Leitura e análisede textos
dissertativo-argumentativos
OBJETIVO:
Apresentar a construção argumentativa
como um processo inerente à interação
verbal, já que, quando falamos ou
escrevemos, temos como meta convencer o
outro das nossas ideias.
3.
“Um argumento
necessariamente uma
não
é
provade
verdade. Trata-se, acima de tudo, de
um recurso de natureza lingüística
destinado a levar o interlocutor a
aceitar os pontos de vista daquele que
fala.” (Platão; Fiorin, 2002, p. 279).
5.
é um objetocomplexo que envolve não
“O texto
apenas operações linguísticas como também
cognitivas, sociais e interacionais. [...] na produção e
compreensão de um texto não basta o conhecimento
da língua, é preciso também considerar
conhecimentos de mundo, da cultura em que vivemos,
das formas de interagir na sociedade” (Koch; Elias,
2016, p. 15).
“Tô chegando!”
6.
“Texto é frutode um processo extremamente complexo de
linguagem e interação social, de construção social de
sujeitos, de conhecimentos de natureza diversa” (Koch;
Elias, 2016, p. 18).
7.
Que conhecimentos precisamosacionar para
compreender este anúncio?
Revista Veja, 19 nov. 2008.
https://pt-br.facebook.com/ColetivoIdentidades/photos/fazer-o-
futuro-%C3%A9-pensar-na-igualdade-de-ra%C3%A7as%C3%A9-
querer-o-mesmo-lugar-para-os-bran/1503092553296108/
8.
Noção de dissertação/argumentação
•O termo
dissertação,
simplificada, refere-se
de uma
maneira à
exposição de
determinado assunto ou defesa de uma tese.
• Para alguns teóricos, como Platão e
Fiorin
(2002), a ação de dissertar pode ser
ou
classificada como expositiva
argumentativa.
9.
A sequência tipológicaexpositiva
• Como expositiva, temos uma sequência
textual, de organização lógica, que apresenta
ou informa determinado tema. Ex.:
11.
As sequências tipológicas
argumentativas
•Já a argumentativa defende uma ideia,
apresentado argumentos que sustentam
um ponto de vista. Ex.:
Fonte: Folha de S.Paulo. Por Fabiane Langona. Publicado em: 09/03/2019.
12.
O termo: dissertativo-argumentativo
•Dessa forma, o termo proposto, na ementa
desta disciplina, dissertativo-
argumentativa, contempla a exposição de
uma temática, com organização de
informações capazes de validar uma ideia, a
fim de convencer o leitor ou o interlocutor
de que a maneira como o assunto
verdadeira e, por isso, deve
é apresentado ou defendido é única, é
ser
assimilada/aceita por esse sujeito da interação
sociocomunicativa.
13.
O ato deargumentar
Argumentar é expor pensamentos. É partir, por
exemplo, de um tema polêmico e sustentá-lo com
afirmações organizadas para persuadir o leitor.
Organização das ideias
Paraisso, é importante que os pensamentos estejam ligados
uns aos outros e que o texto seja escrito considerando o
receptor, pois a linguagem textual deve ser adequada à
comunidade ou a determinado grupo de pessoas, pois o
efeito da argumentação é a adesão do leitor.
17.
Assim, é importanteconsiderar:
• Em que veículo o texto será publicado?
• Quem é o autor? Há mais informações sobre ele?
• Qual é o assunto principal a ser abordado pelo texto?
• Com que finalidade esse assunto será abordado?
• Considerando que se trata de textos argumentativos, que
ideia ou tese o autor defenderá?
18.
a argumentação designaum modo perfeitamente
coerente de interação humana, pois aquele que
argumenta pretende interferir sobre as representações
ou convicções do outro, com o alvo de modificá-las (ou
aumentar a adesão de tais convicções). Desse modo,
estruturação do discurso, devem ser estudados
para a compreensão da linguagem que reside na
os
mecanismos linguísticos que determinam o processo
argumentativo.
De acordo com Geraldi (1981, p. 65):
19.
Intenção argumentativa
A intençãoargumentativa trata do convencimento do outro,
de uma verdade, construída em processos enunciativos, já
que o locutor, nesse instante comunicativo, é o detentor de
uma verdade e, por tal motivo, a argumentação não pode
ser confundida com discussão sem fundamentos.
• Quando umapessoa argumenta, ela trata
de
ideias, de
formando
fatos
opinião
baseados em
lógicas, ou
desconstruindo
opiniões, a fim de convencer o ouvinte por
meio de fatos verídicos ou não.
Viver Dói – Fabiane Langona, FSP
Argumentar
Argumentar é,portanto, um
artifício
defender uma causa.
usado para
“[...] toda argumentação consiste numa declaração
seguida de provas (fatos, razões, evidência) [...]. Isso
significa que, se o autor não souber argumentar, seu
texto cairá em descrédito. Os argumentos devem ser
minuciosamente planejados,
contextualizados, para não permitir
a
articulados,
refutação
imediata”. (Garcia, 2010, p. 381).
24.
A contraparte daleitura
O leitor ou ouvinte pode até não concordar
com os argumentos, mas, para questioná-los,
terá de estudá-los, fundamentá-los em outras
verdades, em outras ideologias.
25.
Conceito de argumento
•Para Platão e Fiorin (2002): “[...] é todo
procedimento linguístico que visa a persuadir,
a fazer o receptor aceitar o que lhe foi
comunicado, a levá-lo a crer no que foi dito e
a fazer o que lhe foi proposto” (p. 173).
26.
Planejamento dos argumentos
•Os argumentos devem ser planejados,
validados em fontes seguras e,
quando necessário, ter como base
autoridades sobre determinados assuntos,
o que costumamos
chamar de argumentos
teóricos, pesquisas, obras
de autoridade:
que sustentam,
ratificam os argumentos articulados numa
produção textual.
27.
O processo argumentativo
Aconstrução do processo argumentativo considera,
segundo Platão e Fiorin (2002), os seguintes
aspectos:
1. Unidade: manter-se fiel à temática proposta.
2. Variedade que explore a mesma
matéria: desenvolver o tema, utilizando
informações que façam a progressão temática,
evitando, assim, a repetição desnecessária: falar
a mesma situação de forma diferente, sem
desenvolvê-la.
28.
3. Comprovação deteses defendidas com
citações de outros textos autorizados: fazer
uso de argumentos de autoridade.
4. Correlações lógicas: articular as ideias por
meio de recursos linguísticos.
5. Exemplos concretos adequados.
6. Refutação dos argumentos contrários: um
texto, para ser convincente, não pode fazer de
conta que não existam opiniões opostas àquelas
que se defendem no seu interior.
29.
Todo ato daargumentação
tem por trás de si uma
ideologia, uma verdade,
originária de uma lógica com
a finalidade de levar o leitor à
aceitação do discurso. Então,
todo texto está destinado a
fazer com que seus leitores
aceitem como verdade a
mensagem exposta.
Tema para debate:Mistura de raças-
título Sérgio da Costa Franco – quem assina
(historiador) Jornal Zero Hora, 30/07/2011 –
veículo/quando
O terrorista norueguês que ensanguentou seu pacífico
país, praticando com requintes de crueldade um suposto ato de
protesto, teve a veleidade de escrever considerações sobre pureza
racial, num documento imbecil, sob o título de “Declaração de
Independência Europeia”.
Nesse texto, entre um amontoado de tolices, fez apreciações
sobre o Brasil, apontando nosso país como exemplo de como a
mistura de raças é catastrófica para as nações. E fala numa
imaginária “revolução marxista brasileira”, que seria responsável
por essa mistura.
Está claro que esse personagem, que Hitler talvez escolhesse
como umreprodutor de arianos puros, não conhece o Brasil, nem faz
ideia de nossa formação histórica. Trata-se, aliás, de um louco
perigoso, cujas opiniões não mereceriam uma linha de comentário,
se não tivessem sido divulgadas mundialmente pela mídia.
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Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2011/07/tema-para-debate-mistura-
de-racas- 3424430.html
33.
A saudável misturaracial do Brasil começou já no século
16, quando os Caramurus desposaram Paraguaçus, e nosso
antepassado Tibiriçá confiou sua filha Bartira ao Capitão
João Ramalho. Os casamentos mistos, de portugueses com
índias, foram tão frequentes, que a população brasileira,
especialmente a de São Paulo, logo abdicou de qualquer
pureza étnica.
Sabe-se que os paulistas foram bilíngues, de português e
tupi, durante todo o século 17. E Sérgio Buarque de Holanda
admite que esse bilinguismo só tenha desaparecido no princípio
do século 18.
Mais adiante, a entrada maciça do contingente africano
acentuou a mistura racial e cultural, que se completaria nos
séculos 19 e 20 com o ingresso de imigrantes de todas as
pelagens e religiões, desde islâmicos a budistas.
De
se
n
vol
vi
me
n
to
34.
O Brasildeve ser,a esta altura,a maior
nação
multiétnica do mundo. E isso jamais
foi motivo de embaraço para o
desenvolvimento cultural ou
econômico. Tanto que São Paulo, palco da mais
intensa mistura, é o Estado mais desenvolvido da
nação.
Os fatores que frearam nosso
desenvolvimento terão sido a morosa eliminação
do trabalho escravo, a permanência de uma
estrutura agrária obsoleta em vastas áreas do
território, as carências da educação e o tardio
desenvolvimento capitalista. Nada que se
relacionasse com a mistura racial ou étnica.
De
se
n
vo
l
vi
me
n
to
35.
Ao contrário deoutros países, em que houve
graves conflitos de caráter racial ou religioso, nenhuma
das guerras civis ou rebeliões internas derivou de
questões desse gênero. As próprias sedições de
escravos, que foram raras, tinham motivações
socioeconômicas e não étnicas, dado que havia mestiços
e libertos que eram senhores de cativos.
Entre os mestiços, teve o Brasil algumas de suas
melhores
personalidades. Basta lembrar o maior dos
escritores nacionais, Machado de Assis. E seria impossível
enumerar os caboclos e mulatos, de ambos os sexos, que
integram a galeria de nossos heróis.
De
se
n
vo
l
vi
me
n
to
36.
Talvez esse norueguêsimbecil e
ignorante não
possa compreender o clima
de tolerância e
receptividade que caracteriza
este país, onde se
concedeu, em 1890,
naturalização e cidadania
coletiva aos imigrantes que a desejassem, onde
já tivemos generais nascidos no estrangeiro e
agora uma filha de búlgaros, presidente da
República.
Con
clu
sã
o
37.
Bacharel em direitopela UFRGS em 1954,
também graduado em História e Geografia.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio
Grande do Sul. Jornalista
desde 1949, publica em diversos jornais. Autor
de diversos livros, alguns reunindo crônicas, mas a
maior parte dedicados à pesquisa histórica.
Os artigos publicados com assinatura não
traduzem a opinião do jornal. Sua publicação
obedece ao propósito de estimular o debate dos
problemas brasileiros e mundiais e de refletir as
diversas tendências do pensamento contemporâneo.
(grifos nossos)
Crédito
completo do
articulista
Mensagem-padrão
do jornal, em caso
de textos assinados
38.
Tipos de argumentos
•Para
argumentar,
é necessário selecionar
possam convencer o
argumentos que
interlocutor a concordar com a tese
que
estamos defendendo.
Fonte: https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/etapa/tipos-de-argumento/
40.
• D –É o conjunto de Dados, ou seja, de fatos, indícios, informações
etc., que o argumentador toma como ponto de partida para o seu
raciocínio.
• C – É a Conclusão a que o argumentador quer chegar, ou seja, a
tese que pretende defender, em relação aos dados usados
como base para o artigo.
41.
• J –É o conjunto de Justificativas, ou seja, de argumentos
propriamente ditos, que o argumentador reúne e analisa
com o objetivo de sustentar a conclusão ou tese.
• S – É o Suporte (para os dados ou para as justificativas), ou seja, o
conjunto de informações complementares que ajudam
o argumentador a reforçar ou os Dados e fatos de que parte
ou, ainda, as Justificativas (argumentos) que apresenta.
42.
• M –É o Modalizador, a palavra ou expressão por meio da qual o
argumentador manifesta determinada atitude em relação à conclusão
proposta e que, espera, seja aceita pelo leitor: “é certo que”,
“necessariamente”, “talvez”, “é provável/possível que”, “na medida em
que” etc.
• R – É a Refutação, ou seja, a contestação que seria possível fazer ao
raciocínio do argumentador, mas ela somente é citada para mostrar
como e por que ela não procede. Assim, a Refutação funciona como
um recado ao adversário: “Eu sei que você pode dizer que... mas esse
contra-argumento não é válido, por tais e tais motivos”.
43.
Argumento de autoridade
•No argumento de autoridade, o auditório é levado a aceitar a
validade da tese ou conclusão [C] defendida a respeito de certos
dados [D], pela credibilidade atribuída à palavra de alguém
publicamente considerado autoridade na área [J].
Argumento
de
autoridade
• No livro didático X, as personagens que praticam boas ações são
sempre ilustradas como loiras de olhos azuis, enquanto as más são
sempre morenas ou negras [D]. Podemos dizer que o livro X é
racista [C], pois, segundo o antropólogo Kabengele Munanga, do
Museu de Antropologia da USP, ilustrações que associam traços
positivos apenas a determinados tipos raciais são racistas [J].
Exemplo
44.
Argumento por evidência
•No argumento por evidência, pretende-se levar o auditório a admitir a tese
ou conclusão [C], justificando-a por meio de evidências [J] de que ela
se aplica aos dados [D] considerados.
Argumento
por
evidência
• De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) de
2008, o telefone, a televisão e o computador estão entre os bens
de consumo mais adquiridos pelas famílias brasileiras [D]. Esses
dados mostram que boa parte desses bens de consumo é ligada ao
desejo de se comunicar [C]. A presença desses três meios de
comunicação entre os bens mais adquiridos pelos brasileiros é
uma evidência desse desejo [J].
Exemplo
45.
Argumento por comparação
•No argumento por comparação, o argumentador pretende levar o
auditório a aderir à tese ou conclusão [C] com base em fatores de
semelhança ou analogia [J] evidenciados pelos dados [D]
apresentados.
Argumento
por
comparação
(analogia)
• A quebra de sigilo nas provas do Enem 2009, denunciada pela
imprensa, nos faz indagar quem seriam os responsáveis [D]. O sigilo
de uma prova do Enem deve pertencer ao âmbito das autoridades
educacionais — e não da imprensa [C]. Assim como a imprensa é
responsável por seus próprios sigilos, as autoridades educacionais
devem ser responsáveis pelo sigilo do Enem [J].
Exemplo
46.
Argumento por exemplificação
•No argumento por exemplificação, o argumentador baseia a tese ou
conclusão [C] em exemplos representativos [D], os quais, por si sós,
já são suficientes para justificá-la [J].
Argumento
por
exemplificação
• Vejam os exemplos de muitas experiências positivas — Jundiaí (SP),
Campinas (SP), São Caetano do Sul (SP), Campina Grande (PB) etc.
— sistematicamente ignoradas pela grande imprensa [D]. Tantos
exemplos levam a acreditar [J] que existe uma tendência
predominante na grande imprensa do Brasil de só noticiar fatos
negativos [C].
Exemplo
47.
Argumento por princípio
•No argumento de princípio, a justificativa [J] é um princípio, ou seja, uma
crença pessoal baseada numa constatação (lógica, científica, ética, estética
etc.) aceita como verdadeira e de validade universal. Os dados apresentados
[D], por sua vez, dizem respeito a um fato isolado, mas, aparentemente,
relacionado ao princípio em que se acredita. Ambos ajudam o leitor a chegar
a uma tese, ou conclusão, por meio de dedução.
Argumento
de
princípio
• A derrubada dos índices de mortalidade infantil exige tempo, trabalho
coordenado e planejamento [J]. Ora, o índice de mortalidade infantil de
São Caetano do Sul, em São Paulo, foi o que mais caiu no país [D].
Portanto, São Caetano do Sul foi o município do Brasil que mais
investiu tempo, trabalho coordenado e planejamento na área [C].
Exemplo
48.
Argumento por causae consequência
• No argumento por causa e consequência, a tese, ou conclusão [C], é
aceita justamente por ser uma causa ou uma consequência [J] dos
dados [D].
Argumento
por causa e
consequência
• Não existem políticas públicas que garantam a entrada dos jovens
no mercado de trabalho [D]. Assim, boa parte dos recém-formados
numa universidade está desempregada ou subempregada [C]. O
desemprego e o subemprego são uma consequência necessária das
dificuldades que os jovens encontram de ingressar no mercado de
trabalho [J].
Exemplo
Relembrando… “Um argumentonão é
necessariamente uma prova de verdade. Trata-se, acima
de tudo, de um recurso de natureza lingüística destinado
a levar o interlocutor a aceitar os pontos de vista daquele
que fala” (Platão; Fiorin, 2002, p. 279).
56.
Exercitando…
1) Analise asestratégias argumentativas
empregadas nos textos a seguir:
FSP, Caderno A2, Tendências e Debates, 31 ago. 2024.
Disponível em:
https://acervo.folha.uol.com.br/digital/leitor.do?
numero=50754&maxTouch=0&anchor=6500177&pd=2e
af575567e9
Referências
GARCIA, Othon M.Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever,
aprendendo a pensar. 27. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,
2010.
KOCH, Ingedore Villaça. Argumentação e linguagem. 8. ed. São Paulo:
Cortez, 2002.
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias
de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda Elias. Escrever e argumentar. São Paulo:
Contexto, 2016.