Automatização
de Processos

“As empresas já sabem que têm de optimizar os seus processos de
negócio e que as aplicações in...
Fotografia: Alfredo Rocha

Segundo José Alves Marques, a automatização
de processos é o caminho a seguir quando se
pretend...
são designadas por Business Process
Analyse Tools – BPA Tools que de uma
forma simplista são ferramentas que
permitem arma...
Fotografia: Alfredo Rocha

mente permitem tirar muitos indicadores da execução – Quanto tempo
demoraram? Quanto tempo esti...
Então a única forma de tirar partido
de uma Arquitectura de processos
é definindo uma arquitectura de
serviços?
É evidente...
As pessoas muitas das vezes
têm a sensação que, quando
adquirem um software, é como
um automóvel ... O software
é mais com...
depois ligam com várias aplicações do
back-office, é bastante mais fácil desenvolver as aplicações neste paradigma do
que ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Artigo automatizacao

406 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
406
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
17
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Artigo automatizacao

  1. 1. Automatização de Processos “As empresas já sabem que têm de optimizar os seus processos de negócio e que as aplicações informáticas são cruciais neste propósito” Entrevista a José Alves Marques A s empresas têm cada vez mais aplicações que gerem cada vez mais processos de negócio. Como tal, os procedimentos empresariais tendem a complicar-se, fazendo com que muitas companhias percam o fio à meada e não usufruam das mesmas para potenciar o seu negócio. Este factor faz com que as aplicações informáticas, em vez de ajudarem as empresas a destacar-se da concorrência, as atrasem devido à complexidade envolvida na operação diária com estas aplicações. Em entrevista, José Alves Marques, Presidente do Conselho de Administração da link, explica a melhor forma de automatizar os processos empresariais, abordando as últimas tendências do mercado. Fale-nos sobre o conceito da automatização de processos. A automatização de processos é uma designação abrangente que procura sintetizar a capacidade de definir e optimizar os processos de negócio e em seguida executá-los sobre as arquitecturas informáticas. Para precisar os 2 | N9 - Junho 2007 | Cadernos link - Entrevista termos que estou a utilizar é importante referir que a designação de processo de negócio não se limita à execução por computadores de actividades automáticas mas à visão mais abrangente de um processo de negócio que para além das actividades totalmente automáticas, realizadas por aplicações, bases de dados, etc., tem ampla intervenção de pessoas normalmente colaboradores da empresa, mas por vezes clientes ou parceiros. E quais são as vantagens da automatização de processos? As vantagens de automatizar os processos são relativamente óbvias e começam a ter uma aceitação significativa nas preocupações da gestão das empresas. A automatização implica em primeiro lugar uma análise e representação precisa das actividades realizadas dentro da empresa, esta análise permite clarificar, melhorar e optimizar as actividades bem como as suas interligações e interacções, dito de outra forma, permite arquitectar os processos de negócio da empresa. As representações fidedignas dos processos são muito úteis para o conhecimento da empresa e para formação dos seus colaboradores. Para além destes aspectos de gestão é evidente que a possibilidade de fazer executar várias partes do processo por sistemas informáticos melhora a sua eficácia e estrutura a arquitectura dos sistemas de informação. Finalmente uma automatização de processos permite quase como um subproduto obter um manancial enorme de indicadores extremamente úteis para a gestão Ainda existem obstáculos para a adopção. Acha, por exemplo, que os gestores ainda não conseguem fazer a avaliação do retorno do investimento? É verdade. O ROI dos projectos estruturantes de gestão e informatização têm sempre um cálculo muito complexo. Penso que a maior parte dos gestores estão mais sensíveis aos processos, pois falam de processos para a qualidade, para a formação, para a optimização, etc., como tal é natural que as noções de processos a nível de gestão tivessem uma representação do lado da informática. Há estudos sobre
  2. 2. Fotografia: Alfredo Rocha Segundo José Alves Marques, a automatização de processos é o caminho a seguir quando se pretende suportar melhor o negócio e controlar a complexidade e os custos da informática. What is The Single Greatest Benefit of BPM? Fonte: Delphi Group Automate Repetitive Tasks & Accelerate Process Cycle Times (13%) Ability Ability to Visualize, Simulate & Trouble-Shoot Business Process quais as perspectivas de adopção e os aspectos que os gestores já valorizam. Valorizam, por exemplo, a capacidade de visualizar, simular e retirar problemas a processos de negócio. Isto é uma mais valia fácil de reconhecer, pois consegue-se estudar, discutir os processos antes de ter de fazer a aplicação para ver como funciona. Depois dos processos estarem documentados, permite dentro da organização que essas práticas sejam disseminadas, pois existe uma forma de explicar como as pessoas devem trabalhar, de tirar indicadores de como as operações estão a decorrer e a de ter, a qualquer momento, uma fotografia de como a empresa se está a comportar. Há várias experiências nacionais e internacionais que demonstram um ganho muito significativo. Então concorda que os gestores portugueses estão mudar a sua mentalidade? Penso que sim. Primeiro, o problema dos custos crescentes da manutenção e alteração das aplicações. A noção de que realmente os processos de negócios se (15%) modificam sempre mais rapidamente a clientes, suporte a vendas e afins, Other que as próprias estruturas informáticas e se eu tenho mecanismos informá(2%) e que têm de adaptar-se em permanênticos que me permitem saber quanto Manage Exceptions Within Automated Processes cia, é agora mais evidente. tempo é que esse processo está a levar, (17%) Tenho a noção que todos os gesquanto tempo é que parou e porque é Change Business & Process Rules Within Enterprise Software Without IT Intervention tores estão preocupados com a proque parou, conseguimos logo recolher (28%) dados que ajudem dutividade, com as best practices, com Monitor Personnel & Process Performance muito a gestão. A a redução do risco operacional, com a Qualidade tem a ver com indicadores, (24%) e indicadores são difíceis de obter, se qualidade e percebem que existe uma forma dos sistemas de informação os a automatização de processos permitir ajudarem nessas vertentes. Por exemobtê-los de forma relativamente simples plo, se há uma preocupação relativa a em relação aos métodos tradicionais, processos de apoio e de atendimento conseguimos medir e progredir. Automatizar as tarefas repetitivas e acelerar os tempos dos ciclos produtivos (13%) Capacidade de visualizar, simular e retirar problemas a processos de negócio (15%) Outros Gestão das excepções aos processos automatizados (2%) (17%) Alterar regras de negócio da empresa sem intervenção das TI Monitorizar o Pessoal e a performance dos processos (28%) (24%) Figura 1 – Principal benefício da automatização de processo Fonte: The Delphi Group Entrevista - Cadernos link | N9 - Junho 2007 | 3
  3. 3. são designadas por Business Process Analyse Tools – BPA Tools que de uma forma simplista são ferramentas que permitem armazenar de acordo com um modelo todas as representações relevantes da arquitectura dos processos. A manutenção da informação desta forma permite que a mesma seja facilmente consultada com mecanismos típicos dos sistemas de informações, que possa ser actualizada e mais relevante ainda que possa ser aferida a representação com a sua execução real. E é fácil de realizar? envolvidos, colaboradores e sistemas, Na minha opinião estamos a falar que reside o core do BPM. de processos de negócio cruciais para A vossa relação estreita com o BPM as empresas pelo que não é um mero Group é uma grande vantagem para a levantamento de processos e atesta-o o link no mercado nacional? facto de apesar da ideia ter já décadas A nossa relação com o BPM Group de evolução só agora se começa atingir tem, entre outros, aspectos de formarealmente uma maturidade que conduz a excelentes resultados finais. Nós, na ção e de certificação e achámos que era uma das lacunas no mercado portulink, temos uma visão da automatizaguês, razão que nos fez trazê-los para ção de processos que procura clarificar Portugal. Ao mesmo tempo, interagias principais condicionantes em jogo e como as endereçar. mos com pessoas que estão ao melhor nível internacional nestas áreas e nos Dividimos aESTRATÉGIA automatização de processos em três grandes capítulos oferecem a sua experiência de invesque estão profundamente interligados > Estruturaçãotigação, função da cadeia de valor dos processos em desenvolvimento e formação. > Processos end-2-end percepcionados pelos clientes PROCESSOS Há aqui também uma mas que podem emna muitos casos ser críticos de quebra de controlo e regras de negócio oportunidade de > Pontos Focados criação de > Pontos de monitorização e controlo de processos valor para os clientes abordados separadamente. Vou desig- doslevá-los3PMN promovê-los noutros países e > desenho processos em em que não estão presentes. Este factor ná-los por: Arquitectura de Processos faz com estejamos de Negócio; Arquitectura de Serviços e > Requisitos funcionais e informacionais na linha da frente do PESSOAS IT > Repositórios de Processos > Motores de em Portugal. Processos desempenhados automatizados BPM Execução de processos Soluções por colaboradores tecnológicas. Processossoluções em > Soluções de Monitorização de Processos ARQUITECTURA DE PROCESSOS ARQUITECTURA DE SERVIÇOS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS Abrordagem BPM: > Arquitectura de Processos: Como estruturar, articular e controlar os processos > Especificação dos processos em actividades, recursos necessários e em regras de negócio com a notação BPMN Abrordagem SOA: > Identificação e estruturação dos Serviços (Business, Information, IT) por desdobramento de Arquitectura de Processos E na link que ferramentas usam? A ferramenta não é o mais relevante sendo mais importante a correcta metodologia e o conhecimento funcional dos negócios a que se aplicam. Contudo, existem as ferramentas líderes do mercado e na link trabalhamos fundamentalmente com as duas que consideramos as melhores: o System Architect e o Aris. Além de serem fundamentais na divulgação e comunicação dos processos de negócio entre os colaboradores da organização, estas ferramentas permitem fazer análises de impacto e simulações para responder a uma série de cenários diferentes, como por exemplo: qual o impacto no processo X se o sistema Y tiver um desempenho limitado ? Ou então qual o aumento do valor criado pelo processo X caso se atribuísse mais colaboradores à actividade Y ? > Visão centrada no Motor de Workflow: usar um único motor de workflow para integração das soluções de negócio (CRM, ERP, Gestão Documental, Portais, ...) e para a execução dos serviços definidos. Figura 2 – Automatização de processo – abordagem da Link MOTOR DE WORKFLOW Integração de Soluções & Execução de Serviços Então existe uma abordagem com SegurançaEntão qual Transacional Gestão de Serviços Gestão de Gestão é o resultado da Arquitectura dos Processos um enquadramento sólido para a O resultado é um conjunto de repreArquitectura de Processos? MOTOR DE WORKFLOW Como é natural para automatizar sentações e de descrições dos procesPortais ERP Gestão um processo tenho de o analisar e des- CRMsos perceptível pela audiência dentro Documental da empresa que com eles interactua. crever de uma forma que permita que os principais interessados o entendam, Contudo, na link acreditamos que esta Então tendo definida a arquitectura de fase pode ser ainda mais interessante validem e eventualmente o optimizem. processos como posso executá-los? quando potenciada com a utilização Esta descrição tem muito que se lhe Como disse inicialmente a nossa de ferramentas que permitam manter e diga e não é uma mera representação abordagem passa nesta fase por inscapturar estas representações. de um fluxograma. O objectivo desta Vulgarmente estas ferramentas tanciar os processos de negócio numa fase é efectuar uma análise dos processos e conseguir discuti-los e analisá-los Casos de Uso Modelação Publicação na Internet Conformidade com Normativos Especificação de Requisitos por todos os interessados. Na link procuramos enquadrar a nossa abordagem num referencial metodológico baseado no BPM, (Business Process Management), que é uma iniciativa internacional e que normaliza Simulação de Processos Teste do IT por Processo estes conceitos numa framework metoRepositório de Modelos dológica muito completa. Em poucas palavras, a arquitectura de processos é definida tendo como ponto de partida a percepção de valor por parte dos clientes, e de seguida é analisada e optimiAnálise de Impacto Análise Desempenho zada em função dos colaboradores, das respectivas estruturas orgânicas e dos Import/export Modelos em XML Integração .net sistemas envolvidos na sua automação. É esta visão integrada da missão dos Figura 3 – Ferramentas e Repositório de Processos processos, criar valor, com os recursos Reparações Serviço Central Customer Associa OpLog ao Artigo e Loja Primary Key ID [PK1] Non-Key Attributes name address telNo faxNo creditCard Operador Logístico Origem Transporte Receptionist Primary Key employeeID [PK1] ID [PK2] [FK] contacts books Room Primary Key number [PK1] employeeID [PK2] [FK] ID [PK3] [FK] Non-Key Attributes status type Artigo com Agendamento Automático? Identificação Artigo, Origem, Destino e Op Log Não Solicitar Operador Logístico para o transporte is_a is_a Overseas Customer Primary Key ID [PK1] [FK] Non-Key Attributes Nationality PassportNumber Guia de transporte Sim Informar intervenientes no transporte e recepção Preparar Artigo para Levantamento makes UK Customer Primary Key ID [PK1] [FK] Non-Key Attributes Postcode Reservation Ordem de Reparação Destino Transporte Rate Schedule Non-Key Attributes Discount Recepção do artigo Uses Used By Travel Agent Primary Key Agency_ID [PK1] Non-Key Attributes Agency_Name Agent Phone YTD_Commission makes Primary Key code [PK1] employeeID [PK2] [FK] ID [PK3] [FK] Property_Code [PK4] [FK] Unit_Number [PK5] [FK] Non-Key Attributes status date duration roomType Shift_Num [FK] Sales_Clerk [FK] Agency_ID [FK] Guest_Number [FK] Registo Recepção Artigo Reservations System Server Operador Logístico Reservations Application Log Levantamento Regista o Levantamento do Artigo na Origem Fecho Recepção Artigo Confirma a entrega no Destino Client Machine Reservations System GUI Log entrega Agendar Transporte Reservations Client Facade Central Services System Central Services Facade Reservation System (Deployment) System Architect Fri Nov 05, 2004 16:27 Comment Reparações Serviço Central Associa OpLog ao Artigo e Loja Operador Logístico Duwamish On-line Bookstore Origem Transporte Artigo com Agendamento Automático? Identificação Artigo, Origem, Destino e Op Log Não Solicitar Operador Logístico para o transporte Content Management I.T. Sales Preparar Artigo para Levantamento US Sales International Sales Development I.T. Support Documentation Marketing Ordem de Reparação Promotions Recepção do artigo Registo Recepção Artigo Operador Logístico Log Levantamento Regista o Levantamento do Artigo na Origem Fecho Recepção Artigo Confirma a entrega no Destino Log entrega Agendar Transporte 4 | N9 - Junho 2007 | Cadernos link - Entrevista Human Resources Finance Guia de transporte Sim Informar intervenientes no transporte e recepção Destino Transporte Advertising Accounts Payroll
  4. 4. Fotografia: Alfredo Rocha mente permitem tirar muitos indicadores da execução – Quanto tempo demoraram? Quanto tempo estiveram parados? À espera do quê? – e isto não era possível nas aplicações normais onde tudo estava dentro de uma estrutura de programação que não permitia obter indicadores directamente. arquitectura de sistemas de informação ou seja uma arquitectura de IT (Infomation Technology) que suporte eficazmente os processos e que reutiliza as aplicações existentes. Durante anos quando se pretendia “digitalizar”um processo de negócio o normal era programar esse processo de negócio. Ou seja, pegar numa linguagem de programação e bases de dados que continham a informação e estruturar tudo numa única aplicação. Essas aplicações misturam dois aspectos que, ao fim ao cabo, estão na base do nome workflow. Ou seja, “work” mais “flow”. Por outras palavras, misturam o fluxo de execução das coisas com o trabalho propriamente dito que pode ser, a actualização e escrita em base de dados, cálculos numéricos, arquivar documentos, escrever despachos, etc. Durante anos tem sido esta a maneira de informatizar um processo. E quando mudou esta forma de informatizar processos? No início da década de 90, muitas pessoas advogavam que era bom separar o “flow” do “work” para ter uma representação do processo de negócio, que pudesse ser modificada e actualizada independente do “work” propriamente dito que se faria nesse processo de negócio, que poderia estar programado e seria eventualmente sujeito a menores actualizações. Enquanto os processos de negócio se vão alterando com alguma frequência, o trabalho propriamente dito, (como emitir uma factura, realizar um pagamento, actualizar a base de dados de clientes, etc.), não se alteram com a mesma frequência. Para além desta vantagem os processos ficam melhor documentados, em vez de ficarem misturados, de certo modo, dentro do código das aplicações. Os processos passam a ser entidades de primeiro plano. Esses processos poderiam ser executados em motores que adicional- É a essa aproximação que se convencionou chamar SOA? O SOA (Service Oriented Architecture) corresponde a uma visão de arquitectura que torna este modelo de automatização de processos ainda mais atractivo. Genericamente corresponde a que em vez de todas essas componentes de “work” terem interfaces diversas, são descritas como serviços que têm um contrato associado, e esses contratos podem ser escritos, e mantidos num repositório dos contratos existentes na organização pelo que passo a saber exactamente o que cada uma das aplicações faz, pois estão normalizadas por esses contratos. Esses contratos são escritos em linguagens XML, que é interpretada por muitas aplicações e que permite gerar automaticamente o código de interligação, permitindo que o custo de interligação seja mais baixo. O que de novo se introduziu é que, em vez de estarmos a ver a empresa como um conjunto de aplicações com interfaces mais ou menos proprietárias, estamos a ver a empresa como um conjunto de serviços que residem nas aplicações informáticas e esses serviços estão normalizados e têm um contrato que os descreve de uma forma coerente e é fácil a sua interacção. Sucintamente, isto é o SOA. Aplicações Processo de Negócio • Composição • Orquestração • Coreografia Services • Atomicidade • Composição Sistemas Operacionais Suites Aplicacionais Aplicações à medida Aplicações legadas Figura 4 – Arquitectura Orientada a Serviços (SOA) Entrevista - Cadernos link | N9 - Junho 2007 | 5
  5. 5. Então a única forma de tirar partido de uma Arquitectura de processos é definindo uma arquitectura de serviços? É evidente que, tirar partido das potencialidades desta arquitectura, obriga a ter as duas aproximações casadas. Contudo, uma arquitectura SOA pode ser difícil de especificar porque uma empresa tem várias aplicações, por vezes centenas a funcionar. Para montar este tipo de arquitecturas é preciso primeiro, ter uma arquitectura de processos que por desdobramento permite estruturar quais são os serviços de negócio relevantes, ou seja, quais os que são reutilizáveis. Estudos mostram que, todas as empresas que investem em arquitectura de serviços têm um ganho significativo na evolução da sua infra-estrutura. Mas há sempre um custo inicial. Para uma empresa ou área de uma empresa, que estivesse a fazer tudo de novo, é mais fácil esse tipo de aproximação, até porque hoje em dia não há nenhuma plataforma de desenvolvimento, com o J2EE, SAP, .Net, que não tenha uma enorme facilidade de criar os serviços sob a forma de Web Services. Contudo, a maior parte dos casos são projectos que lidam com as aplicações já existentes com a complexidade inerente. Mas os investimentos ainda assustam as empresas? Se a empresa for complexa e tiver 6 | N9 - Junho 2007 | Cadernos link - Entrevista Fotografia: Alfredo Rocha Alguns analistas internacionais dizem que os próprios fabricantes de SOA não compreendem a verdadeira essência da arquitectura. Como comenta esta afirmação? Os fabricantes tendem a utilizar estes chavões num sentido mediático e de promoção de produto. Muitas das vezes, o SOA foi visto como a mesma coisa que Web services. A filosofia do SOA é mais orientada ao que discutimos há pouco, ou seja, como é que consigo estruturar as aplicações e o trabalho que é feito dentro de uma empresa com base em serviços que sejam utilizados e claramente percebidos pelo negócio. É uma atitude de arquitectura e não propriamente de tecnologia ou de produto. A maior parte dos fabricantes carimbam o SOA e tentam metê-lo num pacote, mas o SOA em si não é uma tecnologia mas sim uma arquitectura. muitas aplicações, para fazer uma arquitectura SOA completa e coerente devia, para além de analisar os seus processos, pegar em todas as suas aplicações, analisá-las, mapeá-las e fazer o seu blueprint SOA. Isso é um investimento significativo e os gestores normalmente querem resultados mais imediatos. O que normalmente fazemos é uma pequena ilha, criando um conjunto de serviços, automatizando aquela parte do negócio, depois fazemos outra ilha ao lado. É claro que feito de baixo para cima, faz com que os serviços muitas vezes não batam certo, não ficando uma arquitectura tão limpa e havendo sempre necessidade para algumas iterações, contudo permite atingir “quickwins” e avaliar o conceito. E há muitos casos deste género? A sensação que temos é que, algumas empresas, nomeadamente as grandes operadoras de Telecomunicações, têm a clara sensação que possuem uma estrutura demasiado complexa, com centenas de aplicações e milhares de serviços, e que têm de ter esta visão, e estão agora a começar a investir bas- tante neste campo. A administração pública também começa a pedir este tipo de tecnologia. Penso que é um dos sectores em que faz mais sentido utilizá-la, pois os vários serviços deviam falar uns com os outros. Infelizmente, estas coisas vão muitas vezes ao arrepio da organização da própria administração pública, pois quando se expõe esta interface, e se diz existe um contrato que tem de ser mantido, tem de ser mesmo assim. Ou seja, se alguém da administração pública diz que tem este tipo de serviço, depois tem de mantêlos a funcionar correctamente pois há outras entidades que vão depender do funcionamento dessas aplicações. Qual o papel que a link está a ter na evangelização desta arquitectura? Há vários anos que andamos a falar destes aspectos e de como se racionalizam as arquitecturas e tivemos um papel importante nas enterprise arquitectures e na definição das arquitecturas e processos. Temos realizado várias acções, algumas em conjunto com o Instituto Superior Técnico (IST) e outras de uma forma autónoma, que têm per-
  6. 6. As pessoas muitas das vezes têm a sensação que, quando adquirem um software, é como um automóvel ... O software é mais complicado, pois tem dezenas de variantes e de coisas que se podem adaptar e isso é difícil de fazer, sobretudo se não se sabe onde encaixa determinada peça numa arquitectura. a curto prazo e permite dar passos que se vão complementando. Contudo, queria deixar claro que na link estamos muito preocupados em criar valor para os clientes e que portanto temos as soluções técnicas que permitem a efectiva informatização das arquitecturas referidas acima. Para além disso, fruto dos nossos muitos anos de experiência em alguns clientes temos para alguns processos já “templates” de processos de negócio que nos permitem a criação das arquitecturas com mais facilidade. CRM, de ERP, de Gestão Documental e soluções de Portal. Acreditamos que esta abordagem permite combinar a elevada flexibilidade na articulação dos processos de negócio dos motores de workflow com uma elevada eficácia das soluções funcionais específicas. O facto de as empresas não ficarem presas a um único fabricante, nomeadamente com a criação de standards, tem sido um dos grandes impulsionadores deste mercado? Sim. O aspecto de normalização é sempre um aspecto muito importante Qual é então a solução que propõem? em tudo o que tem que ver com tecO que propomos é uma solução integrada que combina um motor de nologias. O que sucedeu com os workworkflow com a solução funcional espemitido criar um maior awareness do flow é que existiram várias tentativas mercado para as questões relacionadas cífica de cada cliente ou sector de actide normalização, algumas mais bem com a Arquitectura Empresarial. Penso sucedidas e outras menos. Actualmente vidade. Repito que tal só é possível devido a uma separação entre o “work” que é como a construção de uma casa, existe a norma BPEL (Business Process na qual é bom ter um bom arquitecto Execution Language) que corresponde e o “flow” explicitada na arquitectura de antes de começar a fazer a casa para a uma norma que define um modelo serviços, a qual por sua vez derivou da as coisas não correrem mal. Na inforde programação muito próximo das arquitectura de processos. Começando pelo motor de workrepresentações de processos e que foi mática, as coisas não são bem assim. pensado para tirar partido das arquitecAs pessoas muitas das vezes têm a flow, estas soluções incorporam a tecsensação que, quando adquirem um nologia para implementar a articulaturas de serviços. Esta linguagem com software, é como um automóvel – é só pequenas variantes é suportada por ção dos processos e suas actividades. preciso colocar a chave, meter combusExistem hoje numerosos motores de diferentes fabricante como a Microsoft, Oracle, SAP. workflow que permitem transpor para tível e andar. O software é mais compliDepois há empresas focadas nos o suporte informático os processos, cado, pois tem dezenas de variantes e motores e na forma como estes interaintegrando-os com os serviços ou direcde coisas que se podem adaptar e isso é ESTRATÉGIA difícil de fazer, sobretudo se não se sabe tamente com bases de dados. Além da gem. Alguns são third party Microsoft, onde encaixa determinada peça numa execução de processos, estes motores como a Captaris e a K2, que são empre> Estruturação dos processos em função da cadeia de valor arquitectura. Penso que temos feito coiservem também paraPROCESSOS implementar a sas que apresentam pelos clientes à base de > Processos end-2-end percepcionados add-ons > Pontos críticos de quebra de controlo e regras de negócio Focados em que cada na criação de integração de soluções,para os clientes Microsoft parae controlo de processosos produtos sas interessantes. Com o INA, por exem> Pontos de monitorização completar valor > desenho dos processos em 3PMN ponto de integração é visto como um da multinacional. Outros são focados plo, estamos a fazer acções para criar serviço específico. em application services sofisticados, auditores de “Processos e Sistemas de > Requisitos Os motores de workflow têm ITde que são os funcionais e informacionais próprios motores BPEL, Informação” na administração pública, PESSOAS > Repositórios de Processos Processos desempenhados Processos automatizados estar adequados à complexidade e como a> Motores deaExecução de a de Processos BEA, de Monitorização Oracle. IBM, processos as quais estão a ter grande sucesso. em soluções por colaboradores > Soluções requisitos inerentes aos processos de negócio a implementar. Além da comQuando se dá o grande “boom” das O que falou até agora são dois aspectos de arquitectura, uma ligada ponente da capacidade deARQUITECTURAproregisto e DE SERVIÇOS tecnologias de workflow? TECNOLÓGICAS ARQUITECTURA DE PROCESSOS SOLUÇÕES à gestão dos processos de negócio e cura de serviços (gestão de Serviços), Penso que o boom começou não há Abrordagem BPM: Abrordagem SOA: > Visão centrada no Motor de Workflow: usar um único motor outra que estrutura o IT da empresa é normalmente necessário assegurar dos mais de dois/três de workflow altura em soluções de negócio (CRM, anos, para integração das que > Arquitectura de Processos: > Identificação e estruturação Serviços Como (Business, Information, IT) ERP, Gestão Documental, Portais, ...) e numa abordagem de serviços. Mas estruturar, articular e controlarsegurança e aspectos transac- por desdobramento de Arquitecturasurgir bastantes mais pro-para a execução dos começaram a níveis de os processos > Especificação dos processos em actividades, recursos de Processos serviços definidos. necessários e em regras de negócio com a notação BPMN a maioria das organizações quer ter cionais que os motores devem dispor. postas de fabricantes e a existir a normasoluções concretas no menor tempo Falando agora das soluções funlização que falámos acima e, também, cionais específicas, a link tem várias WORKFLOW empresas começaram a perpossível? MOTOR DE quando as soluções integradasIntegração de Soluções & ceber que, se têm processos complicacom motores de Como disse, o que descrevi acima Execução de Serviços corresponde à nossa visão do que seria workflow, nomeadamente motores de dos de atendimento de front-office, que Gestão de Serviços Gestão de Segurança Gestão Transacional uma abordagem de automatização de processos, como é óbvio se a aplicarmos a uma grande empresa não é posMOTOR DE WORKFLOW sível avançar em bloco porque o investiGestão CRM ERP Portais mento em tempo seria demasiado até à Documental existência de resultados. A nossa experiência é que uma abordagem segmentaFigura 5 – Solução tecnológica baseada em Workflow da do problema tem resultados visíveis Entrevista - Cadernos link | N9 - Junho 2007 | 7
  7. 7. depois ligam com várias aplicações do back-office, é bastante mais fácil desenvolver as aplicações neste paradigma do que estar a efectuar o desenvolvimento através da via tradicional. Isto porque, cada vez mais, percebem que os sistemas legados (legacy system) que têm, nos quais não podem mexer facilmente, se interligam e podem ser reutilizados com mecanismos de workflow em vez de desenvolver de raiz, o que é muito mais dispendioso. O workflow também pode ser visto nesta lógica, como uma forma mais económica de interligar aplicações. Mas a link também aposta na gestão documental? A gestão documental é a tecnologia que permite desmaterializar os documentos e automatizar o circuito dos mesmos numa organização, garantindo o transporte quase instantâneo de um documento entre locais fisicamente distantes – um auto de recepção de mercadoria recebido num armazém, uma vez digitalizado, fica imediatamente disponível nos serviços administrativos centrais. O workflow permite estruturar os processos garantindo um tratamento sistemático de todos os casos, assumindo particular relevância os casos de excepção – por exemplo quando a mercadoria recebida não corresponde à factura recebida. A solução de gestão documental da link (e-doclink) permite essencialmente suportar os processos relacionados com a gestão e encaminhamento de documentos. Contudo, pode também ser facilmente combinada com outras soluções e permitir cenários mais complexos como por exemplo, suportar o encaminhamento de documentos de forma integrada com os serviços online disponibilizados nos portais com notificações em múltiplos canais, como por exemplo o SMS. Estes documentos podem ser relacionados com os clientes, via a solução de CRM; podem ser relacionados com os colaboradores da organização, por exemplo automatizando o tratamento dos formulários disponibilizados na intranet; e podem ainda ser documentos relacionados com dos fornecedores, via a integração com o ERP, por exemplo na conferência de facturas. Em toda esta multiplicidade de cenários, há um motor de workflow que 8 | N9 - Junho 2007 | Cadernos link - Entrevista A solução de gestão documental da link (e-doclink) permite essencialmente suportar os processos relacionados com a gestão e encaminhamento de documentos. Contudo, pode também ser facilmente combinada com outras soluções e permitir cenários mais complexos como por exemplo, suportar o encaminhamento de documentos de forma integrada com os serviços online disponibilizados nos portais com notificações em múltiplos canais, como por exemplo o SMS assegura a articulação dos processos de negócio e a integração das várias aplicações, e há uma solução específica a cada área funcional. O e-doclink oferece a possibilidade de, com custos relativamente contidos, ter um projecto abrangente em que muito da base já está pré-definida e como tal é fácil de operacionalizar. Dando um exemplo prático de uma repartição pública, com o e-doclink é possível automatizar desde a entrega do papel, ao fluxo que é seguido pelos vários funcionários, incluindo o arquivo de todos os documentos num processo de gestão documental, e ao mesmo tempo, disponibilizar, através da Internet ou por SMS, a quem fez a submissão do pedido, o estado do seu processo. Um exemplo muito interessante de uma gestão de processos que nasceu com base nesta ferramenta é a circulação de documentos do Governo dos Açores que descrevemos neste caderno. E quais os principais sectores em que apostam? Nós procuramos com base nas metodologias e ferramentas já referenciadas ir enriquecendo o nosso conhecimento funcional dos sectores que definimos como as nossas apostas estratégicas. No conceito de Smartcities definimos uma arquitectura de processos para a área de Bilhética e para a área de gestão operacional dos Transportadores de Passageiros. Estas arquitecturas têm permitido em algumas situações diferenciarmo-nos claramente de concorrentes em mercados internacionais. Os sectores de distribuição e logística são uma das nossas apostas mais antigas e temos tido diversas actividades de que me permito destacar o trabalho continuado como o Modelo Continente, uma das empresas que em Portugal mais cedo apostou na visão de processos o que aliás lhes permitiu conquistar vários prémios internacionais. Mais recentemente a nossa aposta na visão da Advanced Logistics com base na Navision deu-nos a possibilidade de analisar muitos dos processos de distribuição e logística em clientes de média e grande dimensão. Como é natural o sector dos Operadores de Telecomunicações teve sempre em particular destaque nas nossas preocupações, e como disse atrás a visão de arquitectura de processos e de arquitectura de serviços é neste sector cada vez mais relevante pela complexidade inerente dos seus sistemas aplicacionais. Trabalhos recentes na Sonaecom, na PT Comunicações e na TMN permitiram-nos abordar alguns das arquitecturas descritas acima. Finalmente a área dos Serviços Financeiros tem também uma tradição longa no capítulo da orientação e processos. Para além de clientes nacionais é de destacar o trabalho realizado para o Banco Europeu de Investimento que constitui uma interessante referência na internacionalização destas nossas capacidades. ‹›

×