PLANO DE AULA


ÁREA: Epistemologia
TEMA: Criticismo
HISTÓRIA DA FILOSOFIA: Filosofia Moderna
INTERDISCIPLINARIDADE: Física e Geometria
DURAÇÃO: 3 aulas de 50’ cada
AUTORIA: Fábio Baltazar do Nascimento Júnior




OBJETIVOS:

       Esboçar as condições de possibilidade da física newtoniana e da geometria
euclidiana a partir das noções kantianas de juízo sintético a priori e transcendental.


METODOLOGIA:

       Aula expositiva com a participação dos alunos, considerando suas experiências
com a física e a geometria.


PROGRAMAÇÃO:


       1ª aula
       Título: Universalidade e necessidade: os juízos sintéticos a priori


   •   Apresentação do problema da impossibilidade de atribuição de necessidade e
       universalidade rigorosa a um juízo de experiência (sintético a posteriori);
   •   Mostrar a necessidade de haver juízo sintético a priori para que haja
       conhecimento teórico necessário;
   •   Constituir uma noção do domínio transcendental a partir das idéias apresentadas
       e das noções de transcendente e imanente;
   •   Exercícios.


       2ª aula
       Título: A filosofia transcendental e a geometria euclidiana


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•   Mostrar como Kant concebe as construções matemáticas a partir do espaço puro;
   •   Exemplificar tal construção a partir de um exemplo de exercício de geometria
       com o qual os alunos estão habituados: a construção do triângulo eqüilátero;
   •   Explicar que a matemática é a priori, esclarecendo o domínio do transcendental,
       explicando que ele só se completará com a física newtoniana;
   •   Exercícios.


       3ª aula
       Título: A filosofia transcendental e a física newtoniana


   •   Explicar, a partir de todas as noções já dadas nas aulas anteriores, o conceito de
       filosofia transcendental;
   •   Explicar que só a física é totalmente transcendental, já que seus juízos sintéticos
       a priori se referem a experiências possíveis construídas na imaginação e
       realizadas nos experimentos da física;
   •   Utilizar exemplos desta ciência, com os quais os alunos estão habituados, tais
       como exercícios da Dinâmica;
   •   Exercícios.


CONTEÚDO:


                                    Texto de apoio
       Fácil é demonstrar que há no conhecimento humano em realidade juízos
necessários e universais, no mais rigoroso sentido, a saber, juízos puros a priori. Em
querendo um exemplo, podemos extrair das ciências, bastando volver os olhos para
todos os juízos da matemática. [...] Entretanto, não é apenas nos juízos que se revela,
mas também em alguns conceitos, uma origem a priori. Eliminai, pouco a pouco, do
vosso conceito de experiência de um corpo tudo o que nele é empírico, a cor, a
rugosidade, a maciez, o peso, a própria impenetrabilidade. Por fim, restará o espaço que
esse corpo – agora totalmente desmaterializado – ocupava e que não podereis eliminar.
[...] Forçados pela necessidade que este conceito [de substância] determina, tereis de




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admitir que sua sede a priori se encontra em nossa faculdade de adquirir conhecimento.
(Kant, B5-B6)


                                          Resumo
       O texto de apoio apresenta indicações dos conceitos previstos na programação
das aulas: o juízo sintético a priori e a necessidade de sua existência para que haja
algum conhecimento que seja necessário. Há ainda indicações do campo transcendental
de investigação, pelo espaço puro, parte da Estética Transcendental, e a substância, que
é uma categoria pura do entendimento, descrita na Lógica Transcendental.


ATIVIDADES:

Exercícios
Para a 1ª aula
1) Marque a alternativa mais adequada ao pensamento de Kant:
a) é um pensamento crítico, porque examina o Iluminismo e faz uma crítica a essa
corrente de pensamento.
b) é um pensamento crítico, porque impõe limites para o trabalho da razão.
c) desenvolve todo seu pensamento a partir da idéia absoluta de Deus.
d) é partidário da corrente dogmática, que acredita que o limite para a aquisição do
conhecimento é o princípio de não-contradição.


2) Sobre os juízos sintéticos a priori:
a) não acrescentam nada ao conceito englobado pelo sujeito.
b) são imprescindíveis para a ciência necessária, porque são juízos extraídos da
experiência.
c) são sempre necessários, porque são a priori.
d) são característicos dos conhecimentos necessários e universais, já que um juízo
analítico não alarga o conhecimento e um juízo sintético a posteriori não é necessário,
por ser extraído da experiência.


Para a 2ª aula
3) A geometria, para Kant:




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a) constrói seus conceitos no espaço puro, realizando suas sínteses neste domínio
transcendental da sensibilidade.
b) é uma abstração a partir da experiência, já que enxergamos objetos que têm aparência
próxima à de triângulos ou círculos, e a partir daqueles objetos formamos idéias
abstratas como estas.
c) a geometria é impossível, pois ultrapassa os limites da razão e, por isso, Kant é um
crítico da razão pura.
d) as entidades geométricas são idéias inatas, e para esclarecê-las, só precisamos de um
método engenhoso.


Para a 3ª aula
4) Se considerarmos a física, para Kant:
a) ela é em parte a priori, já que goza de necessidade, e em parte a posteriori, já que se
refere a experiências possíveis.
b) ela é extraída da experiência, por observação de vários casos e operação de induções
a partir dos casos observados. Sua necessidade se configura como uma mera aparência,
já que induções não têm força lógica.
c) ela é necessária, e tem seu fundamento no tratamento matemático dos seus conceitos,
pouco importando as experiências concretas a que se refere.
d) ela é necessária, porque os físicos são gênios que ultrapassam os limites da razão
comum.
Gabarito:
1-b, 2-d, 3-a, 4-a
AVALIAÇÃO:
       Em casa, os alunos deverão fazer um trabalho em que relacionarão um conceito
qualquer da matemática ou um conceito qualquer da física com o pensamento kantiano.
Apresentarão o conceito científico e, em seguida, descreverão de forma sucinta as
condições de possibilidade daquele conceito a partir da filosofia de Kant.

BIBLIOGRAFIA:

CHAUÍ, M. Introdução. In. Crítica da Razão Pura. Tradução de Valério Rohden e Udo
Baldur Moosburger. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
KANT, I. Crítica da Razão Pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre
Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. B5-B6.



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Criticismo

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    PLANO DE AULA ÁREA:Epistemologia TEMA: Criticismo HISTÓRIA DA FILOSOFIA: Filosofia Moderna INTERDISCIPLINARIDADE: Física e Geometria DURAÇÃO: 3 aulas de 50’ cada AUTORIA: Fábio Baltazar do Nascimento Júnior OBJETIVOS: Esboçar as condições de possibilidade da física newtoniana e da geometria euclidiana a partir das noções kantianas de juízo sintético a priori e transcendental. METODOLOGIA: Aula expositiva com a participação dos alunos, considerando suas experiências com a física e a geometria. PROGRAMAÇÃO: 1ª aula Título: Universalidade e necessidade: os juízos sintéticos a priori • Apresentação do problema da impossibilidade de atribuição de necessidade e universalidade rigorosa a um juízo de experiência (sintético a posteriori); • Mostrar a necessidade de haver juízo sintético a priori para que haja conhecimento teórico necessário; • Constituir uma noção do domínio transcendental a partir das idéias apresentadas e das noções de transcendente e imanente; • Exercícios. 2ª aula Título: A filosofia transcendental e a geometria euclidiana 1
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    Mostrar como Kant concebe as construções matemáticas a partir do espaço puro; • Exemplificar tal construção a partir de um exemplo de exercício de geometria com o qual os alunos estão habituados: a construção do triângulo eqüilátero; • Explicar que a matemática é a priori, esclarecendo o domínio do transcendental, explicando que ele só se completará com a física newtoniana; • Exercícios. 3ª aula Título: A filosofia transcendental e a física newtoniana • Explicar, a partir de todas as noções já dadas nas aulas anteriores, o conceito de filosofia transcendental; • Explicar que só a física é totalmente transcendental, já que seus juízos sintéticos a priori se referem a experiências possíveis construídas na imaginação e realizadas nos experimentos da física; • Utilizar exemplos desta ciência, com os quais os alunos estão habituados, tais como exercícios da Dinâmica; • Exercícios. CONTEÚDO: Texto de apoio Fácil é demonstrar que há no conhecimento humano em realidade juízos necessários e universais, no mais rigoroso sentido, a saber, juízos puros a priori. Em querendo um exemplo, podemos extrair das ciências, bastando volver os olhos para todos os juízos da matemática. [...] Entretanto, não é apenas nos juízos que se revela, mas também em alguns conceitos, uma origem a priori. Eliminai, pouco a pouco, do vosso conceito de experiência de um corpo tudo o que nele é empírico, a cor, a rugosidade, a maciez, o peso, a própria impenetrabilidade. Por fim, restará o espaço que esse corpo – agora totalmente desmaterializado – ocupava e que não podereis eliminar. [...] Forçados pela necessidade que este conceito [de substância] determina, tereis de 2
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    admitir que suasede a priori se encontra em nossa faculdade de adquirir conhecimento. (Kant, B5-B6) Resumo O texto de apoio apresenta indicações dos conceitos previstos na programação das aulas: o juízo sintético a priori e a necessidade de sua existência para que haja algum conhecimento que seja necessário. Há ainda indicações do campo transcendental de investigação, pelo espaço puro, parte da Estética Transcendental, e a substância, que é uma categoria pura do entendimento, descrita na Lógica Transcendental. ATIVIDADES: Exercícios Para a 1ª aula 1) Marque a alternativa mais adequada ao pensamento de Kant: a) é um pensamento crítico, porque examina o Iluminismo e faz uma crítica a essa corrente de pensamento. b) é um pensamento crítico, porque impõe limites para o trabalho da razão. c) desenvolve todo seu pensamento a partir da idéia absoluta de Deus. d) é partidário da corrente dogmática, que acredita que o limite para a aquisição do conhecimento é o princípio de não-contradição. 2) Sobre os juízos sintéticos a priori: a) não acrescentam nada ao conceito englobado pelo sujeito. b) são imprescindíveis para a ciência necessária, porque são juízos extraídos da experiência. c) são sempre necessários, porque são a priori. d) são característicos dos conhecimentos necessários e universais, já que um juízo analítico não alarga o conhecimento e um juízo sintético a posteriori não é necessário, por ser extraído da experiência. Para a 2ª aula 3) A geometria, para Kant: 3
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    a) constrói seusconceitos no espaço puro, realizando suas sínteses neste domínio transcendental da sensibilidade. b) é uma abstração a partir da experiência, já que enxergamos objetos que têm aparência próxima à de triângulos ou círculos, e a partir daqueles objetos formamos idéias abstratas como estas. c) a geometria é impossível, pois ultrapassa os limites da razão e, por isso, Kant é um crítico da razão pura. d) as entidades geométricas são idéias inatas, e para esclarecê-las, só precisamos de um método engenhoso. Para a 3ª aula 4) Se considerarmos a física, para Kant: a) ela é em parte a priori, já que goza de necessidade, e em parte a posteriori, já que se refere a experiências possíveis. b) ela é extraída da experiência, por observação de vários casos e operação de induções a partir dos casos observados. Sua necessidade se configura como uma mera aparência, já que induções não têm força lógica. c) ela é necessária, e tem seu fundamento no tratamento matemático dos seus conceitos, pouco importando as experiências concretas a que se refere. d) ela é necessária, porque os físicos são gênios que ultrapassam os limites da razão comum. Gabarito: 1-b, 2-d, 3-a, 4-a AVALIAÇÃO: Em casa, os alunos deverão fazer um trabalho em que relacionarão um conceito qualquer da matemática ou um conceito qualquer da física com o pensamento kantiano. Apresentarão o conceito científico e, em seguida, descreverão de forma sucinta as condições de possibilidade daquele conceito a partir da filosofia de Kant. BIBLIOGRAFIA: CHAUÍ, M. Introdução. In. Crítica da Razão Pura. Tradução de Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger. São Paulo: Nova Cultural, 1999. KANT, I. Crítica da Razão Pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. B5-B6. 4