Revista Scena #1 - Ecologias urbanas

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Revista para o Mestrado Acadêmico em Arquitetura Paisagística.

Elaborado em parceria com Jéssica Marins sob orientação da professora Julie Pires.

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Revista Scena #1 - Ecologias urbanas

  1. 1. 1 Ecologias Urbanas A arquitetura Paisagística projetando novos olhares
  2. 2. 2 A arquitetura Paisagística projetando novos olhares
  3. 3. Editorial Revista Scena chega ao meio acadêmico mantendo o privilégio de oferecer a seus leitores a palavra do artista. Na entrevista Eu nunca ensaio, Laura Lima entrelaça tempos e lugares numa conversa franca e intensa, verdadeiro presente para os estudiosos da arte. Nossos agra- decimentos à artista. A estrutura das diversas seções é preservada nesta edição. Todavia, é novo o projeto gráfi- co, de autoria de Claudia Mendes, anseio da equipe editorial que merece nossas felicitações. A pesquisa realizada por nossos pós-graduados está presente na seção Artigos: o trabalho fotográfico e os lugares em que se cruzam memória e ficção (Luiza Baldan); a palavra-ima- gem no processo de criação artística contemporânea (Julie Pires); a discussão sobre a fun- ção do figurino teatral e suas potencialidades (Desirée Bastos); a obra plural de Calmon Bar- reto (Gisele Rocha) sinalizam uma latitude de interesses. Inserindo-se no tema “Ficções”, em foco neste número, escrevem dois professores do Programa: Rogério Medeiros aborda as transformações provocadas no cinema francês pelo documentário de Jean Rouch, re- ferência para o cinema brasileiro da década de 1960. No âmbito da história da arte, Ana Cavalcanti reflete sobre o caráter ficcional presente na obra de Eliseu Visconti e nos textos críticos sobre o pintor. Na seção Colaborações, pesquisadores de outras universidades contribuem para o debate. Leila Danziger problematiza a prática dos monumentos e a construção da memória a partir da produção de Jochen Gerz; Tatiana Martins se interessa pela desintegração das lingua- gens em Robert Smithson; Renata Santini analisa o processo artístico de Carlos Vergara em suas monotipias e deslocamentos.Por fim, Leandro Junqueira tece considerações a respei- to da crítica, “modo de ver/ler o mundo”. he Magazine Scena comes to number 21 while maintaining the privilege to offer its readers the word artist. In the interview I never test, Laura Lima interweaves time and place in a free and intense conversation, true gift for students of art. Our thanks to the artist. The structure of the various sections is preserved in this issue. However, it is new graphic design, authored by Claudia Mendes, the editorial board wishes that deserves our congratulations. The research carried out by our postgraduates is present in the Articles section: the pho- tographicworkandtheplacesthatcrossmemoryandfiction(LuizaBaldan);theword-im- age in the contemporary artistic creation process (Julie Pires); the discussion on the role of theatrical costumes and their potential (Desirée Bastos); the plural work of Calmon Barreto (Gisele Rock) signal a latitude of interest. Entering on the theme “Fictions”, the focus of this number, write two Programme teachers: Rogério Medeiros addresses the changes wrought by French cinema documentary by Jean Rouch, reference to Brazilian cinema of the 1960s In the history of art, Ana Cavalcanti reflects on the fictional charac- ter present in the work of Eliseu Visconti and critical texts about the painter. In Collaborations section, other university researchers contribute to the debate. Leila Danziger questions the practice of monuments and the construction of memory from the production Jochen Gerz; Tatiana Martins is concerned with the disintegration of languages in Robert Smithson; Renata Santini analyzes the artistic process of Carlos Vergara in his monotypes and deslocamentos.Por order, Leandro Junqueira makes comments about the criticism, “so to see / read the world”. Os Editores
  4. 4. 4 Expediente UFRJ | Universidade Federal do Rio de Janeiro Reitor | Rector Carlos Antônio Levi da Conceição Decano do Centro de Letras e Artes | Dean of the Center of Letters and Arts Flora De Paoli Faria Mestrado Profissional em Arquitetura Paisagística | Professional Masters in Landscape Architecture Lucia Maria Sá Antunes Costa (coordenadora/ coordinator) Cristóvão Fernandes Duarte (vice-coordenador/ vice-coordinator) Editores Responsáveis | Responsible editors Lucia Maria Sá Antunes Costa Cristóvão Fernandes Duarte Conselho editorial | Editorial board Adriana Sansão Fontes Cristovão Fernandes Duarte Denise B. Pinheiro Machado Eliane da Silva Bessa Flavio de Oliveira Ferreira Ivete Mello Calil Farah José Barki Lúcia Maria Sá Antunes Costa Luciana da Silva Andrade Margareth da Silva Pereira Maria Cristina Nascentes Cabral Naylor Barbosa Vilas Boas Oscar Daniel Corbella Pablo Cesar Benetti Rachel Coutinho Marques da Silva Raquel Hemerly Tardin Coelho Rodrigo Cury Paraizo Rosangela Lunardelli Cavallazzi Sergio Ferraz Magalhães Sônia Azevedo Le Cocq d’Oliveira Victor Andrade Revisão | Revision Maria Helena Torres Resumos | Abstract Elvyn Marshall Programação Visual | Visual programming Jéssica Marins e Nicole Soares Diagramação | Layout Jéssica Marins e Nicole Soares Capa | Cover Jéssica Marins e Nicole Soares Fotografia | Photographs Jéssica Marins e Nicole Soares Imprint
  5. 5. Trabalhos dos Alunos Student Works Notícias News Sumário Mobilidade alternativa e tratamento paisagístico proposta para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios A expansão do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Subsídios para um Masterplan da área do antigo horto florestal da Gávea Rios urbanos e paisagens multifuncionais: o projeto paisagístico como istrumento de requalificação urbana e ambiental 
 Entrevista Interview Entrevista com o arquiteto paisagista Haruyoshi Ono Projeto Paisagístico Paisagistic Project Ministério da Educação e Saúde. Um ícone urbano da modernidade carioca 33 27 55 07 13 21 Artigos Articles 44 41 49 O Passeio Público do Rio de Janeiro O teatro do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro Patrimônio, ambiente e sociedade: novos desafios espaciais Summary
  6. 6. 6 Trabalhos dos alunos Student works Scena | #1 - Ecologias urbanas O presente trabalho tem como tema principal a mobilidade alternativa em Armação dos Búzios, estado do Rio de Janeiro, com a aplicação do es- tudo de caso referência no Bairro da Ferradura. A pesquisa apresenta uma proposta de mobilidade alternativa para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios, em que a sua via principal, a Avenida Parque, recebe tratamento paisagístico em termos de adequação para a circulação voltada a pedestres e ciclistas e composição paisagística por meio da arborização do percurso. Mediante a produção dos diverwsos sentidos dos conceitos mobilidade e paisagem, foi possível alcançar o enten- dimento da mobilidade alternativa como meio eficaz de integrar osdiferentesmodaisaumarededepercursosemquepedestres eciclistassãoosatoresprincipais.Apriorizaçãodacirculaçãonão motorizada e a criação de espaços de permanência ao longo do percursoestimulamaatraçãodaspessoasparaasruaseinduzem Mobilidade alternativa e tratamento paisagístico Proposta para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios Amana Romano Vilhena PraiadaFerraduraemBuziosRJ|Porjoãocarraz
  7. 7. 7 Trabalhos dos alunos Student works Scena | #1 - Ecologias urbanas a apropriação desses espaços, estabelecendo uma relação damobilidadecomavitalidadeurbana. Nesse sentido, a conservação da paisagem urbana pode ser reforçada pela presença dos próprios usuários que se apropriam dos espaços pelo movimento ou permanência e acabam criando uma relação de transitividade e hospita- lidadecomolugar.Comoumciclo,essadinâmicacontribui para o surgimento de novos serviços voltados ao público, promovendoainteraçãoeadiversidadesocialnessesespa- ços.Ospontosprincipaisdesteestudosãoosespaçoscole- tivosdecirculaçãoedepermanênciaqueconectamoCen- tro, a Lagoa da Ferradura e a Praia da Ferradura de modo a estimular passeios no espelho d’água e nas trilhas do en- torno.Aadequaçãodoscaminhosetrilhasdocasoreferên- ciatendeareforçaracirculaçãoalternativaeopasseiofora dasviasdemovimentointensocomoaAvenidaParqueea Estrada da Usina. Desse modo, a mobilidade alternativa se expandedopercursopropostoparaosmeiosdecirculação alternativosqueapaisagemdoentornooferece,buscando estabelecerumaestruturaintegradaentreosespaçoslivres deusocoletivoeentreosdiferentesmodais. No campo metodológico foi adotado o caso referência permitindo compreender situações específicas e a de- monstração de adequação das propostas paisagísticas. Na fase de pesquisa em campo foram adotados os métodos deWhite(1980),ondeseobservaramosusos,asatividades desenvolvidas, o comportamento e os fluxos dos usuários. Os conceitos adotados por Cullen (1971), como a visão se- rial,tambémfizerampartedessaprimeirafasedapesquisa. T his dissertation focuses on alternative mo- bility in Armação dos Búzios, in Rio de Ja- neiro state, with a reference case in Ferra- dura neighborhood. The research presents a proposal for alterna- tive mobility in which Parque Avenue, Ferradura’s main road, receives landscaping treatment adjust- ed to pedestrians and bicycles and with the inclu- sion of landscaping composition and tree plant- ing. The production of different meanings for the concepts mobility and landscape lead to the un- derstanding of alternative mobility as an efficient way to integrate transport vehicles and systems into a resource net and to the creation of conviv- iality spaces along the road that attract people to the streets and invite them to take hold of these spaces, whereby a relation between mobility and urban vitality is established. The preservation of the urban landscape can be improved by the presence of users who get hold of the spaces where they move about or remain. This dynamic of space appropriation through movement leads to the emergence of new ser- vices to the public and promotes integration and social diversity. The main aspects of the study are collective spaces for circulation and permanence that link the center of town, the Ferradura lagoon and Ferradura beach, aiming to promote rides on boats, kayaks and sail boats and strolls along the
  8. 8. 8 Trabalhos dos alunos Student works Scena | #1 - Ecologias urbanas treks that surround them. The treatment of the existing paths and tracks promotes traffic alter- native to the main roads, such as Parque Avenue and Usina Road. In this way, the proposed road mobility is extended to the alternative traffic of- fered by the landscape, trying to establish an inte- grated structure among free spaces of collective use and the diferente means of transportation. The methodology adopted the reference case that helps to understand specific conditions and to demonstrate the suitability of the landscap- ing proposals. In the field research phase White’s (1980) methods were adopted to observe uses, activities, behavior and the flux of users. The se- rial vision, method adopted by Cullen (1971), was also applied to this first phase of the research. Urbanização a partir da Praia da Armação, ao fundo | buziosturismo.com Turistas de carro na Praia da Armação. s/d Praia de Tucuns com a Serra das Emerências ao fundo | Lara MurebCostão rochoso da Praia do Forno. Jan. 2014
  9. 9. 9 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas Entrevista com o arquiteto paisagista Haruyoshi Ono H aruyoshi Ono é hoje um dos mais importantes arquitetos paisagistas em atuação no Brasil. Não obstante esta cons- tatação, trata-se de um paisagista que, dentre outras tan- tas características marcantes da sua personalidade, foi o mais im- portante e constante discípulo de Roberto Burle Marx, com quem trabalhou de 1965 até 1994, ano em que faleceu o grande mestre. Durante três décadas Haru, como é carinhosamente chamado pe- los mais próximos, foi o principal e mais próximo interlocutor e colaborador de Roberto Burle Marx em diversos projetos paisa- gísticos no Brasil e no exterior. Após a morte de Burle Marx (em 1994), Haru não só passou a comandar o escritório, com diversas decisões de natureza empresarial a serem tomadas, como também teve que lidar, cotidianamente, com o legado deste renomado ar- tista que foi Burle Marx. Durante cerca de três horas de boa conversa, realizada no seu escritório no Bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro, Haru foi, aos poucos, revelando aspectos preciosos da sua formação e também da sua personalidade bastante peculiar que, nitidamente, revela ao interlocutor muitas características da cultura japonesa, da qual fazia parte seus antepassados. De forma muito tranquila e sem nenhuma afetação, vaidade ou pedantismo Haruyoshi Ono fala de seu trabalho que considera, de alguma forma, inserido num processo de continuidade do que já vinha fazendo nos muitos anos em que colaborou com Burle Marx. Para o leitor interessado nas metodologias e nos processos de elaboração dos projetos de paisagismo, a entrevista abaixo é re- veladora pois, ao mesmo tempo em que fala de “conceitos”, “pro- gramas” e “técnicas”, o nosso entrevistado também menciona aspectos ditos “qualitativos” do espaço que será objeto de suas intervenções. Em um dos muitos pontos altos desta sua entrevis- ta, chamamos atenção para quando ele assim nos fala da sua relação com a vegetação: “São elementos vivos que são indis- pensáveis à minha pessoa, ao meu trabalho. En- tão, são coisas indispensáveis para mim, que tanto esses elemen- tos (os vegetais) me usam, como eu os uso também. Os elementos me usam e me fazem trabalhar para eles, criando as plantas, tra- tando bem delas, aguando, podando, essas coisas. Isso elas estão me usando e aí a gente as usa também. O retorno disso aí, dessa relação, é a beleza que elas te dão, visualmente, tocando no nosso sentimento”. Ao leitor agora caberá a tarefa de apreciar esta entrevista com o arquiteto paisagista Haruyoshi Ono. PaisagistaHaruyo shi Ono, discípulo de Burle Marx- Foto Domingos Peixoto / agência o Globo
  10. 10. 10 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas Antônio Agenor Barbosa e Stella Rodriguez: O senhor poderia nos falar como foi a sua formação, tanto no âm- bito acadêmico e também profissional, como arquiteto e, particularmente, como paisagista? Haruyoshi Ono: Fiz o ginásio e o científico no Colégio Cru- zeiro. Depois fiz vestibular para a Faculdade Nacional de Ar- quitetura, na época Universidade do Brasil, em 1964, e em 1968 me formei como arquiteto. Esta é, portanto, minha for- mação acadêmica. Enquanto eu ainda cursava arquitetura, tive contato com o professor Antônio Leitão, que era o nosso professor de desenho artístico, e fiz parte do seu escritório de arquite- tura. Mais tarde ingressei no ateliê de Roberto Burle Marx como estagiário, em 1965, e de estagiário passei para desenhista dentro do escritório. Ao me formar arquiteto fui chamado para ser sócio da empresa. E continuei até a morte de Roberto, em 1994. Portanto, fui sócio do escri- tório Burle Marx & Cia. Ltda. de 1968 até 1994, e, desde então, dirijo a empresa. AAB / SR: O senhor é nascido no Rio? HO: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro do Rio Comprido, em 1943. AAB / SR: E a sua opção pelo Paisagismo se deu basicamente pelo encontro com o Burle Marx? HO: Sim, basicamente foi. Mas eu sempre tive interesse por vegetação ainda em minha infância. A minha mãe, por exem- plo, gostava muito de plantas também e nós tínhamos um pe- queno quintal em casa. Minha mãe era japonesa e o interesse dela por plantas não tinha origem e nem relação direta com paisagismo ou jardins orientais. Apenas ela gostava de convi- ver e tratar das plantas, e com isso aprendi muita coisa com ela. Esse foi meu primeiro encontro com a vegetação. Mais tarde, lógico, com o Burle Marx fui aprendendo praticamente quase tudo que eu sei até hoje. AAB / SR: Que tipo de plantas sua mãe cultivava? HO: Eram na sua maioria plantas anuais e exóticas. Tinham dálias de diversas florações, muitos crisântemos, algumas ár- vores, e cravinhos e violetas. Ela apreciava muito essas plantas por causa da floração e do cheiro. As azaléias eram especiais para ela. E no meio de tudo isto as buganvílias se destacavam por suas belas florações. Como o nosso quintal era pequeno, eram as árvores da vizinhança que me impressionavam muito. AAB / SR: Então sua infância aconteceu em um espaço que tinha um jardim? HO: Sim. Num pequeno espaço nosso, particular, “o quintal”, que a gente chamava de jardim. E tinham ainda os arredores, as ruas bem arborizadas. Mas isto já não era mais no Rio Comprido, bairro onde nasci, e sim em Sena- dor Camará, para onde me mudei aos seis anos de idade quando saímos do centro da cidade e fomos para a zona rural. E foi em Senador Camará que passei minha infância e onde nós moramos por muito tempo. Lá era bom porque era cercado de mata, tinha um rio atrás, um rio pequeno que as pessoas se banhavam. Havia ainda bois e vacas per- to da casa, pastando. AAB / SR: E a sua infância foi ali, nesse ambiente... O senhor tem irmãos? HO: Minha infância foi no meio de jamelões, mangas, laran- jas. Tenho dois irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Nós três apreciávamos muito essa vida na zona rural. Nas horas de lazer tinham os jogos de bola – boa época, não é? – pipas, pião, aquelas brincadeiras de ruas, bandeirinhas etc. Eu ainda me recordo bem. AAB / SR: Então, a experiência com a natureza e o contato com as plantas estavam ali bem próximas de vocês. E o teu pai? HO: Hoje penso que o mais importante não era esse con- tato com a vegetação, mas sim de um modo geral o contato com a terra. Meu pai era comerciante, e em função disso, por causa do seu trabalho, fomos morar em Senador Cama- rá. Eu saí de lá com 16 ou 17 anos, mais ou menos. Eu comecei a estudar no Centro do Rio de Janeiro, em 1950, no Colégio Cruzeiro. No meio do ano letivo nos mudamos e fiquei sem estudar alguns meses por falta de vaga na esco- la. No ano seguinte fui matriculado numa escola particular chamada Colégio São José. Era uma turma muito engraçada Hoje penso que o mais importante não era esse contato com a vegetação, mas sim de um modo geral o contato com a terra.
  11. 11. 11 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas porque tinham alunos desde o curso primário o ginasial. Ha- via aulas de inglês junto com português, francês, e a crianças pequenas no meio, numa sala ampla dividida em grupos. Depois fui para uma escola pública onde fiquei até o curso de admissão. Prestei uma espécie de concurso para uma esco- la estadual, já em Campo Grande, ainda na zona rural. Campo Grande era naquela época um bairro do Rio de Janeiro, de- senvolvido e distante. Hoje é tudo ligado, diferente daquele tempo. E ali eu estudei por dois anos, o primeiro e o segundo ginasial. Terceiro ginasial eu já vim fazer aqui no Rio, no Colé- gio Cruzeiro, voltando à origem. Era um colégio alemão, bilín- güe e tínhamos a opção de cursar em alemão ou não. Ainda hoje é considerado um bom colégio aqui no Rio de Janeiro. Concorria na época com o Colégio Pedro II. AAB / SR: E havia o convívio com seus avôs também? HO: Não. Eu não conheci praticamente meus avôs. A mi- nha avó materna eu conheci em visitas de poucos dias, aqui no Rio de Janeiro. O meu avô paterno eu só vi uma vez no interior de São Paulo. Eram japoneses. AAB / SR: E o senhor tinha algum contato com o Japão mes- mo? Viajou durante sua infância e adolescência? HO: Não, durante a infância o contato com a cultura japonesa era através dos meus pais. Meu pai trabalhava numa loja de importação e exportação de mantimentos e objetos japoneses, então havia contato com esses funcio- nários japoneses. Além disso, dentro de casa os costumes, a alimentação e a linguagem eram preservadas. Já na ado- lescência o contato foi maior, pois meu pai passou a tra- balhar na Embaixada do Japão e com isto passamos a ter maior convívio com os japoneses. AAB / SR: E o senhor já teve a oportunidade de ir ao Japão? E a primeira vez foi com que idade? HO: Dormi várias vezes em Tóquio, pois lá fazia a esca- la para irmos ver o desenvolvimento do projeto do Parque KLCC, em Kuala Lumpur. Entretanto, somente em 1990 tive a oportunidade de passar alguns dias no Japão, visitando vá- rias cidades. O nosso escritório foi convidado pelo Governo japonês para fazer o jardim do Pavilhão do Brasil na Expo- sição Internacional do Verde, em Osaka, conhecida como EXPO 90. Convidamos o arquiteto Ruy Ohtake para fazer a arquitetura do pavilhão e nós fizemos o jardim. AAB / SR: E a sua opção pelo estudo de arquitetura, como se deu? HO: A arquitetura foi um acidente na minha vida. Na época eu queria fazer Agronomia, foi a minha primeira opção, pas- sei mas não me adaptei àquele ambiente. No ano seguinte fiz novo vestibular, desta vez para Arquitetura e Desenho Indus- trial. As provas eram concomitantes, mas o resultado da Ar- quitetura saiu antes. Quando soube que tinha sido aprovado, optei por ela. AAB / SR: Agronomia não deu certo por quê? HO: Por causa do ambiente que eu não gostei muito. AAB / SR: Mas tudo tem uma aproximação pela história do seu interesse do contato com a natureza, com a terra, certo? HO: No final das contas, no meu trabalho profissional, eu acabei tendendo pra esse lado da natureza. Roberto Burle M arx+HaruyoshiOno-SafraBankSuspendedGarden,SãoPauloSP,Brazil A arquitetura foi um acidente na minha vida. Na época eu queria fazer Agronomia, foi a minha primeira opção, passei mas não me adaptei àquele ambiente.
  12. 12. 12 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas Interview with landscape architect Haruyoshi Ono H aruyoshi Ono is now one of the most important landscape architects operating in Brazil. Despite this finding, it is a landscape that, among many other striking features of his personality, was the most important and constant disciple of Roberto Burle Marx, with whom he worked from 1965 until 1994, the year of his death the great master. For three decades Haru, as he is affectionately called by close, was the main and closest partner and collaborator Roberto Burle Marx in various landscaping projects in Brazil and abroad. After the death of Burle Marx (1994), Haru has not only command the office, with several decisions of a business nature to be taken, but also had to deal daily with the legacy of this renowned artist who was Burle Marx. For about three hours of good conversation, held in his office at the Laranjeiras district of Rio de Janeiro, Haru was gradually revealing precious aspects of their training and also its peculiar personality that clearly re- veals the caller many features Japanese culture, which was part of their ancestors. Very quiet and without any affectation, vanity or ped- antry Haruyoshi Ono talks about his work that considers way, somehow entered a process of continuity of what was already doing in the many years that collaborated with Burle Marx. For the reader interested in the methodologies and procedures for, landscaping projects, the interview be- low is revealing because, while talking of “concepts”, “programs” and “technical”, our interviewee said also mentions aspects “quality “of space that will be the ob- ject of their interventions. In one of the many highlights of the interview, we emphasize so when he tells us about his relationship with the vegetation: “They are living elements that are essential to my per- son, my work. So things are indispensable to me that both these elements (plants) use me, as I use them too. The elements use me and make me work for them, creat- ing the plants, treating them well, watering, pruning and stuff. That they are using me and then we use them too. The return that thing, this relationship is the beauty they give you, visually, playing in our feeling. “ The reader now will have the task to enjoy this inter- view with the landscape architect Haruyoshi Ono.
  13. 13. 13 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas Antonio Agenor Barbosa and Stella Rodriguez: Could you tell us how your training, both in the academic and profes- sional also, as an architect, and particularly as a landscaper? Haruyoshi Ono: I did the gym and in the scientific College Cruise. Then I entrance exam for the National School of Ar- chitecture at the time University of Brazil in 1964 and in 1968 I graduated as an architect. This is therefore my education. While I still was studying architecture, I had contact with the teacher Antonio Leitao, who was our teacher of artis- tic design, and made part of his architectural firm. Later I entered the studio of Roberto Burle Marx as a trainee in 1965 and went to designer intern in the office. When I graduate architect was called to be a company partner. I continued until the death of Robert, in 1994. So I went partner office Burle Marx & Cia. Ltda. 1968 to 1994, and since then drive the company. AAB / SR: You are born in Rio? HO: I was born in Rio de Janeiro, in the neighborhood of Long River, in 1943. AAB / SR: And its choice Landscaping was driven by the en- counter with the Burle Marx? HO: Yes, basically was. But I always had interest in vege- tation even in my childhood. My mother, for example, was very fond of plants and also we had a small yard at home. My mother was Japanese and her interest by the plants had no origin and not directly related to landscaping or oriental gardens. As she liked to live and deal with plants, and thus learned a lot from her. This was my first encounter with the vegetation. Later, of course, with the Burle Marx I learned just about everything I know today. AAB / SR: What kind of plants cultivated his mother? HO: They were mostly annual and exotic plants. They had several blooms dahlias, chrysanthemums many, some trees, and cloves and violets. She enjoyed much these plants be- cause of the flowering and the smell. The azaleas were spe- cial to her. And amidst all this bougainvillea stood out for its beautiful blooms. As our yard was small, were the trees in the neighborhood that impressed me a lot. AAB / SR: So your childhood happened in a space that had a garden? HO: Yes. In our small space, particular, “the yard”, which we called garden. And still had the surroundings, well-lined streets. But this was no more in the Long River, the neigh- borhood where I was born, but in Senador Camara, where I moved to six years old when we left the city center and went to the countryside. And it was in Senador Camara I spent my childhood and where we live long. There was good because it was surrounded by woods, had a river behind, a small riv- er that people bathed. There were bulls and cows near the house, grazing. AAB / SR: And your childhood was there, in that environ- ment ... Do you have siblings? HO: My childhood was in the middle of jamelões, man- goes, oranges. I have two brothers. An older and one younger. We were enjoying the three very life in the coun- tryside. In the leisure hours had the ball games - good time, right? - Kites, spinning top, those jokes streets, flags etc. I still remember well. AAB / SR: So the experience with nature and the contact with the plants were there right next to you. And your father? HO: Today I think the most important thing was not that contact with vegetation, but in general the contact with the earth. My father was a merchant, and because of this, because of their work, we live in Senador Camara. I left there with 16 or 17 years or less. I started studying in downtown Rio de Janeiro in 1950, the College Cruise. In the middle of the school year we moved and I was not studying a few months for lack of place at the school. The next year I was enrolled in a pri- vate school called St. Joseph College. It was a very funny because class had students from primary school to junior high. There were English classes along with Portuguese, French, and for young children in the middle, a large room divided into groups. Then I went to a public school where I stayed until the intake stroke. Pay a kind of competition to a state school, already in Campo Grande, still in the countryside. Campo Today I think the most important thing was not that contact with ve- getation, but in general the contact with the earth.
  14. 14. 14 Entrevista Interview Scena | #1 - Ecologias urbanas Grande was then a neighborhood of Rio de Janeiro, de- veloped and distant. Today is all on different that time. And there I studied for two years, the first and the second junior. Junior third I’ve come here to do in Rio, the College Cruise, returning to the origin. Was a German school, bi- lingual and had the option of studying in German or not. Is still considered a good school here in Rio de Janeiro. Was running at the time with the College Pedro II. AAB / SR: And there were living with their grandparents as well? HO:. No I did not know nearly my grandparents. My ma- ternal grandmother I met in a few days visits here in Rio de Janeiro. My paternal grandfather I only saw once in São Paulo. Were Japanese. AAB / SR: And you had some contact with Japan it? Trave- led during his childhood and adolescence? HO: No, during childhood contact with Japanese culture was through my parents. My father worked in an import and export shop for groceries and Japanese objects, then there was contact with these Japanese officials. Also, inside the customs, food and language were preserved. As a teen- ager contact was higher, because my father went to work at the Japanese embassy and that we now have greater con- tact with the Japanese. AAB / SR: And you had the opportunity to go to Japan? And the first time was at what age? HO: I slept several times in Tokyo because there was the scale to go see the development of the KLCC Park project in Kuala Lumpur. However, only in 1990 had the opportunity to spend a few days in Japan, visiting several cities. Our of- fice was invited by the Japanese Government to the Brazil Pavilion Garden in Green International Exposition in Osaka, known as EXPO 90. We invite the architect Ruy Ohtake to the pavilion architecture and we did the garden. AAB / SR: And your choice of architecture study, as ha- ppened? HO: The architecture was an accident in my life. At the time I wanted to do Agronomy, was my first choice, I but I did not adapt to that environment. The following year made new entrance exam, this time for Architecture and Indus- trial Design. The evidence was concomitant, but the result of Architecture came before. When I heard that had been approved, I chose her. AAB / SR: Agronomy did not work why? HO: Because of the environment that I did not like. AAB / SR: But everything has an approach the history of your interest contact with nature, with the earth, right? HO: In the end, in my professional work, I just tend to that side of nature. The architecture was an accident in my life. At the time I wanted to do Agronomy, was my first choice, I but I did not adapt to that environment.
  15. 15. 15 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas O Passeio Público do Rio de Janeiro A revista Leituras Paisagísticas: Teoria e Práxis, lançada em abril de 2006 pelo Grupo de Pesquisa em História do Paisa- gismo da Escola de Belas Artes da Universidade do Rio de Janeiro, traz propostas instigantes a todos que se interessam pelos estudos da paisa- gem: estimular discussões teóricas e metodológi- cas sobre as diferentes formas de atuação na pai- sagem e difundir estudos sobre a transformação, salvaguarda e recuperação dos espaços livres públicos. E, dessa maneira, se propõe a colabo- rar na construção de um conteúdo crítico sobre a produção paisagística brasileira. O primeiro volume da revista dedica-se a regis- trarediscutirquestõesrelevantesqueemergiram das apresentações do Seminário (Re)construindo a paisagem do Passeio Público: historiografia e práticasprojetuaisedosdebatesqueaelassese- guiram. Este seminário, também promovido pelo Grupo de Pesquisa em História do Paisagismo Messageries Maritimes: Passeio Público (Rio De Janeiro) | Cartão Postal, 1910 Mônica Bahia Schlee
  16. 16. 16 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas EBA/UFRJ, foi realizado em 2004 na sede carioca do Instituto dos Arquitetos do Brasil e teve como objetivo discutir conceitos, metodologias e resul- tados de uma abrangente intervenção no Passeio Público do Rio de Janeiro, realizada pela Prefeitura da Cidade entre 2001 e 2004, através da Fundação Parques e Jardins, que recuperou o traçado, parte da vegetação e dos monumentos do jardim, altera- dos por diversas reformas ao longo do século XX. Primeiro espaço livre público intencionalmen- te concebido para inserir-se urbanisticamente na cidade, o Passeio Público foi projetado por Mestre Valentim em 1783. Até então a cidade, que ainda mantinha como funções principais o controle do território e o comércio mercantil ex- trativista, voltava-se para dentro, tendo o porto como única porta de acesso. A construção de um “jardim-mirante” configurou-se como uma gran- de inovação na época, ao ressaltar os atributos paisagísticos da Baía da Guanabara e deles tirar Passeio Público do Rio de Janeiro | Ladyce West ção refletiu, no espaço urbano, os anseios da sociedade emergente por uma política de “mo- dernização” que traduzisse a nova ordem social e econômica pela qual aspirava a colônia. O jardim público inseriu-se no sítio como uma “seqüência lógica de definições de traçado a partir da cidade e da paisagem existente”, segundo este autor. É bom lembrar também que este projeto expressava a ideologia iluminista, que chegava à colônia através de sua aristocracia administrativa, na esteira da expansão cultural européia. Em rela- ção à conjuntura local, esta operação urbana, que compreendeu o aterro da já então completamente poluída Lagoa do Boqueirão, foi estratégica para hi- gienizar e prover infra-estrutura (principalmente o acesso à água, distribuída nos chafarizes e fontes projetados) para a área urbana que se pretendia consolidar. E talvez tenha sido mesmo decisiva para Esta intervenção refletiu, no espaço urbano, os anseios da sociedade emergente por uma política de “modernização” que traduzisse a nova ordem social e econômica pela qual aspirava a colônia. partido para a formação de uma “identidade urbana” carioca. Em 1862, a composição paisa- gística do jardim, estruturada a partir de um sis- tema de alamedas retilíneas, foi profundamente modificada por Auguste Marie François Glaziou. Devido à importância do Passeio Público do Rio de Janeiro como obra paisagística e urbanís- tica emblemática em mais de um momento da evolução urbana carioca, o seminário foi estru- turado em duas sessões: historiografia e práticas projetuais. A mesma organização foi adotada neste primeiro volume da revista. A primeira delas, intitulada Historiografia e apre- sentada pela professora Virgínia Vasconcellos, reu- niu três estudos sobre a evolução histórica do Pas- seio Público: o jardim no século XVIII, sob o olhar de Cláudio Taulois; o Passeio Público de Glaziou, de autoria de Carlos Terra; e o Passeio Público no sé- culo XX, a cargo de Jane Santucci. Cláudio Taulois, ao analisar as estratégias de composição do Passeio Público proposto por Mestre Valentim no século XVIII, revelou que este não foi apenas um projeto paisagístico para um novo espaço livre público, mas constituiu-se em um plano urbanístico que incluiu o redese- nho das articulações entre este e a malha exis- tente, com o objetivo de valorizar uma das áreas para onde a cidade oitocentista se expandia (não por acaso, em direção à zona sul). Esta interven-
  17. 17. 17 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas Trindade em seu artigo, citando estudo de Naylor Villas Boas (1), o projeto de Glaziou respeitou a articulação básica do espaço proposta por Mestre Valentim ao manter a continuidade entre os prin- cipais elementos de composição anteriores – por- tão-jardim-fonte-terraço-mar – que conduzem o observador até a paisagem da baía. É oportuno lembrar também que, mesmo ten- do incorporado a estrutura e o uso de elementos do jardim pictórico inglês, adotados na época pe- los países europeus, como assinalou Terra, Gla- ziou se apropria e valoriza a imagem da floresta dentro da cidade, ainda que idealizada e traduzi- da pelo uso preponderante de espécies exóticas. O elemento vegetal, anteriormente organizado de modo uniforme ao longo das alamedas retilí- neas, passa a ser protagonista na composição da paisagem do jardim. Esta concepção foi encampada pela aristocra- cia local que incentivou a reprodução desta linha compositiva em outros espaços livres construídos ou reformados entre as décadas de 1860 e 1880, com a intenção de construir uma nova identidade para a capital do império, expressar novamente no espaço público seu anseio de contemporaneidade e estimular a noção de civilidade na sociedade ca- rioca, utilizando como símbolo o elemento natural. Embora admirada e empregada como modelo es- tético para os desenhos paisagísticos implantados sedimentar este vetor de expansão em direção à zonasul.Osfundosdeterrenos,anteriormentevol- tados para a lagoa, foram convertidos em valoriza- das fachadas descortinadas para um espaço públi- co destinado à contemplação da paisagem da Baía da Guanabara, como observou Taulois. O professor Carlos Terra investigou a concep- ção paisagística elaborada por Glaziou, desta- cando a intensa transformação que este promo- veu na organização formal e no ponto de vista único que caracterizavam o jardim de Mestre Va- lentim, substituídos pela possibilidade de planos de visada diversos, articulados entre si através de caminhos sinuosos que induzem a uma leitu- ra gradual da paisagem, e mesmo possibilitam o vivenciar de composições interdependentes que podem ser apreciadas isoladamente. No entanto, como lembrou a arquiteta Jeanne Passeio Público, cerca de 1862, (R. H. Klumb. BN) A representação da floresta, que era aspirada dentro dos limites urbanos, não provinha da natu- reza tropical local, antes deriva- va-se de uma visão romântica de natureza, baseada em uma estética de inspiração inglesa. nesta época na cidade,a representação da floresta, que era aspirada dentro dos limites urbanos, não provinha da natureza tropical local, antes derivava- -se de uma visão romântica de natureza, baseada em uma estética de inspiração inglesa (2). Carlos Terra e Jane Santucci levantaram algu- mas questões que vale a pena examinar mais detidamente. Segundo estes pesquisadores, pe- ríodos de uso e abandono constituíram uma di- nâmica que perpassou toda a existência do Pas- seio Público do Rio de Janeiro. No entanto, os autores também nos mostram que este jardim público, desde sua inauguração no século XVIII, sempre esteve associado a um lugar de lazer e recreio, ao menos para alguns estratos da socie- dade, como também mencionou Taulois. Ao fim do século XIX, o uso destinado à recrea- ção se intensifica com a instalação em seu interior de cafés (que já faziam parte da composição de Glaziou) e bares, como o Chopp Berrante do Pas-
  18. 18. 18 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas seio, um aquário marinho e, até mesmo, sessões de cinema ao ar livre, “à sombra do arvoredo, ... em localização privilegiada pelo panorama e pela brisa marinha”, como observou Santucci. Ao re- constituir a localização e a ambiência da época de funcionamentodealgunsequipamentosinstalados no Passeio entre 1900 a 1937 (os já citados Chopp Berrante, o aquário marinho, e também o Teatro- -Cassino e o Cassino BeiraMar), a autora indica que estes funcionavam como atrativos para a popula- ção carioca, aumentando a freqüência ao local. Santucci mostra, com apoio de interessante material iconográfico e da pesquisa arqueológica, como as modificações radicais ao longo do século XX no suporte físico ambiental no qual se insere o Passeio Público – os três aterros que o distancia- ram gradativamente da orla da baía (1903, 1920- 1922e1952-1960)eosdesmontesdosmorrosque os possibilitaram – alteraram sua função principal de um parque público voltado à contemplação da paisagem deslumbrante da Baía da Guanabara. Esta nova situação, associada à retirada dos equi- pamentos no interior do jardim e à mudança nos hábitos de lazer do carioca, que elegeu a praia como sua principal área de recreação e descanso, acabou por afastar a população e propiciar um gra- dual processo de degradação do local. Além de chamar atenção para a importância do uso na manutenção da vitalidade de um espaço li- Pirâmide do Mestre Valentim, Passeio Público, RJ s/n
  19. 19. 19 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas vrepúblico,estestrêspesquisadoresdemonstraramcomo os diversos momentos do passado e o presente se fundi- ram neste espaço, imprimindo marcas que resultaram em uma paisagem-palimpsesto, como salientou Santucci (3). Estes são aspectos importantes que devem ser levados em consideração para orientar futuras obras de restaura- ção e revitalização de espaços livres públicos. Rubens de Andrade, paisagista e pesquisador que atuou como debatedor na primeira sessão do seminário e que também assina artigo neste volume, instaurou o debate ao interrogar o leitor sobre o processo de interação entre a sociedade e a paisagem e seu rebatimento nas ações e políticas de restauração dos jardins históricos e sítios pai- sagísticos no Brasil praticadas até o presente. O processo de restauração do Passeio Público do Rio de Janeiro tem o mérito de iniciativa pioneira, devido aos procedimentos metodológicos que adotou, e é um pas- so importante para a preservação dos jardins históricos brasileiros. Sua descrição encontra-se bem documentada na segunda seção da revista, intitulada Práticas Projetu- Palácio das festas, Rio de Janeiro, 1922. ais, aberta pela arquiteta-paisagista Flávia Braga, onde são apresentadas as abordagens metodológicas que embasa- ramtodooprocesso,entre2001(datadoiníciodoprojeto) a 2004 (término das obras), pela equipe de profissionais e pesquisadores Nelson Porto Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira e Jeanne Trindade. Também aqui, fo- ram levantados alguns pontos que instigam a reflexão. Logo de início, Nelson Porto Ribeiro informa que a orien- tação que norteou o projeto de restauro, definida por um grupo transdisciplinar que incluiu arquitetos, paisagistas e historiadores integrantes das equipes da Fundação Par- ques e Jardins, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ópera Prima Arquitetura e Restauro, empresa contratada para desenvolver o projeto e executar as obras, foi a de privilegiar, como referência, o projeto de Glaziou, uma vez que a quase totalidade da composição paisagísti- ca proposta por Mestre Valentim havia se perdido, e mes- mo alguns elementos introduzidos posteriormente e des- truídos pelas reformas implantadas ao longo do século XX não deveriam ser reproduzidos, sob pena de constituir-se como “falso histórico”. É digna de nota a reconstituição de vestígios e frag- mentos importantes dos diversos momentos de trans- formação do Passeio Público carioca, postos à luz pela pesquisa arqueológica, elaborada em atendimento aos decretos municipais nº 22.872 e 22.873, de 07 de maio de 2003. O processo de elaboração desta pesquisa, em- basado pelas diretrizes e procedimentos indicados nas cartas patrimoniais e na teoria de restauro de jardins O processo de restauração do Pas- seio Público do Rio de Janeiro tem o mérito de iniciativa pioneira, devido aos procedimentos meto- dológicos que adotou, e é um passo importante para a preservação dos jardins históricos brasileiros.
  20. 20. 20 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas históricos (4) e bem documentado pela arqueó- loga Jackeline Macedo em seu artigo, evidenciou a superposição de dois projetos de jardim (um de autoria de Mestre Valentim, o outro de Gla- ziou) e a localização exata das intervenções pos- teriores que, em alguns casos, chegaram mesmo a perturbar a integridade de ambos os projetos. As descobertas, no entanto, não foram descorti- nadas ao público na sua totalidade. Jeanne Trindade apresentou a metodologia adotada na restauração dos elementos vegetais do Passeio Público e os critérios que orientaram sua reconstituição. Segundo a arquiteta e pes- quisadora, o plano de manejo para a vegetação teve como diretrizes a definição dos elementos essenciais e o resgate formal do conceito paisa- gístico empregado no projeto desenvolvido por Glaziou, buscando valorizar a imagem simbólica que este espaço transmite à sociedade através dos contrastes de formas, volumes, texturas e tons, da alternância entre cheios e vazios, e en- tre luz e sombra, que propiciam a surpresa, o Antigo Terraço do Passeio Público | Acervo de Jorge A. Ferreira Jr. movimento, a expectativa e o mistério dos pro- jetos paisagísticos com influência romântica. Trindade apresentou as várias fases deste pro- cesso de reconstituição, que incluiu inventário florístico, visita a outros espaços livres desenha- dos por Glaziou, resgate de documentos histó- ricos primários e mapeamento da situação atu- al de insolação e sombreamento, esclarecendo também que o plantio especificado ainda não foi finalizado devido à insuficiência de recursos des- tinados a esta etapa da obra. As informações teóricas e técnicas apresen- tadas, o detalhamento das análises dos planos urbanísticos e paisagísticos e das intervenções arquitetônicas que se realizaram em momentos históricos diversos, o registro iconográfico do processo de recuperação dos elementos essen- ciais, dos vestígios encontrados e o registro foto- gráfico do momento seguinte à reconstrução já valem a leitura deste primeiro número da revista Leituras paisagísticas: Teoria e práxis. O panorama de abordagens referentes ao tema da restauração de jardins históricos divulgados nesta edição oferece embasamento teórico e téc- nico para futuros estudos neste campo disciplinar e extrapola mesmo esta temática, ao desvendar detalhes sobre as transformações paisagísticas de- correntes dos planos urbanísticos operadas pelo poder público nesta área da cidade. Resenha da revista:
LEITURAS PAISAGÍSTI- CAS: TEORIA E PRÁXIS. Volume 1: (Re)construindo a paisagem do Pas- seio Público: historiografia e práticas projetuais. Rio de Janeiro, EBA/UFRJ, 2006. ISSN 1808-0540 Os contrastes de formas, volu- mes, texturas e tons, da alter- nância entre cheios e vazios, e entre luz e sombra, que propi- ciam a surpresa, o movimento, a expectativa e o mistério dos projetos paisagísticos com in- fluência romântica. Amparados pelas contribuições de Santucci, Ter- ra e Taulois, os leitores poderão também refletir sobre as formas de incentivar o uso de espaços livres públicos com caráter histórico com vistas a estancar seu processo de abandono e manter sua vitalidade no espaço urbano contemporâneo, tor- nando-os algo mais que museus-sítios arqueológi- co a céu aberto. E, por fim, instigados por Eduardo Barra, opinar sobre o papel do arquiteto-paisagista no processo de restauro de espaços livres públicos com caráter histórico e da integração efetiva de campos disciplinares diversos nesta forma de atuar e reabilitar paisagens.
  21. 21. 21 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas The Public Ride of                    Rio de Janeiro T he magazine Readings landscape: Theory and Praxis, released in April 2006 by the Research Group on History of Landscape Architecture School of Fine Arts, University of Rio de Janeiro, brings exciting proposals to all who are interested in the landscape studies: stimulate the- oretical discussions and methodological about the different ways of working in the landscape and dis- seminate studies on the processing, preservation and recovery of public open spaces. And in this way, it is proposed to collaborate in building a crit- ical content on the Brazilian landscape production. The first volume of the journal is dedicated to record and discuss relevant issues that emerged from the seminar presentations (Re) constructing the landscape of Public Promenade: historiogra- phy and projective practices and debates that they followed. This seminar also promoted by the Re- search Group on History of Landscape EBA / UFRJ, was held in 2004 in Rio de Janeiro headquarters of Brazil’s Institute of Architects and aimed to discuss concepts, methodologies and results of a compre- hensive intervention in the Public Garden of Rio de January, conducted by the City Council from 2001 to 2004, through the Parks and Gardens Founda- tion, which recovered the track, part of vegetation and garden monuments, amended several reforms during the twentieth century. First public space intentionally designed to be part of urban planning in the city, the Public Gar- den was designed by Mestre Valentim in 1783. Un- til then the city, which still had main functions con- trol of the territory and the extractive commodity trade, turned-to inside, as a single port having ac- cess door. The construction of a “garden-gazebo” was configured as a major innovation at the time, to highlight the landscape features of Guanabara Bay and take advantage of them for the formation of an “urban identity” Rio. In 1862, the landscape composition of the garden, structured from a straight boulevards system, was profoundly mod- ified by Auguste Marie François Glaziou. Because of the importance of the Public Prom- enade in Rio de Janeiro as landscape and urban emblematic work in more than one moment of Rio’s urban evolution, the seminar was divided into two sessions: historiography and projective practices. The same organization was adopted in this first volume of the journal. The first, entitled Historiography and present- ed by Professor Virginia Vasconcellos, met three studies on the historical evolution of the Public Garden: The garden in the eighteenth century, un- der the eye of Claudio Taulois; Public Ride Glaziou, authored by Carlos earth; and the Public Garden in the twentieth century, in charge of Jane Santucci. Claudio Taulois, when analyzing the composition of the Public Road strategies proposed by Mestre Valentim in the eighteenth century, revealed that this was not just a landscape design for a new pub- lic space, but consisted in an urban plan that in- cluded the redesign of the joints between this and the existing network, in order to enhance one of the areas where the nineteenth-century city ex- panded (not by chance, toward the south). This intervention reflected in the urban space, the de- sires of the emerging society by a policy of “mod- ernization” to translate the new social and eco- nomic order in which aspired to colony. The public garden was part of the site as a “log- ical sequence trace settings from the city and the existing landscape,” according to this author. It is good to remember that this project expressed the Enlightenment ideology, which reached the colony through its administrative aristocracy in the wake of European cultural expansion. In relation to the local environment, this urban operation, which included the landfill already then completely pol- luted pond Boqueirão was strategic to sanitize and provide infrastructure (especially access to water, Mônica Bahia Schlee
  22. 22. 22 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas distributed in fountains and projected sources) for the urban area it was intended to consolidate. And maybe it was even decisive for sedimentary this vector expansion towards the south. Land funds, previously focused on the lagoon, facades were converted into valued unveiled to a public space for the landscape contemplation of Guanabara Bay, as noted Taulois. Professor Carlos Earth investigated the land- scape design developed by Glaziou, highlighting the intense transformation that this promoted the formal organization and unique point of view that characterized Valentine Master garden, replaced by the possibility of several targeted plans, articu- lated through winding paths that lead to a gradu- al reading of the landscape, and even enables the experience of interdependent compositions which can be considered in isolation. However, as noted architect Jeanne Trinity in his article, citing study Naylor Villas Boas (1), the from a romantic view of nature, based on an En- glish-inspired aesthetic (2). Carlos Earth and Jane Santucci raised some is- sues worth examining more closely. According to these researchers, use and abandonment periods constituted a dynamic that pervaded the existence of the Public Promenade in Rio de Janeiro. How- ever, the authors also show us that this public gar- den, since it opened in the eighteenth century, has always been associated with a place of leisure and recreation, at least for some segments of society, as also mentioned Taulois. At the end of the nineteenth century, the use for the recreation intensifies the installation inside cafes (which were already part of Glaziou com- position) and bars, as Chopp Horn Ride, a marine aquarium and even sessions outdoor cinema, “the shadow of the trees, ... prime location by the pan- orama and the sea breeze”, as noted Santucci. To reconstruct the location and the ambience of the working time of some equipment installed in the Walk between 1900-1937 (the aforementioned Chopp Horn, the marine aquarium, and also the Theatre-Casino and Casino BeiraMar), the author indicates that they worked as attractive to the cari- ocas, increasing the frequency to the site. Santucci shows, with the support of interesting iconographic and archaeological research materi- al, as the radical changes throughout the twenti- eth century in environmental hardware which in- corporates the Public Garden- the three landfills that gradually distanced Bay waterfront (1903, 1920-1922 and 1952-1960) and takedowns of the hills which enabled them- changed its main func- tion of a public park facing the contemplation of the stunning scenery of the Bay of Guanabara. This new situation, coupled with the withdrawal of the equipment inside the garden and the change in the Rio leisure habits, which elected the beach as the main area of recreation and rest, eventually depart the population and provide a gradual local degradation process . In addition to calling attention to the impor- tance of using in maintaining the vitality of a public space, these three researchers demonstrated how the various moments of the past and the present merged in this space, printing brands which result- ed in a landscape-palimpsest, as pointed Santucci (3). These are important aspects that must be con- sidered to guide future works of restoration and revitalization of public open spaces. Rubens de Andrade, landscape and researcher who served as discussant in the first session of the seminar and also signs an article in this volume, brought the debate to question the reader about the process of interaction between society and the landscape and its repercussion in the actions and policies of restoration of historic gardens and land- This intervention reflected in the urban space, the desires of the emerging society by a policy of “modernization” to translate the new social and economic order in which aspi- red to colony. Glaziou project respected the basic articulation of space proposed by Mestre Valentim to maintain continuity between the previous major composi- tional elements- gate-Garden-source-terrace-sea - leading the observer to the bay landscape. It should also remember that even having built the structure and the use of English pictorial gar- den elements, adopted at the time by European countries, as pointed Earth, Glaziou appropriates and values the forest image within the city, al- though idealized and translated the predominant use of exotic species. The vegetable element, previously arranged uniformly along the straight boulevards, becomes protagonist in the garden landscape composition. This concept was taken over by the local ar- istocracy who encouraged the reproduction of this compositional line in other open spac- es built or renovated between the 1860s and 1880s, with the intention of building a new identity for the capital of the empire, again ex- press his longing in the public space of contem- porary and stimulate the notion of civility in Rio society, using as a symbol natural element. Al- though admired and used as an aesthetic model for landscape drawings deployed at this time in the city, the representation of the forest, which was drawn within the city limits, did not come from the local tropical nature, before it derived
  23. 23. 23 Artigos Articles Scena | #1 - Ecologias urbanas shapes, volumes, textures and tones, the alter- nation between full and empty, and between light and shadow, which provide the surprise, the movement, the expectation and the mystery of landscape projects with romantic influence. Trinity presented the various stages of this process of reconstitution, which included floris- tic survey, visit other open spaces designed by Glaziou, rescue primary historical documents and mapping the current situation of sunshine and shade, also stating that the specified planting has not yet been finalized due to insufficient resourc- es for this stage of the project. The theoretical and technical information pre- sented, the details of the analysis of urban and landscape plans and architectural interventions that took place in different historical moments, the iconographic record of the recovery process of the essential elements, the remains found and photographic recording of the next moment the reconstruction are worth reading this first issue of landscape Readings: Theory and practice. The panorama of approaches on the subject of the restoration of historic gardens released this edition offers theoretical and technical basis for future studies in this subject area and even goes beyond this theme, to unveil details about the landscape changes resulting from urban plans op- erated by the government in this area city. scaped sites in Brazil practiced to the present. The Public Garden of the restoration process of Rio de Janeiro has the merit of pioneering initia- tive, due to methodological procedures adopted, and is an important step for the preservation of Brazilian historical gardens. His description is well documented in the second section of the maga- zine entitled projective Practices, opened by the architect-landscaperFlaviaBraga,wherethemeth- odological approaches that supported the whole process from 2001 (date of commencement of the project) to 2004 (end are presented works), by the team of professionals and researchers Port Nelson Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira and Jeanne Trinity. Here, too, were raised some points that prompt reflection. Early on, Nelson Ribeiro Port informs that the orientation that guided the restoration proj- ect, defined by a cross-disciplinary group that included architects, landscape architects and historians members of the teams Parks and Gar- dens Foundation, the Heritage Institute for Na- tional Artistic and Opera Prima Architecture and Restoration, a company contracted to develop the project and run the works, was to focus, as a reference, the Glaziou project, since almost the entire landscape composition proposed by Me- stre Valentim was lost, and even some elements subsequently released and destroyed by the re- forms implemented during the twentieth centu- ry should not be played, so as not to constitute itself as “false history”. It is worthy of note reconstitution of remains and important fragments of the various moments of transformation of Rio’s Public Garden, made light by archaeological research, drawn up in com- pliance with local ordinances No. 22 872 and 22 873 of 07 May 2003. The drafting process this re- search, based the guidelines and procedures in the property cards and historical gardens restoration theory (4) and well documented by archaeologist Jackeline Macedo in his article, showed the super- position of two garden projects (a Valentine Mas- ter of authorship, the other of Glaziou) and the exact location of subsequent operations which in some cases have even disrupt the integrity of both designs. The findings, however, have not been un- veiled to the public in their entirety. Jeanne Trinity presented the methodology used in the restoration of plant elements of the Public Garden and the criteria that guided its re- constitution. According to the architect and re- searcher, the management plan for vegetation had as guidelines to define the essential ele- ments and the formal surrender of the landscape concept employed in the project developed by Glaziou, seeking to value the symbolic image that this space conveys to society through contrasts The representation of the fo- rest, which was drawn within the city limits, did not come from the local tropical nature, before derived is a romantic vision of nature based on an English-inspired aesthetic. Supported by contributions from Santucci, Earth and Taulois, readers may also reflect on ways to encourage the use of public open spaces with historical character in order to stop its aban- donment process and maintain its vitality in the contemporary urban space, making them some- thing more than archaeological sites, museums in the open. Finally, instigated by Eduardo Bar, opinion on the role of the architect-landscaper in the restoration process of public open spaces with historic character and the effective integra- tion of various disciplines in this way of acting and rehabilitate landscapes. Magazine review: READINGS landscape: THEORY AND PRAXIS. Volume 1: (Re) constructing the landscape of Public Promenade: historiography and pro- jective practices. Rio de Janeiro, EBA / UFRJ, 2006. ISSN 1808-0540
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