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ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOSem contato com a placa inferior permanecem imóveis, pelo mesmo motivo, admitindo que olíq...
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ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS        Levando em conta as forças viscosas, a equação de Euler (18), pode ser assim escr...
Antônio Cardoso NetoLogo, as forças viscosas conduzem apenas à deformação da massa fluida. Será feita umaanalogia com os c...
ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS                 3σ                              2Gε                             2    ...
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  1. 1. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS Equações Fundamentais. Conservaçãode Massa, Quantidade de Movimento e Energia Antônio Cardoso Neto
  2. 2. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS ÍNDICE1. INTRODUÇÃO E GENERALIDADES 22. CONCEITOS BÁSICOS 3 2.1. Regimes Laminar e Turbulento 3 2.2. Grandezas Instantâneas e Médias 4 2.3. Nomenclatura Elementar 43. EQUAÇÕES GERAIS DO ESCOAMENTO 5 3.1. Conservação de Massa 5 3.2. A Equação de Euler 6 3.3. A Equação Complementar 84. CINEMÁTICA DOS FLUIDOS 85. FORMULAÇÕES DECORRENTES DA EQUAÇÃO DE EULER 10 5.1. A Equação de Lagrange 10 5.2. A Equação de Bernoulli 116. CONDIÇÕES INICIAIS E DE CONTORNO 127. DISTRIBUIÇÃO DAS PRESSÕES 128. APLICAÇÕES DA EQUAÇÃO DE BERNOULLI 14 8.1. Extensão do Teorema de Bernoulli aos Líquidos Reais 15 8.1.1. O coeficiente de Coriolis 15 8.1.2. Perda de carga 169. INTERCÂMBIO DE IMPULSO 17 9.1. O Teorema de Euler 17 9.2. Aplicações do Teorema de Euler 1810. ESCOAMENTO DOS FLUIDOS VISCOSOS 19 10.1. Viscosidade 19 10.2. Viscosidade dos Fluidos Reais 20 10.3. O Teorema do Tetraedro dos Esforços 2211. TENSÕES E DEFORMAÇÕES DE ORIGEM VISCOSA NOS FLUIDOSNEWTONIANOS 22 11.1. Tensões Normais 23 11.2. Tensões Tangenciais 24 11.3. Hipóteses de Stokes 24 11.4. Equilíbrio Dinâmico 2412. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 25 -1-
  3. 3. Antônio Cardoso Neto ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOSEquações Fundamentais. Conservação de Massa, Quantidade de Movimento e Energia.1. INTRODUÇÃO E GENERALIDADES Antes de qualquer coisa, é necessário que se diga de uma vez por todas que, na línguaportuguesa, as vogais i e u não recebem acento quando constituírem sílaba tônica seguida denh, i ou u, como é o caso do substantivo fluido, cujos fundamentos de sua mecânica nospropomos a estudar nesta apostila. Fluído é o particípio passado do verbo fluir, e seria o objetode nosso presente estudo, caso falássemos castelhano e nossa apostila se chamasse Elementosde Mecánica de los Fluidos. A finalidade principal da hidrodinâmica é o estabelecimento das leis que regem omovimento dos fluidos. A condição física de um fluido é totalmente determinada se foremconhecidas as componentes u, v e w da velocidade (relativas aos eixos cartesianos x, y e z,respectivamente), assim como os valores da densidade ρ e da pressão p, para qualquer tempo te todos os pontos ocupados pelo fluido. Há, portanto, cinco incógnitas (u, v, w, p e ρ) e quatrovariáveis independentes (x, y, z e t) no problema relativo ao escoamento dos fluidos. As cincoequações necessárias para que haja possibilidade de resolução do sistema são: Uma equação de conservação de massa. Uma expressão que se baseie na continuidade espacial e temporal da matéria. Três equações gerais do movimento. Relações de causa-efeito que exprimam as leis que regem o movimento nas direções dos três eixos ortogonais cartesianos. Freqüentemente, são utilizadas as equações resultantes da projeção de dAlambert1. Uma equação complementar. Uma equação que traduza a dependência entre duas ou mais variáveis dependentes, levando em conta a natureza do fluido. Também é chamada de equação de estado. Há dois métodos de abordagem do problema: O método de Lagrange.2 Consiste no acompanhamento das partículas individuais em seu movimento ao longo de suas trajetórias. Segundo este critério, resolve-se o seguinte problema: "Conhecida a posição (x1,y1,z1), a pressão p1 e a densidade ρ1 de uma partícula líquida, no instante t1 , determinar sua pressão p, sua densidade ρ e sua posição (x,y,z) no instante t." PIMENTA, C. F. (1977). O método de Euler.3 Estuda as grandezas físicas do fluido no decorrer do tempo, em um determinado volume de controle, fixo no espaço. No método de Euler, o problema é enunciado da seguinte forma:1 Jean le Rond dAlambert (1717-1783). Matemático e enciclopedista francês. Foi quem esclareceu o conceito delimite. Publicou Traité de Dynamique em 1743, onde consta seu princípio de projeção, deduzido a partir daterceira lei de Newton. Trata-se de um método geral de redução dos problemas dinâmicos a problemas estáticos,por meio da superposição de forças adicionais correspondentes às acelerações.2J. L. Lagrange (1736-1813). Matemático naturalizado francês, nascido em Turim (Itália). Um dos fundadores daÉcole Polytechnique, onde trabalhou em Teoria dos Números e na solução sistemática de equações diferenciais.Seu maior trabalho foi Mécanique Analytique. -2–
  4. 4. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS "Conhecida a velocidade (u1 , v1 , w1 ), a pressão p1 e a massa específica ρ1 no instante t1 , em um dado ponto (x,y,z), determinar a pressão p, a densidade ρ e a velocidade (u,v,w) nesse mesmo ponto, no tempo t." PIMENTA, C. F. (1977) Sempre que possível, adota-se o método de Euler, por sua comodidade e simplicidade.2. CONCEITOS BÁSICOS2.1. Regimes Laminar e Turbulento Em experiências independentes e simultâneas, efetuadas por Hagen e por Poiseuille em1839 sobre o movimento dos líquidos em tubos de pequeno diâmetro, foi observado que apressão diminui com o valor da velocidade de forma linear, quando a velocidade é baixa.Também observaram que essa lei de variação não é válida para altas velocidades. Notaramainda a dependência do diâmetro do tubo e datemperatura do líquido nesse fenômeno. Em 1883, procurando observar ocomportamento do escoamento dos líquidos,Osborne Reynolds empregou um dispositivo como oesquematizado na figura 1, que consiste de um tubotransparente inserido em um recipiente com paredesde vidro. Um corante é introduzido na entrada dotubo. Ao abrir gradualmente o obturador T, observa-se a formação de um filete retilíneo. Neste tipo demovimento, definido como laminar, as partículasapresentam trajetórias bem definidas que não secruzam. Ao abrir mais a torneira, a velocidade Figura 1- Dispositivo de Reynolds.aumenta e o filamento se difunde no líquido, comoconseqüência do movimento desordenado das partículas. Este regime denomina-se turbulento.Ao reverter o processo, o filamento regular se reestabelece a partir de uma certa velocidade, aqual recebe a denominação de velocidade crítica inferior. Após investigações experimentais e teóricas, Reynolds concluiu que o critério maisapropriado para se determinar o tipo de escoamento em uma canalização não se atémexclusivamente ao valor da velocidade, mas a uma expressão adimensional na qual aviscosidade do líquido também é levada em consideração. Este adimensional, que passou a serconhecido como Número de Reynolds, é expresso da seguinte maneira: VD Re = (1) νonde V é a velocidade, D é o diâmetro do conduto e ν é a chamada viscosidade cinemática. Oregime laminar ocorre e é estável, nos casos práticos, para Reynolds inferior a 2000. Entre2000 e 4000 há uma zona crítica, na qual não se pode determinar a perda de carga com muitasegurança4.3 Leonhard Euler (1707-1783). Matemático suíço. Discutiu Mecânica, Cálculo, Álgebra, Teoria dos Números e amaioria dos tópicos matemáticos de seu tempo. Foi aluno de Johann Bernoulli, na juventude. Morreu cego naAlemanha.4 Embora já se tenha observado, em condições de laboratório, regime laminar com valores de Reynolds superioresa 40.000, o escoamento é sempre turbulento para Reynolds superior a 4.000 em tubos comerciais. Para um -3-
  5. 5. Antônio Cardoso Neto Além da velocidade e da viscosidade cinemática do líquido, o número de Reynoldstambém leva em conta uma dimensão linear característica. No caso de tubos de seção circular,esta dimensão é o diâmetro D da tubulação, como visto na equação 1. Para seções não-circulares, toma-se esta dimensão como sendo o quádruplo do raio hidráulico5.2.2. Grandezas Instantâneas e Médias Durante o escoamento, uma determinada partícula, que se encontra em um ponto P no rtempo t, é dotada de uma velocidade instantânea v . Devido à tridimensionalidade doescoamento, essa velocidade varia tanto temporal como espacialmente, tanto em intensidadecomo em direção e sentido. O escoamento é dito permanente quando os parâmetros envolvidossão temporalmente invariantes em todo e qualquer ponto do escoamento. Um conceitoimportante é o da velocidade média, quando se pretende conceituar o movimento permanenteem média: r t + ∆t r 1 Vm = ∆t ∫ Vdt (2) tonde ∆t é o intervalo de tempo considerado6. Analogamente, pode-se definir valores médios einstantâneos para as outras grandezas que intervêm no escoamento, como a pressão e adensidade. Em alguns métodos de simulação numérica de escoamentos não permanentes,utiliza-se este conceito de escoamento permanente em média, durante pequenos intervalos detempo.2.3. Nomenclatura Elementar Chama-se campo de velocidades aoconjunto constituído pelas velocidadesinstantâneas das partículas, que em determinadotempo t ocupam um volume V no espaço. Acurva tangente às velocidades instantâneas deuma partícula individualizada é chamada linhade corrente (figura 2), cuja equação é: Figura 2- Definição de linha de corrente. dx dy dz = = (3) u v w Se o campo de velocidades, de densidade e de pressão for temporalmente invariável, ouseja, se o movimento for permanente, as linhas de corrente coincidem com as trajetórias daspartículas. No entanto, se o escoamento não for permanente, o campo de velocidades varia como tempo provocando variação temporal das linhas de corrente, o que é de se esperar que ocorra. Tubo de corrente é uma superfície fechada que contém linhas de corrente. Quando seanalisa um tubo de corrente de seção transversal infinitesimal, geralmente se refere a ele comoum filete de corrente. A vazão Q através da seção S de um tubo de corrente, mostrado na figura 3, édefinida como:escoamento a uma velocidade de 0,90 m/s, a 20° C (ν=0,000001 m2/s) em uma canalização de 50 mm dediâmetro, tem-se um valor de aproximadamente 45.000 para o número de Reynolds.5 Raio hidráulico é a razão entre a seção ocupada pelo fluido, transversal à direção do escoamento, e o perímetroda fronteira desta seção com o conduto que a limita.6 Em certos problemas de aerodinâmica ∆t é da ordem de minutos, ao passo que na simulação de algunsescoamentos esse intervalo pode ser da ordem de centésimo de segundo. -4–
  6. 6. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS rr Q = ∫ v.n ds (4) S ronde n é o versor normal à cada ponto da seção S, em um determinado tempo t. Portanto, avazão média é: t + ∆t t + ∆t 1 1 rr r r Qm = ∆t ∫t Q.dt = ∆t ∫∫ t S v.n ds = ∫ v m .n ds S (5) Logo, a velocidade média de uma corrente líquida pode ser expressa por: r r Q ∫ v m .n ds (6) v= = S S S O valor do produto da vazão pela densidade7 sedenomina descarga ou vazão mássica.3. EQUAÇÕES GERAIS DO ESCOAMENTO Na dedução das equações fundamentais doescoamento de um fluido ideal, será usada a abordagemde Euler, através de um volume de controle dedimensões infinitesimais. Figura 3- Tubo de corrente.3.1. Conservação de Massa Nas velocidades de valores práticos, a conservação da massa é um princípio óbvio e intuitivo8. Seja o paralelepípedo invariável e fixo no espaço (figura 4), de arestas dx, dy e dz de dimensões infinitesimais, com seu interior totalmente ocupado por um fluido de densidade transitória ρ. Durante um intervalo infinitesimal de tempo dt, a Figura 4- Volume de controle elementar. massa específica passa de ρ para ρ + ∂ρ dt . Portanto, a ∂tvariação de massa do volume do paralelepípedo é:7 Também denominada massa específica.8 Em Hidráulica Relativística, ramo da ciência que se ocupa do estudo de explosão de supernovas e doescoamento da matéria inter-galáctica, não se considera a conservação da matéria, devido à transformação dematéria em energia (E=mc2) e ao aumento de massa com a velocidade segundo Einstein. -5-
  7. 7. Antônio Cardoso Neto  ∂ρ   ∂ρ dm =  ρ +  − ρ dx dy dz dt = dx dy dz dt (7)  ∂t   ∂t A massa que entra no volume infinitesimal, durante o intervalo dt é: mentra = ρ( u dy dz + v dx dz + w dx dy) dt (8) E a massa que sai do volume durante o mesmo intervalo é:  ∂( ρu) ∂( ρv) ∂( ρw )  msai = ρ( u dy dz + v dx dz + w dx dy) dt +  + + dx dy dz dt (9)  ∂x ∂y ∂z  Portanto, o balanço de massa fornece: ∂ρ ∂( ρu) ∂( ρv) ∂( ρw ) dm = m entra − m sai ⇒ + + + =0 (10) ∂t ∂x ∂y ∂z No caso dos líquidos, considerados incompressíveis (ρ espacialmente uniforme etemporalmente constante), a equação da continuidade fica simplesmente: r r ∇.V = 0 (11) Ou seja: O divergente do vetor velocidade é sempre nulo para os fluidosincompressíveis.3.2. A Equação de Euler As forças externas que atuam sobre um fluido em movimento podem ser classificadas emduas categorias distintas, a saber: Forças relacionadas à superfície. Forças decorrentes da pressão externa sobre as seis faces do paralelepípedo infinitesimal. Forças dependentes do volume. O peso. Ocasionado pela gravidade, no sentido vertical descendente. Forças dependentes da massa. Forças dependentes da massa do fluido, cujas componentes cartesianas por unidade de massa são designadas aqui por X, Y e Z que têm, portanto, dimensões de aceleração [ LT- 2 ]. As força causadas pela pressãoexterna nas faces do volume de Figura 5- Forças exercidas pela pressão externa nas faces docontrole estão esquematizadas na volume de controle.figura 5. Logo, a força resultante dapressão externa é: r  ∂p ∂p ∂p  Fp = − ; ; dx dy dz (12)  ∂x ∂y ∂z  A resultante das forças externas dependentes da massa é: -6–
  8. 8. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS r Fext = ρ( X; Y; Z ) dx dy dz (13) A força peso é simplesmente: r Fg = −ρ dx dy dz ( 0;0;g) (14)onde g é a aceleração da gravidade. Finalmente, a força devida à inércia do escoamento pode ser descrita pela seguinteexpressão: r  d2 x d2 y d2 z  Fin = ρ dx dy dz 2 ; 2 ; 2  (15)  dt dt dt  r r Entretanto, como V. V = f ( x, y, z, t) , pode-se escrever:  d2 x du ∂u ∂u dx ∂u dy ∂u dz ∂u ∂u ∂u ∂u  2 = = + + + = +u + v + w dt dt ∂t ∂x dt ∂y dt ∂z dt ∂t ∂x ∂y ∂z   d2 y dv ∂v ∂v dx ∂v dy ∂v dz ∂v ∂v ∂v ∂v  2 = = + + + = +u + v + w (16)  2 dt dt ∂t ∂x dt ∂y dt ∂z dt ∂t ∂x ∂y ∂z  d z dw ∂w ∂w dx ∂w dy ∂w dz ∂w ∂w ∂w ∂w  dt 2 = dt = ∂t + ∂x dt + ∂y dt + ∂z dt = ∂t + u ∂x + v ∂y + w ∂z  Igualando as forças inerciais às forças externas, tem-se a equação de Euler:  ∂p   ∂u ∂u ∂u   ∂u   ∂x    ∂x ∂y ∂z      ∂t  1  ∂p   X   ∂v ∂v ∂v  u   ∂v    = Y −  v −  (17) ρ  ∂y     ∂x ∂y ∂z    ∂t    ∂p   Z − g  ∂w ∂w ∂w  w   ∂w     ∂t   ∂z   ∂x ∂y ∂z  Ou, de forma mais compacta, r 1r r DV r ∇p = R − + eg (18) r ρ Dt ronde R é o vetor da resultante das forças externas por unidade de massa e eg é o vetor daaceleração da gravidade.Alguns casos particulares interessantes são: ∂u ∂v ∂w Movimento permanente. = = = 0 . Multiplicando a equação 17 (escrita ∂t ∂t ∂tem termos das derivadas totais), e multiplicando ambos os membros pelo vetor linha (dx dydz),se obtém: 1  ∂p ∂p ∂p   du dv dw   dx + dy + dz = Xdx + Ydy + ( Z − g)dz −  dx + dy + dz (19) ρ  ∂x ∂y ∂z   dt dt dt ou seja: 1 dp = Xdx + Ydy + ( Z − g)dz − (u du + v dv + w dw) (20) ρou ainda; r 1  V2  dp = Xdx + Ydy + ( Z − g)dz − d  (21) ρ  2  -7-
  9. 9. Antônio Cardoso Neto A expressão 21 é a equação de Euler para escoamento permanente. Fluido em repouso. Para V=0, a equação 21 fica: 1 dp = Xdx + Ydy + ( Z − g)dz (22) ρque nada mais é que a equação fundamental da hidrostática. Uma decorrência da aplicação da equação de Euler a líquidos pesados, em regimepermanente e sujeitos à ação da gravidade, cujas condições são X=Y=Z=0, é: 1  V2  p V2 dp + dz + d  = 0 ⇒ + z+ = constante (23) ρg  2g  ρg 2gque é o teorema de Bernoulli, que será visto adiante.3.3. A Equação Complementar Essa equação extra é obtida, considerando-se uma característica particular do fluido, como,por exemplo, as seguintes: Fluidos homogêneos e incompressíveis. ρ = constante. Gases perfeitos. p=gRTρ, onde R é a constante universal dos gases perfeitos e T é a temperatura. No entanto uma nova incógnita (a temperatura) é introduzida aqui. Pode-se admitir que a temperatura seja constante, em alguns casos.4. CINEMÁTICA DOS FLUIDOS Independente da análise das causas eefeitos do movimento dos fluidos, deve-secompreender seu comportamento cinemático. Sejam os pontos P1 e P2, dotados develocidades V1 e V2, respectivamente, comomostrados na figura 6.A continuidade do meio permite escrever: ∂u ∂u ∂u u2 = u1 + ∂x ∆x + ∂y ∆y + ∂z ∆z ∂v ∂v ∂v v 2 = v1 + ∆x + ∆y + ∆z ∂x ∂y ∂z (24) w = w + ∂w ∆x + ∂w ∆y + ∂w ∆z 2 1 ∂x ∂y ∂z Figura 6- Movimento relativo entre dois pontos próximos, de uma mesma partícula. Rearranjando as expressões acima, seobtém: 1  ∂u ∂w   ∂v ∂u    ∂u 1  ∂v ∂u   ∂u ∂w  u2 = u1 +  − ∆z −  − ∆y  +  ∆x +  + ∆y +  + ∆ z  2  ∂z ∂x   ∂x ∂y    ∂x 2  ∂x ∂y   ∂z ∂x   (25)  144444 2444444 14444444 244444444 4 3 4 3 ur ud 1  ∂v ∂u   ∂w ∂v    ∂v 1  ∂v ∂u   ∂w ∂v  v 2 = v1 +  − ∆x −  − ∆z +  ∆y +  + ∆x +  + ∆z (26) 2  ∂x ∂y   ∂y ∂z    ∂y 2  ∂x ∂y   ∂y ∂z   144444 2444444 14444444 244444444 4 3 4 3 vr vd -8–
  10. 10. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS 1  ∂w ∂v   ∂u ∂w    ∂w 1  ∂u ∂w   ∂w ∂v   w 2 = w 1 +  − ∆y −  − ∆x +  ∆z +  + ∆x +  + ∆y  2  ∂y ∂z   ∂z ∂x    ∂z 2  ∂z ∂x   ∂y ∂z   (27) 144444 2444444 144444444 44444444 4 3 2 3 wr wd Ou seja: r r r r V2 = V1 + Vr + Vd (28) Portanto, pode-se considerar que o movimento do ponto P2, situado no interior dapartícula, é resultante da composição de três movimentos. Translação. Neste caso, se a velocidade (tanto em intensidade como em direção esentido) em P2 é a mesma de P1, a partícula sofre uma translação, sem movimento relativoentre os dois pontos. Rotação. Pode-se observar que: r r v r 1 → r  ( ) Vr = Ω ∧ ( P2 − P1 ) = ∇ ∧ V ∧ ( P2 − P1 ) = rot. V  ∧ ( P2 − P1 ) 2  (29) vo que representa uma rotação. Ao vetor Ω , dá-se a denominação vetor turbilhão, cujascomponentes dependem exclusivamente da velocidade em P1. Nota-se que o vetor turbilhão,que passa por P1, tem dimensão de freqüência [T-1]. Cabe aqui, introduzir o conceito de escoamento a potencial de velocidades. Seu.dx+v.dy+w.dz for uma diferencial exata, existe uma função9 ϕ(x,y,z) tal que: ∂ϕ ∂ϕ ∂ϕ u= ; v= ; w= (30) ∂x ∂y ∂z Portanto, o vetor turbilhão, neste caso, fica: r r r i j k r 1 ∂ ∂ ∂ r r r Ω= = 0 i + 0 j + 0k (31) 2 ∂x ∂y ∂z ∂ϕ ∂ϕ ∂ϕ ∂x ∂y ∂zo que significa que o movimento é irrotacional, e a equação 10 (da continuidade) fica: ∂ρ r r + ( ∇ρ)( ∇ϕ) + ρ( ∇ 2ϕ) = 0 (32) ∂t r Logo, no caso de fluidos incompressíveis ( ∂ρ =0) e homogêneos ( ∇ρ=0), escoando a ∂tpotencial de velocidades, a equação de Laplace10 ( ∇ 2 ϕ =0) é satisfeita. Deformação. Neste caso, a distância infinitesimal ∆S, entre P1 e P2 temcomponentes ∆x, ∆y e ∆z, cujos valores são:9 A funçao ϕ(x,y,z) é chamada função potencial.10 Marquês de Laplace (1749-1827). Matemático e astrônomo francês. Mostrou que as órbitas planetárias, comocalculadas por Newton, são dinamicamente estáveis e desenvolveu toda uma teoria sobre a ação das marés.Também formulou a chamada Hipótese da Nebulosa, segundo a qual o sistema solar se condensou a partir de umanuvem de gás e publicou trabalhos importantes sobre a Teoria das Probabilidades. -9-
  11. 11. Antônio Cardoso Neto  ∆x = ud. dt  ∆x ∆y ∆z ∂( ∆S)  ∆y = v d. dt ⇒ = = ⇒ = u2 + v 2 + w 2  ∆z = w . dt ud vd w d ∂t d d d (33)  d Considere-se a expressão seguinte:  ∂u ∂u ∂u   ∂x ∂y ∂z   ∂V  r   ∆x  ∂v ∂v ∂v   ϕ( x, y, z) = ( ∆S)  ( ∆S) = ( ∆x ∆y ∆z)  ∆y T (34)  ∂( x, y, z)   ∂x ∂y ∂z      ∂w ∂w ∂w  ∆z     ∂x ∂y ∂z  Pode-se verificar que: ∂ϕ ∂ϕ ∂ϕ = ud; = v d; = wd (35) ∂( ∆x) ∂( ∆y) ∂( ∆z) Por ser um escoamento a potencial de velocidades, o movimento é irrotacional. Noentanto, a velocidade relativa entre os dois pontos não é necessariamente nula, o que produzuma deformação na partícula em torno do ponto P1.5. FORMULAÇÕES DECORRENTES DA EQUAÇÃO DE EULER Há duas equações importantes, que surgem como conseqüência da equação de Euler: aEquação de Lagrange, e a de Bernoulli, sendo que a forma geral desta última já foi apresentadaaqui.5.1. A Equação de Lagrange Seja um escoamento a potencial de forças ψ(x,y,z), tal que  ∂ψ  X  ∂x     ∂ψ   Y  = − ∂y    (36) Z    ∂ψ   ∂z onde X, Y e Z são as forças externas (por unidade de massa) da equação 17, e seja o potencialde velocidades ϕ(x,y,z), como foi definido na equação 30. Então, a equação de Euler fica:  ∂p   ∂ψ   ∂ ϕ ∂ ϕ ∂ ϕ  ∂ϕ   ∂2ϕ  2 2 2  ∂x   ∂x   ∂x2 ∂y 2 ∂z2  ∂x   ∂x∂t       2  0 1  ∂p   ∂ψ   ∂2ϕ ∂2ϕ ∂2ϕ  ∂ϕ  ∂ϕ  + + 2  +  = 0  (37) ρ  ∂y   ∂y   ∂x 2 ∂y 2 ∂z  ∂y   ∂y∂t      0   ∂p   ∂ψ − g  ∂ ϕ ∂ ϕ ∂ ϕ  ∂ϕ   ∂ ϕ  2 2 2 2    ∂z   ∂z   ∂x2 ∂y 2 ∂z2  ∂z   ∂z∂t    Mas, pode-se facilmente perceber que: - 10 –
  12. 12. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS   ∂ϕ 2  ∂ϕ 2  ∂ϕ 2    ∂  +   +       ∂x   ∂y   ∂z     ∂2ϕ ∂2ϕ ∂2ϕ  ∂ϕ   ∂x   ∂( V ) 2   ∂x2 ∂y 2 ∂z2     2 2 2           2  ∂x   ∂ ∂ϕ  +  ∂ϕ  +  ∂ϕ     ∂x 2   ∂x   ∂y   ∂z    1 ∂( V )  ∂ ϕ ∂ ϕ ∂ ϕ  ∂ϕ  = 1   2 2   (38)  ∂x 2 ∂y 2 ∂z  ∂y  2 2  ∂y  = 2  ∂y   ∂2ϕ ∂2ϕ ∂2ϕ  ∂ϕ     ∂( V ) 2   ∂ϕ 2  ∂ϕ 2  ∂ϕ 2       2         ∂x ∂y 2 ∂z2  ∂z   ∂ ∂x  +  ∂y  +  ∂z       ∂z     ∂z      Então, a equação 37 se reduz a:  ∂p   ∂ψ   ∂( V ) 2   ∂2ϕ   ∂x   ∂x       ∂x 2   ∂x∂t   0  1  ∂p   ∂ψ  1  ∂( V )  ∂ϕ 2  + + +  = 0  (39) ρ  ∂y   ∂y  2  ∂y   ∂y∂t       ∂p   ∂ψ − g  ∂( V ) 2   ∂2ϕ   0   ∂z   ∂z       ∂z   ∂z∂t  Sob a suposição de que a densidade ρ é apenas função da pressão p, ou seja:  dp   dp   dp  ∂ ∫  ∂ ∫  ∂ ∫  1 ∂p  ρ 1 ∂p  ρ 1 ∂p  ρ = ; = ; = (40) ρ ∂x ∂x ρ ∂y ∂y ρ ∂z ∂zé permitido que se escreva:  dp V 2 ∂ϕ   dp V 2 ∂ϕ   dp V 2 ∂ϕ  ∂ ∫ + ψ+ +  ∂ ∫ + ψ+ +  ∂ ∫ + ψ+ +   ρ 2 ∂t   ρ 2 ∂t   ρ 2 ∂t  = = =0 (41) ∂x ∂y ∂z dp V 2 ∂ϕ Portanto, a expressão ∫ + ψ+ + independe do ponto (x,y,z) considerado, ρ 2 ∂tsendo dependência exclusiva do tempo t. Finalmente, se o movimento for permanente, conclui-se que: dp V2 ∫ ρ + ψ + 2 = Constante (espacial e temporalmente ). (42) A expressão acima demonstra que a integração pode ser feita entre dois pontosquaisquer (não necessariamente pertencentes à mesma trajetória ), se as forças e as velocidadesforem oriundas de um potencial.5.2. A Equação de Bernoulli A equação 23, de Bernoulli, também pode ser deduzida a partir do conceito de potencialde força. Observando que dx=u.dt, dy=v.dt e dz=w.dt e pré-multiplicando a equação 17 pelovetor linha (dx dy dz), obtém-se: - 11 -
  13. 13. Antônio Cardoso Neto   ∂p    ∂u ∂u ∂u   ∂u       ∂x  X   ∂x ∂y ∂z  u   ∂t   1  ∂p      ∂v ∂v ∂v    ∂v     ( dx dy dz)  ρ  ∂y  −  Y  + dt( u v w )  ∂x ∂y ∂z  v  +  ∂t  = 0 (43)     Z − g        ∂p      ∂w ∂w ∂w  w   ∂w     ∂z      ∂x ∂y ∂z     ∂t  ou seja: 1  ∂p ∂p ∂p   du dv dw   dx + dy + dz − X. dx − Y. dy − ( Z − g)dz + u +v +w dt = 0 (44) ρ  ∂x ∂y ∂z   dt dt dt  Notando que ∂p ∂p ∂p ∂p dx + dy + dz = dp − dt (45) ∂x ∂y ∂z ∂te que, do conceito de velocidade média local (resultante no filete),  du dv dw  u +v +w dt = V. dV (46)  dt dt dt  A equação 44 fica: 1 ∂p   dp − dt  − X. dx − Y. dy − ( Z − g)dz + V. dV = 0 (47) ρ ∂t  Porém, essa equação não é integrável em qualquer ponto do escoamento, pois dx, dy edz não são independentes como na equação de Lagrange. Se houver uma função potencial deforças ψ(x,y,z), pode-se escrever: ∂ψ ∂ψ ∂ψ X = − ; Y = − ; Z−g= − ⇒ dψ = − X. dx − Y. dy − ( Z − g)dz (48) ∂x ∂y ∂z Logo; 1 ∂p   dp − dt  + dψ + V. dV = 0 (49) ρ ∂t que, no caso de escoamento permanente, se reduz a: p dp dp 1 + dψ + V. dV = 0 ⇒ ∫ + ( ψ − ψo ) + ( V 2 − Vo2 ) = 0 (50) ρ po ρ 2 Esta equação é de importância crucial no estudo dos escoamentos e foi estabelecida porBernoulli11, passando a ser conhecida por Equação de Bernoulli. Nunca se deve esquecer queesta equação só é aplicável ao longo de uma trajetória, e não a todos os pontos do escoamento.Sua maior aplicação se verifica para fluidos incompressíveis, quando X=Y=Z=0, ou seja,quando a única força externa à qual o escoamento está submetido é o peso da massa líquida.Neste caso, ψ=gz, o que implica que: p dp z V p − po V 2 − Vo2 p V2 ∫ + ∫ g. dz + ∫ V. dV = ρ + g( z − zo ) + 2 = 0 ⇒ z + ρg + 2g = Constante. (51) p ρ o zo Vo11 Daniel Bernoulli. Hidráulico suíço, filho do matemático Johann Bernoulli (1676-1748) que resolveu oproblema da braquistócrona, e sobrinho do famoso matemático Jakob Bernoulli (1654-1705) que introduziu otermo integral no Cálculo. Daniel publicou seu teorema pela primeira vez em 1738, em seu livro Hydrodynamica. - 12 –
  14. 14. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS6. CONDIÇÕES INICIAIS E DE CONTORNO As cinco equações que compõem o sistemahidrodinâmico podem ou não ser passíveis de seremresolvidas12. Em todo caso, se houver solução (tantoanalítica quanto numérica) factível, estas conterãoconstantes de integração, originárias das condições iniciaise de contorno (em um sentido lato, ambas costumam serchamadas condições de fronteira ). Nos problemaspráticos relativos à Hidráulica, envolvendo líquidos ideais,as condições de contorno são normalmente definidas pelassuperfícies livres e/ou pelas paredes sólidas que limitamespacialmente o escoamento. Limites sólidos. A figura 7 mostra uma paredefixa que confina o espaço ocupado pelo líquido emescoamento. Seja F(x,y,z), a equação dessa parede, e Figura 7- Escoamento e parede→ → → → V =  u, v, w  a velocidade do líquido no ponto P. O versor confinante.  →  ∂F ∂F ∂F  onde α é um fator de escala, →n , normal à superfície da parede no ponto P é n = α , , ,  ∂x ∂y ∂z cuja função é tornar unitário o módulo do vetor. O confinamento imposto pela parede impõeque a componente da velocidade na direção normal a ela seja nula, ou seja: → → ∂F ∂F ∂F V. n = 0 ⇒ u +v +w =0 (52) ∂x ∂y ∂z Superfícies livres. A condição de contorno, nesse caso, é simplesmente a imposiçãode que a pressão na superfície seja constante. Essa imposição tem como conseqüência o fato(análogo ao caso anterior) de que u ∂p + v ∂p + w ∂p = 0 , o que é fácil de ser verificado. ∂x ∂y ∂z7. DISTRIBUIÇÃO DAS PRESSÕES → → Por ser uma igualdade vetorial, a expressão m A = ∑ F é válida ao ser projetada emqualquer direção; por exemplo, nos eixos coordenados intrínsecos ligados à trajetória de umapartícula P, como ilustra a figura 8, na qual a tangente t à trajetória é orientada segundo a regrada mão direita, n é a normal ao plano osculadore b se encontra no eixo binormal. Na figura, C éo centro do raio de curvatura R instantâneo datrajetória. As equações de Euler, então ficam: Eixo tangente à trajetória (x). Ficapraticamente inalterada: 1 ∂p dV = X− (53) ρ ∂x dt Figura 8- Orientação intrínseca de uma trajetória.12 Há também casos nos quais o sistema dinâmico permite a existência de múltiplas soluções. - 13 -
  15. 15. Antônio Cardoso Neto Eixo normal à trajetória (y). O termo da aceleração é simplesmente substituído pelaaceleração centrípeta13: 1 ∂p V2 = Y+ (54) ρ ∂y R Eixo ortogonal ao plano instantâneo da trajetória, ou eixo binormal (z). Como nãohá projeção das acelerações da velocidade no eixo z, exceto a gravitacional, a equação fica,simplesmente: 1 ∂p = Z−g (55) ρ ∂t A partir dessas equações, pode-se tirar as seguintes conclusões relativas à distribuição daspressões nos escoamentos, conclusões essas conhecidas como regras de Bresse: A variação vertical das pressões obedece a lei hidrostática, em escoamentos cujas trajetórias são confinadas a planos horizontais, pois p z 1 ∂p 1 = −g ⇒ ∫ dp = − g ∫ dz ⇒ p − po = ρg( zo − z) (56) ρ ∂z ρ po zo As pressões se distribuem segundo a lei hidrostática nos escoamentos retilíneos e uniformes, devido ao fato de que as acelerações são nulas, resultando em  ∂p   X   ∂x  →    ∂p  F → ρ Y  =   ⇒ ρ = ∇ p (57)    ∂x  m  Z − g ∂p    ∂z que são condições de equilíbrio hidrostático. Se o escoamento de um líquido ideal causar, nas partículas, movimentos idênticos aos que estas teriam se estivessem sob a ação exclusiva das forças externas, a pressão será constante em toda a massa líquida, em um instante qualquer, porque  du   ∂p   X   dx   ∂x     dv  0   1  ∂p     Y  =  dy  ⇒ ρ  ∂y  =  0  ⇒ p(x, y, z) = Constante.    (58)  Z − g dw    0       ∂p   dz   ∂z  Se o escoamento de um líquido natural for dotado de movimentos lentos, a distribuição das pressões é praticamente hidrostática, pois V ≈ 0, o que faz com que as forças inerciais possam ser desprezadas, recaindo no caso . A distribuição das pressões em uma seção transversal ao escoamento seguirá a lei hidrostática, se as trajetórias das partículas atravessarem normalmente essa seção, e se as13 O termo da aceleração fica em sentido contrário, pois deve sempre ser lembrado que a aceleração centrípetaocorre no sentido de atrair a partícula para o centro do raio de curvatura da trajetória, embora haja uma reaçãocentrífuga sobre a partícula, orientada no sentido de escapar da trajetória. - 14 –
  16. 16. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS curvaturas14 dessas trajetórias forem muito pequenas nas cercanias da seção, pois isso também faz que se recaia no caso .8. APLICAÇÕES DA EQUAÇÃO DE BERNOULLI O teorema de Bernoulli, que afirma que a soma das alturas (geométrica, piezométrica ecinética) é constante ao longo de qualquer linha de corrente, nada mais é que o princípio deconservação de energia, sendo que cada uma dessas alturas (também denominadas cargas) nãopassam de formas de energia (potencial, de pressão e cinética) por unidade de peso, o que tornaa equação de Bernoulli uma ferramenta utilíssima na resolução de problemas relativos àengenharia hidráulica. Duas experiências interessantes que ilustram este importante teorema, idealizadas e realizadas por Froude em 1875, são mostradas a seguir. A primeira demonstração utiliza piezômetros instalados em uma tubulação lisa, horizontal e de diâmetro variável, que parte de um reservatório no qual o nível foi mantido constante, como ilustra a figura 9. Pode-se observar que a água Figura 9- Conservação da energia total. dos piezômetros sobe mais nas seções de diâmetro maior, pois nelas a velocidade émenor, resultando menor carga cinética e, portanto, maior carga piezométrica. A constância dacarga total pode ser verificada pela equação de Bernoulli, uma vez que as seções sãoconhecidas. Pode-se também calcular a vazão desta forma. No segundo experimento, são utilizados vasos providos de bocais, chamados vasos deFroude, em sua homenagem. Os bocais são justapostos, com a água passando de um para ooutro, como está esquematizado na figura 10.a. A pressão exercida pelo líquido na seção S2 é ρgh2, ao passo que se admite uma pressão igual a ρgh1 na seção S1. Tomando como referênciao eixo dos bocais e aplicando o teorema de Bernoulli, obtém-se: V12 V22 H= + h1 = + h2 (59) 2g 2g A seção S1 do bocal é construída de tal forma que reduz toda a carga H à energiacinética, ou seja: V12 =H (60) 2gque é a conhecida equação cinemática de Torricelli15. Portanto, resulta que h1 = 0, o queimplica que a pressão no bocal é a atmosférica. Desta forma, pode-se separar os vasos (figura14 Curvatura λ da função f no ponto x=a é definida como o inverso do raio de curvatura, ou seja: d2 [ f ( a)] λ= ∂x2 3/2   df ( a) 2  1+      dx  15 Torricelli (1608-1647). Matemático italiano. Conhecido como sendo o inventor do barômetro de mercúrio. Seuteorema se aplica a bocais e orifícios nos quais V = 2 gh . - 15 -
  17. 17. Antônio Cardoso Neto10.b) que a água continuará para o outro bocal por meio de um jato, sem que haja águaescapando para o exterior dos bocais.8.1. Extensão do Teorema deBernoulli aos Líquidos Reais8.1.1. O coeficiente de Coriolis Seja uma corrente líquida queatravessa perpendicularmente umaseção S, na qual o escoamento seapresenta com uma distribuição Figura 10- A experiência dos vasos de Froude.qualquer de velocidades transversais aela, como é mostrado na figura 11.Sendo dQ = v.dS a vazão que um filete elementar, dotado de velocidade média local v no pontoem que o filete atravessa a seção, a potência16 total do filete neste ponto é:  p v2  P = z + + ρg. dQ (61)  ρg 2g  Portanto, se o fluido for incompressível, a pressão for uniformemente distribuída em S ez for a cota do centro geométrico da seção em relação a um plano horizontal de referência, apotência total de toda a corrente líquida é:  p v2  v2 ρPt = ρg∫  z + + v. dS ⇒ Pt = ( p + ρgz) Q + ρg∫ v. dS = ( p + ρgz) Q + ∫ v 3 dS (62) S ρg 2g  S 2g 2S Então, a energia total por unidade de peso17 fica: P p 1 E = t = z+ ρgQ + ρg 2gQ S ∫ v3 ds (63) Como pode ser visto na figura 11, v máx = V + ε . Alguns escoamentos em tubos de seçãocircular, como será visto mais adiante, apresentam um perfil de velocidades parabólico, onde  r2 v = ( V + ε)1 − 2  , onde V é a velocidade média na seção e R é o raio da mesma, suposta  R circular. Logo, ∫ v.dS 2(V + ε ) R  r 2  V+ε V= S S = R 2 ∫ 1 − R 2 r.dr = 2 ⇒ V = ε 0    (64) Portanto,  r2  v = 2V1 − 2  (65)  R o que conduz a: 3 R  r2  ∫ v dS = 16πV ∫ 1− R2  r.dr = 2πR2 V 3 = 2QV 2 3 3 (66) S 0 que substituída na equação 63 fornece:16 Potência é a taxa de dissipação de energia, ou seja, a razão da energia pelo tempo.17 Também chamada de energia específica. - 16 –
  18. 18. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS p  V2  E=z+  2g  ; α = 2 para seções circulares. + α  (67) ρg   O valor de α, chamado coeficiente de Coriolis depende, portanto, da distribuição das velocidades, entre outras coisas. Nos escoamentos turbulentos em condutos forçados, seu valor varia normalmente entre 1,05 e 1,10. Como nesses casos a velocidade média raramente ultrapassa 4 m/s, o erro cometido no cálculo da carga total, ao se adotar α=1, quase nunca ultrapassa 8 cm. Porém, nos escoamentos à superfície livre, o valor de α é mais alto que nos escoamentos forçados, devido à distribuição mais complexa das velocidades na seção, Figura 11- Distribuição de velocidades além de ser dotado de velocidades muito mais altas. Não em uma seção. é raro uma velocidade média de 10 m/s e coeficiente de coriolis igual a 1,5 em canais, o que pode ocasionar umerro de 2,50 metros no cálculo da carga total, o que é inadmissível. Portanto, o coeficiente de Coriolis é: S 2 ∫ v 3 ds α= S 3   (68)  ∫ v.ds    S  Ao se fazer as medições de velocidades emuma determinada seção transversal de um canal,obtém-se as isótacas18, que delimitam as áreashachuradas da figura 12. O coeficiente de Coriolis Figura 12- Isótacas de uma seção de canal.pode, então, ser calculado através de qualquer método de integração numérica, como oseguinte: −3  n −1  v i +1 + v i    n −1  v i +1 + v i  3  n −1    α =  ∑ ∆S i ∑   ∆S i  ∑  ∆S i   (69)  i =1  i =1    2    i =1   2  na qual  v i+1 + v i  é a velocidade média da seção ∆Si .    2 8.1.2. Perda de carga Mesmo ao se levar em conta a distribuição de velocidades e, a partir daí, adotar-se umvalor criterioso do coeficiente de Coriolis, observa-se que os escoamentos reais não obedecemrigorosamente a equação de Bernoulli, devido aos efeitos da viscosidade e da turbulência,resultando em dissipação de energia em forma de calor. Nos escoamentos reais, a carga totaldimunui na direção do escoamento, como mostrado na figura 13. Portanto, para escoamentos reais, a equação de Bernoulli fica: p V2 p V2 zA + A + α A A = zB + B + αB B + ∆h (70) γ 2g γ 2g18Isótaca = ×σοϖ (igual) + ταξ∩ϖ (velocidade). São as curvas que representam as regiões de uma seção, dotadasde velocidades iguais. - 17 -
  19. 19. Antônio Cardoso Neto O termo ∆h recebe a denominação de perda de carga.9. INTERCÂMBIO DE IMPULSO Cabe aqui, esclarecer alguns aspectos terminológicos de dois conceitos importantes noentendimento do fenômeno do escoamento. Impulso ou impulsão. O impulso de uma força pontual F é o produto da mesma pelo intervalo de tempo que dura sua ação. Quantidade de movimento. A quantidade de movimento da massa m é o produto dessa massa por sua velocidade. Newton19 denominou-a quantity of motion, embora o termo preferido pelos autores atuais de língua inglesa seja o termo latino momentum. Algumas traduções mal-feitas trazem este termo inglês como “momento”, mas o que corresponde ao nosso “momento” é moment Figura 13- Representação da perda de carga. (Ex.: moment of inertia, ou seja “momento de inércia”). Alguns autores anglófonos costumam denominá-lo linear momentum, para diferenciá-lo de angular momentum (sinônimo de moment of momentum) que corresponde ao nosso “momento cinético”. Esta deplorável confusão entre momentum e moment criou, entre nós, a locução imprópria de “momento angular”, tradução errônea de angular momentum, quando o correto seria “momentum angular”, “quantidade de movimento angular”, “momento de quantidade de movimento” ou “momento de momentum”.9.1. O Teorema de Euler Pode-se expressar o princípio fundamental da mecânica clássica, aplicado à massapontual m, como: "A derivada em relação ao tempo, da quantidade de movimento de uma massa m dotada de velocidade V equivale à resultante de todas as forças externas aplicadas a essa massa." Tal lei pode ser verificada da seguinte maneira:  → dm V  → →  → impulso = quantidade de movimento ⇒ ∑ F ext dt = m V ⇒ ∑Fext = (71) dt No caso em que m é constante, a expressão acima nada mais é que a lei básica deNewton que afirma que a somatória das forças é igual ao produto da massa pela aceleração.Este teorema pode ser aplicado ao filete líquido incompressível mostrado na figura 14, na qualo volume elementar dVol é transportado da posição A para B, durante o intervalo de tempo dt,em movimento permanente.19 Isaac Newton (1642-1727). Matemático inglês cujas contribuições tanto em Matemática como em Físicamudaram decisivamente a concepção e direção dessas ciências. Descobriu o método analítico que forma a base doCálculo e formulou importantes leis sobre o estudo da Mecânica. Após três séculos, sua teoria gravitacionalcontinua válida, embora seja hoje compreendida como um caso particular no qual a distância entre os corpos érelativamente grande e a massa de um desses corpos é comparativamente pequena, como no movimento detranslação da Terra em torno do Sol. - 18 –
  20. 20. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS A conservação da quantidade de movimentoimplica que a diferença entre a quantidade demovimento que entra pela seção dS1 e a que sai pordS2 é igual à variação da quantidade de movimento dovolume envolto pela superfície (1) (2) (4) (3)(1). Como a equação da conservação de massa fornecedm = ρ. dVol = ρdSA . VA dt = ρdS B . VBdt = ρdQ. dt , deduz-seque:  → → →  → → →dm V  = ρ. dQ VB − V A dt ⇒     ∑Fext = ρ VB − VA dQ   (72) Esta equação, conhecida como Equação deEuler, não leva em consideração as forças internas,uma vez que o sistema formado por elas tem resultante Figura 14- Transporte de quantidade de movimento de A para B.nula. No campo gravitacional, essas forças são: o → →peso da massa líquida d Fg ; as forças de pressão d Fp sobre as paredes laterais do filete e →sobre as seções de entrada e de saída do volume; e as forças de atrito d Fr sobre as paredeslaterais do filete. Portanto, a equação de Euler fica: → → → → → → dFg + dFp + dFr = ∫ ρ V V. n. ds S (73) →onde n é o versor da direção e sentido do escoamento. Através deste teorema, é possíveldeterminar a resultante das forças externas, conhecendo-se a distribuição de velocidades sobrea superfície fechada que envolve o líquido (independente se ideal ou real), sem se preocuparcom o que ocorre em seu interior.9.2. Aplicações do Teorema de Euler Seja um certo volume envolto por uma superfícieS fechada e fixa, através da qual um fluido se movimentaem regime permanente, como ilustra o esquema da figura15. A quantidade de movimento que sai pelasuperfície elementar ds, por unidade de tempo é: → dm → → →→ → v = v ρ. dQ = v ρ( v. dS) = ρ v v. n dS (74) dt Figura 15- Líquido contido em uma Então, a variação da quantidade de movimento superfície fechada.do fluido contido em S, durante o intervalo de tempo dt, édado por:  → →→ → → → → dm v  = dt ∫ ρ v v. n dS = dt ∫ ρvn dS v ⇒ ∑Fext = ∫ ρvn dS v   S S S (75) A equação de Euler foi apenas deduzida a partir do escoamento ao longo de um filetede seção transversal infinitesimal. Torna-se, portanto, imperativo que se defina a aplicação doteorema às correntes líquidas. Pode-se imaginar a corrente como sendo composta de filetes quenão se cruzam, sendo nula a velocidade em toda a superfície lateral da corrente, como pode serobservado na figura 16. Chega-se, portanto, à seguinte expressão: - 19 -
  21. 21. Antônio Cardoso Neto → → → ∑ Fext = ∫ ρv n v ds − ∫ ρv n v ds (76) S2 S1 Se o fluido for incompressível e a seção transversal for normal à direção geral dacorrente, o valor de vn é igual ao módulo de v. Neste caso, a variação da quantidade de S2movimento no volume delimitado por S1, S2 e as paredes laterais, fica ρ ∫ v 2 ds . Entretanto, é S1preferível que se utilize a velocidade média V, para efeitos de aplicação prática. Portanto, ∫ v ds S∫ v 2 ds 2 βρV 2 S = ρ ∫ v 2 ds ⇒ β = S 2 = S 2 (77) S V S    ∫ vds    S  sendo que β é o coeficiente de quantidade de movimento. É deixado como exercício, a aplicação desta relação ao perfil parabólico (equação 65), que resulta em β = 4/3. Portanto, a quantidade de movimento real é maior que a quantidade de movimento do escoamento fictício médio, resultando que a fórmula de Euler aplicada às correntes líquidas fica: → ∑F ext = ρQ( β2 V2 − β1V1) (78) Figura 16- Distribuição de velocidades em uma corrente.10. ESCOAMENTO DOS FLUIDOS VISCOSOS Até aqui, não se preocupou com o que ocorre no interior dos fluidos em movimento.Entretanto não apenas o atrito entre o fluido e as paredes dos condutos são relevantes, comotambém o atrito entre os filetes que compõem a corrente.10.1. Viscosidade Viscosidade é o atrito que seobserva no interior de um fluido real emescoamento, causando uma força dearrasto entre duas camadas adjacentes. Édevido a este efeito que os escoamentos defluidos naturais se apresentam com umadistribuição não-uniforme de velocidades.Para se compreender este fenômeno, se fazuma analogia com o movimento relativo Figura 17- Exemplificação da viscosidade.de duas placas planas separadas por umadistância infinitesimal ∆n, como as da figura 17. Enquanto a placa inferior está em repouso, asuperior se move horizontalmente em movimento uniforme, arrastando as partículas líquidasque estão em contato com ela, em conseqüência do atrito; ao passo que as partículas que estão - 20 –
  22. 22. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOSem contato com a placa inferior permanecem imóveis, pelo mesmo motivo, admitindo que olíquido se movimenta laminarmente. Tem-se observado experimentalmente, que a velocidadevaria linearmente de zero até ∆v. A força de resistência ao deslocamento da placa éproporcional à velocidade relativa e à área da placa, e inversamente proporcional à distânciaentre as placas, ou seja: → → → → → ∆v dF dv dv ∆ F = µ∆S ⇒ =µ ⇒ τ=µ (79) ∆n dS dn dn O coeficiente µ [ML-1T-1] é chamado coeficiente de viscosidade absoluta, quedepende da temperatura, pressão e da natureza do líquido, e τ é a tensão de cisalhamento. Comfreqüência se emprega o coeficiente de viscosidade cinemática ν =µ/ρ [ L3T-1]. →Pode-se notar que d v é uma medida da deformação do líquido, uma vez que dn  dζ   dζ  d  d  → dv  dt   dn  d( tgθ) 1 dθ = = = = (80) dn dn dt dt cos 2 θ dtque para pequenas deformações (cos2θ ≈ 1) se reduz a → d v dθ = (81) dn dt10.2. Viscosidade dos Fluidos Reais Os fluidos que se comportam da forma descrita são chamados de newtonianos. Há,porém, alguns outros que não têm comportamento similar. Os chamados fluidos não-newtonianos podem ser classificados em três grupos: Fluidos que apresentam características simultâneas de sólidos e líquidos. Umexemplo característico dos fluidos deste grupo é o piche que, quando em escoamento àtemperatura ambiente, apresenta características de um fluido de grande viscosidade, porém severifica que surge uma ruptura no piche, ao sofrer o impacto de uma batida brusca, como sefosse um sólido. O piche se enquadra no grupo dos fluidos viscoelásticos. Fluidos nos quais a relação entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamentodepende das condições iniciais do escoamento. A viscosidade aparente desses fluidos não podeser descrita analiticamente através de uma relação entre θ e τ, pois depende também da históriaprévia do escoamento. Fluidos nos quais a taxa de deformação é apenas função da tensão de cisalhamento. Aqui será feita apenas uma abordagem sumária dos fluidos do terceiro grupo, poisapresentam uma viscosidade aparente, com um significado análogo ao da viscosidadepropriamente dita. Pode-se, portanto, abordar conjuntamente os fluidos newtonianos e os doterceiro grupo que, por este motivo, é chamado de grupo dos fluidos não-newtonianos viscosos.Já o tratamento analítico do escoamento de fluidos pertencentes aos dois primeiros gruposconstitui um capítulo especial da Mecânica dos Fluidos, chamada Reologia20. A figura 18 mostra o comportamento da taxa de deformação com a tensão decisalhamento, para diferentes tipos de fluidos, a saber:20Reologia = ρε′ω (escorrimento) + λγοϖ (discurso). - 21 -
  23. 23. Antônio Cardoso Neto Fluidos newtonianos. Seu comportamento é mostrado na figura 18-a, e pode serdescrito como: • τ = µθ (82) A água é um fluido newtoniano. Plásticos de Bingham. O escoamento (figura 18-b) de fluidos como lama, pastasdentifrícias e tintas a óleo, entre outros, somente se inicia quando a tensão de cisalhamentoatinge um valor mínimo chamado tensão de escoamento (τo), quando passa a ter umcomportamento linear, ou seja: • τ = τo + µo θ (83)equação na qual µo é chamada deviscosidade plástica. Fluidos pseudo-plásticos. Se comportam damaneira ilustrada na figura 18-c.São representados,principalmente, pelos derivadosde celulose, soluções depolímeros elevados e suspensõesde partículas assimétricas.Embora não apresentem tensãode escoamento, a relação entre a Figura 18- Comportamento viscoso de diferentes tipos de fluidos.taxa de deformação e a tensãonão é linear, apresentando-se da seguinte forma: n  • τ = λθ (84)  com n < 1, e λ constantes que dependem da natureza do fluido. Define-se como viscosidadeaparente µo, a expressão: n−1 τ  • µ ap = = λθ (85) •   θ Fluidos dilatantes (figura 18-d). São fluidos menos comuns que os pseudoplásticos,apresentando comportamento análogo a estes, porém com n > 1. O comportamento dos fluidos viscosos pode, então, ser resumido na seguinte fórmula: n  • τ = a + bθ (86)  com os valores de k e n da tabela 1. Fluido a b n Newtoniano 0 µ 1 Plástico de Bingham τo µo 1 Pseudoplástico 0 λ <1 Dilatante 0 λ >1 Tabela 1- Parâmetros de alguns tipos de fluidos viscosos. - 22 –
  24. 24. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS Levando em conta as forças viscosas, a equação de Euler (18), pode ser assim escrita: → →  F ext − dV  → → (87) ρ = ∇p + Fµ  dt    →em que Fµ é o conjunto das forças de origem viscosa.10.3. O Teorema do Tetraedro dos Esforços Seja o tetraedro de arestas infinitesimais dafigura 19, onde o plano ABC é definido pelos →cossenos diretores de seu versor normal n :cos n x , cos n y e cos n z . Sejam O a origem dos eixos $ $ $coordenados e dS a área da face ABC. Logo as áreasdas outras três faces são:  ∆OBC = dS cos n x $   ∆OAC = dS cos n y $  ∆OAB = dS cos n (88)  $z Para que o tetraedro esteja em equilíbrio, é Figura 19- O tetraedro dos esforços.necessário que: → → → → dF = dF x + dF y + dF z (89)ou seja: → → → → T = T x cos n x + T y cos n y + T z cos n z $ $ $ (90)sendo que T, Tx, Ty e Tz são as tensões específicas21 nas faces ABC, OBC, OAC e OABrespectivamente. Cada uma dessas tensões específicas tem uma componente segundo cada eixodo triedro cartesiano. Como o meio fluido considerado é homogêneo e isotrópico22,considerando o equilíbrio dos momentos, tem-se: σ τ τ xz  cos n x  $ x xy   $  → τ =  τ xy σy τ yz  cos n y  (91)   $   τ xz τ yz σz  cos n z em que os sigmas e taus representam as tensões normais e de cisalhamento, respectivamente.Portanto, a tensão oriunda das forças viscosas em um elemento de fluido pode ser representadada forma acima.11. TENSÕES E DEFORMAÇÕES DE ORIGEM VISCOSA NOS FLUIDOSNEWTONIANOS Como a água é um fluido newtoniano, aqui será estudado apenas este tipo de relaçãotensão-deformação. Um corpo rígido pode sofrer movimentos de translação e rotação.Cinematicamente, o que o diferencia de um corpo fluido é sua incapacidade de se deformar.21tensões por unidade de superfície.22 Homogêneo = οµϖ (semelhante) + γε′νος (origem, natureza). Se diz dos materiais cujas propriedades físicassão uniformemente distribuídas.Isotrópico = ×σος (igual) + τρπος (direção). Se diz de um material cujas propriedades físicas são independentesda direção. - 23 -
  25. 25. Antônio Cardoso NetoLogo, as forças viscosas conduzem apenas à deformação da massa fluida. Será feita umaanalogia com os corpos sólidos deformáveis, para se atingir uma expressão geral doescoamento dos fluidos newtonianos. Observando as equações 25, 26 e 27, verifica-se que a velocidade de deformação podeser decomposta em dois tipos: Velocidade de deformação linear ou de dilatação. Altera apenas o comprimento doseixos, sendo representada pelo seguinte vetor:  ∂u ∂v ∂w   ; ;  (92)  ∂x ∂y ∂z  Velocidade de deformação angular. Altera o ângulo dos eixos, segundo o vetor:  ∂w ∂v ∂u ∂w ∂v ∂u   + ; + ; +  (93)  ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y 11.1. Tensões Normais Sabe-se, pela lei de Hooke, que a relação entre as tensões normais e as deformaçõeslineares de um corpo homogêneo e isotrópico leva em conta o efeito da deformação transversalnos dois sentidos ortogonais ao sentido da deformação longitudinal, por uma questão decontinuidade e coesão, ou seja:  ∂ξ   1 1  1 − −  ε x   ∂x  ς ς σ  σx  σ + σ + σ     ∂η  1  1 1  1 + ς   1  x x y z  ε y  =   = −   ∂y 1 − σy  = σy  − σx + σy + σz  (94)    E ς ς   ςE   ςE    ε z  ∂ζ  1 1 σz  σz  σx + σy + σz    − − 1  ∂z   ς ς na qual ξ, η e ζ são as componentes do deslocamento ao longo das direções x, y e z,respectivamente; E é o Módulo de Elasticidade e ς é o Coeficiente de Poisson23. Mas, atravésda Teoria da Elasticidade, sabe-se que: 2( ς + 1) E= G (95) ςem que G é o módulo de torção. Fazendo  ε = εx + εy + εz   (96) 1 (  σ = 3 σx + σy + σz  )obtém-se: 3( ς − 2 ) σ 2( ς + 1)Gε 2 Gε + 6 σ ε= ⇒ σ= ⇒ ς= (97) 2( ς + 1)G 3( ς − 2 ) 3 σ − 2Gε Substituindo as equações 93, 94 e 95 na equação 92, obtém-se:23S. D. Poisson (1781-1840). Geômetra e físico francês. Escreveu grande quantidade de tópicos em Magnetismo,Astronomia, nos estudos de Escoamentos Viscosos, Elasticidade, Potencial Gravitacional e na Teoria dasProbabilidades. - 24 –
  26. 26. ELEMENTOS DE MECÂNICA DOS FLUIDOS  3σ  2Gε  2 σx = 2Gεx + 1+ ς σx = 2Gεx + ς−2 σx = σ + 2Gεx − 3 Gε   3σ   2 Gε  2 σy = 2Gεy + ⇒ σy = 2Gεy + ⇒ σy = σ + 2Gεy − Gε (98)  1+ ς  ς−2  3  σ = 2 Gε + 3 σ  σ = 2 Gε + 2Gε σ = σ + 2Gε − Gε2  z  z 1+ ς  z  z ς−2  z z 3ou seja:  ∂ξ 2  ∂ξ ∂η ∂ζ  σx = σ + 2G − G + +   ∂x 3  ∂x ∂y ∂z   ∂η 2  ∂ξ ∂η ∂ζ  σy = σ + 2G − G + +  (99)  ∂y 3  ∂x ∂y ∂z   ∂ζ 2  ∂ξ ∂η ∂ζ  σz = σ + 2G ∂z − 3 G ∂x + ∂y + ∂z    11.2. Tensões Tangenciais As tensões de cisalhamento são conseqüências diretas dos momentos torçores, portanto:   ∂ζ ∂η  τ yz = G +    ∂y ∂z    ∂ζ ∂ξ   τ xz = G +  (100)   ∂x ∂z    ∂η ∂ξ  τ xy = G ∂x + ∂y    11.3. Hipóteses de Stokes Stokes24 formulou as seguintes hipóteses: O módulo de torção de um corpo sólido equivale à viscosidade de um corpo fluido. A tensão normal média deve ser substituída pela pressão -p do escoamento. Como as tensões são proporcionais às derivadas temporais das deformações, isso corresponde a substituir dξ por u, dη por v e dζ por w. dt dt dt Portanto, estas hipóteses resultam em:    ∂u ∂v  ∂u 2 → →  τ xy = µ +   σx = −p + 2µ ∂x − 3 µ ∇. V  ∂y ∂x     ∂v 2 → →   ∂w ∂v   σy = −p + 2µ − µ ∇. V e  τ yz = µ +  (101)  ∂y 3   ∂y ∂z   ∂w 2 → →   ∂w ∂u  σz = −p + 2µ ∂z − 3 µ ∇. V   τ xz = µ +    ∂x ∂z 24 George Stokes (1819-1903). Matemático inglês. Trabalhou a vida toda na Universidade de Cambridge, ondefez grandes contribuições à Hidrodinâmica e à Teoria Eletromagnética da Luz. - 25 -
  27. 27. Antônio Cardoso Neto11.4. Equilíbrio Dinâmico A figura 20 mostra as forças de superfícieem um elemento de volume de um fluido emmovimento. Aplicando a segunda lei de Newton a essevolume, se obtém:  ∂Fx   dx  → X  ∂x  DV    ∂Fy  dm = g.dm Y  +  dy  Dt  Z   ∂y  (102)    ∂Fz dz  Figura 20- Equilíbrio dinâmico de forças.    ∂z  Mas, como  ∂Fx  ∂σx ∂τ xy ∂τ xz   = + + dydz  ∂x  ∂x ∂y ∂z   ∂Fy  ∂τ xy ∂σx ∂τ yz   = + + dxdz (103)  ∂y  ∂x ∂y ∂z   ∂Fz  ∂τ xz ∂τ yz ∂σz   ∂z =  ∂x + ∂y + ∂z dxdy   a equação 100 fica:  du  ∂σ ∂τ xy ∂τ xz  ρ = ρgX +  x + +   dt  ∂x ∂y ∂z   dv  ∂τ xy ∂σx ∂τ yz  (104) ρ = ρgY +  + +   dt  ∂x ∂y ∂z   dw  ∂τ ∂τ yz ∂σz  ρ  dt = ρgZ +  xz + +    ∂x ∂y ∂z  Portanto, sob a forma vetorial, a equação 104 pode ser escrita como: → DV → → µ → → → → ρ − ρgeg+∇p − ∇∇. V − µ∇ V = 0 2 (105) Dt 3   A expressão acima é a equação mais importante da dinâmica dos fluidos newtonianos efoi obtida sucessivamente por Navier (1827), Poisson (1831), Saint-Venant (1843) e Stokes(1845), recebendo a denominação atual de Equação de Navier-Stokes12. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADAAZEVEDO NETO, J. M. (1973) - Manual de Hidráulica. Editora Edgar Blücher, São Paulo (SP).GARCEZ, L. N. (1960)- Elementos de Mecânica dos Fluidos - Hidráulica Geral. Editora Edgar Blücher, São Paulo (SP).PIMENTA, C. F. (1977)- Curso de Hidráulica Geral. Vol. 1, Centro Tecnológico de Hidráulica, São Paulo (SP). - 26 –

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