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Le CorbusierLe CorbusierLe CorbusierLe Corbusier
CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
Le CorbusierLe CorbusierLe CorbusierLe Corbusier
Charles Édouard Jeanneret
Nascimento: Suíça, 6 /10/1887
Falecimento: França, 27 /08/ 1965
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O Urbanismo
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Esboço de uma página de O Urbanismo
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ADVERTÊNCIA
PRIMEIRA PARTE (Debate geral)
1. O caminho das mulas, o caminho dos homens
2. A ordem
3. O sentimento extravasa
4. Perenidade
5. Classificação e escolha (exame)
6. Classificação e escolha (decisões oportunas)
7. A grande cidade
A Estrutura
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7. A grande cidade
8. Estatística
9. Recortes de jornais
10. Nossos meios
SEGUNDA PARTE (Um trabalho de laboratório, um estudo teórico)
11. Uma cidade contemporânea
12. A hora do trabalho
13. A hora do repouso
TERCEIRA PARTE (Um caso preciso: O centro de Paris)
14. Medicina ou cirugia
15. Centro de Paris
16. Cifras e realização
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Uma cidade!
É o domínio do
homem sobre a
natureza. É uma
ação humana
contra a
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contra a
natureza, um
organismo
humano de
proteção e de
trabalho. É uma
criação.
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A poesia ...
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... é um ato humano - relações harmoniosas entre imagens perceptíveis. A
poesia da natureza é, exatamente, uma construção do espírito. A cidade é
uma imagem poderosa que aciona o nosso espírito. Porque a cidade não
seria, ainda hoje, uma fonte de poesia?” (VII)
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“Uma cidade...
... é um
instrumento de
trabalho. As
cidades já não
cumprem
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cumprem
normalmente esta
função. São
ineficazes:
desgastam o
corpo,
contrariam o
espírito.
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“A desordem...
… que se
multiplica nelas é
ultrajante: sua
decadência fere
nosso amor
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nosso amor
próprio e
melindra nossa
dignidade. Elas
não são dignas da
época: já não são
dignas de
nós.”(VII)
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... uma paixão coletiva...
...sacode uma época. Hoje, essa
paixão é a da exatidão. A exatidão
levada longe, e elevada à categoria
de um ideal: busca de perfeição.
(…) A época já não é de distensão e
relaxamento . Está fortemente
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relaxamento . Está fortemente
estribada na ação. (…) hoje
podemos pensar em praticar um
urbanismo moderno porque está na
hora e porque uma paixão coletiva
foi desencadeada pelas mais brutais
necessidades e guiada por um alto
sentimento de verdade. Um
despertar do espírito já reforma o
contexto social. (VIII)
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PODER & FORÇA
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carros e mais carros muito rápido! Recebemos energia, seríamos
tomados pelo entusiasmo, pela alegria. (…) a alegria da força. O
cândido e ingênuo gozo de estar no meio da força, do poder.
Participamos deste poder, fazemos parte dessa sociedade cuja aurora
está nascendo. Temos confiança nessa sociedade nova; ela encontrará
a magnífica expressão de sua força. Cremos nela! (VIII)
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Sua força...
...é como que uma torrente
engrossada pelas tempestades:
uma fúria destrutiva. A cidade
se esmigalha, a cidade já não
pode subsistir, a cidade já
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pode subsistir, a cidade já
não convém. A cidade está
velha demais. A torrente não
tem leito. Então é uma espécie
de cataclismo. É uma coisa
absolutamente anormal: o
desequilíbrio se acentua dia a
dia. (…) Propõem-se
remédios tímidos (IX).
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A arquitetura...
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... afogada sob a invasão das heranças incoerentes só prendia o espírito
por um difícil desvio e pouco emocionava. Em contrapartida, uma
arquitetura bem assente em seu meio fazia soar alegremente a harmonia e
nos tocava profundamente. Senti na hora, e longe dos manuais , a
presença de um fator essencial: o urbanismo, termo que só fui conhecer
mais tarde (IX).
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... a leitura de Camillo Sitte,
o Vienense, atraiu-me insidiosamente ao
pitoresco urbano. As demonstrações de
Sitte eram hábeis, suas teorias pareciam
exatas; eram fundamentadas no passado.
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Para dizer a verdade eram o passado – e o
passado a ponto pequeno (…). Esse
passado não era o dos apogeus, era o das
acomodações. A eloqüência de Sitte
combinava com aquele enternecedor
renascimento da “habitação”
(regionalismo) (IX).
14
Cidade de três milhões de habitantes
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Quando em 1922 (…) fiz o diorama de uma cidade de três milhões de
habitantes, fiei-me nos caminhos seguros da razão e, tendo digerido os
lirismos de outrora, tive a sensação de me entregar àquele de nossa época
que amo (IX).
15
Cidade de três milhões de habitantes
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... uma página será virada.
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(...) após as sublimes futilidades virão afinal os trabalhos sérios. A arte
decorativa está morta. O urbanismo moderno nasce com uma nova
arquitetura. Uma evolução imensa, fulminante, brutal, cortou as pontes
com o passado (X).
17
O problema da arquitetura...
17 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... da velha Europa (…) é a grande cidade moderna. Será Sim ou Não, a
vida ou a extinção lenta. Uma ou outra, mas uma permanecerá se
quisermos. E nossas pesadas culturas passadas nos trarão precisamente a
solução pura, decantada, passada por todos os crivos da razão e de uma
sensibilidade de elite (X).
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luz do passado!
Ser nutrido de civilizações
anteriores permite dissipar a
obscuridade e fazer um juízo claro
18 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
obscuridade e fazer um juízo claro
das coisas. (…) Porque decidir que
estamos velhos? O século XX
europeu pode ser a bela
maturidade de uma civilização
(…) Se na América produzem e
sentem, na Europa pensam. Não
há razão para enterrar a velha
Europa. (X).
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Um homem reto!
O homem caminha em linha reta porque tem um objetivo; sabe aonde
vai. Decidiu ir a algum lugar e caminha em linha reta. (05 )
19 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
A mula ziguezagueia, vagueia um pouco, cabeça oca e distraída.
Ziguezagueia para evitar os grandes pedregulhos, para se esquivar dos
barrancos, para buscar a sombra; empenha-se o menos possível. (05)
20
Razão!
20 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
O homem rege seu sentimento pela razão; refreia os sentimentos e os
instintos em proveito dos objetivos que tem. Domina o animal com a
inteligência. Sua inteligência constrói regras que são o efeito da
experiência. A experiência nasce do labor; o homem trabalha para não
perecer. Para produzir, é preciso uma linha de conduta; é preciso
obedecer às regras da experiência. É preciso pensar antes no resultado. A
mula não pensa em absolutamente nada. Senão em ser inteiramente
despreocupada. (06)
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Os romanos...
21 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... eram grandes legisladores, grandes colonos, (…). Quando chegavam a algum lugar,
à encruzilhada das estradas, à beira do rio, pegavam o esquadro e traçavam a cidade
retilínea, para que ela fosse clara e ordenada, pudesse ser polida e limpa, para que as
pessoas se orientassem nela facilmente, para que a percorressem com facilidade. (…) A
linha reta convinha a sua dignidade de romanos (…) Eles foram , com Luiz XIV os
únicos grandes urbanistas do ocidente. (07)
22
As regras da vitalidade
22 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... uma obra de Camillo Sitte (…) repleta de arbitrariedades: glorificação
da linha curva e demonstração especiosa de suas belezas inigualáveis
(…) confundia o pitoresco pictural [da cidade medieval] com as regras
de vitalidade de uma cidade. (09)
23
Uma cidade moderna...
23 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... vive praticamente da linha reta: construção dos imóveis, dos esgotos,
das canalizações, das ruas, (…) O trânsito exige a linha reta. A linha reta
é sadia também para a alma das cidades . A linha curva é ruinosa, difícil
e perigosa; ela paralisa. A linha reta está em toda a história humana, em
toda intenção humana, em todo o ato humano (..//..) A curva é o caminho
das mulas, a rua reta o caminho dos homens. A rua curva é o resultado da
vontade arbitrária, da indolência, do relaxamento, da descontração, da
animalidade. (//) A reta é uma reação, uma ação, uma atuação, o
resultado de um domínio de si. É sadia e nobre. (10 e 11)
24
Os atos dos homens...
24 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
(...) atestam um espírito atingindo os confins de sua potência, de sua
grandeza, exprimindo-se pelo ângulo reto, perfeição evidente e prova ao
mesmo tempo, sistema admirável e perfeito, único, constante, puro,
suscetível de vincular-se à idéia de glória, vitória dos tiranos, à idéia de
toda pureza, célula das religiões. (24)
25
Um mundo em ordem!
25 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
A casa, a rua, a cidade são pontos de aplicação do trabalho humano;
devem estar em ordem (…); em desordem, elas se opõem a nós, nos
entravam, como nos entravava a natureza ambiente que combatíamos,
que combatemos todos os dias. (15)
26
A ordem!
26 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
Afirmamos que o homem, funcionalmente, pratica a ordem, que seus
atos e seus pensamentos são regidos pela linha reta e pelo ângulo reto,
que a reta lhe é um meio instintivo e é para seu pensamento um objetivo
elevado. (19)
27
A geometria...
27 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... é o meio que nos propiciamos para perceber à nossa volta e para nos
exprimir. A geometria é a base. É também o suporte material dos
símbolos que significam a perfeição, o divino. Ela nos traz as elevadas
satisfações da matemática.
Manière universelle (1648)
Abraham Bosse (1602-1676)
28
A máquina…
28 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
... procede da geometria. Toda época contemporânea é portanto
eminentemente de geometria; seu sonho, ela o orienta para as alegrias da
geometria. As artes e o pensamento moderno depois de um século de
análise buscam mais além do fato acidental, e a geometria os conduz a
uma ordem matemática, atitude cada vez mais generalizada. (VII)
29
A vertical.
29 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
A lei da gravidade parece resolver para nós o conflito das forças e manter
o universo em equilíbrio: através dela temos a vertical. (20)
30
A imobilidade.
30 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
Ao horizonte desenha-se a horizontal, traço do plano transcendente da
imobilidade.(20)
31
O equilíbrio.
31 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
A vertical faz com a horizontal dois ângulos retos. Há apenas uma
horizontal e há apenas uma vertical; são duas constantes. O ângulo reto é
como que a integral das forças que mantém o mundo em equilíbrio. (20)
Å=90º ß=90º
Å = ß
32
A singularidade.
32 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
Há apenas um ângulo reto, mas há uma infinidade de outros ângulos. O
ângulo reto tem portanto direitos sobre os outros ângulos: é único, é
constante. (20)
33
A constância.
33 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
Para trabalhar, o homem necessita de constantes. Sem constantes nem sequer poderia
dar um passo diante do outro. O ângulo reto , (por sua constância), é o instrumento
necessário e suficiente para agir pois serve para fixar o espaço com rigor perfeito. O
ângulo reto é lícito, mais, faz parte de nosso determinismo, é obrigatório. (20)
34
Um mundo geométrico!
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... a cidade é pura geometria. Livre, o homem tende à pura geometria. Faz
então o que chamamos de ordem. (..//..) A obra humana é uma colocação em
ordem. Vista do céu, aparece no solo em figuras geométricas. (22-23)
Fotos do satélite “landsat-7 (INPE) (Aeroporto de Orly em Paris)
35
Um mundo arte!
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Nos graus mais elevados da criação, tendemos à mais pura ordem, e
isso é a obra de arte. (23)
Composition with Gray and Light Brown (1918) -Piet Mondrian (1872-1944)
36
A técnica!
O homem jamais copia, não o
consegue, seria contrário às leis
naturais. O fruto de uma
civilização amadurece ao termo
da realização de todos os meios
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da realização de todos os meios
técnicos; os meios técnicos são a
lenta soma do esforço construtor
da razão (...) é o próprio capital
de uma sociedade acumulada
(...) Trata-se então desse
sentimento das coisas enraizado
em profundas bases adquiridas a
que se deu o nome de cultura.
(30)
37
Os meios...
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... que a época coloca entre nossas mãos – o instrumental com o qual
vamos tentar estruturar uma obra – , conheceremos pois o sentimento
que (...) os conduz para uma forma ideal, para um estilo (um estilo é um
estado de pensar), para uma cultura ... (33)
38
O espírito...
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... nos leva à geometria. Nossas criações não são desordenadas,
hesitantes, são formais e puras. (...) Criamos fria e puramente. São as
épocas a que chamamos clássicas. (34)
39
Os estados da civilização
Assim se classificam pelas formas
os estados de civilização: a linha
reta e o ângulo reto traçados
através do labirinto das
dificuldades e da ignorância são a
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dificuldades e da ignorância são a
manifestação clara do querer (...)
Quando reina a ortogonal, lêem-se
as épocas de apogeu (...)Traçando
retas o homem demonstra que se
dominou, que entra na ordem. A
cultura é um estado de espírito
ortogonal. Não se criam linhas
retas deliberadamente. (35)
40
Effort Moderne
Esse sentimento moderno...
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... é um espírito de geometria, um espírito de construção e síntese. A
exatidão e a ordem são sua condição (...) esse sentimento que é uma
aspiração, um ideal, uma tendência implacável, uma necessidade tirânica.
Será a paixão do século. (36)
41
O ideal!
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Estabeleci, por meio da análise técnica e da síntese arquitetural, o projeto
de uma cidade contemporânea de três milhões de habitantes. (..//..)
Procedendo à maneira do prático em seu laboratório, fugi dos casos
específicos: afastei todos os acidentes; concedi-me um terreno ideal. (155-
156)
42
O universal!
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“Quero manter-me fora de suas inumeráveis verdades precisas; não
quero conhecer a avidez dos interesses em luta (...) quero simplesmente,
a partir de suas estatísticas, elaborar com um espírito livre uma
concepção sadia e clara, de utilidade e de beleza, buscar princípios puros,
diretores, isolar o problema em si mesmo, fora de casos específicos, e
conseguir formular princípios fundamentais de urbanismo moderno...”
(102)
43
O método!
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Classifiquemos. Três espécies de população: os citadinos permanentes;
os trabalhadores cuja vida se desenrola metade no centro e metade nas
cidades-jardins; as massas operárias que dividem seus dias nas fábricas
de subúrbio e nas cidades. Essa classificação é, a bem dizer, um
programa de urbanismo. Objetivá-la na prática é começar a depuração
das grandes cidades. (93)
44
O centro
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Infelizmente, as pessoas se haviam tornado o motor enferrujado de um
velho automóvel: o chassi, a carroceria, os bancos (a periferia das
cidades), tudo ainda funciona, mas o motor (o centro das cidades) está
emperrado. É a parada. O centro das cidades é um motor emperrado.
Assim se enuncia o primeiro problema do urbanismo. (86)
45
A extensão
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O centro das cidades está mortalmente doente, sua periferia está corroída
como por uma verminose. (..//..) Criar uma zona livre de extensão é este
o segundo problema do urbanismo.
46
A exclusão!
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Portanto, penso bem friamente que cumpre chegar a essa idéia de
demolir o centro das grandes cidades e de reconstruí-lo, e que cumpre
abolir o cinturão de miseráveis dos subúrbios, transportar estes para mais
longe, e, no local em que estavam, instituir, pouco a pouco, uma zona de
proteção livre que, no momento oportuno, dará perfeita liberdade de
movimentos... (87)
47
Quatro postulados
Eis-nos conduzidos a formular as bases do urbanismo moderno com
quatro postulados brutais, concisos, que respondem com exatidão aos
perigos ameaçadores:
- Descongestionar o centro das cidades para fazer frente às exigências do
trânsito.
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- Aumentar a densidade do centro das cidades para realizar o contato
exigido pelos negócios.
- Aumentar os meios de circulação, ou seja, modificar completamente a
concepção atual da rua que se acha sem efeito ante o fenômeno novo
dos meios de transporte modernos: metrôs ou carros, bondes, avião.
- Aumentar a superfície arborizada, único meio de assegurar a higiene
suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo ritmo novo
dos negócios. (91)
48
A rua moderna!
Pois a forma da rua não é
adaptada. (..//..) A rua-corredor
já não pode subsistir. É preciso
criar outro tipo de rua. (..//..) A
rua não é mais a trilha de vacas,
mas uma máquina de circular,
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mas uma máquina de circular,
um aparelho respiratório, um
órgão novo, uma construção em
si de importância decisiva, uma
espécie de fábrica de comprido;
que lhes são necessários um ou
dois andares, e que se poderia,
com um simples apelo ao bom
senso, começar a realizar
cidades pilotis. (110-112)
49
Racionalização
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O número das ruas atuais deve ser diminuído em dois terços. (…) O
cruzamento das ruas é inimigo do trânsito. O número das ruas atuais é
determinado pela história mais longínqua. A proteção da propriedade
salvaguardou quase sem exceção o menor atalho do povoado primitivo e erigiu-
o em rua (...) Ruas assim se cortam a cada 50 metros (...) Vem então o
engarrafamento ridículo. (..//..) Minha cidade é traçada sobre um quadriculado
regular de ruas espaçadas de 400 metros e cortadas às vezes a 200 metros.
50
Nova York está errada,...
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…e o arranha-céu conserva seus direitos. Condensar a população e
descongestionar a rua devem ser duas faces da mesma e única moeda,
uma não existe sem a outra. (172)
51
A casa...
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... coloca novamente o problema da arquitetura ao colocar o dos
meios de realização totalmente novos, ao colocar o de um plano
completamente novo, adaptado a um modo de vida novo, ao colocar
o da estética resultante de um estado de espírito novo. (VIII)
52
O método
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A cultura se manifesta por uma tomada de conhecimento dos meios de
que dispomos, por uma escolha, uma classificação, por uma evolução.
(33), Essa classificação, esta determinação o mais aguda possível das
funções, só podem conduzir à realização, (…), de padrões realmente
puros. Por reduções sucessivas (…) uma função arquitetural e urbana
sadia pode então desenvolver seus efeitos. (217)
53
Um construtor de células
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Os templos, as cidades, as casas, são células de aspecto idêntico e de
dimensões em escala humana. Pode-se dizer que o animal humano é
como a abelha, um construtor de células geométricas (24)
54
A medida do homem
... se os homens são pequenos e
tacanhos, o homem tem em si a
potência do grande. (..//..) A
dificuldade já não é vertiginosa,
subdivide-se indefinidamente,
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subdivide-se indefinidamente,
dispõem-se em série; as séries
adaptam-se aos indivíduos; a
dificuldade permanece na medida
de nossos ombros. (..//..) Os
homens podem ser mesquinhos.
(..//..) A entidade homem é grande.
(..//..) Eis o que dá ousadia aos
nossos sonhos: eles podem ser
realizados.
55
A série
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Consequência da série: o standard, a perfeição (criação de padrões). A
série domina tudo. Já não podemos produzir industrialmente, a preços
normais, fora da série; impossível resolver o problema da habitação fora
da série. Os canteiros de obras devem ser fábricas, com seus estados
maiores e suas máquinas, suas equipes taylorizadas (217)
56
Célula-Série
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O apartamento é um conjunto de elementos mecânicos e arquiteturais que garantem
nossa segurança e nosso conforto. Falando de urbanismo, podemos considerar o
apartamento como uma célula. As células, pela vida em sociedade, são limitadas a
modos de agrupamento, a cooperações ou a antagonismos que constituem um dos
elementos essenciais do fenômeno urbano. (…) sentímo-nos livres em nossa célula (e
sonhamos habitar em algum lugar uma casa isolada para assegurar a nossa liberdade);
e a realidade nos mostra que o agrupamento de células causa prejuízo à nossa liberdade
(…) É possível, pela ordenação lógica das células atingir a liberdade pela ordem.
(201)
57
Casa-padrão
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Chegar à casa-instrumento (prática e suficientemente enternecedora),
que é revendida e realugada. A concepção “meu teto” desaparece (…),
pois o trabalho se desloca (emprego), e seria lógico poder seguir com
armas e bagagens. Armas e bagagens, isso é enunciar o problema do
mobiliário, o problema do “padrão”. Casa padrão, móveis padrão.
(217).
58
A liberdade!
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No fato urbano tudo é confusão, tudo se contradiz, nada está classificado.
Se classificar-mos, se pusermos em ordem, saborearemos as alegrias
serenas da liberdade. (210)
59
Escala humana
As células (as moradias) se
equilibrarão sobre vinte,
quarenta, sessenta andares. O
homem sozinho, com seu 1m.
75 de altura, mecânica
inalterável, se inquietará nas
ruas de sua cidade com
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ruas de sua cidade com
construções gigantescas.
Povoemos pois o vazio penoso
dessa imensa diferença
introduzindo entre os homens e
sua cidade uma média
proporcional que satisfaça suas
medidas, que esteja numa
escala em comum.(...)
É preciso plantar árvores!
60
A medida do bem-estar
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Que advenha a benfazeja adoção
da medida de referencia
arquitetural, modulo puro de uma
intenção arquitetural conforme a
tempos novos (...) ... a árvore, em
qualquer circunstância, oferece-se
para nosso bem-estar físico e
espiritual (70)
61
La ville verte!
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O fenômeno gigantesco da grande cidade se desenvolverá em alegres
áreas verdes. A unidade no detalhe, o “tumulto” magnífico no conjunto, a
medida de referencia humana e a media proporcional entre o fato homem
e o fato natureza. (71)
62
Cirurgia e medicina!
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Uma verdadeira necessidade de libertação impele a cortar, a abrir:
aberturas, perspectivas (...) Tudo vem de uma só vez, decorre de um
sistema de espírito que em todos os campos atingem as mais altas
expressões ( Pascal, Voltaire, Rousseau, Blondel...). Na verdade, sob
aqueles reis absolutos, expressavam-se as potências livre do pensamento
e a Revolução era iminente: cirugia. (..//..) O passado, inesgotavelmente
dá-nos lições de força. Prever e governar: medicina e cirurgia. Em
qualquer circunstância, clareza de espírito e firmeza. (252)
63
O trabalho do homem
– Traçam-se linhas retas,
fecham-se os buracos,
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fecham-se os buracos,
nivela-se, e chega-se ao
niilismo. (Invectiva irada
do administrador
municipal)
– Desculpe, isto é,
exatamente falando, o
trabalho do homem.
(Corbu)
64
Freud:
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“a ordem é uma espécie de compulsão a ser repetida, compulsão que, ao se
estabelecer como um regulamento de uma vez por todas, decide quando,
onde e como uma coisa será efetuada, e isto de tal maneira que, em todas
as circunstâncias semelhantes, a hesitação e a indecisão nos são
poupadas.”
(…)
“Os benefícios da ordem são incontestáveis. Ela capacita os homens a
utilizarem o espaço e o tempo para seu melhor proveito, conservando ao
mesmo tempo as forças psíquicas deles” (S. Freud)
Alinhamentos de Carnac (≈4500 aC)
65
W. Benjamin & Goethe:
“… a lei da repetição: (…) é para a criança a alma do jogo; nada a torna mais feliz do
que “de novo”. O escuro impulso para a repetição é no jogo quase tão forte, quase tão
ardiloso na sua atuação , como o é no instinto sexual. (…) cada uma de nossas
experiências mais profundas anseia insaciavelmente , anseia até o fim, por repetição e
retorno, pela reconstituição da situação primitiva de onde proveio.”
W. Benjamin
CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
“Tudo seria perfeito se o homem pudesse fazer as coisas duas vezes”
Goethe
Alinhamentos de Carnac (≈4500 aC)
66
Engels
As ciências naturais modernas provavam que os “bairros
insalubres”, onde se amontoavam os operários, constituem os
focos de todas as epidemias que periodicamente invadem as
nossas cidades. Os germes da cólera, do tifo (…) e outras doenças
devastadoras propagam-se no ar pestilento e águas poluídas
CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
devastadoras propagam-se no ar pestilento e águas poluídas
destes bairros operários; (…) e provocando epidemias que, então,
se propagam para além desses focos até os bairros mais arejados e
mais sãos, habitados pelos srs. Capitalistas. Estes não podem
permitir impunemente a criação de condições epidêmicas na
classe operária, pois sofreriam as consequências; o anjo
exterminador é tão implacável com eles como com os
trabalhadores. (“Como a burguesia resolve o problema da
habitação” - originalmente in:“Correio do Povo de Leipzig”
1872)
67
A Pureza
“A pureza é um ideal, (…). “Ela é uma visão de ordem - isto é,
de uma situação em que cada coisa se acha em seu justo lugar e
em nenhum outro (...) - que ocorre serem aqueles lugares que elas
não preencheriam “naturalmente”, por sua livre vontade. O oposto
da “pureza” - o sujo, o imundo, os “agentes poluidores” - são
CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
da “pureza” - o sujo, o imundo, os “agentes poluidores” - são
coisas fora de lugar”
“O mundo dos que procuram a purezaé simplesmente pequeno
demais para acomodá-las. (…) E não será suficiente mudá-las
para outro lugar: “será preciso livrar-se delas de uma vez por
todas - queimá-las, envenená-las, despedaçá-las, passá-las a fio de
espada...” (Bauman, Z. “O Mal-Estar da Pós-
Modernidade”(1998: 14).
68
Uma solução estética
A “Solução Final Alemã”, observou a antropóloga
americana Cynthia Ozick, “era uma solução estética;
era uma tarefa de preparar um texto, era o dedo do
CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
era uma tarefa de preparar um texto, era o dedo do
artista eliminando uma mancha; ela simplesmente
aniquilava o que era considerado não harmonioso”
(Ozick, 1984; apud: Bauman 1998: 13),

Aula 8 corbusier

  • 1.
    1 Le CorbusierLe CorbusierLeCorbusierLe Corbusier CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Le CorbusierLe CorbusierLe CorbusierLe Corbusier Charles Édouard Jeanneret Nascimento: Suíça, 6 /10/1887 Falecimento: França, 27 /08/ 1965
  • 2.
    22 CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
  • 3.
    3 O Urbanismo CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Esboço de uma página de O Urbanismo
  • 4.
    4 ADVERTÊNCIA PRIMEIRA PARTE (Debategeral) 1. O caminho das mulas, o caminho dos homens 2. A ordem 3. O sentimento extravasa 4. Perenidade 5. Classificação e escolha (exame) 6. Classificação e escolha (decisões oportunas) 7. A grande cidade A Estrutura CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues 7. A grande cidade 8. Estatística 9. Recortes de jornais 10. Nossos meios SEGUNDA PARTE (Um trabalho de laboratório, um estudo teórico) 11. Uma cidade contemporânea 12. A hora do trabalho 13. A hora do repouso TERCEIRA PARTE (Um caso preciso: O centro de Paris) 14. Medicina ou cirugia 15. Centro de Paris 16. Cifras e realização
  • 5.
    5 Uma cidade! É odomínio do homem sobre a natureza. É uma ação humana contra a CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues contra a natureza, um organismo humano de proteção e de trabalho. É uma criação.
  • 6.
    6 A poesia ... CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... é um ato humano - relações harmoniosas entre imagens perceptíveis. A poesia da natureza é, exatamente, uma construção do espírito. A cidade é uma imagem poderosa que aciona o nosso espírito. Porque a cidade não seria, ainda hoje, uma fonte de poesia?” (VII)
  • 7.
    7 “Uma cidade... ... éum instrumento de trabalho. As cidades já não cumprem CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues cumprem normalmente esta função. São ineficazes: desgastam o corpo, contrariam o espírito.
  • 8.
    8 “A desordem... … quese multiplica nelas é ultrajante: sua decadência fere nosso amor CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues nosso amor próprio e melindra nossa dignidade. Elas não são dignas da época: já não são dignas de nós.”(VII)
  • 9.
    9 ... uma paixãocoletiva... ...sacode uma época. Hoje, essa paixão é a da exatidão. A exatidão levada longe, e elevada à categoria de um ideal: busca de perfeição. (…) A época já não é de distensão e relaxamento . Está fortemente CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues relaxamento . Está fortemente estribada na ação. (…) hoje podemos pensar em praticar um urbanismo moderno porque está na hora e porque uma paixão coletiva foi desencadeada pelas mais brutais necessidades e guiada por um alto sentimento de verdade. Um despertar do espírito já reforma o contexto social. (VIII)
  • 10.
    10 PODER & FORÇA CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues carros e mais carros muito rápido! Recebemos energia, seríamos tomados pelo entusiasmo, pela alegria. (…) a alegria da força. O cândido e ingênuo gozo de estar no meio da força, do poder. Participamos deste poder, fazemos parte dessa sociedade cuja aurora está nascendo. Temos confiança nessa sociedade nova; ela encontrará a magnífica expressão de sua força. Cremos nela! (VIII)
  • 11.
    11 Sua força... ...é comoque uma torrente engrossada pelas tempestades: uma fúria destrutiva. A cidade se esmigalha, a cidade já não pode subsistir, a cidade já CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues pode subsistir, a cidade já não convém. A cidade está velha demais. A torrente não tem leito. Então é uma espécie de cataclismo. É uma coisa absolutamente anormal: o desequilíbrio se acentua dia a dia. (…) Propõem-se remédios tímidos (IX).
  • 12.
    12 A arquitetura... CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... afogada sob a invasão das heranças incoerentes só prendia o espírito por um difícil desvio e pouco emocionava. Em contrapartida, uma arquitetura bem assente em seu meio fazia soar alegremente a harmonia e nos tocava profundamente. Senti na hora, e longe dos manuais , a presença de um fator essencial: o urbanismo, termo que só fui conhecer mais tarde (IX).
  • 13.
    13 ... a leiturade Camillo Sitte, o Vienense, atraiu-me insidiosamente ao pitoresco urbano. As demonstrações de Sitte eram hábeis, suas teorias pareciam exatas; eram fundamentadas no passado. CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Para dizer a verdade eram o passado – e o passado a ponto pequeno (…). Esse passado não era o dos apogeus, era o das acomodações. A eloqüência de Sitte combinava com aquele enternecedor renascimento da “habitação” (regionalismo) (IX).
  • 14.
    14 Cidade de trêsmilhões de habitantes A imagem não pode ser exibida. Talvez o computador não tenha memória suficiente para abrir a imagem ou talvez ela esteja corrompida. Reinicie o computador e abra o arquivo novamente. Se ainda assim aparecer o x vermelho, poderá ser necessário excluir a imagem e inseri-la novamente. CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Quando em 1922 (…) fiz o diorama de uma cidade de três milhões de habitantes, fiei-me nos caminhos seguros da razão e, tendo digerido os lirismos de outrora, tive a sensação de me entregar àquele de nossa época que amo (IX).
  • 15.
    15 Cidade de trêsmilhões de habitantes CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues
  • 16.
    16 ... uma páginaserá virada. CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues (...) após as sublimes futilidades virão afinal os trabalhos sérios. A arte decorativa está morta. O urbanismo moderno nasce com uma nova arquitetura. Uma evolução imensa, fulminante, brutal, cortou as pontes com o passado (X).
  • 17.
    17 O problema daarquitetura... 17 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... da velha Europa (…) é a grande cidade moderna. Será Sim ou Não, a vida ou a extinção lenta. Uma ou outra, mas uma permanecerá se quisermos. E nossas pesadas culturas passadas nos trarão precisamente a solução pura, decantada, passada por todos os crivos da razão e de uma sensibilidade de elite (X).
  • 18.
    18 luz do passado! Sernutrido de civilizações anteriores permite dissipar a obscuridade e fazer um juízo claro 18 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues obscuridade e fazer um juízo claro das coisas. (…) Porque decidir que estamos velhos? O século XX europeu pode ser a bela maturidade de uma civilização (…) Se na América produzem e sentem, na Europa pensam. Não há razão para enterrar a velha Europa. (X).
  • 19.
    19 Um homem reto! Ohomem caminha em linha reta porque tem um objetivo; sabe aonde vai. Decidiu ir a algum lugar e caminha em linha reta. (05 ) 19 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues A mula ziguezagueia, vagueia um pouco, cabeça oca e distraída. Ziguezagueia para evitar os grandes pedregulhos, para se esquivar dos barrancos, para buscar a sombra; empenha-se o menos possível. (05)
  • 20.
    20 Razão! 20 CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues O homem rege seu sentimento pela razão; refreia os sentimentos e os instintos em proveito dos objetivos que tem. Domina o animal com a inteligência. Sua inteligência constrói regras que são o efeito da experiência. A experiência nasce do labor; o homem trabalha para não perecer. Para produzir, é preciso uma linha de conduta; é preciso obedecer às regras da experiência. É preciso pensar antes no resultado. A mula não pensa em absolutamente nada. Senão em ser inteiramente despreocupada. (06)
  • 21.
    21 Os romanos... 21 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... eram grandes legisladores, grandes colonos, (…). Quando chegavam a algum lugar, à encruzilhada das estradas, à beira do rio, pegavam o esquadro e traçavam a cidade retilínea, para que ela fosse clara e ordenada, pudesse ser polida e limpa, para que as pessoas se orientassem nela facilmente, para que a percorressem com facilidade. (…) A linha reta convinha a sua dignidade de romanos (…) Eles foram , com Luiz XIV os únicos grandes urbanistas do ocidente. (07)
  • 22.
    22 As regras davitalidade 22 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... uma obra de Camillo Sitte (…) repleta de arbitrariedades: glorificação da linha curva e demonstração especiosa de suas belezas inigualáveis (…) confundia o pitoresco pictural [da cidade medieval] com as regras de vitalidade de uma cidade. (09)
  • 23.
    23 Uma cidade moderna... 23CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... vive praticamente da linha reta: construção dos imóveis, dos esgotos, das canalizações, das ruas, (…) O trânsito exige a linha reta. A linha reta é sadia também para a alma das cidades . A linha curva é ruinosa, difícil e perigosa; ela paralisa. A linha reta está em toda a história humana, em toda intenção humana, em todo o ato humano (..//..) A curva é o caminho das mulas, a rua reta o caminho dos homens. A rua curva é o resultado da vontade arbitrária, da indolência, do relaxamento, da descontração, da animalidade. (//) A reta é uma reação, uma ação, uma atuação, o resultado de um domínio de si. É sadia e nobre. (10 e 11)
  • 24.
    24 Os atos doshomens... 24 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues (...) atestam um espírito atingindo os confins de sua potência, de sua grandeza, exprimindo-se pelo ângulo reto, perfeição evidente e prova ao mesmo tempo, sistema admirável e perfeito, único, constante, puro, suscetível de vincular-se à idéia de glória, vitória dos tiranos, à idéia de toda pureza, célula das religiões. (24)
  • 25.
    25 Um mundo emordem! 25 CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues A casa, a rua, a cidade são pontos de aplicação do trabalho humano; devem estar em ordem (…); em desordem, elas se opõem a nós, nos entravam, como nos entravava a natureza ambiente que combatíamos, que combatemos todos os dias. (15)
  • 26.
    26 A ordem! 26 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Afirmamos que o homem, funcionalmente, pratica a ordem, que seus atos e seus pensamentos são regidos pela linha reta e pelo ângulo reto, que a reta lhe é um meio instintivo e é para seu pensamento um objetivo elevado. (19)
  • 27.
    27 A geometria... 27 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... é o meio que nos propiciamos para perceber à nossa volta e para nos exprimir. A geometria é a base. É também o suporte material dos símbolos que significam a perfeição, o divino. Ela nos traz as elevadas satisfações da matemática. Manière universelle (1648) Abraham Bosse (1602-1676)
  • 28.
    28 A máquina… 28 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... procede da geometria. Toda época contemporânea é portanto eminentemente de geometria; seu sonho, ela o orienta para as alegrias da geometria. As artes e o pensamento moderno depois de um século de análise buscam mais além do fato acidental, e a geometria os conduz a uma ordem matemática, atitude cada vez mais generalizada. (VII)
  • 29.
    29 A vertical. 29 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues A lei da gravidade parece resolver para nós o conflito das forças e manter o universo em equilíbrio: através dela temos a vertical. (20)
  • 30.
    30 A imobilidade. 30 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Ao horizonte desenha-se a horizontal, traço do plano transcendente da imobilidade.(20)
  • 31.
    31 O equilíbrio. 31 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues A vertical faz com a horizontal dois ângulos retos. Há apenas uma horizontal e há apenas uma vertical; são duas constantes. O ângulo reto é como que a integral das forças que mantém o mundo em equilíbrio. (20) Å=90º ß=90º Å = ß
  • 32.
    32 A singularidade. 32 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Há apenas um ângulo reto, mas há uma infinidade de outros ângulos. O ângulo reto tem portanto direitos sobre os outros ângulos: é único, é constante. (20)
  • 33.
    33 A constância. 33 CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Para trabalhar, o homem necessita de constantes. Sem constantes nem sequer poderia dar um passo diante do outro. O ângulo reto , (por sua constância), é o instrumento necessário e suficiente para agir pois serve para fixar o espaço com rigor perfeito. O ângulo reto é lícito, mais, faz parte de nosso determinismo, é obrigatório. (20)
  • 34.
    34 Um mundo geométrico! CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... a cidade é pura geometria. Livre, o homem tende à pura geometria. Faz então o que chamamos de ordem. (..//..) A obra humana é uma colocação em ordem. Vista do céu, aparece no solo em figuras geométricas. (22-23) Fotos do satélite “landsat-7 (INPE) (Aeroporto de Orly em Paris)
  • 35.
    35 Um mundo arte! CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Nos graus mais elevados da criação, tendemos à mais pura ordem, e isso é a obra de arte. (23) Composition with Gray and Light Brown (1918) -Piet Mondrian (1872-1944)
  • 36.
    36 A técnica! O homemjamais copia, não o consegue, seria contrário às leis naturais. O fruto de uma civilização amadurece ao termo da realização de todos os meios CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues da realização de todos os meios técnicos; os meios técnicos são a lenta soma do esforço construtor da razão (...) é o próprio capital de uma sociedade acumulada (...) Trata-se então desse sentimento das coisas enraizado em profundas bases adquiridas a que se deu o nome de cultura. (30)
  • 37.
    37 Os meios... CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... que a época coloca entre nossas mãos – o instrumental com o qual vamos tentar estruturar uma obra – , conheceremos pois o sentimento que (...) os conduz para uma forma ideal, para um estilo (um estilo é um estado de pensar), para uma cultura ... (33)
  • 38.
    38 O espírito... CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... nos leva à geometria. Nossas criações não são desordenadas, hesitantes, são formais e puras. (...) Criamos fria e puramente. São as épocas a que chamamos clássicas. (34)
  • 39.
    39 Os estados dacivilização Assim se classificam pelas formas os estados de civilização: a linha reta e o ângulo reto traçados através do labirinto das dificuldades e da ignorância são a CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues dificuldades e da ignorância são a manifestação clara do querer (...) Quando reina a ortogonal, lêem-se as épocas de apogeu (...)Traçando retas o homem demonstra que se dominou, que entra na ordem. A cultura é um estado de espírito ortogonal. Não se criam linhas retas deliberadamente. (35)
  • 40.
    40 Effort Moderne Esse sentimentomoderno... CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... é um espírito de geometria, um espírito de construção e síntese. A exatidão e a ordem são sua condição (...) esse sentimento que é uma aspiração, um ideal, uma tendência implacável, uma necessidade tirânica. Será a paixão do século. (36)
  • 41.
    41 O ideal! CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Estabeleci, por meio da análise técnica e da síntese arquitetural, o projeto de uma cidade contemporânea de três milhões de habitantes. (..//..) Procedendo à maneira do prático em seu laboratório, fugi dos casos específicos: afastei todos os acidentes; concedi-me um terreno ideal. (155- 156)
  • 42.
    42 O universal! CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues “Quero manter-me fora de suas inumeráveis verdades precisas; não quero conhecer a avidez dos interesses em luta (...) quero simplesmente, a partir de suas estatísticas, elaborar com um espírito livre uma concepção sadia e clara, de utilidade e de beleza, buscar princípios puros, diretores, isolar o problema em si mesmo, fora de casos específicos, e conseguir formular princípios fundamentais de urbanismo moderno...” (102)
  • 43.
    43 O método! CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Classifiquemos. Três espécies de população: os citadinos permanentes; os trabalhadores cuja vida se desenrola metade no centro e metade nas cidades-jardins; as massas operárias que dividem seus dias nas fábricas de subúrbio e nas cidades. Essa classificação é, a bem dizer, um programa de urbanismo. Objetivá-la na prática é começar a depuração das grandes cidades. (93)
  • 44.
    44 O centro CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Infelizmente, as pessoas se haviam tornado o motor enferrujado de um velho automóvel: o chassi, a carroceria, os bancos (a periferia das cidades), tudo ainda funciona, mas o motor (o centro das cidades) está emperrado. É a parada. O centro das cidades é um motor emperrado. Assim se enuncia o primeiro problema do urbanismo. (86)
  • 45.
    45 A extensão CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues O centro das cidades está mortalmente doente, sua periferia está corroída como por uma verminose. (..//..) Criar uma zona livre de extensão é este o segundo problema do urbanismo.
  • 46.
    46 A exclusão! CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Portanto, penso bem friamente que cumpre chegar a essa idéia de demolir o centro das grandes cidades e de reconstruí-lo, e que cumpre abolir o cinturão de miseráveis dos subúrbios, transportar estes para mais longe, e, no local em que estavam, instituir, pouco a pouco, uma zona de proteção livre que, no momento oportuno, dará perfeita liberdade de movimentos... (87)
  • 47.
    47 Quatro postulados Eis-nos conduzidosa formular as bases do urbanismo moderno com quatro postulados brutais, concisos, que respondem com exatidão aos perigos ameaçadores: - Descongestionar o centro das cidades para fazer frente às exigências do trânsito. CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues - Aumentar a densidade do centro das cidades para realizar o contato exigido pelos negócios. - Aumentar os meios de circulação, ou seja, modificar completamente a concepção atual da rua que se acha sem efeito ante o fenômeno novo dos meios de transporte modernos: metrôs ou carros, bondes, avião. - Aumentar a superfície arborizada, único meio de assegurar a higiene suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo ritmo novo dos negócios. (91)
  • 48.
    48 A rua moderna! Poisa forma da rua não é adaptada. (..//..) A rua-corredor já não pode subsistir. É preciso criar outro tipo de rua. (..//..) A rua não é mais a trilha de vacas, mas uma máquina de circular, CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues mas uma máquina de circular, um aparelho respiratório, um órgão novo, uma construção em si de importância decisiva, uma espécie de fábrica de comprido; que lhes são necessários um ou dois andares, e que se poderia, com um simples apelo ao bom senso, começar a realizar cidades pilotis. (110-112)
  • 49.
    49 Racionalização CES-JF | ARQUITETURAE URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues O número das ruas atuais deve ser diminuído em dois terços. (…) O cruzamento das ruas é inimigo do trânsito. O número das ruas atuais é determinado pela história mais longínqua. A proteção da propriedade salvaguardou quase sem exceção o menor atalho do povoado primitivo e erigiu- o em rua (...) Ruas assim se cortam a cada 50 metros (...) Vem então o engarrafamento ridículo. (..//..) Minha cidade é traçada sobre um quadriculado regular de ruas espaçadas de 400 metros e cortadas às vezes a 200 metros.
  • 50.
    50 Nova York estáerrada,... CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues …e o arranha-céu conserva seus direitos. Condensar a população e descongestionar a rua devem ser duas faces da mesma e única moeda, uma não existe sem a outra. (172)
  • 51.
    51 A casa... CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ... coloca novamente o problema da arquitetura ao colocar o dos meios de realização totalmente novos, ao colocar o de um plano completamente novo, adaptado a um modo de vida novo, ao colocar o da estética resultante de um estado de espírito novo. (VIII)
  • 52.
    52 O método CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues A cultura se manifesta por uma tomada de conhecimento dos meios de que dispomos, por uma escolha, uma classificação, por uma evolução. (33), Essa classificação, esta determinação o mais aguda possível das funções, só podem conduzir à realização, (…), de padrões realmente puros. Por reduções sucessivas (…) uma função arquitetural e urbana sadia pode então desenvolver seus efeitos. (217)
  • 53.
    53 Um construtor decélulas CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Os templos, as cidades, as casas, são células de aspecto idêntico e de dimensões em escala humana. Pode-se dizer que o animal humano é como a abelha, um construtor de células geométricas (24)
  • 54.
    54 A medida dohomem ... se os homens são pequenos e tacanhos, o homem tem em si a potência do grande. (..//..) A dificuldade já não é vertiginosa, subdivide-se indefinidamente, CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues subdivide-se indefinidamente, dispõem-se em série; as séries adaptam-se aos indivíduos; a dificuldade permanece na medida de nossos ombros. (..//..) Os homens podem ser mesquinhos. (..//..) A entidade homem é grande. (..//..) Eis o que dá ousadia aos nossos sonhos: eles podem ser realizados.
  • 55.
    55 A série CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Consequência da série: o standard, a perfeição (criação de padrões). A série domina tudo. Já não podemos produzir industrialmente, a preços normais, fora da série; impossível resolver o problema da habitação fora da série. Os canteiros de obras devem ser fábricas, com seus estados maiores e suas máquinas, suas equipes taylorizadas (217)
  • 56.
    56 Célula-Série CES-JF | ARQUITETURAE URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues O apartamento é um conjunto de elementos mecânicos e arquiteturais que garantem nossa segurança e nosso conforto. Falando de urbanismo, podemos considerar o apartamento como uma célula. As células, pela vida em sociedade, são limitadas a modos de agrupamento, a cooperações ou a antagonismos que constituem um dos elementos essenciais do fenômeno urbano. (…) sentímo-nos livres em nossa célula (e sonhamos habitar em algum lugar uma casa isolada para assegurar a nossa liberdade); e a realidade nos mostra que o agrupamento de células causa prejuízo à nossa liberdade (…) É possível, pela ordenação lógica das células atingir a liberdade pela ordem. (201)
  • 57.
    57 Casa-padrão CES-JF | ARQUITETURAE URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Chegar à casa-instrumento (prática e suficientemente enternecedora), que é revendida e realugada. A concepção “meu teto” desaparece (…), pois o trabalho se desloca (emprego), e seria lógico poder seguir com armas e bagagens. Armas e bagagens, isso é enunciar o problema do mobiliário, o problema do “padrão”. Casa padrão, móveis padrão. (217).
  • 58.
    58 A liberdade! CES-JF |ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues No fato urbano tudo é confusão, tudo se contradiz, nada está classificado. Se classificar-mos, se pusermos em ordem, saborearemos as alegrias serenas da liberdade. (210)
  • 59.
    59 Escala humana As células(as moradias) se equilibrarão sobre vinte, quarenta, sessenta andares. O homem sozinho, com seu 1m. 75 de altura, mecânica inalterável, se inquietará nas ruas de sua cidade com CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues ruas de sua cidade com construções gigantescas. Povoemos pois o vazio penoso dessa imensa diferença introduzindo entre os homens e sua cidade uma média proporcional que satisfaça suas medidas, que esteja numa escala em comum.(...) É preciso plantar árvores!
  • 60.
    60 A medida dobem-estar CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Que advenha a benfazeja adoção da medida de referencia arquitetural, modulo puro de uma intenção arquitetural conforme a tempos novos (...) ... a árvore, em qualquer circunstância, oferece-se para nosso bem-estar físico e espiritual (70)
  • 61.
    61 La ville verte! CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues O fenômeno gigantesco da grande cidade se desenvolverá em alegres áreas verdes. A unidade no detalhe, o “tumulto” magnífico no conjunto, a medida de referencia humana e a media proporcional entre o fato homem e o fato natureza. (71)
  • 62.
    62 Cirurgia e medicina! CES-JF| ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues Uma verdadeira necessidade de libertação impele a cortar, a abrir: aberturas, perspectivas (...) Tudo vem de uma só vez, decorre de um sistema de espírito que em todos os campos atingem as mais altas expressões ( Pascal, Voltaire, Rousseau, Blondel...). Na verdade, sob aqueles reis absolutos, expressavam-se as potências livre do pensamento e a Revolução era iminente: cirugia. (..//..) O passado, inesgotavelmente dá-nos lições de força. Prever e governar: medicina e cirurgia. Em qualquer circunstância, clareza de espírito e firmeza. (252)
  • 63.
    63 O trabalho dohomem – Traçam-se linhas retas, fecham-se os buracos, CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues fecham-se os buracos, nivela-se, e chega-se ao niilismo. (Invectiva irada do administrador municipal) – Desculpe, isto é, exatamente falando, o trabalho do homem. (Corbu)
  • 64.
    64 Freud: CES-JF | ARQUITETURAE URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues “a ordem é uma espécie de compulsão a ser repetida, compulsão que, ao se estabelecer como um regulamento de uma vez por todas, decide quando, onde e como uma coisa será efetuada, e isto de tal maneira que, em todas as circunstâncias semelhantes, a hesitação e a indecisão nos são poupadas.” (…) “Os benefícios da ordem são incontestáveis. Ela capacita os homens a utilizarem o espaço e o tempo para seu melhor proveito, conservando ao mesmo tempo as forças psíquicas deles” (S. Freud) Alinhamentos de Carnac (≈4500 aC)
  • 65.
    65 W. Benjamin &Goethe: “… a lei da repetição: (…) é para a criança a alma do jogo; nada a torna mais feliz do que “de novo”. O escuro impulso para a repetição é no jogo quase tão forte, quase tão ardiloso na sua atuação , como o é no instinto sexual. (…) cada uma de nossas experiências mais profundas anseia insaciavelmente , anseia até o fim, por repetição e retorno, pela reconstituição da situação primitiva de onde proveio.” W. Benjamin CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues “Tudo seria perfeito se o homem pudesse fazer as coisas duas vezes” Goethe Alinhamentos de Carnac (≈4500 aC)
  • 66.
    66 Engels As ciências naturaismodernas provavam que os “bairros insalubres”, onde se amontoavam os operários, constituem os focos de todas as epidemias que periodicamente invadem as nossas cidades. Os germes da cólera, do tifo (…) e outras doenças devastadoras propagam-se no ar pestilento e águas poluídas CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues devastadoras propagam-se no ar pestilento e águas poluídas destes bairros operários; (…) e provocando epidemias que, então, se propagam para além desses focos até os bairros mais arejados e mais sãos, habitados pelos srs. Capitalistas. Estes não podem permitir impunemente a criação de condições epidêmicas na classe operária, pois sofreriam as consequências; o anjo exterminador é tão implacável com eles como com os trabalhadores. (“Como a burguesia resolve o problema da habitação” - originalmente in:“Correio do Povo de Leipzig” 1872)
  • 67.
    67 A Pureza “A purezaé um ideal, (…). “Ela é uma visão de ordem - isto é, de uma situação em que cada coisa se acha em seu justo lugar e em nenhum outro (...) - que ocorre serem aqueles lugares que elas não preencheriam “naturalmente”, por sua livre vontade. O oposto da “pureza” - o sujo, o imundo, os “agentes poluidores” - são CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues da “pureza” - o sujo, o imundo, os “agentes poluidores” - são coisas fora de lugar” “O mundo dos que procuram a purezaé simplesmente pequeno demais para acomodá-las. (…) E não será suficiente mudá-las para outro lugar: “será preciso livrar-se delas de uma vez por todas - queimá-las, envenená-las, despedaçá-las, passá-las a fio de espada...” (Bauman, Z. “O Mal-Estar da Pós- Modernidade”(1998: 14).
  • 68.
    68 Uma solução estética A“Solução Final Alemã”, observou a antropóloga americana Cynthia Ozick, “era uma solução estética; era uma tarefa de preparar um texto, era o dedo do CES-JF | ARQUITETURA E URBANISMO | EPU I | Prof. Msc. Raphael Rodrigues era uma tarefa de preparar um texto, era o dedo do artista eliminando uma mancha; ela simplesmente aniquilava o que era considerado não harmonioso” (Ozick, 1984; apud: Bauman 1998: 13),