Jornal



    O Bandeirante
               Ano XVIII - no 207 - fevereiro de 2010
               Publicação Mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Estado de São Paulo - SOBRAMES-SP




                             Hablaremos Portunhol?
                                                    “O progresso não é senão a realização das utopias”.

                                        Oscar Wilde (1854-1900), escritor, poeta, ensaísta e dramaturgo irlandês.




 Helio Begliomini
 Médico urologista
 Presidente da SOBRAMES-SP (2009-2010).


     Qual de nós brasileiros, que tenha al-              ra, sendo prestigiado por diversos escritores               tais como o japonês, mandarim, árabe e
gum conhecimento do idioma castelhano,                   latino-americanos. (...)                                    russo, face à economia globalizante e, com
querendo ser gentil e se fazer compreender                    Sabemos que as línguas vivas recebem                   ela, a interesses econômico-empresariais
com os hermanos latino-americanos, já não                influências constantes do mundo global ho-                  nas implantações de multinacionais ou
tenha tentado se comunicar num híbrido de                dierno. Por vezes veem-se discussões sobre                  mesmo de polos turísticos.
português e espanhol? Ultimamente, tam-                  quando e como limitar estrangeirismos em                         Por sua vez, embora ainda pareça em-
bém se tem visto o inverso. O nosso idioma               nosso idioma, haja vista as dezenas, para                   brionária – na prática – a ideia do Mer-
não somente começa a ser interessante para               não falar em centenas de neologismos que                    cosul, ele poderá ser eficiente em longo
aprendizado pelos nossos vizinhos, como                  nele têm sido incorporados nas últimas dé-                  prazo, como tem sido o Mercado Comum
também, cada vez mais, tentativas deles são              cadas.                                                      Europeu. Se isso acontecer, não tenhamos
feitas para se comunicar conosco informal-                    Por sua vez, sabe-se também que não é                  a menor dúvida de que estará aberta uma
mente em nosso vernáculo.                                fácil impor por lei determinações ou proibi-                grande porta para a implantação natural
     Como os dois idiomas são derivados do               ções ao uso casto do idioma, particularmen-                 do “portunhol” que, com certeza, deman-
latim – com semelhanças tanto na gramáti-                te na forma coloquial, informal – naquela                   dará muitíssimas décadas ou séculos.
ca quanto na pronúncia – o que ocorre na                 falada quotidianamente – querendo isentá-                        Essa ideia pode parecer utopia, mas os
prática é a fala de uma mistura entre am-                lo de influências exteriores, sobremodo se                  vernáculos português e espanhol de hoje
bos, consagrada como “portunhol”, vocá-                  vão contra a uma praxe em curso, ou contra                  em dia não são os mesmos daqueles de um
bulo esse já consignado em dicionário.                   uma maior facilidade mnemônica em se co-                    século atrás – para não dizer daqueles da
     Mas se isso ocorre com tanta frequência             municar.                                                    época dos descobrimentos – e nem serão os
na comunicação oral, não somente infor-                       Como exemplo atual tem-se o famige-                    mesmos daqui a quinhentos anos. Quiçá, lá
mal, mas também em certas formalidades                   rado Acordo Ortográfico da Língua Portu-                    na frente, não haverá maior aproximação,
no ambiente profissional, empresarial, ar-               guesa – em fase de implantação – tido com                   imbricação, mescla, enfim, unificação de
tístico, cultural, científico, religioso... por          benéfico para todos os povos lusófonos, e                   ambas as línguas. Se isso acontecer e se os
que não oficializá-lo de fato?                           que levou muitos anos de discussão para ser                 outros idiomas permaneceram proporcio-
     Essa ideia, por mais esdrúxula que pos-             ratificado pela Comunidade dos Países de                    nalmente como estão, o “portunhol” sobre-
sa parecer, já tem adeptos comprometidos                 Língua Portuguesa (CPLP), mas que ainda                     pujará o inglês e tornar-se-á a segunda lín-
com sua causa. Seu grande protagonista é                 restam cerca de dois anos para ser imple-                   gua mais falada do planeta. Hoje, soman-
o escritor brasileiro Douglas Diegues, qua-              mentado completamente.                                      do-se os aproximadamente 270 milhões
rentão, carioca de nascimento, mas que vive                   Não há dúvidas de que as influências no                de falantes de castelhano aos cerca de 230
desde os cinco anos em Ponta Porã (MS). Vi-              vernáculo são ditadas por países de mando                   milhões dos falantes de português, seriam
vendo na fronteira, o poeta de família para-             – particularmente econômico –, mas tam-                     aproximadamente 500 milhões de pessoas
guaia se acostumou com a mistura dos idio-               bém científico, cultural, industrial, militar e             (!), somente atrás do mandarim, utilizado
mas português, espanhol e guarani, falado                tecnológico que, regra geral, são condições                 por 650 milhões de indivíduos. (...)
particularmente pelos índios sacoleiros,                 que estão simultaneamente presentes em                           Não viveremos para ver. Mas, conhe-
pistoleiros trôpegos, ambulantes e cortesãs              países desenvolvidos.                                       cendo um pouco de história e da saga
que convivem nessa região, fundo de cena                      O idioma francês que, desde o século                   humana, vislumbramos que essa ideia ofi-
em que ele consignou em livro intitulado                 XVI, era a língua diplomática, há poucas                    cializada, em 2007, por Douglas Diegues
“O Astronauta Paraguayo” (“El Astronauta                 décadas perdeu lugar para o inglês, que                     e visionários “portunholenses” não é, ab-
Paraguayo”). (...)                                       além de ter-se imposto pelas condições aci-                 solutamente, em longo prazo, nenhuma
     Assim, o próprio Douglas Diegues, em                ma citadas, tem a seu favor sua gramática                   utopia. Ela não viria por força da lei, mas,
seu livro “Uma Flor na Solapa da Miséria”                – que não é a das mais difíceis –, e de ser                 naturalmente pela práxis de povos que
define o neovernáculo como “lengua bizar-                falado por 320 milhões de habitantes no                     viverão um mundo sem fronteiras, aliás,
ra” denominado “portunhol salvaje” (selva-               globo terrestre.                                            como era em seus primórdios. A propósito,
gem). (...)                                                   Hoje em dia, não é incomum a procu-                    Carlo Dossi (1849-1910), escritor italiano,
     O primeiro encontro portunhoespa-                   ra pelo aprendizado de idiomas até pouco                    já consignara: “Muitas vezes a utopia de
nhol já ocorreu de 6 a 10 de dezembro de                 tempo considerados excêntricos, inatingí-                   um século torna-se a ideia vulgar do século
2007, em Asunción, na embaixada brasilei-                veis ou incompreensíveis para nós latinos,                  seguinte”.
2   O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010


                                                                            Pinturas e cenas – Especial de Poesias
    EXPEDIENTE
                                                                                               Médicos escrevem receitas, relatórios, descrições
Jornal O Bandeirante
ANO XVIII - no 207 - Fevereiro 2010
                                                                                          cirúrgicas, prescrições de enfermaria. A profissão é repe-
                                                                                          titiva: as consultas e as queixas se repetem junto com as
Publicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos
                                                                                          mesmas receitas, até as cirurgias são repetitivas. Existem
Escritores - Regional do Estado de São Paulo SOBRAMES-                                    variações de postura, como sorrisos e apertos de mãos,
SP. Sede: Rua Alves Guimarães, 251 - CEP 05410-000
- Pinheiros - São Paulo - SP Telefax: (11) 3062-9887 /
                                                                                          marcas de remédio, as mesmas cirurgias em hospitais
3062-3604 Editores: Carlos A. F. Galvão, Roberto A. Aniche.                               diferentes. Mas a repetição da cena milhares de vezes
Jornalista Responsável e revisora: Ligia Terezinha Pezzuto
(MTb 17.671 - SP). Colaboradores desta edição: Alcione
                                                                                          com novos atores, gravitando em torno do ator principal
Alcântara Gonçalves, Carlos Augusto Galvão, Geovah                                        e único não “trocável” torna esta profissão realmente um
Paulo da Cruz, Helio Begliomini, Hélio José Destro, José
Jucovsky, Josyanne Rita de Arruda Franco, Márcia Etelli
                                                                                          paradoxo, já que do outro lado está a ajuda a quem pre-
Coelho, Roberto Antonio Aniche, Sérgio Perazzo.Tiragem                                    cisa e o orgulho de fazer boas coisas. Aí é que complica:
desta edição: 300 exemplares (papel) e mais de 1.000
exemplares PDF enviados por e-mail.
                                                                                          ninguém aguenta o mesmo noticiário milhares de vezes
Diretoria - Gestão 2009/2010 - Presidente: Helio
                                                                                          com apresentadores diferentes.
Begliomini. Vice-Presidente: Josyanne Rita de Arruda               Nesse stress constante, cabe ao médico mudar o que escreve, transformar-se
Franco. Primeiro-Secretário: Ligia Terezinha Pezzuto.
Segundo-Secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã.                novamente naquele colegial sonhador e dar asas à imaginação. A palavra pinta
Primeiro-Tesoureiro: Marcos Gimenes Salun. Segundo-             um quadro, uma cena. Revela um sentimento intangível de uma emoção capaz de
Tesoureiro: Roberto Antonio Aniche. Conselho Fiscal
Efetivos: Flerts Nebó, Carlos Augusto Ferreira Galvão, Luiz     fazer rir e chorar. Com a palavra se constrói um mundo novo que explora cores,
Jorge Ferreira. Conselho Fiscal Suplentes: Geovah Paulo         sons, sentimentos, que mostra um lado não médico de quem vive o dia inteiro
da Cruz; Rodolpho Civile; Helmut Adolf Mataré.
                                                                pensando em transplantes, próteses, infecções e loucuras. Jamais esqueça esse
                                                                adolescente que vive e viverá sempre dentro do seu coração: escreva, traduza em
    Matérias assinadas são de responsabilidade de seus          palavras o que só os sentimentos enxergam.
     autores e não representam, necessariamente, a
                  opinião da Sobrames-SP                           Nosso informativo é somente uma exposição de quadros da alma de cada
                                                                sobramista. Por isso colocamos este Boletim Especial de Poesias, mostrando que
                 Editores de O Bandeirante                      o sobramista é mais do que um médico (ou associado não médico), é um poeta
Flerts Nebó – novembro a dezembro de 1992                       nato, que já nasceu poeta antes de ser médico.
Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1993-1994                    Escreva, liberte-se...
Carlos Luiz Campana e Hélio Celso Ferraz Najar – 1995-1996
Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1996-2000
                                                                                                              Carlos Augusto F. Galvão
Flerts Nebó e Marcos Gimenes Salun – 2001 a abril de 2009                                                     Roberto Antonio Aniche
Helio Begliomini – maio a dezembro de 2009
Roberto A. Aniche e Carlos A. F. Galvão - janeiro 2010 -

                Presidentes da Sobrames – SP
                                                                                                           Dr. Carlos Augusto Galvão
1 Flerts Nebó (1988-1990;1990-1992 e out/2005 a dez/2006)
                                                                                                           Psiquiatria e Psicoterapia
    o


2o Helio Begliomini (1992-1994; 2007-2008 e 2009-2010)
3o Carlos Luiz Campana (1994-1996)                                                                         Rua Maestro Cardim, 517
4o Paulo Adolpho Leierer (1996-1998)
5o Walter Whitton Harris (1999-2000)                                                                       Paraíso – Tel: 3541-2593
6o Carlos Augusto Ferreira Galvão (2001-2002)
7o Luiz Giovani (2003-2004)

                                                                 Walter Whitton Harris
8o Karin Schmidt Rodrigues Massaro (jan a out de 2005)


                                                                       Cirurgia do Pé e Tornozelo
                                                                         Ortopedia e Traumatologia Geral
    Editores: Carlos A. F. Galvão, Roberto A. Aniche                     CRM 18317
    Revisão: Ligia Terezinha Pezzuto                                      Av. República do Líbano, 344           Rua Luverci Pereira de Souza, 1797 - Sala 3
    Diagramação: Mateus Marins Cardoso                                    04502-000 - São Paulo - SP           Cidade Universitária - Campinas (19) 3579-3833
    Impressão e Acabamento: Expressão e Arte Gráfica                       Tel. 3885 8535                             www.veridistec.com.br
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                       CUPOM DE ASSINATURAS*                                                                                    longevità
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         ________________________________ nº. _______ complemento _________

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           Grátis:   Além da edição impressa que será enviada por correio, o assinante                                             Ginecologia
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                                                                                                                                   Obstetrícia
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SUPLEMENTO LITERÁRIO
                                                                             O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010   3
Noite Fria
Josyanne Rita de Arruda Franco
josyannerita@uol.com.br


É quando está assim, noite fria,          do amor... ou de algum carinho
anunciando inverno,                       que me aqueça a madrugada.
que os meus desejos me pedem              Meu peito - madeira de lei !- ,
oásis para o deserto.                     detém a ternura chaveada,
Então vagueiam fantasmas                  ainda que pela chanfradura
exigindo ser lembrança                    escoe a alma aprisionada...
na memória castigada                      Escuto um bolero sofrido.
por ingênua temperança.                   Amantes que não se encontram
Anseio calor humano                       deixando para o infinito
e o aconchego de palavras                 o beijo que não alcançam.
nos ombros que tremem de frio,            Construo, olhando a lareira,
qual ondas levando fragata.               futuro de ardor e paixão,
Inverno querendo vinho...                 enquanto a chama vermelha
clamando que tarde a alvorada             me aclimata o coração.
para manter o calor do ninho              Crepita o desejo... e sozinha,
e a lareira iluminada.                    insalivando a boca ressecada,
No entanto não tenho o vinho              vejo arder, no fogo, a lenha
nem a companhia sagrada                   que andei juntando na estrada..!




Trevas, Trovas e Troças – (Sátira)
Geovah Paulo da Cruz
geovahcruz@uol.com.br


    (Treze de dezembro é dia de Santa Luzia, a protetora dos olhos e padroeira dos oftalmologistas. Não se sabe o
nome dela, nem se existiu de verdade. Luzia, Lucia, Lúcia, Luci, Lucy, Lucile são denominações que derivam do latim
lux, cujo genitivo lucis significa “da luz”. Seu Senhor feudal tinha o “jus prima note”, o direito sobre sua virgindade;
era a lei. Diz a lenda medieval que ele se encantou com seus belos olhos. Então, ela arrancou-os e os entregou a ele
numa bandeja). Quem fez um belo poema sobre este tema foi Vinicius de Moraes.


                Seus belos olhos enfeitiçaram seu senhor feudal;
                Desatinada, arrancou-os e deu-lhos na mão.
                Oftalmologista e herege, eis a minha opinião:
                Em plena Idade Média, por que tão radical?
                Sendo uma serva, era o costume, o direito e a moral;
                Então que fechasse os olhos, e melhor faria
                Se lhe desse o que ele tanto queria...
                E mais... com gozo, hormônios, euforia
                Ficaria curada de sua grave histeria!
                Mesmo que santinha, oh louca e cega Luzia,
                Seu gesto não combina com a oftalmologia,
                Cuja luta é pela visão boa, íntegra e sadia.
                Pela anatomia que a senhorita protegia,
                Porventura, mais apropriado não seria
                Ser padroeira da ginecologia?
4    O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010
                                                                                    SUPLEMENTO LITERÁRIO




“Os Meninos...
A Estação e o
Trem” Maria-Fumaça
Hélio José Destro



                  Nos antigamente.
                 A MARIA-FUMAÇA
                 Que vem lá na curva.
                Cheia... Cheia de graça.

Balança e dança
MARIA-FUMAÇA
Ao fogo se lança.
Madeira seca que estilhaça.

                A fumaça a acompanha
                 Na curva ela balança.
               Vem repleta de adultos...
               Jovens, bebês e crianças.

Piuuuuuuuuuu.
Piummmmmm.	           A professora!
O aviso é estridente	 A professora!
                                                  Morrer e Renascer
Nas janelas gente. 	 É ela... É ela.
                                                  Alcione Alcântara Gonçalves
           Amigos... Conhecidos da cidade.        cldbosco@clinicadombosco.com.br
            Curiosos na pequena estação.
              A espera das novidades.
             BRECA- Preeeeeeeeeeee.               O dia morre com o ocaso do sol,
                                                  Mas renasce na manhã seguinte,
                                                  Com o novo nascer do astro rei!
Da caldeira esguicha o vapor
Para o céu sobe a fumaça.                         A semente precisa morrer,
TEMPO de descer, e SUBIR viajantes.               Para dar a oportunidade,
Alegria e, amor nos semblantes.                   Do nascimento da nova árvore.

          Vai partir. Já não é o que foi antes.   A lagarta constrói o seu túmulo
           PIUUUUUUUUUU. Vai partir...            E, no casulo, transforma seu corpo,
                                                  Surgindo como uma linda borboleta!
              Devagarzinho vai embora.
                 Atrasada ou na hora.             Jesus veio ao nosso mundo,
                                                  Para pregar o evangelho e fundar o seu reino;
Partindo deixa a saudade.                         Morreu e, no terceiro dia, Renasceu!
Vai num barulho do rolar nos trilhos.
Vai sem nunca ter ido. No rastilho.               A morte é apenas a transformação,
Sai devagarzinho... Devagarzinho.                 De um corpo material e espiritual,
                                                  Libertando o espírito da prisão virtual.

             Nos olhos fica aquele brilho         O espírito ou alma é uma inteligência,
                Da MARIA-FUMAÇA.                  Uma energia proveniente do mundo cósmico,
           Saudades DOS ANTIGAMENTE.              E, ao morrermos, retorna ao fluido cósmico.
SUPLEMENTO LITERÁRIO
                                                               O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010   5
Boca do Inferno
José Jucovsky



“O demo a viver se exponha,                        em “abominável fome de ouro” da ambição.
por mais que a fama a exalte,                      Flui pelas portas abertas do Brasil infantil
numa cidade onde falta                             a universal força do espírito mercantil
verdade, honra, vergonha.”                         levando à loucura de escravizar a vida
Gregório de Matos (1636–1696).                     e a liberdade livre não pôde ser vivida.
“A que crimes hediondos                            Barulhentos molinetes inacianos
impeles os corações dos homens,                    trazem na berlinda seres humanos
abominável fome de ouro.”                          impondo formas canônicas da inquisição
Virgílio (ano 70 a.C.)                             tolda o céu azul com fumaça, suplícios e prisões.
A cidade da Bahia em remota história               Prisioneira sujeição, trapaças e falcatruas
vivia em efervescente paixão e glória              deixam a imponente montanha nua
imersa não só em “Sermões” exaltados               aliciando demônios no pelourinho também
bem como em cruéis persecutórios alucinados...     povoando o mal no sinuoso caminho do bem...
FAMA, a deusa mensageira de 100 bocas              Neste mercado pela força dominado
aponta os flagelos das clássicas misérias loucas   nos palácios entre salões e criados
como os crimes de sangue do feitor chicote         vive compondo num delírio material
dono do trabalho escravo, destino e morte.         a infame prevaricação governamental.
Nos meandros do priapismo e venalidades            Pela cidade o poeta perambulava
entre incandescentes arbitrariedades               e contra os poderosos inflamado versejava
desponta a política de cobiças e vinganças         contando histórias soando sordidez imoral
sobrando na caixa de Pandora falsas esperanças.    antiéticas e tirânicas da política social.
Infindáveis intrigas de D’el Rei e do papado       Originais versos com satírico perfil
contagiam o estilo barroco do nosso passado        surgem com o que se confirma vil
bojo de ambições e suborno consagrados             fazendo o “Boca do Inferno” duelar
dissimulam pérfidos costumes arraigados.           virulência verbal em linguagem popular...
As vozes que vêm da selva, do mar e do ar          “por sentença ou por preceito
celebram afro orixás para o povo reverenciar       ao mar largo ou mar estreito
divindades pagãs e sereias luxuriantes             roubar um pão faz o ladrão
pelo mato afora em cantos e ritos exuberantes.     roubar o erário faz um barão.”
.                                                  Se a linguagem é o diferencial
Ágrafo, fala do caboclo vernáculo geral,           a corrupção atual é pior ou igual?...
nos sinuosos caminhos da capital colonial          Na democracia onde a justiça acontece
transformam o “Paraíso” da frondosa região         Você sabe quem eu sou? Já na cadeia amanhece?!...




Desilusão em L
Carlos Augusto F. Galvão
carlosafgalvao@terra.com.br


Me prometeram um país sensacional
Um primor, o sonho de um menestrel
Seria forte o nosso país varonil
Diziam: “Filho, terás um país de escol
Uma potência sob o Cruzeiro do Sul”

E hoje vivo numa realidade infernal
Sem amparo, com segurança de papel
Esquinas de fogo parecendo guerra civil
Pois roubaram tudo, deixaram só o sol
Depois de sujarem o nosso céu azul.
6   O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010
                                                                                                       SUPLEMENTO LITERÁRIO




I - HOSPEDAGEM                                                IV - CUSTO DO INVESTIMENTO

   A hospedagem será em trecho da ESTRADA REAL,               IV. I - Pacote Individual (PI) - R$ 1.470,00 (Mil quatro-
no bucólico Hotel Estalagem das Minas Gerais, em Ouro         centos e setenta reais)
Preto, junto à cidade, em imensa área de reserva biológica,   IV. II - Pacote Casal ou Duplo (PC) - R$ 2.100,00 (Dois
Mata Atlântica, única onde se encontra ainda vivo, verme      mil e cem reais)
pré-histórico de múltiplos membros não articulados, o
Peripatus.                                                    V - FORMAS DE INVESTIR
Visite: www.sescmg.com.br/hospedagem/ouropreto
                                                              V. I - Até 28 de Fevereiro
                                                                    PI = 3 x R$ 490,00 (Três parcelas mensais de quatro-
II - LOCAL DOS EVENTOS
                                                                    centos e noventa reais)
                                                                    PC = 3 x R$ 700,00 (Três parcelas mensais de sete-
   O XXIII Congresso Nacional da Sobrames e a III Jornada
                                                                    centos reais)
Guimarães Rosa dar-se-á no magnífico Centro de Conven-
ções do Hotel Estalagem das Minas Gerais.                         V.II - Até 31 de Março
                                                                   PI = 2 x R$ 735,00 (Duas parcelas mensais de setecentos
Visite: www.sescmg.com.br/hospedagem/ouropreto
                                                                   e trinta e cinco reais)
                                                                   PC = 2 x R$ 1.050,00 (Duas parcelas mensais de mil
III - CONSTITUIÇÃO DO PACOTE TURÍSTICO
                                                                   e cinquenta reais)
    O Pacote Turístico dá direito à:
                                                              V.III - A partir de Abril
III.I - Inscrição no Congresso com todos os direitos ine-
                                                                   PI = R$ 1.470,00 (Depósito de mil quatrocentos e
rentes
                                                                   setenta reais)
III.II - Hospedagem
                                                                   PC = R$ 2.100,00 (Depósito de dois mil e cem reais)
          - 3 diárias de hotel (3 a 6 de junho)
III.III - Alimentação                                         VI - COMO E ONDE APLICAR O INVESTIMENTO
           - 3 cafés da manhã
                                                              Depósitos bancários no Banco do Brasil, Sobrames/MG:
           - 3 almoços
                                                              BANCO: 001
           - 2 jantares
                                                              AG: 3609-9
           - 1 coquetel da abertura
                                                              CONTA: 26 863-1
           - “coffe break” entre as sessões literárias
III.IV- Transporte                                            Visite: www.sobramesmg.org.br
          - Rodoviário (120 Km x 2) Aeroporto de Confins-     www.sobramesmg.org.br/congress
            Ouro Preto (ida/volta)
          - Interno nas dependências do Hotel
          - Linha direta ao centro de Ouro Preto
III.V - Passeios
          - Cultural em Ouro Preto: - Casa dos Contos
          - Museu da Inconfidência
          - Igrejas
          - Passeio de Locomotiva Maria-Fumaça, Ouro Preto-
            Mariana (ida e volta)
III.VI - Atividades Para-Congresso
          - Concerto do Tricentenário Órgão da Basílica de
            Mariana, o mais antigo da América.
          - Curso de Consciência Corporal
          - Feira de Livros
          - Exposição de quadros de grandes pintores
          - Degustação de Cachaça, coordenada por um dos
            maiores “experts” de Minas Gerais
Visite: www.sobramesmg.org.br
www.sobramesmg.org.br/congress                                Ouro Preto - Praça Tiradentes (centro)
SUPLEMENTO LITERÁRIO
                                                                                O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010       7
Ecos da Pizza de Fevereiro
   Pois é... Agora nossa Pizza Literária tem eco, e um eco verdadeiro. Ainda bem que a primeira a ecoar provocou
um eco delicioso, pois foi uma pizza igualmente deliciosa. Quando a pizza for chata, não tenham dúvidas de que por
aqui também irá ecoar chatice.
   Nosso prêmio “Flerts Nebó” heim?... Mais uma vez Perazzo foi coroado com seu belíssimo texto “Pequeno Inventário
de uma Grande Paixão”. Distinção também para as menções honrosas aos textos do Jucovsky e do Luiz Jorge.
   Foi muito boa a pizza... Os trabalhos, em sua maioria enxutos e interessantíssimos brilharam na noite. Uma curio-
sidade: apenas três poesias (ânimo, colegas poetas e poetisas!).
   Na Super Pizza, dois grandes destaques; o trabalho campeão da Sônia Andruskevicius de nome “Qualquer Coisa”,
uma coisa assim afetivo/surrealista, bonito e emocionante, e o trabalho de um velho campeão, o Sergio Perazzo, que
homenageia a ala paraense com o texto “Vou sair de Luiz Jorge”.
   Assinado, O Malho.


Nelson Jacintho é Premiado                                                                   PUBLICIDADE
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   Nosso confrade Nelson Jacintho, ex-presidente da Academia Ribeirão-Pre-                 (valor do anúncio por edição)
tana de Letras, recebeu no dia 16 de janeiro, no Teatro Juca Chaves da cidade           1 módulo horizontal	     R$ 30,00
                                                                                        2 módulos horizontais	   R$ 60,00
de São Paulo, o prêmio Cultura Nacional – Talento Poético Brasileiro.                   3 módulos horizontais	   R$ 90,00
   Além de sua esposa, Dumara Piantino Jacintho, prestigiaram a efeméride               2 módulos verticais	     R$ 60,00
Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini e Helio Begliomini, respectivamente              4 módulos	               R$ 120,00
membro e presidente da Sobrames paulista.                                               6 módulos	               R$ 180,00
                                                                                        Outros tamanhos	         sob consulta

                                                                                          sobramessaopaulo@gmail.com
Congressos
                   XXIII Congresso Nacional da Sobrames
             3 a 6 de junho de 2010 – Ouro Preto – Minas Gerais                        REVISÃO
                                                                                       de textos em geral
                                                                                        Ligia Pezzuto
                                                                                        Especialista em Língua Portuguesa
                                                                                        (11) 3864-4494 ou 8546-1725


                                                                                         ROBERTO CAETANO MIRAGLIA
                                                                                          ADVOGADO - OAB-SP 51.532

                                                                                        ADVOCACIA – ADMINISTRAÇÃO DE BENS
                                                                                         NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS – LOCAÇÃO
      Congresso da Umeal – União de Médicos e Artistas Lusófonos                           COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS
            15 a 19 de setembro de 2010 – Lisboa – Portugal                             ASSESSORIA E CONSULTORIA JURÍDICA
                   www.sobramesmg.org.br/congress                                       TELEFONES: (11) 3277-1192 – 3207-9224



   54o Congresso da Umem – Union Mondiale des Écrivains Médecins                       Terminou de
       Plock (a 100 Km de Varsóvia), de 22 a 26 de setembro de 2010
                            www.umem.net/pt                                            escrever seu
                                                                                       livro? Então
                                                                                       publique!
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8   O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010
                                                                                         SUPLEMENTO LITERÁRIO




                                     Sonho Atemporal
Sérgio Perazzo
serzzo@terra.com.br

Podia ter sido.                      sem margens,                           Um contraponto com o teu sono
Mas não fui.                         sem desaguadouros.                     de uma tarde de sábado
Sou.                                 Leito seco                             para acalmar a tempestade
Mas não fui.                         sem pedras garimpadas,                 que desaba lá fora.
Sou e estou.                         sem peneiras,                          Para transformá-la
Assim como cá,                       sem lama,                              em chuva fininha
lá poderia estar,                    sem pratas,                            que permita abrir a janela
da felicidade não tendo              sem turmalinas,                        e ouvir o uivo do vento,
qualquer garantia.                   sem ouros.                             sem cobrar sol rompante,
Nenhuma memória foi gravada          Como suspeitas vagas                   lua minguante ou juros de mora.
do que foi predição,                 de um crime imaginário                 E olhar o brilho ruivo
do que foi história.                 sem provas concretas.                  da primeira estrela despertada
Resta a fragrância,                  Como vinha                             desta agonia mansa e aflita,
o resto do olfato                    longe da colheita                      a esticar meu braço
por que morro e mato.                somente adivinhando                    em volta do teu cabelo,
Resta a importância                  o vinho.                               selo da ternura sobrescrita
de ter vivido.                       Como linha                             de próprio punho.
Com insistência.                     um tanto desfeita                      Ternura tua, ternura minha.
Com implicância.                     desmanchando a costura                 O rosto sereno que se aninha
O que foi criado                     do tempo.                              no meu peito
simplesmente escoou.                 Como tanto fez                         a respirar pé ante pé,
Espuma das horas tardias.            como tanto faz,                        porta que se entreabre, enfim aber-
Ficou apenas o eco                   lembrando um verso vago                ta,
vibrando no tímpano                  de Vinicius de Moraes.                 aos sonhos mais desejados, mais
das mais vivas,                      Como esta poesia discreta,             vivos,
das mais evanescentes                nem curva nem reta,                    acalanto de que não se desperta,
recordações.                         que nasceu da minha insônia.           registro temporal
Apenas sombras arredias.             Nem abstrata, nem concreta.            sem rascunho
Rios sem nascentes,                  Um despertar com cheiro de amônia.     e sem motivos.




Feliz Aniversário
Márcia Etelli Coelho


O escuro realça o brilho da vela                        e eu só peço que a felicidade
que, por um momento, atrai toda a atenção.              dure pelo menos mais uma dia.
E desponta como nobre sentinela,
guardiã do bolo que entra no salão.                     Com o sopro, festivo e certeiro,
                                                        a vela se apaga em um segundo.
Estou no centro de um belo cenário                      Esqueço a dor de um sonho desfeito,
com os amigos, amores, parentes.                        E sorrio... Sou parte do mundo.
Comemoro mais um aniversário.
Como o tempo voou tão de repente?                       Sei que em meu coração persiste
                                                        a chama da paz verdadeira
O canto deseja longevidade,                             e o amor que em mim ainda existe
palmas espalham harmonia,                               irá mantê-la acesa, a vida inteira...

O Bandeirante - n.207 - Fevereiro de 2010

  • 1.
    Jornal O Bandeirante Ano XVIII - no 207 - fevereiro de 2010 Publicação Mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Estado de São Paulo - SOBRAMES-SP Hablaremos Portunhol? “O progresso não é senão a realização das utopias”. Oscar Wilde (1854-1900), escritor, poeta, ensaísta e dramaturgo irlandês. Helio Begliomini Médico urologista Presidente da SOBRAMES-SP (2009-2010). Qual de nós brasileiros, que tenha al- ra, sendo prestigiado por diversos escritores tais como o japonês, mandarim, árabe e gum conhecimento do idioma castelhano, latino-americanos. (...) russo, face à economia globalizante e, com querendo ser gentil e se fazer compreender Sabemos que as línguas vivas recebem ela, a interesses econômico-empresariais com os hermanos latino-americanos, já não influências constantes do mundo global ho- nas implantações de multinacionais ou tenha tentado se comunicar num híbrido de dierno. Por vezes veem-se discussões sobre mesmo de polos turísticos. português e espanhol? Ultimamente, tam- quando e como limitar estrangeirismos em Por sua vez, embora ainda pareça em- bém se tem visto o inverso. O nosso idioma nosso idioma, haja vista as dezenas, para brionária – na prática – a ideia do Mer- não somente começa a ser interessante para não falar em centenas de neologismos que cosul, ele poderá ser eficiente em longo aprendizado pelos nossos vizinhos, como nele têm sido incorporados nas últimas dé- prazo, como tem sido o Mercado Comum também, cada vez mais, tentativas deles são cadas. Europeu. Se isso acontecer, não tenhamos feitas para se comunicar conosco informal- Por sua vez, sabe-se também que não é a menor dúvida de que estará aberta uma mente em nosso vernáculo. fácil impor por lei determinações ou proibi- grande porta para a implantação natural Como os dois idiomas são derivados do ções ao uso casto do idioma, particularmen- do “portunhol” que, com certeza, deman- latim – com semelhanças tanto na gramáti- te na forma coloquial, informal – naquela dará muitíssimas décadas ou séculos. ca quanto na pronúncia – o que ocorre na falada quotidianamente – querendo isentá- Essa ideia pode parecer utopia, mas os prática é a fala de uma mistura entre am- lo de influências exteriores, sobremodo se vernáculos português e espanhol de hoje bos, consagrada como “portunhol”, vocá- vão contra a uma praxe em curso, ou contra em dia não são os mesmos daqueles de um bulo esse já consignado em dicionário. uma maior facilidade mnemônica em se co- século atrás – para não dizer daqueles da Mas se isso ocorre com tanta frequência municar. época dos descobrimentos – e nem serão os na comunicação oral, não somente infor- Como exemplo atual tem-se o famige- mesmos daqui a quinhentos anos. Quiçá, lá mal, mas também em certas formalidades rado Acordo Ortográfico da Língua Portu- na frente, não haverá maior aproximação, no ambiente profissional, empresarial, ar- guesa – em fase de implantação – tido com imbricação, mescla, enfim, unificação de tístico, cultural, científico, religioso... por benéfico para todos os povos lusófonos, e ambas as línguas. Se isso acontecer e se os que não oficializá-lo de fato? que levou muitos anos de discussão para ser outros idiomas permaneceram proporcio- Essa ideia, por mais esdrúxula que pos- ratificado pela Comunidade dos Países de nalmente como estão, o “portunhol” sobre- sa parecer, já tem adeptos comprometidos Língua Portuguesa (CPLP), mas que ainda pujará o inglês e tornar-se-á a segunda lín- com sua causa. Seu grande protagonista é restam cerca de dois anos para ser imple- gua mais falada do planeta. Hoje, soman- o escritor brasileiro Douglas Diegues, qua- mentado completamente. do-se os aproximadamente 270 milhões rentão, carioca de nascimento, mas que vive Não há dúvidas de que as influências no de falantes de castelhano aos cerca de 230 desde os cinco anos em Ponta Porã (MS). Vi- vernáculo são ditadas por países de mando milhões dos falantes de português, seriam vendo na fronteira, o poeta de família para- – particularmente econômico –, mas tam- aproximadamente 500 milhões de pessoas guaia se acostumou com a mistura dos idio- bém científico, cultural, industrial, militar e (!), somente atrás do mandarim, utilizado mas português, espanhol e guarani, falado tecnológico que, regra geral, são condições por 650 milhões de indivíduos. (...) particularmente pelos índios sacoleiros, que estão simultaneamente presentes em Não viveremos para ver. Mas, conhe- pistoleiros trôpegos, ambulantes e cortesãs países desenvolvidos. cendo um pouco de história e da saga que convivem nessa região, fundo de cena O idioma francês que, desde o século humana, vislumbramos que essa ideia ofi- em que ele consignou em livro intitulado XVI, era a língua diplomática, há poucas cializada, em 2007, por Douglas Diegues “O Astronauta Paraguayo” (“El Astronauta décadas perdeu lugar para o inglês, que e visionários “portunholenses” não é, ab- Paraguayo”). (...) além de ter-se imposto pelas condições aci- solutamente, em longo prazo, nenhuma Assim, o próprio Douglas Diegues, em ma citadas, tem a seu favor sua gramática utopia. Ela não viria por força da lei, mas, seu livro “Uma Flor na Solapa da Miséria” – que não é a das mais difíceis –, e de ser naturalmente pela práxis de povos que define o neovernáculo como “lengua bizar- falado por 320 milhões de habitantes no viverão um mundo sem fronteiras, aliás, ra” denominado “portunhol salvaje” (selva- globo terrestre. como era em seus primórdios. A propósito, gem). (...) Hoje em dia, não é incomum a procu- Carlo Dossi (1849-1910), escritor italiano, O primeiro encontro portunhoespa- ra pelo aprendizado de idiomas até pouco já consignara: “Muitas vezes a utopia de nhol já ocorreu de 6 a 10 de dezembro de tempo considerados excêntricos, inatingí- um século torna-se a ideia vulgar do século 2007, em Asunción, na embaixada brasilei- veis ou incompreensíveis para nós latinos, seguinte”.
  • 2.
    2 O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 Pinturas e cenas – Especial de Poesias EXPEDIENTE Médicos escrevem receitas, relatórios, descrições Jornal O Bandeirante ANO XVIII - no 207 - Fevereiro 2010 cirúrgicas, prescrições de enfermaria. A profissão é repe- titiva: as consultas e as queixas se repetem junto com as Publicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos mesmas receitas, até as cirurgias são repetitivas. Existem Escritores - Regional do Estado de São Paulo SOBRAMES- variações de postura, como sorrisos e apertos de mãos, SP. Sede: Rua Alves Guimarães, 251 - CEP 05410-000 - Pinheiros - São Paulo - SP Telefax: (11) 3062-9887 / marcas de remédio, as mesmas cirurgias em hospitais 3062-3604 Editores: Carlos A. F. Galvão, Roberto A. Aniche. diferentes. Mas a repetição da cena milhares de vezes Jornalista Responsável e revisora: Ligia Terezinha Pezzuto (MTb 17.671 - SP). Colaboradores desta edição: Alcione com novos atores, gravitando em torno do ator principal Alcântara Gonçalves, Carlos Augusto Galvão, Geovah e único não “trocável” torna esta profissão realmente um Paulo da Cruz, Helio Begliomini, Hélio José Destro, José Jucovsky, Josyanne Rita de Arruda Franco, Márcia Etelli paradoxo, já que do outro lado está a ajuda a quem pre- Coelho, Roberto Antonio Aniche, Sérgio Perazzo.Tiragem cisa e o orgulho de fazer boas coisas. Aí é que complica: desta edição: 300 exemplares (papel) e mais de 1.000 exemplares PDF enviados por e-mail. ninguém aguenta o mesmo noticiário milhares de vezes Diretoria - Gestão 2009/2010 - Presidente: Helio com apresentadores diferentes. Begliomini. Vice-Presidente: Josyanne Rita de Arruda Nesse stress constante, cabe ao médico mudar o que escreve, transformar-se Franco. Primeiro-Secretário: Ligia Terezinha Pezzuto. Segundo-Secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã. novamente naquele colegial sonhador e dar asas à imaginação. A palavra pinta Primeiro-Tesoureiro: Marcos Gimenes Salun. Segundo- um quadro, uma cena. Revela um sentimento intangível de uma emoção capaz de Tesoureiro: Roberto Antonio Aniche. Conselho Fiscal Efetivos: Flerts Nebó, Carlos Augusto Ferreira Galvão, Luiz fazer rir e chorar. Com a palavra se constrói um mundo novo que explora cores, Jorge Ferreira. Conselho Fiscal Suplentes: Geovah Paulo sons, sentimentos, que mostra um lado não médico de quem vive o dia inteiro da Cruz; Rodolpho Civile; Helmut Adolf Mataré. pensando em transplantes, próteses, infecções e loucuras. Jamais esqueça esse adolescente que vive e viverá sempre dentro do seu coração: escreva, traduza em Matérias assinadas são de responsabilidade de seus palavras o que só os sentimentos enxergam. autores e não representam, necessariamente, a opinião da Sobrames-SP Nosso informativo é somente uma exposição de quadros da alma de cada sobramista. Por isso colocamos este Boletim Especial de Poesias, mostrando que Editores de O Bandeirante o sobramista é mais do que um médico (ou associado não médico), é um poeta Flerts Nebó – novembro a dezembro de 1992 nato, que já nasceu poeta antes de ser médico. Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1993-1994 Escreva, liberte-se... Carlos Luiz Campana e Hélio Celso Ferraz Najar – 1995-1996 Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1996-2000 Carlos Augusto F. Galvão Flerts Nebó e Marcos Gimenes Salun – 2001 a abril de 2009 Roberto Antonio Aniche Helio Begliomini – maio a dezembro de 2009 Roberto A. Aniche e Carlos A. F. Galvão - janeiro 2010 - Presidentes da Sobrames – SP Dr. Carlos Augusto Galvão 1 Flerts Nebó (1988-1990;1990-1992 e out/2005 a dez/2006) Psiquiatria e Psicoterapia o 2o Helio Begliomini (1992-1994; 2007-2008 e 2009-2010) 3o Carlos Luiz Campana (1994-1996) Rua Maestro Cardim, 517 4o Paulo Adolpho Leierer (1996-1998) 5o Walter Whitton Harris (1999-2000) Paraíso – Tel: 3541-2593 6o Carlos Augusto Ferreira Galvão (2001-2002) 7o Luiz Giovani (2003-2004) Walter Whitton Harris 8o Karin Schmidt Rodrigues Massaro (jan a out de 2005) Cirurgia do Pé e Tornozelo Ortopedia e Traumatologia Geral Editores: Carlos A. F. Galvão, Roberto A. Aniche CRM 18317 Revisão: Ligia Terezinha Pezzuto Av. República do Líbano, 344 Rua Luverci Pereira de Souza, 1797 - Sala 3 Diagramação: Mateus Marins Cardoso 04502-000 - São Paulo - SP Cidade Universitária - Campinas (19) 3579-3833 Impressão e Acabamento: Expressão e Arte Gráfica Tel. 3885 8535 www.veridistec.com.br Cel. 9932 5098  CUPOM DE ASSINATURAS* longevità Preço de 12 exemplares impressos: R$ 36,00 (11) 3531-6675 Nome:___________________________________________________________ Estética facial, corporal e odontológica * Massagem * Drenagem * Bronze Spray * End.completo: (Rua/Av./etc.) _______________________________________ Nutricionista * RPG Rua Maria Amélia L. de Azevedo, 147 - 1o. andar ________________________________ nº. _______ complemento _________ Cidade:_____________ Estado:_____ E-mail:___________________________ Clínica Benatti Grátis: Além da edição impressa que será enviada por correio, o assinante Ginecologia receberá por e-mail 12 edições coloridas em arquivo digital (PDF) Obstetrícia *Disponível para o público em geral e para não-sócios da SOBRAMES-SP Preencha este cupom, recorte e envie juntamente com cheque nominal a SOBRAMES-SP para REDAÇÃO Mastologia “O Bandeirante” R. Costa Rego, 29 - V. Guilhermina - CEP 03542-030 - São Paulo - SP Dê uma assinatura de “O BANDEIRANTE” de presente para um colega (11) 2215-2951
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    SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 3 Noite Fria Josyanne Rita de Arruda Franco josyannerita@uol.com.br É quando está assim, noite fria, do amor... ou de algum carinho anunciando inverno, que me aqueça a madrugada. que os meus desejos me pedem Meu peito - madeira de lei !- , oásis para o deserto. detém a ternura chaveada, Então vagueiam fantasmas ainda que pela chanfradura exigindo ser lembrança escoe a alma aprisionada... na memória castigada Escuto um bolero sofrido. por ingênua temperança. Amantes que não se encontram Anseio calor humano deixando para o infinito e o aconchego de palavras o beijo que não alcançam. nos ombros que tremem de frio, Construo, olhando a lareira, qual ondas levando fragata. futuro de ardor e paixão, Inverno querendo vinho... enquanto a chama vermelha clamando que tarde a alvorada me aclimata o coração. para manter o calor do ninho Crepita o desejo... e sozinha, e a lareira iluminada. insalivando a boca ressecada, No entanto não tenho o vinho vejo arder, no fogo, a lenha nem a companhia sagrada que andei juntando na estrada..! Trevas, Trovas e Troças – (Sátira) Geovah Paulo da Cruz geovahcruz@uol.com.br (Treze de dezembro é dia de Santa Luzia, a protetora dos olhos e padroeira dos oftalmologistas. Não se sabe o nome dela, nem se existiu de verdade. Luzia, Lucia, Lúcia, Luci, Lucy, Lucile são denominações que derivam do latim lux, cujo genitivo lucis significa “da luz”. Seu Senhor feudal tinha o “jus prima note”, o direito sobre sua virgindade; era a lei. Diz a lenda medieval que ele se encantou com seus belos olhos. Então, ela arrancou-os e os entregou a ele numa bandeja). Quem fez um belo poema sobre este tema foi Vinicius de Moraes. Seus belos olhos enfeitiçaram seu senhor feudal; Desatinada, arrancou-os e deu-lhos na mão. Oftalmologista e herege, eis a minha opinião: Em plena Idade Média, por que tão radical? Sendo uma serva, era o costume, o direito e a moral; Então que fechasse os olhos, e melhor faria Se lhe desse o que ele tanto queria... E mais... com gozo, hormônios, euforia Ficaria curada de sua grave histeria! Mesmo que santinha, oh louca e cega Luzia, Seu gesto não combina com a oftalmologia, Cuja luta é pela visão boa, íntegra e sadia. Pela anatomia que a senhorita protegia, Porventura, mais apropriado não seria Ser padroeira da ginecologia?
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    4 O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 SUPLEMENTO LITERÁRIO “Os Meninos... A Estação e o Trem” Maria-Fumaça Hélio José Destro Nos antigamente. A MARIA-FUMAÇA Que vem lá na curva. Cheia... Cheia de graça. Balança e dança MARIA-FUMAÇA Ao fogo se lança. Madeira seca que estilhaça. A fumaça a acompanha Na curva ela balança. Vem repleta de adultos... Jovens, bebês e crianças. Piuuuuuuuuuu. Piummmmmm. A professora! O aviso é estridente A professora! Morrer e Renascer Nas janelas gente. É ela... É ela. Alcione Alcântara Gonçalves Amigos... Conhecidos da cidade. cldbosco@clinicadombosco.com.br Curiosos na pequena estação. A espera das novidades. BRECA- Preeeeeeeeeeee. O dia morre com o ocaso do sol, Mas renasce na manhã seguinte, Com o novo nascer do astro rei! Da caldeira esguicha o vapor Para o céu sobe a fumaça. A semente precisa morrer, TEMPO de descer, e SUBIR viajantes. Para dar a oportunidade, Alegria e, amor nos semblantes. Do nascimento da nova árvore. Vai partir. Já não é o que foi antes. A lagarta constrói o seu túmulo PIUUUUUUUUUU. Vai partir... E, no casulo, transforma seu corpo, Surgindo como uma linda borboleta! Devagarzinho vai embora. Atrasada ou na hora. Jesus veio ao nosso mundo, Para pregar o evangelho e fundar o seu reino; Partindo deixa a saudade. Morreu e, no terceiro dia, Renasceu! Vai num barulho do rolar nos trilhos. Vai sem nunca ter ido. No rastilho. A morte é apenas a transformação, Sai devagarzinho... Devagarzinho. De um corpo material e espiritual, Libertando o espírito da prisão virtual. Nos olhos fica aquele brilho O espírito ou alma é uma inteligência, Da MARIA-FUMAÇA. Uma energia proveniente do mundo cósmico, Saudades DOS ANTIGAMENTE. E, ao morrermos, retorna ao fluido cósmico.
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    SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 5 Boca do Inferno José Jucovsky “O demo a viver se exponha, em “abominável fome de ouro” da ambição. por mais que a fama a exalte, Flui pelas portas abertas do Brasil infantil numa cidade onde falta a universal força do espírito mercantil verdade, honra, vergonha.” levando à loucura de escravizar a vida Gregório de Matos (1636–1696). e a liberdade livre não pôde ser vivida. “A que crimes hediondos Barulhentos molinetes inacianos impeles os corações dos homens, trazem na berlinda seres humanos abominável fome de ouro.” impondo formas canônicas da inquisição Virgílio (ano 70 a.C.) tolda o céu azul com fumaça, suplícios e prisões. A cidade da Bahia em remota história Prisioneira sujeição, trapaças e falcatruas vivia em efervescente paixão e glória deixam a imponente montanha nua imersa não só em “Sermões” exaltados aliciando demônios no pelourinho também bem como em cruéis persecutórios alucinados... povoando o mal no sinuoso caminho do bem... FAMA, a deusa mensageira de 100 bocas Neste mercado pela força dominado aponta os flagelos das clássicas misérias loucas nos palácios entre salões e criados como os crimes de sangue do feitor chicote vive compondo num delírio material dono do trabalho escravo, destino e morte. a infame prevaricação governamental. Nos meandros do priapismo e venalidades Pela cidade o poeta perambulava entre incandescentes arbitrariedades e contra os poderosos inflamado versejava desponta a política de cobiças e vinganças contando histórias soando sordidez imoral sobrando na caixa de Pandora falsas esperanças. antiéticas e tirânicas da política social. Infindáveis intrigas de D’el Rei e do papado Originais versos com satírico perfil contagiam o estilo barroco do nosso passado surgem com o que se confirma vil bojo de ambições e suborno consagrados fazendo o “Boca do Inferno” duelar dissimulam pérfidos costumes arraigados. virulência verbal em linguagem popular... As vozes que vêm da selva, do mar e do ar “por sentença ou por preceito celebram afro orixás para o povo reverenciar ao mar largo ou mar estreito divindades pagãs e sereias luxuriantes roubar um pão faz o ladrão pelo mato afora em cantos e ritos exuberantes. roubar o erário faz um barão.” . Se a linguagem é o diferencial Ágrafo, fala do caboclo vernáculo geral, a corrupção atual é pior ou igual?... nos sinuosos caminhos da capital colonial Na democracia onde a justiça acontece transformam o “Paraíso” da frondosa região Você sabe quem eu sou? Já na cadeia amanhece?!... Desilusão em L Carlos Augusto F. Galvão carlosafgalvao@terra.com.br Me prometeram um país sensacional Um primor, o sonho de um menestrel Seria forte o nosso país varonil Diziam: “Filho, terás um país de escol Uma potência sob o Cruzeiro do Sul” E hoje vivo numa realidade infernal Sem amparo, com segurança de papel Esquinas de fogo parecendo guerra civil Pois roubaram tudo, deixaram só o sol Depois de sujarem o nosso céu azul.
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    6 O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 SUPLEMENTO LITERÁRIO I - HOSPEDAGEM IV - CUSTO DO INVESTIMENTO A hospedagem será em trecho da ESTRADA REAL, IV. I - Pacote Individual (PI) - R$ 1.470,00 (Mil quatro- no bucólico Hotel Estalagem das Minas Gerais, em Ouro centos e setenta reais) Preto, junto à cidade, em imensa área de reserva biológica, IV. II - Pacote Casal ou Duplo (PC) - R$ 2.100,00 (Dois Mata Atlântica, única onde se encontra ainda vivo, verme mil e cem reais) pré-histórico de múltiplos membros não articulados, o Peripatus. V - FORMAS DE INVESTIR Visite: www.sescmg.com.br/hospedagem/ouropreto V. I - Até 28 de Fevereiro PI = 3 x R$ 490,00 (Três parcelas mensais de quatro- II - LOCAL DOS EVENTOS centos e noventa reais) PC = 3 x R$ 700,00 (Três parcelas mensais de sete- O XXIII Congresso Nacional da Sobrames e a III Jornada centos reais) Guimarães Rosa dar-se-á no magnífico Centro de Conven- ções do Hotel Estalagem das Minas Gerais. V.II - Até 31 de Março PI = 2 x R$ 735,00 (Duas parcelas mensais de setecentos Visite: www.sescmg.com.br/hospedagem/ouropreto e trinta e cinco reais) PC = 2 x R$ 1.050,00 (Duas parcelas mensais de mil III - CONSTITUIÇÃO DO PACOTE TURÍSTICO e cinquenta reais) O Pacote Turístico dá direito à: V.III - A partir de Abril III.I - Inscrição no Congresso com todos os direitos ine- PI = R$ 1.470,00 (Depósito de mil quatrocentos e rentes setenta reais) III.II - Hospedagem PC = R$ 2.100,00 (Depósito de dois mil e cem reais) - 3 diárias de hotel (3 a 6 de junho) III.III - Alimentação VI - COMO E ONDE APLICAR O INVESTIMENTO - 3 cafés da manhã Depósitos bancários no Banco do Brasil, Sobrames/MG: - 3 almoços BANCO: 001 - 2 jantares AG: 3609-9 - 1 coquetel da abertura CONTA: 26 863-1 - “coffe break” entre as sessões literárias III.IV- Transporte Visite: www.sobramesmg.org.br - Rodoviário (120 Km x 2) Aeroporto de Confins- www.sobramesmg.org.br/congress Ouro Preto (ida/volta) - Interno nas dependências do Hotel - Linha direta ao centro de Ouro Preto III.V - Passeios - Cultural em Ouro Preto: - Casa dos Contos - Museu da Inconfidência - Igrejas - Passeio de Locomotiva Maria-Fumaça, Ouro Preto- Mariana (ida e volta) III.VI - Atividades Para-Congresso - Concerto do Tricentenário Órgão da Basílica de Mariana, o mais antigo da América. - Curso de Consciência Corporal - Feira de Livros - Exposição de quadros de grandes pintores - Degustação de Cachaça, coordenada por um dos maiores “experts” de Minas Gerais Visite: www.sobramesmg.org.br www.sobramesmg.org.br/congress Ouro Preto - Praça Tiradentes (centro)
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    SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 7 Ecos da Pizza de Fevereiro Pois é... Agora nossa Pizza Literária tem eco, e um eco verdadeiro. Ainda bem que a primeira a ecoar provocou um eco delicioso, pois foi uma pizza igualmente deliciosa. Quando a pizza for chata, não tenham dúvidas de que por aqui também irá ecoar chatice. Nosso prêmio “Flerts Nebó” heim?... Mais uma vez Perazzo foi coroado com seu belíssimo texto “Pequeno Inventário de uma Grande Paixão”. Distinção também para as menções honrosas aos textos do Jucovsky e do Luiz Jorge. Foi muito boa a pizza... Os trabalhos, em sua maioria enxutos e interessantíssimos brilharam na noite. Uma curio- sidade: apenas três poesias (ânimo, colegas poetas e poetisas!). Na Super Pizza, dois grandes destaques; o trabalho campeão da Sônia Andruskevicius de nome “Qualquer Coisa”, uma coisa assim afetivo/surrealista, bonito e emocionante, e o trabalho de um velho campeão, o Sergio Perazzo, que homenageia a ala paraense com o texto “Vou sair de Luiz Jorge”. Assinado, O Malho. Nelson Jacintho é Premiado PUBLICIDADE TABELA DE PREÇOS 2009 Nosso confrade Nelson Jacintho, ex-presidente da Academia Ribeirão-Pre- (valor do anúncio por edição) tana de Letras, recebeu no dia 16 de janeiro, no Teatro Juca Chaves da cidade 1 módulo horizontal R$ 30,00 2 módulos horizontais R$ 60,00 de São Paulo, o prêmio Cultura Nacional – Talento Poético Brasileiro. 3 módulos horizontais R$ 90,00 Além de sua esposa, Dumara Piantino Jacintho, prestigiaram a efeméride 2 módulos verticais R$ 60,00 Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini e Helio Begliomini, respectivamente 4 módulos R$ 120,00 membro e presidente da Sobrames paulista. 6 módulos R$ 180,00 Outros tamanhos sob consulta sobramessaopaulo@gmail.com Congressos XXIII Congresso Nacional da Sobrames 3 a 6 de junho de 2010 – Ouro Preto – Minas Gerais REVISÃO de textos em geral Ligia Pezzuto Especialista em Língua Portuguesa (11) 3864-4494 ou 8546-1725 ROBERTO CAETANO MIRAGLIA ADVOGADO - OAB-SP 51.532 ADVOCACIA – ADMINISTRAÇÃO DE BENS NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS – LOCAÇÃO Congresso da Umeal – União de Médicos e Artistas Lusófonos COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS 15 a 19 de setembro de 2010 – Lisboa – Portugal ASSESSORIA E CONSULTORIA JURÍDICA www.sobramesmg.org.br/congress TELEFONES: (11) 3277-1192 – 3207-9224 54o Congresso da Umem – Union Mondiale des Écrivains Médecins Terminou de Plock (a 100 Km de Varsóvia), de 22 a 26 de setembro de 2010 www.umem.net/pt escrever seu livro? Então publique! NOVO E-MAIL DA SOBRAMES-SP Nesta hora importante, não deixe de sobramessaopaulo@gmail.com consultar a RUMO EDITORIAL. Publicações com qualidade impecável, Este é o seu novo canal de comunicação com a Sobrames-SP para envio de todos dedicação, cuidado artesanal e preço os textos, trabalhos, sugestões, comentários e críticas. Os materiais para possíveis justo. Você não tem mais desculpas publicações tanto em O Bandeirante impresso como no virtual deverão ser salvos para deixar seu talento na gaveta. em arquivos .doc, .odt. ou .txt, devem conter o endereço eletrônico do autor no rumoeditorial@uol.com.br final do trabalho e serem renomeados como: (11) 9182-4815 Nome do autor – Nome do trabalho – ddmmaa.doc (ou txt ou odt)
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    8 O BANDEIRANTE - Fevereiro de 2010 SUPLEMENTO LITERÁRIO Sonho Atemporal Sérgio Perazzo serzzo@terra.com.br Podia ter sido. sem margens, Um contraponto com o teu sono Mas não fui. sem desaguadouros. de uma tarde de sábado Sou. Leito seco para acalmar a tempestade Mas não fui. sem pedras garimpadas, que desaba lá fora. Sou e estou. sem peneiras, Para transformá-la Assim como cá, sem lama, em chuva fininha lá poderia estar, sem pratas, que permita abrir a janela da felicidade não tendo sem turmalinas, e ouvir o uivo do vento, qualquer garantia. sem ouros. sem cobrar sol rompante, Nenhuma memória foi gravada Como suspeitas vagas lua minguante ou juros de mora. do que foi predição, de um crime imaginário E olhar o brilho ruivo do que foi história. sem provas concretas. da primeira estrela despertada Resta a fragrância, Como vinha desta agonia mansa e aflita, o resto do olfato longe da colheita a esticar meu braço por que morro e mato. somente adivinhando em volta do teu cabelo, Resta a importância o vinho. selo da ternura sobrescrita de ter vivido. Como linha de próprio punho. Com insistência. um tanto desfeita Ternura tua, ternura minha. Com implicância. desmanchando a costura O rosto sereno que se aninha O que foi criado do tempo. no meu peito simplesmente escoou. Como tanto fez a respirar pé ante pé, Espuma das horas tardias. como tanto faz, porta que se entreabre, enfim aber- Ficou apenas o eco lembrando um verso vago ta, vibrando no tímpano de Vinicius de Moraes. aos sonhos mais desejados, mais das mais vivas, Como esta poesia discreta, vivos, das mais evanescentes nem curva nem reta, acalanto de que não se desperta, recordações. que nasceu da minha insônia. registro temporal Apenas sombras arredias. Nem abstrata, nem concreta. sem rascunho Rios sem nascentes, Um despertar com cheiro de amônia. e sem motivos. Feliz Aniversário Márcia Etelli Coelho O escuro realça o brilho da vela e eu só peço que a felicidade que, por um momento, atrai toda a atenção. dure pelo menos mais uma dia. E desponta como nobre sentinela, guardiã do bolo que entra no salão. Com o sopro, festivo e certeiro, a vela se apaga em um segundo. Estou no centro de um belo cenário Esqueço a dor de um sonho desfeito, com os amigos, amores, parentes. E sorrio... Sou parte do mundo. Comemoro mais um aniversário. Como o tempo voou tão de repente? Sei que em meu coração persiste a chama da paz verdadeira O canto deseja longevidade, e o amor que em mim ainda existe palmas espalham harmonia, irá mantê-la acesa, a vida inteira...