Auto da Barca do Inferno - cena do Enforcado - resolução de um teste
Guião:
1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente.
6. O Enforcado: culpado ou vítima?
7. Recurso expressivo presente nos versos e seu valor expressivo: “em morrer
dependurado/como o tordo na buiz” (vv. 758-759)
8. Levantamento dos tempos verbais presentes na primeira fala do Enforcado e justificação do
seu emprego.
Cena do Enforcado
1-Percurso cénico: o enforcado dirige-se à Barca do Inferno, onde embarca.
2-Símbolos cénicos e o seu simbolismo: O único símbolo cénico é o baraço (ou corda), que
simboliza o pecado.
3-Caracterização directa da personagem:- “ Bem-aventurado” (verso 757)Caracterização
indirecta da personagem:-ingénuo (vv. 767 à 769)-confiante na palavra dos outros (v. 796)-
facilmente influenciável (v. 796)-criminoso ??? Qual o verso?
4-Argumentos de defesa:§ Confiança na palavra de Garcia Moniz (v. 796)§ Purgatório era o
Limoeiro (vv. 810/811)§ Baraço era santo (v. 807)§ Orações feitas no momento de execução (vv.
792/793)Argumentos de acusação:§ Ladrão§ Criminoso Não há argumentos de acusação
5-Os costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente: estes são o roubo e a mentira. Resposta
incorrecta. Os costumes censurados são o engano dos mais fracos por pessoas com
responsabilidade (Garcia Gil, Mestre da Balança da Moeda de Lisboa), doutrina, ou seja, o
sistema.
6-A intenção critica de Gil Vicente: ao escolher esta personagem Gil Vicente foi denunciar as
falsas doutrinas que invertem os valores da conduta social.
7-O Enforcado: culpado ou vítima? Consideramos esta personagem vítima porque ele foi
induzido por Garcia Moniz, que sabia que em princípio não havia salvação possível para o
Enforcado, e este vai ser fortemente criticado. Gil Vicente põe-nos face a uma personagem com
responsabilidade que engana os mais fracos, neste caso, o Enforcado.·
8-Recurso expressivo: comparação, e o seu valor expressivo é ao usar este recurso ele estar a
justificar a sua atitude e ainda a torná-la mais louvável.
9-Tempos verbais e a sua justificação: Te direi: Futuro do Indicativo Ele diz: Presente do
Indicativo Fui: Pretérito Perfeito do IndicativoDiz: Presente do IndicativoEufiz: Pretérito
Perfeito do IndicativoMe fazem: Presente do Indicativo
São usados estes tempos verbais porque Garcia Moniz lhe faz uma previsão (Futuro) do que irá
acontecer depois de sua morte. O enforcado, de forma ingénua, usa isso como argumento de
defesa contra o Diabo afirmando que tem direito à entrada na Barca da Glória. Ele usa como
argumentos os seus feitos no passado, na sua vida mortal, como a sua coragem por morrer
dependurado para ser absolvido dos seus pecados.
Auto da Barca do Inferno - cena do Judeu - resolução de um teste
Guião:
1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Tipo(s) de cómico usado(s).
6. Registo de língua usado pela personagem-tipo.
7. Fenómenos fonéticos ocorridos na evolução das seguintes palavras: dize>diz;
filium>filiu>filho
8. Do texto desta cena, faz um levantamento das palavras relacionadas com a religião judaica.
9. Concordam com o desfecho que o autor preparou para esta personagem? Vocês condenavam-
na? Justifiquem a vossa posição.
Cena do Judeu
Percurso cénico : O Judeu tenta entrar na Barca do Inferno mas não consegue. O Diabo acaba
por permitir que ambos se desloquem a reboque na Barca do Inferno (“ires à toa” – vv. 602).
Símbolos cénicoso: Bode – salvação dos pecados, a purificação, o que explica o apego do Judeu
ao Bode, mesmo depois da morte. (Símbolo da religião judaica).
Caracterização da personagem Judeu . Directa: ladrão (v. 589), má pessoa (vv.603) b. Indirecta:
corrupto (vv. 567-571), fanático pela religião (v. 563), avarento (vv. 561, 568) [incorrecto], estes
versos revelam que ele é negociante. Para além disso, também é indecoroso (vv. 581-588) e
profano (vv. 595-598)
Argumentos de acusação e defesa: a. De acusação do Diabo e do Parvo: - Violação de sepulturas
cristãs (vv. 595-596); - Consumo de carne em dias de jejum (vv. 597-598). - Suborno (vv. 567-
568) [incorrecto], estes versos são ditos pelo próprio Judeu!- Apego fanático à religião judaica
(vv. 595; 567-569) [incorrecto], o verso 595 não revela esse aspecto, mas a profanação da igreja,
os outros versos são ditos pelo próprio Judeu!b.
Argumentos de defesa: - Não tem argumentos de defesa pois como é judeu não crê em Deus, não
acredita que possa ter salvação.
Tipo de cómico usado: a. Linguagem à utiliza o registo de língua popular nos insultos ao parvo e
ao Diabo (581-588) b. Situação à aparece com o bode às costas e termina a reboque da Barca do
Inferno (didascália de entrada: “com um bode às costas; e, chegando ao batel dos danados, …”;
vv.602-304)
Registos de língua a. Calão (vv. 581-588) Pragas que roga ao Diabo
Evolução das palavras: Fenómenos fonéticos a. Dize > diz à Apócope (e) b. Filium>filiu> filho
apócope (m)
Palavras relacionadas com a religião judaica: a. “Bode” – símbolo da religião (vv. 562), Semifrá
(v. 569), dinheiro (v. 561) testões (v. 567).
Desfecho da personagem Não concordamos com o desfecho desta personagem, pois julgamos
que deverá ser punida pelo o desrespeito pela sua religião (consumo de carne em dias de jejum)
e pela violação de sepulturas cristãs mas não por ser de uma religião diferente à religião cristã.
Embarcaria na Barca do Inferno em vez de ir a reboque, pois não deverá ser condenado pela sua
natureza.

Auto da barca do inferno enforcado

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    Auto da Barcado Inferno - cena do Enforcado - resolução de um teste Guião: 1. Percurso cénico. 2. Símbolos cénicos e seu simbolismo. 3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo. 4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação. 5. Costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente. 6. O Enforcado: culpado ou vítima? 7. Recurso expressivo presente nos versos e seu valor expressivo: “em morrer dependurado/como o tordo na buiz” (vv. 758-759) 8. Levantamento dos tempos verbais presentes na primeira fala do Enforcado e justificação do seu emprego. Cena do Enforcado 1-Percurso cénico: o enforcado dirige-se à Barca do Inferno, onde embarca. 2-Símbolos cénicos e o seu simbolismo: O único símbolo cénico é o baraço (ou corda), que simboliza o pecado. 3-Caracterização directa da personagem:- “ Bem-aventurado” (verso 757)Caracterização indirecta da personagem:-ingénuo (vv. 767 à 769)-confiante na palavra dos outros (v. 796)- facilmente influenciável (v. 796)-criminoso ??? Qual o verso? 4-Argumentos de defesa:§ Confiança na palavra de Garcia Moniz (v. 796)§ Purgatório era o Limoeiro (vv. 810/811)§ Baraço era santo (v. 807)§ Orações feitas no momento de execução (vv. 792/793)Argumentos de acusação:§ Ladrão§ Criminoso Não há argumentos de acusação 5-Os costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente: estes são o roubo e a mentira. Resposta incorrecta. Os costumes censurados são o engano dos mais fracos por pessoas com responsabilidade (Garcia Gil, Mestre da Balança da Moeda de Lisboa), doutrina, ou seja, o sistema. 6-A intenção critica de Gil Vicente: ao escolher esta personagem Gil Vicente foi denunciar as falsas doutrinas que invertem os valores da conduta social. 7-O Enforcado: culpado ou vítima? Consideramos esta personagem vítima porque ele foi induzido por Garcia Moniz, que sabia que em princípio não havia salvação possível para o Enforcado, e este vai ser fortemente criticado. Gil Vicente põe-nos face a uma personagem com responsabilidade que engana os mais fracos, neste caso, o Enforcado.· 8-Recurso expressivo: comparação, e o seu valor expressivo é ao usar este recurso ele estar a justificar a sua atitude e ainda a torná-la mais louvável. 9-Tempos verbais e a sua justificação: Te direi: Futuro do Indicativo Ele diz: Presente do Indicativo Fui: Pretérito Perfeito do IndicativoDiz: Presente do IndicativoEufiz: Pretérito Perfeito do IndicativoMe fazem: Presente do Indicativo São usados estes tempos verbais porque Garcia Moniz lhe faz uma previsão (Futuro) do que irá acontecer depois de sua morte. O enforcado, de forma ingénua, usa isso como argumento de defesa contra o Diabo afirmando que tem direito à entrada na Barca da Glória. Ele usa como argumentos os seus feitos no passado, na sua vida mortal, como a sua coragem por morrer dependurado para ser absolvido dos seus pecados.
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    Auto da Barcado Inferno - cena do Judeu - resolução de um teste Guião: 1. Percurso cénico. 2. Símbolos cénicos e seu simbolismo. 3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo. 4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação. 5. Tipo(s) de cómico usado(s). 6. Registo de língua usado pela personagem-tipo. 7. Fenómenos fonéticos ocorridos na evolução das seguintes palavras: dize>diz; filium>filiu>filho 8. Do texto desta cena, faz um levantamento das palavras relacionadas com a religião judaica. 9. Concordam com o desfecho que o autor preparou para esta personagem? Vocês condenavam- na? Justifiquem a vossa posição. Cena do Judeu Percurso cénico : O Judeu tenta entrar na Barca do Inferno mas não consegue. O Diabo acaba por permitir que ambos se desloquem a reboque na Barca do Inferno (“ires à toa” – vv. 602). Símbolos cénicoso: Bode – salvação dos pecados, a purificação, o que explica o apego do Judeu ao Bode, mesmo depois da morte. (Símbolo da religião judaica). Caracterização da personagem Judeu . Directa: ladrão (v. 589), má pessoa (vv.603) b. Indirecta: corrupto (vv. 567-571), fanático pela religião (v. 563), avarento (vv. 561, 568) [incorrecto], estes versos revelam que ele é negociante. Para além disso, também é indecoroso (vv. 581-588) e profano (vv. 595-598) Argumentos de acusação e defesa: a. De acusação do Diabo e do Parvo: - Violação de sepulturas cristãs (vv. 595-596); - Consumo de carne em dias de jejum (vv. 597-598). - Suborno (vv. 567- 568) [incorrecto], estes versos são ditos pelo próprio Judeu!- Apego fanático à religião judaica (vv. 595; 567-569) [incorrecto], o verso 595 não revela esse aspecto, mas a profanação da igreja, os outros versos são ditos pelo próprio Judeu!b. Argumentos de defesa: - Não tem argumentos de defesa pois como é judeu não crê em Deus, não acredita que possa ter salvação. Tipo de cómico usado: a. Linguagem à utiliza o registo de língua popular nos insultos ao parvo e ao Diabo (581-588) b. Situação à aparece com o bode às costas e termina a reboque da Barca do Inferno (didascália de entrada: “com um bode às costas; e, chegando ao batel dos danados, …”; vv.602-304) Registos de língua a. Calão (vv. 581-588) Pragas que roga ao Diabo Evolução das palavras: Fenómenos fonéticos a. Dize > diz à Apócope (e) b. Filium>filiu> filho apócope (m) Palavras relacionadas com a religião judaica: a. “Bode” – símbolo da religião (vv. 562), Semifrá (v. 569), dinheiro (v. 561) testões (v. 567). Desfecho da personagem Não concordamos com o desfecho desta personagem, pois julgamos que deverá ser punida pelo o desrespeito pela sua religião (consumo de carne em dias de jejum) e pela violação de sepulturas cristãs mas não por ser de uma religião diferente à religião cristã. Embarcaria na Barca do Inferno em vez de ir a reboque, pois não deverá ser condenado pela sua natureza.