Luiz felipe

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieREDES SOCIAIS E TERCEIRO SETOR, UM ELO PODEROSO NA ERA DIGITALLuiz Felipe Pereira Chaguri (IC) e Fred Izumi Utsunomiya (Orientador)Apoio: PIBIC Mackenzie/MackPesquisaResumoO trabalho apresenta um estudo de caso de uso das redes sociais na internet como uma estratégiapara uma Organização Não-Governamental do Terceiro setor – no caso o Greenpeace / Brasil –divulgar seus objetivos e ações.Palavras-chave: redes sociais, terceiro setor, InternetAbstractThe paper presents a case study of use of social networks as a strategy for a Non-GovernmentalOrganization of the Third Sector - in this case Greenpeace / Brazil - to disclose their objectives andactions.Key-words: social networks, third sector, Internet 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011IntroduçãoO Terceiro setor é composto por instituições e organizações orientadas para causa sociais enão por propósitos financeiros, como são as empresas com fins lucrativos. Parte de umavisão tripartite da sociedade, baseada no critério de base econômica: o Primeiro setor écomposto pelo Estado e por organizações governamentais e instituições públicas; oSegundo setor é definido pelas empresas que visam lucro, também identificado como deforma genérica como “mercado”. O Terceiro setor se caracteriza por se basear em iniciativascujos atores sociais envolvidos percebem a participação e colaboração de voluntários, dacomunidade e da sociedade como um meio eficaz para a realização de transformaçõessociais. Segundo a especialista em Terceiro Setor, Simone de Castro Coelho, esse setor ...engloba um conjunto de organizações sociais sem fins lucrativos (associações, fundações, institutos etc.), presentes desde longa data em nossa sociedade, com uma atuação voltada ao atendimento das necessidades da população e unidas por uma mesma legislação reguladora. [...] O terceiro setor pode ser definido como aquele em que as atividades não seriam coercitivas nem voltadas para o lucro [...] suas atividades visam ao atendimento de necessidades coletivas e, muitas vezes, públicas” (COELHO, 2000, p.17, p.40).A divisão da sociedade em três setores, ajuda na compreensão do fenômeno social dainterrelação entre eles, mas é importante saber que essa relação nem sempre é harmônica:às vezes é dialética e contraditória, pois o Terceiro setor ora está em consonância com umoutro setor, ora contra ele, como apresentam Ruben César Fernandes (FERNANDES, 1994)e Francisco Paulo Melo Neto (MELO NETO & FROES, 2001).As Organizações Não-Governamentais – as ONGs – hoje são responsáveis por orientarpessoas e organizações para ações visando o bem social, disponibilizando oportunidades edesafios. Essas organizações vêm aparecendo com destaque no cenário das redes sociaiscomo Twitter1 e Facebook2, divulgando seus trabalhos e organizando as empresas de umaforma mais responsável e sustentável. Uma rede social é definida como um conjunto de elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais) [...] Uma rede, assim, é uma metáfora para1 Twitter é uma rede social existente na internet, que permite aos usuários enviar e receber atualizaçõespessoais de outros contatos (em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets"), por meio do website,por SMS (telefonia celular) e por softwares específicos de gerenciamento.2 Facebook é a rede social existente na interntet mais acessada no mundo. Tem mais de 500 milhões deusuários e foi lançada em 4 de fevereiro de 2004, por Mark Zuckerberg. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzie observar os padrões de conexão de um grupo social, a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores. (RECUERO, 2009, p. 24)As redes sociais não são randômicas (aleatórias). Existe um tipo de ordem e lógica nelas.Pessoas com gostos ou semelhanças entre si, possuem mais chances de se conhecerem eformarem uma rede do que aquelas que se não têm afinidades (GRANOVETTER, apudRECUERO, p.62). As redes sociais, portanto, são formadas com uma lógica de afinidade eproximidades dos atores sociais.Uma rede social é composta por atores. O ator está sempre em constante transformação.Isso ocorre no Facebook, Orkut3, Twitter e em outras redes sociais da internet.As redes sociais nem sempre foram digitais, antes os serem humanos sempre serelacionaram em rede, ajudando-se mutuamente, há muitos séculos. Hoje, o que se podever de novo nas redes sociais é a velocidade e a capacidade de construção conjunta quenão havia tempos atrás, devido às facilidades que a rede internacional de computadores,com seus websites que possibilitam a formação de grandes redes sociais internacionais,até, implementou no cotidiano das pessoas do século 21. Este trabalho tem como foco o usodas redes sociais como instrumentos e ferramenta para o desenvolvimento de ações deorganizações do Terceiro setor.O problema de pesquisa deste trabalho é responder à seguinte questão: como as ONGs têmusado a dinâmica das redes sociais da internet estrategicamente em seus objetivos?O objetivo principal deste projeto é apresentar um breve estudo de caso.1. Referencial teóricoO desenvolvimento das tecnologias da informação, configurado na “Sociedade daInformação, ou Sociedade em Rede, ou Sociedade do Conhecimento”, alterousignificativamente a organização social e as relações entre indivíduos (CASTELLS, 2003).Para o autor, o paradigma informacional é composto por: informação como matéria-prima,desenvolvimento das novas tecnologias com ampliação de sua presença na sociedade,princípio da interconexão, flexibilização dos processos e convergência das tecnologias. Ouso da Internet acarreta alterações no direcionamento, velocidade, volume e espaços queenvolvem o ciclo informacional. Provoca mudanças, também, nas relações sociais entre os3 Orkut rede social pertencente ao Google, criada em 24 de Janeiro de 2004 cujo nome vem do engenheiro turcoOrkut Büyükkökten, criador da plataforma. Possuia cerca de 32 milhões de usuários no Brasil em fevereiro de2011, um número muito superior aos 18 milhões de usuários brasileiros do Facebook. 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011indivíduos. “A internet parece ter um efeito positivo sobre a interação social, e tende aaumentar a exposição a outras fontes de informação” (CASTELLS; 2003).A sociedade, a comunicação e as relações interpessoais estão mudando radicalmente comas inovações tecnológicas e as facilidades proporcionadas por elas. Internet e celulares sãoas principais protagonistas destas mudanças. Evoluindo surpreendentemente rápido. Osjovens, a geração que cresceu e convive diariamente com essas mudanças, é o melhorespelho dessas transformações. “A internet não é simplesmente uma tecnologia, é um meiode comunicação, a infra-estrutura de uma forma organizacional: a rede” (CASTELLS; 2003),pois além de estabelecer um importante papel na estruturação de relações sociais, contribuipara um individualismo e grupos sociais de interesses mais específicos.Para Lemos (2006) o mundo hoje se encontra inserido na era dos portáteis, da ciberculturae da mobilidade, onde a Era da Informação é atualmente substituída pela Era da Conexão.A fase atual de conexão e mobilidade é caracterizada pela computação ubíqua, pelosobjetos sencientes, pelos computadores pervasivos e pelo acesso sem-fio, mostrando aemergência da era da conexão e da relação intrínseca entre espaços físicos e espaço virtual(LEMOS, 2006).Segundo o autor mencionado os processos de desterritorializações implicados namobilidade traduzem também outros processos de territorializações que produzemmovimentos constantes de controle e acesso à informação.Recuero (2006) define rede social como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas,instituições ou grupos) e suas conexões. Trata- se, assim, de uma abordagem focada naestrutura social. A abordagem de rede é importante porque enfatiza as conexões entre osindivíduos no ciberespaço. A conexão apresentada entre dois atores em uma rede social édenominada laço social. Um laço é composto por relações sociais, que por sua vez, sãoconstituídas por interações sociais. Uma interação social é aquela ação que tem um reflexocomunicativo entre indivíduo e seus pares. O conceito de laço social implica interaçãosocial, laço relacional, Associação, relações sociais, sentimento de pertencimento, laçoassociativo.As principais formas de Redes Sociais são: Weblogs, Facebook, Orkut, Twitter, Fotolog,Smart Mobs. Este trabalho enfatizará Orkut, o Facebook e o Twitter2. MetodologiaDado o caráter do problema investigado nesta pesquisa, o método escolhido foi a pesquisaqualitativa, realizada através de entrevistas. Inicialmente foram feitas pesquisas 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenziebibliográficas em livros, artigos, sites e posteriormente foram realizadas as pesquisas decampo.A pesquisa qualitativa possui dois tipos de abordagem – a direta e a indireta. Na abordagemdireta, o objetivo do projeto é revelado aos respondentes, ou então se torna óbvio pelaspróprias questões formuladas. Os grupos de enfoque e as entrevistas em profundidade sãoas técnicas diretas mais importantes. Em contraste, a pesquisa que toma a forma de umaabordagem indireta disfarça o verdadeiro objetivo do projeto. As técnicas projetistas,técnicas indiretas comumente usadas, consistem de técnicas de associação, decompletamento, de construção e expressivas (MALHOTRA, 2004, p.156).Malhotra (2004) denomina o tipo não-estruturado de entrevista de profundidade. Asentrevistas em profundidade devem ser realizadas uma a uma, e são indicadas para selevantar ou detectar opiniões, e fatores psicológicos: Entrevista de profundidade: umaentrevista não-estruturada, direta, pessoal, em que um único respondente é testado por umentrevistador altamente treinado, para descobrir motivações, crenças, atitudes e sensaçõessubjacentes sobre um tópico (MALHOTRA, 2004, p.163). Neste trabalho foi utilizadaentrevistas em profundidade, com perguntas preestabelecidas e organizadas.A ONG escolhida para este trabalho foi o Greenpeace, e entrevista foi realizada comEduardo Santaela, webmaster da organização, no dia 18 de abril de 2011. O conteúdo totalda entrevista foi transcrito e está disponível em anexo à parte.3. Facebook x OrkutNos últimos meses da pesquisa ouve um crescimento imenso do Facebook no Brasil. A redesocial que possui mais usuários em todo mundo ainda tinha poucos usuários no país, secomprado ao Orkut. Em gráfico do site veja.com.br, é possível verificar uma freada nocrescimento da rede social do Google e um crescimento acelerado do Facebook. EmSetembro de 2010 o Orkut tinha 31,5 milhões de visitantes únicos, enquanto o Facebooktinha apenas 10,8 milhões. Ao longo dos meses até a contagem em Fevereiro de 2011 arede de Mark conseguiu um aumento incrível, se aproximando de 18 milhões de visitasenquanto o Orkut se manteve estável com 32, 4 milhões de visitas. (SBARI, 2011)Esses dados talvez se justifiquem pelo maior número de ferramentas que o Facebookpossui. Com mais programas, jogos, privacidade, interação com seus amigos e atualizaçõesfazem com que possivelmente o público brasileiro aos poucos fosse modificando a suamaneira de atuar em uma rede social. O fato de usuários poderem criar aplicativos para arede, é um dos diferenciais que torna a plataforma mais interessante. 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O Orkut não agrega muitas novidades para a vida cotidiana fora de sua rede derelacionamentos. Já o Facebook permite construir uma imagem pessoal para um futuroemprego, pode obter informações úteis para pesquisas etc. O público do Orkut talvez tenhase cansado de apenas se divertir com o jogo “Colheita Feliz” e tenha resolvido entrar emuma rede com maior possibilidade de interação.Apesar disso, o Orkut no Brasil tem o maior número de usuários (quase o dobro doFacebook), com certeza pelo fato dessa rede social ter sido a primeira a desembarcar nopaís, formando uma grande rede, que só agora começa a se interessar pela rede socialconcorrente.4. Publicidade em redes sociais: o caso do OrkutNa rede social do Orkut, essa caracterização dos atores, também conhecidos como“usuários” era identificada a partir do que cada pessoa colocava em seu perfil. Um garotoapaixonado por futebol que tivesse várias comunidades de futebol, receberia váriaspropagandas de empresas relacionadas ao assunto como Nike, Adidas, Puma e etc. Casonão fosse possível perceber os gostos por comunidades, já que no Orkut muitas pessoasentravam em centenas de comunidades porque a rede permitia, o Google poderia pegar asinformações de cada usuário em seu perfil e relacionar a descrição das paixões, interesses,religião, esportes etc. para selecionar a melhor propaganda para seu usuário.Cinthia Assali, especialista de produtos do Orkut em palestra postada no Youtube4, afirma: “Nós temos uma parte de segmentação muito boa, temos muita informação dos usuários. Os usuários dão várias informações para o Google e o que nós queremos fazer é com que vocês consigam usar essa informação de um jeito proveitoso para fazerem suas campanhas, que o objetivo de vocês seja atingidos. Independente se vocês quererem alcance ou relevância, a segmentação consegue ser feita na plataforma do Orkut. Estamos preparando uma plataforma boa de publicidade que os usuários gostem dos anúncios e que os anunciantes também atinjam os objetivos deles.”Nessa época (29/7/2009), existia apenas um espaço de publicidade no Orkut, no cantosuperior direito da página inicial do seu usuário. O banner era um dos tipos de publicidademais comuns, e o anunciante ficava em destaque na página do seu possível cliente. “Porestar sozinho ali na página, o usuário tem tudo para prestar atenção na sua propaganda”dizia Cinthia. A segmentação dos usuários poderia ser feita por um filtro demográfico, por4 Vídeo disponível em http://www.youtube.com/watch?v=BFVRR6ksWd0. Acesso em 12/12/2010. 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzieinteresse, contexto através de palavras-chave. Se o banner não era algo tão inovador, o quemais chamava atenção dos publicitários era a maneira que usado o filtro. O mais inovadorera colocar a sua propaganda em um determinado horário. Se o anunciante tivesse ointeresse de divulgar o seu produto somente na hora do almoço era possível. O filtrogeográfico que determinava a região geográfica do país ou até do planeta que se gostariade anunciar também era uma das opções além do filtro demográfico que não obtinha muitosucesso pois muito usuários não colocavam corretamente sua idade visto que o Orkut sócomeçava a contabilizar a idade da pessoa a partir dos 18 anos.Algumas curiosidades sobre os anúncios com relação a valores: a propaganda mais barataem 2009 tinha o valor de 15 mil reais e os “RoadBlocks” (publicidade de duas horas queabrangia todo o Orkut do período das 11h até as 13h) tinha o valor de 16 mil reais. O das17h às 19h custava 20 mil reais para o investidor. Era realmente um começo, mas que járendia muito ao Google. Ainda não havia vídeos publicitários e apenas imagens ou arquivosem formato Flash eram aceitos. Segundo um estudo feito pela ComScore Media Metrix,mais de 24 milhões de usuários eram considerados ativos, ou mais de 70% da populaçãobrasileira que acessava a internet das mais de 26 bilhões de páginas vistas no Brasil a cadamês. Segundo essa fonte e o www.orkut.com.br/advertise os usuários em média, visitavamsuas páginas iniciais 42 vezes por mês e passavam mais de 9 minutos em cada acesso.As redes sociais Facebook e o Twitter também possuem modalidades de publicidadesemelhantes, mas a cada período o modelo de anúncio tem se atualizado.O Terceiro setor teve um bom tempo para se adaptar a essa oportunidade de novo modelode negócio do Orkut, mas é muito complicado para empresas que vivem de doações para sesustentar, pagar pelos espaços publicitários. Muitas pessoas chegaram a entrar nascomunidades das ONGs, porém poucos participavam dos fóruns da comunidade. E issopermanece até hoje. Desde 2004 até 2011 os perfis de muitas ONGs não souberamexplorar esse modelo de publicidade do Orkut pois ainda não havia um laço, uma ligaçãoentre o usuário e a ONG. Ambos estavam presentes na mesma plataforma – Orkut – porémnão se articulavam com clareza.Isso mudou em outras redes sociais como o Twitter e Facebook. O Greenpeace é umdestaque de sucesso nas mídias sociais. Tanto no Twitter quanto no Facebook a ONGconsegue divulgar seus eventos e mobilizar seu público. 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 20115. O caso do GreenpeaceAntes de explicar a atuação da empresa nas redes, é importante fazer um registro sobre ahistória do Greenpeace no Brasil e no mundo. Segundo informações disponibilizadas no sitehttp://www.greenpeace.org.br5: “O Greenpeace é uma organização global e independente que atua para defender o ambiente e promover a paz, inspirando as pessoas a mudarem atitudes e comportamentos.“ [...] “Investigando, expondo e confrontando crimes ambientais, desafiamos os tomadores de decisão a rever suas posições e adotar novos conceitos. Também defendemos soluções economicamente viáveis e socialmente justas, que ofereçam esperança para esta e para as futuras gerações.” [...] “Nossos valores são a expressão dos princípios que nos guiam e que acreditamos. Utilizamos estes valores para guiar o desenvolvimento de nossas campanhas, comunicação e mobilização de recursos. Nossos valores atuais são: Independência, Não violência, confronto pacífico e engajamento.”Essas quatro palavras (Independência, Não-violência, engajamento e confronto-pacífico)são chaves para o Greenpeace e realmente dão o tom e caráter da instituição. Ementrevista concedida para este trabalho, o webmaster do Greenpeace Eduardo Santaelaesmiuçou muitas das características da ONG que servem de exemplo para outras quepretendem se especializarna área não só de redes sociais mas também de mídias digitais. “Nós temos dois caminhos de mobilização, as redes sociais e o ciberativismo. Nas redes sociais é mais no quesito de mobilizar, chamar as pessoas para irem atrás de um objetivo junto com a gente. Fazemos isso mais para o público saber o que está acontecendo, do que propriamente divulgar a marca da empresa ou o evento”.Uma das inovações do Greenpeace, sem dúvida é o Ciberativismo. Com ele, pessoaspodem contribuir com as causas, sem sair de casa e ainda podem mobilizar mais pessoas aparticiparem das iniciativas do Greenpeace. “Ciberativismo são 320 mil pessoas nessa base. As pessoas que sempre nos apóiam e colaboram com a gente são umas 100 mil que estão em várias causas conosco e temos um público realmente fiel que está em quase todas as bases conosco, mandam email regularmente, enfim sempre estão com a gente. Ciberativista não é necessariamente um colaborador que vai as ruas nas manifestações. Ele pode estar engajado com as causas5 http://www.greenpeace.org/brasil/pt/quemsomos/Missao-e-Valores-/ acesso em: 28/01/2011. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzie e ações do Greenpeace mas nem sempre pode estar presente fisicamente em uma passeata por exemplo. mas é aquele que pode estar online trabalhando com a empresa. É uma pessoa que assina nossas petições, que divulga as nossas ações via email ou nas redes sociais dele e a pessoa que faz a pressão em cima do alvo que a gente tem. A gente busca criar ciberativistas mas é uma situação que vai acontecendo naturalmente com o nosso parceiro. Só da pessoa ter o interesse de mudar a realidade e repassar algo no face ou Twitter ele já está nos ajudando e depois pode também vir a ser um colaborador financeiro também. Quando nós fazemos o monitoramente e percebemos que a pessoa está realmente envolvida, da Retweets, publica em seu mural do Facebook várias coisas, nós entramos em contato com essa pessoa pra trabalhar a parte de mobilizadores de bloco. Percebemos uma certa influencia da pessoa pra divulgar o nosso conteúdo”.Sobre as últimas causas em que o Greenpeace participa, uma que merece destaque é atentativa de frear a mudança no Código Florestal proposta por Aldo Rebelo do (PCdoB-SP).Segundo as ONGs ambientalistas como o Greenpeace, SOS Mata Atlântica e WWF, amudança acarretaria em uma grande diminuição da área de preservação ambientalbrasileira. As redes sociais foram os principais locais onde o Greenpeace se manifestoucontra a decisão do político.Através do cibertativismo, o Greenpeace já postava o email e contatos do deputado AldoRebelo para que os seus seguidores já se conectassem com “alvo”. Rebelo, segundoEduardo é o deputado que mais tem capacidade para mudar a proposta do Código Florestale foram 88 mil email assinados como petição e Aldo Rebelo acabou se manifestando,tentando explicar a situação. “O cara tem que ver que não é só uma organização ou um editorial de jornal criticando ele, é uma série de pessoas da sociedade civil. Nós também pedimos para as pessoas escreverem no Twitter do Aldo Rebelo e fazerem os questionamentos sobre o código florestal. Ultimamente as pessoas públicas estão usando mais as redes sociais, alguns acabam colocando um assessor pra operar, mas nem sempre o resultado é bom e como Aldo cuida do próprio Twitter, o resultado foi positivo.”Eduardo complementa dizendo que o “Twitter é uma ótima ferramenta, pois algumaspessoas acabam excluindo emails mandados por determinadas empresas, outros vêem queestá escrito “Greenpeace” e já ativam o anti-spam. No Twitter a pessoa está exposta paratodos verem, não é tão fácil se omitir em questões desse porte”. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011No Facebook Eduardo explica que a empresa coloca mais conteúdo, matérias detalhadas,parecidas com as do site. “Posts” do blog, notícias, galeria de fotos de algum protesto,vídeos e na rede de Mark Zuckerberg o Greenpeace consegue obter um grau maior deintegração entre o público, pois as pessoas publicam no seu mural, ativam o “curtir”,questionam notícias, mandam-nas para os amigos, publicam fotos e vídeos. “No Facebook nós vemos que as pessoas querem se envolver de fato. Mais do que ajudar financeiramente o Greenpeace, as pessoas gostam de aparecer na timeline do Greenpeace, é interessante para esse usuário”.A instituição raramente paga por espaços publicitários na mídia e nas redes sociais não édiferente. Ela aproveita do popular “calhau” (área vaga que sobra pela falta de anúncios,matérias ou outro material editorial publicável) de alguns veículos. “Dificilmente compramos espaços, a não ser que seja realmente necessário. Com os nossos blogs parceiros sempre há boa divulgação e com as redes socais as nossas idéias ficam muito evidentes, visto que não há limites hoje na comunicação. Custa muito caro para uma organização que trabalha com dinheiro de pessoa física gastar 100 mil reais por um espaço na mídia”.6. Política de doações do GreenpeaceNo Brasil ainda há uma insegurança nas doações e é contra isso que as ONGs do Brasilcontinuam lutando. Talvez pelo país já ter passado por vários casos de corrupção em suahistória, o brasileiro ainda pensa duas vezes antes de fazer uma doação para uma ONG. Amelhor maneira pensada por algumas delas é vincular realmente o seu doador àorganização, prestando contas e mostrando para o investidor onde seu dinheiro está sendoaplicado. A cultura no Brasil de doações é meio difícil. Pedir dinheiro na rua não é fácil então dependemos também da ajuda financeira do Greenpeace internacional. É mais uma questão de cultura a pouca prática de doações. Nós temos grupos de pessoas que ficam nas ruas e buscam doações porém as doações que dão mais certo são as mensais porque aí a pessoa vira uma parceira da empresa que se propõe a dar retorno sobre o investimento da pessoa e colocamos os números de gastos que tivemos no ano. Muitas vezes colocamos em pauta, objetivos de campanhas que o doador pode nos ajudar. Um exemplo seria uma grande bandeira em Brasília para que os políticos vissem a nossa atuação. Para a construção dessa imensa bandeira fazemos um orçamento de quanto vamos gastar e 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzie divulgamos o valor para que tenhamos doações. Existem várias maneiras de você coletar dinheiro, é que nós não aceitamos dinheiro de empresas como, por exemplo, a SOS Mata Atlântica que é uma de nossas parceiras e recebe doações do Bradesco e em conjunto fecham com o slogan “ Banco do Planeta”.As doações, segundo Eduardo, ainda não podem ser feitas pelas redes sociais, mas simpelo site. Nas redes sociais existem indicações para as pessoas se vincularem à ONG efazerem doações através do site. Há uma ficha que pode ser preenchida para se tornar um“colaborador”.7. Protestos e princípiosA última maneira de cobrar e conseguir mudanças são através de protestos. Primeiramentejá é bom frisar que o Greenpeace sempre faz protestos pacíficos e repudia qualquer atitudede agressões. O que poucos sabem é que um dos criadores da empresa é adepto de“pancadaria”. Paul Watson, um dos quatro fundadores do Greenpeace acabou sedesvinculando da organização por divergências em opiniões sobre alguns pontos. EduardoSantaela, confirmou que Paul acabou criando uma outra ONG, chamada “Sea Sepherd” queestá mais voltada contra a caça as baleias e afundamento de navios que praticam a caçadesses animais marinhos na América do Norte. Paul comprou briga com a ONG e no siteoficial do Greenpeace ele não aparece como um dos fundadores da organização. Empublicação em seu website americano6, o Greenpeace explica o porquê do afastamento dePaul em 1977 e a ira que ele tem até hoje contra a organização da qual fez parte por quaseseis anos. “Paul Watson fez muitos pedidos a público para o Greenpeace revelar a localização da frota baleeira ou cooperar com o Sea Shepherd no Oceano Antártico, quando os navios de ambas as organizações foram para lá simultaneamente. Nós temos o grande desejo de parar a caça, e iremos fazê-lo pacificamente. É por isso que não vamos ajudar o Sea Shepherd. O Greenpeace está vinculado a imagem da não-violência e nós nunca, jamais, vamos mudar isso. Se ajudamos o Sea Shepherd na busca para encontrar a frota baleeira seríamos responsáveis por qualquer coisa que eles fizessem e a história mostra que eles já usaram de violência no passado, nos mares mais perigosos da Terra. Para nós, a não-violência é um princípio não negociável, precioso. O Greenpeace continuará a agir para defender as6 Texto traduzido pelo autor do endereço: http://www.greenpeace.org/international/em/about/history/paul-watson/ Acesso em 28/01/11. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 baleias, mas nunca vai atacar ou colocar em perigo os baleeiros. Nós discordamos com Paul Watson sobre o que constitui a violência. Ele afirma que ninguém jamais foi prejudicado por uma ação do Sea Shepherd. Mas o teste de não-violência é a natureza de sua ação, não se os resultados provocaram danos ou não. Há muitos atos de violência - por exemplo, segurando uma arma na cabeça de alguém - que resulta em “nenhum dano”. Mas isso não muda a natureza da abordagem. Nós acreditamos que jogar ácido nos baleeiros, soltando os cabos para estragar os seus adereços, e ameaçando afundá-los nas águas geladas da Antártida constitui violência por causa das possíveis consequências. O fato de que as consequências não foram concretizadas, é irrelevante. Além de ser moralmente errado, acreditamos que o uso da violência na proteção das baleias é um erro tático. Se há uma maneira de fortalecer a opinião pública japonesa e garantir a caça continua, é usar táticas violentas contra sua frota.”8. Sea Shepherd Conservation SocietyToda essa rivalidade de Watson com o Greenpeace também fica evidente nas redes sociais.Apesar do Sea Shepherd ser uma “dissidência” do Greenpeace, a ONG tem o número de250.000 “curtir” no Facebook enquanto o Greenpeace internacional tem aproximadamente837.000. Isso demonstra a popularidade da ONG no meio da rede social. Figura 1 – Logotipo do GreenpeacePode-se dizer que o Sea Shepherd não esconde o ar de “organização rebelde”. Ficaevidente na foto do perfil da empresa tanto no Facebook quanto no Twitter, o logo de umacaveira branca com um fundo negro, no qual estão presentes uma baleia e um golfinho.Essa caveira “segura” uma espécie de uma lança em que há também o desenho de umgolfinho, passando a imagem de ser uma espécie de organização vingativa aos matadoresou capturadores de animais marítimos. Já o Greenpeace mostra leveza e em sua home doTwitter. Ele usa de um certo humor negro para caracterizar uma de suas atividades. Umrosto espantado com as cores e o símbolo da radioatividade expressam o horror que ela(radioatividade) vem causando no mundo. Com relação a números o Greenpeace 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana MackenzieInternacional tem 233 mil seguidores aproximadamente, enquanto a afundadora de naviosdetém o número de 35 mil. Figura 2 – Logotipo do Sea Shepherd9. Considerações finaisFoi possível perceber através desta pesquisa um grande universo que ainda está por vir naárea de redes sociais. As redes se adaptaram mais aos usuários e vice-versa. Assim comopodemos dizer que a publicidade se adapta a plataforma midiática e vice-versa.A internet pode ser, portanto, um importante recurso para as redes, representando umespaço de conexão entre as organizações, otimizando a sua comunicação e informação.Websites, “chats”, educação à distância, lista de discussões são alguns exemplos da eradigital. (RECUERO, 2006)Terceiro setor e redes são hoje realidades intrinsecamente relacionadas. O terceiro setor éessencialmente uma rede e aqui se pode imaginar uma grande teia de interconexões.(RECUERO, 2006). O caso do Greenpeace ilustra grandemente essa afirmação. A internetpode ser, portanto, um importante recurso para as redes, representando um espaço deconexão entre as organizações, otimizando a sua comunicação e informação. Websites,“chats”, educação à distância, lista de discussões são alguns exemplos da era digital.(RECUERO, 2006).Mesmo sendo uma área nova tanto para a publicidade e também para o terceiro setor, asredes digitais parecem estar mais adaptadas para o modelo publicitário. É só ver a diferençae o grau de complexidade dos perfis de agências e empresas nas redes. As ONGs aindaestão se adaptando a um novo modelo de divulgação dos seus compromissos. Isso ficaperceptível porque se o Greenpeace que é uma das ONGs brasileiras que mais investem naárea de redes ainda está “engatinhando” outras empresas, tão grande como ele ainda são“recém-nascidas” na área. 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011As redes digitais são uma nova forma de se fazer a sociedade e isso é muito perceptívelporque como em toda sociedade, as redes são mutáveis em qualquer momento. Hoje umusuário está no Orkut, mas no mês seguinte ele começa a participar do Facebook. Quandose acha que tudo está estabilizado, mais transformações aparecem. É por isso que as redesestão em constante transformação, penetrando no cotidiano das pessoas. As empresas eorganizações estão descobrindo esse potencial comunicativo das redes e têm feitoexperimentos e tentativas nessa área.10. Referências bíbliográficasCASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2007COELHO, Simone de Castro. Terceiro Setor: Um Estudo Comparado Entre Brasil e EstadosUnidos. São Paulo: Editora Senac, 2000.FERNANDES, Rubem Cesar. Privado porém Público: O Terceiro Setor na América Latina.Relume-Dumara, 1994.GRANOVETTER, M. The Strenght of Weak Ties. The American Journal of Sociology, vol.78, n. 6, p. 1360-1380, maio de 1973.LEMOS, André. Ciberespaço e Tecnologias Móveis. Processos de Territorialização eDesterritorialização na Cibercultura, In: XV ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 2006, Bauru.Anais. Bauru: XV COMPÓS, 2006.MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. 3. ed. PortoAlegre. Bookman, 2001.MELO NETO, Francisco Paulo de & FROES, César. Responsabilidade Social e CidadaniaEmpresarial. A administração do Terceiro Setor. Rio de Janeiro: QualityMark. 2001.MORTANI, Ivo Jr. Terceiro Setor, Mídias Sociais e Mudança Social. 01/04/2009. Disponívelpara dowload em http://blog.movere.com.br/author/admin/. Acesso em 01/03/2011.RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.SBARI, Rafael. Orkut estaciona no Brasil, e Facebook cresce 159%. Disponível em:http://veja.abril.com.br/blog/vida-em-rede/facebook-x-orkut/orkut-estaciona-no-brasil-e-facebook-cresce-159/ em 28/04/2011. Acesso em 12/05/2011.Contato: chaguri_2004@hotmail.com e fredu@mackenzie.br 14

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