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4 de Dezembro de 2013

CADERNODIÁRIO

EXTERNATO LUÍS DE
CAMÕES
N.º 7
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externatohistoria.blog
spot.com
externatohistoria@gm
ail.com

A I.ª República
Por Raul Silva

A descrença no regime monárquico português fez-se sentir a partir do último quartel do
século XIX. A instabilidade económico-social, a propaganda republicana, a difusão das
doutrinas socialistas e o descontentamento face à resposta do Governo português ao Ultimato
inglês foram as condições que favoreceram a implantação da república.
A 1.ª República procurou melhorar as condições de vida da população portuguesa,
promovendo reformas políticas, económicas e culturais. Contudo, a instabilidade governativa
e as dificuldades económico-sociais foram de difícil resolução.
A degradação do regime republicano conduziu ao golpe militar de 1926, que instaurou o
regime de ditadura militar e, posteriormente, ao regime do Estado Novo.
Ao longo das próximas aulas deves conseguir indicar os fatores que contribuíram para a
queda da Monarquia e implantação da República; identificar as razões da progressiva adesão
ao republicanismo; caraterizar o regime democrático parlamentar instituído pela 1.ª
República e identificar as principais medidas governativas da 1.ª República.

1
CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013

A I.ª República
O declínio da monarquia

!
Balança comercial portuguesa de 1870 a 1900

!
O Peso da Monarquia sobre o Povo,
de Rafael Bordalo Pinheiro

1. Tendo em conta o documento 1, refira duas causas da crise económico-financeira, em
Portugal, na última década do século XIX.
2. Com base no documento 2, indique as consequências desse quadro económico.

A organização do poder na I.ª República
“Art.º 3.º – A República Portuguesa não admite privilégio de nascimento, nem foros de nobreza, extingue os
títulos nobiliárquicos (...).
N.º 2 – A lei é igual para todos (...);
N.º 5 – O Estado reconhece a igualdade política e civil de todos os cultos (...);
N.º 6 – Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião (...);
N.º 11 – O ensino primário elementar será obrigatório e gratuito;
N.º 13 – A expressão de pensamento (...) é completamente livre (...);
N.º 29 – É reconhecido o direito à assistência pública.
Art.º 5.º – A soberania reside essencialmente na Nação.
Art.º 6.º – São órgãos da Soberania Nacional o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judicial,
independentes e harmónicos entre si (...).”
Constituição da República Portuguesa, 1911

3. Indique três princípios que justifiquem o caráter democrático do governo da I.ª República
presentes no documento 3.

2
CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013

A I.ª República
As realizações

!
Caricatura da época sobre as relações da I .ª
República e a Igreja

4. Interprete o significado do documento 4, tendo em conta as medidas tomadas pela I.ª
República em relação à Igreja.

!

!
Evolução do número de escolas primárias
entre 1910 e 1925

Evolução do analfabetismo, em Portugal,
entre 1890 e 1930

5. Partindo do documento 5, refira três medidas aplicadas pelos governos republicanos na
área da educação.
6. Relacione as medidas tomadas pelos republicanos na área da educação com os dados
fornecidos pelo documento 6.

3
CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013

A I.ª República
As dificuldades governativas
O atraso económico
“O País não produzia nem a metade do necessário para
o seu consumo. (...) E foi assim, nestas condições, sem
agricultura, sem indústria, sem navegação, que a
Guerra veio surpreender Portugal. E foi sob um regime
de salário baixíssimo e de um custo de vida exorbitante
(...) que nós, operários, nos encontrávamos.”

!

Movimento Operário perante a Guerra e as Condições de Paz,
União Operária Nacional, em 1917

A economia: a galinha choca,
de Rafael Bordalo Pinheiro

7. Indique, tendo em conta o documento 7, três medidas tomadas pelos republicanos com
o objectivo de superar o atraso português.
8. Partindo do documento 8, avalie a concretização das reformas económicas da I.ª
República.

Uma visão do Parlamento
“Revejo a minha primeira ida ao Parlamento como
uma tela acinzentada num lusco-fusco da imaginação.
(...)
Nos homens, nenhum aprumo de vestuário, nem de
atitudes, nem de expressão. Na imagem brumosa que
me ficou da Câmara, destaca-se um vulto de sobretudo
alvadio, todo espapaçado sobre o seu banco, com
expressão de tédio de um borguista mole, extenuado,
exangue, no morrer sonolento de alguma orgia. De
perna estendida com ar de enjoo, encara de pálpebras
semicerradas os seus colegas legisladores, dos quais
alguns se mantêm sentados, outros em pé ou
deambulando, muitos a falar do que lhes apetece e a
abafar a voz do orador que ora ninguém ouve, nem
quer ouvir, nem se sabe onde está (...).”

Sidónio Pais, Abril de 1918

António Sérgio, 1932 - Ensaios III
9. Com base nos documentos, caraterize a instabilidade política na 1.ª República.

4
CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013

A I.ª República
Guia de estudo
Objetivo 1. Descrever as dificuldades económicas que a 1.ª República teve de enfrentar
A 1.ª República vigorou de 1910 a 1926 e foi um período conturbado pelos graves problemas sociais,
económicos e políticos que, no entanto, também se faziam sentir por toda a Europa, mergulhada em difíceis
condições de vida, após o 1.º conflito mundial (1914-18).
A 1.ª República herdou diversas dificuldades económicas da monarquia, nomeadamente uma indústria
atrasada e insuficiente, o comércio atrofiado, o predomínio da agricultura. Durante a república foram
frequentes as desvalorizações da moeda, a balança comercial deficitária, a escassez de produtos e a inflação.
Com a entrada de Portugal na guerra (março de 1916) a situação económica agravou-se: especulação e
racionamentos, crescimento da dívida pública e aumento do custo de vida, sobretudo para os que viviam de
rendimentos fixos (os salários não acompanhavam a subida dos preços e até baixavam na realidade com as
desvalorizações).
Esta situação económica-financeira era particularmente sentida pelos assalariados e classes médias,
ameaçadas pelo desemprego e prejudicadas pelo custo de vida. As classes populares (operariado e
campesinato) vivam na miséria, com empregos precários, baixos salários, sem proteção social e, portanto,
sujeitos à exploração do patronato. Por isso, entre 1919-20, o sindicalismo português renasce através de
greves e manifestações que, por vezes, ganham contornos violentos.

Objetivo 2. Caraterizar a instabilidade política
Os governos republicanos tomam medidas apaziguadoras para o operariado e função pública: semana de
48 horas, seguro social obrigatório e construção de bairros operários. A burguesia desagradada com estas
cedências do governo, face às reivindicações operárias, e com o agravamento da situação interna pela
entrada na guerra, recua no seu apoio à República. O governo tenta a conciliação mas o que consegue,
apenas, é a sua progressiva separação quer das classes populares quer da burguesia capitalista.
Desde o início que a república sofreu a oposição ao regime. A Igreja, contra o anticlericalismo e o ateísmo
dos republicanos, tem a apoia-lá um país extremamente conservador. Os proprietários e capitalistas,
descontentes com o caráter demasiado popular e social da legislação republicana, receosos da onda de
greves e ameaças comunistas, não se mostram interessados a colaborar com o regime. As classes médias,
cansadas da desordem e temendo o comunismo e a proletarização da sociedade, anseiam por um governo
forte.
Em 1915, é fundado o Centro Católico Português, onde se destaca António Oliveira Salazar. Em 1922,
aparece a Confederação Patronal, depois da União dos Interesses Económicos. Ambos concorrem ao
Parlamento e conseguem eleger deputados. A oposição monárquico-religiosa chega mesmo a organizar-se
em movimento doutrinário, elitista, conservador e nacionalista, designado de Integralismo Lusitano,
apoiante de algumas tentativas de derrube da república, nomeadamente a ditadura de Sidónio Pais e o
episódio da proclamação da Monarquia do Norte, onde os monárquicos ensaiaram uma tentativa de
retorno e regresso de D. Manuel II.
Toda esta instabilidade político-social foi-se agravando sem que a República Velha (designação do período
final da 1.ª República) encontrasse as soluções convenientes. Sem grandes tradições democráticas, a
república portuguesa caíra num excessivo parlamentarismo, devido ao elevado poder do Congresso, o que
explica que, em 16 anos tivesse havido 45 governos, 8 eleições presidenciais e 7 presidentes da república e 9
eleições legislativas.

5
CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013

6

A I.ª República
Guia de estudo
As moções de censura aos governos eram frequentes e provocaram a sua queda, limitando a sua vigência,
por vezes, a um só mês. Os partidos multiplicam-se. O próprio Partido Republicano Português dissolve-se e
dá origem a várias facções partidárias embora da mesma área política, das quais as mais importantes foram
o Partido Democrático chefiado por Afonso Costa, Partido Evolucionista de António José de Almeida e o
Partido Unionista de Brito Camacho. Mas, ainda havia os Independentistas, os Socialistas, os
Governamentais, os Reconstituintes, os Católicos, os Esquerdistas e os Monárquicos, entre outros. Era,
assim, difícil obter a maioria dos votos, sendo essa instabilidade governativa apontada como causadora da
queda da 1.ª República (1910-1926). Um ambiente assim torna-se propício ao surgimento de soluções
autoritárias que já tão estavam na Europa desta época. Foi, por isso, fácil o derrube da 1.ª República através
de um golpe de estado militar, em 28 de maio de 1926, em que o general Gomes da Costa chefia uma
marcha sobre Lisboa, colhendo adeptos ao longo do percurso. O presidente da República, Bernardino
Machado, renuncia ao cargo, deixando caminho livre para uma nova vida política para Portugal.

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Caderno Diário 1ª República

  • 1. 4 de Dezembro de 2013 CADERNODIÁRIO EXTERNATO LUÍS DE CAMÕES N.º 7 http:// externatohistoria.blog spot.com externatohistoria@gm ail.com A I.ª República Por Raul Silva A descrença no regime monárquico português fez-se sentir a partir do último quartel do século XIX. A instabilidade económico-social, a propaganda republicana, a difusão das doutrinas socialistas e o descontentamento face à resposta do Governo português ao Ultimato inglês foram as condições que favoreceram a implantação da república. A 1.ª República procurou melhorar as condições de vida da população portuguesa, promovendo reformas políticas, económicas e culturais. Contudo, a instabilidade governativa e as dificuldades económico-sociais foram de difícil resolução. A degradação do regime republicano conduziu ao golpe militar de 1926, que instaurou o regime de ditadura militar e, posteriormente, ao regime do Estado Novo. Ao longo das próximas aulas deves conseguir indicar os fatores que contribuíram para a queda da Monarquia e implantação da República; identificar as razões da progressiva adesão ao republicanismo; caraterizar o regime democrático parlamentar instituído pela 1.ª República e identificar as principais medidas governativas da 1.ª República. 1
  • 2. CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013 A I.ª República O declínio da monarquia ! Balança comercial portuguesa de 1870 a 1900 ! O Peso da Monarquia sobre o Povo, de Rafael Bordalo Pinheiro 1. Tendo em conta o documento 1, refira duas causas da crise económico-financeira, em Portugal, na última década do século XIX. 2. Com base no documento 2, indique as consequências desse quadro económico. A organização do poder na I.ª República “Art.º 3.º – A República Portuguesa não admite privilégio de nascimento, nem foros de nobreza, extingue os títulos nobiliárquicos (...). N.º 2 – A lei é igual para todos (...); N.º 5 – O Estado reconhece a igualdade política e civil de todos os cultos (...); N.º 6 – Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião (...); N.º 11 – O ensino primário elementar será obrigatório e gratuito; N.º 13 – A expressão de pensamento (...) é completamente livre (...); N.º 29 – É reconhecido o direito à assistência pública. Art.º 5.º – A soberania reside essencialmente na Nação. Art.º 6.º – São órgãos da Soberania Nacional o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judicial, independentes e harmónicos entre si (...).” Constituição da República Portuguesa, 1911 3. Indique três princípios que justifiquem o caráter democrático do governo da I.ª República presentes no documento 3. 2
  • 3. CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013 A I.ª República As realizações ! Caricatura da época sobre as relações da I .ª República e a Igreja 4. Interprete o significado do documento 4, tendo em conta as medidas tomadas pela I.ª República em relação à Igreja. ! ! Evolução do número de escolas primárias entre 1910 e 1925 Evolução do analfabetismo, em Portugal, entre 1890 e 1930 5. Partindo do documento 5, refira três medidas aplicadas pelos governos republicanos na área da educação. 6. Relacione as medidas tomadas pelos republicanos na área da educação com os dados fornecidos pelo documento 6. 3
  • 4. CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013 A I.ª República As dificuldades governativas O atraso económico “O País não produzia nem a metade do necessário para o seu consumo. (...) E foi assim, nestas condições, sem agricultura, sem indústria, sem navegação, que a Guerra veio surpreender Portugal. E foi sob um regime de salário baixíssimo e de um custo de vida exorbitante (...) que nós, operários, nos encontrávamos.” ! Movimento Operário perante a Guerra e as Condições de Paz, União Operária Nacional, em 1917 A economia: a galinha choca, de Rafael Bordalo Pinheiro 7. Indique, tendo em conta o documento 7, três medidas tomadas pelos republicanos com o objectivo de superar o atraso português. 8. Partindo do documento 8, avalie a concretização das reformas económicas da I.ª República. Uma visão do Parlamento “Revejo a minha primeira ida ao Parlamento como uma tela acinzentada num lusco-fusco da imaginação. (...) Nos homens, nenhum aprumo de vestuário, nem de atitudes, nem de expressão. Na imagem brumosa que me ficou da Câmara, destaca-se um vulto de sobretudo alvadio, todo espapaçado sobre o seu banco, com expressão de tédio de um borguista mole, extenuado, exangue, no morrer sonolento de alguma orgia. De perna estendida com ar de enjoo, encara de pálpebras semicerradas os seus colegas legisladores, dos quais alguns se mantêm sentados, outros em pé ou deambulando, muitos a falar do que lhes apetece e a abafar a voz do orador que ora ninguém ouve, nem quer ouvir, nem se sabe onde está (...).” Sidónio Pais, Abril de 1918 António Sérgio, 1932 - Ensaios III 9. Com base nos documentos, caraterize a instabilidade política na 1.ª República. 4
  • 5. CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013 A I.ª República Guia de estudo Objetivo 1. Descrever as dificuldades económicas que a 1.ª República teve de enfrentar A 1.ª República vigorou de 1910 a 1926 e foi um período conturbado pelos graves problemas sociais, económicos e políticos que, no entanto, também se faziam sentir por toda a Europa, mergulhada em difíceis condições de vida, após o 1.º conflito mundial (1914-18). A 1.ª República herdou diversas dificuldades económicas da monarquia, nomeadamente uma indústria atrasada e insuficiente, o comércio atrofiado, o predomínio da agricultura. Durante a república foram frequentes as desvalorizações da moeda, a balança comercial deficitária, a escassez de produtos e a inflação. Com a entrada de Portugal na guerra (março de 1916) a situação económica agravou-se: especulação e racionamentos, crescimento da dívida pública e aumento do custo de vida, sobretudo para os que viviam de rendimentos fixos (os salários não acompanhavam a subida dos preços e até baixavam na realidade com as desvalorizações). Esta situação económica-financeira era particularmente sentida pelos assalariados e classes médias, ameaçadas pelo desemprego e prejudicadas pelo custo de vida. As classes populares (operariado e campesinato) vivam na miséria, com empregos precários, baixos salários, sem proteção social e, portanto, sujeitos à exploração do patronato. Por isso, entre 1919-20, o sindicalismo português renasce através de greves e manifestações que, por vezes, ganham contornos violentos. Objetivo 2. Caraterizar a instabilidade política Os governos republicanos tomam medidas apaziguadoras para o operariado e função pública: semana de 48 horas, seguro social obrigatório e construção de bairros operários. A burguesia desagradada com estas cedências do governo, face às reivindicações operárias, e com o agravamento da situação interna pela entrada na guerra, recua no seu apoio à República. O governo tenta a conciliação mas o que consegue, apenas, é a sua progressiva separação quer das classes populares quer da burguesia capitalista. Desde o início que a república sofreu a oposição ao regime. A Igreja, contra o anticlericalismo e o ateísmo dos republicanos, tem a apoia-lá um país extremamente conservador. Os proprietários e capitalistas, descontentes com o caráter demasiado popular e social da legislação republicana, receosos da onda de greves e ameaças comunistas, não se mostram interessados a colaborar com o regime. As classes médias, cansadas da desordem e temendo o comunismo e a proletarização da sociedade, anseiam por um governo forte. Em 1915, é fundado o Centro Católico Português, onde se destaca António Oliveira Salazar. Em 1922, aparece a Confederação Patronal, depois da União dos Interesses Económicos. Ambos concorrem ao Parlamento e conseguem eleger deputados. A oposição monárquico-religiosa chega mesmo a organizar-se em movimento doutrinário, elitista, conservador e nacionalista, designado de Integralismo Lusitano, apoiante de algumas tentativas de derrube da república, nomeadamente a ditadura de Sidónio Pais e o episódio da proclamação da Monarquia do Norte, onde os monárquicos ensaiaram uma tentativa de retorno e regresso de D. Manuel II. Toda esta instabilidade político-social foi-se agravando sem que a República Velha (designação do período final da 1.ª República) encontrasse as soluções convenientes. Sem grandes tradições democráticas, a república portuguesa caíra num excessivo parlamentarismo, devido ao elevado poder do Congresso, o que explica que, em 16 anos tivesse havido 45 governos, 8 eleições presidenciais e 7 presidentes da república e 9 eleições legislativas. 5
  • 6. CADERNODIÁRIO 4 de Dezembro de 2013 6 A I.ª República Guia de estudo As moções de censura aos governos eram frequentes e provocaram a sua queda, limitando a sua vigência, por vezes, a um só mês. Os partidos multiplicam-se. O próprio Partido Republicano Português dissolve-se e dá origem a várias facções partidárias embora da mesma área política, das quais as mais importantes foram o Partido Democrático chefiado por Afonso Costa, Partido Evolucionista de António José de Almeida e o Partido Unionista de Brito Camacho. Mas, ainda havia os Independentistas, os Socialistas, os Governamentais, os Reconstituintes, os Católicos, os Esquerdistas e os Monárquicos, entre outros. Era, assim, difícil obter a maioria dos votos, sendo essa instabilidade governativa apontada como causadora da queda da 1.ª República (1910-1926). Um ambiente assim torna-se propício ao surgimento de soluções autoritárias que já tão estavam na Europa desta época. Foi, por isso, fácil o derrube da 1.ª República através de um golpe de estado militar, em 28 de maio de 1926, em que o general Gomes da Costa chefia uma marcha sobre Lisboa, colhendo adeptos ao longo do percurso. O presidente da República, Bernardino Machado, renuncia ao cargo, deixando caminho livre para uma nova vida política para Portugal.