Ok introdução ao projeto de pesquisa científica franz victor rudio

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O autor apresenta os fundamentos e forma de elaboração do processo de pesquisa.

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Ok introdução ao projeto de pesquisa científica franz victor rudio

  1. 1. ncm CATALOGRÀFICA CIP-Brasil Catalogaçda-ua-fartte Sindicato Nacianal das Edilorvs de Livros. RJ Rudio, Franz Victor R512 li Introdução no projeto de pesquisa cnenuñca / Franz Victor Rudiu. 34. ed. - Pctrópolxs. Vozes, 2007, Apêndice: Um ¡nodclo didálinu uam o projeto. ISBN 978853260027-1 Bibliognña. l. Pesquisa. I. Tílulo. CDI) - 001.43 CDU - 001.891 FRANZ VICTOR RUDIO INTRODUÇÃO A0 PRQJETO DE PESQUISA CIENTIFICA Ç EDITORA VOZES Petrópolis IluoTecAs Bnspsp 55545'
  2. 2. 1978, Editora Vozes Lida. Rua Frei Luis. 100 25689-900 Petrópolis, RJ Internet: hupz/ /xvww. vozeseonLbr Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, Incluindo lblucópizi c gravação) nu arquivada cm qualquer sislcmzi ou banco de dados scm pcnnissão escrita da Editora. ISBN 978-85-3Z(›~()027- l IisIe livro fo¡ composto c impresso pela Editora Vnzes Ltda. Rua Fic¡ Luis. IOO. Petrópolis, R] - Brasil Clil' 25689-900 Caixa Postal 90023 - Tel. : (24) 2233-9000 Fax : (24) 2Z3|~467Íx SUMÁRIO IN PRODUÇÃO, 7 I PÍTIILO I: O PI(OBLEI'1r' NUÊFLÍDOLÓGICO DA PESQUISA, o l. Noções ¡Jreliminui-CS, O . Z. ("Iinhrrimcnln da realidade cmpíriczi, 9 l tanirlcríslicns (lo Inétodn da pCSqllÍSil Cientifica, 'ló (', Il'Í'| "Ll| .L) ll: CONÍLINICA/ ÇÃO E CONHECIMENTO CllíN'l'll"lCO, ll I. Noções preliminares, 1.7. L. () uso (Ie termos, 14 . l. . definição dc termos, 29 I'. I'Í'I'LILO lll: A OBSERVAÇÃO, 39 l. Noções prcliminarcs, 30 . I. ¡ observação Iissislemailicn, 41 . à. , › obscrvaçño sistemática, 44 4. . - observação ilocuinental, 48 CAPÍTULO lV: O PROJETO DE PESQUISA, 53 l. Niaçñes preliminares, 53 2.. Como elaborar um projeto dc pesquisa? , 55 . i, População c aimoslra, (70 xl. Exemplos Llc modelos para projetos (lc pesquisar, O5
  3. 3. C. l'ÍTtl1.0 v PESQUISA DESCRFFIVA E PESQUISA EXPERIMENFÀL, (v9 | Noções preliminares, 69 l. Distinção entre a pesquisa tleseritiva e a experimental, 71 5. O experimento, 75 CAPÍTULO V1: O PROBLEMA DA PESQUISA, H7 1. Noções ¡rreliminnre. ~., 87 . l O temo da pesquisa, 89 i. Formuluçãtm do problema, 93 owrruLo vn: o ENUNCI/ DO ms Hivoriisizs, 07 1_ Noções pr('i11T| Íl1L1TC5, 97 .7. / Inpótese: guia para a pesquisa, 98 5. , - hipótese estatística, 105 CAPÍTULO V111: COI.1_"1Z›, ANÁLISE t2 1N'1ERPRti'l'AÇÍL) DOS DADOS, 1 1 l 1_ Noções ¡vreliniinares 11 l l. Instrumentos de pesquisa, 114 . S. Análise e intemretaçñti dos dndob, |33- CONCLLLSZÃO, 15o APÊNDK. : MODELO DE uM PROJETO m: PESQUISA, 131 BIBLIOGRAFIA, 143 INTRODUÇÃO i ale trabalho . se destina nos principiantes, isto e, nos que t mu» se iniciando no estudo de ¡nütodos L' temiam; zlepesiquiszi . u nulim. Ii seu twbietivo e servir de roteiro puro ; Ijudur os . nlnnus . i aeonipuiiiinrein as explicações e outras orientações «Lidas pelo professor. O nono intuito e apresentar, de maneira simples, as . numa tnisims neeess. iri. is à elaboração de um ¡mtjeto de ¡rt-squis. : lliremos rontinuaixientt' ÍIKiÍCiIÇÕPS de tomo . se a'1't'l11dl'tll11i1 pesquisa; entretanto este procedimento tem . ¡¡›e1¡. ¡~; .1 tunçãodt' 111()! il1"¡| I'('UI110 se prepum um projeto. I.1I'e/ , (Ievessemos ainda acrescentar: o meio mais efinw. ile . ulguem realizar uma hoa pesquisa e' elaborar um hom | |1U]L'Í() da mesma. lteve ser permanentemente lembrado pelo leitor o l . unter intrndutorir) deste nosso estudo e que está lidan- «iu com noções elementares, cujo finalidade e serem ultrapassados pela reflexãr) e experiência, em busca de nmior pruliindidanie. No começo, este traihalhtv foi mimcxigrañult) Alguns t olegas tiveram a delicadeza de utilizo-lo em Sula de aula. tanto destes como de outros, que tiveram u bondade de Ii' lo, recebermos valiosos críticas e sugestões que serviram [mm refundi-Io e . ipre entádn, tul como LIPJTCCC ; Igora t'>]1l'rí]11(itY novns erítirns e sugestões. Como se torna im- possivel, em tão pequeno espaço, dizer da contribuição de unln um, manifesto a todos, de maneira global, os meus
  4. 4. sinceros agradecimentos. li se for verdade, como Llisse- ram, que este livro sera útil aos alunos' l'l de fato para isto foi feito), ¡wenso que uma das mais gratas recoinpeir sas e saber que os esforços de eoleiboração lmneticiarani a quem se desejava t) / lUiUR CAPÍTULO I 7 problgrnametodológjcozda pesquisa l . Noções preliminares ”l'esqiiisa", no sentido mais amplo, e um eoniunti) de . itiviclmles orientadas para a busca de um tleterminatlxv tonheeiinenttv. A lim de merecer' o qualilieativo de rienlir [ira, a pesquisa deve ser feita de modo sisteluatizatlo, utiliyando para isto metodo proprio e tecnicas específicas e prm tirando um emilieriiiieiilo que se retira a realidade empirita. Os resultados, .issim (ibtitlos, tlevem ser apie sentados de lorma peculiar. Desta Iuaneira, a pesquisa cientifica se tlistiugut' de . u u¡ ra modalidade qualquer de pesquisa pelo müloilu, pelas m 1111115, por estar voltada [iara a realidade empirini e pela / ivrnia de romunicar o Conhecimento obtido. tjainos . igora, numa visao resumida e de eonjunto, «r que significa cada um destes conceitos' a) conhecimento il. : realidade empírica e bl caraererLslinLs da método de [Wrsqtliha rientíjiea. F, no capitulo seguinte, veremos t) cu- muniraçazv r ('()llll('('lI7l('Hlt7 cientifico. z. Conhecimento da realidade empírica 0 termo "realidade" se refere a tudo que existe, em oposição ao que e mera possibiliilatle, ilusão, iniaginaeñrv e mera ideailização. "Empíriew refere-se a experiencia. Lbama-se (le "realidade empírica" tudo que e. te e pode
  5. 5. ser conhccido através da cxpcriênrixi. Por sua vu. , "CX]7C› riência" é o conhecimento quc nos ó transmitido pelos sentidos c pela consciência. Fala-sc de "experiência cxter- na" ¡iara indicar u que cunlicccmos por meio dos sentidos corpórcos, cxtcrnos. A “experiência interna” indica o u» nhccimcnti) (lc cstados c processos interiores quc ohtcmus . itravós da nossa consciência. Denomina-sc “intrrvsm-cção" a ¡içño dc ronlicccr pcla experiência interna o quc sc ¡Iasszi (lcntrt) de nós. ¡ realidade empírica sc FCVCln a nos por imio dcfatos. listc trrmo ~ "lato" ~ [IOSSUÍ divcrsos significatlos. Nós o usaremos para indicar qualquer coisa quc cxislc na rcali- dade. Assim, por exemplo, cstc livro í* um fato. Mas, também, é um fato quc o leitor vslá lenda cstc livro. As palavras que sc encontram escritas Ilustc livro são fatos. Mas não são fatos as idéias quc clas contêm, pois não existem na rcalidadc. Quando o leitor, vendo as palavras, age inentaln1cntc para transforma-las cm idéias, a ação quc esta rcalizantln, de claboraçâa mental, [OTHER-SIS um fato. O livra, as palavras quc o livro mntém c o lritor tastá lenda vslc livro são fatos pCrCCblLlOS pela cxpci-iôiiçia CXlCF na. A elaboração mental, pcla qual as ¡valavras sc transfor- mam um idéias, ú um fato que potlc scr ¡icrcchiclo pela vsxpL-riência intcrna. um¡ ' sc freqüentemente' a expressão "isto é um lato" para SL' illlFllTdl' quc ; algo é vcrclaitltiro. Ora, na ciônria um fato não é falso t' ncin vcrdadriro: els (- simplcstnrntt' o quc c”. Não tem srntido, por exemplo, ;ilguém dizcr que é falso ou vcrdadciro u fato dc qua' a Agile¡ do mar é salgada. O quc, no entanto, pode : :star ccrto ou crrado é n runluu cinzenta ou . i interpretação quc alguém tum dc um fato, p, cx. , supondo quc a água do mar rra docc quando, rcal- mcntc, é salgada. O homem pode produzirfalos c isto acontccc inúmeras vczcs na rotina dc cada dia como, por cxcmplo, cumpri~ l() mentar ailguém, vcstirsc, .ilimrntzmsc, ctc. O homem muitas vczcs cria falas com a (inica finalitladc (lr studár los, como acontcct, por cxcmplo, Iias situações cxpcri- Incntais dc laboratório, Entretanto uma grande partc dos esforços, rcalizados pela ciência, tlcstinzivse ao ('Ol)l1L'L'l~ mento dcfatas quc existem, ¡rroduzitlos pela natureza, r quc o liomcm ainda (lCSCOHlICCC nu, pelomenos, não salm todo o alcance de suas implicaçõcs. Ncstc caso, a pesquisa ú Litilizacla para lazci' "(lCSCOhCTtíl§". Rcvrlaçõrs como rs is foram manifcstadas, por cxemplo, quando sc deu a ronhcccr quc a terra t" rwlanda, que gira em torna (In sol, quc há organismos microsró¡›iro. s causadores ¡Icfcrlvicntaçãu v «lc tlocnças infctrínsdss, ctr. Rohan lcmbra quc "o objetivo principal dc uma Ciên- ria, mais do quc a mera : inscrição tlC fcnômcnos cmpíri- ms, (- rslahclccvr, mcdiantr lcis t' teorias, os princípios gcrais com quc : sv: potlc cxplicar t' prognosticar os fenô- mrnos cn1píricos". ' ¡ preocupação da ciência gira em torno dc _fenômenos «-¡r¡¡›i'ri(0.s. Para alguns o termo “fcnômcntf indica apenas um sinônimo para "fato". Entretanto, pode-st' cstabelcccr uma tlistinçño, dizcndmsc quc "lcnômcno" é nfato, tal nuno é pvrcebitla por alguém. Osfatus aicontrccm na rcali- nlatlr, intlrpuidciitcrnciilc (lr liavci' ou não qucm os conlic- ga. Mas, quando cxislc um (| l7SCl'V¡l(l()l“_ a pcrcvpçãn que vstr tem do lato í' quc sc chamafviiíllrzcru) Pcss as (livvrszis podem observar, no mcsmo fato, fenômenos diferentes. ssim, por cxcmplo, um joven¡ viciado cm drogas pode ser visto por um médico como umfenômcnojisivlúgiro, por um psírálogo comofenômcna psicológico, por um jurista como fcnômcno jurídico, ctc, I YunaLmtatlntlrRnlmn, AlanimlpunlIauvmlruuriun p ll ll
  6. 6. Pode-se falar em "fenômenos ocultos" ou "sobrenatu- rais", mas estes não interessam à ciencia, pois não fazem parte da realidade empírica. Os que interessam cabem numa faixa muito ampla e são, por exemplo, os fenômenos _fisicos (como o frio, o calor, etc), os fisiológicos (como a secreção glandular, a contração muscular, etc), os sociais [como interação, migração, etc), os psíquicos (como per- cepção, emoção, etc. ) e qualquer outro suscetível de ser observado, quer direta ou indiretamente. Pode alguém dedicar-se à pesquisa científica apenas para verificar a presença ou ausência de um determinado fenômeno ou então com o intuito de eompreendê~lo me- lhor a tim de descrever adequadamente suas característi- cas, natureza, etc. Assim, por exemplo, um cientista social pode estar interessado em estudar o casamento entre esquimós para dizer em que consiste e como se faz, para identifieilo ou não com um determinado modelo. O trabalho científico, no entanto, assume geralmente uma outra tlimensão Ogburn e Nimktaft' lembram que "uma grande perreiitaigem (destes trabalhos) e mais do que uma simplen descrição de fenômenos. Grande parte se refere à relut Em entre dois ou mais fenômenos, como, por exemplo, as relações entre condições econômicas e indices de c; “ mento". L' dizem, ainda: "um problema corrente sob este aspecto é tleterminar a causa do fenômeno"? Quer procurando descrever o fenomeno ou, então, tentando explicar a relação que e iste entre eles, a ciência não está preocupada com casos individuais mas sim com generalizações. Dedico-se aos rasos particulares, no intuito de eomprecridei* o conjunto de indivíduos que participam da peculiaridade do caso estudado. Este modo de proceder e denominado, pela lógica, de "indução". Consiste numa 2. William lí Ogbum e Meyer F Nimkottj Sociologia, p, ll) 12 operação mental em que, a partir de fatos observados na realidade empírica, chcgzvsc a uma proposição geral que se denomina "lei", que é uma condensação de conhecimento, determinando como os fatos acontecem e são regidos. Mas, neste processo de elaboração, a ciência precisa também utilizar, além do procedimento indutivo, outro modo de operar logico, que se denomina "dedução". Esta e' uma forma de raciocínio em que se parte dos princípios para conseqüências logicamente necessárias, ou seja, do geral para o menos geral ou particular, É dcdutivo, por exemplo, o raciocínio que se faz assim: todos os alunos desta classe são estudiosos, João é aluno desta classe. Logo ele e estudio- ». l. E e" indutívo o que se faz desta maneira: Pedro é estudioso e é aluno desta classe, Antônio é estudioso e e aluno desta classe, .Joaquim (- estudioso e c- aluno desta classe, José. .. Logo todos os alunos desta classe são estudiosos. Através das leis que procura estabelecer, a ciência pretende construir, de forma dinâmica, um modelo inteli- eirel e, ao mesmo tempo, o mais simples, preciso, completo r ltTl mm¡ do mundo em que vivemos. Este modelo deve z l também Ljleaz no sentido que ajude a fazer previsões - . › utilizar meios apropriados para controlar os fenôme- nos. t' para estabelecer as leis, a ciência formula hipóteses, que são suposições para orientar o pesquisador na busca . ~ na descoberta dos fatos e das relações que existem entre rles. St a formulação da hipótese preencher determinadas t ondições e se foi' verificada, transformar se-(i então em lei. Diz Bunge que "uma hipótese CÍEIIÍÍÕCB e uma formu- lação de lei se e somente quando: a) e geral sol) algum . ispecto e com algum alcance; b) se foi eonfirmada empi- ricamente de modo satisfatório em alguma area; t") per~ tente a algum sistema científicoTl S. Mano Hunge, La investigación eienlljiea, p 393 '13
  7. 7. Um Conhecimento mais amplo a respeito de fatos ou de relação entre fatos já não é mais lei mas e uma teoria. Este termo A teoria v C' freqüentemente utilizado na lin- guagem¡ vulgar [rara se opor ao que c "pratico" e [nissui, portanto, conotações especulativas. Na ciencia não e as› sim. Ele se refere a um modo de organizar os fatos, explicando-os, est2ibele4:en(l(› relações e dando oportuni- dade de serem utilizados para previsão e prognóstico da realidade. Dizem Selltiz e outros que, de modo geral, "a intenção de uma teoria na ciencia contemporânea e summ riar o conhecimento existente, apresentar a partir de princípios explicativos contidos na teoria, explicação para relações e ; iconteciinentus observados (fatos) bem como predizer a ocorrência de relações e acontecimentos ainda não observeidos". 4 Na citação acima de Ogburn e Nimkoff foi dito que um dos mais importantes interesses da ciência e determinar a causa dos fenñmeilus. Convém explicar o que este termo significa na ciência. Geralmente, no sentido vulgar, a causa se refere a um só fator, que supõe-se ter "força" suficiente para produzir determinado efeito. Assim, por exemplo, diante de um jovem neurótico, alguem perguntava: "a causa disto não e o fato de ele ter perdido a mãe, quando ainda era muito pequeno? " Na ciencia não se espera que uma causa, sozinha, seia suficiente para produzir fenômenos. Mas e necessario haver uma conjunção de causas que, influenciando-se mutuamente, criem uma situação onde o tenônteno é capaz de manifestar-se. Assim, um dos trabalhos muito importantes, em ¡Jlano dc pesquisa, é definir os fatores que estão presentes e influenciam a situação. Para que o álbSllntñ seja melhor compreendido, vamos aproveitar um 4. saiu¡ Iahonla, oansth, t ook, ¡HIÍIHAÍUS as ltwquisa. p 'no t4 exemplo dado por Selltiz e outros a respeito de um fcnô» meno - vicio com entorpecentes a fim de considerarmos ' ' causas que criaram a situaçãoÍ Uma causa c' necessária quando, sem ela, o fenômeno não pode ser reproduzido; p. ex. : experimentar o entorpe- cente (- causa necessária para o vício, pois sem experimen» man o indivíduo não pode ficar viciado. A causa sujicicnte e -lqltflíl que, colocada, produz inevitavelmente o fenôme- no, p. ex. : o vício prolongado em entorpecentes produz «Iistúrhitws psicológicos. Uma causa pode ser necessária sem ser suficiente. Assim, p. ex. , experimentar entorpe- tente não leva o indivíduo necessariamente ao vício, pois Im pessoas que o experimentaram, sem ficarem viciadas. Outros tipos de causas são cunlribuintes, contingentes e alternatirass, As primeiras são as que ¡iumentam a prtlihllllillltltlt' (contribuem) do aparecimento do fenômc no, sem garantir que inevitavelmente surgirá. Estuda leitos com famílias de viciados constataram que a ausên «na da figura [IHÍCTIIH no lar, durante a infância, t'- causa ionlrilmintt' para o aparecimento posterior do vicio Itu lllho . s condições favoráveis, criadas para que a cama uuntrilniinte ¡Iossa zituar, constituem a causa contingente : to fenomeno. As im, constatou-se que o vicio em entor› ¡uw ~ntes, dos jovens que tiveram ausência paterna no lar, su . veontece quando, nos bairros em que eles moram ou treqiientam ha disseminação de entorpecentes e não acon- tece quando o uso não está difundido. As causas alterna- tiras são as diversas modalidades de causas contribuintes que tornam provável o fenômeno. Assim, se a causa mntriluiinte é a . ausência da figura paterna no lar, as t-IHSHS aillernativas que ziparcceram no estudo feito sobre o vício de entorpecentes foram: a) jovens que cresceram 3 m . lllilf , p «n a 97
  8. 8. sem pais; b) filhos que tinham pais, mas que foram tratados por estes com hostilidade. O modo próprio que a ciência tem para obter conheci- mento da realidade empírica é a pesquisa. E, entre as diversas formas de faze-la, as que vão nos interessar neste estudo são a descritiva e a experimental. A primeira tem por objetivo obter informação do que existe, a fim de poder descrever e interpretar a realidade. A segunda, a experimental, está in- teressada, não tanto em descrever os fenômenos tais como já existem na realidade, mas em criar condições para interferir no aparecimento ou na modificação de fatos a fim de poder explicar o que ocorre quando dois ou mais fenômenos são relacionados. A pesquisa experimental inclui os objetivos da pesquisa descritiva indo, no entanto, mais além. 3. Características do método de pesquisa científica Van Dalen e Meyer lembram que "o traballio de ¡ves- quisa não e de natureza mecânico, mas requer imaginação criadora c iniciativa individual". E acrescentam: "entre-- tanto, a ¡iesquisa não c uma atividade feita ao acaso, porque todo o traballio criativo ¡iede o emprego de proce~ dimentos e disciplinas tleterminadasí" Talvez uma das maiores dificuldades, de quem se inicia na pesquisa científica, seja a dc imaginar que basta um roteiro minucioso, detalhado, para seguir e logo a pesqui- sa estará realizada. Na verdade, o roteiro existe: são as diversas fases do metodo. Entretanto, uma pesquisa devi- damente planejada, realizeida e concluída, não e um sim- ples resultado automático de normas cumpridas ou roteiro seguido. Mas deve ser considerada como obra de criatividade, que nasce da intuição do pesquisador e recebe n. Deohold hmlalen e Willian¡ I Mayer, .Manual de Tecnica p l-i) 16 a marca de sua originalidade, tanto no modo de empreen~ nlíula como no de comunica-la. As fases do método podem ser vistas como indicadoras de um caminho, dando po- rem, a cada um a oportunidade de manifestar sua inicia- tiva e seu modo próprio de expressar-se. Fazer uma pesquisa científica não é fádl. Além da inicia- tiva e originalidade de (piejá falamos, exige do pesquisador persistência, dedicação ao trabalho, esforço contínuo e pa- ciente, qualidades que tomam sua feição específica e são reconhecidas por cada um em si mesmo, quando alguém vivencia a sua ¡iropria experiência de pesquisador. E, no entanto, é uma das atividades mais enriqueeedoras para o srl' humano e, de modo geral, para a ciência. Embora enfatizando o valor da criatividade, convém lembrar que a pesquisa científica não pode ser fruto . ipenas da espontaneidade e intuição do indivíduo, unas exige submissão tanto aos [)I'0|7L'(iÍl1('l1tOS do método co_ nm . ins recursos da tecnica. O metodo e o caminho a ser [| x'l't't)l'I'l(iU, demarcado, do começo ao fim, por fases ou wlapas. E como a pesquisa ten¡ por (vbjetixm) um problema . l ue¡- resolvido, o método serve de guia para o estudo . .as emátieo do enunciado, compreensão e busca de solução alo referido problema. E " minado mais atentamente, o metodo da ¡iesquiszi científica não é outra Coisa do que a elaboração, consciente e organizada, dos diversos proa» ¡hmentos que nos orientam para realizar o ato reflexivo, hit) e, a operação discursiva de nossa mente. Whitney nos recorda que costumamos utilizar o pro- irsso reflexivo quando nos encontramos diante de uma situação, que consideramos problema e sentimos a exi- gência de resolve-lo. Em atos mais simples, como o de . imarrairmos os cordões do sapato, barhearmo-nos, pro- mlocrmiis diante de amigos, estranhos ou inimigos, o nussa procedimento e espontâneo e reagimcis sem reflexão ou quase sem reflexão. Estes mesmos atos, hoje tão faceis 'l7
  9. 9. e familiares, foram considerados por nos, em outros tempos, como problemas mais ou menos complexos, que tivemos de resolver. O mesmo autor faz referência a Kelly para dizer que um ato rompleto da pensamento reflexivo compõe-se das seguintes ÍíISCSC a) uma dificuldade é . scntidm b) procura-se então rum» prcendcr c ddinir esta dificuldade; c) (lá-sc para 11 Illlãílllã uma solução provisória; d) elabora-se mentdllnenre uma solução (elaborando-sr, taunbém, sv: for nccc. rio, soluções provisórias complementares) da qual se 10111; c) a convicção de ser a solução correm; f] comprova-se CXpfTÍlllüllÍàlmfIlÍL' d mesma; g) pmtu~ ra-sc . Avaliar adequadamente os 11111105 cxpe1'inicnlaís, que wn~ iluzcm à aceitação da . solução 11113111111 r a uma decisao sobre a conduta imediata ou ao abandona e à retificação da nercssirlddr sentida, donde neLsceu a dificuldade. O processo se repete até que se obtenha uma . solução rmnpravazld, imcdialarrnvite milizárrl ; li) procura-srtrru111d Visão de futuro, ou seja, a formação de um quadro mental de . situaçf futuras para as quais a . siludçãu atual E pertinente¡ Asfascs do ¡nélndo de pesquisa são semelhantes Eis que acalnnnos de indicar, compreendendo. .›) _farmul. ição do problelna da pesquisa (corrrsponzlrntc aos itens a c b); B) cniniriado dc Iiipúleses (COTl'l'Sp0ll(lCl1ÍL' aos itens l, d c c), C) roleta dos dados (corrcspnrinleiile ao itemj); D) análisi- e inlcrpreraçãz) dus : lados (correspondente aos ilcns g e Ii). Embora sejam estas ; is faiscs do método, não sc ; iprescntam srnipre nccessarieimeiite em númcrni ¡lc quatro. Alguns QUÍOTCS preferem desdobrar, p. cx. , uma em dum ou, cn- lão, sinlelizai' duas em uma. A 's1n1, .1 primeira fase pode aparecer desdobrada cm duas. enunciado da problema e ciejinição dos termos da problema. Ou, então, a terceira e quarta podem surgir sintetizados numa so: roleta c inter- pretação de (lados, 7. Ilrnlrruk lamson Nlulnn-i', Elmirnlux a» imrslunirion, 11 : | 1 4 18 1 primeira fase do método é a formulação de um prz» lzlcma. Algum principiante, ¡insioso por "cometar logo a pesquisa", pode supor qua: o melhor é ¡Jensur anuliai. ; mente na elaboração de questionário. Não ll. ) duvida qu; r muito comum encontrar pessoas que conlundem pe» quisa com mera : aplicação (lr (iuestionzirio. Este procedi- mento, porém, pertence à roleta dedadus¡ quc, na «vrdem por nos Colocada, cncontrmse na terceira fase. Na verdade, não «c ¡iodc fazer pcsquis. sem (cr um problema, devidamente rnunviado, ¡zoara resolver. Diz Dewey que "não formular o ¡yrohlcnia é andar as cegas, no escuro. A maneira pela qual ¡UIICCHDXIIOS o problema é que nos leva a Llceidir quais as sugestões específiezis a considerar ou desprezar; quais os rlvmenlos que devem ser selecionados ou rejeitados r qual o rriterin» para a ronve11iô11ci.1 s* importância ou não da hipotese r da cs| ruluraçãi› dos eonceitos". “ I'or1uul. n|i› o problema, o método pede quc o pesqui- sador cnunriv as hipóhases, que são tentativas dc soluções, [Lila posterior aceitação ou rejeição. A função da hipotese . »lu-mar que, numa (lcterminanla situação, um fenômeno x montra presente ou aiuscntc, que possui (ais caraeir» n m . is ou natureza, que exislc (ou não existe) (al relação n »pi-Lilica entre fenômenos, ch; devendo, a zifirmziçãiu, ser xrrilirada na realidacln' rmpíri a. wrifirar é confrontar .1 , ulirniaçñci da hipótese - um informações obtidas na reali- ilmlr empírica. Sccxish v rdância a hipótese foi r0111- ¡rnnnula c pode . ser ãCPlld i uso contrario, a hipótese foi wiritarla. Para obter as informaições, o ¡Jesquisaitlor observa , i ivalinlaclc. Como rcsuliaclrv da amservaçãxw, o pesquisador ru-_grstra determinadas informações, que são os dados ob- Inlns. E, ao processo de alcança-los, denomina-sc "coleta . Ir dadas”. n hvlmIii-Ina, Inlrligfrvrhli'111¡'r. ¡lig.1¡u1e› , p _'45 ll)
  10. 10. :mas 0 simplrx luto ¡lc ObÍCT dadas nzin rcsolvc n prnblcnm Liil pcsqllisd. Para isln, tornei-w nccrmiriii dar . ins mcsmi» uma¡ [urina dc nrgziniwiçãii, que pmsibilitn' scrcm Cxdlniniuiüh c . ivaliadns, tm¡islkiriiiiiiidurm', .issim, rm nizilvrial útil [i vcrilicaçñti das lllpúlcàch. .'t)('kll1_jlllllu destes pmrcdinicnn» dtllüllllllnkhl' “IÍHKHÍÕC «lc Lindos", 'ltrcmns, cin . scguinlai, .i "intcrprvl. igfin dc Llmlm", quc mn Í lc cn¡ (ÍÍZCY d wcnlailrirzi signiliuiçñn que os : lados obtidos ¡iussurm para m. ¡irn¡i(›si| nis da pesquisa, gcnrra- lizançlnrsr, dcpni m rcsulludos, no ¡ÍFnbllU qu( . i ptsqlllv si¡ pcrmiln* c . i lógica wiisriitc. (nslumarsc lcrminai* n rvl; it(›rii› da pcaquisn min uma "nmrlii. ~ziiii“. liniliniui n . hhlllllü Ilrisi JU . imliiln ilvslx' [rar llálllll! , quc visa . ipcngis dar . n nnçñn lniainxi: para d rlnlmraiçãn k1k' um prqjrtn, mnvciii, nu cnlunln, .lc | hl>m| ~ gcm, lumhrui' ; ilgunias ilinliiuiçiírs. Castro nli/ quc "na Conclusão alcwanr rclnmai' . i 'i iu _impla . iprcsUiilnLla na inlmnluçñn c tcnlnr . i'. ili. ii' n immcli» «la ¡Vtbqlllfnl sobrc . iqurlzi [1CI'S]7Ct'li. l. . liusuinnli: nlcxtilnr (IN mnli'il)iiig'õc› mai› imporlunlcs ila ¡HWQIIIML livm como . i. ili;1rrllic5<›s' pontos ÍNIHICUS v mnli'u'ci'liiliix l. ni lcrmns lurniuis, .i cunçlusãn dl)l't›(llld um xunniriu nnmrnlamln liHh ¡irinri- ]7.lÍSl'CSlliÍ.1Li05, iailçnnnlai sua «unlriliiiiçãn Ii Lliscipliim. Uma pcsqnisa xulvrc numa ]7'l'. [)l'CÍl'. lí sugcrv . ircas cm qu( Iiosw vnnlicriiiiviili» r ¡WHTJFÍU n' . iliiila aunvicçõcs . inligam luis implicaiçõcr. nlrx i'm su' cxpl(ir. iLl. i› no capítulo das' contlusõcsüq Em Lxinln uma das lhscs do mútniln, n ¡iv. ~qi1i_s. inloi' Llcvc usar Ccrtus rccursnã, qur x50 . iprcsuiilaidiis na (urina do: PTO( alimentos técnicos, mino o «lc sclrcinnui' . i (llllllhllül, construir c ; ipliuir instrumentos' du pcsqnisa, th'. c quc . xrrñu vistos por nós cm lugar upurtiinn, mais . iclinntc. Para análisc c intcrprclnçàu Llm «imlih n-rni'n», sc . i técnicos o. l Liudin dr Ainur: : Cnh-n_ lAlrHlurJpÍi7 i- . ipnwivnxiiijiiv ; v l l c l: .20 «lv ixshitística. .I('ni disto, (lumnlc lodo o PFOCCSSH d: : prsquis. ) LlL-vcm ser usadas, prln mcnus ÍHIPIÍCÍÍJIIYCHÍC, lócniczis dc raciocínio lógico, Anlcs lil' concluir' nrstc capítulo cnnvcm lcnilnxn' quc n inúluilo, .iciniu Lifhtrllü, não é ; ipvnns um miiiiiiiliu lil' ¡vriwcnliriiciiliis liwmuis ou um complexo (lr normas iuju Inhlliddnlt' É . scr usado llllifíllnünll' na [ICSqUÍMI hi foi liih) «inc clc Constitui L1 (iricnlnçãcn lnisicii Llu pensamento rcllu- l n : l('ni tlisln (uu por musa disto) c ronsiilriuiilii Inm- lwm rlinuu. para u . mmciiiii do sahvi', nn individuo quc n Illlii/ .d, v mciu . ulcqundo para . implinr n C(! l1ilL'(iI11L'I| l), na ll u. : da ciência, Poppci' di¡ qua' "o ¡imlilcnia central da cpialuinnlngigi iu II! [)I'L' ln¡ c continua n su' n ¡irublcma (ln . iuniciitn du n. il›i'i"'. ' n niélmliv Cl-ICÍCIIÍV [Lim . ilcnnç. 'i›la› mnsinlv "cm . nnnn ldl' vlaiximnriili' um prohlciiin c cxuiiiinui' x rilixaimrnh' «. xiriax wlnçõcs ¡impnstas Importa rculçai" svmprc quc p¡ ¡ipnlllns umzi . xnluçfin ¡imxi um ¡irnlilcina &ÍCYUIHUS lCHlJl', Lin inlcnsamcnlc Liunntu [IUMIVCI, púr . ilmiw . i mesma ulizgfm, .in invés ¡lc «lrfrnilú-Li. lnlcli/ .mcnlr punir» do: m «vlnviwaiiiiiis 0st: : prcccilu, fvlizmcnlu' outros' ['. ir. 'in› _Ls « »Hmh quc m» nlcixarinns «lc llizrr. .v critica, puré-ni, .só u¡ il utífcm se CHUIICÍHFIHHNUPrílblfllhlÍJU])l'L'l'l><| ||1L'l'I* u «nmnln ni» M" i pnssívcl, iolucandn . i SUÍUÇÕL¡ pm' nm piupnsta cm forma sulicicnlrinciitc alclinnl. ) lnrnm "w clivcl : lv scr crilicaimvnti' rxainiiinda” w 1 ni cunclusño, podcmos utilizam nivlnrlo (Ul1|(7("(| l1(iÍÕl) m l rwmlfid ¡izim rculiznrnius uma ¡icsquimi On, tom «lula in n ivinus também usá-ln quandu quiscrinu~ Julqiiirii' ailgum wnhcrimcntn pessoal, Num c noutro um_ . a su. ) clicam¡ li¡ iu-ndc ilc 110550 calado de cspíritn: uma . itiluilc tiL' dra. :- in _uu para que : i Crílicu, ¡inipria v da uulrm, p(is. ~..1lu¡iiLl. ii' n nmm pcnszimcnto até cncontixir a vmlndc. m mit ! hmm A Iugii. : A. : ; ic5¡¡r¡i, .i, p 3st» 2.1
  11. 11. CAPÍTULO II Çomuíicgção e conhecimento científico Not" es preliminares ix u livros de metodologia¡ da liesqnisa, o título tlCSil' rapxlulra pode servir ¡iara tratar de . issnnlos eomo, por CXClHpltv, da forma que «leve ter um relatorio de pesquisa. Mas a ¡aerspeetiva que uinios ter para ; ihurtla-lo e outra. fouili/ .aireirins o . ispeeto do uso e ila rle/ Íiiiçãu dns termos que, na verdntle, é tão util C llnlttlrtalttt' para a elaboração de proietiis, eoiiio t'- para . i exeuição da propria ¡iesquisa, e tão inipreseiiitlivel para o individuo produzir os seus ¡iiúprios pensamentos, como para eominiieai' os resulta (Im a que tiver chegado 'umeçii'eiiit›s lemlirantltu que toda experiencia, eter- na ou interna, ileixa em nos um . sinal do que aeunteeeu, (lenomiiiatlii iilifia ou eimeeilo. Estes «luis termos, sinóni- mos, indicam a forma mais simples do pensamento e ¡iela (iual ("Unhrfelltüb as coisas e estas ficam representar/ as' em nossa mente. 'ara lnflllnl' compreensão, vejamos um exemplo. (luzmdo eonheei) uma pessoa, posso "guardar" a imagem de sua tisionomizi, tnriiando-se' esta imagem a pessoa iepreseiitada dentro de mim Pois bem, eiuandt» eu falo em "Loiieeilo", que tenho da pessoa, itão e a esta imagem que estou me referindo. De fato, .i imagem pode oferecer-me a "representaefiii" da pessoa soli tliver. »s d$~ pCfiüS. Assim, por exemplo, feeliaiiilo os olhos, posso recordar sua fisionomia¡ (imagem visual), sua voz (ima- p L4 gen¡ . iuditivai, ele. O (UIIIVÍÍLJ e menos sensível do que a imagem, (ligamos que e imaterial. .Apareee eomo resultado de uin traballio da nossa mente, proeuraiidri aprewiiler o qiieapessua e, enquanto que a imagem indica ; ipenas eoino I. il pessoa se : nani . sta. O eonreitn (- uma atividade mental «pie ¡iroduz um eonlieriineiito, tornando ÍIIIUlÍgl/ líd não . ipenzis esta pessoa ou esta Coisa, mas todas as ¡iessuiis e umas da mesma especie. Alem de ser a representação da uma em ; ilguenr o FUIHCÍIO e o mein que o indivíduo tem tüllhUftV' esta coisa (ou outra qualquer da mesma lhllll H t -. ¡›eeie), i'unipreeiiilerirlziqi, tornandn-. i inteligíirel para si. t) mneeitii e iliferente do fui/ u. (liiando, por exemplo, vlgiiem di7, o que entende por aluno e por boni, está l lllllllttlt) eoiieeitos. Nlas qtiaiitlo . ilirniaz "o aluno é bom", .ala lttrntlllátlttlü uni juizo (mais apropi"'idamente esta ipi iwentando uma prupirsiküiu, que e a lI1ítltlÍtWÍdÇÕOY 'ível «lu iiií/ o, Í47t'l11tll. |(ltlt'l11 sua mente). Ojnr/ .o, portanto, e Iiina ielatíin entre conceitos. Us eoneeitou, que . ilguem ; itiialiitente possuí, não tll. llt'tl'l'ollt1 de repente, de uma só vez, mas foram former Im iriogressiveimentt' e o PTUCCSSO de sua loi'maçz'io eon- lillilil <sim, por exeinplu, a ideia que tínhamos de : IÍHHUS «p iandn eramos crianças toi gradualmente* se nioilil'ie. iiitli› w limit* ia . '- bem (lilerente. No eomeeii em muito simples e i lt inentar. Mas a nussa preipria twperiôiieia como . ilunos i , i que tivemos' rom os oiitros nos (leram novos Clcltttll* i4 v. li/ eram-iios perder outros e trainsfnrmai' . ilguns, ¡niiilie. iiitli›, .implianiiiv e enriqueeeiidii o conceito anti» t liil Para isto, alem das experiôiieiais, Ibi iieressariii tam~ llt in que utiliza senius a nossa eapaeidatle de reflexfiii, «uiiiinirantlo e relaeioiiaiiiiti os novos elementos, que iam . i iido . idquirido com os . iiitigos, quejzi pnssuiziinos. Um . tm pontos mais limdaiiieiitais para n ilesenvolvimento iiitelertiial do ser humano eonsiste no . ilargainentiv, aper- l--itnainento e aprofundameiitii dos conceitos, dando ao tu
  12. 12. indivíduo uma vi. io, cada vez mais precisa e adequada, de si e do mundo em que vive. Sol) este aspvrto, eomprt-eii- de-se, então, que, para ; liguem ilefinir (iconrcilo de ; ilgumzi roisa, Iiño e apenas rcpctirp. ilitivzi. s talvezjíi (lt-coradas, 111115 e manifestar u que saiu' sobre esta Coisa e que foi ziprentlitlo, sobretudo ; itraves das experiüiicizis. Sol) este aspecto, a finalidade do nosso curso ú cljlltlklf o ¡iluno a ter Lim conceito cada vez mais 'adequado de um ¡iroieto de pesquisa 2.. 0 uso dos termos O homem, porque ó rapaz. dr conceituar, pode utilizar a linguagem falada ou escrita para se romuniear rom os outros homens. Pela linguagem, o homem pode transmitir os seus conceitos . itravés de nuns e traços tpalavras) ron veneioiiais u pode, por meios idenlieos, saber o que os' outros ¡iensam ou srnteni a respeito das iveswzis, coisas, acontecimentos, (te. SL' ¡verguntarmos qual o conceito que . liguem ¡iossui de aluno, ¡iodrreinos receber, por exemplo, as seguintes rocsposlas: a] “e aquele que aprende', hl "É o individuo do . sexo inasculint» ou feminino, inatrieulatlo rm estaheletti- mento tlL' ensino, com o objetivo de reali/ .ar uma apren- dimgein". 11311105, entao, duas formas (e ¡Ioderignn ter sido . ipreseiitatlas muitas outras) de se enunciar o conceito de aluno Assim, o HICSIIIU eonreito pode ser apresentado de maneiras tlifurenles. Os elementos que . liguem distingue num Conceito e Litiliza para explica-lo tlCl10IT1il1iHH~SC "notas" ou "Cí1Tn('~ tcríslieas" do conceito. As im, no exemplo acima, o con- ceito de aluno [JOSSUÍ as seguintes caracteristicas no item h; intlirírluo - SPXU masculino ofmninínt) matrieulazltw - L-. slalielrrinicnlo de ensino - aprendizagem como objetivo a realizar'. pela ; ipresentaçñii de suas características que chegamos a compreender um eonreitiv. Desta forma, de_ ilumina-se "compreensão de um conceito" a eipresenlação das características que o constituem. Geralmente, quanto mais características forem apresentadas, melhor será a . ompreensãti que se terá do conceito. Chama-st' de "ex- Iensão de um conceito" a aplicação que se pode layer dele . um individuos, coisas, LICOIIÍCCÍIUCDÍOS, etc. (luanto maior n LOHIPFCCIISÕO nlenor a extensão e vice-versa. tluando st' 4ll/ , por exemplo, que ¡irqfussar e todo aquele que ensina . lrirse ao conceito uma extensão muito ¡impla e, em . onsuqiiêiiei. i, uma compreensão muito pequena (apenas uma raracitcrístiea: que ensina). Quando se diz que profes- ur r portador (Ie uni diploma th' ruiiso superior, devirlarncnle . iprorazlzi pur um departamento unircrsita'›'ia, mm afinal# ¡Lulc Alt' ntiltlhllüll' aulas de uma ¡leterniindrla ilisriplina e u; lt : :Iaras alunas cm . iliriil. 'izlt-. s dL mes tltlhst' ao coneeir I-- uma (YHHPITCIISÕLI grande mas (liminuiu-st' muito a l iÚHÕJÚ (t1Hnpilllllldn-SC, no primeiro caso -prufus. sorc'u iptu' ensina , o Lontrito se ziphmva a IHlllÍd genti' e, .igora, r. slringtuast' Inuilu esta aplicação). a ciencia não hasta ; ipenas o individuo saber, mas i-ttlvltlflllrhC dc gramde importancia que o seu conheci- m. ulo wja constituído por canteiros adequadas, ("Iaras e , li 4mm», Lim «roneeito é adequado quando nele se encon- ! Lim todas as caracteristicas próprias, qu: : o compõem. v _im tonlríirio é inailcqiiailn. .issim, por exemplo, concei- Ii1.o'lroinalunt)tomo o que "tira boas notas" e inadcqlia(lo, ¡mh laltam outros elementos como "Lledicaçño aos estu- 'i4 -. . "participação em ülÍVÍLladCS discentes", "responsabi- lidade um sua propria formação ¡iroiis ional", etc. Um u-nueito é claro quando, por ele, entre (liversas outras - . usas, pDdC-bt' reconhecer a eoisa . i que ele . se refere. Caso i ont rario, í' olzsrziro. No exemplo dado . acima, dc que bom . ilnno t' A ¡uele que "tira boas notas", esta CafdClCFÍSÍÍCd lt xa a tonfundir, pelo menos em certos casos, bom aluno -om aluna que rala, aluno (lc sorte, etc. tlm conceito é «ÍHHIIIU quando, lCVdlltltirht' em consideração as suas pro-
  13. 13. prias características, é capaz de distinguir umas das ou- tras. Caso contrario, e eonfiiso. Assim (aproveitando a própria definição de conceito para darmos o exemplo), se dissermos que conceito e a representação mental dos elemen- tos que compõem a coisa estamos dando, sobre o mesmo, uma ideia confusa. Para torna-la rlLstinta, precisamos explicar melhor: que o conceito representa somente aqueles elementos que são ; ibsoliitamenlc essenciais a coisa e, por- tanto, comuns a todas as coisas da mesma espécie, ileixantla fora os elementos que . são apenas particularizadares e indi- vidualizadores de uma coisa. A condição para nos eomunicarmos hein com os ou- tros e apresentarmos convenientemente os conceitos e utilizarmo-niis ¡ipropriadamente das palavras ou termos. Estes, como sabemos, são constituídos por um conjunto de sinais visíveis que podem tomar a forma ile sons [palavras ou termos orais) ou de trezçus (palavras ou termos escritos). A palavra é empregada com a finalidade de trainsmitirmos ; ins outros o que se passa dentro de nos: nossos pensamentos' e sentimentos. Para que o processo de comunicação seja eficaz e necessario que as palavras sir- vam realmente para . ijudar o outro a representar na mente o que estamos representando na nossa e que dese~ _iamos transmitir. Assim, por exemplo, penso num deter- minado instrumento que marca o tempo. Utilizando uma série de traços, escrevo a palavra “'relógio", Neste caso, o meu desejei é que a pessoa, lendo o que escrevi, represente também na sua mente o mesmo instrumento que pensei. A ciência não esta interessada nas palavras em si. L nem as utiliza apenas para embelezar as frases ou para llies dar toques emocionais. A ciência rejeita, como espú» ria, qualquer forma de psitacismo, isto é, da utilização de palavras sem ideias correspondentes. Mas, pelo contrario, como as palavras devem servir sempre de meios para revelar uni pensamento e/ ou para mostrar algo na realidade, _i . in-nção da ciencia se localiza, de modo especial, no signir [itaim e no rijereiiti' que a ¡nilavra pretende indicar. Szihe-se lioji' que a relaçao CSlühUlCCllltl entre a palavra e a coisa que rla ilesignai é meramente convencional. O povos primitivos imaginavam que a palavra fzr/ .ia parte ri : - propria natureza : la coisa, como se fosse, (ligamos. um "pedaço" dela. Na n iagia, supunlizi-se que alguem PUKlCJSY ser preiudicado pelo -ainples fato de se utilizar a palavra, que indicava seu nome, ¡iara se fazer nela, ou com ela, a "maldade" que se deseiava para o indivíduo. Mas isto pertence a uma epoca ¡Irã-cien- lilica. ¡ ciencia irão tem o culto da palavra e utiliza-a aumente como instrumento elicaz para a elaboração do prnsainentii e para a comunicação. Assim, dentro di: certos limites, o cientista pode inventar uma palavra ou modiíi till' outra para indicar mais adequadamente o conceito que | lr ¡iensa e deseja manifestar. 0 mesmo conceito [Jade, as xizes, ser indicado . om lmldvrag ¡tirei-entes, p_ ex: perito, L'l). ^'rllll(? l1ldll0, prático, .abalar, etc. , ilesigna "alguém qu Nisso¡ conhecimento . VITÍCÍO para a execução de deh mu» . s . ixladU. M115, p. -i outro lado, acontece que conceito» . im-i . HMCS ¡iodem ser tllillliltlllS com a mesma palavra. ,- sim, por exemplo, o i. l inope' pode se referir a uma parte (Ie uma pessoa, de uma Il| t -. .i, de uma árvore, ao vento, a altura da parede, etc. Para . it. ir qualquer ambigüidade, procura-se, na ciência, fazer . l iumiinicaçãi) na base (los significados e dos referentes e t i, n i . i penas da ¡irópria palavra. Por isso, a compreensão deve . t l procurada nas definições, sendo-o mais importante do iph' ¡ierguntarz "o que foi que ele disse? " e saber: "o que i--i que ele tlesejou significar com o que disse? " Lmhora a utilização de palavras seja fundamental, .Ii-vemos estar sempre prevenidcis para as confusões que . I.i ¡iossa tacasionar. Weatherall diz que, para evita-las, ¡liias ¡irovidencias (levem ser tomadas: a) estar ciente da ; umsihilidlzrle de que a mesma ¡ralavra seja usada para
  14. 14. indicar referentes diversos ou de que uma palavra seja cm- prcgada sem qualquer referente; b) estabelecer exatamente qual o referente de determinada palavra, em dado contexto, e manter constante a conexão entre o referente c a palavra ' l Para ajudar a estabelecer o referente de (lctcrminadas palavras talvez ajude a distinção que sc coloca entre significado cxtensional e intensional. O mundo cxtensional í' aquele que podemos conhecer através de nossa ¡irópria experiência. O significado extensional í' aquilo que ele aponta no mundo cxtensional. Assim, por exemplo, quan- do alguém diz "cadeira", o significado desta palavra é algo existente na realidade c que pode ser conhecido pela expe- riência. Diz Hayakawa que "um modo fácil de nos lem- brarmos disto, consiste em taparmos a boca e apontar o objeto com o dedo, sempre quc ; ilgucm nos pedir um significado cxtensionalT" Um termo qualquer que possa "apontar" um objeto no mundo extensional é chamado "denotativa". Por exemplo, cadeira é um termo denotati- vo. O significaria intensional é aquele que, pronunciada a palavra, t' sugerido na forma de diversas idéias que sur- gem na mente dc cada um. O termo que sugere estas idéias se chama "conotativo". Assim, por exemplo, nesta frase: durante o sono apareceu-lhe um anjo, a palavra sono í' denotativa porque podemos apontar uma pessoa dormin- do. Mas anjo não possui significado extensíonal: não pode ser visto, não pode ser tocado, sua presença não pode scr detectada por nenhum instrumento científico. Para expli- car o quc significa, cada um tem que fazer apelo à sua própria idéia, quc tem de anjo. Pode ser até que nem existam anjos c, neste caso, uma palavra está sendo usada sem referente algum. n. M. iwaihcralt, Alcindo cientifico_ p u» IL. S l, H; ¡yak.1¡v. |,¡l linguagem no jmtsamento, p 47, 4B. 28 Estudamos, mais acima, a compreensão e a extensão do conceito. Agora, podemos dizer que os termos denotativos li-m referência com a extensão c os ronotativos dizem respeito à compreensão. Mas o mesmo termo pode ser apresentado com significado extensional, quando o possui lp. cx. : a cadeira, explicada tal como existe na realidade), r com o intensional (p. ex. : a cadeira explicada de acordo l um um ponto de vista [JCSSOEIl, isto í', o modo próprio pelo qual alguém "vê" uma cadeira, podendo não coincidir com n quc existe na realidade). No primeiro c so, o termo foi lUllhldÚ no seu sentido peculiar, denotativa c, no segundo, assume um sentido conotativo. . v pesquisa científica tem como referentes os fenómenos «plc podemos apontar, ver, tocar ou cuja presença pode ser captada através de dispositivos científicos. Na medida do p. vssivcl devemos usar termos denolativos para os fenôme- nm com que estamos trabalhando em nossa pesquisa, .tando-lite o significado que possui no mundo cxterLsional. A Lis, como toda pesquisa tem seu ponto dc referência num lphltlft) conceitual, comumente traduzido na forma dc uma teoria determinada, as conotações que dermos aos 1. n mm devem servir, apenas, para inseri-los adequada- m. nh- nesse quadro conceitual a que pertencem. l _ definição de termos Us termos se tornam mais claros e compreensivos ao y- mn definidos. Definir é fazer conhecer o conceito que ll : um a respeito de alguma coisa, é dizer o que a coisa e', .. ›I› o ponto de vista da nossa compreensão. Evidentemen- I- para quc a nossa definição seja certa e verdadeira i- . .uulaão imprescindível que o nosso conceito da coisa - »um dc acordo com o que ela realmente e'. Assim, tanto llI. lI estaremos aptos a fazer definições corretas, quanto m. Ilwr conhecermos e compreendermos o que desejamos . t. tmn'. uma das exigências muito importantes para rea- 29
  15. 15. lizarmos uma ¡iestpiiszi é estuilarinos com prtlflllltlltldtl( e experienciarmos o tema, a fim de que as nossas Lleliiiicões sejam Mmpre corretas. 1:: l i definimos, dizemos o que a coisa c, separan- do-n llil ipa' nai u'. Podemos definir . assíduo à Igreja como . i. 'istii . um. vultos min determinada regularidade. Assim, estamos tli/ .eiintv ll/ IIL' a coisa e'. Não entra nessa definição nada que 'vt -: .' . me com a presença ou ausência de bondade para w »s : i i filhos, a felicidade conjugal, a lio- nestidzide ou tltWiilifslltltltlt' dc prziticas comerciais, etc. (o que a coisa não e» l n' rctaiilo, diz Hayakaiva: ao afirmar- sc que alguem c «issiiiliio . i Igreja, logo se vincula ao indivíduo uma série de conotações, que não lhe pertencem, como ser bom cristão; liom cristão sugere fidelidade ii mulher e ao lar, bondade para com os filhos, honestidade nos negócios, el( . ' ' Ora, separando o que a coisa é do quc a coisa não é (isto c, tleixando fora as conotações que não lhe pertencem), podemos identificar no mundo extensio- nal, scm enganos, tis lI'l(lli'Ítltl()S aos quais devemos aplicar o conceito. .ssni. poi t-xcinplo, se definimos assíduo à Igreja como assislii' aos cultos rom (ICIPITHÍIMHIJ regularida- de sabemos que o conceito convém a Pedro, .José, Emen- gortla c Pacômio, embora Pedro tenha severidade excessiva com os filhos, ,lose seja dcscinesto nos seus negocios, Emengairdzi cometa . idultório e Pacômio seja alcoólatra. Entretanto, nenhuma destas conotações pertencem ao conceito_ De fato, .severo com os _filhos, ilesoiit-. sto nos negri- cios, cometer atlultério e ser alcoolatra são conotações que não pertencem ao conceito (le (ISSÚIIIO d Igreja. A tlcfinição de um conceito serve, portanto, para tornar claras e recoiihccivcis suas caracteristica. separando-as de cono- tações que não llic pertencem. 13.51 lt. l_.1k. i'. I,i)p cil p 3.1.7. .30 Pascal enunciou três regras para uma boa (lefiiiição: .i) não zlcixarquzilzfuer idéia obscura sem definir; b) empre- gun* na ilefiniçtio apenas termos suficientemente claros por si mesmos ou ja' (le/ inidns (não incluir, poi-tanto, na tlelinição, .i palavra quc se quer definir, isto é, 'não explicar a ¡Jalavrai |7l'ld propria palavra' c nunca definir o termo pelo seu tontráriim); c) nimca pretender tudo definir, ;iorque a defi- nicao é essencialmente uma ainíilise, devendo nece sairia- iiicnte deter-se nos elementos simples, suficientemente «Liros por '. Aprovcilaiitlti o exemplo dado acima, de zissuluo a leiria, vejamos como . se aplicam estas regras. Esta expres- * ssíduo ii Igreja - não pode ser definida: a) por iit/ Ilflf' . pie iuii à Igreja com zissiiluiilaile, porque seria explicar a ¡ialaxra pela propria palavra iduo = .issiduidadep li) po¡ . iqiiclc que nunca falta a Igreja, pois seria explicar a ¡uilax ra pelo scu contrario (assíduo à Igreja = nunca faltar i lgri a); c) e nem mesmo, como _já foi ilefiniilzi, por: l i . i»lir ao culto com deterniinaila regularidade. Reparando 4 um . itençfio veremos que : Ieterniinailzi regularidade é um i. l mo obscuro, pois não permite identificar ao que sc iio mundo cxtensional. Melhor seria então dizer qiiiiica todos' os tloniingos e dias santos. Neste 'o, a ill Iimgfio completa de a. írluo à Igreja sera as tir aos l iillm todos os ilomingos e dias santos. um um. , lllll al u . irosi também apresenta o quc denomina de "leis da Ill imitam" e que são as seguintes: a) a ilij/ inição (leve ser iiitllr/ llcl ao tlefiniilo, isto e', deve valer para todos os lll¡ nos que sc incluem no âmbito da coisa definida e só lui) . i estes sujeitos; h) a ilcfinição deve ser clara, ao menos lll ll ser mais clara do que o objeto definido; c) a definição l l _m x . i. leltltlllldrx Vilhena, lhpleno . Hanualdc Filosofia, p 28o 31
  16. 16. :leve ser breve, do contrário, em vez de ser definição, teremos uma exposição ou um tratado. ” Uma das partes mais significativas da pesquisa con- siste na definição dos termos, especialmente, no que se refere à formulação do problema e ao enunciado das hipóte- ses, por serem o começo e oferecerem a maioria das ¡Jalavras com as quais vamos lidar durante toda a pesqui- sa. Evidentemente nem todos os termos precisam ser definidos. Necessitam definição os pouco usados, os que poderiam oferecer ambigüidade de interpretação, ou os que desejamos sejam compreendidos com um significado bem específico, etc. À primeira vista pode parecer fácil selecionar os que devem ser definidos. Entretanto, há muitas dificuldades para se fazer a discriminação. Assim, por exemplo, para o pesquisador que já conhece bem sua área de estudo e vive em contato permanente com o assunto de seu trabalho, todos os termos, ou pelo menos a maioria deles, podem ser considerados como não ofere- cendo dificuldade para a compreensão. Diz Bachrach: "Se você perguntasse a um psicoterapeuta o que entende por esta palavra, ele poderia dizer: bem, todos sabem o que melhor significa. .." E o autor acrescenta: "Dizer que todos sabem é repetir a pergunta e evitar o assunto ¡Jrincipal da clareza e precisão da definição. Conforme Quine sugeriu, a suposição mútua de compreensão é uma abordagem¡ imatura do método científico". V' Não existem regras padronizadas para alguém saber, com certeza, quais os termos que devem ser selecionados para definição, lsto depende do discernimento do pesqui- sador. Mas alguns pontos podem ser indicados como sugestão, por exemplo, tentar ler o que escrevemos com Is. Paulo Carosi, curso : t: Filoso/ ia, vol l, p 272. 16. Arthur . l. Bachrach, lnlruzlução . l Pesquisa. p. SS 32 n» olhos dos outros", isto é, como os outros poderiam ler A : ompreender. É bom também lembrarmo-nos dos esfor- r--s que fizemos para chegar a entender certos termos, que liujc nos parecem simples e claros, mas que, antigamente, :um ¡iareciam obscuros e confusos. Precisamos, ainda, ln ar em consideração a divergência relativa a certas ¡nclavras c expressões, cujos significados são discutíveis de _u : :i-do com as teorias, áreas de conhecimento, etc. Será de : p: . mile valor, além da nossa reflexão pessoal e autocrítica, :nnsultíirmos dctcrminadeis pessoas, especializadas ou : nlcntlidais no assunto e outras que, por algum motivo : mis sério, julgamos poderem ser úteis c nos ajudarem. lãachrach referindo-se à definição, considerada em si : :n-sma, diz que "estamos dc tal modo acostumados às : lclllllÇÕCS dc dicionario, que temos a tendência de consi- . Ici . i-las claras, inequívocas e reais. Neste ponto eu gosta- n. : de observar quc um dos maiores erros do método « : rntifico é o de transfcrirem definições de dicionário para u metodo científico sem fazerem crítica, já que as defini- UFN de dicionário não são elaboradas de modo cientifico. .. nunca é demais frisar que um dos maiores erros do : nrlodo científico é usar definições quotidianasW” llm dos principais objetivos da definição, na pesquisa, u . mudar a observação da realidade. Desta maneira, serão melhores as que mais servirem para a identificação de : :II'~. I›, pessoas, acontecimentos e situações, existentes no : :unido exlensional. As (lcfinições de dicionário - não- . Irnl iiicas e, geralmente, vulgares e quotidianas - não são uulicicntcmentc elaboradas para especificar fenômenos e : um para nos ajudar a discriminá-los pela observação. 33
  17. 17. Vejamos um exemplo. Nos Estados Unidos foi realizada uma pesquisa para verificar se havia discriminação no modo de se tratar os fregueses pretos dos restaurantes de Nova Iorque. ” Bravo utiliza o fato para um exercício sobre as . _ , ... - ~' ~. ,i~› definiçoes de "fregueses pretos' e discriminaçao . Se procurarmos o termo preto no Novo Dicionário Aurélio, iremos encontrar: "que tem a mais sombria de todas as cores; da cor de ébano; do carvao. - Rigorosa- mente, no sentido físico, o preto é ausencia de cor, 00H10 o branco ê o conjunto de todas as cores. - Diz-sc do indivíduo negro. Diz-se da cor da pele destes indivíduos ou da cor da pele queimada pelo sol, etc. " Evidentemente, nenhuma destas definições serve como indicadora para que um observador possa identificar fregueses pretos que estejam presentes num restaurante. Em Bravo, preto e definido como sendo "toda pessoa que, pela cor da pele e por seus traços físicos, estima-se pertencer à raça negra". O autor não explicita quais os traços físicos, pertencentes à raça negra, supondo-se naturalmente que o indivíduo, realizan- do a pesquisa no âmbito das ciências sociais, tenha conhe- cimento suficiente para saber de que características trata. Podíamos, como exercício, completar a definição e dizer que fregueses pretos e' qualquer pessoa que entra no restaurante e pede uma refeição, caracterizando-se por ter a pele escura, os lábios grossos, nariz chato e cabelo encarapinhado. Vejamos agora o outro termo: discriminação. O mesmo Dicionario diz que é "desigualdade de trato". Bravo acres- centa que õ "qualquer desigualdade no modo de tratar comensais pretos e brancos, a menos que haja razão para crer que a diferença no trato é devida a fatores diferentes da raça". Podemos também completar esta definição, di- 18. Sellliz, Jahuda, Deutsch, Cook, Up n( . p. 78. 19. R. . irrra Bravo, Tecnicas de Investigation, p 5-1 34 . Illlll que discriminação (no contexto da pesquisa) está em . plr os' fregueses pretos são tratados pelos garçons e demais ¡vmsudl de serviço do restaurante de modo diferente do que ›. m . ilendidos os outros fregueses, não sendo observada, para . i iii/ trança do atendimento, outra razão a não ser a diferença ili' mr existente entre osfregueses. . Xgora, um outro exemplo muito simples que tivemos i m nossa experiência de professor. um grupo de alunos ilIWfjJVU realizar uma pesquisa, para saber até que ponto o . nlcmlimento, dado pelos funcionários de um supermercado 4- luunemo-lo de supermercado X), estava agradando às mu- llirrrs que costumavam ir até lá fazer compras (na pesquisa, :uni/ icms aparecia como consumidores do sexo feminino). Sabendo que um dos procedimentos mais importantes ¡unna pesquisa é a definição dos termos, os alunos procu- mram explicar o que entendiam por consumidores do sexo / wniinino Mas fizeram-no da seguinte maneira: a) "con- *vIllI1l(l0I'" - "aquele que compra para gastar no seu próprio uw"; b) "sexo" - "conformação particular que distingue . u macho da fêmea"; c) "feminino"r "o que é próprio da mulher". Evidentemente, esta definição, tirada do dicio- Mario, não servia para que um observador pudesse iden- lll mir, no supermercado X, os consumidores do sexo / rminino. Os alunos talvez tivessem esquecido que definir, para uma pesquisa, não é apenas um cumprimento mc- nuiicn de um dever escolar, mas um procedimento cujo : multado deve ser funcional. É - digamos numa compa- IJÇÕO muito elementar - como alguém que prepara um Innóculo, com o objetivo de poder utiliza-lo para enxergar . n realidade. Assim, os alunos deviam ter definido a expres- -um inteira (consumidores do sexofeminino) e não cada uma «lr suas partes. Podiam, então, ter dito, por exemplo, que , . expressão significava: mulheres dc qualquer idade ou mmlição social que vão, pelo menos uma vez por semana, lazer compras no supermercado X, Notem que mulheres não 35
  18. 18. precisa ser definido: é um termo denotativo de fácil ohser vação. Fazer compras é o mesmo que: entrar no supermercado para adquirir qualquer gênero que esteja à venda. Além disto, acrescentou-se, na definição, pelo menos uma vez por semana porque, na pesquisa, se desejava saber se os funcionários do supermercado estavam agradando às mulheres que costu- mavam ir fazer compras. Portanto, a palavra costumavam foi definida por: pelo menos uma vez por semana. Por diversas razões, uma definição filosófica é diferen- te da cientifica, e uma delas é que a filosófica pretende ser única e definitiva. Assim, por exemplo, na escolástica, sc diz que o homem é "um animal racional". Há muito tempo que isto é afirmado como certo e, por isso, não sofre modificação. Na pesquisa é diferente. Como já foi dito anteriormente, o mesmo termo pode ser definido de ma~ neiras muito diversas. Mas, aqui, convém distinguir duas situações. Na primeira, o termo faz parte de uma Teoria Científica. Neste caso, recebe a definição que aí se encon- tra. Portanto, quando fazemos alusão a uma Teoria não podemos "inventar" definições para os termos que, nela, já se encontram definidos. A outra situação é aquela em que devemos, por iniciativa nossa, elaborar uma defini- ção. Neste caso, embora sendo coerente com as bases teóricas adotadas para a pesquisa, a definição depende dos nossos conhecimentos e da nossa inventividade. E, como vai servir para indicar que observações devem ser feitas, a definição pode variar, de acordo com o contexto a ser observado [mantendo-se, no entanto, para o mesmo con- texto, as mesmas definições). Voltando ao exemplo dado acima, por conveniência de observação, foi definido que consumidores do sexo feminino são: mulheres de qualquer idade e condição que vão fazer compras no supermercado X. lmaginemos, agora, outra situação observacional, a de um fabricante de fumo, que deseja lançar no mercado um produto caro para consumidores do sexo feminino. Neste caso, a expressão poderia ser definida, por exemplo: mu- 36 -rw lunmm pelo menos 10 (dez) cigarros por dia e que r. u. . m . l classe ¡nédia-alta e classe alta. - »m «m ki/ ,cr uma observação a respeito da insistên~ . I. ipn' n termo deva ser denotativa, "apontando" r. um u . um na realidade empírica. Na verdade acontece . w 'lt m nnnmlos conceitos, usados pela ciência, não são M» I Inwnlr nbserváveis. O procedimento mais freqüente i « u u n¡ 1.¡ r utilizar, então, outros termos que possuem - « I. n u¡ 1.¡ empírica e aos quais os termos não observáveis . m nnl mm ligados. Neste caso, a compreensão do termo n ¡-. u. Ir dc sua ligação lógica com o de referência empírica. i nu, ¡mr exemplo, na orientação não-diretiva, a expres- Irmlünri. : ao ziesenvolvimento indica que, na ausência ›. mimo. pcrturbadores graves, o desenvolvimento psi- mhvuznu» w dirige espontaneamente para a maturidade. < u 1 nln não pode ser observado diretamente do ponto de « oil. : psicológico. Entretanto, a afirmação se baseia num r* lhllfltl rstalnelecido entre o desenvolvimento psicológico e . .uII-. ¡'I'”. IÇÕO direta que se faz do desenvolvimentofisioló- . n n du» organismos. lim (lc assegurar a precisão e referência empírica das . I. ÍIIHÇÕCS, evitando que esta se reduza a um simplesjogo -I- ¡I. ¡l.1vrzis, sustenta-se, às vezes, que o melhor modo de -In unir ú descrever as operações que são observadas, me- . Inlas uu registradas de um determinado fenômeno. Diz n. .nlhcrall: "Diante de qualquer palavra equívoca é con- nlnrntc considerar o que alguém faz para representar «quilo a que ela se refere. O que este alguém faz pode ser ¡lrnnniinado operação e esta forma de agir é freqüente- mcnle denominada definição operacionalf" Assim, para «ln-I mir operacionalmente a inteligência podemos dizer que a I. : c o resultado medido pela execução de tarefas comumente . In M twatherall, op. cíl. , p. 2a. 37
  19. 19. chamadas de 'intelectual' como o cálculo aritmética, comple- tar relações verba i5, etc. Não há dúvida nenhuma que a definição operacional, quando pode ser usada, ajuda a compreender um conceito, orientando-nos para determinada experiência no mundo extensional. Entretanto, é bom não exagerar o seu valor. De fato, muitos conceitos científicos podem não servir para ser observados, medidos ou registrados através de "operações", Além disto, a "operação" apresenta um valor relativo, no sentido de que o modo de operar de um indivíduo não é exatamente igual ao de outro. Finalmente, ao invés de a "operação" determinar o conceito, podemos supor que é o contrário: alguém precisa ter primeiramente o conceito para depois definir os modos de operação que lhe são aptos. Para concluir o que foi dito neste capítulo, convém lembrar que o pesquisador não está interessado direta- mente nas palavras mas nos conceitos que elas indicam e nos aspectos da realidade empírica que elas mostram. Para alcançar o significado e o referente o pesquisador necessita das definições. A adequação no uso dos termos e a utiliza- ção de definições corretas são meios de que dispõem o pesquisador para fazer raciocínios apropriados e desven- dar para si mesmo e para os outros o conhecimento que tem do mundo em que vive. CAPÍTULO III A observa ão l . Noções preliminares Em üãalgnlionfãzeãíñtgfngãlêiência é a. realidade empírica. tocar, etc. Daí a im JOFÍÔNCÍZJnOS qtue se pzdem- VÊ” sent": inos considerá-la como nt qd" em: o servdçaal Deve_ Cicntíñco e meio Kira veilJ-pñco e pap": a para todo estudo adquiridos Não ! se d ar e Va l ar O) mnh-eclmentos _v À- ' po e, portanto, falar em ciência sem lazer referencia à observaçao. ! vias o termo 'observação' deve ser tomado aqui num sentido bem amplo. Como diz Minon: "Não se trata apenas de ver ' ~ , mas de examinar. Nao se trata somente de entender mas de auscultar. Trata-se também de ler documentos ÍÍÍVTOS, Jbmals. impressos diversos) na medida em que est . ' ' As es nao somentcnos informam dos resultados das ob_ °ÊrVaÉ°E5 E Pffqmsas ? Elias por outros mas traduzem tambem a reaçao dos seus autores"? E, por sertão amplo, podemos dizer que, de modo geral, a observação abrange . l . . . l c uma forma ou de outra, todos os procedimentos utili- zados na pesquisa_ m: Na "tida qumldlêfía. i1 Observação é um dos meios mais ' quen emente utilizado . pelo ser humano para conhece¡- * mmPrefnd" Pessoas, Coisas, acontecimentos e situações. Ll. Paul Minon, lnilialion aux method: : p. 20. 39
  20. 20. Nas pessoas, podemos observar diretamente suas palavras, gestos e ações. indiretamente, podemos também observar os seus pensamentos e sentimentos, desde que se manifes- tem na forma de palavras, gestos e ações. Da mesma forma indireta, podemos, ainda, observar as atitudes de alguém, isto é, o seu ponto de vista e predisposição para com determinadas coisas, pessoas, acontecimentos, etc. Entretanto, não podemos observar tudo ao mesmo tempo. Nem mesmo podemos observar muitas coisas ao mesmo tempo. Por isso uma das condições fundamentais de se observar bem é limitar e definir com precisão o quc se deseja observar. lsto assume tal importância na ciência, que se torna uma das condições imprescindíveis para garantir a validade da observação. No sentido mais simples, observar é aplicar os sentidos a fim de obter uma determinada informação sobre algum aspecto da realidade. Existe uma observação vulgar, da qual acima já falamos, e que é fonte constante de conhecimento para o homem a respeito de si mesmo e do mundo que o circunda. Assim, pela observação ele conhece e aprende o que é útil e necessário para sua vida, desde coisas muito simples como, por exemplo, qual o ônibus que o leva ao trabalho, qual o ponto em que deve tomar o ônibus e deve saltar, qual o estado de humor do "chefe", pela fisionomia que apresenta, etc. Estes conhecimentos nos ajudam a dis- cernir as reações que devemos ter diante de cada situação. Através da observação vulgar chegamos, ainda, a um certo conhecimento e compreensão do mundo, da natureza que, embora imprecisa e de certa forma inadequada, nos ajudam, no entanto, a explica-la e a fazermos previsões. O pescador, pela "prática", é capaz de conhecer as nuvens e ventos que ocasionam chuva e pode prever se esta vai acontecer ou não. É ainda capaz de explicar as circunstâncias maríti- mas, que favorecem ou prejudicam a pesca e, deste modo, dizer se o dia será piscoso ou não. Entretanto, a observação 40 vulgar, além de oferecer compreensão e previsões muito limitadas e superficiais, está sujeita a freqüentes enganos e a erros crassos. Podemos ver as duas coisas - os benefícios e os danos da observação vulgar - no conceito que o povo -WTYPlCS tem, por exemplo, de doenças e no modo de cura-las através de ervas e benzimentos. A observação cientifica surge, não para destruir e negar o valor da observação vulgar, mas para Valer-sc das possibilidades que ela oferece, completando-a, enrique- cendo-a e aperfeiçoando-a, a fim de lhe dar maior valida- drafidedignidade e eficácia. E, para estuda-la, vamos tllVldl-la, agora, em dois aspectos: a observação assiste- matica e a sistemática. 1. A observação assistemática A observação assistemática - chamada também de "ocasional", "simples", "não estruturada" - é a que se realiza, sem planejamento e sem controle anteriormente elaborados, como decorrência de fenômenos que surgem di' imprevisto. lmaginemos que um psicólogo esteja pas- sando por uma rua e veja um prédio ser atingido por um incendio de grandes proporçoes. Ele pode transformar o ivento, a que por acaso assiste, em oportunidade para istudar, por exemplo, o comportamento dos indivíduos diante de uma tragédia. Para continuar o seu estudo pode . . (lepois, completar aobservação com fotos, filmes, grava- çoes, noticiários de jornais, etc. Para as ciências do comportamento humano a obser- - . , , , _ _ ' vaçao ocasional e muitas vezes a unica oportunidade para estudar determinados fenômenos. Muitos destes não po- dem ser reproduzidos para serem veriñcados numa situa- çao de controle, porque isto seria impossível ou imoral ou ilegal, ou teria, ao mesmo tempo, todos estes impedimen- los. Assim, por exemplo, alem de ser ilegal é também 41
  21. 21. imoral atear-se fogo num prédio para estudar a reação dos individuos diante de uma tragédia. Mesmo em casos extremos, como, por exemplo, de um condenado à morte (num pais onde a pena existe), considera-se ilegal e imoral causar-lhe danos fisicos ou psicológicos, no intuito de se fazer determinada pesquisa. Por isso, o meio que se tem para estudar certos fenômenos é de se aproveitar o acon- tecimento fortuito. Neste caso, a condição para se obser- var é não perder a oportunidade de “ver " o que está acontecendo. lsto exige do pesquisador uma atitude de prontidão, isto é, de estar sempre preparado e atento ao que vai acontecer, na área da pesquisa em que está inte- ressado. Esta prontidão, este estar-atento-ao-que-vai- acontecer deu ocasião a grandes descobertas e inventos da humanidade, fato que já se tornou até lendário, afirman- do-se mesmo que "as grandes invenções foram feitas por acaso". Não há dúvida que o acontecimento pode ter surgido de modo inesperado. Entretanto, só produziu o efeito da "invenção" ou da "descoberta" porque foi "visto" por alguém que estava preparado para observa-lo, embora sem saber o momento em que haveria de surgir. Sob este aspecto, podemos afirmar que a invenção é muito mais decorrência da atenção do observador do que da esponta- neidade do acontecimento. Entretanto, o fato de se dizer que, na observação assistemática, o acontecimento se dá de modo imprevisto não significa que seja necessariamente de repente, sem nenhuma previsão do pesquisador. Mas pode indicar tam- bém que o acontecimento era esperado, desconhecendo- se, no entanto, em grau maior ou menor, o momento em que havia de surgir. Caracteriza a observação assistemá- tica o fato de o conhecimento ser obtido através de uma experiência casual, sem que se tenha determinado de antemão quais os aspectos relevantes a serem observados e que meios utilizar para observa-los: isto vai depender da iniciativa do observador, enquanto está atento ao que 42 . ieontece. Neste caso, há duas situações possíveis: a) o observador é não-participante: aparece como um elemento que “vê de fora", um estranho, uma pessoa que não está envolvida na situação, como, por exemplo, um professor interessado em conhecer o comportamento dos alunos na Iiom do recreio e que os observa de uma janela; b) o observador é participante, faz parte da situação e nela ilesempenha uma função, um papel, como, por exemplo, .niguem que observa a reação dos alunos numa sala de aula, il. i qual ele mesmo é o professor. O observador pode começar tomo nâo-participante e depois tornar-se participante e vice-versa. Costuma-se advertir que quanto mais alguém e participante mais pode estar envolvido emocionalmente, perdendo a objetividade e prejudicando com isso a obser- vação. Entretanto, pelo menos em determinadas circuns- tâncias, torna-se muito difícil (ou muito superficial) a observação de situações das quais não se participa. _ Kaplan, citando Hanson, diz que "o observador-padrão iino é o homem que vê e relata o que todos os observadores normais vêem e relatam, mas o homem que vê em objetos familiares o que ninguém viu antes"? Para quem deseja w dedicar à pesquisa esta idéia é muito importante. Só para dar um exemplo, o problema da pesquisa, inicio de iodo processo, nasce freqüentemente da intuição de algu- ma dificuldade existente na realidade ou numa Teoria. Esta dificuldade, em geral percebida casualmente, é fruto da . itcnção, perspicácia e discernimento de quem é capaz de seleciona-la, entre muitas outras que poderiam ser vistas e escolhidas. Assim, quem estiver preparado para ver e liver acuidade para discriminar pode sempre descobrir, na realidade e na Teoria, um farto material, útil para qual- iiuer fase do processo da pesquisa em que se encontrar. . EL. Abraham Kaplan, A conduta na pesquisa, p 140. 43
  22. 22. Sob o ponto de vista da pesquisa, muito importante é o registro que se faz da observação. Nele deve haver grande fidelidade, anotando-se realmente os fatos que foram observados, procurando não mistura-los com desejos e avaliações pessoais. Se, por acaso, quisermos registrar também o nosso ponto de vista, é necessário que isto seja feito separadamente: numa parte do registro os fatos que observamos e, noutra parte, distinta da primeira, as nos- sas opiniões e interpretações sobre os fatos. 3. A observação sistemática A observação sistemática - chamada também de "planeja- da", "estruturada" ou "controlada" - é a que se realiza em condições controladas para se responder a propósitos, que foram anteriormente definidos. Requer planejamento e neces- sita de operações específicas para o seu desenvolvimento. ” Em qualquer processo de observação sistemática, de- vemos considerar os seguintes elementos: a) por que obser- var (referindo-se ao planejamento e registro da observação)7; b) para que observar (objetivos da observação, definidos pelo interesse da pesquisa)? ; c) como observar (instrumentos que utiliza para a observação)? ; d) o que observar (0 tam? ” da observação, de que falaremos mais abaixo).7; e) quem observa (sujeito da observação: o observadon? Estes itens pretendem indicar que a observação sistemática: A) deve ser planejada, mostrando-se com precisão como deve ser feita, que dados registrar e como registra-los; B) tem como objetivo obter informações da realidade empírica, a tim de verificar as hipóteses que foram enunciadas para a pes- quisa. Deve-se, portanto, indicar quais as informações que 23. Laboratorio di- Ensino Superior, EFRGS, p. 121. 44 u , ulnicnte interessam a observação; C) a fim de obter estas unnlnrmaçôes é necessário utilizar um instrumento: que nunulrumento utilizar e como aplica-lo a fim de obter . xuhnncnte as informações desejadas; D) é necessário ¡mluur e limitar a "área" da realidade empírica onde as nnlurniações podem e devem ser obtidas; E) é necessário qm- u observador tenha competência para observar e nhicnlia os dados com imparcialidade, sem contamina-los mu¡ suas próprias opiniões e interpretações. No sentido restrito só a observação sistemática pode . . l l usada como técnica científica. A observação assistemá- ln . i pode servir a interesses científicos e realmente pode . n muito importante, por exemplo, para o estudo explo- mlurlo de uma pesquisa. Mas não é propriamente uma m nim no sentido de que podem ser previstos, para reali- x. ) Li, procedimentos, condições e normas que garantam l »na eficácia, dando aos seus resultados validade de . uulrolc. O valor da observação sistemática depende da um Litiva e competência pessoal de quem a utiliza. t) planejamento de uma observação sistemática inclui a nmlimção do campo, do tempo e da duração da observação, hm¡ como os instrumentos que serão utilizados e como serão n ¡gistradas as informações obtidas. A indicação do campo . a rw para selecionar, limitar e identificar o que vai ser . ulm-rvado. E só pode ser definido quando se tem, para . Irl rrminá-lo, a formulação de um problema, enunciado na h xrnia de uma indagação que deve ser respondida. Há três -Ivinentos importantes que o campo da observação deve . .hrungerz a) população (a que ou a quem observar); b) . irrunstâncias (quando observar); c) local (onde observar). nlt-smo procurando determinar estes elementos, o campo . mula aparece muito amplo para a observação. Como este livro tem finalidade didática, talvez ajude, para que o leitor possa observar a realidade, dividir o . .unpo da observação em partes, a que denominaremos 45
  23. 23. de unidades de observação. " Estas são agrupamentos de pessoas, coisas, acontecimentos, etc. , que, sob o ponto de vista de nossos conceitos (ou compreensão que temos dos mesmos), possuem características comuns e, de alguma forma, significativas para a pesquisa que estamos fazendo. Se considerarmos que o termo serve para indicar alguma coisa na realidade (p. ex. : cadeira) e ao mesmo tempo para indicar o conceito que temos da coisa (p. ex. : o que ¡iensa- mos da cadeira), então a unidade de observação é um modo de classificar conceitos, distinguindo e agrupaiido mental- mente o que existe na realidade. Certas modalidades ou características das unidades de observação denominam-se 'variáveis', mas isto iremos estudar mais adiante. Vejamos um exemplo. lmaginemos que estamos assis- tindo (observando) a um jogo de futebol. O campo de observação é constituído pelos seguintes elementos: a) população: os jogadores de futebol; b) circunstância: en- quanto disputam a partida; e) local: no campo em que jogam. Para as unidades dc observação e suas respectivas variáveis podemos dar os seguintes exemplos: A) quanto à população: os jogadores formando agrupamentos de acordo com o time a que pertencem (unidade de observa- ção) e o entusiasmo ou desânimo com que jogam (variá- veis); B) quanto à circunstância: primeiro e segundo tempos da disputa do jogo (unidades de observação) e se houve ou não gol para cada um dos times em cada um dos tempos (variáveis, C) quanto ao local: cada parte do campo que mentalmente dividimos para acompanhar ojogo, p. ex. : perto das traves, centro do campo, etc. (unidades de observação) e se cada uma das partes está em boa conser- vação, bem gramada, etc. (variáveis). ' Bravo diz que "as unidades de observação são as pessoas. grupos, objetos, atividades. instituições e acontecimentos sobre ns quais versa a pesquisa" (veja op. ril. , p. 32). A observação sistemática pode ser feita de modo direto, lsto é, aplicaiido-se imediatamente os sentidos sobre o fenômeno que se deseja observar ou, de modo indireto, utilizando-se instrumentos para registrar ou medir a Informação que se deseja obter. A diferença entre uma e nulra não está propriamente no uso de instrumentos, mas ein se, para obter a informação, é necessário ou não uma inferência, isto é, se a partir do que foi registrado ou medido é necessário ou não concluir a informação que se (lfSCja. Desta forma, pode-se fazer, por exemplo, a obser- vação indireta da inteligência, através de um teste, mas usar um binóculo, que apenas aumenta a capacidade visual, permitindo, no entanto, que os sentidos continuem diretamente aplicados sobre o fenômeno, não torna a observação indireta. Para a pesquisa, melhor são os instrumentos que eiisejam o resultado das informações em símbolos nume- ricos e não apenas em palavras. De fato, os números oferecem maior precisão e melhor oportunidade de discri- minação. Na verdade, se alguem diz: "observei que Pedro (- uni pouco melhor do que Antônio em matemática" é menos preciso e menos discriminatório do que afirmar: 'apliquei uma prova para saber qual o aproveitamento : los meus alunos em matemática: Pedro tirou 10 e Antô- nio, 9,5". A linguagem numérica para os fins da pesquisa (- niellior do que a linguagem verbal. Entretanto, Reuclilin previne que "a utilização de uma linguagem quantitativa por parte do observador supõe que ele tenha sabido cons- lruir ou buscar instrumentos apropriados que lhe tornem ¡iossível medir, ordenar e contar e que ele tenha sido capaz de sistematizar a maneira de pô-los em açãoí” u. M. Reuclilin, Os Aiítodos em Psicologia, p. 34. 47
  24. 24. 4. A observação documental Rigorosamente falando, o termo observação deve se referir apenas a fatos existentes na realidade empírica. Entretanto vamos utilizá-lo num sentido mais extensivo, aplicando-o também ao "uso da biblioteca", tanto porque nela se encontram as observações e experiências que os outrosjá fizeram, como também porque nela se achamas bases conceituais, sem as quais nao pode haver verdadeira observação científica. Alguém pode supor apressadamente que, como na pesquisa se faz tanta questão da experiência, o "uso da biblioteca" parece supérfluo. E, no entanto, não se pode fazer uma pesquisa válida sem consultar livros e outras obras, em cada uma das fases do processo. De fato, logo no início, para a escolha e definição do tema da pesquisa, e necessário recorrer à biblioteca, não apenas para buscar subsídios que orientem a escolha e ajudem o enunciado, mas também para saber se o assunto que se pretende estudar já foi ou não motivo de outras pesquisas. Seria, no mínimo, desagradável alguém afirmar que está fazen- do um trabalho original, quando não passa de uma repe- tição do que outros já fizeram, ou, então, dizer que é uma repetição, quando, de fato, o que se está fazendo é dife- rente do que o outro já fez. De qualquer maneira, seja original ou repetição, é necessário saber como os outros procederam na delimitação do tema e na realização de cada uma das fases do método, quer a pesquisa seja idêntica à nossa ou apenas semelhante sob algum aspecto. É de máxima importância definir com exatidão a área de conhecimento humano (psicologia, sociologia, _educa- ção, etc. ) a que pertence o nosso tema e determinar os fundamentos teóricos que lhe servem de base, isto é, estabelecer quais as relações entre o assunto da nossa pesquisa e a Teoria Científica que desejamos utilizar. Al- guns consideram que, se não for possível estabelecer um 48 vinculo determinado com alguma teoria, falta consistên- cia¡ e a pesquisa se torna ociosa, pois, dizem, a finalidade tlesla é verificar, validar ou ampliar os conhecimentos contidos numa teoria. O conhecimento e aprofundamento desta, bem como a resolução de dúvidas que sobre a mesma eventualmente possa aparecer, obtém-se pelo es- ludo e consulta de livros, obras, etc. Hayman explica que o uso da biblioteca é necessário, primeiramente para a formulação do problema da pesqui- m, pelos seguintes motivos: a revisão da literatura ajuda no pesquisador delimitar e definir o problema, fazendo cum que se evite o manejo de idéias confusas e pouco definidas. Além disto, faz o pesquisador evitar os setores cstfrcis do problema, considerando as tentativas anterio- res, que já foram feitas neste âmbito, e evitando a dupli- cação de dados já estabelecidos por outros. A revisão da literatura pode, ainda, ajudar o pesquisador na revisão da metodologia que pretende usar pelas sugestões e oportu- nidades de deduções, recomendadas por pesquisas ante- riores para as que fossem feitas depois. ” 0 pesquisador deve também usar a biblioteca para enunciar suas hipóteses, garantindo-lhes validade e con- sistência e fazendo que estejam sintonizadas, tanto com o conhecimento global da ciência como com a área específi- cai, em cujo domínio se realiza a pesquisa. Ainda devem wr consultadas obras apropriadas para a construção do Instrumento de pesquisa e sua aplicação, como também para serem elaborados corretamente os planos necessários t¡ coleta de dados, bem como serem determinados adequa- (lmiiente os procedimentos necessários à sua codificação e tubulação. Finalmente, outras pesquisas e trabalhos diver- nos, feitos na mesma área, servirão de indicação preciosa M. .Iolm L. llayinan, Investigación y rzlitmrián. p 49 r ? O 49
  25. 25. para a análise e à interpretação das informações que foram obtidas. Tudo isto são apenas referências bem gerais. Na prática, o uso da biblioteca depende evidentemente das necessidades, experiências e iniciativa de cada um, de acordo com o que lhe for sugerido pelas suas consultas, reflexões pessoais e interesses da pesquisa que está fazendo. dr ¡iassar a limpo e nem de tornar a copiar, pois isto é perda de tempo e dá possibilidade a erros e confusões; g) para onde for, levar sempre consigo alguma jitha: pode de repente surgir alguma idéia; h) cuidado para não perder as lichas; i) procurar guardar as fichas sempre em ordem. ” O autor dá os dois exemplos de ñclias que vão abaixo. A primeira é ficha de conteúdo (também chamada docu- mental) que pode apresentar uma citação ou um resumo uu uma síntese ou referências breves e concisas de um autor A ñeha bibliográfica contém um breve comentário de livros nu outras obras que nos podem ser úteis, anotando-se llPld o que nos interessa, explicando por que nos interessa. 0 . issunto, no exemplo da ficha de conteúdo, é de interesse discutível, mas, certamente, a mesma vale como ilustra- çñn da forma que Best recomenda: Temos empregado a expressão "uso da biblioteca" para indicar tudo que se encontra dentro dela e que pode ser utilizado com algum proveito para o trabalho da pesquisa. Inclui, portanto, enciclopédias, livros, catálogos, revistas especializadas ou não-especializadas, jornais, monografias, comunicação pessoal de cientista, filmes, gravações, etc. Os livros e as revistas especializadas têm valor diferente para o trabalho de pesquisa. Estas - revistas especializadas - são mais úteis do ponto de vista da atualização. servem para informar sobre estudos recentes do assunto que nos interes- sa. Os livros dão geralmente uma visão global, mais com- pleta; entretanto, como levam mais tempo para serem publicados, perdem, por isso, muito de sua atualidade. Para tornar o uso da biblioteca mais produtivo, Best apresenta um "método para tomar notas" que, resumida- mente, é o seguinte: a) antes de começar a tomar nota, folhear a fonte de referência: é básica uma visão de conjun- to, global, antes de se poder decidir qual o material que deve ser recolhido e usado; b) manter em cada _ficha um tema ou título determinado. Colocar o tema na parte supe- rior da ficha e, na parte inferior, deve-se fazer a citação bibliográfica completa; c) incluir somente um tema em cada ñcha e, se as notas são extensas, usar várias fichas numeradas consecutivamente; d) antes de guarda-las, ter a certeza de que as fichas estão completas e são compreen- didas com facilidade; e) fazer, na ficha, distinção entre resumo, citação direta do autor, referência à fonte do autor e a expressão avaliadora pessoal de quem faz a ficha; t) copiar cuidadosamente as' notas da primeira vez, sem fazer projeto n) Ficha de conteúdo Natureza intuitiva do conhecimento angelica "Por outra parte, no anjo não se dá a obscuridade do conheci- Invnlo imperfeito, nem tampouco imperfeição em suas potên- clus. O entendimento angelica está sempre em ato com relação nu que pode entender Entretanto, os anjos possuem também nuns limitações naturais. Sua mente não esgota a realidade, nem nru ¡wnsamento se identiñra com a sua essência”. IÃKIÊNNAN, R. E. Psicologia tomisla. Trad. do Pe. Efrén Villacorta, O. ? Madrid, Morato 1960, p. 219. . lo, I w llest, Como inwslígar, p. 57s. 51
  26. 26. b) Ficha bibliográfica CAPÍTULO IV O projeto de pesquisa 373.1 MElLl, R. Manual de diagnóstico psicológico. Madrid, Ed. Morata 1955. Explica detalhadamente a técnica, análise c comprovação dos testes. Inclui apêndice e bibliografia seletiva. l. Noções preliminares A pesquisa científica deve ser planejada, antes de ser executada. Isso se faz através de uma elaboração que se (Irnomina "projeto de pesquisa". Embora, muitas vezes, nn expressões projeto de pesquisa e plano de pesquisa sejam tomadas como sinônimos, faremos distinção em nosso estudo, dizendo que projeta e um todo, constituído por partes a que chamaremos, cada uma delas, de plano: o plano será, portanto, uma parte do projeto. Holanda explica que um planejamento, até alcançar a forma de um projeto, passa pelas seguintes fases: a) estudos preliminares, cujo objetivo é o equacionamento geral do problema, fornecendo subsídios para a orientação ¡ln ¡vcsquisa ou identificando obstáculos que evidenciam a inviabilidade do projeto; b) anteprojeto que é um estudo mais sistemático dos diversos aspectos que deverão inte- grnr o projeto ñnal, mas ainda em bases gerais, sem (Iciini-lo com rigor e precisão; c) projeto _final ou definitivo f n estudo dos diversos aspectos do problema, já apresen- tando detalhamento, rigor e precisão. A diferença entre anteprojeto e projeto final não se pode estabelecer com nitidez e precisão. E, completando as etapas do planeja- IYWDÍO, o autor acrescenta: d) montagem e execução: colo- cação em funcionamento; e) funcionamento normal. ” A7. NIlSOH Holanda, Planejamento: e Projetos, p. 102. 53
  27. 27. Para dar um exemplo simples de como se começa um projeto de pesquisa, imaginemos que, numa determinada Escola, o Diretor solicite ao Orientador Educacional para verificar o resultado de um novo método de ensino que vai ser aplicado. A verificação solicitada deve ser feita através de uma pesquisa e, para realizá-la, é necessario elaborar um projeto. O O. E. tem, como ponto de partida, estudos preliminares (ou estudos exploratórios), a fim de poder delimitar o tema do projeto c colher subsídios que ajudem a elabora-lo. Nesta etapa, os esforços do Orienta- dor estarão certamente dirigidos em três direções impor- tantes: a) conhecimento teórico do novo método de ensino que se pretende implantar e do método tradicional qucjá é utilizado pela Escola. Além disto, fará outros estudos em plano mais amplo, p. ex. : de Psicologia, Sociologia, etc. para conhecer mais profundamente as implicações e con- seqüências que podem ter a Teoria de Aprendizagem do novo método a ser aplicado; b) conhecimento prático atra- vés da observação das salas de aula, professores, alunos, estratégias utilizadas em classe, etc. , numa palavra, expe- riência, conhecimento e compreensão, através de uma observação exploratória, do campo de observação em que vai trabalhar; c) analise e avaliação dos elementos que vão sendo progressivamente encontrados em a e b (pelo co- nhecimento teórico e prático), selecionando os que pare- cem aproveitáveis para serem usados no projeto de pesquisa e definindo, pelo menos a "grosso modo", como serão utilizados, quando tiver que fazer a elaboração do referido projeto; d] adequação ao projeto dos elementos selecionados, isto é, uma vez que os elementos foram selecionados (como foi dito no item c) precisam um "tra- tamento" para ajustarem-se convenientemente à elabora- ção do projeto. 0 primeiro cuidado é formar um conceito adequado, claro e distinto dos elementos que foram sele- cionados (de acordo com o que foi dito no cap. ll sobre o uso dos termos). Depois é necessário determinar os ele- 54 mentos que precisam ser definidos e, neste caso, dar-lhes, .i medida do possível, uma definição de referência empíri- ca, isto é, que os tornem suscetíveis de serem observados na realidade empírica, dentro da perspectiva que interessa ii pesquisa. A elaboração de um projeto se faz através da construção de um quadro conceitual e, para construi-lo, precisamos colocar cada elemento que foi selecionado (isto é, cada conceito considerado relevante para a pesquisa) no seu respectivo lugar, fazendo com que se integrem uns com os outros. Para ajudar o leitor neste trabalho, vamos oferecer mais adiante, em Apêndice, um modelo que indica como se distribui os elementos selecionados, num formu- lário a fim de se elaborar o projeto. 2.. Como elaborar um projeto de pesquisa? Llm principiante pode supor que elaborar projetos é perder tempo e que o melhor é começar imediatamente o trabalho da pesquisa. No entanto, a experiência vai lhe ensinar que o início de uma pesquisa, sem projeto, é lançar-se à improvisação, tornando o trabalho confuso, dando insegurança ao mesmo, reduplicando esforços inu- tilmente e que, agir desta maneira, é motivo de muita pesquisa começada e não terminada, num lastimoso es- banjamento de tempo e recursos. Além disto, se a pesqui- sa, que alguém pretende fazer, é para organizações nacionais e internacionais, então certamente será obriga- tória a aprovação anterior de um projeto, como condição para aceitá-la ou financia-la. Fazer um projeto de pesquisa e' traçar um caminho eficaz quc conduza ao fim que se pretende atingir, livrando o pesquisador do perigo de se perder, antes de o ter alcançado. Diz Churchman que "planejar significa traçar um curso de ação que podemos seguir para que nos leve . is nossas finalidades desejadas". E diz também que o objetivo do planejamento é organizar a ação de tal manei- 55
  28. 28. ra que nos leve a evitar surpresas, pois, "para o planejador, a surpresa é uma situação insatisfatória", e que "se pen- sarmos bem naquilo que vamos fazer, com antecedência, estaremos em melhores condições"? Diz Belchior que projeto é a "mobilização de recursos para a consecução de um objetivo predeterminado, justi- ficado econômica ou socialmente, em prazo também de- terminado, com o equacionamento da origem dos recursos e detalhamento das diversas fases a serem efeti- vadas até à sua execução"? Aqui, a definição é mais restrita, visando diretamente objetivos econômicos e ad- ministrativos. Mas serve também para o projeto dc pes- quisa científica. De fato, neste, o objetivo predeterminado é a solução que se pretende alcançar para um determinado problema. Para encontra-la, far-se-á mobilização de recur- sos, tanto humanos como materiais, bibliográfico, instru- mental e financeiro. Deve-se provar que os recursos mo- bilizados, o tempo e as despesas que serão gastos justifi- cam a solução que se procura pela pesquisa. No projeto deve existir detalhamento das diversas fases a serem efeti- vadas, apresentando-se também, num cronograma, o tempo que será necessário para executá-lo e o que será feito em cada momento dele. Para Belchior, um projeto serve essencialmente para responder às seguintes perguntas: o que fazer? por que, para que e para quem fazer? onde fazer? como, com que, quanto e quando fazer? :: om quanta fazer? como pagar? quem vai fazer? Aproveitando estas indagações de Belchior, damos abaixo os pontos fundamentais de um projeto de pesquisa. Para isto, como já foi dito, consideraremos o projeto como um todo, integrado por partes, que são os planos. Em Apêndice, no fim deste livro, encontra-se um mo- : lvlo de projeta de pesquisa, elaborado por nós, de acordo mm estes pontos fundamentais que passaremos a apre- sentar e com o objetivo didático de ser devidamente preen- chido pelo leitor, como exercício prático de elaboração de um projeto de pesquisa. PONTOS FUNDAMENTAIS DE UM PROJETO DE PESQUISA (Obs. : para ilustrar a organização dos diversos planos que seguem, iremos utilizar sempre o mesmo exemplo hipo- tética que é “testar a eficácia de um novo método de ensino aplicado aos alunos do 2*' grau do Colegio X". ) l) O QUE FAZER? (Planos da natureza e formulação do problema c do enunciado das hipóteses) 1.1. formular o problema 1.2. enunciar as hipóteses 1.3. definir os termos do problema e das hipóteses 1,4. estabelecer as bases teóricas, isto é, a relação que existe entre a teoria, a formulação do problema e o enunciado das hipóteses (por que e de que modo a formulação do problema e o enunciado das hipóteses se refere à teoria? ) 1.5. conseqüência para a escola e/ ou para a teoria se as hipó- teses forem aceitas ou, ao contrário, se forem rejeitadas. m POR QUÊ? PARA QUÊ? E PARA QUEM FAZER? (Planos dos objetivos e da justificativa da pesquisa) 2.1. POR QUÊ? (justificativa da pesquisa) 2.1.1.motivos que justiñcam a pesquisa: ______T__ 2.1.1.1. motivos de ordem teórica. 28. C. Mest Churchman, Introdução à Tem-ia dos Sistemas, p. 190. 2. . . . ' ~ 29. Procópio ao. Belchior, Planqammlu culaboraçãv, p u. 1 1 2 m°t“'°5 d” “m” Práma- 56

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