IX CINFORM




    ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO: DESAFIOS DO PROFISSIONAL
          BIBLIOTECÁRIO NUM MERCADO EMERGENTE


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De acordo com Berto e Plonski (2007)

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Sobra bastante espaço para autodidatas devido ao pequeno número de cursos focados na
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BERTO, Rosa Maria Villares de Souza, PLONSKI, Guilherme Ary. Competências profissionais
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[Cinform] Arquitetura de Informacao - Artigo

  1. 1. IX CINFORM ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO: DESAFIOS DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NUM MERCADO EMERGENTE RAFAEL MARINHO 1 (rafael.marinho@avansys.com.br) REGINA S. S. TONINI 2 (rsstonini@petrobras.com.br) RESUMO: O século XXI está marcado pelo aumento exponencial da informação em todos os setores e motivado pela democracia da informação. A era digital tem provocado profundas mudanças na sociedade e nos perfis dos profissionais que lidam diretamente com a informação. Considerando o crescimento acelerado das redes de computadores e a tecnologia da informação, floresce um novo campo de atuação para o profissional bibliotecário na web, a arquitetura de informação (AI). É a arquitetura de informação que vai auxiliar o usuário a encontrar o que procura no universo digital. É o bibliotecário-arquiteto de informação o profissional que reúne as competências para criar mecanismos e propiciar a organização e ampla disseminação da informação com valor agregado. O estudo que se apresenta pretende discutir o assunto e contribuir para uma chamada de atenção sobre esse campo de trabalho. Palavras-chaves: Arquitetura de informação. Profissional Bibliotecário. Internet. 1 INTRODUÇÃO A necessidade de interação por meio da internet está cada vez mais presente em nossas vidas. Mas, o crescente volume de dados e informações existentes nas redes de computadores criou novos cenários e desafios para os profissionais da informação. Isso fez com que novas áreas de atuação sejam criadas e aprimoradas. Segundo Marinho (2009) o século XXI está marcado pelo aumento explosivo de dados e/ou informações em todos os setores, motivado pela democracia da informação, provocando assim, mudanças profundas nos modelos de gestão das organizações, nos perfis profissionais e também nos usuários da informação. Ao mesmo tempo em que somos consumidores de informação, também a produzimos e estamos em constante processo de transformar dados em conhecimento. 1 Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia. Arquiteto de Informação e Designer de Interação da Avansys Tecnologia. 2 Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia. Bibliotecária da Universidade Petrobras
  2. 2. De acordo com Berto e Plonski (2007) “A humanidade presencia, dentre muitas revoluções, intensas transformações no mundo do trabalho e, conseqüentemente, na capacitação e nos perfis profissionais. As tecnologias poupadoras de mão-de-obra e a forte componente tecnológica embutida nas funções produtivas fazem com que, do dia para a noite, segmentos profissionais inteiros percam sentido e lugar no mercado de trabalho”. Neste contexto surge para o bibliotecário, o campo da Arquitetura de Informação na Web, porém, organizar e tornar a informação utilitária e com valor agregado em meio ao caos não é tarefa fácil. Por isso, muitos desafios se apresentam para bibliotecários, arquivistas, cientistas da informação, arquitetos de informação e profissionais de TI que dedicam vários anos de suas vidas para que a massa informacional seja filtrada, mapeada, modelada e destinada ao cliente/usuário certo. Tonini (2006) observa que no campo da informação, a força do desenvolvimento tecnológico acelerado gerou um fato novo: o aumento da valorização da informação como produto, que não se esgota por ser compartilhado, não diminui a sua reserva de valor ao ser distribuído, e tanto enriquece a quem recebe como a quem distribui. Produto cujo efeito multiplicador, à medida que é distribuído, magnifica o seu próprio valor. Porém, precisa ser continuamente reproduzido e compartilhado para manter a sua atualização e valor intrínseco no mercado de interesses. No entanto mesmo com a valorização crescente da informação, a Arquitetura de Informação ainda é pouco discutida nos meios acadêmicos. Porém, ao longo dos anos, o interesse pelo assunto tem crescido bastante no Brasil, isso pode ser constatado até pela observação da principal lista de discussão em língua portuguesa sobre o tema. A AIfIA-pt (http://iainstitute.org/pt/), em março de 2006, contava com 370 profissionais e interessados em AI, e este número quase triplicou em maio de 2009 com 1.096 membros. 2. A IMPORTÂNCIA DA ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO NA WEB Foi o arquiteto Wurman, quem cunhou a expressão Arquitetura de Informação (AI) nos anos 1970. Arquitetura de Informação seria um estudo das estruturas e organização dos fluxos de informação visando atender as necessidades dos usuários.
  3. 3. Arquitetura de informação é a arte e ciência de organizar e rotular Web sites, Intranets, comunidades online e software para dar suporte à usabilidade e facilidade de obtenção de informações, e também, como uma comunidade emergente de profissionais focada em trazer princípios de design e arquitetura para o ambiente digital. (INFORMATION ARCHITECTURE INSTITUTE, 2008). O Arquiteto de Informação seria o indivíduo com a missão de organizar padrões dos dados e de transformar o que é complexo em algo mais claro e entendível para os usuários, de modo que, as empresas ao redor do mundo perceberam a necessidade de uma maior importância aos web sites para promover a interação com os seus clientes. Essa importância pode ser observada nos requisitos para a construção das páginas na web, um projeto de criação de um site envolve diversas etapas cuidadosamente estruturadas para atingir o seu objetivo de levar a informação certa ao usuário que a busca. Entre as etapas do projeto web, há que se observar as seguintes: o levantamento dos requisitos, definição da arquitetura e critérios de usabilidade, mapeamento de fluxos informacionais, definição do vocabulário controlado e hierarquia de conteúdo, design centrado no usuário, layouts, montagem, webwriting e montagem de HTML, XML, CSS, Flash, banco de dados e entrega ao cliente. Segundo Davenport e Prusak (1998) um dos motivos para se utilizar Arquitetura de Informação vem do fato de que as informações normalmente encontram-se dispersas nas organizações, bem como no conteúdo disponibilizado nos web sites destas. Os autores ainda afirmam que a AI conduz os clientes/usuários ao local onde estão os dados, proporcionando assim um uso mais eficiente. Uma má arquitetura de informação pode trazer grandes prejuízos às empresas. “27% das causas de insucesso das vendas de um web site de comércio eletrônico são porque o usuário simplesmente não conseguiu encontrar o item que procurava.” (NIELSEN NORMAN GROUP, 2001). Quando um cliente/usuário busca uma informação, produto ou serviço em um web site e não consegue ter sua necessidade atendida, simplesmente ele irá procurar em outro – o que fatalmente será o do concorrente, e dificilmente retornará. Pode se estabelecer uma analogia quanto a AI em dois tipos de ambientes, onde seria mais fácil localizar uma palavra? Em um caça-palavras ou em um dicionário? E por quê? A resposta é bem óbvia, é muito mais fácil localizar informações em um dicionário (ambiente estruturado e organizado baseado em critérios de busca), do que em dados dispersos.
  4. 4. A flexibilidade e seu crescimento desordenado tornaram a Web um sistema extremamente desorganizado e heterogêneo se comparado a outros sistemas de informação. Sua diversidade de conteúdos, formatos e audiência complicam muito a tarefa de indexar e procurar informação nela. (REIS, 2007, p.60) O modelo de AI proposta por Wurman tinha como escopo principal a produção de manuais e guias impressos, no entanto, os conceitos abordados pelo autor definiram as bases do que viria a ser a estruturação das informações no universo digital, visto que, uma má organização provoca uma série de frustrações no cliente/usuário, conforme salienta Reis (2007) “Falhas nessa organização provocam nos seus usuários confusão, frustração ou até mesmo a ira, dificultando o uso do web site e repercutindo diretamente no retorno do investimento”. Portanto, uma boa Arquitetura de Informação precisa estar sustentada pelo tripé ou os três círculos da Arquitetura de Informação propostos por Morville e Rosenfeld (2006) (conforme a Figura 1). Context Users Content Figura 1: The infamous three circles of information architectures Fonte: Morville e Rosenfeld (2006) p.25 Na qual temos o Content (Conteúdo) representado pelos documentos, formatos/tipos, objetos, metadados e estruturas existentes. O Context (Contexto) é representado pelos objetivos da organização, políticas, tecnologia e cultura. Users (Usuários) correspondem às audiências, tarefas, necessidades, comportamento de busca de informações, e a experiência deste, além do vocabulário. Esses três círculos procuram demonstrar a complexidade para se organizar a informação na web. Nesse contexto, vale observar toda a heterogeneidade de usuários, tipos documentais (mídias), metas organizacionais entre outros, por isso, a AI representa ao mesmo tempo um grande desafio para os profissionais, como também um campo repleto de oportunidades.
  5. 5. 3. DESAFIOS DO BIBLIOTECÁRIO NA ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO Os profissionais da informação precisam gerenciar quantidades enormes de conteúdos, dados e metadados e para isso contam com uma diversidade de soluções tecnológicas com recursos diversos, mas segundo Souza (2005) a tecnologia ainda é vista com olhos desconfiados por grande parte dos profissionais da Biblioteconomia. A internet, especialmente, é um desafio que poucos se propõem a enfrentar. Com isso o profissional acaba por perder grandes oportunidades no mercado que se revela na web, porém, o grande desafio para o bibliotecário está muito mais associado à postura profissional frente à tecnologia do que ao acumulo de competências para a execução do trabalho. De forma geral, os bibliotecários mantêm uma relação de amor e ódio com a tecnologia da informação. “We love IT because it has made our jobs necessary by enabling the creation and connection of tremendous volumes of content, applications and processes. We hate IT because it constantly threatens to replace the need for us.” (MORVILLE, 2001). Qualquer pessoa que tenha assistido ao filme Desk Set, de 1957, (traduzido para o Brasil como “Amor Eletrônico”) percebe essa difícil relação entre homens e máquinas, e o temor dos profissionais de biblioteconomia diante do ‘cérebro eletrônico’ que viria para lhes roubar as funções. Souza (2005) ainda chama atenção para o fato de que essa postura é ruim para a profissão e tem excluído (em parte) o bibliotecário do mercado de trabalho relacionado à internet. Para atuar em AI é desejável, más não é imprescindível que o indivíduo possua cursos ou uma formação voltada para a web, o que verdadeiramente importa é que o profissional seja um heavy user, goste de estudar, de se aprimorar cada vez mais e complemente seu conhecimento tácito no local de trabalho. “A formação pouco importa. Há vagas para profissionais de biblioteconomia, administração, design e jornalismo. Em geral, eles aprendem por conta própria mergulhando na internet e em experimentações práticas” (FÉ, 2009). Entre os softwares mais utilizados pelos arquitetos de informação estão o: AXURE RP, MS VISIO, MS POWER POINT, MS PROJECT, FIREWORKS ou PHOTOSHOP e MIND MANAGER, mas vale salientar que o profissional não deve ficar preso ao uso desses softwares, uma boa dose de criatividade e inovação faz muito mais efeito que o simples uso de programas. Em São Paulo há pós-graduação e cursos de curta duração com enfoque em AI, usabilidade e desenvolvimento web, mas a tendência para os próximos anos é a ampliação no número de cursos pelo Brasil.
  6. 6. Sobra bastante espaço para autodidatas devido ao pequeno número de cursos focados na área e a literatura em língua portuguesa ainda é escassa, mas, as listas de discussão e comunidades web complementam e facilitam o acesso aos conteúdos e trocas de experiências entre os arquitetos de informação do mundo inteiro. A evolução na carreira acaba levando o profissional [arquiteto] a assumir cargos de gerente de produtos e de projetos ou coordenação de times, conforme salienta Fé (2009) “no mercado, há dois perfis de profissionais: o que atua em portais e agências, com ênfase em comunicação e aquele com formação mais tecnológica (...) este último atua em fábricas de software”. Os profissionais da informação devido a sua formação e competências profissionais têm maiores possibilidades de obter sucesso nessa área, pois, desde sempre os bibliotecários criam mecanismos que propiciam a organização e ampla disseminação da informação com valor agregado, trabalhando com hierarquia, categorização, mapeamento de fluxo, facilidade de uso e acesso à informação. Ferreira (2003) afirma que existe demanda no mercado; porém, falta oportunidade para os profissionais vindos da área de ciência da informação. Alega que falta a eles uma formação acadêmica que lhes habilite ao desenvolvimento, à implantação e à operação de dispositivos para filtrar, analisar, sintetizar e disseminar a informação. Essa afirmação poderá não ser totalmente verdadeira; porém, é possível observar que o profissional da informação com os conhecimentos básicos de biblioteconomia quando associados àqueles de tecnologia da informação, é o profissional com maior competência para organizar as informações que lhe são confiadas. Em 2008, a AIflA-pt ofertava pelo menos uma vaga por semana. Segundo Fé (2009) “o cenário é promissor: não faltam vagas nessa área, e os salários podem chegar a 12 mil reais” sendo que a média salarial é de 3 mil e seiscentos, com variações que dependem do tamanho da empresa, região do país e da experiência do profissional. CONCLUSÃO Ajudar a organizar e tornar a informação utilitária e com valor agregado não é tarefa fácil, mas, todos os dias um time de bibliotecários ao redor do mundo estão trabalhando duro para que a imensa massa informacional/documentada seja filtrada, mapeada, modelada e destinada ao cliente certo. O que não e diferente da atuação desse profissional na web, mas, para ter sucesso nessa área
  7. 7. cabe ao bibliotecário repensar algumas atitudes frente às tecnologias da informação e comunicação, bem como aproveitar a grande demanda por profissionais que tenham como foco principal a informação e o usuário, o interesse em facilitar o acesso deste a grande biblioteca universal: a internet. É bastante comum encontrar graduandos ou profissionais recém-formados que se sintam inseguros quanto à sua formação para atuar na Sociedade da Informação e/ou Conhecimento, mas no caso específico do bibliotecário, sua formação generalista e multidisciplinar aliada aos conhecimentos técnicos de gestão da informação fornecida pelas universidades é justamente o que as empresas estão buscando, mas, por diversas vezes o estereótipo do profissional juntamente com o receio do uso da TI tem limitado a atuação desse profissional para além das paredes dos centros de documentação e bibliotecas. Porém, não basta a tecnologia e o diploma para o sucesso nessa sociedade em rede. O que conta de verdade para o sucesso seja em Biblioteconomia, Ciência da Informação ou Arquitetura de Informação é o capital intelectual e a disposição dos profissionais em aprimorar os conhecimentos já adquiridos e investir em novos desafios. Hoje, as áreas do conhecimento estão separadas por uma linha muito tênue e seus profissionais se deparam com novos cenários e oportunidades, por isso, uma postura pró-ativa para assumir riscos e superar desafios garante uma boa visibilidade, por que conhecimento e competências os profissionais da informação já possuem. Afinal para o bibliotecário a informação é seu negócio, seu objeto de estudo e sua vida seja na web ou fora dela.
  8. 8. REFERÊNCIAS BERTO, Rosa Maria Villares de Souza, PLONSKI, Guilherme Ary. Competências profissionais para gestão do conhecimento. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO, 2001. Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Engenharia da Produção, 2001. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2001_TR15_0101.pdf>. Acesso em 20 jul. 2008. DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998. FÉ, Ana Lúcia. Arquitetos da web. Info Exame. n. 227 INSTITUTO DE ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO. Arquitetura de informação. Disponível em: <http://iainstitute.org/pt/ > Acesso em: 19 maio 2009. MARINHO, Rafael. O arquiteto de informação está a serviço da clareza. Disponível em: <http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/12/04/o-arquiteto-da-informacao-esta-a-servico-da- clareza/> Acesso em: 21 maio 2009. MORVILLE, Peter. Software for information architects. Disponível em: <http://argus- acia.com/strange_connections/strange011.html> Acesso em: 21 mar. 2009 MORVILLE, Peter; ROSENFELD, Louis. Information Architecture for the world wide web. 3.ed. Sebastopol; Califórnia: O’Reilly, 2006. NIELSEN NORMAN GROUP. Strategies to enhance the user experience. Disponível em: <http://www.nngroup.com/> Acesso em 21 mar. 2009. REIS, Guilhermo. Centrando a arquitetura de informação no cliente. 2007, 180f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, 2007. TONINI, Regina Santos Silva. Custo na gestão da Informação. Salvador: EDUFBA; Petrobras, 2006.

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