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17 de Novembro de 2013

CADERNODIÁRIO

AGRUPAMENTO DE
LOUSADA NORTE
N.º 1
http://
lousadanorte.blogspot
.com
lousadahistoria@gmail
.com

A Grande Depressão e o seu
impacto social
Por Raul Silva

Nos anos 30, a Grande Depressão abalou a confiança no capitalismo liberal e na democracia.
Perturbada e decadente, a Europa questionou o liberalismo político e a democracia
parlamentar. As massas populares, afetadas pelo desemprego e seduzidas pelo exemplo da
Rússia bolchevista, agitaram-se ao ponto de intimidar as classes dirigentes. As classes médias,
alicerce do liberalismo e grandes vítimas da queda do poder de compra, sentiram-se
atraiçoadas e perderam toda a confiança no Estado burguês.
Pela Europa fora, o totalitarismo fascista foi moda e teve, na Itália e na Alemanha, os seus
grandes paradigmas. Antiparlamentar, antiliberal e antimarxista, o fascismo distinguiu-se por
subordinar o indivíduo aos interesses de um Estado forte e dirigista, que controlava a
sociedade, a economia, a educação e a cultura; por impor o culto do Chefe a quem todos
deviam uma obediência estrita. Um feroz aparelho repressivo e uma gigantesca máquina de
propaganda serviram os seus desígnios.
Onde a democracia resistiu à crise ensaiaram-se novas soluções económicas e políticas
marcadas pelo intervencionismo do New Deal e pelas experiências das Frentes Populares.

1
CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013

Nas origens da crise
Exercícios
A prosperidade efémera
“Os anos 20 (1924-1929) foram anos de prosperidade.
O American way of life invadiu a Europa. Aos benefícios
da sociedade de consumo associou-se a busca de
prazer e a evasão e intensificou-se a vida nocturna. Os
teatros, os cinemas, os night-clubs e outras salas de
espectáculos e de jogos das grandes cidades tornaramse locais habitualmente frequentados. As novas
bebidas (cocktail), as novas músicas (jazz) e as novas
danças (charleston, lambeth walk, swing e rumba) passaram
a animar a vida nocturna. Rallies de automóveis,
corridas de carros e de cavalos e outros desportos
(como o futebol) constituíram outros divertimentos que
envolviam grandes massas. O rápido desenvolvimento
dos meios de transporte (comboio, automóvel, avião) e
dos meios de comunicação (rádio, telégrafo, telefone)
acelerou o quotidiano das pessoas, favorecendo uma
maior mobilidade espacial e do ritmo de vida. A moda
de viajar entrou nos hábitos e prazeres das classes
médias. Às viagens de negócios acrescentaram-se as
viagens lúdicas, de turismo, quer no interior dos
próprios países, quer para países estrangeiros, criandose e desenvolvendo-se novas infra-estruturas para
apoio destes lazeres: agências de viagens, serviços de
hotelaria, mapas, guias turísticos, bilhetes-postais
ilustrados, etc. Paralelamente a este novo estilo de
vida, o período entre as duas guerras mundiais
caracterizou-se por uma latente inquietação e
instabilidade nos comportamentos sociais. A paz
estabelecida pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à
Primeira Guerra Mundial (1919), foi uma paz
aparente, já que, na Alemanha e na Itália, o nazismo e
o fascismo iniciavam a sua caminhada galopante. A
crise de 1929 viria a agravar essa instabilidade
gerando mesmo angústias e miséria que iriam ter
consequências a todos os níveis.”
Eric Hobswam, A Era dos Extremos, Editorial Presença

O apelo ao consumo

Cartaz da Revista Time,
novembro de 1927

O dinheiro fácil
“Para incitar os empresários a investir acena-selhes com o crédito fácil, a política do dinheiro
fácil. Alguns aproveitam a facilidade do recurso
ao crédito que lhes é concedido, não para
criarem novas empresas, mas sim para
especularem: compram-se acções na bolsa a
contar com uma alta das cotações. A verdade é
que quanto mais os especuladores compram,
mais as acções sobem. Sem se darem bem conta
do que haviam feito, nas vésperas de 1929, os
bancos tinham emprestado somas enormes a
especuladores que só poderiam reembolsá-los se
se mantivesse, indefinidamente, a espiral
crescente das cotações em Wall Street.”
Jean-Luc Chalumeau, O Capitalismo, Publicações Dom
Quixote

1. Partindo dos documentos, descreva as principais transformações na vida urbana
nos anos 20.

2
CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013

A dimensão financeira, económica
e social da crise
Exercícios
A prosperidade efémera
“A crise torna-se, a partir do crash de Wall Street, uma
crise mundial, o que demonstra como a América se vai
transformando, aos poucos, na locomotiva da
economia capitalista. As repercussões sociais desta
crise, são, também, mundiais, afectando todos os países,
com economias pouco desenvolvidas e diversificadas,
que fornecem matérias-primas aos EUA e à Europa.
(…) Por todo o lado falem fábricas por falta de
compradores. Por todo o lado instala-se o desemprego,
e as dificuldades económicas das populações agudizamse. A fome, que parecia uma realidade passada,
reemerge. Nos EUA, põe-se em questão o American way
of life, instalando-se dúvidas quanto à validade do
modelo capitalista tal como é aplicado. Este modelo
incentivou, nos anos da pseudo prosperidade, a um
consumo desenfreado, concedendo créditos ao
consumo privado de forma pouco criteriosa e as
pessoas que não possuíam capacidade de
endividamento. Quanto mais se consumia, mais os
bancos emprestavam, numa espiral que só podia
conduzir a um fim – a ruptura do sistema financeiro e,
consequentemente, produtivo, logo que as dificuldades
financeiras começaram a emergir (as pessoas não
pagavam aos bancos o que lhes deviam e deixaram de
consumir por não terem meios para tal).
Com a retracção do consumo privado, as empresas
vêem-se com uma enorme quantidade de stocks
invendáveis por causa da falta de liquidez financeira
dos consumidores. Milhares de empregos
desaparecerem em pouco tempo por já não se
justificarem em época de retracção económica. Os
bancos, com falta de confiança na capacidade de
pagamento de quem pede empréstimos, encerram as
linhas de crédito, restringindo ainda mais o consumo.
A falta de dinheiro no sistema leva-os a retirar os
créditos concedidos a muitos bancos europeus e a não
efectuar novos empréstimos. Muito bancos europeus,
dependentes de créditos americanos entram em
ruptura.”

O fim do American way of life

Habitantes de Kentucky aguardam, numa fila, a
distribuição de alimentos pela Cruz Vermelha (1937)

As manifestações da crise
“Era o fim do mundo para um povo que tinha
apostado tudo na riqueza. As indústrias,
equipadas para grandes produções não
encontravam compradores. O número de
desempregados subia. Há na América um
desemprego endémico e, mesmo antes da crise,
contavam-se já 2 milhões de desempregados.
Mas, quando as pessoas cessaram as suas
compras, então o desemprego aumentou em
progressão geométrica, devido à baixa dos
preços, à falta de confiança, ao crash de Wall
Street.”
André Maurois, 1933 - Chantiers Américains, Paris,
Gallimard

2. Tendo em conta os documentos, caraterize a crise económica dos anos 30.

3
CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013

Da origem à mundialização da crise
Guia de estudo
Objetivo 1. Reconhecer as causas da crise
A crise teve a sua origem nos Estados Unidos da América.
Durante a Primeira Grande Guerra, os americanos eram possuidores da maior parte do ouro mundial,
provenientes dos pagamentos que a Europa fazia pelo trigo, patróleo, manufaturas e armas, tornando-se,
portanto, credores da Europa, controlando assim as empresas do mundo inteiro. Após a guerra, os países
europeus, falidos, compram menos aos americanos e as vendas decrescem, por isso diminui a produção, sobe
o desemprego e baixam os preços. Perante esta pequena crise, o governo decreta o aumento das taxas
alfandegárias para combater as importações e a economia recupera.
Os chamados Loucos anos 20 vão marcar o melhor período da América, que se torna a 1.ª potência industrial
e financeira do mundo. O consumo em massa é estimulado pelas vendas a crédito, salários altos e pela
publicidade, especialmente os bens de consumo e electrodomésticos. É a América way of life de que são
indicadores culturais: o cinema, a rádio, o desporto, o jazz, os jornais, o telefone, ou seja, a sociedade de
consumo, e o “self mada man”, um mito americano.
Mas, o crescimento económico dos anos 20 tinha o seus pontos fracos:
- a prosperidade não era geral, os países europeus viviam anos de crise;
- o desenvolvimento dos setores produtivos é diverso: a construção naval, aço e têxteis declinam, a produção
agrícola é excedentária, provocando a queda dos preços e a ruína dos agricultores;
- a repartição da riqueza é desigual, uma vez que o lucro dos empresários era muito superior ao aumento
dos salários pelo que os assalariados recorrem à compra a prestações, na ânsia de consumo;
- o crédito atinge até a compra de ações que atingem valores irreais.

Objetivo 2. Explicar em que consistiu o Crash de Wall Street
Em 1928, acontece uma enorme subida de preços do produtos, o que vai contrariar o baixo poder de
compra da população. Segue-se a dificuldade em escoar a produção, o desemprego e falências.
Do ponto e vista financeiro, a situação não era melhor devido à especulação na compra de ações e à
facilidade em obter crédito bancário, apesar do aumento dos juros, o que permitirá a acumulação de
avultados lucros nas instituições bancárias. No entanto, estas viviam temendo o reembolso do capital
correspondente às ações super-valorizadas e das economias depositadas. A partir de setembro de 1929, à
bolsa de Nova York acorreram muitos especuladores a quererem vender as suas ações por considerarem que
já não compensava a sua transação. Em 24 de outubro forma postas à venda cerca de 17 milhões de ações
que não encontraram comprador. Gerou-se o pânico e todos queriam desfazer-se das suas ações, a qualquer
preço. Foi, assim, o crash de Wall Street, na famosa quinta-feira negra.

4
CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013

Da origem à mundialização da crise
Guia de estudo
Objetivo 3. Enumerar os efeitos que teve a quinta-feira negra na economia ocidental
A crise na bolsa americana traz, de imediato, consequências:
1. As ações desvalorizam e as pessoas tentam vendê-las a preços baixíssimos, sem haver quem as compre
outras correm aos bancos a levantar os seus depósitos.
2. Os bancos encerram por não poderem pagar as dívidas dos acionistas nem devolver os depósitos.

Objetivo 4. Justificar a mundialização da crise
Inicia-se, deste modo, a grande depressão dos anos 30 que, oriunda dos Estados Unidos da América se irá
estender ao resto do mundo, provocando o declínio do comércio internacional:
- Aos países fornecedores de matérias-primas aos americanos: Austrália, Nova Zelândia, México, Brasil,
Índia.
- Países dependentes dos empréstimos dos Estados Unidos: Alemanha e Aústria.
As principais caraterísticas desta crise mundial são: empresas fabris, comerciais e bancárias a falirem,
produção, preços, salários e poder de compra a descer, desemprego e miséria a subir, racionamentos e “sopa
dos pobres” a surgir.

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  • 1. 17 de Novembro de 2013 CADERNODIÁRIO AGRUPAMENTO DE LOUSADA NORTE N.º 1 http:// lousadanorte.blogspot .com lousadahistoria@gmail .com A Grande Depressão e o seu impacto social Por Raul Silva Nos anos 30, a Grande Depressão abalou a confiança no capitalismo liberal e na democracia. Perturbada e decadente, a Europa questionou o liberalismo político e a democracia parlamentar. As massas populares, afetadas pelo desemprego e seduzidas pelo exemplo da Rússia bolchevista, agitaram-se ao ponto de intimidar as classes dirigentes. As classes médias, alicerce do liberalismo e grandes vítimas da queda do poder de compra, sentiram-se atraiçoadas e perderam toda a confiança no Estado burguês. Pela Europa fora, o totalitarismo fascista foi moda e teve, na Itália e na Alemanha, os seus grandes paradigmas. Antiparlamentar, antiliberal e antimarxista, o fascismo distinguiu-se por subordinar o indivíduo aos interesses de um Estado forte e dirigista, que controlava a sociedade, a economia, a educação e a cultura; por impor o culto do Chefe a quem todos deviam uma obediência estrita. Um feroz aparelho repressivo e uma gigantesca máquina de propaganda serviram os seus desígnios. Onde a democracia resistiu à crise ensaiaram-se novas soluções económicas e políticas marcadas pelo intervencionismo do New Deal e pelas experiências das Frentes Populares. 1
  • 2. CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013 Nas origens da crise Exercícios A prosperidade efémera “Os anos 20 (1924-1929) foram anos de prosperidade. O American way of life invadiu a Europa. Aos benefícios da sociedade de consumo associou-se a busca de prazer e a evasão e intensificou-se a vida nocturna. Os teatros, os cinemas, os night-clubs e outras salas de espectáculos e de jogos das grandes cidades tornaramse locais habitualmente frequentados. As novas bebidas (cocktail), as novas músicas (jazz) e as novas danças (charleston, lambeth walk, swing e rumba) passaram a animar a vida nocturna. Rallies de automóveis, corridas de carros e de cavalos e outros desportos (como o futebol) constituíram outros divertimentos que envolviam grandes massas. O rápido desenvolvimento dos meios de transporte (comboio, automóvel, avião) e dos meios de comunicação (rádio, telégrafo, telefone) acelerou o quotidiano das pessoas, favorecendo uma maior mobilidade espacial e do ritmo de vida. A moda de viajar entrou nos hábitos e prazeres das classes médias. Às viagens de negócios acrescentaram-se as viagens lúdicas, de turismo, quer no interior dos próprios países, quer para países estrangeiros, criandose e desenvolvendo-se novas infra-estruturas para apoio destes lazeres: agências de viagens, serviços de hotelaria, mapas, guias turísticos, bilhetes-postais ilustrados, etc. Paralelamente a este novo estilo de vida, o período entre as duas guerras mundiais caracterizou-se por uma latente inquietação e instabilidade nos comportamentos sociais. A paz estabelecida pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial (1919), foi uma paz aparente, já que, na Alemanha e na Itália, o nazismo e o fascismo iniciavam a sua caminhada galopante. A crise de 1929 viria a agravar essa instabilidade gerando mesmo angústias e miséria que iriam ter consequências a todos os níveis.” Eric Hobswam, A Era dos Extremos, Editorial Presença O apelo ao consumo Cartaz da Revista Time, novembro de 1927 O dinheiro fácil “Para incitar os empresários a investir acena-selhes com o crédito fácil, a política do dinheiro fácil. Alguns aproveitam a facilidade do recurso ao crédito que lhes é concedido, não para criarem novas empresas, mas sim para especularem: compram-se acções na bolsa a contar com uma alta das cotações. A verdade é que quanto mais os especuladores compram, mais as acções sobem. Sem se darem bem conta do que haviam feito, nas vésperas de 1929, os bancos tinham emprestado somas enormes a especuladores que só poderiam reembolsá-los se se mantivesse, indefinidamente, a espiral crescente das cotações em Wall Street.” Jean-Luc Chalumeau, O Capitalismo, Publicações Dom Quixote 1. Partindo dos documentos, descreva as principais transformações na vida urbana nos anos 20. 2
  • 3. CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013 A dimensão financeira, económica e social da crise Exercícios A prosperidade efémera “A crise torna-se, a partir do crash de Wall Street, uma crise mundial, o que demonstra como a América se vai transformando, aos poucos, na locomotiva da economia capitalista. As repercussões sociais desta crise, são, também, mundiais, afectando todos os países, com economias pouco desenvolvidas e diversificadas, que fornecem matérias-primas aos EUA e à Europa. (…) Por todo o lado falem fábricas por falta de compradores. Por todo o lado instala-se o desemprego, e as dificuldades económicas das populações agudizamse. A fome, que parecia uma realidade passada, reemerge. Nos EUA, põe-se em questão o American way of life, instalando-se dúvidas quanto à validade do modelo capitalista tal como é aplicado. Este modelo incentivou, nos anos da pseudo prosperidade, a um consumo desenfreado, concedendo créditos ao consumo privado de forma pouco criteriosa e as pessoas que não possuíam capacidade de endividamento. Quanto mais se consumia, mais os bancos emprestavam, numa espiral que só podia conduzir a um fim – a ruptura do sistema financeiro e, consequentemente, produtivo, logo que as dificuldades financeiras começaram a emergir (as pessoas não pagavam aos bancos o que lhes deviam e deixaram de consumir por não terem meios para tal). Com a retracção do consumo privado, as empresas vêem-se com uma enorme quantidade de stocks invendáveis por causa da falta de liquidez financeira dos consumidores. Milhares de empregos desaparecerem em pouco tempo por já não se justificarem em época de retracção económica. Os bancos, com falta de confiança na capacidade de pagamento de quem pede empréstimos, encerram as linhas de crédito, restringindo ainda mais o consumo. A falta de dinheiro no sistema leva-os a retirar os créditos concedidos a muitos bancos europeus e a não efectuar novos empréstimos. Muito bancos europeus, dependentes de créditos americanos entram em ruptura.” O fim do American way of life Habitantes de Kentucky aguardam, numa fila, a distribuição de alimentos pela Cruz Vermelha (1937) As manifestações da crise “Era o fim do mundo para um povo que tinha apostado tudo na riqueza. As indústrias, equipadas para grandes produções não encontravam compradores. O número de desempregados subia. Há na América um desemprego endémico e, mesmo antes da crise, contavam-se já 2 milhões de desempregados. Mas, quando as pessoas cessaram as suas compras, então o desemprego aumentou em progressão geométrica, devido à baixa dos preços, à falta de confiança, ao crash de Wall Street.” André Maurois, 1933 - Chantiers Américains, Paris, Gallimard 2. Tendo em conta os documentos, caraterize a crise económica dos anos 30. 3
  • 4. CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013 Da origem à mundialização da crise Guia de estudo Objetivo 1. Reconhecer as causas da crise A crise teve a sua origem nos Estados Unidos da América. Durante a Primeira Grande Guerra, os americanos eram possuidores da maior parte do ouro mundial, provenientes dos pagamentos que a Europa fazia pelo trigo, patróleo, manufaturas e armas, tornando-se, portanto, credores da Europa, controlando assim as empresas do mundo inteiro. Após a guerra, os países europeus, falidos, compram menos aos americanos e as vendas decrescem, por isso diminui a produção, sobe o desemprego e baixam os preços. Perante esta pequena crise, o governo decreta o aumento das taxas alfandegárias para combater as importações e a economia recupera. Os chamados Loucos anos 20 vão marcar o melhor período da América, que se torna a 1.ª potência industrial e financeira do mundo. O consumo em massa é estimulado pelas vendas a crédito, salários altos e pela publicidade, especialmente os bens de consumo e electrodomésticos. É a América way of life de que são indicadores culturais: o cinema, a rádio, o desporto, o jazz, os jornais, o telefone, ou seja, a sociedade de consumo, e o “self mada man”, um mito americano. Mas, o crescimento económico dos anos 20 tinha o seus pontos fracos: - a prosperidade não era geral, os países europeus viviam anos de crise; - o desenvolvimento dos setores produtivos é diverso: a construção naval, aço e têxteis declinam, a produção agrícola é excedentária, provocando a queda dos preços e a ruína dos agricultores; - a repartição da riqueza é desigual, uma vez que o lucro dos empresários era muito superior ao aumento dos salários pelo que os assalariados recorrem à compra a prestações, na ânsia de consumo; - o crédito atinge até a compra de ações que atingem valores irreais. Objetivo 2. Explicar em que consistiu o Crash de Wall Street Em 1928, acontece uma enorme subida de preços do produtos, o que vai contrariar o baixo poder de compra da população. Segue-se a dificuldade em escoar a produção, o desemprego e falências. Do ponto e vista financeiro, a situação não era melhor devido à especulação na compra de ações e à facilidade em obter crédito bancário, apesar do aumento dos juros, o que permitirá a acumulação de avultados lucros nas instituições bancárias. No entanto, estas viviam temendo o reembolso do capital correspondente às ações super-valorizadas e das economias depositadas. A partir de setembro de 1929, à bolsa de Nova York acorreram muitos especuladores a quererem vender as suas ações por considerarem que já não compensava a sua transação. Em 24 de outubro forma postas à venda cerca de 17 milhões de ações que não encontraram comprador. Gerou-se o pânico e todos queriam desfazer-se das suas ações, a qualquer preço. Foi, assim, o crash de Wall Street, na famosa quinta-feira negra. 4
  • 5. CADERNODIÁRIO 17 de Novembro de 2013 Da origem à mundialização da crise Guia de estudo Objetivo 3. Enumerar os efeitos que teve a quinta-feira negra na economia ocidental A crise na bolsa americana traz, de imediato, consequências: 1. As ações desvalorizam e as pessoas tentam vendê-las a preços baixíssimos, sem haver quem as compre outras correm aos bancos a levantar os seus depósitos. 2. Os bancos encerram por não poderem pagar as dívidas dos acionistas nem devolver os depósitos. Objetivo 4. Justificar a mundialização da crise Inicia-se, deste modo, a grande depressão dos anos 30 que, oriunda dos Estados Unidos da América se irá estender ao resto do mundo, provocando o declínio do comércio internacional: - Aos países fornecedores de matérias-primas aos americanos: Austrália, Nova Zelândia, México, Brasil, Índia. - Países dependentes dos empréstimos dos Estados Unidos: Alemanha e Aústria. As principais caraterísticas desta crise mundial são: empresas fabris, comerciais e bancárias a falirem, produção, preços, salários e poder de compra a descer, desemprego e miséria a subir, racionamentos e “sopa dos pobres” a surgir. 5