Educação Cristã:
Convergência entre Ciência
e Religião
“Ciência sem religião é
manca. Religião sem ciência é
cega”.
Assim disse Albert Einstein.
Minicurso elaborado pela
Profª Esp. Monika Picanço
III Semana Científica da
Faculdade de Ciências
Aplicadas e Tecnológicas do
Litoral Sul
Itanhaém -SP
2014
“Somos limitados,
mas é dentro dos limites e
condicionamentos que se opera a nossa
liberdade”.
(Márcio Fabri dos Anjos,
ex-presidente da Sociedade Brasileira de
Teologia e Ciências da Religião)
“Os seres humanos não são econômicos.
Todos os que conheço são muito parecidos
com Hamlet, todos os dias com dúvidas e
indagando-se em busca da coerência.”
(Amartya Kumar Sen – Prêmio Nobel de
Economia de 1998)”
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a
desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantar-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.”
(Ruy Barbosa)
“Quanto mais a ciência avança ao propor novas formas de
explicação para o Universo,
mais o mistério se aprofunda e abre caminho
para interpretações.”
(Mário Sérgio Cortella,
professor titular de Teologia e Ciências da Religião na PUC-SP)
INTRODUÇÃO
A Humanidade conseguiu inúmeros
avanços. Chegamos ao século X X I,
podendo, através dos progressos da
cibernética, conversar em tempo real
com alguém do outro lado do
planeta. Chegamos ao controle do
átomo, realização de transplantes,
clonagem, conquistas espaciais com
satélites e naves, fibra ótica, robótica,
etc.
Em contrapartida, não temos
respostas para questões relacionadas
à fome, à violência, à corrupção,
à degradação e exploração do meio-
ambiente, à falta de respeito com
outras formas de vida e para com
outros semelhantes.
A libertação do homem em
decorrência do progresso
técnico-científico não
ocorreu, como se esperava.
Acirram-se, continuamente,
conflitos entre os povos; o alto
poder destrutivo das armas
transformou guerras em
genocídios; cresceu
assustadoramente a poluição
dos mares e da atmosfera
do planeta, enquanto os
recursos energéticos vão se
exaurindo e o homem
conseguiu até alterar a
ordem climática da Terra.
“Estamos mais próximos de um
suicídio coletivo do que de uma
libertação”, afirma sabiamente
Fernando Guedes de Mello, em
seu ensaio
Ética, Cultura &
Organização
(in:
www.espirito.org.br/portal/artigos).
E cita Peter Drucker: “o caráter
e a integridade, por si só, nada
realizam. Mas sua ausência
aniquila tudo o mais” (grifos
nossos).
Ética vem do grego “ethico”, que se
origina em “ethos”, que significa
caráter, forma de ser. Ética
significa, pois, as coisas referentes
ao caráter. Ensina-nos Maria
Aparecida Ferreira de Aguiar (A ética
nas organizações é possível?, in Revista
UN ICSUL , nº7, p.46):
“A palavra moral, originalmente em latim
moralist, como adjetivo, e mos, morés,
substantivo, nos leva à moralidade, que
tem a ver com a ação de seu ego, self ou
sujeito que relaciona a sua ação com a
ação dos outros. A moral é individual,
enquanto a ética é a moral pensada,
mas na prática” (grifo nosso).
Já diziam os sábios pensadores da
Antiguidade que o homem é um ser
social e político. Aristóteles afirmava
que o homem é um ser feito para a
convivência social. O filósofo viveu
entre 384 a.C. e 322 a.C. e já se
preocupava com a Ética, a ciência dos
costumes. Para ele, o homem é ser
racional e seu sumo bem não se realiza
na vida individual; todos concordam
que o fim último é a felicidade, mas
discordam quanto à sua essência. Muitos
colocam a felicidade ou no prazer ou
na honra ou na virtude. E m um
ponto, porém, temos que concordar,
ainda em nossos dias, com a premissa
aristotélica de que conquistamos a
virtude com o exercitar-nos em atos
virtuosos.
Certa vez, uma mãe levou seu filho
pequeno até Ghandi, dizendo:
“Ghandi, meu filho come açúcar demais
e isso é ruim para os dentes dele. Por
favor, diga-lhe que pare”. Ghandi
pediu gentilmente que a mulher
voltasse dali a duas semanas com o
menino e quando ela o fez, Ghandi
olhou o menino nos olhos e disse:
“você não deve comer tanto açúcar,
faz mal para os seus dentes”. A mãe,
muito feliz, agradeceu o mestre e já
saindo com seu filho, voltou- se e
perguntou: “mas, por que o senhor
simplesmente não lhe disse isso há
duas semanas?”. E Ghandi
respondeu: “porque há duas semanas
eu ainda comia açúcar” (grifo nosso).
Segundo Gilclér Regina, no artigo
Minha vida é minha imagem
(Revista Vencer, n.54, p.12),
“Na vida, há uma distinção entre uma
resposta e uma reação. A reação é
instantânea, repleta de emoção, desprovida
de um pensamento direcionado e
consciente e a resposta é uma conduta
mais ponderada porque é dirigida mais
pela razão e pela reflexão e menos pela
emoção. A reação não leva em conta
as consequências, ao passo que a
resposta é determinada pela reflexão
sobre as consequências”.
Precisamos mais de respostas e
menos de reações.
“Os indivíduos no Brasil tornaram-se social e
moralmente supérfluos. Eles nada valem como
cidadãos, pessoas que têm responsabilidades.
Ao contrário, são postos em situação de
desqualificação e tutela. O que vigora hoje, no
Brasil, é uma razão cínica. N o lugar da
indignação, produziu-se um discurso
desmoralizante que diz que toda lei é
convencionalismo, formalismo, idealismo,
conservadorismo”.
Necessitamos, urgentemente, de um
renascimento dos valores éticos e morais
para que a sociedade retome seu eixo e a
Educação Cristã tem papel-chave e
fundamental nessa retomada.
Necessitamos, com brevidade, de uma ética
do caráter, intimamente ligada à fé na
natureza humana, no potencial criativo do ser
humano. Um trabalho “de dentro para fora”.
Lembra-nos Fernando Guedes de Mello
(op.cit.) : “uma flor nunca desabrocha de fora
para dentro”.
Para o psicanalista Jurandir Freire Costa (A
Ética e o espelho da cultura, p.10),
Como bem expõe Daniel Piza (Cultura da
leviandade, in O Estado de São Paulo, 04.04.2004,
p.3D):
“Não se trata apenas do desespero do
desempregado, ou do sujeito que cada vez
mais vê o salário ficar abaixo das contas,
ou dos pais que temem pelos filhos nas
cidades violentas. O pior é ver
aumentar a sensação de que fazer o
bem, ser correto, querer crescer como
pessoa, não vale a pena. E esta
sensação é o maior problema que o
Brasil vive hoje, pelo que significa
de ofensa à dignidade e pelo que
implica perda de critério e ânimo”
(grifo nosso).
EDUCAÇÃO CRISTÃ: SOLUÇÃO NA PALAVRA
DE DEUS - LOGOS CRIADOR E
TRANSFORMADOR - E O
MODELO DO MESTRE DOS MESTRES, JESUS.
IS 48.17-18: “Assim diz o Senhor, o teu
Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o
Senhor, o teu Deus,
que te ensina o que é útil, e
te guia pelo caminho em que deves andar.
Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus
mandamentos! Então seria a tua paz como
um rio, e a tua justiça como as ondas do
mar”.
Sempre que penso em religião e
nas diversas igrejas, pergunto-me por
que, muitas vezes, o crente – seja qual
for a fé que professe – fala muito na
palavra e nos ensinamentos de Deus,
mas acaba por não colocar em prática
Seus ensinamentos.
Outra questão que sempre me chamou
atenção é o significado do mandamento
“crescei e multiplicai-vos”. Lembro- me que,
uma vez, em minha juventude, numa destas
conversas, chamadas de “filosofias de mesas
de bar”, expus minha teoria com medo de que
me tomassem como louca. Disse o que creio até
hoje: que o sentido desse mandamento não é
apenas carnal. Podemos crescer e
multiplicar-nos espiritual, moral e
culturalmente. E mais: que é também isso que
Deus espera de nós, é nosso dever.
Gn.1.28: “Então Deus os abençoou e lhes disse:
Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-
a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do
céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a
terra”. Deus deu ao homem, assim, supremacia
sobre as outras espécies; deu-lhe a razão, o
livre-arbítrio, e, acima de tudo, a
responsabilidade.
Em matéria publicada na Revista
Isto É , edição nº 1889, de
28/12/2005, li: “a neurociência
demonstra que a religiosidade
está sediada no cérebro. Estudos
feitos com monges e freiras em clausura
mostram que houve mudanças na
química do sangue e nas ondas
cerebrais quando eles oravam ou
meditavam”. Se assim é, a
religiosidade, a fé, a oração, em
muito vêm ajudar a ciência e,
consequentemente, é papel dos que
militam nas esferas religiosa e
educacional, transformar esse
potencial em ações que visem
ao aprimoramento da
humanidade, especialmente no
momento em que vivemos, em que
assistimos à inversão (ou falta?) de
valores, como exposto no início
deste trabalho.
Rick Warren, em sua obra Você não está
aqui por acaso, diz:
“Deus não nos deixou às cegas, para
ficarmos nos questionando e conjecturando.
Claramente revelou, ao longo da Bíblia,
seus propósitos para nossa vida. É o nosso
‘manual do fabricante’: ‘ a sabedoria de Deus
trata profundamente de seus propósitos, não
sendo sua mensagem recente, e sim a mais
antiga – que Deus determinou como a
forma de aflorar o melhor de si em nós’ I
Coríntios 2.7. Deus não é apenas o ponto de
partida de nossa vida: é a fonte dela. Para
descobrir o propósito de sua vida, volte-se para
a Palavra de Deus, não para a sabedoria do
mundo (grifos nossos)”.
Acontece que “o resultado da obra criativa de
Deus não subsiste em um vácuo moral”. Assim,
cabe a teólogos e educadores refletirem
sobre a questão do ensino pela fé
reformadora – teologia reformada na (e
para a) educação - (grifo nosso). A Educação
cristã coloca Deus no centro de uma
cosmovisão, visão unificada do conhecimento
para a vida. Pergunto: viveríamos hoje uma
‘nova queda’? É possível cair mais fundo?
Salmo 19.12-13: “Quem pode discernir os
próprios erros? Purifica-me tu dos que me são
ocultos. Também de pecados de presunção
guarda o teu servo, para que não se
assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e
ficarei limpo de grande transgressão”.
E is a solução. O caminho é de pedras e
longo, mas não impossível. As leis naturais
de Deus, em sua perfeita ordem, levam à
sabedoria, que é ‘um passo à frente da
aquisição de conhecimento, é a aplicação correta
do conhecimento adquirido’.
CRISTO É SABEDORIA PERSONIFICADA
“É em Cristo que descobrimos quem somos e
o propósito de nossa vida. Muito antes de
termos ouvido falar de Cristo e de termos
erguido nossas esperanças [...] Ele já tinha
Seus olhos sobre nós; já havia planejado para
nós uma vida gloriosa, parte do projeto
global que Ele está elaborando para tudo e
para todos”Efésios 1.11.
Os educadores, especialmente os
teólogos, devem sempre ter em mente
que Jesus, através do discipulado,
deixou Seu legado, e que são os
principais responsáveis por sua
continuidade.
Is 48.3-11:
“Desde a Antigüidade anunciei as coisas
que haviam de ser; da minha boca é que
saíram, e eu as fiz ouvir; de repente as pus por
obra, e elas aconteceram. [...] Porque eu
sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um
nervo de ferro, e a tua testa de bronze. [...]
olha bem para tudo isto; porventura não o
anunciarás? Desde agora te mostro coisas
novas e ocultas, que não sabias. [...] São
criadas agora, e não de há muito, e antes deste
dia não as ouviste, para que não digas: Eis
que já eu as sabia. [...] Tu nem as ouviste,
nem as conheceste, nem tampouco há muito
foi aberto o teu ouvido; porque eu sabia que
procedeste muito perfidamente, e que eras
chamado transgressor desde o ventre. [...]
Eis que te purifiquei, mas não como a
prata; provei-te na fornalha da aflição, [...]
Por amor de mim, por amor de mim o
faço; porque como seria profanado o meu
nome? A minha glória não a darei a
outrem”.
Jesus é, portanto, nosso mestre
supremo. Deus é o principal educador,
modelo a ser seguido pelos
pedagogos contemporâneos.
Através do AMOR, Jesus tornou-se um líder
natural, cuja autoridade provinha de seu
modo de pregar e ensinar: em
qualquer lugar, a quem quer que
precisasse (há alguém que não precise?)
de seus ensinamentos - tocou o
leproso, que era discriminado em seu
tempo; não fazia distinção de pessoas,
tratava homens e mulheres, ricos e
pobres, em pé de igualdade (aparece,
após sua ressurreição, primeiramente à
Maria Madalena, uma mulher).
Rm 2.11: “Pois para com Deus não há
acepção de pessoas”.
Devemos lembrar que grupos dominantes
sempre usaram a educação como um meio
para moldar as camadas da população,
visando seus próprios interesses, muitas
vezes, escusos. Jesus visava moldar as
camadas da população para um
interesse bem diverso: o interesse da
própria população, a salvação do
próprio homem. Que ideal mais nobre
pode nortear a vida de um verdadeiro
educador e seguidor da palavra de Deus?
Rm 1.16: “Porque não me envergonho do
evangelho, pois é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê”.
Jesus possuía perspicácia e empatia com
seus “pupilos”, compreendendo sua
essência e natureza. Usando de
parábolas, falou a linguagem de seus
“alunos”. Saiu do mundo do mito –
alegorias, representações, simbologias -
para fazer comparações com as
experiências, empiricamente.
35
CONCLUSÃO
I Coríntios 13. 1-2: “Ainda que eu falasse as
línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse
amor, seria como o metal que soa ou como o
címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de
profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a
ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal
que transportasse os montes, e não tivesse amor,
nada seria”.
Todo conhecimento adquirido pelo homem só tem
valor se o levar a realizar seu maior intento: ser
feliz, pleno e realizado. Felicidade, paz e
harmonia são os maiores objetivos da
humanidade. Amor está intimamente ligado a
valores morais, espirituais e religiosos.
“Religião” vem de “religare”, ligar-se novamente a
Deus – o homem (re) encontrando sua essência
perdida, decaída, só achada novamente pelo
conhecimento e pelo amor.
O verdadeiro conhecimento leva ao amor e o
amor verdadeiro leva ao conhecimento.
I Corintios 13. 9-10: “porque, em parte
conhecemos, e em parte profetizamos; mas,
quando vier o que é perfeito, então o que é em
parte será aniquilado”.
Is 48.22: “N ão há paz para os ímpios,
diz o Senhor”.
Como nos ensina Rick Warren (op.cit.):
“Damos glória a Deus ao nos tornar como
Cristo. Damos glória a Deus servindo a
outras pessoas com nossos dons. Damos
glória a Deus falando dele a outras pessoas”.
I Pedro 4.10,11:
“Servindo uns aos outros conforme o dom
que c ada um recebeu, como bons
despenseiros da multiforme graça de
Deus. Se alguém fala, fale como
entregando oráculos de Deus; se alguém
ministra, ministre segundo a força que
Deus concede; para que em tudo Deus seja
glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem
pertencem a glória e o domínio para todo
o sempre. Amém”.
REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA DE
APOIO
ALMEIDA, Bíblia atualizada e corrigida In
http://www.bibliaonline.com.br/#
MENCONI, Darlene. As razões da fé In
Revista ISTO É, ed. 1889, 28 de dezembro
de 2005, SP, pg. 100-106.
PICANÇO, Monika. Redescobrindo o ser
ético: sociedade sem valor é ser humano sem
amor. São Paulo: Clube de Autores, 2009.
WARREN, Rick. Você não está aqui por
acaso. São Paulo: Editora Vida, 2005.
Este Minicurso foi elaborado, a partir de
excerto do livro Reflexões Teológicas Vol.
1, de Monika Picanço, Editora Clube de
Autores/AGBOOK, disponível para
aquisição, impresso ou em formato e-book,
IN http://migre.me/exw2i
Minicurso educação cristã

Minicurso educação cristã

  • 1.
    Educação Cristã: Convergência entreCiência e Religião “Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega”. Assim disse Albert Einstein. Minicurso elaborado pela Profª Esp. Monika Picanço III Semana Científica da Faculdade de Ciências Aplicadas e Tecnológicas do Litoral Sul Itanhaém -SP 2014
  • 2.
    “Somos limitados, mas édentro dos limites e condicionamentos que se opera a nossa liberdade”. (Márcio Fabri dos Anjos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião) “Os seres humanos não são econômicos. Todos os que conheço são muito parecidos com Hamlet, todos os dias com dúvidas e indagando-se em busca da coerência.” (Amartya Kumar Sen – Prêmio Nobel de Economia de 1998)”
  • 3.
    De tanto vertriunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” (Ruy Barbosa) “Quanto mais a ciência avança ao propor novas formas de explicação para o Universo, mais o mistério se aprofunda e abre caminho para interpretações.” (Mário Sérgio Cortella, professor titular de Teologia e Ciências da Religião na PUC-SP)
  • 4.
    INTRODUÇÃO A Humanidade conseguiuinúmeros avanços. Chegamos ao século X X I, podendo, através dos progressos da cibernética, conversar em tempo real com alguém do outro lado do planeta. Chegamos ao controle do átomo, realização de transplantes, clonagem, conquistas espaciais com satélites e naves, fibra ótica, robótica, etc. Em contrapartida, não temos respostas para questões relacionadas à fome, à violência, à corrupção, à degradação e exploração do meio- ambiente, à falta de respeito com outras formas de vida e para com outros semelhantes.
  • 5.
    A libertação dohomem em decorrência do progresso técnico-científico não ocorreu, como se esperava. Acirram-se, continuamente, conflitos entre os povos; o alto poder destrutivo das armas transformou guerras em genocídios; cresceu assustadoramente a poluição dos mares e da atmosfera do planeta, enquanto os recursos energéticos vão se exaurindo e o homem conseguiu até alterar a ordem climática da Terra.
  • 6.
    “Estamos mais próximosde um suicídio coletivo do que de uma libertação”, afirma sabiamente Fernando Guedes de Mello, em seu ensaio Ética, Cultura & Organização (in: www.espirito.org.br/portal/artigos). E cita Peter Drucker: “o caráter e a integridade, por si só, nada realizam. Mas sua ausência aniquila tudo o mais” (grifos nossos).
  • 7.
    Ética vem dogrego “ethico”, que se origina em “ethos”, que significa caráter, forma de ser. Ética significa, pois, as coisas referentes ao caráter. Ensina-nos Maria Aparecida Ferreira de Aguiar (A ética nas organizações é possível?, in Revista UN ICSUL , nº7, p.46): “A palavra moral, originalmente em latim moralist, como adjetivo, e mos, morés, substantivo, nos leva à moralidade, que tem a ver com a ação de seu ego, self ou sujeito que relaciona a sua ação com a ação dos outros. A moral é individual, enquanto a ética é a moral pensada, mas na prática” (grifo nosso).
  • 8.
    Já diziam ossábios pensadores da Antiguidade que o homem é um ser social e político. Aristóteles afirmava que o homem é um ser feito para a convivência social. O filósofo viveu entre 384 a.C. e 322 a.C. e já se preocupava com a Ética, a ciência dos costumes. Para ele, o homem é ser racional e seu sumo bem não se realiza na vida individual; todos concordam que o fim último é a felicidade, mas discordam quanto à sua essência. Muitos colocam a felicidade ou no prazer ou na honra ou na virtude. E m um ponto, porém, temos que concordar, ainda em nossos dias, com a premissa aristotélica de que conquistamos a virtude com o exercitar-nos em atos virtuosos.
  • 9.
    Certa vez, umamãe levou seu filho pequeno até Ghandi, dizendo: “Ghandi, meu filho come açúcar demais e isso é ruim para os dentes dele. Por favor, diga-lhe que pare”. Ghandi pediu gentilmente que a mulher voltasse dali a duas semanas com o menino e quando ela o fez, Ghandi olhou o menino nos olhos e disse: “você não deve comer tanto açúcar, faz mal para os seus dentes”. A mãe, muito feliz, agradeceu o mestre e já saindo com seu filho, voltou- se e perguntou: “mas, por que o senhor simplesmente não lhe disse isso há duas semanas?”. E Ghandi respondeu: “porque há duas semanas eu ainda comia açúcar” (grifo nosso).
  • 10.
    Segundo Gilclér Regina,no artigo Minha vida é minha imagem (Revista Vencer, n.54, p.12), “Na vida, há uma distinção entre uma resposta e uma reação. A reação é instantânea, repleta de emoção, desprovida de um pensamento direcionado e consciente e a resposta é uma conduta mais ponderada porque é dirigida mais pela razão e pela reflexão e menos pela emoção. A reação não leva em conta as consequências, ao passo que a resposta é determinada pela reflexão sobre as consequências”. Precisamos mais de respostas e menos de reações.
  • 11.
    “Os indivíduos noBrasil tornaram-se social e moralmente supérfluos. Eles nada valem como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades. Ao contrário, são postos em situação de desqualificação e tutela. O que vigora hoje, no Brasil, é uma razão cínica. N o lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante que diz que toda lei é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo”. Necessitamos, urgentemente, de um renascimento dos valores éticos e morais para que a sociedade retome seu eixo e a Educação Cristã tem papel-chave e fundamental nessa retomada. Necessitamos, com brevidade, de uma ética do caráter, intimamente ligada à fé na natureza humana, no potencial criativo do ser humano. Um trabalho “de dentro para fora”. Lembra-nos Fernando Guedes de Mello (op.cit.) : “uma flor nunca desabrocha de fora para dentro”. Para o psicanalista Jurandir Freire Costa (A Ética e o espelho da cultura, p.10),
  • 12.
    Como bem expõeDaniel Piza (Cultura da leviandade, in O Estado de São Paulo, 04.04.2004, p.3D): “Não se trata apenas do desespero do desempregado, ou do sujeito que cada vez mais vê o salário ficar abaixo das contas, ou dos pais que temem pelos filhos nas cidades violentas. O pior é ver aumentar a sensação de que fazer o bem, ser correto, querer crescer como pessoa, não vale a pena. E esta sensação é o maior problema que o Brasil vive hoje, pelo que significa de ofensa à dignidade e pelo que implica perda de critério e ânimo” (grifo nosso).
  • 13.
    EDUCAÇÃO CRISTÃ: SOLUÇÃONA PALAVRA DE DEUS - LOGOS CRIADOR E TRANSFORMADOR - E O MODELO DO MESTRE DOS MESTRES, JESUS. IS 48.17-18: “Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar”. Sempre que penso em religião e nas diversas igrejas, pergunto-me por que, muitas vezes, o crente – seja qual for a fé que professe – fala muito na palavra e nos ensinamentos de Deus, mas acaba por não colocar em prática Seus ensinamentos.
  • 14.
    Outra questão quesempre me chamou atenção é o significado do mandamento “crescei e multiplicai-vos”. Lembro- me que, uma vez, em minha juventude, numa destas conversas, chamadas de “filosofias de mesas de bar”, expus minha teoria com medo de que me tomassem como louca. Disse o que creio até hoje: que o sentido desse mandamento não é apenas carnal. Podemos crescer e multiplicar-nos espiritual, moral e culturalmente. E mais: que é também isso que Deus espera de nós, é nosso dever. Gn.1.28: “Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai- a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Deus deu ao homem, assim, supremacia sobre as outras espécies; deu-lhe a razão, o livre-arbítrio, e, acima de tudo, a responsabilidade.
  • 15.
    Em matéria publicadana Revista Isto É , edição nº 1889, de 28/12/2005, li: “a neurociência demonstra que a religiosidade está sediada no cérebro. Estudos feitos com monges e freiras em clausura mostram que houve mudanças na química do sangue e nas ondas cerebrais quando eles oravam ou meditavam”. Se assim é, a religiosidade, a fé, a oração, em muito vêm ajudar a ciência e, consequentemente, é papel dos que militam nas esferas religiosa e educacional, transformar esse potencial em ações que visem ao aprimoramento da humanidade, especialmente no momento em que vivemos, em que assistimos à inversão (ou falta?) de valores, como exposto no início deste trabalho.
  • 16.
    Rick Warren, emsua obra Você não está aqui por acaso, diz: “Deus não nos deixou às cegas, para ficarmos nos questionando e conjecturando. Claramente revelou, ao longo da Bíblia, seus propósitos para nossa vida. É o nosso ‘manual do fabricante’: ‘ a sabedoria de Deus trata profundamente de seus propósitos, não sendo sua mensagem recente, e sim a mais antiga – que Deus determinou como a forma de aflorar o melhor de si em nós’ I Coríntios 2.7. Deus não é apenas o ponto de partida de nossa vida: é a fonte dela. Para descobrir o propósito de sua vida, volte-se para a Palavra de Deus, não para a sabedoria do mundo (grifos nossos)”.
  • 17.
    Acontece que “oresultado da obra criativa de Deus não subsiste em um vácuo moral”. Assim, cabe a teólogos e educadores refletirem sobre a questão do ensino pela fé reformadora – teologia reformada na (e para a) educação - (grifo nosso). A Educação cristã coloca Deus no centro de uma cosmovisão, visão unificada do conhecimento para a vida. Pergunto: viveríamos hoje uma ‘nova queda’? É possível cair mais fundo? Salmo 19.12-13: “Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos. Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão”. E is a solução. O caminho é de pedras e longo, mas não impossível. As leis naturais de Deus, em sua perfeita ordem, levam à sabedoria, que é ‘um passo à frente da aquisição de conhecimento, é a aplicação correta do conhecimento adquirido’.
  • 18.
    CRISTO É SABEDORIAPERSONIFICADA “É em Cristo que descobrimos quem somos e o propósito de nossa vida. Muito antes de termos ouvido falar de Cristo e de termos erguido nossas esperanças [...] Ele já tinha Seus olhos sobre nós; já havia planejado para nós uma vida gloriosa, parte do projeto global que Ele está elaborando para tudo e para todos”Efésios 1.11. Os educadores, especialmente os teólogos, devem sempre ter em mente que Jesus, através do discipulado, deixou Seu legado, e que são os principais responsáveis por sua continuidade.
  • 19.
    Is 48.3-11: “Desde aAntigüidade anunciei as coisas que haviam de ser; da minha boca é que saíram, e eu as fiz ouvir; de repente as pus por obra, e elas aconteceram. [...] Porque eu sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. [...] olha bem para tudo isto; porventura não o anunciarás? Desde agora te mostro coisas novas e ocultas, que não sabias. [...] São criadas agora, e não de há muito, e antes deste dia não as ouviste, para que não digas: Eis que já eu as sabia. [...] Tu nem as ouviste, nem as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido; porque eu sabia que procedeste muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre. [...] Eis que te purifiquei, mas não como a prata; provei-te na fornalha da aflição, [...] Por amor de mim, por amor de mim o faço; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória não a darei a outrem”.
  • 20.
    Jesus é, portanto,nosso mestre supremo. Deus é o principal educador, modelo a ser seguido pelos pedagogos contemporâneos. Através do AMOR, Jesus tornou-se um líder natural, cuja autoridade provinha de seu modo de pregar e ensinar: em qualquer lugar, a quem quer que precisasse (há alguém que não precise?) de seus ensinamentos - tocou o leproso, que era discriminado em seu tempo; não fazia distinção de pessoas, tratava homens e mulheres, ricos e pobres, em pé de igualdade (aparece, após sua ressurreição, primeiramente à Maria Madalena, uma mulher). Rm 2.11: “Pois para com Deus não há acepção de pessoas”.
  • 21.
    Devemos lembrar quegrupos dominantes sempre usaram a educação como um meio para moldar as camadas da população, visando seus próprios interesses, muitas vezes, escusos. Jesus visava moldar as camadas da população para um interesse bem diverso: o interesse da própria população, a salvação do próprio homem. Que ideal mais nobre pode nortear a vida de um verdadeiro educador e seguidor da palavra de Deus? Rm 1.16: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Jesus possuía perspicácia e empatia com seus “pupilos”, compreendendo sua essência e natureza. Usando de parábolas, falou a linguagem de seus “alunos”. Saiu do mundo do mito – alegorias, representações, simbologias - para fazer comparações com as experiências, empiricamente. 35
  • 22.
    CONCLUSÃO I Coríntios 13.1-2: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”. Todo conhecimento adquirido pelo homem só tem valor se o levar a realizar seu maior intento: ser feliz, pleno e realizado. Felicidade, paz e harmonia são os maiores objetivos da humanidade. Amor está intimamente ligado a valores morais, espirituais e religiosos. “Religião” vem de “religare”, ligar-se novamente a Deus – o homem (re) encontrando sua essência perdida, decaída, só achada novamente pelo conhecimento e pelo amor. O verdadeiro conhecimento leva ao amor e o amor verdadeiro leva ao conhecimento.
  • 23.
    I Corintios 13.9-10: “porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”. Is 48.22: “N ão há paz para os ímpios, diz o Senhor”. Como nos ensina Rick Warren (op.cit.): “Damos glória a Deus ao nos tornar como Cristo. Damos glória a Deus servindo a outras pessoas com nossos dons. Damos glória a Deus falando dele a outras pessoas”. I Pedro 4.10,11: “Servindo uns aos outros conforme o dom que c ada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém”.
  • 24.
    REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIADE APOIO ALMEIDA, Bíblia atualizada e corrigida In http://www.bibliaonline.com.br/# MENCONI, Darlene. As razões da fé In Revista ISTO É, ed. 1889, 28 de dezembro de 2005, SP, pg. 100-106. PICANÇO, Monika. Redescobrindo o ser ético: sociedade sem valor é ser humano sem amor. São Paulo: Clube de Autores, 2009. WARREN, Rick. Você não está aqui por acaso. São Paulo: Editora Vida, 2005. Este Minicurso foi elaborado, a partir de excerto do livro Reflexões Teológicas Vol. 1, de Monika Picanço, Editora Clube de Autores/AGBOOK, disponível para aquisição, impresso ou em formato e-book, IN http://migre.me/exw2i