Historia Colaborativa

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Este projecto surgiu no âmbito do cumprimento dos objectivos do Plano TIC do Agrupamento de Escolas de D. Fernando II, em consonância com o Projecto Educativo e de acordo com a necessidade sentida pela comunidade de estreitar os laços entre os vários estabelecimentos e os vários níveis de ensino que compõem o Agrupamento.

Pretendeu assim desenvolver competências variadas, no âmbito do domínio da língua portuguesa, da utilização das TIC, da criatividade, do reforço das relações interpessoais, entre outras.
O balanço feito pelos alunos e pelos educadores/professores envolvidos foi muito positivo.

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Historia Colaborativa

  1. 1. Ensaio sobre a beleza da vida
  2. 2. Ensaio sobre a beleza da vida Este projecto de história colaborativa surgiu no âmbito do cumprimento dos objectivos do Plano TIC do Agrupamento de Escolas de D. Fernando II, em consonância com o seu Projecto Educativo e de acordo com a necessidade sentida pela comunidade de estreitar os laços entre os vários estabelecimentos e os vários níveis de ensino que compõem o Agrupamento. Pretendeu assim desenvolver competências variadas, no âmbito do domínio da língua portuguesa, da utilização das TIC, da criatividade, do reforço das relações interpessoais, entre outras. A história foi iniciada pelos mais novos, as crianças do Jardim-de-infância (em Fevereiro de 2010) e finalizada pelos mais velhos, os alunos do 12º ano (em Junho de 2010). Pelo meio, alunos de anos de diferentes anos de escolaridade e de diferentes estabelecimentos de ensino do Agrupamento deram o seu contributo para a construção da história.
  3. 3. Ensaio sobre a beleza da vida
  4. 4. <ul><li>Era uma vez um campo que tinha muitas árvores: azinheiras, choupos, plátanos, sobreiros e eucaliptos e tinha ainda ervas e flores amarelas, roxas e vermelhas, que eram margaridas, lírios e papoilas. </li></ul><ul><li>Nesse campo havia um rio com água azul e límpida, porque nenhum animal a sujava. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Quem gostava muito do rio era a Libelinha. A Libelinha era comprida, magrinha, com asas transparentes, lisas e compridas e quando batia o sol mudava de cor. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Perto das flores estava a Borboleta. Ela tinha umas asas cor-de-rosa com estrelinhas. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Todos os dias de manhã a Borboleta maquilhava-se: pintava os olhos, punha baton e nas asas punha pozinhos de perlimpimpim para ficarem brilhantes. Depois ia buscar perfume às flores e ficava vaidosa. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>A Libelinha ficava triste mas respondia: </li></ul><ul><li>- Eu lavo as minhas asas, por isso ando limpinha. </li></ul>Quando a Borboleta encontrava a Libelinha dizia: - Estás feia! Não estás tão bonita como eu!
  9. 9. <ul><li>E a Libelinha ficava mais triste, baixava a </li></ul><ul><li>cabeça e chorava. Deixava cair uma lágrima </li></ul><ul><li>para o lago. </li></ul><ul><li>Mas eu sou mais bonita, porque </li></ul><ul><li>tenho brilhantes de pozinhos de </li></ul><ul><li>perlimpimpim e perfume das flores – </li></ul><ul><li>disse a Borboleta. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>A Joaninha, que voava perto do lago, meteu-se ao pé da Libelinha e perguntou: </li></ul>
  11. 11. JI do Linhó Educadora Paula Alves
  12. 12. - Por que estás a chorar? O que é que tens? - A borboleta disse que eu sou feia! - respondeu a Libelinha, a choramingar. - Não lhe ligues, ela não sabe o que diz. Eu vou falar com ela.
  13. 13. A Joaninha teve de procurar pelo campo todo, encontrou-a a colocar pozinhos de perlimpimpim e disse:
  14. 14. - Ó borboleta, a Libelinha disse que tu lhe chamaste feia. - Pois chamei! Ela é mesmo feia. Não tem umas asas bonitas e coloridas como as minhas - disse a Borboleta, envaidecida.
  15. 15. - Duvido muito. – disse a Borboleta que logo de seguida levantou voo e foi passear por entre as flores coloridas.
  16. 16. Lá mais para a tarde quando o sol já se tinha posto, a Borboleta caiu na armadilha de uma aranha. Começou então a gritar: - Ajudem-me, ajudem-me! Tirem-me daqui.
  17. 17. Quem ia por ali a passar e ouviu os seus gritos foi a nossa amiga Libelinha. Ela tinha mesmo bom coração! Pois, voou a toda a velocidade para ajudar a Borboleta. Demorou algum tempo mas por fim conseguiu libertá-la.
  18. 18. A Borboleta parecia bastante envergonhada e arrependida do que tinha dito acerca da Libelinha. - Oh Libelinha, desculpa-me! - disse a Borboleta. Eu fui uma tola e não pensei naquilo que disse. Realmente a Joaninha é que tinha razão. Gostava muito que me desculpasses e me aceitasses como tua amiga.
  19. 19. Entretanto, também apareceu a Joaninha que ficou muito contente com o que tinha visto. As três deram as mãos e lá foram a voar cada uma com as suas cores a alegrar e a espalhar beleza e magia por toda a natureza. De repente...
  20. 20. EB1/JI da Portela de Sintra Turma 3.º B Prof. Nuno Guardado
  21. 21. De repente, aperceberam-se que estavam a ser seguidas por um grupo de aranhas. - Tomem atenção! Vejam, estamos a ser seguidas pelas aranhas. O que quererão elas de nós? – alertou a Libelinha.
  22. 22. - Devem querer vingar-se. Como tu me salvaste, a que me atacou foi chamar as amigas. – comentou a Borboleta. - Faz todo o sentido. Há quem não aceite perder. Os fracos, geralmente, tentam resolver tudo através da violência. – afirmou a Joaninha.
  23. 23. - Vocês pensam que são muito espertinhas, não é? Acham que podem enganar uma aranha? Pois bem, estão muito enganadas. Vão pagar bem caro! Preparem-se para serem o nosso delicioso e suculento jantar! Entretanto, o grupo de aranhas liderado por Aranhesca decidiu cercar as três amigas. Então, as ameaças começaram:
  24. 24. A Borboleta, a Libelinha e a Joaninha entreolharam-se com algum receio e insegurança. A linda Borboleta parecia estar mais amedrontada. Mas, tanto a Libelinha como a Joaninha sentiram força e coragem para enfrentar o problema e como que por magia, gritaram ao mesmo tempo e a plenos pulmões: - Uma por todas e todas por uma!
  25. 25. As aranhas estranharam esta reacção, pois estavam convencidas que tudo seria fácil e rápido, como de costume. Ficaram tão surpreendidas que se sentiram um tanto confusas. Mas voltaram a insistir: - Vocês ousam desafiar-nos?! Que grandes valentonas! – gargalhou Aranhesca, olhando para o seu grupo.
  26. 26. - Nós não temos medo de vocês. O medo é como as vossas teias: cola-se, não sai, enrola as vítimas e provoca grande sofrimento. Mas desta vez vai ser diferente, todos os seres pacíficos desta floresta se vão unir e dar-vos uma grande lição… Escola EB 2.3 D. Fernando II 6º A Profª Ana Paula Miranda
  27. 27. A observar toda esta situação, estava um esquilo em cima de uma árvore a comer as suas deliciosas bolotas. O esquilo ficou revoltado com as ameaças e maldade das aranhas e resolveu intervir: - Outra vez vocês a incomodar os seres deste território? Andam sempre a criar problemas.
  28. 28. - E depois? É preciso lembrar a todos o poder das nossas teias! – respondeu arrogantemente a Aranhesca. - Vocês não têm o direito de colocar armadilhas por todos os caminhos. - continuou o esquilo em defesa dos animais pequenos.
  29. 29. - Não temos culpa que a borboleta vaidosa ficasse presa na nossa teia. – insistia a aranha.
  30. 30. A Borboleta, a Joaninha e a Libelinha, aproveitaram este momento de distracção conseguindo assim escapar do ataque das aranhas, sem que estas dessem por isso.
  31. 31. Muito apressadas, voaram até à casa do Mocho. O Mocho, pela sua sabedoria e ponderação, era respeitado por todos. Era ele que resolvia todos os problemas das redondezas e que julgava todos os casos que eram levados a tribunal.
  32. 32. - Sr. Mocho, por favor, precisamos de ajuda! O gang da Aranhesca persegue-nos. – gritavam, apavoradas as três amigas. - Então o que aconteceu? – perguntou calmamente o Mocho.
  33. 33. - Eu fiquei presa na teia de uma aranha mas a Libelinha ajudou-me a sair de lá e agora elas juntaram-se para se vingarem de nós. – explicou a Borboleta. - Elas querem-nos comer! São criminosas e perigosas. – disse a Libelinha.
  34. 34. - Tenham calma. Bem sei que as aranhas andam sempre metidas em sarilhos mas é preciso pensar nas características de cada animal e nas leis da natureza. Não podemos chamar criminoso, assim de qualquer maneira. – alertou o sábio Mocho. - Mas tem de nos ajudar! – suplicou a Borboleta. - O melhor é levar o caso a tribunal. – decidiu o Mocho. Escola EB1/JI de Ranholas 3º e 4º anos Profª Teresa Paula Anselmo
  35. 35. No dia seguinte, depois das três amigas apresentarem queixa por escrito ao Mocho, o Falcão que era o ajudante do Juiz, foi informar (notificar) as aranhas que elas teriam de ir ao tribunal para se defenderem de uma acusação. Essa ida ao tribunal (ou audiência) seria no dia Internacional da Defesa dos Animais, ao pôr-do-sol, no Tribunal do campo.
  36. 36. O tribunal era um espaço muito importante. Ocupava todo o interior de um tronco de uma árvore já caída há muitos e muitos anos.
  37. 37. O interior deste tribunal era iluminado por um grande número de pirilampos e o mobiliário era de madeira trabalhada pelos castores.
  38. 38. As aranhas não perderam tempo e decidiram falar logo com a melhor advogada da região - a Dona Tarântula. Esta advogada metia muito respeito, era grande, cheia de pêlos e muito feia e inteligente. Por outro lado, as três pequenas amigas falaram com o esquilo para as ajudar na acusação.
  39. 39. Tanto os pequenos insectos como as aranhas ao longo de alguns dias prepararam-se o melhor possível para o dia do julgamento no tribunal.
  40. 40. O dia chegou e, ao pôr-do-sol, já todos se juntavam à porta do Tribunal. Embora estivessem muitos animais ali agrupados, o Mocho só deu autorização para entrarem os acusadores e os réus.
  41. 41. Depois de todos estarem devidamente instalados, o Mocho levantou-se e disse: - Está aberta a sessão. Estamos aqui hoje reunidos para chegarmos a um entendimento sobre a acusação que a Libelinha, a Borboleta e a Joaninha fazem às aranhas, ou seja, as aranhas são acusadas de perseguição e tentativa de maus tratos. Tem a palavra a Dra. Tarântula. Escola EB1 do Linhó nº1 2º ano Profº João Trigo
  42. 42. Muito segura, de pêlo lustroso, a reflectir os últimos raios de sol, Dona Tarântula aproximou-se de Falcão, em silêncio, lentamente, como que urdindo a teia em que pretendia envolver a assembleia ali presente.
  43. 43. O silêncio pesava na sala contrastando com o bater dos corações dos que ficaram lá fora. O Sr Esquilo, que aceitara representar as três amigas, começava a sentir-se intimidado, não tanto pela imponência daquela figura sinistra, mas sobretudo pela dúvida que crescia dentro de si – Será que serei capaz de ajudar as minhas amigas?! Será que vai ser feita justiça?! – e à medida que a dúvida crescia, o silêncio adensava-se e o pânico começava a dominá-lo…no preciso momento em que a sábia Joaninha lhe sussurrou: - Obrigada…sei que farás o teu melhor…
  44. 44. Ao que a Libelinha acrescentou: - A nossa defesa não é responsabilidade tua mas de todos nós. A tua presença é só uma segurança porque sabemos que és nosso amigo…e os amigos não falham quando é preciso….
  45. 45. Cansado da demora e percebendo o ambiente de intimidação que a Dona Tarântula procurava espalhar, o Mocho dirigiu-se-lhe: - Sra Dona Tarântula, se não toma a palavra, passarei a vez à acusação!
  46. 46. - Desculpe Sr Dr Juiz…estava só a organizar as ideias…vou já começar. – e dirigindo-se aos presentes, olhos nos olhos,- Meus senhores e minhas senhoras, o caso que estamos hoje aqui a discutir, não tem pés nem cabeça….O CICLO NATURAL (levantando a voz em alguns momentos) da VIDA, pressupõe que as aranhas, TEÇAM TEIAS, com as quais, APRISIONAM outros animais, os quais constituem, NATURALMENTE, o seu alimento…(neste momento um ahhhhhhh! aterrorizado percorreu a sala, não pela surpresa do assunto, mas pela frieza da constatação)…
  47. 47. DEUS, não nós, definiu a LEI DA VIDA, na qual os mais fracos são abatidos pelos mais fortes….(aproximou-se das três amigas com uma agilidade surpreendente)… estamos nós aqui hoje, para contrariar a lei Divina?! (aproximou-se agora do Juiz)… Vamos nós hoje, aqui, decidir que Deus está errado?!
  48. 48. O Esquilo estava incrédulo com a astúcia da Tarântula. As três amigas ficaram petrificadas perante aquela argumentação e sem se dar conta, deram as mãos. A consciência de que o seu destino era ser comida de aranha, impedia-as de pensar.
  49. 49. E a aranha continuava – O Sr Juiz Mocho, quererá sobrepor-se a Deus e inverter a Lei da Vida?... Lembro-lhe Sr Juiz, que também o senhor, TEM um PREDADOR, que por sua vez é presa…
  50. 50. O Esquilo interrompeu iluminando os rostos das três amigas (primeiro gaguejando, depois afastando a custo, os olhos da Tarântula) – De… Deus é é é a Natureza… que em equilíbrio e apenas na medida das suas necessidades, vai sacrificando uns, em detrimento de outros… A vossa investida vai muito para além das vossas necessidades ou sobrevivência. (agora mais seguro, levantara-se como se crescesse com o som da sua própria voz e convicção). Espalham as vossas teias e com elas o terror, pelo prazer de assistir à captura e morte de outros seres…
  51. 51. - Mente Sr Esquilo! Mente! Isso é precisamente o que se espera das aranhas! Que teçam teias finas como seda, em locais cheirosos ou suculentos, para os incautos, abelhudos ou mais superficiais, se deixarem atrair. A culpa é da natureza desses seres, que se deixam atrair! Não é de quem age segundo a sua natureza! (e dirigindo-se às três amigas, que surpreendentemente se sentiam mingar) Alguém obrigou a Borboleta a pousar nas teias da Aranhesca? Ela usou o seu livre-arbítrio! Escolheu o seu destino! E as minhas amigas aranhas têm que pagar por isso?
  52. 52. Estava criado um impasse. O Juiz e o ajudante trocavam olhares de impotência e de agitação, respectivamente. Escola Básica 2,3 de D. Fernando II turmas do 7º A e B Prof.ª Eugénia Casimiro
  53. 53. O Esquilo, indignado com a arrogância existencial da Dra. Tarântula, acercou-se de todos com um salto, mais uma vez encheu o peito de ar novo e retorquiu puxando a voz do fundo da alma: - Meus senhores, minhas senhoras e restantes animais: não é, nunca foi, nem será minha qualquer pretensão de trazer a este tribunal ensaios filosóficos sobre ser ou não ser, viver ou morrer, comer ou não comer! A vida é o que é e nós somos o que somos! Sabemos que precisamos uns dos outros e que o mundo é cruel.
  54. 54. Sabemos que nos comemos uns aos outros e viu Deus que era bom! Sabemos que a roda é circular e que a vida é sempre a perder. Mas também sabemos que todos temos direito a ela e que ser comido vivo é uma perturbação difícil de ultrapassar. Imaginem-se, senhores e senhoras, no difícil lugar de libelinhas, joaninhas e borboletinhas presas às amarras da baba destes bichos sedentos de sangue enquanto os vêem a aproximar-se de vós com aquela cabeça grande e feia em cima de patas e mais patas como se tivessem medo de não chegar ao destino…
  55. 55. Se precisam de comer? Claro que sim! Então que mudem de regime alimentar e se tornem vegetarianas! O amor ao próximo faz milagres! Deitemos abaixo os muros das cadeias alimentares e rumemos à liberdade e à vida plena!
  56. 56. Não quis acrescentar mais nada à sua argumentação. Com uma interjeição seca e furiosa arremessou a cauda para trás do pescoço e, dando meia volta sobre as patas traseiras, sentou-se junto das três vítimas e deu um murro certeiro numa noz que se abriu e lhe saltou directamente para a boca, a qual engoliu com um golpe de glote. De novo, o silêncio se ajoelhou.
  57. 57. Perante tamanho arrebatamento, o Mocho que até aí destilava gotas de suor, tirou do bolso um lenço branco e comprido que parecia nunca mais acabar e limpou a testa do líquido incómodo. Ajeitou assertivamente a única luneta que lhe adornava o proeminente e majestoso nariz, pegou no pesado maço e deu três sonoras pancadas numa velha mesa de madeira que ecoaram de forma ribombante nos ouvidos mais sensíveis. Depois, voltando-se para o público que continuava aberto em Ah de espanto, proferiu:
  58. 58. - Caríssimos, é preciso que todos oiçam o que tenho para dizer, pois vou dizê-lo apenas uma vez. As coisas da alma e de Deus devem ser pensadas em verso para que todos compreendam.
  59. 59. Borboletas, Libelinhas e Joaninhas São seres que pertencem à beleza Deus criou certas figurinhas Para bem de toda a natureza. Por outro lado, aranhiços e aranhas Precisam diariamente de alimento Para isso usam todas as manhas Preocupando-se só com seu sustento.
  60. 60. Parou o discurso para recuperar o fôlego e limpou mais duas gotas de suor com o lenço que retirou do outro bolso, desta vez, amarelo e brilhante, ao mesmo tempo que se iam soltando flores e fadas das palavras que ainda pairavam no ar.
  61. 61. EB1 de São Pedro Turma 1º Ano Ilustração: Beatriz Santos Profª Fernanda Gomes
  62. 62. Bem sei que é a Lei da Vida, Que é a luta pela sobrevivência, Mas a existência seria mais colorida Se por todos houvesse cedência.
  63. 63. Estava o Mocho bem encaminhado no seu discurso, quase mesmo a pronunciar a sentença, quando foi interrompido pela Dra. Tarântula: - Protesto! Cedência?! Cedência?! Mas o que pretende o Sr. Dr. Juiz que façamos? Uma dieta? Um curso de auto-controlo?
  64. 64. Mais uma pancada seca se fez ouvir. O Mocho estava furioso com tamanha rudeza: ser interrompido a meio do seu discurso? - Em silêncio, Dra. Tarântula! Ordem no tribunal! – ordenou o Mocho com uma voz grave e assustadora.
  65. 65. De imediato, a Tarântula obedeceu, flectiu as suas patas peludas e, se tivesse orelhas, até as tinha posto para baixo, tal o respeito que tinha pelo sábio Mocho. - Já tive em asas casos dificílimos de resolver, mas, de facto, nenhum se compara com este. Acalmemos os ânimos.
  66. 66. O Mocho retomou então o seu discurso, sob os olhares atentos da bicharada.
  67. 67. De uma teia tece Eu não vos impeço. Mas que seja para comer É o que vos peço. Os instintos devoradores Devem dominar Para a partir de agora Em equilíbrio podermos habitar.
  68. 68. Um curso de auto-controlo Irão frequentar, Para aprenderem a comer O que para viver é essencial. Eu sei que parece complicado, Mas até será engraçado! Tolerantes devemos ser Para em harmonia viver! Mas, como todos têm de ceder, A sentença não acaba aqui. Borboleta, Libelinha e Joaninha, Para vós eu falo assim: EB1/JI de Sintra 3º e 4º anos Prof. Isabel Costa
  69. 69. Nunca se ouviu falar em aranhas vegetarianas E muito menos em borboletas, libelinhas ou joaninhas de soja A natureza é nossa mãe E às nossas mães não podemos obrigar o que quer que seja Resistir à tentação… É a vossa missão As aranhas foram feitas para caçar E as suas presas para delas escapar
  70. 70. Quem não concordar com as quadras escreva uma declaração pejada de emoções, ou vá puxar uma cadeira para se sentar no chão. Há que dar prioridade às leis que a natureza nos disponibiliza e faz respeitar.
  71. 71. Vendo que nas faces dos presentes expressões de perplexidade habitavam, rapidamente transformou o mocho tantos versos em prosa, com mestria e sem transferidos ou conhecimentos de educação visual, tão bem estavam os seus olhos e espírito treinados.
  72. 72. - Tudo o que quero dizer é que este tribunal nada pode fazer em relação a este impasse. - O meritíssimo juiz parecia agora atado sobre um ténis descalço. - Não podemos levar bárbara Leta, Lília Bela e Joana Pinha à boca das aranhas, nem podemos proibir qualquer aranha neste mundo de fabricar as suas teias.
  73. 73. É certo que as aranhas serão obrigadas a participar num curso de autocontrole para atenuar qualquer tendência a declinações violentas, mas este tribunal não proibirá que existam aranhas mais gordas que outras. As meninas serão incentivadas a continuar a lutar pelas suas vidas e aconselhadas a manter-se longe das aranhas, visto ser difícil uma amizade entre presa e predador.
  74. 74. Este tribunal não se colocará na posição de Deus, Dona Tarântula, nem apoiará qualquer doentio ciclo da vida, Sr Esquilo. - Estavam prestes a serem saciadas as curiosidades. - A justiça que se fará aqui será intermediária. Não do tipo intermédio que fica na indecisão entre o sim e o não, mas o intermédio ponto médio que segura a perfeita simetria da balança, que equilibra a cega justiça.
  75. 75. As palavras fortes e sabedoras proferidas pelo mocho deixaram muitas almas exauridas e desorientadas. Tal é o poder da retórica.       
  76. 76. O silêncio plantou-se na sala. Até os relógios pareciam abrandar o tiquetaque para deglutir a fala do meritíssimo Mocho. Alguns julgaram injustiça, uma justiça pleonasticamente justa. Outros acharam Sr. Mocho ainda mais sábio do que lhe faziam parecer os seus volumosos olhos. Outros ainda nada pensaram por achar que já estava tudo pensado.
  77. 77. Meritíssimo, após visualizar cada um, engoliu molhado e logo prosseguiu o seu juízo, sem esperar verbalização alguma dos presentes, pois nestes casos a linguagem corporal basta (é como alguém que torce os olhos depreciativamente ao ingerir, por cerimónia, um prato de alimentação com um cabelo à mistura):
  78. 78. - Soube que tudo isto começou com uma discussão sobre belezas e faltas dela. Por vezes, para se originar uma avalanche, basta um pequeno toque numa sensibilidade próxima e tudo cai. Não devemos, por isso, semear ventos para não colhermos tempestades. Respeitemos a formatação original do próximo. Espero que esta audiência tenha dado uma lição de beleza a todos os presentes.
  79. 79. A beleza nada tem a ver com asas lustrosas e muito menos com pozinhos de perlimpimpim ou a subtileza de uma teia. A beleza está na vida, nas artísticas teias das aranhas e no esbelto corpo da libélula.
  80. 80. CUMPRA-SE A LEI DA VIDA. Escola Básica 2,3 de D. Fernando II turmas do 12º A Prof. João Camacho
  81. 81. FIM

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