Elementos de Química Geral
              Volume 1    Edilson Clemente
              2ª edição




     Apoio:
Fundação Cecierj / Consórcio Cederj
             Rua Visconde de Niterói, 1364 – Mangueira – Rio de Janeiro, RJ – CEP 20943-001
                                Tel.: (21) 2299-4565 Fax: (21) 2568-0725


                                                Presidente
                                             Masako Oya Masuda

                                               Vice-presidente
                                                Mirian Crapez

                                 Coordenação do Curso de Biologia
                                      UENF - Milton Kanashiro
                                     UFRJ - Ricardo Iglesias Rios
                                      UERJ - Cibele Schwanke




Material Didático
ELABORAÇÃO DE CONTEÚDO                                         Departamento de Produção
Edilson Clemente
                                                         EDITORA                                       PROGRAMAÇÃO VISUAL
COORDENAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO
                                                         Tereza Queiroz                                Alexandre d'Oliveira
INSTRUCIONAL
                                                                                                       Bruno Gomes
Cristine Costa Barreto                                   COPIDESQUE                                    Marcelo Carneiro
DESENVOLVIMENTO INSTRUCIONAL                             Cristina Maria Freixinho                      Renata Borges
E REVISÃO                                                REVISÃO TIPOGRÁFICA                           ILUSTRAÇÃO
Zulmira Speridião                                        Elaine Bayma                                  Fabiana Rocha
Roberto Paes de Carvalho                                 Patrícia Paula
                                                                                                       CAPA
COORDENAÇÃO DE LINGUAGEM                                 COORDENAÇÃO DE                                Fabiana Rocha
Maria Angélica Alves                                     PRODUÇÃO
Cyana Leahy-Dios                                         Jorge Moura                                   PRODUÇÃO GRÁFICA
                                                                                                       Andréa Dias Fiães
COORDENAÇÃO DE AVALIAÇÃO DO
                                                                                                       Fábio Rapello Alencar
MATERIAL DIDÁTICO
Débora Barreiros
AVALIAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO
Ana Paula Abreu Fialho
Aroaldo Veneu                                          Copyright © 2005, Fundação Cecierj / Consórcio Cederj
                                   Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio
                                   eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.

                                C626e
                                            Clemente, Edilson.
                                              Elementos de química geral. v. 1 / Edilson Clemente.
                                            – 2.ed. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2008.
                                              189p.; 19 x 26,5 cm.

                                                   ISBN: 978-85-7648-385-4

                                                1. Química geral. 2. Evolução da química. 3.
                                            Propriedades. 4. Átomo. 5. Estruturas de Lewis. II. Título.
                                                                                        CDD: 540
2008/2
                                        Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
Governo do Estado do Rio de Janeiro


                                                Governador
                                             Sérgio Cabral Filho


                                Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia
                                             Alexandre Cardoso




Universidades Consorciadas

UENF - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO                                    UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO
NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO                                     RIO DE JANEIRO
Reitor: Almy Junior Cordeiro de Carvalho                           Reitor: Aloísio Teixeira



UERJ - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO                                   UFRRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL
RIO DE JANEIRO                                                     DO RIO DE JANEIRO
Reitor: Ricardo Vieiralves                                         Reitor: Ricardo Motta Miranda


UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE                              UNIRIO - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO
Reitor: Roberto de Souza Salles                                    DO RIO DE JANEIRO
                                                                   Reitora: Malvina Tania Tuttman
Elementos
                          de Química Geral                                Volume 1


SUMÁRIO   Aula 1 – Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier ______________ 7
          Aula 2 – Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais __________ 19
          Aula 3 – Propriedades gerais da matéria __________________________ 29
          Aula 4 – O átomo é divisível!___________________________________ 45
          Aula 5 – Estrutura eletrônica dos átomos __________________________ 61
          Aula 6 – Propriedades periódicas dos elementos ____________________ 83
          Aula 7 – Combinações entre átomos: a ligação iônica ________________ 97
          Aula 8 – Combinações entre átomos: a ligação covalente_____________ 111
          Aula 9 – Estruturas de Lewis: Parte l ____________________________ 125
          Aula 10 – Estruturas de Lewis: Parte ll ___________________________ 137
          Aula 11 – Forma das moléculas: Parte I __________________________ 155
          Aula 12 – Forma das moléculas: Parte II__________________________ 167
1
                                                                                     AULA
                                      Evolução da Química:
                                 da Pré-história a Lavoisier

                                                                                       Meta da aula
                                                         Descrever a evolução histórica da Química, até o
                                                         século XVIII, como determinante na constituição
                                                                                            desta ciência.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

            • Identificar alguns materiais (e suas propriedades) usados
              desde a Antiguidade e que ainda estão presentes no
              cotidiano do homem moderno.
            • Compreender os princípios da teoria do flogisto.
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier



INTRODUÇÃO               Consultando o verbete “química” em dicionários da Língua Portuguesa,
                         encontramos a seguinte definição: “Química é o estudo científico da constituição
                         da matéria, suas propriedades, transformações e as leis que as regem.”
                         Esta definição mostra que a Química é uma ciência exata, regida por leis
                         bem estabelecidas e estruturadas. Estas leis permitem a análise e a previsão
                         do comportamento de substâncias que existem naturalmente, ou que são
                         produzidas pelo homem.
                         Entretanto, o caráter científico da Química só foi estabelecido há cerca de três
                         séculos. Até o século XVIII, as práticas químicas se misturavam aos conceitos
                         da alquimia, fazendo com que seu caráter científico fosse mascarado, algumas
                         vezes, pelos ensinamentos místicos dos alquimistas. Por isso, é interessante
                         observar como essa ciência evoluiu ao longo do tempo. Nesta primeira aula,
                         você vai acompanhar a evolução da Química, desde tempos imemoriais até o
                         ponto em que ela se tornou uma ciência exata.


                         A QUÍMICA NOS TEMPOS ANTIGOS: PASSEANDO PELA
                         HISTÓRIA

                                O ser humano utiliza a Química desde o seu surgimento na
                         Terra, ainda que nos primórdios não tivesse consciência deste fato. Os
                         homens da Pré-história usavam pigmentos extraídos das plantas e dos
                         demais reinos da Natureza para decorar suas cavernas ou representar
                         seu cotidiano e suas crenças. São famosas as pinturas em cavernas
                         encontradas em vários locais do mundo, inclusive no Brasil, como está
                         ilustrado na Figura 1.1.




                           Figura 1.1: Pintura do homem das cavernas encontrada no Nordeste do Brasil.


8 CEDERJ
O domínio do fogo, que o homem conhecia mas não controlava,




                                                                                        1
permitiu a produção de grande variedade de utensílios e ferramentas. O




                                                                                        AULA
homem aprendeu a extrair e a trabalhar o cobre, o bronze e o ferro. Por
conseqüência, as comunidades que sabiam trabalhar os metais assumiram
a liderança sobre as demais.
      Em um salto histórico, estamos agora por volta de 4000-3000
a.C. No Oriente Próximo (onde hoje estão o Egito, a Síria, a Turquia, o
Líbano e Israel), bem como na China e na Índia, florescem as primeiras
grandes civilizações. Dentre elas, a egípcia foi a que mais influenciou a
humanidade nos tempos antigos.
      Nos séculos seguintes, os egípcios trabalharam o ferro, o ouro,
a prata e outros metais. Ainda fabricaram o vidro, produziram tintas e
pigmentos para pintura de ambientes, papiro para a escrita, aprenderam
a curtir o couro e extrair corantes, medicamentos e perfumes das plantas,
fabricaram bebidas fermentadas e aprenderam a produzir sabão e
vinagre. Não podemos esquecer que os egípcios dominavam a técnica
da mumificação e, para tal, utilizavam resinas especiais, provavelmente
extraídas de plantas e misturadas com matérias do reino animal. Esta
técnica tinha a função de preservar o corpo do morto por longo período,
e nela atingiram níveis de perfeição admirados até hoje.
      A tecnologia egípcia foi absorvida, difundida e, algumas vezes,
aprimorada pelos outros povos da Antiguidade. Entretanto, é importante
assinalar que o conhecimento adquirido por esses povos era totalmente
empírico, ou seja, baseado na experiência do dia-a-dia. Não havia registro
de uma preocupação sistemática com o estudo da natureza da matéria
e de suas propriedades até cerca de 500-400 a.C., quando os gregos
desenvolveram os primeiros modelos para explicar como são formadas
as substâncias presentes na Natureza.




                                                                             CEDERJ 9
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier



                           ATIVIDADE

                           1. O vidro é um material utilizado pelos antigos egípcios e faz parte integrante
                           do dia-a-dia da civilização atual. Entre num site para pesquisar quais são os
                           principais componentes do vidro comum e dos vidros coloridos.

                                                                          RESPOSTA COMENTADA
                           Você vai descobrir que o vidro é feito com uma das matérias-primas
                           mais baratas que podemos encontrar na Natureza: a areia. Esta é,
                           essencialmente, formada por silicatos de sódio e alumínio. O vidro
                           colorido é obtido pela adição de óxidos de ferro, cobre, cromo, cobalto
                           ou manganês. A engenhosidade do homem em manipular os materiais
                           que a Natureza oferece é o segredo de sua evolução neste planeta.




                           OS PRIMEIROS MODELOS TEÓRICOS EM QUÍMICA

                                  A civilização grega é considerada mãe da civilização ocidental. Ela
                           influenciou todos os povos que a sucederam – em especial os romanos,
                           – particularmente nas artes, na filosofia, na ciência e na religião. Para
                           os gregos, estes aspectos da cultura humana estavam intimamente
                           relacionados. Esta visão holística do mundo levou a indagações de
                           caráter filosófico sobre a natureza das substâncias formadoras do
                           Universo, cabendo aos gregos a elaboração dos primeiros modelos para
                           a constituição da matéria.
                                  Por volta de 420 a.C., o filósofo Demócrito (∼460-370 a.C.)
                           defendia o modelo de seu mestre Leucipo, que propôs ser a matéria
                           constituída de partículas infinitamente pequenas e indivisíveis, chamadas
                           átomos. Assim, cada substância seria formada por átomos nela presentes.
                           O modelo corpuscular de Leucipo se opunha ao de Empédocles (490-
Figura 1.2: Demócrito.     435 a.C.); este supunha ser o universo formado pela união dos quatro
                           elementos: fogo, ar, terra e água.
                                  O modelo dos quatro elementos foi adotado por Aristóteles
                           (384-322 a.C.), filósofo grego de maior influência no Ocidente. As
                           idéias aristotélicas dominaram o pensamento do Ocidente e do Oriente
                           Próximo, levando ao fortalecimento da alquimia, forma como a Química
                           mais se desenvolveu pelos séculos seguintes.



Figura 1.3: Aristóteles.


  10 CEDERJ
A ALQUIMIA E A IATROQUÍMICA




                                                                                                        1
                                                                                        ALQUIMIA




                                                                                                        AULA
       A ALQUIMIA era uma “arte secreta” na qual se misturavam idéias               Palavra derivada
                                                                                  do árabe al-kımıá,
                                                                                                ¯ ¯
de magia e práticas químicas. Os primeiros registros são em Alexandria               que por sua vez
                                                                                      originou-se do
e apresentam forte inspiração filosófica da teoria dos quatro elementos,             grego chymeıa,
                                                                                                  ¯
defendida por Aristóteles. A alquimia perdeu prestígio na Europa por volta         cujo significado é
                                                                                  “mistura de vários
de 292 d.C., devido à destruição de muitos escritos guardados em Alexandria,           ingredientes”.

mas manteve sua influência entre os povos do Oriente Próximo.
       Com a chegada dos árabes ao continente europeu alguns séculos
depois, a alquimia tornou-se novamente importante, embora seus
praticantes fossem, muitas vezes, perseguidos pela Igreja Católica.
Os árabes levaram consigo os ensinamentos de vários livros secretos,
considerados a base dos estudos alquímicos.
       Os ideais dos alquimistas estavam relacionados à descoberta da
“pedra filosofal”, capaz de transformar qualquer metal em ouro; e do
elixir da longa vida, capaz de curar todas as doenças. Na Figura 1.4, você
pode ter uma idéia de como funcionava um “laboratório” de alquimia.
Imagens como esta ficaram registradas no subconsciente das pessoas,
imprimindo à Química, durante séculos, um caráter pouco científico.




  Figura 1.4: Um laboratório alquímico, no qual se buscava a “pedra filosofal”.
                                                                                            CEDERJ 11
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier




                            Um trecho do Compositum de compositis de Alberto, o Grande (1193-1280),
                            um dos maiores alquimistas do Ocidente, traduz claramente o pensamento dos
                            praticantes na Idade Média :

                            “Observou-se que a natureza dos metais, tal como a conhecemos, é engendrada,
                            de uma maneira geral, pelo Enxofre e o Mercúrio. Somente a diferença de cocção
                            e de digestão produz a variedade na espécie metálica. Eu próprio observei
                            que num só e único vaso, quer dizer, num mesmo filão, a natureza produziu
                            vários metais e a prata, disseminados por aqui e ali. Demonstramos claramente
                            no nosso ‘Tratado dos minerais’ que, de fato, a geração dos metais é circular,
                            passando facilmente de um a outro, segundo um círculo; os metais vizinhos têm
                            propriedades semelhantes; é por isso que a prata se transforma mais facilmente
                            em ouro que qualquer outro metal.”



                                Os alquimistas não conseguiram chegar às metas sonhadas, mas,
                         ao longo de suas pesquisas, acabaram produzindo novos materiais
                         como o álcool, o ácido sulfúrico, o ácido nítrico e muitos outros
                         ácidos, bases, sais e óxidos. Também descobriram e manipularam
                         vários metais e substâncias elementares importantes, como o enxofre, o
                         fósforo, o mercúrio e o cádmio. Fabricaram, ainda, novos artefatos para
                         o uso em suas práticas alquímicas (como o almofariz e o alambique) e
                         aperfeiçoaram novas técnicas, como a destilação e a extração. A alquimia
                         contribuiu muito para o desenvolvimento da técnica química, mas não
                         para as explicações dos fenômenos químicos.



                            Recorde da Química Básica que:
                                 Ácidos inorgânicos são substâncias que contêm o íon H+;
                                 Bases inorgânicas são substâncias que contêm o íon OH-;
                                 Sais inorgânicos são obtidos pela combinação entre ácidos e bases;
                                 Óxidos são compostos formados por um metal ou não-metal e
                                 oxigênio.



                                Entre os alquimistas mais famosos do Ocidente, podemos destacar
                         os nomes de Maria, a Judia, Nicolas Flamel (1330-1418) e Paracelso
                         (1494-1541). A primeira é uma figura lendária, não se sabendo precisar
                         quando existiu ou mesmo se este nome se refere a uma única pessoa.
                         A ela atribui-se a criação do banho-maria, tão utilizado em aplicações
                         científicas e mesmo caseiras. Flamel, por sua vez, enganou a muitos e
                         a si mesmo, dizendo ter obtido o segredo da transmutação de metais
                         menos nobres em ouro.




12 CEDERJ
Paracelso, cujo nome verdadeiro é Philippus Aureolus Theophrastus




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                                                                            IATROQUÍMICA
Bombastus von Hohenmheim, dedicou boa parte de sua vida ao preparo




                                                                                                  AULA
                                                                             Doutrina médica
de medicamentos extraídos das plantas e dos outros reinos da Natureza.              reinante no
                                                                               século XVI que
Com ele, as artes mágicas da alquimia, já em declínio, adquiriram um        pretendia explicar
                                                                                 os fenômenos
caráter mais científico. A alquimia praticada por Paracelso e seus
                                                                             fisiológicos pelas
seguidores foi chamada I A T R O Q U Í M I C A .                              leis da Química.




                                Figura 1.5: Paracelso.


        Com o surgimento da iatroquímica, a Química entrou em nova
fase, inclinada à Medicina. Segundo o próprio Paracelso, “o fim próprio
da Química não é fazer ouro, é preparar remédios”.
        Vale a pena notar que a alquimia se difundiu em plena Idade
Média. A época de Paracelso corresponde precisamente ao período
de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, marcado pelo
Renascimento nas artes, na ciência, na religião e na organização social
e política do Ocidente.




                                                                                      CEDERJ 13
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier



                         ATIVIDADE

                         2. No texto a seguir, estão materiais utilizados pelos alquimistas. Ao final
                         do texto, são apresentadas definições que se encaixam corretamente
                         nele. Utilize seus conhecimentos de Química Básica para completar
                         adequadamente os espaços pontilhados. As definições descrevem materiais
                         (e algumas propriedades deles) usados pelos alquimistas.

                         O enxofre, .................................., era muito utilizado nas práticas alquímicas.
                         Ao queimar, produz o .............................., um gás tóxico de odor irritante.
                         O mercúrio era outro material querido dos alquimistas: atraía-os uma
                         propriedade incomum, a de ser ............................... Muitos metais eram
                         corroídos com ...................., um líquido xaroposo que provoca queimaduras
                         dolorosas. Finalmente, o grande fascínio dos alquimistas era o ouro,
                         .................................

                                a) Um metal amarelo brilhante e muito maleável
                                b) Um sólido amarelo, opaco e muito quebradiço
                                c) Dióxido de enxofre
                                d) Ácido sulfúrico
                                e) Um metal líquido à temperatura ambiente

                                                                               RESPOSTA COMENTADA
                         Você precisa conhecer algumas propriedades dos materiais
                         apresentados no texto. Felizmente são comuns, fazem parte do nosso
                         dia-a-dia. O enxofre é um sólido amarelo e opaco, que se quebra com
                         muita facilidade; a sua queima produz o dióxido de enxofre (SO2), um
                         gás muito tóxico e que pode levar até à formação de ácido sulfúrico na
                         atmosfera. O mercúrio é o único metal líquido à temperatura ambiente:
                         é usado nos termômetros. O ácido sulfúrico é uma substância altamente
                         corrosiva, com inúmeras aplicações em laboratório e indústria. O ouro
                         é um metal de cor amarelo brilhante utilizado na fabricação de jóias e
                         em partes de alguns instrumentos de precisão. b, c, e, d, a.




                         O NASCIMENTO DA QUÍMICA MODERNA: A CIÊNCIA
                         VENCE A CRENÇA

                                 O Renascimento marcou um novo período na civilização ocidental.
                         O método científico de investigação foi introduzido por pensadores
                         importantes como Rennè Descartes (1596-1650) e explicado por Francis
                         Bacon (1561-1626) em seu livro Novum Organum, em 1620. As idéias
                         destes pensadores se opunham às práticas alquímicas, nas quais não
                         havia um método científico de obtenção e estudo das propriedades dos
                         materiais utilizados. A figura de Robert Boyle (1627-1691) foi decisiva

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na implantação do método científico de investigação em Química. Suas




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experiências com gases marcaram, para muitos, o início da Química




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moderna.

!
    As experiências de Boyle com os gases o levaram a formular a lei de Boyle, que diz ser a
    pressão (p) de um gás inversamente proporcional ao seu volume (V) se a temperatura (T)
    for constante. A forma matemática desta lei é pV = C, T constante, na qual a constante
    C depende apenas da temperatura. A determinação de C levou à famosa equação dos
    gases perfeitos: pV = nRT.




                                Figura 1.6: Robert Boyle.



    A lei de Boyle fornece base para explicar as alterações que ocorrem na
    capacidade respiratória de mergulhadores no mergulho livre. Nossos pulmões
    têm uma capacidade média de seis litros de ar à pressão atmosférica. Quando
    um mergulhador atinge profundidades de algumas dezenas de metros, está
    sujeito a uma pressão muito maior; desta forma, sua capacidade pulmonar
    diminui sensivelmente.




Figura 1.7: Um mergulhador desprovido de equipamento de mergulho tem sua
capacidade pulmonar reduzida pelo aumento da pressão em seus pulmões.
                                                                                               CEDERJ 15
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier



                                         Boyle definiu elemento como qualquer substância que não pode
                                   ser dividida em substâncias ainda menores. Afirmou ainda que a matéria
                                   é composta por “corpúsculos” (átomos) de várias espécies e tamanhos
                                   capazes de formarem grupos, sendo que cada um deles constitui uma
                                   substância química. Com estas hipóteses, Boyle fez renascer as antigas
                                   idéias de Demócrito sobre a estrutura da matéria.
                                         Na tentativa de explicar o fenômeno da combustão, Georg
                                   Stahl (1660-1734) propôs, em 1697, a teoria na qual entendia que as
                                   substâncias queimavam porque eram ricas em uma certa substância
                                   chamada flogisto. A palavra flogisto vem do grego e significa “eu
                                   inflamo”. Segundo esta teoria, um corpo combustível era constituído de
                                   “terra metálica” e flogisto. A combustão era, segundo Stahl, a liberação
                                   do flogisto, que se manifestava sob a aparência de fogo livre.
                                         Você conseguiu entender? Vamos explicar! Para Stahl, a queima
                                   de um metal era vista como a perda do flogisto, deixando apenas a “cal”
                                   do metal (o óxido formado pela reação de combustão). Hoje entendemos
                                   este processo como uma reação de oxidação, com a formação de óxido
                                   do metal, segundo o esquema: Metal + oxigênio → óxido do metal.


        saída de flogisto                O mesmo princípio se aplicava à queima do carvão, produzindo
                                   gás carbônico. A chama nada mais era do que abundância de flogisto,
                                   como está ilustrado na Figura 1.8.
                                         A teoria do flogisto ganhou um grande número de simpatizantes,
                                   mas teve de enfrentar uma dificuldade que levou, mais tarde, à sua
                                   queda: verificou-se que os materiais resultantes da combustão (chamados
                                   materiais “deflogisticados”) pesavam mais do que o material com
                                   flogisto. Hoje podemos entender que esse fato é absolutamente coerente:
                                   a oxidação de um metal, por exemplo, o transforma no seu óxido; a
                                   substância formada tem massa maior que o metal puro, pois a ele foi
                                   incorporado o oxigênio do ar. Entretanto, na época de Stahl, não se sabia
                                   que a combustão era devida à reação das substâncias com o oxigênio.
                                         A descoberta do oxigênio por Joseph Priestley (1733-1804) e
                                   experiências bastante mais elaboradas de combustão de materiais à luz
                                   dessa nova descoberta, realizadas pelo próprio Priestley e por Antoine
                                   Lavoisier (1743-1794), destruíram a teoria do flogisto. Estamos no
Figura 1.8: Segundo Stahl, a
combustão era a liberação de       final do século XVIII e no começo de uma nova era para a Química.
flogisto, que saía pela chama do
material queimado.



       16 CEDERJ
Com isso, podemos ver que a história desta ciência vai muito além de




                                                                                                    1
uma simples história. Vamos parar por aqui!




                                                                                                    AULA
         Faça a Atividade Final para “fechar” esta breve introdução do
curso.




                             Figura 1.9: Joseph Pristley.



                                             ATIVIDADE FINAL

         O ferro se transforma em ferrugem (óxido de ferro) pelo contato com o oxigênio
         do ar atmosférico. Imagine que você tem a reação ferro + oxigênio → óxido de
         ferro. Como você mostraria que a teoria do flogisto não é válida?

         ____________________________________________________________________________
         ____________________________________________________________________________
         __________________________________________________________________________


                                                             RESPOSTA COMENTADA
         A teoria do flogisto foi uma tentativa de explicar os processos de combustão
         dos materiais. Uma dificuldade observada foi que a massa do material
         queimado era, muitas vezes, maior que a do material original. Este é o caso
         da oxidação de um metal. Na reação dada, um metal se transforma em seu
         óxido pela ação do oxigênio do ar. Se você pesar o material antes e depois
         da combustão, verá que o material oxidado tem massa maior que o metal
         puro. Se houvesse perda do flogisto do metal, o material queimado deveria
         ficar mais leve, o que entra em contradição com os resultados experimentais
         e mostra a inconsistência da teoria do flogisto.



                                                                                        CEDERJ 17
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier




  RESUMO

      A história da Química se confunde com a história da humanidade. Desde tempos
      imemoriais, a Química está presente no cotidiano do homem. Uma medida do grau
      de desenvolvimento de um povo pode ser dada pelo número de materiais que
      podem ser manipulados por ele. A Química dos povos antigos e da Idade Média
      era essencialmente empírica; pouco interesse havia em compreender a natureza
      mais íntima da matéria. Com o Renascimento, inaugurando a Idade Moderna e
      trazendo o método científico sistemático de investigação, a Química passa, ao fim
      do século XVIII, a ter o status de ciência.




                        INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

      Na próxima aula, você vai acompanhar o fabuloso desenvolvimento da Química
      nos séculos XIX e XX, e as perspectivas atuais desta ciência.




18 CEDERJ
2
                                                                                    AULA
                                 Evolução da Química: de
                               Lavoisier até os dias atuais

                                                                                     Metas da aula
                                                       Apresentar os principais períodos da evolução da
                                                            Química, desde Lavoisier até os dias atuais.
                                                                Descrever o modelo atômico de Dalton.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

            • Aplicar a teoria atômica de Dalton à representação de
              processos químicos.
            • Identificar algumas áreas importantes da Química
              contemporânea.




                                                                                       Pré-requisito
                                                          Para acompanhar esta aula, você deverá rever
                                                            o percurso histórico que foi apresentado na
                                                                                 Aula 1 desta disciplina.
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais



INTRODUÇÃO                Vimos na aula anterior que, ao final do século XVIII, as bases científicas da
                          Química foram estabelecidas, dando a ela o status de ciência exata. O químico
                          francês Antoine Lavoisier foi fundamental neste processo. Graças a ele, as leis
                          das combinações químicas ficaram bem estabelecidas, permitindo que, no início
                          do século XIX, John Dalton propusesse o primeiro modelo atômico consistente
                          com os dados experimentais disponíveis na época. A partir daí, um crescimento
                          impressionante de técnicas de análise e síntese de compostos químicos marcou
                          os séculos XIX e XX. Nesta aula, você vai acompanhar o notável desenvolvimento
                          da Química, tanto na parte experimental quanto teórica, desde o final do século
                          XVIII até os dias atuais.


                          LAVOISIER E DALTON

                                 Em 1789, no seu Tratado elementar de Química, Antoine Lavoisier
                          (1743-1794) fala das suas experiências com a combustão de metais e
                          outros elementos. Ele observou que o aumento da massa do material
                          queimado não se dá pela perda do flogisto (lembra do final da aula
                          anterior?), mas sim pela incorporação de uma certa quantidade de ar
                          (mais precisamente de oxigênio) ao metal. Seus trabalhos de análise
                          quantitativa dos produtos obtidos nas reações de combustão e em outras
                          reações químicas o levaram a propor a            LEI DA CONSERVAÇÃO DA MASSA,   e
                          ajudaram Joseph Proust (1754-1826) a estabelecer a           LEI DAS PROPORÇÕES

                          DEFINIDAS.   Estas duas leis formam a base da estequiometria, que você
   LEI   DA
   CONSERVAÇÃO DA         estudará detalhadamente mais adiante em nosso curso.
   MASSA    (Lavoisier)
   Em uma reação
   química, a soma
   das massas dos
   reagentes é igual à
   soma das massas
   dos produtos. “Na
   Natureza nada
   se perde, nada
   se cria. Tudo se
   transforma”.
   LEI DAS
   PROPORÇÕES
   DEFINIDAS   (Proust)
   Um composto
   é formado
   por elementos
   específicos
   combinados
   sempre na mesma
   proporção em
   massa.


                                                      Figura 2.1: Antoine Lavoisier.

20 CEDERJ
Além da lei da conservação da massa, podemos destacar como




                                                                                                     2
contribuições de Lavoisier:




                                                                                                     AULA
      a) a definição precisa de elementos químicos e sua descrição;
      b) a descrição dos compostos químicos formados pelas
combinações entre os elementos;
      c) a primeira nomenclatura sistemática dos compostos inorgânicos,
usando seus elementos constituintes;
      d) a composição quantitativa dos compostos pelo uso de balanças
de precisão;
      e) medições quantitativas das propriedades térmicas dos
elementos, dos compostos e das reações entre eles, pela construção e
uso de calorímetros.


      Se não inaugurou, Lavoisier fez avançar em muito a Química
Analítica, Química Inorgânica e Termodinâmica Química. Os resultados
das experiências de Lavoisier e Proust forneceram a base sobre a qual
John Dalton (1766-1844) pôde formular, em 1808, o seu modelo atômico.
Neste primeiro modelo quimicamente consistente, Dalton propôs que:
      a) a matéria é composta por partículas indivisíveis chamadas
átomos;
      b) todos os átomos de um elemento particular são idênticos em
massa e outras propriedades;
      c) os átomos de diferentes elementos diferem em massa e outras
propriedades;
      d) os átomos são indestrutíveis e simplesmente
se rearrumam nas reações químicas. Eles não se
dividem;
      e) quando os átomos de diferentes elementos
se combinam para formar compostos, eles formam
partículas novas, mais complexas. As partículas de
qualquer composto sempre contêm a mesma proporção
fixa de átomos.
      Podemos imaginar o átomo de Dalton como uma
esfera maciça e extremamente pequena. Átomos de um
mesmo elemento correspondem a esferas iguais em
natureza e tamanho. Átomos de elementos distintos são
representados por esferas também distintas. A formação
de um composto é descrita pela combinação de esferas,                 Figura 2.2: John Dalton.
em proporção definida pela lei de Proust.
                                                                                         CEDERJ 21
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais




                                O processo de formação da água a partir do hidrogênio e do
                         oxigênio, por exemplo, seria descrito pelo modelo de Dalton como a
                         aproximação de duas pequenas esferas ligadas entre si (representando
                         a molécula de hidrogênio, H2) a uma esfera maior, representando um
                         átomo de oxigênio. A molécula de H2O seria representada pela ligação
                         destas três esferas, como ilustrado na Figura 2.3.




                         Figura 2.3: Formação da água segundo o modelo de Dalton. Neste modelo, os
                         átomos são esferas maciças e de tamanho e massa característicos de cada átomo, e
                         as moléculas são representadas por esferas unidas entre si.


                                A teoria atômica de Dalton sofreria, entretanto, profundas
                         modificações, por já se saber ao final do século XIX que os átomos não
                         eram indivisíveis. Ainda assim, ela continua descrevendo precisamente
                         como a matéria se combina quimicamente segundo as leis de Lavoisier
                         e Proust.

                         ATIVIDADE

                         1. Faça uma representação da reação H2 +CO2 → H2O + CO utilizando
                         esferas de tamanho ou de cor diferente para representar os átomos de
                         hidrogênio, carbono e oxigênio, segundo o modelo de Dalton.
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                       RESPOSTA COMENTADA
                         Você deve desenhar inicialmente duas esferas pequenas unidas para
                         representar a molécula de H2, e três esferas unidas para representar
                         o dióxido de carbono. A forma como você vai unir as três esferas
                         mostra se você percebe ou não como o carbono se liga aos átomos
                         de oxigênio. A forma correta é colocar a esfera do carbono no centro
                         e as esferas dos oxigênios uma em cada lado, com as três esferas em
                         linha reta. Em seguida, você deve representar os produtos da reação.
                         Para a água, faça como no CO2 , com o átomo de oxigênio no centro.
                         A rigor, há um ângulo diferente de 180° entre as ligações O-H. Para
                         entender mais sobre a geometria de moléculas, aguarde a Aula 11.
                         A representação do CO é simples: duas esferas unidas representando
                         a ligação C=O.
22 CEDERJ
A QUÍMICA DO SÉCULO XIX




                                                                                                             2
                                                                                E S P E C T RO S C O P I A




                                                                                                             AULA
        Os avanços tecnológicos ocorridos no século XIX – pelo                         É o estudo da
                                                                                       luz absorvida
desenvolvimento das máquinas térmicas, pelo domínio da eletricidade,                ou emitida pelos
                                                                                      corpos sólidos,
pela melhora de equipamentos ópticos de precisão e pelos estudos sobre          líquidos ou gasosos.
o magnetismo – permitiram a descoberta de muitos novos elementos                  POLARIMETRIA
químicos. Também, graças a esses avanços, houve grande progresso na                    É o estudo do
                                                                                    desvio do plano
caracterização de compostos por técnicas não só puramente químicas,                da luz polarizada
                                                                                   quando atravessa
mas também por determinações             ESPECTROSCÓPICAS , POLARIMÉTRICAS E
                                                                                     uma substância
ELETROQUÍMICAS.                                                                           quiral (nos
                                                                                          compostos
        Talvez a melhor forma de ilustrar a importância dos acontecimentos        orgânicos, é a que
                                                                                  apresenta carbono
ocorridos naquele século, na área da Química, seja traçar uma pequena                   assimétrico).
cronologia em que vamos destacar alguns eventos, bem como os químicos           ELETROQUÍMICA
que os produziram. Acompanhe esta cronologia na Tabela 2.1 a seguir:                  É o estudo dos
                                                                                efeitos da passagem
                                                                                    de uma corrente
Tabela 2.1: Alguns eventos importantes na área da Química no século XIX                elétrica sobre
                                                                                sólidos inorgânicos
 Ano     Evento                                                                          e orgânicos,
                                                                                  líquidos puros ou
         Humphrey Davis utilizou células eletrolíticas na decomposição de
 1801                                                                                       soluções.
         compostos
 1803    Jön Berzelius realiza a decomposição eletrolítica de sais
 1807    Humphrey Davis obtém sódio e potássio por eletrólise
         Amedeo Avogadro estabelece que volumes iguais de gases diferentes
 1811
         têm o mesmo número de partículas
         Jean-Baptiste Biot descobriu que a luz tem seu plano de propagação
 1813    girado ao atravessar uma placa de quartzo e a seguir uma solução de
         sacarose
         Jön Berzelius calcula fórmulas de compostos orgânicos a partir de
 1815
         dados analíticos experimentais
         Franz Wöhler converteu o cianato de amônio em uréia, realizando
 1828    assim a primeira síntese de um composto orgânico a partir de um
         inorgânico
         Michael Faraday expôs as leis da eletrólise e estabeleceu a
 1833
         nomenclatura ainda hoje usada em eletroquímica
         Thomas Graham explicou a lei da efusão dos gases em pequenos
 1846
         orifícios
         Stanislao Cannizzaro mostrou a diferença entre pesos atômicos e
 1858
         moleculares
         Friedrich Kekulé definiu a química orgânica como a química dos
 1861
         compostos do carbono
         Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff descobriram o césio e o rubídio por
 1861
         técnicas espectroscópicas
         Dimitri Mendeleev criou o sistema de classificação periódica dos
 1869
         elementos.
         Jacobus van’t Hoff demonstrou que as quatro ligações do carbono
 1874
         estão distribuídas em forma de tetraedro
         Svante Arrhenius demonstrou que os eletrólitos se dissociam em íons,
 1884    átomos ou grupos de átomos que transportam carga elétrica positiva
         ou negativa
 1896    Henri Becquerel descobre a radioatividade
 1897    Joseph John Thomson descobre o elétron
                                                                                               CEDERJ 23
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais



                                Você certamente não entendeu o significado de muitos termos que
                         apareceram na tabela anterior. Não se preocupe, pois a idéia aqui é apenas
                         ilustrar a nossa discussão com eventos importantes na área da Química do
                         século XIX. Você pode consultar alguns sites especializados em história
                         da Química para obter mais informações sobre estes eventos. Podemos
                         citar, por exemplo, o seguinte endereço: http://www.sobresites.com/
                         ciencia/historiadaciencia.html; além de outros que estão listados ao
                         final desta aula.
                                Apesar de parecer longa, a tabela apresentada está longe de ser
                         completa. Ela ilustra apenas a evolução extraordinária da Química
                         no século XIX e aponta claramente para a descoberta das partículas
                         subatômicas, formadoras dos átomos.


                            O vencedor do primeiro Nobel em Química foi Jacobus van’t Hoff (1852-1911),
                            que recebeu esse prêmio em 1901 pelas suas pesquisas em dinâmica química
                            e pelos estudos de pressão osmótica em soluções. Este assunto é de extrema
                            importância em ciências biológicas e você vai aprender mais sobre ele no estudo
                            das propriedades coligativas de soluções.




                         A QUÍMICA DO SÉCULO XX E DOS DIAS ATUAIS

                                Ao final do século XIX, o desenvolvimento da Química era
                         tão amplo que já existiam “divisões” dela em áreas de conhecimento
                         específico. A Química Inorgânica, Orgânica, Analítica e Físico-Química
                         estavam estruturadas. A Química dos sistemas biológicos, devido à sua
                         grande complexidade, ainda não tinha tido um desenvolvimento tão
                         acentuado, mas este quadro se modificaria rapidamente no século XX,
                         quando ganhou impulso extraordinário graças aos sofisticadíssimos
                         equipamentos que começaram a surgir.
                                Os avanços na Espectroscopia e o domínio das leis da eletricidade e
                         do magnetismo permitiram descobrir e caracterizar partículas subatômicas.
                         A determinação da relação entre a carga e a massa de partículas
                         carregadas eletricamente levou à construção dos espectrômetros de
                         massa. A espectroscopia de amostras na presença de campos magnéticos
                         levou à construção dos aparelhos de ressonância magnética nuclear; hoje,
                         versões destes aparelhos são amplamente utilizadas na medicina.




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                                                                                                                    AULA
Figura 2.4: Aparelhos de ressonância magnética são hoje amplamente utilizados na
área médica para diagnóstico.


        A descoberta das partículas subatômicas levou à formulação
de novos modelos atômicos, dos quais destacamos os de Niels Bohr
(1871-1937) e de Erwin Schrödinger (1887-1961). Estes modelos serão
discutidos com detalhes nas próximas aulas.
        Os modelos criados para explicar as ligações entre os átomos
evoluíram a tal ponto que levaram a estabelecer um novo ramo: a
Química Teórica. O notável desenvolvimento da eletrônica, levando-nos
aos microcomputadores e equipamentos extremamente sofisticados,
tornou possível controlar experiências em nível molecular e realizar                   Figura 2.5: Niels Bohr.
cálculos químicos que permitem prever as propriedades de moléculas
tão grandes quanto polipeptídeos, carboidratos e polímeros.
        Novamente, um pequeno panorama cronológico pode ser traçado
para facilitar a visualização da evolução da Química no século XX. Ele
está apresentado na Tabela 2.2 a seguir.


Tabela 2.2: Alguns eventos importantes na área da Química no século XX

 Ano     Evento

         Mikhail Tsvet inventou o papel cromatográfico como meio de
 1901
         separação de pigmentos

 1909    Sören Sörensen inventou a escala de pH

 1911    Niels Bohr propôs o seu modelo atômico
                                                                                   Figura 2.6: Erwin Schrödinger.




                                                                                                CEDERJ 25
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais




                                    Max Von Laue mostrou que os cristais eram compostos por camadas
                          1912
                                    regulares e repetidas de átomos, através da difração de raios X
                                    Henry Moseley elaborou a tabela periódica baseada no número
                          1914
                                    atômico, que ele igualou à carga positiva do núcleo de um átomo
                                    Gilbert Lewis explicou a ligação covalente como sendo uma
                          1916
                                    distribuição dos elétrons
                                    Erwin Schrödinger estabeleceu o modelo dos orbitais para o átomo de
                          1925
                                    hidrogênio
                                    Heitler e London descrevem a formação da molécula de hidrogênio à
                          1927
                                    luz da mecânica quântica
                                    Arne Tiselius inventou a eletroforese, que separa partículas em
                          1930
                                    suspensão em um campo elétrico

                          1932      Harold Urey descobriu o deutério, um isótopo do hidrogênio
                                    Edwin McMilan e Philip Abelson sintetizaram o primeiro elemento
                          1940      transurânico (de número atômico maior do que o urânio), o neptúnio,
                                    bombardeando urânio com nêutrons
                                    Derek Barton deduziu que as propriedades de compostos orgânicos
                          1950
                                    são afetadas pela orientação dos seus grupos funcionais
                                    Francis Crick, Rosalind Franklin, James Watson e Maurice Wilkins
                          1953      determinaram a estrutura de dupla-hélice do DNA (ácido
                                    desoxirribonucléico) por difração de raios X
                                    Neil Bartlett preparou o primeiro composto de um gás nobre, o
                          1962
                                    hexafluoroplatinato de xenônio
                                    Roald Hoffmann e Kenichi Fukui aplicaram a mecânica quântica para
                          1981
                                    prever o caminho de reações químicas
                                    Harold Kroto e David Walton descobriram os fulerenos, uma nova
                          1985      família de sólidos constituídos por coberturas fechadas de átomos de
                                    carbono
                                    Químicos norte-americanos da Universidade da Califórnia sintetizaram
                          1993
                                    a rapamicina, testada como agente anticanceroso




                          !
                              A observação feita após a Tabela 2.1 vale também para as informações contidas nesta
                              tabela: você não precisa se preocupar em entender o significado de todos os termos
                              que aparecem; muitos deles são altamente especializados e sua interpretação foge aos
                              objetivos do nosso curso.




                                  É notável que a Química do final do século XX e dos dias atuais
                         esteja voltada para as aplicações em sistemas biológicos. Você mesmo
                         pode concluir este fato olhando a seqüência de eventos mostrada na
                         Tabela 2.2. A moderna tecnologia permite não só sintetizar e analisar
                         moléculas muito complexas (como os fármacos mais diversos), mas
                         também modelar computacionalmente os efeitos destas moléculas
                         nos seres vivos. Parece não existirem mais fronteiras na Química e as
                         perspectivas futuras são ilimitadas.



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ATIVIDADE




                                                                                                          2
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                        2. A diversidade de conhecimento químico atual e a interdisciplinaridade
                        geraram uma série de subdivisões na área de Química. Descubra do que
                        tratam as seguintes subáreas da Química e descreva, de forma sucinta,
                        suas aplicações:
                              a) Bioeletroquímica
                              b) Química Marinha
                              c) Química Forense
                              d) Geoquímica
                              e) Petroquímica

                                                                       RESPOSTA COMENTADA
                        Você encontrará facilmente o significado destas importantes áreas
                        de conhecimento, nas quais a Química e outras ciências têm uma
                        importante interface. A Bioeletroquímica se ocupa do estudo dos
                        princípios e aplicações da Eletroquímica nos processos biológicos. A
                        Química Marinha está voltada para a análise de materiais encontrados
                        no mar; tem um forte componente voltado ao meio ambiente. A Química
                        Forense está ligada às análises químicas e determinações de substâncias
                        em locais onde ocorreram fatos que podem estar relacionados a delitos.
                        Ambas são ramos da Química analítica. Finalmente, a Geoquímica e
                        a Petroquímica fazem a interface da química com as geociências. Na
                        Geoquímica, estuda-se a composição química e processos químicos
                        que ocorrem no globo terrestre; um ramo especial desta ciência é a
                        química do petróleo (Petroquímica).




CONCLUSÃO

      Numerosos produtos que consumimos no nosso dia-a-dia são
produzidos em decorrência de décadas de pesquisa e desenvolvimento,
visando a sua obtenção. A Química atual conjuga experiência prática,
avançados métodos de síntese e análise química e teorias sofisticadas
que permitem desenhar fármacos, corantes e catalisadores antes mesmo
de serem produzidos. Esses métodos tiveram sua origem nos esforços
de outros grandes cientistas que, conhecendo o passado, avançaram em
seu tempo, abrindo o caminho para a imensa tecnologia que dispomos
nos dias atuais.




                                                                                              CEDERJ 27
Elementos de Química Geral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais




  RESUMO

      Uma seqüência de eventos importantes, das experiências rigorosamente
      quantitativas de Lavoisier até a formulação de modelos matemáticos extremamente
      sofisticados para a compreensão da estrutura da matéria, levou a Química ao
      status de ciência e trouxe grande desenvolvimento a esta área do conhecimento
      humano. A descoberta de muitos equipamentos permitiu estabelecer vários ramos
      da ciência química, com desenvolvimento particularmente notável na química de
      sistemas biológicos.




                        INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

      Na próxima aula, você vai aprender os conceitos de matéria, propriedades e
      transformações. Eles são essenciais para definir a Química como ciência.




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3
                                                                                      AULA
                                           Propriedades gerais
                                                   da matéria

                                                                                        Metas da aula
                                                                                        Meta
                                     Caracterizar elementos, substâncias simples e compostas e misturas.
                                                                  Descrever os estados físicos da matéria.
                                                         Descrever as unidades fundamentais do Sistema
                                              Internacional e aplicá-las na determinação de propriedades
                                                                                fundamentais da matéria.
objetivos


            Esperamos que, ao final desta aula, você
            seja capaz de:
            • Caracterizar substâncias simples,
              compostas e misturas.
            • Identificar elementos comuns na tabela
              periódica.
            • Avaliar propriedades e transformações,
              distinguindo se são de natureza física ou
              química.
            • Determinar unidades de grandezas
              físicas com base nas unidades
              fundamentais do Sistema Internacional
              de Unidades (SI).




                                                                                        Pré-requisitos
                                                       É importante você rever os modelos de constituição
                                                       da matéria descritos nas Aulas 1 e 2. Isso vai ajudar
                                                          a compreender os conceitos expostos na primeira
                                                                                          parte desta aula.
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



INTRODUÇÃO               Você já aprendeu que a Química é a ciência que trata das propriedades e das
                         transformações da matéria. Agora, vamos especificar algumas propriedades
                         fundamentais da matéria e os tipos de transformações que vamos abordar
                         ao longo de nosso curso. Você vai aprender a distinguir os estados físicos
                         da matéria pelas suas características mais fundamentais. Vamos também
                         introduzir nesta aula conceitos importantes que permitem distinguir as
                         substâncias puras das misturas, e caracterizar as propriedades destas. Você
                         vai conhecer também as unidades utilizadas na determinação das propriedades
                         fundamentais da matéria. Através delas, as unidades de qualquer propriedade
                         podem ser obtidas.


                         TIPOS E COMPOSIÇÃO DA MATÉRIA


                         Definição de matéria

                                O mundo físico em que vivemos é formado por matéria, dos mais
                         diversos tipos. Observe a Figura 3.1. Nela estão representados um ser
                         vivo, um pequeno objeto contendo um líquido puro e um grande corpo
                         celeste. Estes corpos, animados e inanimados, são formados por matéria.
                         Matéria é tudo que contém massa e ocupa lugar no espaço. As folhas da
                         aula que você está lendo, o seu corpo, a água que você bebe e o ar que
                         você respira são exemplos de matéria.




 MASSA
 Massa é uma
 medida do quão
 difícil é começar o
 movimento de um
 corpo ou mudar
 a sua velocidade.       Figura 3.1: O peixe, o copo com água e o planeta Saturno são formados por matéria.
 Esta definição de
 massa é puramente
 operacional e vem
 das leis de Newton,            A MASSA é, para um dado corpo, constante e independente do local
 que você aprendeu da
 Física elementar. A     onde o corpo se encontra. Você deve distinguir claramente a massa de
 massa é propriedade     um corpo de seu peso. O peso de um corpo é uma medida da força de
 intrínseca da matéria
 e não pode ser          atração da gravidade sobre ele e depende do valor da força gravitacional.
 definida senão pelos
 efeitos que causa em    Um mesmo objeto na Terra e na Lua tem pesos diferentes, embora sua
 outros corpos.
                         massa seja a mesma.



30   CEDERJ
!




                                                                                                   3
    O valor do peso P de um corpo de massa m é dado por




                                                                                                   AULA
                                       P = mg
    Em que g é a aceleração provocada pelo campo gravitacional. Na Terra,
    g = 9,8 m/s2 ao nível do mar e a 45° de latitude. O valor de g muda em relação
    à altura e à latitude.




Composição e tipos de matéria

       As inúmeras evidências experimentais mostram que a matéria
é formada por partículas extremamente pequenas chamadas átomos.
Embora a variedade de espécies de matéria seja extraordinária, existem
apenas pouco mais de cerca de cem tipos distintos de átomos.


!
    Atente agora para as seguintes definições:
    Um elemento químico é uma substância que não pode ser decomposta em
    substâncias mais simples por processos físicos ou químicos comuns.
    Um átomo é a menor unidade de um elemento que detém suas propriedades.
    Uma molécula é uma unidade química que contém dois ou mais átomos unidos
    por ligações químicas.




       Átomos ou moléculas formadas pelo mesmo elemento são subs-
tâncias simples ou elementares. Substâncias formadas por moléculas
que contêm átomos diferentes são denominadas substâncias compostas
ou compostos.
       O oxigênio (O2), por exemplo, é uma substância simples, formada
por moléculas que só contêm átomos do elemento oxigênio (O). Cada
molécula de oxigênio é formada por dois átomos de oxigênio. Já a água
(H2O) é um composto. Cada molécula de água contém dois átomos do
elemento hidrogênio (H) e um átomo do elemento oxigênio (O).
       A observação de que a composição elementar de um composto é
sempre a mesma corresponde à lei das proporções definidas, formulada
por Proust por volta de 1800. Já vimos esta lei na aula anterior, está
lembrado?
       Os compostos podem ser decompostos em substâncias elementares
que o formam. A água pode ser decomposta (por meio da eletrólise), por
exemplo, em hidrogênio e oxigênio.


                                                                                     CEDERJ   31
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



                               As substâncias (simples ou compostas) podem ser puras ou estar
                        misturadas com outras substâncias. Uma substância pura é formada
                        por átomos ou moléculas de uma só espécie. As misturas são formadas
                        por substâncias de natureza diferente. Se a composição e a aparência
                        da mistura for a mesma em toda a sua extensão, então temos uma
                        mistura homogênea ou solução. Caso contrário, temos uma mistura
                        heterogênea.
                               Ao adicionarmos sal de cozinha à água, por exemplo, verificamos
                        que a mistura formada é homogênea em sua constituição e propriedades:
                        trata-se de uma solução. Já o sal de cozinha adicionado à areia do mar não
                        forma uma solução. Percebemos claramente os grãos de areia e os cristais
                        brancos do sal. Esta mistura é heterogênea.


                        ATIVIDADE


                        1. Em uma bancada de laboratório estão quatro frascos contendo materiais
                        distintos:


                             Frasco             1              2               3             4

                                                                            Azeite e
                           Conteúdo          Etanol      Água e açúcar
                                                                             água
                                                                                            Iodo


                        Identifique o frasco que corresponde a uma:
                        A) substância elementar pura
                        B) composto puro
                        C) mistura homogênea ou solução
                        D) mistura heterogênea

                                                                   RESPOSTA COMENTADA
                        Você deve ter em mente as definições dadas no tópico que prece-
                        de esta atividade para bem desenvolvê-la. Lembre-se de que uma
                        substância pura é formada por átomos ou moléculas de uma só
                        espécie química; ela é elementar se só existe um elemento em sua
                        constituição, e composta se é formada por mais de um elemento
                        diferente. As misturas contêm mais de uma espécie química. São
                        homogêneas se têm aspecto e composição uniforme; caso contrário,
                        são heterogêneas. Assim, o conteúdo do frasco I é o de uma subs-
                        tância pura cujas moléculas são formadas por átomos de carbono,
                        hidrogênio e oxigênio; trata-se de um composto puro (B). O frasco
                        II contém uma mistura de dois compostos: a água (formada por
                        átomos de hidrogênio e oxigênio) e a sacarose (formada por áto-
                        mos de carbono, hidrogênio e oxigênio); como o açúcar é solúvel




32   CEDERJ
3
                       em água, o frasco II contém uma mistura homogênea ou solução (C).




                                                                                                           AULA
                       O azeite e a água também formam uma mistura de dois compostos.
                       Entretanto, o azeite não se dissolve na água; temos, então, uma mistura
                       heterogênea no frasco III (D). Finalmente, o conteúdo do frasco IV é
                       o de uma substância pura formada por átomos do mesmo elemento
                       químico. Trata-se de uma substância elementar pura.




Representação dos elementos químicos

       Um elemento é representado pelo seu símbolo. Normalmente, o
símbolo dado a um elemento é formado pela primeira letra de seu nome.
O símbolo do hidrogênio, por exemplo, é H, o do carbono é C e o do
oxigênio é O. Quando mais de um elemento tiver seu nome começando
pela mesma letra, as duas primeiras letras do nome serão usadas para
representá-lo. Os símbolos do cálcio e do cromo, que começam com a
mesma letra, são Ca e Cr, respectivamente.
       Em muitos casos, parece que as regras acima não são cumpridas.
Isso ocorre porque muitos nomes de elementos vêm do latim. O símbo-
lo do sódio, por exemplo, é Na, que vem de natrium. Dessa forma, o
melhor é memorizar os símbolos dos elementos que aparecem com mais
freqüência. Alguns deles estão listados na Tabela 3.1 a seguir:


Tabela 3.1: Símbolos de alguns elementos comuns

    Elemento            Símbolo            Elemento             Símbolo
    Nitrogênio              N               Alumínio                Al
       Flúor                F               Cobalto                Co
      Fósforo               P                Cobre                 Cu
      Enxofre               S                 Ferro                Fe
     Potássio               K                 Sódio                Na
       Iodo                 I                 Zinco                Zn



       A lista dos elementos conhecidos, com seus símbolos e outras
importantes características, está contida na Tabela Periódica dos
Elementos, que você encontra no final deste livro. O estudo dessa tabela
faz parte do conteúdo da Aula 5.




                                                                                             CEDERJ   33
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



                        ATIVIDADE


                        2. Observe a tabela periódica. Localize nesta tabela o quadro correspondente
                        ao elemento oxigênio e copie as informações contidas nele. Na Aula 5,
                        você compreenderá a organização de cada quadro da tabela.
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________

                                                                   RESPOSTA COMENTADA
                        Embora esta tarefa seja muito simples, é importante que você
                        observe os detalhes de cada quadro da Tabela Periódica. Ele
                        apresenta o símbolo químico e nome do elemento considerado,
                        além de um número acima (o número atômico) e um número abaixo
                        (a massa atômica) no mesmo quadro. Na Aula 6, estudaremos
                        detalhadamente a estrutura desta tabela.




                        ESTADOS DA MATÉRIA

                               Toda matéria pode existir em três estados, sólido, líquido e gasoso.
                        Estes três estados diferem na:
                               • distância entre as partículas que formam a substância
                               • intensidade das forças de atração entre as partículas
                               • intensidade e tipo de movimento de suas partículas
                               Em um sólido, as forças de atração entre as partículas são relativa-
                        mente fortes. As partículas se empacotam próximas umas das outras em
                        um arranjo estrutural rígido. Isso dá forma e volume definidos ao sólido,
                        como você pode visualizar no cubo de gelo mostrado na Figura 3.2.




                        Figura 3.2: Os cristais hexagonais do gelo têm uma arrumação regular e definida,
                        que dão forma e volume definidos ao gelo.




34   CEDERJ
Existem dois tipos de sólidos, em função da diferença no arranjo das




                                                                                                     3
partículas que eles contêm. Nos sólidos amorfos, as partículas estão presas




                                                                                                     AULA
em um padrão orientado ao acaso. Nos sólidos cristalinos, as partículas
formam estruturas tridimensionais com padrão ordenado e regular. Nestas
estruturas, as partículas vibram em torno de suas posições de equilíbrio na
rede cristalina. Quando a temperatura é baixa, as vibrações são pequenas.
O aumento da temperatura faz aumentar a amplitude dessas vibrações até
que, no ponto de fusão do sólido, a rede cristalina se rompe.


 !
     Como exemplos de sólidos amorfos temos o vidro e os plásticos. Os metais são
     sólidos cristalinos, assim como o gelo, o açúcar (sacarose) e o sal de cozinha
     (cloreto de sódio). A rede cristalina do NaCl, por exemplo, tem o aspecto ilus-
     trado na Figura 3.3. Nela as esferas pequenas são átomos de Na,e as maiores,
     de Cl. Você pode observar o rigoroso ordenamento dos átomos na rede.




Figura 3.3: O NaCl é um exemplo de sólido cristalino; nele, os átomos têm um
ordenamento rigorosamente definido.


        Em um líquido, as partículas não estão presas tão firmemente quanto
em um sólido. Embora próximas umas das outras, podem mover-se de um
lugar para outro, deslizando umas sobre as outras. Por isso, um líquido
pode escoar de um lugar para o outro e tomar a forma do recipiente que
o contém, mantendo, entretanto, o seu volume.




     Figura 3.4: Um líquido escoa e toma a forma do recipiente que o contém.


                                                                                       CEDERJ   35
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



                                 Em uma dada temperatura, as moléculas da superfície de um líquido
                        (ou próximas a ela) podem escapar, pois não estão presas às outras moléculas
                        com a mesma intensidade que no interior da massa líquida. Se não colidirem
                        com as moléculas do ar, elas não mais voltarão ao líquido. Este processo é
                        denominado evaporação do líquido.
                                 O aumento da temperatura favorece a agitação das moléculas do
                        líquido, enfraquecendo as forças de atração até que, no ponto de ebulição
                        do líquido, as moléculas escapam completamente: o líquido se transforma
                        em gás.




                             Figura 3.5: Em um gás, as moléculas estão muito separadas umas das outras.



                                  No gás, as partículas estão muito afastadas e viajam a grande
                        velocidade. O gás não tem forma nem volume definidos; ele enche com-
                        pletamente o recipiente que o contém. Ao se movimentarem através do
                        recipiente que o armazena, as moléculas do gás colidem com as suas
                        paredes. O efeito destas colisões é expresso pela pressão do gás dentro
                        do recipiente. Quanto maior o número de colisões com as paredes, maior
                        é a pressão do gás.


                         !
                             Lembre-se da Aula 1: pela lei de Boyle, a pressão de um gás é inversamente
                             proporcional ao volume do recipiente que o contém, se a temperatura for
                             constante. Um cilindro de oxigênio, por exemplo, contém o gás a alta pressão;
                             se abrirmos a válvula do cilindro para a atmosfera, o gás escapa e vai ocupar um
                             volume muito maior, pois a pressão a que ele estará submetido é bem menor.




                        PROPRIEDADES E TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA

                                 Toda substância tem um conjunto único de propriedades que a
                        distinguem das demais. A título de ilustração, algumas propriedades do
                        hidrogênio, do oxigênio e da água foram listadas na Tabela 3.2.


36   CEDERJ
Tabela 3.2: Algumas propriedades da água, do hidrogênio e do oxigênio à




                                                                                                3
temperatura ambiente




                                                                                                AULA
     Substância            Água              Hidrogênio           Oxigênio
       Estado             Líquido              Gasoso              Gasoso
 Densidade (g/mL)           1,00             0,84 x 10  -3
                                                                  1,33 x 10-3
 Ponto de fusão (°C)        100                 -253                - 183
    Inflamável?             Não                  Sim                 Não



       As propriedades podem ser agrupadas em duas categorias:
       • propriedades físicas – são medidas sem alterar a identidade e a
composição da substância. Exemplos de propriedades físicas são a cor,
o cheiro, a dureza, o ponto de fusão e o ponto de ebulição.
       • propriedades químicas – descrevem como a substância pode se
alterar, ou reagir para formar outras substâncias. A capacidade que uma
substância tem de queimar em presença de oxigênio (ou de reagir com
ácidos e bases) é um exemplo de propriedade química.
       Assim como as propriedades de uma substância, as transformações
que ela sofre são classificadas em:
       • transformações físicas – são aquelas cuja substância muda a
sua aparência física, mas não muda a sua composição. A fusão e a
ebulição são exemplos de transformações físicas, nas quais a substância
muda de estado físico, mas continua com sua composição e identidade
inalteradas.
       • transformações químicas – são aquelas cuja substância é trans-
formada em outra(s) substância(s) quimicamente diferente(s) dela. São
também chamadas reações químicas.


UNIDADES DE MEDIDA


Unidades fundamentais de medida

       Muitas propriedades da matéria são quantitativas, ou seja, estão
associadas a números. Quando um número está associado a uma grandeza
medida, as unidades deste número sempre devem ser especificadas.

!
    Se você medir a distância entre dois pontos, por exemplo, e não especificar
    a unidade, não saberemos se esta distância é em metros, centímetros ou
    quilômetros.




                                                                                  CEDERJ   37
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



                                As unidades usadas em medições científicas são derivadas do
                        sistema métrico, desenvolvido na França ao final do século XVIII. Em
                        1960, um acordo foi obtido para especificar um conjunto particular de
                        unidades métricas para uso em medições científicas. Estas unidades são
                        as do Sistema Internacional de Unidades (SI). O SI tem sete unidades
                        básicas, a partir das quais todas as demais são derivadas. Estas unidades
                        estão listadas na Tabela 3.3 a seguir:

                        Tabela 3.3: Unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades (SI)

                              Grandeza Física          Nome da Unidade                  Símbolo
                                   Massa                    Quilograma                      Kg
                                Comprimento                    Metro                        M
                                   Tempo                     Segundo                        S
                              Corrente elétrica               Ampère                        A
                                Temperatura                    Kelvin                       K
                             Intensidade da luz               Candela                       cd
                               Quantidade de
                                                                Mol                        mol
                                 substância



                                Muitas vezes é conveniente usar prefixos para indicar frações
                        decimais ou múltiplos das várias unidades. O prefixo centi, por exemplo,
                        representa 10-2 (o centésimo) de uma unidade. A Tabela 3.4 apresenta
                        os prefixos mais utilizados em Química.


                         !
                             Lembre-se de que a notação exponencial é utilizada para não carregarmos
                             uma quantidade exagerada de zeros. Assim, 10n (n positivo) indica que
                             temos n zeros após o número 1. Já 10-n indica que temos n zeros antes do
                             número 1, sendo o primeiro deles seguido de vírgula. Por exemplo, 103 = 1000
                             e 10-3 = 0,001.




38   CEDERJ
Tabela 3.4: Prefixos mais utilizados no sistema métrico




                                                                                               3
                                                                                               AULA
          Prefixo                   Símbolo                 Significado
            giga                        G                        109
           mega                         M                        106
            quilo                       K                        103
            deci                        D                        10-1
            centi                        C                       10-2
            mili                        M                        10-3
           micro                         µ                       10-6
            nano                         n                       10-9
            pico                         p                      10-12

           femto                         f                      10-15



        A unidade SI de comprimento é o metro. Grandes distâncias
são medidas em quilômetros, e pequenas distâncias em submúltiplos
do metro (centímetros, milímetros ou micrômetros). A unidade SI para
massa é o quilograma. Seus submúltiplos são o grama (1 g = 10-3 kg),
a centigrama (1 cg = 10-2 g = 10-5 kg), o miligrama (1 mg = 10-3 g =
10-6 kg) e o micrograma (1 mg = 10-6 g = 10-9 kg).



 !
     Observe que a escolha do quilograma como unidade de massa não é usual,
     pois esta unidade é um múltiplo do grama. Em muitas situações práticas, o
     grama é usado ao invés do quilograma.




        A chamada quantidade de substância é dada pelo número de
moles (ou móis) da substância presente. O mol é a quantidade de
substância que contém 6,02×1023 partículas (átomos ou moléculas).
Este número é chamado de número de Avogrado. Assim, 16 gramas de
oxigênio molecular e 98 g de ácido sulfúrico correspondem à mesma
quantidade (ambos têm 1 mol de cada substância), embora suas massas
sejam diferentes. Você vai aprender tudo sobre a relação entre massa e
quantidade de substância nas aulas de Estequiometria.




                                                                                 CEDERJ   39
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



                           ATIVIDADE


                           3.
                           a) O diâmetro de um glóbulo branco do sangue mede cerca de 42 µm.
                           Exprima este valor em m e em nm.

                           b) Um médico prescreve uma dose de 0,1 g de um medicamento. Quantos
                           tabletes contendo 25 mg do medicamento são necessários para satisfazer
                           à prescrição?

                                                                     RESPOSTA COMENTADA
                           a) Você precisa estar atento às transformações de unidades e ao
                           trabalho com as potências de 10 (notação exponencial).
                           Sabendo que 1 µm = 10-6 m, então 42 µm são 42×10-6 m ou
                           4,2×10-5 m. Sendo 1 nm = 10-9 m, então vale a seguinte relação
                           entre µm e nm: 1 m = 106 µm = 109 nm. Dividindo os dois últimos
                           membros por 106, vemos que 1 µm = 103 nm. Assim, 42 µm são
                           42×103 nm = 4,2×104 nm.


                           b) Este exercício segue o mesmo padrão do exercício anterior, logo
                           a recomendação para a sua execução é a mesma.
                           Sabemos que 1 g = 103 mg. Então, 0,1 g = 102 mg = 100 mg.
                           Cada comprimido tem 25 mg. Logo, precisamos de 100/25 = 4
                           comprimidos para ter a dosagem requerida.




                           Unidades derivadas das unidades fundamentais

                                  As unidades de base do SI permitem que se obtenha a unidade
                           de qualquer outra grandeza, basta que saibamos exprimir a grandeza
                           desejada em termos de grandezas fundamentais. A unidade da grandeza
                           desejada será uma combinação de unidades fundamentais, posto que
                           deriva destas.
 VOLUME                           Para se obter a unidade SI de uma grandeza qualquer a partir das
 O volume (V) de um        unidades fundamentais, procedemos da seguinte forma:
 corpo define o lugar
 ocupado pelo corpo               • Etapa 1 - Exprime-se a grandeza desejada em termos das
 no espaço tridimen-
 sional.                   grandezas fundamentais do SI por uma relação matemática.
                                  • Etapa 2 - A unidade da grandeza desejada é obtida pela
 MASSA ESPECÍFICA          combinação de unidades das grandezas fundamentais que guarda a
 A massa específica (ρ),   mesma relação matemática obtida na primeira etapa.
 ou densidade de um
 corpo, é a razão entre
                                  Vamos aplicar estas etapas na determinação da unidade SI de
 a massa (m) do corpo e    duas grandezas importantes em química: o         VOLUME   ea   MASSA ESPECÍFICA
 seu volume (V).
                           de um corpo.

40   CEDERJ
Como os corpos podem ter as mais diversas formas, vamos con-




                                                                                                   3
siderar um cubo de aresta L. O volume deste corpo é dado por




                                                                                                   AULA
                                      V = L3

       Esta é a relação matemática entre a grandeza desejada (volume) e
as grandezas fundamentais do SI (no caso, o comprimento). A unidade da
grandeza desejada guarda com as unidades fundamentais a mesma relação
matemática dada pela equação anterior. Assim, sendo o metro a unidade
SI de comprimento, a unidade SI de volume é o metro cúbico (m3).


!
    Em laboratório, é comum usarmos submúltiplos de unidade: o decímetro
    cúbico (1 dm3 = 10-3 m3) e o centímetro cúbico (1 cm3 = 10-6 m3). Estas duas
    últimas se relacionam ao litro (L), uma unidade muito usada, mas que não
    pertence ao SI. As relações são
                                     1 dm3 = 1 L
                                    1 cm3 = 1 mL
                      Logo, 1 L = 1 dm3 = 1000 mL = 1000 cm3




       A massa específica se define pela relação


                                ρ= m = m
                                   V   L3

       Então, lembrando as unidades de massa e de comprimento no SI,
a unidade SI de massa específica é o kg/m3.


!
    É mais comum exprimir a densidade em gramas por mililitro (g/mL ou g mL-1)
    para sólidos e líquidos, e gramas por litro g/L ou g L-1 para gases. A relação
    entre estas unidades e as unidades SI pode ser obtida como se segue:
                 1g/mL = 10-3 kg/10-3 L = 10-3 kg/10-6 m3 = 103 kg/m3
                          1 g/L = 10-3 kg/10-3 m3 = 1 kg/m3




                                                                                     CEDERJ   41
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria




                                         ATIVIDADES FINAIS

       a) Identifique se as transformações a seguir são físicas ou químicas, marcando a
       coluna correta:

                       Transformação                   Física             Química
        (A) Dissolução do açúcar na água

        (B) Solidificação do ferro numa siderurgia

        (C) Corrosão do ferro pela água do mar

        (D) Queima da glicose em uma célula viva


       b) Obtenha a unidade SI das grandezas a seguir, a partir de sua definição:

       1) velocidade (razão entre a distância percorrida por um corpo e o tempo que o
       corpo leva para percorrê-la).

       2) aceleração (variação da velocidade de um corpo com o tempo)

       3) força (produto da massa de um corpo pela aceleração a ele imposta)

       4) pressão (razão entre a força exercida em um corpo e sua área)

       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________

       c) O que pesa mais, um quilo de papel ou um quilo de chumbo? E quem tem maior
       densidade? Justifique suas respostas.

       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________
       __________________________________________________________________________



42   CEDERJ
RESPOSTAS COMENTADAS




                                                                                                                  3
a) Lembre-se dos conceitos mencionados no tópico PROPRIEDADES E




                                                                                                                  AULA
TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA. Uma transformação física mantém
a identidade da substância, enquanto uma transformação química
altera a substância, transformando-a em outras. Assim, (A) e (B) são
transformações físicas, enquanto (C) e (D) são químicas. A corrosão
leva o ferro à ferrugem (óxido de ferro), e a queima da glicose produz
gás carbônico e água.

b) Reveja as duas regrinhas estabelecidas no subtópico Unidades
derivadas das unidades fundamentais. Você precisa inicialmente
estabelecer a expressão da grandeza desejada em termos de grandezas
fundamentais do SI. A unidade da grandeza desejada é obtida pela
mesma relação entre ela e as grandezas fundamentais. Vamos analisar
os quatro casos propostos.
b.1) A velocidade (v) de um corpo é a razão entre a distância (L)
percorrida pelo corpo e o tempo (t) necessário para percorrer esta
distância. A expressão matemática definidora da velocidade é,
então, v = L . A unidade de velocidade no SI será dada pela razão
            t
entre as unidades de distância e de tempo. Então, teremos


                                 unidade de distância (SI)       m
unidade de velocidade (SI)   =                               =        = ms-1
                                  unidade de tempo (SI)          s


b.2) A aceleração (a) é a razão entre a velocidade do corpo e o tempo
necessário para alterar sua velocidade. A expressão matemática defini-
                           v
dora da aceleração é a =      . Por sua vez, a velocidade é definida em
                           t
termos de grandezas fundamentais, como no item (1). A aceleração,
expressa em termos das grandezas fundamentais do SI, é dada por
    v
a=
    t
       = L2 . A unidade SI da aceleração será dada por
          t

                                 unidade de distância (SI)       m
unidade de aceleração (SI) =                                 =        = ms-2
                                 (unidade de tempo (SI))2        s2


b.3) A força (F) é definida como o produto da massa (m) de um corpo
                                       v      L
por sua aceleração (a): F = ma = m = m 2 . A última igualdade
                                       t      t
exprime a força em termos das grandezas fundamentais do SI. A
unidade SI de força será dada então por

                                                     unidade de distância (SI)            m
unidade de força (SI) = unidade de massa (SI) x                                  =   kg        =   kg ms-2
                                                    (unidade de tempo (SI))2              s2


Esta unidade recebe o nome de newton, (N). Assim, 1 N = 1 kg m s-2.




                                                                                               CEDERJ        43
Elementos de Química Geral | Propriedades gerais da matéria



      b.4) Por fim, a pressão (p) é a razão entre a força (F) e a área (A) de um
                   F      ma      mL      m
      corpo: p =      =       = 22 =          . Novamente, a última expressão
                   A       L2     Lt      Lt2
      exprime a grandeza desejada (pressão) em termos de grandezas do
      SI (massa, distância, comprimento e tempo). A unidade SI de pressão
      é então dada por

                                                     unidade de massa (SI)                        kg
       unidade de pressão (SI) =                                                              =          =   kg m-1s-2
                                   (unidade de comprimento (SI)) x (unidade de tempo (SI))2       m s2


      Esta unidade é chamada de pascal, (Pa). Assim, 1 Pa = 1 N m-2 =
      1 kg m-1 s-2.


      c) A massa dos dois corpos é a mesma (1 kg), logo o peso é idêntico
      (se ambos estiverem no mesmo lugar). O volume de 1 kg de papel
      é muito maior do que o de 1 kg de chumbo. Então, lembrando que
      a densidade é a razão entre a massa de um corpo e seu volume,
      concluímos que a densidade do papel é menor que a do chumbo.




 RESUMO

       De uma célula microscópica aos corpos celestes, tudo que tem massa e ocupa lugar
       no espaço é formado por matéria. As substâncias formadoras da matéria podem
       ser simples ou compostas. Elas possuem uma série de propriedades e podem sofrer
       transformações que alteram ou não a sua composição. A medida quantitativa
       dessas propriedades é expressa por números com unidades bem definidas, obtidas
       a partir de um conjunto de unidades fundamentais.




                           INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

       Na próxima aula, vamos começar a discutir a estrutura íntima da matéria. Você
       vai aprender a caracterizar as partículas formadoras dos átomos, dos quais toda
       a matéria é formada.




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4
                                                                                     AULA
                                             O átomo é divisível!

                                                                                       Metas da aula
                                                                 Listar as principais partículas formadoras
                                                                                                dos átomos.
                                                               Definir número atômico, número de massa
                                                                                       e massa atômica.
                                                            Distinguir os vários isótopos de um elemento.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

            • Especificar o valor da carga e da massa das partículas
              fundamentais formadoras do átomo.
            • Comparar a massa e o tamanho de um átomo com a de
              corpos macroscópicos.
            • Determinar o número de prótons e nêutrons e o número
              de massa de um átomo.
            • Determinar a massa atômica de um elemento pelo
              conhecimento da abundância relativa de seus isótopos.




                                                                                       Pré-requisitos
                                                        É importante que você releia os modelos teóricos
                                                               da Aula 1 e a teoria atômica de Dalton, da
                                                              Aula 2, que vão ajudá-lo(a) a compreender
                                                            as idéias expostas na parte inicial desta aula.
                                                                      Você deve rever também o conceito
                                                                                      de elemento, Aula 3.
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!



INTRODUÇÃO              Você já aprendeu o modelo atômico de Dalton, com base nas leis de Lavoisier e
                        Proust. De acordo com este modelo, os átomos são partículas indivisíveis, como
                        esferas maciças de tamanho microscópico. Segundo Dalton, a cada elemento
                        corresponde um tipo de átomo distinto, característico deste elemento.
                        Entretanto, à época de Dalton, não havia evidência direta da existência dos
                        átomos. À medida que foram desenvolvidos métodos experimentais para
                        estudar mais detalhadamente a natureza da matéria, surgiram indícios de que
                        a estrutura do átomo era mais complexa do que se pensava.
                        Nesta aula, você vai acompanhar as descobertas que levaram ao conhecimento
                        das principais partículas formadoras do átomo. A seguir, você vai aprender a
                        caracterizar um átomo pelo número destas partículas nele presentes e verá que,
                        em alguns casos, um elemento pode estar associado a átomos com números
                        diferentes de algumas destas partículas.


                        DESBRAVANDO O ÁTOMO

                        Raios catódicos e a descoberta do elétron

                               Em meados do século XIX, os estudos com gases sob baixa pressão,
                        (submetidos a uma descarga elétrica) apontavam a existência de uma
                        “radiação”, denominada raios catódicos (raios que saíam do cátodo).


                            Os gases são maus condutores de eletricidade à pressão ambiente, mas se
                            tornam bons condutores sob baixa pressão. Colocando-se duas placas de metal
                            (chamadas ânodo e cátodo) nas extremidades de um tubo contendo um gás
                            a baixa pressão, e estabelecendo uma diferença de potencial, ocorrem vários
                            fenômenos que dependem da pressão do gás. Se a pressão não for muito baixa,
                            o gás brilha. Esta é a origem das lâmpadas ou a gás. Se a pressão for bastante
                            baixa, surgem os raios catódicos.




                           Figura 4.1: Uma lâmpada fluorescente é um exemplo de tubo de descarga.
46 CEDERJ
Em 1897, J.J. Thomson resumiu as propriedades dos raios




                                                                                              4
catódicos. Ele demonstrou que estes:




                                                                                              AULA
        1. Movimentavam pequenos anteparos colocados em sua
trajetória, indicando que tinham massa.
        2. Eram desviados por campos elétricos e magnéticos, criados ao
longo dos tubos de gás, indicando que tinham carga.
        3. Eram sempre da mesma natureza, independentemente do
material formador do cátodo.


        A última observação mostrava que estas partículas estavam
presentes em qualquer material. Thomson as chamou de elétrons.


        Medições quantitativas dos efeitos dos campos elétricos e
magnéticos sobre um feixe de raios catódicos permitiram que se obtivesse
a relação entre a carga e a massa do elétron. A medição independente
da carga do elétron permitiu a determinação do valor de sua massa. Os
valores hoje aceitos são listados na Tabela 4.1:

Tabela 4.1: Propriedades fundamentais do elétron

Propriedade          Carga (e)           Massa (me)           e/me
Valor                1,6×10-19 C         9,1×10-31 kg         1,76×10-21 C/kg




   A unidade de carga elétrica no SI - como você vê na Tabela 4.1 - é o coulomb
   (C), que é a carga transportada quando uma corrente de 1 ampère atravessa
   um condutor em um segundo.


        A massa do elétron é extraordinariamente pequena. É cerca de
1.836 vezes menor que a massa de um átomo de hidrogênio, o mais leve
dos elementos conhecidos. A carga do elétron é negativa. O símbolo
indica o valor absoluto (módulo) de sua carga.

Radioatividade

        Em 1896, Henri Becquerel descobriu que sais de urânio emitiam
espontaneamente uma radiação muito energética. Esse fenômeno foi
denominado radioatividade. Ele sugeriu a Pierre e Marie Curie que
investigassem os métodos de isolamento dos componentes radioativos
de um mineral. Nascia a Radioquímica, ramo da Química que lida com
a obtenção e estudo das propriedades químicas de materiais formados
por elementos radioativos, como o urânio.
                                                                                  CEDERJ 47
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!




                            Antoine Henri Becquerel (1852-1908) era descendente de uma tradicional
                            família de físicos franceses. O fenômeno da radioatividade foi descoberto
                            por acaso, enquanto ele estudava as propriedades fluorescentes dos sais de
                            urânio. Pierre Curie (1859-1906) e sua esposa, Marie Curie (1867-1934), foram
                            seus colaboradores e descobriram vários outros elementos radioativos, como
                            o polônio e o rádio. Marie Curie foi a primeira mulher a receber um prêmio
                            Nobel por seus trabalhos nessa área.



                               As pesquisas dos Curie foram estendidas por Ernest Rutherford
                        (1871-1937), que caracterizou as emissões radioativas como sendo de
                        três tipos diferentes. As propriedades destes diferentes tipos de emissão
                        são listadas na Tabela 4.2:

                        Tabela 4.2: Propriedades das emissões radioativas

                          Tipo de Emissão        Carga (e)                       Natureza
                                 α                   2                       Partículas de He2+
                                 β                   -1                           Elétrons
                                 γ                   0                   Radiação de alta energia



                               Por esta tabela, você pode verificar que a emissão radioativa α é,
                        na verdade, um feixe de partículas carregadas (de carga positiva e igual
                        a duas vezes a carga do elétron) e de massa igual ao do átomo de He.
                        A emissão β é um feixe de elétrons, e a emissão γ (raios γ) é radiação de
                        alta energia. Estas emissões ocorrem espontaneamente nos átomos dos
                        elementos radioativos, como urânio, polônio e rádio.


                            Os elementos radioativos têm grande importância na área médica. Como
                            exemplo, citamos o cobalto e o iodo radioativo, usados na cura de doenças ou
                            em exames de contraste. Entretanto, há um problema sério ao trabalhar com
                            esses materiais: o tempo de exposição. Existem doses de radiação recomendadas,
                            pois o excesso é extremamente danoso aos tecidos vivos.



                        Outras partículas subatômicas

                               As descobertas de Rutherford ampliaram o leque de partículas
                        subatômicas. Muitas outras partículas foram descobertas (e são até hoje),
                        mas para os químicos somente três são essenciais para caracterizar os
                        átomos: elétron, próton e nêutron. As propriedades destas três partículas
                        estão resumidas na Tabela 4.3:




48 CEDERJ
Tabela 4.3: Propriedades do próton, do elétron e do nêutron




                                                                                                                4
                                                                                                                AULA
        Partícula                 Carga (e)                   Massa (mp)
        Próton (p)                   +1                            1
         Elétron                     -1                         1/1836
        Nêutron                       0                         1,0013



       Nesta tabela, a unidade de carga é o módulo da carga do elétron,
e a unidade de massa é a massa do próton. O próton e nêutron são muito
mais pesados que o elétron. A carga do próton é idêntica à do elétron,
porém de sinal contrário. O nêutron é uma partícula sem carga.


                           ATIVIDADE

                           1. Refaça a Tabela 4.2 escrevendo os valores absolutos da carga e da massa
                           de cada partícula.
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           _________________________________________________________________

                                                                             RESPOSTA COMENTADA
                           Para realizar essa atividade, você precisa saber os valores da carga e
                           da massa do elétron. O próton e o elétron têm a mesma carga em
                           módulo e o nêutron não tem carga. A massa do próton é 1.836 vezes
                           maior que a do elétron, e a do nêutron é 1,0013 vezes maior que a
                           do próton. Com estas informações e com o auxílio da Tabela 4.1, você
                           pode montar a tabela a seguir:

                                  Partícula                   Carga                    Massa
                                  Próton (p)             +1,6×10   -19
                                                                         C          1,671×10-27 kg
                                   Elétron               -1,6×10-19 C                9,1×10-31 kg
                                  Nêutron                      0                    1,673×10-27 kg




O átomo nuclear

       A descoberta das partículas subatômicas levou Rutherford a criar
um novo modelo para o átomo. Neste novo modelo, o átomo não era
visto como um corpo maciço e indivisível. Ele seria formado por um
núcleo denso e muito pequeno, contendo os prótons e nêutrons, presos
por fortes forças de atração. Em torno do núcleo, ficariam os elétrons.
O núcleo seria extremamente pequeno se comparado ao átomo como
um todo. Este modelo nuclear do átomo vigora até hoje.
                                                                                                    CEDERJ 49
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!




                                      Figura 4.2: Modelo nuclear do átomo (fora de escala).



                            As forças que prendem os prótons no núcleo são denominadas forças nucleares
                            fortes. Elas são intensas o suficiente para vencer a repulsão eletrostática entre
                            os prótons. Parece que os nêutrons desempenham importante papel na
                            estabilização das forças nucleares fortes.




                                Os átomos são partículas extremamente leves e pequenas. O
                        diâmetro de um átomo varia entre 1×10-10 m e 5×10-10 m, ou seja,
                        entre 100 a 500 pm. É mais comum medir as distâncias atômicas em
                        angstroms (Å), que vale 10-10 m. Assim, o diâmetro de um átomo varia
                        de 1 a 5 Å. Já o diâmetro dos núcleos é cerca de 10-4 vezes menor que
                        o do átomo como um todo. Como a massa do átomo está concentrada
                        no núcleo, a densidade do núcleo é extremamente alta, variando entre
                        1012 a 1013 g/cm3.


                                Você tem idéia da ordem de grandeza desses números? Os
                        exercícios da atividade a seguir vão ajudar a relacionar as dimensões
                        atômicas com a dos corpos que encontramos no nosso dia-a-dia.




50 CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                                                 4
                                                                                                                 AULA
                               2. a. O diâmetro de um átomo de carbono é de 1,5 Å. Quantos átomos de
                               carbono poderiam ser alinhados lado a lado se comparados à ponta de
                               um lápis, com 0,3 mm de espessura?

                               2. b. Qual seria a massa de um pequeno cubo, de 1 cm de aresta, feito de
                               um material com a densidade dos núcleos de um átomo?

                                                                                   RESPOSTA COMENTADA
                               2. a. A primeira etapa que você deve tomar para resolver este exercício
                               é converter os dois números dados à mesma unidade (metros):
                                          1,5 Å = 1,5×10-10 m
                                          0,3 mm = 0,3×10-3 m = 3×10-4 m
                               Dividindo os dois números, obtemos a resposta: 3×10-4/1,5×10-10 =
                               2×106 átomos de C. Portanto, são necessários dois milhões de átomos
                               de carbono enfileirados lado a lado para se obter uma ponta de lápis
                               comum!


                               2. b. Você precisa recordar a definição de densidade estudada ao final
                               da Aula 3:
                                                                           massa
                                                           densidade =
                                                                          volume
                               Então massa = densidade × volume. O volume (V) de um cubo de lado
                               L é dado por V = L     3,
                                                           e é 1 cm3. A densidade dos núcleos da ordem
                               de 1013 g/cm3. Então:
                               massa = 1×1013 (g/cm3) × 1 (cm3) = 1×1013 g = 1×1010 kg
                               (Veja como a unidade correta aparece ao final da conta!). Para você
                               ter uma idéia do que isto representa, um cubo de chumbo de mesmo
                               volume tem massa igual a 11,34 g!




IDENTIFICANDO OS ÁTOMOS DE UM ELEMENTO

Número atômico e número de massa

        Um átomo de um dado elemento químico é caracterizado pelo
seu número atômico Z.


!
    O número atômico (Z) de um elemento é dado pelo número de prótons (p) do átomo de um
    elemento. Em um átomo neutro, o número de elétrons é igual ao número de prótons.




                                                                                                     CEDERJ 51
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!



                                 Como a carga do próton cancela a do elétron, o número atômico
                        Z nos informa também quantos elétrons há em um átomo neutro daquele
                        elemento.


                                 O magnésio (Mg), por exemplo, tem 12 prótons em seu núcleo;
                        logo, há doze elétrons em volta do núcleo. Por isso, a identidade de um
                        elemento é ditada somente pelo número de prótons, independentemente
                        do número de elétrons ou de nêutrons.


                             É possível remover ou adicionar um ou mais elétrons de um átomo (formando
                             os íons), ou termos átomos do mesmo elemento com números de nêutrons
                             diferentes (os isótopos). Em todos estes casos, o número de prótons não se
                             altera. Daí ser o número atômico Z a entidade que caracteriza um dado elemento
                             químico.




                                 Já vimos que a massa de um átomo está concentrada no núcleo,
                        onde estão os prótons e os nêutrons.

                         !
                             Já vimos que a massa de um átomo está concentrada no núcleo, onde estão os prótons
                             e os nêutrons. O número de massa M de um elemento é dado pela soma do número de
                             prótons (p) e do número de nêutrons (n) do átomo que representa esse elemento.
                             M=p+n




                                 Uma notação conveniente para representar o número atômico Z
                        e o número de massa M de um elemento X qualquer é:
                                                                  M
                                                                  Z   X

                                 O oxigênio, por exemplo, que possui 8 prótons e 8 nêutrons, é
                                               16
                        representado por       08   O . Uma notação mais compacta seria 16O, ou ainda
                        oxigênio-16.


                                 Os elementos conhecidos estão ordenados em ordem crescente na
                        Tabela Periódica que se encontra na contracapa deste livro. Nesta tabela,
                        o número atômico encontra-se acima do símbolo do elemento. Você deve
                        consultá-la para resolver os problemas da próxima atividade.




52 CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                                        4
                                                                                                        AULA
                         3. Determine o número de prótons, nêutrons e elétrons do átomo neutro
                            12
                         de 06 C , cobalto-60 e 131I.

                                                                      RESPOSTA COMENTADA
                         Você precisa lembrar que:
                            • Em um átomo neutro, o número de prótons (p) é igual ao de
                             elétrons (e).
                            • A soma do número de prótons (p) com o de neutros (n) é o número
                             de massa (M) de um átomo.
                                     12
                         1) Para o  C : p=6, e = 6, M = 12 e n = M – p = 6. Neste exemplo,
                                     06
                         usou-se a notação M1 X para representar o elemento C;
                                           Z
                         2) Consulte a Tabela Periódica e descubra que o cobalto tem Z = 27;
                         logo p = 27, e = 27. Como a massa dada é M = 60, então n = 60
                         – 27 = 33.
                         (c) Consulte a Tabela Periódica e veja que o iodo tem Z = 53. Então,
                         p = 53, e = 53. Como a massa dada é M = 131, então n = 131 – 53
                         = 78.




ISÓTOPOS DE UM ELEMENTO

      No começo do século XIX, Dalton desenvolveu sua teoria atômica
com base na idéia de que cada elemento era formado por átomos de
uma só espécie. Cerca de um século depois, Frederick Soddy (1897-
1956) provou que o neônio (Ne) era formado por dois tipos de átomos
diferentes. Alguns átomos tinham número de massa 20, e outros 22 (mais
tarde foi descoberto um terceiro tipo de Ne, com M = 21). O número
atômico do Ne é 10, logo existem 10 prótons. Assim, concluímos que
os tipos distintos de Ne diferem no número de nêutrons. Os tipos de
átomo de um elemento que diferem pelo número de nêutrons (mas têm
o mesmo número de prótons) são os isótopos do elemento.


      Após a descoberta de Soddy, foram identificados muitos isótopos
dos outros elementos. Na verdade, são poucos os que têm um só tipo de
átomo. Mesmo o hidrogênio (o elemento mais leve que se conhece), tem
três isótopos distintos, cujas propriedades estão listadas na Tabela 4.4:




                                                                                            CEDERJ 53
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!



                        Tabela 4.4: Propriedades dos isótopos do hidrogênio

                           Isótopo         N° atômico                    Nº de massa          Nº de nêutrons
                             1
                             1   H                1                           1                     0
                             2
                             1   H                1                           2                     1
                             3
                             1   H                1                           3                     2



                                      2
                            O isótopo 1 H tem um nome e um símbolo especiais – é o deutério (D). A água
                            deuterada é feita de deutério, no lugar do ¹H.
                            O deutério é muito utilizado como marcador de substâncias químicas. Neste caso,
                            substitui-se um ou mais átomos de 1H por átomos de 2H; o composto resultante
                            é mais pesado e o local onde o deutério entrou na molécula pode ser mapeado,
                            dando informações estruturais sobre o composto de interesse.




                                 Na Figura 4.3 você pode visualizar os núcleos do 1 H e do 1 H .
                                                                                  1
                                                                                           2


                        Embora nos dois casos o núcleo contenha um próton, o número de
                        nêutrons muda, caracterizando os isótopos do elemento.




                                            Próton                                  Nêutron




                                                  1           2
                        Figura 4.3: Os isótopos   1   H   e   1   H   do hidrogênio diferem no número de nêutrons
                        no núcleo.



                                 Isótopos importantes em aplicações biológicas são o cobalto-60 e
                        o iodo-131. O cobalto-60 é um radioisótopo usado na teleterapia, que
                        consiste em irradiar um sítio canceroso com raio-X ou raios gama de
                        uma fonte externa contendo este elemento. O iodo-131 é utilizado em
                        Medicina Nuclear para exames de tireóide.




54 CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                                            4
                                                                                                            AULA
                         4. O oxigênio possui três isótopos: 16O, 17O e 18O. Monte uma tabela
                         semelhante à Tabela 4.4 para os isótopos do oxigênio:
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                      RESPOSTA COMENTADA
                         Você já sabe que o oxigênio tem Z = 8. Como os números de massa dos
                         isótopos são 16, 17 e 18, o número de nêutrons em cada isótopo é de
                         8, 9 e 10, respectivamente. A tabela que você vai montar fica assim:


                            Isótopo       N° atômico         Nº de massa          Nº de nêutrons
                             16
                             08   O           8                  16                     8
                             17
                             08   O           8                  17                     9
                             18
                             08   O           8                  18                     10




MASSA ATÔMICA

      Uma vez que os átomos são tão pequenos e leves, não é prático
medir a massa de um pequeno número deles. Foi escolhido arbitrariamente
um tipo de átomo como padrão para medição de massas e, então, foi
desenvolvida uma escala de medições relativas de massa. Nesta, atribui-se
o valor exato de 12,000 unidades de massa atômica (u.m.a) ao isótopo
mais abundante do carbono, o 12C. A massa desse isótopo tem o valor
de 1,992×10-26 kg. Logo,

      1 u.m.a. = 1,660×10-27 kg

      Nesta escala, as massas de cada tipo de átomo são especificadas
em relação ao valor da massa do isótopo 12C do carbono. Por exemplo, o
 O tem massa 1,3333 vezes maior que a massa do 12C. A massa atômica
16


do 16O, em u.m.a, é 1,233×12 = 16.


      Já aprendemos que muitos elementos têm, pelo menos, dois
isótopos que ocorrem naturalmente. Dessa forma, uma amostra desses
elementos contém uma mistura de diferentes isótopos. A abundância
percentual indica a contribuição percentual de um isótopo correspondente
à ocorrência natural de um elemento.
                                                                                                CEDERJ 55
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!




                         !
                             A massa atômica de um elemento é a média dos números de massa dos isótopos do
                             elemento, ponderada pela abundância percentual de cada isótopo do elemento. A massa
                             atômica é expressa em unidades de massa atômica (u.m.a).




                                 O cloro, por exemplo, tem dois isótopos: o                 35
                                                                                                 Cl e o   37
                                                                                                               Cl. As
                        abundâncias percentuais de cada um destes isótopos são de 75,53%
                        para o primeiro e 24,47% para o segundo. Uma amostra de átomos de
                        cloro contém esses isótopos na proporção de suas abundância naturais.
                        A massa atômica do cloro é dada por:

                                 35 u.m.a×0,7553 + 37 u.m.a×0,2447 = 35,5 u.m.a

                                 Observe que o valor da massa atômica do cloro foi obtido
                        somando-se os produtos dos números de massa dos isótopos do cloro
                        multiplicados pela fração que corresponde à abundância percentual de
                        cada isótopo.

                         !
                             Lembre-se de que a percentagem é uma forma de exprimir uma fração. Por exemplo,
                             75,53% quer dizer 75,53/100 = 0,7553.




                        ATIVIDADE

                        5. O magnésio (Mg) tem três isótopos: 24Mg, 25Mg e 26Mg. Complete a tabela
                        a seguir e calcule a massa atômica do magnésio.


                               Isótopo                Abundância %                 p             M              n
                                24
                                  Mg                       78,99
                                25
                                  Mg                       10,00
                                26
                                  Mg                       11,01


                        ___________________________________________________________________
                        ___________________________________________________________________
                        ___________________________________________________________________
                        _________________________________________________________________

                                                                            RESPOSTA COMENTADA
                        A montagem da tabela é semelhante a que você fez na Atividade 4.
                        Consultando a Tabela Periódica, você pode verificar que o Mg tem doze
                        prótons. Isto permite completar a tabela como segue:




56 CEDERJ
4
                               Isótopo            Abundância %                 P        M            N




                                                                                                              AULA
                                24
                                  Mg                   78,99                12          24           12
                                25
                                  Mg                   10,00                12          25           13
                                26
                                  Mg                   11,01                12          26           14


                          Para o cálculo da massa atômica, devemos considerar a contribuição de
                          todos os isótopos do Mg, ponderadas pelas suas abundâncias relativas.
                          A massa atômica é dada por 24×0,7899 + 25×0,1000 + 26×0,1101
                          = 24,32 u.m.a.




CONCLUSÃO

      As experiências realizadas ao final do século XIX e começo do
século XX mostraram que o átomo não é uma partícula maciça, como
pensava Dalton, mas formado por muitas partículas com massa e carga
elétrica definidas. O modelo nuclear do átomo é o que vigora até hoje.



                                         ATIVIDADES FINAIS

      a) Complete os espaços em branco da seguinte tabela:

                             Símbolo                            58
                                                                  Ni      33
                                                                            S
                        Número de prótons                                          10
                       Número de nêutrons                                          10        30
                Número de elétrons no átomo neutro                                           25




      b) O gálio (Ga) tem dois isótopos naturais: 69Ga e 71Ga. As massas destes isótopos,
      em u.m.a, são 68,929 e 70,925, respectivamente. Determine as abundâncias
      percentuais destes isótopos do Ga.


                                                         RESPOSTA COMENTADA
      a) Você precisa consultar a Tabela Periódica para resolver este exercício,
      que é semelhante ao que foi feito na Atividade 3. Deve recordar também as
      definições de número atômico (Z) e número de massa (M); ainda, para um
      dado elemento X, a representação destas grandezas é dada pelo símbolo
      M
      Z   X . Lembre-se de que o número atômico é o número de prótons (p), o
      número de massa é a soma do número de prótons com o de nêutrons e



                                                                                                  CEDERJ 57
Elementos de Química Geral | O átomo é divisível!



      que, em um átomo neutro, o número de prótons é igual ao de elétrons.
      Vamos considerar as informações contidas em cada coluna para completar
      a tabela fornecida.
      A primeira coluna está ligada ao elemento níquel (Ni) que, pela Tabela
      Periódica, tem Z=28. (Se você tiver dúvidas sobre como é montada a Tabela
      Periódica, leia a resposta comentada da Atividade 1 da Aula 3.). Então, para
      este elemento, p = 28; sendo M dado e igual a 58, temos que n = 58 – 28
      = 30.
      A segunda coluna diz respeito ao elemento enxofre (S). A Tabela Periódica
      mostra que ele tem Z = 16. Assim, p = 16. Sendo M dado e igual a 33, temos
      que n = 33 – 16 = 17.
      A terceira coluna é a de um elemento com p = 10 (Ne) e n = 10. Então, para
      este elemento, M = 20 e seu símbolo é 20Ne.
      Na quarta coluna, é dado o número de elétrons (25) e o número de nêutrons
      (30) do elemento. Então p = 25 (o elemento é o Mn) e M = 55.


      Juntando todas as informações, a tabela completa fica assim:
                            Símbolo                   58
                                                        Ni     S
                                                              33
                                                                      Ne
                                                                     20
                                                                             Mn
                                                                            55


                    Número de prótons                  28     16      10     25
                   Número de nêutrons                  30     17      10     30
            Número de elétrons no átomo neutro         28     16      10     25


      b) Para resolver este exercício, você precisa lembrar que a massa atômica de
      um elemento é uma média das massas atômicas dos isótopos do elemento,
      ponderada na abundância relativa de cada isótopo. O valor da massa atômica
      listado na Tabela Periódica, conforme descrito na RESPOSTA COMENTADA da
      Atividade 3 da Aula 3, é o dessa média ponderada. Você pode verificar que o
      Ga tem massa atômica 69,723 (em u.m.a.). Então podemos escrever:
      i) Massa atômica Ga = (massa atômica 69Ga × abundância relativa do 69Ga)
      + (massa atômica 71Ga × abundância relativa do 71Ga);
      ii) abundância relativa do 69Ga + abundância relativa do 71Ga = 100%;
      A expressão (ii) estabelece a relação entre as abundâncias relativas dos dois
      isótopos. Lembre-se de que 100% = 1. Se você chamar de x a abundância
      relativa do 69Ga, então a abundância relativa do 71Ga será dada por 1 – x.
      Assim, usando os dados do problema, as informações da Tabela Periódica e
      a relação (ii), você pode escrever a relação (i) como segue:
      69,723 = 68,929x + 70,925(1 – x)
      Esta equação do primeiro grau tem solução x = 0,6022, ou 60,22%. Assim a
      abundância relativa do 69Ga é de 60,22%, e a do 71Ga é de (100 – 60,22)
      = 39,78%.




58 CEDERJ
4
RESUMO




                                                                                        AULA
  A estrutura do átomo é mais complexa do que se pensava quando o modelo
  atômico de Dalton foi elaborado. O átomo é formado por muitas partículas com
  propriedades distintas que se reúnem formando núcleo denso e rodeado pelos
  elétrons. O núcleo atômico pode conter um número diverso de nêutrons para o
  mesmo número de prótons, resultando em isótopos do elemento. A determinação
  da massa atômica de um elemento deve levar em consideração a existência dos
  isótopos.




                   INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

  Na próxima aula, você vai estudar a estrutura da eletrosfera, região do átomo
  que contém os elétrons. Vamos apresentar os modelos usados para descrever a
  distribuição dos elétrons nesta região.




                                                                            CEDERJ 59
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                                                                                    AULA
                                           Estrutura eletrônica
                                                   dos átomos

                                                                                     Metas da aula
                                                                                     Meta
                                         Descrever os modelos atômicos de Thomson, Bohr e Schrödinger.
                                                Definir os números quânticos dos elétrons de um átomo.
                                                             Determinar as configurações eletrônicas dos
                                                                              átomos neutros e de íons.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo
            desta aula, você seja capaz de:
            • Comparar o tamanho das órbitas de Bohr
              em relação aos átomos distintos.
            • Determinar o número de orbitais atômicos
              em cada camada do átomo.
            • Escrever a configuração eletrônica
              de átomos e íons.




                                                                                       Pré-requisito
                                                                  Você precisa dos conhecimentos da aula
                                                         anterior sobre a estrutura do átomo para melhor
                                                                    compreender os conceitos desta aula.
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos



INTRODUÇÃO              Na aula anterior, você aprendeu que um átomo é formado por um núcleo
                        denso e extremamente pequeno circundado pelos elétrons. Nesta aula, va-
                        mos analisar a forma como os elétrons se distribuem em torno dos núcleos.
                        Esta distribuição define a estrutura eletrônica do átomo. Você vai aprender
                        a caracterizar os elétrons presentes no átomo pelos seus números quânticos
                        e a forma de arrumá-los de acordo com o princípio da estruturação.


                        OS MODELOS ATÔMICOS DE THOMSON E
                        DE RUTHERFORD-BOHR

                               No começo do século XX, devido à descoberta das partículas
                        subatômicas, houve muita especulação de como seria a estrutura do
                        átomo. Sabia-se que era formado por partículas de carga positiva e de
                        carga negativa (a existência do nêutron foi comprovada mais tarde), mas
                        não se tinha idéia de como estas partículas se arrumavam para formar o
                        arranjo estável característico do átomo. Um modelo simples, proposto
                        por J.J. Thomson, sugeria ser o átomo uma esfera maciça, como no
                        modelo de Dalton, porém com cargas positivas e negativas disseminadas
                        em seu interior.
                               Este modelo inicial ficou conhecido como o “modelo do pudim
                        de passas”. Na Figura 5.1, você pode ver como seria um átomo segundo
                        essa formulação. A esfera maciça está cortada para que você visualize a
                        disseminação de cargas positivas e negativas dentro da esfera.


                                                             Elétrons    Carga positiva




                           Figura 5.1: No modelo de Thomson, o átomo era como um “pudim de passas”.




62   CEDERJ
Experiências realizadas por Rutherford, por volta de 1909,




                                                                                                                   5
mostraram que o modelo de Thomson era inconsistente. Naquelas




                                                                                                                   AULA
experiências, lâminas finas de metais, como o ouro, eram bombardeadas
por um feixe de partículas α, que já se sabia serem carregadas positivamente
(veja a Tabela 4.2 da aula anterior). Observe o comportamento do feixe
na Figura 5.2:

                                                                   Detetor

                          Colimador
                                                             ZnS




                                                             Partículas
                                                            Espalhadas
          Fonte α                           Folha
                                           de ouro

Figura 5.2: Comportamento do feixe de partículas α ao incidir sobre uma fina lâmina
de ouro. Rutherford verificou que este comportamento era incompatível com o modelo
de Thomson.



       Rutherford verificou que a maioria das partículas atravessava a
lâmina sem sofrer desvios, como se nada encontrasse em seu caminho;
além disso, observou que uma pequena fração era desviada por ângulos                              MOMENTO
muito maiores do que o previsto caso o átomo se comportasse segundo                       ANGULAR ORBITAL

o modelo de Thomson.                                                                      Na Figura 5.4, você
                                                                                          poderá visualizar as
       Para explicar as suas observações, Rutherford estabeleceu, em                    grandezas pertinentes
                                                                                      ao movimento de uma
1911, o modelo nuclear do átomo (que já foi apresentado na aula ante-                       partícula de massa
rior). Neste modelo, o átomo contém um núcleo muito pequeno e massivo                  (m), circulando a uma
                                                                                            distância (r) de um
rodeado por elétrons, que se encontram bastante afastados dele.                          ponto origem (O). A
                                                                                       velocidade de desloca-
       O modelo de Rutherford foi aprimorado por Niels Bohr, em 1913.                    mento da partícula é
                                                                                      v. O momento angular
Bohr postulou que:
                                                                                      (L) da partícula, apon-
       1. Os elétrons de um átomo giram em torno do núcleo em órbitas                  ta perpendicularmente
                                                                                            ao plano do movi-
circulares concêntricas, como planetas orbitando em torno do Sol (como                     mento da partícula,
                                                                                          e seu valor absoluto
você pode visualizar na Figura 5.3).                                                                (módulo) é
       2. Apenas certas órbitas são permitidas para um dado elétron. Isto                    L = mvr. Segundo
                                                                                             Bohr, o valor de L
significa que a distância entre um elétron e o núcleo do átomo não pode                    para um elétron em
                                                                                      torno do núcleo de um
ter qualquer valor, mas somente certos valores permitidos.                               átomo é um múltiplo
       3. Os valores permitidos para a distância do elétron ao núcleo                 da constante de Planck
                                                                                        (L = nh/2π), em que n
são aqueles em que o módulo do MOMENTO ANGULAR ORBITAL (L) do elétron                  é um número inteiro e
                                                                                              diferente de zero.
é um múltiplo da constante de Planck (h). Estas distâncias permitidas


                                                                                                CEDERJ        63
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos



                        (rn) para um elétron em um átomo cujo núcleo tem número atômico Z
                                           n2 a0
                        são dadas por rn =       . Nesta expressão, n é um número inteiro que
                                            Z
                        define a órbita permitida, e a0 é uma reunião de constantes, cujo valor
                        é 0,529 Å (conhecida como raio de Bohr).
                               4. Ao circular em uma órbita permitida, a energia do elétron é
                        constante. A cada órbita corresponde um nível de energia (E) característico.
                        Os valores de energia permitidos ao elétron dependem de um número
                        inteiro positivo (n =1, 2, 3, 4,...), chamado número quântico.
                               5. O elétron pode pular de uma órbita para outra. Ao pular, ele
                        emite ou absorve energia correspondente à diferença? E entre o nível de
                        energia inicial, Ei, e o final, Ef: ∆E = Ef - Ei

                                                               ω




                                                                   R           v


                                                                   m
                                                                           ^
                                                                           r

                        Figura 5.3: Modelo de Bohr. Nesse modelo, os elétrons se movem no plano em órbitas
                        definidas.




                             Figura 5.4: Representação do momento angular orbital de uma partícula.




                           O modelo de Bohr foi o primeiro a explicar o espectro do átomo de hidro-
                           gênio, um desafio para os físicos da época. Observe a Figura 5.5. Se a luz
                           emitida por um gás contido em um tubo submetido a uma descarga elétrica
                           for recolhida, passar por um prisma e impressionar uma chapa fotográfica,
                           um conjunto de linhas pode ser observado na chapa: cada linha é luz de
                           um comprimento de onda (λ) bem definido. Este conjunto de linhas forma
                           o espectro do material contido no tubo. Pelo modelo de Bohr, esta linha é
                           devida à emissão de energia, na forma de luz, quando o elétron passa de uma




64   CEDERJ
5
  órbita de energia mais alta para outra de energia mais baixa. A freqüência




                                                                                                               AULA
  (ν) dessa luz é dada por
                                          ∆E
                                    v=
                                          h
  ∆E é a diferença entre os níveis de energia inicial e final do elétron (∆E = Ef
  – Ei), e (h) é a constante de Planck. Vale a pena lembrar que a freqüência se
                                                                    c
  relaciona ao comprimento de onda da luz pela expressão ν =          , em que
  c é a velocidade da luz.                                          λ




                                                               Chapa fotográfica


Fonte de
radiação
                           Prisma




               Fenda
            colimadora


Figura 5.5: A luz emitida pelo gás contido no tubo provém da energia liberada pelos
elétrons quando passam de um nível de energia mais alto para um mais baixo.




                           ATIVIDADE


                           1. Compare os tamanhos da primeira órbita de Bohr em relação aos átomos
                           de hidrogênio (H), carbono (C) e cálcio (Ca):
                           ___________________________________________________________________
                           _________________________________________________________________
                           __________________________________________________________________
                           __________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           _________________________________________________________________

                                                                         RESPOSTA COMENTADA
                           A primeira órbita de Bohr é obtida fazendo-se n =1, na expressão
                                        n2 a0
                           geral rn =         . Tudo que você precisa saber é o valor de Z do
                                         Z
                           núcleo do átomo de interesse. Consultando a Tabela Periódica, você
                           vai descobrir que ZH = 1, ZC = 6 e ZCa = 20. Então, o valor da primeira
                           órbita de Bohr para o elétron em cada um desses átomos é dado
                           pela seguinte tabela:




                                                                                                 CEDERJ   65
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                                 Átomo                 Z      Expressão de rn      Valor de rn em Å
                                                                 1 a0
                                                                  2
                                    H                  1              = a0                0,529
                                                                  1
                                                                12 a0   a
                                     C                 6              = 0                 0,088
                                                                 6      6
                                                                12 a0   a
                                    Ca                20              = 0                0,0265
                                                                 20    20


                        Observe que o tamanho da órbita diminui inversamente ao
                        aumento do número atômico. Isto é consistente com o fato de
                        que o aumento de Z implica um aumento da carga nuclear, que é
                        positiva (pois aumenta o número de prótons). O elétron é atraído
                        para o núcleo, o que faz encolher a órbita.
                        Embora superado pelo modelo dos orbitais, que você vai estudar a
                        seguir, o modelo de Bohr permite fazer várias previsões qualitativas
                        que ainda permanecem válidas.




                        O MODELO ATÔMICO DE SCHRÖDINGER


                        Orbitais atômicos

                                Cerca de dez anos após o modelo de Bohr, um grupo de cientistas
                        – notadamente Erwin Schrödinger – desenvolveu um novo modelo para
                        explicar a estrutura eletrônica do átomo. Este estava baseado nas leis da
                        mecânica quântica e é obtido pela resolução de uma complicada equação
                        matemática, a equação de Schrödinger, aplicada ao elétron no átomo.



                            As leis da mecânica quântica, estabelecidas principalmente por Werner
                            Heisenberg (1901-1976) e Erwin Schrödinger (1887-1961), são, muitas vezes,
                            bastante distintas das leis da mecânica clássica, propostas por Issac Newton
                            (1643-1727). Elas se aplicam a partículas de dimensões microscópicas, como
                            os elétrons, átomos e moléculas. Segundo a mecânica quântica:
                            • As partículas possuem um caráter ondulatório. Esta característica fica tão
                            mais evidenciada quanto mais leve for a partícula.
                            • Uma partícula microscópica pode ser tratada como uma “onda de matéria”.
                            O comportamento desta partícula é obtido resolvendo-se uma equação de
                            ondas, a equação de Schrödinger para a partícula.




66   CEDERJ
5
   • As soluções da equação de Schrödinger são funções matemáticas conhecidas
   como funções de onda, representadas por ψ (a letra grega psi maiúscula).




                                                                                               AULA
   O valor desta função depende da posição da partícula. A equação também
   fornece, quando resolvida, as energias possíveis da partícula.
   • Nem sempre uma partícula pode ter qualquer valor de energia. Se a equação
   de Schrödinger fornecer apenas certos valores de energia, dizemos que a
   energia é quantizada.
   • Devido ao caráter ondulatório da partícula, não podemos determinar com
   total precisão a sua posição e sua velocidade em um dado instante (esta
   afirmação é o princípio da incerteza, de Heisenberg).

   • O quadrado da função de onda Ψ obtida da equação de Schrödinger,
   avaliado em um dado ponto do espaço, é proporcional à probabilidade de
   encontrarmos a partícula em torno daquele ponto.




      As soluções da equação de Schrödinger para um elétron em um
átomo são denominadas orbitais atômicos. Os orbitais atômicos são
funções de onda que descrevem o comportamento do elétron no espaço.
Segundo as leis da mecânica quântica, a probabilidade de encontrarmos
um elétron em torno de um dado ponto do espaço depende do valor do
orbital atômico naquele ponto. Assim, cada orbital descreve uma distri-
buição específica de onde se encontra o elétron no espaço. Além disso,
um elétron, em um dado orbital atômico, tem uma energia perfeitamente
determinada, obtida pela solução da equação de Schrödinger.

Números quânticos

      O modelo de Bohr introduziu um único número quântico (n)
para descrever a órbita de um elétron, e este que define as órbitas e a
energia do elétron no átomo. Em contraste, os orbitais atômicos são
caracterizados por três números quânticos (n, l e ml). Estes são obtidos
a partir da solução da equação de Schrödinger. A interpretação destes
números só pode ser feita resolvendo-se esta equação, o que está fora
dos objetivos deste curso. Vamos resumir a seguir o tipo de informação
dado por eles:

• O número quântico principal (n) está ligado ao tamanho e à energia
  do orbital. Só pode ter valores inteiros e positivos (n = 1, 2, 3, 4, ...).
  À medida que n cresce, o orbital se torna maior, e a probabilidade de
  encontrar o elétron mais afastado do núcleo aumenta. A energia do
  elétron também aumenta com n.




                                                                                 CEDERJ   67
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                                   Lembre-se de que o elétron e o núcleo têm carga oposta. Quanto mais afas-
                                   tado o elétron, menor a atração entre ele e o núcleo; logo, maior a energia
                                   do elétron.



                               • O número quântico azimutal (l) mede o momento angular orbital do
                                  elétron em torno do núcleo e define a forma do orbital. Só pode ter
                                  valores inteiros, que vão de 0 até n – 1 para cada valor de n. Os valores
                                  de l são representados por letras segundo o esquema a seguir:


                                                        Valor de l      0       1      2     3

                                                       Letra usada      s       p      d     f



                               • O número quântico magnético (ml) mede o componente do momento
                                  angular orbital do elétron ao longo de um eixo z arbitrário. Só pode
                                  ter valores inteiros entre l e -l, incluindo zero.


                                   Para melhor compreender o significado dos números quânticos l e ml, você
                                   deve pensar no elétron girando em torno do núcleo. Já mencionamos que a
                                   grandeza pertinente a este movimento é o momento angular (L). Esta grande-
                                   za é caracterizada pelo seu valor numérico (módulo), direção e sentido, sendo
                                   melhor representada por um vetor orientado no espaço. Segundo a mecânica
                                                                                                            h
                                   quântica, o valor numérico do momento angular (L) é dada por L = l (l + 1) ,
                                                                                                     h     2π
                                   e a projeção do vetor ao longo do eixo z (Lz) é dada por Lz = ml
                                                                                                    2π . Logo,
                                   l e ml determinam o valor do momento angular e sua projeção no eixo z.
                                   Tente visualizar estas informações na Figura 5.6. Nela, um vetor de módulo
                                               h
                                    L = 1x2
                                              2π , correspondendo a l = 1, orienta-se no espaço de forma que suas
                                   projeções no eixo (z) só podem assumir os valores correspondentes a ml =
                                   0, +1 e -1. Ou seja, as projeções do momento angular (L) num eixo (z) (Lz) só



                                                                            Z
                                                             l=1
                                                             ml = 1


                                                     l=1                                             h
                                                   π m =0                                  (1)(2)
                                                      l                                             2π
                                                  2π
                                          B

                                                  −π                                                  h
                                                  2π                                        (1)(2)
Figura 5.6: O vetor correspondente a                                                                 2π
l = 1 se orienta no espaço somente de
três maneiras, consistentes ao valor de
ml = 0, +1 e -1.
                                                               l=1
                                                               ml = −1
68   CEDERJ
Relações entre os números quânticos




                                                                                                                        5
                                                                                                                        AULA
        Em um átomo, o conjunto de orbitais com o mesmo valor de n
define uma camada eletrônica. É comum representar as camadas com
letras maiúsculas, segundo o seguinte quadro:


            Valor de n             1      2       3       4         5       6      7

        Símbolo da camada          K      L      M        N         O       P      Q

      Obs.: Todos os orbitais com n = 3 pertencem à camada M, por exemplo.


        Os orbitais com mesmo valor de n e l pertencem à mesma sub-
camada eletrônica. Cada subcamada é representada por um número (o
valor de n) e uma letra (o valor de l). Os orbitais com n = 3 e l = 2, por
exemplo, são orbitais 3d e estão na subcamada 3d.


        O número de orbitais dentro de uma subcamada é o número de
valores de ml possíveis para o valor de l que caracteriza a subcamada.
Existem, por exemplo, cinco orbitais na subcamada 3d, pois nesta l =
2, e os valores possíveis de ml são 2, 1, 0, -1 e -2.
        A Tabela 5.1 apresenta os valores possíveis de l e ml para
as camadas correspondentes a n = 1, 2 e 3. Você deve acompanhar
cuidadosamente os dados desta tabela.


Tabela 5.1: Valores possíveis de l e ml para n = 1, 2 e 3
  n     Símbolo da          Valores           Símbolo         Valores pos-      Número de      Número total de
          camada         possíveis de l       da subca-       síveis de ml      orbitais na   orbitais na camada
                                               mada                             subcamada
  1          K                 0                 1s                 0                  1              1

  2          L                 0                 2s                 0                  1              4

                               1                 2p              1, 0, -1              3

  3         M                  0                 3s                 0                  1              9

                               1                 3p              1, 0, -1              3

                               2                 3d           2, 1, 0, -1, -2          5



        Veja que na camada K (n = 1) existe somente uma subcamada,
que contém um único orbital (o orbital 1s). A camada L (n = 2) tem
quatro orbitais, distribuídos em duas subcamadas: na primeira subca-
mada (2s), há um orbital 2s; e na segunda (2p), há três orbitais 2p.


                                                                                                          CEDERJ   69
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                        Os orbitais da subcamada 2p diferem pelo valor de ml. A camada M (n = 3)
                        contém ao todo nove orbitais, distribuídos em três subcamadas: a primeira
                        contém um orbital 3s, a segunda contém três orbitais 3p e a terceira, cinco
                        orbitais 3d.


                         !
                             Generalizando as relações entre os possíveis valores dos números quânticos,
                             podemos observar que:
                             1. Cada camada, caracterizada pelo número quântico n, contém exatamente
                             n subcamadas. Cada subcamada corresponde a um dos valores permitidos
                             de l, de 0 até n-1.

                             2. Cada subcamada contém 2l +1 orbitais, cada um correspondendo a um dos
                             valores possíveis de ml, que vão de +l até -l.
                             3. O número total de orbitais em uma camada é n2.




                        ATIVIDADE


                        2.a. Estenda a Tabela 5.1, acrescentando os dados correspondentes a n = 4.
                        2.b. Determine o número de orbitais encontrados nas camadas O e P.

                                                                       RESPOSTA COMENTADA
                        2.a. Inicialmente, você precisa caracterizar os números quânticos
                        compatíveis ao valor de n dado. Sabemos que, para um dado valor
                        de n, são permitidos n valores de l, que vão de 0 até n -1; para cada
                        valor de l, são permitidos 2l + 1 valores de ml, que vão de +l até
                        -l de uma em uma unidade. Os valores de l permitidos para n =
                        4 são 0, 1, 2 e 3. De posse destes valores, a Tabela 5.1 pode ser
                        estendida incluindo-se os seguintes dados:


                  n   Símbo-       Valores     Símbolo       Valores       Número de     Número total
                       lo da       possíveis   da subca-     possíveis     orbitais na   de orbitais na
                      camada         de l       mada           de ml       subcamada        camada

                  4      N             0           4s            0             1                16

                                       1           4p         1, 0, -1         3

                                       2           4d       2, 1, 0, -1,       5
                                                                -2

                                       3           4f        3, 2, 1, 0,       7
                                                             -1, -2, -3


                        Observe que a camada N (n = 4) é formada por quatro subcamadas.
                        Na subcamada 4s há apenas uma orbital; na subcamada 4p,
                        existem três orbitais distintos, que diferem pelo valor de m .
                                                                                           l




70   CEDERJ
5
                                Da mesma forma, os cinco orbitais da subcamada 4d e os sete




                                                                                                                   AULA
                                orbitais da subcamada 4f diferem pelos valores de ml .


                                2.b. Você deve lembrar que o número total de orbitais em uma
                                camada é n2. Assim, teremos o seguinte resultado:

                                                             Camada            O        P

                                                            Valor de n         5        6

                                                          Nº de orbitais      25       36


                                Os orbitais da camada O ocupam as subcamadas 5s (um orbital),
                                5p (três orbitais), 5d (cinco orbitais), 5f (sete orbitais) e 5g (nove
                                orbitais). Os da camada P ocupam as subcamadas 6s (um orbital),
                                6p (três orbitais), 6d (cinco orbitais), 6f (sete orbitais), 6g (nove
                                orbitais) e 6h (onze orbitais). Cada orbital em uma subcamada
                                difere dos demais pelo valor de ml .



Forma e tamanho dos orbitais atômicos

!
    A determinação rigorosa da forma e do tamanho de um orbital só pode ser feita conhecen-
    do-se a função matemática que o descreve, o que está fora dos objetivos deste curso.



        A forma de um orbital depende do valor de l, e seu tamanho, do
valor de n. O tamanho de um orbital é normalmente definido por um
contorno no espaço. Dentro deste contorno, há cerca de 90% de proba-
bilidade do elétron ser encontrado.
        Orbitais s têm contornos esféricos. Na Figura 5.7, estão repre-
sentados contornos dos orbitais 1s, 2s e 3s. À medida que n aumenta,
o orbital torna-se maior e o elétron pode ser encontrado cada vez mais
afastado do núcleo.
                                                 Z




                                                                                   Y


                 1s              X

               Figura 5.7: Contornos representativos dos orbitais 1s e 2s.

                                                                                                     CEDERJ   71
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos



                               Orbitais p têm contornos em forma de halteres. A Figura 5.8
                        mostra orbitais 2p que se orientam, cada um, ao longo dos eixos x, y,
                        e z, respectivamente.




                                 Figura 5.8: Contornos representativos dos orbitais 2px, 2py e 2pz.



                         Energia dos orbitais atômicos

                               A energia de um elétron em um orbital atômico é obtida
                        resolvendo-se a equação de Schrödinger. De um modo geral, esta energia
                        depende dos valores dos números quânticos n e l do orbital onde o elétron
                        se encontra (mas não depende de ml). Observa-se que:
                               • Quanto maior o valor de n, maior é a energia do orbital.
                        O orbital 1s, por exemplo, tem menor energia que o orbital 2s.
                               • Para orbitais com o mesmo valor de n, quanto maior o valor de
                        l, maior é a energia do orbital. Os orbitais da camada n = 3, por exemplo,
                        têm energia na seguinte ordem crescente: 3s < 3p < 3d.
                               • Em alguns casos, um orbital com menor valor de n tem energia
                        maior que a de outro com n maior. Nestes casos, o valor de l do orbital
                        mais energético (de menor n) é maior que o do orbital menos energético
                        (de maior n). Um exemplo disso é o que ocorre entre os orbitais 3d e 4s.
                        Embora o último tenha n maior, é menos energético que o primeiro.
                               Estas observações levaram à construção de uma escala de energia
                        dos orbitais atômicos. Nesta escala, os orbitais são dispostos em ordem
                        crescente de energia. O ordenamento dos orbitais obedece à seqüência
                        descrita a seguir:

                        1s < 2s < 2p < 3s < 3p < 4s < 3d < 4p < 5s < 4d < 5p < 6s < 4f < ...

72   CEDERJ
5
                                                                                                 AULA
Figura 5.9: Diagrama de Pauling, indicando o ordenamento dos orbitais. A energia
cresce no sentido das setas.




       O diagrama de Pauling, mostrado na Figura 5.9, é um dispositivo
mneumônico que permite obter o ordenamento sem ter de memorizá-lo.
Use-o sempre que necessário.

O spin do elétron

       Além da massa e da carga, o elétron possui uma outra proprie-
dade intrínseca, chamada spin (S). A natureza desta propriedade é des-
conhecida, mas a forma como ela atua foi descrita por Wolfgang Pauli,
estabelecendo os seguintes postulados:
       • O spin funciona como um momento angular intrínseco, cujo
valor é único para cada partícula elementar. Para o elétron, está asso-
ciado ao número quântico S = 1⁄2.
       • Para o elétron, só existem duas projeções do spin, chamadas
α e β. À projeção α corresponde o número quântico ms=+1⁄2, ou �; à
projeção β, corresponde o número quântico ms = -1⁄2, ou �.
       Estes postulados permitem que se visualize o spin como um vetor
com módulo único e característico do elétron. Além disso, aponta no
espaço de forma que suas projeções em um eixo z arbitrário só podem
ter dois valores possíveis, representados por � e �.
        Imagine dois cones formados por um vetor que gira em torno do
eixo z: um dos cones corresponde à projeção com ms = +1⁄2, e o outro à
proteção ms = -1⁄2. Visualize o resultado na Figura 5.10.




                                                                                   CEDERJ   73
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                                                                            B0

                                                                                       mI = + 1/2
                                                                                       (estado α)




                                                                                        mI = - 1/2
                                                                                       (estado β)




                        Figura 5.10: O vetor que representa o spin do elétron tem duas projeções, chamadas
                             �
                        α ( ) e β( ).�


                         !
                                 A inclusão do spin faz com que, no átomo, cada elétron seja caracterizado
                                 por quatro números quânticos. Os três primeiros, n, l e ml, dizem respeito
                                 ao orbital em que o elétron se encontra; o último, ms, define se o spin do
                                 elétron é � ou �.




                        CONFIGURAÇÕES ELETRÔNICAS DOS ÁTOMOS


                        O princípio da estruturação

                                     Imagine que você tem um núcleo de número atômico Z. Se o átomo
                        é neutro, você já sabe que ele tem Z elétrons. De acordo com o modelo
                        quântico dos orbitais, os elétrons vão se distribuir no átomo segundo o
                        princípio da estruturação.


                         !
                                 O princípio da estruturação é concebido a partir de 4 regras. Elas indicam
                                 que:
                                 a) Os elétrons ocupam os orbitais em ordem crescente de energia (dada pelo
                                 diagrama de Pauling).
                                 b) Nenhum orbital pode conter mais do que dois elétrons.
                                 c) Se um orbital contiver dois elétrons, os seus spins serão distintos (diz-se que
                                 os elétrons estão emparelhados).
                                 d) Elétrons não se emparelham em um orbital se outro de mesma energia
                                 estiver disponível. Ou seja, os elétrons só se emparelham em um orbital quando
                                 todos os orbitais de mesma energia (na mesma subcamada) contiverem pelo
                                 menos um elétron.




74   CEDERJ
Você já conhece a regra “a”. As regras “b” e “c” são conseqüências




                                                                                                         5
do princípio da exclusão de Pauli: Não há em um átomo dois elétrons




                                                                                                         AULA
com os quatro números quânticos iguais.
       A regra “d”, por sua vez, não pode ser explicada sem o apelo à
mecânica quântica. Ela é conhecida como regra da máxima multiplici-
dade, e a explicação de sua origem está fora dos objetivos deste curso.

Configuração eletrônica

       A distribuição dos elétrons nos orbitais, segundo o princípio da             CONFIGURAÇÃO
estruturação, determina a C O N F I G U R A Ç Ã O      ELETRÔNICA   do átomo.            ELETRÔNICA

       Para facilitar a construção das configurações eletrônicas,                   É a ocupação dos
                                                                                elétrons nos orbitais,
utiliza-se o diagrama de orbitais. Caixinhas representando os orbitais           segundo o princípio
                                                                                     da estruturação.
são arrumadas em ordem seqüencial de energia. Os elétrons entram nas
caixinhas segundo as regras do princípio da estruturação, gerando a
configuração eletrônica desejada.
       Exemplo 1: O átomo de berílio tem Z = 4 (portanto, quatro
elétrons). A distribuição dos elétrons é feita no seguinte diagrama de
orbitais.                              1s        2s

                                       ��        ��

       Os primeiros dois elétrons ficam emparelhados no orbital 1s e os
outros dois no orbital 2s. A configuração eletrônica é assim representada:
Be: 1s2 2s2.
       Exemplo 2: O átomo de carbono tem Z = 6 (portanto, seis elé-
trons). O diagrama de orbitais é:

                          1s      2s                  2p

                          ��      ��        �         �

       Os quatro primeiros elétrons se distribuem como no átomo de Be.
Os dois restantes vão entrar em orbitais da subcamada 2p. Pela regra
(d) do princípio da estruturação, cada um vai entrar em um orbital
2p distinto, sem haver emparelhamento de elétrons. A configuração
eletrônica do átomo de carbono é C: 1s2 2s2 2p2.
       Exemplo 3: O átomo de oxigênio tem Z = 8. O diagrama de
orbitais é
                          1s      2s                  2p

                          ��      ��        ��        �    �

                                                                                       CEDERJ       75
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos



       Vejam que o último elétron só se emparelha na subcamada 2p
depois que todos os orbitais desta subcamada contiverem um elétron.
A configuração eletrônica do oxigênio é O: 1s2 2s2 2p4.
       Complicado? Pois é ... Se fosse simples, não seria necessário
estudar. Que tal você dar uma “paradinha” rápida antes da atividade
que segue? Descanse cinco minutos e volte à aula.



                        ATIVIDADE


                        3. Forneça o diagrama de orbitais e a configuração eletrônica dos seguintes
                        átomos:
                        a. Neônio (Ne)
                        b. Sódio (Na)
                        c. Cálcio (Ca)
                        d. Ferro (Fe)

                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                     RESPOSTA COMENTADA
                        Você precisa ter em mãos a tabela periódica para descobrir os
                        números atômicos dos elementos dados no problema. Sabendo o
                        valor de Z, você tem automaticamente o número de elétrons contidos
                        no átomo. O próximo passo é conhecer o ordenamento dos orbitais
                        atômicos em ordem crescente de energia. Para isso, você precisa
                        utilizar o diagrama de Pauling. A última etapa é aplicar as regras
                        do princípio da estruturação.


                        a. Para o Ne, Z = 10. Logo, o átomo tem 10 elétrons. O diagrama
                        de orbitais é:
                                            1s      2s               2p

                                            ��      ��       �� �� ��
                                                                            ,


                        e a configuração eletrônica é 1s2 2s2 2p6.




76   CEDERJ
5
          Observe que, neste caso, todos os orbitais de todas as camadas




                                                                                                    AULA
          ocupadas estão completamente preenchidos. Esta configuração
          eletrônica é típica dos gases nobres, como será discutido na
          próxima aula.


          b. Para o Na, Z = 11. Logo, o átomo de sódio tem 11 elétrons. O
          diagrama de orbitais é:
                            1s        2s            2p          3s

                            ��        ��     �� �� ��           �
                                                                         ,

          e a configuração eletrônica é 1s2 2s2 2p63s.
          Observe que o átomo de sódio tem um único elétron na última
          camada. Este tipo de configuração é comum ao lítio, rubídio e césio.
          Estes metais são denominados metais alcalinos, e suas propriedades
          serão também discutidas na próxima aula.


          c. Para o Ca, Z = 20. Logo, o átomo de cálcio tem 20 elétrons. O
          diagrama de orbitais é:

            1s      2s              2p             3s          3p                 4s

            ��      ��       �� �� ��              ��    �� �� ��                 ��
                                                                                       ,

          e a configuração eletrônica é Ca: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2.
          Neste caso, há dois elétrons na camada mais externa do átomo. Este
          tipo de configuração é comum aos metais alcalino-terrosos: berílio,
          magnésio, cálcio, estrôncio e bário.


          d. Para o Fe, Z = 26. Logo, há 26 elétrons no átomo de ferro.
          O diagrama de orbitais é:
1s   2s             2p           3s           3p         4s                      3d

��   ��          �� �� ��        ��        �� �� ��       ��        ��       �   �     �   �
                                                                                               ,

          e a configuração eletrônica é Fe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d6.
          Diferentemente dos casos anteriores, a penúltima camada do átomo
          é que contém os elétrons de maior energia. Este é uma caso típico
          de configuração eletrônica dos metais de transição, que ocupam
          boa parte da Tabela Periódica.




                                                                                     CEDERJ    77
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                        Estados excitados e formação de íons

                                No átomo normal, todos os elétrons são encontrados nos níveis de
                        energia mais baixos possíveis. Dizemos que o átomo está no seu estado
                        fundamental. Se o átomo absorver energia – seja na forma de luz ou por
                        colisão com outros átomos – alguns elétrons podem passar para níveis
                        de energia mais altos, ocupando orbitais mais energéticos. Dizemos que
                        o átomo encontra-se em um estado excitado.
                                Se a energia fornecida ao átomo for grande suficiente para arrancar
                        um ou mais elétrons, o átomo terá mais prótons que elétrons, ficando
                        carregado positivamente. É possível, também, que um átomo receba um
                        ou mais elétrons, ficando com mais elétrons do que prótons. Em ambas
                        as situações, a carga elétrica global do átomo não é mais nula. Os átomos
                        carregados positiva ou negativamente são denominados íons.


                         !
                             Um íon é uma espécie carregada que se forma quando um átomo perde ou
                             ganha elétrons. Um cátion é um íon com carga positiva, e um ânion é um
                             íon com carga negativa.




                                O sódio, por exemplo, quando perde seu elétron 3s (ver a
                        Atividade 2), forma o cátion Na+. O cloro, quando ganha um elétron,
                        forma o ânion Cl-.
                                A configuração eletrônica de um íon é obtida, a partir do átomo
                        neutro, pela adição e retirada de elétrons. A configuração do magnésio
                        (Mg), por exemplo, é Mg: 1s2 2s2 2p63s2. O íon Mg2+, obtido retirando-se
                        os dois elétrons 3s do átomo neutro, tem configuração eletrônica Mg2+:
                        1s2 2s2 2p6.
                                As espécies iônicas são muito importantes em Química e em
                        Biologia. Muitos processos vitais são controlados por íons. Um exemplo
                        importante é o equilíbrio entre os íons Na+ e K+ presentes nas células.
                        A diferença de concentração entre eles é responsável por manter o volume
                        celular, tornar células nervosas e musculares eletricamente excitáveis e
                        acionar o transporte de aminoácidos, entre outras coisas.




78   CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                      5
                                                                                      AULA
4.a. A configuração eletrônica de um certo átomo de magnésio (Z = 12) é
dada pelo quadro a seguir:


                    Camada             K       L        M       N   O

                 Nº de elétrons        2       8        1       1




O átomo está em seu estado fundamental? Justifique sua resposta.
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

4.b. Obtenha a configuração eletrônica do íon sulfeto (S-).
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

                                               RESPOSTA COMENTADA
4.a. O primeiro passo é escrever a configuração eletrônica do Mg no
estado fundamental. Sendo Z = 12 (você obtém esta informação da
Tabela Periódica), temos 12 elétrons no átomo neutro. O diagrama
de orbitais do Mg neutro é:

            1s      2s                2p               3s

            ��      ��        �� �� ��                 ��
                                                            ,


e a sua configuração eletrônica é Mg: 1s2 2s2 2p6 3s2. Então o número
de elétrons em cada camada é dado pelo quadro a seguir:


                 Camada           K        L       M

             Nº de elétrons       2        8       2




                                                                        CEDERJ   79
Elementos de Química Geral | Estrutura eletrônica dos átomos




                         Por comparação, vemos que a distribuição dada corresponde a um
                         estado excitado do átomo, em que um elétron passou de um orbital
                         da camada M para um orbital da camada N.


                         4.b. O átomo de enxofre neutro tem Z = 16 e configuração S: 1s2
                         2s2 2p6 3s2 3p4.
                         Esta configuração é obtida do seguinte diagrama de orbitais:

                             1s       2s           2p            3s            3p

                             ��       ��      �� �� ��           ��       ��    �    �

                         Observe os detalhes da distribuição: há dois elétrons desemparelha-
                         dos na última subcamada ocupada (lembra do princípio da estrutu-
                         ração?). A adição de dois elétrons leva ao diagrama a seguir:

                             1s       2s           2p            3s            3p

                             ��       ��      �� �� ��           ��       �� �� ��

                         Também leva à configuração S 2-: 1s 2 2s 2 2p 6 3s 2 3p 6. Esta
                         configuração é idêntica à do gás nobre neônio (Ne), como você
                         mesmo pode verificar!




                        CONCLUSÃO

                                  O modelo atômico de Schrödinger, ou modelo dos orbitais
                        atômicos, é o mais adequado para descrever a complexa estrutura da
                        eletrosfera do átomo. Embora baseado nas soluções de uma complexa
                        equação matemática, permite caracterizar os elétrons do átomo a partir
                        de quatro números quânticos e descrever como os elétrons se distribuem
                        na eletrosfera.


                                       ATIVIDADE FINAL

       1. A configuração eletrônica de um certo íon é dada por X+: 1s22s22p63s23p64p1

       a. Calcule o tamanho da órbita do elétron mais externo se seguisse o modelo de
       Bohr.

       b. Identifique a espécie química X.

       c. Indique se o íon está no seu estado fundamental ou em estado excitado.


80   CEDERJ
RESPOSTA COMENTADA




                                                                                          5
  Para responder ao item “a”, você precisa apenas relembrar a fórmula




                                                                                          AULA
  proposta por Bohr para o tamanho das órbitas eletrônicas. Veja que,
  pelo modelo de Bohr, todos os elétrons pertencentes a uma mesma
  camada estariam na mesma órbita e à mesma distância do núcleo.
  O elétron mais externo do íon X+ está numa camada cujo n = 4.
  Utilizando este valor de n na expressão das órbitas permitidas por
                      2
  Bohr, obtemos rn = 4 a0 .
                        Z X+
  Embora saibamos o valor de a0, não sabemos o número atômico da
  espécie X+. Para descobrir, você precisa contar o número de elétrons
  do átomo e lembrar que a espécie dada é um cátion, obtido pela
  retirada de um elétron do átomo neutro X. Sendo o número de elétrons
  contidos em X+ igual a 19, o átomo neutro (que tem o número de
  elétrons igual ao número atômico) contém 20 elétrons. Logo, Z = 20.
  Consultando a Tabela Periódica, você vai verificar que este é o número
  atômico do cálcio (Ca), o que responde imediatamente ao item (b):
  a espécie química é o Ca+.
  Levando o valor de Z=20 na expressão de r n , obtemos
         16a0                    o
  rn =        = 0, 75a0 = 0, 397 A .
          20
  Em seu estado fundamental, o Ca neutro tem a configuração eletrônica
  (veja a Atividade 3) Ca: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2. O íon Ca+, em seu
  estado fundamental, tem a configuração Ca+: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1.
  A configuração fornecida indica que o elétron mais externo do íon foi
  promovido do orbital 4s para um orbital 4p; trata-se, portanto, de uma
  configuração correspondente a um estado excitado do íon.




RESUMO

  A estrutura eletrônica dos átomos só pode ser compreendida à luz da mecânica
  quântica. O elétron em um átomo é descrito por quatro números quânticos; e
  não há, em um átomo, dois elétrons com os quatro números quânticos iguais.
  A configuração eletrônica é uma forma de identificar a distribuição dos elétrons
  em torno do núcleo.




                       INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA

  Na próxima aula, você vai aprender a analisar detalhadamente a Tabela Periódica
  e descobrir como funciona a lei periódica dos elementos.



                                                                            CEDERJ   81
6
                                                                               AULA
                    Propriedades periódicas
                             dos elementos
                                                                                           Metas da aula
                                                                    Apresentar o conceito de periodicidade.
                                                        Localizar os metais, os não-metais, os metalóides e
                                                            os elementos de transição na Tabela Periódica.
                                                                   Aplicar a Tabela Periódica em diferentes
                                                           determinações de propriedades dos elementos.
objetivos

            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta
            aula, você seja capaz de:
            • Caracterizar um elemento por sua posição na
              Tabela Periódica.
            • Identificar se um elemento é, por sua
              configuração eletrônica, representativo de
              transição ou de transição interna.
            • Comparar as principais propriedades periódicas entre
              elementos do mesmo período e do mesmo grupo.




                                                                                             Pré-requisito
                                                                         É essencial que você saiba escrever a
                                                                     configuração eletrônica dos átomos; este
                                                                     assunto foi abordado detalhadamente na
                                                                                                 aula anterior.
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos



INTRODUÇÃO              Várias propriedades físicas e químicas dos elementos variam periodicamente
                        em relação ao número atômico. O sódio, o potássio e o rubídio, por exemplo,
                        têm a mesma reatividade frente à água e a mesma facilidade em formar cátions
                        frente ao cloro. Este fato é conhecido como lei periódica. Nesta aula, você vai
                        aprender a origem desta lei e estudar as principais propriedades periódicas.


                        PERIODICIDADE E TABELA PERIÓDICA


                        Definição de periodicidade

                               As propriedades físicas e químicas de um elemento dependem da
                        distribuição de seus elétrons. Elementos com distribuições eletrônicas
                        semelhantes comportam-se de forma semelhante em termos de reatividade
                        e exibem propriedades físicas com um padrão perfeitamente definido.
                        Essas propriedades variam com o número atômico de forma periódica
                        (é a lei periódica).


                               Analise cuidadosamente as seguintes configurações eletrônicas:


                               Na: 1s2 2s2 2p6 3s
                               K: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s
                               Rb: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s
                               F: 1s2 2s2 2p5
                               Cl: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
                               Br: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 4s2 3d10 4p5


                               Os três primeiros elementos têm um único elétron na camada mais
                        externa; os três últimos têm sete elétrons nesta camada.
                               Os elétrons da última subcamada ocupada de um átomo são os
                        elétrons de valência, e a camada que os contém é a camada de valência.
                        Elementos com o mesmo número de elétrons de valência têm propriedades
                        semelhantes. É o que acontece com Na, o K e o Rb: eles têm a mesma
                        reatividade frente ao cloro, por exemplo. Da mesma forma, o F, o Br e
                        o Cl comportam-se de forma semelhante ao reagir com o sódio.




84   CEDERJ
!




                                                                                                  6
     Periodicidade é a repetição das propriedades dos elementos. Ela deriva da




                                                                                                  AULA
     forma como os elétrons enchem os orbitais s, p, d e f. A Tabela Periódica é
     a forma de arrumar os elementos de forma a exibir essa periodicidade (ou
     lei periódica).




        A primeira organização consistente da Tabela Periódica (TP) foi
proposta em 1869, por Dimitri Mendelev, embora existam várias versões
dela. Vamos utilizar a que consta neste livro (você já a utiliza desde a
Aula 3). Nela, cada elemento aparece em um pequeno quadrado que
contém o símbolo, o número atômico e a massa atômica do elemento,
como na Figura 6.1:




          Figura 6.1: Representação de um elemento da Tabela Periódica.


Períodos e grupos

!
     Período é o nome que se dá a cada linha da Tabela Periódica.
     Grupo é o nome que se dá a cada coluna da Tabela Periódica.



        Os períodos são numerados de 1 a 7, conforme o número da última
camada do elemento que é ocupada por elétrons. Um elemento do terceiro
período, por exemplo, tem elétrons até a camada n = 3 (camada N).
        Os elementos ao longo de uma coluna pertencem ao mesmo grupo,
ou família química. Eles têm o mesmo número de elétrons de valência e,
conseqüentemente, propriedades físicas e químicas semelhantes.

 !
     Existem diversos sistemas em uso para numerar os grupos da Tabela Periódica.
     No sistema recomendado pela IUPAC (International Union of Pure and Applied
     Chemistry), as colunas são numeradas da esquerda para a direita, de 1 a 18.
     Um sistema mais didático usa os números 1 a 8 e as letras A e B. É o que nós
     vamos usar em nossa discussão.


        Os elementos do grupo A são chamados representativos. O número
do grupo, que aparece no topo de cada coluna, indica o número de
elétrons de valência de cada membro do grupo. Nestes elementos, a
última camada ocupada é a mais externa.



                                                                                    CEDERJ   85
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos



                                Exemplo: Os membros do grupo 3A são o boro (B), o alumínio
                        (Al), o gálio (Ga), o índio (In) e o titânio (Ti). Todos têm três elétrons
                        na camada de valência.
                                Os elementos do grupo B estão em três linhas de dez elementos,
                        no meio da Tabela Periódica; são chamados elementos de transição, ou
                        metais de transição. Muitos exibem propriedades químicas semelhantes,
                        não só nos grupos, mas também ao longo dos períodos. Isto se deve ao
                        fato de que os últimos elétrons dos átomos desses elementos ocupam
                        uma camada que não é a mais externa.
                                Exemplo: Nos elementos de transição do quarto período, os
                        orbitais 4s são preenchidos antes dos orbitais 3d. Assim, os últimos
                        elétrons não se encontram na camada mais externa (4s), mas sim na
                        imediatamente anterior a ela (3d).
                                Finalmente, os elementos de transição interna são os que
                        correspondem às duas fileiras na parte inferior da tabela. A primeira
                        fileira é a dos lantanídeos e a segunda, a dos actinídeos. Observe que, no
                        corpo principal da tabela, há uma lacuna entre os elementos lantânio (La)
                        e háfnio (Hf), e outra entre o actínio (Ac) e o Rutherfórdio (Rf). Essas
                        lacunas correspondem aos lantanídeos e aos actinídeos, respectivamente.
                        Nestes elementos, as duas últimas camadas começam a ser preenchidas
                        antes da antepenúltima. Nos lantanídeos, por exemplo, os últimos
                        elétrons ocupam a camada 4, embora a última camada seja a n = 6.


                         !
                             Alguns grupos da Tabela Periódica têm nomes especiais. Os elementos dos
                             grupo 1A são os metais alcalinos; os do grupo 2A são os metais alcalino-
                             terrosos; os do grupo 7A são os halogênios, e os do grupo 8A são os gases
                             nobres. Estes últimos são assim nomeados devido a sua baixa reatividade.




86   CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                         6
                                                                                         AULA
1.a. Complete a tabela a seguir:

                                                                        Transição
    Elemento      Período    Grupo     Representativo?   Transição?
                                                                        interna?
  Cobalto (Co)        4
     Iodo (I)
   Prata (Ag)                  1B
   Selênio (Se)
   Urânio (U)                               Não             Não           Sim


1.b. As configurações eletrônicas de três elementos X, Y e Z são dadas a
seguir:

X: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d3
Y: 1s2 2s+ 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s
Z: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f

Identifique o elemento representativo, o de transição e o de transição
interna.

                                             RESPOSTA COMENTADA
1.a. Para realizar esta atividade, você precisa consultar a Tabela
Periódica, localizar cada elemento e verificar a numeração do período
e do grupo correspondente. A tabela completa é a que segue:

                                                                        Transição
    Elemento      Período    Grupo     Representativo?   Transição?
                                                                        interna?
  Cobalto (Co)        4        8B           Não             Sim           Não
     Iodo (I)         5       7A            Sim             Não           Não
   Prata (Ag)         5        1B           Não             Sim           Não
   Selênio (Se)       4       6A            Sim             Não           Não
                             actiní-
   Urânio (U)         7                     Não             Não           Sim
                              deos


1.b. Você precisa saber que em um elemento representativo, os
últimos elétrons ocupam a última camada; em um elemento de
transição, ocupam a penúltima; e em um de transição interna, a
antepenúltima.
No elemento X, o orbital 5s é preenchido antes dos orbitais 4d (pois
estes têm energia maior que aquele, de acordo com o diagrama
de Pauling, visto na aula anterior). Assim, os elétrons mais externos
não estão na última camada (n = 5), e sim na penúltima (n = 4).
Trata-se de um metal de transição.




                                                                      CEDERJ        87
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos




                           No elemento Y, a última camada (n = 6) é a mais externa. Trata-se
                           de um elemento representativo.

                           Finalmente, no elemento Z, a camada que contém os elétrons mais
                           energéticos (n = 4) é a antepenúltima. Trata-se de um elemento
                           de transição interna.




                           Metais, não-metais e metalóides

                                     Várias propriedades dos elementos permitem que os classifiquemos em
                           metais, não-metais e metalóides. Você deve estar familiarizado com algumas
                           propriedades de metais e não-metais. Vamos listá-las na Tabela 6.1:



                           Tabela 6.1: Algumas propriedades de metais e não-metais

                            Propriedade                Metais                   Não-metais
                            Brilho                     Brilhantes               Opacos
                            Densidade                  Alta                     Baixa
                            Ponto de Fusão             Alto                     Baixo
                            Condutividade elétrica     Alta                     Baixa



                                     Os metais se encontram à esquerda e no centro da Tabela Periódica.
                           Os não-metais pertencem aos grupos 5A, 6A, 7A e 8A. Entretanto, a
                           fronteira entre esses dois tipos de material não é nítida. Existem elementos
 SEMICONDUTORES            que exibem propriedades dos metais e dos não-metais. Eles são chamados
 Diz-se das substâncias    metalóides, ou semimetais. O arsênio, por exemplo, pertence ao grupo
 com resistividade
 entre a de um             5A, mas se comporta como metal frente ao oxigênio e ao flúor.
 condutor e a de um
 isolante, e que pode                Uma propriedade muito importante dos metalóides é a sua
 variar segundo as
                           condutividade elétrica: ela não é tão alta como nos metais, nem tão
 condições físicas a
 que está submetida.       baixa como nos não-metais. São materiais ditos SEMICONDUTORES.
 O computador que
 você utiliza funciona
 devido aos circuitos
 integrados, como
 os representados
 na Figura 6.2. Eles
 são dispositivos
 eletrônicos
 feitos à base de
 semicondutores, como
 o silício e o germânio.




88   CEDERJ
6
                                                                                                AULA
Figura 6.2: Um circuito integrado utilizado em microcomputadores contém silício
e germânio.




PROPRIEDADES PERIÓDICAS DOS ELEMENTOS

       Vamos encerrar nossa aula ilustrando a lei periódica pela análise
de algumas propriedades importantes dos elementos. O estudo dessas
propriedades mostrará, também, as diferenças entre metais e não-metais.


Raio atômico

       É impossível medir o tamanho exato de um átomo, pois ele não é
uma esfera maciça, como pensava Dalton. Lembre-se de que os elétrons
ocupam os orbitais atômicos (funções matemáticas que se espalham pelo
espaço). Embora haja regiões de maior probabilidade de o elétron ser
encontrado quando em um orbital, ele pode também estar localizado
em outras regiões.
       Desta forma, a definição do tamanho do átomo é ambígua, e há
várias maneiras práticas de determinar essa grandeza. Uma delas, e muito
usada, é definir o raio atômico tomando-se a metade da distância entre
os núcleos dos átomos adjacentes em um composto. A Figura 6.3 ilustra
o procedimento usando a molécula de cloro.




                                                                                  CEDERJ   89
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos




                                                              d = RCl




                                                   Cl                      Cl




                         Figura 6.3: A distância (d) entre os átomos de Cl permite obter o raio do cloro.



                         !
                             Observa-se na Tabela Periódica que o raio atômico:
                             • diminui ao longo de um período;
                             • aumenta ao longo de um grupo.




                                Acompanhe essa tendência pelo gráfico ilustrativo apresentado na
                        Figura 6.4. Você pode verificar por ele que os metais mais à esquerda e
                        mais abaixo na Tabela Periódica devem ter os maiores raios atômicos
                        e que os não-metais da parte superior da tabela têm os menores raios
                        atômicos.




                                   Figura 6.4: Variação do raio atômico com o número atômico.




90   CEDERJ
Energia de ionização




                                                                                           6
                                                                                           AULA
       A energia de ionização (EI) de um elemento X é a energia necessária
para remover o elétron mais fracamente ligado ao átomo, em fase gasosa
do elemento. O processo pode ser representado pela seguinte equação:


                              X(g) → X+(g) + e–


       A energia de ionização mostra o quão fácil é remover o elétron mais
fracamente ligado ao átomo. O tamanho do átomo afeta a intensidade
da atração entre os elétrons de valência e o núcleo do átomo. Se o raio
atômico aumenta, os elétrons de valência ficam mais fracamente ligados;
o contrário ocorre se o raio atômico diminui.


!
    Observa-se que, ao longo da Tabela Periódica, a energia de ionização:
    • aumenta ao longo de um período;
    • diminui ao longo de um grupo.




       Essas observações corroboram o que foi dito anteriormente.
Os metais têm, em geral, energia de ionização menor que os não-metais. Os
gases nobres, devido à sua estabilidade, têm energia de ionização muito
alta. Você pode acompanhar essas informações por meio do gráfico
apresentado na Figura 6.5, que indica como a energia de ionização varia
em relação ao número atômico.




      Figura 6.5: Variação da energia de ionização com o número atômico.




                                                                             CEDERJ   91
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos




                        Afinidade ao elétron

                                A afinidade ao elétron (AE) de um elemento X é a energia liberada
                        quando um elétron é adicionado a um átomo neutro do elemento em fase
                        gasosa. O processo pode ser representado pela seguinte equação:
                                                       X(g) + e– → X–(g)
                                Alguns elementos, como os gases nobres, não têm afinidade a
                        elétrons adicionais.



                         !
                             Observa-se que, ao longo da Tabela Periódica, a afinidade ao elétron:
                             • aumenta ao longo de um período (à medida que o raio diminui);
                             • diminui ao longo de um grupo (à medida que o raio atômico aumenta).




                                A afinidade ao elétron dos metais é baixa, e a dos não-metais é
                        alta. Isto indica, também, que os metais têm maior facilidade em perder
                        elétrons, e os não-metais em ganhar.



                        ATIVIDADE


                        2. Dos elementos rubídio (Rb), lítio (Li), cloro (Cl) e iodo (I), qual tem
                        a. maior e menor raio atômico?
                        b. maior e menor energia de ionização?
                        c. maior e menor afinidade eletrônica?

                                                                    RESPOSTA COMENTADA
                        Você precisa conhecer as tendências de cada propriedade em
                        crescer ou diminuir ao longo da Tabela Periódica. Precisa também
                        verificar a posição relativa de cada elemento na Tabela para realizar
                        corretamente esta atividade.

                        O Cs e o Li estão no mesmo grupo, na extrema esquerda da
                        TP (são metais do grupo 1A, ou metais alcalinos); já o Cl e o I
                        também estão no mesmo grupo, mas na extrema direita (são
                        do grupo 7A, ou halogênios). Por outro lado, o Li e o F estão no
                        mesmo período (correspondendo a n = 2), bem como o Rb e o I
                        (correspondendo a n = 5).




92   CEDERJ
6
                            O raio atômico diminui ao longo de um período e aumenta em um




                                                                                                               AULA
                            grupo; então, o elemento de maior raio é o Rb, e o de menor é o F.

                            A energia de ionização aumenta ao longo de um período e diminui
                            ao longo de um grupo. Logo, o elemento de maior energia de
                            ionização é o F, e o de menor é o Rb. A afinidade ao elétron aumenta
                            ao longo de um período e diminui ao longo de um grupo. Logo, o
                            elemento de maior afinidade eletrônica é o F, e o de menor é o Li.




OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À VIDA

       Os organismos vivos, como todos os corpos presentes na Terra,
são compostos de átomos dos elementos que ocorrem na natureza.
Entretanto, dos elementos conhecidos, somente 25 parecem ser essenciais
à vida. A lista desses elementos essenciais é apresentada na Tabela 6.2,
a seguir:


Tabela 6.2: Os 25 elementos essenciais à vida

   Elemento     Símbolo       Elemento      Símbolo      Elemento     Símbolo
   Arsênio         As            Flúor          F       Nitrogênio        N
     Boro           B          Fósforo          P        Oxigênio        O
    Cálcio         Ca           Ferro           Fe        Níquel         Ni
   Carbono          C        Hidrogênio         H        Potássio         K
     Cloro         CL            Iodo           I         Selênio        Se
    Cromo          Cr         Magnésio          Mg         Silício       Si
   Cobalto         Co         Manganês          Mn         Sódio         Na
    Cobre          Cu        Molibdênio         Mo         Zinco         Zn
   Enxofre          S



       Os elementos mais abundantes nos organismos vivos são o carbono,
o hidrogênio, o nitrogênio e o oxigênio. Eles formam 99,3% dos átomos
de seu corpo, enquanto os 21 elementos restantes correspondem a apenas
0,7%. Apesar de entrarem em proporção tão pequena, eles realizam
uma série de funções críticas para a vida. A ausência de qualquer desses
elementos no organismo pode levar a doenças e até mesmo à morte.




                                                                                                 CEDERJ   93
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos




                            CONCLUSÃO

                                    A semelhança entre as propriedades físicas e químicas de alguns
                            elementos não é casual; ela deriva da semelhança que ocorre na camada
                            de valência desses elementos. A Tabela Periódica mostra de forma
                            condensada e sistemática como os elementos se arrumam segundo a
                            semelhança de suas propriedades.




                                           ATIVIDADE FINAL

       a) Identifique os seguintes elementos:

       (i) grupo 2A, período 5                   (ii) grupo 4B, período 4

       (iii) grupo 7A, período 2                 (iv) grupo 2A, período 2

       Quais desses quatro elementos têm propriedades químicas semelhantes?

       b) Arrume os seguintes elementos, do mais metálico para o menos metálico:

       (i) S, Cl, Si e Pd

       (ii) Sn, Rb, Ag e Pd

       c) Para cada um dos pares, diga qual elemento tem o maior raio atômico, a maior
       energia de ionização e a maior afinidade eletrônica:

       (i) Ca e Se                     (ii) S e Se                  (iii) Ca e Sr



                                                       RESPOSTA COMENTADA
       a. Para realizar esta atividade, você só precisa consultar a TP. Nela, os
       elementos estão arrumados por grupos (numerados na parte de cima),
       que correspondem às colunas da tabela; e por períodos (numerados na
       parte lateral), que correspondem às linhas da tabela. Cada elemento
       fica caracterizado pela posição que ocupa em uma linha e em uma
       coluna da tabela.
       (i) O elemento que está no grupo 2A, período 5 é o estrôncio (Sr).
       Trata-se de um metal alcalino-terroso.
       (ii) O elemento que está no grupo 4B, período 4 é o cromo (Cr). É
       um metal de transição.



94   CEDERJ
(iii) O elemento que está no grupo 7A, período 2 é o flúor (F). É um




                                                                                           6
halogênio.




                                                                                           AULA
(iv) O elemento que está no grupo 2A, período 2 é o berílio (Be). É
um metal alcalino-terroso.
Elementos no mesmo grupo têm propriedades semelhantes. Dos dados
no problema, os que pertencem ao mesmo grupo são o Sr e Be.
b. Você precisa saber que um elemento tem tão mais caráter metálico
quanto mais à esquerda estiver na Tabela Periódica. Uma consulta vai
mostrar, então, que a ordem será:
(i) Pd > Si > S > Cl
(ii) Rb > Pd > Ag > Sn
Ou seja, o paládio (Pd) é o de maior caráter metálico entre os elementos
listados no item (i) e o rubídio, entre os do item (ii).
c. Para resolver esta questão, verifique se os elementos de cada par estão
no mesmo período ou no mesmo grupo. Sabemos que o raio atômico
(R) diminui ao logo de um período e aumenta ao longo de um grupo.
A energia de ionização (EI) e a afinidade ao elétron (AE) aumentam ao
longo de um período e diminuem ao longo de um grupo.
Os elementos deste par (i) estão no mesmo período (n = 4). Os dos
pares (ii) e (iii) nos mesmos períodos (6A e 2A, respectivamente).
Podemos montar a seguinte tabela:


   Par                 R                   El                   AE
    (i)           Ca > Se               Se > Ca               Se > Ca
   (ii)           Se > S                 S > Se                S > Se
   (iii)          Sr > Ca               Ca > Sr               Ca > Sr




                                                                             CEDERJ   95
Elementos de Química Geral | Propriedades periódicas dos elementos




     RESUMO



       As propriedades periódicas dos elementos estão intimamente relacionadas aos
       elétrons de valência. A Tabela Periódica exibe essa periodicidade. Nela, dividimos
       os elementos em metais, não-metais e metalóides. O raio atômico dos elementos
       diminui ao longo de um período e aumenta ao longo de um grupo na tabela. Já
       a energia de ionização e a afinidade eletrônica têm comportamento oposto.




                        INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

       Na próxima aula, você vai estudar o primeiro tipo de ligação química entre os
       átomos: a ligação iônica.




96   CEDERJ
7
                                                                         AULA
             Combinações entre átomos:
                       a ligação iônica
                                                                                     Metas da aula
                                                   Definir os tipos de ligação química entre os átomos.
                                                         Enunciar a regra do octeto e o seu significado.
                                                             Representar o símbolo de Lewis de átomo.
                                                                             Descrever a ligação iônica.
                                Relacionar o tamanho de um íon com o do átomo neutro que o originou.
objetivos

            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta
            aula, você seja capaz de:
            • Reconhecer se uma ligação química é iônica,
              covalente ou metálica.
            • Escrever o símbolo de Lewis de um elemento
              através de informações da Tabela Periódica
              ou da configuração eletrônica.
            • Representar a formação de um composto iônico
              utilizando os símbolos de Lewis.
            • Comparar o tamanho relativo de átomos e íons.




                                                                                     Pré-requisitos
                                                               Você precisa dos conceitos ensinados na
                                                                Aula 6 (especialmente o de elétrons de
                                                                 valência) para compreender esta aula.
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica



INTRODUÇÃO              Nas aulas anteriores, você aprendeu a descrever a estrutura eletrônica e as
                        propriedades de átomos e íons. Se os átomos ou íons são fortemente atraídos
                        uns pelos outros, dizemos que existe uma ligação química entre eles. Nesta
                        aula, você vai aprender a distinguir os tipos de ligação e conhecer a regra do
                        octeto, uma regra básica para a formação da ligação química. Ela será usada
                        para compreender o primeiro tipo de ligação que vamos estudar em nosso
                        curso: a ligação iônica.


                        TIPOS DE LIGAÇÃO QUÍMICA

                                As propriedades das substâncias são determinadas, em grande
                        parte, pelas ligações químicas que mantêm os átomos unidos. O açúcar
                        (sacarose, C12H22O10) e o sal de cozinha (cloreto de sódio, NaCl), por
                        exemplo, são compostos totalmente diferentes. O que dá características
                        tão marcantemente distintas a esses compostos é o tipo de ligação entre
                        os átomos. As ligações entre os átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio
                        na sacarose têm um caráter totalmente diverso daquelas entre os átomos
                        de cloro e de sódio no NaCl.



                            O açúcar, por exemplo, tem baixo ponto de fusão; o sal de cozinha,
                            alto. Se você colocar uma solução de açúcar entre dois eletrodos e
                            tentar passar uma corrente, como mostrado na Figura 7.1, verá que a
                            solução é má condutora elétrica; por outro lado, se a solução contiver
                            sal de cozinha, a corrente flui com facilidade!


                                                                Bateria



                                                           e-              e-


                                                   Ânodo                        Cátodo




                        Figura 7.1: Se a solução dentro do recipiente contiver açúcar, a corrente elétrica não
                        passa; se contiver sal, ela passa com facilidade.
98   CEDERJ
Existem três tipos gerais de ligação química:




                                                                                                 7
a. ligação iônica – é o resultado da ação de fortes forças




                                                                                                 AULA
  eletrostáticas entre íons de carga oposta. Os íons podem ser
  formados a partir dos átomos neutros, pela transferência de
  elétrons de um átomo para outro. Este tipo de ligação ocorre
  normalmente entre os metais mais à esquerda e os não-metais
  mais à direita da Tabela Periódica;
b. ligação covalente – é o resultado do compartilhamento de um ou
  mais pares de elétrons entre dois átomos. Ocorre normalmente
  entre os não-metais;
c. ligação metálica – é a ligação encontrada nos metais, como no
  ferro, no cobre ou no alumínio. Neste tipo de ligação, cada
  átomo se liga a muitos outros átomos vizinhos. Os elétrons
  de ligação são relativamente livres para mover-se através da
  estrutura tridimensional do metal.

                  ATIVIDADE

                  1. Determine o tipo de ligação entre os pares de elementos a seguir:
                     a. carbono e oxigênio
                     b. carbono e cloro
                     c. magnésio e bromo
                     d. magnésio e magnésio
                     e. enxofre e enxofre
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  ___________________________________________________________________
                  _________________________________________________________________

                                                                RESPOSTA COMENTADA
                  Para resolver o exercício desta atividade, você precisa reconhecer se
                  os elementos listados são metais ou não-metais. O estudo da Tabela
                  Periódica (feito na Aula 6) permite que você identifique os elementos
                  da seguinte forma:
                  • metais: magnésio;
                  • não-metais: carbono, oxigênio, cloro, bromo e enxofre.
                  Sabemos também que a ligação iônica se dá entre um metal e um
                  não-metal; a covalente, entre não-metais; a metálica, entre metais.
                  Então a resposta do exercício é:
                     a. ligação covalente
                     b. ligação covalente
                     c. ligação iônica
                     d. ligação metálica
                     e. ligação covalente

                                                                                   CEDERJ   99
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica




                        SÍMBOLOS DE LEWIS

                                Os elétrons envolvidos nas ligações químicas são os elétrons
                        de valência (lembre-se da Aula 6!), aqueles que estão na camada mais
                        externa do átomo. O americano Gilbert N. Lewis (1875-1946) sugeriu
                        uma forma simples de representar os elétrons de valência de um átomo
                        e de acompanhá-los durante a formação da ligação química. Esta
                        representação é conhecida como símbolo de Lewis, ou diagrama de
                        pontos de Lewis.

                         !
                             Símbolo de Lewis de um elemento = símbolo químico do elemento + um
                             ponto para cada elétron de valência.



                                A disposição dos elétrons em torno do símbolo de elemento é
                        tal que:
                                • cada elétron ocupa um dos quatro lados do símbolo;
                                • se houver mais de quatro elétrons, preenche-se inicialmente os
                                   quatro lados com um elétron; os elétrons restantes entram a
                                   seguir, formando pares com cada um dos quatro primeiros.


                                Será que este conceito ficou claro? Vamos trabalhar alguns
                        exemplos para verificar se você compreendeu o que foi dito.


                                Exemplo 1: Escrever o símbolo de Lewis para o fósforo (P)


                                Solução: consultando a Tabela Periódica, você pode verificar que
                        o fósforo pertence ao grupo 5A. Logo, ele tem cinco elétrons de valência
                        (ele é um elemento representativo, como você aprendeu na aula anterior!).
                        Colocamos cada um dos quatro primeiros elétrons em cada um dos lados
                        do símbolo P; o último elétron fica emparelhado com qualquer um dos
                        quatro primeiros. O resultado é:




                        Obs.: Qualquer um dos diagramas mostrado está correto!


                        Exemplo 2: Escrever o símbolo de Lewis do enxofre (S), que tem a
                        seguinte configuração eletrônica:
                                                    S: 1s22s22p63s23p4


100 C E D E R J
Solução: neste caso, podemos determinar o número de elétrons




                                                                                                                 7
de valência diretamente da configuração eletrônica do elemento. Vemos




                                                                                                                 AULA
pela configuração dada que a última camada ocupada (n = 3) é também
a mais externa (o enxofre é um elemento representativo). Esta camada
tem seis elétrons ao todo. Logo, este é o número de elétrons de valência.
O símbolo de Lewis para o enxofre é:




Obs.: Ou qualquer representação com dois pares de elétrons emparelhados e
dois desemparelhados, colocados nos quatro lados do símbolo.


                          ATIVIDADE

                          2. Escreva o símbolo de Lewis do sódio (Na), do cloro (Cl), do carbono
                          (C) e do neônio (Ne):
                          __________________________________________________________________
                          __________________________________________________________________
                          __________________________________________________________________
                          ___________________________________________________________________
                          _________________________________________________________________

                                                                          RESPOSTA COMENTADA
                          Para resolver este exercício, você precisa consultar a Tabela Periódica e
                          verificar o grupo em que cada elemento se encontra. Se o elemento for
                          representativo, o número do grupo a que ele pertence indica o número
                          de elétrons de valência.
                          O Na pertence ao grupo 1A, o Cl ao grupo 7A, o C ao grupo 4A e o
                          Ne, por sua vez, ao grupo 8A. Todos são elementos representativos.
                          Portanto, o número de elétrons de valência de cada um é o número do
                          grupo a que pertence (Na = 1, Cl = 7, C = 4 e Ne = 8). Os símbolos
                          de Lewis desses elementos são:




                          No caso do Na, o elétron pode ser colocado em qualquer um dos lados
                          do símbolo químico; da mesma forma, você pode trocar a posição do
                          elétron solitário no cloro com qualquer par, resultando em quatro formas
                          equivalentes de representação.
                          Para o C e o Ne, só há uma forma de arrumar os elétrons. Observe as
                          regras para a representação de um símbolo de Lewis e verifique que,
                          no caso do C, cada elétron deve entrar em um dos lados do símbolo
                          do átomo. O Ne, por sua vez, possui oito elétrons de valência, que só
                          podem ser arrumados como quatro pares de elétrons, um par em cada
                          lado do símbolo.



                                                                                               C E D E R J 101
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica




                        A REGRA DO OCTETO

                                Se você observar a configuração eletrônica dos elementos do grupo
                        8A (os gases nobres), verá que eles têm oito elétrons de valência. A baixa
                        reatividade destes elementos foi atribuída a essa configuração eletrônica
                        especial da camada de valência. Esta idéia tornou-se muito importante
                        quando os cientistas observaram que as combinações químicas entre
                        átomos dos elementos representativos se davam de forma que cada
                        átomo, ao final da combinação, atingia a configuração de valência de
                        um gás nobre. Estas observações levaram G.N. Lewis e outros cientistas
                        a formular a regra do octeto.


                         !
                             Regra do octeto: Os átomos tendem a ganhar, perder ou compartilhar elétrons
                             até que tenham oito elétrons de valência. No caso do hidrogênio, cuja camada
                             de valência é n = 1, o “octeto” fica completo com dois elétrons.



                                Um octeto de elétrons consiste em subcamadas s e p completas de
                        um átomo. Em termos dos símbolos de Lewis, um octeto é representado
                        por quatro pares de elétrons em torno do átomo, tal como no neônio
                        que você descreveu na Atividade 2.


                                Há muitas exceções à regra do octeto, em particular aos elementos
                        mais pesados, nos quais existem elétrons d e f na subcamada incompleta
                        mais externa. Entretanto, a regra é útil para predizer os resultados de
                        combinações entre os elementos mais leves (até cerca de Z = 22).


                        A LIGAÇÃO IÔNICA

                                Os elementos podem atingir um octeto estável pela transferência
                        de elétrons de um átomo para outro. Isso faz com que os átomos neutros
                        se transformem em íons. A força de atração entre íons de carga oposta
                        é chamada ligação iônica.



                             A ligação iônica ocorre entre elementos de baixa energia de ionização
                             (ou seja, com facilidade de perder elétrons) e entre elementos de
                             grande afinidade eletrônica (ou seja, com tendência muito acentuada
                             de receber elétrons). Em outras palavras, ela ocorre preferencialmente
                             entre os metais mais à esquerda e os não-metais mais à direita da
                             Tabela Periódica.



102 C E D E R J
Podemos esperar que os elementos com poucos elétrons de valência




                                                                                               7
(em particular os metais dos grupos 1A, 2A e 3A) percam elétrons quando




                                                                                               AULA
reagem com elementos que tenham quase oito elétrons de valência (como
os não-metais dos grupos 6A e 7A). Os íons formados nessa transferência
são atraídos uns pelos outros porque cargas opostas se atraem. Esta
atração entre os íons é a ligação iônica.


       O sódio metálico, por exemplo, reage vigorosamente com o gás
cloro, formando o cloreto de sódio. Nesta reação, um elétron é transferido
do átomo de sódio para o átomo de cloro, com formação dos íons Na+
e Cl-. As configurações eletrônicas dos átomos de Na e de Cl são: Na:
1s2 2s2 2p6 3s; e Cl: 1s2 2s2 2p5.
       Os símbolos de Lewis para o Na e o Cl são:




       (Veja a Atividade 2!) Então o processo de transferência de um
elétron do Na para o Cl se representa por:




       Veja que cada íon tem o seu octeto completo (O íon Na+ ficou
com oito elétrons na camada n = 2 e nenhum elétron na camada
n = 3!). Observe também que o símbolo de Lewis de um íon é escrito
entre colchetes, com a carga do íon também indicada.


       A atração entre os íons positivos e negativos leva a um aglomerado
tridimensional ordenado, chamado rede cristalina. O aglomerado total
de íons é um composto iônico. A atração eletrostática entre os íons Na+
e Cl-, por exemplo, faz surgir o composto iônico NaCl.


       Observe a Figura 7.2! Nela você pode verificar que, na rede
cristalina do NaCl, cada íon Na+ é rodeado por seis íons Cl-, e cada íon
Cl- por seis íons Na+. Assim, há um íon Na+ para cada íon Cl- e o cristal
de NaCl é eletricamente neutro.




                                                                             C E D E R J 103
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica




                        Figura 7.2: Rede cristalina do NaCl. Cada íon é rodeado por seis íons de carga oposta.



                         !
                             A razão entre os íons em uma rede cristalina de um composto iônico é tal
                             que o composto, como um todo, é eletricamente neutro. A fórmula de um
                             composto iônico traduz esta proporção entre íons positivos e negativos. No
                             composto MgCl2, por exemplo, a rede cristalina é tal que a proporção entre
                             os íons Mg2+ e Cl- é de 1:2.



                                Em geral, os compostos iônicos são formados por metais e
                        não-metais. Se os elementos envolvidos são representativos, você pode
                        predizer o número de elétrons que eles podem ganhar ou perder, bastando
                        saber a posição do elemento na Tabela Periódica. A Tabela 7.1 lista os
                        íons comuns dos elementos representativos.

                                      Tabela 7.1: Íons comuns dos elementos representativos

                                   Grupo      1A        2A       3ª        5A        6ª       7A

                                              Li+       Be2+     Al3+      N3-       O2-      F-

                                              Na+       Mg2+               P3-       S2-      Cl-

                                              K+        Ca2+                         Se2-     Br -

                                              Rb+       Sr2+                         Te2-     I-

                                              Cs+       Ba2+




104 C E D E R J
Vamos ver se ficou claro? Acompanhe o exemplo a seguir:




                                                                                                                7
                                                                                                                AULA
      Exemplo 3: Com base na Tabela 7.1, explicar a formação do íon N3-.


      Solução: O N pertence ao grupo 5A. Logo, tem cinco elétrons
de valência. Ele pode completar seu octeto se ganhar três elétrons. Esta
transferência leva à formação do ânion N3-.

                         ATIVIDADE

                         3.a. Como seria representada a formação do MgCl2 pelos símbolos de
                         Lewis?
                         3.b. Explicar a formação dos íons S2- e Al3+.
                         __________________________________________________________________
                         __________________________________________________________________
                         __________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         __________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                         RESPOSTA COMENTADA
                         3.a. Você pode consultar a Tabela Periódica para verificar que o Mg
                         pertence ao grupo 2A; é um elemento representativo de modo que
                         tem dois elétrons na camada de valência. Para o cloro, você já dispõe
                         das informações necessárias no texto. Os símbolos de Lewis de cada
                         elemento são:




                         O átomo de Mg precisa perder dois elétrons para ter seu octeto
                         completo. O átomo de Cl só pode receber um elétron. Logo, a formação
                         do MgCl2 se dará pela transferência dos dois elétrons do Mg, um para
                         cada átomo de Cl, segundo o esquema:




                         3.b. Para resolver este exercício, você deve inicialmente consultar a
                         Tabela 7.1. Os dados desta tabela indicam que o enxofre (S) pertence
                         ao grupo 6A, tendo seis elétrons de valência; logo, ele pode completar
                         o seu octeto ganhando 2 elétrons, o que leva ao ânion S2-. O alumínio
                         (Al), por sua vez, pertence ao grupo 3A, tendo três elétrons de valência;
                         ao perdê-los, forma-se o cátion Al3+.




                                                                                              C E D E R J 105
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica



                                 A formação dos íons de metais de transição é mais difícil de se
                        prever, pois nestes elementos pode-se retirar elétrons não só da subcamada
                        mais externa, como também daquela de maior n. É por esta razão que
                        alguns elementos podem formar mais de um íon. A Tabela 7.2 lista alguns
                        dos íons formados pelos metais de transição mais comuns.

                                      Tabela 7.2: Íons dos metais de transição mais comuns


                         Metal       Íon          Metal          Íon            Metal        Íon


                         Cádmio      Cd2+         Cromo          Cr2+, Cr3+     Mercúrio     Hg22+ , Hg2+


                         Chumbo      Pb2+, Pb4+   Estanho        Sn2+, Sn4+     Níquel       Ni2+


                         Cobalto     Co2+, Co3+   Ferro          Fe2+, Fe3+     Prata        Ag+


                         Cobre       Cu+, Cu2+    Manganês       Mn2+, Mn3+     Zinco        Zn2+




                        TAMANHO DOS ÍONS

                                 Quando elétrons são acrescentados ou retirados de um átomo
                        neutro, o íon formado tem seu tamanho modificado. O tamanho de um
                        íon depende:
                                 • da carga do núcleo;
                                 • do número de elétrons do íon;
                                 • dos orbitais em que os elétrons mais externos se encontram.


                                 É mais interessante comparar o tamanho do íon em relação ao
                        átomo neutro que deu origem a ele. Observe a Figura 7.3: ela ilustra o
                        que ocorre em um átomo quando se retiram ou se adicionam elétrons.
                        A formação de um cátion implica a retirada de um ou mais elétrons
                        de orbitais mais afastados do núcleo. Isso diminui a repulsão entre os
                        elétrons restantes e aumenta a atração deles pelo núcleo.
                                 O oposto é verdadeiro para os íons negativos: quando elétrons
                        são adicionados para formar um ânion, o aumento da repulsão entre
                        eles faz com que se espalhem mais no átomo.




106 C E D E R J
7
                                                                                                          AULA
a)                                -e




b)                                +e


Figura 7.3: (a) A retirada de elétrons faz o átomo diminuir; (b) a adição de elétrons
faz o átomo aumentar.


        Finalmente, devemos considerar o tamanho de íons de mesma
carga e de mesma família química (ou grupo da Tabela Periódica). Tal
como o raio atômico cresce ao longo de um grupo, o tamanho do íon
deve acompanhar essa tendência, pois cada elemento de uma mesma
família tem elétrons mais externos em camadas com n crescentemente
maior. Os íons gerados terão a mesma carga, mas seu tamanho cresce
ao longo do grupo.


 !
     Vamos resumir estas idéias da seguinte forma:
     • cátions são menores do que os átomos neutros que os originaram;
     • ânions são maiores que os átomos neutros que os originaram;
     • os íons de uma mesma família têm a mesma carga e aumentam de tamanho
     ao longo de seu grupo na Tabela Periódica.



        Acompanhe o exemplo a seguir para verificar se ficou tudo claro.


        Exemplo 5: Arranje os átomos e íons em ordem decrescente de
tamanho: Na+, K+ e K.


        Solução: Sabemos que os cátions são menores que os átomos
neutros de origem. Logo, K > K+. O Na+ e o K+ são íons de elementos
do mesmo grupo, com o potássio no período n = 4 e o sódio com n = 3.
Logo K+ > Na+. Então o ordenamento final é:
        K > K+ > Na+

                                                                                        C E D E R J 107
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica



                          ATIVIDADE

                          4. Ordene as espécies a seguir em ordem crescente de tamanho:
                          S2-, O2-, O
                          __________________________________________________________________
                          __________________________________________________________________
                          ___________________________________________________________________
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                          Consultando a Tabela Periódica, você vai verificar que o S e o O
                          pertencem ao mesmo grupo. Sabendo que um ânion é maior que
                          o átomo neutro, então S < S2-. Entre os átomos neutros de O e de S,
                          temos que O < S. Então o ordenamento é:
                          O < S < S2-



                          CONCLUSÃO

                                 Os átomos combinam-se entre si devido a forças atrativas que
                          levam à formação de ligações químicas entre eles. Uma forma de
                          combinação é dada pela transferência de elétrons de um átomo com
                          baixa energia de ionização para outro com grande afinidade eletrônica.
                          Este processo leva à formação de redes cristalinas formadas por íons,
                          definindo um composto iônico.


                                        ATIVIDADE FINAL

        Considere os átomos de Ga e I:

        a. Que tipo de ligação se espera entre eles? Justifique sua resposta.

        b. Qual é o símbolo de Lewis de cada um destes elementos?

        c. Qual é o símbolo de Lewis do composto formado entre eles?

        d. Qual dos dois íons é maior? Justifique sua resposta.

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        __________________________________________________________________________
108 C E D E R J
RESPOSTA COMENTADA




                                                                                                    7
  Em primeiro lugar, você deve verificar a posição dos elementos considerados




                                                                                                    AULA
  na Tabela Periódica. O Ga pertence ao grupo 3A; e o I, ao grupo 7A. Ambos
  são elementos representativos. O Ga é um metal e o I um não-metal. Com
  estas informações, podemos responder às questões propostas.
  a. Como o Ga é um metal e o I um não-metal, espera-se uma ligação iônica
  entre eles.
  b. O Ga tem três elétrons de valência, e o I tem sete. Assim, os símbolos de
  Lewis para cada elemento são:




  c. O Ga ganhará a configuração do octeto se perder seus três elétrons
  externos; o I precisa receber um elétron para formar o octeto. Desta forma,
  o Ga cede um elétron para cada átomo de I (em um total de três), formando
  o composto iônico GaI3. Neste composto, a proporção entre os átomos é de
  um de Ga para três de I.
  A representação do processo, usando os símbolos de Lewis, é:




  d. Para responder a esta pergunta, você deve inicialmente pensar na tendência
  de crescimento do raio atômico dos elementos neutros na Tabela Periódica
  (veja a aula anterior!). O Ga está no quarto período (n = 4) da Tabela; o I,
  no quinto, e mais à direita que o Ga. Logo, pela tendência de crescimento
  do raio atômico, o I é maior que o Ga. Ao formar os íons, o Ga diminui ao
  passar para Ga3+, e o I aumenta ao passar para I-. Desta forma, o I- é menor
  que o Ga3+.



RESUMO

  Os elétrons de valência são os responsáveis pela formação das ligações químicas,
  que podem ser iônicas, covalente ou metálica. Na ligação covalente, há a
  transferência de um ou mais elétrons de um átomo para outro, até que cada
  átomo complete seu octeto. Os íons formados têm seus tamanhos alterados em
  relação aos átomos neutros.




                                                                                  C E D E R J 109
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação iônica




                        INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

        Na próxima aula, você vai estudar a ligação covalente, aquela em que os elétrons
        são compartilhados entre os átomos.




110 C E D E R J
8
                                                                                     AULA
                           Combinações entre átomos:
                                  a ligação covalente

                                                                                       Meta da
                                                                                      Metas da aula
                                                             Descrever a formação da ligação covalente.
                                                                   Caracterizar um composto covalente.
                                      Desenhar o diagrama de pontos e o diagrama de ligações para um
                                         composto covalente formado pelos elementos representativos.
                                                   Definir eletronegatividade e definir as tendências da
                                                       eletronegatividade ao longo da tabela periódica.
                                                   Diferenciar uma ligação polar de uma ligação apolar.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do
            conteúdo desta aula, você seja capaz de:
            • Construir os diagramas de pontos e de
              ligações para combinações covalentes
              entre átomos.
            • Ordenar as ligações em ordem crescente
              de polaridade.




                                                                                        Pré-requisitos
                                                            Você precisa saber representar os símbolos de
                                                       Lewis dos elementos e a regra do octeto para com-
                                                           preender o conteúdo desta aula. Estes assuntos
                                                         foram tratados na Aula 7. Você deverá rever tam-
                                                          bém energia de ionização e afinidade eletrônica,
                                                                          apresentados ao final da Aula 6.
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente



INTRODUÇÃO              Já vimos que as substâncias iônicas possuem várias propriedades característi-
                        cas, tais como alto ponto de fusão e alta condutividade elétrica. A maioria das
                        substâncias não possui as características dos compostos iônicos. À temperatura
                        ambiente, as substâncias são líquidas ou gasosas; se sólidas, têm baixo ponto
                        de fusão. Para descrevê-las e explicar as suas propriedades, precisamos de outro
                        modelo de ligação química, que você vai aprender na aula de hoje.


                        A LIGAÇÃO COVALENTE

                                Átomos que têm atração semelhante por elétrons não podem unir-
                        se por ligações iônicas. Neste caso, os seus octetos ficam completos por
                        compartilhamento de elétrons, formando uma ligação covalente.


                         !
                             Uma ligação covalente surge quando dois núcleos atraem os mesmos elétrons,
                             geralmente arrumados em pares.




                        Figura 8.1: Em uma ligação covalente, dois núcleos atraem os mesmos elétrons.



                                Quando dois ou mais átomos compartilham elétrons através de
                        ligações covalentes, a unidade resultante é uma molécula. Os compostos
                        covalentes são formados por moléculas que, por sua vez, são formadas
                        por átomos unidos por ligações covalentes.
                                Os elementos não-metálicos formam normalmente ligações
                        covalentes. Alguns destes elementos existem na Natureza com dois
                        átomos unidos por uma ligação covalente. As moléculas assim formadas
                        são ditas moléculas diatômicas. Vamos estudar mais detalhadamente
                        duas delas: a molécula de Cl2 e a molécula de H2.

                         !
                             Elementos que existem como moléculas diatômicas à temperatura ambiente
                             são:
                                      Hidrogênio (H2)   Flúor (F2)      Iodo (I2)
                                      Nitrogênio (N2)   Cloro (Cl2)
                                      Oxigênio (O2)     Bromo (Br2)



112 C E D E R J
Cada átomo de cloro tem sete elétrons de valência (confira!) e




                                                                                                    8
precisa de mais um para completar o seu octeto. O símbolo de Lewis




                                                                                                    AULA
do cloro mostra que existe um elétron desemparelhado na camada de
valência (confira novamente!). Ao compartilhar um par de elétrons,
formado por cada um dos elétrons desemparelhados, cada átomo de
cloro adquire o seu octeto.
       De forma semelhante, cada átomo de hidrogênio tem um elétron
na sua camada de valência. O compartilhamento de um par de elétrons,
cada um proveniente de um dos dois átomos de H, permite que cada
átomo complete a sua camada de valência com dois elétrons.
       O diagrama de pontos representativo dessas combinações está
ilustrado na Figura 8.2. Nela incluímos também o diagrama de ligações,
em que cada par compartilhado é representado por um traço unindo
os dois átomos; este traço simboliza uma ligação simples (ou ligação de
um par de elétrons).




Figura 8.2: Diagrama de pontos e diagrama de ligações para as combinações entre
dois átomos de cloro e dois átomos de hidrogênio.




   Moléculas diatômicas formadas por átomos iguais são ditas homonucleares.
   É possível que dois átomos diferentes formem ligações covalentes. Moléculas
   diatômicas formadas por átomos distintos são ditas heteronucleares.
   A molécula de fluoreto de hidrogênio (HF), por exemplo, é formada pela
   ligação covalente entre o H e o F, como ilustrado na Figura 8.3.




   Figura 8.3: Diagrama de pontos e diagrama de ligações para as combinações
   entre um átomo de flúor e um átomo de hidrogênio.




                                                                                  C E D E R J 113
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente



                        ATIVIDADE


                        1. Construa o diagrama de pontos e o de ligações para as moléculas de
                        F2 e de HCl:
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________
                         ________________________________________________________________

                                                                    RESPOSTA COMENTADA
                        Para resolver o exercício desta atividade, você precisa inicialmente
                        escrever os símbolos de Lewis do flúor e do hidrogênio e do cloro:




                        O flúor pode completar seu octeto compartilhando um par de elé-
                        trons com outro átomo de flúor; da mesma forma, o hidrogênio e
                        o cloro completam seus octetos se ambos compartilharem um par
                        de elétrons.

                        Os diagramas de pontos e de ligações são dados a seguir:




                        LIGAÇÕES MÚLTIPLAS

                               Freqüentemente, um octeto estável de elétrons só pode ser atingi-
                        do se mais de um par de elétrons for compartilhado entre dois átomos.
                        Dizemos que há uma ligação múltipla entre os átomos. Dependendo do
                        número de pares de elétrons compartilhados (NPE), teremos os seguintes
                        tipos de ligação:




114 C E D E R J
8
                NPE       Tipo de ligação     Símbolo




                                                                                           AULA
                 1            Simples             –
                 2             Dupla              =
                 3             Tripla             =



      Nada melhor do que observar na prática como as ligações ocor-
rem. Para tal, você verá exemplos de quatro moléculas.

      Exemplo 1: A molécula de O2
      O oxigênio pertence ao grupo 6A, tendo seis elétrons na camada
de valência. O símbolo de Lewis para o átomo de oxigênio é:




       Obs: Todas estas representações são equivalentes!


      A combinação de dois átomos de oxigênio forma um octeto estável
se dois pares de elétrons forem compartilhados:




       Na molécula de O2, há uma ligação dupla entre os átomos de
oxigênio. Observe que cada átomo fica rodeado por oito elétrons, sendo
que quatro deles (dois pares) são comuns aos dois átomos.

      Exemplo 2: A molécula de CO2
      O carbono pertence ao grupo 4A, tem, portanto, quatro elétrons
de valência. Só há uma forma de construir o símbolo de Lewis para este
elemento:




      Ele pode completar seu octeto formando duas ligações duplas,
uma com cada átomo de oxigênio. O diagrama de pontos e de ligações
da formação do CO2 é:




                                                                         C E D E R J 115
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente



                                Exemplo 3: A molécula de N2
                                O nitrogênio pertence ao grupo 5A e tem cinco elétrons de valên-
                        cia. Seu diagrama de Lewis é:




                                 Obs: Todas estas representações são equivalentes!


                                A combinação de dois átomos de N se dá pelo compartilhamento
                        de três pares de elétrons, levando à formação de uma ligação tripla.
                        O diagrama de pontos e de ligações é:




                                Observe como cada átomo compartilha três pares de elétrons,
                        completando o seu octeto!

                                Exemplo 4: A molécula de H2O
                                Já sabemos os símbolos de Lewis para o oxigênio e o hidrogênio:




                                Observe que o octeto do oxigênio pode ser completado se este
                        átomo compartilhar dois pares de elétrons; cada par terá um elétron vindo
                        dele e o outro de um átomo de hidrogênio. Haverá, então, a formação
                        de duas ligações simples O-H:




                         !
                             É importante observar que o diagrama de pontos não indica a forma de
                             uma molécula. Se você observar as representações para o CO2 e para a H2O,
                             verá que não pode inferir delas a geometria de cada uma destas espécies.
                             Este assunto será tratado futuramente.




116 C E D E R J
ATIVIDADE




                                                                                    8
                                                                                    AULA
2. Escrever os diagramas de pontos e os de ligação para os compostos
covalentes formados entre:
a) nitrogênio e hidrogênio
b) carbono e enxofre
c) carbono e flúor
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                                          RESPOSTA COMENTADA
Você deve proceder da mesma forma que na Atividade 1, escre-
vendo inicialmente os símbolos de Lewis dos elementos que vão
combinar-se e completando os seus octetos por compartilhamento
de elétrons.

a) Os símbolos de Lewis para o nitrogênio (grupo 5A) e hidrogênio
(grupo 1A) são:




Observe que qualquer das representações para cada um dos dois
elementos é válida.

Para completar o seu octeto, o N precisa formar três pares de
elétrons, compartilhando-os com os átomos de H. Como o H só
pode ter um par de elétrons em sua camada de valência, o octeto
do N só pode ser completado se três H formarem ligações simples
com o átomo de N, formando a amônia, NH3.

O diagrama de pontos e de ligações é:




b) Os símbolos de Lewis do C (grupo 4A) e do Br (grupo 7A) são:




                                                                  C E D E R J 117
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente




                        Para o carbono completar o seu octeto, precisa formar quatro
                        pares de elétrons com átomos de Br. Como cada átomo de Br
                        precisa compartilhar apenas um par de elétrons para ter seu octeto
                        completo, o C deve ligar-se a quatro átomos de Br, formando o CBr4
                        (tetrabromometano):




                        c) Os símbolos de Lewis para o C (grupo 4A) e o S (grupo 6A) são:




                        Para completar seu octeto, o C precisa compartilhar quatro pares
                        de elétrons e o S, dois. Assim, um átomo de carbono pode unir-se
                        a dois átomos de enxofre por ligações duplas, segundo o esquema
                        a seguir (idêntico ao da formação do CO2):




                        ÍONS POLIATÔMICOS

                               Um íon poliatômico é um grupo de átomos unidos por ligações
                        covalentes e que tem uma carga elétrica. Eles são estáveis o suficiente
                        para que o grupo, como um todo, participe da maioria das reações
                        químicas sem fragmentar-se. Algumas vezes esses íons são formados,
                        a partir de moléculas, pela retirada ou ganho de um ou mais elétrons
                        nestas moléculas. Alguns exemplos de íons poliatômicos são listados na
                        Tabela 8.1 a seguir:

                        Tabela 8.1: Alguns íons poliatômicos
                          Nome comum             Fórmula         Nome comum             Fórmula
                            do íon                                 do íon
                              Amônio                NH4+              Nitrito                NO2-
                              Acetato             C2H3O-2            Oxalato                 C2O42-
                            Carbonato              CO 2-
                                                       3
                                                                  Permanganato               MnO -
                                                                                                 4




118 C E D E R J
8
    Bicarbonato            HCO3-             Peróxido               O2-2
                            CN-                                    PO -3




                                                                                                   AULA
      Cianeto                                 Fosfato                 4

      Clorato              ClO4-         hidrogenofosfato          HPO42-
     Dicromato             Cr2O72-            Sulfato               SO 2-
                                                                      4

     Hidroxila              OH-                Sulfito             SO32-
    Hipoclorito             ClO-         Hidrogenossulfito         HSO -  3

      Nitrato               NO -
                               3
                                            Tiossulfato            S2O32-




POLARIDADE DAS LIGAÇÕES


Eletronegatividade

       Quando uma ligação covalente acontece entre dois átomos
iguais, é fácil imaginar que os dois elétrons sejam atraídos com a mesma
intensidade por cada um dos núcleos dos átomos formadores da ligação.
Isso é o que acontece, por exemplo, nas moléculas de F2 ou de H2. E
quando os átomos são diferentes? Neste caso, é possível (e este quase
sempre é o caso) que um dos átomos tenha uma tendência maior em atrair
elétrons do que o outro. Então, o par (ou pares) de elétrons deve estar
deslocado na direção do átomo com maior tendência em atrair elétrons.

!
    Eletronegatividade é a habilidade que um átomo tem em atrair elétrons.



       Representa-se a eletronegatividade de um elemento pela letra
grega χ (lê-se ki). Um átomo é tanto mais eletronegativo quanto maior
for sua tendência em atrair elétrons. A eletronegatividade de um átomo
depende:
       • de sua energia de ionização;
       • de sua afinidade eletrônica.

       Se a energia de ionização é alta, o átomo tem dificuldade em
perder elétrons; se a afinidade eletrônica é alta, ele tem facilidade em
ganhar elétrons.


!
    Podemos concluir que átomos com alta energia de ionização e alta afinidade
    eletrônica são muito eletronegativos.




                                                                                 C E D E R J 119
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente



                                   Na Tabela Periódica, a eletronegatividade:
                                   • aumenta ao longo de um período (da esquerda para a direita);
                                   • aumenta ao longo de um grupo (de baixo para cima).
                                   Então, devemos esperar que o flúor seja o elemento mais eletro-
                        negativo; e o césio, o menos eletronegativo.


                         !
                              Fique atento, pois alguns metais de transição não obedecem a essa regra!




                                   Foram criadas várias escalas para estimar a eletronegatividade
                        dos átomos. A mais antiga e mais usada foi proposta por Linus Pauling.
                        Os valores de eletronegatividade de alguns elementos, na escala de
                        Pauling, são dados na Tabela 8.2 a seguir:

                        Tabela 8.2: Escala de Pauling de eletronegatividade (χ) de alguns elementos
                             Átomo    χ     Átomo   χ     Átomo     χ     Átomo      χ      Átomo     χ
                              H       2,1    Be     1,6    Co      1,9      C       2,5       F       4,0
                              Li      1,0    Mg     1,2    Cu      1,9      N       3,0      Cl       3,0
                              Na      0,9    Ca     1,0     Fe     1,8      O       3,5      Br       2,8
                              K       0,8    Sr     1,0     Cr     1,6      S       2,5       I       2,5
                              Cs      0,7    Ba     0,9     Zn     1,6      Se      2,4      At       2,2




                        Polaridade das ligações e eletronegatividade

                                   A forma como os pares de elétrons são compartilhados entre os
                        átomos determina a polaridade de uma ligação. Em uma ligação apolar,
                        os elétrons são igualmente compartilhados pelos átomos que formam
                        a ligação. Em uma ligação polar, um dos átomos exerce uma atração
                        maior pelos pares de elétrons do que o outro átomo.


                         !
                              Da definição de eletronegatividade, você pode concluir que:
                              a) ligações covalentes apolares ocorrem entre átomos de mesma eletrone-
                              gatividade;
                              b) ligações covalentes polares ocorrem entre átomos de eletronegatividade
                              diferente.




120 C E D E R J
É a diferença de eletronegatividade, representada por ∆χ (lê-se




                                                                                                      8
delta ki), que determina a polaridade de uma ligação entre dois átomos.




                                                                                                      AULA
Se os átomos que formam a ligação têm a mesma eletronegatividade (ou
seja, se ∆χ = 0), a ligação é covalente apolar. Neste caso, os pares de
elétrons envolvidos na ligação são igualmente compartilhados entre os
dois núcleos dos átomos. É o caso das ligações entre dois átomos iguais,
como as existentes nas moléculas diatômicas homonucleares.
      No extremo oposto estão as ligações onde ∆χ é tão grande que
um dos átomos desloca completamente os elétrons de ligação para si.
É o caso das ligações iônicas. A maioria das ligações está entre estes dois
limites, sendo covalentes polares. Você pode visualizar o efeito de ∆χ na
polaridade de uma ligação pelo quadro a seguir:


                                ligação polar
       ligação apolar                                ligação iônica
             ∆χ= 0             polaridade cresce       ∆χ grande
                                   ∆χ cresce


      Vamos considerar, por exemplo, as polaridades das ligações
existentes nas moléculas de F2, HF e LiF. O quadro abaixo indica o tipo
de ligação formada, se é covalente apolar (CA), covalente polar (CP)
ou iônica (IO):


     Molécula              F2                  HF               LiF
        ∆χ                 0                   1,9              3,0
  Tipo de ligação         CA                    CP              IO



      Um valor de ∆χ >2,0 é indício de uma ligação fortemente polar
ou iônica.


                          ATIVIDADE


                          3. Ordene as ligações a seguir por ordem decrescente de polaridade:
                          a) H-F; H-Cl; H-Br; H-I
                          b) Li-H; Na-H; K-H; Rb-H
                           ________________________________________________________________
                           ________________________________________________________________
                           ________________________________________________________________




                                                                                    C E D E R J 121
Elementos de Química Geral | Combinações entre átomos: a ligação covalente




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                          Você pode resolver os exercícios dessa atividade consultando a
                          Tabela 8.2 e calculando ∆χ para cada par de átomos envolvidos
                          na ligação. No entanto, se você observar melhor, verá que as ligações
                          do item (a) são todas entre H e um halogênio. Sabemos quem para
                          um mesmo grupo, a eletronegatividade diminui ao longo do grupo
                          (de cima para baixo). Então, o ordenamento fica:

                          H–F > H–Cl > H–Br > H–I

                          No item (b), novamente o H está ligado a elementos do mesmo
                          grupo (os metais alcalinos). Entretanto, ao contrário do item (a), ele
                          é o elemento mais eletronegativo. Então, o ordenamento será:

                          Rb–H > K–H > Na–H > Li–H.




                          CONCLUSÃO

                                 Nesta aula, você aprendeu uma nova forma pela qual os
                          átomos podem se combinar. Este tipo de ligação, em que os átomos
                          compartilham elétrons, responde pela formação de maior parte das
                          moléculas conhecidas.



                                        ATIVIDADE FINAL

        O íon ClO- foi listado na Tabela 8.1:

        a) obtenha o diagrama de pontos e o de ligações deste íon;

        b) a substituição do Cl pelo I levaria a uma espécie mais polar? Justifique a sua
        resposta.

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        __________________________________________________________________________
        __________________________________________________________________________
        __________________________________________________________________________
        __________________________________________________________________________




122 C E D E R J
8
                                                RESPOSTA COMENTADA
  a) Inicialmente, você deve verificar que não se trata de uma espécie




                                                                                              AULA
  neutra e sim de um íon com carga total igual a -1. Os símbolos de
  Lewis do Cl e do O são conhecidos:


                                       e

  Para completar seu octeto, o átomo de Cl precisa compartilhar apenas
  um par de elétrons com o O, resultando numa ligação simples.
  O oxigênio neutro precisa de dois pares de elétrons. Entretanto, há um
  elétron adicional que, entrando no átomo de O, completa seu octeto.
  Assim, o diagrama de pontos e de ligações será:



                                                ou


  b) O I está abaixo do Cl na Tabela Periódica (ambos são do mesmo
  grupo). Portanto, sua eletronegatividade é menor e a ligação I-O deve
  ser mais polar, já que a diferença de eletronegatividade (∆χ) aumenta
  se substituirmos o Cl pelo I na ligação com o oxigênio.




RESUMO



  As ligações covalentes são formadas entre átomos que compartilham um ou mais
  pares de elétrons. Elas ocorrem normalmente entre os não-metais. Dependendo
  da diferença de eletronegatividade entre os átomos envolvidos nas ligações, elas
  podem ser polares ou apolares.




                     INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

  Você vai aprender, na próxima aula, a sistematizar a representação do diagrama
  de ligações, obtendo a estrutura de Lewis de um composto.




                                                                            C E D E R J 123
9
                                                                                  AULA
                              Estruturas de Lewis: Parte I

                                                                                   Metas da aula
                                                           Enunciar as regras para escrever a estrutura
                                                       de Lewis de um composto; discutir exemplos de
                                                       obtenção das estruturas de Lewis de compostos
                                                             formados por elementos representativos.
objetivo


           Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula,
           você seja capaz de:

           • Escrever a estrutura de Lewis de compostos neutros
             ou de íons formados por elementos representativos.




                                                                                    Pré-requisitos
                                                            Tudo que você aprendeu sobre símbolos de
                                                          Lewis dos elementos e diagramas de pontos
                                                         e de ligações é essencial para a compreensão
                                                         desta aula. Reveja rapidamente as Aulas 7 e 8
                                                           antes de começar a ver este novo conteúdo.
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte l



INTRODUÇÃO               Na aula anterior, você aprendeu a representar o diagrama de pontos e de
                         ligações entre um grupo de átomos. A combinação dessas duas representações
                         é uma estrutura de Lewis. Nesta aula, você vai aprender a representar a estrutura
                         de Lewis de compostos formados por elementos representativos.


                         ESTRUTURAS DE LEWIS

                                  A estrutura de Lewis é a representação que combina os símbolos
                         de Lewis dos átomos formadores de um composto com o diagrama de
                         ligações entre seus átomos.
                                  As estruturas de Lewis são úteis na compreensão da ligação
                         química de muitos compostos. São freqüentemente usadas para discutir
                         as propriedades das moléculas. As estruturas finais obtidas nos exemplos
                         e exercícios da aula anterior são estruturas de Lewis, mas é importante
                         que você aprenda a escrevê-las de forma sistemática. Esta é uma tarefa
                         que você deve esforçar-se em fazer!


                          !
                              Nesta aula, vamos considerar apenas os casos em que o composto é formado por átomos de
                              elementos representativos da Tabela Periódica. Verifique na Aula 6 quais são os elementos
                              representativos e onde eles estão localizados.




                         REGRAS PARA REPRESENTAR A ESTRUTURA DE LEWIS DE
                         UM COMPOSTO

                                  “Mas como eu faço para representar a estrutura?” Para responder
                         a esta pergunta, vamos demonstrar os procedimentos necessários. Siga os
                         seguintes passos para escrever a estrutura de Lewis de um composto:


                                  1. Conte os elétrons de valência de todos os átomos formadores
                                      do composto. Para isso, use, se necessário, a Tabela Periódica.
                                      Para um ânion, adicione um elétron para cada carga negativa.
                                      Para um cátion, subtraia um elétron para cada carga positiva.
                                      Não se preocupe em saber de onde vem cada elétron contado;
                                      somente o número total é importante.


                                  2. Escreva os símbolos dos átomos para saber que átomos estão
                                      ligados, e una-os por ligações simples (uma linha, que representa



126 CEDERJ
um par de elétrons). As fórmulas químicas são geralmente




                                                                                         9
          escritas na ordem em que os átomos estão ligados na molécula




                                                                                         AULA
          ou no íon. Quando um átomo central tem um grupo de átomos
          ligados a ele, é representado primeiro na fórmula química.


        3. Complete os octetos dos átomos ligados ao átomo central.


        4. Coloque quaisquer elétrons restantes no átomo central, mesmo
          que, ao fazê-lo, ele fique com mais do que o octeto.


        5. Se não existirem elétrons suficientes para completar o octeto
          do átomo central, tente ligações duplas ou triplas entre este e
          os seus vizinhos. Use um ou mais pares de elétrons dos átomos
          ligados ao átomo central para formar essas ligações.


EXEMPLOS DE REPRESENTAÇÃO

        Vamos aplicar esse procedimento em alguns exemplos ilustrativos.
Acompanhe atentamente o desenvolvimento das etapas e os comentários
pertinentes.


Exemplo 1: representar a estrutura de Lewis do tricloreto de fósforo,
PCl3.


        • Primeiro passo: vamos somar os elétrons de valência de todos
         os átomos formadores do PCl3. Consultando a Tabela Periódica,
         vemos que o P pertence ao grupo 5A, e o Cl ao grupo 7A. Ambos
         são elementos representativos e têm cinco e sete elétrons de
         valência, respectivamente. Então, o número total de elétrons
         de valência é 5 + (3 × 7) = 26.


        • Segundo passo: vamos arrumar os átomos de forma a mostrar
         as ligações entre eles. Quase sempre existe mais de uma maneira
         pela qual os átomos podem ser arrumados para formar um
         composto. Em compostos com dois elementos, o primeiro
         elemento listado na fórmula química é geralmente envolvido
         pelos átomos restantes. Isto é particularmente verdadeiro em



                                                                            CEDERJ 127
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte l



                                    compostos do tipo ABn, em que A é o átomo central. No caso
                                    do PCl3, o P é o átomo central, estando ligado a três átomos
                                    de Cl. Começamos, então, com um esqueleto de estrutura, que
                                    mostra as ligações simples entre o P e os átomos de Cl:




                          !
                              Não é crucial colocar os átomos como no arranjo mostrado. As estruturas de Lewis não
                              são desenhadas para mostrar a geometria da molécula. É importante apenas que você
                              mostre quais átomos estão ligados o quê!




                                  • Terceiro passo: vamos completar os octetos de todos os átomos
                                    ligados ao átomo central. É importante lembrar que cada ligação
                                    simples indica existir um par de elétrons compartilhados entre
                                    dois átomos. Ao completar os octetos dos átomos de Cl, temos
                                    um total de vinte e quatro elétrons:




                                  • Quarto passo: colocamos os átomos restantes no átomo central.
                                    A intenção aqui é completar seu octeto. Nesta etapa, é possível
                                    que o octeto do átomo central seja ultrapassado, ou que não se
                                    consiga completá-lo. Não é o caso, porém, do P no PCl3:




                                  Esta estrutura deu ao P um octeto (lembre-se de que cada par de
                         elétrons na ligação é compartilhado também pelo P). Então, paremos
                         por aqui. A representação obtida é a estrutura de Lewis do PCl3. Vamos
                         praticar?




128 CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                  9
                                                                                  AULA
1.a. Quantos elétrons de valência devem aparecer na estrutura do CHCl3?
1.b. Represente a estrutura de Lewis do CHCl3 (o átomo de C é o átomo
central).
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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_________________________________________________________________

                                               RESPOSTA COMENTADA
1.a. Para resolver esta atividade, você pode consultar diretamente
a Tabela Periódica. Os átomos formadores da molécula de CHCl3
pertencem aos grupos 4A (C), 1A (H) e 7A (Cl). Todos são elementos
representativos. Assim, o número de elétrons de valência de cada átomo
é de 4 (para o C), 1 (para o H) e 7 (para o Cl). Uma vez que a molécula
contém um átomo de C, um átomo de H e três átomos de Cl, o número
de elétrons de valência da molécula é de 4 + 1 + (3 × 7) = 26.


1.b. A primeira etapa para a representação da estrutura de Lewis do
CHCl3 já foi cumprida no item anterior. Sendo o C o átomo central,
vamos agora fazer um esboço da estrutura, unindo a ele os demais
átomos formadores da molécula por ligações simples:




A seguir, vamos completar os octetos dos átomos unidos ao átomo
central. Você deve lembrar que em cada ligação simples há um par
de elétrons compartilhados entre dois átomos. Observe que o “octeto”
do H já está completo, pois a ligação simples C-H já permite ao H ter
dois elétrons na sua camada de valência. Teremos então o diagrama
a seguir:




                                                                     CEDERJ 129
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte l




                         Após completar os octetos dos átomos ligados ao C, você pode verificar
                         que não sobram elétrons (os 26 foram utilizados). Entretanto, o octeto
                         do átomo central também está completo, pois as quatro ligações simples
                         permitiram que o C ficasse com oito elétrons ao seu redor (provenientes
                         dos quatro pares de elétrons compartilhados com os átomos ligados
                         a ele). Logo, a estrutura representada anteriormente é a estrutura de
                         Lewis do CHCl3.




                         Exemplo 2: representar a estrutura de Lewis do HCN.


                         Solução:
                                • Primeiro passo: o número de elétrons de valência de cada átomo
                                    é H = 1, C = 4 e N = 5 (Confira.). O número total de elétrons
                                    de valência é 10.


                                • Segundo passo: as arrumações possíveis dos átomos unidos por
                                    ligações simples para formar o HCN são:




                                Entretanto, como o átomo de H só pode acomodar dois elétrons,
                         é possível formar somente uma ligação simples (isto descarta a última
                         arrumação). A fórmula química, tal como escrita, indica que devemos
                         escolher a primeira arrumação:




                                • Terceiro passo: as duas ligações simples contêm quatro elétrons.
                                    Completando o octeto do N, vemos que os dez elétrons de
                                    valência foram consumidos:




                                • Quarto e quinto passos: precisamos de quatro elétrons para
                                    completar o octeto do C. Eles só podem vir de dois pares de
                                    elétrons do N:




130 CEDERJ
• Isto indica que C e N devem compartilhar três pares de elétrons,




                                                                                                 9
  formando uma ligação tripla. A estrutura de Lewis do HCN é,




                                                                                                 AULA
  então:




                  ATIVIDADE

                  2. Represente a estrutura de Lewis do acetileno (C2H2 ):
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  ___________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  __________________________________________________________________
                  _________________________________________________________________

                                                               RESPOSTA COMENTADA
                  Você já sabe que cada átomo de C tem quatro elétrons de valência, e
                  cada átomo de H, dois. Então, o número total de elétrons de valência
                  do C2H2 é (2 × 4) + (2 × 1) = 10. Um esquema de estrutura pode ser
                  obtido ligando-se os átomos por ligações simples:



                  Observe que não há outro esquema, pois cada H só pode formar uma
                  ligação simples com qualquer átomo. Os “octetos” dos átomos de H já
                  estão completos. SE tentarmos completar o octeto de um dos átomos
                  de C, o outro fica incompleto:



                  O problema é resolvido quando os dois pares de elétrons forem
                  compartihados pelos átomos de C, levando à formação de uma
                  ligação tripla:




                  A última representação é a estrutura de Lewis do C2H2.




                                                                                    CEDERJ 131
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte l



                         Exemplo 3: representar a estrutura de Lewis do íon NO+.


                                • Primeiro passo: o N tem cinco elétrons de valência, e o O, seis.
                                  O número total de elétrons de valência do NO é 11. Entretanto,
                                  por se tratar do cátion NO+, de carga +1, devemos retirar um
                                  elétron. Ficam, então, dez elétrons de valência no total.


                                • Segundo passo: por se tratar de uma espécie química diatômica,
                                  só há uma forma de ligar os dois átomos por uma ligação
                                  simples:




                                • Terceiro, quarto e quinto passos: qualquer um pode ser
                                  considerado o átomo central. Ao tentar completar o octeto
                                  de qualquer dos dois átomos, vemos que não conseguimos
                                  completar o octeto do outro:




                                Deve haver uma ligação dupla ou tripla entre os dois átomos.
                         Tentando uma dupla, vemos que não conseguimos, novamente, completar
                         o octeto de um deles:




                                Então, eles se ligam por uma ligação tripla:




                                Veja que, no caso de íons, a estrutura de Lewis é representada
                         entre colchetes.




132 CEDERJ
ATIVIDADE




                                                                                    9
                                                                                    AULA
3. Representar a estrutura de Lewis do íon PO43-:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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___________________________________________________________________
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                                                RESPOSTA COMENTADA
Como nas atividades anteriores, você tem de começar contando os
elétrons de valência dos átomos formadores do PO43-. O fósforo e
o oxigênio pertencem aos grupos 5A e 6A, respectivamente. Então,
cada átomo de P contém cinco elétrons de valência; e cada átomo de
O, seis. O número total de elétrons de valência do PO4 neutro é 5 +
(4 × 6) = 29. Entretanto, o ânion PO43- tem mais três elétrons que a
espécie neutra que lhe dá origem. Logo, para este íon, o número total
de elétrons é 32.
A seguir, você deve desenhar o esqueleto da estrutura, ligando o átomo
central (P) aos átomos de O por ligações simples:




O próximo passo é completar o octeto dos átomos de O:




Observe que, ao terminar de completar os octetos dos átomos de O, a
estrutura está pronta, pois o P já tem seu octeto completo. É conveniente
colocar esta estrutura entre colchetes e assinalar a carga do íon:




Esta é a estrutura de Lewis do PO43-.

                                                                       CEDERJ 133
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte l



                          CONCLUSÃO

                                  As estruturas de Lewis são representações convenientes das carac-
                          terísticas fundamentais de ligações entre os átomos. Por meio delas,
                          podemos determinar como o octeto de cada átomo pode ser completado
                          pela formação de ligações simples, duplas ou triplas entre eles.




                                         ATIVIDADE FINAL

      As moléculas de CH4, NH3 e H2O são isoeletrônicas (têm o mesmo número de
      elétrons), mas têm estruturas e propriedades totalmente distintas. Represente as
      estruturas de Lewis dessas moléculas:

      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      ____________________________________________________________________________
      __________________________________________________________________________



                                                           RESPOSTA COMENTADA
      Embora este exercício seja, de certa forma, mais simples que alguns que
      você resolveu nas atividades anteriores, ele tem grande importância, que será
      comentada durante sua resolução.
      Como você já sabe, o número de elétrons de valência de cada átomo leva a
      concluir que estas moléculas não só têm o mesmo número total de elétrons,
      como também o mesmo número de elétrons de valência (são isoeletrônicas
      na camada de valência). Todas têm oito elétrons de valência, e o esqueleto
      de estruturas de Lewis (considerando apenas ligações simples com o átomo
      central) é:




134 CEDERJ
Os “octetos” dos átomos de H já estão completos em todas as estruturas. O




                                                                                             9
  octeto do C (no CH4) também está completo. Colocando os elétrons restantes




                                                                                             AULA
  sobre o N e o O, ficamos com as estruturas finais a seguir:




  O ponto importante – e este é um comentário relevante que deve ser feito –
  é que as formas dessas três moléculas são completamente diferentes: o
  metano é tetraédrico, a amônia é piramidal e á água é plana e angular. Você
  não pode visualizar a forma das moléculas por meio das estruturas de Lewis,
  mas elas são o ponto de partida para fazê-lo. Esse assunto será abordado
  detalhadamente nas Aulas 11 e 12.




RESUMO


  Para representar a estrutura de Lewis de um composto formado por elementos
  representativos, conte o número total de elétrons de valência dos átomos
  formadores do composto e distribua-os entre os átomos, de forma a completar,
  quando possível, os seus octetos. Você não vai visualizar a forma espacial do
  composto, mas terá noção de como os átomos se ligam para formá-lo.




                     INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

  Na próxima aula, vamos estender a representação das estruturas de Lewis a sistemas
  mais complexos, nos quais o átomo central tem excesso ou falta de elétrons para
  completar o octeto, e para o caso em que mais de uma estrutura é compatível
  com a formação de ligações no composto.




                                                                                CEDERJ 135
10
                                                                         AULA
              Estruturas de Lewis: Parte II
                                                                                     Metas da aula
                                                                 Determinar a carga formal e número de
                                                             oxidação de cada átomo em um composto;
                                                                      definir o conceito de estruturas de
                                                               ressonância de um composto; analisar os
                                                           casos em que a regra do octeto não pode ser
                                                                                   aplicada com sucesso.
objetivos

            Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula,
            você seja capaz de:
            • Calcular as cargas formais e os números de oxidação
              dos átomos formadores de um composto.
            • Representar as estruturas de ressonância
              de um composto.
            • Identificar quando um átomo terá seu octeto
              ultrapassado (ou quando não poderá ser completado).
            • Representar as estruturas de Lewis de compostos
              que não obedecem à regra do octeto.




                                                                                     Pré-requisitos
                                                                      Você precisa saber as regras para
                                                                        a representação das estruturas
                                                                       de Lewis (este conhecimento foi
                                                                     adquirido na Aula 9); o conceito de
                                                                       eletronegatividade, discutido na
                                                                            Aula 8, também é essencial.
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



INTRODUÇÃO               Na aula anterior, você aprendeu a representar a estrutura de Lewis de
                         compostos. Os exemplos apresentados eram de casos simples, nos quais as
                         regras funcionam sem maiores complicações. Nesta aula, vamos trabalhar com
                         algumas situações um pouco mais complicadas. Nos exemplos que vamos
                         apresentar, é preciso aplicar as regras ensinadas na aula anterior com alguns
                         cuidados adicionais (ou até mesmo reconhecer que elas não são válidas!).



                         CARGA FORMAL E NÚMERO DE OXIDAÇÃO

                                 Em alguns compostos, é possível desenhar mais de uma estrutura
                         de Lewis compatível com a regra do octeto. Vamos exemplificar a
                         situação com a molécula de CO2, cuja estrutura de Lewis foi estudada
                         no Exemplo 2 da aula anterior:




                                 Se você refletir um pouco mais, verá que existe uma outra estrutura
                         que também satisfaz a regra do octeto:




                                 Na estrutura I, o carbono forma duas ligações duplas com os
                         átomos de oxigênio. Na estrutura II, há uma ligação simples com um
                         dos átomos, e uma tripla com o outro. Qual das duas estruturas é a
                         mais adequada?
                                 Uma forma de determinar a estrutura mais adequada de um
                         conjunto de estruturas plausíveis é a análise da carga formal sobre cada
                         átomo, em cada estrutura de Lewis.


                          !
                              A carga formal de um átomo em uma molécula é a carga que o átomo teria
                              se todos os átomos da molécula tivessem a mesma eletronegatividade.
                              Em outras palavras, a carga formal é a carga que o átomo teria em
                              um composto caso suas ligações fossem consideradas covalentes apolares.



                                 Para calcular a carga formal de qualquer átomo em uma estrutura
                         de Lewis, contamos os elétrons de cada átomo, na estrutura considerada,
                         da seguinte forma:


138 C E D E R J
• todos os elétrons não compartilhados ficam no átomo em




                                                                                            10
        que se encontram. Vamos chamar o número desses elétrons




                                                                                            AULA
        de NENC;
      • metade do número de elétrons compartilhados (NEC) em cada
        ligação é marcada em cada átomo que forma a ligação.
        O número desses elétrons para cada átomo é NEC/2.
      Então, o número total de elétrons em um átomo, em uma dada
estrutura, é contado como NENC + NEC/2.
      A carga formal (CF) de um átomo é igual ao número de elétrons de
valência do átomo isolado (NEV), menos o número de elétrons contados
no átomo na estrutura de Lewis considerada, conforme a equação:


                    CF = NEV – (NENC + NEC/2)


      Vamos acompanhar o exemplo a seguir para ver se ficou tudo claro.
      Exemplo: Determinar as cargas formais do C e do N no íon CN.
      Solução: A estrutura de Lewis do íon CN- é dada por:




                !
                    Verifique se a estrutura está correta.




      O quadro a seguir vai indicar a contagem dos elétrons em cada
átomo para o cálculo da carga formal:


        Átomo       NEV      NENC       NEC/2                CF

          C          4          2       6/2 = 3     4 - (2 + 3) = -1

          N          5          2       6/2 = 3      5 - (2 + 3) = 0




      Observe que a soma das cargas formais é igual à carga do íon.
Isto é sempre verdadeiro, em qualquer situação, quer a molécula seja
neutra ou carregada.
      Vamos praticar?


                                                                          C E D E R J 139
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II




                         ATIVIDADE


                         1. Determine a carga formal sobre os átomos do íon ClO-:
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                    RESPOSTA COMENTADA
                         Para resolver este exercício, você precisa primeiramente escrever a
                         estrutura de Lewis do ClO-. Use as regras que você aprendeu na
                         aula anterior. A estrutura é:




                                Em seguida, você deve identificar o NENC e o NEC em cada átomo
                         para contar o número de elétrons no átomo considerado. Lembre-se de
                         dividir NEC por dois (NEC/2). A seguir, você deve montar a tabela que
                         vai permitir obter a carga formal (CF) sobre cada átomo:


                                   Átomo       NEV       NENC    NEC/2             CF

                                      Cl         7        6      2/2 = 1      7 - (6 + 1) = 0

                                      O          6        6      2/2 = 3     6 - (6 + 1) = -1




                                Observe que a soma das cargas formais é igual à carga do ânion
                         ClO-, e que a carga mais negativa está no átomo mais eletronegativo.
                                Vamos voltar agora ao caso do CO2, visto na primeira parte desta
                         aula. O cálculo das cargas formais sobre cada átomo (nas estruturas I e II)
                         está resumido no quadro a seguir. Acompanhe atentamente os números
                         mostrados e confirme se estão corretos.




140 C E D E R J
10
            Estrutura                  I                     II




                                                                                                    AULA
             Átomo              O     C     O          O     C     O

               NEV              6     4     6          6     4     6

              NENC              4     0     4          6     0     2

              NEC/2             2     4     2          1     4     6

                CF              0     0     0          -1    0    +1



       Observe que, em ambas as estruturas, a soma das cargas formais
é zero, pois o CO2 é uma molécula neutra.
       Para decidir qual das possíveis estruturas de Lewis é a mais
plausível, a regra geral é escolher aquela em que:
       1. os átomos possuem as menores cargas formais em módulo;
       2. quaisquer cargas negativas estejam nos átomos mais
           eletronegativos.
       Das duas estruturas, a de menor carga formal em módulo é a
estrutura I. Além disso, na estrutura II, há uma carga positiva sobre
um dos átomos de O, elemento mais eletronegativo que o C. Portanto,
a estrutura mais adequada é a estrutura I.


!
    Isso está coerente com o fato, observado experimentalmente, de serem iguais
    os comprimentos das duas ligações C-O. A estrutura II não é coerente com
    esta observação, já que nela as ligações C-O são diferentes.




       A carga formal sobre um átomo é diferente do número de oxidação
do átomo no composto.



!
    Número de oxidação (NOX) de um átomo é a carga que ele teria em um
    composto se suas ligações fossem consideradas completamente iônicas.




       Para determinar o NOX de um átomo, subtraímos do número
de elétrons de valência do átomo (NEV) o número de elétrons sobre o
átomo. Lembre-se de que eles são contados a partir da restrição de que



                                                                                  C E D E R J 141
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



                         todos os elétrons compartilhados entre dois átomos vão para o átomo
                         mais eletronegativo. Chamando este número de NET, temos que:


                                 NOX = NEV - NET


                                 A molécula de HF, por exemplo, tem a seguinte estrutura de Lewis:




                                 Para determinarmos o número de oxidação de cada átomo, o par
                         de elétrons da ligação H-F deve ser contado no átomo de flúor. Logo,
                         não ficam elétrons sobre o átomo de H, e o átomo de F fica com oito
                         elétrons. O quadro a seguir mostra o valor do número de oxidação em
                         cada átomo do HF:


                                              Átomo       NEV       NENC      NOX

                                                 H          1         0         +1

                                                 Cl         7         8         -1




                                 Observe que, tal como nas cargas formais, a soma dos números
                         de oxidação é igual à carga total da molécula.
                                 O conhecimento dos números de oxidação é essencial para
                         o estudo das reações de oxirredução, que você verá em breve no
                         nosso curso.



                          !
                              Note que nem as cargas formais nem os números de oxidação dão o valor real
                              da carga sobre um átomo. Eles refletem duas situações extremas: a de átomos
                              ligados por ligações covalentes apolares e a dos mesmos átomos ligados por
                              ligações puramente iônicas. Em um modelo mais realista, a carga real sobre
                              cada um dos átomos em um ligação polar tem um valor intermediário entre
                              o da carga formal e a do número de oxidação.




142 C E D E R J
ATIVIDADE




                                                                                                                10
                                                                                                                AULA
                        2. Determine a carga formal e o número de oxidação de cada átomo nas
                        seguintes moléculas e íons: Cl2, H2O, NO3-.
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        __________________________________________________________________
                        ___________________________________________________________________
                        _________________________________________________________________

                                                                     RESPOSTA COMENTADA
                        Tal como no exercício anterior, a primeira etapa consiste em escrever
                        a estrutura de Lewis para cada molécula usando as regras que você
                        aprendeu na aula anterior:




                        Obs.: Há três maneiras equivalentes de escrever a estrutura de Lewis
                        do NO3-. A representação listada é uma delas; as outras são obtidas
                        trocando-se a posição da ligação dupla N=O. Você saberá mais sobre este
                        assunto logo a seguir.




      A próxima etapa é contar o número de elétrons em cada átomo.
Para obter a carga formal, some o NENC do átomo com metade do
NEC entre ele e os demais átomos a que ele estiver ligado. Para obter
o número de oxidação, transfira inicialmente os pares de elétrons
compartilhados entre dois átomos para o mais eletronegativo; depois,
conte o que ficou sobre cada átomo (NET).




                                                                                              C E D E R J 143
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



                                Vamos montar duas tabelas: uma para o cálculo da CF, e outra
                         para o cálculo do NOX.


                                Tabela para o cálculo das cargas formais

                             Molécula               Cl                          H2O                                 NO3-

                               Átomos         Cl             Cl        O        H-        -H        N         O-         -O
                                                                                                                                    O

                                NEV           7              7         6         1        1         5          6           6        6


                                NENC          6              6         4         0        0         0          6           6        4


                                NEC           2              2         4         2        2         8          2           2        4


                               NEC ÷ 2        1              1         2         1        1         4          1           1        2


                                 CF           0              0         0         0        0         +1         -1          -1       0




                                Tabela para o cálculo dos números de oxidação
                               Molécula            Cl                      H2O                               NO3-

                                Átomos       Cl         Cl        O        H-        -H        N         O-         -O

                                  NEV        7           7        6        1          1        5         6          6           6
                                                                                                                                O

                                  NET        7           7        8        0          0        0         8          8           8

                                  NOX        0           0        -2       +1        +1        +5        -2         -2         -2



                                Observe que, no caso da molécula de Cl2 – cuja ligação é apolar –, não
                         há como transferir elétrons para o átomo mais eletronegativo, visando à
                         determinação do número de oxidação. Neste caso, esse conceito perde
                         o sentido. Compare os valores das cargas formais com os dos números
                         de oxidação para as outras espécies e verifique como são diferentes.
                         Lembre-se de como cada uma dessas grandezas é definida e comprove a
                         coerência dos resultados obtidos!




144 C E D E R J
ESTRUTURAS DE RESSONÂNCIA




                                                                                                           10
                                                                                                           AULA
        Você aprendeu que a molécula de CO2 pode ser representada
por duas estruturas, mas que uma delas é mais adequada do que outra.                 RESSONÂNCIA

Existem situações importantes em que o arranjo dos átomos não pode                       Estruturas de
                                                                                    Lewis equivalentes
ser descrito somente por uma única estrutura e que, além disso, todas as             são denominadas
estruturas compatíveis com a regra do octeto são igualmente plausíveis.                  estruturas de
                                                                                          ressonância.
Neste caso, dizemos que há R E S S O N Â N C I A entre tais estruturas.
        O primeiro exemplo importante é o do ozônio (O3). Duas
estruturas de Lewis são possíveis e satisfazem à regra do octeto (você
dever conferir se as estruturas estão corretas!):




        As duas estruturas são rigorosamente equivalentes; elas só
diferem na posição da dupla ligação. Além disso, ambas são igualmente
importantes, o que pode ser confirmado pela análise da carga formal
sobre os átomos.
        A estrutura do ozônio não pode ser descrita senão por uma mistura
das estruturas de ressonância I e II. Isto significa que a molécula tem
sua própria identidade, que não pode ser descrita por nenhuma das
estruturas de ressonância separadamente. As estruturas I e II prevêem,
por exemplo, que as ligações O-O têm comprimentos diferentes. Vale
lembrar que isto não se verifica experimentalmente, pois sabe-se que as
ligações O-O do ozônio são iguais.



 !
     A determinação experimental da geometria de moléculas em fase gasosa,
     como no caso do ozônio, é freqüentemente realizada pela técnica da
     espectroscopia de microondas. Nesta técnica, um pulso de radiação na região
     das microondas estimula a rotação das moléculas. Estas absorvem energia para
     aumentar o seu movimento rotacional e, dessa forma, produz-se um espectro
     no qual são registrados os comprimentos de onda da radiação absorvida,
     e que induziu a rotação das moléculas. A análise deste espectro permite
     determinar os comprimentos das ligações entre os átomos formadores da
     espécie química em estudo.




        O segundo exemplo importante é o benzeno (C6H6). Os seis
átomos de carbono do benzeno estão arrumados em um anel hexagonal,
e cada átomo de hidrogênio está ligado a um átomo de carbono.


                                                                                         C E D E R J 145
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



                         Um esqueleto básico para a representação da molécula (no qual os átomos
                         estão unidos apenas por ligações simples) é mostrado a seguir:




                                Duas estruturas de Lewis equivalentes satisfazem a regra do octeto:




                                Nestas representações, são omitidas as ligações C-H e os símbolos
                         dos átomos. Cada uma dessas estruturas contém três ligações simples
                         C-C e três duplas C=C alternadas. A diferença entre elas está apenas na
                         localização das ligações.
                                O benzeno só pode ser descrito como uma combinação dessas
                         estruturas. Suas propriedades são distintas das previstas por cada uma
                         delas isoladamente. Sabe-se, por exemplo, que todas as ligações do
                         benzeno têm o mesmo comprimento, que é intermediário entre o de
                         uma ligação simples C-C e uma dupla C=C.




                            Embora o comprimento das ligações C-C e C=C varie levemente de um
                            composto para outro, pode-se tomar como valor médio 1,54 Å para a ligação
                            simples, e 1,34 Å para a dupla. Dados experimentais mostram que, no benzeno,
                            a distância entre dois átomos de C adjacentes é constante e igual a 1,40 Å.
                            Este é o comprimento da ligação entre dois átomos de C nesta molécula.




146 C E D E R J
ATIVIDADE




                                                                                                      10
                                                                                                      AULA
                       3. Determine as estruturas de ressonância do íon NO3- (nitrato):
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       ___________________________________________________________________
                       _________________________________________________________________

                                                                  RESPOSTA COMENTADA
                       Na atividade anterior, você já representou uma das possíveis
                       estrutura de Lewis deste íon:




                       Como já foi comentado, a troca da posição da ligação dupla N=O
                       permite obter mais duas estruturas equivalentes:




                       Estas são as três estruturas de ressonância do íon NO3-.




EXCEÇÕES À REGRA DO OCTETO

      Para encerrar nossa aula, vamos comentar brevemente sobre
algumas situações em que você não pode aplicar com sucesso a regra
do octeto.


      a) Moléculas com número ímpar de elétrons
      A maioria das moléculas tem número par de elétrons. Entretanto,
em algumas moléculas, o número de elétrons é ímpar. O exemplo típico



                                                                                    C E D E R J 147
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



                         é a molécula de NO, que tem um total de onze elétrons de valência.
                         Nesses casos, não é possível emparelhar completamente os elétrons, e não
                         se pode completar o octeto de pelo menos um dos átomos. As estruturas
                         de Lewis possíveis para esta molécula são:




                                Entretanto, a análise da carga formal mostra que I é a estrutura
                         mais consistente.


                                b) Átomos com menos do que o octeto
                                Este caso ocorre especialmente na formação de compostos com
                         boro (B) e berílio (Be). O exemplo típico é a molécula de BF3. O B
                         pertence ao grupo 3A, e o F, ao 7A. Dessa forma, a molécula de BF3 tem
                         24 elétrons de valência (confira!).
                                Se seguirmos os passos para escrever a estrutura de Lewis desse
                         composto, ao completar os octetos dos átomos de F ficamos com a
                         estrutura a seguir:




                                Você pode verificar que, nesta estrutura, o B tem seis elétrons.
                         Podemos tentar completar o octeto do B formando uma ligação dupla
                         entre ele e um dos átomos de F. Teremos então três estruturas ressonantes,
                         mostradas a seguir:




                                As estruturas II, III e IV são equivalentes entre si, mas não são
                         equivalentes à estrutura I. O cálculo das cargas formais nos mostra
                         que I é preferível, embora nela o átomo de B não esteja com seu octeto
                         completo.


148 C E D E R J
c) Átomos com mais do que o octeto




                                                                                            10
      Este é, de longe, o caso mais importante e mais freqüente de




                                                                                            AULA
violação da regra do octeto. Ocorre quando o átomo central pertence
aos períodos mais altos da Tabela Periódica (do terceiro em diante).
A possibilidade de elétrons estarem em (ou ocuparem) orbitais d ou f
permite que a última camada do átomo central possa ser completada
com mais de oito elétrons. Essa situação é comum em compostos nos
quais o átomo central é um elemento de transição; ocorre também em
compostos formados entre os não-metais, desde que existam elétrons d
ou f na camada de valência, ou orbitais d ou f que possam ser ocupados
nessa camada.
      Como exemplo ilustrativo, vamos considerar o íon [ClF4]-.
O átomo central (Cl) é um não-metal (sendo também um elemento
representativo), mas pertence ao terceiro período da Tabela Periódica.
Sua camada de valência contém orbitais d (que não são ocupados no
átomo de Cl neutro e isolado). Assim, há a possibilidade do número de
elétrons ao redor do Cl ultrapassar o octeto.
      Você pode verificar que existem 36 elétrons de valência nessa
espécie. Ao ligar o átomo de Cl aos de F e completar os octetos destes,
ficamos com a seguinte estrutura:




      Observe que o octeto do Cl já está completo, mas sobram ainda
quatro elétrons. Estes são arrumados em pares em torno do átomo
central, gerando a estrutura a seguir:




                                                                          C E D E R J 149
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II




                         ATIVIDADE


                         4. Em quais espécies a seguir a regra do octeto poderá não ser obedecida?
                         Justifique sua resposta:

                         a. C2H5OH;
                         b. SF4
                         c. CF2Cl2
                         d. [Fe(CN)4]2-

                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                     RESPOSTA COMENTADA
                         Das espécies citadas, três contêm elementos do terceiro período da
                         Tabela Periódica: SF4 (contém S), CF2Cl2 (contém Cl) e [Fe(CN)4]2-
                         (contém Fe). Entretanto, o átomo de Cl não é o átomo central no
                         CF2Cl2 ; seu octeto não vai ser ultrapassado. Já S é o átomo central
                         no SF4 , e Fe no [Fe(CN)4]2-. Portanto, é possível que os octetos do
                         S e do Fe sejam ultrapassados. Você pode verificar se isto vai ou
                         não ocorrer montando as estruturas de Lewis para estas espécies,
                         que são:




                         Observe que, nos dois casos, o octeto do átomo central é
                         ultrapassado.




CONCLUSÃO

        A base da representação de uma estrutura de Lewis é a regra do
octeto. Há casos, porém, em que essa regra é violada; e outros, em que
uma só estrutura não descreve adequadamente o composto químico.



150 C E D E R J
ATIVIDADES FINAIS




                                                                                            10
                                                                                            AULA
1. Calcule as cargas formais e os números de oxidação dos átomos presentes no
íon CO32- (carbonato), e demonstre que essas grandezas são iguais em todas as
estruturas de ressonância deste íon.

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____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
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                                              RESPOSTA COMENTADA
A primeira etapa para resolver esta atividade é determinar o número
total de elétrons de valência do ânion CO32-. Você já sabe que o C per-
tence ao grupo 4A; e o O, ao 6A. Então, esse número é 4 + (3 × 6)
para o CO3, e 4 + (3 × 6) + 2 = 24 para o CO32-.
A seguir, você vai verificar que pode escrever três estruturas de Lewis
equivalentes para o CO32-. São elas:




Observe que as estruturas diferem apenas pela posição da
dupla ligação.




                                                                          C E D E R J 151
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



        O próximo passo é calcular a carga formal de cada átomo em cada
        uma das estruturas. A tabela a seguir mostra os valores que você deve
        encontrar ao calcular NENC, NEC/2 e CF = NEV – (NENC + NEC/2)
        em cada átomo:


                            Estrutura I                   Estrutura II               Estrutura III

      Átomo           C              O-     -O      C      O=             -O     C    =O             O-
                             O                                     O                          O

        NEV           4       6      6       6      4       6      6       6     4     6      6      6

       NENC           0       4      6       6      0       4      6       6     0     4      6      6

       NEC/2          4       2      1       1      4       2      1       1     4     2      1      1

         CF           0       0      -1     -1      0       0      -1     -1     0     0      -1     -1




        É importante verificar que o valor da carga formal é o mesmo para
        cada tipo de átomo de cada estrutura: a carga formal sobre o C é nula;
        também o é sobre o O, Ligado ao C por uma ligação dupla. Já a carga
        formal sobre cada O, ligado ao C por uma ligação simples, vale -1; e
        também é a mesma em todas as estruturas. Também vale mencionar
        que a soma de todas as cargas formais é -2, carga total do íon.
        Para o cálculo do número de oxidação (NOX), você precisa do número
        de elétrons de valência de cada átomo (NEV) e do número total de
        elétrons sobre cada átomo. Você deve considerar que, nessa con-
        tagem, os elétrons compartilhados nas ligações vão sempre para o
        átomo mais eletronegativo. A tabela que você vai construir deve ter a
        seguinte forma:


                            Estrutura I                   Estrutura II               Estrutura III

      Átomo           C              O-     -O      C      O=             -O     C    =O             O-
                             O                                     O                          O

        NEV           4       6      6       6      4       6      6       6     4     6      6      6

        NET           0       8      8       8      0       8      8       8     0     8      8      8

       NOX            4      -2      -2     -2      4       2      -2     -2     4    -2      -2     -2

         CF           0       0      -1     -1      0       0      -1     -1     0     0      -1     -1



        Veja como são diferentes os valores de CF e NOX para cada átomo! Eles
        correspondem a dois modelos limites de partição da carga eletrônica:
        em um, as ligações são vistas como covalentes apolares, e os átomos




152 C E D E R J
dividem igualmente os elétrons das ligações; no outro, os elétrons de




                                                                                           10
ligação são transferidos completamente para o átomo mais eletrone-




                                                                                           AULA
gativo, como em uma ligação puramente iônica. Observe também que
a soma dos NOX de todos os átomos é a carga total do íon.


2. Embora os gases nobres sejam inertes, eles formam compostos com o flúor.
Um exemplo típico é o XeF2. Represente a estrutura de Lewis deste composto e
verifique se o octeto do Xe é ultrapassado.

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Você pode resolver este exercício começando por escrever a estrutura
de Lewis do XeF2. O Xe pertence ao grupo 8A, e o F, ao 7A. O número
total de elétrons de valência é 8 + (2 × 7) = 22. Montando o esqueleto
da estrutura e completando os octetos dos átomos de F, obtemos:




                                                                         C E D E R J 153
Elementos de Química Geral | Estruturas de Lewis: Parte II



        Você vai notar que sobram seis elétrons. Eles podem ser arrumados em
        pares em torno do átomo de Xe. Logo, o átomo central terá seu octeto
        ultrapassado. Isto é aceitável, pois o Xe pertence ao quinto período da
        Tabela Periódica. A estrutura de Lewis é:




  RESUMO



        Muitos sistemas podem ser representados por mais de uma estrutura de Lewis.
        Quando isso ocorre, uma análise das cargas formais sobre os átomos permite
        decidir qual das estruturas compatíveis é a mais consistente. Em casos em que mais
        de uma estrutura consistente pode ser escrita, o composto tem propriedades que
        não podem ser descritas por nenhuma das estruturas isoladamente. Por fim, há
        casos nos quais a regra do octeto não pode ser cumprida. O mais comum é ter um
        átomo central com mais de oito elétrons; nessa situação, o átomo central pertence
        ao período igual ou superior ao terceiro da Tabela Periódica.




                           INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

        Na próxima aula, você vai aprender a determinar a geometria de uma molécula
        a partir do conhecimento da sua estrutura de Lewis.




154 C E D E R J
11
                                                                               AULA
                   Forma das moléculas: Parte I

                                                                                       Meta da
                                                                                      Metas da aula
                                                                  Descrever os fatores que determinam a
                                                          geometria de uma molécula; utilizar a teoria da
                                                          repulsão dos pares de elétrons de valência para
                                                                prever a geometria de moléculas simples.
objetivos


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo
            desta aula, você seja capaz de:
            • Determinar o número de pares de elétrons
              ligantes e não-ligantes em torno do átomo
              central A, em um composto ABn.
            • Determinar a geometriaS de um composto
              ABn utilizando o modelo RPECV.




                                                                                       Pré-requisitos
                                                                 Os conhecimentos adquiridos nas aulas
                                                             sobre estruturas de Lewis (Aulas 9 e 10) são
                                                                indispensáveis para você compreender o
                                                                                    conteúdo desta aula.
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I



INTRODUÇÃO                  Você já sabe como representar a estrutura de Lewis das moléculas. Essas estru-
                            turas dão bastante informação sobre a distribuição dos elétrons de valência nos
                            átomos e sobre as ligações químicas formadas entre eles. Entretanto, elas não
                            indicam como é a arrumação dos átomos no espaço tridimensional, ou seja,
                            não definem a geometria da molécula. Nesta aula, você aprenderá um método
                            para determinar a geometria de moléculas simples baseado na estrutura de
                            Lewis das moléculas.


                            TAMANHO E FORMA DAS MOLÉCULAS

                                     As moléculas são entidades muito pequenas, formadas por átomos
                            arrumados no espaço tridimensional. Essa arrumação determina o ta-
                            manho e a forma das moléculas. Estes dois fatores, por sua vez, definem
                            muitas propriedades das substâncias. Uma pequena modificação na forma
                            de uma droga usada como medicamento, por exemplo, pode alterar a
                            sua eficiência ou fazer aparecerem efeitos colaterais.


                             !
                                 O tamanho e a forma de uma molécula são determinados:
                                 • pelo comprimento das ligações
                                 • pelos ângulos entre as ligações




  TETRAEDRO
                                     No metano (CH4), por exemplo, todas as ligações têm o mesmo
  O tetraedro é uma
  figura geométrica         comprimento, e o ângulo entre duas ligações C-H é sempre igual a 109,5°.
  formada por quatro
  faces triangulares        A arrumação dos átomos está ilustrada na Figura 11.1: Essa estrutura
  iguais. É um dos
                            tridimensional é característica de um TETRAEDRO. Já o XeF4 tem também
  sólidos platônicos,
  figuras espaciais         as quatro ligações iguais, mas arrumadas no plano na forma de um
  muito regulares e
  com propriedades          quadrado, como também mostrado na mesma figura.
  geométricas bem
  definidas. Os demais
  sólidos platônicos
  são o cubo (seis
  faces quadradas),
  o octaedro (oito
  faces triangulares),
  o dodecaedro (doze
  faces pentagonais)
  e o icosaedro (vinte
  faces triangulares). Na
  Figura 11.2, você pode
  visualizar estas formas
  geométricas.
                            Figura 11.1: Tanto o CH4 quanto o XeF4 têm quatro ligações iguais, mas geometrias
                            completamente diferentes.



156 C E D E R J
11
                                                                                              AULA
                  Tetraedro           Cubo              Octaedro

                         Dodecaedro              Icosaedro




           Figura 11.2: Representação dos cinco sólidos platônicos.



      Em um segundo exemplo, temos as moléculas de BF3 e NH3.
Na primeira, os átomos se encontram em um plano, com o átomo de
B no centro de um triângulo cujos vértices são átomos de F. No NH3,
os átomos de H também estão em um plano, mas o átomo de N está
fora deste, formando uma estrutura piramidal. Visualize estas formas
na Figura 11.3:




Figura 11.3: Os átomos do BF3 se arrumam em um plano; os do NH3, em forma
de pirâmide.




      Mais um exemplo importante: na água (H2O), os três átomos
estão em um plano, mas não em linha reta; já no CO2, os três átomos se
alinham. Veja a geometria destas moléculas na Figura 11.4:




Figura 11.4: Na molécula de H2O, os átomos se dispõem formando um ângulo
característico; na de CO2, os átomos estão alinhados.



                                                                            C E D E R J 157
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I



                               O que há em comum em todos os casos citados? Nas moléculas
                        listadas anteriormente, existe um átomo central, (A) ligado a um número
                        n de átomos iguais (B), formando compostos do tipo ABn.
                               Você vai aprender agora um modelo que permite prever a
                        geometria de compostos do tipo ABn. Nesta aula, vamos tratar apenas
                        dos casos em que o átomo central A é de um elemento representativo
                        da Tabela Periódica.


                        A TEORIA DA REPULSÃO DOS PARES DE
                        ELÉTRONS DE VALÊNCIA


                        Tipos de pares de elétrons

                               Observe a Figura 11.5. Nela estão ilustrados os arranjos
                        mais estáveis que podemos obter quando dois, três e quatro balões
                        são amarrados pelas suas extremidades. Para dois balões, a forma
                        mais estável é a de um halter, fazendo um ângulo de 180° entre eles.
                        O arranjo mais favorável para três balões é o de um triângulo eqüilátero;
                        para quatro balões, um tetraedro.




                               Figura 11.5: Arranjos mais estáveis de dois, três e quatro balões.



                               Vamos dividir os pares de elétrons que se agrupam em torno do
                        átomo central A, em uma molécula ABn, em dois tipos distintos:
                               • pares ligantes, que estão em uma região do espaço entre A e
                                 cada um dos átomos B ao qual A está ligado;
                               • pares não-ligantes (ou pares solitários), que estão em uma região
                                 do espaço em torno do átomo A.

                               A soma do número de pares ligantes (NPL) com o número de pares
                        não-ligantes (NPNL), em torno do átomo central A em uma molécula,
                        é o número total de pares (NPA) em torno de A:



158 C E D E R J
11
                            NPA = NPL + NPNL




                                                                                                            AULA
      A água, por exemplo, tem a seguinte estrutura de Lewis:




      Existem, ao todo, quatro pares de elétrons em torno do átomo de
oxigênio (NPA = 4): dois pares ligantes (NPL = 2), cada um entre o átomo
de O e cada um dos átomos de H; e dois pares solitários, centrados no
átomo de oxigênio (NPNL = 2).



                         ATIVIDADE


                         1. Determine o número de pares ligantes, não-ligantes e o número total
                         de pares em torno do átomo central, nas moléculas de metano (CH4) e
                         amônia (NH3):
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________
                          ________________________________________________________________

                                                                    RESPOSTA COMENTADA
                         Você precisa inicialmente escrever as estruturas de Lewis das
                         moléculas de CH4 e NH3 para fazer a contagem dos pares de elétrons
                         em torno do átomo central de cada molécula. Estas estruturas foram
                         obtidas na Atividade Final da Aula 9, e são:




                         Então você pode construir uma tabela de resultados como a que
                         se segue:

                                        Molécula             CH4          NH3
                                           NPL                4            3
                                          NPNL                0            1
                                          NPA                 4            4




                                                                                          C E D E R J 159
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I




                        Você deve comparar esses números com os da molécula de H2O,
                        discutida no exemplo que precede esta atividade (para a H2O,
                        NPL = 2, NPNL = 2 e NPA = 4).




                        REPULSÃO ENTRE OS PARES DE ELÉTRONS

                                  Como os pares de elétrons são carregados negativamente, eles se
                        repelem. Portanto, tendem a afastar-se ao máximo uns dos outros. Esta
                        idéia é a base da teoria da repulsão dos pares de elétrons da camada de
                        valência (RPECV).


                         !
                             Segundo a teoria RPECV, o melhor arranjo de um dado número de pares de elétrons
                             no espaço é aquele que minimiza a repulsão entre eles.




                                  Você pode agora verificar a analogia entre a arrumação dos balões e
                        a dos pares de elétrons em torno do átomo central A de uma molécula ABn.
                        As melhores arrumações dos pares eletrônicos dependem, obviamente, do
                        número de pares em torno do átomo central A (NPA). A Tabela 11.1 indica
                        os arranjos espaciais dos pares de elétrons, segundo o modelo RPECV.

                        Tabela 11.1: Arranjos espaciais dos pares de elétrons em torno do átomo central A,
                        em uma molécula ABn

                             NPA            Arranjo espacial          Forma         Ângulo entre os pares
                              2                  Linear                                       180
                              3             Trigonal plano                                    120
                              4               Tetraédrico                                    109,5º
                              5               Bipirâmide                                   120º e 90º
                              6               Octaédrico                                       90º




                             Uma bipirâmide trigonal é um arranjo no qual três átomos ficam em um plano, e os
                             dois restantes ficam simetricamente acima e abaixo desses plano; a linha que passa
                             por estes dois átomos corta o triângulo formado pelos três primeiros exatamente
                             em seu centro, como na Figura 11.6.




160 C E D E R J
11
GEOMETRIA DAS MOLÉCULAS




                                                                                                                  AULA
          Na Atividade 1, você contou os números de pares de elétrons em
torno do átomo central nas moléculas de CH4, NH3 e H2O. Talvez tenha
passado despercebido, mas o fato é que, embora o número total de pares
(NPA) dessas moléculas seja o mesmo (NPA = 4), os valores de NPL e
NPNL são diferentes. Consultando a Tabela 11.1, você seria tentado a                Figura 11.6: Bipirâmide
                                                                                    trigonal. Sua base é trian-
dizer que as três moléculas são tetraédricas. Entretanto, somente o CH4             gular, e a linha que une os
                                                                                    pontos acima e abaixo da
é tetraédrico; NH3 é trigonal plano, e H2O é angular.                               base passa pelo centro do
                                                                                    triângulo.


!
     A geometria de uma molécula é definida pelo arranjo espacial dos núcleos dos
    átomos que formam a molécula.




          No CH4, os quatro pares de elétrons em torno do átomo de C são
pares ligantes. Portanto, na extremidade da região de cada par há um
átomo de H. O arranjo espacial dos núcleos é o mesmo dos pares em
torno do átomo central, e a molécula é tetraédrica.
          No NH3, três dos pares são ligantes, e um é não-ligante; das
quatro regiões de pares de elétrons, só três têm extremidades ocupadas
por átomos de H. O tetraedro não pode ser formado, pois o par solitário
não está ligado a ninguém.
          Da mesma forma, na H2O somente duas das regiões de pares têm
átomos de H em suas extremidades; os dois pares não-ligantes sobre o
O não se ligam a ninguém.
          Verificamos assim que a geometria depende não só do número total
de pares ligados ao átomo central (NPA), mas do número de pares ligantes
(NPL) e dos não-ligantes (NPNL) sobre ele. A Tabela 11.2 determina a
geometria das moléculas ABn em função desses números:

Tabela 11.2: Geometria de moléculas simples ABn em função de NPA, NPL e NPNL

    NPA      NPL     NPNL               Geometria                   Exemplo
     2        2        0                   Linear                      CO2
     3        3        0               Trigonal plana                   BF3
              2        1                  Angular                      NO2–
     4        4        0                 Tetraédrica                   CH4
              3        1             Piramidal trigonal                NH3
              2        2                  Angular                      H2O




                                                                                               C E D E R J 161
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I



                               Regras para prever a geometria molecular de moléculas simples
                        ABn pelo modelo RPECV
                               Para prever a geometria nesta situação, siga os seguintes passos:

                             1. desenhe a estrutura de Lewis da molécula ou íon;
                             2. conte o número total de pares de elétrons em torno do átomo
                                central (NPA). Nessa contagem, ligações duplas ou triplas são
                                contadas como um só par;
                             3. conte os pares ligantes (NPL) e os não-ligantes (NPNL) em torno
                                do átomo central. Nessa contagem, ligações duplas ou triplas
                                são contadas como um só par ligante;
                             4. obtenha a geometria molecular, consultando a Tabela 11.2.

                               Será que está claro? Vamos considerar agora alguns exemplos
                        ilustrativos:
                               Exemplo 1: Geometria da molécula de CO2.
                               A estrutura de Lewis do CO2 já foi determinada na aula anterior:




                               O átomo de C está ligado a cada átomo de O por uma ligação
                        dupla. Nesta ligação, há dois pares de elétrons. Entretanto, como eles
                        estão na mesma região, são contados como um par. Havendo duas
                        ligações duplas, há dois pares de elétrons ligantes (NPL = 2). Não há
                        pares não-ligantes no átomo de C (NPNL = 0). Assim, NPA = 2 + 0 = 2.
                        Consultando a Tabela 11.2, verificamos que o CO2 é uma molécula
                        linear, como já foi mostrado na Figura 11.4.


                               Exemplo 2: Geometria da molécula de BF3.
                               A estrutura de Lewis do BF3 também foi determinada na aula
                        anterior:




                               Existem três pares de elétrons ligantes (NPL = 3) e nenhum par
                        solitário (NPNL = 0) em torno do átomo de B. Logo, NPA = 3. A Tabela
                        11.2 nos diz que a molécula é trigonal plana, como já foi mostrado na
                        Figura 11.3.
162 C E D E R J
11
      Exemplo 3: Geometria do íon NO2-.
      Duas estruturas ressonantes são possíveis para este íon:




                                                                                                 AULA
     !
         É importante que você verifique se estas estruturas estão corretas.




      Qualquer uma das duas estruturas pode ser usada, pois elas são
equivalentes, só diferindo na posição da dupla ligação N=O. Em cada
uma, o N tem dois pares ligantes e um par não-ligante (lembre-se de que
a ligação dupla – ou tripla – conta como um só par). Então, NPL = 2,
NPNL = 1, NPA = 3, e o íon é plano angular.


CONCLUSÃO

      O modelo RPECV fornece uma forma bastante conveniente de
determinar a geometria de moléculas ABn, nas quais A é um elemento
representativo, desde que se saiba construir as estruturas de Lewis da
molécula em questão.




                                             ATIVIDADE FINAL

      1. Utilizando o modelo RPECV, determine as geometrias das seguintes moléculas:

      a. PCl3

      b. CF2Cl2

      c. O3

      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________
      _________________________________________________________________________



                                                                               C E D E R J 163
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I



        _________________________________________________________________________
        _________________________________________________________________________
        _________________________________________________________________________
        _________________________________________________________________________
        _________________________________________________________________________
        _________________________________________________________________________


                                                       RESPOSTA COMENTADA
        A primeira etapa para resolver esta atividade é construir a estrutura de
        Lewis das moléculas de interesse. A seguir, você vai contar os pares de
        elétrons ligantes e não-ligantes em torno do átomo central e, por fim,
        usar a Tabela 11.2 para determinar a geometria correspondente ao
        arranjo dos núcleos de cada espécie química.
        a. A estrutura de Lewis do PCl3 foi obtida no exemplo 1 da Aula 9:




        Há três pares de elétrons ligantes e um par não-ligante em torno do
        átomo de P. Logo, NPL = 3, NPNL = 1 e NPA = 4. A Tabela 11.2
        informa que esta molécula tem a forma de uma pirâmide com base
        trigonal, tal como a molécula de NH3.

        b. Nesta molécula, o átomo central é o átomo de C. Podemos imaginar
        que dois dos átomos de F foram substituídos por átomos de Cl.
        A estrutura de Lewis desta molécula é:




        Há quatro pares de elétrons ligantes em torno do átomo central
        (e nenhum par não-ligante). Logo, NPA = NPL = 4, e a molécula
        deve ter a forma de um tetraedro irregular, pois as ligações C-F são
        de comprimento diferente das ligações C-Cl. Veja a representação
        geométrica desta molécula na Figura 11.7:




164 C E D E R J
11
                                                                                                 AULA
  Figura 11.7: Na molécula de CF2Cl2, as ligações C-F têm comprimento
  menor que as C-Cl. Por isso, a molécula é um tetraedro irregular.

  c. Você tem as duas estruturas de Lewis ressonantes da molécula de
  O3 descritas na Aula 10:




  Qualquer uma delas pode ser usada para mostrar que o O central está
  cercado por dois pares de elétrons ligantes (lembre-se de que a ligação
  dupla conta como um par no modelo RPECV) e um par não-ligante.
  Então, NPL = 2, NPNL = 1 e NPA = 3. A molécula é angular plana, como
  no caso da H2O. Lembre-se de que, no caso de existirem estruturas
  ressonantes, as propriedades da molécula não são descritas por
  nenhuma das estruturas separadamente. Em particular, as distâncias
  entre as ligações O-O no ozônio são iguais. Dessa forma, a geometria
  da molécula é melhor representada pela Figura 11.8:




  Figura 11.8: A molécula de O3 é angular, com seus três átomos no plano.
  As distâncias entre as ligações O-O são todas iguais.




RESUMO



  As moléculas se apresentam nas mais variadas formas e tamanhos. O conhecimento
  da estrutura eletrônica das moléculas permite fazer previsões sobre a sua forma. Um
  modelo simples considera que os pares de elétrons presentes na molécula tendem
  a se afastar o máximo possível para minimizar a repulsão entre eles. Este modelo
  leva à previsão da geometria de moléculas simples.




                                                                               C E D E R J 165
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte I




                        INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

        Na próxima aula, vamos estender o modelo RPECV de modo a englobar os casos em que
        o átomo central ultrapassa o octeto e quando não existe um único átomo central.




166 C E D E R J
12
                                                                             AULA
              Forma das moléculas: Parte II

                                                                                       Metas da aula
                                                               Discutir a influência dos pares não-ligantes
                                                 e das ligações múltiplas na geometria de uma molécula.
                                            Estender o modelo RPECV a moléculas ABn, no qual o átomo
                                               central está rodeado por mais de quatro pares de elétrons
                                                            e a moléculas com mais de um átomo central.
                                              Discutir o efeito da geometria e da polaridade das ligações
                                           na determinação da polaridade de uma molécula poliatômica.


            Esperamos que, após o estudo do conteúdo
objetivos


            desta aula, você seja capaz de:
            • Prever a extensão com que os ângulos
              de ligação são alterados pela presença
              dos pares não-ligantes e das ligações
              múltiplas.
            • Caracterizar a geometria de moléculas
              a qual o átomo central fica envolvido
              por mais de oito elétrons.
            • Caracterizar a geometria de moléculas
              com mais de um átomo central, dando
              ênfase aos ângulos entre as ligações.
            • Determinar a polaridade de moléculas
              poliatômicas com base nos dipolos
              das ligações e na geometria da molécula.



                                                                                       Pré-requisitos
                                                         Para a compreensão desta aula, você precisa de
                                                              todo o conteúdo da aula anterior (Aula 11)
                                                         e precisa se lembrar das regras para escrever as
                                                                estruturas de Lewis, estudadas na Aula 9.
                                                                É também importante que você reveja os
                                                         conceitos de carga formal, número de oxidação
                                                            e polaridade de ligação ensinados na Aula 8.
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



       INTRODUÇÃO                    Na aula anterior, você aprendeu a determinar a geometria de moléculas
                                     simples ABn pelo método RPECV. Em sua forma mais simples, as geometrias
                                     previstas por este modelo consideram idênticas as repulsões entre pares
                                     de elétrons ligantes e não-ligantes. Nesta aula, vamos discutir o efeito dos
                                     pares não-ligantes e das ligações múltiplas na alteração dos ângulos de
                                     ligação previstos pelo modelo simples RPECV. Vamos estender este modelo
                                     a moléculas com cinco e seis pares de elétrons em torno do átomo central
                                     e a moléculas com mais de um átomo central. Por fim, discutiremos o efeito
                                     combinado da polaridade das ligações com a geometria da molécula para
                                     determinar a polaridade de moléculas poliatômicas.


                                     EFEITO DOS PARES NÃO-LIGANTES E DAS LIGAÇÕES
                                     MÚLTIPLAS NOS ÂNGULOS DAS LIGAÇÕES

                                            Vamos considerar as moléculas de metano (CH4), amônia (NH3)
                                     e água (H2O) que você estudou na aula anterior. Lá você aprendeu que
                                     todas elas contêm quatro pares de elétrons (NPA = 4) em torno do átomo
                                     central. Estes pares arrumam-se no espaço na forma de um tetraedro,
                                     com um ângulo de 109,5° entre eles (consulte a Tabela 11.1 da aula
                                     anterior). Este deveria ser o ângulo entre as ligações C-H no metano,
                                     N-H na amônia e O-H na água se os pares ligantes e não-ligantes fossem
                                     equivalentes.
                                            Entretanto, devemos considerar os seguintes pontos:
                                            • Os pares de elétrons ligantes são atraídos por dois núcleos,
                                              havendo uma redução na repulsão entre os elétrons nos pares.
                                            • Os pares de elétrons não-ligantes estão sobre um átomo, sendo
                                              atraídos por um só núcleo. Assim, os elétrons num par não-
                                              ligante experimentam uma maior repulsão.


                                            Estes fatos fazem com que a região em torno de um par não-
                                     ligante se expanda para compensar a repulsão entre os elétrons desse
                                     par. Logo, um par não-ligante ocupa mais espaço que um par ligante.
                                     Fazendo uma analogia com os balões de inflar, você pode pensar que
                                     um balão não-ligante é mais cheio que um ligante, como você pode ver
                                     na Figura 12.1.
Figura 12.1: Pares ligantes e não-
ligantes são como balões: os não-
ligantes correspondem a balões
mais cheios. Nesta figura, há dois
pares ligantes e um não-ligante.



       168 C E D E R J
12
                                                                                                            AULA
       Ao se espalhar mais, um par não-ligante comprime mais os pares
ligantes à sua volta. Isto faz diminuir o ângulo entre as ligações em que
os pares ligantes estão envolvidos. Quanto maior o número de pares
não-ligantes, menor deve ser o ângulo de ligação.


       Voltemos às moléculas consideradas no começo de nossa aula.
O quadro a seguir resume o que se sabe sobre a estrutura e geometria
destas moléculas (os dados nela contidos foram colhidos das Tabelas
11.1 e 11.2):


            Molécula                   CH4            NH3            H2O

                NPA                     4              4              4

                NPL                     4              3              2

                NPNL                    0              1              2

         Ângulo previsto
                                      109,5°         109,5°        109,5°
         entre as ligações

      Ângulo experimental
                                      109,5°          107°         104,5°
        entre as ligações



       A última linha deste quadro fornece o valor experimental dos
ângulos entre as ligações nestas moléculas. Observe que para o NH3 o
ângulo diminui do valor esperado, característico de um tetraedro (109,5°)
para 107°. No caso da água, o valor é ainda menor (104,5°). Na Figura
12.2, indicamos estas modificações de geometria.

 a                              b                             c




Figura 12.2: Os ângulos entre as ligações N-H no NH3 e O-H na H2O são menores que entre
as ligações C-H no CH4.




                                                                                          C E D E R J 169
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



                                Distorções semelhantes nos ângulos de ligação são provocadas
                        por ligações duplas e triplas. A concentração de carga negativa entre os
                        átomos que formam estas ligações é maior que em uma ligação simples.
                        Assim, elas funcionam como um par não-ligante: espalham-se mais no
                        espaço e comprimem as ligações simples à sua volta, diminuindo os
                        ângulos entre elas. Por exemplo, a molécula de fosgênio (COCl2) tem a
                        seguintes estrutura de Lewis:




                                Em torno do átomo de C, existem três regiões de pares de elétrons.
                        Espera-se que, assim, o arranjo desses pares seja trigonal plano (veja
                        a Tabela 11.1 novamente), formando um ângulo de 120° entre eles.
                        Entretanto, a presença da ligação dupla C=O comprime as ligações C-
                        Cl, diminuindo o ângulo entre elas de 120° para 111°. Observe o efeito
                        desta contração na Figura 12.3 a seguir:




                        Figura 12.3: A presença da ligação dupla C=O reduz o ângulo entre as ligações
                        C-Cl no COCl2.




                            Você não pode prever quantitativamente o ângulo correto entre as ligações,
                            mas pode prever se haverá ou não diminuição do ângulo entre ligações em
                            relação aos valores esperados no modelo RPECV simples. Para isto, basta que você
                            saiba a relação entre o número total de pares de elétrons e de pares solitários,
                            e ligações duplas e triplas em torno do átomo central.



                                Vamos verificar se este conceito ficou claro, resolvendo o exercício
                        da atividade a seguir.




170 C E D E R J
12
                         ATIVIDADE




                                                                                                            AULA
                         1. Utilize o modelo RPECV e o que você aprendeu sobre o efeito dos pares
                         não-ligantes e das ligações múltiplas para determinar qual das seguintes
                         espécies tem o menor ângulo entre as ligações N-H:
                         NH2-, NH3, NH4+.
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         ___________________________________________________________________
                         _________________________________________________________________

                                                                      RESPOSTA COMENTADA
                         Como você pôde observar, todas as espécies têm oito elétrons de
                         valência. A primeira etapa para resolver esta atividade é, então,
                         representar as estruturas de Lewis de cada uma delas:




                         Todas as espécies têm o mesmo número total de pares de elétrons
                         de valência (NPA = 4) em torno do átomo central. Logo, o arranjo
                         geométrico básico dos pares é o tetraedro. Entretanto, somente o íon
                         NH4+ tem quatro pares de elétrons ligantes (NPL = 4, NPNL = 0);
                         o ângulo entre as ligações N-H nesta espécie deve ser igual a 109,5°.
                         O NH3 tem um par de elétrons não-ligantes e o NH2-, dois. Espera-se,
                         portanto, que as ligações N-H no NH3 sejam menos comprimidas que no
                         NH2-, sendo esta a espécie com o menor ângulo entre as ligações.




GEOMETRIA DE MOLÉCULAS ABN ONDE O ÁTOMO
CENTRAL TEM UM OCTETO ESTENDIDO

      Se o átomo central A numa molécula ABn pertencer a um período
igual ou superior ao terceiro período da tabela periódica, é possível que,
ao formar ligações, ele fique rodeado por mais de oito elétrons. Isso se
deve ao fato de que, para estes átomos, podem existir elétrons d ou f em
subcamadas estendidas, e a regra do octeto não funcione mais.
      Vamos ampliar a Tabela 11.2 da aula anterior para incluir estes
casos. Novamente, tal como nos casos observados naquela tabela, o



                                                                                          C E D E R J 171
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



                        arranjo espacial dos pares de elétrons depende do número total de pares
                        em torno do átomo central (NPA); a geometria depende deste número,
                        mas também do número de pares ligantes (NPL) e dos não-ligantes
                        (NPNL). A contagem dos pares é feita da mesma forma que a descrita
                        na aula anterior (reveja rapidamente as regras do método RPECV).
                                A Tabela 12.1 indica as geometrias possíveis quando o número
                        total de pares vale cinco ou seis. Estes são, certamente, os casos mais
                        comuns e são os que nós estudaremos.

                        Tabela 12.1: Geometria das moléculas ABn em função de NPA, NPL e NPNL

                                 Arranjo dos   Ângulo entre
                          NPA                                 NPL   NPNL   Geometria     Exemplo
                                 pares         os pares

                                 Bipirâmide                                Bipirâmide
                          5                    120° e 90°     5     0                    PCl5
                                 trigonal                                  trigonal

                                                              4     1      Gangorra      SF4

                                                              3     2      Forma de T    ClF3

                                                              2     3      Linear        XeF2

                          6      Octaedro      90°            6     0      Octaedro      SF6

                                                                           Pirâmide
                                                              5     1                    BrF5
                                                                           quadrada

                                                                           Quadrado
                                                              4     2                    XeF4
                                                                           plano



                                Vamos acompanhar um pouco mais detalhadamente as
                        informações desta tabela.


                                O arranjo geométrico mais estável para cinco pares de elétrons é a
                        bipirâmide trigonal. Você se lembra de como ela é? Recorde a Figura 11.6
                        da aula anterior e verifique que esta forma geométrica é a de duas
                        pirâmides com uma base triangular comum. Numa molécula com esta
                        forma, o átomo central se localiza no centro da base da pirâmide e
                        os demais átomos (ou pares de elétrons) ocupam as posições dos seus
                        vértices. Os átomos presentes na base da pirâmide estão em posição
                        equatorial; os que estão acima e abaixo do plano que contém a base
                        estão em posição axial. Se houver cinco pares de elétrons ligantes, isto
                        indica que existem cinco átomos ligados ao átomo central e a molécula
                        terá exatamente a geometria que acabamos de descrever. Um exemplo é
                        dado pela molécula de PCl5.


172 C E D E R J
12
 !
     Como você pode inferir a figura geométrica que define a forma de uma molécula? Observe




                                                                                                                   AULA
     a Figura 12.4.a, que mostra as ligações químicas entre o átomo central P e os átomos de
     Cl unidos a ele no PCl5. Ao unir os átomos de Cl (que rodeiam o átomo central) por linhas
     retas, você verá a bipirâmide trigonal ilustrada na Figura 12.4.b.


                     a                               b




Figura 12.4: O PCl5 tem a forma de uma bipirâmide trigonal, que é visualizada
unindo-se os átomos de Cl por linhas retas.



         A redução do número de pares ligantes provoca a modificação da
forma básica da bipirâmide trigonal para outras mais simples. A presença
de um par solitário no átomo central leva à formação de uma estrutura
em forma de gangorra, como o SF4.
         Para entender a origem desta forma geométrica, considere a
Figura 12.5, que ilustra as duas possibilidades de localização do par de
elétrons não-ligantes em torno do átomo de S no SF4. Ele pode ficar em
posição equatorial ou em posição axial. Em posição equatorial, o par
não-ligante forma um ângulo de 90° com os átomos de F axiais e de 120°
com os equatoriais. Em posição axial, ele faz um ângulo de 90° com os
três átomos de F contidos na base da pirâmide, provocando um efeito
repulsivo maior. Logo esta última distribuição espacial é menos favorável
e o par de elétrons não-ligantes se localiza no plano que contém a base
da pirâmide (em posição equatorial).




Figura 12.5: O par de elétrons não-ligantes do SF4 pode ficar em posição equatorial
ou axial. A primeira é energeticamente mais favorável e tem a forma geométrica
de gangorra.




                                                                                                 C E D E R J 173
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



                               Considerações semelhantes explicam o arranjo geométrico em
                        forma de T de moléculas com NPL = 5 e NPNL = 2 – como no ClF3
                        – ou o arranjo linear em moléculas com NPL = 5 e NPNL = 3 – como
                        no XeF2, ilustrados na Figura 12.6.

                                            a                     b




                        Figura 12.6: A molécula de ClF3 tem um arranjo espacial em forma de T; a de XeF2
                        é linear.



                               Vamos agora considerar o caso em que o átomo central está
                        rodeado por seis pares de elétrons. Voltando à Tabela 12.1, verificamos
                        que o arranjo geométrico mais estável para este número de pares de
                        elétrons é o octaedro. (Lembra-se do octaedro da Figura 11.1 da aula
                        anterior?)
                               Quando o átomo central é rodeado por seis pares ligantes (NPL = 6,
                        NPNL = 0), o arranjo geométrico da molécula é um octaedro. É o caso
                        do SF6, ilustrado na Figura 12.7.




                        Figura 12.7: Na molécula de SF6, os átomos de F se arrumam em torno do S num
                        arranjo octaédrico.



                               A diminuição do número de pares ligantes (NPL) e o aumento
                        do número de pares não-ligantes (NPNL) produzem outras geometrias.
                        Os casos importantes são os que NPL = 5 e NPNL = 1, formando uma
                        pirâmide quadrada, e NPL = 4 e NPNL = 2, em que a molécula adquire a
                        forma geométrica de um quadrado. É o que ocorre nas moléculas de BrF5
                        e XeF4, respectivamente. Você pode ver estes arranjos na Figura 12.8.




174 C E D E R J
12
                a                          b




                                                                                                              AULA
Figura 12.8: As moléculas de BrF5 e XeF4 têm formas de uma pirâmide quadrada e
de um quadrado, respectivamente.



       Embora tenhamos apresentado a geometria de várias espécies, não
demonstramos que as formas obtidas são as previstas segundo o modelo
RPECV. Vale a pena investigar um pouco mais sobre isso, e, por esta
razão, propomos que você a faça na atividade a seguir.

                           ATIVIDADE

                           2. Utilize o modelo RPECV para confirmar que o XeF2 é linear e que o XeF4
                           tem a forma de um quadrado.
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           ___________________________________________________________________
                           _________________________________________________________________

                                                                        RESPOSTA COMENTADA
                           O Xe e o F pertencem aos grupos 8A e 7A, respectivamente. No XeF4 , o
                           número total de elétrons de valência é 36; no XeF2, é 22. O esqueleto
                           básico das estruturas de Lewis dos dois compostos é:




                           observe agora que, embora o octeto do Xe esteja completo na primeira
                           estrutura, ainda sobram quatro elétrons. Eles vão entrar como dois
                           pares não-ligantes centrados no átomo de Xe. Na segunda estrutura,
                           ainda sobram seis elétrons, que entram como três pares não-ligantes
                           centrados também no Xe. As estruturas de Lewis completas para cada
                           composto são:

                                                                                            C E D E R J 175
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II




                        Na primeira estrutura, temos seis pares de elétrons em torno do átomo
                        central (NPA = 6) com quatro pares ligantes (NPL = 4) e dois não-
                        ligantes (NPNL = 2). A Tabela 12.1 informa que o arranjo geométrico
                        da molécula é um quadrado plano. Já na segunda estrutura, temos
                        cinco pares de elétrons em torno do átomo central (NPA = 5), com
                        dois pares ligantes (NPL = 2) e três não-ligantes (NPNL = 3). A mesma
                        tabela mostra que a molécula é linear.




                        GEOMETRIA DE MOLÉCULAS COM MAIS DE UM ÁTOMO
                        CENTRAL

                               A maioria das moléculas que você vai encontrar tem mais de um
                        átomo central. É o caso dos compostos orgânicos com mais de um átomo
                        de carbono. Será que podemos prever a geometria destes compostos?
                        É melhor responder a esta pergunta através de exemplos ilustrativos.
                               Vamos considerar inicialmente a molécula do etanol (C2H5OH).
                        A estrutura de Lewis deste composto é fácil de ser obtida utilizando-se
                        as regras que você aprendeu nas aulas anteriores:




                                                     I           II     III

                               As linhas cheias cortando as ligações C-C e C-O indicam que
                        podemos considerar a molécula como se tivesse três átomos centrais, os
                        dois átomos de C e o átomo de O, marcados como I, II e III. Você pode
                        montar um quadro em que, para cada átomo central, determinamos o
                        número de pares totais (NPA), o número de pares ligantes (NPL) e o
                        de pares não-ligantes (NPNL) em torno dele. O quadro vai ter a forma
                        mostrada a seguir:
176 C E D E R J
12
         Átomo Central                 C(I)              C(II)        O(III)




                                                                                                      AULA
              NPA                       4                 4             4

              NPL                       4                 4             2

             NPNL                       0                 0             2

       Arranjo dos pares            Tetraedro          Tetraedro    Tetraedro

           Geometria                Tetraedro          Tetraedro    Angular

     Ângulo entre ligações           109,5°             109,5°       <109,5°



       Vamos desenhar a molécula? A Figura 12.9 mostra a forma da
molécula de etanol. Observe que o desenho está de acordo com as previsões
do modelo RPECV.




Figura 12.9: A forma da molécula de etanol (C2H5OH) pode ser obtida analisando-se
as geometrias das partes formadas pelos três átomos centrais.



       Como segundo exemplo, considere a molécula de acetona
(C3H6O), cuja estrutura de Lewis é:




                              I        II        III

       A escolha dos átomos centrais deve estar clara para você. Eles são
os átomos de C, numerados como I, II e III.


       Montando um quadro semelhante ao que foi feito para o etanol,
obtemos as seguintes informações, que você deve conferir!




                                                                                    C E D E R J 177
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II




                                 Átomo Central                C(I)         C(II)         C(III)

                                      NPA                      4            3              4

                                      NPL                      4            3              2

                                     NPNL                      0            0              2

                                Arranjo dos pares         Tetraedro      Trigonal     Tetraedro

                                   Geometria              Tetraedro      Trigonal     Tetraedro

                              Ângulo entre ligações          109,5°       120°          109,5°



                               Observe que existem três regiões de pares de elétrons em torno
                        do C ligado ao O, pois a ligação dupla C=O conta como um par. Dessa
                        forma, o arranjo deste átomo de C é diferente dos outros dois. Você pode
                        conferir estas informações observando a Figura 12.10, onde a molécula
                        de acetona é representada em forma tridimensional.




                        Figura 12.10: Na acetona (C3H6O), o carbono ligado ao átomo de oxigênio tem
                        arranjo espacial distinto dos demais átomos de C.



                               Vamos verificar se tudo ficou claro? Resolva, então, os exercícios
                        da atividade a seguir.

                        ATIVIDADE

                        3. Dê os ângulos aproximados entre as ligações indicadas nas moléculas
                        representadas pelas estruturas de Lewis a seguir:

                        a)

                        b)



                        c)




178 C E D E R J
12
___________________________________________________________________




                                                                                   AULA
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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___________________________________________________________________
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                                             RESPOSTA COMENTADA
Para resolver esta atividade, o primeiro passo a ser dado é decidir,
para cada uma das estruturas, quantos e quais são os átomos centrais.
A seguir, você deve montar uma tabela que contenha, para cada um
dos átomos centrais que você escolheu, os valores de NPA, NPL e
NPNL. Desta forma, você pode prever o arranjo geométrico em torno
de cada átomo central e, desta forma, o ângulo entre as ligações que
envolvem este átomo.
A estrutura de Lewis do composto (a) indica que você deve escolher
os dois átomos de C como átomos centrais:




                                   I   II
A linha cheia divide a estrutura em duas regiões, uma correspondendo
ao C central I e a outra, ao II.
Observe agora que cada átomo de C está rodeado por dois grupos
de pares de elétrons (a ligação tripla conta como um par!), e que não
há pares não-ligantes em nenhum deles. O quadro a seguir resume
estas informações:


              Átomo Central                    C(I)              C(II)

                    NPA                         2                 2

                    NPL                         2                 2

                   NPNL                         0                 0

            Arranjo dos pares                 linear            linear

                Geometria                     linear            linear

          Ângulo entre ligações                180°              180°


                                                                 C E D E R J 179
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II




                        Logo, o ângulo marcado é 180°. A representação espacial da molécula
                        é apresentada na Figura 12.11.a.


                        Para a estrutura (b), você deve escolher os átomos de O e N unidos pela
                        ligação simples O-N como átomos centrais. Examinando a estrutura de
                        Lewis do composto, você pode montar o quadro a seguir:


                                    Átomo Central                       O-                  -N

                                         NPA                            4                   3

                                         NPL                            2                   2

                                        NPNL                            2                   1

                                  Arranjo dos pares                  tetraedro           trigonal

                                      Geometria                      angular             angular

                                Ângulo entre ligações                 109,5°              120°


                        Assim, o ângulo HON entre as ligações H-O e O-N fica em torno de
                        109,5° e o ângulo ONO entre as ligações O-N e N=O, em torno de 120°.
                        A molécula tem o arranjo espacial mostrado na Figura 12.11b.


                        Finalmente, os átomos centrais da estrutura (c) são os que formam
                        a ligação C-O-C. O quadro representativo dos números de pares em
                        torno de cada átomo é:


                                Átomo Central                C-              -O-            -C

                                     NPA                     3               4               4

                                      NPL                    3               2               4

                                     NPNL                    0               2               0

                               Arranjo dos pares          Trigonal     Tetraédrico      Tetraédrico

                                  Geometria               Trigonal      Angular          Tetraedro

                             Ângulo entre ligações         120°          109,5°           109,5°


                        Portanto, o ângulo HCO entre as ligações H-C e C=O é de 120°, e o
                        ângulo COC entre as ligações C-O e O-C é de 109,5°. O arranjo espacial
                        da molécula é o indicado na Figura 12.11.c.




180 C E D E R J
12
 a                                              b




                                                                                         AULA
                 c




      Figura 12.11: Arranjo espacial das estruturas de Lewis (a), (b) e (c).




POLARIDADE DE MOLÉCULAS POLIATÔMICAS

       Você aprendeu na Aula 8 que a polaridade de uma ligação é
definida pela forma pela qual os elétrons são compartilhados na ligação.
Num extremo estão as ligações apolares, em que os elétrons ligantes são
igualmente compartilhados pelos dois átomos; neste caso, os dois átomos
têm a mesma eletronegatividade. No outro extremo, estão as ligações
iônicas, em que os elétrons ligantes estão completamente deslocados
para o átomo mais eletronegativo. A maioria das ligações entre dois
átomos não é nem completamente apolar, nem completamente iônica:
ou seja, é polar, com os elétrons ligantes mais ou menos atraídos pelo
átomo mais eletronegativo.
       Uma grandeza útil para quantificar a polaridade de uma ligação
é o momento de dipolo da ligação. Observe a Figura 12.12.a Nela, duas
cargas (+q e –q) iguais em valor absoluto, mas de sinais opostos, estão
separadas por uma distância R. O momento de dipolo é definido como
uma grandeza cujo valor absoluto (d) é dado por
                                      d = qR


       Se R = 0, as duas cargas se sobrepõem e d = 0. Por convenção,
o dipolo elétrico gerado por estas duas cargas é representado por uma
seta cortada, apontando na direção da carga negativa.
       Num átomo isolado, todos os elétrons ficam em torno do núcleo.
O átomo pode ser representado por duas cargas iguais (em valor absoluto)
e coincidentes: a carga positiva é a do núcleo e a negativa, a dos elétrons.



                                                                       C E D E R J 181
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



                        Ou seja, o centro de cargas positivas (o núcleo) coincide com o centro
                        de cargas negativas (a carga total dos elétrons). Neste caso, não há
                        momento de dipolo. Numa ligação química entre dois átomos, há dois
                        núcleos, ambos com carga positiva, pares de elétrons entre os átomos
                        (os elétrons ligantes) e pares de elétrons não-ligantes centrados em cada
                        átomo que forma a ligação. O efeito combinado da carga positiva do
                        núcleo de um átomo com a carga dos elétrons em torno dele é descrito
                        pela carga parcial (δ) sobre cada átomo que forma a ligação, como você
                        pode visualizar na Figura 12.12.b


                                a                                  b




                        Figura 12.12: (a) Duas cargas de mesmo módulo q, separadas por uma distância
                        R, geram um dipolo cujo valor é d = qR. O dipolo aponta para a carga negativa.
                        (b) Numa ligação entre dois átomos, a carga sobre o átomo A é δA e sobre B, δB.



                                Numa ligação apolar, os dois átomos atraem elétrons com a mesma
                        intensidade. Tudo se passa como se a nuvem eletrônica ficasse igualmente
                        distribuída entre eles. Portanto, cada átomo fica com uma carga parcial
                        nula (δA = δB = 0) e não há momento de dipolo na ligação. É o que ocorre
                        com as ligações H-H na molécula de H2 ou Cl-Cl na molécula de Cl2.
                                Quando os átomos que formam a ligação têm eletronegatividades
                        distintas, a nuvem eletrônica se desloca para o átomo mais eletronegativo.
                        Este fica com uma carga parcial negativa (δ-), enquanto o outro fica com
                        carga parcial positiva (δ+). Gera-se, então, um dipolo cujo valor é o
                        produto do valor absoluto (δ) da carga parcial com a distância (R) entre
                        os átomos. É o que ocorre nas ligações O-H ou H-Br, por exemplo.



                            É importante que você saiba distinguir a carga parcial δ da carga formal ou do
                            número de oxidação de um átomo, que você aprendeu na Aula 10 (vale a pena
                            você revisar estes conceitos!). Numa ligação apolar, a carga parcial sobre cada
                            átomo é igual à carga formal, e ambas valem zero. Numa ligação completamente
                            iônica, a carga parcial é igual ao número de oxidação, pois nela há transferência
                            completa de elétrons para o átomo mais eletronegativo. Numa ligação polar,
                            a carga parcial é a que melhor representa a polaridade da ligação; ela não é
                            nem igual à carga formal nem ao número de oxidação. Infelizmente, não há
                            uma forma simples de calcular o seu valor.




182 C E D E R J
12
       Numa molécula poliatômica, há várias ligações químicas.
A polaridade da molécula depende de dois fatores:




                                                                                                               AULA
       • polaridade de cada ligação;
       • geometria da molécula.


       Você com certeza compreende o porquê do primeiro fator.
Vamos explicar o segundo através de um exemplo simples. Considere
as moléculas de CO2 e H2O. Ambas são moléculas do tipo ABn, em
que um átomo central A está ligado a n átomos B. No CO2, há duas
ligações polares C=O, e na H2O, duas ligações O-H, também polares.
Você poderia supor que ambas as moléculas são polares, mas somente
a molécula de H2O o é; o CO2 é uma molécula apolar.
       Já analisamos a geometria destes compostos na aula anterior e
sabemos que o CO2 é linear e a H2O é angular. A representação dos
dipolos das ligações combinada com a geometria de cada molécula é
ilustrada na Figura 12.13 a seguir. Você pode verificar através dela que,
no caso do CO2, os dipolos apontam para sentidos opostos, cancelando-
se mutuamente. O mesmo não acontece com os dipolos das ligações
OH na H2O. Há nesta molécula um dipolo resultante que aponta ao
longo da linha bissetriz do ângulo entre as ligações O-H, na direção do
átomo de O.




Figura 12.13: Os dipolos das ligações C=O se cancelam no CO2, mas os das ligações
O-H não se cancelam na molécula de H2O.



                                r
   O momento de dipolo ( d ) é, na verdade, uma grandeza vetorial que se
   caracteriza não só pelo seu valor absoluto (d) como também pela sua direção         r
   e sentido. Quando há vários dipolos numa molécula, o dipolo resultante ( d ) é
                                            r
   obtido pela soma vetorial dos dipolos ( d i ) das ligações que formam a molécula.
   Lembre-se da Física que:
                     r
       1. um vetor ( v ) pode ser decomposto em r
                                         r r suas componentes ao longo dos
                                                               r r r
                                   r
          eixos cartesianos como v = x i + y j + zk , onde i , j , k são os vetores
          unitários em cada um dos eixos. Se o vetor estiver no plano, só haverá
          duas componentes;             r        r     r r          r      r        r
                                 r
       2. a soma de dois vetores v1 = x1 i + y1 j + z1k e v 2 = x 2 i + y 2 j + z 2 k é um
                 r
          vetor v cujas componentes são x = x1 + x 2 , y = y1 + y 2 e z = z1 + z 2 .
          Esta soma é representada pela regra do paralelogramo.
   A Figura 12.14 ilustra estas duas propriedades vetoriais para o caso simples de
   dois vetores no plano xy.


                                                                                             C E D E R J 183
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II




                              a                                             b




                        Figura 12.14: Um vetor é caracterizado por suas componentes ao longo dos eixos
                        cartesianos; a soma de dois vetores é representada pela regra do paralelogramo.



                                  É importante que você visualize a formação do dipolo resultante
                        na molécula de H2O decompondo cada um dos dipolos das ligações O-
                        H ao longo dos eixos dos x e dos y no plano xy que contém a molécula.
                        Você pode perceber que as componentes de cada dipolo de ligação ao
                        longo do eixo dos x têm o mesmo valor, mas em sentidos opostos – elas se
                        anulam. Já a componente y de cada dipolo tem o mesmo valor absoluto,
                        mas se reforçam, somando-se no eixo dos y. Assim, o vetor resultante fica
                        exatamente ao longo do eixo y, como ilustrado na Figura 12.15.




                        Figura 12.15: Na molécula de H2O, as componentes dos dipolos das ligações O-H
                        ao longo do eixo dos x se cancelam, e ao longo do eixo dos y se somam. O vetor
                        resultante aponta para o átomo de O, ao longo do eixo dos y.




                         !
                             Os argumentos utilizados para prever a polaridade do CO2 e da H2O são gerais e podem
                             ser resumidos da seguinte forma: se a soma dos dipolos das ligações (consideradas as suas
                             orientações) for nula, a molécula é apolar; se for diferente de zero, ela é polar.




184 C E D E R J
12
ATIVIDADE




                                                                                         AULA
4. Determine a polaridade das moléculas a seguir; caso sejam polares,
indique onde aponta o dipolo resultante.
a) BF3
b) CH4
c) CF2Cl2
d) XeF4
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                                                 RESPOSTA COMENTADA
A primeira etapa para você resolver esta atividade é determinar a
estrutura de Lewis de cada composto. A seguir, utilizando-se as Tabelas
11.2 e 12.1, você pode determinar a geometria de cada molécula.
Construa a seguir os dipolos das ligações e verifique se eles se cancelam
(ou não) no espaço.
Já sabemos bastante sobre as moléculas envolvidas nesta atividade.
A molécula de BF3 é trigonal plana (Figura 11.3.a), a de CH4 e de
CF2Cl2 são tetraédricas (Figuras 11.1.a e 11.7) e a de XeF4 é quadrada
plana (Figura 12.8.b). Todas as ligações entre o átomo central e
qualquer outro átomo nestas moléculas são polares. A polaridade final
vai depender, portanto, da composição dos vetores que correspondem
aos dipolos das ligações em cada uma delas.
Na molécula de BF3 , os dipolos ficam dispostos como está mostrado na
Figura 12.16.a. Observe que todos os dipolos de ligação são iguais.
A trigonometria elementar mostra que as componentes ao longo
dos eixos dos x e dos y se anulam, de forma que a molécula é
apolar. O mesmo ocorre com a molécula de XeF4, cujos dipolos estão
representados na Figura 12.16.b. Esta molécula também é apolar.
A composição dos dipolos das moléculas de CH4 e CF2Cl2 é um pouco
mais difícil, pois o arranjo geométrico é tridimensional. Talvez fique mais




                                                                       C E D E R J 185
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II




                        fácil se você visualizar as geometrias por um outro ângulo. É o que
                        está ilustrado nas Figuras 12.16.c e d, juntamente com os dipolos das
                        ligações. No CH4, as duas ligações CH superiores formam um plano
                        e o dipolo resultante destas ligações aponta para cima. As ligações
                        inferiores também formam um plano, perpendicular ao superior, mas
                        o dipolo inferior resultante é colinear com o superior. Como todas as
                        ligações são iguais, o dipolo total é nulo e a molécula é apolar. No
                        CF2Cl2, os dipolos resultantes superior e inferior também são colineares,
                        mas não são do mesmo tamanho, e a molécula é polar. O dipolo
                        resultante das ligações C-F é maior que o das ligações C-Cl (devido
                        à diferença de eletronegatividade) e o dipolo total fica ao longo da
                        bissetriz das ligações C-F.

                         a




                         b




                          c                                             b




                        Figura 12.16: As moléculas de BF3, XeF4 e CH4 são apolares, mas a de
                        CF2Cl2 é polar com o dipolo apontando ao longo da bissetriz entre as
                        ligações C-F.


186 C E D E R J
12
CONCLUSÃO




                                                                                                                                                   AULA
       A geometria de moléculas pode ser prevista com excelente
aproximação por um modelo simples, baseado na distribuição dos
pares de elétrons em torno de um ou mais átomos centrais. Entretanto,
a presença de pares de elétron não-ligantes e de ligações múltiplas distorce
os ângulos das ligações em relação ao previsto pelo modelo simples
RPECV. O arranjo geométrico da molécula é de fundamental importância
na determinação da sua polaridade, que resulta da composição dos
dipolos das ligações, considerando as suas orientações no espaço.




                                                       ATIVIDADE FINAL

       Determine a geometria e a polaridade das espécies a seguir:

       a. HBCl2

       b. GeH4

       c. SO3


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ___________________________________________________________________________________________________________________________________


       ________________________________________________________________________________________________________________________________




                                                                                 RESPOSTA COMENTADA
       Você precisa escrever a estrutura de Lewis de cada composto, determinar a
       geometria pelo método RPECV e compor os dipolos das ligações para formar
       o dipolo resultante.




                                                                                                                                 C E D E R J 187
Elementos de Química Geral | Forma das moléculas: Parte II



        Na molécula de HBCl2, o átomo de B é o átomo central. Ele é do grupo 3A,
        tendo três elétrons de valência. Os átomos de H e Cl têm um e sete elétrons
        de valência, respectivamente. Então, a estrutura de Lewis do BHCl2 é:




        Observe que o B não tem o seu octeto completo neste composto; a ele estão
        ligados três pares de elétrons (NPA = 3), todos ligantes (NPL =3, NPNL = 0).
        Logo, o HBCl2 é trigonal plano. Na Figura 12.17 está a representação da
        molécula, com os dipolos das ligações e o dipolo total. Este aponta ao longo da
        bissetriz das ligações B-Cl, pois os átomos de Cl são bem mais eletronegativos
        que o átomo de H.




        Figura 12.17: A molécula de HBCl2 é polar com o dipolo resultante apontando
        ao longo da bissetriz das ligações B-Cl.



        O Ge (germânio) pertence ao grupo 4A, tendo quatro elétrons de valência.
        Assim, a estrutura de Lewis do GeH4 é:




        Vejam que NPA = 4, NPL = 4 e NPNL = 0. Logo, a molécula é tetraédrica e, tal
        como no CH4 , é apolar (Veja a discussão sobre o CH4 na resposta comentada
        da Atividade 4).


        O S pertence ao grupo 6A, tal como o O. Há três estruturas de Lewis ressonantes
        para o SO3




188 C E D E R J
12
  Em qualquer uma delas, há três pares de elétrons em torno do átomo de S
  (lembre-se de que a ligação dupla conta como um par!). Então, NPA = 3, NPL




                                                                                                     AULA
  = 3 e NPNL = 0. Desta forma, o SO3 é trigonal plano. Se você pensar que há
  duas ligações simples e uma dupla, deve esperar que as distâncias das ligações
  S-O e S=O sejam diferentes, o que está certo. Entretanto, convém lembrar que,
  quando há ressonância de estruturas, a estrutura real do composto não pode
  ser representada por nenhuma das estruturas ressonantes isoladamente. Na
  verdade, as distâncias S-O no SO3 são todas iguais. Se assim for, a molécula
  tem a mesma composição de dipolos que o BF3 , sendo apolar.




RESUMO



  Nesta aula, aprendemos que o conhecimento do arranjo espacial dos átomos
  formadores de uma molécula depende não apenas dos pares de elétrons em torno
  dos átomos centrais, mas também da natureza destes pares. Também verificamos
  que este arranjo é essencial para compreendermos por que algumas moléculas
  são polares e outras não.




                     INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

  Na próxima aula, você vai estudar as reações de oxirredução, de grande importância
  em muitos processos químicos e biológicos.




                                                                                   C E D E R J 189
Serviço gráfico realizado em parceria com a Fundação Santa Cabrini por intermédio do gerenciamento
laborativo e educacional da mão-de-obra de apenados do sistema prisional do Estado do Rio de Janeiro.




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Química Geral 1 CEDERJ
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  • 3.
    Elementos de QuímicaGeral Volume 1 Edilson Clemente 2ª edição Apoio:
  • 4.
    Fundação Cecierj /Consórcio Cederj Rua Visconde de Niterói, 1364 – Mangueira – Rio de Janeiro, RJ – CEP 20943-001 Tel.: (21) 2299-4565 Fax: (21) 2568-0725 Presidente Masako Oya Masuda Vice-presidente Mirian Crapez Coordenação do Curso de Biologia UENF - Milton Kanashiro UFRJ - Ricardo Iglesias Rios UERJ - Cibele Schwanke Material Didático ELABORAÇÃO DE CONTEÚDO Departamento de Produção Edilson Clemente EDITORA PROGRAMAÇÃO VISUAL COORDENAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO Tereza Queiroz Alexandre d'Oliveira INSTRUCIONAL Bruno Gomes Cristine Costa Barreto COPIDESQUE Marcelo Carneiro DESENVOLVIMENTO INSTRUCIONAL Cristina Maria Freixinho Renata Borges E REVISÃO REVISÃO TIPOGRÁFICA ILUSTRAÇÃO Zulmira Speridião Elaine Bayma Fabiana Rocha Roberto Paes de Carvalho Patrícia Paula CAPA COORDENAÇÃO DE LINGUAGEM COORDENAÇÃO DE Fabiana Rocha Maria Angélica Alves PRODUÇÃO Cyana Leahy-Dios Jorge Moura PRODUÇÃO GRÁFICA Andréa Dias Fiães COORDENAÇÃO DE AVALIAÇÃO DO Fábio Rapello Alencar MATERIAL DIDÁTICO Débora Barreiros AVALIAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO Ana Paula Abreu Fialho Aroaldo Veneu Copyright © 2005, Fundação Cecierj / Consórcio Cederj Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação. C626e Clemente, Edilson. Elementos de química geral. v. 1 / Edilson Clemente. – 2.ed. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2008. 189p.; 19 x 26,5 cm. ISBN: 978-85-7648-385-4 1. Química geral. 2. Evolução da química. 3. Propriedades. 4. Átomo. 5. Estruturas de Lewis. II. Título. CDD: 540 2008/2 Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
  • 5.
    Governo do Estadodo Rio de Janeiro Governador Sérgio Cabral Filho Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia Alexandre Cardoso Universidades Consorciadas UENF - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO RIO DE JANEIRO Reitor: Almy Junior Cordeiro de Carvalho Reitor: Aloísio Teixeira UERJ - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO UFRRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL RIO DE JANEIRO DO RIO DE JANEIRO Reitor: Ricardo Vieiralves Reitor: Ricardo Motta Miranda UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE UNIRIO - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO Reitor: Roberto de Souza Salles DO RIO DE JANEIRO Reitora: Malvina Tania Tuttman
  • 7.
    Elementos de Química Geral Volume 1 SUMÁRIO Aula 1 – Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier ______________ 7 Aula 2 – Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais __________ 19 Aula 3 – Propriedades gerais da matéria __________________________ 29 Aula 4 – O átomo é divisível!___________________________________ 45 Aula 5 – Estrutura eletrônica dos átomos __________________________ 61 Aula 6 – Propriedades periódicas dos elementos ____________________ 83 Aula 7 – Combinações entre átomos: a ligação iônica ________________ 97 Aula 8 – Combinações entre átomos: a ligação covalente_____________ 111 Aula 9 – Estruturas de Lewis: Parte l ____________________________ 125 Aula 10 – Estruturas de Lewis: Parte ll ___________________________ 137 Aula 11 – Forma das moléculas: Parte I __________________________ 155 Aula 12 – Forma das moléculas: Parte II__________________________ 167
  • 9.
    1 AULA Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier Meta da aula Descrever a evolução histórica da Química, até o século XVIII, como determinante na constituição desta ciência. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Identificar alguns materiais (e suas propriedades) usados desde a Antiguidade e que ainda estão presentes no cotidiano do homem moderno. • Compreender os princípios da teoria do flogisto.
  • 10.
    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier INTRODUÇÃO Consultando o verbete “química” em dicionários da Língua Portuguesa, encontramos a seguinte definição: “Química é o estudo científico da constituição da matéria, suas propriedades, transformações e as leis que as regem.” Esta definição mostra que a Química é uma ciência exata, regida por leis bem estabelecidas e estruturadas. Estas leis permitem a análise e a previsão do comportamento de substâncias que existem naturalmente, ou que são produzidas pelo homem. Entretanto, o caráter científico da Química só foi estabelecido há cerca de três séculos. Até o século XVIII, as práticas químicas se misturavam aos conceitos da alquimia, fazendo com que seu caráter científico fosse mascarado, algumas vezes, pelos ensinamentos místicos dos alquimistas. Por isso, é interessante observar como essa ciência evoluiu ao longo do tempo. Nesta primeira aula, você vai acompanhar a evolução da Química, desde tempos imemoriais até o ponto em que ela se tornou uma ciência exata. A QUÍMICA NOS TEMPOS ANTIGOS: PASSEANDO PELA HISTÓRIA O ser humano utiliza a Química desde o seu surgimento na Terra, ainda que nos primórdios não tivesse consciência deste fato. Os homens da Pré-história usavam pigmentos extraídos das plantas e dos demais reinos da Natureza para decorar suas cavernas ou representar seu cotidiano e suas crenças. São famosas as pinturas em cavernas encontradas em vários locais do mundo, inclusive no Brasil, como está ilustrado na Figura 1.1. Figura 1.1: Pintura do homem das cavernas encontrada no Nordeste do Brasil. 8 CEDERJ
  • 11.
    O domínio dofogo, que o homem conhecia mas não controlava, 1 permitiu a produção de grande variedade de utensílios e ferramentas. O AULA homem aprendeu a extrair e a trabalhar o cobre, o bronze e o ferro. Por conseqüência, as comunidades que sabiam trabalhar os metais assumiram a liderança sobre as demais. Em um salto histórico, estamos agora por volta de 4000-3000 a.C. No Oriente Próximo (onde hoje estão o Egito, a Síria, a Turquia, o Líbano e Israel), bem como na China e na Índia, florescem as primeiras grandes civilizações. Dentre elas, a egípcia foi a que mais influenciou a humanidade nos tempos antigos. Nos séculos seguintes, os egípcios trabalharam o ferro, o ouro, a prata e outros metais. Ainda fabricaram o vidro, produziram tintas e pigmentos para pintura de ambientes, papiro para a escrita, aprenderam a curtir o couro e extrair corantes, medicamentos e perfumes das plantas, fabricaram bebidas fermentadas e aprenderam a produzir sabão e vinagre. Não podemos esquecer que os egípcios dominavam a técnica da mumificação e, para tal, utilizavam resinas especiais, provavelmente extraídas de plantas e misturadas com matérias do reino animal. Esta técnica tinha a função de preservar o corpo do morto por longo período, e nela atingiram níveis de perfeição admirados até hoje. A tecnologia egípcia foi absorvida, difundida e, algumas vezes, aprimorada pelos outros povos da Antiguidade. Entretanto, é importante assinalar que o conhecimento adquirido por esses povos era totalmente empírico, ou seja, baseado na experiência do dia-a-dia. Não havia registro de uma preocupação sistemática com o estudo da natureza da matéria e de suas propriedades até cerca de 500-400 a.C., quando os gregos desenvolveram os primeiros modelos para explicar como são formadas as substâncias presentes na Natureza. CEDERJ 9
  • 12.
    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier ATIVIDADE 1. O vidro é um material utilizado pelos antigos egípcios e faz parte integrante do dia-a-dia da civilização atual. Entre num site para pesquisar quais são os principais componentes do vidro comum e dos vidros coloridos. RESPOSTA COMENTADA Você vai descobrir que o vidro é feito com uma das matérias-primas mais baratas que podemos encontrar na Natureza: a areia. Esta é, essencialmente, formada por silicatos de sódio e alumínio. O vidro colorido é obtido pela adição de óxidos de ferro, cobre, cromo, cobalto ou manganês. A engenhosidade do homem em manipular os materiais que a Natureza oferece é o segredo de sua evolução neste planeta. OS PRIMEIROS MODELOS TEÓRICOS EM QUÍMICA A civilização grega é considerada mãe da civilização ocidental. Ela influenciou todos os povos que a sucederam – em especial os romanos, – particularmente nas artes, na filosofia, na ciência e na religião. Para os gregos, estes aspectos da cultura humana estavam intimamente relacionados. Esta visão holística do mundo levou a indagações de caráter filosófico sobre a natureza das substâncias formadoras do Universo, cabendo aos gregos a elaboração dos primeiros modelos para a constituição da matéria. Por volta de 420 a.C., o filósofo Demócrito (∼460-370 a.C.) defendia o modelo de seu mestre Leucipo, que propôs ser a matéria constituída de partículas infinitamente pequenas e indivisíveis, chamadas átomos. Assim, cada substância seria formada por átomos nela presentes. O modelo corpuscular de Leucipo se opunha ao de Empédocles (490- Figura 1.2: Demócrito. 435 a.C.); este supunha ser o universo formado pela união dos quatro elementos: fogo, ar, terra e água. O modelo dos quatro elementos foi adotado por Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego de maior influência no Ocidente. As idéias aristotélicas dominaram o pensamento do Ocidente e do Oriente Próximo, levando ao fortalecimento da alquimia, forma como a Química mais se desenvolveu pelos séculos seguintes. Figura 1.3: Aristóteles. 10 CEDERJ
  • 13.
    A ALQUIMIA EA IATROQUÍMICA 1 ALQUIMIA AULA A ALQUIMIA era uma “arte secreta” na qual se misturavam idéias Palavra derivada do árabe al-kımıá, ¯ ¯ de magia e práticas químicas. Os primeiros registros são em Alexandria que por sua vez originou-se do e apresentam forte inspiração filosófica da teoria dos quatro elementos, grego chymeıa, ¯ defendida por Aristóteles. A alquimia perdeu prestígio na Europa por volta cujo significado é “mistura de vários de 292 d.C., devido à destruição de muitos escritos guardados em Alexandria, ingredientes”. mas manteve sua influência entre os povos do Oriente Próximo. Com a chegada dos árabes ao continente europeu alguns séculos depois, a alquimia tornou-se novamente importante, embora seus praticantes fossem, muitas vezes, perseguidos pela Igreja Católica. Os árabes levaram consigo os ensinamentos de vários livros secretos, considerados a base dos estudos alquímicos. Os ideais dos alquimistas estavam relacionados à descoberta da “pedra filosofal”, capaz de transformar qualquer metal em ouro; e do elixir da longa vida, capaz de curar todas as doenças. Na Figura 1.4, você pode ter uma idéia de como funcionava um “laboratório” de alquimia. Imagens como esta ficaram registradas no subconsciente das pessoas, imprimindo à Química, durante séculos, um caráter pouco científico. Figura 1.4: Um laboratório alquímico, no qual se buscava a “pedra filosofal”. CEDERJ 11
  • 14.
    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier Um trecho do Compositum de compositis de Alberto, o Grande (1193-1280), um dos maiores alquimistas do Ocidente, traduz claramente o pensamento dos praticantes na Idade Média : “Observou-se que a natureza dos metais, tal como a conhecemos, é engendrada, de uma maneira geral, pelo Enxofre e o Mercúrio. Somente a diferença de cocção e de digestão produz a variedade na espécie metálica. Eu próprio observei que num só e único vaso, quer dizer, num mesmo filão, a natureza produziu vários metais e a prata, disseminados por aqui e ali. Demonstramos claramente no nosso ‘Tratado dos minerais’ que, de fato, a geração dos metais é circular, passando facilmente de um a outro, segundo um círculo; os metais vizinhos têm propriedades semelhantes; é por isso que a prata se transforma mais facilmente em ouro que qualquer outro metal.” Os alquimistas não conseguiram chegar às metas sonhadas, mas, ao longo de suas pesquisas, acabaram produzindo novos materiais como o álcool, o ácido sulfúrico, o ácido nítrico e muitos outros ácidos, bases, sais e óxidos. Também descobriram e manipularam vários metais e substâncias elementares importantes, como o enxofre, o fósforo, o mercúrio e o cádmio. Fabricaram, ainda, novos artefatos para o uso em suas práticas alquímicas (como o almofariz e o alambique) e aperfeiçoaram novas técnicas, como a destilação e a extração. A alquimia contribuiu muito para o desenvolvimento da técnica química, mas não para as explicações dos fenômenos químicos. Recorde da Química Básica que: Ácidos inorgânicos são substâncias que contêm o íon H+; Bases inorgânicas são substâncias que contêm o íon OH-; Sais inorgânicos são obtidos pela combinação entre ácidos e bases; Óxidos são compostos formados por um metal ou não-metal e oxigênio. Entre os alquimistas mais famosos do Ocidente, podemos destacar os nomes de Maria, a Judia, Nicolas Flamel (1330-1418) e Paracelso (1494-1541). A primeira é uma figura lendária, não se sabendo precisar quando existiu ou mesmo se este nome se refere a uma única pessoa. A ela atribui-se a criação do banho-maria, tão utilizado em aplicações científicas e mesmo caseiras. Flamel, por sua vez, enganou a muitos e a si mesmo, dizendo ter obtido o segredo da transmutação de metais menos nobres em ouro. 12 CEDERJ
  • 15.
    Paracelso, cujo nomeverdadeiro é Philippus Aureolus Theophrastus 1 IATROQUÍMICA Bombastus von Hohenmheim, dedicou boa parte de sua vida ao preparo AULA Doutrina médica de medicamentos extraídos das plantas e dos outros reinos da Natureza. reinante no século XVI que Com ele, as artes mágicas da alquimia, já em declínio, adquiriram um pretendia explicar os fenômenos caráter mais científico. A alquimia praticada por Paracelso e seus fisiológicos pelas seguidores foi chamada I A T R O Q U Í M I C A . leis da Química. Figura 1.5: Paracelso. Com o surgimento da iatroquímica, a Química entrou em nova fase, inclinada à Medicina. Segundo o próprio Paracelso, “o fim próprio da Química não é fazer ouro, é preparar remédios”. Vale a pena notar que a alquimia se difundiu em plena Idade Média. A época de Paracelso corresponde precisamente ao período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, marcado pelo Renascimento nas artes, na ciência, na religião e na organização social e política do Ocidente. CEDERJ 13
  • 16.
    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier ATIVIDADE 2. No texto a seguir, estão materiais utilizados pelos alquimistas. Ao final do texto, são apresentadas definições que se encaixam corretamente nele. Utilize seus conhecimentos de Química Básica para completar adequadamente os espaços pontilhados. As definições descrevem materiais (e algumas propriedades deles) usados pelos alquimistas. O enxofre, .................................., era muito utilizado nas práticas alquímicas. Ao queimar, produz o .............................., um gás tóxico de odor irritante. O mercúrio era outro material querido dos alquimistas: atraía-os uma propriedade incomum, a de ser ............................... Muitos metais eram corroídos com ...................., um líquido xaroposo que provoca queimaduras dolorosas. Finalmente, o grande fascínio dos alquimistas era o ouro, ................................. a) Um metal amarelo brilhante e muito maleável b) Um sólido amarelo, opaco e muito quebradiço c) Dióxido de enxofre d) Ácido sulfúrico e) Um metal líquido à temperatura ambiente RESPOSTA COMENTADA Você precisa conhecer algumas propriedades dos materiais apresentados no texto. Felizmente são comuns, fazem parte do nosso dia-a-dia. O enxofre é um sólido amarelo e opaco, que se quebra com muita facilidade; a sua queima produz o dióxido de enxofre (SO2), um gás muito tóxico e que pode levar até à formação de ácido sulfúrico na atmosfera. O mercúrio é o único metal líquido à temperatura ambiente: é usado nos termômetros. O ácido sulfúrico é uma substância altamente corrosiva, com inúmeras aplicações em laboratório e indústria. O ouro é um metal de cor amarelo brilhante utilizado na fabricação de jóias e em partes de alguns instrumentos de precisão. b, c, e, d, a. O NASCIMENTO DA QUÍMICA MODERNA: A CIÊNCIA VENCE A CRENÇA O Renascimento marcou um novo período na civilização ocidental. O método científico de investigação foi introduzido por pensadores importantes como Rennè Descartes (1596-1650) e explicado por Francis Bacon (1561-1626) em seu livro Novum Organum, em 1620. As idéias destes pensadores se opunham às práticas alquímicas, nas quais não havia um método científico de obtenção e estudo das propriedades dos materiais utilizados. A figura de Robert Boyle (1627-1691) foi decisiva 14 CEDERJ
  • 17.
    na implantação dométodo científico de investigação em Química. Suas 1 experiências com gases marcaram, para muitos, o início da Química AULA moderna. ! As experiências de Boyle com os gases o levaram a formular a lei de Boyle, que diz ser a pressão (p) de um gás inversamente proporcional ao seu volume (V) se a temperatura (T) for constante. A forma matemática desta lei é pV = C, T constante, na qual a constante C depende apenas da temperatura. A determinação de C levou à famosa equação dos gases perfeitos: pV = nRT. Figura 1.6: Robert Boyle. A lei de Boyle fornece base para explicar as alterações que ocorrem na capacidade respiratória de mergulhadores no mergulho livre. Nossos pulmões têm uma capacidade média de seis litros de ar à pressão atmosférica. Quando um mergulhador atinge profundidades de algumas dezenas de metros, está sujeito a uma pressão muito maior; desta forma, sua capacidade pulmonar diminui sensivelmente. Figura 1.7: Um mergulhador desprovido de equipamento de mergulho tem sua capacidade pulmonar reduzida pelo aumento da pressão em seus pulmões. CEDERJ 15
  • 18.
    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier Boyle definiu elemento como qualquer substância que não pode ser dividida em substâncias ainda menores. Afirmou ainda que a matéria é composta por “corpúsculos” (átomos) de várias espécies e tamanhos capazes de formarem grupos, sendo que cada um deles constitui uma substância química. Com estas hipóteses, Boyle fez renascer as antigas idéias de Demócrito sobre a estrutura da matéria. Na tentativa de explicar o fenômeno da combustão, Georg Stahl (1660-1734) propôs, em 1697, a teoria na qual entendia que as substâncias queimavam porque eram ricas em uma certa substância chamada flogisto. A palavra flogisto vem do grego e significa “eu inflamo”. Segundo esta teoria, um corpo combustível era constituído de “terra metálica” e flogisto. A combustão era, segundo Stahl, a liberação do flogisto, que se manifestava sob a aparência de fogo livre. Você conseguiu entender? Vamos explicar! Para Stahl, a queima de um metal era vista como a perda do flogisto, deixando apenas a “cal” do metal (o óxido formado pela reação de combustão). Hoje entendemos este processo como uma reação de oxidação, com a formação de óxido do metal, segundo o esquema: Metal + oxigênio → óxido do metal. saída de flogisto O mesmo princípio se aplicava à queima do carvão, produzindo gás carbônico. A chama nada mais era do que abundância de flogisto, como está ilustrado na Figura 1.8. A teoria do flogisto ganhou um grande número de simpatizantes, mas teve de enfrentar uma dificuldade que levou, mais tarde, à sua queda: verificou-se que os materiais resultantes da combustão (chamados materiais “deflogisticados”) pesavam mais do que o material com flogisto. Hoje podemos entender que esse fato é absolutamente coerente: a oxidação de um metal, por exemplo, o transforma no seu óxido; a substância formada tem massa maior que o metal puro, pois a ele foi incorporado o oxigênio do ar. Entretanto, na época de Stahl, não se sabia que a combustão era devida à reação das substâncias com o oxigênio. A descoberta do oxigênio por Joseph Priestley (1733-1804) e experiências bastante mais elaboradas de combustão de materiais à luz dessa nova descoberta, realizadas pelo próprio Priestley e por Antoine Lavoisier (1743-1794), destruíram a teoria do flogisto. Estamos no Figura 1.8: Segundo Stahl, a combustão era a liberação de final do século XVIII e no começo de uma nova era para a Química. flogisto, que saía pela chama do material queimado. 16 CEDERJ
  • 19.
    Com isso, podemosver que a história desta ciência vai muito além de 1 uma simples história. Vamos parar por aqui! AULA Faça a Atividade Final para “fechar” esta breve introdução do curso. Figura 1.9: Joseph Pristley. ATIVIDADE FINAL O ferro se transforma em ferrugem (óxido de ferro) pelo contato com o oxigênio do ar atmosférico. Imagine que você tem a reação ferro + oxigênio → óxido de ferro. Como você mostraria que a teoria do flogisto não é válida? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A teoria do flogisto foi uma tentativa de explicar os processos de combustão dos materiais. Uma dificuldade observada foi que a massa do material queimado era, muitas vezes, maior que a do material original. Este é o caso da oxidação de um metal. Na reação dada, um metal se transforma em seu óxido pela ação do oxigênio do ar. Se você pesar o material antes e depois da combustão, verá que o material oxidado tem massa maior que o metal puro. Se houvesse perda do flogisto do metal, o material queimado deveria ficar mais leve, o que entra em contradição com os resultados experimentais e mostra a inconsistência da teoria do flogisto. CEDERJ 17
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: da Pré-história a Lavoisier RESUMO A história da Química se confunde com a história da humanidade. Desde tempos imemoriais, a Química está presente no cotidiano do homem. Uma medida do grau de desenvolvimento de um povo pode ser dada pelo número de materiais que podem ser manipulados por ele. A Química dos povos antigos e da Idade Média era essencialmente empírica; pouco interesse havia em compreender a natureza mais íntima da matéria. Com o Renascimento, inaugurando a Idade Moderna e trazendo o método científico sistemático de investigação, a Química passa, ao fim do século XVIII, a ter o status de ciência. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai acompanhar o fabuloso desenvolvimento da Química nos séculos XIX e XX, e as perspectivas atuais desta ciência. 18 CEDERJ
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    2 AULA Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais Metas da aula Apresentar os principais períodos da evolução da Química, desde Lavoisier até os dias atuais. Descrever o modelo atômico de Dalton. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Aplicar a teoria atômica de Dalton à representação de processos químicos. • Identificar algumas áreas importantes da Química contemporânea. Pré-requisito Para acompanhar esta aula, você deverá rever o percurso histórico que foi apresentado na Aula 1 desta disciplina.
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais INTRODUÇÃO Vimos na aula anterior que, ao final do século XVIII, as bases científicas da Química foram estabelecidas, dando a ela o status de ciência exata. O químico francês Antoine Lavoisier foi fundamental neste processo. Graças a ele, as leis das combinações químicas ficaram bem estabelecidas, permitindo que, no início do século XIX, John Dalton propusesse o primeiro modelo atômico consistente com os dados experimentais disponíveis na época. A partir daí, um crescimento impressionante de técnicas de análise e síntese de compostos químicos marcou os séculos XIX e XX. Nesta aula, você vai acompanhar o notável desenvolvimento da Química, tanto na parte experimental quanto teórica, desde o final do século XVIII até os dias atuais. LAVOISIER E DALTON Em 1789, no seu Tratado elementar de Química, Antoine Lavoisier (1743-1794) fala das suas experiências com a combustão de metais e outros elementos. Ele observou que o aumento da massa do material queimado não se dá pela perda do flogisto (lembra do final da aula anterior?), mas sim pela incorporação de uma certa quantidade de ar (mais precisamente de oxigênio) ao metal. Seus trabalhos de análise quantitativa dos produtos obtidos nas reações de combustão e em outras reações químicas o levaram a propor a LEI DA CONSERVAÇÃO DA MASSA, e ajudaram Joseph Proust (1754-1826) a estabelecer a LEI DAS PROPORÇÕES DEFINIDAS. Estas duas leis formam a base da estequiometria, que você LEI DA CONSERVAÇÃO DA estudará detalhadamente mais adiante em nosso curso. MASSA (Lavoisier) Em uma reação química, a soma das massas dos reagentes é igual à soma das massas dos produtos. “Na Natureza nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma”. LEI DAS PROPORÇÕES DEFINIDAS (Proust) Um composto é formado por elementos específicos combinados sempre na mesma proporção em massa. Figura 2.1: Antoine Lavoisier. 20 CEDERJ
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    Além da leida conservação da massa, podemos destacar como 2 contribuições de Lavoisier: AULA a) a definição precisa de elementos químicos e sua descrição; b) a descrição dos compostos químicos formados pelas combinações entre os elementos; c) a primeira nomenclatura sistemática dos compostos inorgânicos, usando seus elementos constituintes; d) a composição quantitativa dos compostos pelo uso de balanças de precisão; e) medições quantitativas das propriedades térmicas dos elementos, dos compostos e das reações entre eles, pela construção e uso de calorímetros. Se não inaugurou, Lavoisier fez avançar em muito a Química Analítica, Química Inorgânica e Termodinâmica Química. Os resultados das experiências de Lavoisier e Proust forneceram a base sobre a qual John Dalton (1766-1844) pôde formular, em 1808, o seu modelo atômico. Neste primeiro modelo quimicamente consistente, Dalton propôs que: a) a matéria é composta por partículas indivisíveis chamadas átomos; b) todos os átomos de um elemento particular são idênticos em massa e outras propriedades; c) os átomos de diferentes elementos diferem em massa e outras propriedades; d) os átomos são indestrutíveis e simplesmente se rearrumam nas reações químicas. Eles não se dividem; e) quando os átomos de diferentes elementos se combinam para formar compostos, eles formam partículas novas, mais complexas. As partículas de qualquer composto sempre contêm a mesma proporção fixa de átomos. Podemos imaginar o átomo de Dalton como uma esfera maciça e extremamente pequena. Átomos de um mesmo elemento correspondem a esferas iguais em natureza e tamanho. Átomos de elementos distintos são representados por esferas também distintas. A formação de um composto é descrita pela combinação de esferas, Figura 2.2: John Dalton. em proporção definida pela lei de Proust. CEDERJ 21
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais O processo de formação da água a partir do hidrogênio e do oxigênio, por exemplo, seria descrito pelo modelo de Dalton como a aproximação de duas pequenas esferas ligadas entre si (representando a molécula de hidrogênio, H2) a uma esfera maior, representando um átomo de oxigênio. A molécula de H2O seria representada pela ligação destas três esferas, como ilustrado na Figura 2.3. Figura 2.3: Formação da água segundo o modelo de Dalton. Neste modelo, os átomos são esferas maciças e de tamanho e massa característicos de cada átomo, e as moléculas são representadas por esferas unidas entre si. A teoria atômica de Dalton sofreria, entretanto, profundas modificações, por já se saber ao final do século XIX que os átomos não eram indivisíveis. Ainda assim, ela continua descrevendo precisamente como a matéria se combina quimicamente segundo as leis de Lavoisier e Proust. ATIVIDADE 1. Faça uma representação da reação H2 +CO2 → H2O + CO utilizando esferas de tamanho ou de cor diferente para representar os átomos de hidrogênio, carbono e oxigênio, segundo o modelo de Dalton. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você deve desenhar inicialmente duas esferas pequenas unidas para representar a molécula de H2, e três esferas unidas para representar o dióxido de carbono. A forma como você vai unir as três esferas mostra se você percebe ou não como o carbono se liga aos átomos de oxigênio. A forma correta é colocar a esfera do carbono no centro e as esferas dos oxigênios uma em cada lado, com as três esferas em linha reta. Em seguida, você deve representar os produtos da reação. Para a água, faça como no CO2 , com o átomo de oxigênio no centro. A rigor, há um ângulo diferente de 180° entre as ligações O-H. Para entender mais sobre a geometria de moléculas, aguarde a Aula 11. A representação do CO é simples: duas esferas unidas representando a ligação C=O. 22 CEDERJ
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    A QUÍMICA DOSÉCULO XIX 2 E S P E C T RO S C O P I A AULA Os avanços tecnológicos ocorridos no século XIX – pelo É o estudo da luz absorvida desenvolvimento das máquinas térmicas, pelo domínio da eletricidade, ou emitida pelos corpos sólidos, pela melhora de equipamentos ópticos de precisão e pelos estudos sobre líquidos ou gasosos. o magnetismo – permitiram a descoberta de muitos novos elementos POLARIMETRIA químicos. Também, graças a esses avanços, houve grande progresso na É o estudo do desvio do plano caracterização de compostos por técnicas não só puramente químicas, da luz polarizada quando atravessa mas também por determinações ESPECTROSCÓPICAS , POLARIMÉTRICAS E uma substância ELETROQUÍMICAS. quiral (nos compostos Talvez a melhor forma de ilustrar a importância dos acontecimentos orgânicos, é a que apresenta carbono ocorridos naquele século, na área da Química, seja traçar uma pequena assimétrico). cronologia em que vamos destacar alguns eventos, bem como os químicos ELETROQUÍMICA que os produziram. Acompanhe esta cronologia na Tabela 2.1 a seguir: É o estudo dos efeitos da passagem de uma corrente Tabela 2.1: Alguns eventos importantes na área da Química no século XIX elétrica sobre sólidos inorgânicos Ano Evento e orgânicos, líquidos puros ou Humphrey Davis utilizou células eletrolíticas na decomposição de 1801 soluções. compostos 1803 Jön Berzelius realiza a decomposição eletrolítica de sais 1807 Humphrey Davis obtém sódio e potássio por eletrólise Amedeo Avogadro estabelece que volumes iguais de gases diferentes 1811 têm o mesmo número de partículas Jean-Baptiste Biot descobriu que a luz tem seu plano de propagação 1813 girado ao atravessar uma placa de quartzo e a seguir uma solução de sacarose Jön Berzelius calcula fórmulas de compostos orgânicos a partir de 1815 dados analíticos experimentais Franz Wöhler converteu o cianato de amônio em uréia, realizando 1828 assim a primeira síntese de um composto orgânico a partir de um inorgânico Michael Faraday expôs as leis da eletrólise e estabeleceu a 1833 nomenclatura ainda hoje usada em eletroquímica Thomas Graham explicou a lei da efusão dos gases em pequenos 1846 orifícios Stanislao Cannizzaro mostrou a diferença entre pesos atômicos e 1858 moleculares Friedrich Kekulé definiu a química orgânica como a química dos 1861 compostos do carbono Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff descobriram o césio e o rubídio por 1861 técnicas espectroscópicas Dimitri Mendeleev criou o sistema de classificação periódica dos 1869 elementos. Jacobus van’t Hoff demonstrou que as quatro ligações do carbono 1874 estão distribuídas em forma de tetraedro Svante Arrhenius demonstrou que os eletrólitos se dissociam em íons, 1884 átomos ou grupos de átomos que transportam carga elétrica positiva ou negativa 1896 Henri Becquerel descobre a radioatividade 1897 Joseph John Thomson descobre o elétron CEDERJ 23
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais Você certamente não entendeu o significado de muitos termos que apareceram na tabela anterior. Não se preocupe, pois a idéia aqui é apenas ilustrar a nossa discussão com eventos importantes na área da Química do século XIX. Você pode consultar alguns sites especializados em história da Química para obter mais informações sobre estes eventos. Podemos citar, por exemplo, o seguinte endereço: http://www.sobresites.com/ ciencia/historiadaciencia.html; além de outros que estão listados ao final desta aula. Apesar de parecer longa, a tabela apresentada está longe de ser completa. Ela ilustra apenas a evolução extraordinária da Química no século XIX e aponta claramente para a descoberta das partículas subatômicas, formadoras dos átomos. O vencedor do primeiro Nobel em Química foi Jacobus van’t Hoff (1852-1911), que recebeu esse prêmio em 1901 pelas suas pesquisas em dinâmica química e pelos estudos de pressão osmótica em soluções. Este assunto é de extrema importância em ciências biológicas e você vai aprender mais sobre ele no estudo das propriedades coligativas de soluções. A QUÍMICA DO SÉCULO XX E DOS DIAS ATUAIS Ao final do século XIX, o desenvolvimento da Química era tão amplo que já existiam “divisões” dela em áreas de conhecimento específico. A Química Inorgânica, Orgânica, Analítica e Físico-Química estavam estruturadas. A Química dos sistemas biológicos, devido à sua grande complexidade, ainda não tinha tido um desenvolvimento tão acentuado, mas este quadro se modificaria rapidamente no século XX, quando ganhou impulso extraordinário graças aos sofisticadíssimos equipamentos que começaram a surgir. Os avanços na Espectroscopia e o domínio das leis da eletricidade e do magnetismo permitiram descobrir e caracterizar partículas subatômicas. A determinação da relação entre a carga e a massa de partículas carregadas eletricamente levou à construção dos espectrômetros de massa. A espectroscopia de amostras na presença de campos magnéticos levou à construção dos aparelhos de ressonância magnética nuclear; hoje, versões destes aparelhos são amplamente utilizadas na medicina. 24 CEDERJ
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    2 AULA Figura 2.4: Aparelhos de ressonância magnética são hoje amplamente utilizados na área médica para diagnóstico. A descoberta das partículas subatômicas levou à formulação de novos modelos atômicos, dos quais destacamos os de Niels Bohr (1871-1937) e de Erwin Schrödinger (1887-1961). Estes modelos serão discutidos com detalhes nas próximas aulas. Os modelos criados para explicar as ligações entre os átomos evoluíram a tal ponto que levaram a estabelecer um novo ramo: a Química Teórica. O notável desenvolvimento da eletrônica, levando-nos aos microcomputadores e equipamentos extremamente sofisticados, tornou possível controlar experiências em nível molecular e realizar Figura 2.5: Niels Bohr. cálculos químicos que permitem prever as propriedades de moléculas tão grandes quanto polipeptídeos, carboidratos e polímeros. Novamente, um pequeno panorama cronológico pode ser traçado para facilitar a visualização da evolução da Química no século XX. Ele está apresentado na Tabela 2.2 a seguir. Tabela 2.2: Alguns eventos importantes na área da Química no século XX Ano Evento Mikhail Tsvet inventou o papel cromatográfico como meio de 1901 separação de pigmentos 1909 Sören Sörensen inventou a escala de pH 1911 Niels Bohr propôs o seu modelo atômico Figura 2.6: Erwin Schrödinger. CEDERJ 25
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais Max Von Laue mostrou que os cristais eram compostos por camadas 1912 regulares e repetidas de átomos, através da difração de raios X Henry Moseley elaborou a tabela periódica baseada no número 1914 atômico, que ele igualou à carga positiva do núcleo de um átomo Gilbert Lewis explicou a ligação covalente como sendo uma 1916 distribuição dos elétrons Erwin Schrödinger estabeleceu o modelo dos orbitais para o átomo de 1925 hidrogênio Heitler e London descrevem a formação da molécula de hidrogênio à 1927 luz da mecânica quântica Arne Tiselius inventou a eletroforese, que separa partículas em 1930 suspensão em um campo elétrico 1932 Harold Urey descobriu o deutério, um isótopo do hidrogênio Edwin McMilan e Philip Abelson sintetizaram o primeiro elemento 1940 transurânico (de número atômico maior do que o urânio), o neptúnio, bombardeando urânio com nêutrons Derek Barton deduziu que as propriedades de compostos orgânicos 1950 são afetadas pela orientação dos seus grupos funcionais Francis Crick, Rosalind Franklin, James Watson e Maurice Wilkins 1953 determinaram a estrutura de dupla-hélice do DNA (ácido desoxirribonucléico) por difração de raios X Neil Bartlett preparou o primeiro composto de um gás nobre, o 1962 hexafluoroplatinato de xenônio Roald Hoffmann e Kenichi Fukui aplicaram a mecânica quântica para 1981 prever o caminho de reações químicas Harold Kroto e David Walton descobriram os fulerenos, uma nova 1985 família de sólidos constituídos por coberturas fechadas de átomos de carbono Químicos norte-americanos da Universidade da Califórnia sintetizaram 1993 a rapamicina, testada como agente anticanceroso ! A observação feita após a Tabela 2.1 vale também para as informações contidas nesta tabela: você não precisa se preocupar em entender o significado de todos os termos que aparecem; muitos deles são altamente especializados e sua interpretação foge aos objetivos do nosso curso. É notável que a Química do final do século XX e dos dias atuais esteja voltada para as aplicações em sistemas biológicos. Você mesmo pode concluir este fato olhando a seqüência de eventos mostrada na Tabela 2.2. A moderna tecnologia permite não só sintetizar e analisar moléculas muito complexas (como os fármacos mais diversos), mas também modelar computacionalmente os efeitos destas moléculas nos seres vivos. Parece não existirem mais fronteiras na Química e as perspectivas futuras são ilimitadas. 26 CEDERJ
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    ATIVIDADE 2 AULA 2. A diversidade de conhecimento químico atual e a interdisciplinaridade geraram uma série de subdivisões na área de Química. Descubra do que tratam as seguintes subáreas da Química e descreva, de forma sucinta, suas aplicações: a) Bioeletroquímica b) Química Marinha c) Química Forense d) Geoquímica e) Petroquímica RESPOSTA COMENTADA Você encontrará facilmente o significado destas importantes áreas de conhecimento, nas quais a Química e outras ciências têm uma importante interface. A Bioeletroquímica se ocupa do estudo dos princípios e aplicações da Eletroquímica nos processos biológicos. A Química Marinha está voltada para a análise de materiais encontrados no mar; tem um forte componente voltado ao meio ambiente. A Química Forense está ligada às análises químicas e determinações de substâncias em locais onde ocorreram fatos que podem estar relacionados a delitos. Ambas são ramos da Química analítica. Finalmente, a Geoquímica e a Petroquímica fazem a interface da química com as geociências. Na Geoquímica, estuda-se a composição química e processos químicos que ocorrem no globo terrestre; um ramo especial desta ciência é a química do petróleo (Petroquímica). CONCLUSÃO Numerosos produtos que consumimos no nosso dia-a-dia são produzidos em decorrência de décadas de pesquisa e desenvolvimento, visando a sua obtenção. A Química atual conjuga experiência prática, avançados métodos de síntese e análise química e teorias sofisticadas que permitem desenhar fármacos, corantes e catalisadores antes mesmo de serem produzidos. Esses métodos tiveram sua origem nos esforços de outros grandes cientistas que, conhecendo o passado, avançaram em seu tempo, abrindo o caminho para a imensa tecnologia que dispomos nos dias atuais. CEDERJ 27
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    Elementos de QuímicaGeral | Evolução da Química: de Lavoisier até os dias atuais RESUMO Uma seqüência de eventos importantes, das experiências rigorosamente quantitativas de Lavoisier até a formulação de modelos matemáticos extremamente sofisticados para a compreensão da estrutura da matéria, levou a Química ao status de ciência e trouxe grande desenvolvimento a esta área do conhecimento humano. A descoberta de muitos equipamentos permitiu estabelecer vários ramos da ciência química, com desenvolvimento particularmente notável na química de sistemas biológicos. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai aprender os conceitos de matéria, propriedades e transformações. Eles são essenciais para definir a Química como ciência. 28 CEDERJ
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    3 AULA Propriedades gerais da matéria Metas da aula Meta Caracterizar elementos, substâncias simples e compostas e misturas. Descrever os estados físicos da matéria. Descrever as unidades fundamentais do Sistema Internacional e aplicá-las na determinação de propriedades fundamentais da matéria. objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: • Caracterizar substâncias simples, compostas e misturas. • Identificar elementos comuns na tabela periódica. • Avaliar propriedades e transformações, distinguindo se são de natureza física ou química. • Determinar unidades de grandezas físicas com base nas unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades (SI). Pré-requisitos É importante você rever os modelos de constituição da matéria descritos nas Aulas 1 e 2. Isso vai ajudar a compreender os conceitos expostos na primeira parte desta aula.
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria INTRODUÇÃO Você já aprendeu que a Química é a ciência que trata das propriedades e das transformações da matéria. Agora, vamos especificar algumas propriedades fundamentais da matéria e os tipos de transformações que vamos abordar ao longo de nosso curso. Você vai aprender a distinguir os estados físicos da matéria pelas suas características mais fundamentais. Vamos também introduzir nesta aula conceitos importantes que permitem distinguir as substâncias puras das misturas, e caracterizar as propriedades destas. Você vai conhecer também as unidades utilizadas na determinação das propriedades fundamentais da matéria. Através delas, as unidades de qualquer propriedade podem ser obtidas. TIPOS E COMPOSIÇÃO DA MATÉRIA Definição de matéria O mundo físico em que vivemos é formado por matéria, dos mais diversos tipos. Observe a Figura 3.1. Nela estão representados um ser vivo, um pequeno objeto contendo um líquido puro e um grande corpo celeste. Estes corpos, animados e inanimados, são formados por matéria. Matéria é tudo que contém massa e ocupa lugar no espaço. As folhas da aula que você está lendo, o seu corpo, a água que você bebe e o ar que você respira são exemplos de matéria. MASSA Massa é uma medida do quão difícil é começar o movimento de um corpo ou mudar a sua velocidade. Figura 3.1: O peixe, o copo com água e o planeta Saturno são formados por matéria. Esta definição de massa é puramente operacional e vem das leis de Newton, A MASSA é, para um dado corpo, constante e independente do local que você aprendeu da Física elementar. A onde o corpo se encontra. Você deve distinguir claramente a massa de massa é propriedade um corpo de seu peso. O peso de um corpo é uma medida da força de intrínseca da matéria e não pode ser atração da gravidade sobre ele e depende do valor da força gravitacional. definida senão pelos efeitos que causa em Um mesmo objeto na Terra e na Lua tem pesos diferentes, embora sua outros corpos. massa seja a mesma. 30 CEDERJ
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    ! 3 O valor do peso P de um corpo de massa m é dado por AULA P = mg Em que g é a aceleração provocada pelo campo gravitacional. Na Terra, g = 9,8 m/s2 ao nível do mar e a 45° de latitude. O valor de g muda em relação à altura e à latitude. Composição e tipos de matéria As inúmeras evidências experimentais mostram que a matéria é formada por partículas extremamente pequenas chamadas átomos. Embora a variedade de espécies de matéria seja extraordinária, existem apenas pouco mais de cerca de cem tipos distintos de átomos. ! Atente agora para as seguintes definições: Um elemento químico é uma substância que não pode ser decomposta em substâncias mais simples por processos físicos ou químicos comuns. Um átomo é a menor unidade de um elemento que detém suas propriedades. Uma molécula é uma unidade química que contém dois ou mais átomos unidos por ligações químicas. Átomos ou moléculas formadas pelo mesmo elemento são subs- tâncias simples ou elementares. Substâncias formadas por moléculas que contêm átomos diferentes são denominadas substâncias compostas ou compostos. O oxigênio (O2), por exemplo, é uma substância simples, formada por moléculas que só contêm átomos do elemento oxigênio (O). Cada molécula de oxigênio é formada por dois átomos de oxigênio. Já a água (H2O) é um composto. Cada molécula de água contém dois átomos do elemento hidrogênio (H) e um átomo do elemento oxigênio (O). A observação de que a composição elementar de um composto é sempre a mesma corresponde à lei das proporções definidas, formulada por Proust por volta de 1800. Já vimos esta lei na aula anterior, está lembrado? Os compostos podem ser decompostos em substâncias elementares que o formam. A água pode ser decomposta (por meio da eletrólise), por exemplo, em hidrogênio e oxigênio. CEDERJ 31
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria As substâncias (simples ou compostas) podem ser puras ou estar misturadas com outras substâncias. Uma substância pura é formada por átomos ou moléculas de uma só espécie. As misturas são formadas por substâncias de natureza diferente. Se a composição e a aparência da mistura for a mesma em toda a sua extensão, então temos uma mistura homogênea ou solução. Caso contrário, temos uma mistura heterogênea. Ao adicionarmos sal de cozinha à água, por exemplo, verificamos que a mistura formada é homogênea em sua constituição e propriedades: trata-se de uma solução. Já o sal de cozinha adicionado à areia do mar não forma uma solução. Percebemos claramente os grãos de areia e os cristais brancos do sal. Esta mistura é heterogênea. ATIVIDADE 1. Em uma bancada de laboratório estão quatro frascos contendo materiais distintos: Frasco 1 2 3 4 Azeite e Conteúdo Etanol Água e açúcar água Iodo Identifique o frasco que corresponde a uma: A) substância elementar pura B) composto puro C) mistura homogênea ou solução D) mistura heterogênea RESPOSTA COMENTADA Você deve ter em mente as definições dadas no tópico que prece- de esta atividade para bem desenvolvê-la. Lembre-se de que uma substância pura é formada por átomos ou moléculas de uma só espécie química; ela é elementar se só existe um elemento em sua constituição, e composta se é formada por mais de um elemento diferente. As misturas contêm mais de uma espécie química. São homogêneas se têm aspecto e composição uniforme; caso contrário, são heterogêneas. Assim, o conteúdo do frasco I é o de uma subs- tância pura cujas moléculas são formadas por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio; trata-se de um composto puro (B). O frasco II contém uma mistura de dois compostos: a água (formada por átomos de hidrogênio e oxigênio) e a sacarose (formada por áto- mos de carbono, hidrogênio e oxigênio); como o açúcar é solúvel 32 CEDERJ
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    3 em água, o frasco II contém uma mistura homogênea ou solução (C). AULA O azeite e a água também formam uma mistura de dois compostos. Entretanto, o azeite não se dissolve na água; temos, então, uma mistura heterogênea no frasco III (D). Finalmente, o conteúdo do frasco IV é o de uma substância pura formada por átomos do mesmo elemento químico. Trata-se de uma substância elementar pura. Representação dos elementos químicos Um elemento é representado pelo seu símbolo. Normalmente, o símbolo dado a um elemento é formado pela primeira letra de seu nome. O símbolo do hidrogênio, por exemplo, é H, o do carbono é C e o do oxigênio é O. Quando mais de um elemento tiver seu nome começando pela mesma letra, as duas primeiras letras do nome serão usadas para representá-lo. Os símbolos do cálcio e do cromo, que começam com a mesma letra, são Ca e Cr, respectivamente. Em muitos casos, parece que as regras acima não são cumpridas. Isso ocorre porque muitos nomes de elementos vêm do latim. O símbo- lo do sódio, por exemplo, é Na, que vem de natrium. Dessa forma, o melhor é memorizar os símbolos dos elementos que aparecem com mais freqüência. Alguns deles estão listados na Tabela 3.1 a seguir: Tabela 3.1: Símbolos de alguns elementos comuns Elemento Símbolo Elemento Símbolo Nitrogênio N Alumínio Al Flúor F Cobalto Co Fósforo P Cobre Cu Enxofre S Ferro Fe Potássio K Sódio Na Iodo I Zinco Zn A lista dos elementos conhecidos, com seus símbolos e outras importantes características, está contida na Tabela Periódica dos Elementos, que você encontra no final deste livro. O estudo dessa tabela faz parte do conteúdo da Aula 5. CEDERJ 33
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria ATIVIDADE 2. Observe a tabela periódica. Localize nesta tabela o quadro correspondente ao elemento oxigênio e copie as informações contidas nele. Na Aula 5, você compreenderá a organização de cada quadro da tabela. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Embora esta tarefa seja muito simples, é importante que você observe os detalhes de cada quadro da Tabela Periódica. Ele apresenta o símbolo químico e nome do elemento considerado, além de um número acima (o número atômico) e um número abaixo (a massa atômica) no mesmo quadro. Na Aula 6, estudaremos detalhadamente a estrutura desta tabela. ESTADOS DA MATÉRIA Toda matéria pode existir em três estados, sólido, líquido e gasoso. Estes três estados diferem na: • distância entre as partículas que formam a substância • intensidade das forças de atração entre as partículas • intensidade e tipo de movimento de suas partículas Em um sólido, as forças de atração entre as partículas são relativa- mente fortes. As partículas se empacotam próximas umas das outras em um arranjo estrutural rígido. Isso dá forma e volume definidos ao sólido, como você pode visualizar no cubo de gelo mostrado na Figura 3.2. Figura 3.2: Os cristais hexagonais do gelo têm uma arrumação regular e definida, que dão forma e volume definidos ao gelo. 34 CEDERJ
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    Existem dois tiposde sólidos, em função da diferença no arranjo das 3 partículas que eles contêm. Nos sólidos amorfos, as partículas estão presas AULA em um padrão orientado ao acaso. Nos sólidos cristalinos, as partículas formam estruturas tridimensionais com padrão ordenado e regular. Nestas estruturas, as partículas vibram em torno de suas posições de equilíbrio na rede cristalina. Quando a temperatura é baixa, as vibrações são pequenas. O aumento da temperatura faz aumentar a amplitude dessas vibrações até que, no ponto de fusão do sólido, a rede cristalina se rompe. ! Como exemplos de sólidos amorfos temos o vidro e os plásticos. Os metais são sólidos cristalinos, assim como o gelo, o açúcar (sacarose) e o sal de cozinha (cloreto de sódio). A rede cristalina do NaCl, por exemplo, tem o aspecto ilus- trado na Figura 3.3. Nela as esferas pequenas são átomos de Na,e as maiores, de Cl. Você pode observar o rigoroso ordenamento dos átomos na rede. Figura 3.3: O NaCl é um exemplo de sólido cristalino; nele, os átomos têm um ordenamento rigorosamente definido. Em um líquido, as partículas não estão presas tão firmemente quanto em um sólido. Embora próximas umas das outras, podem mover-se de um lugar para outro, deslizando umas sobre as outras. Por isso, um líquido pode escoar de um lugar para o outro e tomar a forma do recipiente que o contém, mantendo, entretanto, o seu volume. Figura 3.4: Um líquido escoa e toma a forma do recipiente que o contém. CEDERJ 35
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria Em uma dada temperatura, as moléculas da superfície de um líquido (ou próximas a ela) podem escapar, pois não estão presas às outras moléculas com a mesma intensidade que no interior da massa líquida. Se não colidirem com as moléculas do ar, elas não mais voltarão ao líquido. Este processo é denominado evaporação do líquido. O aumento da temperatura favorece a agitação das moléculas do líquido, enfraquecendo as forças de atração até que, no ponto de ebulição do líquido, as moléculas escapam completamente: o líquido se transforma em gás. Figura 3.5: Em um gás, as moléculas estão muito separadas umas das outras. No gás, as partículas estão muito afastadas e viajam a grande velocidade. O gás não tem forma nem volume definidos; ele enche com- pletamente o recipiente que o contém. Ao se movimentarem através do recipiente que o armazena, as moléculas do gás colidem com as suas paredes. O efeito destas colisões é expresso pela pressão do gás dentro do recipiente. Quanto maior o número de colisões com as paredes, maior é a pressão do gás. ! Lembre-se da Aula 1: pela lei de Boyle, a pressão de um gás é inversamente proporcional ao volume do recipiente que o contém, se a temperatura for constante. Um cilindro de oxigênio, por exemplo, contém o gás a alta pressão; se abrirmos a válvula do cilindro para a atmosfera, o gás escapa e vai ocupar um volume muito maior, pois a pressão a que ele estará submetido é bem menor. PROPRIEDADES E TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA Toda substância tem um conjunto único de propriedades que a distinguem das demais. A título de ilustração, algumas propriedades do hidrogênio, do oxigênio e da água foram listadas na Tabela 3.2. 36 CEDERJ
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    Tabela 3.2: Algumaspropriedades da água, do hidrogênio e do oxigênio à 3 temperatura ambiente AULA Substância Água Hidrogênio Oxigênio Estado Líquido Gasoso Gasoso Densidade (g/mL) 1,00 0,84 x 10 -3 1,33 x 10-3 Ponto de fusão (°C) 100 -253 - 183 Inflamável? Não Sim Não As propriedades podem ser agrupadas em duas categorias: • propriedades físicas – são medidas sem alterar a identidade e a composição da substância. Exemplos de propriedades físicas são a cor, o cheiro, a dureza, o ponto de fusão e o ponto de ebulição. • propriedades químicas – descrevem como a substância pode se alterar, ou reagir para formar outras substâncias. A capacidade que uma substância tem de queimar em presença de oxigênio (ou de reagir com ácidos e bases) é um exemplo de propriedade química. Assim como as propriedades de uma substância, as transformações que ela sofre são classificadas em: • transformações físicas – são aquelas cuja substância muda a sua aparência física, mas não muda a sua composição. A fusão e a ebulição são exemplos de transformações físicas, nas quais a substância muda de estado físico, mas continua com sua composição e identidade inalteradas. • transformações químicas – são aquelas cuja substância é trans- formada em outra(s) substância(s) quimicamente diferente(s) dela. São também chamadas reações químicas. UNIDADES DE MEDIDA Unidades fundamentais de medida Muitas propriedades da matéria são quantitativas, ou seja, estão associadas a números. Quando um número está associado a uma grandeza medida, as unidades deste número sempre devem ser especificadas. ! Se você medir a distância entre dois pontos, por exemplo, e não especificar a unidade, não saberemos se esta distância é em metros, centímetros ou quilômetros. CEDERJ 37
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria As unidades usadas em medições científicas são derivadas do sistema métrico, desenvolvido na França ao final do século XVIII. Em 1960, um acordo foi obtido para especificar um conjunto particular de unidades métricas para uso em medições científicas. Estas unidades são as do Sistema Internacional de Unidades (SI). O SI tem sete unidades básicas, a partir das quais todas as demais são derivadas. Estas unidades estão listadas na Tabela 3.3 a seguir: Tabela 3.3: Unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades (SI) Grandeza Física Nome da Unidade Símbolo Massa Quilograma Kg Comprimento Metro M Tempo Segundo S Corrente elétrica Ampère A Temperatura Kelvin K Intensidade da luz Candela cd Quantidade de Mol mol substância Muitas vezes é conveniente usar prefixos para indicar frações decimais ou múltiplos das várias unidades. O prefixo centi, por exemplo, representa 10-2 (o centésimo) de uma unidade. A Tabela 3.4 apresenta os prefixos mais utilizados em Química. ! Lembre-se de que a notação exponencial é utilizada para não carregarmos uma quantidade exagerada de zeros. Assim, 10n (n positivo) indica que temos n zeros após o número 1. Já 10-n indica que temos n zeros antes do número 1, sendo o primeiro deles seguido de vírgula. Por exemplo, 103 = 1000 e 10-3 = 0,001. 38 CEDERJ
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    Tabela 3.4: Prefixosmais utilizados no sistema métrico 3 AULA Prefixo Símbolo Significado giga G 109 mega M 106 quilo K 103 deci D 10-1 centi C 10-2 mili M 10-3 micro µ 10-6 nano n 10-9 pico p 10-12 femto f 10-15 A unidade SI de comprimento é o metro. Grandes distâncias são medidas em quilômetros, e pequenas distâncias em submúltiplos do metro (centímetros, milímetros ou micrômetros). A unidade SI para massa é o quilograma. Seus submúltiplos são o grama (1 g = 10-3 kg), a centigrama (1 cg = 10-2 g = 10-5 kg), o miligrama (1 mg = 10-3 g = 10-6 kg) e o micrograma (1 mg = 10-6 g = 10-9 kg). ! Observe que a escolha do quilograma como unidade de massa não é usual, pois esta unidade é um múltiplo do grama. Em muitas situações práticas, o grama é usado ao invés do quilograma. A chamada quantidade de substância é dada pelo número de moles (ou móis) da substância presente. O mol é a quantidade de substância que contém 6,02×1023 partículas (átomos ou moléculas). Este número é chamado de número de Avogrado. Assim, 16 gramas de oxigênio molecular e 98 g de ácido sulfúrico correspondem à mesma quantidade (ambos têm 1 mol de cada substância), embora suas massas sejam diferentes. Você vai aprender tudo sobre a relação entre massa e quantidade de substância nas aulas de Estequiometria. CEDERJ 39
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria ATIVIDADE 3. a) O diâmetro de um glóbulo branco do sangue mede cerca de 42 µm. Exprima este valor em m e em nm. b) Um médico prescreve uma dose de 0,1 g de um medicamento. Quantos tabletes contendo 25 mg do medicamento são necessários para satisfazer à prescrição? RESPOSTA COMENTADA a) Você precisa estar atento às transformações de unidades e ao trabalho com as potências de 10 (notação exponencial). Sabendo que 1 µm = 10-6 m, então 42 µm são 42×10-6 m ou 4,2×10-5 m. Sendo 1 nm = 10-9 m, então vale a seguinte relação entre µm e nm: 1 m = 106 µm = 109 nm. Dividindo os dois últimos membros por 106, vemos que 1 µm = 103 nm. Assim, 42 µm são 42×103 nm = 4,2×104 nm. b) Este exercício segue o mesmo padrão do exercício anterior, logo a recomendação para a sua execução é a mesma. Sabemos que 1 g = 103 mg. Então, 0,1 g = 102 mg = 100 mg. Cada comprimido tem 25 mg. Logo, precisamos de 100/25 = 4 comprimidos para ter a dosagem requerida. Unidades derivadas das unidades fundamentais As unidades de base do SI permitem que se obtenha a unidade de qualquer outra grandeza, basta que saibamos exprimir a grandeza desejada em termos de grandezas fundamentais. A unidade da grandeza desejada será uma combinação de unidades fundamentais, posto que deriva destas. VOLUME Para se obter a unidade SI de uma grandeza qualquer a partir das O volume (V) de um unidades fundamentais, procedemos da seguinte forma: corpo define o lugar ocupado pelo corpo • Etapa 1 - Exprime-se a grandeza desejada em termos das no espaço tridimen- sional. grandezas fundamentais do SI por uma relação matemática. • Etapa 2 - A unidade da grandeza desejada é obtida pela MASSA ESPECÍFICA combinação de unidades das grandezas fundamentais que guarda a A massa específica (ρ), mesma relação matemática obtida na primeira etapa. ou densidade de um corpo, é a razão entre Vamos aplicar estas etapas na determinação da unidade SI de a massa (m) do corpo e duas grandezas importantes em química: o VOLUME ea MASSA ESPECÍFICA seu volume (V). de um corpo. 40 CEDERJ
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    Como os corpospodem ter as mais diversas formas, vamos con- 3 siderar um cubo de aresta L. O volume deste corpo é dado por AULA V = L3 Esta é a relação matemática entre a grandeza desejada (volume) e as grandezas fundamentais do SI (no caso, o comprimento). A unidade da grandeza desejada guarda com as unidades fundamentais a mesma relação matemática dada pela equação anterior. Assim, sendo o metro a unidade SI de comprimento, a unidade SI de volume é o metro cúbico (m3). ! Em laboratório, é comum usarmos submúltiplos de unidade: o decímetro cúbico (1 dm3 = 10-3 m3) e o centímetro cúbico (1 cm3 = 10-6 m3). Estas duas últimas se relacionam ao litro (L), uma unidade muito usada, mas que não pertence ao SI. As relações são 1 dm3 = 1 L 1 cm3 = 1 mL Logo, 1 L = 1 dm3 = 1000 mL = 1000 cm3 A massa específica se define pela relação ρ= m = m V L3 Então, lembrando as unidades de massa e de comprimento no SI, a unidade SI de massa específica é o kg/m3. ! É mais comum exprimir a densidade em gramas por mililitro (g/mL ou g mL-1) para sólidos e líquidos, e gramas por litro g/L ou g L-1 para gases. A relação entre estas unidades e as unidades SI pode ser obtida como se segue: 1g/mL = 10-3 kg/10-3 L = 10-3 kg/10-6 m3 = 103 kg/m3 1 g/L = 10-3 kg/10-3 m3 = 1 kg/m3 CEDERJ 41
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria ATIVIDADES FINAIS a) Identifique se as transformações a seguir são físicas ou químicas, marcando a coluna correta: Transformação Física Química (A) Dissolução do açúcar na água (B) Solidificação do ferro numa siderurgia (C) Corrosão do ferro pela água do mar (D) Queima da glicose em uma célula viva b) Obtenha a unidade SI das grandezas a seguir, a partir de sua definição: 1) velocidade (razão entre a distância percorrida por um corpo e o tempo que o corpo leva para percorrê-la). 2) aceleração (variação da velocidade de um corpo com o tempo) 3) força (produto da massa de um corpo pela aceleração a ele imposta) 4) pressão (razão entre a força exercida em um corpo e sua área) __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ c) O que pesa mais, um quilo de papel ou um quilo de chumbo? E quem tem maior densidade? Justifique suas respostas. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 42 CEDERJ
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    RESPOSTAS COMENTADAS 3 a) Lembre-se dos conceitos mencionados no tópico PROPRIEDADES E AULA TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA. Uma transformação física mantém a identidade da substância, enquanto uma transformação química altera a substância, transformando-a em outras. Assim, (A) e (B) são transformações físicas, enquanto (C) e (D) são químicas. A corrosão leva o ferro à ferrugem (óxido de ferro), e a queima da glicose produz gás carbônico e água. b) Reveja as duas regrinhas estabelecidas no subtópico Unidades derivadas das unidades fundamentais. Você precisa inicialmente estabelecer a expressão da grandeza desejada em termos de grandezas fundamentais do SI. A unidade da grandeza desejada é obtida pela mesma relação entre ela e as grandezas fundamentais. Vamos analisar os quatro casos propostos. b.1) A velocidade (v) de um corpo é a razão entre a distância (L) percorrida pelo corpo e o tempo (t) necessário para percorrer esta distância. A expressão matemática definidora da velocidade é, então, v = L . A unidade de velocidade no SI será dada pela razão t entre as unidades de distância e de tempo. Então, teremos unidade de distância (SI) m unidade de velocidade (SI) = = = ms-1 unidade de tempo (SI) s b.2) A aceleração (a) é a razão entre a velocidade do corpo e o tempo necessário para alterar sua velocidade. A expressão matemática defini- v dora da aceleração é a = . Por sua vez, a velocidade é definida em t termos de grandezas fundamentais, como no item (1). A aceleração, expressa em termos das grandezas fundamentais do SI, é dada por v a= t = L2 . A unidade SI da aceleração será dada por t unidade de distância (SI) m unidade de aceleração (SI) = = = ms-2 (unidade de tempo (SI))2 s2 b.3) A força (F) é definida como o produto da massa (m) de um corpo v L por sua aceleração (a): F = ma = m = m 2 . A última igualdade t t exprime a força em termos das grandezas fundamentais do SI. A unidade SI de força será dada então por unidade de distância (SI) m unidade de força (SI) = unidade de massa (SI) x = kg = kg ms-2 (unidade de tempo (SI))2 s2 Esta unidade recebe o nome de newton, (N). Assim, 1 N = 1 kg m s-2. CEDERJ 43
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades gerais da matéria b.4) Por fim, a pressão (p) é a razão entre a força (F) e a área (A) de um F ma mL m corpo: p = = = 22 = . Novamente, a última expressão A L2 Lt Lt2 exprime a grandeza desejada (pressão) em termos de grandezas do SI (massa, distância, comprimento e tempo). A unidade SI de pressão é então dada por unidade de massa (SI) kg unidade de pressão (SI) = = = kg m-1s-2 (unidade de comprimento (SI)) x (unidade de tempo (SI))2 m s2 Esta unidade é chamada de pascal, (Pa). Assim, 1 Pa = 1 N m-2 = 1 kg m-1 s-2. c) A massa dos dois corpos é a mesma (1 kg), logo o peso é idêntico (se ambos estiverem no mesmo lugar). O volume de 1 kg de papel é muito maior do que o de 1 kg de chumbo. Então, lembrando que a densidade é a razão entre a massa de um corpo e seu volume, concluímos que a densidade do papel é menor que a do chumbo. RESUMO De uma célula microscópica aos corpos celestes, tudo que tem massa e ocupa lugar no espaço é formado por matéria. As substâncias formadoras da matéria podem ser simples ou compostas. Elas possuem uma série de propriedades e podem sofrer transformações que alteram ou não a sua composição. A medida quantitativa dessas propriedades é expressa por números com unidades bem definidas, obtidas a partir de um conjunto de unidades fundamentais. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, vamos começar a discutir a estrutura íntima da matéria. Você vai aprender a caracterizar as partículas formadoras dos átomos, dos quais toda a matéria é formada. 44 CEDERJ
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    4 AULA O átomo é divisível! Metas da aula Listar as principais partículas formadoras dos átomos. Definir número atômico, número de massa e massa atômica. Distinguir os vários isótopos de um elemento. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Especificar o valor da carga e da massa das partículas fundamentais formadoras do átomo. • Comparar a massa e o tamanho de um átomo com a de corpos macroscópicos. • Determinar o número de prótons e nêutrons e o número de massa de um átomo. • Determinar a massa atômica de um elemento pelo conhecimento da abundância relativa de seus isótopos. Pré-requisitos É importante que você releia os modelos teóricos da Aula 1 e a teoria atômica de Dalton, da Aula 2, que vão ajudá-lo(a) a compreender as idéias expostas na parte inicial desta aula. Você deve rever também o conceito de elemento, Aula 3.
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    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! INTRODUÇÃO Você já aprendeu o modelo atômico de Dalton, com base nas leis de Lavoisier e Proust. De acordo com este modelo, os átomos são partículas indivisíveis, como esferas maciças de tamanho microscópico. Segundo Dalton, a cada elemento corresponde um tipo de átomo distinto, característico deste elemento. Entretanto, à época de Dalton, não havia evidência direta da existência dos átomos. À medida que foram desenvolvidos métodos experimentais para estudar mais detalhadamente a natureza da matéria, surgiram indícios de que a estrutura do átomo era mais complexa do que se pensava. Nesta aula, você vai acompanhar as descobertas que levaram ao conhecimento das principais partículas formadoras do átomo. A seguir, você vai aprender a caracterizar um átomo pelo número destas partículas nele presentes e verá que, em alguns casos, um elemento pode estar associado a átomos com números diferentes de algumas destas partículas. DESBRAVANDO O ÁTOMO Raios catódicos e a descoberta do elétron Em meados do século XIX, os estudos com gases sob baixa pressão, (submetidos a uma descarga elétrica) apontavam a existência de uma “radiação”, denominada raios catódicos (raios que saíam do cátodo). Os gases são maus condutores de eletricidade à pressão ambiente, mas se tornam bons condutores sob baixa pressão. Colocando-se duas placas de metal (chamadas ânodo e cátodo) nas extremidades de um tubo contendo um gás a baixa pressão, e estabelecendo uma diferença de potencial, ocorrem vários fenômenos que dependem da pressão do gás. Se a pressão não for muito baixa, o gás brilha. Esta é a origem das lâmpadas ou a gás. Se a pressão for bastante baixa, surgem os raios catódicos. Figura 4.1: Uma lâmpada fluorescente é um exemplo de tubo de descarga. 46 CEDERJ
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    Em 1897, J.J.Thomson resumiu as propriedades dos raios 4 catódicos. Ele demonstrou que estes: AULA 1. Movimentavam pequenos anteparos colocados em sua trajetória, indicando que tinham massa. 2. Eram desviados por campos elétricos e magnéticos, criados ao longo dos tubos de gás, indicando que tinham carga. 3. Eram sempre da mesma natureza, independentemente do material formador do cátodo. A última observação mostrava que estas partículas estavam presentes em qualquer material. Thomson as chamou de elétrons. Medições quantitativas dos efeitos dos campos elétricos e magnéticos sobre um feixe de raios catódicos permitiram que se obtivesse a relação entre a carga e a massa do elétron. A medição independente da carga do elétron permitiu a determinação do valor de sua massa. Os valores hoje aceitos são listados na Tabela 4.1: Tabela 4.1: Propriedades fundamentais do elétron Propriedade Carga (e) Massa (me) e/me Valor 1,6×10-19 C 9,1×10-31 kg 1,76×10-21 C/kg A unidade de carga elétrica no SI - como você vê na Tabela 4.1 - é o coulomb (C), que é a carga transportada quando uma corrente de 1 ampère atravessa um condutor em um segundo. A massa do elétron é extraordinariamente pequena. É cerca de 1.836 vezes menor que a massa de um átomo de hidrogênio, o mais leve dos elementos conhecidos. A carga do elétron é negativa. O símbolo indica o valor absoluto (módulo) de sua carga. Radioatividade Em 1896, Henri Becquerel descobriu que sais de urânio emitiam espontaneamente uma radiação muito energética. Esse fenômeno foi denominado radioatividade. Ele sugeriu a Pierre e Marie Curie que investigassem os métodos de isolamento dos componentes radioativos de um mineral. Nascia a Radioquímica, ramo da Química que lida com a obtenção e estudo das propriedades químicas de materiais formados por elementos radioativos, como o urânio. CEDERJ 47
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    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! Antoine Henri Becquerel (1852-1908) era descendente de uma tradicional família de físicos franceses. O fenômeno da radioatividade foi descoberto por acaso, enquanto ele estudava as propriedades fluorescentes dos sais de urânio. Pierre Curie (1859-1906) e sua esposa, Marie Curie (1867-1934), foram seus colaboradores e descobriram vários outros elementos radioativos, como o polônio e o rádio. Marie Curie foi a primeira mulher a receber um prêmio Nobel por seus trabalhos nessa área. As pesquisas dos Curie foram estendidas por Ernest Rutherford (1871-1937), que caracterizou as emissões radioativas como sendo de três tipos diferentes. As propriedades destes diferentes tipos de emissão são listadas na Tabela 4.2: Tabela 4.2: Propriedades das emissões radioativas Tipo de Emissão Carga (e) Natureza α 2 Partículas de He2+ β -1 Elétrons γ 0 Radiação de alta energia Por esta tabela, você pode verificar que a emissão radioativa α é, na verdade, um feixe de partículas carregadas (de carga positiva e igual a duas vezes a carga do elétron) e de massa igual ao do átomo de He. A emissão β é um feixe de elétrons, e a emissão γ (raios γ) é radiação de alta energia. Estas emissões ocorrem espontaneamente nos átomos dos elementos radioativos, como urânio, polônio e rádio. Os elementos radioativos têm grande importância na área médica. Como exemplo, citamos o cobalto e o iodo radioativo, usados na cura de doenças ou em exames de contraste. Entretanto, há um problema sério ao trabalhar com esses materiais: o tempo de exposição. Existem doses de radiação recomendadas, pois o excesso é extremamente danoso aos tecidos vivos. Outras partículas subatômicas As descobertas de Rutherford ampliaram o leque de partículas subatômicas. Muitas outras partículas foram descobertas (e são até hoje), mas para os químicos somente três são essenciais para caracterizar os átomos: elétron, próton e nêutron. As propriedades destas três partículas estão resumidas na Tabela 4.3: 48 CEDERJ
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    Tabela 4.3: Propriedadesdo próton, do elétron e do nêutron 4 AULA Partícula Carga (e) Massa (mp) Próton (p) +1 1 Elétron -1 1/1836 Nêutron 0 1,0013 Nesta tabela, a unidade de carga é o módulo da carga do elétron, e a unidade de massa é a massa do próton. O próton e nêutron são muito mais pesados que o elétron. A carga do próton é idêntica à do elétron, porém de sinal contrário. O nêutron é uma partícula sem carga. ATIVIDADE 1. Refaça a Tabela 4.2 escrevendo os valores absolutos da carga e da massa de cada partícula. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para realizar essa atividade, você precisa saber os valores da carga e da massa do elétron. O próton e o elétron têm a mesma carga em módulo e o nêutron não tem carga. A massa do próton é 1.836 vezes maior que a do elétron, e a do nêutron é 1,0013 vezes maior que a do próton. Com estas informações e com o auxílio da Tabela 4.1, você pode montar a tabela a seguir: Partícula Carga Massa Próton (p) +1,6×10 -19 C 1,671×10-27 kg Elétron -1,6×10-19 C 9,1×10-31 kg Nêutron 0 1,673×10-27 kg O átomo nuclear A descoberta das partículas subatômicas levou Rutherford a criar um novo modelo para o átomo. Neste novo modelo, o átomo não era visto como um corpo maciço e indivisível. Ele seria formado por um núcleo denso e muito pequeno, contendo os prótons e nêutrons, presos por fortes forças de atração. Em torno do núcleo, ficariam os elétrons. O núcleo seria extremamente pequeno se comparado ao átomo como um todo. Este modelo nuclear do átomo vigora até hoje. CEDERJ 49
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    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! Figura 4.2: Modelo nuclear do átomo (fora de escala). As forças que prendem os prótons no núcleo são denominadas forças nucleares fortes. Elas são intensas o suficiente para vencer a repulsão eletrostática entre os prótons. Parece que os nêutrons desempenham importante papel na estabilização das forças nucleares fortes. Os átomos são partículas extremamente leves e pequenas. O diâmetro de um átomo varia entre 1×10-10 m e 5×10-10 m, ou seja, entre 100 a 500 pm. É mais comum medir as distâncias atômicas em angstroms (Å), que vale 10-10 m. Assim, o diâmetro de um átomo varia de 1 a 5 Å. Já o diâmetro dos núcleos é cerca de 10-4 vezes menor que o do átomo como um todo. Como a massa do átomo está concentrada no núcleo, a densidade do núcleo é extremamente alta, variando entre 1012 a 1013 g/cm3. Você tem idéia da ordem de grandeza desses números? Os exercícios da atividade a seguir vão ajudar a relacionar as dimensões atômicas com a dos corpos que encontramos no nosso dia-a-dia. 50 CEDERJ
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    ATIVIDADE 4 AULA 2. a. O diâmetro de um átomo de carbono é de 1,5 Å. Quantos átomos de carbono poderiam ser alinhados lado a lado se comparados à ponta de um lápis, com 0,3 mm de espessura? 2. b. Qual seria a massa de um pequeno cubo, de 1 cm de aresta, feito de um material com a densidade dos núcleos de um átomo? RESPOSTA COMENTADA 2. a. A primeira etapa que você deve tomar para resolver este exercício é converter os dois números dados à mesma unidade (metros): 1,5 Å = 1,5×10-10 m 0,3 mm = 0,3×10-3 m = 3×10-4 m Dividindo os dois números, obtemos a resposta: 3×10-4/1,5×10-10 = 2×106 átomos de C. Portanto, são necessários dois milhões de átomos de carbono enfileirados lado a lado para se obter uma ponta de lápis comum! 2. b. Você precisa recordar a definição de densidade estudada ao final da Aula 3: massa densidade = volume Então massa = densidade × volume. O volume (V) de um cubo de lado L é dado por V = L 3, e é 1 cm3. A densidade dos núcleos da ordem de 1013 g/cm3. Então: massa = 1×1013 (g/cm3) × 1 (cm3) = 1×1013 g = 1×1010 kg (Veja como a unidade correta aparece ao final da conta!). Para você ter uma idéia do que isto representa, um cubo de chumbo de mesmo volume tem massa igual a 11,34 g! IDENTIFICANDO OS ÁTOMOS DE UM ELEMENTO Número atômico e número de massa Um átomo de um dado elemento químico é caracterizado pelo seu número atômico Z. ! O número atômico (Z) de um elemento é dado pelo número de prótons (p) do átomo de um elemento. Em um átomo neutro, o número de elétrons é igual ao número de prótons. CEDERJ 51
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    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! Como a carga do próton cancela a do elétron, o número atômico Z nos informa também quantos elétrons há em um átomo neutro daquele elemento. O magnésio (Mg), por exemplo, tem 12 prótons em seu núcleo; logo, há doze elétrons em volta do núcleo. Por isso, a identidade de um elemento é ditada somente pelo número de prótons, independentemente do número de elétrons ou de nêutrons. É possível remover ou adicionar um ou mais elétrons de um átomo (formando os íons), ou termos átomos do mesmo elemento com números de nêutrons diferentes (os isótopos). Em todos estes casos, o número de prótons não se altera. Daí ser o número atômico Z a entidade que caracteriza um dado elemento químico. Já vimos que a massa de um átomo está concentrada no núcleo, onde estão os prótons e os nêutrons. ! Já vimos que a massa de um átomo está concentrada no núcleo, onde estão os prótons e os nêutrons. O número de massa M de um elemento é dado pela soma do número de prótons (p) e do número de nêutrons (n) do átomo que representa esse elemento. M=p+n Uma notação conveniente para representar o número atômico Z e o número de massa M de um elemento X qualquer é: M Z X O oxigênio, por exemplo, que possui 8 prótons e 8 nêutrons, é 16 representado por 08 O . Uma notação mais compacta seria 16O, ou ainda oxigênio-16. Os elementos conhecidos estão ordenados em ordem crescente na Tabela Periódica que se encontra na contracapa deste livro. Nesta tabela, o número atômico encontra-se acima do símbolo do elemento. Você deve consultá-la para resolver os problemas da próxima atividade. 52 CEDERJ
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    ATIVIDADE 4 AULA 3. Determine o número de prótons, nêutrons e elétrons do átomo neutro 12 de 06 C , cobalto-60 e 131I. RESPOSTA COMENTADA Você precisa lembrar que: • Em um átomo neutro, o número de prótons (p) é igual ao de elétrons (e). • A soma do número de prótons (p) com o de neutros (n) é o número de massa (M) de um átomo. 12 1) Para o C : p=6, e = 6, M = 12 e n = M – p = 6. Neste exemplo, 06 usou-se a notação M1 X para representar o elemento C; Z 2) Consulte a Tabela Periódica e descubra que o cobalto tem Z = 27; logo p = 27, e = 27. Como a massa dada é M = 60, então n = 60 – 27 = 33. (c) Consulte a Tabela Periódica e veja que o iodo tem Z = 53. Então, p = 53, e = 53. Como a massa dada é M = 131, então n = 131 – 53 = 78. ISÓTOPOS DE UM ELEMENTO No começo do século XIX, Dalton desenvolveu sua teoria atômica com base na idéia de que cada elemento era formado por átomos de uma só espécie. Cerca de um século depois, Frederick Soddy (1897- 1956) provou que o neônio (Ne) era formado por dois tipos de átomos diferentes. Alguns átomos tinham número de massa 20, e outros 22 (mais tarde foi descoberto um terceiro tipo de Ne, com M = 21). O número atômico do Ne é 10, logo existem 10 prótons. Assim, concluímos que os tipos distintos de Ne diferem no número de nêutrons. Os tipos de átomo de um elemento que diferem pelo número de nêutrons (mas têm o mesmo número de prótons) são os isótopos do elemento. Após a descoberta de Soddy, foram identificados muitos isótopos dos outros elementos. Na verdade, são poucos os que têm um só tipo de átomo. Mesmo o hidrogênio (o elemento mais leve que se conhece), tem três isótopos distintos, cujas propriedades estão listadas na Tabela 4.4: CEDERJ 53
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    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! Tabela 4.4: Propriedades dos isótopos do hidrogênio Isótopo N° atômico Nº de massa Nº de nêutrons 1 1 H 1 1 0 2 1 H 1 2 1 3 1 H 1 3 2 2 O isótopo 1 H tem um nome e um símbolo especiais – é o deutério (D). A água deuterada é feita de deutério, no lugar do ¹H. O deutério é muito utilizado como marcador de substâncias químicas. Neste caso, substitui-se um ou mais átomos de 1H por átomos de 2H; o composto resultante é mais pesado e o local onde o deutério entrou na molécula pode ser mapeado, dando informações estruturais sobre o composto de interesse. Na Figura 4.3 você pode visualizar os núcleos do 1 H e do 1 H . 1 2 Embora nos dois casos o núcleo contenha um próton, o número de nêutrons muda, caracterizando os isótopos do elemento. Próton Nêutron 1 2 Figura 4.3: Os isótopos 1 H e 1 H do hidrogênio diferem no número de nêutrons no núcleo. Isótopos importantes em aplicações biológicas são o cobalto-60 e o iodo-131. O cobalto-60 é um radioisótopo usado na teleterapia, que consiste em irradiar um sítio canceroso com raio-X ou raios gama de uma fonte externa contendo este elemento. O iodo-131 é utilizado em Medicina Nuclear para exames de tireóide. 54 CEDERJ
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    ATIVIDADE 4 AULA 4. O oxigênio possui três isótopos: 16O, 17O e 18O. Monte uma tabela semelhante à Tabela 4.4 para os isótopos do oxigênio: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você já sabe que o oxigênio tem Z = 8. Como os números de massa dos isótopos são 16, 17 e 18, o número de nêutrons em cada isótopo é de 8, 9 e 10, respectivamente. A tabela que você vai montar fica assim: Isótopo N° atômico Nº de massa Nº de nêutrons 16 08 O 8 16 8 17 08 O 8 17 9 18 08 O 8 18 10 MASSA ATÔMICA Uma vez que os átomos são tão pequenos e leves, não é prático medir a massa de um pequeno número deles. Foi escolhido arbitrariamente um tipo de átomo como padrão para medição de massas e, então, foi desenvolvida uma escala de medições relativas de massa. Nesta, atribui-se o valor exato de 12,000 unidades de massa atômica (u.m.a) ao isótopo mais abundante do carbono, o 12C. A massa desse isótopo tem o valor de 1,992×10-26 kg. Logo, 1 u.m.a. = 1,660×10-27 kg Nesta escala, as massas de cada tipo de átomo são especificadas em relação ao valor da massa do isótopo 12C do carbono. Por exemplo, o O tem massa 1,3333 vezes maior que a massa do 12C. A massa atômica 16 do 16O, em u.m.a, é 1,233×12 = 16. Já aprendemos que muitos elementos têm, pelo menos, dois isótopos que ocorrem naturalmente. Dessa forma, uma amostra desses elementos contém uma mistura de diferentes isótopos. A abundância percentual indica a contribuição percentual de um isótopo correspondente à ocorrência natural de um elemento. CEDERJ 55
  • 58.
    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! ! A massa atômica de um elemento é a média dos números de massa dos isótopos do elemento, ponderada pela abundância percentual de cada isótopo do elemento. A massa atômica é expressa em unidades de massa atômica (u.m.a). O cloro, por exemplo, tem dois isótopos: o 35 Cl e o 37 Cl. As abundâncias percentuais de cada um destes isótopos são de 75,53% para o primeiro e 24,47% para o segundo. Uma amostra de átomos de cloro contém esses isótopos na proporção de suas abundância naturais. A massa atômica do cloro é dada por: 35 u.m.a×0,7553 + 37 u.m.a×0,2447 = 35,5 u.m.a Observe que o valor da massa atômica do cloro foi obtido somando-se os produtos dos números de massa dos isótopos do cloro multiplicados pela fração que corresponde à abundância percentual de cada isótopo. ! Lembre-se de que a percentagem é uma forma de exprimir uma fração. Por exemplo, 75,53% quer dizer 75,53/100 = 0,7553. ATIVIDADE 5. O magnésio (Mg) tem três isótopos: 24Mg, 25Mg e 26Mg. Complete a tabela a seguir e calcule a massa atômica do magnésio. Isótopo Abundância % p M n 24 Mg 78,99 25 Mg 10,00 26 Mg 11,01 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A montagem da tabela é semelhante a que você fez na Atividade 4. Consultando a Tabela Periódica, você pode verificar que o Mg tem doze prótons. Isto permite completar a tabela como segue: 56 CEDERJ
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    4 Isótopo Abundância % P M N AULA 24 Mg 78,99 12 24 12 25 Mg 10,00 12 25 13 26 Mg 11,01 12 26 14 Para o cálculo da massa atômica, devemos considerar a contribuição de todos os isótopos do Mg, ponderadas pelas suas abundâncias relativas. A massa atômica é dada por 24×0,7899 + 25×0,1000 + 26×0,1101 = 24,32 u.m.a. CONCLUSÃO As experiências realizadas ao final do século XIX e começo do século XX mostraram que o átomo não é uma partícula maciça, como pensava Dalton, mas formado por muitas partículas com massa e carga elétrica definidas. O modelo nuclear do átomo é o que vigora até hoje. ATIVIDADES FINAIS a) Complete os espaços em branco da seguinte tabela: Símbolo 58 Ni 33 S Número de prótons 10 Número de nêutrons 10 30 Número de elétrons no átomo neutro 25 b) O gálio (Ga) tem dois isótopos naturais: 69Ga e 71Ga. As massas destes isótopos, em u.m.a, são 68,929 e 70,925, respectivamente. Determine as abundâncias percentuais destes isótopos do Ga. RESPOSTA COMENTADA a) Você precisa consultar a Tabela Periódica para resolver este exercício, que é semelhante ao que foi feito na Atividade 3. Deve recordar também as definições de número atômico (Z) e número de massa (M); ainda, para um dado elemento X, a representação destas grandezas é dada pelo símbolo M Z X . Lembre-se de que o número atômico é o número de prótons (p), o número de massa é a soma do número de prótons com o de nêutrons e CEDERJ 57
  • 60.
    Elementos de QuímicaGeral | O átomo é divisível! que, em um átomo neutro, o número de prótons é igual ao de elétrons. Vamos considerar as informações contidas em cada coluna para completar a tabela fornecida. A primeira coluna está ligada ao elemento níquel (Ni) que, pela Tabela Periódica, tem Z=28. (Se você tiver dúvidas sobre como é montada a Tabela Periódica, leia a resposta comentada da Atividade 1 da Aula 3.). Então, para este elemento, p = 28; sendo M dado e igual a 58, temos que n = 58 – 28 = 30. A segunda coluna diz respeito ao elemento enxofre (S). A Tabela Periódica mostra que ele tem Z = 16. Assim, p = 16. Sendo M dado e igual a 33, temos que n = 33 – 16 = 17. A terceira coluna é a de um elemento com p = 10 (Ne) e n = 10. Então, para este elemento, M = 20 e seu símbolo é 20Ne. Na quarta coluna, é dado o número de elétrons (25) e o número de nêutrons (30) do elemento. Então p = 25 (o elemento é o Mn) e M = 55. Juntando todas as informações, a tabela completa fica assim: Símbolo 58 Ni S 33 Ne 20 Mn 55 Número de prótons 28 16 10 25 Número de nêutrons 30 17 10 30 Número de elétrons no átomo neutro 28 16 10 25 b) Para resolver este exercício, você precisa lembrar que a massa atômica de um elemento é uma média das massas atômicas dos isótopos do elemento, ponderada na abundância relativa de cada isótopo. O valor da massa atômica listado na Tabela Periódica, conforme descrito na RESPOSTA COMENTADA da Atividade 3 da Aula 3, é o dessa média ponderada. Você pode verificar que o Ga tem massa atômica 69,723 (em u.m.a.). Então podemos escrever: i) Massa atômica Ga = (massa atômica 69Ga × abundância relativa do 69Ga) + (massa atômica 71Ga × abundância relativa do 71Ga); ii) abundância relativa do 69Ga + abundância relativa do 71Ga = 100%; A expressão (ii) estabelece a relação entre as abundâncias relativas dos dois isótopos. Lembre-se de que 100% = 1. Se você chamar de x a abundância relativa do 69Ga, então a abundância relativa do 71Ga será dada por 1 – x. Assim, usando os dados do problema, as informações da Tabela Periódica e a relação (ii), você pode escrever a relação (i) como segue: 69,723 = 68,929x + 70,925(1 – x) Esta equação do primeiro grau tem solução x = 0,6022, ou 60,22%. Assim a abundância relativa do 69Ga é de 60,22%, e a do 71Ga é de (100 – 60,22) = 39,78%. 58 CEDERJ
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    4 RESUMO AULA A estrutura do átomo é mais complexa do que se pensava quando o modelo atômico de Dalton foi elaborado. O átomo é formado por muitas partículas com propriedades distintas que se reúnem formando núcleo denso e rodeado pelos elétrons. O núcleo atômico pode conter um número diverso de nêutrons para o mesmo número de prótons, resultando em isótopos do elemento. A determinação da massa atômica de um elemento deve levar em consideração a existência dos isótopos. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai estudar a estrutura da eletrosfera, região do átomo que contém os elétrons. Vamos apresentar os modelos usados para descrever a distribuição dos elétrons nesta região. CEDERJ 59
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    5 AULA Estrutura eletrônica dos átomos Metas da aula Meta Descrever os modelos atômicos de Thomson, Bohr e Schrödinger. Definir os números quânticos dos elétrons de um átomo. Determinar as configurações eletrônicas dos átomos neutros e de íons. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Comparar o tamanho das órbitas de Bohr em relação aos átomos distintos. • Determinar o número de orbitais atômicos em cada camada do átomo. • Escrever a configuração eletrônica de átomos e íons. Pré-requisito Você precisa dos conhecimentos da aula anterior sobre a estrutura do átomo para melhor compreender os conceitos desta aula.
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos INTRODUÇÃO Na aula anterior, você aprendeu que um átomo é formado por um núcleo denso e extremamente pequeno circundado pelos elétrons. Nesta aula, va- mos analisar a forma como os elétrons se distribuem em torno dos núcleos. Esta distribuição define a estrutura eletrônica do átomo. Você vai aprender a caracterizar os elétrons presentes no átomo pelos seus números quânticos e a forma de arrumá-los de acordo com o princípio da estruturação. OS MODELOS ATÔMICOS DE THOMSON E DE RUTHERFORD-BOHR No começo do século XX, devido à descoberta das partículas subatômicas, houve muita especulação de como seria a estrutura do átomo. Sabia-se que era formado por partículas de carga positiva e de carga negativa (a existência do nêutron foi comprovada mais tarde), mas não se tinha idéia de como estas partículas se arrumavam para formar o arranjo estável característico do átomo. Um modelo simples, proposto por J.J. Thomson, sugeria ser o átomo uma esfera maciça, como no modelo de Dalton, porém com cargas positivas e negativas disseminadas em seu interior. Este modelo inicial ficou conhecido como o “modelo do pudim de passas”. Na Figura 5.1, você pode ver como seria um átomo segundo essa formulação. A esfera maciça está cortada para que você visualize a disseminação de cargas positivas e negativas dentro da esfera. Elétrons Carga positiva Figura 5.1: No modelo de Thomson, o átomo era como um “pudim de passas”. 62 CEDERJ
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    Experiências realizadas porRutherford, por volta de 1909, 5 mostraram que o modelo de Thomson era inconsistente. Naquelas AULA experiências, lâminas finas de metais, como o ouro, eram bombardeadas por um feixe de partículas α, que já se sabia serem carregadas positivamente (veja a Tabela 4.2 da aula anterior). Observe o comportamento do feixe na Figura 5.2: Detetor Colimador ZnS Partículas Espalhadas Fonte α Folha de ouro Figura 5.2: Comportamento do feixe de partículas α ao incidir sobre uma fina lâmina de ouro. Rutherford verificou que este comportamento era incompatível com o modelo de Thomson. Rutherford verificou que a maioria das partículas atravessava a lâmina sem sofrer desvios, como se nada encontrasse em seu caminho; além disso, observou que uma pequena fração era desviada por ângulos MOMENTO muito maiores do que o previsto caso o átomo se comportasse segundo ANGULAR ORBITAL o modelo de Thomson. Na Figura 5.4, você poderá visualizar as Para explicar as suas observações, Rutherford estabeleceu, em grandezas pertinentes ao movimento de uma 1911, o modelo nuclear do átomo (que já foi apresentado na aula ante- partícula de massa rior). Neste modelo, o átomo contém um núcleo muito pequeno e massivo (m), circulando a uma distância (r) de um rodeado por elétrons, que se encontram bastante afastados dele. ponto origem (O). A velocidade de desloca- O modelo de Rutherford foi aprimorado por Niels Bohr, em 1913. mento da partícula é v. O momento angular Bohr postulou que: (L) da partícula, apon- 1. Os elétrons de um átomo giram em torno do núcleo em órbitas ta perpendicularmente ao plano do movi- circulares concêntricas, como planetas orbitando em torno do Sol (como mento da partícula, e seu valor absoluto você pode visualizar na Figura 5.3). (módulo) é 2. Apenas certas órbitas são permitidas para um dado elétron. Isto L = mvr. Segundo Bohr, o valor de L significa que a distância entre um elétron e o núcleo do átomo não pode para um elétron em torno do núcleo de um ter qualquer valor, mas somente certos valores permitidos. átomo é um múltiplo 3. Os valores permitidos para a distância do elétron ao núcleo da constante de Planck (L = nh/2π), em que n são aqueles em que o módulo do MOMENTO ANGULAR ORBITAL (L) do elétron é um número inteiro e diferente de zero. é um múltiplo da constante de Planck (h). Estas distâncias permitidas CEDERJ 63
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos (rn) para um elétron em um átomo cujo núcleo tem número atômico Z n2 a0 são dadas por rn = . Nesta expressão, n é um número inteiro que Z define a órbita permitida, e a0 é uma reunião de constantes, cujo valor é 0,529 Å (conhecida como raio de Bohr). 4. Ao circular em uma órbita permitida, a energia do elétron é constante. A cada órbita corresponde um nível de energia (E) característico. Os valores de energia permitidos ao elétron dependem de um número inteiro positivo (n =1, 2, 3, 4,...), chamado número quântico. 5. O elétron pode pular de uma órbita para outra. Ao pular, ele emite ou absorve energia correspondente à diferença? E entre o nível de energia inicial, Ei, e o final, Ef: ∆E = Ef - Ei ω R v m ^ r Figura 5.3: Modelo de Bohr. Nesse modelo, os elétrons se movem no plano em órbitas definidas. Figura 5.4: Representação do momento angular orbital de uma partícula. O modelo de Bohr foi o primeiro a explicar o espectro do átomo de hidro- gênio, um desafio para os físicos da época. Observe a Figura 5.5. Se a luz emitida por um gás contido em um tubo submetido a uma descarga elétrica for recolhida, passar por um prisma e impressionar uma chapa fotográfica, um conjunto de linhas pode ser observado na chapa: cada linha é luz de um comprimento de onda (λ) bem definido. Este conjunto de linhas forma o espectro do material contido no tubo. Pelo modelo de Bohr, esta linha é devida à emissão de energia, na forma de luz, quando o elétron passa de uma 64 CEDERJ
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    5 órbitade energia mais alta para outra de energia mais baixa. A freqüência AULA (ν) dessa luz é dada por ∆E v= h ∆E é a diferença entre os níveis de energia inicial e final do elétron (∆E = Ef – Ei), e (h) é a constante de Planck. Vale a pena lembrar que a freqüência se c relaciona ao comprimento de onda da luz pela expressão ν = , em que c é a velocidade da luz. λ Chapa fotográfica Fonte de radiação Prisma Fenda colimadora Figura 5.5: A luz emitida pelo gás contido no tubo provém da energia liberada pelos elétrons quando passam de um nível de energia mais alto para um mais baixo. ATIVIDADE 1. Compare os tamanhos da primeira órbita de Bohr em relação aos átomos de hidrogênio (H), carbono (C) e cálcio (Ca): ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A primeira órbita de Bohr é obtida fazendo-se n =1, na expressão n2 a0 geral rn = . Tudo que você precisa saber é o valor de Z do Z núcleo do átomo de interesse. Consultando a Tabela Periódica, você vai descobrir que ZH = 1, ZC = 6 e ZCa = 20. Então, o valor da primeira órbita de Bohr para o elétron em cada um desses átomos é dado pela seguinte tabela: CEDERJ 65
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Átomo Z Expressão de rn Valor de rn em Å 1 a0 2 H 1 = a0 0,529 1 12 a0 a C 6 = 0 0,088 6 6 12 a0 a Ca 20 = 0 0,0265 20 20 Observe que o tamanho da órbita diminui inversamente ao aumento do número atômico. Isto é consistente com o fato de que o aumento de Z implica um aumento da carga nuclear, que é positiva (pois aumenta o número de prótons). O elétron é atraído para o núcleo, o que faz encolher a órbita. Embora superado pelo modelo dos orbitais, que você vai estudar a seguir, o modelo de Bohr permite fazer várias previsões qualitativas que ainda permanecem válidas. O MODELO ATÔMICO DE SCHRÖDINGER Orbitais atômicos Cerca de dez anos após o modelo de Bohr, um grupo de cientistas – notadamente Erwin Schrödinger – desenvolveu um novo modelo para explicar a estrutura eletrônica do átomo. Este estava baseado nas leis da mecânica quântica e é obtido pela resolução de uma complicada equação matemática, a equação de Schrödinger, aplicada ao elétron no átomo. As leis da mecânica quântica, estabelecidas principalmente por Werner Heisenberg (1901-1976) e Erwin Schrödinger (1887-1961), são, muitas vezes, bastante distintas das leis da mecânica clássica, propostas por Issac Newton (1643-1727). Elas se aplicam a partículas de dimensões microscópicas, como os elétrons, átomos e moléculas. Segundo a mecânica quântica: • As partículas possuem um caráter ondulatório. Esta característica fica tão mais evidenciada quanto mais leve for a partícula. • Uma partícula microscópica pode ser tratada como uma “onda de matéria”. O comportamento desta partícula é obtido resolvendo-se uma equação de ondas, a equação de Schrödinger para a partícula. 66 CEDERJ
  • 69.
    5 • As soluções da equação de Schrödinger são funções matemáticas conhecidas como funções de onda, representadas por ψ (a letra grega psi maiúscula). AULA O valor desta função depende da posição da partícula. A equação também fornece, quando resolvida, as energias possíveis da partícula. • Nem sempre uma partícula pode ter qualquer valor de energia. Se a equação de Schrödinger fornecer apenas certos valores de energia, dizemos que a energia é quantizada. • Devido ao caráter ondulatório da partícula, não podemos determinar com total precisão a sua posição e sua velocidade em um dado instante (esta afirmação é o princípio da incerteza, de Heisenberg). • O quadrado da função de onda Ψ obtida da equação de Schrödinger, avaliado em um dado ponto do espaço, é proporcional à probabilidade de encontrarmos a partícula em torno daquele ponto. As soluções da equação de Schrödinger para um elétron em um átomo são denominadas orbitais atômicos. Os orbitais atômicos são funções de onda que descrevem o comportamento do elétron no espaço. Segundo as leis da mecânica quântica, a probabilidade de encontrarmos um elétron em torno de um dado ponto do espaço depende do valor do orbital atômico naquele ponto. Assim, cada orbital descreve uma distri- buição específica de onde se encontra o elétron no espaço. Além disso, um elétron, em um dado orbital atômico, tem uma energia perfeitamente determinada, obtida pela solução da equação de Schrödinger. Números quânticos O modelo de Bohr introduziu um único número quântico (n) para descrever a órbita de um elétron, e este que define as órbitas e a energia do elétron no átomo. Em contraste, os orbitais atômicos são caracterizados por três números quânticos (n, l e ml). Estes são obtidos a partir da solução da equação de Schrödinger. A interpretação destes números só pode ser feita resolvendo-se esta equação, o que está fora dos objetivos deste curso. Vamos resumir a seguir o tipo de informação dado por eles: • O número quântico principal (n) está ligado ao tamanho e à energia do orbital. Só pode ter valores inteiros e positivos (n = 1, 2, 3, 4, ...). À medida que n cresce, o orbital se torna maior, e a probabilidade de encontrar o elétron mais afastado do núcleo aumenta. A energia do elétron também aumenta com n. CEDERJ 67
  • 70.
    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Lembre-se de que o elétron e o núcleo têm carga oposta. Quanto mais afas- tado o elétron, menor a atração entre ele e o núcleo; logo, maior a energia do elétron. • O número quântico azimutal (l) mede o momento angular orbital do elétron em torno do núcleo e define a forma do orbital. Só pode ter valores inteiros, que vão de 0 até n – 1 para cada valor de n. Os valores de l são representados por letras segundo o esquema a seguir: Valor de l 0 1 2 3 Letra usada s p d f • O número quântico magnético (ml) mede o componente do momento angular orbital do elétron ao longo de um eixo z arbitrário. Só pode ter valores inteiros entre l e -l, incluindo zero. Para melhor compreender o significado dos números quânticos l e ml, você deve pensar no elétron girando em torno do núcleo. Já mencionamos que a grandeza pertinente a este movimento é o momento angular (L). Esta grande- za é caracterizada pelo seu valor numérico (módulo), direção e sentido, sendo melhor representada por um vetor orientado no espaço. Segundo a mecânica h quântica, o valor numérico do momento angular (L) é dada por L = l (l + 1) , h 2π e a projeção do vetor ao longo do eixo z (Lz) é dada por Lz = ml 2π . Logo, l e ml determinam o valor do momento angular e sua projeção no eixo z. Tente visualizar estas informações na Figura 5.6. Nela, um vetor de módulo h L = 1x2 2π , correspondendo a l = 1, orienta-se no espaço de forma que suas projeções no eixo (z) só podem assumir os valores correspondentes a ml = 0, +1 e -1. Ou seja, as projeções do momento angular (L) num eixo (z) (Lz) só Z l=1 ml = 1 l=1 h π m =0 (1)(2) l 2π 2π B −π h 2π (1)(2) Figura 5.6: O vetor correspondente a 2π l = 1 se orienta no espaço somente de três maneiras, consistentes ao valor de ml = 0, +1 e -1. l=1 ml = −1 68 CEDERJ
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    Relações entre osnúmeros quânticos 5 AULA Em um átomo, o conjunto de orbitais com o mesmo valor de n define uma camada eletrônica. É comum representar as camadas com letras maiúsculas, segundo o seguinte quadro: Valor de n 1 2 3 4 5 6 7 Símbolo da camada K L M N O P Q Obs.: Todos os orbitais com n = 3 pertencem à camada M, por exemplo. Os orbitais com mesmo valor de n e l pertencem à mesma sub- camada eletrônica. Cada subcamada é representada por um número (o valor de n) e uma letra (o valor de l). Os orbitais com n = 3 e l = 2, por exemplo, são orbitais 3d e estão na subcamada 3d. O número de orbitais dentro de uma subcamada é o número de valores de ml possíveis para o valor de l que caracteriza a subcamada. Existem, por exemplo, cinco orbitais na subcamada 3d, pois nesta l = 2, e os valores possíveis de ml são 2, 1, 0, -1 e -2. A Tabela 5.1 apresenta os valores possíveis de l e ml para as camadas correspondentes a n = 1, 2 e 3. Você deve acompanhar cuidadosamente os dados desta tabela. Tabela 5.1: Valores possíveis de l e ml para n = 1, 2 e 3 n Símbolo da Valores Símbolo Valores pos- Número de Número total de camada possíveis de l da subca- síveis de ml orbitais na orbitais na camada mada subcamada 1 K 0 1s 0 1 1 2 L 0 2s 0 1 4 1 2p 1, 0, -1 3 3 M 0 3s 0 1 9 1 3p 1, 0, -1 3 2 3d 2, 1, 0, -1, -2 5 Veja que na camada K (n = 1) existe somente uma subcamada, que contém um único orbital (o orbital 1s). A camada L (n = 2) tem quatro orbitais, distribuídos em duas subcamadas: na primeira subca- mada (2s), há um orbital 2s; e na segunda (2p), há três orbitais 2p. CEDERJ 69
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Os orbitais da subcamada 2p diferem pelo valor de ml. A camada M (n = 3) contém ao todo nove orbitais, distribuídos em três subcamadas: a primeira contém um orbital 3s, a segunda contém três orbitais 3p e a terceira, cinco orbitais 3d. ! Generalizando as relações entre os possíveis valores dos números quânticos, podemos observar que: 1. Cada camada, caracterizada pelo número quântico n, contém exatamente n subcamadas. Cada subcamada corresponde a um dos valores permitidos de l, de 0 até n-1. 2. Cada subcamada contém 2l +1 orbitais, cada um correspondendo a um dos valores possíveis de ml, que vão de +l até -l. 3. O número total de orbitais em uma camada é n2. ATIVIDADE 2.a. Estenda a Tabela 5.1, acrescentando os dados correspondentes a n = 4. 2.b. Determine o número de orbitais encontrados nas camadas O e P. RESPOSTA COMENTADA 2.a. Inicialmente, você precisa caracterizar os números quânticos compatíveis ao valor de n dado. Sabemos que, para um dado valor de n, são permitidos n valores de l, que vão de 0 até n -1; para cada valor de l, são permitidos 2l + 1 valores de ml, que vão de +l até -l de uma em uma unidade. Os valores de l permitidos para n = 4 são 0, 1, 2 e 3. De posse destes valores, a Tabela 5.1 pode ser estendida incluindo-se os seguintes dados: n Símbo- Valores Símbolo Valores Número de Número total lo da possíveis da subca- possíveis orbitais na de orbitais na camada de l mada de ml subcamada camada 4 N 0 4s 0 1 16 1 4p 1, 0, -1 3 2 4d 2, 1, 0, -1, 5 -2 3 4f 3, 2, 1, 0, 7 -1, -2, -3 Observe que a camada N (n = 4) é formada por quatro subcamadas. Na subcamada 4s há apenas uma orbital; na subcamada 4p, existem três orbitais distintos, que diferem pelo valor de m . l 70 CEDERJ
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    5 Da mesma forma, os cinco orbitais da subcamada 4d e os sete AULA orbitais da subcamada 4f diferem pelos valores de ml . 2.b. Você deve lembrar que o número total de orbitais em uma camada é n2. Assim, teremos o seguinte resultado: Camada O P Valor de n 5 6 Nº de orbitais 25 36 Os orbitais da camada O ocupam as subcamadas 5s (um orbital), 5p (três orbitais), 5d (cinco orbitais), 5f (sete orbitais) e 5g (nove orbitais). Os da camada P ocupam as subcamadas 6s (um orbital), 6p (três orbitais), 6d (cinco orbitais), 6f (sete orbitais), 6g (nove orbitais) e 6h (onze orbitais). Cada orbital em uma subcamada difere dos demais pelo valor de ml . Forma e tamanho dos orbitais atômicos ! A determinação rigorosa da forma e do tamanho de um orbital só pode ser feita conhecen- do-se a função matemática que o descreve, o que está fora dos objetivos deste curso. A forma de um orbital depende do valor de l, e seu tamanho, do valor de n. O tamanho de um orbital é normalmente definido por um contorno no espaço. Dentro deste contorno, há cerca de 90% de proba- bilidade do elétron ser encontrado. Orbitais s têm contornos esféricos. Na Figura 5.7, estão repre- sentados contornos dos orbitais 1s, 2s e 3s. À medida que n aumenta, o orbital torna-se maior e o elétron pode ser encontrado cada vez mais afastado do núcleo. Z Y 1s X Figura 5.7: Contornos representativos dos orbitais 1s e 2s. CEDERJ 71
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Orbitais p têm contornos em forma de halteres. A Figura 5.8 mostra orbitais 2p que se orientam, cada um, ao longo dos eixos x, y, e z, respectivamente. Figura 5.8: Contornos representativos dos orbitais 2px, 2py e 2pz. Energia dos orbitais atômicos A energia de um elétron em um orbital atômico é obtida resolvendo-se a equação de Schrödinger. De um modo geral, esta energia depende dos valores dos números quânticos n e l do orbital onde o elétron se encontra (mas não depende de ml). Observa-se que: • Quanto maior o valor de n, maior é a energia do orbital. O orbital 1s, por exemplo, tem menor energia que o orbital 2s. • Para orbitais com o mesmo valor de n, quanto maior o valor de l, maior é a energia do orbital. Os orbitais da camada n = 3, por exemplo, têm energia na seguinte ordem crescente: 3s < 3p < 3d. • Em alguns casos, um orbital com menor valor de n tem energia maior que a de outro com n maior. Nestes casos, o valor de l do orbital mais energético (de menor n) é maior que o do orbital menos energético (de maior n). Um exemplo disso é o que ocorre entre os orbitais 3d e 4s. Embora o último tenha n maior, é menos energético que o primeiro. Estas observações levaram à construção de uma escala de energia dos orbitais atômicos. Nesta escala, os orbitais são dispostos em ordem crescente de energia. O ordenamento dos orbitais obedece à seqüência descrita a seguir: 1s < 2s < 2p < 3s < 3p < 4s < 3d < 4p < 5s < 4d < 5p < 6s < 4f < ... 72 CEDERJ
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    5 AULA Figura 5.9: Diagrama de Pauling, indicando o ordenamento dos orbitais. A energia cresce no sentido das setas. O diagrama de Pauling, mostrado na Figura 5.9, é um dispositivo mneumônico que permite obter o ordenamento sem ter de memorizá-lo. Use-o sempre que necessário. O spin do elétron Além da massa e da carga, o elétron possui uma outra proprie- dade intrínseca, chamada spin (S). A natureza desta propriedade é des- conhecida, mas a forma como ela atua foi descrita por Wolfgang Pauli, estabelecendo os seguintes postulados: • O spin funciona como um momento angular intrínseco, cujo valor é único para cada partícula elementar. Para o elétron, está asso- ciado ao número quântico S = 1⁄2. • Para o elétron, só existem duas projeções do spin, chamadas α e β. À projeção α corresponde o número quântico ms=+1⁄2, ou �; à projeção β, corresponde o número quântico ms = -1⁄2, ou �. Estes postulados permitem que se visualize o spin como um vetor com módulo único e característico do elétron. Além disso, aponta no espaço de forma que suas projeções em um eixo z arbitrário só podem ter dois valores possíveis, representados por � e �. Imagine dois cones formados por um vetor que gira em torno do eixo z: um dos cones corresponde à projeção com ms = +1⁄2, e o outro à proteção ms = -1⁄2. Visualize o resultado na Figura 5.10. CEDERJ 73
  • 76.
    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos B0 mI = + 1/2 (estado α) mI = - 1/2 (estado β) Figura 5.10: O vetor que representa o spin do elétron tem duas projeções, chamadas � α ( ) e β( ).� ! A inclusão do spin faz com que, no átomo, cada elétron seja caracterizado por quatro números quânticos. Os três primeiros, n, l e ml, dizem respeito ao orbital em que o elétron se encontra; o último, ms, define se o spin do elétron é � ou �. CONFIGURAÇÕES ELETRÔNICAS DOS ÁTOMOS O princípio da estruturação Imagine que você tem um núcleo de número atômico Z. Se o átomo é neutro, você já sabe que ele tem Z elétrons. De acordo com o modelo quântico dos orbitais, os elétrons vão se distribuir no átomo segundo o princípio da estruturação. ! O princípio da estruturação é concebido a partir de 4 regras. Elas indicam que: a) Os elétrons ocupam os orbitais em ordem crescente de energia (dada pelo diagrama de Pauling). b) Nenhum orbital pode conter mais do que dois elétrons. c) Se um orbital contiver dois elétrons, os seus spins serão distintos (diz-se que os elétrons estão emparelhados). d) Elétrons não se emparelham em um orbital se outro de mesma energia estiver disponível. Ou seja, os elétrons só se emparelham em um orbital quando todos os orbitais de mesma energia (na mesma subcamada) contiverem pelo menos um elétron. 74 CEDERJ
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    Você já conhecea regra “a”. As regras “b” e “c” são conseqüências 5 do princípio da exclusão de Pauli: Não há em um átomo dois elétrons AULA com os quatro números quânticos iguais. A regra “d”, por sua vez, não pode ser explicada sem o apelo à mecânica quântica. Ela é conhecida como regra da máxima multiplici- dade, e a explicação de sua origem está fora dos objetivos deste curso. Configuração eletrônica A distribuição dos elétrons nos orbitais, segundo o princípio da CONFIGURAÇÃO estruturação, determina a C O N F I G U R A Ç Ã O ELETRÔNICA do átomo. ELETRÔNICA Para facilitar a construção das configurações eletrônicas, É a ocupação dos elétrons nos orbitais, utiliza-se o diagrama de orbitais. Caixinhas representando os orbitais segundo o princípio da estruturação. são arrumadas em ordem seqüencial de energia. Os elétrons entram nas caixinhas segundo as regras do princípio da estruturação, gerando a configuração eletrônica desejada. Exemplo 1: O átomo de berílio tem Z = 4 (portanto, quatro elétrons). A distribuição dos elétrons é feita no seguinte diagrama de orbitais. 1s 2s �� �� Os primeiros dois elétrons ficam emparelhados no orbital 1s e os outros dois no orbital 2s. A configuração eletrônica é assim representada: Be: 1s2 2s2. Exemplo 2: O átomo de carbono tem Z = 6 (portanto, seis elé- trons). O diagrama de orbitais é: 1s 2s 2p �� �� � � Os quatro primeiros elétrons se distribuem como no átomo de Be. Os dois restantes vão entrar em orbitais da subcamada 2p. Pela regra (d) do princípio da estruturação, cada um vai entrar em um orbital 2p distinto, sem haver emparelhamento de elétrons. A configuração eletrônica do átomo de carbono é C: 1s2 2s2 2p2. Exemplo 3: O átomo de oxigênio tem Z = 8. O diagrama de orbitais é 1s 2s 2p �� �� �� � � CEDERJ 75
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Vejam que o último elétron só se emparelha na subcamada 2p depois que todos os orbitais desta subcamada contiverem um elétron. A configuração eletrônica do oxigênio é O: 1s2 2s2 2p4. Complicado? Pois é ... Se fosse simples, não seria necessário estudar. Que tal você dar uma “paradinha” rápida antes da atividade que segue? Descanse cinco minutos e volte à aula. ATIVIDADE 3. Forneça o diagrama de orbitais e a configuração eletrônica dos seguintes átomos: a. Neônio (Ne) b. Sódio (Na) c. Cálcio (Ca) d. Ferro (Fe) _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você precisa ter em mãos a tabela periódica para descobrir os números atômicos dos elementos dados no problema. Sabendo o valor de Z, você tem automaticamente o número de elétrons contidos no átomo. O próximo passo é conhecer o ordenamento dos orbitais atômicos em ordem crescente de energia. Para isso, você precisa utilizar o diagrama de Pauling. A última etapa é aplicar as regras do princípio da estruturação. a. Para o Ne, Z = 10. Logo, o átomo tem 10 elétrons. O diagrama de orbitais é: 1s 2s 2p �� �� �� �� �� , e a configuração eletrônica é 1s2 2s2 2p6. 76 CEDERJ
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    5 Observe que, neste caso, todos os orbitais de todas as camadas AULA ocupadas estão completamente preenchidos. Esta configuração eletrônica é típica dos gases nobres, como será discutido na próxima aula. b. Para o Na, Z = 11. Logo, o átomo de sódio tem 11 elétrons. O diagrama de orbitais é: 1s 2s 2p 3s �� �� �� �� �� � , e a configuração eletrônica é 1s2 2s2 2p63s. Observe que o átomo de sódio tem um único elétron na última camada. Este tipo de configuração é comum ao lítio, rubídio e césio. Estes metais são denominados metais alcalinos, e suas propriedades serão também discutidas na próxima aula. c. Para o Ca, Z = 20. Logo, o átomo de cálcio tem 20 elétrons. O diagrama de orbitais é: 1s 2s 2p 3s 3p 4s �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� , e a configuração eletrônica é Ca: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2. Neste caso, há dois elétrons na camada mais externa do átomo. Este tipo de configuração é comum aos metais alcalino-terrosos: berílio, magnésio, cálcio, estrôncio e bário. d. Para o Fe, Z = 26. Logo, há 26 elétrons no átomo de ferro. O diagrama de orbitais é: 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� � � � � , e a configuração eletrônica é Fe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d6. Diferentemente dos casos anteriores, a penúltima camada do átomo é que contém os elétrons de maior energia. Este é uma caso típico de configuração eletrônica dos metais de transição, que ocupam boa parte da Tabela Periódica. CEDERJ 77
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Estados excitados e formação de íons No átomo normal, todos os elétrons são encontrados nos níveis de energia mais baixos possíveis. Dizemos que o átomo está no seu estado fundamental. Se o átomo absorver energia – seja na forma de luz ou por colisão com outros átomos – alguns elétrons podem passar para níveis de energia mais altos, ocupando orbitais mais energéticos. Dizemos que o átomo encontra-se em um estado excitado. Se a energia fornecida ao átomo for grande suficiente para arrancar um ou mais elétrons, o átomo terá mais prótons que elétrons, ficando carregado positivamente. É possível, também, que um átomo receba um ou mais elétrons, ficando com mais elétrons do que prótons. Em ambas as situações, a carga elétrica global do átomo não é mais nula. Os átomos carregados positiva ou negativamente são denominados íons. ! Um íon é uma espécie carregada que se forma quando um átomo perde ou ganha elétrons. Um cátion é um íon com carga positiva, e um ânion é um íon com carga negativa. O sódio, por exemplo, quando perde seu elétron 3s (ver a Atividade 2), forma o cátion Na+. O cloro, quando ganha um elétron, forma o ânion Cl-. A configuração eletrônica de um íon é obtida, a partir do átomo neutro, pela adição e retirada de elétrons. A configuração do magnésio (Mg), por exemplo, é Mg: 1s2 2s2 2p63s2. O íon Mg2+, obtido retirando-se os dois elétrons 3s do átomo neutro, tem configuração eletrônica Mg2+: 1s2 2s2 2p6. As espécies iônicas são muito importantes em Química e em Biologia. Muitos processos vitais são controlados por íons. Um exemplo importante é o equilíbrio entre os íons Na+ e K+ presentes nas células. A diferença de concentração entre eles é responsável por manter o volume celular, tornar células nervosas e musculares eletricamente excitáveis e acionar o transporte de aminoácidos, entre outras coisas. 78 CEDERJ
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    ATIVIDADE 5 AULA 4.a. A configuração eletrônica de um certo átomo de magnésio (Z = 12) é dada pelo quadro a seguir: Camada K L M N O Nº de elétrons 2 8 1 1 O átomo está em seu estado fundamental? Justifique sua resposta. _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 4.b. Obtenha a configuração eletrônica do íon sulfeto (S-). _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA 4.a. O primeiro passo é escrever a configuração eletrônica do Mg no estado fundamental. Sendo Z = 12 (você obtém esta informação da Tabela Periódica), temos 12 elétrons no átomo neutro. O diagrama de orbitais do Mg neutro é: 1s 2s 2p 3s �� �� �� �� �� �� , e a sua configuração eletrônica é Mg: 1s2 2s2 2p6 3s2. Então o número de elétrons em cada camada é dado pelo quadro a seguir: Camada K L M Nº de elétrons 2 8 2 CEDERJ 79
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    Elementos de QuímicaGeral | Estrutura eletrônica dos átomos Por comparação, vemos que a distribuição dada corresponde a um estado excitado do átomo, em que um elétron passou de um orbital da camada M para um orbital da camada N. 4.b. O átomo de enxofre neutro tem Z = 16 e configuração S: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4. Esta configuração é obtida do seguinte diagrama de orbitais: 1s 2s 2p 3s 3p �� �� �� �� �� �� �� � � Observe os detalhes da distribuição: há dois elétrons desemparelha- dos na última subcamada ocupada (lembra do princípio da estrutu- ração?). A adição de dois elétrons leva ao diagrama a seguir: 1s 2s 2p 3s 3p �� �� �� �� �� �� �� �� �� Também leva à configuração S 2-: 1s 2 2s 2 2p 6 3s 2 3p 6. Esta configuração é idêntica à do gás nobre neônio (Ne), como você mesmo pode verificar! CONCLUSÃO O modelo atômico de Schrödinger, ou modelo dos orbitais atômicos, é o mais adequado para descrever a complexa estrutura da eletrosfera do átomo. Embora baseado nas soluções de uma complexa equação matemática, permite caracterizar os elétrons do átomo a partir de quatro números quânticos e descrever como os elétrons se distribuem na eletrosfera. ATIVIDADE FINAL 1. A configuração eletrônica de um certo íon é dada por X+: 1s22s22p63s23p64p1 a. Calcule o tamanho da órbita do elétron mais externo se seguisse o modelo de Bohr. b. Identifique a espécie química X. c. Indique se o íon está no seu estado fundamental ou em estado excitado. 80 CEDERJ
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    RESPOSTA COMENTADA 5 Para responder ao item “a”, você precisa apenas relembrar a fórmula AULA proposta por Bohr para o tamanho das órbitas eletrônicas. Veja que, pelo modelo de Bohr, todos os elétrons pertencentes a uma mesma camada estariam na mesma órbita e à mesma distância do núcleo. O elétron mais externo do íon X+ está numa camada cujo n = 4. Utilizando este valor de n na expressão das órbitas permitidas por 2 Bohr, obtemos rn = 4 a0 . Z X+ Embora saibamos o valor de a0, não sabemos o número atômico da espécie X+. Para descobrir, você precisa contar o número de elétrons do átomo e lembrar que a espécie dada é um cátion, obtido pela retirada de um elétron do átomo neutro X. Sendo o número de elétrons contidos em X+ igual a 19, o átomo neutro (que tem o número de elétrons igual ao número atômico) contém 20 elétrons. Logo, Z = 20. Consultando a Tabela Periódica, você vai verificar que este é o número atômico do cálcio (Ca), o que responde imediatamente ao item (b): a espécie química é o Ca+. Levando o valor de Z=20 na expressão de r n , obtemos 16a0 o rn = = 0, 75a0 = 0, 397 A . 20 Em seu estado fundamental, o Ca neutro tem a configuração eletrônica (veja a Atividade 3) Ca: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2. O íon Ca+, em seu estado fundamental, tem a configuração Ca+: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1. A configuração fornecida indica que o elétron mais externo do íon foi promovido do orbital 4s para um orbital 4p; trata-se, portanto, de uma configuração correspondente a um estado excitado do íon. RESUMO A estrutura eletrônica dos átomos só pode ser compreendida à luz da mecânica quântica. O elétron em um átomo é descrito por quatro números quânticos; e não há, em um átomo, dois elétrons com os quatro números quânticos iguais. A configuração eletrônica é uma forma de identificar a distribuição dos elétrons em torno do núcleo. INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai aprender a analisar detalhadamente a Tabela Periódica e descobrir como funciona a lei periódica dos elementos. CEDERJ 81
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    6 AULA Propriedades periódicas dos elementos Metas da aula Apresentar o conceito de periodicidade. Localizar os metais, os não-metais, os metalóides e os elementos de transição na Tabela Periódica. Aplicar a Tabela Periódica em diferentes determinações de propriedades dos elementos. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Caracterizar um elemento por sua posição na Tabela Periódica. • Identificar se um elemento é, por sua configuração eletrônica, representativo de transição ou de transição interna. • Comparar as principais propriedades periódicas entre elementos do mesmo período e do mesmo grupo. Pré-requisito É essencial que você saiba escrever a configuração eletrônica dos átomos; este assunto foi abordado detalhadamente na aula anterior.
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos INTRODUÇÃO Várias propriedades físicas e químicas dos elementos variam periodicamente em relação ao número atômico. O sódio, o potássio e o rubídio, por exemplo, têm a mesma reatividade frente à água e a mesma facilidade em formar cátions frente ao cloro. Este fato é conhecido como lei periódica. Nesta aula, você vai aprender a origem desta lei e estudar as principais propriedades periódicas. PERIODICIDADE E TABELA PERIÓDICA Definição de periodicidade As propriedades físicas e químicas de um elemento dependem da distribuição de seus elétrons. Elementos com distribuições eletrônicas semelhantes comportam-se de forma semelhante em termos de reatividade e exibem propriedades físicas com um padrão perfeitamente definido. Essas propriedades variam com o número atômico de forma periódica (é a lei periódica). Analise cuidadosamente as seguintes configurações eletrônicas: Na: 1s2 2s2 2p6 3s K: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s Rb: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s F: 1s2 2s2 2p5 Cl: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 Br: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 4s2 3d10 4p5 Os três primeiros elementos têm um único elétron na camada mais externa; os três últimos têm sete elétrons nesta camada. Os elétrons da última subcamada ocupada de um átomo são os elétrons de valência, e a camada que os contém é a camada de valência. Elementos com o mesmo número de elétrons de valência têm propriedades semelhantes. É o que acontece com Na, o K e o Rb: eles têm a mesma reatividade frente ao cloro, por exemplo. Da mesma forma, o F, o Br e o Cl comportam-se de forma semelhante ao reagir com o sódio. 84 CEDERJ
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    ! 6 Periodicidade é a repetição das propriedades dos elementos. Ela deriva da AULA forma como os elétrons enchem os orbitais s, p, d e f. A Tabela Periódica é a forma de arrumar os elementos de forma a exibir essa periodicidade (ou lei periódica). A primeira organização consistente da Tabela Periódica (TP) foi proposta em 1869, por Dimitri Mendelev, embora existam várias versões dela. Vamos utilizar a que consta neste livro (você já a utiliza desde a Aula 3). Nela, cada elemento aparece em um pequeno quadrado que contém o símbolo, o número atômico e a massa atômica do elemento, como na Figura 6.1: Figura 6.1: Representação de um elemento da Tabela Periódica. Períodos e grupos ! Período é o nome que se dá a cada linha da Tabela Periódica. Grupo é o nome que se dá a cada coluna da Tabela Periódica. Os períodos são numerados de 1 a 7, conforme o número da última camada do elemento que é ocupada por elétrons. Um elemento do terceiro período, por exemplo, tem elétrons até a camada n = 3 (camada N). Os elementos ao longo de uma coluna pertencem ao mesmo grupo, ou família química. Eles têm o mesmo número de elétrons de valência e, conseqüentemente, propriedades físicas e químicas semelhantes. ! Existem diversos sistemas em uso para numerar os grupos da Tabela Periódica. No sistema recomendado pela IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), as colunas são numeradas da esquerda para a direita, de 1 a 18. Um sistema mais didático usa os números 1 a 8 e as letras A e B. É o que nós vamos usar em nossa discussão. Os elementos do grupo A são chamados representativos. O número do grupo, que aparece no topo de cada coluna, indica o número de elétrons de valência de cada membro do grupo. Nestes elementos, a última camada ocupada é a mais externa. CEDERJ 85
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos Exemplo: Os membros do grupo 3A são o boro (B), o alumínio (Al), o gálio (Ga), o índio (In) e o titânio (Ti). Todos têm três elétrons na camada de valência. Os elementos do grupo B estão em três linhas de dez elementos, no meio da Tabela Periódica; são chamados elementos de transição, ou metais de transição. Muitos exibem propriedades químicas semelhantes, não só nos grupos, mas também ao longo dos períodos. Isto se deve ao fato de que os últimos elétrons dos átomos desses elementos ocupam uma camada que não é a mais externa. Exemplo: Nos elementos de transição do quarto período, os orbitais 4s são preenchidos antes dos orbitais 3d. Assim, os últimos elétrons não se encontram na camada mais externa (4s), mas sim na imediatamente anterior a ela (3d). Finalmente, os elementos de transição interna são os que correspondem às duas fileiras na parte inferior da tabela. A primeira fileira é a dos lantanídeos e a segunda, a dos actinídeos. Observe que, no corpo principal da tabela, há uma lacuna entre os elementos lantânio (La) e háfnio (Hf), e outra entre o actínio (Ac) e o Rutherfórdio (Rf). Essas lacunas correspondem aos lantanídeos e aos actinídeos, respectivamente. Nestes elementos, as duas últimas camadas começam a ser preenchidas antes da antepenúltima. Nos lantanídeos, por exemplo, os últimos elétrons ocupam a camada 4, embora a última camada seja a n = 6. ! Alguns grupos da Tabela Periódica têm nomes especiais. Os elementos dos grupo 1A são os metais alcalinos; os do grupo 2A são os metais alcalino- terrosos; os do grupo 7A são os halogênios, e os do grupo 8A são os gases nobres. Estes últimos são assim nomeados devido a sua baixa reatividade. 86 CEDERJ
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    ATIVIDADE 6 AULA 1.a. Complete a tabela a seguir: Transição Elemento Período Grupo Representativo? Transição? interna? Cobalto (Co) 4 Iodo (I) Prata (Ag) 1B Selênio (Se) Urânio (U) Não Não Sim 1.b. As configurações eletrônicas de três elementos X, Y e Z são dadas a seguir: X: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d3 Y: 1s2 2s+ 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s Z: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f Identifique o elemento representativo, o de transição e o de transição interna. RESPOSTA COMENTADA 1.a. Para realizar esta atividade, você precisa consultar a Tabela Periódica, localizar cada elemento e verificar a numeração do período e do grupo correspondente. A tabela completa é a que segue: Transição Elemento Período Grupo Representativo? Transição? interna? Cobalto (Co) 4 8B Não Sim Não Iodo (I) 5 7A Sim Não Não Prata (Ag) 5 1B Não Sim Não Selênio (Se) 4 6A Sim Não Não actiní- Urânio (U) 7 Não Não Sim deos 1.b. Você precisa saber que em um elemento representativo, os últimos elétrons ocupam a última camada; em um elemento de transição, ocupam a penúltima; e em um de transição interna, a antepenúltima. No elemento X, o orbital 5s é preenchido antes dos orbitais 4d (pois estes têm energia maior que aquele, de acordo com o diagrama de Pauling, visto na aula anterior). Assim, os elétrons mais externos não estão na última camada (n = 5), e sim na penúltima (n = 4). Trata-se de um metal de transição. CEDERJ 87
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos No elemento Y, a última camada (n = 6) é a mais externa. Trata-se de um elemento representativo. Finalmente, no elemento Z, a camada que contém os elétrons mais energéticos (n = 4) é a antepenúltima. Trata-se de um elemento de transição interna. Metais, não-metais e metalóides Várias propriedades dos elementos permitem que os classifiquemos em metais, não-metais e metalóides. Você deve estar familiarizado com algumas propriedades de metais e não-metais. Vamos listá-las na Tabela 6.1: Tabela 6.1: Algumas propriedades de metais e não-metais Propriedade Metais Não-metais Brilho Brilhantes Opacos Densidade Alta Baixa Ponto de Fusão Alto Baixo Condutividade elétrica Alta Baixa Os metais se encontram à esquerda e no centro da Tabela Periódica. Os não-metais pertencem aos grupos 5A, 6A, 7A e 8A. Entretanto, a fronteira entre esses dois tipos de material não é nítida. Existem elementos SEMICONDUTORES que exibem propriedades dos metais e dos não-metais. Eles são chamados Diz-se das substâncias metalóides, ou semimetais. O arsênio, por exemplo, pertence ao grupo com resistividade entre a de um 5A, mas se comporta como metal frente ao oxigênio e ao flúor. condutor e a de um isolante, e que pode Uma propriedade muito importante dos metalóides é a sua variar segundo as condutividade elétrica: ela não é tão alta como nos metais, nem tão condições físicas a que está submetida. baixa como nos não-metais. São materiais ditos SEMICONDUTORES. O computador que você utiliza funciona devido aos circuitos integrados, como os representados na Figura 6.2. Eles são dispositivos eletrônicos feitos à base de semicondutores, como o silício e o germânio. 88 CEDERJ
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    6 AULA Figura 6.2: Um circuito integrado utilizado em microcomputadores contém silício e germânio. PROPRIEDADES PERIÓDICAS DOS ELEMENTOS Vamos encerrar nossa aula ilustrando a lei periódica pela análise de algumas propriedades importantes dos elementos. O estudo dessas propriedades mostrará, também, as diferenças entre metais e não-metais. Raio atômico É impossível medir o tamanho exato de um átomo, pois ele não é uma esfera maciça, como pensava Dalton. Lembre-se de que os elétrons ocupam os orbitais atômicos (funções matemáticas que se espalham pelo espaço). Embora haja regiões de maior probabilidade de o elétron ser encontrado quando em um orbital, ele pode também estar localizado em outras regiões. Desta forma, a definição do tamanho do átomo é ambígua, e há várias maneiras práticas de determinar essa grandeza. Uma delas, e muito usada, é definir o raio atômico tomando-se a metade da distância entre os núcleos dos átomos adjacentes em um composto. A Figura 6.3 ilustra o procedimento usando a molécula de cloro. CEDERJ 89
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos d = RCl Cl Cl Figura 6.3: A distância (d) entre os átomos de Cl permite obter o raio do cloro. ! Observa-se na Tabela Periódica que o raio atômico: • diminui ao longo de um período; • aumenta ao longo de um grupo. Acompanhe essa tendência pelo gráfico ilustrativo apresentado na Figura 6.4. Você pode verificar por ele que os metais mais à esquerda e mais abaixo na Tabela Periódica devem ter os maiores raios atômicos e que os não-metais da parte superior da tabela têm os menores raios atômicos. Figura 6.4: Variação do raio atômico com o número atômico. 90 CEDERJ
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    Energia de ionização 6 AULA A energia de ionização (EI) de um elemento X é a energia necessária para remover o elétron mais fracamente ligado ao átomo, em fase gasosa do elemento. O processo pode ser representado pela seguinte equação: X(g) → X+(g) + e– A energia de ionização mostra o quão fácil é remover o elétron mais fracamente ligado ao átomo. O tamanho do átomo afeta a intensidade da atração entre os elétrons de valência e o núcleo do átomo. Se o raio atômico aumenta, os elétrons de valência ficam mais fracamente ligados; o contrário ocorre se o raio atômico diminui. ! Observa-se que, ao longo da Tabela Periódica, a energia de ionização: • aumenta ao longo de um período; • diminui ao longo de um grupo. Essas observações corroboram o que foi dito anteriormente. Os metais têm, em geral, energia de ionização menor que os não-metais. Os gases nobres, devido à sua estabilidade, têm energia de ionização muito alta. Você pode acompanhar essas informações por meio do gráfico apresentado na Figura 6.5, que indica como a energia de ionização varia em relação ao número atômico. Figura 6.5: Variação da energia de ionização com o número atômico. CEDERJ 91
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos Afinidade ao elétron A afinidade ao elétron (AE) de um elemento X é a energia liberada quando um elétron é adicionado a um átomo neutro do elemento em fase gasosa. O processo pode ser representado pela seguinte equação: X(g) + e– → X–(g) Alguns elementos, como os gases nobres, não têm afinidade a elétrons adicionais. ! Observa-se que, ao longo da Tabela Periódica, a afinidade ao elétron: • aumenta ao longo de um período (à medida que o raio diminui); • diminui ao longo de um grupo (à medida que o raio atômico aumenta). A afinidade ao elétron dos metais é baixa, e a dos não-metais é alta. Isto indica, também, que os metais têm maior facilidade em perder elétrons, e os não-metais em ganhar. ATIVIDADE 2. Dos elementos rubídio (Rb), lítio (Li), cloro (Cl) e iodo (I), qual tem a. maior e menor raio atômico? b. maior e menor energia de ionização? c. maior e menor afinidade eletrônica? RESPOSTA COMENTADA Você precisa conhecer as tendências de cada propriedade em crescer ou diminuir ao longo da Tabela Periódica. Precisa também verificar a posição relativa de cada elemento na Tabela para realizar corretamente esta atividade. O Cs e o Li estão no mesmo grupo, na extrema esquerda da TP (são metais do grupo 1A, ou metais alcalinos); já o Cl e o I também estão no mesmo grupo, mas na extrema direita (são do grupo 7A, ou halogênios). Por outro lado, o Li e o F estão no mesmo período (correspondendo a n = 2), bem como o Rb e o I (correspondendo a n = 5). 92 CEDERJ
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    6 O raio atômico diminui ao longo de um período e aumenta em um AULA grupo; então, o elemento de maior raio é o Rb, e o de menor é o F. A energia de ionização aumenta ao longo de um período e diminui ao longo de um grupo. Logo, o elemento de maior energia de ionização é o F, e o de menor é o Rb. A afinidade ao elétron aumenta ao longo de um período e diminui ao longo de um grupo. Logo, o elemento de maior afinidade eletrônica é o F, e o de menor é o Li. OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À VIDA Os organismos vivos, como todos os corpos presentes na Terra, são compostos de átomos dos elementos que ocorrem na natureza. Entretanto, dos elementos conhecidos, somente 25 parecem ser essenciais à vida. A lista desses elementos essenciais é apresentada na Tabela 6.2, a seguir: Tabela 6.2: Os 25 elementos essenciais à vida Elemento Símbolo Elemento Símbolo Elemento Símbolo Arsênio As Flúor F Nitrogênio N Boro B Fósforo P Oxigênio O Cálcio Ca Ferro Fe Níquel Ni Carbono C Hidrogênio H Potássio K Cloro CL Iodo I Selênio Se Cromo Cr Magnésio Mg Silício Si Cobalto Co Manganês Mn Sódio Na Cobre Cu Molibdênio Mo Zinco Zn Enxofre S Os elementos mais abundantes nos organismos vivos são o carbono, o hidrogênio, o nitrogênio e o oxigênio. Eles formam 99,3% dos átomos de seu corpo, enquanto os 21 elementos restantes correspondem a apenas 0,7%. Apesar de entrarem em proporção tão pequena, eles realizam uma série de funções críticas para a vida. A ausência de qualquer desses elementos no organismo pode levar a doenças e até mesmo à morte. CEDERJ 93
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos CONCLUSÃO A semelhança entre as propriedades físicas e químicas de alguns elementos não é casual; ela deriva da semelhança que ocorre na camada de valência desses elementos. A Tabela Periódica mostra de forma condensada e sistemática como os elementos se arrumam segundo a semelhança de suas propriedades. ATIVIDADE FINAL a) Identifique os seguintes elementos: (i) grupo 2A, período 5 (ii) grupo 4B, período 4 (iii) grupo 7A, período 2 (iv) grupo 2A, período 2 Quais desses quatro elementos têm propriedades químicas semelhantes? b) Arrume os seguintes elementos, do mais metálico para o menos metálico: (i) S, Cl, Si e Pd (ii) Sn, Rb, Ag e Pd c) Para cada um dos pares, diga qual elemento tem o maior raio atômico, a maior energia de ionização e a maior afinidade eletrônica: (i) Ca e Se (ii) S e Se (iii) Ca e Sr RESPOSTA COMENTADA a. Para realizar esta atividade, você só precisa consultar a TP. Nela, os elementos estão arrumados por grupos (numerados na parte de cima), que correspondem às colunas da tabela; e por períodos (numerados na parte lateral), que correspondem às linhas da tabela. Cada elemento fica caracterizado pela posição que ocupa em uma linha e em uma coluna da tabela. (i) O elemento que está no grupo 2A, período 5 é o estrôncio (Sr). Trata-se de um metal alcalino-terroso. (ii) O elemento que está no grupo 4B, período 4 é o cromo (Cr). É um metal de transição. 94 CEDERJ
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    (iii) O elementoque está no grupo 7A, período 2 é o flúor (F). É um 6 halogênio. AULA (iv) O elemento que está no grupo 2A, período 2 é o berílio (Be). É um metal alcalino-terroso. Elementos no mesmo grupo têm propriedades semelhantes. Dos dados no problema, os que pertencem ao mesmo grupo são o Sr e Be. b. Você precisa saber que um elemento tem tão mais caráter metálico quanto mais à esquerda estiver na Tabela Periódica. Uma consulta vai mostrar, então, que a ordem será: (i) Pd > Si > S > Cl (ii) Rb > Pd > Ag > Sn Ou seja, o paládio (Pd) é o de maior caráter metálico entre os elementos listados no item (i) e o rubídio, entre os do item (ii). c. Para resolver esta questão, verifique se os elementos de cada par estão no mesmo período ou no mesmo grupo. Sabemos que o raio atômico (R) diminui ao logo de um período e aumenta ao longo de um grupo. A energia de ionização (EI) e a afinidade ao elétron (AE) aumentam ao longo de um período e diminuem ao longo de um grupo. Os elementos deste par (i) estão no mesmo período (n = 4). Os dos pares (ii) e (iii) nos mesmos períodos (6A e 2A, respectivamente). Podemos montar a seguinte tabela: Par R El AE (i) Ca > Se Se > Ca Se > Ca (ii) Se > S S > Se S > Se (iii) Sr > Ca Ca > Sr Ca > Sr CEDERJ 95
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    Elementos de QuímicaGeral | Propriedades periódicas dos elementos RESUMO As propriedades periódicas dos elementos estão intimamente relacionadas aos elétrons de valência. A Tabela Periódica exibe essa periodicidade. Nela, dividimos os elementos em metais, não-metais e metalóides. O raio atômico dos elementos diminui ao longo de um período e aumenta ao longo de um grupo na tabela. Já a energia de ionização e a afinidade eletrônica têm comportamento oposto. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai estudar o primeiro tipo de ligação química entre os átomos: a ligação iônica. 96 CEDERJ
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    7 AULA Combinações entre átomos: a ligação iônica Metas da aula Definir os tipos de ligação química entre os átomos. Enunciar a regra do octeto e o seu significado. Representar o símbolo de Lewis de átomo. Descrever a ligação iônica. Relacionar o tamanho de um íon com o do átomo neutro que o originou. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Reconhecer se uma ligação química é iônica, covalente ou metálica. • Escrever o símbolo de Lewis de um elemento através de informações da Tabela Periódica ou da configuração eletrônica. • Representar a formação de um composto iônico utilizando os símbolos de Lewis. • Comparar o tamanho relativo de átomos e íons. Pré-requisitos Você precisa dos conceitos ensinados na Aula 6 (especialmente o de elétrons de valência) para compreender esta aula.
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica INTRODUÇÃO Nas aulas anteriores, você aprendeu a descrever a estrutura eletrônica e as propriedades de átomos e íons. Se os átomos ou íons são fortemente atraídos uns pelos outros, dizemos que existe uma ligação química entre eles. Nesta aula, você vai aprender a distinguir os tipos de ligação e conhecer a regra do octeto, uma regra básica para a formação da ligação química. Ela será usada para compreender o primeiro tipo de ligação que vamos estudar em nosso curso: a ligação iônica. TIPOS DE LIGAÇÃO QUÍMICA As propriedades das substâncias são determinadas, em grande parte, pelas ligações químicas que mantêm os átomos unidos. O açúcar (sacarose, C12H22O10) e o sal de cozinha (cloreto de sódio, NaCl), por exemplo, são compostos totalmente diferentes. O que dá características tão marcantemente distintas a esses compostos é o tipo de ligação entre os átomos. As ligações entre os átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio na sacarose têm um caráter totalmente diverso daquelas entre os átomos de cloro e de sódio no NaCl. O açúcar, por exemplo, tem baixo ponto de fusão; o sal de cozinha, alto. Se você colocar uma solução de açúcar entre dois eletrodos e tentar passar uma corrente, como mostrado na Figura 7.1, verá que a solução é má condutora elétrica; por outro lado, se a solução contiver sal de cozinha, a corrente flui com facilidade! Bateria e- e- Ânodo Cátodo Figura 7.1: Se a solução dentro do recipiente contiver açúcar, a corrente elétrica não passa; se contiver sal, ela passa com facilidade. 98 CEDERJ
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    Existem três tiposgerais de ligação química: 7 a. ligação iônica – é o resultado da ação de fortes forças AULA eletrostáticas entre íons de carga oposta. Os íons podem ser formados a partir dos átomos neutros, pela transferência de elétrons de um átomo para outro. Este tipo de ligação ocorre normalmente entre os metais mais à esquerda e os não-metais mais à direita da Tabela Periódica; b. ligação covalente – é o resultado do compartilhamento de um ou mais pares de elétrons entre dois átomos. Ocorre normalmente entre os não-metais; c. ligação metálica – é a ligação encontrada nos metais, como no ferro, no cobre ou no alumínio. Neste tipo de ligação, cada átomo se liga a muitos outros átomos vizinhos. Os elétrons de ligação são relativamente livres para mover-se através da estrutura tridimensional do metal. ATIVIDADE 1. Determine o tipo de ligação entre os pares de elementos a seguir: a. carbono e oxigênio b. carbono e cloro c. magnésio e bromo d. magnésio e magnésio e. enxofre e enxofre __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para resolver o exercício desta atividade, você precisa reconhecer se os elementos listados são metais ou não-metais. O estudo da Tabela Periódica (feito na Aula 6) permite que você identifique os elementos da seguinte forma: • metais: magnésio; • não-metais: carbono, oxigênio, cloro, bromo e enxofre. Sabemos também que a ligação iônica se dá entre um metal e um não-metal; a covalente, entre não-metais; a metálica, entre metais. Então a resposta do exercício é: a. ligação covalente b. ligação covalente c. ligação iônica d. ligação metálica e. ligação covalente CEDERJ 99
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica SÍMBOLOS DE LEWIS Os elétrons envolvidos nas ligações químicas são os elétrons de valência (lembre-se da Aula 6!), aqueles que estão na camada mais externa do átomo. O americano Gilbert N. Lewis (1875-1946) sugeriu uma forma simples de representar os elétrons de valência de um átomo e de acompanhá-los durante a formação da ligação química. Esta representação é conhecida como símbolo de Lewis, ou diagrama de pontos de Lewis. ! Símbolo de Lewis de um elemento = símbolo químico do elemento + um ponto para cada elétron de valência. A disposição dos elétrons em torno do símbolo de elemento é tal que: • cada elétron ocupa um dos quatro lados do símbolo; • se houver mais de quatro elétrons, preenche-se inicialmente os quatro lados com um elétron; os elétrons restantes entram a seguir, formando pares com cada um dos quatro primeiros. Será que este conceito ficou claro? Vamos trabalhar alguns exemplos para verificar se você compreendeu o que foi dito. Exemplo 1: Escrever o símbolo de Lewis para o fósforo (P) Solução: consultando a Tabela Periódica, você pode verificar que o fósforo pertence ao grupo 5A. Logo, ele tem cinco elétrons de valência (ele é um elemento representativo, como você aprendeu na aula anterior!). Colocamos cada um dos quatro primeiros elétrons em cada um dos lados do símbolo P; o último elétron fica emparelhado com qualquer um dos quatro primeiros. O resultado é: Obs.: Qualquer um dos diagramas mostrado está correto! Exemplo 2: Escrever o símbolo de Lewis do enxofre (S), que tem a seguinte configuração eletrônica: S: 1s22s22p63s23p4 100 C E D E R J
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    Solução: neste caso,podemos determinar o número de elétrons 7 de valência diretamente da configuração eletrônica do elemento. Vemos AULA pela configuração dada que a última camada ocupada (n = 3) é também a mais externa (o enxofre é um elemento representativo). Esta camada tem seis elétrons ao todo. Logo, este é o número de elétrons de valência. O símbolo de Lewis para o enxofre é: Obs.: Ou qualquer representação com dois pares de elétrons emparelhados e dois desemparelhados, colocados nos quatro lados do símbolo. ATIVIDADE 2. Escreva o símbolo de Lewis do sódio (Na), do cloro (Cl), do carbono (C) e do neônio (Ne): __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para resolver este exercício, você precisa consultar a Tabela Periódica e verificar o grupo em que cada elemento se encontra. Se o elemento for representativo, o número do grupo a que ele pertence indica o número de elétrons de valência. O Na pertence ao grupo 1A, o Cl ao grupo 7A, o C ao grupo 4A e o Ne, por sua vez, ao grupo 8A. Todos são elementos representativos. Portanto, o número de elétrons de valência de cada um é o número do grupo a que pertence (Na = 1, Cl = 7, C = 4 e Ne = 8). Os símbolos de Lewis desses elementos são: No caso do Na, o elétron pode ser colocado em qualquer um dos lados do símbolo químico; da mesma forma, você pode trocar a posição do elétron solitário no cloro com qualquer par, resultando em quatro formas equivalentes de representação. Para o C e o Ne, só há uma forma de arrumar os elétrons. Observe as regras para a representação de um símbolo de Lewis e verifique que, no caso do C, cada elétron deve entrar em um dos lados do símbolo do átomo. O Ne, por sua vez, possui oito elétrons de valência, que só podem ser arrumados como quatro pares de elétrons, um par em cada lado do símbolo. C E D E R J 101
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica A REGRA DO OCTETO Se você observar a configuração eletrônica dos elementos do grupo 8A (os gases nobres), verá que eles têm oito elétrons de valência. A baixa reatividade destes elementos foi atribuída a essa configuração eletrônica especial da camada de valência. Esta idéia tornou-se muito importante quando os cientistas observaram que as combinações químicas entre átomos dos elementos representativos se davam de forma que cada átomo, ao final da combinação, atingia a configuração de valência de um gás nobre. Estas observações levaram G.N. Lewis e outros cientistas a formular a regra do octeto. ! Regra do octeto: Os átomos tendem a ganhar, perder ou compartilhar elétrons até que tenham oito elétrons de valência. No caso do hidrogênio, cuja camada de valência é n = 1, o “octeto” fica completo com dois elétrons. Um octeto de elétrons consiste em subcamadas s e p completas de um átomo. Em termos dos símbolos de Lewis, um octeto é representado por quatro pares de elétrons em torno do átomo, tal como no neônio que você descreveu na Atividade 2. Há muitas exceções à regra do octeto, em particular aos elementos mais pesados, nos quais existem elétrons d e f na subcamada incompleta mais externa. Entretanto, a regra é útil para predizer os resultados de combinações entre os elementos mais leves (até cerca de Z = 22). A LIGAÇÃO IÔNICA Os elementos podem atingir um octeto estável pela transferência de elétrons de um átomo para outro. Isso faz com que os átomos neutros se transformem em íons. A força de atração entre íons de carga oposta é chamada ligação iônica. A ligação iônica ocorre entre elementos de baixa energia de ionização (ou seja, com facilidade de perder elétrons) e entre elementos de grande afinidade eletrônica (ou seja, com tendência muito acentuada de receber elétrons). Em outras palavras, ela ocorre preferencialmente entre os metais mais à esquerda e os não-metais mais à direita da Tabela Periódica. 102 C E D E R J
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    Podemos esperar queos elementos com poucos elétrons de valência 7 (em particular os metais dos grupos 1A, 2A e 3A) percam elétrons quando AULA reagem com elementos que tenham quase oito elétrons de valência (como os não-metais dos grupos 6A e 7A). Os íons formados nessa transferência são atraídos uns pelos outros porque cargas opostas se atraem. Esta atração entre os íons é a ligação iônica. O sódio metálico, por exemplo, reage vigorosamente com o gás cloro, formando o cloreto de sódio. Nesta reação, um elétron é transferido do átomo de sódio para o átomo de cloro, com formação dos íons Na+ e Cl-. As configurações eletrônicas dos átomos de Na e de Cl são: Na: 1s2 2s2 2p6 3s; e Cl: 1s2 2s2 2p5. Os símbolos de Lewis para o Na e o Cl são: (Veja a Atividade 2!) Então o processo de transferência de um elétron do Na para o Cl se representa por: Veja que cada íon tem o seu octeto completo (O íon Na+ ficou com oito elétrons na camada n = 2 e nenhum elétron na camada n = 3!). Observe também que o símbolo de Lewis de um íon é escrito entre colchetes, com a carga do íon também indicada. A atração entre os íons positivos e negativos leva a um aglomerado tridimensional ordenado, chamado rede cristalina. O aglomerado total de íons é um composto iônico. A atração eletrostática entre os íons Na+ e Cl-, por exemplo, faz surgir o composto iônico NaCl. Observe a Figura 7.2! Nela você pode verificar que, na rede cristalina do NaCl, cada íon Na+ é rodeado por seis íons Cl-, e cada íon Cl- por seis íons Na+. Assim, há um íon Na+ para cada íon Cl- e o cristal de NaCl é eletricamente neutro. C E D E R J 103
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica Figura 7.2: Rede cristalina do NaCl. Cada íon é rodeado por seis íons de carga oposta. ! A razão entre os íons em uma rede cristalina de um composto iônico é tal que o composto, como um todo, é eletricamente neutro. A fórmula de um composto iônico traduz esta proporção entre íons positivos e negativos. No composto MgCl2, por exemplo, a rede cristalina é tal que a proporção entre os íons Mg2+ e Cl- é de 1:2. Em geral, os compostos iônicos são formados por metais e não-metais. Se os elementos envolvidos são representativos, você pode predizer o número de elétrons que eles podem ganhar ou perder, bastando saber a posição do elemento na Tabela Periódica. A Tabela 7.1 lista os íons comuns dos elementos representativos. Tabela 7.1: Íons comuns dos elementos representativos Grupo 1A 2A 3ª 5A 6ª 7A Li+ Be2+ Al3+ N3- O2- F- Na+ Mg2+ P3- S2- Cl- K+ Ca2+ Se2- Br - Rb+ Sr2+ Te2- I- Cs+ Ba2+ 104 C E D E R J
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    Vamos ver seficou claro? Acompanhe o exemplo a seguir: 7 AULA Exemplo 3: Com base na Tabela 7.1, explicar a formação do íon N3-. Solução: O N pertence ao grupo 5A. Logo, tem cinco elétrons de valência. Ele pode completar seu octeto se ganhar três elétrons. Esta transferência leva à formação do ânion N3-. ATIVIDADE 3.a. Como seria representada a formação do MgCl2 pelos símbolos de Lewis? 3.b. Explicar a formação dos íons S2- e Al3+. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA 3.a. Você pode consultar a Tabela Periódica para verificar que o Mg pertence ao grupo 2A; é um elemento representativo de modo que tem dois elétrons na camada de valência. Para o cloro, você já dispõe das informações necessárias no texto. Os símbolos de Lewis de cada elemento são: O átomo de Mg precisa perder dois elétrons para ter seu octeto completo. O átomo de Cl só pode receber um elétron. Logo, a formação do MgCl2 se dará pela transferência dos dois elétrons do Mg, um para cada átomo de Cl, segundo o esquema: 3.b. Para resolver este exercício, você deve inicialmente consultar a Tabela 7.1. Os dados desta tabela indicam que o enxofre (S) pertence ao grupo 6A, tendo seis elétrons de valência; logo, ele pode completar o seu octeto ganhando 2 elétrons, o que leva ao ânion S2-. O alumínio (Al), por sua vez, pertence ao grupo 3A, tendo três elétrons de valência; ao perdê-los, forma-se o cátion Al3+. C E D E R J 105
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica A formação dos íons de metais de transição é mais difícil de se prever, pois nestes elementos pode-se retirar elétrons não só da subcamada mais externa, como também daquela de maior n. É por esta razão que alguns elementos podem formar mais de um íon. A Tabela 7.2 lista alguns dos íons formados pelos metais de transição mais comuns. Tabela 7.2: Íons dos metais de transição mais comuns Metal Íon Metal Íon Metal Íon Cádmio Cd2+ Cromo Cr2+, Cr3+ Mercúrio Hg22+ , Hg2+ Chumbo Pb2+, Pb4+ Estanho Sn2+, Sn4+ Níquel Ni2+ Cobalto Co2+, Co3+ Ferro Fe2+, Fe3+ Prata Ag+ Cobre Cu+, Cu2+ Manganês Mn2+, Mn3+ Zinco Zn2+ TAMANHO DOS ÍONS Quando elétrons são acrescentados ou retirados de um átomo neutro, o íon formado tem seu tamanho modificado. O tamanho de um íon depende: • da carga do núcleo; • do número de elétrons do íon; • dos orbitais em que os elétrons mais externos se encontram. É mais interessante comparar o tamanho do íon em relação ao átomo neutro que deu origem a ele. Observe a Figura 7.3: ela ilustra o que ocorre em um átomo quando se retiram ou se adicionam elétrons. A formação de um cátion implica a retirada de um ou mais elétrons de orbitais mais afastados do núcleo. Isso diminui a repulsão entre os elétrons restantes e aumenta a atração deles pelo núcleo. O oposto é verdadeiro para os íons negativos: quando elétrons são adicionados para formar um ânion, o aumento da repulsão entre eles faz com que se espalhem mais no átomo. 106 C E D E R J
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    7 AULA a) -e b) +e Figura 7.3: (a) A retirada de elétrons faz o átomo diminuir; (b) a adição de elétrons faz o átomo aumentar. Finalmente, devemos considerar o tamanho de íons de mesma carga e de mesma família química (ou grupo da Tabela Periódica). Tal como o raio atômico cresce ao longo de um grupo, o tamanho do íon deve acompanhar essa tendência, pois cada elemento de uma mesma família tem elétrons mais externos em camadas com n crescentemente maior. Os íons gerados terão a mesma carga, mas seu tamanho cresce ao longo do grupo. ! Vamos resumir estas idéias da seguinte forma: • cátions são menores do que os átomos neutros que os originaram; • ânions são maiores que os átomos neutros que os originaram; • os íons de uma mesma família têm a mesma carga e aumentam de tamanho ao longo de seu grupo na Tabela Periódica. Acompanhe o exemplo a seguir para verificar se ficou tudo claro. Exemplo 5: Arranje os átomos e íons em ordem decrescente de tamanho: Na+, K+ e K. Solução: Sabemos que os cátions são menores que os átomos neutros de origem. Logo, K > K+. O Na+ e o K+ são íons de elementos do mesmo grupo, com o potássio no período n = 4 e o sódio com n = 3. Logo K+ > Na+. Então o ordenamento final é: K > K+ > Na+ C E D E R J 107
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica ATIVIDADE 4. Ordene as espécies a seguir em ordem crescente de tamanho: S2-, O2-, O __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Consultando a Tabela Periódica, você vai verificar que o S e o O pertencem ao mesmo grupo. Sabendo que um ânion é maior que o átomo neutro, então S < S2-. Entre os átomos neutros de O e de S, temos que O < S. Então o ordenamento é: O < S < S2- CONCLUSÃO Os átomos combinam-se entre si devido a forças atrativas que levam à formação de ligações químicas entre eles. Uma forma de combinação é dada pela transferência de elétrons de um átomo com baixa energia de ionização para outro com grande afinidade eletrônica. Este processo leva à formação de redes cristalinas formadas por íons, definindo um composto iônico. ATIVIDADE FINAL Considere os átomos de Ga e I: a. Que tipo de ligação se espera entre eles? Justifique sua resposta. b. Qual é o símbolo de Lewis de cada um destes elementos? c. Qual é o símbolo de Lewis do composto formado entre eles? d. Qual dos dois íons é maior? Justifique sua resposta. ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 108 C E D E R J
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    RESPOSTA COMENTADA 7 Em primeiro lugar, você deve verificar a posição dos elementos considerados AULA na Tabela Periódica. O Ga pertence ao grupo 3A; e o I, ao grupo 7A. Ambos são elementos representativos. O Ga é um metal e o I um não-metal. Com estas informações, podemos responder às questões propostas. a. Como o Ga é um metal e o I um não-metal, espera-se uma ligação iônica entre eles. b. O Ga tem três elétrons de valência, e o I tem sete. Assim, os símbolos de Lewis para cada elemento são: c. O Ga ganhará a configuração do octeto se perder seus três elétrons externos; o I precisa receber um elétron para formar o octeto. Desta forma, o Ga cede um elétron para cada átomo de I (em um total de três), formando o composto iônico GaI3. Neste composto, a proporção entre os átomos é de um de Ga para três de I. A representação do processo, usando os símbolos de Lewis, é: d. Para responder a esta pergunta, você deve inicialmente pensar na tendência de crescimento do raio atômico dos elementos neutros na Tabela Periódica (veja a aula anterior!). O Ga está no quarto período (n = 4) da Tabela; o I, no quinto, e mais à direita que o Ga. Logo, pela tendência de crescimento do raio atômico, o I é maior que o Ga. Ao formar os íons, o Ga diminui ao passar para Ga3+, e o I aumenta ao passar para I-. Desta forma, o I- é menor que o Ga3+. RESUMO Os elétrons de valência são os responsáveis pela formação das ligações químicas, que podem ser iônicas, covalente ou metálica. Na ligação covalente, há a transferência de um ou mais elétrons de um átomo para outro, até que cada átomo complete seu octeto. Os íons formados têm seus tamanhos alterados em relação aos átomos neutros. C E D E R J 109
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação iônica INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai estudar a ligação covalente, aquela em que os elétrons são compartilhados entre os átomos. 110 C E D E R J
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    8 AULA Combinações entre átomos: a ligação covalente Meta da Metas da aula Descrever a formação da ligação covalente. Caracterizar um composto covalente. Desenhar o diagrama de pontos e o diagrama de ligações para um composto covalente formado pelos elementos representativos. Definir eletronegatividade e definir as tendências da eletronegatividade ao longo da tabela periódica. Diferenciar uma ligação polar de uma ligação apolar. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Construir os diagramas de pontos e de ligações para combinações covalentes entre átomos. • Ordenar as ligações em ordem crescente de polaridade. Pré-requisitos Você precisa saber representar os símbolos de Lewis dos elementos e a regra do octeto para com- preender o conteúdo desta aula. Estes assuntos foram tratados na Aula 7. Você deverá rever tam- bém energia de ionização e afinidade eletrônica, apresentados ao final da Aula 6.
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente INTRODUÇÃO Já vimos que as substâncias iônicas possuem várias propriedades característi- cas, tais como alto ponto de fusão e alta condutividade elétrica. A maioria das substâncias não possui as características dos compostos iônicos. À temperatura ambiente, as substâncias são líquidas ou gasosas; se sólidas, têm baixo ponto de fusão. Para descrevê-las e explicar as suas propriedades, precisamos de outro modelo de ligação química, que você vai aprender na aula de hoje. A LIGAÇÃO COVALENTE Átomos que têm atração semelhante por elétrons não podem unir- se por ligações iônicas. Neste caso, os seus octetos ficam completos por compartilhamento de elétrons, formando uma ligação covalente. ! Uma ligação covalente surge quando dois núcleos atraem os mesmos elétrons, geralmente arrumados em pares. Figura 8.1: Em uma ligação covalente, dois núcleos atraem os mesmos elétrons. Quando dois ou mais átomos compartilham elétrons através de ligações covalentes, a unidade resultante é uma molécula. Os compostos covalentes são formados por moléculas que, por sua vez, são formadas por átomos unidos por ligações covalentes. Os elementos não-metálicos formam normalmente ligações covalentes. Alguns destes elementos existem na Natureza com dois átomos unidos por uma ligação covalente. As moléculas assim formadas são ditas moléculas diatômicas. Vamos estudar mais detalhadamente duas delas: a molécula de Cl2 e a molécula de H2. ! Elementos que existem como moléculas diatômicas à temperatura ambiente são: Hidrogênio (H2) Flúor (F2) Iodo (I2) Nitrogênio (N2) Cloro (Cl2) Oxigênio (O2) Bromo (Br2) 112 C E D E R J
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    Cada átomo decloro tem sete elétrons de valência (confira!) e 8 precisa de mais um para completar o seu octeto. O símbolo de Lewis AULA do cloro mostra que existe um elétron desemparelhado na camada de valência (confira novamente!). Ao compartilhar um par de elétrons, formado por cada um dos elétrons desemparelhados, cada átomo de cloro adquire o seu octeto. De forma semelhante, cada átomo de hidrogênio tem um elétron na sua camada de valência. O compartilhamento de um par de elétrons, cada um proveniente de um dos dois átomos de H, permite que cada átomo complete a sua camada de valência com dois elétrons. O diagrama de pontos representativo dessas combinações está ilustrado na Figura 8.2. Nela incluímos também o diagrama de ligações, em que cada par compartilhado é representado por um traço unindo os dois átomos; este traço simboliza uma ligação simples (ou ligação de um par de elétrons). Figura 8.2: Diagrama de pontos e diagrama de ligações para as combinações entre dois átomos de cloro e dois átomos de hidrogênio. Moléculas diatômicas formadas por átomos iguais são ditas homonucleares. É possível que dois átomos diferentes formem ligações covalentes. Moléculas diatômicas formadas por átomos distintos são ditas heteronucleares. A molécula de fluoreto de hidrogênio (HF), por exemplo, é formada pela ligação covalente entre o H e o F, como ilustrado na Figura 8.3. Figura 8.3: Diagrama de pontos e diagrama de ligações para as combinações entre um átomo de flúor e um átomo de hidrogênio. C E D E R J 113
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente ATIVIDADE 1. Construa o diagrama de pontos e o de ligações para as moléculas de F2 e de HCl: ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para resolver o exercício desta atividade, você precisa inicialmente escrever os símbolos de Lewis do flúor e do hidrogênio e do cloro: O flúor pode completar seu octeto compartilhando um par de elé- trons com outro átomo de flúor; da mesma forma, o hidrogênio e o cloro completam seus octetos se ambos compartilharem um par de elétrons. Os diagramas de pontos e de ligações são dados a seguir: LIGAÇÕES MÚLTIPLAS Freqüentemente, um octeto estável de elétrons só pode ser atingi- do se mais de um par de elétrons for compartilhado entre dois átomos. Dizemos que há uma ligação múltipla entre os átomos. Dependendo do número de pares de elétrons compartilhados (NPE), teremos os seguintes tipos de ligação: 114 C E D E R J
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    8 NPE Tipo de ligação Símbolo AULA 1 Simples – 2 Dupla = 3 Tripla = Nada melhor do que observar na prática como as ligações ocor- rem. Para tal, você verá exemplos de quatro moléculas. Exemplo 1: A molécula de O2 O oxigênio pertence ao grupo 6A, tendo seis elétrons na camada de valência. O símbolo de Lewis para o átomo de oxigênio é: Obs: Todas estas representações são equivalentes! A combinação de dois átomos de oxigênio forma um octeto estável se dois pares de elétrons forem compartilhados: Na molécula de O2, há uma ligação dupla entre os átomos de oxigênio. Observe que cada átomo fica rodeado por oito elétrons, sendo que quatro deles (dois pares) são comuns aos dois átomos. Exemplo 2: A molécula de CO2 O carbono pertence ao grupo 4A, tem, portanto, quatro elétrons de valência. Só há uma forma de construir o símbolo de Lewis para este elemento: Ele pode completar seu octeto formando duas ligações duplas, uma com cada átomo de oxigênio. O diagrama de pontos e de ligações da formação do CO2 é: C E D E R J 115
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente Exemplo 3: A molécula de N2 O nitrogênio pertence ao grupo 5A e tem cinco elétrons de valên- cia. Seu diagrama de Lewis é: Obs: Todas estas representações são equivalentes! A combinação de dois átomos de N se dá pelo compartilhamento de três pares de elétrons, levando à formação de uma ligação tripla. O diagrama de pontos e de ligações é: Observe como cada átomo compartilha três pares de elétrons, completando o seu octeto! Exemplo 4: A molécula de H2O Já sabemos os símbolos de Lewis para o oxigênio e o hidrogênio: Observe que o octeto do oxigênio pode ser completado se este átomo compartilhar dois pares de elétrons; cada par terá um elétron vindo dele e o outro de um átomo de hidrogênio. Haverá, então, a formação de duas ligações simples O-H: ! É importante observar que o diagrama de pontos não indica a forma de uma molécula. Se você observar as representações para o CO2 e para a H2O, verá que não pode inferir delas a geometria de cada uma destas espécies. Este assunto será tratado futuramente. 116 C E D E R J
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    ATIVIDADE 8 AULA 2. Escrever os diagramas de pontos e os de ligação para os compostos covalentes formados entre: a) nitrogênio e hidrogênio b) carbono e enxofre c) carbono e flúor ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você deve proceder da mesma forma que na Atividade 1, escre- vendo inicialmente os símbolos de Lewis dos elementos que vão combinar-se e completando os seus octetos por compartilhamento de elétrons. a) Os símbolos de Lewis para o nitrogênio (grupo 5A) e hidrogênio (grupo 1A) são: Observe que qualquer das representações para cada um dos dois elementos é válida. Para completar o seu octeto, o N precisa formar três pares de elétrons, compartilhando-os com os átomos de H. Como o H só pode ter um par de elétrons em sua camada de valência, o octeto do N só pode ser completado se três H formarem ligações simples com o átomo de N, formando a amônia, NH3. O diagrama de pontos e de ligações é: b) Os símbolos de Lewis do C (grupo 4A) e do Br (grupo 7A) são: C E D E R J 117
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente Para o carbono completar o seu octeto, precisa formar quatro pares de elétrons com átomos de Br. Como cada átomo de Br precisa compartilhar apenas um par de elétrons para ter seu octeto completo, o C deve ligar-se a quatro átomos de Br, formando o CBr4 (tetrabromometano): c) Os símbolos de Lewis para o C (grupo 4A) e o S (grupo 6A) são: Para completar seu octeto, o C precisa compartilhar quatro pares de elétrons e o S, dois. Assim, um átomo de carbono pode unir-se a dois átomos de enxofre por ligações duplas, segundo o esquema a seguir (idêntico ao da formação do CO2): ÍONS POLIATÔMICOS Um íon poliatômico é um grupo de átomos unidos por ligações covalentes e que tem uma carga elétrica. Eles são estáveis o suficiente para que o grupo, como um todo, participe da maioria das reações químicas sem fragmentar-se. Algumas vezes esses íons são formados, a partir de moléculas, pela retirada ou ganho de um ou mais elétrons nestas moléculas. Alguns exemplos de íons poliatômicos são listados na Tabela 8.1 a seguir: Tabela 8.1: Alguns íons poliatômicos Nome comum Fórmula Nome comum Fórmula do íon do íon Amônio NH4+ Nitrito NO2- Acetato C2H3O-2 Oxalato C2O42- Carbonato CO 2- 3 Permanganato MnO - 4 118 C E D E R J
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    8 Bicarbonato HCO3- Peróxido O2-2 CN- PO -3 AULA Cianeto Fosfato 4 Clorato ClO4- hidrogenofosfato HPO42- Dicromato Cr2O72- Sulfato SO 2- 4 Hidroxila OH- Sulfito SO32- Hipoclorito ClO- Hidrogenossulfito HSO - 3 Nitrato NO - 3 Tiossulfato S2O32- POLARIDADE DAS LIGAÇÕES Eletronegatividade Quando uma ligação covalente acontece entre dois átomos iguais, é fácil imaginar que os dois elétrons sejam atraídos com a mesma intensidade por cada um dos núcleos dos átomos formadores da ligação. Isso é o que acontece, por exemplo, nas moléculas de F2 ou de H2. E quando os átomos são diferentes? Neste caso, é possível (e este quase sempre é o caso) que um dos átomos tenha uma tendência maior em atrair elétrons do que o outro. Então, o par (ou pares) de elétrons deve estar deslocado na direção do átomo com maior tendência em atrair elétrons. ! Eletronegatividade é a habilidade que um átomo tem em atrair elétrons. Representa-se a eletronegatividade de um elemento pela letra grega χ (lê-se ki). Um átomo é tanto mais eletronegativo quanto maior for sua tendência em atrair elétrons. A eletronegatividade de um átomo depende: • de sua energia de ionização; • de sua afinidade eletrônica. Se a energia de ionização é alta, o átomo tem dificuldade em perder elétrons; se a afinidade eletrônica é alta, ele tem facilidade em ganhar elétrons. ! Podemos concluir que átomos com alta energia de ionização e alta afinidade eletrônica são muito eletronegativos. C E D E R J 119
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente Na Tabela Periódica, a eletronegatividade: • aumenta ao longo de um período (da esquerda para a direita); • aumenta ao longo de um grupo (de baixo para cima). Então, devemos esperar que o flúor seja o elemento mais eletro- negativo; e o césio, o menos eletronegativo. ! Fique atento, pois alguns metais de transição não obedecem a essa regra! Foram criadas várias escalas para estimar a eletronegatividade dos átomos. A mais antiga e mais usada foi proposta por Linus Pauling. Os valores de eletronegatividade de alguns elementos, na escala de Pauling, são dados na Tabela 8.2 a seguir: Tabela 8.2: Escala de Pauling de eletronegatividade (χ) de alguns elementos Átomo χ Átomo χ Átomo χ Átomo χ Átomo χ H 2,1 Be 1,6 Co 1,9 C 2,5 F 4,0 Li 1,0 Mg 1,2 Cu 1,9 N 3,0 Cl 3,0 Na 0,9 Ca 1,0 Fe 1,8 O 3,5 Br 2,8 K 0,8 Sr 1,0 Cr 1,6 S 2,5 I 2,5 Cs 0,7 Ba 0,9 Zn 1,6 Se 2,4 At 2,2 Polaridade das ligações e eletronegatividade A forma como os pares de elétrons são compartilhados entre os átomos determina a polaridade de uma ligação. Em uma ligação apolar, os elétrons são igualmente compartilhados pelos átomos que formam a ligação. Em uma ligação polar, um dos átomos exerce uma atração maior pelos pares de elétrons do que o outro átomo. ! Da definição de eletronegatividade, você pode concluir que: a) ligações covalentes apolares ocorrem entre átomos de mesma eletrone- gatividade; b) ligações covalentes polares ocorrem entre átomos de eletronegatividade diferente. 120 C E D E R J
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    É a diferençade eletronegatividade, representada por ∆χ (lê-se 8 delta ki), que determina a polaridade de uma ligação entre dois átomos. AULA Se os átomos que formam a ligação têm a mesma eletronegatividade (ou seja, se ∆χ = 0), a ligação é covalente apolar. Neste caso, os pares de elétrons envolvidos na ligação são igualmente compartilhados entre os dois núcleos dos átomos. É o caso das ligações entre dois átomos iguais, como as existentes nas moléculas diatômicas homonucleares. No extremo oposto estão as ligações onde ∆χ é tão grande que um dos átomos desloca completamente os elétrons de ligação para si. É o caso das ligações iônicas. A maioria das ligações está entre estes dois limites, sendo covalentes polares. Você pode visualizar o efeito de ∆χ na polaridade de uma ligação pelo quadro a seguir: ligação polar ligação apolar ligação iônica ∆χ= 0 polaridade cresce ∆χ grande ∆χ cresce Vamos considerar, por exemplo, as polaridades das ligações existentes nas moléculas de F2, HF e LiF. O quadro abaixo indica o tipo de ligação formada, se é covalente apolar (CA), covalente polar (CP) ou iônica (IO): Molécula F2 HF LiF ∆χ 0 1,9 3,0 Tipo de ligação CA CP IO Um valor de ∆χ >2,0 é indício de uma ligação fortemente polar ou iônica. ATIVIDADE 3. Ordene as ligações a seguir por ordem decrescente de polaridade: a) H-F; H-Cl; H-Br; H-I b) Li-H; Na-H; K-H; Rb-H ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ C E D E R J 121
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    Elementos de QuímicaGeral | Combinações entre átomos: a ligação covalente ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você pode resolver os exercícios dessa atividade consultando a Tabela 8.2 e calculando ∆χ para cada par de átomos envolvidos na ligação. No entanto, se você observar melhor, verá que as ligações do item (a) são todas entre H e um halogênio. Sabemos quem para um mesmo grupo, a eletronegatividade diminui ao longo do grupo (de cima para baixo). Então, o ordenamento fica: H–F > H–Cl > H–Br > H–I No item (b), novamente o H está ligado a elementos do mesmo grupo (os metais alcalinos). Entretanto, ao contrário do item (a), ele é o elemento mais eletronegativo. Então, o ordenamento será: Rb–H > K–H > Na–H > Li–H. CONCLUSÃO Nesta aula, você aprendeu uma nova forma pela qual os átomos podem se combinar. Este tipo de ligação, em que os átomos compartilham elétrons, responde pela formação de maior parte das moléculas conhecidas. ATIVIDADE FINAL O íon ClO- foi listado na Tabela 8.1: a) obtenha o diagrama de pontos e o de ligações deste íon; b) a substituição do Cl pelo I levaria a uma espécie mais polar? Justifique a sua resposta. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 122 C E D E R J
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    8 RESPOSTA COMENTADA a) Inicialmente, você deve verificar que não se trata de uma espécie AULA neutra e sim de um íon com carga total igual a -1. Os símbolos de Lewis do Cl e do O são conhecidos: e Para completar seu octeto, o átomo de Cl precisa compartilhar apenas um par de elétrons com o O, resultando numa ligação simples. O oxigênio neutro precisa de dois pares de elétrons. Entretanto, há um elétron adicional que, entrando no átomo de O, completa seu octeto. Assim, o diagrama de pontos e de ligações será: ou b) O I está abaixo do Cl na Tabela Periódica (ambos são do mesmo grupo). Portanto, sua eletronegatividade é menor e a ligação I-O deve ser mais polar, já que a diferença de eletronegatividade (∆χ) aumenta se substituirmos o Cl pelo I na ligação com o oxigênio. RESUMO As ligações covalentes são formadas entre átomos que compartilham um ou mais pares de elétrons. Elas ocorrem normalmente entre os não-metais. Dependendo da diferença de eletronegatividade entre os átomos envolvidos nas ligações, elas podem ser polares ou apolares. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Você vai aprender, na próxima aula, a sistematizar a representação do diagrama de ligações, obtendo a estrutura de Lewis de um composto. C E D E R J 123
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    9 AULA Estruturas de Lewis: Parte I Metas da aula Enunciar as regras para escrever a estrutura de Lewis de um composto; discutir exemplos de obtenção das estruturas de Lewis de compostos formados por elementos representativos. objetivo Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Escrever a estrutura de Lewis de compostos neutros ou de íons formados por elementos representativos. Pré-requisitos Tudo que você aprendeu sobre símbolos de Lewis dos elementos e diagramas de pontos e de ligações é essencial para a compreensão desta aula. Reveja rapidamente as Aulas 7 e 8 antes de começar a ver este novo conteúdo.
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte l INTRODUÇÃO Na aula anterior, você aprendeu a representar o diagrama de pontos e de ligações entre um grupo de átomos. A combinação dessas duas representações é uma estrutura de Lewis. Nesta aula, você vai aprender a representar a estrutura de Lewis de compostos formados por elementos representativos. ESTRUTURAS DE LEWIS A estrutura de Lewis é a representação que combina os símbolos de Lewis dos átomos formadores de um composto com o diagrama de ligações entre seus átomos. As estruturas de Lewis são úteis na compreensão da ligação química de muitos compostos. São freqüentemente usadas para discutir as propriedades das moléculas. As estruturas finais obtidas nos exemplos e exercícios da aula anterior são estruturas de Lewis, mas é importante que você aprenda a escrevê-las de forma sistemática. Esta é uma tarefa que você deve esforçar-se em fazer! ! Nesta aula, vamos considerar apenas os casos em que o composto é formado por átomos de elementos representativos da Tabela Periódica. Verifique na Aula 6 quais são os elementos representativos e onde eles estão localizados. REGRAS PARA REPRESENTAR A ESTRUTURA DE LEWIS DE UM COMPOSTO “Mas como eu faço para representar a estrutura?” Para responder a esta pergunta, vamos demonstrar os procedimentos necessários. Siga os seguintes passos para escrever a estrutura de Lewis de um composto: 1. Conte os elétrons de valência de todos os átomos formadores do composto. Para isso, use, se necessário, a Tabela Periódica. Para um ânion, adicione um elétron para cada carga negativa. Para um cátion, subtraia um elétron para cada carga positiva. Não se preocupe em saber de onde vem cada elétron contado; somente o número total é importante. 2. Escreva os símbolos dos átomos para saber que átomos estão ligados, e una-os por ligações simples (uma linha, que representa 126 CEDERJ
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    um par deelétrons). As fórmulas químicas são geralmente 9 escritas na ordem em que os átomos estão ligados na molécula AULA ou no íon. Quando um átomo central tem um grupo de átomos ligados a ele, é representado primeiro na fórmula química. 3. Complete os octetos dos átomos ligados ao átomo central. 4. Coloque quaisquer elétrons restantes no átomo central, mesmo que, ao fazê-lo, ele fique com mais do que o octeto. 5. Se não existirem elétrons suficientes para completar o octeto do átomo central, tente ligações duplas ou triplas entre este e os seus vizinhos. Use um ou mais pares de elétrons dos átomos ligados ao átomo central para formar essas ligações. EXEMPLOS DE REPRESENTAÇÃO Vamos aplicar esse procedimento em alguns exemplos ilustrativos. Acompanhe atentamente o desenvolvimento das etapas e os comentários pertinentes. Exemplo 1: representar a estrutura de Lewis do tricloreto de fósforo, PCl3. • Primeiro passo: vamos somar os elétrons de valência de todos os átomos formadores do PCl3. Consultando a Tabela Periódica, vemos que o P pertence ao grupo 5A, e o Cl ao grupo 7A. Ambos são elementos representativos e têm cinco e sete elétrons de valência, respectivamente. Então, o número total de elétrons de valência é 5 + (3 × 7) = 26. • Segundo passo: vamos arrumar os átomos de forma a mostrar as ligações entre eles. Quase sempre existe mais de uma maneira pela qual os átomos podem ser arrumados para formar um composto. Em compostos com dois elementos, o primeiro elemento listado na fórmula química é geralmente envolvido pelos átomos restantes. Isto é particularmente verdadeiro em CEDERJ 127
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte l compostos do tipo ABn, em que A é o átomo central. No caso do PCl3, o P é o átomo central, estando ligado a três átomos de Cl. Começamos, então, com um esqueleto de estrutura, que mostra as ligações simples entre o P e os átomos de Cl: ! Não é crucial colocar os átomos como no arranjo mostrado. As estruturas de Lewis não são desenhadas para mostrar a geometria da molécula. É importante apenas que você mostre quais átomos estão ligados o quê! • Terceiro passo: vamos completar os octetos de todos os átomos ligados ao átomo central. É importante lembrar que cada ligação simples indica existir um par de elétrons compartilhados entre dois átomos. Ao completar os octetos dos átomos de Cl, temos um total de vinte e quatro elétrons: • Quarto passo: colocamos os átomos restantes no átomo central. A intenção aqui é completar seu octeto. Nesta etapa, é possível que o octeto do átomo central seja ultrapassado, ou que não se consiga completá-lo. Não é o caso, porém, do P no PCl3: Esta estrutura deu ao P um octeto (lembre-se de que cada par de elétrons na ligação é compartilhado também pelo P). Então, paremos por aqui. A representação obtida é a estrutura de Lewis do PCl3. Vamos praticar? 128 CEDERJ
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    ATIVIDADE 9 AULA 1.a. Quantos elétrons de valência devem aparecer na estrutura do CHCl3? 1.b. Represente a estrutura de Lewis do CHCl3 (o átomo de C é o átomo central). ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA 1.a. Para resolver esta atividade, você pode consultar diretamente a Tabela Periódica. Os átomos formadores da molécula de CHCl3 pertencem aos grupos 4A (C), 1A (H) e 7A (Cl). Todos são elementos representativos. Assim, o número de elétrons de valência de cada átomo é de 4 (para o C), 1 (para o H) e 7 (para o Cl). Uma vez que a molécula contém um átomo de C, um átomo de H e três átomos de Cl, o número de elétrons de valência da molécula é de 4 + 1 + (3 × 7) = 26. 1.b. A primeira etapa para a representação da estrutura de Lewis do CHCl3 já foi cumprida no item anterior. Sendo o C o átomo central, vamos agora fazer um esboço da estrutura, unindo a ele os demais átomos formadores da molécula por ligações simples: A seguir, vamos completar os octetos dos átomos unidos ao átomo central. Você deve lembrar que em cada ligação simples há um par de elétrons compartilhados entre dois átomos. Observe que o “octeto” do H já está completo, pois a ligação simples C-H já permite ao H ter dois elétrons na sua camada de valência. Teremos então o diagrama a seguir: CEDERJ 129
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte l Após completar os octetos dos átomos ligados ao C, você pode verificar que não sobram elétrons (os 26 foram utilizados). Entretanto, o octeto do átomo central também está completo, pois as quatro ligações simples permitiram que o C ficasse com oito elétrons ao seu redor (provenientes dos quatro pares de elétrons compartilhados com os átomos ligados a ele). Logo, a estrutura representada anteriormente é a estrutura de Lewis do CHCl3. Exemplo 2: representar a estrutura de Lewis do HCN. Solução: • Primeiro passo: o número de elétrons de valência de cada átomo é H = 1, C = 4 e N = 5 (Confira.). O número total de elétrons de valência é 10. • Segundo passo: as arrumações possíveis dos átomos unidos por ligações simples para formar o HCN são: Entretanto, como o átomo de H só pode acomodar dois elétrons, é possível formar somente uma ligação simples (isto descarta a última arrumação). A fórmula química, tal como escrita, indica que devemos escolher a primeira arrumação: • Terceiro passo: as duas ligações simples contêm quatro elétrons. Completando o octeto do N, vemos que os dez elétrons de valência foram consumidos: • Quarto e quinto passos: precisamos de quatro elétrons para completar o octeto do C. Eles só podem vir de dois pares de elétrons do N: 130 CEDERJ
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    • Isto indicaque C e N devem compartilhar três pares de elétrons, 9 formando uma ligação tripla. A estrutura de Lewis do HCN é, AULA então: ATIVIDADE 2. Represente a estrutura de Lewis do acetileno (C2H2 ): __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você já sabe que cada átomo de C tem quatro elétrons de valência, e cada átomo de H, dois. Então, o número total de elétrons de valência do C2H2 é (2 × 4) + (2 × 1) = 10. Um esquema de estrutura pode ser obtido ligando-se os átomos por ligações simples: Observe que não há outro esquema, pois cada H só pode formar uma ligação simples com qualquer átomo. Os “octetos” dos átomos de H já estão completos. SE tentarmos completar o octeto de um dos átomos de C, o outro fica incompleto: O problema é resolvido quando os dois pares de elétrons forem compartihados pelos átomos de C, levando à formação de uma ligação tripla: A última representação é a estrutura de Lewis do C2H2. CEDERJ 131
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte l Exemplo 3: representar a estrutura de Lewis do íon NO+. • Primeiro passo: o N tem cinco elétrons de valência, e o O, seis. O número total de elétrons de valência do NO é 11. Entretanto, por se tratar do cátion NO+, de carga +1, devemos retirar um elétron. Ficam, então, dez elétrons de valência no total. • Segundo passo: por se tratar de uma espécie química diatômica, só há uma forma de ligar os dois átomos por uma ligação simples: • Terceiro, quarto e quinto passos: qualquer um pode ser considerado o átomo central. Ao tentar completar o octeto de qualquer dos dois átomos, vemos que não conseguimos completar o octeto do outro: Deve haver uma ligação dupla ou tripla entre os dois átomos. Tentando uma dupla, vemos que não conseguimos, novamente, completar o octeto de um deles: Então, eles se ligam por uma ligação tripla: Veja que, no caso de íons, a estrutura de Lewis é representada entre colchetes. 132 CEDERJ
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    ATIVIDADE 9 AULA 3. Representar a estrutura de Lewis do íon PO43-: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Como nas atividades anteriores, você tem de começar contando os elétrons de valência dos átomos formadores do PO43-. O fósforo e o oxigênio pertencem aos grupos 5A e 6A, respectivamente. Então, cada átomo de P contém cinco elétrons de valência; e cada átomo de O, seis. O número total de elétrons de valência do PO4 neutro é 5 + (4 × 6) = 29. Entretanto, o ânion PO43- tem mais três elétrons que a espécie neutra que lhe dá origem. Logo, para este íon, o número total de elétrons é 32. A seguir, você deve desenhar o esqueleto da estrutura, ligando o átomo central (P) aos átomos de O por ligações simples: O próximo passo é completar o octeto dos átomos de O: Observe que, ao terminar de completar os octetos dos átomos de O, a estrutura está pronta, pois o P já tem seu octeto completo. É conveniente colocar esta estrutura entre colchetes e assinalar a carga do íon: Esta é a estrutura de Lewis do PO43-. CEDERJ 133
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte l CONCLUSÃO As estruturas de Lewis são representações convenientes das carac- terísticas fundamentais de ligações entre os átomos. Por meio delas, podemos determinar como o octeto de cada átomo pode ser completado pela formação de ligações simples, duplas ou triplas entre eles. ATIVIDADE FINAL As moléculas de CH4, NH3 e H2O são isoeletrônicas (têm o mesmo número de elétrons), mas têm estruturas e propriedades totalmente distintas. Represente as estruturas de Lewis dessas moléculas: ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Embora este exercício seja, de certa forma, mais simples que alguns que você resolveu nas atividades anteriores, ele tem grande importância, que será comentada durante sua resolução. Como você já sabe, o número de elétrons de valência de cada átomo leva a concluir que estas moléculas não só têm o mesmo número total de elétrons, como também o mesmo número de elétrons de valência (são isoeletrônicas na camada de valência). Todas têm oito elétrons de valência, e o esqueleto de estruturas de Lewis (considerando apenas ligações simples com o átomo central) é: 134 CEDERJ
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    Os “octetos” dosátomos de H já estão completos em todas as estruturas. O 9 octeto do C (no CH4) também está completo. Colocando os elétrons restantes AULA sobre o N e o O, ficamos com as estruturas finais a seguir: O ponto importante – e este é um comentário relevante que deve ser feito – é que as formas dessas três moléculas são completamente diferentes: o metano é tetraédrico, a amônia é piramidal e á água é plana e angular. Você não pode visualizar a forma das moléculas por meio das estruturas de Lewis, mas elas são o ponto de partida para fazê-lo. Esse assunto será abordado detalhadamente nas Aulas 11 e 12. RESUMO Para representar a estrutura de Lewis de um composto formado por elementos representativos, conte o número total de elétrons de valência dos átomos formadores do composto e distribua-os entre os átomos, de forma a completar, quando possível, os seus octetos. Você não vai visualizar a forma espacial do composto, mas terá noção de como os átomos se ligam para formá-lo. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, vamos estender a representação das estruturas de Lewis a sistemas mais complexos, nos quais o átomo central tem excesso ou falta de elétrons para completar o octeto, e para o caso em que mais de uma estrutura é compatível com a formação de ligações no composto. CEDERJ 135
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    10 AULA Estruturas de Lewis: Parte II Metas da aula Determinar a carga formal e número de oxidação de cada átomo em um composto; definir o conceito de estruturas de ressonância de um composto; analisar os casos em que a regra do octeto não pode ser aplicada com sucesso. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Calcular as cargas formais e os números de oxidação dos átomos formadores de um composto. • Representar as estruturas de ressonância de um composto. • Identificar quando um átomo terá seu octeto ultrapassado (ou quando não poderá ser completado). • Representar as estruturas de Lewis de compostos que não obedecem à regra do octeto. Pré-requisitos Você precisa saber as regras para a representação das estruturas de Lewis (este conhecimento foi adquirido na Aula 9); o conceito de eletronegatividade, discutido na Aula 8, também é essencial.
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II INTRODUÇÃO Na aula anterior, você aprendeu a representar a estrutura de Lewis de compostos. Os exemplos apresentados eram de casos simples, nos quais as regras funcionam sem maiores complicações. Nesta aula, vamos trabalhar com algumas situações um pouco mais complicadas. Nos exemplos que vamos apresentar, é preciso aplicar as regras ensinadas na aula anterior com alguns cuidados adicionais (ou até mesmo reconhecer que elas não são válidas!). CARGA FORMAL E NÚMERO DE OXIDAÇÃO Em alguns compostos, é possível desenhar mais de uma estrutura de Lewis compatível com a regra do octeto. Vamos exemplificar a situação com a molécula de CO2, cuja estrutura de Lewis foi estudada no Exemplo 2 da aula anterior: Se você refletir um pouco mais, verá que existe uma outra estrutura que também satisfaz a regra do octeto: Na estrutura I, o carbono forma duas ligações duplas com os átomos de oxigênio. Na estrutura II, há uma ligação simples com um dos átomos, e uma tripla com o outro. Qual das duas estruturas é a mais adequada? Uma forma de determinar a estrutura mais adequada de um conjunto de estruturas plausíveis é a análise da carga formal sobre cada átomo, em cada estrutura de Lewis. ! A carga formal de um átomo em uma molécula é a carga que o átomo teria se todos os átomos da molécula tivessem a mesma eletronegatividade. Em outras palavras, a carga formal é a carga que o átomo teria em um composto caso suas ligações fossem consideradas covalentes apolares. Para calcular a carga formal de qualquer átomo em uma estrutura de Lewis, contamos os elétrons de cada átomo, na estrutura considerada, da seguinte forma: 138 C E D E R J
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    • todos oselétrons não compartilhados ficam no átomo em 10 que se encontram. Vamos chamar o número desses elétrons AULA de NENC; • metade do número de elétrons compartilhados (NEC) em cada ligação é marcada em cada átomo que forma a ligação. O número desses elétrons para cada átomo é NEC/2. Então, o número total de elétrons em um átomo, em uma dada estrutura, é contado como NENC + NEC/2. A carga formal (CF) de um átomo é igual ao número de elétrons de valência do átomo isolado (NEV), menos o número de elétrons contados no átomo na estrutura de Lewis considerada, conforme a equação: CF = NEV – (NENC + NEC/2) Vamos acompanhar o exemplo a seguir para ver se ficou tudo claro. Exemplo: Determinar as cargas formais do C e do N no íon CN. Solução: A estrutura de Lewis do íon CN- é dada por: ! Verifique se a estrutura está correta. O quadro a seguir vai indicar a contagem dos elétrons em cada átomo para o cálculo da carga formal: Átomo NEV NENC NEC/2 CF C 4 2 6/2 = 3 4 - (2 + 3) = -1 N 5 2 6/2 = 3 5 - (2 + 3) = 0 Observe que a soma das cargas formais é igual à carga do íon. Isto é sempre verdadeiro, em qualquer situação, quer a molécula seja neutra ou carregada. Vamos praticar? C E D E R J 139
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II ATIVIDADE 1. Determine a carga formal sobre os átomos do íon ClO-: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para resolver este exercício, você precisa primeiramente escrever a estrutura de Lewis do ClO-. Use as regras que você aprendeu na aula anterior. A estrutura é: Em seguida, você deve identificar o NENC e o NEC em cada átomo para contar o número de elétrons no átomo considerado. Lembre-se de dividir NEC por dois (NEC/2). A seguir, você deve montar a tabela que vai permitir obter a carga formal (CF) sobre cada átomo: Átomo NEV NENC NEC/2 CF Cl 7 6 2/2 = 1 7 - (6 + 1) = 0 O 6 6 2/2 = 3 6 - (6 + 1) = -1 Observe que a soma das cargas formais é igual à carga do ânion ClO-, e que a carga mais negativa está no átomo mais eletronegativo. Vamos voltar agora ao caso do CO2, visto na primeira parte desta aula. O cálculo das cargas formais sobre cada átomo (nas estruturas I e II) está resumido no quadro a seguir. Acompanhe atentamente os números mostrados e confirme se estão corretos. 140 C E D E R J
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    10 Estrutura I II AULA Átomo O C O O C O NEV 6 4 6 6 4 6 NENC 4 0 4 6 0 2 NEC/2 2 4 2 1 4 6 CF 0 0 0 -1 0 +1 Observe que, em ambas as estruturas, a soma das cargas formais é zero, pois o CO2 é uma molécula neutra. Para decidir qual das possíveis estruturas de Lewis é a mais plausível, a regra geral é escolher aquela em que: 1. os átomos possuem as menores cargas formais em módulo; 2. quaisquer cargas negativas estejam nos átomos mais eletronegativos. Das duas estruturas, a de menor carga formal em módulo é a estrutura I. Além disso, na estrutura II, há uma carga positiva sobre um dos átomos de O, elemento mais eletronegativo que o C. Portanto, a estrutura mais adequada é a estrutura I. ! Isso está coerente com o fato, observado experimentalmente, de serem iguais os comprimentos das duas ligações C-O. A estrutura II não é coerente com esta observação, já que nela as ligações C-O são diferentes. A carga formal sobre um átomo é diferente do número de oxidação do átomo no composto. ! Número de oxidação (NOX) de um átomo é a carga que ele teria em um composto se suas ligações fossem consideradas completamente iônicas. Para determinar o NOX de um átomo, subtraímos do número de elétrons de valência do átomo (NEV) o número de elétrons sobre o átomo. Lembre-se de que eles são contados a partir da restrição de que C E D E R J 141
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II todos os elétrons compartilhados entre dois átomos vão para o átomo mais eletronegativo. Chamando este número de NET, temos que: NOX = NEV - NET A molécula de HF, por exemplo, tem a seguinte estrutura de Lewis: Para determinarmos o número de oxidação de cada átomo, o par de elétrons da ligação H-F deve ser contado no átomo de flúor. Logo, não ficam elétrons sobre o átomo de H, e o átomo de F fica com oito elétrons. O quadro a seguir mostra o valor do número de oxidação em cada átomo do HF: Átomo NEV NENC NOX H 1 0 +1 Cl 7 8 -1 Observe que, tal como nas cargas formais, a soma dos números de oxidação é igual à carga total da molécula. O conhecimento dos números de oxidação é essencial para o estudo das reações de oxirredução, que você verá em breve no nosso curso. ! Note que nem as cargas formais nem os números de oxidação dão o valor real da carga sobre um átomo. Eles refletem duas situações extremas: a de átomos ligados por ligações covalentes apolares e a dos mesmos átomos ligados por ligações puramente iônicas. Em um modelo mais realista, a carga real sobre cada um dos átomos em um ligação polar tem um valor intermediário entre o da carga formal e a do número de oxidação. 142 C E D E R J
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    ATIVIDADE 10 AULA 2. Determine a carga formal e o número de oxidação de cada átomo nas seguintes moléculas e íons: Cl2, H2O, NO3-. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Tal como no exercício anterior, a primeira etapa consiste em escrever a estrutura de Lewis para cada molécula usando as regras que você aprendeu na aula anterior: Obs.: Há três maneiras equivalentes de escrever a estrutura de Lewis do NO3-. A representação listada é uma delas; as outras são obtidas trocando-se a posição da ligação dupla N=O. Você saberá mais sobre este assunto logo a seguir. A próxima etapa é contar o número de elétrons em cada átomo. Para obter a carga formal, some o NENC do átomo com metade do NEC entre ele e os demais átomos a que ele estiver ligado. Para obter o número de oxidação, transfira inicialmente os pares de elétrons compartilhados entre dois átomos para o mais eletronegativo; depois, conte o que ficou sobre cada átomo (NET). C E D E R J 143
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II Vamos montar duas tabelas: uma para o cálculo da CF, e outra para o cálculo do NOX. Tabela para o cálculo das cargas formais Molécula Cl H2O NO3- Átomos Cl Cl O H- -H N O- -O O NEV 7 7 6 1 1 5 6 6 6 NENC 6 6 4 0 0 0 6 6 4 NEC 2 2 4 2 2 8 2 2 4 NEC ÷ 2 1 1 2 1 1 4 1 1 2 CF 0 0 0 0 0 +1 -1 -1 0 Tabela para o cálculo dos números de oxidação Molécula Cl H2O NO3- Átomos Cl Cl O H- -H N O- -O NEV 7 7 6 1 1 5 6 6 6 O NET 7 7 8 0 0 0 8 8 8 NOX 0 0 -2 +1 +1 +5 -2 -2 -2 Observe que, no caso da molécula de Cl2 – cuja ligação é apolar –, não há como transferir elétrons para o átomo mais eletronegativo, visando à determinação do número de oxidação. Neste caso, esse conceito perde o sentido. Compare os valores das cargas formais com os dos números de oxidação para as outras espécies e verifique como são diferentes. Lembre-se de como cada uma dessas grandezas é definida e comprove a coerência dos resultados obtidos! 144 C E D E R J
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    ESTRUTURAS DE RESSONÂNCIA 10 AULA Você aprendeu que a molécula de CO2 pode ser representada por duas estruturas, mas que uma delas é mais adequada do que outra. RESSONÂNCIA Existem situações importantes em que o arranjo dos átomos não pode Estruturas de Lewis equivalentes ser descrito somente por uma única estrutura e que, além disso, todas as são denominadas estruturas compatíveis com a regra do octeto são igualmente plausíveis. estruturas de ressonância. Neste caso, dizemos que há R E S S O N Â N C I A entre tais estruturas. O primeiro exemplo importante é o do ozônio (O3). Duas estruturas de Lewis são possíveis e satisfazem à regra do octeto (você dever conferir se as estruturas estão corretas!): As duas estruturas são rigorosamente equivalentes; elas só diferem na posição da dupla ligação. Além disso, ambas são igualmente importantes, o que pode ser confirmado pela análise da carga formal sobre os átomos. A estrutura do ozônio não pode ser descrita senão por uma mistura das estruturas de ressonância I e II. Isto significa que a molécula tem sua própria identidade, que não pode ser descrita por nenhuma das estruturas de ressonância separadamente. As estruturas I e II prevêem, por exemplo, que as ligações O-O têm comprimentos diferentes. Vale lembrar que isto não se verifica experimentalmente, pois sabe-se que as ligações O-O do ozônio são iguais. ! A determinação experimental da geometria de moléculas em fase gasosa, como no caso do ozônio, é freqüentemente realizada pela técnica da espectroscopia de microondas. Nesta técnica, um pulso de radiação na região das microondas estimula a rotação das moléculas. Estas absorvem energia para aumentar o seu movimento rotacional e, dessa forma, produz-se um espectro no qual são registrados os comprimentos de onda da radiação absorvida, e que induziu a rotação das moléculas. A análise deste espectro permite determinar os comprimentos das ligações entre os átomos formadores da espécie química em estudo. O segundo exemplo importante é o benzeno (C6H6). Os seis átomos de carbono do benzeno estão arrumados em um anel hexagonal, e cada átomo de hidrogênio está ligado a um átomo de carbono. C E D E R J 145
  • 148.
    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II Um esqueleto básico para a representação da molécula (no qual os átomos estão unidos apenas por ligações simples) é mostrado a seguir: Duas estruturas de Lewis equivalentes satisfazem a regra do octeto: Nestas representações, são omitidas as ligações C-H e os símbolos dos átomos. Cada uma dessas estruturas contém três ligações simples C-C e três duplas C=C alternadas. A diferença entre elas está apenas na localização das ligações. O benzeno só pode ser descrito como uma combinação dessas estruturas. Suas propriedades são distintas das previstas por cada uma delas isoladamente. Sabe-se, por exemplo, que todas as ligações do benzeno têm o mesmo comprimento, que é intermediário entre o de uma ligação simples C-C e uma dupla C=C. Embora o comprimento das ligações C-C e C=C varie levemente de um composto para outro, pode-se tomar como valor médio 1,54 Å para a ligação simples, e 1,34 Å para a dupla. Dados experimentais mostram que, no benzeno, a distância entre dois átomos de C adjacentes é constante e igual a 1,40 Å. Este é o comprimento da ligação entre dois átomos de C nesta molécula. 146 C E D E R J
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    ATIVIDADE 10 AULA 3. Determine as estruturas de ressonância do íon NO3- (nitrato): ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Na atividade anterior, você já representou uma das possíveis estrutura de Lewis deste íon: Como já foi comentado, a troca da posição da ligação dupla N=O permite obter mais duas estruturas equivalentes: Estas são as três estruturas de ressonância do íon NO3-. EXCEÇÕES À REGRA DO OCTETO Para encerrar nossa aula, vamos comentar brevemente sobre algumas situações em que você não pode aplicar com sucesso a regra do octeto. a) Moléculas com número ímpar de elétrons A maioria das moléculas tem número par de elétrons. Entretanto, em algumas moléculas, o número de elétrons é ímpar. O exemplo típico C E D E R J 147
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II é a molécula de NO, que tem um total de onze elétrons de valência. Nesses casos, não é possível emparelhar completamente os elétrons, e não se pode completar o octeto de pelo menos um dos átomos. As estruturas de Lewis possíveis para esta molécula são: Entretanto, a análise da carga formal mostra que I é a estrutura mais consistente. b) Átomos com menos do que o octeto Este caso ocorre especialmente na formação de compostos com boro (B) e berílio (Be). O exemplo típico é a molécula de BF3. O B pertence ao grupo 3A, e o F, ao 7A. Dessa forma, a molécula de BF3 tem 24 elétrons de valência (confira!). Se seguirmos os passos para escrever a estrutura de Lewis desse composto, ao completar os octetos dos átomos de F ficamos com a estrutura a seguir: Você pode verificar que, nesta estrutura, o B tem seis elétrons. Podemos tentar completar o octeto do B formando uma ligação dupla entre ele e um dos átomos de F. Teremos então três estruturas ressonantes, mostradas a seguir: As estruturas II, III e IV são equivalentes entre si, mas não são equivalentes à estrutura I. O cálculo das cargas formais nos mostra que I é preferível, embora nela o átomo de B não esteja com seu octeto completo. 148 C E D E R J
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    c) Átomos commais do que o octeto 10 Este é, de longe, o caso mais importante e mais freqüente de AULA violação da regra do octeto. Ocorre quando o átomo central pertence aos períodos mais altos da Tabela Periódica (do terceiro em diante). A possibilidade de elétrons estarem em (ou ocuparem) orbitais d ou f permite que a última camada do átomo central possa ser completada com mais de oito elétrons. Essa situação é comum em compostos nos quais o átomo central é um elemento de transição; ocorre também em compostos formados entre os não-metais, desde que existam elétrons d ou f na camada de valência, ou orbitais d ou f que possam ser ocupados nessa camada. Como exemplo ilustrativo, vamos considerar o íon [ClF4]-. O átomo central (Cl) é um não-metal (sendo também um elemento representativo), mas pertence ao terceiro período da Tabela Periódica. Sua camada de valência contém orbitais d (que não são ocupados no átomo de Cl neutro e isolado). Assim, há a possibilidade do número de elétrons ao redor do Cl ultrapassar o octeto. Você pode verificar que existem 36 elétrons de valência nessa espécie. Ao ligar o átomo de Cl aos de F e completar os octetos destes, ficamos com a seguinte estrutura: Observe que o octeto do Cl já está completo, mas sobram ainda quatro elétrons. Estes são arrumados em pares em torno do átomo central, gerando a estrutura a seguir: C E D E R J 149
  • 152.
    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II ATIVIDADE 4. Em quais espécies a seguir a regra do octeto poderá não ser obedecida? Justifique sua resposta: a. C2H5OH; b. SF4 c. CF2Cl2 d. [Fe(CN)4]2- ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Das espécies citadas, três contêm elementos do terceiro período da Tabela Periódica: SF4 (contém S), CF2Cl2 (contém Cl) e [Fe(CN)4]2- (contém Fe). Entretanto, o átomo de Cl não é o átomo central no CF2Cl2 ; seu octeto não vai ser ultrapassado. Já S é o átomo central no SF4 , e Fe no [Fe(CN)4]2-. Portanto, é possível que os octetos do S e do Fe sejam ultrapassados. Você pode verificar se isto vai ou não ocorrer montando as estruturas de Lewis para estas espécies, que são: Observe que, nos dois casos, o octeto do átomo central é ultrapassado. CONCLUSÃO A base da representação de uma estrutura de Lewis é a regra do octeto. Há casos, porém, em que essa regra é violada; e outros, em que uma só estrutura não descreve adequadamente o composto químico. 150 C E D E R J
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    ATIVIDADES FINAIS 10 AULA 1. Calcule as cargas formais e os números de oxidação dos átomos presentes no íon CO32- (carbonato), e demonstre que essas grandezas são iguais em todas as estruturas de ressonância deste íon. ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A primeira etapa para resolver esta atividade é determinar o número total de elétrons de valência do ânion CO32-. Você já sabe que o C per- tence ao grupo 4A; e o O, ao 6A. Então, esse número é 4 + (3 × 6) para o CO3, e 4 + (3 × 6) + 2 = 24 para o CO32-. A seguir, você vai verificar que pode escrever três estruturas de Lewis equivalentes para o CO32-. São elas: Observe que as estruturas diferem apenas pela posição da dupla ligação. C E D E R J 151
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    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II O próximo passo é calcular a carga formal de cada átomo em cada uma das estruturas. A tabela a seguir mostra os valores que você deve encontrar ao calcular NENC, NEC/2 e CF = NEV – (NENC + NEC/2) em cada átomo: Estrutura I Estrutura II Estrutura III Átomo C O- -O C O= -O C =O O- O O O NEV 4 6 6 6 4 6 6 6 4 6 6 6 NENC 0 4 6 6 0 4 6 6 0 4 6 6 NEC/2 4 2 1 1 4 2 1 1 4 2 1 1 CF 0 0 -1 -1 0 0 -1 -1 0 0 -1 -1 É importante verificar que o valor da carga formal é o mesmo para cada tipo de átomo de cada estrutura: a carga formal sobre o C é nula; também o é sobre o O, Ligado ao C por uma ligação dupla. Já a carga formal sobre cada O, ligado ao C por uma ligação simples, vale -1; e também é a mesma em todas as estruturas. Também vale mencionar que a soma de todas as cargas formais é -2, carga total do íon. Para o cálculo do número de oxidação (NOX), você precisa do número de elétrons de valência de cada átomo (NEV) e do número total de elétrons sobre cada átomo. Você deve considerar que, nessa con- tagem, os elétrons compartilhados nas ligações vão sempre para o átomo mais eletronegativo. A tabela que você vai construir deve ter a seguinte forma: Estrutura I Estrutura II Estrutura III Átomo C O- -O C O= -O C =O O- O O O NEV 4 6 6 6 4 6 6 6 4 6 6 6 NET 0 8 8 8 0 8 8 8 0 8 8 8 NOX 4 -2 -2 -2 4 2 -2 -2 4 -2 -2 -2 CF 0 0 -1 -1 0 0 -1 -1 0 0 -1 -1 Veja como são diferentes os valores de CF e NOX para cada átomo! Eles correspondem a dois modelos limites de partição da carga eletrônica: em um, as ligações são vistas como covalentes apolares, e os átomos 152 C E D E R J
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    dividem igualmente oselétrons das ligações; no outro, os elétrons de 10 ligação são transferidos completamente para o átomo mais eletrone- AULA gativo, como em uma ligação puramente iônica. Observe também que a soma dos NOX de todos os átomos é a carga total do íon. 2. Embora os gases nobres sejam inertes, eles formam compostos com o flúor. Um exemplo típico é o XeF2. Represente a estrutura de Lewis deste composto e verifique se o octeto do Xe é ultrapassado. ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ Você pode resolver este exercício começando por escrever a estrutura de Lewis do XeF2. O Xe pertence ao grupo 8A, e o F, ao 7A. O número total de elétrons de valência é 8 + (2 × 7) = 22. Montando o esqueleto da estrutura e completando os octetos dos átomos de F, obtemos: C E D E R J 153
  • 156.
    Elementos de QuímicaGeral | Estruturas de Lewis: Parte II Você vai notar que sobram seis elétrons. Eles podem ser arrumados em pares em torno do átomo de Xe. Logo, o átomo central terá seu octeto ultrapassado. Isto é aceitável, pois o Xe pertence ao quinto período da Tabela Periódica. A estrutura de Lewis é: RESUMO Muitos sistemas podem ser representados por mais de uma estrutura de Lewis. Quando isso ocorre, uma análise das cargas formais sobre os átomos permite decidir qual das estruturas compatíveis é a mais consistente. Em casos em que mais de uma estrutura consistente pode ser escrita, o composto tem propriedades que não podem ser descritas por nenhuma das estruturas isoladamente. Por fim, há casos nos quais a regra do octeto não pode ser cumprida. O mais comum é ter um átomo central com mais de oito elétrons; nessa situação, o átomo central pertence ao período igual ou superior ao terceiro da Tabela Periódica. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai aprender a determinar a geometria de uma molécula a partir do conhecimento da sua estrutura de Lewis. 154 C E D E R J
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    11 AULA Forma das moléculas: Parte I Meta da Metas da aula Descrever os fatores que determinam a geometria de uma molécula; utilizar a teoria da repulsão dos pares de elétrons de valência para prever a geometria de moléculas simples. objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Determinar o número de pares de elétrons ligantes e não-ligantes em torno do átomo central A, em um composto ABn. • Determinar a geometriaS de um composto ABn utilizando o modelo RPECV. Pré-requisitos Os conhecimentos adquiridos nas aulas sobre estruturas de Lewis (Aulas 9 e 10) são indispensáveis para você compreender o conteúdo desta aula.
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I INTRODUÇÃO Você já sabe como representar a estrutura de Lewis das moléculas. Essas estru- turas dão bastante informação sobre a distribuição dos elétrons de valência nos átomos e sobre as ligações químicas formadas entre eles. Entretanto, elas não indicam como é a arrumação dos átomos no espaço tridimensional, ou seja, não definem a geometria da molécula. Nesta aula, você aprenderá um método para determinar a geometria de moléculas simples baseado na estrutura de Lewis das moléculas. TAMANHO E FORMA DAS MOLÉCULAS As moléculas são entidades muito pequenas, formadas por átomos arrumados no espaço tridimensional. Essa arrumação determina o ta- manho e a forma das moléculas. Estes dois fatores, por sua vez, definem muitas propriedades das substâncias. Uma pequena modificação na forma de uma droga usada como medicamento, por exemplo, pode alterar a sua eficiência ou fazer aparecerem efeitos colaterais. ! O tamanho e a forma de uma molécula são determinados: • pelo comprimento das ligações • pelos ângulos entre as ligações TETRAEDRO No metano (CH4), por exemplo, todas as ligações têm o mesmo O tetraedro é uma figura geométrica comprimento, e o ângulo entre duas ligações C-H é sempre igual a 109,5°. formada por quatro faces triangulares A arrumação dos átomos está ilustrada na Figura 11.1: Essa estrutura iguais. É um dos tridimensional é característica de um TETRAEDRO. Já o XeF4 tem também sólidos platônicos, figuras espaciais as quatro ligações iguais, mas arrumadas no plano na forma de um muito regulares e com propriedades quadrado, como também mostrado na mesma figura. geométricas bem definidas. Os demais sólidos platônicos são o cubo (seis faces quadradas), o octaedro (oito faces triangulares), o dodecaedro (doze faces pentagonais) e o icosaedro (vinte faces triangulares). Na Figura 11.2, você pode visualizar estas formas geométricas. Figura 11.1: Tanto o CH4 quanto o XeF4 têm quatro ligações iguais, mas geometrias completamente diferentes. 156 C E D E R J
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    11 AULA Tetraedro Cubo Octaedro Dodecaedro Icosaedro Figura 11.2: Representação dos cinco sólidos platônicos. Em um segundo exemplo, temos as moléculas de BF3 e NH3. Na primeira, os átomos se encontram em um plano, com o átomo de B no centro de um triângulo cujos vértices são átomos de F. No NH3, os átomos de H também estão em um plano, mas o átomo de N está fora deste, formando uma estrutura piramidal. Visualize estas formas na Figura 11.3: Figura 11.3: Os átomos do BF3 se arrumam em um plano; os do NH3, em forma de pirâmide. Mais um exemplo importante: na água (H2O), os três átomos estão em um plano, mas não em linha reta; já no CO2, os três átomos se alinham. Veja a geometria destas moléculas na Figura 11.4: Figura 11.4: Na molécula de H2O, os átomos se dispõem formando um ângulo característico; na de CO2, os átomos estão alinhados. C E D E R J 157
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I O que há em comum em todos os casos citados? Nas moléculas listadas anteriormente, existe um átomo central, (A) ligado a um número n de átomos iguais (B), formando compostos do tipo ABn. Você vai aprender agora um modelo que permite prever a geometria de compostos do tipo ABn. Nesta aula, vamos tratar apenas dos casos em que o átomo central A é de um elemento representativo da Tabela Periódica. A TEORIA DA REPULSÃO DOS PARES DE ELÉTRONS DE VALÊNCIA Tipos de pares de elétrons Observe a Figura 11.5. Nela estão ilustrados os arranjos mais estáveis que podemos obter quando dois, três e quatro balões são amarrados pelas suas extremidades. Para dois balões, a forma mais estável é a de um halter, fazendo um ângulo de 180° entre eles. O arranjo mais favorável para três balões é o de um triângulo eqüilátero; para quatro balões, um tetraedro. Figura 11.5: Arranjos mais estáveis de dois, três e quatro balões. Vamos dividir os pares de elétrons que se agrupam em torno do átomo central A, em uma molécula ABn, em dois tipos distintos: • pares ligantes, que estão em uma região do espaço entre A e cada um dos átomos B ao qual A está ligado; • pares não-ligantes (ou pares solitários), que estão em uma região do espaço em torno do átomo A. A soma do número de pares ligantes (NPL) com o número de pares não-ligantes (NPNL), em torno do átomo central A em uma molécula, é o número total de pares (NPA) em torno de A: 158 C E D E R J
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    11 NPA = NPL + NPNL AULA A água, por exemplo, tem a seguinte estrutura de Lewis: Existem, ao todo, quatro pares de elétrons em torno do átomo de oxigênio (NPA = 4): dois pares ligantes (NPL = 2), cada um entre o átomo de O e cada um dos átomos de H; e dois pares solitários, centrados no átomo de oxigênio (NPNL = 2). ATIVIDADE 1. Determine o número de pares ligantes, não-ligantes e o número total de pares em torno do átomo central, nas moléculas de metano (CH4) e amônia (NH3): ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você precisa inicialmente escrever as estruturas de Lewis das moléculas de CH4 e NH3 para fazer a contagem dos pares de elétrons em torno do átomo central de cada molécula. Estas estruturas foram obtidas na Atividade Final da Aula 9, e são: Então você pode construir uma tabela de resultados como a que se segue: Molécula CH4 NH3 NPL 4 3 NPNL 0 1 NPA 4 4 C E D E R J 159
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I Você deve comparar esses números com os da molécula de H2O, discutida no exemplo que precede esta atividade (para a H2O, NPL = 2, NPNL = 2 e NPA = 4). REPULSÃO ENTRE OS PARES DE ELÉTRONS Como os pares de elétrons são carregados negativamente, eles se repelem. Portanto, tendem a afastar-se ao máximo uns dos outros. Esta idéia é a base da teoria da repulsão dos pares de elétrons da camada de valência (RPECV). ! Segundo a teoria RPECV, o melhor arranjo de um dado número de pares de elétrons no espaço é aquele que minimiza a repulsão entre eles. Você pode agora verificar a analogia entre a arrumação dos balões e a dos pares de elétrons em torno do átomo central A de uma molécula ABn. As melhores arrumações dos pares eletrônicos dependem, obviamente, do número de pares em torno do átomo central A (NPA). A Tabela 11.1 indica os arranjos espaciais dos pares de elétrons, segundo o modelo RPECV. Tabela 11.1: Arranjos espaciais dos pares de elétrons em torno do átomo central A, em uma molécula ABn NPA Arranjo espacial Forma Ângulo entre os pares 2 Linear 180 3 Trigonal plano 120 4 Tetraédrico 109,5º 5 Bipirâmide 120º e 90º 6 Octaédrico 90º Uma bipirâmide trigonal é um arranjo no qual três átomos ficam em um plano, e os dois restantes ficam simetricamente acima e abaixo desses plano; a linha que passa por estes dois átomos corta o triângulo formado pelos três primeiros exatamente em seu centro, como na Figura 11.6. 160 C E D E R J
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    11 GEOMETRIA DAS MOLÉCULAS AULA Na Atividade 1, você contou os números de pares de elétrons em torno do átomo central nas moléculas de CH4, NH3 e H2O. Talvez tenha passado despercebido, mas o fato é que, embora o número total de pares (NPA) dessas moléculas seja o mesmo (NPA = 4), os valores de NPL e NPNL são diferentes. Consultando a Tabela 11.1, você seria tentado a Figura 11.6: Bipirâmide trigonal. Sua base é trian- dizer que as três moléculas são tetraédricas. Entretanto, somente o CH4 gular, e a linha que une os pontos acima e abaixo da é tetraédrico; NH3 é trigonal plano, e H2O é angular. base passa pelo centro do triângulo. ! A geometria de uma molécula é definida pelo arranjo espacial dos núcleos dos átomos que formam a molécula. No CH4, os quatro pares de elétrons em torno do átomo de C são pares ligantes. Portanto, na extremidade da região de cada par há um átomo de H. O arranjo espacial dos núcleos é o mesmo dos pares em torno do átomo central, e a molécula é tetraédrica. No NH3, três dos pares são ligantes, e um é não-ligante; das quatro regiões de pares de elétrons, só três têm extremidades ocupadas por átomos de H. O tetraedro não pode ser formado, pois o par solitário não está ligado a ninguém. Da mesma forma, na H2O somente duas das regiões de pares têm átomos de H em suas extremidades; os dois pares não-ligantes sobre o O não se ligam a ninguém. Verificamos assim que a geometria depende não só do número total de pares ligados ao átomo central (NPA), mas do número de pares ligantes (NPL) e dos não-ligantes (NPNL) sobre ele. A Tabela 11.2 determina a geometria das moléculas ABn em função desses números: Tabela 11.2: Geometria de moléculas simples ABn em função de NPA, NPL e NPNL NPA NPL NPNL Geometria Exemplo 2 2 0 Linear CO2 3 3 0 Trigonal plana BF3 2 1 Angular NO2– 4 4 0 Tetraédrica CH4 3 1 Piramidal trigonal NH3 2 2 Angular H2O C E D E R J 161
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I Regras para prever a geometria molecular de moléculas simples ABn pelo modelo RPECV Para prever a geometria nesta situação, siga os seguintes passos: 1. desenhe a estrutura de Lewis da molécula ou íon; 2. conte o número total de pares de elétrons em torno do átomo central (NPA). Nessa contagem, ligações duplas ou triplas são contadas como um só par; 3. conte os pares ligantes (NPL) e os não-ligantes (NPNL) em torno do átomo central. Nessa contagem, ligações duplas ou triplas são contadas como um só par ligante; 4. obtenha a geometria molecular, consultando a Tabela 11.2. Será que está claro? Vamos considerar agora alguns exemplos ilustrativos: Exemplo 1: Geometria da molécula de CO2. A estrutura de Lewis do CO2 já foi determinada na aula anterior: O átomo de C está ligado a cada átomo de O por uma ligação dupla. Nesta ligação, há dois pares de elétrons. Entretanto, como eles estão na mesma região, são contados como um par. Havendo duas ligações duplas, há dois pares de elétrons ligantes (NPL = 2). Não há pares não-ligantes no átomo de C (NPNL = 0). Assim, NPA = 2 + 0 = 2. Consultando a Tabela 11.2, verificamos que o CO2 é uma molécula linear, como já foi mostrado na Figura 11.4. Exemplo 2: Geometria da molécula de BF3. A estrutura de Lewis do BF3 também foi determinada na aula anterior: Existem três pares de elétrons ligantes (NPL = 3) e nenhum par solitário (NPNL = 0) em torno do átomo de B. Logo, NPA = 3. A Tabela 11.2 nos diz que a molécula é trigonal plana, como já foi mostrado na Figura 11.3. 162 C E D E R J
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    11 Exemplo 3: Geometria do íon NO2-. Duas estruturas ressonantes são possíveis para este íon: AULA ! É importante que você verifique se estas estruturas estão corretas. Qualquer uma das duas estruturas pode ser usada, pois elas são equivalentes, só diferindo na posição da dupla ligação N=O. Em cada uma, o N tem dois pares ligantes e um par não-ligante (lembre-se de que a ligação dupla – ou tripla – conta como um só par). Então, NPL = 2, NPNL = 1, NPA = 3, e o íon é plano angular. CONCLUSÃO O modelo RPECV fornece uma forma bastante conveniente de determinar a geometria de moléculas ABn, nas quais A é um elemento representativo, desde que se saiba construir as estruturas de Lewis da molécula em questão. ATIVIDADE FINAL 1. Utilizando o modelo RPECV, determine as geometrias das seguintes moléculas: a. PCl3 b. CF2Cl2 c. O3 _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ C E D E R J 163
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A primeira etapa para resolver esta atividade é construir a estrutura de Lewis das moléculas de interesse. A seguir, você vai contar os pares de elétrons ligantes e não-ligantes em torno do átomo central e, por fim, usar a Tabela 11.2 para determinar a geometria correspondente ao arranjo dos núcleos de cada espécie química. a. A estrutura de Lewis do PCl3 foi obtida no exemplo 1 da Aula 9: Há três pares de elétrons ligantes e um par não-ligante em torno do átomo de P. Logo, NPL = 3, NPNL = 1 e NPA = 4. A Tabela 11.2 informa que esta molécula tem a forma de uma pirâmide com base trigonal, tal como a molécula de NH3. b. Nesta molécula, o átomo central é o átomo de C. Podemos imaginar que dois dos átomos de F foram substituídos por átomos de Cl. A estrutura de Lewis desta molécula é: Há quatro pares de elétrons ligantes em torno do átomo central (e nenhum par não-ligante). Logo, NPA = NPL = 4, e a molécula deve ter a forma de um tetraedro irregular, pois as ligações C-F são de comprimento diferente das ligações C-Cl. Veja a representação geométrica desta molécula na Figura 11.7: 164 C E D E R J
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    11 AULA Figura 11.7: Na molécula de CF2Cl2, as ligações C-F têm comprimento menor que as C-Cl. Por isso, a molécula é um tetraedro irregular. c. Você tem as duas estruturas de Lewis ressonantes da molécula de O3 descritas na Aula 10: Qualquer uma delas pode ser usada para mostrar que o O central está cercado por dois pares de elétrons ligantes (lembre-se de que a ligação dupla conta como um par no modelo RPECV) e um par não-ligante. Então, NPL = 2, NPNL = 1 e NPA = 3. A molécula é angular plana, como no caso da H2O. Lembre-se de que, no caso de existirem estruturas ressonantes, as propriedades da molécula não são descritas por nenhuma das estruturas separadamente. Em particular, as distâncias entre as ligações O-O no ozônio são iguais. Dessa forma, a geometria da molécula é melhor representada pela Figura 11.8: Figura 11.8: A molécula de O3 é angular, com seus três átomos no plano. As distâncias entre as ligações O-O são todas iguais. RESUMO As moléculas se apresentam nas mais variadas formas e tamanhos. O conhecimento da estrutura eletrônica das moléculas permite fazer previsões sobre a sua forma. Um modelo simples considera que os pares de elétrons presentes na molécula tendem a se afastar o máximo possível para minimizar a repulsão entre eles. Este modelo leva à previsão da geometria de moléculas simples. C E D E R J 165
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte I INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, vamos estender o modelo RPECV de modo a englobar os casos em que o átomo central ultrapassa o octeto e quando não existe um único átomo central. 166 C E D E R J
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    12 AULA Forma das moléculas: Parte II Metas da aula Discutir a influência dos pares não-ligantes e das ligações múltiplas na geometria de uma molécula. Estender o modelo RPECV a moléculas ABn, no qual o átomo central está rodeado por mais de quatro pares de elétrons e a moléculas com mais de um átomo central. Discutir o efeito da geometria e da polaridade das ligações na determinação da polaridade de uma molécula poliatômica. Esperamos que, após o estudo do conteúdo objetivos desta aula, você seja capaz de: • Prever a extensão com que os ângulos de ligação são alterados pela presença dos pares não-ligantes e das ligações múltiplas. • Caracterizar a geometria de moléculas a qual o átomo central fica envolvido por mais de oito elétrons. • Caracterizar a geometria de moléculas com mais de um átomo central, dando ênfase aos ângulos entre as ligações. • Determinar a polaridade de moléculas poliatômicas com base nos dipolos das ligações e na geometria da molécula. Pré-requisitos Para a compreensão desta aula, você precisa de todo o conteúdo da aula anterior (Aula 11) e precisa se lembrar das regras para escrever as estruturas de Lewis, estudadas na Aula 9. É também importante que você reveja os conceitos de carga formal, número de oxidação e polaridade de ligação ensinados na Aula 8.
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II INTRODUÇÃO Na aula anterior, você aprendeu a determinar a geometria de moléculas simples ABn pelo método RPECV. Em sua forma mais simples, as geometrias previstas por este modelo consideram idênticas as repulsões entre pares de elétrons ligantes e não-ligantes. Nesta aula, vamos discutir o efeito dos pares não-ligantes e das ligações múltiplas na alteração dos ângulos de ligação previstos pelo modelo simples RPECV. Vamos estender este modelo a moléculas com cinco e seis pares de elétrons em torno do átomo central e a moléculas com mais de um átomo central. Por fim, discutiremos o efeito combinado da polaridade das ligações com a geometria da molécula para determinar a polaridade de moléculas poliatômicas. EFEITO DOS PARES NÃO-LIGANTES E DAS LIGAÇÕES MÚLTIPLAS NOS ÂNGULOS DAS LIGAÇÕES Vamos considerar as moléculas de metano (CH4), amônia (NH3) e água (H2O) que você estudou na aula anterior. Lá você aprendeu que todas elas contêm quatro pares de elétrons (NPA = 4) em torno do átomo central. Estes pares arrumam-se no espaço na forma de um tetraedro, com um ângulo de 109,5° entre eles (consulte a Tabela 11.1 da aula anterior). Este deveria ser o ângulo entre as ligações C-H no metano, N-H na amônia e O-H na água se os pares ligantes e não-ligantes fossem equivalentes. Entretanto, devemos considerar os seguintes pontos: • Os pares de elétrons ligantes são atraídos por dois núcleos, havendo uma redução na repulsão entre os elétrons nos pares. • Os pares de elétrons não-ligantes estão sobre um átomo, sendo atraídos por um só núcleo. Assim, os elétrons num par não- ligante experimentam uma maior repulsão. Estes fatos fazem com que a região em torno de um par não- ligante se expanda para compensar a repulsão entre os elétrons desse par. Logo, um par não-ligante ocupa mais espaço que um par ligante. Fazendo uma analogia com os balões de inflar, você pode pensar que um balão não-ligante é mais cheio que um ligante, como você pode ver na Figura 12.1. Figura 12.1: Pares ligantes e não- ligantes são como balões: os não- ligantes correspondem a balões mais cheios. Nesta figura, há dois pares ligantes e um não-ligante. 168 C E D E R J
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    12 AULA Ao se espalhar mais, um par não-ligante comprime mais os pares ligantes à sua volta. Isto faz diminuir o ângulo entre as ligações em que os pares ligantes estão envolvidos. Quanto maior o número de pares não-ligantes, menor deve ser o ângulo de ligação. Voltemos às moléculas consideradas no começo de nossa aula. O quadro a seguir resume o que se sabe sobre a estrutura e geometria destas moléculas (os dados nela contidos foram colhidos das Tabelas 11.1 e 11.2): Molécula CH4 NH3 H2O NPA 4 4 4 NPL 4 3 2 NPNL 0 1 2 Ângulo previsto 109,5° 109,5° 109,5° entre as ligações Ângulo experimental 109,5° 107° 104,5° entre as ligações A última linha deste quadro fornece o valor experimental dos ângulos entre as ligações nestas moléculas. Observe que para o NH3 o ângulo diminui do valor esperado, característico de um tetraedro (109,5°) para 107°. No caso da água, o valor é ainda menor (104,5°). Na Figura 12.2, indicamos estas modificações de geometria. a b c Figura 12.2: Os ângulos entre as ligações N-H no NH3 e O-H na H2O são menores que entre as ligações C-H no CH4. C E D E R J 169
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Distorções semelhantes nos ângulos de ligação são provocadas por ligações duplas e triplas. A concentração de carga negativa entre os átomos que formam estas ligações é maior que em uma ligação simples. Assim, elas funcionam como um par não-ligante: espalham-se mais no espaço e comprimem as ligações simples à sua volta, diminuindo os ângulos entre elas. Por exemplo, a molécula de fosgênio (COCl2) tem a seguintes estrutura de Lewis: Em torno do átomo de C, existem três regiões de pares de elétrons. Espera-se que, assim, o arranjo desses pares seja trigonal plano (veja a Tabela 11.1 novamente), formando um ângulo de 120° entre eles. Entretanto, a presença da ligação dupla C=O comprime as ligações C- Cl, diminuindo o ângulo entre elas de 120° para 111°. Observe o efeito desta contração na Figura 12.3 a seguir: Figura 12.3: A presença da ligação dupla C=O reduz o ângulo entre as ligações C-Cl no COCl2. Você não pode prever quantitativamente o ângulo correto entre as ligações, mas pode prever se haverá ou não diminuição do ângulo entre ligações em relação aos valores esperados no modelo RPECV simples. Para isto, basta que você saiba a relação entre o número total de pares de elétrons e de pares solitários, e ligações duplas e triplas em torno do átomo central. Vamos verificar se este conceito ficou claro, resolvendo o exercício da atividade a seguir. 170 C E D E R J
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    12 ATIVIDADE AULA 1. Utilize o modelo RPECV e o que você aprendeu sobre o efeito dos pares não-ligantes e das ligações múltiplas para determinar qual das seguintes espécies tem o menor ângulo entre as ligações N-H: NH2-, NH3, NH4+. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Como você pôde observar, todas as espécies têm oito elétrons de valência. A primeira etapa para resolver esta atividade é, então, representar as estruturas de Lewis de cada uma delas: Todas as espécies têm o mesmo número total de pares de elétrons de valência (NPA = 4) em torno do átomo central. Logo, o arranjo geométrico básico dos pares é o tetraedro. Entretanto, somente o íon NH4+ tem quatro pares de elétrons ligantes (NPL = 4, NPNL = 0); o ângulo entre as ligações N-H nesta espécie deve ser igual a 109,5°. O NH3 tem um par de elétrons não-ligantes e o NH2-, dois. Espera-se, portanto, que as ligações N-H no NH3 sejam menos comprimidas que no NH2-, sendo esta a espécie com o menor ângulo entre as ligações. GEOMETRIA DE MOLÉCULAS ABN ONDE O ÁTOMO CENTRAL TEM UM OCTETO ESTENDIDO Se o átomo central A numa molécula ABn pertencer a um período igual ou superior ao terceiro período da tabela periódica, é possível que, ao formar ligações, ele fique rodeado por mais de oito elétrons. Isso se deve ao fato de que, para estes átomos, podem existir elétrons d ou f em subcamadas estendidas, e a regra do octeto não funcione mais. Vamos ampliar a Tabela 11.2 da aula anterior para incluir estes casos. Novamente, tal como nos casos observados naquela tabela, o C E D E R J 171
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II arranjo espacial dos pares de elétrons depende do número total de pares em torno do átomo central (NPA); a geometria depende deste número, mas também do número de pares ligantes (NPL) e dos não-ligantes (NPNL). A contagem dos pares é feita da mesma forma que a descrita na aula anterior (reveja rapidamente as regras do método RPECV). A Tabela 12.1 indica as geometrias possíveis quando o número total de pares vale cinco ou seis. Estes são, certamente, os casos mais comuns e são os que nós estudaremos. Tabela 12.1: Geometria das moléculas ABn em função de NPA, NPL e NPNL Arranjo dos Ângulo entre NPA NPL NPNL Geometria Exemplo pares os pares Bipirâmide Bipirâmide 5 120° e 90° 5 0 PCl5 trigonal trigonal 4 1 Gangorra SF4 3 2 Forma de T ClF3 2 3 Linear XeF2 6 Octaedro 90° 6 0 Octaedro SF6 Pirâmide 5 1 BrF5 quadrada Quadrado 4 2 XeF4 plano Vamos acompanhar um pouco mais detalhadamente as informações desta tabela. O arranjo geométrico mais estável para cinco pares de elétrons é a bipirâmide trigonal. Você se lembra de como ela é? Recorde a Figura 11.6 da aula anterior e verifique que esta forma geométrica é a de duas pirâmides com uma base triangular comum. Numa molécula com esta forma, o átomo central se localiza no centro da base da pirâmide e os demais átomos (ou pares de elétrons) ocupam as posições dos seus vértices. Os átomos presentes na base da pirâmide estão em posição equatorial; os que estão acima e abaixo do plano que contém a base estão em posição axial. Se houver cinco pares de elétrons ligantes, isto indica que existem cinco átomos ligados ao átomo central e a molécula terá exatamente a geometria que acabamos de descrever. Um exemplo é dado pela molécula de PCl5. 172 C E D E R J
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    12 ! Como você pode inferir a figura geométrica que define a forma de uma molécula? Observe AULA a Figura 12.4.a, que mostra as ligações químicas entre o átomo central P e os átomos de Cl unidos a ele no PCl5. Ao unir os átomos de Cl (que rodeiam o átomo central) por linhas retas, você verá a bipirâmide trigonal ilustrada na Figura 12.4.b. a b Figura 12.4: O PCl5 tem a forma de uma bipirâmide trigonal, que é visualizada unindo-se os átomos de Cl por linhas retas. A redução do número de pares ligantes provoca a modificação da forma básica da bipirâmide trigonal para outras mais simples. A presença de um par solitário no átomo central leva à formação de uma estrutura em forma de gangorra, como o SF4. Para entender a origem desta forma geométrica, considere a Figura 12.5, que ilustra as duas possibilidades de localização do par de elétrons não-ligantes em torno do átomo de S no SF4. Ele pode ficar em posição equatorial ou em posição axial. Em posição equatorial, o par não-ligante forma um ângulo de 90° com os átomos de F axiais e de 120° com os equatoriais. Em posição axial, ele faz um ângulo de 90° com os três átomos de F contidos na base da pirâmide, provocando um efeito repulsivo maior. Logo esta última distribuição espacial é menos favorável e o par de elétrons não-ligantes se localiza no plano que contém a base da pirâmide (em posição equatorial). Figura 12.5: O par de elétrons não-ligantes do SF4 pode ficar em posição equatorial ou axial. A primeira é energeticamente mais favorável e tem a forma geométrica de gangorra. C E D E R J 173
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Considerações semelhantes explicam o arranjo geométrico em forma de T de moléculas com NPL = 5 e NPNL = 2 – como no ClF3 – ou o arranjo linear em moléculas com NPL = 5 e NPNL = 3 – como no XeF2, ilustrados na Figura 12.6. a b Figura 12.6: A molécula de ClF3 tem um arranjo espacial em forma de T; a de XeF2 é linear. Vamos agora considerar o caso em que o átomo central está rodeado por seis pares de elétrons. Voltando à Tabela 12.1, verificamos que o arranjo geométrico mais estável para este número de pares de elétrons é o octaedro. (Lembra-se do octaedro da Figura 11.1 da aula anterior?) Quando o átomo central é rodeado por seis pares ligantes (NPL = 6, NPNL = 0), o arranjo geométrico da molécula é um octaedro. É o caso do SF6, ilustrado na Figura 12.7. Figura 12.7: Na molécula de SF6, os átomos de F se arrumam em torno do S num arranjo octaédrico. A diminuição do número de pares ligantes (NPL) e o aumento do número de pares não-ligantes (NPNL) produzem outras geometrias. Os casos importantes são os que NPL = 5 e NPNL = 1, formando uma pirâmide quadrada, e NPL = 4 e NPNL = 2, em que a molécula adquire a forma geométrica de um quadrado. É o que ocorre nas moléculas de BrF5 e XeF4, respectivamente. Você pode ver estes arranjos na Figura 12.8. 174 C E D E R J
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    12 a b AULA Figura 12.8: As moléculas de BrF5 e XeF4 têm formas de uma pirâmide quadrada e de um quadrado, respectivamente. Embora tenhamos apresentado a geometria de várias espécies, não demonstramos que as formas obtidas são as previstas segundo o modelo RPECV. Vale a pena investigar um pouco mais sobre isso, e, por esta razão, propomos que você a faça na atividade a seguir. ATIVIDADE 2. Utilize o modelo RPECV para confirmar que o XeF2 é linear e que o XeF4 tem a forma de um quadrado. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA O Xe e o F pertencem aos grupos 8A e 7A, respectivamente. No XeF4 , o número total de elétrons de valência é 36; no XeF2, é 22. O esqueleto básico das estruturas de Lewis dos dois compostos é: observe agora que, embora o octeto do Xe esteja completo na primeira estrutura, ainda sobram quatro elétrons. Eles vão entrar como dois pares não-ligantes centrados no átomo de Xe. Na segunda estrutura, ainda sobram seis elétrons, que entram como três pares não-ligantes centrados também no Xe. As estruturas de Lewis completas para cada composto são: C E D E R J 175
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Na primeira estrutura, temos seis pares de elétrons em torno do átomo central (NPA = 6) com quatro pares ligantes (NPL = 4) e dois não- ligantes (NPNL = 2). A Tabela 12.1 informa que o arranjo geométrico da molécula é um quadrado plano. Já na segunda estrutura, temos cinco pares de elétrons em torno do átomo central (NPA = 5), com dois pares ligantes (NPL = 2) e três não-ligantes (NPNL = 3). A mesma tabela mostra que a molécula é linear. GEOMETRIA DE MOLÉCULAS COM MAIS DE UM ÁTOMO CENTRAL A maioria das moléculas que você vai encontrar tem mais de um átomo central. É o caso dos compostos orgânicos com mais de um átomo de carbono. Será que podemos prever a geometria destes compostos? É melhor responder a esta pergunta através de exemplos ilustrativos. Vamos considerar inicialmente a molécula do etanol (C2H5OH). A estrutura de Lewis deste composto é fácil de ser obtida utilizando-se as regras que você aprendeu nas aulas anteriores: I II III As linhas cheias cortando as ligações C-C e C-O indicam que podemos considerar a molécula como se tivesse três átomos centrais, os dois átomos de C e o átomo de O, marcados como I, II e III. Você pode montar um quadro em que, para cada átomo central, determinamos o número de pares totais (NPA), o número de pares ligantes (NPL) e o de pares não-ligantes (NPNL) em torno dele. O quadro vai ter a forma mostrada a seguir: 176 C E D E R J
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    12 Átomo Central C(I) C(II) O(III) AULA NPA 4 4 4 NPL 4 4 2 NPNL 0 0 2 Arranjo dos pares Tetraedro Tetraedro Tetraedro Geometria Tetraedro Tetraedro Angular Ângulo entre ligações 109,5° 109,5° <109,5° Vamos desenhar a molécula? A Figura 12.9 mostra a forma da molécula de etanol. Observe que o desenho está de acordo com as previsões do modelo RPECV. Figura 12.9: A forma da molécula de etanol (C2H5OH) pode ser obtida analisando-se as geometrias das partes formadas pelos três átomos centrais. Como segundo exemplo, considere a molécula de acetona (C3H6O), cuja estrutura de Lewis é: I II III A escolha dos átomos centrais deve estar clara para você. Eles são os átomos de C, numerados como I, II e III. Montando um quadro semelhante ao que foi feito para o etanol, obtemos as seguintes informações, que você deve conferir! C E D E R J 177
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Átomo Central C(I) C(II) C(III) NPA 4 3 4 NPL 4 3 2 NPNL 0 0 2 Arranjo dos pares Tetraedro Trigonal Tetraedro Geometria Tetraedro Trigonal Tetraedro Ângulo entre ligações 109,5° 120° 109,5° Observe que existem três regiões de pares de elétrons em torno do C ligado ao O, pois a ligação dupla C=O conta como um par. Dessa forma, o arranjo deste átomo de C é diferente dos outros dois. Você pode conferir estas informações observando a Figura 12.10, onde a molécula de acetona é representada em forma tridimensional. Figura 12.10: Na acetona (C3H6O), o carbono ligado ao átomo de oxigênio tem arranjo espacial distinto dos demais átomos de C. Vamos verificar se tudo ficou claro? Resolva, então, os exercícios da atividade a seguir. ATIVIDADE 3. Dê os ângulos aproximados entre as ligações indicadas nas moléculas representadas pelas estruturas de Lewis a seguir: a) b) c) 178 C E D E R J
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    12 ___________________________________________________________________ AULA ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Para resolver esta atividade, o primeiro passo a ser dado é decidir, para cada uma das estruturas, quantos e quais são os átomos centrais. A seguir, você deve montar uma tabela que contenha, para cada um dos átomos centrais que você escolheu, os valores de NPA, NPL e NPNL. Desta forma, você pode prever o arranjo geométrico em torno de cada átomo central e, desta forma, o ângulo entre as ligações que envolvem este átomo. A estrutura de Lewis do composto (a) indica que você deve escolher os dois átomos de C como átomos centrais: I II A linha cheia divide a estrutura em duas regiões, uma correspondendo ao C central I e a outra, ao II. Observe agora que cada átomo de C está rodeado por dois grupos de pares de elétrons (a ligação tripla conta como um par!), e que não há pares não-ligantes em nenhum deles. O quadro a seguir resume estas informações: Átomo Central C(I) C(II) NPA 2 2 NPL 2 2 NPNL 0 0 Arranjo dos pares linear linear Geometria linear linear Ângulo entre ligações 180° 180° C E D E R J 179
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Logo, o ângulo marcado é 180°. A representação espacial da molécula é apresentada na Figura 12.11.a. Para a estrutura (b), você deve escolher os átomos de O e N unidos pela ligação simples O-N como átomos centrais. Examinando a estrutura de Lewis do composto, você pode montar o quadro a seguir: Átomo Central O- -N NPA 4 3 NPL 2 2 NPNL 2 1 Arranjo dos pares tetraedro trigonal Geometria angular angular Ângulo entre ligações 109,5° 120° Assim, o ângulo HON entre as ligações H-O e O-N fica em torno de 109,5° e o ângulo ONO entre as ligações O-N e N=O, em torno de 120°. A molécula tem o arranjo espacial mostrado na Figura 12.11b. Finalmente, os átomos centrais da estrutura (c) são os que formam a ligação C-O-C. O quadro representativo dos números de pares em torno de cada átomo é: Átomo Central C- -O- -C NPA 3 4 4 NPL 3 2 4 NPNL 0 2 0 Arranjo dos pares Trigonal Tetraédrico Tetraédrico Geometria Trigonal Angular Tetraedro Ângulo entre ligações 120° 109,5° 109,5° Portanto, o ângulo HCO entre as ligações H-C e C=O é de 120°, e o ângulo COC entre as ligações C-O e O-C é de 109,5°. O arranjo espacial da molécula é o indicado na Figura 12.11.c. 180 C E D E R J
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    12 a b AULA c Figura 12.11: Arranjo espacial das estruturas de Lewis (a), (b) e (c). POLARIDADE DE MOLÉCULAS POLIATÔMICAS Você aprendeu na Aula 8 que a polaridade de uma ligação é definida pela forma pela qual os elétrons são compartilhados na ligação. Num extremo estão as ligações apolares, em que os elétrons ligantes são igualmente compartilhados pelos dois átomos; neste caso, os dois átomos têm a mesma eletronegatividade. No outro extremo, estão as ligações iônicas, em que os elétrons ligantes estão completamente deslocados para o átomo mais eletronegativo. A maioria das ligações entre dois átomos não é nem completamente apolar, nem completamente iônica: ou seja, é polar, com os elétrons ligantes mais ou menos atraídos pelo átomo mais eletronegativo. Uma grandeza útil para quantificar a polaridade de uma ligação é o momento de dipolo da ligação. Observe a Figura 12.12.a Nela, duas cargas (+q e –q) iguais em valor absoluto, mas de sinais opostos, estão separadas por uma distância R. O momento de dipolo é definido como uma grandeza cujo valor absoluto (d) é dado por d = qR Se R = 0, as duas cargas se sobrepõem e d = 0. Por convenção, o dipolo elétrico gerado por estas duas cargas é representado por uma seta cortada, apontando na direção da carga negativa. Num átomo isolado, todos os elétrons ficam em torno do núcleo. O átomo pode ser representado por duas cargas iguais (em valor absoluto) e coincidentes: a carga positiva é a do núcleo e a negativa, a dos elétrons. C E D E R J 181
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Ou seja, o centro de cargas positivas (o núcleo) coincide com o centro de cargas negativas (a carga total dos elétrons). Neste caso, não há momento de dipolo. Numa ligação química entre dois átomos, há dois núcleos, ambos com carga positiva, pares de elétrons entre os átomos (os elétrons ligantes) e pares de elétrons não-ligantes centrados em cada átomo que forma a ligação. O efeito combinado da carga positiva do núcleo de um átomo com a carga dos elétrons em torno dele é descrito pela carga parcial (δ) sobre cada átomo que forma a ligação, como você pode visualizar na Figura 12.12.b a b Figura 12.12: (a) Duas cargas de mesmo módulo q, separadas por uma distância R, geram um dipolo cujo valor é d = qR. O dipolo aponta para a carga negativa. (b) Numa ligação entre dois átomos, a carga sobre o átomo A é δA e sobre B, δB. Numa ligação apolar, os dois átomos atraem elétrons com a mesma intensidade. Tudo se passa como se a nuvem eletrônica ficasse igualmente distribuída entre eles. Portanto, cada átomo fica com uma carga parcial nula (δA = δB = 0) e não há momento de dipolo na ligação. É o que ocorre com as ligações H-H na molécula de H2 ou Cl-Cl na molécula de Cl2. Quando os átomos que formam a ligação têm eletronegatividades distintas, a nuvem eletrônica se desloca para o átomo mais eletronegativo. Este fica com uma carga parcial negativa (δ-), enquanto o outro fica com carga parcial positiva (δ+). Gera-se, então, um dipolo cujo valor é o produto do valor absoluto (δ) da carga parcial com a distância (R) entre os átomos. É o que ocorre nas ligações O-H ou H-Br, por exemplo. É importante que você saiba distinguir a carga parcial δ da carga formal ou do número de oxidação de um átomo, que você aprendeu na Aula 10 (vale a pena você revisar estes conceitos!). Numa ligação apolar, a carga parcial sobre cada átomo é igual à carga formal, e ambas valem zero. Numa ligação completamente iônica, a carga parcial é igual ao número de oxidação, pois nela há transferência completa de elétrons para o átomo mais eletronegativo. Numa ligação polar, a carga parcial é a que melhor representa a polaridade da ligação; ela não é nem igual à carga formal nem ao número de oxidação. Infelizmente, não há uma forma simples de calcular o seu valor. 182 C E D E R J
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    12 Numa molécula poliatômica, há várias ligações químicas. A polaridade da molécula depende de dois fatores: AULA • polaridade de cada ligação; • geometria da molécula. Você com certeza compreende o porquê do primeiro fator. Vamos explicar o segundo através de um exemplo simples. Considere as moléculas de CO2 e H2O. Ambas são moléculas do tipo ABn, em que um átomo central A está ligado a n átomos B. No CO2, há duas ligações polares C=O, e na H2O, duas ligações O-H, também polares. Você poderia supor que ambas as moléculas são polares, mas somente a molécula de H2O o é; o CO2 é uma molécula apolar. Já analisamos a geometria destes compostos na aula anterior e sabemos que o CO2 é linear e a H2O é angular. A representação dos dipolos das ligações combinada com a geometria de cada molécula é ilustrada na Figura 12.13 a seguir. Você pode verificar através dela que, no caso do CO2, os dipolos apontam para sentidos opostos, cancelando- se mutuamente. O mesmo não acontece com os dipolos das ligações OH na H2O. Há nesta molécula um dipolo resultante que aponta ao longo da linha bissetriz do ângulo entre as ligações O-H, na direção do átomo de O. Figura 12.13: Os dipolos das ligações C=O se cancelam no CO2, mas os das ligações O-H não se cancelam na molécula de H2O. r O momento de dipolo ( d ) é, na verdade, uma grandeza vetorial que se caracteriza não só pelo seu valor absoluto (d) como também pela sua direção r e sentido. Quando há vários dipolos numa molécula, o dipolo resultante ( d ) é r obtido pela soma vetorial dos dipolos ( d i ) das ligações que formam a molécula. Lembre-se da Física que: r 1. um vetor ( v ) pode ser decomposto em r r r suas componentes ao longo dos r r r r eixos cartesianos como v = x i + y j + zk , onde i , j , k são os vetores unitários em cada um dos eixos. Se o vetor estiver no plano, só haverá duas componentes; r r r r r r r r 2. a soma de dois vetores v1 = x1 i + y1 j + z1k e v 2 = x 2 i + y 2 j + z 2 k é um r vetor v cujas componentes são x = x1 + x 2 , y = y1 + y 2 e z = z1 + z 2 . Esta soma é representada pela regra do paralelogramo. A Figura 12.14 ilustra estas duas propriedades vetoriais para o caso simples de dois vetores no plano xy. C E D E R J 183
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II a b Figura 12.14: Um vetor é caracterizado por suas componentes ao longo dos eixos cartesianos; a soma de dois vetores é representada pela regra do paralelogramo. É importante que você visualize a formação do dipolo resultante na molécula de H2O decompondo cada um dos dipolos das ligações O- H ao longo dos eixos dos x e dos y no plano xy que contém a molécula. Você pode perceber que as componentes de cada dipolo de ligação ao longo do eixo dos x têm o mesmo valor, mas em sentidos opostos – elas se anulam. Já a componente y de cada dipolo tem o mesmo valor absoluto, mas se reforçam, somando-se no eixo dos y. Assim, o vetor resultante fica exatamente ao longo do eixo y, como ilustrado na Figura 12.15. Figura 12.15: Na molécula de H2O, as componentes dos dipolos das ligações O-H ao longo do eixo dos x se cancelam, e ao longo do eixo dos y se somam. O vetor resultante aponta para o átomo de O, ao longo do eixo dos y. ! Os argumentos utilizados para prever a polaridade do CO2 e da H2O são gerais e podem ser resumidos da seguinte forma: se a soma dos dipolos das ligações (consideradas as suas orientações) for nula, a molécula é apolar; se for diferente de zero, ela é polar. 184 C E D E R J
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    12 ATIVIDADE AULA 4. Determine a polaridade das moléculas a seguir; caso sejam polares, indique onde aponta o dipolo resultante. a) BF3 b) CH4 c) CF2Cl2 d) XeF4 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA A primeira etapa para você resolver esta atividade é determinar a estrutura de Lewis de cada composto. A seguir, utilizando-se as Tabelas 11.2 e 12.1, você pode determinar a geometria de cada molécula. Construa a seguir os dipolos das ligações e verifique se eles se cancelam (ou não) no espaço. Já sabemos bastante sobre as moléculas envolvidas nesta atividade. A molécula de BF3 é trigonal plana (Figura 11.3.a), a de CH4 e de CF2Cl2 são tetraédricas (Figuras 11.1.a e 11.7) e a de XeF4 é quadrada plana (Figura 12.8.b). Todas as ligações entre o átomo central e qualquer outro átomo nestas moléculas são polares. A polaridade final vai depender, portanto, da composição dos vetores que correspondem aos dipolos das ligações em cada uma delas. Na molécula de BF3 , os dipolos ficam dispostos como está mostrado na Figura 12.16.a. Observe que todos os dipolos de ligação são iguais. A trigonometria elementar mostra que as componentes ao longo dos eixos dos x e dos y se anulam, de forma que a molécula é apolar. O mesmo ocorre com a molécula de XeF4, cujos dipolos estão representados na Figura 12.16.b. Esta molécula também é apolar. A composição dos dipolos das moléculas de CH4 e CF2Cl2 é um pouco mais difícil, pois o arranjo geométrico é tridimensional. Talvez fique mais C E D E R J 185
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II fácil se você visualizar as geometrias por um outro ângulo. É o que está ilustrado nas Figuras 12.16.c e d, juntamente com os dipolos das ligações. No CH4, as duas ligações CH superiores formam um plano e o dipolo resultante destas ligações aponta para cima. As ligações inferiores também formam um plano, perpendicular ao superior, mas o dipolo inferior resultante é colinear com o superior. Como todas as ligações são iguais, o dipolo total é nulo e a molécula é apolar. No CF2Cl2, os dipolos resultantes superior e inferior também são colineares, mas não são do mesmo tamanho, e a molécula é polar. O dipolo resultante das ligações C-F é maior que o das ligações C-Cl (devido à diferença de eletronegatividade) e o dipolo total fica ao longo da bissetriz das ligações C-F. a b c b Figura 12.16: As moléculas de BF3, XeF4 e CH4 são apolares, mas a de CF2Cl2 é polar com o dipolo apontando ao longo da bissetriz entre as ligações C-F. 186 C E D E R J
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    12 CONCLUSÃO AULA A geometria de moléculas pode ser prevista com excelente aproximação por um modelo simples, baseado na distribuição dos pares de elétrons em torno de um ou mais átomos centrais. Entretanto, a presença de pares de elétron não-ligantes e de ligações múltiplas distorce os ângulos das ligações em relação ao previsto pelo modelo simples RPECV. O arranjo geométrico da molécula é de fundamental importância na determinação da sua polaridade, que resulta da composição dos dipolos das ligações, considerando as suas orientações no espaço. ATIVIDADE FINAL Determine a geometria e a polaridade das espécies a seguir: a. HBCl2 b. GeH4 c. SO3 ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________ RESPOSTA COMENTADA Você precisa escrever a estrutura de Lewis de cada composto, determinar a geometria pelo método RPECV e compor os dipolos das ligações para formar o dipolo resultante. C E D E R J 187
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    Elementos de QuímicaGeral | Forma das moléculas: Parte II Na molécula de HBCl2, o átomo de B é o átomo central. Ele é do grupo 3A, tendo três elétrons de valência. Os átomos de H e Cl têm um e sete elétrons de valência, respectivamente. Então, a estrutura de Lewis do BHCl2 é: Observe que o B não tem o seu octeto completo neste composto; a ele estão ligados três pares de elétrons (NPA = 3), todos ligantes (NPL =3, NPNL = 0). Logo, o HBCl2 é trigonal plano. Na Figura 12.17 está a representação da molécula, com os dipolos das ligações e o dipolo total. Este aponta ao longo da bissetriz das ligações B-Cl, pois os átomos de Cl são bem mais eletronegativos que o átomo de H. Figura 12.17: A molécula de HBCl2 é polar com o dipolo resultante apontando ao longo da bissetriz das ligações B-Cl. O Ge (germânio) pertence ao grupo 4A, tendo quatro elétrons de valência. Assim, a estrutura de Lewis do GeH4 é: Vejam que NPA = 4, NPL = 4 e NPNL = 0. Logo, a molécula é tetraédrica e, tal como no CH4 , é apolar (Veja a discussão sobre o CH4 na resposta comentada da Atividade 4). O S pertence ao grupo 6A, tal como o O. Há três estruturas de Lewis ressonantes para o SO3 188 C E D E R J
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    12 Emqualquer uma delas, há três pares de elétrons em torno do átomo de S (lembre-se de que a ligação dupla conta como um par!). Então, NPA = 3, NPL AULA = 3 e NPNL = 0. Desta forma, o SO3 é trigonal plano. Se você pensar que há duas ligações simples e uma dupla, deve esperar que as distâncias das ligações S-O e S=O sejam diferentes, o que está certo. Entretanto, convém lembrar que, quando há ressonância de estruturas, a estrutura real do composto não pode ser representada por nenhuma das estruturas ressonantes isoladamente. Na verdade, as distâncias S-O no SO3 são todas iguais. Se assim for, a molécula tem a mesma composição de dipolos que o BF3 , sendo apolar. RESUMO Nesta aula, aprendemos que o conhecimento do arranjo espacial dos átomos formadores de uma molécula depende não apenas dos pares de elétrons em torno dos átomos centrais, mas também da natureza destes pares. Também verificamos que este arranjo é essencial para compreendermos por que algumas moléculas são polares e outras não. INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, você vai estudar as reações de oxirredução, de grande importância em muitos processos químicos e biológicos. C E D E R J 189
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    Serviço gráfico realizadoem parceria com a Fundação Santa Cabrini por intermédio do gerenciamento laborativo e educacional da mão-de-obra de apenados do sistema prisional do Estado do Rio de Janeiro. Maiores informações: www.santacabrini.rj.gov.br