O alienista,
de Machado de Assis
    Manoel Neves
O ENREDO, 01
                    de como Itaguaí ganhou uma casa de Orates
  Simão Bacamarte, 34, maior médico do Brasil, de Portugal e das Espanhas, volta à Itaguaí para
exercer a medicina; casa-se com a viúva [não bonita, nem simpática] Dona Evarista; como ninguém
se importava c/ os loucos da cidade, pensa em metê-los todos numa casa para estudar a loucura:
 A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, encontrou grande resistência, tão certo é que
 dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus. A idéia de meter os loucos na
 mesma casa, vivendo em comum, parece em si mesma uma sintoma de demência e não faltou
 quem o insinuasse à própria mulher do médico.
 Padre Lopes acha que a saúde de Bacamarte está abalada pelos estudos e insinua isso a Evarista;
 Simão consegue convencer a cidade a criar o hospício – a dificuldade foi encontrar uma taxa que
 subsidiasse a instituição [Casa Verde]; a inauguração é feita com muita festa; no pórtico da Casa,
 há uma frase que alude ao fato de os loucos serem veneráveis, devido ao fato de que Deus lhes
 tirou o entendimento para que não pecassem; Simão atribui a frase [do Alcorão] a Benedito VII.
O ENREDO, 02
                                     torrentes de loucos
  Bacamarte explica ao boticário Crispim Soares que sua atitude não é caridade – seu intento é
 estudar a loucura, classificar-lhe os casos e descobrir a cura universal; em 4 meses, a casa lota;
  alguns loucos: estrela d’alva, deus joão, da mania de discursos, o que busca o fim do mundo;
  o narrador insinua que a paciência de Simão era mais extraordinária do que todas as manias
 alojadas na casa verde; paralelamente ao tratamento dos doentes, Bacamarte lê sábios árabes e
                                   dá pouca atenção à mulher.

                                    O ENREDO, 03
                                     Deus sabe o que faz
 Sentindo-se preterida pelo trabalho do marido, Evarista externa seu sofrimento com uma frase:
 Quem diria que meia dúzia de lunáticos? Bacamarte mostra-lhe as contas e o quanto o hospício
estava rendendo; a esposa fica estupefata e o médico diz: Quem diria que meia dúzia de lunáticos?
   o médico sugere que a mulher vá ao RJ passear e ela aceita [vai com a esposa do boticário].
O ENREDO, 04
                                      uma nova teoria
 Crispim Soares está arrependido de ter deixado a mulher ir ao RJ com a esposa de Bacamarte;
entretanto, fica exultante por haver sido chamado pelo amigo, que quer lhe expor sua nova teoria
acerca da loucura: a loucura, objeto de meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano
 da razão, começo a suspeitar que é um continente; Padre Lopes vê os limites muito bem claros;
              Bacamarte vê uma tênue fronteira entre a normalidade e insanidade.

                                    O ENREDO, 05
                                     torrente de loucos
                     o ritmo e o volume de internações consternam Itaguaí
  novos casos: Costa [perdulário], Tia do Costa [supersticiosa]; Mateus, o albardeiro [vaidade];
acredita-se que com a volta de Dona Evarista, o marido perderá o ímpeto; a cidade recebe-a com
                      uma suntuosa festa, mas as internações continuam;
  outros casos: Martins Brito [arroubos retóricos], Bernardes [cortesia], Coelho [muito chato].
O ENREDO, 06
                                          a rebelião
 o barbeiro Porfírio Canjica lidera uma revolta popular e pede à Câmara que feche a Casa Verde;
os vereadores não aceitam os argumentos dos revoltosos e dizem que o hospício não possui mais
financiamento público; alguém diz que a Casa Verde era a bastilha da razão humana; subitamente
  há adesão popular; alguns vereadores mudam de lado; Dona Evarista, que trouxe 37 peças de
roupa do RJ, fica com medo da rebelião; Bacamarte aguarda serenamente a chegada de Porfírio:
Foi nesse momento decisivo que o barbeiro sentiu despertar em si a ambição do governo;
pareceu-lhe então que, demolindo a Casa Verde e derrocando a influência do alienista, chegaria
a apoderar-se da Câmara, dominar as demais autoridades e constituir-se senhor de Itaguaí.
                chegam os dragões imperiais, vindos do RJ, para conter a revolta
O ENREDO, 07
                                         o inesperado
subitamente os dragões imperiais passam para o lado dos rebelados; vitorioso, Porfírio faz uma
aclamação ao povo, destitui a Câmara e empunha uma espada como se fosse uma navalha mais
   cumprida; na aclamação, nada se fala sobre a Casa Verde; pede uma celebração ao padre.

                                    O ENREDO, 08
                                 as angústias do boticário
a queda iminente de Bacamarte angustia Crispim Soares: seu dilema – fica ao lado de Simão ou
        passa para o lado dos revoltosos; depois de fingir estar doente, adere à rebelião.

                                    O ENREDO, 09
                                       dois lindos casos
  Porfírio, aclamado pelo povo e dono do poder, vai à Casa Verde, mas não ameaça o alienista:
O governo reconhece que a questão é puramente científica e não cogita em resolver com
posturas as questões científicas. Demais, a Casa Verde é uma instituição pública: tal a aceitamos
das mãos da Câmara dissolvida.
     os dois casos são: 1) barbeiro [duplicidade e descaramento]; 2) povo [doença mental].
O ENREDO, 10
                                        restauração
Simão manda prender 50 dos aclamadores do novo regime e Porfírio consente; explode, então,
 uma nova revolta, liderada por outro barbeiro – João Pina; rapidamente ocorre a restauração;
 com esta são presos, além dos defensores do regime, o próprio Porfírio, o vereador Sebastião
Freitas [mudou de lado depois de ouvir a frase: a Casa Verde era a bastilha da razão humana];
 são presos ainda Crispim Soares [inconsistência de opiniões] e Evarista [mania sumptuária]; a
Casa Verde passa a abrigar 75% da população de Itaguaí, pois não há mais regra para a loucura.

                                   O ENREDO, 11
                                  o assombro de Itaguaí
Simão divulga um documento e solta todos os que estavam na Casa Verde; declara, então, que
ninguém detém o perfeito equilíbrio das faculdades mentais; a Ciência trabalha com exceções e
ela não pode estar errada; agora só irão para a Casa Verde os possuírem perfeito equilíbrio das
faculdades mentais; Bacamarte envia um ofício com seis parágrafos à Câmara; a cidade exulta.
O ENREDO, 12
                                       o final do § 4
  de acordo com o narrador, o povo comemorou a soltura dos internos da Casa Verde, mas se
  esqueceu da resolução do final do § 4, que dizia que todas as pessoas sãs seriam internadas.

                                   O ENREDO, 13
                                          plus ultra
Simão cura os virtuosos da cidade, incutindo neles um defeito oposto à sua virtude; solta todos
os internos; descobre com pesar que ele era a única pessoa dotada de perfeito juízo em Itaguaí e
  se interna na Casa Verde; não consegue a cura para sua doença e morre, totalmente louco,
                                       17 meses depois.
O ALIENISTA
                                     aspectos temáticos

                            o discurso machadiano
ao pôr um homem de ciência no centro das atenções de sua novela e revelar seu modus operandi,
       Machado se apropria parodicamente do discurso cientificista de fins do século XIX.

                                   ironia e sátira
     o objetivo é ler criticamente o cientificismo que estava em voga no final do século XIX;
 ao final da novela, o que fica é a constatação de que o único alienado era realmente o alienista.
O ALIENISTA
          aspectos temáticos

               temas
ciência         poder          loucura
O ALIENISTA
                                      aspectos temáticos

                                           a ciência
                  visão elitista                                    visão popular

                  cientificismo                                  Padre Lopes e povo
    ao homem de ciência tudo é permitido             medo do homem que recolhido aos estudos
    a ciência é mais importante que a moral                isso pode ser sinal de demência

                             a paródia do cientificismo
                     é feito por intermédio da personagem Simão Bacamarte
[trecho do Alcorão no frontispício da Casa Verde + consulta aos autores árabes + uso da estatística]
O ALIENISTA
                                    aspectos temáticos

                                             o poder
                 Bacamarte                                          A política

          01: arma de fogo antiga                    Porfírio se insurge contra a Casa Verde
       02: é filho da nobreza da terra                    almeja, entretanto, ao poder;
   03: está instituído do Poder da Ciência          os vereadores agem em interesse próprio

                                  Bacamarte neles!
                   investido do poder dado pela Ciência, aterroriza Itaguaí;
paradoxalmente, seu nome alude a um apóstolo e ao protótipo dos loucos [Napoleão Bonaparte]
O ALIENISTA
                                    aspectos temáticos

                                         a loucura
               é o alienista quem decide os limites entre a loucura e a sanidade;
ao mostrar o modo como Bacamarte encara os cultores de charadas e enigmas, o narrador deixa
 claro que, para o psiquiatra, a loucura é qualquer extravasamento da subjetividade – qualquer
gesto em que o eu se afasta da média; a sanidade, por sua vez, seria a forma pura da aparência
  pública e alheia a qualquer movimento interior: eis as almas exterior e interior delimitadas.

Análise de o alienista

  • 1.
    O alienista, de Machadode Assis Manoel Neves
  • 2.
    O ENREDO, 01 de como Itaguaí ganhou uma casa de Orates Simão Bacamarte, 34, maior médico do Brasil, de Portugal e das Espanhas, volta à Itaguaí para exercer a medicina; casa-se com a viúva [não bonita, nem simpática] Dona Evarista; como ninguém se importava c/ os loucos da cidade, pensa em metê-los todos numa casa para estudar a loucura: A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus. A idéia de meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum, parece em si mesma uma sintoma de demência e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico. Padre Lopes acha que a saúde de Bacamarte está abalada pelos estudos e insinua isso a Evarista; Simão consegue convencer a cidade a criar o hospício – a dificuldade foi encontrar uma taxa que subsidiasse a instituição [Casa Verde]; a inauguração é feita com muita festa; no pórtico da Casa, há uma frase que alude ao fato de os loucos serem veneráveis, devido ao fato de que Deus lhes tirou o entendimento para que não pecassem; Simão atribui a frase [do Alcorão] a Benedito VII.
  • 3.
    O ENREDO, 02 torrentes de loucos Bacamarte explica ao boticário Crispim Soares que sua atitude não é caridade – seu intento é estudar a loucura, classificar-lhe os casos e descobrir a cura universal; em 4 meses, a casa lota; alguns loucos: estrela d’alva, deus joão, da mania de discursos, o que busca o fim do mundo; o narrador insinua que a paciência de Simão era mais extraordinária do que todas as manias alojadas na casa verde; paralelamente ao tratamento dos doentes, Bacamarte lê sábios árabes e dá pouca atenção à mulher. O ENREDO, 03 Deus sabe o que faz Sentindo-se preterida pelo trabalho do marido, Evarista externa seu sofrimento com uma frase: Quem diria que meia dúzia de lunáticos? Bacamarte mostra-lhe as contas e o quanto o hospício estava rendendo; a esposa fica estupefata e o médico diz: Quem diria que meia dúzia de lunáticos? o médico sugere que a mulher vá ao RJ passear e ela aceita [vai com a esposa do boticário].
  • 4.
    O ENREDO, 04 uma nova teoria Crispim Soares está arrependido de ter deixado a mulher ir ao RJ com a esposa de Bacamarte; entretanto, fica exultante por haver sido chamado pelo amigo, que quer lhe expor sua nova teoria acerca da loucura: a loucura, objeto de meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão, começo a suspeitar que é um continente; Padre Lopes vê os limites muito bem claros; Bacamarte vê uma tênue fronteira entre a normalidade e insanidade. O ENREDO, 05 torrente de loucos o ritmo e o volume de internações consternam Itaguaí novos casos: Costa [perdulário], Tia do Costa [supersticiosa]; Mateus, o albardeiro [vaidade]; acredita-se que com a volta de Dona Evarista, o marido perderá o ímpeto; a cidade recebe-a com uma suntuosa festa, mas as internações continuam; outros casos: Martins Brito [arroubos retóricos], Bernardes [cortesia], Coelho [muito chato].
  • 5.
    O ENREDO, 06 a rebelião o barbeiro Porfírio Canjica lidera uma revolta popular e pede à Câmara que feche a Casa Verde; os vereadores não aceitam os argumentos dos revoltosos e dizem que o hospício não possui mais financiamento público; alguém diz que a Casa Verde era a bastilha da razão humana; subitamente há adesão popular; alguns vereadores mudam de lado; Dona Evarista, que trouxe 37 peças de roupa do RJ, fica com medo da rebelião; Bacamarte aguarda serenamente a chegada de Porfírio: Foi nesse momento decisivo que o barbeiro sentiu despertar em si a ambição do governo; pareceu-lhe então que, demolindo a Casa Verde e derrocando a influência do alienista, chegaria a apoderar-se da Câmara, dominar as demais autoridades e constituir-se senhor de Itaguaí. chegam os dragões imperiais, vindos do RJ, para conter a revolta
  • 6.
    O ENREDO, 07 o inesperado subitamente os dragões imperiais passam para o lado dos rebelados; vitorioso, Porfírio faz uma aclamação ao povo, destitui a Câmara e empunha uma espada como se fosse uma navalha mais cumprida; na aclamação, nada se fala sobre a Casa Verde; pede uma celebração ao padre. O ENREDO, 08 as angústias do boticário a queda iminente de Bacamarte angustia Crispim Soares: seu dilema – fica ao lado de Simão ou passa para o lado dos revoltosos; depois de fingir estar doente, adere à rebelião. O ENREDO, 09 dois lindos casos Porfírio, aclamado pelo povo e dono do poder, vai à Casa Verde, mas não ameaça o alienista: O governo reconhece que a questão é puramente científica e não cogita em resolver com posturas as questões científicas. Demais, a Casa Verde é uma instituição pública: tal a aceitamos das mãos da Câmara dissolvida. os dois casos são: 1) barbeiro [duplicidade e descaramento]; 2) povo [doença mental].
  • 7.
    O ENREDO, 10 restauração Simão manda prender 50 dos aclamadores do novo regime e Porfírio consente; explode, então, uma nova revolta, liderada por outro barbeiro – João Pina; rapidamente ocorre a restauração; com esta são presos, além dos defensores do regime, o próprio Porfírio, o vereador Sebastião Freitas [mudou de lado depois de ouvir a frase: a Casa Verde era a bastilha da razão humana]; são presos ainda Crispim Soares [inconsistência de opiniões] e Evarista [mania sumptuária]; a Casa Verde passa a abrigar 75% da população de Itaguaí, pois não há mais regra para a loucura. O ENREDO, 11 o assombro de Itaguaí Simão divulga um documento e solta todos os que estavam na Casa Verde; declara, então, que ninguém detém o perfeito equilíbrio das faculdades mentais; a Ciência trabalha com exceções e ela não pode estar errada; agora só irão para a Casa Verde os possuírem perfeito equilíbrio das faculdades mentais; Bacamarte envia um ofício com seis parágrafos à Câmara; a cidade exulta.
  • 8.
    O ENREDO, 12 o final do § 4 de acordo com o narrador, o povo comemorou a soltura dos internos da Casa Verde, mas se esqueceu da resolução do final do § 4, que dizia que todas as pessoas sãs seriam internadas. O ENREDO, 13 plus ultra Simão cura os virtuosos da cidade, incutindo neles um defeito oposto à sua virtude; solta todos os internos; descobre com pesar que ele era a única pessoa dotada de perfeito juízo em Itaguaí e se interna na Casa Verde; não consegue a cura para sua doença e morre, totalmente louco, 17 meses depois.
  • 9.
    O ALIENISTA aspectos temáticos o discurso machadiano ao pôr um homem de ciência no centro das atenções de sua novela e revelar seu modus operandi, Machado se apropria parodicamente do discurso cientificista de fins do século XIX. ironia e sátira o objetivo é ler criticamente o cientificismo que estava em voga no final do século XIX; ao final da novela, o que fica é a constatação de que o único alienado era realmente o alienista.
  • 10.
    O ALIENISTA aspectos temáticos temas ciência poder loucura
  • 11.
    O ALIENISTA aspectos temáticos a ciência visão elitista visão popular cientificismo Padre Lopes e povo ao homem de ciência tudo é permitido medo do homem que recolhido aos estudos a ciência é mais importante que a moral isso pode ser sinal de demência a paródia do cientificismo é feito por intermédio da personagem Simão Bacamarte [trecho do Alcorão no frontispício da Casa Verde + consulta aos autores árabes + uso da estatística]
  • 12.
    O ALIENISTA aspectos temáticos o poder Bacamarte A política 01: arma de fogo antiga Porfírio se insurge contra a Casa Verde 02: é filho da nobreza da terra almeja, entretanto, ao poder; 03: está instituído do Poder da Ciência os vereadores agem em interesse próprio Bacamarte neles! investido do poder dado pela Ciência, aterroriza Itaguaí; paradoxalmente, seu nome alude a um apóstolo e ao protótipo dos loucos [Napoleão Bonaparte]
  • 13.
    O ALIENISTA aspectos temáticos a loucura é o alienista quem decide os limites entre a loucura e a sanidade; ao mostrar o modo como Bacamarte encara os cultores de charadas e enigmas, o narrador deixa claro que, para o psiquiatra, a loucura é qualquer extravasamento da subjetividade – qualquer gesto em que o eu se afasta da média; a sanidade, por sua vez, seria a forma pura da aparência pública e alheia a qualquer movimento interior: eis as almas exterior e interior delimitadas.