Agronegocio -texto

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Agronegocio -texto

  1. 1. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL E EXTENSÃO - DERE AGRONEGÓCIOS 1 João Batista Padilha JuniorIII – CONCEITO DE AGRONEGÓCIOS3.1 - Introdução De acordo com Rodrigues (1999), a agricultura brasileira viveu na primeirametade dos anos 90 uma brutal transição. Saiu de um cenário no fim da décadaanterior caracterizado por inflação alta, país fechado e políticas públicas razoáveispara outro, poucos anos depois, de inflação baixa, país aberto ao exterior,principalmente na agricultura, e estado falido. Nessa caminhada teve perda derenda inédita na história, tanto pela ação governamental (que descasou índicesno Plano Collor estourou juros e engessou o câmbio no real), quanto peladesarticulação do setor privado. Duas diferentes tendências ficaram claras nessatransição que ainda não se completou:• de um lado, uma imensa exclusão com milhares de produtores (especialmente pequenos) e trabalhadores rurais perdendo seus empregos e patrimônios, reforçando movimentos sociais que mais tarde se transformariam em políticos;• de outro, uma surda batalha pela sobrevivência, via competitividade. Dois grupos de produtores rurais se embalam nesta onda: os que entraram no Plano Real com dívidas e os que não tinham dívidas. Os primeiros, acudidos por paliativos como a Securitização, o Programa Especial Sobre Ativos (Pesa), o Programa de Recuperação das Cooperativas (Recoop) e outras ações governamentais, esperam por solução definitiva para seus problemas. Os segundos estão fazendo a maior revolução deste século no cenário rural brasileiro. Essa revolução tem três facetas: uma bem evidente, que é a tecnológica,e outras duas pouco mensuráveis, a gerencial e a de modelo. A revolução tecnológica se caracteriza pelo uso do que há de maisevidente em matéria de inovação para o campo: tratores, máquinas eimplementos, colheitadeiras de última geração rodando pelas fazendasbrasileiras: cultivo mínimo, plantio direto, variedades novas, fórmulas diferentesde fertilizantes e defensivos, transferência de embriões, agricultura de precisão eo uso crescente da biotecnologia, o que equipara nossos produtores aosmelhores do mundo.1 Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Economia Aplicada pela ESALQ/USP, Doutor em Economia e Política Florestal pela UFPR e Professor Adjunto do Departamento de Economia Rural e Extensão (DERE) da UFPR. 1
  2. 2. A revolução gerencial é ainda mais importante: administração comercial,financeira, fiscal e tributária são essenciais para o resultado positivo dosagricultores. A gestão de recursos humanos e a gestão ambiental, também. Ainformação em tempo real e confiável é um instrumento básico para o modernoagricultor, para o gerente contemporâneo. Assim, a propriedade rural toma umaimportância fundamental, onde o empresario rural deve usar os conceitos maismodernos de economia, administração, comercialização e finanças para seajustar às iminentes e rápidas mudanças de mercado. Mas, sem dúvida, a grande mudança está no modelo. Não é maispossível, ou não será no curto prazo, fazer renda no campo vendendo matéria-prima para compradores tradicionais. Por mais que se tenha incorporadotecnologia, o mercado já não sustenta a renda rural para o produtor que nãoagrega valor à sua produção. Esta revolução, a de modelo, é a que exige oconceito de cadeia produtiva de agregação de valor às produções primárias. Os mecanismos clássicos para isto estão à disposição dos produtores:cooperativismo, associativismo, parcerias, alianças estratégicas, marketing,propaganda, industrialização, diferenciação e, todos outros fatores existentes eainda não explorados adequadamente, e que também precisam sermodernizados. Há sem dúvida também um problema cultural emperrando avançosconcretos na direção do agronegócio, embora o conceito já esteja disseminado eentendido. É a velha esperanças de que o governo resolva a questão da rendacom algum tipo de intervenção. Já não há mais esta chance. As diversascadeias produtivas precisam se articular para resolver seus dramas paraoferecer ao consumidor produtos de qualidade a preços compatíveis com asustentabilidade das atividades produtivas. O Fórum Nacional da Agricultura tratou destes temas definindo em suasDez Bandeiras três grandes grupos de ações articulados: a) políticas públicas que garantam isonomia em relação a concorrentes de outros países, b) melhor organização privada dos agentes econômicos e c) boas negociações internacionais. Desatados estes três nós, a agricultura e o agronegócio brasileiroconduzirão o país ao seu lugar de destaque no cenário mundial. Para entender um pouco mais do funcionamento das cadeias produtivas ede suas inter-relações, torna-se necessário compreender alguns conceitosbásicos sobre agronegócios.3.2 - Conceitos básicos – Origens e Definições de Agronegócios Segundo o GEPAI (1997), a bibliografia sobre o estudo dos problemasligados ao agronegócio aponta, no cenário internacional, para dois principais 2
  3. 3. conjuntos de idéias que geraram metodologias de análise distintas entre si. Embora defasadas quanto ao tempo e quanto ao local de origem, estasduas vertentes metodológicas, que serão apresentadas a seguir, guardam entre simuitos pontos em comum. A primeira delas teve origem nos Estados Unidos, mais precisamente naUniversidade de Harvard, através dos trabalhos de Davis e Goldberg2. Coube aesses dois pesquisadores a criação do conceito de agronegócios e, através deum trabalho posterior de Goldberg2, a primeira utilização da noção de commoditysystem approach (CSA). Durante a década de 60 desenvolveu-se no âmbito da escola industrialfrancesa a noção de analyse de fílière. Embora o conceito de filière não tenhasido desenvolvido especificamente para estudar a problemática agro-industrial, foientre os economistas agrícolas e pesquisadores ligados aos setores rural e agro-industrial3, que ele encontrou seus principais defensores. Com o sacrifício dealgumas nuançes semânticas, a palavra filière será traduzida para o portuguêspela expressão cadeia de produção e, no caso do setor agro-industrial, cadeiade produção agro-industrial ou simplesmente cadeia agro-industrial (CPA)4. Os pesquisadores da Universidade de Harvard, John Davis e RayGoldberg, já em 1957, enunciaram o conceito de agronegócios como sendo "asoma total das operações de produção e distribuição de suprimentosagrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, doarmazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas eitens produzidos a partir deles". Segundo esses autores, a agricultura já não poderia ser abordada demaneira indissociada dos outros agentes responsáveis por todas as atividadesque garantiriam a produção, transformação, distribuição e consumo de alimentos.Eles consideravam as atividades agrícolas como fazendo parte de urna extensarede de agentes econômicos que iam desde a produção de insumos,transformação industrial até armazenagem e distribuição de produtos agrícolas ederivados. Goldberg, em 1968, utilizou a noção de commodity system approach(Cadeia de Produção Agro-industrial) para estudar o comportamento dos sistemasde produção da laranja, trigo e soja nos Estados Unidos. O sucesso desta2 DAVIS, J. H., GOLDBERG, R. A. A concept of agribusiness. Division of research. Graduate School of BusinessAdministration. Boston: Harvard University, 1957.2 GOLDBERG, R. A. Agribusiness coordination: a systems approach to the wheat soybean and Florida orange economies. Division ofresearch. Graduate Sebool of Business Administration. Boston Harvard University, 1968.3 A literatura francesa utiliza, em vez de Sistema Agro-industrial, a denominação de Sistema Agro-alimentar. Este materialentende que o Sistema Agro-alimentar está contido no Sistema Agro-industrial. Conservar a denominação Sistema Agro-alimentar implicaria excluir todas as firmas agro-industriais (madeira, fibras vegetais, couro etc.) que não têm comoatividade principal a geração de alimentos. Desta forma, preferiu-se a utilização do conceito mais amplo.4 Apesar de apresentarem origens temporais e espaciais diferentes, a noção de CSA e filière apresentam a mesma visãosistêmica e mesoanalítica que considera que a análise do sistema Agro-alimentar deve, necessariamente, passar pelaforma de encadeamento e articulação que gere as diversas atividades econômicas e tecnológicas envolvidas na produçãode determinado produto agro-industriais. 3
  4. 4. aplicação deveu-se principalmente à aparente simplicidade e coerência doaparato teórico, bem como a seu grande grau de acerto nas previsões. Cabenotar que ele efetuou um corte vertical na economia que teve como ponto departida e principal delimitador do espaço analítico uma matéria-prima agrícolaespecífica (laranja, café e trigo). Apesar de seguir uma lógica de encadeamentode atividades semelhante à utilizada por Goldberg, a analyse de filières podediferir, segundo o objetivo do estudo pretendido, no que tange, sobretudo, aoponto de partida da análise. Os trabalhos de Goldberg, que tiveram como ponto de partida a matriz deprodução de Leontieff, tentam incorporar certo aspecto dinâmico a seus estudosatravés da consideração das mudanças que ocorrem no sistema ao longo dotempo. Este enfoque dinâmico é ressaltado pela importância assumida pelatecnologia como agente indutor destas mudanças. Este aspecto tecnológico étambém bastante enfatizado pela analyse de filière. Finalmente, é interessante destacar que Goldberg, durante a aplicação doconceito de CSA, abandona o referencial teórico da matriz insumo-produto paraaplicar conceitos oriundos da economia industrial. Assim, segundo Zylbersztajn5 (1995), o paradigma clássico da economiaindustrial - Estrutura è Conduta è Desempenho - passa a fornecer os principaiscritérios de análise e de predição. A aplicação das ferramentas da economiaindustrial também pode ser encontrada em autores ligados à análise das cadeiasde produção.3.3 - ANÁLISE DE FILIÈRES (OU CADEIAS DE PRODUÇÃO) A análise de cadeias de produção é uma das ferramentas privilegiadas daescola francesa de economia industrial. Apesar dos esforços de conceituaçãoempreendidos pelos economistas industriais franceses, a noção de cadeia deprodução continua vaga quanto ao seu enunciado. Uma rápida passagem pelabibliografia sobre o assunto permite encontrar grande variedade de definições.Morvan6 procurando sintetizar e sistematizar estas idéias, enumerou três sériesde elementos que estariam implicitamente ligados a uma visão em termos decadeia de produção:1. a cadeia de produção é uma sucessão de operações de transformaçãodissociáveis, capazes de ser separadas e ligadas entre si por um encadeamentotécnico;2. a cadeia de produção é também um conjunto de relações comerciais efinanceiras que estabelecem, entre todos os estados de transformação, um fluxode troca, situado de montante a jusante, entre fornecedores e clientes;3. a cadeia de produção é um conjunto de ações econômicas que presidem avaloração dos meios de produção e asseguram a articulação das operações.5 ZYLBERSZTAJN, D. Competitividade e abordagem de sistemas agroindustriais. Texto preliminar para discussão. PENSA/FEAIUSP, 19956 MORVAN, Y. Fondements deconomie industrielle. Paris: Economica, 1988. p. 247. 4
  5. 5. De maneira geral, uma cadeia de produção agro-industrial pode sersegmentada, de antes da porteira (insumos) até depois da porteira(comercialização), em três macrossegmentos. Em muitos casos práticos, oslimites desta divisão não são facilmente identificáveis. Além disso, esta divisãopode variar muito segundo o tipo de produto e segundo o objetivo da análise. Ostrês macrossegmentos propostos são:a. Comercialização. Representa as empresas que estão em contato com ocliente final da cadeia de produção e que viabilizam o consumo e o comércio dosprodutos finais (supermercados, mercearias, restaurantes, cantinas, etc.). Podemser incluídas neste macrossegmento as empresas responsáveis somente pelalogística de distribuição.b. Industrialização. Representa as firmas responsáveis pela transformação dasmatérias-primas em produtos finais destinados ao consumidor. O consumidorpode ser uma unidade familiar ou outra agroindústria.c. Produção de matérias-primas. Reúne as firmas que fornecem as matérias-primas iniciais para que outras empresas avancem no processo de produção doproduto final (agricultura, pecuária, pesca, piscicultura etc.). A Figura 1 representa esquematicamente duas cadeias de produção agro-industriais (CPA) quaisquer. Essa figura apresenta duas CPA não lineares, vistoque a operação 7 pode ser seguida das operações 9 e 12 ou da operação 10,que, segundo o caso, darão origem ao produto 1 ou 2. Este é geralmente o casopara a maior parte das CPA em que uma operação anterior pode alimentar váriasoutras situadas à frente. Neste caso, pode-se falar de "ligações divergentes". Por outro lado, existem também "ligações convergentes" em que váriasoperações anteriores darão origem a um número menor de operações à frente.No caso do exemplo apresentado, as operações 4, 5 e 6 darão origem seja àoperação 8, seja à operação 7. Não é raro encontrar no interior das CPAmecanismos de retroalimentação, onde um produto oriundo de uma etapaintermediária da CPA vá alimentar, nesta mesma CPA, outra operação situada àmontante desta operação. A lógica de encadeamento das operações, como forma de definir aestrutura de uma CPA, deve situar-se sempre de jusante a montante, ou seja, dofim da cadeia para o começo da cadeia. Esta lógica assume implicitamente queas condicionantes impostas pelo consumidor final são os principais indutores demudanças no “status quo” do sistema. Evidentemente, esta é uma visãosimplificadora e de caráter geral, visto que as unidades produtivas do sistematambém são responsáveis, por exemplo, pela introdução de inovaçõestecnológicas que eventualmente aportam mudanças consideráveis na dinâmicade funcionamento das cadeias agro-industriais. No entanto, estas mudançassomente são sustentáveis quando reconhecidas pelo consumidor comoportadoras de alguma diferenciação em relação a situação de equilíbrio anterior. Vale ressaltar que as CPA não são estanques entre si. Determinadocomplexo agro-industrial pode apresentar operações ou estados intermediários deprodução comuns a várias CPA que o compõem. Neste caso pode ocorrer o queserá chamado de 4 operações-nó. Estas operações são muito importantes doponto de vista estratégico, pois representam lugares privilegiados para a obtenção 5
  6. 6. de sinergias dentro do sistema, além de funcionarem corno pontos de partidaeficientes para a diversificação das firmas. No caso da Figura 1, a operação 7seria uma operação-nó, já que ela representa um interconexão entre as CPA 1 eCPA 2. As operações representadas na Figura 1 podem ser, do ponto de vistaconceitual, de origem técnica, logística ou comercial. No entanto, a representaçãográfica de uma CPA neste nível de detalhe seria de difícil execução prática, comganhos de qualidade de informação, em termos de visualização, duvidosos. Assim, é válido que a representação seja feita seguindo o encadeamentodas operações técnicas necessárias à elaboração do produto final (Batalha,1993). Os aspectos tecnológicos assumem, neste caso, um papel fundamental. O"esqueleto" da CPA seria composto pela sucessão de operações tecnológicas deprodução, distintas e dissociáveis, estando elas associadas à obtenção dedeterminado produto necessário a satisfação de um mesmo segmento dedemanda. Estabelecido o fluxograma de produção, deve-se arbitrar o grau dedetalhe da representação. Todas as operações de produção devemnecessariamente ser representadas? Cadeia de Produção Cadeia de Produção Agropecuária 1 Agropecuária 2 Matéria Prima insumos insumos insumos Produção de Operação 1 Operação 2 Operação 3 Operação 4 Operação 5 Operação 6 Industrialização Operação 7 Operação 8 Operação 9 Operação 10 Operação 11 Comercialização Operação 12 Operação 13 produto 1 produto 2 produto 3 Figura 1 – Cadeia de Produção agro-industrial 1 e 2 6
  7. 7. Em geral, não é difícil decompor um processo industrial de fabricaçãosegundo algumas etapas principais de produção. Assim, seria razoável considerarque, após passar por várias operações de fabricação, um produto possa alcançarum "estado intermediário de produção”. Vale lembrar que o termointermediário diz respeito ao produto final da CPA. A produção de óleo refinado desoja, por exemplo, poderia ser considerada estado intermediário de produção nafabricação dos produtos finais margarina e maionese. O produto deste "estadointermediário de produção" deveria ter estabilidade física suficiente para sercomercializado além, evidentemente, de possuir um valor real ou potencial demercado. A existência destes mercados permite a "articulação" dos váriosmacrossegmentos da CPA, bem como das etapas intermediárias de produçãoque os compõem. Dentro de uma cadeia de produção agro-industrial típica podemser visualizados no mínimo quatro mercados com diferentes características: a) mercado entre os produtores de insumos e os produtores rurais, b) mercado entre produtores rurais e agroindústria, c) mercado entre agroindústria e distribuidores e, finalmente, d) mercado entre distribuidores e consumidores finais. O estudo das características destes mercados representa uma ferramentapoderosa para compreender a dinâmica de funcionamento da CPA. Assim, pode-se dizer que o sistema produtivo associado a uma CPA, queneste caso escapa das fronteiras da própria firma, teria como unidade básica deanálise e de construção do sistema as várias operações que definem o conjuntodas atividades nas quais a firma está inserida, estando as operações técnicas deprodução responsáveis pela definição da "arquitetura" do sistema. Na verdade, éo formato destes "caminhos tecnológicos" que determinam, em grande parte, aviabilidade e a oportunidade do aparecimento das operações logísticas e decomercialização. O posicionamento da firma dentro do sistema, bem como o daconcorrência, é facilmente identificável através da observação das operaçõespelas quais a firma é responsável no conjunto das atividades necessárias àelaboração do produto final.3.4 - NÍVEIS DE ANÁLISE NO AGRONEGÓCIO A literatura que trata da problemática do agronegócio no Brasil tem feitogrande confusão entre as expressões Sistema Agro-industrial, Complexo Agro-industrial, Cadeia de Produção Agro-industrial e Agronegócios. Estas expressões,embora relacionadas ao mesmo problema, representam espaços de análisediferentes e se prestam a diferentes objetivos. Na verdade, cada uma delas refleteum nível de análise no agronegócio. 7
  8. 8. 3.4.1 - SISTEMA AGROINDUSTRIAL (SAI). O SAI pode ser considerado o conjunto de atividades que concorrem paraa produção de produtos agro-industriais, desde a produção dos insumos(sementes, adubos, máquinas agrícolas etc.) até a chegada do produto final(queijo, biscoito, massas etc.) ao consumidor. Ele não está associado a nenhumamatéria-prima agropecuária ou produto final específico. O SAI, tal como éentendido neste trabalho, aproxima-se bastante da definição inicial de“agronegócios” proposta por Goldberg ou da definição de Sistema Agro-alimentarproposta por Malasis. Na verdade, o SAI, quando apresentado desta forma,revela-se de pouca utilidade prática como ferramenta de gestão e de apoio àtomada de decisão.O SAI, como pode ser visto na figura 2, é composto por seis elementos básicos:1 . agricultura, pecuária e pesca;2. indústrias agro-alimentares (IAA);3. distribuição agrícola e alimentar;4. comércio internacional,5. consumidor;6. Indústrias e serviços de apoio (INA). Mercado Externo Agricultura Distribuição Pecuária Indústria Agro Alimentar Consumidor Final Indústria não Recursos Alimentar Humanos Indústrias de ApoioFigura 2 – Organização do Sistema Agro-industrial 8
  9. 9. Conforme citado anteriormente, o SAI pode ser dividido nos seguintes elementosque são visualizados na Figura 3. Indústrias de Apoio SAI ALIMENTAR NÃO ALIMENTAR Exploração Florestal Transportes Transformação Indústria do Fumo Produção IAA 1ª Distribuição Combustível Couros e Peles Indústria Química Transformação Têxtil Agricultura IAA 2ª Atacado Móveis Padronização Varejo Papel Pecuária Transformação Classificação Pesca IAA 3ª Hotéis Celulose Serviços Transformação etc... Papelão MDFFigura 3 – Elementos que compõe o Sistema Agro-Indústrial.3.4.2 - COMPLEXO AGRO-INDUSTRIAL Um complexo agro-industrial, tal como ele é entendido neste trabalho, temcomo ponto de partida determinada matéria-prima de base. Desta forma, poder-se-ia, por exemplo, fazer alusão ao complexo soja, complexo leite, complexocana-de-açúcar, complexo café, etc. A arquitetura deste complexo agro-industrialseria ditada pela "explosão" da matéria-prima principal que o originou, segundo osdiferentes processos industriais e comerciais que ela pode sofrer até setransformar em diferentes produtos finais. Assim, a formação de um complexoagro-industrial exige a participação de um conjunto de cadeias de produção, cadauma delas associada a um produto ou família de produtos.3.4.3 - CADEIA DE PRODUÇÃO AGRO-INDUSTRIAL O conceito de cadeia de produção agro-industrial já foi apresentadoanteriormente. Cabe somente destacar que, ao contrário do complexo agro-industrial, uma cadeia de produção é definida a partir da identificação dedeterminado produto final. Após esta identificação, cabe ir encadeando, dejusante a montante, as várias operações técnicas, comerciais e logísticas,necessárias a sua produção. A Figura 4 a título de exemplo, apresenta as cadeias de produção damanteiga, margarina e requeijão. Existe ainda outro nível de análise representado pelas ditas Unidadessócio-econômicas de Produção (USEP) que participam em cada cadeia. Sãoestas unidades que asseguram o funcionamento do sistema. Elas têm a 9
  10. 10. capacidade de influenciar e serem influenciadas pelo sistema no qual estãoinseridas. No caso do SAI, as USEP apresentam uma variedade de formas muitogrande. Não existem, porém, dúvidas de que a eficiência do sistema como umtodo passa pela eficiência de cada uma destas unidades. Este é uni dos motivosque justificam a publicação deste livro. O termo agribusiness, quando transcrito para o português (agronegócio),deve necessariamente vir acompanhado de um complemento delimitador. Assim,a palavra agronegócios não está particularmente associada a nenhum dos níveisde análise apresentados anteriormente. O enfoque pode partir do mais global(agronegócios brasileiro) ao mais específico (agronegócios da soja ou do suco delaranja). CP LEIT A E CP S A OJA PRODUÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS LEITE SOJA Pasteurização Descascamento Moagem Farelo Desnate Gordura Extração Leite Outros Subprodutos Homogeneização Óleo Bruto Gordura Refino Coagulação Maturação Óleo Aquecimento Refinado Butirador Batedeira Lavagem Prensagem Emulsão Homogeneização Catalisação Margarina Industrial Embalagem Embalagem Embalagem Requeijão Manteiga Margarina Creme vegetal Requeijão Manteiga Margarina Creme vegetal Macrossegmento de ComercializaçãoFigura 4 – Cadeia de Produção Agro-industrial da manteiga, margarina e requeijão. 10
  11. 11. 3.4 – A visão Sistêmica do Agronegócio Pela definição original, agronegócios é a soma total das operações deprodução e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produçãonas unidades agrícolas, do armazenamento, do processamento e distribuição dosprodutos agrícolas e itens produzidos a partir deles. Dessa forma, o conceito engloba os fornecedores de bens e serviços paraa agricultura, os produtores rurais, os processadores, os transformadores edistribuidores e todos os envolvidos na geração e fluxo dos produtos de origemagrícola até o consumidor final. Participam também desse complexo os agentes que afetam e coordenam ofluxo dos produtos, tais como o governo, os mercados, as entidades comerciais,financeiras e de serviços.As funções do agronegócios poderiam ser descritas em sete níveis, a saber:a) suprimentos à produçãob) produçãoc) transformaçãod) acondicionamentoe) armazenamentof) distribuiçãog) consumo. O termo agroindústria não deve ser confundido com agronegócios; oprimeiro é parte do segundo. Ao longo do tempo, novos conceitos têm sidoelaborados com o objetivo de dar uma definição mais precisa para agroindústria,ampliando-a na medida do possível. Um deles define-a nos seguintes termos: "No agronegócios, a agroindústria é a unidade produtora integrantedos segmentos localizados nos níveis de suprimento à produção,transformação e acondicionamento, e que processa o produto agrícola, emprimeira ou segunda transformação, para sua utilização intermediária oufinal". O agronegócios envolve os agentes que produzem, processam edistribuem produtos alimentares, as fibras e os produtos energéticos provenientesda biomassa, num sistema de funções interdependentes. Nele atuam os fornecedores de insumos e fatores de produção, osprodutores, os processadores e os distribuidores. As instituições e organizações do agronegócios podem ser enquadradasem três categorias majoritárias. Na primeira, estão as operacionais, tais como osprodutores, processadores, distribuidores, que manipulam e impulsionam oproduto fisicamente através do sistema. Na segunda, figuram as que geram etransmitem energia no estágio inicial do sistema. Aqui aparecem as empresasde suprimentos de insumos e fatores de produção, os agentes financeiros, oscentros de pesquisa e experimentação, entidades de fomento e assistência 11
  12. 12. técnica e outras. Por último, situam-se os mecanismos coordenadores, como ogoverno, contratos comerciais, mercados futuros, sindicatos, associações eoutros, que regulamentam a interação e a integração dos diferentes segmentosdo sistema. A compreensão do funcionamento do agronegócios é uma ferramentaindispensável para que os tomadores de decisão autoridades públicas e agenteseconômicos privados formulem políticas e estratégias com maior precisão emáxima eficiência. Toda a análise que se faça no âmbito do agronegócios develevar em conta as especificidades do sistema de produção agrícola. Ao contrário dos bens manufaturados, a produção de bens agropecuáriosdesenvolve-se em determinados períodos do ano apenas, em virtude dascondições de clima e exigências biológicas das plantas e animais domésticos. Asépocas de safra e entressafra influenciam e formam a tendência de variaçãosazonal dos preços, com reflexo na utilização de insumos, fatores de produção eno processamento e transformação das matérias-primas de origem agropecuária. Já o consumo, contrapondo-se à sazonalidade da oferta, é relativamenteconstante ao longo do ano. Assim como a produção agropecuária sofre ainterferência de fatores, como adversidades climáticas e ataques de pragas edoenças - até certo ponto incontroláveis - os desequilíbrios nos mercados tomam-se, às vezes, inevitáveis. Além disto, os gêneros agrícolas são essencialmenteperecíveis. Todos esses fatores são focos geradores de instabilidade da rendados agricultores e dos outros segmentos do agronegócios. Nesse contexto, o papel das autoridades públicas e dos executivos dasempresas - todos componentes do agronegócios - toma-se fundamental para acorreção de distúrbios e instabilidades na cadeia Agro-alimentar.Complementares, cada parte tem seu campo específico de atuação e, uma vezsintonizadas, conseguem corrigir os problemas que surgem no agronegócios. Isto deixa claro que o fator gerencial é crítico no desenvolvi- mento de umsistema viável de produção de fibras, alimentos e energia renovável, cujoconjunto, dada sua magnitude, é forte determinante do crescimento econômicotanto dos países desenvolvidos quanto dos em desenvolvimento. Por essas e outras razões, vê-se que o enfoque sistêmico do agronegóciosrepresenta um instrumento poderoso de estudo e análise de uma parcelasubstancial do sistema econômico da sociedade contemporânea. A visualização da estrutura e organização operacional de toda a rede dealimentos, fibras e substitutos energéticos abre caminho para entender como osrecursos escassos são alocados e dirigidos para a satisfação das necessidades edesejos do homem. Serve igualmente para, em qualquer tempo, aportar subsídiospara responder a questões-chaves ligadas ao gerenciamento do agronegócios,em uma visão de planejamento. 12

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