A Cidade e as Serras 
Eça de Queirós, 1901
Contexto Mundial 
• Hegemonia 
europeia
• Belle Époque
Correntes cientificistas 
• Positivismo 
• Determinismo 
• Darwinismo Social 
• Socialismo
Contexto Português 
• Questão Coimbrã (Geração de 70) X 
Romantismo 
• Antero de Quental X Antonio 
Feliciano de Castilho 
• Conferências do Cassino (Lisboa): 
estrutura aristocrática, agrária e 
rural X modernidade europeia;
“O Realismo é uma reação contra o 
Romantismo. O Romantismo era a 
apoteose do sentimento; - o Realismo é 
a anatomia do caráter. É a crítica do 
homem. É a arte que nos pinta a 
nossos próprios olhos - para condenar 
o que houve de mau na nossa 
sociedade.” 
Eça de Queirós
Realismo 
• França, 1857, Madame Bovary, de 
Gustave Flaubert 
• Representação objetiva da realidade 
• Denúncia da vida burguesa 
• Linguagem direta 
• Tempo da narrativa 
• Análise psicológica das personagens 
 
Oposição ao Romantismo
Eça de Queirós 
• 1845-1901 
• Advogado 
• Jornalista 
• Político 
• Cônsul 
• Anticlerical, 
antiburguês, 
antimonárquico.
Fases 
1ª fase – Romântica (Prosas Bárbaras): temas e 
idealizações Românticas, descrições já Realistas e 
estilo próximo ao Simbolismo. 
2ª fase – Realista (O Crime do Padre Amaro, O 
Primo Basílio, Os Maias): romance de costumes, 
análise objetiva e crítica da sociedade. 
3ª fase - Realista de Transição (A Ilustre Casa de 
Ramires, A Cidade e as Serras, Últimas Páginas): 
moderação no sarcasmo e na ironia, afetividade 
em relação à Portugal. Consciência de que 
criticou inutilmente a burguesia e a família.
Em carta a Teófilo Braga: 
“A minha ambição seria pintar a 
sociedade portuguesa, e mostrar-lhe, como 
num espelho, que triste país eles formam - 
eles e elas. É o meu fim nas Cenas 
portuguesas. É necessário acutilar o mundo 
oficial, o mundo sentimental, o mundo 
literário, o mundo agrícola, o mundo 
supersticioso - e, com todo respeito pelas 
instituições de origem eterna, destruir as 
falsas interpretações e falsas realizações que 
lhe dá uma sociedade podre. Não lhe parece 
você que um tal trabalho é justo?” 
Eça de Queirós
A Cidade e as Serras
“Enganados pela ciência, embrulhados 
nas subtilezas balofas da economia política, 
maravilhados como crianças pelas 
habilidades da mecânica, durante setenta 
anos construímos freneticamente vapores, 
caminhos de ferro, máquinas, fábricas, 
telégrafos, uma imensa ferramentagem, 
imaginando que por ela realizaríamos a 
felicidade definitiva dos homens e mal 
antevendo que aos nossos pés e por motivo 
mesmo dessa nova civilização utilitária se 
estava criando uma
massa imensa de miséria humana, e 
que, com cada pedaço de ferro 
fundíamos e capitalizávamos, íamos 
criar mais um pobre!” 
Eça de Queirós em 
A Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, 23 de 
Abril de 1895 
•ACeaS: apologia a ideal de justiça: o 
mal não está na máquina, mas na 
mentalidade humana.
A Cidade e as Serras 
• 1892: conto Civilização 
• 1901: morte durante período de 
revisão – Ramalho Ortigão 
• Fundação Eça de Queiroz 
• Alegoria: felicidade na simplicidade.
Correntes 
• REALISMO – crítica irônica à 
alienação da elite portuguesa e ao 
imoralismo e decadência da 
civilização do fim do século; 
detalhismo nas descrições.
Correntes 
• NATURALISMO – romance de tese; 
zoomorfismo (animalização de 
alguns personagens); uso de um 
vocabulário grosseiro (em algumas 
passagens); apelo ao grotesco nas 
caricaturas.
Correntes 
• IMPRESSIONISMO – técnica artística em 
que a realidade é expressa a partir da 
apreensão sensorial imediata; presente 
principalmente nas descrições de 
paisagens, associadas ao estado 
psicológico dos personagens, prática 
comum a Eça.
1. Enredo 
Genealogia dos Jacintos (Miguelismo – 
Cintinho) 
 
Jacinto (fidalgo / Paris) e Zé Fernandes amigos 
de infância 
 
O homem só é superiormente feliz, quando é 
superiormente civilizado 
 
7 anos 
 
202 completamente equipado 

Jacinto magro, velho e curvado 
 
Depressivo 
 
ZF se hospeda no 202 
 
Eu não tenho nunca apetite, já há tempos...Já há 
anos 
 
Inundação 
 
Jantar 

ZF viaja 
 
Notícia de destruição em Tormes 
 
Jacinto precisa viajar a Portugal 
 
Jacinto telegrafou a Silvério: reforma da Quinta 
 
Viajam a Portugal de trem 
 
Perdem-se do empregado e das bagagens 
 
Ninguém os esperava em Tormes
Égua ruça e jumenta 
 
Desordem em Tormes 
 
Jacinto desiste de voltar a Lisboa depois do 
primeiro jantar local 
 
ZF vai à casa de sua tia 
 
5 ou 6 semanas 
 
Jacinto completamente adaptado ao campo
Jacinto acompanha ZF até a Flor da Malva 
 
Conhece Joaninha 
 
Casamento 
 
2 filhos 
 
Jacinto planeja passeio a Paris, mas não se 
concretiza 
 
Ninguém sai de Tormes.
• Lento 
• Conflito único 
• Ideal clássico 
de felicidade
2. Tempo 
• Belle Époque
• Cronológico: causa e efeito 
• Período: 1866 (acamaradagem) a 
1889 (retorno de Zé Fernandes a 
Tormes) 
• Flashback: genealogia
3. Espaço 
• Essencial: contraposição 
• Paris X Tormes 
• Fugere urbem X Locus amoenus 
• Civilizado X Natural 
• Estreito X Amplo 
• Nociva X Fonte de vida 
• Malícia X Entusiasmo 
• 202 X Quinta
Cidade 
“(...) rebelião de homem livre, aquela agenda 
que o escravizava” 
“Depois, bocejando, desabotoando 
lentamente a sobrecasaca cinzenta” 
X Serras 
“(…) a grossa camada de nuvens já se ia 
enrolando sob a lenta varredela do vento 
(…) então recolhemos lentamente para 
casa…” 
“Então Jacinto, muito embaraçado, 
murmurou abstraidamente”
a) A Cidade 
• O “202”: 
civilização em 
miniatura. 
• Visão irônica: 
“Saímos do 202, 
chegamos à serra, 
encontramos o 
202. Não há senão 
Paris!”
A tecnologia 
(...) - Ó Jacinto, para que servem todos estes 
instrumentozinhos? Houve já aí um 
desavergonhado que me picou. Parecem 
perversos... São úteis? 
Jacinto esboçou, com languidez, um gesto que 
os sublimava. 
-Providenciais, meu filho, absolutamente 
providenciais, pela simplificação que dão ao 
trabalho! Assim... e apontou. Este arrancava as 
penas velhas, o outro numerava rapidamente as 
´páginas dum manuscrito; aqueloutro, além, 
raspava emendas... E ainda os havia para colar 
estampilhas, imprimir datas, derreter lacres, 
cintar documentos...
- Mas com efeito, acrescentou, é uma 
seca... Com as molas, com os bicos, 
às vezes magoam, ferem... Já me 
sucedeu inutilizar cartas por as ter 
sujado com dedadas de sangue. É 
uma maçada! (...)
• Hipocrisia – figura da mulher 
1. A cocotte de Jacinto 
– Ó Jacinto! Quem é esta Diana que incessantemente 
te escreve, te telefona, te telegrafa, te...? 
– Diana...Diana de Lorge. É uma cocotte. É uma 
grande cocotte! 
– Tua? 
– Minha, minha... Não! tenho um bocado. 
E como eu lamentava que o meu Príncipe, senhor tão 
rico e de tão fino orgulho, pôr economia duma gamela 
própria chafurdasse com outros numa gamela pública 
Jacinto levantou os ombros, com um camarão 
espetado no garfo:
– Tu vens das serras... Uma cidade como Paris, Zé 
Fernandes, precisa ter cortesãs de grande pompa e 
grande fausto. Ora para montar em Paris, nesta 
tremenda carestia de Paris, uma cocotte com os seus 
vestidos, os seus diamantes, os seus cavalos, os seus 
lacaios, os seus camarotes, as suas festas, o seu 
palacete, a sua publicidade, a sua insolência, é 
necessário que se agremiem umas poucas de fortunas, se 
forme um sindicato! Somos uns sete, no Clube. Eu pago 
um bocado... Mas meramente pôr Civismo, para dotar a 
Cidade com uma cocotte monumental. De resto não 
chafurdo. Pobre Diana!... dos ombros para baixo nem sei 
se tem a pele cor de neve ou cor de limão. 
Arregalei um olho divertido: 
– Dos ombros para baixo?... E para cima? 
– Ó! para cima tem pó de arroz!... Mas é uma seca! 
Sempre bilhetes, sempre telefones, sempre telegramas. E 
três mil francos pôr mês, além das flores... Uma maçada!
E as duas rugas do meu Príncipe, aos lados do 
seu afilado nariz, curvado sobre a salada, eram 
como dois vales muito tristes, ao entardecer.
2. A infecção sentimental de Zé Fernandes 
“Depois, uma tarde, 
trepando com a costumada 
gula a escada da rua do Hélder, 
encontrei a porta fechada – e 
arrancado da ombreira aquele 
cartão de Madame Colombe 
que eu lia sempre tão 
devotamente e que era a sua 
tabuleta... Tudo no meu ser 
tremeu como se o chão de Paris 
tremesse! (...) 
- Madame Colombe? 
A barbuda comadre recolheu 
lentamente a vaza: 
- Já não mora... Abalou esta 
manhã, para outra terra com 
outra porca!”
3. Madame de Oriol 
“– Estamos separados, cada um vive 
como lhe apetece, é excelente! Mas em tudo 
há medida e forma... Ela tem o meu nome, 
não posso consentir que em Paris, com 
conhecimento de todo o Paris, seja a amante 
do trintanário. Amantes da nossa roda, vá! 
Um lacaio, não!... Se quer dormir com os 
criados que emigre para o fundo da 
província, para a sua casa de Corbelle. E lá 
até com os animais!... Foi o que lhe disse! 
Ficou como uma fera. 
Sacudiu então a mão de Jacinto que “era 
da sua roda” – rebolou pela escadaria florida 
e nobre. (...)”
Portugal
b) e as Serras...Tormes
“É muito grave, deixar a 
Europa!” 
- Genealogia: fidalgos 
/ solar 
- Metáfora de ossos 
- Mudança em 
Jacinto: planejador, 
alegre, preocupado 
socialmente 
- Fome no 
campo/desigualdade 
social
Espaço responsável pela 
divisão temática: 
• Paris (Cap. I a VIII): Cidade (tecnologia) X 
Campo (atraso) 
• Tormes (Cap. IX a XVI): sem malas - 
progresso é ilusão, campo é fonte de paz 
e alegria 
• síntese cidade-campo: solução 
equilibrada: casamento, filhos, 
eletricidade, telefonia
4. Personagens 
Jacinto, o Príncipe da Grã Ventura 
• 3 fases: urbano, em 
crise, rural  
metáfora de 
Portugal; 
• Degeneração corpo 
= degeneração do 
país.
•Mitologia grega: 
rapaz de rara beleza - 
Apolo (deus da 
beleza, da música e 
da poesia), protetor – 
esportes – Zéfiro: 
ciúmes: disco acerta 
a cabeça: morte. 
Apolo: flor. 
A morte de Jacinto. Jean 
Broc, 1801.
Jacinto: riqueza X 
ocupação mental. 
Estabilidade X moda 
Tormes: fixa raízes 
(ossos): estabilidade. 
Apolo = Paris. Morte 
para renascer mais 
belo e forte. 
Tormes, Portugal. 
Montmartre, Paris.
“[Dandi é o] homem rico, ocioso e que, mesmo 
entediado de tudo, não tem outra preocupação senão 
correr ao encalço da felicidade; o homem criado no 
luxo e acostumado a ser obedecido desde a juventude; 
aquele, enfim, cuja única profissão é a elegância, 
sempre exibirá, em todos os tempos, uma fisionomia 
distinta, completamente à parte.(...) é politicamente 
anti-burguês, não porque quer acabar com a 
burguesia, mas porque é aristocrático.” 
BAUDELAIRE, C.
Zé Fernandes 
- Foi criado pelos tios; apenas a tia 
Vicência está viva; 
- Pequeno proprietário; 
- Narrador  subjetividade; 
- Resgata o bom senso do protagonista  
retornos a Portugal.
- Pequeno proprietário X fidalgo: 
“E, descendo os campos Elísios, encolhido 
no paletó, a cogitar nesse prato simbólico, 
considerava a rudeza e atolado atraso da 
minha Guiães, onde desde séculos a alma 
das laranjas permanece ignoradas e 
desaproveitada dentro dos gomos 
sumarentos, por todos aqueles pomares 
que assombram e perfumam o vale, da 
Roqueirinha a Sandofim!”
“ Ao optar por personagens de índole tão 
diferente (citadina e francesa, com Jacinto; 
serrana e portuguesa, com Zé Fernandes), 
Eça põe em cena duas vozes, dois pontos de 
vista ideológicos que constantemente e de 
modos diversos dialogam entre si. É desta 
forma que o autor de A Cidade e as Serras 
problematiza a maneira de viver e as próprias 
soluções finais, que perante a vida adota (ou 
encontra) cada uma destas personagens.” 
SOUZA, Frank.
Dialética 
- A partir do diálogo, há a 
contraposição e a contradição de ideias 
para se chegar a novas ideias
• Tese 
“Que criação augusta, a da Cidade! 
Só por ela pode o homem 
soberbamente afirmar sua alma!” 
• Antítese 
“Sim, é talvez tudo ilusão...E a cidade 
a maior ilusão!” 
• Síntese 
“- Tudo ótimo, gritou Jacinto. A serra, 
Deus louvado, prospera.”
Joaninha 
- prima de Zé Fernandes e futura 
esposa de Jacinto 
- a imagem da maternidade (Maria 
Lúcia Lepecki) 
- Virgem Maria e Vênus rústica 
(Frank Sousa)
Joaninha: lado 
positivo e redentor da 
mulher 
Mme. d'Oriol e Colombe: 
lado da perversão feminina
• Personagens caricaturais 
Avô Jacinto - gordo e rico fidalgo, 
casado com dona Angelina de Fafes. 
Devoto do infante dom Miguel. 
Quando dom Miguel é exilado para a 
França, Jacinto acompanha-o, com a 
esposa e o filho Jacinto (Cintinho), e 
compra o 202.
• Cintinho, o Sombra – pai de 
Jacinto. Seco, encurvado e 
tuberculoso. Caricato 
ultrarromântico, tipo bastante 
presente à obra de Eça. Casa-se 
com Teresinha Velho, engravida-a, 
mas morre (1851), antes do filho 
nascer.
• Personagens do campo: 
simplicidade e amizade. 
• (Tio Alfonso) 
• Tia Vicença 
• Silvério, o caseiro 
• Joana, esposa de Jacinto: 
casamento, equilíbrio 
• Jacintinho e Teresinha: filhos de 
Jacinto
• Personagens da cidade: frivolidade, 
aparência, hipocrisia, vaidade, lisonja, 
falsidade, elegância, trajes sedutores 
• Madame de Verghane 
• Princesa de Carman 
• Grã-duque Casemiro 
• Madame Joana de Oriol: amante de 
Jacinto. Vivia das aparências 
• Condessa de Tréves 
• Duque de Marizac 
• Efraim
5. Narrador 
• Narrativa testemunhal: Zé Fernandes; 
• Não-onisciente: compromete X isenção; 
• Coloca-se como menos importante do 
que o protagonista; 
• Irônico; 
• Parece idealizar Jacinto: "Príncipe da 
Grã-Ventura”; 
• Duplo de Jacinto (superioridade da 
natureza e regeneração pelo campo).
Linguagem 
• Metonímias 
“Antes de ele voltar ao 202” 
• Adjetivação sugestiva 
“preguiçoso charuto”, “um olhar 
farto”, “dois milhões de uma vaga 
humanidade”
• Comparações 
“E os pedaços de soalho levantado 
mostravam tristemente, como num 
cadáver aberto, todos interiores do 202, a 
ossatura, os sensíveis nervos de arame, 
os negros intestinos de ferro fundido.” 
• Detalhismo
•Diálogos vivos 
“Sugeri a Jacinto que subíssemos à 
Basílica do Sacré-Couer, em 
construção nos altos de Montmartre. 
- É uma seca, Zé Fernandes... 
- Com mil demônios! Eu nunca vi a 
Basílica... 
- Bem, bem! Vamos à Basílica, 
homem fatal de Noronha e Sande!”
“ Então, estreitamos os ossos 
num grande abraço, pelo 
natalício... 
-Trinta e oito, hem, Zé 
Fernandes? 
-Trinta e quatro, animal.”
Crítica Literária 
1) ROMANCE DE TESE 
Tese inicial: só a tecnologia (CIDADE) traz 
felicidade; 
Antítese: só a simplicidade (SERRAS) traz 
felicidade; 
Síntese: uma vida equilibrada traz felicidade 
(alguma tecnologia + simplicidade).
2) ROMANCE DE TESE: 
CONFRONTOS 
• PARIS [cidade, civilização, cultura] 
X TORMES [serras, Portugal, 
natureza] 
70000 livros X poucos volumes. 
• Mesa de vários talheres; comida 
sofisticada X mesa simples, comida 
caseira. 
• Complexos rituais de higiene e 
vestuário X simplicidade no viver.
Tese defendida no romance 
remete o leitor ao Arcadismo 
(século XVIII), exatamente 
época do início da Idade 
Contemporânea, com as 
Revoluções Industrial e 
Francesa.
Intertextualidade 
I. Neoclassicismo – máximas Horacianas 
Fugere urbem (saída de Paris) 
 
Locus amoenus (Tormes) 
 
Inutilia truncat (perda da bagagem) 

Aurea mediocritas (vida “simples” e feliz 
no campo; moderação) 
 
Carpe diem (aproveitar o dia, o ) 
 momento presente) 
Tempus fugit
• Alienação X caridade 
• Palacete 202: excesso de tecnologia 
(problemas), termina decadente e 
abandonado X Solar de Tormes: 
abandonado e caindo aos pedaços 
de início, torna-se, revivido, o 
"Castelo da Grã-Ventura". 
“A vida no campo é superior à vida nas 
grandes cidades, que iludem e 
desumanizam seus habitantes.”
“a obra, através do seu protagonista Jacinto, 
representa, por um lado, a reconciliação 
do próprio Eça com uma pátria que 
perdera em infindáveis viagens desde 1872 
e, por outro, a desilusão perante uma 
França cada vez mais intolerante.” 
João Medina, Eça Político
Sebastianismo 
- Bendito seja o Pai dos Pobres! 
Direito, no meio da estrada, erguia o cajado 
como dirigindo as aclamações dum povo. E 
Jacinto pasmava de que ainda houvesse no 
reino um Sebastianista. 
- Todos o somos ainda em Portugal, Jacinto! Na 
serra ou na cidade cada um espera o seu D. 
Sebastião. Até a loteria da Misericórdia é uma 
forma de Sebastianismo. Eu, todas as manhãs, 
mesmo sem ser de nevoeiro, espreito, a ver se 
chega o meu.. Ou antes a minha, porque eu 
espero uma D. Sebastiana... E tu, felizardo? 
-Eu? Uma D. Sebastiana? Estou muito velho, Zé 
Fernandes... Sou o último Jacinto; Jacinto ponto 
final...
II Autores clássicos: destaque para os 
poetas Homero e Virgílio. 
•A primeira leitura de Jacinto nas serras: 
livro I das Bucólicas: manhã de esplendor 
em Tormes e à personagem Jacinto
“Fortunate Jacinthe! Hic inter arva 
nota 
Et fontes sacros, captabis opacum... 
“ Afortunado Jacinto, na verdade! 
Agora, entre campos que são teus e 
águas que te são sagradas, colhes 
enfim a sombra e a paz!”
• Jacinto abandona, nas serras, o 
científico e o filosófico: lê apenas o 
ficcional. Segundo Maria Lúcia, são 
constituintes reacionários: Jacinto 
não lê texto contemporâneo. Volta à 
Serra = volta ao passado.
III. D. Quixote: 
a recuperação da sua capacidade de 
rir, contrário de Schopenhauer.
• Para finalizar, Álvaro Lins realizou 
críticas ferrenhas à obra A Cidade e 
as Serras (1901), assegurando que é 
um livro de decadência, em que o 
enredo é inexistente e as 
personagens “de uma extrema 
miséria de vida”.
• Referências bibliográficas: 
QUEIROZ, Eça de, A Cidade e as Serras, Lisboa, Livros do Brasil, 
s/d. 
COELHO, Jacinto do Prado - "A tese de 'A Cidade e as Serras'" in A 
letra e o leitor, 2ª ed., Lisboa Moraes Editores, 1977, pp. 169-174. 
LEPECKI, Maria Lúcia - " O sentido de A Cidade e as Serras" in Eça 
na ambiguidade, Fundão, "Jornal do Fundão" Editora, 1974, pp. 
SOUSA, Frank S. - "Da errância como atitude estética em Eça de 
Queiroz: do conto A Perfeição aA Cidade e as Serras ", Revista da 
Faculdade de Letras, 5ª série, 19/20, Lisboa, 1995-1996, pp. 75-88. 
SOUSA, Frank S. - O segredo de Eça. Ideologia e ambiguidade em 
"A Cidade e as Serras", Lisboa, Cosmos, 1996 
GUERRA DA CAL, Ernesto, Língua e Estilo de Eça de Queiroz, 
Coimbra, Almedina, 1981. 
MEDINA, João, Eça Político, Lisboa, Seara Nova, 1974. 
GROSSEGESSE, Orlando, «Sobre a 'recarnavalização' em A Cidade e 
as Serras 
______. “A postura (anti-)dândi e a noção de decadência no conto 
Civilização, de Eça de Queirós 
Michele Dull Sampaio Beraldo Matter. In: O MARRARE – Revista da 
Pós-Graduação em Literatura Portuguesa da UERJ. Rio 
de Janeiro: 2007a. n. 8. p. 8-19. 
BAUDELAIRE, Charles. O dândi. In: Sobre a modernidade: o pintor 
da vida moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. pp. 51-56. 
QUEIRÓS, Eça de. A decadência do riso. In: Notas contemporâneas. 
Lisboa: Edição Livros do Brasil, s/d. 
______. Civilização. Contos. São Paulo: Martim Claret, 2004.

A Cidade e as Serras

  • 1.
    A Cidade eas Serras Eça de Queirós, 1901
  • 2.
    Contexto Mundial •Hegemonia europeia
  • 3.
  • 4.
    Correntes cientificistas •Positivismo • Determinismo • Darwinismo Social • Socialismo
  • 5.
    Contexto Português •Questão Coimbrã (Geração de 70) X Romantismo • Antero de Quental X Antonio Feliciano de Castilho • Conferências do Cassino (Lisboa): estrutura aristocrática, agrária e rural X modernidade europeia;
  • 6.
    “O Realismo éuma reação contra o Romantismo. O Romantismo era a apoteose do sentimento; - o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos - para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.” Eça de Queirós
  • 7.
    Realismo • França,1857, Madame Bovary, de Gustave Flaubert • Representação objetiva da realidade • Denúncia da vida burguesa • Linguagem direta • Tempo da narrativa • Análise psicológica das personagens  Oposição ao Romantismo
  • 8.
    Eça de Queirós • 1845-1901 • Advogado • Jornalista • Político • Cônsul • Anticlerical, antiburguês, antimonárquico.
  • 9.
    Fases 1ª fase– Romântica (Prosas Bárbaras): temas e idealizações Românticas, descrições já Realistas e estilo próximo ao Simbolismo. 2ª fase – Realista (O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias): romance de costumes, análise objetiva e crítica da sociedade. 3ª fase - Realista de Transição (A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras, Últimas Páginas): moderação no sarcasmo e na ironia, afetividade em relação à Portugal. Consciência de que criticou inutilmente a burguesia e a família.
  • 10.
    Em carta aTeófilo Braga: “A minha ambição seria pintar a sociedade portuguesa, e mostrar-lhe, como num espelho, que triste país eles formam - eles e elas. É o meu fim nas Cenas portuguesas. É necessário acutilar o mundo oficial, o mundo sentimental, o mundo literário, o mundo agrícola, o mundo supersticioso - e, com todo respeito pelas instituições de origem eterna, destruir as falsas interpretações e falsas realizações que lhe dá uma sociedade podre. Não lhe parece você que um tal trabalho é justo?” Eça de Queirós
  • 11.
    A Cidade eas Serras
  • 12.
    “Enganados pela ciência,embrulhados nas subtilezas balofas da economia política, maravilhados como crianças pelas habilidades da mecânica, durante setenta anos construímos freneticamente vapores, caminhos de ferro, máquinas, fábricas, telégrafos, uma imensa ferramentagem, imaginando que por ela realizaríamos a felicidade definitiva dos homens e mal antevendo que aos nossos pés e por motivo mesmo dessa nova civilização utilitária se estava criando uma
  • 13.
    massa imensa demiséria humana, e que, com cada pedaço de ferro fundíamos e capitalizávamos, íamos criar mais um pobre!” Eça de Queirós em A Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, 23 de Abril de 1895 •ACeaS: apologia a ideal de justiça: o mal não está na máquina, mas na mentalidade humana.
  • 14.
    A Cidade eas Serras • 1892: conto Civilização • 1901: morte durante período de revisão – Ramalho Ortigão • Fundação Eça de Queiroz • Alegoria: felicidade na simplicidade.
  • 15.
    Correntes • REALISMO– crítica irônica à alienação da elite portuguesa e ao imoralismo e decadência da civilização do fim do século; detalhismo nas descrições.
  • 16.
    Correntes • NATURALISMO– romance de tese; zoomorfismo (animalização de alguns personagens); uso de um vocabulário grosseiro (em algumas passagens); apelo ao grotesco nas caricaturas.
  • 17.
    Correntes • IMPRESSIONISMO– técnica artística em que a realidade é expressa a partir da apreensão sensorial imediata; presente principalmente nas descrições de paisagens, associadas ao estado psicológico dos personagens, prática comum a Eça.
  • 18.
    1. Enredo Genealogiados Jacintos (Miguelismo – Cintinho)  Jacinto (fidalgo / Paris) e Zé Fernandes amigos de infância  O homem só é superiormente feliz, quando é superiormente civilizado  7 anos  202 completamente equipado 
  • 19.
    Jacinto magro, velhoe curvado  Depressivo  ZF se hospeda no 202  Eu não tenho nunca apetite, já há tempos...Já há anos  Inundação  Jantar 
  • 20.
    ZF viaja  Notícia de destruição em Tormes  Jacinto precisa viajar a Portugal  Jacinto telegrafou a Silvério: reforma da Quinta  Viajam a Portugal de trem  Perdem-se do empregado e das bagagens  Ninguém os esperava em Tormes
  • 21.
    Égua ruça ejumenta  Desordem em Tormes  Jacinto desiste de voltar a Lisboa depois do primeiro jantar local  ZF vai à casa de sua tia  5 ou 6 semanas  Jacinto completamente adaptado ao campo
  • 22.
    Jacinto acompanha ZFaté a Flor da Malva  Conhece Joaninha  Casamento  2 filhos  Jacinto planeja passeio a Paris, mas não se concretiza  Ninguém sai de Tormes.
  • 23.
    • Lento •Conflito único • Ideal clássico de felicidade
  • 24.
    2. Tempo •Belle Époque
  • 25.
    • Cronológico: causae efeito • Período: 1866 (acamaradagem) a 1889 (retorno de Zé Fernandes a Tormes) • Flashback: genealogia
  • 26.
    3. Espaço •Essencial: contraposição • Paris X Tormes • Fugere urbem X Locus amoenus • Civilizado X Natural • Estreito X Amplo • Nociva X Fonte de vida • Malícia X Entusiasmo • 202 X Quinta
  • 27.
    Cidade “(...) rebeliãode homem livre, aquela agenda que o escravizava” “Depois, bocejando, desabotoando lentamente a sobrecasaca cinzenta” X Serras “(…) a grossa camada de nuvens já se ia enrolando sob a lenta varredela do vento (…) então recolhemos lentamente para casa…” “Então Jacinto, muito embaraçado, murmurou abstraidamente”
  • 28.
    a) A Cidade • O “202”: civilização em miniatura. • Visão irônica: “Saímos do 202, chegamos à serra, encontramos o 202. Não há senão Paris!”
  • 29.
    A tecnologia (...)- Ó Jacinto, para que servem todos estes instrumentozinhos? Houve já aí um desavergonhado que me picou. Parecem perversos... São úteis? Jacinto esboçou, com languidez, um gesto que os sublimava. -Providenciais, meu filho, absolutamente providenciais, pela simplificação que dão ao trabalho! Assim... e apontou. Este arrancava as penas velhas, o outro numerava rapidamente as ´páginas dum manuscrito; aqueloutro, além, raspava emendas... E ainda os havia para colar estampilhas, imprimir datas, derreter lacres, cintar documentos...
  • 30.
    - Mas comefeito, acrescentou, é uma seca... Com as molas, com os bicos, às vezes magoam, ferem... Já me sucedeu inutilizar cartas por as ter sujado com dedadas de sangue. É uma maçada! (...)
  • 31.
    • Hipocrisia –figura da mulher 1. A cocotte de Jacinto – Ó Jacinto! Quem é esta Diana que incessantemente te escreve, te telefona, te telegrafa, te...? – Diana...Diana de Lorge. É uma cocotte. É uma grande cocotte! – Tua? – Minha, minha... Não! tenho um bocado. E como eu lamentava que o meu Príncipe, senhor tão rico e de tão fino orgulho, pôr economia duma gamela própria chafurdasse com outros numa gamela pública Jacinto levantou os ombros, com um camarão espetado no garfo:
  • 32.
    – Tu vensdas serras... Uma cidade como Paris, Zé Fernandes, precisa ter cortesãs de grande pompa e grande fausto. Ora para montar em Paris, nesta tremenda carestia de Paris, uma cocotte com os seus vestidos, os seus diamantes, os seus cavalos, os seus lacaios, os seus camarotes, as suas festas, o seu palacete, a sua publicidade, a sua insolência, é necessário que se agremiem umas poucas de fortunas, se forme um sindicato! Somos uns sete, no Clube. Eu pago um bocado... Mas meramente pôr Civismo, para dotar a Cidade com uma cocotte monumental. De resto não chafurdo. Pobre Diana!... dos ombros para baixo nem sei se tem a pele cor de neve ou cor de limão. Arregalei um olho divertido: – Dos ombros para baixo?... E para cima? – Ó! para cima tem pó de arroz!... Mas é uma seca! Sempre bilhetes, sempre telefones, sempre telegramas. E três mil francos pôr mês, além das flores... Uma maçada!
  • 33.
    E as duasrugas do meu Príncipe, aos lados do seu afilado nariz, curvado sobre a salada, eram como dois vales muito tristes, ao entardecer.
  • 34.
    2. A infecçãosentimental de Zé Fernandes “Depois, uma tarde, trepando com a costumada gula a escada da rua do Hélder, encontrei a porta fechada – e arrancado da ombreira aquele cartão de Madame Colombe que eu lia sempre tão devotamente e que era a sua tabuleta... Tudo no meu ser tremeu como se o chão de Paris tremesse! (...) - Madame Colombe? A barbuda comadre recolheu lentamente a vaza: - Já não mora... Abalou esta manhã, para outra terra com outra porca!”
  • 35.
    3. Madame deOriol “– Estamos separados, cada um vive como lhe apetece, é excelente! Mas em tudo há medida e forma... Ela tem o meu nome, não posso consentir que em Paris, com conhecimento de todo o Paris, seja a amante do trintanário. Amantes da nossa roda, vá! Um lacaio, não!... Se quer dormir com os criados que emigre para o fundo da província, para a sua casa de Corbelle. E lá até com os animais!... Foi o que lhe disse! Ficou como uma fera. Sacudiu então a mão de Jacinto que “era da sua roda” – rebolou pela escadaria florida e nobre. (...)”
  • 36.
  • 38.
    b) e asSerras...Tormes
  • 39.
    “É muito grave,deixar a Europa!” - Genealogia: fidalgos / solar - Metáfora de ossos - Mudança em Jacinto: planejador, alegre, preocupado socialmente - Fome no campo/desigualdade social
  • 40.
    Espaço responsável pela divisão temática: • Paris (Cap. I a VIII): Cidade (tecnologia) X Campo (atraso) • Tormes (Cap. IX a XVI): sem malas - progresso é ilusão, campo é fonte de paz e alegria • síntese cidade-campo: solução equilibrada: casamento, filhos, eletricidade, telefonia
  • 41.
    4. Personagens Jacinto,o Príncipe da Grã Ventura • 3 fases: urbano, em crise, rural  metáfora de Portugal; • Degeneração corpo = degeneração do país.
  • 42.
    •Mitologia grega: rapazde rara beleza - Apolo (deus da beleza, da música e da poesia), protetor – esportes – Zéfiro: ciúmes: disco acerta a cabeça: morte. Apolo: flor. A morte de Jacinto. Jean Broc, 1801.
  • 43.
    Jacinto: riqueza X ocupação mental. Estabilidade X moda Tormes: fixa raízes (ossos): estabilidade. Apolo = Paris. Morte para renascer mais belo e forte. Tormes, Portugal. Montmartre, Paris.
  • 44.
    “[Dandi é o]homem rico, ocioso e que, mesmo entediado de tudo, não tem outra preocupação senão correr ao encalço da felicidade; o homem criado no luxo e acostumado a ser obedecido desde a juventude; aquele, enfim, cuja única profissão é a elegância, sempre exibirá, em todos os tempos, uma fisionomia distinta, completamente à parte.(...) é politicamente anti-burguês, não porque quer acabar com a burguesia, mas porque é aristocrático.” BAUDELAIRE, C.
  • 45.
    Zé Fernandes -Foi criado pelos tios; apenas a tia Vicência está viva; - Pequeno proprietário; - Narrador  subjetividade; - Resgata o bom senso do protagonista  retornos a Portugal.
  • 46.
    - Pequeno proprietárioX fidalgo: “E, descendo os campos Elísios, encolhido no paletó, a cogitar nesse prato simbólico, considerava a rudeza e atolado atraso da minha Guiães, onde desde séculos a alma das laranjas permanece ignoradas e desaproveitada dentro dos gomos sumarentos, por todos aqueles pomares que assombram e perfumam o vale, da Roqueirinha a Sandofim!”
  • 47.
    “ Ao optarpor personagens de índole tão diferente (citadina e francesa, com Jacinto; serrana e portuguesa, com Zé Fernandes), Eça põe em cena duas vozes, dois pontos de vista ideológicos que constantemente e de modos diversos dialogam entre si. É desta forma que o autor de A Cidade e as Serras problematiza a maneira de viver e as próprias soluções finais, que perante a vida adota (ou encontra) cada uma destas personagens.” SOUZA, Frank.
  • 48.
    Dialética - Apartir do diálogo, há a contraposição e a contradição de ideias para se chegar a novas ideias
  • 49.
    • Tese “Quecriação augusta, a da Cidade! Só por ela pode o homem soberbamente afirmar sua alma!” • Antítese “Sim, é talvez tudo ilusão...E a cidade a maior ilusão!” • Síntese “- Tudo ótimo, gritou Jacinto. A serra, Deus louvado, prospera.”
  • 50.
    Joaninha - primade Zé Fernandes e futura esposa de Jacinto - a imagem da maternidade (Maria Lúcia Lepecki) - Virgem Maria e Vênus rústica (Frank Sousa)
  • 51.
    Joaninha: lado positivoe redentor da mulher Mme. d'Oriol e Colombe: lado da perversão feminina
  • 52.
    • Personagens caricaturais Avô Jacinto - gordo e rico fidalgo, casado com dona Angelina de Fafes. Devoto do infante dom Miguel. Quando dom Miguel é exilado para a França, Jacinto acompanha-o, com a esposa e o filho Jacinto (Cintinho), e compra o 202.
  • 53.
    • Cintinho, oSombra – pai de Jacinto. Seco, encurvado e tuberculoso. Caricato ultrarromântico, tipo bastante presente à obra de Eça. Casa-se com Teresinha Velho, engravida-a, mas morre (1851), antes do filho nascer.
  • 54.
    • Personagens docampo: simplicidade e amizade. • (Tio Alfonso) • Tia Vicença • Silvério, o caseiro • Joana, esposa de Jacinto: casamento, equilíbrio • Jacintinho e Teresinha: filhos de Jacinto
  • 55.
    • Personagens dacidade: frivolidade, aparência, hipocrisia, vaidade, lisonja, falsidade, elegância, trajes sedutores • Madame de Verghane • Princesa de Carman • Grã-duque Casemiro • Madame Joana de Oriol: amante de Jacinto. Vivia das aparências • Condessa de Tréves • Duque de Marizac • Efraim
  • 56.
    5. Narrador •Narrativa testemunhal: Zé Fernandes; • Não-onisciente: compromete X isenção; • Coloca-se como menos importante do que o protagonista; • Irônico; • Parece idealizar Jacinto: "Príncipe da Grã-Ventura”; • Duplo de Jacinto (superioridade da natureza e regeneração pelo campo).
  • 57.
    Linguagem • Metonímias “Antes de ele voltar ao 202” • Adjetivação sugestiva “preguiçoso charuto”, “um olhar farto”, “dois milhões de uma vaga humanidade”
  • 58.
    • Comparações “Eos pedaços de soalho levantado mostravam tristemente, como num cadáver aberto, todos interiores do 202, a ossatura, os sensíveis nervos de arame, os negros intestinos de ferro fundido.” • Detalhismo
  • 60.
    •Diálogos vivos “Sugeria Jacinto que subíssemos à Basílica do Sacré-Couer, em construção nos altos de Montmartre. - É uma seca, Zé Fernandes... - Com mil demônios! Eu nunca vi a Basílica... - Bem, bem! Vamos à Basílica, homem fatal de Noronha e Sande!”
  • 61.
    “ Então, estreitamosos ossos num grande abraço, pelo natalício... -Trinta e oito, hem, Zé Fernandes? -Trinta e quatro, animal.”
  • 62.
    Crítica Literária 1)ROMANCE DE TESE Tese inicial: só a tecnologia (CIDADE) traz felicidade; Antítese: só a simplicidade (SERRAS) traz felicidade; Síntese: uma vida equilibrada traz felicidade (alguma tecnologia + simplicidade).
  • 63.
    2) ROMANCE DETESE: CONFRONTOS • PARIS [cidade, civilização, cultura] X TORMES [serras, Portugal, natureza] 70000 livros X poucos volumes. • Mesa de vários talheres; comida sofisticada X mesa simples, comida caseira. • Complexos rituais de higiene e vestuário X simplicidade no viver.
  • 64.
    Tese defendida noromance remete o leitor ao Arcadismo (século XVIII), exatamente época do início da Idade Contemporânea, com as Revoluções Industrial e Francesa.
  • 65.
    Intertextualidade I. Neoclassicismo– máximas Horacianas Fugere urbem (saída de Paris)  Locus amoenus (Tormes)  Inutilia truncat (perda da bagagem) 
  • 66.
    Aurea mediocritas (vida“simples” e feliz no campo; moderação)  Carpe diem (aproveitar o dia, o )  momento presente) Tempus fugit
  • 67.
    • Alienação Xcaridade • Palacete 202: excesso de tecnologia (problemas), termina decadente e abandonado X Solar de Tormes: abandonado e caindo aos pedaços de início, torna-se, revivido, o "Castelo da Grã-Ventura". “A vida no campo é superior à vida nas grandes cidades, que iludem e desumanizam seus habitantes.”
  • 68.
    “a obra, atravésdo seu protagonista Jacinto, representa, por um lado, a reconciliação do próprio Eça com uma pátria que perdera em infindáveis viagens desde 1872 e, por outro, a desilusão perante uma França cada vez mais intolerante.” João Medina, Eça Político
  • 69.
    Sebastianismo - Benditoseja o Pai dos Pobres! Direito, no meio da estrada, erguia o cajado como dirigindo as aclamações dum povo. E Jacinto pasmava de que ainda houvesse no reino um Sebastianista. - Todos o somos ainda em Portugal, Jacinto! Na serra ou na cidade cada um espera o seu D. Sebastião. Até a loteria da Misericórdia é uma forma de Sebastianismo. Eu, todas as manhãs, mesmo sem ser de nevoeiro, espreito, a ver se chega o meu.. Ou antes a minha, porque eu espero uma D. Sebastiana... E tu, felizardo? -Eu? Uma D. Sebastiana? Estou muito velho, Zé Fernandes... Sou o último Jacinto; Jacinto ponto final...
  • 70.
    II Autores clássicos:destaque para os poetas Homero e Virgílio. •A primeira leitura de Jacinto nas serras: livro I das Bucólicas: manhã de esplendor em Tormes e à personagem Jacinto
  • 71.
    “Fortunate Jacinthe! Hicinter arva nota Et fontes sacros, captabis opacum... “ Afortunado Jacinto, na verdade! Agora, entre campos que são teus e águas que te são sagradas, colhes enfim a sombra e a paz!”
  • 72.
    • Jacinto abandona,nas serras, o científico e o filosófico: lê apenas o ficcional. Segundo Maria Lúcia, são constituintes reacionários: Jacinto não lê texto contemporâneo. Volta à Serra = volta ao passado.
  • 73.
    III. D. Quixote: a recuperação da sua capacidade de rir, contrário de Schopenhauer.
  • 74.
    • Para finalizar,Álvaro Lins realizou críticas ferrenhas à obra A Cidade e as Serras (1901), assegurando que é um livro de decadência, em que o enredo é inexistente e as personagens “de uma extrema miséria de vida”.
  • 75.
    • Referências bibliográficas: QUEIROZ, Eça de, A Cidade e as Serras, Lisboa, Livros do Brasil, s/d. COELHO, Jacinto do Prado - "A tese de 'A Cidade e as Serras'" in A letra e o leitor, 2ª ed., Lisboa Moraes Editores, 1977, pp. 169-174. LEPECKI, Maria Lúcia - " O sentido de A Cidade e as Serras" in Eça na ambiguidade, Fundão, "Jornal do Fundão" Editora, 1974, pp. SOUSA, Frank S. - "Da errância como atitude estética em Eça de Queiroz: do conto A Perfeição aA Cidade e as Serras ", Revista da Faculdade de Letras, 5ª série, 19/20, Lisboa, 1995-1996, pp. 75-88. SOUSA, Frank S. - O segredo de Eça. Ideologia e ambiguidade em "A Cidade e as Serras", Lisboa, Cosmos, 1996 GUERRA DA CAL, Ernesto, Língua e Estilo de Eça de Queiroz, Coimbra, Almedina, 1981. MEDINA, João, Eça Político, Lisboa, Seara Nova, 1974. GROSSEGESSE, Orlando, «Sobre a 'recarnavalização' em A Cidade e as Serras ______. “A postura (anti-)dândi e a noção de decadência no conto Civilização, de Eça de Queirós Michele Dull Sampaio Beraldo Matter. In: O MARRARE – Revista da Pós-Graduação em Literatura Portuguesa da UERJ. Rio de Janeiro: 2007a. n. 8. p. 8-19. BAUDELAIRE, Charles. O dândi. In: Sobre a modernidade: o pintor da vida moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. pp. 51-56. QUEIRÓS, Eça de. A decadência do riso. In: Notas contemporâneas. Lisboa: Edição Livros do Brasil, s/d. ______. Civilização. Contos. São Paulo: Martim Claret, 2004.