Minicurso educação cristã

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Minicurso educação cristã

  1. 1. Educação Cristã: Convergência entre Ciência e Religião “Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega”. Assim disse Albert Einstein. Minicurso elaborado pela Profª Esp. Monika Picanço III Semana Científica da Faculdade de Ciências Aplicadas e Tecnológicas do Litoral Sul Itanhaém -SP 2014
  2. 2. “Somos limitados, mas é dentro dos limites e condicionamentos que se opera a nossa liberdade”. (Márcio Fabri dos Anjos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião) “Os seres humanos não são econômicos. Todos os que conheço são muito parecidos com Hamlet, todos os dias com dúvidas e indagando-se em busca da coerência.” (Amartya Kumar Sen – Prêmio Nobel de Economia de 1998)”
  3. 3. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” (Ruy Barbosa) “Quanto mais a ciência avança ao propor novas formas de explicação para o Universo, mais o mistério se aprofunda e abre caminho para interpretações.” (Mário Sérgio Cortella, professor titular de Teologia e Ciências da Religião na PUC-SP)
  4. 4. INTRODUÇÃO A Humanidade conseguiu inúmeros avanços. Chegamos ao século X X I, podendo, através dos progressos da cibernética, conversar em tempo real com alguém do outro lado do planeta. Chegamos ao controle do átomo, realização de transplantes, clonagem, conquistas espaciais com satélites e naves, fibra ótica, robótica, etc. Em contrapartida, não temos respostas para questões relacionadas à fome, à violência, à corrupção, à degradação e exploração do meio- ambiente, à falta de respeito com outras formas de vida e para com outros semelhantes.
  5. 5. A libertação do homem em decorrência do progresso técnico-científico não ocorreu, como se esperava. Acirram-se, continuamente, conflitos entre os povos; o alto poder destrutivo das armas transformou guerras em genocídios; cresceu assustadoramente a poluição dos mares e da atmosfera do planeta, enquanto os recursos energéticos vão se exaurindo e o homem conseguiu até alterar a ordem climática da Terra.
  6. 6. “Estamos mais próximos de um suicídio coletivo do que de uma libertação”, afirma sabiamente Fernando Guedes de Mello, em seu ensaio Ética, Cultura & Organização (in: www.espirito.org.br/portal/artigos). E cita Peter Drucker: “o caráter e a integridade, por si só, nada realizam. Mas sua ausência aniquila tudo o mais” (grifos nossos).
  7. 7. Ética vem do grego “ethico”, que se origina em “ethos”, que significa caráter, forma de ser. Ética significa, pois, as coisas referentes ao caráter. Ensina-nos Maria Aparecida Ferreira de Aguiar (A ética nas organizações é possível?, in Revista UN ICSUL , nº7, p.46): “A palavra moral, originalmente em latim moralist, como adjetivo, e mos, morés, substantivo, nos leva à moralidade, que tem a ver com a ação de seu ego, self ou sujeito que relaciona a sua ação com a ação dos outros. A moral é individual, enquanto a ética é a moral pensada, mas na prática” (grifo nosso).
  8. 8. Já diziam os sábios pensadores da Antiguidade que o homem é um ser social e político. Aristóteles afirmava que o homem é um ser feito para a convivência social. O filósofo viveu entre 384 a.C. e 322 a.C. e já se preocupava com a Ética, a ciência dos costumes. Para ele, o homem é ser racional e seu sumo bem não se realiza na vida individual; todos concordam que o fim último é a felicidade, mas discordam quanto à sua essência. Muitos colocam a felicidade ou no prazer ou na honra ou na virtude. E m um ponto, porém, temos que concordar, ainda em nossos dias, com a premissa aristotélica de que conquistamos a virtude com o exercitar-nos em atos virtuosos.
  9. 9. Certa vez, uma mãe levou seu filho pequeno até Ghandi, dizendo: “Ghandi, meu filho come açúcar demais e isso é ruim para os dentes dele. Por favor, diga-lhe que pare”. Ghandi pediu gentilmente que a mulher voltasse dali a duas semanas com o menino e quando ela o fez, Ghandi olhou o menino nos olhos e disse: “você não deve comer tanto açúcar, faz mal para os seus dentes”. A mãe, muito feliz, agradeceu o mestre e já saindo com seu filho, voltou- se e perguntou: “mas, por que o senhor simplesmente não lhe disse isso há duas semanas?”. E Ghandi respondeu: “porque há duas semanas eu ainda comia açúcar” (grifo nosso).
  10. 10. Segundo Gilclér Regina, no artigo Minha vida é minha imagem (Revista Vencer, n.54, p.12), “Na vida, há uma distinção entre uma resposta e uma reação. A reação é instantânea, repleta de emoção, desprovida de um pensamento direcionado e consciente e a resposta é uma conduta mais ponderada porque é dirigida mais pela razão e pela reflexão e menos pela emoção. A reação não leva em conta as consequências, ao passo que a resposta é determinada pela reflexão sobre as consequências”. Precisamos mais de respostas e menos de reações.
  11. 11. “Os indivíduos no Brasil tornaram-se social e moralmente supérfluos. Eles nada valem como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades. Ao contrário, são postos em situação de desqualificação e tutela. O que vigora hoje, no Brasil, é uma razão cínica. N o lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante que diz que toda lei é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo”. Necessitamos, urgentemente, de um renascimento dos valores éticos e morais para que a sociedade retome seu eixo e a Educação Cristã tem papel-chave e fundamental nessa retomada. Necessitamos, com brevidade, de uma ética do caráter, intimamente ligada à fé na natureza humana, no potencial criativo do ser humano. Um trabalho “de dentro para fora”. Lembra-nos Fernando Guedes de Mello (op.cit.) : “uma flor nunca desabrocha de fora para dentro”. Para o psicanalista Jurandir Freire Costa (A Ética e o espelho da cultura, p.10),
  12. 12. Como bem expõe Daniel Piza (Cultura da leviandade, in O Estado de São Paulo, 04.04.2004, p.3D): “Não se trata apenas do desespero do desempregado, ou do sujeito que cada vez mais vê o salário ficar abaixo das contas, ou dos pais que temem pelos filhos nas cidades violentas. O pior é ver aumentar a sensação de que fazer o bem, ser correto, querer crescer como pessoa, não vale a pena. E esta sensação é o maior problema que o Brasil vive hoje, pelo que significa de ofensa à dignidade e pelo que implica perda de critério e ânimo” (grifo nosso).
  13. 13. EDUCAÇÃO CRISTÃ: SOLUÇÃO NA PALAVRA DE DEUS - LOGOS CRIADOR E TRANSFORMADOR - E O MODELO DO MESTRE DOS MESTRES, JESUS. IS 48.17-18: “Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar”. Sempre que penso em religião e nas diversas igrejas, pergunto-me por que, muitas vezes, o crente – seja qual for a fé que professe – fala muito na palavra e nos ensinamentos de Deus, mas acaba por não colocar em prática Seus ensinamentos.
  14. 14. Outra questão que sempre me chamou atenção é o significado do mandamento “crescei e multiplicai-vos”. Lembro- me que, uma vez, em minha juventude, numa destas conversas, chamadas de “filosofias de mesas de bar”, expus minha teoria com medo de que me tomassem como louca. Disse o que creio até hoje: que o sentido desse mandamento não é apenas carnal. Podemos crescer e multiplicar-nos espiritual, moral e culturalmente. E mais: que é também isso que Deus espera de nós, é nosso dever. Gn.1.28: “Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai- a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Deus deu ao homem, assim, supremacia sobre as outras espécies; deu-lhe a razão, o livre-arbítrio, e, acima de tudo, a responsabilidade.
  15. 15. Em matéria publicada na Revista Isto É , edição nº 1889, de 28/12/2005, li: “a neurociência demonstra que a religiosidade está sediada no cérebro. Estudos feitos com monges e freiras em clausura mostram que houve mudanças na química do sangue e nas ondas cerebrais quando eles oravam ou meditavam”. Se assim é, a religiosidade, a fé, a oração, em muito vêm ajudar a ciência e, consequentemente, é papel dos que militam nas esferas religiosa e educacional, transformar esse potencial em ações que visem ao aprimoramento da humanidade, especialmente no momento em que vivemos, em que assistimos à inversão (ou falta?) de valores, como exposto no início deste trabalho.
  16. 16. Rick Warren, em sua obra Você não está aqui por acaso, diz: “Deus não nos deixou às cegas, para ficarmos nos questionando e conjecturando. Claramente revelou, ao longo da Bíblia, seus propósitos para nossa vida. É o nosso ‘manual do fabricante’: ‘ a sabedoria de Deus trata profundamente de seus propósitos, não sendo sua mensagem recente, e sim a mais antiga – que Deus determinou como a forma de aflorar o melhor de si em nós’ I Coríntios 2.7. Deus não é apenas o ponto de partida de nossa vida: é a fonte dela. Para descobrir o propósito de sua vida, volte-se para a Palavra de Deus, não para a sabedoria do mundo (grifos nossos)”.
  17. 17. Acontece que “o resultado da obra criativa de Deus não subsiste em um vácuo moral”. Assim, cabe a teólogos e educadores refletirem sobre a questão do ensino pela fé reformadora – teologia reformada na (e para a) educação - (grifo nosso). A Educação cristã coloca Deus no centro de uma cosmovisão, visão unificada do conhecimento para a vida. Pergunto: viveríamos hoje uma ‘nova queda’? É possível cair mais fundo? Salmo 19.12-13: “Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos. Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão”. E is a solução. O caminho é de pedras e longo, mas não impossível. As leis naturais de Deus, em sua perfeita ordem, levam à sabedoria, que é ‘um passo à frente da aquisição de conhecimento, é a aplicação correta do conhecimento adquirido’.
  18. 18. CRISTO É SABEDORIA PERSONIFICADA “É em Cristo que descobrimos quem somos e o propósito de nossa vida. Muito antes de termos ouvido falar de Cristo e de termos erguido nossas esperanças [...] Ele já tinha Seus olhos sobre nós; já havia planejado para nós uma vida gloriosa, parte do projeto global que Ele está elaborando para tudo e para todos”Efésios 1.11. Os educadores, especialmente os teólogos, devem sempre ter em mente que Jesus, através do discipulado, deixou Seu legado, e que são os principais responsáveis por sua continuidade.
  19. 19. Is 48.3-11: “Desde a Antigüidade anunciei as coisas que haviam de ser; da minha boca é que saíram, e eu as fiz ouvir; de repente as pus por obra, e elas aconteceram. [...] Porque eu sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. [...] olha bem para tudo isto; porventura não o anunciarás? Desde agora te mostro coisas novas e ocultas, que não sabias. [...] São criadas agora, e não de há muito, e antes deste dia não as ouviste, para que não digas: Eis que já eu as sabia. [...] Tu nem as ouviste, nem as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido; porque eu sabia que procedeste muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre. [...] Eis que te purifiquei, mas não como a prata; provei-te na fornalha da aflição, [...] Por amor de mim, por amor de mim o faço; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória não a darei a outrem”.
  20. 20. Jesus é, portanto, nosso mestre supremo. Deus é o principal educador, modelo a ser seguido pelos pedagogos contemporâneos. Através do AMOR, Jesus tornou-se um líder natural, cuja autoridade provinha de seu modo de pregar e ensinar: em qualquer lugar, a quem quer que precisasse (há alguém que não precise?) de seus ensinamentos - tocou o leproso, que era discriminado em seu tempo; não fazia distinção de pessoas, tratava homens e mulheres, ricos e pobres, em pé de igualdade (aparece, após sua ressurreição, primeiramente à Maria Madalena, uma mulher). Rm 2.11: “Pois para com Deus não há acepção de pessoas”.
  21. 21. Devemos lembrar que grupos dominantes sempre usaram a educação como um meio para moldar as camadas da população, visando seus próprios interesses, muitas vezes, escusos. Jesus visava moldar as camadas da população para um interesse bem diverso: o interesse da própria população, a salvação do próprio homem. Que ideal mais nobre pode nortear a vida de um verdadeiro educador e seguidor da palavra de Deus? Rm 1.16: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Jesus possuía perspicácia e empatia com seus “pupilos”, compreendendo sua essência e natureza. Usando de parábolas, falou a linguagem de seus “alunos”. Saiu do mundo do mito – alegorias, representações, simbologias - para fazer comparações com as experiências, empiricamente. 35
  22. 22. CONCLUSÃO I Coríntios 13. 1-2: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”. Todo conhecimento adquirido pelo homem só tem valor se o levar a realizar seu maior intento: ser feliz, pleno e realizado. Felicidade, paz e harmonia são os maiores objetivos da humanidade. Amor está intimamente ligado a valores morais, espirituais e religiosos. “Religião” vem de “religare”, ligar-se novamente a Deus – o homem (re) encontrando sua essência perdida, decaída, só achada novamente pelo conhecimento e pelo amor. O verdadeiro conhecimento leva ao amor e o amor verdadeiro leva ao conhecimento.
  23. 23. I Corintios 13. 9-10: “porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”. Is 48.22: “N ão há paz para os ímpios, diz o Senhor”. Como nos ensina Rick Warren (op.cit.): “Damos glória a Deus ao nos tornar como Cristo. Damos glória a Deus servindo a outras pessoas com nossos dons. Damos glória a Deus falando dele a outras pessoas”. I Pedro 4.10,11: “Servindo uns aos outros conforme o dom que c ada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém”.
  24. 24. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA DE APOIO ALMEIDA, Bíblia atualizada e corrigida In http://www.bibliaonline.com.br/# MENCONI, Darlene. As razões da fé In Revista ISTO É, ed. 1889, 28 de dezembro de 2005, SP, pg. 100-106. PICANÇO, Monika. Redescobrindo o ser ético: sociedade sem valor é ser humano sem amor. São Paulo: Clube de Autores, 2009. WARREN, Rick. Você não está aqui por acaso. São Paulo: Editora Vida, 2005. Este Minicurso foi elaborado, a partir de excerto do livro Reflexões Teológicas Vol. 1, de Monika Picanço, Editora Clube de Autores/AGBOOK, disponível para aquisição, impresso ou em formato e-book, IN http://migre.me/exw2i

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