Com relação ao pescado, ao contrário do que se observou nas últimas décadas, onde os peixes
mais capturados eram: o Pargo, Cioba, Garoupa, Sirigado, Cavalas e Atuns, a maior parte das
capturas nos dias atuais é representada pelo Peixe-Rei, Barracuda, Xaréu Preto e Albacoras.

3 – Ilha de Fernando de Noronha: considerações finais

Fernando de Noronha possui uma situação diferenciada do pescador do litoral de Pernambuco.
Visto que o pescador da ilha é melhor remunerado. No entanto, essa renda não provém apenas
da atividade pesqueira, mas do turismo, onde também seus barcos acabam sendo utilizados
para promover passeios. Por outro lado, a atividade turística vem sendo uma preocupação,
uma vez que diminuiu a prática da pesca entre as gerações pela oferta da renda e faz a ilha
importar pescadores do continente para desenvolver a prática pesqueira. Talvez uma
alternativa para minimizar tal problema, seria o incentivo do setor turístico, como nas áreas
litorâneas de Pernambuco, a pesca voltada para a culinária local, onde os frutos do mar,
comprados aos pescadores seriam vendidos nos restaurantes.

Verificou-se que o trabalho do IBAMA e da Escola Estadual, responsável por disponibilizar
cursos profissionalizantes à distância voltados principalmente para área de meio ambiente,
contribuem para a consciência da preservação ambiental dos ilhéus.

A visão dos pescadores da ilha sobre os fatores que prejudicam a pesca é diferente das
comunidades de pesca do litoral. Enquanto que a poluição é uma regra em Pernambuco, a ilha
não sofre diretamente com este impacto. Ainda sim os pescadores destacam como problemas:
a diminuição dos recursos naturais, a pesca predatória e a falta de políticas públicas
direcionadas ao setor.

Em se tratando de uma ilha, cuja atividade pesqueira é oceânica e os barcos atingem o local de
pesca em pouco tempo, a jornada de trabalho acaba sendo diária. Apenas em regiões de ilhas
oceânicas encontra-se uma pesca com essas características.

Atividades de capacitação devem ser incentivadas como um todo, pois os pescadores
declararam nunca ter participado de treinamentos ou cursos. A maioria deles tem o desejo de
serem capacitados na pesca.




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Diante do exposto, algumas medidas e ações encontram-se descritas, a fim de contribuir com a
melhoria da comunidade:

- Investimento na estrutura física e instrumental na oficina de barco;

- Trabalhos de extensão pesqueira para a pesca artesanal e fortalecimento da Associação de
 Pesca (Anpesca) para ações cooperativas;

- Investimento na melhora do aterro sanitário;

- Promover ações para a regulamentação dos pescadores;

- Capacitação na área de pesca e de meio ambiente, especialmente para os jovens.




“Em ambientes de alto grau de conservação ambiental, tais como a região de Fernando de
Noronha, necessita de desenvolvimento de uma atividade pesqueira compatível com este grau
de complexidade ambiental. Este desenvolvimento deve contemplar a criação de cais
específicos para embarque e desembarque de pescado, edificação de entreposto alimentado por
fontes de energia limpa, compatível com poder aquisitivo dos pescadores, além da renovação
da frota pesqueira, por embarcações menos poluentes que assegurem a sustentabilidade
ecológica desses ambientes”.

                                    Ernande José de Sousa- Pescador de Fernando de Noronha.




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Conclusões Fernando de Noronha 1

  • 1.
    Com relação aopescado, ao contrário do que se observou nas últimas décadas, onde os peixes mais capturados eram: o Pargo, Cioba, Garoupa, Sirigado, Cavalas e Atuns, a maior parte das capturas nos dias atuais é representada pelo Peixe-Rei, Barracuda, Xaréu Preto e Albacoras. 3 – Ilha de Fernando de Noronha: considerações finais Fernando de Noronha possui uma situação diferenciada do pescador do litoral de Pernambuco. Visto que o pescador da ilha é melhor remunerado. No entanto, essa renda não provém apenas da atividade pesqueira, mas do turismo, onde também seus barcos acabam sendo utilizados para promover passeios. Por outro lado, a atividade turística vem sendo uma preocupação, uma vez que diminuiu a prática da pesca entre as gerações pela oferta da renda e faz a ilha importar pescadores do continente para desenvolver a prática pesqueira. Talvez uma alternativa para minimizar tal problema, seria o incentivo do setor turístico, como nas áreas litorâneas de Pernambuco, a pesca voltada para a culinária local, onde os frutos do mar, comprados aos pescadores seriam vendidos nos restaurantes. Verificou-se que o trabalho do IBAMA e da Escola Estadual, responsável por disponibilizar cursos profissionalizantes à distância voltados principalmente para área de meio ambiente, contribuem para a consciência da preservação ambiental dos ilhéus. A visão dos pescadores da ilha sobre os fatores que prejudicam a pesca é diferente das comunidades de pesca do litoral. Enquanto que a poluição é uma regra em Pernambuco, a ilha não sofre diretamente com este impacto. Ainda sim os pescadores destacam como problemas: a diminuição dos recursos naturais, a pesca predatória e a falta de políticas públicas direcionadas ao setor. Em se tratando de uma ilha, cuja atividade pesqueira é oceânica e os barcos atingem o local de pesca em pouco tempo, a jornada de trabalho acaba sendo diária. Apenas em regiões de ilhas oceânicas encontra-se uma pesca com essas características. Atividades de capacitação devem ser incentivadas como um todo, pois os pescadores declararam nunca ter participado de treinamentos ou cursos. A maioria deles tem o desejo de serem capacitados na pesca. 71
  • 2.
    Diante do exposto,algumas medidas e ações encontram-se descritas, a fim de contribuir com a melhoria da comunidade: - Investimento na estrutura física e instrumental na oficina de barco; - Trabalhos de extensão pesqueira para a pesca artesanal e fortalecimento da Associação de Pesca (Anpesca) para ações cooperativas; - Investimento na melhora do aterro sanitário; - Promover ações para a regulamentação dos pescadores; - Capacitação na área de pesca e de meio ambiente, especialmente para os jovens. “Em ambientes de alto grau de conservação ambiental, tais como a região de Fernando de Noronha, necessita de desenvolvimento de uma atividade pesqueira compatível com este grau de complexidade ambiental. Este desenvolvimento deve contemplar a criação de cais específicos para embarque e desembarque de pescado, edificação de entreposto alimentado por fontes de energia limpa, compatível com poder aquisitivo dos pescadores, além da renovação da frota pesqueira, por embarcações menos poluentes que assegurem a sustentabilidade ecológica desses ambientes”. Ernande José de Sousa- Pescador de Fernando de Noronha. 72