Edição
Histórica
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BRASIL
A INTENTONA COMUNISTA DE 1935
ORDEM DO DIA - 27 DE NOVEMBRO
LEMBRAI-VOS DE 35!
Há na Praia Vermelha,
na cidade do Rio de Ja-
neiro, um monumento voti-
vo edificado em memória
dos mortos da conhecida In-
tentona Comunista de 1935.
Diante dele, todos os anos,
democratas se postam em
sinal de respeito, com a es-
perança de que tempos fatí-
dicos de revoluções totali-
tárias nunca mais tenham
lugar entre nós. Essas ati-
tudes mórbidas e treslouca-
das que, 66 anos atrás, le-
varam ao derramamento de
sangue de inocentes em quar-
téis do Exército, no Nordes-
te e no Rio de Janeiro, são
apenas sombras indesejá-
veis em nossa História, coi-
sas que o tempo dissolverá
por completo. Nem por isso,
no entanto, deixarão de ser
lamentáveis, porque contra-
põem-se à idéia de liberda-
de e democracia.
A insurreição de 35, co-
mo bem recordamos, teve en-
volvimento de militares con-
taminados pela doutrina co-
munista que alguns deseja-
vam impor ao Brasil. Co-
meçou em Natal, com a par-
ticipação de graduados e sol-
dados e de quase 300 ho-
mens da guarda civil. Os re-
beldes sujeitaram a cidade,
durante quatro dias, à vio-
lência e ao saque de esta-
Uma Intentona que nunca mais deverá acontecer!
Honras fúnebres aos mortos
da Intentona Comunista de 1935,
na Avenida Rio Branco - Rio de Janeiro
Amemória de uma nação é um bem precioso que necessita
ser preservado, a todo custo, e relembrada constantemen-
te, para impedir que erros históricos não mais se repitam
impunemente.
A fidelidade às provas documentais existentes e disponí-
veis, deve ser a pedra de toque, da ética dos historiadores, dos
professores e dos jornalistas, quando da transmissão dos fatos
aos seus leitores, alunos e ouvintes.
Ignorá-las e/ou distorcê-las, premeditadamente, configu-
ra um crime de lesa-pátria difícil de se compreender e de
aceitar.
Todos os grandes jornais e revistas do país dispõem em
seus arquivos, de um rico acervo dos fatos relacionados com a
Intentona Comunista de 1935, bem como daqueles vivenciados
nos anos 60. Porque então o silêncio? Porque então a prática
sistemática do engôdo intencional àqueles que desejam se
informar?
É preciso que a seriedade e a verdade, voltem a prevalecer
sobre a falsidade e que a maior farsa do século XX, o comunis-
mo, seja renegada definitivamente pela sociedade brasileira.
Desejamos e esperamos que isso aconteça o mais rápido possí-
vel e assim continue durante o governo do Presidente Bolsonaro.
A FARSA CONTINUARÁ?
“O COMUNISMO não é a fraternidade: é a inver-
são do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos
homens: é a sua exterminação mútua. Não arvora a ban-
deira do Evangelho: bane a Deus das almas e das reivin-
dicações populares. Não dá tréguas à ordem. Não conhe-
ce a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extingui-
ria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria,
subverteria, inverteria a obra do Criador”.
Rui Barbosa (1918)
O COMUNISMO
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BELO HORIZONTE, 27 DE NOVEMBRO DE 2020 - ANO XXVI - Nº 284
Site: www.jornalinconfidencia.com.br
E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br
• •
Esta Edição Histórica é dedicada especialmente aos jo-
vens, civis e militares, de nosso Brasil. Nela constam
somente FATOS VERDADEIROS, que não podem ser contes-
tados e necessitam ser do conhecimento daqueles que foram
vítimas de uma das maiores manipulações de consciências de
que se tem notícia em nossa História Pátria, patrocinado
pelos governos federais anteriores (FHC, Lula e Dilma),
através do Ministério da Educação.
belecimentos bancários e co-
merciais. Tropas do então 20º
Batalhão de Caçadores, de
Alagoas, e da polícia da Pa-
raíba os contiveram e resta-
beleceram a ordem.
Em Pernambuco, revol-
tosos civis, reforçados por ofi-
ciais e praças equivocados, en-
carregaram-se das atrocida-
des. Durante dois dias, com-
bates violentos foram trava-
dos em vários pontos do es-
tado, sem que os rebelados
lograssem entrar em Recife.
Duas unidades do Exército e
a polícia bloquearam-lhes a
passagem e puseram fim à re-
belião.
No Rio de Janeiro, as
proporções do movimento fo-
ram mais amplas e cruéis,
tendo sido deflagrado, simul-
taneamente, no 3º Regimen-
to de Infantaria, na Praia Ver-
melha; no 2º Regimento de
Infantaria e no Batalhão de
Comunicações, na Vila Mili-
tar; e na Escola de Aviação,
no Campo dos Afonsos. Os
amotinados, companheiros
de véspera, feriram e mata-
ram indiscriminadamente,
tentando expandir a rebelião
a todo custo. Esbarraram na
mais férrea resistência das
forças legalistas. E perderam
a luta.
Não foi essa a última
tentativa desses radicais de
conquistar o poder para es-
tabelecer uma tirania no Bra-
sil. Nas décadas seguintes,
tentaram novamente. O Exér-
cito viu-se compelido a con-
trapor-se a eles, vencendo-
os em combates de rua e em
selvas inóspitas, mesmo ex-
perimentando o desgaste de
um conflito prolongado. Não
apenas os derrotou, mas aju-
dou também a desenvolver
o País.
Quase ao final do sé-
culo passado, o tempo se en-
carregou de mostrar ao mun-
do a decadência do comu-
nismo, aniquilado por suas
próprias contradições, por
seus inúmeros erros, por sua
violência exacerbada, por
milhões de mortos que im-
puseram à humanidade. Ses-
senta e seis anos depois da-
quele trágico novembro, os
quartéis do Exército Brasi-
leiro param, por alguns mo-
mentos, para refletir sobre
essa página negra de nossa
História. Estamos conven-
cidos, mais do que nunca,
que nossa luta não foi em
vão, e que estivemos ao lado
da sociedade brasileira todas
as vezes em que esta, em sua
maioria, rejeitou o radicalis-
mo, a desordem e o terror.
Brasília, 27 de novembro de 2001
Gen Ex Gleuber Vieira
Comandante do Exército
AS FORÇAS ARMADAS TÊM O DEVER SAGRADO DE IMPEDIR,
A QUALQUER CUSTO, A IMPLANTAÇÃO DO COMUNISMO NO BRASIL.
LEIA NA PÁGINA 3
2Nº 284 - Novembro/2020
25 de novembro - edição das 9 horas
25 de novembro - edição das 11 horas
edição
A.
1
NUMEROAVULSO:200RÉIS BELLOHORIZONTE–SEGUNDA-FEIRA,25DENOVEMBRODE1935 ANNOV–MÚMERO1.455
Sangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forças
legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –
Vencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois de
seria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridos
Rebentouummovimentomilitarextremista
em MACEIO’, RECIFE E NATAL
Os rebeldes
dominam a
capital
potyguar, cujo
governo se
transferiu para
Macahyba
Enviados para o Norte dois
cruzadores e duas esquadri-
lhas de aviões de bombardeio e
de caça – Rumaram para Re-
cife as forças do Exercito e da
Polícia da Parahyba, uma ba-
teria de artilharia e o 20º B.C.,
de Maceió
O governo organizou
séria resistencia e
espera desalojar hoje,
de seus reductos os
revoltosos
Sangrentos
combates em
Recife
As tropas legaes
retomaram a cidade
de Olinda
JornalAManhãdaAliançaNacionalLibertadora,Rio,27/11/1935
27 de novembro de 1935 - 1700h
Declarado o estado de sítio, por trinta
dias, em todo território nacional
Estado de Minas, 27 de novembro de 1935
Texto do sobreaviso dado hon-
tem, por Luís Carlos Prestes aos
seus companheiros de revolução.
“O Comitê Revolucionario, sob
a minha direção, frente aos aconte-
cimentos que se desencadeiam no
norte do paiz e à ameaça de ins-
tallação de uma dictadura reaciona-
ria decide que todas as forças da
Revolução estejam promptas para
lutar pelas liberdades populares e
para dar o golpe definitivo no governo
de traição nacional de Getulio Var-
gas
Dia e hora serão opportuna-
mente marcados".
Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1935
Luís Carlos Prestes
O AVISO DE PRESTES
aos seus companheiros
2
Em nosso poder o livro “EPISÓDIOS MILITARES” editado recentemente pelo
EME, CCOMSEX e 3º RCGd (?), sem ficha catalográfica e sem data de sua edição.
Em rica edição e esmerada diagramação e editoração, papel gessado, a cores,
apresenta cópias dos quadros pintados pelo coronel Pedro Paulo Estigarríbia, com
os principais episódios da História Militar do Brasil, desde Guararapes, passando
pelo Império, República e se encerrando com a FEB.
No capítulo 8 – As águias chegaram: – Em 1927, a Aviação passou a ser a 5ª Ar-
ma do Exército, ...a criação do 7º Regimento de Aviação e do definitivo alojamento
da Esquadrilha em Realengo, na Escola Militar... O Exército lembra-se com
orgulho desses pioneiros. (Página 90)
E omite o acontecido na Escola de Aviação Militar e do 1º Regimento de
Aviação a 27 de novembro de 1935? Os aviões Waco e Kurtiss Falcon passaram
“voando” sobre o Campo dos Afonsos e não “aterrisaram” durante a intentona
comunista naquele local. Por quê? (Inconfidência nº 134 de 27/11/2008)
EPISÓDIOS MILITARES "As águias chegaram" -
Acervo do QG/V Comar,
Canoas/RS - Episódios
militares - Pág. 91
Tela de autoria do Cel Pedro Paulo Estigarríbia
As águias chegaram
3Nº 284 - Novembro/2020
Saindo do Clube Militar, o
Presidente Vargas e o
deputado Antônio Carlos,
presidente da Câmara de
Deputados carregam o
caixão de um oficial do 3º RI
PRONUNCIAMENTO DE GETÚLIO VARGAS
Opresidente Getúlio Vargas, em pronunciamento nas primeiras horas do
ano de 1936, sobre a "Intentona", afirmou: "... Padrão eloqüente e in-
sofismável do que seria o comunismo no Brasil, tivemo-lo nos episódios da baixa
rapina e negro vandalismo de que foram teatro as ruas de Natal e de Recife,
durante o surto vergonhoso do credo russo, assim como na rebelião de 27 de
novembro, nesta capital, com o
registro de cenas de revoltantes
traições e até de assassínio, frio
e calculado, de companheiros
confiantes e adormecidos..."
Oitenta e cinco anos depois, esses bravos militares, mortos em serviço,
cujos familiares nunca pediram e nunca receberam indenizações, certamente
ainda merecem o respeito de todo o povo brasileiro. Eles tiveram a honra e o
privilégio de sacrificar a própria vida, defendendo a Pátria!
A FARSA CONTINUARÁ?
Amaior farsa do século XX, o comu-
nismo, teve sua origem na Revolu-
ção Russa de 1917, quando os bolchevi-
ques, liderados por Lênin e inspirados na
doutrina do “Manifesto Comunista”, der-
rubaram o governo provisório de Kerens-
ky, trucidaram o Czar e sua família, além
de milhões de cidadãos, para conquistar
o poder. Instalada a ditadura comunista,
é criada a União das Repúblicas Socialis-
tas Soviéticas (URSS). Lênin, Bukharin,
Stálin, Trotsky e outros cometem os maio-
res crimes contra a humanidade, assas-
sinando os adversários e os “camaradas”
ou os condenando a trabalhos forçados
nos gulags das estepes geladas da Sibé-
ria. O regime comunista soviético, em no-
me dessa ideologia ultrapassada, o mar-
xismo-leninismo, fez mais de cem mi-
lhões de vítimas e finalmente termina ru-
indo com o Muro de Berlim, em novem-
bro de 1989.
Terá sido o marco final da desvai-
rada utopia comunista? Não cremos. A Chi-
na, Cuba, Coréia do Norte, Vietnã, Vene-
zuela, Bolívia e o Brasil ainda não sabem
que o muro da vergonha caiu há 31 anos.
Em nosso País, essa data passa quase
despercebida e os defensores dos “Direi-
tos Humanos”, o grupo “Tortura Nunca
Mais”, a Comissão Nacional da Verdade
e o PNDH3 e outros, se omitem perma-
nentemente (principalmente a mídia brasi-
leira venal e vendida), quando seria opor-
tuno lembrar o assassinato de estudan-
tes chineses na Praça da Paz Celestial, em
Pequim, o "paredón" e constantes pedi-
dos de asilo político de desportistas, jor-
nalistas e artistas cubanos, além dos "bal-
seros" que, diariamente, arriscam suas vi-
das fugindo da ilha da fantasia...
Mistificadores por excelência, repe-
tem hipocritamente, “ad nauseam”, sua
fidelidade à democracia e o respeito aos
direitos humanos. Tentam, por todos os
meios, mudar a História do Brasil, trans-
formando seqüestradores, assassinos,
assaltantes de bancos e terroristas em “he-
róis”, dando a eles nomes de ruas, praças
e criando espaços culturais, etc.
Criado em 1922, o PCB – Partido
Comunista do Brasil, tenta pela primei-
ra vez a conquista do poder em fins de
novembro de 1935 com a sublevação de
unidades militares, assassinando trai-
çoeiramente seus companheiros, na ca-
lada da noite, em Natal, Recife e no Rio
de Janeiro.
São derrotados pelo Governo Fe-
deral e pela total falta de apoio da po-
pulação. Do livro “Meu Companheiro”
de Maria Prestes: “Em 1935, o casal (Pres-
tes e Olga Benário) estava se dirigin-
do ao Brasil, onde se preparava o levan-
te armado que abriria uma perspecti-
va socialista para o maior país da Améri-
ca do Sul”.
No início da década de 1960, no auge
da guerra fria, a Nação sente-se ameaçada
pela falta de autoridade, inflação em alta,
greves constantes da CGT, saques, agi-
tações no campo (MST de hoje), tentati-
vas de quebra da hierarquia e da discipli-
na nas Forças Armadas e percebe a revo-
lução comuno-sindicalista iminente. Em
31 de março de 1964, Minas Gerais, repre-
sentando os sentimentos patrióticos e
espontâneos da população brasileira, aten-
dendo ao clamor popular, com o gover-
no estadual e a Polícia Militar, apóia a con-
tra-revolução iniciada pela 4ª RM (Juiz
de Fora) e ID/4 (Belo Horizonte). Mar-
charam para o Rio e Brasília, sem encon-
trar qualquer resistência. A adesão foi to-
tal e pela segunda vez os comunistas
são derrotados, sem qualquer vítima. No
Rio, a “Marcha da Família com Deus
pela Liberdade” reúne um milhão de
pessoas em homenagem às Forças Ar-
madas.
Impedidos de conquistar o poder,
os derrotados de 1964 formam grupos
subversivos treinados em Cuba, China e
URSS, que têm por finalidade a implanta-
ção de um regime comunista. Perpetram
atos de terrorismo, seqüestros de diplo-
matas e de aviões, assaltos a bancos, "jus-
tiçamentos", assassinatos, atentados
com bomba e ações de guerrilha urbana e
rural. No início da década de 1970 são der-
rotados pela terceira vez!!
Passado o profícuo regime militar,
que levou o Brasil a ser a 8ª economia
mundial, a pleno emprego, sem massacre da
classe média e do funcionalismo, com um
PIB de 9,3%, jamais alcançado pelos gover-
nos subseqüentes, todos de triste lembran-
ça, é promulgada a Constituição “cidadã”
de 1988 que, a toda hora, é estuprada se-
gundo os interesses dos porões do Palá-
cio do Planalto, conforme se constatou
nos governos de FHC, Lula e Dilma.
A Lei da Anistia, proposta pelos ven-
cedores, no governo Figueiredo, parece
obra e conquista dos derrotados. Foram
criadas a “Comissão dos Mortos e Desapa-
recidos Políticos”, a “Secretaria Especial de
Direitos Humanos” e a "Comissão Nacional
da Verdade", que premiam as famílias de
“desaparecidos” e até de vivos, com cente-
nas de milhões de reais, com o apoio de um
governo corrupto e pleno de ex-guerrilhei-
ros, ex-terroristas e ex-seqüestradores.
O ex-guerrilheiro urbano, Alfredo
Hélio Sirkis, que participou dos seqües-
tros dos embaixadores da Alemanha e da
Suíça, no livro “Os Carbonários”, lembra
que, apesar de derrotados na “guerra”,
conseguiram criar uma outra versão da
história, “nas obras literárias, memorialís-
ticas, nos audiovisuais, na TV e em CD-
ROM” – Diz ele “Se na primeira perdemos
fragorosamente, na segunda não nos saí-
mos de todo mal”. Ao final do livro, é de-
monstrado o posicionamento de grande
número de ex-guerrilheiros e ex-terroris-
tas, em atividades editoriais, na cátedra
universitária, na mídia e em cargos públi-
cos, onde muito fazem sucesso contra as
Forças Armadas, tentando denegri-las.
O “Comandante” Fidel (e seu irmão
Raúl) foi recebido festivamente no Brasil
pelas autoridades e visitado constantemen-
te pelo então presidente Lula e por comiti-
vas do PT, quando o comissário José (Daniel)
Dirceu chorava em seus ombros e a presi-
dente Dilma, presenteou Cu-
ba com milhões de dólares
que jamais voltarão e com a
construção de um moderno
porto em Havana. Che Gue-
vara é capa permanente em
cadernos e camisetas de nos-
sos estudantes e é promovi-
do constantemente no cine-
ma e pela PTV Globo. Mao
Tsé Tung e Lamarca apare-
cem na carteira estudantil da
União Colegial de Minas Ge-
rais. Mao, Fidel e Guevara ex-
portaram para nós o ódio, o
terrorismo, a subversão e a
morte e são exemplos para a
nossa juventude e endeusa-
dos pela mídia venal e pelos
livros didáticos então ado-
tados pelo Ministério da Edu-
cação.
Agora, continuam ten-
tando pela quarta vez. É a
hora e a vez do Foro de São
Paulo, que procura interfe-
rir em nossas relações inter-
nacionais, sendo o espelho
do ex-Presidente Lula, que foi ridiculiza-
do pelas ações de Evo Morales, Rafael Cor-
rea, Cristina Kirchner e até do "bispo" Fer-
nando Lugo do Paraguai, que foi defenes-
trado da presidência contra a vontade do
governo brasileiro, do próprio Foro de
São Paulo e da UNASUL. E a farsa con-
tinuou...
Entretanto, com o impeachment
da presidente Dilma, a indignação popu-
lar foi comprovada no resultado das elei-
ções municipais de 2016, onde o corrupto
PT só conseguiu eleger um prefeito, o de
Porto Velho – AC, porquanto o povo
acordou e não mais acreditou em “bolsa-
esmola” ou promessas vazias que não se
cumprem nunca, enquanto “petralhas” e
seus apoiadores de outros partidos con-
tinuavam se enriquecendo ilicitamente e
se safando da Justiça.
Mas o ano de 2018 chegou radioso
e, finalmente, no mês de abril, deu-se a
prisão do finório delinquente Lula da Sil-
va, sem que houvesse a alardeada “revol-
ta popular”, tão badalada pela esquer-
Os gulags soviéticos
A "Marcha da Família com
Deus pela Liberdade"
“É preciso relembrar o vandalismo desencadeado naquele dia, a atitude
afrontosa com que saíram das ruínas do 3º RI, os autores daqueles crimes, a
maneira ostensiva com que alardeavam os processos traiçoeiros que consegui-
ram dominar pelo terror.
Relembrar esses fatos é certamente doloroso. Mas é preciso relembrar,
porque a maior virtude do brasileiro é ó esquecimento e essa virtude é quase
sempre o seu maior defeito’’.
Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1937
Gen Eurico Gaspar Dutra - Ministro da Guerra
PRONUNCIAMENTO DO GENERAL DUTRA
3
dalha, o que evidencia, à
larga, que a farsa, a menti-
ra, a enganação, a rouba-
lheira e a impunidade já não
encontram tanta guarida no
Brasil!
E vieram as eleições
de outubro/2018. Um depu-
tado federal, capitão oriun-
do do Exército, sem gran-
de projeção parlamentar,
se lança candidato à pre-
sidência da República, por
um partido nanico, sem
tempo na mídia e sem re-
cursos partidários e finan-
ceiros. Contudo, ele con-
seguiu empolgar a nação,
a despeito de lutar con-
tra um aparentemente in-
vencível aparato finan-
ceiro-eleitoral e vencer ga-
lhardamente as eleições,
derrotando corruptos e es-
querdistas de todos os ma-
tizes!
Tal episódio nacio-
nal possui relevantes di-
mensões históricas. Sim, pois de fato ocor-
reu um ponto de parada, de ruptura, um
ponto de inflexão na História-Pátria, eis
que pelo VOTO, o povo repudiou na re-
cente eleição municipal de 15 de novem-
bro petistas e comunistas, condenando,
em particular, as políticas de lesa-pátria,
há muito praticadas, de acelerada bol-
chevização do ensino e de ideologiza-
ção do ministério das Relações Exterio-
res. Como dizem renomados intelectuais,
aconteceu um “divortium aquarum” (di-
visor ou divisória de águas) nos rumos
do Brasil!!
Rendamos graças a Deus!!
Assim, hoje, respondendo ao título
deste Editorial, ousamos dizer que a Far-
sa Não Deverá Mais Continuará!!
Saudemos, pois, com alegria, o nosso
presidente, Jair Messias Bolsonaro e seu
vice, General Hamilton Mourão!!
“BRASIL ACIMA DE TUDO!
DEUS ACIMA DE TODOS!”
Publicado no Inconfidência nº 271
de 27 de novembro de 2019 e hoje atualizado
Publicado na página 3 do número 63 de 10/12/2003
4Nº 284 - Novembro/2020
27 de novembro - edição das 15 horas
Sexta-feira - 29 de novembro - edição das 11 horas
E
ste é um breve relato da rebelião comu-
nista de 27 de novembro de 1935. Por
ser apenas um resumo foram omitidos
muitos detalhes e nomes envolvidos nos acon-
tecimentos que enlutaram o País. Mesmo as-
sim, ficou demonstrado de modo insofismável
até que ponto pode chegar a ambição política
aqualquerpreço,ademagogiainconseqüentee
deletéria,adissimulação,amentiraeocinismo
de receberem dinheiro e orientação externos
para entregar a Pátria ao domínio estrangeiro.
Sejam quais forem os disfarces e os
processos utilizados, os adeptos do comunis-
mo perseguem sempre os mesmos fins. Para
isso são capazes, como vimos, de revoltantes
traições e, até, de frios assassinatos de compa-
nheiros adormecidos.
É oportuno transcrever um trecho da
Ordem do Dia do General Dutra, em 27 de
novembro de 1937:
"É preciso relembrar o vandalismo
desencadeado naquele dia, a atitude
afrontosa com que saíram das ruínas do 3º
Regimento de Infantaria os autores daque-
le crime, a maneira ostensiva com que
alardeavam os processos traiçoeiros e infa-
mes com que abateram os companheiros
que conseguiram dominar pelo terror".
"Relembrar esses fatos é certamente
doloroso. Mas é preciso relembrar, porque
a maior virtude do brasileiro é o esquecimen-
to e essa virtude é quase sempre o seu maior
defeito".
Não sabia, porém , o General Dutra que
as suas palavras eram, na realidade, uma pro-
fecia. Os revoltosos de 1935 foram anistiados
e perdoados pela sociedade, mas nem por isso
desistiram de implantar, no Brasil, um regime
comunista contrário à vontade e à índole do
nosso povo. Voltaram a perseguir os mesmos
objetivos de tomada do Poder em 1964, sendo
barradospelaRevoluçãodemocráticade31de
Março de 1964. Não conseguindo seus inten-
tos retornaram, em 1968, os insanos importa-
dores do ódio e da violência, a praticar seqües-
tros, assassinatos brutais de civis e militares,
assaltos a bancos, atitudes do mais baixo e
repugnante padrão moral, agindo em nome da
mesma soturna ideologia de seus mestres co-
munistasde1935.Deixaramumrastrodemais
de 200 mortos civis e militares, 500 mutilados
e feridos, vítimas da sanha assassina dos her-
deiros da intentona de 1935.
Podemos afirmar que o sacrifício da-
queles que combateram o comunismo não
foi em vão. Hoje no poder, os derrotados de
ontem estão podendo dar vazão plena ao ódio
que os mobilizara naquela época. No entanto é
preciso manter a vigilância, pois as intenções
deles parecem estar latentes, só aguardando
uma oportunidade para se fazer presentes.
Tudo devidamente comprovado com as cam-
panhas sórdidas e mentirosas constantemente
veiculadaspelamídiavenalevendidacontraas
ForçasArmadase,emparticular,apermanente
tentativa de denegrir o Exército Brasileiro.
A lição de 1935 permanecerá viva. As
Forças Armadas e as Polícias Militares jamais
esquecerão as páginas de luto, traição e covar-
dia que o comunismo inseriu na nossa História
e, mesmo à custa do sacrifício de vidas, nunca
permitirão que seja imposto ao Brasil um
regime contrário à sua tradição.
Esse é um dever constitucional.
Avenida Pasteur, 28/11/35: Oficiais e praças
insurretos do 3º RI quando, em atitude de
zombaria, deixam, presos, o quartel.
O chefe do movimento, Agildo Barata está
assinalado com um X
edição
A.
3
NUMEROAVULSO:200RÉIS BELLOHORIZONTE–QUARTA-FEIRA,27DENOVEMBRODE1935 ANNOV–NÚMERO1.457
Dominado, no Rio, o movimento subversivo
O 3º. R.I. rendeu-se às 14 horas e 30 minutos, tendo sido a
sublevação da E. de Aviação suffocada desde cêdo
“Estou vencido.
Fui preso”
RIO, 27 (Meridional) – A reprotagem dos “Diá-
rios Associados” conseguiu falar ao capitão
Agildo Barata, minutos após a rendição do 3º R.I.
O conhecido official, que era o cabeça do movi-
mento sedicioso da tropa Praia Vermelha, foi incisivo:
- “Estou vencido. Fui preso”.
Fuzilado pelos rebeldes o 1.º tenente
Benedicto Lopes Bragança
Segundo communicações recebidas hoje pela família Bragrança o 1.º tenente Benedicto
Lopes Bragança foi fuzilado pelos rebeldes por não ter querido adherir ao movimento da
insurreição na Escola de Aviação, na qual commandava um corpo de instrucção.
O malogrado official era relacionadissimo, em Bello Horizonte, aqui tendo servido
no 10.º R.I, e aqui feito o seu curso de humanidade.
O corpo do tenente Bragança chegará amanhã nesta capital.
Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935
CONCLUSÕES
Publicado no Inconfidência nº 63 de 10 de dezembro/2003
4
O |General de Exército Pedro Luís de Araújo Braga, recebendo um
dos 200 exemplares da edição histórica do Inconfidência,
distribuídos após a cerimônia
Cel Miguez e generais Figueiredo, Campos (Comandante da
ECEME), Lessa, Castro e Bandeira
Os Generais de Exército Enzo Martins Peri,
Comandante do Exército e Rui Alves Catão,
Comandante Militar do Leste,
cumprimentando, respectivamente,
a Sra. Irma Paladini da Silveira (filha do
Capitão Danilo Paladini, assassinado
na intentona) e a sua sobrinha
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
27 DE NOVEMBRO DE 2009 NA PRAIA VERMELHA
NR: O General Campos é o atual Secretário de Segurança
Pública do governador João Doria, em São Paulo
Publicado no Inconfidência nº 147 de 21 de dezembro de 2009
5Nº 284 - Novembro/2020
EDIÇÃO DE HOJE – 10 PAGINAS NÚMERO AVULSO: - 200 RÉIS
Extinctos o 21º. e o 29º. Batalhões de Caçadores e o 3º. Reg. de Infantaria
Genese e desenvolvimento da rebellião communista
O capitão Felinto Muller, chefe de Polícia do Districto Federal, expõe detal hadamente aos “Diários
Associados” a trama sinistra e as providencias rapidas e energicas do governo federal
Luiz Carlos Prestes perdeu, em um lance, a legenda que conquistou em 11 annos
Posso assegurar-lhe que, a principio,
organisara-se um movimento políti-
co-militar de caracter verde e amarello, no
estylo dos golpes a que a Republica libe-
ral democrática nos acostumou, na longa
história de sua adaptação ao genio polí-
tico do povo brasileiro. A formação da
Alliança Nacional Libertadora, porém,
lançou os agentes e possíveis chefes
desse movimento para o segundo plano.
Este partido tinha uma ideologia
definida nos princípios communistas e o
seu chefe, sr. Luiz Carlos Prestes, há cin-
co annos anunnciára ao povo brasileiro
as suas novas inclinações anti-democra-
ticas. A rápida expansão desse partido, a
propaganda intensa dos seus ideaes nesta
capital e nos Estados, deram aos lide-
res a impressão de uma força capaz de
prescindir da collaboração das outras
correntes políticas, podendo agir por
conta própria e realizar com a figura le-
gendária do sr. Luiz Carlos Prestes, a con-
quista do poder que tantos outros de-
sejavam.
A polícia, como já tive occasião de
demonstrar pela imprensa, numa abun-
dante documentação estava certa da ab-
soluta identidade de ponto de vista da
Alliança Nacional Libertadora com o pro-
gramma communista de Prestes. A cons-
piração político-militar deixára cahir a
bandeira verde-amarella, e surgira em seu
logar e pavilhão vermelho do bolchevis-
mo.
Deante das provas irrefutáveis
de que a A. N. L. tramava a subversão
violenta do regime social e político do
paiz, o governo decidiu fechar a sua
séde e os seus núcleos em toda a Re-
publica, e desde este momento os seus
dirigentes resolveram levar avante o
plano conspiratorio, sob a chefia direc-
ta e pessoal de Luiz Carlos Prestes. Deu-
se, portanto, uma evolução na trama pri-
mitiva, de natureza política, com o in-
tuito de mudar os homens conservan-
do as instituições, para uma extensão
conspiração extremista destinada a im-
plantar em nossa terra o regime russo,
ingenuamente disfarçado na fórma de
um governo popular revolucionário.
A TACTICA
DE MOSCOU
-Convém não esquecer que os
alliancistas seguiam habilmente a tác-
tica de Moscou. Como ficára resolvido
no ultimo Congresso do Komintem, os
agentes bolchevistas e deveriam traba-
lhar sempre com os disfarces da liberal
democrocia, fingindo uma alliança com
os partidos republicanos para com-ba-
ter o fascismo, e desta fórma obter a sua
collaboração para a obra revoluciona-
ria. Os alliancista que desejavam a coope-
ração dos grupos políticos dissiden-
tes, e para não afugental-os, fingiam ter
abandonado os propósitos vermelhos
da ideologia moscovita, allegando que
o comunismo rigido seria inadaptavel ás
condições psychologicas da socieda-
de brasileira.
Nesse sentido, procuraram arti-
cular-se com elementos políticos e mi-
litares, que, a tempo, perceberam o en-
contro e retiraram a solidariedade que
haviam empenhado.
A polícia possue documentos pre-
ciosos para provar que os communis-
tas pretendiam jogar esses collabo-
radores numa cilada.
O plano era servir-se de seu apoio
para conquistar o poder popular revolu-
cionário e, depois de installado este, con-
vertel-o rapidamente, com o auxílio das
massas operarias, camponesas e arma-
das, no regimem communista, segundo o
espírito das infiltrações soviéticas. Pos-
suo no archivo da polícia, cartas em que
os líderes communistas explicam este pro-
jecto a camaradas que se mostram sur-
prehendidos com a “entente” de allian-
cismo com os grupos da burguesia liberal
democrática.
O governo popular revolucionário
era apenas uma fachada para attrahir in-
gênuos. Viria, logo depois, atrás delle, a
verdadeira revolução social, inspirada
no lemma: “pão, terra e liberdade”, com
um governo de operários, camponeses,
marinheiros e soldados de accordo com
os moldes práticos consagrados pelo
golpe de 1917 na Rússia. Prestes, ladeado pela Polícia Especial de Vargas,
depõe no Conselho de Justiça Militar, fev/37
Medidas energicas para
combater o communismo
As modificações à Lei de Segurança
Nacional, apresentadas pelo deputado
Pedro Aleixo, corrigem as deficiências da
legislação em vigor – Definidos novos
crimes contra a ordem política e social
Rio, 3 (Meridional) – Foi assignado na
pasta da Guerra um decreto concebido nos
seguintes termos:
“OpresidentedaRepublicadosEstados
Unidos do Brasil, considerando ser acto de
justiça e afim de que perdera elle nos annaes
militares, estigmatizando o crime de rebel-
dia que cometteram, decreta:
Ficam extinctos os 21º e 29º Batalhões
de Caçadores e o 3º Regimento de Infan-
taria.
Artigo 2º - São creados os 30º e 31º
BatalhõesdeCaçadoreseo14ºRegimentode
Infantaria que deverão ser immediatamente
organizadosparaconservar-sesemalteração
o effectivo consignado na organização do
Exército.
Artigo 3º - Revogam-se as disposições
em contrario.
Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1935.
104º da Independência e 47.º da República
(a) Getulio Vargas,
Presidente da Republica"
Estigmatizandoo
crimederebeldia
Extinctos o 21.º e
o 29.º B. C. e o 3º R.I.
NOSSOCOMENTÁRIO
Qualquer semelhança com os dias
atuais não é mera coincidência.
A leitura da entrevista do Chefe de
Polícia do Distrito Federal, em 1935,
revela que o processo revolucionário
comunista continua tendo as mesmas
características nos dias de hoje. Nas
fases que antecedem a tomada do poder
todas as aparências de legalidade e de
participação democrática no jogo polí-
tico. A formação de frentes e alianças
eleitorais com os partidos de esquerda e
coma"burguesialiberal"paraaforma-
ção de um "governo popular democráti-
co" continua a ser a tática dos partidos
comunistas e também de partidos que se
dizem socialistas, escondendo sua ten-
dência revolucionária.
É a tática da "via pacífica" cujo
primeiro objetivo é a conquista do go-
verno pelo caminho eleitoral legítimo. A
partir daí, o partido comunista ou parti-
do socialista revolucionário, simulando
um programa social-democrata, faz a
"acumulaçãodeforça"aqueTarsoGen-
ro (PT/RS) denomina de "reformismo
radical", tendo por objetivo a tomada
do poder.
A Intentona Comunista de 1935
que surpreendeu pela violência, pode
repetir-se de forma pacífica, pelo menos
nassuasfasesiniciais,realizadaoqueos
neo-comunistasdenominam"Revolução
Nacional Popular".
Com a chegada de elementos do
22º Batalhão de Caçadores e de uma
bateria de Artilharia da Parahyba,
os communistas pressionados,
começaram a recuar no Recife
5
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
DEPUTADO JAIR BOLSONARO
(Extrato)
Odeputado federal Jair Bolsonaro sempre foi pre-
sença constante nas solenidades da Intentona
Comunista na Praia Vermelha, conforme podemos com-
provar com fotografias publicadas em nossos jornais.
Geralmente era acompanhado de seus filhos Flávio, de-
putado estadual e Carlos, vereador pelo Rio de Janeiro.
Como é sabido foi "proibido" pelo governo petista
- comunista qualquer manifestação das Forças Arma-
das em 31 de março e 27 de novembro. Mesmo assim,
diversos Comandos continuaram realizando cerimôni-
as / formaturas nessas datas merecendo destaque as da
Praia Vermelha junto ao Monumento Votivo em home-
nagem as vítimas da Intentona Comunista de 1935, por
iniciativa do CML - Comando Militar do Leste e DECEX
- Departamento de Educação e Cultura do Exército. No
entanto, em outros destinos essas datas históricas foram completamente olvidadas e os
Comandantes da Marinha e da Aeronáutica jamais organizaram ou participaram de algum
solenidade. O Comandante do Exército, General Enzo esteve presente na Praia Vermelha.
ANO VIII NUM. 2779
Publicado no Inconfidência nº 63 de 10/12/2003
General Curado, Brigadeiro Ivan Frota, Generais Modesto, Cherém,
Denys, Deputado Bolsonaro e Generais Montezano e Burmann
Foto publicada no Inconfidência nº 185 de dezembro de 2012
E o que dizer de Natal onde foi deflagrada a Intentona e estão
sediados os Comandos da 7ª Brigada de Infantaria, da Base
Naval e da Base Aérea e ali não é promovida qualquer for-
matura sobre esse traiçoeiro evento?
Gostaria que ao assumir a presidência do Brasil
determinasse ao Ministro da Defesa que "convidasse" os
principais Comandos das Forças Armadas a realizar sole-
nidades cívica-militares relembrando 31 de março de 1964
e 27 de novembro de 1935, tal qual a Ordem do Dia do
General Hamilton Mourão quando Comandante da Briga-
da de Infantaria de Selva. São datas inesquecíveis para a
História Militar e do Brasil.
Desde sempre, o nosso futuro presidente se posicionou
contra o comunismo internacionalista, materialista e ateu.
Que o Altíssimo o proteja e ilumine para que o nosso
amado Brasil seja, de fato, um país ocidental, cristão e democrático!
Publicado no Inconfidência nº 258 de 27/11/2018
"BRASIL ACIMA DE TUDO! DEUS ACIMA DE TODOS!"
6Nº 284 - Novembro/2020
DISCURSO DO DEPUTADO FEDERAL AFONSO DE CARVALHO26 de novembro de 1946
CARÍSSIMOS LEITORES / HISTORIADORES / MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS
“Sr. Presidente:
Os tempos são outros. Nunca o
Brasil esteve tão intensamente pene-
trado de sentimento democrático e de
amor à liberdade, como atualmente. E
esse é o sentimento que prepondera
nas nossas classes armadas. Foi o que
as impulsionou para o 29 de outubro
[deposição do presidente Vargas], e,
agora, determina novamente o seu pro-
nunciamento, em defesa da Pátria e da
Democracia.
Positivismo e Comunismo vieram
a ser, no Brasil, as forças negativas,
dissolventes da ideia de Pátria, impli-
cando em desviar as forças armadas
dos seus verdadeiros rumos. De início
é o Positivismo que visa corromper o
espírito nacionalista das nossas gera-
ções militares e em favor da utopia –
humanidade, relegando para plano se-
cundário a ideia de Pátria.
O Apostolado Positivista passou
a ser o esquisito laboratório dessas
ideias, onde os adeptos de Augusto
Comte, como mais tarde o farão os dis-
cípulos de Marx e Engels, agitarão as
retortas de violentos ácidos corrosi-
vos, contra a noção de Pátria.
O Sr. Teixeira Mendes, “Papa Ver-
de” do Positivismo, prega, então, ideias,
que, hoje, dificilmente se acreditaria
pudessem ser apresentadas, se não cons-
tassem, como constam, das suas ora-
ções apostolares. Prega, antes de mais
nada, o esfacelamento do Brasil, crian-
do as chamadas Pátrias Brasileiras. Afir-
ma que os positivistas – e é grande,
então, o seu número no Exército – não
têm “o menor preconceito de integrida-
de política”. Admira-se que os demo-
cratas “olhem com tamanho horror” para
o que chama “a inevitável fragmenta-
ção política do Brasil”. Considera, des-
denhosamente, a integridade brasileira
como um simples preconceito.
Ataca o Império “porque não re-
cuou nem diante da violência e da cor-
rupção para manter a Monarquia e a
integridade da nacionalidade brasilei-
ra”. Escreve textualmente: “O Exército
não garante a tranquilidade pública
porque é insuficiente para a guerra e é
supérfluo para a paz”. Incentiva a sa-
botagem da guerra do Paraguai, cujas
glórias militares considera como sinais
de vergonha, o que levou certa vez o
General Tasso Fragoso a escrever:
“Lembro-me dessa época quan-
do os velhos generais, que haviam lu-
tado no Paraguai, escondiam as suas
condecorações de guerra, como se fos-
sem símbolos do opróbrio” [duas ob-
Transcrevemos abaixo, excertos do discurso pronunciado em 26 de novembro de 1946, na Câmara dos Deputados, pelo deputado federal por Alagoas,
Coronel do Exército Afonso de Carvalho. Trata-se de um importantíssimo documento de cunho histórico-filosófico, que foi publicado pela revista
“Nação Armada”, n° 81, de janeiro de 1947. O título da matéria é “O Militar não pode ser Comunista”. Diga-se que quando do citado discurso, o Bra-
sil, há pouco mais de um ano, retornara ao estado democrático, após a deposição, pelas Forças Armadas, do ditador Getúlio Vargas. O Partido Comunista
foi então legalizado e lançou candidatos a vários cargos eletivos. O seu líder, Luiz Carlos Prestes, foi eleito Senador. Em 1947, esse Partido foi posto
na ilegalidade, eis que subordinado ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS), do qual era uma simples Seção, e pelas agitações subversivas que
promovia em todo o Brasil. É disso e mais da nefasta ação da ideologia do Positivismo - “a Religião da Humanidade” -, que versa o magnífico Discurso.
Afonso de Carvalho foi um notável historiador, intelectual, pensador militar, escritor, poeta, político (foi Interventor em Alagoas, em 1933, membro
da Assembleia Nacional Constituinte de 1946, e deputado federal pelo estado de Alagoas), sócio de diversas instituições histórico-culturais. Ele foi um
dos maiores biógrafos do Duque de Caxias, sendo o seu referencial livro, “CAXIAS”, editado por cinco vezes; a Biblioteca do Exército o editou em
1938 e tornou a fazê-lo, em 1976, em uma edição especial, de luxo. Eis alguns trechos do antológico, histórico e científico Discurso que todo patriota
deveria ler com redobrada atenção, custodiar com esmero, e, em especial, refletir, comparativamente, com a atual e muito hostil conjuntura nacional,
sob os influxos da ação “gramscista”, orquestrada pelo Foro de São Paulo:
servações particulares: 1) o Senador
Gaspar da Silveira Martins sempre cri-
ticou, acerbamente, o pacifismo dos
positivistas, para os quais os Exércitos
deveriam se transformar em gendar-
merias e “os generais eram os grandes
assassinos dos povos”.
Ainda mais: 2) a impoluta figura
do Duque de Caxias era assaz denegrida
e apequenada pelos militares pro-
fitentes do Positivismo. Caxias só seria
reabilitado pelo Exército, de um semi-
anonimato não condizente com os tan-
tos e tamanhos serviços por ele presta-
dos ao Brasil, na paz
e na guerra, no ano
de 1925, pelo minis-
tro da Guerra, Gene-
ral Setembrino de
Carvalho...].
Enfim,oExérci-
to diminuído à sim-
ples gendarmeria e a
Pátria reduzida a vin-
te republiquetas! Era
o que queria o Apos-
toladoPositivista,fiel
intérprete das ideias
de Augusto Comte,
apóstolo ainda mais
intransigente que
Marx, das teorias do
materialismo históri-
co. Foi grande o trabalho dos constitu-
intes para que a nova Carta Magna da
República saísse escoimada dos aleijões
positivistas.
Os chefes militares, no decorrer dos
governos republicanos, tudo fizeram para
que o Exército se fortalecesse em seu
espírito profissional e no seu amor à Pá-
tria, da qual é a armadura de aço.
Na verdade, os nossos chefes mi-
litares souberam, com elevação e habili-
dade, livrar as forças armadas do primeiro
cancro (o Positivismo) que ia corroendo
as suas energias e solapando os funda-
mentos da Nação.
Chegou, agora, a vez de defen-
der-se de um outro inimigo. Os chefes
militares de hoje, e que já falaram com
a boca dos canhões em 27 de novembro
de 1935 [refere-se à hedionda “In-
tentona Comunista de 1935”, que pode
ser resumida em dois vocábulos ape-
nas: traição e covardia; e que foi uma
das ponderáveis causas imediatas para
a deflagração do glorioso Movimento
Cívico-Militar de 31 de março de 1964],
estão novamente com a palavra.
Apreciado o Positivismo [que pre-
ga a “ditadura republicana”] como con-
trário à ideia de Pátria, vejamos agora o
Comunismo [que preconiza a “ditadura
do proletariado]. Desaparece, no Co-
munismo, o conceito clássico de povo
e de Pátria. A unidade política não é
mais o povo, e sim, a classe. Dentro da
unidade – classe, o cidadão oblitera-
se, desaparece. E com ele, o povo. E
com o povo, a Pátria. Cada circunscri-
ção política deve dividir-se na classe
dos marítimos, na classe dos meta-
lúrgicos, etc. A classe é o que se tem em
vista, esteja onde estiver, no país ou
no estrangeiro.
Lê-se no Manifesto Comunista:
“Operários de todo
o mundo: uni-vos!”
O Programa do
Komintern procla-
ma: “O Proletariado
não terá pátria en-
quanto não conquis-
tar o poder político”.
Como o Parti-
do é internacional,
aqueles que o diri-
gem nos demais paí-
ses, como no Brasil,
têm o nome de Se-
cretários.
E, se em dado
momento, colidirem
os interesses de um
país com os da Rús-
sia Soviética, devem preponderar os da
URSS. Desta mesma tribuna o senador
comunista Luiz Carlos Prestes decla-
rou que no caso de uma guerra do Bra-
sil com a Rússia, ou melhor, com a
União Soviética, ele ficaria com a União
Soviética.
Como se pode supor, nessas con-
dições, que um comunista possa deixar
de atender aos compromissos interna-
cionais, intrínsecos, do seu Parido? E
se esta obediência, pelo caráter inter-
nacional do Partido, dimana, imperati-
vamente, da própria essência do comu-
nismo, como admitir-se que o militar
possa pertencer a uma organização in-
ternacional, ele que jurou defender a
Pátria com o sacrifício da própria vida?
Como admitir-se que o militar, o militar
do Brasil, possa ter outra Bandeira que
não seja aquela “que a brisa do Brasil
beija e balança?”
Como admitir-se que ao soldado,
ao marinheiro, ao aviador, se possa, sem
receio de traição, confiar-se uma arma, e
esta arma ser utilizada contra a Pátria, que
nele depositou a sua confiança?
Não podem existir duas respostas
a estas perguntas! Admitir-se um militar
comunista seria conformarmo-nos com o
mais trágico dos paradoxos.
Ninguém pode negar aos Esta-
dos Unidos da América do Norte e à
Inglaterra, o alto espírito democrático
que preside às suas instituições. E, no
entanto, o que hoje se pretende fazer
no Brasil, a Inglaterra e os Estados
Unidos já o fizeram, excluindo das suas
forças armadas todos os militares co-
munistas [acrescente-se que, após a
Contrarrevolução de 1964, foram expur-
gados das FFAA, militares indesejáveis
como os subversivos/comunistas, os cor-
ruptos e os de conduta moral incompatí-
vel com a profissão militar; desafortuna-
damente, tipos dissimulados consegui-
ram escapar daquela oportuna e benéfica
higienização, sendo o caso mais notó-
rio o do capitão desertor e traidor, fa-
cínora crapuloso, Carlos Lamarca].
Sr.Presidente.Srs.Deputados:Vou
terminar. Procurei demonstrar como as
Forças Armadas têm sido sacrificadas
por duas correntes ou partidos de senti-
do filosófico-político, fundamentados na
interpretação materialista da História: o
Positivismo e o Comunismo, e ambos
desencadeados, primeiro, contra a Repú-
blica que sucedeu à Monarquia; depois,
contra a República que substituiu a Dita-
dura, e, também, por coincidência, ambas
em sua fase perigosa de adolescência.
Continuando, Sr. Presidente, pro-
curei provar o caráter internacional do
Positivismo e do Comunismo. E, assim,
contrários à ideia de Pátria. Na Inglaterra,
Srs. Deputados, sempre se sepultaram os
sonhos dos conquistadores e a ideolo-
gia dos extremistas! Se velhos países,
como outros, reagiram às ideias de Marx,
como compreender-se que um país no-
vo, ainda em formação, como o Brasil,
possa admití-las e com a cumplicidade
das próprias classes armadas?
Impõe-se à Democracia brasileira
fortalecer o sentido afirmativo da Pátria.
Não podemos - militares e repre-
sentantes do povo -, permanecer tranqui-
lamente debaixo da abóbada, deixando
que o inimigo nos vença. Se não reagir-
mos, a abóbada ruirá. Pereceremos to-
dos. E de todos nós, que não somos co-
munistas, não sobrará um só Jeremias pa-
ra chorar sobre as cinzas dessas ruínas.
Fortaleçamos a Pátria, prestigiando
as classes armadas. Renunciemos à vas-
tidão das ideias universalistas. E perma-
neçamos intangíveis no nosso sentimen-
to pátrio, no sagrado egoísmo, no amor
ciumento do nosso desvão de telhado,
que é a nossa terra, a nossa família, a
nossa gente, a nossa PÁTRIA!”
6
Publicado no Inconfidência nº 208 de 27 de novembro/2014
7Nº 284 - Novembro/2020
Cópia do original
datilografado do
telegrama com o qual a
direção da Internacional
deu a Prestes e Ewert
ordem para agir
* Por Jarbas
Passarinho
* Coronel - Foi ministro de Estado,
governador e senador pelo Pará.
Partido Comu-
nista Brasileiro,
nascido em 1922, te-
ve vida curta, diri-
gido por Astrogildo
Pereira e Octávio
Brandão, quando em 1929 caíram am-
bos em desgraça da Terceira Interna-
cional fundada por Lênin. Poupados
por Moscou que determinou uma tré-
gua, que não durou senão até 1930. O
Komintern criticava os dirigentes do
PCB, proibiu o partido de fazer qual-
quer aliança nas eleições daquele ano,
para cultivar seus clichês: luta contra o
imperialismo, terra para os campone-
ses, afastamento dos intelectuais (As-
trogildo, Brandão, Basbaum e Paulo
Lacerda) e sua substituição por “traba-
lhadores mal vestidos e que falassem
errado”. Lembro essa passagem para
salientar uma interessante coincidên-
cia: quando o PT foi fundado, há 25
anos, pretendia manter o princípio de
partido exclusivo de trabalhadores, con-
trário a toda política de alianças com
partidos burgueses e dirigido por um
metalúrgico “mal vestido e que falava
errado”.
Prestes só seria recebido na Ter-
ceira Internacional, ou Komintern, em
1931, quando aceitou pagar o que se
chamava outrora, nos clubes de grã-
finos, uma luva. Para ser recebido na
ilustre companhia dos revolucionários
mundiais, pagou “20 mil dólares do
fundo recebido de Getúlio Vargas de-
zesseismesesantes”,como revelou Wil-
liam Waack, no seu livro Camaradas,
comprovado no acesso que teve aos
arquivos de Moscou, após o colapso
daUniãoSoviética,CapítuloOuroPara
Moscou, página 43. João Alberto, em
A Marcha da Coluna, confirma o en-
tendimento com Getúlio, para que Pres-
O LEVANTE COMUNISTA DE 1935: REFLEXÕES
tes chefiasse a Revolução de 1930. Ele
desviou os recursos para cumprir exi-
gência do Kominforn, o mesmo Komin-
forn que lhe daria ordem para o levante
de 1935 e dava (ou retribuia) dólares
para chefiar o levante no Nordeste e no
Rio de Janeiro. É a prova do “Ouro de
Moscou”.
Acho que Prestes vacinou o Exér-
cito com esse levante, que deixou mar-
cas indeléveis de traição e covardia,
quebrando um princípio de lealdade
pertinente à vida castrense, em exem-
plos históricos co-
mo o dos aviadores
na 1a
Guerra Mun-
dial. Quando um ad-
versário era abatido,
o contendor vitorio-
so passava em vôo
rasante sobre o ven-
cido e lhe fazia con-
tinência. Lee, o fa-
moso general que
comandou o Exér-
cito dos Confede-
rados na Guerra de
Sucessão americana, era instrutor em
West Point, quando a guerra eclodiu.
Despediu-se da escola, comandada
por superiores seus, adeptos de Lin-
coln, com a tropa que ele iria comba-
ter formada em saudação. Não há du-
vida que eram tempos muito passa-
dos, em que a guerra tinha uma com-
ponente romântica. Mas em 1935, o
comandante do 3o
RI, onde estava
preso o capitão comunista Agildo Ba-
rata, tinha absoluta confiança nos seus
subordinados.Doisdeles,fizeram o con-
trário dos exemplos românticos. Um
capitão que devia favores ao Coman-
dante, jurou-lhe ajoelhado que era falsa
a informação que o Coronel recebera
de que o Regimento se levantaria no dia
27 de novembro e que o capitão era
um dos seus líderes. Pois ele mes-
mo, altas horas da madrugada, cum-
priu as ordens que Prestes fizera che-
gar, escritas, a Agildo Barata. Preo-
cupado com as informações que re-
cebera do Ministério da Guerra, de-
terminou o Comandante a um tenen-
te seu secretário, que instalasse uma
metralhadora visando a subunidade
suspeitada. O tenente, que tinha um
parente na intimidade do Palácio do
Catete, com Getúlio Vargas – e daí a
insuspeição dele -
acabou usando a
metralhadora em
apoio aos comunis-
tas rebelados.
Na Escola de
Aviação, um ofi-
cial que faço ques-
tão de não sujar
com seu nome es-
te papel em que es-
crevo, foi encar-
regado de matar o
tenente Danilo Pa-
ladini, sabidamente anticomunista.
Cobriu o revólver com um jornal e,
numa escada em que Paladini se en-
contrava, chamou-o perguntando se
lera o jornal. Quando a vítima des-
ceu uns degraus, o covarde o matou
com tiros do revólver escondido no
jornal.
Outros covardes, também, suja-
ram a história castrense no Brasil. Um
exemplo é o do tenente Bragança, avi-
ador. Cumprindo seu dever, dirigiu-se
de trem para o subúrbio de Deodoro,
no Rio de Janeiro, com um colega, pa-
ra apresentarem-se em sua unidade,
que não sabia já rebelada. Apanhou-os
um capitão (um facínora que vim a co-
nhecer no Congresso quando votamos
a lei de anistia), dono de um pequeno
automóvel. Sentaram-se os dois ofi-
ciais nos bancos de trás. O capitão,
sacando uma parabelum dirigiu-se
primeiro ao tenente Bragança, dizen-
do estar a unidade de aviação revol-
tada obedecendo Prestes e pergun-
tou se aderiam. O tenente corajosa-
mente respondeu que não. Levou um
tiro fatal. O outro abriu a porta do
automóvel e jogou-se para fora, pro-
tegido pelo lusco fusco e da frágil
vegetação de Marechal Hermes. Foi
salvo porque o gatilho da arma não
percutiu a bala. Dele eu li, já sena-
dor, o depoimento que deu no Tribu-
nal de Segurança criado por Getúlio,
revelando como se dera a morte do
tenente Bragança. Mas, quando ca-
pitão instrutor do CPOR de Belo Ho-
rizonte, fui companheiro de seu ir-
mão, o capitão Bragança, um oficial
de escol, cuja família tinha sido com-
pelida a não revelar o que sabia, para
que nas Comemorações da Intentona,
na Praia Vermelha, a ferocidade e a
deslealdade dos comunistas fosse en-
fatizada como eles matando até mi-
litares dormindo. Coisas de políti-
cos e não exatamente da política como
a descreve Max Weber.
O Presidente Collor determi-
nou que as comemorações da Praia
Vermelha, nos 27 de novembro não
mais fossem realizadas, para recon-
ciliação da família brasileira. Pas-
sara a ser lembradas nos quartéis.
Agora, nem isso. São substituídas
pelo culto, de Dom Paulo Evaristo
Arns e do rabino Sobel ao comunista
Wladimir Herzog. Assim se faz a his-
tória.
(Publicado no Inconfidência nº 88 de 27/11/2005)
Cobriu o revólver com um
jornal e, numa escada em
que Paladini se
encontrava, chamou-o
perguntando se lera o
jornal. Quando a vítima
desceu uns degraus, o
covarde o matou com tiros
do revólver escondido
no jornal.
Acuse-os do que você faz.
Xingue-os do que você é.
LenineLenineLenineLenineLenine
CAMARADAS
Nos arquivos de Moscou
A História Secreta da Revolução Brasileira de 1935
WILLIAM WAACK
Este livro não foi feito para fa-
vorecer alguns em detrimento
de outros, nem para retomar deba-
tes e pontos de vista totalmente ul-
trapassados com o fim da Guerra
Fria. No entanto, é inevitável que
alguns mitos, imagens, carreiras e
reputações – e crenças – saiam pro-
fundamente abalados ao final des-
tas páginas. Berlim, setembro de 1993
Também usava os nomes de “Frida
Leuschner”, “Ana Baum de Revi-
dor”, “OlgaSinek”,“OlgaBergnerVilar”
e “Zarkovich”; alemã, membro do IV
Departamento do Exército Vermelho
(Inteligência Externa); casada na URSS
com B. P. Nikitin; viajou em dezembro
de 1934 ao Brasil, acompanhando Luiz
Carlos Prestes, cumprindo missão
que lhe fora atribuída pela EKKI. Foi
OLGA BENÁRIO - A VERDADE
presa no Brasil em 6 de março de
1936, juntamente com Prestes, com
que teve uma filha, sendo deportada
para a Alemanha, onde morreu, em
1942, em um campo de concentração.
O seu grau de importância na
hierarquiadaespionagemsoviéticadeu-
se no episódio de reconhecimento de
sua morte e nas motivações nazistas
para a liquidarem.
“Camaradas" é um livro cuja leitura se diria recomendável a todos os
brasileiros mas obrigatória ao público militar. Obrigatória, por traduzir-se o seu
texto na mais ampla e irretorquível defesa da ação anti-comunista em que se
envolveram as nossas Forças Armadas, desde 1935. A nossa luta, e a nossa vi-
tória foram o triunfo da razão. Honra aos sacrifícios e ao sangue derramado em
decênios de confronto com a maior aberração que produziu o pensamento
humano, o comunismo.
E estejamos certos! O “patrulhamento ideológico” ainda não foi desmon-
tado no Brasil. A obra de Waack não irá figurar nas famosas listas dos mais
vendidos que a mídia repete em seus suplementos. Corrijam-nos, no futuro se
estivermos errados!
William Waack
(Publicado na revista do Clube Militar de dezembro/1993)
* Tenente-Coronel Antônio Gonçalves Meira
Camaradas - Por William Waack
7
O
8Nº 284 - Novembro/2020
A INSURREIÇÃO DE 27 DE NOVEMBRO
ESCOLA DE AVIAÇÃO MILITAR
Oinício da revolta na AVIAÇÃO
coincidiu, differença de poucos
minutos, com a do 3º REGIMENTO
DE INFANTARIA.
Em vasta área, quasi toda aber-
ta, situada entre a Estrada Rio-São Pau-
lo, a Estação de Deodoro e a Invernada
dosAffonsos,estáaESCOLA DE AVIA-
ÇÃO MILITAR.
Dentro dessa área vários pavi-
lhões se distribuem a esmo; uns, ser-
vindo de quartéis e alojamentos, ou-
tros, de officinas e hangares.
Duas entradas lhe dão accesso;
ambas situadas à margen da Estrada
Rio-S. Paulo, sendo que uma dellas,
a mais utilizada hoje, está localizada
na embocadura de um caminho que
vae ter à Enfermaria.
Foi por esta que, pouco antes
das três horas da madrugada de 27,
penetrou na ESCOLA o automóvel do
Capitão SOCRATES, conduzido, além
deste, o Capitão AGLIBERTO e os
Tenentes BENEDICTO e DINARCO,
emquanto que o Tenente IVAN ali pe-
netrava pelo outro portão afim de su-
blevar a guarda de serviço.
A promptidão e a vigilância na
ESCOLA, em conseqüência dos acon-
tecimentos de Natal e Recife, não era
rigorosa e geral como no 3º REGI-
MENTO DE INFANTARIA, mas ape-
nas parcial, e comprehendia a Compa-
nhia de Guardas, a Extranumeraria e a
Companhia de Alumnos do Curso de
Sargentos Aviadores.
Os serviços de segurança, en-
tretanto, foram augmentados na noi-
te de 26 para 27, em face dos boatos
que circulavam.
O Commandante, Tenente-co-
ronel IVO BORGES, que vinha de há
muito desconfiado da actuação dos
Capitães SOCRATES E AGLIBER-
TO, dera terminantes ordens aos ele-
mentos encarregados da fiscaliza-
ção dos portões de entrada, que não
permittissem o ingresso na ESCO-
LA de qualquer vehiculo, mesmo
conduzido officiaes.
As ordens não foram, porém,
cumpridas pelo Sargento ALVARO
BELGA, que com um Grupo de Com-
bate, guardava a Estrada que vae ter à
Enfermaria e por onde penetrou, sem
ser embaraço em sua carreira, o auto-
movel do Capitão SOCRATES.
Há muito já se achavam na ES-
COLA, alli chegados “por acaso” “ou
para saberem das novidades”, os Te-
nentesCARLOSBRUNSWICKFRAN-
ÇA e JOSÉ GAY DA CUNHA.
O Commandante, o Major BEN-
TO RIBEIRO CARNEIRO MONTEI-
RO e o Capitão JORGE GOMES RA-
MOS, que rondavam pela Estrada
Rio- S. Paulo, ao verem passar ve-
lozmente, sem encontrar obstáculos,
o automóvel do Capitão SOCRATES,
interpellaram o Sargento BEL-
GA, que explicou ter deixado
passar o vehiculo por condu-
zir officiaes da ESCOLA.
Deu-lhe ordem o Tenen-
te-coronel IVO BORGES que
o acompanhasse juntamente
com o seu Grupo de Combate,
afim de verificarem o que pre-
tendia a ESCOLA, áquellas ho-
ras, SOCRATES e seus com-
panheiros.
Foi então que se ouviram
os primeiros tiros partidos das
proximidades do local onde pa-
rara o automóvel, e acto conti-
nuo, recebiam o Commandante,
o Major BENTO RIBEIRO e o
Capitão GOMES RAMOS uma
rajada de fuzil metralhador do
GrupodoSargentoBELGA.Gri-
taram os officiaes que não ati-
rassem, quando nova rajada se
fez ouvir.
Surprehendidos e im-
possibilitados de, no local, to-
marem qualquer attitude de
reacção, ou providencia effi-
ciente, referem o Coronel IVO e o ma-
jor BENTO a fls. 1.536 e 1.540 do 6º
volume, dirigiram-se para a Escola Mi-
litar, posto de commando da 1ª Bri-
gada de Infantaria, onde se apresen-
taram, tendo por sua vez conseguido
o Capitão GOMES Ramos alcançar o
Batalhão Escola, onde solicitou as
primeiras providencias.
A esse tempo, o automóvel con-
duzindo SOCRATES, AGLIBERTO,
IVAN E DINARCO, defrontava a Com-
panhia de Alunnos, onde nas proximi-
dades se achavam dois Grupos de Com-
bate commandados pelos Tenentes
BENEDICTO LOPES BRAGANÇA e
OSWALDO BRAGA RIBEIRO MEN-
DES.
Colhidos de imprevisto e envolvi-
dos pelos officiaes revoltosos, emquanto
parte da tropa dispersava aos gritos de
“Viva a revolução”, eram presos os
Tenentes Bragança e Mendes e recolhi-
dos ao automóvel, sob a vigilancia do
Capitão AGLIBERTO VIEIRA DE
AZEVEDO.
Foi ahi, que este official, segun-
do refere o Tenente RIBEIRO MEN-
DES, cujo testemunho é corrobarado
pela prova indiciaria, friamente assas-
sinou o seu collega Tenente BRA-
GANÇA.
Em outros sectores, agiam os
Tenentes BENEDICTO DE CARVA-
LHO e IVAN RAMOS RIBEIRO, au-
xiliados pelos Tenentes DINARCO,
GAY e FRANÇA e pelo Aspirante
WALTER.
Sublevaram assim a Companhia
de Alumnos e a de Guardas, ao mesmo
tempo que eram presos os officiaes
que não adheriam à insurreição.
OCapitãoARMANDODESOU-
ZA E MELLO, e o Tenente DANILO
PALLADINI foram mortos pelos re-
voltosos logo no inicio do assalto.
O Tenente Coronel EDUARDO
GOMES, Commandante do 1º REGI-
MENTO DE AVIAÇÃO, quando re-
pellia um ataque á sua unidade, dirigido
pelos revoltosos SOCRATES E IVAN,
foi ferido na mão por um dos compo-
nentes do Grupo de Combate deste
ultimo.
Mas já as forças do Governo
atacavam a AVIAÇÃO e o Grupo Es-
cola começava o bombardeio.
Dentro em pouco os rebeldes
capitulavam, e os chefes, sem a cora-
gem de enfrentarem a derrota, pu-
nham-se em fuga desordenada, aban-
donando seus commandados.
Como tivemos occasião de
resaltar em trecho deste relató-
rio, era evidente que os planos do
movimento não se poderiam cir-
cumscrever a dois quartéis, elles
necessariamente envolveriam ou-
tras unidades e estabelecimentos
militares.
De facto: no Quartel-General
da 1ª Região, o Tenente AUGUSTO
PAES BARRETO que, na noite de
26, descera da Villa Militar, com-
mandando uma Companhia do 2º
REGIMENTO DE INFANTARIA,
era preso quando procurava, logo
de chegada áquelle Quartel, alli-
ciar elementos para a insurreição
armada, que irromperia na ma-
drugada de 27, tendo como che-
fes, entre outros, o Capitão LUIZ
CARLOS PRESTES e o Dr. PE-
DRO ERNESTO (Fls. 1.787 do
7º volume).
Na VillaMilitar,PAULO MA-
CHADO CARRION e possivel-
mente SOVERAL FERREIRA DE
SOUZA, SAMUEL LOBO,ALDO-
BRANTINO CHAVES SEGURA e
outros, juntamente com inferiores e
praças, ficaram impedidos de executar
os planos que traçaram, dada a acção
efficaz dos commandantes de suas
unidades.
NO CENTRO DE PREPARA-
ÇÃO DE OFFICIAES DA RESERVA
eram presos LAURO FONTOURA e
HELIO DE ALBUQUERQUE LIMA,
alliciadores de elementos para a re-
bellião naquelle estabelecimento de
ensino militar.
Finalmente,noGRUPODE OBU-
ZES, em S. Christovão, foi descoberta
a trama da revolta que estava articula-
da entre inferiores e praças daquella
unidade. (Páginas 18, 19, 20 e 21 do
relatório)
Ha ainda a referir episodio occor-
rido com os officiais presos no
Casino, para onde foram transpor-
tadas, adredemente, caixas de gra-
nadas, e que não teve por epilogo o
sacrifício de todos, graças á inter-
venção do Capitão JOSÉ LEITE
BRASIL, que se oppoz, como che-
fe que também era, ás ordens dos
Capitães AGILDO e ALVARO de
SOUZA, que, convencidos da der-
rota, queriam o extermínio dos pri-
sioneiros.
(Página 17 - Setembro/1936)
RELATÓRIO DO DELEGADO EURICO BELLENS PORTO
DA POLÍCIA CIVIL DO DISTRICTO FEDERAL
Descarga de tiro de fuzil realizada por uma representação do 12º BI,
envergando o uniforme da época, em homenagem ao Capitão
Benedicto Lopes Bragança, no cemitério do Bonfim,
em Belo Horizonte (2004 )
8
Publicado no Inconfidência nº 88 de 27 de novembro de 2005
9Nº 284 - Novembro/2020
* Cel. Aluísio Madruga
de Moura e Souza
Autor dos livros:
• Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade
• Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada
PEDIDOS: guearaguaia@uol.com.br
A INTENTONA COMUNISTA
Apresento, a seguir, al-
guns detalhes dos as-
sassinatos do Capitão Danilo
Paladini e do Capitão Bene-
dicto Lopes Bragança, para
que o leitor tenha para sem-
pre na mente, até onde che-
gou a covardia dos que fizeram a Intentona.
Com já citei, o comunista Barbosa Lima
Sobrinho escreveu na orelha da contra capa do
livro de Hélio Silva – 1935 - A Revolução Ver-
melha: “não houve ninguém, oficial ou sol-
dado, assassinado na cama pelos companhei-
ros sublevados. Os que morreram, morreram
lutando”, o que é uma grande inverdade. Bar-
bosa Sobrinho certamente não leu os jornais da
época e nem se aprofundou no tema, ou teve a
intenção deliberada de distorcer os fatos em
defesa de seus camaradas comunistas.
No caso específico, do Tenente Danilo
Paladini, promovido a Capitão pós-morte, ti-
ve a grata satisfação de ter sido comandado
do General Mário César Azevedo da Silveira,
esposo de dona Irma Paladini Azevedo da Sil-
veira, filha do Capitão Paladini e de dona Ze-
lina Paladini.
Sabendo que eu estava escrevendo um
livro no qual abordaria a Intentona, gentil-
mente dona Irma me permitiu acesso a um diá-
rio de campanha do seu pai, escrito dia após
dia, iniciado em 1º de agosto de 1924 e findo
em 23 de março de 1927, bastante útil para
conhecimento das questões desse período que
antecedeu a Intentona.
O referido diário conta a sua participa-
ção na manutenção da ordem governamental
em duas revoltas ocorridas no interior do País,
mais precisamente na região norte (Pará e
Amazonas) e no interior de Minas Gerais e do
antigo Estado de Goiás.
Como relatei em artigo anterior, consta
na página 75 do livro do ponderado Gen. José
Campos de Aragão, participante da resistência
no 3º Regimento de Infantaria no Rio de Janeiro
a seguinte afirmação: “o capitão Armando de
Souza Melo e o tenente Danilo Paladini, que
repousavam no momento da insurreição, fo-
ram mortos pelos revoltosos ainda aturdi-
dos quando se levantavam”.
No entanto, dona Irma tem versão dife-
rente das publicadas em livros a respeito da
morte de seu pai. Segunda sua mãe, um sar-
gento, cujo nome não se recorda, a procurou e
lhe contou como o seu marido, Tenente Paladini,
foi assassinado friamente: disse-lhe o sargen-
to: “eu e o Tenente Paladini regressávamos
da ronda e, quando subíamos as escadas que
davam acesso ao alojamento, ouvimos uma
voz que chamou. Paladini! Ato contínuo ouviu-
se um disparo de arma de fogo que o atingiu
nas costas. Então eu o arrastei até o aloja-
mento, colocando-o sobre um sofá. Começa-
Sobreleva notar que ha nestes autos a prova de que
AGLIBERTO VIEIRA DE AZEVEDO foi autor do as-
sassinio do Tte. Benedito Lopes Bragança.
O Tte. Oswaldo Braga Ribeiro Mendes a fls. 612 do
3º volume e, posteriormente, no depoimento de fls. 1.547
do 6º volume, diz:
“ A partir do momento da chegada do auto do
Cap SOCRATES não mais vi o Cap. Armando (Arman-
do de Sousa e Mello). O Tte. BRAGANÇA (Benedito Lo-
pes Bragança) foi desarmado immediatamente, attri-
buindo eu o facto de não me terem desarmado a ter en-
costado no carro colhido pela surpresa. Ao que apare-
ce na direcção da Casa dos Pilotos, VISOU FRIAMEN-
TE O TENENTE BRAGANÇA E ATIROU, TENDO O
REFERIDO TENENTE SOLTADO UM GEMIDO E
CAHIDO PARA O SEU LADO DIREITO, DENTRO DO
CARRO, ASSASSINADO SEM DEFESA. Ao ver que o
Cap AGLIBERTO que estava a nossa esquerda apon-
tava para mim e notando pela sua physionamia que
elle ia atirar-me, levantei a mão na sua direcção ex-
clamando: Mas AGLIBERTO! Apesar disso, o referi-
do Capitão apertou o gatilho, tendo o revólver falhado.
Aproveitando-me do seu movimento de surpresa, con-
segui empunhar meu revólver e atirar apressadamen-
te na sua direcção pela porta do carro, o que occasionou
sua fuga em direcção ao capinzal que vae ter á Enfer-
maria”.
O Ex-Sargento AZOR GALVÃO DE SOUZA, pres-
tando declarações a fls. 2.026. do 9º volume, a proposito
do facto acima descripto, informa:
“Que quando procurava essas granadas, notou que
um dos officiaes que se achavam no automovel estava ar-
mado; que cumprida essa missão, afastava-se do local, no
qual já não se encontrava o Tte. BENEDITO (Benedito de
Carvalho), quando ouviu um disparo de revólver, ao mes-
mo tempo em que varios elementos que alli se achavam
dispersaram, permanecendo apenas junto ao automovel do
lado do volante o Cap AGLIBERTO, donde conclue o de-
clarante ter sido este official o autor do tiro... Que reaffirma
ter sido o Cap AGLIBERTO VIEIRA DE AZEVEDO o
único official que se achava no momento ao lado do citado
automovel e que estava armado com um revólver nickelado;
que logo após o tiro, o Cap AGLIBERTO sahiu correndo
na mesma direção em que corria o declarante”.
A accusação que pesa sobre AGLIBERTO de ter fria e
covardemente assassinado o Tte. BENEDITO LOPES
BRAGANÇA, por isso que este official se achava preso e
desarmado, embora elle a conteste nas declarações de fls.
2.151 do 9º volume e na acareação de fls 2.201 está evi-
dentemente provada nos autos, não só em face dos ele-
mentos acima transcriptos, de uma claresa e precisão ra-
ras, como ainda frente á prova indiciaria reunida.
Momentos antes dos factos acima descriptos já o
accusado, o Cap SOCRATES e o Tte. BENEDITO DE CAR-
VALHO ameaçavam de morte o Tte BRAGANÇA, affirma
o Cabo JANCY SGARBI D´AVILA nas declarações que
prestou a fls 1.709 do 7º volume.
RELATÓRIO DO
DELEGADO EURICO
BELLENS PORTO
Agliberto Vieira de Azevedo (Páginas 112 e 113)
COMO SE VERIFICOU A
SENSACIONAL OCORRÊNCIA
DA MANHÃ DE ONTEM EM
CACHAMBÍ
Após prestar declarações na
Polícia Central, o chefe
extremista foi recolhido
incomunicavel à Polícia
Especial - Pormenores da
importante diligencia policial
Luís Carlos Prestes, já na Polícia
Central, preso três meses depois
do levante communista
A prisão de Luís Carlos Prestes
NR: Este precioso documento histórico – Relató-
rio elaborado pelo Delegado Eurico Bellens Porto da
Polícia Civil do Districto Federal – A Insurreição de 27
de Novembro, com 267 páginas encadernadas pelo
Grupo Inconfidência, encontra-se à disposição de
nossos leitores. E também de historiadores, jornalistas
e professores que fingem não conhecer a verdadeira
História do Brasil, deturpando-a com a conivência do
Ministério da Educação, das Secretarias Estaduais de
Educação e principalmente, da mídia venal e vendida
ao governo petista.
va uma grande confusão”.
Como dona Zelina, mãe de dona Irma,
fez questão de guardar a farda usada por seu
esposo no dia em que foi assassinado, para que
a acompanhasse quando do seu falecimento,
tive a honra de estar com a túnica da farda em
questão nas mãos e constatar que o tiro fora
dado pelas costas, saindo na altura do coração.
Pena que dona Zelina já não possuía memória
para nos contar detalhes do que soubera pelo
sargento em questão. Não importa! Matar um
ser humano dormindo, ainda sonâmbulo ou
pelas costas é a mesma coisa. Não é combate,
não é luta, é traição e covardia.
Tendo corrido risco de morte em tantas
oportunidade, como pude verificar em seu
diário, o Capitão Paladini jamais imaginou, que
por ironia do destino, iria morrer dentro do
quartel em que servia e que, portanto, julgava
local altamente seguro, por um ato mesquinho
e covarde, praticado por um companheiro de
profissão com quem convivia diariamente.
Quanto ao Tenente Benedicto Lopes Bra-
gança, segundo depoimento do 2º Tenente
Aviador Oswaldo Ribeiro Mendes, o mesmo
foi “assassinado sem defesa pelo Capitão
Agliberto Vieira de Azevedo, dentro do carro
do Capitão Sócrates Gonçalves”.
Não estava, portanto, lutando, mas no
banco traseiro de um automóvel.
Declara o Tenente Ribeiro Mendes: “es-
távamos decaronanocarroquefoiretidoquan-
do adentrávamos no quartel. Ao retirar-se o
sargento que nos parou, continuamos sob a
guarda do Capitão Agliberto. Ao ouvir o pri-
meiro tiro disparado, ao que parece, na dire-
ção da casa dos pilotos, Agliberto visou fria-
mente o Tenente Bragança e atirou, tendo
este soltado um gemido e caído para o seu
lado direito, dentro do carro, assassinado sem
defesa. Vendo que o Capitão Agliberto, à nos-
sa esquerda, apontava a arma para mim e
notando pela sua fisionomia que ia atirar,
levantei as mãos exclamando: mas Agliberto!
Apesar disso, este apertou o gatilho, tendo o
revolver falhado. Aproveitei-me do seu mo-
mento de surpresa, consegui empunhar meu
revólver e atirar apressadamente pela porta do
carro, o que ocasionou sua fuga na direção do
capinzal que vai até a enfermaria”.( pg. 80 do
livro do Gen. José de Campos Aragão).
Alguns outros exemplos poderiam ser
citados. No entanto, imagina-se que os da-
dos até aqui fornecidos sejam suficientes o
bastante para nos permitir afirmar que nem
todos os que morreram, morreram lutando
como de maneira desavergonhada os comu-
nistas continuam apregoando.
9
Publicado no Inconfidência nº 134 de 27 de novembro/2008
10Nº 284 - Novembro/2020
Acabo de ler seu magnífico livro so-
bre as “Origens e Transformações do Ma-
terialismo Histórico”. Rica de informes
que merecem fé, abundante de ensinos e
segura nas conclusões e na crítica, esta
obra está destinada a despertar na consci-
ência dos brasileiros e na ação dos poderes
públicos um sentido de vigilância maior
contra os perigos do comunismo.
Na verdade, porque a ideologia polí-
tica dos Soviets, pela sua crueza materialis-
ta e a sua técnica de anulação dos valores
morais, repugne à nossa compreensão e
aos nossos sentimentos de povo formado
na doutrina cristã, e tambem porque não
temos, salvante os estudiosos do assunto,
uma atenção prevenida capaz de surpreen-
der os índices esparsos da propaganda
bolchevista, - o certo é que damos uma
credulidade displicente à existência daque-
la propaganda no Brasil.
Da memória pública, que é sempre
fraca, se vai apagando, até a lembrança do
sangue derramado na revolução vermelha
do 3º Regimento de Infantaria e da Escola
de Aviação, nas revoltas comunistas de
Recife e nos três dias aziagos do gover-
no soviético instalado no Rio Grande do
Norte, em o ano trágico de 1935...
Raros são os que sabem, como eu,
que no fichário do Tribunal de Segurança
Nacional figuram vários milhares de co-
munistas cujas atividades partidárias se
acham documentadamente comprovadas
nos respectivos processos.
Essa parcela, entretanto, é apenas
um índice dos que atuaram às claras. Por-
que a maioria dos adeptos do credo mos-
covita continua agindo às ocultas, e cau-
telosamente, nos setores da vida públi-
ca, onde pode penetrar, especialmente,
nos círculos publicitários e em outros meios
de propaganda.
Os que foram colhidos em proces-
sos são, sem sombra de dúvida, muito pou-
cos, em relação aos que continuam agin-
do subrepticiamente, em liberdade.
Haja vista o que sucede com essa
campanha de proletarização da literatura
e da arte, na qual a propaganda subversi-
va mal se esconde a argúcia daqueles que
bem conhecem a técnica de disfarce e de
embuste dos comunistas.
É assim que, nos romances, a pretexto
de ser assunto da época, escolhem um tema
social que lhes dará aso à divulgação solerte
de idéias e de princípios marxistas.
E, propositadamente, investem
contra as regras mais elementares de gra-
mática, porque é preciso corromper a lin-
guagem, nivelando-a, quanto possível, à
das classes proletárias e incultas, corroen-
do-se, assim, um dos elementos orgâni-
cos da unidade de um povo.
E isto se faz, disfarçadamente, sob
pretexto de se estar construindo “língua
brasileira”.
A obscenidade de palavras ou de
cenas aparece também a miude, não com o
fim da “verdade na arte” da antiga escola
naturalista e, sim, como um ataque pre-
A INSÍDIA COMUNISTA NAS
LETRAS E NAS ARTES DO BRASIL
Carta do Juiz RAUL MACHADO, membro do tribunal de Segurança
Nacional e brilhante homem de letras, dirigida ao escritor
José Getúlio Monteiro Filho.
mediado à moral burguesa, que precisa ser
destruída.
Os temas escolhidos se resumem
igualmente, na maioria das vezes, em ar-
gumentos proletários... com invocação a
Nosso Senhor, no fim, para que o poeta
revolucionário possa agir acobertado
pelo manto do catolicismo.
A música se transforma em violên-
cia de ruídos, visando também uma fina-
lidade única: - a negação da melodia por-
que esta leva naturalmente a um estado de
exaltação espiritual, incomparável com
as tendências da doutrina materialista.
Também a dansa não escapa à mesma
finalidade de instrumento de propaganda
dissolvente. Aquela graça espiritual de
outrora, que lhe disfarçava o sentido sensua-
lista, inerente, aliás, a todas artes, desapa-
receu por completo, dando lugar a uma
sucessão de gestos grotescos e de atitudes
despudoradamente voluptuosas...
Tudo isto é feito, como se vê, com um
escopo único: - a perversão das forças vi-
vas e puras do sentimento, tornada uma das
armas secretas do plano de desagrega-
ção nacional... É, em suma, a luta do materi-
alismo contra o predomínio do espírito.
Não se invoque a época, como jus-
tificativa dos fatos. O fenômeno se apre-
senta de tal forma, “uno”, nos seus múl-
tiplos aspectos, que é inútil querer negar-
lhe a causa, que, exponta nitidamente das
linhas programáticas de uma inteligência
organizadora, ao serviço de um plano de
finalidade diabólica...
E essa organização se patenteia, ain-
da mais, nos louvores e aplausos que as
igrejolas de elogios mútuos distribuem, por
todas os meios de propaganda, às produ-
ções pretensamente artísticas da camari-
lha suspeita...
Urge, portanto, reagirmos, também
organizadamente, contra essa investida
maléfica, mediante uma rigorosa fiscaliza-
ção oficial nos livros e publicações de toda
a espécie, impedindo-se a venda e a circu-
lação das obras que forem manifestamente
suspeitas; divulgando-se na imprensa e
pelo rádio as melhores páginas em prosa e
verso dos nossos escritores de nomeada
real; fazendo-se a exaltação dos valores
morais e intelectuais do passado; promo-
vendo-se conferências e estudos destina-
dos a demonstrar como se processa a in-
vasão do organismo nacional pelas bacté-
rias insidiosas do comunismo; instituindo-
se, em suma, uma contra-propaganda, que
equivalha a um sistema preventivo de pro-
filaxia moral, intelectual e política.
Por tudo isto, meu caro, é que me
animei a enviar-lhe estas sugestões, valen-
do-me do ensejo grato de exprimir-lhe meu
entusiasmo de brasileiro pelo seu livro, que,
ao lado de outras virtudes de pensamento
e cultura, é um grito de alerta para que nos
congreguemos contra a ameaça do inimigo
traiçoeiro e implacável, que não descansa e
não perdoa... (Excerto)
Com toda oportunidade e prazer espiritual, “Nação Armada” trans-
creve a seguinte página de Raul Machado, nome de sobejo conhe-
cido em nossas letras e digno juiz do Tribunal de Segurança.
“Nação Armada” mais de uma vez tem apontado a maneira com que,
com sutileza e artifício, se procura solapar o sentimento pátrio, os funda-
mentos da nacionalidade e do regime e a maneira desenvolta com que, nas
artes, nas letras, no teatro, no cinema, etc., agem, muitas vezes impunemente,
forças desagregadoras da Pátria Brasileira.
NR: Qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência.
Publicado em “ Nação Armada”
nº 13 de dezembro de 1940.
ORDEM DO DIA DE
27 DE NOVEMBRO DE 1999
Tempo e história são essenciais para
a Humanidade construir a civiliza-
ção. Ninguém pode prescindir do pas-
sado, Mas olhar para trás exige enten-
der os fatos pretéritos como oportuni-
dade de preservar a memória e evoluir
as idéias - forma eficaz de se enfrentar
as imprecisas, difíceis e novas conjun-
turas. É fundamental, pois compreen-
der que tudo flui, nada persiste, nem
permanece o mesmo. É com essa pre-
disposição que o Exército recorda a
Intentona Comunista de 1935.
Tudo resultou do propósito de im-
plantação no Brasil de um extremada ide-
ologia internacionalista. Neste sentido,
teve início a infiltração e a tentativa de
aliciamento em sindicatos e quartéis.
O governo reagiu, decretando o
fechamento de uma organização política
de fachada que cumpria ordens vindas
do exterior. Seus líderes revidaram com
levantes em vários pontos do País.
Em novembro de 1935, as forças
insurretas atacaram, sucessivamente, no
Rio grande do Norte, em Pernambuco e
no Rio de Janeiro. Em todos esses luga-
res, as tropas legalistas contrapuseram-
se a essas ações e desfizeram qualquer
possibilidade armada.
Passaram-se 64 anos desde a fra-
cassada Intentona e estamos a poucos
dias do próximo século. Paramos, neste
momento, para recordar nossos heróis
tombados em nome da democracia, evo-
A INTENTONA COMUNISTA DE 1935
cando o espírito pacificador do nosso
Patrono, o Duque de Caxias. Não nos
prendemos ao passado, voltamo-nos para
o futuro - afinal, cada vez que entramos
no rio histórico do tempo, outras são as
águas que tocamos. E, assim, em que pe-
se o fato de sermos os vencedores, não
desmerecemos os vencidos. Aliás, é jus-
to que e diga: todas as intervenções do
Exército, no cenário interno brasileiro,
visaram exclusivamente fazer valer a es-
trutura jurídica vigente no País.
Sempre o fizemos respaldados no
atendimento dos anseios da maioria de
nossa sociedade. E, ao darmos por cum-
prida a missão, recolhemo-nos placida-
mente aos quartéis, predispostos à con-
ciliação e à reflexão. Quando erguemos
monumentos, só o fazemos para pensar
profundamente a História, nunca para
menosprezar oponentes ou para atiçar
discórdia. Sabemos que edificar o manhã
significasemearterrasférteis,jamaisdes-
pertar fantasmas. É isso que nos mantém
acima das ideologias, das desavenças e
dos ressentimentos.
O Brasil precisa de paz e desenvol-
vimento.Convençamos-nosdisso,deuma
vez por todas, nós, brasileiros, gente de
todos os espectros ideológicos e cren-
ças religiosas e políticas, de todas as ra-
ças e classes. Só na concórdia seremos
capazes de construir o futuro que inten-
samente desejamos e pelo qual somos
inteiramente responsáveis.
General de Exército Gleuber Vieira - Comandante do Exército
Coroa de flores depositada pelos
General-de-Exército Horácio
Raposo Borges Neto, vice-
Almirante Raul Pereira
Bittencourt, Major Brigadeiro
Flávio de Oliveira Lencastre e
General-de-Exército Fritz de
Azevedo Manso (era Capitão do
3º RI, em 1935).
(Praia Vermelha/RJ - 1999)
Esta Ordem do Dia foi lida na cerimônia realizada na Praia Vermelha, pre-
sidida pelo General de Exército Horácio Raposo Borges Neto, Secretário de Ciên-
cia e Tecnologia, acompanhado do Vice-Almirante Raul Pereira Bittencourt, Co-
mandante do 1º Distrito Naval e do Major-Brigadeiro Flávio de Oliveira Bencastre,
Comandante do III Comando Aéreo.
Publicada no jornal “Letras em Marcha” de Nov-Dez/99 e no Inconfidência
nº 27 de dezembro de 1999, que pela primeira vez divulgou a intentona comunista.
A partir de então, jamais deixou de fazê-lo, até que em 27 de novembro de 2004, foi
lançada a Edição Histórica. “A Verdadeira História do Brasil” – “A Intentona Co-
munista de 1935” – nº 76 com 16 páginas e daí em diante, as edições foram sendo
aprimoradas e distribuídas para TODAS as escolas militares de formação, especi-
alização, aperfeiçoamento e Altos Estudos (inclusive para o CPOR/NPOR e último
ano dos Colégios Militares). Bons tempos àqueles quando o general de Exército Pau-
lo Cesar de Castro, chefe do DEP, hoje DECEX, mandava o caminhão do Colégio Mili-
tar de Belo Horizonte para este Editor carregar 20 mil Edições Históricas e as dis-
tribuía para as Escolas Militares. Ano passado, editamos apenas 8 mil exemplares,
em virtude da absoluta falta de recursos financeiros, não podendo encaminhar co-
mo fazíamos anteriormente para todos os alunos das escolas militares e dos CPOR/
NPOR, faculdades e colégios.
E neste ano, esta edição histórica teve uma tiragem de somente dois mil
exemplares, a fim de atender nossos assinantes e associados e alguns poucos pri-
vilegiados colaboradores. Mesmo assim, enviamos dois exemplares a cada destina-
tário com o pedido que encaminhassem um exemplar de preferência para um (a)
professor (a).
Aguardemos a posse do deputado federal Jair Bolsonaro na presidência da
República e de seu vice, General Hamilton Mourão, ambos presenças constantes
em solenidades cívico-militares, como 31 de março e Intentona Comunista, a fim
de que passem a apoiar o Inconfidência, que sempre prestigiou a ambos, divulgan-
do suas atividades, há muito, muito tempo retornando aos bons tempos dos ge-
nerais de Exército Clóvis Jacy Burmann (FHE/Poupex) e Paulo Cesar de Castro
(4ªRM e chefia do DEP/DECEx) e dos presidentes dos Clubes Militar e da Aeronáu-
tica, que colaboraram e apoiaram nosso jornal por mais de dez anos.
À esclarecida apreciação de ambos, com os nossos cumprimentos desejamos
pleno sucesso na difícil missão de recuperar o Brasil econômica e politicamente,
tal qual aconteceu nos idos de 1964/1985!
“BRASIL ACIMA DE TUDO!
DEUS ACIMA DE TODOS!”
Esquecer,
Também é Trair!
Publicado no Inconfidência nº 258 de 27/11/2018
11Nº 284 - Novembro/2020
REVOLUÇÃO DE 1935 NO CAMPO DOS AFONSOS
A23 de novembro de 1935, rebenta a Revolução Comunista em Recife e Natal;
a Aviação Militar, no mesmo dia, envia, para o nordeste, uma esquadrilha
de 3 aviões Vought “Corsair”, sob o comando do Cap JOSÉ DE SOUZA PRATA;
esses aviões realizaram vários vôos, sobre Recife e Natal, tendo concorrido para
a sufocação do movimento extremista naquelas capitais.
A 27 de novembro, eclode a Revolução Comunista no Rio de Janeiro: na
Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos, e no 3º Regimento de In-
fantaria, na Praia Vermelha.
Na Escola de Aviação Militar, os revoltosos, às duas horas da madrugada,
assassinaram vários oficiais, aprisionaram outros e se apossaram das instalações
principais da Escola; por volta das três horas, iniciaram um ataque ao 1º Regimento
‘É ainda sob a viva emoção dos
trágicos acontecimentos irrompidos
nesta Capital na madrugada de 27 de
Novembro último, e em que os maiores
delitos foram cometidos contra a Nação,
enlutando-a, e pondo em perigo sua or-
ganização social e política, que lamen-
to profundamente a sedição a que foi
traiçoeiramente arrastada grande par-
te da Escola de Aviação Militar, por
alguns maus elementos que nela serviam
e para os quais a crueldade e a falta de
escrúpulos pareciam ser familiares.
Uma série de homicídios assinala-
ram-lhe o surto sangrento. E, colhidos
de surpresa pelos rebeldes, foram na
maior crueza sanguinária, fria e perver-
samente, abatidos os nossos distintos e
brilhantes camaradas Capitão Armando
de Souza e Mello, 1os
tenentes Benedicto
Lopes Bragança e Danilo Paladini, que,
ao lado do seu destemeroso comandan-
te, Tenente-Coronel Ivo Borges, fiéis a
disciplina e a nobresa de seus sentimen-
tos patrióticos, tentaram opor-se a au-
daciosa e covarde investida.
Cultuemos, na mais elevada re-
verência cívica, a memória desses nos-
sos devotados companheiros que, com
o mais firme espirito de amor a Patria
e respeito a ordem e as instituições,
souberam manter, no seu gesto de sa-
crifício, o prestigio do Exército e avivar
as suas tradições gloriosas. Mas, para
consolo nosso, quando na escuridão
da noite, tudo, ao redor de si, era tumul-
to e confusão, o 1º Regimento de Avia-
ção reagiu intrepidamente, ante a amea-
ça dos traidores que, inesperadamen-
te, atacavam, e, numa repulsa formal
contra a desordem, com a confiança, a
calma e a certeza da vitória, bateu-se
heroicamente na defesa da causa da
Pátria, até o completo triunfo.
O seu heróico comandante, Tenen-
te-Coronel Eduardo Gomes, ferido logo
Eduardo Gomes
Patrono da Força Aérea
de Aviação, no outro extremo do Campo dos Afonsos. São repelidos. Ao clarear
o dia, a Artilharia da Vila Militar incendeia o pavilhão de comando da Escola de
Aviação Militar, que se achava na posse dos comunistas: o assalto das uni-
dades de Infantaria e a ação da Artilharia fazem terminar a resistência dos
revoltosos, que são presos ou se evadem.
Terminada a luta no Campo dos Afonsos, duas esquadrilhas de três aviões
Vought “Corsair” decolam, para cooperar no ataque ao 3º Regimento de In-
fantaria, dominado pelos comunistas; na mesma manhã de 27 de novembro, o
foco comunista do 3º Regimento de Infantaria é aniquilado.
Sobre os acontecimentos, o Gen COELHO NETTO publica em Boletim o
seguinte:
ao inicio da áspera luta, mas
consciente no seu valor e sere-
no na sua bravura, soube de-
sassombradamente, e sem es-
morecimento, fazer, por uma
reação magnífica, de cada um
dos seus companheiros um
bravo e dar-nos o exemplo má-
ximo de grandeza moral e pa-
triótica e das excepcionais
qualidades de soldado.
Tornou-se, assim, o Te-
nente-Coronel Eduardo Go-
mes, mais uma vez, credor de
profunda admiração e de gran-
de reconhecimento. Louva-se com orgu-
lho pela sua ação serena, enérgica e
decisiva, pela sua bravura indômita, pelo
alto valor de seus excepcionais predicados
de caráter e pelos seus sentimentos de
patriotismo e de grande amor ao Brasil,
que ele acaba de servir com tanta honra,
abnegação e lealdade militar.
É merecedoura de elogiosa men-
ção a conduta que teve o Tenente-Coro-
nel Ivo Borges, Comandante da Escola
de Aviação. No momento em que este
digno oficial fiscalizava o dispositivo
de segurança, nas vizinhanças da esco-
la, foi traiçoeira e covardemente alveja-
do pelos elementos em que depositava
confiança,aodar-lhesoencargodeguar-
dar o estabelecimento. Não podendo
voltar ao interior do quartel, onde já im-
perava a sublevação, procurou acerta-
damente ligar-se aos corpos da Vila Mi-
litar, dando assim ensejo às medidas
prontas de supressão com que agiram
essas unidades.
Faço ainda ressaltar o seu con-
curso pessoal na ofensiva contra os re-
beldes da Escola, na condução, com
energia e denodo, ao assalto, elementos
do 1º R Av postos à sua disposição.
É deveras reconfortante, a oportu-
nidade, que temos para enaltecer a atitude
da abnegação e lealdade
do cabo telefonista do 1º
R Av, Alfredo de Jesus.
No momento em
que era mais intenso o
tiroteio dos amotinados
contra a sua Unidade,
esta praça, fiel ao cum-
primento do dever, con-
servou-se serena e cal-
ma, no desempenho das
funções que lhe tinham
sido confiadas. Os estra-
gos produzidos pelos
projéteis nas imedia-
ções do seu posto, o crepitar incessante
das metralhadoras em torno de si não
pertubaram a firmeza de sua voz, nem a
presteza com que atendia às ligações
telefônicas. Constituem prova incon-
testável do seu alto espirito de sacrifí-
cio, da compreensão perfeita dos seus
deveres e do seu grande sangue-frio,
virtudes militares essas que devem ser
apontadas como exemplo aos seus com-
panheiros.
Ao 3º Sargento Coloriano Ferreira
Santiago e ao 2º Cabo José Hermito de
Sá, ambos do 1º R Av, cuja vida deram em
holocausto à causa do dever, demons-
trando assim que a nobreza do ideal que
os estimulava se sobrepunha à própria
conservação individual, rendo a home-
nagem, a que fizeram jus, pela grandeza
de espirito e pela superioridade de sen-
timento que patentearam”.
Aos Tenentes-Coronéis Eduardo
Gomes e Ivo Borges, Comandante, res-
pectivamente, do 1º Regimento de Avia-
ção e Escola de Aviação Militar, autori-
zo a elogiarem, em meu nome, aos Ofici-
ais e Praças de suas unidades que, pela
sua conduta no cumprimento do dever,
tornaram-se merecedores.
(a) José Antonio Coelho Netto
General-de Brigada, diretor da Aviação Militar
Foram promovidos “postmortem” o Capitão Armando de Souza e Mello, os
Primeiros tenentes Danilo Paladini e Benedicto Lopes Bragança e os seguintes
soldados, todos mortos no cumprimento do dever na Escola de Aviação Militar, na
manhã de 27 de novembro: Waltor de Souza e Silva, Péricles Leal Bezerra, Orlando
Henrique, José Menezes Filho, José Mário Cavalcante e Wilson França.
Após apuradas as responsabilidades, dos Oficiais envolvidos no golpe
comunista, o Ministro da Guerra baixa o seguinte Aviso nº 1, de 3 de janeiro de 1936:
“Para que seja dado cumprimento imediato ao decreto nº 558, de 31 de
dezembro findo, que determina a perda da patente e do posto dos oficiais do 3º
Regimento de Infantaria e da Escola de Aviação Militar, que participaram do mo-
vimento subversivo de 27 de novembro do ano findo, deveis mandar sejam ex-
cluidos das diferentes armas e serviços os seguintes oficiais: (da Arma de Aviação)
Capitão Sócrates Gonçalves da Silva, Capitão Agliberto Vieira de Azevedo, Primei-
ro-tenente Benedito de Carvalho, Segundo-Tenente Ivan Ramos Ribeiro, Segundo-
Tenente José Gay da Cunha e Segundo-Tenente Carlos Brunswick França. Esses
oficiais, por sua conduta aviltante, faltaram as finalidades sempre sagradas da
camaradagem e aos juramentos prestados à Pátria e se tornaram indignos de vestir
a farda gloriosa do nosso Exército".
(a) General João Gomes - Ministro da Guerra
Pelo aviso nº 19, de janeiro de 1936, o Ministro da Guerra mandou excluir
também, o Aspirante-a-oficial Walter José Benjamim da Silva.
Precioso flagrante mostrando uma carga de bayonetta das Forças
Legais contra os rebeldes do 3º R.I. momentos antes da rendição
O Cruzeiro
Os ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionarios
Tiveram o condão de alarmar fun-
damente o espírito da popula-
ção carioca os sangrentos successos
de quarta feira ultima que consubtan-
ciaram na sublevação de parte de al-
gumas guarnições militares desta ca-
pital, felizmente reprimidas com ener-
gia e decisão pelas autoridades. O gol-
pe militar communista desferido sob
a chefia do capitão Agildo Barata e
do major Alcedo Cavalcanti deter-
minou a perda de algumas vidas pre-
ciosas, privando os quadros da offi-
cialidade do Exercito Brasileiro de
algumas de suas mais brilhante expres-
sões.
Durante as primeiras horas do
dia, enquanto a população não co-
nhecia a verdadeira extensão dos san-
grentos acontecimentos formou-se
uma espectativa de alarme, a qual, fe-
lizmente se atenuou à medida que os
rebeldes foram sendo batidos cora-
josamente em todos os sectores. O
presidente da República, Sr Getúlio
Vargas, num inclito exemplo de intre-
pidez pessoal, logo que teve conheci-
mento da eclosão do movimento nesta
capital, articulado com as revoltas
de Recife e Natal, sob a orientação
do ex-capitão Luiz Carlos Prestes,
deixou o Palácio Guanabara e, em
companhia do Ministro da Guerra e
das altas patentes do Exercito, visi-
tou as diversas frentes da luta, quan-
do ainda era indecisa a situação.
(O Cruzeiro, 07/12/1935)
Publicado no Inconfidência nº 134 de 27 de novembro/2008
12Nº 284 - Novembro/2020
Mao foi responsável pela morte de 70 milhões de
chineses. Ele foi totalmente imoral.
Os jovens chineses acreditam que Mao foi um
grande herói que cometeu alguns erros ... Alguns
aspectos da ditadura continuam em voga. A liberdade
de expressão é um deles. A internet é hoje controlada.
Eles têm uma lista de nomes que são bloqueados.
Mao sabia a importância da informação.
Jung Chang – Autora do “best-seller”:
Mao – A história desconhecida (Estado de Minas / 22.nov.06)
“Le livre noir du communismè”.
(Edições Robert Laffont. Paris, 1997),
escrito por seis historiadores euro-
peus, com acesso a arquivos soviéti-
cos recém-abertos, é uma espécie de
enciclopédia da violência do comu-
nismo. O chamado “socialismo real”
foi uma tragédia de dimensões plane-
tárias, superior em abrangência e in-
tensidade ao seu êmulo totalitário do
entreguerra - o nazi-fascismo.
Ao contrário da repressão episó-
dica e acidental das ditaduras latino-ame-
ricanas, a violência comunista se tornou
um instrumento político-ideológico, fa-
zendo parte da rotina de governo. Essa
sistematização do terror não é rara na
História humana, tendo repontado na
revolução francesa do século XVIII na
fase violenta do jacobinismo, na “indus-
trialização do extermínio judaico” pelos
nazistas, e - confesso-o com pudor - na
Inquisição Católica, que durante séculos
queimava os corpos para purificar as al-
mas.
O “Livre noir” me veio às mãos
num momento oportuno em que, reaberto
na mídia e no Congresso o debate sobre
a violência de nossos “anos de chumbo”
nas décadas de 60 e 70, me pusera a reler
o “Brasil, nunca mais”, editado em 1985
pela arquidiocese de São Paulo. Compa-
rados os dois verifica-se que o Brasil não
ultrapassou o abecedário da violência,
palco que foi de um miniconflito da Guer-
ra Fria, enquanto que o “Livre noir” é um
tratado ecumênico sobre as depravações
ínsitas do comunismo, este sem dúvida o
experimento mais sangrento de toda a
História humana. Produziu cem milhões
de vítimas, em vários continentes, raças
e culturas, indicando que a violência co-
munista não foi mera aberração da psique
eslava, mas sim algo diabolicamente ine-
rente à engenharia social marxista, que,
querendo reformar o homem pela força,
transforma os dissidentes primeiro em
inimigos e depois em vítimas.
A aritmética macabra do comu-
nismo assim se classifica por ordem de
grandeza - China (65 milhões de mor-
tos); União Soviética (20 milhões);
Coréia do Norte (dois milhões); Cam-
boja (dois milhões); África (1,7 milhão,
distribuídos entre Etiópia, Angola e
Moçambique); Afeganistão (1,5 mi-
lhão); Vietnam (um milhão); Leste da
Europa (um milhão); América Latina
(150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru);
Movimento Comunista Internacional e
partidos comunistas no poder (dez mil).
Ocomunismofabricoutrêsdosmai-
ores carniceiros da espécie humana -
O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO* Roberto Campos
Lenin, Stalin e Mao-Tsé-Tung. Lenin foi
o iniciador do terror soviético. Enquanto
os czares russos em quase um século -
1825 a 1917 - executaram 3.747 pessoas,
Lenin superou esse recorde em apenas
quatro meses após a revolução de outu-
bro de 1917.
Alguns líderes do Terceiro Mundo
figuram com distinção nes-
sa galeria de assassinos.
Em termos de percentagem
da população, o campeão
absoluto foi Pol Pot, que
exterminou em 3,5 anos um
quarto da população do
Camboja. Fidel Castro, por
sua vez, é o campeão abso-
luto da “exclusão social”,
poisque2,2milhõesdepes-
soas, equivalentes a 20%
da população da ilha tive-
ramquefugir.JuntamentecomoVietnam,
Fidel criou uma nova espécie de refugia-
dos, os “boat people” - ou sejam, os “bal-
seros”, milhares dos quais naufragaram
engordando os tubarões do Caribe.
A vasta maioria dos países comu-
nistas é culpada dos três crimes defini-
dos no artigo 6º do Estatuto de Nurem-
berg - crimes contra a paz, crimes de
guerra e crimes contra a Humanidade.
A discussão brasileira sobre, os
nossos “anos de chumbo” raramente si-
tua as coisas no contexto
internacional da Guerra
Fria, a qual alcançou seu
apogeu nos anos 60 e 70,
provocando um “refluxo
autoritário” no Terceiro
Mundo.
Houve intervenções
militaresnoBrasilenaBo-
lívia em 1964, na Argenti-
na em 1966, no Peru em
1968, no Equador em
1972, e no Uruguai em
1973. Fenômeno idênti-
co ocorreu em outros con-
tinentes. Os militares co-
reanos subiram ao Go-
verno em 1961 e adquiri-
ram poderes ditatoriais
em 1973. Houve golpes militares na
Indonésia em 1965, na Grécia em 1967,
e, nesse mesmo ano, o presidente Mar-
cos impunha a lei marcial nas Filipinas
e Indira Gandhi declarava um “regime
de emergência”. Em Taiwan e Cingapura
houve autoritarismo civil sob um parti-
do dominante.
Ogrande mérito dosregimesdemo-
cráticos é preservar os direitos humanos,
estigmatizando qualquer iniciativa de
violá-los. Mas por lamentáveis que sejam
as violências e torturas denunciadas no
“Brasil, nunca mais”, elas empalidecem
perto das brutalidades do comunismo
cubano, minudenciadas no “Livre noir”.
Comparados ao carniceiro profissional
do Caribe, os militares brasileiros pare-
cem escoteiros destreinados apartando
umconflitodesubúrbio...EnquantoFidel
fuzilou entre 15 e 17 mil pessoas (sendo
dez mil só na década dos 60), o número
de mortos e desaparecidos no Brasil,
entre 1964 e 1979, a julgar pelos pedi-
dos de indenização, seria em torno de
288 segundo a Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados e
de 224 casos comprovados, segundo a
Comissão de Mortos e Desaparecidos
do Ministério da Justiça. O Brasil per-
de de longe nessa aritmética macabra.
Em 1978, quando em nosso Con-
gresso já se discutia da “Lei da Anistia”,
havia em Cuba entre 15 e 20 mil prisionei-
ros políticos, número que declinou para
cerca de 12 mil em 1986. No ano passado,
38 anos depois da Revolução de Sierra
Maestra, ainda havia, segundo a Anistia
Internacional, entre980e2.500prisionei-
ros políticos na ilha. Em matéria de pri-
sões e torturas, a tecnologia cubana era
altamente sofisticada, havendo “ra-
toneras”, “gavetas” e “tostadoras”. Re-
gistre-se um traço de inventividade tec-
nológica - a tortura “merdácea”, pela
imersão de prisioneiros na merda.
Não houve prisões brasileiras com-
paráveis à La Cabaña (onde ainda em
1982 houve cem fuzilamentos), Boniato,
Kilo 5,5 ou Pinar Del Rio. Com estranha
incongruência, artistas e intelectuais e
políticos que denunciam a tortura brasi-
leira visitam Cuba e chegam mesmo a
tecer homenagens líricas a Fidel e a seu
algoz adjunto Che Guevara. Este, como
procurador-geral, foi comandante da pri-
são La Cabaña, onde nos primeiros meses
da revolução ocorreram 120 fuzilamentos
(dos 550 confessados por Fidel Castro),
inclusive a execução de Jesus Carreras,
guerrilheiros contra a ditadura Batista, e
de Sori Marin, ex-ministro da Agricul-
tura de Fidel. Note-se que Che foi o
inventor dos “campos de trabalho co-
letivo”, na península de Guanaha, ver-
são cubana dos “gulags soviéticos” e
dos “campos de reeducação” do Viet-
nam.
A repressão comu-
nista tem características
particularmente selva-
gens. A responsabilida-
de é “coletiva”, atingin-
do não apenas as pesso-
as, mas as famílias. É ha-
bitual o recurso a traba-
lhos forçados, em cam-
pos de concentração.
Não há separação car-
cerária, ou mesmo judi-
cial, entre criminosos co-
muns e políticos. Em
Cuba, criou-se um insti-
tuto original, o da “peri-
culosidade pré-delitual”,
podendo a pessoa ser presa por mera
suspeita das autoridades, independente-
mente de fatos ou ações.
Causa-me infinda perplexidade,
na mídia internacional e em nosso dis-
curso político local, a “angelização” de
Fidel e Guevara e a “satanização” de
Pinochet. Isto só pode resultar de ig-
norância factual ou de safadeza ideoló-
gica. Pinochet foi ditador por 17 anos;
Fidel está no poder há 39 anos. Pinochet
promoveu a abertura econômica e ini-
ciou a redemocratização do país, reti-
rando-se após derrotado em plebiscito
e eleições democráticas, como senador
vitalício (solução que se imitada em
Cuba facilitaria o fim do embargo). Fidel
considera uma obscenidade a alter-
nância no poder, preferindo submeter a
nação cubana à miséria e à fome, para
se manter ditador. Pinochet deixou a
economia chilena numa trajetória de
crescimento sustentado de 6,5% ao ano.
Antes de Fidel, a economia cubana era
a terceira em renda por habitan-
te entre os latino-americanos, e
hoje caiu ao nível do Haiti e da
Bolívia. O Chile exporta capi-
tais, enquanto que Fidel foi um
pensionista da União Soviética
e agora, para arranjar divisas,
conta com remessas de exila-
dos, e receita de turismo e pros-
tituição. Em termos de violên-
cia, o número de mortos e desa-
parecidos no Chile foi estimado
em três mil, enquanto que Fidel fuzilou
17mil!
Apesar de fronteiras terrestres
porosas, o Chile, com população com-
parável a Cuba e sem os tubarões do
Caribe, sofreu em êxodo de apenas 30
mil chilenos, hoje em grande parte re-
tornados. Sob Fidel, 20% da população
da ilha, ou seja, algo que nas dimen-
sões brasileiras seria comparável à Gran-
de São Paulo, tiveram que fugir. Em
suma, Pinochet submeteu-se à demo-
cracia e tem bom senso em economia.
Fidel é um PhD em tirania e um analfa-
beto em economia.
O “Livre noir” nos dá uma idéia da
bestialidade de que escapamos se tri-
unfassem os radicais de esquerda. Lem-
bremo-nos que, em 1963, Luís Carlos
Prestes declarava desinibidamente que
“nós os comunistas já estamos no Go-
verno mas não ainda no poder”. Pare-
ce-me ingenuidade histórica imaginar
que, na ausência da Revolução de 1964,
o Brasil manteria, apenas com alguns
tropeços, sua normalidade democráti-
ca. A verdade é que Jango Goulart não
planejara minimamente sua sucessão,
gerando suspeitas de continuísmo. E
estava exposto a ventos de radicali-
zação de duas origens: a radicalização
sindical, que levaria à hiperinflação; e
a radicalização ideológica, pregada por
Brizola e Arraes, que podia resultar em
guerra civil.
É sumamente melancólico - po-
rém não irrealista - admitir-se que no
albor dos anos 60 este grande país não
tinha senão duas miseráveis opções:
“anos de chumbo” ou “rios de sangue”...
Mais de 200 desenhos feitos em segredo, nos idos de
1940, pelo coronel russo da reserva Danzig Baldaiev,
comprovam o horror dos gulags. Sigla em russo de
Diretório Geral de Campos, o gulag abrangia o
complexo de prisões e campos de trabalhos
forçados a que eram condenados os opositores
do regime comunista soviético.
Buick modelo 1959 - Os "balseros" sofisticados
* O Autor foi deputado federal pelo PPB-RJ.
Transcrito da Folha de São Paulo de 19.04.98
e da REVISTA DO CLUBE MILITAR - Maio/1998
Publicado no Inconfidência nº 103 de 21 de dezembro de 2006
13Nº 284 - Novembro/2020
Digamos “não” ao comunismo rus-
so, que ameaça subverter a liber-
dade e a civilização no Brasil. Estamos
diante de um crime contra a ordem. O
anarquismo eslavo não tem o direito de
prevalecer contra ela. A Internacional
russa está impondo aos marxistas indí-
genas o seu espírito das trevas, as lar-
vas negras da sua índole negativa, os
seus métodos selvagens, as suas fór-
mulas assassinas. É a bête humanine
querendo a todo o transe transformar o
caráter doce e compassivo de uma na-
ção civilizada, nesse bivaque de curdos
ferozes, que são os sovietes. Possui o
Brasil uma formação moral preciosa,
herdada do trono ibérico donde des-
cendemos. Das situações mais delica-
das, dos problemas políticos mais difí-
ceis, logramos sair até hoje sem haver
manchado a nossa história com os de-
litos cobardes, que têm feito a Rússia
contemporânea recuar às épocas mais
primitivas da sua existência.
A nossa ordem se inspira nos man-
damentos da lei de Cristo. É, pois a
própria ordem cristã, dentro das nor-
mas serenas e límpidas da sua moral. É
com essa ordem que se tem construído
o nosso equilíbrio entre os movimen-
tos mais opostos entre os contrários
mais chocantes, vamos cada dia que
passa mais engrandecer o Brasil e fazer
respeitar o seu gênio no concerto dos
outros povos. Não temos nenhum mo-
tivo para mudar a substância e o cerne
de nossas instituições
por um modelo exótico
até hoje, sustentado pe-
la maior organização de
terror que ainda conce-
be uma minoria para go-
vernar e se manter no
timão da nau do Estado.
Não vamos aqui nos dis-
por a trocar instruções
livremente consentidas por uma ordem
de coisas que é o fruto do arbítrio e da
opressão de uma minoria, a qual, go-
verna blasfemando e incentivando os
povos dirigidos pelo jugo dos gover-
nos populares, saídos do pronuncia-
mento das maiorias. A nossa regra é a
velha ordem humana. No plano eslavo
que se ergue é uma paródia no caos. E
não foi feita para durar, porque da sua
essência é a desordem em que ele dis-
solve. A manobra comunista é tão difí-
cil no Brasil, como estabelecer para um
mujique russo um regime democrático
fundado no sufrágio universal A per-
sonalidade humana é para o brasileiro,
um fim, um ideal, que ele pretende ver
cada dia mais alto e mais protegido.
Para a ditadura marxista ela não
passa de um meio, destinado a consti-
tuir o mais monstruoso tipo de Estado
que o individuo até hoje executou. Nes-
se conflito de tendência reside todo o
drama da nossa incompreensão e da re-
sistência dos nossos reflexos à máqui-
na do Estado comunista.
O sangue dos oficiais do exército
legalista que tombaram anteontem no
cumprimento do dever, não terá corri-
do inutilmente. E presença do sacrifí-
cio dos bravos que morreram, há uma
reflexão que se faz sensível ao coração
dos mais empedernidos. Que ideologia
bárbara é essa que nos chega da Rússia
tentando abrir caminho pela porta do
TÁRTAROS E MONGÓIS* Assis Chateaubriand.
crime? A propaganda, o debate das idéias,
a paixão da doutrina, o entusiasmo dos
princípios, já não serão então armas de
convicção que é preciso ir direito ao
assassino para afirmar a justiça do cre-
do político?
Mas é esse apelo ao terror, nessa
trágica assiduidade no crime, que o
comunismo fixa, antes de tudo, as suas
linhas antibrasileiras, ou, direi melhor,
a seu caráter antiocidental. A embria-
guez do sangue derramado é a nota tô-
nica dos tropelos do conquistador asi-
ático. No crime político, o dominador
oriental encontra quase invariavelmen-
te o seu compasso. Se as idealidades su-
periores faltam ao comunismo brasilei-
ro, a crueldade, a truculência, a apti-
dão para barbárie, traços da alma ele-
mentar da estepe, nele vêm atingindo
acesso em proporções inquietadoras.
A humanidade foi, em todos os
tempos, em todas as idades, a expres-
são alevantada da nossa têmpera. Nas
nossas lutas políticas, nas nossas jor-
nadas partidárias, nunca se evangelizou
uma idéia com o punhal ou o trabuco. A
Independência, a Abolição, a Repúbli-
ca, tanto a primeira como a segunda,
nem um desses movimentos conta na
sua eclosão esse material abominável
de assassinos que a população carioca
registrou terça-feira última na Escola
de Aviação e no 3º RI. A glória das
jornadas cívicas do País é que nenhu-
ma delas se alicerça no homicídio po-
lítico do tipo que encontramos em seus
aspectos sinistros na madrugada de São
Bartolomeu, que o Rio acaba de assis-
tir transido de horror.
Não. Tanta perversidade, tão frio
desprezo pela vida humana, tanta ari-
dez de sensibilidade, tamanha vocação
para a eclosão do sangue inocente,
nunca foram reações do caráter brasi-
leiro. É um erro capital supor que os
inspiradores ocultos desse canibalis-
mo, organizado, em seita política, se-
jam brasileiros, ou se encontrem ao
serviço de uma causa brasileira. A guer-
ra civil que o capitão Prestes se dispôs
a desencadear aqui não é bem uma luta
interna. A declaração de guerra foi man-
dada ao Governo do Brasil e ao seu
povo liberal pela III Internacional. Es-
tamos em guerra externa contra uma
potência estrangeira, que jurou des-
truir os padrões éticos e jurídicos da
nossa civilização centenária. É, pois, a
pátria quem está em perigo, nesse du-
elo contra um inimigo que, ou comba-
temos com todas as forças da nossa
vontade de viver, ou ele terá feito do
Brasil uma miserável colônia da tirana
vermelha, ímpia e execrando, dos tárta-
ros e mongóis dos sovietes.
1892-1992
5 de Outubro
A VERDADE HISTÓRICA
Nos idos de 1950/1960, Assis
Chateaubriand comandava o im-
pério jornalístico dos “Diários Asso-
ciados” (jornais, revistas, emissoras
de rádio e de televisão), que influen-
ciava a opinião pública, mantinha re-
lações com os altos poderes do go-
verno, incluindo a Presidência da Re-
pública, criava ídolos de pés de bar-
ro, derrubava quem desejasse. Tal
qual, hoje, as Organizações Globo, que
começaram a crescer no final da déca-
da de 60, em pleno governo “autoritá-
rio” (havia autoridade).
De comum, entre os dois impé-
rios: ontem, o apoio irrestrito ao Mo-
vimentoCívico-Militarde1964ealem-
brança sobre a covarde e traiçoeira In-
tentona Comunista e hoje, a mentira
deslavada deturpando as realizações do
regimemilitarquelevouopaísaomaior
crescimento jamais registrado em 500
Rendição dos militares comunistas
sublevados na Praia Vermelha,
a 27 de novembro de 1935
anos, com um PIB de 14% e tentando
mudar a sua História. Por quê? A má-
quina da desinformação montada nas
redações de jornais e rádios e nas cen-
trais de telejornalismo, tudo faz para
que a verdade não seja conhecida. Pre-
ferem a meia verdade ou a mentira, di-
vulgadas pelos jornalistas petistas que
ocupam 80% das redações e são aman-
tes de Fidel, Guevara e Chávez e adep-
tos do FSP - Foro de São Paulo.
O “Estado de Minas” apesar do
acervo histórico de sua Gerência de
Documentação (microfilmagem de
todos os seus jornais e revistas), não
o utiliza como referência, intencio-
nalmente, pois não é do interesse da
mídia e do governo petista mostrar a
Verdade à nossa gente.
· Quem tem medo da Verdade?
· Quem está mentindo?
· A resposta é sua, prezado leitor!
CENTENÁRIO
A INTENTONA COMUNISTA
VISTA PELOS LIVROS DIDÁTICOS
Nova História Crítica
8ª Série / 2001
O revolucionário que Olga iria
acompanhar era Luis
Carlos Prestes, que
voltava secretamente
ao Brasil para lutar
contra Vargas na re-
volta liderada pela
ANL.Getúliomandou
prender milhares de
pessoas. O chefe de
Polícia, era o terrível
Filinto Müller, nazis-
ta assumido, tortura-
va barbaramente os
presos que caíam sob
suas botas (pág. 145)
História - Uma abordagem
integrada / 2001
(Questões dos ENEMs)
Em novembro de 1935, a Intentona
Comunista, um movimento arma-
do que sublevou três quartéis, um em
Natal, outro em Recife e o terceiro no
Rio de Janeiro. Os re-
voltosos acreditavam
que outras unidades
militares iriam aderir
ao movimento, garan-
tindo a sua vitória con-
tra o governo de Var-
gas. Mas a revolta não
sealastrou,ficandores-
trita aos militares que
deram os primeiros
tiros.
A repressão pro-
movida pelo governo
foi violenta, com pri-
são, tortura e até mes-
mo execução dos en-
volvidos no conflito.
Aproveitou-se para
prender, torturar e
matar pessoas que
nada tinham a ver com a Intentona,
mas que eram opositores do governo.
A maior crueldade desse período
de repressão foi a deportação para a
Alemanha de Olga Benário, esposa de
Prestes (Pág. 227) - O grifo é nosso.
COMENTÁRIO
Com estes pequenos exemplos, devidamente comprovados, conclui-se
que os livros didáticos (e a imprensa) procuram deturpar a verdadeira História
do Brasil, invertendo os autores de crimes hediondos, de traição e dos as-
sassinatos cometidos em novembro de 1935 e, posteriormente, nas guerrilhas
urbanas e rurais nos anos 60/70. Onde estão os professores e pais que não
reagem a essa lavagem cerebral marxista da nossa juventude?
Para conter as
agitações, o governo
fechou a ANL – Aliança Nacional Li-
bertadora em julho de 1935, prendeu e
deportou diversas lideranças operárias
e promulgou a Lei de Segurança Naci-
onal. Com a ANL posta na ilegalidade,
seus membros mais moderados se afas-
taram do movimento, e a liderança fi-
cou apenas com comunistas e militares
de esquerda.
Em novembro de 1935, eles de-
ram início a um levante armado, nas
cidades de Natal, Recife e Rio de Janei-
ro. A rebelião foi rapidamente contro-
lada pelo governo, e muitos militantes
e simpatizantes da ANL foram presos e
torturados. Pág 152 – Capítulo 10.
História -
8ª Série
Cotidiano e Mentalidades
PNLD/2005
HISTÓRIA INTEGRADA
CAPITULO18
A Conspiração Comunista
de 1935
Contra a lógica mais elementar,
já que o governo estava de sobreaviso,
os militares do III Regimento de In-
fantaria, no Rio de Janeiro, atendendo
aos apelos da Aliança Nacional Li-
bertadora, desencadearam o movimen-
* Artigo publicado em O Jornal de 29 de
novembro de 1935, reproduzido em
comemoração ao centenário de nascimento
de Assis Chateaubriand pelo Correio
Braziliense de 20 de julho de 1992.
to para depor Getúlio. Em menos de
doze horas, a rebelião foi sufocada pe-
lo governo. Cerca de cinqüenta jovens
recrutas foram mortos. (pág. 99)
Publicado no Inconfidência nº 120 de 27/11/2007 e válida até hoje.
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
14Nº 284 - Novembro/2020
A INTENTONA COM
Após a Revolução Bolchevista de
1917, na Rússia, intensificou-se
no mundo inteiro a propaganda ideo-
lógica marxista-leninista.
No Brasil, desde 1919 foram
registradas várias tentativas de im-
plantação do comunismo, mas somen-
te em 1922 foi criado o Partido Co-
munista, graças à mobilização ocorri-
da no Rio de Janeiro e Niterói, de 25 a
27 de março.
O Congresso Constitutivo do PC
logo aderiu ao Movimento Comunista
Internacional (MCI), aceitando as 21
condições de admissão à Terceira In-
ternacional(1)
, também conhecida como
Komintern(2). Em janeiro de 1924, gra-
ças ao secretário geral Astrogildo Pe-
reira que viajou a Moscou, foi conse-
guida a filiação do PCB à Terceira In-
ternacional.
Dentre as 21 condições, desta-
camos a 6ª, como expressão do fa-
natismo ideológico que o Komintern
procurava incutir nas organizações bol-
chevistas:
“Todos os Partidos Comu-
nistas devem renunciar não so-
mente ao patriotismo como tam-
bém ao pacifismo social e de-
monstrar sistematicamente aos
proletários que sem a derruba-
da revolucionária do capitalis-
mo não haverá desarmamento e
paz mundial”
Como não conseguiu o apoio
popular, o PCB sentiu a necessidade
de atrair um líder que pudesse pola-
rizar a atenção e admiração das mas-
sas dando autenticidade ao MCI. Aí
surgiu o nome do ex-capitão do Exér-
cito, Luís Carlos Prestes, que parti-
cipara da Grande Marcha, comanda-
da pelo general Miguel Costa, como
chefe do Estado-Maior (1925/27).
Após a internação da Coluna
Miguel Costa na Bolívia, Prestes foi
procurado em Porto Suarez por As-
trogildo Pereira, do qual recebeu, após
longas conversas, várias obras de dou-
trinação marxista-leninista. A semen-
te estava lançada.
Em 1930, vivendo em Buenos Ai-
res, foi convidado para entrevistar-se
com Getúlio Vargas e Oswaldo Ara-
nha. Ao regressar à Argentina, Prestes
condenou a revolução que se articula-
va e fazia nova profissão de fé, aderin-
do ao Comunismo.
Em 1931, os agentes soviéticos
Max e Olga Pandarkye convenceram
Prestes a seguir para a União Soviética
a fim de aprimorar seu doutrinamento
político. Em Moscou fez cursos de li-
derança e capacitação marxista-leni-
nista e foi membro do Comitê Executi-
vo do Komintern. Transformara-se em
fanático do credo vermelho, abdican-
do de seus próprios sentimentos naci-
onalistas. Em novembro de 1935 iria
comprová-lo, quando sob seu coman-
do foram assassinados covardemente
na calada da madrugada seus compa-
nheiros de farda. Também em 1946,
anistiado e senador, surpreendera o
país com a declaração de que, se o Bra-
sil estivesse em guerra com a União
Soviética, jamais pegaria em armas
contra os soviéticos.
Regressou ao Brasil em abril/
1935, acompanhado de Olga Benário,
para assumir a liderança do movimento
comunista, tornando-se ainda o presi-
dente de honra da ANL - Aliança Naci-
onal Libertadora, mentora da rebelião
traiçoeira que se preparava. No livro
“Meu Companheiro” de Maria Prestes:
“Em 1935, o casal (Prestes e Olga Be-
nário) estava se dirigindo ao Brasil,
onde se preparava o levante armado
que abriria uma perspectiva socialista
para o maior país da América do Sul”.
Em fins de 1934 a Conferência
Comunista da América Latina já havia
deliberado iniciar a revolução no Bra-
sil, mesmo sem as condições ideais. A
decisão foi tomada por sugestão do
delegado russo Dimitri Sacharovich
Manuilsky e de delegados brasileiros
que preferiam uma ação rápida e vio-
lenta a uma demorada ação subversiva.
Para preparar o movimento, o Ko-
mintern enviou o agitador internacio-
nal Arthur Ernest Ewert (Harry Ber-
ger), o secretário geral do PC argen-
tino Rodolpho Ghioldi, os ucranianos
Pavel e Sofia, agentes da cúpula do Ko-
mintern, o italiano Amleto Locatelli,
Franz Gruber, Elize Saborowiski, Ol-
ga Benário(3)
, agente russa, e outros.
Os comunistas sentiram cres-
cente oposição a suas atividades de
propaganda e agitação. A 11 de julho
de 1935, o governo decretou o fecha-
mento da ANL e a dissolução da Uni-
ão Feminina do Brasil e a Aliança por
Pão, Terra e Liberdade. A polícia agia
com energia efetuando prisões que
abalaram o movimento. O Komintern
exigia ação. Pressionado, Prestes con-
cordou com o desencadeamento do mo-
vimento armado.
A INTENTONA
Em fins de novembro, foi defla-
grada a chamada Intentona, que ape-
sar de efêmera, manchou a história pá-
tria com o sangue de numerosos brasi-
leiros.
RIO GRANDE DO NORTE
Em Natal, a revolta eclodiu qua-
tro dias antes da data prevista, a 23,
um sábado. Os sargentos, cabos e sol-
dados do 23º Batalhão de Caçadores,
com o auxílio de civis extremados as-
sumiram o governo da cidade, com
o nome de Comitê Popular Revolu-
cionário. Foram três dias e três noi-
tes de horror e desespero. Saques, es-
tupros e arrombamentos foram pra-
ticados pelos comunistas.
A contra-revolução veio do in-
terior com o chefe político de Seridó,
Dinarte Mariz, mais tarde governa-
dor do Estado.
Tropas do Exército e das po-
lícias estaduais capturaram em pou-
co tempo todos os implicados, que
passaram a responder perante à Jus-
tiça por 20 mortes.
PERNAMBUCO
Dos três levantes comunistas
de 1935, o de Pernambuco foi o mais
sangrento segundo o historiador Glauco
Carneiro, resultando em cerca de 720
mortes só nas operações da frente do
Recife. O movimento eclodiu no dia
24, simultaneamente no 29º Bata-
lhão de Caçadores e no QG da 7ª Re-
gião Militar. Ao mesmo tempo, civis
armados atacaram as delegacias de
polícia de Olinda, Torre, Casa Ama-
rela e a Cadeia Pública. Na ocasião,
as principais autoridades encontra-
vam-se ausentes do Estado, em via-
gem no dirigível Hindemburg. A an-
tecipação da revolta de Natal preju-
dicou a surpresa do movimento em
Recife, com a guarnição alerta. A re-
sistência desenvolvida no interior do
quartel do 29º BC, sediado em So-
corro a 18 quilômetros da capital, a
reação das tropas do Exército em
Alagoas e na Paraíba e da Polícia Mi-
litar de Pernambuco desfizeram em
curto prazo qualquer possibilidade
de vitória comunista.
É de se destacar a atuação do Ca-
pitão Malvino Reis Neto, Secretário
de Segurança, organizando tropas
para impedir a invasão do Recife.
No QG da 7ª Região Militar o sar-
gento Gregório Bezerra chefiando
um grupo de amotinados tentou
prender os tenentes José Sampaio
Xavier e Aguinaldo de Oliveira, que
reagiram, sendo morto o primeiro e
gravemente ferido o outro. O sargen-
to Gregório, também ferido, foi pre-
so.
Na manhã do dia 25 ainda ha-
via luta no 29º BC e no Largo da Paz.
Com a chegada de tropas do 20º BC
de Maceió, uma bateria de Artilharia
da Paraíba, elementos do 29º BC e
da Brigada Militar começaram a re-
cuar, sendo batidos na altura do En-
genho de Santana. Os que escapa-
ram foram perseguidos e presos pelas
tropas legais. Na terça-feira, 26,
cessara a luta em Recife e proximi-
dades: Nesse mesmo dia, com auto-
rização do Congresso Nacional, o Pre-
sidente da República, Getúlio Var-
gas, decretou a vigência do estado de
sítio em todo o país.
RIO DE JANEIRO
O terceiro e mais importante sur-
to subversivo eclodiu no Rio de Janeiro.
Os planos apreendidos com Harry
Berger esclareciam que a insurreição
deveria abranger várias unidades: 3º
RI na Praia Vermelha, o 2º RI na Vi-
la Militar, o Batalhão de Transmis-
sões, o CPOR, o Grupo de Obuzes,
o Ministério da Guerra e a Escola de
Aviação Militar, na região do Campo
dos Afonsos. Os civis só participa-
riam do combate quando este se es-
tendesse às ruas. O 3º RI possuía ar-
mamento moderno e um grande efe-
tivo: 100 oficiais, 200 sargentos e 1700
soldados e seus quadros estavam
infiltrados por comunistas. O cap. Agil-
do Barata, marxista, lá se encontra-
va cumprindo punição disciplinar e
logo se articulou com o tenente Fran-
cisco Antônio Leivas Otero que lide-
rava a célula do PC e assumiu a lide-
rança dos preparativos para o levante.
Nas companhias do Regimento havia
pelo menos um elemento designado
para prender os militares legalistas e
assumir o comando no momento opor-
tuno.
Na tarde de 26 de novembro,
o 3º RI encontrava-se em prontidão
por causa dos acontecimentos do Nor-
deste. Nessa tarde o cap. Agildo Ri-
beiro recebeu a ordem assinada por
Prestes:
“O 3º Regimento Popular
Revolucionário deverá levantar-
se às duas da madrugada de 27 de
novembro e a partir das três ho-
ras deslocar tropas para as pro-
ximidades do Arsenal de Mari-
nha e do Palácio do Catete, de-
vendo outras impedir a ação da
Polícia Especial e do Batalhão
de Polícia Militar da rua São
Clemente.”
Na hora prevista ouviram-se ti-
ros no pelotão do tenente Leivas Otero,
um dos revoltosos. Era o sinal espera-
Quartel da Polícia Militar em Natal após o ataque dos insurretos
15Nº 284 - Novembro/2020
MUNISTA DE 1935
Fachada do 3º RI após o confronto entre as forças legais e os insurretos
1) A III Internacional foi fundada em 2 de março de 1919 por Lenine com a finalidade de
implantar a revolução comunista no mundo.
2) Komintern - abreviatura de Kommunistitcheski internacional.
3) O único pesquisador brasileiro William Waack, consultou os arquivos de Moscou e
reconstituiu uma verdade há longo tempo negada, golpeando fundo a mitologia comunista
nacional, liquidando para sempre com a lenda da inocência de Olga Benário, desmascarando-
a como agente do Serviço Secreto Militar Soviético (GRU)
do para os amotinados aprisionar os
legalistas que surpreendidos com a
rapidez da ação ofereciam pouca ou
nenhuma resistência. As companhi-
as de metralhadoras do I e II Bata-
lhões, comandados pelos capitães
Alexínio Bittencourt e Álvaro Braga,
não se intimidaram e responderam
ao fogo. Nessa ocasião o major Mi-
sael de Mendonça, legalista, foi atin-
gido mortalmente.
O comandante, cel Afonso Fer-
reira, junto com outros oficiais, fi-
cou isolado no pavilhão principal e
por telefone informou o Ministro de
Guerra da situação. Mais tarde os dois
batalhões renderam-se e o comandan-
te e oficiais foram presos devido ao
desmoronamento do prédio onde es-
tavam abrigados.
Apesar de dominar o 3º RI, os
rebeldes não puderam cumprir as or-
dens de Prestes, pois as tropas da 1ª
Região Militar comandada pelo Ge-
neral Eurico Gaspar Dutra impediam
que deixassem o quartel. Intimado a
render-se o capitão Agildo negou-se
por não saber que o levante da Esco-
la de Aviação malograra. As tropas
legalistas intensificaram os fogos até
que após o meio-dia surgiu uma ban-
deira branca.
Na Escola de Aviação a propa-
ganda comunista procurava aliciar
adeptos, dirigida pelos capitães Agli-
berto Vieira de Azevedo e Sócrates
Gonçalves da Silva, além de mais 6
oficiais, graduados e soldados. Des-
de setembro a Escola vivia um clima
de inquietação com o aparecimento,
entre os alunos, de boletins de dou-
trinação marxista-leninista. Poste-
riormente foi encontrado um pacote
de panfletos subversivos com o capi-
tão Sócrates, que recebeu ordem de
prisão mas se evadiu.
Após as 14 horas do dia 26, ou-
viram-se tiros, gritos e correrias. Eclo-
dira o movimento sedicioso e se alas-
trava.
Sucederam-se lances dramáti-
cos, com atos de heroísmo e de co-
vardia, conforme relata o historia-
dor Glauco Carneiro: “dois oficiais
legalistas, capitão Armando de Sou-
za e Melo e o tenente Danilo Paladini,
foram mortos na ocasião, ainda dor-
mindo, por Agliberto e pelo tenente
Ivan Ramos Ribeiro”. O mesmo ca-
pitão Agliberto assassinou o tenente
Benedicto Lopes Bragança, quando
este se encontrava preso e desarma-
do.
Dominando a situação, de pos-
se de todo o armamento e munição,
os rebeldes comunistas ocuparam os
hangares a fim de acionar os aviões e
alastrar o movimento.
O 1º Regimento de Aviação,
sob o comando do tenente coronel
Eduardo Gomes, conseguiu repelir o
assalto até que o general José Joa-
quim de Andrade manobrasse o Re-
gimento Andrade Neves contra os
rebeldes.
As 17 horas do dia 27, os comu-
nistas debandavam em fuga. Os pri-
sioneiros foram colocados no navio
Pedro I, transformado em barco-pre-
sídio.
Após a derrota da Intentona,
os agentes soviéticos conseguiram fu-
gir para Moscou, onde apresentaram
seus relatórios. Foram todos liquida-
dos no Grande Expurgo estalinista de
1937/38. Amleto Locatelli morreu na
Guerra Civil Espanhola. A Gestapo
matou as agentes Olga Benário e Elise
Saborowiski. Prestes foi preso no Meier/
RJ, em março de 1936 e assim per-
maneceu até abril/1945. Em 1943,
mesmo na prisão, foi eleito secretá-
rio-geral do PCB, permanecendo no
cargo até 1980.
Monumento Votivo na Praia Vermelha/Rio
MONUMENTO VOTIVO
Na Praia Ver-
melha, no Rio de Ja-
neiro, foi erguido em
1968, um monumen-
to votivo às vítimas
da Intentona Comu-
nista de 1935, por ini-
ciativa do Ministro
do Exército, general-
de-Exército Aurélio
de Lyra Tavares, pa-
ra “perpetuar em
praça pública a ho-
menagem do povo
àqueles que soube-
ram lutar e morrer
pela sua liberdade”.
O monumento incor-
pora arranjos proce-
dentes do mausoléu
que fora inicialmen-
te construído no Ce-
mitério de São João
Batista, em 1938.
Nossos respei-
tos e homenagens
àqueles que tomba-
ram na defesa da li-
berdade e de nossas
instituições · Natal/RN: 2º Sgt Jai-
me Pantaleão de Moraes, Cabo João
de Deus Araújo e soldado PM Luís
Gonzaga de Souza; · Recife/PE: Ca-
pitão José Sampaio Xavier, Tenente
Lauro Leão de Santa Rosa e soldado
PM Lino Victor dos Santos; · Rio
de Janeiro/DF: Tenente-coronel Mi-
sael de Mendonça; majores Arman-
do de Souza e Mello e João Ribeiro
Pinheiro; capitães Danilo Paladini;
Geraldo de Oliveira e Benedicto Lo-
pes Bragança; 2º Sgt José Bernardo
Rosa; 3º Sargentos Coriolano Ferreira
Santiago, Abdiel Ribeiro dos Santos
e Gregório Soares; 1º cabos Luís Au-
gusto Pereira e Antônio Carlos Bo-
telho; 2º cabos Alberto Bernardino
de Aragão, Pedro Maria Netto, Fide-
lis Baptista de Aguiar, José Harmito
de Sá, Clodoaldo Ursulano, Manuel
Biré de Agrella e Francisco Alves da
Rocha; Soldados Wilson França,
Péricles Leal Bezerra, Orlando Hen-
riques, Álvaro de Souza Pereira e Ge-
neroso Pedro Lima.
Fonte: O Exército na História do Brasil República Volume III - Biblioteca do Exército/1998.
ConviteConviteConviteConviteConvite
Os presidentes do Grupo Inconfidência, do Círculo Militar de Belo
Horizonte, da AOR-EB - Associação dos Oficiais da Reserva, da
ANVFEB/BH - Associação Nacional dos Veteranos da FEB, da ABEMIFA
- Associação Beneficente dos Militares das Forças Armadas, Clube de
Subtenentes e Sargentos do Exército / BH, da AREB/BH - Associação
dos Reservistas do Brasil, a Família Bragança e o Círculo Monárquico/MG,
têm a honra de convidar seus associados e familiares para a solenidade
cívico-militar, em homenagem ao capitão Benedicto Lopes Bragança,
assassinado na Intentona Comunista de 27 de novembro de 1935, no Rio de
Janeiro.
Intentona Comunista
COMPAREÇA E CONVIDE
SEUS PARENTES E AMIGOS.
ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR!
Data: 27 de novembro - Sexta-feira - Hora: 10:00
Local: Cemitério do Bonfim - Belo Horizonte
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
16Nº 284 - Novembro/2020
ANO XXXII Nº 206 DATA 22 Nov 85, 6ª feira
REDAÇÃO
5ª Seção EMG
Informativo interno da AMAN Fundador: Cap RUBENS J. PORTUGAL
DISTRIBUIÇÃO
ACP
CINQÜENTENÁRIO DA INTENTONA COMUNISTA
A"Intentona Comunista" de 1935 pode ser resumida em duas palavras: traição e
covardia. Sim, pois companheiros nossos, fardados, coturnos calçados, no cumprimento de
seus sagrados deveres, foram mortos, à socapa, na calada da noite, muitos enquanto dormiam...
Mas sempre agiram assim, senão vejamos: Andrei Sakharov, físico russo, confinado por
castigoemGorki,declarou,temposatrás:’’Ahistóriade60anosdocomunismoestácheiadeuma
horrível violência, de crimes odiosos no seu território e fora dele, de destruição, sofrimento e
corrupção de milhões de pessoas. "ESQUECER TAMBÉM É TRAIR!"
ESQUECER TAMBÉM É TRAIR !
Há quem pretenda sepultar no es-
quecimento a Revolução de 31
de março de 1964, como já se deixou
de homenagear, por outro lado, a me-
mória dos heróis militares assassi-
nados na intentona comunista de 27
de novembro de 1935. Que país é es-
te, no qual fatos históricos relevan-
tes, que são exemplos, lições e ad-
vertências, descambam para o des-
prezo dos pósteros, que passam a
condená-los no re-
púdio do silêncio e
no desprezo da indi-
ferença? Em ambos
os casos menciona-
dos, a insofismável
inspiração das For-
ças Armadas foi, ba-
sicamente, defender as instituições
republicanas, salvando-as da frontal
ameaça comunista.
No 27 de novembro, os com-
parsas de Luís Carlos Prestes ensan-
güentaram a então capital da Repú-
blica, assim como outros pontos do
território nacional. De armas na mão,
assumiram a iniciativa criminosa da
mazorca marxista, na Praia Verme-
lha e nos Afonsos, no Rio de Janeiro,
em Pernambuco e no Rio Grande do
Norte. Mataram, covardemente, inclu-
sive companheiros que dormiam, no
3º Regimento de Infantaria, e numa
unidade da Aviação Militar feriram a
bala Eduardo Gomes, um dos 18 do
Forte de Copacabana. Na orfandade e
na viuvez ficaram dezenas de pessoas,
porque seus chefes sacrificaram a pró-
pria vida em defesa da nação. A Revo-
lução de 31 e março, por sua vez, nas-
ceu da reconhecida aliança do povo
com os cidadãos fardados. Tornou-se
inevitável e obrigatória, como condi-
ção essencial de uma reação coletiva
organizada, capaz de eliminar o caos
que infelicitava a vida geral dos bra-
sileiros. Durante pouco mais de 20
anos, por força da ação revolucioná-
ria direta e indireta, modernizou-se a
administração, retirou-se a economia
ANISTIA TORTA
do atraso, implantou-se a telecomu-
nicação, viveram novos corredores
de exportação, multiplicaram-se os
investimentos, ampliou-se nossa ca-
pacidade energética, voltaram a dis-
ciplina e a hierarquia, a paz, a ordem
e a autoridade. O povo era feliz e não
sabia.
Numa histórica tentativa global
de restaurar a chamada democracia
plena, e depois de derrotar a guerri-
lha rural e urbana,
a Revolução, espon-
taneamente, em no-
me da pacificação
política nacional,
propôs ao Congres-
so a decretação da
anistia ampla, ge-
ral e irrestrita, teoricamente estabele-
cida. Era, por assim dizer, a esponja
que se procurava passar sobre o ter-
ritório da dissensão, do ressentimen-
to e do ódio. Entretanto, a idéia da Re-
volução foi inútil. De fato, perdoa-
ram-se os atentados à mão armada,
os seqüestros de embaixadores, os
crimes hediondos, os delitos de san-
gue. Mas as cobranças des-
cabidas acerca de supostas
torturas, a busca constante de
desaparecidos, envolvidos
em movimentos terroristas,
o revanchismo, enfim, tudo
tendo como alvo o denomi-
nado “regime militar”, isso
não sai da ordem do dia. É
pauta permanente nos espa-
ços de que dispõe a incansá-
vel insurreição subversiva,
ostensiva ou disfarçada.
Por último, pretende-
se revogar historicamente a
Revolução Democrática de
1964, como se ela não tivesse
sido, e ainda é, uma idéia-
força, gerada na alma dos pa-
triotas. A anistia legal – clas-
sifiquemo-la assim - só valeu e
só vale para um lado, isto é,
para o lado deles. Ficou sen-
do,emconseqüência,uma anis-
tia torta. É oportuno advertir
os democratas ingênuos de
que o comunismo faliu, mas não
faleceu. A esquerda extremista não
acredita na queda do Muro de Berlim.
Eis por que insistem em sepultar a
intentona comunista e a Revolução
de 1964. Não o conseguirão, todavia.
Quem viver verá.
(Publicado no Correio Braziliense - 11/04/1995)
* Foi líder parlamentar e ministro de Estado.
* Armando Falcão
"A libertação da Espanha da
opressão dos reacionários
facistas,nãoéumaquestãopri-
vada dos espanhóes. É a causa
comum de toda a humanidade
avançadaeprogressista".
STALIN
A CLASSE OPERÁRIA
Ano XII São Paulo, Março de 1937 Nº 200
Órgão Central do Partido Comunista (S.B.I.C.)
Estandarte apreendido no
Rio de Janeiro, em 1934 (ANL)
Insistem em sepultar a
intentona comunista e a
Revolução de 1964. Não
o conseguirão, todavia.
Quem viver verá.
Informamos que desta edição nº 271, de 27 de novembro deste ano, conside-
rando a impressão de somente 2000 jornais, serão enviados dois exemplares
para nossos assinantes, associados e alguns colaboradores com o pedido de
que encaminhem um deles para professores de seu relacionamento.
EXPEDIÇÃO DE JORNAIS
NUMERO AVULSO: 200 RÉIS BELLO HORIZONTE – QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 1935 ANNO V – NÚMERO 1.457
Fuzilado pelos rebeldes o 1.º tenente
Benedicto Lopes Bragança
Segundo communicações recebidas hoje pela família Bragrança o 1.º tenente Benedicto Lopes
Bragança foi fuzilado pelos rebeldes por não ter querido adherir ao movimento da insurreição na
Escola de Aviação, na qual commandava um corpo de instrucção.
O malogrado official era relacionadissimo, em Bello Horizonte, aqui tendo servido no
10.º R.I, e aqui feito o seu curso de humanidade.
O corpo do tenente Bragança chegará amanhã nesta capital.
Os Comandos da Brigada de Infantaria, da Base Naval e da Base Aérea sediados
na cidade de Natal, onde foi deflagrado o Movimento (Intentona) Comunista de 1935,
desafortunadamente, não promoveram mais uma vez qualquer cerimônia pública sobre
esse traiçoeiro evento e em memória do bravo soldado Luiz Gonzaga, da Polícia Militar
do Rio Grande do Norte, morto no cumprimento do dever pelos facínoras comunistas.
A PMRN instituiu, há tempos, a ‘Medalha Soldado Luiz Gonzaga’, tradicionalmente
entregue, no mês de novembro, a gradas autoridades civis e militares. Esperamos e de-
sejamos que neste ano seja realizada nessa capital uma solenidade cívico-militar, re-
lembrando as atrocidades cometidas contra o Brasil, que parecem esquecidas pelos três
Comandos.
NOSSO COMENTÁRIO
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Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
17Nº 284 - Novembro/2020
CONGRATULAÇÕES À ESQUERDA
Carlos Azambuja comenta a forma lenta e gradual como os antigos terroristas
e militantes comunistas assumiram posições de destaque na política nacio-
nal, utizando-as para embolsar dinheiro público e humilhar os que impediram seus
planos totalitários no passado.
“As feridas e os erros da esquerda precisam
sangrar para que as insuficiências e incom-
preensões possam ser superadas” (JOSÉ GE-
NOÍNO, O Globo, 06 Fev 96).
Logo após a Revolução de 31 de Março e
1964 que depôs o governo comunizante de João
Goulart, as organizações, grupos e partidos de
esquerda então existentes em nosso país, e logo
após inúmeras outras organizações constituídas
pelas bases radicalizadas do chamado “Partidão”,
definiram como prioridade a derrubada do regi-
me instituído, utilizando como tática a violência
armada e todas as formas de luta, conforme
prescrevem os manuais do marxismo-leninismo.
Esse projeto de luta armada, no entanto,
vinha sendo alimentado desde antes de 1964,
estimulado pelo exemplo da revolução cubana.
Isso, sem falar nas propostas de revolução ar-
mada que vinham de muito antes, na melhor
tradição bolchevique, como o levante comunis-
ta de 1935, determinado pelo Komintern.
É notório que já no governo Jango existi-
am grupos voltados para essas formas de luta
“mais avançadas”, segundo o jargão marxista.
Nesse sentido, é esclarecedor o depoimen-
to de um ex-guerrilheiro urbano, membro diri-
gente, nos anos 60, da Dissidência da Guanaba-
ra e, depois, do Movimento Revolucionário Oi-
to de Outubro, preso, banido do país e posteri-
ormente anistiado: “(...)Antes da radicalização
da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua
própria instauração, em 1964, estava no ar um
projeto revolucionário ofensivo. Os dissiden-
tes se estilhaçariam em torno de encaminha-
mentos concretos, formando uma miríade de
organizações e grupos, mas havia acordo quan-
to ao nó da questão: chegara a hora do assal-
to” (Daniel Aarão Reis, atual professor de His-
tória Contemporânea da Universidade Federal
Fluminense. “Esse imprescindível Passado”,
artigo publicado na revista “Teoria e Debate”
de julho/agosto/setembro de 1996).
Os seqüestros de aviões, de diplomatas
estrangeiros, os roubos de armas, os atentados
terroristas, os assaltos a agências bancárias,
a estabelecimentos comerciais e até mesmo a
residências, os ataques a quartéis, foram trans-
formados em tática militar e precederam o que é
denominado de “radicalização da ditadura”
em dezembro de 1968, com a edição do Ato
Institucional nº 5.
Em 1970, ao assumir a presidência da Repú-
blica, o general Garrastazu Médice definiu como
prioritário o fim do terrorismo e para isso criou os
DOI/CODI. No entanto, Marighela não mais exis-
tia, pois havia sido morto em uma via pública, em
São Paulo, no ano anterior. Essa via pública, assim
como tantas outras, foi definida, posteriormente,
pela ComissãodeMortoseDesaparecidos, como
um local assemelhado a uma dependência po-
licial ou sujeito à administração militar.
Ele, Marighela, que a Inteligência cubana
imaginava transformar no sucessor de Che Gue-
vara (vide o livro de Luis Mir, “A Revolução
Impossível”) havia deixado um testamento que
iria ser responsável por uma montanha de mor-
tos entre os que seguiram seus ensinamentos:
o Minimanual do Guerrilheiro Urbano.
Lamarca, no entanto, que traiu o Exército,
sua mulher e seus filhos, ladrão de armas, assal-
tante de bancos, seqüestrador e assassino de ino-
centes de forma vil, como a morte a coronhadas do
tenente Alberto Mendes Junior, no Vale da
Ribeira, ainda viveria até o ano seguinte. Em
setembro de 1971 seria morto no sertão da Bahia,
local que a Comissão de Mortos e Desapareci-
dos definiu que era sujeito à administração
militar, para, assim, indenizar sua mulher que já (Publicado no ARAUTO/OPINIÃO de novembro de 1996 e no Inconfidência nº 146 de 27 de novembro de 2009)
Ointento louco de tomada do poder pela força ou a In-
tentona Comunista, como ficou conhecido o traiçoei-
ro, sangrento e fracassado motim deflagrado por militares co-
munistas contra estabelecimentos militares de Natal, do Recife
e do Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 27 de novembro de
1935, constitui uma das mais negras páginas da história do
Brasil.
Maus militares, corrompidos por intensa doutrinação
marxista, desprezam a hierarquia e a disciplina, descumprem
seu sagrado juramento para com a Pátria, traem seus próprios
companheiros e até os matam, mesmo quando já presos e
desarmados. Naturalmente, oficiais e graduados fiéis ainda que
surpreendidos pelo vulto do motim e principalmente pela traição
de companheiros que, até então, pareciam leais, cumprem seu
juramento reagem com bravura, defendem as instituições com
risco de vida e, alguns com o sacrifício da própria vida. Findo
o dia 27 de novembro, derrotados, desmoralizados, os amotina-
dos fogem ou se rendem. Do lado dos militares fiéis, mor-
rem, no cumprimento do dever, bravos brasileiros.
A deflagração da Intentona Comunista em 23 de novem-
bro de 1935, foi o
desfecho de uma
trama que, era ver-
dade, vinha sendo
articulada dentro e
fora do País. Se-
gundo revela o Ge-
neral José Campos
de Aragão, em seu
livro intitulado “A
Intentona Comu-
nista de 1935”, em
30 de março de
1935 Luis Carlos
Prestes fora acla-
mado presidente de
honradarecém-cri-
ada Aliança Nacio-
nal Libertadora; no
VII Congresso da
Internacional Co-
munista, o delega-
do holandês Van
Mine, membro do
Conselho Execu-
tivo do Komintern e relator dos assuntos referentes à Amé-
rica Latina, afirmara: “A Aliança Nacional Libertadora foi
criada sob orientação secreta mas direta do Partido Comu-
nista Brasileiro (PCB), segundo as instruções confidenciais
recebidas da Legação Soviética em Montevidéu. Ela cumpre
cegamente ordens de nosso bravo camarada Prestes...”; e Di-
mitrov, em 1935, no VII Congresso da Terceira Internacional de
Moscou, discorrendo sobre o papel da Frente Única Anti-
imperialista, declarara: “...no Brasil, o Partido Comunista, que
deu uma base ao desenvolvimento de uma frente contra o
imperialismo ao criar uma Aliança de emancipação nacional,
deve empenhar-se com todas as suas forças para impulsionar
essa frente, conquistando para a mesma, sobretudo, os milhões
de camponeses, e orientando o movimento no sentido da for-
mação de destacamentos de um Exército Popular Revolucioná-
rio extremamente devotado, até que seja alcançado o objeti-
vo final, e no sentido da organização do poder dessa Aliança
Libertadora Nacional...”.
Torna-se fácil perceber, portanto, a importância do pa-
pel dos militares brasileiros em Natal, no Recife e no Rio, os
quais, honrando seu sagrado juramento, cumpriram com bra-
vura seu dever e impediram que o Brasil passasse a ser con-
trolado por um Exército Popular Revolucionário.
As autoridades e os militares de hoje poderão ter es-
quecido aqueles que morreram defendendo a Pátria.
A Pátria, no entanto, certamente jamais os esquecerá!
A INTENTONA COMUNISTA
O mesmo movimento que em 1935 assassinava
compatriotas, traiçoeiramente, foi sufocado,
novamente, em 1964. Mas desta feita
os assassinos foram indenizados pela
nação brasileira
Olavo Nogueira Dell'Isola - Coronel Aviador
era pensionista de seu marido.
Em agosto de 1979, com as guerrilhas ur-
bana e rural erradicadas e o país pacificado, o
presidente Figueiredo assinou a lei que concedeu
uma anistia ampla, geral e irrestrita. Essa lei
libertou todos os que se encontravam presos.
Em maio de 1985, a chamada Nova Repúbli-
ca legalizou os partidos clandestinos graças a
uma Emenda Constitucional de autoria do então
deputado federal pelo PMDB Roberto Freire, ele
próprio dirigente de um desses partidos clan-
destinos, o PCB.
A partir de então, o aparelho burocrático do
governo passou a ser tomado, de forma lenta,
gradual e segura pela esquerda, derrotada, anisti-
ada, mas não conformada. Os Órgãos de Inteli-
gência, na era Collor, foram desmantelados e as
Forças Armadas economicamente sufocadas,
restando-lhes uma única função: sobreviver.
A Constituição cidadã, de 1988, propi-
ciou centenas de retornos às Forças Armadas. O
Estado promoveu-os e pa-
gou por isso. Também os
demitidos e expulsos, fo-
ram reincorporados a par-
tir de 1985 e promovidos.
Como se isso não
bastasse, uma Comissão,
denominada de “Mortos e
Desaparecidos Políticos”
foi constituída e recom-
pensou e continua a re-
compensar as famílias da-
queles que livremente es-
colheramocaminhodaluta
armada, seqüestraram, as-
saltaram e mataram, sen-
do,afinal,mortosporaque-
les que, constitucional-
mente, cumpriam suas
obrigações de defender a
Pátria, a Lei e a Ordem,
com sacríficio da própria
vida, coerentes com o ju-
ramentoquefizeramaoen-
trar para a carreira militar,
de defender a Pátria com o
sacrifício da própria vida.
Do lado dos que se opuseram que a Pátria
fosse transformada em uma república popular
democrática, vidas preciosas foram perdidas,
muitas famílias ficaram sem os seus chefes, mas
nenhuma delas, em todos esses anos, nada rei-
vindicou.
Com relação, especificamente, ao caso de
Carlos Lamarca, a relatora, na Comissão de Mor-
tos e Desaparecidos, uma ex-guerrilheira urba-
na, afirmou cinicamente que a repressão não
respeitou a Convenção de Genebra e que ...
“como os guerrilheiros do Araguaia, ele (La-
marca) fez, também, prisioneiros aos quais
respeitou a integridade" (sic) , e afirmou, tam-
bém, que o redator da Lei que proporciona a
recompensa às famílias dos mortos pela repres-
são, então chefe do gabinete do Ministério da
Justiça, legislou por conta própria, e que ... “foi
vontade do legislador incluir os que morreram
em combate direto com as forças repressivas”.
Aproveitando o ensejo da reforma univer-
sitária que o atual ministro da Educação diz que
fará, este não seria um tema altamente ilustrativo
e edificante para ser incluído nos currículos de
Direito?
Parabéns às esquerdas. Vocês chegaram
lá, utilizando os meios pacíficos. Afinal, essa é
uma forma de luta também revolucionária.
O autor é Carlos Ilich Santos Azambuja
18Nº 284 - Novembro/2020
A VERDADE ESQUECIDA* Luiz Gonçalves Alonso Ferreira
Na alvorada de março de 1934, vindo
de Buenos Aires portando passa-
porte americano, desembarcara no Rio de
Janeiro um sujeito de nome Harry Berger.
Preso pela polícia carioca no natal de
1935, logo revelou-se a identidade secre-
ta do viajante.
Chamava-se, o misterioso elemento,
Arthur Ernst Ewert, judeu alemão, ficha-
do em seu país de origem, no qual era ex-
deputado, como espião. Constava tam-
bém processo por “alta traição”.
Berger era o agente do Komintern,
especialista em golpes subversivos, en-
viadoparaoBrasilcomamissãodedirigir
intelectualmenteoplanotraçadoemMos-
cou, que objetivava a instauração de uma
ditadura de tipo stalinista no País, por
meio de levante armado.
Sob ordens de Berger, lá estava Luiz
CarlosPrestes, homemescolhido para en-
cabeçar um “governo popular nacional
revolucionário”, segundo relatório do
próprio Berger para o Komintern.
Prestes angariou simpatia no meio
comunista, pela sua participação na
famosa coluna militar, que marchou pelo
interior do País, nos agitados tempos
do movimento tenentista.
Pouco depois, após a con-
versão de Prestes à dou-
trina marxista lininista por
Astrogildo Pereira, a hábil
propaganda vermelha ba-
tizou esse destacamento
com seu nome, ainda que
para isso tivesse de come-
ter a injustiça histórica de
omitir e relegar ao esqueci-
mento a figura do coman-
dante Miguel Costa, prin-
cipal líder militar da Colu-
na, ao qual Prestes esteve
sempre subordinado.
Pela experiência do período, Prestes
recebeu a incumbência de chefiar a ação
armada dos comunistas no Brasil. Não
poderia haver falhas. O plano deveria ser
executado de forma rápida e eficaz, sem
oferecer ao governo o tempo necessário
para o esboço de uma reação.
Para tanto, visando garantir o apoio
logístico e os recursos financeiros ne-
cessários para tão arriscada empreitada,
Moscou fundara em Montevidéu, clan-
destinamente, o seu Secretariado Latino
Americano,órgãocujafinalidadeeraapro-
ximar as organizações comunistas lati-
nas, a fim de impulsionar o movimento
vermelho na América do Sul. Foi este o
fato que gerou, ainda em fins de 1935,
após o malogro da tentativa de assalto
comunista ao poder no Brasil, o rompi-
mento das relações diplomáticas do Uru-
guai com a União Soviética.
A Intentona Comunista de 1935, por-
tanto, fora concebida e preparada em
Montevidéu, como bem atestaram os jor-
nais da época no Brasil, entre os quais, o
Globo.
Durante os preparativos para o gol-
pe, visando despistar quaisquer suspei-
tas a respeito de seu enviado revoluci-
onário, destaca Moscou, como esposa
de Prestes, a judia alemã Olga Benário
(Olga Ben-Ario), conhecida já em seu
país pelas suas ações subversivas.
Cumpre destacar, nesse ponto, fato
desconhecido da grande maioria dos bra-
sileiros sobre a chamada Intentona: a do
envolvimento direto de grande número
de israelitas (infiltrados no País) na cons-
piração comunista de 1935.
De fato, como fartamente registra-
ram os jornais, poucos dias após a su-
pressão do levante no Rio de Janeiro,
a eficiente polícia carioca, na jurisdi-
ção dos 13° e 14° distritos policiais, de-
teve 23 comunistas de origem judaica
(longo ficaria citar a relação dos no-
mes), todos ligados à Brazcor, organi-
zação revolucionária comunista,
mantida e orientada pelo PCB. Essa
associação mantinha uma biblioteca
popular israelita de nome Schelomo
Alcichem, instalada à Rua Sen. Euzébio
n° 59, bem como, uma cozinha proletá-
ria comunista, que servia refeições na
Rua Visconde de Itaúna. Publicava a
revista de cultura moderna Volkekultur.
Quando assistimos ao filme Olga,
de Jaime Monjardim, inquietou-nos não
somente a lamentável omissão destes
relevantes fatos, como também, a su-
perficial abordagem sobre as subleva-
ções comunistas em Natal, no Recife e
no Rio de Janeiro.
Querer romantizar as figuras de Luiz
Carlos Prestes e Olga Benário, criando
umclimanupcialaolongodetodoofilme
e, por tabela, apresentá-los
como porta-vozes e defenso-
res da liberdade humana e da
democracia e, no mínimo, in-
sensatez e cinismo puros.
Esquecer (ou omitir ten-
denciosamente) o assalto à Es-
cola de Aviação, em Marechal
Hermes,ondeoficiaisbrasilei-
ros foram assassinados por
companheiros de farda en-
quanto dormiam, ignorar o co-
varde ataque-surpresa ao 3°
Regimento de Infantaria, na
Praia Vermelha, onde a ordem
só foi restabelecida após uma
manhã inteira de combates; desdenhar
dos cinco dias em que revolucionários
comunistas, em Natal, estabeleceram um
governo que promoveu a ação de arrua-
ceiros, assassinos, estrupadores e as-
saltantes; sugerir que a inocente menina
Elza Fernandes (trucidada segundo or-
dens do Cavaleiro da Esperança, com
consentimento de Olga) era a responsá-
vel pelo desastre que somente a incom-
petência de Prestes provocou, menos-
prezar tudo isso é risco muito grande.
Éaceitarmoselegitimarmosperantea
história o crime, o fanatismo e o unilate-
ralismo político, a ditadura.
Luiz Carlos Prestes e Olga Benário
não defendiam democracia de nenhuma
espécie para o Brasil, tenhamos isso sem-
pre em mente. Pelo contrário, caso lo-
grassem êxito em sua missão, teríamos
nosso País reduzido a simples colônia de
Moscou e conviveríamos com uma dita-
dura ferrenha, que em nome da “liberda-
de humana’, cometeu os maiores crimes
e atrocidades da história da humanida-
de. Comunistas estrangeiros traçaram
lá fora este destino para o Brasil, contan-
do para isso com o apoio de brasileiros
desprovidos de senso patriótico, so-
mados a um punhado de ignorantes.
Se nós, brasileiros, em algum mo-
mento de nossa história, vivêssemos de
fatoumaditaduracomunista,ofilmeOlga,
se viesse a ser produzido, te-nhamos a
certeza, contaria história bem mais trá-
gica.
Autor do livro-reportagem "Camaradas", diz que o mito romântico
da revolucionária nasceu de propaganda
Profissão: Jornalista, é correspondente da Rede Globo em Nova
York
Experiência: Cobriu oito guerras, entre elas a do Golfo, e morou
em Berlim
ÉPOCA - Que Olga você conheceu em suas pesquisas?
William Waack - Uma profissional do serviço secreto militar soviéti-
co, treinada para obedecer em qualquer circunstância, sem jamais duvidar
dos chefes e da linha estabelecida pelo Partido, disciplinada, mas sem in-
teresse por assuntos teóricos, que ao chegar ao Brasil perdeu o foco da
missão. O trágico em Olga é que ela não tinha saída.
ÉPOCA - Como assim?
Waack - A verdadeira dimensão trágica da figura de Olga é o fato de
ela ter sido vítima de dois totalitarismos. Foi liquidada por um deles, o
nazista, enquanto todos os seus companheiros de luta no Brasil, que sobre-
viveram à aventura de Prestes e conseguiram voltar a Moscou, foram des-
truídos pelo outro totalitarismo, o comunista - foram executados na Rússia
antes ainda do assassinato de Olga. Mas não era um aspecto que interessava
à máquina propagandística do PC da Alemanha Oriental, que iniciou o culto
ao mito de Olga no final da década de 50, suprimindo partes de sua real
história. O mesmo ocorreu no livro lançado no Brasil por Fernando Morais,
que, na verdade, tem boa parte compilada da primeira biografia de Olga feita
pela alemã Ruth Werner, a pedido do PC alemão, em 1962. Trabalhos que não
contam a realidade.
ÉPOCA - Pelo que pesquisou, do que mais não se fala?
Waack - Um detalhe fundamental: o fato de que a mãe de Prestes pediu
várias vezes às autoridades soviéticas que tentassem trocar Olga por prisio-
neiros dos soviéticos. Era impossível que isso acontecesse, pois, naquele
momento, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos estavam
entregando à Gestapo militantes alemães que se refugiaram em Moscou.
Uma dessas pessoas, aliás, foi a última a ver Olga viva no campo de con-
centração. Era Margareth Buber-Neuman, uma colega dela de militância,
alemã e judia, que chegou a ser preparada para ir ao Brasil, mas foi presa
com o marido em Moscou e entregue à Gestapo.
ÉPOCA - Isso tira de Olga e Prestes o romantismo, a luta por ideais?
Waack - Prestes e Olga eram, antes de mais nada, soldados do
Partido, e a esses soldados não se admitiam crises de consciência. Dou
um exemplo: entre a derrota do levante de novembro de 1935 e a prisão
dos dois, no início de 1936, Prestes mandou matar a namorada do se-
cretário-geral do PCB, Elza, uma moça inocente e ingênua de 18 anos,
que foi estrangulada por militantes do partido. Ele suspeitava, errone-
amente, que Elza fosse informante da polícia. E Olga não se opôs à de-
cisão, segundo o agente soviético no Rio que chefiava o esquema clan-
destino. Não havia nada de romântico ali.
OLGA NÃO TINHA SAÍDA
Revista ÉPOCA, Edição 326 - 16 de agosto de 2004
Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”
MARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINS
Olga Benário, após prestar depoimento
no Rio de Janeiro, em 1936,
acompanhada por um policial
Divulgação
ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR!
Publicado em “A Tribuna de Santos”, em 07.09.2004
* Bacharel em História pela Universidade
Católica de Santos.”
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27/11/2004
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27/11/ 2004
19Nº 284 - Novembro/2020
Foto: Sgt. Ely / CML
Flores no monumento da Praia Vermelha / Rio
Há 70 anos, mais precisamente,
em 23 de novembro de 1935,
estourou de surpresa levante armado
comunista no interior do quartel do 23º
Batalhão de Caçadores em Natal, RN.
Os rebeldes, após dominarem aquela
unidade, ocuparam a cidade e insta-
laram um Governo Popular Revolu-
cionário, um soviete no Brasil.
Os acontecimentos de Natal pre-
cipitaram a rebelião também no Reci-
fe. O levante tramado no interior do
29º Batalhão de Caçadores eclodiu de
forma violenta. Aqui porém a unidade
estava de prontidão e foi possível aos
oficiais organizar a resistência interna.
Mesmo assim, os rebelados saíram e
avançaram para o Recife. Foram opor-
tunamente detidos e derrotados por
tropas do Exército trazidas da Paraíba
e pela Força Pública de Pernambuco.
A revolução foi conspirada por
Luiz Carlos Prestes, pelos dirigentes
do Partido Comunista e pelos agentes
estrangeiros da Internacional Comu-
nista Soviética trazidos para o Brasil
com este fim. Dentre estes, Olga Be-
nário que se tornou amásia de Prestes.
E atualmente é festejada como heroína
e mártir.
No Rio de Janeiro, na madru-
gada de 27 de novembro de 1935, a
revolução eclodiu dentro de duas
unidades do Exército: no 3º Regi-
mento de Infantaria na Praia Verme-
lha e na Escola de Aviação nos Afon-
sos. As tentativas dos rebelados de
dominar as unidades foram de uma
violência inédita. Inclusive com as-
sassinato a sangue frio de alguns ofici-
ais e praças.
Houve resistência interna nos
quartéis e reação dos comandos mi-
litares da Capital. O movimento foi
sufocado no mesmo dia mas com mui-
tas mortes a prantear.
AINTENTONACOMUNISTA
se caracterizou pela violência arma-
da segundo o modelo leninista da Re-
volução Bolchevista de 1917 na Rús-
sia. A pronta e enérgica reação do Exér-
cito porém frustrou a primeira tentati-
va de tomada do poder pelo movimen-
to comunista no Brasil. Recordo este
trágico acontecimento porque ainda
trazem ensinamentos práticos e cí-
TRÁGICO
27 DE NOVEMBRO DE 1935
* Sergio Augusto de
Avellar Coutinho
vicos pelo seu signi-
ficado moral e em-
blemático da fideli-
dade das Forças Ar-
madas aos princípios democráticos e à
própria Nação. As legítimas e patrióti-
cas posição e atuação delas em 1935 e,
depois, em 1964 e 1967/74 contra as
tentativas de tomada do poder pelo
movimento comunista são agora envi-
lecidas e “satanizadas” pelas esquer-
das. À primeira vista, por cruel revan-
chismo, mas na realidade para impedir
pelo constrangimento a sua resistência
ao processo revolucionário no presen-
te e no futuro imediato. Para isso, vêm
fazendo com que a nação se horrorize
com alegadas violações e com que as
novas gerações militares se enver-
gonhem do passado e desaprovem os
velhos chefes por terem tido a cora-
gem de se oporem a comunização do
Brasil.
As Forças Armadas são conside-
radas pelas organizações de esquerda
como a grande barreira à revolução e,
por isto, têm que ser neutralizadas para
não repetirem a resistência do passa-
do.
Comemorar os trágicos even-
tos de 1935 não é apenas homena-
gem histórica, memória dos que tom-
baram no cumprimento do dever ou
dos inocentes surpreendidos no meio
do fogo cruzado. Mais do que tudo,
é afirmação de fidelidade aos valores
democráticos, repúdio às ideologias
totalitárias e advertência aos jovens
militares.
Esquecer 1935 é uma atitude de
capitulação moral e intelectual. É ocul-
tar das atuais gerações o papel exem-
plar das Forças Armadas. Não adianta
tentarem ocultar ou negar esta verda-
de. Elas sempre agiram em defesa da
lei, da ordem, dos poderes constituí-
dos e da própria Nação.
Por esta razão, é preciso que
se ponham flores todos os anos no
monumento da Praia Vermelha em
27 de novembro, assim como tam-
bém no monumento aos mortos da II
Guerra Mundial em 08 de maio. São
símbolos da luta contra os regimes
totalitários. * General de Brigada Reformado
Publicado no Inconfidência nº 88 de novembro/2005
REVELAÇÃO
Num prédio do século XVIII que abri-
gou um luxuoso hotel na rua Gorki,
em Moscou, montavam-se conspirações,
guerras e rebeliões. Desta
verdadeira central de revo-
luções partiam ordens e de-
legados para os mais lon-
gínquos confins da Terra,
inclusive o Brasil. Histórias
de espionagem vividas na
URSS e, principalmente, no
Brasil são contatas pelo jor-
nalista William Waack no
livro Camaradas, lançado
pela Companhia das Letras,
que chegou às livrarias na
quarta-feira 20. Mas não se
trata de um livro de ficção. Os fatos e
personagens citados são - ou foram - de
carne e osso. Camaradas narra um dos
mais dramáticos e ainda obscuros episó-
dios da história do Brasil: a chamada
Intentona Comunista, o fracassado le-
vante militar comunista de 1935, contra o
governo Getúlio Vargas.
Com uma do-
cumentação farta e iné-
dita, Waack, revela que
a ordem para o levante
veio da sede da Inter-
nacional Comunista
(Komintern). Desapa-
recem todas as dúvi-
das sobre essa ordem
externa, negada duran-
te décadas pelos co-
munistas brasileiros.
Ou quase todas: segun-
do Waack falta ainda
descobrir o “cumpra-
se” pessoal do ditador
soviético Josef Stalin
para a insurreição. O
jornalista está conven-
cido de que a rebelião
armada que eclodiu em Natal, Rio de Ja-
neiroeRecifefoiautorizadaentre22e23de
novembro de 1935 pessoalmente pelo en-
tão czar do Kremlin. “Conhecendo a estru-
tura e a mecânica do Komintern, é impos-
sível imaginar que essa agência secreta do
Estado soviético se envolvesse numa rebe-
lião armada e a financiasse sem que Stalin
soubesse e autorizasse”, diz Waack.
As revelações trazidas pelos do-
cumentos do Komintern provocaram um
verdadeiro terremoto ao serem publica-
dos, em 29 de agosto, num caderno espe-
cial de O Estado de S. Paulo, do qual
Waack é correspondente em Berlim. Per-
sonagens venerados no altar da esquer-
da brasileira foram dessacralizados. A
começar pelo histórico líder comunista
Luiz Carlos Prestes (morto em 1990), che-
fe da rebelião de 1935, que inclusive pa-
gou para entrar no Komintern. Sua pri-
O OURO DE MOSCOU
Livro do jornalista William Waack comprova que Moscou
comandou a Intentona Comunista de 1935
meira mulher, Olga Benário, heroína da
mitologia comunista por ter sido entre-
gue pelo chefe da polícia especial de Var-
gas, Felinto Müller, aos na-
zistas e morta num campo de
concentração, era agente da
inteligência militar soviética.
Ironicamente, a revolu-
ção mundial recebeu uma
contribuição involuntária de
Getúlio Vargas. O “cavaleiro
da esperança” Prestes entre-
gou ao Komintern cerca de
US$ 20 mil. Esse dinheiro se-
ria parte de uma soma total de
US$ 80 mil que Prestes rece-
bera do caudilho gaúcho.
Vargas tentou inutilmente ganhá-lo para
a Revolução de 1930. Mas Waack acha
que o dinheiro não era o mais importante:
“Prestes entregou aos agentes do Komin-
tern uma rede de contatos e de tipografi-
as clandestinas que a organização jamais
teria condições de criar sozinha no Brasil”.
O trabalho de investigação come-
çou em março de
1992 e foi concluído
em agosto deste
ano. Waack chegou
aos arquivos do ex-
tinto Partido Comu-
nista soviético gra-
ças a Iuri Ribeiro,
filho mais moço de
Luiz Carlos Prestes,
que há seis anos
viveemMoscou.Ob-
teve cópias ou trans-
crições de cerca de
550 páginas de do-
cumentos secretos.
O repórter foi favo-
recido pelos ventos
da tumultuada con-
juntura política do
pós-comunismo russo. Pouco depois de
ele ter feito a pesquisa que daria origem
ao livro, os arquivos foram fechados. Era
uma época em que, no braço de ferro com
o Parlamento, o presidente Boris Yeltsin
parecia estar levando a pior. Por precau-
ção ou força do hábito, os arquivos foram
fechados pelos zelosos funcionários. Só
agora, depois do golpe de estado de
Yeltsin, neste mês, é que a possibilidade
de uma devassa nos arquivos ainda se-
cretos do comunismo cresceu outra vez.
Camaradas lança luz sobre outra
questão polêmica. Vários historiadores
assinalaram a aparente contradição entre
a Intentona Brasileira e o fato de o Ko-
mintern estar vivendo uma fase “modera-
da” a partir de 1934. Preocupada em não
se isolar ainda mais, a URSS de Stalin
orientava os PCs a formarem alianças com
outras forças políticas - eram as chama-
das Frentes Populares. “É
uma premissa teórica falsa.
Ao formarem as Frentes Po-
pulares, países como Brasil
e China, não visão do Ko-
mintern,estavamdiretamen-
te se encaminhando para a
insurreição. A noção de uma
grandefrenteantiimperialis-
ta num país semicolonial era
sinônimo de rebelião popu-
lar”. conclui Waack.Ewert (Albert)assinaria um dos telegramas sobre o salário de Prestes
Otto Braun levou Olga para o mundo
dos serviços secretos, atividade confirmada
pelo bilhete acima
(Publicado na ISTO É de 27/10/1993 e no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004 )
20Nº 284 - Novembro/2020
CAIXA POSTAL
INTENTONA COMUNISTA / 1935
CAP PAULO ALBERTO M SILVA
São Paulo/SP
Penso que não deve existir “nez-
tepais” qualquer outra publicação tão
clara e oportuna sobre a intentona comu-
nista desencadeada no Brasil, em novem-
bro de 1935, como os dois últimos núme-
ros do Inconfidência.
Deveria ser obrigatória a sua leitura
e constar dos currículos de todas as es-
colas militares das Forças Armadas. In-
clusive dos PP de soldados e dos TG-Ti-
ros de Guerra. Não há como esconder es-
se importante acontecimento à juventu-
de brasileira. Perguntei à minha neta (14
anos), aluna de colégio particular, se sa-
bia algo sobre a intentona e como era de se
esperar, disse-me não!
Não estou mais preocupado comi-
go, mas sim com o que espera os nossos
descendentes, com os exemplos dados
pelo atual governo (30/12)
SO AER MARIO PINTO BARROS
Guaratinguetá/SP
CAMPO DOS AFONSOS
Fazia tempo que não escrevia ao
Inconfidência, mesmo sabendo que to-
das as minhas cartas anteriores foram pu-
blicadas. Embora já reformado da Força
Aérea, julgo que esta não poderia se omi-
tir nos dias 27 de novembro.
Ao ler o encarte do último jornal,
“CAMPO DOS AFONSOS”, pensei comi-
go: Se a Aviação era a 5ª arma do Exér-
cito, a FAB é a atual e a legítima deposi-
tária das tradições e da história da Avi-
ação Militar Brasileira.
O Comandante, brigadeiro Saito, de-
veria ter realizado uma cerimônia cívico-
militar no “Campo dos Afonsos”, onde
antigos companheiros nossos foram fria-
mente assassinados, tal qual a formatu-
ra da Praia Vermelha que contou com a
presença do Comandante do Exército.
E também, na AFA, em Pirassunun-
ga, na EPCAr, em Barbacena e aqui, em
Guará, para dar conhecimento e alertar os
mais jovens, do que foi realmente a in-
tentona comunista de 1935. E palestras,
nos clubes de Aeronáutica.
No “Campo dos Afonsos” está ins-
talado um Museu que apresenta a história
da nossa Força Aérea. Haverá nele alguma
exposição/informação sobre o 27 de no-
vembro de 1935? O Patrono da Força Aé-
rea, brigadeiro Eduardo Gomes, era o te-
nente-coronel comandante do 1º Regimen-
to de Aviação sediado naquele local, onde
foi ferido e mesmo assim, continuou lutan-
Esquecer, também é trair
Publicado no Inconfidência nº 136 de Jan/Fev. 2009
Ao comparecer e participar pes-
soal e acintosamente das come-
morações do 11º Congresso do Par-
tido Comunista do Brasil (PC do B)
em Brasília, no dia 20 de outubro de
2006 — prestigiando adeptos das
idéias do partido que, no passado,
foi o mentor da tragédia de 1935 —
o Sr Luiz Inácio Lula da Silva desfi-
gura nossa História, inverte acinto-
samente o quadro dos valores herda-
dos dos nossos antepassados, afronta
a imagem das nossas FFAA e agride
a memória daqueles que deram suas
vidas para impedir a instalação da di-
tadura marxista em nossa Pátria.
(Inconfidência nº 88 de 27/11/2006)
do contra os traidores da Pátria.
Se algum leitor souber, favor infor-
mar ao Inconfidência, pois tenho a certe-
za de que ele divulgará e até apresentaria
uma reportagem sobre a maior traição ja-
mais ocorrida em nossa Pátria. (10/01)
CEL GILBERTO FREITAS
Rio de Janeiro/RJ
Formidável o caderno especial so-
bre a intentona e a seguir, a apresentação
das solenidades na Praia Vermelha e no ce-
mitério do Bonfim, em Belo Horizonte.
Pena que a formatura ocorrida no Rio,
a tarde, não fosse divulgada oportunamen-
te através do Clube Militar, não só pela
internet aos seus sócios, como também nos
almoços de turmas, com a devida antece-
dência. Ou com um anúncio nos jornais da
cidade do Rio de Janeiro. Mesmo assim, o
comparecimento à Praia Vermelha foi um
dos mais concorridos dos últimos anos e
contou com a presença do comandante do
Exército, general Pery, pela 1ª vez desde os
governos “socialistas” de FHC e Lula!
Cumprimento o editor do Inconfidên-
cia e lembro a ele, como artilheiro, não pode-
ria ter se esquecido de citar a salva de Ar-
tilharia, desencadeada durante a cerimônia
cívico-militar de 27 de novembro.
Uma pergunta que não quer me calar:
Quando o museu do Forte de Copa-
cabana, tão bem localizado, vai apresentar
em seu sofisticado recinto, uma exposição
permanente sobre a intentona comunis-
ta de 1935, tal qual uma realizada recente-
mente – a inauguração dos retratos dos
presidentes militares ? (29/12)
NR: Falha nossa: Peça atirou!!
CEL FRANCISCO FELIX
DA FONSECA
Porto Alegre/RS
Mais uma vez o Inconfidência diz a
que veio. Além das suas edições históricas
já apresentadas neste ano – 31 de março e
Duque de Caxias – agora, a da intentona
comunista. Deveria ser distribuída a todos
os alunos dos Colégios Militares e dos
CPOR/NPOR, principalmente de Porto Ale-
gre. Por quê? Acredite, se quiser. No dia 27
de novembro, aconteceu nesta capital, um
treinamento para a formatura de passa-
gem de Comando do CMS. Dificilmente po-
deria surgir uma melhor oportunidade pa-
ra diante da tropa da guarnição, ser lembra-
da a covarde intentona comunista.
No entanto, nada foi rememorado,
assim como também, no dia seguinte, por
ocasião da solenidade de passagem de co-
mando do general Elito para o general De
Nardi.
O que terá acontecido? Ordens su-
periores? Não creio, pois o comandante
do Exército se fez presente na formatura
da Praia Vermelha, na tarde de 27 de no-
vembro. (19/12)
* JOÃO ARMANI
Belo Horizonte/MG
Muito oportuno o comentário pu-
blicado no Inconfidência nº 135 de de-
zembro/2008 à página 13, sobre a reme-
moração da intentona comunista.
Ao que parece, somente nas guar-
nições do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte
e de São Luís/MA, a trágica intentona foi
devidamente rememorada com formatura e
leitura da memorável Ordem do Dia, assina-
da pelos generais-de-Exército Luiz Cesário
da Silveira Filho, comandante do CML e
Paulo Cesar de Castro, chefe do DEP. Pro-
curamos saber se aconteceram solenida-
des em outras localidades, como em Recife
e Natal, cidades que foram os primeiros
alvos da insana e covarde traição cometida
na calada da noite, tão bem explicitada na
Ordem do Dia acima referida. Não obti-
vemos qualquer retorno e também de
Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campo
Grande, Salvador, Manaus... Ninguém
sabia informar, tanto o pessoal da Ativa,
como o da Reserva. O que terá aconteci-
do? Vergonha de relembrar a verdadeira
História Militar e do Brasil? Ou querer fi-
car de bem com o apedeuta comandante
supremo das Forças Armadas, que pres-
tigia Carlos Marighella, Gregório Bezer-
ra, Antonio Conselheiro, João Cândido,
em detrimento aos verdadeiros heróis que
se imolaram pela pátria?
Também nada foi divulgado sobre
as formaturas no Rio e em BH, para o pú-
blico interno (Noticiário do Exército,
Informex e Resenha) pelo CCOMSEX. Por
quê? (31/12) *Presidente da AREB/BH
CELMANOELSORIANONETO
São Paulo/SP
"LEST WE FORGET"
Nos mais importantes Memoriais
de Guerra da Europa e dos Estados Uni-
dos, referentes à I GM, encontramos a
lapidar e tocante Sentença/Conceito que
intitula este suelto. Tal excelso Conceito
também sempre aparece junto às verme-
lhas "papoulas" - símbolo internacional
dos sacrifícios dos combatentes daquele
conflito de proporções mundiais, então
conhecido como "A Grande Guerra".
Ele, costumeiramente, é assim tra-
duzido: "PARA QUE NUNCA ESQUE-
ÇAMOS", o que bem se poderia dizer
quanto à covarde e traiçoeira Intentona
Comunista de 1935, e muito se compa-
gina com a iterativa afirmação deste de-
sassombrado jornal: "ESQUECER
TAMBÉM É TRAIR"! 10/11/2020
VARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESPedro do Couto
OHistórico episódio do aperto de
mão de Prestes e Vargas, em 1945,
e a entrega de Olga Benário, grávida de
Prestes, à Gestapo, em 1936, merecem
comentário para que os dois episódios
se tornem ainda mais claros. Em 1988,
pouco antes de se eleger prefeito, Mar-
celo Alencar tinha um programa na
Rádio Carioca, e me convidou a parti-
cipar de entrevista com Luís Carlos
Prestes. Ele disse ter apertado a mão
de Getúlio, em 1945, no Estádio do
Vasco, porque o presidente deixava
São Januário, depois de comício do PTB,
e ele chegava para o do PCB. Não foi
surpresa. Prestes, em 1942, da prisão
telegrafou a Vargas, em agosto, cum-
primentando-o pela declaração de guer-
ra à Alemanha de Hitler. Olga Benário
fora entregue aos nazistas, seis anos
Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes
antes, com Anita Leocádia no ventre.
Na Rádio Carioca, Prestes, já com
91 anos, se recusou, polidamente, a
responder pergunta minha sobre Olga.
Não quis também falar a respeito do
argentino Osvaldo Gioldi, que teria
delatado à polícia de Filinto Müller o
endereço da conspiração de 1935, na
Rua Paul Redfern, em Ipanema/RJ. O
processo Olga, focalizado no clássi-
co de Fernando de Moraes, não era sim-
ples. Em 1934, ela, alemã, invadira
um tribunal em Berlim, que julgava
seu marido, mata dois guardas e o
liberta. Vai para Moscou, de onde
vem clandestinamente para o Brasil
com dois outros ativistas alemães,
Artur Evert e Elise Evert. Objetivo:
articular a revolta internacional co-
munista de 1935 e matar Vargas. Mui-
tos torturados, foram condenados, com
Prestes, pelo Tribunal de Segurança.
Olga, não. Isso por que Hitler pediu sua
extradição. O que Vargas poderia fazer?
Negar? Era tudo o que Hitler queria.
Ninguém governou o país num con-
texto internacional tão difícil. Vargas
não podia errar, no plano externo.
- Extrato (JB - 28 dez 2003)
* JAIRO CAMPOS
BeloHorizonte/MG
Parabéns é pouco para a edição
histórica/especial sobre a intentona
comunista, publicada pelo Inconfi-
dência. Tal gama de informações, não
creio que seja encontrada em qualquer
livro de história ou didático. Somente
consultando os jornais e revistas da
época e o livro “Camaradas”, de Wil-
liam Waack, que mergulhou nos ar-
quivos de Moscou, para trazer a pú-
blico o que realmente aconteceu.
Parabéns ao editor e àqueles que
colaboraram para a fiel divulgação da
maior traição jamais cometida contra a
Pátria e o Exército Brasileiro. (16/12)
NR: Como sugestão: os presi-
dentes dos Clubes Militares bem que
poderiam convidar o âncora da TV
Globo, William Waack, para apresen-
tar uma palestra sobre os “arquivos da
ditadura” encontrados em Moscou.
*Secretário da AREB/BH
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
21Nº 284 - Novembro/2020
Em 1935, as Forças Armadas Brasileiras, parcela fardada
de nosso povo, gente alegre e sem ódios, tomaram uma
decisão histórica, ratificada inteiramente em 1964:
tolerância zero com o comunismo!
LUIZ OSÓRIO MARINHO SILVA
Recife/PE
Quem se lembrará de ti, Tenente Sampaio?
Há setenta e quatro anos, em novembro de 1935, aqui em Recife, no interior
de um quartel próximo ao Parque 13 de Maio, foi assassinado, de maneira
covarde e traiçoeira, o 1º Tenente do Exército José SAMPAIO Xavier.
Em Natal, Recife e Rio de Janeiro, um levante comunista tentou implantar
em nosso país o mais cruel regime da história da humanidade. Outros militares,
também apanhados de surpresa e alguns até dormindo, foram assassinados por
então companheiros de farda, obcecados pela ideologia marxista e pela sede de
poder. Os conspiradores da Intentona Comunista foram derrotados e presos.
Um deles, o traidor e ex-sargento GREGÓRIO BEZERRA, foi o assassino do
jovem Tenente Sampaio.
Em Recife, no cemitério de Santo Amaro, resta um túmulo onde estão
enterrados os que morreram em defesa da Pátria. Os seus nomes já não são
lembrados pelo povo brasileiro e os atuais donos do poder desejam apagá-los
da nossa História. Mas, as suas mortes não foram em vão. Os verdadeiros heróis
de 1935 ainda inspiram o soldado brasileiro na eterna vigilância em defesa dos
princípios cristãos e democráticos da Pátria Brasileira.
Na distorção dos fatos históricos e inversão dos verdadeiros valores, mais
uma vez, governistas de plantão e aproveitadores de toda a natureza tentam
transformar traidores em heróis e covardes em valentes. Com o dinheiro dos
impostos, sob o patrocínio da Petrobras, Governo de Pernambuco, Prefeitura do
Recife, BNDES e COPERGÁS (Companhia Pernambucana de Gás), está sendo
rodado em Pernambuco o filme “História de um Valente, feito de ferro e de flor” que,
de forma ficcional, contará a história do “líder comunista” Gregório Bezerra, no
período de 1957 a 1964, quando foi novamente preso e “torturado” nas ruas do bairro
de Casa Forte. Aliás, esse será o principal momento da trama, o de maior apelo
emocional. Por que a história desse “valente” não é contada desde 1935?
O filme tem locações até mesmo no interior do Palácio do Campo das
Princesas, sede do Governo de Pernambuco. O orçamento, conforme consta no site
de divulgação, é de cerca de R$ 3,5 milhões. As filmagens começaram em se-
tembro e atualmente apresentam alguma dificuldade para a continuação. Deve
ser a necessidade de mais recursos, pois nesse tipo de obra os orçamentos
previstos são sempre insuficientes e, como todos sabem, os patrocinadores “públi-
cos” estão dispostos a dar um pouco mais, em nome da “verdade histórica”.
O título do filme é o mesmo do poema de Ferreira Gullar, do qual cito um
trecho:
Mas existe nesta terra / muito homem de valor / que é bravo sem matar
gente / mas não teme matador, / que gosta de sua gente / e que luta a seu favor,
/ como Gregório Bezerra, / feito de ferro e de flor.”
E quem falará de ti, Tenente Sampaio? Quem te dedicará um filme? Quem te
fará um poema? Quem te homenageará no 74º aniversário de tua morte? Partiste
muito cedo, quase um menino, com os teus sonhos e esperanças. Mas, deixaste
um país livre da nefasta ideologia. O teu algoz viveu até os 83 anos, morrendo
de “morte morrida”, sem se arrepender do teu sangue derramado. (27/11/2009)
NOSSO COMENTÁRIO
No dia 02 de abril de 1964, em Recife,
Gregório Bezerra, ex-Sargento do
Exército, que na Intentona Comunista
assassinou fria e covardemente o 1º
tenente José Sampaio Xavier e atirou
contra outros militares, estava sendo
espancado nas ruas do bairro de Casa
Forte.
As Freiras do Colégio Sagrada Fa-
mília, localizado nas proximidades, tele-
fonaram para o Quartel General relatando
o fato. O General Justino Alves Bastos,
Comandante do IV Exército, determinou
o comparecimento do Ten Cel Hélio Ibia-
pina Lima ao local, conhecido como Par-
namirim, onde estava ocorrendo o movi-
mento, sendo constatado o seguinte: o
Ten Cel Darcy Usmar Villoqc Vianna, di-
rigia um grupo, reforçado pela população
local, que a seu comando levava Gregório
Bezerra para o Parque de Motomecani-
zação da 7ª RM.
Gregório tinha uma corda amarra-
da ao seu corpo, roupa rasgada e estava
descalço. Caminhava com dificuldade,
pois o calor irradiado pelo calçamento da
rua, ao meio dia, provocara ferimentos na
sola dos pés. Em face da gravidade do
problema, o Ten Cel Ibiapina pediu refor-
ços para tomar as providências cabíveis.
Mesmo sabendo que poderia ser agredi-
do pelo grupo, conseguiu libertar Gregó-
rio enquanto aguardava os reforços, co-
locando-o sentado no meio-fio tendo em
vista o ferimento dos pés.
Durante a espera, Ibiapina, acom-
panhado somente de dois civis que busca-
vam garantir sua segurança e a de Gregó-
rio, lembrou-se de que o conheceu como
Sargento, na segunda metade da década
de 1930, tempo em que cursou o ginásio
no então Colégio Militar do Ceará.
Em um determinado momento des-
sa espera, Ibiapina foi abordado por um
operário que fazia um conserto em um
poste próximo de distribuição de energia.
O rapaz ofereceu ajuda, recusada por ele,
pois poderia colocar em risco a seguran-
ça de Gregório que, por duas vezes, de-
monstrou temer que “seu dia havia che-
gado” e que “o contato com o povo, nes-
se dia, poderia lhe ser fatal”.
O Ten Cel Ibiapina conduziu Gre-
gório para o Quartel do Forte das 5 Pon-
tas, local onde recebeu atendimento mé-
dico, roupa limpa, comida e tomou banho,
salvando a sua vida.
Ao ler o artigo acima, relembrei-me
do caso que me foi contado pelo General
Ibiapina, nos idos de 1997, quando exer-
cia a Presidência do Clube Militar. Nessa
ocasião lhe apresentei uma antiga revista
da UNE (?), na qual era chamado de “tor-
turador”, como não podia deixar de ser,
tão bem ao gosto dos mitômanos petistas/
comunistas.
‘Lulla’ recebeu em julho deste
ano, em Salvador, a Grã-Cruz da Or-
dem Dois de Julho – Libertadores da
Bahia e, na oportunidade, homena-
geou alguns ‘heróis brasileiros’, ci-
tando o nome do facínora Gregório Be-
zerra, como se este crápula pudesse
ser considerado um deles. ‘Lulla’ afir-
mou que alguns ‘heróis nacionais’
foram relegados ao ostracismo, con-
siderados bandidos e que é preciso
resgatar suas ‘histórias de lutas’. Cri-
ticou, ainda, o tratamento que se dá a
esses personagens, considerados co-
mo vítimas, quando deveriam ser tra-
tados como heróis e complementou
dizendo que isso se tratava de um equí-
voco histórico.
O equívoco não é da história,
mas da ‘companheirada’ que, como
‘elle’ acha que assassinar brasileiros
indefesos, ainda dormindo, pode ser
considerado um ato heróico. No mun-
do real ‘Lulla, esses bandidos seriam
condenados por homicídio triplamente
qualificado pela covardia, crueldade e
torpeza de motivos.
O COVARDE E SANGUINÁRIO HERÓI
DO PRESIDENTE: GREGÓRIO BEZERRA
Coronel Hiram Reis e Silva
Trajetória de um Assassino
O ex-sargento do Exército, Gre-
gório Bezerra, nasceu no Sítio Mo-
cós, em Panelas de Miranda/PE, em 13
de março de 1900. A 06 de agosto
1917, participou, em Recife, de uma
passeata que reivindicava melhores
salários e se solidarizava ao movi-
mento bolchevique soviético. Bezer-
ra é preso, julgado .
Mais tarde, no Recife, em 1923,
ingressa no Exército, sendo transferi-
do para o Rio de Janeiro. Em 1927, faz
o curso de Sargento de Infantaria. Co-
mo segundo-sargento, é designado Ins-
trutor da Companhia de Metralhadoras
Pesadas na Vila Militar, no Rio de Ja-
neiro e logo em seguida, pede trans-
ferência para o Recife. Em janeiro de
1930, filia-se ao Partido Comunista
Brasileiro – PCB passando a “organi-
zar a massa militar na caserna”. Em
1935 era um dos líderes do movimento
armado Aliança Nacional Libertado-
ra (ANL).
Gregório Bezerra
ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA
A Aliança, de movimento de massas a núcleo
de ação dos militares do PC
Aliança Nacional Libertadora (ANL)
foi uma organização de massas cri-
ada a partir de uma diretiva geral da
Internacional Comunista, sob a inspi-
ração da política de frente popular pra-
ticada por comunis-
tas e socialistas na
França desde 1934,
para se contrapor à
ascensão do fascis-
mo. No Brasil, as-
sumiu dupla feição:
antiintegralistaena-
cionalista.
Foi instalada
em sessão solene a
2 de março de 1935,
no Teatro João Caetano, no Rio, sob a
Presidência do Comandante Herco-
lino Cascardo. Nesse dia, o estudan-
te Carlos Lacerda fez sua estréia po-
lítica propondo a eleição de Luís Car-
los Prestes para a presidência de Hon-
ra da ANL, o que foi feito, por aclama-
ção.
A ANL chegou a ter mais de
1.500 núcleos municipais e distritais,
mobilizando diretamente de 70 a 100
mil filiados (estimati-
va do historiador ame-
ricano Robert Levine)
- ou 400 mil, segundo
os dirigentes da pró-
pria ANL. A popula-
ção brasileira não che-
gava as 40 milhões de
habitantes.
O movimento foi
fechado pelo Gover-
no Vargas em 11 de
julho de 1935, passando a atuar na clan-
destinidade. Acentuou sua componen-
te militar e, em resposta à ilegalização,
o que dela restou marchou, sob a dire-
ção estrita do partido Comunista, para
o levante armado.
Coerência nas contradições:
o velho estilo de Prestes
O depoimento de Prestes sobre
1935 estrutura-se segundo um
molde invariável, que não oculta as con-
tradições de sua versão. Em primeiro
lugar, classifica como ponto culmi-
nante da atividade do Partido Comu-
nista uma tentativa fracassada, que ele
mesmo procura apresentar como pre-
cipitada, cuja eclosão lhe causou uma
"surpresa realmente muito grande".
Depois de mostrar como a ANL
foi animada pelo Partido Comunista,
a partir de uma campanha pela liber-
tação de Dimitrov, dirigente da In-
ternacional Comunista, afirma que é
uma "calúnia" a relação que se faz en-
tre o movimento aliancista e a Inter-
nacional Comunista.
Prestes informa que era novato
no Partido Comunista quando chegou
ao Brasil, em abril de 1935, que não
tinha nenhum posto de direção. Mais
adiante, diz que Filinto Müller não ti-
nha conhecimento prévio da eclosão
do motim no Rio. E explica: "A questão
foi decidida exclusivamente por mim".
Finalmente, revela que acredi-
tava, apesar de tudo o que argumen-
ta a respeito da impropriedade do mo-
mento, na viabilidade da ação militar
insurrecional. Se os revoltosos do 3º
R. I. tivessem conseguido chegar ao
Arsenal de Marinha, "seria muito di-
ferente". (O Globo 27.11.1983)
O Gen. Ibiapina autorizou a publicação,
a 18/12/2009, após entendimentos telefônicos
com este editor, Cel Carlos Claudio Miguez
E o Ibiapina, o salvou...
Publicado no Inconfidência nº 158 de 27 de novembro/2010
22Nº 284 - Novembro/2020
ORGAO OFFICIAL DO GOVERNO POPULAR REVOLUCIONARIO
Rio Grande do Norte-Natal, quarta-feira, 27 de novembro de 1935
Enfim, pelo esforço invencivel
dos opprimidos de hontem, pela
collaboração decidida e unanime do
povo, legitimamente representado
por soldados, marinheiros, operarios
e camponezes, inaugura-se no Bra-
sil a era da Liberdade, sonhada por
tantos martyres, centralizada e
corporificada na figura legendaria -
omnipresente no amor e na confiança
divinatoria dos humildes - de LUIZ
CARLOS PRESTES, o “Cavalleiro da
Esperança”!
Fac-símile do jornal da Junta Governativa da
Aliança Nacional Libertadora - Natal/RN
Vencida a resistência da Polí-
cia, a cidade ficou à mercê de uma
verdadeira malta que, acéfala, pas-
sou a saquear desordenadamente
os estabelecimentos comerciais e
bancários.
Na manhã de 24, sob a alegação
de ter sido aclamado pelo povo, um
incipiente "Comitê Popular Revolu-
cionário" era dado como governo
instituído e entrava em pleno exer-
cício de mandato.
O primeiro ato desse Comitê foi
a ordem de arrombamento dos co-
fres dos bancos, das repartições
federais e das companhias particu-
lares para financiar a revolução.
Saques em Natal
As instalações do Banco do Brasil em
Natal/RN, saqueadas pelos rebeldes
A INTENTONA COMUNISTA EM NATAL
* José Gurgel Guará
23 de novembro de 1935
Na Intentona Comunista, em Natal,
eu tinha 14 anos de idade. Recor-
do-me perfeitamente daqueles terríveis
dias por que passamos. Não sofremos
fisicamente, graças a Deus, mas a ten-
são era muito grande. Estando na praia
da Redinha com meu irmão Gerardo,
fomos despertados alta madrugada do
domingo, 24 de novembro, com sons
de verdadeira fuzilaria, que vinha de
Natal. Era a Revolução Comunista que
se iniciara às 19 horas do dia anterior,
com a rebelião dos graduados e solda-
dos do 21º Batalhão de Caçadores do
Exército. Os amotinados prenderam os
poucos oficiais que se encontravam no
quartel. A seguir, atacaram o Quartel
da Polícia Militar, onde, após dezenove
horas de combate, conseguiram se apo-
derar daqueles bastião de glórias, ape-
sar da heróica resistência de seu Co-
mandante, o bravo Major Luis Júlio e
do indômito Tenente-Coronel Otaviano
Pinto Soares, Comandante do 21º Bata-
lhão de Caçadores, que, sendo recebi-
do a bala ao tentar entrar no seu quar-
tel, já amotinado, resolvera dirigir-se
ao Quartel da Polícia Militar, para cola-
borar na defesa de legalidade, contra
os comunistas. O Major Luís Júlio con-
seguiu resistir até às 14 horas do dia
seguinte, domingo 24 de novembro,
enquanto permitiram os precários meios
de que dispunha. Os comunistas fica-
ram senhores da Cidade e na segunda-
feira, dia 25, na parte da tarde, se dirigi-
ram ao interior com o objetivo de con-
quistar Caicó e outras cidades, mas fo-
ram barrados na Serra do Doutor, na
região do Trairi, na tarde de 26 de no-
vembro, com a defesa organizada por
Dinarte de Medeiros Mariz e o Mon-
senhor Walfredo Gurgel, que recruta-
ram heróicos combatentes do sertão,
para a defesa das famílias e de nossas
tradições de cristandade. Na Serra do
Doutor, houve grande debandada dos
revoltosos e algumas mortes dentre eles.
Finalmente, com a queda e completa
derrota dos amotinados no Rio de Ja-
neiro e Recife, nos combates do dia 27
de novembro, a Intentona Comunista
no Brasil perdeu seu ímpeto, sendo
completamente aniquilada.
Nos três dias de dominação de
Natal, os comunistas cometeram mui-
tos desatinos, criando um ambiente de
incertezas e de terror, em face das ten-
sões dominantes. Foram saqueados o
Banco do Brasil e algumas casas co-
merciais, como a “Despensa Natalen-
se”, o grande empório de secos e mo-
lhados da viúva Machado. Na Redinha,
foi aprisionado o funcionário público
Arnaldo Lira, por haver confessado ter
conhecimento da existência de armas
escondidas, mas que não ia revelar o
esconderijo. Ao chegar em Natal, foi
agredido e furado a baionetas pelos
soldados, seus algozes, falecendo dias
depois, com grandes padecimentos.
Houve ainda três mortes, a do comerci-
ante Otacílio Werneck, em frente a sua
residência; de uma moça, atingida por
uma bala perdida, quando passava de
automóvel, pela sede do Esquadrão de
Cavalaria da Polícia Militar, onde hoje
está a Escola Doméstica de Natal; e na
tarde de 24 de novembro, o soldado
Luís Gonzaga de Souza, da Polícia Mi-
A Alliança N. Libertadora
nãopoudenempoderáservencida,
porquetodosestamosunidosecadaum
denóséumsoldado.
Ao tombar um, dez, cém, mil
aprumar-se-ão nas fileiras.
E contra essa floresta de fuzis
não haverá força que nos possa
separar ou esmagar !
Cópia da página 4
* Advogado e Professor Universitário
Aposentado
Fac-símiledaprimeirapáginade"ARepública"
Natal, quinta-feira, 28 de novembro de 1935
A Intentona Comunista teve
início na cidade de Natal. Aguar-
damos a solenidade / formatura
sobre o ocorrido nesta cidade a
24 de novembro de 1935, a ser
realizada pela 7ª Brigada de In-
fantaria Motorizada.
Esquecer, também é trair!
NATAL
litar, morto quando retraía com os com-
batentes da Polícia Militar sobre o rio
Potengi. De resto, foram saques isola-
dos e mais não aconteceu porque per-
maneceram no poder apenas por três
dias e não tiveram muito tempo de pro-
gramar maiores desordens e atrocida-
des.
Na praia da Redinha, no dia da
prisão de Arnaldo Lira, que cheguei a
vê-lo partindo sob escolta militar, os
revoltosos revolviam os quartos das
residências à procura de armas e de va-
lores. Revistaram todas as casas, in-
clusive a nossa. Finalmente, a última
lembrança daqueles dias de infância se
refere a um avião biplano, do Correio
Aéreo Militar, que no dia 27 de novem-
bro surgiu nos céus de Natal. O avião
jogou uma mensagem no convés de um
navio surto no porto, perguntando se
a Cidade ainda estava em poder dos
rebeldes. Graças a Deus e à Virgem Ma-
ria, a nossa Cidade do Natal, já estava
livre dos comunistas!
A Intentona Comunista em Na-
tal, deflagrada às 19 horas, daquele
fatídico 23 de novembro de 1935, pe-
gou de surpresa o povo e as autorida-
des do Estado.
Encerradas as solenidades de
colação de grau dos quinto-anistas do
Colégio Marista, no Teatro Carlos Go-
mes, os Doutores Rafael Fernandes
Gurjão, Governador do Estado; Aldo
Fernandes Raposo de Melo, Secretá-
rio-Geral; Capitão Genésio Lopes, De-
legado-Auxiliar; Capitão José Bezerra
de Andrade, Ajudante de Ordens do
Governador e os comerciantes Epifânio
Dias Fernandes e Heráclio Fernandes
de Queiroz conseguiram chegar à resi-
dência do Senhor Xavier de Miranda,
localizada na Avenida Duque de Caxias,
ficando ali abrigados. Posteriormente,
foram transferidos para a residência do
Agente Consular da Itália, Guglielmo
Lettieri, ai permanecendo até a manhã
de 27 de novembro, quando o Dr Rafael
Fernandes Gurjão reassumiu o Gover-
no do Estado, após a derrocada total
do movimento insurrecional.
O restante do secretariado do
Governo do Rio Grande do Norte, Dou-
tores Gentil Ferreira de Souza, Prefeito
de Natal, Paulo Pinheiro de Viveiros,
Chefe do Gabinete do Governador;
Edgar Ferreira Barbosa, Diretor do jor-
nal oficial “A República” e o Mon-
senhor João da Mata Paiva, Presidente
da Assembléia Legislativa ficaram abri-
gadosnaresidênciadocomerciante Ama-
dor Lamas, irmão do Agente Consular
do Chile, Carlos Lamas, que igualmente
se transferiu para a residência do ir-
mão, com a bandeira e demais creden-
ciais de seu país, de modo a conceder
aos ilustres refugiados as garantias
diplomáticas daquele país amigo. Des-
se modo, puderam todos ficar tranqüi-
los no consulado, sem receber qual-
quer perseguição ou simples intimação,
nada lhes faltando durante os angusti-
osos dias de dominação comunista.
Nos comentários inseridos em
seu documentado e elucidativo livro
sobre a Intentona Comunista de Natal,
intitulado “82 Horas de Subversão”
(Imprensa Oficial - Natal/1936), o Dr
João Medeiros Filho, então chefe de
Polícia do Governo do Dr Rafael Fer-
nandes Gurjão, e que esteve preso dos
comunistas no Quartel do 21º Batalhão
de Caçadores, ameaçado de morte por
várias vezes, referindo-se aos trágicos
dias de tensão vividos pelas famílias
natalenses, diz que “o povo do Rio
Grande do Norte ficou muito a dever
aos dignos chilenos da família Lamas,
e pelo seu heroísmo e dedicação na
defesa dos ideais de liberdade, dos
princípios da boa ética e da frater-
nidade universal”. Igual procedimen-
to devemos ter com o Agente Consular
da Itália, Guglielmo Lettieri.
Natal ficou em poder dos insur-
retos até a manhã de 27 de novembro,
quando começou a debandada dos mem-
bros do Governo Popular Revolucio-
nário composto por João Lopes, asses-
sor do Comitê Central do Partido Co-
munista Brasileiro; Sargento Quintino
Clementino de Barros, Secretário da
Defesa; Lauro Lago, Secretário do In-
terior e Justiça; José Macedo, Secretá-
rio de Finanças; Advogado João Batis-
ta Galvão, Se-
cretário de Via-
ção e do Sapa-
teiro José Pra-
xedes de An-
drade, Secretário de Aprovisionamento.
Fugiram para o interior do Esta-
do, sendo aprisionados na localidade
de Lajes por tropas da Polícia Militar e
recambiados para a capital. Julgados e
condenados, anos depois foram liber-
tados pela nefária anistia, que, neste
país, costuma premiar assassinos e de-
linqüentes que se notabilizaram por tra-
mar contra a soberania, a integridade e
a segurança da Nação brasileira.
Aqueles dias tumultuosos fica-
ram impregnados na mente dos habi-
tantes deNatal,comoumatristelembran-
ça da tragédia que se abateu sobre todos
os nossos lares. E cada um dos morado-
res desta cidade passou a recordar os
vários episódios de acordo com sua pró-
pria visão e de como se encontravam
durante aqueles tristes acontecimentos.
Publicado no Inconfidência nº 88 de 27 de novembro de 2005
23Nº 284 - Novembro/2020
A INTENTONA COMUNISTA EM PERNAMBUCO
RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 279 - ANNO 111 SEXTA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 1935
RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 277 - ANNO 111 QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 1935
A MORTE DO TENENTE
SAMPAIO XAVIER
RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 280- ANNO 111 SABBADO, 30 DE NOVEMBRO DE 1935
Em cerimônia começada às 07:30h de 27 de novembro de 1945; a 7ª Região
Militar prestou uma homenagem junto ao túmulo do Cap. Ex. José Sam-
paio Xavier, no cemitério de Santo Amaro, recordando “os que soube-
ram tombar no cumprimento do dever militar, durante o movimento co-
munista de 1935 e que se tornaram merecedores do apreço e venera-
ção de todos.”
O 6º Regimento de Aviação compareceu com uma representação de 40
oficiais, sargentos e praças. Na oportunidade, foi depositada uma coroa de
flores no túmulo do Cap. Sampaio, como homenagem da Força Aérea Bra-
sileira. Em nome da Guarnição de Aeronáutica do Recife, discursou o Ten.
Cel. Av. Sinval de Castro e Silva Filho, Comandante da Base.
HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA
INTENTONA COMUNISTA
O MASSACRE DO RECIFE
...”Dos três levantes comunistas de !935, foi o de Pernambuco o mais
sangrento, recolhendo-se 720 mortos só na operação da frente do Re-
cife”... (Página 424)
A CHACINA NO RIO DE JANEIRO
LARGO DA PAZ
OS QUE MORRERAM DORMINDO
Cerca de 10 horas de domingo
achava-se o 1º tenente José Sam-
paio Xavier, em um dos departamen-
tos do CPOR, em companhia do te-
nente Aguinaldo e do 3º sargento Jo-
sé Alexandre Bezerra.
Aquelles militares estavam con-
sertando vários carregadores de me-
tralhadoras quando apparece, de re-
volver em punho, o 1º sargento Gre-
gorio Lourenço Bezerra, que os inti-
ma à rendição immediata.
Nesta occasião, o agressor al-
veja o tenente Sampaio e tenta dispa-
rar novamente a arma contra o te-
nente Aguinaldo. O sargento José
Alexandre, porem, empenha-se em
violenta luta corporal com o collega,
que, apezar subjugado ainda fez ou-
tros disparos sem resultado.
O sargento Gregorio no entan-
to, conseguiu fugir escondendo-se no
próprio quartel. Alguns minutos de-
pois tentava uma nova fuga, embora
ferido em uma perna transportou-se
à sede do Tiro de Guerra nº 333, com
o intuito de alliciar elementos para a
resistencia.
Nº 333
Auxiliado ali, ao que se presu-
me, por um soldado, chauffer da Re-
gião, o sargento Gregorio apossou-se
de fuzis e 2 cunhetes.
Um grupo de 30 solados da Bri-
gada Militar tomou de assalto a sede
da corporação, capturando os rebel-
des e fazendo apprehensão de arma-
mento.
A VICTIMA
O 1º tenente José Sampaio Xa-
vier prestava serviços na Intenden-
ciadaRegiãoehaviaconcluídohápou-
co tempo o curso de aviador. O seu
enterramento verificou-se no mes-
mo dia na necropole de Santo Amaro,
com grande acompanhamento.
OS MORTOS
O número de mortos não iden-
tificados é grande principalmente das
zonas de Afogados, Estrada dos Re-
médios, Formigão,Catucá,Barriguda,
Bongy e da estrada que vai do Giquiá a
Soccoro. Em todo o levante, calcula-se
em 150 o número de mortos.
NO PROMPTO SOCORRO
Ao chegar ao P.S. o sargento
GregorioLourençofoicapturadopelo
tenente Aguinaldo, que se achava ali
em tratamento.
UM SARGENTO DO 20º BC
MORTO EM COMBATE
Foi sepultado no cemitério de
Santo Amaro, ante-hontem, à tarde
na catacumba nº 8 da Irmandade da
Boa Morte, o sargento Jayme Pan-
taleão Moraes do 20º BC morto em
combate contra os amotinados.
O 22º BC SEGUE
PARA NATAL
Às 14 horas de hoje, ainda che-
gava ao Recife uma esquadrilha de
aviões do Exercito.
"Nesse meio tempo ouviam-se os primeiros tiros partidos da frente
do prédio da Companhia de Alunos, onde dois grupos de combate, dos
Tenentes Benedito Lopes Bragança e Osvaldo Braga Ribeiro Mendes,
foram surpreendidos por gritos de “Viva a Revolução”, enquanto sua
tropa se dispersava e eles eram presos e recolhidos ao automóvel invasor,
ficando sob vigilância do Capitão Agliberto de Azevedo. Foi aí, segundo
testemunho do Ten. Ribeiro Mendes, que aquêle oficial matou friamente
o Ten. Bragança, com um tiro na cabeça.
A ação foi super-rápida, a exemplo da realizada no 3º R.I. O co-
mandante e seus oficiais foram alvejados pelos soldados do Sarg. Belda,
que também era revolucionário, indo abrigar-se por impossibilidade de
reação imediata, no posto de comando da 1ª Brigada de Infantaria. Em
outros setores, os Ten. Benedito de Carvalho, Ivan Ramos Ribeiro, Di-
marco, França e Asp. Walter sublevavam a Companhia de Alunos e a
Guarda do Portão Principal (que dava para a antiga Estrada Rio- São
Paulo).Dois oficiais legalistas, Capitão Armando de Souza e Melo e Te-
nente Danilo Paladini foram mortos na ocasião, diz-se que ainda dormin-
do, por Agliberto e Ivan”. ( Página 429)
Transcrito do livro “HISTÓRIAS DAS REVOLUÇÕES BRASILEI-
RAS”, VOLUME II, de autoria do historiador GLAUCO CARNEIRO.
NR: A conspiração comunista vem de longe. Observem
como atuavam. Hoje, identificamos perfeitamente as áreas
contaminadas, particularmente no governo federal.
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
24Nº 284 - Novembro/2020
VOS FOI DADA NOTÍCIA.
O MAIS QUE VOS CONTARAM
FOI QUE HOUVE UMA INTENTONA,
UM MOTIM DE QUARTEL,
E MISTURAM AS PALAVRAS,
PARA QUE NA VOSSA MEMÓRIA
SE CONFUNDISSEM
O BANDITISMO E A GLÓRIA.
PARA QUE EM VOSSOS CORAÇÕES INGÊNUOS,
VIRGENS DA MARCA DA MALDADE,
VIBRASSE APENAS A CORDA DA PIEDADE,
O CRIME DEIXARA DE SER CRIME,
ERA SOMENTE LOUCURA
ERA ALUCINAÇÃO DE MOCIDADE...
OS MORTOS
ESTAVAM MORTOS E ENTERRADOS
MAS OS VIVOS
PRECISAVAM DE SER RECUPERADOS,
E A GRANDE PALAVRA,
A PALAVRA-ESPONJA,
A PALAVRA-ESQUECIMENTO
ERA CHAMADA À BOCA DESSE PALCO
ONDE SE REPRESENTARIA
A COMÉDIA DO SILÊNCIO.
O SILÊNCIO ETERNO DOS QUE MORRERAM,
O SILÊNCIO ETERNO
A PROTEGER OS MONSTROS QUE FICARAM.
MOÇOS PATRÍCIOS
DE VINTE E SEIS ANOS
NADA SABEIS, QUE NADA VOS CONTARAM.
NO CEMITÉRIO,
AS CORNETAS DOS SOLDADOS
TOCARAM UM DIA O TOQUE DO SILÊNCIO,
O TOQUE TRISTE
QUE É A ÚLTIMA VOZ DO MUNDO
A GERIR OS UMBRAIS DA ETERNIDADE,
O TOQUE-LÂMINA SONORA
QUE PARECE RASGAR O AR
E CORTAR AS ALMAS...
O SILÊNCIO... O SILÊNCIO...
E ELE TERÁ DE SER CADA VEZ MAIS PROFUNDO,
SER UMA PEDRA ESQUECIDA
SOBRE O TÚMULO DESSES MORTOS
QUE FORAM PEDAÇOS VIVOS DO BRASIL,
E ERAM CARNE PALPITANTE DO BRASIL!
SILÊNCIO... SILÊNCIO
PARA QUE ESSES MORTOS NÃO ESCUTEM
O QUE SE DIZ CÁ FORA,
PARA QUE NÃO OUÇAM, POR MILAGRE,
O OUTRO TOQUE DE SILÊNCIO,
O TOQUE INFAME
QUE ORDENA AOS VIVOS CALAR A SUA REVOLTA,
A AFOGAR A SUA CÓLERA
NA LAMA DOS PÂNTANOS...
SILÊNCIO, QUE OS VIVOS ESTÃO VIVOS
E COMANDAM,
SILÊNCIO, PORQUE OS MORTOS JÁ MORRERAM.
MAS É BOM NÃO ESQUECER
QUE HÁ MORTOS QUE SÃO COMO O SOL
QUE MORRE TODAS AS TARDES
PARA NO DIA SEGUINTE RENASCER...
OGoverno, autoridades civis e mili-
tares e o povo brasileiro recorda-
ram, anteontem, em cerimônias solenes,
os heróis da Pátria, tombados, a 27 de
novembro de 1935, em defesa da Repú-
blica, quando maus brasileiros, a servi-
ço do comunismo Internacional, leva-
ram a cabo o "Putsch" da Escola de
Aviação, no Campo dos Afonsos e do
III Regimento, na Praia Vermelha.
Repousam eles em Mausoléu
construído pela Nação para abrigar-
lhes os restos mortais. Mas como o seu
espírito continua vivo, responderam
eles ao chamado militar com o "presen-
te" simbólico, ouvido por aqueles que
lhes foram levar o seu preito de sauda-
de e de agradecimento.
São trinta heróis – oficiais supe-
riores e soldados rasos – que irmana-
dos em defesa da
bandeira da Pátria
ofereceram a ne-
cessária resistên-
cia até que, com a
chegada de forças
de fora, fosse a In-
tentona domina-
da. A minoria, que
se colocara a ser-
viço dos inimigos
externos do País, foi esmagada graças
a fidelidade das Forças Armadas às
instituições que nos regem desde que
os nossos maiores proclamaram a in-
dependência do Brasil.
Os inimigos não dormem. E a na-
ção que quiser sobreviver e afirmar-se
como uma força histórica a serviço da
humanidade terá de estar atenta aos ata-
ques, quer venham de fora, quer sejam
preparados no interior, com a colabora-
ção dos traidores.
O comunismo internacional olha
com cobiça, desde muitos anos, para
os países em desenvolvimento, que,
por enfrentarem problemas sociais,
são sensíveis à demagogia dos que que-
rem explorar-lhes a pobreza, para do-
miná-los politicamente.
Logo depois da Primeira Guerra
Mundial, a tática adotada foi a do
"Putsch", isto é, do golpe de surpresa
contra o Governo, na certeza de que,
esmagada a cabeça, a conquista do po-
der seria trabalho de somenos.
Dentro desta linha de golpes, es-
teve a intentona comunista de 1935,
chefiada pelo membro do "Kommintern"
Harry Berger e que teve a assessorá-lo
o ex-Capitão do Exército Luís Carlos
Prestes. Mas o seu golpe espatifou-se
contra a fidelidade do Exército à Pátria.
Demonstrou ele ser mais uma vez, repe-
tindo os seus feitos no passado, aquilo
que o General Orlando Geisel, em sua
Ordem do Dia, denominou de "Roche-
do inabalável da Nacionalidade".
Depois da segunda Guerra Mun-
dial, tendo a União Soviética conquis-
tado muita simpatia, pela sua resistên-
cia à agressão nazista, a tática foi mu-
dada. O caminho escolhido foi o da
guerrilha rural e urbana que, porém,
também fracassou, a despeito de de-
senvolvida, com o máximo de recursos,
na Grécia, na Venezuela, na Bolívia, na
ROCHEDO DA
NACIONALIDADE* Theóphilo de Andrade
Colômbia e no próprio Brasil. Mas tam-
bém fracassou.
Este período ainda não está termi-
nado, na América Latina. Desde que Fidel
Castro, em um golpe de traição, tomou
conta de Cuba, o comunismo Internaci-
onal tudo faz para transformar os Andes
em uma grande Sierra Maestra.
Os comunistas, de resto, são ati-
vos. Fazem o seu jogo "à deux façons". O
partido tem sempre duas alas: a pública e
a subterrânea. Na primeira, tratam de agir
como uma agremiação democrática co-
mum, buscando concorrer com as outras
pela preferência do eleitorado. A outra, a
putschista, golpista e revolucionária.
Agem, porém em conjunto. Se conse-
guirem chegar ao poder pelas urnas,
pelo descuido dos democratas, como
aconteceu no Chile, tanto melhor. A ala
subterrânea somente
agirá no último mo-
mento, para dar o gol-
pe de graça no regime
democrático.
É esta a experi-
ência do que tem acon-
tecido no Mundo, no
último meio século.
Sendo uma minoria
muitobemorganizada,
procuram os comunistas infiltrar-se nas
Forças Armadas, nos sindicatos, no pro-
fessorado, na imprensa, nas agências de
notícias e muito especialmente no cle-
ro. Somente as Forças Armadas têm
demonstrado capacidade de resistên-
cia a esta ofensiva vermelha.
Foram elas que barraram o passo
à subversão vermelha na Grécia, na
Bolívia, na República Dominicana, no
Chile, recentemente, e, por duas vezes,
no Brasil: em 1935 e em 1964.
Na primeira, contra o "Putsch";
na segunda, contra a infiltração no Go-
verno.
Desde a intentona de 27 de no-
vembro tem o partido comunista man-
chado a vida brasileira com sucessivos
atentados. Ainda ontem, os órgãos da
segurança forneceram à imprensa uma
lista da ação terrorista, que, no curto
período que medeia entre março de 1965
a outubro de 1973, ceifou 106 vidas e
fez 343 feridos.
São eles também recordados no dia
27 de novembro quando tombaram os
primeiros soldados da Forças Armadas
na luta contra o comunismo. Trata-se de
vítimas de uma subversão permanente,
diferente do "Putsch", que é um golpe de
surpresa. Tem por finalidade desmorali-
zar o regime pela infiltração, gota a gota.
Mas para este ataque deve tam-
bémestarpreparadaaNação.Nodia27de
novembro contou com a reação das For-
ças Armadas, como instituição guerreira.
Na subversão continuada, estão a seu
cargo a vigilância, a repressão, a prisão e
a entrega dos réus a julgamento.
Por outro motivo, é a luta levada a
cabo pelas polícias do Exército, da Mari-
nha e da Aeronáutica.
Em qualquer dos casos, as Forças
Armadas são "o rochedo inabalável da
nacionalidade".
O comunismo internacional olha
com cobiça, desde muitos anos,
para os países em
desenvolvimento, que, por
enfrentarem problemas sociais,
são sensíveis à demagogia dos
que querem explorar-lhes a
pobreza, para dominá-los
politicamente.
* Jornalista
Publicado no Correio Braziliense de 29/11/1973
O CRUZEIRO
EXTRA
Se desejar receber via postal, um exemplar destas revistas,
envie R$ 20,00, por cada uma delas.
EDIÇÕES HISTÓRICAS
MANCHETE
Edição Histórica / 1964
Edição Histórica da
Revolução
O SINO VELHO DO CEMITÉRIO
BATEU TRÊS PANCADAS:
ERAM MORTOS QUE ENTRAVAM
PARA SER ENTERRADOS,
PARA QUE A TERRA OS
ACARICIASSE COM TERNURA
COMO A VIDA NÃO OS ACARICIARA.
PARA QUE A PODRIDÃO DE SEUS CORPOS
REFULGISSE, À NOITE, EM FOGOS-FÁTUOS,
E, ATRAVÉS DAS RAÍZES DAS PLANTAS,
SUBISSEM ÀS FLORES CARREGADAS
DE PERFUME.
ERAM MORTOS QUE ENTRAVAM
PARA SER ENTERRADOS...
DE ONDE VINHAM ELES,
TANTOS ASSIM, DE UMA VEZ?
E QUANTOS ERAM? ERAM MUITOS,
ERAM DEZENAS,
E ERAM TODOS SOLDADOS DO BRASIL.
MATARAM-NOS À TRAIÇÃO QUANDO DORMIAM.
E FORAM COMPANHEIROS QUE OS MATARAM
NÃO FOI A GUERRA, FOI O CRIME QUE OS MATOU.
DORMIAM NO QUARTEL, DE MADRUGADA,
MAS A SEU LADO
EM SINISTRA VIGÍLIA,
COMPANHEIROS SEM ALMA CONSPIRAVAM
SEM ALMA PORQUE A TINHAM VENDIDO
AO ESTRANGEIRO DE VESTES VERMELHAS...
ERAM OS FILHOS MALDITOS DE CAIM.
MAS PORQUE OS MATARAM,
POR QUE OS MATARAM,
SE O SEU PENSAMENTO,
SE O SEU SENTIMENTO,
ERA O DE HOMENS LIVRES
ARMADOS PARA QUE A LIBERDADE
NUNCA DEIXASSE DE COBRIR O MUNDO
COM SEU MANTO DE ESTRELAS?
POR QUE OS MATARAM,
SE ERAM TÃO PUROS E TÃO NOBRES
QUE NEM ACREDITAVAM NA MALDADE,
E TÃO PRESOS ESTAVAM AO SEU SONHO
QUE DORMIAM TRANQÜILOS.
MATARAM-NOS POR ISSO, MATARAM-NOS
PORQUE SABIAM
QUE ELES NUNCA SE LEVANTARIAM
PARA UNIR-SE A BANDIDOS QUE QUERIAM
FAZER DE SUA TERRA UMA TERRA
DE ESCRAVOS.
NAQUELA MADRUGADA
O SANGUE DE INOCENTES ENCHARCOU O CHÃO.
ALI BEM PERTO,
UMA PRAIA TINHA O NOME DE VERMELHA,
MAS ERA BRANCA COMO SUA AREIA,
COMO A ESPUMA DO MAR...
TINGIR-SE-IA, NAQUELA MADRUGADA,
COM A TINTA DAQUELE SANGUE
DE SOLDADOS TRANQÜILOS QUE DORMIAM.
E, DEPOIS, OS CHACAIS DESFILARIAM
RISONHOS, COMO HIENAS SATISFEITAS,
DENTES À MOSTRA NAS FOTOGRAFIAS
QUE MUITOS VIRAM
E LOGO ESQUECERAM...
MOÇOS QUE NASCESTES NAQUELE ANO.
QUE HOJE TENDES VINTE E SEIS,
NÃO PODEIS COMPREENDER AQUELE QUADRO.
PORQUE DELE, VAGAMENTE,
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
*Carlos Maul
* Foi escritor, jornalista e político fluminense
(Publicado em 1961)
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
As vítimas da traição comunista de 27 de novembro de 1935, vão receber
segunda-feira, às 9h, no Cemitério de São João Batista, as homenagens
daqueles que lhes devem o gôzo da liberdade que nos é tão cara. Mais uma vez,
os democratas brasileiros manifestarão a sua repulsa aos frios assassinos de
1935, aos apátridas e traidores que desprezaram a pátria. Os que continuam a
viver no amor a Deus darão mais uma prova cabal do seu repúdio ao materialis-
mo ateu e do seu eterno reconhecimento aos heróis sacrificados na defesa do
Brasil e dos seus ideais cristãos.
O GLOBO Rio de Janeiro,
25 de novembro de 1961
NR: E hoje, algum órgão da mídia publicou qualquer notícia sobre este evento?
25Nº 284 - Novembro/2020
O túmulo do Capitão Bragança
no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte
Desgraçado:
Que fizeste do meu filho?
Que mal te fez êle?
Mataste-o impiedosamente pela tua
ambição de mando e de riqueza.
Êle era um servidor da Pátria que tu
traíste, mas não tinha o poder que tu
ambicionavas nas tuas
mãos.
Assassino.
Mataste meu filho, que
aquelahoranocumprimen-
to do seu dever velava, en-
quanto tu, maldito, demen-
te idealista sacrílego, feria
tua - Grande Mãe - Malva-
do, se tanto podes juntes
com tua Madrasta -Rússia-
e devolva-me meu filho!
Matricida.
Rasgaste o peito da boa
mãe que quatro anos em-
balou a tua mocidade, dan-
do-te roupas, alimentação,
ensinamentos, no meio de centenas de
irmãos, ferindo-a no coração.
Covarde.
Nem a morte te quer; tu que ve-
nalmente quiseste enfrentar um Exér-
cito leal não tens coragem para te ma-
tares.
Mata-te, desgraçado, já que traíste
mães que soubessem te guiar à senda
do bem e que certamente não terá sen-
timento para chorar a tua perda.
Estas palavras escritas com lágrimas
de saudade de meu filho, certamente, te
causarão raiva.
O meu filho foi bom em tôda a exten-
são da palavra - filho abençoado, irmão
idolatrado.
Viveu 25 anos porque teve educação
a par dos seus bons sentimentos; sem-
pre trabalhador, estudioso e leal, - gra-
ças a Deus sempre cumpriu com o seu
Ministério da Guerra - Imprensa Militar, Rio de Janeiro / 1945
CARTA DA PROGENITORA DO
CAPITÃO BENEDICTO LOPES BRAGANÇA,
AOS COMUNISTAS
Bello Horizonte, 4 de fevereiro de 1936.
dever e cumprindo o dever morreu.
Eu, no meio da tristeza, da amargura e
do sentimento que tenho de não ver mais
meu idolatrado filho, sou mais feliz que
tua mãe, essa infeliz, se ainda vive, se não
a mataste ainda para ver de onde foste
gerado!
O meu Benedicto é mais feliz do que
tu, morreu de consciência tranqüila e
justo se acha na paz de Deus, e o seu
nome na terra é venerado como símbolo.
OBrasilinteiro,emuitoespecialmen-
te Minas, demonstrou nas homenagens
que lhe tributaram nos funerais.
E tu, qual será o teu fim?
Certamente na pupila do ôlho de Mos-
cou.
Demente, olha para o céu, fita o sol se
és capaz!
Matricida - pois esta hora tua mãe
deve estar morta de dor, que tu lhe cau-
saste.
Traidor.
Assassino.
Maldito, mil vezes maldito.
Ri, desgraçado, das minhas lágrimas,
do meu desespêro.
(Ass.) Balbina Lopes Bragança.
Otto Braun levou Olga para o mundo
dos serviços secretos, atividade confirmada
pelo bilhete acima
MOSCOU DERRUBA OS
TOTENS QUE ERIGIU
Bem mais difícil será medir as conse-
qüências das descobertas não ape-
nas na imagem do movimento comunista
no Brasil, que teve em Luís Carlos Pres-
tes seu principal tótem, mas especial-
mente na história do
país tal como está
nos livros escolares.
Isso é fácil de pre-
ver pelas reações já
acumuladas em pou-
cos dias após a pu-
blicação da repor-
tagem, no domingo
passado, apesar de
representar apenas
uma pequena parte
do material comple-
to que o correspon-
dente de O Estado
de São Paulo na Eu-
ropa vai editar em
forma de livro pela
Companhia das Letras .
Na primeira parte da reportagem,
Waack conta como o líder comunista bra-
sileiro pagou para entrar na Internacio-
nal Comunista, em manobra solitária, já
que não se relacionava bem com o PCB.
“...para realizar seu movimento, o líder
tenentista brasileiro concordou em en-
tregar aos representantes de Moscou
na América do Sul toda a sua organiza-
ção (tipografias, contatos, correios) e,
principalmente, o dinheiro que recebe-
ra de Getúlio Vargas. A concessão de uma
verba por Getúlio a Prestes, no começo
de 1930, é um episódio conhecido na
história brasileira (ele queria que Pres-
tes participasse da revolução que lide-
rou em outubro daquele ano, liquidan-
do a Velha República), mas seu destino
final era um segredo que Prestes pensa-
va ter levado para o túmulo”.
Prestes teria recebido US$80 mil
de Getúlio, dos quais US$20 mil foram
usados para abrir portas do Komintern.
O chefe de finanças da Internacional,
Jossip Piatnitski, contabilizou a verba no
que chamou de “Fundo Prestes”.
A revelação seguinte refere-se à
bela Olga Benário, primeira mulher de
Prestes, uma judia alemã que em 1936
deixou o Brasil grávida, deportada por
Getúlio para a Alemanha nazista, onde
morreu em 1942 numa câmara de gás. Os
arquivos soviéticos indicam que Olga já
trabalhava para o serviço secreto do Exér-
cito Vermelho desde os 16 anos. Uma das
provas disso é um bilhete escrito a mão
por ela mesma ao deixar Moscou em dire-
ção ao Brasil em 1934.
REVELAÇÕES QUE MUDAM A HISTÓRIA
Ewert (Albert)assinaria um dos telegramas sobre o salário de Prestes
"As fichas em Moscou sobre Olga
Benário e seu namorado dos anos 20 e
começo da década dos 30 (Otto Braun)
mostram que seu trabalho para a espio-
nagem militar soviética não foi circuns-
tancial mas sim, o
desenvolvimento
lógico de sua car-
reira como militan-
te. Descrita em bio-
grafias romancea-
das (publicadas na
Alemanha e no Bra-
sil) como militante
dedicada sobretu-
do ao trabalho en-
tre jovens, na ver-
dade Olga já per-
tencia desde 1925
aos aparatos ile-
gais do KPD, o po-
deroso PC alemão
(o maior do mundo
na época, depois do soviético)”, afirma
Waack.
Quanto ao Ouro de Moscou que o
Komintern usava para financiar a agita-
ção comunista em todo o mundo, o jor-
nalista revela que no Brasil ele chegou
para a chamada Intentona, em 1935, atra-
vés do milionário paulista Celestino Pa-
raventi, que usava o Café Paraventi, na
Rua Barão da Itapetininga, no então cen-
tro chique de São Paulo, como fachada
para repassar recursos a Prestes.
A insurreição a ser liderada por
Prestes recebeu autorização explícita do
Komintern, segundo documento consul-
tado pelo jornalista. O texto contém as
assinaturas dos principais dirigentes
da Internacional: Togliatti, Manuilski,
Gottwald, Kuusinen, Pieck e Marty. A re-
portagem conta também as peripécias de
Prestes para esconder-se no Rio depois
do fracasso do movimento e dos principais
agentes estrangeiros que vieram ajudá-
lo.
Waack, um dos raros jornalistas a
ter acesso a parte dos documentos sobre
as revoltas comunistas no Brasil de 1935,
conta que obteve cópia e transcrições de
mais de 500 páginas. A maioria, porém,
continua em Moscou, inacessível, sob a
guarda de Svetlana Rosenthal, uma fun-
cionária do governo russo. O filho mais
novo de Prestes, Iuri Ribeiro, é uma dos
muitos curiosos que moram em Moscou
e há cinco anos tenta chegar às informa-
ções que permitam compor, finalmente, o
correto perfil político e humano de seu
pai. (OF). * Jornalista
Publicado no Jornal do Brasil de 05/09/1993
* Olhydes Fonseca
· Irrompeu na madrugada de Do-
mingo, em Recife e Natal um movi-
mento sedicioso de caráter extremista.
· Depois de violentos combates, os
revoltosos ocuparam Natal. · Grave-
mente ferido o commte do 21º BC. · O
movimento é chefiado por Luiz Carlos
Prestes (26.11.35)
· Sublevaram-se na madrugada
de hontem, no Rio, o 3º RI e a Escola
de Aviação Militar. · O Governo Fe-
deral abafou promptamente o levan-
te, de que resultaram dezenas de mor-
tes. (28.11.35)
· Na Escola de Aviação Militar o
levante foi promptamente sufocado,
morrendo o capitão Souza Mello e fi-
cando ferido o Major Eduardo Gomes.
· Em São Paulo preso o capitão Hen-
rique Oest. (28.11.35)
· Natal e Recife em calma. Du-
rante a rebelião, morreram na ca-
pital pernambucana 60 pessoas.
(29.11.35) · Presos os chefes da re-
A INTENTONA COMUNISTA DE 1935
belião em Recife e Natal. · Como o
cap. Agildo Barata conseguiu levan-
tar o 3º RI. Sepultado, hontem, o
tenente Geraldo Vieira. · A visita da
Guarnição Federal de Bello Horizon-
te ao governador Benedito Valladares.
(30.11.35)
Uma mensagem radiográphica
dos rebeldes: “O movimento revo-
lucionário está triunphante em Na-
tal. Duzentos mil operários estão
em greve em São Paulo, havendo
insurreição militar apoiada pelo
povo. A Esquadra está revoltada.
Viva o general Prestes, viva a Allian-
ça Libertadora”. (27.11.35)
VICTÓRIA DO DEVER
· Por não querer aderir aos revol-
tosos foi assassinado o primeiro te-
nente Benedicto Bragança. (28.11.35)
· Chegou o corpo do tte, Benedito
Bragança assassinado covardemente
quando dormia - Autoridades compa-
receram à Central - A missa e o enterro
do inditoso official. (29.11.35)
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
26Nº 284 - Novembro/2020
RECORDANDO A HISTÓRIA DO PCB
O ASSASSINATO DE ELZA FERNANDES
Elvira Cupelo Colônio
("Elza Fernandes")
Antonio Maciel Bonfim ("Miranda")
A27 de novembro de 1935,
morando em Copacabana,
fui despertado às 4 da madrugada
pelo telefone. Minha mãe, minha
irmãedoisprimosqueeramirmãos
adotivos, estavam numa casa na
esquina da rua Ramon Franco na
Urca,querecebeubalaçosdotiro-
teio no quartel do 3º Regimento.
Ficaram horas deitados no chão
para não serem atingidos pelos
tiros. Só à tarde, consegui che-
gar até lá. Vi a destruição e ainda
assisti à retirada de alguns feri-
dos. O edificio antigo de uma ex-
posição internacional onde esta-
va localizado o regimento ainda
ardia em chamas. Não só deve-
mos lembrar o morticinio, como
LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!
DEPOIMENTO
também, os cem milhões de mor-
tos ou mais que o comunismo
provocou no século passado,
sem esquecer que os 50 milhões
mortos na II Guerra Mundial re-
sultaram do acordo Molotov-
Ribbentrop de agosto de 1939,
que juntou os dois grandes tota-
litários na tentativa de destruir o
Ocidente democrático. Não es-
queçamos tampouco os milhões
que morreram de 1945 a 1989,
na Guerra dita Fria - Coréia,
Vietnan,Cambódia,Angola,Hun-
gria,Tchecoslováquia,Chile,Cu-
ba, etc. Usemos contra esses ban-
didos exatamente o mesmo "slo-
gan" que eles usaram na Guerra
Civilespanhola,“nopasarán!”.
NOSSOS MÁRTIRES BARBARAMENTE ASSASSINADOS
PELA ESCÓRIA COMUNISTA MERECEM RESPEITO!
Embaixador José Osvaldo de Meira Penna
Os leitores talvez imaginem que
irei abordar o episódio real -
narrado no livro Born Free, de Joy
Adamson - que inspirou, em 1966,
um belo filme sobre a leoa órfã Elsa,
cuja mãe atacara o supervisor de um
parque nacional no Quênia, sendo por
ele abatida. Mais tarde, ao perceber
que a leoa-mãe apenas tentara defen-
der sua cria, o supervisor, marido da
autora do livro, resolveu adotar Elsa
e outros filhotes órfãos.
Já Elza, uma pobre e infeliz ado-
lescente, não teve a mesma sorte da
Elsa, a leoa filhote. Aos 16 anos foi
executada friamente por integrantes
da Intentona Comunista, sob ordem
direta de Luiz Carlos Prestes. O bár-
baro episódio, até hoje ocultado cui-
dadosamente pela esquerda e, via de
consequência, muito pouco conhe-
cido da juventude brasileira, está todo
documentado e, sobre ele, há uma
vasta e incontestável literatura his-
tórica.
Elvira Cupelo Colônio, (“Elza
Fernandes” ou “Garota”, para os co-
munistas) nasceu em 1918, numa fa-
mília de agricultores pobres de So-
rocaba, interior de São Paulo. Quan-
do criança trabalhou como domésti-
ca. Semianalfabeta, ainda menina,
decidiu acompanhar seu irmão, Luiz
Cupelo Colônio, membro do Partido
Comunista Brasileiro, e mudou-se
para o Rio de Janeiro. Ao lado do ir-
mão, Elvira passou a frequentar as
reuniões do PCB onde, em 1934,
conheceu Antônio Maciel Bonfim
(“Miranda”), Secretário-Geral do
Partido Comunista e veio a ser sua
companheira, quando, então, rece-
beu o codinome de Elza Fernandes.
No ano seguinte, 1935, eclodiu
em alguns Estados brasileiros o mo-
vimento denominado “Intentona Co-
munista”, tendo como chefe o trai-
dor Prestes, cujo objetivo era subs-
tituir a ditadura de Getúlio Vargas
pelo regime totalitário dos verme-
lhos, sob os auspícios e proteção da
antiga União Soviética.
Fracassado o movimento que,
covardemente, vitimou inúmeros mi-
litares e civis, o governo Vargas pro-
moveu uma caçada aos revolucioná-
rios marxistas/leninistas. Muitos fo-
ram mortos ou presos pela polícia
política e outros, acuados e isolados
em seus esconderijos. Em janeiro de
1936, “Miranda” e “Elza” foram lo-
calizados e presos na Av. Paulo de
Frontin, no Rio de Janeiro, onde a
polícia apreendeu documentos e far-
to material de propaganda do PCB.
Ambos ficaram incomunicáveis al-
gum tempo até que as autoridades
decidiram pela soltura de Elza, por
ela ser menor de idade e não oferecer
perigo ao regime. A adolescente, por
indicação de “Miranda”, foi residir
na casa de Francisco Furtado Mei-
reles, também do PCB, na praia de
Pedra de Guaratiba, zona oeste do
* Sérgio Pinto Monteiro
Rio de Janeiro. O Partido Comunis-
ta, diante das inúmeras prisões de
correligionários, desconfiou que hou-
vesse um traidor entre eles, recaindo
as suspeitas iniciais sobre “Miran-
da”. Como Elza era portadora de um
bilhete dele, no qual pedia aos ami-
gos que a protegessem, os revoluci-
onários concluíram que o bilhete era
falso e forjado pela polícia. Conside-
raram-na culpada de traição à causa
bolchevista. Decidiram, então, num
tribunal de exceção, promover o seu
justiçamento, tendo Prestes optado
pela eliminação sumária da adoles-
cente.
Diante da indecisão de alguns
adeptos, Prestes escreveu: “Fui do-
lorosamente surpreendido pela falta
de resolução e vacilação de vocês.
Assim não se pode dirigir o Partido
do Proletariado, da classe revoluci-
onária.” ... “Por que modificar a
decisão a respeito da “garota”? Que
tem a ver uma coisa com a outra? Há
ou não há traição por parte dela? É
ou não é ela perigosíssima ao Parti-
do...?” ... “Com plena consciência
de minha responsabilidade, desde os
primeiros instantes tenho dado a
vocês minha opinião quanto ao que
fazer com ela. Em minha carta de
16, sou categórico e nada mais te-
nho a acrescentar...” ... “Uma tal
linguagem não é digna dos chefes do
nosso Partido, porque é a lingua-
gem dos medrosos, incapazes de uma
decisão, temerosos ante a responsa-
bilidade. Ou bem que vocês concor-
dam com as medidas extremas e nes-
te caso já as deviam ter resoluta-
mente posto em prática, ou então
discordam mas não defendem como
devem tal opinião.”
Lauro Reginaldo da Rocha, um
dos “julgadores”, respondeu a Pres-
tes: “Agora, não tenha cuidado que
a coisa será feita direitinho, pois a
questão do sentimentalismo não
existe por aqui. Acima de tudo
colocamos os interesses do P.”
Em 2 de março de 1936, Elza
foi levada por Eduardo Ribeiro Xa-
vier, o “Abóbora”, para uma casa da
Rua Mauá Bastos, 48, na Estrada do
Camboatá, Bairro de Guadalupe, onde
já se encontravam Honório de Freitas
Guimarães “Milionário”, Adelino
Deycola dos Santos “Tampinha”,
Francisco Natividade Lira “Cabeção”
e Manoel Severino Cavalcanti
“Gaguinho”. A adolescente foi es-
trangulada, suas pernas quebradas e
o corpo ensacado e enterrado nos fun-
dos da casa. Três dias depois, Pres-
tes foi preso numa casa no Meier,
julgado e condenado, com mais três
envolvidos, pelo assassinato de Elza,
a penas de vinte a trinta anos de prisão.
Olga Benário, esposa de Prestes, foi
deportada para a Alemanha nazista.
O corpo de Elza foi exumado em
1940, na presença de um dentista,
que fez o reconhecimento, e do ir-
mão Luiz Cupelo Colônio, que em
carta ao “Miranda”, repudiou o co-
munismo:
*O autor é historiador, professor e oficial da reserva do Exército. É membro da Academia Brasileira
de Defesa, da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Histórico de Petrópolis.
É patrono, fundador e ex-presidente do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva. É presidente do
Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB. É autor do livro “O Resgate
do Tenente Apollo” (CNOR 2005). O presente texto é de responsabilidade exclusiva do autor
Rio, 17-4-40.
MEU CARO BONFIM
Acabo de assistir à exumação
do cadáver de minha irmã Elvira.
Reconheci ainda a sua dentadura e
seus cabelos. Soube também da con-
fissão que elementos de responsabi-
lidade do PCB fizeram na polícia de
que haviam assassinado minha irmã
Elvira. Diante disso, renego meu
passado revolucionário e encerro as
minhas atividades comunistas.
Do seu sempre amigo,
Luiz Cupelo Colônio
* * *
Em1945,apóscumprirnoveanos
de uma pena de trinta, Prestes foi
anistiadoporVargas,emtrocadeapoio
político ao governo.
Os justiçamentos praticados pe-
los vermelhos não se resumiram à His-
tória de Elza. Há inúmeros outros ca-
sos comprovados desses crimes, co-
metidos na história recente do país e,
em sua maioria, impunes. O sacrifício
de “Elza”, Elvira Cupelo Colônio, bra-
sileira, dezesseis anos, pobre, semi-
analfabeta, inocente, permanece igno-
rado, submerso nas profundezas de
um contexto onde a Academia, Insti-
tuições e parcela expressiva da grande
mídia, cooptadas pelos esquerdopatas,
manipulamahistóriaaoarrepiodaver-
dade e do conhecimento legítimo.
Dedico esse texto aos jovens do
meu país - muitas vezes entorpecidos
pelas mentiras e falsidades de maus bra-
sileiros - e a todos que, como a meni-
na ELVIRA, foram vitimados por ideo-
logias contrárias aos princípios e valo-
res que forjaram a Nação Brasileira.
Publicado no Inconfidência nº 63 de 10 de dezembro de 2003
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
27Nº 284 - Novembro/2020
ORDEM DO DIA DO EXÉRCITO
Meus camaradas:
Sem ordem não pode haver pro-
gresso; este repousa na garantia dos
direitos reguladores das atividades
individuais, e por isso mesmo os ele-
mentos incumbidos de velar pela tran-
qüilidade pública, assegurando aque-
les direitos, são os que colaboram efi-
cazmente para o engrandecimento da
nação.
E como as consagrações ser-
vem de estímulo às gerações porvin-
douras, não há como negar a neces-
sidade de se cultuar a memória da-
queles que impavidamente sacrifica-
ram a vida no cumprimento do maior
dos deveres cívicos: a manutenção da
ordem.
É nesse intuito que procura-
mos completar hoje a galeria dos
heróis nacionais, perfilando os már-
tires da ordem com aqueles que des-
temerosamente sucumbiram no fra-
gor das refregas com os inimigos ex-
ternos da Pátria, entre os quais avul-
tam o soldado Francisco Camerino,
27 DE NOVEMBRO DE 1936
o marinheiro Marcílio Dias, o guarda-
marinha João Guilherme Greenhalgh,
o tenente Antonio João, o coronel
Carlos Cabrita, o general Hilario Gur-
jão e tantos outros, ombreados na imor-
talidade com aqueles que também se
imolaram pelo bem comum, como os
mártires da ciência, Augusto Seve-
ro, Álvaro Alvim e quantos mais que
amortalharam na sombra do anoni-
mato a glória do sacrifício ao Pro-
gresso, na lua incruenta do trabalho.
Evoquemos, pois, meus cama-
radas, a memória dos que, justamen-
te há um ano, encontraram a morte no
cumprimento do dever, rememorando-
os moralmente redivivos, cheios de
fé cívica e ardor militar, incorporados
à heróicas falange dos que procede-
ram na missão de defender o princípio
da autoridade e em cujo conjunto es-
plendem os bordados do Marechal Ma-
chado Bittencourt e do Almirante Bap-
tista das Neves.
Neste momento de inquietações,
quando um sopro de insânia ameaça
derrocar os mais nobres ideais da hu-
manidade, não poderá haver melhor
exemplo estimulativo do que o lega-
do por esses abnegados, que soube-
ram recalcar o próprio instinto de con-
servação, sacrificando estoicamente
as suas vidas na defesa da coletivi-
dade.
Glorifiquemos, portanto, no dia
de hoje, os intemeratos camaradas que,
a 27 de novembro de 1935, oferece-
ram a vida em holocausto à lei, à or-
dem e à legalidade: Tenente-coronel
Misael de Mendonça, Major João
Ribeiro Pinheiro, Major Armando de
Souza Mello, Capitães Geraldo de
Oliveira, Benedicto Lopes Bragança
e Danilo Paladini, 2º Sargento José
Bernardo Rosa, 3os Sargentos Co-
riolano Ferreira Santiago e Abdiel
Ribeiro dos Santos, 1º Cabo Luiz Au-
gusto Pereira, 2os Cabos José Har-
mito de Sá, Alberto Bernardino de
Aragão, Clodoaldo Ursulino, Wilson
França, Pericles Leal Bezerra, Orlan-
do Rodrigues, José Menezes Filho,
Fidelis Baptista de Aguiar, Manoel
Biré de Agrella, Pedro Maria Netto,
Walter de Souza e Silva e José Mario
Cavalcanti.
Presta hoje o Exército, co-
mo de norma já por qua-
tro lustros, sua homenagem
de respeito e gratidão aos mi-
litares trucidados no cumpri-
mento do dever, por ocasião
da intentona comunista de 27
de novembro de 1935.
Tombaram uns sob ação
traiçoeira na calada da noite
e resistiram outros até o su-
premo sacrifício, todos, po-
rém, personificando de ma-
neira heróica a consciência
do Exército em sua repulsa ao
credo comunista, que anu-
lando as liberdades fundamen-
tais ao homem avilta-lhe a
personalidade, abala nos fun-
damentos a instituição da fa-
mília e desintegra a concep-
ção basilar da Pátria.
Os sentimentos de soli-
dariedade humana e de respei-
to à dignidade do indivíduo, a
crença nos valores espirituais
inerentes à tradição brasileira
de independência e de liberda-
de são os elementos formado-
res da consciência do Exérci-
to. Essa alma coletiva, educada
no culto da Pátria, não pode
aceitar, nem quer admitir a ne-
fasta ideologia comunista.
Através dessa formação,
cujas raízes se enseivam na
tradição de nossa gente, con-
soante atestam os anais de nos-
sa história, moldou-se indefor-
mável a feição nacionalista de
ORDEM DO DIA DO EXÉRCITO - Nov/1956
nosso povo e do Exército, que
aceitando a inestimável coo-
peração do trabalho do capi-
tal e da cultura alienígenas
na construção de nossa civi-
lização, não quer nem pode-
rá tolerar, sob quaisquer dis-
farces, a tutela política do País,
a deformação moral do povo
e a exploração econômica de
nossa terra.
Esse nacionalismo sa-
dio não significa uma restrita
orientaçãopartidária,nemape-
nas uma atitude política pas-
sageira, mas exprime em toda
sua plenitude e de modo inde-
formável o sentimento de pa-
triotismo que é a virtude por
excelência que vitaliza as ins-
tituições militares.
Tivemos em 1935, tan-
to aqui, como alhures no Nor-
deste, a horrenda mostra do
que seja, em verdade e fatos o
pesadelocomunista.Afriatrai-
ção, a solércia na ação, o des-
prezo pela lei, o saque, a de-
sonra dos lares, o achincalhe
da fé, conquanto por horas ou
dias, serviram à grande e para
sempre alertarem a consciên-
cia nacional estarrecida con-
tra sua implantação na terra
cristã de Santa Cruz.
E que seus processos
não se modificaram, estamos
hoje convictos, assistindo ao
martírio da milenar terra ma-
giar, cujo heróico povo está
sendo brutalmente sacrifica-
do em sua liberdade, em sua
honra e usurpado no inaliená-
vel direito de reger, sem influ-
ências estranhas, o seu pró-
prio destino.
Dos acontecimentos ne-
fastos de 1935, entretanto, uma
lição e um exemplo perdura-
rão para sempre em nossa his-
tória: exemplo da capacidade
de viril reação do povo brasi-
leiro às doutrinas e processos
de ação contrárias a seus prin-
cípios morais e à sua vocação
para a liberdade e para a de-
mocracia; lição viva e forte pa-
ra todos aqueles que por pres-
sões, ardis ou por ações de
força, tentem dominar nossa
gente e apossar-se da terra
que nasceu e pendurará para
sempre brasileira.
No dia em que o Exérci-
to, como toda a Nação, rende
homenagem à memória dos
que galhardamente defende-
ram com a vida a sobrevivên-
cia do Brasil, só uma atitude
nos cabe: afirmar-lhes, numa
oração, que o Exército não os
esquece e que saberá, em qual-
quer tempo, seguir-lhes coeso
e resoluto o exemplo viril.
General-de-Exército Henrique
Baptista Dufles Teixeira Lott
Ministro da Guerra
Transcrito do BOLETIM DO
EXÉRCTIO nº 49
de 8 de dezembro de 1956.
ORDEM DO DIA -Nov/1992
No dia 27 de novembro de 1935, militares morreram pelas
mãos de companheiros de farda, cujas mentes esta-
vam destruídas pela ideologia comunista. Para estes, o sa-
crifício dos que se opunham era um meio necessário no ca-
minho para um fim maior – o Estado igualitário e justo.
Passados mais de sessenta anos, a ideologia comunista
não é mais nada!
Onde ela se instalou, os homens se calaram sob a tutela
impiedosa do Estado, gerido por uma privilegiada “nova
classe”, dominante, como denunciou Djillas. Medo, dor,
sofrimento e atraso foram impostos a muita gente, em no-
me de um fim utópico que, como tal, nunca chegou a exis-
tir.
Muitos homens livres drogaram-se com as teorias mar-
xistas, o ópio que lhes trazia visões do mundo perfeito, no
dizer de Raymond Aron. Durante anos influiriam nas so-
ciedades inseguras, mormente entre os jovens idealistas,
arrostando repulsa e ódio contra tudo e todos que se opu-
nham à ideologia inovadora.
Hoje 1935 está muito distante e o episódio, que foi, cer-
tamente, o início de uma luta que o nosso povo venceu, des-
vanece em meio ao turbilhão fantástico de acontecimentos
desta última década do século.
Dos amantes do comunismo, poucos restam, porque já
não há como defender o que a História provou indefensável.
Jogado o comunismo no limbo, purifica-se em nosso
País a dialética em torno das questões sociais, e passam as
correntes de pensamento a se agrupar politicamente para o
embate sadio, que só poderá trazer avanços à vivência de-
mocrática, desenhando um caminho feliz e promissor à nos-
sa frente.
Assim, aos nossos amigos que tombaram em 1935, po-
demos dizer que a luta de vocês acabou. Vocês são os vi-
toriosos e pela causa que morreram, esperamos não mais lu-
tar.
E se não voltarmos a lhes falar frente a este monumento,
que, em sua honra, o povo erigiu, olhem com orgulho os bra-
sileiros que aqui passam e sorriam para as crianças que
brincam no pedestal.
Eles são livres...
Alte Esq
Mauro César Rodrigues Pereira
Ministro da Marinha
Gen Ex
Zenildo de Lucena
Ministro do Exército
Ten Brig Ar
Lélio Viana Lobo
Ministro da Aeronáutica
HOMENAGEM AOS MORTOS
DA INTENTONA COMUNISTA
(publicada no Informex n° 069 de 22 de novembro de 1996)
General-de-Divisão João Gomes Ribeiro Filho
Ministro da Guerra
Transcrito do Boletim do Exército nº 68
de 10 de dezembro de 1936
Em 1989, Irma, a filha do capitão Danilo Paladini
(vítima da Intentona) prestou o seguinte depoimento:
‘Vi, tive em mãos, cuidadosamente, guardada para mim por minha
mãe, a farda que meu pai vestia quando foi morto. Ali estava nítida a marca
do tiro que pelas costas lhe penetrara o pulmão saindo pelo coração’.
Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
28Nº 284 - Novembro/2020
O então Capitão Reynaldo De Biasi Silva Rocha, Comandante da Tropa do 12º RI,
na tradicional homenagem prestada ao Capitão Benedicto Lopes Bragança,
junto ao seu túmulo no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte (1973).
EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS
DO COMUNISMO NO BRASIL
Em Belo Horizonte, os generais Mendes Ribeiro, Sergio Coutinho, Paulo Cesar de
Castro, Amaury Sá Freire de Lima e José Fábrega e a senhora Else Bragança (2003)
Em Belo Horizonte,
a 27 de novembro de 2007,
no Cemitério do Bonfim, a
cerimônia cívico-militar,
promovida pelo General
João Roberto de Oliveira,
Comandante da 4ª RM, em
homenagem ao capitão
Benedicto Lopes
Bragança, assassinado
covardemente em 27
de novembro de 1935,
no Rio de Janeiro,
pelos comunistas.
Solenidades acontecidas a 27 de novembro
Cel Ustra, Gen. Amaury, Cel Abbês, Mauro Bragança
e representantes da AREB (BH/2006)
Em Belo Horizonte,
a tradicional
homenagem prestada
ao Capitão Benedicto
Lopes Bragança, no
Cemitério do Bonfim,
pelos Generais-de-
Divisão Amaury Sá
Freire de Lima e José
Mário Facioli,
Comandante da
4ª RM e sobrinhos,
Mauro e Cláudio
Bragança (2008)
Foto: ST Camargo
Em 2009, o 24º BC
rememorou a Intentona,
com as seguintes ativi-
dades: · Culto ecumênico
· Palestra (Des. Alberto
Tavares, Of R2) · Forma-
tura (com a presença do
prefeito de São Luís, João
Castelo) – leitura da Or-
dem-do-Dia e desfile da
tropa · Coquetel
Esperamos que o
exemplo do desejo de per-
petuação do culto à histó-
rica data, levada a efeito pelo valoroso Comandante da Unidade, Ten Cel
CARLOS HENRIQUE GUEDES, neto do Gen Carlos Luís Guedes, Comandante
da ID/4 e um dos líderes do Movimento de 1964, seja nos anos vindouros, uma
inspiração na data de celebração do evento em tela.
24º BATALHÃO DE CAÇADORES - SÃO LUÍS / MA
Ten Cel Guedes, Comandante do 24º BC
Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Permitida a reprodução desde que citada a fonte.
Envelopamento autorizado
Pode ser aberto pela ECT
SANTA MARIA / RS
Exaltação aos Heróis da Intentona Comunista de 1935
RESERVA ENCOURAÇADA
Capitães Danilo, Flores
e Sampaio, General
Boabaid e Coronel
Leiria, representando o
General Miotto,
Comandante da 3ª DE.
Observe-se o Momento
Monumento ultrajado
com a pintura em
vermelho da foice e do
martelo, símbolo
comunista (27/11/2013)
Em Belo Horizonte, a 27 de novembro de 2014 no Cemitério do Bonfim, a
homenagem prestada pelo Comandante da 4ª Região Militar, General de
Divisão Mario Lucio Araujo, seu Estado-Maior e Comandantes das
Organizações Militares da Guarnição e pelos militares da Reserva do Exército
ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, assassinado no Rio de Janeiro
CNPJ: 11.843.412/0001-00
EXPEDIENTE
Editor/Redator: Coronel Carlos Claudio Miguez
Jornalista Responsável: 17646/MG
Telefone (31) 3344-1500 / 99957-3534 - E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br
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Circulação Dirigida
Impressão: Sempre Serviços Gráficos Ltda
OMONUMENTO VOTIVO às vítimas da In-
tentona Comunista de 1935, foi erguido em
1968, por iniciativa do Ministro do Exército, general-
de-Exército Aurélio de Lyra Tavares para "perpe-
tuar em praça pública, a homenagem do povo
àqueles que souberam lutar e morrer pela sua liber-
dade", no Rio de Janeiro, na Praia Vermelha.
Anteriormente, a solenidade era realizada no mauso-
léu do cemitério São João Batista, em Botafogo.
Em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim, a homenagem prestada por
iniciativa do Grupo Inconfidência, AREB, Reserva do Exército e civis, na
manhã de 27 de novembro/2019, ao Capitão Benedicto Lopes Bragança,
assassinado no Rio de Janeiro, em virtude da ausência do Comando da 4ª
Região Militar pelo terceiro ano consecutivo

Inconfidência 284 / Intentona Comunista

  • 1.
    Edição Histórica A VERDADEIRA HISTÓRIADO BRASIL A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 ORDEM DO DIA - 27 DE NOVEMBRO LEMBRAI-VOS DE 35! Há na Praia Vermelha, na cidade do Rio de Ja- neiro, um monumento voti- vo edificado em memória dos mortos da conhecida In- tentona Comunista de 1935. Diante dele, todos os anos, democratas se postam em sinal de respeito, com a es- perança de que tempos fatí- dicos de revoluções totali- tárias nunca mais tenham lugar entre nós. Essas ati- tudes mórbidas e treslouca- das que, 66 anos atrás, le- varam ao derramamento de sangue de inocentes em quar- téis do Exército, no Nordes- te e no Rio de Janeiro, são apenas sombras indesejá- veis em nossa História, coi- sas que o tempo dissolverá por completo. Nem por isso, no entanto, deixarão de ser lamentáveis, porque contra- põem-se à idéia de liberda- de e democracia. A insurreição de 35, co- mo bem recordamos, teve en- volvimento de militares con- taminados pela doutrina co- munista que alguns deseja- vam impor ao Brasil. Co- meçou em Natal, com a par- ticipação de graduados e sol- dados e de quase 300 ho- mens da guarda civil. Os re- beldes sujeitaram a cidade, durante quatro dias, à vio- lência e ao saque de esta- Uma Intentona que nunca mais deverá acontecer! Honras fúnebres aos mortos da Intentona Comunista de 1935, na Avenida Rio Branco - Rio de Janeiro Amemória de uma nação é um bem precioso que necessita ser preservado, a todo custo, e relembrada constantemen- te, para impedir que erros históricos não mais se repitam impunemente. A fidelidade às provas documentais existentes e disponí- veis, deve ser a pedra de toque, da ética dos historiadores, dos professores e dos jornalistas, quando da transmissão dos fatos aos seus leitores, alunos e ouvintes. Ignorá-las e/ou distorcê-las, premeditadamente, configu- ra um crime de lesa-pátria difícil de se compreender e de aceitar. Todos os grandes jornais e revistas do país dispõem em seus arquivos, de um rico acervo dos fatos relacionados com a Intentona Comunista de 1935, bem como daqueles vivenciados nos anos 60. Porque então o silêncio? Porque então a prática sistemática do engôdo intencional àqueles que desejam se informar? É preciso que a seriedade e a verdade, voltem a prevalecer sobre a falsidade e que a maior farsa do século XX, o comunis- mo, seja renegada definitivamente pela sociedade brasileira. Desejamos e esperamos que isso aconteça o mais rápido possí- vel e assim continue durante o governo do Presidente Bolsonaro. A FARSA CONTINUARÁ? “O COMUNISMO não é a fraternidade: é a inver- são do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens: é a sua exterminação mútua. Não arvora a ban- deira do Evangelho: bane a Deus das almas e das reivin- dicações populares. Não dá tréguas à ordem. Não conhe- ce a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extingui- ria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador”. Rui Barbosa (1918) O COMUNISMO EDIÇÃO HISTÓRICAEDIÇÃO HISTÓRICAEDIÇÃO HISTÓRICAEDIÇÃO HISTÓRICAEDIÇÃO HISTÓRICA BELO HORIZONTE, 27 DE NOVEMBRO DE 2020 - ANO XXVI - Nº 284 Site: www.jornalinconfidencia.com.br E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br • • Esta Edição Histórica é dedicada especialmente aos jo- vens, civis e militares, de nosso Brasil. Nela constam somente FATOS VERDADEIROS, que não podem ser contes- tados e necessitam ser do conhecimento daqueles que foram vítimas de uma das maiores manipulações de consciências de que se tem notícia em nossa História Pátria, patrocinado pelos governos federais anteriores (FHC, Lula e Dilma), através do Ministério da Educação. belecimentos bancários e co- merciais. Tropas do então 20º Batalhão de Caçadores, de Alagoas, e da polícia da Pa- raíba os contiveram e resta- beleceram a ordem. Em Pernambuco, revol- tosos civis, reforçados por ofi- ciais e praças equivocados, en- carregaram-se das atrocida- des. Durante dois dias, com- bates violentos foram trava- dos em vários pontos do es- tado, sem que os rebelados lograssem entrar em Recife. Duas unidades do Exército e a polícia bloquearam-lhes a passagem e puseram fim à re- belião. No Rio de Janeiro, as proporções do movimento fo- ram mais amplas e cruéis, tendo sido deflagrado, simul- taneamente, no 3º Regimen- to de Infantaria, na Praia Ver- melha; no 2º Regimento de Infantaria e no Batalhão de Comunicações, na Vila Mili- tar; e na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Os amotinados, companheiros de véspera, feriram e mata- ram indiscriminadamente, tentando expandir a rebelião a todo custo. Esbarraram na mais férrea resistência das forças legalistas. E perderam a luta. Não foi essa a última tentativa desses radicais de conquistar o poder para es- tabelecer uma tirania no Bra- sil. Nas décadas seguintes, tentaram novamente. O Exér- cito viu-se compelido a con- trapor-se a eles, vencendo- os em combates de rua e em selvas inóspitas, mesmo ex- perimentando o desgaste de um conflito prolongado. Não apenas os derrotou, mas aju- dou também a desenvolver o País. Quase ao final do sé- culo passado, o tempo se en- carregou de mostrar ao mun- do a decadência do comu- nismo, aniquilado por suas próprias contradições, por seus inúmeros erros, por sua violência exacerbada, por milhões de mortos que im- puseram à humanidade. Ses- senta e seis anos depois da- quele trágico novembro, os quartéis do Exército Brasi- leiro param, por alguns mo- mentos, para refletir sobre essa página negra de nossa História. Estamos conven- cidos, mais do que nunca, que nossa luta não foi em vão, e que estivemos ao lado da sociedade brasileira todas as vezes em que esta, em sua maioria, rejeitou o radicalis- mo, a desordem e o terror. Brasília, 27 de novembro de 2001 Gen Ex Gleuber Vieira Comandante do Exército AS FORÇAS ARMADAS TÊM O DEVER SAGRADO DE IMPEDIR, A QUALQUER CUSTO, A IMPLANTAÇÃO DO COMUNISMO NO BRASIL. LEIA NA PÁGINA 3
  • 2.
    2Nº 284 -Novembro/2020 25 de novembro - edição das 9 horas 25 de novembro - edição das 11 horas edição A. 1 NUMEROAVULSO:200RÉIS BELLOHORIZONTE–SEGUNDA-FEIRA,25DENOVEMBRODE1935 ANNOV–MÚMERO1.455 Sangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forçasSangrentos combates em Recife, tendo as forças legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda –legaes conseguido retomar a cidade de Olinda – Vencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois deVencidos os amotinados de Alagôas, depois de seria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridosseria lucta em que houve mortos e feridos Rebentouummovimentomilitarextremista em MACEIO’, RECIFE E NATAL Os rebeldes dominam a capital potyguar, cujo governo se transferiu para Macahyba Enviados para o Norte dois cruzadores e duas esquadri- lhas de aviões de bombardeio e de caça – Rumaram para Re- cife as forças do Exercito e da Polícia da Parahyba, uma ba- teria de artilharia e o 20º B.C., de Maceió O governo organizou séria resistencia e espera desalojar hoje, de seus reductos os revoltosos Sangrentos combates em Recife As tropas legaes retomaram a cidade de Olinda JornalAManhãdaAliançaNacionalLibertadora,Rio,27/11/1935 27 de novembro de 1935 - 1700h Declarado o estado de sítio, por trinta dias, em todo território nacional Estado de Minas, 27 de novembro de 1935 Texto do sobreaviso dado hon- tem, por Luís Carlos Prestes aos seus companheiros de revolução. “O Comitê Revolucionario, sob a minha direção, frente aos aconte- cimentos que se desencadeiam no norte do paiz e à ameaça de ins- tallação de uma dictadura reaciona- ria decide que todas as forças da Revolução estejam promptas para lutar pelas liberdades populares e para dar o golpe definitivo no governo de traição nacional de Getulio Var- gas Dia e hora serão opportuna- mente marcados". Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1935 Luís Carlos Prestes O AVISO DE PRESTES aos seus companheiros 2 Em nosso poder o livro “EPISÓDIOS MILITARES” editado recentemente pelo EME, CCOMSEX e 3º RCGd (?), sem ficha catalográfica e sem data de sua edição. Em rica edição e esmerada diagramação e editoração, papel gessado, a cores, apresenta cópias dos quadros pintados pelo coronel Pedro Paulo Estigarríbia, com os principais episódios da História Militar do Brasil, desde Guararapes, passando pelo Império, República e se encerrando com a FEB. No capítulo 8 – As águias chegaram: – Em 1927, a Aviação passou a ser a 5ª Ar- ma do Exército, ...a criação do 7º Regimento de Aviação e do definitivo alojamento da Esquadrilha em Realengo, na Escola Militar... O Exército lembra-se com orgulho desses pioneiros. (Página 90) E omite o acontecido na Escola de Aviação Militar e do 1º Regimento de Aviação a 27 de novembro de 1935? Os aviões Waco e Kurtiss Falcon passaram “voando” sobre o Campo dos Afonsos e não “aterrisaram” durante a intentona comunista naquele local. Por quê? (Inconfidência nº 134 de 27/11/2008) EPISÓDIOS MILITARES "As águias chegaram" - Acervo do QG/V Comar, Canoas/RS - Episódios militares - Pág. 91 Tela de autoria do Cel Pedro Paulo Estigarríbia As águias chegaram
  • 3.
    3Nº 284 -Novembro/2020 Saindo do Clube Militar, o Presidente Vargas e o deputado Antônio Carlos, presidente da Câmara de Deputados carregam o caixão de um oficial do 3º RI PRONUNCIAMENTO DE GETÚLIO VARGAS Opresidente Getúlio Vargas, em pronunciamento nas primeiras horas do ano de 1936, sobre a "Intentona", afirmou: "... Padrão eloqüente e in- sofismável do que seria o comunismo no Brasil, tivemo-lo nos episódios da baixa rapina e negro vandalismo de que foram teatro as ruas de Natal e de Recife, durante o surto vergonhoso do credo russo, assim como na rebelião de 27 de novembro, nesta capital, com o registro de cenas de revoltantes traições e até de assassínio, frio e calculado, de companheiros confiantes e adormecidos..." Oitenta e cinco anos depois, esses bravos militares, mortos em serviço, cujos familiares nunca pediram e nunca receberam indenizações, certamente ainda merecem o respeito de todo o povo brasileiro. Eles tiveram a honra e o privilégio de sacrificar a própria vida, defendendo a Pátria! A FARSA CONTINUARÁ? Amaior farsa do século XX, o comu- nismo, teve sua origem na Revolu- ção Russa de 1917, quando os bolchevi- ques, liderados por Lênin e inspirados na doutrina do “Manifesto Comunista”, der- rubaram o governo provisório de Kerens- ky, trucidaram o Czar e sua família, além de milhões de cidadãos, para conquistar o poder. Instalada a ditadura comunista, é criada a União das Repúblicas Socialis- tas Soviéticas (URSS). Lênin, Bukharin, Stálin, Trotsky e outros cometem os maio- res crimes contra a humanidade, assas- sinando os adversários e os “camaradas” ou os condenando a trabalhos forçados nos gulags das estepes geladas da Sibé- ria. O regime comunista soviético, em no- me dessa ideologia ultrapassada, o mar- xismo-leninismo, fez mais de cem mi- lhões de vítimas e finalmente termina ru- indo com o Muro de Berlim, em novem- bro de 1989. Terá sido o marco final da desvai- rada utopia comunista? Não cremos. A Chi- na, Cuba, Coréia do Norte, Vietnã, Vene- zuela, Bolívia e o Brasil ainda não sabem que o muro da vergonha caiu há 31 anos. Em nosso País, essa data passa quase despercebida e os defensores dos “Direi- tos Humanos”, o grupo “Tortura Nunca Mais”, a Comissão Nacional da Verdade e o PNDH3 e outros, se omitem perma- nentemente (principalmente a mídia brasi- leira venal e vendida), quando seria opor- tuno lembrar o assassinato de estudan- tes chineses na Praça da Paz Celestial, em Pequim, o "paredón" e constantes pedi- dos de asilo político de desportistas, jor- nalistas e artistas cubanos, além dos "bal- seros" que, diariamente, arriscam suas vi- das fugindo da ilha da fantasia... Mistificadores por excelência, repe- tem hipocritamente, “ad nauseam”, sua fidelidade à democracia e o respeito aos direitos humanos. Tentam, por todos os meios, mudar a História do Brasil, trans- formando seqüestradores, assassinos, assaltantes de bancos e terroristas em “he- róis”, dando a eles nomes de ruas, praças e criando espaços culturais, etc. Criado em 1922, o PCB – Partido Comunista do Brasil, tenta pela primei- ra vez a conquista do poder em fins de novembro de 1935 com a sublevação de unidades militares, assassinando trai- çoeiramente seus companheiros, na ca- lada da noite, em Natal, Recife e no Rio de Janeiro. São derrotados pelo Governo Fe- deral e pela total falta de apoio da po- pulação. Do livro “Meu Companheiro” de Maria Prestes: “Em 1935, o casal (Pres- tes e Olga Benário) estava se dirigin- do ao Brasil, onde se preparava o levan- te armado que abriria uma perspecti- va socialista para o maior país da Améri- ca do Sul”. No início da década de 1960, no auge da guerra fria, a Nação sente-se ameaçada pela falta de autoridade, inflação em alta, greves constantes da CGT, saques, agi- tações no campo (MST de hoje), tentati- vas de quebra da hierarquia e da discipli- na nas Forças Armadas e percebe a revo- lução comuno-sindicalista iminente. Em 31 de março de 1964, Minas Gerais, repre- sentando os sentimentos patrióticos e espontâneos da população brasileira, aten- dendo ao clamor popular, com o gover- no estadual e a Polícia Militar, apóia a con- tra-revolução iniciada pela 4ª RM (Juiz de Fora) e ID/4 (Belo Horizonte). Mar- charam para o Rio e Brasília, sem encon- trar qualquer resistência. A adesão foi to- tal e pela segunda vez os comunistas são derrotados, sem qualquer vítima. No Rio, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” reúne um milhão de pessoas em homenagem às Forças Ar- madas. Impedidos de conquistar o poder, os derrotados de 1964 formam grupos subversivos treinados em Cuba, China e URSS, que têm por finalidade a implanta- ção de um regime comunista. Perpetram atos de terrorismo, seqüestros de diplo- matas e de aviões, assaltos a bancos, "jus- tiçamentos", assassinatos, atentados com bomba e ações de guerrilha urbana e rural. No início da década de 1970 são der- rotados pela terceira vez!! Passado o profícuo regime militar, que levou o Brasil a ser a 8ª economia mundial, a pleno emprego, sem massacre da classe média e do funcionalismo, com um PIB de 9,3%, jamais alcançado pelos gover- nos subseqüentes, todos de triste lembran- ça, é promulgada a Constituição “cidadã” de 1988 que, a toda hora, é estuprada se- gundo os interesses dos porões do Palá- cio do Planalto, conforme se constatou nos governos de FHC, Lula e Dilma. A Lei da Anistia, proposta pelos ven- cedores, no governo Figueiredo, parece obra e conquista dos derrotados. Foram criadas a “Comissão dos Mortos e Desapa- recidos Políticos”, a “Secretaria Especial de Direitos Humanos” e a "Comissão Nacional da Verdade", que premiam as famílias de “desaparecidos” e até de vivos, com cente- nas de milhões de reais, com o apoio de um governo corrupto e pleno de ex-guerrilhei- ros, ex-terroristas e ex-seqüestradores. O ex-guerrilheiro urbano, Alfredo Hélio Sirkis, que participou dos seqües- tros dos embaixadores da Alemanha e da Suíça, no livro “Os Carbonários”, lembra que, apesar de derrotados na “guerra”, conseguiram criar uma outra versão da história, “nas obras literárias, memorialís- ticas, nos audiovisuais, na TV e em CD- ROM” – Diz ele “Se na primeira perdemos fragorosamente, na segunda não nos saí- mos de todo mal”. Ao final do livro, é de- monstrado o posicionamento de grande número de ex-guerrilheiros e ex-terroris- tas, em atividades editoriais, na cátedra universitária, na mídia e em cargos públi- cos, onde muito fazem sucesso contra as Forças Armadas, tentando denegri-las. O “Comandante” Fidel (e seu irmão Raúl) foi recebido festivamente no Brasil pelas autoridades e visitado constantemen- te pelo então presidente Lula e por comiti- vas do PT, quando o comissário José (Daniel) Dirceu chorava em seus ombros e a presi- dente Dilma, presenteou Cu- ba com milhões de dólares que jamais voltarão e com a construção de um moderno porto em Havana. Che Gue- vara é capa permanente em cadernos e camisetas de nos- sos estudantes e é promovi- do constantemente no cine- ma e pela PTV Globo. Mao Tsé Tung e Lamarca apare- cem na carteira estudantil da União Colegial de Minas Ge- rais. Mao, Fidel e Guevara ex- portaram para nós o ódio, o terrorismo, a subversão e a morte e são exemplos para a nossa juventude e endeusa- dos pela mídia venal e pelos livros didáticos então ado- tados pelo Ministério da Edu- cação. Agora, continuam ten- tando pela quarta vez. É a hora e a vez do Foro de São Paulo, que procura interfe- rir em nossas relações inter- nacionais, sendo o espelho do ex-Presidente Lula, que foi ridiculiza- do pelas ações de Evo Morales, Rafael Cor- rea, Cristina Kirchner e até do "bispo" Fer- nando Lugo do Paraguai, que foi defenes- trado da presidência contra a vontade do governo brasileiro, do próprio Foro de São Paulo e da UNASUL. E a farsa con- tinuou... Entretanto, com o impeachment da presidente Dilma, a indignação popu- lar foi comprovada no resultado das elei- ções municipais de 2016, onde o corrupto PT só conseguiu eleger um prefeito, o de Porto Velho – AC, porquanto o povo acordou e não mais acreditou em “bolsa- esmola” ou promessas vazias que não se cumprem nunca, enquanto “petralhas” e seus apoiadores de outros partidos con- tinuavam se enriquecendo ilicitamente e se safando da Justiça. Mas o ano de 2018 chegou radioso e, finalmente, no mês de abril, deu-se a prisão do finório delinquente Lula da Sil- va, sem que houvesse a alardeada “revol- ta popular”, tão badalada pela esquer- Os gulags soviéticos A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" “É preciso relembrar o vandalismo desencadeado naquele dia, a atitude afrontosa com que saíram das ruínas do 3º RI, os autores daqueles crimes, a maneira ostensiva com que alardeavam os processos traiçoeiros que consegui- ram dominar pelo terror. Relembrar esses fatos é certamente doloroso. Mas é preciso relembrar, porque a maior virtude do brasileiro é ó esquecimento e essa virtude é quase sempre o seu maior defeito’’. Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1937 Gen Eurico Gaspar Dutra - Ministro da Guerra PRONUNCIAMENTO DO GENERAL DUTRA 3 dalha, o que evidencia, à larga, que a farsa, a menti- ra, a enganação, a rouba- lheira e a impunidade já não encontram tanta guarida no Brasil! E vieram as eleições de outubro/2018. Um depu- tado federal, capitão oriun- do do Exército, sem gran- de projeção parlamentar, se lança candidato à pre- sidência da República, por um partido nanico, sem tempo na mídia e sem re- cursos partidários e finan- ceiros. Contudo, ele con- seguiu empolgar a nação, a despeito de lutar con- tra um aparentemente in- vencível aparato finan- ceiro-eleitoral e vencer ga- lhardamente as eleições, derrotando corruptos e es- querdistas de todos os ma- tizes! Tal episódio nacio- nal possui relevantes di- mensões históricas. Sim, pois de fato ocor- reu um ponto de parada, de ruptura, um ponto de inflexão na História-Pátria, eis que pelo VOTO, o povo repudiou na re- cente eleição municipal de 15 de novem- bro petistas e comunistas, condenando, em particular, as políticas de lesa-pátria, há muito praticadas, de acelerada bol- chevização do ensino e de ideologiza- ção do ministério das Relações Exterio- res. Como dizem renomados intelectuais, aconteceu um “divortium aquarum” (di- visor ou divisória de águas) nos rumos do Brasil!! Rendamos graças a Deus!! Assim, hoje, respondendo ao título deste Editorial, ousamos dizer que a Far- sa Não Deverá Mais Continuará!! Saudemos, pois, com alegria, o nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro e seu vice, General Hamilton Mourão!! “BRASIL ACIMA DE TUDO! DEUS ACIMA DE TODOS!” Publicado no Inconfidência nº 271 de 27 de novembro de 2019 e hoje atualizado Publicado na página 3 do número 63 de 10/12/2003
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    4Nº 284 -Novembro/2020 27 de novembro - edição das 15 horas Sexta-feira - 29 de novembro - edição das 11 horas E ste é um breve relato da rebelião comu- nista de 27 de novembro de 1935. Por ser apenas um resumo foram omitidos muitos detalhes e nomes envolvidos nos acon- tecimentos que enlutaram o País. Mesmo as- sim, ficou demonstrado de modo insofismável até que ponto pode chegar a ambição política aqualquerpreço,ademagogiainconseqüentee deletéria,adissimulação,amentiraeocinismo de receberem dinheiro e orientação externos para entregar a Pátria ao domínio estrangeiro. Sejam quais forem os disfarces e os processos utilizados, os adeptos do comunis- mo perseguem sempre os mesmos fins. Para isso são capazes, como vimos, de revoltantes traições e, até, de frios assassinatos de compa- nheiros adormecidos. É oportuno transcrever um trecho da Ordem do Dia do General Dutra, em 27 de novembro de 1937: "É preciso relembrar o vandalismo desencadeado naquele dia, a atitude afrontosa com que saíram das ruínas do 3º Regimento de Infantaria os autores daque- le crime, a maneira ostensiva com que alardeavam os processos traiçoeiros e infa- mes com que abateram os companheiros que conseguiram dominar pelo terror". "Relembrar esses fatos é certamente doloroso. Mas é preciso relembrar, porque a maior virtude do brasileiro é o esquecimen- to e essa virtude é quase sempre o seu maior defeito". Não sabia, porém , o General Dutra que as suas palavras eram, na realidade, uma pro- fecia. Os revoltosos de 1935 foram anistiados e perdoados pela sociedade, mas nem por isso desistiram de implantar, no Brasil, um regime comunista contrário à vontade e à índole do nosso povo. Voltaram a perseguir os mesmos objetivos de tomada do Poder em 1964, sendo barradospelaRevoluçãodemocráticade31de Março de 1964. Não conseguindo seus inten- tos retornaram, em 1968, os insanos importa- dores do ódio e da violência, a praticar seqües- tros, assassinatos brutais de civis e militares, assaltos a bancos, atitudes do mais baixo e repugnante padrão moral, agindo em nome da mesma soturna ideologia de seus mestres co- munistasde1935.Deixaramumrastrodemais de 200 mortos civis e militares, 500 mutilados e feridos, vítimas da sanha assassina dos her- deiros da intentona de 1935. Podemos afirmar que o sacrifício da- queles que combateram o comunismo não foi em vão. Hoje no poder, os derrotados de ontem estão podendo dar vazão plena ao ódio que os mobilizara naquela época. No entanto é preciso manter a vigilância, pois as intenções deles parecem estar latentes, só aguardando uma oportunidade para se fazer presentes. Tudo devidamente comprovado com as cam- panhas sórdidas e mentirosas constantemente veiculadaspelamídiavenalevendidacontraas ForçasArmadase,emparticular,apermanente tentativa de denegrir o Exército Brasileiro. A lição de 1935 permanecerá viva. As Forças Armadas e as Polícias Militares jamais esquecerão as páginas de luto, traição e covar- dia que o comunismo inseriu na nossa História e, mesmo à custa do sacrifício de vidas, nunca permitirão que seja imposto ao Brasil um regime contrário à sua tradição. Esse é um dever constitucional. Avenida Pasteur, 28/11/35: Oficiais e praças insurretos do 3º RI quando, em atitude de zombaria, deixam, presos, o quartel. O chefe do movimento, Agildo Barata está assinalado com um X edição A. 3 NUMEROAVULSO:200RÉIS BELLOHORIZONTE–QUARTA-FEIRA,27DENOVEMBRODE1935 ANNOV–NÚMERO1.457 Dominado, no Rio, o movimento subversivo O 3º. R.I. rendeu-se às 14 horas e 30 minutos, tendo sido a sublevação da E. de Aviação suffocada desde cêdo “Estou vencido. Fui preso” RIO, 27 (Meridional) – A reprotagem dos “Diá- rios Associados” conseguiu falar ao capitão Agildo Barata, minutos após a rendição do 3º R.I. O conhecido official, que era o cabeça do movi- mento sedicioso da tropa Praia Vermelha, foi incisivo: - “Estou vencido. Fui preso”. Fuzilado pelos rebeldes o 1.º tenente Benedicto Lopes Bragança Segundo communicações recebidas hoje pela família Bragrança o 1.º tenente Benedicto Lopes Bragança foi fuzilado pelos rebeldes por não ter querido adherir ao movimento da insurreição na Escola de Aviação, na qual commandava um corpo de instrucção. O malogrado official era relacionadissimo, em Bello Horizonte, aqui tendo servido no 10.º R.I, e aqui feito o seu curso de humanidade. O corpo do tenente Bragança chegará amanhã nesta capital. Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935Revista "O Cruzeiro" 07/12/1935 CONCLUSÕES Publicado no Inconfidência nº 63 de 10 de dezembro/2003 4 O |General de Exército Pedro Luís de Araújo Braga, recebendo um dos 200 exemplares da edição histórica do Inconfidência, distribuídos após a cerimônia Cel Miguez e generais Figueiredo, Campos (Comandante da ECEME), Lessa, Castro e Bandeira Os Generais de Exército Enzo Martins Peri, Comandante do Exército e Rui Alves Catão, Comandante Militar do Leste, cumprimentando, respectivamente, a Sra. Irma Paladini da Silveira (filha do Capitão Danilo Paladini, assassinado na intentona) e a sua sobrinha ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 27 DE NOVEMBRO DE 2009 NA PRAIA VERMELHA NR: O General Campos é o atual Secretário de Segurança Pública do governador João Doria, em São Paulo Publicado no Inconfidência nº 147 de 21 de dezembro de 2009
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    5Nº 284 -Novembro/2020 EDIÇÃO DE HOJE – 10 PAGINAS NÚMERO AVULSO: - 200 RÉIS Extinctos o 21º. e o 29º. Batalhões de Caçadores e o 3º. Reg. de Infantaria Genese e desenvolvimento da rebellião communista O capitão Felinto Muller, chefe de Polícia do Districto Federal, expõe detal hadamente aos “Diários Associados” a trama sinistra e as providencias rapidas e energicas do governo federal Luiz Carlos Prestes perdeu, em um lance, a legenda que conquistou em 11 annos Posso assegurar-lhe que, a principio, organisara-se um movimento políti- co-militar de caracter verde e amarello, no estylo dos golpes a que a Republica libe- ral democrática nos acostumou, na longa história de sua adaptação ao genio polí- tico do povo brasileiro. A formação da Alliança Nacional Libertadora, porém, lançou os agentes e possíveis chefes desse movimento para o segundo plano. Este partido tinha uma ideologia definida nos princípios communistas e o seu chefe, sr. Luiz Carlos Prestes, há cin- co annos anunnciára ao povo brasileiro as suas novas inclinações anti-democra- ticas. A rápida expansão desse partido, a propaganda intensa dos seus ideaes nesta capital e nos Estados, deram aos lide- res a impressão de uma força capaz de prescindir da collaboração das outras correntes políticas, podendo agir por conta própria e realizar com a figura le- gendária do sr. Luiz Carlos Prestes, a con- quista do poder que tantos outros de- sejavam. A polícia, como já tive occasião de demonstrar pela imprensa, numa abun- dante documentação estava certa da ab- soluta identidade de ponto de vista da Alliança Nacional Libertadora com o pro- gramma communista de Prestes. A cons- piração político-militar deixára cahir a bandeira verde-amarella, e surgira em seu logar e pavilhão vermelho do bolchevis- mo. Deante das provas irrefutáveis de que a A. N. L. tramava a subversão violenta do regime social e político do paiz, o governo decidiu fechar a sua séde e os seus núcleos em toda a Re- publica, e desde este momento os seus dirigentes resolveram levar avante o plano conspiratorio, sob a chefia direc- ta e pessoal de Luiz Carlos Prestes. Deu- se, portanto, uma evolução na trama pri- mitiva, de natureza política, com o in- tuito de mudar os homens conservan- do as instituições, para uma extensão conspiração extremista destinada a im- plantar em nossa terra o regime russo, ingenuamente disfarçado na fórma de um governo popular revolucionário. A TACTICA DE MOSCOU -Convém não esquecer que os alliancistas seguiam habilmente a tác- tica de Moscou. Como ficára resolvido no ultimo Congresso do Komintem, os agentes bolchevistas e deveriam traba- lhar sempre com os disfarces da liberal democrocia, fingindo uma alliança com os partidos republicanos para com-ba- ter o fascismo, e desta fórma obter a sua collaboração para a obra revoluciona- ria. Os alliancista que desejavam a coope- ração dos grupos políticos dissiden- tes, e para não afugental-os, fingiam ter abandonado os propósitos vermelhos da ideologia moscovita, allegando que o comunismo rigido seria inadaptavel ás condições psychologicas da socieda- de brasileira. Nesse sentido, procuraram arti- cular-se com elementos políticos e mi- litares, que, a tempo, perceberam o en- contro e retiraram a solidariedade que haviam empenhado. A polícia possue documentos pre- ciosos para provar que os communis- tas pretendiam jogar esses collabo- radores numa cilada. O plano era servir-se de seu apoio para conquistar o poder popular revolu- cionário e, depois de installado este, con- vertel-o rapidamente, com o auxílio das massas operarias, camponesas e arma- das, no regimem communista, segundo o espírito das infiltrações soviéticas. Pos- suo no archivo da polícia, cartas em que os líderes communistas explicam este pro- jecto a camaradas que se mostram sur- prehendidos com a “entente” de allian- cismo com os grupos da burguesia liberal democrática. O governo popular revolucionário era apenas uma fachada para attrahir in- gênuos. Viria, logo depois, atrás delle, a verdadeira revolução social, inspirada no lemma: “pão, terra e liberdade”, com um governo de operários, camponeses, marinheiros e soldados de accordo com os moldes práticos consagrados pelo golpe de 1917 na Rússia. Prestes, ladeado pela Polícia Especial de Vargas, depõe no Conselho de Justiça Militar, fev/37 Medidas energicas para combater o communismo As modificações à Lei de Segurança Nacional, apresentadas pelo deputado Pedro Aleixo, corrigem as deficiências da legislação em vigor – Definidos novos crimes contra a ordem política e social Rio, 3 (Meridional) – Foi assignado na pasta da Guerra um decreto concebido nos seguintes termos: “OpresidentedaRepublicadosEstados Unidos do Brasil, considerando ser acto de justiça e afim de que perdera elle nos annaes militares, estigmatizando o crime de rebel- dia que cometteram, decreta: Ficam extinctos os 21º e 29º Batalhões de Caçadores e o 3º Regimento de Infan- taria. Artigo 2º - São creados os 30º e 31º BatalhõesdeCaçadoreseo14ºRegimentode Infantaria que deverão ser immediatamente organizadosparaconservar-sesemalteração o effectivo consignado na organização do Exército. Artigo 3º - Revogam-se as disposições em contrario. Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1935. 104º da Independência e 47.º da República (a) Getulio Vargas, Presidente da Republica" Estigmatizandoo crimederebeldia Extinctos o 21.º e o 29.º B. C. e o 3º R.I. NOSSOCOMENTÁRIO Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência. A leitura da entrevista do Chefe de Polícia do Distrito Federal, em 1935, revela que o processo revolucionário comunista continua tendo as mesmas características nos dias de hoje. Nas fases que antecedem a tomada do poder todas as aparências de legalidade e de participação democrática no jogo polí- tico. A formação de frentes e alianças eleitorais com os partidos de esquerda e coma"burguesialiberal"paraaforma- ção de um "governo popular democráti- co" continua a ser a tática dos partidos comunistas e também de partidos que se dizem socialistas, escondendo sua ten- dência revolucionária. É a tática da "via pacífica" cujo primeiro objetivo é a conquista do go- verno pelo caminho eleitoral legítimo. A partir daí, o partido comunista ou parti- do socialista revolucionário, simulando um programa social-democrata, faz a "acumulaçãodeforça"aqueTarsoGen- ro (PT/RS) denomina de "reformismo radical", tendo por objetivo a tomada do poder. A Intentona Comunista de 1935 que surpreendeu pela violência, pode repetir-se de forma pacífica, pelo menos nassuasfasesiniciais,realizadaoqueos neo-comunistasdenominam"Revolução Nacional Popular". Com a chegada de elementos do 22º Batalhão de Caçadores e de uma bateria de Artilharia da Parahyba, os communistas pressionados, começaram a recuar no Recife 5 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ DEPUTADO JAIR BOLSONARO (Extrato) Odeputado federal Jair Bolsonaro sempre foi pre- sença constante nas solenidades da Intentona Comunista na Praia Vermelha, conforme podemos com- provar com fotografias publicadas em nossos jornais. Geralmente era acompanhado de seus filhos Flávio, de- putado estadual e Carlos, vereador pelo Rio de Janeiro. Como é sabido foi "proibido" pelo governo petista - comunista qualquer manifestação das Forças Arma- das em 31 de março e 27 de novembro. Mesmo assim, diversos Comandos continuaram realizando cerimôni- as / formaturas nessas datas merecendo destaque as da Praia Vermelha junto ao Monumento Votivo em home- nagem as vítimas da Intentona Comunista de 1935, por iniciativa do CML - Comando Militar do Leste e DECEX - Departamento de Educação e Cultura do Exército. No entanto, em outros destinos essas datas históricas foram completamente olvidadas e os Comandantes da Marinha e da Aeronáutica jamais organizaram ou participaram de algum solenidade. O Comandante do Exército, General Enzo esteve presente na Praia Vermelha. ANO VIII NUM. 2779 Publicado no Inconfidência nº 63 de 10/12/2003 General Curado, Brigadeiro Ivan Frota, Generais Modesto, Cherém, Denys, Deputado Bolsonaro e Generais Montezano e Burmann Foto publicada no Inconfidência nº 185 de dezembro de 2012 E o que dizer de Natal onde foi deflagrada a Intentona e estão sediados os Comandos da 7ª Brigada de Infantaria, da Base Naval e da Base Aérea e ali não é promovida qualquer for- matura sobre esse traiçoeiro evento? Gostaria que ao assumir a presidência do Brasil determinasse ao Ministro da Defesa que "convidasse" os principais Comandos das Forças Armadas a realizar sole- nidades cívica-militares relembrando 31 de março de 1964 e 27 de novembro de 1935, tal qual a Ordem do Dia do General Hamilton Mourão quando Comandante da Briga- da de Infantaria de Selva. São datas inesquecíveis para a História Militar e do Brasil. Desde sempre, o nosso futuro presidente se posicionou contra o comunismo internacionalista, materialista e ateu. Que o Altíssimo o proteja e ilumine para que o nosso amado Brasil seja, de fato, um país ocidental, cristão e democrático! Publicado no Inconfidência nº 258 de 27/11/2018 "BRASIL ACIMA DE TUDO! DEUS ACIMA DE TODOS!"
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    6Nº 284 -Novembro/2020 DISCURSO DO DEPUTADO FEDERAL AFONSO DE CARVALHO26 de novembro de 1946 CARÍSSIMOS LEITORES / HISTORIADORES / MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS “Sr. Presidente: Os tempos são outros. Nunca o Brasil esteve tão intensamente pene- trado de sentimento democrático e de amor à liberdade, como atualmente. E esse é o sentimento que prepondera nas nossas classes armadas. Foi o que as impulsionou para o 29 de outubro [deposição do presidente Vargas], e, agora, determina novamente o seu pro- nunciamento, em defesa da Pátria e da Democracia. Positivismo e Comunismo vieram a ser, no Brasil, as forças negativas, dissolventes da ideia de Pátria, impli- cando em desviar as forças armadas dos seus verdadeiros rumos. De início é o Positivismo que visa corromper o espírito nacionalista das nossas gera- ções militares e em favor da utopia – humanidade, relegando para plano se- cundário a ideia de Pátria. O Apostolado Positivista passou a ser o esquisito laboratório dessas ideias, onde os adeptos de Augusto Comte, como mais tarde o farão os dis- cípulos de Marx e Engels, agitarão as retortas de violentos ácidos corrosi- vos, contra a noção de Pátria. O Sr. Teixeira Mendes, “Papa Ver- de” do Positivismo, prega, então, ideias, que, hoje, dificilmente se acreditaria pudessem ser apresentadas, se não cons- tassem, como constam, das suas ora- ções apostolares. Prega, antes de mais nada, o esfacelamento do Brasil, crian- do as chamadas Pátrias Brasileiras. Afir- ma que os positivistas – e é grande, então, o seu número no Exército – não têm “o menor preconceito de integrida- de política”. Admira-se que os demo- cratas “olhem com tamanho horror” para o que chama “a inevitável fragmenta- ção política do Brasil”. Considera, des- denhosamente, a integridade brasileira como um simples preconceito. Ataca o Império “porque não re- cuou nem diante da violência e da cor- rupção para manter a Monarquia e a integridade da nacionalidade brasilei- ra”. Escreve textualmente: “O Exército não garante a tranquilidade pública porque é insuficiente para a guerra e é supérfluo para a paz”. Incentiva a sa- botagem da guerra do Paraguai, cujas glórias militares considera como sinais de vergonha, o que levou certa vez o General Tasso Fragoso a escrever: “Lembro-me dessa época quan- do os velhos generais, que haviam lu- tado no Paraguai, escondiam as suas condecorações de guerra, como se fos- sem símbolos do opróbrio” [duas ob- Transcrevemos abaixo, excertos do discurso pronunciado em 26 de novembro de 1946, na Câmara dos Deputados, pelo deputado federal por Alagoas, Coronel do Exército Afonso de Carvalho. Trata-se de um importantíssimo documento de cunho histórico-filosófico, que foi publicado pela revista “Nação Armada”, n° 81, de janeiro de 1947. O título da matéria é “O Militar não pode ser Comunista”. Diga-se que quando do citado discurso, o Bra- sil, há pouco mais de um ano, retornara ao estado democrático, após a deposição, pelas Forças Armadas, do ditador Getúlio Vargas. O Partido Comunista foi então legalizado e lançou candidatos a vários cargos eletivos. O seu líder, Luiz Carlos Prestes, foi eleito Senador. Em 1947, esse Partido foi posto na ilegalidade, eis que subordinado ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS), do qual era uma simples Seção, e pelas agitações subversivas que promovia em todo o Brasil. É disso e mais da nefasta ação da ideologia do Positivismo - “a Religião da Humanidade” -, que versa o magnífico Discurso. Afonso de Carvalho foi um notável historiador, intelectual, pensador militar, escritor, poeta, político (foi Interventor em Alagoas, em 1933, membro da Assembleia Nacional Constituinte de 1946, e deputado federal pelo estado de Alagoas), sócio de diversas instituições histórico-culturais. Ele foi um dos maiores biógrafos do Duque de Caxias, sendo o seu referencial livro, “CAXIAS”, editado por cinco vezes; a Biblioteca do Exército o editou em 1938 e tornou a fazê-lo, em 1976, em uma edição especial, de luxo. Eis alguns trechos do antológico, histórico e científico Discurso que todo patriota deveria ler com redobrada atenção, custodiar com esmero, e, em especial, refletir, comparativamente, com a atual e muito hostil conjuntura nacional, sob os influxos da ação “gramscista”, orquestrada pelo Foro de São Paulo: servações particulares: 1) o Senador Gaspar da Silveira Martins sempre cri- ticou, acerbamente, o pacifismo dos positivistas, para os quais os Exércitos deveriam se transformar em gendar- merias e “os generais eram os grandes assassinos dos povos”. Ainda mais: 2) a impoluta figura do Duque de Caxias era assaz denegrida e apequenada pelos militares pro- fitentes do Positivismo. Caxias só seria reabilitado pelo Exército, de um semi- anonimato não condizente com os tan- tos e tamanhos serviços por ele presta- dos ao Brasil, na paz e na guerra, no ano de 1925, pelo minis- tro da Guerra, Gene- ral Setembrino de Carvalho...]. Enfim,oExérci- to diminuído à sim- ples gendarmeria e a Pátria reduzida a vin- te republiquetas! Era o que queria o Apos- toladoPositivista,fiel intérprete das ideias de Augusto Comte, apóstolo ainda mais intransigente que Marx, das teorias do materialismo históri- co. Foi grande o trabalho dos constitu- intes para que a nova Carta Magna da República saísse escoimada dos aleijões positivistas. Os chefes militares, no decorrer dos governos republicanos, tudo fizeram para que o Exército se fortalecesse em seu espírito profissional e no seu amor à Pá- tria, da qual é a armadura de aço. Na verdade, os nossos chefes mi- litares souberam, com elevação e habili- dade, livrar as forças armadas do primeiro cancro (o Positivismo) que ia corroendo as suas energias e solapando os funda- mentos da Nação. Chegou, agora, a vez de defen- der-se de um outro inimigo. Os chefes militares de hoje, e que já falaram com a boca dos canhões em 27 de novembro de 1935 [refere-se à hedionda “In- tentona Comunista de 1935”, que pode ser resumida em dois vocábulos ape- nas: traição e covardia; e que foi uma das ponderáveis causas imediatas para a deflagração do glorioso Movimento Cívico-Militar de 31 de março de 1964], estão novamente com a palavra. Apreciado o Positivismo [que pre- ga a “ditadura republicana”] como con- trário à ideia de Pátria, vejamos agora o Comunismo [que preconiza a “ditadura do proletariado]. Desaparece, no Co- munismo, o conceito clássico de povo e de Pátria. A unidade política não é mais o povo, e sim, a classe. Dentro da unidade – classe, o cidadão oblitera- se, desaparece. E com ele, o povo. E com o povo, a Pátria. Cada circunscri- ção política deve dividir-se na classe dos marítimos, na classe dos meta- lúrgicos, etc. A classe é o que se tem em vista, esteja onde estiver, no país ou no estrangeiro. Lê-se no Manifesto Comunista: “Operários de todo o mundo: uni-vos!” O Programa do Komintern procla- ma: “O Proletariado não terá pátria en- quanto não conquis- tar o poder político”. Como o Parti- do é internacional, aqueles que o diri- gem nos demais paí- ses, como no Brasil, têm o nome de Se- cretários. E, se em dado momento, colidirem os interesses de um país com os da Rús- sia Soviética, devem preponderar os da URSS. Desta mesma tribuna o senador comunista Luiz Carlos Prestes decla- rou que no caso de uma guerra do Bra- sil com a Rússia, ou melhor, com a União Soviética, ele ficaria com a União Soviética. Como se pode supor, nessas con- dições, que um comunista possa deixar de atender aos compromissos interna- cionais, intrínsecos, do seu Parido? E se esta obediência, pelo caráter inter- nacional do Partido, dimana, imperati- vamente, da própria essência do comu- nismo, como admitir-se que o militar possa pertencer a uma organização in- ternacional, ele que jurou defender a Pátria com o sacrifício da própria vida? Como admitir-se que o militar, o militar do Brasil, possa ter outra Bandeira que não seja aquela “que a brisa do Brasil beija e balança?” Como admitir-se que ao soldado, ao marinheiro, ao aviador, se possa, sem receio de traição, confiar-se uma arma, e esta arma ser utilizada contra a Pátria, que nele depositou a sua confiança? Não podem existir duas respostas a estas perguntas! Admitir-se um militar comunista seria conformarmo-nos com o mais trágico dos paradoxos. Ninguém pode negar aos Esta- dos Unidos da América do Norte e à Inglaterra, o alto espírito democrático que preside às suas instituições. E, no entanto, o que hoje se pretende fazer no Brasil, a Inglaterra e os Estados Unidos já o fizeram, excluindo das suas forças armadas todos os militares co- munistas [acrescente-se que, após a Contrarrevolução de 1964, foram expur- gados das FFAA, militares indesejáveis como os subversivos/comunistas, os cor- ruptos e os de conduta moral incompatí- vel com a profissão militar; desafortuna- damente, tipos dissimulados consegui- ram escapar daquela oportuna e benéfica higienização, sendo o caso mais notó- rio o do capitão desertor e traidor, fa- cínora crapuloso, Carlos Lamarca]. Sr.Presidente.Srs.Deputados:Vou terminar. Procurei demonstrar como as Forças Armadas têm sido sacrificadas por duas correntes ou partidos de senti- do filosófico-político, fundamentados na interpretação materialista da História: o Positivismo e o Comunismo, e ambos desencadeados, primeiro, contra a Repú- blica que sucedeu à Monarquia; depois, contra a República que substituiu a Dita- dura, e, também, por coincidência, ambas em sua fase perigosa de adolescência. Continuando, Sr. Presidente, pro- curei provar o caráter internacional do Positivismo e do Comunismo. E, assim, contrários à ideia de Pátria. Na Inglaterra, Srs. Deputados, sempre se sepultaram os sonhos dos conquistadores e a ideolo- gia dos extremistas! Se velhos países, como outros, reagiram às ideias de Marx, como compreender-se que um país no- vo, ainda em formação, como o Brasil, possa admití-las e com a cumplicidade das próprias classes armadas? Impõe-se à Democracia brasileira fortalecer o sentido afirmativo da Pátria. Não podemos - militares e repre- sentantes do povo -, permanecer tranqui- lamente debaixo da abóbada, deixando que o inimigo nos vença. Se não reagir- mos, a abóbada ruirá. Pereceremos to- dos. E de todos nós, que não somos co- munistas, não sobrará um só Jeremias pa- ra chorar sobre as cinzas dessas ruínas. Fortaleçamos a Pátria, prestigiando as classes armadas. Renunciemos à vas- tidão das ideias universalistas. E perma- neçamos intangíveis no nosso sentimen- to pátrio, no sagrado egoísmo, no amor ciumento do nosso desvão de telhado, que é a nossa terra, a nossa família, a nossa gente, a nossa PÁTRIA!” 6 Publicado no Inconfidência nº 208 de 27 de novembro/2014
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    7Nº 284 -Novembro/2020 Cópia do original datilografado do telegrama com o qual a direção da Internacional deu a Prestes e Ewert ordem para agir * Por Jarbas Passarinho * Coronel - Foi ministro de Estado, governador e senador pelo Pará. Partido Comu- nista Brasileiro, nascido em 1922, te- ve vida curta, diri- gido por Astrogildo Pereira e Octávio Brandão, quando em 1929 caíram am- bos em desgraça da Terceira Interna- cional fundada por Lênin. Poupados por Moscou que determinou uma tré- gua, que não durou senão até 1930. O Komintern criticava os dirigentes do PCB, proibiu o partido de fazer qual- quer aliança nas eleições daquele ano, para cultivar seus clichês: luta contra o imperialismo, terra para os campone- ses, afastamento dos intelectuais (As- trogildo, Brandão, Basbaum e Paulo Lacerda) e sua substituição por “traba- lhadores mal vestidos e que falassem errado”. Lembro essa passagem para salientar uma interessante coincidên- cia: quando o PT foi fundado, há 25 anos, pretendia manter o princípio de partido exclusivo de trabalhadores, con- trário a toda política de alianças com partidos burgueses e dirigido por um metalúrgico “mal vestido e que falava errado”. Prestes só seria recebido na Ter- ceira Internacional, ou Komintern, em 1931, quando aceitou pagar o que se chamava outrora, nos clubes de grã- finos, uma luva. Para ser recebido na ilustre companhia dos revolucionários mundiais, pagou “20 mil dólares do fundo recebido de Getúlio Vargas de- zesseismesesantes”,como revelou Wil- liam Waack, no seu livro Camaradas, comprovado no acesso que teve aos arquivos de Moscou, após o colapso daUniãoSoviética,CapítuloOuroPara Moscou, página 43. João Alberto, em A Marcha da Coluna, confirma o en- tendimento com Getúlio, para que Pres- O LEVANTE COMUNISTA DE 1935: REFLEXÕES tes chefiasse a Revolução de 1930. Ele desviou os recursos para cumprir exi- gência do Kominforn, o mesmo Komin- forn que lhe daria ordem para o levante de 1935 e dava (ou retribuia) dólares para chefiar o levante no Nordeste e no Rio de Janeiro. É a prova do “Ouro de Moscou”. Acho que Prestes vacinou o Exér- cito com esse levante, que deixou mar- cas indeléveis de traição e covardia, quebrando um princípio de lealdade pertinente à vida castrense, em exem- plos históricos co- mo o dos aviadores na 1a Guerra Mun- dial. Quando um ad- versário era abatido, o contendor vitorio- so passava em vôo rasante sobre o ven- cido e lhe fazia con- tinência. Lee, o fa- moso general que comandou o Exér- cito dos Confede- rados na Guerra de Sucessão americana, era instrutor em West Point, quando a guerra eclodiu. Despediu-se da escola, comandada por superiores seus, adeptos de Lin- coln, com a tropa que ele iria comba- ter formada em saudação. Não há du- vida que eram tempos muito passa- dos, em que a guerra tinha uma com- ponente romântica. Mas em 1935, o comandante do 3o RI, onde estava preso o capitão comunista Agildo Ba- rata, tinha absoluta confiança nos seus subordinados.Doisdeles,fizeram o con- trário dos exemplos românticos. Um capitão que devia favores ao Coman- dante, jurou-lhe ajoelhado que era falsa a informação que o Coronel recebera de que o Regimento se levantaria no dia 27 de novembro e que o capitão era um dos seus líderes. Pois ele mes- mo, altas horas da madrugada, cum- priu as ordens que Prestes fizera che- gar, escritas, a Agildo Barata. Preo- cupado com as informações que re- cebera do Ministério da Guerra, de- terminou o Comandante a um tenen- te seu secretário, que instalasse uma metralhadora visando a subunidade suspeitada. O tenente, que tinha um parente na intimidade do Palácio do Catete, com Getúlio Vargas – e daí a insuspeição dele - acabou usando a metralhadora em apoio aos comunis- tas rebelados. Na Escola de Aviação, um ofi- cial que faço ques- tão de não sujar com seu nome es- te papel em que es- crevo, foi encar- regado de matar o tenente Danilo Pa- ladini, sabidamente anticomunista. Cobriu o revólver com um jornal e, numa escada em que Paladini se en- contrava, chamou-o perguntando se lera o jornal. Quando a vítima des- ceu uns degraus, o covarde o matou com tiros do revólver escondido no jornal. Outros covardes, também, suja- ram a história castrense no Brasil. Um exemplo é o do tenente Bragança, avi- ador. Cumprindo seu dever, dirigiu-se de trem para o subúrbio de Deodoro, no Rio de Janeiro, com um colega, pa- ra apresentarem-se em sua unidade, que não sabia já rebelada. Apanhou-os um capitão (um facínora que vim a co- nhecer no Congresso quando votamos a lei de anistia), dono de um pequeno automóvel. Sentaram-se os dois ofi- ciais nos bancos de trás. O capitão, sacando uma parabelum dirigiu-se primeiro ao tenente Bragança, dizen- do estar a unidade de aviação revol- tada obedecendo Prestes e pergun- tou se aderiam. O tenente corajosa- mente respondeu que não. Levou um tiro fatal. O outro abriu a porta do automóvel e jogou-se para fora, pro- tegido pelo lusco fusco e da frágil vegetação de Marechal Hermes. Foi salvo porque o gatilho da arma não percutiu a bala. Dele eu li, já sena- dor, o depoimento que deu no Tribu- nal de Segurança criado por Getúlio, revelando como se dera a morte do tenente Bragança. Mas, quando ca- pitão instrutor do CPOR de Belo Ho- rizonte, fui companheiro de seu ir- mão, o capitão Bragança, um oficial de escol, cuja família tinha sido com- pelida a não revelar o que sabia, para que nas Comemorações da Intentona, na Praia Vermelha, a ferocidade e a deslealdade dos comunistas fosse en- fatizada como eles matando até mi- litares dormindo. Coisas de políti- cos e não exatamente da política como a descreve Max Weber. O Presidente Collor determi- nou que as comemorações da Praia Vermelha, nos 27 de novembro não mais fossem realizadas, para recon- ciliação da família brasileira. Pas- sara a ser lembradas nos quartéis. Agora, nem isso. São substituídas pelo culto, de Dom Paulo Evaristo Arns e do rabino Sobel ao comunista Wladimir Herzog. Assim se faz a his- tória. (Publicado no Inconfidência nº 88 de 27/11/2005) Cobriu o revólver com um jornal e, numa escada em que Paladini se encontrava, chamou-o perguntando se lera o jornal. Quando a vítima desceu uns degraus, o covarde o matou com tiros do revólver escondido no jornal. Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é. LenineLenineLenineLenineLenine CAMARADAS Nos arquivos de Moscou A História Secreta da Revolução Brasileira de 1935 WILLIAM WAACK Este livro não foi feito para fa- vorecer alguns em detrimento de outros, nem para retomar deba- tes e pontos de vista totalmente ul- trapassados com o fim da Guerra Fria. No entanto, é inevitável que alguns mitos, imagens, carreiras e reputações – e crenças – saiam pro- fundamente abalados ao final des- tas páginas. Berlim, setembro de 1993 Também usava os nomes de “Frida Leuschner”, “Ana Baum de Revi- dor”, “OlgaSinek”,“OlgaBergnerVilar” e “Zarkovich”; alemã, membro do IV Departamento do Exército Vermelho (Inteligência Externa); casada na URSS com B. P. Nikitin; viajou em dezembro de 1934 ao Brasil, acompanhando Luiz Carlos Prestes, cumprindo missão que lhe fora atribuída pela EKKI. Foi OLGA BENÁRIO - A VERDADE presa no Brasil em 6 de março de 1936, juntamente com Prestes, com que teve uma filha, sendo deportada para a Alemanha, onde morreu, em 1942, em um campo de concentração. O seu grau de importância na hierarquiadaespionagemsoviéticadeu- se no episódio de reconhecimento de sua morte e nas motivações nazistas para a liquidarem. “Camaradas" é um livro cuja leitura se diria recomendável a todos os brasileiros mas obrigatória ao público militar. Obrigatória, por traduzir-se o seu texto na mais ampla e irretorquível defesa da ação anti-comunista em que se envolveram as nossas Forças Armadas, desde 1935. A nossa luta, e a nossa vi- tória foram o triunfo da razão. Honra aos sacrifícios e ao sangue derramado em decênios de confronto com a maior aberração que produziu o pensamento humano, o comunismo. E estejamos certos! O “patrulhamento ideológico” ainda não foi desmon- tado no Brasil. A obra de Waack não irá figurar nas famosas listas dos mais vendidos que a mídia repete em seus suplementos. Corrijam-nos, no futuro se estivermos errados! William Waack (Publicado na revista do Clube Militar de dezembro/1993) * Tenente-Coronel Antônio Gonçalves Meira Camaradas - Por William Waack 7 O
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    8Nº 284 -Novembro/2020 A INSURREIÇÃO DE 27 DE NOVEMBRO ESCOLA DE AVIAÇÃO MILITAR Oinício da revolta na AVIAÇÃO coincidiu, differença de poucos minutos, com a do 3º REGIMENTO DE INFANTARIA. Em vasta área, quasi toda aber- ta, situada entre a Estrada Rio-São Pau- lo, a Estação de Deodoro e a Invernada dosAffonsos,estáaESCOLA DE AVIA- ÇÃO MILITAR. Dentro dessa área vários pavi- lhões se distribuem a esmo; uns, ser- vindo de quartéis e alojamentos, ou- tros, de officinas e hangares. Duas entradas lhe dão accesso; ambas situadas à margen da Estrada Rio-S. Paulo, sendo que uma dellas, a mais utilizada hoje, está localizada na embocadura de um caminho que vae ter à Enfermaria. Foi por esta que, pouco antes das três horas da madrugada de 27, penetrou na ESCOLA o automóvel do Capitão SOCRATES, conduzido, além deste, o Capitão AGLIBERTO e os Tenentes BENEDICTO e DINARCO, emquanto que o Tenente IVAN ali pe- netrava pelo outro portão afim de su- blevar a guarda de serviço. A promptidão e a vigilância na ESCOLA, em conseqüência dos acon- tecimentos de Natal e Recife, não era rigorosa e geral como no 3º REGI- MENTO DE INFANTARIA, mas ape- nas parcial, e comprehendia a Compa- nhia de Guardas, a Extranumeraria e a Companhia de Alumnos do Curso de Sargentos Aviadores. Os serviços de segurança, en- tretanto, foram augmentados na noi- te de 26 para 27, em face dos boatos que circulavam. O Commandante, Tenente-co- ronel IVO BORGES, que vinha de há muito desconfiado da actuação dos Capitães SOCRATES E AGLIBER- TO, dera terminantes ordens aos ele- mentos encarregados da fiscaliza- ção dos portões de entrada, que não permittissem o ingresso na ESCO- LA de qualquer vehiculo, mesmo conduzido officiaes. As ordens não foram, porém, cumpridas pelo Sargento ALVARO BELGA, que com um Grupo de Com- bate, guardava a Estrada que vae ter à Enfermaria e por onde penetrou, sem ser embaraço em sua carreira, o auto- movel do Capitão SOCRATES. Há muito já se achavam na ES- COLA, alli chegados “por acaso” “ou para saberem das novidades”, os Te- nentesCARLOSBRUNSWICKFRAN- ÇA e JOSÉ GAY DA CUNHA. O Commandante, o Major BEN- TO RIBEIRO CARNEIRO MONTEI- RO e o Capitão JORGE GOMES RA- MOS, que rondavam pela Estrada Rio- S. Paulo, ao verem passar ve- lozmente, sem encontrar obstáculos, o automóvel do Capitão SOCRATES, interpellaram o Sargento BEL- GA, que explicou ter deixado passar o vehiculo por condu- zir officiaes da ESCOLA. Deu-lhe ordem o Tenen- te-coronel IVO BORGES que o acompanhasse juntamente com o seu Grupo de Combate, afim de verificarem o que pre- tendia a ESCOLA, áquellas ho- ras, SOCRATES e seus com- panheiros. Foi então que se ouviram os primeiros tiros partidos das proximidades do local onde pa- rara o automóvel, e acto conti- nuo, recebiam o Commandante, o Major BENTO RIBEIRO e o Capitão GOMES RAMOS uma rajada de fuzil metralhador do GrupodoSargentoBELGA.Gri- taram os officiaes que não ati- rassem, quando nova rajada se fez ouvir. Surprehendidos e im- possibilitados de, no local, to- marem qualquer attitude de reacção, ou providencia effi- ciente, referem o Coronel IVO e o ma- jor BENTO a fls. 1.536 e 1.540 do 6º volume, dirigiram-se para a Escola Mi- litar, posto de commando da 1ª Bri- gada de Infantaria, onde se apresen- taram, tendo por sua vez conseguido o Capitão GOMES Ramos alcançar o Batalhão Escola, onde solicitou as primeiras providencias. A esse tempo, o automóvel con- duzindo SOCRATES, AGLIBERTO, IVAN E DINARCO, defrontava a Com- panhia de Alunnos, onde nas proximi- dades se achavam dois Grupos de Com- bate commandados pelos Tenentes BENEDICTO LOPES BRAGANÇA e OSWALDO BRAGA RIBEIRO MEN- DES. Colhidos de imprevisto e envolvi- dos pelos officiaes revoltosos, emquanto parte da tropa dispersava aos gritos de “Viva a revolução”, eram presos os Tenentes Bragança e Mendes e recolhi- dos ao automóvel, sob a vigilancia do Capitão AGLIBERTO VIEIRA DE AZEVEDO. Foi ahi, que este official, segun- do refere o Tenente RIBEIRO MEN- DES, cujo testemunho é corrobarado pela prova indiciaria, friamente assas- sinou o seu collega Tenente BRA- GANÇA. Em outros sectores, agiam os Tenentes BENEDICTO DE CARVA- LHO e IVAN RAMOS RIBEIRO, au- xiliados pelos Tenentes DINARCO, GAY e FRANÇA e pelo Aspirante WALTER. Sublevaram assim a Companhia de Alumnos e a de Guardas, ao mesmo tempo que eram presos os officiaes que não adheriam à insurreição. OCapitãoARMANDODESOU- ZA E MELLO, e o Tenente DANILO PALLADINI foram mortos pelos re- voltosos logo no inicio do assalto. O Tenente Coronel EDUARDO GOMES, Commandante do 1º REGI- MENTO DE AVIAÇÃO, quando re- pellia um ataque á sua unidade, dirigido pelos revoltosos SOCRATES E IVAN, foi ferido na mão por um dos compo- nentes do Grupo de Combate deste ultimo. Mas já as forças do Governo atacavam a AVIAÇÃO e o Grupo Es- cola começava o bombardeio. Dentro em pouco os rebeldes capitulavam, e os chefes, sem a cora- gem de enfrentarem a derrota, pu- nham-se em fuga desordenada, aban- donando seus commandados. Como tivemos occasião de resaltar em trecho deste relató- rio, era evidente que os planos do movimento não se poderiam cir- cumscrever a dois quartéis, elles necessariamente envolveriam ou- tras unidades e estabelecimentos militares. De facto: no Quartel-General da 1ª Região, o Tenente AUGUSTO PAES BARRETO que, na noite de 26, descera da Villa Militar, com- mandando uma Companhia do 2º REGIMENTO DE INFANTARIA, era preso quando procurava, logo de chegada áquelle Quartel, alli- ciar elementos para a insurreição armada, que irromperia na ma- drugada de 27, tendo como che- fes, entre outros, o Capitão LUIZ CARLOS PRESTES e o Dr. PE- DRO ERNESTO (Fls. 1.787 do 7º volume). Na VillaMilitar,PAULO MA- CHADO CARRION e possivel- mente SOVERAL FERREIRA DE SOUZA, SAMUEL LOBO,ALDO- BRANTINO CHAVES SEGURA e outros, juntamente com inferiores e praças, ficaram impedidos de executar os planos que traçaram, dada a acção efficaz dos commandantes de suas unidades. NO CENTRO DE PREPARA- ÇÃO DE OFFICIAES DA RESERVA eram presos LAURO FONTOURA e HELIO DE ALBUQUERQUE LIMA, alliciadores de elementos para a re- bellião naquelle estabelecimento de ensino militar. Finalmente,noGRUPODE OBU- ZES, em S. Christovão, foi descoberta a trama da revolta que estava articula- da entre inferiores e praças daquella unidade. (Páginas 18, 19, 20 e 21 do relatório) Ha ainda a referir episodio occor- rido com os officiais presos no Casino, para onde foram transpor- tadas, adredemente, caixas de gra- nadas, e que não teve por epilogo o sacrifício de todos, graças á inter- venção do Capitão JOSÉ LEITE BRASIL, que se oppoz, como che- fe que também era, ás ordens dos Capitães AGILDO e ALVARO de SOUZA, que, convencidos da der- rota, queriam o extermínio dos pri- sioneiros. (Página 17 - Setembro/1936) RELATÓRIO DO DELEGADO EURICO BELLENS PORTO DA POLÍCIA CIVIL DO DISTRICTO FEDERAL Descarga de tiro de fuzil realizada por uma representação do 12º BI, envergando o uniforme da época, em homenagem ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte (2004 ) 8 Publicado no Inconfidência nº 88 de 27 de novembro de 2005
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    9Nº 284 -Novembro/2020 * Cel. Aluísio Madruga de Moura e Souza Autor dos livros: • Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade • Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada PEDIDOS: guearaguaia@uol.com.br A INTENTONA COMUNISTA Apresento, a seguir, al- guns detalhes dos as- sassinatos do Capitão Danilo Paladini e do Capitão Bene- dicto Lopes Bragança, para que o leitor tenha para sem- pre na mente, até onde che- gou a covardia dos que fizeram a Intentona. Com já citei, o comunista Barbosa Lima Sobrinho escreveu na orelha da contra capa do livro de Hélio Silva – 1935 - A Revolução Ver- melha: “não houve ninguém, oficial ou sol- dado, assassinado na cama pelos companhei- ros sublevados. Os que morreram, morreram lutando”, o que é uma grande inverdade. Bar- bosa Sobrinho certamente não leu os jornais da época e nem se aprofundou no tema, ou teve a intenção deliberada de distorcer os fatos em defesa de seus camaradas comunistas. No caso específico, do Tenente Danilo Paladini, promovido a Capitão pós-morte, ti- ve a grata satisfação de ter sido comandado do General Mário César Azevedo da Silveira, esposo de dona Irma Paladini Azevedo da Sil- veira, filha do Capitão Paladini e de dona Ze- lina Paladini. Sabendo que eu estava escrevendo um livro no qual abordaria a Intentona, gentil- mente dona Irma me permitiu acesso a um diá- rio de campanha do seu pai, escrito dia após dia, iniciado em 1º de agosto de 1924 e findo em 23 de março de 1927, bastante útil para conhecimento das questões desse período que antecedeu a Intentona. O referido diário conta a sua participa- ção na manutenção da ordem governamental em duas revoltas ocorridas no interior do País, mais precisamente na região norte (Pará e Amazonas) e no interior de Minas Gerais e do antigo Estado de Goiás. Como relatei em artigo anterior, consta na página 75 do livro do ponderado Gen. José Campos de Aragão, participante da resistência no 3º Regimento de Infantaria no Rio de Janeiro a seguinte afirmação: “o capitão Armando de Souza Melo e o tenente Danilo Paladini, que repousavam no momento da insurreição, fo- ram mortos pelos revoltosos ainda aturdi- dos quando se levantavam”. No entanto, dona Irma tem versão dife- rente das publicadas em livros a respeito da morte de seu pai. Segunda sua mãe, um sar- gento, cujo nome não se recorda, a procurou e lhe contou como o seu marido, Tenente Paladini, foi assassinado friamente: disse-lhe o sargen- to: “eu e o Tenente Paladini regressávamos da ronda e, quando subíamos as escadas que davam acesso ao alojamento, ouvimos uma voz que chamou. Paladini! Ato contínuo ouviu- se um disparo de arma de fogo que o atingiu nas costas. Então eu o arrastei até o aloja- mento, colocando-o sobre um sofá. Começa- Sobreleva notar que ha nestes autos a prova de que AGLIBERTO VIEIRA DE AZEVEDO foi autor do as- sassinio do Tte. Benedito Lopes Bragança. O Tte. Oswaldo Braga Ribeiro Mendes a fls. 612 do 3º volume e, posteriormente, no depoimento de fls. 1.547 do 6º volume, diz: “ A partir do momento da chegada do auto do Cap SOCRATES não mais vi o Cap. Armando (Arman- do de Sousa e Mello). O Tte. BRAGANÇA (Benedito Lo- pes Bragança) foi desarmado immediatamente, attri- buindo eu o facto de não me terem desarmado a ter en- costado no carro colhido pela surpresa. Ao que apare- ce na direcção da Casa dos Pilotos, VISOU FRIAMEN- TE O TENENTE BRAGANÇA E ATIROU, TENDO O REFERIDO TENENTE SOLTADO UM GEMIDO E CAHIDO PARA O SEU LADO DIREITO, DENTRO DO CARRO, ASSASSINADO SEM DEFESA. Ao ver que o Cap AGLIBERTO que estava a nossa esquerda apon- tava para mim e notando pela sua physionamia que elle ia atirar-me, levantei a mão na sua direcção ex- clamando: Mas AGLIBERTO! Apesar disso, o referi- do Capitão apertou o gatilho, tendo o revólver falhado. Aproveitando-me do seu movimento de surpresa, con- segui empunhar meu revólver e atirar apressadamen- te na sua direcção pela porta do carro, o que occasionou sua fuga em direcção ao capinzal que vae ter á Enfer- maria”. O Ex-Sargento AZOR GALVÃO DE SOUZA, pres- tando declarações a fls. 2.026. do 9º volume, a proposito do facto acima descripto, informa: “Que quando procurava essas granadas, notou que um dos officiaes que se achavam no automovel estava ar- mado; que cumprida essa missão, afastava-se do local, no qual já não se encontrava o Tte. BENEDITO (Benedito de Carvalho), quando ouviu um disparo de revólver, ao mes- mo tempo em que varios elementos que alli se achavam dispersaram, permanecendo apenas junto ao automovel do lado do volante o Cap AGLIBERTO, donde conclue o de- clarante ter sido este official o autor do tiro... Que reaffirma ter sido o Cap AGLIBERTO VIEIRA DE AZEVEDO o único official que se achava no momento ao lado do citado automovel e que estava armado com um revólver nickelado; que logo após o tiro, o Cap AGLIBERTO sahiu correndo na mesma direção em que corria o declarante”. A accusação que pesa sobre AGLIBERTO de ter fria e covardemente assassinado o Tte. BENEDITO LOPES BRAGANÇA, por isso que este official se achava preso e desarmado, embora elle a conteste nas declarações de fls. 2.151 do 9º volume e na acareação de fls 2.201 está evi- dentemente provada nos autos, não só em face dos ele- mentos acima transcriptos, de uma claresa e precisão ra- ras, como ainda frente á prova indiciaria reunida. Momentos antes dos factos acima descriptos já o accusado, o Cap SOCRATES e o Tte. BENEDITO DE CAR- VALHO ameaçavam de morte o Tte BRAGANÇA, affirma o Cabo JANCY SGARBI D´AVILA nas declarações que prestou a fls 1.709 do 7º volume. RELATÓRIO DO DELEGADO EURICO BELLENS PORTO Agliberto Vieira de Azevedo (Páginas 112 e 113) COMO SE VERIFICOU A SENSACIONAL OCORRÊNCIA DA MANHÃ DE ONTEM EM CACHAMBÍ Após prestar declarações na Polícia Central, o chefe extremista foi recolhido incomunicavel à Polícia Especial - Pormenores da importante diligencia policial Luís Carlos Prestes, já na Polícia Central, preso três meses depois do levante communista A prisão de Luís Carlos Prestes NR: Este precioso documento histórico – Relató- rio elaborado pelo Delegado Eurico Bellens Porto da Polícia Civil do Districto Federal – A Insurreição de 27 de Novembro, com 267 páginas encadernadas pelo Grupo Inconfidência, encontra-se à disposição de nossos leitores. E também de historiadores, jornalistas e professores que fingem não conhecer a verdadeira História do Brasil, deturpando-a com a conivência do Ministério da Educação, das Secretarias Estaduais de Educação e principalmente, da mídia venal e vendida ao governo petista. va uma grande confusão”. Como dona Zelina, mãe de dona Irma, fez questão de guardar a farda usada por seu esposo no dia em que foi assassinado, para que a acompanhasse quando do seu falecimento, tive a honra de estar com a túnica da farda em questão nas mãos e constatar que o tiro fora dado pelas costas, saindo na altura do coração. Pena que dona Zelina já não possuía memória para nos contar detalhes do que soubera pelo sargento em questão. Não importa! Matar um ser humano dormindo, ainda sonâmbulo ou pelas costas é a mesma coisa. Não é combate, não é luta, é traição e covardia. Tendo corrido risco de morte em tantas oportunidade, como pude verificar em seu diário, o Capitão Paladini jamais imaginou, que por ironia do destino, iria morrer dentro do quartel em que servia e que, portanto, julgava local altamente seguro, por um ato mesquinho e covarde, praticado por um companheiro de profissão com quem convivia diariamente. Quanto ao Tenente Benedicto Lopes Bra- gança, segundo depoimento do 2º Tenente Aviador Oswaldo Ribeiro Mendes, o mesmo foi “assassinado sem defesa pelo Capitão Agliberto Vieira de Azevedo, dentro do carro do Capitão Sócrates Gonçalves”. Não estava, portanto, lutando, mas no banco traseiro de um automóvel. Declara o Tenente Ribeiro Mendes: “es- távamos decaronanocarroquefoiretidoquan- do adentrávamos no quartel. Ao retirar-se o sargento que nos parou, continuamos sob a guarda do Capitão Agliberto. Ao ouvir o pri- meiro tiro disparado, ao que parece, na dire- ção da casa dos pilotos, Agliberto visou fria- mente o Tenente Bragança e atirou, tendo este soltado um gemido e caído para o seu lado direito, dentro do carro, assassinado sem defesa. Vendo que o Capitão Agliberto, à nos- sa esquerda, apontava a arma para mim e notando pela sua fisionomia que ia atirar, levantei as mãos exclamando: mas Agliberto! Apesar disso, este apertou o gatilho, tendo o revolver falhado. Aproveitei-me do seu mo- mento de surpresa, consegui empunhar meu revólver e atirar apressadamente pela porta do carro, o que ocasionou sua fuga na direção do capinzal que vai até a enfermaria”.( pg. 80 do livro do Gen. José de Campos Aragão). Alguns outros exemplos poderiam ser citados. No entanto, imagina-se que os da- dos até aqui fornecidos sejam suficientes o bastante para nos permitir afirmar que nem todos os que morreram, morreram lutando como de maneira desavergonhada os comu- nistas continuam apregoando. 9 Publicado no Inconfidência nº 134 de 27 de novembro/2008
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    10Nº 284 -Novembro/2020 Acabo de ler seu magnífico livro so- bre as “Origens e Transformações do Ma- terialismo Histórico”. Rica de informes que merecem fé, abundante de ensinos e segura nas conclusões e na crítica, esta obra está destinada a despertar na consci- ência dos brasileiros e na ação dos poderes públicos um sentido de vigilância maior contra os perigos do comunismo. Na verdade, porque a ideologia polí- tica dos Soviets, pela sua crueza materialis- ta e a sua técnica de anulação dos valores morais, repugne à nossa compreensão e aos nossos sentimentos de povo formado na doutrina cristã, e tambem porque não temos, salvante os estudiosos do assunto, uma atenção prevenida capaz de surpreen- der os índices esparsos da propaganda bolchevista, - o certo é que damos uma credulidade displicente à existência daque- la propaganda no Brasil. Da memória pública, que é sempre fraca, se vai apagando, até a lembrança do sangue derramado na revolução vermelha do 3º Regimento de Infantaria e da Escola de Aviação, nas revoltas comunistas de Recife e nos três dias aziagos do gover- no soviético instalado no Rio Grande do Norte, em o ano trágico de 1935... Raros são os que sabem, como eu, que no fichário do Tribunal de Segurança Nacional figuram vários milhares de co- munistas cujas atividades partidárias se acham documentadamente comprovadas nos respectivos processos. Essa parcela, entretanto, é apenas um índice dos que atuaram às claras. Por- que a maioria dos adeptos do credo mos- covita continua agindo às ocultas, e cau- telosamente, nos setores da vida públi- ca, onde pode penetrar, especialmente, nos círculos publicitários e em outros meios de propaganda. Os que foram colhidos em proces- sos são, sem sombra de dúvida, muito pou- cos, em relação aos que continuam agin- do subrepticiamente, em liberdade. Haja vista o que sucede com essa campanha de proletarização da literatura e da arte, na qual a propaganda subversi- va mal se esconde a argúcia daqueles que bem conhecem a técnica de disfarce e de embuste dos comunistas. É assim que, nos romances, a pretexto de ser assunto da época, escolhem um tema social que lhes dará aso à divulgação solerte de idéias e de princípios marxistas. E, propositadamente, investem contra as regras mais elementares de gra- mática, porque é preciso corromper a lin- guagem, nivelando-a, quanto possível, à das classes proletárias e incultas, corroen- do-se, assim, um dos elementos orgâni- cos da unidade de um povo. E isto se faz, disfarçadamente, sob pretexto de se estar construindo “língua brasileira”. A obscenidade de palavras ou de cenas aparece também a miude, não com o fim da “verdade na arte” da antiga escola naturalista e, sim, como um ataque pre- A INSÍDIA COMUNISTA NAS LETRAS E NAS ARTES DO BRASIL Carta do Juiz RAUL MACHADO, membro do tribunal de Segurança Nacional e brilhante homem de letras, dirigida ao escritor José Getúlio Monteiro Filho. mediado à moral burguesa, que precisa ser destruída. Os temas escolhidos se resumem igualmente, na maioria das vezes, em ar- gumentos proletários... com invocação a Nosso Senhor, no fim, para que o poeta revolucionário possa agir acobertado pelo manto do catolicismo. A música se transforma em violên- cia de ruídos, visando também uma fina- lidade única: - a negação da melodia por- que esta leva naturalmente a um estado de exaltação espiritual, incomparável com as tendências da doutrina materialista. Também a dansa não escapa à mesma finalidade de instrumento de propaganda dissolvente. Aquela graça espiritual de outrora, que lhe disfarçava o sentido sensua- lista, inerente, aliás, a todas artes, desapa- receu por completo, dando lugar a uma sucessão de gestos grotescos e de atitudes despudoradamente voluptuosas... Tudo isto é feito, como se vê, com um escopo único: - a perversão das forças vi- vas e puras do sentimento, tornada uma das armas secretas do plano de desagrega- ção nacional... É, em suma, a luta do materi- alismo contra o predomínio do espírito. Não se invoque a época, como jus- tificativa dos fatos. O fenômeno se apre- senta de tal forma, “uno”, nos seus múl- tiplos aspectos, que é inútil querer negar- lhe a causa, que, exponta nitidamente das linhas programáticas de uma inteligência organizadora, ao serviço de um plano de finalidade diabólica... E essa organização se patenteia, ain- da mais, nos louvores e aplausos que as igrejolas de elogios mútuos distribuem, por todas os meios de propaganda, às produ- ções pretensamente artísticas da camari- lha suspeita... Urge, portanto, reagirmos, também organizadamente, contra essa investida maléfica, mediante uma rigorosa fiscaliza- ção oficial nos livros e publicações de toda a espécie, impedindo-se a venda e a circu- lação das obras que forem manifestamente suspeitas; divulgando-se na imprensa e pelo rádio as melhores páginas em prosa e verso dos nossos escritores de nomeada real; fazendo-se a exaltação dos valores morais e intelectuais do passado; promo- vendo-se conferências e estudos destina- dos a demonstrar como se processa a in- vasão do organismo nacional pelas bacté- rias insidiosas do comunismo; instituindo- se, em suma, uma contra-propaganda, que equivalha a um sistema preventivo de pro- filaxia moral, intelectual e política. Por tudo isto, meu caro, é que me animei a enviar-lhe estas sugestões, valen- do-me do ensejo grato de exprimir-lhe meu entusiasmo de brasileiro pelo seu livro, que, ao lado de outras virtudes de pensamento e cultura, é um grito de alerta para que nos congreguemos contra a ameaça do inimigo traiçoeiro e implacável, que não descansa e não perdoa... (Excerto) Com toda oportunidade e prazer espiritual, “Nação Armada” trans- creve a seguinte página de Raul Machado, nome de sobejo conhe- cido em nossas letras e digno juiz do Tribunal de Segurança. “Nação Armada” mais de uma vez tem apontado a maneira com que, com sutileza e artifício, se procura solapar o sentimento pátrio, os funda- mentos da nacionalidade e do regime e a maneira desenvolta com que, nas artes, nas letras, no teatro, no cinema, etc., agem, muitas vezes impunemente, forças desagregadoras da Pátria Brasileira. NR: Qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência. Publicado em “ Nação Armada” nº 13 de dezembro de 1940. ORDEM DO DIA DE 27 DE NOVEMBRO DE 1999 Tempo e história são essenciais para a Humanidade construir a civiliza- ção. Ninguém pode prescindir do pas- sado, Mas olhar para trás exige enten- der os fatos pretéritos como oportuni- dade de preservar a memória e evoluir as idéias - forma eficaz de se enfrentar as imprecisas, difíceis e novas conjun- turas. É fundamental, pois compreen- der que tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo. É com essa pre- disposição que o Exército recorda a Intentona Comunista de 1935. Tudo resultou do propósito de im- plantação no Brasil de um extremada ide- ologia internacionalista. Neste sentido, teve início a infiltração e a tentativa de aliciamento em sindicatos e quartéis. O governo reagiu, decretando o fechamento de uma organização política de fachada que cumpria ordens vindas do exterior. Seus líderes revidaram com levantes em vários pontos do País. Em novembro de 1935, as forças insurretas atacaram, sucessivamente, no Rio grande do Norte, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Em todos esses luga- res, as tropas legalistas contrapuseram- se a essas ações e desfizeram qualquer possibilidade armada. Passaram-se 64 anos desde a fra- cassada Intentona e estamos a poucos dias do próximo século. Paramos, neste momento, para recordar nossos heróis tombados em nome da democracia, evo- A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 cando o espírito pacificador do nosso Patrono, o Duque de Caxias. Não nos prendemos ao passado, voltamo-nos para o futuro - afinal, cada vez que entramos no rio histórico do tempo, outras são as águas que tocamos. E, assim, em que pe- se o fato de sermos os vencedores, não desmerecemos os vencidos. Aliás, é jus- to que e diga: todas as intervenções do Exército, no cenário interno brasileiro, visaram exclusivamente fazer valer a es- trutura jurídica vigente no País. Sempre o fizemos respaldados no atendimento dos anseios da maioria de nossa sociedade. E, ao darmos por cum- prida a missão, recolhemo-nos placida- mente aos quartéis, predispostos à con- ciliação e à reflexão. Quando erguemos monumentos, só o fazemos para pensar profundamente a História, nunca para menosprezar oponentes ou para atiçar discórdia. Sabemos que edificar o manhã significasemearterrasférteis,jamaisdes- pertar fantasmas. É isso que nos mantém acima das ideologias, das desavenças e dos ressentimentos. O Brasil precisa de paz e desenvol- vimento.Convençamos-nosdisso,deuma vez por todas, nós, brasileiros, gente de todos os espectros ideológicos e cren- ças religiosas e políticas, de todas as ra- ças e classes. Só na concórdia seremos capazes de construir o futuro que inten- samente desejamos e pelo qual somos inteiramente responsáveis. General de Exército Gleuber Vieira - Comandante do Exército Coroa de flores depositada pelos General-de-Exército Horácio Raposo Borges Neto, vice- Almirante Raul Pereira Bittencourt, Major Brigadeiro Flávio de Oliveira Lencastre e General-de-Exército Fritz de Azevedo Manso (era Capitão do 3º RI, em 1935). (Praia Vermelha/RJ - 1999) Esta Ordem do Dia foi lida na cerimônia realizada na Praia Vermelha, pre- sidida pelo General de Exército Horácio Raposo Borges Neto, Secretário de Ciên- cia e Tecnologia, acompanhado do Vice-Almirante Raul Pereira Bittencourt, Co- mandante do 1º Distrito Naval e do Major-Brigadeiro Flávio de Oliveira Bencastre, Comandante do III Comando Aéreo. Publicada no jornal “Letras em Marcha” de Nov-Dez/99 e no Inconfidência nº 27 de dezembro de 1999, que pela primeira vez divulgou a intentona comunista. A partir de então, jamais deixou de fazê-lo, até que em 27 de novembro de 2004, foi lançada a Edição Histórica. “A Verdadeira História do Brasil” – “A Intentona Co- munista de 1935” – nº 76 com 16 páginas e daí em diante, as edições foram sendo aprimoradas e distribuídas para TODAS as escolas militares de formação, especi- alização, aperfeiçoamento e Altos Estudos (inclusive para o CPOR/NPOR e último ano dos Colégios Militares). Bons tempos àqueles quando o general de Exército Pau- lo Cesar de Castro, chefe do DEP, hoje DECEX, mandava o caminhão do Colégio Mili- tar de Belo Horizonte para este Editor carregar 20 mil Edições Históricas e as dis- tribuía para as Escolas Militares. Ano passado, editamos apenas 8 mil exemplares, em virtude da absoluta falta de recursos financeiros, não podendo encaminhar co- mo fazíamos anteriormente para todos os alunos das escolas militares e dos CPOR/ NPOR, faculdades e colégios. E neste ano, esta edição histórica teve uma tiragem de somente dois mil exemplares, a fim de atender nossos assinantes e associados e alguns poucos pri- vilegiados colaboradores. Mesmo assim, enviamos dois exemplares a cada destina- tário com o pedido que encaminhassem um exemplar de preferência para um (a) professor (a). Aguardemos a posse do deputado federal Jair Bolsonaro na presidência da República e de seu vice, General Hamilton Mourão, ambos presenças constantes em solenidades cívico-militares, como 31 de março e Intentona Comunista, a fim de que passem a apoiar o Inconfidência, que sempre prestigiou a ambos, divulgan- do suas atividades, há muito, muito tempo retornando aos bons tempos dos ge- nerais de Exército Clóvis Jacy Burmann (FHE/Poupex) e Paulo Cesar de Castro (4ªRM e chefia do DEP/DECEx) e dos presidentes dos Clubes Militar e da Aeronáu- tica, que colaboraram e apoiaram nosso jornal por mais de dez anos. À esclarecida apreciação de ambos, com os nossos cumprimentos desejamos pleno sucesso na difícil missão de recuperar o Brasil econômica e politicamente, tal qual aconteceu nos idos de 1964/1985! “BRASIL ACIMA DE TUDO! DEUS ACIMA DE TODOS!” Esquecer, Também é Trair! Publicado no Inconfidência nº 258 de 27/11/2018
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    11Nº 284 -Novembro/2020 REVOLUÇÃO DE 1935 NO CAMPO DOS AFONSOS A23 de novembro de 1935, rebenta a Revolução Comunista em Recife e Natal; a Aviação Militar, no mesmo dia, envia, para o nordeste, uma esquadrilha de 3 aviões Vought “Corsair”, sob o comando do Cap JOSÉ DE SOUZA PRATA; esses aviões realizaram vários vôos, sobre Recife e Natal, tendo concorrido para a sufocação do movimento extremista naquelas capitais. A 27 de novembro, eclode a Revolução Comunista no Rio de Janeiro: na Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos, e no 3º Regimento de In- fantaria, na Praia Vermelha. Na Escola de Aviação Militar, os revoltosos, às duas horas da madrugada, assassinaram vários oficiais, aprisionaram outros e se apossaram das instalações principais da Escola; por volta das três horas, iniciaram um ataque ao 1º Regimento ‘É ainda sob a viva emoção dos trágicos acontecimentos irrompidos nesta Capital na madrugada de 27 de Novembro último, e em que os maiores delitos foram cometidos contra a Nação, enlutando-a, e pondo em perigo sua or- ganização social e política, que lamen- to profundamente a sedição a que foi traiçoeiramente arrastada grande par- te da Escola de Aviação Militar, por alguns maus elementos que nela serviam e para os quais a crueldade e a falta de escrúpulos pareciam ser familiares. Uma série de homicídios assinala- ram-lhe o surto sangrento. E, colhidos de surpresa pelos rebeldes, foram na maior crueza sanguinária, fria e perver- samente, abatidos os nossos distintos e brilhantes camaradas Capitão Armando de Souza e Mello, 1os tenentes Benedicto Lopes Bragança e Danilo Paladini, que, ao lado do seu destemeroso comandan- te, Tenente-Coronel Ivo Borges, fiéis a disciplina e a nobresa de seus sentimen- tos patrióticos, tentaram opor-se a au- daciosa e covarde investida. Cultuemos, na mais elevada re- verência cívica, a memória desses nos- sos devotados companheiros que, com o mais firme espirito de amor a Patria e respeito a ordem e as instituições, souberam manter, no seu gesto de sa- crifício, o prestigio do Exército e avivar as suas tradições gloriosas. Mas, para consolo nosso, quando na escuridão da noite, tudo, ao redor de si, era tumul- to e confusão, o 1º Regimento de Avia- ção reagiu intrepidamente, ante a amea- ça dos traidores que, inesperadamen- te, atacavam, e, numa repulsa formal contra a desordem, com a confiança, a calma e a certeza da vitória, bateu-se heroicamente na defesa da causa da Pátria, até o completo triunfo. O seu heróico comandante, Tenen- te-Coronel Eduardo Gomes, ferido logo Eduardo Gomes Patrono da Força Aérea de Aviação, no outro extremo do Campo dos Afonsos. São repelidos. Ao clarear o dia, a Artilharia da Vila Militar incendeia o pavilhão de comando da Escola de Aviação Militar, que se achava na posse dos comunistas: o assalto das uni- dades de Infantaria e a ação da Artilharia fazem terminar a resistência dos revoltosos, que são presos ou se evadem. Terminada a luta no Campo dos Afonsos, duas esquadrilhas de três aviões Vought “Corsair” decolam, para cooperar no ataque ao 3º Regimento de In- fantaria, dominado pelos comunistas; na mesma manhã de 27 de novembro, o foco comunista do 3º Regimento de Infantaria é aniquilado. Sobre os acontecimentos, o Gen COELHO NETTO publica em Boletim o seguinte: ao inicio da áspera luta, mas consciente no seu valor e sere- no na sua bravura, soube de- sassombradamente, e sem es- morecimento, fazer, por uma reação magnífica, de cada um dos seus companheiros um bravo e dar-nos o exemplo má- ximo de grandeza moral e pa- triótica e das excepcionais qualidades de soldado. Tornou-se, assim, o Te- nente-Coronel Eduardo Go- mes, mais uma vez, credor de profunda admiração e de gran- de reconhecimento. Louva-se com orgu- lho pela sua ação serena, enérgica e decisiva, pela sua bravura indômita, pelo alto valor de seus excepcionais predicados de caráter e pelos seus sentimentos de patriotismo e de grande amor ao Brasil, que ele acaba de servir com tanta honra, abnegação e lealdade militar. É merecedoura de elogiosa men- ção a conduta que teve o Tenente-Coro- nel Ivo Borges, Comandante da Escola de Aviação. No momento em que este digno oficial fiscalizava o dispositivo de segurança, nas vizinhanças da esco- la, foi traiçoeira e covardemente alveja- do pelos elementos em que depositava confiança,aodar-lhesoencargodeguar- dar o estabelecimento. Não podendo voltar ao interior do quartel, onde já im- perava a sublevação, procurou acerta- damente ligar-se aos corpos da Vila Mi- litar, dando assim ensejo às medidas prontas de supressão com que agiram essas unidades. Faço ainda ressaltar o seu con- curso pessoal na ofensiva contra os re- beldes da Escola, na condução, com energia e denodo, ao assalto, elementos do 1º R Av postos à sua disposição. É deveras reconfortante, a oportu- nidade, que temos para enaltecer a atitude da abnegação e lealdade do cabo telefonista do 1º R Av, Alfredo de Jesus. No momento em que era mais intenso o tiroteio dos amotinados contra a sua Unidade, esta praça, fiel ao cum- primento do dever, con- servou-se serena e cal- ma, no desempenho das funções que lhe tinham sido confiadas. Os estra- gos produzidos pelos projéteis nas imedia- ções do seu posto, o crepitar incessante das metralhadoras em torno de si não pertubaram a firmeza de sua voz, nem a presteza com que atendia às ligações telefônicas. Constituem prova incon- testável do seu alto espirito de sacrifí- cio, da compreensão perfeita dos seus deveres e do seu grande sangue-frio, virtudes militares essas que devem ser apontadas como exemplo aos seus com- panheiros. Ao 3º Sargento Coloriano Ferreira Santiago e ao 2º Cabo José Hermito de Sá, ambos do 1º R Av, cuja vida deram em holocausto à causa do dever, demons- trando assim que a nobreza do ideal que os estimulava se sobrepunha à própria conservação individual, rendo a home- nagem, a que fizeram jus, pela grandeza de espirito e pela superioridade de sen- timento que patentearam”. Aos Tenentes-Coronéis Eduardo Gomes e Ivo Borges, Comandante, res- pectivamente, do 1º Regimento de Avia- ção e Escola de Aviação Militar, autori- zo a elogiarem, em meu nome, aos Ofici- ais e Praças de suas unidades que, pela sua conduta no cumprimento do dever, tornaram-se merecedores. (a) José Antonio Coelho Netto General-de Brigada, diretor da Aviação Militar Foram promovidos “postmortem” o Capitão Armando de Souza e Mello, os Primeiros tenentes Danilo Paladini e Benedicto Lopes Bragança e os seguintes soldados, todos mortos no cumprimento do dever na Escola de Aviação Militar, na manhã de 27 de novembro: Waltor de Souza e Silva, Péricles Leal Bezerra, Orlando Henrique, José Menezes Filho, José Mário Cavalcante e Wilson França. Após apuradas as responsabilidades, dos Oficiais envolvidos no golpe comunista, o Ministro da Guerra baixa o seguinte Aviso nº 1, de 3 de janeiro de 1936: “Para que seja dado cumprimento imediato ao decreto nº 558, de 31 de dezembro findo, que determina a perda da patente e do posto dos oficiais do 3º Regimento de Infantaria e da Escola de Aviação Militar, que participaram do mo- vimento subversivo de 27 de novembro do ano findo, deveis mandar sejam ex- cluidos das diferentes armas e serviços os seguintes oficiais: (da Arma de Aviação) Capitão Sócrates Gonçalves da Silva, Capitão Agliberto Vieira de Azevedo, Primei- ro-tenente Benedito de Carvalho, Segundo-Tenente Ivan Ramos Ribeiro, Segundo- Tenente José Gay da Cunha e Segundo-Tenente Carlos Brunswick França. Esses oficiais, por sua conduta aviltante, faltaram as finalidades sempre sagradas da camaradagem e aos juramentos prestados à Pátria e se tornaram indignos de vestir a farda gloriosa do nosso Exército". (a) General João Gomes - Ministro da Guerra Pelo aviso nº 19, de janeiro de 1936, o Ministro da Guerra mandou excluir também, o Aspirante-a-oficial Walter José Benjamim da Silva. Precioso flagrante mostrando uma carga de bayonetta das Forças Legais contra os rebeldes do 3º R.I. momentos antes da rendição O Cruzeiro Os ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionariosOs ultimos successos revolucionarios Tiveram o condão de alarmar fun- damente o espírito da popula- ção carioca os sangrentos successos de quarta feira ultima que consubtan- ciaram na sublevação de parte de al- gumas guarnições militares desta ca- pital, felizmente reprimidas com ener- gia e decisão pelas autoridades. O gol- pe militar communista desferido sob a chefia do capitão Agildo Barata e do major Alcedo Cavalcanti deter- minou a perda de algumas vidas pre- ciosas, privando os quadros da offi- cialidade do Exercito Brasileiro de algumas de suas mais brilhante expres- sões. Durante as primeiras horas do dia, enquanto a população não co- nhecia a verdadeira extensão dos san- grentos acontecimentos formou-se uma espectativa de alarme, a qual, fe- lizmente se atenuou à medida que os rebeldes foram sendo batidos cora- josamente em todos os sectores. O presidente da República, Sr Getúlio Vargas, num inclito exemplo de intre- pidez pessoal, logo que teve conheci- mento da eclosão do movimento nesta capital, articulado com as revoltas de Recife e Natal, sob a orientação do ex-capitão Luiz Carlos Prestes, deixou o Palácio Guanabara e, em companhia do Ministro da Guerra e das altas patentes do Exercito, visi- tou as diversas frentes da luta, quan- do ainda era indecisa a situação. (O Cruzeiro, 07/12/1935) Publicado no Inconfidência nº 134 de 27 de novembro/2008
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    12Nº 284 -Novembro/2020 Mao foi responsável pela morte de 70 milhões de chineses. Ele foi totalmente imoral. Os jovens chineses acreditam que Mao foi um grande herói que cometeu alguns erros ... Alguns aspectos da ditadura continuam em voga. A liberdade de expressão é um deles. A internet é hoje controlada. Eles têm uma lista de nomes que são bloqueados. Mao sabia a importância da informação. Jung Chang – Autora do “best-seller”: Mao – A história desconhecida (Estado de Minas / 22.nov.06) “Le livre noir du communismè”. (Edições Robert Laffont. Paris, 1997), escrito por seis historiadores euro- peus, com acesso a arquivos soviéti- cos recém-abertos, é uma espécie de enciclopédia da violência do comu- nismo. O chamado “socialismo real” foi uma tragédia de dimensões plane- tárias, superior em abrangência e in- tensidade ao seu êmulo totalitário do entreguerra - o nazi-fascismo. Ao contrário da repressão episó- dica e acidental das ditaduras latino-ame- ricanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico, fa- zendo parte da rotina de governo. Essa sistematização do terror não é rara na História humana, tendo repontado na revolução francesa do século XVIII na fase violenta do jacobinismo, na “indus- trialização do extermínio judaico” pelos nazistas, e - confesso-o com pudor - na Inquisição Católica, que durante séculos queimava os corpos para purificar as al- mas. O “Livre noir” me veio às mãos num momento oportuno em que, reaberto na mídia e no Congresso o debate sobre a violência de nossos “anos de chumbo” nas décadas de 60 e 70, me pusera a reler o “Brasil, nunca mais”, editado em 1985 pela arquidiocese de São Paulo. Compa- rados os dois verifica-se que o Brasil não ultrapassou o abecedário da violência, palco que foi de um miniconflito da Guer- ra Fria, enquanto que o “Livre noir” é um tratado ecumênico sobre as depravações ínsitas do comunismo, este sem dúvida o experimento mais sangrento de toda a História humana. Produziu cem milhões de vítimas, em vários continentes, raças e culturas, indicando que a violência co- munista não foi mera aberração da psique eslava, mas sim algo diabolicamente ine- rente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos e depois em vítimas. A aritmética macabra do comu- nismo assim se classifica por ordem de grandeza - China (65 milhões de mor- tos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (dois milhões); Cam- boja (dois milhões); África (1,7 milhão, distribuídos entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 mi- lhão); Vietnam (um milhão); Leste da Europa (um milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru); Movimento Comunista Internacional e partidos comunistas no poder (dez mil). Ocomunismofabricoutrêsdosmai- ores carniceiros da espécie humana - O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO* Roberto Campos Lenin, Stalin e Mao-Tsé-Tung. Lenin foi o iniciador do terror soviético. Enquanto os czares russos em quase um século - 1825 a 1917 - executaram 3.747 pessoas, Lenin superou esse recorde em apenas quatro meses após a revolução de outu- bro de 1917. Alguns líderes do Terceiro Mundo figuram com distinção nes- sa galeria de assassinos. Em termos de percentagem da população, o campeão absoluto foi Pol Pot, que exterminou em 3,5 anos um quarto da população do Camboja. Fidel Castro, por sua vez, é o campeão abso- luto da “exclusão social”, poisque2,2milhõesdepes- soas, equivalentes a 20% da população da ilha tive- ramquefugir.JuntamentecomoVietnam, Fidel criou uma nova espécie de refugia- dos, os “boat people” - ou sejam, os “bal- seros”, milhares dos quais naufragaram engordando os tubarões do Caribe. A vasta maioria dos países comu- nistas é culpada dos três crimes defini- dos no artigo 6º do Estatuto de Nurem- berg - crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. A discussão brasileira sobre, os nossos “anos de chumbo” raramente si- tua as coisas no contexto internacional da Guerra Fria, a qual alcançou seu apogeu nos anos 60 e 70, provocando um “refluxo autoritário” no Terceiro Mundo. Houve intervenções militaresnoBrasilenaBo- lívia em 1964, na Argenti- na em 1966, no Peru em 1968, no Equador em 1972, e no Uruguai em 1973. Fenômeno idênti- co ocorreu em outros con- tinentes. Os militares co- reanos subiram ao Go- verno em 1961 e adquiri- ram poderes ditatoriais em 1973. Houve golpes militares na Indonésia em 1965, na Grécia em 1967, e, nesse mesmo ano, o presidente Mar- cos impunha a lei marcial nas Filipinas e Indira Gandhi declarava um “regime de emergência”. Em Taiwan e Cingapura houve autoritarismo civil sob um parti- do dominante. Ogrande mérito dosregimesdemo- cráticos é preservar os direitos humanos, estigmatizando qualquer iniciativa de violá-los. Mas por lamentáveis que sejam as violências e torturas denunciadas no “Brasil, nunca mais”, elas empalidecem perto das brutalidades do comunismo cubano, minudenciadas no “Livre noir”. Comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros pare- cem escoteiros destreinados apartando umconflitodesubúrbio...EnquantoFidel fuzilou entre 15 e 17 mil pessoas (sendo dez mil só na década dos 60), o número de mortos e desaparecidos no Brasil, entre 1964 e 1979, a julgar pelos pedi- dos de indenização, seria em torno de 288 segundo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e de 224 casos comprovados, segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça. O Brasil per- de de longe nessa aritmética macabra. Em 1978, quando em nosso Con- gresso já se discutia da “Lei da Anistia”, havia em Cuba entre 15 e 20 mil prisionei- ros políticos, número que declinou para cerca de 12 mil em 1986. No ano passado, 38 anos depois da Revolução de Sierra Maestra, ainda havia, segundo a Anistia Internacional, entre980e2.500prisionei- ros políticos na ilha. Em matéria de pri- sões e torturas, a tecnologia cubana era altamente sofisticada, havendo “ra- toneras”, “gavetas” e “tostadoras”. Re- gistre-se um traço de inventividade tec- nológica - a tortura “merdácea”, pela imersão de prisioneiros na merda. Não houve prisões brasileiras com- paráveis à La Cabaña (onde ainda em 1982 houve cem fuzilamentos), Boniato, Kilo 5,5 ou Pinar Del Rio. Com estranha incongruência, artistas e intelectuais e políticos que denunciam a tortura brasi- leira visitam Cuba e chegam mesmo a tecer homenagens líricas a Fidel e a seu algoz adjunto Che Guevara. Este, como procurador-geral, foi comandante da pri- são La Cabaña, onde nos primeiros meses da revolução ocorreram 120 fuzilamentos (dos 550 confessados por Fidel Castro), inclusive a execução de Jesus Carreras, guerrilheiros contra a ditadura Batista, e de Sori Marin, ex-ministro da Agricul- tura de Fidel. Note-se que Che foi o inventor dos “campos de trabalho co- letivo”, na península de Guanaha, ver- são cubana dos “gulags soviéticos” e dos “campos de reeducação” do Viet- nam. A repressão comu- nista tem características particularmente selva- gens. A responsabilida- de é “coletiva”, atingin- do não apenas as pesso- as, mas as famílias. É ha- bitual o recurso a traba- lhos forçados, em cam- pos de concentração. Não há separação car- cerária, ou mesmo judi- cial, entre criminosos co- muns e políticos. Em Cuba, criou-se um insti- tuto original, o da “peri- culosidade pré-delitual”, podendo a pessoa ser presa por mera suspeita das autoridades, independente- mente de fatos ou ações. Causa-me infinda perplexidade, na mídia internacional e em nosso dis- curso político local, a “angelização” de Fidel e Guevara e a “satanização” de Pinochet. Isto só pode resultar de ig- norância factual ou de safadeza ideoló- gica. Pinochet foi ditador por 17 anos; Fidel está no poder há 39 anos. Pinochet promoveu a abertura econômica e ini- ciou a redemocratização do país, reti- rando-se após derrotado em plebiscito e eleições democráticas, como senador vitalício (solução que se imitada em Cuba facilitaria o fim do embargo). Fidel considera uma obscenidade a alter- nância no poder, preferindo submeter a nação cubana à miséria e à fome, para se manter ditador. Pinochet deixou a economia chilena numa trajetória de crescimento sustentado de 6,5% ao ano. Antes de Fidel, a economia cubana era a terceira em renda por habitan- te entre os latino-americanos, e hoje caiu ao nível do Haiti e da Bolívia. O Chile exporta capi- tais, enquanto que Fidel foi um pensionista da União Soviética e agora, para arranjar divisas, conta com remessas de exila- dos, e receita de turismo e pros- tituição. Em termos de violên- cia, o número de mortos e desa- parecidos no Chile foi estimado em três mil, enquanto que Fidel fuzilou 17mil! Apesar de fronteiras terrestres porosas, o Chile, com população com- parável a Cuba e sem os tubarões do Caribe, sofreu em êxodo de apenas 30 mil chilenos, hoje em grande parte re- tornados. Sob Fidel, 20% da população da ilha, ou seja, algo que nas dimen- sões brasileiras seria comparável à Gran- de São Paulo, tiveram que fugir. Em suma, Pinochet submeteu-se à demo- cracia e tem bom senso em economia. Fidel é um PhD em tirania e um analfa- beto em economia. O “Livre noir” nos dá uma idéia da bestialidade de que escapamos se tri- unfassem os radicais de esquerda. Lem- bremo-nos que, em 1963, Luís Carlos Prestes declarava desinibidamente que “nós os comunistas já estamos no Go- verno mas não ainda no poder”. Pare- ce-me ingenuidade histórica imaginar que, na ausência da Revolução de 1964, o Brasil manteria, apenas com alguns tropeços, sua normalidade democráti- ca. A verdade é que Jango Goulart não planejara minimamente sua sucessão, gerando suspeitas de continuísmo. E estava exposto a ventos de radicali- zação de duas origens: a radicalização sindical, que levaria à hiperinflação; e a radicalização ideológica, pregada por Brizola e Arraes, que podia resultar em guerra civil. É sumamente melancólico - po- rém não irrealista - admitir-se que no albor dos anos 60 este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: “anos de chumbo” ou “rios de sangue”... Mais de 200 desenhos feitos em segredo, nos idos de 1940, pelo coronel russo da reserva Danzig Baldaiev, comprovam o horror dos gulags. Sigla em russo de Diretório Geral de Campos, o gulag abrangia o complexo de prisões e campos de trabalhos forçados a que eram condenados os opositores do regime comunista soviético. Buick modelo 1959 - Os "balseros" sofisticados * O Autor foi deputado federal pelo PPB-RJ. Transcrito da Folha de São Paulo de 19.04.98 e da REVISTA DO CLUBE MILITAR - Maio/1998 Publicado no Inconfidência nº 103 de 21 de dezembro de 2006
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    13Nº 284 -Novembro/2020 Digamos “não” ao comunismo rus- so, que ameaça subverter a liber- dade e a civilização no Brasil. Estamos diante de um crime contra a ordem. O anarquismo eslavo não tem o direito de prevalecer contra ela. A Internacional russa está impondo aos marxistas indí- genas o seu espírito das trevas, as lar- vas negras da sua índole negativa, os seus métodos selvagens, as suas fór- mulas assassinas. É a bête humanine querendo a todo o transe transformar o caráter doce e compassivo de uma na- ção civilizada, nesse bivaque de curdos ferozes, que são os sovietes. Possui o Brasil uma formação moral preciosa, herdada do trono ibérico donde des- cendemos. Das situações mais delica- das, dos problemas políticos mais difí- ceis, logramos sair até hoje sem haver manchado a nossa história com os de- litos cobardes, que têm feito a Rússia contemporânea recuar às épocas mais primitivas da sua existência. A nossa ordem se inspira nos man- damentos da lei de Cristo. É, pois a própria ordem cristã, dentro das nor- mas serenas e límpidas da sua moral. É com essa ordem que se tem construído o nosso equilíbrio entre os movimen- tos mais opostos entre os contrários mais chocantes, vamos cada dia que passa mais engrandecer o Brasil e fazer respeitar o seu gênio no concerto dos outros povos. Não temos nenhum mo- tivo para mudar a substância e o cerne de nossas instituições por um modelo exótico até hoje, sustentado pe- la maior organização de terror que ainda conce- be uma minoria para go- vernar e se manter no timão da nau do Estado. Não vamos aqui nos dis- por a trocar instruções livremente consentidas por uma ordem de coisas que é o fruto do arbítrio e da opressão de uma minoria, a qual, go- verna blasfemando e incentivando os povos dirigidos pelo jugo dos gover- nos populares, saídos do pronuncia- mento das maiorias. A nossa regra é a velha ordem humana. No plano eslavo que se ergue é uma paródia no caos. E não foi feita para durar, porque da sua essência é a desordem em que ele dis- solve. A manobra comunista é tão difí- cil no Brasil, como estabelecer para um mujique russo um regime democrático fundado no sufrágio universal A per- sonalidade humana é para o brasileiro, um fim, um ideal, que ele pretende ver cada dia mais alto e mais protegido. Para a ditadura marxista ela não passa de um meio, destinado a consti- tuir o mais monstruoso tipo de Estado que o individuo até hoje executou. Nes- se conflito de tendência reside todo o drama da nossa incompreensão e da re- sistência dos nossos reflexos à máqui- na do Estado comunista. O sangue dos oficiais do exército legalista que tombaram anteontem no cumprimento do dever, não terá corri- do inutilmente. E presença do sacrifí- cio dos bravos que morreram, há uma reflexão que se faz sensível ao coração dos mais empedernidos. Que ideologia bárbara é essa que nos chega da Rússia tentando abrir caminho pela porta do TÁRTAROS E MONGÓIS* Assis Chateaubriand. crime? A propaganda, o debate das idéias, a paixão da doutrina, o entusiasmo dos princípios, já não serão então armas de convicção que é preciso ir direito ao assassino para afirmar a justiça do cre- do político? Mas é esse apelo ao terror, nessa trágica assiduidade no crime, que o comunismo fixa, antes de tudo, as suas linhas antibrasileiras, ou, direi melhor, a seu caráter antiocidental. A embria- guez do sangue derramado é a nota tô- nica dos tropelos do conquistador asi- ático. No crime político, o dominador oriental encontra quase invariavelmen- te o seu compasso. Se as idealidades su- periores faltam ao comunismo brasilei- ro, a crueldade, a truculência, a apti- dão para barbárie, traços da alma ele- mentar da estepe, nele vêm atingindo acesso em proporções inquietadoras. A humanidade foi, em todos os tempos, em todas as idades, a expres- são alevantada da nossa têmpera. Nas nossas lutas políticas, nas nossas jor- nadas partidárias, nunca se evangelizou uma idéia com o punhal ou o trabuco. A Independência, a Abolição, a Repúbli- ca, tanto a primeira como a segunda, nem um desses movimentos conta na sua eclosão esse material abominável de assassinos que a população carioca registrou terça-feira última na Escola de Aviação e no 3º RI. A glória das jornadas cívicas do País é que nenhu- ma delas se alicerça no homicídio po- lítico do tipo que encontramos em seus aspectos sinistros na madrugada de São Bartolomeu, que o Rio acaba de assis- tir transido de horror. Não. Tanta perversidade, tão frio desprezo pela vida humana, tanta ari- dez de sensibilidade, tamanha vocação para a eclosão do sangue inocente, nunca foram reações do caráter brasi- leiro. É um erro capital supor que os inspiradores ocultos desse canibalis- mo, organizado, em seita política, se- jam brasileiros, ou se encontrem ao serviço de uma causa brasileira. A guer- ra civil que o capitão Prestes se dispôs a desencadear aqui não é bem uma luta interna. A declaração de guerra foi man- dada ao Governo do Brasil e ao seu povo liberal pela III Internacional. Es- tamos em guerra externa contra uma potência estrangeira, que jurou des- truir os padrões éticos e jurídicos da nossa civilização centenária. É, pois, a pátria quem está em perigo, nesse du- elo contra um inimigo que, ou comba- temos com todas as forças da nossa vontade de viver, ou ele terá feito do Brasil uma miserável colônia da tirana vermelha, ímpia e execrando, dos tárta- ros e mongóis dos sovietes. 1892-1992 5 de Outubro A VERDADE HISTÓRICA Nos idos de 1950/1960, Assis Chateaubriand comandava o im- pério jornalístico dos “Diários Asso- ciados” (jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão), que influen- ciava a opinião pública, mantinha re- lações com os altos poderes do go- verno, incluindo a Presidência da Re- pública, criava ídolos de pés de bar- ro, derrubava quem desejasse. Tal qual, hoje, as Organizações Globo, que começaram a crescer no final da déca- da de 60, em pleno governo “autoritá- rio” (havia autoridade). De comum, entre os dois impé- rios: ontem, o apoio irrestrito ao Mo- vimentoCívico-Militarde1964ealem- brança sobre a covarde e traiçoeira In- tentona Comunista e hoje, a mentira deslavada deturpando as realizações do regimemilitarquelevouopaísaomaior crescimento jamais registrado em 500 Rendição dos militares comunistas sublevados na Praia Vermelha, a 27 de novembro de 1935 anos, com um PIB de 14% e tentando mudar a sua História. Por quê? A má- quina da desinformação montada nas redações de jornais e rádios e nas cen- trais de telejornalismo, tudo faz para que a verdade não seja conhecida. Pre- ferem a meia verdade ou a mentira, di- vulgadas pelos jornalistas petistas que ocupam 80% das redações e são aman- tes de Fidel, Guevara e Chávez e adep- tos do FSP - Foro de São Paulo. O “Estado de Minas” apesar do acervo histórico de sua Gerência de Documentação (microfilmagem de todos os seus jornais e revistas), não o utiliza como referência, intencio- nalmente, pois não é do interesse da mídia e do governo petista mostrar a Verdade à nossa gente. · Quem tem medo da Verdade? · Quem está mentindo? · A resposta é sua, prezado leitor! CENTENÁRIO A INTENTONA COMUNISTA VISTA PELOS LIVROS DIDÁTICOS Nova História Crítica 8ª Série / 2001 O revolucionário que Olga iria acompanhar era Luis Carlos Prestes, que voltava secretamente ao Brasil para lutar contra Vargas na re- volta liderada pela ANL.Getúliomandou prender milhares de pessoas. O chefe de Polícia, era o terrível Filinto Müller, nazis- ta assumido, tortura- va barbaramente os presos que caíam sob suas botas (pág. 145) História - Uma abordagem integrada / 2001 (Questões dos ENEMs) Em novembro de 1935, a Intentona Comunista, um movimento arma- do que sublevou três quartéis, um em Natal, outro em Recife e o terceiro no Rio de Janeiro. Os re- voltosos acreditavam que outras unidades militares iriam aderir ao movimento, garan- tindo a sua vitória con- tra o governo de Var- gas. Mas a revolta não sealastrou,ficandores- trita aos militares que deram os primeiros tiros. A repressão pro- movida pelo governo foi violenta, com pri- são, tortura e até mes- mo execução dos en- volvidos no conflito. Aproveitou-se para prender, torturar e matar pessoas que nada tinham a ver com a Intentona, mas que eram opositores do governo. A maior crueldade desse período de repressão foi a deportação para a Alemanha de Olga Benário, esposa de Prestes (Pág. 227) - O grifo é nosso. COMENTÁRIO Com estes pequenos exemplos, devidamente comprovados, conclui-se que os livros didáticos (e a imprensa) procuram deturpar a verdadeira História do Brasil, invertendo os autores de crimes hediondos, de traição e dos as- sassinatos cometidos em novembro de 1935 e, posteriormente, nas guerrilhas urbanas e rurais nos anos 60/70. Onde estão os professores e pais que não reagem a essa lavagem cerebral marxista da nossa juventude? Para conter as agitações, o governo fechou a ANL – Aliança Nacional Li- bertadora em julho de 1935, prendeu e deportou diversas lideranças operárias e promulgou a Lei de Segurança Naci- onal. Com a ANL posta na ilegalidade, seus membros mais moderados se afas- taram do movimento, e a liderança fi- cou apenas com comunistas e militares de esquerda. Em novembro de 1935, eles de- ram início a um levante armado, nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janei- ro. A rebelião foi rapidamente contro- lada pelo governo, e muitos militantes e simpatizantes da ANL foram presos e torturados. Pág 152 – Capítulo 10. História - 8ª Série Cotidiano e Mentalidades PNLD/2005 HISTÓRIA INTEGRADA CAPITULO18 A Conspiração Comunista de 1935 Contra a lógica mais elementar, já que o governo estava de sobreaviso, os militares do III Regimento de In- fantaria, no Rio de Janeiro, atendendo aos apelos da Aliança Nacional Li- bertadora, desencadearam o movimen- * Artigo publicado em O Jornal de 29 de novembro de 1935, reproduzido em comemoração ao centenário de nascimento de Assis Chateaubriand pelo Correio Braziliense de 20 de julho de 1992. to para depor Getúlio. Em menos de doze horas, a rebelião foi sufocada pe- lo governo. Cerca de cinqüenta jovens recrutas foram mortos. (pág. 99) Publicado no Inconfidência nº 120 de 27/11/2007 e válida até hoje. Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    14Nº 284 -Novembro/2020 A INTENTONA COM Após a Revolução Bolchevista de 1917, na Rússia, intensificou-se no mundo inteiro a propaganda ideo- lógica marxista-leninista. No Brasil, desde 1919 foram registradas várias tentativas de im- plantação do comunismo, mas somen- te em 1922 foi criado o Partido Co- munista, graças à mobilização ocorri- da no Rio de Janeiro e Niterói, de 25 a 27 de março. O Congresso Constitutivo do PC logo aderiu ao Movimento Comunista Internacional (MCI), aceitando as 21 condições de admissão à Terceira In- ternacional(1) , também conhecida como Komintern(2). Em janeiro de 1924, gra- ças ao secretário geral Astrogildo Pe- reira que viajou a Moscou, foi conse- guida a filiação do PCB à Terceira In- ternacional. Dentre as 21 condições, desta- camos a 6ª, como expressão do fa- natismo ideológico que o Komintern procurava incutir nas organizações bol- chevistas: “Todos os Partidos Comu- nistas devem renunciar não so- mente ao patriotismo como tam- bém ao pacifismo social e de- monstrar sistematicamente aos proletários que sem a derruba- da revolucionária do capitalis- mo não haverá desarmamento e paz mundial” Como não conseguiu o apoio popular, o PCB sentiu a necessidade de atrair um líder que pudesse pola- rizar a atenção e admiração das mas- sas dando autenticidade ao MCI. Aí surgiu o nome do ex-capitão do Exér- cito, Luís Carlos Prestes, que parti- cipara da Grande Marcha, comanda- da pelo general Miguel Costa, como chefe do Estado-Maior (1925/27). Após a internação da Coluna Miguel Costa na Bolívia, Prestes foi procurado em Porto Suarez por As- trogildo Pereira, do qual recebeu, após longas conversas, várias obras de dou- trinação marxista-leninista. A semen- te estava lançada. Em 1930, vivendo em Buenos Ai- res, foi convidado para entrevistar-se com Getúlio Vargas e Oswaldo Ara- nha. Ao regressar à Argentina, Prestes condenou a revolução que se articula- va e fazia nova profissão de fé, aderin- do ao Comunismo. Em 1931, os agentes soviéticos Max e Olga Pandarkye convenceram Prestes a seguir para a União Soviética a fim de aprimorar seu doutrinamento político. Em Moscou fez cursos de li- derança e capacitação marxista-leni- nista e foi membro do Comitê Executi- vo do Komintern. Transformara-se em fanático do credo vermelho, abdican- do de seus próprios sentimentos naci- onalistas. Em novembro de 1935 iria comprová-lo, quando sob seu coman- do foram assassinados covardemente na calada da madrugada seus compa- nheiros de farda. Também em 1946, anistiado e senador, surpreendera o país com a declaração de que, se o Bra- sil estivesse em guerra com a União Soviética, jamais pegaria em armas contra os soviéticos. Regressou ao Brasil em abril/ 1935, acompanhado de Olga Benário, para assumir a liderança do movimento comunista, tornando-se ainda o presi- dente de honra da ANL - Aliança Naci- onal Libertadora, mentora da rebelião traiçoeira que se preparava. No livro “Meu Companheiro” de Maria Prestes: “Em 1935, o casal (Prestes e Olga Be- nário) estava se dirigindo ao Brasil, onde se preparava o levante armado que abriria uma perspectiva socialista para o maior país da América do Sul”. Em fins de 1934 a Conferência Comunista da América Latina já havia deliberado iniciar a revolução no Bra- sil, mesmo sem as condições ideais. A decisão foi tomada por sugestão do delegado russo Dimitri Sacharovich Manuilsky e de delegados brasileiros que preferiam uma ação rápida e vio- lenta a uma demorada ação subversiva. Para preparar o movimento, o Ko- mintern enviou o agitador internacio- nal Arthur Ernest Ewert (Harry Ber- ger), o secretário geral do PC argen- tino Rodolpho Ghioldi, os ucranianos Pavel e Sofia, agentes da cúpula do Ko- mintern, o italiano Amleto Locatelli, Franz Gruber, Elize Saborowiski, Ol- ga Benário(3) , agente russa, e outros. Os comunistas sentiram cres- cente oposição a suas atividades de propaganda e agitação. A 11 de julho de 1935, o governo decretou o fecha- mento da ANL e a dissolução da Uni- ão Feminina do Brasil e a Aliança por Pão, Terra e Liberdade. A polícia agia com energia efetuando prisões que abalaram o movimento. O Komintern exigia ação. Pressionado, Prestes con- cordou com o desencadeamento do mo- vimento armado. A INTENTONA Em fins de novembro, foi defla- grada a chamada Intentona, que ape- sar de efêmera, manchou a história pá- tria com o sangue de numerosos brasi- leiros. RIO GRANDE DO NORTE Em Natal, a revolta eclodiu qua- tro dias antes da data prevista, a 23, um sábado. Os sargentos, cabos e sol- dados do 23º Batalhão de Caçadores, com o auxílio de civis extremados as- sumiram o governo da cidade, com o nome de Comitê Popular Revolu- cionário. Foram três dias e três noi- tes de horror e desespero. Saques, es- tupros e arrombamentos foram pra- ticados pelos comunistas. A contra-revolução veio do in- terior com o chefe político de Seridó, Dinarte Mariz, mais tarde governa- dor do Estado. Tropas do Exército e das po- lícias estaduais capturaram em pou- co tempo todos os implicados, que passaram a responder perante à Jus- tiça por 20 mortes. PERNAMBUCO Dos três levantes comunistas de 1935, o de Pernambuco foi o mais sangrento segundo o historiador Glauco Carneiro, resultando em cerca de 720 mortes só nas operações da frente do Recife. O movimento eclodiu no dia 24, simultaneamente no 29º Bata- lhão de Caçadores e no QG da 7ª Re- gião Militar. Ao mesmo tempo, civis armados atacaram as delegacias de polícia de Olinda, Torre, Casa Ama- rela e a Cadeia Pública. Na ocasião, as principais autoridades encontra- vam-se ausentes do Estado, em via- gem no dirigível Hindemburg. A an- tecipação da revolta de Natal preju- dicou a surpresa do movimento em Recife, com a guarnição alerta. A re- sistência desenvolvida no interior do quartel do 29º BC, sediado em So- corro a 18 quilômetros da capital, a reação das tropas do Exército em Alagoas e na Paraíba e da Polícia Mi- litar de Pernambuco desfizeram em curto prazo qualquer possibilidade de vitória comunista. É de se destacar a atuação do Ca- pitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança, organizando tropas para impedir a invasão do Recife. No QG da 7ª Região Militar o sar- gento Gregório Bezerra chefiando um grupo de amotinados tentou prender os tenentes José Sampaio Xavier e Aguinaldo de Oliveira, que reagiram, sendo morto o primeiro e gravemente ferido o outro. O sargen- to Gregório, também ferido, foi pre- so. Na manhã do dia 25 ainda ha- via luta no 29º BC e no Largo da Paz. Com a chegada de tropas do 20º BC de Maceió, uma bateria de Artilharia da Paraíba, elementos do 29º BC e da Brigada Militar começaram a re- cuar, sendo batidos na altura do En- genho de Santana. Os que escapa- ram foram perseguidos e presos pelas tropas legais. Na terça-feira, 26, cessara a luta em Recife e proximi- dades: Nesse mesmo dia, com auto- rização do Congresso Nacional, o Pre- sidente da República, Getúlio Var- gas, decretou a vigência do estado de sítio em todo o país. RIO DE JANEIRO O terceiro e mais importante sur- to subversivo eclodiu no Rio de Janeiro. Os planos apreendidos com Harry Berger esclareciam que a insurreição deveria abranger várias unidades: 3º RI na Praia Vermelha, o 2º RI na Vi- la Militar, o Batalhão de Transmis- sões, o CPOR, o Grupo de Obuzes, o Ministério da Guerra e a Escola de Aviação Militar, na região do Campo dos Afonsos. Os civis só participa- riam do combate quando este se es- tendesse às ruas. O 3º RI possuía ar- mamento moderno e um grande efe- tivo: 100 oficiais, 200 sargentos e 1700 soldados e seus quadros estavam infiltrados por comunistas. O cap. Agil- do Barata, marxista, lá se encontra- va cumprindo punição disciplinar e logo se articulou com o tenente Fran- cisco Antônio Leivas Otero que lide- rava a célula do PC e assumiu a lide- rança dos preparativos para o levante. Nas companhias do Regimento havia pelo menos um elemento designado para prender os militares legalistas e assumir o comando no momento opor- tuno. Na tarde de 26 de novembro, o 3º RI encontrava-se em prontidão por causa dos acontecimentos do Nor- deste. Nessa tarde o cap. Agildo Ri- beiro recebeu a ordem assinada por Prestes: “O 3º Regimento Popular Revolucionário deverá levantar- se às duas da madrugada de 27 de novembro e a partir das três ho- ras deslocar tropas para as pro- ximidades do Arsenal de Mari- nha e do Palácio do Catete, de- vendo outras impedir a ação da Polícia Especial e do Batalhão de Polícia Militar da rua São Clemente.” Na hora prevista ouviram-se ti- ros no pelotão do tenente Leivas Otero, um dos revoltosos. Era o sinal espera- Quartel da Polícia Militar em Natal após o ataque dos insurretos
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    15Nº 284 -Novembro/2020 MUNISTA DE 1935 Fachada do 3º RI após o confronto entre as forças legais e os insurretos 1) A III Internacional foi fundada em 2 de março de 1919 por Lenine com a finalidade de implantar a revolução comunista no mundo. 2) Komintern - abreviatura de Kommunistitcheski internacional. 3) O único pesquisador brasileiro William Waack, consultou os arquivos de Moscou e reconstituiu uma verdade há longo tempo negada, golpeando fundo a mitologia comunista nacional, liquidando para sempre com a lenda da inocência de Olga Benário, desmascarando- a como agente do Serviço Secreto Militar Soviético (GRU) do para os amotinados aprisionar os legalistas que surpreendidos com a rapidez da ação ofereciam pouca ou nenhuma resistência. As companhi- as de metralhadoras do I e II Bata- lhões, comandados pelos capitães Alexínio Bittencourt e Álvaro Braga, não se intimidaram e responderam ao fogo. Nessa ocasião o major Mi- sael de Mendonça, legalista, foi atin- gido mortalmente. O comandante, cel Afonso Fer- reira, junto com outros oficiais, fi- cou isolado no pavilhão principal e por telefone informou o Ministro de Guerra da situação. Mais tarde os dois batalhões renderam-se e o comandan- te e oficiais foram presos devido ao desmoronamento do prédio onde es- tavam abrigados. Apesar de dominar o 3º RI, os rebeldes não puderam cumprir as or- dens de Prestes, pois as tropas da 1ª Região Militar comandada pelo Ge- neral Eurico Gaspar Dutra impediam que deixassem o quartel. Intimado a render-se o capitão Agildo negou-se por não saber que o levante da Esco- la de Aviação malograra. As tropas legalistas intensificaram os fogos até que após o meio-dia surgiu uma ban- deira branca. Na Escola de Aviação a propa- ganda comunista procurava aliciar adeptos, dirigida pelos capitães Agli- berto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, além de mais 6 oficiais, graduados e soldados. Des- de setembro a Escola vivia um clima de inquietação com o aparecimento, entre os alunos, de boletins de dou- trinação marxista-leninista. Poste- riormente foi encontrado um pacote de panfletos subversivos com o capi- tão Sócrates, que recebeu ordem de prisão mas se evadiu. Após as 14 horas do dia 26, ou- viram-se tiros, gritos e correrias. Eclo- dira o movimento sedicioso e se alas- trava. Sucederam-se lances dramáti- cos, com atos de heroísmo e de co- vardia, conforme relata o historia- dor Glauco Carneiro: “dois oficiais legalistas, capitão Armando de Sou- za e Melo e o tenente Danilo Paladini, foram mortos na ocasião, ainda dor- mindo, por Agliberto e pelo tenente Ivan Ramos Ribeiro”. O mesmo ca- pitão Agliberto assassinou o tenente Benedicto Lopes Bragança, quando este se encontrava preso e desarma- do. Dominando a situação, de pos- se de todo o armamento e munição, os rebeldes comunistas ocuparam os hangares a fim de acionar os aviões e alastrar o movimento. O 1º Regimento de Aviação, sob o comando do tenente coronel Eduardo Gomes, conseguiu repelir o assalto até que o general José Joa- quim de Andrade manobrasse o Re- gimento Andrade Neves contra os rebeldes. As 17 horas do dia 27, os comu- nistas debandavam em fuga. Os pri- sioneiros foram colocados no navio Pedro I, transformado em barco-pre- sídio. Após a derrota da Intentona, os agentes soviéticos conseguiram fu- gir para Moscou, onde apresentaram seus relatórios. Foram todos liquida- dos no Grande Expurgo estalinista de 1937/38. Amleto Locatelli morreu na Guerra Civil Espanhola. A Gestapo matou as agentes Olga Benário e Elise Saborowiski. Prestes foi preso no Meier/ RJ, em março de 1936 e assim per- maneceu até abril/1945. Em 1943, mesmo na prisão, foi eleito secretá- rio-geral do PCB, permanecendo no cargo até 1980. Monumento Votivo na Praia Vermelha/Rio MONUMENTO VOTIVO Na Praia Ver- melha, no Rio de Ja- neiro, foi erguido em 1968, um monumen- to votivo às vítimas da Intentona Comu- nista de 1935, por ini- ciativa do Ministro do Exército, general- de-Exército Aurélio de Lyra Tavares, pa- ra “perpetuar em praça pública a ho- menagem do povo àqueles que soube- ram lutar e morrer pela sua liberdade”. O monumento incor- pora arranjos proce- dentes do mausoléu que fora inicialmen- te construído no Ce- mitério de São João Batista, em 1938. Nossos respei- tos e homenagens àqueles que tomba- ram na defesa da li- berdade e de nossas instituições · Natal/RN: 2º Sgt Jai- me Pantaleão de Moraes, Cabo João de Deus Araújo e soldado PM Luís Gonzaga de Souza; · Recife/PE: Ca- pitão José Sampaio Xavier, Tenente Lauro Leão de Santa Rosa e soldado PM Lino Victor dos Santos; · Rio de Janeiro/DF: Tenente-coronel Mi- sael de Mendonça; majores Arman- do de Souza e Mello e João Ribeiro Pinheiro; capitães Danilo Paladini; Geraldo de Oliveira e Benedicto Lo- pes Bragança; 2º Sgt José Bernardo Rosa; 3º Sargentos Coriolano Ferreira Santiago, Abdiel Ribeiro dos Santos e Gregório Soares; 1º cabos Luís Au- gusto Pereira e Antônio Carlos Bo- telho; 2º cabos Alberto Bernardino de Aragão, Pedro Maria Netto, Fide- lis Baptista de Aguiar, José Harmito de Sá, Clodoaldo Ursulano, Manuel Biré de Agrella e Francisco Alves da Rocha; Soldados Wilson França, Péricles Leal Bezerra, Orlando Hen- riques, Álvaro de Souza Pereira e Ge- neroso Pedro Lima. Fonte: O Exército na História do Brasil República Volume III - Biblioteca do Exército/1998. ConviteConviteConviteConviteConvite Os presidentes do Grupo Inconfidência, do Círculo Militar de Belo Horizonte, da AOR-EB - Associação dos Oficiais da Reserva, da ANVFEB/BH - Associação Nacional dos Veteranos da FEB, da ABEMIFA - Associação Beneficente dos Militares das Forças Armadas, Clube de Subtenentes e Sargentos do Exército / BH, da AREB/BH - Associação dos Reservistas do Brasil, a Família Bragança e o Círculo Monárquico/MG, têm a honra de convidar seus associados e familiares para a solenidade cívico-militar, em homenagem ao capitão Benedicto Lopes Bragança, assassinado na Intentona Comunista de 27 de novembro de 1935, no Rio de Janeiro. Intentona Comunista COMPAREÇA E CONVIDE SEUS PARENTES E AMIGOS. ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR! Data: 27 de novembro - Sexta-feira - Hora: 10:00 Local: Cemitério do Bonfim - Belo Horizonte Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    16Nº 284 -Novembro/2020 ANO XXXII Nº 206 DATA 22 Nov 85, 6ª feira REDAÇÃO 5ª Seção EMG Informativo interno da AMAN Fundador: Cap RUBENS J. PORTUGAL DISTRIBUIÇÃO ACP CINQÜENTENÁRIO DA INTENTONA COMUNISTA A"Intentona Comunista" de 1935 pode ser resumida em duas palavras: traição e covardia. Sim, pois companheiros nossos, fardados, coturnos calçados, no cumprimento de seus sagrados deveres, foram mortos, à socapa, na calada da noite, muitos enquanto dormiam... Mas sempre agiram assim, senão vejamos: Andrei Sakharov, físico russo, confinado por castigoemGorki,declarou,temposatrás:’’Ahistóriade60anosdocomunismoestácheiadeuma horrível violência, de crimes odiosos no seu território e fora dele, de destruição, sofrimento e corrupção de milhões de pessoas. "ESQUECER TAMBÉM É TRAIR!" ESQUECER TAMBÉM É TRAIR ! Há quem pretenda sepultar no es- quecimento a Revolução de 31 de março de 1964, como já se deixou de homenagear, por outro lado, a me- mória dos heróis militares assassi- nados na intentona comunista de 27 de novembro de 1935. Que país é es- te, no qual fatos históricos relevan- tes, que são exemplos, lições e ad- vertências, descambam para o des- prezo dos pósteros, que passam a condená-los no re- púdio do silêncio e no desprezo da indi- ferença? Em ambos os casos menciona- dos, a insofismável inspiração das For- ças Armadas foi, ba- sicamente, defender as instituições republicanas, salvando-as da frontal ameaça comunista. No 27 de novembro, os com- parsas de Luís Carlos Prestes ensan- güentaram a então capital da Repú- blica, assim como outros pontos do território nacional. De armas na mão, assumiram a iniciativa criminosa da mazorca marxista, na Praia Verme- lha e nos Afonsos, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Mataram, covardemente, inclu- sive companheiros que dormiam, no 3º Regimento de Infantaria, e numa unidade da Aviação Militar feriram a bala Eduardo Gomes, um dos 18 do Forte de Copacabana. Na orfandade e na viuvez ficaram dezenas de pessoas, porque seus chefes sacrificaram a pró- pria vida em defesa da nação. A Revo- lução de 31 e março, por sua vez, nas- ceu da reconhecida aliança do povo com os cidadãos fardados. Tornou-se inevitável e obrigatória, como condi- ção essencial de uma reação coletiva organizada, capaz de eliminar o caos que infelicitava a vida geral dos bra- sileiros. Durante pouco mais de 20 anos, por força da ação revolucioná- ria direta e indireta, modernizou-se a administração, retirou-se a economia ANISTIA TORTA do atraso, implantou-se a telecomu- nicação, viveram novos corredores de exportação, multiplicaram-se os investimentos, ampliou-se nossa ca- pacidade energética, voltaram a dis- ciplina e a hierarquia, a paz, a ordem e a autoridade. O povo era feliz e não sabia. Numa histórica tentativa global de restaurar a chamada democracia plena, e depois de derrotar a guerri- lha rural e urbana, a Revolução, espon- taneamente, em no- me da pacificação política nacional, propôs ao Congres- so a decretação da anistia ampla, ge- ral e irrestrita, teoricamente estabele- cida. Era, por assim dizer, a esponja que se procurava passar sobre o ter- ritório da dissensão, do ressentimen- to e do ódio. Entretanto, a idéia da Re- volução foi inútil. De fato, perdoa- ram-se os atentados à mão armada, os seqüestros de embaixadores, os crimes hediondos, os delitos de san- gue. Mas as cobranças des- cabidas acerca de supostas torturas, a busca constante de desaparecidos, envolvidos em movimentos terroristas, o revanchismo, enfim, tudo tendo como alvo o denomi- nado “regime militar”, isso não sai da ordem do dia. É pauta permanente nos espa- ços de que dispõe a incansá- vel insurreição subversiva, ostensiva ou disfarçada. Por último, pretende- se revogar historicamente a Revolução Democrática de 1964, como se ela não tivesse sido, e ainda é, uma idéia- força, gerada na alma dos pa- triotas. A anistia legal – clas- sifiquemo-la assim - só valeu e só vale para um lado, isto é, para o lado deles. Ficou sen- do,emconseqüência,uma anis- tia torta. É oportuno advertir os democratas ingênuos de que o comunismo faliu, mas não faleceu. A esquerda extremista não acredita na queda do Muro de Berlim. Eis por que insistem em sepultar a intentona comunista e a Revolução de 1964. Não o conseguirão, todavia. Quem viver verá. (Publicado no Correio Braziliense - 11/04/1995) * Foi líder parlamentar e ministro de Estado. * Armando Falcão "A libertação da Espanha da opressão dos reacionários facistas,nãoéumaquestãopri- vada dos espanhóes. É a causa comum de toda a humanidade avançadaeprogressista". STALIN A CLASSE OPERÁRIA Ano XII São Paulo, Março de 1937 Nº 200 Órgão Central do Partido Comunista (S.B.I.C.) Estandarte apreendido no Rio de Janeiro, em 1934 (ANL) Insistem em sepultar a intentona comunista e a Revolução de 1964. Não o conseguirão, todavia. Quem viver verá. Informamos que desta edição nº 271, de 27 de novembro deste ano, conside- rando a impressão de somente 2000 jornais, serão enviados dois exemplares para nossos assinantes, associados e alguns colaboradores com o pedido de que encaminhem um deles para professores de seu relacionamento. EXPEDIÇÃO DE JORNAIS NUMERO AVULSO: 200 RÉIS BELLO HORIZONTE – QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 1935 ANNO V – NÚMERO 1.457 Fuzilado pelos rebeldes o 1.º tenente Benedicto Lopes Bragança Segundo communicações recebidas hoje pela família Bragrança o 1.º tenente Benedicto Lopes Bragança foi fuzilado pelos rebeldes por não ter querido adherir ao movimento da insurreição na Escola de Aviação, na qual commandava um corpo de instrucção. O malogrado official era relacionadissimo, em Bello Horizonte, aqui tendo servido no 10.º R.I, e aqui feito o seu curso de humanidade. O corpo do tenente Bragança chegará amanhã nesta capital. Os Comandos da Brigada de Infantaria, da Base Naval e da Base Aérea sediados na cidade de Natal, onde foi deflagrado o Movimento (Intentona) Comunista de 1935, desafortunadamente, não promoveram mais uma vez qualquer cerimônia pública sobre esse traiçoeiro evento e em memória do bravo soldado Luiz Gonzaga, da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, morto no cumprimento do dever pelos facínoras comunistas. A PMRN instituiu, há tempos, a ‘Medalha Soldado Luiz Gonzaga’, tradicionalmente entregue, no mês de novembro, a gradas autoridades civis e militares. Esperamos e de- sejamos que neste ano seja realizada nessa capital uma solenidade cívico-militar, re- lembrando as atrocidades cometidas contra o Brasil, que parecem esquecidas pelos três Comandos. NOSSO COMENTÁRIO JORNAL INCONFIDÊNCIA Assinatura anual A. VIA POSTAL - Recortar (ou xerocar) e preencher o cupom abaixo, anexando cheque bancário nominal e cruzado, no valor de R$ 200,00, em favor do Jornal Inconfidência e remetê-los para para Rua Xingu, 497 - Alto Santa Lúcia – CEP 30360-690 – Belo Horizonte – MG - Não enviar dinheiro. B. VIA BANCÁRIA - Depositar ou transferir para o Banco do Brasil o valor de R$200,00 – agência 0643-2 - c/c 128.172-0 e por e-mail, enviar o quadro preenchido e o comprovante do pagamento para jornal@jornalinconfidencia.com.br, e ainda o cupom citado e o xerox do pagamento para Rua Xingu, 497 - Alto Santa Lúcia - CEP 30360-690 - Belo Horizonte - MG. C. Valores superiores serão muito bem recebidos. D. Informações - e-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br. Fone: (31) 3344-1500 E. Renovação da Assinatura – a cargo do interessado (idem providências acima). ATENÇÃO: Verifique no canto inferior direito da etiqueta de endereçamento postal, o mês/ano do vencimento. E RENOVE!!!E RENOVE!!!E RENOVE!!!E RENOVE!!!E RENOVE!!! PROFISSÃO/POSTO/ GRADUAÇÃO: NOMECOMPLETO: ENDEREÇO: BAIRRO: CEP: CIDADE: UF: E-MAIL: TEL: Autorizo a publicação do meu nome SIM NÃO CNPJ: 11.843.412/0001-00 Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    17Nº 284 -Novembro/2020 CONGRATULAÇÕES À ESQUERDA Carlos Azambuja comenta a forma lenta e gradual como os antigos terroristas e militantes comunistas assumiram posições de destaque na política nacio- nal, utizando-as para embolsar dinheiro público e humilhar os que impediram seus planos totalitários no passado. “As feridas e os erros da esquerda precisam sangrar para que as insuficiências e incom- preensões possam ser superadas” (JOSÉ GE- NOÍNO, O Globo, 06 Fev 96). Logo após a Revolução de 31 de Março e 1964 que depôs o governo comunizante de João Goulart, as organizações, grupos e partidos de esquerda então existentes em nosso país, e logo após inúmeras outras organizações constituídas pelas bases radicalizadas do chamado “Partidão”, definiram como prioridade a derrubada do regi- me instituído, utilizando como tática a violência armada e todas as formas de luta, conforme prescrevem os manuais do marxismo-leninismo. Esse projeto de luta armada, no entanto, vinha sendo alimentado desde antes de 1964, estimulado pelo exemplo da revolução cubana. Isso, sem falar nas propostas de revolução ar- mada que vinham de muito antes, na melhor tradição bolchevique, como o levante comunis- ta de 1935, determinado pelo Komintern. É notório que já no governo Jango existi- am grupos voltados para essas formas de luta “mais avançadas”, segundo o jargão marxista. Nesse sentido, é esclarecedor o depoimen- to de um ex-guerrilheiro urbano, membro diri- gente, nos anos 60, da Dissidência da Guanaba- ra e, depois, do Movimento Revolucionário Oi- to de Outubro, preso, banido do país e posteri- ormente anistiado: “(...)Antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissiden- tes se estilhaçariam em torno de encaminha- mentos concretos, formando uma miríade de organizações e grupos, mas havia acordo quan- to ao nó da questão: chegara a hora do assal- to” (Daniel Aarão Reis, atual professor de His- tória Contemporânea da Universidade Federal Fluminense. “Esse imprescindível Passado”, artigo publicado na revista “Teoria e Debate” de julho/agosto/setembro de 1996). Os seqüestros de aviões, de diplomatas estrangeiros, os roubos de armas, os atentados terroristas, os assaltos a agências bancárias, a estabelecimentos comerciais e até mesmo a residências, os ataques a quartéis, foram trans- formados em tática militar e precederam o que é denominado de “radicalização da ditadura” em dezembro de 1968, com a edição do Ato Institucional nº 5. Em 1970, ao assumir a presidência da Repú- blica, o general Garrastazu Médice definiu como prioritário o fim do terrorismo e para isso criou os DOI/CODI. No entanto, Marighela não mais exis- tia, pois havia sido morto em uma via pública, em São Paulo, no ano anterior. Essa via pública, assim como tantas outras, foi definida, posteriormente, pela ComissãodeMortoseDesaparecidos, como um local assemelhado a uma dependência po- licial ou sujeito à administração militar. Ele, Marighela, que a Inteligência cubana imaginava transformar no sucessor de Che Gue- vara (vide o livro de Luis Mir, “A Revolução Impossível”) havia deixado um testamento que iria ser responsável por uma montanha de mor- tos entre os que seguiram seus ensinamentos: o Minimanual do Guerrilheiro Urbano. Lamarca, no entanto, que traiu o Exército, sua mulher e seus filhos, ladrão de armas, assal- tante de bancos, seqüestrador e assassino de ino- centes de forma vil, como a morte a coronhadas do tenente Alberto Mendes Junior, no Vale da Ribeira, ainda viveria até o ano seguinte. Em setembro de 1971 seria morto no sertão da Bahia, local que a Comissão de Mortos e Desapareci- dos definiu que era sujeito à administração militar, para, assim, indenizar sua mulher que já (Publicado no ARAUTO/OPINIÃO de novembro de 1996 e no Inconfidência nº 146 de 27 de novembro de 2009) Ointento louco de tomada do poder pela força ou a In- tentona Comunista, como ficou conhecido o traiçoei- ro, sangrento e fracassado motim deflagrado por militares co- munistas contra estabelecimentos militares de Natal, do Recife e do Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 27 de novembro de 1935, constitui uma das mais negras páginas da história do Brasil. Maus militares, corrompidos por intensa doutrinação marxista, desprezam a hierarquia e a disciplina, descumprem seu sagrado juramento para com a Pátria, traem seus próprios companheiros e até os matam, mesmo quando já presos e desarmados. Naturalmente, oficiais e graduados fiéis ainda que surpreendidos pelo vulto do motim e principalmente pela traição de companheiros que, até então, pareciam leais, cumprem seu juramento reagem com bravura, defendem as instituições com risco de vida e, alguns com o sacrifício da própria vida. Findo o dia 27 de novembro, derrotados, desmoralizados, os amotina- dos fogem ou se rendem. Do lado dos militares fiéis, mor- rem, no cumprimento do dever, bravos brasileiros. A deflagração da Intentona Comunista em 23 de novem- bro de 1935, foi o desfecho de uma trama que, era ver- dade, vinha sendo articulada dentro e fora do País. Se- gundo revela o Ge- neral José Campos de Aragão, em seu livro intitulado “A Intentona Comu- nista de 1935”, em 30 de março de 1935 Luis Carlos Prestes fora acla- mado presidente de honradarecém-cri- ada Aliança Nacio- nal Libertadora; no VII Congresso da Internacional Co- munista, o delega- do holandês Van Mine, membro do Conselho Execu- tivo do Komintern e relator dos assuntos referentes à Amé- rica Latina, afirmara: “A Aliança Nacional Libertadora foi criada sob orientação secreta mas direta do Partido Comu- nista Brasileiro (PCB), segundo as instruções confidenciais recebidas da Legação Soviética em Montevidéu. Ela cumpre cegamente ordens de nosso bravo camarada Prestes...”; e Di- mitrov, em 1935, no VII Congresso da Terceira Internacional de Moscou, discorrendo sobre o papel da Frente Única Anti- imperialista, declarara: “...no Brasil, o Partido Comunista, que deu uma base ao desenvolvimento de uma frente contra o imperialismo ao criar uma Aliança de emancipação nacional, deve empenhar-se com todas as suas forças para impulsionar essa frente, conquistando para a mesma, sobretudo, os milhões de camponeses, e orientando o movimento no sentido da for- mação de destacamentos de um Exército Popular Revolucioná- rio extremamente devotado, até que seja alcançado o objeti- vo final, e no sentido da organização do poder dessa Aliança Libertadora Nacional...”. Torna-se fácil perceber, portanto, a importância do pa- pel dos militares brasileiros em Natal, no Recife e no Rio, os quais, honrando seu sagrado juramento, cumpriram com bra- vura seu dever e impediram que o Brasil passasse a ser con- trolado por um Exército Popular Revolucionário. As autoridades e os militares de hoje poderão ter es- quecido aqueles que morreram defendendo a Pátria. A Pátria, no entanto, certamente jamais os esquecerá! A INTENTONA COMUNISTA O mesmo movimento que em 1935 assassinava compatriotas, traiçoeiramente, foi sufocado, novamente, em 1964. Mas desta feita os assassinos foram indenizados pela nação brasileira Olavo Nogueira Dell'Isola - Coronel Aviador era pensionista de seu marido. Em agosto de 1979, com as guerrilhas ur- bana e rural erradicadas e o país pacificado, o presidente Figueiredo assinou a lei que concedeu uma anistia ampla, geral e irrestrita. Essa lei libertou todos os que se encontravam presos. Em maio de 1985, a chamada Nova Repúbli- ca legalizou os partidos clandestinos graças a uma Emenda Constitucional de autoria do então deputado federal pelo PMDB Roberto Freire, ele próprio dirigente de um desses partidos clan- destinos, o PCB. A partir de então, o aparelho burocrático do governo passou a ser tomado, de forma lenta, gradual e segura pela esquerda, derrotada, anisti- ada, mas não conformada. Os Órgãos de Inteli- gência, na era Collor, foram desmantelados e as Forças Armadas economicamente sufocadas, restando-lhes uma única função: sobreviver. A Constituição cidadã, de 1988, propi- ciou centenas de retornos às Forças Armadas. O Estado promoveu-os e pa- gou por isso. Também os demitidos e expulsos, fo- ram reincorporados a par- tir de 1985 e promovidos. Como se isso não bastasse, uma Comissão, denominada de “Mortos e Desaparecidos Políticos” foi constituída e recom- pensou e continua a re- compensar as famílias da- queles que livremente es- colheramocaminhodaluta armada, seqüestraram, as- saltaram e mataram, sen- do,afinal,mortosporaque- les que, constitucional- mente, cumpriam suas obrigações de defender a Pátria, a Lei e a Ordem, com sacríficio da própria vida, coerentes com o ju- ramentoquefizeramaoen- trar para a carreira militar, de defender a Pátria com o sacrifício da própria vida. Do lado dos que se opuseram que a Pátria fosse transformada em uma república popular democrática, vidas preciosas foram perdidas, muitas famílias ficaram sem os seus chefes, mas nenhuma delas, em todos esses anos, nada rei- vindicou. Com relação, especificamente, ao caso de Carlos Lamarca, a relatora, na Comissão de Mor- tos e Desaparecidos, uma ex-guerrilheira urba- na, afirmou cinicamente que a repressão não respeitou a Convenção de Genebra e que ... “como os guerrilheiros do Araguaia, ele (La- marca) fez, também, prisioneiros aos quais respeitou a integridade" (sic) , e afirmou, tam- bém, que o redator da Lei que proporciona a recompensa às famílias dos mortos pela repres- são, então chefe do gabinete do Ministério da Justiça, legislou por conta própria, e que ... “foi vontade do legislador incluir os que morreram em combate direto com as forças repressivas”. Aproveitando o ensejo da reforma univer- sitária que o atual ministro da Educação diz que fará, este não seria um tema altamente ilustrativo e edificante para ser incluído nos currículos de Direito? Parabéns às esquerdas. Vocês chegaram lá, utilizando os meios pacíficos. Afinal, essa é uma forma de luta também revolucionária. O autor é Carlos Ilich Santos Azambuja
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    18Nº 284 -Novembro/2020 A VERDADE ESQUECIDA* Luiz Gonçalves Alonso Ferreira Na alvorada de março de 1934, vindo de Buenos Aires portando passa- porte americano, desembarcara no Rio de Janeiro um sujeito de nome Harry Berger. Preso pela polícia carioca no natal de 1935, logo revelou-se a identidade secre- ta do viajante. Chamava-se, o misterioso elemento, Arthur Ernst Ewert, judeu alemão, ficha- do em seu país de origem, no qual era ex- deputado, como espião. Constava tam- bém processo por “alta traição”. Berger era o agente do Komintern, especialista em golpes subversivos, en- viadoparaoBrasilcomamissãodedirigir intelectualmenteoplanotraçadoemMos- cou, que objetivava a instauração de uma ditadura de tipo stalinista no País, por meio de levante armado. Sob ordens de Berger, lá estava Luiz CarlosPrestes, homemescolhido para en- cabeçar um “governo popular nacional revolucionário”, segundo relatório do próprio Berger para o Komintern. Prestes angariou simpatia no meio comunista, pela sua participação na famosa coluna militar, que marchou pelo interior do País, nos agitados tempos do movimento tenentista. Pouco depois, após a con- versão de Prestes à dou- trina marxista lininista por Astrogildo Pereira, a hábil propaganda vermelha ba- tizou esse destacamento com seu nome, ainda que para isso tivesse de come- ter a injustiça histórica de omitir e relegar ao esqueci- mento a figura do coman- dante Miguel Costa, prin- cipal líder militar da Colu- na, ao qual Prestes esteve sempre subordinado. Pela experiência do período, Prestes recebeu a incumbência de chefiar a ação armada dos comunistas no Brasil. Não poderia haver falhas. O plano deveria ser executado de forma rápida e eficaz, sem oferecer ao governo o tempo necessário para o esboço de uma reação. Para tanto, visando garantir o apoio logístico e os recursos financeiros ne- cessários para tão arriscada empreitada, Moscou fundara em Montevidéu, clan- destinamente, o seu Secretariado Latino Americano,órgãocujafinalidadeeraapro- ximar as organizações comunistas lati- nas, a fim de impulsionar o movimento vermelho na América do Sul. Foi este o fato que gerou, ainda em fins de 1935, após o malogro da tentativa de assalto comunista ao poder no Brasil, o rompi- mento das relações diplomáticas do Uru- guai com a União Soviética. A Intentona Comunista de 1935, por- tanto, fora concebida e preparada em Montevidéu, como bem atestaram os jor- nais da época no Brasil, entre os quais, o Globo. Durante os preparativos para o gol- pe, visando despistar quaisquer suspei- tas a respeito de seu enviado revoluci- onário, destaca Moscou, como esposa de Prestes, a judia alemã Olga Benário (Olga Ben-Ario), conhecida já em seu país pelas suas ações subversivas. Cumpre destacar, nesse ponto, fato desconhecido da grande maioria dos bra- sileiros sobre a chamada Intentona: a do envolvimento direto de grande número de israelitas (infiltrados no País) na cons- piração comunista de 1935. De fato, como fartamente registra- ram os jornais, poucos dias após a su- pressão do levante no Rio de Janeiro, a eficiente polícia carioca, na jurisdi- ção dos 13° e 14° distritos policiais, de- teve 23 comunistas de origem judaica (longo ficaria citar a relação dos no- mes), todos ligados à Brazcor, organi- zação revolucionária comunista, mantida e orientada pelo PCB. Essa associação mantinha uma biblioteca popular israelita de nome Schelomo Alcichem, instalada à Rua Sen. Euzébio n° 59, bem como, uma cozinha proletá- ria comunista, que servia refeições na Rua Visconde de Itaúna. Publicava a revista de cultura moderna Volkekultur. Quando assistimos ao filme Olga, de Jaime Monjardim, inquietou-nos não somente a lamentável omissão destes relevantes fatos, como também, a su- perficial abordagem sobre as subleva- ções comunistas em Natal, no Recife e no Rio de Janeiro. Querer romantizar as figuras de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, criando umclimanupcialaolongodetodoofilme e, por tabela, apresentá-los como porta-vozes e defenso- res da liberdade humana e da democracia e, no mínimo, in- sensatez e cinismo puros. Esquecer (ou omitir ten- denciosamente) o assalto à Es- cola de Aviação, em Marechal Hermes,ondeoficiaisbrasilei- ros foram assassinados por companheiros de farda en- quanto dormiam, ignorar o co- varde ataque-surpresa ao 3° Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, onde a ordem só foi restabelecida após uma manhã inteira de combates; desdenhar dos cinco dias em que revolucionários comunistas, em Natal, estabeleceram um governo que promoveu a ação de arrua- ceiros, assassinos, estrupadores e as- saltantes; sugerir que a inocente menina Elza Fernandes (trucidada segundo or- dens do Cavaleiro da Esperança, com consentimento de Olga) era a responsá- vel pelo desastre que somente a incom- petência de Prestes provocou, menos- prezar tudo isso é risco muito grande. Éaceitarmoselegitimarmosperantea história o crime, o fanatismo e o unilate- ralismo político, a ditadura. Luiz Carlos Prestes e Olga Benário não defendiam democracia de nenhuma espécie para o Brasil, tenhamos isso sem- pre em mente. Pelo contrário, caso lo- grassem êxito em sua missão, teríamos nosso País reduzido a simples colônia de Moscou e conviveríamos com uma dita- dura ferrenha, que em nome da “liberda- de humana’, cometeu os maiores crimes e atrocidades da história da humanida- de. Comunistas estrangeiros traçaram lá fora este destino para o Brasil, contan- do para isso com o apoio de brasileiros desprovidos de senso patriótico, so- mados a um punhado de ignorantes. Se nós, brasileiros, em algum mo- mento de nossa história, vivêssemos de fatoumaditaduracomunista,ofilmeOlga, se viesse a ser produzido, te-nhamos a certeza, contaria história bem mais trá- gica. Autor do livro-reportagem "Camaradas", diz que o mito romântico da revolucionária nasceu de propaganda Profissão: Jornalista, é correspondente da Rede Globo em Nova York Experiência: Cobriu oito guerras, entre elas a do Golfo, e morou em Berlim ÉPOCA - Que Olga você conheceu em suas pesquisas? William Waack - Uma profissional do serviço secreto militar soviéti- co, treinada para obedecer em qualquer circunstância, sem jamais duvidar dos chefes e da linha estabelecida pelo Partido, disciplinada, mas sem in- teresse por assuntos teóricos, que ao chegar ao Brasil perdeu o foco da missão. O trágico em Olga é que ela não tinha saída. ÉPOCA - Como assim? Waack - A verdadeira dimensão trágica da figura de Olga é o fato de ela ter sido vítima de dois totalitarismos. Foi liquidada por um deles, o nazista, enquanto todos os seus companheiros de luta no Brasil, que sobre- viveram à aventura de Prestes e conseguiram voltar a Moscou, foram des- truídos pelo outro totalitarismo, o comunista - foram executados na Rússia antes ainda do assassinato de Olga. Mas não era um aspecto que interessava à máquina propagandística do PC da Alemanha Oriental, que iniciou o culto ao mito de Olga no final da década de 50, suprimindo partes de sua real história. O mesmo ocorreu no livro lançado no Brasil por Fernando Morais, que, na verdade, tem boa parte compilada da primeira biografia de Olga feita pela alemã Ruth Werner, a pedido do PC alemão, em 1962. Trabalhos que não contam a realidade. ÉPOCA - Pelo que pesquisou, do que mais não se fala? Waack - Um detalhe fundamental: o fato de que a mãe de Prestes pediu várias vezes às autoridades soviéticas que tentassem trocar Olga por prisio- neiros dos soviéticos. Era impossível que isso acontecesse, pois, naquele momento, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos estavam entregando à Gestapo militantes alemães que se refugiaram em Moscou. Uma dessas pessoas, aliás, foi a última a ver Olga viva no campo de con- centração. Era Margareth Buber-Neuman, uma colega dela de militância, alemã e judia, que chegou a ser preparada para ir ao Brasil, mas foi presa com o marido em Moscou e entregue à Gestapo. ÉPOCA - Isso tira de Olga e Prestes o romantismo, a luta por ideais? Waack - Prestes e Olga eram, antes de mais nada, soldados do Partido, e a esses soldados não se admitiam crises de consciência. Dou um exemplo: entre a derrota do levante de novembro de 1935 e a prisão dos dois, no início de 1936, Prestes mandou matar a namorada do se- cretário-geral do PCB, Elza, uma moça inocente e ingênua de 18 anos, que foi estrangulada por militantes do partido. Ele suspeitava, errone- amente, que Elza fosse informante da polícia. E Olga não se opôs à de- cisão, segundo o agente soviético no Rio que chefiava o esquema clan- destino. Não havia nada de romântico ali. OLGA NÃO TINHA SAÍDA Revista ÉPOCA, Edição 326 - 16 de agosto de 2004 Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas”Entrevista com William Waack, o autor de “Camaradas” MARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINSMARTHA MENDONÇA E ELISA MARTINS Olga Benário, após prestar depoimento no Rio de Janeiro, em 1936, acompanhada por um policial Divulgação ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR! Publicado em “A Tribuna de Santos”, em 07.09.2004 * Bacharel em História pela Universidade Católica de Santos.” Publicado no Inconfidência nº 76 de 27/11/2004 Publicado no Inconfidência nº 76 de 27/11/ 2004
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    19Nº 284 -Novembro/2020 Foto: Sgt. Ely / CML Flores no monumento da Praia Vermelha / Rio Há 70 anos, mais precisamente, em 23 de novembro de 1935, estourou de surpresa levante armado comunista no interior do quartel do 23º Batalhão de Caçadores em Natal, RN. Os rebeldes, após dominarem aquela unidade, ocuparam a cidade e insta- laram um Governo Popular Revolu- cionário, um soviete no Brasil. Os acontecimentos de Natal pre- cipitaram a rebelião também no Reci- fe. O levante tramado no interior do 29º Batalhão de Caçadores eclodiu de forma violenta. Aqui porém a unidade estava de prontidão e foi possível aos oficiais organizar a resistência interna. Mesmo assim, os rebelados saíram e avançaram para o Recife. Foram opor- tunamente detidos e derrotados por tropas do Exército trazidas da Paraíba e pela Força Pública de Pernambuco. A revolução foi conspirada por Luiz Carlos Prestes, pelos dirigentes do Partido Comunista e pelos agentes estrangeiros da Internacional Comu- nista Soviética trazidos para o Brasil com este fim. Dentre estes, Olga Be- nário que se tornou amásia de Prestes. E atualmente é festejada como heroína e mártir. No Rio de Janeiro, na madru- gada de 27 de novembro de 1935, a revolução eclodiu dentro de duas unidades do Exército: no 3º Regi- mento de Infantaria na Praia Verme- lha e na Escola de Aviação nos Afon- sos. As tentativas dos rebelados de dominar as unidades foram de uma violência inédita. Inclusive com as- sassinato a sangue frio de alguns ofici- ais e praças. Houve resistência interna nos quartéis e reação dos comandos mi- litares da Capital. O movimento foi sufocado no mesmo dia mas com mui- tas mortes a prantear. AINTENTONACOMUNISTA se caracterizou pela violência arma- da segundo o modelo leninista da Re- volução Bolchevista de 1917 na Rús- sia. A pronta e enérgica reação do Exér- cito porém frustrou a primeira tentati- va de tomada do poder pelo movimen- to comunista no Brasil. Recordo este trágico acontecimento porque ainda trazem ensinamentos práticos e cí- TRÁGICO 27 DE NOVEMBRO DE 1935 * Sergio Augusto de Avellar Coutinho vicos pelo seu signi- ficado moral e em- blemático da fideli- dade das Forças Ar- madas aos princípios democráticos e à própria Nação. As legítimas e patrióti- cas posição e atuação delas em 1935 e, depois, em 1964 e 1967/74 contra as tentativas de tomada do poder pelo movimento comunista são agora envi- lecidas e “satanizadas” pelas esquer- das. À primeira vista, por cruel revan- chismo, mas na realidade para impedir pelo constrangimento a sua resistência ao processo revolucionário no presen- te e no futuro imediato. Para isso, vêm fazendo com que a nação se horrorize com alegadas violações e com que as novas gerações militares se enver- gonhem do passado e desaprovem os velhos chefes por terem tido a cora- gem de se oporem a comunização do Brasil. As Forças Armadas são conside- radas pelas organizações de esquerda como a grande barreira à revolução e, por isto, têm que ser neutralizadas para não repetirem a resistência do passa- do. Comemorar os trágicos even- tos de 1935 não é apenas homena- gem histórica, memória dos que tom- baram no cumprimento do dever ou dos inocentes surpreendidos no meio do fogo cruzado. Mais do que tudo, é afirmação de fidelidade aos valores democráticos, repúdio às ideologias totalitárias e advertência aos jovens militares. Esquecer 1935 é uma atitude de capitulação moral e intelectual. É ocul- tar das atuais gerações o papel exem- plar das Forças Armadas. Não adianta tentarem ocultar ou negar esta verda- de. Elas sempre agiram em defesa da lei, da ordem, dos poderes constituí- dos e da própria Nação. Por esta razão, é preciso que se ponham flores todos os anos no monumento da Praia Vermelha em 27 de novembro, assim como tam- bém no monumento aos mortos da II Guerra Mundial em 08 de maio. São símbolos da luta contra os regimes totalitários. * General de Brigada Reformado Publicado no Inconfidência nº 88 de novembro/2005 REVELAÇÃO Num prédio do século XVIII que abri- gou um luxuoso hotel na rua Gorki, em Moscou, montavam-se conspirações, guerras e rebeliões. Desta verdadeira central de revo- luções partiam ordens e de- legados para os mais lon- gínquos confins da Terra, inclusive o Brasil. Histórias de espionagem vividas na URSS e, principalmente, no Brasil são contatas pelo jor- nalista William Waack no livro Camaradas, lançado pela Companhia das Letras, que chegou às livrarias na quarta-feira 20. Mas não se trata de um livro de ficção. Os fatos e personagens citados são - ou foram - de carne e osso. Camaradas narra um dos mais dramáticos e ainda obscuros episó- dios da história do Brasil: a chamada Intentona Comunista, o fracassado le- vante militar comunista de 1935, contra o governo Getúlio Vargas. Com uma do- cumentação farta e iné- dita, Waack, revela que a ordem para o levante veio da sede da Inter- nacional Comunista (Komintern). Desapa- recem todas as dúvi- das sobre essa ordem externa, negada duran- te décadas pelos co- munistas brasileiros. Ou quase todas: segun- do Waack falta ainda descobrir o “cumpra- se” pessoal do ditador soviético Josef Stalin para a insurreição. O jornalista está conven- cido de que a rebelião armada que eclodiu em Natal, Rio de Ja- neiroeRecifefoiautorizadaentre22e23de novembro de 1935 pessoalmente pelo en- tão czar do Kremlin. “Conhecendo a estru- tura e a mecânica do Komintern, é impos- sível imaginar que essa agência secreta do Estado soviético se envolvesse numa rebe- lião armada e a financiasse sem que Stalin soubesse e autorizasse”, diz Waack. As revelações trazidas pelos do- cumentos do Komintern provocaram um verdadeiro terremoto ao serem publica- dos, em 29 de agosto, num caderno espe- cial de O Estado de S. Paulo, do qual Waack é correspondente em Berlim. Per- sonagens venerados no altar da esquer- da brasileira foram dessacralizados. A começar pelo histórico líder comunista Luiz Carlos Prestes (morto em 1990), che- fe da rebelião de 1935, que inclusive pa- gou para entrar no Komintern. Sua pri- O OURO DE MOSCOU Livro do jornalista William Waack comprova que Moscou comandou a Intentona Comunista de 1935 meira mulher, Olga Benário, heroína da mitologia comunista por ter sido entre- gue pelo chefe da polícia especial de Var- gas, Felinto Müller, aos na- zistas e morta num campo de concentração, era agente da inteligência militar soviética. Ironicamente, a revolu- ção mundial recebeu uma contribuição involuntária de Getúlio Vargas. O “cavaleiro da esperança” Prestes entre- gou ao Komintern cerca de US$ 20 mil. Esse dinheiro se- ria parte de uma soma total de US$ 80 mil que Prestes rece- bera do caudilho gaúcho. Vargas tentou inutilmente ganhá-lo para a Revolução de 1930. Mas Waack acha que o dinheiro não era o mais importante: “Prestes entregou aos agentes do Komin- tern uma rede de contatos e de tipografi- as clandestinas que a organização jamais teria condições de criar sozinha no Brasil”. O trabalho de investigação come- çou em março de 1992 e foi concluído em agosto deste ano. Waack chegou aos arquivos do ex- tinto Partido Comu- nista soviético gra- ças a Iuri Ribeiro, filho mais moço de Luiz Carlos Prestes, que há seis anos viveemMoscou.Ob- teve cópias ou trans- crições de cerca de 550 páginas de do- cumentos secretos. O repórter foi favo- recido pelos ventos da tumultuada con- juntura política do pós-comunismo russo. Pouco depois de ele ter feito a pesquisa que daria origem ao livro, os arquivos foram fechados. Era uma época em que, no braço de ferro com o Parlamento, o presidente Boris Yeltsin parecia estar levando a pior. Por precau- ção ou força do hábito, os arquivos foram fechados pelos zelosos funcionários. Só agora, depois do golpe de estado de Yeltsin, neste mês, é que a possibilidade de uma devassa nos arquivos ainda se- cretos do comunismo cresceu outra vez. Camaradas lança luz sobre outra questão polêmica. Vários historiadores assinalaram a aparente contradição entre a Intentona Brasileira e o fato de o Ko- mintern estar vivendo uma fase “modera- da” a partir de 1934. Preocupada em não se isolar ainda mais, a URSS de Stalin orientava os PCs a formarem alianças com outras forças políticas - eram as chama- das Frentes Populares. “É uma premissa teórica falsa. Ao formarem as Frentes Po- pulares, países como Brasil e China, não visão do Ko- mintern,estavamdiretamen- te se encaminhando para a insurreição. A noção de uma grandefrenteantiimperialis- ta num país semicolonial era sinônimo de rebelião popu- lar”. conclui Waack.Ewert (Albert)assinaria um dos telegramas sobre o salário de Prestes Otto Braun levou Olga para o mundo dos serviços secretos, atividade confirmada pelo bilhete acima (Publicado na ISTO É de 27/10/1993 e no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004 )
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    20Nº 284 -Novembro/2020 CAIXA POSTAL INTENTONA COMUNISTA / 1935 CAP PAULO ALBERTO M SILVA São Paulo/SP Penso que não deve existir “nez- tepais” qualquer outra publicação tão clara e oportuna sobre a intentona comu- nista desencadeada no Brasil, em novem- bro de 1935, como os dois últimos núme- ros do Inconfidência. Deveria ser obrigatória a sua leitura e constar dos currículos de todas as es- colas militares das Forças Armadas. In- clusive dos PP de soldados e dos TG-Ti- ros de Guerra. Não há como esconder es- se importante acontecimento à juventu- de brasileira. Perguntei à minha neta (14 anos), aluna de colégio particular, se sa- bia algo sobre a intentona e como era de se esperar, disse-me não! Não estou mais preocupado comi- go, mas sim com o que espera os nossos descendentes, com os exemplos dados pelo atual governo (30/12) SO AER MARIO PINTO BARROS Guaratinguetá/SP CAMPO DOS AFONSOS Fazia tempo que não escrevia ao Inconfidência, mesmo sabendo que to- das as minhas cartas anteriores foram pu- blicadas. Embora já reformado da Força Aérea, julgo que esta não poderia se omi- tir nos dias 27 de novembro. Ao ler o encarte do último jornal, “CAMPO DOS AFONSOS”, pensei comi- go: Se a Aviação era a 5ª arma do Exér- cito, a FAB é a atual e a legítima deposi- tária das tradições e da história da Avi- ação Militar Brasileira. O Comandante, brigadeiro Saito, de- veria ter realizado uma cerimônia cívico- militar no “Campo dos Afonsos”, onde antigos companheiros nossos foram fria- mente assassinados, tal qual a formatu- ra da Praia Vermelha que contou com a presença do Comandante do Exército. E também, na AFA, em Pirassunun- ga, na EPCAr, em Barbacena e aqui, em Guará, para dar conhecimento e alertar os mais jovens, do que foi realmente a in- tentona comunista de 1935. E palestras, nos clubes de Aeronáutica. No “Campo dos Afonsos” está ins- talado um Museu que apresenta a história da nossa Força Aérea. Haverá nele alguma exposição/informação sobre o 27 de no- vembro de 1935? O Patrono da Força Aé- rea, brigadeiro Eduardo Gomes, era o te- nente-coronel comandante do 1º Regimen- to de Aviação sediado naquele local, onde foi ferido e mesmo assim, continuou lutan- Esquecer, também é trair Publicado no Inconfidência nº 136 de Jan/Fev. 2009 Ao comparecer e participar pes- soal e acintosamente das come- morações do 11º Congresso do Par- tido Comunista do Brasil (PC do B) em Brasília, no dia 20 de outubro de 2006 — prestigiando adeptos das idéias do partido que, no passado, foi o mentor da tragédia de 1935 — o Sr Luiz Inácio Lula da Silva desfi- gura nossa História, inverte acinto- samente o quadro dos valores herda- dos dos nossos antepassados, afronta a imagem das nossas FFAA e agride a memória daqueles que deram suas vidas para impedir a instalação da di- tadura marxista em nossa Pátria. (Inconfidência nº 88 de 27/11/2006) do contra os traidores da Pátria. Se algum leitor souber, favor infor- mar ao Inconfidência, pois tenho a certe- za de que ele divulgará e até apresentaria uma reportagem sobre a maior traição ja- mais ocorrida em nossa Pátria. (10/01) CEL GILBERTO FREITAS Rio de Janeiro/RJ Formidável o caderno especial so- bre a intentona e a seguir, a apresentação das solenidades na Praia Vermelha e no ce- mitério do Bonfim, em Belo Horizonte. Pena que a formatura ocorrida no Rio, a tarde, não fosse divulgada oportunamen- te através do Clube Militar, não só pela internet aos seus sócios, como também nos almoços de turmas, com a devida antece- dência. Ou com um anúncio nos jornais da cidade do Rio de Janeiro. Mesmo assim, o comparecimento à Praia Vermelha foi um dos mais concorridos dos últimos anos e contou com a presença do comandante do Exército, general Pery, pela 1ª vez desde os governos “socialistas” de FHC e Lula! Cumprimento o editor do Inconfidên- cia e lembro a ele, como artilheiro, não pode- ria ter se esquecido de citar a salva de Ar- tilharia, desencadeada durante a cerimônia cívico-militar de 27 de novembro. Uma pergunta que não quer me calar: Quando o museu do Forte de Copa- cabana, tão bem localizado, vai apresentar em seu sofisticado recinto, uma exposição permanente sobre a intentona comunis- ta de 1935, tal qual uma realizada recente- mente – a inauguração dos retratos dos presidentes militares ? (29/12) NR: Falha nossa: Peça atirou!! CEL FRANCISCO FELIX DA FONSECA Porto Alegre/RS Mais uma vez o Inconfidência diz a que veio. Além das suas edições históricas já apresentadas neste ano – 31 de março e Duque de Caxias – agora, a da intentona comunista. Deveria ser distribuída a todos os alunos dos Colégios Militares e dos CPOR/NPOR, principalmente de Porto Ale- gre. Por quê? Acredite, se quiser. No dia 27 de novembro, aconteceu nesta capital, um treinamento para a formatura de passa- gem de Comando do CMS. Dificilmente po- deria surgir uma melhor oportunidade pa- ra diante da tropa da guarnição, ser lembra- da a covarde intentona comunista. No entanto, nada foi rememorado, assim como também, no dia seguinte, por ocasião da solenidade de passagem de co- mando do general Elito para o general De Nardi. O que terá acontecido? Ordens su- periores? Não creio, pois o comandante do Exército se fez presente na formatura da Praia Vermelha, na tarde de 27 de no- vembro. (19/12) * JOÃO ARMANI Belo Horizonte/MG Muito oportuno o comentário pu- blicado no Inconfidência nº 135 de de- zembro/2008 à página 13, sobre a reme- moração da intentona comunista. Ao que parece, somente nas guar- nições do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e de São Luís/MA, a trágica intentona foi devidamente rememorada com formatura e leitura da memorável Ordem do Dia, assina- da pelos generais-de-Exército Luiz Cesário da Silveira Filho, comandante do CML e Paulo Cesar de Castro, chefe do DEP. Pro- curamos saber se aconteceram solenida- des em outras localidades, como em Recife e Natal, cidades que foram os primeiros alvos da insana e covarde traição cometida na calada da noite, tão bem explicitada na Ordem do Dia acima referida. Não obti- vemos qualquer retorno e também de Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campo Grande, Salvador, Manaus... Ninguém sabia informar, tanto o pessoal da Ativa, como o da Reserva. O que terá aconteci- do? Vergonha de relembrar a verdadeira História Militar e do Brasil? Ou querer fi- car de bem com o apedeuta comandante supremo das Forças Armadas, que pres- tigia Carlos Marighella, Gregório Bezer- ra, Antonio Conselheiro, João Cândido, em detrimento aos verdadeiros heróis que se imolaram pela pátria? Também nada foi divulgado sobre as formaturas no Rio e em BH, para o pú- blico interno (Noticiário do Exército, Informex e Resenha) pelo CCOMSEX. Por quê? (31/12) *Presidente da AREB/BH CELMANOELSORIANONETO São Paulo/SP "LEST WE FORGET" Nos mais importantes Memoriais de Guerra da Europa e dos Estados Uni- dos, referentes à I GM, encontramos a lapidar e tocante Sentença/Conceito que intitula este suelto. Tal excelso Conceito também sempre aparece junto às verme- lhas "papoulas" - símbolo internacional dos sacrifícios dos combatentes daquele conflito de proporções mundiais, então conhecido como "A Grande Guerra". Ele, costumeiramente, é assim tra- duzido: "PARA QUE NUNCA ESQUE- ÇAMOS", o que bem se poderia dizer quanto à covarde e traiçoeira Intentona Comunista de 1935, e muito se compa- gina com a iterativa afirmação deste de- sassombrado jornal: "ESQUECER TAMBÉM É TRAIR"! 10/11/2020 VARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESVARGAS E PRESTESPedro do Couto OHistórico episódio do aperto de mão de Prestes e Vargas, em 1945, e a entrega de Olga Benário, grávida de Prestes, à Gestapo, em 1936, merecem comentário para que os dois episódios se tornem ainda mais claros. Em 1988, pouco antes de se eleger prefeito, Mar- celo Alencar tinha um programa na Rádio Carioca, e me convidou a parti- cipar de entrevista com Luís Carlos Prestes. Ele disse ter apertado a mão de Getúlio, em 1945, no Estádio do Vasco, porque o presidente deixava São Januário, depois de comício do PTB, e ele chegava para o do PCB. Não foi surpresa. Prestes, em 1942, da prisão telegrafou a Vargas, em agosto, cum- primentando-o pela declaração de guer- ra à Alemanha de Hitler. Olga Benário fora entregue aos nazistas, seis anos Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes antes, com Anita Leocádia no ventre. Na Rádio Carioca, Prestes, já com 91 anos, se recusou, polidamente, a responder pergunta minha sobre Olga. Não quis também falar a respeito do argentino Osvaldo Gioldi, que teria delatado à polícia de Filinto Müller o endereço da conspiração de 1935, na Rua Paul Redfern, em Ipanema/RJ. O processo Olga, focalizado no clássi- co de Fernando de Moraes, não era sim- ples. Em 1934, ela, alemã, invadira um tribunal em Berlim, que julgava seu marido, mata dois guardas e o liberta. Vai para Moscou, de onde vem clandestinamente para o Brasil com dois outros ativistas alemães, Artur Evert e Elise Evert. Objetivo: articular a revolta internacional co- munista de 1935 e matar Vargas. Mui- tos torturados, foram condenados, com Prestes, pelo Tribunal de Segurança. Olga, não. Isso por que Hitler pediu sua extradição. O que Vargas poderia fazer? Negar? Era tudo o que Hitler queria. Ninguém governou o país num con- texto internacional tão difícil. Vargas não podia errar, no plano externo. - Extrato (JB - 28 dez 2003) * JAIRO CAMPOS BeloHorizonte/MG Parabéns é pouco para a edição histórica/especial sobre a intentona comunista, publicada pelo Inconfi- dência. Tal gama de informações, não creio que seja encontrada em qualquer livro de história ou didático. Somente consultando os jornais e revistas da época e o livro “Camaradas”, de Wil- liam Waack, que mergulhou nos ar- quivos de Moscou, para trazer a pú- blico o que realmente aconteceu. Parabéns ao editor e àqueles que colaboraram para a fiel divulgação da maior traição jamais cometida contra a Pátria e o Exército Brasileiro. (16/12) NR: Como sugestão: os presi- dentes dos Clubes Militares bem que poderiam convidar o âncora da TV Globo, William Waack, para apresen- tar uma palestra sobre os “arquivos da ditadura” encontrados em Moscou. *Secretário da AREB/BH Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    21Nº 284 -Novembro/2020 Em 1935, as Forças Armadas Brasileiras, parcela fardada de nosso povo, gente alegre e sem ódios, tomaram uma decisão histórica, ratificada inteiramente em 1964: tolerância zero com o comunismo! LUIZ OSÓRIO MARINHO SILVA Recife/PE Quem se lembrará de ti, Tenente Sampaio? Há setenta e quatro anos, em novembro de 1935, aqui em Recife, no interior de um quartel próximo ao Parque 13 de Maio, foi assassinado, de maneira covarde e traiçoeira, o 1º Tenente do Exército José SAMPAIO Xavier. Em Natal, Recife e Rio de Janeiro, um levante comunista tentou implantar em nosso país o mais cruel regime da história da humanidade. Outros militares, também apanhados de surpresa e alguns até dormindo, foram assassinados por então companheiros de farda, obcecados pela ideologia marxista e pela sede de poder. Os conspiradores da Intentona Comunista foram derrotados e presos. Um deles, o traidor e ex-sargento GREGÓRIO BEZERRA, foi o assassino do jovem Tenente Sampaio. Em Recife, no cemitério de Santo Amaro, resta um túmulo onde estão enterrados os que morreram em defesa da Pátria. Os seus nomes já não são lembrados pelo povo brasileiro e os atuais donos do poder desejam apagá-los da nossa História. Mas, as suas mortes não foram em vão. Os verdadeiros heróis de 1935 ainda inspiram o soldado brasileiro na eterna vigilância em defesa dos princípios cristãos e democráticos da Pátria Brasileira. Na distorção dos fatos históricos e inversão dos verdadeiros valores, mais uma vez, governistas de plantão e aproveitadores de toda a natureza tentam transformar traidores em heróis e covardes em valentes. Com o dinheiro dos impostos, sob o patrocínio da Petrobras, Governo de Pernambuco, Prefeitura do Recife, BNDES e COPERGÁS (Companhia Pernambucana de Gás), está sendo rodado em Pernambuco o filme “História de um Valente, feito de ferro e de flor” que, de forma ficcional, contará a história do “líder comunista” Gregório Bezerra, no período de 1957 a 1964, quando foi novamente preso e “torturado” nas ruas do bairro de Casa Forte. Aliás, esse será o principal momento da trama, o de maior apelo emocional. Por que a história desse “valente” não é contada desde 1935? O filme tem locações até mesmo no interior do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco. O orçamento, conforme consta no site de divulgação, é de cerca de R$ 3,5 milhões. As filmagens começaram em se- tembro e atualmente apresentam alguma dificuldade para a continuação. Deve ser a necessidade de mais recursos, pois nesse tipo de obra os orçamentos previstos são sempre insuficientes e, como todos sabem, os patrocinadores “públi- cos” estão dispostos a dar um pouco mais, em nome da “verdade histórica”. O título do filme é o mesmo do poema de Ferreira Gullar, do qual cito um trecho: Mas existe nesta terra / muito homem de valor / que é bravo sem matar gente / mas não teme matador, / que gosta de sua gente / e que luta a seu favor, / como Gregório Bezerra, / feito de ferro e de flor.” E quem falará de ti, Tenente Sampaio? Quem te dedicará um filme? Quem te fará um poema? Quem te homenageará no 74º aniversário de tua morte? Partiste muito cedo, quase um menino, com os teus sonhos e esperanças. Mas, deixaste um país livre da nefasta ideologia. O teu algoz viveu até os 83 anos, morrendo de “morte morrida”, sem se arrepender do teu sangue derramado. (27/11/2009) NOSSO COMENTÁRIO No dia 02 de abril de 1964, em Recife, Gregório Bezerra, ex-Sargento do Exército, que na Intentona Comunista assassinou fria e covardemente o 1º tenente José Sampaio Xavier e atirou contra outros militares, estava sendo espancado nas ruas do bairro de Casa Forte. As Freiras do Colégio Sagrada Fa- mília, localizado nas proximidades, tele- fonaram para o Quartel General relatando o fato. O General Justino Alves Bastos, Comandante do IV Exército, determinou o comparecimento do Ten Cel Hélio Ibia- pina Lima ao local, conhecido como Par- namirim, onde estava ocorrendo o movi- mento, sendo constatado o seguinte: o Ten Cel Darcy Usmar Villoqc Vianna, di- rigia um grupo, reforçado pela população local, que a seu comando levava Gregório Bezerra para o Parque de Motomecani- zação da 7ª RM. Gregório tinha uma corda amarra- da ao seu corpo, roupa rasgada e estava descalço. Caminhava com dificuldade, pois o calor irradiado pelo calçamento da rua, ao meio dia, provocara ferimentos na sola dos pés. Em face da gravidade do problema, o Ten Cel Ibiapina pediu refor- ços para tomar as providências cabíveis. Mesmo sabendo que poderia ser agredi- do pelo grupo, conseguiu libertar Gregó- rio enquanto aguardava os reforços, co- locando-o sentado no meio-fio tendo em vista o ferimento dos pés. Durante a espera, Ibiapina, acom- panhado somente de dois civis que busca- vam garantir sua segurança e a de Gregó- rio, lembrou-se de que o conheceu como Sargento, na segunda metade da década de 1930, tempo em que cursou o ginásio no então Colégio Militar do Ceará. Em um determinado momento des- sa espera, Ibiapina foi abordado por um operário que fazia um conserto em um poste próximo de distribuição de energia. O rapaz ofereceu ajuda, recusada por ele, pois poderia colocar em risco a seguran- ça de Gregório que, por duas vezes, de- monstrou temer que “seu dia havia che- gado” e que “o contato com o povo, nes- se dia, poderia lhe ser fatal”. O Ten Cel Ibiapina conduziu Gre- gório para o Quartel do Forte das 5 Pon- tas, local onde recebeu atendimento mé- dico, roupa limpa, comida e tomou banho, salvando a sua vida. Ao ler o artigo acima, relembrei-me do caso que me foi contado pelo General Ibiapina, nos idos de 1997, quando exer- cia a Presidência do Clube Militar. Nessa ocasião lhe apresentei uma antiga revista da UNE (?), na qual era chamado de “tor- turador”, como não podia deixar de ser, tão bem ao gosto dos mitômanos petistas/ comunistas. ‘Lulla’ recebeu em julho deste ano, em Salvador, a Grã-Cruz da Or- dem Dois de Julho – Libertadores da Bahia e, na oportunidade, homena- geou alguns ‘heróis brasileiros’, ci- tando o nome do facínora Gregório Be- zerra, como se este crápula pudesse ser considerado um deles. ‘Lulla’ afir- mou que alguns ‘heróis nacionais’ foram relegados ao ostracismo, con- siderados bandidos e que é preciso resgatar suas ‘histórias de lutas’. Cri- ticou, ainda, o tratamento que se dá a esses personagens, considerados co- mo vítimas, quando deveriam ser tra- tados como heróis e complementou dizendo que isso se tratava de um equí- voco histórico. O equívoco não é da história, mas da ‘companheirada’ que, como ‘elle’ acha que assassinar brasileiros indefesos, ainda dormindo, pode ser considerado um ato heróico. No mun- do real ‘Lulla, esses bandidos seriam condenados por homicídio triplamente qualificado pela covardia, crueldade e torpeza de motivos. O COVARDE E SANGUINÁRIO HERÓI DO PRESIDENTE: GREGÓRIO BEZERRA Coronel Hiram Reis e Silva Trajetória de um Assassino O ex-sargento do Exército, Gre- gório Bezerra, nasceu no Sítio Mo- cós, em Panelas de Miranda/PE, em 13 de março de 1900. A 06 de agosto 1917, participou, em Recife, de uma passeata que reivindicava melhores salários e se solidarizava ao movi- mento bolchevique soviético. Bezer- ra é preso, julgado . Mais tarde, no Recife, em 1923, ingressa no Exército, sendo transferi- do para o Rio de Janeiro. Em 1927, faz o curso de Sargento de Infantaria. Co- mo segundo-sargento, é designado Ins- trutor da Companhia de Metralhadoras Pesadas na Vila Militar, no Rio de Ja- neiro e logo em seguida, pede trans- ferência para o Recife. Em janeiro de 1930, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro – PCB passando a “organi- zar a massa militar na caserna”. Em 1935 era um dos líderes do movimento armado Aliança Nacional Libertado- ra (ANL). Gregório Bezerra ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA A Aliança, de movimento de massas a núcleo de ação dos militares do PC Aliança Nacional Libertadora (ANL) foi uma organização de massas cri- ada a partir de uma diretiva geral da Internacional Comunista, sob a inspi- ração da política de frente popular pra- ticada por comunis- tas e socialistas na França desde 1934, para se contrapor à ascensão do fascis- mo. No Brasil, as- sumiu dupla feição: antiintegralistaena- cionalista. Foi instalada em sessão solene a 2 de março de 1935, no Teatro João Caetano, no Rio, sob a Presidência do Comandante Herco- lino Cascardo. Nesse dia, o estudan- te Carlos Lacerda fez sua estréia po- lítica propondo a eleição de Luís Car- los Prestes para a presidência de Hon- ra da ANL, o que foi feito, por aclama- ção. A ANL chegou a ter mais de 1.500 núcleos municipais e distritais, mobilizando diretamente de 70 a 100 mil filiados (estimati- va do historiador ame- ricano Robert Levine) - ou 400 mil, segundo os dirigentes da pró- pria ANL. A popula- ção brasileira não che- gava as 40 milhões de habitantes. O movimento foi fechado pelo Gover- no Vargas em 11 de julho de 1935, passando a atuar na clan- destinidade. Acentuou sua componen- te militar e, em resposta à ilegalização, o que dela restou marchou, sob a dire- ção estrita do partido Comunista, para o levante armado. Coerência nas contradições: o velho estilo de Prestes O depoimento de Prestes sobre 1935 estrutura-se segundo um molde invariável, que não oculta as con- tradições de sua versão. Em primeiro lugar, classifica como ponto culmi- nante da atividade do Partido Comu- nista uma tentativa fracassada, que ele mesmo procura apresentar como pre- cipitada, cuja eclosão lhe causou uma "surpresa realmente muito grande". Depois de mostrar como a ANL foi animada pelo Partido Comunista, a partir de uma campanha pela liber- tação de Dimitrov, dirigente da In- ternacional Comunista, afirma que é uma "calúnia" a relação que se faz en- tre o movimento aliancista e a Inter- nacional Comunista. Prestes informa que era novato no Partido Comunista quando chegou ao Brasil, em abril de 1935, que não tinha nenhum posto de direção. Mais adiante, diz que Filinto Müller não ti- nha conhecimento prévio da eclosão do motim no Rio. E explica: "A questão foi decidida exclusivamente por mim". Finalmente, revela que acredi- tava, apesar de tudo o que argumen- ta a respeito da impropriedade do mo- mento, na viabilidade da ação militar insurrecional. Se os revoltosos do 3º R. I. tivessem conseguido chegar ao Arsenal de Marinha, "seria muito di- ferente". (O Globo 27.11.1983) O Gen. Ibiapina autorizou a publicação, a 18/12/2009, após entendimentos telefônicos com este editor, Cel Carlos Claudio Miguez E o Ibiapina, o salvou... Publicado no Inconfidência nº 158 de 27 de novembro/2010
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    22Nº 284 -Novembro/2020 ORGAO OFFICIAL DO GOVERNO POPULAR REVOLUCIONARIO Rio Grande do Norte-Natal, quarta-feira, 27 de novembro de 1935 Enfim, pelo esforço invencivel dos opprimidos de hontem, pela collaboração decidida e unanime do povo, legitimamente representado por soldados, marinheiros, operarios e camponezes, inaugura-se no Bra- sil a era da Liberdade, sonhada por tantos martyres, centralizada e corporificada na figura legendaria - omnipresente no amor e na confiança divinatoria dos humildes - de LUIZ CARLOS PRESTES, o “Cavalleiro da Esperança”! Fac-símile do jornal da Junta Governativa da Aliança Nacional Libertadora - Natal/RN Vencida a resistência da Polí- cia, a cidade ficou à mercê de uma verdadeira malta que, acéfala, pas- sou a saquear desordenadamente os estabelecimentos comerciais e bancários. Na manhã de 24, sob a alegação de ter sido aclamado pelo povo, um incipiente "Comitê Popular Revolu- cionário" era dado como governo instituído e entrava em pleno exer- cício de mandato. O primeiro ato desse Comitê foi a ordem de arrombamento dos co- fres dos bancos, das repartições federais e das companhias particu- lares para financiar a revolução. Saques em Natal As instalações do Banco do Brasil em Natal/RN, saqueadas pelos rebeldes A INTENTONA COMUNISTA EM NATAL * José Gurgel Guará 23 de novembro de 1935 Na Intentona Comunista, em Natal, eu tinha 14 anos de idade. Recor- do-me perfeitamente daqueles terríveis dias por que passamos. Não sofremos fisicamente, graças a Deus, mas a ten- são era muito grande. Estando na praia da Redinha com meu irmão Gerardo, fomos despertados alta madrugada do domingo, 24 de novembro, com sons de verdadeira fuzilaria, que vinha de Natal. Era a Revolução Comunista que se iniciara às 19 horas do dia anterior, com a rebelião dos graduados e solda- dos do 21º Batalhão de Caçadores do Exército. Os amotinados prenderam os poucos oficiais que se encontravam no quartel. A seguir, atacaram o Quartel da Polícia Militar, onde, após dezenove horas de combate, conseguiram se apo- derar daqueles bastião de glórias, ape- sar da heróica resistência de seu Co- mandante, o bravo Major Luis Júlio e do indômito Tenente-Coronel Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21º Bata- lhão de Caçadores, que, sendo recebi- do a bala ao tentar entrar no seu quar- tel, já amotinado, resolvera dirigir-se ao Quartel da Polícia Militar, para cola- borar na defesa de legalidade, contra os comunistas. O Major Luís Júlio con- seguiu resistir até às 14 horas do dia seguinte, domingo 24 de novembro, enquanto permitiram os precários meios de que dispunha. Os comunistas fica- ram senhores da Cidade e na segunda- feira, dia 25, na parte da tarde, se dirigi- ram ao interior com o objetivo de con- quistar Caicó e outras cidades, mas fo- ram barrados na Serra do Doutor, na região do Trairi, na tarde de 26 de no- vembro, com a defesa organizada por Dinarte de Medeiros Mariz e o Mon- senhor Walfredo Gurgel, que recruta- ram heróicos combatentes do sertão, para a defesa das famílias e de nossas tradições de cristandade. Na Serra do Doutor, houve grande debandada dos revoltosos e algumas mortes dentre eles. Finalmente, com a queda e completa derrota dos amotinados no Rio de Ja- neiro e Recife, nos combates do dia 27 de novembro, a Intentona Comunista no Brasil perdeu seu ímpeto, sendo completamente aniquilada. Nos três dias de dominação de Natal, os comunistas cometeram mui- tos desatinos, criando um ambiente de incertezas e de terror, em face das ten- sões dominantes. Foram saqueados o Banco do Brasil e algumas casas co- merciais, como a “Despensa Natalen- se”, o grande empório de secos e mo- lhados da viúva Machado. Na Redinha, foi aprisionado o funcionário público Arnaldo Lira, por haver confessado ter conhecimento da existência de armas escondidas, mas que não ia revelar o esconderijo. Ao chegar em Natal, foi agredido e furado a baionetas pelos soldados, seus algozes, falecendo dias depois, com grandes padecimentos. Houve ainda três mortes, a do comerci- ante Otacílio Werneck, em frente a sua residência; de uma moça, atingida por uma bala perdida, quando passava de automóvel, pela sede do Esquadrão de Cavalaria da Polícia Militar, onde hoje está a Escola Doméstica de Natal; e na tarde de 24 de novembro, o soldado Luís Gonzaga de Souza, da Polícia Mi- A Alliança N. Libertadora nãopoudenempoderáservencida, porquetodosestamosunidosecadaum denóséumsoldado. Ao tombar um, dez, cém, mil aprumar-se-ão nas fileiras. E contra essa floresta de fuzis não haverá força que nos possa separar ou esmagar ! Cópia da página 4 * Advogado e Professor Universitário Aposentado Fac-símiledaprimeirapáginade"ARepública" Natal, quinta-feira, 28 de novembro de 1935 A Intentona Comunista teve início na cidade de Natal. Aguar- damos a solenidade / formatura sobre o ocorrido nesta cidade a 24 de novembro de 1935, a ser realizada pela 7ª Brigada de In- fantaria Motorizada. Esquecer, também é trair! NATAL litar, morto quando retraía com os com- batentes da Polícia Militar sobre o rio Potengi. De resto, foram saques isola- dos e mais não aconteceu porque per- maneceram no poder apenas por três dias e não tiveram muito tempo de pro- gramar maiores desordens e atrocida- des. Na praia da Redinha, no dia da prisão de Arnaldo Lira, que cheguei a vê-lo partindo sob escolta militar, os revoltosos revolviam os quartos das residências à procura de armas e de va- lores. Revistaram todas as casas, in- clusive a nossa. Finalmente, a última lembrança daqueles dias de infância se refere a um avião biplano, do Correio Aéreo Militar, que no dia 27 de novem- bro surgiu nos céus de Natal. O avião jogou uma mensagem no convés de um navio surto no porto, perguntando se a Cidade ainda estava em poder dos rebeldes. Graças a Deus e à Virgem Ma- ria, a nossa Cidade do Natal, já estava livre dos comunistas! A Intentona Comunista em Na- tal, deflagrada às 19 horas, daquele fatídico 23 de novembro de 1935, pe- gou de surpresa o povo e as autorida- des do Estado. Encerradas as solenidades de colação de grau dos quinto-anistas do Colégio Marista, no Teatro Carlos Go- mes, os Doutores Rafael Fernandes Gurjão, Governador do Estado; Aldo Fernandes Raposo de Melo, Secretá- rio-Geral; Capitão Genésio Lopes, De- legado-Auxiliar; Capitão José Bezerra de Andrade, Ajudante de Ordens do Governador e os comerciantes Epifânio Dias Fernandes e Heráclio Fernandes de Queiroz conseguiram chegar à resi- dência do Senhor Xavier de Miranda, localizada na Avenida Duque de Caxias, ficando ali abrigados. Posteriormente, foram transferidos para a residência do Agente Consular da Itália, Guglielmo Lettieri, ai permanecendo até a manhã de 27 de novembro, quando o Dr Rafael Fernandes Gurjão reassumiu o Gover- no do Estado, após a derrocada total do movimento insurrecional. O restante do secretariado do Governo do Rio Grande do Norte, Dou- tores Gentil Ferreira de Souza, Prefeito de Natal, Paulo Pinheiro de Viveiros, Chefe do Gabinete do Governador; Edgar Ferreira Barbosa, Diretor do jor- nal oficial “A República” e o Mon- senhor João da Mata Paiva, Presidente da Assembléia Legislativa ficaram abri- gadosnaresidênciadocomerciante Ama- dor Lamas, irmão do Agente Consular do Chile, Carlos Lamas, que igualmente se transferiu para a residência do ir- mão, com a bandeira e demais creden- ciais de seu país, de modo a conceder aos ilustres refugiados as garantias diplomáticas daquele país amigo. Des- se modo, puderam todos ficar tranqüi- los no consulado, sem receber qual- quer perseguição ou simples intimação, nada lhes faltando durante os angusti- osos dias de dominação comunista. Nos comentários inseridos em seu documentado e elucidativo livro sobre a Intentona Comunista de Natal, intitulado “82 Horas de Subversão” (Imprensa Oficial - Natal/1936), o Dr João Medeiros Filho, então chefe de Polícia do Governo do Dr Rafael Fer- nandes Gurjão, e que esteve preso dos comunistas no Quartel do 21º Batalhão de Caçadores, ameaçado de morte por várias vezes, referindo-se aos trágicos dias de tensão vividos pelas famílias natalenses, diz que “o povo do Rio Grande do Norte ficou muito a dever aos dignos chilenos da família Lamas, e pelo seu heroísmo e dedicação na defesa dos ideais de liberdade, dos princípios da boa ética e da frater- nidade universal”. Igual procedimen- to devemos ter com o Agente Consular da Itália, Guglielmo Lettieri. Natal ficou em poder dos insur- retos até a manhã de 27 de novembro, quando começou a debandada dos mem- bros do Governo Popular Revolucio- nário composto por João Lopes, asses- sor do Comitê Central do Partido Co- munista Brasileiro; Sargento Quintino Clementino de Barros, Secretário da Defesa; Lauro Lago, Secretário do In- terior e Justiça; José Macedo, Secretá- rio de Finanças; Advogado João Batis- ta Galvão, Se- cretário de Via- ção e do Sapa- teiro José Pra- xedes de An- drade, Secretário de Aprovisionamento. Fugiram para o interior do Esta- do, sendo aprisionados na localidade de Lajes por tropas da Polícia Militar e recambiados para a capital. Julgados e condenados, anos depois foram liber- tados pela nefária anistia, que, neste país, costuma premiar assassinos e de- linqüentes que se notabilizaram por tra- mar contra a soberania, a integridade e a segurança da Nação brasileira. Aqueles dias tumultuosos fica- ram impregnados na mente dos habi- tantes deNatal,comoumatristelembran- ça da tragédia que se abateu sobre todos os nossos lares. E cada um dos morado- res desta cidade passou a recordar os vários episódios de acordo com sua pró- pria visão e de como se encontravam durante aqueles tristes acontecimentos. Publicado no Inconfidência nº 88 de 27 de novembro de 2005
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    23Nº 284 -Novembro/2020 A INTENTONA COMUNISTA EM PERNAMBUCO RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 279 - ANNO 111 SEXTA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 1935 RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 277 - ANNO 111 QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 1935 A MORTE DO TENENTE SAMPAIO XAVIER RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL N. 280- ANNO 111 SABBADO, 30 DE NOVEMBRO DE 1935 Em cerimônia começada às 07:30h de 27 de novembro de 1945; a 7ª Região Militar prestou uma homenagem junto ao túmulo do Cap. Ex. José Sam- paio Xavier, no cemitério de Santo Amaro, recordando “os que soube- ram tombar no cumprimento do dever militar, durante o movimento co- munista de 1935 e que se tornaram merecedores do apreço e venera- ção de todos.” O 6º Regimento de Aviação compareceu com uma representação de 40 oficiais, sargentos e praças. Na oportunidade, foi depositada uma coroa de flores no túmulo do Cap. Sampaio, como homenagem da Força Aérea Bra- sileira. Em nome da Guarnição de Aeronáutica do Recife, discursou o Ten. Cel. Av. Sinval de Castro e Silva Filho, Comandante da Base. HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA INTENTONA COMUNISTA O MASSACRE DO RECIFE ...”Dos três levantes comunistas de !935, foi o de Pernambuco o mais sangrento, recolhendo-se 720 mortos só na operação da frente do Re- cife”... (Página 424) A CHACINA NO RIO DE JANEIRO LARGO DA PAZ OS QUE MORRERAM DORMINDO Cerca de 10 horas de domingo achava-se o 1º tenente José Sam- paio Xavier, em um dos departamen- tos do CPOR, em companhia do te- nente Aguinaldo e do 3º sargento Jo- sé Alexandre Bezerra. Aquelles militares estavam con- sertando vários carregadores de me- tralhadoras quando apparece, de re- volver em punho, o 1º sargento Gre- gorio Lourenço Bezerra, que os inti- ma à rendição immediata. Nesta occasião, o agressor al- veja o tenente Sampaio e tenta dispa- rar novamente a arma contra o te- nente Aguinaldo. O sargento José Alexandre, porem, empenha-se em violenta luta corporal com o collega, que, apezar subjugado ainda fez ou- tros disparos sem resultado. O sargento Gregorio no entan- to, conseguiu fugir escondendo-se no próprio quartel. Alguns minutos de- pois tentava uma nova fuga, embora ferido em uma perna transportou-se à sede do Tiro de Guerra nº 333, com o intuito de alliciar elementos para a resistencia. Nº 333 Auxiliado ali, ao que se presu- me, por um soldado, chauffer da Re- gião, o sargento Gregorio apossou-se de fuzis e 2 cunhetes. Um grupo de 30 solados da Bri- gada Militar tomou de assalto a sede da corporação, capturando os rebel- des e fazendo apprehensão de arma- mento. A VICTIMA O 1º tenente José Sampaio Xa- vier prestava serviços na Intenden- ciadaRegiãoehaviaconcluídohápou- co tempo o curso de aviador. O seu enterramento verificou-se no mes- mo dia na necropole de Santo Amaro, com grande acompanhamento. OS MORTOS O número de mortos não iden- tificados é grande principalmente das zonas de Afogados, Estrada dos Re- médios, Formigão,Catucá,Barriguda, Bongy e da estrada que vai do Giquiá a Soccoro. Em todo o levante, calcula-se em 150 o número de mortos. NO PROMPTO SOCORRO Ao chegar ao P.S. o sargento GregorioLourençofoicapturadopelo tenente Aguinaldo, que se achava ali em tratamento. UM SARGENTO DO 20º BC MORTO EM COMBATE Foi sepultado no cemitério de Santo Amaro, ante-hontem, à tarde na catacumba nº 8 da Irmandade da Boa Morte, o sargento Jayme Pan- taleão Moraes do 20º BC morto em combate contra os amotinados. O 22º BC SEGUE PARA NATAL Às 14 horas de hoje, ainda che- gava ao Recife uma esquadrilha de aviões do Exercito. "Nesse meio tempo ouviam-se os primeiros tiros partidos da frente do prédio da Companhia de Alunos, onde dois grupos de combate, dos Tenentes Benedito Lopes Bragança e Osvaldo Braga Ribeiro Mendes, foram surpreendidos por gritos de “Viva a Revolução”, enquanto sua tropa se dispersava e eles eram presos e recolhidos ao automóvel invasor, ficando sob vigilância do Capitão Agliberto de Azevedo. Foi aí, segundo testemunho do Ten. Ribeiro Mendes, que aquêle oficial matou friamente o Ten. Bragança, com um tiro na cabeça. A ação foi super-rápida, a exemplo da realizada no 3º R.I. O co- mandante e seus oficiais foram alvejados pelos soldados do Sarg. Belda, que também era revolucionário, indo abrigar-se por impossibilidade de reação imediata, no posto de comando da 1ª Brigada de Infantaria. Em outros setores, os Ten. Benedito de Carvalho, Ivan Ramos Ribeiro, Di- marco, França e Asp. Walter sublevavam a Companhia de Alunos e a Guarda do Portão Principal (que dava para a antiga Estrada Rio- São Paulo).Dois oficiais legalistas, Capitão Armando de Souza e Melo e Te- nente Danilo Paladini foram mortos na ocasião, diz-se que ainda dormin- do, por Agliberto e Ivan”. ( Página 429) Transcrito do livro “HISTÓRIAS DAS REVOLUÇÕES BRASILEI- RAS”, VOLUME II, de autoria do historiador GLAUCO CARNEIRO. NR: A conspiração comunista vem de longe. Observem como atuavam. Hoje, identificamos perfeitamente as áreas contaminadas, particularmente no governo federal. Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    24Nº 284 -Novembro/2020 VOS FOI DADA NOTÍCIA. O MAIS QUE VOS CONTARAM FOI QUE HOUVE UMA INTENTONA, UM MOTIM DE QUARTEL, E MISTURAM AS PALAVRAS, PARA QUE NA VOSSA MEMÓRIA SE CONFUNDISSEM O BANDITISMO E A GLÓRIA. PARA QUE EM VOSSOS CORAÇÕES INGÊNUOS, VIRGENS DA MARCA DA MALDADE, VIBRASSE APENAS A CORDA DA PIEDADE, O CRIME DEIXARA DE SER CRIME, ERA SOMENTE LOUCURA ERA ALUCINAÇÃO DE MOCIDADE... OS MORTOS ESTAVAM MORTOS E ENTERRADOS MAS OS VIVOS PRECISAVAM DE SER RECUPERADOS, E A GRANDE PALAVRA, A PALAVRA-ESPONJA, A PALAVRA-ESQUECIMENTO ERA CHAMADA À BOCA DESSE PALCO ONDE SE REPRESENTARIA A COMÉDIA DO SILÊNCIO. O SILÊNCIO ETERNO DOS QUE MORRERAM, O SILÊNCIO ETERNO A PROTEGER OS MONSTROS QUE FICARAM. MOÇOS PATRÍCIOS DE VINTE E SEIS ANOS NADA SABEIS, QUE NADA VOS CONTARAM. NO CEMITÉRIO, AS CORNETAS DOS SOLDADOS TOCARAM UM DIA O TOQUE DO SILÊNCIO, O TOQUE TRISTE QUE É A ÚLTIMA VOZ DO MUNDO A GERIR OS UMBRAIS DA ETERNIDADE, O TOQUE-LÂMINA SONORA QUE PARECE RASGAR O AR E CORTAR AS ALMAS... O SILÊNCIO... O SILÊNCIO... E ELE TERÁ DE SER CADA VEZ MAIS PROFUNDO, SER UMA PEDRA ESQUECIDA SOBRE O TÚMULO DESSES MORTOS QUE FORAM PEDAÇOS VIVOS DO BRASIL, E ERAM CARNE PALPITANTE DO BRASIL! SILÊNCIO... SILÊNCIO PARA QUE ESSES MORTOS NÃO ESCUTEM O QUE SE DIZ CÁ FORA, PARA QUE NÃO OUÇAM, POR MILAGRE, O OUTRO TOQUE DE SILÊNCIO, O TOQUE INFAME QUE ORDENA AOS VIVOS CALAR A SUA REVOLTA, A AFOGAR A SUA CÓLERA NA LAMA DOS PÂNTANOS... SILÊNCIO, QUE OS VIVOS ESTÃO VIVOS E COMANDAM, SILÊNCIO, PORQUE OS MORTOS JÁ MORRERAM. MAS É BOM NÃO ESQUECER QUE HÁ MORTOS QUE SÃO COMO O SOL QUE MORRE TODAS AS TARDES PARA NO DIA SEGUINTE RENASCER... OGoverno, autoridades civis e mili- tares e o povo brasileiro recorda- ram, anteontem, em cerimônias solenes, os heróis da Pátria, tombados, a 27 de novembro de 1935, em defesa da Repú- blica, quando maus brasileiros, a servi- ço do comunismo Internacional, leva- ram a cabo o "Putsch" da Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos e do III Regimento, na Praia Vermelha. Repousam eles em Mausoléu construído pela Nação para abrigar- lhes os restos mortais. Mas como o seu espírito continua vivo, responderam eles ao chamado militar com o "presen- te" simbólico, ouvido por aqueles que lhes foram levar o seu preito de sauda- de e de agradecimento. São trinta heróis – oficiais supe- riores e soldados rasos – que irmana- dos em defesa da bandeira da Pátria ofereceram a ne- cessária resistên- cia até que, com a chegada de forças de fora, fosse a In- tentona domina- da. A minoria, que se colocara a ser- viço dos inimigos externos do País, foi esmagada graças a fidelidade das Forças Armadas às instituições que nos regem desde que os nossos maiores proclamaram a in- dependência do Brasil. Os inimigos não dormem. E a na- ção que quiser sobreviver e afirmar-se como uma força histórica a serviço da humanidade terá de estar atenta aos ata- ques, quer venham de fora, quer sejam preparados no interior, com a colabora- ção dos traidores. O comunismo internacional olha com cobiça, desde muitos anos, para os países em desenvolvimento, que, por enfrentarem problemas sociais, são sensíveis à demagogia dos que que- rem explorar-lhes a pobreza, para do- miná-los politicamente. Logo depois da Primeira Guerra Mundial, a tática adotada foi a do "Putsch", isto é, do golpe de surpresa contra o Governo, na certeza de que, esmagada a cabeça, a conquista do po- der seria trabalho de somenos. Dentro desta linha de golpes, es- teve a intentona comunista de 1935, chefiada pelo membro do "Kommintern" Harry Berger e que teve a assessorá-lo o ex-Capitão do Exército Luís Carlos Prestes. Mas o seu golpe espatifou-se contra a fidelidade do Exército à Pátria. Demonstrou ele ser mais uma vez, repe- tindo os seus feitos no passado, aquilo que o General Orlando Geisel, em sua Ordem do Dia, denominou de "Roche- do inabalável da Nacionalidade". Depois da segunda Guerra Mun- dial, tendo a União Soviética conquis- tado muita simpatia, pela sua resistên- cia à agressão nazista, a tática foi mu- dada. O caminho escolhido foi o da guerrilha rural e urbana que, porém, também fracassou, a despeito de de- senvolvida, com o máximo de recursos, na Grécia, na Venezuela, na Bolívia, na ROCHEDO DA NACIONALIDADE* Theóphilo de Andrade Colômbia e no próprio Brasil. Mas tam- bém fracassou. Este período ainda não está termi- nado, na América Latina. Desde que Fidel Castro, em um golpe de traição, tomou conta de Cuba, o comunismo Internaci- onal tudo faz para transformar os Andes em uma grande Sierra Maestra. Os comunistas, de resto, são ati- vos. Fazem o seu jogo "à deux façons". O partido tem sempre duas alas: a pública e a subterrânea. Na primeira, tratam de agir como uma agremiação democrática co- mum, buscando concorrer com as outras pela preferência do eleitorado. A outra, a putschista, golpista e revolucionária. Agem, porém em conjunto. Se conse- guirem chegar ao poder pelas urnas, pelo descuido dos democratas, como aconteceu no Chile, tanto melhor. A ala subterrânea somente agirá no último mo- mento, para dar o gol- pe de graça no regime democrático. É esta a experi- ência do que tem acon- tecido no Mundo, no último meio século. Sendo uma minoria muitobemorganizada, procuram os comunistas infiltrar-se nas Forças Armadas, nos sindicatos, no pro- fessorado, na imprensa, nas agências de notícias e muito especialmente no cle- ro. Somente as Forças Armadas têm demonstrado capacidade de resistên- cia a esta ofensiva vermelha. Foram elas que barraram o passo à subversão vermelha na Grécia, na Bolívia, na República Dominicana, no Chile, recentemente, e, por duas vezes, no Brasil: em 1935 e em 1964. Na primeira, contra o "Putsch"; na segunda, contra a infiltração no Go- verno. Desde a intentona de 27 de no- vembro tem o partido comunista man- chado a vida brasileira com sucessivos atentados. Ainda ontem, os órgãos da segurança forneceram à imprensa uma lista da ação terrorista, que, no curto período que medeia entre março de 1965 a outubro de 1973, ceifou 106 vidas e fez 343 feridos. São eles também recordados no dia 27 de novembro quando tombaram os primeiros soldados da Forças Armadas na luta contra o comunismo. Trata-se de vítimas de uma subversão permanente, diferente do "Putsch", que é um golpe de surpresa. Tem por finalidade desmorali- zar o regime pela infiltração, gota a gota. Mas para este ataque deve tam- bémestarpreparadaaNação.Nodia27de novembro contou com a reação das For- ças Armadas, como instituição guerreira. Na subversão continuada, estão a seu cargo a vigilância, a repressão, a prisão e a entrega dos réus a julgamento. Por outro motivo, é a luta levada a cabo pelas polícias do Exército, da Mari- nha e da Aeronáutica. Em qualquer dos casos, as Forças Armadas são "o rochedo inabalável da nacionalidade". O comunismo internacional olha com cobiça, desde muitos anos, para os países em desenvolvimento, que, por enfrentarem problemas sociais, são sensíveis à demagogia dos que querem explorar-lhes a pobreza, para dominá-los politicamente. * Jornalista Publicado no Correio Braziliense de 29/11/1973 O CRUZEIRO EXTRA Se desejar receber via postal, um exemplar destas revistas, envie R$ 20,00, por cada uma delas. EDIÇÕES HISTÓRICAS MANCHETE Edição Histórica / 1964 Edição Histórica da Revolução O SINO VELHO DO CEMITÉRIO BATEU TRÊS PANCADAS: ERAM MORTOS QUE ENTRAVAM PARA SER ENTERRADOS, PARA QUE A TERRA OS ACARICIASSE COM TERNURA COMO A VIDA NÃO OS ACARICIARA. PARA QUE A PODRIDÃO DE SEUS CORPOS REFULGISSE, À NOITE, EM FOGOS-FÁTUOS, E, ATRAVÉS DAS RAÍZES DAS PLANTAS, SUBISSEM ÀS FLORES CARREGADAS DE PERFUME. ERAM MORTOS QUE ENTRAVAM PARA SER ENTERRADOS... DE ONDE VINHAM ELES, TANTOS ASSIM, DE UMA VEZ? E QUANTOS ERAM? ERAM MUITOS, ERAM DEZENAS, E ERAM TODOS SOLDADOS DO BRASIL. MATARAM-NOS À TRAIÇÃO QUANDO DORMIAM. E FORAM COMPANHEIROS QUE OS MATARAM NÃO FOI A GUERRA, FOI O CRIME QUE OS MATOU. DORMIAM NO QUARTEL, DE MADRUGADA, MAS A SEU LADO EM SINISTRA VIGÍLIA, COMPANHEIROS SEM ALMA CONSPIRAVAM SEM ALMA PORQUE A TINHAM VENDIDO AO ESTRANGEIRO DE VESTES VERMELHAS... ERAM OS FILHOS MALDITOS DE CAIM. MAS PORQUE OS MATARAM, POR QUE OS MATARAM, SE O SEU PENSAMENTO, SE O SEU SENTIMENTO, ERA O DE HOMENS LIVRES ARMADOS PARA QUE A LIBERDADE NUNCA DEIXASSE DE COBRIR O MUNDO COM SEU MANTO DE ESTRELAS? POR QUE OS MATARAM, SE ERAM TÃO PUROS E TÃO NOBRES QUE NEM ACREDITAVAM NA MALDADE, E TÃO PRESOS ESTAVAM AO SEU SONHO QUE DORMIAM TRANQÜILOS. MATARAM-NOS POR ISSO, MATARAM-NOS PORQUE SABIAM QUE ELES NUNCA SE LEVANTARIAM PARA UNIR-SE A BANDIDOS QUE QUERIAM FAZER DE SUA TERRA UMA TERRA DE ESCRAVOS. NAQUELA MADRUGADA O SANGUE DE INOCENTES ENCHARCOU O CHÃO. ALI BEM PERTO, UMA PRAIA TINHA O NOME DE VERMELHA, MAS ERA BRANCA COMO SUA AREIA, COMO A ESPUMA DO MAR... TINGIR-SE-IA, NAQUELA MADRUGADA, COM A TINTA DAQUELE SANGUE DE SOLDADOS TRANQÜILOS QUE DORMIAM. E, DEPOIS, OS CHACAIS DESFILARIAM RISONHOS, COMO HIENAS SATISFEITAS, DENTES À MOSTRA NAS FOTOGRAFIAS QUE MUITOS VIRAM E LOGO ESQUECERAM... MOÇOS QUE NASCESTES NAQUELE ANO. QUE HOJE TENDES VINTE E SEIS, NÃO PODEIS COMPREENDER AQUELE QUADRO. PORQUE DELE, VAGAMENTE, ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ *Carlos Maul * Foi escritor, jornalista e político fluminense (Publicado em 1961) ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ As vítimas da traição comunista de 27 de novembro de 1935, vão receber segunda-feira, às 9h, no Cemitério de São João Batista, as homenagens daqueles que lhes devem o gôzo da liberdade que nos é tão cara. Mais uma vez, os democratas brasileiros manifestarão a sua repulsa aos frios assassinos de 1935, aos apátridas e traidores que desprezaram a pátria. Os que continuam a viver no amor a Deus darão mais uma prova cabal do seu repúdio ao materialis- mo ateu e do seu eterno reconhecimento aos heróis sacrificados na defesa do Brasil e dos seus ideais cristãos. O GLOBO Rio de Janeiro, 25 de novembro de 1961 NR: E hoje, algum órgão da mídia publicou qualquer notícia sobre este evento?
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    25Nº 284 -Novembro/2020 O túmulo do Capitão Bragança no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte Desgraçado: Que fizeste do meu filho? Que mal te fez êle? Mataste-o impiedosamente pela tua ambição de mando e de riqueza. Êle era um servidor da Pátria que tu traíste, mas não tinha o poder que tu ambicionavas nas tuas mãos. Assassino. Mataste meu filho, que aquelahoranocumprimen- to do seu dever velava, en- quanto tu, maldito, demen- te idealista sacrílego, feria tua - Grande Mãe - Malva- do, se tanto podes juntes com tua Madrasta -Rússia- e devolva-me meu filho! Matricida. Rasgaste o peito da boa mãe que quatro anos em- balou a tua mocidade, dan- do-te roupas, alimentação, ensinamentos, no meio de centenas de irmãos, ferindo-a no coração. Covarde. Nem a morte te quer; tu que ve- nalmente quiseste enfrentar um Exér- cito leal não tens coragem para te ma- tares. Mata-te, desgraçado, já que traíste mães que soubessem te guiar à senda do bem e que certamente não terá sen- timento para chorar a tua perda. Estas palavras escritas com lágrimas de saudade de meu filho, certamente, te causarão raiva. O meu filho foi bom em tôda a exten- são da palavra - filho abençoado, irmão idolatrado. Viveu 25 anos porque teve educação a par dos seus bons sentimentos; sem- pre trabalhador, estudioso e leal, - gra- ças a Deus sempre cumpriu com o seu Ministério da Guerra - Imprensa Militar, Rio de Janeiro / 1945 CARTA DA PROGENITORA DO CAPITÃO BENEDICTO LOPES BRAGANÇA, AOS COMUNISTAS Bello Horizonte, 4 de fevereiro de 1936. dever e cumprindo o dever morreu. Eu, no meio da tristeza, da amargura e do sentimento que tenho de não ver mais meu idolatrado filho, sou mais feliz que tua mãe, essa infeliz, se ainda vive, se não a mataste ainda para ver de onde foste gerado! O meu Benedicto é mais feliz do que tu, morreu de consciência tranqüila e justo se acha na paz de Deus, e o seu nome na terra é venerado como símbolo. OBrasilinteiro,emuitoespecialmen- te Minas, demonstrou nas homenagens que lhe tributaram nos funerais. E tu, qual será o teu fim? Certamente na pupila do ôlho de Mos- cou. Demente, olha para o céu, fita o sol se és capaz! Matricida - pois esta hora tua mãe deve estar morta de dor, que tu lhe cau- saste. Traidor. Assassino. Maldito, mil vezes maldito. Ri, desgraçado, das minhas lágrimas, do meu desespêro. (Ass.) Balbina Lopes Bragança. Otto Braun levou Olga para o mundo dos serviços secretos, atividade confirmada pelo bilhete acima MOSCOU DERRUBA OS TOTENS QUE ERIGIU Bem mais difícil será medir as conse- qüências das descobertas não ape- nas na imagem do movimento comunista no Brasil, que teve em Luís Carlos Pres- tes seu principal tótem, mas especial- mente na história do país tal como está nos livros escolares. Isso é fácil de pre- ver pelas reações já acumuladas em pou- cos dias após a pu- blicação da repor- tagem, no domingo passado, apesar de representar apenas uma pequena parte do material comple- to que o correspon- dente de O Estado de São Paulo na Eu- ropa vai editar em forma de livro pela Companhia das Letras . Na primeira parte da reportagem, Waack conta como o líder comunista bra- sileiro pagou para entrar na Internacio- nal Comunista, em manobra solitária, já que não se relacionava bem com o PCB. “...para realizar seu movimento, o líder tenentista brasileiro concordou em en- tregar aos representantes de Moscou na América do Sul toda a sua organiza- ção (tipografias, contatos, correios) e, principalmente, o dinheiro que recebe- ra de Getúlio Vargas. A concessão de uma verba por Getúlio a Prestes, no começo de 1930, é um episódio conhecido na história brasileira (ele queria que Pres- tes participasse da revolução que lide- rou em outubro daquele ano, liquidan- do a Velha República), mas seu destino final era um segredo que Prestes pensa- va ter levado para o túmulo”. Prestes teria recebido US$80 mil de Getúlio, dos quais US$20 mil foram usados para abrir portas do Komintern. O chefe de finanças da Internacional, Jossip Piatnitski, contabilizou a verba no que chamou de “Fundo Prestes”. A revelação seguinte refere-se à bela Olga Benário, primeira mulher de Prestes, uma judia alemã que em 1936 deixou o Brasil grávida, deportada por Getúlio para a Alemanha nazista, onde morreu em 1942 numa câmara de gás. Os arquivos soviéticos indicam que Olga já trabalhava para o serviço secreto do Exér- cito Vermelho desde os 16 anos. Uma das provas disso é um bilhete escrito a mão por ela mesma ao deixar Moscou em dire- ção ao Brasil em 1934. REVELAÇÕES QUE MUDAM A HISTÓRIA Ewert (Albert)assinaria um dos telegramas sobre o salário de Prestes "As fichas em Moscou sobre Olga Benário e seu namorado dos anos 20 e começo da década dos 30 (Otto Braun) mostram que seu trabalho para a espio- nagem militar soviética não foi circuns- tancial mas sim, o desenvolvimento lógico de sua car- reira como militan- te. Descrita em bio- grafias romancea- das (publicadas na Alemanha e no Bra- sil) como militante dedicada sobretu- do ao trabalho en- tre jovens, na ver- dade Olga já per- tencia desde 1925 aos aparatos ile- gais do KPD, o po- deroso PC alemão (o maior do mundo na época, depois do soviético)”, afirma Waack. Quanto ao Ouro de Moscou que o Komintern usava para financiar a agita- ção comunista em todo o mundo, o jor- nalista revela que no Brasil ele chegou para a chamada Intentona, em 1935, atra- vés do milionário paulista Celestino Pa- raventi, que usava o Café Paraventi, na Rua Barão da Itapetininga, no então cen- tro chique de São Paulo, como fachada para repassar recursos a Prestes. A insurreição a ser liderada por Prestes recebeu autorização explícita do Komintern, segundo documento consul- tado pelo jornalista. O texto contém as assinaturas dos principais dirigentes da Internacional: Togliatti, Manuilski, Gottwald, Kuusinen, Pieck e Marty. A re- portagem conta também as peripécias de Prestes para esconder-se no Rio depois do fracasso do movimento e dos principais agentes estrangeiros que vieram ajudá- lo. Waack, um dos raros jornalistas a ter acesso a parte dos documentos sobre as revoltas comunistas no Brasil de 1935, conta que obteve cópia e transcrições de mais de 500 páginas. A maioria, porém, continua em Moscou, inacessível, sob a guarda de Svetlana Rosenthal, uma fun- cionária do governo russo. O filho mais novo de Prestes, Iuri Ribeiro, é uma dos muitos curiosos que moram em Moscou e há cinco anos tenta chegar às informa- ções que permitam compor, finalmente, o correto perfil político e humano de seu pai. (OF). * Jornalista Publicado no Jornal do Brasil de 05/09/1993 * Olhydes Fonseca · Irrompeu na madrugada de Do- mingo, em Recife e Natal um movi- mento sedicioso de caráter extremista. · Depois de violentos combates, os revoltosos ocuparam Natal. · Grave- mente ferido o commte do 21º BC. · O movimento é chefiado por Luiz Carlos Prestes (26.11.35) · Sublevaram-se na madrugada de hontem, no Rio, o 3º RI e a Escola de Aviação Militar. · O Governo Fe- deral abafou promptamente o levan- te, de que resultaram dezenas de mor- tes. (28.11.35) · Na Escola de Aviação Militar o levante foi promptamente sufocado, morrendo o capitão Souza Mello e fi- cando ferido o Major Eduardo Gomes. · Em São Paulo preso o capitão Hen- rique Oest. (28.11.35) · Natal e Recife em calma. Du- rante a rebelião, morreram na ca- pital pernambucana 60 pessoas. (29.11.35) · Presos os chefes da re- A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 belião em Recife e Natal. · Como o cap. Agildo Barata conseguiu levan- tar o 3º RI. Sepultado, hontem, o tenente Geraldo Vieira. · A visita da Guarnição Federal de Bello Horizon- te ao governador Benedito Valladares. (30.11.35) Uma mensagem radiográphica dos rebeldes: “O movimento revo- lucionário está triunphante em Na- tal. Duzentos mil operários estão em greve em São Paulo, havendo insurreição militar apoiada pelo povo. A Esquadra está revoltada. Viva o general Prestes, viva a Allian- ça Libertadora”. (27.11.35) VICTÓRIA DO DEVER · Por não querer aderir aos revol- tosos foi assassinado o primeiro te- nente Benedicto Bragança. (28.11.35) · Chegou o corpo do tte, Benedito Bragança assassinado covardemente quando dormia - Autoridades compa- receram à Central - A missa e o enterro do inditoso official. (29.11.35) Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    26Nº 284 -Novembro/2020 RECORDANDO A HISTÓRIA DO PCB O ASSASSINATO DE ELZA FERNANDES Elvira Cupelo Colônio ("Elza Fernandes") Antonio Maciel Bonfim ("Miranda") A27 de novembro de 1935, morando em Copacabana, fui despertado às 4 da madrugada pelo telefone. Minha mãe, minha irmãedoisprimosqueeramirmãos adotivos, estavam numa casa na esquina da rua Ramon Franco na Urca,querecebeubalaçosdotiro- teio no quartel do 3º Regimento. Ficaram horas deitados no chão para não serem atingidos pelos tiros. Só à tarde, consegui che- gar até lá. Vi a destruição e ainda assisti à retirada de alguns feri- dos. O edificio antigo de uma ex- posição internacional onde esta- va localizado o regimento ainda ardia em chamas. Não só deve- mos lembrar o morticinio, como LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!!LEMBRAI-VOS DE 35!!! DEPOIMENTO também, os cem milhões de mor- tos ou mais que o comunismo provocou no século passado, sem esquecer que os 50 milhões mortos na II Guerra Mundial re- sultaram do acordo Molotov- Ribbentrop de agosto de 1939, que juntou os dois grandes tota- litários na tentativa de destruir o Ocidente democrático. Não es- queçamos tampouco os milhões que morreram de 1945 a 1989, na Guerra dita Fria - Coréia, Vietnan,Cambódia,Angola,Hun- gria,Tchecoslováquia,Chile,Cu- ba, etc. Usemos contra esses ban- didos exatamente o mesmo "slo- gan" que eles usaram na Guerra Civilespanhola,“nopasarán!”. NOSSOS MÁRTIRES BARBARAMENTE ASSASSINADOS PELA ESCÓRIA COMUNISTA MERECEM RESPEITO! Embaixador José Osvaldo de Meira Penna Os leitores talvez imaginem que irei abordar o episódio real - narrado no livro Born Free, de Joy Adamson - que inspirou, em 1966, um belo filme sobre a leoa órfã Elsa, cuja mãe atacara o supervisor de um parque nacional no Quênia, sendo por ele abatida. Mais tarde, ao perceber que a leoa-mãe apenas tentara defen- der sua cria, o supervisor, marido da autora do livro, resolveu adotar Elsa e outros filhotes órfãos. Já Elza, uma pobre e infeliz ado- lescente, não teve a mesma sorte da Elsa, a leoa filhote. Aos 16 anos foi executada friamente por integrantes da Intentona Comunista, sob ordem direta de Luiz Carlos Prestes. O bár- baro episódio, até hoje ocultado cui- dadosamente pela esquerda e, via de consequência, muito pouco conhe- cido da juventude brasileira, está todo documentado e, sobre ele, há uma vasta e incontestável literatura his- tórica. Elvira Cupelo Colônio, (“Elza Fernandes” ou “Garota”, para os co- munistas) nasceu em 1918, numa fa- mília de agricultores pobres de So- rocaba, interior de São Paulo. Quan- do criança trabalhou como domésti- ca. Semianalfabeta, ainda menina, decidiu acompanhar seu irmão, Luiz Cupelo Colônio, membro do Partido Comunista Brasileiro, e mudou-se para o Rio de Janeiro. Ao lado do ir- mão, Elvira passou a frequentar as reuniões do PCB onde, em 1934, conheceu Antônio Maciel Bonfim (“Miranda”), Secretário-Geral do Partido Comunista e veio a ser sua companheira, quando, então, rece- beu o codinome de Elza Fernandes. No ano seguinte, 1935, eclodiu em alguns Estados brasileiros o mo- vimento denominado “Intentona Co- munista”, tendo como chefe o trai- dor Prestes, cujo objetivo era subs- tituir a ditadura de Getúlio Vargas pelo regime totalitário dos verme- lhos, sob os auspícios e proteção da antiga União Soviética. Fracassado o movimento que, covardemente, vitimou inúmeros mi- litares e civis, o governo Vargas pro- moveu uma caçada aos revolucioná- rios marxistas/leninistas. Muitos fo- ram mortos ou presos pela polícia política e outros, acuados e isolados em seus esconderijos. Em janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram lo- calizados e presos na Av. Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, onde a polícia apreendeu documentos e far- to material de propaganda do PCB. Ambos ficaram incomunicáveis al- gum tempo até que as autoridades decidiram pela soltura de Elza, por ela ser menor de idade e não oferecer perigo ao regime. A adolescente, por indicação de “Miranda”, foi residir na casa de Francisco Furtado Mei- reles, também do PCB, na praia de Pedra de Guaratiba, zona oeste do * Sérgio Pinto Monteiro Rio de Janeiro. O Partido Comunis- ta, diante das inúmeras prisões de correligionários, desconfiou que hou- vesse um traidor entre eles, recaindo as suspeitas iniciais sobre “Miran- da”. Como Elza era portadora de um bilhete dele, no qual pedia aos ami- gos que a protegessem, os revoluci- onários concluíram que o bilhete era falso e forjado pela polícia. Conside- raram-na culpada de traição à causa bolchevista. Decidiram, então, num tribunal de exceção, promover o seu justiçamento, tendo Prestes optado pela eliminação sumária da adoles- cente. Diante da indecisão de alguns adeptos, Prestes escreveu: “Fui do- lorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revoluci- onária.” ... “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Parti- do...?” ... “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais te- nho a acrescentar...” ... “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a lingua- gem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsa- bilidade. Ou bem que vocês concor- dam com as medidas extremas e nes- te caso já as deviam ter resoluta- mente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.” Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “julgadores”, respondeu a Pres- tes: “Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.” Em 2 de março de 1936, Elza foi levada por Eduardo Ribeiro Xa- vier, o “Abóbora”, para uma casa da Rua Mauá Bastos, 48, na Estrada do Camboatá, Bairro de Guadalupe, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães “Milionário”, Adelino Deycola dos Santos “Tampinha”, Francisco Natividade Lira “Cabeção” e Manoel Severino Cavalcanti “Gaguinho”. A adolescente foi es- trangulada, suas pernas quebradas e o corpo ensacado e enterrado nos fun- dos da casa. Três dias depois, Pres- tes foi preso numa casa no Meier, julgado e condenado, com mais três envolvidos, pelo assassinato de Elza, a penas de vinte a trinta anos de prisão. Olga Benário, esposa de Prestes, foi deportada para a Alemanha nazista. O corpo de Elza foi exumado em 1940, na presença de um dentista, que fez o reconhecimento, e do ir- mão Luiz Cupelo Colônio, que em carta ao “Miranda”, repudiou o co- munismo: *O autor é historiador, professor e oficial da reserva do Exército. É membro da Academia Brasileira de Defesa, da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Histórico de Petrópolis. É patrono, fundador e ex-presidente do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva. É presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB. É autor do livro “O Resgate do Tenente Apollo” (CNOR 2005). O presente texto é de responsabilidade exclusiva do autor Rio, 17-4-40. MEU CARO BONFIM Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da con- fissão que elementos de responsabi- lidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas. Do seu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio * * * Em1945,apóscumprirnoveanos de uma pena de trinta, Prestes foi anistiadoporVargas,emtrocadeapoio político ao governo. Os justiçamentos praticados pe- los vermelhos não se resumiram à His- tória de Elza. Há inúmeros outros ca- sos comprovados desses crimes, co- metidos na história recente do país e, em sua maioria, impunes. O sacrifício de “Elza”, Elvira Cupelo Colônio, bra- sileira, dezesseis anos, pobre, semi- analfabeta, inocente, permanece igno- rado, submerso nas profundezas de um contexto onde a Academia, Insti- tuições e parcela expressiva da grande mídia, cooptadas pelos esquerdopatas, manipulamahistóriaaoarrepiodaver- dade e do conhecimento legítimo. Dedico esse texto aos jovens do meu país - muitas vezes entorpecidos pelas mentiras e falsidades de maus bra- sileiros - e a todos que, como a meni- na ELVIRA, foram vitimados por ideo- logias contrárias aos princípios e valo- res que forjaram a Nação Brasileira. Publicado no Inconfidência nº 63 de 10 de dezembro de 2003 Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    27Nº 284 -Novembro/2020 ORDEM DO DIA DO EXÉRCITO Meus camaradas: Sem ordem não pode haver pro- gresso; este repousa na garantia dos direitos reguladores das atividades individuais, e por isso mesmo os ele- mentos incumbidos de velar pela tran- qüilidade pública, assegurando aque- les direitos, são os que colaboram efi- cazmente para o engrandecimento da nação. E como as consagrações ser- vem de estímulo às gerações porvin- douras, não há como negar a neces- sidade de se cultuar a memória da- queles que impavidamente sacrifica- ram a vida no cumprimento do maior dos deveres cívicos: a manutenção da ordem. É nesse intuito que procura- mos completar hoje a galeria dos heróis nacionais, perfilando os már- tires da ordem com aqueles que des- temerosamente sucumbiram no fra- gor das refregas com os inimigos ex- ternos da Pátria, entre os quais avul- tam o soldado Francisco Camerino, 27 DE NOVEMBRO DE 1936 o marinheiro Marcílio Dias, o guarda- marinha João Guilherme Greenhalgh, o tenente Antonio João, o coronel Carlos Cabrita, o general Hilario Gur- jão e tantos outros, ombreados na imor- talidade com aqueles que também se imolaram pelo bem comum, como os mártires da ciência, Augusto Seve- ro, Álvaro Alvim e quantos mais que amortalharam na sombra do anoni- mato a glória do sacrifício ao Pro- gresso, na lua incruenta do trabalho. Evoquemos, pois, meus cama- radas, a memória dos que, justamen- te há um ano, encontraram a morte no cumprimento do dever, rememorando- os moralmente redivivos, cheios de fé cívica e ardor militar, incorporados à heróicas falange dos que procede- ram na missão de defender o princípio da autoridade e em cujo conjunto es- plendem os bordados do Marechal Ma- chado Bittencourt e do Almirante Bap- tista das Neves. Neste momento de inquietações, quando um sopro de insânia ameaça derrocar os mais nobres ideais da hu- manidade, não poderá haver melhor exemplo estimulativo do que o lega- do por esses abnegados, que soube- ram recalcar o próprio instinto de con- servação, sacrificando estoicamente as suas vidas na defesa da coletivi- dade. Glorifiquemos, portanto, no dia de hoje, os intemeratos camaradas que, a 27 de novembro de 1935, oferece- ram a vida em holocausto à lei, à or- dem e à legalidade: Tenente-coronel Misael de Mendonça, Major João Ribeiro Pinheiro, Major Armando de Souza Mello, Capitães Geraldo de Oliveira, Benedicto Lopes Bragança e Danilo Paladini, 2º Sargento José Bernardo Rosa, 3os Sargentos Co- riolano Ferreira Santiago e Abdiel Ribeiro dos Santos, 1º Cabo Luiz Au- gusto Pereira, 2os Cabos José Har- mito de Sá, Alberto Bernardino de Aragão, Clodoaldo Ursulino, Wilson França, Pericles Leal Bezerra, Orlan- do Rodrigues, José Menezes Filho, Fidelis Baptista de Aguiar, Manoel Biré de Agrella, Pedro Maria Netto, Walter de Souza e Silva e José Mario Cavalcanti. Presta hoje o Exército, co- mo de norma já por qua- tro lustros, sua homenagem de respeito e gratidão aos mi- litares trucidados no cumpri- mento do dever, por ocasião da intentona comunista de 27 de novembro de 1935. Tombaram uns sob ação traiçoeira na calada da noite e resistiram outros até o su- premo sacrifício, todos, po- rém, personificando de ma- neira heróica a consciência do Exército em sua repulsa ao credo comunista, que anu- lando as liberdades fundamen- tais ao homem avilta-lhe a personalidade, abala nos fun- damentos a instituição da fa- mília e desintegra a concep- ção basilar da Pátria. Os sentimentos de soli- dariedade humana e de respei- to à dignidade do indivíduo, a crença nos valores espirituais inerentes à tradição brasileira de independência e de liberda- de são os elementos formado- res da consciência do Exérci- to. Essa alma coletiva, educada no culto da Pátria, não pode aceitar, nem quer admitir a ne- fasta ideologia comunista. Através dessa formação, cujas raízes se enseivam na tradição de nossa gente, con- soante atestam os anais de nos- sa história, moldou-se indefor- mável a feição nacionalista de ORDEM DO DIA DO EXÉRCITO - Nov/1956 nosso povo e do Exército, que aceitando a inestimável coo- peração do trabalho do capi- tal e da cultura alienígenas na construção de nossa civi- lização, não quer nem pode- rá tolerar, sob quaisquer dis- farces, a tutela política do País, a deformação moral do povo e a exploração econômica de nossa terra. Esse nacionalismo sa- dio não significa uma restrita orientaçãopartidária,nemape- nas uma atitude política pas- sageira, mas exprime em toda sua plenitude e de modo inde- formável o sentimento de pa- triotismo que é a virtude por excelência que vitaliza as ins- tituições militares. Tivemos em 1935, tan- to aqui, como alhures no Nor- deste, a horrenda mostra do que seja, em verdade e fatos o pesadelocomunista.Afriatrai- ção, a solércia na ação, o des- prezo pela lei, o saque, a de- sonra dos lares, o achincalhe da fé, conquanto por horas ou dias, serviram à grande e para sempre alertarem a consciên- cia nacional estarrecida con- tra sua implantação na terra cristã de Santa Cruz. E que seus processos não se modificaram, estamos hoje convictos, assistindo ao martírio da milenar terra ma- giar, cujo heróico povo está sendo brutalmente sacrifica- do em sua liberdade, em sua honra e usurpado no inaliená- vel direito de reger, sem influ- ências estranhas, o seu pró- prio destino. Dos acontecimentos ne- fastos de 1935, entretanto, uma lição e um exemplo perdura- rão para sempre em nossa his- tória: exemplo da capacidade de viril reação do povo brasi- leiro às doutrinas e processos de ação contrárias a seus prin- cípios morais e à sua vocação para a liberdade e para a de- mocracia; lição viva e forte pa- ra todos aqueles que por pres- sões, ardis ou por ações de força, tentem dominar nossa gente e apossar-se da terra que nasceu e pendurará para sempre brasileira. No dia em que o Exérci- to, como toda a Nação, rende homenagem à memória dos que galhardamente defende- ram com a vida a sobrevivên- cia do Brasil, só uma atitude nos cabe: afirmar-lhes, numa oração, que o Exército não os esquece e que saberá, em qual- quer tempo, seguir-lhes coeso e resoluto o exemplo viril. General-de-Exército Henrique Baptista Dufles Teixeira Lott Ministro da Guerra Transcrito do BOLETIM DO EXÉRCTIO nº 49 de 8 de dezembro de 1956. ORDEM DO DIA -Nov/1992 No dia 27 de novembro de 1935, militares morreram pelas mãos de companheiros de farda, cujas mentes esta- vam destruídas pela ideologia comunista. Para estes, o sa- crifício dos que se opunham era um meio necessário no ca- minho para um fim maior – o Estado igualitário e justo. Passados mais de sessenta anos, a ideologia comunista não é mais nada! Onde ela se instalou, os homens se calaram sob a tutela impiedosa do Estado, gerido por uma privilegiada “nova classe”, dominante, como denunciou Djillas. Medo, dor, sofrimento e atraso foram impostos a muita gente, em no- me de um fim utópico que, como tal, nunca chegou a exis- tir. Muitos homens livres drogaram-se com as teorias mar- xistas, o ópio que lhes trazia visões do mundo perfeito, no dizer de Raymond Aron. Durante anos influiriam nas so- ciedades inseguras, mormente entre os jovens idealistas, arrostando repulsa e ódio contra tudo e todos que se opu- nham à ideologia inovadora. Hoje 1935 está muito distante e o episódio, que foi, cer- tamente, o início de uma luta que o nosso povo venceu, des- vanece em meio ao turbilhão fantástico de acontecimentos desta última década do século. Dos amantes do comunismo, poucos restam, porque já não há como defender o que a História provou indefensável. Jogado o comunismo no limbo, purifica-se em nosso País a dialética em torno das questões sociais, e passam as correntes de pensamento a se agrupar politicamente para o embate sadio, que só poderá trazer avanços à vivência de- mocrática, desenhando um caminho feliz e promissor à nos- sa frente. Assim, aos nossos amigos que tombaram em 1935, po- demos dizer que a luta de vocês acabou. Vocês são os vi- toriosos e pela causa que morreram, esperamos não mais lu- tar. E se não voltarmos a lhes falar frente a este monumento, que, em sua honra, o povo erigiu, olhem com orgulho os bra- sileiros que aqui passam e sorriam para as crianças que brincam no pedestal. Eles são livres... Alte Esq Mauro César Rodrigues Pereira Ministro da Marinha Gen Ex Zenildo de Lucena Ministro do Exército Ten Brig Ar Lélio Viana Lobo Ministro da Aeronáutica HOMENAGEM AOS MORTOS DA INTENTONA COMUNISTA (publicada no Informex n° 069 de 22 de novembro de 1996) General-de-Divisão João Gomes Ribeiro Filho Ministro da Guerra Transcrito do Boletim do Exército nº 68 de 10 de dezembro de 1936 Em 1989, Irma, a filha do capitão Danilo Paladini (vítima da Intentona) prestou o seguinte depoimento: ‘Vi, tive em mãos, cuidadosamente, guardada para mim por minha mãe, a farda que meu pai vestia quando foi morto. Ali estava nítida a marca do tiro que pelas costas lhe penetrara o pulmão saindo pelo coração’. Publicado no Inconfidência nº 76 de 27 de novembro de 2004
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    28Nº 284 -Novembro/2020 O então Capitão Reynaldo De Biasi Silva Rocha, Comandante da Tropa do 12º RI, na tradicional homenagem prestada ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, junto ao seu túmulo no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte (1973). EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO COMUNISMO NO BRASIL Em Belo Horizonte, os generais Mendes Ribeiro, Sergio Coutinho, Paulo Cesar de Castro, Amaury Sá Freire de Lima e José Fábrega e a senhora Else Bragança (2003) Em Belo Horizonte, a 27 de novembro de 2007, no Cemitério do Bonfim, a cerimônia cívico-militar, promovida pelo General João Roberto de Oliveira, Comandante da 4ª RM, em homenagem ao capitão Benedicto Lopes Bragança, assassinado covardemente em 27 de novembro de 1935, no Rio de Janeiro, pelos comunistas. Solenidades acontecidas a 27 de novembro Cel Ustra, Gen. Amaury, Cel Abbês, Mauro Bragança e representantes da AREB (BH/2006) Em Belo Horizonte, a tradicional homenagem prestada ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, no Cemitério do Bonfim, pelos Generais-de- Divisão Amaury Sá Freire de Lima e José Mário Facioli, Comandante da 4ª RM e sobrinhos, Mauro e Cláudio Bragança (2008) Foto: ST Camargo Em 2009, o 24º BC rememorou a Intentona, com as seguintes ativi- dades: · Culto ecumênico · Palestra (Des. Alberto Tavares, Of R2) · Forma- tura (com a presença do prefeito de São Luís, João Castelo) – leitura da Or- dem-do-Dia e desfile da tropa · Coquetel Esperamos que o exemplo do desejo de per- petuação do culto à histó- rica data, levada a efeito pelo valoroso Comandante da Unidade, Ten Cel CARLOS HENRIQUE GUEDES, neto do Gen Carlos Luís Guedes, Comandante da ID/4 e um dos líderes do Movimento de 1964, seja nos anos vindouros, uma inspiração na data de celebração do evento em tela. 24º BATALHÃO DE CAÇADORES - SÃO LUÍS / MA Ten Cel Guedes, Comandante do 24º BC Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Envelopamento autorizado Pode ser aberto pela ECT SANTA MARIA / RS Exaltação aos Heróis da Intentona Comunista de 1935 RESERVA ENCOURAÇADA Capitães Danilo, Flores e Sampaio, General Boabaid e Coronel Leiria, representando o General Miotto, Comandante da 3ª DE. Observe-se o Momento Monumento ultrajado com a pintura em vermelho da foice e do martelo, símbolo comunista (27/11/2013) Em Belo Horizonte, a 27 de novembro de 2014 no Cemitério do Bonfim, a homenagem prestada pelo Comandante da 4ª Região Militar, General de Divisão Mario Lucio Araujo, seu Estado-Maior e Comandantes das Organizações Militares da Guarnição e pelos militares da Reserva do Exército ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, assassinado no Rio de Janeiro CNPJ: 11.843.412/0001-00 EXPEDIENTE Editor/Redator: Coronel Carlos Claudio Miguez Jornalista Responsável: 17646/MG Telefone (31) 3344-1500 / 99957-3534 - E-mail: jornal@jornalinconfidencia.com.br Rua Xingu, 497 - Alto Santa Lúcia - CEP 30.360-690 - Belo Horizonte - MG Circulação Dirigida Impressão: Sempre Serviços Gráficos Ltda OMONUMENTO VOTIVO às vítimas da In- tentona Comunista de 1935, foi erguido em 1968, por iniciativa do Ministro do Exército, general- de-Exército Aurélio de Lyra Tavares para "perpe- tuar em praça pública, a homenagem do povo àqueles que souberam lutar e morrer pela sua liber- dade", no Rio de Janeiro, na Praia Vermelha. Anteriormente, a solenidade era realizada no mauso- léu do cemitério São João Batista, em Botafogo. Em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim, a homenagem prestada por iniciativa do Grupo Inconfidência, AREB, Reserva do Exército e civis, na manhã de 27 de novembro/2019, ao Capitão Benedicto Lopes Bragança, assassinado no Rio de Janeiro, em virtude da ausência do Comando da 4ª Região Militar pelo terceiro ano consecutivo