DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO –
ELABORACAO DE PROJECTO SOCIAL
ISCISA
Disciplina de Educação, Saúde e Extensão
Comunitária
Agosto 2022
QUE ELEMENTOS IDENTIFICAMOS NO
PROCESSO DE INTERVENÇÃO SOCIAL?
 Um conjunto de pessoas que aparenta um conjunto de
necessidades sociais específicas que na linguagem
corrente do trabalho social em Moçambique geralmente
designamos por “beneficiários” ou população- alvo (com
as conotações que já os termos indicam de “recipientes”
“alvos” – indicando “passividade”), mas ao qual
podemos designar por sistema-cliente.
 Considera-se sistema cliente: para efeitos de
intervenção social, toda a pessoa, grupo, organização,
comunidade ou rede social com necessidades sociais
que requerem qualquer tipo de intervenção social
planeada. (aqui “cliente” – com a conotação de alguém
que está á procura de um serviço, de um bem – indica
maior pró-actividade).
 O segundo elemento identificado – aquele ou
aqueles que vão responder a essa demanda de
“serviços” de “intervenção” e que designaremos por
sistema-interventor.
 Quando adicionamos a palavra “sistema” às
palavras “cliente” e “interventor”, não é casual –
estes não são pessoas isoladas, mas fazem de
facto parte de sistemas com as suas próprias
características, princípios, e inter-relações.
 Os dois sistemas (cliente e interventor) interagem
entre si. Mas esse processo de interacção, além
de sofrer as influências vindas dos dois sistemas
(cliente e interventor), ainda sofre influências
particulares do ambiente em que a intervenção se
realiza.
 Consideramos interacção “o conjunto de
comunicações através das quais se pretendem
identificar necessidades e recursos e organizar
respostas adequadas às primeiras através dos
segundos”.
 O ambiente de intervenção emoldura a
interacção, proporcionando condições favoráveis
ou desfavoráveis à intervenção.
 De chamar a atenção para os aspectos que têm a
ver com o choque de culturas entre sistema-
interventor e sistema-cliente que originam que
muitas vezes estes tenham diferentes visões sobre
a forma de encarar a mudança, atribuindo valor
diferente aos custos e benefícios das alterações
em jogo.
ELEMENTOS PRESENTES EM QUALQUER PROCESSO
DE INTERVENÇÃO SOCIAL:
Interacção
Ambiente
de intervenção
Sistema
interventor
Sistema
cliente
A COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL
 O choque cultural é uma questão central que deve ser
observada em qualquer processo de mudança programada.
 Cultura – entendida como a herança social que qualquer
indivíduo recebe ao longo da sua socialização.
 Todos somos portadores de uma cultura e esta não deve ser
valorada (não existem culturas boas e más, mas sim culturas
diferentes).
 Qualquer intervenção social exige comunicação, e
comunicar é pôr em comum uma dada informação que
possa ser entendida da mesma forma tanto pelo emissor
como pelo receptor. (Dinâmica comunicacional)
 Para que isso aconteça a cultura dos protagonistas
desempenha um papel essencial – quanto maior for a
diferença de culturas entre o interventor e o cliente, mais
difícil se torna a dinâmica comunicacional.
O VALOR DO TRABALHO ANTROPOLÓGICO
PARA O TRABALHO COMUNITÁRIO:
 É importante no sentido em que permite o conhecimento de
outras culturas e contribui para a formação de um pensamento
descentrado;
 Permite demonstrar que não há culturas superiores nem
inferiores, mas apenas diferentes estádios de desenvolvimento
tecnológico a que não correspondem situações análogas de
desenvolvimento social;
 Permite ainda demonstrar que a mudança é sempre um
instrumento e não um fim em si mesmo, podendo uma dada
realidade social mudar para melhor ou para pior.
 Permite que o interventor tenha os conhecimentos
indispensáveis ao entendimento das comunidades onde trabalha
e previne-o contra eventuais preconceitos, resultantes de
elementos culturais que tenha interiorizado no seu processo de
socialização.
 Assim é possível atempadamente avaliar os eventuais pontos
críticos que possam constituir obstáculo à mudança, ou pontos a
explorar que possam servir de estímulos para a mudança.
O MAPA CONCEPTUAL DO PROCESSO DE
INTERVENÇÃO SOCIAL:
 Pode definir-se intervenção social como um
processo social em que uma dada pessoa, grupo,
organização, comunidade ou rede social (sistema-
interventor), se assume como recurso social de
outra pessoa, grupo, organização, comunidade ou
rede social (sistema-cliente), com ele interagindo
(interacção) através de um sistema de
comunicações diversificadas, tomando em
consideração o ambiente com o objectivo de
ajudar a suprir um conjunto de necessidades
sociais, potenciando estímulos e combatendo
obstáculos à mudança pretendida.
DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO: ENQUADRAMENTO
GERAL E CONCEITOS DE BASE
 As raízes:
 Começa no período que mediou as duas Guerras
Mundiais a partir de praticas experimentadas em dois
contextos diferentes – na prática de formação de
líderes locais desenvolvida pelo sistema colonial
britânico; e na experiência americana de organização
comunitária como resposta a inúmero problemas que a
industrialização, urbanização crescente, o pós-guerra e
a imigração estavam a criar.
 Foi contudo depois da Segunda Guerra Mundial que se
estabeleceu como método de intervenção social vindo a
mais tarde assumir muitas e variadas formas e
aplicando-se em muitos contextos e realidades
diferentes.
 Originalmente Desenvolvimento Comunitário era uma
expressão que visava definir a actividade que indivíduos ou
grupos sociais levavam a cabo como forma de
aperfeiçoamento colectivo; esta definição pressupunha assim
que em toda actividade de desenvolvimento comunitário
fossem encontrados os seguintes elementos: uma
comunidade (agrupamento social com um elemento
territorial comum, um sentimento interno de coerência,
coesão e interesses comuns, um compromisso moral e
continuidade no tempo); um desejo de superação ou de
aperfeiçoamento de sua organização e promoção de uma
maior integração de todos; um programa ou plano para essa
promoção; estímulo ou incentivo interno para a realização
desse programa ou plano e vontade de superação;
assistência técnica para a concretização desse plano ou
programa.
 Este forma de conceber o DC pressupunha um desejo
espontâneo da comunidade e que esta dispusesse dos
recursos necessários para levar adiante o seu plano de
desenvolvimento.
 Mais recentemente e a prática mais comum nos últimos
tempos, é um Desenvolvimento Comunitário mais
exógeno. Trata-se de um DC promovido, organizado e
dirigido por instituições públicas, religiosas ou privadas
(organizações humanitárias, ONGs, etc.).
 Diferentemente do Desenvolvimento Comunitário mais
espontâneo, neste modelo, o sentimento da
necessidade de mudança é promovido de fora.
 O desenvolvimento comunitário parte do pressuposto
da identificação de um problema social, sendo que
problema social é uma situação que afecta um
número significativo de pessoas e é julgada por
estas ou por um número significativo de outras,
como uma fonte de dificuldade ou infelicidade
susceptível de melhoria, necessitando para isso de
uma acção transformadora. (Rubington e Weinberg,
1995)
OS PRINCÍPIOS DO DESENVOLVIMENTO
COMUNITÁRIO:
 Princípio das necessidades sentidas – defende que
todo o projecto de desenvolvimento comunitário deve
partir das necessidades sentidas pela comunidade.
 Princípio da participação – que afirma a necessidade
do envolvimento profundo da comunidade no processo
do seu próprio desenvolvimento.
 Princípio da cooperação – refere o imperativo da
eficácia entre sector público e privado nos projectos de
Desenvolvimento Comunitário.
 Princípio da auto-sustentação – que defende que os
processos de mudança planeada sejam equilibrados e
sem rupturas, susceptíveis de manutenção pela
comunidade e dotados de mecanismos que previnam
efeitos negativos ocasionados pelas alterações
provocadas.
PRINCÍPIOS (CONTINUAÇÃO)
 Princípio da universalidade – afirma que um
projecto de desenvolvimento comunitário só tem
probabilidades de êxito se tiver como alvo de
desenvolvimento uma dada comunidade na sua
globalidade (e não apenas subgrupos dessa
comunidade) e como objectivo a alteração
profunda das condições que estão na base da
situação que se pretende alterar.
CAMPOS ESPECÍFICOS DO DESENVOLVIMENTO
COMUNITÁRIO
 Educação
 Saúde
 Exclusão social
 Defesa de direitos humanos
 Protecção civil
PROJECTO DE DESENVOLVIMENTO
COMUNITARIO
-.
ORGANIZAÇÃO COMUNITÁRIA
 Entende-se por organização comunitária o
processo de articulação de meios (materiais e
humanos) susceptíveis de criar condições a um
determinado conjunto social para que se
transforme numa comunidade.
 Para que a organização comunitária se processe
com eficácia e eficiência são necessárias as
seguintes decisões estratégicas:
 Identificar recursos
 Estabelecer prioridades
 Articular recursos.
 Sendo que recurso é algo a que é atribuída uma dada
utilidade.
DEFINIÇÃO SEGUNDO ANDER-EGG, 1980
 “É uma técnica social de promoção do homem e de
mobilização de recursos humanos e institucionais,
mediante a participação activa e democrática da
população, no estudo, planeamento e execução de
programas ao nível de comunidade de base,
destinados a melhorar o seu nível de vida.”
 Ander-Egg,E. – “Metodologia y prática del desarollo de
la comunidad”, Terragona, 10ª Ed.,p.69, 1980
PROJETO DE DESENVOLVIMENTO
COMUNITÁRIO
 É um conjunto organizado de atividades para
atender as prioridades e desejos da comunidade e
nunca de um individuo isolado.
 Portanto, para a elaboração de um projeto
comunitário é preciso mobilizar a comunidade para
levantar, refletir e agir sobre os desejos coletivos.
Por isso é necessário que se combine muito bem o
que vai ser feito para que se alcance os objetivos
desejados, é também importante que todas as
decisões sejam tomadas sempre em grupo, isso
garante a participação e compromisso das
pessoas.
 O projeto comunitário deve retratar as decisões de
toda a comunidade.
CONTINUAÇÃO
 O primeiro passo do planeamento é refletir sobre as
necessidades, desejos e possibilidades da
comunidade. As perguntas seguintes ajudam nessa
reflexão e posterior decisão do que fazer.
 1ª - O que é que nós queremos / Onde é que estamos?
 2ª - Que recursos nós temos? / Onde é que queremos
chegar
 3ª - Como é que podemos usar nossos recursos para
conseguir o que nós queremos? / Qual o caminho para
chegar onde queremos, partindo de onde estamos
 4a - Se esse desejo for satisfeito, que contribuição trará
para a comunidade?
ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO
COMUNITÁRIO
 JUSTIFICATIVA
 Descreve a questão que a comunidade deseja
abordar - Explica a razão da escolha dessa
questão
 OBJETIVO
 O objetivo pode ser definido como a solução para o
problema que se pretende abordar
CONTINUAÇÃO.
 METAS
 As metas são detalhamento dos objetivos, podem ser
definidas como um conjunto finito de objetivos. Finito
porque, uma meta de um projeto deve sempre permitir
uma medida (em números ou resultado).
 Exemplo:
 Objetivo: Facilitar o acesso a agua potavel na
comunidade de Angoche.
 Meta: Criar um furo de agua e montar bomba manual
na comunidade até o final de Setembro de 2022.
 -Garantir que 50 familias adiram e saibam utilizar o
equipamento
CONTINUAÇÃO.
 ATIVIDADES
 Este espaço descreve detalhadamente o que se
pretende fazer em cada etapa do trabalho e as
responsabilidades por cada uma delas.
 RECURSOS
 Nesse tópico é importante prever a necessidade de
pessoas, materiais, investimentos e outros
recursos necessários à excussão de cada etapa do
trabalho.
CONTINUAÇÃO.
 CRONOGRAMA
 O cronograma apresenta uma relação das principais
atividades a serem desenvolvidas no projeto com a data
prevista para início e término de cada uma delas.
 AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS
 A avaliação dos resultados é sempre pensada em
função das metas do projeto. É como se pretende
mostrar que os objetivos foram atingidos.
Actividade Inicio Fim
Apresentação de resultados
CONTINUAÇÃO.
 Ao responder essas perguntas se consegue
identificar os desejos da comunidade, os recursos
existentes e os meios para atingir esse fim. É
possível também fazer uma previsão do impacto da
ação planeada sobre a comunidade.
TERCEIRA AVALIAÇÃO
 Pense numa comunidade que esteja a atravessar
certo problema/dificuldade e com base nos
conhecimentos adquiridos, elabore resumidamente
um projecto comunitário para responder ao
probelma/dificuldade identificada.


Desenvolvimento comunitárioREV 1_122113.pptx

  • 1.
    DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO – ELABORACAODE PROJECTO SOCIAL ISCISA Disciplina de Educação, Saúde e Extensão Comunitária Agosto 2022
  • 2.
    QUE ELEMENTOS IDENTIFICAMOSNO PROCESSO DE INTERVENÇÃO SOCIAL?  Um conjunto de pessoas que aparenta um conjunto de necessidades sociais específicas que na linguagem corrente do trabalho social em Moçambique geralmente designamos por “beneficiários” ou população- alvo (com as conotações que já os termos indicam de “recipientes” “alvos” – indicando “passividade”), mas ao qual podemos designar por sistema-cliente.  Considera-se sistema cliente: para efeitos de intervenção social, toda a pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social com necessidades sociais que requerem qualquer tipo de intervenção social planeada. (aqui “cliente” – com a conotação de alguém que está á procura de um serviço, de um bem – indica maior pró-actividade).
  • 3.
     O segundoelemento identificado – aquele ou aqueles que vão responder a essa demanda de “serviços” de “intervenção” e que designaremos por sistema-interventor.  Quando adicionamos a palavra “sistema” às palavras “cliente” e “interventor”, não é casual – estes não são pessoas isoladas, mas fazem de facto parte de sistemas com as suas próprias características, princípios, e inter-relações.  Os dois sistemas (cliente e interventor) interagem entre si. Mas esse processo de interacção, além de sofrer as influências vindas dos dois sistemas (cliente e interventor), ainda sofre influências particulares do ambiente em que a intervenção se realiza.
  • 4.
     Consideramos interacção“o conjunto de comunicações através das quais se pretendem identificar necessidades e recursos e organizar respostas adequadas às primeiras através dos segundos”.  O ambiente de intervenção emoldura a interacção, proporcionando condições favoráveis ou desfavoráveis à intervenção.  De chamar a atenção para os aspectos que têm a ver com o choque de culturas entre sistema- interventor e sistema-cliente que originam que muitas vezes estes tenham diferentes visões sobre a forma de encarar a mudança, atribuindo valor diferente aos custos e benefícios das alterações em jogo.
  • 5.
    ELEMENTOS PRESENTES EMQUALQUER PROCESSO DE INTERVENÇÃO SOCIAL: Interacção Ambiente de intervenção Sistema interventor Sistema cliente
  • 6.
    A COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL O choque cultural é uma questão central que deve ser observada em qualquer processo de mudança programada.  Cultura – entendida como a herança social que qualquer indivíduo recebe ao longo da sua socialização.  Todos somos portadores de uma cultura e esta não deve ser valorada (não existem culturas boas e más, mas sim culturas diferentes).  Qualquer intervenção social exige comunicação, e comunicar é pôr em comum uma dada informação que possa ser entendida da mesma forma tanto pelo emissor como pelo receptor. (Dinâmica comunicacional)  Para que isso aconteça a cultura dos protagonistas desempenha um papel essencial – quanto maior for a diferença de culturas entre o interventor e o cliente, mais difícil se torna a dinâmica comunicacional.
  • 7.
    O VALOR DOTRABALHO ANTROPOLÓGICO PARA O TRABALHO COMUNITÁRIO:  É importante no sentido em que permite o conhecimento de outras culturas e contribui para a formação de um pensamento descentrado;  Permite demonstrar que não há culturas superiores nem inferiores, mas apenas diferentes estádios de desenvolvimento tecnológico a que não correspondem situações análogas de desenvolvimento social;  Permite ainda demonstrar que a mudança é sempre um instrumento e não um fim em si mesmo, podendo uma dada realidade social mudar para melhor ou para pior.  Permite que o interventor tenha os conhecimentos indispensáveis ao entendimento das comunidades onde trabalha e previne-o contra eventuais preconceitos, resultantes de elementos culturais que tenha interiorizado no seu processo de socialização.  Assim é possível atempadamente avaliar os eventuais pontos críticos que possam constituir obstáculo à mudança, ou pontos a explorar que possam servir de estímulos para a mudança.
  • 8.
    O MAPA CONCEPTUALDO PROCESSO DE INTERVENÇÃO SOCIAL:  Pode definir-se intervenção social como um processo social em que uma dada pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social (sistema- interventor), se assume como recurso social de outra pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social (sistema-cliente), com ele interagindo (interacção) através de um sistema de comunicações diversificadas, tomando em consideração o ambiente com o objectivo de ajudar a suprir um conjunto de necessidades sociais, potenciando estímulos e combatendo obstáculos à mudança pretendida.
  • 9.
    DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO: ENQUADRAMENTO GERALE CONCEITOS DE BASE  As raízes:  Começa no período que mediou as duas Guerras Mundiais a partir de praticas experimentadas em dois contextos diferentes – na prática de formação de líderes locais desenvolvida pelo sistema colonial britânico; e na experiência americana de organização comunitária como resposta a inúmero problemas que a industrialização, urbanização crescente, o pós-guerra e a imigração estavam a criar.  Foi contudo depois da Segunda Guerra Mundial que se estabeleceu como método de intervenção social vindo a mais tarde assumir muitas e variadas formas e aplicando-se em muitos contextos e realidades diferentes.
  • 10.
     Originalmente DesenvolvimentoComunitário era uma expressão que visava definir a actividade que indivíduos ou grupos sociais levavam a cabo como forma de aperfeiçoamento colectivo; esta definição pressupunha assim que em toda actividade de desenvolvimento comunitário fossem encontrados os seguintes elementos: uma comunidade (agrupamento social com um elemento territorial comum, um sentimento interno de coerência, coesão e interesses comuns, um compromisso moral e continuidade no tempo); um desejo de superação ou de aperfeiçoamento de sua organização e promoção de uma maior integração de todos; um programa ou plano para essa promoção; estímulo ou incentivo interno para a realização desse programa ou plano e vontade de superação; assistência técnica para a concretização desse plano ou programa.  Este forma de conceber o DC pressupunha um desejo espontâneo da comunidade e que esta dispusesse dos recursos necessários para levar adiante o seu plano de desenvolvimento.
  • 11.
     Mais recentementee a prática mais comum nos últimos tempos, é um Desenvolvimento Comunitário mais exógeno. Trata-se de um DC promovido, organizado e dirigido por instituições públicas, religiosas ou privadas (organizações humanitárias, ONGs, etc.).  Diferentemente do Desenvolvimento Comunitário mais espontâneo, neste modelo, o sentimento da necessidade de mudança é promovido de fora.  O desenvolvimento comunitário parte do pressuposto da identificação de um problema social, sendo que problema social é uma situação que afecta um número significativo de pessoas e é julgada por estas ou por um número significativo de outras, como uma fonte de dificuldade ou infelicidade susceptível de melhoria, necessitando para isso de uma acção transformadora. (Rubington e Weinberg, 1995)
  • 12.
    OS PRINCÍPIOS DODESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO:  Princípio das necessidades sentidas – defende que todo o projecto de desenvolvimento comunitário deve partir das necessidades sentidas pela comunidade.  Princípio da participação – que afirma a necessidade do envolvimento profundo da comunidade no processo do seu próprio desenvolvimento.  Princípio da cooperação – refere o imperativo da eficácia entre sector público e privado nos projectos de Desenvolvimento Comunitário.  Princípio da auto-sustentação – que defende que os processos de mudança planeada sejam equilibrados e sem rupturas, susceptíveis de manutenção pela comunidade e dotados de mecanismos que previnam efeitos negativos ocasionados pelas alterações provocadas.
  • 13.
    PRINCÍPIOS (CONTINUAÇÃO)  Princípioda universalidade – afirma que um projecto de desenvolvimento comunitário só tem probabilidades de êxito se tiver como alvo de desenvolvimento uma dada comunidade na sua globalidade (e não apenas subgrupos dessa comunidade) e como objectivo a alteração profunda das condições que estão na base da situação que se pretende alterar.
  • 14.
    CAMPOS ESPECÍFICOS DODESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO  Educação  Saúde  Exclusão social  Defesa de direitos humanos  Protecção civil
  • 15.
  • 16.
    ORGANIZAÇÃO COMUNITÁRIA  Entende-sepor organização comunitária o processo de articulação de meios (materiais e humanos) susceptíveis de criar condições a um determinado conjunto social para que se transforme numa comunidade.  Para que a organização comunitária se processe com eficácia e eficiência são necessárias as seguintes decisões estratégicas:  Identificar recursos  Estabelecer prioridades  Articular recursos.  Sendo que recurso é algo a que é atribuída uma dada utilidade.
  • 17.
    DEFINIÇÃO SEGUNDO ANDER-EGG,1980  “É uma técnica social de promoção do homem e de mobilização de recursos humanos e institucionais, mediante a participação activa e democrática da população, no estudo, planeamento e execução de programas ao nível de comunidade de base, destinados a melhorar o seu nível de vida.”  Ander-Egg,E. – “Metodologia y prática del desarollo de la comunidad”, Terragona, 10ª Ed.,p.69, 1980
  • 18.
    PROJETO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO É um conjunto organizado de atividades para atender as prioridades e desejos da comunidade e nunca de um individuo isolado.  Portanto, para a elaboração de um projeto comunitário é preciso mobilizar a comunidade para levantar, refletir e agir sobre os desejos coletivos. Por isso é necessário que se combine muito bem o que vai ser feito para que se alcance os objetivos desejados, é também importante que todas as decisões sejam tomadas sempre em grupo, isso garante a participação e compromisso das pessoas.  O projeto comunitário deve retratar as decisões de toda a comunidade.
  • 19.
    CONTINUAÇÃO  O primeiropasso do planeamento é refletir sobre as necessidades, desejos e possibilidades da comunidade. As perguntas seguintes ajudam nessa reflexão e posterior decisão do que fazer.  1ª - O que é que nós queremos / Onde é que estamos?  2ª - Que recursos nós temos? / Onde é que queremos chegar  3ª - Como é que podemos usar nossos recursos para conseguir o que nós queremos? / Qual o caminho para chegar onde queremos, partindo de onde estamos  4a - Se esse desejo for satisfeito, que contribuição trará para a comunidade?
  • 20.
    ETAPAS PARA AELABORAÇÃO DO PROJETO COMUNITÁRIO  JUSTIFICATIVA  Descreve a questão que a comunidade deseja abordar - Explica a razão da escolha dessa questão  OBJETIVO  O objetivo pode ser definido como a solução para o problema que se pretende abordar
  • 21.
    CONTINUAÇÃO.  METAS  Asmetas são detalhamento dos objetivos, podem ser definidas como um conjunto finito de objetivos. Finito porque, uma meta de um projeto deve sempre permitir uma medida (em números ou resultado).  Exemplo:  Objetivo: Facilitar o acesso a agua potavel na comunidade de Angoche.  Meta: Criar um furo de agua e montar bomba manual na comunidade até o final de Setembro de 2022.  -Garantir que 50 familias adiram e saibam utilizar o equipamento
  • 22.
    CONTINUAÇÃO.  ATIVIDADES  Esteespaço descreve detalhadamente o que se pretende fazer em cada etapa do trabalho e as responsabilidades por cada uma delas.  RECURSOS  Nesse tópico é importante prever a necessidade de pessoas, materiais, investimentos e outros recursos necessários à excussão de cada etapa do trabalho.
  • 23.
    CONTINUAÇÃO.  CRONOGRAMA  Ocronograma apresenta uma relação das principais atividades a serem desenvolvidas no projeto com a data prevista para início e término de cada uma delas.  AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS  A avaliação dos resultados é sempre pensada em função das metas do projeto. É como se pretende mostrar que os objetivos foram atingidos. Actividade Inicio Fim Apresentação de resultados
  • 24.
    CONTINUAÇÃO.  Ao responderessas perguntas se consegue identificar os desejos da comunidade, os recursos existentes e os meios para atingir esse fim. É possível também fazer uma previsão do impacto da ação planeada sobre a comunidade.
  • 25.
    TERCEIRA AVALIAÇÃO  Pensenuma comunidade que esteja a atravessar certo problema/dificuldade e com base nos conhecimentos adquiridos, elabore resumidamente um projecto comunitário para responder ao probelma/dificuldade identificada. 