SlideShare uma empresa Scribd logo
O Leitor, certamente, encontrará diversos motivos de interesse
garve, em janeiro de 2013, dedicado à temática das relações
(Professores, Investigadores, Artistas, etc.), cujos textos versam
sobre as múltiplas abordagens possíveis das relações entre as
artes e as ciências, em distintos momentos e contextos históricos, colocando em diálogo áreas tão diversas como a matemá-

tica, a física, a biologia, a literatura, o cinema, o teatro, a pintura,
a história da cultura, a história das ciências, a medicina, a arquitetura, a didática das ciências, a filosofia, etc. Claro que a natu-

reza de tais diálogos é muito diferenciada, consoante o tipo de

abordagem realizado por cada autor. O Leitor selecionará
aquele(s) com que mais se identifique, de acordo com os seus

E M D I Á LO G O

entre arte e ciência, reúne um considerável número de autores

A R T E E C I Ê N C I AS

realização de um Colóquio Internacional na Universidade do Al-

C O O R D E N A D O R J O Ã O C A R L O S C A R VA L H O

nesta obra polifónica. De facto, o presente livro, surgindo após a

A R T E E C I Ê N C I AS
E M D I Á LO G O
C O O R D E N A Ç Ã O : J O Ã O C A R L O S C A R VA L H O

interesses científicos, culturais, artísticos, profissionais. A distri-

buição dos textos na obra procurou, intencionalmente, sugerir a
ideia de miscelânea de vários saberes, evitando-se a tradicional

e cómoda arrumação por áreas de especialidade, por temas ou

assuntos. A surpresa poderá incentivar o interesse e o espírito de

descoberta do Leitor que, assim, poderá usufruir deste livro coletivo em tempos e espaços de leitura por si próprio decididos.

www.ruigracio.com

Grácio Editor

Grácio Editor
FiCha téCniCa

título:
arte e Ciências em Diálogo
Organização:
João Carlos Carvalho

Capa:
Frederico Silva | Grácio Editor
Design gráfico:
Grácio Editor

1ª Edição: Outubro de 2013
iSBn: 978-989-8377-51-0

© Grácio Editor
avenida Emídio navarro, 93, 2.º, Sala E
3000-151 COiMBRa
telef.: 239 091 658
e-mail: editor@ruigracio.com
sítio: www.ruigracio.com
Reservados todos os direitos

4
ENCONTROS: ARTE COMO ARquEOLOGIA,
ARquEOLOGIA COMO ARTE
Sara navarro

CiaC - Centro de investigação em artes e Comunicação da Universidade de algarve

Resumo
a arte contemporânea tem vindo a transformar-se naquilo que podemos descrever
como um vasto programa de investigação que olha de forma crítica aquilo que somos
e, neste sentido, pode oferecer um recurso fundamental para quem queira refletir
sobre o mundo e perceber o processo que fez de nós o que somos hoje. a partir da
constatação de que artistas e arqueólogos prestam, atualmente, cada vez mais atenção ao respectivo trabalho de uns e de outros, proponho explorar a forma como a
arte contemporânea – e em particular o meu trabalho – se pode encaixar no projeto
arqueológico de estudo, compreensão e comunicação do passado humano.
Palavras Chave
arte; arqueologia; Criatividade; Objetividade;afetividade

O diálogo, histórico e permanente, entre artistas e arqueólogos e a, cada vez
mais comum, colaboração de artistas nos projetos de investigação arqueológica
leva-me a questionar a natureza desta relação, o status do artista para a arqueologia e o interesse dos arqueológos na prática artística.
ao longo da história, é comum encontrarmos artistas que se inspiraram na
arqueologia ou que encontraram afinidades entre os processos criativos e os processos de trabalho da arqueologia. nos últimos dez ou quinze anos, tornou-se frequente, especialmente no Reino Unido, encontrar arqueólogos que procuram no
trabalho de artistas contemporâneos fontes de informação interpretativa.
Colin Renfrew, professor de arqueologia na Universidade de Cambridge e
uma das figuras mais destacadas da arqueologia contemporânea, em Figuring it
Out – The Parallel Visions of Artists and Archaeologists (2006), propõe uma convergência entre arte e arqueologia, investigando de que forma podem as questões
levantadas pela prática artística contemporânea ter um contributo para a investigação arqueológica. O seu objectivo é tentar olhar para a arte como arqueologia
e para a arqueologia como arte, na procura de uma interação entre as duas onde,
numa criativa analogia, questiona a condição humana.
a condição humana, o tempo, o corpo, o lugar, a paisagem e a cultura material são algumas das grandes temáticas que desafiam tanto artistas como arqueólogos. ambos, artistas e arqueólogos, procuram encontrar respostas para as
grandes questões intemporais relativas ao ser humano e ao seu papel no mundo.
a arte caracteriza-se, hoje, pela sua natureza múltipla ou expandida, com
uma dimensão crítica e utópica, cuja prática se integra noutros domínios mais am355
SaRa naVaRRO

plos da vida, tornando-se cada vez mais cultural e socialmente relevante. a exploração das formas de ver, sentir, perceber, conhecer e finalmente, estar no mundo,
característica da arte contemporânea, expande e altera a noção de arte para lá
da representação visual e torna-a numa interessante ferramenta de pesquisa com
utilidade para as outras áreas do saber (Fernandes Dias, 2001: 104-106).
no meu trabalho, procuro fazer uma ponte entre os processos mais remotos
da produção cerâmica e a criação artística contemporânea, privilegiando a exploração da relação entre a mão e a matéria, no sentido do ‘saber fazer’ artesanal. Procuro entrar nos gestos dos produtores ancestrais, reproduzindo-os, sentindo-os
como meus. invoco, pelo poder do fogo, as práticas pré-históricas da produção
cerâmica, para transformar a maleável argila num duro e estável material. nesse
sentido, conoto a prática da escultura com um valor cultural primordial.
a terra(argila), pela sua maleabilidade, permite-me explorar o gesto que, associado a uma substancialidade terrestre, está na base da criação de esculturas
‘arqueologizantes’, gérmenes da época atual. as esculturas, (re)criadas pela arte
do fogo, transmitem algo de pré-histórico. algo que evoca a arte e a cultura de
outros tempos, de outros lugares, algo que nos desperta os ecos de uma terra antiga. Propondo um salto entre milénios, o meu trabalho responde a um fascínio
pelos fragmentos arqueológicos vindos de tempos antigos, de sociedades extintas
e enigmáticas. a dualidade de referências, entre um passado remoto e a contemporaneidade, funde-se num trabalho de síntese, em que as esculturas funcionam
como metáfora que opera no deslocamento entre o sentido histórico das referências e o meu imaginário.

Fig. 1 - Sara navarro, Modelando o Passado, 2011 - Fotografia R. Soares
356
EnCOntROS: aRtE COMO aRQUEOLOGia, aRQUEOLOGia COMO aRtE

Partindo de realidades perdidas, as formas que crio põem o tempo presente
em comunicação com passados remotos. Pela transfiguração surgem modelos primordiais, reconhecíveis, mas carregados de novas simbologias. artefactos com
significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos...
Entre outras coisas, a interface entre arte contemporânea e arqueologia pode
gerar novas perspectivas sobre o estatuto do objecto, a partir de um novo olhar
sobre a cultura material. Um olhar estético que, ao contrário do tradicional e mais
científico olhar arqueológico, não está subjugado ao projeto de explicar o passado,
mas apenas de o interpretar.
Centrada no carácter reflexivo e subjetivo da cultura material, proponho o
desenvolvimento de novos métodos, menos positivistas e mais estéticos, em que
o olhar dos artistas pode ser integrado na metodologia arqueológica, com vista a
desenvolver novos modos de ver e registar, de pensar e representar.
Rompendo com a objectividade e a cientificidade, por vezes excessiva, de algumas correntes mais científicas do pensamento arqueológico, o diálogo entre as
práticas da arte e da arqueologia pode levar à introdução de métodos mais estéticos que afastem a arqueologia da convencional ideia de gerar uma clara representação do passado subjugada à científica proposta de verdades a partir de
factos.
a negociação entre a objetividade versus afetividade (emoção estética) é talvez aquela que ao mesmo tempo pode separar e unir arte e arqueologia num novo
paradigma. as questões de afeto estético e beleza, que estão na base da arte, são
frequentemente secundárias à objetividade do processo de escavação, documentação, pesquisa, registo, reconstrução e representação arqueológica. no entanto,
é compreensível que os arqueólogos, nas suas autorizadas auto-representações
de mundos materiais objectivos, achem atraente a relação entre artista e arqueológo, na medida em que ela permite estabelecer, em simultâneo, uma autoridade
crítica e objectiva, característica da arqueologia, e incluir a componente acrítica
do afeto, característica da arte, na perpetuação de uma aura no processo arqueológico contemporâneo (Russell, 2011: 174).
neste sentido, penso que ambas as disciplinas podem usar a interpretação
e o pensamento criativo, envolvendo-se em atos de intuição, reconhecendo padrões e relacionando observações e ideias previamente não associadas, incidindo
tanto na objetividade como na subjetividade, no materialismo como no idealismo
(Bonaventura e Jones, 2011: 3).
O não-explicativo, o não-representacional e o não-temporal, característicos da
arte contemporânea, podem proporcionar à arqueologia a libertação de excessivos
preconceitos teóricos rumo a uma observação do passado mais contemporânea. tal
como acontece com a prática artística contemporânea, a meu ver, é crucial que o
trabalho da arqueologia não se limite à analise hermética do passado e se envolva
na pluralidade e multivocalidade do pensamento contemporâneo (Bailey, 2008: 17).
357
SaRa naVaRRO

Fig. 2 – Sara navarro, Cozedura de Cerâmica em Fogueira, 2012 - Fotografia R. Soares

a linha não-temporal e a compreensão de que os objetos da cultura material
arqueológica, apesar de terem existido em diferentes tempos no passado, estão
hoje conectados, pode levar a potenciais benefícios resultantes da justaposição de
objetos, lugares, pessoas e eventos antes separados. Quer os objetos sejam ou não
evidências de um passado, a nossa ligação com eles é decididamente contemporânea, porque estamos hoje, aqui e agora, juntos, a olhar para eles (Bailey, 2008: 17).
O mundo é um palimpsesto de temporalidades em que passado e presente
se misturam na formulação de um futuro. a arqueologia não se centra num pas358
EnCOntROS: aRtE COMO aRQUEOLOGia, aRQUEOLOGia COMO aRtE

Fig. 3 - Sara navarro, Exposição Do Magma às Estrelas, villa romana de Milreu, 2012 Fotografia R. Soares

Fig. 4 – Sara navarro, Exposição Do Magma às Estrelas, villa romana de Milreu, 2012 Fotografia R. Soares
359
SaRa naVaRRO

sado objectivo, mas antes na ideia, ou no sonho, de um passado e, neste sentido,
a cientificidade excessiva tem levado muitos arqueólogos a contarem somente
metade da história. a narrativa arqueológica deve centrar-se tanto no fascínio de
encontrar como na mediação entre os objetos e o mundo atual (Russell, 2008: 2).
a interdisciplinaridade leva, geralmente, à criação de pensamento original.
Rumo a um novo território intelectual, a prática interdisciplinar implica assumir
riscos, criar rupturas, dar saltos, abdicar, quebrar convenções, renunciar à facilidade de continuar dentro do que é expectado e, claro, do que é aceite.
há muito que os artistas compreenderam a transgressão das fronteiras disciplinares e a resistência a categorizações leva a um desenvolvimento disciplinar,
visando o crescimento e possibilitando uma ontologia transversal. Penso que, tal
como a arte, a arqueologia pode beneficiar ao localizar-se num campo expandido,
num contexto mais alargado, que é simultaneamente arqueológico, histórico e artístico.
ainda que ciente das diferenças entre as disciplinas, acredito que as propostas culturais da arte contemporânea podem ser um instrumento valioso para a
análise arqueológica, assim como o conhecimento de trabalhos arqueológicos
sobre as culturas passadas se tem, ao longo da história, mostrado revelador para
a prática artística.
não espero que os artistas se tornem arqueólogos, nem que os arqueólogos
se tornem artistas, cada disciplina tem a sua própria agenda. não obstante, defendo que se podem aplicar os conhecimentos específicos de cada uma num trabalho comum, em que as duas disciplinas se justaponham na procura de um
espaço e de um diálogo coeso, num contínuo campo de interação simbiótica entre
práticas, numa experiência conjunta que ultrapasse a simples visita recíproca.
Embora esta seja, em grande parte, uma história ainda por escrever, espero
ter evidenciado a relevância do cruzamento entre o mundo da arte e da arqueologia, na formação, visão e concepção da cultura contemporânea.
Referências bibliográficas

BaiLEY, Douglas (2008) «art to archaeology to archaeology to art». in: Archaeologies of Art: Papers
from the Sixth World Archaeological Congress. Dublin: UCD scholarcast, pp. 2-18.
FERnanDES DiaS, José a. (2001) “arte e antropologia no século XX: modos de relação.” in Etnográfica,
5 (1), pp. 103-129.
BOnaVEntURa, Paul e JOnES, andrew (2011) Sculpture and Archaeology. London: the henry Moore
Foudation.
REnFREW, Colin (2006). Figuring it Out: The Parallel Visions of Artists and Arqueologists. London:
thames & hudson.
RUSSELL, ian a. (2008). «art, archaeology and the Contemporary». in: Archaeologies of Art: Papers
from the Sixth World Archaeological Congress. Dublin: UCD scholarcast, pp. 2-7.
RUSSELL, ian a. (2011). «art and archaeology. a modern allegory». in: Archaeological Dialogues. Cambridge: University Press, 18 (2), pp. 172-176.

360

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

O universo das artes
O universo das artes   O universo das artes
O universo das artes
Milena Leite
 
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfacesReflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
grupointerartes
 
Exposição con(s)equência
Exposição con(s)equênciaExposição con(s)equência
Exposição con(s)equência
Claudio Silva
 
Introdução teoria arte_arq
Introdução teoria arte_arqIntrodução teoria arte_arq
Introdução teoria arte_arq
Wívian Diniz
 
Arte e água
Arte e águaArte e água
Arte e água
LelaUdesc
 
Arte o que é
Arte   o que éArte   o que é
Arte o que é
Darli Corrêa Marinho
 
Marcio noronha
Marcio noronhaMarcio noronha
Marcio noronha
grupointerartes
 
O que é arte?
O que é arte?O que é arte?
O que é arte?
Rafael Lucas da Silva
 
O que é arte?
O que é arte?O que é arte?
O que é arte?
IF - Baiano
 
A arte na história
A arte na históriaA arte na história
A arte na história
Artedoiscmb Cmb
 
O que é a arte
O que é a arteO que é a arte
O que é a arte
Ana Barreiros
 
A historia da_arte
A historia da_arteA historia da_arte
A historia da_arte
Ana Barreiros
 
Arte 1 médio slide
Arte 1 médio slideArte 1 médio slide
Arte 1 médio slide
Eponina Alencar
 
Apostila de arte
Apostila de arteApostila de arte
Apostila de arte
Doane Castro
 
Lacerda; thamyres jaques mulheres o dinamismo dos corpos
Lacerda; thamyres jaques   mulheres o dinamismo dos corposLacerda; thamyres jaques   mulheres o dinamismo dos corpos
Lacerda; thamyres jaques mulheres o dinamismo dos corpos
Acervo_DAC
 
Função da arte
Função da arteFunção da arte
Função da arte
CEF16
 
Conceito de arte
Conceito de arteConceito de arte
Conceito de arte
kardovsky
 
Aula 3 arte - 2º ano
Aula 3   arte - 2º anoAula 3   arte - 2º ano
Aula 3 arte - 2º ano
VIVIAN TROMBINI
 
O que é arte?!
O que é arte?!O que é arte?!
O que é arte?!
Mary Lopes
 
Poetica das Apropriacoes
Poetica das ApropriacoesPoetica das Apropriacoes
Poetica das Apropriacoes
+ Aloisio Magalhães
 

Mais procurados (20)

O universo das artes
O universo das artes   O universo das artes
O universo das artes
 
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfacesReflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
Reflexoes teoricas-em-torno-de-interfaces
 
Exposição con(s)equência
Exposição con(s)equênciaExposição con(s)equência
Exposição con(s)equência
 
Introdução teoria arte_arq
Introdução teoria arte_arqIntrodução teoria arte_arq
Introdução teoria arte_arq
 
Arte e água
Arte e águaArte e água
Arte e água
 
Arte o que é
Arte   o que éArte   o que é
Arte o que é
 
Marcio noronha
Marcio noronhaMarcio noronha
Marcio noronha
 
O que é arte?
O que é arte?O que é arte?
O que é arte?
 
O que é arte?
O que é arte?O que é arte?
O que é arte?
 
A arte na história
A arte na históriaA arte na história
A arte na história
 
O que é a arte
O que é a arteO que é a arte
O que é a arte
 
A historia da_arte
A historia da_arteA historia da_arte
A historia da_arte
 
Arte 1 médio slide
Arte 1 médio slideArte 1 médio slide
Arte 1 médio slide
 
Apostila de arte
Apostila de arteApostila de arte
Apostila de arte
 
Lacerda; thamyres jaques mulheres o dinamismo dos corpos
Lacerda; thamyres jaques   mulheres o dinamismo dos corposLacerda; thamyres jaques   mulheres o dinamismo dos corpos
Lacerda; thamyres jaques mulheres o dinamismo dos corpos
 
Função da arte
Função da arteFunção da arte
Função da arte
 
Conceito de arte
Conceito de arteConceito de arte
Conceito de arte
 
Aula 3 arte - 2º ano
Aula 3   arte - 2º anoAula 3   arte - 2º ano
Aula 3 arte - 2º ano
 
O que é arte?!
O que é arte?!O que é arte?!
O que é arte?!
 
Poetica das Apropriacoes
Poetica das ApropriacoesPoetica das Apropriacoes
Poetica das Apropriacoes
 

Semelhante a Encontros arte como arqueologia, arqueologia como arte (sara navarro, 2013)

Art Archaeology the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
Art Archaeology  the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdfArt Archaeology  the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
Art Archaeology the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
Karen Benoit
 
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
Vis-UAB
 
Formas de organização de expoição
Formas de organização de expoiçãoFormas de organização de expoição
Formas de organização de expoição
MarcilleneLadeira1
 
Power apresentação mestrado linda poll verde
Power apresentação mestrado linda poll verdePower apresentação mestrado linda poll verde
Power apresentação mestrado linda poll verde
Félix Caballero
 
Pensar o curriculo_de_arte_2014
Pensar o curriculo_de_arte_2014Pensar o curriculo_de_arte_2014
Pensar o curriculo_de_arte_2014
Andreia Carla Lobo
 
Anexo B - Projeto de pesquisa
Anexo B - Projeto de pesquisaAnexo B - Projeto de pesquisa
Anexo B - Projeto de pesquisa
Sandro Bottene
 
Cintia sousa
Cintia sousaCintia sousa
Cintia sousa
grupointerartes
 
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideiaProcessos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
Anarqueologia
 
História e Literatura MNAA
História e Literatura MNAAHistória e Literatura MNAA
História e Literatura MNAA
João Lima
 
Arte
ArteArte
Bacia do Rio Tietê - Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Tietê -  Aula 1 - Versão ProfessorBacia do Rio Tietê -  Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Tietê - Aula 1 - Versão Professor
Erika Marion Robrahn-González
 
Greice cohn o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
Greice cohn   o ensino da arte contemporânea possibilitando mudançasGreice cohn   o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
Greice cohn o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
Priscila Macedo
 
Registo pseudo finalnet
Registo   pseudo finalnetRegisto   pseudo finalnet
Registo pseudo finalnet
João Lima
 
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdfMARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
DiogoRibeiro981045
 
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJAEMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
Alexandre da Rosa
 
Bacia do Rio Pardo- Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Pardo-  Aula 1 - Versão ProfessorBacia do Rio Pardo-  Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Pardo- Aula 1 - Versão Professor
Erika Marion Robrahn-González
 
Etografia com imagens
Etografia com imagensEtografia com imagens
Etografia com imagens
Ana Rocha
 
Arte e design digital
Arte e design digitalArte e design digital
Arte e design digital
Venise Melo
 
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
grupointerartes
 
Comunicação no museu
Comunicação no museuComunicação no museu
Comunicação no museu
Maria Isabel Roque
 

Semelhante a Encontros arte como arqueologia, arqueologia como arte (sara navarro, 2013) (20)

Art Archaeology the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
Art Archaeology  the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdfArt Archaeology  the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
Art Archaeology the Ineligible project (2020) - extended book chapter.pdf
 
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
O museu virtual e a arte acriana na educação, a partir do percurso criativo d...
 
Formas de organização de expoição
Formas de organização de expoiçãoFormas de organização de expoição
Formas de organização de expoição
 
Power apresentação mestrado linda poll verde
Power apresentação mestrado linda poll verdePower apresentação mestrado linda poll verde
Power apresentação mestrado linda poll verde
 
Pensar o curriculo_de_arte_2014
Pensar o curriculo_de_arte_2014Pensar o curriculo_de_arte_2014
Pensar o curriculo_de_arte_2014
 
Anexo B - Projeto de pesquisa
Anexo B - Projeto de pesquisaAnexo B - Projeto de pesquisa
Anexo B - Projeto de pesquisa
 
Cintia sousa
Cintia sousaCintia sousa
Cintia sousa
 
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideiaProcessos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
Processos da poética: o paradoxo como paradigma - o museu como ideia
 
História e Literatura MNAA
História e Literatura MNAAHistória e Literatura MNAA
História e Literatura MNAA
 
Arte
ArteArte
Arte
 
Bacia do Rio Tietê - Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Tietê -  Aula 1 - Versão ProfessorBacia do Rio Tietê -  Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Tietê - Aula 1 - Versão Professor
 
Greice cohn o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
Greice cohn   o ensino da arte contemporânea possibilitando mudançasGreice cohn   o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
Greice cohn o ensino da arte contemporânea possibilitando mudanças
 
Registo pseudo finalnet
Registo   pseudo finalnetRegisto   pseudo finalnet
Registo pseudo finalnet
 
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdfMARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
MARATONA REVISA 3ª SÉRIE SETEMBRO PROFESSOR (2).pdf
 
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJAEMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
EMEF Max A. Oderich - Projeto ArtEJA
 
Bacia do Rio Pardo- Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Pardo-  Aula 1 - Versão ProfessorBacia do Rio Pardo-  Aula 1 - Versão Professor
Bacia do Rio Pardo- Aula 1 - Versão Professor
 
Etografia com imagens
Etografia com imagensEtografia com imagens
Etografia com imagens
 
Arte e design digital
Arte e design digitalArte e design digital
Arte e design digital
 
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
32 luciana ribeiro_desejodecriacaocorpo
 
Comunicação no museu
Comunicação no museuComunicação no museu
Comunicação no museu
 

Mais de arqueomike

Algarve informativo #213
Algarve informativo #213Algarve informativo #213
Algarve informativo #213
arqueomike
 
Algarve informativo #211
Algarve informativo #211Algarve informativo #211
Algarve informativo #211
arqueomike
 
Trilho Ambiental do Castelejo
Trilho Ambiental do CastelejoTrilho Ambiental do Castelejo
Trilho Ambiental do Castelejo
arqueomike
 
Estação da Biodiversidade da Boca do Rio
Estação da Biodiversidade da Boca do RioEstação da Biodiversidade da Boca do Rio
Estação da Biodiversidade da Boca do Rio
arqueomike
 
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do BispoPrograma II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
arqueomike
 
Programa
ProgramaPrograma
Programa
arqueomike
 
Fam trip omíada vila do bispo
Fam trip omíada vila do bispoFam trip omíada vila do bispo
Fam trip omíada vila do bispo
arqueomike
 
Folheto Rota Omíada
Folheto Rota OmíadaFolheto Rota Omíada
Folheto Rota Omíada
arqueomike
 
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do BispoRocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
arqueomike
 
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
arqueomike
 
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
arqueomike
 
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
arqueomike
 
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes MediterrânicasPrograma DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
arqueomike
 
Ingrina - Sophia de Mello Breyner
Ingrina - Sophia de Mello BreynerIngrina - Sophia de Mello Breyner
Ingrina - Sophia de Mello Breyner
arqueomike
 
Rota al-Mutamid - Sagres
Rota al-Mutamid - SagresRota al-Mutamid - Sagres
Rota al-Mutamid - Sagres
arqueomike
 
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
arqueomike
 
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
arqueomike
 
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
arqueomike
 
BWF'2014 - Arqueologia
BWF'2014 - ArqueologiaBWF'2014 - Arqueologia
BWF'2014 - Arqueologia
arqueomike
 
Vila do Bispo Arqueológica
Vila do Bispo ArqueológicaVila do Bispo Arqueológica
Vila do Bispo Arqueológica
arqueomike
 

Mais de arqueomike (20)

Algarve informativo #213
Algarve informativo #213Algarve informativo #213
Algarve informativo #213
 
Algarve informativo #211
Algarve informativo #211Algarve informativo #211
Algarve informativo #211
 
Trilho Ambiental do Castelejo
Trilho Ambiental do CastelejoTrilho Ambiental do Castelejo
Trilho Ambiental do Castelejo
 
Estação da Biodiversidade da Boca do Rio
Estação da Biodiversidade da Boca do RioEstação da Biodiversidade da Boca do Rio
Estação da Biodiversidade da Boca do Rio
 
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do BispoPrograma II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
Programa II Seminário Potencialidades de um Concelho - o Mar de Vila do Bispo
 
Programa
ProgramaPrograma
Programa
 
Fam trip omíada vila do bispo
Fam trip omíada vila do bispoFam trip omíada vila do bispo
Fam trip omíada vila do bispo
 
Folheto Rota Omíada
Folheto Rota OmíadaFolheto Rota Omíada
Folheto Rota Omíada
 
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do BispoRocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
Rocha das Gaivotas, Sagres, Vila do Bispo
 
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
Percurso Pedestre 'Pelas Encostas da Raposeira' (Vila do Bispo) - folheto (Vi...
 
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
Recursos Patrimoniais versus Sustentabilidade: o caso de Vila do Bispo (Ricar...
 
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
Lapa do Monte Francês, Sagres (NEUA, Espeleo Divulgação 5, 1986)
 
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes MediterrânicasPrograma DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
Programa DiVam 2015 - Património Imaterial e Raízes Mediterrânicas
 
Ingrina - Sophia de Mello Breyner
Ingrina - Sophia de Mello BreynerIngrina - Sophia de Mello Breyner
Ingrina - Sophia de Mello Breyner
 
Rota al-Mutamid - Sagres
Rota al-Mutamid - SagresRota al-Mutamid - Sagres
Rota al-Mutamid - Sagres
 
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de M...
 
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
BERNARDES, J. P.; MORAIS, R.; VAZ PINTO, I; GUERSCHMAN, J. (2014) - Colmeias ...
 
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
Sagres - o Promontorium Sacrum: uma petrificada paisagem sagrada (SOARES, R.,...
 
BWF'2014 - Arqueologia
BWF'2014 - ArqueologiaBWF'2014 - Arqueologia
BWF'2014 - Arqueologia
 
Vila do Bispo Arqueológica
Vila do Bispo ArqueológicaVila do Bispo Arqueológica
Vila do Bispo Arqueológica
 

Último

Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da TerraUma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Luiz C. da Silva
 
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
Miguel Delamontagne
 
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdfCaderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
shirleisousa9166
 
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdfHistória das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
LeideLauraCenturionL
 
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptxA Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
tamirissousa11
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
valdeci17
 
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Centro Jacques Delors
 
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptxVOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
mailabueno45
 
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdfGeotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Falcão Brasil
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Falcão Brasil
 
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
Sandra Pratas
 
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdfP0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
Ceiça Martins Vital
 
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdfA Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
Falcão Brasil
 
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
marcos oliveira
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
portaladministradores
 
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
Sandra Pratas
 
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
Sandra Pratas
 
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsxOceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Luzia Gabriele
 
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptxSlides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 

Último (20)

Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da TerraUma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
 
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA .
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA                .TALENTOS DA NOSSA ESCOLA                .
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA .
 
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
Ensinar Programação 📚 Python 🐍 Método Inovador e Prático 🚀
 
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdfCaderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
Caderno_de_referencias_Ocupacaohumana_IV_FlaviaCoelho_compressed.pdf
 
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdfHistória das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
 
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptxA Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
A Priula sobre a primeira Guerra Mundial.pptx
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
 
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
 
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptxVOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
VOCÊ CONHECE AS HISTÓRIAS DA BIBLÍA - EMOJIES.pptx
 
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdfGeotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
 
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O MONSTRO DAS CORES_ANGELINA & MÓNICA_22_23
 
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdfP0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
 
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdfA Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
 
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
Folha de Atividades (Virei Super-Herói! Projeto de Edição de Fotos) com Grade...
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
 
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_MARINELA NEVES & PAULA FRANCISCO_22_23
 
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
EBOOK_HORA DO CONTO_O SONHO DO EVARISTO_RITA E CLÁUDIA_22_23
 
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsxOceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
 
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptxSlides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
Slides Lição 3, CPAD, Rute e Noemi, Entrelaçadas pelo Amor.pptx
 

Encontros arte como arqueologia, arqueologia como arte (sara navarro, 2013)

  • 1. O Leitor, certamente, encontrará diversos motivos de interesse garve, em janeiro de 2013, dedicado à temática das relações (Professores, Investigadores, Artistas, etc.), cujos textos versam sobre as múltiplas abordagens possíveis das relações entre as artes e as ciências, em distintos momentos e contextos históricos, colocando em diálogo áreas tão diversas como a matemá- tica, a física, a biologia, a literatura, o cinema, o teatro, a pintura, a história da cultura, a história das ciências, a medicina, a arquitetura, a didática das ciências, a filosofia, etc. Claro que a natu- reza de tais diálogos é muito diferenciada, consoante o tipo de abordagem realizado por cada autor. O Leitor selecionará aquele(s) com que mais se identifique, de acordo com os seus E M D I Á LO G O entre arte e ciência, reúne um considerável número de autores A R T E E C I Ê N C I AS realização de um Colóquio Internacional na Universidade do Al- C O O R D E N A D O R J O Ã O C A R L O S C A R VA L H O nesta obra polifónica. De facto, o presente livro, surgindo após a A R T E E C I Ê N C I AS E M D I Á LO G O C O O R D E N A Ç Ã O : J O Ã O C A R L O S C A R VA L H O interesses científicos, culturais, artísticos, profissionais. A distri- buição dos textos na obra procurou, intencionalmente, sugerir a ideia de miscelânea de vários saberes, evitando-se a tradicional e cómoda arrumação por áreas de especialidade, por temas ou assuntos. A surpresa poderá incentivar o interesse e o espírito de descoberta do Leitor que, assim, poderá usufruir deste livro coletivo em tempos e espaços de leitura por si próprio decididos. www.ruigracio.com Grácio Editor Grácio Editor
  • 2. FiCha téCniCa título: arte e Ciências em Diálogo Organização: João Carlos Carvalho Capa: Frederico Silva | Grácio Editor Design gráfico: Grácio Editor 1ª Edição: Outubro de 2013 iSBn: 978-989-8377-51-0 © Grácio Editor avenida Emídio navarro, 93, 2.º, Sala E 3000-151 COiMBRa telef.: 239 091 658 e-mail: editor@ruigracio.com sítio: www.ruigracio.com Reservados todos os direitos 4
  • 3. ENCONTROS: ARTE COMO ARquEOLOGIA, ARquEOLOGIA COMO ARTE Sara navarro CiaC - Centro de investigação em artes e Comunicação da Universidade de algarve Resumo a arte contemporânea tem vindo a transformar-se naquilo que podemos descrever como um vasto programa de investigação que olha de forma crítica aquilo que somos e, neste sentido, pode oferecer um recurso fundamental para quem queira refletir sobre o mundo e perceber o processo que fez de nós o que somos hoje. a partir da constatação de que artistas e arqueólogos prestam, atualmente, cada vez mais atenção ao respectivo trabalho de uns e de outros, proponho explorar a forma como a arte contemporânea – e em particular o meu trabalho – se pode encaixar no projeto arqueológico de estudo, compreensão e comunicação do passado humano. Palavras Chave arte; arqueologia; Criatividade; Objetividade;afetividade O diálogo, histórico e permanente, entre artistas e arqueólogos e a, cada vez mais comum, colaboração de artistas nos projetos de investigação arqueológica leva-me a questionar a natureza desta relação, o status do artista para a arqueologia e o interesse dos arqueológos na prática artística. ao longo da história, é comum encontrarmos artistas que se inspiraram na arqueologia ou que encontraram afinidades entre os processos criativos e os processos de trabalho da arqueologia. nos últimos dez ou quinze anos, tornou-se frequente, especialmente no Reino Unido, encontrar arqueólogos que procuram no trabalho de artistas contemporâneos fontes de informação interpretativa. Colin Renfrew, professor de arqueologia na Universidade de Cambridge e uma das figuras mais destacadas da arqueologia contemporânea, em Figuring it Out – The Parallel Visions of Artists and Archaeologists (2006), propõe uma convergência entre arte e arqueologia, investigando de que forma podem as questões levantadas pela prática artística contemporânea ter um contributo para a investigação arqueológica. O seu objectivo é tentar olhar para a arte como arqueologia e para a arqueologia como arte, na procura de uma interação entre as duas onde, numa criativa analogia, questiona a condição humana. a condição humana, o tempo, o corpo, o lugar, a paisagem e a cultura material são algumas das grandes temáticas que desafiam tanto artistas como arqueólogos. ambos, artistas e arqueólogos, procuram encontrar respostas para as grandes questões intemporais relativas ao ser humano e ao seu papel no mundo. a arte caracteriza-se, hoje, pela sua natureza múltipla ou expandida, com uma dimensão crítica e utópica, cuja prática se integra noutros domínios mais am355
  • 4. SaRa naVaRRO plos da vida, tornando-se cada vez mais cultural e socialmente relevante. a exploração das formas de ver, sentir, perceber, conhecer e finalmente, estar no mundo, característica da arte contemporânea, expande e altera a noção de arte para lá da representação visual e torna-a numa interessante ferramenta de pesquisa com utilidade para as outras áreas do saber (Fernandes Dias, 2001: 104-106). no meu trabalho, procuro fazer uma ponte entre os processos mais remotos da produção cerâmica e a criação artística contemporânea, privilegiando a exploração da relação entre a mão e a matéria, no sentido do ‘saber fazer’ artesanal. Procuro entrar nos gestos dos produtores ancestrais, reproduzindo-os, sentindo-os como meus. invoco, pelo poder do fogo, as práticas pré-históricas da produção cerâmica, para transformar a maleável argila num duro e estável material. nesse sentido, conoto a prática da escultura com um valor cultural primordial. a terra(argila), pela sua maleabilidade, permite-me explorar o gesto que, associado a uma substancialidade terrestre, está na base da criação de esculturas ‘arqueologizantes’, gérmenes da época atual. as esculturas, (re)criadas pela arte do fogo, transmitem algo de pré-histórico. algo que evoca a arte e a cultura de outros tempos, de outros lugares, algo que nos desperta os ecos de uma terra antiga. Propondo um salto entre milénios, o meu trabalho responde a um fascínio pelos fragmentos arqueológicos vindos de tempos antigos, de sociedades extintas e enigmáticas. a dualidade de referências, entre um passado remoto e a contemporaneidade, funde-se num trabalho de síntese, em que as esculturas funcionam como metáfora que opera no deslocamento entre o sentido histórico das referências e o meu imaginário. Fig. 1 - Sara navarro, Modelando o Passado, 2011 - Fotografia R. Soares 356
  • 5. EnCOntROS: aRtE COMO aRQUEOLOGia, aRQUEOLOGia COMO aRtE Partindo de realidades perdidas, as formas que crio põem o tempo presente em comunicação com passados remotos. Pela transfiguração surgem modelos primordiais, reconhecíveis, mas carregados de novas simbologias. artefactos com significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos... Entre outras coisas, a interface entre arte contemporânea e arqueologia pode gerar novas perspectivas sobre o estatuto do objecto, a partir de um novo olhar sobre a cultura material. Um olhar estético que, ao contrário do tradicional e mais científico olhar arqueológico, não está subjugado ao projeto de explicar o passado, mas apenas de o interpretar. Centrada no carácter reflexivo e subjetivo da cultura material, proponho o desenvolvimento de novos métodos, menos positivistas e mais estéticos, em que o olhar dos artistas pode ser integrado na metodologia arqueológica, com vista a desenvolver novos modos de ver e registar, de pensar e representar. Rompendo com a objectividade e a cientificidade, por vezes excessiva, de algumas correntes mais científicas do pensamento arqueológico, o diálogo entre as práticas da arte e da arqueologia pode levar à introdução de métodos mais estéticos que afastem a arqueologia da convencional ideia de gerar uma clara representação do passado subjugada à científica proposta de verdades a partir de factos. a negociação entre a objetividade versus afetividade (emoção estética) é talvez aquela que ao mesmo tempo pode separar e unir arte e arqueologia num novo paradigma. as questões de afeto estético e beleza, que estão na base da arte, são frequentemente secundárias à objetividade do processo de escavação, documentação, pesquisa, registo, reconstrução e representação arqueológica. no entanto, é compreensível que os arqueólogos, nas suas autorizadas auto-representações de mundos materiais objectivos, achem atraente a relação entre artista e arqueológo, na medida em que ela permite estabelecer, em simultâneo, uma autoridade crítica e objectiva, característica da arqueologia, e incluir a componente acrítica do afeto, característica da arte, na perpetuação de uma aura no processo arqueológico contemporâneo (Russell, 2011: 174). neste sentido, penso que ambas as disciplinas podem usar a interpretação e o pensamento criativo, envolvendo-se em atos de intuição, reconhecendo padrões e relacionando observações e ideias previamente não associadas, incidindo tanto na objetividade como na subjetividade, no materialismo como no idealismo (Bonaventura e Jones, 2011: 3). O não-explicativo, o não-representacional e o não-temporal, característicos da arte contemporânea, podem proporcionar à arqueologia a libertação de excessivos preconceitos teóricos rumo a uma observação do passado mais contemporânea. tal como acontece com a prática artística contemporânea, a meu ver, é crucial que o trabalho da arqueologia não se limite à analise hermética do passado e se envolva na pluralidade e multivocalidade do pensamento contemporâneo (Bailey, 2008: 17). 357
  • 6. SaRa naVaRRO Fig. 2 – Sara navarro, Cozedura de Cerâmica em Fogueira, 2012 - Fotografia R. Soares a linha não-temporal e a compreensão de que os objetos da cultura material arqueológica, apesar de terem existido em diferentes tempos no passado, estão hoje conectados, pode levar a potenciais benefícios resultantes da justaposição de objetos, lugares, pessoas e eventos antes separados. Quer os objetos sejam ou não evidências de um passado, a nossa ligação com eles é decididamente contemporânea, porque estamos hoje, aqui e agora, juntos, a olhar para eles (Bailey, 2008: 17). O mundo é um palimpsesto de temporalidades em que passado e presente se misturam na formulação de um futuro. a arqueologia não se centra num pas358
  • 7. EnCOntROS: aRtE COMO aRQUEOLOGia, aRQUEOLOGia COMO aRtE Fig. 3 - Sara navarro, Exposição Do Magma às Estrelas, villa romana de Milreu, 2012 Fotografia R. Soares Fig. 4 – Sara navarro, Exposição Do Magma às Estrelas, villa romana de Milreu, 2012 Fotografia R. Soares 359
  • 8. SaRa naVaRRO sado objectivo, mas antes na ideia, ou no sonho, de um passado e, neste sentido, a cientificidade excessiva tem levado muitos arqueólogos a contarem somente metade da história. a narrativa arqueológica deve centrar-se tanto no fascínio de encontrar como na mediação entre os objetos e o mundo atual (Russell, 2008: 2). a interdisciplinaridade leva, geralmente, à criação de pensamento original. Rumo a um novo território intelectual, a prática interdisciplinar implica assumir riscos, criar rupturas, dar saltos, abdicar, quebrar convenções, renunciar à facilidade de continuar dentro do que é expectado e, claro, do que é aceite. há muito que os artistas compreenderam a transgressão das fronteiras disciplinares e a resistência a categorizações leva a um desenvolvimento disciplinar, visando o crescimento e possibilitando uma ontologia transversal. Penso que, tal como a arte, a arqueologia pode beneficiar ao localizar-se num campo expandido, num contexto mais alargado, que é simultaneamente arqueológico, histórico e artístico. ainda que ciente das diferenças entre as disciplinas, acredito que as propostas culturais da arte contemporânea podem ser um instrumento valioso para a análise arqueológica, assim como o conhecimento de trabalhos arqueológicos sobre as culturas passadas se tem, ao longo da história, mostrado revelador para a prática artística. não espero que os artistas se tornem arqueólogos, nem que os arqueólogos se tornem artistas, cada disciplina tem a sua própria agenda. não obstante, defendo que se podem aplicar os conhecimentos específicos de cada uma num trabalho comum, em que as duas disciplinas se justaponham na procura de um espaço e de um diálogo coeso, num contínuo campo de interação simbiótica entre práticas, numa experiência conjunta que ultrapasse a simples visita recíproca. Embora esta seja, em grande parte, uma história ainda por escrever, espero ter evidenciado a relevância do cruzamento entre o mundo da arte e da arqueologia, na formação, visão e concepção da cultura contemporânea. Referências bibliográficas BaiLEY, Douglas (2008) «art to archaeology to archaeology to art». in: Archaeologies of Art: Papers from the Sixth World Archaeological Congress. Dublin: UCD scholarcast, pp. 2-18. FERnanDES DiaS, José a. (2001) “arte e antropologia no século XX: modos de relação.” in Etnográfica, 5 (1), pp. 103-129. BOnaVEntURa, Paul e JOnES, andrew (2011) Sculpture and Archaeology. London: the henry Moore Foudation. REnFREW, Colin (2006). Figuring it Out: The Parallel Visions of Artists and Arqueologists. London: thames & hudson. RUSSELL, ian a. (2008). «art, archaeology and the Contemporary». in: Archaeologies of Art: Papers from the Sixth World Archaeological Congress. Dublin: UCD scholarcast, pp. 2-7. RUSSELL, ian a. (2011). «art and archaeology. a modern allegory». in: Archaeological Dialogues. Cambridge: University Press, 18 (2), pp. 172-176. 360