*Couto, Caio. Publicitário especialista em Comunicação em Redes; Lahoz, Artur. Publicitário e Planejador Estratégico; Maquiaveli, Janaina. Publicitária e
Doutora em Ciências Sociais; Neves, Gabriela. Publicitária especialista em Comunicação Digital, integrantes do time de planejamento e estratégia da New360.
Afinal, hábitos alimentares estão relacionados a modos de
vida. E nossas experiências sociais orientam e conformam
nossas escolhas e preferências. Em termos sociológicos,
nossos padrões de gosto são parte de nossas de identidades
pessoais e cultural; de nosso habitus e estilo de vida.
O gosto alimentar sempre
teve uma relação estreita
com a cultura.
As heranças étnicas e culturais na
formação do gosto.
Isso quer dizer que podemos
e devemos contrariar o ditado
popular. Gosto se discute, sim.
Para isso, é preciso reconhecer:
O gosto como parte de nossos
processos de identificação -
positivos ou negativos - com
determinados grupos sociais que
integramos ou desejamos integrar.
Os padrões de consumo
segmentados ou tangenciais, onde
estariam situadas, por exemplo, as
tendências alimentares: da carne
vegetal aos alimentos funcionais.
O papel da indústria alimentícia em
instaurar ou condenar determinados
padrões de consumo, seja em favor
ou condenando, por exemplo,
os ultraprocessados.
1 2 3 4
É curioso observar
como as tendências
vão se estabelecendo,
a partir da própria
dinâmica social.
Em 2018, por exemplo, o Think With Google publicou
um estudo sobre o consumo alimentar com hábitos
“natural power”. O argumento principal era que a busca
por saudabilidade vai além dos aspectos funcionais e de
benefícios para a saúde. Ela representa um estilo de vida.
N A T U R A L
A F Ó R M U L A
N A T U R A L
I N T E N S O
I N D U L G E N T E
P O W E R
E F E T I V O
R Á P I D O
Intensidade
Natural, mas
com potência
O xampu bomba (de vitaminas)
é o mais buscado do Brasil
4,3 milhões
de buscas só em 2017
Temaki - 25% de crescimento
nas buscas nos últimos 3 anos
Ceviche - 65% de crescimento
nas buscas nos últimos 3 anos
O Natural ganha mais espaço
no cardápio do brasileiro
quando se apresenta como
uma indulgência, o famoso
agradinho que a gente faz
parte de si mesmo
Indulgência
Natural, mas
com potência
Um exemplo desse fenômeno é como
as dietas de redução de peso foram
se reconfigurando, para se tornarem
compostas por alimentos saudáveis,
gostosos, mas também indulgentes,
ou seja, compensatórios na praticidade
e que se encaixam nas rotinas cada vez
mais corridas do consumidor médio,
que vive nas grandes cidades.
O Instituto de Pesquisas Mintel
nomeia essa tendência de Self
Fulfilling Practices: a procura por
produtos capazes de proporcionar
benefícios nutricionais, físicos ou
emocionais. Num estudo global,
Fonte: Mintel, Estudo global sobre comportamento de consumo, 2017
45%
da amostragem prefere lanches feitos de ingredientes naturais.
44%
preferem lanches fortificados com benefícios nutricionais.
38%
dos consumidores buscam benefícios funcionais.
Além das tendências alimentares,
diversos estudos apontam que, entre
os millennials (ou nascidos entre
o início da década de 1980 e o final
dos anos 1990), 1 em cada 5 estão
mudando suas dietas para reduzir o
impacto do seu comportamento de
consumo no clima.
Isso não significa que alimentos saudáveis e ingredientes
naturais sejam um padrão indiscriminado de consumo
alimentar. Segundo Julie Creswell, repórter do
The New York Times, o consumo de alimentos
processados ​​e junk food, ainda significativo nos EUA,
mesmo que em queda, nos últimos anos, tornou-se de
novo latente desde o início da epidemia de COVID-19.
No Brasil, o Instituto de pesquisa
Opinion Box tem investigado
o impacto da epidemia na
alimentação dos brasileiros
desde o final de abril. Também
por aqui, a ansiedade causada
pelo contexto afeta os hábitos e
os gostos alimentares.
De acordo com os estudos:
48% dos brasileiros sentem que
estão mais ansiosos e;
43% afirmam comer mais,
em razão disso.
33% dos brasileiros que não
tinham o hábito passaram a
cozinhar regularmente em casa.
E fazendo isso, passaram a se
preocupar mais com a qualidade
da alimentação.
24% estão consumindo
mais frutas, verduras e legumes.
Por outro lado, em razão das medidas
de distanciamento social:
Mas em nome da praticidade,
muitos brasileiros ampliaram o
uso de aplicativos de entrega de
comida pronta. E 21% aumentaram
o consumo de produtos
industrializados.
Para entender esse cenário, é preciso
entender como as pessoas estão
vivendo, muitos sem tempo para
cozinhar, outros tantos adotando
um padrão alimentar menos rico
em nutrientes, simplesmente
porque custa menos.
Fonte: Pesquisa Nielsen 2019 - Estilo de vida do Brasileiro
Isso porque, segundo o Instituto
Nielsen de pesquisa, a categoria de
compradores de alimentos saudáveis
equivale hoje a 28% da população
brasileira e é formada, basicamente,
por pessoas pertencentes
às classes A e B.
Logo, o consumo alimentar é
complexo e influenciado por muitos
fatores distintos. Entre eles, a
escolha do que comer orientada
por distinção e status, própria dos
estratos superiores da pirâmide
populacional, em termos de renda.
Ainda assim, a tendência de um
consumo alimentar ora indulgente,
ora saudável, é uma realidade no
mundo contemporâneo e que não
podemos desconsiderar.
Só precisamos entender a quem ela
atende e em quais circunstâncias.
REVIEW
O gosto alimentar sempre teve
uma relação estreita com a
cultura e é parte de múltiplos
registros de culturas, como
modos de vida e etnias.
1
4
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5
3
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A formação de gosto alimentar
também precisa levar em
consideração o papel da indústria
alimentícia na formação de
padrões como também aspectos
inerentes a produção de consumo
alimentar segmentado.
São identificadas tendências
de resgate a saudabilidade
como: natural power
e Self Fulfilling Practices.
Assim como uma preocupação
com o impacto ambiental
do consumo alimentar.
A pandemia do COVID-19
ampliou o consumo de alimentos
processados ou junk food em
função da ansiedade.
Mas também impulsionou
um resgate ao hábito de
cozinhar em casa.
Obrigado.

A dimensão da comida no mundo contemporâneo

  • 1.
    *Couto, Caio. Publicitárioespecialista em Comunicação em Redes; Lahoz, Artur. Publicitário e Planejador Estratégico; Maquiaveli, Janaina. Publicitária e Doutora em Ciências Sociais; Neves, Gabriela. Publicitária especialista em Comunicação Digital, integrantes do time de planejamento e estratégia da New360.
  • 2.
    Afinal, hábitos alimentaresestão relacionados a modos de vida. E nossas experiências sociais orientam e conformam nossas escolhas e preferências. Em termos sociológicos, nossos padrões de gosto são parte de nossas de identidades pessoais e cultural; de nosso habitus e estilo de vida. O gosto alimentar sempre teve uma relação estreita com a cultura.
  • 3.
    As heranças étnicase culturais na formação do gosto. Isso quer dizer que podemos e devemos contrariar o ditado popular. Gosto se discute, sim. Para isso, é preciso reconhecer: O gosto como parte de nossos processos de identificação - positivos ou negativos - com determinados grupos sociais que integramos ou desejamos integrar. Os padrões de consumo segmentados ou tangenciais, onde estariam situadas, por exemplo, as tendências alimentares: da carne vegetal aos alimentos funcionais. O papel da indústria alimentícia em instaurar ou condenar determinados padrões de consumo, seja em favor ou condenando, por exemplo, os ultraprocessados. 1 2 3 4
  • 4.
    É curioso observar comoas tendências vão se estabelecendo, a partir da própria dinâmica social. Em 2018, por exemplo, o Think With Google publicou um estudo sobre o consumo alimentar com hábitos “natural power”. O argumento principal era que a busca por saudabilidade vai além dos aspectos funcionais e de benefícios para a saúde. Ela representa um estilo de vida. N A T U R A L A F Ó R M U L A N A T U R A L I N T E N S O I N D U L G E N T E P O W E R E F E T I V O R Á P I D O Intensidade Natural, mas com potência O xampu bomba (de vitaminas) é o mais buscado do Brasil 4,3 milhões de buscas só em 2017 Temaki - 25% de crescimento nas buscas nos últimos 3 anos Ceviche - 65% de crescimento nas buscas nos últimos 3 anos O Natural ganha mais espaço no cardápio do brasileiro quando se apresenta como uma indulgência, o famoso agradinho que a gente faz parte de si mesmo Indulgência Natural, mas com potência
  • 5.
    Um exemplo dessefenômeno é como as dietas de redução de peso foram se reconfigurando, para se tornarem compostas por alimentos saudáveis, gostosos, mas também indulgentes, ou seja, compensatórios na praticidade e que se encaixam nas rotinas cada vez mais corridas do consumidor médio, que vive nas grandes cidades.
  • 6.
    O Instituto dePesquisas Mintel nomeia essa tendência de Self Fulfilling Practices: a procura por produtos capazes de proporcionar benefícios nutricionais, físicos ou emocionais. Num estudo global, Fonte: Mintel, Estudo global sobre comportamento de consumo, 2017 45% da amostragem prefere lanches feitos de ingredientes naturais. 44% preferem lanches fortificados com benefícios nutricionais. 38% dos consumidores buscam benefícios funcionais.
  • 7.
    Além das tendênciasalimentares, diversos estudos apontam que, entre os millennials (ou nascidos entre o início da década de 1980 e o final dos anos 1990), 1 em cada 5 estão mudando suas dietas para reduzir o impacto do seu comportamento de consumo no clima.
  • 8.
    Isso não significaque alimentos saudáveis e ingredientes naturais sejam um padrão indiscriminado de consumo alimentar. Segundo Julie Creswell, repórter do The New York Times, o consumo de alimentos processados ​​e junk food, ainda significativo nos EUA, mesmo que em queda, nos últimos anos, tornou-se de novo latente desde o início da epidemia de COVID-19.
  • 9.
    No Brasil, oInstituto de pesquisa Opinion Box tem investigado o impacto da epidemia na alimentação dos brasileiros desde o final de abril. Também por aqui, a ansiedade causada pelo contexto afeta os hábitos e os gostos alimentares. De acordo com os estudos: 48% dos brasileiros sentem que estão mais ansiosos e; 43% afirmam comer mais, em razão disso.
  • 10.
    33% dos brasileirosque não tinham o hábito passaram a cozinhar regularmente em casa. E fazendo isso, passaram a se preocupar mais com a qualidade da alimentação. 24% estão consumindo mais frutas, verduras e legumes. Por outro lado, em razão das medidas de distanciamento social:
  • 11.
    Mas em nomeda praticidade, muitos brasileiros ampliaram o uso de aplicativos de entrega de comida pronta. E 21% aumentaram o consumo de produtos industrializados.
  • 12.
    Para entender essecenário, é preciso entender como as pessoas estão vivendo, muitos sem tempo para cozinhar, outros tantos adotando um padrão alimentar menos rico em nutrientes, simplesmente porque custa menos.
  • 13.
    Fonte: Pesquisa Nielsen2019 - Estilo de vida do Brasileiro Isso porque, segundo o Instituto Nielsen de pesquisa, a categoria de compradores de alimentos saudáveis equivale hoje a 28% da população brasileira e é formada, basicamente, por pessoas pertencentes às classes A e B.
  • 14.
    Logo, o consumoalimentar é complexo e influenciado por muitos fatores distintos. Entre eles, a escolha do que comer orientada por distinção e status, própria dos estratos superiores da pirâmide populacional, em termos de renda.
  • 15.
    Ainda assim, atendência de um consumo alimentar ora indulgente, ora saudável, é uma realidade no mundo contemporâneo e que não podemos desconsiderar. Só precisamos entender a quem ela atende e em quais circunstâncias.
  • 16.
    REVIEW O gosto alimentarsempre teve uma relação estreita com a cultura e é parte de múltiplos registros de culturas, como modos de vida e etnias. 1 4 2 5 3 6 A formação de gosto alimentar também precisa levar em consideração o papel da indústria alimentícia na formação de padrões como também aspectos inerentes a produção de consumo alimentar segmentado. São identificadas tendências de resgate a saudabilidade como: natural power e Self Fulfilling Practices. Assim como uma preocupação com o impacto ambiental do consumo alimentar. A pandemia do COVID-19 ampliou o consumo de alimentos processados ou junk food em função da ansiedade. Mas também impulsionou um resgate ao hábito de cozinhar em casa.
  • 17.