Eu sei tudo sobre o Pai Natal
Os crescidos dizem
que o Pai Natal não existe.
Mas eu não acredito neles.
Então se o Pai Natal não existe,
quem é que traz os presentes todos os anos?
Os crescidos dizem
que ninguém consegue descer pela chaminé.
Sobretudo com um saco tão grande às costas.
Mas eu sei que é possível.
O mais difícil é subir.
Os crescidos dizem
que o Pai Natal não tem tempo
para ler as cartas de todos os meninos.
Dizem que são tantas que nem se consegue contá-las.
Mas eu sei que ele as lê,
porque nunca se engana nos presentes.
Os crescidos dizem
que os trenós não podem voar pelos céus,
nem aterram nos telhados das casas.
Mas eu digo que eles estão enganados,
porque são as renas que voam e não os trenós.
Os crescidos dizem
que o Pai Natal não pode estar em todas as lojas ao
mesmo tempo.
Mas eu acho que isso é um disparate,
porque toda a gente sabe
que os Pais Natais das lojas são a fingir!
Os crescidos dizem
que o Pai Natal, se existisse,
nunca poderia entrar nas casas que não têm chaminé.
Mas eu acho que o importante não é a chaminé.
O que importa é a árvore de Natal.
Os crescidos dizem
que o Pai Natal nunca teria tempo
para embrulhar os presentes de todos os meninos.
Mas eu tenho a certeza
de que a Mãe Natal e os duendes lhe dão uma ajuda.
Os crescidos dizem
que é muito estranho
o Pai Natal nunca envelhecer.
Mas eu sei a verdade.
Ele envelhece mas, como tem barba e cabelos
brancos, não se nota.
Os crescidos dizem
que, se o Pai Natal entrasse mesmo nas casas, já
alguém o teria visto.
Mas um dia eu fiquei à espera dele, escondido debaixo
dos cobertores.
Ouvi os seus passos, mas tive medo de ir ver.
Os crescidos dizem
que o Pai Natal nunca aparece. E que isso é só uma
história que os pais contam aos filhos.
Mas eu acho que eles não estão a pensar muito bem.
Se não é ele, quem é que leva as cenouras
que eu lhe deixo ao pé da árvore de Natal para ele dar
às renas?
Os crescidos dizem
que, ao passar pelos países quentes,
que o Pai Natal teria demasiado calor com o seu
casaco vermelho.
Mas eu acho que eles não têm razão,
porque à noite, no céu, faz sempre um bocadinho de
frio.
Os crescidos dizem
que só os meninos pequenos acreditam no Pai Natal.
Mas eu sei que eles estão enganados.
Se o Pai Natal não existe,
por que razão estão sempre a falar dele?
Nathalie Delebarre
Eu sei tudo sobre o Pai Natal
Natal nas asas de um arco-íris
Era uma vez uma cidade cinzenta. As casas, as
ruas, as árvores e o rio, eram cinzentos… Todo o céu
que envolvia a cidade era cinzento…
As pessoas vestiam-se com roupas em tons de
cinzento e os seus rostos eram tristes e carrancudos.
Andavam sempre agitadas, demasiado ocupadas e
sem tempo para conversar, rir ou passear.
Jerónimo vivia na cidade cinzenta e, tal como as
outras crianças, sentia-se muito triste.
O Natal estava a chegar e sempre que ele pedia
aos pais para o ajudarem a escrever a carta ao Pai
Natal, a resposta era: “Não tenho tempo. Há coisas
mais importantes em que pensar.”
Jerónimo não compreendia… O que poderia ser
mais importante do que o Natal?
Sentado no peitoril da janela e o nariz encostado
ao vidro, Jerónimo olhava o céu e observava as nuvens
que passeavam lentamente sobre a cidade.
— São tão lindas! — comentava o menino,
apontando para uma nuvem bem lá no alto. — Aquela
parece mesmo um leão a fazer o pino! E aquela
parece… um coelho a jogar à bola! Será que há
alguma que pareça um elefante a andar de patins? —
questionava com ar pensativo.
De repente, um enorme elefante apareceu
esculpido nas nuvens!
Jerónimo olhava fascinado. Seria possível? As
nuvens estariam a convidá-lo para brincar?
Decidiu aceitar o desafio e embarcar naquele
jogo maravilhoso… desconhecendo que eram as artes
mágicas de Ariela que modelavam as nuvens ao sabor
dos seus pedidos.
Ariela era uma pequena fada muito bonita, de
asas transparentes, que voava graciosamente entre o
céu e a terra.
Era muito alegre e amava a natureza com toda a
sua beleza e cor. Por essa razão, ficou muito curiosa
quando soube da existência daquela cidade cinzenta.
Porque teria perdido a cor? Como seriam os seus
habitantes? As crianças seriam felizes?
Ariela voava sobre a cidade, tentando encontrar
uma explicação para aquele estranho lugar, quando
ouviu as palavras de Jerónimo. Para o alegrar,
resolveu brincar com ele, modelando as nuvens fofas
que embelezavam o céu.
A pequena fada olhava, com ternura, para o
rosto do pequeno Jerónimo e pensava no que poderia
fazer para tornar especial o Natal das crianças daquela
cidade cinzenta.
Então Ariela começou a assobiar. De imediato,
ouviram-se vários assobios em uníssono que se con-
fundiram com o sopro do
vento.
Milhares de pequenas
fadas, transformadas em
pontos de luz, espalharam-
se por todas as casas da
cidade.
Os adultos, sempre
ocupados, nada viram.
De repente, ao ritmo do assobio do vento, os
mesmos pontos de luz desapareceram no céu.
Ariela sorriu. As fadas conheciam os desejos de
todos os meninos da cidade cinzenta e iriam transmiti-
los ao Pai Natal. As crianças não ficariam sem
presentes!
E os adultos? Como poderia ajudá-los? Eles
tinham-se esquecido da cor… da sua essência, da sua
beleza, da sua alegria, da sua magia.
Sem cor a vida é triste e vazia.
Ariela pensou, pensou… e sorriu. Depois, bateu
as suas delicadas asas transparentes e voou, ligeira,
até ao céu.
Era véspera de Natal. Jerónimo acordou, abriu a
janela do seu quarto e ficou maravilhado. Estava a
nevar. Mas não era uma neve qualquer! Flocos de
todas as cores desciam lentamente do céu azul,
transformando toda a cidade cinzenta numa paleta
colorida.
Jerónimo viu o verde nas árvores, o prateado na
água do rio, o amarelo nas flores, as cores do arco-íris
nas casas, o dourado nos enfeites de Natal…
Aos poucos, as ruas foram-se enchendo de
pessoas de todas as idades que vestiam roupas de
todas as cores e que conversavam, corriam, saltavam,
brincavam e riam. E a neve ia caindo em flocos leves e
coloridos…
Lá no alto, sentadas nas nuvens, Ariela e as
outras pequenas fadas moldavam os flocos de neve,
pincelando-os delicadamente com as tintas do poder
da fantasia e lançando-os no ar com um sopro suave.
De vez em quando, atiravam pequenos flocos
umas às outras numa brincadeira alegre e divertida.
Ariela viu o pequeno Jerónimo e os seus pais
fazerem um enorme boneco de neve azul com olhos
verdes, boca vermelha, chapéu preto, nariz cor-de-
laranja… Davam abraços e soltavam gargalhadas!
A fada viu, ainda, as pessoas a entoarem
cânticos natalícios… e a desejarem umas às outras um
“Feliz Natal”!
A cor voltou aos corações! — pensou Ariela.
De repente, olhou o horizonte e sorriu. O seu
ouvido apurado ouviu, lá ao longe, o tilintar dos
sininhos do trenó do Pai Natal!
Alice Cardoso
Natal nas Asas do Arco-Íris
Presente de Natal
Presente de Natal
Quero que todos os dias
Sejam dias de Natal
Para todos terem alegria
E a ninguém lembrar o mal
Ò menino! Não te esqueças
De me dar um presente
Transforma todos os dias
Em Natais p'ra toda a gente.
Em Natais quentes de amor
Com cestos cheios de pão
Com luzes, sinos e febres
Com homens todos irmãos.
Autor desconhecido
Os anjinhos
Os anjinhos
Vão chegando de mansinho
Com pezinhos de algodão
Os anjinhos pequeninos
Mal tocam com os pés no chão.
Nos olhos trazem a luz
E o brilho do luar
No colo trazem flores
E estrelinhas a brilhar.
Ana Cristina Correia
Canção de Natal
Canção de Natal
Mila Marquis
Num berço feito de ferro
Sob um beiral pequenino
Deu-se o milagre divino
Nasceu Jesus nazareno
Natal, Natal, amor, alegria
Natal, Natal, o sino anuncia
Natal!!!!!!!
Autor desconhecido
Este menino
Este Menino
É pequenino
Qual passarinho
A querer poisar
Devagarinho.
Devagarinho
Poisa no ninho
Que o colo tem:
Ninho do colo
Da sua mãe.
Maria Alberta Menéres
Cartão!
Cartão!
O Natal está a chegar
Já sei o que vou fazer:
Um desenho bem bonito
E ao papá oferecer…
Um colar todo em massinhas
Ficará bem à mamã
Um boneco em plasticina
Eu darei à minha irmã.
Depois irei acabar
A prenda do meu irmão,
Um barco feito de noz
Com a vela em papelão!
O Natal está a chegar…
Vou ter cá um trabalhão
Ainda por cima não sei
O que vou dar ao meu cão!
Lourdes Custódio
Conto de Natal
Conto de Natal
Estando a Virgem
À borda do rio
Lavando os cueirinhos
Do seu bento filho
A Virgem lavava
São José estendia
O Menino chorava
Com frio que fazia
A Virgem ao peito
O foi conhecer
E logo o Deus Menino
Deixou de chorar.
Poema popular de Cardigos
Canto dos Pastores
Canto dos Pastores
Pastorinhos do deserto
É pois certo
Que na noite de Natal
Num curral
Baixou o Filho de Deus
Lá dos céus?
Quem nos deu tanta alegria?
Foi Maria!
E quem nos deu tanta luz?
Foi Jesus?
Onde nasceu tanto bem?
Em Belém!
Autor desconhecido
O Pai Natal
O Pai Natal
Corre o mundo, entra e sai
Não se engana nos presentes
Bem disposto e nosso amigo
Deixa-nos a todos contentes.
Traz o saco cheio de surpresas
Para pequenos e crescidos
Sempre atento e muito rápido
Todos os desejos são atendidos.
Pedi na oração da noite
Um carrinho especial
Pai Natal, como adivinhaste?
Se não escrevi isso no postal.
Adélia Pires
Dorme, dorme…
Dorme, dorme…
Vai-te embora, passarinho,
deixa a baga ao loureiro,
deixa dormir o Menino
que está no sono primeiro.
Inês do Carmo
Dorme, dorme, meu Menino,
que a Mãezinha logo vem.
Foi lavar os cueirinhos
à fontinha de Belém.
Poema popular da Ilha de São Jorge
Ode aos natais esquecidos
Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta
que dava acesso aos mistérios da noite,
daquela noite em particular, por ser a mais terna
de todas as noites que a minha memória
era capaz de guardar, com letras e sons,
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis.
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos,
a lembrança de outras noites e de outros dias,
os brinquedos cansados da solidão dos quartos,
os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis.
E todos me diziam que era ainda muito cedo,
porque a meia-noite morava já dentro do sono,
no território dos anjos e dos outros seres alados,
hora inatingível a clamar pela nossa paciência,
meninos hirtos de olhos fixos na claridade
enganadora de uma árvore sem nome.
Depois, o meu pai morreu e as minhas ilusões também.
Tudo se tornou gélido, esquivo e distante
como a tristeza de um fantasma confrontado
com a beleza da vida para sempre perdida.
Deixaram de me dar presentes e de dizer
que era o Menino Jesus que os trazia
para premiar a minha grandeza de alma,
o meu desejo de ser bom para os outros.
Passei a escrever sobre tudo isso, sofregamente,
só para não ter de escrever sobre a saudade
que esse tempo fugidio deixou em mim.
A árvore mirrou de frio num canto da sala,
os presentes apodreceram no sótão da casa,
juntamente com os doces da Consoada
que ninguém teve vontade de comer,
nem mesmo os mais gulosos como eu.
Um homem de muita idade bateu-me à porta
e depositou-me nas mãos um pequeno embrulho:
«Eis o teu presente de Natal» — disse-me.
Abri-o e vi um livro onde se contava
toda a minha vida desde o primeiro Natal
de que conseguia lembrar-me, tudo o mais esquecendo.
Ali estava eu de pé, muito quieto, junto da árvore,
à espera que alguém me viesse dizer
que o céu era pródigo em revelações e dádivas.
Era para lá que eu sonhava ir quando morresse.
Quando Dezembro se aproximar do fim,
lançarei pétalas ao vento como se tentasse
semear o perfume do que fui enquanto acreditei.
Talvez o homem volte com outro embrulho secreto,
só para me dizer que esse é o livro que ainda me falta escrever.
Então, juntarei os amigos, os filhos e os netos
numa roda de luz à minha volta e direi do Natal
o que os antigos diziam dos heróis e dos deuses:
foi à sombra deles que nos fizemos homens.
Quando eu partir de vez, lembrem ao menos
a ternura do meu sorriso de menino
quando a meia-noite soava no relógio da sala
e eu acreditava ainda que a felicidade era possível.
José Jorge Letria
Cantiga dos Reis
Cantiga dos Reis
Santos Reis, santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a virgem, mãe sagrada,
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela se pousou.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três;
Adoraram Deus-Menino
Cada um por sua vez.
Cantiga Popular de Barcelos
Cartão de Natal
Cartão de Natal
Escrevi
Um cartão de Natal
Dentro de mim.
Tenho-o presente
E (se puder)
Vou dá-lo a toda a gente.
Fiz-lhe um desenho
Leve e risonho,
Do tamanho
Do meu sonho.
E uma palavra só, aberta Victoria Kirdy
Como uma flor
A responder
Na rima certa:
AMOR!! Maria Alzira Machado
Eu queria ser Pai Natal
Eu queria ser Pai Natal
Eu queria ser Pai Natal
E ter carro com renas
Para pousar nos telhados
Mesmo ao pé das antenas.
Descia com o meu saco
Ao longo da chaminé,
Carregado de brinquedos
E roupas, pé ante pé.
Em cada casa trocava
Um sonho por um presente
Que profissão mais bonita
Fazer a gente contente!
Luísa Ducla Soares
Natal
Natal
Entrai, pastores, entrai
Por este portal sagrado.
Vinde adorar o menino
Numas palhinhas deitado!
Pastorinhos do deserto,
Todos correm para o ver.
Trazem mil e um presentes Karen Pritchett
Para o Menino comer!
Maria Alberta Menéres
O menino chora, chora
O Menino chora, chora…
O Menino chora, chora…
porque anda descalcinho.
Haja quem lhe dê as meias
que eu lhe dou os sapatinhos.
Nossa Senhora lavava
e S. José estendia
e o Menino chorava
com o frio que fazia.
Calai-vos, meu Menino,
calai-vos meu amor,
isto são navalhinhas
que cortam sem dor.
Poema popular do Redondo
Estafeta de leitura de Natal

Estafeta de leitura de Natal

  • 2.
    Eu sei tudosobre o Pai Natal Os crescidos dizem que o Pai Natal não existe. Mas eu não acredito neles. Então se o Pai Natal não existe, quem é que traz os presentes todos os anos? Os crescidos dizem que ninguém consegue descer pela chaminé. Sobretudo com um saco tão grande às costas. Mas eu sei que é possível. O mais difícil é subir. Os crescidos dizem que o Pai Natal não tem tempo para ler as cartas de todos os meninos. Dizem que são tantas que nem se consegue contá-las. Mas eu sei que ele as lê, porque nunca se engana nos presentes. Os crescidos dizem que os trenós não podem voar pelos céus, nem aterram nos telhados das casas. Mas eu digo que eles estão enganados, porque são as renas que voam e não os trenós. Os crescidos dizem que o Pai Natal não pode estar em todas as lojas ao mesmo tempo. Mas eu acho que isso é um disparate, porque toda a gente sabe que os Pais Natais das lojas são a fingir! Os crescidos dizem que o Pai Natal, se existisse, nunca poderia entrar nas casas que não têm chaminé. Mas eu acho que o importante não é a chaminé. O que importa é a árvore de Natal. Os crescidos dizem que o Pai Natal nunca teria tempo para embrulhar os presentes de todos os meninos. Mas eu tenho a certeza de que a Mãe Natal e os duendes lhe dão uma ajuda. Os crescidos dizem que é muito estranho o Pai Natal nunca envelhecer. Mas eu sei a verdade. Ele envelhece mas, como tem barba e cabelos brancos, não se nota. Os crescidos dizem que, se o Pai Natal entrasse mesmo nas casas, já alguém o teria visto. Mas um dia eu fiquei à espera dele, escondido debaixo dos cobertores. Ouvi os seus passos, mas tive medo de ir ver. Os crescidos dizem que o Pai Natal nunca aparece. E que isso é só uma história que os pais contam aos filhos. Mas eu acho que eles não estão a pensar muito bem. Se não é ele, quem é que leva as cenouras que eu lhe deixo ao pé da árvore de Natal para ele dar às renas? Os crescidos dizem que, ao passar pelos países quentes, que o Pai Natal teria demasiado calor com o seu casaco vermelho. Mas eu acho que eles não têm razão, porque à noite, no céu, faz sempre um bocadinho de frio. Os crescidos dizem que só os meninos pequenos acreditam no Pai Natal. Mas eu sei que eles estão enganados. Se o Pai Natal não existe, por que razão estão sempre a falar dele? Nathalie Delebarre Eu sei tudo sobre o Pai Natal
  • 3.
    Natal nas asasde um arco-íris Era uma vez uma cidade cinzenta. As casas, as ruas, as árvores e o rio, eram cinzentos… Todo o céu que envolvia a cidade era cinzento… As pessoas vestiam-se com roupas em tons de cinzento e os seus rostos eram tristes e carrancudos. Andavam sempre agitadas, demasiado ocupadas e sem tempo para conversar, rir ou passear. Jerónimo vivia na cidade cinzenta e, tal como as outras crianças, sentia-se muito triste. O Natal estava a chegar e sempre que ele pedia aos pais para o ajudarem a escrever a carta ao Pai Natal, a resposta era: “Não tenho tempo. Há coisas mais importantes em que pensar.” Jerónimo não compreendia… O que poderia ser mais importante do que o Natal? Sentado no peitoril da janela e o nariz encostado ao vidro, Jerónimo olhava o céu e observava as nuvens que passeavam lentamente sobre a cidade. — São tão lindas! — comentava o menino, apontando para uma nuvem bem lá no alto. — Aquela parece mesmo um leão a fazer o pino! E aquela parece… um coelho a jogar à bola! Será que há alguma que pareça um elefante a andar de patins? — questionava com ar pensativo. De repente, um enorme elefante apareceu esculpido nas nuvens! Jerónimo olhava fascinado. Seria possível? As nuvens estariam a convidá-lo para brincar? Decidiu aceitar o desafio e embarcar naquele jogo maravilhoso… desconhecendo que eram as artes mágicas de Ariela que modelavam as nuvens ao sabor dos seus pedidos. Ariela era uma pequena fada muito bonita, de asas transparentes, que voava graciosamente entre o céu e a terra. Era muito alegre e amava a natureza com toda a sua beleza e cor. Por essa razão, ficou muito curiosa quando soube da existência daquela cidade cinzenta. Porque teria perdido a cor? Como seriam os seus habitantes? As crianças seriam felizes? Ariela voava sobre a cidade, tentando encontrar uma explicação para aquele estranho lugar, quando ouviu as palavras de Jerónimo. Para o alegrar, resolveu brincar com ele, modelando as nuvens fofas que embelezavam o céu. A pequena fada olhava, com ternura, para o rosto do pequeno Jerónimo e pensava no que poderia fazer para tornar especial o Natal das crianças daquela cidade cinzenta. Então Ariela começou a assobiar. De imediato, ouviram-se vários assobios em uníssono que se con- fundiram com o sopro do vento. Milhares de pequenas fadas, transformadas em pontos de luz, espalharam- se por todas as casas da cidade. Os adultos, sempre ocupados, nada viram. De repente, ao ritmo do assobio do vento, os mesmos pontos de luz desapareceram no céu. Ariela sorriu. As fadas conheciam os desejos de todos os meninos da cidade cinzenta e iriam transmiti- los ao Pai Natal. As crianças não ficariam sem presentes! E os adultos? Como poderia ajudá-los? Eles tinham-se esquecido da cor… da sua essência, da sua beleza, da sua alegria, da sua magia. Sem cor a vida é triste e vazia. Ariela pensou, pensou… e sorriu. Depois, bateu as suas delicadas asas transparentes e voou, ligeira, até ao céu. Era véspera de Natal. Jerónimo acordou, abriu a janela do seu quarto e ficou maravilhado. Estava a nevar. Mas não era uma neve qualquer! Flocos de todas as cores desciam lentamente do céu azul, transformando toda a cidade cinzenta numa paleta colorida. Jerónimo viu o verde nas árvores, o prateado na água do rio, o amarelo nas flores, as cores do arco-íris nas casas, o dourado nos enfeites de Natal… Aos poucos, as ruas foram-se enchendo de pessoas de todas as idades que vestiam roupas de todas as cores e que conversavam, corriam, saltavam, brincavam e riam. E a neve ia caindo em flocos leves e coloridos… Lá no alto, sentadas nas nuvens, Ariela e as outras pequenas fadas moldavam os flocos de neve, pincelando-os delicadamente com as tintas do poder da fantasia e lançando-os no ar com um sopro suave. De vez em quando, atiravam pequenos flocos umas às outras numa brincadeira alegre e divertida. Ariela viu o pequeno Jerónimo e os seus pais fazerem um enorme boneco de neve azul com olhos verdes, boca vermelha, chapéu preto, nariz cor-de- laranja… Davam abraços e soltavam gargalhadas! A fada viu, ainda, as pessoas a entoarem cânticos natalícios… e a desejarem umas às outras um “Feliz Natal”! A cor voltou aos corações! — pensou Ariela. De repente, olhou o horizonte e sorriu. O seu ouvido apurado ouviu, lá ao longe, o tilintar dos sininhos do trenó do Pai Natal! Alice Cardoso Natal nas Asas do Arco-Íris
  • 4.
    Presente de Natal Presentede Natal Quero que todos os dias Sejam dias de Natal Para todos terem alegria E a ninguém lembrar o mal Ò menino! Não te esqueças De me dar um presente Transforma todos os dias Em Natais p'ra toda a gente. Em Natais quentes de amor Com cestos cheios de pão Com luzes, sinos e febres Com homens todos irmãos. Autor desconhecido
  • 5.
    Os anjinhos Os anjinhos Vãochegando de mansinho Com pezinhos de algodão Os anjinhos pequeninos Mal tocam com os pés no chão. Nos olhos trazem a luz E o brilho do luar No colo trazem flores E estrelinhas a brilhar. Ana Cristina Correia
  • 6.
    Canção de Natal Cançãode Natal Mila Marquis Num berço feito de ferro Sob um beiral pequenino Deu-se o milagre divino Nasceu Jesus nazareno Natal, Natal, amor, alegria Natal, Natal, o sino anuncia Natal!!!!!!! Autor desconhecido
  • 7.
    Este menino Este Menino Épequenino Qual passarinho A querer poisar Devagarinho. Devagarinho Poisa no ninho Que o colo tem: Ninho do colo Da sua mãe. Maria Alberta Menéres
  • 8.
    Cartão! Cartão! O Natal estáa chegar Já sei o que vou fazer: Um desenho bem bonito E ao papá oferecer… Um colar todo em massinhas Ficará bem à mamã Um boneco em plasticina Eu darei à minha irmã. Depois irei acabar A prenda do meu irmão, Um barco feito de noz Com a vela em papelão! O Natal está a chegar… Vou ter cá um trabalhão Ainda por cima não sei O que vou dar ao meu cão! Lourdes Custódio
  • 9.
    Conto de Natal Contode Natal Estando a Virgem À borda do rio Lavando os cueirinhos Do seu bento filho A Virgem lavava São José estendia O Menino chorava Com frio que fazia A Virgem ao peito O foi conhecer E logo o Deus Menino Deixou de chorar. Poema popular de Cardigos
  • 10.
    Canto dos Pastores Cantodos Pastores Pastorinhos do deserto É pois certo Que na noite de Natal Num curral Baixou o Filho de Deus Lá dos céus? Quem nos deu tanta alegria? Foi Maria! E quem nos deu tanta luz? Foi Jesus? Onde nasceu tanto bem? Em Belém! Autor desconhecido
  • 11.
    O Pai Natal OPai Natal Corre o mundo, entra e sai Não se engana nos presentes Bem disposto e nosso amigo Deixa-nos a todos contentes. Traz o saco cheio de surpresas Para pequenos e crescidos Sempre atento e muito rápido Todos os desejos são atendidos. Pedi na oração da noite Um carrinho especial Pai Natal, como adivinhaste? Se não escrevi isso no postal. Adélia Pires
  • 12.
    Dorme, dorme… Dorme, dorme… Vai-teembora, passarinho, deixa a baga ao loureiro, deixa dormir o Menino que está no sono primeiro. Inês do Carmo Dorme, dorme, meu Menino, que a Mãezinha logo vem. Foi lavar os cueirinhos à fontinha de Belém. Poema popular da Ilha de São Jorge
  • 13.
    Ode aos nataisesquecidos Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta que dava acesso aos mistérios da noite, daquela noite em particular, por ser a mais terna de todas as noites que a minha memória era capaz de guardar, com letras e sons, no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis. Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos, a lembrança de outras noites e de outros dias, os brinquedos cansados da solidão dos quartos, os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis. E todos me diziam que era ainda muito cedo, porque a meia-noite morava já dentro do sono, no território dos anjos e dos outros seres alados, hora inatingível a clamar pela nossa paciência, meninos hirtos de olhos fixos na claridade enganadora de uma árvore sem nome. Depois, o meu pai morreu e as minhas ilusões também. Tudo se tornou gélido, esquivo e distante como a tristeza de um fantasma confrontado com a beleza da vida para sempre perdida. Deixaram de me dar presentes e de dizer que era o Menino Jesus que os trazia para premiar a minha grandeza de alma, o meu desejo de ser bom para os outros. Passei a escrever sobre tudo isso, sofregamente, só para não ter de escrever sobre a saudade que esse tempo fugidio deixou em mim. A árvore mirrou de frio num canto da sala, os presentes apodreceram no sótão da casa, juntamente com os doces da Consoada que ninguém teve vontade de comer, nem mesmo os mais gulosos como eu. Um homem de muita idade bateu-me à porta e depositou-me nas mãos um pequeno embrulho: «Eis o teu presente de Natal» — disse-me. Abri-o e vi um livro onde se contava
  • 14.
    toda a minhavida desde o primeiro Natal de que conseguia lembrar-me, tudo o mais esquecendo. Ali estava eu de pé, muito quieto, junto da árvore, à espera que alguém me viesse dizer que o céu era pródigo em revelações e dádivas. Era para lá que eu sonhava ir quando morresse. Quando Dezembro se aproximar do fim, lançarei pétalas ao vento como se tentasse semear o perfume do que fui enquanto acreditei. Talvez o homem volte com outro embrulho secreto, só para me dizer que esse é o livro que ainda me falta escrever. Então, juntarei os amigos, os filhos e os netos numa roda de luz à minha volta e direi do Natal o que os antigos diziam dos heróis e dos deuses: foi à sombra deles que nos fizemos homens. Quando eu partir de vez, lembrem ao menos a ternura do meu sorriso de menino quando a meia-noite soava no relógio da sala e eu acreditava ainda que a felicidade era possível. José Jorge Letria
  • 15.
    Cantiga dos Reis Cantigados Reis Santos Reis, santos coroados Vinde ver quem vos coroou Foi a virgem, mãe sagrada, Quando por aqui passou. O caminho era torto Uma estrela vos guiou Em cima de uma cabana Essa estrela se pousou. A cabana era pequena Não cabiam todos três; Adoraram Deus-Menino Cada um por sua vez. Cantiga Popular de Barcelos
  • 16.
    Cartão de Natal Cartãode Natal Escrevi Um cartão de Natal Dentro de mim. Tenho-o presente E (se puder) Vou dá-lo a toda a gente. Fiz-lhe um desenho Leve e risonho, Do tamanho Do meu sonho. E uma palavra só, aberta Victoria Kirdy Como uma flor A responder Na rima certa: AMOR!! Maria Alzira Machado
  • 17.
    Eu queria serPai Natal Eu queria ser Pai Natal Eu queria ser Pai Natal E ter carro com renas Para pousar nos telhados Mesmo ao pé das antenas. Descia com o meu saco Ao longo da chaminé, Carregado de brinquedos E roupas, pé ante pé. Em cada casa trocava Um sonho por um presente Que profissão mais bonita Fazer a gente contente! Luísa Ducla Soares
  • 18.
    Natal Natal Entrai, pastores, entrai Poreste portal sagrado. Vinde adorar o menino Numas palhinhas deitado! Pastorinhos do deserto, Todos correm para o ver. Trazem mil e um presentes Karen Pritchett Para o Menino comer! Maria Alberta Menéres
  • 19.
    O menino chora,chora O Menino chora, chora… O Menino chora, chora… porque anda descalcinho. Haja quem lhe dê as meias que eu lhe dou os sapatinhos. Nossa Senhora lavava e S. José estendia e o Menino chorava com o frio que fazia. Calai-vos, meu Menino, calai-vos meu amor, isto são navalhinhas que cortam sem dor. Poema popular do Redondo