UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - RADIALISMO
DISCIPLINA: TEORIAS SOCIAIS
PROF: CÍNDIA BRUSTOLIN

LARISSA THAÍS SOARES DE ANDRADE

ANÁLISE SOBRE O PROGRAMA “BALANÇO GERAL” SEGUNDO
BOURDIEU

INTRODUÇÃO

O programa Balanço Geral é apresentado em mais ou menos 13
Estados brasileiros. Em São Paulo, começou a ser exibido em 3 de dezembro
de 2007. Em alguns Estados, é exibido em duas edições. No Maranhão,
passou a ser veiculado desde 2 de junho de 2009 é veiculado das 12h às
14:20h, de segunda-feira à sexta-feira, pela TV Record. O formato criado é
telejornalístico, com bastante apelo popular e com noticias de cunho
sensacionalista. É dividido em três grandes blocos com notícias variadas. O
atual apresentador é o jornalista Sérgio Murilo que, com bastante carisma,
alcança a maior parte do Estado, tanto em alcance do satélite como em nível
de audiência no horário do almoço, inclusive superarando algumas vezes a TV
Mirante com o seu JMTV, que é exibido no mesmo horário.
Como as notícias são voltadas aos problemas da cidade, como por
exemplo, violência; falta de saneamento básico; educação; esporte; política etc,
o programa utiliza-se argumentação subversiva, ou melhor, adversa do que se
é comum aos telejornais tradicionais e a linguagem é voltada para as camadas
sociais menos favorecidas. Como uso de gírias, o que é incomum aos
jornalistas, pois tem-se como regra passar seriedade ao expectador, o que não
é exatamente feito por eles mas, que ainda assim, conseguem o respeito dos
telespectadores.
A forma como são construídas as reportagens que são veiculadas
no programa trabalha muito a questão do desfavorecimento das camadas
denominadas por alguns estudiosos da comunicação de “massa”, onde são
nitidamente

observadas

tanto

os

interesses

da

empresa

como

o

posicionamento político da TV, que por muitas vezes, confronta-se com o
Governo Estadual e Municipal, no que tange questões sociopolíticas.
Esta análise será realizada e trabalhará com o auxílio do livro de
Pierre Bourdieu – Sobre a Televisão. Este que nasceu em Denguin (sul da
França) em 1930 e Faleceu em 25 de janeiro de 2002. Foi aluno da École
Normale Superieure; Foi professor na Argélia (período da guerra de
independência), período em que estudou a vida dos kabyla (Esquisse d’une
theorie da la pratique). Atuou como diretor da École des Hautes Études en
Sciences Sociales – VIe em 1964; Em 1975 fundou a Revista Actes de la
Recherche en Sciences Sociales, resgatando uma proposta de intelectual
coletivo presente em Durkheim (L’Année Sociologique); Em 1981 assumiu a
cadeira de Sociologia no Collège de France; Em sua trajetória intelectual
deslocou-se da Filosofia para a Etnologia e da Etnologia para a Sociologia
permanecendo até sua ultima publicação.

A MÍDIA E BOURDIEU: CONFLITO?

Hoje em dia é nítida como a forma de criar notícias se modificou. O
modelo utilizado e solidificado pela maioria dos veículos de comunicação
tradicionais abrange sempre o que denominamos como “retrato da realidade”.
Entretanto, cada veículo possui uma visão diferente do que seria esse “retrato
da realidade”. Todos os tipos de mídia levam em consideração seus valores e
crenças na hora de criar1 a realidade que é assistida na televisão, que muitas
vezes (ou a maioria delas) é distorcida pela mídia e que sempre foi
considerada “neutra” e por muitos, ainda é tida como de fato a realidade que
vivemos.

1

Criar a realidade significa moldar o que o telespectador vê, e assim, absorver o conteúdo de acordo
com o que TV (mídia em questão) propõe como sendo a “verdade”.
Shudson, em seu livro “Por que as notícias são como são”, de 1988,
afirma que
A criação de notícias é sempre uma interação de repórter, diretor,
editor, constrangimentos da organização da sala de redação,
necessidade de manter os laços com as fontes, os desejos da
audiência, as poderosas convenções culturais e literárias dentro das
quais os jornalistas frequentemente operam sem as pensar (Grifo
nosso).

Ou seja, o que deveria ser um ato de reflexão, principalmente no
momento de criação do que será veiculado, torna-se um ato mecânico,
impensado. Por conta dessa falta de reflexão, da falta de criação de
perspectivas, Pierre Bourdieu retrata em seu livro “Sobre a Televisão” alguns
conceitos que cabem enfatizar nesta análise. Um deles é chamado de
“violência simbólica” no qual ele define como sendo um tipo de repressão, um
aprisionamento que se apoia no reconhecimento de algo determinado e
imposto, seja no âmbito social, econômico ou simbólico. Para ele, a violência
simbólica é o meio de exercício do poder simbólico. Como por exemplo, em
seu livro Poder simbólico quando se refere aos tipos de poder que são
comumente utilizados por parte de quem os possuem. Que seria
[o] poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e
fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste
modo, a ação sobre o mundo, portanto, o mundo (BOURDIEU. O
poder simbólico, p. 14-15. 1989, Grifo Nosso).

Criar uma realidade. É isso que o jornalista faz, a partir de sua
perspectiva, de acordo com a visão da empresa em que trabalha; de acordo
com o que o mercado almeja. E para isso, se utiliza de artifícios psicológicos
que modificam a mentalidade e a opinião daqueles que os observa, que são de
fato, como outros estudiosos da comunicação, como Harold Lasswell, por
exemplo, que via a população como “massa” que absorvia e tinha como
verdade tudo o que era veiculado pela mídia e ainda retornaria a reposta de
acordo com o que era previsto pela imprensa da época. Essa teoria
obviamente era insuficiente e foi superada pelo próprio estudioso, quando em
seus estudos de recepção percebeu que cada indivíduo tem uma opinião a
respeito do que é noticiado, e que nem tudo o que era publicado era, de fato,
absorvido tal qual fora anunciado. Tanto que foram descobertos os “Líderes de
opinião”, estes que sim, eram muito mais aceitos, pois nem sempre
concordavam com o que era veiculado e, por isso, passavam a ganhar
adeptos, e com isso adquiriam o “poder simbólico”. Bourdieu diz também que o
poder simbólico é
[um] poder quase mágico que permite obter o equivalente que é
obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico
de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer,
ignorado como arbitrário (BOURDIEU. O poder simbólico, p. 14-15.
1989, grifo nosso).

O poder quase mágico a que Bourdieu se refere é basicamente o
poder de persuasão, que além de criar estórias dentro da realidade, fazia com
que quem as ouvia, acreditassem e seguisse ou vivesse na tal “realidade”. Pois
sabe-se que a reportagem não deixa de ser um “recorte da realidade”,
entretanto, cada um mostra o que quer dessa realidade, que nem sempre se
refere à uma ideia, mas a uma forma de viver. Entretanto, levando-se em
consideração a atualidade, os mecanismos utilizados hoje, pelas mídias
televisivas (focando-se no programa Balanço Geral), este almeja “levar” a
“realidade” aos expectadores e, para isso, usa o sensacionalismo como arma
para alcançar todas as camadas sociais. E consegue atingir seu objetivo
quando, os telespectadores dão o feedback que a emissora deseja. Chamar
atenção das pessoas para os problemas da cidade são, de fato, importantes,
entretanto, existem outras formas de se fazer ouvir e mostrar de forma não tão
violenta ou chocante. Pois mesmo que inconscientemente os repórteres,
editores, diretores, apresentadores não estejam querendo chamar a atenção
pelo chocante, acabam como Bourdieu diz, cometendo a chamada “violência
simbólica” que seria
[...] uma violência que se exerce com a cumplicidade tácita dos que a
sofrem e também, com frequencia, dos que a exercem, na medida em
que uns e outros são inconscientes de exercê-la ou de sofrê-la.
(BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
1997. p. 22)

E os próprios expectadores se colocam diante da face do horror que,
por muitas vezes se faz com imagens de pessoas pobres e sem moradia, sem
saneamento básico, morando em palafitas e que se envolvem na maioria das
vezes, no mundo do crime. O que torna os fatos mais rentáveis e na visão das
emissoras, melhores para gerar lucros. Uma notícia se torna mais “notícias”
que as outras notícias. Nisso, os jornais, tanto o Balanço geral, como tantos
outros, entram em um círculo vicioso, onde o que choca é notícia, tirando
espaço para outros tipo de fatos que poderiam gerar reflexão tanto por parte
dos jornalistas, como da própria população, que se torna, de certa forma,
alienada, não influenciando muito no cotidiano e mantendo-os na inércia do
não-agir, em vez do agir para melhoria da própria sociedade.

CONCLUSÃO
A imprensa de modo geral, ainda é considerada “mercenária”,
mesmo entre si, pois há muito ainda por melhorar, a velocidade da produção
das notícias, a expectativas quantos aos índices de audiência, interfere
diretamente na produção de uma forma de pensar mais reflexiva, impede o
pensamento crítico, barrando aqueles que tentam dizer algo realmente sério na
televisão. O pior é que o que se vê na televisão e aparece como realmente
perigoso em todo esse processo, não é que ele, de fato, ocorra na TV, mas que
a lógica da televisão passe a trabalhar de forma mais efetiva, no funcionamento
dos outros campos da esfera cultural, por exemplo, colocando em prática os
seus “poderes simbólicos”, pois a autoridade concedida aos jornalistas é de
suma importância, para legitimar, o que se fala e como se fala.

BIBLIOGRAFIA

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989.
______. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
PARK, R., “A notícia como forma de conhecimento” in: Charles S.
STEINBERG, (org). Meios de comunicação de massa. São Paulo:
Cultrix, 1972.
SCHUDSON, M. (1988) — Por que é que as notícias são como são.
Jornalismos — Comunicação e Linguagens, 8: 17-27.

Análise sobre o programa Balanço Geral - Visão de Bourdieu.

  • 1.
    UNIVERSIDADE FEDERAL DOMARANHÃO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - RADIALISMO DISCIPLINA: TEORIAS SOCIAIS PROF: CÍNDIA BRUSTOLIN LARISSA THAÍS SOARES DE ANDRADE ANÁLISE SOBRE O PROGRAMA “BALANÇO GERAL” SEGUNDO BOURDIEU INTRODUÇÃO O programa Balanço Geral é apresentado em mais ou menos 13 Estados brasileiros. Em São Paulo, começou a ser exibido em 3 de dezembro de 2007. Em alguns Estados, é exibido em duas edições. No Maranhão, passou a ser veiculado desde 2 de junho de 2009 é veiculado das 12h às 14:20h, de segunda-feira à sexta-feira, pela TV Record. O formato criado é telejornalístico, com bastante apelo popular e com noticias de cunho sensacionalista. É dividido em três grandes blocos com notícias variadas. O atual apresentador é o jornalista Sérgio Murilo que, com bastante carisma, alcança a maior parte do Estado, tanto em alcance do satélite como em nível de audiência no horário do almoço, inclusive superarando algumas vezes a TV Mirante com o seu JMTV, que é exibido no mesmo horário. Como as notícias são voltadas aos problemas da cidade, como por exemplo, violência; falta de saneamento básico; educação; esporte; política etc, o programa utiliza-se argumentação subversiva, ou melhor, adversa do que se é comum aos telejornais tradicionais e a linguagem é voltada para as camadas sociais menos favorecidas. Como uso de gírias, o que é incomum aos jornalistas, pois tem-se como regra passar seriedade ao expectador, o que não é exatamente feito por eles mas, que ainda assim, conseguem o respeito dos telespectadores.
  • 2.
    A forma comosão construídas as reportagens que são veiculadas no programa trabalha muito a questão do desfavorecimento das camadas denominadas por alguns estudiosos da comunicação de “massa”, onde são nitidamente observadas tanto os interesses da empresa como o posicionamento político da TV, que por muitas vezes, confronta-se com o Governo Estadual e Municipal, no que tange questões sociopolíticas. Esta análise será realizada e trabalhará com o auxílio do livro de Pierre Bourdieu – Sobre a Televisão. Este que nasceu em Denguin (sul da França) em 1930 e Faleceu em 25 de janeiro de 2002. Foi aluno da École Normale Superieure; Foi professor na Argélia (período da guerra de independência), período em que estudou a vida dos kabyla (Esquisse d’une theorie da la pratique). Atuou como diretor da École des Hautes Études en Sciences Sociales – VIe em 1964; Em 1975 fundou a Revista Actes de la Recherche en Sciences Sociales, resgatando uma proposta de intelectual coletivo presente em Durkheim (L’Année Sociologique); Em 1981 assumiu a cadeira de Sociologia no Collège de France; Em sua trajetória intelectual deslocou-se da Filosofia para a Etnologia e da Etnologia para a Sociologia permanecendo até sua ultima publicação. A MÍDIA E BOURDIEU: CONFLITO? Hoje em dia é nítida como a forma de criar notícias se modificou. O modelo utilizado e solidificado pela maioria dos veículos de comunicação tradicionais abrange sempre o que denominamos como “retrato da realidade”. Entretanto, cada veículo possui uma visão diferente do que seria esse “retrato da realidade”. Todos os tipos de mídia levam em consideração seus valores e crenças na hora de criar1 a realidade que é assistida na televisão, que muitas vezes (ou a maioria delas) é distorcida pela mídia e que sempre foi considerada “neutra” e por muitos, ainda é tida como de fato a realidade que vivemos. 1 Criar a realidade significa moldar o que o telespectador vê, e assim, absorver o conteúdo de acordo com o que TV (mídia em questão) propõe como sendo a “verdade”.
  • 3.
    Shudson, em seulivro “Por que as notícias são como são”, de 1988, afirma que A criação de notícias é sempre uma interação de repórter, diretor, editor, constrangimentos da organização da sala de redação, necessidade de manter os laços com as fontes, os desejos da audiência, as poderosas convenções culturais e literárias dentro das quais os jornalistas frequentemente operam sem as pensar (Grifo nosso). Ou seja, o que deveria ser um ato de reflexão, principalmente no momento de criação do que será veiculado, torna-se um ato mecânico, impensado. Por conta dessa falta de reflexão, da falta de criação de perspectivas, Pierre Bourdieu retrata em seu livro “Sobre a Televisão” alguns conceitos que cabem enfatizar nesta análise. Um deles é chamado de “violência simbólica” no qual ele define como sendo um tipo de repressão, um aprisionamento que se apoia no reconhecimento de algo determinado e imposto, seja no âmbito social, econômico ou simbólico. Para ele, a violência simbólica é o meio de exercício do poder simbólico. Como por exemplo, em seu livro Poder simbólico quando se refere aos tipos de poder que são comumente utilizados por parte de quem os possuem. Que seria [o] poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo, portanto, o mundo (BOURDIEU. O poder simbólico, p. 14-15. 1989, Grifo Nosso). Criar uma realidade. É isso que o jornalista faz, a partir de sua perspectiva, de acordo com a visão da empresa em que trabalha; de acordo com o que o mercado almeja. E para isso, se utiliza de artifícios psicológicos que modificam a mentalidade e a opinião daqueles que os observa, que são de fato, como outros estudiosos da comunicação, como Harold Lasswell, por exemplo, que via a população como “massa” que absorvia e tinha como verdade tudo o que era veiculado pela mídia e ainda retornaria a reposta de acordo com o que era previsto pela imprensa da época. Essa teoria obviamente era insuficiente e foi superada pelo próprio estudioso, quando em seus estudos de recepção percebeu que cada indivíduo tem uma opinião a respeito do que é noticiado, e que nem tudo o que era publicado era, de fato,
  • 4.
    absorvido tal qualfora anunciado. Tanto que foram descobertos os “Líderes de opinião”, estes que sim, eram muito mais aceitos, pois nem sempre concordavam com o que era veiculado e, por isso, passavam a ganhar adeptos, e com isso adquiriam o “poder simbólico”. Bourdieu diz também que o poder simbólico é [um] poder quase mágico que permite obter o equivalente que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário (BOURDIEU. O poder simbólico, p. 14-15. 1989, grifo nosso). O poder quase mágico a que Bourdieu se refere é basicamente o poder de persuasão, que além de criar estórias dentro da realidade, fazia com que quem as ouvia, acreditassem e seguisse ou vivesse na tal “realidade”. Pois sabe-se que a reportagem não deixa de ser um “recorte da realidade”, entretanto, cada um mostra o que quer dessa realidade, que nem sempre se refere à uma ideia, mas a uma forma de viver. Entretanto, levando-se em consideração a atualidade, os mecanismos utilizados hoje, pelas mídias televisivas (focando-se no programa Balanço Geral), este almeja “levar” a “realidade” aos expectadores e, para isso, usa o sensacionalismo como arma para alcançar todas as camadas sociais. E consegue atingir seu objetivo quando, os telespectadores dão o feedback que a emissora deseja. Chamar atenção das pessoas para os problemas da cidade são, de fato, importantes, entretanto, existem outras formas de se fazer ouvir e mostrar de forma não tão violenta ou chocante. Pois mesmo que inconscientemente os repórteres, editores, diretores, apresentadores não estejam querendo chamar a atenção pelo chocante, acabam como Bourdieu diz, cometendo a chamada “violência simbólica” que seria [...] uma violência que se exerce com a cumplicidade tácita dos que a sofrem e também, com frequencia, dos que a exercem, na medida em que uns e outros são inconscientes de exercê-la ou de sofrê-la. (BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 22) E os próprios expectadores se colocam diante da face do horror que, por muitas vezes se faz com imagens de pessoas pobres e sem moradia, sem
  • 5.
    saneamento básico, morandoem palafitas e que se envolvem na maioria das vezes, no mundo do crime. O que torna os fatos mais rentáveis e na visão das emissoras, melhores para gerar lucros. Uma notícia se torna mais “notícias” que as outras notícias. Nisso, os jornais, tanto o Balanço geral, como tantos outros, entram em um círculo vicioso, onde o que choca é notícia, tirando espaço para outros tipo de fatos que poderiam gerar reflexão tanto por parte dos jornalistas, como da própria população, que se torna, de certa forma, alienada, não influenciando muito no cotidiano e mantendo-os na inércia do não-agir, em vez do agir para melhoria da própria sociedade. CONCLUSÃO A imprensa de modo geral, ainda é considerada “mercenária”, mesmo entre si, pois há muito ainda por melhorar, a velocidade da produção das notícias, a expectativas quantos aos índices de audiência, interfere diretamente na produção de uma forma de pensar mais reflexiva, impede o pensamento crítico, barrando aqueles que tentam dizer algo realmente sério na televisão. O pior é que o que se vê na televisão e aparece como realmente perigoso em todo esse processo, não é que ele, de fato, ocorra na TV, mas que a lógica da televisão passe a trabalhar de forma mais efetiva, no funcionamento dos outros campos da esfera cultural, por exemplo, colocando em prática os seus “poderes simbólicos”, pois a autoridade concedida aos jornalistas é de suma importância, para legitimar, o que se fala e como se fala. BIBLIOGRAFIA BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989. ______. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. PARK, R., “A notícia como forma de conhecimento” in: Charles S. STEINBERG, (org). Meios de comunicação de massa. São Paulo: Cultrix, 1972. SCHUDSON, M. (1988) — Por que é que as notícias são como são. Jornalismos — Comunicação e Linguagens, 8: 17-27.