DISCIPLINA DE CIÊNCIAS NATURAIS

                 9º Ano                                  Outubro de 2010

                 TEMA: Saúde Individual e Comunitária
    SETÚBAL



O QUE É A SAÚDE?

Como poderemos definir a saúde?

Alguns responderão que "ter saúde é não estar doente". Mas se a distinção
nos parece simples quando adoecemos com uma gripe durante alguns dias, ao
fim dos quais nos sentimos outra vez bem, há no entanto uma série de
situações em que é mais difícil fazer essa distinção.

Vejamos, por exemplo, o caso da Ana:

A Ana é uma jovem de 18 anos, activa e alegre, que trabalha como
telefonista numa empresa. Sente-se feliz, gosta do seu trabalho, adora ler
e passear. No entanto, se quisermos descrevê-la com mais pormenor,
ficarão a saber que a Ana é cega e ficou paralítica das pernas, em
consequência de um grave acidente sofrido na infância. Assim, a sua maneira
de estar no mundo sofre grandes limitações, mas ela adaptou-se,
desenvolvendo outras potencialidades: através do tacto, aprendeu a ler pelo
método de Braille e é competente no seu trabalho, manipulando dezenas de
botões e fichas de PBX. Quando a levam a passear, reconhece os sítios pelo
olfacto e distingue perfeitamente múltiplos ruídos que nos passam
despercebidos. Cega e paralítica, Ana não se considera no entanto doente ou
inválida. Se lhe perguntarmos pela sua Saúde, dirá que está óptima e encara
o futuro com optimismo.

Mas vejamos agora o caso do Filipe:

Lemos nos jornais que, após uma difícil perseguição, foi preso finalmente
este indivíduo, responsável por múltiplos crimes de roubo.
Os médicos que o examinaram relatam que a sua constituição física é muito
boa e que não lhe encontraram quaisquer alterações nos exames efectuados
ao cérebro. Apenas é um homem triste e agressivo. Se procurarmos na sua
infância, saberemos que ficou sem os pais quando tinha 1 ano e até aos 14
anos viveu num orfanato de disciplina férrea, longe de qualquer
manifestação de amor e carinho. Passo a passo, desde a fuga do orfanato, a
sua conduta foi-se tornando cada vez mais marginal, agredindo a torto e a
direito, única linguagem afinal que lhe ensinaram.
A partir destes dois casos, poderemos tirar algumas conclusões que nos
levam a um conceito de Saúde:

     Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e
     social e não apenas a ausência de doença. (OMS, 1948)

Haverá doença sempre que haja ruptura neste equilíbrio, com origem numa
causa física (como a gripe), psicológica (como o medo) ou social (como a falta
de afecto). Qualquer destes três factores pode provocar um desequilíbrio
mais ou menos grave que se repercutirá necessariamente nas outras duas
dimensões.
            (adaptado de Ferreira, A. C., O que é a Saúde, Edições Conhecer)

Responde agora a algumas questões:

1. Compara o caso da Ana com o do Filipe.

      1.1. De acordo com o conceito de saúde "ter saúde é não estar
      doente", qual dos dois indivíduos consideras que não tem saúde?

      1.2. E de acordo com o conceito de saúde da OMS (1948)? Qual está
      doente? Porquê?

2. Dá exemplos de causas que possam provocar um desequilíbrio na saúde de
   um indivíduo:

      2.1. Causas de ordem física

      2.2. Causas de ordem psicológica

      2.3. Causas de ordem social/ambiental

3. Actualmente, especialistas em saúde pública têm procurado uma definição
   de saúde que se enquadre com as mais recentes descobertas da medicina
   e que não seja tão subjectiva como a enunciada pela OMS. Deste modo, a
   saúde humana pode ser enquadrada em duas perspectivas: bem-estar
   físico e bem-estar emocional do indivíduo. Os técnicos de saúde utilizam o
   termo “factores de risco” para referirem certos comportamentos que
   podem comprometer o bem-estar físico e emocional de um indivíduo.
   Refere alguns factores de risco que podem comprometer o teu bem-estar.
FT2 - OMS

FT2 - OMS

  • 1.
    DISCIPLINA DE CIÊNCIASNATURAIS 9º Ano Outubro de 2010 TEMA: Saúde Individual e Comunitária SETÚBAL O QUE É A SAÚDE? Como poderemos definir a saúde? Alguns responderão que "ter saúde é não estar doente". Mas se a distinção nos parece simples quando adoecemos com uma gripe durante alguns dias, ao fim dos quais nos sentimos outra vez bem, há no entanto uma série de situações em que é mais difícil fazer essa distinção. Vejamos, por exemplo, o caso da Ana: A Ana é uma jovem de 18 anos, activa e alegre, que trabalha como telefonista numa empresa. Sente-se feliz, gosta do seu trabalho, adora ler e passear. No entanto, se quisermos descrevê-la com mais pormenor, ficarão a saber que a Ana é cega e ficou paralítica das pernas, em consequência de um grave acidente sofrido na infância. Assim, a sua maneira de estar no mundo sofre grandes limitações, mas ela adaptou-se, desenvolvendo outras potencialidades: através do tacto, aprendeu a ler pelo método de Braille e é competente no seu trabalho, manipulando dezenas de botões e fichas de PBX. Quando a levam a passear, reconhece os sítios pelo olfacto e distingue perfeitamente múltiplos ruídos que nos passam despercebidos. Cega e paralítica, Ana não se considera no entanto doente ou inválida. Se lhe perguntarmos pela sua Saúde, dirá que está óptima e encara o futuro com optimismo. Mas vejamos agora o caso do Filipe: Lemos nos jornais que, após uma difícil perseguição, foi preso finalmente este indivíduo, responsável por múltiplos crimes de roubo. Os médicos que o examinaram relatam que a sua constituição física é muito boa e que não lhe encontraram quaisquer alterações nos exames efectuados ao cérebro. Apenas é um homem triste e agressivo. Se procurarmos na sua infância, saberemos que ficou sem os pais quando tinha 1 ano e até aos 14 anos viveu num orfanato de disciplina férrea, longe de qualquer manifestação de amor e carinho. Passo a passo, desde a fuga do orfanato, a sua conduta foi-se tornando cada vez mais marginal, agredindo a torto e a direito, única linguagem afinal que lhe ensinaram.
  • 2.
    A partir destesdois casos, poderemos tirar algumas conclusões que nos levam a um conceito de Saúde: Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença. (OMS, 1948) Haverá doença sempre que haja ruptura neste equilíbrio, com origem numa causa física (como a gripe), psicológica (como o medo) ou social (como a falta de afecto). Qualquer destes três factores pode provocar um desequilíbrio mais ou menos grave que se repercutirá necessariamente nas outras duas dimensões. (adaptado de Ferreira, A. C., O que é a Saúde, Edições Conhecer) Responde agora a algumas questões: 1. Compara o caso da Ana com o do Filipe. 1.1. De acordo com o conceito de saúde "ter saúde é não estar doente", qual dos dois indivíduos consideras que não tem saúde? 1.2. E de acordo com o conceito de saúde da OMS (1948)? Qual está doente? Porquê? 2. Dá exemplos de causas que possam provocar um desequilíbrio na saúde de um indivíduo: 2.1. Causas de ordem física 2.2. Causas de ordem psicológica 2.3. Causas de ordem social/ambiental 3. Actualmente, especialistas em saúde pública têm procurado uma definição de saúde que se enquadre com as mais recentes descobertas da medicina e que não seja tão subjectiva como a enunciada pela OMS. Deste modo, a saúde humana pode ser enquadrada em duas perspectivas: bem-estar físico e bem-estar emocional do indivíduo. Os técnicos de saúde utilizam o termo “factores de risco” para referirem certos comportamentos que podem comprometer o bem-estar físico e emocional de um indivíduo. Refere alguns factores de risco que podem comprometer o teu bem-estar.