Que a chuva venha
Que a chuva venha,
Caia e lave os meus passos
As pegadas de terra que deixo
Por detrás das minhas costas...
MADRUGADA
Madrugada
O meu peito rasga-se
E a minha alma cega
Vislumbra o suicídio da noite,
Uma vez mais.
Não vem só.
Sabo...
EMOÇÕES E CONCLUSÕES
Tudo aquilo que sou.
Tudo aquilo que és.
Tudo aquilo que somos,
Discutido sobre cafés.
A minha falta ...
Poesia é escrever
O que se quer dizer
É do sabor da alma
Saber tirar toda a sua calma
A poesia não é pensada
É sentida
É o...
O SANGUE DERRAMA LIVROS
O sangue derrama livros
E parte lombadas
E quebra folhas
Escritas em branco.
O sentimento
Canta gr...
Amanhã é outro dia
E amanhã é outro dia
Outro dia em que o sol nascerá
No horizonte
Belo, brilhante
Outro dia em que o mar...
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Poema vencedor menções_honrosas

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Divulgação dos resultados e dos poemas da fase interna do concurso "Faça lá um poema" - 2015, respeitante à Escola Secundária da Amadora, sede o Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa.

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Poema vencedor menções_honrosas

  1. 1. Que a chuva venha Que a chuva venha, Caia e lave os meus passos As pegadas de terra que deixo Por detrás das minhas costas Que lave e leve o rasto Para que a minha alma não o siga E não me encontre novamente Porque sem alma o meu corpo vagueia Sem saber, sem sentir Livre, leve, solto E eu caminho Com passos decididos, destemidos Inconsciente do sofrimento Que lhe causará cada erro meu Que a chuva venha, Me lave o rosto Que cada gota de água Se confunda com as lágrimas Que me caem pela cara Que a tempestade Se confunda com os meus soluços Os torne inaudíveis Irreconhecíveis… Que a chuva venha, E distraia os meus olhos No seu contorno aquoso E enquanto eu estiver aqui Escondida e expectante Me leve na frieza do seu conforto Que a chuva venha e caia… Prémio do Concurso Nacional ”Faça lá um poema” – 2015 – Ensino Secundário Joana Serrano, 12º 1
  2. 2. MADRUGADA Madrugada O meu peito rasga-se E a minha alma cega Vislumbra o suicídio da noite, Uma vez mais. Não vem só. Saboreio-lhe receosa no vento Uma tristeza estranha De um acordar monótono e rotineiro. Duas lágrimas cristalinas Ainda ousam percorrer Desertos frios, vazios e fatais, São somente fruto de uma natureza fraca e humana. Corroem as minhas feridas abertas, antigas. Cosem-nas mais um pouco. Mas não sinto já essas agulhas impiedosas, Já não as peço. Já não me libertam. Não são já minhas. Contemplo insipidamente O meu reflexo gasto e desconhecido, Uma vez mais. Vejo por fim a amarga inocência de quem Apenas só soube sacrificar o coração, E a dolorosa consciência de quem Só o viu tornar-se desperdícios inúteis Em mãos grosseiras, gretadas e frias. Deito-me novamente entre cobertores Que parecem mais negros do que antes Esperando por um melhor acordar. Talvez chegue. Mais tarde. Se assim a madrugada O desejar. Menção honrosa da fase de selecção, por escola, do Concurso “Faça lá um poema”- 2015 Soraia Sofia Morgado, 12º 15ª Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa
  3. 3. EMOÇÕES E CONCLUSÕES Tudo aquilo que sou. Tudo aquilo que és. Tudo aquilo que somos, Discutido sobre cafés. A minha falta de fé. A tua fé que nunca falta. Uma das coisas que nos distingue. Mas os opostos atraem-se. Se os opostos se atraem. Porque é que estamos tão longe? Não devíamos estar um ao lado do outro? De mentalidades juntas pela rua? Mas tudo o que eu quero E tudo o que eu posso, Difere do que tu queres; Difere do que tu podes. Porque tudo o que eu quero é mais do que tu E tudo o que eu posso é muito menos. Porque eu estou limitada por mim própria E tu podes voar sozinho. Enquanto tu podes voar; Podes andar; Podes correr; Eu tenho de ficar onde estou. Porque cada passo que eu dou hoje, Posso não dar amanhã. Ou depois, Ou depois. Não me poder mexer pode ser curado. Mas o medo de me mover passa-te ao lado. Menção honrosa da fase de selecção, por escola, do Concurso ”Faça lá um poema” - 2015 Beatriz Cunha Portinha, 12º 03ª Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa
  4. 4. Poesia é escrever O que se quer dizer É do sabor da alma Saber tirar toda a sua calma A poesia não é pensada É sentida É ouvida É dizer tudo de forma calada É rimar sem sentido É inventar o próprio sentido É viajar noutro mundo É pensar tanto num segundo É emoção que não se pode conter É em tão pouco muito prometer É ver aquilo que ninguém vê Para fazer ver quem lê É querer exprimir o que não tem expressão É querer lavar toda a solidão Pedra dura que magoa Pedaço de algodão que voa Faz crescer e crescer E sentir inferior É o falar do interior É um modo de viver Menção honrosa da fase de seleção, por escola, do Concurso ”Faça lá um poema” - 2015 Bárbara Enes Pinheiro, 12º 02ª Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa
  5. 5. O SANGUE DERRAMA LIVROS O sangue derrama livros E parte lombadas E quebra folhas Escritas em branco. O sentimento Canta gritante no Silêncio da melodia Que arrepia e corrompe E faz pensar que talvez Não esteja no sítio certo. Memórias evocam Danças e histórias E poemas e rabiscos Que se desenham no Meu ser e pintam A minha alma. Sonhando sempre mais alto Do que a realidade ausente permite E desejando sempre algo diferente, Sempre outra coisa, Mais real e menos verdadeira. Sonhando que tenho Pés e coração e sonhos Que não tenho, Apesar de os ter sempre tido. Menção honrosa da fase de selecção, por escola, do Concurso ”Faça lá um poema” - 2015 Madalena Ventura, 12º 15ª Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa
  6. 6. Amanhã é outro dia E amanhã é outro dia Outro dia em que o sol nascerá No horizonte Belo, brilhante Outro dia em que o mar baterá Nas rochas Revolto, vibrante E as aves voarão O vento irá soprar As vinte e quatro horas passarão Num ciclo que nunca se irá quebrar Pouco de novo, muito de velho Sempre o mesmo sofrimento Sempre o mesmo motivo As mesmas queixas, as mesmas deixas As mesmas dores e amores E a cada rosto rotineiro que beijas Reconhece-lhes os mesmos sabores E a vida torna-se uma roda Que gira e roda E que de tempo a tempo Passa pelo mesmo ponto Sem nenhum truque de magia E amanhã será, igualmente, outro dia. Menção honrosa da fase de selecção, por escola, do Concurso ”Faça lá um poema” - 2015 Joana Serrano, 12º 1 Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa

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