“O alienista” -
Machado de Assis
Profª Giulia Liuti
Informações básicas
Título: O Alienista, 1882
Autor: Machado de Assis
Contexto: Realismo literário brasileiro
Importância da obra: considerada uma das
principais obras da literatura brasileira
Contexto histórico-social
● Realismo literário brasileiro:
movimento que buscava
retratar a realidade brasileira
de forma objetiva e crítica
● Sociedade brasileira da
época: marcada por grandes
mudanças políticas e sociais
● Influência da ciência e da
medicina: o positivismo e a
medicina científica estavam
em ascensão
Contexto histórico-social
● "O Alienista" é uma das obras mais célebres de Machado de
Assis, publicada originalmente em 1882 na revista A Estação, e
mais tarde incluída na coletânea Papéis Avulsos. Trata-se de
uma novela satírica que utiliza a figura do médico Simão
Bacamarte para fazer uma crítica à ciência, à razão exacerbada
e às instituições sociais. Ambientada na fictícia cidade de
Itaguaí, a narrativa mescla humor e ironia para questionar os
limites entre loucura e sanidade, e entre poder e autoritarismo.
Contexto histórico-social
● O livro foi escrito durante o período do Realismo no Brasil,
corrente literária que Machado de Assis ajudou a consolidar.
Publicado apenas um ano após Memórias Póstumas de Brás
Cubas, "O Alienista" reflete o amadurecimento do autor e sua
adesão às características realistas: crítica social, análise
psicológica e linguagem irônica. O século XIX foi um tempo de
grande avanço científico e valorização do racionalismo, mas
também de conflitos em torno do papel da ciência e da
autoridade. Machado se vale disso para criar uma sátira ao
cientificismo, questionando o uso arbitrário do saber como
instrumento de dominação.
Enredo e desenvolvimento
A narrativa gira em torno do Dr. Simão Bacamarte, um médico renomado que decide estudar as
doenças mentais. Para isso, constrói a Casa Verde, um hospício onde interna aqueles que julga
insanos. No início, suas decisões são aceitas pela população, mas, aos poucos, Bacamarte começa
a demonstrar critérios cada vez mais arbitrários, internando pessoas por motivos triviais ou
subjetivos. O caos se instala em Itaguaí quando até os mais sensatos passam a ser considerados
loucos. Em determinado momento, ocorre uma revolta contra o médico, mas Bacamarte a
neutraliza e, ironicamente, interna os revoltosos por desvio de conduta. No clímax da obra, o
médico decide que os verdadeiros doentes são os normais e passa a internar
apenas os equilibrados. No final, em um ato de autocrítica extrema,
ele conclui ser o mais são de todos — o que, para ele, é um sinal de
desequilíbrio — e interna a si próprio. Pouco depois, morre.
Personagens
● Simão Bacamarte: Protagonista da novela, é um médico com
prestígio científico, mas com crescente obsessão por
compreender e classificar a loucura. Sua busca por ordem e
controle revela traços autoritários e paranoicos.
● Dona Evarista: Esposa de Bacamarte, escolhida por ele com
base em critérios científicos. Sua presença serve como
símbolo da tentativa de racionalizar até mesmo os afetos
humanos.
● Crispim Soares: Boticário e amigo de Bacamarte, representa
o cidadão comum que, apesar da proximidade com o
médico, também sofre com suas decisões.
Personagens
● Padre Lopes e Costa: Outros habitantes de
Itaguaí que ilustram a passividade ou
submissão frente ao poder.
● Porfírio: Líder popular que organiza uma
revolta contra Bacamarte, representando a
insatisfação popular diante do autoritarismo
travestido de ciência.
Questões centrais
louco x sadio
A obra subverte a noção de
normalidade e mostra como
essa classificação pode ser
manipulada segundo interesses
de poder.
Crítica à ciência positivista :
Machado ironiza o
cientificismo da época,
alertando para os perigos da
racionalização extrema.
Ironia e ambiguidade
A narração impessoal e
irônica faz o leitor
desconfiar constantemente
do que está sendo dito,
forçando-o a interpretar
além da superfície.
Poder e Autoritarismo
A figura do médico-cientista se
torna um símbolo de tirania,
mostrando como o discurso
científico pode ser usado como
ferramenta de dominação.
A hipocrisia da
sociedade
A passividade dos cidadãos de
Itaguaí reflete uma crítica à
alienação social diante do abuso
de poder.
Trabalho
Trabalho
Resposta esperada: Em Teoria do Medalhão, um pai dá conselhos ao
filho, Janjão, sobre como ser bem-sucedido em sua sociedade. Ser um
medalhão é estar em posição de destaque, de prestígio, é distinguir-se
dos demais, é ter seu nome em relevo e, por isso mesmo, ser tratado
com deferência pelos outros. Porém, como essa sociedade vive pela
aparência e tenta, a todo custo, preservar a tradição, ser medalhão
significa não ter ideias próprias e não agir pela razão, já que isso pode
subverter a ordem social estabelecida e quebrar a tradição. Ser
medalhão, então, é entregar-se à tradição e ao conhecimento já
estabelecido. O medalhão fino é aquele que renuncia à possibilidade de
ter ideias próprias para não sucumbir à tentação de ser traído pelo seu
intelecto independente.
Trabalho
Resposta esperada: Em O Alienista, Simão Bacamarte constrói um asilo chamado
Casa Verde em Itaguaí, onde recolhe os loucos da cidade. Sua finalidade é
estabelecer as bases científicas entre a sanidade e a loucura. Simão Bacamarte é um
homem que vive para a ciência. Ele ignora também as máximas de um bom convívio
social. Por isso, coleciona muitos desafetos ao longo do conto, perde seu prestígio e a
população se revolta. Como se percebe, há vários argumentos que mostram que
Simão Bacamarte não pode ser considerado um “medalhão”. Simão Bacamarte tem
como primazia a razão, o que torna seu convívio social deficitário e frio. Ser medalhão
implica justamente negar a razão e fortalecer os relacionamentos sociais, para tirar
proveito deles. Ora, Simão Bacamarte foi o pivô da rebelião dos Canjicas justamente
porque não tinha como finalidade manter um convívio social estável, mas sim
promover o espírito humano por meio da razão, da inovação do pensamento. Com
suas ideias científicas inovadoras, promove o caos social. Dessa forma, os interesses
e o modus operandi do pai em Teoria do Medalhão e de Simão Bacamarte em O
Alienista são totalmente distintos, o que nega ser este último um medalhão.

A loucura e poder em O Alienista de Machado

  • 1.
    “O alienista” - Machadode Assis Profª Giulia Liuti
  • 2.
    Informações básicas Título: OAlienista, 1882 Autor: Machado de Assis Contexto: Realismo literário brasileiro Importância da obra: considerada uma das principais obras da literatura brasileira
  • 3.
    Contexto histórico-social ● Realismoliterário brasileiro: movimento que buscava retratar a realidade brasileira de forma objetiva e crítica ● Sociedade brasileira da época: marcada por grandes mudanças políticas e sociais ● Influência da ciência e da medicina: o positivismo e a medicina científica estavam em ascensão
  • 4.
    Contexto histórico-social ● "OAlienista" é uma das obras mais célebres de Machado de Assis, publicada originalmente em 1882 na revista A Estação, e mais tarde incluída na coletânea Papéis Avulsos. Trata-se de uma novela satírica que utiliza a figura do médico Simão Bacamarte para fazer uma crítica à ciência, à razão exacerbada e às instituições sociais. Ambientada na fictícia cidade de Itaguaí, a narrativa mescla humor e ironia para questionar os limites entre loucura e sanidade, e entre poder e autoritarismo.
  • 5.
    Contexto histórico-social ● Olivro foi escrito durante o período do Realismo no Brasil, corrente literária que Machado de Assis ajudou a consolidar. Publicado apenas um ano após Memórias Póstumas de Brás Cubas, "O Alienista" reflete o amadurecimento do autor e sua adesão às características realistas: crítica social, análise psicológica e linguagem irônica. O século XIX foi um tempo de grande avanço científico e valorização do racionalismo, mas também de conflitos em torno do papel da ciência e da autoridade. Machado se vale disso para criar uma sátira ao cientificismo, questionando o uso arbitrário do saber como instrumento de dominação.
  • 6.
    Enredo e desenvolvimento Anarrativa gira em torno do Dr. Simão Bacamarte, um médico renomado que decide estudar as doenças mentais. Para isso, constrói a Casa Verde, um hospício onde interna aqueles que julga insanos. No início, suas decisões são aceitas pela população, mas, aos poucos, Bacamarte começa a demonstrar critérios cada vez mais arbitrários, internando pessoas por motivos triviais ou subjetivos. O caos se instala em Itaguaí quando até os mais sensatos passam a ser considerados loucos. Em determinado momento, ocorre uma revolta contra o médico, mas Bacamarte a neutraliza e, ironicamente, interna os revoltosos por desvio de conduta. No clímax da obra, o médico decide que os verdadeiros doentes são os normais e passa a internar apenas os equilibrados. No final, em um ato de autocrítica extrema, ele conclui ser o mais são de todos — o que, para ele, é um sinal de desequilíbrio — e interna a si próprio. Pouco depois, morre.
  • 7.
    Personagens ● Simão Bacamarte:Protagonista da novela, é um médico com prestígio científico, mas com crescente obsessão por compreender e classificar a loucura. Sua busca por ordem e controle revela traços autoritários e paranoicos. ● Dona Evarista: Esposa de Bacamarte, escolhida por ele com base em critérios científicos. Sua presença serve como símbolo da tentativa de racionalizar até mesmo os afetos humanos. ● Crispim Soares: Boticário e amigo de Bacamarte, representa o cidadão comum que, apesar da proximidade com o médico, também sofre com suas decisões.
  • 8.
    Personagens ● Padre Lopese Costa: Outros habitantes de Itaguaí que ilustram a passividade ou submissão frente ao poder. ● Porfírio: Líder popular que organiza uma revolta contra Bacamarte, representando a insatisfação popular diante do autoritarismo travestido de ciência.
  • 9.
    Questões centrais louco xsadio A obra subverte a noção de normalidade e mostra como essa classificação pode ser manipulada segundo interesses de poder. Crítica à ciência positivista : Machado ironiza o cientificismo da época, alertando para os perigos da racionalização extrema. Ironia e ambiguidade A narração impessoal e irônica faz o leitor desconfiar constantemente do que está sendo dito, forçando-o a interpretar além da superfície. Poder e Autoritarismo A figura do médico-cientista se torna um símbolo de tirania, mostrando como o discurso científico pode ser usado como ferramenta de dominação. A hipocrisia da sociedade A passividade dos cidadãos de Itaguaí reflete uma crítica à alienação social diante do abuso de poder.
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  • 11.
    Trabalho Resposta esperada: EmTeoria do Medalhão, um pai dá conselhos ao filho, Janjão, sobre como ser bem-sucedido em sua sociedade. Ser um medalhão é estar em posição de destaque, de prestígio, é distinguir-se dos demais, é ter seu nome em relevo e, por isso mesmo, ser tratado com deferência pelos outros. Porém, como essa sociedade vive pela aparência e tenta, a todo custo, preservar a tradição, ser medalhão significa não ter ideias próprias e não agir pela razão, já que isso pode subverter a ordem social estabelecida e quebrar a tradição. Ser medalhão, então, é entregar-se à tradição e ao conhecimento já estabelecido. O medalhão fino é aquele que renuncia à possibilidade de ter ideias próprias para não sucumbir à tentação de ser traído pelo seu intelecto independente.
  • 12.
    Trabalho Resposta esperada: EmO Alienista, Simão Bacamarte constrói um asilo chamado Casa Verde em Itaguaí, onde recolhe os loucos da cidade. Sua finalidade é estabelecer as bases científicas entre a sanidade e a loucura. Simão Bacamarte é um homem que vive para a ciência. Ele ignora também as máximas de um bom convívio social. Por isso, coleciona muitos desafetos ao longo do conto, perde seu prestígio e a população se revolta. Como se percebe, há vários argumentos que mostram que Simão Bacamarte não pode ser considerado um “medalhão”. Simão Bacamarte tem como primazia a razão, o que torna seu convívio social deficitário e frio. Ser medalhão implica justamente negar a razão e fortalecer os relacionamentos sociais, para tirar proveito deles. Ora, Simão Bacamarte foi o pivô da rebelião dos Canjicas justamente porque não tinha como finalidade manter um convívio social estável, mas sim promover o espírito humano por meio da razão, da inovação do pensamento. Com suas ideias científicas inovadoras, promove o caos social. Dessa forma, os interesses e o modus operandi do pai em Teoria do Medalhão e de Simão Bacamarte em O Alienista são totalmente distintos, o que nega ser este último um medalhão.