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TAMIRIS MURA CORTEZO USO DE BENZODIAZEPÍNICOS POR IDOSOS: revisão da                    literatura                  Trabal...
TAMIRIS MURA CORTEZ         O USO DE BENZODIAZEPÍNICOS POR IDOSOS: revisão da                                    literatur...
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RESUMOOs benzodiazepínicos são drogas com atividade ansiolítica que começaram aser utilizadas na década de 60. Eles estão ...
ABSTRACTBenzodiazepines are drugs with anxiolytic activity that began to be used in the60s. They are among the most common...
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SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................121     ...
12INTRODUÇÃO   A história da psicofarmacologia moderna inicia-se no final da década de 40,quando foram introduzidos os pri...
13todo foram consumidas 26,74 bilhões de doses diárias e 6,96 milhões de dosescomo hipnóticos.A prevalência do consumo des...
14   1. DESENVOLVIMENTO1.1 MELHORIDADE1.1.1 Crescimento da população idosa      A velhice é a última etapa do processo de ...
15Figura 1. Pirâmides de faixa etária no Brasil nos anos de 2000 e 2010                     Fonte:Adaptado de IBGE (2010)
16      No início da década de 80, o World Health StatisticsAnnuals (WHSA)projetou que o Brasil passaria de 16º país com m...
17       1.1.2 Qualidade de vida na melhor idade       Em    quase   todos     os   países   do   continente,   o   fenôme...
18      A saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais que em outros gruposetários, sofrem a influência de múltiplos fator...
19das populações observada no século XX esteja longe de se distribuir de formaequitativa nos diferentes países e contextos...
20saúde, uma vez que o envelhecimento traz consigo doenças mentais, sejamelas neurológicas ou psiquiátricas (WAGNER, 2006)...
21   1.2 BENZODIAZEPÍNÍCOS      1.2.1 Fármacos ansiolíticos e ansiedade      Os ansiolíticos são fármacos utilizados no co...
22sensação ou sentimento difuso, desagradável e vago de apreensão,frequentemente acompanhado por sintomas como palpitações...
23                                          estereotipado      do     paciente      e   o                                 ...
24portanto, grande margem de segurança no seu uso clínico. Seu grandeinconveniente é o risco de dependência (SILVA, 2000)....
25                   Figura 2. Estrutura central de uma benzodiazepina                                 Fonte: BERNIK, 1999...
26Fonte: Adaptado de Larini, 2008      O conhecimento dessa estrutura tornou possível o desenvolvimento dediversas molécul...
27         A maioria dos benzodiazepínicos que chegou ao mercado foiselecionada por um alto potencial ansiolítico em relaç...
28adjacente, ao receptor GABAA. A interação dos compostos benzodiazepínicoscom seus receptores específicos aumenta a afini...
29       Em função da meia-vida de excreção, os compostos benzodiazepínicospodem ser classificados em (LARINI, 2008):     ...
30                  (liberação                 No controle de ataques de pânico                  lenta) – 3 e 6          ...
31                                            Ansiedade                      durante                                     ...
32primeiros, enquanto o flurazepam, flunitrazepam, lorazepam e triazolam, ficamentre os hipnóticos (REBELATTO; MORELLI, 20...
33com benzodiazepínicos de meia-vida curta, pois já existem evidênciassuficientes de que estes provocam dependência com ma...
34   1.3 BENZODIAZEPÍNICOS E O USO POR IDOSOS        A parcela de idosos na população brasileira vemcrescendo muito nasúlt...
35farmacodinâmicas (relação entre as doses administradas do fármaco e areposta farmacológica observada). A idade avançada ...
36 de tecidoadiposo nesses indivíduos é maior(NÓBREGA; KARNIKOWSKI, 2005).          Estudos têm mostrado que as alterações...
37                           náusea, visão borrada,             quedas, prejuízo na                           rash cutâneo...
38assume, dessa forma, responsabilidade direta na colaboração com outrosprofissionais de saúde e com os pacientes, para al...
392    OBJETIVOS    O presente trabalho teve por objetivofazer um levantamento bibliográficoacerca do uso de benzodiazepín...
403    METODOLOGIA    Para   realização   deste    trabalho   foram    realizados   levantamentosbibliográficos sobre o te...
414   CONSIDERAÇÕES FINAIS    O presente trabalho mostrou que nas últimas décadas a população vemenvelhecendo, modificando...
425    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANDERSON, M. I. P. et al, Saúde e qualidade de vida na terceira idade.Textos sobre envelh...
43(Mestrado em Ciências da Saúde – Universidade Federal de Minas Gerais),Belo Horizonte, 2009.FILHO, A. M. N.O perfil de i...
44GRALLERT, S.R.M., TAVARES, L.C., ARAÚJO, E.B., Radioligantes paraneurorreceptores benzodiazepínicos. Revista Brasileira ...
45NÓBREGA, O. T., KARNIKOWSKI, M.G.O., A terapia medicamentosa no idoso:cuidados na medicação. Revista Ciência e Saúde Col...
46SILVA, M. C. Q., ALMEIDA, J. L. T., NETO, D. L. Programa de assistência àsaúde do idoso em Manaus em nível ambulatorial:...
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O uso de benzodiazepínicos por idosos revisão da literatura

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  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS TAMIRIS MURA CORTEZO USO DE BENZODIAZEPÍNICOS POR IDOSOS: revisão da literatura FERNANDÓPOLIS 2012
  2. 2. TAMIRIS MURA CORTEZO USO DE BENZODIAZEPÍNICOS POR IDOSOS: revisão da literatura Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientadora: Profa. Eps.Vanessa Maira Rizzato Silveira FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012
  3. 3. TAMIRIS MURA CORTEZ O USO DE BENZODIAZEPÍNICOS POR IDOSOS: revisão da literatura Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: __ de novembro de 20__. Banca examinadora Assinatura ConceitoProfa. Esp.Vanessa Maira RizzatoSilveira (Orientadora)Prof.MSc. Ocimar Antonio deCastroProf. Dr. Anísio Storti Profa. Eps. Vanessa Maira Rizzato Silveira Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedico este trabalho primeiramente à Deus,pois sem ele, nada seria possível, e meussonhos não seriam concretizados.Aos meus pais, que sempre me deram apoio, eestiveram presentes acreditando em meupotencial, me incentivando na busca de novasrealizações e descobertas.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço, em primeiro lugar,àDeus, que sempre me amparou nosmomentos difíceis, me deu forças para continuar essa caminhada, e quesempre me deu esperanças de que tudo daria certo. Aos meus pais José Cortez e Marisa, por me amaremincondicionalmente, me dando força, conselhos e muito amor. A minha irmã Caren, por ser sempre minha grande companheira econfidente. A minha orientadora Profa Vanessa Maira Rizzato Silveira, pelasoportunidades, os ensinamentos, a ajuda, a paciência e por acreditar que euseria capaz. Aos meus professores Ocimar Antônio de Castro e AnísioStorti, portodos os ensinamentos na graduação e por gentilmente aceitarem fazer partedesse trabalho.
  6. 6. A realização de um sonho depende dededicação. Há muita gente que espera que osonho se realize por mágica, mas toda mágicaé ilusão, e a ilusão não tira ninguém de ondeestá. Em verdade a ilusão é combustível dosperdedores, pois... quem quer fazer algumacoisa, encontra um meio.“Quem não quer fazer nada, encontra umadesculpa.” Roberto Shinyashiki
  7. 7. RESUMOOs benzodiazepínicos são drogas com atividade ansiolítica que começaram aser utilizadas na década de 60. Eles estão entre os medicamentos mais usadosno mundo todo, havendo estimativas de que entre 1 a 3% de toda a populaçãoocidental já os tenha consumido regularmente por mais de um ano. Assimcomo o número de idosos vem aumentando nas populações, o consumo demedicamentos por essa faixa etária também mostra grande aumento, sendoque os idosos são considerados o grupo etário mais medicado da sociedade.Atualmente, há uma grande preocupação em relação ao uso debenzodiazepínicos por pacientes idosos, uma vez que essa faixa etária estámais propensa a desenvolver efeitos adversos importantes como náuseas,fadiga, hipotensão, visão borrada, rash cutâneo, podendo ocorrer gravesconsequências clínicas como, quedas, fratura de quadril, confusão e prejuízona memória com o uso dessa classe medicamentosa.Estudos têm mostradoque as alterações nos receptores farmacológicos se constituem em uma dasprincipais causas da mudança da resposta nos idosos. No caso dosbenzodiazepínicos, além das alterações farmacocinéticas, pode haver umaumento da sensibilidade a estes fármacos e potencialização de seus efeitosfarmacológicos. Para realização deste trabalho foram realizados levantamentosbibliográficos sobre o tema: benzodiazepínicos e idosos. Através da análisedos artigos científicos relacionados ao tema, pode-se dizer que o consumo debenzodiazepínicos pela classe idosa é elevado. Por essas razões se preconizaa boa orientação ao paciente sobre o uso racional dos medicamentos e aeducação terapêutica, com avaliação precisa da indicação e o cuidadosomonitoramento do paciente idoso em uso de benzodiazepínicos.Palavras-chave: Ansiolíticos. Benzodiazepínicos. Idosos.
  8. 8. ABSTRACTBenzodiazepines are drugs with anxiolytic activity that began to be used in the60s. They are among the most commonly used drugs worldwide, with estimatesthat between 1-3% of the Western population already have consumed regularlyfor over a year. As the number of elderly people is increasing in population,consumption of drugs by this age group also shows a large increase, and theelderly are considered the age group most medicated society. Currently, thereis great concern about the use of benzodiazepines for elderly patients, sincethis age group is more likely to develop significant adverse effects such asnausea, fatigue, hypotension, blurred vision, skin rash, severe clinicalconsequences may occur as falls, hip fractures, memory loss and confusionwith the use of this drug class. Studies have shown that changes inpharmacological receptors constitute a major cause of the change in responsein the elderly. In the case of benzodiazepines, in addition to pharmacokineticchanges, there may be an increased sensitivity to these drugs and potentiationof their pharmacological effects. For this study were conducted literaturesurveys on the topic: Benzodiazepines and the elderly. Through analysis ofpapers relating to this topic, it can be said that the use of the benzodiazepineclass elderly is high. For these reasons it recommends the proper guidance topatients on the rational use of drugs and therapeutic education, with accurateassessment of the indication and careful monitoring of elderly patients in theuse of benzodiazepines.Key words: Anxiolytics. Benzodiazepines. Elderly..
  9. 9. LISTA DE TABELASTabela 1 - Mudanças na população de países que terão mais de 16 16 milhões de pessoas com 60 anos ou mais nos anos de 2025Tabela 2 - Tipos de transtornos de ansiedade e suas características 22Tabela 3 - Benzodiazepínicos ansiolíticos, doses usuais 29Tabela 4 - Medicamentos e classes terapêuticas associadas a reações adversas em idosos 36
  10. 10. LISTA DE FIGURASFigura 1 - Pirâmides de faixa etária no Brasil nos anos de 2000 e 2010 15Figura 2 - Estrutura central de uma benzodiazepina 25Figura 3 - Fórmulas estruturais de outros compostos benzodiazepínicos 25Figura 4 - Representação esquemática de terminação GABAérgica 28
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................121 DESENVOLVIMENTO...........................................................................141.1 Melhor idade.............................................................................................141.1.1 Crescimento da população idosa........................................................141.1.2 Qualidade de vida na melhor idade.....................................................171.1.3 Consequências do envelhecimento para os serviços desaúde...............................................................................................................181.2 Benzodiazepínicos...................................................................................211.2.1 Fármacos ansiolíticos e ansiedade.....................................................211.2.2 Compostos benzodiazepínicos...........................................................241.3 Benzodiazepínicos e o uso por idosos..................................................342 OBJETIVOS..........................................................................................393 METODOLOGIA...................................................................................404 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................415 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................42
  12. 12. 12INTRODUÇÃO A história da psicofarmacologia moderna inicia-se no final da década de 40,quando foram introduzidos os primeiros fármacos com a finalidade específicade tratar os transtornos psiquiátricos (GORENSTEIN; SCAVONE, 1999). Os ansiolíticos surgiram em 1950, com o meprobamato, que praticamentedesapareceu após a descoberta do clordiazepóxido, em 1950. A partir daí,seguiu-se uma série de derivados que se mostraram muito eficientes nocontrole da ansiedade, insônias e certos distúrbios epiléticos (ANJOS, 2005). Os benzodiazepínicos são drogas com atividade ansiolítica que começarama ser utilizadas na década de 60. O clordiazepóxido foi o primeirobenzodiazepínico lançado no mercado (1960), cinco anos após a descobertade seus efeitos ansiolíticos, hipnóticos e miorrelaxantes. Além da elevadaeficácia terapêutica, os benzodiazepínicos apresentaram baixos riscos deintoxicação e dependência, fatores estes que propiciaram uma rápidaaderência da classe médica a esses medicamentos (ORLANDI; NOTO, 2005). Uma ampla variedade de agentes tem a capacidade de deprimir o SistemaNervoso Central (SNC), provocando calma ou sedação (sonolência). Osbenzodiazepínicos são um exemplo desses agentes, e são classificados comosedativo-hipnóticos. Os efeitos mais proeminentes relacionados a esta classesão a sedação, hipnose, diminuição da ansiedade, relaxante muscular,amnésia anterógrada e atividade anticonvulsivante (FOSCARINI, 2010). Os medicamentos psicotrópicos (psique=mente, topos=alteração), sãomodificadores seletivos do Sistema Nervoso Central e podem ser classificados,segundo a Organização Mundial de Saúde em: ansiolíticos e sedativos;antipsicóticos (neurolépticos); antidepressivos; estimulantes psicomotores;psicomiméticos e potencializadores da cognição. Destas categorias, trêsapresentam grande importância quando se fala em controle de vendas emestabelecimento farmacêutico: os ansiolíticos (benzodiazepínicos), osantidepressivos e os estimulantes psicomotores (ANDRADE, F; ANDRADE, C;SANTOS, 2004). Os benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais usados no mundotodo, havendo estimativas de que entre 1 e 3% de toda a população ocidentaljá os tenha consumido regularmente por mais de um ano. Em 2001, no mundo
  13. 13. 13todo foram consumidas 26,74 bilhões de doses diárias e 6,96 milhões de dosescomo hipnóticos.A prevalência do consumo destes fármacos é elevada noBrasil. Segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo umem cada dez adultos recebe prescrição de benzodiazepínico, quase semprefeita por clínico geral (ANDRADE, F; ANDRADE, C; SANTOS, 2004). Uma pesquisa publicada pela IMS Health demonstrou a escalada dobenzodiazepínico clonazepam no Brasil, que do sexto lugar no ano de 2004entre os dez medicamentos mais vendidos no Brasil, passou para a segundaposição do ranking em 2008 (FOSCARINI, 2010). Assim como o número de idosos vem aumentando nas populações, oconsumo de medicamentos por essa faixa etária também mostra grandeaumento, sendo que os idosos são considerados o grupo etário mais medicadoda sociedade, devido ao aumento das doenças crônicas nessa faixa etária(FILHO, 2011). Para o adequado manejo dos psicofármacos em idosos, é fundamental quesejam consideradas as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, jáque a farmacocinética de praticamente todos os psicotrópicos será afetada porestas mudanças (SANCHES et al, 2000). Atualmente, há uma grande preocupação em relação ao uso debenzodiazepínicos por pacientes idosos, uma vez que essa faixa etária estamais propensa a desenvolver efeitos adversos importantes com o uso dessaclasse medicamentosa. Dada essa importância do tema, as pesquisas temcomeçado a priorizar as populações de usuários crônicos debenzodiazepínicos, com o intuito de melhor identifica-las, principalmente entreos idosos, para que se alcancem medidas preventivas mais efetivas (FILHO,2011).
  14. 14. 14 1. DESENVOLVIMENTO1.1 MELHORIDADE1.1.1 Crescimento da população idosa A velhice é a última etapa do processo de desenvolvimento humano.Segundo a Organização das Nações Unidas, os anos de 1975 a 2025corresponderão à “Era do Envelhecimento”, marcada pelo crescimentodemográfico da população idosa (SILVA; ALMEIDA; NETO, 2005). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) existiam 390milhões de pessoas acima de 65 anos em 1998 e estima-se que em 2025 essapopulação será o dobro. Em muitos países em desenvolvimento,especialmente na América Latina e Ásia é esperado um aumento de 300% napopulação idosa chegando a dois bilhões de pessoas acima de 60 anos até2025 (FRANCHI; MONTENEGRO, 2005). Em 1900, a expectativa de vida no Brasil não ultrapassava os 33,7 anos;em 1940 alcançou 39 anos; em 1950 chegou a 43,2 anos; em 1960 já era 55,9anos; entre as décadas de 60 e 80 alcançou os 63,4 anos. Atualmente, está em68 anos e em 2025 será de 80 anos (PACHECO; SANTOS, 2004). Apopulação brasileira vem envelhecendo desde o início da década de 60,quando a taxa de fecundidade começou a alterar a estrutura etária, estreitandoprogressivamente a base da pirâmide populacional como mostra na Figura 1.
  15. 15. 15Figura 1. Pirâmides de faixa etária no Brasil nos anos de 2000 e 2010 Fonte:Adaptado de IBGE (2010)
  16. 16. 16 No início da década de 80, o World Health StatisticsAnnuals (WHSA)projetou que o Brasil passaria de 16º país com maior contingente de idosos nomundo em 1950 para sexto no ano de 2025 (Tabela 1).Tabela 1. Mudanças na população de países que terão mais de 16 milhões depessoas com 60 anos ou mais nos anos de 2025. Países População (000.000 milhões) Class. Class. 1950 1975 2000 2025 em 1950 em 2025 China 1º 42 73 134 284 1º Índia 2º 32 29 65 146 2º URSS 4º 16 34 54 71 3º EUA 3º 18 31 40 67 4º Japão 8º 6 13 26 33 5º Brasil 16º 2 6 14 32 6º Indonésia 10º 4 7 15 31 7ºPaquistão 11º 3 3 7 18 8º México 25º 1 3 6 17 9ºBangladesh 14º 2 3 6 17 10º Nigéria 27º 1 2 6 16 11ºFonte: GARRIDO; MENEZES (2002) Os indicadores demográficos que respondem pelo processo deenvelhecimento de determinada população são vários. Aqui dar-se-á destaque,a priori, ao declínio da taxa de mortalidade infantil e a redução do índice defecundidade. Todavia, a reflexão sobre o envelhecimento de uma populaçãonão pode e nem deve se resumir a uma mera análise demográfica, mas,sobretudo, incluir os aspectos sócioeconômicos e culturais de um povo, a fimde que se possa perceber de forma mais nítida as consequências, mudanças,desafios e perspectivas que esse processo traz consigo (SILVA, 2005).
  17. 17. 17 1.1.2 Qualidade de vida na melhor idade Em quase todos os países do continente, o fenômeno doenvelhecimento populacional é uma realidade. Segundo o IBGE (2002) noBrasil 8,6% da população total é idosa e estima-se que até o ano de 2020 estespoderão exceder 30 milhões de pessoas, representando 13% do total dehabitantes (CESCHIN; ALQUATI; XIMENES, 2012). A classificação de umindivíduo como idoso não deve limitar-se apenas à idade cronológica, embora amesma tenha sido adotada de forma massiva e quase como exclusiva nasdiscussões sobre o envelhecimento. É fundamental também levar em conta asidades biológica, social e psicológica que não coincidem necessariamente coma cronológica (SILVA, 2005). No Brasil, para fins de levantamentos demográficos, considera-se idosoo corte definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para os paísessubdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento, isto é, a partir de 60 anos(SILVA, 2005). Diante da realidade inquestionável das transformações demográficasiniciadas no último século e que nos fazem observar uma população cada vezmais envelhecida, evidencia-se a importância de garantir aos idosos não sóuma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida (VECCHIA etal, 2005). O aumento da população idosa gera necessidades de mudanças naestrutura social para que estas pessoas, ao terem suas vidas prolongadas, nãofiquem distantes de um espaço social, em relativa alienação, inatividade,incapacidade física, dependência, e consequentemente, sem qualidade de vida(FRANCHI; MONTENEGRO, 2005). O medo e a negação da velhice, associados às aspirações individuais ecoletivas de retardar seu início e de manter a saúde, a funcionalidade e aaparência dos adultos jovens, foram e são fundamentais ao fortalecimento dointeresse por caracterizar e promover boa qualidade de vida na velhice(REBELATTO; MORELLI, 2004).
  18. 18. 18 A saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais que em outros gruposetários, sofrem a influência de múltiplos fatores físicos, psicológicos, sociais eculturais. Assim, avaliar e promover a saúde do idoso significa considerarvariáveis de distintos campos do saber, numa atuação interdisciplinar emultidimensional (ANDERSON et al, 1998). Vários elementos são apontadoscomo determinantes ou indicadores de bem estar na velhice: longevidade,saúde biológica, saúde mental, satisfação, controle cognitivo, competênciasocial, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda,continuidade de papéis familiares e ocupacionais e continuidade de relaçõesinformais em grupos primários (principalmente rede de amigos) (NERI, 1993). Cinco fatores são recomendados para o idoso ter saúde: vidaindependente, casa, ocupação, afeição e comunicação. Se algum dessesfatores estiver deficiente a qualidade de vida do idoso estará comprometida(FRANCHI; MONTENEGRO, 2005). A compreensão do conteúdo da qualidade de vida na velhice é centralao desenvolvimento de iniciativas de intervenção visando à prevenção e àreabilitação nos vários contextos da vida do indivíduo e também aoplanejamento e à avaliação de serviços e políticas destinados a promover obem-estar dos idosos (REBELATTO; MORELLI, 2004). Sabe-se que a qualidade de vida deve ser construída ao longo doenvelhecer, e não somente na velhice, já que ela depende da história de vidade cada um. Porém a busca é individual e nunca é tarde para começá-la(CESCHIN; ALQUATI; XIMENES, 2012). O prolongamento da vida é uma aspiração de qualquer sociedade. Noentanto, só pode ser considerado como uma real conquista na medida em quese agregue qualidade aos anos adicionais de vida (VERAS, 2009). 1.1.3 Consequências do envelhecimento para os serviços de saúde Atualmente, chegar à velhice é uma realidade populacional mesmo nospaíses mais pobres. Ainda que a melhora substancial dos parâmetros de saúde
  19. 19. 19das populações observada no século XX esteja longe de se distribuir de formaequitativa nos diferentes países e contextos socioeconômicos, envelhecer nãoé mais privilégio de poucos (VERAS, 2009). O aumento da expectativa de vida de uma população está intimamentevinculado à melhora das condições de vida, de educação e de atenção à saúdeprestada à mesma (CARVALHO FILHO, E.T; PAPALÉO NETTO, M., 2000). A mudança na composição populacional já começou a provocarconsequências sociais, culturais e epidemiológicas preocupantes hoje, e talvezalarmantes no futuro. Considera-se que a consequência epidemiológica demaior expressão é a transição, fenômeno responsável pela mudança do perfilde doença, no qual as doenças infecto-parasitárias cedem lugarprogressivamente às doenças crônicas não-transmissíveis, mais complexas eonerosas, típicas das faixas etárias mais avançadas (PACHECO; SANTOS,2004). O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúdepública contemporânea. Constituindo os idosos o grupo etário que tem crescidode forma mais rápida no Brasil e considerando serem eles portadores demúltiplas afecções, não surpreende, que também entre nós o custo médico-social seja muito elevado (CARVALHO FILHO, E.T;PAPALÉO NETTO, M.,2000). O Brasil hoje é um “jovem país de cabelos brancos”. A cada ano, 650 milnovos idosos são incorporados à população brasileira, a maior parte comdoenças crônicas e alguns com limitações funcionais. Um dos resultados dessadinâmica é a maior procura dos idosos por serviços de saúde. As internaçõeshospitalares são mais frequentes e o tempo de ocupação do leito é maiorquando comparado a outras faixas etárias. Desta forma, o envelhecimentopopulacional se traduz em maior carga de doenças na população, maisincapacidades e aumento do uso dos serviços de saúde (VERAS, 2009). É provável que o aumento do número de pessoas idosas na populaçãotenha impactos diversos, os quais implicarão em diversos segmentos dasociedade. Entre elas, destaca-se a necessidade de melhorias nos serviços de
  20. 20. 20saúde, uma vez que o envelhecimento traz consigo doenças mentais, sejamelas neurológicas ou psiquiátricas (WAGNER, 2006). O indivíduo idoso pode ser portador de quadros psiquiátricos própriosdesta faixa etária, como demências, estados depressivos ou quadros psicóticosde início tardio. Outras vezes, tratam-se de transtornos iniciados na juventude,cujos portadores atingem a melhor idade, como esquizofrenia, transtornoafetivo bipolar, disritmia e transtornos ansiosos. Todos implicam em prejuízo,tanto do ponto de vista funcional como em termos de qualidade de vida. Muitosdestes transtornos exibem importante melhora mediante tratamentomedicamentoso, isolado ou associado a outras formas de terapia (SANCHESet al, 2000), tais como o uso de fármacos ansiolíticos.
  21. 21. 21 1.2 BENZODIAZEPÍNÍCOS 1.2.1 Fármacos ansiolíticos e ansiedade Os ansiolíticos são fármacos utilizados no combate aos sintomascausados pela ansiedade. Esta disfunção do sistema nervoso central é malcaracterístico do final do século XX. Atualmente, os transtornos mentais emprevalência situam-se no mesmo nível das doenças cardiovasculares, incluindoa hipertensão. Destes transtornos, a ansiedade é o problema mais frequentevisto em atendimento médico primário e na população de modo geral(JUSCELINO et al, 2003). A palavra ansiolítico tem sentido figurado, pois, literalmente, significa “oque decompõe a ansiedade”. O termo passou a ser largamente empregado apartir da década de 1970 para designar o grupo de fármacos utilizados notratamento da ansiedade patológica (LARINI, 2008). A ansiedade é uma emoção básica, essencial ao adequadodesempenho do homem. No entanto, algumas vezes pode atingir grauspatológicos, interferindo e prejudicando no seu desempenho, provocandoassim um sofrimento de tal intensidade que é necessária a intervençãoterapêutica (FUCHS, WANNMACHER; FERREIRA, 2006). A ansiedade é considerada uma emoção semelhante ao medo. Porém,enquanto o medo é consequência de uma situação definida, na ansiedade afonte do perigo é incerta ou desconhecida (LARINI, 2008). Dentro de certos limites, a ansiedade é considerada normal, e o pacientenão precisa de nenhum tipo de tratamento. Se o quadro tende a se aprofundarou prolongar, interferindo com o desempenho normal do indivíduo, énecessário fazer sua avaliação clínica. Certos estados de ansiedade, sãoconsiderados transtornos psíquicos e, como tais, tornam-se objeto detratamento psicológico e/ou farmacológico (LARINI, 2008). Ao avaliar um paciente ansioso deve-se diferenciar entre os tiposnormais e patológicos da ansiedade. A ansiedade normal é caracterizada pela
  22. 22. 22sensação ou sentimento difuso, desagradável e vago de apreensão,frequentemente acompanhado por sintomas como palpitações, cefaleia, apertono peito e leve desconforto abdominal. Já um paciente com ansiedadepatológica requer uma completa avaliação neuropsiquiátrica e um plano detratamento individualizado (KAPLAN, SADOCK; GREBB, 1997). Os transtornos de ansiedade podem ser classificados nos seguintestipos (Tabela 2).Tabela 2: Tipos de transtornos de ansiedade e suas características.Tipos de transtornos CaracterísticasTranstornos com situação de pânico Sem agorafobia: início súbito de apreensão intensa, medo ou terror, frequentemente associado a uma situação de catástrofe iminente. Com agorafobia: ataque de pânico em que a pessoa sente medo de lugares e situações em que a fuga é difícil ou embaraçosa.Agorafobia sem ataques de pânico A pessoa apenas sente um medo mórbito de se achar sozinho em grandes espaços abertos, porém não há ataque de pânico.Fobias Estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de esquiva que sobrevém de modo relativamente persistente, quando determinados tipos de objetos ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados.Transtornos obsessivo-compulsivos Caracterizados como preocupações constantes e recorrentes (obsessões), que causam ansiedade e desconforto acentuado, com comportamento
  23. 23. 23 estereotipado do paciente e o cumprimento de rituais com o intuito de aliviar a ansiedade.Transtornos de estresse pós-traumáticos Caracterizados pela lembrança de acontecimentos extremamente traumáticos, acompanhados de vigilância extrema e de esquiva a qualquer situação ou estímulo que levem a uma associação ao trauma.Transtornos de estresse agudo Semelhantes aos transtornos de estresse pós-traumáticos, ocorrendo imediatamente após o trauma.Transtornos de ansiedade induzidos por Ocorrem por preocupação excessiva esituações diversas persistente com fatos e situações do cotidiano ou são causados pelo uso abusivo de determinadas drogas e ocorrem no período de abstinência.Não-especificados Transtornos de ansiedade intensa ou esquiva fóbica que não se enquadram em nenhuma das situações colocadas anteriormente.Fonte:Adaptado de LARINI, 2008 Os principais fármacos utilizados contemporaneamente no tratamento daansiedade incluem os benzodiazepínicos, buspirona, antidepressivos,inibidores da monoamino oxidase (MAO) e bloqueadores beta-adrenérgicos(FUCHS, WANNMACHER; FERREIRA, 2006).As drogas tidas comoansiolíticas são, em sua quase totalidade, pertencentes à classe dosbenzodiazepínicos. Recentemente incluíram-se entre elas a buspirona e osbetabloqueadores. Todos os benzodiazepínicos, além de ansiolíticos, sãotambém sedativos e hipnóticos. Essas duas últimas propriedades exigem oemprego de doses mais elevadas do que as usualmente utilizadas. Há,
  24. 24. 24portanto, grande margem de segurança no seu uso clínico. Seu grandeinconveniente é o risco de dependência (SILVA, 2000). Além do tratamento da ansiedade aguda e dos estados depressivos, oscompostos benzodiazepínicos são empregados nas seguintes situações(LARINI, 2008): a) no tratamento da síndrome de abstinência que ocorre no alcoolismo (clordiazepóxido, diazepam e oxazepam); b) como adjuvantes em procedimentos cirúrgicos, para aliviar a ansiedade e a tensão (diazepam, clordiazepóxido e midazolam); c) como sedativos ansiolíticos (alprazolam, bromazepam, clordiazepóxido, lorazepam e oxazepam); d) na sedação consciente (diazepam); e) no tratamento dos distúrbios do sono (insônia) (flurazepam, quazepam, estazolam, temazepametriazolam, entre os principais, e bromazepam, diazepam, clordiazepóxido, lorazepam, midazolam e nitrazepam, entre outros); f) nas crises convulsivas graves e recorrentes, na epilepsia (diazepam, clonazepam e nitrazepam); g) nas crises mioclônicas (síndrome de Lennox-Gastaut), tônico-clônicas e nos tremores (clordiazepóxido, diazepam e lorazepam); h) nos espasmos dos músculos esqueléticos (diazepam, clonazepam, lorazepam e midazolam); i) na cefaleia tensional; e no tratamento da amnésia anterógrada, quando a perda da memória acontece depois de fato motivador. 1.2.2 Compostos benzodiazepínicos Os primeiros benzodiazepínicos foram sintetizados na década de 50pelo doutor Leo H. Sternbach. A denominação que essas drogas receberam sedeve ao fato de sua estrutura central consistir em um anel benzênico fundidocom um de sete membros de 1,4-diazepina (Figura 2) (BERNIK, 1999).
  25. 25. 25 Figura 2. Estrutura central de uma benzodiazepina Fonte: BERNIK, 1999 Só a partir dos anos 60, com o lançamento do clordiazepóxido, osbenzodiazepínicos passaram a ser amplamente utilizados no tratamento daansiedade. Além dos efeitos ansiolíticos, são capazes de produzir sedação,relaxamento muscular (em altas doses)amnésia anterógrada e efeitoanticonvulsivante (FUCHS, WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Na figura 3,são mostradas as fórmulas estruturais de outros compostos benzodiazepínicos. Figura 3. Fórmulas estruturais de outros compostos benzodiazepínicos.
  26. 26. 26Fonte: Adaptado de Larini, 2008 O conhecimento dessa estrutura tornou possível o desenvolvimento dediversas moléculas relacionadas, entre elas o diazepam, um fármaco cerca detrês a dez vezes mais potente do que o clordiazepóxido (SENA et al, 2011). Os benzodiazepínicos representam um marco no tratamento daansiedade e da insônia e foram, durante muito tempo, os medicamentos maisprescritos em todo o mundo, levando em conta todas as enfermidadeshumanas. Depois, com a comprovação de que o consumo elevado foi o motivodo uso abusivo dos compostos benzodiazepínicos, houve diminuição sensívelnas prescrições (LARINI, 2008). Todos os derivados benzodiazepínicos possuem propriedadesfarmacológicas semelhantes. Não existem dados que mostre superioridade denenhum deles como ansiolítico. Até recentemente se constituíam na primeiraescolha para tratamento de ansiedade generalizada e ansiedade atípica. Suaeficácia nessas patologias já fora estabelecida em centenas de estudos clínicos(FUCHS, WANNMACHER; FERREIRA, 2006).
  27. 27. 27 A maioria dos benzodiazepínicos que chegou ao mercado foiselecionada por um alto potencial ansiolítico em relação à depressão da funçãodo Sistema Nervoso Centra (SNC) (HARDMAN; LIMBIRD; GILMAN, 2003). Oácido -aminobutírico (GABA) é considerado o principal neurotransmissorinibitório do Sistema Nervoso Central de mamíferos e seus sinais sãotraduzidos em mensagens intraneurais por duas famílias polimórficas dereceptores, GABAA e GABAB(BERNIK, 1999). O GABAA, presente nos canais iônicos de cloro tem a função deaumentar a condutância de cloro nos neurônios pré-sinápticos e, o GABAB, queatua via proteína-G intracelular, aumentando a condutância de canais depotássio associados(GRALLERT; TAVARES; ARAÚJO, 2003). O GABA é considerado o neurotransmissor mais abundante do sistemanervoso central, onde cerca de 30 a 40% de todas as sinapses estãoenvolvidas com a transmissão desse mensageiro. Considera-se que o GABAfuncione como neurotransmissor inibitório em diversas vias do sistema nervosocentral (LARINI, 2008). No decorrer da última década, ficou claro que todos osbenzodiazepínicos de uso clínico tem a capacidade de promover a ligação doprincipal neurotransmissor inibitório, o ácido -aminobutírico (GABA), areceptores GABA do subtipo GABAA, que ocorre em forma de canais de cloretode múltiplas subunidades, regulados por ligantes. Os benzodiazepínicosintensificam as correntes iônicas induzidas pelo GABA através desses canais(HARDMAN; LIMBIRD; GILMAN, 2003). O receptor GABAA é formado por cinco unidades proteicas, que se unempara delimitar um canal iônico, específico para o transporte dos íons cloreto.Devido ao gradiente de concentração, forma-se uma corrente de íons Cl-dirigida para o interior da célula. O influxo dos íons Cl- promove ahiperpolarização da membrana, dificultando a sua despolarização porinfluências excitatórias, resultado em inibição do tipo pós-sináptica (LARINI,2008). Os compostos benzodiazepínicos ligam-se a sítios específicos, de altaafinidade, localizados na membrana celular, que são distintos, porém
  28. 28. 28adjacente, ao receptor GABAA. A interação dos compostos benzodiazepínicoscom seus receptores específicos aumenta a afinidade dos receptores GABA Acom o seu neurotransmissor, ocasionando a abertura dos canais adjacente,possibilitando a entrada dos íons cloreto. Esse fato, por sua vez, acarretaaumento da hiperpolarização da célula e posterior diminuição dadespolarização do neurônio (diminuição da excitabilidade neuronal) (LARINI,2008). Figura 4.Representação esquemática de terminação GABAérgica. .FONTE: Portal São Francisco, disponível em:<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/ansiedade/ansiedade-6.php>) Os benzodiazepínicos são bem absorvidos pelo trato gastrointestinal,com biodisponibilidade variando entre 80% e 100%. A administração por viaintramuscular é errática em praticamente todos os benzodiazepínicos, comexceção do lorazepam e do midazolan. Esse grupo medicamentoso apresentaelevada lipossolubilidade, o que possibilita sua passagem para o cérebro(SENA et al, 2011).
  29. 29. 29 Em função da meia-vida de excreção, os compostos benzodiazepínicospodem ser classificados em (LARINI, 2008): a) compostos de ação curta, com meia-vida menor do que 6 horas (triazolam, brotizolam, midazolam e oxazepam); b) compostos de ação intermediária, com meia-vida de 6 a 24 horas (alprazolam, lorazepam, temazepam, flunitrazepam e estazolam); c) compostos com ação prolongada, com meia-vida maior que 24 horas (clordiazepóxido, diazepam, flurazepam, nitrazepam e quazepam). E dependendo da meia-vida dos metabólitos ativos, sua ação podeprolongar-se para além da ação do agente original (SENA et al, 2011). As doses usuais e a indicação dos principais benzodiazepínicosansiolíticos são encontradas na tabela 3.Tabela 3. Benzodiazepínicos ansiolíticos, doses usuais.Substância Apresentação Dose mínima e máxima (mg/dia)Alprazolam Comprimido – 0,25 a 3  Transtorno do pânico e 0,25; 0,5; 1 e 2 agorafobia mg  Transtorno de ansiedade generalizada  Ansiedade associada à depressão  Transtorno disfórico pré- menstrual  Síndrome do intestino irritável e outros sintomas associados com ansiedade  Mania – fase aguda (adjuvante)  Psicose aguda (adjuvante)Bromazepam Comprimido – 1,5 a 18  Sintomas agudos de ansiedade 3 e 6 mg  Transtorno de ansiedade Cápsula generalizada
  30. 30. 30 (liberação  No controle de ataques de pânico lenta) – 3 e 6  Fobia social mg  Insônia Solução oral –  Pré-anestésico 2,5 mg/mLClonazepam Comprimido – 0,5 a 8  Transtorno do pânico e 0,25; 0,5 e 2 agorafobia mg  Fobia social Solução oral –  Síndrome de Lennox-Gastaut 2,5 mg/Ml  Crises convulsivas acinéticas e mioclônicas  Crises de ausência  Crises convulsivas atônicas  Mania- fase aguda (coadjuvante)  Psicose – fase aguda (coadjuvante)Clorazepato Comprimido – 5 a 60  Síndrome de abstinência 5, 10 e 15 mg alcoólica  Crises convulsivas parciaisClordiazepóxido Comprimido – 5 a 75  Pré-operatório 10 e 25 mg  Síndrome de abstinência na Frasco-ampola libação alcoólica – 100 mg + Ampola solvente – 2 MlCloxazolam Comprimido – 1 a 12  Transtorno do pânico e 1, 2 e 4 mg agorafobia  Fobia socialDiazepam Comprimido – 2,5 a 30  Transtorno do pânico e 5 e 10 mg agorafobia Ampola – 2  Transtorno de ansiedade mL/10 mg generalizada  Atetose  Convulsões (adjuvante)
  31. 31. 31  Ansiedade durante procedimentos endoscópicos (adjuvante) (via endovenosa)  Pré-operatório (sintomas ansiosos) (via endovenosa)  Alívio da ansiedade anterior a cardioversão (via endovenosa)  Tratamento inicial do estado epiléptico  InsôniaLorazepam Comprimido – 0,5 a 6  Transtorno do pânico e 1 e 2 mg agorafobia  Transtorno de ansiedade generalizada  Pré-operatório (sintomas ansiosos) (via endovenosa)  Tratamento inicial do estado epiléptico (parenteral)  Insônia  Espasmos musculares  Psicose na síndrome de abstinência alcoólica  Cefaleia  Mania – fase aguda (adjuvante)  Psicose – fase aguda (adjuvante)Oxazepam Cápsula – 10, 30 a 120  Transtorno do pânico e 15 e 20 mg agorafobia Comprimido –  Fobia social 15 mgFonte: SENA et al, 2011 Os benzodiazepínicos podem ser divididos, de acordo com suaconcentração, em eminentemente ansiolíticos ou hipnóticos. Assim, odiazepam, clordiazepóxido, alprazolam e estazolam situam-se entre os
  32. 32. 32primeiros, enquanto o flurazepam, flunitrazepam, lorazepam e triazolam, ficamentre os hipnóticos (REBELATTO; MORELLI, 2004). Em geral, os compostos benzodiazepínicos apresentam baixatoxicidade, especialmente quando administrados de forma isolada. Todavia,essa toxicidade pode ser significativamente aumentada quando da combinaçãocom o álcool etílico e com barbitúricos (LARINI, 2008). Entre os efeitos colaterais dos benzodiazepínicos, a sedação, que secaracteriza clinicamente por sonolência, alentecimento psicomotor e falapastosa, constitui um dos principais empecilhos ao uso dessas substâncias(SENA et al, 2011). Os compostos benzodiazepínicos provocam o estado de dependênciafísica em grau variável, conforme o composto considerado e a duração dotratamento. A dependência psicológica é mais comum do que a física, podendoocorrer com qualquer dose (LARINI, 2008). Com a interrupção súbita da administração dos fármacosbenzodiazepínicos, é comum a ocorrência de síndrome de abstinência. Entreos sintomas mais frequentes relacionados com a suspensão de tranquilizantesbenzodiazepínicos, podem ser destacados os seguintes (LARINI, 2008):  Manifestações autonômicas, como tremores, taquicardia e sudorese;  Espasmos musculares;  Cefaleia;  Distúrbios gastrintestinais;  Distúrbios no sono, com insônia e alteração do padrão de sono;  Hipersensibilidade ao som e à luz;  Ansiedade;  Perda acentuada de peso. A extensão e a severidade dos efeitos colaterais destas drogas podemser minimizadas conhecendo-se sua meia-vida. A forma de prescrever osbenzodiazepínicos é bastante variável, recomendando-se que essas drogasnão sejam usadas de forma regular por períodos superiores a duas semanas e,se um intervalo maior for necessário, que a dosagem seja variada de temposem tempos. Uma preocupação ainda maior deve ser tomada quando se lida
  33. 33. 33com benzodiazepínicos de meia-vida curta, pois já existem evidênciassuficientes de que estes provocam dependência com maior facilidade(REBELATTO; MORELLI, 2004).
  34. 34. 34 1.3 BENZODIAZEPÍNICOS E O USO POR IDOSOS A parcela de idosos na população brasileira vemcrescendo muito nasúltimas décadas. Entre as décadas de 1940 e 1970, houve um grande aumentoda expectativa de vida da população, devido, sobretudo, às ações de saúdepública, como vacinação e saneamento básico; e devido aos avanços médico-tecnológicos. Além disso, os processos de urbanização e planejamento familiarque marcaram a década de 1960 acarretaram uma significativa redução dafecundidade, resultando um aumento da proporção de pessoas com 65 anosou mais (NÓBREGA; KARNIKOWSKI, 2005). Constituindo os idosos o grupo etário que tem crescido de forma maisrápida no Brasil e considerando serem eles portadores de múltiplas afecções,não surpreende que também entre nós o custo médico-social seja muitoelevado. Nessa faixa são comuns as demências, os acidentes vascularescerebrais, as coronariopatias, o diabetes mellitus e inúmeras outras doençascrônico-degenerativas causadoras de dependência física e/ou psíquicafrequentemente definitiva (CARVALHO FILHO, E.T.; PAPALÉO NETTO, M.,2000) Sendo marcado por uma elevação da frequência de doenças crônico-degenerativas, o processo de envelhecimento é acompanhado por uma maiordemanda pelos serviços de saúde e por medicamentos, o que predispõegrandemente a população geriátrica aos riscos daprática de polifarmácia (usode cinco ou mais medicamentos) e aos efeitos adversos dos medicamentos. Noentanto, deve-se atentar para o fato de que o organismo idoso apresentamudanças em suas funções fisiológicas que não devem ser desconsideradas,pois podem levar a uma farmacocinética diferenciada e maior sensibilidadetanto aos efeitos terapêuticos quanto adversos das drogas(NÓBREGA;KARNIKOWSKI, 2005). A resposta clínica a terapia farmacológica é individual e depende devários fatores como idade, gênero, etnia, fatores genéticos, doenças, exposiçãoinicial ao medicamento. Na terapia farmacológica devem ser consideradas asalterações farmacocinéticas (relação entre a dose administrada e asconcentrações do fármaco na circulação sistêmica) e as alterações
  35. 35. 35farmacodinâmicas (relação entre as doses administradas do fármaco e areposta farmacológica observada). A idade avançada é caracterizada porinsuficiência nas funções de muitos processos regulatórios responsáveis porproduzir integração entre células e órgãos. Importantes alteraçõesfarmacocinéticas e farmacodinâmicas ocorrem com o envelhecimento (COSTA,2009). Ainda segundo o mesmo autor, as várias alterações farmacocinéticasobservadas em idosos associam-se com mudanças em sua capacidade deabsorção; na diminuição na depuração renal dos fármacos devido à redução dofluxo plasmático e da taxa de filtração glomerular; na redução da atividade dasenzimas microssomaishepatocíticas e do fluxo plasmático hepático; nasalterações do volume de distribuição dos fármacos pela diminuição da águacorporal total e dos níveis de albuminemia, e aumento da gordura corporal. Os processos farmacocinéticos de metabolização e excreção sãoresponsáveis pela eliminação dos fármacos e de seus metabólitos doorganismo, determinando, assim, seus efeitos finais. Sendo assim, disfunçõesrenais induzidas porprocessos patológicos tendem a alterar a fisiologia normalhumana, resultando em modificações no processo de eliminação dos fármacosdo organismo. Pacientes portadores de doenças renais crônicas (DRC)apresentam alto risco para o desenvolverem de reações adversas, devido aoaumento daconcentração plasmática dos fármacos. Pacientes idosos podemapresentar uma redução na função renal em decorrência de alterações nafiltração glomerular, fluxo sanguíneo renal e secreção tubular. A taxa defiltração glomerular é considerada a mudança farmacocinética mais importantenos idosos, reduzindo em 25 a 40% (FRANCO et al, 2007). De todos os parâmetros farmacológicos, talvez a distribuição e ametabolização sejam os mais afetados pelo envelhecimento do organismo. Abiodisponibilidade de drogas hidrossolúveis administradas por via oral, porexemplo, pode estar aumentada, haja vista que o idoso possui menor teor deágua no organismo, o que acarreta redução em seu volume de distribuição.Além disso, o fluxo sanguíneo hepático costuma estar diminuído, por vezesreduzido quase à metade, com consequente redução do metabolismo deprimeira passagem dos fármacos. Drogas lipossolúveis, como o diazepam, porexemplo, apresentam maior volume de distribuição no idoso, pois a proporção
  36. 36. 36 de tecidoadiposo nesses indivíduos é maior(NÓBREGA; KARNIKOWSKI, 2005). Estudos têm mostrado que as alterações nos receptores farmacológicos se constituem em uma das principais causas da mudança da resposta nos idosos. No caso dos benzodiazepínicos, além das alterações farmacocinéticas já citadas, pode haver um aumento da sensibilidade a estes fármacos e potencialização de seus efeitos farmacológicos. A concentração plasmática de diazepam necessária para a sedação consciente é normalmente reduzida 2 a 3 vezes entre as idades de 20 a 80 anos (FRANCO et al, 2007). O mesmo ocorre com o midazolam, quando doses menores também são necessárias para a sedação de pacientes com idade mais avançada (FRANCO et al, 2007). Uma interação ocorre quando um medicamento influencia a ação de outro.A gravidade, prevalência e possíveis consequências das interações medicamentosas estão relacionadas a variáveis como condições clínicas dosindivíduos, número e características dos medicamentos. Esses fatores são agravados pelo mau uso não intencional que ocorre devido a problemas visuais, auditivos e de memória. Deste modo, idosos representam o grupo mais vulnerável, visto que a maioria das interações medicamentosas ocorre através de processos que envolvem a farmacocinética e/ou farmacodinâmica do medicamento como citada na Tabela 4 (SECOLI, 2010). Tabela 4. Medicamentos e classes terapêuticas associadas a reações adversas em idosos.Classe Reações Adversas Consequência clínicaterapêutica/MedicamentosAntiinflamatórios não Irritação e úlcera gástrica, Hemorragia, anemia,esteroidais nefrotoxicidade. insuficiência renal, retenção de sódio.Anticolinérgicos Redução da motilidade do Constipação, retenção trato gastro-intestinal, boca urinária, confusão, seca, hipotonia vesical, quedas. sedação, hipotensão ortostática, visão borrada.Benzodiazepínicos Hipotensão, fadiga, Fratura de quadril,
  37. 37. 37 náusea, visão borrada, quedas, prejuízo na rash cutâneo. memória, confusão.Beta-bloqueadores Redução da contratilidade Bradicardia, miocárdica, dacondução insuficiência cardíaca, elétrica e da frequência confusão, quedas. cardíaca, sedação leve, hipotensão ortostática.Digoxina Redução da condução Arritmias, náusea, elétrica cardíaca, distúrbios anorexia. no trato gastro-intestinal.Neurolépticos Sedação, discinesia tardia, Quedas, fratura de redução dos efeitos quadril, confusão, anticolinérgicos, distonia. isolamento social. Fonte:SECOLI, 2010 O conhecimento das mudanças fisiológicas no idoso e as possíveis consequências nos processos farmacocinéticos (absorção, distribuição, metabolização e excreção) e/ou farmacodinâmicos (mecanismo de ação), são indispensáveis no momento da prescrição (FRANCO et al, 2007). Embora entre os idosos as reações adversas a medicamentos apresentem-se com maior gravidade que entre os jovens, não são, muitas vezes, identificadas ou relatadas. A idade por si só não representa um fator de risco, mas um indicador para co-morbidade, pois neste grupo a farmacocinética alterada e a polifarmácia são as variáveis mais diretamente associadas as reações adversas a medicamentos (SECOLI, 2010). Entre os idosos, deve-se destacar também sua propensão à toxicidade, devido ao envelhecimento (o medicamento fica mais tempo no organismo), pelas co-morbidades, pela polifarmácia (uso de diversos medicamentos, apresentando interações medicamentosas) e pelo uso inadequado de medicamentos (MENDONÇA; CARVALHO, 2005). A atenção farmacêutica é uma modalidade de exercício profissional em que o farmacêutico assume um papel ativo em benefício do paciente, ajudando o prescritor na seleção apropriada e na dispensação dos medicamentos, ele
  38. 38. 38assume, dessa forma, responsabilidade direta na colaboração com outrosprofissionais de saúde e com os pacientes, para alcançar o resultadoterapêutico desejado (ANDRADE; SILVA; FREITAS, 2004). Ainda segundo os mesmos autores, outras atribuições dosfarmacêuticos são: O monitoramento da utilização dos medicamentos por meioda ficha de controle farmacoterapêutico; o aconselhamento aos doentes acerca do uso de medicamentos de venda livre (medicamentos de indicaçãofarmacêutica); a participação em programas de educação para a saúde emcolaboração com outros membros da equipe de saúde e a construção deindicadores que visem mensurar a efetividade das intervenções.
  39. 39. 392 OBJETIVOS O presente trabalho teve por objetivofazer um levantamento bibliográficoacerca do uso de benzodiazepínicos por idosos. Pesquisou-se sobre o envelhecimento populacional e o efeito desta novarealidade para os serviços de saúde, como o papel do profissional médico,onde este deve promover uma correta orientação ao paciente, alertando ousuário, em especial aos idosos, sobre os efeitos provocados pela utilização domedicamento. A importância dos profissionais farmacêuticos, que deve zelar pelo usoadequado dos medicamentos, orientando os pacientes na hora dadispensação. Também foi analisada a farmacocinética dos idosos, o uso que eles fazemdos benzodiazepínicos e a importância de uma assistência eficiente ao idoso,como a orientação do uso racional dos medicamentos e a educaçãoterapêutica.
  40. 40. 403 METODOLOGIA Para realização deste trabalho foram realizados levantamentosbibliográficos sobre o tema: benzodiazepínicos e idosos. Para tal, utilizou-se como recursos artigos científicos extraídos de revistascientíficas, livros referentes a área dos benzodiazepínicos e idosos, epesquisas virtuais em sites de revistas científicas e portais acadêmicos.
  41. 41. 414 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho mostrou que nas últimas décadas a população vemenvelhecendo, modificando assim a realidade da sociedade atual. A diminuiçãoda taxa de fecundidade, a diminuição da taxa de mortalidade e melhoras naqualidade de vida contribuíram para a formação dessa nova realidade. A maior parte da população adulta já fez ou faz uso de benzodiazepínicos,pincipalmente mulheres acima de 50 anos que sofrem de transtornos deansiedade. A ansiedade é um dos grandes males dos tempos atuais, e os idosospadecem deste mal principalmente quando estão vivendo em condições devida precárias, seja no âmbito emocional ou físico. Os benzodiazepínicos são fármacos ansiolíticos usados no tratamento daansiedade. Em geral, eles apresentam baixa toxicidade, porém o uso poridosos merece bastante atenção, já que na terceira idade há mudanças nacapacidade de absorção. Através da análise dos artigos científicos relacionados ao tema, conclui-seque o consumo de benzodiazepínicos pela classe idosa é elevado. Deve-seatentar para este fato, pois em idosos a capacidade de absorção destesmedicamentos é diferenciada, devido a alterações farmacocinéticas. Pode-se,também, haver mal uso dos benzodiazepínicos devido a problemas inerentesao envelhecimento, tais como visuais, auditivos e de memória. É de suma importância então que o paciente idoso seja bem orientado deforma esclarecedora, em especial pelo profissional farmacêutico, pois assim,ele vai assegurar a correta utilização dos medicamentos pelos idosos,contribuindo para o seu uso racional.Deve-se fazer uma avaliação precisa daindicação e um monitoramento cuidadoso do paciente idoso em uso debenzodiazepínicos.
  42. 42. 425 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANDERSON, M. I. P. et al, Saúde e qualidade de vida na terceira idade.Textos sobre envelhecimento, Rio de Janeiro, v.1, n.1, nov. 1998.ANDRADE, M. F., ANDRADE, R. C. C., SANTOS, V., Prescrição depsicotrópicos: avaliação das informações contidas em receitas e notificações.Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, São Paulo, v. 40, n.4, p. 471-479, out/dez. 2004.ANDRADE, M.A., SILVA, M.V.S., FREITAS, O.,Assistência Farmacêuticacomo Estratégia para o Uso Racional de Medicamentos em Idosos,Londrina, v.25, n.1, 2004.ANJOS, M.L., Educação e drogas: uma questão a refletir nas escolas da redeprivada de ensino fundamental do município de Niterói. 2005. 43 f. Monografia(Especialização em Psicopedagogia – Universidade Candido Mendes), Niterói,2005.BERNIK, M. A., Benzodiazepínicos: quatro décadas de experiência. SãoPaulo: Edusp, 1999, 248 p.CARVALHO FILHO, E. T., PAPALÉO NETTO, M., Geriatria: fundamentos,clínica e terapêutica.1.ed. São Paulo: Atheneu, 2000. 447 p.CESCHIN, F., ALQUATI, C., XIMENES, M. A., Qualidade de vida na velhice.Revista portal divulgação, São Paulo, n.20, p. 45-48, abr. 2012.COSTA, S. C.Avaliação da prescrição de medicamentos para idososinternados em serviços de clínica médica do Sistema Único de Saúde emum hospital público universitário brasileiro. 2009. 109 f.. Dissertação
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