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Tomar, pois é assim que conseguimos que         MRS Não tendo uma base de auscultação,haja um crescimento da economia loca...
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  1. 1. GRANDE ENTREVISTA“Vivemos numasociedade umbocado egoístaTexto de João Madeira | 28 de Dezembro de 2012Faculdade de Letras da Universidade de CoimbraLicenciada em Física, na vertente de in- importante. Vocês jovens não compreendem,vestigação científica, Maria do Rosário mas os movimentos associativos eram umaCardoso Simões deslocou-se para Tomar escola para a vida em termos de Política.em 1979, devido à sua vocação como pro- Para mim, foi uma experiência muito im-fessora. Habituada às lides políticas des- portante.de que era jovem, deu aulas de Matemáti-ca e de Ciências no Colégio Nun’Álvares. JM Para além da Política, é a Física a suaUma vez que Tomar possui um riquíssimo grande paixão?património arquitetónico será interessan- MRS (Risos). Essa da Física é boa. Principal-te saber, em tempos de crise, como é que mente a parte da Ciências é a minha grandea Câmara de Tomar, e em particular a Ve- vocação, tanto que tirei o curso de Física noreadora responsável pela Cultura e Edu- ramo científico (Física Atómica e Nuclear).cação, enquadram e integram as poten-cialidades de uma cidade centenária com JM Chegou a lecionar?os desafios dos dias de hoje e os anseios MRS Sim, cheguei a lecionar. Comecei ados seus habitantes. Esta Grande Entre- ensinar no ex-Colégio Nuno Álvares, pre-vista foi realizada no dia 28 de Dezembro cisamente Física. Depois, quando o Colégiode 2012. foi comprado pelo Ministério da Educação, fui para o ensino público. Conforme as va-João Madeira Boa tarde Doutora Maria do gas fiquei num grupo em que comecei a darRosário. Como é que a Política entra na Matemática e Ciências, mas a Física fez sem-sua vida? pre parte dos meus interesses.Maria do Rosário Simões Ainda jovem,quando era aluna da Faculdade de Ciências, JM Como Vereadora da Educação numaingressei num movimento associativo antes Câmara Municipal, qual é a sua opiniãodo 25 de Abril, que julgo ser extremamente sobre a qualidade do ensino em Portugal?
  2. 2. MRS Eu vou caracterizar primeiro em ramos que o importante são as bases, queTomar. No concelho eu acho que temos um o relevante é apoiar as famílias para que osnível de ensino acima da média. Neste mo- seus filhos desde pequenos possam ter apoiosmento temos equipamentos muito bons, um e as mesmas condições de quem não temcorpo docente bom e pelo que vemos pelos carências económicas. Assim sendo, e em-resultados dos exames, que é a forma como bora não seja uma competência própria dapodemos aferir externamente, é um ensino Câmara em termos do pré-escolar, nós tam-de qualidade e acima da média nacional. bém apoiamos em termos de refeições, ATLA nível nacional penso que a qualidade de e transporte logo desde os primeiros anos deensino não tem sido facilitada pelas suces- escola para situações que comprovadamentesivas reformas e mudanças. Seria necessário, sejam de carência económica.tanto ao nível da educação como a outrosníveis, um consenso nacional para não se JM Como surgiu a ideia da criação da Uni-andar sempre a alterar as políticas quando versidade Sénior?se muda de Governo ou de Ministro. A edu- MRS A Universidade Sénior despontou decação tem sofrido um bocado. Sendo esta uma conversa com professores já reforma-área e a formação profissional as principais dos que se dispunham em ser voluntáriospara o desenvolvimento de um país, penso na UST. Através de um simples diálogoque Portugal tem sido penalizado com as apareceram, depois, mais professores quesucessivas alterações, pois está sempre tudo queriam preencher os seus tempos livres. Oa ser modificado. Um erro do português é objectivo era a ocupação de pessoas acimaque não avalia aquilo que foi feito anterior- dos 50 anos, tendo sido lançado o desafio àmente, muda-se mas não há uma avaliação, população. Neste momento temos 180 alu-ou se há nós não a conhecemos. Existe a nos, cerca de 20 professores em regime deideia de que é preciso estar constantemente voluntariado e já andamos nesta experiênciaa fazer-se de novo e isso não é bom porque há cinco anos. Penso que esta iniciativa temhá uma experiência acumulada. Subsistem sido positiva, pelo menos pelo que é ditosempre coisas positivas e, portanto, essas de- pelas pessoas que frequentam a Universi-vem ser aproveitadas e aquilo que está mal dade Sénior.deve ser melhorado ou alterado completa-mente. Não temos muito o hábito de, em JM Sei que tem também a seu cargo o daPortugal, fazer a avaliação das políticas que vereação da Cultura. Como é composta aestão no terreno e, consequentemente, an- divisão de Turismo, Cultura e Museologiadamos sempre a fazer experiências. da Câmara Municipal de Tomar? MRS A Divisão tem um chefe de Divisão eJM Para além da atribuição de bolsas de técnicos superiores (uns da área da Cultura,estudo a estudantes do Ensino Superior, outros da área do Turismo) e tem colabora-residentes no Concelho de Tomar, que dores a nível administrativo.obtenham bom aproveitamento e comdificuldades económicas, quais são as JM Quais são os objetivos desta divisão?propostas deste gabinete para fomentar o MRS A divisão de Turismo, Cultura e Mu-nível de educação dos tomarenses? seologia assenta num princípio fundamentalMRS Nós damos bolsas de estudo a nível do que é o desenvolvimento do Turismo, con-ensino superior, mas é bom não esquecer- sistindo num vetor que é estratégico paramos que temos uma parte de apoio social às Tomar. O crescimento desta área é impor-famílias com carências económicas para os tante para promover o que este concelhoalunos do pré-escolar e do primeiro ciclo. tem ao nível do seu património (que é mui-É muito importante focarmo-nos nos níveis to). Na perspetiva de potenciar esta riqueza,de ensino mais baixos até porque conside- pretendemos que mais visitantes conheçam
  3. 3. Tomar, pois é assim que conseguimos que MRS Não tendo uma base de auscultação,haja um crescimento da economia local. não gosto de fazer afirmações assim diretas.Outro caso, que não é menos importante, e No entanto, e pelo que me parece, temque na minha opinião até é mais relevante, havido uma programação a nível culturalé nós percebermos que à volta do Turismo e que tem a capacidade de se dirigir a váriosda Cultura se podem criar situações para no- setores da população, e com isso acho quevas economias, porque quando dizemos que os tomarenses não têm com que se queixar.estas áreas são importantes, há que perceberque existe a capacidade para o crescimento JM Com a crise nacional e com as dificul-da própria economia. Tomar tem todas as dades financeiras que as autarquias estãocondições para que pequenas empresas pos- a passar, como é que uma Vereadora dasam criar emprego e viver disso. No fundo, Cultura negoceia as verbas disponíveisquando nós dizemos que há falta de empre- para os eventos culturais?sas em Tomar, efetivamente é verdade, mas MRS Às vezes os recursos financeiros nãonós possuímos todos os recursos, e com al- são os mais importantes. Tomar, do pontogum empreendedorismo conseguem-se criar de vista cultural, tem muitas associações cul-pequenas empresas que estejam aliadas, não turais. Possui muito potencial não só a nívelsó ao Património, mas inclusivamente aos cultural, como também desportivo. O queprodutos regionais. me parece é que, como somos uma terra que felizmente beneficiamos de associações deJM Com um Instituto Politécnico em reconhecido valor nacional e internacional,Tomar, não sente que deveria haver um é sempre possível apresentarmo-nos commelhor aproveitamento daquilo que lá um programa cultural de qualidade, mesmose aprende, com parcerias com a CMT, em situações em que os recursos financeirosnomeadamente na reativação de certos sejam menores.ícones patrimoniais?MRS A Câmara tem atividades, projetos e JM Quais são as competências da Divisãoprotocolos com o Instituto Politécnico de Administrativa?Tomar. Por outro lado recebemos também MRS A Divisão Administrativa é a base daao nível dos nossos serviços, estagiários de organização em termos dos aspetos adminis-diferentes áreas. Eu acho que o IPT, como trativos que dão respostas rápidas aos pedi-uma entidade de ensino superior, é impor- dos dos cidadãos. Passa também por coisastante do ponto de vista de também ele poder mais importantes como em dar apoio aosincentivar os jovens que lá são formados eleitos, à reunião de Executivo Municipal epara correrem riscos, serem criativos, inova- à Assembleia Municipal.dores e empreendedores, porque um esta-belecimento de ensino superior é um pólo JM Quais são as dificuldades mais comunsimportantíssimo para o desenvolvimento de com que se confronta no exercício da suauma região, assim se consigam ligar todas as profissão?funcionalidades e sinergias possíveis com as MRS Como eu tenho vários pelouros, váriasentidades da zona. O IPT está a alargar-se competências delegadas pelo Senhor Presi-do ponto de vista do desenvolvimento da dente, porque inclusivamente tenho algumasregião e possui parcerias tanto a nível na- de organização dos próprios serviços (re-cional, como a nível internacional, e isso é cursos humanos, divisão administrativa), asmuito importante. principais dificuldades neste tipo de tarefas que eu tenho são as comuns; acharmos queJM Sente que os tomarenses estão satis- podemos fazer mais (e é verdade) e melhor,feitos com a quantidade de acontecimen- e a de estarmos a responder a interesses e atos culturais que por aqui passam? necessidades da população. É claro que em
  4. 4. todo este tipo de áreas em que eu intervenho isso são os debates políticos.existem coisas muito diferentes, com interes-ses muito distintos, embora todas as áreas JM Mas não julga que algumas medidasse possam interligar. Eu não gosto muito de são desnecessárias?dizer que há poucos recursos financeiros MRS Eu tenho dificuldade em dizer se sãoporque eu sou da opinião que os recursos desnecessárias ou não. O que eu acho, e ofinanceiros são necessários, mas que o mais que nós todos já sabemos, é que toda a fun-importante é a atuação e a motivação das ção pública já deveria ter sido reestruturadapessoas. Porém, julgo que o fator humano há muito tempo para que possa ser maisé sempre o mais decisivo, juntamente com eficiente. Se tivéssemos uma Administraçãoa conjunção de esforços e sinergias, porque Pública mais eficaz, de certeza que não es-a comunidade é o mais importante. Vivemos banjávamos tanto dinheiro. Quem está den-numa sociedade um bocado egoísta e às ve- tro de um sistema como o da Administraçãozes é difícil vermos e conseguirmos que as Pública e aliás, quem está de fora também,pessoas pensem mais no coletivo do que em sabe que há muitos anos que falamos emsi próprias. reformas administrativas. Isto pode não ser o politicamente mais correto mas o que nósJM Qual é a sua apreciação sobre os meios vemos é que, por exemplo, uma freguesiade comunicação locais? E sobre os nacio- que tenha pouca gente nunca tem possibi-nais? lidades de se desenvolver, portanto a únicaMRS Os meios de comunicação locais so- maneira que tem para se desenvolver é agre-frem do problema que sofre toda a comu- gar-se a outras e estar em maior escala. Hojenicação, têm poucos recursos, vivem muito se estivermos em escalas reduzidas não con-da publicidade e também de subsídios. Neste seguimos fazer nada. Eu dou um pequenomomento, pelo que sei, todos estão a passar exemplo: Uma freguesia que tenha poucapor alguma situação de crise precisamente gente e com poucos recursos, que respos-porque está tudo interligado à situação de tas é que consegue dar à população? Nãocrise a nível nacional. De resto, eu acho que consegue dar nenhumas, a verdade é esta.os meios de comunicação social cumprem a Podemos dizer que a Junta está mais pertosua função. da população, mas consegue dar-lhe algumaSobre os nacionais julgo estarem ligados aos coisa? Consegue dar-lhe melhores condiçõesgrandes senhores do dinheiro e, portanto, já de vida? Consegue responder àquilo que asé difícil percebermos se as notícias que são pessoas necessitam? Não consegue.publicadas a nível nacional correspondemou não à verdade. No fundo, o Jornalismo de JM Mas essa é apenas uma das medidas.Investigação até seria o mais importante e é Também há o corte dos salários no setoruma coisa que neste momento existe pouco. público e o congelamento dos subsídios... MRS Mas isso é muito simples, se o GovernoJM Qual é a sua opinião sobre a actuação não tem dinheiro para pagar não pode pagar.do Governo? Para isto é que não há dinheiro mesmo. ÉMRS Na minha opinião, e em relação à atua- bom que as pessoas, entre o público e o pri-ção deste Governo, acho que independente- vado, comecem a pensar em duas coisas. Nomente da cor política de quem lá estivesse, privado, quando a empresa deixa de ter con-não se poderia deixar de fazer aquilo que este dições para funcionar e deixa de ter dinheiroexecutivo está a efetuar. Nós assistimos aos para remunerar os seus funcionários, deixagrandes debates das várias forças políticas, de pagar. No setor público já estamos todosem que aqueles que estão na oposição dizem muito habituados que no final do mês temosque nunca fariam assim mas nós já sabemos, o salário, mas e se o Estado não tiver dinhei-pela experiência, que isso é a Política, que ro, como é que se faz? Temos que começar a
  5. 5. pensar que o setor público não é uma reali- caso da sua educação. É importante tambémdade diferente do privado, do ponto de vista ajudar os mais idosos, pois cada vez maisde ter ou não dinheiro para pagar, a questão a população está envelhecida. Esta geraçãocentral é esta. Numa situação real em que tem uma experiência muito rica que deveo que se possui são dívidas e quando nem ser aproveitada. As atividades inter-geraçõessequer se tem dinheiro para restituir os juros são muito importantes para que os legados edessas mesmas dívidas, o que devemos pen- as tradições consigam ser reutilizadas e nãosar é que não há muito dinheiro para pagar fiquem perdidas no tempo.aos trabalhadores. Eu tenho quase a certezaque deve haver meses que pouco dinheiro JM Muito obrigado por me conceder umlá existe para pagar salários. Mesmo aqui na pouco do seu tempo para a concretizaçãoCâmara, as transferências que vêm do Esta- desta Grande Entrevista.do não dão para pagar os vencimentos aostrabalhadores. Os políticos foram os primei-ros a ser cortados, em cinco por cento. Emfunção do coletivo eu não acredito que hajaqualquer Governo, qualquer que seja a corpolítica, que se não fosse mesmo necessáriocortasse os subsídios. Não acredito!JM Para terminar, qual é a sua visão es-tratégica para um próximo mandato, casoseja reeleita?MRS (Risos). Independentemente disso, paraTomar e como cidadã desta cidade, sinto queesta terra tem condições para se desenvolverem termos de criação de emprego, aprovei-tando as capacidades que detém do pontode vista do património e de um ensino dequalidade incluindo o superior. É impor-tante que a questão da educação esteja bemenquadrada na cidade para se conseguir fo-mentar, com a cooperação de entidades maisdentro do assunto para isso (aqui na zonatemos a NERSANT), áreas como o em-preendedorismo para que os cidadãos maisjovens e as empresas possam exportar osseus produtos. No próximo mandato, é im-portante que a situação do desemprego sejabem refletida e que possamos dar aos jovenscondições para criar em Tomar, empresasinovadoras. No fundo o que me parece éque em 2014, que é quando se inicia o novomandato, continue a ser importante o aspetodo apoio social, o cuidado de olhar para aspessoas, e que as crianças não sejam preju-dicadas devido às carências sobre as quais assuas famílias estão mergulhadas, naquilo quelhes é um direito fundamental, como é o

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