídos, da
ordem e da tranquilidade. Sua luta será
contra os comunistas e seu objetivo
será o de romper o cêrco do comunis-
mo, que ora compromete a autoridade
do govêrno da República.
General de Exército Amaury Kruel
Comandante do II Exército.
A 31 de Março de 1964, o general-de-Exército Amaury Kruel, coman-
dante do II Exército lançou o seguinte manifesto:
6
7Nº 276 - 31 de Março/2020
1 - Alberto Deodato Maia Bar-
reto – Advogado. Jornalista. Profes-
sor da Fac. de Direito da UFMG. 2 -
Aluísio Aragão Villar – Advogado. 3
- Aníbal Teixeira Sousa – Advoga-
do. 4 - Angelo Scavazza – Gerente da
Sul América Cia. de Seguros. 5 - Au-
gusto de Lima Neto – Industrial. Dir.
da Cia. Telefônica de Minas Gerais. 6
- Antônio Joaquim Corrêra da Cos-
ta – General Reformado. 7 - Bento
Romeiro – Advogado. Delegado Au-
xiliar aposentado. 8 - Bráulio Car-
salade Villela – Advogado. Alto Fun-
cionário da Cia. Siderúrgica Belgo-
PRINCIPAISCOLABORADORES
DO MOVIMENTO (Pág. 152)
Mineira. 9 - Célio Andrade – Médico.
Diretor-Clínico do Hospital Felício
Roxo. 10 - Délzio Bicalho – Médico.
11 - Dênio Moreira – Advogado.
Jornalista, Radialista, Deputado. 12 -
Emílio Montenegro Filho – Cel. Avi-
ador Reformado. 13 - Elcino Lopes
Bragança – General Reformado. 14 -
Evaristo de Paula – Médico. Fazen-
deiro. 15 - Francisco Floriano de
Paula – Advogado. Prof. Faculdade
de Direito. 16 - Gabriel Bernardes
Filho – Advogado. Fazendeiro. Di-
retor da Cia. Força e Luz de Minas
Gerais. 17 - Geraldo Jacinto Ve-
loso – Agente Fiscal do Imposto Adua-
neiro em Belo Horizonte. 18 - Hei-
tor Picchioni – Corretor de Fundos
Públicos. 19 - Hélio Pentagna Gui-
marães – Industrial. Diretor da
Magnesita. 20 - João Botelho – Sa-
cerdote. 21 - João Manoel Faria –
General Reformado 22 - João Tor-
res Pereira – General Reformado.
23 - João Romeiro – Advogado.
Juiz da Justiça Militar de Minas Ge-
rais. 24 - José Cândido de Castro –
Sacerdote Jesuíta. 25 - José Lopes
Bragança – General reformado. 26 -
José Resende de Andrade – Advo-
gado. Del. de Polícia. 27 - José Luís
Andrade – Corretor de Títulos. Ge-
rente do Fundo Crescinco em Minas
Gerais. 28 - José Meira Júnior –
Coronel da Polícia Militar. 29 - Jo-
safá Macedo – Médico. Fazendeiro.
Presidente da Farem.30 - José Ma-
ria Alkmin – Advogado. Deputado
Federal. Ex-Vice-Presidente da Re-
pública. 31 - José Oswaldo Campos
do Amaral – Cel. Reformado da PM.
32 - Luís Gonzaga Fortini – Médi-
co. Assistente da Fac. de Medicina
da UFMG – Industrial, Diretor-Pre-
sidente da LAFERSA. 33 - Luís Pin-
to Coelho – Arquiteto. Comercian-
te. Ex-Presidente do Rotary. 34 -
Maurílio Augusto Fleury Curado
Júnior – General Reformado. 35 -
Nelson Felício dos Santos – Gene-
ral Reformado. 36 - Olavo Amaro
da Silveira – General Reformado.
37 - Orlando Vaz Filho – Advoga-
do. Ex-líder Estudantil. 38 - Paulo
de Sousa Lima – Médico. Fazendei-
ro. Ruralista. 39 - Raimundo Silva
de Assis – Advogado. Industrial.
Técnico em Previdência Social. 40 -
Rúbio Ferreira de Sousa – Advo-
gado. Titular de Cartório. 41 - Ruy
de Castro Magalhães – Advogado.
Presidente do Banco Comércio In-
dústria de Minas Gerais. Ex-Presi-
dente do Sindicato dos Bancos. 42 -
Vicente Moura – Jornalista e Fun-
cionário Público Estadual.
Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade,
em BH (Página 160)
Cel Valle, Gen Bragança, Gen Guedes, Cel PM José Geraldo,
Major Clementino, Padre Caio e o Arcebispo D. Sigaud
No auditório da TV Itacolomy, na instalação da "Cadeia da
Liberdade", em abril de 1964. Em pé: Sarg. Pedro Dorival de Melo,
Sarg. José Della Sávia Filho, José Lamartine Godoy, Cap. Euryalo
Romero, Cap. Vitral Monteiro, Ten.Cel. Hélio Fonseca Viana, Maj.
Joaquim Clemente, Maj. Elson Correa da Fonseca e Ten. Jofre
Lacerda. Sentados: Augusto de Lima Neto, Cel. José Geraldo, Gen.
Guedes, Gen. Mourão Filho, Gen. Odylio Denys, José Maria
Alkmin, Oswaldo Pieruccetti e Clóvis Salgado. (Página 161)
Rio de Janeiro - Quarta-feira, 1 de abril de 1964
OCruzeiroExtra-10/04/64
AAssociação Comercial de Minas através de seu Presidente, Sr. Miguel A.
Gonçalves de Souza e de seus diretores, acompanhou desde o início, atentamen-
te, o desenrolar dos últimos acontecimentos verificados no país e que tiveram
por objetivo restaurar a ordem, a disciplina e os princípios democráticos, cris-
tãos e ocidentalistas do povo brasileiro, pondo fim ao processo subversivo e
desagregador que se desenvolvia, rapidamente, a serviço de ideologias impor-
tadas que vinham infelicitando o Brasil.
Ao irromper o movimento cívico-militar em Minas Gerais, liderado pelo
governador José Magalhães Pinto e generais Olímpio Mourão Filho e Carlos Luiz
Guedes, a Associação Comercial de Minas e a Federação das Associações Comerciais
do Estado de Minas Gerais imediatamente se solidarizaram e aplaudiram a atuação
brava e patriótica do Chefe do Executivo Mineiro e dos comandantes da IV Região
Militar e da Divisão de Infantaria sediada nesta capital, bem como do comandante
da Polícia Militar de Minas Gerais e dos secretários de Estado que participaram
mais ativamente das ações.
CONGRATULA-SE A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
DE MINAS COM AS FORÇAS ARMADAS
ARTICULADOR e iniciador do mo-
vimento que culminou com o afas-
tamento do Presidente. João Goulart, o
Governador Magalhães Pinto foi acla-
mado em Minas como o grande herói
da insurreição vitoriosa e calorosa-
mente festejada em todo o Estado.
Contando com a decidida colabo-
ração das tropas do
Exército sediadas em
Minas, além dos 18
mil homens da Fôrça
Pública do Estado e
de total apoio popu-
lar,oGovernadorMa-
galhães Pinto iniciou
a história arrancada
pelas liberdades de-
mocráticascomumvi-
goroso manifesto, em
que afirmou terem
sido inúteis tôdas as
advertências contra a
radicalização de po-
sições e atitudes e
contra a diluição do princípio federativo.
A eficiente articulação empreen-
dida, que garantiu a adesão de elemen-
tos decisivos, e a rapidez e ação foram
preciosos para a fulminante vitória das
fôrças democráticas.
Durante todo o desenrolar da crise,
o Sr. Magalhães Pinto permaneceu no
Palácio da Liberdade, cercado pelo seu
MAGALHÃES,
O HERÓI DA REVOLUÇÃO
Reportagem de Oswaldo Amorim, Luiz Alfredo e José Nicolau
“staff” e em permanente contato com os
GeneraisCarlosLuísGuedes.Comandan-
te da ID-4 (sediada em Belo Horizonte) e
Olímpio Mourão Filho, Comandante da
4.ªRegiãoMilitar(JuizdeFora)efazendo
ligações para outros chefes militares e
vários Governadores de Estado. Somen-
te saiu, no dia 1.º, para visitar os quartéis
do 12.º RI e da Polícia
Militar, o Destacamen-
to de Base Aérea (úni-
co núcleo rebelado da
FAB) e o Centro de Re-
crutamento de Volun-
tários, acompanhados
do Cel. José Geraldo
de Oliveira, comandan-
te da Polícia Militar,
Cel. José Guilherme,
chefe do Gabinete Mi-
litar (ambos foram pe-
ças importantes do
movimente que eclo-
diu em Minas e se alas-
trou no País) e dos Se-
nadores Milton Campos e Afonso Ari-
nos — nomeados secretários sem Pas-
ta do govêrno mineiro.
A vitória final, vibrantemente fes-
tejada pelo povo de Minas, teve no tran-
qüilo e decidido Governador Magalhães
Pinto o seu grande comandante e maior
alvo das manifestações populares em
todo o País. O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964
ANÚNCIO DA VITÓRIA FÊZ POVO VIBRAR EM MINAS
Estado de Minas, 05/04/64
O Coronel Aviador Afrânio Aguiar, Comandante da Base Aérea
de Belo Horizonte, único núcleo da FAB a se rebelar no país,
recebe a visita do governador mineiro, Magalhães Pinto
7
8Nº 276 - 31 de Março/2020
DEPOIMENTOS SOBRE
31 DE MARÇO DE 1964
Minas Gerais, como sempre ao longo de sua história, fez-se presente ao
Movimento Cívico-Militar, pelo seu povo e pelas suas autoridades, à frente
o Governador Magalhães Pinto, com a decisiva lealdade de nossa brava e disci-
plinada Polícia Militar, sob o comando do Cel José Geraldo e com a fundamental
participação do Exército Brasileiro, nas pessoas dos Generais Olympio Mourão
Filho e Carlos Luis Guedes, Comandantes da 4ª Região Militar, sediada em Juiz
de Fora e ID/4-Infantaria Divisionária, em Belo Horizonte, tendo ao lado o des-
tacamento local da Força Aérea Brasileira. Para relembrar e cultuar a data his-
tórica, colhemos depoimentos daqueles que participaram do Movimento, sendo
que alguns foram prestados há bastante tempo.
À frente do meu 10º BI, se-
diado em Montes Claros, integrei,
como vanguarda, a primeira força
revolucionária a pisar o solo de
Brasília, vibrante de fé patriótica.
Se o preço então a pagar pa-
ra varrer de minha Pátria o comu-
nismo que tentara tomar o poder
fosse minha pobre vida, de muito
bom grado te-lo-ia pago.
A Contra-Revolução de 31 de
março foi um ato da Pátria, pela
Pátria e para a Pátria.
Quando ela ressurgir nes-
ses moldes, novamente marcharei.
Minhas botas continuam engraxadas.
(Depoimento prestado em 20/03/2002)
GENGENGENGENGEN ANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICY
Chegando ao Rio, as tropas mineiras alojaram-se no
Maracanã, onde Mourão recebeu a visita de Magalhães Pinto,
de Alkmim, Pierucetti e do General Muricy
Cel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZA
Cel José Geraldo, Generais Guedes e Mourão
e Cel Georgino - Abril/64
Servindo no 10º RI em Juiz de Fo-
ra, integrei a vanguarda do Destaca-
mento Tiradentes em sua marcha vito-
riosa para o Rio de Janeiro.
Naquela ocasião, conseguimos,
respaldados pelo povo, afastar mais
uma vez, o perigo comunista de nosso
país.
Por que o brasileiro é averso ao
comunismo?
Porque é livre por natureza e te-
mente a Deus, e contrário ao regime
que a URSS, a China e alguns países
impuseram a seus povos, através de
um Partido que usufrui das vantagens
do poder, esmagando-os e escravizan-
do-os em nome de uma ideologia per-
versa.
Valeu 31 de março? Sim, com cer-
teza. O Brasil desenvolveu-se como
nunca nos governos revolucionários,
projetando-se no cenário mundial. Quei-
ram ou não, é um fato!
Neste momento difícil em que vi-
vemos, sob nova ameaça marxista que
busca aceleradamente a tomada do po-
der, que o espírito que nos norteou em
1964 inspire o povo e suas Forças Ar-
madas a novos “31 de março”, para os
quais estarei pronto a participar.
CELCELCELCELCEL REYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHA
A reação à
comunização do
país veio do povo.
Amulherbrasileira
agiu com energia e
coragem. Em Per-
nambuco, a Cruza-
daDemocráticaFe-
minina enfrentou a
polícia de Arraes e
fez um congresso
num estádio à luz
de velas. Em Belo Horizonte, as minei-
ras fizeram correr e embarcar, precipita-
damente, o agitador Brizola.
Em São Paulo, as mulheres foram
às ruas em imensa passeata de milhares
de pessoas, na célebre “Marcha da Fa-
mília com Deus pela Liberdade”.
Em 31 de março de 1964, o Povo
Brasileiro, dando vazão aos seus sen-
timentos profundamente democráticos,
com sua alma densamente cristã e com
o patriotismo que sempre o caracteri-
zou, convocou suas Forças Armadas
para ajudá-lo a reconduzir a Nação à
estrada democrática de que a tinham
desviado.
“A Marinha do Brasil, dentro da
missão que lhe é atribuída pela Carta
Magna, tem por dever zelar pela lei,
pela ordem e pela defesa das institui-
ções.
Vinha o Clube Naval mantendo
silêncio na intenção de não agravar
mais ainda o conturbado panorama po-
lítico-social do País.
Os últimos acontecimentos, po-
rém mostraram que a Marinha, como
instituição militar, foi inteiramente aba-
lada em seus próprios fundamentos.
Um ato de indisciplina, pra-
ticado por um grupo de milita-
res, foi acobertado pela au-
toridade constituída, destru-
indo o princípio da hierar-
quia, fundamental em qual-
quer Organização, principal-
mente as militares.
Êsses lamentáveis acon-
tecimentos foram o resultado de
um plano executado com perfeição e
dirigido por um grupo já identificado
pela Nação brasileira como interessado
na subversão geral do País, com caracte-
rísticas nitidamente comunistas.
O fato de a Associação de Subofi-
ciais e Sargentos da Marinha e do Clu-
be Humaitá terem-se manifestado con-
trariamente a êsses episódios demons-
tra quem a Marinha, em sua expressiva
maioria com seu pessoal subalterno,
continua trilhando as tradições de bem
servir à Pátria. Demonstra também que,
contrariamente ao que querem fazer crer
os agentes desagregadores, a Marinha
não possui classes ou castas. Trabalha
para cumprir sua missão como um todo,
com seu pessoal distribuído por postos
e graduações, que vão de grumete a al-
mirante, com fundamento na hierarquia,
base da organização militar.
Os elementos que se indiscipli-
naram, dentro de tática facilmente re-
conhecível, apresentaram reivindica-
ções, algumas justas e outras absur-
das, como se êsses problemas pudes-
sem ser resolvidos, numa corporação
militar, desta maneira. É de se notar que
OS MANIFESTOS DA CRISE
MANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITAR
“O Clube Militar, diante dos acon-
tecimentos lamentáveis registrados an-
teontem no Sindicato dos Me-
talúrgicos, onde marinhei-
ros e fuzileiros, insidiosa-
mente doutrinados pelos
chefes sindicalistas a servi-
ço de Moscou, se homizia-
ram e deram mostras de in-
disciplina e revolta, declara-
se solidário com a Marinha de
Guerra de Tamandaré, Barroso, Ba-
tista das Neves, Greenhalgh e Marcílio
Dias, na sua justa e intrépida reação e
repressão aos amotinados.
É preciso que a Nação brasileira se
recorde dos feitos heróicos da nossa Ma-
rinha e do que ela é capaz de praticar em
prol da Pátria, para ter confiança e
tranqüilidade, certa de que os
homens de valor dessa nobre
Fôrça Armada saberão recon-
duzi-la ao rumo da retidão e de
glórias, tão bem registrado em
nossa História.
Formando ao lado e unido
ao Clube Naval, no pensamento de
ordem e respeito ao regime e à Constitui-
ção, o Clube Militar não medirá sacrifíci-
os no sentido de concorrer para o res-
tabelecimento da disciplina e do acata-
mento às autoridades e às instituições”.
MANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVAL
muitas das reclamações expostas têm
sido há anos consideradas, sendo a Ma-
rinha a pioneira da Assistência Social
nas Fôrças Armadas.
Deve ser esclarecido, outrossim,
que na Marinha do Brasil, seus subal-
ternos têm tratamento igual ou superi-
or ao de qualquer outra Marinha.
Seus homens são recrutados, em
geral, nas zonas subdesenvolvidas do
País. A Marinha os transforma em téc-
nicos especializados, úteis não só a ela
como a eles mesmos e ao País, propor-
cionando-lhes inclusive a possi-
bilidade de alcançarem o ofi-
cialato e até mesmo o Al-
mirantado.
Vem assim o Clube Na-
val,interpretandoosentimen-
to unânime dos seus associa-
dos, comunicar à Nação que:
a) A indisciplina foi co-
ordenada e dirigida por elementos
totalmente estranhos à Marinha.
b) O acobertamento dessa in-dis-
ciplina, violentando o princípio da au-
toridade, dificultou e, possivelmente,
impedirá o seu exercício através de
tôda a cadeia hierárquica a bordo dos
navios, nos quartéis e estabelecimen-
tos navais.
E o mais lamentável é que a pala-
vra do Govêrno empenhada ao Minis-
tro da Marinha, no sentido de punir a
insubordinação, não foi cumprida.
Pouco depois, a punição de to-
dos os sublevados foi relevada e o prin-
cípio da autoridade mutilado.
O grave acontecimento que ora
envolve a Marinha de Guerra, ferindo-
a na sua estrutura, abalando a discipli-
na, não pode ser situado apenas no
setor naval. É um acontecimento de
repercussão nas Fôrças Armadas e a
êle o Exército e a Aeronáutica não po-
dem ficar indiferentes. Caracteriza-se,
claramente, a infiltração de agentes da
subversão na estrutura das Fôrças
Armadas. O perigo que isto representa
para as instituições e para o Brasil não
pode ser subestimado”.
De 1967 a 1970, como sargento da PMMG, no comando de uma patrulha
volante constantemente envolvia-me em combate direto armado com militantes
de esquerda, treinados em guerrilha urbana, que praticavam assaltos a agências
bancárias, seqüestros de autoridades e atos de terrorismo. Para que os mais
jovens possam conhecer a história do Movimento de 1964 e a participação das
Forças Armadas Brasileiras no evento revolucionário, concito os políticos que se
beneficiaram diretamente da Revolução a sair em defesa delas, dizendo que estavam
certas ao não permitir que o comunismo se instalasse em nosso país. Digam que
o muro de Berlim já foi implodido e que o comunismo de tão pobre e utópico foi
varrido do Leste Europeu e extinto na própria Rússia, o seu berço natal.
O Marechal Augusto Magessi, Presidente do Clube Militar,
lançou ao País o seguinte Manifesto:
DEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULA
"Naquela época, se houvesse eleições o Médici ganhava. E foi no auge da
repressão política mesmo, o que a gente chama do período mais duro do
regime militar. A popularidade do Médici no meio da classe trabalhadora
era muito grande. Ora por quê? Porque era uma época de pleno emprego".
Luiz Inácio Lula da Silva
(Depoimento a Ronaldo Costa Couto, in Memória viva do regime militar)
O CRUZEIRO, 18 DE ABRIL DE 1964
MAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTA
8
9Nº 276 - 31 de Março/2020
RECONSTITUINDO A HISTÓRIA DO BRASIL
....No começo do ano passado, em
Santa Tereza, Espírito Santo, todos dis-
semos ao chefe do Executivo minei-
ro:.... “Os nossos adversários do mar-
xismo são peritos nesse tipo de ação
direta revolucionária”....
... “Tenha a segurança de que as
provocações das esquerdas avermelha-
das cairão, em primeiro lugar, sôbre
Minas Gerais....”
... “Estão planejados, pelo coman-
dante Prestes, os choques do lança-
mento de vanguardas cubanas no ter-
ritório montanhês....”
“...Os nosso rapazes de Belo Horizon-
te e de Juiz de Fora se acham dispostos a
aceitar o seu quinhão de responsabilida-
des no entrevero que se aproxima...”
... “Venha tranquilo para topar o
encontro marcado pelos marxistas-
lenineanos com Minas, que êles consi-
deram o nó de estrangulamento da de-
TODO O PODER AO GLORIOSO
EXÉRCITO DO BRASIL
* Assis Chateaubriand
mocracia no Brasil.”
“Verá como se enganam o presiden-
te e sua guarda escarlate.”
“Pomos à sua disposição os instru-
mentos de preparação da mentalidade
pró-Brasil e, “ipso facio”, anti-Castro.”
“Temos um esquema, já feito, para
ser montado, de luta “callejera” contra
decretos do governo, que se encon-
tram em febril elaboração.”...
... “É que a opinião mineira anda
longe de participar da pregação dema-
gógica das esquerdas.”
“Ela é nossa toda nossa”.
“O que se torna preciso é enquadrá-
la no dispositivo de reação contra o fan-
tasma de papelão do binômio Goulart-
Prestes.”
“Isto é a introdução do movimento
de Cuba num segundo ponto do hemis-
fério.”
O General José Lopes
Bragança, cujo irmão foi
assassinado pelos comunistas,
(liderados pelo ex-Capitão Luiz
Carlos Prestes, no Campo dos
Afonsos/RJ), na Intentona de
1935, instalou o Quartel General
do Voluntariado no Grupo
Escolar Pandiá Calógeras, em
Belo Horizonte. Os voluntários
chegaram pouco antes da meia-
noite da terça-feira e 16 horas
mais tarde o seu número era de
10 mil.
(Manchete, abril de 1964 -
Edição Histórica)
MINAS GERAIS NA VANGUARDA
* Fundador e Presidente dos "Diários Associados"
UM MILHÃO NAS RUAS
...A passeata de repúdio do po-
vo de São Paulo, idealizada e concre-
tizada em pouco menos de 72 horas,
levou às ruas um milhão de cidadãos,
quequeremumapátrialivreparalivre-
menteprogredire viver.Ummilhãode
corações que pulsaram intensamen-
te, a fim de que o país não seja sub-
jugado espezinhado por um poder
central que pretende “cubanizar” o
povo, que não aceita, ainda que a
custa do seu próprio sangue, qual-
quer espécie de ditadura, qualquer
idéia de “bolchevização”....
Estado de Minas, 20 de março de 1964
POVO DEVE
ESTAR UNIDO
PARA A DEFESA
DA LIBERDADE
São Paulo repudia idéias
totalitárias e subversivas.
Estudantes da Universidade Mackenzie,
empunhando bandeiras do Brasil, de
São Paulo e da sua faculdade,
atravessaram o centro da cidade em
ruidosa passeata, rumo à sede do IIº
Exército, onde aplaudiram os soldados
em prontidão
(Manchete, abril de 1964 Edição Histórica)
Viveu a Praça da Sé horas
de civismo e fé democrática.
...Ciente do desenrolar dos acontecimentos, com o agravamento da crise
político-militar, e de que Brasília estava praticamente sob o controle dos elemen-
tos que pregavam a subversão da democracia, o deputado João Calmon partiu
para Belo Horizonte, onde chegou após 12 horas de viagem. Ao passar por Sete
Lagoas, falou ao povo, através da emissora local.
Pouco depois do meio dia, compareceu aos estúdios da Rêde Radiofônica
da Luta Pela Liberdade, dirigindo uma proclamação aos mineiros.
À noite, às 20 horas, voltou o deputado João Calmon a falar ao povo, desta
vez através de uma cadeia de emissoras de televisão e rádio....
Estado de Minas - 02/04/64
JOÃO CALMON EM BELO HORIZONTE
ALERTA
No estúdio da TV
Itacolomi, João
Calmon saúda o
Coronel Av.
Afrânio Aguiar e o
General Guedes
(Edição Histórica -
Manchete, Abril/64)
No Palácio da Liberdade, o senador Milton Campos, em palestra com a repor-
tagem do ESTADO DE MINAS, disse que “como brasileiro, regozijo-me pelo
feliz desfecho da crise, que estava comprometendo os alicerces das instituições
democráticas brasileiras”. Acrescentou o representante de Minas no Senado
Federal que “a Nação se uniu num admirável assomo de repulsa a tudo o que
significa risco para a liberdade, para os direitos do homem e para o estabeleci-
mento de melhores condições de vida para o povo. Só me resta fazer votos para
que essa união se mantenha, a fim de que a vitória da Nação brasileira seja
consagrada pela paz duradoura e pela fraternidade entre os concidadãos”....
PALAVRAS À IMPRENSA
Publicado no Estado de Minas de 02 de abril de 1964.
Entre as unidades do II Exército mobilizadas para a ofensiva sobre a Gua-
nabara e que se deslocaram pelo Vale do Paraíba figurou uma bateria de
artilharia do Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva de S. Paulo. Os
alunos do CPOR - estudantes de nossas escolas superiores que ali cumprem
sua obrigação com o serviço militar - portaram-se galhardamente, revelando
alto grau de treinamento e eficiência e demonstrando coragem e senso de
responsabilidade.
A bateria do CPOR foi a primeira tropa de S. Paulo a atingir Rezende,
tendo ultrapassado, no deslocamento pelo Vale do Paraíba, o Esquadrão de
Reconhecimento Mecanizado.
Comandou a bateria o capitão Levy Ribeiro Bitencourt Junior, seguindo
como oficiais os primeiros-tenentes Ruy Machado Guimarães, Lister Marino
Viegas, Dalmo Lucio Muniz Cirilo, Valcir Delamare Paiva, Odracir Melo
Salazar e Adir Molinari.
Compuseram a coluna do CPOR cerca de 80 homens, dos quais 42 alunos
e os demais oficiais, sargentos e soldados. A bateria operava 4 canhões 105.
A ordem recebida era a de que a bateria deveria reunir-se em Rezende ao
5º Regimento de Infantaria e aos Cadetes da Academia Militar das Agulhas
Negras, tomando posição no eixo da Via Dutra, pronta para qualquer emergência.
RETORNO
Com a mesma ordem, disciplina a e eficiência com que avançara, a coluna
do CPOR retornou a S. Paulo, cumprida efetivamente a missão que lhe fôra
atribuída.
Doravante, a participação, do CPOR na arrancada vitoriosa do II Exército,
pela democracia, constituirá um dos episódios marcantes das tradições daquele
Centro onde se formam os oficiais da reserva do Exército de Caxias.
(Extrato da Revista do CPOR/SP de 1965)
BATERIAS DO CPOR DE
SÃO PAULO E BELO HORIZONTE
Diga-se, também, que a Bateria de Artilharia do CPOR/BH participou
do histórico Movimento Cívico-Militar de 1964, que ora celebra o seu
Jubileu de Ouro. Esta valorosa Subunidade integrou o Grupamento Tático/
12 (GT/12), "Destacamento Caicó", à base do 12° RI, cuja denominação
histórica foi uma homenagem à terra natal do potiguar, Coronel Dióscoro
Vale, comandante do dito Regimento. O Destacamento deslocou-se de Belo
Horizonte para Brasília, no dia 2 de abril de 1964, tendo permanecido na
Capital Federal até 16, quando regressou à Capital mineira, após haver con-
solidado a Revolução, no Distrito Federal, onde cumpriu, de forma primo-
rosa, diuturnas missões de garantia da lei e da ordem. Assim, o Exército
Brasileiro muito se ufana da atuação desses dois Centros de Preparação de
Oficiais da Reserva, que ingressaram, gloriosa e memoravelmente, na His-
tória-Pátria, quando da Revolução de 31 de Março de 1964. O comandante
da Bateria foi o saudoso Coronel Ewerton Paixão Curado Fleury, Capitão
àquela época. (Histórico do CPOR - BH)
○ ○ ○
○ ○ ○
Casa Amarela (São Paulo), 2 de abril de 64.
9
10Nº 276 - 31 de Março/2020
12º REGIMENTO DE INFANTARIA
OGeneral Humberto de Alencar
Castello Branco foi eleito com
a quase unanimidade dos sufrágios,
obtendo 361 dos 388 votos que com-
punham o Colégio Eleitoral, e em-
possado em 15 de abril de 1964.
Na noite de 1º de abril, os prin-
cipais Governadores que haviam
apoiado a Revolução reuniram-se no
Rio de Janeiro, representando todos
os Partidos, com exceção do PTB, e
acordaram que o Chefe do Governo
Revolucionário deveria ser um mili-
tar. Como escreveria mais tarde o
Governador Carlos Lacerda, “a fim
de garantir a unidade das Forças
Armadas, impedir uma eventual usur-
pação e evitar uma competição en-
tre os políticos numa hora delicada
para o País” (1).
A Federação e o Centro das In-
dústrias do Estado de São Paulo envia-
ram telegrama ao Senado, solicitando a
eleição de um chefe militar (2).
A Sociedade Rural Brasileira
publicou um manifesto, exigindo um
militar para presidente e pedindo
expurgos políticos. A união Cívica
A ELEIÇÃO DE CASTELLO BRANCO
TEN CELTEN CELTEN CELTEN CELTEN CEL PEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHO
DESTACAMENTO TIRADENTES
Oficiais do 2º Batalhão / 12º RI que se deslocou para o Rio de Janeiro no dia 31 de março
integrando o Destacamento Tiradentes. Da esquerda para direita, na 1ª fila: Ten Soriano,
Ten Rocha, Ten Figueiredo, Cap Barros e Ten Paulo Gomes. 2ª fila: Ten Schubert, Cap
Amaury, Maj Oliveira Pinto (Comandante do Batalhão), Maj Flores e Cap Joarez. 3ª fila:
Ten Scoralick, Ten Rosa Júnior e Ten Muzzi (ausente o Ten Waltenberg)
(1) Lacerda, C: “Análise de uma Provocação”, Tribuna da Imprensa de 26 de
agosto de 1967. (2) “O Estado de S. Paulo”, de 5 de abril de 1964. (3) “O Estado
de S. Paulo”, de 4 de abril de 1964 (4)“Editorial de “O Estado de S. Paulo”, de
5 de abril de 1964. (5) Alfred, S.: “Os militares na política”, Ed. Artenova, RJ.,
pág. 153. (6) Vianna Filho, L.: “O Governo Castello Branco”, Liv. José Olímpio
Editora, 1975, Vol. I, pág. 47
DESTACAMENTO CAICÓ
Tropas do 12º RI em Brasília
O Coronel Valle, Comandante do 12º Regimento
de Infantaria, recebe o abraço do Governador
Magalhães Pinto, à vista dos Secretários Afonso
Arinos e Osvaldo Pierucetti
Apresença do GT/12 (depois Destacamento Caicó) na Nova Capital, des-
pertara o maior interesse, não apenas no meio militar, mas também entre
os civis, particularmente os políticos, agora tranqüilos no exercício de suas
funções parlamentares.
Começaram as visitas de autoridades e amigos, os mineiros em maior nú-
mero, numa contínua homenagem de simpatia e apoio, entre eles, o senador
Juscelino Kubitschek, sempre comunicativo e alegre, junto a seus conterrâneos,
soldados do 3º BIPM de Diamantina.
(Depoimento do Cel Dióscoro Gonçalves do Valle, Comandante do 12º RI)
JK visita as tropas mineiras em Brasília
Écom o pensamento voltado para Deus, grato à
sua proteção ao Brasil e ao seu povo, que saúdo
a nossa gente pela restauração da paz, com legalida-
de, com disciplina e com a hierarquia restauradas nas
Fôrças Armadas
A paz não exclui, todavia, a vigilância demo-
crática. O perigo comunista não estava, como se viu,
no comportamento do povo e dos trabalhadores, or-
deiros e democratas. O perigo comunista estava na
infiltração em comandos administrativos.
O Brasil das reformas é o Brasil democrático,
contra privilégios e contra extremismos. É o Brasil sem
frustrações. Esperançoso, rico e mais justo. (Extrato)
(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)
JUSCELINO KUBITSCHEK
Feminina também fez publicar seu
manifesto, no qual exortava a con-
solidação da Revolução pela elimina-
ção da corrupção e do comunismo e
endossava a escolha de Castello Bran-
co porque era “um general sem liga-
ções políticas” (3). No mesmo tom,
“O Estado de S. Paulo” publicou um
editorial onde defendia a escolha de
um presidente militar, para varrer os
comunistas, e dizia que o País preci-
sava de um homem “ sem ligações po-
líticas”. (4)
Castello assumia o poder com
o apoio civil, demonstrando “o esta-
do de apreensão e a perda de confi-
ança de muitos representantes das
classes assalariadas e dos grupos em-
presariais, bem como de políticos de
direita, e de centro”, num presidente
civil, embora mais tarde a maioria
retirasse seu apoio ao governo (5).
Castello Branco era um líder
militar que, como chefe de Estado-
Maior do Exército e pela autoridade
reconhecida, se tornara o líder do mo-
vimento de 1964. Todavia, era desco-
nhecido para o País. Poucos haviam
ouvido, antes, o seu nome, embora não
tivesse passado despercebido à acuida-
de política de Tancredo Neves, que,
em novembro de 1963, dissera a um
grupo de políticos:
“Se houver alguma complica-
ção maior neste País, o nome que vai
surgir como estrela de primeira gran-
deza não é o de nenhum desses gene-
rais que andam dando entrevistas.
Quem vai aparecer é o Chefe do Es-
tado-Maior do Exército, General Cas-
tello Branco” (6).
Voltado para a profissão e dotado
de profundo sentimento legalista, para
Castello Branco a revolução “visava a
repor a Nação na ordem jurídica con-
sentânea com as aspirações e realida-
de, estabelecer a ordem pública, digni-
ficar o comportamento ético na admi-
nistração do País e superar as diversi-
dades sócio-econômicas regionais, a
fim de que o Brasil amadurecesse co-
mo nação integrada e desenvolvida”.
Como diz Luiz Vianna Filho, Castello
estava “convicto de que afastado
Goulart e eliminados da vida pública
alguns elementos perturbadores, go-
vernaria com tranqüilidade, mantida
toda a ordem jurídica”.
Os problemas que lhe espera-
vam, porém, eram enormes. A pri-
meira condição, para a estabilidade e
para a retomada do desenvolvimento,
consistia em repor a ordem no País.
Mas, caber-lhe-ia, também, estabele-
cer uma estratégia para o desenvol-
vimento e assegurar o apoio político
à estratégica adotada.
A par desses inúmeros proble-
mas, caberia, ao Presidente recém-
eleito, encontrar o ponto de equilíbrio
entre as diferentes correntes revolu-
cionárias.
O12º RI, nosso Regimento, foi
a primeira Unidade que saiu
do quartel contra o governo comu-
nista de João Goulart.
Um fato fundamental e deci-
sivo para consolidar o ardor revo-
lucionário do movimento em mar-
cha foi a adesão da AMAN, que
entrou com seus cadetes em posi-
ção para resistir a um eventual ini-
migo, constituindo-se em atitude
nobre e heróica que nos empolgou.
A Contra-Revolução de 31
de março de 64 foi uma revolução
crioula, genuinamente nacional,
sem auxílio externo. Ouso dizer
que se 31 de março não tivesse
ocorrido, o Brasil cairia fatalmen-
te nas mãos dos comunistas e,
pelo peso que nosso país repre-
senta nas Américas, inevitavel-
mente outros países sul-ameri-
canos tornar-se-iam marxistas.
31.03/06.04
02/16.04
11Nº 276 - 31 de Março/2020
ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS
Ao decidir empregar a Academia e,
em especial, o Corpo de Cadetes,
eu e meus assessores diretos fomos
tomados de viva emoção. Lançávamos,
assim, o sangue jovem do Exército na
liça e corríamos o perigo de vê-lo ume-
decer as velhas terras do Vale do Pa-
raíba. Mais fortes que ela, porém, fo-
ram o sentimento de nossas responsa-
bilidades e o conteúdo energético de
nosso ideal de, no mais curto espaço
de tempo, restaurar os princípios ba-
silares de nossa instituição. Vosso en-
tusiasmo, vosso idealismo imaculado,
vossa fé nos destinos do país e vossa
dedicação aos misteres militares foram
os elementos fiadores da decisão en-
tão tomada, que acabou por contribuir
de modo ponderável para a solução da
crise, em nossa área de operações.
Após 29 anos de alheiamento, a
Academia Militar voltou a empenhar-se
ostensivamente na luta pelo aprimora-
mento de nossas instituições e pela tran-
qüilidade de nosso país. Vós o fizestes,
com pleno sucesso e com admirável ga-
lhardia. Que, por isso, a História Pátria
lhes reservou uma página consagradora,
fazendo-os ingressar no rol daqueles que,
despidos de qualquer ambição ou
interêsse subalterno, um dia se dispuse-
ram a lutar pelo país que nossos des-
cendentes hão de receber engrandeci-
do e respeitado. Extrato (02/04/64)
ORDEM DO DIA
No gabinete do Comando já não cabia mais ninguém, quando o general
Médici foi informado que o carro do general Armando de Moraes
Ancora, comandante do I Exército (e Ministro da Guerra interino) ultrapas-
sava o portão da Academia. Determinou, em seguida, que os oficiais que
estavam próximos acompanhassem-no para receber o general Ancora no Estado-
Maior. Eu desci entre eles.
Quando o general An-
cora saltou do carro, ele or-
denou pessoalmente ao cor-
neteiro que desse o toque a
que ele tinha direito, suce-
dendo-se uma troca de res-
peitosas gentilezas do mais
genuíno cavalheirismo.
Gen Ancora: - “Não é
preciso! General derrotado
não tem direito a sinais de
respeito. Vim para me ren-
der.”
Gen Médici: - “Aqui es-
tou para recebê-lo, onde não
há outros derrotados senão
os inimigos da Pátria. Recu-
sando-se ao derramamento de sangue, V Exa está entre os vitoriosos de hoje.
Suba comigo que o general Kruel está esperando-o”.
Chegando ao gabinete do Comando os dois generais se cumprimentaram
cordialmente. Sentados em torno de uma mesa conversavam baixo, sem que
pudéssemos ouvi-los.
Não houve o humilhante formalismo de uma rendição. Acabara o movimen-
to militar e iria ter início o político.
- Depoimento prestado pelo Cel Prof. Rubem Barbosa Rosadas a pedido
da Cadeira de História Militar, como contribuição à memória dos aconteci-
mentos.
(Pesquisa histórica realizada em 1985 pelo tencel Manoel Soriano Neto)
MEMÓRIA HISTÓRICA
O General Moraes Ancora é escoltado pelo
General Médici, Comandante da AMAN,
ao portão da Academia
Em 1964, passados 29 anos da traiçoeira e covarde Intentona Co-
munista, os cadetes da Academia Militar voltaram a empenhar-se na
defesa de nossas instituições, evitando tal qual em 1935, a implantação
de um regime marxista em nosso país. Os cadetes do 2º e 3º ano da AMAN,
defenderam, não só com o risco da própria carreira prestes a se iniciar,
mas da própria vida, a democracia e a liberdade ameaçadas pelo governo
comuno-sindicalista de João Goulart.
Lançaram então duas proclamações – a primeira intitulada “IR-
MÃOS EM ARMAS”, na manhã de 01 de abril, justificando “PORQUE
A AMAN EMPUNHOU ARMAS EM DEFESA DA DEMOCRACIA”, ao
se deslocarem para a Guanabara na vanguarda do II Exército. A segunda,
no fim da mesma manhã, emitida por todos os meios de divulgação
existentes, “IRMÃOS DAS FORÇAS ARMADAS” com a qual os Cadetes
tornavam público apelo, a seus colegas da Escola Naval e de Aeronáutica,
buscando apoio em defesa da causa comum. Esses mesmos Cadetes, são
hoje, Generais-de-Exército e temos a certeza que, co-
mungam dos mesmos princípios declarados e defen-
didos há 40 anos. Agora, com muito maior respon-
sabilidade.
CONFIAMOS NELES.
A AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIU
AAcademia Militar das Agulhas Negras aderiu às tropas comandadas pelo
General Amaury Kruel. O Comando da Academia, cuja preocupação básica
era o entendimento, tomou posição, redobrando a vigilância nos pontos princi-
pais da área de 70 quilômetros quadrados sob sua jurisdição.
(O Globo, 03/04/1964)
NOSSO COMENTÁRIO
Cadetes da Academia Militar,
que participaram das operações,
regressam à sua Escola.
O Cruzeiro Extra, 10/04/64
Flagrante da histórica reunião entre o General Kruel e o
General Moraes Ancora, último ministro da Guerra de
Jango (Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)
Autorizados pelo Comandante da
Academia Militar, General Médici,
os cadetes se deslocaram para
locais estratégicos perto de Resende.
Utilizando conhecimentos e táticas
aprendidos, tomaram posições que
dominavam a estrada Rio-São
Paulo, montando ninhos de
metralhadoras. Em algumas colinas
havia canhões 105. Os cadetes
impediram o choque dos Exércitos.
O Cruzeiro Extra, 10/04/64
CADETES!
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
2006 - TURMA GENERAL
EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI
433 alunos formandos escolheram de livre e espontânea
vontade, o nome do Presidente Médici para a Turma de
2006 da Escola Preparatória de Cadetes Publicado no Inconfidência nº 66 de 31 de março de 2004
CADETES: PELA HISTÓRIA, ATINGIS OS UMBRAIS DA GLÓRIA!
Ordem do Dia do Comandante da AMAN,
General-de-Brigada Emílio Garrastazu Médici
12Nº 276 - 31 de Março/2020
MULTIDÃO APLAUDIU COMÍCIO DA LEGALIDADE
BRIZOLA AOS SARGENTOS:
TOMEM OS QUARTÉIS E PRENDAM OS “GORILAS”
PORTO ALEGRE - Multidão incalculável atendeu, ontem à noite, ao
apêlo lançado pela Rêde Nacional da Legalidade, comparecendo em massa
ao Largo da Prefeitura para participar do monumental comício organizado
pelas fôrças populares. Principal orador da concentração, o deputado Leonel
Brizola, conclamou o povo a organizar-se em corpos provisórios civis, “para
participar da luta ao lado das gloriosas forças legalistas do III Exército e da
Brigada Militar”. Lançou a palavra de ordem para que os sargentos de Uru-
guaiana, Bagé, Santa Maria, algumas unidades do Paraná, Santa Catarina, São
Paulo, Guanabara e Minas Gerais, “tomem conta dos quartéis e prendam os
gorilas, golpistas e traidores”. Finalizou recomendando-se ao Almirante
Aragão, comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, a que tome conta
de Lacerda e ao general Oromar Osório, comandante da Vila Militar, a que
“ajuste contas com o traidor Amaury Kruel”.
(Última Hora, 02 de abril de 1964)
RECONSTITUINDO A HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL
4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav - GRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANA - 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC
As rádios transmitiam os aconteci-
mentos, os jornais de Porto Alegre
chegavam diariamente a Uruguaiana (in-
clusiveOGLOBO),oComandantedaCa-
pitania dos Portos do rio Uruguai, atra-
vés da rede rádio da Marinha informa-
va o que vinha acontecendo em Minas
e no Rio. O Grupamento de Fuzileiros
Navais, também participava da rede de
informações.
O oficial de Comunicações do Gru-
po mantinha o Comandante informado
desde 31 de março, do deslocamento
das tropas mineiras e do comício da
legalidade.
O comandante do 4º GA 75 Cav,
Tencel Amerino Raposo Filho, determi-
nou a transmissão dos pronunciamentos
de Leonel Brizola na “Cadeia de Legali-
dade”, pelos auto-falantes, sendo ouvi-
do não só no Grupo assim como também,
no 8º Regimento de Cavalaria, unidade
vizinha, separadas somente por um pe-
queno muro e cerca de arame. Brizola,
incentivava os sargentos a prender os
oficiais, enquanto o povo nas ruas de
Porto Alegre gritava: "O sangue ainda
não correu e o refrão - Vai correr! Vai
correr!".
Não aconteceu qualquer defec-
ção na tropa e muito menos dos sargen-
tos que permaneceram fiéis ao Coman-
do e às suas missões.
Atenção Brasil, atenção Rio Grande!
Riograndenses, brasileiros!
Nesta hora trágica e, ao mesmo tem-
po, gloriosa, que vive o nosso povo,
dirijo-me a todos os riograndenses, para
dizer-lhes que estou presente na luta
que trava a nossa Pátria pela sobrevi-
vência da Democracia e da Liberdade.
Os últimos acontecimentos que
se verificaram neste Estado, demons-
traram, perfeitamente, que aqui tam-
bém se pretende instalar a violência, a
ilegalidade e a ruptura da Constituição.
Requisitei as estações de rádio,
com o propósito honrado de impedir
que através delas viessem a semear-se
os elementos do ódio e da discórdia.
Estas rádios foram agora ocupa-
das pela força e entregues aos inimigos
da Democracia, que as estão utilizando
para pregar a desordem, a indisciplina e
a violação da Carta Constitucional.
Não satisfeitos com isso, agora pre-
tendem requisitar, por simples ofício, à
margem da Lei e da Constituição, a glori-
osa Brigada Militar, Força de tantas e tão
nobres tradições, esteio da Democracia e
O principal e decisivo fato ocor-
reu às 06:00 h de 01 de abril, quando o
Cel. Luiz Serff Sellmann, (Comandante
do 4ºGA75 Cav.del2.02.58a03.03.61),
Chefe do Estado-Maior da 2ª Divisão
de Cavalaria, acompanhado do E5,
Major Gilberto Oscar
Miranda Schimitt, diri-
ge-se ao quartel do Gru-
po. Seu comandante,
Tencel Raposo e seus
oficiais que já os espe-
ravam reunidos, ouvem
de Sellmann: “Neste
momento avoco o Co-
mando da 2ª Divisão de
Cavalaria”
Raposo declarou
que o Grupo estava
pronto para cumprir
missão e de imediato,
ordens foram expedi-
das e começaram a ser
executadas.
Em seguida, Sellmann e Raposo,
dirigiram-se a pé para o 8º RC e disse-
ram ao Comandante, Tencel Carlos Ra-
mos de Alencar, que esperavam contar
com seu apoio, o qual imediatamente
foi declarado. Em seguida, o Tencel
Alencar, com a tropa em forma disse
que o "Regimento estava pronto para
o que desse ou viesse."
Omitindo estes fatos, o livro da
história referente ao Grupo Uruguaiana e
à 2ª Divisão de Cavalaria perde a cre-
dibilidade. Este relato já é do conheci-
mento do Presidente da Academia de
História Militar Terrestre do Brasil
(AHIMTB), Cel Cláu-
dio Moreira Bento,
que colheu depoimen-
to do então General-
de-Divisão Sellmann,
colocado no Centro de
Informações de Histó-
riaMilitarTerrestredo
Brasil, na AMAN -
Academia Militar das
Agulhas Negras e no
Centro de Documen-
tação do Exército.
O Coronel Ame-
rino Raposo Filho
prestou depoimento
sobre o Movimento
Democrático de 31 de
Março de 1964, para o Projeto de His-
tória Oral do Exército Brasileiro, assim
como também este redator, que era o
Oficial de Comunicações do Grupo.
Não fosse a posição assumida,
oportuna e corajosa, pelos ex-coman-
dantesdo4ºGA75Cav.,CoronelSellmam
e Tencel Raposo, tomando a iniciativa
das ações, poderia ter se instalado no Rio
Grande do Sul, um “Governo de Resis-
tência”, pretendido por Jango e Brizola.
Em hipótese alguma, este relato
poderia ser omitido no livro da história
do Grupo Uruguaiana (capa ao lado),
editado e distribuído em dezembro de
2001 pelo então seu Comandante, Co-
ronel José Júlio Dias Barreto (hoje,
General-de-Brigada) e nada melhor
para comprovar do que a frase citada
pelo Comandante do Exército, General
Gleuber Vieira, na Ordem do Dia de 31
de março de 2000: “A História que não
se apaga nem se rescreve”.
O texto do livro rescreve 1964,
deturpando a história, a tradição, os
valores morais e a verdade que não
devem nem podem ser sonegados à
posteridade, desmerecendo os feitos
daqueles que arriscaram suas vidas e
suas carreiras, pelo bem da pátria.
Se já não bastassem os livros di-
dáticos adotados pelo Ministério da
Educação e Secretarias de Estado de
Educação, repletos de erros e detur-
pando a história pátria, o livro "Grupo
Uruguaiana"comprometeaHistóriaMi-
litar do Brasil, omitindo fatos imprescin-
díveis, de ressonância nacional, exem-
plosnocombateàtentativademarxização
e instalação de um governo comuno-sin-
dicalista em nosso país.
Deveria ser retirado de circulação.
MANIFESTO DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO SUL ILDO MENEGHETTI
PROCLAMAÇÃO
da Liberdade, pretendendo tirar do Go-
verno, as condições de assegurar a or-
dem pública.
Riograndenses, brasileiros! Eu
não poderia, nesta hora, fugir ao meu
dever. Frente à ameaça clara e aberta de
intervenção, cujo processo está em mar-
cha, só tenho um caminho: incorporar-me
àqueles que em todo o Brasil, lutam
para restaurar a Constituição e o Direi-
to, livrando nossa Pátria de uma agita-
ção comunista! Poucas são as possibi-
lidades de resistência em Porto Alegre,
cujo bravo povo está ameaçado pelas
forças da violência e da opressão.
Não cessará a nossa resistência,
ela apenas começa.
Assim como os bravos farroupi-
lhas lutaram dez anos sem esmorecer,
os gaúchos também saberão lutar até à
vitória final, oferecendo seu sangue
generoso pela causa da Pátria e da Cons-
tituição.
Soldados e oficiais do bravo Ter-
ceiro Exército, soldados e oficiais da
gloriosa Brigada Militar!
A vós apelo neste momento para
que participeis de nossa luta, irmanan-
do-vos aos bravos companheiros de
Minas, Goiás, Mato Grosso, Rio, São
Paulo e todo o Norte, que neste mo-
mento marcham para libertar a nossa
Pátria da demagogia, da inflação e da
miséria política em que nos encontra-
mos.
Povo Gaúcho!
Organizai a resistência democrá-
tica!
O vosso Governo, eleito livre-
mente, está presente nesta hora e luta
pela Pátria e pela Democracia! Só quem
tem alma de escravo é que não luta pela
Liberdade.
Porto Alegre, em 1° de abril de 1964”
Tornado público na manhã de 1° de abril de 1964, antes de o governador
seguir de Porto Alegre para a cidade de Passo Fundo, onde instalou a sede do
governo, no quartel do 2° Batalhão de Polícia, da Brigada Militar do RS. Tal
mudança fora adrede e muito bem planejada; recebeu a denominação histórica de
“Operação Farroupilha”.
"Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história
nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congres-
sistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao
achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qual-
quer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o
impedimento do presidente". (15/11/05)
Roberto Mangabeira Unger
PÔR FIM AO GOVERNO LULA
E o ministro Mangabeira Unger, não tendo vergonha na cara,
é mais um a aderir à corrupção do governo Lula...
13Nº 276 - 31 de Março/2020
IIIII
ASanta Maria de 1964 era uma cidade
que, com cerca de 150.000 habitan-
tes (note-se: o Brasil tinha, apenas 90
milhões), já atingia o padrão de “porte
médio”. Não possuía o feitio tipicamente
gauchesco das co-irmãs da fronteira, nem
a fisionomia européia de
outras do Estado. Bom
número de bancos, co-
mércio atuante, indústria
quase inexistente, signi-
ficativo pêso de escolas
dos 1º e 2º Graus. Grande
Guarnição do Exército,
bom contingente da Bri-
gada Militar e pequeno efetivo da Força
Aérea. A (hoje) pujante Universidade
Federal era constituída, somente, de um
núcleo, pois nascera recentemente, em
1961.
Volumoso, mesmo, era o efetivo da
“Viação Férrea do Rio Grande do Sul”. A
cidade era um centro estratégico geogra-
ficamente bem localizado inclusive para
a rede ferroviária, da qual consistia um
nó. E havia, então, um poderoso conjun-
to de oficinas de reparos, com alguns
milharesdefuncionários.Naferrovia,em
conseqüência, se situaria o “cerne da
questão” entre 1961 e 1964; porque até
essa época vivia-se em uma cidade ordei-
ra, pacífica, alegre e despreocupada.
II
Convém analisarmos o título em
epígrafe sob dois enfoques bastantes
conhecidos. Vamos a eles.
“- Todo fato tem três versões: a
minha, a tua, e a verdadeira.”
Evidentemente, vou apresentar a
minha versão, mas, por disciplina cons-
ciente, admito que ela esteja bem pró-
xima da verdadeira. Por quê? Porque,
passados 40 anos, sou das poucas tes-
temunhas sobreviventes, adultas na-
quela época. E tenho sentido revolta
por ver o que vem sendo impingido mal-
dosamente aos jovens.
“- A versão pesa mais que o fato”.
Isso nasceu com Joseph Goebbels,
o rei da propaganda
capciosa do nazismo:
uma mentira suficien-
temente repetida tor-
na-se verdade aceita!
Pois…,peloquetenho
visto,omestredamen-
tira conseguiu muitos
seguidores exatamen-
te na “esquerda” bra-
sileira: as versões in-
culcadas, a cada dia,
nas mentes dos mo-
ços, falsificam e de-
turpam completa e in-
teiramente a verdade
do que aconteceu em
nossa cidade.
IIIIIIIIIIIIIII
A parir de 1961,
com a famosa “guerra
da legalidade” (renún-
cia de Jânio Quadros, tentativa de impe-
dir a posse de Jango Goulart na Presidên-
cia), a feliz vida pacífica teve fim, em
Santa Maria. Ela foi sendo paulatinamen-
te quebrada, até transformar-se em um
verdadeiro inferno de sustos, de temo-
res, de intranqüilidade: era uma suces-
são infindável e semanal de greves, co-
mícios e agitações de todos os tipos,
causando fechamento do comércio e blo-
queamento de ruas, com passeatas ba-
rulhentas e ameaçadoras.
O “64” EM SANTA MARIA / RIO GRANDE DO SUL
* Alexandre
M. Amendola
Repito: ameaçadoras. Sim, porque,
por entre a gritaria, uivos, rugidos e dis-
cursos incendiários contra o “imperialis-
mo americano” e o “capitalismo selva-
gem”, lá vinha a ameaça constante do
“paredón”, tal como era usado em Cuba.
Não minto: eu e outros podemos mostrar
onde ficava ele, onde
seriam perfilados,
para a pena máxima,
os “gorilas”, isto é,
todos que não rezas-
sem pela mesma car-
tilha de anarquia e
carnificina, como vi-
nha sucedendo não
só em Cuba, mas na URSS, na China,
Albânia… E é sabido que incêndio seme-
lhante alastrava-se por todo o País.
OExércitoviatudoaquiloe–“gran-
de mudo”—“fecha-
va-se”.
A3ªDivisãode
Infantaria, aqui se-
diada, estava carre-
gada de razões para
julgar, com equilí-
brio, os acontecimen-
tos, pois déra total,
definitivo e solidá-
rio apoio à posse de
Jango Goulart, sus-
tentando sua lega-
lidade.
As ações anár-
quicaspartiamdeum
ferozíssimo grupo de
comunistas “de car-
teirinha”, localizado
nas dependências
da Viação Férrea, do PCB e do PC do B,
partidos sem registro político, mas cuja
clandestinidade era aceita com condes-
cendência, negligência e transparente
medo. Não minto: tinham uma sede em
edifício central da cidade, onde eram pro-
porcionados cursos de marxismo, com
diplomas assinados por “professores”
treinados na União Soviética! E essa
gente conseguia mobilizar fortes mas-
sas de “cripto-comu-
nistas”, “companhei-
rosdeviagem”e,prin-
cipalmente, “inocen-
tesúteis”,alémdecu-
riosos.
Nãomevenham
dizer que estou in-
ventando coisas, por-
que os idosos sabem
perfeitamente que
digo a mais pura ver-
dade!
Paralelamente,
havia uma outra dele-
téria campanha, que
pouco tinha de co-
munista e muita de
perigosa: a formação
dos inefáveis “gru-
pos de onze” (ou “dos
onze”,comoagoraci-
tados) sob a batuta do Governador do
Estado, Leonel Brizola.
OExércitoviatudoaquiloe—“gran-
de mudo”—continuava “fechado”. Per-
cebia o risco crescente de uma guerra
civil, de uma detestável tragédia; por pre-
caução, a tropa vinha sendo submetida ,
durante três anos, a infindáveis e quase
ininterruptos regimes de “prontidão” ou
“sobreaviso”. E, como é natural, preen-
chia utilmente as intermináveis perma-
nências nos quartéis, adestrando-se.
Adestrando-se em quê? Quem advinha?
...Ora, em controle de tumultos, em com-
bate urbano, em contra-guerrilha! Quem
pagava (e paga) os militares? Resposta: o
Povo. Quem mais sofreria com o
desencadeamento da baderna, e, portan-
to, devia ser protegido? Resposta: o Povo.
Então…
Sucede que o Povo elegera um Pre-
feito de “esquerda”, apoiado ostensiva-
mente pelos comunistas, mais a malta a
eles anexada. E aí, como ficamos?
IVIVIVIVIV
A 1º de abril de 1964 chegou à cida-
de notícia do levante em Minas Gerais.
E digam o que disserem – a sensa-
ção geral não foi, absolutamente, de “gol-
pe militar”, foi de alívio! Vou repetir: alí-
vio!Maisumavez: ALÍVIO!Alívio,nada
de “golpe militar”!
Sim, o Exército tomara a atitude
que o Povo vinha pedindo insistente-
mente! Querem que eu repita isso tam-
bém? Posso fazê-lo…
A 3ª DI, que a comunistada – por via
indireta – tinha–se encarregado de tor-
nar bem adestrada, em poucos minu-
tos ocupou todos os pontos sensíveis
da cidade, principalmente os diversos
setores da Viação Férrea. E, surpreen-
dentemente, foi dali que partiu a primeira
reação decepcionante para os líderes de
baderna:ordenada“grevegeral”,talcomo
fôra feito e obedecido por centenas de
vezes… O pessoal da “Estrada” compa-
receu em massa ao trabalho, mesmo de-
baixo da fúria dos piquetes de comando,
mas sob a proteção do Exército “…
para quem quisesse trabalhar”.
Contra-reação… única: comício
diante do edifício-quartel de bagunça,
desafiando determinação do General
Comandante da Guarnição (Mario Pop-
pe de Figueiredo), que, assim, para lá
enviou tropa com ordem de desfazê-lo,
o que foi realizado de forma extraordi-
nária: ao simples aparecimento dos “mi-
licos”… uma debandada completa, cor-
reria desvairada, sob o espanto dos lí-
deres de fancaria! E… então… a cena
fantástica, empolgante: de todos os edi-
fícios circundantes desceu uma enor-
me vaia, logo seguida de vivas, aplau-
sos e a papel picado! De todos os bares
e armazéns, abraços, refrigerantes e
doces à soldadesca! Este episódio foi
inteiramente posto em esquecimento. Os
jovens sequer sabem que existiu. Por que
será?
Efaltavaoutroacontecimento,tam-
bém atirado ao ol-
vido:a17deabril,a
grande “Marchade
agradecimento ao
Exército”, com
50.000 (cinqüenta
mil) pessoas em
passeata espontâ-
nea até o Quartel
Divisionário!
VVVVV
Em poucos dias foram sucessiva-
mente instaurados oito inquéritos Po-
liciais Militares. Seguiu-se a prisão de
indiciados e o chamado a testemunhas.
Novas surpresas: muitas testemunhas
apresentavam-se voluntariamente; e os
presos eram apontados através de con-
tínuas denúncias, fornecimento de pro-
vas documentais, telefonemas anôni-
mos…, tudo isso, aliás, necessário a
um Exército que não possuía KGB, nem
SS, nem CIA!
E, desde logo, passou a transpa-
recer toda a nobreza de um Exército digno
e fraterno. Não minto, e há testemunhas:
todos os prêsos foram tratados com ca-
valheirismo, todos com serena energia!
Como um exército ocidental e civilizado
trata o adversário vencido! Aqui não
houve brutalidade, nem maldades, nem
espancamentos, nem torturas, nem nada
semelhante! Maldito seja quem diga o
contrário, pois estará mentindo… tal-
vez para abiscoitar alguma gorda “in-
denização”. Ademais, os valentões de
ontem se entregaram mansamente, sem
reação, muitas vezes aterrorizados pela
perspectiva de ser-lhes aplicada a “re-
ceita” que prescreviam nos “bons tem-
pos”, isto é, o “paredón”! Até a sacra-
lidade dos lares à noite era respeitada!
Que outro exército do mundo faria isso,
em situação semelhante?
E toda a arrogância desafiante e
truculenta dos comício desapareceu,
ao verem chegar a “hora da verdade”.
Os grandes chefes, como sempre acon-
tece, ao primeiro toque do clarim bate-
ram asas para o Uruguai…
VI
Muito bem. Já perceberam que
isto é um desabafo pessoal. Sim: sou
um Velho Soldado,aproximando-medos
80 anos, e vejo com assombro, com es-
panto, tristeza e desencanto, o “traba-
lhinho” bem realizado pelas “esquerdas”,
nos últimos anos: dominaram inteligen-
temente, com malícia, hipocrisia e ci-
nismo, a mídia e, até, as escolas.
Criminosamente instilaram nos
moços sua versão, deslavadamente
mentirosa!
Entre tanta desfaçatez, relato dois
casos:
-Jornalistas (em geral e lamenta-
velmente, mocinhas) que, desejosos de
obter seu “furo de reportagem”, interro-
gam a cada idoso: “- Houve muita tortura
em Santa Maria?”, “- Como foi a tortura
aqui?”, “- Quem foi torturado em nossa
cidade?”. Tirem sua conclusão…
-E um prócer político, entrevista-
do – ele, que foi tratado com elegância,
boa educação e generosidade – teve o
desplante de dizer, na TV local: “- Não
me torturaram porque não tiveram pei-
to!” (!?!?…)
Ora…deixem-meempaz.
Estou farto de ver tanta baixaria!…
AAAAA RAZÃORAZÃORAZÃORAZÃORAZÃO
SANTA MARIA/RS
17 DE ABRIL DE 1964
"Vibrante manifestação, sem
precedentes na história de Santa
Maria, para homenagear as
ForçasArmadas".
"50 mil pessoas na Marcha Cívica
do Agradecimento"
No palanque: Dr. Walter Jobim; Tenente Coronel Gabriel Agostini,
Comandante do 3º RO 105; o locutor oficial; Dr. Mariano da
Rocha Filho, fundador e reitor da Universidade Federal de Santa
Maria; Coronel Ramão Menna Barreto, Chefe do Estado Maior da
3ª DI; Coronel Rui de Paula Couto, Comandante da AD/3; o Bispo
de Santa Maria, Dom Antônio Reis e o Juiz Floriano Lemos.
Abaixo, oficiais da Guarnição de Santa Maria
A população de Santa Maria,
caminhando pela rua Dr. Bozzano em
direção ao palanque armado em
frente ao aquartelamento.
* Tcel Reformado. É historiador e idealizou o traslado dos restos mortais do patrono da Artilharia,
Marechal Emílio Luiz Mallet, Barão de Itapevi, para o 1º RA Cav (Boi de Botas) onde repousam no
Memorial (Mausoléu e Museu), erguido no 3º GA AP, em Santa Maria/RS sob sua responsabilidade e
orientação. Foi pioneiro e responsável pela implantação do Projeto Rondon, no Campus Avançado
da Universidade Federal de Santa Maria, na Amazônia, nos anos 70.
14Nº 276 - 31 de Março/2020
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
TURMA GENERAL
EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI - 2006
Em 4 de dezembro de 1905, em Bagé, Rio Grande do Sul, nascia
Emílio Garrastazu Médici, filho de Emílio Médici e Júlia
Garrastazu Médici, homem cuja brilhante trajetória de militar e
estadista foi pautada pela dedicação sem par, através do cons-
tante aprimoramento pessoal e profissional. Esse esforço foi
sendo merecidamente reconhecido pelas promoções que galgou
e das responsabilidades que foi assumida nas nomeações para
as importantes tarefas que lhe foram confiadas.
Em 1961, foi promovido ao posto de General-de-Brigada e,
logo depois, assumiu o comando da Academia Militar das Agu-
lhas Negras, local onde se encontrava a 31 de março de 1964.
Após o movimento, acumulando uma sucessão de glórias, co-
mandou o III Exército e assumiu a Presidência do País, cargos em
que demonstrou vigor, competência, integridade pátrio.
Como estadista, no posto mais alto da República, durante
os anos de 1969 a 1974, conduziu o país a um patamar jamais
alcançado no cenário internacional, com significativa e estrutu-
ral melhora na economia do Brasil.
Assim foi o General Emílio Garrastazu Médici, que, ao longo
da carreira, deixou-nos inúmeros exemplos de nobreza de caráter,
coerência de atitudes, patriotismo, humildade, honradez e genero-
sidade; virtudes tão preciosas, que cultivou durante a vida toda.
A turma 2006 rejubila-se ao homenagear tão valoroso
militar e estadista, desejando que esse exemplo de amor à Pátria
e de compromisso com os mais altos valores da Nação Brasileira
sejam partilhadas pelos futuros oficiais do Exército Brasileiro
que ora iniciam sua caminhada.
Aluno Jasson
Omemorial em homenagem ao Presidente
Humberto de Alencar Castello Branco,
que integra o conjunto de edificações da antiga
sede do governo do Estado do Ceará - o Palácio
da Abolição -, voltou a ser importante ponto
turístico na cidade de Fortaleza. Projetado por
Sérgio Bernardes e inaugurado em 1972, o
monumento, de arrojadas linhas arquitetônicas,
foi totalmente recuperado. O memorial é um
edifício com área útil de 270 m² composto por
um bloco de concreto prismático longilíneo,
dividido, no sentido do comprimento, por um
septo que forma duas galerias. O conjunto é
rematado pela Capela de Meditação, onde re-
"... não quis nem usei o poder
como instrumento de prepotência.
Não quis nem usei o poder para a
glória pessoal ou a vaidade dos fá-
ceis aplausos. Dele nunca me servi.
Usei-o, sim, para salvar as Institui-
ções, defender o princípio da auto-
ridade, extinguir privilégios, corri-
gir vacilações do passado e plantar
com paciência as sementes que fa-
rão a grandeza do futuro".
(trecho de pronunciamento feito
durante a última reunião ministerial,
no dia 14 de março de 1967).
Vista interna do Memorial
pousam os restos mortais do Presidente Cas-
tello Branco e de sua esposa; e por um pátio
plantado de carnaubeiras e ipês-roxos. Na pra-
ça sobre a qual a edificação se projeta há um
lago de água movimentada pela ação de repu-
xos ornamentais.
Com a reforma do memorial, os visitantes
poderão conhecer melhor a história deste gran-
de brasileiro que se destacou como Oficial de
Operações da Força Expedicionária Brasileira
na Campanha da Itália, Comandante da Escola
de Comando e Estado-Maior do Exército, arti-
culador do movimento cívico-militar de 1964 e
Presidente da República.
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
msorianoneto@hotmail.com
* Manoel Soriano Neto
No sacerdócio que é a vida
militar, aprendemos que há
pontos de vista e pontos de hon-
ra. Nós podemos divergir quanto
a pontos de vista, questões me-
nores, assuntos de somenos importância; porém,
nunca, jamais, em tempo algum, quanto a pontos
de honra, que são verdadeiras “cláusulas pétreas”,
questões fechadas, dogmáticas, não-interpretáveis
e inegociáveis, das quais
os militares não podem
discordar, devendo sem-
pre manter uma monolítica
unidade de pensamento,
com vistas à união, a uma
salutar camaradagem e,
mais do que isso, à perene
coesão castrense. Além dos
princípios da Disciplina e
da Hierarquia, os consa-
grados e insubstituíveis
Cultos às tradições, às mís-
ticas, aos mais caros e prís-
tinos valores, à História Mi-
litar, em especial, e a ou-
tros superlativos aspectos
que conformam os funda-
mentos, a essência, a “alma”,
enfim, de uma Força Ar-
PONTOS DE VISTA E PONTOS DE HONRA
“O Brasil espera que cada um
cumpra o seu dever!”
mada, não podem ser esquecidos, deturpados, ma-
nipulados ou relativizados ao sabor dos tempos,
ao vaivém da política partidária, nem a viezes ideo-
lógicos, humores e caprichos de transitórias au-
toridades ou governantes.
A propósito, desafortunada e vergonhosa-
mente, dois episódios marcantes de nossa rica e
inapagável História Militar não mais são comemora-
dos/relembrados, oficialmente, nas Organizações
Militares das Forças Armadas brasileiras, que
estão submetidas a um injustificável e vexatório
“silêncio obsequioso”. São eles: a triste, covarde
e traiçoeira Intentona Comunista de 1935 e a
Contrarrevolução de 31 de Março de 1964. Lem-
bro-me dos meus tempos de instrutor/professor
de História Militar na AMAN, na década de 1980,
em que os cadetes, ao final do 3° ano, redigiam
uma dissertação acerca do Movimento de 1964, con-
dição “sine qua non” para o prossegui-
mento do estudo da Matéria, no 4° ano.
Trabalhos excepcionais foram elabo-
rados, durante cinco anos, por aqueles
jovens cadetes, hoje coronéis, os da
ativa, prestes a atingir ao generalato. A
eles, concito, veementemente, a nunca
permitir que a imarcescível flama do
sentimento patriótico, tão bem glori-
ficada em nossa inesquecível Acade-
mia, - quando dos belos tempos da ju-
ventude -, venha a se apagar, pois “es-
quecer também é trair”...
Como proclamou o legendário
Almirante Barroso, em Riachuelo:
BRASIL ACIMA DE TUDO!
15Nº 276 - 31 de Março/2020
REVISTA "O CRUZEIRO EXTRA" DE 10 DE ABRIL DE 1964
EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVOLUÇÃO
O Governador Magalhães Pinto, logo após a
vitória da rebelião que comandou contra a
comunização do País, é beijado por sua nora,
D. Terezinha de Magalhães Pinto, espôsa do Sr.
Eduardo Magalhães Pinto. O País entrava num
período de ordem. (Foto de José Nicolau)
GUANABARA
HORA A HORA
Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”
31 de março, na Guanabara.
OGovernador Carlos Lacerda pren-
de líderes sindicais reunidos em
assembléia permanente. Entre êles, Ra-
fael Martineli, o que redundou na greve
imediata da Leopoldina, como protes-
to. Dez vagões colocados numa pas-
sagem de nível, na Rua Francisco Bi-
calho, foram empurrados por cho-
feres e passageiros de ônibus e lota-
ções.
Estamos em pleno 1º de abril,
que desta vez não foi motivo de brin-
cadeiras. 10 horas. Avenida Presiden-
te Vargas e Rio Branco com muita
gente em seu cruzamento, procurando
apanhar carona para os seus bairros
para os seus bairros da Zona Norte, em
face da greve geral dos transportes
coletivos da cidade. Nas esquinas,
piquêtes nitidamente esquerdistas e
antimilitares, que dominaram a Cine-
lândia até às 14 horas. A sede do Dire-
tório Regional do PTB, na Cinelândia,
ampliava, por seus auto-falantes, a
Em carros alegóricos, muitos reviveram
o carnaval carioca.
O CARNAVAL DA VITÓRIA
pregação revolucionária, incitando os
populares a invadirem o Clube Militar,
na esquina da Rua Santa Luzia.
Na verdade, populares tenta-
ram, pouco depois, invadir a sede da
entidade de classe dos oficiais do
Exército, no que foram obstados pe-
los disparos dos tenentes, capitães,
majores, coronéis e generais que lá
se encontravam. Os oficiais dispara-
ram de início para o ar e por fim para
valer.
Às 15 horas, mais ou menos, um
automóvel lançou volantes na Cine-
lândia, convocando o povo a participar
de um comício de protesto contra o
movimento revolucionário e que deve-
ria realizar-se meia hora depois. 16 ho-
ras. É o sangue. A multidão tenta, mais
uma vez, invadir e depredar o Clube
Militar. Um carro de choque da PM
posta-se diante do Clube. O povo pre-
sente vaia os soldados. Mais tarde,
choques do Exército, chamados a pe-
dido do Marechal Magessi, Presi-
dente do Clube Militar, dispersam os
agitadores.
Quando o Governador Carlos
Lacerda desceu do Palácio Guanabara,
protegido por sua guarda, os tanques
estão à frente do Palácio. Guarnições
marchando à sua frente. Canhões e me-
tralhadoras desguarnecidos. Era a hon-
rosa adesão. Adesão como passo para
a pacificação sem sangue.
Às 16 horas, há o momento de
maior emoção para o Governador Car-
los Lacerda: tanques do Exército,
que se encontravam no Palácio das
Laranjeiras, estão agora guarnecen-
do o Palácio da Guanabara. O Chefe
o Executivo carioca, ao ouvir a notí-
cia, chora e exclama:
- Graças a Deus! Deus está co-
nosco!
O carnaval da vitória
Foi uma reação em cadeia. Anun-
ciada a viagem do Presidente a Brasília
e a vitória das fôrças revolucionárias,
milhares de pessoas saíam às ruas,
gritando, pulando, discursando tamém,
num verdadeiro carnaval.
17 horas e 30 minutos. Deixe-
mos a Cinelândia e as imediações do
Palácio Guanabara. Praia do Flamengo,
132, sede da União Nacional dos Estu-
dantes. Grupos de jovens atiravam bom-
bas incendiárias (coquetel Molotov)
para o interior da UNE, àquela altura
abandonada pelos dirigentes da entida-
de estudantil. Tinham fugido, sob as
vaias dos que se aproximavam do lo-
cal. Ou mesmo pelos fundos, pelos
telhados do prédio, para edifícios vizi-
nhos. Precipitadamente.
Os dirigentes da União Nacional
dos Estudantes livraram-se de livros e
documentos, que foram incendiados e
devolvidos para o interior do edifício
em forma de tochas de fogo e objetos
que se incendiava no interior das salas
das entidades sob as siglas de UNE,
A comemoração da "renúncia" de Jango;
alunos do Mackenzie, com a bandeira em
punho, em plena manifestação
O Governador Carlos Lacerda, em companhia de Eduardo Gomes,
General Mandim e Abreu Sodré, se mantinha em atividade mais que constante
A BATALHA DO GUANABARA
O Presidente João
Goulart escolheu o
caminho. Trocou o
mandato por uma
liderança
revolucionária e
esquerdista. Aqui
aparece com D.
Maria Tereza e os
Srs. Darcy Ribeiro e
Oswaldo Pacheco,
êste, líder da CGT,
no comício do dia
13 de março, o
início do processo de
sua queda
POR QUE JANGO CAIU
OS 40 DO FORTE
Tomada do Forte de Copacabana foi
decisiva para a vitória da revolução
Planejamento, rapidez e coragem
dominaram o QG de Artilharia de Costa
da 1ª Região Militar
“Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e
da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem à agitadores e
terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”.
Brasília, 31 de março de 1981
General-de-Exército Walter Pires de Carvalho e Albuquerque
Ministro do Exército
HONRA MILITAR
AMES, UBES e outras.
Os policiais e bombeiros que pou-
co depois chegaram para combater o
incêndio disseram que encontram nas
salas da UNE armas e munições.
À tardinha. Dois tiros vinham do
Leme. Era o sinal de vitória, que acio-
nou o gatilho da explosão popular. E
tudo se misturou na chuva, alegria e
carnaval, refletidos nos olhos dos sol-
dados que ocupavam o Forte de Co-
pacabana, patrulhas do Pôsto Seis.
Uma história: homens, mulheres
e crianças, empunhando bandeiras, len-
ços brancos, lençóis, comemoravam o
que ficou sendo o carnaval da vitória.
Das janelas dos apartamentos em tôda
a Zona Sul, eram estendidos lençóis e
colchas, numa homenagem à vitória da
revolução.
E duas chuvas se misturaram no
espaço: a que caía de muito alto, de água,
e a de papéis picados.
E uma caravana de automóveis,
buzinando, vespas nas avenidas e ruas
de Copacabana, de Botafogo, do Jardim
Botânico, do Leblon e Ipanema.
Era a festa da vitória.
○ ○ ○
○ ○ ○
○ ○ ○
○ ○ ○
○ ○ ○
Nº 276 - 31 de Março/2020
OLDACKESTEVES
OMinistro do Exército, considerando que a Revolução de 31
de março de 1964, deflagrada pioneiramente pela ID/4 -
Infantaria Divisionária da 4ª Divisão de Infantaria, hoje a 4ª
Brigada de Infantaria, constituiu resposta pronta e adequada à
ação subversiva do comunismo, comandado de fora, visando à
tomada do poder, resolve aprovar o Distintivo de Grande Unidade da 4ª Brigada
de Infantaria, constante do modelo anexo e com a seguinte descrição heráldica:
"Escudo português partido de 'blau' e 'goles' (cores heráldicas do Exército
Brasileiro), filetado de ouro, tendo brocante um triângulo equilátero (a relembrar
a LIBERDADE, sonhada pelos Inconfidentes e preservada pela Revolução de
Março) e, ao centro deste, uma pomba branca (a Paz) sobrevoando as verdes
montanhas de Minas e, ao fundo, um sol levante (o raiar de uma nova era), de 'goles',
com resplendor do mesmo esmalte sobre um fundo de prata; em Chefe, cortado de
sínople e ouro, a inscrição: "BRIGADA 31 DE MARÇO."
(Port Min 1.571, de 27 Out 75)
BRIGADA 31 DE MARÇO
DISTINTIVO DA
4ª BRIGADA DE INFANTARIA
NR:NR:NR:NR:NR: Tal Estandarte Histórico foi idealizado pelo então Maj Carlos
Claudio Miguez, em 1975 (hoje, Editor deste periódico), por determinação do
Comandante da 4ª Brigada de Infantaria, General-de-Brigada Sylvio Octávio
do Espírito Santo. A honraria castrense ostentada com imensa ufania pela 4ª
Brigada de Infantaria Motorizada/Brigada 31 de Março, exibe seus motes no
título deste jornal, no perfil das montanhas alterosas, no sol levante, referen-
tes a Minas Gerais, em especial o alusivo à Inconfidência Mineira (triângulo
na cor vermelha), na relembrança do venerável “Proto-Mártir da Independên-
cia”, “Patrono Cívico da Nação Brasileira” e “Herói Nacional”, Joaquim
José da Silva Xavier, “ o Tiradentes”. Acrescente-se que as tropas que parti-
ram de Minas Gerais, em direção ao Rio de Janeiro, em 31 de março de 1964,
foram denominadas, historicamente, de “Destacamento Tiradentes”.
* Jornalista
aristotelesdrummond@mls.com.br www.aristotelesdrummond.com.br
Aedição histórica do INCONFIDÊNCIA, sobre mais um aniver-
sário da Revolução de 1964 se constitui em documento raro e a
ser preservado em nome da verdade histórica, da dignidade do povo
brasileiro.
A Revolução foi um movimento cívico-militar e não apenas
militar. O brado veio pelos governadores eleitos das principais uni-
dades da federação como Minas, São Paulo, Guanabara, Paraná, Rio Grande do Sul
e Goiás.
Infelizmente muitos que saudaram a Revolução com entusiasmo foram atingidos
em função das intrigas e das ambições políticas naturais nestes momentos históri-
cos, em todos os lugares e em todos os tempos.
Encontramos na edição as referências a políticos estimados e alinhados com o
movimento que acabaram afastados da vida pública pelos seus inimigos e não pela
Revolução. Assim foi com o então deputado estadual mineiro Aníbal Teixeira, que
depois da Anistia foi deputado e Ministro, assim como o grande homem público que
foi JK, que nada tinham de corruptos ou de subversivos.
Mas, com todos os erros, os acertos foram maiores. O Brasil nunca cresceu
tanto, a renda foi tão bem distribuída em tempos inflacionários, e crescemos a taxas
só obtidas agora pela China, no governo do Presidente Médici.
E a mídia era correta, verdadeira, com coragem e bravura na defesa dos in-
teresses nacionais.
Pena que o legado de Roberto Marinho e Assis Chateaubriand, de posições
firmes, tenha sido sucedido pela entrega das redações a um verdadeiro domínio
ideológico de esquerda, sem compromissos com a história dos próprios jornais.
O ponto alto dos anos dourados, de progresso, foram as obras, na habitação,
no saneamento, nas estradas e nos portos, nas telecomunicações. Foi o planejamento
de nosso projeto desenvolvimentista.
Quem conhece, quem estuda, sabe o que fizemos nos vinte anos e que safra de
brasileiros construiu o Brasil Grande. De Roberto Campos a Delfim Neto, de Mário
Andreazza a Elizeu Resende, de Costa Cavalcanti a César Cals. Todos com dignidade
e correção pessoal.
Uma pena que a mentira domine, passageiramente é claro, os meios de
comunicação, os livros escolares. Mas os registros históricos sobreviverão, entre
os quais as edições deste bravo e destemido jornal.
Os tempos são outros. Mas algumas das ameaças que pairam sobre nossa Pátria
são as mesmas, em função da insistente influência de gente perdida no tempo, que
não mudou, não evoluiu e ainda pensa como nos anos da Guerra Fria.
A conclusão que se chega é que, para defender a Democracia que temos
– e foi devolvida pelos militares – mais do que nunca devemos respeitar, exaltar,
prestigiar e defender as nossas Forças Armadas.
A EDIÇÃO HISTÓRICA
Apedido do Presidente Ranieri Maz-
zili, uma comissão de oito parla-
mentares – Pedro Aleixo, Martins Ro-
drigues, Daniel Krieger, Bilac Pinto,
Adauto Lúcio Cardoso, Paulo Sarazate,
João Agripino e Ulysses Guimarães -
elaborou um projeto de Ato Institucio-
nal. Diz o Senador Daniel Krieger, de-
poislíderdogovernodoPresidenteCosta
e Silva: “A minha interferência restrin-
giu-se a discordar do prazo de 15 anos,
proposto à comissão por um de seus
integrantes – Ulysses Guimarães”.
O projeto da Comissão foi substi-
tuído por outro elaborado pelos profes-
sores Francisco Campos e Carlos Me-
AI-1 E ULYSSES GUIMARÃES
Projeto do Ato Institucional nº 1
de 9 de abril de 1964
deiros. Comenta Krieger: “Devo regis-
trar, entretanto, que o redigido pelos
citados parlamentares não era mais
liberal do que o dos eminentes mes-
tres.” (Daniel Krieger, ... Desde as Mis-
sões ... Saudades, Lutas, Esperanças –
José Olympio - Rio de Janeiro, 1978 –
2º edição pág 172.
O fato, muito pouco conhecido, é
relembrado pela Folha de São Paulo de
1º de maio de 1989 (Política, fl A7, “Há
60 anos Ulysses sonha em ser Presiden-
te da República”) e pelo Jornal do Bra-
sil de 18 de outubro de 1992 (A contra-
dição – do apoio ao Golpe de 1964 ao
comando da resistência).
UM MILHÃO DE CARIOCAS
NA MARCHA DA LIBERDADE
O ex-presidente da República, Marechal Eurico Gaspar Dutra, que também
recebeu aclamações acena ao povo do palanque. (Manchete - Abril/64)
Jornalista
Aristóteles Drummond
Publicado no Inconfidência, nº 149 de 31 de março de 2010
16
17Nº 276 - 31 de Março/2020
REALIZAÇÕES DO GOVERNO CÍVICO-MILITAR - 1964/1985
Ponte General Costa e Silva (Rio-Niterói)
EM MINAS GERAIS
Apesar da “ditadura”, Israel Pinheiro é eleito em 1965, e dá
início ao crescimento econômico de Minas. Em seguida,
os governos de Rondon Pacheco e Aureliano Chaves, fazem
decolar a economia mineira, com a criação dos Distritos
Industriais, destacando-se os de Uberlândia, Itajubá, Pouso
Alegre, Juiz de Fora, Varginha, Contagem.
• Aprovação da lei 5261 de incentivos fiscais, Escola Su-
perior de Agricultura de Lavras, levando o Estado de Minas
a ter o maior desenvolvimento de sua história, gerando milha-
res de empregos.
• Projetos são alavancados no BDMG, INDI, Finepe, Fun-
dação João Pinheiro, BNDE e na empresa privada.
• Betim recebe a FIAT Automóveis, promovendo o bem
estar social e fortalecendo seu distrito industrial.
• São implantadas em Ouro Branco, a Açominas e em Juiz
de Fora, a Siderúrgica Mendes Júnior.
• A malha rodoviária é expandida pelo DER, é construído o
Aeroporto de Confins.
• A Cemig, sempre presente no desenvolvimento de Minas,
constrói hidrelétricas, destacando-se São Simão, Emborcação,
Volta Grande e a ampliação da capacidade de Três Marias,
gerando energia para as indústrias, particularmente para as
cimenteiras que se instalam em território mineiro e permitindo
o crescimento da agroindústria nos campos do cerrado.
• Telemig, Ceasa, Camig, Casemg, instalações industriais
na área da Sudene em Montes Claros, Rural Minas que desen-
volve o Projeto do Vale do Jaíba.
• Somente nos governos de Rondon, Aureliano e Francelino,
são expedidos 48144 títulos de propriedade rural, mais do que
o dobro dos governos de Tancredo, Garcia, Cardoso e Aze-
redo, com 22706 títulos.
• As Construtoras Mendes Júnior e Andrade Gutierrez
exportam sua tecnologia.
• A Companhia Vale do Rio Doce, torna-se a maior expor-
tadora mundial de minério de ferro.
• Empresas crescem junto com Minas: MBR, Usiminas,
Cenibra (hoje a 2ª maior produtora e exportadora de celu-
lose), Helibrás, Valep, Valefértil, Florestas Rio Doce, Acesita,
Belgo-Mineira, Mannesmann, Samitri, Ferteco, Arafértil, Pa-
raibuna, Alcoa e outras.
• O BEMGE - Banco do Estado é reestruturado e passa a ser
respeitado nacionalmente.
EM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTE
• Canalização do rio Arrudas; • Construção do Fórum;
• Implantação do trem de superfície (metrô)
• Via Expressa e Anel Rodoviário; • Construção do CEU -
Centro Esportivo Universitário na UFMG.
SÃO PAULO PAROU PARA
DEFENDER O REGIME
Marcha da Família com Deus, pela Liberdade. Mais
de 500 mil paulistanos vão às ruas para pedir a
intervenção das Forças Armadas em defesa da
Constituição e dos princípios democráticos.
Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964
TEXTO COMPLETO no site www.averdadesufocada.com
ECONOMIA
• O Brasil passa a ser a 8ª eco-
nomia mundial. Era a 47ª.
• É alcançado um PIB de 14%
• Exportações crescem de US$
1,5 bilhões para 37 bilhões de
dólares.
• Redução da inflação de 100%
a.a. para 12% a.a. sem controle
de preços a pleno emprego e sem
massacre do funcionalismo pú-
blico.
• PAEG - Programa de Ação Eco-
nômica do Governo.
• Código Tributário.
• Código de Mineração.
• Zona Franca de Manaus.
• IBDF - Instituto Brasileiro de
Desenvolvimento Florestal.
• Banco Central criado em De-
zembro/64.
• ICM - IPI - ISS.
• Banco da Amazônia
• SUDAM - Superintendência
de Desenvolvimento da Amazô-
nia.
EDUCAÇÃO/SAÚDE
• Estatuto do Magistério Supe-
rior.
• Matrículas no ensino superi-
or de 100 mil em 1964 para 1,3
milhão em 1981.
• Mais de 10 milhões de estu-
dantes nos bancos escolares.
• Estabelecimentos de assistên-
cia médica-sanitária aumentaram
entre 1970/84, de 6 mil para 28
mil.
•Crédito Educativo - Projeto Ron-
don - MOBRAL.
• Fomento e financiamento da
pesquisa: CNPq, FINEP e CA-
PES
• Cursos de Mestrado e Douto-
rado
• Construção dos maiores está-
dios, ginásios, conjuntos aquá-
ticos e complexos desportivos
em diversas cidades e nas prin-
cipais universidades federais;
• Projeto Rondon.
EMPREGO
TRABALHO/SOCIAL
• Criação de 13 milhões de em-
pregos.
• Conselho Nacional de Polui-
ção Ambiental.
• INDA - Instituto de Desen-
volvimento Agrário.
• SFH - Sistema Financeiro
Habitacional
• BNH - Banco Nacional de Ha-
bitação.
• Construção de 4 milhões
de moradias.
• Leis do Inquilinato, dos
Condomínios e Edifica-
ções.
• Regulamentação do 13º
salário.
• INPS - IAPAS, Data-
prev, LBA, FUNABEM e
o INAMPS.
• FUNRURAL - Uma das
maiores obras sociais do
século XX no Brasil, bene-
ficiando 8 milhões de tra-
balhadores rurais
• Programas de Merenda AMX A-1 - A Embraer é hoje uma das maiores exportadoras brasileiras
Itaipú - A maior hidrelétrica do mundo
Complexo Esportivo da Universidade Federal
de Santa Maria / RS (1972)
E muitas, muitas outras mais...
Escolar e Alimentação do Tra-
balhador (PAT)
•CriaçãodoFGTS,PIS,PASEP.
ENERGIA
TELECOMUNICAÇÕES
• Criação da Eletrobrás, Nucle-
brás e subsidiárias, Embratel e
Telebrás.
• Instalação da Usina Nuclear
em Angra dos Reis (Angra I e
Angra II)
• Pró-álcool (95% da frota nacio-
nal de automóveis a álcool).
• Construídas mais de 30 usi-
nas hidrelétricas, entre as quais
as maiores do mundo: Tucuruí,
Ilha Solteira, Jupiá, Itaipu...
• Prospecção de petróleo em
grandes profundidades na ba-
cia de Campos, com exportação
de tecnologia;
• Telebrás implanta 12 mi-
lhões de linhas telefônicas; mi-
croondas interligam todas as
capitais; estação de satélite
interliga o Brasil com o mundo
todo; TV em cores em todo o
país; transmissão de dados e
internet; cabos submarinos de
fibra ótica para os Estados
Unidos e Europa; DDD e DDI
no país e para o mundo.
POLÍTICA
ADMINISTRATIVA
• É restabelecida a autoridade
por 20 anos.
• Extensão do mar territorial de
12 para 200 mi-
lhas marítimas.
• SNI - Serviço
Nacional de In-
formações.
• Polícia Fede-
ral.
• LSN - Lei de
Segurança Nacio-
nal.
• Reforma do
TCU.
• Reformas Ad-
ministrativas,
Agrária,Bancária,
Eleitoral, Habita-
cional, Política e Universitária.
PRODUÇÃO/
INDÚSTRIA
INFRAESTRUTURA
• Construção de 4 portos e ex-
pansão e recuperação de 20 ou-
tros, destacando-se Tubarão/ES
e Sepetiba/RJ.
• Indústria aeronáutica, naval,
bélica e automobilística.
• Rede asfaltada ampliada de 3
mil para 45 mil quilômetros.
• Ferrovia da soja (Roca Sales -
Passo Fundo) - Transamazônica.
• Rede ferroviária ampliada em
3 mil km e remodelada em 11 mil
km.
• Frota mercante de 1 para 4 mi-
lhões de TDW (1974/1980).
• Corredores de
exportação em
Vitória, Santos,
Paranaguá e Rio
Grande.
• Produção de
70 milhões de to-
neladas de grãos.
Criação da Em-
brapa.
• Duplicação da
Rodovia Rio /
Juiz de Fora e da
via Dutra (Rio –
São Paulo);
• Criação da
EBTU; Implantação do metrô nas
regiões metropolitanas de São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Ho-
rizonte, Recife e Fortaleza;
• Construção de eclusas na hi-
drovia Tietê-Paraná; em Sobra-
dinho (São Francisco); início
em Tucuruí (rio Tocantins) e
Boa Esperança (rio Parnaíba);
• Criação da Infraero propor-
cionando a construção, moder-
nização e ampliação dos prin-
cipais aeroportos brasileiros,
destacando-se Galeão, Guaru-
lhos, Brasília, Confins, Campi-
nas, Viracopos, Salvador, Ma-
naus e particularmente na Ama-
zônia (COMARA);
• Implantação dos pólos pe-
troquímicos em São Paulo (Cu-
batão) e na Bahia (Camaçari);
• Construção de porto no Ma-
ranhão para a exportação de mi-
nério de ferro da Serra dos Ca-
rajás (CVRD);
• A Petrobrás aumenta a produ-
ção, de 75 mil para 750 mil barris/
dia de petróleo,
• Estruturação das grandes
construtoras nacionais.
18Nº 276 - 31 de Março/2020
Turma de 18 de janeiro de 1921
Em 31 de março de 1964, o Estado de
Minas Gerais se rebelou contra o
governo central. Tropas do Exército e
da PMMG saíram dos quartéis para a
derrubada do governicho cripto-comu-
nista de João Goulart.
O “Destacamento Tiradentes”, co-
mandado pelo Gen Antônio Carlos da
Silva Muricy, partiu, naquela data, para
a divisa Minas-Rio (corte do rio Pa-
raibuna) ficando em condições de pros-
seguir na direção do Rio de Janeiro,
dando início ao glorioso Movimento.
Há alguns fatos curiosos acerca da
Revolução. Os Oficiais-Generais da Tur-
ma de Aspirantes-a-Oficial, formada em
18dejaneirode1921,naEscolaMilitardo
Realengo, tiveram papel preponderante
no desenrolar dos acontecimentos. Per-
tenciam à mencionada Turma, o Ministro
da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro; o
Chefe do Estado-Maior do Exército, Ge-
neralHumbertodeAlencar Castello Bran-
co; o Comandante do I Exército, Gene-
ral Armando de Moraes Ancora; o Co-
mandante do II Exército, Gen Amaury
Kruel; o Comandante do III Exército,
General Benjamin Rodrigues Galhardo;
o Chefe do Departamento-Geral do Pes-
soal, General Arthur da Costa e Silva;
o Chefe do Departamento de Provisão-
Geral, General João de Segadas Viana;
o Comandante da 4ª RM, General
Olímpio Mourão Filho e os Generais
Adhemar de Queiroz, futuro Ministro
da Guerra; João Baptista de Mattos,
escritor e historiador militar; Octacílio
Terra Ururahy; Nilo Augusto Guerreiro
Lima; Estevão Taurino de Rezende
Netto; João Batista Rangel; José Theó-
filo de Arruda; Emílio Maurell Filho;
Ignácio de Freitas Rolim e Antonio
Accioly Borges. Diga-se que daquela
Turma também faz parte o hoje cente-
nário Marechal Waldemar Levy Cardo-
so, herói da FEB, nascido em 4 dezem-
bro de 1900 (século XIX) e “Decano da
ArtilhariaBrasileira”.
Melhor especificando pelas Ar-
mas, esta Turma excepcional:
INFANTARIA: • Humberto de
Alencar Castello Branco • Alcindo Nunes
Pereira • João de Segadas Vianna • Arthur
da Costa e Silva • HugoSilva• Alcebíades
TamoyodaSilva• OlympioMourãoFilho
• Aguinaldo Caiado de Castro • Nilo Au-
gusto Guerreiro Lima • Armando Cattani
• Armando Baptista Gonçalves • Ignácio
de Freitas Rollim • Mario Tasso Sayão
Cardoso • Francisco Silveira do Prado
• Antonio José Coelho dos Reis • Octávio
Massa • Armando de Mello Meziat • Jair
* Manoel Soriano Neto
Dantas Ribeiro • Renato Rodrigues
Ribas • João Baptista Rangel • Ignácio
de Loyola Daher • Agenor de Andrade
• Samuel da Silva Pires • João Baptista
de Mattos • João Ururahy de Magalhães
• Napoleão de Alencastro Guimarães • Jo-
ão de Almeida Freitas • Armando Levy
Cardoso • João Saraiva • Manoel Joa-
quim Guedes • Iracy Ferreira de Castro.
CAVALARIA: • Armando de Mo-
raes Ancora • Milton Cezimbra • Ernes-
to Dornelles • José Dantas Arêas Pimen-
tel • Riograndino Kruel • Eleutério Brum
Ferlich • Estevão Taurino de Rezende
Neto • José Theóphilo de Arruda • Ini-
má Siqueira • Amaury Kruel • Thales
Moutinho da Costa • Heitor Lopes Ca-
minha.
ARTILHARIA: • Emilio Maurell
Filho • Luiz Antonio Bittencourt • João
Punaro Bley • Amangá Liberato de Cas-
tro Menezes • Waldemar Levy Cardoso
• Alcides Gonçalves Etchegoyen • Nel-
son Gonçalves Etchegoyen • Olindo
Denys • Saint Clair Peixoto Paes Leme
• Adhemar de Queiroz.
ENGENHARIA: • Ary Maurell
Lobo • Antonio Guedes Muniz • Attila
Magno da Silva • Benjamim Rodrigues
Galhardo • Edmundo Macedo Soares e
Silva • Bernardino Correia de Mattos
Netto • Octacílio Terra Ururahy.
Ainda a respeito da “Contra-Re-
volução” de 1964 e da Turma de 1921 da
Escola Militar de Realengo, consigne-
se que às 18 horas de 1º de abril de 1964,
reuniram-se no Gabinete do Comando
da Academia Militar das Agulhas Ne-
gas, os Generais Ancora, Comandante
do I Exército e Ministro (interino) da
Guerra e o General Kruel, Comandante
do II Exército, que acertaram a cessa-
ção das operações, evitando, assim,
provável derramamento de sangue en-
tre tropas do Exército Brasileiro. Os
dois Generais eram da citada Turma de
1921, ambos oriundos da Arma de Ca-
valaria, gaúchos e heróis da FEB, como
gaúcho e de Cavalaria era o Comandan-
te da AMAN, o então General-de-Bri-
gada Emílio Garrastazu Médici.
Como mais uma curiosidade, ca-
be assinalar que os Generais Castello
Branco e Mourão Filho foram servir,
como Aspirantes-a-Oficial, no 12º RI,
de Belo Horizonte-MG, onde era Cabo,
o futuro Vice-Presidente da República
José Maria Alckmin.
HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL
Generais Mourão Filho e Guedes recebem o Presidente Castello Branco
no QG da ID/4, no dia 28 de fevereiro de 1966, em Belo Horizonte
*Coronel - Historiador - Ex-Chefe do CDOCEx
Membro do IGHMB e da AHIMTB
* Raymundo* Raymundo* Raymundo* Raymundo* Raymundo
Negrão TorresNegrão TorresNegrão TorresNegrão TorresNegrão Torres
* General-de-Divisão
O REGIME FARDADO
O“regime fardado” – como gos-
ta de chamar certo escriba cá
da terra – continua a ser acusado de
ser o responsável por todas as nos-
sas desgraças presentes, passadas e
futuras, inclusive por este vendaval
de corrupção que se abateu sobre o
país. Mas, alguns também ensaiam
tímidas comparações como há pou-
co ocorreu quando da morte do ge-
neral Otávio Medeiros, chefe do SNI
no governo Figueiredo, falecido em
situação de quase indigência, e al-
guém lembrou que, apesar de terem
governado ou mandado em um regi-
me autoritário, os generais morrem
pobres.
Um dos mais cáusticos críti-
cos da “ditadura militar” foi Elio
Gaspari em seus quatro recentes li-
vros. No segundo deles – A Ditadu-
ra Escancarada - as peripécias da es-
colha do substituto de Costa e Silva
constituem um alentado capítulo de
credibilidade muito discutível já que
se baseia em algumas fontes suspei-
tíssimas, como Jayme Portella de
Mello - uma espécie de “golbery” do
“seu Artur” -, o despeitado panfle-
tário Carlos Lacerda e o jornalista
Carlos Chagas, então servidor da di-
tadura, que, apeado da sinecura que
arranjara, tornou-se um feroz e res-
sentido detrator dos militares. Hoje,
sabe-se lá porque, mudou outra vez
de lado. Outras surpreendentes, co-
mo a do então ministro Delfim Neto,
em um suposto depoimento de maio
de 1988. Surpresa, pe-
lo menos, para quem
nunca acreditou no
que transpirou do que
dizia o Relatório Sa-
raiva.
As demonstra-
ções de apego ao po-
der, as ambições, as
vaidades e o entrecho-
que de grupos ali mos-
trados são parte de um
quadro que tem certa
credibilidade, mesmo
para quem não se ceve na peçonha
que o autor destila ao descrever cer-
tos acontecimentos. Tais mazelas eram
parte de um sistema de poder que
sempre preocupara Castello Branco,
mas que já eram sinais claros da perda
de rumo que faria do movimento de
1964 mais uma revolução perdida,
como profetizara o general Ernesto
Geisel, ao saber que o substituto de
Castello seria Costa e Silva. Mas,
apesar e independente disso, enquan-
to a “tigrada” continuava fiel ao cum-
primento de sua missão de impedir a
comunização do país, o “concílio dos
generais” acabaria por escolher para
assumir o posto na “troca da guar-
da” um de seus pares, capaz das de-
monstrações de autoridade, simpli-
cidade, modéstia, desprendimento e
integridade moral que mesmo um
autor tendencioso e parcial, como Elio
Gaspari, foi incapaz de esconder.
Quantos presidentes neste país po-
deriam receber os elogios que o au-
tor dedica ao general Medici, regis-
trados à página 133 do citado livro?
Eis o que escreveu o autor:
A ditadura estava no seu
oitavo ano, no terceiro
general. Médici cavalgava
popularidade, progresso e
desempenho. Uma pesquisa
do IBOPE realizada em julho
de 1971 atribuíra-lhe 82% de
aprovação. Em 1972 a
economia cresceria 11,9%,
a maior taxa de todos os
tempos. Era o quinto ano
consecutivo de crescimento
superior a 9%.
“Presidiu o
país em silêncio,
lendo discursos
escritos pelos ou-
tros, sem confra-
ternizações so-
ciais, implacável
com mexericos.
Passou pela vida
pública com escrupulosa honorabi-
lidade pessoal. Da Presidência ti-
rou o salário de Cr$ 3.439,98 líqui-
dos por mês (equivalente a 724 dó-
lares) e nada mais. Adiou um au-
mento da carne para vender na bai-
xa os bois de sua estância e desviou
o traçado de uma estrada para que
ela não lhe valorizasse as terras.
Sua mulher decorou a granja ofici-
al do Riacho Fundo com móveis
usados recolhidos nos depósitos do
funcionalismo de Brasília”.
No terceiro volume da mesma
obra – A Ditadura Derrotada – Elio
Gaspari escreveu:
“A ditadura estava no seu oita-
vo ano, no terceiro general. Médici
cavalgava popularidade, progresso
e desempenho. Uma pesquisa do
IBOPE realizada em julho de 1971
atribuíra-lhe 82% de aprovação. Em
1972 a economia cresceria 11,9%,
a maior taxa de todos os tempos. Era
o quinto ano consecutivo de cresci-
mento superior a 9%. A renda per
capita dos brasileiros aumentara
50%. Pela primeira vez na história
as exportações de produtos indus-
trializados ultrapas-
saram um bilhão de
dólares. Duplicara a
produção de aço e o
consumo de energia,
triplicara a de veícu-
los, quadruplicara a
de navios. A Bolsa
de Valores do Rio de
Janeiro tivera em
agosto uma rentabi-
lidade de 9,4%. Vi-
via-se um regime de
pleno emprego. No
eixo Rio - São Paulo executivos ga-
nhavam mais que seus similares ame-
ricanos ou europeus. Kombis das
empresas de construção civil recru-
tavam mão de obra no ABC paulista
com alto falantes oferecendo bons
salários e conforto nos alojamentos.
Um metalúrgico parcimonioso ga-
nhava o bastante para comprar um
fusca novo. Em apenas dois anos os
brasileiros com automóvel passa-
ram de 9% para 12% da população e
as casas com televisão de 24% para
34%. O Secretário do Tesouro ame-
ricano, John Connally, dissera que
“os EUA bem poderiam olhar para o
exemplo brasileiro, de modo a pôr
em ordem a sua economia”.
Está lá, nas páginas 26 e 27 do
livro de Elio Gaspari para quem qui-
ser conferir e fazer suas compara-
ções, registrado por um escriba aci-
ma de qualquer suspeita de ser a
favor do “regime fardado” ou sau-
doso “dos tempos dos coturnos”.
(Publicado no Inconfidência nº 89 -
Dezembro 2005)
19Nº 276 - 31 de Março/2020
* Por Jarbas
Passarinho
* Coronel Reformado - Foi ministro de
Estado, governador e senador pelo Pará.
Olúcido escritor mineiro João Camil-
lo de Oliveira Torres escreveu que,
no Brasil, os golpes de Estado são con-
denados pelos prejudicados e saudados
pelos favorecidos. Justo seria se fossem
sempre condenados, se a hipocrisia
não fosse uma componente de quem
não se importa com a democracia feri-
da mas com a perda de suas vantagens.
No Brasil, em 1937, o presidente
GetúlioVargasserviu-sedoPlanoCohen,
uma fraude simuladora de iminente ame-
aça comunista. Deu o autogolpe, apoia-
do nas Forças Armadas ainda marca-
das pela revolta de 1935, liderada por
Carlos Prestes, a mando de Moscou.
Os simpáticos ao fascismo aplaudi-
ram; os outros resignaram-se até outu-
bro de 1945, quando um golpe das For-
ças Armadas depôs o ditador.
Quase 30 anos depois, modelo de
1937 parece ter inspirado João Goulart.
Agora, a esquerda é que seria o vetor
revolucionário. Prestes, secretário-geral
do Partido Comunista, mantinha íntima
ligação com o presidente. Di-lo o livro
que ditou para os jornalistas Dênis de
Moraes e Francisco Viana. Destacou um
militante importante ‘‘para representar o
partido nas articulações com Jango’’, o
que não excluía sua ligação, a ponto de,
no Comitê Central do PCB, Marighella o
chamar de janguista.
Obsessivo anotador nas famosas
cadernetas manuscritas, depois apresa-
das, numa refere-se claramente ao golpe:
‘‘A luta se manifesta nas Forças Arma-
das através de conchavos. Vamos con-
centrar o fogo no inimigo principal e
vamosmarcharcomtodos,Goulart,Osvi-
no, etc. no golpe’’. Difícil é saber se o gol-
pe de Prestes era autônomo, ou, sempre
O CONTRAGOLPE DE 1964
JornalAManhãdaAliançaNacionalLibertadora,Rio,27/11/1935
O motim dos marinheiros no dia 25 de março
com Jango, na estratégia do ‘‘etapismo’’,
ou seja, da aliança com a burguesia pro-
gressista na figura de Jango, para a con-
quista do socialismo por via pacífica.
Leonel Brizola, esse tinha a virtude
de pregar o golpe abertamente, clamando
pelo fechamento do Congresso. Cunha-
do, embora, do presidente. Tinha luz pró-
pria na práxis do golpe, tanto que fundou
os ‘‘grupos dos onze’’, de aparência pa-
ramilitar. Certamente não se destina-
vam a estudar a Bíblia, mas ser o em-
brião do Exército Popular de Liberta-
ção. Vigiavam Jango. Assim é que, perto
de 31 de março de 1964, analisando a
conjuntura, concluíram: ‘‘O golpe não
vem da direita, mas de Jango’’.
AGuerraFriaestavanoauge,União
Soviética e Estados Unidos atentos ao
Brasil. O embaixador soviético Fomim
teve a mesma conclusão. Seus telegra-
mas secretos para Moscou, conhecidos
após o colapso da URSS, atribuíam a
Jango o golpe. O embaixador americano
Gordon impressionara-se com a inconfi-
dênciaquelhefezSamuelWainer.Íntimo
de Jango, dele ouvira dizer-lhe sob gran-
de emoção que ‘‘poderia manter a rotina
de cortar fitas em inaugurações e fazer
discursos nos feriados nacionais, ou re-
nunciar como fizera Jânio, ou poderia dar
o salto!’’ Ainda assim, foi cauteloso ao
sintetizar para Washington, nos últimos
dias de março, sua avaliação. Telegrafou
informando a probabilidade de ‘‘haver
um golpe dado por Goulart, um golpe
contra Goulart ou o início de uma longa
luta armada’’. A preparação legitimada
do autogolpe, tentou-a Jango, ao propor
o Estado de Sítio, mas malogrou a mano-
bra porque — revela Prestes — não con-
tou com os comunistas, receosos de que,
depois de aniquilado o governador
Carlos Lacerda, fossem eles os próximos.
O autogolpe de 1937 contou com
respaldo total dos militares. Falto disso,
Jango buscou o apoio dos
subalternos das Forças Ar-
madas. Tenho, para mim,
que o autogolpe não teria
êxito se baseado somente
nas greves políticas da ile-
gal CGT, ou no discurso
carbonário de Brizola para
fechar o Congresso, nem
mesmocomoapoiodePres-
tes. Era preciso sublevar os
subalternos das Forças Ar-
madas. Dois exemplos fa-
lam por si sós. Em setembro
de 1963, sargentos da Aero-
náutica e da Marinha revol-
taram-seemBrasília.Dominaramominis-
tério da Marinha, o quartel dos Fuzileiros
Navais e perderam um marinheiro, morto
no ataque ao Ministério da Aeronáutica.
Foram vencidos e presos. Mas o motim
ficaria impune. As gotas d’água vieram
sucessivas. O motim dos marinheiros, no
Rio, no dia 25 de março de 1964, desafiou
o ministro da Marinha, que mandou
prendê-los pelos fuzileiros — que não só
se recusaram a cumprir como confrater-
nizaram com os amotinados. O presiden-
te preferiu exonerar o ministro da Mari-
nha e nomear outro, dos três indicados
pelos rebelados. Finalmente, o presiden-
te, em 30 de março, aceita receber home-
nagem dos sargentos no Rio de Janeiro.
Dois discursos são ovacionados: o do
marinheiro Anselmo e o do presidente
Jango, na mais radical fala de sua vida
pública, ao acenar com ‘‘as represálias
do povo’’. Que precisava mais, para o
golpe vindo de cima?
O general Cas-
tello Branco, chefe do
EstadoMaiordoExér-
cito, tentou ainda, em
20demarço,advertiro
governo sobre os rumos que tomava.
Distribuiuumacirculardestinadaaosseus
subordinados. Ainda era o legalista de
sempre, mas advertia: ‘‘A insurreição é
um recurso legítimo de um povo. Está ele
pedindo ditadura militar ou civil e Cons-
tituinte? Parece que ainda não’’. Até 20
de março, pois, éramos antigolpistas. De-
pois do motim dos marinheiros e do dis-
curso incendiário no Automóvel Clube,
as Forças Armadas foram atingidas no
âmago de seus pilares: a disciplina e a
hierarquia. Nada mais havia a aguar-
dar, senão o golpe preventivo ou con-
tragolpe.
Tudo o que está aqui citado é in-
desmentível, exceto por quem, como can-
ta Camões, ‘‘negue também ao sol a clari-
dade e certifique-se mais que o fogo é
frio’’. Pois esses negativistas abun-
dam. Mentem deslavadamente. Um que
a despeito de religioso católico, que
não deveria mentir, disse que a CIA foi
a mentora dos oficiais do contragolpe
e que LincolnGordonissoadmitiu.Gros-
sa patranha. Mentem os que negam o
apoio maciço da sociedade civil ao
contragolpe que matou o golpe. Cínicos
são os que dizem ter lutado contra uma
ditadura quando defendiam ardorosa-
mente a ditadura de Fidel Castro e Stálin.
Tartufos, os que simulam ter lutado por
direitos humanos ofendidos ao mesmo
tempo em que os aplaudia violados em
Cuba. Não foi à toa que Voltaire disse,
diante de farsas dessa natureza: ‘‘As-
sim se escreve a História’’.
(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004
no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)
Em 30 de março, no Automóvel Clube, no Rio de Janeiro
Acuse-os do que você faz.
Xingue-os do que você é.
Lenine
ARevolução de 31 de março de
1964 eclodiu em Minas Gerais,
no dia 30 de março, sendo o governa-
dor José de Magalhães Pinto o seu
líder civil, que, de imediato, contou
com o decisivo apoio do comandante
da Infantaria Divisionária da 4ª Re-
gião Militar/4ª Divisão de Infantaria
(sediada em Belo Horizonte), general
de brigada Carlos Luís Guedes, e do
comandante-geral da Polícia Militar
de MG, coronel José Geraldo de Oli-
veira. O chefe militar do Movimento
Revolucionário foi o general de divi-
são Olympio Mourão Filho, coman-
O DESTACAMENTO TIRADENTES
dante da 4ª Região Militar/ 4ª Divisão
de Infantaria, com sede em Juiz de Fo-
ra. Tudo está detalhadamente descrito
nos livros “Tinha que Ser Minas” (Edi-
tora Nova Fronteira SA, RJ, 1979), de
autoria do general Carlos Luís Guedes
e “Memórias: A Verdade de um Revo-
lucionário – apresentação e arquivo de
Hélio Silva” (L&PM Editores Ltda –
Hélio Silva, 1978, 4ª Edição). Esta obra
contém as memórias do general Mou-
rão Filho e foi apresentada e comenta-
da, após a sua morte - ocorrida em
1972 -, como era de seu desejo, pelo
historiador Hélio Silva.
Em 31 de março, o general Mou-
rão Filho constituiu o “Destacamento
Tiradentes” (comandado pelo general
de brigada Antônio Carlos da Silva
Muricy, cujo chefe do Estado-Maior
era o tenente-coronel Walter Pires de
Carvalho e Albuquerque, futuro mi-
nistro da Guerra, e integrado por Uni-
dades do Exército e da PMMG). A
tropa iniciou, às 12h30, de 31 de mar-
ço, o seu deslocamento para o então
estado da Guanabara, onde se encon-
trava o presidente da República, como
consta no documento “Relatório das
Atividades do Destacamento Tiraden-
tes”, de 7 de abril de 1964, assinado
pelo general Mourão Filho. Lê-se em
um trecho no dito Relatório: “......... co-
mo homenagem ao espírito que irma-
nava todos os seus integrantes, bem
como a todos os mineiros, foi deno-
minado DESTACAMENTO TIRA-
DENTES para simbolizar o ideal de:
“Libertas Quae Sera Tamen’’
O Destacamento chegou vitorio-
so ao Rio de Janeiro -após obter a ade-
são das tropas da 1ª Divisão de Infanta-
ria (RJ), em Areal- Três Rios -, onde
acantonou no Estádio do Maracanã, re-
tornando a Minas Gerais em 6 de abril.
Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64
20Nº 276 - 31 de Março/2020
Em várias cidades foram apreen-
didas livros e revistas subversi-
vos escritos em português e espanhol
editados no Brasil, em Cuba e em paí-
ses da cortina de ferro, entre eles, Tche-
coslováquia e Romênia.
Também grande quantidade da
revista Movimento 10, órgão oficial
da UNE. Dessa revista, nº 3 de abril/
1963, destacamos os seguintes as-
suntos:
-A crise econômica dos EEUU
-Para onde vai João Goulart
-Venezuela em Revolução
-A evolução das lutas sindicais
-Solidariedade a Cuba
Não nos surpreende, que passa-
dos 40 anos, os estudantes (?) (pro-
fissionais, comunistas, antigos aman-
tes de Guevara e Fidel e agora de
JÚLIO MESQUITA (1891 / 1927)
SQUITA FILHO ANO LXXXV TERÇA-FEIRA, 7 DE ABRIL DE 1964
O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.
“Lemos, com muito gosto, o livro do General Carlos Luís Guedes, que agora será
publicado.
Sabemos que muitos episódios que precederam a revolução de março de 1964 se
tornaram polêmicos. A atmosfera da paixão que os envolvia e a fragilidade do testemu-
nho humano desfiguraram comportamentos e intenções de muitos dos que concorreram
para sua deflagração e êxito.
Desejamos, por isso, dizer uma palavra sobre o Gen. Guedes, cuja atuação acom-
panhamos a cada dia, na época que antecedeu aquele movimento durante a sua evo-
lução. Quanto aos fatos de que participamos ou de que fomos testemunhas, a narrativa
é exata e correta. Em nenhum passo sua palavra fugiu à realidade, aos acontecimentos.
Há probidade nas suas afirmativas, zelo pela verdade e preocupação histórica no que
escreve. Seu livro é um relato fiel do que se passou em todo o curso da revolução e, assim,
é com júbilo que saudamos a sua publicação.
No preparo do movimento - e isso dizemos com profunda convicção - ninguém
desprezou mais o risco, foi mais valoroso e constante na pregação revolucionária, menos
atento a seu destino pessoal ou caminhou inspirado por maior idealismo. Em horas tão
difíceis, havia os que, diante de certos obstáculos, se tornavam tímidos ou descrentes.
Nunca vimos o Gen. Guedes, mesmo nos lances mais desalentadores, abalado em sua
determinação e sua coragem. Aliado a muitos homens de igual valor e sempre junto ao
Governador Magalhães Pinto, que se comportou com idêntica e permanente bravura pa-
triótica, o Gen. Guedes foi uma vigorosa matriz de ação revolucionária.
Seu livro servirá para dissipar dúvidas, restaurar verdades, e por isso mesmo se
constituirá num rico e valioso depoimento para a História”.
DEPOIMENTOS HISTÓRICOS
OSWALDO PIERUCCETTI - *Secretário do Interior e Justiça/MG
JOSÉ MONTEIRO DE CASTRO - *Secretário de Segurança Pública/MG
Acerca da participação do General Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís Guedes
na Contrarrevolução de 1964 (excertos do livro “Tinha que ser Minas”,
de autoria deste memorável militar)
(*Cargos ocupados no governo Magalhães Pinto, em 1964).
CORONEL JOSÉ GERALDO DE OLIVEIRA
*Comandante-Geral da PMMG, em 1964
“O destino de um povo, nos momentos decisivos de sua
história, depende, muitas vezes, da atuação de um homem.
Este homem, no movimento revolucionário de março de
1964, foi o General Carlos Luís Guedes. Convivi, intimamen-
te, ao lado do Gen. Guedes com os acontecimentos que se
transformaram em marco assinalado da História do Brasil.
A Polícia Militar de Minas Gerais se integrou, decidi-
damente, nas hostes do prudente mas intrépido Chefe Militar,
dando-lhe um suporte não desprezível para superar a indeci-
são e a fraqueza de alguns que, na hora decisiva, titubearam
em honrar os compromissos livremente assumidos, e, posteri-
ormente, em livros e memórias ou através de processos menos aceitáveis, extravasaram
o seu despeito, tentando ocultar o aviltamento próprio. Em desacordo com o que se cos-
tuma afirmar, o que vale é o fato, e não a sua versão.
E os fatos comprovaram, de sobra, o valor, o desassombro e a incrível ousadia desse
bravo soldado, na chefia do movimento armado de março de 1964, que ele deflagrou, em
Belo Horizonte, secundando o gesto do Chefe Civil da Revolução, o governador José de
Magalhães Pinto.
A Revolução que o Gen. Guedes tornou vitoriosa, não soube reconhecer-lhe os mé-
ritos, o que a História fará, certamente, a seu tempo”.
José Monteiro de Castro, General Guedes, José Maria Alkimin, Governador
Magalhães Pinto, General Mourão Filho, Oswaldo Pieruccetti e Roberto Rezende
Publicado no Inconfidência nº 66 de 31 de março de 2004
O resultado
No QG do II Exército, oficiais e
praças descarregam o vultoso
material subversivo encontrado
em diligência no DCT de São
Paulo. Foram apreendidos 4.500
volumes enviados de Havana,
Moscou, Leningrado e Pequim.
(Pág. 16)
Chávez e Evo) ainda perseveram
acreditando no regime assassino e
falido de Cuba e similares, com-
batendo o “imperialismo ianque” e
exigindo a reforma agrária, pois fo-
ramenvolvidoseenganadosporseus
professores marxistas, adeptos da re-
voluçãoculturalgramscista,queocu-
pou os espaços na cátedra, no MEC
e nas Secretarias Estaduais de Edu-
cação.
CUBA NÃO ESTÁ SÓ
Convocado por tôdas as fôr-
ças populares e progressistas da
América Latina realizou-se no
Brasil, de 26 a 30 de março, o En-
contro Nacional e o Congresso
Continental de Solidariedade a
Cuba. (Página 16)
Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 1963
Nos primeiros dias do movimento
cívico-militar de 1964 fui desta-
cado, como capitão comandante de
esquadrão do 8º RC, para ocupar os
pontos sensíveis da cidade, instalan-
do meu posto de co-
mando nos estúdios
da Rádio Charrua.
Na manhã de 2
de abril recebi a mis-
são de invadir a Pre-
feitura Municipal pe-
los fundos, enquanto
os fuzileiros navais
bloqueariam a frente
para impedir que al-
guém de lá saísse. Ao
entrarnogabinetedoprefeitoIzabelino
Abbad, estava ele sentado à mesa, ro-
deado por seu secretariado, como se
já esperasse pelo que estava aconte-
cendo.
Oficiais do Estado Maior da 2ª
DC, os Majores Cav. Gilberto Oscar
Miranda Schmitt e José Campedelli
entraram no gabinete e um deles, vi-
rando-se para mim, disse-me: “Capitão
Carús, conduza o prefeito até o quar-
tel do Oitavo, onde ele deverá perma-
necer”. Foram presos na ocasião além
O Cel Carús foi prefeito de Uruguaiana por três vezes, sendo
eleito pela primeira vez com a maior votação proporcional até hoje
acontecida no município. Também foi deputado e secretário esta-
dual e ainda assistente do presidente Emílio Médici. Hoje, é vice-
prefeito de Uruguaiana (legislatura 2017/2020).
Nossos cumprimentos por tudo que fez, não só por Uruguaiana,
pelo Rio Grande do Sul, como também pela Pátria Amada Brasil!
CAPITÃO ANTONIO AUGUSTO
BRASIL CARÚS
do prefeito, dois vereadores e deze-
nas de suspeitos que lá se encontra-
vam, todos armados porém sem ar-
mas de grande porte.
No trajeto até o quartel, per-
guntou-me o prefeito
Abbad: “Capitão, para
onde sou levado e por-
que estou sendo deti-
do?”. Ao que lhe res-
pondi ser seu destino o
quartel do 8º RC e que
estava cumprindo or-
dens, nada mais tendo
a informar.
Vinte e cinco anos
depois, em 1989, ao me
eleger prefeito de Uruguaiana, com
64,95 % dos votos das urnas (após ter
sido prefeito nomeado “Área de Segu-
rança”), convidei o ex-prefeito Izabe-
lino Abbad para ser secretário mu-
nicipal de Ação Social. Em sua posse
na secretaria, afirmou em seu discur-
so: “O jovem capitão que um dia
me levou daqui, agora me traz de
volta para resgatar minha história
de homem público. Seu gesto é dig-
no da nobreza de espírito dos sol-
dados que temos neste País”.
NOSSO COMENTÁRIO
URUGUAIANA/RS
21Nº 276 - 31 de Março/2020
Se houve na história da América La-
tina um episódio sui generis, foi a
Revolução de Março (ou, se quiserem,
o golpe de abril) de 1964. Numa década
em que guerrilhas e atentados espou-
cavam por toda parte, seqüestros e bom-
bas eram parte do cotidiano e a ascen-
são do comunismo parecia irresistível,
o maior esquema revolucionário já
montado pela esquerda neste conti-
nente foi desmantelado da noite para o
dia e sem qualquer derramamento de
sangue.
O fato é tanto mais inusitado
quando se considera que os comunis-
tas estavam fortemente encravados na
administração federal, que o presiden-
te da República apoiava ostensivamen-
te a rebelião esquerdista no Exército e
que em janeiro daquele ano Luís Carlos
Prestes, após relatar à alta liderança
soviética o estado de coisas no Brasil,
voltara de Moscou com autorização
para desencadear – por fim! – a guerra
civil no campo. Mais ainda, a extrema
direita civil, chefiada
pelos governadores
Adhemar de Barros, de
São Paulo, e Carlos
Lacerda, da Guana-
bara, tinha montado
um imenso esquema
paramilitar mais ou
menos clandestino,
que totalizava não me-
nos de 30 mil homens
armados de helicópte-
ros, bazucas e metralhadoras e dispos-
tos a opor à ousadia comunista uma
reação violenta. Tudo estava, enfim,
preparado para um formidável banho
de sangue.
Na noite de 31 de março para 1o
.
de abril, uma mobilização militar meio
improvisada bloqueou as ruas, pôs a
liderança esquerdista para correr e ins-
taurou um novo regime num país de
dimensões continentais – sem que hou-
vesse, na gigantesca operação, mais
que duas vítimas: um estudante bale-
ado na perna acidentalmente por um
colega e o líder comunista Gregório
Bezerra, severamente maltratado por
um grupo de soldados no Recife. As
lideranças esquerdistas, que até a vés-
pera se gabavam de seu respaldo mili-
tar, fugiram em debandada para dentro
das embaixadas, enquanto a extrema-
direita civil, que acreditava ter chega-
do sua vez de mandar no país, foi cui-
dadosamente imobilizada pelo gover-
no militar e acabou por desaparecer do
cenário político.
Qualquer pessoa no pleno uso
da razão percebe que houve aí um fe-
nômeno estranhíssimo, que requer in-
vestigação. No entanto, a bibliografia
A HISTÓRIA OFICIAL DE 1964
sobre o período, sendo de natureza pre-
dominantemente revanchista e incri-
minatória, acaba por dissolver a origi-
nalidade do episódio numa sopa re-
ducionista onde tudo se resume aos
lugares-comuns da “violência” e da “re-
pressão”, incumbidos de caracterizar
magicamente uma etapa da história
onde o sangue e a maldade apareceram
bem menos do que seria normal esperar
naquelas circunstâncias.
Os trezentos esquerdistas mor-
tos após o endurecimento repressivo
com que os militares responderam à
reação terrorista da esquerda, em 1968,
representam uma taxa de violência bem
modesta para um país que ultrapassa-
va a centena de milhões de habitantes,
principalmente quando comparada aos
17 mil dissidentes assassinados pelo
regime cubano numa população quin-
ze vezes menor. Com mais nitidez ain-
da, na nossa escala demográfica, os
dois mil prisioneiros políticos que che-
garam a habitar os nossos cárceres
foram rigorosamen-
te um nada, em com-
paração com os cem
mil que abarrota-
vam as cadeias da-
quela ilhota do Ca-
ribe. E é ridículo
supor que, na épo-
ca, a alternativa ao
golpe militar fosse
a normalidade de-
mocrática. Essa al-
ternativa simplesmente não existia: a
revolução destinada a implantar aqui
um regime de tipo fidelista com o apoio
do governo soviético e da Conferência
Tricontinental de Havana já ia bem adi-
antada. Longe de se caracterizar pela
crueldade repressiva, a resposta mili-
tar brasileira, seja em comparação com
os demais golpes de direita na América
Latina seja com a repressão cubana, se
destacou pela brandura de sua condu-
ta e por sua habilidade de contornar
com o mínimo de violência uma das
situações mais explosivas já verifica-
das na história deste continente.
No entanto, a historiografia ofi-
cial – repetida ad nauseam pelos livros
didáticos, pela TV e pelos jornais –
consagrou uma visão invertida e ca-
ricatural dos acontecimentos, enfa-
tizando até à demência os feitos singu-
lares de violência e omitindo sistema-
ticamente os números comparativos
que mostrariam – sem abrandar, é cla-
ro, a sua feiúra moral – a sua perfeita
inocuidade histórica.
Por uma coincidência das mais
irônicas, foi a própria brandura do go-
verno militar que permitiu a entroni-
zação da mentira esquerdista como his-
tória oficial. Inutilizada para qualquer
ação armada, a esquerda se refugiou
nas universidades, nos jornais e no mo-
vimento editorial, instalando aí sua
principal trincheira. O governo, influ-
enciado pela teoria golberiniana da “pa-
nela de pressão”, que afirmava a ne-
cessidade de uma válvula de escape
para o ressentimento esquerdista, ja-
mais fez o mínimo esforço para desafiar
a hegemonia da esquerda nos meios
intelectuais, considerados militarmen-
te inofensivos numa época em que o
governo ainda não tomara conhecimen-
to da estratégia gramsciana e não ima-
ginava ações esquerdistas senão de
natureza inssurrecional, leninista. Dei-
xados à vontade no seu feudo intelec-
tual, os derrotados de 1964 obtiveram
assim uma vingança literária, monopo-
lizando a indústria das interpretações
do fato consumado. E, quando a dita-
dura se desfez por mero cansaço, a es-
querda, intoxicada de Gramsci, já tinha
tomado consciência das vantagens po-
líticas da hegemonia cultural, e apegou-
se com redobrada sanha ao seu mono-
pólio do passado histórico. É por isso
que a literatura sobre o regime militar,
em vez de se tornar mais serena e obje-
tiva com a passagem dos anos, tanto
mais assume o tom de polêmica e de-
núncia quanto mais os fatos se tornam
distantes e os personagens desapare-
cem nas brumas do tempo.
Mais irôni-
co ainda é que o
ódio não se ate-
nue nem mes-
mo hoje em dia,
quando a es-
querda, levada
pelas mudanças
do cenário mundial, já vem se transfor-
mando rapidamente naquilo mesmo que
os militares brasileiros desejavam que
ela fosse: uma esquerda socialdemo-
crática parlamentar, à européia, des-
provida de ambições revolucionárias
de estilo cubano. O discurso da es-
querda atual coincide, em gênero, nú-
mero e grau, com o tipo de oposição
que, na época, era não somente con-
sentido como incentivado pelos milita-
res, que viam na militância socialde-
mocrática uma alternativa saudável
para a violência revolucionária.
Durante toda a história da es-
querda mundial, os comunistas vota-
ram a seus concorrentes, os social-
democratas, um ódio muito mais pro-
fundo do que aos liberais e capitalis-
tas. Mas o tempo deu ao “re-
negado Kautsky” a vitória
sobre a truculência leninista.
E, se os nossos militares tudo
fizeram justamente para
apressar essa vitória, por que
continuar a considerá-los
fantasmas de um passado te-
nebroso, em vez de reconhe-
cer neles os precursores de
um tempo que é melhor para
todos, inclusive para as es-
querdas?
Para completar, muita
gente na própria esquerda já
admitiu não apenas o caráter
maligno e suicidário da rea-
ção guerrilheira, mas a con-
tribuição positiva do regime
militar à consolidação de uma
economia voltada predomi-
nantemente para o mercado
interno – uma condição bá-
sica da soberania nacional.
Tendo em vista o preço mo-
desto que esta nação pagou,
em vidas humanas, para a eliminação
daquele mal e a conquista deste bem,
não estaria na hora de repensar a Revo-
lução de 1964 e remover a pesada cros-
ta de slogans pejorativos que ainda
encobre a sua realidade histórica?
(O Globo, 19 de janeiro de 1999)
* Filósofo, Escritor e Jornalista
* Olavo de Carvalho
Tendo em vista o preço
modesto que esta nação pagou,
em vidas humanas, para a
eliminação daquele mal e a
conquista deste bem, não
estaria na hora de repensar a
Revolução de 1964 e remover a
pesada crosta de slogans
pejorativos que ainda encobre a
sua realidade histórica?
Os estudantes da UNE,
na hora do fogo optaram pela
retirada prudente
POVO INCENDIOU O MAIS
AGITADO CENTRO POLÍTICO
- ESTUDANTIL DO PAÍS
POPULARES e estudantes democra-
tas, logo após a notícia de que a rebelião fôra
vitoriosa, dirigiram-se para a sede da União
Nacional dos Estudantes, na Praia do
Flamengo, no Rio. Começaram, então, as
manifestações contra a comunização da-
quele centro estudantil à proporção em que
se avolumava a massa humana. O edifício
acabou sendo invadido, móveis foram atira-
dos pelas janelas, ao mesmo tempo em que
apareciam as primeiras chamas. O povo, do
lado de fora, aplaudia. Das janelas dos pré-
dios vizinhos uma chuva de papel picado
saudava as manifestações contra a UNE.
Fatos & FotosFatos & FotosFatos & FotosFatos & FotosFatos & Fotos
Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166
22Nº 276 - 31 de Março/2020
Julgamento
da Revolução
PARTICIPAMOS da Revolução de
1964 identificados com os anseios
nacionais de preservação das insti-
tuições democráticas, ameaçadas pela
radicalização ideológica, greves, de-
sordem social e corrupção generali-
zada.
Quando a nossa redação foi in-
vadida por tropas anti-revolucionári-
as, mantivemo-nos firmes em nossa
posição. Prosseguimos apoiando o
movimento vitorioso desde os primei-
ros momentos de correção de rumos
até o atual processo de abertura, que
se deverá consolidar com a posse do
futuro presidente.
TEMOS permanecido fiéis aos
seus objetivos, embora conflitando
em várias oportunidades com aque-
les que pretenderam assumir o con-
trole do processo revolucionário, es-
quecendo-se de que os acontecimen-
tos se iniciaram, como reconheceu o
Marechal Costa e
Silva, “por exigên-
cia inelutável do
povo brasileiro”.
Sem povo, não ha-
veria a revolução,
masapenasum“pro-
nunciamento” ou
“golpe” com o qual não estaríamos
solidários.
O GLOBO, desde a Aliança Libe-
ral, quando lutou contra os vícios po-
líticos da Primeira República, vem
pugnando por uma autêntica demo-
cracia e progresso econômico e soci-
al do país. Em 1964, teria de unir-se
aos companheiros de jornadas ante-
riores, aos “tenentes e bacharéis” que
se mantinham coerentes com as tradi-
ções e os ideais de 1930, aos expedi-
cionários da FEB que ocupavam a
Chefia das Forças Armadas, os quais
se congregaram sob a pressão das gran-
des marchas populares, mudando o
curso da nossa história.
ACOMPANHAMOS esse esforço
de renovação em todas as suas fases.
No período da ordenação da econo-
mia, que se encerrou 1967. Nos meses
dramáticos de 1968 em que a identifi-
cação dos atos de terrorismo provo-
cou a implantação do AI-5. Na expan-
são econômica de 1969 a 1972, quan-
do o produto nacional cresceu à taxa
média anual de 10%. Assinale-se que,
naquele primeiro decênio revolucio-
nário, a inflação decrescera de 96%
para 12,6% ao ano, elevando-se as
exportações anuais de 1 bilhão e 300
mil dólares para mais de 12 bilhões de
dólares. Na era do impacto da crise
mundial do petróleo desencadeada
em 1973 e repetida em 1979, a que se
seguiram aumentos vertiginosos nas
taxas de juros, impondo-nos uma su-
cessão de sacrifícios para superar a
nossa dependência externa de ener-
gia, a deterioração dos preços dos
nossos produtos de exportação e a de-
sorganização do sistema financeiro
internacional. Essa conjugação de
fatores que violentaram a administra-
ção de nossas contas externas obri-
gou-nos a desvalorizações cambias
de emergência que teriam fatalmente
de resultar na exacerbação do proces-
so inflacionário. Nas respostas que a
sociedade e o governo brasileiro de-
ram a esses desafios, conseguindo no
segundo decênio revolucionário que
agora se completa, apesar de todas as
dificuldades, reduzir de 80% para
menos de 40% a dependência externa
na importação de energia, elevando a
produção de petróleo de 175 mil para
500 mil barris diários e a de álcool de
680 milhões para 8 bilhões de litros; e
simultaneamente aumentar a fabrica-
ção industrial em 85%, expandir a área
plantada para produção de alimentos
com 20 milhões de hectares a mais,
criar 13 milhões de novos empregos,
assegurar a presença de mais 10 mi-
lhões de estudantes nos bancos es-
colares, ampliar a população econo-
micamente ativa de 29 milhões e 500
mil para 45 milhões 797 mil, elevando
as exportações anu-
ais de 12 bilhões
para 22 bilhões de
dólares.
VOLVENDO
os olhos para as
realizações nacio-
nais dos últimos
vinte anos, há que se reconhecer um
avanço impressionante: em 1964 éra-
mos a quadragésima nona economia
mundial, com uma população de 80 mi-
lhões de pessoas e uma renda per capita
de 900 dólares; somos hoje a oitava,
com uma população de 130 milhões de
pessoas, e uma renda média per capita
de 2.500 dólares.
O PRESIDENTE CASTELLO BRAN-
CO, em seu discurso de posse, anun-
ciou que a revolução visava “a arran-
cada para o desenvolvimento econô-
mico, pela elevação moral e política”.
Dessa maneira, acima do progresso
material, delineava-se o objetivo su-
premo da preservação dos princípios
éticos e do restabelecimento do esta-
do de direito. Em 24 de junho de 1978,
o Presidente Geisel anunciou o fim
dos atos de exceção, abrangendo o
AI-5, o decreto-lei 477 e demais Atos
Institucionais. Com isso, restaura-
vam-se as garantias da magistratura e
o instituto do habeas-corpus. Cessa-
va a competência do Presidente para
decretar o fechamento do Congresso
e a intervenção nos Estados, fora das
determinações constitucionais.
Perdia o Executivo as atribuições
de suspender direitos políticos, cas-
sar mandatos, demitir funcionários e
reformar militares. Extinguiam-se as
atividades da CGI (Comissão Geral de
Inquérito) e o confisco sumário de bens.
Desapareciam da legislação o banimen-
to, a pena de morte, a prisão perpétua e
a inelegibilidade perene dos cassados.
Findava-seoperíododiscricionário,sig-
nificando que os anseios de liberaliza-
ção que Castello Branco e Costa e Silva
manifestaram em diversas ocasiões e
que Médici vislumbrou em seu pri-
meiro pronunciamento finalmente se
concretizavam.
Nos meses dramáticos
de 1968 em que a
identificação dos atos de
terrorismo provocou a
implantação do AI-5.
Roberto Marinho
O GLOBO
Rio de Janeiro, 07 de outubro de 1984
Com detalhes em nada menos de qua-
tro páginas, O POVO (10.09.00)
publicou importante trabalho do jorna-
lista Benedito Teixeira mostrando o que
representa, para o trabalhador brasilei-
ro, a aposentadoria do Funrural, que é,
sem nenhum favor, a
mais revolucionária
obra social dos últimos
cinqüenta anos. O jor-
nalista constatou que é
comum esta frase entre
os comerciantes do in-
terior: “Se não fossem
os aposentados, está-
vamos quebrados”,
pois, “as vendas do co-
mércioseresumempra-
ticamente ao período
de pagamento das aposentadorias”.
O que se estranha, quando o as-
sunto é aposentadoria rural, é que se
omita os responsáveis pela sua criação.
Seus autores nunca andaram nos micro-
fones e nos jornais com a demagogia do
“social”, dos “excluídos”, dos “sem” isso
e aquilo. Pelo contrário, o problema ide-
ológico ainda não permitiu que os bra-
sileiros fizessem justiça a dois eminen-
tes generais que, no exercício da Presi-
dência da República, criaram, em 69 e
71, a aposentadoria ru-
ral. Um deles, porque foi
obrigado a agir com mão
de ferro contra o terroris-
mo, é acusado de respon-
sável pelo que chamam
“anos de chumbo”, sem
os quais, aliás, ninguém poderia avaliar o
que seria o Brasil de hoje.
Em 1º de maio de 69, pelo decreto-
lei 564, o presidente Costa e Silva esten-
deu a Previdência Social ao trabalhador
rural, especialmente aos empregados
da agroindústria canavieira. Acolheu ex-
posição do ministro Jarbas Passarinho,
que viajara para a cidade do Cabo, em
Pernambuco, afim de resolver a greve
que deflagraram. Em 1972, pelo decreto
69.919, o presidente Médici ampliou o
plano básico elaborado pelo ministro Pas-
sarinho. Nascia, então, a Previdência Ru-
ral, que hoje beneficia mais de oito mi-
lhões de trabalhadores. Numa média de
cincoporfamília,temosquarentamilhões
de brasileiros devidamente amparados. O
Funrural, uma das maiores obras sociais
do século XX, no Brasil, foi obra de dois
generais, Costa e Silva e Médici, acatan-
do exposição de seu ministro-coronel
Jarbas Passarinho. Quem publicou
substancioso trabalho sobre o assunto
foi Álvaro Sólon de França, Coordenador
doComitêNacionaldoProgramadeEsta-
bilidade Social, do Ministério da Previ-
dência e Assistência Social e ex-presi-
dente da Associação Nacional dos Fis-
cais de Contribuições Previdenciárias
(Anfip). É filiado aos PSDB, partido do
governo, insuspeito, portanto, com rela-
ção aos governos militares
Com dois generais e um coronel
nasceu a maior obra social dos últimos 50
anos no Brasil.
Se falam tanto em desigualdade so-
ciais, não podem omitir a aposentadoria
rural como instrumento poderoso para
reduzi-las, com grande influência na eco-
nomia de mais de três mil municípios.
É ela que fixa as pessoas em seus
municípios de origem, evitando o êxodo
principalmente para as cidades superpo-
voadas. Muitos aposentados e pensio-
FUNRURAL, SOCIAL E POLÍTICO*Themístocles de Castro e Silva
Com dois generais e
um coronel nasceu
a maior obra social
dos últimos 50 anos
no Brasil.
Presidente Médici
nistas figuram como elementos de sus-
tentação social, não por ganharem bem,
mas por garantiram, com suas modestas
aposentadorias, o sustento de suas famí-
lias. É o que acontece, por exemplo, com
os trabalhadores rurais. Explorados, du-
rante décadas, nas fazen-
das por ganhos mensais
muitas vezes em torno de
R$40,00,elestêmsuarenda
triplicada quando passam a
receber o benefício a que
fazem jus após a aposenta-
doria. Mas quando se apo-
sentam, elas não apenas au-
mentam consideravelmente
sua renda, como passam a
receber em dia, - diz o Dr.
Álvaro Sólon.
Para que se tenha idéia do que
representa a aposentadoria rural, basta
que se diga o seguinte: em 90% dos mu-
nicípios brasileiros, o pagamento de be-
nefícios é superior à arrecadação pre-
videnciária no próprio município. Al-
guns exemplos: Solidão, (PE): com arre-
cadação de mil e poucos reais, paga mais
deummilhãodebenefícios;Aracati(CE),
arrecada mil e setecentos e paga dezenove
milhões;Araripe,arrecadaapenas124mil
e paga três milhões; Quixadá, arrecada
dois milhões e paga vin-
te e dois; Juazeiro, arre-
cada 10 milhões e paga
44(34amais).AtéForta-
leza, arrecada 412 mi-
lhões e paga 482 (seten-
ta milhões a mais).
Outrodetalheimportante:em3.358
dos 5.507 municípios brasileiros avalia-
dos (60,97%), o volume de pagamento de
benefícios previdenciários efetuados
pelo INSS supera o Fundo de Participa-
ção dos Municípios. Ao contrário do que
muitos poderiam imaginar, isso não ocor-
re apenas no Nordeste, mas em todo o
País, incluindo estados ricos. No Rio de
Janeiro, em 75 dos 91 municípios, os be-
nefícios previdenciários superam o FPM,
o que representa 82,41%, no Espírito San-
to, em 64 dos 77 municípios; em Minas
Gerais, em 527 dos 853 municípios; em
São Paulo, em 478 dos 645 municípios
(74,10%). No Nordeste, o recorde fica
com Pernambuco (81,52%), onde em 150
dos 184 municípios o pagamento de be-
nefícios supera o FPM. O segundo lugar
ficacomaBahia(66,98%),emque278dos
415 municípios.
Quem é capaz de avaliar o que
seria hoje do Brasil, se esses oito milhões
de trabalhadores rurais não tivessem apo-
sentadoria e se transformassem com suas
famílias em presa fácil dos “sem-terra”, o
que não seria difícil, pelas dificuldades
que estariam enfrentando? Também já
avaliaram quantas favelas a mais teriam
nascido no País, com esses oito milhões
de pobres atrás de alimentos e moradia,
pois nada encontraram em sua terra de
origem?
Não adianta a esquerda espernear,
porque a História fala mais alto do que a
frustração ideológica .
A maior obra social dos últimos 50
anos foi iniciativa de dois generais: Costa
e Silva e Emílio Médici, com a colabora-
ção decisiva de um Coronel, Jarbas Pas-
sarinho, ministro quatro vezes e um dos
maiores talentos da vida pública brasilei-
ra nas últimas décadas.
* Jornalista
“O POVO” - Fortaleza/CE, 26.11.00
○ ○ ○
23Nº 276 - 31 de Março/2020
As opções políticas
na década de 1960
Um dos mais caros mitos é o de
que militares maldosos, aliados à “bur-
guesia” nacional “ameaçada em seus
privilégios” – e subordinados às de-
mandas maquiavélicas dos EEUU – re-
solveram abortar pelas armas a política
conduzida por um governo legítimo e
que atendia aos “anseios populares”.
Em primeiro lugar nega-se o fato de
que em 1959 a geopolítica da América
Latina (AL) havia virado do avesso pela
tomada do poder em Cuba por Castro,
que logo assumiu sua condição de comu-
nista e se aliou à URSS. Seguiu-se um
banho de sangue de proporções
inimagináveis – do qual é proibido fa-
lar! – e a lenta e progressiva instalação
na ilha de numerosos instrutores sovié-
ticos que adestraram tropas cubanas e
formaram e exportaram guerrilheiros e
terroristas, e restruturaram o sistema
de Inteligência. Através desta “cabeça
de ponte” aumentou sobremaneira a in-
fluência da URSS na AL. Os jornais noti-
ciavam diariamente as tentativas de der-
rubada do governo legitimamente
eleito da Venezuela, país chave
pelaproduçãopetrolífera.Opróxi-
mo objetivo estratégico era o Bra-
sil, País imenso, já em fase inicial
de industrialização e cujas Forças
Armadas representavam um pode-
roso obstáculo à penetração co-
munista no Continente.
Outro fator só mais recente-
mente veio à luz devido à defecção
de Anatoliy Golitsyn, oficial gra-
duadodaKGB.Em1959,duranteo
período de desestalinização da
URSS, Alieksandr Shelepin apre-
sentou um relatório ao Comitê
Central do PCUS mostrando a
necessidade de que os órgãos
de segurança voltassem a suas
funções originais de desinforma-
ção, exercidas pela OGPU (1922-
34). A partir de então toda notí-
cia do mundo comunista era ba-
seada em informações emanadas
e/ou alteradas pelo Departamento D
(Desinformatziya) da KGB.
25 de agosto de 1961, renúncia de
JânioQuadrosmarcaummomentoimpor-
tante. O Vice, João Goulart, encontrava-
se na China e declarou que iria comandar
o processo de “reformas sociais” tão
logo assumisse. Os Ministros Militares e
amplos setores civis se opuseram à pos-
se de Jango por suas notórias ligações
com a esquerda. Seu cunhado Brizola,
Governador do Rio Grande do Sul reagiu,
o Comandante do Terceiro Exército, Gen
Machado Lopes, ficou do lado dele e o
Brasil esteve à beira da guerra civil. A
Força Aérea chegou a dar uns tiros no
Palácio Piratini. Brizola tomou todas as
DESFAZENDO ALGUNS MITOS SOBRE 1964
rádios de Porto Alegre e obrigou as de-
mais a entrarem em cadeia, a Cadeia da
Legalidade! E lá estava eu, “comandan-
do” uma mesa em plena rua, a uns 4 graus,
com uma lista de assinaturas para quem
quisesse “pegar em armas pela legalida-
de”, atuando em conjunto com membros
doextintoPCB.Comaemendaparlamen-
tarista tudo se acalmou mas em janeiro
de 63, num plebiscito nada confiável o
País retorna ao Presidencialismo.
Fiz parte da Juventude Trabalhista
e só não entrei para os Grupos dos 11, do
Brizola, sobre os quais hoje quase se
nada se ouve, porque não tinha idade e,
portanto, não era confiável. No início dos
anos 60 o hoje santificado Betinho, junto
comoPadreVaz,elaborouo“Documento
Base da Ação Popular (AP)”, que previa
a instalação de um governo socialista
cristão no Brasil. Mas o documento em
que a AP se declarava francamente a
favor da instalação de uma ditadura ao
estilo maoísta foi mantido secreto até
para os militantes da base. Só vim a ter
contato com ele através de Duarte Pa-
checo (um dos membros do Comando
Nacional de AP) em agosto de 65, quando
eu já era mais “confiável”. O documento,
que era obviamente o produto de uma
luta interna na esquerda mundial, defen-
dia a luta em três etapas: reivindicatória
(movimentos populares, greves); políti-
ca (início das guerrilhas no campo, como
na China e Vietnã) e ideológica (a forma-
ção do Exército Popular de Libertação).
Contrariava a teoria do foco guerrilheiro,
preferida por Guevara e Debray.
O MASTER (nome do MST da épo-
ca),doBrizola,invadiaterrasnoRioGran-
de do Sul (como a do Banhado do Colé-
gio, em Camaquã) e as Ligas Campone-
sas, de Francisco Julião, com apoio explí-
cito do Governador Arraes, no Nordeste.
A CGT, (presidida por Dante Pelacani),
a UNE (José Serra) propunham aberta-
mente um golpe com fechamento do
Congresso. Armas tchecas começaram a
surgir. O ano de 1963 foi uma agitação só.
O movimento estudantil, do qual posso
falar, estava dividido entre a Ação Popu-
lar(AP)eoPCB.Quemnãoviveuaqueles
tempos dificilmente pode imaginar o ní-
vel de agitação que havia por aqui. O
reinício das aulas em
março de 1964 prati-
camente não houve.
Num encontro
em Pelotas, onde eu
estudava Medicina,
com o último Minis-
tro da Educação do
Jango, Sambaqui, no
início de março, ele
nos revelou que tudo
começaria com o co-
mício marcado para o
dia 13, em local proi-
bido para manifesta-
ções públicas (em
frente ao Ministério
da Guerra) já em desafio aberto e simbó-
lico à lei, seria continuado pelo levante
dos sargentos do Exército e da Marinha
– formando verdadeiros soviets – e pelos
Fuzileiros Navais em peso, comandados
pelo “Almirante do Povo”, Aragão. Pre-
gava-se a subversão da hierarquia e dis-
ciplina militares. Seguir-se-ia pelo já pro-
gramado discurso de Jango no Automó-
vel Clube do Brasil. A pressão final sobre
o Congresso seria em abril e maio: se não
aprovasse as “reformas de base” seria
Revista da UNE - Movimento 10 (Abril / 1963)
Assuntos publicados: Solidariedade a Cuba,
Venezuela em Revolução, A Reforma Agrária
asta olhar quem hoje está no poder político da Nação
para perceber que são os derrotados militarmente em
1964, que venceram uma das batalhas mais importantes: a
cultural. Refugiando-se nesta área negligenciada pelos
governos militares, e baseando-se na desinformação e nas
teses de Gramsci, passaram a escrever grande parte da história, principal-
mente aquela de alcance público, acadêmico e nas escolas de todos os
níveis, novelas e minisséries de TV. Tornaram-se “donos” dos significados
das palavras. Temos hoje muito mais mitologia induzida do que história
ocorrida. É trabalho para décadas – se houver liberdade para tanto – des-
fazer todos os mitos dos chamados “anos de chumbo”. Darei minha modesta
contribuição, falando daquilo que vivenciei.
fechado com pleno apoio popular.
Na mesma época, participei de uma
ação comandada por um agitador da
Petrobrás e da SUPRA (Superintendên-
cia da Reforma Agrária), em Rio Grande,
pela encampação da Refinaria de Petró-
leo Ipiranga o qual, num discurso na Pre-
feitura, declarou que a República Socia-
lista do Brasil estava próxima. As ocor-
rências de março só
confirmaram a cons-
piração acima menci-
onada. No comício do
dia 13 Brizola pregou
o fechamento do Con-
gresso se não apro-
vasse as tais “Refor-
mas de Base” (na lei
ou na marra) – nin-
guém me contou, eu
ouvi no rádio. Prestes
diziaqueoscomunis-
tas já estavam no Go-
verno, só faltava to-
marem o Poder.
Nãohavia,pois,
opção democrática alguma. Restava de-
cidir se teríamos o predomínio dos comu-
nistas ou uma reedição do Estado Novo
ou de uma ditadura peronista, chefiados
por Jango. As passeatas civis estavam
nas ruas exigindo fim da baderna e em
apoio ao Congresso. Sugerir que se devia
esperar que Jango desse o golpe para de-
pois tirá-lo, me parece uma idéia legalista
infantil, pois então teria que ser muito
mais cruento. Foi, na verdade, um con-
tragolpe cívico-militar preventivo.
PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS
Outro mito é sobre a participação americana no “golpe” de 64. Chamada de
“Operação Thomas Mann” (nome do então Secretário de Estado Adjunto para
a AL) não passa de uma mentira baseada em documentos forjados pelo Departamento
D já citado, através da espionagem Tcheca. Quem montou a operação foi o espião
Ladislav Bittman que, em 1985 revelou tudo no seu livro The KGB and Soviet Di-
sinformation: An Insiders View, Pergamon-Brasseys, Washington, DC, 1985. Segun-
do suas declarações “A Operação foi projetada para criar no público latino-americano
uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais
intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de
intrigas anti-democráticas”. Outra fonte é o livro de Phyllis Parker Brazil and the Quiet
Intervention: 1964, Univ. of Texas Press, 1979, onde fica claro que os EEUU
acompanhavam a situação de perto, faziam seus lobbies e sua política com a
costumeira agressividade, e tinham um plano B para o caso de o País entrar em guerra
civil. Entretanto não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram,
dirigiram ou participaram da execução do “golpe” de 1964.
Embora as revelações tenham sido tornadas públicas em 79/85, a imprensa
brasileira nada publicou a respeito não permitindo que a opinião pública tomasse
conhecimento da mentira que durante anos a enganou. Apenas a Revista Veja na
sua edição nº 1777, de 13/11/02, publica a matéria ”O Fator Jango” de autoria de
João Gabriel de Lima, onde este assunto é abordado.
A LUTA ARMADA E O AI-5
Finalmente, o mito de que brasileiros patriotas e democratas se levantaram em
armas contra o “endurecimento da ditadura” através do Ato Institucional Nº
5, de 13 de dezembro/1968.
Em julho de 1965, na primeira tentativa de restabelecer a UNE, extinta pela Lei
Suplicy, foi realizado um Congresso no Centro Politécnico em SP no qual fui eleito
Vice-Presidente de Intercâmbio Internacional. Em outubro fui preso em Fortaleza, o
que impediu minha ida ao Congresso da UIE na Mongólia, onde seria traçada uma
estratégia de recrudescimento da violência revolucionária na AL. De 1966 – ano da
Conferencia Tricontinental de Havana e da Organización Latino Americana de
Solidariedad (OLAS) – a 1968 participei, no Sul, das intensas discussões clandestinas
sobre a luta armada conduzidas por militantes da AP treinados em Pequim. Em janeiro
de 1968, 11 meses antes da edição do AI-5, a luta foi implementada por todas as
organizações revolucionárias, menos o PCB. A AP “rachou”, eu fiquei do lado
contrário à maluquice da luta armada e saí, não sem sofrer posteriormente sérias
ameaças de meus “companheiros”. Logo depois, mudou o nome para Ação Popular
Marxista-Leninista do Brasil, o que já estava previsto no citado documento secreto.
Como vários autores mais credenciados já têm se manifestado sobre isto, não vejo
necessidade de mais para deixar claro que o A-I 5 não passou de uma reação ao
incremento das atividades revolucionárias.
Rio de Janeiro, 20/4/2004 (Publicado no Inconfidência nº 108 de 30/04/2007)
*Médico, escritor e analista político. hdepaola@terra.com.br http://www.heitordepaola.com
*Heitor De Paola
B
24Nº 276 - 31 de Março/2020
Eis um extrato do editorial do “Correio da Manhã”, de 31 de março de 1964 na
alvorada da revolução intitulado “Basta!”“Basta!”“Basta!”“Basta!”“Basta!”:
"Basta!"Basta!"Basta!"Basta!"Basta! Até que ponto o Presidente da República abusará da paciência da
nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos-lei, a função
do Poder Legislativo? Até que ponto contribuirá para preservar o clima de in-
tranqüilidade e insegurança que se verifica presentemente na classe produtora?
Até quando deseja levar ao desespero, por meio da inflação e do aumento do custo
de vida, a classe média e a classe operária? Até quando quer desagregar as Forças
Armadas por meio da indisciplina que se torna cada vez mais incontrolável?"
E, no dia seguinte, mais pesado ainda, o editorial do “Fora!”:“Fora!”:“Fora!”:“Fora!”:“Fora!”:
"O artigo 83, parágrafo único: o Presidente da República prestará, no ato
da posse, este compromisso: prometo manter, defender e cumprir a Constitui-
ção da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil,
sustentar-lhe a união, a integridade e a independência.
Este foi o juramento prestado pelo Sr. João Goulart, no dia 7 de setembro
de 1961, perante o Congresso Nacional.
Jurou e não cumpriu. Não é mais Presidente da República. Fora!Fora!Fora!Fora!Fora!
A nação não suporta mais a permanência do Sr. João Goulart à frente do
Governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não
resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o governo ao seu
legítimo sucessor. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!Saia!Saia!Saia!Saia!
"Queremos que o Sr. João Goulart devolva ao Congresso, devolva ao povo
o mandato que êle não soube honrar.
Nós do Correio da Manhã defendemos intransigentemente em agosto e
setembro de 1961 a posse do Sr. João Goulart, a fim de manter a legalidade
constitucional. Hoje, como ontem, queremos preservar a Constituição. O Sr.
João Goulart deve entregar o Governo ao seu sucessor, porque não pode mais
governar o país.
A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo. O povo saberá defendê-
las. Nós continuaremos a defendê-las.” Correio da Manhã, 1 de abril de 1964.
31/03/64 - FOLHA DA TARDE - (Do editorial, A GRANDE AMEAÇA) “...cuja
subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério, lan-
çaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo...”
31/03/64 - JORNAL DO BRASIL - “Quem quisesse preparar um Brasil nitida-
mente comunista não agiria de maneira tão fulminante quanto a do Sr. João
Goulart a partir do comício de 13 de março...”
01/04/64-ESTADODESÃOPAULO-SÃOPAULOREPETE32“Minas desta vez está
conosco”... “dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma
parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar
definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”.
01/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Desde ontem se instalou no país a verdadeira
legalidade:”... “restabelecer a legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-
anoquedemaisfundamentalelatem:adisciplinaeahierarquiamilitares”.Alegalidade
está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”.
02/04/64-OGLOBO -“FugiuGoularteademocraciaestásendorestaurada”...“atenden-
doaosanseiosnacionaisdepaz,tranqüilidadeeprogresso...asForçasArmadaschamaram
a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim
que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”.
02/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Brizola nega renúncia de Goulart e prega
ocupação de quartéis por sargentos”. “Paulistas jogam papel e cantam Hino na queda
do Presidente Goulart”.
02/04/64 - CORREIO DA MANHÃ - “Lacerda anuncia volta do país à democracia.”
05/04/64 - O GLOBO - “A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução
comunista”.
06/04/64 - JORNAL DO BRASIL -“PONTESDEMIRANDAdizqueFFAAviolaram
a Constituição para poder salvá-la!”
09/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Congresso concorda em aprovar Ato Institucional”.
10/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Partidos asseguram a eleição do General
Castello Branco”.
16/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Rio festeja a posse de Castello”.
18/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Castelo garante o funcionamento da Justiça”.
21/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Castelo diminui nível de aumento aos mili-
tares”. Corte propõe aumento aos militares com 50% menos do que tabela anterior”.
AOS JOVENS, AOS MENTIROSOS, AOS PROFESSORES,
AOS JORNALISTAS E AOS ESQUECIDOS
A "Marcha da Família com Deus pela
Liberdade" reuniu mais de 1 milhão de pessoas
no dia 02 de abril de 1964, no Rio de Janeiro
(Manchete Edição Histórica/64)
Responsabilidade total
Opaís inteiro atravessa, nes-
te momento, uma crise de
profunda tensão que tem a sua
origem na decisão insensata do
Presidente da República de com-
parecer a um comício, convocado
pelos comunistas, sob o pretexto
de propaganda das reformas de
base, mas, na verdade, com o in-
tuito óbvio de fazer agitação e
promover desordem.
Arealizaçãodomeeting sob
a égide dos comunistas constitui
em si mesma um desafio às fôrças
democráticas e, o que é muito
mais grave ainda, às Fôrças Ar-
madas que o Presidente transfor-
ma em guarda-costas, obrigan-
do-as a formar, aos milhares, nu-
ma triste demonstração de des-
confiança no povo, para protegê-
lo contra possíveis demonstra-
ções de repulsa daqueles que não
se acham de acôrdo com o seu insultuoso procedimento, comparecendo a um ato em
lugar proibido pela lei, para falar ao lado de pelegos e incitar as multidões contra o
Congresso Nacional.. (...)
O JORNALO JORNALO JORNALO JORNALO JORNAL
RIO DE JANEIRO - 15/03/64
EEEEEDITORIAISDITORIAISDITORIAISDITORIAISDITORIAIS DODODODODO CCCCCORREIOORREIOORREIOORREIOORREIO DADADADADA MMMMMANHÃANHÃANHÃANHÃANHÃ
RECORDAR É FAZER JUSTIÇA!!! ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR!!!
A "Marcha da Família
com Deus pela Liberdade"
na Av. Rio Branco
“Seria rematada loucura continuarem as forças
democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os
inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir
tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como
dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um
regime suicida, que dê a seus adversários o direito de
trucidá-la, para não incorrer no risco de ferir uma
legalidade que seus adversários são os primeiros a
desrespeitar” (O Globo de 31 de março de 1964)
“(...) Além de que os lamentáveis acontecimentos
foram o resultado de um plano executado com perfei-
ção e dirigido por um grupo já identificado pela Nação
Brasileira como interessado na subversão geral do
País, com características nitidamente comunistas”.
(Correio do Povo de 31 de março de 1964)
“ O Exército e os desmandos do Presidente”.
Se a rebelião dos sargentos da Aeronáutica fora
suficiente para anular praticamente a eficiência da
Arma, a subversão da ordem na Marinha assumia as
dimensões de um verdadeiro desastre nacional”.
(Estado de São Paulo de 31 de março de 1964)
“Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram,
começa a ser alcançado por elementos que atuam inter-
namente, ou seja, dentro do próprio País. Deve-se reco-
nhecer, hoje, que a Marinha como força organizada não
existe mais. E há um trabalho pertinaz para fazer a mesma coisa com os outros dois
ramos das Forças Armadas”. (Folha de São Paulo de 31 de março de 1964)
“Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia
marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação
especial aos olhos do governo. Como se já estivéssemos em pleno regime “marxista-
leninista”, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império
soviético, às ordens do Kremlin. (...)” Diário de Notícias, 1 de abril de 1964.
Tribuna da Imprensa - 21/03/64
“Dezenas de automóveis trafegaram pelo centro da cidade, tocando suas
businas, em sinal de alegria pela vitória da democracia em todo o País. As
estações de rádio e televisão, que estavam sob censura, iniciaram suas transmis-
sões normais, pouco depois das 17 horas. Os contingentes de fuzileiros navais
que ocupavam as redações de alguns jornais, foram recolhidos aos quartéis.
Por volta das 17,15, o Forte de Copacabana anunciava, com uma salva de canhão,
a aproximação das tropas do general Amaury Kruel, que atingiria o Estado da
Guanabara às últimas horas da noite de ontem. A população de Copacabana saiu ás
ruas, em verdadeiro Carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis
picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu
contentamento. (...)” O Dia, 2 de abril de 1964.
25Nº 276 - 31 de Março/2020
Não é apenas com a satisfação con-
seqüente a um acontecimento tão
significativo nos destinos de nossa na-
cionalidade, mas com verdadeiro júbi-
lo, que me dirijo ao Exército Brasileiro
neste 1º Aniversário da Revolução De-
mocrática ,de 31 de março de 1964.
Proclamo ainda a legítima ufania
de ser o Comandante deste Exército
que não desmentiu sua formação de-
mocrática e, como autêntico represen-
tante do povo, identificou-se com as
aspirações populares e cristãs no pa-
triótico movimento libertador ensejado
pela Revolução.
Um breve retrospecto apontará
com toda a veracidade que, em inequí-
voca sintonia de pensamento e de atos
com a Marinha e a Aeronáutica, contri-
buiu o Exército apenas decorrido um
ano daquele memorável evento, para a
plena reintegração das Fôrças Arma-
das na missão nobilitante de garanti-
doras dos poderes constitucionais, da
lei e da ordem. Empenhou-se ativamen-
te na manutenção dos princípios e da
hierarquia militar e influiu acentuada-
mente para que se concretizasse o sen-
tido ideológico da Revolução.
Presentemente, alia esforços, ori-
entados pela Segurança Nacional, aos
empreendimentos e labores dos cida-
dãos de tôdas as classes sociais. Está
porfiando para corresponder às be-
nesses proporcionais pela prática de
uma filosofia democrática, autentica-
mente justa, próspera, cristã, forte, mag-
nânima e propiciadora de felicidades. As-
segura pleno apoio às indispensáveis e
inadiáveis reformas de nossa estrutura
sócio-econômica, para que realmente se
ORDEM DO DIA
1º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 31 DE MARÇO
possa oferecer igualdade de direitos e
de oportunidades a todos.
Sob a autoridade suprema do
Excelentíssimo Senhor Presidente da
República, o inclito Marechal HUM-
BERTO DE ALENCAR CASTELLO
BRANCO que, com serena perseveran-
ça de chefe experimentado, conduz a
restauração moral, social e econômica
do País, muito tem colaborado o Exérci-
to para o restabelecimento do regime de-
mocrático e para a purificação de nossos
costumes políticos e administrativos.
Os brasileiros de amanhã, tanto
quanto os da geração atual, estarão
capacitados a aquilatar os benefícios
da ação desinteressada dos militares
de todos os postos e graduações, vi-
sando a libertar da mistificação e da
demagogia aquêles que enveredavam
pela senda do extremismo comunizante.
Nunca será demais rememorar a
triste iminência em que esteve nosso
país de ser avassalado pelos sectários
soviéticos, chineses ou cubanos. É de
se lamentar que para a implantação
dêsse jugo físico e mental se tivessem
conluiado muitos brasileiros, uns de-
savisados e outros convictamente sub-
versivos, inclusive alguns que hoje apre-
goam pretenso terrorismo cultural, por
parte da Revolução.
Desconhecem ou fingem desco-
nhecer êsses figurantes dos palcos es-
quecidos, que o Exército não é anima-
do por propósitos obscurantistas nem
opressivos. Estão deslembrados do cli-
ma político angustiante, da aproximação
do caos social, dos fatídicos prenúncios
econômicos e da perda progressiva de
liberdade, que caracterizavam o qua-
dro da situação nacional anterior a de
31 de março do ano passado, sob a égi-
de de um govêrno infiltrado de comu-
nistas. Será necessário repetir que tudo
isso mudou e que não mais pontificam
nem se desmandam tantos organismos
espúrios?
Acredito ter sido o ano revolucio-
nário um período de realizações da atual
administração do Exército, que bem re-
trata o espírito dinâmico e renovador da
Revolução no seio das Fôrças Armadas.
Está sendo ultimada a estruturação
do Exército, através do anteprojeto da
Lei de Organização Básica, submetido à
apreciação do Alto Comando.
A correção das distorções da Lei
de Promoções de Oficiais constou de
exposição de motivos ao Poder Executi-
vo, acompanhada do competente ante-
projeto.
A reorganização e a rearticulação
das Forças Terrestres, em bases emi-
nentemente objetivas e realísticas, se-
rão postas em execução segundo me-
didas disciplinadoras a cargo do Esta-
do-Maior do Exército.
O Fundo do Exército, cogitação
das mais promissoras, propiciará não
só o reaparelhamento das Unidades co-
mo os recursos substanciais, de que
tanto carece o Ministério da Guerra,
para prover a assistência social.
Não obstante a compressão de des-
pesa, inerente à recuperação financeira
do País, o Exército aplicará verbas do
Plano de Obras, ainda no corrente ano,
construindo cerca de mil moradias nas
guarnições mais afastadas. Com esta pro-
vidência serão minoradas as condições
difíceis de vida que enfrentam tanto ofi-
ciais, sargentos e seus familiares.
Estou perfeitamente a par da justa
preocupação de muitos militares da ativa
e da reserva e de inúmeros cidadãos, de-
votados ao bem comum da Pátria, sôbre
possíveis tramas conspiratórias de ex-
arautos e aproveitadores da subversão.
Asseguro a todos que o Exército,
em apoio aos postulados da Revolução
e receptivo aos anseios da maioria es-
magadora de nossos patrícios, está vi-
gilante e aprestado para impedir qual-
quer tentativa de retorno dos subver-
sivos e dos corruptos.
A coesão sempre fortalecida das
Fôrças Armadas, em tôrno da legítima
autoridade do Excelentíssimo Senhor
presidente da República, será penhor
de crescente consolidação e continui-
dade da obra revolucionária.
O povo brasileiro, que no momento
azado soube fazer a opção entre comunis-
mo e democracia, insurgindo-se pelo di-
reito de assegurar a sobrevivência cul-
tural nos padrões que lhe são mais ca-
ros, não terá motivos para ver frauda-
das suas esperanças em nosso porvir.
O Exército Nacional permanecerá
de atalaia - como sempre estêve – asse-
gurando a liberdade com autoridade e
responsabilidade, contribuindo com a
parcela de segurança indispensável à ob-
tenção da riqueza sem privilégios e sem
corrupção. Não desmerecerá da confian-
ça que o povo lhe tributa. Não se desviará
da retidão de seu comportamento histó-
rico. Tudo envidará, quaisquer que
sejam os óbices, para o prosseguimen-
to do Brasil na sua destinação gloriosa.
Gen-Ex Arthur da Costa e Silva
Ministro da Guerra
AO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIRO
Um retrato da caótica situação no Brasil antes do movimento
de 1964, através das palavras de Carlos Lacerda.
Antes, durante e depois da crise, o Governador Lacerda estêve no centro
dos acontecimentos. E, como é de seu feitio, pronunciou-se diversas
vêzes com a maior veemência. Na tarde do dia 1º de abril, anunciando ao
povo a vitória das fôrças comandadas pelo General Olympio Mourão Filho,
o Governador da Guanabara fêz declarações através do rádio, declarações
que constituem verdadeira súmula do que êle dissera até então.
DEPOIMENTO DE CARLOS LACERTA SÔBRE A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO
Depois de se dirigir às donas de casa,
pedindo-lhes que se mantivessem
calmas, o Governador passou a analisar o
Sr. João Goulart, seu Govêrno e as causas
que determinaram a necessidade do seu
afastamento. “De herdeiro de alguns hec-
tares de terra, transformou-se, em pou-
cos anos, em proprietário de mais de 550
mil hectares - uma área igual a quatro
vêzes e meia o território da Guanabara.”
E prosseguiu: “Associado do Sr.
Wilson Fadul (que por isso foi ser Mi-
nistro da Saúde, e não porque seja um
cientista), em quatro anos, com dinhei-
ro do Banco do Brasil, e com dinheiro
cuja origem não explica, o Sr. João Gou-
lart transformou-se num dos homens
mais ricos dêste País, com três bois por
hectare em suas fazendas”.
“O Sr. João Goulart é um leviano
que nunca estudou - e não estudou por-
que não quis, não é porque não pôde. E
agora, no Govêrno do País, queria levar-
nos ao comunismo.”
Explicando que
discordara da inves-
tidura do Sr. João
Goulart na Presidên-
cia da República, mas
terminara aceitando-
a, disse o Governador
Lacerda:“Euoconhe-
cia bem. Mas, como
bom democrata, sub-
meti-me à vontade da
maioria, quando en-
trou em vigor a fór-
mula do Parlamenta-
rismo. Mas o Sr. João
Goulart não queria governar. Adulava,
de dia, os trabalhadores que condenava
ao desemprêgo, de noite. O Sr. João Gou-
lart jurou fidelidade ao Parlamentaris-
mo, para logo em seguida impor o plebis-
cito, e todo o povo votou. Eu não votei
porque achava que o plebiscito era uma
palhaçada, e repito que era”.
“Quem quiser fazer reformas deve
ter a honestidade de dizer que as fará sem
reformar a Constituição. Há necessida-
des de se fazer reformas, e eu acho que se
pode fazer isso sem se mexer na Consti-
tuição. Mas o Sr. João Goulart não queria
isso. Montou um dispositivo sindical nos
moldes fascistas, com dinheiro do Minis-
tério do Trabalho, dinheiro roubado do
impôsto sindical, roubado do salário dos
trabalhadores, para
pagar as manifesta-
ções de banderinhas
e as farras dos homens
do Ministério do Tra-
balho.”
“Ao mesmo tem-
po,começouacriardi-
ficuldades para a Im-
prensa, para os jor-
nais, para o rádio e a
televisão, iniciando
um processo de escra-
vização dos homens
livres que fazem a im-
prensa do nosso País.
Depois de criar as dificuldades, o Sr. João
Goulart oferecia-se para resolvê-las, en-
quanto dava curso ao processo de en-
treguismo do Brasil à Rússia. O Sr. João
Goulart foi o maior entreguista que já teve
êste país.”
Continuando seu discurso, acusou
o ex-Presidente Goulart de iniciar o sola-
pamento da autoridade militar, entregan-
do os comandos militares a gente sem
prestígio nas Fôrças Armadas. “O des-
prestígio” - disse Lacerda - “atingiu a
todos os setores do Govêrno, os Minis-
térios Civis e a própria Casa Civil da
Presidência, onde estava Darcy Ribeiro,
um instrutor de tupi-guarani, que acabou
reitor da Universidade de Brasília sem
jamais ter sido professor”.
Dizendo que os brasileiros honra-
dos que votaram em João Goulart não
tinham dado seu voto ao comunismo
(“portanto Jango enganou o povo”),
Lacerda fêz referências elogiosas aos
Generais Castello Branco e Mourão Fi-
lho, atacando em seguida o Almirante
Aragão (“sem condições para ser almi-
rante”),ealudindoaoCaboJoséAnselmo:
“A Marinha é tão ruim que um cabo pode
ser estudante de Direito. Em nenhuma
Marinha do Mundo, nem nos Estados
Unidos, nem na Rússia - um cabo tem
tempo para estudar Direito. E o Sr. João
Goulart acobertou, patrocinou, estimu-
lou tôda essa gente, jogando marinhei-
ro contra soldado, farda contra farda,
classe contra classe, brasileiro contra
brasileiro”.
“Assim, não era possível que Ma-
rinha, Aeronáutica e Exército supor-
tassem mais tamanha impostura e ta-
manha carga de traição.” E concluiu:
“Deus é bom. Deus teve pena do povo”.
O Cruzeiro - 10 de abril de 1964.
26Nº 276 - 31 de Março/2020
Nos idos de 1950/1960, Assis Cha-
teaubriand comandava o império
jornalístico dos “Diários Associados”
(jornais, revistas, emissoras de rádio e
de televisão), que influenciava a opi-
nião pública, mantinha re-
lações com os altos po-
deres do governo, inclu-
indo a Presidência da Re-
pública, criava ídolos de
pés de barro, derrubava
quem desejasse. Tal qual,
hoje, as Organizações Glo-
bo, que começaram a cres-
cer no final da década de
60, em pleno governo “au-
toritário” (havia autorida-
de).
De comum, entre os
dois impérios: ontem, o
apoio irrestrito ao Movi-
mento Cívico-Militar de
1964 e hoje, a mentira
deslavada deturpando as realizações
do regime militar que levou o país ao
maior crescimento jamais registrado em
500 anos, com um PIB de 14% e tentan-
do mudar a sua História. Por quê? A
máquina da desinformação montada nas
redações de jornais e rádios e nas cen-
trais de telejornalismo, tudo faz para
que a verdade não seja conhecida. Pre-
ferem a meia verdade ou a mentira, di-
vulgadas pelos jornalistas petistas que
ocupam 80% das redações e são aman-
A VERDADE HISTÓRICA
Foto:AcervoJornalEstadodeMinas
O Governador Magalhães Pinto, General Guedes
e Coronel Valle, aclamados pelo povo, na Praça
da Liberdade. Estado de Minas - 02.04.1964
tes de Fidel, Guevara e Chávez.
O “Estado de Minas” apesar do
acervo histórico de sua Gerência de
Documentação (microfilmagem de to-
dos os seus jornais e revistas), não o
utiliza como referência, intencional-
mente, pois não é do interesse da mídia
amestrada e do governo petista mos-
trar a Verdade à nossa gente.
A foto acima, teve a sua legenda
posteriormente modificada em 07.03.
2001, para GOLPE, sendo uma pálida
amostra da deturpação marxista à nos-
sa História e à Verdade.
Quem tem medo da Verdade?
Quem está mentindo?
A resposta é sua, prezado leitor!
“Não caberá em 20 linhas uma
tentativa de síntese dos prós e contras à
Revolução de 31 de Março. Vamos antes
ressaltar um dos aspectos que a distin-
guem entre os demais movimentos re-
generadores havidos no Brasil e no
mundo:équeestaRevoluçãonossa,nem
durante o seu deslanchar, nem depois,
na fase de consolidação, jamais suscitou
aparecimento de um chefe carismático,
um salvador. Escapou assim da fatalida-
de obrigatória às revoluções de esquer-
da e de direita, que é se cristalizarem em
torno de um ditador, líder ou caudilho.
Pois até no Chile, onde o comunismo se
pretendia instalar “por via democrática”,
o malogrado Allende se ia configurando
como homem-símbolo, insubstituível.
Aqui,opredomíniomilitarnomo-
vimento deu-lhe, singularmente, uma
DEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DE
RACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZ
Grandes Acontecimentos da História (Editora Três), nº 10
feiçãodemocráticaetranqüilizadora:a
rotatividadedoschefes,queocupavamos
cargos por tempo marcado, tal como se
faz dentro das Forças Armadas. E isso
dos primeiros aos últimos escalões, a
começarpelaPresidênciadaRepública,
e sem esquecer o contingente dos técni-
cos, que também se revezavam. Assim,
quem governa o país é realmente um
Sistema,cujosquadrosperenementese
renovam.Dentrodeles,areclamadatran-
sição do militar para o civil se poderá
fazer sem choque, à medida que os
quadros políticos se recuperem e, mor-
mente, recuperem a confiança perdida
pela sua responsabilidade no caos eco-
nômico, social e institucional em que
se afundava o país. Caos de que, como
é visível e notório, miraculosamente fo-
mos salvos.”
O DISCURSO E A MENTIRA
FREI BETTO Estado de Minas - 16/042014
É abundante a documentação de como o golpe de 1964
foi operado sob o comando do governo dos EUA.
Como acreditar no que escreve,
sendo um seguidor de Fidel e Lula?
Segundo informações da Igreja Católi-
ca, “Carlos Alberto, vulgo frei Betto”,
não é sacerdote da Ordem Dominicana
(portanto não tem poder para celebrar mis-
sa e atender confissões) e não consta que
a ela esteja ligado à Ordem dos Pregado-
res (OP) por algum dos três votos solenes
de castidade, pobreza e obediência: Tal-
vez pertença à ordem terceira do Rosá-
rio, que é formada por cristãos católicos
leigos, obedientes ao Papa.
Como acreditar num sujeito que declara:
“Cuba resiste como único exemplo latino-americano
de democracia social e econômica”.
Ver página 116 do livro História & Vida integrada – 8ª série de Nelson e
Claudino Piletti, adotado pelas Secretarias Estadual e Municipal de Educação,
com o aval do MEC. Tal livro didático, exalta a extinta União Soviética, Vietnã,
Camboja, China e Cuba e não divulga o massacre comunista que já vitimou mais
de 100 milhões de pessoas e continua matando na Coréia do Norte, China e
Cuba...
Quanto aos norte-americanos – Segundo o general de Exército Ru-
bens Bayma Denys, que participou ativamente do Movimento Cívico Militar
de 31 de março de 1964 – jamais foram feitos quaisquer contatos pelo Coman-
do (tropa) mineira com a Frota norte-americana ou qualquer outro represen-
tante desse governo.
Nos idos de março de 1964, este editor era um jovem capitão servindo no 4º
Grupo de Artilharia 75 a Cavalo, em Uruguaiana, onde em janeiro, o governador
Carlos Lacerda fizera um comício, o maior já acontecido na cidade, sobrepujan-
do os do PTB de Fernando Ferrari /Leonel Brizola, mesmo sendo área de
influência desse partido.
Muito antes de se saber do movimento contra-revolucionário de Magalhães
Pinto, foi decidido iniciar a sublevação da 2ª Divisão de Cavalaria no dia 4 de abril,
sob o comando do Coronel Luiz Serff Sellmann, chefe do Estado-Maior, com o
sequestro de João Goulart e Leonel Brizola, que chegariam nessa data a Uru-
guaiana para participarem de um comício em represália ao realizado por Carlos
Lacerda. A ação seria desenvolvida por um grupo civil armado, com o apoio da
Guarda de Honra do 8º RC, comandada pelo Capitão de Cavalaria Tolentino Job
Barbieri, prendendo-os ao desembarcar do avião e levando-os para uma estância
afastada.
Em seguida, as unidades seriam sublevadas e a 2ª DC lançaria um manifesto
à Nação. Nada disso aconteceu em virtude da eclosão do movimento em Minas.
Ao entardecer desse dia, foi captada por rádio, a notícia do deslocamento das tro-
pas mineiras em direção à Brasília e ao Rio de Janeiro.
Às 6 horas da manhã do dia 1º de abril, no quartel do 4º GA75 Cav, comandado
pelo tencel Veterano FEB Amerino Raposo Filho, o coronel Sellmann diz:
“Neste momento avoco o Comando da 2ª Divisão de Cavalaria”
E assim foi feito. Como poderia ter havido contato com os norte-americanos?
E nem uma palavra sobre o apoio recebido de Cuba, Albânia, China e União So-
viética, pelas organizações subversivas, bem antes do movimento de 31 de mar-
ço. Como acreditar nesse "frei"?
“Frei” Betto e o seu ídolo máximo,
o sanguinário ditador Fidel Castro
Se a revolução tivesse sido esmagada na noite de
31 de março de 1964:
1 - Brizola seria o ditador marxista.
2 - O Brasil seria uma república soviética.
3 - Teria havido um sem número de prisões, torturas,
execuções, fugas, expropriações, vinganças.
4 - Censura absoluta, jornais, rádios e televisões oficializadas.
5 - Milícias em vez de tropas regulares.
6 - Nunca se falaria em anistia, pois só os democratas anistiam.
FELIZMENTE, A REVOLUÇÃO DE 1964 VENCEU, COME-
TEU ERROS, INJUSTIÇAS, ARBÍTRIOS, MAS QUINZE ANOS
DEPOIS ELA TENTA REAPROXIMAR OS BRASILEIROS.
É O RISCO DA DEMOCRACIA.
David Nasser
SÓ OS DEMOCRATAS ANISTIAM
Manchete, 07 de julho de 1979
Publicado no Inconfidência nº 201 de 30 de abril de 2014
Atodos aqueles que, lutando contra a ditadura militar brasileira, foram
pedir ajuda e inspiração ao governo de Fidel Castro, prometo solene-
mente jamais voltar a escrever uma só palavra contra o socialismo se vocês
me provarem as seguintes coisas:
1. Que em Cuba havia mais liberdade de imprensa que no Brasil.
2. Que em Cuba havia menos prisioneiros políticos que no Brasil (se
vocês não quiserem, não precisam nem mesmo levar em conta a diferença
de população dos dois países; contento-me com números absolutos).
3. Que em Cuba havia um partido de oposição funcionando com a li-
berdade, mesmo limitada, do MDB.
4. Que a ditadura militar brasileira matou mais gente que a ditadura cu-
bana (novamente, aceito números absolutos). Se vocês me provarem essas
coisas, prometo inscrever-me no PT e tornar-me o mais devotado dos seus
militantes. Se não provarem, terei todo o direito e até o dever de continuar jul-
gando que vocês são uns embrulhões e mentirosos; que vocês não lutavam pela
democracia coisíssima nenhuma e que tudo o que vocês queriam era fazer
aqui o que Fidel Castro fez em Cuba, com a única diferença de que vocês pró-
prios estariam no papel de Fidel Castro. (O Globo 12.05/2001)
CUBA Olavo de Carvalho
27Nº 276 - 31 de Março/2020
David Nasser não se afastou de sua
trincharei um só minuto, apesar de
avisado, pessoalmente, pelo Governador
Adhemar de Barros.
O jornalista continuou na Guanabara,
em sua trincheira
não apenas de palavras
SABER GANHAR
seus erros, a História o passou por seu
banheiro carrapaticida. E o futuro o julga-
rá pela importância de sua luta na
redemocratização de sua Pátria.
AGORA, êles sabem que a sua co-
ragem não se conta pelos fios de cabelo,
ó indecifrável Magalhães Pinto, mineiro
silencioso, patriota humilde, general sem
farda de um dos movimentos mais perfei-
tos da história revolucionária. O Brasil
nunca se esquecerá que o primeiro grito
foi seu, o primeiro gesto de um ballet ines-
quecível, o primeiro passo da longa mar-
cha democrática.
AGORA êles
sabem que os três
anos de silêncio do
General Mourão
não significavam
três anos de capitu-
lação, mas três anos
de conspiração, três
anos de prudência,
três anos de silên-
cio - para o grande
despertar da nacio-
nalidade. Alguns
generais que pare-
ciam anestesiados -
hoje o sabemos -
estavam apenas de
vigília.LuizGuedes,
Castello Branco,
Costa e Silva, Décio
Escobar, Correia de
Melo, tantos gene-
rais, tantos briga-
deiros, tantos almi-
rantes jurados na intransigente defesa da
democracia brasileira.
AGORA, êles sabem que aquelas
medalhas exibidas pelo General Amaury
Kruel não eram de lata nem foram con-
quistadas noutro campo que não fosse
o de honra. Êles sabem, meu bravo
Kruel, que, acima de sua fidelidade a um
homem, você colocava a lealdade à sua
Pátria ameaçada por um bando de cani-
bais políticos.
SABÍAMOS, todos que estávamos
na lista negra dos apátridas - que se êles
consumassem os seus planos, seríamos
mortos. Sôbre os democratas brasileiros
não pairava a mais leve esperança, se
vencidos. Uma razzia de sangue, verme-
lha como êles, atravessaria o Brasil de
ponta a ponta, liquidando os últimos
soldados da democracia, os últimos pai-
sanos da liberdade. Onde estaria Carlos
Lacerda a esta hora? Onde estariam
Adhemar, Calmon, Armando Falcão,
Castello Branco, Mourão, Gustavo Bor-
ges, Anísio Rocha, Alkimin, Magalhães
Pinto, Ney Braga, Costa e Silva, Décio
Escobar, tantas, tantas vozes e tantas
espadas que não se calaram, não se em-
bainharam em todos êsses longos me-
ses da comunização do Brasil? Se ou-
tros fôssem os vencedores, não have-
ria contemplação.
A VIRTUDE da democracia está
em saber ganhar. Em seu nome, em nome
da Democracia, não se pode permitir
que a injustiça se pratique em nome da
Justiça, que sejam anulados, sem proces-
so legal, os mandatos populares, que a
Constituição seja rasgada em nome da
Constituição.
TODOS sabem o desprêzo vegeta-
riano que voto a certos homens fistuli-
zados que compunham o cerne dêsse Go-
vêrnoquecaiu. Mas - advertiu na sua cris-
talinidade política o próprio Governador
da Guanabara - um democrata autêntico
não odeia um homem, odeia uma idéia.
Odeia, não a figura ridícula de um Minis-
tro comendo feijoada e bebericando en-
quanto a lama corria sob
os pés de um regime vili-
pendiado. Odeia, não os
gestos febris de um ado-
lescente político saído
de uma taba espiritual
para a Casa Civil da Presi-
dência. Odeia, não aque-
las figuras tenebrosas
do CGT, aquêles pobres
moços ensandecidos da
UNE, aquêles sargentos
equivocados, mas tudo o
que a idéia que êles defen-
diam, honesta ou estùpida-
mente, representava.
NÃO é porque eram
criminosos, que em crimi-
nosos vamos nos trans-
formar. Não é porque re-
presentavam o totalitaris-
mo, a radicalização, o que
de mais vergonhoso, mais
sórdido,maisbrutalemais
brasileiro pudesse existir no Brasil que
devemos nós, os democratas, pedir-lhes
as armas e as usar com a mesma ausência
de liberalidade democrática. O que nos
diferencia dêles é justamente isto. O mes-
mo que diferencia a carniça que êles são
do abutre que não somos.
NÃO significa que os criminosos
não devam ser punidos nem os responsá-
veis irresponsabilizados. Significa que
cada um pague pelo que fêz, não pelo que
foi. Ninguém tem culpa de ter sido Minis-
trodeumGovêrnolegalmenteeleito,cons-
titucionalmenteorganizado.Ninguémtem
culpa de ter sido Ministro de João Goulart,
nem mesmo o Senhor Abelardo Jurema.
O QUE me enoja não é ver os ratos
fugirem do navio que se afunda, mas
aquêles que ontem lhes comiam a comi-
da, ajudar a matá-los.
PARTE o Senhor João Goulart para
Pôrto Alegre, para o Uruguai, para a
Espanha, sem o meu ódio. Nunca conse-
gui odiá-lo — e até hoje —- permita-se a
um adversário de suas idéias e de seus
métodos confessar após o crepúsculo
de um deus que tinha os pés de barro —
não o consigo odiar. Vejo-o ainda, no
seu pequeno trono do Alvorada, como
um pobre homem, incapaz de governar,
de distinguir amigos de aproveitadores,
inimigos de oponentes.
CAIU porque em seu espírito en-
garrafado pela mediocridade mais positi-
va dêste País, nunca deixou de existir o
estancieiro que contava os aliados como
quem conta o gado no curral.
CAIUporqueacreditouqueaquêles
que lhe faziam planos de continuísmo,
acenando com o poder sindical, com o
dispositivo militar, acreditavam no que
diziam. E lutariam por tudo aquilo que o
Senhor João Goulart acreditava. Mas o
Senhor João Goulart não acreditava real-
mente em nada. A não ser na sua boa
estrêla, que era a estrêla vermelha.
RECUSO-ME a pisar sôbre os ca-
dáveres morais dêsses homens sôbre os
quais, com o risco da própria vida, dentro
das limitações que me eram impostas por
uma organização que êles ameaçavam
destroçar, tantas vêzes caminhei pela
estrada que nos conduzia ao imprevis-
to de um fim melancólico ou de uma
liberdade sonhada.
NÃO será em nome dessa liberdade
conquistada que iremos tripudiar sôbre
os vencidos. Aquêles que eram comunis-
tas, continuarão a sê-lo, talvez com me-
nos esperança. Aquêles que eram os
pobres enganados dessa República —
talvez abram os olhos, os vencedores
não procederem com a mesma fúria, o
mesmo despotismo, a mesma insensibili-
dade daqueles que nem por isto deixaram
de ser brasileiros e possivelmente demo-
cratas equivocados. A compreensão e a
justiça talvez os ajudem a abrir os olhos.
WILSON FIGUEIREDO conta
que, em plena ocupação do velho órgão
da Condêssa, um fuzileiro pediu para te-
lefonar para a mulher a quem não via há
três dias de longa e sofrida prontidão.
Não apenas deixaram o invasor telefonar,
mas serviram um cafezinho bem brasilei-
ro. Nesse momento, também, o Brasil es-
tava voltando a ser brasileiro.
POIS é esse cafezinho brasileiro
que devemos servir aos que erraram por
acreditar demais ou erraram por acreditar
de menos. Respeitemos as suas famílias,
as suas idéias falsas, e apuremos apenas
os seus possíveis crimes. A menos que
voltem a ser inimigos, a se constituírem
em vírus vivos —- os inimigos vencidos
deixam de ter nomes.
Edição Histórica de “O Cruzeiro - Extra”,
de 10 de abril de 1964.
David NDavid NDavid NDavid NDavid Nassassassassassererererer
AGORA, êles sabem que a sua espada
não é de pau, meu velho Capitão, e
eu volto o pensamento até aquêle quarto
da casa paulista, onde as suas mãos trê-
mulas escreviam a história dêste país, di-
zendo-me: “Péter plus haut que son cul”.
AGORA, êles sabem que a sua
doença democrática só tinha êste re-
médio. Deputado João Calmon, quan-
do você, na sua admirável teimosia, re-
cusava todo e qualquer acôrdo e des-
fraldava a bandeira suicida. Se tería-
mos que morrer vergonhosamente ama-
nhã, que morrêssemos com honra, hoje.
AGORA, êles sabem que as suas
palavras não eram simples filigranas ver-
bais,GovernadorCarlosLacerda,homem
afirmativo, líder másculo, democrata au-
têntico, brasileiro enlouquecido de amor
à sua Pátria - e que se desesperava ao vê-
la conduzida ao curral das nações ar-
rebanhadas. Meses a fio, exposto na pri-
meira linha, combatente de vanguarda,
sabendo que a cada esquina um nôvo
perigo o esperava, você, meu bravo com-
panheiro, só teve um guarda-costas:
Deus. O capanga divino, que com a sua
infinita sabedoria enguiçava o carro do
Faz-Tudo, iluminava o espírito dos coro-
néis, cobria de lucidez a decisão dos
pára-quedistas, evitara a sua eliminação,
o caminho aberto, supunham êles, para a
fácil conquista de um resto de Pátria. Mas
êles estavam enganados, sempre estive-
ram enganados, continuam enganados.
Nenhum de nós era essencial, qualquer
de nós, bem ou mal, seria substituído,
mesmo você, grande e insubstituível Car-
los Lacerda. Não se matam idéias.
AGORA, êles sabem que a sua in-
transigência democrática, jovem Adhe-
mar de Barros, môço governador de uma
terra indomável, agora êles sabem que a
fé o rejuvenesceu, o espírito de luta o
retemperou, e você, môço Adhemar, se-
jam quais forem os erros do passado, a
todos redimiu na bravura de sua última
jornada. Mil vêzes você, com todos os
pecados, Adhemar, diabo velho! Mil vê-
zes você que aquêle falso honrado, Jânio
Quadros, até agora escondido debaixo
da cama, à espera de que a última cidadela
se renda, que o último homem se defina.
Ah, tivéssemos nós ensarilhado as ar-
mas, tivéssemos nós tido piedade dos
canalhas, tivéssemos nós permitido com
o nosso silêncio que êles voltassem - e
quem se encontraria, agora, no govêrno
de São Paulo? A cachaça cívica, o fauno
de Adelaide, o entreguista Jânio Qua-
dros, responsável primeiro pela guinada
do Brasil para o Oriente, aliado dos comu-
nistas, traidor de sua Pátria. Graças a
Deus, à Providência de que nos fala
Adhemar, como o instrumento divino, foi
buscar no museu dos canastrões, o ca-
nastrão maior - você, velho, passado,
cansado, desonrado, reabilitado, contes-
tado, enquartejado, encarcerado, proces-
sado, libertado, envergonhado, ressus-
citado, reabilitado - e agora numa demais
exaltado Adhemar de Barros. A História,
se alguma verdade houve no balanço dos
"A Marcha da Família com
Deus pela Liberdade" transfor-
mou-se, no Rio, numa verdadeira
homenagem às Forças Armadas. A
incalculável multidão concentrou-
se ao lado da Candelária, com ima-
gens, terços, bandeiras e cartazes
anti-comunistas. E dali deslocou-se
para a Esplanada do Castelo, onde
renovou a impressionante demons-
tração de fé católica e de confiança
no Brasil.
(Manchete
Edição Histórica Abril/1964)
Deus, Família
e Pátria
BRASÍLIA - A revolução de 1964, citada pelo ministro da Marinha,
almirante Hugo Sabóia, em ordem do dia, como um “fato históri-
co, principalmente pela concecução de seus objetivos a democracia”, foi
comemorada no âmbito da força naval, na última sexta-feira, por antecipação.
“Hoje - diz o ministro na ordem do dia - consolidada evolução democrática a que
a sociedade ansiava, atingindo nível desejado de amadurecimento político, pode a
família brasileira vislumbrar o futuro que todos almejamos, de paz, de harmonia, de
prosperidade e de oportunidade para todos. (Estado de Minas - 31 de março de 1985)
Sabóia destaca papel dos militares
28Nº 276 - 31 de Março/2020
Oque teria sido do Brasil se, em 1964,
lhe tivesse faltado um vitoroso mo-
vimento de “basta” a desvios, os mais
antibrasileiros, de suas constantes nacio-
nais?
Esse movimento, através de uma in-
tervenção das forças de defesa ou seguran-
ça nacional, em assuntos normalmente en-
tregues a parlamentos, políticos, homens
de partidos. Uma intervenção prestigiada
pelo mais decisivo apoio da gente mais
representativamente brasileira de todas as
regiões e condições sociais do País.
Isto o que é real e verdadeiramente
aconteceu.
Uma revolução? Revolução sociologi-
camente substantiva, sou dos que
pensam que não. Não surgiu 64 com um
programa, um deário, um roteiro que lhe
desse esse sentido ou essa configuração.
Surgiu como um necessário ou es-
sencial resguardo de valores nacionais em
perigo: perigo que poderia extremar-se em
destruição de parte considerável desses
valores ou em sua substituição por auti-
V
ista de longe, e do alto, ou seja,
nas suas perspectivas históri-
cas, a Revolução de 1964 sur-
ge-nos como um movimento irresistível
de opinião em que as Forças Armadas
cumpriram o seu papel tradicional de
mediar entre os extremos, de restabe-
lecer o equilíbrio, de assegurar a con-
tinuidade, de antepor à desordem
(ramificada em todos os níveis do Po-
der) o espírito conservador (consoli-
dado em todas as camadas sociais).
Antes de tudo, não foi uma insur-
reição de ideologia desfraldada; foi au-
tenticamente uma contra-revolução co-
mandada paralelamente pelos sentimen-
tos clássicos da nossa gente e pelas res-
ENFOQUE SOCIOLÓGICO DA REVOLUÇÃO DE 1964
Professor GILBERTO FREYRE
- Especial para Letras em Marcha -
brasileirismososmaiscontráriosaoscarac-
terísticos, aos desígnios, aos positivos já
desenvolvidos, no Brasil, por uma socieda-
deeporumaculturacrescentementesenho-
ra de triunfos nacionais sobre não peque-
nos obstáculos antinacionais.
Quando não se reconhece no Movi-
mentode64obastantedesistemática,
de preparo, de substância para poder ser
sociologicamente considerada uma revolu-
ção substantiva, não se desconhece sua
importânciacomopartedeumprocessoque
revolucionariamente,construtivamente,cri-
ativamente, vem operando no Brasil, desde
dias pré-nacionais – desde os arrojos Ban-
deirantes, paulistas e não-paulistas, desde
a expulsão de holandeses, desde Alexandre
deGusmão–nosentidodetornarumaainda
pré-nação sociedade e cultura inconfundi-
velmentebrasileiras.
Averdade é que o Brasil, tendo sido
beneficiado por um tipo de coloniza-
ção, a portuguesa, que não o submeteu a
excessos de estatismo metropolitano, pôde
ser desenvolvido, por pré-brasileiros, atra-
vés de esforços e iniciativas extra-oficiais.
Que o digam a lavoura do açúcar,
seguidapeladocafé,acriaçãodegado,com
o gaúcho vanguarda tão viva do Sul do País.
Portanto através de uma auto-colonização
que ampliou, ou deu dimensão, em dias
ainda coloniais, já nacional, à colonização.
Isto através mais de um processo criativa-
mente emancipador, que de revoluções
substantivamente emancipadoras, do tipo
dos que se esboçaram através de bravuras
ou rompantes regionais. O que dá funda-
mento à tese de que desse processo revo-
lucionário é que verdadeiramente resultou
aindependência,comovêmresultando, em
dias já nacionais, o desenvolvimento e a
consolidação do Brasil em sistema autôno-
mo de vivência e de convivência.
Foi, 1964 o grande papel que desempe-
nhounadinâmicadaformaçãobrasilei-
ra:adeacertaaltura,repelirvigorosa-mente
desvios do seu processo verdadeiramente
nacional de consolidação e de desenvolvi-
mento.Semtersidoumarevoluçãoprojeta-
da, que pudesse ter realizado, no setor so-
cial, ajustamentos agudamente necessári-
os – aí sua deficiência – foi um movimento
que impediu graves anti-brasileirismos de
perturbarem afirmações do Brasil, em dias
turvos, como nação construtivamente bra-
sileira no essencial de seus rumos, além de
políticos, sócio-econônicos.
PERSPECTIVAS HISTÓRICAS DA REVOLUÇÃO DE 1964
* Pedro Calmon
ponsabilidades irrenunciáveis dos che-
fes militares. Aqueles, antes destes,
demonstraram o imperativo da ação
como um desenlace natural da crise.
Quem a dirigiu? Qual, pessoalmente o
condutor, supremo da rebelião – con-
tra a desorganização, a ilegalidade, o
caos? Quem perante o futuro por ela
responde? A posteridade dirá: a consci-
ência coletiva. Traduz-se por um estado
de convicção, em que se aliam o temor
do pior e a esperança do melhor, nessa
amálgama de protesto e afirmação que
teve o colorido inédito da participação
feminina, as mulheres maciçamente na
rua, rosário nos dedos, corajosas e som-
brias, regando com aflição o seu apoio (o
tremendo veto doméstico à “mudança”)
aos obscuros objetivos da política que
destroçava a hierarquia, que anulava a
Constituição, que subvertia o trabalho,
que empurrava o País para a aventura
ainda sem nome (sindicalismo, socialis-
mo, mas de que espécie, populismo, mas
de que natureza?) contudo, ameaçadora
e dúbia, como se devesse o Brasil uma
distorção violenta, análoga às das nações
européias depois da Grande Guerra: For-
mou-se, com a mobilização espontânea
das massas, que reclamavam a normali-
dade, contra o recrutamento ruidoso
das massas, que pediam o desfecho
catastrófico, a psicologia da interven-
ção. De tal modo exprimiu a absoluta
maioria do pensamento nacional, que a
contra-revolução de 31 de março trans-
bordou dos quartéis sem que a detives-
sem, ali ou acolá, as arregimentações
hostis. Não se toldou com a fumaça dos
combates. Tornou-se a marcha batida
para a recuperação pacífica do regime.
Instalou-se num abrir e fechar de
olhos, sem ter de chorar os mártires;
coroada pela satisfação pública; tão acei-
ta e compreendida como se desempe-
nhasse uma função obrigatória no qua-
dro confuso dos acontecimentos; quase
unânime, pela primeira vez na história;
mãos desatadas, a euforia transparente
na serenidade; à frente, o estado-maior
“legal”; livre das atabalhoadas precipita-
ções; guiada e interpretada pelos gene-
rais que lhe assumiram a sorte; por isso
mesmo convidada a governar de acordo
com a sua índole, os seus compromis-
sos, o seu passado. Foi sábia a Revolu-
ção, conservação, apezar das cassações,
o Legislativo. Foi lógica dando a presi-
dência ao General Castello Branco. Foi
prudente editando as fórmulas do seu
funcionamento. E foi exemplar, aplican-
do-se ao processo valente da regenera-
ção financeira, como base do desenvol-
vimento econômico, restituindo ao co-
mércio e à indústria a confiança nas
instituições. Se seguirmos a sua parábola
nessa ordem de fatos – o que de positivo
e criador promoveu a Revolução de 1964
– temos num largo painel o seu retrato.
Replantou a calma, refez a tranqüilidade,
impôs a evolução, serenou o Brasil – sob
os auspícios dos membros elementos
decisórios que a desencadearam, pro-
longando-lhes a presença e a autoridade
nesse decênio que precisa ser estudado
nas estatísticas e nas conseqüências,
mais do que nos homens e nas idéias.
Não importam os pormenores. Sa-
lientem-se o que de estrutural, de dinâ-
mico, de estridentemente brasileiro tem
o período, começado em 1964 pelo en-
cerramento da época das graves pertur-
bações.
Tempo suficiente para que sobre
ele se debruce não só o sociólogo, vem-
lhe os fenômenos, como o historiador,
descobrindo-lhe a fisionomia. É neces-
sário concluir: o seu saldo de benefícios
favoreceu amplamente o progresso e a
estabilidade, que é como se dissésse-
mos, a permanência e o crescimento da
Pátria! Ela fará justiça a Castello Branco
e Costa e Silva, a Garrastazu Médici e
Ernesto Geisel.
* Professor e acadêmico
Presidente do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro
Nos 15 Tomos editados foram concreti-
zadas 248 entrevistas, sendo 208 con-
cedidas por militares e 40 por civis. A grande
maioria (97), por aqueles que serviam no Rio
de Janeiro e Minas Gerais, berço do Movi-
mentoCívico-Militar.Prestaram depoimen-
to 89 oficiais-generais, 114 oficiais supe-
riores e 5 capitães. Entre os civis, parla-
mentares, professores, empresários, jor-
nalistas e membros do Poder Judiciário.
TOMO 15
Mal-aventurados os lúcidos
porque possuirão a realidade. Mal-aven-
turados os que desejam a paz e a ordem
porque assistirão a turbulência crescen-
te e verão a desordem se alastrando em
toda parte.
Mal-aventurados os que amam
a justiça, porque serão feridos e ofendi-
dos todos os dias pela injustiça.
Mal-aventurados os que nas-
ceram com o duro e difícil amor à pátria,
porque serão acusados de reacionários
e apontados à execração pública e sofre-
rão ofensas e testemunharão atentados
a tudo o que veneram.
Mal-aventurados os que amam
a verdade, porque surgiram neste mun-
Poema de Augusto Frederico Schmidt
MAL-AVENTURADOS
do numa hora polêmica, de indiferença à
verdade, e em que se instituiu o culto à
mentira e à deformação.
Mal-aventurados os bem-in-
tencionados porque serão mal julga-
dos e suas palavras serão deformadas
pelos intérpretes e serão enlameados
pela grosseria dos demagogos e mis-
tificadores.
Mal-aventurados os lógicos, os
que têm necessidade de hierarquia, os
que precisam de métodos para respirar,
porque nasceram numa hora de surpre-
sa, sob o signo do absurdo, numa época
de inversão de valores, em que nada se
processa com segurança e em ritmo tran-
qüilo e justo e certo.
NR: Escrito poucos dias antes de 31 de março de 1964
29Nº 276 - 31 de Março/2020
Desde a sua eclosão, os mili-
tares comemoram o aniver-
sário da Revolução Democráti-
ca de 31 de Março, movimento
que impediu os comunistas de to-
marem conta do nosso país. Du-
rante algum tempo essas come-
morações eram públicas, reali-
zadas em praças e parques, e
tinham a participação e o aplau-
so do povo, de políticos e de au-
toridades civis e eclesiásticas. Ho-
je, cerceados pelos que passa-
ram a ocupar o poder, as come-
morações têm ocorrido dentro
dos quartéis, com o mesmo or-
gulho e vibração. Os inconforma-
dos e ressentidos radicais ten-
tam, mas não conseguem apagar
da memória as datas importan-
tes das Forças Armadas, que
são marcas gloriosas da sua his-
tória, que se confunde com a pró-
pria história do Brasil, na defesa
da soberania e integridade naci-
onais.
Naquela vez, a nação este-
ve perto de sucumbir à subver-
são vermelha, mas se recuperou,
triunfalmente, sem disparar um
único tiro. O movimento só acon-
teceu porque o povo brasileiro,
decidido a permanecer livre, saiu
às ruas contra o clima de agitação
e insegurança, e disse um não ao
comunismo.
Existe uma literatura abun-
dante sobre o assunto, pela qual
desfilam os mais variados per-
sonagens, em que o foco histó-
rico de alguns tipos é construído
e divulgado de acordo com seus
interesses. Importante, mas, pro-
positadamente ausente na mí-
dia, é o episódio da decisiva atua-
ção das mulheres brasileiras na
aniquilação dos planos verme-
lhos.
Dona Amélia Bastos, a Do-
na Amelinha, como era chama-
da, convidou as amigas e vizi-
nhas a sua casa, e disse solene:
“Quem tem mais a perder com o
que está acontecendo no nosso
país do que nós, mulheres? E de
quem será o futuro que desapa-
AH, ESSAS NOSSAS MULHERES!
recerá senão o de nossos filhos
e netos, se a política radical do
Governo (Jango) levar a nossa
pátria ao domínio comunista?”.
Desencadeou-se, daí, um proces-
so de multiplicação de mulheres
em salões paroquiais e casas de
família, culminando com a for-
mação da CAMDE (Campanha
da Mulher pela Democracia), que
mais tarde influenciou a criação
das “Ligas das Mulheres Demo-
cráticas”, em Belo Horizonte e
São Paulo, que se espalhou pelo
país. O efetivo de mulheres au-
mentava rapidamente. Cada uma
que se apresentava era encarre-
gada de organizar outra reunião
(célula) com 10 outras amigas, e
estas tinham que recrutar outras
e, assim, formou-se uma corren-
te de simpatia que não parou mais
de crescer.
Dona Amélia, no dia se-
guinte à criação do movimento,
foi aos jornais, com 30 donas-
de-casa, pedir ajuda na sua luta.
Em O Globo disseram-lhe: “O
protesto de 30 mulheres não
quer dizer muita coisa. Mas se
a senhora puder marchar até
aqui com 500 mulheres...”. Dois
dias depois ela levou as 30 pri-
meiras e mais 500 mulheres di-
ante de Roberto Marinho, dire-
tor do jornal, e o fato foi man-
chete de primeira página. Elas
faziam comícios de protestos
nas praças, falavam horas ao
telefone, escreviam cartas e
panfletos a congressistas, con-
vocando-os a assumirem posi-
ções, distribuíam circulares e
livretos, punham anúncios nos
jornais, apareciam em comícios
para discutir com os esquerdis-
tas e desafiar os agitadores. Os
seus escritos, de grande produ-
ção, eram distribuídos a cada
mulher participante, e esta deve-
ria mandar cinco cópias para
possíveis candidatas à causa.
Além disso, foi organizado um
serviço de “senhoras estafetas”
para entregar o material de pro-
paganda, de automóvel e de
avião, convencendo os pilotos
das companhias de aviação a
transportá-lo para lugares dis-
tantes. Infiltravam-se nos sindi-
catos dos estivadores e influ-
enciavam as suas mulheres a
convencê-los a tro-
carem de lado. O
mesmo aconteceu
nas favelas como,
por exemplo, na
Rocinha, muito as-
sediada pelos ver-
melhos. E, assim,
engrossavam as fi-
leiras nas marchas.
A 25 de feve-
reirode1964,aFren-
te de Mobilização
Popular programou
uma concentração a
ser realizada nas de-
pendências da Se-
cretaria de Saúde e
Assistência, em
Belo Horizonte,
quando falaria o de-
putado federal Leo-
nel Brizola. Líderes
democráticos, as
mulheres mineiras e
* Emerson Rogério de Oliveira
a população belorizontina, impe-
diram o discurso de Brizola, que
mesmo com seus capangas forte-
mente armados, foi corrido da ci-
dade, sob uma chuva de frutas e
legumes, além de pedras
retornando de madrugada ao Rio
de Janeiro.
Em São Paulo, a 19 de mar-
ço, 500 mil pessoas desfilaram
na Marcha da Família com Deus
Pela Liberdade, com terços e ro-
sários apertados
contra o peito.
Nas calçadas, os
jornaleiros ven-
diam milhares de
exemplares de
jornais, com a pu-
blicação de uma
proclamação pre-
parada pelas mu-
lheres.
Assim foi
que, chamadas
por este apelo do
povo, as Forças
Armadas se anteciparam ao exér-
cito popular de origem cubana e
sufocaram o movimento.
Na tarde de 1º de abril,
tudo estava terminado e os mi-
crofones do Brasil anunciavam a
derrota do comunismo. Com mar-
cha marcada para o dia dois, o
próprio General Castello Branco
aconselhou as mulheres a
cancelá-la, temendo violência.
Dona Amélia insistiu: “A mar-
cha mostrará ao mundo que esta
é uma Revolução do povo – um
plebiscito pela verdadeira de-
mocracia!”. Mudou o nome para
“Marcha de Ação de Graças a
Deus”, e mais de um milhão de
pessoas deslocaram-se pelas
avenidas do Rio, sob tempesta-
des de papéis picados caindo
dos prédios. Lençóis e toalhas
nas janelas e um mar de bandei-
ras, agitadas pelo vento, sauda-
vam a vitória.
Em nome da História, a atu-
ação heróica dessas mulheres
daria um belo filme, talvez finan-
ciado por alguma estatal. Amélia
– seria o nome. Pois, não filma-
ram Olga?
A vitória trouxe liberdade
e democracia para o povo, mas
deixou latente nos vencidos um
sentimento hostil contra os mi-
litares, que se exacerbou, mes-
mo depois da Lei da Anistia,
votada em 1979 pelo Congres-
so, em ignóbeis tentativas de
desmoralizá-los, de abafar as
suas comemorações importan-
tes, de desmante-
lar as Forças Arma-
das, e em manter o
seu minguado sol-
do sem reajustes.
Como se a classe
militar não viesse
do povo e não ti-
vesse famílias,
anseios e necessi-
dades iguais aos de
outras classes da
sociedade.
Hoje são as
nossas mulheres,
companheiras fiéis nessa vida
itinerante e de sacrifícios, que
estão nas ruas, tentando cum-
prir a única missão que, por for-
ça do regulamento, não pode-
mos cumprir: a de lutar pelos
nossos direitos.
Quem sabe, a exemplo da
Dona Amélia Bastos, o movimen-
to presidido pela Dona Ivone
Luzardo, em Brasília, passe a
ter maior participação e a rece-
ber adesão e, de repente, 30
saias se transformem em mi-
lhares de saias, que se soma-
rão a outros tantos patriotas,
talvez, quem sabe?
Por esse exemplo de cora-
gem e fé, e, ao ensejo do Dia Inter-
nacional da Mulher, dia oito deste
mês revolucionário, a nossa gra-
tidão e respeito a todas as mu-
lheres, mas, em especial, às nos-
sas mulheres. Bravas mulheres!
* Cap QAO/Eng (R1)
Texto adaptado do livro “Trinchei-
ras Abertas”, do autor e apoiado
em “A Nação que se salvou a si
mesma” - Bibliex / 1964
Amélia Bastos
A rápida vitória da revolu-
ção democrática de 31 de
março provocou um período de
intensa preocupação para seus
chefes. Como prosseguir? Co-
mo alcançar os objetivos que
todos ansiavam, preservando
a democracia? Esperávamos
que a luta armada demorasse
de um a dois meses – ela nem
chegou a ser desencadeada. A
queda de Jango durou apenas
três dias.
Com o apoio de vários
governadores, muitos civis de
todas as classes, políticos ou não,
nos empenhamos em encon-
trar, no menor prazo possível
uma solução que permitisse
ao Brasil retomar seu cami-
nho para o futuro. Esse prazo
foi de 10 dias.
A primeira idéia surgida –
à semelhança do que ocorrera
na renúncia de Jânio – foi a de
empossar interinamente na Pre-
sidência da República o presi-
O IDEÁRIO MILITAR
* Antônio Carlos Muricy
dente da Câmara dos Deputa-
dos e realizar, dentro de um ou
dois meses, uma eleição. Essa
idéia, porém, se mostrou inviá-
vel, porque era indispensável a
execução de medidas fortes, em
curto prazo – medidas que exigi-
am a ação de um presidente enér-
gico e com apoio total dos meios
revolucionários.
Ao mesmo tempo ganha-
va força, em várias áreas milita-
res e civis, o desejo de que fosse
implantada, pura e simplesmen-
te, uma ditadura militar férrea,
com todas as suas implicações,
inclusive e principalmente o fe-
chamento do Congresso e o afas-
tamento definitivo de todos os
ele-mentos ligados à subversão
preparada pelos comunistas e
elementos da esquerda extrema-
da que os ajudam.
Também esta segunda pro-
posta foi rejeitada pelos princi-
pais chefes militares, lideranças
civis e opinião pública. Ela faria
com que a revolução realizada
para salvar a democracia se igua-
lasse as que se fizeram em ou-
tros países do continente, em
torno de chefes carismáticos,
autoritários e mesmo sanguiná-
rios.
Chegou-se a uma terceira
fórmula, intermediária, que per-
durou por vários anos, com al-
gumas modificações; a da elei-
ção indireta pelo Congresso,
para um tempo limitado, de um
chefe revolucionário que pudes-
se agir com energia, força e equi-
líbrio no desenvolvimento de um
programa de salvação nacional.
A base desse programa se-
ria um ideário, ainda não siste-
matizado, com base em estudos
realizados na Escola Superior de
Guerra e outros centros, e já di-
fundidos em muitas parcelas da
elite brasileira.
Para implantação dessa
fórmula foi editado pelo coman-
do revolucionário o Ato Institu-
cional nº 1, redigido pelos juris-
tas Francisco Campos e Carlos
Medeiros. Esse ato manteve, com
alterações, a Constituição de
1946, e permitiu a implantação no
Brasil de um clima de ordem e de
paz indispensável para o pros-
seguimento da vida nacional.
A revolução democrática
de 31 de março não foi feita para
a derrubada de um presidente, nem
para colocar militares ou chefes
carismáticos civis no poder, nem
para destruir as chamadas es-
querdas ou esmagar as classes
sociais mais sofredoras.
Não foi por falta de aviso
para que se afastasse do comu-
nismo e da esquerda golpista
que Jango caiu. Olhando para
trás, é quase inacreditável a ina-
bilidade dos últimos dias de
seu governo. Especialmente a
falta de visão em relação às
áreas militares, onde então se
conspirava abertamente. No
Rio de Janeiro, por exemplo, as
vésperas do movimento, esta-
vam montados dois Estados-
Maiores: o do general Castello
Branco, constituído pelo ma-
rechal Ademar de Queiroz e pe-
los generais Golbery do Couto e
Silva, Ernesto Geisel e Jurandir
Mamede, entre outros; e o do ge-
neral Costa e Silva, onde opera-
vam os generais Sizeno, Ara-
gão e José Horácio.
Mas o presidente per-
sistiu em sua postura de con-
fronto com as Forças Arma-
das, fraco e impotente face à
esquerda golpista, que arti-
culava, ela sim, um golpe para
os próximos meses, com o ob-
jetivo de estabelecer no Bra-
sil, através das técnicas da
guerra revolucionária, uma di-
tadura à cubana. A revolução
foi feita para evitar que se
implantasse no Brasil um
regime coletivista nos mol-
des da Tchecoslováquia e pa-
íses satélites. A revolução foi
feita para vencer a anarquia
crescente que se instalara no
Brasil com a anuência do pre-
sidente. A revolução foi feita
pa-ra afirmar a democracia em
nossa terra.
(Jornal do Brasil, 31 de Março de 1994)
*General de Exército, foi Chefe do
Estado-Maior do Exército e
Comandante da 7ª Região Militar no
Recife, comandou o Destacamento
Tiradentes que marchou para o Rio
de Janeiro a 31 de março de 1964.
Tribuna da Imprensa - 20/03/64
com Deus pela liberdadecom Deus pela liberdade
Praça da Sé - 19 de março de 1964 - São Paulo/SP
30Nº 276 - 31 de Março/2020
A década de
60, rica em
acontecimentos
históricos, foi
um tempo que
marcou profun-
damente os ru-
mos do Brasil.
Logo no início
desse período, em 25 de agosto de 1961,
a renuncia do excêntrico presidente Jânio
Quadros abriu caminho para seu vice-presi-
dente, João Goulart, superestimado como
herdeiro de Getúlio Vargas e conhecido
por suas ligações com os sindicatos e
suas inclinações populistas.
No seu governo, que muitos enten-
deram como desgoverno, Jango, como era
chamado Goulart, enfatizou a reforma agrá-
ria, as ligas camponesas, os movimentos
sindicais, os ataques às multinacionais e
aos Estados Unidos, e suas atitudes indi-
cavam que ele se aproximava cada vez mais
da esquerda radical no que era apoiado por
seu cunhado Leonel Brizola.
O comício chamado da Central ou das
reformas, realizado em 13 de março de 1964,
no Rio de Janeiro, numa sexta feira; a Revol-
ta dos Marinheiros, que culminou com a
anistia aos marinheiros rebelados; o discur-
so para os sargentos foram os fatos que
acabaram selando o destino de João Goulart.
Ele havia conseguido fortalecer a
oposição contra seu desastrado governo.
A UDN e outros partidos pediram seu im-
peachment; surgiram várias entidades re-
presentativas de grupos sociais importan-
tes, inclusive, organizações onde havia a
presença marcante de mulheres; acontece-
ram marchas populares contra o governo
lideradas pela Igreja tradicional.
Portanto, na distância de 40 anos da-
quele 31 de março de 1964 – quando as
tropas começaram a se movimentar sob o
comando do general Mourão Filho – a vi-
são que se tem é a de que, menos que uma
ambição de poder, os militares vieram na
esteira de um apelo nacional como solu-
ção para a profunda crise em que mergu-
lhara o país, sendo que certos analistas en-
xergam no episódio que alguns historia-
dores chamam de golpe, um contragolpe
que impediu o Brasil de se transformar nu-
ma gigantesca Cuba.
Os generais que assumiram os ru-
mos da Nação pertenciam a uma elite de
militares preparados, inclusive, intelec-
tualmente. O primeiro deles, o marechal
Castello Branco, era homem de reputação
inatacável, de passado rigorosamente lim-
po, de inteligência penetrante, de caráter
irreprochável e foi com essas “armas” que
ele enfrentou as dificuldades do seu go-
verno. Sua política econômica foi coman-
dada pelos ministros Roberto Campos e
Otávio Gouveia de Bulhões, respectivamen-
te do Ministério do Planejamento e do Mi-
O TEMPO DOS
GENERAIS
nistério da Fazenda, sendo que a estraté-
gia de ambos consistiu em recuperar o
dinamismo da economia através de po-
líticas orientadas para a neutralização da
inflação e dos desequilíbrios no balanço de
pagamento. A retomada do crescimento
econômico se deu, então, através de um
processo de abertura externa da economia,
manifesto na intensificação de fluxos não
só de mercadorias, mas, sobretudo, de ca-
pitais, entre o Brasil e o exterior.
O general Arthur da Costa e Silva
governou em meio a turbulências estudan-
tis e cerrada oposição de políticos, nota-
damente, de Carlos Lacerda. O Ato Insti-
tucional nº 5 (AI-5) foi instrumento de poder
e força em meio à reação de organizações
guerrilheiras, seqüestros, assaltos a ban-
cos, ataques a unidades militares.
Emílio Garrastazu Médici foi o mais
temido e o mais amado dos generais, já
que foi o mais rigoroso e o mais popular
na presidência. A capacidade de tomar
decisões nunca lhe faltou, seu estilo era
forte, seu governo extremamente centra-
lizado. Ele enfrentou intensa radicaliza-
ção dos movimentos de esquerda que
haviam optado pela luta armada e houve
mortes de ambos os lados.
O general Ernesto Geisel teve como
projeto político a “distensão lenta, gradual
e segura”. Defendeu também “o máximo de
desenvolvimento com o mínimo de segu-
rança indispensável”. Em termos de política
econômica seu governo investiu, sobretu-
do, em petróleo, energia e insumos básicos,
que tiveram crescimentos consideráveis.
João Batista Figueiredo, o ultimo ge-
neral a assumir a presidência da Repúbli-
ca em 15 de março de 1979, defrontou-se
com problemas econômicos advindos da
conjuntura internacional adversa. Mesmo
assim, ele levou adiante projetos demo-
cratizantes e foi vitorioso em importantes
batalhas da democracia.
No momento atual o fantasma da in-
governabilidade paira novamente sobre o
Brasil e alguns analistas chegaram a com-
parar o presente com a conjuntura que
antecedeu os fatos de 1964. Se alguns as-
pectos são parecidos, especialmente no
tocante ao desgoverno que se presencia
outros, porém, são bem diferentes. No to-
cante as Forças Armadas é sabido que vêm
sendo enfraquecidas através de cortes em
seu orçamento, dos humilhantes salários
de seus integrantes, da distorção de seus
objetivos. E é emblemático os militares
terem sido chamados de “bando de sem
pólvora”, pelo presidente da República.
Na reserva, os militares que pertenceram
à elite do tempo dos generais, possivel-
mente devem sentir profunda preocupa-
ção com os rumos do Brasil. Mas os tem-
pos são outros.
* Maria Lucia
Victor Barbosa
* Socióloga e articulista.
mlucia@sercomtel.com.br
(Publicado em março/2004)
Há 43 anos levantou-se a contra-revo-
lução restauradora de 1964 que im-
pediu o golpe de um presidente da repú-
blica populista e a tentativa dissimulada
de tomada do poder pelo Partido Comu-
nista Brasileiro, com ele aliado.
Evoco o acontecimento que ainda
traz ensinamentos práticos pelo seu signi-
ficado moral e emblemático de fidelidade
das Forças Armadas brasileiras à Nação. A
Revolução Democrática de 1964, no seu
primeiro momento – 1964 a 1967 – foi uma
contra-revolução restauradora que impe-
diu o golpismo populista e o assalto ao
poder comunista, abrindo o caminho para
um extraordinário progresso para o Brasil.
Hoje, sugere-se que o tão memorá-
vel episódio é história já vivida e sua recor-
dação só serve para dificultar a reconcilia-
ção nacional; os desencontros do passado
devem ser esquecidos. O esquecimento
porém é uma sugestão unilateral porque as
esquerdas ressentidas e raivosas não pa-
ram de estigmatizar as Forças
Armadas, em particular o Exér-
cito, acusando-as de instru-
mentos da repressão, da tortu-
ra e do desaparecimento de
jovens idealistas que, na reali-
dade, se transformaram em
subversivos e terroristas. Para
manter o assunto no noticiá-
rio, forjam “fatos novos” e en-
cenam revelações, denúncias
e investigações amplamente
divulgadas. E há quem se pres-
te a testemunhar “espontaneamente”.
Os desencontros do passado não
foram simples divergências que devem
ser silenciadas a bem da concórdia. Fo-
ram confrontos violentos contra o Esta-
do e a sociedade para tomar o poder. As-
sim foi em 1935 com a Intentona, em 1964
com o Tentame comunista associado aos
populistas, e em 1966-1974 com o terro-
rismo apoiado do exterior.
Esquecer os acontecimentos de 1964
é ocultar das atuais gerações o papel exem-
plar das Forças Armadas que, no absoluto
cumprimento de sua destinação constitu-
cional e no atendimento dos manifestos an-
seios nacionais romperam a obediência a
um governo golpista e impediram a criação
da república sindicalista e da ditadura do
proletariado, maquinadas num aparente pro-
cesso legal e democrático de supostas “re-
formas de base”. Esquecer 1964 é uma ati-
tude de capitulação moral e intelectual.
Nos dias de hoje, no contexto de uma
“reforma moral e intelectual” da socieda-
de conduzida pelos neomarxistas no Brasil,
inclui-se a “estratégia do descolamento”
para romper o presente de mudanças sur-
preendentes com o passado conservador
(*) Sergio Augusto de Avellar Coutinho
das tradições e dos valores nacionais. Por
isso, o desapreço moderno pelas práticas
cívicas e o revisionismo histórico.
Com relação às Forças Armadas, o
objetivo é desligar as atuais gerações das
precedentes, fazendo dos seus vultos his-
tóricos homens pusilânimes, corruptos,
genocidas, comprometidos com os interes-
ses das “classes dominantes”. Com esta
conscientização, os jovens militares são
levados a questionarem e a se verem des-
compromissados com as
velhas gerações e, eviden-
temente, com os valores
históricos, morais e pro-
fissionais da instituição –
o Exército “progressista”
de hoje não tem nada a
ver com o Exército reaci-
onário de ontem.
Por isto, a Revolu-
ção Democrática de 1964 é
envilecida e “satanizada”
como ditadura militar vio-
lenta e ilegítima. À primeira vista, tudo por
revanchismo, mas realmente para fazê-la
abominável e irrepetível. Fazer com que
as novas gerações de oficiais se enver-
gonhem do passado e desaprovem os ve-
lhos chefes que assumiram a responsabi-
lidade e tiveram a coragem de se oporem
à comunização do país. E assim, são ini-
bidos, “moral e intectualmente” de assu-
mirem semelhantes atitudes contra-revo-
lucionários e anticomunistas. As Forças
Armadas, consideradas a grande barreira
ao comunismo pelas próprias esquerdas
autocríticas, estão efetivamente neutra-
lizadas. As organizações da esquerda
revolucionária não mais se interessam
com o aliciamento dos militares mas com
a sua cooptação às idéias transforma-
doras.
Por isto, comemorar o movimen-
to cívico-militar de 1964, não é apenas
homenagem histórica mas advertência
aos jovens militares:
-A história não se repete.
Conhecê-la porém permite entender o
que aconteceu no passado e a perceber
o que acontece no presente.
(*) Escritor - General Reformado
POR QUE NÃO
COMEMORAR
31 DE MARÇO DE 1964?
Esquecer 1964 é uma
atitude de capitulação
moral e intelectual.
É ocultar das atuais
gerações o papel
exemplar das Forças
Armadas, impedindo a
criação da república
sindicalista e da ditadura
do proletariado.
1964
Atuação do 4º Grupo de Artilharia
Este livro poderá ser adquirido com Ângela,
no CEBRES pelo tel: (21) 2510-3238 e
e-mail: cebres@cebres.org.br no valor de R$ 25,00
naquele local e por R$ 30,00 via postal.
A narrativa é realizada pelo seu principal protagonista, o en-
tão Tenente Coronel de Artilharia, Herói da 2ª Guerra
Mundial, Amerino Raposo Filho, que comandou o 4º Grupo de
Artilharia 75 a Cavalo, em Uruguaiana. Pode-se afirmar que se
não houvesse a reação aos eventos ocorridos em Uruguaiana e
descritos neste livro, as forças de resistência do Governo Goulart
poderiam ter insuflado o país aos seus interesses escusos, a
começar pelo Rio Grande do Sul, que contou também com o apoio
do ex-governador Leonel Brizola.
Os Bastidores da Revolução
em Uruguaiana/RS
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Amerino Raposo Filho
Atuação do 4º Grupo de Artilharia
Por ocasião do lançamento, a 30 de março de 2017 no Clube de
Aeronáutica, o Cel Raposo com 95 anos, usou da palavra para
relembrar seu comando no 4º GA75 Cav, nos anos de 1962, 1963 e até
abril de 1964. Foi grande líder no Rio Grande do Sul, junto com o
coronel Luiz Serff Sellmann, chefe do Estado Maior da 2ª Divisão de
Cavalaria e ex-comandante do mesmo Grupo, quando impediram
qualquer reação de João Goulart e Leonel Brizola, tal qual o fizeram
em agosto de 1961, com a cadeia da Legalidade.
Jango e Brizola iriam fazer um comício em Uruguaiana no dia
4 de abril, em represália ao acontecido em fevereiro, por Carlos
Lacerda que abalou o Rio Grande do Sul. Ao desembarcar do avião,
a guarda de honra do 8º Regimento de Cavalaria, comandada pelo
Capitão Job Tolentino Barbieri, prenderia ambos e seriam levados
para uma estância devidamente preparada para recebê-los e a seguir
lido um Manifesto à Nação. Mas, Minas se antecedeu a 30 de março.
Ao término da apresentação do Cel Raposo, esse editor ofereceu
as revistas históricas "O Cruzeiro" e "Manchete" a êle, aos Brigadeiros
Gonçalves e Vinicius, ao General Pinto Silva, ao Cel Av Luís Mauro e
Profª. Aileda. Lembrando que o Cel Raposo, com seus 95 anos ainda
possui toda aquela vitalidade, imagine aos 42 anos como Comandante
do 4º GA75Cav, o que tive que "aturar" como seu Capitão...
31Nº 276 - 31 de Março/2020
“E O SENHOR embaixador chegou
de táxi... Não sei se o ilustre passageiro,
derreado no banco de trás, revendo cena
por cena, a aventura sul-americana dos
três dias e pensando “o que eu vou dizer
em casa”, teria chegado a ver e a sentir
a minha pátria como ela é. Não sei se che-
gou a ver as luzes de minha terra, da es-
curidão do Largo da Segunda-Feira ao
alarido da São Clemente. Nem sei se ain-
da terá tempo, no tempo todo em que aqui
ainda estiver, para compreender, sentir e
tocar o coração de minha pátria. Que eu
nunca senti tão intensamente o meu povo
e nunca vi melhor a minha pátria, como
nesta Semana da Pátria – a minha pátria
como se fez, a minha pátria como será, a
minha pátria como realmente é.
O senhor embaixador não foi à pa-
rada militar, à doação de sangue e à missa
campal; não viu o estandarte nas mãos e
no sorriso do menino de escola, a marcha
dos calhambeques, a chama simbólica, o
painel iluminado do morro do Pinto, a
Esquadrilha da Fumaça, o festival de
holofotes. O senhor embaixador não ou-
viu a retreta e o concerto popular, a cla-
rinada e o pipôco pirotécnico, a serenata
e a seresta; o momento cívico, a escola de
samba, a falação. O senhor embaixador
estêve muito longe do alento oficial ao
nosso Independente Day, no esfôrço
que se fêz para ajudar o povo a festejar
o dia de todos nós, para fazê-lo festa
mais popular, que também o carnaval se
ajuda a fazer.
Mas a minha pátria não é só fogo de
artifício; minha pátria não são sòmente
bandas, fanfarras, sino badalando hino,
bandeiraças, bandeiras, bandeirolas. Mi-
nha pátria é a alma dêsse povo bom, que
se comove com o drama do estrangeiro,
ainda que viva o seu próprio drama, que
não comove a alma estrangeira.
Minha pátria se fêz antes na inteli-
gência que no sangue, mais no martírio
que na glória. Minha pátria nasceu pa-
cificando, somando, compreendendo,
unindo, reunindo, redimindo. Minha pá-
tria nasceu do amor, do amor de raças
de mesclagem impossível em qualquer
outro chão do mundo. Minha pátria é
filha do martírio do Tiradentes e da visão
dos Andradas. Por isso minha pátria é
universo indivisível de fala portuguêsa
abraçado por muitos mundos castelha-
nos. Minha pátria é a unidade.
Minha pátria não é a terra da guerra
revolucionária, mas a vocação da paz, do
entendimento e da concórdia. É a sabe-
doria das soluções mais altas, sem con-
SENHOR EMBAIXADOR General Octávio Costa
vulsão e sem sangue. É a espada do Pa-
cificador, na consolidação da unidade
nacional. É a abolição sem secessão, a
República sem cabeças decapitadas, e o
contôrno da terra marcado no arbitra-
mento e na justiça.
Minha pátria não é a ditadura fas-
cista, nem a ditadura comunista, não é o
militarismo, nem o caudilhismo, nem o
cesarismo. Minha pátria é essa democra-
cia, plantada mais no coração dos ho-
mens que nas estufas políticas. É êsse
jeito de ser, essa vocação irreprimível de
liberdade. Essa liberdade e essa demo-
cracia, que estão no vento e à flor da pele,
êsse saber sentir e êsse querer ser que
língua alguma consegue traduzir.
Minha pátria não é o colonialismo
nem a xenofobia; não é a subserviência
e a submissão nem o acinte ao estran-
geiro; mas a altivez e a igualdade entre
as nações; mas a defesa do nosso inte-
rêsse e a luta pela nossa emancipação
econômica.
Minha pátria não é o seqüestro,
que nunca houve isso antes aqui e não é
da nossa índole. E tanto não é que, co-
mentando o Artigo 159 do Código Penal
– “Seqüestrar pessoa para o fim de obter
para si ou para outrem qualquer vanta-
gem como condição ou preço do resgate”
– disse Heleno Fragoso, nas Lições de
Direito Penal, que se trata de crime prà-
ticamente desconhecido entre nós, sen-
do, todavia, comum nos Estados Unidos
da América, onde tem o nome de kid-
napping. E disse mais que “constitui uma
das formas mais violentas e mais per-
versas da criminalidade”. Minha pátria
não tem faces perversas de crimina-
lidade, não é a pátria do seqüestro e do
seqüestrador. E tanto não é, que desse
crime disse o nosso grande Hungria
que “inspirado pelo antigo uso de guer-
ra de exigir-se um preço pelo resgate de
prisioneiros, constitui, atualmente, pela
sua freqüente prática em certos países,
notadamente nos Estados Unidos, um
motivo de alarma para todo o mundo
civilizado.”
Minha pátria é mundo civilizado,
que minha pátria não é ôlho por ôlho,
dente por dente. Não é o ódio, a vingan-
ça, não é perseguição; minha pátria não
é o estado de sítio, o toque de recolher, a
câmara de gás, a lei do cão. Mas é o anseio
de justiça, de dignificação do homem, de
prevalência da lei. Minha pátria é a voca-
ção de homens livres e justos.
Minha pátria não é o radicalismo e
a intransigência; não é o ódio irreconci-
liável, nem a covardia; não é a seara do
terror e do mêdo; minha pátria não é a
represália e a retaliação. Minha pátria
não é o assalto de bancos; não é o aten-
tado, o assassinato instituído; não é o
terrorismo, a sentinela abatida, a bomba-
relógio; não é a ira investida, não é o
arbítrio de cada um. Minha pátria não é a
inquietação. Mas é o bom senso, a serena
energia, o amor à verdade, o espírito de
ordem, a paciência, a persuasão. Minha
pátria é generosa e irmã.
Minha pátria não é o irredentismo
obstinado, não é o divisionismo irrever-
sível, não é a crítica arrasadora, a in-
conformação, o motim, o golpe-de-mão.
Não é a luta de classes, o desamor das
raças, a intransigência religiosa, o abis-
mo entre as gerações. Minha pátria é a
fraternidade entre os homens, a igual-
dade de oportunidades, a compreen-
são entre os povos, a consciência de
que os homens nascem iguais e iguais
são criados.
Minha pátria não é a conformação,
não é a canga de um destino mesquinho
para o seu tamanho, não é a vocação de
satélite, minha pátria não é a aceitação de
qualquer determinismo. Mas é a luta
paciente e lúcida do subdesenvolvi-
mento contra as duas opções de servi-
dão: os grilhões que acorrentam o pen-
samento e a economia à dominação
ideológica internacional, e a insensibi-
lidade a relações econômicas injustas
entre os homens e entre as nações. Mi-
nha pátria é a consciência da emanci-
pação nos caminhos da liberdade.
Minha pátria não é o desvario, a
cegueira da paixão, a inconseqüência;
não é o fanatismo inteligente ou burro;
nem o suicídio econômico, a bancarrota,
o quixotismo, a irreflexão, o caos. Mas é
a luta de pés no chão, luta de pés suados,
honestos e duros, feita de sacrifício e de
renúncia, num mundo entrevado de
interêsse só, para emergir da escuridão à
luz.
Minha pátria não é a imagem refle-
tida das outras pátrias, não é cópia, não
é sombra, não é repetição. Minha pátria
não é sistema que não seja seu, minha
pátria não se encarcera, não se submete
aos métodos e processos de uma índole
que não é a sua. Minha pátria é assim
mesmo, desarrumada e bonançosa, ame-
na e amiga, irrequieta e doce; e musical, e
poética, e lírica, e romântica. Não veio
para impor e dominar, nem para ostentar
e dispor da vida dos outros povos; mas
para fazer-se a si, a pouco e pouco, assim
naadversidade,assimnosofrimento,veio
para mostrar às outras gentes uma nova
maneiramaishumanadevivereconviver.
E por saber que minha pátria é as-
sim, e por conhecer e sentir a alma de meu
povo, é que me atrevo a dizer a palavra da
concórdia na hora da violência. É que me
atrevo, ainda que me tenham sonhador e
irrealista, a apelar para que nos estenda-
mos às mãos uns aos outros e para que
cada um se veja no fundo de si mesmo e
se dê um pouco mais em paciência, em
reflexão, em magnanimidade. E invoco, a
Deus a aos homens, bem cedo deixemos
esta nossa hora de exceção e retomemos
nosso caminho de sempre, nosso cami-
nho iluminado de amor, calçado de liber-
dade e protegido pela paz que une os
homens”.
(Publicado no Jornal do Brasil, de 10 Set 1969
e transcrito no Noticiário do Exército de 12/09)
NR: Dirigido ao Embaixador dos Estados Unidos da América, Charles Burke
Elbrick, que ao ser libertado (havia sido sequestrado a 04 de setembro),
criticou acerbadamente o Brasil, em termos não condizentes com a diploma-
cia, como se o governo Médici tivesse responsabilidade pela atitude insana
dos seqüestradores, entre eles, o hoje ex-ministro Franklin Martins, que
redigiu o manifesto abaixo.
Ao povo brasileiro
Grupos revolucionários detiveram, hoje, o Sr. Burke Elbrick, Embaixa-
dor dos Estados Unidos, levando-o para algum ponto do país. Este não
é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados
a cabo: assaltos a bancos, onde se arrecadam fundos para a revolução, tomando
de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; tomadas de
quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela
derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucioná-
rios, para devolvê-los à luta do povo; as explosões de prédios que simbolizam
a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores. Na verdade, o
rapto do Embaixador é apenas mais um ato de guerra revolucionária que
avança a cada dia e que este ano iniciará a sua etapa de guerrilha rural.
A vida e a morte do Senhor Embaixador estão nas mãos da ditadura. Se
ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será libertado Caso
contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas
duas exigências são:
- a libertação de 15 prisioneiros políticos;
- a publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais
jornais, rádios e televisões de todo o país.
Os 15 prisioneiros políticos devem ser conduzidas em avião especial até um
país determinado – Argélia, Chile e México – onde lhes seja concedido asilo.
Contra eles não deverá ser tentada qualquer represália, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa
proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos 15 líderes revolu-
cionários e esperaremos 24 horas por sua colocação num país seguro.
Se a resposta for negativa ou se não houver nenhuma resposta nesse
prazo, o Sr. Burke Elbrick será justiçado. Queremos lembrar que os prazos
são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Agora é olho por olho, dente por dente.
MANIFESTO
AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN)
MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO / MR-8.
Os terroristas: Luís Travassos, José Dirceu, José Ibrahim, Onofre Pinto, Ricardo Vilas, Maria
Augusta, Ricardo Zaratini e Rolando Frati, de pé e João Leonardo da Silva Rocha, Agonaldo
Pacheco, Wladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares, agachados, diante do avião
Hércules da FAB, que os levaria para o exílio no México
15 de setembro/1969
32
Ontem, hoje e sempre, a Nação
Brasileira contou, conta e contará com
suas Forças Armadas para defendê-la,
externa e INTERNAMENTE.
Nº 276 - 31 de Março/2020
* Murilo Badaró
Discursando durante o sepultamento de Ho-
noré de Balzac em 1850, Victor Hugo disse
que “os grandes homens executam o seu pró-
prio pedestal; futuro encarrega-se da estátua”.
Lembrei-me dessas palavras no sábado, dia 22
de agosto, quando se completaram 30 anos da
sanção da Lei da Anistia proposta ao Congres-
so pelo Presidente João Figueiredo. Morto já
há alguns anos, cessadas as malquerenças e
ressentimentos, apagado o fogo intenso das pai-
xões, a História já iniciou o pro-
cesso para prolação da senten-
ça definitiva sobre o homem e
as circunstâncias temporais
em que viveu e atuou. Especi-
almente no caso da Lei de Anis-
tia, que alguns setores pre-
tendem vê-la revista como se
os textos do edito que pôs fim
ao governo dos militares não
abrigasse os dois lados em li-
tígio, os militares e os guerri-
lheiros que atuavam naquela
época ao arrepio das leis.
No caso do presidente Fi-
gueiredo o pedestal que edificou será base su-
ficiente a que sobre ele seja assentada a está-
tua esculpida pelo futuro. Existe, sem dúvi-
da, intencional determinação de distorcer a
verdade dos fatos da história recente do país.
Em conseqüência, são eles transmitidos às
novas gerações de forma a lançar, injusta-
mente, sobre os militares a mancha do opró-
brio, recusando-lhes o benefício da consta-
tação do muito que realizaram em favor do en-
grandecimento do país.
O Presidente João Batista Figueiredo, o
último presidente do ciclo militar que dominou
o Brasil desde 1964, foi sem dúvida o que en-
frentou as maiores dificuldades para cumpri-
mento da missão de promover a transição para
o regime democrático a partir da revogação dos
atos institucionais. Lutou contra resistências
localizadas entre seus pares. A elas reagia com
a frase típica de seu temperamento marcado
pela autenticidade de sentimentos: “Quem se
opuser à abertura eu prendo e arrebento”.
Em 1982 realizaram-se as primeiras elei-
ções diretas para governadores, de que resul-
tou na vitória de muitos oposicionistas. Seu
propósito era o de realizar ampla anistia. Lem-
bro-me de ter ouvido dele informações a res-
peito do sofrimento experimentado por seu pai
JOÃO FIGUEIREDO,
O PRESIDENTE DA ANISTIA
Presidente João Figueiredo
no exílio da Argentina. Con-
siderava indispensável tra-
zer de volta os brasileiros
exilados: “Lugar de brasileiro é no Brasil”, di-
zia. Dava assim, começo ao projeto de anistia,
com o que atendia aos apelos da sociedade
civil, totalmente mobilizada em seu favor. Apre-
sentada ao Congresso a proposta de anistia, a
mais ampla e irrestrita possível, Figueiredo é
surpreendido por uma emen-
da substitutiva muito menos
abrangente, apresentada
pelo então MDB. À época
correram rumores de que a
cúpula do partido oposicio-
nista temia que a volta dos
líderes exilados viesse a en-
sejar-lhes o domínio da opo-
sição, em detrimento dos que
haviam lutado no Brasil anos
a fio contra o regime autori-
tário. Por definição, anistia
significa perdão, esqueci-
mento, cessação de hostili-
dades.
Alguns elementos ligados aos estamen-
tos da esquerda revolucionária, com profun-
dos vínculos com o atual governo federal, cos-
tumam tentar reabrir o processo para, segundo
eles, submeter à Justiça, militares que teriam
sido envolvidos na prática de tortura. Os mili-
tares retrucam esta tese com a tranqüila cons-
ciência de que durante a guerra travada contra
os guerrilheiros comunistas houve vítimas de
ambos os lados, não sendo natural pretender
seja o perdão brotado da anistia aplicado ape-
nas a um lado, exatamente aquele que desafiou
os militares com armas e ações de guerra revo-
lucionária.
O futuro já começou a cinzelar o monu-
mento do presidente Figueiredo. Homem gene-
roso, autêntico, patriota, sua aparência sisuda
não revelava o amplo coração que batia dentro
de seu peito. Ele era um pouco daquela “máscara
de ferro” de que falava Alfred de Vigny, cobrin-
do o rosto dos militares na dura servidão da
caserna. Disciplinado e disciplinador, com um
sentimento de honra e probidade que conduzia
ao exagero, Figueiredo nunca freqüentou a
praça dos impostores. Morreu sem fortuna e na
modéstia, com dignidade, tal como viveu.
* Presidente da Academia Mineira de Letras
Publicado no Estado de Minas em 28/12/1999
CAINDO A MÁSCARA
Os comunistas que desencadearam a luta armada no período dos
governos militares afirmam, amiúde, que lutavam pela democra-
cia, contra a “DITADURA MILITAR”.
Se não bastasse a leitura do ideário (programa) das organiza-
ções subversivas da época, como a VAR/Palmares, o PC do B (res-
ponsável pela guerrilha do Araguaia), “et caterva”, visando à implan-
tação de ditadura do proletariado e das várias versões do comunis-
mo internacionalista, materialista e ateu, a máscara dessa falácia
vai caindo.
Daniel Aarão Reis e Fernando Gabeira, dois ex-ativos militantes
dos movimentos comunistas, contradizem essa deslavada mentira.
Em declaração ao jornalista Elio Gaspari, Daniel Aarão Reis,
afirmou:
“Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o
projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada
era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar
uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas
organizações em que elas se apresentassem como instrumento da
resistência democrática”.
Fernando Gabeira, declarou recentemente:
“O programa político que nos movia naquele momento, era
voltado para uma ditadura do proletariado. Então você não pode
voltar atrás, corrigir o seu passado e dizer que estava lutando pela
democracia. A luta armada não estava visando à democracia.”
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EXPEDIENTE
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O EPÍLOGO ('GRAN FINALE') DA REVOLUÇÃO DE 1964
A Revolução de 31 de março de
1964, hoje mais apropriadamente
denominada de “Contrarrevolução”,
não teve o seu final em 1° abril, com a
reunião, às 18 horas, na AMAN, do
ministro da Guerra interino, general
Ancora, e os generais Kruel, coman-
dante do II Exército, Médici, coman-
dante da Academia e outros.
A situação ainda estava inde-
finida no Rio Grande do Sul. João Gou-
lart, Leonel Brizola e os generais Ladá-
rio Pereira Teles (que assumiu o co-
mando do III Exército, que lhe foi pas-
sado pelo general Benjamin Galhardo),
Assis Brasil e outros estavam em Porto
Alegre. Em face da incerteza reinante, o
governador Ildo Meneghetti passou a
governar da cidade de Passo Fundo e o
general de divisão Adalberto Pereira
dos Santos, comandante da 6ª Divisão
de Infantaria, transferiu o seu coman-
do para Cruz Alta. Muito se teria a con-
tar; o certo é que no dia 3 de abril, as
tropas das 3ª e 6ª Divisões de Infanta-
ria, a partir de Santa Maria e Cruz Alta,
ao comando, respectivamente, dos ge-
nerais de divisão Mário Poppe de Fi-
gueiredo e Adalberto Pereira dos San-
tos cerraram sobre Porto Alegre, fa-
zendo cessar as resistências de algu-
mas organizações militares.
E às 18h30, de 3 de abril de 1964,
o governador Ildo Meneghetti e o
general Mário Poppe de Figueiredo
entraram triunfalmente em Porto Ale-
gre, em um jipão aberto, escoltados
por forte comboio militar, tendo o
governador retornado ao governo na
capital gaúcha e o general assumido
o comando do III Exército. Eis o glo-
rioso epílogo (‘gran finale’) do Movi-
mento Cívico-Militar eclodido em
Minas Gerais...
ATO INSTITUCIONAL
DE 9 DE ABRIL DE 1964
Pelo citado Ato, foram aplicadas punições a oficiais-generais do
Exército Brasileiro, em face de suas atitudes e ações contrárias à
Revolução de 31 de março de 1964.
Eis os punidos e suas punições:
• Marechal Osvino Ferreira Alves: reformado no mesmo posto;
• General de Exército Jair Dantas Ribeiro: transferido para a
Reserva e reformado no mesmo posto;
• Generais de Divisão Ladário Pereira Teles e Oromar Osório:
transferidos para a Reserva e reformados no mesmo posto;
• Generais de Brigada Anfrísio da Rocha Lima e Luiz Tavares da
Cunha Mello: transferidos para a reserva e reformados no mesmo
posto.
A mais severa das punições foi aplicada ao general de Brigada
Argemiro de Assis Brasil, demitido das fileiras do Exército, "in verbis":
"O Presidente da República resolve:
Demitir o General de Brigada Argemiro de Assis Brasil, no uso
das atribuições que lhe confere o art 7°, parágrafo 1°, do Ato Institu-
cional de 9 de abril de 1964, tendo em vista o que foi apurado em
Investigações Sumárias de que trata o Decreto n° 53.897, de 27 de abril
de 1964, subsequentes ao Ato n° 3, de 11 de abril de 1964, do Comando
Supremo da Revolução, das fileiras do Exército, sem prejuízo das
sanções penais a que estiver sujeito, fazendo seus beneficiários jus à
pensão a que tiverem direito - Decreto de 28 Set 64 - D.O. de 29 Set 64,
BE 42/64, pág 26".
Observação: o General de Exército Armando de Moraes Ancora,
então comandante do I Exército e ministro da Guerra interino, não
sofreu punição: pediu transferência para a Reserva e, nesta condição
foi, posteriormente, promovido ao posto de Marechal.
Fonte: CDoc Ex.
N.R.: Imaginem se as punições fossem semelhantes
às de Cuba ('paredóns'...)

Jornal Inconfidência n°276

  • 1.
    Site: www.jornalinconfidencia.com.br E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br 56ºANIVERSÁRIO DO MOVIMENTO CÍVICO-MILITAR DE 31 DE MARÇO DE 1964 ... "a Revolução não se fêz para man- ter privilégios de quem quer que seja, mas para, em nome do povo, e em seu fa- vor, democratizar os benefícios do desen- volvimento e da civi- lização". (Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello(Presidente Castello Branco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 deBranco, discurso de 21 de abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964)abril de 1964) A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA BRASILEIRA AOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORESAOS LEITORES BELO HORIZONTE, 31 DE MARÇO DE 2020 - ANO XXV - Nº 276 Edição Histórica A Marcha da Família com Deus Pela Liberdade encerrou-se diante do altar da Pátria, na Esplanada do Castelo, com a presença de centenas de milhares de fiéis. (Revista Manchete, Abril/64 - Edição Histórica) AS FORÇAS ARMADAS TÊM O DEVER SAGRADO DE IMPEDIR, A QUALQUER CUSTO, A IMPLANTAÇÃO DO COMUNISMO NO BRASIL. São Paulo Rio de Janeiro Esta “Edição Histórica” é dedicada àqueles que —não tendo vivido a época que precedeu o Movimento Cívico-Militar de 1964 e, conseqüen- temente, não conhecendo a verdade dos fatos que marcaram aquele aconte- cimento—- têm sido o alvo preferencial da mídia facciosa e dos revanchistas, quando tratam dessa matéria. O que aqui será apresentado, não são conceitos gerados na caserna. São manifestações livres, não encomendadas e isentas: são Editoriais, opiniões, depoimentos, manifestos e notícias que retratam o pensamento dos principais órgãos formadores de opinião e de membros da sociedade brasileira, conclamando e convocando as Forças Armadas para uma atua- ção firme e decisiva na- quelemomentoimportan- te da nossa história. Naquela época a nos- samídiaeradotadadeum alto grau de independên- cia e de nacionalismo e o seu patriotismo era ge- nuíno e consciente. Hoje, vendida e venal... A NOSSA BANDEIRA A NOSSA BANDEIRA Belo Horizonte Os presidentes do Grupo Inconfidência, do Círculo Militar de Belo Horizonte, da AOR-EB - Associação dos Oficiais da Reserva, da ANVFEB/BH - Associação Nacional dos Veteranos da FEB, da ABEMIFA - Associação Beneficente dos Militares das Forças Armadas, Clube de Subtenentes e Sargentos do Exército / BH, da AREB/BH - Associação dos Reservistas do Brasil e do Círculo Monárquico/MG, têm a honra de convidar seus associados e familiares para a solenidade cívico-militar, em homenagem à CONTRARREVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964. Data: 02 de abril - Quinta-feira - Hora: 19:30 Local: Círculo Militar de Belo Horizonte COMPAREÇA E CONVIDE SEUS PARENTES E AMIGOS. ConviteConviteConviteConviteConvite
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    2Nº 276 -31 de Março/2020 ANTECEDENTES Saques aos supermercados em Duque de Caxias - 1962 Comício da Central do Brasil - 13/03/1964 Tropa do Exército retira os amotinados do Sindicato - 25/03/1964 Jango no Automóvel Clube a 30 de março - 1964 Opresidente João Goulart convocou o movimento sindical e as esquerdas para pressionarem o Congresso com demonstrações de força para a restauração do pre- sidencialismo. A agitação em favor do plebiscito atingiu o auge no fim de julho de 1962, com o desentendimento entre Jango e o Congresso que aprovara o senador Auro de Moura Andrade para Primeiro - Ministro por 222 votos a 51, contra a vontade de Goulart. Imediatamente, começaram as greves, depredações e saques em todo o país, prin- cipalmente no Rio de Janeiro, onde o movimento sindical era muito forte. Só na baixada fluminense, foram saqueados quase 300 estabelecimentos comerciais e a desordem ge- neralizada deixou 25 mortos e mais de mil feridos. O PCB - Partido Comu- nista Brasileiro era o núcleo do- minante de todas as decisões, mas o complexo subversivo abrangia grande número de or- ganizações englobando além daCGTedaPUA,asLigasCam- ponesas de Francisco Julião, a Ação Popular e os Grupos dos Onze de Leonel Brizola. ApósaextinçãodaURSS, o ex-embaixador soviético no Brasil, Andrei Fomin, confir- mou ter comunicado a seu go- verno informações recebidas de líderes esquerdistas brasi- leiros, segundo as quais estava em preparação um golpe de Es- tado no qual o presidente fecha- ria o Congresso e instauraria a “República Sindicalista”. Prestes declarou na Abertura do Congresso Continental de Solidariedade a Cu- ba realizado em Niterói a 28 de março/63 “ser o Brasil a primeira nação sulamericana a seguir o exemplo da pátria de Fidel Castro”. Grupos armados invadiam propriedades. Jornais, revistas e livros, editados em Pequim, Moscou e no leste europeu circulavam abertamente, principalmente nas fa- culdades e escolas. Em Brasília, a 12 de setembro/63, sargentos da Marinha e da Aeronáutica re- belaram-se contra a decisão do STF que se pronunciara contra a sua elegibilidade. Ocuparam o Ministério da Marinha e instalações federais. Os graduados do Exército não aderiram. Os sublevados foram cercados pelas tropas do Exército e preferiram entregar-se Tal fato iria se repetir na Semana Santa (março/64), quando marinheiros e fuzileiros navais rebelados no Sindicato dos Metalúrgicos no Rio de Janeiro, foram presos pelo Exército no Batalhão de Guardas e libertados no dia 27, sexta feira santa, por ordem presidencial. A presença de líderes comunistas nos quartéis para verificar o cumprimento da ordem do Presidente e a passeata vexatória que se seguiu, nas ruas do centro da cidade, com marujos desuniformizados carregando dois almirantes nos ombros, feriu a dignidade e a sensibilidade das Forças Armadas. Já havia acontecido o comício da Central do Brasil, realizado a 13 de março, por sugestão do PCB, com a presença, além dos líderes sindicalistas e comunistas, dos O Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante Cândido de Aragão, é a figura mais controvertida do episódio: punido, destituído e depois reintegrado pelo nôvo ministro, aqui aparece dando autógrafos a marinheiros (Manchete Extra nº 625) Tropa do Exército defronte ao Ministério da Marinha, em Brasília, em setembro de 1963 CRONOLOGIA HISTÓRICA / 1964 17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro17 de janeiro: Jango regulamenta a lei de remessas de lucros para o estrangeiro. 25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro25 de janeiro: A SUPRA assina acordo com os ministérios militares para estudo sobre a desapropriação de terras à margem das rodovias. 6 de março6 de março6 de março6 de março6 de março: O Ministério da Justiça estuda uma intervenção no Estado da Guanabara. 11 de março11 de março11 de março11 de março11 de março: As classes produtoras se reúnem no Rio e praticamente rompem com o governo. 13 de março13 de março13 de março13 de março13 de março: Acontece no Rio um grande comício pelas Reformas de Base. 15 de março15 de março15 de março15 de março15 de março: O Congresso Nacional reabre e João Goulart envia mensagem a favor das Reformas de Base. 18 de março18 de março18 de março18 de março18 de março: O CGT exige uma política financeira nacionalista e pede o afastamento do ministro da Fazenda. 19 de março19 de março19 de março19 de março19 de março: A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” reúne em São Paulo mais de 500 mil pessoas. 26 de março26 de março26 de março26 de março26 de março: Rebelião de marinheiros no Rio. São presos pelas tropas do Exército e em seguida, postos em liberdade. 28 de março28 de março28 de março28 de março28 de março: Em Juiz de Fora, numa reunião com Magalhães Pinto, com a presença do General Mourão Filho e diversas autoridades civis e militares, o Marechal Odylio Denys apresentou um estudo circustanciado sobre a situação político-militar, quando foi articulado e marcado o dia do levante contra João Goulart. 30 de março30 de março30 de março30 de março30 de março: O presidente discursa numa reunião de sargentos das Forças Armadas e da Polícia Militar, no Automóvel Club do Rio de Janeiro. 333331 de março1 de março1 de março1 de março1 de março: Minas está nas mãos dos rebeldes. As tropas mineiras marcham para o Rio de Janeiro e para Brasília, sem encontrar qualquer resistência. 1º de abril1º de abril1º de abril1º de abril1º de abril: O II Exército, comandado pelo General Amaury Kruel, adere à rebelião. Miguel Arraes é preso no Recife. 2 de abril2 de abril2 de abril2 de abril2 de abril: Jango deixa Brasília rumo a Porto Alegre e o Deputado Ranieri Mazzili toma posse como novo presidente. 4 de abril4 de abril4 de abril4 de abril4 de abril: João Goulart exila-se no Uruguai. ministros militares e de 5 mil soldados do Exército, que assistiram a massa humana agitando bandeiras vermelhas e cartazes alegóricos, ridiculizando os “gorilas” e exigindo reformas de base. Jango exigia a revisão da Constituição, encampação das refinarias, a reforma agrária... O Automóvel Clube, em 30 de março, foi palco do violento discurso de João Goulart, dirigido a dois mil subtenentes e sargentos das Forças Armadas e Auxiliares, tornando irreversível sua posição de esquerda. A exaltação do ambiente, carregada com a presença de agitadores comunistas, atingiu o máximo quando o Almirante Aragão e o cabo Anselmo, se abraçaram sob aplausos gerais. Era a completa quebra da Disciplina e da Hierarquia. Fatos como estes e os acontecimen- tos de março, acrescidos da carta do Chefe do Estado-Maior do Exército, juntos com mais de meio milhão de paulistas alarmados na passeata de mulheres com terços à mão, rezando por Deus e pela liberdade, leva- ram ao desenlace de 31 de março. 2
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    3Nº 276 -31 de Março/2020 Ressurge a Democracia! O GLOBO Rio Janeiro, 02 de abril de 1964 Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independen- temente de vinculações políti- cas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Arma- das, que obedientes a seus che- fes demonstraram a falta de vi- são dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irrespon- sável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vo- cação e tradições. Como dizía- mos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalida- de, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, co- mo se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada. Agora, o Congresso dará o remédio consti- tucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande desti- no, sem que os di- reitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapa- reçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desor- dem, da indiscipli- na e de tudo aquilo que nos es- tava a levar à anarquia e ao co- munismo. Poderemos, desde ho- je, encarar o futuro confiantemen- te, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão solu- ções, pois os negócios públi- cos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez. Salvos da comunização que celeremente se prepara- va, os brasileiros devem agra- decer aos bravos militares, que os protegeram de seus ini- migos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fi- éis ao dispositivo constituci- onal que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua rele- vante missão com a servil obe- diência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executi- vo. As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, or- ganizadas com base na hierar- quia e na disciplina, sob a auto- ridade do Presidente da Repú- blica E DENTRO DOS LIMI- TES DA LEI. No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierar- quia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Arma- das, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, con- seqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as con- dições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das cor- porações militares. Sua presen- ça e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei. Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palá- cio do Planalto, as Forças Arma- das chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integrida- de de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava re- servado pelos vermelhos que ha- viam envolvido o Executivo Fe- deral. Este não foi um movimen- to partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significa- do das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líde- res políticos, os mais respeita- dos Governadores, com o mes- mo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que es- tava em jogo. A esses líderes ci- vis devemos, igualmente, ex- ternar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não per- tence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi con- tra qualquer reivindicação po- pular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípi- os constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País. Se os banidos, para intri- garem os brasileiros com seus líderes e com os chefes milita- res, afirmarem o contrário, es- tarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congres- so votará, rapidamente, as me- didas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Di- vina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofri- mentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor. ESTADO DE MINAS Órgão dos Diários Associados Diretores: JOÃO CALMON E GERALDO TEIXEIRA DA COSTA Gerente Geral: THEÓDULO PEREIRA Redator Chefe: PEDRO AGUINALDO FULGÊNCIO Diretores Assistentes: OSWALDO NEVES MASSOTE E BRITALDO SILVEIRA SOARES O DEVER DOS MILITARES Foto: Acervo Jornal Estado de Minas Geraldo Teixeira da Costa, Irani Bastos, Magalhães Pinto, João Calmon e José Maria Alkmim Se há um setor que não está corrompido no Brasil, graças a Deus, é o das Forças Arma- das. Em Minas, devemos juntar a esse bloco de homens dignos e patriotas a Polícia Militar, outra corporação que tem dado os mais admi- ráveis exemplos de amor à nossa terra. Feliz a nação que pode contar com cor- porações militares de tão altos índices cívicos. A todo momento, essas corporações, comandadas por oficiais formados na melhor escola, a escola do patriotismo, da decência da pureza de inten- ções e propósitos, nos oferecem o testemunho de sua identificação com os melhores ideais de nossa gente. O que eles têm no coração é um Brasil grande, progressista, respeitado, unido de Norte a Sul, de Leste a Oeste, trabalhando livre- mente num clima de ordem e paz. Os nossos militares, quando mais fundo e mais grosso é o mardelama,estãoreco- lhidos às suas caser- nas austeras, submeti- dosaumregimedeven- cimentos incompatí- veis com as exigências da vida moderna. Hoje em dia, não há quem queira ser mais oficial doExército,daMarinha e da Aeronáutica, por- que não se recebem nessas três armas sol- dos que permitam uma existênciatranqüila. No entanto, os militares tudo suportam estoica- mente, assistindo diante deles o espetáculo da mais deslava corrupção, provocada pelo poder civil, pela baixa politicalha, pelo eleitoralismo grosseiro. Bastaria dizer que hoje um procurador de um dos institutos de previdência, logo no primeiro mês de sua nomeação, sem ter servi- ço, indo à repartição meia hora por dia, quando vai, recebe mais do que um general, que se submeteu a uma longa carreira, sujeito a mudan- ças amiudadas de residência, sendo obrigado a matricular os seus filhos cada ano um regime de trabalho de dez horas por dia. É impossível, porém, enumerar aqui todas as injustiças de que são vítimas os militares. E não se queixam, não se desesperam, por amor ao Brasil. Pois bem: esses patriotas, que não contribuem para o abas- tardamento dos costumes públicos em nosso país, de quando em vez são forçados a corrigir os erros da politicalha, tomando o poder dos cor- ruptos, dos caudilhos, dos extremistas de baixa extração, restituindo-o limpo e puro, aos civis. Nunca advogaram em causa própria, ou melhor, nunca tomaram o poder em benefício próprio. EDITORIALEDITORIALEDITORIALEDITORIALEDITORIAL de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964de 05 de abril de 1964 Agem quando é preciso, a fim de restituir a tran- qüilidade e a paz ao seio da família brasileira, mas essa tolerância com os civis, que não estão sa- bendo ser dignos do poder, tem um limite. As imposições do patriotismo, que é tão aceso no meio militar, poderão levá-los a dissolver as as- sembléias que insistem em permanecer dando cobertura a políticos corruptos e aventureiros, a comunistas interessados em abrir aqui uma porta ao fidelismo cubano. O povo também está perdendo a fé nas soluções civis. Vê a volta das raposas de baixa politicalha com espanto e nojo, porque compreende que a agitação vai continuar, a corrupção idem, o assalto aos cofres públicos, a compra de fazendas e apartamentos com dinhei- ro roubado à nação. O Comando Revolucionário não aceitará agora isto. Quer o expurgo, a higi- enizaçãodomeiopolítico,aimobilizaçãoda“gang” que infelicitava o Brasil. Os corruptos, onde esti- verem, terão que pagar por seus crimes. Se estiverem no Parlamento alguns deles, terão que ver cas- sados os seus mandatos que não souberam hon- rar, traindo ali a demo- cracia. Se estiverem os totalitários vermelhos no mais alto tribunal de justi- ça do país, há que impor- lhes as sanções da pró- pria lei que eles impõem a outros. Sem esse expurgo, feito sem violência mas dentro da legislação de defesa do povo e do regime, não estará completa a revolução. Se tolerarem qualquer transigência com os objetivos da revolução, os militares serão nova- mente traídos pela parcela dos civis corruptos e indignos. Homens com a alta dignidade, a compostu- ra cívica, a bravura pessoal, a vida limpa e exem- plar de um General Carlos Luís Guedes - que é um militar admirável - não podem permitir que se faça a reconstrução do Brasil em bases falsas. Essa reconstrução tem que ser, antes de tudo, moral. Foi por isso que todos nós, que estivemos na luta arrostando a empáfia dos baderneiros, sujeitos diariamente a assaltos e golpes dos extremistas, fizemos uma revolução. Os militares não deverão ensarilhar suas armas, antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria. Cometerão um erro, embora de boa-fé, se aceitarem o poder civil, que está organizado para assumir as responsabi- lidades da direção do país. Terão que impor um saneamento, antes de voltar aos quartéis. O DESTACAMENTO CAICÓ (GT/12) Ocomandante militar da Revolução, gene- ral de divisão Olympio Mourão Filho, após deslocar o “Destacamento Tiradentes” para a Guanabara, decidiu formar, em 2 de abril de 1964, um contingente de tropa para a consoli- dação do Movimento Militar em Brasília e ma- nutenção da ordem no Distrito Federal. Para tanto, determinou a constituição de um Grupamento Tático, o GT/12, composto por tro- pas do Exército, com base no 12° Regimento de Infantaria, de Belo Horizonte (menos o 2° bata- lhão, integrante do “Destacamento Tiradentes”) e dois batalhões da PMMG, ao comando do co- mandante do Regimento, coronel Dióscoro Gon- çalves do Vale. Tal Grupamento foi denominado, histori- camente, de “Destacamento Caicó”, em home- nagem ao comandante do Regimento e Destaca- mento, coronel Vale (posteriormente general), potiguar nascido em Caicó (RN). O “Destacamento Caicó” cumpriu de forma airosa a Missão que lhe foi conferida (de 2 a 16 de abril) e o Distrito Federal tornou-se imune à ação deletéria de subversivos de todos os matizes. No dia 16 de abril, a tropa regressou, galhardamente, a Minas Gerais. 3
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    4Nº 276 -31 de Março/2020 N.R.:N.R.:N.R.:N.R.:N.R.: O presente artigo, do renomado jornalista Alexandre Garcia, contém interessantes considerações acerca da Revolução de 31 de Março de 1964, além de acerbas críticas ao execrável decreto do PNDH-3. Tal Programa contrariou profundamente as FFAA, o agronegócio, a Igreja, a Imprensa e outros segmentos da sociedade brasileira, trazendo sérios riscos à Soberania Nacional na Amazônia, indo ao encontro de interesses revanchistas e dos ditos “movimentos sociais”, como o espúrio e criminoso MST, o braço armado do PT. OPaís viveu em paz por 30 anos, até que a du- pla Genro/Vanuc- ci resolveu desen- terrar o passado. Os militares não queriam o poder. Pressionados pelas ruas, pelos meios de informação, derrubaram Goulart e acabaram ficando 21 anos. Quando derrubaram o presidente, já havia gru- pos treinados em Cuba, na China e União Soviética para começar por aqui uma revolução socialista. Com a con- tra-revolução liderada pelos militares, esses grupos se reor- ganizaram para a resis- tência armada. E o go- verno se organizou pa- ra combatê-los. Houve uma guerra interna de que os brasileiros, em geral, não tomaram co- nhecimento porque en- quanto durou, quase 20 anos, houve um total de 500 mortos - número que o trânsito, hoje, ul- trapassa em menos de uma semana. Numa estratégia elabo- rada pela dupla Geisel-Golbery, plane- jou- se então devolver o poder aos civis de forma “lenta, gradual e segu- ra”. E, como coroamento do processo, o governo fez aprovar no Congresso, em 1979, a Lei da Anistia, bem mais abrangente que a defendida pela opo- sição. Uma lei que pacificasse o país, no novo tempo de democracia que se iniciava. Uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Que institucionalizasse o esquecimento, a pá-de-cal, pelos cri- mes cometidos por ambos os conten- dores, na suja guerra interna. Incluíam- se os que mataram, assaltaram, joga- ram bombas, roubaram - de um lado - e os que mataram e torturaram do outro. A Nação inteira respirou aliviada quan- do o Congresso aprovou o projeto do governo e os banidos e asilados co- meçaram a voltar, entre eles o mais famoso de todos, Fernando Gabeira, que havia sequestrado, junto com Fran- klin Martins, o embaixador america- VINGANÇA OU MALUQUICE? * Alexandre Garcia Como coroamento do processo, o governo fez aprovar no Congresso, em 1979, a Lei da Anistia, bem mais abrangente que a defendida pela oposição. Uma lei que pacificasse o país, no novo tempo de democracia que se iniciava. Uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. No dia 20 de mar- ço de 1964, há quase 45 anos, o Gen Ex Humberto de Alen- car Castello Branco, Chefe do Estado-Maior do Exército, em função da intranqüilidade que se apos- sara da maioria da oficialidade, não só do Exército quanto das demais Forças após o Comício da Central (realizado em frente ao prédio que abrigava o então Ministério do Exército, no Rio de Janeiro, à época capital federal), em 13 daquele mês, expedia Circular que viria a ser o estopim para a eclosão da Contra-Revolução de 31 de Março da- quele ano. No texto, vazado de forma come- dida e respeitosa, lembrava que os meios militares nacionais e permanen- tes não são propriamente para defen- der programas de Governo, muito me- nos a sua propaganda, mas para garantir os po- deres constitucionais, o seu funcionamento, e a aplicação da lei. E, em outro trecho, assinalava que: Não sen- do milícia, as Forças Ar- madas não são armas pa- ra empreendimentos an- tidemocráticos. Desti- nam-se a garantir os po- deres constitucionais e a sua coexistência. Em outro mais: En- trarem as Forças Arma- das numa revolução para entregar o Brasil a um grupo que quer domina- lo para mandar e des- mandar e mesmo para gozar o poder? ... Isto sim, é que seria antipátria, an- tinação e antipovo. E para não serem antipátria, an- tinação e antipovo, do seio das Forças Armadas, vieram os governos milita- res. Dos sucessos econômicos, da mo- ralização da vida pública, dos exem- plos de honestidade e firmeza de pro- pósitos dos governantes de então, hoje, nada se fala. Da mesma forma que não se fala no êxito do combate à comuni- zação do Brasil. Passaram-se os anos... Um governo legalmente eleito assume o poder. Sua principal carac- terística? Ser de esquerda e abrigar em seus quadros militantes das mais diversas extrações, dos moderados aos extremistas e estes últimos, à sorrel- fa, sem alarde, vão assumindo os pos- tos governamentais mais elevados. Hoje, parcela considerável dos minis- tros é constituída por terroristas anis- tiados ou militantes de partidos es- q u e r d i s t a s. Os “movimentos sociais” têm, hoje, uma força e uma influência que não conheceram no passado; as ONGs, inclusive aquelas que obedecem a dire- trizes externas, tem vez e voto nas de- cisões governamentais; a violência, em boa parte fruto das limitações impos- tas aos órgãos de segurança pelas idéi- as “politicamente corretas”, impera nos grandes centros e espraia-se para o in- FORÇAS ARMADAS, ONTEM E HOJE terior; o consumo de drogas atinge ní- veis elevados e “orientações sexuais” heterodoxas são incentivadas e apon- tadas aos jovens como normais. Como se não bastasse, o Brasil torna-se refú- gio seguro para esquerdistas de todos os matizes e origens, em especial aque- les cujos atos foram caracterizados pela violência. Em contrapartida, cu- banos que aqui buscam refúgio, traba- lho e liberdade, são prontamente extra- ditados para seu país de origem. Como chegamos a tal ponto? Hoje, carecemos, verdade seja dita, de líderes políticos íntegros e respeitáveis; de políticos prontos a denunciar os erros e os abusos dos governantes e, também, de uma im- prensa que ecoe suas palavras. As- sim, na ausência total do contraditó- rio, o discurso da esquerda passou a imperar. Os governos militares, malgrado terem elevado o Brasil à situação de 8ª economia do mundo, nem são con- siderados e, aqueles que arriscaram suas vidas e as de seus comandados no combate à subversão comunista, são estigmatizados como bandidos cru- éis. Os derrotados de ontem, são os vitoriosos de hoje. E, estranhamente, os atuais che- fes militares, nem mesmo no âmbito de suas Forças, falam do passado, dos exemplos de serenidade e de grandeza cívica que nos legaram homens como Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, da mesma forma que não movem uma palha em defesa dos que arrostaram todos os riscos no combate ao comunismo. Há que reconhecer que as Forças Armadas permitiram, desde a chamada “redemocratização”, o progressivo, len- to e insidioso desenvolvimento de po- líticas governamentais que buscavam e conseguiram afasta-las dos centros de decisão. Urge que elas voltem a ter vez e voz, não para se assenhorearem do poder, como tantos receiam, mas para fazer ver a todos que, se o Brasil almeja tornar-se potência, há que tê-las fortes e íntegras, imunes aos conchavos pa- lacianos, orgulhosas do seu passado e das suas melhores e mais sadias tradi- ções, hauridas de um passado que nun- ca poderá ser apagado. *Coronel Reformado * Osmar José de Barros Ribeiro Comício da Central do Brasil a 13 de março de 1964 no. E o Brasil viveu em paz por 30 anos, elegendo presidentes, descobrindo es- cândalos de corrupção, ganhando co- pas do mundo. Até que a dupla Tarso Genro, ministro da Justiça, e seu se- cretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, resolveram desenterrar o passado para se vingar de supostos algozes de seus companheiros de es- querda revolucionária. Criaram um ór- gão para isso. Puseram tudo num de- creto, e passaram para o Gabinete Civil, da Ministra Dilma. De lá, o calhamaço foi para a assinatura do presidente Lula, envolvido, na Dinamarca, com a em- pulhação do “aque- cimento global”. Lula alega que assi- nou sem ver. E eu fico curioso por saber se a assinatura tem valor, porque aqui no Brasil havia um presidente em exercício, José Alencar. O ministro Nélson Jobim, sur- preendido com a uni- lateralidade do de- creto, pediu demis- são. E os três comandantes militares se solidarizaram com o ministro. Até que se revolva o impasse, está no ar a pri- meira crise militar do governo Lula. O decreto cria um órgão para estudar a revogação da pacificadora Lei de Anis- tia. Orienta a punição dos torturado- res mas não dos sequestradores, as- sassinos e terroristas. Preserva, as- sim, soldados da guerra revolucionária como os ministros Dilma, Franklin e Minc. E vai atrás de coronéis da reser- va. Baseia-se na Constituição, que con- sidera tortura crime imprescritível; omi- te que terrorismo também é impres- critível, pela Constituição. E esquece o princípio de Direito pelo qual a lei só retroage para beneficiar o réu, não para condená-lo. A Lei de Anistia é de 1979 e a Constituição de 1988. Por que agitar um país pacificado? VINGANÇA OU MALUQUICE MESMO? (Publicada no Jornal do Paraná - 05/01/2010) *Jornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.brornalista-alexgar@terra.com.br Com o objetivo de elaborar uma reforma agrária em seu aspecto geral e planificar regional e nacionalmente a sua política e execução, o Governo Goulart criou, em outubro de 1962, a SUPRA – Superintendência da Reforma Agrária. Mas a reforma agrária desejada pelo PCB – Partido Comunista Bra- sileiro era radical e começara a se esboçar no I Congresso dos Lavradores e Camponeses sem Terra, ocorrido em novembro, em Belo Horizonte, no qual Francisco Julião despontou como líder, com a proposta de expropriação imediata de grandes propriedades. A sua postura radical esbarrava na atitude moderada da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB). A partir desse I Congresso, o PCB assumiu a palavra de ordem – “reforma agrária na lei ou na marra”. NR = Qualquer semelhança com o MST não é mera coincidência. A REFORMA AGRÁRIA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Hélio Silva, 1964. Golpe ou Contragolpe? Civilização Brasileira, 1975 – pág 459 4
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    5Nº 276 -31 de Março/2020 ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO “Alertamos o povo – nós, almi- rantes, comandantes e oficiais da Ma- rinha – para o golpe aplicado contra a disciplina na Marinha, ao admitir-se que minoria insignificante de subalter- nos imponha a demissão de Ministros e autoridades navais e se atreva a in- dicar substitutos. Em lugar de promo- ver-se a devida punição disciplinar, li- cenciam-se marinheiros amotinados que não representam absolutamente os dignos suboficiais, sargentos, mari- nheiros, fuzileiros, que em compacta maioria continuaram e continuam fiéis MANIFESTO O ALMIRANTE Cândido Aragão volta ao Comando- Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, carregado em triunfo nos ombros dos marujos vitoriosos À Nação, ao Congresso Nacional, às Assembléias, aos governadores, aos chefes militares e a todos os cidadãos: O Estado de São Paulo - 22 de março de 1964 5 DE ABRIL DE 1964 NUM. 27.286 DIRETOR REDATOR-CHEFE: MARCELINO RITTER DOS ALMIRANTES ao seu juramento de discipli- na e de dedicação à Marinha. O que êste golpe representa de ameaça a tôdas as insti- tuições do País está patente, na forma e na essência, e só nos resta alertar a Nação pa- ra que se defenda, enquanto estão de pé as instituições e os cidadãos dignos da liber- dade e da Pátria. Continua- mos unidos e dispostos a re- sistir por todos os meios ao nosso alcance às tentativas de comunicação do País. Os amotinados que se abrigaram na sede do Sindi- cato dos Metalúrgicos in- fringiram rudemente o Có- digo Penal Militar, cometen- do, portanto, crimes e não apenas transgressões disciplinares. Três crimes estão explicitamente capi- tulados nos seguintes artigos do Códi- go citado: 130, motim e revolta, títulos 1 e 2; 133 e 134, aliciação e incitamen- to; e 141, insubordinação. Tendo co- metido crimes, os amotinados não po- deriam ser postos em liberdade, anisti- ados ou o que seja pelo Presidente da República. Teriam de ser submetidos a Conselho de Justiça, que ou condena- ria ou absolveria. Pelo quê, o ato do Presidente da República foi inequivo- camente abusivo e ilegal”. “Dezenas de automóveis trafegaram pelo centro da cidade, tocando suas businas, em sinal de alegria pela vitória da democracia em todo o País. As estações de rádio e televisão, que estavam sob cen- sura, iniciaram suas transmissões normais, pouco depois das 17 horas. Os contingentes de fuzileiros navais que ocupavam as redações de al- guns jornais, foram recolhidos aos quartéis. Por volta das 17,15, o Forte de Copacabana anunciava, com uma salva de canhão, a aproximação das tropas do general Amauri Kruel, que atingiria o Estado da Guanabara às últimas horas da noite de on- tem. A população de Copacabana saiu ás ruas, em verdadeiro Carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das ja- nelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu con- tentamento. (...)” CARNAVAL EM COPACABANA O Dia, 2 de abril de 1964. 5
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    6Nº 276 -31 de Março/2020 ...Com a presença de numerosas figuras representativas da vida políti- ca, social e administrativa do Estado, o governador Magalhães Pinto dirigiu, ontem, à noite, diretamente do Palácio da Liberdade, através de uma cadeia nacional de emissoras de rádio e tele- visão, um vibrante manifesto ao país, no qual analisa a atual conjuntura po- lítica. Ao lado do governador se en- contravam o vice-governador Clóvis Salgado, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Alcides Pereira, os secretários de Estado Ro- berto Rezende, Aureliano Chaves, Lú- cio de Souza Cruz, Celso Mello Azeve- do, o Comandante Geral da Polícia Mi- litar que se fazia acompanhar de gran- de número de oficiais, além de deputa- MINAS ESTÁ UNIDA CONTRA O GOLPE PRONUNCIAMENTO DO GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO dos estaduais integrantes da bancada da UDN e do PSP. O Salão Nobre do Palácio da Liberdade estava literalmen- te lotado por grande número de auto- ridades administrativas de Minas além de pessoas gradas que acorreram à se- de do governo, a fim de ouvir o pro- nunciamento do chefe do Executivo, que foi entrecortado de aplausos em vários dos seus trechos principais. Es- ses aplausos e os cumprimentos rece- bidos pelo sr. Magalhães Pinto, du- rante e após o seu pronunciamento, revelam, sem dúvida nenhuma, a fide- lidade com que o chefe do governo in- terpretou o pensamento de Minas, dis- posta à luta em defesa das instituições livres e contra o golpe de Estado. Desembargador José Alcides Pereira, os secretários de Estado Roberto Rezende, Aureliano Chaves, Lúcio de Souza Cruz, o comandante Geral da Polícia Militar, Cel José Geraldo Estado de Minas, 21 de março de 1964 Foto: Acervo Jornal Estado de Minas Inteiramente solidária, desde a primeira hora, com a posição assumida pelo Governador Magalhães Pinto, contra a tentativa do presidente João Goulart de implantar no País, um regime comunista, a Assembléia Legislativa aprovou ontem, por unanimidade, um manifesto dirigido ao Estado e à Nação, no qual acentua que “Minas Gerais é pela paz, sem sacrifício das liberdades pú- blicas, pela paz, sem desrespeito à ordem Constitucional, pela paz contra o comunismo dissolvente”. Coube aos deputados pessedistas Hugo Aguiar e Murilo Badaró a ins- piração e redação do importante documento. No encaminhamento da vota- ção falaram os deputados Expedito de Faria Tavares, pela UDN, Manoel Cos- ta, pelo PSD, Mario Hugo Ladeira, pelo PR, Navarro Vieira pelo PRP, Pinto Coelho pelo PL, e Valdomiro Lobo pelo PTB. Públicado no Estado de Minas, 02 de abril de 1964 MINAS É DEMOCRÁTICA E REPUDIA OS PROCESSOS DE COMUNIZAÇÃO MANIFESTO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA Faz mais de dois anos que os inimigos da Ordem e da Democracia, es- cudados na impunidade que lhes assegura o Sr Chefe do Poder Execu- tivo, vêm desrespeitando as instituições, enxovalhando as Fôrças Armadas, diluindo nas autoridades públicas o respeito que lhes é devido em qualquer nação civilizada, e, ainda, lançando o povo em áspero e terrível clima de mêdo e desespêro. Organizações espúrias de sindicalismo político, manobradas por inimi- gos do Brasil, confessadamente comunistas, tanto mais audaciosos quanto estimulados pelo Senhor Presidente da República, procuram infundir em todos os espíritos a certeza de que falam em nome do operariado brasileiro, quando é certo que falam em nome de um Estado estrangeiro, a cujos in- terêsses imperialistas estão ser- vindo em criminosa atividade sub- versiva, para traírem a Pátria Brasileira, tão generosa e cava- lheiresca. E o atual Govêrno, a cujos projetos que negam a soberania do Brasil vêm servindo essas or- ganizações, dá-lhes apôio ofi- cial ou oficiosamente, conceden- do-lhes até mesmo a faculdade de nomear e demitir ministros, generais e altos funcionários, objetivando, assim, por conhe- cido processo, a desfazer as ins- tituições democráticas e insti- tuir, aberrantemente, o totalitarismo, que nega a Federação, a República, a Ordem Jurídica e até mesmo o progresso social. Tentaram revoltar o disciplinado e patriótico “Círculo de Sargentos”, e recentemente, essas organizações e êsse Govêrno tudo fizeram para des- moralizar e humilhar a Marinha de Guerra do Brasil, na mais debochada e despudorada ofensa à sua disciplina e hierarquia, que nela devem predomi- nar. O Povo, Governo Estaduais e Fôrças Armadas, animados de fervoroso sentimento patriótico, repelem êsse processo de aviltamento das fôrças vi- vas da Nação, tão bem concebido e caprichosamente executado pelo Sr Pre- sidente da República, o qual, divorciado dos preceitos constitucionais, ne- gando solene juramento, pretende transformar o Brasil, de Nação soberana que é, em um ajuntamento de sub-homens, que se submetam a seus planos ditatoriais. Na certeza de que o Chefe do Govêrno está a executar uma das etapas do processo de aniquilamento das liberdades cívicas, as Fôrças Armadas, e, em nome delas, o seu mais humilde soldado, o que subscreve este manifesto, não podem silenciar diante de tal crime, sob pena de com êle se tornarem coniventes. Eis o motivo pelo qual conclamamos a todos os brasileiros e militares esclarecidos para que, unidos conosco, venham ajudar-nos a restaurar, no Brasil, o domínio da Constituição e o predomínio da boa-fé no seu cumpri- mento. O Sr Presidente da República, que ostensivamente se nega a cumprir seus deveres constitucionais, tornando-se, êle mesmo, chefe de governo co- munista, não merece ser havido como guardião da Lei Magna, e, portanto, há de ser afastado do Poder de que abusa, para de acôrdo com a Lei, operar- se a sua sucessão, mantida a Ordem Jurídica. Gen Div OLYMPIO MOURÃO FILHO - Comandante da 4ªRM e 4ª DI Juiz de Fora, 31 de março de 1964. À NAÇÃO E ÀS FÔRÇAS ARMADAS! PROCLAMAÇÃO OII Exército, sob meu comando, co- eso e disciplinado, unido em torno de seu chefe, acaba de assumir atitude de grave responsabilidade com o obje- tivo de salvar a Pátria em perigo, livran- do-se do jugo vermelho. É que se tornou por demais eviden- te a atuação acelerada do Partido Comu- nista para a posse do Poder, partido ago- ra, mais do que nunca, apoiado, por bra- sileiros mal avisados que nem têm cons- ciência do mal que se está gerando. A recente crise surgida na Marinha de Guerra, que se manifestou através de MANIFESTO DO COMANDANTE DO II EXÉRCITO um motim de marinheiros e contou com a conivência de almirantes nítidamente de es- querda e a complacência de elementos do govêrno fede- ral, à qual se justapôs a intro- missão indébita de elementos estranhos para a solução de problemas internos daquela Fôrça Arma- da, permitiu ficasse bem definido o grau de infiltração comunista no meio militar. O intenso trabalho do Partido Co- munista no seio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, desenvolvido princi- palmente no círculo das praças e objetivando induzí- lasàindisciplina,trazemseu bojo um princípio de divisão de fôrças que reflete no en- fraquecimento do seu poder reparador, na garantia das instituições. A atitude assumida pelo II Exército está con- substânciada na reafirmação dos prin- cípios democráticos prescritos pela Constituição vigente, inteiramente des- pida de qualquer caráter político-parti- dário, visa exclusivamente a neutrali- zar a ação comunista que se infiltrou em alguns órgãos governamentais e principalmente nas direções sindicais, com o único propósito de assalto ao Poder. O II Exército, ao dar o passo de extrema responsabilidade, para a sal- vação da Pátria, manter-se-á fiel à Cons- tituição e tudo fará no sentido da manu- tenção dos poderes constituídos, da ordem e da tranquilidade. Sua luta será contra os comunistas e seu objetivo será o de romper o cêrco do comunis- mo, que ora compromete a autoridade do govêrno da República. General de Exército Amaury Kruel Comandante do II Exército. A 31 de Março de 1964, o general-de-Exército Amaury Kruel, coman- dante do II Exército lançou o seguinte manifesto: 6
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    7Nº 276 -31 de Março/2020 1 - Alberto Deodato Maia Bar- reto – Advogado. Jornalista. Profes- sor da Fac. de Direito da UFMG. 2 - Aluísio Aragão Villar – Advogado. 3 - Aníbal Teixeira Sousa – Advoga- do. 4 - Angelo Scavazza – Gerente da Sul América Cia. de Seguros. 5 - Au- gusto de Lima Neto – Industrial. Dir. da Cia. Telefônica de Minas Gerais. 6 - Antônio Joaquim Corrêra da Cos- ta – General Reformado. 7 - Bento Romeiro – Advogado. Delegado Au- xiliar aposentado. 8 - Bráulio Car- salade Villela – Advogado. Alto Fun- cionário da Cia. Siderúrgica Belgo- PRINCIPAISCOLABORADORES DO MOVIMENTO (Pág. 152) Mineira. 9 - Célio Andrade – Médico. Diretor-Clínico do Hospital Felício Roxo. 10 - Délzio Bicalho – Médico. 11 - Dênio Moreira – Advogado. Jornalista, Radialista, Deputado. 12 - Emílio Montenegro Filho – Cel. Avi- ador Reformado. 13 - Elcino Lopes Bragança – General Reformado. 14 - Evaristo de Paula – Médico. Fazen- deiro. 15 - Francisco Floriano de Paula – Advogado. Prof. Faculdade de Direito. 16 - Gabriel Bernardes Filho – Advogado. Fazendeiro. Di- retor da Cia. Força e Luz de Minas Gerais. 17 - Geraldo Jacinto Ve- loso – Agente Fiscal do Imposto Adua- neiro em Belo Horizonte. 18 - Hei- tor Picchioni – Corretor de Fundos Públicos. 19 - Hélio Pentagna Gui- marães – Industrial. Diretor da Magnesita. 20 - João Botelho – Sa- cerdote. 21 - João Manoel Faria – General Reformado 22 - João Tor- res Pereira – General Reformado. 23 - João Romeiro – Advogado. Juiz da Justiça Militar de Minas Ge- rais. 24 - José Cândido de Castro – Sacerdote Jesuíta. 25 - José Lopes Bragança – General reformado. 26 - José Resende de Andrade – Advo- gado. Del. de Polícia. 27 - José Luís Andrade – Corretor de Títulos. Ge- rente do Fundo Crescinco em Minas Gerais. 28 - José Meira Júnior – Coronel da Polícia Militar. 29 - Jo- safá Macedo – Médico. Fazendeiro. Presidente da Farem.30 - José Ma- ria Alkmin – Advogado. Deputado Federal. Ex-Vice-Presidente da Re- pública. 31 - José Oswaldo Campos do Amaral – Cel. Reformado da PM. 32 - Luís Gonzaga Fortini – Médi- co. Assistente da Fac. de Medicina da UFMG – Industrial, Diretor-Pre- sidente da LAFERSA. 33 - Luís Pin- to Coelho – Arquiteto. Comercian- te. Ex-Presidente do Rotary. 34 - Maurílio Augusto Fleury Curado Júnior – General Reformado. 35 - Nelson Felício dos Santos – Gene- ral Reformado. 36 - Olavo Amaro da Silveira – General Reformado. 37 - Orlando Vaz Filho – Advoga- do. Ex-líder Estudantil. 38 - Paulo de Sousa Lima – Médico. Fazendei- ro. Ruralista. 39 - Raimundo Silva de Assis – Advogado. Industrial. Técnico em Previdência Social. 40 - Rúbio Ferreira de Sousa – Advo- gado. Titular de Cartório. 41 - Ruy de Castro Magalhães – Advogado. Presidente do Banco Comércio In- dústria de Minas Gerais. Ex-Presi- dente do Sindicato dos Bancos. 42 - Vicente Moura – Jornalista e Fun- cionário Público Estadual. Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade, em BH (Página 160) Cel Valle, Gen Bragança, Gen Guedes, Cel PM José Geraldo, Major Clementino, Padre Caio e o Arcebispo D. Sigaud No auditório da TV Itacolomy, na instalação da "Cadeia da Liberdade", em abril de 1964. Em pé: Sarg. Pedro Dorival de Melo, Sarg. José Della Sávia Filho, José Lamartine Godoy, Cap. Euryalo Romero, Cap. Vitral Monteiro, Ten.Cel. Hélio Fonseca Viana, Maj. Joaquim Clemente, Maj. Elson Correa da Fonseca e Ten. Jofre Lacerda. Sentados: Augusto de Lima Neto, Cel. José Geraldo, Gen. Guedes, Gen. Mourão Filho, Gen. Odylio Denys, José Maria Alkmin, Oswaldo Pieruccetti e Clóvis Salgado. (Página 161) Rio de Janeiro - Quarta-feira, 1 de abril de 1964 OCruzeiroExtra-10/04/64 AAssociação Comercial de Minas através de seu Presidente, Sr. Miguel A. Gonçalves de Souza e de seus diretores, acompanhou desde o início, atentamen- te, o desenrolar dos últimos acontecimentos verificados no país e que tiveram por objetivo restaurar a ordem, a disciplina e os princípios democráticos, cris- tãos e ocidentalistas do povo brasileiro, pondo fim ao processo subversivo e desagregador que se desenvolvia, rapidamente, a serviço de ideologias impor- tadas que vinham infelicitando o Brasil. Ao irromper o movimento cívico-militar em Minas Gerais, liderado pelo governador José Magalhães Pinto e generais Olímpio Mourão Filho e Carlos Luiz Guedes, a Associação Comercial de Minas e a Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais imediatamente se solidarizaram e aplaudiram a atuação brava e patriótica do Chefe do Executivo Mineiro e dos comandantes da IV Região Militar e da Divisão de Infantaria sediada nesta capital, bem como do comandante da Polícia Militar de Minas Gerais e dos secretários de Estado que participaram mais ativamente das ações. CONGRATULA-SE A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE MINAS COM AS FORÇAS ARMADAS ARTICULADOR e iniciador do mo- vimento que culminou com o afas- tamento do Presidente. João Goulart, o Governador Magalhães Pinto foi acla- mado em Minas como o grande herói da insurreição vitoriosa e calorosa- mente festejada em todo o Estado. Contando com a decidida colabo- ração das tropas do Exército sediadas em Minas, além dos 18 mil homens da Fôrça Pública do Estado e de total apoio popu- lar,oGovernadorMa- galhães Pinto iniciou a história arrancada pelas liberdades de- mocráticascomumvi- goroso manifesto, em que afirmou terem sido inúteis tôdas as advertências contra a radicalização de po- sições e atitudes e contra a diluição do princípio federativo. A eficiente articulação empreen- dida, que garantiu a adesão de elemen- tos decisivos, e a rapidez e ação foram preciosos para a fulminante vitória das fôrças democráticas. Durante todo o desenrolar da crise, o Sr. Magalhães Pinto permaneceu no Palácio da Liberdade, cercado pelo seu MAGALHÃES, O HERÓI DA REVOLUÇÃO Reportagem de Oswaldo Amorim, Luiz Alfredo e José Nicolau “staff” e em permanente contato com os GeneraisCarlosLuísGuedes.Comandan- te da ID-4 (sediada em Belo Horizonte) e Olímpio Mourão Filho, Comandante da 4.ªRegiãoMilitar(JuizdeFora)efazendo ligações para outros chefes militares e vários Governadores de Estado. Somen- te saiu, no dia 1.º, para visitar os quartéis do 12.º RI e da Polícia Militar, o Destacamen- to de Base Aérea (úni- co núcleo rebelado da FAB) e o Centro de Re- crutamento de Volun- tários, acompanhados do Cel. José Geraldo de Oliveira, comandan- te da Polícia Militar, Cel. José Guilherme, chefe do Gabinete Mi- litar (ambos foram pe- ças importantes do movimente que eclo- diu em Minas e se alas- trou no País) e dos Se- nadores Milton Campos e Afonso Ari- nos — nomeados secretários sem Pas- ta do govêrno mineiro. A vitória final, vibrantemente fes- tejada pelo povo de Minas, teve no tran- qüilo e decidido Governador Magalhães Pinto o seu grande comandante e maior alvo das manifestações populares em todo o País. O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964 ANÚNCIO DA VITÓRIA FÊZ POVO VIBRAR EM MINAS Estado de Minas, 05/04/64 O Coronel Aviador Afrânio Aguiar, Comandante da Base Aérea de Belo Horizonte, único núcleo da FAB a se rebelar no país, recebe a visita do governador mineiro, Magalhães Pinto 7
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    8Nº 276 -31 de Março/2020 DEPOIMENTOS SOBRE 31 DE MARÇO DE 1964 Minas Gerais, como sempre ao longo de sua história, fez-se presente ao Movimento Cívico-Militar, pelo seu povo e pelas suas autoridades, à frente o Governador Magalhães Pinto, com a decisiva lealdade de nossa brava e disci- plinada Polícia Militar, sob o comando do Cel José Geraldo e com a fundamental participação do Exército Brasileiro, nas pessoas dos Generais Olympio Mourão Filho e Carlos Luis Guedes, Comandantes da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora e ID/4-Infantaria Divisionária, em Belo Horizonte, tendo ao lado o des- tacamento local da Força Aérea Brasileira. Para relembrar e cultuar a data his- tórica, colhemos depoimentos daqueles que participaram do Movimento, sendo que alguns foram prestados há bastante tempo. À frente do meu 10º BI, se- diado em Montes Claros, integrei, como vanguarda, a primeira força revolucionária a pisar o solo de Brasília, vibrante de fé patriótica. Se o preço então a pagar pa- ra varrer de minha Pátria o comu- nismo que tentara tomar o poder fosse minha pobre vida, de muito bom grado te-lo-ia pago. A Contra-Revolução de 31 de março foi um ato da Pátria, pela Pátria e para a Pátria. Quando ela ressurgir nes- ses moldes, novamente marcharei. Minhas botas continuam engraxadas. (Depoimento prestado em 20/03/2002) GENGENGENGENGEN ANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICYANTÔNIO CARLOS DA SILVA MURICY Chegando ao Rio, as tropas mineiras alojaram-se no Maracanã, onde Mourão recebeu a visita de Magalhães Pinto, de Alkmim, Pierucetti e do General Muricy Cel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZACel PM GEORGINO JORGE DE SOUZA Cel José Geraldo, Generais Guedes e Mourão e Cel Georgino - Abril/64 Servindo no 10º RI em Juiz de Fo- ra, integrei a vanguarda do Destaca- mento Tiradentes em sua marcha vito- riosa para o Rio de Janeiro. Naquela ocasião, conseguimos, respaldados pelo povo, afastar mais uma vez, o perigo comunista de nosso país. Por que o brasileiro é averso ao comunismo? Porque é livre por natureza e te- mente a Deus, e contrário ao regime que a URSS, a China e alguns países impuseram a seus povos, através de um Partido que usufrui das vantagens do poder, esmagando-os e escravizan- do-os em nome de uma ideologia per- versa. Valeu 31 de março? Sim, com cer- teza. O Brasil desenvolveu-se como nunca nos governos revolucionários, projetando-se no cenário mundial. Quei- ram ou não, é um fato! Neste momento difícil em que vi- vemos, sob nova ameaça marxista que busca aceleradamente a tomada do po- der, que o espírito que nos norteou em 1964 inspire o povo e suas Forças Ar- madas a novos “31 de março”, para os quais estarei pronto a participar. CELCELCELCELCEL REYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHAREYNALDO DE BIASI SILVA ROCHA A reação à comunização do país veio do povo. Amulherbrasileira agiu com energia e coragem. Em Per- nambuco, a Cruza- daDemocráticaFe- minina enfrentou a polícia de Arraes e fez um congresso num estádio à luz de velas. Em Belo Horizonte, as minei- ras fizeram correr e embarcar, precipita- damente, o agitador Brizola. Em São Paulo, as mulheres foram às ruas em imensa passeata de milhares de pessoas, na célebre “Marcha da Fa- mília com Deus pela Liberdade”. Em 31 de março de 1964, o Povo Brasileiro, dando vazão aos seus sen- timentos profundamente democráticos, com sua alma densamente cristã e com o patriotismo que sempre o caracteri- zou, convocou suas Forças Armadas para ajudá-lo a reconduzir a Nação à estrada democrática de que a tinham desviado. “A Marinha do Brasil, dentro da missão que lhe é atribuída pela Carta Magna, tem por dever zelar pela lei, pela ordem e pela defesa das institui- ções. Vinha o Clube Naval mantendo silêncio na intenção de não agravar mais ainda o conturbado panorama po- lítico-social do País. Os últimos acontecimentos, po- rém mostraram que a Marinha, como instituição militar, foi inteiramente aba- lada em seus próprios fundamentos. Um ato de indisciplina, pra- ticado por um grupo de milita- res, foi acobertado pela au- toridade constituída, destru- indo o princípio da hierar- quia, fundamental em qual- quer Organização, principal- mente as militares. Êsses lamentáveis acon- tecimentos foram o resultado de um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo já identificado pela Nação brasileira como interessado na subversão geral do País, com caracte- rísticas nitidamente comunistas. O fato de a Associação de Subofi- ciais e Sargentos da Marinha e do Clu- be Humaitá terem-se manifestado con- trariamente a êsses episódios demons- tra quem a Marinha, em sua expressiva maioria com seu pessoal subalterno, continua trilhando as tradições de bem servir à Pátria. Demonstra também que, contrariamente ao que querem fazer crer os agentes desagregadores, a Marinha não possui classes ou castas. Trabalha para cumprir sua missão como um todo, com seu pessoal distribuído por postos e graduações, que vão de grumete a al- mirante, com fundamento na hierarquia, base da organização militar. Os elementos que se indiscipli- naram, dentro de tática facilmente re- conhecível, apresentaram reivindica- ções, algumas justas e outras absur- das, como se êsses problemas pudes- sem ser resolvidos, numa corporação militar, desta maneira. É de se notar que OS MANIFESTOS DA CRISE MANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITARMANIFESTO DO CLUBE MILITAR “O Clube Militar, diante dos acon- tecimentos lamentáveis registrados an- teontem no Sindicato dos Me- talúrgicos, onde marinhei- ros e fuzileiros, insidiosa- mente doutrinados pelos chefes sindicalistas a servi- ço de Moscou, se homizia- ram e deram mostras de in- disciplina e revolta, declara- se solidário com a Marinha de Guerra de Tamandaré, Barroso, Ba- tista das Neves, Greenhalgh e Marcílio Dias, na sua justa e intrépida reação e repressão aos amotinados. É preciso que a Nação brasileira se recorde dos feitos heróicos da nossa Ma- rinha e do que ela é capaz de praticar em prol da Pátria, para ter confiança e tranqüilidade, certa de que os homens de valor dessa nobre Fôrça Armada saberão recon- duzi-la ao rumo da retidão e de glórias, tão bem registrado em nossa História. Formando ao lado e unido ao Clube Naval, no pensamento de ordem e respeito ao regime e à Constitui- ção, o Clube Militar não medirá sacrifíci- os no sentido de concorrer para o res- tabelecimento da disciplina e do acata- mento às autoridades e às instituições”. MANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVALMANIFESTO DO CLUBE NAVAL muitas das reclamações expostas têm sido há anos consideradas, sendo a Ma- rinha a pioneira da Assistência Social nas Fôrças Armadas. Deve ser esclarecido, outrossim, que na Marinha do Brasil, seus subal- ternos têm tratamento igual ou superi- or ao de qualquer outra Marinha. Seus homens são recrutados, em geral, nas zonas subdesenvolvidas do País. A Marinha os transforma em téc- nicos especializados, úteis não só a ela como a eles mesmos e ao País, propor- cionando-lhes inclusive a possi- bilidade de alcançarem o ofi- cialato e até mesmo o Al- mirantado. Vem assim o Clube Na- val,interpretandoosentimen- to unânime dos seus associa- dos, comunicar à Nação que: a) A indisciplina foi co- ordenada e dirigida por elementos totalmente estranhos à Marinha. b) O acobertamento dessa in-dis- ciplina, violentando o princípio da au- toridade, dificultou e, possivelmente, impedirá o seu exercício através de tôda a cadeia hierárquica a bordo dos navios, nos quartéis e estabelecimen- tos navais. E o mais lamentável é que a pala- vra do Govêrno empenhada ao Minis- tro da Marinha, no sentido de punir a insubordinação, não foi cumprida. Pouco depois, a punição de to- dos os sublevados foi relevada e o prin- cípio da autoridade mutilado. O grave acontecimento que ora envolve a Marinha de Guerra, ferindo- a na sua estrutura, abalando a discipli- na, não pode ser situado apenas no setor naval. É um acontecimento de repercussão nas Fôrças Armadas e a êle o Exército e a Aeronáutica não po- dem ficar indiferentes. Caracteriza-se, claramente, a infiltração de agentes da subversão na estrutura das Fôrças Armadas. O perigo que isto representa para as instituições e para o Brasil não pode ser subestimado”. De 1967 a 1970, como sargento da PMMG, no comando de uma patrulha volante constantemente envolvia-me em combate direto armado com militantes de esquerda, treinados em guerrilha urbana, que praticavam assaltos a agências bancárias, seqüestros de autoridades e atos de terrorismo. Para que os mais jovens possam conhecer a história do Movimento de 1964 e a participação das Forças Armadas Brasileiras no evento revolucionário, concito os políticos que se beneficiaram diretamente da Revolução a sair em defesa delas, dizendo que estavam certas ao não permitir que o comunismo se instalasse em nosso país. Digam que o muro de Berlim já foi implodido e que o comunismo de tão pobre e utópico foi varrido do Leste Europeu e extinto na própria Rússia, o seu berço natal. O Marechal Augusto Magessi, Presidente do Clube Militar, lançou ao País o seguinte Manifesto: DEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULADEPOIMENTO DO LULA "Naquela época, se houvesse eleições o Médici ganhava. E foi no auge da repressão política mesmo, o que a gente chama do período mais duro do regime militar. A popularidade do Médici no meio da classe trabalhadora era muito grande. Ora por quê? Porque era uma época de pleno emprego". Luiz Inácio Lula da Silva (Depoimento a Ronaldo Costa Couto, in Memória viva do regime militar) O CRUZEIRO, 18 DE ABRIL DE 1964 MAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTAMAJ PM MÁRIO ESTEVAM MARQUES MURTA 8
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    9Nº 276 -31 de Março/2020 RECONSTITUINDO A HISTÓRIA DO BRASIL ....No começo do ano passado, em Santa Tereza, Espírito Santo, todos dis- semos ao chefe do Executivo minei- ro:.... “Os nossos adversários do mar- xismo são peritos nesse tipo de ação direta revolucionária”.... ... “Tenha a segurança de que as provocações das esquerdas avermelha- das cairão, em primeiro lugar, sôbre Minas Gerais....” ... “Estão planejados, pelo coman- dante Prestes, os choques do lança- mento de vanguardas cubanas no ter- ritório montanhês....” “...Os nosso rapazes de Belo Horizon- te e de Juiz de Fora se acham dispostos a aceitar o seu quinhão de responsabilida- des no entrevero que se aproxima...” ... “Venha tranquilo para topar o encontro marcado pelos marxistas- lenineanos com Minas, que êles consi- deram o nó de estrangulamento da de- TODO O PODER AO GLORIOSO EXÉRCITO DO BRASIL * Assis Chateaubriand mocracia no Brasil.” “Verá como se enganam o presiden- te e sua guarda escarlate.” “Pomos à sua disposição os instru- mentos de preparação da mentalidade pró-Brasil e, “ipso facio”, anti-Castro.” “Temos um esquema, já feito, para ser montado, de luta “callejera” contra decretos do governo, que se encon- tram em febril elaboração.”... ... “É que a opinião mineira anda longe de participar da pregação dema- gógica das esquerdas.” “Ela é nossa toda nossa”. “O que se torna preciso é enquadrá- la no dispositivo de reação contra o fan- tasma de papelão do binômio Goulart- Prestes.” “Isto é a introdução do movimento de Cuba num segundo ponto do hemis- fério.” O General José Lopes Bragança, cujo irmão foi assassinado pelos comunistas, (liderados pelo ex-Capitão Luiz Carlos Prestes, no Campo dos Afonsos/RJ), na Intentona de 1935, instalou o Quartel General do Voluntariado no Grupo Escolar Pandiá Calógeras, em Belo Horizonte. Os voluntários chegaram pouco antes da meia- noite da terça-feira e 16 horas mais tarde o seu número era de 10 mil. (Manchete, abril de 1964 - Edição Histórica) MINAS GERAIS NA VANGUARDA * Fundador e Presidente dos "Diários Associados" UM MILHÃO NAS RUAS ...A passeata de repúdio do po- vo de São Paulo, idealizada e concre- tizada em pouco menos de 72 horas, levou às ruas um milhão de cidadãos, quequeremumapátrialivreparalivre- menteprogredire viver.Ummilhãode corações que pulsaram intensamen- te, a fim de que o país não seja sub- jugado espezinhado por um poder central que pretende “cubanizar” o povo, que não aceita, ainda que a custa do seu próprio sangue, qual- quer espécie de ditadura, qualquer idéia de “bolchevização”.... Estado de Minas, 20 de março de 1964 POVO DEVE ESTAR UNIDO PARA A DEFESA DA LIBERDADE São Paulo repudia idéias totalitárias e subversivas. Estudantes da Universidade Mackenzie, empunhando bandeiras do Brasil, de São Paulo e da sua faculdade, atravessaram o centro da cidade em ruidosa passeata, rumo à sede do IIº Exército, onde aplaudiram os soldados em prontidão (Manchete, abril de 1964 Edição Histórica) Viveu a Praça da Sé horas de civismo e fé democrática. ...Ciente do desenrolar dos acontecimentos, com o agravamento da crise político-militar, e de que Brasília estava praticamente sob o controle dos elemen- tos que pregavam a subversão da democracia, o deputado João Calmon partiu para Belo Horizonte, onde chegou após 12 horas de viagem. Ao passar por Sete Lagoas, falou ao povo, através da emissora local. Pouco depois do meio dia, compareceu aos estúdios da Rêde Radiofônica da Luta Pela Liberdade, dirigindo uma proclamação aos mineiros. À noite, às 20 horas, voltou o deputado João Calmon a falar ao povo, desta vez através de uma cadeia de emissoras de televisão e rádio.... Estado de Minas - 02/04/64 JOÃO CALMON EM BELO HORIZONTE ALERTA No estúdio da TV Itacolomi, João Calmon saúda o Coronel Av. Afrânio Aguiar e o General Guedes (Edição Histórica - Manchete, Abril/64) No Palácio da Liberdade, o senador Milton Campos, em palestra com a repor- tagem do ESTADO DE MINAS, disse que “como brasileiro, regozijo-me pelo feliz desfecho da crise, que estava comprometendo os alicerces das instituições democráticas brasileiras”. Acrescentou o representante de Minas no Senado Federal que “a Nação se uniu num admirável assomo de repulsa a tudo o que significa risco para a liberdade, para os direitos do homem e para o estabeleci- mento de melhores condições de vida para o povo. Só me resta fazer votos para que essa união se mantenha, a fim de que a vitória da Nação brasileira seja consagrada pela paz duradoura e pela fraternidade entre os concidadãos”.... PALAVRAS À IMPRENSA Publicado no Estado de Minas de 02 de abril de 1964. Entre as unidades do II Exército mobilizadas para a ofensiva sobre a Gua- nabara e que se deslocaram pelo Vale do Paraíba figurou uma bateria de artilharia do Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva de S. Paulo. Os alunos do CPOR - estudantes de nossas escolas superiores que ali cumprem sua obrigação com o serviço militar - portaram-se galhardamente, revelando alto grau de treinamento e eficiência e demonstrando coragem e senso de responsabilidade. A bateria do CPOR foi a primeira tropa de S. Paulo a atingir Rezende, tendo ultrapassado, no deslocamento pelo Vale do Paraíba, o Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado. Comandou a bateria o capitão Levy Ribeiro Bitencourt Junior, seguindo como oficiais os primeiros-tenentes Ruy Machado Guimarães, Lister Marino Viegas, Dalmo Lucio Muniz Cirilo, Valcir Delamare Paiva, Odracir Melo Salazar e Adir Molinari. Compuseram a coluna do CPOR cerca de 80 homens, dos quais 42 alunos e os demais oficiais, sargentos e soldados. A bateria operava 4 canhões 105. A ordem recebida era a de que a bateria deveria reunir-se em Rezende ao 5º Regimento de Infantaria e aos Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, tomando posição no eixo da Via Dutra, pronta para qualquer emergência. RETORNO Com a mesma ordem, disciplina a e eficiência com que avançara, a coluna do CPOR retornou a S. Paulo, cumprida efetivamente a missão que lhe fôra atribuída. Doravante, a participação, do CPOR na arrancada vitoriosa do II Exército, pela democracia, constituirá um dos episódios marcantes das tradições daquele Centro onde se formam os oficiais da reserva do Exército de Caxias. (Extrato da Revista do CPOR/SP de 1965) BATERIAS DO CPOR DE SÃO PAULO E BELO HORIZONTE Diga-se, também, que a Bateria de Artilharia do CPOR/BH participou do histórico Movimento Cívico-Militar de 1964, que ora celebra o seu Jubileu de Ouro. Esta valorosa Subunidade integrou o Grupamento Tático/ 12 (GT/12), "Destacamento Caicó", à base do 12° RI, cuja denominação histórica foi uma homenagem à terra natal do potiguar, Coronel Dióscoro Vale, comandante do dito Regimento. O Destacamento deslocou-se de Belo Horizonte para Brasília, no dia 2 de abril de 1964, tendo permanecido na Capital Federal até 16, quando regressou à Capital mineira, após haver con- solidado a Revolução, no Distrito Federal, onde cumpriu, de forma primo- rosa, diuturnas missões de garantia da lei e da ordem. Assim, o Exército Brasileiro muito se ufana da atuação desses dois Centros de Preparação de Oficiais da Reserva, que ingressaram, gloriosa e memoravelmente, na His- tória-Pátria, quando da Revolução de 31 de Março de 1964. O comandante da Bateria foi o saudoso Coronel Ewerton Paixão Curado Fleury, Capitão àquela época. (Histórico do CPOR - BH) ○ ○ ○ ○ ○ ○ Casa Amarela (São Paulo), 2 de abril de 64. 9
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    10Nº 276 -31 de Março/2020 12º REGIMENTO DE INFANTARIA OGeneral Humberto de Alencar Castello Branco foi eleito com a quase unanimidade dos sufrágios, obtendo 361 dos 388 votos que com- punham o Colégio Eleitoral, e em- possado em 15 de abril de 1964. Na noite de 1º de abril, os prin- cipais Governadores que haviam apoiado a Revolução reuniram-se no Rio de Janeiro, representando todos os Partidos, com exceção do PTB, e acordaram que o Chefe do Governo Revolucionário deveria ser um mili- tar. Como escreveria mais tarde o Governador Carlos Lacerda, “a fim de garantir a unidade das Forças Armadas, impedir uma eventual usur- pação e evitar uma competição en- tre os políticos numa hora delicada para o País” (1). A Federação e o Centro das In- dústrias do Estado de São Paulo envia- ram telegrama ao Senado, solicitando a eleição de um chefe militar (2). A Sociedade Rural Brasileira publicou um manifesto, exigindo um militar para presidente e pedindo expurgos políticos. A união Cívica A ELEIÇÃO DE CASTELLO BRANCO TEN CELTEN CELTEN CELTEN CELTEN CEL PEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHOPEDRO CÂNDIDO FERREIRA FILHO DESTACAMENTO TIRADENTES Oficiais do 2º Batalhão / 12º RI que se deslocou para o Rio de Janeiro no dia 31 de março integrando o Destacamento Tiradentes. Da esquerda para direita, na 1ª fila: Ten Soriano, Ten Rocha, Ten Figueiredo, Cap Barros e Ten Paulo Gomes. 2ª fila: Ten Schubert, Cap Amaury, Maj Oliveira Pinto (Comandante do Batalhão), Maj Flores e Cap Joarez. 3ª fila: Ten Scoralick, Ten Rosa Júnior e Ten Muzzi (ausente o Ten Waltenberg) (1) Lacerda, C: “Análise de uma Provocação”, Tribuna da Imprensa de 26 de agosto de 1967. (2) “O Estado de S. Paulo”, de 5 de abril de 1964. (3) “O Estado de S. Paulo”, de 4 de abril de 1964 (4)“Editorial de “O Estado de S. Paulo”, de 5 de abril de 1964. (5) Alfred, S.: “Os militares na política”, Ed. Artenova, RJ., pág. 153. (6) Vianna Filho, L.: “O Governo Castello Branco”, Liv. José Olímpio Editora, 1975, Vol. I, pág. 47 DESTACAMENTO CAICÓ Tropas do 12º RI em Brasília O Coronel Valle, Comandante do 12º Regimento de Infantaria, recebe o abraço do Governador Magalhães Pinto, à vista dos Secretários Afonso Arinos e Osvaldo Pierucetti Apresença do GT/12 (depois Destacamento Caicó) na Nova Capital, des- pertara o maior interesse, não apenas no meio militar, mas também entre os civis, particularmente os políticos, agora tranqüilos no exercício de suas funções parlamentares. Começaram as visitas de autoridades e amigos, os mineiros em maior nú- mero, numa contínua homenagem de simpatia e apoio, entre eles, o senador Juscelino Kubitschek, sempre comunicativo e alegre, junto a seus conterrâneos, soldados do 3º BIPM de Diamantina. (Depoimento do Cel Dióscoro Gonçalves do Valle, Comandante do 12º RI) JK visita as tropas mineiras em Brasília Écom o pensamento voltado para Deus, grato à sua proteção ao Brasil e ao seu povo, que saúdo a nossa gente pela restauração da paz, com legalida- de, com disciplina e com a hierarquia restauradas nas Fôrças Armadas A paz não exclui, todavia, a vigilância demo- crática. O perigo comunista não estava, como se viu, no comportamento do povo e dos trabalhadores, or- deiros e democratas. O perigo comunista estava na infiltração em comandos administrativos. O Brasil das reformas é o Brasil democrático, contra privilégios e contra extremismos. É o Brasil sem frustrações. Esperançoso, rico e mais justo. (Extrato) (O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964)(O Cruzeiro Extra - 10 de abril de 1964) JUSCELINO KUBITSCHEK Feminina também fez publicar seu manifesto, no qual exortava a con- solidação da Revolução pela elimina- ção da corrupção e do comunismo e endossava a escolha de Castello Bran- co porque era “um general sem liga- ções políticas” (3). No mesmo tom, “O Estado de S. Paulo” publicou um editorial onde defendia a escolha de um presidente militar, para varrer os comunistas, e dizia que o País preci- sava de um homem “ sem ligações po- líticas”. (4) Castello assumia o poder com o apoio civil, demonstrando “o esta- do de apreensão e a perda de confi- ança de muitos representantes das classes assalariadas e dos grupos em- presariais, bem como de políticos de direita, e de centro”, num presidente civil, embora mais tarde a maioria retirasse seu apoio ao governo (5). Castello Branco era um líder militar que, como chefe de Estado- Maior do Exército e pela autoridade reconhecida, se tornara o líder do mo- vimento de 1964. Todavia, era desco- nhecido para o País. Poucos haviam ouvido, antes, o seu nome, embora não tivesse passado despercebido à acuida- de política de Tancredo Neves, que, em novembro de 1963, dissera a um grupo de políticos: “Se houver alguma complica- ção maior neste País, o nome que vai surgir como estrela de primeira gran- deza não é o de nenhum desses gene- rais que andam dando entrevistas. Quem vai aparecer é o Chefe do Es- tado-Maior do Exército, General Cas- tello Branco” (6). Voltado para a profissão e dotado de profundo sentimento legalista, para Castello Branco a revolução “visava a repor a Nação na ordem jurídica con- sentânea com as aspirações e realida- de, estabelecer a ordem pública, digni- ficar o comportamento ético na admi- nistração do País e superar as diversi- dades sócio-econômicas regionais, a fim de que o Brasil amadurecesse co- mo nação integrada e desenvolvida”. Como diz Luiz Vianna Filho, Castello estava “convicto de que afastado Goulart e eliminados da vida pública alguns elementos perturbadores, go- vernaria com tranqüilidade, mantida toda a ordem jurídica”. Os problemas que lhe espera- vam, porém, eram enormes. A pri- meira condição, para a estabilidade e para a retomada do desenvolvimento, consistia em repor a ordem no País. Mas, caber-lhe-ia, também, estabele- cer uma estratégia para o desenvol- vimento e assegurar o apoio político à estratégica adotada. A par desses inúmeros proble- mas, caberia, ao Presidente recém- eleito, encontrar o ponto de equilíbrio entre as diferentes correntes revolu- cionárias. O12º RI, nosso Regimento, foi a primeira Unidade que saiu do quartel contra o governo comu- nista de João Goulart. Um fato fundamental e deci- sivo para consolidar o ardor revo- lucionário do movimento em mar- cha foi a adesão da AMAN, que entrou com seus cadetes em posi- ção para resistir a um eventual ini- migo, constituindo-se em atitude nobre e heróica que nos empolgou. A Contra-Revolução de 31 de março de 64 foi uma revolução crioula, genuinamente nacional, sem auxílio externo. Ouso dizer que se 31 de março não tivesse ocorrido, o Brasil cairia fatalmen- te nas mãos dos comunistas e, pelo peso que nosso país repre- senta nas Américas, inevitavel- mente outros países sul-ameri- canos tornar-se-iam marxistas. 31.03/06.04 02/16.04
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    11Nº 276 -31 de Março/2020 ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS Ao decidir empregar a Academia e, em especial, o Corpo de Cadetes, eu e meus assessores diretos fomos tomados de viva emoção. Lançávamos, assim, o sangue jovem do Exército na liça e corríamos o perigo de vê-lo ume- decer as velhas terras do Vale do Pa- raíba. Mais fortes que ela, porém, fo- ram o sentimento de nossas responsa- bilidades e o conteúdo energético de nosso ideal de, no mais curto espaço de tempo, restaurar os princípios ba- silares de nossa instituição. Vosso en- tusiasmo, vosso idealismo imaculado, vossa fé nos destinos do país e vossa dedicação aos misteres militares foram os elementos fiadores da decisão en- tão tomada, que acabou por contribuir de modo ponderável para a solução da crise, em nossa área de operações. Após 29 anos de alheiamento, a Academia Militar voltou a empenhar-se ostensivamente na luta pelo aprimora- mento de nossas instituições e pela tran- qüilidade de nosso país. Vós o fizestes, com pleno sucesso e com admirável ga- lhardia. Que, por isso, a História Pátria lhes reservou uma página consagradora, fazendo-os ingressar no rol daqueles que, despidos de qualquer ambição ou interêsse subalterno, um dia se dispuse- ram a lutar pelo país que nossos des- cendentes hão de receber engrandeci- do e respeitado. Extrato (02/04/64) ORDEM DO DIA No gabinete do Comando já não cabia mais ninguém, quando o general Médici foi informado que o carro do general Armando de Moraes Ancora, comandante do I Exército (e Ministro da Guerra interino) ultrapas- sava o portão da Academia. Determinou, em seguida, que os oficiais que estavam próximos acompanhassem-no para receber o general Ancora no Estado- Maior. Eu desci entre eles. Quando o general An- cora saltou do carro, ele or- denou pessoalmente ao cor- neteiro que desse o toque a que ele tinha direito, suce- dendo-se uma troca de res- peitosas gentilezas do mais genuíno cavalheirismo. Gen Ancora: - “Não é preciso! General derrotado não tem direito a sinais de respeito. Vim para me ren- der.” Gen Médici: - “Aqui es- tou para recebê-lo, onde não há outros derrotados senão os inimigos da Pátria. Recu- sando-se ao derramamento de sangue, V Exa está entre os vitoriosos de hoje. Suba comigo que o general Kruel está esperando-o”. Chegando ao gabinete do Comando os dois generais se cumprimentaram cordialmente. Sentados em torno de uma mesa conversavam baixo, sem que pudéssemos ouvi-los. Não houve o humilhante formalismo de uma rendição. Acabara o movimen- to militar e iria ter início o político. - Depoimento prestado pelo Cel Prof. Rubem Barbosa Rosadas a pedido da Cadeira de História Militar, como contribuição à memória dos aconteci- mentos. (Pesquisa histórica realizada em 1985 pelo tencel Manoel Soriano Neto) MEMÓRIA HISTÓRICA O General Moraes Ancora é escoltado pelo General Médici, Comandante da AMAN, ao portão da Academia Em 1964, passados 29 anos da traiçoeira e covarde Intentona Co- munista, os cadetes da Academia Militar voltaram a empenhar-se na defesa de nossas instituições, evitando tal qual em 1935, a implantação de um regime marxista em nosso país. Os cadetes do 2º e 3º ano da AMAN, defenderam, não só com o risco da própria carreira prestes a se iniciar, mas da própria vida, a democracia e a liberdade ameaçadas pelo governo comuno-sindicalista de João Goulart. Lançaram então duas proclamações – a primeira intitulada “IR- MÃOS EM ARMAS”, na manhã de 01 de abril, justificando “PORQUE A AMAN EMPUNHOU ARMAS EM DEFESA DA DEMOCRACIA”, ao se deslocarem para a Guanabara na vanguarda do II Exército. A segunda, no fim da mesma manhã, emitida por todos os meios de divulgação existentes, “IRMÃOS DAS FORÇAS ARMADAS” com a qual os Cadetes tornavam público apelo, a seus colegas da Escola Naval e de Aeronáutica, buscando apoio em defesa da causa comum. Esses mesmos Cadetes, são hoje, Generais-de-Exército e temos a certeza que, co- mungam dos mesmos princípios declarados e defen- didos há 40 anos. Agora, com muito maior respon- sabilidade. CONFIAMOS NELES. A AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIUA AMAN ADERIU AAcademia Militar das Agulhas Negras aderiu às tropas comandadas pelo General Amaury Kruel. O Comando da Academia, cuja preocupação básica era o entendimento, tomou posição, redobrando a vigilância nos pontos princi- pais da área de 70 quilômetros quadrados sob sua jurisdição. (O Globo, 03/04/1964) NOSSO COMENTÁRIO Cadetes da Academia Militar, que participaram das operações, regressam à sua Escola. O Cruzeiro Extra, 10/04/64 Flagrante da histórica reunião entre o General Kruel e o General Moraes Ancora, último ministro da Guerra de Jango (Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64)(Manchete - Edição Histórica - Abril/64) Autorizados pelo Comandante da Academia Militar, General Médici, os cadetes se deslocaram para locais estratégicos perto de Resende. Utilizando conhecimentos e táticas aprendidos, tomaram posições que dominavam a estrada Rio-São Paulo, montando ninhos de metralhadoras. Em algumas colinas havia canhões 105. Os cadetes impediram o choque dos Exércitos. O Cruzeiro Extra, 10/04/64 CADETES! AD PERPETUAM REI MEMORIAM 2006 - TURMA GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI 433 alunos formandos escolheram de livre e espontânea vontade, o nome do Presidente Médici para a Turma de 2006 da Escola Preparatória de Cadetes Publicado no Inconfidência nº 66 de 31 de março de 2004 CADETES: PELA HISTÓRIA, ATINGIS OS UMBRAIS DA GLÓRIA! Ordem do Dia do Comandante da AMAN, General-de-Brigada Emílio Garrastazu Médici
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    12Nº 276 -31 de Março/2020 MULTIDÃO APLAUDIU COMÍCIO DA LEGALIDADE BRIZOLA AOS SARGENTOS: TOMEM OS QUARTÉIS E PRENDAM OS “GORILAS” PORTO ALEGRE - Multidão incalculável atendeu, ontem à noite, ao apêlo lançado pela Rêde Nacional da Legalidade, comparecendo em massa ao Largo da Prefeitura para participar do monumental comício organizado pelas fôrças populares. Principal orador da concentração, o deputado Leonel Brizola, conclamou o povo a organizar-se em corpos provisórios civis, “para participar da luta ao lado das gloriosas forças legalistas do III Exército e da Brigada Militar”. Lançou a palavra de ordem para que os sargentos de Uru- guaiana, Bagé, Santa Maria, algumas unidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Guanabara e Minas Gerais, “tomem conta dos quartéis e prendam os gorilas, golpistas e traidores”. Finalizou recomendando-se ao Almirante Aragão, comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, a que tome conta de Lacerda e ao general Oromar Osório, comandante da Vila Militar, a que “ajuste contas com o traidor Amaury Kruel”. (Última Hora, 02 de abril de 1964) RECONSTITUINDO A HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL 4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav -4º GA 75 Cav - GRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANAGRUPO URUGUAIANA - 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC- 22º GAC As rádios transmitiam os aconteci- mentos, os jornais de Porto Alegre chegavam diariamente a Uruguaiana (in- clusiveOGLOBO),oComandantedaCa- pitania dos Portos do rio Uruguai, atra- vés da rede rádio da Marinha informa- va o que vinha acontecendo em Minas e no Rio. O Grupamento de Fuzileiros Navais, também participava da rede de informações. O oficial de Comunicações do Gru- po mantinha o Comandante informado desde 31 de março, do deslocamento das tropas mineiras e do comício da legalidade. O comandante do 4º GA 75 Cav, Tencel Amerino Raposo Filho, determi- nou a transmissão dos pronunciamentos de Leonel Brizola na “Cadeia de Legali- dade”, pelos auto-falantes, sendo ouvi- do não só no Grupo assim como também, no 8º Regimento de Cavalaria, unidade vizinha, separadas somente por um pe- queno muro e cerca de arame. Brizola, incentivava os sargentos a prender os oficiais, enquanto o povo nas ruas de Porto Alegre gritava: "O sangue ainda não correu e o refrão - Vai correr! Vai correr!". Não aconteceu qualquer defec- ção na tropa e muito menos dos sargen- tos que permaneceram fiéis ao Coman- do e às suas missões. Atenção Brasil, atenção Rio Grande! Riograndenses, brasileiros! Nesta hora trágica e, ao mesmo tem- po, gloriosa, que vive o nosso povo, dirijo-me a todos os riograndenses, para dizer-lhes que estou presente na luta que trava a nossa Pátria pela sobrevi- vência da Democracia e da Liberdade. Os últimos acontecimentos que se verificaram neste Estado, demons- traram, perfeitamente, que aqui tam- bém se pretende instalar a violência, a ilegalidade e a ruptura da Constituição. Requisitei as estações de rádio, com o propósito honrado de impedir que através delas viessem a semear-se os elementos do ódio e da discórdia. Estas rádios foram agora ocupa- das pela força e entregues aos inimigos da Democracia, que as estão utilizando para pregar a desordem, a indisciplina e a violação da Carta Constitucional. Não satisfeitos com isso, agora pre- tendem requisitar, por simples ofício, à margem da Lei e da Constituição, a glori- osa Brigada Militar, Força de tantas e tão nobres tradições, esteio da Democracia e O principal e decisivo fato ocor- reu às 06:00 h de 01 de abril, quando o Cel. Luiz Serff Sellmann, (Comandante do 4ºGA75 Cav.del2.02.58a03.03.61), Chefe do Estado-Maior da 2ª Divisão de Cavalaria, acompanhado do E5, Major Gilberto Oscar Miranda Schimitt, diri- ge-se ao quartel do Gru- po. Seu comandante, Tencel Raposo e seus oficiais que já os espe- ravam reunidos, ouvem de Sellmann: “Neste momento avoco o Co- mando da 2ª Divisão de Cavalaria” Raposo declarou que o Grupo estava pronto para cumprir missão e de imediato, ordens foram expedi- das e começaram a ser executadas. Em seguida, Sellmann e Raposo, dirigiram-se a pé para o 8º RC e disse- ram ao Comandante, Tencel Carlos Ra- mos de Alencar, que esperavam contar com seu apoio, o qual imediatamente foi declarado. Em seguida, o Tencel Alencar, com a tropa em forma disse que o "Regimento estava pronto para o que desse ou viesse." Omitindo estes fatos, o livro da história referente ao Grupo Uruguaiana e à 2ª Divisão de Cavalaria perde a cre- dibilidade. Este relato já é do conheci- mento do Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), Cel Cláu- dio Moreira Bento, que colheu depoimen- to do então General- de-Divisão Sellmann, colocado no Centro de Informações de Histó- riaMilitarTerrestredo Brasil, na AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras e no Centro de Documen- tação do Exército. O Coronel Ame- rino Raposo Filho prestou depoimento sobre o Movimento Democrático de 31 de Março de 1964, para o Projeto de His- tória Oral do Exército Brasileiro, assim como também este redator, que era o Oficial de Comunicações do Grupo. Não fosse a posição assumida, oportuna e corajosa, pelos ex-coman- dantesdo4ºGA75Cav.,CoronelSellmam e Tencel Raposo, tomando a iniciativa das ações, poderia ter se instalado no Rio Grande do Sul, um “Governo de Resis- tência”, pretendido por Jango e Brizola. Em hipótese alguma, este relato poderia ser omitido no livro da história do Grupo Uruguaiana (capa ao lado), editado e distribuído em dezembro de 2001 pelo então seu Comandante, Co- ronel José Júlio Dias Barreto (hoje, General-de-Brigada) e nada melhor para comprovar do que a frase citada pelo Comandante do Exército, General Gleuber Vieira, na Ordem do Dia de 31 de março de 2000: “A História que não se apaga nem se rescreve”. O texto do livro rescreve 1964, deturpando a história, a tradição, os valores morais e a verdade que não devem nem podem ser sonegados à posteridade, desmerecendo os feitos daqueles que arriscaram suas vidas e suas carreiras, pelo bem da pátria. Se já não bastassem os livros di- dáticos adotados pelo Ministério da Educação e Secretarias de Estado de Educação, repletos de erros e detur- pando a história pátria, o livro "Grupo Uruguaiana"comprometeaHistóriaMi- litar do Brasil, omitindo fatos imprescin- díveis, de ressonância nacional, exem- plosnocombateàtentativademarxização e instalação de um governo comuno-sin- dicalista em nosso país. Deveria ser retirado de circulação. MANIFESTO DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO SUL ILDO MENEGHETTI PROCLAMAÇÃO da Liberdade, pretendendo tirar do Go- verno, as condições de assegurar a or- dem pública. Riograndenses, brasileiros! Eu não poderia, nesta hora, fugir ao meu dever. Frente à ameaça clara e aberta de intervenção, cujo processo está em mar- cha, só tenho um caminho: incorporar-me àqueles que em todo o Brasil, lutam para restaurar a Constituição e o Direi- to, livrando nossa Pátria de uma agita- ção comunista! Poucas são as possibi- lidades de resistência em Porto Alegre, cujo bravo povo está ameaçado pelas forças da violência e da opressão. Não cessará a nossa resistência, ela apenas começa. Assim como os bravos farroupi- lhas lutaram dez anos sem esmorecer, os gaúchos também saberão lutar até à vitória final, oferecendo seu sangue generoso pela causa da Pátria e da Cons- tituição. Soldados e oficiais do bravo Ter- ceiro Exército, soldados e oficiais da gloriosa Brigada Militar! A vós apelo neste momento para que participeis de nossa luta, irmanan- do-vos aos bravos companheiros de Minas, Goiás, Mato Grosso, Rio, São Paulo e todo o Norte, que neste mo- mento marcham para libertar a nossa Pátria da demagogia, da inflação e da miséria política em que nos encontra- mos. Povo Gaúcho! Organizai a resistência democrá- tica! O vosso Governo, eleito livre- mente, está presente nesta hora e luta pela Pátria e pela Democracia! Só quem tem alma de escravo é que não luta pela Liberdade. Porto Alegre, em 1° de abril de 1964” Tornado público na manhã de 1° de abril de 1964, antes de o governador seguir de Porto Alegre para a cidade de Passo Fundo, onde instalou a sede do governo, no quartel do 2° Batalhão de Polícia, da Brigada Militar do RS. Tal mudança fora adrede e muito bem planejada; recebeu a denominação histórica de “Operação Farroupilha”. "Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congres- sistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qual- quer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos. Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente". (15/11/05) Roberto Mangabeira Unger PÔR FIM AO GOVERNO LULA E o ministro Mangabeira Unger, não tendo vergonha na cara, é mais um a aderir à corrupção do governo Lula...
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    13Nº 276 -31 de Março/2020 IIIII ASanta Maria de 1964 era uma cidade que, com cerca de 150.000 habitan- tes (note-se: o Brasil tinha, apenas 90 milhões), já atingia o padrão de “porte médio”. Não possuía o feitio tipicamente gauchesco das co-irmãs da fronteira, nem a fisionomia européia de outras do Estado. Bom número de bancos, co- mércio atuante, indústria quase inexistente, signi- ficativo pêso de escolas dos 1º e 2º Graus. Grande Guarnição do Exército, bom contingente da Bri- gada Militar e pequeno efetivo da Força Aérea. A (hoje) pujante Universidade Federal era constituída, somente, de um núcleo, pois nascera recentemente, em 1961. Volumoso, mesmo, era o efetivo da “Viação Férrea do Rio Grande do Sul”. A cidade era um centro estratégico geogra- ficamente bem localizado inclusive para a rede ferroviária, da qual consistia um nó. E havia, então, um poderoso conjun- to de oficinas de reparos, com alguns milharesdefuncionários.Naferrovia,em conseqüência, se situaria o “cerne da questão” entre 1961 e 1964; porque até essa época vivia-se em uma cidade ordei- ra, pacífica, alegre e despreocupada. II Convém analisarmos o título em epígrafe sob dois enfoques bastantes conhecidos. Vamos a eles. “- Todo fato tem três versões: a minha, a tua, e a verdadeira.” Evidentemente, vou apresentar a minha versão, mas, por disciplina cons- ciente, admito que ela esteja bem pró- xima da verdadeira. Por quê? Porque, passados 40 anos, sou das poucas tes- temunhas sobreviventes, adultas na- quela época. E tenho sentido revolta por ver o que vem sendo impingido mal- dosamente aos jovens. “- A versão pesa mais que o fato”. Isso nasceu com Joseph Goebbels, o rei da propaganda capciosa do nazismo: uma mentira suficien- temente repetida tor- na-se verdade aceita! Pois…,peloquetenho visto,omestredamen- tira conseguiu muitos seguidores exatamen- te na “esquerda” bra- sileira: as versões in- culcadas, a cada dia, nas mentes dos mo- ços, falsificam e de- turpam completa e in- teiramente a verdade do que aconteceu em nossa cidade. IIIIIIIIIIIIIII A parir de 1961, com a famosa “guerra da legalidade” (renún- cia de Jânio Quadros, tentativa de impe- dir a posse de Jango Goulart na Presidên- cia), a feliz vida pacífica teve fim, em Santa Maria. Ela foi sendo paulatinamen- te quebrada, até transformar-se em um verdadeiro inferno de sustos, de temo- res, de intranqüilidade: era uma suces- são infindável e semanal de greves, co- mícios e agitações de todos os tipos, causando fechamento do comércio e blo- queamento de ruas, com passeatas ba- rulhentas e ameaçadoras. O “64” EM SANTA MARIA / RIO GRANDE DO SUL * Alexandre M. Amendola Repito: ameaçadoras. Sim, porque, por entre a gritaria, uivos, rugidos e dis- cursos incendiários contra o “imperialis- mo americano” e o “capitalismo selva- gem”, lá vinha a ameaça constante do “paredón”, tal como era usado em Cuba. Não minto: eu e outros podemos mostrar onde ficava ele, onde seriam perfilados, para a pena máxima, os “gorilas”, isto é, todos que não rezas- sem pela mesma car- tilha de anarquia e carnificina, como vi- nha sucedendo não só em Cuba, mas na URSS, na China, Albânia… E é sabido que incêndio seme- lhante alastrava-se por todo o País. OExércitoviatudoaquiloe–“gran- de mudo”—“fecha- va-se”. A3ªDivisãode Infantaria, aqui se- diada, estava carre- gada de razões para julgar, com equilí- brio, os acontecimen- tos, pois déra total, definitivo e solidá- rio apoio à posse de Jango Goulart, sus- tentando sua lega- lidade. As ações anár- quicaspartiamdeum ferozíssimo grupo de comunistas “de car- teirinha”, localizado nas dependências da Viação Férrea, do PCB e do PC do B, partidos sem registro político, mas cuja clandestinidade era aceita com condes- cendência, negligência e transparente medo. Não minto: tinham uma sede em edifício central da cidade, onde eram pro- porcionados cursos de marxismo, com diplomas assinados por “professores” treinados na União Soviética! E essa gente conseguia mobilizar fortes mas- sas de “cripto-comu- nistas”, “companhei- rosdeviagem”e,prin- cipalmente, “inocen- tesúteis”,alémdecu- riosos. Nãomevenham dizer que estou in- ventando coisas, por- que os idosos sabem perfeitamente que digo a mais pura ver- dade! Paralelamente, havia uma outra dele- téria campanha, que pouco tinha de co- munista e muita de perigosa: a formação dos inefáveis “gru- pos de onze” (ou “dos onze”,comoagoraci- tados) sob a batuta do Governador do Estado, Leonel Brizola. OExércitoviatudoaquiloe—“gran- de mudo”—continuava “fechado”. Per- cebia o risco crescente de uma guerra civil, de uma detestável tragédia; por pre- caução, a tropa vinha sendo submetida , durante três anos, a infindáveis e quase ininterruptos regimes de “prontidão” ou “sobreaviso”. E, como é natural, preen- chia utilmente as intermináveis perma- nências nos quartéis, adestrando-se. Adestrando-se em quê? Quem advinha? ...Ora, em controle de tumultos, em com- bate urbano, em contra-guerrilha! Quem pagava (e paga) os militares? Resposta: o Povo. Quem mais sofreria com o desencadeamento da baderna, e, portan- to, devia ser protegido? Resposta: o Povo. Então… Sucede que o Povo elegera um Pre- feito de “esquerda”, apoiado ostensiva- mente pelos comunistas, mais a malta a eles anexada. E aí, como ficamos? IVIVIVIVIV A 1º de abril de 1964 chegou à cida- de notícia do levante em Minas Gerais. E digam o que disserem – a sensa- ção geral não foi, absolutamente, de “gol- pe militar”, foi de alívio! Vou repetir: alí- vio!Maisumavez: ALÍVIO!Alívio,nada de “golpe militar”! Sim, o Exército tomara a atitude que o Povo vinha pedindo insistente- mente! Querem que eu repita isso tam- bém? Posso fazê-lo… A 3ª DI, que a comunistada – por via indireta – tinha–se encarregado de tor- nar bem adestrada, em poucos minu- tos ocupou todos os pontos sensíveis da cidade, principalmente os diversos setores da Viação Férrea. E, surpreen- dentemente, foi dali que partiu a primeira reação decepcionante para os líderes de baderna:ordenada“grevegeral”,talcomo fôra feito e obedecido por centenas de vezes… O pessoal da “Estrada” compa- receu em massa ao trabalho, mesmo de- baixo da fúria dos piquetes de comando, mas sob a proteção do Exército “… para quem quisesse trabalhar”. Contra-reação… única: comício diante do edifício-quartel de bagunça, desafiando determinação do General Comandante da Guarnição (Mario Pop- pe de Figueiredo), que, assim, para lá enviou tropa com ordem de desfazê-lo, o que foi realizado de forma extraordi- nária: ao simples aparecimento dos “mi- licos”… uma debandada completa, cor- reria desvairada, sob o espanto dos lí- deres de fancaria! E… então… a cena fantástica, empolgante: de todos os edi- fícios circundantes desceu uma enor- me vaia, logo seguida de vivas, aplau- sos e a papel picado! De todos os bares e armazéns, abraços, refrigerantes e doces à soldadesca! Este episódio foi inteiramente posto em esquecimento. Os jovens sequer sabem que existiu. Por que será? Efaltavaoutroacontecimento,tam- bém atirado ao ol- vido:a17deabril,a grande “Marchade agradecimento ao Exército”, com 50.000 (cinqüenta mil) pessoas em passeata espontâ- nea até o Quartel Divisionário! VVVVV Em poucos dias foram sucessiva- mente instaurados oito inquéritos Po- liciais Militares. Seguiu-se a prisão de indiciados e o chamado a testemunhas. Novas surpresas: muitas testemunhas apresentavam-se voluntariamente; e os presos eram apontados através de con- tínuas denúncias, fornecimento de pro- vas documentais, telefonemas anôni- mos…, tudo isso, aliás, necessário a um Exército que não possuía KGB, nem SS, nem CIA! E, desde logo, passou a transpa- recer toda a nobreza de um Exército digno e fraterno. Não minto, e há testemunhas: todos os prêsos foram tratados com ca- valheirismo, todos com serena energia! Como um exército ocidental e civilizado trata o adversário vencido! Aqui não houve brutalidade, nem maldades, nem espancamentos, nem torturas, nem nada semelhante! Maldito seja quem diga o contrário, pois estará mentindo… tal- vez para abiscoitar alguma gorda “in- denização”. Ademais, os valentões de ontem se entregaram mansamente, sem reação, muitas vezes aterrorizados pela perspectiva de ser-lhes aplicada a “re- ceita” que prescreviam nos “bons tem- pos”, isto é, o “paredón”! Até a sacra- lidade dos lares à noite era respeitada! Que outro exército do mundo faria isso, em situação semelhante? E toda a arrogância desafiante e truculenta dos comício desapareceu, ao verem chegar a “hora da verdade”. Os grandes chefes, como sempre acon- tece, ao primeiro toque do clarim bate- ram asas para o Uruguai… VI Muito bem. Já perceberam que isto é um desabafo pessoal. Sim: sou um Velho Soldado,aproximando-medos 80 anos, e vejo com assombro, com es- panto, tristeza e desencanto, o “traba- lhinho” bem realizado pelas “esquerdas”, nos últimos anos: dominaram inteligen- temente, com malícia, hipocrisia e ci- nismo, a mídia e, até, as escolas. Criminosamente instilaram nos moços sua versão, deslavadamente mentirosa! Entre tanta desfaçatez, relato dois casos: -Jornalistas (em geral e lamenta- velmente, mocinhas) que, desejosos de obter seu “furo de reportagem”, interro- gam a cada idoso: “- Houve muita tortura em Santa Maria?”, “- Como foi a tortura aqui?”, “- Quem foi torturado em nossa cidade?”. Tirem sua conclusão… -E um prócer político, entrevista- do – ele, que foi tratado com elegância, boa educação e generosidade – teve o desplante de dizer, na TV local: “- Não me torturaram porque não tiveram pei- to!” (!?!?…) Ora…deixem-meempaz. Estou farto de ver tanta baixaria!… AAAAA RAZÃORAZÃORAZÃORAZÃORAZÃO SANTA MARIA/RS 17 DE ABRIL DE 1964 "Vibrante manifestação, sem precedentes na história de Santa Maria, para homenagear as ForçasArmadas". "50 mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento" No palanque: Dr. Walter Jobim; Tenente Coronel Gabriel Agostini, Comandante do 3º RO 105; o locutor oficial; Dr. Mariano da Rocha Filho, fundador e reitor da Universidade Federal de Santa Maria; Coronel Ramão Menna Barreto, Chefe do Estado Maior da 3ª DI; Coronel Rui de Paula Couto, Comandante da AD/3; o Bispo de Santa Maria, Dom Antônio Reis e o Juiz Floriano Lemos. Abaixo, oficiais da Guarnição de Santa Maria A população de Santa Maria, caminhando pela rua Dr. Bozzano em direção ao palanque armado em frente ao aquartelamento. * Tcel Reformado. É historiador e idealizou o traslado dos restos mortais do patrono da Artilharia, Marechal Emílio Luiz Mallet, Barão de Itapevi, para o 1º RA Cav (Boi de Botas) onde repousam no Memorial (Mausoléu e Museu), erguido no 3º GA AP, em Santa Maria/RS sob sua responsabilidade e orientação. Foi pioneiro e responsável pela implantação do Projeto Rondon, no Campus Avançado da Universidade Federal de Santa Maria, na Amazônia, nos anos 70.
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    14Nº 276 -31 de Março/2020 AD PERPETUAM REI MEMORIAM TURMA GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI - 2006 Em 4 de dezembro de 1905, em Bagé, Rio Grande do Sul, nascia Emílio Garrastazu Médici, filho de Emílio Médici e Júlia Garrastazu Médici, homem cuja brilhante trajetória de militar e estadista foi pautada pela dedicação sem par, através do cons- tante aprimoramento pessoal e profissional. Esse esforço foi sendo merecidamente reconhecido pelas promoções que galgou e das responsabilidades que foi assumida nas nomeações para as importantes tarefas que lhe foram confiadas. Em 1961, foi promovido ao posto de General-de-Brigada e, logo depois, assumiu o comando da Academia Militar das Agu- lhas Negras, local onde se encontrava a 31 de março de 1964. Após o movimento, acumulando uma sucessão de glórias, co- mandou o III Exército e assumiu a Presidência do País, cargos em que demonstrou vigor, competência, integridade pátrio. Como estadista, no posto mais alto da República, durante os anos de 1969 a 1974, conduziu o país a um patamar jamais alcançado no cenário internacional, com significativa e estrutu- ral melhora na economia do Brasil. Assim foi o General Emílio Garrastazu Médici, que, ao longo da carreira, deixou-nos inúmeros exemplos de nobreza de caráter, coerência de atitudes, patriotismo, humildade, honradez e genero- sidade; virtudes tão preciosas, que cultivou durante a vida toda. A turma 2006 rejubila-se ao homenagear tão valoroso militar e estadista, desejando que esse exemplo de amor à Pátria e de compromisso com os mais altos valores da Nação Brasileira sejam partilhadas pelos futuros oficiais do Exército Brasileiro que ora iniciam sua caminhada. Aluno Jasson Omemorial em homenagem ao Presidente Humberto de Alencar Castello Branco, que integra o conjunto de edificações da antiga sede do governo do Estado do Ceará - o Palácio da Abolição -, voltou a ser importante ponto turístico na cidade de Fortaleza. Projetado por Sérgio Bernardes e inaugurado em 1972, o monumento, de arrojadas linhas arquitetônicas, foi totalmente recuperado. O memorial é um edifício com área útil de 270 m² composto por um bloco de concreto prismático longilíneo, dividido, no sentido do comprimento, por um septo que forma duas galerias. O conjunto é rematado pela Capela de Meditação, onde re- "... não quis nem usei o poder como instrumento de prepotência. Não quis nem usei o poder para a glória pessoal ou a vaidade dos fá- ceis aplausos. Dele nunca me servi. Usei-o, sim, para salvar as Institui- ções, defender o princípio da auto- ridade, extinguir privilégios, corri- gir vacilações do passado e plantar com paciência as sementes que fa- rão a grandeza do futuro". (trecho de pronunciamento feito durante a última reunião ministerial, no dia 14 de março de 1967). Vista interna do Memorial pousam os restos mortais do Presidente Cas- tello Branco e de sua esposa; e por um pátio plantado de carnaubeiras e ipês-roxos. Na pra- ça sobre a qual a edificação se projeta há um lago de água movimentada pela ação de repu- xos ornamentais. Com a reforma do memorial, os visitantes poderão conhecer melhor a história deste gran- de brasileiro que se destacou como Oficial de Operações da Força Expedicionária Brasileira na Campanha da Itália, Comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, arti- culador do movimento cívico-militar de 1964 e Presidente da República. * Coronel, Historiador Militar e Advogado msorianoneto@hotmail.com * Manoel Soriano Neto No sacerdócio que é a vida militar, aprendemos que há pontos de vista e pontos de hon- ra. Nós podemos divergir quanto a pontos de vista, questões me- nores, assuntos de somenos importância; porém, nunca, jamais, em tempo algum, quanto a pontos de honra, que são verdadeiras “cláusulas pétreas”, questões fechadas, dogmáticas, não-interpretáveis e inegociáveis, das quais os militares não podem discordar, devendo sem- pre manter uma monolítica unidade de pensamento, com vistas à união, a uma salutar camaradagem e, mais do que isso, à perene coesão castrense. Além dos princípios da Disciplina e da Hierarquia, os consa- grados e insubstituíveis Cultos às tradições, às mís- ticas, aos mais caros e prís- tinos valores, à História Mi- litar, em especial, e a ou- tros superlativos aspectos que conformam os funda- mentos, a essência, a “alma”, enfim, de uma Força Ar- PONTOS DE VISTA E PONTOS DE HONRA “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!” mada, não podem ser esquecidos, deturpados, ma- nipulados ou relativizados ao sabor dos tempos, ao vaivém da política partidária, nem a viezes ideo- lógicos, humores e caprichos de transitórias au- toridades ou governantes. A propósito, desafortunada e vergonhosa- mente, dois episódios marcantes de nossa rica e inapagável História Militar não mais são comemora- dos/relembrados, oficialmente, nas Organizações Militares das Forças Armadas brasileiras, que estão submetidas a um injustificável e vexatório “silêncio obsequioso”. São eles: a triste, covarde e traiçoeira Intentona Comunista de 1935 e a Contrarrevolução de 31 de Março de 1964. Lem- bro-me dos meus tempos de instrutor/professor de História Militar na AMAN, na década de 1980, em que os cadetes, ao final do 3° ano, redigiam uma dissertação acerca do Movimento de 1964, con- dição “sine qua non” para o prossegui- mento do estudo da Matéria, no 4° ano. Trabalhos excepcionais foram elabo- rados, durante cinco anos, por aqueles jovens cadetes, hoje coronéis, os da ativa, prestes a atingir ao generalato. A eles, concito, veementemente, a nunca permitir que a imarcescível flama do sentimento patriótico, tão bem glori- ficada em nossa inesquecível Acade- mia, - quando dos belos tempos da ju- ventude -, venha a se apagar, pois “es- quecer também é trair”... Como proclamou o legendário Almirante Barroso, em Riachuelo: BRASIL ACIMA DE TUDO!
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    15Nº 276 -31 de Março/2020 REVISTA "O CRUZEIRO EXTRA" DE 10 DE ABRIL DE 1964 EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVOLUÇÃO O Governador Magalhães Pinto, logo após a vitória da rebelião que comandou contra a comunização do País, é beijado por sua nora, D. Terezinha de Magalhães Pinto, espôsa do Sr. Eduardo Magalhães Pinto. O País entrava num período de ordem. (Foto de José Nicolau) GUANABARA HORA A HORA Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”Reportagem da equipe de “O Cruzeiro” 31 de março, na Guanabara. OGovernador Carlos Lacerda pren- de líderes sindicais reunidos em assembléia permanente. Entre êles, Ra- fael Martineli, o que redundou na greve imediata da Leopoldina, como protes- to. Dez vagões colocados numa pas- sagem de nível, na Rua Francisco Bi- calho, foram empurrados por cho- feres e passageiros de ônibus e lota- ções. Estamos em pleno 1º de abril, que desta vez não foi motivo de brin- cadeiras. 10 horas. Avenida Presiden- te Vargas e Rio Branco com muita gente em seu cruzamento, procurando apanhar carona para os seus bairros para os seus bairros da Zona Norte, em face da greve geral dos transportes coletivos da cidade. Nas esquinas, piquêtes nitidamente esquerdistas e antimilitares, que dominaram a Cine- lândia até às 14 horas. A sede do Dire- tório Regional do PTB, na Cinelândia, ampliava, por seus auto-falantes, a Em carros alegóricos, muitos reviveram o carnaval carioca. O CARNAVAL DA VITÓRIA pregação revolucionária, incitando os populares a invadirem o Clube Militar, na esquina da Rua Santa Luzia. Na verdade, populares tenta- ram, pouco depois, invadir a sede da entidade de classe dos oficiais do Exército, no que foram obstados pe- los disparos dos tenentes, capitães, majores, coronéis e generais que lá se encontravam. Os oficiais dispara- ram de início para o ar e por fim para valer. Às 15 horas, mais ou menos, um automóvel lançou volantes na Cine- lândia, convocando o povo a participar de um comício de protesto contra o movimento revolucionário e que deve- ria realizar-se meia hora depois. 16 ho- ras. É o sangue. A multidão tenta, mais uma vez, invadir e depredar o Clube Militar. Um carro de choque da PM posta-se diante do Clube. O povo pre- sente vaia os soldados. Mais tarde, choques do Exército, chamados a pe- dido do Marechal Magessi, Presi- dente do Clube Militar, dispersam os agitadores. Quando o Governador Carlos Lacerda desceu do Palácio Guanabara, protegido por sua guarda, os tanques estão à frente do Palácio. Guarnições marchando à sua frente. Canhões e me- tralhadoras desguarnecidos. Era a hon- rosa adesão. Adesão como passo para a pacificação sem sangue. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Car- los Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecen- do o Palácio da Guanabara. O Chefe o Executivo carioca, ao ouvir a notí- cia, chora e exclama: - Graças a Deus! Deus está co- nosco! O carnaval da vitória Foi uma reação em cadeia. Anun- ciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval. 17 horas e 30 minutos. Deixe- mos a Cinelândia e as imediações do Palácio Guanabara. Praia do Flamengo, 132, sede da União Nacional dos Estu- dantes. Grupos de jovens atiravam bom- bas incendiárias (coquetel Molotov) para o interior da UNE, àquela altura abandonada pelos dirigentes da entida- de estudantil. Tinham fugido, sob as vaias dos que se aproximavam do lo- cal. Ou mesmo pelos fundos, pelos telhados do prédio, para edifícios vizi- nhos. Precipitadamente. Os dirigentes da União Nacional dos Estudantes livraram-se de livros e documentos, que foram incendiados e devolvidos para o interior do edifício em forma de tochas de fogo e objetos que se incendiava no interior das salas das entidades sob as siglas de UNE, A comemoração da "renúncia" de Jango; alunos do Mackenzie, com a bandeira em punho, em plena manifestação O Governador Carlos Lacerda, em companhia de Eduardo Gomes, General Mandim e Abreu Sodré, se mantinha em atividade mais que constante A BATALHA DO GUANABARA O Presidente João Goulart escolheu o caminho. Trocou o mandato por uma liderança revolucionária e esquerdista. Aqui aparece com D. Maria Tereza e os Srs. Darcy Ribeiro e Oswaldo Pacheco, êste, líder da CGT, no comício do dia 13 de março, o início do processo de sua queda POR QUE JANGO CAIU OS 40 DO FORTE Tomada do Forte de Copacabana foi decisiva para a vitória da revolução Planejamento, rapidez e coragem dominaram o QG de Artilharia de Costa da 1ª Região Militar “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem à agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”. Brasília, 31 de março de 1981 General-de-Exército Walter Pires de Carvalho e Albuquerque Ministro do Exército HONRA MILITAR AMES, UBES e outras. Os policiais e bombeiros que pou- co depois chegaram para combater o incêndio disseram que encontram nas salas da UNE armas e munições. À tardinha. Dois tiros vinham do Leme. Era o sinal de vitória, que acio- nou o gatilho da explosão popular. E tudo se misturou na chuva, alegria e carnaval, refletidos nos olhos dos sol- dados que ocupavam o Forte de Co- pacabana, patrulhas do Pôsto Seis. Uma história: homens, mulheres e crianças, empunhando bandeiras, len- ços brancos, lençóis, comemoravam o que ficou sendo o carnaval da vitória. Das janelas dos apartamentos em tôda a Zona Sul, eram estendidos lençóis e colchas, numa homenagem à vitória da revolução. E duas chuvas se misturaram no espaço: a que caía de muito alto, de água, e a de papéis picados. E uma caravana de automóveis, buzinando, vespas nas avenidas e ruas de Copacabana, de Botafogo, do Jardim Botânico, do Leblon e Ipanema. Era a festa da vitória. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
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    Nº 276 -31 de Março/2020 OLDACKESTEVES OMinistro do Exército, considerando que a Revolução de 31 de março de 1964, deflagrada pioneiramente pela ID/4 - Infantaria Divisionária da 4ª Divisão de Infantaria, hoje a 4ª Brigada de Infantaria, constituiu resposta pronta e adequada à ação subversiva do comunismo, comandado de fora, visando à tomada do poder, resolve aprovar o Distintivo de Grande Unidade da 4ª Brigada de Infantaria, constante do modelo anexo e com a seguinte descrição heráldica: "Escudo português partido de 'blau' e 'goles' (cores heráldicas do Exército Brasileiro), filetado de ouro, tendo brocante um triângulo equilátero (a relembrar a LIBERDADE, sonhada pelos Inconfidentes e preservada pela Revolução de Março) e, ao centro deste, uma pomba branca (a Paz) sobrevoando as verdes montanhas de Minas e, ao fundo, um sol levante (o raiar de uma nova era), de 'goles', com resplendor do mesmo esmalte sobre um fundo de prata; em Chefe, cortado de sínople e ouro, a inscrição: "BRIGADA 31 DE MARÇO." (Port Min 1.571, de 27 Out 75) BRIGADA 31 DE MARÇO DISTINTIVO DA 4ª BRIGADA DE INFANTARIA NR:NR:NR:NR:NR: Tal Estandarte Histórico foi idealizado pelo então Maj Carlos Claudio Miguez, em 1975 (hoje, Editor deste periódico), por determinação do Comandante da 4ª Brigada de Infantaria, General-de-Brigada Sylvio Octávio do Espírito Santo. A honraria castrense ostentada com imensa ufania pela 4ª Brigada de Infantaria Motorizada/Brigada 31 de Março, exibe seus motes no título deste jornal, no perfil das montanhas alterosas, no sol levante, referen- tes a Minas Gerais, em especial o alusivo à Inconfidência Mineira (triângulo na cor vermelha), na relembrança do venerável “Proto-Mártir da Independên- cia”, “Patrono Cívico da Nação Brasileira” e “Herói Nacional”, Joaquim José da Silva Xavier, “ o Tiradentes”. Acrescente-se que as tropas que parti- ram de Minas Gerais, em direção ao Rio de Janeiro, em 31 de março de 1964, foram denominadas, historicamente, de “Destacamento Tiradentes”. * Jornalista aristotelesdrummond@mls.com.br www.aristotelesdrummond.com.br Aedição histórica do INCONFIDÊNCIA, sobre mais um aniver- sário da Revolução de 1964 se constitui em documento raro e a ser preservado em nome da verdade histórica, da dignidade do povo brasileiro. A Revolução foi um movimento cívico-militar e não apenas militar. O brado veio pelos governadores eleitos das principais uni- dades da federação como Minas, São Paulo, Guanabara, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás. Infelizmente muitos que saudaram a Revolução com entusiasmo foram atingidos em função das intrigas e das ambições políticas naturais nestes momentos históri- cos, em todos os lugares e em todos os tempos. Encontramos na edição as referências a políticos estimados e alinhados com o movimento que acabaram afastados da vida pública pelos seus inimigos e não pela Revolução. Assim foi com o então deputado estadual mineiro Aníbal Teixeira, que depois da Anistia foi deputado e Ministro, assim como o grande homem público que foi JK, que nada tinham de corruptos ou de subversivos. Mas, com todos os erros, os acertos foram maiores. O Brasil nunca cresceu tanto, a renda foi tão bem distribuída em tempos inflacionários, e crescemos a taxas só obtidas agora pela China, no governo do Presidente Médici. E a mídia era correta, verdadeira, com coragem e bravura na defesa dos in- teresses nacionais. Pena que o legado de Roberto Marinho e Assis Chateaubriand, de posições firmes, tenha sido sucedido pela entrega das redações a um verdadeiro domínio ideológico de esquerda, sem compromissos com a história dos próprios jornais. O ponto alto dos anos dourados, de progresso, foram as obras, na habitação, no saneamento, nas estradas e nos portos, nas telecomunicações. Foi o planejamento de nosso projeto desenvolvimentista. Quem conhece, quem estuda, sabe o que fizemos nos vinte anos e que safra de brasileiros construiu o Brasil Grande. De Roberto Campos a Delfim Neto, de Mário Andreazza a Elizeu Resende, de Costa Cavalcanti a César Cals. Todos com dignidade e correção pessoal. Uma pena que a mentira domine, passageiramente é claro, os meios de comunicação, os livros escolares. Mas os registros históricos sobreviverão, entre os quais as edições deste bravo e destemido jornal. Os tempos são outros. Mas algumas das ameaças que pairam sobre nossa Pátria são as mesmas, em função da insistente influência de gente perdida no tempo, que não mudou, não evoluiu e ainda pensa como nos anos da Guerra Fria. A conclusão que se chega é que, para defender a Democracia que temos – e foi devolvida pelos militares – mais do que nunca devemos respeitar, exaltar, prestigiar e defender as nossas Forças Armadas. A EDIÇÃO HISTÓRICA Apedido do Presidente Ranieri Maz- zili, uma comissão de oito parla- mentares – Pedro Aleixo, Martins Ro- drigues, Daniel Krieger, Bilac Pinto, Adauto Lúcio Cardoso, Paulo Sarazate, João Agripino e Ulysses Guimarães - elaborou um projeto de Ato Institucio- nal. Diz o Senador Daniel Krieger, de- poislíderdogovernodoPresidenteCosta e Silva: “A minha interferência restrin- giu-se a discordar do prazo de 15 anos, proposto à comissão por um de seus integrantes – Ulysses Guimarães”. O projeto da Comissão foi substi- tuído por outro elaborado pelos profes- sores Francisco Campos e Carlos Me- AI-1 E ULYSSES GUIMARÃES Projeto do Ato Institucional nº 1 de 9 de abril de 1964 deiros. Comenta Krieger: “Devo regis- trar, entretanto, que o redigido pelos citados parlamentares não era mais liberal do que o dos eminentes mes- tres.” (Daniel Krieger, ... Desde as Mis- sões ... Saudades, Lutas, Esperanças – José Olympio - Rio de Janeiro, 1978 – 2º edição pág 172. O fato, muito pouco conhecido, é relembrado pela Folha de São Paulo de 1º de maio de 1989 (Política, fl A7, “Há 60 anos Ulysses sonha em ser Presiden- te da República”) e pelo Jornal do Bra- sil de 18 de outubro de 1992 (A contra- dição – do apoio ao Golpe de 1964 ao comando da resistência). UM MILHÃO DE CARIOCAS NA MARCHA DA LIBERDADE O ex-presidente da República, Marechal Eurico Gaspar Dutra, que também recebeu aclamações acena ao povo do palanque. (Manchete - Abril/64) Jornalista Aristóteles Drummond Publicado no Inconfidência, nº 149 de 31 de março de 2010 16
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    17Nº 276 -31 de Março/2020 REALIZAÇÕES DO GOVERNO CÍVICO-MILITAR - 1964/1985 Ponte General Costa e Silva (Rio-Niterói) EM MINAS GERAIS Apesar da “ditadura”, Israel Pinheiro é eleito em 1965, e dá início ao crescimento econômico de Minas. Em seguida, os governos de Rondon Pacheco e Aureliano Chaves, fazem decolar a economia mineira, com a criação dos Distritos Industriais, destacando-se os de Uberlândia, Itajubá, Pouso Alegre, Juiz de Fora, Varginha, Contagem. • Aprovação da lei 5261 de incentivos fiscais, Escola Su- perior de Agricultura de Lavras, levando o Estado de Minas a ter o maior desenvolvimento de sua história, gerando milha- res de empregos. • Projetos são alavancados no BDMG, INDI, Finepe, Fun- dação João Pinheiro, BNDE e na empresa privada. • Betim recebe a FIAT Automóveis, promovendo o bem estar social e fortalecendo seu distrito industrial. • São implantadas em Ouro Branco, a Açominas e em Juiz de Fora, a Siderúrgica Mendes Júnior. • A malha rodoviária é expandida pelo DER, é construído o Aeroporto de Confins. • A Cemig, sempre presente no desenvolvimento de Minas, constrói hidrelétricas, destacando-se São Simão, Emborcação, Volta Grande e a ampliação da capacidade de Três Marias, gerando energia para as indústrias, particularmente para as cimenteiras que se instalam em território mineiro e permitindo o crescimento da agroindústria nos campos do cerrado. • Telemig, Ceasa, Camig, Casemg, instalações industriais na área da Sudene em Montes Claros, Rural Minas que desen- volve o Projeto do Vale do Jaíba. • Somente nos governos de Rondon, Aureliano e Francelino, são expedidos 48144 títulos de propriedade rural, mais do que o dobro dos governos de Tancredo, Garcia, Cardoso e Aze- redo, com 22706 títulos. • As Construtoras Mendes Júnior e Andrade Gutierrez exportam sua tecnologia. • A Companhia Vale do Rio Doce, torna-se a maior expor- tadora mundial de minério de ferro. • Empresas crescem junto com Minas: MBR, Usiminas, Cenibra (hoje a 2ª maior produtora e exportadora de celu- lose), Helibrás, Valep, Valefértil, Florestas Rio Doce, Acesita, Belgo-Mineira, Mannesmann, Samitri, Ferteco, Arafértil, Pa- raibuna, Alcoa e outras. • O BEMGE - Banco do Estado é reestruturado e passa a ser respeitado nacionalmente. EM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTEEM BELO HORIZONTE • Canalização do rio Arrudas; • Construção do Fórum; • Implantação do trem de superfície (metrô) • Via Expressa e Anel Rodoviário; • Construção do CEU - Centro Esportivo Universitário na UFMG. SÃO PAULO PAROU PARA DEFENDER O REGIME Marcha da Família com Deus, pela Liberdade. Mais de 500 mil paulistanos vão às ruas para pedir a intervenção das Forças Armadas em defesa da Constituição e dos princípios democráticos. Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964 TEXTO COMPLETO no site www.averdadesufocada.com ECONOMIA • O Brasil passa a ser a 8ª eco- nomia mundial. Era a 47ª. • É alcançado um PIB de 14% • Exportações crescem de US$ 1,5 bilhões para 37 bilhões de dólares. • Redução da inflação de 100% a.a. para 12% a.a. sem controle de preços a pleno emprego e sem massacre do funcionalismo pú- blico. • PAEG - Programa de Ação Eco- nômica do Governo. • Código Tributário. • Código de Mineração. • Zona Franca de Manaus. • IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal. • Banco Central criado em De- zembro/64. • ICM - IPI - ISS. • Banco da Amazônia • SUDAM - Superintendência de Desenvolvimento da Amazô- nia. EDUCAÇÃO/SAÚDE • Estatuto do Magistério Supe- rior. • Matrículas no ensino superi- or de 100 mil em 1964 para 1,3 milhão em 1981. • Mais de 10 milhões de estu- dantes nos bancos escolares. • Estabelecimentos de assistên- cia médica-sanitária aumentaram entre 1970/84, de 6 mil para 28 mil. •Crédito Educativo - Projeto Ron- don - MOBRAL. • Fomento e financiamento da pesquisa: CNPq, FINEP e CA- PES • Cursos de Mestrado e Douto- rado • Construção dos maiores está- dios, ginásios, conjuntos aquá- ticos e complexos desportivos em diversas cidades e nas prin- cipais universidades federais; • Projeto Rondon. EMPREGO TRABALHO/SOCIAL • Criação de 13 milhões de em- pregos. • Conselho Nacional de Polui- ção Ambiental. • INDA - Instituto de Desen- volvimento Agrário. • SFH - Sistema Financeiro Habitacional • BNH - Banco Nacional de Ha- bitação. • Construção de 4 milhões de moradias. • Leis do Inquilinato, dos Condomínios e Edifica- ções. • Regulamentação do 13º salário. • INPS - IAPAS, Data- prev, LBA, FUNABEM e o INAMPS. • FUNRURAL - Uma das maiores obras sociais do século XX no Brasil, bene- ficiando 8 milhões de tra- balhadores rurais • Programas de Merenda AMX A-1 - A Embraer é hoje uma das maiores exportadoras brasileiras Itaipú - A maior hidrelétrica do mundo Complexo Esportivo da Universidade Federal de Santa Maria / RS (1972) E muitas, muitas outras mais... Escolar e Alimentação do Tra- balhador (PAT) •CriaçãodoFGTS,PIS,PASEP. ENERGIA TELECOMUNICAÇÕES • Criação da Eletrobrás, Nucle- brás e subsidiárias, Embratel e Telebrás. • Instalação da Usina Nuclear em Angra dos Reis (Angra I e Angra II) • Pró-álcool (95% da frota nacio- nal de automóveis a álcool). • Construídas mais de 30 usi- nas hidrelétricas, entre as quais as maiores do mundo: Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá, Itaipu... • Prospecção de petróleo em grandes profundidades na ba- cia de Campos, com exportação de tecnologia; • Telebrás implanta 12 mi- lhões de linhas telefônicas; mi- croondas interligam todas as capitais; estação de satélite interliga o Brasil com o mundo todo; TV em cores em todo o país; transmissão de dados e internet; cabos submarinos de fibra ótica para os Estados Unidos e Europa; DDD e DDI no país e para o mundo. POLÍTICA ADMINISTRATIVA • É restabelecida a autoridade por 20 anos. • Extensão do mar territorial de 12 para 200 mi- lhas marítimas. • SNI - Serviço Nacional de In- formações. • Polícia Fede- ral. • LSN - Lei de Segurança Nacio- nal. • Reforma do TCU. • Reformas Ad- ministrativas, Agrária,Bancária, Eleitoral, Habita- cional, Política e Universitária. PRODUÇÃO/ INDÚSTRIA INFRAESTRUTURA • Construção de 4 portos e ex- pansão e recuperação de 20 ou- tros, destacando-se Tubarão/ES e Sepetiba/RJ. • Indústria aeronáutica, naval, bélica e automobilística. • Rede asfaltada ampliada de 3 mil para 45 mil quilômetros. • Ferrovia da soja (Roca Sales - Passo Fundo) - Transamazônica. • Rede ferroviária ampliada em 3 mil km e remodelada em 11 mil km. • Frota mercante de 1 para 4 mi- lhões de TDW (1974/1980). • Corredores de exportação em Vitória, Santos, Paranaguá e Rio Grande. • Produção de 70 milhões de to- neladas de grãos. Criação da Em- brapa. • Duplicação da Rodovia Rio / Juiz de Fora e da via Dutra (Rio – São Paulo); • Criação da EBTU; Implantação do metrô nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Ho- rizonte, Recife e Fortaleza; • Construção de eclusas na hi- drovia Tietê-Paraná; em Sobra- dinho (São Francisco); início em Tucuruí (rio Tocantins) e Boa Esperança (rio Parnaíba); • Criação da Infraero propor- cionando a construção, moder- nização e ampliação dos prin- cipais aeroportos brasileiros, destacando-se Galeão, Guaru- lhos, Brasília, Confins, Campi- nas, Viracopos, Salvador, Ma- naus e particularmente na Ama- zônia (COMARA); • Implantação dos pólos pe- troquímicos em São Paulo (Cu- batão) e na Bahia (Camaçari); • Construção de porto no Ma- ranhão para a exportação de mi- nério de ferro da Serra dos Ca- rajás (CVRD); • A Petrobrás aumenta a produ- ção, de 75 mil para 750 mil barris/ dia de petróleo, • Estruturação das grandes construtoras nacionais.
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    18Nº 276 -31 de Março/2020 Turma de 18 de janeiro de 1921 Em 31 de março de 1964, o Estado de Minas Gerais se rebelou contra o governo central. Tropas do Exército e da PMMG saíram dos quartéis para a derrubada do governicho cripto-comu- nista de João Goulart. O “Destacamento Tiradentes”, co- mandado pelo Gen Antônio Carlos da Silva Muricy, partiu, naquela data, para a divisa Minas-Rio (corte do rio Pa- raibuna) ficando em condições de pros- seguir na direção do Rio de Janeiro, dando início ao glorioso Movimento. Há alguns fatos curiosos acerca da Revolução. Os Oficiais-Generais da Tur- ma de Aspirantes-a-Oficial, formada em 18dejaneirode1921,naEscolaMilitardo Realengo, tiveram papel preponderante no desenrolar dos acontecimentos. Per- tenciam à mencionada Turma, o Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro; o Chefe do Estado-Maior do Exército, Ge- neralHumbertodeAlencar Castello Bran- co; o Comandante do I Exército, Gene- ral Armando de Moraes Ancora; o Co- mandante do II Exército, Gen Amaury Kruel; o Comandante do III Exército, General Benjamin Rodrigues Galhardo; o Chefe do Departamento-Geral do Pes- soal, General Arthur da Costa e Silva; o Chefe do Departamento de Provisão- Geral, General João de Segadas Viana; o Comandante da 4ª RM, General Olímpio Mourão Filho e os Generais Adhemar de Queiroz, futuro Ministro da Guerra; João Baptista de Mattos, escritor e historiador militar; Octacílio Terra Ururahy; Nilo Augusto Guerreiro Lima; Estevão Taurino de Rezende Netto; João Batista Rangel; José Theó- filo de Arruda; Emílio Maurell Filho; Ignácio de Freitas Rolim e Antonio Accioly Borges. Diga-se que daquela Turma também faz parte o hoje cente- nário Marechal Waldemar Levy Cardo- so, herói da FEB, nascido em 4 dezem- bro de 1900 (século XIX) e “Decano da ArtilhariaBrasileira”. Melhor especificando pelas Ar- mas, esta Turma excepcional: INFANTARIA: • Humberto de Alencar Castello Branco • Alcindo Nunes Pereira • João de Segadas Vianna • Arthur da Costa e Silva • HugoSilva• Alcebíades TamoyodaSilva• OlympioMourãoFilho • Aguinaldo Caiado de Castro • Nilo Au- gusto Guerreiro Lima • Armando Cattani • Armando Baptista Gonçalves • Ignácio de Freitas Rollim • Mario Tasso Sayão Cardoso • Francisco Silveira do Prado • Antonio José Coelho dos Reis • Octávio Massa • Armando de Mello Meziat • Jair * Manoel Soriano Neto Dantas Ribeiro • Renato Rodrigues Ribas • João Baptista Rangel • Ignácio de Loyola Daher • Agenor de Andrade • Samuel da Silva Pires • João Baptista de Mattos • João Ururahy de Magalhães • Napoleão de Alencastro Guimarães • Jo- ão de Almeida Freitas • Armando Levy Cardoso • João Saraiva • Manoel Joa- quim Guedes • Iracy Ferreira de Castro. CAVALARIA: • Armando de Mo- raes Ancora • Milton Cezimbra • Ernes- to Dornelles • José Dantas Arêas Pimen- tel • Riograndino Kruel • Eleutério Brum Ferlich • Estevão Taurino de Rezende Neto • José Theóphilo de Arruda • Ini- má Siqueira • Amaury Kruel • Thales Moutinho da Costa • Heitor Lopes Ca- minha. ARTILHARIA: • Emilio Maurell Filho • Luiz Antonio Bittencourt • João Punaro Bley • Amangá Liberato de Cas- tro Menezes • Waldemar Levy Cardoso • Alcides Gonçalves Etchegoyen • Nel- son Gonçalves Etchegoyen • Olindo Denys • Saint Clair Peixoto Paes Leme • Adhemar de Queiroz. ENGENHARIA: • Ary Maurell Lobo • Antonio Guedes Muniz • Attila Magno da Silva • Benjamim Rodrigues Galhardo • Edmundo Macedo Soares e Silva • Bernardino Correia de Mattos Netto • Octacílio Terra Ururahy. Ainda a respeito da “Contra-Re- volução” de 1964 e da Turma de 1921 da Escola Militar de Realengo, consigne- se que às 18 horas de 1º de abril de 1964, reuniram-se no Gabinete do Comando da Academia Militar das Agulhas Ne- gas, os Generais Ancora, Comandante do I Exército e Ministro (interino) da Guerra e o General Kruel, Comandante do II Exército, que acertaram a cessa- ção das operações, evitando, assim, provável derramamento de sangue en- tre tropas do Exército Brasileiro. Os dois Generais eram da citada Turma de 1921, ambos oriundos da Arma de Ca- valaria, gaúchos e heróis da FEB, como gaúcho e de Cavalaria era o Comandan- te da AMAN, o então General-de-Bri- gada Emílio Garrastazu Médici. Como mais uma curiosidade, ca- be assinalar que os Generais Castello Branco e Mourão Filho foram servir, como Aspirantes-a-Oficial, no 12º RI, de Belo Horizonte-MG, onde era Cabo, o futuro Vice-Presidente da República José Maria Alckmin. HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL Generais Mourão Filho e Guedes recebem o Presidente Castello Branco no QG da ID/4, no dia 28 de fevereiro de 1966, em Belo Horizonte *Coronel - Historiador - Ex-Chefe do CDOCEx Membro do IGHMB e da AHIMTB * Raymundo* Raymundo* Raymundo* Raymundo* Raymundo Negrão TorresNegrão TorresNegrão TorresNegrão TorresNegrão Torres * General-de-Divisão O REGIME FARDADO O“regime fardado” – como gos- ta de chamar certo escriba cá da terra – continua a ser acusado de ser o responsável por todas as nos- sas desgraças presentes, passadas e futuras, inclusive por este vendaval de corrupção que se abateu sobre o país. Mas, alguns também ensaiam tímidas comparações como há pou- co ocorreu quando da morte do ge- neral Otávio Medeiros, chefe do SNI no governo Figueiredo, falecido em situação de quase indigência, e al- guém lembrou que, apesar de terem governado ou mandado em um regi- me autoritário, os generais morrem pobres. Um dos mais cáusticos críti- cos da “ditadura militar” foi Elio Gaspari em seus quatro recentes li- vros. No segundo deles – A Ditadu- ra Escancarada - as peripécias da es- colha do substituto de Costa e Silva constituem um alentado capítulo de credibilidade muito discutível já que se baseia em algumas fontes suspei- tíssimas, como Jayme Portella de Mello - uma espécie de “golbery” do “seu Artur” -, o despeitado panfle- tário Carlos Lacerda e o jornalista Carlos Chagas, então servidor da di- tadura, que, apeado da sinecura que arranjara, tornou-se um feroz e res- sentido detrator dos militares. Hoje, sabe-se lá porque, mudou outra vez de lado. Outras surpreendentes, co- mo a do então ministro Delfim Neto, em um suposto depoimento de maio de 1988. Surpresa, pe- lo menos, para quem nunca acreditou no que transpirou do que dizia o Relatório Sa- raiva. As demonstra- ções de apego ao po- der, as ambições, as vaidades e o entrecho- que de grupos ali mos- trados são parte de um quadro que tem certa credibilidade, mesmo para quem não se ceve na peçonha que o autor destila ao descrever cer- tos acontecimentos. Tais mazelas eram parte de um sistema de poder que sempre preocupara Castello Branco, mas que já eram sinais claros da perda de rumo que faria do movimento de 1964 mais uma revolução perdida, como profetizara o general Ernesto Geisel, ao saber que o substituto de Castello seria Costa e Silva. Mas, apesar e independente disso, enquan- to a “tigrada” continuava fiel ao cum- primento de sua missão de impedir a comunização do país, o “concílio dos generais” acabaria por escolher para assumir o posto na “troca da guar- da” um de seus pares, capaz das de- monstrações de autoridade, simpli- cidade, modéstia, desprendimento e integridade moral que mesmo um autor tendencioso e parcial, como Elio Gaspari, foi incapaz de esconder. Quantos presidentes neste país po- deriam receber os elogios que o au- tor dedica ao general Medici, regis- trados à página 133 do citado livro? Eis o que escreveu o autor: A ditadura estava no seu oitavo ano, no terceiro general. Médici cavalgava popularidade, progresso e desempenho. Uma pesquisa do IBOPE realizada em julho de 1971 atribuíra-lhe 82% de aprovação. Em 1972 a economia cresceria 11,9%, a maior taxa de todos os tempos. Era o quinto ano consecutivo de crescimento superior a 9%. “Presidiu o país em silêncio, lendo discursos escritos pelos ou- tros, sem confra- ternizações so- ciais, implacável com mexericos. Passou pela vida pública com escrupulosa honorabi- lidade pessoal. Da Presidência ti- rou o salário de Cr$ 3.439,98 líqui- dos por mês (equivalente a 724 dó- lares) e nada mais. Adiou um au- mento da carne para vender na bai- xa os bois de sua estância e desviou o traçado de uma estrada para que ela não lhe valorizasse as terras. Sua mulher decorou a granja ofici- al do Riacho Fundo com móveis usados recolhidos nos depósitos do funcionalismo de Brasília”. No terceiro volume da mesma obra – A Ditadura Derrotada – Elio Gaspari escreveu: “A ditadura estava no seu oita- vo ano, no terceiro general. Médici cavalgava popularidade, progresso e desempenho. Uma pesquisa do IBOPE realizada em julho de 1971 atribuíra-lhe 82% de aprovação. Em 1972 a economia cresceria 11,9%, a maior taxa de todos os tempos. Era o quinto ano consecutivo de cresci- mento superior a 9%. A renda per capita dos brasileiros aumentara 50%. Pela primeira vez na história as exportações de produtos indus- trializados ultrapas- saram um bilhão de dólares. Duplicara a produção de aço e o consumo de energia, triplicara a de veícu- los, quadruplicara a de navios. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro tivera em agosto uma rentabi- lidade de 9,4%. Vi- via-se um regime de pleno emprego. No eixo Rio - São Paulo executivos ga- nhavam mais que seus similares ame- ricanos ou europeus. Kombis das empresas de construção civil recru- tavam mão de obra no ABC paulista com alto falantes oferecendo bons salários e conforto nos alojamentos. Um metalúrgico parcimonioso ga- nhava o bastante para comprar um fusca novo. Em apenas dois anos os brasileiros com automóvel passa- ram de 9% para 12% da população e as casas com televisão de 24% para 34%. O Secretário do Tesouro ame- ricano, John Connally, dissera que “os EUA bem poderiam olhar para o exemplo brasileiro, de modo a pôr em ordem a sua economia”. Está lá, nas páginas 26 e 27 do livro de Elio Gaspari para quem qui- ser conferir e fazer suas compara- ções, registrado por um escriba aci- ma de qualquer suspeita de ser a favor do “regime fardado” ou sau- doso “dos tempos dos coturnos”. (Publicado no Inconfidência nº 89 - Dezembro 2005)
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    19Nº 276 -31 de Março/2020 * Por Jarbas Passarinho * Coronel Reformado - Foi ministro de Estado, governador e senador pelo Pará. Olúcido escritor mineiro João Camil- lo de Oliveira Torres escreveu que, no Brasil, os golpes de Estado são con- denados pelos prejudicados e saudados pelos favorecidos. Justo seria se fossem sempre condenados, se a hipocrisia não fosse uma componente de quem não se importa com a democracia feri- da mas com a perda de suas vantagens. No Brasil, em 1937, o presidente GetúlioVargasserviu-sedoPlanoCohen, uma fraude simuladora de iminente ame- aça comunista. Deu o autogolpe, apoia- do nas Forças Armadas ainda marca- das pela revolta de 1935, liderada por Carlos Prestes, a mando de Moscou. Os simpáticos ao fascismo aplaudi- ram; os outros resignaram-se até outu- bro de 1945, quando um golpe das For- ças Armadas depôs o ditador. Quase 30 anos depois, modelo de 1937 parece ter inspirado João Goulart. Agora, a esquerda é que seria o vetor revolucionário. Prestes, secretário-geral do Partido Comunista, mantinha íntima ligação com o presidente. Di-lo o livro que ditou para os jornalistas Dênis de Moraes e Francisco Viana. Destacou um militante importante ‘‘para representar o partido nas articulações com Jango’’, o que não excluía sua ligação, a ponto de, no Comitê Central do PCB, Marighella o chamar de janguista. Obsessivo anotador nas famosas cadernetas manuscritas, depois apresa- das, numa refere-se claramente ao golpe: ‘‘A luta se manifesta nas Forças Arma- das através de conchavos. Vamos con- centrar o fogo no inimigo principal e vamosmarcharcomtodos,Goulart,Osvi- no, etc. no golpe’’. Difícil é saber se o gol- pe de Prestes era autônomo, ou, sempre O CONTRAGOLPE DE 1964 JornalAManhãdaAliançaNacionalLibertadora,Rio,27/11/1935 O motim dos marinheiros no dia 25 de março com Jango, na estratégia do ‘‘etapismo’’, ou seja, da aliança com a burguesia pro- gressista na figura de Jango, para a con- quista do socialismo por via pacífica. Leonel Brizola, esse tinha a virtude de pregar o golpe abertamente, clamando pelo fechamento do Congresso. Cunha- do, embora, do presidente. Tinha luz pró- pria na práxis do golpe, tanto que fundou os ‘‘grupos dos onze’’, de aparência pa- ramilitar. Certamente não se destina- vam a estudar a Bíblia, mas ser o em- brião do Exército Popular de Liberta- ção. Vigiavam Jango. Assim é que, perto de 31 de março de 1964, analisando a conjuntura, concluíram: ‘‘O golpe não vem da direita, mas de Jango’’. AGuerraFriaestavanoauge,União Soviética e Estados Unidos atentos ao Brasil. O embaixador soviético Fomim teve a mesma conclusão. Seus telegra- mas secretos para Moscou, conhecidos após o colapso da URSS, atribuíam a Jango o golpe. O embaixador americano Gordon impressionara-se com a inconfi- dênciaquelhefezSamuelWainer.Íntimo de Jango, dele ouvira dizer-lhe sob gran- de emoção que ‘‘poderia manter a rotina de cortar fitas em inaugurações e fazer discursos nos feriados nacionais, ou re- nunciar como fizera Jânio, ou poderia dar o salto!’’ Ainda assim, foi cauteloso ao sintetizar para Washington, nos últimos dias de março, sua avaliação. Telegrafou informando a probabilidade de ‘‘haver um golpe dado por Goulart, um golpe contra Goulart ou o início de uma longa luta armada’’. A preparação legitimada do autogolpe, tentou-a Jango, ao propor o Estado de Sítio, mas malogrou a mano- bra porque — revela Prestes — não con- tou com os comunistas, receosos de que, depois de aniquilado o governador Carlos Lacerda, fossem eles os próximos. O autogolpe de 1937 contou com respaldo total dos militares. Falto disso, Jango buscou o apoio dos subalternos das Forças Ar- madas. Tenho, para mim, que o autogolpe não teria êxito se baseado somente nas greves políticas da ile- gal CGT, ou no discurso carbonário de Brizola para fechar o Congresso, nem mesmocomoapoiodePres- tes. Era preciso sublevar os subalternos das Forças Ar- madas. Dois exemplos fa- lam por si sós. Em setembro de 1963, sargentos da Aero- náutica e da Marinha revol- taram-seemBrasília.Dominaramominis- tério da Marinha, o quartel dos Fuzileiros Navais e perderam um marinheiro, morto no ataque ao Ministério da Aeronáutica. Foram vencidos e presos. Mas o motim ficaria impune. As gotas d’água vieram sucessivas. O motim dos marinheiros, no Rio, no dia 25 de março de 1964, desafiou o ministro da Marinha, que mandou prendê-los pelos fuzileiros — que não só se recusaram a cumprir como confrater- nizaram com os amotinados. O presiden- te preferiu exonerar o ministro da Mari- nha e nomear outro, dos três indicados pelos rebelados. Finalmente, o presiden- te, em 30 de março, aceita receber home- nagem dos sargentos no Rio de Janeiro. Dois discursos são ovacionados: o do marinheiro Anselmo e o do presidente Jango, na mais radical fala de sua vida pública, ao acenar com ‘‘as represálias do povo’’. Que precisava mais, para o golpe vindo de cima? O general Cas- tello Branco, chefe do EstadoMaiordoExér- cito, tentou ainda, em 20demarço,advertiro governo sobre os rumos que tomava. Distribuiuumacirculardestinadaaosseus subordinados. Ainda era o legalista de sempre, mas advertia: ‘‘A insurreição é um recurso legítimo de um povo. Está ele pedindo ditadura militar ou civil e Cons- tituinte? Parece que ainda não’’. Até 20 de março, pois, éramos antigolpistas. De- pois do motim dos marinheiros e do dis- curso incendiário no Automóvel Clube, as Forças Armadas foram atingidas no âmago de seus pilares: a disciplina e a hierarquia. Nada mais havia a aguar- dar, senão o golpe preventivo ou con- tragolpe. Tudo o que está aqui citado é in- desmentível, exceto por quem, como can- ta Camões, ‘‘negue também ao sol a clari- dade e certifique-se mais que o fogo é frio’’. Pois esses negativistas abun- dam. Mentem deslavadamente. Um que a despeito de religioso católico, que não deveria mentir, disse que a CIA foi a mentora dos oficiais do contragolpe e que LincolnGordonissoadmitiu.Gros- sa patranha. Mentem os que negam o apoio maciço da sociedade civil ao contragolpe que matou o golpe. Cínicos são os que dizem ter lutado contra uma ditadura quando defendiam ardorosa- mente a ditadura de Fidel Castro e Stálin. Tartufos, os que simulam ter lutado por direitos humanos ofendidos ao mesmo tempo em que os aplaudia violados em Cuba. Não foi à toa que Voltaire disse, diante de farsas dessa natureza: ‘‘As- sim se escreve a História’’. (Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004(Publicado em 30 de março de 2004 no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense)no Estado de Minas e no Correio Braziliense) Em 30 de março, no Automóvel Clube, no Rio de Janeiro Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é. Lenine ARevolução de 31 de março de 1964 eclodiu em Minas Gerais, no dia 30 de março, sendo o governa- dor José de Magalhães Pinto o seu líder civil, que, de imediato, contou com o decisivo apoio do comandante da Infantaria Divisionária da 4ª Re- gião Militar/4ª Divisão de Infantaria (sediada em Belo Horizonte), general de brigada Carlos Luís Guedes, e do comandante-geral da Polícia Militar de MG, coronel José Geraldo de Oli- veira. O chefe militar do Movimento Revolucionário foi o general de divi- são Olympio Mourão Filho, coman- O DESTACAMENTO TIRADENTES dante da 4ª Região Militar/ 4ª Divisão de Infantaria, com sede em Juiz de Fo- ra. Tudo está detalhadamente descrito nos livros “Tinha que Ser Minas” (Edi- tora Nova Fronteira SA, RJ, 1979), de autoria do general Carlos Luís Guedes e “Memórias: A Verdade de um Revo- lucionário – apresentação e arquivo de Hélio Silva” (L&PM Editores Ltda – Hélio Silva, 1978, 4ª Edição). Esta obra contém as memórias do general Mou- rão Filho e foi apresentada e comenta- da, após a sua morte - ocorrida em 1972 -, como era de seu desejo, pelo historiador Hélio Silva. Em 31 de março, o general Mou- rão Filho constituiu o “Destacamento Tiradentes” (comandado pelo general de brigada Antônio Carlos da Silva Muricy, cujo chefe do Estado-Maior era o tenente-coronel Walter Pires de Carvalho e Albuquerque, futuro mi- nistro da Guerra, e integrado por Uni- dades do Exército e da PMMG). A tropa iniciou, às 12h30, de 31 de mar- ço, o seu deslocamento para o então estado da Guanabara, onde se encon- trava o presidente da República, como consta no documento “Relatório das Atividades do Destacamento Tiraden- tes”, de 7 de abril de 1964, assinado pelo general Mourão Filho. Lê-se em um trecho no dito Relatório: “......... co- mo homenagem ao espírito que irma- nava todos os seus integrantes, bem como a todos os mineiros, foi deno- minado DESTACAMENTO TIRA- DENTES para simbolizar o ideal de: “Libertas Quae Sera Tamen’’ O Destacamento chegou vitorio- so ao Rio de Janeiro -após obter a ade- são das tropas da 1ª Divisão de Infanta- ria (RJ), em Areal- Três Rios -, onde acantonou no Estádio do Maracanã, re- tornando a Minas Gerais em 6 de abril. Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64Manchete-11/04/64
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    20Nº 276 -31 de Março/2020 Em várias cidades foram apreen- didas livros e revistas subversi- vos escritos em português e espanhol editados no Brasil, em Cuba e em paí- ses da cortina de ferro, entre eles, Tche- coslováquia e Romênia. Também grande quantidade da revista Movimento 10, órgão oficial da UNE. Dessa revista, nº 3 de abril/ 1963, destacamos os seguintes as- suntos: -A crise econômica dos EEUU -Para onde vai João Goulart -Venezuela em Revolução -A evolução das lutas sindicais -Solidariedade a Cuba Não nos surpreende, que passa- dos 40 anos, os estudantes (?) (pro- fissionais, comunistas, antigos aman- tes de Guevara e Fidel e agora de JÚLIO MESQUITA (1891 / 1927) SQUITA FILHO ANO LXXXV TERÇA-FEIRA, 7 DE ABRIL DE 1964 O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S.O ESTADO DE S. “Lemos, com muito gosto, o livro do General Carlos Luís Guedes, que agora será publicado. Sabemos que muitos episódios que precederam a revolução de março de 1964 se tornaram polêmicos. A atmosfera da paixão que os envolvia e a fragilidade do testemu- nho humano desfiguraram comportamentos e intenções de muitos dos que concorreram para sua deflagração e êxito. Desejamos, por isso, dizer uma palavra sobre o Gen. Guedes, cuja atuação acom- panhamos a cada dia, na época que antecedeu aquele movimento durante a sua evo- lução. Quanto aos fatos de que participamos ou de que fomos testemunhas, a narrativa é exata e correta. Em nenhum passo sua palavra fugiu à realidade, aos acontecimentos. Há probidade nas suas afirmativas, zelo pela verdade e preocupação histórica no que escreve. Seu livro é um relato fiel do que se passou em todo o curso da revolução e, assim, é com júbilo que saudamos a sua publicação. No preparo do movimento - e isso dizemos com profunda convicção - ninguém desprezou mais o risco, foi mais valoroso e constante na pregação revolucionária, menos atento a seu destino pessoal ou caminhou inspirado por maior idealismo. Em horas tão difíceis, havia os que, diante de certos obstáculos, se tornavam tímidos ou descrentes. Nunca vimos o Gen. Guedes, mesmo nos lances mais desalentadores, abalado em sua determinação e sua coragem. Aliado a muitos homens de igual valor e sempre junto ao Governador Magalhães Pinto, que se comportou com idêntica e permanente bravura pa- triótica, o Gen. Guedes foi uma vigorosa matriz de ação revolucionária. Seu livro servirá para dissipar dúvidas, restaurar verdades, e por isso mesmo se constituirá num rico e valioso depoimento para a História”. DEPOIMENTOS HISTÓRICOS OSWALDO PIERUCCETTI - *Secretário do Interior e Justiça/MG JOSÉ MONTEIRO DE CASTRO - *Secretário de Segurança Pública/MG Acerca da participação do General Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís GuedesGeneral Carlos Luís Guedes na Contrarrevolução de 1964 (excertos do livro “Tinha que ser Minas”, de autoria deste memorável militar) (*Cargos ocupados no governo Magalhães Pinto, em 1964). CORONEL JOSÉ GERALDO DE OLIVEIRA *Comandante-Geral da PMMG, em 1964 “O destino de um povo, nos momentos decisivos de sua história, depende, muitas vezes, da atuação de um homem. Este homem, no movimento revolucionário de março de 1964, foi o General Carlos Luís Guedes. Convivi, intimamen- te, ao lado do Gen. Guedes com os acontecimentos que se transformaram em marco assinalado da História do Brasil. A Polícia Militar de Minas Gerais se integrou, decidi- damente, nas hostes do prudente mas intrépido Chefe Militar, dando-lhe um suporte não desprezível para superar a indeci- são e a fraqueza de alguns que, na hora decisiva, titubearam em honrar os compromissos livremente assumidos, e, posteri- ormente, em livros e memórias ou através de processos menos aceitáveis, extravasaram o seu despeito, tentando ocultar o aviltamento próprio. Em desacordo com o que se cos- tuma afirmar, o que vale é o fato, e não a sua versão. E os fatos comprovaram, de sobra, o valor, o desassombro e a incrível ousadia desse bravo soldado, na chefia do movimento armado de março de 1964, que ele deflagrou, em Belo Horizonte, secundando o gesto do Chefe Civil da Revolução, o governador José de Magalhães Pinto. A Revolução que o Gen. Guedes tornou vitoriosa, não soube reconhecer-lhe os mé- ritos, o que a História fará, certamente, a seu tempo”. José Monteiro de Castro, General Guedes, José Maria Alkimin, Governador Magalhães Pinto, General Mourão Filho, Oswaldo Pieruccetti e Roberto Rezende Publicado no Inconfidência nº 66 de 31 de março de 2004 O resultado No QG do II Exército, oficiais e praças descarregam o vultoso material subversivo encontrado em diligência no DCT de São Paulo. Foram apreendidos 4.500 volumes enviados de Havana, Moscou, Leningrado e Pequim. (Pág. 16) Chávez e Evo) ainda perseveram acreditando no regime assassino e falido de Cuba e similares, com- batendo o “imperialismo ianque” e exigindo a reforma agrária, pois fo- ramenvolvidoseenganadosporseus professores marxistas, adeptos da re- voluçãoculturalgramscista,queocu- pou os espaços na cátedra, no MEC e nas Secretarias Estaduais de Edu- cação. CUBA NÃO ESTÁ SÓ Convocado por tôdas as fôr- ças populares e progressistas da América Latina realizou-se no Brasil, de 26 a 30 de março, o En- contro Nacional e o Congresso Continental de Solidariedade a Cuba. (Página 16) Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 1963 Nos primeiros dias do movimento cívico-militar de 1964 fui desta- cado, como capitão comandante de esquadrão do 8º RC, para ocupar os pontos sensíveis da cidade, instalan- do meu posto de co- mando nos estúdios da Rádio Charrua. Na manhã de 2 de abril recebi a mis- são de invadir a Pre- feitura Municipal pe- los fundos, enquanto os fuzileiros navais bloqueariam a frente para impedir que al- guém de lá saísse. Ao entrarnogabinetedoprefeitoIzabelino Abbad, estava ele sentado à mesa, ro- deado por seu secretariado, como se já esperasse pelo que estava aconte- cendo. Oficiais do Estado Maior da 2ª DC, os Majores Cav. Gilberto Oscar Miranda Schmitt e José Campedelli entraram no gabinete e um deles, vi- rando-se para mim, disse-me: “Capitão Carús, conduza o prefeito até o quar- tel do Oitavo, onde ele deverá perma- necer”. Foram presos na ocasião além O Cel Carús foi prefeito de Uruguaiana por três vezes, sendo eleito pela primeira vez com a maior votação proporcional até hoje acontecida no município. Também foi deputado e secretário esta- dual e ainda assistente do presidente Emílio Médici. Hoje, é vice- prefeito de Uruguaiana (legislatura 2017/2020). Nossos cumprimentos por tudo que fez, não só por Uruguaiana, pelo Rio Grande do Sul, como também pela Pátria Amada Brasil! CAPITÃO ANTONIO AUGUSTO BRASIL CARÚS do prefeito, dois vereadores e deze- nas de suspeitos que lá se encontra- vam, todos armados porém sem ar- mas de grande porte. No trajeto até o quartel, per- guntou-me o prefeito Abbad: “Capitão, para onde sou levado e por- que estou sendo deti- do?”. Ao que lhe res- pondi ser seu destino o quartel do 8º RC e que estava cumprindo or- dens, nada mais tendo a informar. Vinte e cinco anos depois, em 1989, ao me eleger prefeito de Uruguaiana, com 64,95 % dos votos das urnas (após ter sido prefeito nomeado “Área de Segu- rança”), convidei o ex-prefeito Izabe- lino Abbad para ser secretário mu- nicipal de Ação Social. Em sua posse na secretaria, afirmou em seu discur- so: “O jovem capitão que um dia me levou daqui, agora me traz de volta para resgatar minha história de homem público. Seu gesto é dig- no da nobreza de espírito dos sol- dados que temos neste País”. NOSSO COMENTÁRIO URUGUAIANA/RS
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    21Nº 276 -31 de Março/2020 Se houve na história da América La- tina um episódio sui generis, foi a Revolução de Março (ou, se quiserem, o golpe de abril) de 1964. Numa década em que guerrilhas e atentados espou- cavam por toda parte, seqüestros e bom- bas eram parte do cotidiano e a ascen- são do comunismo parecia irresistível, o maior esquema revolucionário já montado pela esquerda neste conti- nente foi desmantelado da noite para o dia e sem qualquer derramamento de sangue. O fato é tanto mais inusitado quando se considera que os comunis- tas estavam fortemente encravados na administração federal, que o presiden- te da República apoiava ostensivamen- te a rebelião esquerdista no Exército e que em janeiro daquele ano Luís Carlos Prestes, após relatar à alta liderança soviética o estado de coisas no Brasil, voltara de Moscou com autorização para desencadear – por fim! – a guerra civil no campo. Mais ainda, a extrema direita civil, chefiada pelos governadores Adhemar de Barros, de São Paulo, e Carlos Lacerda, da Guana- bara, tinha montado um imenso esquema paramilitar mais ou menos clandestino, que totalizava não me- nos de 30 mil homens armados de helicópte- ros, bazucas e metralhadoras e dispos- tos a opor à ousadia comunista uma reação violenta. Tudo estava, enfim, preparado para um formidável banho de sangue. Na noite de 31 de março para 1o . de abril, uma mobilização militar meio improvisada bloqueou as ruas, pôs a liderança esquerdista para correr e ins- taurou um novo regime num país de dimensões continentais – sem que hou- vesse, na gigantesca operação, mais que duas vítimas: um estudante bale- ado na perna acidentalmente por um colega e o líder comunista Gregório Bezerra, severamente maltratado por um grupo de soldados no Recife. As lideranças esquerdistas, que até a vés- pera se gabavam de seu respaldo mili- tar, fugiram em debandada para dentro das embaixadas, enquanto a extrema- direita civil, que acreditava ter chega- do sua vez de mandar no país, foi cui- dadosamente imobilizada pelo gover- no militar e acabou por desaparecer do cenário político. Qualquer pessoa no pleno uso da razão percebe que houve aí um fe- nômeno estranhíssimo, que requer in- vestigação. No entanto, a bibliografia A HISTÓRIA OFICIAL DE 1964 sobre o período, sendo de natureza pre- dominantemente revanchista e incri- minatória, acaba por dissolver a origi- nalidade do episódio numa sopa re- ducionista onde tudo se resume aos lugares-comuns da “violência” e da “re- pressão”, incumbidos de caracterizar magicamente uma etapa da história onde o sangue e a maldade apareceram bem menos do que seria normal esperar naquelas circunstâncias. Os trezentos esquerdistas mor- tos após o endurecimento repressivo com que os militares responderam à reação terrorista da esquerda, em 1968, representam uma taxa de violência bem modesta para um país que ultrapassa- va a centena de milhões de habitantes, principalmente quando comparada aos 17 mil dissidentes assassinados pelo regime cubano numa população quin- ze vezes menor. Com mais nitidez ain- da, na nossa escala demográfica, os dois mil prisioneiros políticos que che- garam a habitar os nossos cárceres foram rigorosamen- te um nada, em com- paração com os cem mil que abarrota- vam as cadeias da- quela ilhota do Ca- ribe. E é ridículo supor que, na épo- ca, a alternativa ao golpe militar fosse a normalidade de- mocrática. Essa al- ternativa simplesmente não existia: a revolução destinada a implantar aqui um regime de tipo fidelista com o apoio do governo soviético e da Conferência Tricontinental de Havana já ia bem adi- antada. Longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta mili- tar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua condu- ta e por sua habilidade de contornar com o mínimo de violência uma das situações mais explosivas já verifica- das na história deste continente. No entanto, a historiografia ofi- cial – repetida ad nauseam pelos livros didáticos, pela TV e pelos jornais – consagrou uma visão invertida e ca- ricatural dos acontecimentos, enfa- tizando até à demência os feitos singu- lares de violência e omitindo sistema- ticamente os números comparativos que mostrariam – sem abrandar, é cla- ro, a sua feiúra moral – a sua perfeita inocuidade histórica. Por uma coincidência das mais irônicas, foi a própria brandura do go- verno militar que permitiu a entroni- zação da mentira esquerdista como his- tória oficial. Inutilizada para qualquer ação armada, a esquerda se refugiou nas universidades, nos jornais e no mo- vimento editorial, instalando aí sua principal trincheira. O governo, influ- enciado pela teoria golberiniana da “pa- nela de pressão”, que afirmava a ne- cessidade de uma válvula de escape para o ressentimento esquerdista, ja- mais fez o mínimo esforço para desafiar a hegemonia da esquerda nos meios intelectuais, considerados militarmen- te inofensivos numa época em que o governo ainda não tomara conhecimen- to da estratégia gramsciana e não ima- ginava ações esquerdistas senão de natureza inssurrecional, leninista. Dei- xados à vontade no seu feudo intelec- tual, os derrotados de 1964 obtiveram assim uma vingança literária, monopo- lizando a indústria das interpretações do fato consumado. E, quando a dita- dura se desfez por mero cansaço, a es- querda, intoxicada de Gramsci, já tinha tomado consciência das vantagens po- líticas da hegemonia cultural, e apegou- se com redobrada sanha ao seu mono- pólio do passado histórico. É por isso que a literatura sobre o regime militar, em vez de se tornar mais serena e obje- tiva com a passagem dos anos, tanto mais assume o tom de polêmica e de- núncia quanto mais os fatos se tornam distantes e os personagens desapare- cem nas brumas do tempo. Mais irôni- co ainda é que o ódio não se ate- nue nem mes- mo hoje em dia, quando a es- querda, levada pelas mudanças do cenário mundial, já vem se transfor- mando rapidamente naquilo mesmo que os militares brasileiros desejavam que ela fosse: uma esquerda socialdemo- crática parlamentar, à européia, des- provida de ambições revolucionárias de estilo cubano. O discurso da es- querda atual coincide, em gênero, nú- mero e grau, com o tipo de oposição que, na época, era não somente con- sentido como incentivado pelos milita- res, que viam na militância socialde- mocrática uma alternativa saudável para a violência revolucionária. Durante toda a história da es- querda mundial, os comunistas vota- ram a seus concorrentes, os social- democratas, um ódio muito mais pro- fundo do que aos liberais e capitalis- tas. Mas o tempo deu ao “re- negado Kautsky” a vitória sobre a truculência leninista. E, se os nossos militares tudo fizeram justamente para apressar essa vitória, por que continuar a considerá-los fantasmas de um passado te- nebroso, em vez de reconhe- cer neles os precursores de um tempo que é melhor para todos, inclusive para as es- querdas? Para completar, muita gente na própria esquerda já admitiu não apenas o caráter maligno e suicidário da rea- ção guerrilheira, mas a con- tribuição positiva do regime militar à consolidação de uma economia voltada predomi- nantemente para o mercado interno – uma condição bá- sica da soberania nacional. Tendo em vista o preço mo- desto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revo- lução de 1964 e remover a pesada cros- ta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica? (O Globo, 19 de janeiro de 1999) * Filósofo, Escritor e Jornalista * Olavo de Carvalho Tendo em vista o preço modesto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revolução de 1964 e remover a pesada crosta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica? Os estudantes da UNE, na hora do fogo optaram pela retirada prudente POVO INCENDIOU O MAIS AGITADO CENTRO POLÍTICO - ESTUDANTIL DO PAÍS POPULARES e estudantes democra- tas, logo após a notícia de que a rebelião fôra vitoriosa, dirigiram-se para a sede da União Nacional dos Estudantes, na Praia do Flamengo, no Rio. Começaram, então, as manifestações contra a comunização da- quele centro estudantil à proporção em que se avolumava a massa humana. O edifício acabou sendo invadido, móveis foram atira- dos pelas janelas, ao mesmo tempo em que apareciam as primeiras chamas. O povo, do lado de fora, aplaudia. Das janelas dos pré- dios vizinhos uma chuva de papel picado saudava as manifestações contra a UNE. Fatos & FotosFatos & FotosFatos & FotosFatos & FotosFatos & Fotos Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166Brasília, DF, 4 de abril de 1964 - Nº 166
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    22Nº 276 -31 de Março/2020 Julgamento da Revolução PARTICIPAMOS da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das insti- tuições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, de- sordem social e corrupção generali- zada. Quando a nossa redação foi in- vadida por tropas anti-revolucionári- as, mantivemo-nos firmes em nossa posição. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primei- ros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do futuro presidente. TEMOS permanecido fiéis aos seus objetivos, embora conflitando em várias oportunidades com aque- les que pretenderam assumir o con- trole do processo revolucionário, es- quecendo-se de que os acontecimen- tos se iniciaram, como reconheceu o Marechal Costa e Silva, “por exigên- cia inelutável do povo brasileiro”. Sem povo, não ha- veria a revolução, masapenasum“pro- nunciamento” ou “golpe” com o qual não estaríamos solidários. O GLOBO, desde a Aliança Libe- ral, quando lutou contra os vícios po- líticos da Primeira República, vem pugnando por uma autêntica demo- cracia e progresso econômico e soci- al do país. Em 1964, teria de unir-se aos companheiros de jornadas ante- riores, aos “tenentes e bacharéis” que se mantinham coerentes com as tradi- ções e os ideais de 1930, aos expedi- cionários da FEB que ocupavam a Chefia das Forças Armadas, os quais se congregaram sob a pressão das gran- des marchas populares, mudando o curso da nossa história. ACOMPANHAMOS esse esforço de renovação em todas as suas fases. No período da ordenação da econo- mia, que se encerrou 1967. Nos meses dramáticos de 1968 em que a identifi- cação dos atos de terrorismo provo- cou a implantação do AI-5. Na expan- são econômica de 1969 a 1972, quan- do o produto nacional cresceu à taxa média anual de 10%. Assinale-se que, naquele primeiro decênio revolucio- nário, a inflação decrescera de 96% para 12,6% ao ano, elevando-se as exportações anuais de 1 bilhão e 300 mil dólares para mais de 12 bilhões de dólares. Na era do impacto da crise mundial do petróleo desencadeada em 1973 e repetida em 1979, a que se seguiram aumentos vertiginosos nas taxas de juros, impondo-nos uma su- cessão de sacrifícios para superar a nossa dependência externa de ener- gia, a deterioração dos preços dos nossos produtos de exportação e a de- sorganização do sistema financeiro internacional. Essa conjugação de fatores que violentaram a administra- ção de nossas contas externas obri- gou-nos a desvalorizações cambias de emergência que teriam fatalmente de resultar na exacerbação do proces- so inflacionário. Nas respostas que a sociedade e o governo brasileiro de- ram a esses desafios, conseguindo no segundo decênio revolucionário que agora se completa, apesar de todas as dificuldades, reduzir de 80% para menos de 40% a dependência externa na importação de energia, elevando a produção de petróleo de 175 mil para 500 mil barris diários e a de álcool de 680 milhões para 8 bilhões de litros; e simultaneamente aumentar a fabrica- ção industrial em 85%, expandir a área plantada para produção de alimentos com 20 milhões de hectares a mais, criar 13 milhões de novos empregos, assegurar a presença de mais 10 mi- lhões de estudantes nos bancos es- colares, ampliar a população econo- micamente ativa de 29 milhões e 500 mil para 45 milhões 797 mil, elevando as exportações anu- ais de 12 bilhões para 22 bilhões de dólares. VOLVENDO os olhos para as realizações nacio- nais dos últimos vinte anos, há que se reconhecer um avanço impressionante: em 1964 éra- mos a quadragésima nona economia mundial, com uma população de 80 mi- lhões de pessoas e uma renda per capita de 900 dólares; somos hoje a oitava, com uma população de 130 milhões de pessoas, e uma renda média per capita de 2.500 dólares. O PRESIDENTE CASTELLO BRAN- CO, em seu discurso de posse, anun- ciou que a revolução visava “a arran- cada para o desenvolvimento econô- mico, pela elevação moral e política”. Dessa maneira, acima do progresso material, delineava-se o objetivo su- premo da preservação dos princípios éticos e do restabelecimento do esta- do de direito. Em 24 de junho de 1978, o Presidente Geisel anunciou o fim dos atos de exceção, abrangendo o AI-5, o decreto-lei 477 e demais Atos Institucionais. Com isso, restaura- vam-se as garantias da magistratura e o instituto do habeas-corpus. Cessa- va a competência do Presidente para decretar o fechamento do Congresso e a intervenção nos Estados, fora das determinações constitucionais. Perdia o Executivo as atribuições de suspender direitos políticos, cas- sar mandatos, demitir funcionários e reformar militares. Extinguiam-se as atividades da CGI (Comissão Geral de Inquérito) e o confisco sumário de bens. Desapareciam da legislação o banimen- to, a pena de morte, a prisão perpétua e a inelegibilidade perene dos cassados. Findava-seoperíododiscricionário,sig- nificando que os anseios de liberaliza- ção que Castello Branco e Costa e Silva manifestaram em diversas ocasiões e que Médici vislumbrou em seu pri- meiro pronunciamento finalmente se concretizavam. Nos meses dramáticos de 1968 em que a identificação dos atos de terrorismo provocou a implantação do AI-5. Roberto Marinho O GLOBO Rio de Janeiro, 07 de outubro de 1984 Com detalhes em nada menos de qua- tro páginas, O POVO (10.09.00) publicou importante trabalho do jorna- lista Benedito Teixeira mostrando o que representa, para o trabalhador brasilei- ro, a aposentadoria do Funrural, que é, sem nenhum favor, a mais revolucionária obra social dos últimos cinqüenta anos. O jor- nalista constatou que é comum esta frase entre os comerciantes do in- terior: “Se não fossem os aposentados, está- vamos quebrados”, pois, “as vendas do co- mércioseresumempra- ticamente ao período de pagamento das aposentadorias”. O que se estranha, quando o as- sunto é aposentadoria rural, é que se omita os responsáveis pela sua criação. Seus autores nunca andaram nos micro- fones e nos jornais com a demagogia do “social”, dos “excluídos”, dos “sem” isso e aquilo. Pelo contrário, o problema ide- ológico ainda não permitiu que os bra- sileiros fizessem justiça a dois eminen- tes generais que, no exercício da Presi- dência da República, criaram, em 69 e 71, a aposentadoria ru- ral. Um deles, porque foi obrigado a agir com mão de ferro contra o terroris- mo, é acusado de respon- sável pelo que chamam “anos de chumbo”, sem os quais, aliás, ninguém poderia avaliar o que seria o Brasil de hoje. Em 1º de maio de 69, pelo decreto- lei 564, o presidente Costa e Silva esten- deu a Previdência Social ao trabalhador rural, especialmente aos empregados da agroindústria canavieira. Acolheu ex- posição do ministro Jarbas Passarinho, que viajara para a cidade do Cabo, em Pernambuco, afim de resolver a greve que deflagraram. Em 1972, pelo decreto 69.919, o presidente Médici ampliou o plano básico elaborado pelo ministro Pas- sarinho. Nascia, então, a Previdência Ru- ral, que hoje beneficia mais de oito mi- lhões de trabalhadores. Numa média de cincoporfamília,temosquarentamilhões de brasileiros devidamente amparados. O Funrural, uma das maiores obras sociais do século XX, no Brasil, foi obra de dois generais, Costa e Silva e Médici, acatan- do exposição de seu ministro-coronel Jarbas Passarinho. Quem publicou substancioso trabalho sobre o assunto foi Álvaro Sólon de França, Coordenador doComitêNacionaldoProgramadeEsta- bilidade Social, do Ministério da Previ- dência e Assistência Social e ex-presi- dente da Associação Nacional dos Fis- cais de Contribuições Previdenciárias (Anfip). É filiado aos PSDB, partido do governo, insuspeito, portanto, com rela- ção aos governos militares Com dois generais e um coronel nasceu a maior obra social dos últimos 50 anos no Brasil. Se falam tanto em desigualdade so- ciais, não podem omitir a aposentadoria rural como instrumento poderoso para reduzi-las, com grande influência na eco- nomia de mais de três mil municípios. É ela que fixa as pessoas em seus municípios de origem, evitando o êxodo principalmente para as cidades superpo- voadas. Muitos aposentados e pensio- FUNRURAL, SOCIAL E POLÍTICO*Themístocles de Castro e Silva Com dois generais e um coronel nasceu a maior obra social dos últimos 50 anos no Brasil. Presidente Médici nistas figuram como elementos de sus- tentação social, não por ganharem bem, mas por garantiram, com suas modestas aposentadorias, o sustento de suas famí- lias. É o que acontece, por exemplo, com os trabalhadores rurais. Explorados, du- rante décadas, nas fazen- das por ganhos mensais muitas vezes em torno de R$40,00,elestêmsuarenda triplicada quando passam a receber o benefício a que fazem jus após a aposenta- doria. Mas quando se apo- sentam, elas não apenas au- mentam consideravelmente sua renda, como passam a receber em dia, - diz o Dr. Álvaro Sólon. Para que se tenha idéia do que representa a aposentadoria rural, basta que se diga o seguinte: em 90% dos mu- nicípios brasileiros, o pagamento de be- nefícios é superior à arrecadação pre- videnciária no próprio município. Al- guns exemplos: Solidão, (PE): com arre- cadação de mil e poucos reais, paga mais deummilhãodebenefícios;Aracati(CE), arrecada mil e setecentos e paga dezenove milhões;Araripe,arrecadaapenas124mil e paga três milhões; Quixadá, arrecada dois milhões e paga vin- te e dois; Juazeiro, arre- cada 10 milhões e paga 44(34amais).AtéForta- leza, arrecada 412 mi- lhões e paga 482 (seten- ta milhões a mais). Outrodetalheimportante:em3.358 dos 5.507 municípios brasileiros avalia- dos (60,97%), o volume de pagamento de benefícios previdenciários efetuados pelo INSS supera o Fundo de Participa- ção dos Municípios. Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, isso não ocor- re apenas no Nordeste, mas em todo o País, incluindo estados ricos. No Rio de Janeiro, em 75 dos 91 municípios, os be- nefícios previdenciários superam o FPM, o que representa 82,41%, no Espírito San- to, em 64 dos 77 municípios; em Minas Gerais, em 527 dos 853 municípios; em São Paulo, em 478 dos 645 municípios (74,10%). No Nordeste, o recorde fica com Pernambuco (81,52%), onde em 150 dos 184 municípios o pagamento de be- nefícios supera o FPM. O segundo lugar ficacomaBahia(66,98%),emque278dos 415 municípios. Quem é capaz de avaliar o que seria hoje do Brasil, se esses oito milhões de trabalhadores rurais não tivessem apo- sentadoria e se transformassem com suas famílias em presa fácil dos “sem-terra”, o que não seria difícil, pelas dificuldades que estariam enfrentando? Também já avaliaram quantas favelas a mais teriam nascido no País, com esses oito milhões de pobres atrás de alimentos e moradia, pois nada encontraram em sua terra de origem? Não adianta a esquerda espernear, porque a História fala mais alto do que a frustração ideológica . A maior obra social dos últimos 50 anos foi iniciativa de dois generais: Costa e Silva e Emílio Médici, com a colabora- ção decisiva de um Coronel, Jarbas Pas- sarinho, ministro quatro vezes e um dos maiores talentos da vida pública brasilei- ra nas últimas décadas. * Jornalista “O POVO” - Fortaleza/CE, 26.11.00 ○ ○ ○
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    23Nº 276 -31 de Março/2020 As opções políticas na década de 1960 Um dos mais caros mitos é o de que militares maldosos, aliados à “bur- guesia” nacional “ameaçada em seus privilégios” – e subordinados às de- mandas maquiavélicas dos EEUU – re- solveram abortar pelas armas a política conduzida por um governo legítimo e que atendia aos “anseios populares”. Em primeiro lugar nega-se o fato de que em 1959 a geopolítica da América Latina (AL) havia virado do avesso pela tomada do poder em Cuba por Castro, que logo assumiu sua condição de comu- nista e se aliou à URSS. Seguiu-se um banho de sangue de proporções inimagináveis – do qual é proibido fa- lar! – e a lenta e progressiva instalação na ilha de numerosos instrutores sovié- ticos que adestraram tropas cubanas e formaram e exportaram guerrilheiros e terroristas, e restruturaram o sistema de Inteligência. Através desta “cabeça de ponte” aumentou sobremaneira a in- fluência da URSS na AL. Os jornais noti- ciavam diariamente as tentativas de der- rubada do governo legitimamente eleito da Venezuela, país chave pelaproduçãopetrolífera.Opróxi- mo objetivo estratégico era o Bra- sil, País imenso, já em fase inicial de industrialização e cujas Forças Armadas representavam um pode- roso obstáculo à penetração co- munista no Continente. Outro fator só mais recente- mente veio à luz devido à defecção de Anatoliy Golitsyn, oficial gra- duadodaKGB.Em1959,duranteo período de desestalinização da URSS, Alieksandr Shelepin apre- sentou um relatório ao Comitê Central do PCUS mostrando a necessidade de que os órgãos de segurança voltassem a suas funções originais de desinforma- ção, exercidas pela OGPU (1922- 34). A partir de então toda notí- cia do mundo comunista era ba- seada em informações emanadas e/ou alteradas pelo Departamento D (Desinformatziya) da KGB. 25 de agosto de 1961, renúncia de JânioQuadrosmarcaummomentoimpor- tante. O Vice, João Goulart, encontrava- se na China e declarou que iria comandar o processo de “reformas sociais” tão logo assumisse. Os Ministros Militares e amplos setores civis se opuseram à pos- se de Jango por suas notórias ligações com a esquerda. Seu cunhado Brizola, Governador do Rio Grande do Sul reagiu, o Comandante do Terceiro Exército, Gen Machado Lopes, ficou do lado dele e o Brasil esteve à beira da guerra civil. A Força Aérea chegou a dar uns tiros no Palácio Piratini. Brizola tomou todas as DESFAZENDO ALGUNS MITOS SOBRE 1964 rádios de Porto Alegre e obrigou as de- mais a entrarem em cadeia, a Cadeia da Legalidade! E lá estava eu, “comandan- do” uma mesa em plena rua, a uns 4 graus, com uma lista de assinaturas para quem quisesse “pegar em armas pela legalida- de”, atuando em conjunto com membros doextintoPCB.Comaemendaparlamen- tarista tudo se acalmou mas em janeiro de 63, num plebiscito nada confiável o País retorna ao Presidencialismo. Fiz parte da Juventude Trabalhista e só não entrei para os Grupos dos 11, do Brizola, sobre os quais hoje quase se nada se ouve, porque não tinha idade e, portanto, não era confiável. No início dos anos 60 o hoje santificado Betinho, junto comoPadreVaz,elaborouo“Documento Base da Ação Popular (AP)”, que previa a instalação de um governo socialista cristão no Brasil. Mas o documento em que a AP se declarava francamente a favor da instalação de uma ditadura ao estilo maoísta foi mantido secreto até para os militantes da base. Só vim a ter contato com ele através de Duarte Pa- checo (um dos membros do Comando Nacional de AP) em agosto de 65, quando eu já era mais “confiável”. O documento, que era obviamente o produto de uma luta interna na esquerda mundial, defen- dia a luta em três etapas: reivindicatória (movimentos populares, greves); políti- ca (início das guerrilhas no campo, como na China e Vietnã) e ideológica (a forma- ção do Exército Popular de Libertação). Contrariava a teoria do foco guerrilheiro, preferida por Guevara e Debray. O MASTER (nome do MST da épo- ca),doBrizola,invadiaterrasnoRioGran- de do Sul (como a do Banhado do Colé- gio, em Camaquã) e as Ligas Campone- sas, de Francisco Julião, com apoio explí- cito do Governador Arraes, no Nordeste. A CGT, (presidida por Dante Pelacani), a UNE (José Serra) propunham aberta- mente um golpe com fechamento do Congresso. Armas tchecas começaram a surgir. O ano de 1963 foi uma agitação só. O movimento estudantil, do qual posso falar, estava dividido entre a Ação Popu- lar(AP)eoPCB.Quemnãoviveuaqueles tempos dificilmente pode imaginar o ní- vel de agitação que havia por aqui. O reinício das aulas em março de 1964 prati- camente não houve. Num encontro em Pelotas, onde eu estudava Medicina, com o último Minis- tro da Educação do Jango, Sambaqui, no início de março, ele nos revelou que tudo começaria com o co- mício marcado para o dia 13, em local proi- bido para manifesta- ções públicas (em frente ao Ministério da Guerra) já em desafio aberto e simbó- lico à lei, seria continuado pelo levante dos sargentos do Exército e da Marinha – formando verdadeiros soviets – e pelos Fuzileiros Navais em peso, comandados pelo “Almirante do Povo”, Aragão. Pre- gava-se a subversão da hierarquia e dis- ciplina militares. Seguir-se-ia pelo já pro- gramado discurso de Jango no Automó- vel Clube do Brasil. A pressão final sobre o Congresso seria em abril e maio: se não aprovasse as “reformas de base” seria Revista da UNE - Movimento 10 (Abril / 1963) Assuntos publicados: Solidariedade a Cuba, Venezuela em Revolução, A Reforma Agrária asta olhar quem hoje está no poder político da Nação para perceber que são os derrotados militarmente em 1964, que venceram uma das batalhas mais importantes: a cultural. Refugiando-se nesta área negligenciada pelos governos militares, e baseando-se na desinformação e nas teses de Gramsci, passaram a escrever grande parte da história, principal- mente aquela de alcance público, acadêmico e nas escolas de todos os níveis, novelas e minisséries de TV. Tornaram-se “donos” dos significados das palavras. Temos hoje muito mais mitologia induzida do que história ocorrida. É trabalho para décadas – se houver liberdade para tanto – des- fazer todos os mitos dos chamados “anos de chumbo”. Darei minha modesta contribuição, falando daquilo que vivenciei. fechado com pleno apoio popular. Na mesma época, participei de uma ação comandada por um agitador da Petrobrás e da SUPRA (Superintendên- cia da Reforma Agrária), em Rio Grande, pela encampação da Refinaria de Petró- leo Ipiranga o qual, num discurso na Pre- feitura, declarou que a República Socia- lista do Brasil estava próxima. As ocor- rências de março só confirmaram a cons- piração acima menci- onada. No comício do dia 13 Brizola pregou o fechamento do Con- gresso se não apro- vasse as tais “Refor- mas de Base” (na lei ou na marra) – nin- guém me contou, eu ouvi no rádio. Prestes diziaqueoscomunis- tas já estavam no Go- verno, só faltava to- marem o Poder. Nãohavia,pois, opção democrática alguma. Restava de- cidir se teríamos o predomínio dos comu- nistas ou uma reedição do Estado Novo ou de uma ditadura peronista, chefiados por Jango. As passeatas civis estavam nas ruas exigindo fim da baderna e em apoio ao Congresso. Sugerir que se devia esperar que Jango desse o golpe para de- pois tirá-lo, me parece uma idéia legalista infantil, pois então teria que ser muito mais cruento. Foi, na verdade, um con- tragolpe cívico-militar preventivo. PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS Outro mito é sobre a participação americana no “golpe” de 64. Chamada de “Operação Thomas Mann” (nome do então Secretário de Estado Adjunto para a AL) não passa de uma mentira baseada em documentos forjados pelo Departamento D já citado, através da espionagem Tcheca. Quem montou a operação foi o espião Ladislav Bittman que, em 1985 revelou tudo no seu livro The KGB and Soviet Di- sinformation: An Insiders View, Pergamon-Brasseys, Washington, DC, 1985. Segun- do suas declarações “A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas anti-democráticas”. Outra fonte é o livro de Phyllis Parker Brazil and the Quiet Intervention: 1964, Univ. of Texas Press, 1979, onde fica claro que os EEUU acompanhavam a situação de perto, faziam seus lobbies e sua política com a costumeira agressividade, e tinham um plano B para o caso de o País entrar em guerra civil. Entretanto não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do “golpe” de 1964. Embora as revelações tenham sido tornadas públicas em 79/85, a imprensa brasileira nada publicou a respeito não permitindo que a opinião pública tomasse conhecimento da mentira que durante anos a enganou. Apenas a Revista Veja na sua edição nº 1777, de 13/11/02, publica a matéria ”O Fator Jango” de autoria de João Gabriel de Lima, onde este assunto é abordado. A LUTA ARMADA E O AI-5 Finalmente, o mito de que brasileiros patriotas e democratas se levantaram em armas contra o “endurecimento da ditadura” através do Ato Institucional Nº 5, de 13 de dezembro/1968. Em julho de 1965, na primeira tentativa de restabelecer a UNE, extinta pela Lei Suplicy, foi realizado um Congresso no Centro Politécnico em SP no qual fui eleito Vice-Presidente de Intercâmbio Internacional. Em outubro fui preso em Fortaleza, o que impediu minha ida ao Congresso da UIE na Mongólia, onde seria traçada uma estratégia de recrudescimento da violência revolucionária na AL. De 1966 – ano da Conferencia Tricontinental de Havana e da Organización Latino Americana de Solidariedad (OLAS) – a 1968 participei, no Sul, das intensas discussões clandestinas sobre a luta armada conduzidas por militantes da AP treinados em Pequim. Em janeiro de 1968, 11 meses antes da edição do AI-5, a luta foi implementada por todas as organizações revolucionárias, menos o PCB. A AP “rachou”, eu fiquei do lado contrário à maluquice da luta armada e saí, não sem sofrer posteriormente sérias ameaças de meus “companheiros”. Logo depois, mudou o nome para Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil, o que já estava previsto no citado documento secreto. Como vários autores mais credenciados já têm se manifestado sobre isto, não vejo necessidade de mais para deixar claro que o A-I 5 não passou de uma reação ao incremento das atividades revolucionárias. Rio de Janeiro, 20/4/2004 (Publicado no Inconfidência nº 108 de 30/04/2007) *Médico, escritor e analista político. hdepaola@terra.com.br http://www.heitordepaola.com *Heitor De Paola B
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    24Nº 276 -31 de Março/2020 Eis um extrato do editorial do “Correio da Manhã”, de 31 de março de 1964 na alvorada da revolução intitulado “Basta!”“Basta!”“Basta!”“Basta!”“Basta!”: "Basta!"Basta!"Basta!"Basta!"Basta! Até que ponto o Presidente da República abusará da paciência da nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos-lei, a função do Poder Legislativo? Até que ponto contribuirá para preservar o clima de in- tranqüilidade e insegurança que se verifica presentemente na classe produtora? Até quando deseja levar ao desespero, por meio da inflação e do aumento do custo de vida, a classe média e a classe operária? Até quando quer desagregar as Forças Armadas por meio da indisciplina que se torna cada vez mais incontrolável?" E, no dia seguinte, mais pesado ainda, o editorial do “Fora!”:“Fora!”:“Fora!”:“Fora!”:“Fora!”: "O artigo 83, parágrafo único: o Presidente da República prestará, no ato da posse, este compromisso: prometo manter, defender e cumprir a Constitui- ção da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência. Este foi o juramento prestado pelo Sr. João Goulart, no dia 7 de setembro de 1961, perante o Congresso Nacional. Jurou e não cumpriu. Não é mais Presidente da República. Fora!Fora!Fora!Fora!Fora! A nação não suporta mais a permanência do Sr. João Goulart à frente do Governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o governo ao seu legítimo sucessor. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!Saia!Saia!Saia!Saia! "Queremos que o Sr. João Goulart devolva ao Congresso, devolva ao povo o mandato que êle não soube honrar. Nós do Correio da Manhã defendemos intransigentemente em agosto e setembro de 1961 a posse do Sr. João Goulart, a fim de manter a legalidade constitucional. Hoje, como ontem, queremos preservar a Constituição. O Sr. João Goulart deve entregar o Governo ao seu sucessor, porque não pode mais governar o país. A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo. O povo saberá defendê- las. Nós continuaremos a defendê-las.” Correio da Manhã, 1 de abril de 1964. 31/03/64 - FOLHA DA TARDE - (Do editorial, A GRANDE AMEAÇA) “...cuja subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério, lan- çaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo...” 31/03/64 - JORNAL DO BRASIL - “Quem quisesse preparar um Brasil nitida- mente comunista não agiria de maneira tão fulminante quanto a do Sr. João Goulart a partir do comício de 13 de março...” 01/04/64-ESTADODESÃOPAULO-SÃOPAULOREPETE32“Minas desta vez está conosco”... “dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”. 01/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade:”... “restabelecer a legalidade que o caudilho não quis preservar, violando- anoquedemaisfundamentalelatem:adisciplinaeahierarquiamilitares”.Alegalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”. 02/04/64-OGLOBO -“FugiuGoularteademocraciaestásendorestaurada”...“atenden- doaosanseiosnacionaisdepaz,tranqüilidadeeprogresso...asForçasArmadaschamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”. 02/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Brizola nega renúncia de Goulart e prega ocupação de quartéis por sargentos”. “Paulistas jogam papel e cantam Hino na queda do Presidente Goulart”. 02/04/64 - CORREIO DA MANHÃ - “Lacerda anuncia volta do país à democracia.” 05/04/64 - O GLOBO - “A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. 06/04/64 - JORNAL DO BRASIL -“PONTESDEMIRANDAdizqueFFAAviolaram a Constituição para poder salvá-la!” 09/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Congresso concorda em aprovar Ato Institucional”. 10/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Partidos asseguram a eleição do General Castello Branco”. 16/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Rio festeja a posse de Castello”. 18/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Castelo garante o funcionamento da Justiça”. 21/04/64 - JORNAL DO BRASIL - “Castelo diminui nível de aumento aos mili- tares”. Corte propõe aumento aos militares com 50% menos do que tabela anterior”. AOS JOVENS, AOS MENTIROSOS, AOS PROFESSORES, AOS JORNALISTAS E AOS ESQUECIDOS A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" reuniu mais de 1 milhão de pessoas no dia 02 de abril de 1964, no Rio de Janeiro (Manchete Edição Histórica/64) Responsabilidade total Opaís inteiro atravessa, nes- te momento, uma crise de profunda tensão que tem a sua origem na decisão insensata do Presidente da República de com- parecer a um comício, convocado pelos comunistas, sob o pretexto de propaganda das reformas de base, mas, na verdade, com o in- tuito óbvio de fazer agitação e promover desordem. Arealizaçãodomeeting sob a égide dos comunistas constitui em si mesma um desafio às fôrças democráticas e, o que é muito mais grave ainda, às Fôrças Ar- madas que o Presidente transfor- ma em guarda-costas, obrigan- do-as a formar, aos milhares, nu- ma triste demonstração de des- confiança no povo, para protegê- lo contra possíveis demonstra- ções de repulsa daqueles que não se acham de acôrdo com o seu insultuoso procedimento, comparecendo a um ato em lugar proibido pela lei, para falar ao lado de pelegos e incitar as multidões contra o Congresso Nacional.. (...) O JORNALO JORNALO JORNALO JORNALO JORNAL RIO DE JANEIRO - 15/03/64 EEEEEDITORIAISDITORIAISDITORIAISDITORIAISDITORIAIS DODODODODO CCCCCORREIOORREIOORREIOORREIOORREIO DADADADADA MMMMMANHÃANHÃANHÃANHÃANHÃ RECORDAR É FAZER JUSTIÇA!!! ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR!!! A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" na Av. Rio Branco “Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida, que dê a seus adversários o direito de trucidá-la, para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar” (O Globo de 31 de março de 1964) “(...) Além de que os lamentáveis acontecimentos foram o resultado de um plano executado com perfei- ção e dirigido por um grupo já identificado pela Nação Brasileira como interessado na subversão geral do País, com características nitidamente comunistas”. (Correio do Povo de 31 de março de 1964) “ O Exército e os desmandos do Presidente”. Se a rebelião dos sargentos da Aeronáutica fora suficiente para anular praticamente a eficiência da Arma, a subversão da ordem na Marinha assumia as dimensões de um verdadeiro desastre nacional”. (Estado de São Paulo de 31 de março de 1964) “Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram, começa a ser alcançado por elementos que atuam inter- namente, ou seja, dentro do próprio País. Deve-se reco- nhecer, hoje, que a Marinha como força organizada não existe mais. E há um trabalho pertinaz para fazer a mesma coisa com os outros dois ramos das Forças Armadas”. (Folha de São Paulo de 31 de março de 1964) “Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial aos olhos do governo. Como se já estivéssemos em pleno regime “marxista- leninista”, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin. (...)” Diário de Notícias, 1 de abril de 1964. Tribuna da Imprensa - 21/03/64 “Dezenas de automóveis trafegaram pelo centro da cidade, tocando suas businas, em sinal de alegria pela vitória da democracia em todo o País. As estações de rádio e televisão, que estavam sob censura, iniciaram suas transmis- sões normais, pouco depois das 17 horas. Os contingentes de fuzileiros navais que ocupavam as redações de alguns jornais, foram recolhidos aos quartéis. Por volta das 17,15, o Forte de Copacabana anunciava, com uma salva de canhão, a aproximação das tropas do general Amaury Kruel, que atingiria o Estado da Guanabara às últimas horas da noite de ontem. A população de Copacabana saiu ás ruas, em verdadeiro Carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento. (...)” O Dia, 2 de abril de 1964.
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    25Nº 276 -31 de Março/2020 Não é apenas com a satisfação con- seqüente a um acontecimento tão significativo nos destinos de nossa na- cionalidade, mas com verdadeiro júbi- lo, que me dirijo ao Exército Brasileiro neste 1º Aniversário da Revolução De- mocrática ,de 31 de março de 1964. Proclamo ainda a legítima ufania de ser o Comandante deste Exército que não desmentiu sua formação de- mocrática e, como autêntico represen- tante do povo, identificou-se com as aspirações populares e cristãs no pa- triótico movimento libertador ensejado pela Revolução. Um breve retrospecto apontará com toda a veracidade que, em inequí- voca sintonia de pensamento e de atos com a Marinha e a Aeronáutica, contri- buiu o Exército apenas decorrido um ano daquele memorável evento, para a plena reintegração das Fôrças Arma- das na missão nobilitante de garanti- doras dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Empenhou-se ativamen- te na manutenção dos princípios e da hierarquia militar e influiu acentuada- mente para que se concretizasse o sen- tido ideológico da Revolução. Presentemente, alia esforços, ori- entados pela Segurança Nacional, aos empreendimentos e labores dos cida- dãos de tôdas as classes sociais. Está porfiando para corresponder às be- nesses proporcionais pela prática de uma filosofia democrática, autentica- mente justa, próspera, cristã, forte, mag- nânima e propiciadora de felicidades. As- segura pleno apoio às indispensáveis e inadiáveis reformas de nossa estrutura sócio-econômica, para que realmente se ORDEM DO DIA 1º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 31 DE MARÇO possa oferecer igualdade de direitos e de oportunidades a todos. Sob a autoridade suprema do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, o inclito Marechal HUM- BERTO DE ALENCAR CASTELLO BRANCO que, com serena perseveran- ça de chefe experimentado, conduz a restauração moral, social e econômica do País, muito tem colaborado o Exérci- to para o restabelecimento do regime de- mocrático e para a purificação de nossos costumes políticos e administrativos. Os brasileiros de amanhã, tanto quanto os da geração atual, estarão capacitados a aquilatar os benefícios da ação desinteressada dos militares de todos os postos e graduações, vi- sando a libertar da mistificação e da demagogia aquêles que enveredavam pela senda do extremismo comunizante. Nunca será demais rememorar a triste iminência em que esteve nosso país de ser avassalado pelos sectários soviéticos, chineses ou cubanos. É de se lamentar que para a implantação dêsse jugo físico e mental se tivessem conluiado muitos brasileiros, uns de- savisados e outros convictamente sub- versivos, inclusive alguns que hoje apre- goam pretenso terrorismo cultural, por parte da Revolução. Desconhecem ou fingem desco- nhecer êsses figurantes dos palcos es- quecidos, que o Exército não é anima- do por propósitos obscurantistas nem opressivos. Estão deslembrados do cli- ma político angustiante, da aproximação do caos social, dos fatídicos prenúncios econômicos e da perda progressiva de liberdade, que caracterizavam o qua- dro da situação nacional anterior a de 31 de março do ano passado, sob a égi- de de um govêrno infiltrado de comu- nistas. Será necessário repetir que tudo isso mudou e que não mais pontificam nem se desmandam tantos organismos espúrios? Acredito ter sido o ano revolucio- nário um período de realizações da atual administração do Exército, que bem re- trata o espírito dinâmico e renovador da Revolução no seio das Fôrças Armadas. Está sendo ultimada a estruturação do Exército, através do anteprojeto da Lei de Organização Básica, submetido à apreciação do Alto Comando. A correção das distorções da Lei de Promoções de Oficiais constou de exposição de motivos ao Poder Executi- vo, acompanhada do competente ante- projeto. A reorganização e a rearticulação das Forças Terrestres, em bases emi- nentemente objetivas e realísticas, se- rão postas em execução segundo me- didas disciplinadoras a cargo do Esta- do-Maior do Exército. O Fundo do Exército, cogitação das mais promissoras, propiciará não só o reaparelhamento das Unidades co- mo os recursos substanciais, de que tanto carece o Ministério da Guerra, para prover a assistência social. Não obstante a compressão de des- pesa, inerente à recuperação financeira do País, o Exército aplicará verbas do Plano de Obras, ainda no corrente ano, construindo cerca de mil moradias nas guarnições mais afastadas. Com esta pro- vidência serão minoradas as condições difíceis de vida que enfrentam tanto ofi- ciais, sargentos e seus familiares. Estou perfeitamente a par da justa preocupação de muitos militares da ativa e da reserva e de inúmeros cidadãos, de- votados ao bem comum da Pátria, sôbre possíveis tramas conspiratórias de ex- arautos e aproveitadores da subversão. Asseguro a todos que o Exército, em apoio aos postulados da Revolução e receptivo aos anseios da maioria es- magadora de nossos patrícios, está vi- gilante e aprestado para impedir qual- quer tentativa de retorno dos subver- sivos e dos corruptos. A coesão sempre fortalecida das Fôrças Armadas, em tôrno da legítima autoridade do Excelentíssimo Senhor presidente da República, será penhor de crescente consolidação e continui- dade da obra revolucionária. O povo brasileiro, que no momento azado soube fazer a opção entre comunis- mo e democracia, insurgindo-se pelo di- reito de assegurar a sobrevivência cul- tural nos padrões que lhe são mais ca- ros, não terá motivos para ver frauda- das suas esperanças em nosso porvir. O Exército Nacional permanecerá de atalaia - como sempre estêve – asse- gurando a liberdade com autoridade e responsabilidade, contribuindo com a parcela de segurança indispensável à ob- tenção da riqueza sem privilégios e sem corrupção. Não desmerecerá da confian- ça que o povo lhe tributa. Não se desviará da retidão de seu comportamento histó- rico. Tudo envidará, quaisquer que sejam os óbices, para o prosseguimen- to do Brasil na sua destinação gloriosa. Gen-Ex Arthur da Costa e Silva Ministro da Guerra AO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIROAO EXÉRCITO BRASILEIRO Um retrato da caótica situação no Brasil antes do movimento de 1964, através das palavras de Carlos Lacerda. Antes, durante e depois da crise, o Governador Lacerda estêve no centro dos acontecimentos. E, como é de seu feitio, pronunciou-se diversas vêzes com a maior veemência. Na tarde do dia 1º de abril, anunciando ao povo a vitória das fôrças comandadas pelo General Olympio Mourão Filho, o Governador da Guanabara fêz declarações através do rádio, declarações que constituem verdadeira súmula do que êle dissera até então. DEPOIMENTO DE CARLOS LACERTA SÔBRE A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO Depois de se dirigir às donas de casa, pedindo-lhes que se mantivessem calmas, o Governador passou a analisar o Sr. João Goulart, seu Govêrno e as causas que determinaram a necessidade do seu afastamento. “De herdeiro de alguns hec- tares de terra, transformou-se, em pou- cos anos, em proprietário de mais de 550 mil hectares - uma área igual a quatro vêzes e meia o território da Guanabara.” E prosseguiu: “Associado do Sr. Wilson Fadul (que por isso foi ser Mi- nistro da Saúde, e não porque seja um cientista), em quatro anos, com dinhei- ro do Banco do Brasil, e com dinheiro cuja origem não explica, o Sr. João Gou- lart transformou-se num dos homens mais ricos dêste País, com três bois por hectare em suas fazendas”. “O Sr. João Goulart é um leviano que nunca estudou - e não estudou por- que não quis, não é porque não pôde. E agora, no Govêrno do País, queria levar- nos ao comunismo.” Explicando que discordara da inves- tidura do Sr. João Goulart na Presidên- cia da República, mas terminara aceitando- a, disse o Governador Lacerda:“Euoconhe- cia bem. Mas, como bom democrata, sub- meti-me à vontade da maioria, quando en- trou em vigor a fór- mula do Parlamenta- rismo. Mas o Sr. João Goulart não queria governar. Adulava, de dia, os trabalhadores que condenava ao desemprêgo, de noite. O Sr. João Gou- lart jurou fidelidade ao Parlamentaris- mo, para logo em seguida impor o plebis- cito, e todo o povo votou. Eu não votei porque achava que o plebiscito era uma palhaçada, e repito que era”. “Quem quiser fazer reformas deve ter a honestidade de dizer que as fará sem reformar a Constituição. Há necessida- des de se fazer reformas, e eu acho que se pode fazer isso sem se mexer na Consti- tuição. Mas o Sr. João Goulart não queria isso. Montou um dispositivo sindical nos moldes fascistas, com dinheiro do Minis- tério do Trabalho, dinheiro roubado do impôsto sindical, roubado do salário dos trabalhadores, para pagar as manifesta- ções de banderinhas e as farras dos homens do Ministério do Tra- balho.” “Ao mesmo tem- po,começouacriardi- ficuldades para a Im- prensa, para os jor- nais, para o rádio e a televisão, iniciando um processo de escra- vização dos homens livres que fazem a im- prensa do nosso País. Depois de criar as dificuldades, o Sr. João Goulart oferecia-se para resolvê-las, en- quanto dava curso ao processo de en- treguismo do Brasil à Rússia. O Sr. João Goulart foi o maior entreguista que já teve êste país.” Continuando seu discurso, acusou o ex-Presidente Goulart de iniciar o sola- pamento da autoridade militar, entregan- do os comandos militares a gente sem prestígio nas Fôrças Armadas. “O des- prestígio” - disse Lacerda - “atingiu a todos os setores do Govêrno, os Minis- térios Civis e a própria Casa Civil da Presidência, onde estava Darcy Ribeiro, um instrutor de tupi-guarani, que acabou reitor da Universidade de Brasília sem jamais ter sido professor”. Dizendo que os brasileiros honra- dos que votaram em João Goulart não tinham dado seu voto ao comunismo (“portanto Jango enganou o povo”), Lacerda fêz referências elogiosas aos Generais Castello Branco e Mourão Fi- lho, atacando em seguida o Almirante Aragão (“sem condições para ser almi- rante”),ealudindoaoCaboJoséAnselmo: “A Marinha é tão ruim que um cabo pode ser estudante de Direito. Em nenhuma Marinha do Mundo, nem nos Estados Unidos, nem na Rússia - um cabo tem tempo para estudar Direito. E o Sr. João Goulart acobertou, patrocinou, estimu- lou tôda essa gente, jogando marinhei- ro contra soldado, farda contra farda, classe contra classe, brasileiro contra brasileiro”. “Assim, não era possível que Ma- rinha, Aeronáutica e Exército supor- tassem mais tamanha impostura e ta- manha carga de traição.” E concluiu: “Deus é bom. Deus teve pena do povo”. O Cruzeiro - 10 de abril de 1964.
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    26Nº 276 -31 de Março/2020 Nos idos de 1950/1960, Assis Cha- teaubriand comandava o império jornalístico dos “Diários Associados” (jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão), que influenciava a opi- nião pública, mantinha re- lações com os altos po- deres do governo, inclu- indo a Presidência da Re- pública, criava ídolos de pés de barro, derrubava quem desejasse. Tal qual, hoje, as Organizações Glo- bo, que começaram a cres- cer no final da década de 60, em pleno governo “au- toritário” (havia autorida- de). De comum, entre os dois impérios: ontem, o apoio irrestrito ao Movi- mento Cívico-Militar de 1964 e hoje, a mentira deslavada deturpando as realizações do regime militar que levou o país ao maior crescimento jamais registrado em 500 anos, com um PIB de 14% e tentan- do mudar a sua História. Por quê? A máquina da desinformação montada nas redações de jornais e rádios e nas cen- trais de telejornalismo, tudo faz para que a verdade não seja conhecida. Pre- ferem a meia verdade ou a mentira, di- vulgadas pelos jornalistas petistas que ocupam 80% das redações e são aman- A VERDADE HISTÓRICA Foto:AcervoJornalEstadodeMinas O Governador Magalhães Pinto, General Guedes e Coronel Valle, aclamados pelo povo, na Praça da Liberdade. Estado de Minas - 02.04.1964 tes de Fidel, Guevara e Chávez. O “Estado de Minas” apesar do acervo histórico de sua Gerência de Documentação (microfilmagem de to- dos os seus jornais e revistas), não o utiliza como referência, intencional- mente, pois não é do interesse da mídia amestrada e do governo petista mos- trar a Verdade à nossa gente. A foto acima, teve a sua legenda posteriormente modificada em 07.03. 2001, para GOLPE, sendo uma pálida amostra da deturpação marxista à nos- sa História e à Verdade. Quem tem medo da Verdade? Quem está mentindo? A resposta é sua, prezado leitor! “Não caberá em 20 linhas uma tentativa de síntese dos prós e contras à Revolução de 31 de Março. Vamos antes ressaltar um dos aspectos que a distin- guem entre os demais movimentos re- generadores havidos no Brasil e no mundo:équeestaRevoluçãonossa,nem durante o seu deslanchar, nem depois, na fase de consolidação, jamais suscitou aparecimento de um chefe carismático, um salvador. Escapou assim da fatalida- de obrigatória às revoluções de esquer- da e de direita, que é se cristalizarem em torno de um ditador, líder ou caudilho. Pois até no Chile, onde o comunismo se pretendia instalar “por via democrática”, o malogrado Allende se ia configurando como homem-símbolo, insubstituível. Aqui,opredomíniomilitarnomo- vimento deu-lhe, singularmente, uma DEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DEDEPOIMENTO DE RACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZRACHEL DE QUEIROZ Grandes Acontecimentos da História (Editora Três), nº 10 feiçãodemocráticaetranqüilizadora:a rotatividadedoschefes,queocupavamos cargos por tempo marcado, tal como se faz dentro das Forças Armadas. E isso dos primeiros aos últimos escalões, a começarpelaPresidênciadaRepública, e sem esquecer o contingente dos técni- cos, que também se revezavam. Assim, quem governa o país é realmente um Sistema,cujosquadrosperenementese renovam.Dentrodeles,areclamadatran- sição do militar para o civil se poderá fazer sem choque, à medida que os quadros políticos se recuperem e, mor- mente, recuperem a confiança perdida pela sua responsabilidade no caos eco- nômico, social e institucional em que se afundava o país. Caos de que, como é visível e notório, miraculosamente fo- mos salvos.” O DISCURSO E A MENTIRA FREI BETTO Estado de Minas - 16/042014 É abundante a documentação de como o golpe de 1964 foi operado sob o comando do governo dos EUA. Como acreditar no que escreve, sendo um seguidor de Fidel e Lula? Segundo informações da Igreja Católi- ca, “Carlos Alberto, vulgo frei Betto”, não é sacerdote da Ordem Dominicana (portanto não tem poder para celebrar mis- sa e atender confissões) e não consta que a ela esteja ligado à Ordem dos Pregado- res (OP) por algum dos três votos solenes de castidade, pobreza e obediência: Tal- vez pertença à ordem terceira do Rosá- rio, que é formada por cristãos católicos leigos, obedientes ao Papa. Como acreditar num sujeito que declara: “Cuba resiste como único exemplo latino-americano de democracia social e econômica”. Ver página 116 do livro História & Vida integrada – 8ª série de Nelson e Claudino Piletti, adotado pelas Secretarias Estadual e Municipal de Educação, com o aval do MEC. Tal livro didático, exalta a extinta União Soviética, Vietnã, Camboja, China e Cuba e não divulga o massacre comunista que já vitimou mais de 100 milhões de pessoas e continua matando na Coréia do Norte, China e Cuba... Quanto aos norte-americanos – Segundo o general de Exército Ru- bens Bayma Denys, que participou ativamente do Movimento Cívico Militar de 31 de março de 1964 – jamais foram feitos quaisquer contatos pelo Coman- do (tropa) mineira com a Frota norte-americana ou qualquer outro represen- tante desse governo. Nos idos de março de 1964, este editor era um jovem capitão servindo no 4º Grupo de Artilharia 75 a Cavalo, em Uruguaiana, onde em janeiro, o governador Carlos Lacerda fizera um comício, o maior já acontecido na cidade, sobrepujan- do os do PTB de Fernando Ferrari /Leonel Brizola, mesmo sendo área de influência desse partido. Muito antes de se saber do movimento contra-revolucionário de Magalhães Pinto, foi decidido iniciar a sublevação da 2ª Divisão de Cavalaria no dia 4 de abril, sob o comando do Coronel Luiz Serff Sellmann, chefe do Estado-Maior, com o sequestro de João Goulart e Leonel Brizola, que chegariam nessa data a Uru- guaiana para participarem de um comício em represália ao realizado por Carlos Lacerda. A ação seria desenvolvida por um grupo civil armado, com o apoio da Guarda de Honra do 8º RC, comandada pelo Capitão de Cavalaria Tolentino Job Barbieri, prendendo-os ao desembarcar do avião e levando-os para uma estância afastada. Em seguida, as unidades seriam sublevadas e a 2ª DC lançaria um manifesto à Nação. Nada disso aconteceu em virtude da eclosão do movimento em Minas. Ao entardecer desse dia, foi captada por rádio, a notícia do deslocamento das tro- pas mineiras em direção à Brasília e ao Rio de Janeiro. Às 6 horas da manhã do dia 1º de abril, no quartel do 4º GA75 Cav, comandado pelo tencel Veterano FEB Amerino Raposo Filho, o coronel Sellmann diz: “Neste momento avoco o Comando da 2ª Divisão de Cavalaria” E assim foi feito. Como poderia ter havido contato com os norte-americanos? E nem uma palavra sobre o apoio recebido de Cuba, Albânia, China e União So- viética, pelas organizações subversivas, bem antes do movimento de 31 de mar- ço. Como acreditar nesse "frei"? “Frei” Betto e o seu ídolo máximo, o sanguinário ditador Fidel Castro Se a revolução tivesse sido esmagada na noite de 31 de março de 1964: 1 - Brizola seria o ditador marxista. 2 - O Brasil seria uma república soviética. 3 - Teria havido um sem número de prisões, torturas, execuções, fugas, expropriações, vinganças. 4 - Censura absoluta, jornais, rádios e televisões oficializadas. 5 - Milícias em vez de tropas regulares. 6 - Nunca se falaria em anistia, pois só os democratas anistiam. FELIZMENTE, A REVOLUÇÃO DE 1964 VENCEU, COME- TEU ERROS, INJUSTIÇAS, ARBÍTRIOS, MAS QUINZE ANOS DEPOIS ELA TENTA REAPROXIMAR OS BRASILEIROS. É O RISCO DA DEMOCRACIA. David Nasser SÓ OS DEMOCRATAS ANISTIAM Manchete, 07 de julho de 1979 Publicado no Inconfidência nº 201 de 30 de abril de 2014 Atodos aqueles que, lutando contra a ditadura militar brasileira, foram pedir ajuda e inspiração ao governo de Fidel Castro, prometo solene- mente jamais voltar a escrever uma só palavra contra o socialismo se vocês me provarem as seguintes coisas: 1. Que em Cuba havia mais liberdade de imprensa que no Brasil. 2. Que em Cuba havia menos prisioneiros políticos que no Brasil (se vocês não quiserem, não precisam nem mesmo levar em conta a diferença de população dos dois países; contento-me com números absolutos). 3. Que em Cuba havia um partido de oposição funcionando com a li- berdade, mesmo limitada, do MDB. 4. Que a ditadura militar brasileira matou mais gente que a ditadura cu- bana (novamente, aceito números absolutos). Se vocês me provarem essas coisas, prometo inscrever-me no PT e tornar-me o mais devotado dos seus militantes. Se não provarem, terei todo o direito e até o dever de continuar jul- gando que vocês são uns embrulhões e mentirosos; que vocês não lutavam pela democracia coisíssima nenhuma e que tudo o que vocês queriam era fazer aqui o que Fidel Castro fez em Cuba, com a única diferença de que vocês pró- prios estariam no papel de Fidel Castro. (O Globo 12.05/2001) CUBA Olavo de Carvalho
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    27Nº 276 -31 de Março/2020 David Nasser não se afastou de sua trincharei um só minuto, apesar de avisado, pessoalmente, pelo Governador Adhemar de Barros. O jornalista continuou na Guanabara, em sua trincheira não apenas de palavras SABER GANHAR seus erros, a História o passou por seu banheiro carrapaticida. E o futuro o julga- rá pela importância de sua luta na redemocratização de sua Pátria. AGORA, êles sabem que a sua co- ragem não se conta pelos fios de cabelo, ó indecifrável Magalhães Pinto, mineiro silencioso, patriota humilde, general sem farda de um dos movimentos mais perfei- tos da história revolucionária. O Brasil nunca se esquecerá que o primeiro grito foi seu, o primeiro gesto de um ballet ines- quecível, o primeiro passo da longa mar- cha democrática. AGORA êles sabem que os três anos de silêncio do General Mourão não significavam três anos de capitu- lação, mas três anos de conspiração, três anos de prudência, três anos de silên- cio - para o grande despertar da nacio- nalidade. Alguns generais que pare- ciam anestesiados - hoje o sabemos - estavam apenas de vigília.LuizGuedes, Castello Branco, Costa e Silva, Décio Escobar, Correia de Melo, tantos gene- rais, tantos briga- deiros, tantos almi- rantes jurados na intransigente defesa da democracia brasileira. AGORA, êles sabem que aquelas medalhas exibidas pelo General Amaury Kruel não eram de lata nem foram con- quistadas noutro campo que não fosse o de honra. Êles sabem, meu bravo Kruel, que, acima de sua fidelidade a um homem, você colocava a lealdade à sua Pátria ameaçada por um bando de cani- bais políticos. SABÍAMOS, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se êles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sôbre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue, verme- lha como êles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos pai- sanos da liberdade. Onde estaria Carlos Lacerda a esta hora? Onde estariam Adhemar, Calmon, Armando Falcão, Castello Branco, Mourão, Gustavo Bor- ges, Anísio Rocha, Alkimin, Magalhães Pinto, Ney Braga, Costa e Silva, Décio Escobar, tantas, tantas vozes e tantas espadas que não se calaram, não se em- bainharam em todos êsses longos me- ses da comunização do Brasil? Se ou- tros fôssem os vencedores, não have- ria contemplação. A VIRTUDE da democracia está em saber ganhar. Em seu nome, em nome da Democracia, não se pode permitir que a injustiça se pratique em nome da Justiça, que sejam anulados, sem proces- so legal, os mandatos populares, que a Constituição seja rasgada em nome da Constituição. TODOS sabem o desprêzo vegeta- riano que voto a certos homens fistuli- zados que compunham o cerne dêsse Go- vêrnoquecaiu. Mas - advertiu na sua cris- talinidade política o próprio Governador da Guanabara - um democrata autêntico não odeia um homem, odeia uma idéia. Odeia, não a figura ridícula de um Minis- tro comendo feijoada e bebericando en- quanto a lama corria sob os pés de um regime vili- pendiado. Odeia, não os gestos febris de um ado- lescente político saído de uma taba espiritual para a Casa Civil da Presi- dência. Odeia, não aque- las figuras tenebrosas do CGT, aquêles pobres moços ensandecidos da UNE, aquêles sargentos equivocados, mas tudo o que a idéia que êles defen- diam, honesta ou estùpida- mente, representava. NÃO é porque eram criminosos, que em crimi- nosos vamos nos trans- formar. Não é porque re- presentavam o totalitaris- mo, a radicalização, o que de mais vergonhoso, mais sórdido,maisbrutalemais brasileiro pudesse existir no Brasil que devemos nós, os democratas, pedir-lhes as armas e as usar com a mesma ausência de liberalidade democrática. O que nos diferencia dêles é justamente isto. O mes- mo que diferencia a carniça que êles são do abutre que não somos. NÃO significa que os criminosos não devam ser punidos nem os responsá- veis irresponsabilizados. Significa que cada um pague pelo que fêz, não pelo que foi. Ninguém tem culpa de ter sido Minis- trodeumGovêrnolegalmenteeleito,cons- titucionalmenteorganizado.Ninguémtem culpa de ter sido Ministro de João Goulart, nem mesmo o Senhor Abelardo Jurema. O QUE me enoja não é ver os ratos fugirem do navio que se afunda, mas aquêles que ontem lhes comiam a comi- da, ajudar a matá-los. PARTE o Senhor João Goulart para Pôrto Alegre, para o Uruguai, para a Espanha, sem o meu ódio. Nunca conse- gui odiá-lo — e até hoje —- permita-se a um adversário de suas idéias e de seus métodos confessar após o crepúsculo de um deus que tinha os pés de barro — não o consigo odiar. Vejo-o ainda, no seu pequeno trono do Alvorada, como um pobre homem, incapaz de governar, de distinguir amigos de aproveitadores, inimigos de oponentes. CAIU porque em seu espírito en- garrafado pela mediocridade mais positi- va dêste País, nunca deixou de existir o estancieiro que contava os aliados como quem conta o gado no curral. CAIUporqueacreditouqueaquêles que lhe faziam planos de continuísmo, acenando com o poder sindical, com o dispositivo militar, acreditavam no que diziam. E lutariam por tudo aquilo que o Senhor João Goulart acreditava. Mas o Senhor João Goulart não acreditava real- mente em nada. A não ser na sua boa estrêla, que era a estrêla vermelha. RECUSO-ME a pisar sôbre os ca- dáveres morais dêsses homens sôbre os quais, com o risco da própria vida, dentro das limitações que me eram impostas por uma organização que êles ameaçavam destroçar, tantas vêzes caminhei pela estrada que nos conduzia ao imprevis- to de um fim melancólico ou de uma liberdade sonhada. NÃO será em nome dessa liberdade conquistada que iremos tripudiar sôbre os vencidos. Aquêles que eram comunis- tas, continuarão a sê-lo, talvez com me- nos esperança. Aquêles que eram os pobres enganados dessa República — talvez abram os olhos, os vencedores não procederem com a mesma fúria, o mesmo despotismo, a mesma insensibili- dade daqueles que nem por isto deixaram de ser brasileiros e possivelmente demo- cratas equivocados. A compreensão e a justiça talvez os ajudem a abrir os olhos. WILSON FIGUEIREDO conta que, em plena ocupação do velho órgão da Condêssa, um fuzileiro pediu para te- lefonar para a mulher a quem não via há três dias de longa e sofrida prontidão. Não apenas deixaram o invasor telefonar, mas serviram um cafezinho bem brasilei- ro. Nesse momento, também, o Brasil es- tava voltando a ser brasileiro. POIS é esse cafezinho brasileiro que devemos servir aos que erraram por acreditar demais ou erraram por acreditar de menos. Respeitemos as suas famílias, as suas idéias falsas, e apuremos apenas os seus possíveis crimes. A menos que voltem a ser inimigos, a se constituírem em vírus vivos —- os inimigos vencidos deixam de ter nomes. Edição Histórica de “O Cruzeiro - Extra”, de 10 de abril de 1964. David NDavid NDavid NDavid NDavid Nassassassassassererererer AGORA, êles sabem que a sua espada não é de pau, meu velho Capitão, e eu volto o pensamento até aquêle quarto da casa paulista, onde as suas mãos trê- mulas escreviam a história dêste país, di- zendo-me: “Péter plus haut que son cul”. AGORA, êles sabem que a sua doença democrática só tinha êste re- médio. Deputado João Calmon, quan- do você, na sua admirável teimosia, re- cusava todo e qualquer acôrdo e des- fraldava a bandeira suicida. Se tería- mos que morrer vergonhosamente ama- nhã, que morrêssemos com honra, hoje. AGORA, êles sabem que as suas palavras não eram simples filigranas ver- bais,GovernadorCarlosLacerda,homem afirmativo, líder másculo, democrata au- têntico, brasileiro enlouquecido de amor à sua Pátria - e que se desesperava ao vê- la conduzida ao curral das nações ar- rebanhadas. Meses a fio, exposto na pri- meira linha, combatente de vanguarda, sabendo que a cada esquina um nôvo perigo o esperava, você, meu bravo com- panheiro, só teve um guarda-costas: Deus. O capanga divino, que com a sua infinita sabedoria enguiçava o carro do Faz-Tudo, iluminava o espírito dos coro- néis, cobria de lucidez a decisão dos pára-quedistas, evitara a sua eliminação, o caminho aberto, supunham êles, para a fácil conquista de um resto de Pátria. Mas êles estavam enganados, sempre estive- ram enganados, continuam enganados. Nenhum de nós era essencial, qualquer de nós, bem ou mal, seria substituído, mesmo você, grande e insubstituível Car- los Lacerda. Não se matam idéias. AGORA, êles sabem que a sua in- transigência democrática, jovem Adhe- mar de Barros, môço governador de uma terra indomável, agora êles sabem que a fé o rejuvenesceu, o espírito de luta o retemperou, e você, môço Adhemar, se- jam quais forem os erros do passado, a todos redimiu na bravura de sua última jornada. Mil vêzes você, com todos os pecados, Adhemar, diabo velho! Mil vê- zes você que aquêle falso honrado, Jânio Quadros, até agora escondido debaixo da cama, à espera de que a última cidadela se renda, que o último homem se defina. Ah, tivéssemos nós ensarilhado as ar- mas, tivéssemos nós tido piedade dos canalhas, tivéssemos nós permitido com o nosso silêncio que êles voltassem - e quem se encontraria, agora, no govêrno de São Paulo? A cachaça cívica, o fauno de Adelaide, o entreguista Jânio Qua- dros, responsável primeiro pela guinada do Brasil para o Oriente, aliado dos comu- nistas, traidor de sua Pátria. Graças a Deus, à Providência de que nos fala Adhemar, como o instrumento divino, foi buscar no museu dos canastrões, o ca- nastrão maior - você, velho, passado, cansado, desonrado, reabilitado, contes- tado, enquartejado, encarcerado, proces- sado, libertado, envergonhado, ressus- citado, reabilitado - e agora numa demais exaltado Adhemar de Barros. A História, se alguma verdade houve no balanço dos "A Marcha da Família com Deus pela Liberdade" transfor- mou-se, no Rio, numa verdadeira homenagem às Forças Armadas. A incalculável multidão concentrou- se ao lado da Candelária, com ima- gens, terços, bandeiras e cartazes anti-comunistas. E dali deslocou-se para a Esplanada do Castelo, onde renovou a impressionante demons- tração de fé católica e de confiança no Brasil. (Manchete Edição Histórica Abril/1964) Deus, Família e Pátria BRASÍLIA - A revolução de 1964, citada pelo ministro da Marinha, almirante Hugo Sabóia, em ordem do dia, como um “fato históri- co, principalmente pela concecução de seus objetivos a democracia”, foi comemorada no âmbito da força naval, na última sexta-feira, por antecipação. “Hoje - diz o ministro na ordem do dia - consolidada evolução democrática a que a sociedade ansiava, atingindo nível desejado de amadurecimento político, pode a família brasileira vislumbrar o futuro que todos almejamos, de paz, de harmonia, de prosperidade e de oportunidade para todos. (Estado de Minas - 31 de março de 1985) Sabóia destaca papel dos militares
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    28Nº 276 -31 de Março/2020 Oque teria sido do Brasil se, em 1964, lhe tivesse faltado um vitoroso mo- vimento de “basta” a desvios, os mais antibrasileiros, de suas constantes nacio- nais? Esse movimento, através de uma in- tervenção das forças de defesa ou seguran- ça nacional, em assuntos normalmente en- tregues a parlamentos, políticos, homens de partidos. Uma intervenção prestigiada pelo mais decisivo apoio da gente mais representativamente brasileira de todas as regiões e condições sociais do País. Isto o que é real e verdadeiramente aconteceu. Uma revolução? Revolução sociologi- camente substantiva, sou dos que pensam que não. Não surgiu 64 com um programa, um deário, um roteiro que lhe desse esse sentido ou essa configuração. Surgiu como um necessário ou es- sencial resguardo de valores nacionais em perigo: perigo que poderia extremar-se em destruição de parte considerável desses valores ou em sua substituição por auti- V ista de longe, e do alto, ou seja, nas suas perspectivas históri- cas, a Revolução de 1964 sur- ge-nos como um movimento irresistível de opinião em que as Forças Armadas cumpriram o seu papel tradicional de mediar entre os extremos, de restabe- lecer o equilíbrio, de assegurar a con- tinuidade, de antepor à desordem (ramificada em todos os níveis do Po- der) o espírito conservador (consoli- dado em todas as camadas sociais). Antes de tudo, não foi uma insur- reição de ideologia desfraldada; foi au- tenticamente uma contra-revolução co- mandada paralelamente pelos sentimen- tos clássicos da nossa gente e pelas res- ENFOQUE SOCIOLÓGICO DA REVOLUÇÃO DE 1964 Professor GILBERTO FREYRE - Especial para Letras em Marcha - brasileirismososmaiscontráriosaoscarac- terísticos, aos desígnios, aos positivos já desenvolvidos, no Brasil, por uma socieda- deeporumaculturacrescentementesenho- ra de triunfos nacionais sobre não peque- nos obstáculos antinacionais. Quando não se reconhece no Movi- mentode64obastantedesistemática, de preparo, de substância para poder ser sociologicamente considerada uma revolu- ção substantiva, não se desconhece sua importânciacomopartedeumprocessoque revolucionariamente,construtivamente,cri- ativamente, vem operando no Brasil, desde dias pré-nacionais – desde os arrojos Ban- deirantes, paulistas e não-paulistas, desde a expulsão de holandeses, desde Alexandre deGusmão–nosentidodetornarumaainda pré-nação sociedade e cultura inconfundi- velmentebrasileiras. Averdade é que o Brasil, tendo sido beneficiado por um tipo de coloniza- ção, a portuguesa, que não o submeteu a excessos de estatismo metropolitano, pôde ser desenvolvido, por pré-brasileiros, atra- vés de esforços e iniciativas extra-oficiais. Que o digam a lavoura do açúcar, seguidapeladocafé,acriaçãodegado,com o gaúcho vanguarda tão viva do Sul do País. Portanto através de uma auto-colonização que ampliou, ou deu dimensão, em dias ainda coloniais, já nacional, à colonização. Isto através mais de um processo criativa- mente emancipador, que de revoluções substantivamente emancipadoras, do tipo dos que se esboçaram através de bravuras ou rompantes regionais. O que dá funda- mento à tese de que desse processo revo- lucionário é que verdadeiramente resultou aindependência,comovêmresultando, em dias já nacionais, o desenvolvimento e a consolidação do Brasil em sistema autôno- mo de vivência e de convivência. Foi, 1964 o grande papel que desempe- nhounadinâmicadaformaçãobrasilei- ra:adeacertaaltura,repelirvigorosa-mente desvios do seu processo verdadeiramente nacional de consolidação e de desenvolvi- mento.Semtersidoumarevoluçãoprojeta- da, que pudesse ter realizado, no setor so- cial, ajustamentos agudamente necessári- os – aí sua deficiência – foi um movimento que impediu graves anti-brasileirismos de perturbarem afirmações do Brasil, em dias turvos, como nação construtivamente bra- sileira no essencial de seus rumos, além de políticos, sócio-econônicos. PERSPECTIVAS HISTÓRICAS DA REVOLUÇÃO DE 1964 * Pedro Calmon ponsabilidades irrenunciáveis dos che- fes militares. Aqueles, antes destes, demonstraram o imperativo da ação como um desenlace natural da crise. Quem a dirigiu? Qual, pessoalmente o condutor, supremo da rebelião – con- tra a desorganização, a ilegalidade, o caos? Quem perante o futuro por ela responde? A posteridade dirá: a consci- ência coletiva. Traduz-se por um estado de convicção, em que se aliam o temor do pior e a esperança do melhor, nessa amálgama de protesto e afirmação que teve o colorido inédito da participação feminina, as mulheres maciçamente na rua, rosário nos dedos, corajosas e som- brias, regando com aflição o seu apoio (o tremendo veto doméstico à “mudança”) aos obscuros objetivos da política que destroçava a hierarquia, que anulava a Constituição, que subvertia o trabalho, que empurrava o País para a aventura ainda sem nome (sindicalismo, socialis- mo, mas de que espécie, populismo, mas de que natureza?) contudo, ameaçadora e dúbia, como se devesse o Brasil uma distorção violenta, análoga às das nações européias depois da Grande Guerra: For- mou-se, com a mobilização espontânea das massas, que reclamavam a normali- dade, contra o recrutamento ruidoso das massas, que pediam o desfecho catastrófico, a psicologia da interven- ção. De tal modo exprimiu a absoluta maioria do pensamento nacional, que a contra-revolução de 31 de março trans- bordou dos quartéis sem que a detives- sem, ali ou acolá, as arregimentações hostis. Não se toldou com a fumaça dos combates. Tornou-se a marcha batida para a recuperação pacífica do regime. Instalou-se num abrir e fechar de olhos, sem ter de chorar os mártires; coroada pela satisfação pública; tão acei- ta e compreendida como se desempe- nhasse uma função obrigatória no qua- dro confuso dos acontecimentos; quase unânime, pela primeira vez na história; mãos desatadas, a euforia transparente na serenidade; à frente, o estado-maior “legal”; livre das atabalhoadas precipita- ções; guiada e interpretada pelos gene- rais que lhe assumiram a sorte; por isso mesmo convidada a governar de acordo com a sua índole, os seus compromis- sos, o seu passado. Foi sábia a Revolu- ção, conservação, apezar das cassações, o Legislativo. Foi lógica dando a presi- dência ao General Castello Branco. Foi prudente editando as fórmulas do seu funcionamento. E foi exemplar, aplican- do-se ao processo valente da regenera- ção financeira, como base do desenvol- vimento econômico, restituindo ao co- mércio e à indústria a confiança nas instituições. Se seguirmos a sua parábola nessa ordem de fatos – o que de positivo e criador promoveu a Revolução de 1964 – temos num largo painel o seu retrato. Replantou a calma, refez a tranqüilidade, impôs a evolução, serenou o Brasil – sob os auspícios dos membros elementos decisórios que a desencadearam, pro- longando-lhes a presença e a autoridade nesse decênio que precisa ser estudado nas estatísticas e nas conseqüências, mais do que nos homens e nas idéias. Não importam os pormenores. Sa- lientem-se o que de estrutural, de dinâ- mico, de estridentemente brasileiro tem o período, começado em 1964 pelo en- cerramento da época das graves pertur- bações. Tempo suficiente para que sobre ele se debruce não só o sociólogo, vem- lhe os fenômenos, como o historiador, descobrindo-lhe a fisionomia. É neces- sário concluir: o seu saldo de benefícios favoreceu amplamente o progresso e a estabilidade, que é como se dissésse- mos, a permanência e o crescimento da Pátria! Ela fará justiça a Castello Branco e Costa e Silva, a Garrastazu Médici e Ernesto Geisel. * Professor e acadêmico Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro Nos 15 Tomos editados foram concreti- zadas 248 entrevistas, sendo 208 con- cedidas por militares e 40 por civis. A grande maioria (97), por aqueles que serviam no Rio de Janeiro e Minas Gerais, berço do Movi- mentoCívico-Militar.Prestaram depoimen- to 89 oficiais-generais, 114 oficiais supe- riores e 5 capitães. Entre os civis, parla- mentares, professores, empresários, jor- nalistas e membros do Poder Judiciário. TOMO 15 Mal-aventurados os lúcidos porque possuirão a realidade. Mal-aven- turados os que desejam a paz e a ordem porque assistirão a turbulência crescen- te e verão a desordem se alastrando em toda parte. Mal-aventurados os que amam a justiça, porque serão feridos e ofendi- dos todos os dias pela injustiça. Mal-aventurados os que nas- ceram com o duro e difícil amor à pátria, porque serão acusados de reacionários e apontados à execração pública e sofre- rão ofensas e testemunharão atentados a tudo o que veneram. Mal-aventurados os que amam a verdade, porque surgiram neste mun- Poema de Augusto Frederico Schmidt MAL-AVENTURADOS do numa hora polêmica, de indiferença à verdade, e em que se instituiu o culto à mentira e à deformação. Mal-aventurados os bem-in- tencionados porque serão mal julga- dos e suas palavras serão deformadas pelos intérpretes e serão enlameados pela grosseria dos demagogos e mis- tificadores. Mal-aventurados os lógicos, os que têm necessidade de hierarquia, os que precisam de métodos para respirar, porque nasceram numa hora de surpre- sa, sob o signo do absurdo, numa época de inversão de valores, em que nada se processa com segurança e em ritmo tran- qüilo e justo e certo. NR: Escrito poucos dias antes de 31 de março de 1964
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    29Nº 276 -31 de Março/2020 Desde a sua eclosão, os mili- tares comemoram o aniver- sário da Revolução Democráti- ca de 31 de Março, movimento que impediu os comunistas de to- marem conta do nosso país. Du- rante algum tempo essas come- morações eram públicas, reali- zadas em praças e parques, e tinham a participação e o aplau- so do povo, de políticos e de au- toridades civis e eclesiásticas. Ho- je, cerceados pelos que passa- ram a ocupar o poder, as come- morações têm ocorrido dentro dos quartéis, com o mesmo or- gulho e vibração. Os inconforma- dos e ressentidos radicais ten- tam, mas não conseguem apagar da memória as datas importan- tes das Forças Armadas, que são marcas gloriosas da sua his- tória, que se confunde com a pró- pria história do Brasil, na defesa da soberania e integridade naci- onais. Naquela vez, a nação este- ve perto de sucumbir à subver- são vermelha, mas se recuperou, triunfalmente, sem disparar um único tiro. O movimento só acon- teceu porque o povo brasileiro, decidido a permanecer livre, saiu às ruas contra o clima de agitação e insegurança, e disse um não ao comunismo. Existe uma literatura abun- dante sobre o assunto, pela qual desfilam os mais variados per- sonagens, em que o foco histó- rico de alguns tipos é construído e divulgado de acordo com seus interesses. Importante, mas, pro- positadamente ausente na mí- dia, é o episódio da decisiva atua- ção das mulheres brasileiras na aniquilação dos planos verme- lhos. Dona Amélia Bastos, a Do- na Amelinha, como era chama- da, convidou as amigas e vizi- nhas a sua casa, e disse solene: “Quem tem mais a perder com o que está acontecendo no nosso país do que nós, mulheres? E de quem será o futuro que desapa- AH, ESSAS NOSSAS MULHERES! recerá senão o de nossos filhos e netos, se a política radical do Governo (Jango) levar a nossa pátria ao domínio comunista?”. Desencadeou-se, daí, um proces- so de multiplicação de mulheres em salões paroquiais e casas de família, culminando com a for- mação da CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia), que mais tarde influenciou a criação das “Ligas das Mulheres Demo- cráticas”, em Belo Horizonte e São Paulo, que se espalhou pelo país. O efetivo de mulheres au- mentava rapidamente. Cada uma que se apresentava era encarre- gada de organizar outra reunião (célula) com 10 outras amigas, e estas tinham que recrutar outras e, assim, formou-se uma corren- te de simpatia que não parou mais de crescer. Dona Amélia, no dia se- guinte à criação do movimento, foi aos jornais, com 30 donas- de-casa, pedir ajuda na sua luta. Em O Globo disseram-lhe: “O protesto de 30 mulheres não quer dizer muita coisa. Mas se a senhora puder marchar até aqui com 500 mulheres...”. Dois dias depois ela levou as 30 pri- meiras e mais 500 mulheres di- ante de Roberto Marinho, dire- tor do jornal, e o fato foi man- chete de primeira página. Elas faziam comícios de protestos nas praças, falavam horas ao telefone, escreviam cartas e panfletos a congressistas, con- vocando-os a assumirem posi- ções, distribuíam circulares e livretos, punham anúncios nos jornais, apareciam em comícios para discutir com os esquerdis- tas e desafiar os agitadores. Os seus escritos, de grande produ- ção, eram distribuídos a cada mulher participante, e esta deve- ria mandar cinco cópias para possíveis candidatas à causa. Além disso, foi organizado um serviço de “senhoras estafetas” para entregar o material de pro- paganda, de automóvel e de avião, convencendo os pilotos das companhias de aviação a transportá-lo para lugares dis- tantes. Infiltravam-se nos sindi- catos dos estivadores e influ- enciavam as suas mulheres a convencê-los a tro- carem de lado. O mesmo aconteceu nas favelas como, por exemplo, na Rocinha, muito as- sediada pelos ver- melhos. E, assim, engrossavam as fi- leiras nas marchas. A 25 de feve- reirode1964,aFren- te de Mobilização Popular programou uma concentração a ser realizada nas de- pendências da Se- cretaria de Saúde e Assistência, em Belo Horizonte, quando falaria o de- putado federal Leo- nel Brizola. Líderes democráticos, as mulheres mineiras e * Emerson Rogério de Oliveira a população belorizontina, impe- diram o discurso de Brizola, que mesmo com seus capangas forte- mente armados, foi corrido da ci- dade, sob uma chuva de frutas e legumes, além de pedras retornando de madrugada ao Rio de Janeiro. Em São Paulo, a 19 de mar- ço, 500 mil pessoas desfilaram na Marcha da Família com Deus Pela Liberdade, com terços e ro- sários apertados contra o peito. Nas calçadas, os jornaleiros ven- diam milhares de exemplares de jornais, com a pu- blicação de uma proclamação pre- parada pelas mu- lheres. Assim foi que, chamadas por este apelo do povo, as Forças Armadas se anteciparam ao exér- cito popular de origem cubana e sufocaram o movimento. Na tarde de 1º de abril, tudo estava terminado e os mi- crofones do Brasil anunciavam a derrota do comunismo. Com mar- cha marcada para o dia dois, o próprio General Castello Branco aconselhou as mulheres a cancelá-la, temendo violência. Dona Amélia insistiu: “A mar- cha mostrará ao mundo que esta é uma Revolução do povo – um plebiscito pela verdadeira de- mocracia!”. Mudou o nome para “Marcha de Ação de Graças a Deus”, e mais de um milhão de pessoas deslocaram-se pelas avenidas do Rio, sob tempesta- des de papéis picados caindo dos prédios. Lençóis e toalhas nas janelas e um mar de bandei- ras, agitadas pelo vento, sauda- vam a vitória. Em nome da História, a atu- ação heróica dessas mulheres daria um belo filme, talvez finan- ciado por alguma estatal. Amélia – seria o nome. Pois, não filma- ram Olga? A vitória trouxe liberdade e democracia para o povo, mas deixou latente nos vencidos um sentimento hostil contra os mi- litares, que se exacerbou, mes- mo depois da Lei da Anistia, votada em 1979 pelo Congres- so, em ignóbeis tentativas de desmoralizá-los, de abafar as suas comemorações importan- tes, de desmante- lar as Forças Arma- das, e em manter o seu minguado sol- do sem reajustes. Como se a classe militar não viesse do povo e não ti- vesse famílias, anseios e necessi- dades iguais aos de outras classes da sociedade. Hoje são as nossas mulheres, companheiras fiéis nessa vida itinerante e de sacrifícios, que estão nas ruas, tentando cum- prir a única missão que, por for- ça do regulamento, não pode- mos cumprir: a de lutar pelos nossos direitos. Quem sabe, a exemplo da Dona Amélia Bastos, o movimen- to presidido pela Dona Ivone Luzardo, em Brasília, passe a ter maior participação e a rece- ber adesão e, de repente, 30 saias se transformem em mi- lhares de saias, que se soma- rão a outros tantos patriotas, talvez, quem sabe? Por esse exemplo de cora- gem e fé, e, ao ensejo do Dia Inter- nacional da Mulher, dia oito deste mês revolucionário, a nossa gra- tidão e respeito a todas as mu- lheres, mas, em especial, às nos- sas mulheres. Bravas mulheres! * Cap QAO/Eng (R1) Texto adaptado do livro “Trinchei- ras Abertas”, do autor e apoiado em “A Nação que se salvou a si mesma” - Bibliex / 1964 Amélia Bastos A rápida vitória da revolu- ção democrática de 31 de março provocou um período de intensa preocupação para seus chefes. Como prosseguir? Co- mo alcançar os objetivos que todos ansiavam, preservando a democracia? Esperávamos que a luta armada demorasse de um a dois meses – ela nem chegou a ser desencadeada. A queda de Jango durou apenas três dias. Com o apoio de vários governadores, muitos civis de todas as classes, políticos ou não, nos empenhamos em encon- trar, no menor prazo possível uma solução que permitisse ao Brasil retomar seu cami- nho para o futuro. Esse prazo foi de 10 dias. A primeira idéia surgida – à semelhança do que ocorrera na renúncia de Jânio – foi a de empossar interinamente na Pre- sidência da República o presi- O IDEÁRIO MILITAR * Antônio Carlos Muricy dente da Câmara dos Deputa- dos e realizar, dentro de um ou dois meses, uma eleição. Essa idéia, porém, se mostrou inviá- vel, porque era indispensável a execução de medidas fortes, em curto prazo – medidas que exigi- am a ação de um presidente enér- gico e com apoio total dos meios revolucionários. Ao mesmo tempo ganha- va força, em várias áreas milita- res e civis, o desejo de que fosse implantada, pura e simplesmen- te, uma ditadura militar férrea, com todas as suas implicações, inclusive e principalmente o fe- chamento do Congresso e o afas- tamento definitivo de todos os ele-mentos ligados à subversão preparada pelos comunistas e elementos da esquerda extrema- da que os ajudam. Também esta segunda pro- posta foi rejeitada pelos princi- pais chefes militares, lideranças civis e opinião pública. Ela faria com que a revolução realizada para salvar a democracia se igua- lasse as que se fizeram em ou- tros países do continente, em torno de chefes carismáticos, autoritários e mesmo sanguiná- rios. Chegou-se a uma terceira fórmula, intermediária, que per- durou por vários anos, com al- gumas modificações; a da elei- ção indireta pelo Congresso, para um tempo limitado, de um chefe revolucionário que pudes- se agir com energia, força e equi- líbrio no desenvolvimento de um programa de salvação nacional. A base desse programa se- ria um ideário, ainda não siste- matizado, com base em estudos realizados na Escola Superior de Guerra e outros centros, e já di- fundidos em muitas parcelas da elite brasileira. Para implantação dessa fórmula foi editado pelo coman- do revolucionário o Ato Institu- cional nº 1, redigido pelos juris- tas Francisco Campos e Carlos Medeiros. Esse ato manteve, com alterações, a Constituição de 1946, e permitiu a implantação no Brasil de um clima de ordem e de paz indispensável para o pros- seguimento da vida nacional. A revolução democrática de 31 de março não foi feita para a derrubada de um presidente, nem para colocar militares ou chefes carismáticos civis no poder, nem para destruir as chamadas es- querdas ou esmagar as classes sociais mais sofredoras. Não foi por falta de aviso para que se afastasse do comu- nismo e da esquerda golpista que Jango caiu. Olhando para trás, é quase inacreditável a ina- bilidade dos últimos dias de seu governo. Especialmente a falta de visão em relação às áreas militares, onde então se conspirava abertamente. No Rio de Janeiro, por exemplo, as vésperas do movimento, esta- vam montados dois Estados- Maiores: o do general Castello Branco, constituído pelo ma- rechal Ademar de Queiroz e pe- los generais Golbery do Couto e Silva, Ernesto Geisel e Jurandir Mamede, entre outros; e o do ge- neral Costa e Silva, onde opera- vam os generais Sizeno, Ara- gão e José Horácio. Mas o presidente per- sistiu em sua postura de con- fronto com as Forças Arma- das, fraco e impotente face à esquerda golpista, que arti- culava, ela sim, um golpe para os próximos meses, com o ob- jetivo de estabelecer no Bra- sil, através das técnicas da guerra revolucionária, uma di- tadura à cubana. A revolução foi feita para evitar que se implantasse no Brasil um regime coletivista nos mol- des da Tchecoslováquia e pa- íses satélites. A revolução foi feita para vencer a anarquia crescente que se instalara no Brasil com a anuência do pre- sidente. A revolução foi feita pa-ra afirmar a democracia em nossa terra. (Jornal do Brasil, 31 de Março de 1994) *General de Exército, foi Chefe do Estado-Maior do Exército e Comandante da 7ª Região Militar no Recife, comandou o Destacamento Tiradentes que marchou para o Rio de Janeiro a 31 de março de 1964. Tribuna da Imprensa - 20/03/64 com Deus pela liberdadecom Deus pela liberdade Praça da Sé - 19 de março de 1964 - São Paulo/SP
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    30Nº 276 -31 de Março/2020 A década de 60, rica em acontecimentos históricos, foi um tempo que marcou profun- damente os ru- mos do Brasil. Logo no início desse período, em 25 de agosto de 1961, a renuncia do excêntrico presidente Jânio Quadros abriu caminho para seu vice-presi- dente, João Goulart, superestimado como herdeiro de Getúlio Vargas e conhecido por suas ligações com os sindicatos e suas inclinações populistas. No seu governo, que muitos enten- deram como desgoverno, Jango, como era chamado Goulart, enfatizou a reforma agrá- ria, as ligas camponesas, os movimentos sindicais, os ataques às multinacionais e aos Estados Unidos, e suas atitudes indi- cavam que ele se aproximava cada vez mais da esquerda radical no que era apoiado por seu cunhado Leonel Brizola. O comício chamado da Central ou das reformas, realizado em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, numa sexta feira; a Revol- ta dos Marinheiros, que culminou com a anistia aos marinheiros rebelados; o discur- so para os sargentos foram os fatos que acabaram selando o destino de João Goulart. Ele havia conseguido fortalecer a oposição contra seu desastrado governo. A UDN e outros partidos pediram seu im- peachment; surgiram várias entidades re- presentativas de grupos sociais importan- tes, inclusive, organizações onde havia a presença marcante de mulheres; acontece- ram marchas populares contra o governo lideradas pela Igreja tradicional. Portanto, na distância de 40 anos da- quele 31 de março de 1964 – quando as tropas começaram a se movimentar sob o comando do general Mourão Filho – a vi- são que se tem é a de que, menos que uma ambição de poder, os militares vieram na esteira de um apelo nacional como solu- ção para a profunda crise em que mergu- lhara o país, sendo que certos analistas en- xergam no episódio que alguns historia- dores chamam de golpe, um contragolpe que impediu o Brasil de se transformar nu- ma gigantesca Cuba. Os generais que assumiram os ru- mos da Nação pertenciam a uma elite de militares preparados, inclusive, intelec- tualmente. O primeiro deles, o marechal Castello Branco, era homem de reputação inatacável, de passado rigorosamente lim- po, de inteligência penetrante, de caráter irreprochável e foi com essas “armas” que ele enfrentou as dificuldades do seu go- verno. Sua política econômica foi coman- dada pelos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões, respectivamen- te do Ministério do Planejamento e do Mi- O TEMPO DOS GENERAIS nistério da Fazenda, sendo que a estraté- gia de ambos consistiu em recuperar o dinamismo da economia através de po- líticas orientadas para a neutralização da inflação e dos desequilíbrios no balanço de pagamento. A retomada do crescimento econômico se deu, então, através de um processo de abertura externa da economia, manifesto na intensificação de fluxos não só de mercadorias, mas, sobretudo, de ca- pitais, entre o Brasil e o exterior. O general Arthur da Costa e Silva governou em meio a turbulências estudan- tis e cerrada oposição de políticos, nota- damente, de Carlos Lacerda. O Ato Insti- tucional nº 5 (AI-5) foi instrumento de poder e força em meio à reação de organizações guerrilheiras, seqüestros, assaltos a ban- cos, ataques a unidades militares. Emílio Garrastazu Médici foi o mais temido e o mais amado dos generais, já que foi o mais rigoroso e o mais popular na presidência. A capacidade de tomar decisões nunca lhe faltou, seu estilo era forte, seu governo extremamente centra- lizado. Ele enfrentou intensa radicaliza- ção dos movimentos de esquerda que haviam optado pela luta armada e houve mortes de ambos os lados. O general Ernesto Geisel teve como projeto político a “distensão lenta, gradual e segura”. Defendeu também “o máximo de desenvolvimento com o mínimo de segu- rança indispensável”. Em termos de política econômica seu governo investiu, sobretu- do, em petróleo, energia e insumos básicos, que tiveram crescimentos consideráveis. João Batista Figueiredo, o ultimo ge- neral a assumir a presidência da Repúbli- ca em 15 de março de 1979, defrontou-se com problemas econômicos advindos da conjuntura internacional adversa. Mesmo assim, ele levou adiante projetos demo- cratizantes e foi vitorioso em importantes batalhas da democracia. No momento atual o fantasma da in- governabilidade paira novamente sobre o Brasil e alguns analistas chegaram a com- parar o presente com a conjuntura que antecedeu os fatos de 1964. Se alguns as- pectos são parecidos, especialmente no tocante ao desgoverno que se presencia outros, porém, são bem diferentes. No to- cante as Forças Armadas é sabido que vêm sendo enfraquecidas através de cortes em seu orçamento, dos humilhantes salários de seus integrantes, da distorção de seus objetivos. E é emblemático os militares terem sido chamados de “bando de sem pólvora”, pelo presidente da República. Na reserva, os militares que pertenceram à elite do tempo dos generais, possivel- mente devem sentir profunda preocupa- ção com os rumos do Brasil. Mas os tem- pos são outros. * Maria Lucia Victor Barbosa * Socióloga e articulista. mlucia@sercomtel.com.br (Publicado em março/2004) Há 43 anos levantou-se a contra-revo- lução restauradora de 1964 que im- pediu o golpe de um presidente da repú- blica populista e a tentativa dissimulada de tomada do poder pelo Partido Comu- nista Brasileiro, com ele aliado. Evoco o acontecimento que ainda traz ensinamentos práticos pelo seu signi- ficado moral e emblemático de fidelidade das Forças Armadas brasileiras à Nação. A Revolução Democrática de 1964, no seu primeiro momento – 1964 a 1967 – foi uma contra-revolução restauradora que impe- diu o golpismo populista e o assalto ao poder comunista, abrindo o caminho para um extraordinário progresso para o Brasil. Hoje, sugere-se que o tão memorá- vel episódio é história já vivida e sua recor- dação só serve para dificultar a reconcilia- ção nacional; os desencontros do passado devem ser esquecidos. O esquecimento porém é uma sugestão unilateral porque as esquerdas ressentidas e raivosas não pa- ram de estigmatizar as Forças Armadas, em particular o Exér- cito, acusando-as de instru- mentos da repressão, da tortu- ra e do desaparecimento de jovens idealistas que, na reali- dade, se transformaram em subversivos e terroristas. Para manter o assunto no noticiá- rio, forjam “fatos novos” e en- cenam revelações, denúncias e investigações amplamente divulgadas. E há quem se pres- te a testemunhar “espontaneamente”. Os desencontros do passado não foram simples divergências que devem ser silenciadas a bem da concórdia. Fo- ram confrontos violentos contra o Esta- do e a sociedade para tomar o poder. As- sim foi em 1935 com a Intentona, em 1964 com o Tentame comunista associado aos populistas, e em 1966-1974 com o terro- rismo apoiado do exterior. Esquecer os acontecimentos de 1964 é ocultar das atuais gerações o papel exem- plar das Forças Armadas que, no absoluto cumprimento de sua destinação constitu- cional e no atendimento dos manifestos an- seios nacionais romperam a obediência a um governo golpista e impediram a criação da república sindicalista e da ditadura do proletariado, maquinadas num aparente pro- cesso legal e democrático de supostas “re- formas de base”. Esquecer 1964 é uma ati- tude de capitulação moral e intelectual. Nos dias de hoje, no contexto de uma “reforma moral e intelectual” da socieda- de conduzida pelos neomarxistas no Brasil, inclui-se a “estratégia do descolamento” para romper o presente de mudanças sur- preendentes com o passado conservador (*) Sergio Augusto de Avellar Coutinho das tradições e dos valores nacionais. Por isso, o desapreço moderno pelas práticas cívicas e o revisionismo histórico. Com relação às Forças Armadas, o objetivo é desligar as atuais gerações das precedentes, fazendo dos seus vultos his- tóricos homens pusilânimes, corruptos, genocidas, comprometidos com os interes- ses das “classes dominantes”. Com esta conscientização, os jovens militares são levados a questionarem e a se verem des- compromissados com as velhas gerações e, eviden- temente, com os valores históricos, morais e pro- fissionais da instituição – o Exército “progressista” de hoje não tem nada a ver com o Exército reaci- onário de ontem. Por isto, a Revolu- ção Democrática de 1964 é envilecida e “satanizada” como ditadura militar vio- lenta e ilegítima. À primeira vista, tudo por revanchismo, mas realmente para fazê-la abominável e irrepetível. Fazer com que as novas gerações de oficiais se enver- gonhem do passado e desaprovem os ve- lhos chefes que assumiram a responsabi- lidade e tiveram a coragem de se oporem à comunização do país. E assim, são ini- bidos, “moral e intectualmente” de assu- mirem semelhantes atitudes contra-revo- lucionários e anticomunistas. As Forças Armadas, consideradas a grande barreira ao comunismo pelas próprias esquerdas autocríticas, estão efetivamente neutra- lizadas. As organizações da esquerda revolucionária não mais se interessam com o aliciamento dos militares mas com a sua cooptação às idéias transforma- doras. Por isto, comemorar o movimen- to cívico-militar de 1964, não é apenas homenagem histórica mas advertência aos jovens militares: -A história não se repete. Conhecê-la porém permite entender o que aconteceu no passado e a perceber o que acontece no presente. (*) Escritor - General Reformado POR QUE NÃO COMEMORAR 31 DE MARÇO DE 1964? Esquecer 1964 é uma atitude de capitulação moral e intelectual. É ocultar das atuais gerações o papel exemplar das Forças Armadas, impedindo a criação da república sindicalista e da ditadura do proletariado. 1964 Atuação do 4º Grupo de Artilharia Este livro poderá ser adquirido com Ângela, no CEBRES pelo tel: (21) 2510-3238 e e-mail: cebres@cebres.org.br no valor de R$ 25,00 naquele local e por R$ 30,00 via postal. A narrativa é realizada pelo seu principal protagonista, o en- tão Tenente Coronel de Artilharia, Herói da 2ª Guerra Mundial, Amerino Raposo Filho, que comandou o 4º Grupo de Artilharia 75 a Cavalo, em Uruguaiana. Pode-se afirmar que se não houvesse a reação aos eventos ocorridos em Uruguaiana e descritos neste livro, as forças de resistência do Governo Goulart poderiam ter insuflado o país aos seus interesses escusos, a começar pelo Rio Grande do Sul, que contou também com o apoio do ex-governador Leonel Brizola. Os Bastidores da Revolução em Uruguaiana/RS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Amerino Raposo Filho Atuação do 4º Grupo de Artilharia Por ocasião do lançamento, a 30 de março de 2017 no Clube de Aeronáutica, o Cel Raposo com 95 anos, usou da palavra para relembrar seu comando no 4º GA75 Cav, nos anos de 1962, 1963 e até abril de 1964. Foi grande líder no Rio Grande do Sul, junto com o coronel Luiz Serff Sellmann, chefe do Estado Maior da 2ª Divisão de Cavalaria e ex-comandante do mesmo Grupo, quando impediram qualquer reação de João Goulart e Leonel Brizola, tal qual o fizeram em agosto de 1961, com a cadeia da Legalidade. Jango e Brizola iriam fazer um comício em Uruguaiana no dia 4 de abril, em represália ao acontecido em fevereiro, por Carlos Lacerda que abalou o Rio Grande do Sul. Ao desembarcar do avião, a guarda de honra do 8º Regimento de Cavalaria, comandada pelo Capitão Job Tolentino Barbieri, prenderia ambos e seriam levados para uma estância devidamente preparada para recebê-los e a seguir lido um Manifesto à Nação. Mas, Minas se antecedeu a 30 de março. Ao término da apresentação do Cel Raposo, esse editor ofereceu as revistas históricas "O Cruzeiro" e "Manchete" a êle, aos Brigadeiros Gonçalves e Vinicius, ao General Pinto Silva, ao Cel Av Luís Mauro e Profª. Aileda. Lembrando que o Cel Raposo, com seus 95 anos ainda possui toda aquela vitalidade, imagine aos 42 anos como Comandante do 4º GA75Cav, o que tive que "aturar" como seu Capitão...
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    31Nº 276 -31 de Março/2020 “E O SENHOR embaixador chegou de táxi... Não sei se o ilustre passageiro, derreado no banco de trás, revendo cena por cena, a aventura sul-americana dos três dias e pensando “o que eu vou dizer em casa”, teria chegado a ver e a sentir a minha pátria como ela é. Não sei se che- gou a ver as luzes de minha terra, da es- curidão do Largo da Segunda-Feira ao alarido da São Clemente. Nem sei se ain- da terá tempo, no tempo todo em que aqui ainda estiver, para compreender, sentir e tocar o coração de minha pátria. Que eu nunca senti tão intensamente o meu povo e nunca vi melhor a minha pátria, como nesta Semana da Pátria – a minha pátria como se fez, a minha pátria como será, a minha pátria como realmente é. O senhor embaixador não foi à pa- rada militar, à doação de sangue e à missa campal; não viu o estandarte nas mãos e no sorriso do menino de escola, a marcha dos calhambeques, a chama simbólica, o painel iluminado do morro do Pinto, a Esquadrilha da Fumaça, o festival de holofotes. O senhor embaixador não ou- viu a retreta e o concerto popular, a cla- rinada e o pipôco pirotécnico, a serenata e a seresta; o momento cívico, a escola de samba, a falação. O senhor embaixador estêve muito longe do alento oficial ao nosso Independente Day, no esfôrço que se fêz para ajudar o povo a festejar o dia de todos nós, para fazê-lo festa mais popular, que também o carnaval se ajuda a fazer. Mas a minha pátria não é só fogo de artifício; minha pátria não são sòmente bandas, fanfarras, sino badalando hino, bandeiraças, bandeiras, bandeirolas. Mi- nha pátria é a alma dêsse povo bom, que se comove com o drama do estrangeiro, ainda que viva o seu próprio drama, que não comove a alma estrangeira. Minha pátria se fêz antes na inteli- gência que no sangue, mais no martírio que na glória. Minha pátria nasceu pa- cificando, somando, compreendendo, unindo, reunindo, redimindo. Minha pá- tria nasceu do amor, do amor de raças de mesclagem impossível em qualquer outro chão do mundo. Minha pátria é filha do martírio do Tiradentes e da visão dos Andradas. Por isso minha pátria é universo indivisível de fala portuguêsa abraçado por muitos mundos castelha- nos. Minha pátria é a unidade. Minha pátria não é a terra da guerra revolucionária, mas a vocação da paz, do entendimento e da concórdia. É a sabe- doria das soluções mais altas, sem con- SENHOR EMBAIXADOR General Octávio Costa vulsão e sem sangue. É a espada do Pa- cificador, na consolidação da unidade nacional. É a abolição sem secessão, a República sem cabeças decapitadas, e o contôrno da terra marcado no arbitra- mento e na justiça. Minha pátria não é a ditadura fas- cista, nem a ditadura comunista, não é o militarismo, nem o caudilhismo, nem o cesarismo. Minha pátria é essa democra- cia, plantada mais no coração dos ho- mens que nas estufas políticas. É êsse jeito de ser, essa vocação irreprimível de liberdade. Essa liberdade e essa demo- cracia, que estão no vento e à flor da pele, êsse saber sentir e êsse querer ser que língua alguma consegue traduzir. Minha pátria não é o colonialismo nem a xenofobia; não é a subserviência e a submissão nem o acinte ao estran- geiro; mas a altivez e a igualdade entre as nações; mas a defesa do nosso inte- rêsse e a luta pela nossa emancipação econômica. Minha pátria não é o seqüestro, que nunca houve isso antes aqui e não é da nossa índole. E tanto não é que, co- mentando o Artigo 159 do Código Penal – “Seqüestrar pessoa para o fim de obter para si ou para outrem qualquer vanta- gem como condição ou preço do resgate” – disse Heleno Fragoso, nas Lições de Direito Penal, que se trata de crime prà- ticamente desconhecido entre nós, sen- do, todavia, comum nos Estados Unidos da América, onde tem o nome de kid- napping. E disse mais que “constitui uma das formas mais violentas e mais per- versas da criminalidade”. Minha pátria não tem faces perversas de crimina- lidade, não é a pátria do seqüestro e do seqüestrador. E tanto não é, que desse crime disse o nosso grande Hungria que “inspirado pelo antigo uso de guer- ra de exigir-se um preço pelo resgate de prisioneiros, constitui, atualmente, pela sua freqüente prática em certos países, notadamente nos Estados Unidos, um motivo de alarma para todo o mundo civilizado.” Minha pátria é mundo civilizado, que minha pátria não é ôlho por ôlho, dente por dente. Não é o ódio, a vingan- ça, não é perseguição; minha pátria não é o estado de sítio, o toque de recolher, a câmara de gás, a lei do cão. Mas é o anseio de justiça, de dignificação do homem, de prevalência da lei. Minha pátria é a voca- ção de homens livres e justos. Minha pátria não é o radicalismo e a intransigência; não é o ódio irreconci- liável, nem a covardia; não é a seara do terror e do mêdo; minha pátria não é a represália e a retaliação. Minha pátria não é o assalto de bancos; não é o aten- tado, o assassinato instituído; não é o terrorismo, a sentinela abatida, a bomba- relógio; não é a ira investida, não é o arbítrio de cada um. Minha pátria não é a inquietação. Mas é o bom senso, a serena energia, o amor à verdade, o espírito de ordem, a paciência, a persuasão. Minha pátria é generosa e irmã. Minha pátria não é o irredentismo obstinado, não é o divisionismo irrever- sível, não é a crítica arrasadora, a in- conformação, o motim, o golpe-de-mão. Não é a luta de classes, o desamor das raças, a intransigência religiosa, o abis- mo entre as gerações. Minha pátria é a fraternidade entre os homens, a igual- dade de oportunidades, a compreen- são entre os povos, a consciência de que os homens nascem iguais e iguais são criados. Minha pátria não é a conformação, não é a canga de um destino mesquinho para o seu tamanho, não é a vocação de satélite, minha pátria não é a aceitação de qualquer determinismo. Mas é a luta paciente e lúcida do subdesenvolvi- mento contra as duas opções de servi- dão: os grilhões que acorrentam o pen- samento e a economia à dominação ideológica internacional, e a insensibi- lidade a relações econômicas injustas entre os homens e entre as nações. Mi- nha pátria é a consciência da emanci- pação nos caminhos da liberdade. Minha pátria não é o desvario, a cegueira da paixão, a inconseqüência; não é o fanatismo inteligente ou burro; nem o suicídio econômico, a bancarrota, o quixotismo, a irreflexão, o caos. Mas é a luta de pés no chão, luta de pés suados, honestos e duros, feita de sacrifício e de renúncia, num mundo entrevado de interêsse só, para emergir da escuridão à luz. Minha pátria não é a imagem refle- tida das outras pátrias, não é cópia, não é sombra, não é repetição. Minha pátria não é sistema que não seja seu, minha pátria não se encarcera, não se submete aos métodos e processos de uma índole que não é a sua. Minha pátria é assim mesmo, desarrumada e bonançosa, ame- na e amiga, irrequieta e doce; e musical, e poética, e lírica, e romântica. Não veio para impor e dominar, nem para ostentar e dispor da vida dos outros povos; mas para fazer-se a si, a pouco e pouco, assim naadversidade,assimnosofrimento,veio para mostrar às outras gentes uma nova maneiramaishumanadevivereconviver. E por saber que minha pátria é as- sim, e por conhecer e sentir a alma de meu povo, é que me atrevo a dizer a palavra da concórdia na hora da violência. É que me atrevo, ainda que me tenham sonhador e irrealista, a apelar para que nos estenda- mos às mãos uns aos outros e para que cada um se veja no fundo de si mesmo e se dê um pouco mais em paciência, em reflexão, em magnanimidade. E invoco, a Deus a aos homens, bem cedo deixemos esta nossa hora de exceção e retomemos nosso caminho de sempre, nosso cami- nho iluminado de amor, calçado de liber- dade e protegido pela paz que une os homens”. (Publicado no Jornal do Brasil, de 10 Set 1969 e transcrito no Noticiário do Exército de 12/09) NR: Dirigido ao Embaixador dos Estados Unidos da América, Charles Burke Elbrick, que ao ser libertado (havia sido sequestrado a 04 de setembro), criticou acerbadamente o Brasil, em termos não condizentes com a diploma- cia, como se o governo Médici tivesse responsabilidade pela atitude insana dos seqüestradores, entre eles, o hoje ex-ministro Franklin Martins, que redigiu o manifesto abaixo. Ao povo brasileiro Grupos revolucionários detiveram, hoje, o Sr. Burke Elbrick, Embaixa- dor dos Estados Unidos, levando-o para algum ponto do país. Este não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, onde se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; tomadas de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucioná- rios, para devolvê-los à luta do povo; as explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores. Na verdade, o rapto do Embaixador é apenas mais um ato de guerra revolucionária que avança a cada dia e que este ano iniciará a sua etapa de guerrilha rural. A vida e a morte do Senhor Embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será libertado Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são: - a libertação de 15 prisioneiros políticos; - a publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país. Os 15 prisioneiros políticos devem ser conduzidas em avião especial até um país determinado – Argélia, Chile e México – onde lhes seja concedido asilo. Contra eles não deverá ser tentada qualquer represália, sob pena de retaliação. A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos 15 líderes revolu- cionários e esperaremos 24 horas por sua colocação num país seguro. Se a resposta for negativa ou se não houver nenhuma resposta nesse prazo, o Sr. Burke Elbrick será justiçado. Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas. Agora é olho por olho, dente por dente. MANIFESTO AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN) MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO / MR-8. Os terroristas: Luís Travassos, José Dirceu, José Ibrahim, Onofre Pinto, Ricardo Vilas, Maria Augusta, Ricardo Zaratini e Rolando Frati, de pé e João Leonardo da Silva Rocha, Agonaldo Pacheco, Wladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares, agachados, diante do avião Hércules da FAB, que os levaria para o exílio no México 15 de setembro/1969
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    32 Ontem, hoje esempre, a Nação Brasileira contou, conta e contará com suas Forças Armadas para defendê-la, externa e INTERNAMENTE. Nº 276 - 31 de Março/2020 * Murilo Badaró Discursando durante o sepultamento de Ho- noré de Balzac em 1850, Victor Hugo disse que “os grandes homens executam o seu pró- prio pedestal; futuro encarrega-se da estátua”. Lembrei-me dessas palavras no sábado, dia 22 de agosto, quando se completaram 30 anos da sanção da Lei da Anistia proposta ao Congres- so pelo Presidente João Figueiredo. Morto já há alguns anos, cessadas as malquerenças e ressentimentos, apagado o fogo intenso das pai- xões, a História já iniciou o pro- cesso para prolação da senten- ça definitiva sobre o homem e as circunstâncias temporais em que viveu e atuou. Especi- almente no caso da Lei de Anis- tia, que alguns setores pre- tendem vê-la revista como se os textos do edito que pôs fim ao governo dos militares não abrigasse os dois lados em li- tígio, os militares e os guerri- lheiros que atuavam naquela época ao arrepio das leis. No caso do presidente Fi- gueiredo o pedestal que edificou será base su- ficiente a que sobre ele seja assentada a está- tua esculpida pelo futuro. Existe, sem dúvi- da, intencional determinação de distorcer a verdade dos fatos da história recente do país. Em conseqüência, são eles transmitidos às novas gerações de forma a lançar, injusta- mente, sobre os militares a mancha do opró- brio, recusando-lhes o benefício da consta- tação do muito que realizaram em favor do en- grandecimento do país. O Presidente João Batista Figueiredo, o último presidente do ciclo militar que dominou o Brasil desde 1964, foi sem dúvida o que en- frentou as maiores dificuldades para cumpri- mento da missão de promover a transição para o regime democrático a partir da revogação dos atos institucionais. Lutou contra resistências localizadas entre seus pares. A elas reagia com a frase típica de seu temperamento marcado pela autenticidade de sentimentos: “Quem se opuser à abertura eu prendo e arrebento”. Em 1982 realizaram-se as primeiras elei- ções diretas para governadores, de que resul- tou na vitória de muitos oposicionistas. Seu propósito era o de realizar ampla anistia. Lem- bro-me de ter ouvido dele informações a res- peito do sofrimento experimentado por seu pai JOÃO FIGUEIREDO, O PRESIDENTE DA ANISTIA Presidente João Figueiredo no exílio da Argentina. Con- siderava indispensável tra- zer de volta os brasileiros exilados: “Lugar de brasileiro é no Brasil”, di- zia. Dava assim, começo ao projeto de anistia, com o que atendia aos apelos da sociedade civil, totalmente mobilizada em seu favor. Apre- sentada ao Congresso a proposta de anistia, a mais ampla e irrestrita possível, Figueiredo é surpreendido por uma emen- da substitutiva muito menos abrangente, apresentada pelo então MDB. À época correram rumores de que a cúpula do partido oposicio- nista temia que a volta dos líderes exilados viesse a en- sejar-lhes o domínio da opo- sição, em detrimento dos que haviam lutado no Brasil anos a fio contra o regime autori- tário. Por definição, anistia significa perdão, esqueci- mento, cessação de hostili- dades. Alguns elementos ligados aos estamen- tos da esquerda revolucionária, com profun- dos vínculos com o atual governo federal, cos- tumam tentar reabrir o processo para, segundo eles, submeter à Justiça, militares que teriam sido envolvidos na prática de tortura. Os mili- tares retrucam esta tese com a tranqüila cons- ciência de que durante a guerra travada contra os guerrilheiros comunistas houve vítimas de ambos os lados, não sendo natural pretender seja o perdão brotado da anistia aplicado ape- nas a um lado, exatamente aquele que desafiou os militares com armas e ações de guerra revo- lucionária. O futuro já começou a cinzelar o monu- mento do presidente Figueiredo. Homem gene- roso, autêntico, patriota, sua aparência sisuda não revelava o amplo coração que batia dentro de seu peito. Ele era um pouco daquela “máscara de ferro” de que falava Alfred de Vigny, cobrin- do o rosto dos militares na dura servidão da caserna. Disciplinado e disciplinador, com um sentimento de honra e probidade que conduzia ao exagero, Figueiredo nunca freqüentou a praça dos impostores. Morreu sem fortuna e na modéstia, com dignidade, tal como viveu. * Presidente da Academia Mineira de Letras Publicado no Estado de Minas em 28/12/1999 CAINDO A MÁSCARA Os comunistas que desencadearam a luta armada no período dos governos militares afirmam, amiúde, que lutavam pela democra- cia, contra a “DITADURA MILITAR”. Se não bastasse a leitura do ideário (programa) das organiza- ções subversivas da época, como a VAR/Palmares, o PC do B (res- ponsável pela guerrilha do Araguaia), “et caterva”, visando à implan- tação de ditadura do proletariado e das várias versões do comunis- mo internacionalista, materialista e ateu, a máscara dessa falácia vai caindo. Daniel Aarão Reis e Fernando Gabeira, dois ex-ativos militantes dos movimentos comunistas, contradizem essa deslavada mentira. Em declaração ao jornalista Elio Gaspari, Daniel Aarão Reis, afirmou: “Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática”. Fernando Gabeira, declarou recentemente: “O programa político que nos movia naquele momento, era voltado para uma ditadura do proletariado. Então você não pode voltar atrás, corrigir o seu passado e dizer que estava lutando pela democracia. A luta armada não estava visando à democracia.” Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Permitida a reprodução desde que citada a fonte. EXPEDIENTE Editor/Redator: Coronel Carlos Claudio Miguez Jornalista Responsável: 17646/MG Telefone (31) 3344-1500 / 99957-3534 - E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br Rua Xingu, 497 - Alto Santa Lúcia - CEP 30360-690 - Belo Horizonte - MG Circulação Dirigida Impressão: Sempre Serviços Gráficos Ltda CNPJ: 11.843.412/0001-00 Envelopamento autorizado Pode ser aberto pela ECT www.jornalinconfidencia.com.br O EPÍLOGO ('GRAN FINALE') DA REVOLUÇÃO DE 1964 A Revolução de 31 de março de 1964, hoje mais apropriadamente denominada de “Contrarrevolução”, não teve o seu final em 1° abril, com a reunião, às 18 horas, na AMAN, do ministro da Guerra interino, general Ancora, e os generais Kruel, coman- dante do II Exército, Médici, coman- dante da Academia e outros. A situação ainda estava inde- finida no Rio Grande do Sul. João Gou- lart, Leonel Brizola e os generais Ladá- rio Pereira Teles (que assumiu o co- mando do III Exército, que lhe foi pas- sado pelo general Benjamin Galhardo), Assis Brasil e outros estavam em Porto Alegre. Em face da incerteza reinante, o governador Ildo Meneghetti passou a governar da cidade de Passo Fundo e o general de divisão Adalberto Pereira dos Santos, comandante da 6ª Divisão de Infantaria, transferiu o seu coman- do para Cruz Alta. Muito se teria a con- tar; o certo é que no dia 3 de abril, as tropas das 3ª e 6ª Divisões de Infanta- ria, a partir de Santa Maria e Cruz Alta, ao comando, respectivamente, dos ge- nerais de divisão Mário Poppe de Fi- gueiredo e Adalberto Pereira dos San- tos cerraram sobre Porto Alegre, fa- zendo cessar as resistências de algu- mas organizações militares. E às 18h30, de 3 de abril de 1964, o governador Ildo Meneghetti e o general Mário Poppe de Figueiredo entraram triunfalmente em Porto Ale- gre, em um jipão aberto, escoltados por forte comboio militar, tendo o governador retornado ao governo na capital gaúcha e o general assumido o comando do III Exército. Eis o glo- rioso epílogo (‘gran finale’) do Movi- mento Cívico-Militar eclodido em Minas Gerais... ATO INSTITUCIONAL DE 9 DE ABRIL DE 1964 Pelo citado Ato, foram aplicadas punições a oficiais-generais do Exército Brasileiro, em face de suas atitudes e ações contrárias à Revolução de 31 de março de 1964. Eis os punidos e suas punições: • Marechal Osvino Ferreira Alves: reformado no mesmo posto; • General de Exército Jair Dantas Ribeiro: transferido para a Reserva e reformado no mesmo posto; • Generais de Divisão Ladário Pereira Teles e Oromar Osório: transferidos para a Reserva e reformados no mesmo posto; • Generais de Brigada Anfrísio da Rocha Lima e Luiz Tavares da Cunha Mello: transferidos para a reserva e reformados no mesmo posto. A mais severa das punições foi aplicada ao general de Brigada Argemiro de Assis Brasil, demitido das fileiras do Exército, "in verbis": "O Presidente da República resolve: Demitir o General de Brigada Argemiro de Assis Brasil, no uso das atribuições que lhe confere o art 7°, parágrafo 1°, do Ato Institu- cional de 9 de abril de 1964, tendo em vista o que foi apurado em Investigações Sumárias de que trata o Decreto n° 53.897, de 27 de abril de 1964, subsequentes ao Ato n° 3, de 11 de abril de 1964, do Comando Supremo da Revolução, das fileiras do Exército, sem prejuízo das sanções penais a que estiver sujeito, fazendo seus beneficiários jus à pensão a que tiverem direito - Decreto de 28 Set 64 - D.O. de 29 Set 64, BE 42/64, pág 26". Observação: o General de Exército Armando de Moraes Ancora, então comandante do I Exército e ministro da Guerra interino, não sofreu punição: pediu transferência para a Reserva e, nesta condição foi, posteriormente, promovido ao posto de Marechal. Fonte: CDoc Ex. N.R.: Imaginem se as punições fossem semelhantes às de Cuba ('paredóns'...)