jornalismo impresso   Professor mestre Artur Araujo  (artur.araujo@puc-campinas.edu.br) Jornalismo informativo, investigativo e interpretativo  (aspectos gerais) Acesse o site:  http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/  Acesse o FTP:  ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/
 
O jornalismo informativo Talvez a mais óbvia, mas também a mais raramente definida, a categoria de jornalismo informativo é um fato e um paradoxo. Toda a atividade da imprensa gira em torno do ato de informar. É como dizer “surpresa inesperada”, “subir para cima”, “elo de ligação”, “metades iguais”, “culinária comestível” ou “amigo pessoal”.
Mas o que seria jornalismo informativo? Jornalismo informativo ganha esse nome primeiramente como contraponto à idéia de jornalismo opinativo ou partidário. Atualmente, sob uma mudança de contexto na qual apareceram as categorias do  jornalismo interpretativo  e  investigativo , jornalismo informativo pode ser definido como aquele que privilegia a notícia, em detrimento da reportagem, da contextualização e do aprofundamento da informação.
A diferença entre  notícia e reportagem “ A reportagem pode ser considerada a  própria essência de um jornal e difere  da notícia pelo conteúdo, extensão e  profundidade.  A notícia, de modo  geral, descreve o fato e, no  máximo, seus efeitos e  conseqüências.   A reportagem busca  mais : partindo da própria notícia,  desenvolve uma seqüência investigativa  que não cabe na notícia . Assim, apura não  somente as origens do fato, mas suas razões e  efeitos. Abre o debate sobre o acontecimento, desdobra-o em seus aspectos mais importantes e divide-o, quando se justifica, em retrancas diferentes, que poderão ser agrupadas em uma ou mais páginas. A notícia não esgota o fato; a reportagem pretende fazê-lo. Na maior parte dos casos, a reportagem decorre de uma pauta que a chefia encaminha ao repórter, mas é comum o próprio repórter escolher um assunto e sugeri-lo aos superiores.” Eduardo Martins (1939-2007) Verbete do Manual do Estadão
Informação, como  “acontecimento imediato” “ Durante os últimos anos de pesquisa e observação, foi possível constatar, na grande imprensa brasileira, a predominância de jornalismo informativo ou informação/distração tratada ao nível do acontecimento imediato. Em escala bem inferior, numericamente, aparecem os acontecimentos ampliados em grandes reportagens” Cremilda Medina Cremilda Medina
Uma narrativa “vertical” O jornalismo informativo está  limitado à  narrativa horizontal do acontecimento . Nesse caso, "dar  uma olhada" é mais importante e  necessário que "ter uma visão".  Por isso, há uma enorme diminuição no corpo da informação.  Sérgio Vilas Boas Sérgio Vilas Boas
Jornalismo informativo é ainda o jornalismo de serviço Jornalismo de serviço  - Explora temas que tenham utilidade concreta e imediata para a vida do leitor. O jornalismo de serviço torna o jornal um artigo de primeira necessidade e garante seu lugar no mercado. O jornalista da Folha deve ter como referência as necessidades diárias do leitor, tanto na elaboração das pautas quanto na redação das reportagens. Deve buscar exemplos no seu cotidiano.  Verbete do Manual da Folha
Jornal popular: tendência ao estilo informativo Uma expressão  do conceito de jornalismo  informativo, no contexto contemporâneo, é  o dos jornais  populares, que privilegiam textos curtos e prestação de serviços para atingir  um público menos apegado à leitura.
Jornalismo investigativo O conceito de “jornalismo investigativo” é semelhante ao termo “jornalismo informativo”. Espera-se, em todo o trabalho jornalístico uma ação investigativa.  Jornalismo sem checagem, sem investigação, não faz sentido. O que seria, então, jornalismo investigativo?
Jornalismo investigativo é, antes de tudo, “reportagem”, e não “notícia” Toda reportagem implica checagens, e isso, grosso modo, é investigação. Mas quando se usa o termo “jornalismo investigativo”, remete-se à idéia de um sistema de checagens e de investigação muito mais denso, complexo, que procura ir muito além dos fatos. Expressa aquilo que Eduardo Martins, autor do manual de redação do Estadão, definia como “reportagem”.
A diferença entre  notícia e reportagem “ A reportagem pode ser considerada a  própria essência de um jornal e difere  da notícia pelo conteúdo, extensão e  profundidade.  (...) A reportagem  busca mais : partindo da própria  notícia,  desenvolve uma seqüência  investigativa que não cabe na notícia .  Assim,  apura não somente as origens  do fato, mas suas razões e  efeitos . Abre o debate sobre o acontecimento,  desdobra-o em seus aspectos mais importantes e divide-o, quando se justifica, em retrancas diferentes, que poderão ser agrupadas em uma ou mais páginas.  A notícia não esgota o fato; a reportagem pretende fazê-lo.” Eduardo Martins (1939-2007) Verbete do Manual do Estadão
Caso Watergate, paradigma do jornalismo investigativo Watergate é o nome de um edifício na cidade de Washington, capital dos EUA. Em 1972, a invasão da sede do partido Democrata (de oposição) deflagrou uma investigação de dois jornalistas (Bob Woodward e Carl Bernstein) que terminou na renúncia do presidente Nixon, em 1974.
A Abraji
O jornalismo interpretativo Foi depois da Primeira Guerra Mundial  que os diretores de jornais, ao  examinarem os seus produtos, em face  das necessidades do publico, deram  conta de que algo lhes faltava. Esta busca ou indagação foi estimulada quando, em 1923, dois jovens de pouca experiência jornalistica, porém de enorme visão, inventaram a revista  Time , que foi fundada para mostrar o alcance das notícias, sua interpretação, suas implicações ocultas e, em resumo, suas novas dimensões.
O que é “interpretar”? “ O suceder dos fatos tem sua acentuação tônica, seu ponto alto, sua essência, que o artista (jornalista) identifica, seleciona, para fixar depois, em palavras” Luiz Beltrão Luiz Beltrão (1918-1986)
Interpretativo ou investigativo? A definição de reportagem de Eduardo Martins é, mais uma vez uma explicação para ambos os conceitos. O jornalismo investigativo seria uma reportagem extensa sobre temas complexos. Implica uma extensa lista de investigações, achados e checagens, que terminam por gerar novas investigações, achados e checagens. O jornalismo intepretativo seria o esforço de “traduzir” ao público os complexos temas contemporâneos, mas até onde isso não implica uma extensa lista de investigações, achados e checagens?
Dois em um “ No jornalismo interpretativo está  inserida a reportagem individual e investigativa . Para se fazer um  jornalismo mais analítico não é preciso, necessariamente, haver um trabalho em equipe. Interpretar é dar a informação sem opinar, expondo ao leitor o quadro completo de uma situação atual.”  Sérgio Vilas Boas Sérgio Vilas Boas
O tema da próxima aula: Na próxima aula vamos falar das categorias do jornalismo informativo, investigativo e interpretativo  (técnicas de apuração: a entrevista)
Citação do dia  “ O jornalista é acima de tudo um contemporâneo. É realmente obrigado a  sê-lo. Vive na esfera das questões que podem ser resolvidas na contemporaneidade”. Mikhail Bakhtin  (1895-1975)  filósofo russo, um dos fundadores  da semiótica

Jorimp Aula6 2009jorinfo

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    jornalismo impresso Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br) Jornalismo informativo, investigativo e interpretativo (aspectos gerais) Acesse o site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Acesse o FTP: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/
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    O jornalismo informativoTalvez a mais óbvia, mas também a mais raramente definida, a categoria de jornalismo informativo é um fato e um paradoxo. Toda a atividade da imprensa gira em torno do ato de informar. É como dizer “surpresa inesperada”, “subir para cima”, “elo de ligação”, “metades iguais”, “culinária comestível” ou “amigo pessoal”.
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    Mas o queseria jornalismo informativo? Jornalismo informativo ganha esse nome primeiramente como contraponto à idéia de jornalismo opinativo ou partidário. Atualmente, sob uma mudança de contexto na qual apareceram as categorias do jornalismo interpretativo e investigativo , jornalismo informativo pode ser definido como aquele que privilegia a notícia, em detrimento da reportagem, da contextualização e do aprofundamento da informação.
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    A diferença entre notícia e reportagem “ A reportagem pode ser considerada a própria essência de um jornal e difere da notícia pelo conteúdo, extensão e profundidade. A notícia, de modo geral, descreve o fato e, no máximo, seus efeitos e conseqüências. A reportagem busca mais : partindo da própria notícia, desenvolve uma seqüência investigativa que não cabe na notícia . Assim, apura não somente as origens do fato, mas suas razões e efeitos. Abre o debate sobre o acontecimento, desdobra-o em seus aspectos mais importantes e divide-o, quando se justifica, em retrancas diferentes, que poderão ser agrupadas em uma ou mais páginas. A notícia não esgota o fato; a reportagem pretende fazê-lo. Na maior parte dos casos, a reportagem decorre de uma pauta que a chefia encaminha ao repórter, mas é comum o próprio repórter escolher um assunto e sugeri-lo aos superiores.” Eduardo Martins (1939-2007) Verbete do Manual do Estadão
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    Informação, como “acontecimento imediato” “ Durante os últimos anos de pesquisa e observação, foi possível constatar, na grande imprensa brasileira, a predominância de jornalismo informativo ou informação/distração tratada ao nível do acontecimento imediato. Em escala bem inferior, numericamente, aparecem os acontecimentos ampliados em grandes reportagens” Cremilda Medina Cremilda Medina
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    Uma narrativa “vertical”O jornalismo informativo está limitado à narrativa horizontal do acontecimento . Nesse caso, "dar uma olhada" é mais importante e necessário que "ter uma visão". Por isso, há uma enorme diminuição no corpo da informação. Sérgio Vilas Boas Sérgio Vilas Boas
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    Jornalismo informativo éainda o jornalismo de serviço Jornalismo de serviço - Explora temas que tenham utilidade concreta e imediata para a vida do leitor. O jornalismo de serviço torna o jornal um artigo de primeira necessidade e garante seu lugar no mercado. O jornalista da Folha deve ter como referência as necessidades diárias do leitor, tanto na elaboração das pautas quanto na redação das reportagens. Deve buscar exemplos no seu cotidiano. Verbete do Manual da Folha
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    Jornal popular: tendênciaao estilo informativo Uma expressão do conceito de jornalismo informativo, no contexto contemporâneo, é o dos jornais populares, que privilegiam textos curtos e prestação de serviços para atingir um público menos apegado à leitura.
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    Jornalismo investigativo Oconceito de “jornalismo investigativo” é semelhante ao termo “jornalismo informativo”. Espera-se, em todo o trabalho jornalístico uma ação investigativa. Jornalismo sem checagem, sem investigação, não faz sentido. O que seria, então, jornalismo investigativo?
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    Jornalismo investigativo é,antes de tudo, “reportagem”, e não “notícia” Toda reportagem implica checagens, e isso, grosso modo, é investigação. Mas quando se usa o termo “jornalismo investigativo”, remete-se à idéia de um sistema de checagens e de investigação muito mais denso, complexo, que procura ir muito além dos fatos. Expressa aquilo que Eduardo Martins, autor do manual de redação do Estadão, definia como “reportagem”.
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    A diferença entre notícia e reportagem “ A reportagem pode ser considerada a própria essência de um jornal e difere da notícia pelo conteúdo, extensão e profundidade. (...) A reportagem busca mais : partindo da própria notícia, desenvolve uma seqüência investigativa que não cabe na notícia . Assim, apura não somente as origens do fato, mas suas razões e efeitos . Abre o debate sobre o acontecimento, desdobra-o em seus aspectos mais importantes e divide-o, quando se justifica, em retrancas diferentes, que poderão ser agrupadas em uma ou mais páginas. A notícia não esgota o fato; a reportagem pretende fazê-lo.” Eduardo Martins (1939-2007) Verbete do Manual do Estadão
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    Caso Watergate, paradigmado jornalismo investigativo Watergate é o nome de um edifício na cidade de Washington, capital dos EUA. Em 1972, a invasão da sede do partido Democrata (de oposição) deflagrou uma investigação de dois jornalistas (Bob Woodward e Carl Bernstein) que terminou na renúncia do presidente Nixon, em 1974.
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    O jornalismo interpretativoFoi depois da Primeira Guerra Mundial que os diretores de jornais, ao examinarem os seus produtos, em face das necessidades do publico, deram conta de que algo lhes faltava. Esta busca ou indagação foi estimulada quando, em 1923, dois jovens de pouca experiência jornalistica, porém de enorme visão, inventaram a revista Time , que foi fundada para mostrar o alcance das notícias, sua interpretação, suas implicações ocultas e, em resumo, suas novas dimensões.
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    O que é“interpretar”? “ O suceder dos fatos tem sua acentuação tônica, seu ponto alto, sua essência, que o artista (jornalista) identifica, seleciona, para fixar depois, em palavras” Luiz Beltrão Luiz Beltrão (1918-1986)
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    Interpretativo ou investigativo?A definição de reportagem de Eduardo Martins é, mais uma vez uma explicação para ambos os conceitos. O jornalismo investigativo seria uma reportagem extensa sobre temas complexos. Implica uma extensa lista de investigações, achados e checagens, que terminam por gerar novas investigações, achados e checagens. O jornalismo intepretativo seria o esforço de “traduzir” ao público os complexos temas contemporâneos, mas até onde isso não implica uma extensa lista de investigações, achados e checagens?
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    Dois em um“ No jornalismo interpretativo está inserida a reportagem individual e investigativa . Para se fazer um jornalismo mais analítico não é preciso, necessariamente, haver um trabalho em equipe. Interpretar é dar a informação sem opinar, expondo ao leitor o quadro completo de uma situação atual.” Sérgio Vilas Boas Sérgio Vilas Boas
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    O tema dapróxima aula: Na próxima aula vamos falar das categorias do jornalismo informativo, investigativo e interpretativo (técnicas de apuração: a entrevista)
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    Citação do dia “ O jornalista é acima de tudo um contemporâneo. É realmente obrigado a sê-lo. Vive na esfera das questões que podem ser resolvidas na contemporaneidade”. Mikhail Bakhtin (1895-1975) filósofo russo, um dos fundadores da semiótica