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unidade 06 15Tal forma de registro do projeto é impor-tante por auxiliar o professor durante odesenvolvimento do trabalho,...
unidade 0616“A primeira etapa do projeto consistiu do levantamento de co-nhecimentos prévios sobre o cantor Luiz Gonzaga, ...
unidade 06 17Em outro momento do desenvolvimento do projeto, a professora relata o seguinte:“Os alunos foram convidados a ...
unidade 0618“Foi realizado um ditado com palavras referentes ao contexto dasmúsicas de Luiz Gonzaga e sua vida. As palavra...
unidade 06 19Lexicografia e Banco de da de Língua Portuguesa. S-C LDTA 3ª. Edição ver. eaum. Rio de Janeiro. Objetiva, 200...
unidade 0620Ao chegar ao terceiro ano, a criança já de-verá ter atingido uma série de direitos deaprendizagem e desenvolvi...
unidade 06 21considerando os direitos de aprendizageme as capacidades relacionadas às práticassociais de linguagem a serem...
unidade 0622Nesse sentido, é importante observar,pelo menos, três modalidades de ati-vidades que permitam uma variedadede ...
unidade 06 23criança organizar seus saberes medianteintervenções que a ajudem a estabelecerdiferentes relações entre seu c...
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unidade 06 25direitos de aprendizagem e as capacida-des que poderão ser desenvolvidas com oestudo do gênero, por que são t...
unidade 062630 aulas, iríamos aprender muitas coisas, como: melhor interpretar ostextos; ler com mais segurança; escrever ...
unidade 06 27“Após esta produção escrita, solicitamos que os alunos trocassem suasproduções e cada um foi verificando se o...
CompartilhandoProjeto Didático - O Centenáriode Luiz GonzagaAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda TelesProf...
unidade 06 29O Centenário de Luiz GonzagaÁrea do conhecimento: Linguagens, códigos e suas tecnologias.Trabalho interdiscip...
unidade 0630Músicas que poderão ser utilizadas:Abc do sertão, Asa Branca, Cintura fina, Xote das meninas, Feira de Caruaru...
unidade 06 313ª. EtapaNessa etapa, será importante que o professor mostre, a partir da leitura da música em estudoque estã...
unidade 0632Crianças famosas: Villa-LobosAutor (a): Nereide S. Santa Rosa e AngeloBonitoO livro apresenta a biografia da i...
unidade 06 33MúsicaTexto: Núria Roca  Rosa M. CurtoImagem: Rosa M. CurtoFechar os olhos... Ouvir a música ao nosso redor.....
unidade 0634Passeio pelo campoAutor (a): Juan Carlos Porta RepettoIlustração: Miguel CasalásA obra narra a história de uma...
unidade 06 35Sequência didática - Históriaem quadrinhosAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda TelesEsta SD f...
unidade 0636Módulo 1 – Preparação da Produção inicialObjetivos:Familiarização do gênero HQ, em estudo, pelos alunosAtivida...
unidade 06 37Módulo 2 –  Produção inicialVamos comparar a HQ com outros gêneros textuais?Aqui, professor, você fará mais u...
unidade 0638Módulo 3 – Continuando com o conhecimento do gênero HQObjetivo: Descobrir diferentes parâmetros de contextos d...
unidade 06 39Objetivos: Tratar da análise linguística: apropriação do SEA e outros conhecimentos.Atividades:• Reconhecer o...
unidade 0640Objetivos:Compreender de modo efetivo a organização do gênero estudado.Atividades:• Estudo do título e subtítu...
unidade 06 41Eu dou título.Eu escrevo a fala dos personagens dentro de balões.Eu crio personagens e dou nome.As partes do ...
unidade 0642Referências:BARROS-MENDES, Adelma N. N; SOUZA J; GOMES. R. Projeto de pesquisa ação: Osgêneros textuais e sua ...
Aprendendo maisMultiletramentos na escola.ROJO, Roxane Helena; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na escola. SãoPaulo, Paráb...
unidade 0644Letramento e alfabetização: um tema em três gêneros.SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: um tema em três...
unidade 06 45Sugestões de atividadespara os encontros em grupo1º momento (4 horas)1 - Ler texto para deleite: “Tanto bicho...
unidade 06462º momento (4 horas)1- Ler texto para deleite: “Kabá Darebu” de Daniel Munduruku2 - Ler o texto 2 (Organização...
unidade 06 473º Momento (4 horas)1 –Ler texto para deleite: “O menino e o jacaré de Maté” (MarieTherese Kowalczyk).2 - Lis...
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  1. 1. Pacto Nacionalpela Alfabetizaçãona Idade CertaMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação BásicaDiretoria de Apoio à Gestão EducacionalBrasília 2012ALFABETIZAÇÃO EM FOCO:PROJETOS DIDÁTICOS E SEQUÊNCIAS DIDÁTICASEM DIÁLOGO COM OS DIFERENTES COMPONENTESCURRICULARESAno 03Unidade 06
  2. 2. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃOSecretaria de Educação Básica – SEBDiretoria de Apoio à Gestão EducacionalDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)_______________________________________________________________________________Brasil. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa : alfabetização em foco : projetosdidáticos e sequências didáticas em diálogo com os diferentes componentes curriculares : ano 03,unidade 06 / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à GestãoEducacional. -- Brasília : MEC, SEB, 2012. 47 p. ISBN 978-85-7783-103-6 1. Alfabetização. 2. Áreas do conhecimento. 3. Didática. 4. Proposta pedagógica. I. Título.CDU 37.014.22_______________________________________________________________________________Tiragem 134.158 exemplaresMINISTÉRIO DA EDUCAÇÃOSECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICAEsplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 500CEP: 70047-900Tel: (61)20228318 - 20228320
  3. 3. SumárioALFABETIZAÇÃO EM FOCO:PROJETOS DIDÁTICOS E SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS EM DIÁLOGOCOM OS DIFERENTES COMPONENTES CURRICULARESIniciando a conversa 05Aprofundando o tema 06Dialogando com as diferentes áreas de conhecimento 06Organização do trabalho pedagógico por projetos didáticos 11Organização do trabalho pedagógicopor meio de sequências didáticas 20Compartilhando 28Projeto Didático - O Centenário de Luiz Gonzaga 28Sequência didática - História em quadrinhos 35Aprendendo mais 43Sugestões de leitura 43Sugestões de atividades para os encontros em grupo 45
  4. 4. ALFABETIZAÇÃO EM FOCO: PROJETOS DIDÁTICOS E SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS EMDIÁLOGO COM OS DIFERENTES COMPONENTES CURRICULARESUNIDADE 6 | ANO 3Autoras dos textos da seção Aprofundando o tema:Adelma Barros-Mendes, Débora Anunciação Cunha, Rosinalda Teles.Autoras dos relatos de experiência e depoimentos:Vivian Michelle Rodrigues N. Padilha.Leitores críticos e apoio pedagógico:Alfredina Nery, Amanda Kelly Ferreira da Silva, Ana Márcia Luna Monteiro, Erika SouzaVieira, Evani da Silva Vieira, Ivane Pedrosa de Souza, Ivanise Cristina Calazans, Julianade Melo Lima, Leila Nascimento da Silva, Magda Polyana Nóbrega Tavares, Maria HelenaSantos Dubeux, Mônica Pessoa de Melo Oliveira, Priscila Angelina Silva da Costa Santos,Rielda Karyna de Albuquerque, Rochelane Vieira de Santana, Severino Rafael da Silva,Sidney Alexandre da Costa Alves, Telma Ferraz Leal, Vivian Michelle Rodrigues N. Padilha,Yarla Suellen Nascimento Alvares.Revisor:Iran Ferreira de Melo.Projeto gráfico e diagramação:Ana Carla Silva, Susane Batista e Yvana Alencastro.Ilustrações:Airton Santos.Capa:Anderson Lopes, Leon Rodrigues, Túlio Couceiro e Ráian Andrade.
  5. 5. Iniciando a conversaNesta unidade 6, por meio de retomada de questões discutidas nas unidades anteriores,intenta-se não somente conhecer, discutir, mas perceber possibilidades de práticaspedagógicas, que envolvem diversas áreas de conhecimentos, tendo como foco principala área da linguagem, concretizada nos diferentes gêneros textuais que circulam na socie-dade, conforme preceituam documentos oficiais e parâmetros curriculares para o ensinofundamental de 09 anos.Para isso, não se pode perder de vista que os gêneros textuais, para que entrem na escola,precisam passar por uma transposição didática, de tal modo que possam ser didatizados.Nessa direção, os projetos didáticos e as sequências didáticas apresentam-se poten-cialmente como formas de organização do trabalho pedagógico que têm grandes possi-bilidades de auxiliar nesse processo de didatização, sobretudo por um viés de trabalhointerdisciplinar, o que os torna fundamentais ao professor para realizar todo o processode ensino e aprendizagem nos anos iniciais.Tendo em vista a importância de discutirmos como tais modos de organização do cotidia-no escolar podem potencializar o trabalho docente, os objetivos da unidade 6 são:• compreender a concepção de alfabetização na perspectiva do letramento, a partir doaprofundamento de estudos baseados nas obras pedagógicas do PNBE do Professor eoutros textos publicados pelo MEC;• aprofundar a compreensão sobre o currículo nos anos iniciais do Ensino Fundamentale sobre os direitos de aprendizagem e desenvolvimento nas diferentes áreas deconhecimento;• analisar e planejar projetos didáticos e sequências didáticas para turmas de alfabetização,assim como prever atividades permanentes integrando diferentes componentescurriculares e atividades voltadas para o desenvolvimento da oralidade, leitura e escrita;• conhecer os recursos didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e planejarprojetos e sequências didáticas em que tais materiais sejam usados;• compreender a importância da avaliação no ciclo de alfabetização.
  6. 6. Aprofundando o temaQuando foram lançados os ParâmetrosCurriculares Nacionais para as sériesiniciais da educação fundamental, em1997-8, já havia a defesa de um trabalho nocomponente curricular Língua Portuguesatendo como base os gêneros textuais. Nes-se sentido, se recomendava que a escolaviabilizasse o acesso do aluno a diversidadedos textos que circulam socialmente, o queinclui gêneros textuais referentes a dife-rentes disciplinas, abrindo, desse modo, aperspectiva, por exemplo, de nas aulas docomponente curricular Língua Portugue-sa se trabalhar com textos das áreas deCiências Humanas (História, Geografia),Ciências da Natureza e Matemática.Atualmente, indo na mesma direção, osdocumentos que orientam a inclusão dacriança de seis anos de idade na escolatambém trazem essa ideia de encaminharo ensino da educação básica, relacionandoas áreas de conhecimento. Assim, segun-do Corcino (2007), é importante que o tra-balho pedagógico com as crianças de seisanos de idade, nos anos/séries iniciais daeducação básica, garanta o estudo articu-lado das Ciências Humanas, das CiênciasNaturais e Matemática e das Linguagens.Tratando mais especificamente do traba-lho cujo ponto de partida seja a área deLinguagens, e tendo-se como princípioque os gêneros textuais não são apenasescritos, mas orais, icônicos, imagéticos eque mesmo uma escultura pode tambémser “lida,” interpretada e relacionada comoutros textos, não se pode negar às crian-ças a oportunidade de participarem desituações em que possam desenvolver ouDialogando com as diferentesáreas de conhecimentoAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda Teles
  7. 7. unidade 06 07consolidar certos “Direitos de aprendiza-gem” como os relativos à aprendizagem docomponente curricular Língua Portuguesa(Leitura, Produção textual, Linguagem orale Análise Linguística, incluindo a Apro-priação do Sistema de Escrita Alfabética)em contextos de reflexão sobre os gênerostextuais, em atividades de textos cujastemáticas são de áreas diversas.É licito lembrar que todas as nossaspráticas de linguagem são viabilizadas porgêneros textuais diversos, que refletemnossas necessidades e intenções comu-nicativas, ou seja, “o nosso querer dizercomo locutores”, nos termos de Bakhtin(1953/4), dentro das diversas esferas decomunicação que compõem a sociedade.Desse modo, é evidente que o texto con-cretizado com base nos gêneros textuaisé que reflete nossos dizeres e discursosseja na arte, seja nas ciências, seja na vidacotidiana.Por isso, no trabalho de ensino relativo aocomponente curricular Língua Portuguesanas séries iniciais, o docente pode se valerdas experiências com temas de outras áre-as do conhecimento, como forma de apro-ximar as crianças de assuntos específicosdessas áreas, ampliando o vocabulário e otrabalho com os gêneros textuais.Assim, na área de Ciências Naturais, ascrianças poderão produzir sínteses deconteúdo, utilizando-se de um artigo dedivulgação cientifica sobre animais, detextos diversos sobre um bioma brasileiro(preferencialmente o da região em queas crianças vivem), reportagens sobrechuvas – incluindo discussões sobre áreasque costumam ser alagadas e outras quesofrem com as constantes estiagens, rela-cionando essas questões a outras de ordemsocial e econômica, que podem ser encon-tradas em diferentes materiais escritosque circulam na sociedade, ou mesmo serouvidos através de rádios ou televisão. Oexemplo de texto sobre seres vivos, produ-zido por uma criança de 2º ano da EscolaBetel no município de Barreiras-Bahia,ilustra tal questão:
  8. 8. unidade 0608De modo semelhante na área de CiênciasHumanas, a partir do gênero textual mapageográfico de um determinado estado oumunicípio, por exemplo, ou mesmo de umrelato histórico do nascimento de umadada cidade, de uma lista de frequência daturma, da receita de uma comida regional,é possível desenvolver atividades diversasinterdisciplinarmente.Com jogos e brincadeiras é possívelensinar noções topológicas, atitudes desolidariedade e respeito para com o grupo,construindo relacionamentos éticos. Taisatitudes, ao ser exercitadas no ambienteescolar, certamente estender-se-ão paraoutros espaços sociais de convivência dascrianças. Nesse sentido, é possível compordeterminados códigos de relacionamentosentre as pessoas que constituem o ambien-te escolar, a partir de discussões e elabo-rações de documentos que expressem asdecisões tomadas coletivamente.É possível ainda ensinar matemática einterpretação textual ao mesmo tempo me-diante a utilização de estratégias lúdicas,em situações que requeiram conhecimen-tos relacionados a grandezas e medidasou na identificação de dados em tabelasou textos, para solucionar problemas. Poroutro lado, ao construir uma história ma-temática, por exemplo, a criança faz uso deconteúdo matemático lançando mão de re-cursos próprios da área da linguagem, paracompreender a operação e expressar seuresultado. São inúmeras as possibilidadeque se tem de imbricar conhecimentos,tendo o ensino da língua materna comopano de fundo.Em face dessas riquezas de exploraçãointerdisciplinar, “As Orientações curri-culares para o ensino de matemática”,conforme Fazenda (1995), também desta-cam, que nos anos iniciais da escolaridade,construir os significados dos númerosnaturais aparece como uma das primeirastarefas da escola. A forte ligação entre alíngua materna e a linguagem matemáticaé uma característica bem percebida pelascrianças entre 6 e 8 anos. Por isso, ossímbolos matemáticos devem aparecer nãocomo uma imposição do professor ou comouma característica do conhecimento mate-mático, mas como elementos facilitadoresda comunicação.As diversas funções sociais do númeropodem ser exploradas, por exemplo, emsituações que possibilitem representaçõesespontâneas de quantidades no cotidiano(números familiares do cotidiano da crian-ça, tais como: valores monetários, númeroda casa, do ônibus, placa de carro, telefo-ne, altura da criança, sua massa (“peso”),calendário, medida de tempo etc.). Paratanto, as situações propostas pelo pro-fessor devem possibilitar ao estudanteidentificar um número natural em seusquatro aspectos: o de indicador da quanti-dade de elementos de uma coleção discreta
  9. 9. unidade 06 09(cardinalidade); o de medida de grandezas(2 quilos, 3 dias etc.); o de indicador deposição (número ordinal); e o de código(número de telefone, placa de carro etc.).É preciso ressaltar novamente, porém, queessas distinções não devem ser introduzi-das formalmente, mas construídas a partirde situações de uso do número natural. Aênfase deve ser, entretanto, no uso práticode números (como contagens de estudan-tes e de materiais a serem distribuídos oua serem organizados para armazenamentona sala de aula; medições simples; usode números como códigos, ou seja, paraidentificar e/ou rotular ou, ainda, paraordenar pessoas, objetos ou eventos) e deoperações aritméticas por meio de pro-cedimentos desenvolvidos pelos própriosestudantes, com discussão e sistematiza-ção de conhecimentos desenvolvidos, massem se dar ênfase à formalização, ou seja,sem o trabalho com algoritmos formais.O enfoque é o número natural, emboraem algumas ocasiões possa-se, de formaprática, abordar o racional ½ (um meio),como na subdivisão de objetos que podemser particionados.As relações entre causa e efeito e asinferências lógicas começam a aparecertambém nessa fase. Os estudantes come-çam a descobrir propriedades e regulari-dades nos diversos campos da Matemática.É interessante que o professor construasituações que promovam a consolida-ção progressiva dessas ideias, evitandocuidadosamente antecipar respostas aproblemas e questionamentos vindos doestudante, de modo a permitir o desenvol-vimento do pensamento lógico. Lembran-do, por fim, que a sistematização excessivaé totalmente desaconselhável nesta etapa.Para se compreender bem como essaspossibilidades podem ser concretizadasnas práticas diárias de sala de aula, no pró-ximo item, são tratados projetos didáticose sequências didáticas a partir dos quaisesse trabalho interdisciplinar se colocacomo diverso e rico no desenvolvimento decapacidades e direitos de aprendizagem.
  10. 10. unidade 0610Referências:BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN/ Língua Portuguesa (1º e 2ºciclos). Brasília, MEC/SEF. 1998.BAKHTIN, Mikhail. (1952-53/1979) Os gêneros do discurso. IN: Estética da CriaçãoVerbal, pp.277-326. São Paulo: Martins Fontes, 1992.CORCINO Patrícia. As crianças de seis anos e as áreas do conhecimento In: Org. BEAU-CHAMP, Janete; PAGEL, Denise; NASCIMENTO, Aricélia R. Ensino Fundamental denove anos: orientações para a inclusão de seis anos de idade. Brasília: MEC/SEB, 2007.FAZENDA,Ivani.Catarina.Arantes. Interdisciplinaridade:história,teoriaepesquisa.2ªed.SãoPaulo:Ed.Papirus,1995.
  11. 11. unidade 06 11Nos últimos anos tem-se presenciado umasérie de mudanças no cenário da educação,na busca de uma qualidade cada vez maior.Como se atesta no texto anterior, pode-sedizer que se tem como marco principal olançamento do documento “ParâmetrosCurriculares Nacionais”, em 1997 e 1998,que se ampliou com, entre outros, asOrientações Gerais para Ensino Funda-mental de nove anos, mais recentemente.Esses documentos vêm se apresentandofundamentais para trazer à sala de aula asmais novas abordagens de ensino e apren-dizagem, bem como novos olhares paraos objetos ou eixos de ensino (a leitura, aprodução escrita ou oral e conhecimentoslinguísticos), cujas estratégias de trata-mento precisam garantir os “Direitos deaprendizagem” das crianças brasileiras,nos três primeiros anos da educação fun-damental básica. Pois serão esses direitosde aprendizagem que alicerçarão toda avida estudantil dessas crianças, na suaformação para cidadania, e isso exige “asuperação da fragmentação das atividadesde ensino em sala de aula. (...) por meiode uma ação educativa que se baseie emuma orientação teórico-metodológica, emque se definam os objetivos de ensino, aorganização do trabalho pedagógico, o tipode abordagem que se quer dar ao conheci-mento e, por fim, que se considere a reali-dade sociocultural dos alunos e o contextoda escola (BRASIL, 2009. p. 07).Assim,dentreasdiversassugestõesdosdocu-mentosoficiaisacercadotratamentodidáti-co,destaca-seaqui otrabalhopedagógicopormeiodeprojetos.Essasideiasseapresentam,porexemplo,nosPCN(BRASIL,1998),quedefendem“serprecisoqueasatividadesdeusoeasdereflexãosobrealínguaoralouescritaestejamcontextualizadasemProje-tosdeestudo,quersejamdaáreadeLínguaPortuguesa,quersejamdasdemaisáreasdoconhecimento”.Ou,nostermosdeNery(2007),deve-seconsiderarqueoOrganização do trabalho pedagógicopor projetos didáticosAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda Teles
  12. 12. unidade 0612“[...] planejamento da escolacontemple desde os critériosde organização das crianças emclasses ou turmas, a definiçãode objetivos por série ou ano,o planejamento do tempo, es-paço e materiais consideradosnas diferentes atividades e seusmodos de organização: hora desala de aula, brincadeiras livres,hora da refeição, saídas didá-ticas, atividades permanentes,sequências didáticas, atividadesde sistematização, projetos etc.”(Nery, p.111)Masporquetrabalharcomprojetos?Conformeseverifica,nodecorrerdasunidadesqueorganizamestePrograma,osDireitosdeaprendizagemdascrianças,nosprimeirostrêsanosdoensinofundamental,precisamsergarantidos.Dessemodo,nãoépossívelatuarisoladamentecomconteúdos,sobretudoporqueleituraeescritasãodirei-tosdeaprendizagemque,quandoconso-lidados,desempenhamopapeldesusten-taçãodetodoprocessodeensino,jáqueasdemaisáreasdoconhecimentoexigemdossujeitosodomíniodascapacidadesdelereescreverdemodoproficiente.Nesse sentido, o trabalho didático quetenha o projeto como ponto de sustentaçãodas estratégias para o desenvolvimento decapacidades, abre possibilidades para seatuar de forma contextualizada e interdis-ciplinar, pois se colocam na prática de salade aula “situações em que linguagem oral,linguagem escrita, leitura e produção detextos se inter-relacionam de forma con-textualizada, pois quase sempre envolvemtarefas que articulam diferentes conteú-dos” (BRASIL, 1998), sejam da área da ma-temática, das ciências humanas (geografiae história) ou naturais (ciências). Comisso, se responde também ao que defen-dem os documentos que tratam do EnsinoFundamental de 09 anos (Brasil, 2004):um conhecimento articulado/interdisci-plinar em que as propostas pedagógicas“[...] devem buscar a interaçãoentre as diversas áreas de co-nhecimento e aspectos da vidacidadã como conteúdos básicospara a constituição de conhe-cimentos e valores. Dessa ma-neira, os conhecimentos sobreespaço, tempo, comunicação,expressão, a natureza e as pes-soas devem estar articuladoscom os cuidados e a educaçãopara a saúde, a sexualidade, avida familiar e social, o meioambiente, a cultura, as lin-guagens, o trabalho, o lazer, aciência e a tecnologia.” (Brasil,2004, p.15).
  13. 13. unidade 06 13Em síntese, não se pode perder de vistaque as estratégias pedagógicas devemprimar pelas “múltiplas formas de diálogoe interação, tomando-as como eixo de todoo trabalho pedagógico, que precisa focali-zar o envolvimento e o interesse genuínodos educadores em todas as situações,provocando, (...) estimulando e desafian-do a curiosidade e a criatividade (...) comdestaque às que promovam a autonomia,a responsabilidade e a solidariedade”.Desse modo, conforme Silva (2003, p.10,apud Leal, Albuquerque e Morais, 2007,p.99), “o espaço educativo se transformaem ambiente de superação de desafiospedagógicos que dinamiza e significa aaprendizagem, que passa a ser compreen-dida como construção de conhecimentose desenvolvimento de competências emvista da formação cidadã”.Mas afinal, o que vem a ser um projeto?Buscando no dicionário Houaiss (2001),podemos tomar algumas de suas acepçõesque se enquadram no sentido de projeto:“elaborar plano; planejar; organizar; des-crição escrita de tarefa a ser feita; esque-ma; esboço ou desenho de trabalho”. Emdireção semelhante, Manegolla e Santana(2001, p. 111), nos expõem que “projeto seconstitui em um ‘processo de planejamen-to, execução e controle’ constantes queassegurem uma contínua vigilância dasatividades, culminado com a execução doplano traçado”.Essas definições podem ser ratificadas porNery (2007, p. 120) quando explica queesse tipo de “modalidade de organizaçãodo trabalho pedagógico prevê um produtofinal cujo planejamento tem objetivos cla-ros, dimensionamento do tempo, divisãode tarefas e, por fim, a avaliação final emfunção do que se pretendia”.Em sendo assim, podemos reiterar o quese explica acima, reconhecendo as gran-des vantagens com esse tipo de trabalho,pois por “ser articulado, as crianças usamde forma interativa as quatro atividadeslinguísticas básicas – falar/ouvir, escrever/ler –, a partir de muitos e variados gênerostextuais, nas várias áreas do conhecimen-to, tendo em vista uma situação didáticaque pode ser mais significativa para elas”,explica, por fim, a referida autora (Nery,2007, p. 119).Frenteaessasconsiderações,aseoptarporrealizarotratamentodidáticodoseixosdeensinodocomponentecurricularLínguaPortuguesapormeiodeumprojeto,nãopoderemosdeixardeatentarquetalem-preitadaimplicapensarpara“quemseráesteprojeto”,ouseja,qualoperfildecrian-çascomasquaisoprofessoratuará?Ondeesseprofessoratua,emquaiscondiçõesdetrabalho?Tambémnãosepoderádeixardeseconsiderarasformasde“Comochegaràrealidadeaserenfrentada?”Pensandonisso,quandoseoptarportraba-lharcomprojetosdidáticosfaz-se necessá-Mais discussõessobre projeto di-dático podem serencontradas nos“Parâmetros Curri-culares Nacionais(1997), Vol.02” ena obra “Ensinofundamentalde nove anos:orientações para ainclusão da crian-ça de seis anosde idade (2007)”,em especial ocapítulo Modali-dades organiza-tivas do trabalhopedagógico: umapossibilidade.
  14. 14. unidade 0614riorealizarumdiagnósticodarealidadeaserenvolvida,oqueexigedoprofessor,sem-pre,antesdeplanejarumprojeto,traçaro“retrato”darealidadenaqualseinsere.Casooprofessornãodisponhadeummate-rialespecíficoderegistrodeaprendizagensdisponibilizadoporsuarededeensino,po-deráserfeitomediantefichasdeavaliaçãodiagnósticas,quepodemseracessadasnomaterialdisponívelnoProgramadeForma-çãodeProfessoresPró-letramento,nositedoMinistériodaEducação(ww.mec.gov.br),bemcomonoportaldessePrograma.Então, entendido o papel e a necessidadeda avaliação diagnóstica antes de organizarum projeto, vejamos de modo sintéticoquais elementos poderão conter um pro-jeto didático, segundo Nery (2007), comalguns acréscimos. Ressaltamos ainda quena seção “Compartilhando” nesta unidade,o professor tem acesso a um exemplo deprojeto didático.Na unidade1é sugeridauma avaliaçãodiagnóstica ena unidade 2esse assunto éretomado.Título do projeto: (colocar o título de acordo com o tema ou mote do projeto).Área do conhecimento: (área foco a que as atividades do projeto se direcionam, porexemplo: Linguagens – que abarca alfabetização e letramento ou – Ciências Humanas –que abarca geografia e história).Trabalho interdisciplinar: (elencar os componentes curriculares como história, ciências,matemática que podem ser exploradas com o projeto).Temas transversais: (temas que podem ser trabalhados, como meio ambiente entreoutros)Temas: (aqui se elenca os temas, considerando o universo infantil e de acordo com arealidade da turma).Tempo estimado: (explicitar quantas aulas serão necessárias para desenvolver o projeto).Produto: (o que se construirá ao final, uma coletânea de poemas, de contos, jornal etc).Conhecimentos / habilidades: (delinear os conhecimentos e/ou habilidades que serãoensinados).Etapas: (descrever cada etapa de modo minucioso para orientá-lo no desenvolvimento domesmo).Materiais necessários: (elencar com clareza tudo o que precisará ter para desenvolver oprojeto – CD, revistas, jornais, livros etc).Avaliação: (traça-se uma avaliação diagnóstica de modo que o que se previu nos objetivosseja verificado em sua concretização ou não).
  15. 15. unidade 06 15Tal forma de registro do projeto é impor-tante por auxiliar o professor durante odesenvolvimento do trabalho, no entanto,é importante ter clareza que uma carac-terística central dos projetos didáticos éa participação dos estudantes no plane-jamento, monitoramento e avaliação dasatividades na direção de aprenderem a termais autonomia em suas aprendizagens.Vamos comentar, a seguir, algumas cenasdo desenvolvimento de um projeto desen-volvido pela professora Vivian Michelle,com crianças do 3º ano do Ensino Funda-mental. O projeto completo encontra-se naseção Compartilhando deste caderno.Otemadoprojetofoi“O centenário deLuiz Gonzaga”.OobjetivoerareconheceraimportânciadeLuizGonzagaedesuaobraparaoenriquecimentoculturaldaregiãoNordeste,bemcomoascaracterísticassó-cio-dialetaiseoperfilhistóricoegeográficodaregião.Oprojeto,então,abrangediver-sasáreasdoconhecimento,possibilitandoumtrabalhodiversificadocomdiferenteslinguagens,comumpersonagemimportan-tedaculturanordestina,estendendosuasatividadesparaocampodahistóriaedosaspectosgeográficosebiomasbrasileiros,comsuascaracterísticas.O projeto foi planejado para um tempoestimado de quarenta horas-aula, distribu-ídas ao longo de um mês, em dias alter-nados. As principais atividades propostasforam a leitura e audição de músicas deLuiz Gonzaga, que retratassem o cotidia-no nordestino com suas características edificuldades; a interpretação oral e escritadas músicas ouvidas; o estudo do gênerotextual música; além de atividades de aná-lise fonológica das palavras extraídas dasletras das musicas.O projeto foi iniciado com a apresentaçãodo mesmo aos alunos, a partir da exposiçãodo tema, do contrato didático e exploraçãoinicial sobre Luiz Gonzaga. A professoraVivian Michelle relata esse trabalho daseguinte forma:
  16. 16. unidade 0616“A primeira etapa do projeto consistiu do levantamento de co-nhecimentos prévios sobre o cantor Luiz Gonzaga, sua vida e obra.Muitos alunos o referenciaram apenas como o Rei do Baião, maspoucos sabiam sua origem e conheciam suas músicas. A imagemdo cantor foi mostrada para que os alunos fizessem a leitura damesma. Muitos destacaram a roupa típica usada, mas não sabiamdo que se tratava. Foi explicado que aquelas roupas eram a indu-mentária tradicional do vaqueiro nordestino, que era de couro,pra encarar os galhos secos e espinhosos da vegetação sertanejaquando eles tocavam os rebanhos de boi e bodes pela mata secae árida. Em seguida foi feita a audição da música “Abc do sertão”,e os alunos se interessaram pelo modo diferente de falar as letras.Cantaram e fizeram uma interpretação oral, comparando o abc dosertão com o alfabeto convencional e a nomenclatura das vogais econsoantes. Nesse momento, os alunos perceberam que, em cadaregião do Brasil, há uma característica peculiar no falar de seupovo, pois mostramos a eles os trejeitos de cada lugar como, porexemplo: a fala dos mineiros, dos gaúchos, dos cariocas e compa-ramos tudo isso com o nosso jeito de falar.”O momento inicial de exploração dassituações, personagens, formas de uso dalinguagem, como esse projeto possibilita,torna-se um momento especial e rico dediagnostico sobre conhecimentos queas crianças possuem acerca do tema quepodem contribuir para que novas aprendi-zagens ocorram a partir da exploração decenas, de palavras e de situações típicas. Aprofessora concentrou sua exploração nafigura de Luiz Gonzaga e em sua indumen-tária. Em seguida é explorada a música ea forma de falar o nome das letras e varia-ções dialetais de algumas regiões do Brasil.Poder-se-ia, ainda, realizar um trabalho depesquisa a respeito da forma de falar emcada região e, em especial, a forma de dizero nome das letras no Nordeste: por quefala-se [rê] e não [erre], [si] e não [ésse]?Além desses aspectos seria importantedestacar um conteúdo ético embutido nadiscussão que aponta para o respeito aooutro, a forma de ser, de falar e de expres-sar sua visão de mundo.
  17. 17. unidade 06 17Em outro momento do desenvolvimento do projeto, a professora relata o seguinte:“Os alunos foram convidados a escrever um texto pequeno sobre oque entenderam sobre a vida e obra de Luiz Gonzaga, o que rendeutextos curtos, mas com certa coerência. Os alunos silábico-alfabé-ticos, silábicos e pré-silábicos, em sua maioria, se negaram a fazer,então lhes foi pedido que escrevessem palavras que remetessem aotema da aula. Os alfabéticos produziram textos e leram em voz altapara a classe e assim puderam notar inconsistências argumentativase dificuldades ortográficas.“A produção de um texto pelas crianças re-quer um minucioso trabalho de pesquisa,discussão coletiva e síntese de ideias, queserão organizadas no texto. Esse trabalhoexige que a criança mobilize uma série decapacidades relacionadas ao uso do Siste-ma de Escrita Alfabética, uso da progressãotemática para organizar as ideias no textoe outras relacionadas ao próprio processode produção como planejamento e revisãoda própria escrita. As crianças que estãomais avançadas na compreensão do SEA,segundo o relato, já conseguem identificarinconsistências e problemas ortográfi-cos. Com esses dados o professor poderáincluir outras atividades no projeto quepossam colaborar para que essas questõessejam tratadas de forma mais sistemáticaou mesmo tratá-las nas sequencias didá-ticas, planejando oficinas que as ajudem acompreender a adequação da linguagem aogênero e a compreensão de determinadosaspectos do sistema alfabético, colabo-rando para que as crianças que ainda nãoatingiram o estágio alfabético possam teroportunidade de pensar sobre a língua.A recusa das crianças que ainda não che-garam ao estágio alfabético em escrever otexto é comum em algumas classes, pelofato de já saberem que existe uma formaconvencional de escrever e que elas aindanão dominam. Temos observado isso emdiversas experiências.Todavia, a professora Vivian Michelleorganizou outra atividade para que essascrianças pudessem produzir outro tipode texto e apresentá-lo, conforme relataabaixo:
  18. 18. unidade 0618“Foi realizado um ditado com palavras referentes ao contexto dasmúsicas de Luiz Gonzaga e sua vida. As palavras utilizadas foram:sertão, gibão, forró, xaxado, xote, baião, sanfona, couro, seca,mandacaru, rei, caboclo, palma e vaqueiro. Os alunos pré-silábicos,os silábicos e silábico-alfabéticos tiveram certas dificuldadespróprias dos níveis em que se encontram. A correção do ditado foicoletiva no quadro para que todos observassem as discrepânciasentre o que foi falado e o que foi escrito. Após isso, os alunos fo-ram convidados a fazer um texto não-verbal (desenho) para cons-trução de um mural a partir da leitura que fizeram de tudo que foivisto em sala, sobre a vida do cantor e o ambiente compartilhadopelo mesmo em suas músicas. “A variedade de produção possibilita aparticipação de todas as crianças, cadauma com uma condição diferenciada.Todavia, como se trata de uma turma de 3ºano, torna-se necessário um trabalho maisefetivo voltado para os direitos de aprendi-zagem relacionados ao sistema de escrita.Referências:BRASIL Parâmetros CurricularesNacionais-PCN/ Língua Portuguesa(1º e 2º ciclos). Brasília, MEC/SEF. 1998.BRASIL. Ensino Fundamental de9 anos: orientações para a inclusão dacriança de seis anos de idade. 2a ed. Brasí-lia : FNDE, Estação Gráfica, 2007.BRASIL. Ensino Fundamental de09 anos - Orientações Gerais. MEC.Brasília (2004).BRASIL, Orientações para o traba-lho com a linguagem escrita paraturmas de seis anos. MEC. Brasília(2009).HOUAISS Antonio; VILLAR. Mauro deSalles. Minidicionário elaboradono Instituto Antônio Houaiss de
  19. 19. unidade 06 19Lexicografia e Banco de da de Língua Portuguesa. S-C LDTA 3ª. Edição ver. eaum. Rio de Janeiro. Objetiva, 2004.LEAL, Telma Ferraz, ALBUQUERQUE, Eliana Borges, MORAIS, Artur Gomes. Avaliação eaprendizagem na escola: a prática pedagógica como eixo da reflexão In: Ensino Fun-damental de 9 anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. 2aed. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2007, v.1, p. 97-107.MENEGOLLA, Maximiliano SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que planejar? Comoplanejar? Currículo, área, aula. Escola em debate. São Paulo. Vozes. 2002.NERY, Alfredina. Modalidades organizativas do trabalho pedagógico: uma possibilidade.In: Ensino Fundamental de 9 anos: orientações para a inclusão da criança de seisanos de idade. 2a ed. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2007, v.1, p. 109-129.
  20. 20. unidade 0620Ao chegar ao terceiro ano, a criança já de-verá ter atingido uma série de direitos deaprendizagem e desenvolvido capacidadesbásicas sobre o conhecimento de gênerostextuais diversos e sobre o sistema deescrita (SEA), que necessitam ser não sóampliados como consolidados. Para tanto,um trabalho sistemático que a permitapensar de modo mais profundo sobre oSEA e sobre a diversidade de gêneros tex-tuais, torna-se fundamental. Desse modo,a organização do trabalho pedagógico pormeio de sequencias didáticas constitui umdiferencial pedagógico que colabora naconsecução dos objetivos expressos nosquadros dos direitos de aprendizagem.Nesse sentido, o trabalho com sequênciadidática (SD) torna-se importante porcontribuir para que os conhecimentosem fase de construção sejam consolida-dos e outras aquisições sejam possíveisprogressivamente, pois a organizaçãodessas atividades prevê uma progressãomodular, a partir do levantamento dosconhecimentos que os alunos já possuemsobre um determinado gênero textual aser estudado em todas as suas dimensões.NasorientaçõesparaainclusãodacriançadeseisanosnoEnsinoFundamentalen-contramostrêsmodalidadesdeorganizaçãodotrabalhopedagógico:atividadesperma-nentes,sequênciasdidáticaseprojetosdeaprendizagem.Otexto02destecadernodiscuteotrabalhopormeiodeprojetoseaquinossaatençãovolta-separaotrabalhocomassequênciasdidáticas,considerandosuasespecificidadeseimportâncianasiste-matizaçãodotrabalhonasclassesdosanosiniciaisdoEnsinoFundamental.Há uma diversidade de sequências didá-ticas circulando na literatura pedagógicano Brasil. Nesse texto, a opção é pensá-laa partir da experiência de professores queas adotam em sua prática, balizados poralguns teóricos que discutem e defendemessa possibilidade de trabalho em sala deaula. Assim, discutem-se alguns princípiosque podem orientar sua elaboração e cola-borar para pensar o trabalho pedagógico,Organização do trabalho pedagógicopor meio de sequências didáticasAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda Teles
  21. 21. unidade 06 21considerando os direitos de aprendizageme as capacidades relacionadas às práticassociais de linguagem a serem desenvol-vidas pelas crianças, de tal forma que sefavoreça uma aprendizagem significativa.Os quadros dos direitos de aprendizagem -Língua Portuguesa contidos na Unidade 01são orientadores dos conteúdos de apren-dizagem e, portanto, são a referência paraaelaboraçãodassequênciasdidáticas,paraas quais poderão também ser selecionadosconteúdos que estão sendo trabalhadosem outras modalidades organizativas paraaprofundar ou fixar conhecimentos, pois asistematização do conhecimento visandoo seu aprofundamento e aplicação requerum trabalho mais específico.Ao organizar a sequência didática, oprofessor poderá incluir atividades diver-sas como leitura, pesquisa individual oucoletiva, aula dialogada, produções textu-ais, aulas práticas, etc., pois a sequênciade atividades visa trabalhar um conteúdoespecífico, um tema ou um gênero textualda exploração inicial até a formação deum conceito, uma ideia, uma elaboraçãoprática, uma produção escrita.Dolz,NoverrazeSchneuwly(2004,p.82)definemsequênciadidáticacomoum“conjuntodeatividadesescolaresorgani-zadas,demaneirasistemática,emtornodeumgênerotextualoralouescrito”.Paraosautores,assequênciastêmporobjetivooaperfeiçoamentodaspráticasdeescritaedeproduçãooralmedianteaaquisiçãodedeterminadosprocedimentosepráticas.Emdireçãosemelhante,Zabala(1998,p.18)explicaqueassequênciasdidáticassão“umconjuntodeatividadesordenadas,estrutu-radasearticuladasparaarealizaçãodecer-tosobjetivoseducacionais(...)”.Portanto,possibilitampensarotrabalhopedagógicodemodoarticulado,sistemáticoecontex-tualizadocomvistasaodesenvolvimentodascapacidadesprevistasnosdireitosdeaprendizagem.Conteúdosbásicosdasáreasdoconhecimentopoderãoserabordadossobessamodalidadeorganizativa.A aprendizagem significativasupõe um ensino sistemáticoque permita a criança explorar,experimentar, reorganizarinformações e conceitos, comvistas à conquista de novasaquisições.
  22. 22. unidade 0622Nesse sentido, é importante observar,pelo menos, três modalidades de ati-vidades que permitam uma variedadede ações didáticas na sala de aula, queresultem em aprendizagem significativa:atividades exploratórias, atividades desistematização e atividades avaliativas.Essa categorização foi apoiada em Roe-giers (2004), que propõe sete tipos deatividades no contexto da Pedagogia daIntegração dos saberes.As atividades exploratórias são ativida-des que colaboram para promover novasaprendizagens como novos conceitos,novas regras, novas formas de entenderalgo, etc., com base na exploração oulevantamento dos conhecimentos pré-vios dos alunos. A partir disso, segundoBarros-Mendes, Souza e Gomes (2008)são feitas outras explorações ou levanta-mentos sobre as necessidades de apren-dizagem, com objetivo de possibilitar apriorização de aspectos a ser abordadosprogressivamente, adequando o graude complexidade da tarefa e do objetoàs possibilidades de aprendizagem dosalunos. Atividades exploratórias exigema descoberta, a exploração dos conheci-mentos prévios e a busca de alternativasna resolução de problemas.Nessa perspectiva, um conceito funda-mental é o de Zona Proximal de Desen-volvimento. Esse conceito diz respeito àdistância entre o nível de desenvolvimentoreal, que se costuma determinar, atravésda solução independente de problemas,e o nível de desenvolvimento potencial,determinado através da solução de pro-blemas, sob a orientação de um adulto ouem colaboração com companheiros maiscapazes (VYGOTSKY, 1935, p.112).As atividades de sistematizaçãosão voltadas para o aprofundamento dossaberes a ser construídos. De acordo comRoegiers (2004), visam sistematizar dife-rentes saberes pontuais que são abordadosnas atividades de exploração, como fixarnoções e estruturar aquisições – trata deaprendizagens correspondentes aos direi-tos de aprendizagem.As atividades de sistematização tantopodem ocorrer no decorrer do processode aprendizagem quanto no final de umasequência de aprendizagens. No decor-rer da aprendizagem elas se dão quandoo aprendiz estabelece relações que opermitem relacionar a nova aquisição(noção, regra, procedimento) com outrasaprendizagens. Em outros termos, pode--se dizer que isso se dá na perspectiva deuma progressão em espiral. No final daaprendizagem essas atividades podemocorrer no momento em que o aluno écapaz de organizar diferentes aquisi-ções, por meio de uma síntese, de umesquema, uma linha de tempo, um texto,etc. (Roegiers, 2004). Nas atividades desistematização o professor possibilita à
  23. 23. unidade 06 23criança organizar seus saberes medianteintervenções que a ajudem a estabelecerdiferentes relações entre seu conheci-mento prévio ou saber espontâneo e onovo saber, saber científico, objeto detrabalho na sequência didática.O trabalho pedagógico a partir de SD temsido apontado por alguns autores, entreeles Marcuschi (2008) e Dolz, Noverraze Schneuwly (2004), como positivo porapresentar inúmeras vantagens, quepoderão auxiliar a minimizar o déficit deaprendizagem no ensino de língua ma-terna, desde as séries iniciais ao final daeducação básica, pois, apesar de hoje se terclareza de que os gêneros textuais preci-sam estar em sala de aula como ferramentade ensino, ainda há dúvidas de comoexplorá-lo de modo efetivo.Desses autores, destacamos Marcuschi(2008) que aponta algumas vantagens deuma abordagem a partir de SD. Segundoo autor, entre outros pontos positivos,destaca-se a consideração da produçãotextual como atividade situada em con-textos da vida dos sujeitos. A estratégia damodularidade, ainda segundo Marcuschi(2008), favorece ao aluno enfrentar as si-tuações reais da vida diária, pois a seleçãodos gêneros precisa estar relacionada aessa vida real e diária do sujeito.Ao realizar as atividades planejadas emcada módulo da sequência, a criançamobiliza as capacidades já construídasintegrando-as em um todo maior. As pro-duçõesresultantesdessaatividadepossibi-litam avaliar o processo de aprendizageme orientar as intervenções dos professores,permitindo um trabalho diferenciado en-tre os alunos já que abre possibilidade paraque se tenha atenção para os problemasespecíficos de cada um, na medida em quese acompanha as produções individuais ese fazem avaliações específicas da produ-ção corrente.Nesse sentido, para Roegiers (2004) asatividades de avaliação têm como funçãoessencial possibilitar à criança mobilizarvárias aquisições, pois visam integrar taisaquisições em um todo maior.Ressalte-se que as atividades de avaliaçãoestarão presentes em diferentes atividadesno decorrer e no final da sequência didá-
  24. 24. unidade 0624tica. Ao propor atividades exploratórias épossível avaliar o que a criança já sabe arespeito do assunto tratado. Ao realizar asatividades de organização das informaçõese demais atividades de sistematização doconhecimento observa-se como a criançalida com as informações disponíveis; deque maneira resolve os problemas propos-tos; como expressa sua visão a respeito dedeterminado saber; em suma, como vai seapropriando dos saberes e desenvolvendoos direitos de aprendizagem, como algunsque devem ser consolidados no 3º ano:“compreender e produzir textos orais eescritos de diferentes gêneros, localizarinformações explícitas em textos de dife-rentes gêneros, entre outros”.Além dessas atividades que permitem aoprofessor visualizar o processo de aqui-sição, as atividades avaliativas podemaparecer na sequência com o objetivo deverificar em que momento do processo deaquisição de determinado saber a criançase encontra. Lembramos que essa avalia-ção poderá ser mais bem feita e seguracom o apoio da ficha de acompanhamentoda aprendizagem, baseada nos direitos deaprendizagem.Assim, depois de trabalhar com deter-minado gênero textual em suas variadasdimensões, o professor poderá solicitaruma produção final ao aluno, visandoavaliar, numa perspectiva diagnóstica, seesse aluno consegue utilizar vocabuláriodiversificado e adequado ao gênero e àsfinalidades propostas; usar letra maiúsculae minúscula nos textos produzidos se-gundo as convenções, entre outras capa-cidades. Dessa forma, é possível coletardados mais seguros que guiam a tomada dedecisão a respeito das novas intervençõespedagógicas. Em outros termos, as ativi-dades avaliativas favorecem a integraçãode diferentes aquisições da criança em seuprocesso de aprendizagem.Podemos sintetizar as explicações feitasacima, sobre a forma básica de organizaçãode uma SD, conforme esquema básico, su-gerido por Schneuwly e Dolz (2004). Paraeles, após uma apresentação da situaçãona qual é descrita de maneira detalhada atarefa de expressão oral ou escrita que osalunos deverão realizar tendo como ferra-menta de aprendizagem um dado gênerotextual, estes elaboram um primeiro textoinicial, oral ou escrito, que corresponde aogênero trabalhado; é a primeira produção.Essa etapa permite ao professor avaliar ascapacidades já adquiridas pelos alunos eajustar as atividades e exercícios previstosna seqüência às possibilidades e dificul-dades reais da turma. Além disso, tal etapapermite definir as capacidades e direitosde aprendizagem, que envolvem o gênerotextual em estudo.Os módulos, constituídos por váriasatividades ou exercícios, dão ao aluno osinstrumentos necessários para atingir os
  25. 25. unidade 06 25direitos de aprendizagem e as capacida-des que poderão ser desenvolvidas com oestudo do gênero, por que são trabalhadosde maneira sistemática e aprofundada.Por fim, no momento da produção final, oaluno pode pôr em prática os conhecimen-tos adquiridos e o professor poderá avaliarou medir os progressos alcançados.A sequência apresentada mais adiante, noitem Compartilhando, figura como umaproposta acertada da professora, paraatender a crianças do 3º ano do EnsinoFundamental de 09 anos, antiga 2ª série.O interessante da SD em questão é que sevolta para construção de um gênero textualde interesse dessa faixa de idade. Sua for-ma de composição (balões com discursosdiretos, cores, imagens), estilo (linguagemsimples, informal) e temas do universoinfantil são elementos que se somam comograndes auxiliares no ensino de diversosdireitos de aprendizagem, inter-relacio-nando outras áreas de conhecimento comoarte e matemática.No início do trabalho com a sequênciadidática, a professora apresentou a propos-ta de trabalho que iriam desenvolver como gênero história em quadrinhos, pedindoaos alunos que lessem várias revistas emquadrinhos com o objetivo de diagnosti-car o conhecimento prévio a respeito domesmo. Em seguida, a professora explicouaos alunos o que eles aprenderiam duranteas próximas 30 aulas. Vejamos a descriçãofeita pela professora pesquisadora:“Nesse momento a maioria dos alunos se mostrou bem interessada,porém havia muita curiosidade em relação ao que fariam, quandoviram diversas HQ, que levamos. Espalhamos em uma cadeira e per-guntamos se haviam lido alguma historinha (em quadrinho), uns alu-nos afirmaram que sim! Outros que não! E outros ainda diziam se jáleram não lembravam. Perguntamos se poderiam contar... “Pode sócontá a história, professora...e não escrevê?”. Assim alguns narraramsuas histórias lidas. Em seguida, falamos um pouco sobre os autores(Maurício de Souza e Ziraldo), sobre os personagens, os mais conhe-cidos, os que eles mais gostavam e sobre as figuras e os balões. Osalunos ouviram com atenção tudo o que foi comentado a respeitoda atividade que iriam desenvolver. Assim, entregamos a SequênciaDidática para construir a HQ (caderno em impressão colorida), paraque a manuseassem. Seguimos explicando que, no decorrer das
  26. 26. unidade 062630 aulas, iríamos aprender muitas coisas, como: melhor interpretar ostextos; ler com mais segurança; escrever HQ e outros textos com maiorcorreção; desenhar, e que, ao final, as HQs escritas por eles poderiamser distribuídas a outras crianças, etc. Os alunos se familiarizaram, fo-lheando o caderno da SD, mostrando uns aos outros a ‘novidade’[...].”Comosevê,aSDtrazemsuapropostaumdiferencialqueéfavoreceraoalunoa“ciênciadoqueiráestudar,paraqueiráserviresseestudoecomoirádesenvolveresseestudo”.Permiteaindaaoprofessorrealizaravaliaçãoinicialediagnósticasobreosdireitosdeaprendizagemquedominamounão.Dando-lheadireçãoaserfeita. Issofoifeitoconformesegue:“[...] considerando as leituras do primeiro encontro, as atividades desenvolvidas neste encontro foram de leitura dramatizada de umaHQ e em seguida de outros gêneros para verificar qual a percepçãodos alunos, fazendo comparações sobre os temas, a forma comoestão organizados, quem escreve cada um, enfim, para que se conti-nuasse com o diagnóstico avaliativo, agora já por meio da primeiraprodução escrita a ser feita pelos alunos.”Verifica-se que essa atividade visava nãosomente a desenvolver conhecimentoacerca do gênero em estudo (condições deprodução, forma de composição etc), mastambém perceber o domínio de algunsdireitos de aprendizagem próprios do eixode produção escrita (produzir textos de di-ferentes gêneros com autonomia, atenden-do a diferentes finalidades; utilizar voca-bulário diversificado e adequado ao gêneroe às finalidades propostas), e tambémde domínio do SEA (grafar corretamentepalavras com correspondências regula-res diretas entre letras e fonemas comoem P, B, T, D, F, V; usar letra maiúscula eminúscula nos textos produzidos, segundoas convenções). No relato da professoraverificou-se ainda que
  27. 27. unidade 06 27“Após esta produção escrita, solicitamos que os alunos trocassem suasproduções e cada um foi verificando se o colega soube criar um títu-lo interessante para HQ, organizar as informações: “O que?” “Onde”,“Quando?” “Com quem?”, adequados ao texto; designar as pessoasenvolvidas; utilizar-se da voz/fala dos envolvidos; e adequá-las a ba-lões conforme a mensagem; utilizar-se dos elementos de coerência ecoesão e narrativa. “Finalizada essa etapa, seguiram outros módulos até ao final da SD (conforme se poderáconstatar na SD completa, adiante, descrita em detalhes no item “Compartilhando”).ReferênciasBARROS-MENDES, Adelma N. N; SOUZA J; GOMES. R. Relatório de Projeto depesquisa ação: Os gêneros textuais e sua didática: uma prática reflexiva para o ensino--aprendizagem da língua materna. Propespg.UNIFAP. 2008-2011.DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Sequência didática parao oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ,Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.MARCUSHI, Luis Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreen-são. São Paulo. Parábola Editorial. 2008.ROEGIERS, Xavier. Uma pedagogia da integração. Trad. Carolina Huang. 2ª ed.Porto Alegre: Artmed, 2004.VYGOTSKY, Lev Semonovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dosprocessos psicológicos superiores. São Paulo: Martins. Fontes.1935.ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Trad. Ernani F. da Rosa – PortoAlegre: ArtMed, 1998.
  28. 28. CompartilhandoProjeto Didático - O Centenáriode Luiz GonzagaAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda TelesProfessora: Vivian Michelle Rodrigues N. PadilhaO projeto didáticoVejamos, a seguir, um exemplo de projetovoltado a alunos de 3º ano. O projeto emquestão está organizado a partir da realida-de diagnosticada numa turma de 3º ano doensino fundamental da Escola José Jorgede Farias Sales- Igarassu/Pernambuco -Ano 2012.Essa turma, de 3º ano do ensino funda-mental, foi formada basicamente a partirde uma turma de 2º ano em 2011, o quedemonstra que a maioria dos alunos já seconhecia, apresentando um bom entro-samento. A média de idade é de 8 anos a9 anos completos, tem 13 meninas e 12meninos.EmrelaçãoaoSistemadeEscritaAlfabé-tica,aturmaseencontrava,noiníciodoano,emdiferentesníveis.Eram8alunosalfabetizados,comleitura,compreensãoeproduçãotextualrazoáveis.Dominavamaescrita,escrevendoemsuamaiorpartecomcorreçãoortográfica.Havia7alunosalfabéti-cos,quepossuíamleiturapausadaevacilantemuitasvezes,ocorrendoafaltadesegmen-tação.Refletiamquandoescreviam,porémcometiamerrosusuaisdetrocasdeletrasecorrespondênciagrafofônica.Nonívelsilábicoalfabéticohaviaaindacinco alunos,que liamapenasfrasesepalavrassimples,umalunotinhahipótesesilábica,emmo-mentodeavançarparaonívelseguinte,eos4alunosrestanteserampré-silábicos,poisnemconheciamtodasasletrasdoalfabeto.Oquedificultavaoavançodosmesmoseraafaltadeassiduidade.
  29. 29. unidade 06 29O Centenário de Luiz GonzagaÁrea do conhecimento: Linguagens, códigos e suas tecnologias.Trabalho interdisciplinar: história, geografia e artes.Tema: Luís Gonzaga; sertão nordestino.Temas transversais: pluralidade cultural, cidadania.Tempo estimado: um mês (quarenta horas-aula, divididas em 5 horas-aula/dia, totalizando 8dias letivos alternados).Objetivo geral: Reconhecer a importância de Luiz Gonzaga e sua obra para o enriquecimento culturalda região Nordeste, suas características sócio-dialetais, e o perfil histórico-geográfico da região.Conhecimentos / habilidades:- perceber características socioculturais e geográficas do Nordeste nas músicas de Luiz Gonzaga,comparando com outras regiões brasileiras;- ampliar o vocabulário, reconhecendo as variações sócio-dialetais nas músicas do cantor;- produzir textos de gêneros textuais com sequências tipológicas da ordem do narrar e descrevere da ordem do argumentar e expor (dissertativos) sobre os temas tratados nas músicas, comocontos infantis, contos de aventura, crônicas de viagens, biografias e histórias em quadrinhos(HQ);- relacionar características do autor em estudo com personalidades de regiões diversas do Brasil.Atividades a ser desenvolvidas• Leitura e audição de músicas de Luiz Gonzaga, que remetam ao cenário nordestino, à sualinguagem cotidiana e às dificuldades causadas pela peculiaridade climática;• Interpretação oral e escrita das músicas ouvidas e discutidas com apoio de outros textos(verbais e não-verbais a serem escolhidos pelo/a professor/a), que abordem de temáticasreferentes a que a música escolhida trata. Para isso, sugere-se ao/a professor/a que busqueapoio no guia de acervos complementares do MEC – História Biográfica (por exemplo, asobras: Crianças famosas – Chiquinha Gonzaga, p. 92; Crianças famosas Cartola, p. 72; Criançasfamosas Vila-Lobos, p. 82);• Estudo do gênero textual letra de canção (música) e suas características, relacionando com ogênero poema, com base em livros que também poderão ser escolhidos pelo professor nosacervos complementares do MEC, permitindo às crianças perceber semelhanças entre osmesmos (poderão ser as obras “Assim assado”, “Música”, “Berimbau” dentre outras);• Análise fonológica de palavras retiradas das músicas, percebendo a correção ortográfica emalgumas palavras;• Ditado de palavras que remetam ao texto das músicas ou estejam nas mesmas;• Caracterização do enredo com atividades de recorte, colagem e desenho;• Produção de um conto infantil ou um conto de aventura, ou uma crônica de viagem dapersonagem central estudada (no caso Gonzaga), ou mesmo das demais personalidadestrazidas para comparar suas biografias. Poderá também o professor sugerir às crianças aproduzirem uma biografia de uma personalidade de sua cidade. Além dessas sugestões,poderão ser escritas paródias e novas versões sobre os temas abordados.
  30. 30. unidade 0630Músicas que poderão ser utilizadas:Abc do sertão, Asa Branca, Cintura fina, Xote das meninas, Feira de Caruaru, Pau de Ara-ra, Dezessete e setecentos, Sabiá, Respeita Januário, Luar do Sertão, Assum preto, Olhapra céu meu amor.Materiais necessários: CD de Luiz Gonzaga, fotos do cantor, letras impressas dasmúsicas, slides com fotos da vegetação e geografia do sertão, papéis variados, textosimpressos sobre a vida do cantor, quadro-branco, aparelho de som.1ª. etapaApresentação do projeto aos alunos com exposição do tema e contrato didático, combinando oque será aprendido, o processo e o produto final.Exposição da foto de Luiz Gonzaga; conversa informal sobre a vida do autor e levantamento deconhecimentos prévios sobre o mesmo.Audição da música de Luiz Gonzaga, ABC do Sertão, interpretação oral da mesma, comparaçãocom o alfabeto oficial.2ª. EtapaFavorecer às crianças a percepção acerca das características socioculturais e geográficas doNordeste nas músicas de Luiz Gonzaga, comparando com outras regiões brasileiras. Aquipoderão ser trazidas obras dos acervos de Obras Complementares para trabalhar com ainterdisciplinaridade com Geografia com as obras, por exemplo, intituladas “Passeio pelocampo” ou “Rimas das Florestas”, em que o professor poderá contrapor a realidade da secado Nordeste com outras regiões que não sofrem com essa problemática e, assim, alimentaruma proposta de discussão argumentativa e crítica sobre as possibilidades e alternativas demelhoria de vida para as pessoas dessa região.Será produtivo ainda trazer um mapa do Brasil e mostrar a localização das regiões, destacandoa região Nordeste e, se possível, o local de nascimento de Luiz Gonzaga. OBS: Com essas atividades a ampliação do vocabulário será feita de forma natural.Quanto ao reconhecimento das variações sócio-dialetais nas músicas do cantor, poderá ser feita uma atividade em que o professor lançará mão da realidade de sua sala de aula, pedindoàs crianças que digam se conhecem alguém de outra região (ou mesmo se há crianças dediversos lugares e regiões na sala ou na escola) e perguntar se acham que a fala dessas pessoasé igual ou diferente da deles. Com isso, explicar que as pessoas falam de modo diferente,dependendo da região ou lugar em que nasceram ou viveram mais tempo.Poderá ainda fazer juntamente com as crianças comparações com os modos de vestir, ascomidas, etc. Nesse ponto será pertinente que o professor verifique o livro didático adotado(se ele traz esse tema) e planeje a aula alicerçando-se com o mesmo.
  31. 31. unidade 06 313ª. EtapaNessa etapa, será importante que o professor mostre, a partir da leitura da música em estudoque estão fazendo, quais as partes desse gênero: estrofes, rimas, versos etc. Aqui poderá fazercomparação com outras músicas de Chiquinha Gonzaga e Vila-Lobos, cuja história constam nosacervos complementares, conforme exposto acima. Em seguida, poderá pedir às crianças umaprodução de texto (conto infantil, ou uma História em Quadrinhos – HQ) em que elas terão comotema a vida de Luiz Gonzaga quando criança. Pedir aos alunos que, a partir do que ouviram sobre ocantor, pesquisem ou mesmo imaginem como ele era quando criança, como vivia, onde vivia, comoera sua casa, quais os seus amigos, sua família etc., e escrevam sua história, que poderá ser em formade conto infantil ou uma HQ. Assim poderemos obter suas primeiras impressões sobre o cantor. Aofinal, passadas todas as etapa de produção textual, todos farão a leitura e destinarão a produçãopara compor uma coletânea como culminância do projeto.OBS: Professor não poderá esquecer que antes precisa lembrar ou ensinar aos alunos o gênero quedeverão produzir. Por isso precisará abrir um espaço para fazer essa orientação. Não poderá tambémdeixar de realizar todas as etapas de produção: planejamento, escrita, revisão, refacção etc., para quepossa, assim, não só consolidar, mas desenvolver os direitos de aprendizagem desse nível de ensino.4ª. EtapaDitado de palavras referentes à vida do autor.Dominó de palavras, cartazes com palavras desconhecidas (recortes e colagens).Leitura oralizada ou dramatizada de uma letra de canção de Gonzaga (entre as listadas acima) emque a criança percebe as relações letra fonema, regras de ortografia etc.OBS: Nessa etapa trabalham-se os direitos de aprendizagem mais voltados para a consolidação daaquisição do SEA, ao mesmo tempo em que se tem um momento dentro do projeto, mais lúdico.5ª. EtapaProdução escrita da biografia de uma personalidade local. Essa etapa consolida o estudo do temaao mesmo tempo em que realiza a interdisciplinaridade com História e Geografia, trabalha apluralidade cultural e cidadania.O professor irá orientar os alunos a pesquisarem, por épocas, as personalidades de sua região oucidade (um grande médico, um grande professor, um religioso, um artista – cantor, pintor, escultoretc) para escrever a sua biografia. Novamente se chama atenção para que o professor não seesqueça de trabalhar os elementos desse gênero com as crianças, ou seja, fornecer-lhes como seestrutura o gênero biografia, qual a linguagem que deve ser usada; mostrar-lhes exemplos etc.,seguindo todos os passos de uma produção escrita, conforme se explicou acima.OBS: Novamente se pede que o professor veja se o livro didático adotado por ele traz esse gênero eassim poderá planejar a partir do mesmo relacionado ao projeto.6ª. Etapa - ProdutoPor fim, reunir as produções feitas, durante as etapas do projeto e fazer uma coletânea sobre o tema“Personalidades” para ser exposta na feira da escola, ou em algum evento que venha a ser realizado.Avaliação: Aqui o professor fará uma avaliação dos avanços atingidos pelas crianças no decorrer dodesenvolvimento do projeto. Poderá valer-se da ficha dos Direitos da Aprendizagem.
  32. 32. unidade 0632Crianças famosas: Villa-LobosAutor (a): Nereide S. Santa Rosa e AngeloBonitoO livro apresenta a biografia da infância do compositor emúsico Heitor Villa-Lobos. O personagem é descrito comointeligente, esperto e curioso, imitador de sons. Seu gostomusical foi formado na audiência de concertos no Rio deJaneiro e também na cultura de Minas Gerais. Assim, Villa-Lobos passou a admirar variados gêneros musicais, sendoreconhecido como um dos maiores compositores do Brasil.Crianças famosas: Chiquinha GonzagaAutor (a): Edinha DinizIlustração: Ângelo BonitoComo era a vida das crianças que nasceram há mais de cemanos? A obra Crianças famosas: Chiquinha Gonzaga apresentacenas da infância da conhecida maestrina e compositoracarioca. Passeando por suas páginas, aprendemos um poucosobre a vida nos tempos em que lampiões a gás iluminavamas noites, e as famílias andavam de carruagem. O livro nosfala, também, sobre os primeiros contatos da personagemcom a música, ressaltando as influências dos familiares natrajetória da artista.Crianças famosas: CartolaAutor (a): Edinha DinizIlustrador (a): Ângelo BonitoCrianças famosas: Cartola reconstrói a trajetória daqueletalentoso cantor e compositor brasileiro. Além de algunsdetalhes sobre sua infância e juventude, o livro estabeleceum contato com o universo social no qual o protagonista sedesenvolveu e se relacionou, permitindo ao leitor conheceros elementos que contribuíram para a composição de suaobra artística e para ampliar o seu nível de informaçãosobre as culturas populares do Rio de Janeiro, na primeirametade do século XX.Obrascomplementares
  33. 33. unidade 06 33MúsicaTexto: Núria Roca Rosa M. CurtoImagem: Rosa M. CurtoFechar os olhos... Ouvir a música ao nosso redor... Gostar demúsica... Apreciar diferentes ritmos. O livro Música nos transportapara o universo musical e nos ensina a ter ouvidos atentos àpresença do som nos ambientes, no cotidiano das pessoas e à suapresença nos diferentes continentes e culturas do mundo. A partirde sua leitura, podemos conhecer, sentir e vivenciar a música deuma maneira abrangente, ampliar nossa sensibilidade musical eexplorar a produção de sons através do corpo e da voz.ObrascomplementaresAssim assadoAutor (a): Eva FurnariIlustrador (a): Eva Furnari“No mundo tem muita gente, você há de concordar. / Cada umtem o seu jeito, sua maneira de pensar...”. Abordando o tema dadiversidade, o livro Assim assado nos apresenta vários personagenscom características e atitudes incomuns ou inusitadas. Elesaparecem em textos rimados e bastante divertidos. Cada figuravem acompanhada por um texto curto, em versos criativos e bem-humorados, que possibilitam a reflexão sobre o significado deexpressões de uso corrente, como “conversa fiada”.Berimbau mandou te chamarAutor (a): Beatriz Bozano HetzelIlustrador (a): Mariana MassaraniLendo Berimbau mandou te chamar, ficamos conhecendoalgumas canções de roda de capoeira, de domínio público, quesão acompanhadas por um berimbau. A obra traz, também, textospoéticos sobre esse instrumento e sobre a capoeira, explicando suahistória, suas ligações com a África e sua difusão no Brasil, desdeo período colonial, quando era reprimida, até se transformar numesporte nacional, em 1937.
  34. 34. unidade 0634Passeio pelo campoAutor (a): Juan Carlos Porta RepettoIlustração: Miguel CasalásA obra narra a história de uma menina, Valentina, que vai passaras férias na casa dos avós no campo. A partir da leitura do livro, oleitor vai descobrir algumas diferenças entre a vida na cidade e nocampo. Ao incentivar a convivência com a diversidade socioculturale a valorização da relação com o ambiente, por meio da comparaçãoentre diferentes paisagens, modos de vida e de consumo e hábitosculturais, a obra favorece o desenvolvimento da ética necessária aoexercício da cidadania e o respeito à natureza.Rimas da florestaAutor (a): José SantosIlustrador (a): LaurabeatrizCom belas ilustrações, poesias e pequenos textos informativos,aobra Rimas da floresta: poesia para os animais ameaçados pelohomem nos dá a oportunidade de conhecer onze espécies da faunabrasileira, dentre as quais algumas estão ameaçadas de extinção.Você sabe quais são esses animais? Como eles são? Para podermoslutar pela sua sobrevivência, precisamos antes de tudo conhecê-los.São cinco mamíferos, quatro aves e dois répteis.Obrascomplementares
  35. 35. unidade 06 35Sequência didática - Históriaem quadrinhosAdelma Barros-MendesDébora Anunciação CunhaRosinalda TelesEsta SD foi construída para uma pesquisa ação (Barros-Mendes; Gomes e Sousa, 2007),amparada teoricamente em Schneuwly e Dolz (2004) e aplicada em uma turma de alunosde 2ª série, atualmente 3º Ano do Ensino Fundamental de 09 anos, cujo perfil geral erade pouco domínio do SEA e baixo nível de leitura e escrita, em uma escola na periferia doestado do Amapá. Para compor este caderno foram feitas diversas adaptações.Módulo 0 - Apresentação da situaçãoObjetivos: Neste módulo intenta-se favorecer ao aluno a compreensão sobre o projeto deescrever o gênero textual História em quadrinhos (HQ).Atividade:Apresentação do projeto da produção e de todas as suas etapas, destacando-seos módulos que o compõem.ÁreasdeConhecimentosimbricadas:língua materna; arte; matemática; ética e cidadania.Neste módulo, a ideia é situar os alunos sobre o que vamos fazer e para que servirão asatividades a ser desenvolvidas no decorrer das próximas 30 aulas. Desse modo, devemosapresentar-lhes o que vão aprender (quais direitos de aprendizagem estarão subjacentes)e como desenvolveremos as atividades. Não poderemos esquecer-nos de mostrar-lhesainda por quanto tempo vamos trabalhar, considerando a quantidade de módulos.
  36. 36. unidade 0636Módulo 1 – Preparação da Produção inicialObjetivos:Familiarização do gênero HQ, em estudo, pelos alunosAtividades:• Apresentação, leitura e compreensão do gênero HQ.• Conhecimento dos locutores de produção do gêneroVamos conhecer dois grandes autores que escrevem HQ?Vamos ver alguns trechos de HQ?Professor, neste módulo você precisará fazer uma série de questionamentos de modo quelevante os conhecimentos prévios dos alunos acerca da HQ: Conhecem o gênero textual HQ? Quem já leu uma revistinha do Cebolinha, ou da Mônica? E o Cascão? Quais os personagensque mais gostam e Por quê?Com isso, você os instiga e os motiva a participar e a interagir na construção das atividadesdo módulo. Em seguida convide-os a conhecer autores de HQ, com perguntas como: Sabemquem escreve? Para quem eles escrevem?Professor, acesse o site: http://www.tvsinopse.kinghost.net/art/m/mauricio-de-sousa.htm e, http://www.ziraldo.com/historia/biograf.htm para conhecer a história de dois autores de HQ bem conhecidos:Maurício de Sousa e Ziraldo. Leve para a sala de aula e apresenteàs crianças toda a trajetória dos mesmos, mostrando suas fotos queconstam na internet, entre outras informações que auxiliem nessemomento da SD.Professor, nesse momento convide as crianças para ler alguns trechosde HQ. Para isso, você precisará levar para sala de aula algumas revis-tinhas ou acessá-las no site www.monica.com.br/comics/turma.htm; ewww.ziraldo.com.menino.htmPeça aos alunos para dramatizar as leituras dos balões. As meninas po-derão representar personagens como a Mônica, a Magali ou a ProfessoraMaluquinha e os meninos o Cebolinha, Cascão ou Menino Maluquinho.,por exemplo. Mas lembre-se há outras HQ que você poderá trazer parasala ou verificá-las em outros sites.
  37. 37. unidade 06 37Módulo 2 – Produção inicialVamos comparar a HQ com outros gêneros textuais?Aqui, professor, você fará mais uma vez levantamento de conhecimen-tos prévios, instigará a imaginação das crianças e suas curiosidades, demodo que estabeleçam relações comparativas entre gêneros diversose a HQ. Será interessante selecionar gêneros textuais voltados aouniverso infantil como fábulas, contos de fadas, parlendas, receitas,adivinhas etc. Mostre-lhes como são organizados, o modo em queesses textos estão escritos. Explique, que na HQ, por exemplo, os per-sonagens têm seus discursos representados em balões, peça-os quecomparem com o modo em que ocorre nos demais textos, etc. A ideia éexplorar os gêneros uns em relação com os outros.Professor, finalizando as atividades em que você situa os alunos sobre o gênero a serestudado, é o momento de pedir-lhe uma produção inicial. Com essa atividade, vocêpoderá fazer um diagnóstico básico sobre as capacidades e direitos de aprendizagem queos mesmos dominam e elencar quais precisam ser desenvolvidos, no decorrer do projetode construção desta SD.Vamos agora, construir nossa primeira HQ?Professor, você irá preparar uma folha de papel com os quadros paraque as crianças construam a HQ. Como alimentação temática poderásugerir-lhes que transformem um dos gêneros explorados na ativida-de anterior, uma fábula ou um conto de fadas, nessa HQ. O impor-tante é que você possa envolvê-lo no projeto e, assim, poder seguirconhecendo as necessidades das acrianças e trabalhar na direção deatendê-las.
  38. 38. unidade 0638Módulo 3 – Continuando com o conhecimento do gênero HQObjetivo: Descobrir diferentes parâmetros de contextos de produção do gênero textualproposto.Atividades:• Identificação dos contextos de produção.• Identificação das características do gênero.Professor, solicite às crianças, para que tragam diversas HQ de casa ou você mesmoprovidenciará na escola e explore o contexto de produção e características desse gênerotextual em estudo, auxiliado por meio das perguntas do tipo das que seguem abaixo.1) Onde se produz/escreve/ esse gênero?2) Agora você saberia dizer quem escreve? Por que e para quê? Ou seja, a HQ serve para quê?Minha primeira HQSugestão de quadro a ser dado ao aluno para construir sua HQ. Deverá ser ampliado.Aluno: ________________________________________________________________
  39. 39. unidade 06 39Objetivos: Tratar da análise linguística: apropriação do SEA e outros conhecimentos.Atividades:• Reconhecer o gênero textual (finalidades, esfera de circulação, suporte, contexto deprodução, forma de composição, estilo, etc).• Julgar a adequação da linguagem de um texto aos interlocutores e à formalidade docontexto ao qual se destina.• Adquirir vocabulário próprio do gênero estudado.Características do gêneroO texto pode ser classificado como uma HQ?A HQ apresenta subtítulos?O texto apresenta um título geral?As informações presentes são verdadeiras ou fictícias (imaginadas)?Contém termos específicos?Possui autor específico?O vocabulário é variado?Os textos escritos vem acompanhado de desenhos?Os desenhos são acompanhados de balões?Na organização da HQ, háa) apresentação dos personagens?b) descrições?c) exposições?d) explicações?e) narrações?NãoSimMódulo 4 – Adquirir conhecimento a respeito da linguagem tratada no gênero HQProfessor, a partir das mesmas HQs que vêm sendo lidas e exploradas, você questionaráacerca dos usos de elementos linguísticos como: Quais substantivos estão presentes?Serviram para indicar personagens? Quais adjetivos? Serviram para dar a marca ou qualificarquem da HQ? Vamos ver os verbos? Por que estão no tempo passado? Eles serviram paraquê? O que você acha? Você sabe qual o tipo de linguagem é utilizada no texto, se é formalou informal? Etc.
  40. 40. unidade 0640Objetivos:Compreender de modo efetivo a organização do gênero estudado.Atividades:• Estudo do título e subtítulo.• Análise das partes do texto.• Análises das etapas de ordenação do gênero (sequências tipológicas textuais).Objetivos:Produzir a versão um do texto; aprender a criar um título que sintetize o conte-údo abordado; organizar as informações: “O que?”, “Onde?”, “Quando?”, “Com quem?”adequados ao texto; designar as pessoas envolvidas; utilizar-se da voz/fala dos envolvi-dos; adequá-la a balões conforme a mensagem; utilizar-se dos elementos de coerência ecoesão da narrativa.Atividades: Utilizar os elementos adequados ao gênero HQ: desenhos, título, balões, etc.Módulo 5 – Organização do gênero estudadoMódulo 6 – Produção de uma HQProfessor, peça aos alunos que tragam de suas casas algumas revistas e ou você mesmo, leve-as para a sala e analise-as em conjunto com os alunos, perguntando: Por que o título está emdestaque no início do texto? Para que serve? Qual o início da história? E o meio? E o fim? Emque formato de texto aparece o narrador? Os personagens são apresentados nos quadrinhosigualmente como o são em outros gêneros como Fábula? Faça essa atividade, recuperando osconhecimentos que estão em processo de construção, dentro de uma perspectiva em espiral.Professor, nesse momento você consolidará as etapas realizadas no decorrer da SD. Aoproduzir a versão 1 do gênero em estudos, o aluno demonstrará quais capacidades e direitosde aprendizagem conseguiu desenvolver. Segue um guia de produção textual que auxiliará acriança a realizar com mais clareza e segurança a sua produção.
  41. 41. unidade 06 41Eu dou título.Eu escrevo a fala dos personagens dentro de balões.Eu crio personagens e dou nome.As partes do texto têm subtítulos.As informações presentes no texto são verdadeiras.Eu assino a história.Eu utilizo palavras técnicas.Eu explico as palavras técnicas.Eu faço conexão entre os quadrinhos, seguindo a ordem esquerda, direita, esquerda...Eu seleciono o vocabulário de acordo com o gênero HQ.Eu utilizo a pontuação.Eu escrevo as palavras com correção ortográficaO que devo melhorar?NãoSimGuia de produção textualA fala do personagemPensamento dopersonagemGrito do personagemO cochicho dopersonagemA fala de mais deum personagem aomesmo tempoA admiração dopersonagemA dúvida dopersonagemA ideia dopersonagemTipos de BalõesProfessor, você poderá sugerir a transformação de outros contos ou fábulas na HQ que deverãoproduzir. Proponha uma feira de leitura ou doação das obras produzidas pelos alunos a outrasturmas da escola como, por exemplo, as turmas de primeiro ano, para que formem seu acervo de HQ.
  42. 42. unidade 0642Referências:BARROS-MENDES, Adelma N. N; SOUZA J; GOMES. R. Projeto de pesquisa ação: Osgêneros textuais e sua didática: uma prática reflexiva para o ensino-aprendi-zagem da língua materna. Propespg.UNIFAP. 2008-2011.DOLZ, Joaquim. SCHNEUWLY, Bernard (1998) Pour un enseignement de l’oral:Iniciation aux genres formels à école, pp 49-73. Paris: ESF Editeur. Tradução em:ROJO, R. H. R. CORDEIRO, G. S. (2004) (orgs/trads) Gêneros orais e escritos na escola,pp. 149-185. Campinas: Mercado de Letras.Sites :http://www.ziraldo.com/historia/biograf.htmhttp://www.tvsinopse.kinghost.net/art/m/mauricio-de-sousa.htmwww.monica.com.br/comics/turma.htmhttp://www.ziraldo.com/menino/capa.htmhttp://www.ziraldo.com/historia/biograf.htmGrade de Produção – História em quadrinhoCrie uma História em Quadrinhos (HQ) utilizando o que você aprendeu.Sugestão de quadro a ser dado ao aluno para construir sua HQ. Deverá ser ampliado.Aluno: ________________________________________________________________Professor, a partir desta etapa, você poderá criar outros módulos, que poderão ser feitos,observando as capacidades e direitos de aprendizagem, previstos, atingidos ou não.
  43. 43. Aprendendo maisMultiletramentos na escola.ROJO, Roxane Helena; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na escola. SãoPaulo, Parábola. 2012.Alfabetização e linguística.CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 2009.(Acervo do PNBE do Professor)1.2.Essa obra traz uma abordagem ímpar do trabalho com os multiletramentos que o professor dequalquer nível de ensino precisa conhecer para se inspirar e trabalhar em suas aulas. Merecemdestaque dois pontos: primeiro, a coletânea de sequências didáticas, que podem ser acessadasdiretamente do site da editora: www.parábolaeditorarial.com.br, para download; segundo, portrazer por meio dessas sequências, as experiências de outros professores com as atividadesrealizadas em sala de aula.O livro discute os aspectos linguísticos do processo de alfabetização, possibilitando ao professorconhecimentos importantes relacionados às capacidades linguísticas básicas: falar, ouvir, lere escrever. Contempla, ainda, um pouco da história da escrita, conceitos e práticas de leitura,escrita e produção de textos, além de discutir os principais erros ortográficos cometidos pelascrianças nos primeiros anos do Ensino Fundamental, sendo uma obra essencial à biblioteca pes-soal dos alfabetizadores. Faz parte do acervo do Programa Nacional de Biblioteca Escolar – PNBEdo professor.Sugestões de leitura
  44. 44. unidade 0644Letramento e alfabetização: um tema em três gêneros.SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: um tema em três gêneros. 1ª ed.Belo Horizonte: Autêntica, 1998.Jornal Letra A: o jornal do professor alfabetizador.CENTRO DE ALFABETIZAÇÃO, LEITURA E ESCRITA - FACULDADE DE EDUCAÇÃO/UFMG. Jornal Letra A: o jornal do professor alfabetizador. (Disponível em: www.fae.ufmg.br/ceale).3.4.Esse livro traz uma discussão importante para os professores dos anos iniciais do EnsinoFundamental, sobretudo por tratar de esclarecer as relações entre letramento e alfabe-tização, que, embora venham sendo discutidas há alguns anos, ainda causam dúvidas amuitos alfabetizadores, que atuam no processo de aquisição e uso da linguagem escritapela criança. A partir da exposição, visando apresentar o conceito de Letramento em rela-ção à alfabetização, a autora tece suas considerações encaminhando o leitor a se debruçarem três gêneros: o ensaio, o poema e um texto didático-pedagógico, apresentando-se,desse modo, alternativas de leitura em uma mesma obra sobre um mesmo tema, o que afaz ser rica e agradável de explorar. Trata-se de um livro básico para a todo professor queatua com todos os níveis de ensino na área de linguagens.Esse jornal, dedicado ao “professor alfabetizador”, é uma forma de o professor estarsempre atualizado, acerca das mais novas discussões sobre alfabetização e letramento(s).Trata-se de um jornal riquíssimo, pois nele circulam entrevistas, relatos de experiência,sugestões de atividades, reportagens sempre de grande interesse dos profissionais queatuam na educação com as séries iniciais. O professor tem acesso diretamente por meiodo site do CEALE, como também poderá fazer a assinatura.
  45. 45. unidade 06 45Sugestões de atividadespara os encontros em grupo1º momento (4 horas)1 - Ler texto para deleite: “Tanto bicho” de Marta Bouissou Moraise Maria Hilda de Paiva Andrade2 - Ler seção “Iniciando a conversa”; trocar ideias acerca dos objetivos propostos;3 - Ler, de modo compartilhado, o texto 1 (Dialogando com as diferentes áreas de conhe-cimento);4 - Socializar memórias de experiências em que foram vivenciadas atividades na escolaem que diferentes componentes curriculares foram integrados; comparar as experiên-cias de infância e adolescência (como alunos) com as experiências como docentes.5 - Planejar uma aula em que vai ser proposto um projeto didático;utilizar um livro de obras complementares ou PNBE para motivar adiscussão do tema.Tarefas (para casa e escola)- Realizar a aula planejada; definir com as crianças se vai ser desenvolvido um projetocom o tema proposto; decidir com ela o produto e planejar as etapas de trabalho.- Ler um dos textos da seção “Sugestões de leitura”; elaborar uma questão a ser discutidano encontro seguinte (escolher coletivamente a obra a ser lida).
  46. 46. unidade 06462º momento (4 horas)1- Ler texto para deleite: “Kabá Darebu” de Daniel Munduruku2 - Ler o texto 2 (Organização do trabalho pedagógico por meio de projetos didáticos),fazer um esquema do texto3 – Relatar, em pequenos grupos, projetos didáticos desenvolvidos; analisar se os pro-jetos desenvolvidos tiveram as mesmas características discutidas no texto; socializar osprojetos relatados;4 - Assistir ao Programa “Ler para estudar: aves em extinção” (Youtube); discutir sobre asrelações entre a experiência vivenciada pela professora e a discussão do texto 2 da seçãoAprofundando.5 - Socializar as experiências vivenciadas com base no planejamento do primeiro mo-mento; relacionar as experiências vividas ao que foi concluído em relação às característi-cas de um projeto didático.6 - Planejar uma aula em que seja levada uma proposta para o desenvolvimentode um Projeto Didático; utilizar um livro do PNBE para introduzir a conversa.
  47. 47. unidade 06 473º Momento (4 horas)1 –Ler texto para deleite: “O menino e o jacaré de Maté” (MarieTherese Kowalczyk).2 - Listar, em pequenos grupos, o que caracteriza um trabalho com sequência didática3 - Ler texto 3 (Organização do trabalho pedagógico por meio de sequências didáticas);retomar a lista das características das sequências didáticas e verificar se há algo a sermodificado na lista; elaborar,em grande grupo, um cartaz comparativo entre projetodidático e sequência didática.4 - Ler os relatos da seção “Compartilhando” (dividir a turma em grupos, para que algunsgrupos analisem o relato 1 e os outros, o relato 2); elaborar uma lista de possibilidades detrabalho que poderiam ter sido contempladas na experiência.5 - Planejar uma sequência didática, delimitando quais conhecimentose capacidades serão contemplados; utilizar um livro do PNLD ObrasComplementares6 – Discutir sobre os textos lidos (seção “Sugestões de leitura”), com base nas questõesdo grupo.Tarefas (para casa e escola)– Realizar um projeto didático inspirado nas discussões da unidade 6 e escrever umrelato.- Desenvolver a sequência didática planejada na Unidade.

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