Texto : nO AEROPORTO
Carlos Drummond de andrade
ACHILES RODRIGUES
E
JOSÉ GILBERTO DE OLIVEIRA
SOUZA
Antes da leitura
• Questionamento sobre se sabem o que é
aeroporto. Quem utiliza... Você
conhece... Já esteve em um.. ( Utilizar
conhecimento de mundo para
compreensão do texto )
• O que o título lhe sugere.. Que tipo de
história lhe sugere... Que tipo de história
você acha que vai ler...
Aeroporto
Carlos Drummond de Andrade
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos
três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto
para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria
atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-la a
fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras e, a bem
dizer, não se digne pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o
mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender
admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede
ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a
sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana
lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial,
revelador de suas intenções para com o mundo ocidental e o oriental e
em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e
desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da
falta de dentes), abonam a classificação.
Durante a leitura
* Após ler os dois primeiros
parágrafos:
* Você sabe onde fica o
Galeão?
* Já pode identificar quem é
Pedro?
Devo admitir que Pedro, como visitante, nos deu trabalho: tinha
horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes
especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso
compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com
naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria
de achá-lo egoísta ou inoportuno. Suas horas de sono — e lhe apraz dormir
não só à noite como principalmente de dia — eram respeitadas como ritos
sacros a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria
sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém é que não
nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro,
deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas
também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da TV. Andando na
ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por
amor de Pedro não tinha importância.
Objeto que visse em nossa mão, requisitava-o. Gosta de óculos
alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral,
artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta
das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há
de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume,
porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem
malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem
olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada sobre
a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir
entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte?
Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais
me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de
irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu
sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a
nossa amizade lhes conferia caráter necessário, de prova; ou gratuito, de
poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um
ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto
ficou vazio.
Extraído de: Cadeira de balanço. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio
Editora, 1976, p. 61, 62.
Depois da leitura
• - Gostou da história? Por quê?
• - Você teve dificuldade de entender o significado
de alguma palavra do texto? Quais? (identificar
sinônimos de palavras)
• - Por que Pedro se comunicava apenas através de
gestos e expressões? (elaborar inferências)
• - Suas expectativas sobre quem é Pedro se
confirmaram? Foi possível perceber rapidamente
que Pedro era um bebê? Como? (caracterizar
personagens do texto – integrar informações
explícitas do texto; pistas – marcadores
linguísticos)
• - O narrador participa da história? Como você sabe?
• - Onde acontecem os fatos narrados?
• -Quanto tempo Pedro passou na casa do amigo? Há marcadores
temporais? Quais? (localizar informações – marcadores
temporais)
• - Você conseguiu identificar qual o gênero textual? (reconhecer
os diferentes gêneros e suas funções)
• - O que o autor quis dizer com a frase “De repente o aeroporto
ficou vazio?” (interpretar frases e expressões do texto)
• - Que relação podemos estabelecer entre título e o texto?
(apreender sentido geral do texto)- Filmes: que podem ser
utilizados para complementar o trabalho: Rio O
terminal Olha quem está falando também. - Música:
Samba do Avião (Tom Jobim)
• - Reescreva a narrativa a partir do ponto de vista de Pedro
Com 56 anos de atividade poética, Drummond foi o maior poeta do séc. XX
Considerado o maior poeta brasileiro do século XX – Carlos Drummond de
Andrade nasceu em 1902, em Itabira (Minas Gerais). Cursou suas primeiras
fases escolares em sua cidade natal. Seguindo seus estudos optou por formar-
se em Farmácia, na capital mineira. Em 1928 começou sua carreira atuando
como funcionário público, tornando-se chefe do gabinete do Ministério da
Educação e, posteriormente, como codiretor do jornal Tribuna Popular.
Notadamente, sua carreira literária ganhou força de expressão a partir dos
anos 50, mais precisamente em 1962, quando se aposentou. Após uma vasta e
significativa produção, veio a falecer em 1987, no Rio de Janeiro.
ANÁLISE DO TEXTO
O texto Aeroporto de Carlos Drummond de Andrade,
trata-se de:
a- uma crônica
b- uma fábula
c- uma poesia
d- um conto
e- uma notícia
HABILIDADADE  COMPETÊNCIA (reconhecer os
diferentes gêneros e suas funções)
Por que as pessoas andavam na
ponta dos pés, ou descalços, levando
tropeções no escuro?
Momento para elaborar inferências
Na expressão: “...e lhe apraz dormir
não só a noite mas principalmente de
dia”
A palavra apraz, significa:
a- agrada.
b- irrita.
HABILIDADE  COMPETÊNCIA
(identificar contextualmente sinônimos de palavras)
Pode ser que um dia
nos afastemos...
Mas, se formos
amigos de verdade,
A amizade nos
reaproximará.
Albert Einstein
Apresentação1

Apresentação1

  • 1.
    Texto : nOAEROPORTO Carlos Drummond de andrade ACHILES RODRIGUES E JOSÉ GILBERTO DE OLIVEIRA SOUZA
  • 2.
    Antes da leitura •Questionamento sobre se sabem o que é aeroporto. Quem utiliza... Você conhece... Já esteve em um.. ( Utilizar conhecimento de mundo para compreensão do texto ) • O que o título lhe sugere.. Que tipo de história lhe sugere... Que tipo de história você acha que vai ler...
  • 3.
    Aeroporto Carlos Drummond deAndrade Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-la a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras e, a bem dizer, não se digne pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema. Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas intenções para com o mundo ocidental e o oriental e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
  • 4.
    Durante a leitura *Após ler os dois primeiros parágrafos: * Você sabe onde fica o Galeão? * Já pode identificar quem é Pedro?
  • 5.
    Devo admitir quePedro, como visitante, nos deu trabalho: tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou inoportuno. Suas horas de sono — e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia — eram respeitadas como ritos sacros a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da TV. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância. Objeto que visse em nossa mão, requisitava-o. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada sobre a razão íntima de seus atos.
  • 6.
    Poderia acusá-lo deincontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário, de prova; ou gratuito, de poesia e jogo. Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio. Extraído de: Cadeira de balanço. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1976, p. 61, 62.
  • 7.
    Depois da leitura •- Gostou da história? Por quê? • - Você teve dificuldade de entender o significado de alguma palavra do texto? Quais? (identificar sinônimos de palavras) • - Por que Pedro se comunicava apenas através de gestos e expressões? (elaborar inferências) • - Suas expectativas sobre quem é Pedro se confirmaram? Foi possível perceber rapidamente que Pedro era um bebê? Como? (caracterizar personagens do texto – integrar informações explícitas do texto; pistas – marcadores linguísticos)
  • 8.
    • - Onarrador participa da história? Como você sabe? • - Onde acontecem os fatos narrados? • -Quanto tempo Pedro passou na casa do amigo? Há marcadores temporais? Quais? (localizar informações – marcadores temporais) • - Você conseguiu identificar qual o gênero textual? (reconhecer os diferentes gêneros e suas funções) • - O que o autor quis dizer com a frase “De repente o aeroporto ficou vazio?” (interpretar frases e expressões do texto) • - Que relação podemos estabelecer entre título e o texto? (apreender sentido geral do texto)- Filmes: que podem ser utilizados para complementar o trabalho: Rio O terminal Olha quem está falando também. - Música: Samba do Avião (Tom Jobim) • - Reescreva a narrativa a partir do ponto de vista de Pedro
  • 9.
    Com 56 anosde atividade poética, Drummond foi o maior poeta do séc. XX Considerado o maior poeta brasileiro do século XX – Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, em Itabira (Minas Gerais). Cursou suas primeiras fases escolares em sua cidade natal. Seguindo seus estudos optou por formar- se em Farmácia, na capital mineira. Em 1928 começou sua carreira atuando como funcionário público, tornando-se chefe do gabinete do Ministério da Educação e, posteriormente, como codiretor do jornal Tribuna Popular. Notadamente, sua carreira literária ganhou força de expressão a partir dos anos 50, mais precisamente em 1962, quando se aposentou. Após uma vasta e significativa produção, veio a falecer em 1987, no Rio de Janeiro.
  • 10.
    ANÁLISE DO TEXTO Otexto Aeroporto de Carlos Drummond de Andrade, trata-se de: a- uma crônica b- uma fábula c- uma poesia d- um conto e- uma notícia HABILIDADADE COMPETÊNCIA (reconhecer os diferentes gêneros e suas funções)
  • 11.
    Por que aspessoas andavam na ponta dos pés, ou descalços, levando tropeções no escuro? Momento para elaborar inferências
  • 12.
    Na expressão: “...elhe apraz dormir não só a noite mas principalmente de dia” A palavra apraz, significa: a- agrada. b- irrita. HABILIDADE COMPETÊNCIA (identificar contextualmente sinônimos de palavras)
  • 13.
    Pode ser queum dia nos afastemos... Mas, se formos amigos de verdade, A amizade nos reaproximará. Albert Einstein