O Capital da Notícia
II. Imprensa e Estruturação
Econômica da sociedade.
“O Leitor torna-se um objeto do
mercado que paga até mesmo pelo papel no
qual ele é embrulhado.”
                    Prospekt-Tageszeitung
O caráter de mercadoria da
Informação

• O saber tradicional
• Valor de Uso e de Troca da Notícia
• Imprensa e capitalismo
• Marketing no jornalismo
• Jornalismo e Literatura
O saber tradicional
   •Friedrich Geyrhofer investiga a fundação da informação
na sociedade atual a partir de sua comparação com outras
formas de cultura;


   •Ele compara A Igreja com uma Universidade: O
sacerdote e o professor sabem algo que é, primeiramente,
inacessível aos estudantes e aos leigos. Não é o conteúdo,
mas a autoridade do sabedor que o define.
•O Jornal separa a informação prática (vendável) do
conjunto de fatos e dados culturais. Ele trabalha com o que é
imediato e direto, separando o “disseminável” do absorvível;

              O professor professa. O jornalista informa.


     •Informação é poder. No jogo do poder estão implícitas
as relações de dominação. O saber é negociável e serve
como moeda para a ascensão na sociedade.
      Ex.: Os escribas eram privilegiados nas antigas
sociedades.
•A “Queima de Arquivo” nos dias atuais seriam as
liquidações sumárias dos “mais informados” na antiguidade;


  •A informação passa a ser usada como instrumento de
opressão. O saber secreto passa a ser uma arma;


  •Informação significa Status.
Valor de Uso e de Troca da Notícia
  •Marx dizia que as notícias são a forma elementar de riqueza
no capitalismo e que elas são um tipo de mercadoria;


  •O jornal é produzido para a venda. Seu produto são as
informações transformadas em notícias. Uma informação pura e
simples não tem valor antes de sua transformação;


  •Algo só se transforma em notícia se há alguém que pode
destacar os aspectos positivos ou negativos do fato ocorrido.
•O valor de uso não é somente a notícia e a
informação, e o valor de troca não é somente a
compra. As duas esferas se mesclam em alguns
casos.
•Para o consumidor, o valor de uso se concretiza na
compra do jornal e com a sua leitura, quando ocorre o uso
propriamente dito do jornal;

  •A mercadoria notícia é uma das mais perecíveis e seu
valor de uso cai rapidamente;

  •Para o editor, o valor só se realiza na troca, a obtenção
do dinheiro. Para ele, o valor de uso é apenas um meio para
a concretização do seu valor de troca.
Imprensa e capitalismo
• No capitalismo, a imprensa é uma mercadoria. A ilusão,
 segundo Geyrhofer, é acreditar em um jornalismo
 objetivo;

• Na teoria, uma sociedade não capitalista nos levaria a um
 jornalismo menos alienado e manipulador. Ou seja, um
 jornalismo não manipulador é uma utopia.

• Não há como se libertar da forma capitalista de se fazer
 uma matéria. O que haveria é a mudança no tratamento
Marketing no jornalismo
    Quando falamos de jornalismo como atividade
 econômica, há duas maneiras de atuar para o público:

3.Uma atuação arrojada, construtora de opinião crítica, com
  novas ideias e participação política;

5.Atuar de acordo com o que é dado e esperado.
  (Marketing Jornalístico)

• No primeiro caso, o receptor “estranha “o que é “novo”,
  pois acha que seu universo é “ameaçado”. Esta maneira
  geralmente gera insegurança e a primeira reação pode
  ser a rejeição imediata.
•No segundo caso, não há ruptura de padrões,nem crise
com o leitor. É apenas uma confirmação de informação;

  •A Mercadologia no jornalismo é vender a notícia como
se ela fosse uma mercadoria qualquer;

  •O marketing nessa área investe em pesquisas e na
atividade publicitária, ou seja, maior possibilidade de
vendas. O foco nesta indústria também é o lucro.
•A estratégia para se obter este lucro é a empresarial,
orientando a linha editorial e a programação do jornal.

   •A pesquisa mercado lógica no jornalismo é um Copy-
Test. Esta técnica investiga as notícias mais observadas
pelo leitor, o produto indispensável;

   •Esta é a orientação do “correr atrás” do que está na
moda, trata-se do oportunismo e do populismo. A massa
receptora é quem menos ganha com esse tipo de orientação
jornalística.
•Criticar   o    marketing    não     significa
desconsiderar a importância do público ou do
consumidor, pois ele são a fonte de sobrevivência
da imprensa. Porém isso não justifica a abdicação
da imprensa do papel de agente político em troca
de noticiar aquilo que já é esperado apenas por
razões de lucro imediato.
Jornalismo e Literatura
  •Marx questiona se as grandes lendas épicas não
desapareceriam com as novas tecnologias de produção
jornalística, ele afirma que a imprensa de massa acabaria com
as condições necessárias para que elas existissem.

  •Isso não é ligado apenas às técnicas, mas sim a
apropriação do trabalho e da criação humana. Tais produções
são marginalizadas na produção comercial do jornal.

  •Para se afirmar como “produção independente”, a literatura
tentou fugir da estagnação da linguagem imposta pelo
jornalismo.
•A poesia e a literatura não se subordinam à ditadura
das formas jornalísticas e a lógica da mercadoria que
trabalha com o facilmente inteligível, com o direto e
“mastigado”. Elas são uma expressão subjetiva, um
manifesto humano;

  •Na elaboração de notícias não há espaço para o
indivíduo, o para o ser humano com um criador de
informação.
As Formas de encobrimento e
falseamento
 O jogo com o texto noticioso
 • A fragmentação da realidade
 • A personificação dos processos sociais
 • Outros Processos

    O uso da linguagem e da técnica
     A política do destaque e da supressão de
     informações
As Formas de encobrimento e
 falseamento
  •A edição de uma matéria é o principal modo de
manipulação. É nessa fase que se opera a adaptação
ideológica da notícias e sua estruturação com fins de
interesse de classe e valorização;

  •Normalmente, este falseamento não é intencional. Na
maior parte das vezes ele vem da forma que o jornalista
estrutura os fatos, de maneira inconsciente.
•A uniformização da notícia no estilo do jornal pode
moldá-la ideologicamente. As normalizações técnicas de
como fazer uma notícia tiram grande parte do potencial
crítico que ela pode vir a ter;

   •O Autor caracteriza três formas de falsear ou encobrir
uma notícia:
   Visão Fragmentada
   Uso das técnicas de linguagem
   Sonegação das informações indesejáveis
O jogo com o texto noticioso – A
 fragmentação da realidade
  •O Autor pega o conceito de Alienação de Marx e o
une ao conceito de Fracionamento de Atividade Primitiva
de Brückener para gerar o conceito de “Consciência
Dividida”. O trabalhador não reconhece o produto final
como uma “obra sua”;

  •Conceitos como Estado Moral e Igreja não são obras
da humanidade, estes conceitos têm vida própria.
•A consciência e o relacionamento do indivíduo são
mediados pelo processo fragmentador;

  •A     fragmentação   (disposição   do   mundo   numa
perspectiva burguesa) produz mentalidades fragmentadas
que veem o contexto social (realidade) sem nexo e
ordem;

  •Para uma mente fragmentada, uma notícia fragmentada.
•Na notícia fragmentada os fato não tem lógica entre
si. Não tem algo que os explique. A fragmentação indica
imediaticidade;

   •A produção d notícias fragmentadas é uma técnica
mercadológica. Apaga-se o contexto histórico e social da
notícia e ela é colocada no mercado com determinados
aspectos destacados. Não é transmitido um processo de
trabalho. É um fato sem origem e vinculação com algo
que o explique.
•O contexto da noticia é dividido e transmitido a um público
que não consegue selecionar os fotos fragmentados e
entendê-los no contexto original;

  •A história da notícia é compartimentada, reduzida a
fragmentos desconexos para que o público não consiga
analisar o processo de evolução da notícia;

  •Isto também acontece na política e na história.

      A Fragmentação da estrutura da notícia torna o homem
inconsciente de sua dominação.
A personificação dos processos sociais
  • A Personalização dos fatos e das notícias está
associada    à    intimização   das   questões   públicas,
banalização dos fatos e do culto à personalidade;

  •Está técnica faz o público questionar as vantagens e
as desvantagens das pessoas e não as condições do
sistema social;

  •Os fatos não tem relação com a realidade.
•A     fragmentação   pode    ser   interpretada   com   um
estratégia: “ dividir para vender mais”;


  •O Autor salienta que a história não é feita de grande
nomes, apenas. Os grandes nomes faziam parte de uma
classe     e   defendiam    seus    interesses.   Quando   os
historiadores os separam da classe de origem eles a
isentam de culpa. A guerra não é o interesse de uma classe
e sim de uma única pessoa, com se ela possuísse poderes
sobre naturais e se impusesse diante da sociedade como
um todo.
•Um exemplo desta situação é o populismo na América
Latina: Políticos como figuras fortes, paternais e populares;

  •Isto cria a ideologia do destino - os problemas não têm
uma organização específica, eles simplesmente “caem do
céu”;

  •A    personificação   “positiva”   como   produto,   é   a
perseguição dos agentes dos males sociais. Os bodes
expiatórios.
•O Bode Expiatório serve para pregar a desconfiança e
a falta de solidariedade. Tem um efeito ideológico;

  •O Terrorismo é um filho da ideologia da notícia. Seria
uma maneira de divulgar de maneira forçada uma notícia;

  •Grupos extremistas utilizam de ataques terroristas,
porém causam uma reação oposta da população e do
governo, que responde com um bloqueio de notícias.
• Neste processo a política se separa da população e
 se torna um assunto apenas de especialistas;


• A personificação, aliada à fragmentação desinforma
 as pessoas;


• A notícia passa a ser dada com algo para o
 entretenimento e recreação para as horas vagas.
Outros Processos
  •A falsidade também é outra técnica deturpar a
realidade em uma notícia;

  •A Burguesia manipula os fatos, selecionando as fontes
convenientes e as favorecem de acordo com a sua
perspectiva;

  •As fontes geralmente “são as testemunhas da multidão
histórica” e seus depoimentos são distorcidos.
• A Saturação para se animar o consumo e ondas
 de opinião, histerias públicas e mitologias
 ideológicas são divulgadas nos veículos de
 massa;


• A Polarização de conceitos e o maniqueísmo
 forçam ao leitor a optar entre dois extremos.
 Bem e Mal, Certo e Errado.
O uso da linguagem e da técnica
  •O uso de linguagens técnicas com um tom oficial em
formulações anônimas favorecem um comportamento receptivo
da população;

  •A notícia que se utiliza destes artifícios passa imagens
neutras e sociais, mas na maioria das vezes possuem tom direto,
restritivo e imperativo;

  •O uso de termos técnicos, gráficos e tabelas, onde as
informações podem ser encobertas e manipuláveis dificultam o
entendimento.
•A “técnica redacional” é quem opera a transformação da
notícia nos padrões da empresa.

  •A padronização do pensamento e da redação do jornal e a
submissão delas ao “modo de exposição” ou “estilo do jornal”
podem ser caracterizados como deturpação da notícia

  •A subimissão dos fatos à uma ordem, o faz perder seu
caráter explosivo. Esta padronização domestica o jornal.

  •Isto atravessa vários filtros. O primeiro é quando editor
decide o enfoque, o assunto da notícia e o que é conveniente
ser mencionado no jornal.
A política do destaque e da supressão de
informações
   •As formas anteriores de distorção não são exclusivas do
jornalismo e podem ser usadas num discurso geral para
adaptá-lo à interesse ou conveniências;

   •A pauta reflete apenas o que está acontecendo ou o que
preocupa o público em geral, porém numa segunda análise
ela pode refletir muito mais do que os jornais estão
publicando.
•O Jornalista extrai da matéria o que lhe interessa ou
interessa aos leitores e transforma isso em notícia. Da
realidade é extraída a “parte útil”, segundo a avaliação de
objetivos particulares;


   •O Editor decide o enfoque, o tamanho (em linhas), o
tamanho do título e a colocação na página. Está nas mãos
do editor a definição política de como a matéria vai repercutir
na sociedade.
•O Editor pode transformar algo pequeno em um
escândalo e abafar um fato importante. Ele traduz e
transforma a realidade, a adaptando de acordo com suas
convicções. Ele trabalha a opinião pública. Esta intervenção
é chamada de Downplay;


  •Nesta forma de manipulação há uma intervenção
direcionada a reprodução dos fatos sociais e históricos.
•O papel do jornal, aqui, não é noticiar, informar, divulgar
o que interessa, mas moldar, esticar e comprimir os fatos
para a sociedade. Montar uma segunda natureza dos fatos
sociais, muitas vezes opostas à verdadeira natureza das
coisas reais;

  •Jornalismo não é divulgar as notícias orientadas
ideologicamente, mas redimensionar os fatos de acordo
com uma natureza artificial. É criado um outro mundo, com
outros fatos e outras atribuições de importância.
     O produto é a Cristalização Ideológica.
Telejornalismo
  •Além de obedecer as técnicas gerais de produção e distorção
dos fatos, o telejornalismo tem alguns aspectos adicionais que
reforçam a superficialização da transmissão dos fatos e recepção
acrítica;

  •No jornal impresso, a capa é como uma vitrine, onde os
artigos são expostos separadamente para a venda do jornal. No
telejornalismo não há primeira página e manchetes na ruas para
chamar a atenção das pessoas;

  •O que existe são as pequenas chamadas durante a
programação que convida o público para assistirem o jornal.
•O consumo do telejornal   é prefixado no espaço e é
determinado à ele um horário na programação. Ele se
preocupa em cativar a audiência daquele horário da
programação e com isso perde a sua possibilidade de
“venda”;

   •A produção deste tipo de jornal obedece a critérios de
atratividade e interesse. Os elementos de fragmentação e
personalização devem ser radicais. Só elementos e peças
soltas.
•A manipulação ocorre com mais facilidade na escolha
do destaque, do enfoque e na expressão do apresentador;


   •A televisão transmite a ilusão da verdade utilizando
imagens que garantem o estatuto de verdade absoluta e
inocenta a deturpação;


   •A notícia tem um status de espetáculo, propagandismo e
de circo de atrações.
•O cenário, o apresentador e as informações paralelas
produzidas para o veículo formam o pano de fundo
neutralizador do telejornalismo;

 •Mesmo que as notícias sejam de caráter anticapitalista,
elas funcionam para vender o jornal e garantir o lucro.

 •O valor de troca se concretiza no telejornalismo com a
audiência. E no telespectador se desligar dos próprios
problemas e ver uma oferta mínima no programa que o
sensibiliza e o liga ao mundo.
• A produção de notícias baseia-se na ligação,
 mesmo    que       pequena   e   elementar,   entre
 produtor e receptor. Isso cria a ponte entre
 experiência    e    comunicação    que   torna   a
 recepção da informação possível.

O capital da noticia

  • 1.
    O Capital daNotícia II. Imprensa e Estruturação Econômica da sociedade.
  • 2.
    “O Leitor torna-seum objeto do mercado que paga até mesmo pelo papel no qual ele é embrulhado.” Prospekt-Tageszeitung
  • 3.
    O caráter demercadoria da Informação • O saber tradicional • Valor de Uso e de Troca da Notícia • Imprensa e capitalismo • Marketing no jornalismo • Jornalismo e Literatura
  • 4.
    O saber tradicional •Friedrich Geyrhofer investiga a fundação da informação na sociedade atual a partir de sua comparação com outras formas de cultura; •Ele compara A Igreja com uma Universidade: O sacerdote e o professor sabem algo que é, primeiramente, inacessível aos estudantes e aos leigos. Não é o conteúdo, mas a autoridade do sabedor que o define.
  • 5.
    •O Jornal separaa informação prática (vendável) do conjunto de fatos e dados culturais. Ele trabalha com o que é imediato e direto, separando o “disseminável” do absorvível; O professor professa. O jornalista informa. •Informação é poder. No jogo do poder estão implícitas as relações de dominação. O saber é negociável e serve como moeda para a ascensão na sociedade. Ex.: Os escribas eram privilegiados nas antigas sociedades.
  • 6.
    •A “Queima deArquivo” nos dias atuais seriam as liquidações sumárias dos “mais informados” na antiguidade; •A informação passa a ser usada como instrumento de opressão. O saber secreto passa a ser uma arma; •Informação significa Status.
  • 7.
    Valor de Usoe de Troca da Notícia •Marx dizia que as notícias são a forma elementar de riqueza no capitalismo e que elas são um tipo de mercadoria; •O jornal é produzido para a venda. Seu produto são as informações transformadas em notícias. Uma informação pura e simples não tem valor antes de sua transformação; •Algo só se transforma em notícia se há alguém que pode destacar os aspectos positivos ou negativos do fato ocorrido.
  • 8.
    •O valor deuso não é somente a notícia e a informação, e o valor de troca não é somente a compra. As duas esferas se mesclam em alguns casos.
  • 9.
    •Para o consumidor,o valor de uso se concretiza na compra do jornal e com a sua leitura, quando ocorre o uso propriamente dito do jornal; •A mercadoria notícia é uma das mais perecíveis e seu valor de uso cai rapidamente; •Para o editor, o valor só se realiza na troca, a obtenção do dinheiro. Para ele, o valor de uso é apenas um meio para a concretização do seu valor de troca.
  • 10.
    Imprensa e capitalismo •No capitalismo, a imprensa é uma mercadoria. A ilusão, segundo Geyrhofer, é acreditar em um jornalismo objetivo; • Na teoria, uma sociedade não capitalista nos levaria a um jornalismo menos alienado e manipulador. Ou seja, um jornalismo não manipulador é uma utopia. • Não há como se libertar da forma capitalista de se fazer uma matéria. O que haveria é a mudança no tratamento
  • 11.
    Marketing no jornalismo Quando falamos de jornalismo como atividade econômica, há duas maneiras de atuar para o público: 3.Uma atuação arrojada, construtora de opinião crítica, com novas ideias e participação política; 5.Atuar de acordo com o que é dado e esperado. (Marketing Jornalístico) • No primeiro caso, o receptor “estranha “o que é “novo”, pois acha que seu universo é “ameaçado”. Esta maneira geralmente gera insegurança e a primeira reação pode ser a rejeição imediata.
  • 12.
    •No segundo caso,não há ruptura de padrões,nem crise com o leitor. É apenas uma confirmação de informação; •A Mercadologia no jornalismo é vender a notícia como se ela fosse uma mercadoria qualquer; •O marketing nessa área investe em pesquisas e na atividade publicitária, ou seja, maior possibilidade de vendas. O foco nesta indústria também é o lucro.
  • 13.
    •A estratégia parase obter este lucro é a empresarial, orientando a linha editorial e a programação do jornal. •A pesquisa mercado lógica no jornalismo é um Copy- Test. Esta técnica investiga as notícias mais observadas pelo leitor, o produto indispensável; •Esta é a orientação do “correr atrás” do que está na moda, trata-se do oportunismo e do populismo. A massa receptora é quem menos ganha com esse tipo de orientação jornalística.
  • 14.
    •Criticar o marketing não significa desconsiderar a importância do público ou do consumidor, pois ele são a fonte de sobrevivência da imprensa. Porém isso não justifica a abdicação da imprensa do papel de agente político em troca de noticiar aquilo que já é esperado apenas por razões de lucro imediato.
  • 15.
    Jornalismo e Literatura •Marx questiona se as grandes lendas épicas não desapareceriam com as novas tecnologias de produção jornalística, ele afirma que a imprensa de massa acabaria com as condições necessárias para que elas existissem. •Isso não é ligado apenas às técnicas, mas sim a apropriação do trabalho e da criação humana. Tais produções são marginalizadas na produção comercial do jornal. •Para se afirmar como “produção independente”, a literatura tentou fugir da estagnação da linguagem imposta pelo jornalismo.
  • 16.
    •A poesia ea literatura não se subordinam à ditadura das formas jornalísticas e a lógica da mercadoria que trabalha com o facilmente inteligível, com o direto e “mastigado”. Elas são uma expressão subjetiva, um manifesto humano; •Na elaboração de notícias não há espaço para o indivíduo, o para o ser humano com um criador de informação.
  • 17.
    As Formas deencobrimento e falseamento  O jogo com o texto noticioso • A fragmentação da realidade • A personificação dos processos sociais • Outros Processos  O uso da linguagem e da técnica  A política do destaque e da supressão de informações
  • 18.
    As Formas deencobrimento e falseamento •A edição de uma matéria é o principal modo de manipulação. É nessa fase que se opera a adaptação ideológica da notícias e sua estruturação com fins de interesse de classe e valorização; •Normalmente, este falseamento não é intencional. Na maior parte das vezes ele vem da forma que o jornalista estrutura os fatos, de maneira inconsciente.
  • 19.
    •A uniformização danotícia no estilo do jornal pode moldá-la ideologicamente. As normalizações técnicas de como fazer uma notícia tiram grande parte do potencial crítico que ela pode vir a ter; •O Autor caracteriza três formas de falsear ou encobrir uma notícia: Visão Fragmentada Uso das técnicas de linguagem Sonegação das informações indesejáveis
  • 20.
    O jogo como texto noticioso – A fragmentação da realidade •O Autor pega o conceito de Alienação de Marx e o une ao conceito de Fracionamento de Atividade Primitiva de Brückener para gerar o conceito de “Consciência Dividida”. O trabalhador não reconhece o produto final como uma “obra sua”; •Conceitos como Estado Moral e Igreja não são obras da humanidade, estes conceitos têm vida própria.
  • 21.
    •A consciência eo relacionamento do indivíduo são mediados pelo processo fragmentador; •A fragmentação (disposição do mundo numa perspectiva burguesa) produz mentalidades fragmentadas que veem o contexto social (realidade) sem nexo e ordem; •Para uma mente fragmentada, uma notícia fragmentada.
  • 22.
    •Na notícia fragmentadaos fato não tem lógica entre si. Não tem algo que os explique. A fragmentação indica imediaticidade; •A produção d notícias fragmentadas é uma técnica mercadológica. Apaga-se o contexto histórico e social da notícia e ela é colocada no mercado com determinados aspectos destacados. Não é transmitido um processo de trabalho. É um fato sem origem e vinculação com algo que o explique.
  • 23.
    •O contexto danoticia é dividido e transmitido a um público que não consegue selecionar os fotos fragmentados e entendê-los no contexto original; •A história da notícia é compartimentada, reduzida a fragmentos desconexos para que o público não consiga analisar o processo de evolução da notícia; •Isto também acontece na política e na história. A Fragmentação da estrutura da notícia torna o homem inconsciente de sua dominação.
  • 24.
    A personificação dosprocessos sociais • A Personalização dos fatos e das notícias está associada à intimização das questões públicas, banalização dos fatos e do culto à personalidade; •Está técnica faz o público questionar as vantagens e as desvantagens das pessoas e não as condições do sistema social; •Os fatos não tem relação com a realidade.
  • 25.
    •A fragmentação pode ser interpretada com um estratégia: “ dividir para vender mais”; •O Autor salienta que a história não é feita de grande nomes, apenas. Os grandes nomes faziam parte de uma classe e defendiam seus interesses. Quando os historiadores os separam da classe de origem eles a isentam de culpa. A guerra não é o interesse de uma classe e sim de uma única pessoa, com se ela possuísse poderes sobre naturais e se impusesse diante da sociedade como um todo.
  • 26.
    •Um exemplo destasituação é o populismo na América Latina: Políticos como figuras fortes, paternais e populares; •Isto cria a ideologia do destino - os problemas não têm uma organização específica, eles simplesmente “caem do céu”; •A personificação “positiva” como produto, é a perseguição dos agentes dos males sociais. Os bodes expiatórios.
  • 27.
    •O Bode Expiatórioserve para pregar a desconfiança e a falta de solidariedade. Tem um efeito ideológico; •O Terrorismo é um filho da ideologia da notícia. Seria uma maneira de divulgar de maneira forçada uma notícia; •Grupos extremistas utilizam de ataques terroristas, porém causam uma reação oposta da população e do governo, que responde com um bloqueio de notícias.
  • 28.
    • Neste processoa política se separa da população e se torna um assunto apenas de especialistas; • A personificação, aliada à fragmentação desinforma as pessoas; • A notícia passa a ser dada com algo para o entretenimento e recreação para as horas vagas.
  • 29.
    Outros Processos •A falsidade também é outra técnica deturpar a realidade em uma notícia; •A Burguesia manipula os fatos, selecionando as fontes convenientes e as favorecem de acordo com a sua perspectiva; •As fontes geralmente “são as testemunhas da multidão histórica” e seus depoimentos são distorcidos.
  • 30.
    • A Saturaçãopara se animar o consumo e ondas de opinião, histerias públicas e mitologias ideológicas são divulgadas nos veículos de massa; • A Polarização de conceitos e o maniqueísmo forçam ao leitor a optar entre dois extremos. Bem e Mal, Certo e Errado.
  • 31.
    O uso dalinguagem e da técnica •O uso de linguagens técnicas com um tom oficial em formulações anônimas favorecem um comportamento receptivo da população; •A notícia que se utiliza destes artifícios passa imagens neutras e sociais, mas na maioria das vezes possuem tom direto, restritivo e imperativo; •O uso de termos técnicos, gráficos e tabelas, onde as informações podem ser encobertas e manipuláveis dificultam o entendimento.
  • 32.
    •A “técnica redacional”é quem opera a transformação da notícia nos padrões da empresa. •A padronização do pensamento e da redação do jornal e a submissão delas ao “modo de exposição” ou “estilo do jornal” podem ser caracterizados como deturpação da notícia •A subimissão dos fatos à uma ordem, o faz perder seu caráter explosivo. Esta padronização domestica o jornal. •Isto atravessa vários filtros. O primeiro é quando editor decide o enfoque, o assunto da notícia e o que é conveniente ser mencionado no jornal.
  • 33.
    A política dodestaque e da supressão de informações •As formas anteriores de distorção não são exclusivas do jornalismo e podem ser usadas num discurso geral para adaptá-lo à interesse ou conveniências; •A pauta reflete apenas o que está acontecendo ou o que preocupa o público em geral, porém numa segunda análise ela pode refletir muito mais do que os jornais estão publicando.
  • 34.
    •O Jornalista extraida matéria o que lhe interessa ou interessa aos leitores e transforma isso em notícia. Da realidade é extraída a “parte útil”, segundo a avaliação de objetivos particulares; •O Editor decide o enfoque, o tamanho (em linhas), o tamanho do título e a colocação na página. Está nas mãos do editor a definição política de como a matéria vai repercutir na sociedade.
  • 35.
    •O Editor podetransformar algo pequeno em um escândalo e abafar um fato importante. Ele traduz e transforma a realidade, a adaptando de acordo com suas convicções. Ele trabalha a opinião pública. Esta intervenção é chamada de Downplay; •Nesta forma de manipulação há uma intervenção direcionada a reprodução dos fatos sociais e históricos.
  • 36.
    •O papel dojornal, aqui, não é noticiar, informar, divulgar o que interessa, mas moldar, esticar e comprimir os fatos para a sociedade. Montar uma segunda natureza dos fatos sociais, muitas vezes opostas à verdadeira natureza das coisas reais; •Jornalismo não é divulgar as notícias orientadas ideologicamente, mas redimensionar os fatos de acordo com uma natureza artificial. É criado um outro mundo, com outros fatos e outras atribuições de importância. O produto é a Cristalização Ideológica.
  • 37.
    Telejornalismo •Alémde obedecer as técnicas gerais de produção e distorção dos fatos, o telejornalismo tem alguns aspectos adicionais que reforçam a superficialização da transmissão dos fatos e recepção acrítica; •No jornal impresso, a capa é como uma vitrine, onde os artigos são expostos separadamente para a venda do jornal. No telejornalismo não há primeira página e manchetes na ruas para chamar a atenção das pessoas; •O que existe são as pequenas chamadas durante a programação que convida o público para assistirem o jornal.
  • 38.
    •O consumo dotelejornal é prefixado no espaço e é determinado à ele um horário na programação. Ele se preocupa em cativar a audiência daquele horário da programação e com isso perde a sua possibilidade de “venda”; •A produção deste tipo de jornal obedece a critérios de atratividade e interesse. Os elementos de fragmentação e personalização devem ser radicais. Só elementos e peças soltas.
  • 39.
    •A manipulação ocorrecom mais facilidade na escolha do destaque, do enfoque e na expressão do apresentador; •A televisão transmite a ilusão da verdade utilizando imagens que garantem o estatuto de verdade absoluta e inocenta a deturpação; •A notícia tem um status de espetáculo, propagandismo e de circo de atrações.
  • 40.
    •O cenário, oapresentador e as informações paralelas produzidas para o veículo formam o pano de fundo neutralizador do telejornalismo; •Mesmo que as notícias sejam de caráter anticapitalista, elas funcionam para vender o jornal e garantir o lucro. •O valor de troca se concretiza no telejornalismo com a audiência. E no telespectador se desligar dos próprios problemas e ver uma oferta mínima no programa que o sensibiliza e o liga ao mundo.
  • 41.
    • A produçãode notícias baseia-se na ligação, mesmo que pequena e elementar, entre produtor e receptor. Isso cria a ponte entre experiência e comunicação que torna a recepção da informação possível.